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Numero do processo: 11080.725581/2010-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 19 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não se conhece do recurso especial quando a decisão recorrida utilizou mais de um fundamento independente e suficiente para a sua fundamentação, enquanto o recurso somente ataca um desses fundamentos.
Hipótese em que, na decisão recorrida, o crédito extemporâneo não foi reconhecido por não ter havido retificação da DACON nem prova inequívoca de não aproveitamento desse crédito em outro período de apuração, enquanto o recurso apenas atacou a necessidade de retificação da DACON, pois o paradigma convergiu com o recorrido quanto à necessidade de prova do não aproveitamento do crédito em outro período.
Numero da decisão: 9303-012.729
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente).
Nome do relator: Rodrigo Mineiro Fernandes
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RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não se conhece do recurso especial quando a decisão recorrida utilizou mais de um fundamento independente e suficiente para a sua fundamentação, enquanto o recurso somente ataca um desses fundamentos. Hipótese em que, na decisão recorrida, o crédito extemporâneo não foi reconhecido por não ter havido retificação da DACON nem prova inequívoca de não aproveitamento desse crédito em outro período de apuração, enquanto o recurso apenas atacou a necessidade de retificação da DACON, pois o paradigma convergiu com o recorrido quanto à necessidade de prova do não aproveitamento do crédito em outro período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Possas (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 55 81 /2 01 0- 40 Fl. 528DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-012.729 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.725581/2010-40 Trata-se de recurso especial de divergência (fls. 375 a 399), interposto pelo sujeito passivo, em face do Acórdão nº 3302-008.833, de 29 de julho de 2020 (fls. 359 a 368), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF, assim ementado: RESSARCIMENTO. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e a liquidez do crédito paia o qual pleiteia compensação. A mera alegação do direito creditório. desacompanhada de provas baseadas na escrituração contábil fiscal do período, não é suficiente para demonstrar a liquidez e certeza do crédito para compensação. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. ANÁLISE EM SEDE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Não sendo matéria de ordem pública, resta prejudicada a análise de matéria não suscitada na impugnação. por força do artigo 17. do Decreto n° 70.235/72. APROVEITAMENTO DE CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DACON E DCTF. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes, ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Consta do dispositivo do Acórdão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado. por unanimidade de votos, em não conhecer de parte do recurso em face da preclusão. Na parte conhecida, por unanimidade de votos, em negar provimento, nos termos do voto do relator. Em relação à matéria que interessa ao recurso em análise - créditos extemporâneos – decidiu-se que não se cumpriram requisitos de retificação do Dacon e DCTF, tampouco teria sido demonstrado que tais valores não foram aproveitados em outros períodos de apuração. O sujeito passivo suscitou divergência jurisprudencial de interpretação da legislação tributária referente (1) à nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa decorrente da ausência de análise probatória e (2) ao direito ao aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições sociais não cumulativas. Indicou como paradigma, respectivamente, o Acórdão n° 1301-003.283, para a matéria 1 (um) e os acórdãos nº 9303-006.248 e 9303-008.635, para a matéria 2 (dois). O Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento negou seguimento para as duas matérias (Despacho às fls. 476 a 484). Inconformada, a contribuinte ROSINA ALIMENTOS LTDA interpôs agravo, que foi acolhido, dando seguimento ao recurso especial unicamente em relação à matéria: “direito de aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas” (Despacho às fls. 504 a 516). A PGFN apresentou suas contrarrazões, alegando que o aproveitamento dos créditos extemporâneos deve ser efetivado mediante retificação do DACON e da DCTF. Fl. 529DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-012.729 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.725581/2010-40 O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e, após sorteio, posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. Do Conhecimento O recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte é tempestivo, restando analisar-se o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A matéria que foi dado seguimento é referente ao “direito de aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições não cumulativas”, especialmente a necessidade de se retificar o Dacon para fins de utilização de crédito extemporâneo de Cofins. O voto condutor da decisão recorrida discorreu sobre a existência de autorização legal para o aproveitamento extemporâneo de créditos. Nada obstante, manteve a glosa dos créditos extemporâneos por entender que “o direito a crédito de PIS/Cofins não-cumulativos em período anterior, o qual não foi aproveitado na época própria, prescinde da necessária retificação do Dacon e da DCTF, ou de eventual comprovação de não utilização do crédito.” Transcrevo as ementas dos acórdãos indicados como paradigmas: Acórdão n° 9303-006.248 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social-Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS EXTEMPORÂNEOS. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. Na forma do art. 3o, § 4°, da Lei n° 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo, o crédito apurado não-cumulatividade do PIS e Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte ou da apresentação de PER único para cada trimestre. As Linhas 06/30 e 06/31 do DACON, denominadas respectivamente de "Ajustes Positivos de Créditos" e de "Ajustes Negativos de Créditos", contemplam a hipótese de o contribuinte lançar ou subtrair outros créditos, além daqueles contemporâneos à declaração. Também a EFDPIS/Cofins, constante do Anexo Único do Ato Declaratório Executivo COFIS n° 34/201C, prevê expressamente a possibilidade de lançar créditos extemporâneos, nos registros 1101/1102 (PIS) e 1501/1502 (Cofins). Fl. 530DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-012.729 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.725581/2010-40 Acórdão n° 9303-008.635 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/10/2008 CRÉDITO EXTEMPORÂNEO. APROVEITAMENTO. SEM NECESSIDADE PRÉVIA DE RETIFICAÇÃO DO DACON. POSSIBILIDADE. Na forma do art. 3o. § 4% da Lei n.8 10.833/2003, desde que respeitado o prazo de cinco anos a contar da aquisição do insumo e demonstrado a inexistência de aproveitamento em outros períodos, o crédito extemporâneo decorrente da não-cumulatividade do PIS e da Cofins pode ser aproveitado nos meses seguintes, sem necessidade prévia retificação do Dacon por parte do contribuinte Constata-se que as decisões apontadas como paradigmas vão no sentido de dispensar a prévia retificação do Dacon do período correspondente para viabilizar o aproveitamento extemporâneo de créditos das contribuições sociais não cumulativas. Transcrevo excerto do parecer que fundamentou o despacho de admissibilidade do recurso em análise: A decisão recorrida, a par da exigência de retificação prévia do Dacon do período do crédito, invocou um fundamento adicional para negar provimento ao recurso quanto à matéria: o fato de o recorrente não ter demonstrado/comprovado que os créditos extemporâneos não foram apropriados/utilizados nos meses ou períodos de apuração pertinentes, o que era necessário por expressa determinação legal. Todavia, a peça do recurso especial nada se referiu a esse segundo fundamento jurídico. De tal modo, remanesceu no aresto recorrido fundamento inatacado, suficiente, por si só, para determinar o desprovimento do pedido, evidência que atrai, mutatis mutandis, a regra inscrita na Súmula nº 283 do Supremo Tribunal Federal, deste teor: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." Destarte, é inadmissível o recurso especial que não impugna fundamento do acórdão recorrido apto, por si só, a manter a conclusão a que chegou o colegiado de origem, o que ocorreu no presente caso. Neste mesmo sentido precedente do STJ. “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. CRÉDITO FISCAL. PRESCRIÇÃO. RECONHECIMENTO DE OFÍCIO. CDA. DEFEITO FORMA. NULIDADE. FUNDAMENTO DO ACÓRDÃO RECORRIDO NÃO IMPUGNADO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 283/STF. RECURSO ESPECIAL NÃO CONHECIDO. (...) 3.Não se conhece do recurso especial que não ataca fundamento que, por si só, é suficiente para fundamentar o juízo emitido pelo acórdão recorrido, evidência que atrai, mutatis mutandis, , a regra inscrita na Súmula 283 do Supremo Tribunal Federal, deste teor: "É inadmissível o recurso extraordinário, quando a decisão recorrida assenta em mais de um fundamento suficiente e o recurso não abrange todos eles." 4. Na espécie, o acórdão recorrido desproveu o agravo interno sob o argumento de prescrição do crédito fiscal e, também, de nulidade da CDA. As razões de Fl. 531DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-012.729 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.725581/2010-40 recurso especial, todavia, apenas impugnaram a matéria referente à prescrição dos valores exigidos. (...)” ( STJ, 1ª Turma, REsp 704504 / RS, Relator: Ministro José Delgado) Nesta mesma linha já decidiu a 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais: RECURSO ESPECIAL. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE TODOS OS FUNDAMENTOS RELEVANTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO, IMPOSSIBILIDADE DE PROVIMENTO. Inviável o recurso especial que pleiteia a reforma de acórdão mas não impugna todos os fundamentos relevantes da decisão recorrida. (Acórdão nº 910100.692, Relator: Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho) Digno de nota, os acórdãos indicados como paradigmas, se, por um lado, dispensaram a prévia retificação do Dacon como condição para a fruição extemporânea de créditos, nada aduziram em relação à retificação da DCTF, também requerida pela decisão recorrida. Tampouco decidiram pela desnecessidade de comprovação de aproveitamento do crédito extemporâneo em outros períodos, requisito alternativo erigido no Acórdão vergastado. Nessas condições, é impossível extrair o dissídio suscitado. Este colegiado apreciou fatos semelhantes no julgamento do processo nº 10835.720075/2008-15 e, por unanimidade de votos, não conheceu do recurso (Acórdão nº 9303-010.665, sessão de 15 de setembro de 2020, relator Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos). Transcrevo excerto do voto condutor do referido acórdão: [...] parece claro, ao revés do que se entendeu no despacho de Agravo, que o acórdão recorrido impõe como condição de reconhecimento do crédito a demonstração de que não tenha sido já utilizado, mas não exige que essa demonstração se dê estritamente por meio da retificação do Dacon. Tal demonstração pode ser feita, materialmente, também por diligência fiscal ou em planilhas/demonstrativos do contribuinte. A ementa, ao utilizar a conjunção alternativa “ou” não deixa dúvidas quanto a essa interpretação. Desse modo, tem-se que as decisões comparadas dão a mesma interpretação à matéria, isto é, de admitir o que pretende a recorrente em tese, isto é, que a mera ausência de retificação de Dacon não seja motivo exclusiva para glosa. Todavia, a motivação do acórdão recorrido para rejeitar o recurso, nesta parte, é pela falta dessa demonstração de que o crédito já não tenha sido utilizado, seja em Dacon, seja de outro modo qualquer. [...] Portanto, considerando que o acórdão recorrido e o paradigma apresentado não divergem em qualquer tese, e ainda, que a motivação do acórdão recorrido para rejeitar os créditos extemporâneos foi a falta de demonstração da não utilização do crédito pleiteado, por qualquer meio, voto por não conhecer do Recurso Especial do contribuinte. Dessa forma, afasto o fundamento do Despacho de Agravo, visto que a decisão recorrida entendeu como condição de reconhecimento do crédito a demonstração de que este não tenha sido utilizado anteriormente, que poderia ser feito por meio de outros elementos de prova além da retificação do Dacon. Portanto, conclui-se que as decisões comparadas dão a mesma interpretação à matéria, inexistindo o dissídio jurisprudencial alegado. Fl. 532DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-012.729 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11080.725581/2010-40 Da Conclusão Em face das razões e fundamentos acima expostos, voto por não conhecer do Recurso Especial de divergência interposto pelo sujeito passivo. É como voto. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 533DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 11474.000130/2007-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO DE 11%. EMPRESA INSCRITA NO SIMPLES. IMPROCEDÊNCIA. ART. 62-A DA PORTARIA MF Nº 256/2009. APLICAÇÃO.
O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 1.112.467, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543-C, do CPC, pacificou o entendimento de que o regime especial de tributação SIMPLES é incompatível com a retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO DE 11%. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL PRESTADOS MEDIANTE EMPREITADA GLOBAL.
Não é devida a retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços emitidas por empresas prestadoras de serviços de construção civil por empreitada global.
ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
INEXISTÊNCIA.
A empresa contratante de serviços realizados mediante cessão de mão de obra é responsável direta pelo pagamento das contribuições previdenciárias, mediante a retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços, não havendo que se falar em responsabilidade solidária.
ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA.
Não há arbitramento de base de cálculo quando os valores são calculados com base nas notas fiscais de serviços, nos estritos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91.
Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2402-002.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores correspondentes aos levantamentos R14 e R24 e negar provimento ao recurso de ofício.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO DE 11%. EMPRESA INSCRITA NO SIMPLES. IMPROCEDÊNCIA. ART. 62-A DA PORTARIA MF Nº 256/2009. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 1.112.467, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543-C, do CPC, pacificou o entendimento de que o regime especial de tributação SIMPLES é incompatível com a retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO DE 11%. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL PRESTADOS MEDIANTE EMPREITADA GLOBAL. Não é devida a retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços emitidas por empresas prestadoras de serviços de construção civil por empreitada global. ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. A empresa contratante de serviços realizados mediante cessão de mão de obra é responsável direta pelo pagamento das contribuições previdenciárias, mediante a retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços, não havendo que se falar em responsabilidade solidária. ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não há arbitramento de base de cálculo quando os valores são calculados com base nas notas fiscais de serviços, nos estritos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte.
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ÓRGÃOS PÚBLICOS Recorrentes ESTADO DE SANTA CATARINA FUNDO ESTADUAL DE SAÚDE FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2001 a 31/12/2004 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO DE 11%. EMPRESA INSCRITA NO SIMPLES. IMPROCEDÊNCIA. ART. 62A DA PORTARIA MF Nº 256/2009. APLICAÇÃO. O E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 1.112.467, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o regime especial de tributação SIMPLES é incompatível com a retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. RETENÇÃO DE 11%. SERVIÇOS DE CONSTRUÇÃO CIVIL PRESTADOS MEDIANTE EMPREITADA GLOBAL. Não é devida a retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços emitidas por empresas prestadoras de serviços de construção civil por empreitada global. ART. 31 DA LEI Nº 8.212/91. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INEXISTÊNCIA. A empresa contratante de serviços realizados mediante cessão de mãode obra é responsável direta pelo pagamento das contribuições previdenciárias, mediante a retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços, não havendo que se falar em responsabilidade solidária. ARBITRAMENTO. INEXISTÊNCIA. Não há arbitramento de base de cálculo quando os valores são calculados com base nas notas fiscais de serviços, nos estritos termos do art. 31 da Lei nº 8.212/91. Recurso de ofício negado. Recurso voluntário provido em parte. Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para exclusão dos valores correspondentes aos levantamentos R14 e R24 e negar provimento ao recurso de ofício. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11474.000130/200777 Acórdão n.º 240202.642 S2C4T2 Fl. 1.495 3 Relatório Tratase de NFLD constituída em 04/01/2006 (fl. 134) para exigir contribuição previdenciária decorrente da não retenção de 11% sobre o valor bruto das notas fiscais de serviços de construção civil e outros serviços contratados mediante cessão de mão deobra, no período de 08/2001 a 12/2004. O Recorrente apresentou impugnação (fls. 135/1176) pleiteando pela total insubsistência da autuação. A Delegacia da Receita Previdenciária em Florianópolis, constatou que a notificação foi dirigida ao Secretário de Estado da Saúde, enquanto que deveria ter sido encaminhada ao ProcuradorGeral do Estado de Santa Catarina. Posto isso, determinou fosse realizada nova intimação do representante legal do Estado de Santa Catarina, bem como que fosse identificado, como sujeito passivo da NFLD, o referido ente estatal (fl. 1179). O Recorrente apresentou nova impugnação (fls. 1182/1196) requerendo a total improcedência do lançamento. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, ao analisar o processo (fls. 1203/1206), determinou a realização de diligência para que a fiscalização se manifestasse especialmente sobre a caracterização da cessão de mãodeobra e o percentual de mãodeobra aplicado para composição da base de cálculo da contribuição previdenciária. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis apresentou informação fiscal (fls. 1304/1328) delimitando a natureza dos serviços e propondo retificações do crédito tributário exigido. O Recorrente apresentou manifestação (fls. 1338/1345), alegando a nulidade da diligência, que os serviços de construção civil, de lavanderia, de colocação de divisórias e de coleta de resíduos hospitalares não podem ser considerados como uma forma de cessão de mãodeobra. Pontuou também que não há que se falar em retenção quando os serviços são prestados por empresas inseridas no SIMPLES, bem como que as bases de cálculo foram aferidas indiretamente. A d. DRJ em Florianópolis (fls. 1433/1470) julgou o lançamento parcialmente procedente, sob os argumentos de que: (i) não houve qualquer nulidade na diligência; (ii) não há que se falar na ausência de responsabilidade tributária, porquanto a presente exigência foi consubstanciada no art. 31 da Lei nº 8.212/91; (iii) não houve arbitramento da base de cálculo, pois a retenção se deu sobre o valor bruto das notas fiscais de prestação de serviços; (iv) os valores exigidos de empresas optantes pelo SIMPLES até 08/2002 devem ser excluídos do lançamento; (v) os serviços de construção civil prestados com base em contratos de empreitada total devem ser excluídos do lançamento; (vi) os serviços de coleta, transporte e destinação de resíduos hospitalares devem ser excluídos do lançamento, por não representarem uma cessão de mãodeobra; (vii) os serviços de lavanderia foram prestados mediante cessão de mãodeobra e devem ter suas bases de cálculo retificadas por conta dos Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 materiais empregados; e (viii) devem ser abatidos os valores que foram pagos pelas prestadoras de serviços de limpeza e vigilância. O Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 1473/1489), alegando que: (i) não pode se exigir a retenção das contribuições previdenciárias sobre as notas fiscais emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES; (ii) a base de cálculo do lançamento não poderia ter sido arbitrada; (iii) é inaplicável o instituto da responsabilidade solidária; e (iv) não houve cessão de mãodeobra. É o relatório. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11474.000130/200777 Acórdão n.º 240202.642 S2C4T2 Fl. 1.496 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que tanto o recurso de ofício como o recurso voluntário atendem a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Recurso Voluntário O Recorrente defende que não pode se exigir a retenção da contribuição previdenciária de 11% sobre as notas fiscais emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES, porquanto este regime especial de tributação é incompatível com a retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212/91. Analisando o tema, o E. Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Resp nº 1.112.467, afetado como representativo da controvérsia, nos termos do art. 543C, do CPC, pacificou o entendimento de que o regime especial de tributação SIMPLES é incompatível com a retenção de que trata o art. 31 da Lei nº 8.212/91. Vejase: “TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇO OPTANTES PELO SIMPLES. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. ILEGITIMIDADE DA EXIGÊNCIA. PRECEDENTE DA 1ª SEÇÃO (ERESP 511.001/MG). 1. A Lei 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado às microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Por este regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa optante dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União (art. 3º, § 4º). 2. O sistema de arrecadação destinado aos optantes do SIMPLES não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo art. 31 da Lei 8.212/91, que constitui "nova sistemática de recolhimento" daquela mesma contribuição destinada à Seguridade Social. A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo art. 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica supressão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas. 3. Aplicase, na espécie, o princípio da especialidade, visto que há incompatibilidade técnica entre a sistemática de arrecadação da contribuição previdenciária instituída pela Lei 9.711/98, que Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 6 elegeu as empresas tomadoras de serviço como responsáveis tributários pela retenção de 11% sobre o valor bruto da nota fiscal, e o regime de unificação de tributos do SIMPLES, adotado pelas pequenas e microempresas (Lei 9.317/96). 4. Recurso especial desprovido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/08.” (STJ, REsp nº 1.112.467, Min. Rel. Teori Albino Zavascki, DJe 21/08/2009) Destarte, considerando que o disposto no art. 62A da Portaria MF nº 256/20091, com a redação dada pela Portaria MF nº 586/2010, vincula este Conselho aos julgamentos de mérito proferidos pelo E. STJ na sistemática do art. 543C, do CPC, fazse mister aplicar o referido entendimento ao presente caso, para reconhecer a improcedência de todos os valores exigidos em decorrência da falta de retenção sobre as notas fiscais emitidas por empresas prestadoras de serviços inseridas no SIMPLES. De acordo com a decisão recorrida (fl. 1446), apenas as empresas Diviart e Lavamed são optantes pelo SIMPLES: “Conforme consultas efetuadas no sistema CNPJ da SRF, juntadas de fls. 1341/1359, constatase que somente as empresas Diviart Divisórias e Acabamentos Ltda. EPP, CNPJ 81.516.106/000144, fls. 1355, e Lavamed do Brasil Serviços Ltda., CNPJ 02.374.194/000110, fls.1359, são optantes do regime SIMPLES.” Em vista disso, devem ser excluídos todos os valores exigidos no “Levantamento R14” e no “Levantamento R24”. O Recorrente sustenta também que a base de cálculo do lançamento foi arbitrada, por não abranger apenas o salário de contribuição efetivo dos trabalhadores, mas também materiais que teriam sido utilizados na prestação dos serviços. Pontua, assim, que o arbitramento não atendeu aos pressupostos legais, não podendo subsistir. Contudo, ao contrário do que defende o Recorrente, temse que não houve arbitramento de base de cálculo, haja vista que as contribuições exigidas foram calculadas com base nas notas fiscais de serviços emitidas pelas empresas contratadas, em estrita observância ao art. 31 da Lei nº 8.212/91. Cabe ressaltar também que, de acordo com a “Planilha de Lançamento da Base de Cálculo da Retenção Apurada” (fls. 80/130), houve a devida delimitação do tipo dos serviços prestados e o percentual considerado para fins de apuração da base de cálculo, de acordo com os atos normativos vigentes à época. 1 "Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010) § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes." Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11474.000130/200777 Acórdão n.º 240202.642 S2C4T2 Fl. 1.497 7 Constatase também que, neste ponto, as alegações da Recorrente são esparsas e não demonstram eventual equívoco cometido pela fiscalização, motivo pelo qual negolhes provimento. Sustenta o Recorrente que é inaplicável o instituto da responsabilidade solidária, bem como que não houve qualquer ação fiscal dirigida contra as empresas prestadoras de serviços. Apresenta também certidões negativas de débitos de determinados prestadores de serviços, durante o período de contratação. Entretanto, não há que se falar em responsabilidade solidária, mas sim em responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias, mediante retenção. Destacase que, de acordo com o art. 33, § 5º, da Lei nº 8.212/91, o desconto da contribuição “sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei.” Diferentemente da solidariedade que se verifica nas exigências realizadas com base no art. 30, inc. VI, da Lei nº 8.212/91, temse que, neste caso, o Recorrente está sendo exigido por ser o responsável direto pelo recolhimento das contribuições, obrigação esta que lhe impõe o dever de buscar comprovar a ocorrência dos respectivos pagamentos. Não obstante, cabe salientar que juntar as certidões negativas das empresas contratadas em nada ajuda a demonstrar que os créditos tributários ora exigidos teriam sido pagos, mormente quando não identificam quais foram os fatos geradores declarados e pagos, tampouco a relação destes com os serviços tomados pelo Recorrente. Alega genericamente o Recorrente que as atividades de construção civil não são compatíveis com a cessão de mãodeobra, haja vista que são realizadas mediante contratos de empreitada global. Pontua também que os serviços de lavanderia e de coleta de resíduos hospitalares não podem ser considerados cessão de mãodeobra. No que se refere aos serviços de construção civil, verificase que apenas os valores consubstanciados no “Levantamento – R30” ainda permanecem devidos (haja vista que o “Levantamento – R14” está sendo excluído em sua totalidade, por se referir à empresa optante pelo SIMPLES). Os serviços de que tratam o “Levantamento – R30” versam sobre empreitada de mãodeobra, haja vista que visam à manutenção e reforma das unidades hospitalares da SES (fl. 128), motivo pelo qual entendo devida a exigência de retenção nesse caso. Vale salientar que o Recorrente também não apresentou qualquer elemento ou fato que mudasse esse entendimento. Em relação aos serviços de coleta e transporte dos resíduos hospitalares, temos que as únicas rubricas que se referiam a esses serviços (Levantamentos – R15, R16 e R31) foram excluídas por ocasião da decisão de 1ª instância, não havendo mais motivação por parte do Recorrente em ver apreciada essa matéria, motivo pelo qual não há como se dar provimento às razões de recurso quanto a este ponto. Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 8 Já quanto aos serviços de lavanderia, como bem delimitado pela decisão recorrida (fls. 1459/1460), temse que estes se revestem numa cessão de mãodeobra, posto que prestados de forma contínua, utilizandose dos materiais fornecidos pelo Recorrente e mediante a supervisão deste. Em razão do exposto, deve ser dado provimento ao recurso voluntário apenas para excluir do lançamento os valores de contribuição apurados no “Levantamento R14” e no “Levantamento R24”. Recurso de Ofício Os i. Julgadores de 1ª instância entenderam que os valores exigidos de empresas optantes pelo SIMPLES até 08/2002 devem ser excluídos do lançamento, haja vista que durante a vigência da IN INSS/DC nº 08/2000 (01/01/2000 a 31/08/2002) não se aplicava o instituto da retenção nos serviços executados por empresas optantes pelo SIMPLES. No entanto, como já exposto acima, todos os créditos exigidos sobre as notas fiscais emitidas por empresas optantes pelo SIMPLES devem ser excluídos do lançamento, nos termos do entendimento pacificado no Resp nº 1.112.467. Assim, como os créditos tributários excluídos pela decisão recorrida (anteriores a 08/2002), deveriam, de fato, ter sido excluídos, não há que se dar provimento ao recurso de ofício quanto a este ponto. Os i. Julgadores de 1ª instância entenderam que, nos casos de serviços de construção civil por empreitada global, não se aplica a retenção, nos termos do contido no art. 185, inc. II, da IN INSS/DC nº 100/2003, in verbis: “Art. 185. Não se aplica o instituto da retenção: (...) II a empreitada total, quando a empresa construtora assume a responsabilidade direta e total por obra de construção civil ou repasse o contrato integralmente a outra construtora, aplicando se, neste caso, o instituto da solidariedade, conforme disposições previstas da Seção III do Capitulo X deste Titulo.” “Art. 427. Considerase: (...) XX empresa construtora, a pessoa jurídica legalmente constituída, cujo objeto social seja a indústria de construção civil, com registro no CREA, na forma do art. 59 da Lei n°5.194, de 1966; (...) XXVIII contrato de construção civil ou contrato de empreitada (também conhecido como contrato de execução de obra, contrato de obra ou contrato de edificação), aquele celebrado entre o proprietário do imóvel, o incorporador, o dono da obra ou o condômino e uma empresa, para a execução de obra ou serviço de construção civil, no todo ou em parte, podendo ser: a) total, quando celebrado exclusivamente com empresa construtora, definida no inciso XX, que assume a responsabilidade direta pela execução de todos os serviços necessários à realização da obra, compreendidos em todos os projetos a ela inerentes, com ou sem fornecimento de material;” Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 11474.000130/200777 Acórdão n.º 240202.642 S2C4T2 Fl. 1.498 9 Partindo dessa premissa, foram excluídos do lançamento todos os levantamentos que a fiscalização sugeriu quando da realização da diligência (fls. 1304/1305), haja vista que presentes os requisitos para a configuração de serviços de construção civil por meio de empreitada global. As rubricas excluídas com base na análise da fiscalização são: R05, R07, R08, R09, R10, R11, R12, R13, R14, R17, R20, R23, R25, R26 e R27. Como não há mais sequer suporte probatório para se exigir as contribuições sobre essas rubricas, por terem sido excluídas após a análise pormenorizada do auditor fiscal, entendo que não há que se fazer qualquer reparo na decisão recorrida. Já no caso do “Levantamento R21 – JEW Empreiteira de Mão de Obra Ltda.”, que tinha sido mantido pela fiscalização quando da realização da diligência, entendo que foi correta sua exoneração pela decisão de 1ª instância, haja vista que os elementos probatórios contidos no processo levam à conclusão de que esta empresa presta serviços de construção civil por meio de empreitada global. Nesse sentido, pontuase que tal empresa é uma construtora inscrita no CREA, tal como informado às fl. 1453, nos seguintes termos: “Em que pese a diligência ter concluído pela manutenção do levantamento "R21— JEW Empreiteira de Mão de Obra Ltda", por tratarse de serviços prestados por empreiteira de mãode obra, o fato é que a prestadora de serviços arrolada no Relatório Fiscal, na planilha, fls 110, é empresa construtora, com a razão social JW Engenharia e Construção Ltda, CNPJ 83.256.727/000161, conforme dados cadastrais juntados as fls.1338/1339, e é inscrita no CREA conforme cópia da consulta efetuada no site desse órgão as fls. 1340, razão pela qual, deve ser também excluído da notificação, o levantamento R21.” Outrossim, destacase que a fiscalização não teceu maiores alegações sobre essa empresa quando da realização da diligência, limitandose a informar que ela prestava serviços de empreitada (fl. 1307). Por estas razões, entendo que não deve ser dado provimento ao recurso de ofício também quanto a esta questão. No que se refere aos serviços de coleta, transporte e destinação de resíduos hospitalares, a decisão recorrida entendeu que estes não se referem à cessão de mãodeobra, tendo em vista que: (i) o lixo hospitalar é transportado para local não determinado pela contratante; (ii) a contratada deverá assumir todas as responsabilidades e tomar as medidas necessárias ao atendimento de seus funcionários acidentados; (iii) a contratada deve possuir um serviço de apoio que proporcione a seus funcionários condições necessárias à devida realização do trabalho, tais como a utilização de EPI’s, higienização e manutenção dos veículos, lavagem e desinfecção dos EPI’s e higienização corporal; (iv) todos os materiais serão fornecidos pela contratada; (v) o contrato fixa a média mensal de quilometragem a ser percorrida, que é de 2.200 Km; (vi) o veículo coletor deverá atender os requisitos exigidos pela NBR 12810/93 da ABNT; (vii) o valor do contrato é fixado em R$ 2,20 por KM rodado e de R$ 336,00 por tonelada de resíduos com destino final; e (viii) a contratante não poderá ser responsabilizada caso não haja o cumprimento dos requisitos previstos na NBR 12810/93 da ABNT. Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 10 Posto isso, me filio ao entendimento consignado na decisão recorrida, de que os contratos celebrados não podem ser considerados como uma cessão de mãodeobra, haja vista que os pagamentos independem da hora/homem trabalhada, de preço fixo, ou ainda da quantidade de trabalhadores fornecida. Ao contrário disso, vislumbrase que os preços são fixados em razão da quantidade de quilômetros rodados ou de toneladas de resíduos que tiveram seu destino final, não guardando qualquer relação com a mãodeobra empregada, requisito essencial de uma cessão. Outrossim, cabe pontuar que, como exposto pelo auditor fiscal às fl. 1307, os serviços em questão são: “serviços prestados de alta complexidade, com o requinte de cuidados técnicos especiais, caracterizados pelo processo de coleta até o seu destino final.” Ou seja, é forçoso concluir haver cessão de trabalhadores quando os serviços realizados possuem alta complexidade e inúmeras responsabilidades por parte da empresa contratada, bem como visam transportar toneladas de resíduos hospitalares. Em razão disso, entendo que deve ser negado provimento ao recurso de ofício. Por fim, os i. Julgadores de 1ª instância, após consultarem o Sistema Informatizado de Arrecadação, constataram haver recolhimentos realizados pelo Recorrente que não tinham sido reconhecidos pela fiscalização. Assim, realizaram, de ofício, a revisão do crédito ora exigido, abatendose os montantes pagos pelo Estado. Com base nessas informações, não há qualquer reparo a ser feito na decisão recorrida. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, a fim de que o “Levantamento R14” e o “Levantamento R24” sejam excluídos do lançamento, bem como pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício para NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 1503DF CARF MF Impresso em 13/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 35087.000329/2007-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008,
declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103-A da CF/88,
motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal.
FISCALIZAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL.
Havendo decisão judicial favorável ao contribuinte, devem as autoridades julgadoras acatarem a referida decisão ou justificar os motivos de afastar sua incidência na hipótese dos autos.
Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.643
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado nos termos do artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro
Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ART. 45 DA LEI Nº 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 8 DO STF. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária do dia 11/06/2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, publicando, posteriormente, a Súmula Vinculante nº 8, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88, motivo pelo qual não pode ser aplicado o prazo decadencial decenal. FISCALIZAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. Havendo decisão judicial favorável ao contribuinte, devem as autoridades julgadoras acatarem a referida decisão ou justificar os motivos de afastar sua incidência na hipótese dos autos. Recurso de Ofício Negado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para reconhecer a decadência de parte do período lançado nos termos do artigo 173, I do CTN, vencidos os conselheiros Jhonatas Ribeiro da Silva e Nereu Miguel Ribeiro Domingues que aplicavam o artigo 150, §4° do CTN. Julio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Ronaldo de Lima Macedo, Jhonatas Ribeiro da Silva, Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35087.000329/200727 Acórdão n.º 2402002.643 S2C4T2 Fl. 378 3 Relatório Tratase de NFLD, lavrada em 29/06/2006, decorrente da não retenção ou da retenção a menor de 11% sobre os valores pagos a empresas contratadas para a prestação de serviços mediante cessão de mão de obra, no período de 01/12/1999 a 31/12/2004. A Recorrente interpôs impugnação (fls. 88/185) requerendo a nulidade do crédito constituído. A Seção de Contencioso Administrativo, ao analisar o processo (fls. 193/194), determinou a realização de diligência para que a fiscalização se manifestasse em relação aos documentos anexados pelo contribuinte. Em resposta a diligência proposta (fl. 206), a Autoridade Fiscal retirou da NFLD os períodos dentre os quais os prestadores de serviços estavam resguardados por medida judicial autorizando a não retenção dos 11%, bem como excluiu as notas fiscais e/ou faturas de situações que não ensejam a retenção da contribuição previdenciária. O Recorrente apresentou manifestação (fls. 219/285), demonstrando que existem outras notas fiscais e/ou faturas de situações que não ensejam a retenção da contribuição previdenciária de 11% e que haveria duplicidade em relação à inclusão da quantia de R$ 610.961,80, uma vez que já foram incluídas em outro lançamento as mesmas notas fiscais cuja soma perfaz a quantia indicada. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande – MS, ao analisar o presente caso (fls. 298/321) julgou o lançamento parcialmente procedente, entendendo que (i) a autoridade fiscal não pode afastar a aplicação de lei em razão da suposta ilegalidade ou inconstitucionalidade; (ii) as decisões administrativas e judiciais, mesmo que reiteradas, não têm efeito vinculante às decisões proferidas pelas Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil; (iii) o prazo decadencial das contribuições previdenciária é de 10 anos; (iv) os efeitos do mandado de segurança coletivo somente alcançam os associados da entidade impetrante; (v) as empresas Engeglobal Construções Ltda. e Terraplanagem Centro Oeste Ltda., filiadas ao SINDUSCON/MT, que impetrou o Mandado de Segurança nº 2000.01.00.0514985, cuja liminar e sentença beneficiaram os seus associados no período de 06/08/1999 a 29/11/2002, devem ser excluídas da apuração nos períodos de 02/2001 a 11/2002; (vi) em relação a empresa Construtora Quebec Ltda., que impetrou o Mandado de Segurança nº 1999.38.00.0395162, cuja liminar e sentença a beneficiaram no período de 13/01/2000 a 03/05/2002, devem ser excluídos da apuração os períodos compreendidos entre 05/2001 a 02/2002; (vii) a Recorrente apresentou documentos inidôneos quando alegou que a quantia de R$ 610.961,80 se trata de adiantamento ao cliente e não faturamento; (viii) quanto as alegações de que existem lançamentos em duplicidade, devem ser excluído do montante relativo a nota fiscal nº 738, a qual já fora lançada na competência 09/2002; (ix) existe a obrigação legal para que as empresas contratantes de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra efetuem a retenção do valor correspondente a 11% dos valores das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços; (x) parte dos serviços prestados não estão sujeitos à retenção; (xi) na prestação de serviços de construção civil, executados com utilização de equipamentos, sem comprovação de seu valor, mediante contrato, não poderá o valor dos serviços, sujeitos a retenção, ser inferior a Fl. 379DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA 4 30% do total, quando não especificado percentual diverso; (xii) é cabível a retenção dos contribuintes optantes pelo SIMPLES; (xiii) a obrigação de reter 11% dos valores das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços é uma hipótese de substituição tributária e não cobrança em duplicidade; (xiv) as contribuições previdenciárias estão sujeitas aos juros equivalentes à taxa SELIC; e (xv) a produção de provas fora do prazo da impugnação e o pedido de perícia ficam a critério do julgador. A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 329/346). Entretanto, através da petição de fl. 369, o Recorrente desiste do seu recurso, com exceção das parcelas abrangidas pela decadência. É o relatório. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35087.000329/200727 Acórdão n.º 2402002.643 S2C4T2 Fl. 379 5 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que tanto o recurso de ofício como o recurso voluntário atendem a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento, porém destaco que o recurso do contribuinte terá análise apenas em relação à matéria de decadência, em razão da desistência parcial do recurso manifestada à fl. 369. Recurso Voluntário A Recorrente alega que parte do crédito tributário estaria atingida pela decadência, haja vista que deve ser aplicado às contribuições previdenciárias o prazo decadencial trazido pelo art. 150, § 4º do CTN e não o do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Analisando os argumentos apresentados, verificase que lhe assiste razão, pois considerando que houve o pagamento antecipado, mesmo que parcial, das contribuições previdenciárias (fls. 41/45), o Fisco teria o prazo de 5 anos, a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do CTN, para lançar o tributo. Vale considerar que havia, na época da lavratura da notificação, a previsão legal para que a Seguridade Social constituísse créditos tributários no prazo de até 10 anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído (vide art. 45, inc. I, da Lei nº 8.212/1991). Todavia, o Supremo Tribunal Federal1, em Sessão Plenária, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Em decorrência dessa decisão, em 20/06/08 foi publicada a Súmula Vinculante nº 82, a qual vincula a aplicação da referida decisão a todos os órgãos da administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, nos termos do art. 103A da CF/88. Diante disso, bem como em respeito ao art. 62, inc. I, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 256/09, fazse mister afastar a incidência do prazo decadencial decenal de que trata o art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Sendo assim, aplicandose a regra decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN –, deve ser reconhecida a extinção dos créditos tributários exigidos no período compreendido entre 12/1999 a 06/2001, por estarem decaídos. 1 A Sessão de julgamento ocorreu no dia 11/06/2008, no RE nº 559.8829. 2 “Súmula 8 São inconstitucionais os parágrafos único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA 6 Recurso de Ofício Os i. Julgadores da DRJ em Campo Grande – MS acataram os argumentos trazidos pelo contribuinte, de que havia ações judiciais que autorizaram a ausência de retenção do percentual de 11% a título de contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto das notas fiscais ou faturas de prestação de serviços. Além disso, a DRJ acatou a alegação de que diversas notas fiscais não seriam decorrentes de prestação de serviço, o que não configuraria a exigência da retenção do percentual de 11%. Vale destacar que, antes de os autos serem encaminhados para julgamento pela DRJ, o próprio fiscal já havia reconhecido os equívocos no lançamento (fls. 206), tanto em relação aos períodos onde os prestadores de serviços estavam resguardados por decisões judiciais, quanto em relação às notas fiscais que não ensejariam a retenção dos 11%. Com base nessas informações, não há qualquer reparo a ser feito na decisão recorrida, haja vista que ficou devidamente demonstrado nos autos que diversas notas fiscais realmente não ensejariam a retenção de 11%, e que havia decisões judiciais autorizando o procedimento adotado pelo contribuinte ao não efetuar as retenções. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL do recurso voluntário para, nesta parte, DARLHE PROVIMENTO, a fim de reconhecer a decadência dos créditos tributários exigidos no período compreendido entre 12/1999 a 06/2001, bem como pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício, para NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 382DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35087.000329/200727 Acórdão n.º 2402002.643 S2C4T2 Fl. 380 7 Voto Vencedor Conselheira Ana Maria Bandeira, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir do Conselheiro Relator no que tange ao reconhecimento de decadência parcial pela aplicação do art. 150, § 4º do CTN. O lançamento em questão foi efetuado com amparo no art. 45 da Lei nº 8.212/1991. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários nº 556664, 559882, 559943 e 560626, negou provimento aos mesmos por unanimidade, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei n. 8212/91. Na oportunidade, os ministros ainda editaram a Súmula Vinculante nº 08 a respeito do tema, a qual transcrevo abaixo: Súmula Vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” É necessário observar os efeitos da súmula vinculante, conforme se depreende do art. 103A, caput, da Constituição Federal que foi inserido pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (g.n.) Da leitura do dispositivo constitucional, podese concluir que, a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Da análise do caso concreto, verificase que o lançamento em tela referese a período compreendido entre 12/1999 a 12/2004 e foi efetuado em 29/06/2006. O Código Tributário Nacional trata da decadência no artigo 173, abaixo transcrito: “Art.173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: Fl. 383DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA 8 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva à decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo Único O direito a que se refere este artigo extingue se definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento.” Por outro lado, ao tratar do lançamento por homologação, o Codex Tributário definiu no art. 150, § 4º o seguinte: “Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ..................................... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Entretanto, tem sido entendimento constante em julgados do Superior Tribunal de Justiça, que nos casos de lançamento em que o sujeito passivo antecipa parte do pagamento da contribuição, aplicase o prazo previsto no § 4º do art. 150 do CTN, ou seja, o prazo de cinco anos passa a contar da ocorrência do fato gerador, uma vez que resta caracterizado o lançamento por homologação. Se, no entanto, o sujeito passivo não efetuar pagamento algum, nada há a ser homologado e, por conseqüência, aplicase o disposto no art. 173 do CTN, em que o prazo de cinco anos passa a ser contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Para corroborar o entendimento acima, colaciono alguns julgados no mesmo sentido: "TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. TERMO INICIAL. INTELIGÊNCIA DOS ARTS. 173, I, E 150, § 4º, DO CTN. 1. O prazo decadencial para efetuar o lançamento do tributo é, em regra, o do art. 173, I, do CTN, segundo o qual 'o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado'. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA Processo nº 35087.000329/200727 Acórdão n.º 2402002.643 S2C4T2 Fl. 381 9 2. Todavia, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação —que, segundo o art. 150 do CTN, 'ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa' e 'operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa' —,há regra específica. Relativamente a eles, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Precedentes jurisprudenciais. 3. No caso concreto, o débito é referente à contribuição previdenciária, tributo sujeito a lançamento por homologação, e não houve qualquer antecipação de pagamento. É aplicável, portanto, conforme a orientação acima indicada, a regra do art. 173, I, do CTN. 4. Agravo regimental a que se dá parcial provimento." (AgRg nos EREsp 216.758/SP, 1ª Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 10.4.2006) "TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO QÜINQÜENAL. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. SUSPENSÃO DO PRAZO. IMPOSSIBILIDADE. 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), que é de cinco anos. 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Omissis. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 572.603/PR, 1ª Seção, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 5.9.2005) No caso em tela, tratase de contribuições cujos fatos geradores não são reconhecidos como tal pela empresa, restando claro que, com relação aos mesmos, a recorrente não efetuou qualquer antecipação. Nesse sentido, pela aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, temse que a decadência do direito de constituição dos créditos se operou para todas as competências até 11/2000, já que o lançamento ocorreu em 08/2006. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA 10 Por fim, destaco que, em relação às demais matérias apreciadas neste processo, filiome ao entendimento do Conselheiro Relator, tornandoo parte integrante deste voto. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO PARCIAL do recurso voluntário para, nesta parte, DARLHE PROVIMENTO, a fim de reconhecer a decadência dos créditos tributários exigidos no período compreendido entre 12/1999 a 11/2000, nos termos do art. 173, inc. I, do CTN, bem como pelo CONHECIMENTO do recurso de ofício, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 386DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por SELMA RIBEIRO COUTINHO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 28/05/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 16/07/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por ANA MARIA BANDEIRA
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Numero do processo: 10120.909430/2011-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Jan 19 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITOS DE PIS. GASTOS COM EMBALAGEM PARA ACONDICIONAMENTO. PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE.
As embalagens para acondicionamento, estocagem ou transporte dos produtos (adubos e fertilizantes), por serem acrescidas após o término do processo produtivo, não podem ser consideradas como insumos para fins de aproveitamento de créditos da não-cumulatividade. Tais bens não decorrem nem de imposição legal e nem tem qualquer vínculo com a cadeia produtiva do Contribuinte. Parecer Cosit RFB n° 05, de 17/12/2018.
Numero da decisão: 9303-012.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que negaram provimento.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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GASTOS COM EMBALAGEM PARA ACONDICIONAMENTO. PRODUTOS ACABADOS. IMPOSSIBILIDADE. As embalagens para acondicionamento, estocagem ou transporte dos produtos (adubos e fertilizantes), por serem acrescidas após o término do processo produtivo, não podem ser consideradas como insumos para fins de aproveitamento de créditos da não-cumulatividade. Tais bens não decorrem nem de imposição legal e nem tem qualquer vínculo com a cadeia produtiva do Contribuinte. Parecer Cosit RFB n° 05, de 17/12/2018. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial, e no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Valcir Gassen, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que negaram provimento. (documento assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Tatiana Midori Migiyama, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valcir Gassen, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 94 30 /2 01 1- 47 Fl. 350DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-012.474 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10120.909430/2011-47 Trata-se de Recurso Especial de divergência interpostos pela Fazenda Nacional, contra a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301-007.388, de 28/01/2020 (fls.291/308), proferida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento do CARF, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário apresentado. Do PER/DCOMP Trata o presente processo de PER/DCOMP’s, em que o Contribuinte postula Ressarcimento e Compensação de créditos de PIS, regime não-cumulativos (mercado interno), com débitos próprios, referente ao 2º trimestre de 2006. No procedimento fiscal de análise dos aludidos Pedidos Eletrônicos de Ressarcimentos e das correspondentes Declarações de Compensações (PER/DCOMP), a DRF em Goiânia (GO) homologou parcialmente o pleito da Contribuinte, nos termos do Relatório Fiscal de Auditoria de Crédito (fls. 29/41) e do Despacho Decisório (eletrônico) de fls. 28. Consta do Relatório Fiscal, em resumo que, a Fiscalização apurou que determinadas operações realizadas não dariam direito a crédito, dentre elas as seguintes: (i) frete sobre compras de insumos; (ii) frete de transferências entre estabelecimentos da própria empresa (mesma PJ); (iii) material reputado como de uso ou consumo, entendidas como em relação às embalagens para acondicionamento dos produtos, às análises laboratoriais e aos materiais de segurança, obrigatórios para o manuseio dos produtos fabricados; (iv) armazenagem e desestiva de produtos importados à alíquota zero (adubos, fertilizantes e suas matérias-primas), e (v) despesas de aluguéis contratados com pessoas físicas. Assim, por reconhecer apenas parte dos créditos, homologou parcialmente as compensações declaradas e exigindo aquilo que foi considerado como compensação indevida. Da Manifestação de Inconformidade e Decisão de 1ª Instância Cientificada do Despacho Decisório, a Contribuinte apresenta sua Manifestação de Inconformidade de fls. 3/17 (anexa documentos), relatando em síntese, que todos os bens ou serviços cuja glosa deve ser desfeita e o creditamento, restabelecido, pelos seguintes motivos: - sobre os fretes na aquisição de insumos: defende que são necessários e indispensáveis às atividades da empresa, devem ser considerados insumos à atividade produtiva; manteve os mesmos argumentos ao tratar do frete de transferência de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica; - do crédito sobre os serviços de armazenagem e desestiva (descarga), alega que a armazenagem é necessária porque evita a ocorrência de fatores danosos aos produtos adquiridos, a desestiva de adubos e fertilizantes, tais serviços são especializados, sendo prestado somente por empresas devidamente habilitadas em carga e descarga de navios; - por fim, acerca dos materiais glosados de uso e consumo, considera que estes são empregados na manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação e produção das mercadorias destinadas à venda e, quanto às embalagens para acondicionamento ou transporte dos produtos (adubos e fertilizantes), às análises laboratoriais e aos materiais de segurança, afirma que trata-se de itens obrigatórios para o manuseio dos produtos fabricados. A DRJ em Fortaleza (CE), apreciou a Manifestação de Inconformidade que, em decisão consubstanciada no Acórdão nº 08-42.917, de 11/05/2018 (fls. 228/246), considerou improcedente a Manifestação apresentada, para: (i) falta de previsão legal para a apuração de créditos em relação aos gastos com frete na aquisição de bens em geral e em relação aos gastos Fl. 351DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-012.474 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10120.909430/2011-47 com frete de transferência entre estabelecimentos da mesma empresa; (ii) é incabível a apuração de créditos de armazenagem de bens importados; (iii) por se tratar de etapa antecedente ao processo produtivo empresarial, inadmissível a apuração de créditos a partir dos gastos com desestiva; (iv) os materiais de uso e consumo que se desgastam em função da ação direta exercida sobre o produto em fabricação são considerados insumos, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; (v) quanto às embalagens para transporte, acondicionamento e conservação, por serem acrescidas após o término do processo produtivo, não podem ser consideradas como insumos para fins de aproveitamento de créditos da não-cumulatividade; (vi) os serviços de análise laboratorial, por não agregaram valor ao bem produzido e não integraram o processo produtivo, não são considerados insumos; e (vii) os materiais de segurança, a despeito de uso obrigatório determinado pela legislação trabalhista, não sofrem desgaste ou danos pela ação diretamente exercida pelo processo produtivo. Recurso Voluntário Cientificada da decisão de 1ª Instância, a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário de fls. 260/284, em síntese, retoma os mesmos fundamentos da Manifestação de Inconformidade, reclama que não se pode limitar o direito do Contribuinte através de Instrução Normativas da RFB, tece considerações sobre o conceito de insumos, elabora arrazoado fazendo referencias à todos os itens glosados e que no caso dos materiais reputados pela Fiscalização como de uso ou consumo, afirma que esses produtos, em sua maioria, são materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, utilizados na produção das mercadorias destinadas à venda, bem como as embalagens para acondicionamento ou transporte dos produtos. Requer realização de diligência. Acórdão/CARF O processo veio ao CARF para julgamento do Recurso Voluntário e foi submetido a apreciação da Turma julgadora, que exara a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3301- 007.388, de 28/01/2020 (fls.291/308), proferida pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de julgamento do CARF, que deu parcial provimento ao Recurso Voluntário. A Turma decidiu por aplicar o conceito de insumos, baseado no RE nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, ao qual está submetido este CARF, por força do § 2º do Artigo 62 do Regimento Interno do CARF, para reverter as seguintes glosas efetuadas pela autoridade fiscal: (i) fretes sobre compras de insumos (pois que tributados pelas contribuições e, portanto, integrando o custo de aquisição); (ii) fretes sobre transferências de insumos entre estabelecimentos da pessoa jurídica, (iii) serviços de armazenagem e desestiva (descarga); (iv) gastos com embalagens para acondicionamento dos produtos, pois constituem-se em gastos essenciais para o processo produtivo, diante da atividade exercida, portanto geradores de crédito; (v) gastos com análises laboratoriais; (vi) material de segurança, por ser obrigatório por lei para manuseio do produto fabricado produto fabricado. Com relação aos “materiais de uso e consumo” glosados pela Fiscalização, para tais itens manteve-se as glosas por uma razão técnica: não teve o julgador condições de avaliar item a item, para decidir quais deles seriam ou não insumos, necessitando para tanto de um Laudo técnico. Recurso Especial da Fazenda Nacional Regularmente notificada do Acórdão nº 3301-007.388, de 28/01/2020, a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial de fls. 310/326, apontando divergência com relação à seguinte matéria: tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre “gastos com embalagens de acondicionamento dos produtos industrializados”. Fl. 352DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-012.474 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10120.909430/2011-47 Apresenta como paradigma os Acórdãos nºs 9303-009.312, de 2019 e 9303- 007.845, de 2019, argumentando que: No Acórdão recorrida, assentou que o direito ao crédito da Contribuição Social sobre insumos e outros gastos deve estar vinculado à necessidade do gasto para a produção do bem ou serviço vendido e reconheceu que os gastos com embalagens para acondicionamento dos produtos constituem-se em gastos essenciais para o processo produtivo, diante da atividade exercida, gerando crédito na não cumulatividade. No Acórdão paradigma nº 9303-009.312, de 14/08/2019, a Turma entendeu que as embalagens para transporte de mercadorias acabadas, tais como os “pallets”, não podem ser considerados insumos de produção. No Acórdão indicado como paradigma n° 9303-007.845, de 22/01/2019, a Turma entendeu que as embalagens que não se incorporam ao produto não podem ser considerados insumos, conforme interpretação dos itens 55 e 56 do PN Cosit/RFB nº 5, de 2018, eis que se trata de gastos realizados após a finalização do processo produtivo. Assim, no Exame de Admissibilidade, concluiu-se que, cotejando os arestos confrontados, há entre eles, a similitude fática e divergência de interpretação da legislação quanto à possibilidade de tomada de créditos sobre os gastos com Embalagens para transporte. E efetivamente o dissídio se constata, na medida em que, em sentido oposto ao da decisão recorrida, os acórdãos paradigmáticos rejeitaram a possibilidade de tomada de créditos sobre gastos realizados depois da conclusão do processo produtivo. E, com os fundamentos do Despacho de Exame de Admissibilidade do Recurso Especial – 3ª Seção de Julgamento/3ª Câmara, de 03/08/2020, exarado pela Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF (fls. 330/335), DEU SEGUIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões do Contribuinte Regularmente notificada do Acórdão nº 3301-007.388, de 28/01/2020 e do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional que foi dado seguimento, a Contribuinte apresentou suas contrarrazões de fls. 342/347, requerendo que seja negado provimento ao Recurso Especial e, por consequência, mantido o Acórdão recorrido quanto à matéria em debate. Alega que “(...) os gastos com embalagem para acondicionamento que, conforme se infere das notas fiscais contidas às fls. 68, 83, 84 e 85, referem-se a BIG BAGs, que são grandes sacos de tecidos flexíveis utilizados para armazenar ou transportar os produtos industrializados”. O processo, então, foi sorteado para este Conselheiro para dar prosseguimento à análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator. Conhecimento Fl. 353DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-012.474 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10120.909430/2011-47 O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, conforme consta do Despacho de Exame de Admissibilidade de Recurso Especial exarado pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, de 03/08/2020 às fls. 330/335, com os quais concordo e cujos fundamentos adoto neste presente voto. Portanto, conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Mérito Para análise do mérito, se faz necessária a delimitação do litígio. No presente caso, cinge-se a controvérsia à tomada de créditos de PIS, regime não cumulativo, sobre os “gastos com embalagens de acondicionamento (para armazenamento ou transporte) dos produtos acabados”. Na decisão recorrida, a Turma reconheceu o direito ao crédito de insumos relativo aos gastos com embalagens de acondicionamento ou transporte, por se constituírem, diante da atividade exercida, em gastos essenciais para o processo produtivo,. De outro lado, a Fazenda Nacional alega que a decisão foi equivocada na interpretação da lei nesse quesito e requer que seja restabelecido tias glosas, já que, para ela, esse tipo de embalagem não se incorpora ao produto, pois o mesmo encontra-se acabado. Primeiramente, cabe informar que do Contrato Social da empresa extraímos o seu objeto social: “Cláusula Segunda: A empresa tem como objetivo social: (2013-4/00) – Fabricação de Adubos e Fertilizantes; e (4683-4/00) Comércio atacadista de defensivos, adubos, fertilizantes e corretivos de solo (...)”. Consta no Relatório Fiscal de Auditoria de Crédito (fls. 29/41), em que a Fiscalização informa que a glosa com relação aos gastos com às embalagens para acondicionamento (conforme se infere das Notas Fiscais anexadas aos autos), referem-se a “sacarias e sacos tipo BIG BAG’s”, que são grandes sacos de tecidos flexíveis utilizados para armazenar ou transportar os produtos industrializados. Confira-se trecho: De outro lado, o Contribuinte, em suas contrarrazões, informa que o material em questão (embalagem para armazenagem/transporte dos produtos, sacos, etiquetas, lacres) são utilizados com a finalidade de remoção da produção, haja vista que o acondicionamento do produto final para transporte é um gasto necessário e indispensável ao processo produtivo, posto que possibilita que a mercadoria conserve suas características até chegar ao comprador. No entanto, entendo que pela análise do conceito de insumo para fins de reconhecimento de créditos de PIS e da COFINS não-cumulativo, não se alcance todos os gastos da empresa. Contudo, há que se aferir a essencialidade e a relevância de determinado bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica exercida pela contribuinte visando conceituar o insumo para fins dessas contribuições. Ressaltando que para se falar em insumo é necessária a vinculação do bem/serviço com a atividade fim da empresa e a aplicação deles ao processo produtivo dos bens destinados à venda. Fl. 354DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-012.474 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10120.909430/2011-47 Para tanto, me amparo no que foi balizado pelo Parecer Cosit RFB n° 05, de 17/12/2018, que buscou assento no julgado do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, consoante procedimento para recursos repetitivos. Do voto da Ministra Ministra Regina Helena Costa para aquele acórdão, foram extraídos os conceitos: (...) tem-se que o critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência. Por sua vez, a relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g., equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Desse modo, sob essa perspectiva, o critério da relevância revela-se mais abrangente do que o da pertinência.” Quanto ao Parecer Cosit RFB n° 05, ressalvo não comungar de todas as argumentações postas no citado Parecer, entretanto, concordo com suas conclusões. Feita a ressalva e considerando o critério acima, passo a analisar a matéria aqui discutida, reprisando que na decisão recorrida, garantiu o crédito de insumos relativo aos gastos com embalagens de acondicionamento. Entretanto, discordo da decisão recorrida. Sobre o tema, o Parecer RFB/Cosit nº 5 (item 55, 56 e 59), se manifestou no sentido de que eles NÃO se enquadram no conceito de insumo, para fins de creditamento do PIS, nos seguintes termos: 5. GASTOS POSTERIORES À FINALIZAÇÃO DO PROCESSO DE PRODUÇÃO OU DE PRESTAÇÃO 55. Conforme salientado acima, em consonância com a literalidade do inciso II do caput do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003, e nos termos decididos pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, em regra somente podem ser considerados insumos para fins de apuração de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica no processo de produção de bens e de prestação de serviços, excluindo-se do conceito os dispêndios realizados após a finalização do aludido processo, salvo exceções justificadas. 56. Destarte, exemplificativamente não podem ser considerados insumos gastos com transporte (frete) de produtos acabados (mercadorias) de produção própria entre estabelecimentos da pessoa jurídica, para centros de distribuição ou para entrega direta ao adquirente, como: a) combustíveis utilizados em frota própria de veículos; b) embalagens para transporte de mercadorias acabadas; c) contratação de transportadoras. (...) 59. Assim, conclui-se que, em regra, somente são considerados insumos bens e serviços utilizados pela pessoa jurídica durante o processo de produção de bens ou de prestação de serviços, excluindo-se de tal conceito os itens utilizados após a finalização do produto para venda ou a prestação do serviço (...). (Grifei) Como se vê, efetivamente as despesas com as embalagens de acondicionamento (sacarias, sacos tipo BigBags, lacres, etc.), não se compreendem no conceito de insumos, pois são gastos efetivados após a finalização do processo de produção dos “adubos e fertilizantes”. Fl. 355DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-012.474 - CSRF/3ª Turma Processo nº 10120.909430/2011-47 E, não há qualquer elemento de prova nos autos demonstrando que, diferentemente como no caso de produtos hortifrutigranjeiros ou produtos alimentícios, teríamos a obrigatoriedade legal (como exigência fitossanitária, Anvisa) de utilização de tais embalagens para garantir a qualidade final do produto acabado (acarretando uma substancial perda da qualidade na conservação dos seus produtos), levando-se em conta que isso não restou devidamente comprovado no processo. Assim, tais bens não decorrem nem de imposição legal e nem tem qualquer vínculo com a cadeia produtiva do Contribuinte. Em suma, somente devem ser considerados insumos, para fins de creditamento do PIS, regime não cumulativo, os bens utilizados no processo de produção da mercadoria destinada à venda e ao ato de prestação de um serviço. Isto posto, neste caso, assiste razão à Fazenda Nacional, pois a luz do decidido no Recurso Especial 1.221.170/PR e do Parecer Normativo COSIT/RFB nº 5/2018, deve ser reformado o Acórdão recorrido nesta matéria, uma vez que não geram crédito de PIS os gastos efetuados com às aquisições de embalagens para acondicionamento (sacarias de tecidos flexíveis, lacres e sacos tipo BIG BAGs)”, com a finalidade de armazenar ou transportar os produtos acabados (adubos e fertilizantes), por constituírem gastos com bens ligados a fase posterior à finalização do produto para venda ou a prestação de serviço. Conclusão Desta forma, voto no sentido de conhecer do Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional, para no mérito, dar-lhe provimento, devendo ser revertida a decisão recorrida quanto a matéria em debate, mantendo-se a decisão de primeira instância. É como voto. (documento assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 356DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904433/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 16 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 23/06/2003
COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS. DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. ERRO. PROVA.
O alegado erro no preenchimento da DCTF somente pode ser superado no âmbito do contencioso administrativo quando este está devidamente comprovado nos autos.
Numero da decisão: 1201-005.414
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.411, de 16 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16327.904464/2008-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Presidente Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Neudson Cavalcante Albuquerque
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DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO. DCTF. ERRO. PROVA. O alegado erro no preenchimento da DCTF somente pode ser superado no âmbito do contencioso administrativo quando este está devidamente comprovado nos autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1201-005.411, de 16 de novembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 16327.904464/2008-18, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Efigênio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy José Gomes de Albuquerque, Sérgio Magalhães Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada) e Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. CITIBANK DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS S/A, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no julgamento de sua manifestação de inconformidade, interpôs recurso voluntário dirigido a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma daquela decisão. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 33 /2 00 8- 59 Fl. 230DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.414 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.904433/2008-59 O processo trata de declaração de compensação - DCOMP a qual aponta direito creditório a título de pagamento indevido ou a maior de IRRF. A Administração Tributária verificou que o pagamento apontado estava integralmente utilizado para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação, de forma que a DCOMP foi não homologada, nos termos do correspondente despacho decisório. O interessado apresentou manifestação de inconformidade propugnando pela reforma da decisão da Administração Tributária, alegando, em síntese, que errou ao realizar o recolhimento de IRRF, pois o pagamento que lhe deu causa não está sujeito a retenção na fonte. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela autoridade julgadora a quo, nos termos do acórdão ora recorrido. O recurso voluntário apresentado em seguida propugna pela legitimidade do direito de crédito reclamado, conforme será detalhado e apreciado no voto que se segue. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, pelo que passo a conhecê-lo. O contribuinte apresentou declaração de compensação (DCOMP) em que aponta o direito crédito no valor de R$ 3.363,87, oriundo de alegado pagamento indevido de IRRF (código 5286) recolhido em 08/12/2003, por meio de DARF de mesmo valor. A Administração Tributária verificou que o pagamento estava totalmente utilizado, conforme os débitos declarados pelo contribuinte em sua DCTF e indeferiu o pedido. O contribuinte alega que errou ao realizar o referido recolhimento de IRRF. Segundo informado na manifestação de inconformidade, a retenção teve como motivação o ganho de capital em operação de compra e venda de ações em bolsa de valores realizada pela empresa estrangeira "Banque de Louxembourg S/A", situada em Luxemburgo. Todavia, essa empresa não estava sujeita a tal retenção, uma vez que esta é devida apenas para empresas de Luxemburgo que possuem a natureza de “Holding Company”, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 188/2002. Acrescenta que retificou a correspondente DCTF. A decisão recorrida não questionou a alegada não incidência do IRRF, mas não reconheceu o direito de crédito pelo fato de o contribuinte não ter demonstrado que as operações que deram causa ao IRRF apontado como indevido foram efetuadas pelo Banque de Luxembourg. No presente recurso voluntário, o recorrente opõe-se à decisão de primeira instância com os argumentos a seguir apresentados e apreciados. Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.414 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.904433/2008-59 1 Despacho decisório – motivação – nulidade O recorrente afirma que o despacho decisório que não reconheceu o seu alegado direito de crédito deixou de apontar os motivos que levaram a tal deliberação, assim prejudicando o contraditório e a defesa do contribuinte, conforme o seguinte excerto (fls. 182): Aqui, evidente que o mero apontamento do valor como "não comprovado" não demonstra a motivação do ato decisório. Durante todo o despacho, observa-se a alegação de que o valor do crédito haveria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, sem maiores informações. Diante de toda a documentação exposta no presente Recurso, estas afirmações diretas e pontuais não se mostram coerentes com o processo administrativo previsto para a compensação de créditos tributários. Inexiste qualquer justificativa fática ou legal sobre as conclusões negativas à DCOMP (Doe. 03). [...] Ora, como pode o contribuinte saber a razão da não homologação de seu Pedido de Compensação se no despacho é dito, meramente, que o auditor não concorda com a existência dos mesmos? É impossível, inclusive, que se defenda efetivamente, já que não se sabe onde a discordância do fiscal nasce. Não há argumentação fática e jurídica explícita nem congruente. O referido despacho decisório assim apontou o motivo do não reconhecimento do alegado direito de crédito (fls. 15): Verifico que o despacho decisório aponta como motivo para o indeferimento do pedido o fato de o DARF apontado pelo contribuinte (pagamento 4200681758) ter sido totalmente utilizado para quitar o débito de código 5286 do período de apuração 08/12/2003. Entendo que estas são informações suficientes para o exercício do contraditório e afasto a alegada nulidade. Ademais, como exaurimento desta constatação, verifico que o recorrente reconheceu que apresentou DCTF em que confessou o referido débito, defendendo-se com a alegação de que teria errado nessa declaração e que já a teria retificado. Portanto, o contribuinte entendeu plenamente o fundamento do despacho decisório, não havendo fundamento fático para a reclamação de nulidade, uma vez que esta é devida apenas quando houver prejuízo ao direito subjetivo de o contribuinte exercer o seu direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto nº 70.235/1972, verbis: Art. 59. São nulos: Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.414 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.904433/2008-59 I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Mais adiante, em novo tópico, o recorrente insiste na existência de cerceamento de sua defesa, apontando a ausência de um termo de verificação fiscal que apontasse a razão de não terem sido admitidos os créditos “declarados na DIPJ da empresa incorporada detentora do crédito” (fls. 186). Nesse ponto, o recorrente se desassocia totalmente do cenário fático do presente processo, uma vez que o presente feito não trata de créditos oriundos de sucessão de empresas. Não tendo ocorrido efetiva preterição do direito de defesa, a reclamação do recorrente deve ser afastada. 2 Direito de crédito - legitimidade O recorrente defende que o seu direito de crédito é legitimo, uma vez que a retenção que realizou sobre pagamento ao Banque de Luxembourg foi indevida. Acrescenta que reembolsou o seu cliente pelo valor indevidamente retido e que, agora, tem direito à repetição desse indébito, conforme o seguinte excerto (fls. 187): O crédito de IRRF objeto da PER/DCOMP em questão foi gerado por recolhimento a maior do tributo no montante de R$ 3.363,87 (Três mil, trezentos e sessenta e três reais e oitenta e sete centavos), sob o código 5286, decorrente de ganho de capital em operações de compra e venda de ações em bolsa de valores, onde a Recorrente reteve indevidamente imposto de renda da empresa Banque de Louxembourg S.A., empresa situada em Luxemburgo. [...] Ocorre que tal recolhimento foi realizado pois a Recorrente considerou a empresa, por ser situada em Luxemburgo, como residente em pais de tributação favorecida (paraíso fiscal). Isso, segundo os art. 40, §1°, inciso I e 43, da IN 25/019, implicaria na tributação da mesma. [...] No entanto, na lista de países com tributação favorecida descrita na IN 188/02 (Revogada pela IN 1.037/10)10 não existia previsão para considerar empresa sediada em Luxemburgo que não seja Holding Company como empresa sediada em paraíso fiscal. Dessa forma, como a Banque de Louxemburg não é uma Holding Company, conforme comprovado pela Declaração do Representante da Entidade (Doe. 04), não está sujeita à retenção de IR, motivo pelo o qual toda retenção de IR realizada no presente caso foi efetuada indevidamente. Uma vez identificado o erro, a Recorrente realizou a devolução dos valores à Banque de Louxembourg S.A. e procedeu com a compensação desse montante recolhido indevidamente, conforme se observa pela PER/DCOMP não homologada. Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.414 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.904433/2008-59 Prossegue afirmando que “a documentação apresentada é mais do que suficiente para atestar o direito de crédito da Recorrente, inclusive presente na DCTF retificadora apresentada inicialmente”. Contudo, a decisão recorrida entendeu que a documentação apresentada pelo contribuinte sequer comprovava que a retenção do IRRF foi feita em face do apontado Banque de Louxemburg, conforme o seguinte excerto (fls. 170): No caso, não consta dos autos qualquer documento que comprove que as operações que deram causa ao IRRF apontado como indevido foram efetuadas pelo Banque de Luxembourg. No presente recurso voluntário, o contribuinte não apresentou qualquer esforço para suprir essa deficiência probatória. Esta turma de julgamento vem adotando o entendimento de que o erro no preenchimento da DCTF pode ser superado, em homenagem ao princípio da verdade material. Contudo, para isso, é necessário que o recorrente demonstre, nos autos, por meio de provas, que a realidade fática não é exatamente o que foi declarado. Essa prova se faz necessária porque a inconsistência das informações prestadas pelo contribuinte afeta a própria constituição de um crédito tributário, dando ensejo à aplicação da regra contida no artigo 147, §1º, do CTN, verbis: § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Tal entendimento foi pacificado neste Tribunal Administrativo por meio da Súmula CARF nº 164, verbis: Súmula CARF nº 164 A retificação de DCTF após a ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição ou que não homologou a declaração de compensação é insuficiente para a comprovação do crédito, sendo indispensável a comprovação do erro em que se fundamenta a retificação. Na espécie, o recorrente não traz qualquer evidência de que o apontado recolhimento de IRRF foi indevido, na medida em que não foi demonstrado que ele é congruente com a situação fática relatada no recurso. Não havendo o necessário elemento de conexão entre os fatos e os relatos, não se pode acatar a tese do recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.414 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.904433/2008-59 CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Redator. Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001690/2009-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA –DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO – APLICAÇÃO DE MULTA
Consiste em descumprimento de obrigação acessória punível com multa, a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social.
CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA
Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara
MULTA – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – INAPLICABILIDADE
A multa pelo descumprimento da obrigação acessória de deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social não sofreu qualquer alteração para que se pudesse falar em aplicação retroativa da lei mais benéfica
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-002.748
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA –DESCUMPRIMENTO – INFRAÇÃO – APLICAÇÃO DE MULTA Consiste em descumprimento de obrigação acessória punível com multa, a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara MULTA – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – INAPLICABILIDADE A multa pelo descumprimento da obrigação acessória de deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social não sofreu qualquer alteração para que se pudesse falar em aplicação retroativa da lei mais benéfica Recurso Voluntário Negado.
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CERCEAMENTO DE DEFESA – NULIDADE – INOCORRÊNCIA Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara MULTA – PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA – INAPLICABILIDADE A multa pelo descumprimento da obrigação acessória de deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social não sofreu qualquer alteração para que se pudesse falar em aplicação retroativa da lei mais benéfica Recurso Voluntário Negado Fl. 152DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001690/200999 Acórdão n.º 2402002.748 S2C4T2 Fl. 149 3 Relatório Tratase de infração ao disposto no art. 32, inciso I da Lei nº 8.212/1991 c/c art. 225, inciso I e § 9º do Decreto nº 3.048/1999, que consiste em a empresa deixar de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social. Segundo o Relatório Fiscal da Infração (fls. 60), empresa deixou de incluir em folha de pagamento os seguintes valores: Remunerações pagas a segurados empregados, contribuintes individuais e outras pessoas físicas por serviços prestados de natureza urbana em caráter não eventual, sob sua subordinação. Valores pagos a segurados empregados a título de vale transporte pago em dinheiro em desacordo com a legislação, horas extras, comissões e outros serviços prestados. Valores pagos a segurados contribuintes individuais a título de serviços prestados e vale transporte pago em dinheiro em desacordo com a legislação. Para os sócios não foram incluídos os pagamentos de pro labore e outras despesas pagas sem comprovação. Não foram incluídos em Folha de Pagamento os segurados caracterizados como empregados Antonio Paulo dos Santos, Ricardo Aparecido Cirillo e Braulio dos Santos Neto por preencherem os pré requisitos de pessoalidade, eventualidade, subordinação e remunerados mensalmente sob a forma de salários, abonos, férias e décimo terceiro salário. É informada a inexistência de circunstâncias agravantes. A autuada teve ciência do lançamento em 01/06/2009 e apresentou defesa (fls. 83/101), onde alega cerceamento de defesa uma vez que não lhe foram apresentados quaisquer documentos que comprovassem a ocorrência dos fatos geradores apontados no Auto de Infração e Imposição de Multa. Argumenta que a auditoria fiscal teria entregue diversos documentos (extratos), os quais verificase tratarse de meras planilhas, o que, sem dúvida, prejudica a possibilidade de conhecer os fatos que embasam a autuação, e, conseqüentemente sua defesa. Solicita a aplicação do princípio da retroatividade benigna no que tange à multa em face das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449/2008. No julgamento de primeira instância o lançamento foi mantido pelo Acórdão nº 1624.567 (fls. 112/123) da 12ª Turma da DRJ/São Paulo I. Contra tal decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 127/145), onde efetua a repetição das alegações de defesa. Fl. 154DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação do recurso interposto. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001690/200999 Acórdão n.º 2402002.748 S2C4T2 Fl. 150 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente alega cerceamento de defesa em face da entrega, por parte da auditoria fiscal de diversos documentos (extratos), os quais entendeu tratarse de meras planilhas, impossibilitandoa de conhecer os fatos que embasaram a autuação e, conseqüentemente, sua defesa. Alega também que não lhe foram apresentados quaisquer documentos que comprovassem a ocorrência dos fatos geradores apontados no Auto de Infração Verificase que a alegação é desprovida de fundamento. A autuação ocorreu pelo fato de a recorrente não haver incluído em folha de pagamento os fatos geradores de todas as contribuições, quais sejam, valores pagos a segurados empregados e contribuintes individuais. Os dispositivos legais que contém tal obrigação acessória bem como aqueles que disciplinam a penalidade aplicada em caso de descumprimento foram devidamente informados à recorrente. O Relatório Fiscal da Infração informa com clareza quais os valores deixaram de ser incluídos nas folhas de pagamento. O que a recorrente chama de meras planilhas são anexos ao Termo de Intimação Fiscal – TIF nº 07 (fls. 34), onde a auditoria fiscal intima o contribuinte a declarar em GFIPs relativa ao ano 2004, bem como adicionar às folhas de pagamento, os fatos geradores constantes das citadas planilhas, sob pena de autuação O TIF mencionado foi emitido no decorrer da ação fiscal e a cópia deste foi anexada aos autos, tal qual os demais TIF e outros documentos relativos à ação fiscal. O objetivo da emissão do TIF nº 07 foi oportunizar ao contribuinte a correção das faltas correspondentes à não inclusão dos fatos geradores em GFIP e na folha de pagamento, o que não ocorreu. Assim, as planilhas em questão referemse às relações de pagamentos efetuados segurado a segurado, por competência, data e origem de tais pagamentos. Cumpre ressaltar que foram observados todos os prazos legais estabelecidos para manifestação por parte do contribuinte. Assim, a preliminar de cerceamento de defesa deve ser rejeitada. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Quanto à solicitação de que seja aplicado o princípio da retroatividade benigna no que tange à multa em face das alterações trazidas pela Medida Provisória nº 449/2008, melhor sorte não cabe à recorrente. De fato, a MP nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009 efetuou alteração no cálculo da multa de algumas obrigações acessórias, especialmente àquelas relacionadas à GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social. No entanto, com relação à obrigação acessória em referência, não houve qualquer modificação nos dispositivos legais que amparam a aplicação da multa em caso de descumprimento, quais sejam, Lei n. 8.212/1991, art. 92 e art. 102 e Decreto nº 3.048/1999 art. 283, inciso I, alínea “a” e art. 373. Lei nº 8212/1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social Decreto nº 3.048/1999 Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) Ia partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos)nas seguintes infrações: a)deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Assim, não há que se acolher tal alegação. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 19515.001690/200999 Acórdão n.º 2402002.748 S2C4T2 Fl. 151 7 Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Voto no sentido de CONHECER do recurso e NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 158DF CARF MF Impresso em 23/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 04/06/2012 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11610.007343/2003-94
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1103-000.089
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro – Relator (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva – Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros Eduardo Martins Neiva Monteiro, Marcos Shigueo Takata, André Mendes de Moura, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Aloysio José Percínio da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 07 34 3/ 20 03 -9 4 Fl. 2135DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.007343/200394 Resolução nº 1103000.089 S1C1T3 Fl. 2.136 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (fls.03/04), protocolizada em 14/05/03, sendo o crédito originado de saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2002, no valor de R$ 19.540.622,43. Conforme Despacho Decisório (fls.462/471), vincularamse ao presente processo os PER/Dcomp nº 41585.67804.150803.1.7.026766 e 29790.19115.150803.1.7.02 4739. Deferiuse parcialmente o pleito com base nas razões abaixo (fls.462/471): o montante de “IRRF” e “IRRF por Órgãos Públicos”, no valor de R$58.531.166,37, é compatível com os registros nos sistemas da RFB. Quanto ao oferecimento à tributação, o montante das receitas financeiras, de juros sobre capital próprio e de outros rendimentos, está declarado na Linha 24 da Ficha 06 A da DIPJ/2003 (“Outras Receitas Financeiras”); as receitas de prestações de serviços, na Linha 08 da Ficha 06 A (“Receita de Prestação de Serviços”), e as decorrentes de revenda de produtos, na Linha 07 da mesma Ficha (“Receita de Revenda de Mercadorias”); nos meses de janeiro, julho e setembro de 2002, o contribuinte apurou bases de cálculo negativas. Nos meses de maio, junho e agosto de 2002, apurouse saldo negativo; nos meses de fevereiro, março e abril, apurouse IRPJ a pagar, cujos débitos foram declarados em DCTF e compensados com saldo negativo de IRPJ apurado ao final do anocalendário 2000, que foi objeto do processo nº 13807.003567/200274, em que foi reconhecido o montante de R$7.510.786,59, bem como a compensação parcial da estimativa de fevereiro/2002, no valor de R$9.002.427,89, restando em aberto as estimativas de março e abril/2002; considerouse como dedução, na determinação do saldo negativo apurado ao final do ano calendário 2002, o montante de R$9.603.204,85, composto pelo IRRF (R$600.776,96) e extinção por compensação da estimativa de fevereiro/2002 (R$9.002.427,89); conforme sistemas SAPLI e DecisõesW, constatouse a existência de auto de infração (processo nº 19515.000234/200506), por meio do qual se reduziu o prejuízo fiscal do ano calendário 2002, de R$228.426.880,02 para R$43.667.455,71, mantido pela DRJSPOI, sob o fundamento de falta de adição ao lucro líquido do excesso de benefícios previdenciários complementares em relação ao salários dos empregados e à remuneração dos dirigentes (art.361, §2º, do RIR/99); conforme diligência realizada pela DEFIC, o contribuinte tributou 10% (parcela mínima) do saldo remanescente à alíquota de 6%, que resultou no imposto devido no montante de R$1.877.428,00; quanto à dedução a título de Programa de Alimentação do Trabalhador, a diligência realizada pela DEFIC confirmou sua conformidade com a legislação; Fl. 2136DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.007343/200394 Resolução nº 1103000.089 S1C1T3 Fl. 2.137 3 o saldo negativo apurado ao final do anocalendário 2002 restou alterado de R$102.099.678,25 para R$65.731.263,96, sendo reconhecido nos seguintes termos: Prejuízo Fiscal 43.667.455,71 Imposto sobre o Lucro Real 01. Alíquota de 15% 0,00 02. Alíquota de 6% 1.877.428,01 03. Adicional 0,00 Deduções 05 () Programa de Alimentação do Trabalhador 75.097,12 13 () Imposto de Renda Retido na Fonte 57.759.238,40 14 () Imp. de Renda Retido na Fonte por Órgão Público 171.151,01 16 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 9.603.204,85 18. Imposto de Renda a Pagar (65.731.263,37) as compensações objeto do processo foram homologadas até o limite do direito creditório reconhecido. Cientificado do Despacho Decisório, o contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade (fls.484/491), não acolhida pela Quarta Turma da DRJ – São Pulo (SP), em acórdão que recebeu a seguinte ementa (fls.548/557): DIPS. SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVA. IRRF. COMPENSAÇÃO. CONDIÇÕES. A compensação de saldo credor do IRPJ condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação dos pagamentos e/ou compensações das estimativas e do IRRF levado dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras e do conseqüente oferecimento dos respectivos rendimentos na apuração do lucro real. Não comprovadas as alegações da manifestante, mantêmse as conclusões da autoridade administrativa. Na oportunidade, o voto condutor restou assim redigido: “[...] A Autoridade Administrativa verificou que o montante do saldo negativo apurado no anocalendário de 2002 foi R$ 65.731.263,37, e não R$ 102.099.678,25. A razão da diminuição foi a glosa das estimativas, que foram reduzidas de R$45.971.619,73 para R$9.603.204,85. A justificativa da glosa foi que as estimativas haviam sido compensadas com saldo negativo do anocalendário de 2000, analisado no Processo n° 13807.003567/200274, que reconheceu apenas parcialmente o crédito tributário. As compensações declaradas e vinculadas ao processo foram homologadas parcialmente, tendo apenas a estimativa de fevereiro de 2002 sido compensada, até o montante de R$ 9.002.427,89. Não se tendo efetivado as compensações, por falta de saldo negativo, considerouse não extintos os débitos. A Manifestante alega, em síntese, que o saldo negativo do ano calendário de 2000 é legitimo em seu mérito e que a exigência dos débitos está suspensa pela manifestação de inconformidade apresentada naquele processo. Fl. 2137DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.007343/200394 Resolução nº 1103000.089 S1C1T3 Fl. 2.138 4 Ocorre que o artigo 170 do Código Tributário Nacional — CTN determina que: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir a autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (..)” O processo em questão foi objeto de Acórdão por esta 4° Turma, por meio do qual foi indeferida a solicitação da empresa de que fosse reformada a decisão da DIORT (fls.512/547). Obviamente, cabe recurso contra esse resultado de julgamento. Todavia, mesmo que eventual Manifestação confira suspensão de exigibilidade dos débitos constantes de DCOMP (e somente estes), há que se lembrar que estes não se encontram extintos, não podendo ser conferida liquidez e certeza ao crédito nessa situação. Assim, não tendo sido confirmadas as compensações com as estimativas mensais devidas no anocalendário de 2002, conforme tratado acima, não deve ser alterada a decisão da DIORT.” Cientificado do acórdão de primeira instância em 17/09/08 (fl.558), o contribuinte tempestivamente apresentou Recurso Voluntário em 15/10/08 (fls.559/568), em que sustenta, em síntese: as estimativas referentes aos meses de fevereiro, março e abril de 2002 teriam sido devidamente compensadas com o saldo negativo apurado ao final do anocalendário 2000, objeto do processo nº 13807.003567/200274; quanto à composição do saldo negativo do anocalendário 2000, poderia ter deduzido integralmente as despesas com custeio de plano de previdência de seus empregados, nos termos do RIR/94, o que foi objeto de questionamento por parte do Fisco federal, tendo resultado no auto de infração formalizado no processo nº 13808.001185/200204; o extinto Primeiro Conselho de Contribuintes teria provido em parte o recurso voluntário interposto no processo nº 13808.001185/200204, nos seguintes termos: “Por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para que seja restabelecida as deduções concernentes as contribuições pagas pela Recorrente em face do Contrato de Ajuste, na parte relativa aos aposentados, bem como aos funcionários que foram transferidos para outras sociedades resultantes do processo de cisão da Eletropaulo Eletricidade”; preenchera equivocadamente a DIRPJ/1997, não havendo incompatibilidade com os valores informados em DCTF; seriam inexigíveis os débitos objeto do processo nº 13807.003567/200274, tendo em conta a interposição de recurso voluntário que os suspendem, de forma que não poderia a fiscalização proceder a “quaisquer ajustes no montante de créditos declarados, restando, portanto, ilegítimas as alterações realizadas no saldo credor declarado na DCTF/2001, que modificaram os créditos constituídos nos anoscalendários de 1998 e 1999 para saldo a pagar, bem como reduziu sensivelmente o saldo credor apurado no anocalendário de 2000”. É o relatório. Fl. 2138DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 11610.007343/200394 Resolução nº 1103000.089 S1C1T3 Fl. 2.139 5 Voto Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário, dele se toma conhecimento. Como visto no relatório supra, o saldo negativo apurado ao final do ano calendário 2002 vinculase intimamente ao saldo negativo do anocalendário 2000 (processo nº 13807.003567/200274), pois este teria sido parcialmente empregado nas compensações das estimativas de fevereiro a abril/2002. Nesta assentada, este colegiado decidiu, quanto ao processo nº 13807.003567/200274, converter o julgamento em diligência para verificar se há saldo negativo adicional a ser reconhecido quanto ao anocalendário 2000, haja vista a decisão em parte favorável ao contribuinte relativa ao auto de infração objeto do processo nº 13808.001185/200204 (acórdão nº 10196.868, de 14/08/08). Portanto, como medida a fornecer elementos seguros de convencimento e em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, fazse necessário conhecer qual a repercussão de eventual reconhecimento adicional de saldo negativo do anocalendário 2000 (processo nº 13807.003567/200274) na compensação das estimativas de fevereiro a abril de 2002 e, consequentemente, na apuração do saldo negativo em 2002. Pelo exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem da Secretaria da Receita Federal do Brasil: a) verifique, à vista das providências requeridas no processo nº 13807.003567/200274, se foi reconhecido adicionalmente saldo negativo apurado no anocalendário 2000; b) em caso afirmativo, informe se tal valor é suficiente para a compensação das estimativas de fevereiro a abril de 2002 e consequente deferimento de saldo negativo adicional apurado ao final de 2002, passível de restituição/compensação, devendo tal valor, se for o caso, ser explicitado; c) descreva, em relatório circunstanciado, acompanhado das respectivas provas, as constatações decorrentes dos exames realizados; d) cientifique o Recorrente do inteiro teor do resultado da diligência para, se assim o desejar, aditar o recurso voluntário no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art.35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011, findo o qual, o processo deverá ser devolvido ao CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Eduardo Martins Neiva Monteiro Fl. 2139DF CARF MF Impresso em 28/08/2013 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por EDUARDO MARTINS NEIVA MONTEIRO, Assinado digitalmente em 20/08/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Numero do processo: 19515.002724/2004-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 19 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1103-000.017
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, devolver os autos à unidade de origem para a realização de diligência, nos termos do voto do relator. Ausente, justificadamente,o conselheiro Mario Sergio Fernandes Barroso.
Matéria: IRPJ - glosa de compensação de prejuízos fiscais
Nome do relator: ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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Resolvem os membros do colegádo, por unanimidade de votos, devolver os autos à unidade de origem para a realização de diligência, nos termos do voto do relator, Ausente,justificadamente,o inselheiro Mario Sergio Fernandes Barroso, ALOySIO r N R-C' °: A SILVA — Presidente e Relator EDITADO EM: O 1 sET 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente da Turma), Gervásio Nicolau Recketenvald, Hugo Correia Sotero (Vice- Presidente), Marcos Shigueo Takata e Eric Moraes de Castro e Silva. Processo o" 19515.002724/2004-58 si-C1 T3 Resolução ri "' 1103-00.017 Fl 2 Relatório 'llata-se de auto de infração de IRPJ (fls. 140), relativo ao ano-calendário 1999, com multa de 75% prevista no art.. 44, 1, da Lei 9.430/96, lavrado em razão de compensação de prejuízos fiscais acima do limite legal de 30%. Mediante tempestiva impugnação (11s, 145), o sujeito passivo requereu, preliminarmente, a reunião deste processo (19515.002724/2004-58) e o de no 19515,002729/2004-81, que trata de auto de infração de CSLL, por economia processual, tendo em vista que ambas as exigências seriam originárias do mesmo termo de intimação. No mérito, alegou violação de princípios e dispositivos constitucionais além de defender, na hipótese de se julgar indevida a compensação, a ocorrência de postergação de pagamento do imposto. O órgão de primeiro grau julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão n" 16-14550 (fis, 239), assim resumido: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPI Ano-calendário: 1999 ALEGAÇÕES DE 1NCONSTITUCIONALIDADES E/OU ILEGALIDADES. A apreciação de alegações de inconstitucionalidades e/ou ilegalidades é de exclusiva competência do Poder Judiciário. Matérias que as questionam não são apreciadas na esfera administrativa. COMPENSAÇÃO. LIMITE DE 30%, POSTERGAÇÃO. A glosa de compensação de prejuízos fiscais e bases negativas superiores ao limite de 30% na apuração do IRPJ e CS LL não configura hipótese de postergação de tributo." Cientificada da decisão em 12/02/2008 (fis. 251), a autuada interpôs recurso voluntário no dia 13 do mês seguinte (fls. 252), no qual renovou os argumentos de contestação contidos na impugnação.. É o relatório. 2 Processo n" 19515.002724/2004-58 S [-Cl 13 Resolução n " 1103-00,017 I' I 3 Voto Conselheiro ALOYSIO JOSÉ PERCINIO DA SILVA, Relatar O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, deve, portanto, ser conhecido e julgado. Inicialmente, entende-se que este Conselho, na condição de órgão integrante da estrutura administrativa da União, não detém competência para enfrentar argüições de inconstitucionalidade de atos legais, segundo a Súmula CARF n" 2, com o seguinte enunciado: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." A aplicação do limite à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL é matéria pacificada neste Conselho, tendo em vista a Súmula CARF n" 3: "Para a determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social sobre o Lucro, a partir do ano-calendário de 1995, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa." A recorrente defendeu a ocorrência de mera postergação de pagamento do tributo no caso de compensação integral, por absorver todo saldo de prejuízos fiscais, não permitindo o seu aproveitamento em períodos posteriores. Afirmou ter apurado lucros expressivos nos anos seguintes, restando comprovado com os documentos acostados, a seu ver, que as bases de cálculo dos anos subseqüentes foram majoradas em razão da utilização integral dos prejuízos fiscais no ano de 1999. Com efeito, o excesso de compensação no ano-calendário 1999, de R$ 2.747.949,69, seria absorvido ainda antes da lavratura do auto de infração, em 23/11/2004 (fls. 140), pelos lucros declarados nos anos-calendário 2000 (lis. 271), 2001 (fls. 196) e 2002 (fls.. 212), mesmo observando-se o limite legal de .30% em cada ano. O tema também já foi objeto de súmula, com o seguinte teor.: "Súmula CAIU n" 36. A inobservância do limite legal de trinta por cento para compensação de prejuízos fiscais ou bases negativas da CRI, quando comprovado pelo sujeito passivo que o tributo que deixou de ser pago em razão dessas compensações o foi em período posterior., caracteriza postergação do pagamento do IRPJ ou da CSLL, o que implica em excluir da exigência a parcela paga posteriormente." 3 Processo o" I 95 I 5.002724/2004-58 SI-C1'1,3 Resolução o 110.3-00.017 Fl No meu entendimento, a postergação está, em tese, demonstrada. Entretanto, a efetiva ocorrência de postergação pressupõe a confirmação de pagamento do tributo em período posterior, o que não se comprova com os elementos constantes dos autos Conclusão Pelo exposto, prestigiando-se o principio da verdade material, orientador do processo administrativo tributário, os autos devem ser devolvidos à unidade de origem para confirmação dos pagamentos de 1RPJ realizados até 24/11/2004 (antecipações mensais, 1RF e quotas). A autoridade fiscal deverá intimar a recorrente a comprovar os referidos pagamentos e elaborar relatório conclusivo a respeito da sua efetividade, podendo, a seu critério, acrescentar outras informações que venha a considerar relevantes Ao final, entregar cópia do relatório à recorrente, concedendo-lhe prazo de 30 (trinta dias) para apresentação de contra-razões, após o que os autos devem retornar a este Conselho para continuação do julgamento. Sala das Ses s, em 19 de maio de 2010 4LOYS10111 •.!É R rN e A SILVA 4
score : 1.0
Numero do processo: 11077.720052/2019-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 22 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 10 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2014, 2015, 2016, 2017, 2018
PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU PERÍCIA. INEXISTÊNCIA.
Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização é prescindível à solução da presente contenda, por constarem dos autos todos os elementos necessários à solução da lide.
REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA.
Não tendo sido efetuado nenhum lançamento de ofício no curso do desembaraço aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita a possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN.
A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos.
ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Ano-calendário: 2014, 2015, 2017, 2018
COMPETÊNCIA. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL.
A interpretação das normas que regulam a classificação fiscal de mercadorias é de competência de autoridades tributárias e aduaneiras, sendo, no Brasil, tal atribuição exercida pelos Auditores-Fiscais da RFB.
A eficácia de laudos e pareceres técnicos sobre mercadorias limita-se a aspectos técnicos de sua competência, não se considerando aspecto técnico a classificação fiscal de produtos.
MULTA REGULAMENTAR DECORRENTE DE ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. (SÚMULA CARF nº 161).
O erro de indicação, na Declaração de Importação, da classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, por si só, enseja a aplicação da multa de 1%, prevista no art. 84, I, da MP nº 2.158-35, de 2001, ainda que órgão julgador conclua que a classificação indicada no lançamento de ofício seja igualmente incorreta.
MULTA DE OFÍCIO DECORRENTE DE TRIBUTO NÃO RECOLHIDO. LEGALIDADE (SÚMULA CARF Nº 02).
Estando a multa de ofício prevista em lei, não compete ao CARF apreciar sua constitucionalidade, consoante Súmula CARF nº 02:
Numero da decisão: 3301-011.413
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marco Antonio Marinho Nunes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente).
Nome do relator: Marco Antonio Marinho Nunes
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014, 2015, 2016, 2017, 2018 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU PERÍCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização é prescindível à solução da presente contenda, por constarem dos autos todos os elementos necessários à solução da lide. REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. Não tendo sido efetuado nenhum lançamento de ofício no curso do desembaraço aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita a possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2014, 2015, 2017, 2018 COMPETÊNCIA. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A interpretação das normas que regulam a classificação fiscal de mercadorias é de competência de autoridades tributárias e aduaneiras, sendo, no Brasil, tal atribuição exercida pelos Auditores-Fiscais da RFB. A eficácia de laudos e pareceres técnicos sobre mercadorias limita-se a aspectos técnicos de sua competência, não se considerando aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. MULTA REGULAMENTAR DECORRENTE DE ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. (SÚMULA CARF nº 161). O erro de indicação, na Declaração de Importação, da classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, por si só, enseja a aplicação da multa de 1%, prevista no art. 84, I, da MP nº 2.158-35, de 2001, ainda que órgão julgador conclua que a classificação indicada no lançamento de ofício seja igualmente incorreta. MULTA DE OFÍCIO DECORRENTE DE TRIBUTO NÃO RECOLHIDO. LEGALIDADE (SÚMULA CARF Nº 02). Estando a multa de ofício prevista em lei, não compete ao CARF apreciar sua constitucionalidade, consoante Súmula CARF nº 02:
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-12-26T14:12:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-12-26T14:12:04Z; Last-Modified: 2021-12-26T14:12:04Z; dcterms:modified: 2021-12-26T14:12:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-12-26T14:12:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-12-26T14:12:04Z; meta:save-date: 2021-12-26T14:12:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-12-26T14:12:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-12-26T14:12:04Z; created: 2021-12-26T14:12:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; Creation-Date: 2021-12-26T14:12:04Z; pdf:charsPerPage: 2200; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-12-26T14:12:04Z | Conteúdo => S3-C 3T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 11077.720052/2019-47 Recurso Voluntário Acórdão nº 3301-011.413 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 22 de novembro de 2021 Recorrente CATERPILLAR BRASIL COMÉRCIO DE MÁQUINAS E PEÇAS LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2014, 2015, 2016, 2017, 2018 PRELIMINAR. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. AUSÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO OU PERÍCIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do Auto de Infração pela ausência de laudo técnico ou perícia, cuja realização é prescindível à solução da presente contenda, por constarem dos autos todos os elementos necessários à solução da lide. REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. Não tendo sido efetuado nenhum lançamento de ofício no curso do desembaraço aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita a possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Ano-calendário: 2014, 2015, 2017, 2018 COMPETÊNCIA. SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A interpretação das normas que regulam a classificação fiscal de mercadorias é de competência de autoridades tributárias e aduaneiras, sendo, no Brasil, tal atribuição exercida pelos Auditores-Fiscais da RFB. A eficácia de laudos e pareceres técnicos sobre mercadorias limita-se a aspectos técnicos de sua competência, não se considerando aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. MULTA REGULAMENTAR DECORRENTE DE ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL. (SÚMULA CARF nº 161). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 7. 72 00 52 /2 01 9- 47 Fl. 6785DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 O erro de indicação, na Declaração de Importação, da classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, por si só, enseja a aplicação da multa de 1%, prevista no art. 84, I, da MP nº 2.158-35, de 2001, ainda que órgão julgador conclua que a classificação indicada no lançamento de ofício seja igualmente incorreta. MULTA DE OFÍCIO DECORRENTE DE TRIBUTO NÃO RECOLHIDO. LEGALIDADE (SÚMULA CARF Nº 02). Estando a multa de ofício prevista em lei, não compete ao CARF apreciar sua constitucionalidade, consoante Súmula CARF nº 02: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira - Presidente (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro (Vice-Presidente), Marco Antonio Marinho Nunes, Sabrina Coutinho Barbosa (suplente convocada), José Adão Vitorino de Morais, Jucileia de Souza Lima, Marcelo Costa Marques d'Oliveira (suplente convocado) e Liziane Angelotti Meira (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 11-63.923 - 8ª Turma da DRJ/REC, que julgou procedente em parte a Impugnação contra os Autos de Infração lavrados em 08/02/2019, lavrados em razão de reclassificação fiscal de mercadorias, por intermédio dos quais foram lançadas as seguintes exigências: Auto de Infração - II Principal: 12.022.300,11 Juros de Mora (Até 01/2019): 3.161.728,26 Multa de Ofício (75%): 9.016.725,08 Multa Regulamentar (1%) 5.373.771,52 Valor do Crédito Tributário: 29.574.524,97 Auto de Infração - IPI Principal: 601.096,04 Juros de Mora (Até 01/2019): 158.062,22 Fl. 6786DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 Multa de Ofício (75%): 450.822,03 Valor do Crédito Tributário: 1.209.980,29 Por bem descrever os fatos, adoto, com as devidas complementações, o relatório constante da decisão de primeira instância, que reproduzo a seguir: Relatório A empresa Caterpillar Brasil Comércio de Máquinas e Peças Ltda., CNPJ nº 04.754.557/0001-79, ora Impugnante, já devidamente qualificada nos autos deste Processo, será, no âmbito deste Voto, referida simplesmente como “Caterpillar”. Resumidamente, segundo a Fiscalização Aduaneira, a empresa Caterpillar classificou incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) as mercadorias submetidas a despacho aduaneiro nas Adições das Declarações de Importação (DI) de interesse. Em decorrência do fato narrado no parágrafo imediatamente anterior, foi lavrado o Auto de Infração (AI) nº 1000100/01777/18, objetivando lançar (i) Imposto de Importação (II), acrescido de juros de mora e multa de ofício; (ii) Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado à importação, acrescido de juros de mora e multa de ofício; e (iii) multa por mercadoria classificada incorretamente na NCM (multa por erro de classificação fiscal). O valor total lançado foi, em valor original, R$ 30.784.505,26 (trinta milhões setecentos e oitenta e quatro mil quinhentos e cinco reais e vinte e seis centavos). As Adições de interesse são elencadas entre as folhas 4.210 e 5.108. A seguir, transcrevo, de forma sucinta, os principais fatos e fundamentos jurídicos apresentados pela Fiscalização Aduaneira como justificativa para o lançamento, na forma constante do AI de interesse e seus suplementos: 1. É apresentada a fundamentação legal para o AI de interesse, arts. 2º, 69, 70, 72, caput, 73, 75, 77 a 79, 90, 94, 97, 104, 107, 108, 542 a 545, 546, 549, 551, 569, 570, 638, 673, 674, incisos I a VI e parágrafo único, 675, inciso IV, 711, incisos I e III, §§ 1º, inciso III e §§ 2º a 6º, 725, 768, 784 e 813 do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro (RA); arts. 44, inciso I, e 61, § 3º, da Lei nº 9.430/1996, com alterações da Lei nº 11.488/2007; art. 80, caput, da Lei nº 4.502/1967, com alterações da Lei nº 11.488/2007; Regras Gerais de Interpretação (RGI) do Sistema Harmonizado (SH), texto das Posições, Notas de Seção, Notas de Capítulo, Regras Gerais Complementares (RGC) do SH, Itens, Subitens da Tarifa Externa Comum (TEC) aprovadas pelo Decreto nº 435/1992 e atualizadas pela então vigente Instrução Normativa (IN) RFB nº 807/2008; Resolução Camex nº 43/2006, nº 94/2011 e nº 125/2016; art. 84, inciso I, da Medida Provisória nº 2.158-35/2001 combinado com arts. 69 e 81, inciso IV, da Lei nº 10.833/2003; arts. 1º, 2º, 15, 16, 17, 21, inciso I, 24, inciso I, 31, 33, 35, caput e inciso I, 39, 181, 182, inciso I, alínea ‘a’, inciso II, alínea ‘a’, 183, parágrafo único, inciso II, 184, 186, 189, 190, inciso I, alínea ‘a’, 260, inciso I, 262, inciso I, 265, 548 a 550, 552, 554 a 556, 569 do Decreto nº 7.212/2010, Regulamento do IPI (RIPI); Decretos nº 7.660/2011 e nº 8.950/2016; e na alínea ‘c’ do inciso I do artigo 6º da Lei nº 10.593/2002, arts. 194 a 196 da Lei nº 5.172/1966, Código Tributário Nacional (CTN), no art. 94 da Lei nº 4.502/1964, no art. 54 do Decreto-Lei nº 37/1966, nos arts. 34 a 38 da Lei nº 9.430/1996, no art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, Processo Administrativo Fiscal (PAF), e nos arts. 19, 638 e 768 do RA; 2. Demonstra-se a apuração do crédito tributário do AI de interesse; Fl. 6787DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 3. É esclarecido que o procedimento fiscal que resultou na lavratura do AI de interesse foi a revisão aduaneira prevista no art. 638 do RA; 4. Detalham-se aspectos operacionais da condução da ação fiscal e DI objeto da ação fiscal; 5. É explanada, de forma didática, (i) a importância da classificação fiscal de mercadorias; (ii) a metodologia da classificação fiscal de mercadorias; e (iii) a legislação pertinente à classificação fiscal de mercadorias; 6. Ressalta-se que as mercadorias objeto da ação fiscal foram “partes de lagartas mecânicas” classificadas no Subitem NCM 8431.49.29; 7. São identificados aspectos técnicos das mercadorias de interesse, em especial, que a “lagarta” é formada por “corrente” e “sapatas”, e a “corrente” é formada por “elos”, “buchas de esteira” e “pinos”; 8. Exibe-se o parecer da Organização Mundial das Aduanas que conceitua “lagarta”; 9. É informado que, apesar da classificação fiscal adotada pela empresa Caterpillar ter sido “outras partes de máquinas ou aparelhos das posições 84.29 ou 84.30, excluindo Cabinas, Lagartas, Tanques de Combustível e outros reservatórios”, o próprio catálogo on-line da empresa deixa claro que as partes importadas se destinam às “lagartas”; 10. Recorre-se à RGI-1, à Nota 2b da Seção XVI da TEC, ao texto da Posição NCM 84.31, ao item B da Parte II das Considerações Gerais das NESH da Seção XVI, à RGI-6, aos textos das Subposições NCM 8431.4, 8431.41, 8431.42, 8431.43 e 8431.49, à RGC-1, aos textos dos Itens NCM 8431.49.10 e 8431.49.2, e aos textos dos Subitens NCM 8431.49.21, 8431.49.22, 8431.49.23 e 8431.49.29; 11. Somos alertados que, por força do art. 68 da Lei nº 10.833/2003, as mercadorias descritas de forma semelhante nas declarações de importação presumem- se idênticas para fins de determinação do tratamento tributário e aduaneiro; 12. Informa-se que a alíquota do II na classificação fiscal adotada pela empresa Caterpillar era 0%, e que a da classificação fiscal apontada pela Fiscalização Aduaneira era 14%; 13. É lecionado que (i) os valores supostamente devidos à Fazenda Nacional são pagos de forma antecipada no registro da respectiva DI, independentemente do canal de parametrização da mesma; (ii) o desembaraço aduaneiro não configura homologação de lançamento, posto que este deve ocorrer por expresso ato da Autoridade Fiscal ou tacitamente pelo decurso do prazo quinquenal; (iii) não há lei que equipare o desembaraço aduaneiro a uma homologação de lançamento; (iv) a revisão aduaneira é o procedimento, após o desembaraço aduaneiro, pelo qual são apuradas a regularidade dos pagamentos e a exatidão das informações prestadas pelo importador na respectiva DI; e (v) a responsabilidade pela infração em tela tem caráter objetivo; e 14. Refere-se à legislação de regência para o lançamento da multa por erro de classificação fiscal, do II, do IPI vinculado, da multa de ofício e dos juros de mora. Contrapondo-se ao relatado e alegado no procedimento fiscal em tela, as contrarrazões manifestadas pela Impugnante podem ser concentradas da seguinte forma: 1. Afirma-se que a impugnação teria sido apresentada no prazo legal; Fl. 6788DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 2. É argumentado que (i) as mercadorias de interesse teriam sido objeto de cento e quarenta e nove despachos aduaneiros no período abrangido pela ação fiscal; (ii) não teria havido nenhuma autuação fiscal por erro de classificação fiscal relativamente às operações do item imediatamente anterior; (iii) em alguns casos do item (i) teriam sido solicitadas informações sobre as mercadorias de interesse; (iv) a Administração Aduaneira teria chegado à conclusão de que a classificação fiscal Subitem NCM 8431.49.29 estaria correta; (v) o art. 564 do RA definiria a conferência aduaneira como sendo o procedimento destinado à verificar a exatidão das informações relativas à classificação fiscal, dentre outras; (vi) no caso do item imediatamente anterior, uma vez “liberada do canal vermelho”, a Administração Aduaneira não poderia mudar o critério adotado; (vii) o fato relatado no item (i) implicaria na validação e ratificação da classificação fiscal adotada pela empresa Caterpillar; (viii) não haveria evidências de que a Administração Aduaneira teria sido induzida a erro; (ix) o art. 146 do CTN apresentaria claro óbice aos lançamentos efetuados no AI de interesse; e (x) doutrina especializada, decisão administrativa e decisão judicial suportariam seus argumentos; 3. Defende-se que (i) a Fiscalização Aduaneira não teria solicitado a confecção de laudo técnico para confirmar o erro de classificação fiscal; (ii) a ação fiscal não teria obedecido aos Princípios do Devido Processo Legal e da Ampla Defesa; (iii) em virtude do item (i), o AI guerreado não teria provas suficientes para imposição de penalidades; (iv) decisão judicial e decisão administrativa apoiariam sua tese; (v) diante do item (iii), a Fiscalização Aduaneira se apoiou em presunções para efetuar o lançamento; (vi) a medida adotada pela Fiscalização Aduaneira teria sido desproporcional, tendo ocorrido abuso de poder; (vii) doutrina especializada daria apoio a seu entendimento do item imediatamente anterior; e (viii) decisão administrativa corroboraria com a afirmação do item (iii); 4. É arguido que (i) as “lagartas” e as “partes de lagartas”, por serem produtos distintos, deveriam ser classificados distintamente; e (ii) os dois laudos técnicos apresentados demonstrariam que a classificação apontada pela Fiscalização Aduaneira seria incorreta; 5. Arrazoa-se que (i) a multa por erro de classificação fiscal deveria ter sido lançada uma única vez; e (ii) não haveria previsão legal para o lançamento da multa referida no item imediatamente anterior por Adição de DI; e 6. É solicitada a elaboração de um “laudo pericial de classificação fiscal”. É o que basta relatar. Devidamente processada a Impugnação apresentada, a 8ª Turma da DRJ/REC, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o recurso, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido, nos termos do voto do relator e declaração de voto, conforme Acórdão nº 11- 63.934, datado de 10/07/2019, na forma da ementa abaixo: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 26/02/2014 a 28/09/2018 Ementa: PEDIDO DE PERÍCIA. NÃO-FORMULAÇÃO. A impugnação mencionará as perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos antes mencionados. Fl. 6789DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 PRELIMINARES PROCESSUAIS. INEXISTÊNCIA DE LAUDO TÉCNICO. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. A Fiscalização Aduaneira de Zona Primária, caso entenda necessário, poderá solicitar a assistência técnica para a identificação e quantificação da mercadoria. PRELIMINARES PROCESSUAIS. DESPROPORCIONALIDADE DA PENALIDADE. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRELIMINARES DE MÉRITO. CANAL AMARELO OU VERMELHO. IMPOSSIBILIDADE DE REVISAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação. MÉRITO. CÁLCULO DA MULTA POR ERRO DE CLASSIFICAÇÃO. Na ocorrência de erro de classificação fiscal, em relação a mercadorias distintas, para as quais a correta classificação na Nomenclatura Comum do Mercosul seja idêntica, a multa referida neste artigo será aplicada somente uma vez, e corresponderá a um por cento, aplicado sobre o somatório do valor aduaneiro de tais mercadorias, quando resultar em valor superior a R$ 500,00 (quinhentos reais). Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A parte exonerada do crédito tributário, no valor de R$ 2.324.205,25, resulta do recálculo da multa por erro de classificação fiscal, com fulcro no inciso I do §4º do art. 711 do Regulamento Aduaneiro, o qual estipula que, ocorrendo mais de um erro de classificação fiscal para os quais a classificação fiscal resultante seja a mesma, a multa deve ser calculada pelo somatório dos valores aduaneiros das respectivas mercadorias, e não individualmente por adição da Declaração de Importação. Cientificada do julgamento de primeiro grau, a Contribuinte apresenta Recurso Voluntário, cuja estrutura reproduzo a seguir, em que repisa as alegações constantes de sua Impugnação. I) RESUMO ESTRUTURADO DOS FATOS, DO DIREITO E DO PEDIDO II) DO MÉRITO 1. Da correta classificação fiscal – Laudos técnicos 2. Da ausência de laudo pericial indispensável a reclassificação e do ônus da prova da Fiscalização 3. Da modificação do critério jurídico – Artigo 146 do CTN 4. Da inaplicabilidade e do caráter confiscatório das multas III) DOS PEDIDOS Segue a transcrição do pedido constante da parte final do Recurso Voluntário: III) DOS PEDIDOS Frente a todos os fatos e fundamentos contemplados na presente peça recursal, a Recorrente requer que o presente Recurso Voluntário seja remetido ao CARF, para o seu conhecimento e, no MÉRITO, lhe seja dado total provimento para reformar o acórdão proferido pela DRJ e declarar a improcedência do lançamento, com Fl. 6790DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 consequente extinção do crédito tributário lançado no presente auto de infração e respectiva baixa no sistema. Nestes termos, pede deferimento. É o relatório. Voto Conselheiro Marco Antonio Marinho Nunes, Relator. I ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razões pelas quais deve ser conhecido. II PRELIMINARES II.1 Da ausência de laudo pericial indispensável a reclassificação e do ônus da prova da Fiscalização A Recorrente alega que a Fiscalização deveria ter solicitado a confecção de laudo pericial técnico para poder confirmar o erro de classificação fiscal das mercadorias, pois, sem o referido laudo, o Auto de Infração é ausente de provas para a atribuição da responsabilidade imputada, decorrendo de mera presunção. Menciona que a autuação fiscal desrespeitou os princípios do devido processo legal, contraditório e ampla defesa, bem como ao princípio da eficiência administrativa. Vejamos o desenrolar desta argumentação nos trechos do Recurso Voluntário: [...] No Auto de Infração em comento, é patente a total ausência de provas para qualquer atribuição da responsabilidade imputada à Recorrente, decorrendo de mera presunção. Cabe salientar, ainda, que não é lícito à Fiscalização presumir que as operações da Recorrente estavam equivocadas, uma vez que se exige provas para sua constituição. Veja-se: a Fiscalização baseou-se única e exclusivamente em seu entendimento, afirmando que a classificação fiscal adotada pela Recorrente está incorreta, desincumbindo-se, contudo, de provar o quanto alegado. Desta forma, o autor de um processo administrativo é o Fisco, sendo assim, será ele o responsável pela apuração e exigência do crédito tributário, cabendo-lhe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte ao crédito tributário exigido, conforme determina o Código de Processo Civil, no art. 373, I. Portanto, devido ser fato constitutivo da sua pretensão, é flagrante caber ao agente fiscal o ônus de provar o quanto alega, não bastando a mera afirmação desprovida de qualquer suporte. Não basta que o auto de infração mencione o procedimento adotado sobre determinada circunstância, é imprescindível que haja neste documento a fundamentação próxima e remota e as provas que a sustentam, representadas pelos fatos praticados e a eventual subsunção destes ao dispositivo legal pertinente. De outra forma, estar-se-ia aplicando inversão indevida do ônus da prova, Fl. 6791DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 cujo exercício é atribuído de forma exclusiva àquele que imputa a outrem determinada infração administrativa. Violadas as regras que regem o ônus da prova, a nulidade deve ser declarada de pronto, pois está caracterizado o vício insanável, que implica na denegação, ao contribuinte, do direito fundamental do devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa, garantidos pelo texto constitucional. [...] [...] Cita julgados administrativos da RFB que amparariam sua tese e conclui que o laudo pericial é indispensável à reclassificação e sua ausência conduz à declaração de nulidade do Auto de Infração ou, ao menos, ao seu cancelamento, mantendo-se a classificação tarifária adotada pela Recorrente, sob pena de afronta ao Estado Democrático de Direito, permitindo atos incorretos, arbitrários e ilegais da Administração Pública. Aprecio. Sobre a necessidade de laudo pericial ou parecer técnico para a Fiscalização promover à reclassificação fiscal do produto, entendo, no caso, desnecessários, em razão do que foi exposto no Relatório Fiscal quanto à correta compreensão da mercadoria em análise. A necessidade de laudo pericial faria sentido caso houvessem dúvidas quanto à identificação da mercadoria em questão, pois a sua realização pressupõe que o fato a ser provado e a dúvida a ser esclarecida necessitem de conhecimento técnico especializado e/ou esclarecimentos de fatos considerados obscuros no processo. Todavia, não é o caso dos autos, eis que Relatório Fiscal demonstra ter a Fiscalização o correto entendimento da mercadoria, sendo tal fato não contestado pela Recorrente na presente lide administrativa. Vale transcrever trecho do Recurso Voluntário em que a Recorrente ratifica o entendimento do Fisco quanto à mercadoria em discussão (destaques acrescidos): [...] Sob o título “Análise das mercadorias” do item 5 do Relatório, é feita um amplo detalhamento sobre lagartas e as partes de que são compostas, o que leva a um preciso entendimento sobre os artigos tratados. Em 5.1.7 – “Sobre a definição de lagartas”, é anotada a inexistência, na Tarifa Externa Comum (TEC), de definição direta sobre o que constitui uma lagarta mecânica classificada no subitem 8431.49.22. [...] Pelo que se vê, a Recorrente pretende que a Fiscalização se vincule a uma pretendida classificação apurada em laudo pericial, o que, porém, não é a finalidade de tal documento, pois este se presta a identificar e quantificar mercadorias, tão somente em casos específicos, que demandem dilação probatória, a critério da autoridade administrativa. Ademais, sabe-se que a interpretação das normas que regulam a classificação fiscal de mercadorias é de competência dos Auditores-Fiscais da RFB, autoridades tributárias e aduaneiras do país, consoante Parecer Normativo Cosit/RFB nº 6, de 20/12/2018, conforme ementa a seguir Assunto: Normas de Administração Tributária CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO E ADUANEIRO. COMPETÊNCIA DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Fl. 6792DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 A legislação brasileira determina o cumprimento das normas internacionais sobre classificação fiscal de mercadorias. Nos países que internalizaram em seu ordenamento jurídico a Convenção Internacional sobre o Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, a interpretação das normas que regulam a classificação fiscal de mercadorias é de competência de autoridades tributárias e aduaneiras. No Brasil, tal atribuição é exercida pelos Auditores-Fiscais da RFB. As características técnicas (assim entendidos aspectos como, por exemplo, matérias constitutivas, princípio de funcionamento e processo de obtenção da mercadoria) descritas em laudos ou pareceres elaborados na forma prescrita nos artigos 16, inciso IV, 18, 29 e 30 do Decreto nº 70.235, de 1972, devem ser observadas, salvo se comprovada sua improcedência, devendo ser desconsideradas as definições que fujam da competência dos profissionais técnicos. Para fins tributários e aduaneiros, os entendimentos resultantes da aplicação da legislação do Sistema Harmonizado devem prevalecer sobre definições que tenham sido adotadas por órgãos públicos de outras áreas de competência, como, por exemplo, a proteção da saúde pública ou a administração da concessão de incentivos fiscais. [...] Dessa forma, como antes da reclassificação do produto na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), a Fiscalização buscou conhecê-lo em todos os seus aspectos relevantes para essa nomenclatura, descabem alegações de que tal procedimento foi feito ao arredio do regramento sobre o assunto e com base em presunções da autoridade fiscal. Neste ponto, ressalto que a Fiscalização levou em consideração todos os esclarecimentos técnicos do produto fornecidos pela própria Recorrente, em atendimento ao Termo de Início de Procedimento Fiscal e Intimação nº 212/2018, às fls. 5.109-5.112, e Informação Fiscal – Termo de Prorrogação de Prazo nº 216/2018, à fl. 6.084, bem como as informações dos produtos constantes no catálogo da Recorrente, obtidas a partir de sua página da Internet, no sítio https://parts.cat.com/pt/sotreq. Além disso, caso a Recorrente entendesse que a solução da controvérsia na classificação realmente dependesse de perícia para esclarecimentos de aspectos técnicos do produto, deveria (o que não o fez) ter seguido a regra estabelecida no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235, de 1972, a fim de que a autoridade julgadora pudesse, depois de fazer a avaliação descrita no art. 18 do citado Decreto, determinar a realização de diligências ou perícias, se as entendesse necessárias. Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] Fl. 6793DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 Não há que se falar, igualmente, em desrespeito aos princípios do contraditório e ampla defesa, em razão de ter sido proporcionado à Recorrente contestar o lançamento fiscal em todo o seu teor. Por fim, inexistentes razões para a decretação da nulidade do lançamento, nos termos das normas que regulam essa questão, em especial do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, considero improcedentes as alegações constantes desta parte do Recurso Voluntário. II.2 Da modificação do critério jurídico – Artigo 146 do CTN A Recorrente alega que vinha efetuando a classificação da mercadoria, no código NCM 8431.49.29, em Declarações de Importação (DI) anteriores, as quais, inclusive, foram parametrizadas em canais de conferência “amarelo” e “vermelho”, o que pressupõe que a RFB teve a oportunidade de analisar física e documentalmente a mercadoria, chancelando a classificação adotada com o devido desembaraço aduaneiro. Destaca que, em diversas importações realizadas pela Recorrente e por outras empresas do Grupo Caterpillar, parametrizadas em canal “amarelo” e “vermelho”, a mercadoria foi desembaraçada seguindo o código NCM 8431.49.29, com a concordância do Fisco com a classificação utilizada. Para a Recorrente, isso significa que, analisando as mercadorias, a Fiscalização as valorou juridicamente, em mais de uma ocasião, ratificando os critérios jurídicos que definiram como correta a classificação fiscal dentro do subitem 8431.49.29 da NCM, adotada para as peças em comento. Por coerência, tais critérios se estendem a todas as operações de importação realizadas pela Recorrente, não podendo o Fisco modificá-los para autuação retroativa, sob pena de deturpação da segurança jurídica e violação do artigo 146 do Código Tributário Nacional (CTN) Portanto, defende haver nítida mudança de critério jurídico, em afronta ao art. 146 do CTN. Considera que a análise física e documental das mercadorias importadas implica a homologação expressa do lançamento realizado pela Contribuinte e também a consolidação de critério jurídico que servirá de norte para classificar futuras mercadorias da mesma característica e qualidade. Entende que a Revisão Aduaneira é aplicada apenas nos casos em que a mercadoria é submetida ao canal verde, ou seja, quando não há a efetiva conferência pela Fiscalização, que não chancela as informações inseridas na DI pela Contribuinte. Ainda, tal procedimento seria possível apenas nas hipóteses de erro de fato, e não nas de erro de direito. Cita ensinamentos doutrinários, decisões administrativas e judiciais que amparariam sua tese. E, enfim, conclui que não merece prosperar a cobrança pretendida pela Fiscalização por meio do Auto de Infração em comento, eis que a aplicação de modificação de critério jurídico está vedada em relação aos fatos geradores pretéritos, nos exatos termos do art. 146 do CTN. Aprecio. O procedimento adotado pela Fiscalização, que resultou no Auto de Infração destes autos, foi a revisão do enquadramento da mercadoria, decorrente do processo de Revisão Fl. 6794DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 Aduaneira, previsto em lei e devidamente regulamentado. Dessa forma, desde logo, esclareça-se que não se trata de revisão de lançamento. Administração Tributária Federal pode e deve proceder à Revisão Aduaneira, dentro do prazo quinquenal legal, com o fito de verificar a correição dos procedimentos adotados pelo importador. Esse procedimento é realizado após o desembaraço aduaneiro, ocasião em que a DI, independentemente do canal em que foi parametrizada, pode ser submetida à revisão para apuração de quaisquer irregularidades relativas ao despacho. Transcrevo o regramento que embasa o procedimento adotado pelo Fisco: Decreto-Lei nº 37/66 Art. 54. A apuração da regularidade do pagamento do imposto e demais gravames devidos à Fazenda Nacional ou do benefício fiscal aplicado, e da exatidão das informações prestadas pelo importador será realizada na forma que estabelecer o regulamento e processada no prazo de cinco anos, contado do registro da declaração de que trata o art. 44 deste Decreto-Lei. Decreto nº 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009) DA REVISÃO ADUANEIRA Art. 638. Revisão aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-Lei no 2.472, de 1988, art. 2o; e Decreto-Lei nº 1.578, de 1977, art. 8º). § 1º Para a constituição do crédito tributário, apurado na revisão, a autoridade aduaneira deverá observar os prazos referidos nos arts. 752 e 753. § 2º A revisão aduaneira deverá estar concluída no prazo de cinco anos, contados da data: I - do registro da declaração de importação correspondente (Decreto-Lei nº 37, de 1966, art. 54, com a redação dada pelo Decreto-Lei no 2.472, de 1988, art. 2o); e II - do registro de exportação. § 3o Considera-se concluída a revisão aduaneira na data da ciência, ao interessado, da exigência do crédito tributário apurado. Assim, esclareço que, no presente caso, não houve, na ocasião do desembaraço aduaneiro (Canal Verde, inclusive), lançamento contra a Recorrente definindo o código NCM 8431.49.29 como critério jurídico para a classificação fiscal da mercadoria. Portanto, não há desrespeito ao estabelecido no dispositivo legal citado pela Recorrente, art. 146 do CTN. Importante elucidar que Revisão Aduaneira não se confunde com a revisão de ofício, pois, enquanto a Revisão Aduaneira faz parte do despacho aduaneiro, em que, em regra, não há lançamento fiscal, a revisão de ofício tratada no art. 149 do CTN pressupõe a existência de um lançamento de ofício anterior, sobre o qual este procedimento incidirá, valendo-se de uma das hipóteses previstas no art. 149 do CTN. Fl. 6795DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 Não havendo critério jurídico firmando pela Administração Tributária quanto ao caso, não há que se falar em sua alteração para impossibilitar a aplicação do código NCM 8431.49.22 no presente caso. Nesse sentido, e pela didática apresentada, cito o seguinte julgado deste Conselho: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 12/11/2002 a 17/01/2006 REVISÃO ADUANEIRA. REVISÃO DE OFÍCIO. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. Não tendo sido efetuado nenhum lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício, nem tampouco se cogita a possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. A revisão aduaneira é um procedimento fiscal, realizado dentro do prazo decadencial de tributos sujeitos ao "lançamento por homologação", e, portanto, compatível com este instituto, mediante o qual se verifica, entre outros aspectos, a regularidade da atividade prévia do importador na declaração de importação em relação à apuração e ao recolhimento dos tributos. [...] (Acórdão nº 3402-002.943; Rel. Maria Aparecida Martins de Paula; Sessão de 25/02/2016) Portanto, mostram-se incabíveis as alegações da Recorrente quanto a esta parte de seu Recurso, inexistindo razões para impedir o procedimento de Revisão Aduaneiro no caso em discussão. III MÉRITO III.1 Da correta classificação fiscal A Recorrente defende ser correto o código NCM 8431.49.29 a ser aplicado às mercadorias em discussão. Afirma que a mercadoria envolve partes de lagartas, caracterizada pela reunião de correntes (resultante da montagem de partes individuais, como pinos, buchas, elos, espaçadores, retentores etc.) e sapatas, não sendo razoável admitir que a corrente ou a sapata, tomadas isoladamente, preencham a condição de lagartas, tal como designada no código NCM 8431.49.22 utilizado pelo Fisco. Vejamos, nas palavras da Recorrente, os principais trechos de seu Recurso Voluntário quanto a este item: [...] adotar um código que é reservado a um subconjunto ou conjunto (lagarta) para um componente isolado desse subconjunto ou conjunto (corrente de rolamento ou sapata), sem que essa condição esteja expressamente prevista em texto de posição ou subposição do SH ou em item ou subitem da NCM, é prática desautorizada que conduz ao equívoco cometido pela Autoridade Fiscal atuante no presente processo, tanto mais pelo fato de que o item NCM 8431.49.2 admite a classificação de outras partes das máquinas a que se destinam no subitem residual “Outras” (8431.49.29), desde que não se tratem de cabinas (8431.49.21), lagartas (8431.49.22) e tanques de combustível e demais reservatórios (8431.49.23). Por aquilo que até aqui foi exposto, resta demonstrada a impropriedade do código de classificação (8431.49.22) apontado no Relatório Fiscal como sendo o Fl. 6796DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 correto para correntes chamadas de rolamento pela OMA e para as sapatas, uma vez que este código de subitem é reservado unicamente ao artigo definido na NCM como lagartas (esteiras). Os componentes principais das lagartas – corrente de rolamento e sapatas, por bem e reconhecidamente tratarem-se de partes de máquinas como bulldozers, algo admitido no próprio Relatório, em sua página 12, têm cabimento no código NCM residual 8431.49.29, não se configurando nas DIs da empresa autuada o pretenso cometimento de infração. No que se refere às partes das correntes de rolamento, também contempladas no Auto como objeto de infração, mas também reconhecidas como partes das máquinas na página 12 do Relatório Fiscal, compete traçar um paralelo com as correntes de elos articulados da posição 73.15, eis que umas e outras apresentam constituição similar, ainda que se diferenciem na aplicação. [...] Em virtude da semelhança de constituição e por igualdade no tratamento da codificação, fica patente que as partes designadas por elos, pinos e buchas das correntes constitutivas das lagartas devem ser classificadas na mesma posição 84.31 em que cabem as essas correntes. Neste caso o código de subitem que abriga o subconjunto aplica-se igualmente às suas partes componentes, uma vez que tanto esta quanto aquele não são contemplados por códigos próprios que os identifiquem para uma classificação específica. [...] Considera evidente a ausência de infração por erro de classificação e de declaração e faz referência aos laudos anexos à Impugnação, que corroboram suas conclusões. Finda sob a alegação de não se sustentarem as conclusões da Fiscalização quanto ao equívoco da classificação fiscal utilizada, sendo insubsistente o lançamento realizado. Analiso. As mercadorias objeto da reclassificação efetuada pela Fiscalização Aduaneira são partes de lagartas mecânicas, a saber: correntes de rolamento e sapatas, sendo as correntes basicamente formadas por elos unidos através de buchas de esteira e pinos. Vejamos a duas partes de uma lagarta: Corrente Sapata Lagarta Vejamos, agora, as partes de uma corrente: Fl. 6797DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 Bucha Elos Pinos A descrição das referidas mercadorias, segundo o Laudo Caterpillar, às fls. 6.141- 6.151, são as seguintes: Lagartas de Aço: São constituídas por vários segmentos rígidos unidos uns aos outros e que formam em conjunto uma cadeia fechada. Possuem componentes como: sapatas, elos, pinos, buchas e espaçadores. Sapatas: São placas em aço temperado conformadas em formas distintas com uma ou mais garras. Seu formato varia de acordo com o tipo de trator em que irá ser montada, que, por sua vez, depende do tipo e grandeza do serviço. As sapatas são fixadas aos elos por parafusos, suportam o peso da máquina e fornecem tração e flutuação necessária. Corrente: Conjunto formado pelo agrupamento de vários elos, pinos, buchas e espaçadores. Uma mesma corrente pode ser usada em várias lagartas através do uso de sapatas de formas e tamanhos distintos. Bucha: Elemento tubular em aço usinado e tratado termicamente. Elos: Elementos rígidos em aço usinados e tratados termicamente. Um elo direito e um esquerdo, um pino e uma bucha forma uma seção de corrente. Seções de corrente são ligadas em conjunto para formar uma corrente de esteira. Pinos: Elemento cilíndrico em aço tratado termicamente. Para melhor entendimento da aplicação da mercadoria, abaixo segue foto da lagarta de uma máquina Caterpillar: Fl. 6798DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 Faz-se, então, necessário vermos as aludidas NCMs em discussão: Pois bem. Do acima exposto, percebe-se que a discussão travada nos autos envolve divergência apenas quanto ao Subitem (oitavo dígito) do código NCM. Até o Item (sétimo dígito) do referido código não há discordância entre a Fiscalização e a Recorrente. Entendo, da mesma forma, que a classificação fiscal firmada até o primeiro dígito do desdobramento regional não apresenta qualquer polêmica. Por esta razão, valho-me, neste voto, da análise procedida pela Fiscalização até esta parte da codificação, conforme a seguir: 5.3. Sobre a Correta Classificação Fiscal das Partes de Esteiras (Lagartas) Como vimos anteriormente, para a correta classificação fiscal da mercadoria deveremos considerar, além da estrutura de códigos do Sistema Harmonizado e Desdobramentos do Mercosul, também ao disposto nas Regras Gerais e Notas Complementares. De acordo com a Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 1 (1ª RGI/SH), a classificação de mercadorias na Tarifa Externa Comum (TEC) é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo: REGRA GERAL DE INTERPRETAÇÃO Nº 1 (RGI1) Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Fl. 6799DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes… Conforme mencionado, as mercadorias que aqui serão analisadas são lagartas e suas partes, e que por sua vez são partes de máquinas escavadoras, bulldozers, etc., da posição 84.29. Inicialmente, ainda que de forma meramente indicativa, a classificação é remetida para a Seção XVI que trata, entre outros produtos, das máquinas e aparelhos, e suas partes. As partes das máquinas dos Capítulos 84 e 85 da TEC são abordadas pela Nota 2 da Seção XVI. 2.- Ressalvadas as disposições da Nota 1 da presente Seção e da Nota 1 dos Capítulos 84 e 85, as partes de máquinas (exceto as partes dos artefatos das posições 84.84, 85.44, 85.45, 85.46 ou 85.47) classificam-se de acordo com as regras seguintes: A Nota 2 a) faz referência às mercadorias que constituam partes e estejam compreendidas em qualquer posição dos Capítulos 84 ou 85, excluindo-se as exceções listadas. a) As partes que constituam artefatos compreendidos em qualquer das posições dos Capítulos 84 ou 85 (exceto as posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 84.87, 85.03, 85.22, 85.29, 85.38 e 85.48) incluem-se nessas posições, qualquer que seja a máquina a que se destinem; Como os itens esteiras, correntes, sapatas, elos, pinos e buchas, não aparecem discriminados em posições a serem consideradas nos Capítulos 84 ou 85, não cabe o enquadramento com base nesta alínea. Aqui, merece destaque a Nota 2 b) da referida seção, que determina: b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificam-se na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artigos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificam-se na posição 85.17; O produto “Esteira”, caso esteja completa, é a própria lagarta. As Correntes, Sapatas, Elos, Pinos e Buchas são partes de lagartas. Todas estas mercadorias são, por sua vez, partes de máquinas classificáveis na posição 8429. Assim, de acordo com a RGI-1, os produtos objetos das importações se classificam na posição 84.31, que tem o seguinte texto: Partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente destinadas às máquinas e aparelhos das posições 84.25 a 84.30 Note-se que as NESH da Seção XVI, em “Considerações Gerias”, parte II, ainda complementam: II.- PARTES (Nota 2 da Seção) De um modo geral, ressalvadas as exclusões compreendidas no número I, acima, as partes reconhecíveis como exclusiva ou principalmente concebidas para uma máquina ou aparelho determinado ou para várias máquinas ou aparelhos compreendidos na mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43) classificam-se na posição correspondente a esta ou a estas máquinas. Incluem-se, todavia, em posições próprias diferentes das máquinas: Fl. 6800DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 [...]. B) As partes das máquinas ou aparelhos das posições 84.25 a 84.30 (posição 84.31). [...]. Para prosseguimento desta análise, cabe o uso da Regra Geral para Interpretação do Sistema Harmonizado nº 6 (6ª RGI/SH) para determinação da subposição correta, através da análise dos seus textos: REGRA GERAL DE INTERPRETAÇÃO Nº 6 (RGI6) A classificação de mercadorias nas subposições de uma mesma posição é determinada, para efeitos legais, pelos textos dessas subposições e das Notas de subposição respectivas, bem como, mutatis mutandis, pelas Regras precedentes, entendendo-se que apenas são comparáveis subposições do mesmo nível. Na acepção da presente Regra, as Notas de Seção e de Capítulo são também aplicáveis, salvo disposições em contrário. Na posição 84.31, a subposição de 1º nível que corresponde aos produtos ora em análise é a 8431.4 - De máquinas ou aparelhos das posições 84.26, 84.29 ou 84.30: A subposição 8431.4, por sua vez, encontra-se desdobrada em segundo nível assim: Assim, por não corresponder aos textos precedentes, os produtos aqui analisados devem ser classificados na subposição residual de 2º nível 8431.49. Neste ponto cabe a utilização Regra Geral Complementar nº 1 (RGC-1) que define como as Regras Gerais de Interpretação serão utilizadas para definição do enquadramento nos itens e subitens da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM): REGRA GERAL COMPLEMENTAR Nº 1 (RGC1) 1.(RGC-1) As Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado se aplicarão, mutatis mutandis, para determinar dentro de cada posição ou subposição, o item aplicável e, dentro deste último, o subitem correspondente, entendendo-se que apenas são comparáveis desdobramentos regionais (itens e subitens) do mesmo nível. A subposição 8431.49 encontra-se desdobrada em nível regional (Mercosul) nos seguintes itens: Portanto, o item 8431.49.2, é o que corresponde aos produtos sob análise. [...] [...] A partir deste ponto encontra-se o conflito entre o Fisco e a Recorrente. A Recorrente entende que o subitem a ser adotado seria o residual, a saber, 8431.49.29, enquanto a Fiscalização considera correta a classificação na NCM 8431.49.22. Fl. 6801DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 18 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 É fato que partes de lagartas (correntes, sapatas, buchas, elos e pinos) não se confundem com a própria lagarta e, como visto acima, inexiste código com literalidade expressa para essas partes. Uma leitura rápida do desdobramento do Item 8431.49.2 facilmente leva a classificação para o Subitem residual, 8431.49.29, como desejado pela Recorrente. No entanto, a Fiscalização deixou bem claro que a conclusão para a classificação correta da mercadoria demanda a utilização do RGC-1, a qual estabelece que as Regras Gerais, assim incluídas as Notas de Seção, se aplicarão, mutatis mutandis, para a determinação do Item, e dentro deste último, do Subitem correspondente. Essa regra conduz novamente à Nota 2 b) para a determinação da classificação dos produtos, em razão de que estes são exclusivos ou principalmente destinados a lagartas, devendo ser classificados conjuntamente com as lagartas no código 8431.49.22. Cumpre, novamente, transcrever a citada nota: b) Quando se possam identificar como exclusiva ou principalmente destinadas a uma máquina determinada ou a várias máquinas compreendidas numa mesma posição (mesmo nas posições 84.79 ou 85.43), as partes que não sejam as consideradas na alínea a) anterior, classificam-se na posição correspondente a esta ou a estas máquinas ou, conforme o caso, nas posições 84.09, 84.31, 84.48, 84.66, 84.73, 85.03, 85.22, 85.29 ou 85.38; todavia, as partes destinadas principalmente tanto aos artigos da posição 85.17 como aos das posições 85.25 a 85.28, classificam-se na posição 85.17; Destaque-se que, antes de serem considerados partes de máquinas ou aparelhos da posição 84.29, os produtos em comento são partes da própria lagarta, devendo ser com base nessa premissa efetuada a classificação fiscal correta. Assim, sem reparos a classificação realizada pelo Fisco. Por fim, no que diz respeito à classificação fiscal constante dos laudos apresentados aos autos pela Recorrente, corroboro as conclusões da decisão de piso de que tal atividade (classificação fiscal) não deve constar de laudos técnicos, conforme art. 30, §1º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Ressalvo, porém, que os aspectos técnicos desses documentos, quanto aos produtos em análise, foram considerados tanto pela DRJ quanto por este Colegiado. Dessa forma, nada a prover no presente tópico. III.2 Da inaplicabilidade e do caráter confiscatório das multas A Recorrente aduz que a aplicação da multa por meio do Auto de Infração possui caráter confiscatório, abusivo e desproporcional, razão pela qual o lançamento deve ser cancelado. Socorre-se do princípio do não confisco, legalidade, capacidade contributiva e direito a propriedade, bem como cita jurisprudência judicial com o intuito de amparar suas alegações. Fl. 6802DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 19 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 Analiso. De inicio, destaco que essas alegações não constaram do recurso inaugural (Impugnação) da Contribuinte, o que acarreta a preclusão de matéria não contestada, conforme dispõe o art. 16, III, c/c o art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972. Por outro lado, não vejo prejuízo às partes em prestar os esclarecimentos a seguir, apenas a título elucidativo quanto ao presente caso. Pois bem. O Recurso Voluntário não é claro quanto à multa questionada, ou seja, se diz respeito à multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro, em razão da reclassificação fiscal, ou se envolve a multa de ofício de 75% sobre a falta de tributos devidos no ato de registro das DIs. Por tais razões, tecerei considerações quanto às duas exigências. Multa Regulamentar O lançamento fiscal em análise serviu, ainda, para lavratura da multa regulamentar de 1% sobre o valor aduaneiro, decorrente de erro na classificação fiscal adotada pela Contribuinte. Houve exoneração parcial desta exigência no âmbito da DRJ, no montante de R$ 2.324.205,25, resultante do recálculo da multa por erro de classificação fiscal, com fulcro no inciso I do §4º do art. 711 do Regulamento Aduaneiro, o qual estipula que, ocorrendo mais de um erro de classificação fiscal para os quais a classificação fiscal resultante seja a mesma, a multa deve ser calculada pelo somatório dos valores aduaneiros das respectivas mercadorias, e não individualmente por adição da Declaração de Importação. No que diz respeito à parte remanescente, há pacificação neste Colegiado quanto à manutenção dessa exigência, quando o julgamento do Recurso Voluntário concluir que a classificação correta da mercadoria não é a adotada pela Recorrente, até mesmo na hipótese em que o órgão julgador conclua que a classificação indicada no lançamento de ofício seja igualmente incorreta, consoante Súmula CARF nº 161: Súmula CARF nº 161 O erro de indicação, na Declaração de Importação, da classificação da mercadoria na Nomenclatura Comum do Mercosul, por si só, enseja a aplicação da multa de 1%, prevista no art. 84, I da MP nº 2.158-35, de 2001, ainda que órgão julgador conclua que a classificação indicada no lançamento de ofício seria igualmente incorreta. Multa de Ofício No que diz respeito à multa de ofício (75%), as conclusões do Relatório Fiscal que embasaram esta exigência nos Autos de Infração estão assim expostas: [...] A falta de recolhimento dos tributos devidos no ato do registro da Declaração de Importação enseja também a aplicação da multa de ofício sobre, prevista no artigo 44 e § 1º da Lei 9.430/96, com redação dada pela Lei 11.488/07: [...] Transcrevo a citada fundamentação para a multa de ofício, art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 6803DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 20 do Acórdão n.º 3301-011.413 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11077.720052/2019-47 I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Estando a referida multa prevista em lei, não compete a este Conselho apreciar sua constitucionalidade, consoante Súmula CARF nº 02: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. IV CONCLUSÃO Diante de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Marinho Nunes Fl. 6804DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 16327.902856/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 06 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Jan 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 25/12/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO.
Os registros em DCTF que vinculem integralmente o valor do pagamento de DARF à quitação de débito tributário anterior impedem o reconhecimento de direito creditório que justifique DCOMP baseada na mesma origem.
É ônus do contribuinte demonstrar, a desdúvidas, não ter alocado o crédito para quitação de outros débitos, tanto quanto apresentar DCTF retificadora e demais documentos contábeis e fiscais que justifiquem a identificação do crédito reclamado e a possível não utilização do mesmo em outros procedimentos compensatórios.
RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IRRF. ÔNUS DA PROVA.
A extinção de crédito tributário instrumentalizada mediante declaração de compensação (DCOMP) demanda do interessado a comprovação dos elementos que justifiquem o aproveitamento do crédito, sendo do contribuinte o ônus probatório de justificar sua origem.
A ausência de comprovação dos créditos indicados em DCOMP importam em denegação do pedido compensatório, por ser do interessado o ônus de apontar e comprovar adequadamente os fatos que autorizam o abatimento de débitos por força da extinção da obrigação tributária.
Nos procedimentos administrativos que demandam a iniciativa do contribuinte para comprovar a existência de créditos objeto de compensação com débitos fiscais, é ônus do próprio interessado demonstrar e provar a materialidade dos fatos que autorizam a concessão do direito reivindicado, tomando ele mesmo a iniciativa de promover a Declaração de Compensação, apresentar documentos comprobatórios - sem prejuízo de posterior complementação - e indicar os débitos suscetíveis à extinção da obrigação tributária reflexa.
Se à administração tributária pertence o ônus de provar, a desdúvidas, os fatos que ensejam a constituição plena do crédito tributário, através de seu lançamento, ao contribuinte incumbe idêntico ônus quanto à demonstração dos elementos comprobatórios do direito creditório reclamado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Numero da decisão: 1201-005.490
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente).
Nome do relator: Fredy José Gomes de Albuquerque
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ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCTF. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO. Os registros em DCTF que vinculem integralmente o valor do pagamento de DARF à quitação de débito tributário anterior impedem o reconhecimento de direito creditório que justifique DCOMP baseada na mesma origem. É ônus do contribuinte demonstrar, a desdúvidas, não ter alocado o crédito para quitação de outros débitos, tanto quanto apresentar DCTF retificadora e demais documentos contábeis e fiscais que justifiquem a identificação do crédito reclamado e a possível não utilização do mesmo em outros procedimentos compensatórios. RECOLHIMENTO INDEVIDO DE IRRF. ÔNUS DA PROVA. A extinção de crédito tributário instrumentalizada mediante declaração de compensação (DCOMP) demanda do interessado a comprovação dos elementos que justifiquem o aproveitamento do crédito, sendo do contribuinte o ônus probatório de justificar sua origem. A ausência de comprovação dos créditos indicados em DCOMP importam em denegação do pedido compensatório, por ser do interessado o ônus de apontar e comprovar adequadamente os fatos que autorizam o abatimento de débitos por força da extinção da obrigação tributária. Nos procedimentos administrativos que demandam a iniciativa do contribuinte para comprovar a existência de créditos objeto de compensação com débitos fiscais, é ônus do próprio interessado demonstrar e provar a materialidade dos fatos que autorizam a concessão do direito reivindicado, tomando ele mesmo a iniciativa de promover a Declaração de Compensação, apresentar documentos comprobatórios - sem prejuízo de posterior complementação - e indicar os débitos suscetíveis à extinção da obrigação tributária reflexa. Se à administração tributária pertence o ônus de provar, a desdúvidas, os fatos que ensejam a constituição plena do crédito tributário, através de seu lançamento, ao contribuinte incumbe idêntico ônus quanto à demonstração dos elementos comprobatórios do direito creditório reclamado.Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 28 56 /2 00 9- 15 Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1201-005.490 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.902856/2009-15 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque - Presidente (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Efigenio de Freitas Junior, Jeferson Teodorovicz, Wilson Kazumi Nakayama, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Sergio Magalhaes Lima, Viviani Aparecida Bacchmi, Mauritania Elvira de Sousa Mendonca (suplente convocado(a)), Neudson Cavalcante Albuquerque (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário manejado em face do acórdão nº 16-25.615 – 8ª Turma da DRJ/SP1, de 10 de junho de 2010, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade pela qual o contribuinte requereu compensação de crédito oriundo de recolhimento a maior de IRRF, referente ao período de apuração encerrado em 25/12/2004. Na decisão que negou a homologação da DCOMP, constam as informações abaixo reproduzidas: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A instância de piso validou e confirmou o despacho decisório denegatório, em decisão assim ementada: DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Afastada a nulidade por ficar evidenciada a inocorrência de preterição do direito de defesa haja vista que o despacho decisório consigna de forma clara c concisa o motivo da não homologação da compensação. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. PAGAMENTO UTILIZADO PARA QUITAR DÉBITO DECLARADO EM DCTF. RETIFICAÇÃO. DESCABIMENTO. Considera-se confissão de divida o debito declarado em DCTF, descabendo à autoridade administrativa a sua retificação de oficio se o contribuinte não comprova a existência do erro material alegado. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1201-005.490 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.902856/2009-15 ... A compensação não foi homologada em virtude de o DARF de R$ 127.219,72 ter sido integralmente alocado para a quitação de débito do contribuinte, conforme consignado no Despacho Decisório atacado. Alega o interessado que a não homologação decorre do preenchimento incorreto da DCTF, tendo sito o DARF totalmente vinculado a um débito quando na verdade tratava-se de pagamento indevido ou a maior. É de se observar, contudo, que os valores declarados cm DCTF, a teor do que dispõe o Decreto-lei n° 2.124/84, em seu art. 5°, § 1º, constituem confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Ademais, não compete à Delegacia de Julgamento julgar pedidos de retificação de DCTF, seja porque tal matéria não consta no art. 212 do Regimento Interno da RFB, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 04.03.2009, seja porque, na espécie, não houve sequer a manifestação da autoridade fiscal, sendo impróprio apreciar a questão em sede de recurso administrativo. Cumpre ressaltar que, em tese, se ficasse comprovado o erro alegado pelo contribuinte, não poderia o Fisco deixar de considerá-lo, por força do disposto no art. 165 do CTN, bem como em homenagem ao principio da verdade material, que norteia o Processo Administrativo Fiscal (PAF) regulado pelo Decreto n° 70.235/72, desde que observados os demais preceitos da legislação aplicável. Contudo, a alegação de erro de fato no preenchimento da DCTF somente poderia ser acolhida se viesse acompanhada de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a ocorrência do alegado erro (demonstração do fato gerador em questão, apuração da base de cálculo correta, aplicação da alíquota devida, etc.), o que não ocorre no presente caso. O impugnante limita-se a alegar o erro, tão-somente indicando os valores que, no seu entendimento, seriam os corretos, requerendo a retificação da declaração. Não junta aos autos, porém, quaisquer elementos que corroborem tais valores. Sendo assim, resta improfícua a alegação de erro na declaração do débito, mormente porque, in casu, referido débito figura em DCTF entregue à RFB, o que constitui efetiva confissão de dívida, e porque não foram apresentados elementos que comprovem a incorreção alegada. Embora as constatações acima sejam suficientes para justificar o indeferimento do seu pleito, releva observar que o pagamento indicado pelo contribuinte como indevido ou a maior (dados do DARF às fls. 18 e 21) foi efetuado após o vencimento, incluindo os juros de mora, mas desacompanhado do recolhimento da multa de mora prevista na legislação de regência, a sugerir que, em vez do reclamado crédito, pode haver débito remanescente, em razão da aparente insuficiência do recolhimento. Por derradeiro, e por se tratar de IRRF, vale observar que mesmo que estivesse provado o erro alegado, ainda assim deveria o interessado comprovar que atende aos requisitos previstos no art. 166 do CTN para que o direito creditório lhe seja reconhecido. Irresignado, o contribuinte interpõe Recurso Voluntário, em que alega que a não homologação da compensação ocorreu por conta de erro por ele mesmo praticado, uma vez que a DCTF original não contemplava o valor do crédito. Informa que, por equívoco, declarou na DCTF o IRRF com DARF relacionando o débito do período, contudo, tal valor foi recolhido a maior, uma vez que decorre de ação trabalhista e a parte teria incorrido em equívoco ao promover o recolhimento do IR efetivamente devido. Assim, alega que o erro no preenchimento da DCTF não pode ser utilizado como fundamento para o não reconhecimento de seu crédito e o indeferimento da compensação pretendida. Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1201-005.490 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.902856/2009-15 É o relatório. Voto Conselheiro Fredy José Gomes de Albuquerque, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade para conhecê-lo. Penso que não assiste razão à recorrente, porquanto não ter se manifestado sobre a matéria efetivamente controvertida pela DRJ quando do julgamento da manifestação de inconformidade, onde se vê que a ratio decidendi que denegou o direito creditório baseou-se na constatação de que o pagamento do DARF realizado pelo interessado já “ter sido integralmente alocado para a quitação de débito do contribuinte, conforme consignado no Despacho Decisório ora combatido”. Ora, se o montante do crédito extinguiu outro débito, não pode ser utilizado para nova compensação. Essa é a razão da denegação da DCOMP objeto deste processo administrativo e sobre tal fato o contribuinte pretende apresentar novo fundamento, baseado em uma DCTF não retificada, sem qualquer validação de dados perante a administração tributária. Caberia ao contribuinte demonstrar, a desdúvidas, não ter alocado o crédito para quitação de outros débitos, fato que não foi objeto de recurso ou manifestação da parte. Da mesma forma, caberia apresentar DCTF retificadora e demais documentos contábeis e fiscais que justificassem a identificação do crédito e possível não utilização em outros procedimentos compensatórios. Outrossim, demonstram-se adequadas as conclusões da instância de piso, ao consignar que a alegação de erro de fato no preenchimento da DCTF somente poderia ser acolhida se viesse acompanhada de documentos hábeis e idôneos capazes de comprovar a ocorrência do alegado erro (demonstração do fato gerador em questão, apuração da base de cálculo correta, aplicação da alíquota devida, etc.), o que não ocorre no presente caso. O impugnante limita-se a alegar o erro, tão-somente indicando os valores que, no seu entendimento, seriam os corretos, requerendo a retificação da declaração. Não junta aos autos, porém, quaisquer elementos que corroborem tais valores. A ausência de comprovação dos créditos reclamados em DCOMP, que decorram do alegado pagamento indevido de tributos, importam em denegação do pedido compensatório, por ser do interessado o ônus de apontar adequadamente os fatos que autorizam o abatimento de débitos por força da extinção do crédito tributário. Nos procedimentos administrativos que demandam a iniciativa do contribuinte para comprovar a existência de créditos reclamados à compensação com débitos fiscais, é ônus do próprio interessado demonstrar e provar a materialidade dos fatos que autorizam a concessão do direito reivindicado, tomando ele mesmo a iniciativa de promover a Declaração de Compensação, apresentar documentos comprobatórios – sem prejuízo de posterior complementação – e indicar os débitos suscetíveis à extinção da obrigação tributária reflexa. Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1201-005.490 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.902856/2009-15 Se à administração tributária pertence o ônus de provar, a desdúvidas, os fatos que ensejam a constituição plena do crédito tributário, através de seu lançamento, ao contribuinte incumbe idêntico ônus quanto à demonstração dos elementos comprobatórios da liquidez e certeza do crédito reclamado, podendo valer-se, inclusive, da escrituração mantida com observância das disposições legais, pois ela “faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais” (art. 9º, § 1º, do Decreto-lei1.598/77). A extinção de crédito tributário pela compensação exige idônea comprovação de elementos de prova que instruam o procedimento iniciado através da DCOMP ou que venham a ser admitidos em momento posterior, inclusive, durante o trâmite do processo administrativo tributário, de sorte que a omissão do contribuinte em apresentar documentos e indicar escrita fiscal que não registre a origem do crédito que diz possuir impede o reconhecimento da compensação. Neste sentido, vê-se precedentes do CARF: PER/DCOMP. DIPJ. COMPROVAÇÃO EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Conforme inteligência da Súmula CARF nº 92, a DIPJ - Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica tem caráter meramente informativo e não se presta à comprovação da existência e liquidez de indébito tributário. O reconhecimento de direito crédito creditório dá-se por meio de documentação hábil e idônea, conforme prevê a legislação de regência. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. SUPORTE PROBATÓRIO. NECESSIDADE. Apenas as situações comprovadas de erro material podem ser corrigidas de ofício ou a requerimento, após prolação de despacho decisório, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015. (Acórdão nº 1003-000.617, Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção, DJ: 29/04/2019) PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO. ERRO DE FATO NA DCTF. ÔNUS PROBATÓRIO. Para fundamentar o crédito pleiteado em PER/DComp decorrente de pagamento indevido ou a maior, incumbe ao sujeito passivo juntar elementos probatórios robustos, fundados na escrita comercial/fiscal e nos documentos de lastro, para comprovar o eventual erro de fato no débito declarado em DCTF. A DRJ indicou quais seriam os elementos de prova imprescindíveis para comprovar o alegado erro de fato e, mesmo assim, o contribuinte não os apresentou. (Acórdão nº 1401-004.389, Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção, DJ: 17/06/2020) COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. CARACTERIZAÇÃO DO ERRO. PROVA. OPÇÃO FORMALIZADA DE MODO REGULAR. INALTERABILIDADE. Quando a existência do crédito utilizado em compensação dependa da retificação da DCTF, por erro no preenchimento, é necessário que se comprove que efetivamente existiu o erro alegado e que não se trata de mera opção, pois esta, quando regularmente formalizada, não tem natureza jurídica de erro e vem revestida do atributo da inalterabilidade. (Acórdão nº 1301-004.652, Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção, DJ: 14/07/2020) Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1201-005.490 - 1ª Sejul/2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16327.902856/2009-15 Todos os elementos constantes dos autos tornam ilegítima a declaração de compensação requestada pelo contribuinte, demonstrando-se adequada a decisão denegatória proferida. DISPOSITIVO Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Fredy José Gomes de Albuquerque Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital
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