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Numero do processo: 10821.001104/2007-14
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2002
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU JURÍDICA. DESNECESSIDADE. Não é necessária a comprovação da utilização dos valores objeto de lançamento que tem por base a não comprovação de origem de depósitos bancários na conta do contribuinte, conforme Súmula CARF no. 26.
TAXA SELIC. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho analisar ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei. Entendimento conforme Súmula CARF n. 2.
TAXA SELIC. Conforme Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de notas fiscais relativas à empresa usuária da conta bancária da pessoa física (entradas e saídas) não se presta à comprovação da origem dos valores depositados. É necessária a comprovação efetiva com documentação hábil e idônea, de que tais valores teriam sido oferecidos à tributação pela empresa usuária.
SÚMULA CARF 61. APLICAÇÃO. Os valores limites contidos na Súmula referem-se ao total da autuação fiscal por ano calendário, e não a cada conta bancária individualmente considerada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2101-002.736
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Daniel Pereira Artuzo.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: MARIA CLECI COTI MARTINS
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COMPROVAÇÃO DE AQUISIÇÃO DE DISPONIBILIDADE FINANCEIRA OU JURÍDICA. DESNECESSIDADE. Não é necessária a comprovação da utilização dos valores objeto de lançamento que tem por base a não comprovação de origem de depósitos bancários na conta do contribuinte, conforme Súmula CARF no. 26. TAXA SELIC. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe a este Conselho analisar ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei. Entendimento conforme Súmula CARF n. 2. TAXA SELIC. Conforme Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de notas fiscais relativas à empresa usuária da conta bancária da pessoa física (entradas e saídas) não se presta à comprovação da origem dos valores depositados. É necessária a comprovação efetiva com documentação hábil e idônea, de que tais valores teriam sido oferecidos à tributação pela empresa usuária. SÚMULA CARF 61. APLICAÇÃO. Os valores limites contidos na Súmula referemse ao total da autuação fiscal por ano calendário, e não a cada conta bancária individualmente considerada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 11 04 /2 00 7- 14 Fl. 4145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões os Conselheiros, Eduardo de Souza Leão, Heitor de Souza Lima Junior e Daniel Pereira Artuzo. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (Presidente), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS, EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que visa reverter a decisão proferida no Acórdão 1743.584 4a. Turma da DRJ/SP2, que considerou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte para o lançamento tributário objeto deste processo. O Acórdão recorrido está assim ementado. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento, devendo, no entanto, ser corrigido o valor dos rendimentos, quando o lançamento tiver levado em conta dados incorretos, conforme documentação comprobatória constante dos autos. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A cobrança de juros de mora está em conformidade com a legislação vigente, não sendo da competência desta instância administrativa a apreciação da constitucionalidade de atos legais. Inexistência de ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código ` Tributário Nacional (art. 161, § 1°) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento e autoriza a utilização de percentual diverso de 1%, desde que previsto em lei. INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação e decisão de questões que versem sobre a constitucionalidade de atos legais são de competência exclusiva do Poder Judiciário, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal declarando a inconstitucional idade da lei ou ato normativo, hipótese em que compete à autoridade julgadora afastar a sua aplicação. Fl. 4146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10821.001104/200714 Acórdão n.º 2101002.736 S2C1T1 Fl. 3 3 A ciência ao Acórdão de Impugnação ocorreu em 16/09/2010 e o Recurso Voluntário fora interposto em 15/10/2010. O contribuinte reforça os argumentos apresentados na impugnação, acrescentando ainda o que segue. 1. O Auditor efetuou o lançamento fiscal com base nos depósitos bancários, sem, contudo, comprovar o nexo causal entre cada depósito e o fato que representa a referida omissão. 2. A autuação não tem respaldo legal, pois as contas bancárias em questão são de cotitularidade do recorrente e outras pessoas físicas e que a real movimentação pertence à pessoa jurídica Cabletech Cabos Ltda, CNPJ 00.797.490/000107, doc. 2 da impugnação. Entende que deveria ter sido emitido MPF para cada um dos titulares das contas bancárias. 3. Para que seja possível a exigência de tributos, há a necessidade de o contribuinte ter disponibilidade econômica ou jurídica como condição para se tributar, conforme prevê o art. 43 do CTN. 4. Não houve diligência em relação à informação no processo Administrativo Fiscal 10821.001103/200761 de que as contas bancárias pertenciam à pessoa jurídica acima mencionada, tampouco demonstrou o acréscimo patrimonial, o que não teria ocorrido no ano calendário 2002. 5. Juntou os documentos de fls. 335/4033 para comprovar a origem dos valores creditados ou depositados nas contas correntes bancárias em questão e os comprovantes da destinação dos recursos financeiros referidos. Considera que tais documentos são suficientes para afastar a presunção legal e tornar o lançamento improcedente. 6. Com os documentos acostados aos autos fls. 335/4033, fica comprovada que relativamente às contas correntes 269225, do Banco Itaú; 5509, do banco Bradesco, e 167000X, do Banco do Brasil não seria o sujeito passivo da obrigação tributária. Nestes casos, o sujeito passivo deveria ser a pessoa jurídica titular de fato dos valores depositados nas referidas contas correntes. A fiscalização teve conhecimento de que a movimentação bancária não pertencia à pessoa física, conforme o Processo Administrativo Fiscal n. 10821.001103/200761. Cita par. 5 do art. 42 da Lei 9430/96. 7. Os créditos/depósitos da conta 30.200 do Banco Itaú foram feitas pelo sr. Renato de Andrade Maia, conforme declaração do mesmo (doc. anexo 03 da impugnação). 8. Os depósitos bancários, exceto o da conta corrente discriminada no item 4.4 da Impugnação, são de titularidade da Cabletech Cabos Ltda., e os saques foram utilizados para pagamento de gastos da mesma empresa conforme documentação acostada às fls. 335/4033. 9. Entende que apresentou comprovação dos valores dos depósitos e das destinações (saídas da conta), que seriam notas fiscais da empresa Cabletech Cabos Ltda., apresentadas na impugnação e também os valores das saídas que seriam para pagar despesas e custos dessa mesma empresa, conforme a seguir: Fl. 4147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 · Conta Corrente 167.000X Banco do Brasil origens: anexos 4.1 a 4.11 (janeiro a novembro de 2002); destinação: anexos 7.1 a 7.12 (janeiro a dezembro/2002). · Conta corrente 5509 Banco Bradesco origens documentos 5.1. a 5.11 (janeiro a novembro/2002); destinações anexos 7.1 a 7.12 (janeiro a dezembro de 2002). · Conta corrente 269225 Banco Itaú origens documentos anexos 6.1 a 6.12 (janeiro a dezembro de 2002); destinações anexos 7.1 a 7.12 (janeiro a dezembro de 2002). 10. Conta corrente 11.889 Banco Bradesco. Entende que o total dos depósitos de R$ 2.910,00 estão na faixa de isenção e não deveriam ser lançados. Ademais, os valores creditados na conta corrente não ultrapassaram o valor de R$ 1mil, em nenhum mês, conforme fl. 249. 11. Considera que a aplicação da taxa SELIC, que é um instrumento de política monetária e econômica do governo, não poderia ser utilizada como indexador dos tributos, e deve ser considerada inconstitucional e ilegal. Cita art. 161 do CTN e 146 da CF/88. É o relatório. Voto Conselheira MARIA CLECI COTI MARTINS O Termo de Verificação Fiscal contém as titularidades das contas com depósitos bancários objeto de autuação. Os valores lançados decorreram do Termo de Constatação e Intimação n ° 002/2007, fls. 214 a 235 (numeração manual). Conforme item 14 do Termo de Verificação Fiscal, todos os co titulares das contas foram intimados para prestar informações sobre os depósitos bancários nas respectivas contas, contudo, nenhum teria logrado êxito em comprovar a origem dos valores. Assim, a autoridade fiscal procedeu conforme o par. 6o do art. 42 da Lei 9.430/96, a seguir transcrita. Os montantes lançados, por conta bancária, para o autuado, estão relacionados na fl. 249 (numeração eletrônica). Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. Fl. 4148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10821.001104/200714 Acórdão n.º 2101002.736 S2C1T1 Fl. 4 5 § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Medida Provisória nº 1.5637, de 1997) (Vide Lei nº 9.481, de 1997) § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Não assiste razão ao contribuinte quanto à isenção dos valores relativos ao banco Bradesco, conta 11.8893, pois a Súmula 61 deste Conselho, a seguir transcrita, faz alusão a um limite máximo de autuação menor que R$ 80 mil no ano, o que não é o caso do contribuinte. Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Também não merece guarida a argumentação de que a autoridade fiscal deveria comprovar o nexo causal de cada depósito e também a disponibilidade econômica ou jurídica conforme o art. 42 do CTN. A autuação com base em depósitos bancários é feita com base em presunção juris tantum que, somente se confirma, isto é, deflagra o fato gerador, com Fl. 4149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 a não apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que justifique/comprove a origem legal dos valores depositados, com coincidência de datas e valores. O entendimento deste Conselho sobre o assunto está consolidado na Súmula CARF n. 26, a seguir transcrita. Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A utilização da taxa SELIC como indexador das dívidas para com o fisco federal está conforme a Súmula CARF n. 4, a seguir transcrita, e o questionamento de sua legalidade ou inconstitucionalidade não pode ser analisada neste Conselho Administrativo(Súmula CARF n. 2). Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), hoje extinto, era um instrumento de controle interno dos trabalhos do fisco e qualquer irregularidade na sua expedição ou utilização não tem o condão de invalidar o lançamento tributário legalmente constituído. No presente processo não encontrei quaisquer sinais de irregularidades relativamente ao MPF. O contribuinte alega, já em sede de impugnação, que os valores lançados referemse á empresa Cabletech Cabos Ltda. e apresenta notas fiscais selecionadas como comprovação de entradas e também notas fiscais de outras empresas, supostamente de aquisição de insumos, serviços, etc. para a Cabletech. Na mesma oportunidade, também junta aos autos, a declaração de responsabilidade pelos valores lançados referentes à conta 30.200, do banco Itaú, feita pelo cotitular da mesma, o sr. Renato de Andrade Maia, como forma de justificar a origem dos depósitos. Entendo que as notas fiscais acostadas aos autos não podem ser aceitos como origem dos valores depositados nas contas bancárias, pois mesmo que os depósitos/pagamentos teoricamente se referissem a tais valores, deveria ter sido comprovado o oferecimento de tal receita à tributação, com documentação fiscal hábil e idônea (i.e. livros fiscais e contábeis, etc.), o que não foi feito no presente Processo Administrativo Fiscal. Ademais, e não menos importante à análise, é a informação de que o contribuinte não faz parte do quadro social da empresa Cabletech, conforme contrato social às fls. 339/343. Também não merece guarida a declaração extemporânea do cotitular Renato Andrade Maia, de que seria responsável pelos valores atribuídos ao contribuinte, na conta 30.200 do banco Itaú. A autoridade fiscal solicitou essa informação quando da realização do procedimento fiscal e nada foi apresentado. Como se não bastasse, não foi juntado aos autos qualquer documento comprobatório de que tais valores seriam de propriedade do cotitular Renato de Andrade Maia e tampouco de que teriam sido oferecidos à tributação. Ressaltase que a autuação considerou apenas parte do valor dos depósitos bancários das contas movimentadas pelo contribuinte naquele ano, adotando o procedimento determinado pelo comando legal do parágrafo 6o. do art. 42 da Lei 9.430/96. Observo que o contribuinte se declarou isento no ano calendário e, portanto, não existem valores a deduzir relativamente aos rendimentos declarados na DIRPF. Fl. 4150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10821.001104/200714 Acórdão n.º 2101002.736 S2C1T1 Fl. 5 7 Observo que, no julgamento, votaram pelas conclusões os Conselheiros Heitor de Souza Lima Junior e Daniel Pereira Artuzo, pois entendem que, no presente caso, as provas não eram suficientes para vincular as notas fiscais com os depósitos em conta bancária da empresa citada e da qual o contribuinte não era sócio, prejudicando a discussão sobre a análise das provas apresentadas. Dado o exposto, voto por afastar as preliminares e negar provimento ao recurso. MARIA CLECI COTI MARTINS Relatora Fl. 4151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/03/2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 16/03/ 2015 por MARIA CLECI COTI MARTINS, Assinado digitalmente em 18/03/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10835.001605/2006-52
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Nov 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2001 a 31/05/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001
Ementa:
COFINS. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIMENTO PARCIAL DESACOMPANHADO DA MULTA DE MORA. REGRA DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. MATÉRIA OBJETO DE RECURSO REPETITIVO NO STJ. ART. 62-A DO RICARF.
Restando configurado que o sujeito passivo efetuou recolhimentos parciais, desacompanhados do acréscimo da multa de mora, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 150, § 4º do CTN. Decisão do Superior Tribunal de Justiça proferidas no Regime de Recursos Repetitivos, art. 543-C do CPC (STJ, Resp 973.733/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, Julgado em 12/08/09).
Considerando que a ciência do auto de infração se deu em 30/11/2006 (fls. 46/47), relativamente a fatos geradores ocorridos de 01/04/2001 a 31/05/2001, e de 01/07/2001 a 30/09/2001, operou-se a decadência.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3202-000.933
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente
Thiago Moura de Albuquerque Alves Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves.
Nome do relator: THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2001 a 31/05/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001 Ementa: COFINS. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIMENTO PARCIAL DESACOMPANHADO DA MULTA DE MORA. REGRA DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. MATÉRIA OBJETO DE RECURSO REPETITIVO NO STJ. ART. 62-A DO RICARF. Restando configurado que o sujeito passivo efetuou recolhimentos parciais, desacompanhados do acréscimo da multa de mora, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 150, § 4º do CTN. Decisão do Superior Tribunal de Justiça proferidas no Regime de Recursos Repetitivos, art. 543-C do CPC (STJ, Resp 973.733/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, Julgado em 12/08/09). Considerando que a ciência do auto de infração se deu em 30/11/2006 (fls. 46/47), relativamente a fatos geradores ocorridos de 01/04/2001 a 31/05/2001, e de 01/07/2001 a 30/09/2001, operou-se a decadência. Recurso voluntário provido.
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DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO RECOLHIMENTO PARCIAL DESACOMPANHADO DA MULTA DE MORA. REGRA DO ARTIGO 150, § 4º, DO CTN. MATÉRIA OBJETO DE RECURSO REPETITIVO NO STJ. ART. 62A DO RICARF. Restando configurado que o sujeito passivo efetuou recolhimentos parciais, desacompanhados do acréscimo da multa de mora, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o crédito tributário deve observar a regra do art. 150, § 4º do CTN. Decisão do Superior Tribunal de Justiça proferidas no Regime de Recursos Repetitivos, art. 543C do CPC (STJ, Resp 973.733/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, Julgado em 12/08/09). Considerando que a ciência do auto de infração se deu em 30/11/2006 (fls. 46/47), relativamente a fatos geradores ocorridos de 01/04/2001 a 31/05/2001, e de 01/07/2001 a 30/09/2001, operouse a decadência. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 5. 00 16 05 /2 00 6- 52 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres – Presidente Thiago Moura de Albuquerque Alves – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Tatiana Midori Migiyama e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de lançamento consubstanciado em auto de infração, lavrado em 14/11/2006, em virtude de apuração de irregularidades quanto a quitação de débitos declarados em Declaração de Contribuições e Tributos federais (DCTF), para exigir da autuada multa de mora no valor de R$ 13.667,58 em função da falta e insuficiência de pagamento desse acréscimo quando de recolhimentos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS), código de receita n° 2172, apurada nos meses de abril, maio e julho a setembro de 2001. Regularmente cientificada, a autuada ingressou com a impugnação de fls. 01/17, acompanhada dos documentos de fls. 18/45, por meio da qual fustiga a exigência. Remetidos os autos para julgamento, a DRJ/RPO Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Perto (SP) julgou procedente o lançamento (fls. 58/64). Com efeito, a DRJ/RPO rejeitou a alegação de nulidade da autuação, nos seguintes termos: Em foco trabalho de tratamento dos dados constantes em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DC1T) levado a efeito pela Delegacia da Receita Federal em Presidente PrudenteSP, cuja sistemática consiste em contraporse os valores informados pela contribuinte a título de débitos tributários (dividas) e os créditos vinculados, à conta de i pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, fazendose a exigência fiscal das diferenças quando estes créditos resultarem indevidos ou não comprovados, como também, das diferenças de acréscimos moratórios (multa de mora e juros de mora) quando restar concluído a insuficiência ou inexistência destes por ocasião do recolhimento de tributos depois do prazo legal de vencimento. O lançamento em pauta aponta, em específico, o não recolhimento da multa de mora quando dos pagamentos de R$ 10.598.33, RS 22.400,43, RS 21.472,67, R$ 20.834,26 e R$ 17.886,10, havidos em 04/07/2001, 31/07/2001, 31/08/2001, 13/11/2001 e 14/11/2001, afetos às contribuições dos meses de abril, maio, julho, agosto e setembro de 2001, vencidas em Fl. 184DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10835.001605/200652 Acórdão n.º 3202000.933 S3C2T2 Fl. 184 3 15/05/2001, 15/06/2001, 15/08/2001, 14/09/2001 e 15/10/2001, respectivamente, como ainda, a insuficiência de recolhimento da multa de mora por ocasião do pagamento de R$ 11.000,00, ocorrido em 03/07/2001, também referente à contribuição do mês de abril, fls.32/36. Não vejo nos autos qualquer das hipóteses previstas no art 59 do Decreto n° 70.235/72, de 6 de março de 1972, que versa: [...] Encontrandose o auto de infração, como efetivamente se encontra, lavrado e assinado por pessoa competente, dentro da estrita legalidade, descaber cogitar a incidência na primeira hipótese. Também não se observa qualquer desobediência ao inciso H da norma processual em pauta. Em essência, temse que o fato da contribuinte somente ter tido a oportunidade de se manifestar sobre a exigência fiscal após sua formalização não constitui ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa, ou inobservância do devido processo legal, pois o procedimento fiscal é inquisitório e aos particulares cabe colaborar e respeitar os poderes legais dos quais a autoridade administrativa está investida. Não se formou ainda a relação jurídica processual, e os particulares não atuam como parte. Isto somente acontece com o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e a respectiva impugnação. [...] Coerentemente com essa interpretação, o art. 14 do Decreto 70.235, de 1972, preceitua que "a impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento". Com a apresentação da impugnação o procedimento se torna processo, estabelecendose o conflito de interesses: de um lado o fisco que acusa a existência de crédito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e. de outro, o contribuinte, que opõe resistência por meio da apresentação de impugnação. É a partir desse momento que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o principio constitucional da garantia ao devido processo legal, no qual está compreendido o respeito à ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes, nos termos do art. 5°, inciso LV, da Constituição Federal. Noutro giro, não se verifica do auto de infração a alegada falta de clareza na enunciação dos fatos e dispositivos legais infringidos, nem tampouco omissão destes. Com efeito, a descrição dos fatos e do enquadramento legal foi detalhada e completa, a ver à fl. 31: "'FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS (Multa de Mora parcial efou Juros de Mora parcial ou total), conforme anexo IV "DEMOSNTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR — NÃO PAGOS OU Fl. 185DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 4 ‘PAGOS A MENOR", em anexo..ART 1601. 5172/66; ART 1 L 9249/95; ARI' 43 L 9430/96 Compulsando os autos verificase que o anexo indicado no enunciado acima se encontra à fl. 37, o qual sintetiza o evento. Ante o exposto, concluo que o presente processo foi instaurado com observância dos requisitos do Decreto n.° 70.235, de 1972, bem assim do Código Tributário Nacional (CTN), art. 142, com observância do devido processo legal (due process of law), não havendo qualquer razão para que seja declarado nulo o lançamento, motivo pelo qual rejeito a preliminar de nulidade. Quanto à inaplicabilidade da denúncia espontânea ao caso dos autos e da incdência de juros de mora, o acórdão recorrido assim fundamentouse: Quanto ao mérito e nada obstante os precedentes jurisprudenciais colacionados, tenho por inaplicável a tese do afastamento da multa de mora em face da denúncia espontânea versada no artigo 138 do Código Tributário Nacional (CTN) ao presente caso. [...] Noutro prisma, a exigência para que o pagamento ou o recolhimento de tributo se faça acompanhado de multa de mora em face da realização após o vencimento legal da obrigação deriva de lei, a ver: [....] Neste contexto, não sendo razoável admitirse que o legislador ordinário estaria confrontando o CTN, tenho que o afastamento do acréscimo não se aplica ao pagamento trazido pela Recorrente, já que não ficou provado tenha ele origem em obrigação tributária à margem da escrituração completa ou simplificada. Com efeito, não há falar na aplicação da excludente no caso em que o fato gerador do tributo encontrase regularmente consignado nos livros comercias e fiscais da contribuinte, ou então, quando a hipótese de incidência do tributo esteja retratada em documentos fiscais ou de compra e venda no caso de se tratar de microempresas e empresas de pequeno porte dispensadas de escrituração, independentemente dessas ocorrências serem ou não trazidas ao conhecimento do Fisco mediante as declarações de cunho obrigatório (DCTF, D1RPJ, SIMPLES, etc). Significa dizer, pois, que ainda inexistentes as declarações, o simples fato da operação econômica praticada pela contribuinte constar em sua escrituração ou em documentos por ela emitidos, suficientes, portanto, para caracterizar o fato gerador do tributo, já se encontra nascida a obrigação tributária, embora pendente de corporificação em forma de crédito público que se deu, na hipótese, com o voluntário pagamento, dai aflorando, inclusive, o primeiro ato tendente ao lançamento por homologação a que alude o artigo 150 do CTN. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10835.001605/200652 Acórdão n.º 3202000.933 S3C2T2 Fl. 185 5 Portanto, a espontaneidade de que fala o artigo 138 do CTN não se aplica, evidentemente, a estas ocorrências, pois seria restringir o conceito de espontaneidade ao ato de levarse ou não ao conhecimento fiscal o tributo retratado na própria escrita contábil ou elementos de cunho fiscal que o valha, quando em realidade a nomia instiga o contribuinte a denunciar aquilo que dela foi omitido, a revelar a conduta ilícita ou culposa, beneficiandolhe em forma de exoneração do encargo moratória. Neste sentido direcionase o próprio Superior Tribunal de Justiça, a ver pelo seguinte julgado: [...] Em decorrência, entendo infrutífera a discussão quanto ao caráter compensatório/indcnizatório ou punitivo do encargo legal denominado multa de mora, data vênia, pois seria cerrar o debate no efeito em menosprezo à causa. O lançamento, a seu turno, embasouse na legislação de regência ao tempo em que efetuado, cujo comando assim se expressa: [...] Por fim, deixo de apreciar a insurgência contra juros de mora à taxa Selic em razão do lançamento não cuidar da cobrança desse acréscimo. Finalmente, o aresto recorrido indeferiu o pedido de prova adicionais com as seguintes palavras: No condizente ao pedido de prova pericial, entendoa flagrantemente desnecessária para o deslinde do presente julgamento na medida em que a exigência fiscal é matéria exclusivamente de direito. Entendo, ainda, que a realização de pericia pressupõe que o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador, ou quando a prova não pode ou não cabe ser produzida por uma das partes, o que não é o caso dos presentes autos. Ademais, a não apresentação de quesitos obsta o prosseguimento do pedido, consoante § 1° do artigo 16, do Decreto n°70.235, de 1972. Quanto aos pedidos de juntada posterior de documentos e sustentação oral perante o Conselho de Contribuintes incumbe à Requerente, para efetivação do primeiro, observar os requisitos previstos no §§ 5°c 6 0, do artigo 16, do Decreto n°70.235, de 1972, e, para opine ão do segundo, deduzilo na instância própria. Cientificada do acórdão, acima destacado, a contribuinte apresentou recurso voluntário (fl. 68/78), reiterando os argumentos da defesa e acrescentando que teria ocorrido a decadência do crédito tributário lançado. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 6 O processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende os requisitos de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. No que diz respeito a alegação de decadência, entendo que merece acolhida o recurso voluntário, não havendo óbice para sua apreciação pelo fato de o contribuinte só têla ventilado em seu recurso voluntário, porque se trata de matéria de ordem pública conhecível até mesmo de ofício. Realmente, resta configurada a decadência, porquanto o auto de infração, notificando o contribuinte em 30/11/2006 (fls. 46/47), pretende constituir a multa de mora, vencidas em 01/04/2001 a 31/05/2001, 01/07/2001 a 30/09/2001 (fls. 32/39), depois que já havia transcorrido o prazo decadencial de cinco anos do art. 150, § 4º, do CTN. O caso concreto é paradigmático exemplo de pagamento parcial, desacompnhado da multa de mora, que atrai a regra decadencial do art. 150, § 4º, do CTN, de acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, sedimentada quando do julgado do Resp 973.733/SC, submetido ao rito dos recursos repetitivos, consoante a previsão legal do art. 543C do CPC. Vejase: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃOPREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, Fl. 188DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10835.001605/200652 Acórdão n.º 3202000.933 S3C2T2 Fl. 186 7 consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelando se inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008. (STJ, Resp 973.733/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, Julgado em 12/08/09) Em caso idêntico ao presente, decidiu no mesmo sentido acórdão da 4ª Câmara/3ª Turma Ordinária da 3ª Seção do CARF, em voto da lavra do Conselheiro ROBERTO BAYER (Acórdão nº 340300.435. Proc. 16327.000838/200492): VOTO Conselheiro Robson José Bayerl, Relatar O recurso voluntário é tempestivo e .preenche os demais requisitos de admissibilidade. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES 8 Antes de examinar a preliminar de decadência é conveniente fixar algumas premissas que serão necessárias ao deslinde da questão. Neste passo, entendo — e isto parece inconteste — que o fato jurídico originário da autuação foi o pagamento realizado a destempo, em 26/02/1999, com as vantagens do art. 17 da Lei n° 9.779/99, segundo o recorrente, sem acréscimos moratórias, de modo que esta data define o termo inicial para contagem da decadência, recaindo o termo final na ciência da autuação, acorrida em 05/07/2004. Pois bem, tendo em conta o brocardo latino accessorium sequitur principale, o regime jurídico dos consectários legais é o mesma da obrigação principal, razão porque deve ser aplicado o mesmo raciocínio e as mesmas regras atinentes à decadência, tanto para um quanto para outra. Fixados os parâmetros e sem maiores delongas, entendo assistir razão ao recorrente e reputo o lançamento alcançado pela decadência, ao passo que o Supremo Tribunal Federal, ao examinar a altercação envolvendo o prazo decenal estatuído na Lei ri' 8.212/91, fundamento para manutenção do lançamento pela decisão recorrida, resolveu a celeuma e pacificou sua posição jurisprtadencial editando a súmula vinculante n° 8, cujo verbete se reproduz: "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do decretolei n" 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da lei n" 8212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Considerando que tal ato produz efeitos imediatos sobre os processos administrativos não definitivamente julgados e, ainda, o disposto no art. 103A, caput, da CF/88, que impõe a vinculação, desde a publicação da súmula, dos órgãos da administração pública federal, imediatamente prevalecem os prazos estabelecidos no Código Tributário Nacional, mormente o art. 150, § 4', que trata dos denominados "lançamentos por homologação". No caso dos autos, tendo em vista o transcurso de período superior ao lustro previsto no aludido dispositivo, desde a data da ocorrência (recolhimento) até a ciência da autuação, e ainda a existência de recolhimentos nos períodos de apuração envolvidos, indisputável reconhecer que o lançamento, como um todo, foi alcançado pela decadência. Tratandose a preliminar acolhida de matéria prejudicial à análise do mérito da causa ou, melhor dizendo, preliminar de mérito, despiciendo abordar a correção dos procedimentos observados pelo recorrente ou mesmo o cumprimento dos requisitos legais para fruição da vantagem fiscal garantida pelo artigo 17 da Lei ri° 9379/99, tema de fundo da autuação fiscal. Com estas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso interposto, reconhecendo a ocorrência da decadência do direito da Fazenda Nacional constituir o crédito tributário. Robson José Bayer Destaquese que as decisões do Superior Tribunal de Justiça proferidas no Regime de Recursos Repetitivos, art. 543C do CPC, são de observância obrigatória pelos Fl. 190DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10835.001605/200652 Acórdão n.º 3202000.933 S3C2T2 Fl. 187 9 membros do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno deste órgão julgador. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Em função do reconhecimento da decadência, deixo de apreciar as demais questões que envolvem a controvérsia. Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para extinguir o crédito tributário lançado. É como voto. Thiago Moura de Albuquerque Alves Fl. 191DF CARF MF Impresso em 21/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 10/11/2013 por THIAGO MOURA DE ALBUQUERQUE ALVES, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
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Numero do processo: 11050.001390/2005-89
Data da sessão: Fri Mar 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Sep 11 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 19/04/2000 a 16/12/2004
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. NOTAS EXPLICATIVAS. INOBSERVÂNCIA.
Identificado erro de classificação fiscal de mercadorias importadas, a escolha de nova classificação exige que as mercadorias se enquadrem perfeitamente nas especificações contidas nos textos de posições, nas Notas de Capítulo, de Seção e, subsidiariamente, devem ser observados os textos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3201-000.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acoram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Joel Miyazaki - Presidente em exercício
Ricardo Paulo Rosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros , Ricardo Paulo Rosa, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano DAmorim, , Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Marcelo Ribeiro Nogueira e Judith do Amaral Marcondes Armando (Presidente).
Nome do relator: Relator
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NOTAS EXPLICATIVAS. INOBSERVÂNCIA. Identificado erro de classificação fiscal de mercadorias importadas, a escolha de nova classificação exige que as mercadorias se enquadrem perfeitamente nas especificações contidas nos textos de posições, nas Notas de Capítulo, de Seção e, subsidiariamente, devem ser observados os textos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Mercadorias. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acoram os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Joel Miyazaki Presidente em exercício Ricardo Paulo Rosa Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros , Ricardo Paulo Rosa, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D’Amorim, , Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro, Marcelo Ribeiro Nogueira e Judith do Amaral Marcondes Armando (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 13 90 /2 00 5- 89 Fl. 572DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 3201000.424 S3C2T1 Fl. 573 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 01 a 66 por meio dos quais são feitas as seguintes exigências: fls. 01 a 19 1 R$ 1.893,12 (hum mil, oitocentos e noventa e três reais e doze centavos) de Multa Proporcional ao Valor Aduaneiro (passível de redução) – Mercadoria Classificada Incorretamente (art. 84, I da MP nº 2.15835/2001). 2 – R$ 685,32 (seiscentos e oitenta e cinco reais e trinta e dois centavos) de Multa Regulamentar (não passível de redução) Mercadoria Classificada Incorretamente (art. 84, I da MP nº 2.15835/2001, combinado com o art. 69 e 81, IV da Lei nº 10.833/2003). fls. 20 a 45 3 R$ 51.464,80 (cinqüenta e um mil, quatrocentos e sessenta e quatro reais e oitenta centavos) de Imposto sobre Produtos Industrializados. 4 R$ 38.598,60 (trinta e oito mil, quinhentos e noventa e oito reais e sessenta centavos) de Multa de ofício. fls. 46 a 66 5 – R$ 136,87 (cento e trinta e seis reais e oitenta e sete centavos) a título de Cofins – Importação. 6 – R$ 102,65 (cento e dois reais e sessenta e cinco centavos) a título de Multa de Ofício de 75%. 7 – R$ 29,71 (vinte e nove reais e setenta e um centavos) a título de Pis – Importação. 8 – R$ 22,28 (vinte e dois reais e vinte e oito centavos) a título de Multa de Ofício de 75%. Os juros de mora lançados foram calculados até 31/05/2005. A autoridade autuante assim descreveu os fatos, fls. 02 a 17; 21 a 39 e 47 a 64, em síntese que: · O importador submeteu a despacho aduaneiro os produtos de nome comercial “UV Sensitive Blue – Ref. 2947”; “Laminating Varnish – Ref. S2871” e “Laminating Varnish – Ref. S1942” através das DI’s nº 00/03478623, 00/07712949, 00/09866668, 00/12431375, 01/0237604 7, 01/05986512, 01/10162174, 02/03347409, 02/08356457 e 04/12893538 registradas, respectivamente, em 19/04/2000, 17/08/2000, 17/10/2000, 22/12/2000, 09/03/2001, 18/06/2001, 16/10/2001, 16/04/2002, 18/09/2002 e 16/12/2004 (extrato de fls. 68 a 103). Fl. 573DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 3201000.424 S3C2T1 Fl. 574 3 · O importador classificou os produtos citados no código NCM 3215.19.00 (Outras tintas de impressão). · Com o intuito de confirmar a classificação fiscal, por ocasião do despacho de importação da DI nº 04/12893538, registrada em 16/12/2004, foram coletadas amostras dos produtos para serem submetidos a exame laboratorial, cujos resultados se encontram registrados nos laudos de fls. 108 a 124. · Os resultados foram divergentes para os produtos de nome comercial “UV Sensitive Blue – Ref. 2947”; “Laminating Varnish – Ref. S2871” e “Laminating Varnish – Ref. S1942”. · A fiscalização, com base nos laudos técnicos emitidos pela FUNCAMP – Fundação de Desenvolvimento da Unicamp, reclassificou os produtos para o código NCM 3208.20.20 (TINTAS E VERNIZES, À BASE DE POLÍMEROS SINTÉTICOS OU DE POLÍMEROS NATURAIS MODIFICADOS, DISPERSOS OU DISSOLVIDOS EM MEIO NÃO AQUOSO; SOLUÇÕES DEFINIDAS NA NOTA 4 DO PRESENTE CAPÍTULO À base de polímeros acrílicos ou vinílicos – Vernizes). · Através da intimação datada do dia 24 de maio de 2005 (fls. 125/127), lavrada durante o despacho de importação da DI nº 05/05184561, a fiscalização aduaneira exigiu a reclassificação fiscal dos produtos “UV Sensitive Blue – Ref. 2947”; “Laminating Varnish – Ref. S2871” e “Laminating Varnish – Ref. S1942” para o código NCM 3208.20.20, assim como o recolhimento das diferenças tributárias e penalidades aplicáveis. · O contribuinte, inicialmente, discordou da exigência através da declaração datada do dia 24/05/2005 (fls. 128/129). Nesta declaração o contribuinte alega que os produtos se tratam de vernizes de impressão serigráfica. · Assim, a fiscalização aduaneira lançou os créditos tributários referentes a DI nº 05/05184561 através de auto de infração, processo nº 11050.001209/200534. O contribuinte não impugnou o lançamento e recolheu as diferenças tributárias e penalidades aplicáveis. Cientificada da presente exação, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 136 a 173, acompanhada dos documentos de fls. 174 a 198, alegando, em síntese: · Todos os dez despachos de importação foram instruídos com os documentos exigidos pela legislação de regência, principalmente os conhecimentos internacionais de carga – BL, emitidos pelas empresas transportadoras, comprovando o embarque da mercadoria na origem e as faturas comerciais, emitidas pelo fabricante/exportador com sede no exterior. Todos estes documentos se referem a tintas de impressão. · Quanto à parametrização no SISCOMEX, as importações foram parametrizadas algumas para o canal verde, outras para o canal amarelo e duas delas foram parametrizadas para o canal vermelho, sendo objeto, em conseqüência, aos do canal amarelo ao exame documental e as do canal vermelho ao exame documental e físico antes dos respectivos desembaraços. Fl. 574DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 3201000.424 S3C2T1 Fl. 575 4 · Quando do desembaraço da DI nº 01/02376047, registrada em 09/03/2001, parametrizada para o canal vermelho, cuja verificação física se tornava obrigatória, os Auditores Fiscais não retiraram amostra do produto e não solicitaram assistência técnica especializada para identificação da mercadoria importada, nos termos do art. 567 do regulamento Aduaneiro, de 1985. · Quando do desembaraço da DI º 04/12893538, registrada em 16/12/2004, o fisco retirou amostra dos produtos importados para fins de exame laboratorial. · Com base nos laudos de análise, a DRF/Rio Grande autuou a litigante relativamente a DI nº 04/12893538 e, utilizando tais laudos como prova emprestada, inclusive desprezando a nota importante constante do corpo dos laudos, que transcrevemos “os resultados das análises contidas neste documento tem significação restrita e se referem somente à amostra recebida neste laboratório”, a fiscalização daquela DRF houve por bem autuar a impugnante por “DECLARAÇÃO INEXATA DE MERCADORIA E MERCADORIA CLASSIFICADA INCORRETAMENTE NA NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL”, relativamente as demais nove importações efetuadas, sendo todas registrada em data anterior, sem considerar que uma delas fora parametrizada para o canal vermelho. · A litigante levanta a preliminar de decadência relativamente a DI nº 00/02200613, registrada em 19/04/2000. · Reclama de cerceamento do direito de defesa uma vez que não foi oportunizado a litigante o direito da contraprova, com apresentação de quesitos próprios. · Solicita seja efetuado, na própria FUNCAMP, exame nas amostras retiradas para servir como “contraprova”, em poder da DRF, formulando quesitos (fls. 143/145). · Argumenta que, pelo enquadramento legal constante dos autos de infração, não vislumbra qual o artigo da legislação básica teria infringido para justificar a exigência do crédito tributário (defende sua tese às fls. 145/154). · Protesta contra a falta de emissão do Mandado de Procedimento Fiscal. · Os produtos importados têm como finalidade específica serem utilizados na produção da indústria gráfica de cartões plásticos e de crédito. O único método possível para utilização destes produtos é por meio de impressão serigráfica em folhas ou lâminas de PVC, dadas as características de secagem rápida e especificações de cobertura do filme de tinta/verniz necessários a atender esta finalidade. · Os produtos são específicos para impressão sobre o substrato PVC ou semelhante, exigido para quaisquer cartões plásticos e/ou de crédito. São tintas ou vernizes a base de polímeros sintéticos com utilização específica e exclusiva na indústria gráfica como explicitado anteriormente. · Cabe ressaltar que o ramo de atividade do fabricante/exportador é produzir, exclusivamente, tintas de impressão e o da litigante/importadora, é precisamente o de comercialização dos produtos Fl. 575DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 3201000.424 S3C2T1 Fl. 576 5 para empresas de impressão gráfica, por serigrafia, de lâminas de PVC, na fabricação de cartões de crédito. · Anexa cópia de documento produzido pelo fabricante/exportador “Folheto de Instruções de Utilização dos Produtos Apollo”, fls. 174/192. · Defende que os laudos técnicos, por força do art. 37 da IN 157/98, com a redação dada pela IN 152/2002, e respectiva numeração como artigo 39, por se apresentarem sem os requisitos previstos no art. 36, atual 38, da IN 157/98, não poderão ser aceitos, pois, além de estarem incompletos não permitem sua comparação com outras análises. · Transcreve e comenta as Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado, defendo a classificação fiscal no código NCM 3215.19.00. Defende sua tese às fls. 157/167. · Transcreve ementas de Acórdãos do Terceiro Conselho de Contribuintes, referente a “prova emprestada” e “prova técnica”. · Que a classificação adotada está correta, portanto é descabida a multa por erro de classificação fiscal (art. 84, I da MP nº 2.15835/2001). · Que são indevidos as multas e os juros de mora, em face de jurisprudência do Terceiro Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de que não cabe a cobrança de multa e juros de mora em ato de revisão aduaneira os quais somente seriam devidos a partir do vencimento da obrigação, isto é, após o encerramento do processo fiscal. Por todo o exposto, requer seja considerada válida e eficaz a presente impugnação para ilidir na integra a exigência do crédito tributário. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou sua decisão na ementa correspondente. Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 19/04/2000 a 16/12/2004 VERNIZ À BASE DE POLÍMEROS VINÍLICOS. Os produtos de nome comercial “UV Sensitive Blue Ref. 2947”; “Laminating Varnish Ref. S2871” e “Laminating Varnish Ref. S1942” se classificam no código TEC/NCM 3208.20.20. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 19/04/2000 a 16/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. PRODUÇÃO DE PROVA. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 3201000.424 S3C2T1 Fl. 577 6 Dispensável a produção de provas complementares, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção do Julgador. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 19/04/2000 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. No caso de lançamento por homologação, não havendo antecipação de pagamento, o prazo decadencial começa a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, consoante disposto no art. 173, I da Lei nº 5.172/66 CTN. Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 16/10/2001 a 16/12/2004 ERRO DE CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIA. PENALIDADE. É cabível a imposição da multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria classificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul. A contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual requer a reforma integral da decisão a quo, ratificando entendimento de que as mercadorias devem classificarse no código utilizado nas importações. As preliminares argüidas em fase de impugnação ao lançamento não foram reapresentadas. Voto Conselheiro Ricardo Rosa, Relator. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Segundo se depreende dos autos, a matéria em lide envolve a identificação da mercadoria importada como sendo um verniz ou uma tinta, abstraindose, em um primeiro momento, a destinação que lhe será dada. A descrição dos fatos do auto de infração informa a desclassificação da mercadoria com base no laudo técnico emitido Funcamp – Fundação de Desenvolvimento da Unicamp, a partir do qual a fiscalização firmou entendimento de que “para que o produto se classifique na NCM 3215 [código utilizado pela contribuinte] deve conter pigmento preto ou colorido, o que não ocorre com os produtos em questão”. Os laudos técnicos que serviram de base à autuação contém o seguinte esclarecimento: Fl. 577DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 3201000.424 S3C2T1 Fl. 578 7 “De acordo com a Literatura Técnica Específica (ANEXO I), a mercadoria de denominação comercial TINTA SERIGRÁFICA S2947 tratase de uma Tinta de Impressão utilizada, principalmente, em cartões de crédito ou cartões de segurança. No entanto, os ensaios analíticos realizados indicam que a mercadoria analisada não contém Matéria Corante, caracterizandose como Verniz”. Também a Nota Explicativa do Sistema Harmonizado para a NCM 3215 serviu de fundamento à manutenção do crédito tributário. Tintas de impressão. São preparações de consistência mais ou menos gorda ou pastosa, que se obtêm misturandose um pigmento preto ou colorido, finamente triturado, com um excipiente. O pigmento utilizado, que é geralmente o negro de carbono para as tintas de impressão pretas, pode ser orgânico ou inorgânico para tintas coloridas. O excipiente é constituído, por exemplo, por resinas naturais ou polímeros sintéticos, dispersos em óleos ou dissolvidos em solventes e uma pequena quantidade de aditivos destinados a darlhe as propriedades funcionais desejadas. (grifos meus) Em que pese informação oferecida pelo Perito Judicial dando conta da presença de pigmento orgânico transparente nos produtos, não identificado pela Funcamp, a autuação está alicerçada, fundamentalmente, na ausência de pigmento, condição expressa para classificação das mercadorias no código escolhido pela autuada. Neste ponto, há que se esclarecer que não há como atender à solicitação da contribuinte de que os produtos sejam classificados em função da sua destinação e não da matéria constitutiva. O classificador não está autorizado a fazer esse tipo de escolha, devendo aplicar as regras e notas de classificação tal como disposto no Sistema Harmonizado. Se ele orientar pela constituição física, é com base nela que a mercadoria deverá ser classificada. Noutro giro, conforme esclarece a recorrente, os produtos são utilizados na indústria gráfica de impressão em cartões de crédito, informação ratificada pelos laudos técnicos, conforme antes transcrito. A declaração do fabricante carreada aos autos, acrescenta que os produtos destinamse a melhorar a aderência de tintas litográficas a filmes de cobertura de PVC (S2871); como cimento de adesão entre duas lâminas centrais brancas (S1942) e para marcação de segurança e identificação de cartões de crédito (S2947). A Nota Explicativa do Sistema Harmonizado para a NCM 3208, posição escolhida pela fiscalização, contém o seguinte esclarecimento. Consideramse vernizes as preparações líquidas destinadas a proteger ou a decorar as superfícies. São à base de polímeros sintéticos (compreendendo a borracha sintética) ou de polímeros naturais modificados quimicamente (nitrato de celulose ou outros derivados da celulose, novolacas ou outras resinas fenólicas, resinas amínicas, silicones, por exemplo), adicionadas de solventes e de diluentes. Formam um filme seco, insolúvel em água, relativamente duro, mais ou menos transparente ou translúcido, liso e contínuo, que pode ser brilhante, fosco ou acetinado. (grifos meus) Podem apresentarse corados pela adição de matérias corantes solúveis no meio. (Nas tintas ou nas tintas esmaltes, a matéria corante chamase “pigmento” e é insolúvel no meio ver a parte A, acima). Fl. 578DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI Processo nº 11050.001390/200589 Acórdão n.º 3201000.424 S3C2T1 Fl. 579 8 * * * Para aplicar estas tintas e vernizes, utilizamse normalmente pincéis ou rolos; os principais métodos industriais são, entre outros, a pulverização, a aplicação por imersão e a aplicação a máquina. (...) Da mesma forma como ocorre com o código escolhido pelo importador das mercadorias, há para a posição escolhida pela fiscalização disposição excludente das mercadorias importadas, na medida em que a nota é taxativa em considerar como verniz apenas as preparações destinadas a proteger ou a decorar superfícies, finalidades para as quais os produtos objeto da lide não estão destinados, conforme informação contida nos autos e em nenhum momento contestada ou se quer investigada pela fiscalização. Não preenchidas as condições especificadas na norma para classificação fiscal das mercadorias no código escolhido pela fiscalização, não há como prosperar o auto de infração, razão pela qual VOTO POR DAR PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Ricardo Paulo Rosa Fl. 579DF CARF MF Impresso em 11/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 20/08/2015 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 10/09/2015 por JOEL MIYAZAKI
score : 1.0
Numero do processo: 15504.003013/2008-01
Data da sessão: Wed Oct 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
Encontram-se atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores a 11/2000, inclusive.
OCUPANTE DE CARGO DE LIVRE PROVIMENTO. FILIAÇÃO AO REGIME GERAL.OBRIGATORIEDADE.
Os servidores ocupantes de cargos de livre nomeação, obrigatoriamente são filiados ao Regime Geral de Previdência, conforme lei 8.212/91 e Emenda Constitucional nº 20, de 15.12.98.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.791
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/2000, inclusive.
assinado digitalmente
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
assinado digitalmente
Oséas Coimbra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: OSEAS COIMBRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I. Encontram-se atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores a 11/2000, inclusive. OCUPANTE DE CARGO DE LIVRE PROVIMENTO. FILIAÇÃO AO REGIME GERAL.OBRIGATORIEDADE. Os servidores ocupantes de cargos de livre nomeação, obrigatoriamente são filiados ao Regime Geral de Previdência, conforme lei 8.212/91 e Emenda Constitucional nº 20, de 15.12.98. Recurso Voluntário Provido em Parte
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. Encontramse atingidos pela decadência os fatos geradores anteriores a 11/2000, inclusive. OCUPANTE DE CARGO DE LIVRE PROVIMENTO. FILIAÇÃO AO REGIME GERAL.OBRIGATORIEDADE. Os servidores ocupantes de cargos de livre nomeação, obrigatoriamente são filiados ao Regime Geral de Previdência, conforme lei 8.212/91 e Emenda Constitucional nº 20, de 15.12.98. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator para reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/2000, inclusive. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 30 13 /2 00 8- 01 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.003013/200801 Acórdão n.º 2803002.791 S2TE03 Fl. 3 2 assinado digitalmente Helton Carlos Praia de Lima Presidente. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima, Oséas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.003013/200801 Acórdão n.º 2803002.791 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que manteve a notificação fiscal lavrada, referente a contribuições devidas em razão de pagamentos a servidores públicos ocupantes de cargo em comissão de recrutamento amplo. O r. acórdão – fls 105 e ss, conclui pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo a Notificação lavrada. Inconformada com a decisão, apresenta recurso voluntário, alegando, em síntese, o seguinte: · Decadência · Existência de Regime Próprio de Previdência Social para os servidores não efetivos, o que afasta a competência do INSS para questionálo em face do princípio constitucional da paridade federativa entre os entes federativos (CF, art. 19, II), mormente em se tratando de indevida ingerência de autarquia federal, pertencente à administração indireta da União. Tratase da aplicação do disposto no art. 13 da Lei n° 8.212/91. · Requer preliminarmente, que seja declarada a ocorrência da decadência do direito do INSS de constituir o crédito tributário relativo às contribuições previdenciárias contidas na NFLD DEBCAD n° 37.025.8452, uma vez que o referido lançamento foi efetuado em 22/11/2006 e referese ao período de 12/98 a 13/05. Caso ultrapassada a preliminar argüida, que seja admitido e julgado procedente o presente recurso a fim de reformar a decisão recorrida, para anular o lançamento efetuado e reconhecer a inexistência do débito nele representado É o relatório. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.003013/200801 Acórdão n.º 2803002.791 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Oséas Coimbra O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. DA DECADÊNCIA A súmula vinculante do STF, nº 08 traz: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Com a decisão do Pretório Excelso, a questão passa a ser decidida com base nos artigos art. 150, § 4º e 173, ambos do Código Tributário Nacional – CTN. Transcrevemos o artigo 173 : Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. A jurisprudência pátria já assentou que a aplicabilidade deste artigo seria na hipóteses de inexistência de pagamento antecipado ou na ocorrência de fraude ou dolo, conforme transcrevemos. “Ementa: .... II. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. REsp 395059/RS. Rel.: Min. Eliana Calmon. 2ª Turma. Decisão: 19/09/02. DJ de 21/10/02, p. 347.) ... Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.003013/200801 Acórdão n.º 2803002.791 S2TE03 Fl. 6 5 “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. .... .... Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. ....” (STJ. EREsp 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) Já o artigo 150, § 4º, informa: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) No presente caso, aplicase a regra do art 173, pois não há registro pagamentos parciais. Assim sendo, aplicandose o art. 173, há que se reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/2000, inclusive, uma vez que a ciência do débito foi em 22.11.2006. Nessa linha já se manifestou o STJ, no rito do art. 543C do Código Processual, consoante RESP 973.733/SC e nos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), DJe 26/02/2010, que transcrevo. PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.003013/200801 Acórdão n.º 2803002.791 S2TE03 Fl. 7 6 tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Ante o exposto, acato a preliminar de decadência, nos termos do voto proferido. DO MÉRITO O ponto controverso a ser dirimido é se os servidores estaduais, ocupantes exclusivamente de cargos de livre nomeação, podem ser vinculados ao sistema estadual de previdência. O art. 40 da CF/88 tinha a seguinte redação: Art. 40. O servidor será aposentado: I por invalidez permanente, sendo os proventos integrais quando decorrentes de acidente em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagiosa ou incurável, especificadas em lei, e proporcionais nos demais casos; II compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com proventos proporcionais ao tempo de serviço; III voluntariamente: Nessa redação, os referidos servidores estavam inclusos no sistema previdenciário estadual, desde que este proporcionasse os benefícios mínimos. Em 15.12.98, com a promulgação da Emenda Constitucional nº 20, vimos alteração no que pertinente aos servidores ocupantes de cargos de livre nomeação, senão vejamos: Art. 40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 15/12/98) Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.003013/200801 Acórdão n.º 2803002.791 S2TE03 Fl. 8 7 O texto máximo informa que somente os titulares de cargos efetivos teriam assegurado o regime estatal de previdência. Para os servidores ocupantes de cargos de livre nomeação, obrigatoriamente são filiados ao Regime Geral de Previdência, conforme lei 8.212/91. O Supremo Tribunal já se manifestou sobre a matéria, senão vejamos. “Agravo regimental em recurso extraordinário. 2. Servidor Público. Aposentadoria. Cargo em comissão. 3. Não tem direito à aposentadoria estatutária o servidor detentor de cargo em comissão se não preenchidos os requisitos necessários para tal aposentadoria antes do advento da Emenda Constitucional 20, de 16 de dezembro de 1998. 4. A legislação estadual não ultrapassou o limite de competência legislativa prevista na Constituição para dispor sobre regras previdenciárias. 5. Agravo regimental a que se nega provimento” (RE 408.674AgR, Rel. Min. Gilmar Mendes, Segunda Turma, DJ 3.2.2006). Transcrevo excerto do voto do Min Gilmar Mendes: O agravante não conseguiu demonstrar o desacerto da decisão agravada. Verificase da leitura da decisão monocrática que o agravante não tem direito a aposentadoria estatutária em cargo em comissão, porquanto não preenchidos os requisitos necessários para tal aposentadoria, quando do advento da Emenda Constitucional ns 20, de 16 de dezembro de 1998, a qual determinou a aplicação do regime geral de previdência para os detentores de cargo em comissão. Nesse mesmo sentido: “EMENTA: SECRETÁRIO MUNICIPAL APOSENTADORIA. Não conflita com a Constituição Federal decisão em que se concluiu pela ausência do direito à aposentadoria no cargo de secretário municipal” (RE 231.386, Rel. Min. Marco Aurélio, primeira Turma, DJ 10.8.2001). Transcrevo excerto do voto do Min Marco Aurélio: “Examinemse, então, os parâmetros de regência da hipótese, que são aqueles anteriores à Emenda Constitucional 20, de 1998. O texto primitivo da Carta preceituava que a lei viria a dispor sobre a aposentadoria em cargos ou empregos temporários. A referência a tais cargos e empregos fezse de forma linear, apanhando a espécie comissionada. Aliás, o texto constitucional de outrora, ao contrário do atual, não distinguia aposentadoria em cargo efetivo da aposentadoria em cargo em comissão, o que somente veio a ocorrer com a Emenda Constitucional 20, de 1998, presente o artigo 40 e inciso III do § 1º, §§ 2º, 13 e 14. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR Processo nº 15504.003013/200801 Acórdão n.º 2803002.791 S2TE03 Fl. 9 8 Então, há de concluirse que a alusão inserta no § 2º do artigo 40 mostrouse genérica, abrangendo ‘cargos ou empregos temporários’ e, portanto, hipóteses de exercício exclusivo de cargo em comissão, declarado em lei de livre nomeação e exoneração. Ademais, o § 13 do artigo 40, introduzido mediante a Emenda Constitucional 20, fornece dado suficiente a afirmar se que, no gênero temporário ou relativo ao emprego público, incluemse os cargos em comissão, declarados de livre nomeação e exoneração, não bastasse, diante da possibilidade de desligamento a qualquer instante, a determinação do prazo que lhe é própria: (...) Logo, assento que, à luz da redação primitiva, a lei disporia sobre a aposentadoria em cargo ou emprego temporário, e que, agora, a aposentadoria se faz não nos moldes da atinente aos servidores públicos detentores de cargos efetivos, mas pelo regime geral de previdência social, o que equivale, mesmo, à limitação dos proventos” (grifei). Dessa feita, os servidores de livre nomeação e exoneração, após a EC 20/98 são filiados obrigatórios do regime geral de previdência social, conforme entendido pela autoridade lançadora. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, doulhe parcial provimento para reconhecer a decadência referente às competências anteriores a 11/2000, inclusive. assinado digitalmente Oséas Coimbra Relator. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/10/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 19/10/2013 por OSEAS COIMBRA JUNIOR
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Numero do processo: 11060.002706/2010-06
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Apr 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
GLOSA DE CUSTOS.
Não comprovados custos/despesas, e demonstrado pela fiscalização que a operação da qual surgiriam foi simulada, não tendo de fato ocorrido, é correta a glosa.
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1302-001.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 GLOSA DE CUSTOS. Não comprovados custos/despesas, e demonstrado pela fiscalização que a operação da qual surgiriam foi simulada, não tendo de fato ocorrido, é correta a glosa. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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Não comprovados custos/despesas, e demonstrado pela fiscalização que a operação da qual surgiriam foi simulada, não tendo de fato ocorrido, é correta a glosa. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. APLICAÇÃO DA TAXA DE JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 00 27 06 /2 01 0- 06 Fl. 3013DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Waldir Veiga Rocha, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. Fl. 3014DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 2.999 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/POA, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Possuindo o auto de infração todos os requisitos necessários à sua formalização, nos termos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, o lançamento não é nulo. PEDIDO DE PERICIA. O pedido de perícia sem indicação dos quesitos é considerado não formulado. SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS SIMULADOS. Comprovada a simulação por meio do conjunto indiciário convergente, cabe à Fazenda Pública desconsiderar os efeitos dos atos simulados, para que se operem consequências no plano da eficácia tributária. GLOSA DE CUSTOS. Não são dedutíveis, na determinação da base de cálculo do tributo, os custos lastreados em documentação inidônea emitida por empresa considerada ou declarada inapta. BITRIBUTAÇÃO. MESMA BASE DE CÁLCULO. Não há o que se falar em bitributação com relação a lançamentos cujas bases de cálculo foram apuradas em consonância com a legislação em vigor. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO A vedação contida na Constituição Federal sobre a utilização de tributo, e não da multa, com efeito de confisco é dirigida ao legislador, não se aplicando aos lançamentos de ofício efetuados em cumprimento das leis tributárias regularmente aprovadas. JUROS DE MORA. SELIC Fl. 3015DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 A utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios encontra respaldo na legislação regente, não podendo ser dispensada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Aplicase à tributação reflexa da CSLL idêntica solução dada ao lançamento principal para o IRPJ em face da estreita relação de causa e efeito. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Tratase de impugnação a dois autos de infração lavrados em 15/09/10 pela DRF Santa Maria para constituir crédito tributário de IRPJ e CSLL, no valor de R$ 5.619.280,56 (fl. 01), conforme quadro abaixo: Autos de Infração Tributo Principal Juros de Mora calculados até: Juros de Mora Multa Total/Tributo em cada AI Total Crédito Tributário do Processo IRPJ 1.446.622,65 31/08/10 512.964,07 2.169.933,96 4.129.520,68 CSLL 521.907,02 31/08/10 184.992,34 782.860,52 1.489.759,88 5.619.280,56 Ano Períodos de Apuração Vencimento 2006 01/01 a 31/12 30/03/2007 01/01 a 31/03 30/04/2007 01/04 a 30/06 31/07/2007 2007 01/07 a 30/09 31/10/2007 [...] A GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, empresa tributada com base no lucro real, criada em 12/04/06 (fl. 23), dedicase a produção de couros semiacabados e acabados para estofamento, e exporta para os mercados da América do Norte, Ásia e Europa (fl. 59). No CNAE, a atividade empresarial da GOBBA é o “Curtimento e outras preparações de couro” (fl. 23). O procedimento fiscal foi instaurado e cientificado à contribuinte em 11/09/08 (fls. 32 e 33), como um procedimento de diligência para analisar a legitimidade de diversos pedidos de ressarcimento de créditos do PIS/Pasep, da COFINS e do IPI dos anoscalendário 2006 e 2007 (MPF nº 10.1.03002008004820). O procedimento de diligência foi convertido em fiscalização, objeto do (MPF nº 10.1.03002009001264), e cientificado à contribuinte em 19/06/09, para fiscalização do IPI, PIS/Pasep e COFINS, sendo incluído, além dos anos de 2006 e 2007, também o ano de 2008 (fl. 206). Posteriormente, foram incluídos no procedimento fiscal o IRPJ e a CSLL com ciência da intimação à contribuinte em 29/06/10 (fl. 412). Essa inclusão deveuse a constatação, no curso da ação fiscal, que a impugnante não comprovara aquisições de produtos químicos objeto de notas fiscais emitidas em 2006 e em 2007 por pessoa jurídica inexistente de fato, a ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, inscrita no CNPJ sob número 08.009.247/000180. O trabalho da fiscalização resultou em dois autos de infração de IRPJ e CSLL (fls. 441 a 474) lavrados e Fl. 3016DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 3.000 5 cientificados à contribuinte em 15/09/10, com aplicação de multa agravada, e que foram objeto da presente impugnação. O Relatório de Fiscalização registrou que a GOBBA estabeleceuse formalmente na Rua Redencio Frizzo, nº 1186, Centro – Nova Esperança do Sul/RS, local que era depósito de propriedade da filial da então BRASPELCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (hoje denominada XINGULEDER COUROS LTDA). Até 30/06/08, a GOBBA atuava comercialmente sendo toda a industrialização do couro realizada por encomenda à então BRASPELCO (fl. 458). Somente após 30/06/08, com a assinatura do “Instrumento Particular de Arrendamento e Outras Avenças” com a então BRASPELCO, os funcionários desta migraram para a GOBBA, que passaria, então, a industrializar diretamente o couro. Houve várias intimações da fiscalização (em 20/11/08, 08/01/09, 20/02/09, 19/06/09 e 05/07/10) para a contribuinte apresentar suas explicações, documentos, extratos bancários, notas fiscais e/ou pagamentos efetuados a fornecedores. O trabalho de ação fiscal apontou como irregularidade as aquisições de produtos químicos, no valor de R$ 7.987.734,60 (fl. 460, verso), não comprovadas por parte da empresa GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, adquiridas da empresa ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, a qual a fiscalização considerou como uma empresa inexistente de fato, lavrando inclusive representação para a baixa do CNPJ (processo administrativo nº 11060.002926/200998) (fl. 468) e representação fiscal para fins penais (processo 11060.000896/201019) (fl. 471). Por conta disso, a fiscalização glosou o valor correspondente dessas aquisições de produtos químicos da GOBBA por considerá las amparadas em documentação inidônea, resultando na lavratura de 2 autos de infração, um de IRPJ no valor de R$ 1.446.622,65 (principal) e outro de CSLL no valor de R$ 521.907,02 (principal), ambas com a aplicação de multa agravada (de 150%). Para comprovar a inexistência de fato da ANGICO, a fiscalização realizou as seguintes constatações (conforme Relatório de Fiscalização – fls. 455 a 473): a) Nas diversas vezes que a fiscalização esteve no endereço da ANGICO ninguém foi encontrado, contendo o local apenas uma mesa, armário e microcomputador com periféricos aparentemente em desuso e em precário estado de conservação. Esses “precários móveis e utensílios, além do aparente em desuso equipamento de informática” teriam sido remetidos pela própria BRASPELCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, e contabilizada pela mesma como “Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado”, não se tratando, portanto, de venda (fl. 373). Isso, além de demonstrar que a ANGICO não possuía estrutura adequada para operar (nem logística nem tampouco de recursos humanos), reforçaria também a tese da fiscalização de que essa empresa fora criada para atender a interesses da BRASPELCO/XINGULEDER. b) A ANGICO não gerou débitos de natureza tributária, posto que o valor de sua receita líquida das atividades equivaleu ao custo dos bens vendidos, fato que, somado às despesas operacionais supostamente incorridas, acabava por gerar prejuízo do IRPJ e base de cálculo negativa da CSLL (fl. 461). c) Em 2006 e 2007, o valor das vendas da ANGICO à GOBBA (cliente exclusivo da ANGICO – fl. 466) foi igual ao valor das compras da ANGICO junto à BERTIN LTDA, empatando até nos centavos (fl. 243). Fl. 3017DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 d) Em 06 de abril de 2009 (fl. 254) a ANGICO encaminha resposta ao Termo de Intimação lavrado em 23 de março de 2009, afirmando que até aquela data, tendo em vista a “crise mundial”, não teria efetuado nenhum pagamento à BERTIN LTDA, mas teria solicitado a mesma, em outubro de 2008, a prorrogação do prazo das dívidas até 01/12/08 (não juntou, porém, nenhum documento comprovando essa solicitação), ao final do qual também não teria realizado o pagamento, alegando novamente o problema da “crise mundial”. e) A ANGICO declarou (fl. 254) que a entrega das mercadorias à GOBBA era realizada pela própria transportadora que trazia as mercadorias da BERTIN, afirmando ainda que nunca contratou fretes para as operações com a GOBBA. f) A TRANSPORTADORA ROSANO LTDA afirmou que nenhum serviço de transporte de cargas foi prestado à ANGICO (fl. 463), apesar de constar aquela transportadora como responsável pelos fretes nas Notas Fiscais de Saídas das mercadorias da ANGICO para a GOBBA. Nos conhecimentos de transporte a destinatária da mercadoria era a ANGICO, não havendo qualquer orientação de que os produtos químicos deveriam ser entregues em outro endereço que não fosse o dela mesma (a sala supostamente abandonada visitada várias vezes pela fiscalização). g) A ação fiscal desenvolvida em 16/02/09 na BRACOL HOLDING LTDA (ex BERTIN Ltda e vertida na BERTIN S.A. em 2007), empresa responsável pelas vendas de produtos químicos à ANGICO, demonstrou um conflito de declarações. No início da ação fiscal, a BERTIN teria declarado que o volume de revenda de produtos químicos em 2006 e 2007 para a ANGICO deveuse a uma parceria entre ambas para obter vantagens comerciais na compra desses materiais junto aos fornecedores. Posteriormente, a BERTIN declarou que tinha a intenção de utilizar os produtos químicos na própria produção, mas depois dos contratos de compra já estarem fechados, a BERTIN decidiu recuar quanto ao aumento de produção e foram obrigados a continuar recebendo o produto químico, surgindo a necessidade de revender esse produto. Porém, quem o comprou (ANGICO) não honrou com o compromisso. Intimada a BERTIN a esclarecer quanto a forma de cobrança que esta deveria estar promovendo pelos quase oito milhões de reais em mercadorias vendidas e não honradas pela ANGICO, respondeu em abril de 2009 que as cobranças promovidas pela empresa junto à ANGICO foram efetuadas via telefone e que não tinham como comprovar as mesmas (fls. 463 e 464). h) Além de não realizar pagamentos à BERTIN, a ANGICO registrou recebimentos de numerários da mesma nos anoscalendário 2006 e 2007, em montantes significativos, em nome da BRASPELCO/XINGULEDER (fl. 463). A última remessa de valores da BERTIN para a ANGICO de que a fiscalização teve conhecimento ocorreu em 15/04/09 em pleno curso das ações fiscais. i) O Sr. Milton Rogério Cogo, contador das empresas GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE COUROS LTDA e ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, em depoimento colocado a termo pela fiscalização (fl. 262), declarou que a ANGICO recebia e contabilizava os valores da então BRASPELCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, ora denominada XINGULEDER COUROS LTDA, que transitavam pela sua contacorrente (denominada na contabilidade por “ADTO AO FORNECEDOR BPLC – CONTA PROTEÇÃO”). Declara ainda que em face ao bloqueio das contas da BRASPELCO e tendo em vista as autorizações emitidas por esta para pagamento em conta da ANGICO, o nome dado à conta contábil é o que melhor reflete a realidade dos fatos. Esclarecimentos da ANGICO (fl. 266) dão conta de que os depósitos realizados pela BERTIN à ANGICO foram efetuados como pagamento a operações de industrialização por encomenda realizadas pela BRASPELCO em favor da BERTIN. Fl. 3018DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 3.001 7 j) A ANGICO juntou cópia de documento em tese emitido pela BRASPELCO (fl. 267), e endereçado à BERTIN S.A, dando conta de que a ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (CNPJ 08.009.247/000180) teria sido contratada para a administração dos ativos e passivos da BRASPELCO, sendo que os créditos a favor desta deveriam ser depositados na conta de depósitos bancários indicada pela ANGICO. k) A GOBBA juntou cópia de documento em tese emitido pela ANGICO (fl. 129), e endereçado à GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, dando conta de que a BARU RURAL LTDA (CNPJ 07.585.933/000137) teria sido contratada para a administração dos ativos e passivos da ANGICO, sendo que os créditos a favor desta deveriam ser depositados na conta bancária da BARU (Bco. 237 – Bradesco S.A; Ag. 02658 Uberlândia Centro; Conta nº 166.7858). Esse documento foi emitido em 19/07/07, embora a GOBBA contabilizasse pagamentos à ANGICO a partir de 07/05/07, sendo que a primeira venda de produtos químicos da ANGICO à GOBBA teria ocorrido em 09/08/06. l) Os lançamentos contábeis realizados pela ANGICO, referentes aos recebimentos de valores oriundos da GOBBA em decorrência de supostas “vendas” de produtos químicos, eram realizadas a crédito em conta específica da GOBBA no ativo e a débito de uma outra conta de ativo denominada “Adiantamento ao fornecedor BARU”, embora a BARU nunca fosse fornecedor da ANGICO. m) A GOBBA juntou cópia de documento em tese emitido pela XINGULEDER COUROS LTDA. (fl. 174) em 05/07/07, e endereçado à GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, dando conta de que a ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (CNPJ 08.009.247/000180) teria sido contratada para a administração dos ativos e passivos da XINGULEDER, sendo que os créditos a favor desta deveriam ser depositados na conta bancária da ANGICO (Bco. 001 – Banco do Brasil S.A; Ag. 39047 Nova Esperança do Sul; Conta nº 70254). n) A soma dos valores contabilizados pela GOBBA como pagos em favor da ANGICO, objeto dos comprovantes das transferências efetuadas pela GOBBA em contas da BARU S.A. PARTICIPAÇÕES E BARU RURAL LTDA, entre 07/05/07 (data anterior a autorização da ANGICO para a BARU RURAL LTDA. administrar seus ativos) e 04/12/07 foi de R$ 12.543.062,24 (superior à aquisição dos produtos químicos). Os lançamentos contábeis fazem referência à beneficiária ANGICO em razão de pagamentos por supostas aquisições de produtos químicos e adiantamentos. o) A GOBBA efetuou, em 2007, depósitos em contacorrente da ANGICO, no valor de R$ 4.083.801,84 cujos lançamentos contábeis da primeira remetem a quitações de obrigações contraídas junto à BRALPELCO/XINGULEDER, posto que a ANGICO teria sido contratada para administrar seus ativos e passivos (fl. 465, verso). p) Notícias colhidas da INTERNET (fls. 272 e 723) divulgaram que os credores internacionais teriam ajuizado ações de execução de títulos da, em tese, inadimplente XINGULEDER COUROS LTDA, incluindo no polo passivo (executados) os cotistas ARNALDO JOSÉ FRIZZO FILHO, BARU S.A. PARTICIPAÇÕES, GLP PARTICIPAÇÕES E ADMINISTRAÇÕES SC LTDA e JUKA PARTICIPAÇÕES SC LTDA. A fiscalização constatou, no sítio eletrônico do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, que de fato tramitava em primeira instância (17ª Vara Cível da Comarca da Capital) o processo nº 2007.001.0414931 (fls. 274 a 278), dito principal, cujos autores (executantes) são GOLDMAN SACHS Fl. 3019DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 MORTAGE COMPANY, MAPLE TRADE FINANCE LP e PACTUAL OVERSEAS CORPORATION, e executadas a XINGULEDER COUROS LTDA e seus sócios, pessoa física e pessoas jurídicas. Segundo o Relatório de Fiscalização, esses seriam alguns dos credores de quem a XINGULEDER estaria escondendo sua movimentação financeira, utilizando, para tanto, a contacorrente da ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA para receber valores da BERTIN S.A. e da GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. q) O Sr. Felipe Augusto Friso, sócio da GOBBA (através da ANGICO PARTICIPAÇÕES SOCIEDADE SIMPLES LTDA), sócio majoritário da ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRIO LTDA (que repassa à GOBBA os produtos químicos adquiridos da BERTIN), sócio majoritário da BARU RURAL LTDA (que recebe pagamentos em nome da ANGICO IND. E COM. LTDA), filho de Arnaldo José Frizzo Filho (sócio majoritário da BRASPELCO/XINGULEDER), teria recebido rendimentos do trabalho assalariado pagos em 2006, 2007, 2008 e 2009 pela empresa do pai, a BRASPELCO/XINGULEDER (fls. 409 e 411), o que iria ao encontro dos demais elementos coletados no curso da ação fiscal no sentido do real interesse na criação e operação da ANGICO e da própria GOBBA. A ANGICO foi, com isso, considerada pela fiscalização como uma empresa inexistente de fato, que nada adquiriu e, portanto, nada havia a comercializar. Logo, as aquisições feitas pela GOBBA da ANGICO nos anos de 2006 e 2007 foram glosadas pela fiscalização porque estavam lastreadas em documentação inidônea (art. 217 do RIR/99). A fiscalização também demonstrou, nos processos administrativos 11060.003471/200847 (PIS/PASEP e COFINS) e 11060.003473/200836 (IPI), referentes a pedidos de ressarcimento de créditos postulados pela GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, que esta é a sucessora de fato da BRASPELCO/XINGULEDER, pelas razões abaixo: a) A GOBBA é constituída mediante participação de 50% de FELIPE AUGUSTO FRIZZO, filho de ARNALDO JOSÉ FRIZZO FILHO, detentor de quotas do capital social da BRASPELCO/XINGULEDER, no capital social da GOBBA. b) A instalação “de fachada” da GOBBA em Nova Esperança do Sul/RS se deu em um depósito de produtos químicos locado pela então BRASPELCO (todos os atendimentos à fiscalização se deram no nº 1189, onde ainda se encontra formalmente estabelecida a filial BRASPELCO/XINGULEDER. c) Aquisição de itens de estoque da BASPELCO pela GOBBA em 12 de junho de 2006, (NFs emitidas pela BRASPELCO apresentadas pela GOBBA em atendimento ao item 11 do Termo de 20/02/2009). d) Manutenção da direção comercial efetiva da BRASPELCO/XINGULEDER nas operações da GOBBA, contando com a expertise de CLÁUDIO AFONSO FRIZZO. e) Atendimento aos clientes da BRASPELCO/XINGULEDER pela GOBBA a partir do início de suas atividades. f) Pagamento das despesas da BRASPELCO/XINGULEDER pela GOBBA (administrativas, comerciais e industriais). Fl. 3020DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 3.002 9 g) Mercadorias submetidas a um primeiro processo produtivo em estabelecimento da BRASPELCO/XINGULEDER localizado em Parnaíba/MS, adquiridas pela GOBBA e remetidas para a BRASPELCO/XINGULEDER em Nova Esperança do Sul para finalização da produção. h) Pagamentos sem causa efetuados pela GOBBA à BRASPELCO/XINGULEDER, supostamente alicerçados por documentação emitida por pessoa jurídica inexistente de fato, a ANGICO. i) Constituição da NAZA COUROS LTDA no mesmo endereço de outra filial da BRASPELCO/XINGULEDER, em Nazário/GO, posteriormente incorporada pela GOBBA. j) Arrendamento das instalações da BRASPELCO/XINGULEDER pela GOBBA, causando o fim dos relacionamentos comerciais da QUATRO MARCOS LTDA, da NAZA COUROS LTDA e da própria GOBBA (industrialização por encomenda) com àquela e a transferência desse relacionamento para a GOBBA. k) Migração dos funcionários da BRASPELCO/XINGULEDER para a GOBBA. l) Migração dos clientes da BRASPELCO/XINGULEDER para a GOBBA. Sobre a BARU RURAL LTDA, empresa supostamente autorizada a administrar os ativos e passivos da ANGICO, a fiscalização afirmou que, no momento em que ela começa a receber valores da GOBBA (em função de supostas obrigações/adiantamentos desta para com a ANGICO), adquire diversos imóveis rurais (fl. 471). A BARU apresentou DIPJ referente ao anocalendário 2007 com receitas da atividade (fichas de apuração do Irpj e da Csll) zeradas e aquisições para o ativo imobilizado no valor de R$ 7.159.892,90. Relatou a fiscalização (fl. 471, verso): Enquanto a BARU RURAL LTDA recebe valores da GOBBA (valores totais dispostos no quadro a seguir) e adquire imóveis rurais e outros bens do ativo imobilizado, sem alteração nos demais componentes patrimoniais (contas de Passivo e de Patrimônio Líquido), a ANGICO alega continuar “devendo” à BERTIN. ... Por fim, cabe realçar que a GOBBA não é terceira pessoa alheia à realidade dos acontecimentos, em se tratando da inexistência de fato da ANGICO. Muito pelo contrário, os eventos e composições societárias revelam a estreita ligação entre os interessados na manutenção das duas empresas e das demais mencionadas neste Relatório (BARU RURAL LTDA e XINGULEDER COUROS LTDA... Relatou ainda a fiscalização (fl. 472): A utilização de documentos sabidamente inidôneos, gerados de favor pela ANGICO à GOBBA a fim de simular atos de comércio Fl. 3021DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 e viabilizar, em conluio, pagamentos às pessoas jurídicas acima indicadas, denota evidente intuito de fraude, o que nos remete aos artigos 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, mencionado no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Os autos de infração foram cientificados ao sujeito passivo (GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA) em 15/09/10 (fl. 474). A contribuinte apresentou a sua impugnação aos autos de infração em 15/10/10 (CSLL – fls. 479 a 503 e IRPJ – fls 504 a 528. Nas duas impugnações, a contribuinte argumenta, em resumo, que: 1) Os autos de infração estariam baseados em baixa de ofício do CNPJ da empresa ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, que ainda não se confirmou (Processo Administrativo nº 11060.002926/200998), e em presunções destituídas de provas suficientes para embasálas, devendo, por conseguinte, serem os mesmos declarados nulos, em sede de preliminar. 2) Todas as operações realizadas com a ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA, BARU RURAL LTDA e BARU S/A PARTICIPAÇÕES, seriam lícitas e estariam contabilizadas, registradas e documentadas, assim como o foram as compras e os pagamentos. Assim, caso houvesse algum interesse de causar lesão, não teriam sido efetuados todos os registros das operações. 3) As contratações de administração de ativos e passivos tratariamse de atos negociais que em nada afetam e muito menos dizem respeito à fiscalização. 4) A insinuação, pela fiscalização, de que a ANGICO seria uma empresa de fachada, criada para afastar credores internacionais, em nada justifica a declaração de inidoneidade de sua documentação das operações com a GOBBA. Em verdade, na visão da contribuinte, a fiscalização estaria atuando contrariamente aos interesses nacionais ao proteger interesses dos bancos internacionais contra os “hipossuficientes contribuintesempresários brasileiros”. 5) Como inexistiria motivo fáticojurídico válido que pudesse justificar a inidoneidade da documentação e a inexistência de fato da ANGICO, a fiscalização estaria a fazer meras especulações da gestão de crédito realizada pela ANGICO e BARU RURAL LTDA, para tentar criar um fundamento que convalide sua arbitrária decisão de considerar as operações inexistentes ou sem causa, bem como glosar as despesas abatidas da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. 6) A operação de compra e venda de produtos químicos entre as empresas GOBBA e ANGICO teria efetivamente ocorrido, as mercadorias fisicamente circulado entre as empresas e o pagamento teria ocorrido pela empresa Fl. 3022DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 3.003 11 GOBBA à BARU RURAL (que possui contrato de gestão de créditos da ANGICO), sendo que etapas posteriores relativas a outras empresas (pagamento da ANGICO a seu fornecedor BERTIN, por exemplo) não diriam respeito à GOBBA, a qual se responsabilizaria apenas pelo adimplemento da obrigação comercial e tributos incidentes nesta operação. 7) A empresa GOBBA teria comprado produtos químicos, recebido e efetivamente utilizado esses produtos no processo produtivo e estaria providenciando um Laudo Técnico para atestar esse fato. 8) A declaração de inidoneidade da documentação relativa às operações entre as empresas ANGICO e GOBBA estaria prejudicada uma vez comprovada a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens e mercadorias, consoante art. 82 da Lei nº 9.430/96 e CARF (Recurso 125469 / Acórdão 20178386). 9) O débito de R$ 7.987.734,60 da empresa BERTIN contra a ANGICO estaria sendo cobrado extrajudicialmente, ao contrário do que a fiscalização teria declarado. Como prova, a contribuinte anexou cópia da “Notificação Extrajudicial de Títulos Pendentes”, datada de 29/12/08 (fls. 545 a 549). 10) Mesmo que a empresa ANGICO não tenha pago à BERTIN o preço da aquisição dos produtos químicos posteriormente revendidos à GOBBA, isso não seria motivo para considerar essa operação sem causa ou justificar a inidoneidade da documentação referente a essa operação. Neste caso, sustenta a impugnante que teria havido uma operação real entre a GOBBA e a ANGICO, pois houve circulação física dos produtos químicos com a entrega destes à GOBBA. 11) A sociedade empresária ANGICO existe de fato e possui condições operacionais que demonstram sua capacidade patrimonial. Como prova, a impugnante anexa documentos (notas fiscais, alvarás, recibos, comprovantes e etc) que atestam a atividade da ANGICO. A empresa também compra e vende produtos químicos considerados insumos para a preparação de couros, com movimentação física comprovada e amparada por notas fiscais e contábeis, e com comprovantes de pagamento do adquirente, a título de adiantamento dos produtos. 12) A ANGICO cumpre o seu objeto social, que não se resume no curtimento do couro, mas também em atividades comerciais e processos relacionados à industrialização de couro semiacabado (letra “b” da cláusula segunda do contrato social, o que impõe necessariamente o trabalho com produtos químicos, insumos ou produtos intermediários ou produtos secundários, em qualquer hipótese todos inerentes e essenciais à preparação de couros. 13) A revenda de produtos químicos específicos para preparação de couros seria um consequente lógico da atividade de curtimento de couros, tanto que na renovação do próprio alvará de funcionamento da empresa (fls. 550 e 551), a ANGICO cuidou de ressaltar sua atividade confirmada pela autoridade Municipal como “Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Couros”. 14) Se existe alguma divergência entre o objeto social da empresa ANGICO e a atividade realizada (comércio), esta seria parcial e decorrente do fato de que, quando de sua origem, também pretendia atuar na industrialização mediante o arrendamento de partes do parque fabril. Mas a execução apenas parcial Fl. 3023DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 do objeto social não teria, no seu entendimento, o condão de tornar a atividade da empresa inexistente. 15) Os poderes outorgados a fiscalização para baixar CNPJ somente podem ser exercidos se a divergência entre a atividade exercida e o objeto social são usados para cometer fraude ou sonegação fiscal para afastar o pagamento de tributos. 16) Haveria uma ilegal “bitributação” na presente autuação, em razão de que a partir de um mesmo fato gerador, a fiscalização fez incidir 4 tributações diferentes: IRRF, IRPJ, CSLL e PIS/COFINS. 17) A empresa GOBBA não adquiriu fundo de comércio, apenas remeteu matériasprimas para industrialização por conta e ordem em estabelecimento de terceiro e, posteriormente, arrendou o parque industrial para lá exercer suas atividades. Daí não haveria como se vincular a GOBBA para fins de responsabilização por débitos da XINGULEDER. 18) Não deveria subsistir a responsabilização subsidiária da GOBBA por débitos da XINGULEDER, porque a ANGICO Participações e a Iunic (sócios da GOBBA) não guardam nenhuma relação comercial, societária e gerencial direta ou por procuradores com a Xinguleder. 19) As multas teriam caráter confiscatório (mostramse escorchantes), na medida que em claro descompasso com a sua consequência jurídica. O simples descumprimento de preenchimento equivocado de códigos de Registros de Exportação não poderiam ensejar uma penalidade em percentual elevado como o fixado na autuação. 20) Deveria ser afastada a aplicação da taxa de juros SELIC, pois esta encontra óbices constitucionais e legais que impedem a sua manutenção. A impugnante anexou ainda à impugnação, os seguintes documentos: a) Cópia da “Notificação Extrajudicial de Títulos Pendentes”, datada de 29/12/08, feita pela empresa BERTIN para cobrar da empresa ANGICO o valor de R$ 7.987.734,60 (fls. 545 a 549) relativo à venda de produtos químicos (fls. 545 a 549). b) Alvarás de licença para localização e/ou funcionamento, referentes aos anos de 2008 e 2009, da empresa ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (Comércio Atacadista de Produtos Químicos e Couros) (fls. 550 e 551). c) Notas fiscais de aluguel do prédio, água, luz, de aluguel de sistemas de informação, faturas de venda de produtos químicos à GOBBA, recibos de pagamento de IPVA de veículo da empresa ANGICO (veículo adquirido da BRASPELCO/XINGULEDER – fl. 559), relativas aos anos de 2006, 2007, 2008, 2009 e 2010 (fls. 552 a 562). A impugnante solicitou em sua impugnação o seguinte: a) A concessão do prazo de 30 dias para apresentação de documentos e produção de prova pericial, porquanto, devido à complexidade deste processo administrativo, teria se tornado impossível juntar com a presente manifestação todos os documentos que esclarecem a contenda administrativa ora em discussão. Fl. 3024DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 3.004 13 b) A produção de prova pericial (Laudo Técnico), a fim de demonstrar que os produtos químicos foram comprados, recebidos e efetivamente aplicados no processo produtivo da GOBBA. c) O julgamento conjunto da presente autuação com a autuação referente a IRRF (processo nº 11060.002692/201012). d) O acolhimento da preliminar de nulidade da autuação, que teria sido realizada com base em mera presunção de fatos que não se comprovaram e/ou de fato que ainda não foi decidido na esfera administrativa. e) Caso não seja acolhida a preliminar de nulidade, requer seja julgada improcedente a presente autuação, em sua totalidade, porquanto, conforme exposto, as operações realizadas com a ANGICO teriam ocorrido e possuiriam causa, bem como essa empresa existiria de fato, não sendo devida, portanto, qualquer espécie de pagamento de IRPJ/CSLL em razão de suposta inidoneidade de documentação. Em 16/11/10, a impugnante encaminhou ainda dois conjuntos de documentos para complementar a sua defesa (um para IRPJ e outro para CSLL). Os documentos relativos ao IRPJ (fls. 567 a 1454) estão descritos a seguir (documentação semelhante foi encaminhada também para a CSLL (fls. 1455 a 2383)): a) Correspondência da GOBBA LEATHER INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (acompanhada de procuração), justificando a inclusão de laudo pericial anexo a mesma, buscando comprovar a real aquisição e utilização efetiva, na sua produção, dos produtos químicos adquiridos junto à ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (fls. 567 a 570). b) Cópias de partes do Livro Diário da BARU RURAL LTDA dos períodos de 2007 e 2008 (fls. 571 a 607). c) “Demonstrativo Aquisições Produtos Químicos Angico X Outros Fornecedores – Identificação por Item” (fls. 608 a 610). d) “LAUDO TÉCNICO – Resumo Conclusivo” (fls. 611 a 618). e) “LAUDO TÉCNICO” (fls. 619 a 638). f) Tabela “PRODUÇÃO DE COUROS DE AGOSTO DE 2006 A JUNHO DE 2008 – GOBBA MATRIZ” (fl. 639). g) “MOVIMENTAÇÃO ESTOQUE” da empresa XINGULEDER COUROS LTDA em 2006 e 2007 para vários produtos químicos (fls. 640 a 947). h) “AQUISIÇÕES DE PRODUTOS QUÍMICOS – FORNECEDOR ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA” (fls. 948 a 956 e fls. 969 a 979). i) “DEMONSTRATIVO AQUISIÇÕES PRODUTOS QUÍMICOS – ANGICO X OUTROS FORNECEDORES – IDENTIFICAÇÃO DAS CLASSES CONSTANTES NOS LAUDOS TÉCNICOS (fls. 957 a 968). j) Notas fiscais e faturas emitidas entre as empresas GOBBA, BRASPELCO/XINGULEDER, ANGICO e BERTIN, referente a aquisição, Fl. 3025DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 14 circulação e remessa para industrialização por encomenda dos produtos químicos na composição do produto final da GOBBA (fls. 980 a 1454). Na peça recursal, a recorrente reiterou as razões aduzidas na impugnação. Subiram os autos a este colegiado, e na sessão de 12/06/2012 a turma decidiu converter o julgamento em diligência para que o presente processo fosse reunido ao PA 11060002692/201012, para julgamento conjunto. Na sessão de julgamento de 07/11/2012, a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Carf resolveu acolher os termos da Resolução desta turma, que decidira pela reunião e julgamento conjunto, e remeteu o supracitado PA 11060002692/2010 12 para esta turma. É o relatório. Fl. 3026DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 3.005 15 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. a) Julgamento conjunto deste com o PA11060002692/201012 Atendendo a pedido da recorrente, o julgamento deste PA ficou sobrestado até que fosse encaminhado para julgamento conjunto o PA11060002692/201012, existente a conexão. Tal situação foi possibilitada pela Resolução nº 1302000.169, de 12/06/2012, em que solicitou a reunião deste PA com o aludido processo conexo, e pela Resolução nº 1402000.153, de 07/11/2012, proferida pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento, que acolhendo os termos da decisão proferida na Resolução nº 1302000.169, encaminhou o PA para julgamento conjunto com este. b) Do auto de infração O crédito constituído nestes autos de IRPJ e CSLL tem por fundamento a glosa de custos relativos a compras não comprovadas, no valor de R$ 7.987.734,60, lastreadas em notas fiscais supostamente contaminadas por falsidade ideológica, pois emitidas por pessoa inexistente de fato, a Angico Indústria e Comércio Ltda (Angico). A fiscalização também efetuou representação para baixa de ofício da inscrição da Angico no CNPJ, por tratarse de entidade inexistente de fato (processo administrativo nº 11060.002926/200998 fl. 468). c) Indícios em conjunto – soma de indícios ou indício único A meu ver, indícios em cadeia, organizados dentro de um contexto compreendido, podem ser vistos como peças de um quebracabeças que, presentes nas posições em que estão, autorizam concluir sobre as peças faltantes, e, assim, concluirse, também, pelo resultado final daquele mesmo quebracabeça, visto em sua conformação integral. É, portanto, sua concatenação e seu encadeamento lógico dentro de um contexto que podem ou não determinar sejam aceitos como prova. Mas, tratandose que questão de prova e de análise de fatos, isto somente se poderá dizer após analisada a situação Fl. 3027DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 16 fática específica dos autos. Porém, antes disso, nada se poderá afirmar sobre sua eficácia probante. d) Contabilização de operações como forma de afastar a simulação Trato, também, desde já, de desfazer equívoco perpetrado pela recorrente, ao entender que por haver contabilizado suas operações não possuiu intento de simular. A meu ver, a contabilização das operações regidas por simulação, por outro lado, é exatamente a forma que se tem de se garantir seu sucesso, vez que as operações, vistas na sua unidade e identificação meramente formal, possuem conformidade com a lei, ostentando, assim, o ato simulado, perfeita adequação legal, enquanto, de forma escamoteada, todavia, o ato que se quis dissimular segue logrando perpetrar seus efeitos. Assim, nenhum álibi possui o simulador que contabiliza suas operações. Pelo contrário. É pela contabilização que ele dá às mesmas operações o aparente jaez de legalidade. É pelo exame da contabilização delas e pela compreensão do ato simulado, que busca ocultar a consecução dos efeitos do ato que se quis dissimular, presente nas operações devidamente contabilizadas, que se percebe a simulação. e) Da demonstração da inexistência de fato da Angico feita pela fiscalização A fiscalização logrou demonstrar a inexistência de fato da Angico (fls.488 a 591 e 513 a 516), em especial pelos seguintes argumentos: a Angico simplesmente transferia produtos químicos da Bertin para a Gobba pelo preço de aquisição (sem margem de lucro), simulando sua entrada e a saída; A Transportadora Rosano Ltda, que efetuava o transporte dos produtos acobertados pelas NF de saída da Angico, com destino à Gobba, declarou que não realizou nenhum transporte de cargas para a Angico; intimada a comprovar os pagamentos à Bertin Ltda, referente às aquisições de produtos químicos, respondeu, em 06/04/2009, que até aquela data não havia efetuado nenhum pagamento, tendo em vista a crise mundial; provas trazidas pela fiscalização comprovam que a Angico, criada em 05/2005 (no mês seguinte à criação da Gobba) não atuava em conformidade com seu objeto social e não tinha capacidade operacional ou patrimonial para o atendimento deste objetivo. O acórdão recorrido aborda com riqueza de detalhes esta situação, vejamos: 7. Da Inexistência de fato da ANGICO Entendo também correto o procedimento da fiscalização ao considerar ANGICO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA como uma empresa inexistente de fato e fazer a representação para a sua baixa de ofício no CNPJ, ao contrário do que argumenta a impugnante (fls. 488 a 591 e fls. 513 a 516). Pelo relatório da fiscalização, essa empresa apenas transferia os produtos químicos da BERTIN para a GOBBA (sem nenhuma margem de lucro!), simulando a entrada e saída dos mesmos em seu Fl. 3028DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 3.006 17 estabelecimento (que nem estrutura logística e de pessoal tinha para recebêlos). Sobre esse ponto, declarou a fiscalização (fl. 461): Constatamos, ainda, fato ratificado em peças contábeis posteriormente apresentadas pela ANGICO, que esta não gera débitos de natureza tributária, posto que o valor de sua receita líquida das atividades equivale ao custo dos bens vendidos, fato que, somado às despesas operacionais supostamente incorridas, acabou por gerar prejuízo e base de cálculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. Registrese, também, que a própria transportadora dos produtos químicos (TRANSPORTES ROSANO LTDA) à GOBBA declarou que nenhum serviço de transporte de cargas fora realizado para a ANGICO (apesar de constar aquela transportadora como responsável pelos fretes nas Notas Fiscais de Saídas das mercadorias da ANGICO para a GOBBA). Sobre isso, transcrevo parte das considerações da fiscalização (fl. 463): Em razão do exigido por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal e Intimação lavrado naquela data (fl. 257), a TRANSPORTES ROSANO LTDA, na pessoa de seu representante legal, o Sr. ROBERTO RIGO, após termos lhe dado vistas das Notas Fiscais emitidas pela ANGICO, declarou que nenhum serviço de transporte de cargas a esta fora prestado. A TRANSPORTES ROSANO LTDA afirma, ainda, ter transportado mercadorias da BERTIN LTDA para Nova Esperança do Sul, apresentando os Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas. Nos CTRCs, vimos que a destinatária das mercadorias era a ANGICO, sem que houvesse qualquer orientação de que os produtos químicos deveriam ser entregues em outro endereço que não fosse o dela mesma, que, como já mencionado, tratase de uma saleta abandonada. Intimada pela fiscalização a apresentar os Conhecimentos de Transporte Rodoviário de Cargas (CTRC), a ANGICO, em resposta enviada em 06/04/09 (fl. 254, verso), declarou: A entrega de mercadorias ao cliente da ANGICO, era de fato realizada pela própria transportadora que trazia as referidas mercadorias do fornecedor Bertin Ltda, o qual era o responsável pelo frete, sendo que a diligenciada não possuía estoques, pois revendia tudo o que comprava, desta forma nunca houve contratação de fretes para as operações entre Angico e seu Cliente final; Intimada ainda pela fiscalização a apresentar os comprovantes de pagamentos por ela realizados à BERTIN em razão das compras em tese efetuadas nos anoscalendário 2006 e 2007, a ANGICO respondeu, em 06/04/09, que: “até a presente data, não efetuou o pagamento à BERTIN LTDA, referente as compras de produtos químicos, conforme especificadas”. Teria enviado apenas, em 01/10/08 (fl. 255, verso), uma solicitação à BERTIN Fl. 3029DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 18 para prorrogação do pagamento dos seus títulos para 01/12/08 (tendo em visa a “crise mundial”), pagamento que também não ocorreu. Essa medida, porém, seria apenas mais uma formalidade aparente para encobrir a verdadeira intenção de não realizar o efetivo pagamento pelas compras dos produtos químicos. Quanto aos documentos anexados pela contribuinte em sua impugnação (fls. 546 a 562), buscando comprovar a existência da ANGICO, em nada modificam a conclusão da fiscalização, uma vez que se tratam de pagamento de aluguéis, alvarás, blocos de notas, etc, que serviram mais para contribuir para o prejuízo e base de cálculo negativa de CSLL da ANGICO (fl. 461) do que para comprovar a sua real operação. As provas trazidas aos autos pela fiscalização permitem concluir que a ANGICO, criada em maio/2006 (no mês seguinte à criação da GOBBA) não atuava em conformidade com seu objeto social. Ela não possuía capacidade operacional ou patrimonial para o atendimento desse objetivo. Com instalações precárias (uma “saleta alugada” conforme fotografias às fls. 232 a 235), recursos humanos não encontrados pela fiscalização (fl. 461), sem geração de débitos de natureza tributária, gerando prejuízo e base de cálculo negativa de CSLL, e movimentando milhões de reais em mercadorias e recebimentos por conta de terceiros (a gestão de créditos de terceiros nem é um dos objetivos contratuais da ANGICO – fl. 465, Nota 2). Sem dúvida, a ANGICO atuou como uma empresa de fachada, com a principal função de blindar os ativos da BRASPELCO/XINGULEDER (buscando afastar os seus credores desses ativos) e simular vendas à GOBBA que, na realidade, nunca seriam adimplidas, mas transformadas em ativo imobilizado pela BARU. Toda essa sistemática estaria sendo realizada tendo em vista os interesses comuns dessas empresas, caracterizados pelos estreitos laços comerciais, societários, patrimoniais e familiares envolvidos. f) Da Gobba como sucessora da Xinguleder A apuração dos fatos, feita pela fiscalização, aponta para uma tentativa dos responsáveis efetivos pela Xinguleder Couros Ltda (Xinguleder) em aproveitar os ativos e a capacidade produtiva e instalada desta empresa, atuando como sua sucessora de fato, que ao que tudo indica, sofre ações de credores na Justiça, e já teve decretada contra si medidas acautelatórias do crédito, como penhoras. Entre outros elementos, demonstrou a fiscalização que: a Gobba Leather Ind e Com Ltda (Gobba), ora recorrente, estabeleceuse no local que era depósito de propriedade da filial da então BRASPELCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA (hoje denominada XINGULEDER COUROS LTDA). As instalações da Braspelco/Xinguleder estavam gravadas por penhora, hipoteca e arrolamento de bens (fls.376/395), fruto de ações de execução; até 30/06/08, a GOBBA atuava comercialmente sendo toda a industrialização do couro realizada por encomenda à então BRASPELCO (fl. 458). Após Fl. 3030DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 3.007 19 30/06/08, com a assinatura do “Instrumento Particular de Arrendamento e Outras Avenças” com a então BRASPELCO, os funcionários desta migraram para a GOBBA, que passaria, então, a industrializar diretamente o couro; a Gobba faz aquisição de itens de estoque da Braspelco em 12/06/06; Manutenção da direção comercial efetiva da BRASPELCO/XINGULEDER nas operações da GOBBA, contando com a expertise de CLÁUDIO AFONSO FRIZZO. Atendimento aos clientes da BRASPELCO/XINGULEDER pela GOBBA a partir do início de suas atividades. Pagamento das despesas da BRASPELCO/XINGULEDER pela GOBBA (administrativas, comerciais e industriais). Mercadorias submetidas a um primeiro processo produtivo em estabelecimento da BRASPELCO/XINGULEDER localizado em Parnaíba/MS, adquiridas pela GOBBA e remetidas para a BRASPELCO/XINGULEDER em Nova Esperança do Sul para finalização da produção. Pagamentos sem causa efetuados pela GOBBA à BRASPELCO/XINGULEDER, supostamente alicerçados por documentação emitida por pessoa jurídica inexistente de fato, a ANGICO. Constituição da NAZA COUROS LTDA no mesmo endereço de outra filial da BRASPELCO/XINGULEDER, em Nazário/GO, posteriormente incorporada pela GOBBA. Arrendamento das instalações da BRASPELCO/XINGULEDER pela GOBBA, causando o fim dos relacionamentos comerciais da QUATRO MARCOS LTDA, da NAZA COUROS LTDA e da própria GOBBA (industrialização por encomenda) com àquela e a transferência desse relacionamento para a GOBBA. Migração dos funcionários da BRASPELCO/XINGULEDER para a GOBBA. Migração dos clientes da BRASPELCO/XINGULEDER para a GOBBA. g) A Baru Rural Ltda A fiscalização demonstrou, ainda, que a Baru Rural Ltda, empresa supostamente autorizada a administrar os ativos e passivos da ANGICO, no momento em que começa a receber valores da GOBBA (em função de supostas obrigações/adiantamentos desta para com a ANGICO), adquire diversos imóveis rurais (fl. 471). A BARU apresentou DIPJ referente ao anocalendário 2007 com receitas da atividade (fichas de apuração do Irpj e da Csll) zeradas e aquisições para o ativo imobilizado no valor de R$ 7.159.892,90. Relatou a fiscalização (fl. 471, verso). Desta forma, como bem asseverou a fiscalização, enquanto a Baru Rural Ltda recebia valores da Gobba, e com eles passa a adquirir imóveis rurais e outros bens do ativo imobilizado, a Angico continuava devendo à Bertin. Fl. 3031DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 20 Tal medida, que eleva a sofisticação das simulações perpetradas, impede, por sua vez que o ato simulado de entrada e saída para venda de produtos químicos da Angico para a Gobba possa ser meramente afastado com o aproveitamento, em tese, do ato que poderia mas não foi provado pela recorrente, de compra e venda direta da Bertin para a Gobba, e que poderia levar ao cancelamento do auto de infração, por ser, em tese, alienação de valor equivalente àquela feita da Angico para a Gobba. Vejase a respeito trecho elucidativo do acórdão recorrido: Portanto, o ato simulado da compra dos produtos químicos pela GOBBA dissimulou a verdadeira intenção do grupo, que era a de não realizar nenhum pagamento efetivo por ela. E como não pagou os produtos adquiridos (e desde o início não teve a intenção de realizar esse pagamento), a GOBBA na verdade não arcou com nenhum custo real por essa aquisição, tornando correta a glosa desse custo procedida pela fiscalização. Outra evidência que corrobora a intenção do grupo de não pagar pelas compras é a ausência de cobrança da ANGICO por parte da BERTIN, a suposta fornecedora dos produtos químicos. A BERTIN apresentou justificativas contraditórias sobre esse ponto. Primeiramente, em 16/02/09 (fl. 258, verso), afirmou que o fornecimento de produtos químicos tinha sido realizado por força de “parceria firmada para obter vantagens comerciais na compra desses materiais junto aos fornecedores, mediante melhores condições de negociação.” (fl. 463). Posteriormente, em 30/03/09, declarou que (fl. 259, verso): “Quando compramos os produtos químicos, tínhamos a intenção de utilizálos em nossa produção, mas depois que os contratos de compra já estavam fechados, a empresa (Bertin) decidiu recuar quanto ao aumento de produção, e fomos obrigados a continuar recebendo o produto químico. Precisávamos dessa forma revendêlos, mas, infelizmente, quem comprou (Angico) não honrou com o compromisso, e estamos com esses valores pendentes até a data de hoje.” Intimada pela fiscalização a esclarecer sobre a forma de cobrança que esta deveria estar promovendo junto à ANGICO pelos quase oito milhões de reais em mercadorias adquiridas pela segunda em 2006 e 2007, e não quitados pela compradora, a BERTIN respondeu em 20/04/09 (fl. 260, verso): Em resposta ao item 3 da mesma solicitação, temos a informar que as cobranças promovidas pela empresa junto a Angico foram efetuadas via telefone (portanto, não temos como comprovar as mesmas). Ora, não é minimamente plausível que qualquer empresa seja credora de outra, numa quantia de aproximadamente oito milhões de reais desde 2007, e não promova nenhuma ação judicial para cobrança dessa dívida até 2009. A única menção de cobrança da BERTIN teria sido uma “Notificação Extra judicial de Cobrança de Títulos Pendentes”, datada de 29/12/08, dez dias antes da notificação do início do procedimento fiscal (em 08/01/09) que culminou nos autos de infração ora em discussão, documento que foi anexado à impugnação pela Fl. 3032DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 3.008 21 contribuinte, e que nenhum efeito prático surtiu para que a ANGICO realizasse o pagamento. Essa inércia na cobrança da dívida pela BERTIN seria mais um indício que corrobora a tese de que a real intenção da compra dos produtos químicos pela GOBBA era a de não realizar nenhum pagamento efetivo pela mesma, já que sequer era compelida judicialmente a tal procedimento. Evidencia também um interesse comum de todas essas empresas, caracterizado por fortes relacionamentos comerciais, societários, patrimoniais e familiares. Os efeitos tributários dessa simulação tornamse evidentes (tanto atuais como futuros), com o que não deve a administração compactuar, ao contrário do que argumenta a contribuinte em sua impugnação (fl. 483 e 508), avalizando procedimentos simulados que, embora formalmente pareçam corretos, dissimulam as verdadeiras intenções da contribuinte. Entre esses efeitos tributários, registrase: a) Solicitação de ressarcimento de créditos de IPI (Processo nº 11060. 003473/200836) e PIS/Pasep e COFINS (Processo nº 11060.003471/200847) sobre as supostas compras da GOBBA, mesmo sem ter ocorrido o efetivo pagamento por elas. b) Inclusão, pela GOBBA, dos supostos custos de aquisição como despesas operacionais, reduzindo o lucro líquido a ser oferecido à tributação, ora glosados pela fiscalização, e que resultaram no presente processo. c) Pagamentos sem causa da GOBBA à BARU, sob o pretexto de adimplir aos supostos custos relativos à compra de produtos químicos, tratandose na realidade de transferência de patrimônio do grupo familiar para aplicações em ativo imobilizado, eximindose do pagamento de IRRF (Processo nº 11060.002692/2014012). d) Potencial perda de receita tributária, ocasionada pela atuação de empresa inexistente de fato (ANGICO), que ao não realizar o pagamento das compras de produtos químicos à BERTIN, levará inexoravelmente a contabilização dessas perdas como provisão de devedores, reduzindo o lucro tributável dessa empresa num futuro próximo. h) Dos laços societários, comerciais e familiares GOBBA, ANGICO e BARU (e outras empresas, entre elas a BRASPELCO/XINGULEDER), tinham interesses comerciais comuns e estreitos laços familiares, que as uniam nessa forma de proceder. Assim, além do relacionamento comercial, existia um relacionamento societário entre essas várias empresas, e também um relacionamento familiar nas suas composições acionárias, como destacado em vários itens do Relatório de Fiscalização (fl. 467 em especial). Fl. 3033DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 22 Vejase, por oportuno, que o Sr. Felipe Augusto Frizzo era sóciomajoritário das empresas ANGICO (99%) e BARU (99,16%) (acima mencionadas como empresas componentes da simulação), e detinha ainda 50% da participação acionária na GOBBA (através da empresa ANGICO PARTICIPAÇÕES SOCIEDADE SIMPLES LTDA., da qual detinha 99% da participação acionária junto com seu irmão Guilherme Afonso Frizzo, que detinha os 1% restantes). O Sr. Felipe é filho do Sr. Arnaldo Frizzo Filho, sócio majoritário da BRASPELCO/XINGULEDER, empresa que estava com os bens bloqueados pelos credores. A BERTIN, fornecedora dos produtos químicos à ANGICO, além de arrendar 2 fábricas da BRASPELCO/XINGULEDER (fl. 264), também realizava industrialização por encomenda com a mesma (fl. 266), o que motivava os seus pagamentos à ANGICO, tendo como beneficiária a BRASPELCO/XINGULEDER. O Sr. Felipe teria recebido, ainda, conforme documentos anexos aos autos pela fiscalização (fls. 409 e 411), rendimentos de trabalho assalariado pagos em 2006, 2007, 2008 e 2009 pela empresa do pai, a BRASPELCO/XINGULEDER (fl. 468). Os interesses comuns envolvidos, como conseqüência do envolvimento comercial, societário e familiar existente é apenas mais uma prova indiciária que corrobora o procedimento correto da fiscalização nas autuações procedidas. i) Da conclusão Comprovado, assim, que as aquisições supostamente feitas pela Gobba da Angico foram simuladas, e que dada a inexistência de fato desta última, as notas são tidas por inidôneas, é correta a glosa dos custos, que devem ser lastreados em documentação hábil e idônea para aspirarem dedutibilidade. j) Da Bitributação Não há falarse em bitributação, pois os autos de infração foram lavrados, cada qual, em consonância com a legislação em vigor, que define a forma de constituição das bases de cálculo de cada tributo. l) Inconstitucionalidade No que tange à violação aos princípios e normas constitucionais, como a proibição do confisco, cumpre dizer que tais matérias não estão sujeitas à apreciação do julgador administrativo vinculado ao Poder Executivo. A matéria é pacífica, estando sumulada por meio da Súmula CARF nº 02, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. m) Juros Selic Questiona também a recorrente a cobrança de juros à taxa Selic. Quanto a este tema, não obstante a remansosa jurisprudência do CARF pela sua pertinência, foi publicada a Súmula CARF nº4, de observância obrigatória por todos os membros do Órgão, que resolve a questão, ao prescrever como escorreita a cobrança dos débitos para com a União relativos a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal de acordo com a taxa Selic para títulos federais. Fl. 3034DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11060.002706/201006 Acórdão n.º 1302001.690 S1C3T2 Fl. 3.009 23 Súmula CARFnº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmulas 4 do 1º e 3º CC e 3 do 2º CC Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 3035DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/04/2015 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 01/04/2015 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 27/04/2015 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10932.000455/2007-42
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE ERROS MATERIAIS. ACOLHIMENTO, POSSIBILIDADE. Verificada a ocorrência de erros materiais no julgado embargado, por dele ter constando informações não correspondentes ao respectivo processo, os embargos de declaração devem ser acolhidos.
Embargos Acolhidos em Parte.
Numero da decisão: 2402-002.514
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos para rerratificar o acórdão embargado nos termos do voto do relator. Ausente Justificadamente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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EXISTÊNCIA DE ERROS MATERIAIS. ACOLHIMENTO, POSSIBILIDADE. Verificada a ocorrência de erros materiais no julgado embargado, por dele ter constando informações não correspondentes ao respectivo processo, os embargos de declaração devem ser acolhidos. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos opostos para rerratificar o acórdão embargado nos termos do voto do relator. Ausente Justificadamente o Conselheiro Tiago Gomes de Carvalho Pinto. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 04 55 /2 00 7- 42 Fl. 571DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Ewan Teles Aguiar e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 572DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 10932.000455/200742 Acórdão n.º 2402002.514 S2C4T2 Fl. 566 3 Relatório Tratase de tempestivos Embargos de Declaração opostos por CONSLADEL CONSTRUTORA E LAÇOS DETETORES E ELETRÔNICA LTDA, em face do v. acórdão de fls. 472/475, proferido por esta Eg. Turma, o qual restou assim ementado: Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/11/1995 a 01/08/2005 DECADÊNCIA ARTS 45 E 46 LEI Nº 8.212/1991 INCONSTITUCIONALIDADE STF SÚMULA VINCULANTE De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência o que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional, nas hipóteses de o sujeito ter efetuado antecipação de pagamento ou não. LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. É possível o lançamento de contribuições sociais utilizandose o procedimento da aferição indireta, com base no art. 33, §3o da Lei 8.212/91, quando o contribuinte não apresenta documentação idônea e hábil requerida pela fiscalização para a verificação do cumprimento da legislação previdenciária. Alega que o v. acórdão incorreu em contradição na medida em que a ementa do julgado aponta que o assunto discutido nos autos é relativo a classificação de mercadorias, quanto, em verdade, se trata de discussão concernente a contribuições previdenciárias. Sustenta, também ter havido erro material na trasncrição do período de apuração das competências lançadas nos autos do presente processo, pois constou da ementa as datas de 01/11/1995 a 01/08/2005, quando, em verdade o período correto corresponde a 02/1996 a 08/2005. Por conseguinte defende que também houve omissão na avaliação de todo o alegado no recurso voluntário apresentado, inclusive no que se refere a insurgência da manutenção do lançamento por arbitramento mesmo diante da R. Decisão Notificação ter expressamente consignado que não houve desconsideração da contabilidade da embargante. E fundamenta a omissão, também, sob o argumento de que o arbitramento não é cabível no presente caso, somente sendo passível de aplicação quando a escrituração contábil é desprezada e imprestável, nos termos de jurisprudência que cita em seu recurso. Alega que a justificativa adotada pelo relator, do descompasso entre as receitas escrituradas nos livros fiscais e o efetivamente declarado para efeitos de base de cálculo do imposto de renda é fato que não se coaduna com a presente discussão, estranho aos autos, sendo, pois, necessária sua revisão, já que também não fora devidamente comprovada. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO 4 Prestadas as devidas informações a Eg. Presidência desta Turma, foi determinada a inclusão do feito em pauta de julgamentos, para análise das questões suscitadas pela embargante. É o que bastava relatar. Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. Inicialmente no que se refere às alegações acerca do fato do v. acórdão embargado ter deixado de analisar a matéria de defesa constante no bojo do recurso voluntário, bem como das razões que justificaram o arbitramento, tenho que as mesmas não devem ser acatadas na presente oportunidade. E justifico minha posição tendo em vista que a matéria restou suficientemente tratada quando do julgamento ora embargado, uma vez que fora retratada a licitude da adoção do procedimento de arbitramento. De fato constou no voto condutor do v. acórdão do recurso voluntário as seguintes afirmações por parte deste relator: Com efeito a fiscalização agiu legalmente ao efetuar o lançamento das contribuições com base na aferição indireta já que a recorrente não ofertou à fiscalização os esclarecimentos e documentos necessários a elidir o lançamento efetuado, sem haver se desincumbido de seu ônus probandi, a teor do que descrito no §3o do art. 33 da Lei 8.212/91. No caso em tela, a auditoria fiscal demonstra fartamente as irregularidades verificadas que dariam ensejo à desconsideração da contabilidade e aferição da contribuição devida. E, Conforme se verifica, do relatório fiscal complementar, toda a documentação carreada aos autos foi devidamente analisada, sendo que mesmo em face de sua existência, não foi possível a desconstituição dos valores lançados, o que de fato, com esteio no comando legal supra, autoriza que venha a fiscalização valerse do procedimento da aferição indireta com a finalidade de efetuar o lançamento de contribuições as quais o contribuinte não possa comprovar o efetivo recolhimento ou mesmo a regularidade deste. E tais afirmações levaram à conclusão desta Turma a afastar a tese de defesa constante no recurso voluntário, mantendo, portanto, a possibilidade do arbitramento levado a efeito pela fiscalização. Nos embargos, a contribuinte sustenta que o v. acórdão deixou de analisar toda a sua tese de defesa, o que de antemão já se coloca não ser correto, omitindose sobre pontos essenciais da demanda e que a seu ver poderiam, inclusive, determinar a mudança do Fl. 574DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO Processo nº 10932.000455/200742 Acórdão n.º 2402002.514 S2C4T2 Fl. 567 5 julgado ora embargado, situação esta que enseja o nítido caráter infringente do recurso, sem que estejam presentes os pressupostos para sua interposição inscritos no art. 65 do RICARF. Logo, rejeito tal pedido. Entretanto, tem razão a embargante quando sustenta a ocorrência de erros matéria no v. acórdão embargado, no que se refere a (i) capitulação da matéria tratada nos autos na ementa, bem como (ii) quanto ao período de apuração correspondente ao lançamento, pelo que percebo que os períodos e matéria apontados como corretos pela embargante, de fato, são os que deveriam constar na ementa. Desta feita, no presente julgamento fica corrigida a ementa do julgado embargado para que passe a mesma a valer com o seguinte teor: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1996 a 30/08/2005 DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N. 08 DO STF. APLICAÇÃO DO ART. 173, I DO CTN. Ê de 05 (cinco) anos o prazo decadencial para o lançamento do crédito tributário relativo a contribuições previdencidrias. LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ê possível o lançamento de contribuições sociais utilizandose o procedimento da aferição indireta, com base no art. 33, §3° da Lei 8.212/91, quando o contribuinte não apresenta documentação idônea e hábil requerida pela fiscalização para a verificação do cumprimento da legislação previdencidria. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. Ante todo o exposto, voto no sentido de ACOLHER OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos para, em sanando os erros materiais apontados, rerratificar o v. acórdão embargado, nos termos da fundamentação supra. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 13/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 20/02/2 014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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Numero do processo: 10855.002516/2001-81
Data da sessão: Wed Apr 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 1990, 1991
ILL SOCIEDADE LIMITADA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO.
Tratando-se de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre o Lucro Liquido - ILL, exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado
inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, de 25/07/1997, que atribuiu efeito erga
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1990, 1991 ILL SOCIEDADE LIMITADA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratando-se de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre o Lucro Liquido - ILL, exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995, o termo a quo do prazo prescricional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, de 25/07/1997, que atribuiu efeito erga <mines à decisão da Suprema Corte, reconhecendo a não incidência de aludido tributo, ampliando a suspensão daquele dispositivo legal, contemplada na Resolução do Senado Federal n° 82/1996. Recurso especial negado.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiada por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1990, 1991 ILL SOCIEDADE LIMITADA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratando-se de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre o Lucro Liquido - ILL, exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995, o termo a quo do prazo prescncional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, de 25/07/1997, que atribuiu efeito erga <mines à decisão da Suprema Corte, reconhecendo a não incidência de aludido tributo, ampliando a suspensão daquele dispositivo legal, contemplada na Resolução do Senado Federal n° 82/1996. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento CARLOS ALB AT* ITAS B RRETO- Presidente I-en•169, • RYCARDO H RIQU MAGALI ÃES DE OLIVEIRA - Relator ( 14 MAIO ZglaEDITADO EM 5 55 f55-55. 455 tu Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moiscs Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Mias Sampaio Freire. Declarou-se impedida, em razão da parte, a conselheira Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Relatório SPL CONSTRUTORA E PAVIMENTADORA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Restituição de Imposto Sobre o Lucro Líquido - ILL, em 10 de agosto de 2001, em relação aos anos-calendário 1990 e 1991, conforme Petição Inicial, às tls. 01/02, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 3' Tunna da DRJ em Ribeirão Preto/SP, consubstanciada no Acórdão n° 10.318/2005, às fls. 51/54, que indeferiu integralmente o Pedido em referência, a Egrégia 6 a Câmara, em 12/09/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 106-17.088, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendcirio: 1990, 1991 Ementa • ILL - TERMO A QUO PARA CONTAGEM DO PRAZO QÜINQÜENAL DA DECADÊNCIA - SOCIEDADE LIMITADA - DATA DA PUBLICAÇÃO DO ATO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA QUE RECONHECE A VIOLAÇÃO DO DIREITO - SOCIEDADE POR AÇÕES - DATA DA PUBLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL N° 82/1996 - Conta-se a partir de 19 de novembro de 1996, data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82, no caso de sociedades por ações, ou de 25 de julho de 1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n' 63/1997, no caso de sociedade de cotas por responsabilidade limitada, o termo a quo do prazo decadencial do direito de restituição do ILL pago indevidamente. DECADÊNCIA - PREJUDICIAL DAS DEMAIS QUESTÕES DE MÉRITO - DEMAIS QUESTÕES QUE DEVEM SER APRECIADAS PELAS INSTÂNCIAS DE PISO - Considerando que as instâncias de piso apenas apreciaram a questão 2 Processo e 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 2 decadencial, aqui rejeitando a pretensão do recorrente, agora deve-se apreciar as demais questões de mérito, pois o processo administrativo fiscal deve sofrer a complementação da instrução probatória, não sendo a Câmara a instância adequada para esta providência. Ademais, caso a Câmara, superando a decadência, como de fato superou, adentrasse nas demais questões de mérito, estaria prolatando decisão de caráter provavelmente definitivo em face do contribuinte, que, caso insatisfeito, dificilmente poderia ter sucesso na admissibilidade do recurso especial de divergência,. já que este não serve para reexame da prova. Recurso voluntário provido." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 103/114, com animo no artigo 7', inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 168, capta, e inciso I, 165, inciso I, do Código Tributário Nacional, bem como divergido do entendimento de outras Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, consoante se infere do Acórdão n° 302-35.782. Assevera que a Instrução Normativa n° 63/1997, que reconheceu a inconstitucionalidade do ILL exigido das sociedades por quotas, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88 não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou compensação. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência. Infere que o entendimento da Câmara recorrida somente pode prevalecer se afastar a aplicabilidade do disposto no artigo 168 do Código Tributário Nacional, o que, em observância ao artigo 49 do RICC, c/c a Súmula n°2 do 1° Conselho de Contribuintes, é defeso ao julgador administrativo. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação julgados da esfera Judicial e Administrativa a propósito da matéria, além de Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional e Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal, consonantes com o entendimento acima esposado. Contrapõe-se ao Acórdão atacado, alegando que foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório n°096, de 26 de dezmibro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa o condão de criar ou extinguir direitos, não inovando o lapso decadencial/prescricional. 3 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 6' Câmara do 1° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho n° 106150704 467/2008, às fls. 115/117. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 122/140, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento, sobretudo quando a matéria já se encontra pacificada na CSRF. É o relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então 6' Câmara do 1° Conselho a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos nos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso 1, do Código Tributário Nacional, afrontando, ainda, a jurisprudência dos Tribunais Superiores. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: " Art.I65 - O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4" do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;" "Art.I68 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e 11 do art. 165, da data da extinção do crédito tributário:" \\.1\ 4 Processo n° 10855.002516/2001-8/ CSFIF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 R. 3 Na hipótese dos autos, não há dúvidas quanto a existência do indébito, tendo em vista tratar-se de pedido de restituição de Imposto Sobre o Lucro Liquido - ILL exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995. Nesse sentido, a discussão centra-se tão somente no prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a quo de referido prazo. A Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 168, capta e inciso I, 165, inciso I, do Códex Tributário, entende que o termo a quo do prazo prescricionalldecadencial em comento é a data do pagamento do tributo indevido. Por sua vez, a Câmara recorrida, em sua maioria, determinou que o prazo para a contribuinte pleitear a restituição eiou compensação dos tributos em referência (ILL) inicia-se na data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, de 25/07/1997, entendimento compartilhado por este conselheiro, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o ILL, cobrado com arrimo no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, só passou a ser indevido quando da definitiva exclusão de tal dispositivo legal do ordenamento jurídico, ou seja, a partir da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, de 25/07/1997, onde a própria autoridade fazendária reconheceu a inconstitucionalidade daquela norma, atribuindo efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte exarada em sede de Recurso Extraordinário, com efeito inter partes. Em outras palavras, antes da IN SRF 63/1997, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente, só passando a ser indébito quando da edição daquela Instrução Normativa, que alargou a abrangência dos preceitos contidos na Resolução do Senado Federal n° 82/1996, a qual suspendeu a execução do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, contemplando simplesmente a expressão "acionista" nele contido, alcançando, assim, tão somente às sociedades anônimas. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional sub examine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos do malfadado dispositivo legal. Mais a mais, repita-se, à época dos pagamentos do ILL exigido pelo artigo 35 da Lei n° 7.713/88, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando do reconhecimento de sua inconstitucionalidade pela própria autoridade fazendária, mediante edição da Instrução Normativa SRF n° 63/1997, que ampliou a suspensão da execução daquela norma determinada pela Resolução do Senado Federal retromencionada. 4,, Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, além da observância ao principio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça. Assim, não se pode admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo. Este, aliás, é o entendimento majoritário da doutrina c jurisprudência judicial e administrativa, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, bem como nas peças recursais da contribuinte. A propósito da matéria, mister transcrever excerto da obra de Leandro Paulsen, que assim preleciona: " O Sld, contudo, tem se pronunciado reiteradamente no sentido de que, em se tratando de tributo declarado inconstitucional~iinqüenal conta-se da publicacão da decisão do STF em acão direta ou da publicação da Resolução do Senado havendo precedente no sentido da contagem da publicacão da decisão do recurso extraordinário. [..] - Procuramos identificar a origem da posição do SI] no sentido de que o prazo para repetição contar-se-ia da decisão do STF. A I" Seção firmou tal entendimento por ocasião do julgamento dos Embargos de Div. no Recurso Especial n°43502 e também no 44.952. Houve transcrição, pelo Min. Américo Luz, de voto anteriormente proferido pelo Min. Pádua Ribeiro no Resp 44.221/PR, em que resgatava voto proferido por Hugo de Brito Machado na AC 44.403-3, na l a 7'. do TRF%, em abril de 1994, sendo que também Hugo valera-se da lição alheia (de Ricordo Lobo Torres), conforme segue de seu voto: "O direito de pleitear a resituicão, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional somente nasce com a declaração de inconstitucionaliclade, em acão direta. Ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. RICARDO LOBO TORRES ensina: Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com baseemdecisão proferida incidenter tantum pelo STF. ("DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência", Leandro Paulsen — 5 a edição, pág. 991) (grifamos) Igualmente, a jurisprudência consolidada nesse Colendo Tribunal Administrativo oferece proteção ao pleito da contribuinte, senão vejamos: " DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; e Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão ri? 9202-00.791 Fl. 4 b.) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter parte em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido da exação tributária." (I' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 104-03.304, Acórdão n° CSRF/01-03.239) " DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL — O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição ou compensação de tributo pago indevidamente, inicia-se na data da publicação de ato legal ou administrativo que reconhece indevida a exação tributária. Recurso especial negado." (4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso ri° 103-128.397, Acórdão n° CSRF/04-00.039 — Sessão de 21/06/2005) No caso vertente, não se cogita em prescrição do direito da contribuinte, tendo em vista que apresentou pedido de restituição/compensação em 10 de agosto de 2001, dentro do prazo prescricional de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, DOU de 25/07/1997. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 6' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, que afastou a decadência suscitada e determinou o retorno dos autos à DR,' de origem para enfrentamento do mérito, uma vez que a recorrente não logrou infinnar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam õNnatéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. - RYÇARDOi NRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator Declaração de Voto Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Esta Declaração tem por finalidade registrar os argumentos pelos quais divirjo do entendimento da maioria do Colegiada acerca do teimo inicial da contagem do prazo para repetição de indébito. Sobre esta matéria já me pronunciei, por diversas vezes em julgamentos realizados na Terceira Turma da CSRF, nos termos seguintes: A Câmara recorrida afastou a prescrição e determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instcincia para que fossem julgadas as demais questões de mérito. O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo de inicio da contagem da prescrição para repetição de indébito é a extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do art. 168, inc. I, do CIN. De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorri-me dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcela Guerra de Castra, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário n°133.010, na Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito — se decadencial ou prescricional —para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevtincia, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar e 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos "cinco mais cinco anos". Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, 5Ç 4r, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar e 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu kr, Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 5 reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso 1 do art. 168 do CTN para tanto, em seu artigo 3 0, assim dispôs: Art. 3 Para efeito de interpreta Ç a0 do inciso 1 do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1' do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso Pais a interpretação auté,ntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituir-se às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3°. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operava-se a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4" da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4 0. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3 0, o disposto no art 106, inciso 1, da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplica-se ao ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; ck 9 De outro lado, os criticas da Lei Complementar n° 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido ate então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a "interpretação" dada ao art. 168 do GEN pelo art. 3° da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo ST" Como arrimo dessas criticas, é comum a citação do julgamento da ADIU 605 MC, da relataria do Ministro Septilveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a titulo de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificando-a ou adicionando-lhe normas inexistentes. E' assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4° dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1 'Seção, que a Lei Complementar n°118/2005, no tocante ao art. 3 0, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiu-se a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.090-1 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 40 dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático cio deslinde da questão ora submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTR4ORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTR,4IDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARES. 3 0 E 4'. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI Ç 172/1966), ART. 106, I RETROAÇÃO DE NORA1A AUTO-INTITULADA INTERPRETATIVA. "Reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição" (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial s de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. lo Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Márcido n.° 9202-00.791 Fl. 6 Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. Brasília, 18 de junho de 2008. VOTO O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita â argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionaliclade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/2005 ao órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionaliclade da norma que ,fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 (Dl de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ cle 27.08.2007), foi assim ementado: "CONSTITUCIONALTRIBUTÁRIO.LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARÁ A REPETIÇÃO DE LVDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NA TUREZ4 MODIFIC.4TIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3 0. LVCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4', NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. [Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (Ia Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem inicio, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação - expressa ou tácita - do Icinçamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria inicio o prazo previsto no art. 168, 11 E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. ' I É 2.Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de inteipretá-las. 3.0 art. 3' da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4.Assim, tratando-se de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3° da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5.0 artigo 4°, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3', para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2, e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5°, XXXVI). 6Argiiição de inconstitucionalidade acolhida." Passo ao exame do recurso. Esta é a redação dada aos arts. 3° e 4o da Lei Complementar 118/2005: "Art. 3' Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ,f 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3-, o disposto no art. 106, inciso d da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional." Por sua vez, o art. 106, L do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados" Discute-se no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3° da LC /2C7 12 Processo n" 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 7 118/2005, como determinam o art. 4° da mesma lei e o art. 106, 1, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3° e 4' da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, 1, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3° da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3°c o art. 106, 1, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Corno o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco • anos (art. 150, .¢§ 1 0 e 4 0, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3° da LC 118/2005, em um primeiro exame busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade intemretativa para a contag ep do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lancamento por homologação. (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3' e 4° da Lei 118/2005 e do art. 106, 1, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroacão às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). O mencionado precedente, ainda não publicado, apoia-se no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relatar do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: "O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das açães de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DE, Relatar Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.200»". 13 A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto- vista desta relatoria: "a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplica-se, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunam-se com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada "surpresa fiscal". Na lúcida percepção dos doutrinadores, "Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal" (Humberto Avila in Sistema Constitucional Tributário, 2 O 04, pág. 295 a 300) . (..) À mingua de prequestionamenio por impossibilidade jurídica absoluta de engendrá-lo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo higida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade incluvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios". Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declarou-lhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DL de 21.05.1999), "reputa-se declarató rio de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar -afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição". Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepálveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.062007): 14 Processo n © 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 8 "A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distingir° - dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3' e 4' da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionaliclade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo -- com fundamento em precedente da Seção e não, do órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da "reserva de plenário", do art. 97 da Lei Fundamental." É COMO voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e dou-lhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão , fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da lei eriz comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3° da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4°, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3°, padece de vicio de inconstitucionalidacle, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionaliclade. 15 O mundo conhece hoje, no dizer 'Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O "sistema difuso", isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O "sistema concentrado", em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austriaco controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de I° de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretá-las, suspendê-las e revogá-las, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8°c 9'). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagrava-se, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo Procurador-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal Essa ADIn Interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionaliciade. A Emenda Constitucional n° 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidacle. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle CAPPELLETTI O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2 7 ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p67 ss. 2 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. 16 Processa ri' 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n. 5 9202-01E791 Fl. 9 concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harnionicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de Ato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalátas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poder-dever dos juizes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudá-la por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Áo proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obra-prima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: - a função de todos os juizes é a de interpretar as leis e aplicá- las ao caso concreto submetido a seu julgamento; - a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, deve-se valer dos critérios tradicionais, segundo os quais; lex posteriori clerogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dá-se entre dispositivos de densidade normativa diversa, ai, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. 17 De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrando-se no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 1)0 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendê-la • inconstitucional, nos termos do art. 66, ,¢ 1°, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2° da Lei n°9649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2'. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e lemilidade dos atos presidenciais,... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitueionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea "a" do inciso Ido art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo dar-se deforma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aquilo! dito, pergunta-se: - podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? - podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta á primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Afarshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Procewo n° 10855.0025 / 6/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 1.0 Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, "a" e "c"; e 105, II, e "b'), tem-se que a competência para realizar o controle difuso de constitucionaliclade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do ex-Procurador-Geral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr.1nocê.ncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (n° 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio - que ousaríamos chamar fálica, livre e realista - e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, pode-se dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferir-lhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputar-se inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada - e nos limites em que o seja - toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razaes, pode-se concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt 3 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É principio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacifica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidacle. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando urna lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendo-se presumir boa e válida a resolução adotada. Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por farça de preceito expresso, a função em apràço, nenhum dos outros potlêres tem competência para exercê-la Sob pena de se confundirem as atribuições distes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e ' Bittencourt, Lúcio - O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2° edição, págs.91 a 96. /7:11 19 independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime das doutóres. Damo-lhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerá-la inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parece-nos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tanium, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal corno competente para exercer o controle de constitucionaliclade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei - não se presume lei - é para todos os efeitos. Submete ao seu império Metas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e integra aquela faro formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. • Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer quefõsse furtar-se a obedecer-lhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luis Roberto Barroso4: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão 4 BARROSO, Luis Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Sariva, 3 0 edição, pp 170 e 171. \ 20 Processo n° 10855,002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 F/. 11 jurisdicional competente. O principio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou não-aplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vício haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrair-se à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionaliclade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidacle, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspende-se o julgamento do processo e remete-se a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III - Do Poder Judiciário - do Titulo IV - Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difitso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Veja-se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalitlade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiada afastar aplicação de lei por vicio de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto n' 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo . Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARPI Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1', 2° e 3° Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vicio de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3' da Lei complementar n°118/2005. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiada afastar aplicação de lei por vicio de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto e 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n' 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do GARE Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1 0, 2° e 3° Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vicio de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normalização da repetição de indébito é toda dada pelo CAN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3° da Lei Complementar n°118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionaliclade do art. 4' da ,n Lei Complementar n° 118/2005, passa-se à análise do termo Aí 9 7,,,A A 22 ,. Processo n° 10855.002516/2001-8I CSRF-12 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 12 inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. I 65 5do Código Tributário Nacional - CIN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea "b" do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébi to, como é de todos sabido, é a Lei n°5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: 1- da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 3 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a moda/idade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4" do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 23 /7\--2 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1686 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira - data da extinção do crédito tributário — aplica-se aos casos previstos nos incisos I e lido art. 165 do Cl?!; e a segunda — data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destina-se, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformar-se em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de inicio da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito — a extinção do crédito tributário que se pretende repetir e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em iulgac_ko a decisão *udicial iue tenha re ormatio anulado revo • ado ou rescindido a decisão condenatória — afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de inicio alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, "b", e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro': Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados. 1 - nas hipóteses dos incisos 1 e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. julgamento do recurso voluntário if 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Cokihuintes. 24 Processo ri" 10855.002516/2001-81 CSRF-12 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 13 entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 1988 8, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiada, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 5', 11 da CF de 19889, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho l°, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: "O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democrático-constitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o principio da reserva de lei apontam para a vinculação jurídico-constitucional do poder executivo (cfr., infra, fontes de direito e estruturas normativas)". (grifei) Ou seja, como é cediço, o principio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro - membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores - que, baseado na doutrina alemã'', pontifica: "O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o s "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência..." 9 'II- ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;" IO Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7' Edição, p. 256 LI STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo r da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a Boa-Fe corno Valores Constitucionais. As Leis Interpretauvas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www.sacha.adv.briadminiary_publicafbc7f6214511,4f5df308a8e0981121854df 25 // 1 7‘ indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bem-estar público, será preciso decidir-se pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado 'princípio da proporcionalidade '..." (grifei). Poder-se-ia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da "força" do principio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada, Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalhol2, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, confomze a que precisa lição de filexy, para quem os primeiras, enquanto "mandatos de otimização" 13, assim se distinguem das últimas: "El punia decisivo para la distinción entre reglas y principias es que los princípios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayar medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reates existentes. Por lo tanto, los principias son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debata de su cumplimiento sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ambito de las posibiliclades jurídicas es determinado por los princípios y regias opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regia es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las regias contienen determinaciones en el ambito de lo fáctica y jurz'clicamente posible. Esto significa que la diferencia entre regias y princípios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regia o un principio" (grifei) Como esclarece José Afonso da Silva", apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, falta-lhes o que Alexy definiu 12 Curso de direito tributário, 3' edição, p.72 u Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocencio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alezre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. 'Áplicabilidade das Normas Constitucionais. 3'. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: 26 Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acárdào n.° 9202-00.791 Fl. 14 como -possibilidade jurídica". Dai porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: "Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmar-se que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia". Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Mancrols que as regras: "constituem concreções relativas as circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima fade que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado" Assim sendo, um principio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CIN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionaliclade, medida que foge à competência deste colegiada Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir urna nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembre-se, o Decreto n°20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinaclores de peso, como Paulo Ronavides 16, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição, b Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro Jose Augusto Delgada. Coordenação Cristiana Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Amuá, pp 149 a 178 16 Curso de direito constitucional, p. 518. °yr) 27 Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiada diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Rastos ul e Jorge Miranda'. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei n°9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidacle ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único, A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal, (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF n 2 54: "38, Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hern2enêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo principio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídico-positivo posto em cotejo com a Magna Carta." Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiada para, por meio da pré-falada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição deli. Gomes Canotilho' 9, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sergio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto, Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. [3 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle DifiS0 Con.slinicionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiana Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Jurai pp. 58! a 599. 19 0p. cit., ia 1265/1266 4.4 28 Processo ni 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão ri.' 9202-00.791 Fl. 15 "...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na letra e na clara vontade do legislador', devendo 'respeitar a economia da lei' e não podendo traduzir-se na 'reconstrução' de uma norma que não esteja devidatnente explícita no texto".(grifel) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/5P20: "III. Interpretação confirme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidacle que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticos de extrair do texto uma significação normativa harmónica com a Constituição." Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidatle admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretória Excelso na decisão proferida nos autos da Representação n h 1.417-721: "O principio da interpretação conforme a Constituição (Yerfassungskonfonne Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse principio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF - em sua função de Corte Constitucional - atua como legislador negativo mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da irar~ conforme á Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. - No caso, não se pode aplicar a imoretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica." (os grzfos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o "remédio" contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), Dl 28.05.2004. \ 11 Relator Min. Moreira Alves, Dl 15.04.1988. 117>) 29 de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Infanção, ex vi do art. 5, capta, inciso VXXI e §I'22. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2° do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, deve-se reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaram-se teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, pode-se citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difhso pelo STF; a data do dispositivo legal'', por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais Se por ai vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3° deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso L do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § I°, da Lei n' 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareça-se, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, 1, do criv Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surprescula com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar n" 118/2005, mais precisamente o artigo 22 IXX1 - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; .§ I° - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 23 Pacificou-se, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considera-se como inicio da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. )° 30 Processo n° 10855.00251 662001-81 CSRt-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 16 esclarecedor, artigo 4°, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente - para mim, ela foi simplesmente interpretativa - interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de inicio, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos cleclaratorios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,deve-se reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o =V, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpreta-o de forma afixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTIV, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de inicio, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gize-se que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou aposição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo cie prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 74 : CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI IV° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. LEstá uniforme na Ia Seção do STJ que no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/0362004, publicado no D1 de 04/0662007; \I 31 ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidcule pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissivel, visto que a ação não está alcançado pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ25: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÓNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. 1- Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei, p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 /PR 26 : TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINSPRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL, ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se apressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursol sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estar-se-ia criando direito novo, totalmente incompatível com o CT506 e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõe-se ressaltar que o interprete 25 Rektor: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no 137 de 29.05.2007. 26 Relator: Ministro Castro Meira, jul gado em 17/05/2007, publicado no D7 de 29.05.2007. ,C) 32 Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.' 9202-00.791 Fl. 17 não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transfimmar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, deve-se esclarecer que ela encontra- se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nen, Ferrari n, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo", leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a ineonstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parece-nos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 27 Efeitos da Declaração de Inconstitzicionalidatle. São Pau/o, Revista dos Tribunais, 2004, 5' ed., p. 205. 7a A Teoria das Constituições Rí gidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitueionalictade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5' ed. )1» 33 José Afonso da Silva29, apoiado em cloutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themistocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerando-se dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tune, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedacle; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, dai por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavasckim, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tuna, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relato,- Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex mincy. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça s!, sobre o tema, firmou-se no seguinte sentido: REsp ri° 547.744/MG32: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paula Malheiros, 1994, 10 ed., p. 57. 37 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp, 81-101 it jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário n° 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no 01 de 09/12/2003, Relatar: Ministra Luiz Fux. "C.) 34 Processo n° 10855.002516/200141 CSRF-72 Acórdão n°9262-00.79! Fl. IS direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornar-se-iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidacle da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a ineonstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Trata-se de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituido pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitticionalidade e da imprescritibilidade da ADIA, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTAT. (grifei) O Ministro Teor! Albino Zavascld, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG 33, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença inconstittecionaliclade proferida em ação de controle concentrado, as relacães jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes 34, sobre os• efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionaliclade, pondera: Não se está a negar caráter de principio constitucional ao principio da nulidade da lei inconstitucional. Entende-se, porém, que tal principio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidâneo para a finalidade perseguida 3 3 Publicado no D1 de 05104/2004. 34 .hirisdicéla Constitzecional. Brasilia. Forense. 2005, 5 edição, pp. 333 e 734. 35 (casos de omissão,- exclusão de beneficio incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hip. óteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). Acentue-se, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concede-se proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendo-se à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho35: Pode também entender-se que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (..) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do Resp n°686.05836 - MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: 35 Canoblho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5 edição, p. 388_ 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavaseki, julgado em 19/10;2006, publicado no DI de 16/11/2006. A36 Processo o° 10853.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão o." 9202-00.791 E. 19 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SEATENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONAL IDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISORIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCCILANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples imolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja clesconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da ineonsatucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, tem-se ação ordinária por meio da qual se busca deseonstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3°, I, da Lei 7.787589, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tomou-se pacifico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alcicmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direito-dever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigura-se difícil 37 DI 01/07/1977. 37 • afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poder-se-ia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissivel o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teor! Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fiindamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um principio universal em matéria de prescrição: o principio da cotio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2000,. p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (.) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o inicio do prazo prescricional não a um termo (= fato Muro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a ("tio", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tornar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, publicada na revista RDT da Malheiros, o Professor e Doutor Enrico de Santi, com a costumeira maestria, demonstra que a prescrição para repetir tributo tem como termo inicial a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Com a palavra o mestre de Santi: 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no LU de 05/04/2004. 38 Processo n° 10855.002516/2001-SI CSRF-T2 Acórdão 11.° 9202-00.791 Fl. 20 3. Desafios da interpretação I, "o inicio do caos": a origem da tese dos 10 anos IR, IPI, JCMS ISS, 1131/31 etc, demais contribuições e outros tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, sempre tiveram suas leis discutidas e os respectivos indébitos reconhecidos em nome do principio da legalidade, mas sempre sujeitos ao limite temporal desse controle da legalidade, balizado pela regra de prescrição do direito à repetição do indébito, cujo prazo desde a CF67 foi de 5 anos, contados do momento pagamento indevido. Assim foi recepcionaria na CF/88, a regra do Art. 168 do CTN: "O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (..) I — nas hipóteses do inciso I ("pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável') e lido art. 165, da data da extinção do crédito tributário". Sendo que, por quase trinta anos, doutrina e jurisprudência foram uníssonas no entendimento de que o dies a quo deste prazo é o momento do pagamento indevido, i.é, a data da extinção do crédito: a regra parecia tão clara que sequer se falava de interpretação (tampouco em "tese'), passavam-se 5 anos e, simplesmente, "ocorria" a prescrição do direito de repetir o indébito (por exemplo, no TIT decadência e prescrição sequer precisavam de paradigmas, no recurso especial). Tudo começou com o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do Art. 10, primeira parte, do Decreto-lei n` 2.288/86, que instituiu o controvertido empréstimo compulsório sobre consumo de combustíveis, justamente, depois de esgotado o prazo para propositura da ação de repetição do indébito deste tributo — Lé, cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário exvi do Art. 168, I, do CTN Deveras, o simples fato era que havia ocorrido a prescrição: bastava aplicar, então, a clara regra prevista no Art. 168 do CTN. É por isso que as regras de prescrição elegem em seus suportes facticos o tempo, o tempo é um fator objetivo e indiscutível: todos tendem a concordar com os dias do calendário e com os ponteiros do relógio: assim, pela legalidade - da prescrição, a tipicidade do tempo realiza a segurança jurídica em detrimento da própria legalidade do tributo. Além disso, convenhamos, tratava-se de um tributo irrelevante, contingente e provisório: o empréstimo compulsório sobre combustíveis. Que, alias, enquanto empréstimo, mesmo passado o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria, simplesmente, a exigência do cumprimento de sua claúsula de restituição, tal qual prevista na lei instituidora: novamente, bastava aplicar a lei. 4. Ruptura da legalidade: a sede de fazer justiça! //'& 39 Mas a sede de 'justiça" foi maior. Assim, em nome da luta pela reparação da ilegalidade do empréstimo compulsório, corrompeu-se sistemicamente, a legalidade da regra de prescrição, disciplinada na própria Constituição ex vi do Art. 146, III, "c". A partir daí, os prazos de decadência e prescrição, que tem na segurança jurídica sua única razão de existir - servindo como técnicas de limitação do próprio principio da legalidade - encontraram-se modificados por mera tese. Assim, sem a devida lei complementar e mediante mera e contingente interpretação, alterou-se o prazo de prescrição de praticamente todos nossos tributos federais, estaduais e municipais. Tudo, decorrência de uma criativa e sedutora tese que clamava por "Justiça". E o STJ fez sua justiça salomc5nica: tese de 10 para cá, tese de 10 para lá. E todos nós ficamos no meio! Até hoje incertos do prazo, mas sempre certos que somos sempre nós, contribuintes, que pagamos a conta. Não lutamos contra gigantes abstratos, o Estado é um moinho concreto que se alimenta do nosso trabalho: é nosso dinheiro que entra; e bem ou mal, é nosso dinheiro que sai para prover o numerário para as restituições de indébito pleiteadas. E se a carga tributária aumenta, é, também, porque alguém tem que pagar mais, para que outros, ou os mesmos, possam restituir mais. Assim, corrompendo-se a legalidade em nome da legalidade, mas em absurdo desrespeito a segurança jurídica, o termo inicial do prazo deixou de ser o 'pagamento antecipado" e passou a ser o momento da homologação tácita ou expressa desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do crédito só se realiza com a ulterior homologação do pagamento, ex vi Art. 156, VII do CTN. Firmou-se, assim, a denominada tese dos dez anos, conforme o seguinte acórdão do STJ: Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 43.995-5/RS Relatar: Min. Cesar Asfor Rocha EMENTA: Tributário — Empréstimo Compulsório sobre a aquisição de combustíveis — Decreto-Lei n` 2.288/86 — Restituição - Decadência — Prescrição — Inocorrência. Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, à falta deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se fundamentou o gravame."(DJ: 24/04/1995) 5. Restaurando a legalidade: dura lex, lex sed A efetivação do principio da legalidade exige o respeito a sua tríplice dimensão: irretroatividade, reserva legal e tipicidade. A tese dos dez anos fere, num só golpe estas três perspectivas: (i) corrompeu a irretro atividade, criando, projetando e 40 Processo n" 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 21 introduzindo, no passado, novo critério legal de prescrição (como o efeito que agora se pretende com a LC 118, só que, aqui, mediante lei); 00 desrespeitou, flagrantemente, a reserva legal, arrostando matéria de lei para a discrionariedade do Poder Judiciário, ignorando o principio da separação dos Poderes; e (Ui) afrontou a tipicitlacle do Art. 168, fundamental nas regras de decadência e prescrição, sobrepondo à clareza objetiva do critério da regra posta, a incerta subjetividade de valores contingentes. A legalidade se realiza no ato de aplicação, mas não muda. O artigo 168 sempre esteve lá, da mesma ibrma, e a LC 118 em nada o alterou. O prazo legal sempre foi, e continua sendo, de 5 anos a contar do pagamento antecipado: primeiro, porque pagamento antecipado não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento; segundo, porque se interpretou o "sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento" de forma equivocada como se fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o efeito do pagamento para a data da homologação39. Ocorre que o Art. 150 § I° refere-se a "condição resolutiva" que, como tal, não impede a plena eficácia do pagamento antecipado que equivale, assim, para todos os efeitos à data da extinção do crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao Art. 150 do CTN. Desta forma, é a data efetiva em que o contribuinte recolhe o valor, a titulo de tributo, que haverá de • fiincionar corno dies a quo do prazo de prescrição. Em suma, legalmente, o contribuinte sempre gozou de cinco anos para pleitear o débito do Fisco, e nunca dez. 6. Concluindo: legalidade e as decisões judiciais HERBERT HARTm, analisando a definitividade e a infalibilidade das decisões dos tribunais superiores, faz uma instigctnte analogia com os jogos em que, num primeiro momento, não há a figura do juiz, mas que, quando instituído, funcionará como marcador oficial dos pontos e cujos decisões serão definitivas. Explica que nesse tipo de sistema passa a ocorrer um novo tipo de interação entre os actantes do jogo, que deixam de opinar sobre a pontuação ou sobre as regras do jogo, porque as determinações do marcador oficial são indisputáveis e definitivas. E continua: Não difere dessa situação os julgados do STJ ("marcador oficial') com relação às regras do termo inicial do prazo de prescrição do direito ao indébito: é certo que a autoridade e a clefinitividacie das decisões do STJ são inquestionáveis. Contudo, 39 Lila/ANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CTN dirigir a homologação como condição resolutiva, "Ora, os sinais ai estão trocados. Ou se deveria prever, como condição resolutária, a negativa de homologação (de tal sorte que, implementado essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definir-se, corno condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344 40 O conceito de direito, p. 155-6 como ensina HERBERT : "'O resultada é o que o marcador diz que é' não é uma regra de marcação: é uma regra • que atribui autoridade e definitividade à aplicação por ele em • casos concretos da regra de pontuação". Não é a legalidade: é o simples efeito concreto da coisa julgada. Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o legendário titular da Cadeira de Jurisprudência da Universidade de 0-xford: "o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de jogo serem aceitas não significa que o jogo de criquete ou de basebol já não esteja a jogar-se; por outro lado, se estas distorções forem freqüentes ou se o juiz repudiar a regra do jogo positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não aceitam mais as determinações destoantes do marcador ou, se o fazem, ojogo vem a alterar-se; já não é criquete ou basebol que se joga, mas "o jogo do Juiz"42. Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da legalidade, continuamos entendendo, como aliás vimos defendendo desde 23 de maio de 2000, que nunca coube falar em prazo de 10 anos: nem antes, nem depois da tese dos 10 anos; nem antes, nem depois da LC118. Em suma, o prazo de prescrição no CTN e o direito continuam os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está amanhecendo, há luz, e todos nós, acordados, podemos nos dar conta deste simples fato: os tribunais interpretam a lei, podendo até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei... Outro ponto que clama por refittar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tome-se, por exemplo, o caso da Lei n°4.502/1964 — lei básica do IPI — que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poder-se-ia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. O conceito de direito, p. 156-9. 42 Tradução livre do original: The concept of law, Word university Press, 1961. 42 Processo n" 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n." 9202-00.791 Fl. 22 Tal fato acarretaria dnus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás ., dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais urna vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Mirancla43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. • Por outro lado, independentemente da indisponibilklade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei n' 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia" deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo45. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória 12 6! 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3" do seu art. 1846. 4" Tratado de direito privado, cpud Eudco Marcos Diniz de Santa Decadência e Prescrição do Direito da Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Principias, in Tenas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro Jose Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. lune, 2005, pp 149 a 178. "Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. 45 Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 46§ 3' O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 43 /K7 Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial ns 747.09147 "Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o principio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do proprzo STF, é "incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazer-se por lei" (RE 80.153SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posiciona-se em igual sentido.' "O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público" (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de oficio em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345/35). "A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei" (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidacle das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, n°40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.5222002 simplesmente dispensou "a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal" relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3° expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que, no caso dos penados de apuração em análise, o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecer-se a ocorrência prescrição postulada pela Fazenda Nacional. 41 Relatos: Ministro Temi Albino Zavascki, pub/ icado no DJ de 06/02/2006 44 Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 El. 23 Com essas consideraçôs, voto no sentido de declarar a prescrição do direito à repetição de indébito pleiteada. Carlos Alberto F eiia g Barreto. • 45
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Numero da decisão: 9202-000.791
Decisão: Acordam os membros do colegiada por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento.
Matéria: IRF- que ñ versem s/ exigência de cred. trib. (ex.:restit.)
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF Ano-calendário: 1990, 1991 ILL SOCIEDADE LIMITADA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. Tratando-se de pedido de restituição/compensação de Imposto Sobre o Lucro Liquido - ILL, exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995, o termo a quo do prazo prescncional de 05 (cinco) anos para o pleito da contribuinte é a data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, de 25/07/1997, que atribuiu efeito erga <mines à decisão da Suprema Corte, reconhecendo a não incidência de aludido tributo, ampliando a suspensão daquele dispositivo legal, contemplada na Resolução do Senado Federal n° 82/1996. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Francisco Assis de Oliveira Junior, Elias Sampaio Freire e Carlos Alberto Freitas Barreto que davam provimento CARLOS ALB AT* ITAS B RRETO- Presidente I-en•169, • RYCARDO H RIQU MAGALI ÃES DE OLIVEIRA - Relator ( 14 MAIO ZglaEDITADO EM 5 55 f55-55. 455 tu Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio César Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Moiscs Giacomelli Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Mias Sampaio Freire. Declarou-se impedida, em razão da parte, a conselheira Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente). Relatório SPL CONSTRUTORA E PAVIMENTADORA LTDA., contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, apresentou Pedido de Restituição de Imposto Sobre o Lucro Líquido - ILL, em 10 de agosto de 2001, em relação aos anos-calendário 1990 e 1991, conforme Petição Inicial, às tls. 01/02, e demais documentos que instruem o processo. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao Primeiro Conselho de Contribuintes contra Decisão da 3' Tunna da DRJ em Ribeirão Preto/SP, consubstanciada no Acórdão n° 10.318/2005, às fls. 51/54, que indeferiu integralmente o Pedido em referência, a Egrégia 6 a Câmara, em 12/09/2008, por maioria de votos, achou por bem DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão n° 106-17.088, sintetizados na seguinte ementa: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendcirio: 1990, 1991 Ementa • ILL - TERMO A QUO PARA CONTAGEM DO PRAZO QÜINQÜENAL DA DECADÊNCIA - SOCIEDADE LIMITADA - DATA DA PUBLICAÇÃO DO ATO DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA QUE RECONHECE A VIOLAÇÃO DO DIREITO - SOCIEDADE POR AÇÕES - DATA DA PUBLICAÇÃO DA RESOLUÇÃO SENADO FEDERAL N° 82/1996 - Conta-se a partir de 19 de novembro de 1996, data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 82, no caso de sociedades por ações, ou de 25 de julho de 1997, data de publicação da Instrução Normativa SRF n' 63/1997, no caso de sociedade de cotas por responsabilidade limitada, o termo a quo do prazo decadencial do direito de restituição do ILL pago indevidamente. DECADÊNCIA - PREJUDICIAL DAS DEMAIS QUESTÕES DE MÉRITO - DEMAIS QUESTÕES QUE DEVEM SER APRECIADAS PELAS INSTÂNCIAS DE PISO - Considerando que as instâncias de piso apenas apreciaram a questão 2 Processo e 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 2 decadencial, aqui rejeitando a pretensão do recorrente, agora deve-se apreciar as demais questões de mérito, pois o processo administrativo fiscal deve sofrer a complementação da instrução probatória, não sendo a Câmara a instância adequada para esta providência. Ademais, caso a Câmara, superando a decadência, como de fato superou, adentrasse nas demais questões de mérito, estaria prolatando decisão de caráter provavelmente definitivo em face do contribuinte, que, caso insatisfeito, dificilmente poderia ter sucesso na admissibilidade do recurso especial de divergência,. já que este não serve para reexame da prova. Recurso voluntário provido." Irresignada, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, às fls. 103/114, com animo no artigo 7', inciso I, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato dos fatos ocorridos no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, por entender ter contrariado os preceitos contidos nos artigos 168, capta, e inciso I, 165, inciso I, do Código Tributário Nacional, bem como divergido do entendimento de outras Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, consoante se infere do Acórdão n° 302-35.782. Assevera que a Instrução Normativa n° 63/1997, que reconheceu a inconstitucionalidade do ILL exigido das sociedades por quotas, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88 não exerce qualquer influência na contagem do prazo para repetição de indébito e/ou compensação. Nesse sentido, sustenta que, para o CTN, a causa do recolhimento indevido é irrelevante, eis que não definiu como termo a quo para contagem da prescrição a edição de Resolução do Senado Federal ou declaração de inconstitucionalidade pelo STF, não podendo o julgador dar à norma legal em comento interpretação que dela não decorre, sob pena de tornar indefinido o termo inicial do prazo para o pedido de restituição, destruindo o instituto da decadência. Infere que o entendimento da Câmara recorrida somente pode prevalecer se afastar a aplicabilidade do disposto no artigo 168 do Código Tributário Nacional, o que, em observância ao artigo 49 do RICC, c/c a Súmula n°2 do 1° Conselho de Contribuintes, é defeso ao julgador administrativo. A fazer prevalecer sua pretensão, traz à colação julgados da esfera Judicial e Administrativa a propósito da matéria, além de Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional e Ato Declaratório da Secretaria da Receita Federal, consonantes com o entendimento acima esposado. Contrapõe-se ao Acórdão atacado, alegando que foi editado pela Secretaria da Receita Federal o Ato Declaratório n°096, de 26 de dezmibro de 1999, o qual é expresso ao dispor que o direito a restituição do tributo pago indevidamente extingue-se após o transcurso do prazo de cinco anos, contado da data da extinção do crédito tributário, não tendo a Instrução Normativa o condão de criar ou extinguir direitos, não inovando o lapso decadencial/prescricional. 3 Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, a ilustre Presidente da então 6' Câmara do 1° Conselho, entendeu por bem admitir o Recurso Especial do Procurador, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido, em tese, contrariou a legislação tributária, especialmente o artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, conforme Despacho n° 106150704 467/2008, às fls. 115/117. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial do Procurador, a contribuinte ofereceu suas contrarrazões, às fls. 122/140, corroborando as razões de decidir do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, trazendo à colação jurisprudência judicial e administrativa ratificando seu entendimento, sobretudo quando a matéria já se encontra pacificada na CSRF. É o relatório. Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pela ilustre Presidente da então 6' Câmara do 1° Conselho a contrariedade à lei suscitada, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a Procuradoria a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram os preceitos contidos nos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso 1, do Código Tributário Nacional, afrontando, ainda, a jurisprudência dos Tribunais Superiores. Em que pesem os argumentos da recorrente, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o Acórdão recorrido apresenta-se incensurável, devendo ser mantido em sua plenitude. Antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, cumpre trazer à baila os dispositivos legais que regulamentam a matéria, que assim prescrevem: " Art.I65 - O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4" do art. 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;" "Art.I68 - O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I - nas hipóteses dos incisos I e 11 do art. 165, da data da extinção do crédito tributário:" \\.1\ 4 Processo n° 10855.002516/2001-8/ CSFIF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 R. 3 Na hipótese dos autos, não há dúvidas quanto a existência do indébito, tendo em vista tratar-se de pedido de restituição de Imposto Sobre o Lucro Liquido - ILL exigido das sociedades por quotas de responsabilidade limitada, com base no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal nos autos do Recurso Extraordinário n° 172.058/SC, com decisão publicada em 03/08/1995. Nesse sentido, a discussão centra-se tão somente no prazo prescricional para o contribuinte exercer seu direito de repetição de indébito, mais precisamente em relação ao termo a quo de referido prazo. A Procuradoria da Fazenda Nacional, com amparo nos artigos 168, capta e inciso I, 165, inciso I, do Códex Tributário, entende que o termo a quo do prazo prescricionalldecadencial em comento é a data do pagamento do tributo indevido. Por sua vez, a Câmara recorrida, em sua maioria, determinou que o prazo para a contribuinte pleitear a restituição eiou compensação dos tributos em referência (ILL) inicia-se na data da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, de 25/07/1997, entendimento compartilhado por este conselheiro, pelas razões de fato e de direito que passamos a desenvolver. Afora as várias discussões doutrinárias a propósito do tema, o certo é que o ILL, cobrado com arrimo no artigo 35 da Lei n° 7.713/88, só passou a ser indevido quando da definitiva exclusão de tal dispositivo legal do ordenamento jurídico, ou seja, a partir da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, de 25/07/1997, onde a própria autoridade fazendária reconheceu a inconstitucionalidade daquela norma, atribuindo efeito erga omnes à decisão da Suprema Corte exarada em sede de Recurso Extraordinário, com efeito inter partes. Em outras palavras, antes da IN SRF 63/1997, o tributo em debate era devido e deveria ser recolhido em época própria, ou melhor, os pagamentos foram efetuados com fulcro na legislação de regência vigente, só passando a ser indébito quando da edição daquela Instrução Normativa, que alargou a abrangência dos preceitos contidos na Resolução do Senado Federal n° 82/1996, a qual suspendeu a execução do artigo 35 da Lei n° 7.713/88, contemplando simplesmente a expressão "acionista" nele contido, alcançando, assim, tão somente às sociedades anônimas. Nessa toada, ao admitir como termo a quo do prazo prescricional sub examine a data do pagamento do tributo indevido, estamos privilegiando o contribuinte que não o pagou, eis que não cumpriu a legislação de regência válida à época e não suportará lançamento fiscal com o fito de exigir tal exação, porquanto declarada inconstitucional posteriormente. Em outra via, o contribuinte que cumpriu com suas obrigações tributárias, pagando o tributo em dia, será penalizado por seguir os preceitos do malfadado dispositivo legal. Mais a mais, repita-se, à época dos pagamentos do ILL exigido pelo artigo 35 da Lei n° 7.713/88, tal tributo era efetivamente devido, só passando a ser indébito quando do reconhecimento de sua inconstitucionalidade pela própria autoridade fazendária, mediante edição da Instrução Normativa SRF n° 63/1997, que ampliou a suspensão da execução daquela norma determinada pela Resolução do Senado Federal retromencionada. 4,, Na esteira desse entendimento, as razões de decidir do Acórdão atacado representam, além da observância ao principio da legalidade, o cumprimento do dever legal do julgador de se fazer justiça. Assim, não se pode admitir como termo inicial do prazo prescricional em análise, a data do pagamento do tributo. Este, aliás, é o entendimento majoritário da doutrina c jurisprudência judicial e administrativa, conforme restou circunstanciadamente demonstrado no Acórdão recorrido, bem como nas peças recursais da contribuinte. A propósito da matéria, mister transcrever excerto da obra de Leandro Paulsen, que assim preleciona: " O Sld, contudo, tem se pronunciado reiteradamente no sentido de que, em se tratando de tributo declarado inconstitucional~iinqüenal conta-se da publicacão da decisão do STF em acão direta ou da publicação da Resolução do Senado havendo precedente no sentido da contagem da publicacão da decisão do recurso extraordinário. [..] - Procuramos identificar a origem da posição do SI] no sentido de que o prazo para repetição contar-se-ia da decisão do STF. A I" Seção firmou tal entendimento por ocasião do julgamento dos Embargos de Div. no Recurso Especial n°43502 e também no 44.952. Houve transcrição, pelo Min. Américo Luz, de voto anteriormente proferido pelo Min. Pádua Ribeiro no Resp 44.221/PR, em que resgatava voto proferido por Hugo de Brito Machado na AC 44.403-3, na l a 7'. do TRF%, em abril de 1994, sendo que também Hugo valera-se da lição alheia (de Ricordo Lobo Torres), conforme segue de seu voto: "O direito de pleitear a resituicão, perante a autoridade administrativa de tributo pago em virtude de lei que se tenha por inconstitucional somente nasce com a declaração de inconstitucionaliclade, em acão direta. Ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. RICARDO LOBO TORRES ensina: Na declaração de inconstitucionalidade da lei a decadência ocorre depois de cinco anos da data do trânsito em julgado da decisão do STF proferida em ação direta ou da publicação da Resolução do Senado que suspendeu a lei com baseemdecisão proferida incidenter tantum pelo STF. ("DIREITO TRIBUTÁRIO — Constituição e Código Tributário Nacional à luz da Doutrina e da Jurisprudência", Leandro Paulsen — 5 a edição, pág. 991) (grifamos) Igualmente, a jurisprudência consolidada nesse Colendo Tribunal Administrativo oferece proteção ao pleito da contribuinte, senão vejamos: " DECADÊNCIA — PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — TERMO INICIAL — Em caso de conflito quanto à inconstitucionalidade da exação tributária, o termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição do tributo pago indevidamente inicia-se: a) da publicação do Acórdão proferido pelo Supremo Tribunal Federal em ADIN; e Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão ri? 9202-00.791 Fl. 4 b.) da Resolução do Senado que confere efeito erga omnes à decisão proferida inter parte em processo que reconhece a inconstitucionalidade de tributo; c) da publicação do ato administrativo que reconhece caráter indevido da exação tributária." (I' Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso n° 104-03.304, Acórdão n° CSRF/01-03.239) " DECADÊNCIA. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. TERMO INICIAL — O termo inicial para contagem do prazo decadencial do direito de pleitear a restituição ou compensação de tributo pago indevidamente, inicia-se na data da publicação de ato legal ou administrativo que reconhece indevida a exação tributária. Recurso especial negado." (4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, Recurso ri° 103-128.397, Acórdão n° CSRF/04-00.039 — Sessão de 21/06/2005) No caso vertente, não se cogita em prescrição do direito da contribuinte, tendo em vista que apresentou pedido de restituição/compensação em 10 de agosto de 2001, dentro do prazo prescricional de 05 (cinco) anos, contados da publicação da Instrução Normativa SRF n° 63, DOU de 25/07/1997. Assim, escorreito o Acórdão recorrido devendo, nesse sentido, ser mantido o provimento ao recurso voluntário da contribuinte, na forma decidida pela 6' Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, que afastou a decadência suscitada e determinou o retorno dos autos à DR,' de origem para enfrentamento do mérito, uma vez que a recorrente não logrou infinnar os elementos que serviram de base ao decisório atacado. Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em consonância com os dispositivos legais que regulam õNnatéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. - RYÇARDOi NRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA — Relator Declaração de Voto Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Esta Declaração tem por finalidade registrar os argumentos pelos quais divirjo do entendimento da maioria do Colegiada acerca do teimo inicial da contagem do prazo para repetição de indébito. Sobre esta matéria já me pronunciei, por diversas vezes em julgamentos realizados na Terceira Turma da CSRF, nos termos seguintes: A Câmara recorrida afastou a prescrição e determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instcincia para que fossem julgadas as demais questões de mérito. O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo de inicio da contagem da prescrição para repetição de indébito é a extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do art. 168, inc. I, do CIN. De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorri-me dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcela Guerra de Castra, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário n°133.010, na Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito — se decadencial ou prescricional —para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevtincia, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar e 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos "cinco mais cinco anos". Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, 5Ç 4r, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar e 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu kr, Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 5 reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso 1 do art. 168 do CTN para tanto, em seu artigo 3 0, assim dispôs: Art. 3 Para efeito de interpreta Ç a0 do inciso 1 do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1' do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso Pais a interpretação auté,ntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituir-se às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3°. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operava-se a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4" da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4 0. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3 0, o disposto no art 106, inciso 1, da Lei n°5.172, de 25 de outubro de 1966— Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplica-se ao ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; ck 9 De outro lado, os criticas da Lei Complementar n° 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido ate então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a "interpretação" dada ao art. 168 do GEN pelo art. 3° da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo ST" Como arrimo dessas criticas, é comum a citação do julgamento da ADIU 605 MC, da relataria do Ministro Septilveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a titulo de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificando-a ou adicionando-lhe normas inexistentes. E' assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4° dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1 'Seção, que a Lei Complementar n°118/2005, no tocante ao art. 3 0, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiu-se a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.090-1 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 40 dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático cio deslinde da questão ora submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTR4ORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTR,4IDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARES. 3 0 E 4'. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI Ç 172/1966), ART. 106, I RETROAÇÃO DE NORA1A AUTO-INTITULADA INTERPRETATIVA. "Reputa-se declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar - afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição" (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial s de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. lo Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Márcido n.° 9202-00.791 Fl. 6 Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. Brasília, 18 de junho de 2008. VOTO O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA - (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita â argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionaliclade do art. 4°, segunda parte, da LC 118/2005 ao órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionaliclade da norma que ,fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 (Dl de 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ cle 27.08.2007), foi assim ementado: "CONSTITUCIONALTRIBUTÁRIO.LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARÁ A REPETIÇÃO DE LVDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NA TUREZ4 MODIFIC.4TIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3 0. LVCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4', NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. [Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (Ia Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem inicio, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação - expressa ou tácita - do Icinçamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria inicio o prazo previsto no art. 168, 11 E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. ' I É 2.Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de inteipretá-las. 3.0 art. 3' da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiu-lhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4.Assim, tratando-se de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3° da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5.0 artigo 4°, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3', para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2, e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5°, XXXVI). 6Argiiição de inconstitucionalidade acolhida." Passo ao exame do recurso. Esta é a redação dada aos arts. 3° e 4o da Lei Complementar 118/2005: "Art. 3' Para efeito de interpretação do inciso Ido art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o ,f 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3-, o disposto no art. 106, inciso d da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 - Código Tributário Nacional." Por sua vez, o art. 106, L do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: "Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados" Discute-se no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3° da LC /2C7 12 Processo n" 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 7 118/2005, como determinam o art. 4° da mesma lei e o art. 106, 1, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3° e 4' da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, 1, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3° da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3°c o art. 106, 1, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Corno o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco • anos (art. 150, .¢§ 1 0 e 4 0, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3° da LC 118/2005, em um primeiro exame busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade intemretativa para a contag ep do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lancamento por homologação. (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3' e 4° da Lei 118/2005 e do art. 106, 1, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroacão às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). O mencionado precedente, ainda não publicado, apoia-se no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relatar do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: "O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das açães de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DE, Relatar Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.200»". 13 A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto- vista desta relatoria: "a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplica-se, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunam-se com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada "surpresa fiscal". Na lúcida percepção dos doutrinadores, "Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal" (Humberto Avila in Sistema Constitucional Tributário, 2 O 04, pág. 295 a 300) . (..) À mingua de prequestionamenio por impossibilidade jurídica absoluta de engendrá-lo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo higida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade incluvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios". Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declarou-lhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DL de 21.05.1999), "reputa-se declarató rio de inconstitucionalidade o acórdão que - embora sem o explicitar -afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidi-la sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição". Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepálveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.062007): 14 Processo n © 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 8 "A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distingir° - dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3' e 4' da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionaliclade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo -- com fundamento em precedente da Seção e não, do órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da "reserva de plenário", do art. 97 da Lei Fundamental." É COMO voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e dou-lhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão , fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4° da lei eriz comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3° da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3° da Lei Complementar n° 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4°, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3°, padece de vicio de inconstitucionalidacle, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionaliclade. 15 O mundo conhece hoje, no dizer 'Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O "sistema difuso", isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O "sistema concentrado", em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austriaco controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de I° de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretá-las, suspendê-las e revogá-las, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8°c 9'). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagrava-se, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo Procurador-Geral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal Essa ADIn Interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionaliciade. A Emenda Constitucional n° 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidacle. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle CAPPELLETTI O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2 7 ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p67 ss. 2 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. 16 Processa ri' 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n. 5 9202-01E791 Fl. 9 concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harnionicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de Ato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalátas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poder-dever dos juizes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudá-la por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Áo proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obra-prima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: - a função de todos os juizes é a de interpretar as leis e aplicá- las ao caso concreto submetido a seu julgamento; - a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, deve-se valer dos critérios tradicionais, segundo os quais; lex posteriori clerogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dá-se entre dispositivos de densidade normativa diversa, ai, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. 17 De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrando-se no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 1)0 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendê-la • inconstitucional, nos termos do art. 66, ,¢ 1°, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2° da Lei n°9649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2'. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e lemilidade dos atos presidenciais,... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitueionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea "a" do inciso Ido art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo dar-se deforma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aquilo! dito, pergunta-se: - podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? - podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta á primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Afarshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Procewo n° 10855.0025 / 6/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 1.0 Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, "a" e "c"; e 105, II, e "b'), tem-se que a competência para realizar o controle difuso de constitucionaliclade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do ex-Procurador-Geral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr.1nocê.ncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (n° 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio - que ousaríamos chamar fálica, livre e realista - e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, pode-se dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferir-lhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputar-se inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada - e nos limites em que o seja - toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razaes, pode-se concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt 3 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É principio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacifica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidacle. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando urna lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendo-se presumir boa e válida a resolução adotada. Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por farça de preceito expresso, a função em apràço, nenhum dos outros potlêres tem competência para exercê-la Sob pena de se confundirem as atribuições distes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e ' Bittencourt, Lúcio - O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2° edição, págs.91 a 96. /7:11 19 independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime das doutóres. Damo-lhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerá-la inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parece-nos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tanium, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal corno competente para exercer o controle de constitucionaliclade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei - não se presume lei - é para todos os efeitos. Submete ao seu império Metas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e integra aquela faro formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. • Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer quefõsse furtar-se a obedecer-lhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luis Roberto Barroso4: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão 4 BARROSO, Luis Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Sariva, 3 0 edição, pp 170 e 171. \ 20 Processo n° 10855,002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 F/. 11 jurisdicional competente. O principio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou não-aplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vício haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrair-se à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionaliclade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidacle, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspende-se o julgamento do processo e remete-se a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III - Do Poder Judiciário - do Titulo IV - Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difitso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Veja-se ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalitlade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiada afastar aplicação de lei por vicio de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto n' 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo . Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARPI Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1', 2° e 3° Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vicio de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3' da Lei complementar n°118/2005. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiada afastar aplicação de lei por vicio de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26-A do Decreto e 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n' 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do GARE Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1 0, 2° e 3° Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vicio de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normalização da repetição de indébito é toda dada pelo CAN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3° da Lei Complementar n°118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionaliclade do art. 4' da ,n Lei Complementar n° 118/2005, passa-se à análise do termo Aí 9 7,,,A A 22 ,. Processo n° 10855.002516/2001-8I CSRF-12 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 12 inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. I 65 5do Código Tributário Nacional - CIN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea "b" do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I III - estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébi to, como é de todos sabido, é a Lei n°5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: 1- da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da aliquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 3 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a moda/idade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4" do artigo 162, nos seguintes casos: I - cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; 23 /7\--2 11 - da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1686 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira - data da extinção do crédito tributário — aplica-se aos casos previstos nos incisos I e lido art. 165 do Cl?!; e a segunda — data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destina-se, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformar-se em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de inicio da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito — a extinção do crédito tributário que se pretende repetir e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em iulgac_ko a decisão *udicial iue tenha re ormatio anulado revo • ado ou rescindido a decisão condenatória — afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de inicio alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, "b", e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro': Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma Art. 168. O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados. 1 - nas hipóteses dos incisos 1 e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. julgamento do recurso voluntário if 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Cokihuintes. 24 Processo ri" 10855.002516/2001-81 CSRF-12 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 13 entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 1988 8, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiada, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 5', 11 da CF de 19889, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho l°, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: "O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democrático-constitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o principio da reserva de lei apontam para a vinculação jurídico-constitucional do poder executivo (cfr., infra, fontes de direito e estruturas normativas)". (grifei) Ou seja, como é cediço, o principio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro - membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores - que, baseado na doutrina alemã'', pontifica: "O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o s "Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência..." 9 'II- ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;" IO Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7' Edição, p. 256 LI STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo r da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a Boa-Fe corno Valores Constitucionais. As Leis Interpretauvas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www.sacha.adv.briadminiary_publicafbc7f6214511,4f5df308a8e0981121854df 25 // 1 7‘ indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bem-estar público, será preciso decidir-se pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado 'princípio da proporcionalidade '..." (grifei). Poder-se-ia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da "força" do principio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada, Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalhol2, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, confomze a que precisa lição de filexy, para quem os primeiras, enquanto "mandatos de otimização" 13, assim se distinguem das últimas: "El punia decisivo para la distinción entre reglas y principias es que los princípios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayar medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reates existentes. Por lo tanto, los principias son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debata de su cumplimiento sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ambito de las posibiliclades jurídicas es determinado por los princípios y regias opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regia es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las regias contienen determinaciones en el ambito de lo fáctica y jurz'clicamente posible. Esto significa que la diferencia entre regias y princípios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regia o un principio" (grifei) Como esclarece José Afonso da Silva", apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, falta-lhes o que Alexy definiu 12 Curso de direito tributário, 3' edição, p.72 u Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocencio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alezre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. 'Áplicabilidade das Normas Constitucionais. 3'. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: 26 Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acárdào n.° 9202-00.791 Fl. 14 como -possibilidade jurídica". Dai porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: "Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmar-se que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia". Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Mancrols que as regras: "constituem concreções relativas as circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima fade que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado" Assim sendo, um principio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CIN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionaliclade, medida que foge à competência deste colegiada Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir urna nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembre-se, o Decreto n°20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinaclores de peso, como Paulo Ronavides 16, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição, b Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro Jose Augusto Delgada. Coordenação Cristiana Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Amuá, pp 149 a 178 16 Curso de direito constitucional, p. 518. °yr) 27 Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiada diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Rastos ul e Jorge Miranda'. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei n°9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidacle ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único, A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal, (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF n 2 54: "38, Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hern2enêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo principio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídico-positivo posto em cotejo com a Magna Carta." Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiada para, por meio da pré-falada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição deli. Gomes Canotilho' 9, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sergio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto, Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. [3 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle DifiS0 Con.slinicionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiana Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Jurai pp. 58! a 599. 19 0p. cit., ia 1265/1266 4.4 28 Processo ni 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão ri.' 9202-00.791 Fl. 15 "...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na letra e na clara vontade do legislador', devendo 'respeitar a economia da lei' e não podendo traduzir-se na 'reconstrução' de uma norma que não esteja devidatnente explícita no texto".(grifel) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/5P20: "III. Interpretação confirme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidacle que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticos de extrair do texto uma significação normativa harmónica com a Constituição." Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidatle admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretória Excelso na decisão proferida nos autos da Representação n h 1.417-721: "O principio da interpretação conforme a Constituição (Yerfassungskonfonne Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse principio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF - em sua função de Corte Constitucional - atua como legislador negativo mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da irar~ conforme á Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. - No caso, não se pode aplicar a imoretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica." (os grzfos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o "remédio" contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), Dl 28.05.2004. \ 11 Relator Min. Moreira Alves, Dl 15.04.1988. 117>) 29 de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Infanção, ex vi do art. 5, capta, inciso VXXI e §I'22. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2° do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, deve-se reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaram-se teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, pode-se citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difhso pelo STF; a data do dispositivo legal'', por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais Se por ai vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar n° 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3° deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso L do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § I°, da Lei n' 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareça-se, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, 1, do criv Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO - Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surprescula com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar n" 118/2005, mais precisamente o artigo 22 IXX1 - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; .§ I° - As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 23 Pacificou-se, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considera-se como inicio da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. )° 30 Processo n° 10855.00251 662001-81 CSRt-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 16 esclarecedor, artigo 4°, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente - para mim, ela foi simplesmente interpretativa - interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de inicio, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos cleclaratorios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,deve-se reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o =V, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpreta-o de forma afixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTIV, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de inicio, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gize-se que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou aposição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo cie prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 74 : CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI IV° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. LEstá uniforme na Ia Seção do STJ que no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/0362004, publicado no D1 de 04/0662007; \I 31 ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicam-se a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidcule pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissivel, visto que a ação não está alcançado pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplica-se, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ25: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÓNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. 1- Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei, p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 /PR 26 : TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINSPRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL, ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se apressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursol sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estar-se-ia criando direito novo, totalmente incompatível com o CT506 e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõe-se ressaltar que o interprete 25 Rektor: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no 137 de 29.05.2007. 26 Relator: Ministro Castro Meira, jul gado em 17/05/2007, publicado no D7 de 29.05.2007. ,C) 32 Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.' 9202-00.791 Fl. 17 não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transfimmar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, deve-se esclarecer que ela encontra- se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nen, Ferrari n, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo", leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a ineonstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parece-nos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 27 Efeitos da Declaração de Inconstitzicionalidatle. São Pau/o, Revista dos Tribunais, 2004, 5' ed., p. 205. 7a A Teoria das Constituições Rí gidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitueionalictade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5' ed. )1» 33 José Afonso da Silva29, apoiado em cloutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themistocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerando-se dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tune, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedacle; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, dai por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavasckim, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tuna, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relato,- Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex mincy. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça s!, sobre o tema, firmou-se no seguinte sentido: REsp ri° 547.744/MG32: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminaria-se a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paula Malheiros, 1994, 10 ed., p. 57. 37 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp, 81-101 it jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário n° 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no 01 de 09/12/2003, Relatar: Ministra Luiz Fux. "C.) 34 Processo n° 10855.002516/200141 CSRF-72 Acórdão n°9262-00.79! Fl. IS direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornar-se-iam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidacle da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a ineonstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Trata-se de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituido pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitticionalidade e da imprescritibilidade da ADIA, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTAT. (grifei) O Ministro Teor! Albino Zavascld, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG 33, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença inconstittecionaliclade proferida em ação de controle concentrado, as relacães jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes 34, sobre os• efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionaliclade, pondera: Não se está a negar caráter de principio constitucional ao principio da nulidade da lei inconstitucional. Entende-se, porém, que tal principio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidâneo para a finalidade perseguida 3 3 Publicado no D1 de 05104/2004. 34 .hirisdicéla Constitzecional. Brasilia. Forense. 2005, 5 edição, pp. 333 e 734. 35 (casos de omissão,- exclusão de beneficio incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hip. óteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). Acentue-se, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concede-se proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendo-se à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho35: Pode também entender-se que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (..) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do Resp n°686.05836 - MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: 35 Canoblho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5 edição, p. 388_ 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavaseki, julgado em 19/10;2006, publicado no DI de 16/11/2006. A36 Processo o° 10853.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão o." 9202-00.791 E. 19 PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SEATENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONAL IDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISORIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCCILANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples imolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja clesconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da ineonsatucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, tem-se ação ordinária por meio da qual se busca deseonstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3°, I, da Lei 7.787589, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tomou-se pacifico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alcicmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direito-dever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigura-se difícil 37 DI 01/07/1977. 37 • afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poder-se-ia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissivel o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teor! Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fiindamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um principio universal em matéria de prescrição: o principio da cotio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2000,. p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (.) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o inicio do prazo prescricional não a um termo (= fato Muro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a ("tio", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tornar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, publicada na revista RDT da Malheiros, o Professor e Doutor Enrico de Santi, com a costumeira maestria, demonstra que a prescrição para repetir tributo tem como termo inicial a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Com a palavra o mestre de Santi: 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no LU de 05/04/2004. 38 Processo n° 10855.002516/2001-SI CSRF-T2 Acórdão 11.° 9202-00.791 Fl. 20 3. Desafios da interpretação I, "o inicio do caos": a origem da tese dos 10 anos IR, IPI, JCMS ISS, 1131/31 etc, demais contribuições e outros tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, sempre tiveram suas leis discutidas e os respectivos indébitos reconhecidos em nome do principio da legalidade, mas sempre sujeitos ao limite temporal desse controle da legalidade, balizado pela regra de prescrição do direito à repetição do indébito, cujo prazo desde a CF67 foi de 5 anos, contados do momento pagamento indevido. Assim foi recepcionaria na CF/88, a regra do Art. 168 do CTN: "O direito de pleitear a restituição extingue-se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (..) I — nas hipóteses do inciso I ("pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável') e lido art. 165, da data da extinção do crédito tributário". Sendo que, por quase trinta anos, doutrina e jurisprudência foram uníssonas no entendimento de que o dies a quo deste prazo é o momento do pagamento indevido, i.é, a data da extinção do crédito: a regra parecia tão clara que sequer se falava de interpretação (tampouco em "tese'), passavam-se 5 anos e, simplesmente, "ocorria" a prescrição do direito de repetir o indébito (por exemplo, no TIT decadência e prescrição sequer precisavam de paradigmas, no recurso especial). Tudo começou com o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do Art. 10, primeira parte, do Decreto-lei n` 2.288/86, que instituiu o controvertido empréstimo compulsório sobre consumo de combustíveis, justamente, depois de esgotado o prazo para propositura da ação de repetição do indébito deste tributo — Lé, cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário exvi do Art. 168, I, do CTN Deveras, o simples fato era que havia ocorrido a prescrição: bastava aplicar, então, a clara regra prevista no Art. 168 do CTN. É por isso que as regras de prescrição elegem em seus suportes facticos o tempo, o tempo é um fator objetivo e indiscutível: todos tendem a concordar com os dias do calendário e com os ponteiros do relógio: assim, pela legalidade - da prescrição, a tipicidade do tempo realiza a segurança jurídica em detrimento da própria legalidade do tributo. Além disso, convenhamos, tratava-se de um tributo irrelevante, contingente e provisório: o empréstimo compulsório sobre combustíveis. Que, alias, enquanto empréstimo, mesmo passado o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria, simplesmente, a exigência do cumprimento de sua claúsula de restituição, tal qual prevista na lei instituidora: novamente, bastava aplicar a lei. 4. Ruptura da legalidade: a sede de fazer justiça! //'& 39 Mas a sede de 'justiça" foi maior. Assim, em nome da luta pela reparação da ilegalidade do empréstimo compulsório, corrompeu-se sistemicamente, a legalidade da regra de prescrição, disciplinada na própria Constituição ex vi do Art. 146, III, "c". A partir daí, os prazos de decadência e prescrição, que tem na segurança jurídica sua única razão de existir - servindo como técnicas de limitação do próprio principio da legalidade - encontraram-se modificados por mera tese. Assim, sem a devida lei complementar e mediante mera e contingente interpretação, alterou-se o prazo de prescrição de praticamente todos nossos tributos federais, estaduais e municipais. Tudo, decorrência de uma criativa e sedutora tese que clamava por "Justiça". E o STJ fez sua justiça salomc5nica: tese de 10 para cá, tese de 10 para lá. E todos nós ficamos no meio! Até hoje incertos do prazo, mas sempre certos que somos sempre nós, contribuintes, que pagamos a conta. Não lutamos contra gigantes abstratos, o Estado é um moinho concreto que se alimenta do nosso trabalho: é nosso dinheiro que entra; e bem ou mal, é nosso dinheiro que sai para prover o numerário para as restituições de indébito pleiteadas. E se a carga tributária aumenta, é, também, porque alguém tem que pagar mais, para que outros, ou os mesmos, possam restituir mais. Assim, corrompendo-se a legalidade em nome da legalidade, mas em absurdo desrespeito a segurança jurídica, o termo inicial do prazo deixou de ser o 'pagamento antecipado" e passou a ser o momento da homologação tácita ou expressa desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do crédito só se realiza com a ulterior homologação do pagamento, ex vi Art. 156, VII do CTN. Firmou-se, assim, a denominada tese dos dez anos, conforme o seguinte acórdão do STJ: Embargos de Divergência em Recurso Especial n° 43.995-5/RS Relatar: Min. Cesar Asfor Rocha EMENTA: Tributário — Empréstimo Compulsório sobre a aquisição de combustíveis — Decreto-Lei n` 2.288/86 — Restituição - Decadência — Prescrição — Inocorrência. Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, à falta deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se fundamentou o gravame."(DJ: 24/04/1995) 5. Restaurando a legalidade: dura lex, lex sed A efetivação do principio da legalidade exige o respeito a sua tríplice dimensão: irretroatividade, reserva legal e tipicidade. A tese dos dez anos fere, num só golpe estas três perspectivas: (i) corrompeu a irretro atividade, criando, projetando e 40 Processo n" 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 Fl. 21 introduzindo, no passado, novo critério legal de prescrição (como o efeito que agora se pretende com a LC 118, só que, aqui, mediante lei); 00 desrespeitou, flagrantemente, a reserva legal, arrostando matéria de lei para a discrionariedade do Poder Judiciário, ignorando o principio da separação dos Poderes; e (Ui) afrontou a tipicitlacle do Art. 168, fundamental nas regras de decadência e prescrição, sobrepondo à clareza objetiva do critério da regra posta, a incerta subjetividade de valores contingentes. A legalidade se realiza no ato de aplicação, mas não muda. O artigo 168 sempre esteve lá, da mesma ibrma, e a LC 118 em nada o alterou. O prazo legal sempre foi, e continua sendo, de 5 anos a contar do pagamento antecipado: primeiro, porque pagamento antecipado não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento; segundo, porque se interpretou o "sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento" de forma equivocada como se fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o efeito do pagamento para a data da homologação39. Ocorre que o Art. 150 § I° refere-se a "condição resolutiva" que, como tal, não impede a plena eficácia do pagamento antecipado que equivale, assim, para todos os efeitos à data da extinção do crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao Art. 150 do CTN. Desta forma, é a data efetiva em que o contribuinte recolhe o valor, a titulo de tributo, que haverá de • fiincionar corno dies a quo do prazo de prescrição. Em suma, legalmente, o contribuinte sempre gozou de cinco anos para pleitear o débito do Fisco, e nunca dez. 6. Concluindo: legalidade e as decisões judiciais HERBERT HARTm, analisando a definitividade e a infalibilidade das decisões dos tribunais superiores, faz uma instigctnte analogia com os jogos em que, num primeiro momento, não há a figura do juiz, mas que, quando instituído, funcionará como marcador oficial dos pontos e cujos decisões serão definitivas. Explica que nesse tipo de sistema passa a ocorrer um novo tipo de interação entre os actantes do jogo, que deixam de opinar sobre a pontuação ou sobre as regras do jogo, porque as determinações do marcador oficial são indisputáveis e definitivas. E continua: Não difere dessa situação os julgados do STJ ("marcador oficial') com relação às regras do termo inicial do prazo de prescrição do direito ao indébito: é certo que a autoridade e a clefinitividacie das decisões do STJ são inquestionáveis. Contudo, 39 Lila/ANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CTN dirigir a homologação como condição resolutiva, "Ora, os sinais ai estão trocados. Ou se deveria prever, como condição resolutária, a negativa de homologação (de tal sorte que, implementado essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definir-se, corno condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344 40 O conceito de direito, p. 155-6 como ensina HERBERT : "'O resultada é o que o marcador diz que é' não é uma regra de marcação: é uma regra • que atribui autoridade e definitividade à aplicação por ele em • casos concretos da regra de pontuação". Não é a legalidade: é o simples efeito concreto da coisa julgada. Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o legendário titular da Cadeira de Jurisprudência da Universidade de 0-xford: "o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de jogo serem aceitas não significa que o jogo de criquete ou de basebol já não esteja a jogar-se; por outro lado, se estas distorções forem freqüentes ou se o juiz repudiar a regra do jogo positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não aceitam mais as determinações destoantes do marcador ou, se o fazem, ojogo vem a alterar-se; já não é criquete ou basebol que se joga, mas "o jogo do Juiz"42. Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da legalidade, continuamos entendendo, como aliás vimos defendendo desde 23 de maio de 2000, que nunca coube falar em prazo de 10 anos: nem antes, nem depois da tese dos 10 anos; nem antes, nem depois da LC118. Em suma, o prazo de prescrição no CTN e o direito continuam os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está amanhecendo, há luz, e todos nós, acordados, podemos nos dar conta deste simples fato: os tribunais interpretam a lei, podendo até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei... Outro ponto que clama por refittar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tome-se, por exemplo, o caso da Lei n°4.502/1964 — lei básica do IPI — que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poder-se-ia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. O conceito de direito, p. 156-9. 42 Tradução livre do original: The concept of law, Word university Press, 1961. 42 Processo n" 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n." 9202-00.791 Fl. 22 Tal fato acarretaria dnus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás ., dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais urna vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Mirancla43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. • Por outro lado, independentemente da indisponibilklade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei n' 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia" deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo45. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória 12 6! 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3" do seu art. 1846. 4" Tratado de direito privado, cpud Eudco Marcos Diniz de Santa Decadência e Prescrição do Direito da Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Principias, in Tenas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro Jose Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. lune, 2005, pp 149 a 178. "Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretam-se estritamente. 45 Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 46§ 3' O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 43 /K7 Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial ns 747.09147 "Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o principio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do proprzo STF, é "incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazer-se por lei" (RE 80.153SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posiciona-se em igual sentido.' "O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público" (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de oficio em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345/35). "A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei" (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidacle das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, n°40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.5222002 simplesmente dispensou "a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Divida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal" relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3° expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que, no caso dos penados de apuração em análise, o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecer-se a ocorrência prescrição postulada pela Fazenda Nacional. 41 Relatos: Ministro Temi Albino Zavascki, pub/ icado no DJ de 06/02/2006 44 Processo n° 10855.002516/2001-81 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.791 El. 23 Com essas consideraçôs, voto no sentido de declarar a prescrição do direito à repetição de indébito pleiteada. Carlos Alberto F eiia g Barreto. • 45
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Numero do processo: 10830.007026/2007-44
Data da sessão: Fri Dec 03 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 2803-000.021
Decisão: RESOLVEM os membros da 3ª Turma Especial da Segunda Seção de
Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência nos termos do voto do relator.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA LIMA
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HELTON —Presidente.., e Relator' Participaram da sessao de julgamento os conselheiros: Edutudo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Amilcat Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato e Helton Cm los Praia de Lima (presidente). RELATÓRIO Trata-se Notificaçao Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD. refer ente às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte pational e de segurados, efetuado por aferição indireta por lalta de apresentação das folhas de pagamento, RAIS, contabilidade e outros documentos solicitados, pei iodo: 02/2001 a 01/2005, conforme relatório fiscal (t1s. 78/79), Os cálculos referentes aos empregados foi am efetuados com base nos valores salariais constantes do Livro de Registro de Empregados LRE n" 01. de 01/02/2001, e GPM apresentadas de 03/2002 a 07/2002. Os valores foram atualizados de acoido corn os indices de reajustamento salarial fornecidos pelo sindicato representativo da categoria. oriundos das Convenções Coletivas de Trabalho 2001/2002: 2002/2003: 200312004 e 2004/2005. Foram Pincesso IV I OS.{) 017020/2007-44 S2-Tr.03 Resoluerio n " 2503-otro21 Fl I 254 incluidos na arelici.'io, os valores ieferentes a ticket refeição, considerando que a empresa não esta incluida no Pt ograma de Alimentação do Trabalhador - PAT.. Não houve comprovação dos valores efetivamente pagos ou creditados ao segurado contribuinte individual empresário. Por conseguinte, aferiu-se 20% sobre a maior remuneração paga a empregados da empresa no period° de 02/2001 a 01/2005 e 11% de retenção sobre a mesma remuneração, no período de 04/2003 a 01/2005, 0 contribuinte tomou ciência da notificação em 18/0312005 (fls. 83), Inconformado, apresentou impugnação em 04/04/2005, lb. 86 a 100, acompanhada de anexos (lis. 101 a 242) Os autos foram encaminhados, em 16/05/2005 (fls. 245), à auditoria fiscal para análise da defesa apresentada pelo contribuinte. Foi expedido relatório fiscal aditivo da NFLD em comento (lis. 202 a 268), infbrmando: - o nome dos empregados, salário, data de admissão e demissão, os indices (%), os valores dos tickets refeição e cálculos. Informações sobre os levantamentos AFN, CSN e AFG Informa, ainda, que não houve erro na identi ficação do sujeito passivo, fez juntada de documentos para comprovação dos empregados (Rescisões de Contrato de Trabalho e outros, contendo data de admissão e afastamento) ãs ns. 104, 106, 108, 119, 125, 225, 228 a 235, inclusive o LRE n" 01 em nome de CARLOS JORGE MARTINS SIMÕES -EPP (fls. 236), e que as autuações lavradas foram pagas pelo contribuinte; - as guias de recolhimento - GPS juntadas nos autos processuais e constantes As 1 26 a 208, referem-se ao escritório de S. Paulo, em nome de CARLOS JORGE MARTINS S1MÕES, C.T.1 No. 3971000500/08. As GPS juntadas de lis. 204 a 221, com código de pagamento da GPS: 1007, refere-se a Contribuinte Individual e está em nome de Sara dos Santos Simões As G PS juntadas dc fls. 113 a 116, com código de pagamento da CPS: 1600, refere-se a Empregado Doméstico e está em nome de Elizabeth AR. Belduque Benedito.. Assim, estes recolhimentos não foram aproveitados no lançamento; - quanto As OPS juntadas As tis 228 a 235 com código de pagamento: 2100 (Empresas em Geral), identificador CNN 04,295.339/0001-13, foram considerados no lançamento os valores nelas contidos; não houve comprovação dos valores efetivamente pagos ou creditados ao segurado contribuinte individual empresário Sr. Carlos Jorge Martins Simões. Aferiu-se o pro- labore com base na maior remuneração dos empregadas da empresa.. A partir da competência abril de 2003, apoiou-se o valor da contribuição referente ao desconto de 11% incidente sobre a remuneração aferida a titulo de pró-labore . Foi efetuada a retificação dos valores das competências 04/0.3, 05/03, 07/03 e 03/04, quando da análise da defesa, Apresentou planilhas de cálculo "A", "13" e "C" referente ao lançamento.. O contribuinte tomou ciência do relatório fiscal aditivo à NFL,D em 08/07/2005 (Hs 275), apresentando defesa com as seguintes alegações: - o vicio insanável não comporta correção, mas o reconhecimento da nulidade em beneficio do sujeito passivo nos termos do art. 32 da Portaria MPS/520/2004; 2 Processo n" 10830.007026/2007-44 S2- t 10)3 ResoluçAo n," 2803 -00.021 Fl I 255 o procedimento de aferição dos vinculo e dos salários, bem como os documentos acostados pela fiscalização, são desprovido de suporte fálico e legal, tanto que Sara Pinto dos Santos exerce a atividade de advocacia como pro fissional liberal autônoma que procedeu todas as correções especi ficas nu GFIP; ratifica o inteiro teor da defesa interposta, reiterando os v idos insanaveis, par a decretação de sua nulidade; - requer a anulação da notificação fiscal, diante dos elementos de pr ova motet ml e de legalidade apresentados . A decisão de primeira instancia administrativa fiscal julgou procedente o lançamento, fls. 285 a 294. 0 contribuinte tomou ciência cia decisrio em 10/11/2005 (tis. 299). apresentando recurso voluntário em 23/11/2007, fls, 304 a 311, alegando em síntese: - requer a retificação da r. Decisão que determinou o depósito para instrução recursal no percentual de 30% do valor Id 120.844,91, face aos recolhimentos no valor originário de RS 40.060,6S com a I espectiva atualização que importa em RS 67.122.00 conforme comprovantes ear anexo; - que após regular impugnação dos procedimentos da auditoria fiscal, o recorrente foi surpreendido corn a inovadora e inusitada red ficayrio dc relatório fiscal aditivo a NFLD abrindo prazo para nova defesa, numa tentativa clam de dar legalidade aos vicios insanáveis da referida constituição do credito pievidenciário, desprovida de Mandado de Procedimento Fiscal para esta finalidade, desacompanhada de quaisquer. °urns documentos, contrariando textualmente as normas insertas no art. 32 da portaria 520 de 19 de maio de 2000. - a r. Decisão de notificação afirma equivocadamente que a "Segundo" impugnação foi aptesentada intempestivamente, potent ignora os eleitos do Ato Declaratório Executivo RFB n° 51, de 31 de agosto de 2005, que suspendeu os efeitos (prazo) no period° de 02/06 à 19/08/2005; - houve cerceamento de defesa. O lançamento tem forma obscura, confusa e conflitante. Não demonstra a natureza da contribuição e impede a perfeito identificação da obrigação inadimplida. Deve ser acatada a nulidade Ior erro na identificação do sujeito passivo; - no mérito, diante do obscurantismo exarado no relatório fiscal, a defesa encontra-se prejudicada, pois o relatório fiscal não descreve e nem identifica os segurados empregados. Contudo após apuração contribil em seus registros, ir °ceder' aos seguintes recolhimentos: a) Regia de Oliveira Resende — recolhimento do period() de 01/02/2001 ill 28/05/2001; b) Luci R. Macedo — recolhimento do periodo de 01/07/1997 à 15/01/2003; c) Sara Pinto dos Santos — recolhimento do period° de 01/02/2001 a 02/12/2002; d) Elizabeth A 13.Benedito — recolhimento do period° de 01/02/2001 a 01/2005: e) Ana Claudia Salvador — recolhimento do período de 19/02/2003 a 01/2005: - a Segurada Sara Pinto dos Santos Simões contratada para o penado de 01 de fevereiro de 2001 encerrou seu contrato de trabalho como empregada em 02 de dezembro de 2002, conforme livro de registro de empregados em anexo, e após esse periodic), recolhe regularmente suas contribuições como piorissional liberal advogada confer me documentos em l'incesso o" I Clti31) 1)1171) /0/2007-14 S 2-TE03 Resoloy;io ii " 2)1-1)0.02 FI I 256 anexo, sendo co-participe do escritório de advocacia, considerando ainda ser esposa do Dr. Carlos Jorge Martins Simões; - jamais poderia haver incidência de contribuições sociais a titulo de retirada "pró-labore" do profissional liberal Dr. CARLOS JORGE MARTINS SIMÕES, vez que esta decorre exclusivamente dos titulares de firma individual (comercial) e sócio -gerente de empresas limitadas prestadoras de serviços registradas no Serviço de Registro das Pessoas Jurídicas; - diante dos elementos de prova material e de legalidade apresentados, reitera o inteiro teor da defesa apresentada e requer ser digne anular a notificação fiscal. Anexou copias de GF1P's, Folhas de pagamento, comprovantes de pagamento (GPS), outros documentos (tis. 312a 1197) A unidade MPS/SRP/1JM4P-CAMPINAS, em 19/1212005 (fls.. 1199) informa que foram feitos os ajustes de guias pagas posteriormente ao levantamento do debito, no CNPI e código 2100.conforme fls. 955 a 1173_ A empresa também apresentou guias pagas antctioimente ao levantamento do débito, as quais não foram ajustadas, conforme fls. 1174 a 1197. A auditoria fiscal informa que as guias (GPS) constantes das fls. 1174 a 1197, foram aproveitadas no lançamento (lis, 1200), conforme comprova na planilha de fls. 271. Através de consulta sobre o andamento da Ação Judicial , realizada em 30/10/2007, constatou-se que foi dado provimento ao Agravo de Instrumento n° 2006.03 00 037681 -4, interposto pela empresa, para reformar a decisão agravada e conceder a liminar para seguimento do recurso administrativo sem necessidade do depósito prévio de 30%. Os autos foram encaminhados ao 2" Conselho de Contribuintes para julgamento (fls. 1252). o ) el atóri o. VOTO Conselheii o HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Relator O recurso é tempestivo, conforme tis. 1252, pressuposto de admissibilidade superado, passo pain o exame das questões preliminares ao mérito. Texto da DECISÃO: Trata -se Notificação Fiscal de Lançamento de Debito ---NFLD referente as contribuições previdenciarias (le segurados empregados e contribuintes individuais, realizada por aferição indireta por falta de apresentação das folhas de pagamento, RATS, contabilidade e outros documentos solicitados, período: 02/2001 a 01/2005, conforme relatório fiscal (11s. 78/79) Após impugnação do contribuinte, os autos foram encaminhados a auditoria fiscal pain analise da defesa apresentada. Foi expedido relatório fiscal aditivo da NFLD 262 a 268), esclarecendo alguns pontos da notificação fiscal, sendo consideradas no \6z 4 Processo n°10830.007026/2007-44 S2-1E03 Resoluyfio n 2803-00..021 H I 257 lançamento as guias de recolhimento - UPS juntadas ás 11s 22g a 235 corn c6digo de pagamento: 2100 (Empresas ern Geral), incuti ficador CN 04.295.3.3910001-13. Foi emitida decisão julgou procedente o lançamento O contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em síntese: 1) cerceamento dc dercsa: 2) ap6s apuracElo contábil em seus registros, procedeu aos seguintes recolhimentos: a) RLin de Oliveira Resende — recolhimento do período de 01/02/2001 a 28/05/2001; h) Luci R. Macedo recolhimento do período de 01107/1997 6. 15/01/2003; c) Sara Pinto dos Santos --iceolhimento do período do 01102/2001 à 02/12/2002; d) Elizabeth A B.Bcnedito recolhimento do período de 01/02/2001 à 01/2005; e) Ana Claudia Salvador — recolhimento do period° de 19/02/2003 01/2005; 3) anexou cópias de GFIP 1 s, folhas de pagamento. comprovantes do pagamento (UPS), outros documentos (fis. 312 a 1197). A auditoria fiscal informa que as guias (UPS) constantes dos Us 1174 a 1197, foram aproveitadas no lançamento (lis. 1200), conCorme comprova na planilha de fls. 271. No entanto, não se pronunciou sobre os demais documentos trazidos aos autos em iirzilo do recurso GHP's, folhas de pagamento, comprovantes de pagamento (CIPS), outros documentos, as folhas, 304 a 1197), tampouco, foi apresentada contrarrazões. Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB compete fiscalizar os procedimentos dos contribuintes relativos aos recolhimentos das contribuições previdenciarias, sendo prerrogativa o exame da contabilidade, ficando o contribuinte obrigado a exibir todos os documentos e livros e prestar todos os esclarecimentos e infOrmações solicitados. No caso de descumprirnento a RFB pode inscrever de olicio a importancia que reputar devida, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrario. É o que estabelecem o 211. 33 da Lei n " 8.212/91 e art. 233 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelt) Decreto n" 3.048/99: Att. 33 Ao Instituto Nacional do Seguia Social - INSS compete at' ecculat fiscalizar, !mica, e normatizar o tecolhimento dos conbibuiciks sociais previstasntis (Autos a, b e c do parógiofit U//co do art. 11, bem como as cowl incidentes a tindu de substitukao, e e's Secretaria da Recede, Federal - SilT compete arrecadar, fiscalizar, lançar e not Huai:or o recolhimento das contribuiçõeS At:Willis pi cristas nas alarms d e e do iten etlie Witco elet art 11, cabendo o Limbos os in gays, na esfera de situ competc:Wcia, 1.31'011101)CP ri reSpeeliNt eannA:(1 e aplietn' its sanciies previstas leQalmente.(Redacilo dada pela Lei n" 10 256, de 2001) I" É prerrogativa do Instituto Nacional do Segal a Social-IN.SS e do Departamento da Peceita Federal-DU O exame da contabilidade da empresa, nâo prevalecendo pato esse efi2ito o disposto nos arts 17 e 18 do Código Comercied, ficando oln i ,,ados ent ?reset e Acqurado ci pre,slar todos os esclarecimentos e infi» nurcõe.s § 2" A empesa, O ACT vido, de ótgelos ptiblicos da whining; açilo eln eta e indireta, o seg,tiretdo ,soa,d. o .,erventido Jo do .Justiça. o sindico ou 3ell rePle.sentante, o comissólio e o liqUidante de empresa em liquidagiio judicial ou evfiajudicial stio oln itutelos elibit Was 0,5 documentos e livros relacionados com as corm Outcries pi cvistas nesla Lei. § .3" Ocorrendo recusa ou soncway7o de (mulatto document(' on infinmagii0, 011 .5110 ttpte.Selinly70 A:fielente, Instituto Nacional do 5 Pmcesso n" 10530 007112o/20117-14 S2-TE03 Re:411mA) n " 2803-00.021 FL 1.258 ,5'eguro Social-INSS e o Departamento da Receita Federal-DRF podem. ,som prefuLo da penalidade cabível, inscrever de oficio importancia (pro cputar em derider, cabendo à envesa ou ao segurado o Onus da /11 ewer em rontrittrio ) Deci eh)" 3.048/99 23 $. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou irrfi» mação, on suer apresenutção deciente, o Instituto Nacional do .Seguro Social e a Secrehtria da Receita Federal podem, .sem prejuizo da penalidade cabível nas asfems de sua competéncia, lançar de oficio impothincia age r eputurem devida, cabendo à empresa, no empr egador doméstico ou aa seg,urado O Onus da prom em conitàrio. Pare4n tirrico Convidera-se deficiente o documento ou informação agi esentada que não preenchei as fOrinctlidades legais, bem como aquele qua contenha in/natação (live/se da realidade, ou, ainda, que winter info! inação ver &aloha. Dessa maneira, constatando que houve ausência de recolhimento e falta de documentação fiscal para aferir o correto valor do tributo, o órgão fisealizador pode lavrar a notificação fiscal, materializando tal constatação, informando o critério da aferição, que certamente sera um valor estimado e que variará conforme a atividade econômica do contribuinte . A análise de possíveis distorções pode e deve ser realizada pela autoridade fiscal, contudo tal ;manse deve sei devidamente fundamentada, possibilitando um procedimento Fiscal que corium a ampla defesa e o contraditório, sabido que a Administração Pública, no correto exercício de suas atribuições, deve buscar a realidade dos fatos, além das informações trazidas aos autos pelas parte s.. t. dever do adminisnador trazer ao processo todas as provas que entender imprescindíveis A sua livre convicção, desde quo a sua produção se de em conformidade corn a lei, por foiça do que dispõe o art, 5, inciso LVI, da Constituição Federal de 1988. Na análise do "principio da razoabilidade" a administração, ao exercer seu poder discricionário, terá de obedecer a critérios aceitáveis do ponto de vista racional, em sintonia com o senso normal das pessoas cquilibradas e respeitosas das finalidades que presidiram outorga da competência exercida (Mello, 1996, p. 63-4) A Lei n " 9:784/99, veda, como critélio de atuação da administração nos processos administrativos, ".,.a imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior Aquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público" (art. 2°, inciso IV). Quanto ao "principio da verdade material" a administração tern o direito e o dever de carrear pain o expediente todos os dados, informações e documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos (Medauar, 1993, p. 121, apud Néder e LOpez, 2002, p. 63). A regra é. que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação ou com a manifestação de inconformidade, no devido prazo legal, conforme artigo 15 do Deercto n''' 70.235, de 1972. No § 4° do artigo 16, a disposição foi repetida, mitigando a leg-ta preclusiva nas circunstâncias elencadas nas alíneas de "a" a "c", como segue: 6 P roccsso n" 10830.007026/2007.44 524 E03 Resoluçiio n " 2803-00.02 I I' 1 I 25 , ) Al 16. A illiptiglia00 § 4"A p1'0VC1 documental .setzi apresentudo no impugurt0o, precluindo o direito de o impugnante em outro momcnto proccssual, a menos que fIncluido pela Lei n° 9.532, de 19971 a) fique demonstrada a impossihilidade de sua apt eseniaoio ()poi tuna por motivo de fin . (ct major ;(lncluida pela Lei n° 9.532, de 1997) b) refira-se a foto ou a tin superveniente fincluido Dele Lei n° 9.532, de 1997) e) de.stine-.se a contrapor lidos ott posteriormente íiah1a aos autos.(Incluido pela Leio» 9.532, de 1997) Revela-se, pois, irrelevante que a documentação comprobatória dos ratos tenha sido acostada aos autos no ptazo ou não. A própria Câmara Superior de Reetusos Fiscais tem acolhido esse entendimento: "PREVALÊNCIA DOS PRINCIPIOS DA BUSCA DA l'ERDADE illATERIAL E DA OFICIALIDADE SOBRE O RIGOR FORMAL. O objetivo do processo administrativo fiscal é a constatação da ocorrência (ou não) do lino gel ado; da obrigação Ii ibutãi ia Tendo a Administração ciência de que o ato administrativo de lançamento não eguilt os (litanies da legalidade, ainda que através de documento juntado tardiamente, deve o Fisco, de oficio, rever o ato," (ACÓRDA.' 0 CSRE/03-041.382, Relator: Nilton Luiz Bartoli. DOU 26.12.2006). CONCLUSÃO: Ante o exposto, considerando tudo que consta dos autos. CONVERTO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, paia que a Unidade da Receita Federal de origem paia que analise toda a documentação acostada aos autos pelo contribuinte no iccurso apresentado de folhas 304 a 1197, se pronunciando sobre todos os argumentos e documentos apresentados, corn a respectiva fundamentação, fazendo as retificaçóes, se devidas, que devem ser juntadas aos autos, a Jim de que pa) paire clóvicla ao connibuinte quanto a constituição cio lançamento, sendo o mesmo notificado do resultado cia revisilo para apresentai nova manitestaeilo c/ou complementá - la, possibilitando o procedimento adequado e idóneo para a deres cio contribuinte. E como voto. Saia das Sess6es, em 3 de dezembro de 2010 HE ARLO PRAJA.D.E. LIMA 7
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Numero do processo: 10945.002797/2005-96
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2005
PIS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS COM SEGURO DA CARGA E DESPESAS DE RASTREAMENTO. LANÇAMENTO CREDOR. POSSIBILIDADE.
Os valores pagos a título de seguro da carga e rastreamento dos veículos da frota geram direito a crédito da COFINS, por se enquadrem no conceito de serviços utilizados como insumos na prestação de serviços.
COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa previsão legal, o aproveitamento do crédito na forma estabelecida pela legislação que disciplina o sistema não cumulativo de apuração da Cofins não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3102-01.183
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2005 PIS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA. DESPESAS COM SEGURO DA CARGA E DESPESAS DE RASTREAMENTO. LANÇAMENTO CREDOR. POSSIBILIDADE. Os valores pagos a título de seguro da carga e rastreamento dos veículos da frota geram direito a crédito da COFINS, por se enquadrem no conceito de serviços utilizados como insumos na prestação de serviços. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa previsão legal, o aproveitamento do crédito na forma estabelecida pela legislação que disciplina o sistema não cumulativo de apuração da Cofins não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Recurso Voluntário Provido em Parte
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INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM SEGURO DA CARGA E DESPESAS DE RASTREAMENTO. LANÇAMENTO CREDOR. POSSIBILIDADE. Os valores pagos a título de seguro da carga e rastreamento dos veículos da frota geram direito a crédito da COFINS, por se enquadrem no conceito de serviços utilizados como insumos na prestação de serviços. COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa previsão legal, o aproveitamento do crédito na forma estabelecida pela legislação que disciplina o sistema não cumulativo de apuração da Cofins não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama e Luciano Pontes de Maya Gomes. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Ricardo Paulo Rosa Relator. EDITADO EM: 07/10/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes de Maya Gomes, Mara Cristina Sifuentes, Álvaro Arthur Lopes de Almeida Filho e Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Tratase no presente processo de pedido de ressarcimento (fl. 01) de créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, apurada pelo regime nãocumulativo e referente às operações de exportação, relativos aos meses de dezembro de 2002 a junho de 2005, e cujo montante total acumulado, no valor de R$ 16.021,95, foi integralmente lançado pelo interessado n& Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON) na apuração de créditos da referida Contribuição que se reporta ao, mês de junho de 2005 (v. fl. 308). 2 Inicialmente, a Delegacia da Receita Federal em Foz do Iguaçu (DRF/FOZ/PR) exarou a Informação Fiscal Seort DRF/FOZ n° 48/2007 e Despacho Decisório (fls. 309/315), não reconhecendo o direito creditório pleiteado e indeferindo o pedido de ressarcimento à inicial, sob os seguintes fundamentos: • O contribuinte juntou ao processo Relato (fls. 02/15), discorrendo sobre os serviços que considera insumos utilizados na prestação de serviços e que seriam passíveis de crédito, quais sejam "Seguro de mercadorias" e "serviços de rastreamento de veículos", e, ainda, justificando a inclusão destes gastos à base de cálculo para apuração do crédito de PIS nãocumulativo, objeto do pedido de ressarcimento, tendo também se promovido a juntada de documentação comprobatória dos custos com os serviços supracitados; • O interessado alega, em sua argumentação, que os gastos despendidos com seguro de mercadorias, rastreamento e escolta, bem como outros métodos que visem a assegurar a proteção da carga, são insumos utilizados na prestação de serviço das empresas de transporte, pois se enquadram no conceito estabelecido pelo art. 8°, § 4°, da IN SRF 404/2004; • O contribuinte cita as Soluções de Consulta n°462/2004 da SRRF — r. Região Fiscal e n° 104/2004 da SRRF — 8ª Região Fiscal, nas quais o entendimento da Receita Federal confirmaria o direito reclamado, ou seja, os gastos acima se caracterizariam como insumos utilizados na atividadefim Ide empresa de transportes rodoviários de Carga, podendo, portanto, compor o somatório dos créditos a serem descontados na apuração da contribuição para o PIS; • Porém, verificase a existência de outras Soluções de Consulta da SRRF — 9º Região Fiscal sobre a matéria; nos 326 e 327, ambas de 29/10/2004, as quais apresentam entendimento divergente daquelas apresentadas pelo solicitante, concluindo que os serviços de comunicações utilizados no rastreamento da frota não se enquadram no conceito de insumo, pois são, na realidade, serviços de' telecomunicações usados para segurança do patrimônio da empresa transportadora, e, em relação aos seguros de qualquer espécie — sobre os veículos, ou por danos causados a terceiros, ou para proteção da carga, obrigatórios ou não — escapam ao conceito de insumos para os fins buscados, uma vez que não se subsumem ao conceito da Instrução Normativa antes aludida; • Alertese que a Consulta n° 326, de 2004, acima citada, foi requerida pelo próprio interessado, na qual a solução dada foi desfavorável ao pedido apresentado, Fl. 2DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10945.002797/200596 Acórdão n.º 310201.183 S3C1T2 Fl. 2 3 sendo que, não satisfeito, todavia, com a conclusão exarada, o requerente, ainda assim, realizou lançamento do crédito em questão e o pedido de ressarcimento formalizado pôr este processo; • A respeito da divergência entre Soluções de Consulta, na forma acima comentada; mencionese que as Soluções de Divergência Cosit 1 e 2, que versam sobre a Contribuição para o PIS/Pasep, ambas de 16/02/2005, firmam o entendimento de que o custo com seguro de mercadorias não Se trata de insumo passível de crédito. 3 Cientificado da decisão da autoridade administrativa local /acima mencionada em 14/03/2007, conforme se observa no Aviso de Recebimento (AR) de fl. 317, o contribuinte, irresignado, apresentou, em 12(04/2007, a Manifestação de Inconformidade de fls. 321/335, alegando, em síntese, que: a) o interessado, conforme pode ser constatado na Cláusula Segunda do seu Contrato Social (Anexo I), é empresa que atua no ramo de atividade de transporte rodoviário de carga, sendo que tem no transporte internacional a maior parte da sua receita de prestação de serviço, e que, dentre todas as possibilidades de créditos de PIS e COFINS sobre insumos, viu seu direito glosado com relação a dois' itens: serviços de rastreamento de veículos e seguros de mercadorias, pagos a pessoas jurídicas; b) segundo o conceito de insumo definido pelo art. 8°, § 4°, da IN SRF n° 404/2004, para que os insumos do interessado possam gerar crédito de PIS e COFINS, precisam apresentar resposta positiva a dois requisitos: 1 — serem prestados por pessoa jurídica domiciliada no país; 2 — serem aplicados ou consumidos na prestação de serviço do interessado; ou seja, se a resposta for "sim" para os dois itens acima, restará garantido o direito ao crédito; c) o atendimento do requisito 1 é ponto incontroverso, já que os pagamentos referentes aos serviços de rastreamento, bem como o seguro das cargas, são efetuados diretamente a pessoas jurídicas domiciliadas no país, além do que a Fazenda Federal também não apresentou óbices neste sentido; d) quanto ao requisito 2, dentro do ramo de atividade da empresa, acima descrito, o seguro de mercadorias e o serviço de rastreamento devem ser considerados insumos, e, para que o julgamento possa analisar o tema com mais propriedade, posto que de complexidade operacional considerável, apresentamse elementos 'esclarecedores de sua origem, constituição legal, aplicação prática (operacionalização) e finalidade a que se propõe, na análise individual do seguro e do rastreamento, a seguir; e) os seguros das mercadorias, contratados pelo interessado, abrangem quaisquer localidades do território brasileiro para os países localizados no Cone Sul (em especial, Paraguai e Uruguai) e 'Viceversa, conforme Apólice de Seguro, apresentada no Anexo II do Requerimento à inicial (fls. 26/39), e o prêmio pago para a seguradora é calculado sobre o valor da mercadoria, aplicandose um percentual (taxa final, conforme Anexo III da inicial, fls. 41/47), o qual é composto pela somatória de taxas que englobam 3 (três) categorias de seguro: 1 — obrigatório, de responsabilidade civil do transportador sobre danos a carga (RCTRRC); 2 de responsabilidade civil do transportador sobre o desaparecimento de carga (RCF DC); 3 de responsabilidade civil do transportador em viagem internacional — danos e desaparecimento de carga; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA 4 f) o primeiro dos seguros (por danos à carga) acima citados é obrigatório, de modo que, sem a sua contrafação, o interessado não poderá operar no segmento de transporte de cargas, conforme disposição advinda dos arts. 20, "m", e 112, ambos do Decretolei n° 73/66, regulamentado pelo art. 10 do Decreto n° 61.867/67; g) esta obrigatoriedade também se vislumbra nos contratos de prestação de serviço de transporte entre o interessado e seus clientes (Anexo IV do Requeriml ento à inicial, fls. 49/59), onde, na Cláusula Segunda — Obrigações da Contratada (item 2.4), encontrase firmado que compete ao interessado a manutenção em regularidade desta espécie de seguro; h) como se pode verificar na Apólice de Seguros, item 06— Taxas (Anexo II), este seguro tem cobertura dentro do território brasileiro e o seu valor é definido através de Tabelas de Taxas em anexo à Apólice (Anexo V), sendo o percentual variável de acordo com a origem e o destino do transporte a ser realizado; i) em relação ao segundo dos seguros (por desaparecimento da carga) anteriormente mencionados, o interessado também tem por "obrigatoriedade operacional" a contratação de seguro de transporte rodoviário contra roubo e danos à carga, constando como beneficiária a contratante do serviço; j) esta obrigatoriedade não advém de força de lei, mas da exigência do segmento em que o interessado atua, haja vista que seus clientes fazem constar nos contratos de prestação de serviço (Anexo IV, Cláusula Segunda, item 2.13), que ficará por conta desta a contratação de seguro que vise à proteção contra roubos e danos, pois, em caso de qualquer sinistro advindo disso, deverá ser o cliente comunicado e indenizado em no máximo 60 (sessenta) dias do sinistro, implicando, portanto, risco por demais elevado para as empresas deste segmento de transporte; k) tal prática é inerente à atividade de transporte de cargas, e, portanto, não há como o interessado se esquivar, sob pena de sensível perda de sua clientela, que irá "contratar serviços com as empresas concorrentes, as quais mantêm sob suas expensas as apólices com cobertura desta natureza (roubo e danos), além do que, como os valores das mercadorias transportadas são expressivos, tornase extremamente temeroso deixarse de arcar com este seguro — que representa o percentual fixo da taxa final de 0,05% a ser aplicado sobre o valor segurado, conforme Anexo VI da inicial, item 6C, fls. 63/64 — e submeterse ao risco de se ver obrigado a indenizar seus contratantes em caso de roubo ou danos, tais como: amassamento, contaminação por água doce ou de chuva, e contato com outras mercadorias, entre outros; 1) portanto, mais que uma despesa operacional, este gasto é um insumo indispensável à prestação do serviço do interessado, posto que exigidas por sua clientela as garantias de que serão reparadas de todo e qualquer dano ou prejuízo advindo do transporte realizado; m) as coberturas acima mencionadas aplicamse somente para o território brasileiro, contudo, as mesmas obrigatoriedades de cobertura para o nosso território também se aplicam para o percurso complementar fora do território brasileiro, e, assim, na composição da taxa final do seguro, somase ainda o percentual ozki seguro internacional, conforme o destino da mercadoria transportada (v. tb. Anexo VI, fls. 63/64); n) esses percentuais são definidos de acordo com a carta do IRB — Instituto de Resseguros do Brasil SETECTRA250/91, de 04/11/1991, e, diante do exposto, não há como negar que os gastos' com seguro de mercadorias, despendidos pelo interessado, são insumos utilizados na prestação de serviço das empresas de transporte, pois se enquadram perfeitamente , no conceito de insumos, descritos na Fl. 4DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10945.002797/200596 Acórdão n.º 310201.183 S3C1T2 Fl. 3 5 legislação citada, ou seja, são serviços prestados por pessoas jurídicas e são aplicados ou consumidos durante a prestação; o) além do mais, os gastos com seguro são necessários para garantir que c; serviço prestado atinja o seu fim, qual seja,' entregar a mercadoria em seu destino e em perfeito estado de conservação, de modo que são aplicados "e" consumidos integralmente na consecução do serviço prestado; p) cabe lembrar que o Direito Civil, no que se refere às obrigações de fazer, classifica a prestação de serviço deste setor (transporte) como obrigação de resultado, a qual atribui toda responsabilidade ao transportador para que atinja de forma inequívoca o fim esperado, qual seja, a entrega da carga no destino, sem avarias, sob pena de responsabilização por perdas e danos, e, diante de todo o exposto, as despesas com seguro de mercadorias devem ser interpretadas como insumos operacionais da atividade do setor transportador, sob pena de prejuízo no não cumprimento da não cumulatividade, objetivado pelas leis em comento; q) já no que diz respeito aos serviços contratados para rastreamento da frota de veículos do interessado, embora se possa supor que a contratação dos mesmos tem como objetivo principal a proteção do patrimônio da empresa, não é este na realidade o seu objetivo principal, até mesmo porque o interessado mantém seguro exclusivamente para a proteção do seu patrimônio principal, no caso, para todos os seus veículos utilizados na fase operacional de transporte, razão pela qual inexiste necessidade da contratação de serviço de rastreamento para proteção da frota, tal como alegado pelo julgamento a quo; r) no ramo de atividade do interessado, a contratação dos serviços de rastreamento é exigência da Companhia de Seguros, fazendose inclusive constar na Especificação da Apólice (v. Anexo II, item 04) em que situação se dará a prestação do serviço de transporte, bem corno os recursos com os quais os veículos da transportadora deverão estar providos, para que se cumpram os cuidados necessários à perfeita proteção da carga; s), além destes procedimentos, existe ainda o caso especial das denominadas mercadorias específicas (Anexo V, II da inicial, fls. 66/67), que são as que têm maior incidência de roubo, com alto valor agregado, e, para estas, tornase obrigatória a adoção de um gerenciamento de risco, como rastreamento via satélite e/ou acompanhamento de, escolta oficial armada trabalho esse praticado por empresas legalmente constituídas, especializadas e autorizadas pelo Ministério da Justiça possibilitando ao transportador minimizar perdas materiais, financeiras e humanas, e, portanto, podese concluir que o serviço de rastreamento é vital para o ramo de transporte de cargas, encontrandose completamente atrelado às companhias seguradoras e a suas exigências, que objetivam minimizar o risco de sinistro; t) equivocase ainda o relator das Soluções de Divergência n's 01 e 02, de 16/02/2005, mencionadas pelo julgador a quo, na parte em que as mesmas fazem menção à impossibilidade de créditos sobre o custo dos seguros de mercadorias, com a alegação de não haver previsão legal para tanto, já que a norma regulamentadora da não cumulatividade não estabelece regras limitadoras da possibilidade de crédito, ou seja, não exaure todas as possibilidades de créditos; u) sendo impraticável a enumeração de todas as possibilidades de créditos, o legislador, inteligentemente, deixou que cada intérprete do texto avalie, segundo o seu segmento empresarial (industrial, comercial ou prestador de serviço) e de acordo com o ramo de atividade (agroindústria, cooperativa, fábrica de móveis, cerealista, Fl. 5DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA 6 etc.), qual o insumo entende seja aplicável o \direito ao crédito, sendo depois este procedimento passível de verificação pela autoridade administrativa, ou seja, ao legislador coube apenas definir o que é insumo e não guiais são os insumos que dão direito ao cré, dito, o que torna impossível negar direito', ao crédito, alegandose falta de previsão legal, não sendo "numerus clausus", portanto, as possibilidades de créditos de insumos; v) nos casos das decisões que alegam a inexistência de disposição legal, acaba o julgador pondo à parte as ferramentas preestabelecidas pelo ordenamento jurídico para a solução de lides, as quais não se limitam à lei, mas abrangem também a jurisprudência, os costumes, e, sobretudo, os princípios gerais do direito, citandose, para exemplificar disposto no art. 108 do CTN (que prevê a aplicação da analogia, in bonam partem; dos princípios gerais de direito, tributário, citandose os da isonomia, equidade e repulsa ao enriquecimento sem causa cf. arts. 884 a 886 do CC de 2002; dos princípios gerais de direito público; e da equidade), mesma previsão encontrada no art. 4º da LICC e no art. 126, do CPC, não podendo ser diferente no 'âmbito do processo administrativo, motivo pelo qual não pode o julgador administrativo abster de posicionarse ante o fato controverso , alegando simplesmente inexistir legislação pertinente ao assunto; w) há incongruência no entendimento apresentado pelos julgadores que emitiram as Soluções de Consulta da SRRF 9º RF nºs 326 e 327, de 29/10/2004, as quais formaram base para que se negasse o indeferimento do pedido, e as Soluções de Consulta SRRF 7ª RF n° 462/2004 e 8ª RF n° 104/2004; x) concebese como incontestável a possibilidade de efetivação de créditos sobre as despesas 'com pedágio, armazenamento de mercadorias, mãodeobra para manutenção da frota, os gastos com partes e peças para reposição nos veículos utilizados na atividadefim da empresa de transporte, ou o gás consumido pelas empilhadeiras utilizadas 'para carga e descarga de caminhões, porém, não se admite a possibilidade dos créditos sobre os itens objetos da presente lide, sinalizando que o julgador poderá estar dando menos importância a estes, julgandoos supérfluos para a realização da atividade, sendo que, pelos argumentos apresentados, demonstrase justamente o contrário; y) os valores objeto do pedido de ressarcimento, pertinentes ao presente processo, devem ser acrescidos da taxa SELIC, por ser uma espécie do gênero restituição, tal como na interpretação já manifestada pelo Conselho de Contribuintes (Recurso n° 112197, Acórdão n° '20174277, processo n° 10980.015483/98,28); pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Recurso n° 110842; Acórdão n° 202 13920, processo n° 13062.00015, 919847); e pelos nossos Tribunais (STJ, RESP 5768571RS, DJ de . 19/12/2005), , desde a data em que poderiam ter sido compensados ou ressarcidos ao . interessado, posto que o impedimento para tanto adveio da autoridade administrativa, que, primeiramente, negoulhe o direito em resposta à consulta formulada, e, posteriormente, mantém a negativa pelo indeferimento do pleito protocolado, criando obstáculo à sua efetivação, devendose restituir, portanto, além do principal, a perda do , poder aquisitivo da moeda, ocorrido no período em que demandou contra os interesses do autor, sob pena de enriquecimento sem causa; z) diante do exposto, requerse seja conhecida a Manifestação de Inconformidade, com o especial fim de deferirse integralmente o pedido de ressarcimento protocolizado, para, que o interessado possa fazer uso dos créditos na forma prevista na legislação, direito este negado originalmente; autorizarse a devida atualização dos créditos requeridos , pela taxa SELIC, a incidir desde o fato gerador dos mesmos até o efetivo , ressarcimento/compensação, posto que o entendimento da autoridade administrativa da 9º Região Fiscal era no sentido da vedação da apuração dos mesmos sobre os referidos insumos. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10945.002797/200596 Acórdão n.º 310201.183 S3C1T2 Fl. 4 7 Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 30/06/2005 PIS/PASEP. INCIDÊNCIA ; NÃOCUMULATIVA. DESPESAS COM SEGURO E SERVIÇOS DE RASTREAMENTO DE VEÍCULOS DA FROTA. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. Os valores das despesas de empresa transportadora, com seguro da carga transportada e com serviços de rastreamento dos veículos da frota, ainda que pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep, passível de ressarcimento. PIS/PASEP. INCIDÊNCIA ;NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. VEDAÇÃO. É vedada a incidência de juros compensatórios no ressarcimento de créditos do PIS/Pasep, no regime de incidência nãocumulativa da contribuição. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa. Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário. Discutese da possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS nas despesas realizadas por empresa transportadora com o seguro da carga transportada e com serviços de rastreamento dos veículos da frota. Já houve a respeito do assunto diferentes entendimentos manifestos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de solução de consultas registradas por diversas empresas interessadas, tendo a questão conexa, ao final, sido objeto de solução de divergência editada pelo Órgão Central da Secretaria, firmando entendimento de que não seria possível o lançamento credor do PIS e da COFINS para efeito de abatimento do débito no sistema da não cumulatividade. Assim concluem as Soluções de Divergência COSIT nºs 01 e 02 de 2005. 12. Diante do exposto, soluciono a presente divergência orientando à recorrente que, do valor apurado da Contribuição para o PIS/Pasep, poderá ser descontado créditos desta contribuição calculados sobre os valores das despesas incorridas com fretes, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, nas Fl. 7DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA 8 operações de vendas, efetuadas a partir de 1o de fevereiro de 2004, desde que o ônus tenha sido por ela suportado, na condição de vendedora. 13. Os valores das despesas com seguros nas operações de vendas de bens (produtos ou mercadorias), ainda que pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País, por falta de previsão legal, não gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep devida pela pessoa jurídica vendedora. Imperioso que se diga, liminarmente, que ambas Soluções de Divergência examinam situação consideravelmente distinta da vertente, pois referemse às despesas com frete ou seguro pagos por empresa que opera no ramo do comércio, como se depreende do termo na condição de vendedora contida na parte final da conclusão das Soluções, ao passo que aqui referimonos às empresas transportadoras. Quanto a isso, peço vênia para discordar do entendimento manifesto no voto condutor da decisão recorrida, nos seguintes termos. O fato de não ser a pessoa jurídica vendedora, mas sim o interessado — empresa que atua no ramo de atividade de transporte rodoviário de cargas — a arcar, por força dos contratos anexados ao seu requerimento, com as citadas despesas de seguro (nesse sentido, vide L Anexo IV, Cláusula Segunda, itens 2.4 e 2.13, fls. 50/51), não autoriza o ressarcimento de créditos pleiteado, quando muito tendo em vista o disposto no art. 123, do CTN, pelo qual, "salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes", in verbis. Ou seja, se os contratos e convenções particulares não se prestam a modificar a definição legal do obrigado, tampouco poderiam se fazer hábeis a alterar o sujeito passivo a que teria, supostamente, direito ao ressarcimento de créditos demandado. Não entendo que se trate de uma modificação na definição legal do sujeito passivo decorrente de convenção entre particulares. Segundo me parece, o foco da discussão é definir se serviços de seguro e rastreamento de veículos são ou não utilizados como insumo na prestação de serviços de transporte, diferentemente do que se estaria analisando se a empresa contratante do serviço é uma empresa que atua na área do comércio. Em outras palavras, o que é utilizado como insumo na prestação de um determinado serviço pode não o ser em outro tipo de atividade. Adentrando um pouco mais à questão, é possível admitir que a previsão contida no inciso IX do artigo 3º da Lei 10.833/03, correspondente aos gastos com “armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor”, ali esteja exatamente por que tais gastos não se enquadram nem como bens adquiridos para revenda e nem como bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Trazendo novamente ao debate os fundamentos da decisão de primeira instância, peço mais uma vez vênia para divergir do entendimento manifesto de que não é possível o lançamento credor das despesas com seguro e rastreamento por falta de previsão legal. A previsão legal, a meu ver, encontrase no retro citado artigo 3º da Lei 10.833/03, especificamente em seu inciso II, ao referirse aos serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços. Fl. 8DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10945.002797/200596 Acórdão n.º 310201.183 S3C1T2 Fl. 5 9 De fato, entendo que o âmago da questão esteja na caracterização dos serviços objetos da lide como serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço de transporte, situação na qual estarseia atendendo inclusive as disposições contidas no Ato Normativo expedido pela Secretaria da Receita Federal, qual seja, a IN SRF nº 404/04, referenciada na decisão a quo. Em sede de recurso voluntário, a recorrente reitera os termos da impugnação ao lançamento, reafirmando que está, na condição de transportadora, inclusive obrigada a contratar parte dos serviços dos quais pretende se creditar, nos seguintes termos. O seguro das mercadorias, contratado pela Recorrente no desenvolvimento de sua atividade, abrange quaisquer localidades do território brasileiro para os países locali7ados no Cone Sul, em especial o Paraguai e Uruguai e viceversa, conforme Apólices de seguro apresentada no anexo II da manifestação de inconformidade (M.I.). O prêmio pago para a seguradora é calculado sobre o valor da mercadoria, aplicandose um percentual (taxa final vide anexo III da M.I.) o qual é composto pela somatória de taxas que englobam as 3 (três) categorias de seguro a seguir descritas: a) Seguro Obrigatório de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga RCTRRC Danos a Carga; b) Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário de Carga Desaparecimento de Carga RCFDC; c) Seguro de Responsabilidade Civil do Transportador Rodoviário em Viagem Internacional Danos a Carga e Desaparecimento de Carga. Cada um dos itens acima tem sua peculiaridade. A seguir, Passaremos a comentar rapidamente sobre estas três modalidades de seguro demonstrando sua estreita relação com a atividade de transportes, restando imprescindível para a realização da atividade de transporte internacional de cargas, enquadrandose como insumo desta prestação de serviço, posto que sua finalidade se esgota no encerramento da prestação do transporte. a) SEGURO OBRIGATÓRIO DANOS A CARGA Dentre os citados, o seguro mencionado na alínea "a" é obrigatório de modo que sem a sua contratação, a Recorrente não poderá operar no segmento de transporte de cargas. A obrigatoriedade é advinda do DecretoLei n° 73/66 que em seu art. 20, assim menciona: Art, 20 Sem prejuízo do disposto em leis especiais, são obrigatórios os seguros de: m) responsabilidade civil dos transportadores terrestres, marítimos, fluviais e lacustres, por danos à carpa transportada. (Incluída pela Lei n° 8.374, de 1991); (g.n.) Das penalidades, Art. 112. Será aplicada multa de até Cr$20.000.000 (vinte milhões de cruzeiros) às pessoas que deixarem de realizar os seguros legalmente obrigatórios, sem prejuízo de outras sanções legais. (g.n.) Fl. 9DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA 10 Ainda, o Decreto n° 61.867/67 em seu art. 10 assim define o aspecto legal do Seguro Obrigatório de Responsabilidade dos Transportadores , em Geral: Art. 10. As pessoas físicas ou jurídicas, de direito público ou privado, que se incumbirem do transporte de carga, são obrigadas a contratar seguro de responsabilidade civil, em garantia das perdas e danos sobrevindo a carga que lhes tenha sido conferida para transporte, contra conhecimento ou nota de embarque. (g.n.) Esta obrigatoriedade também se vislumbra nos contratos de prestação de serviço de transporte entre a Recorrente e seus clientes (Anexo IV da M.I.), 4de na Cláusula Segunda, Obrigações da Contratada item 2.4, está firmado que compete a Recorrente a manutenção em regularidade desta espécie de seguro. (...) A seguir, discorre sobre as outras duas categorias de seguro e explica que estas, embora não obrigatórias por lei, terminam por sêlo, sob pena de perda significativa de competitividade. De fato, ainda que se possa discutir se a essencialidade pode ou não ser escolhida como um critério de definição do que venha a se caracterizar como insumo na prestação de um serviço, não consigo encontrar razões para considerar que as despesas com seguro da carga não sejam classificadas no mais alto grau de imprescindibilidade na atividade de transporte de mercadorias. A estrutura de custos de uma empresa de transportes compreende dispêndios diversos tais como: motorista, seguro do veículo, seguro da carga, IPVA/ seguro obrigatório, custos administrativos, combustível; pneus e outras peças de reposição, lubrificantes, manutenção, pedágio etc. Dos itens acima, apenas o seguro do veículo, da carga, o seguro obrigatório, alguns custos administrativos, o serviço de manutenção e o pedágio podem ser classificados como serviços. Fazendose uma classificação destes, parece razoável admitir que alguns estejam mais para gastos com preservação do patrimônio e com o funcionamento da empresa como um todo e outros mais vinculados à atividade fim da empresa, a de transportar mercadorias. Podese cogitar que se atividades da empresa cessassem por um determinado período, algumas despesas tais como as despesas com o seguro dos veículos e com as atividades administrativas permaneceriam constantes; contudo, o mesmo não pode ser dito relação às despesas de manutenção dos veículos, peças de reposição, lubrificantes, combustível e seguro da carga, já que estas estão atreladas à efetiva prestação do serviço de transporte. Considerandose esse critério de avaliação, não vejo como deixar de classificar as despesas com o seguro da carga transportada como serviço empregado diretamente na prestação de serviço de transporte, já que a contratação do seguro e o dispêndio correspondente obedecem à dinâmica determinada pela efetivação do serviço de transporte, enquadrandose, por conseguinte, nas disposições legais que regulamentam a matéria. Quanto às despesas com o serviço de rastreamento, uma vez que estas se constituam em um dos itens colocados pela seguradora à disposição do segurado, com o Fl. 10DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10945.002797/200596 Acórdão n.º 310201.183 S3C1T2 Fl. 6 11 objetivo de reduzir os riscos, não vejo como enquadrálas de outra forma, se não no mesmo conceito atribuído às despesas com seguro. Finalmente, em relação à requerida atualização com base na taxa Selic, por expressa previsão legal contida no artigo 13 da Lei 10.833/03, não há como atender o pleito da recorrente. Pelo exposto, VOTO POR DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário apresentado pela recorrente, para reconhecer o direito de crédito referente às despesas com seguro da carga e rastreamento do veículo contratados nas condições especificadas nos autos. Sala de Sessões, 01 de setembro de 2011. Ricardo Paulo Rosa – Relator. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 31/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 14/10/2011 p or LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 07/10/2011 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10882.000718/2003-22
Data da sessão: Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Oct 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/04/1999 a 30/06/1999
AMPLA DEFESA. DIREITO DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO. OCORRÊNCIA.
Deve ser anulado o processo quando decisão que se encaminhe para não reconhecer direito de contribuinte não lhe permite o exercício de sua defesa de forma ampla, mesmo tendo a Administração servido-se de regra legal para amparar o ato.
Numero da decisão: 3803-000.585
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de Inconformidade.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva - Presidente Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato.
Nome do relator: Relator BELCHIOR MELO DE SOUSA
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DIREITO DO CONTRIBUINTE. CERCEAMENTO. OCORRÊNCIA. Deve ser anulado o processo quando decisão que se encaminhe para não reconhecer direito de contribuinte não lhe permite o exercício de sua defesa de forma ampla, mesmo tendo a Administração servidose de regra legal para amparar o ato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em cancelar o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de Inconformidade. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Ad Hoc (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique Martins de Lima, Hélcio Lafetá Reis, Rangel Perrucci Fiorin e Daniel Maurício Fedato. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 07 18 /2 00 3- 22 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 2 Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº 1420.571, de 24 de setembro de 2008, da DRJRibeirão Preto/SP, fls. 65 a 68, que indeferiu a solicitação de ressarcimento de crédito de IPI apurado no 2º trimestre de 1999, fls. 01, no montante de R$ 7.461, 80. O indeferimento do seu direito creditório, que seria utilizado na compensação dos débitos declarados, devese ao fato de a Contribuinte não ter atendido à intimação para apresentar os respectivos documentos comprobatórios do crédito alegado. Em sua manifestação de inconformidade a Interessada alegou, preliminarmente, que desconhecia a intimação, em razão de extravio, aduzindo que tal fato não tem o condão de subtrair o seu legítimo direito ao crédito, que, para comproválo atesta ter estornado o valor correspondente ao solicitado, no somatório com outros pedidos, e declarou estar anexando toda a documentação solicitada. A DRJRibeirão Preto contestou o desconhecimento da intimação pela Manifestante, demonstrando ter sido esta enviada e recebida no mesmo endereço do despacho decisório denegatório do pedido. Visto assim, considerou intempestiva a entrega da documentação que pretende justificar o crédito, evocou sua incompetência para apreciála, sob pena de suprimir a instância administrativa e, dessa maneira, estar avocando a competência para conceder direitos creditórios e homologar as compensações declaradas. Desse modo, inclinouse para apreciar apenas a legalidade ou nulidade do despacho denegatório, bem como se houve cerceamento de direitos da Contribuinte. E indeferiu a solicitação. Cientificada da decisão em 21/10/2008, irresignada, apresentou recurso voluntário em 19/10/2008, em que reitera os termos da sua manifestação de inconformidade, colacionando precedentes da CSRF e do Conselho de Contribuintes para sustento de sua defesa É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Podese conceder razão à Delegacia de Julgamento ao entender, em suma, que não há ilegalidade no ato da Delegacia da Receita Federal em Ponta Grossa, substanciado no despacho decisório que não reconheceu o direito creditório, face ao nãoatendimento da intimação para apresentação dos documentos comprobatórios da existência do crédito. Também, não se pode, apropriadamente, eivar com esta mesma mancha (de ilegalidade) a decisão recorrida, eis que fundouse em regramentos específicos bem definidos. Todavia, o caso concreto reclama a ponderação de valores sopesandose o ato do nãoatendimento de uma única intimação e sua resultante: o nãoreconhecimento de um direito creditório passível de ser legítimo. Com efeito, não há nas disposições legais que regem o Processo Administrativo determinação para que a Administração Tributária promova a intimação do contribuinte mais de uma vez, para atendimento de providências que, ao final, atendem o seu interesse. Contudo, de igual maneira, não há óbice para que a Administração o faça, como sói Fl. 86DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA Processo nº 10882.000718/200322 Acórdão n.º 3803000.585 S3TE03 Fl. 86 3 acontecer quando o interesse é da Administração Fazendária, tendo em vista a coleta de dados para a apuração de crédito tributário. Sem prejuízo nem menoscabo das regras que deram supedâneo ao despacho decisório e, de resto, no que ora importa, à decisão recorrida, a leitura da norma que lhe subjaz, vista, como deve ser, sob o olhar panorâmico do ordenamento jurídico, não prescinde dos princípios, que, irradiandose sobre o texto que lhe compõe, dãolhe o verdadeiro conteúdo, bem como a dosagem de sua graduação. Malgrado a Delegacia em Ponta Grossa ter aplicado a regra do artigo 40 da Lei nº 9.784/98, segundo a qual “quando dados, atuações ou documentos solicitados ao interessado forem necessários à apreciação de pedido formulado, o não atendimento no prazo fixado pela Administração para a respectiva apresentação implicará arquivamento do processo.”, dada a possibilidade de intercorrências, bem assim de variações no curso esperado dos acontecimentos, entre a ordem (intimação) e o seu cumprimento, é meu ver que foi impedido ao contribuinte o exercício, não da sua defesa, porque não foi, mas, da sua ampla defesa – que é o seu estrito direito ao não ser intimado ao menos uma segunda vez para que viesse a sustentar o seu direito, conforme peticionado, apresentando documentos para o cotejo da fiscalização. Não é a solução mais razoável para o problema jurídico concreto, na circunstância que envolve a questão, vale dizer, a Administração não submeterse ao custo ínfimo de reintimar o contribuinte quando o valor em jogo é a subtração de um direito reivindicado. E, registrese que, se curvar a esse ato de cautela, embora procedimento não obrigatório, não implica em se afastar dos parâmetros legais. Avaliandose por este prisma, a negação do direito pretendido, por decorrência, fere o princípio da razoabilidade. Ambos, a informarem o processo administrativo e aquele a consistir em garantia constitucional. O arrazoado acima ancorase, sobretudo, no fato de o conjunto da documentação, anexado desde a impugnação e continente de cópias do livro fiscal e as respostas do contribuinte, darem a forte aparência de estarem consentâneas com o solicitado na intimação, atendendo o requisito do art. 16, § 4º.do Decreto nº 70.235/72. Pelo exposto, voto por anular o processo desde a decisão de primeira instância, inclusive, para que uma nova decisão seja proferida, conhecendo da documentação que instrui a Manifestação de inconformidade. Sala das sessões, 23 de agosto de 2010 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 87DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA 4 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 17/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 31/07/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA
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