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Numero do processo: 16561.720157/2014-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2010, 2011, 2012, 2013
CABIMENTO DOS EMBARGOS PARA SUPRIR OMISSÃO NO JULGAMENTO.
Os embargos de declaração são cabíveis para suprir omissão do julgado.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
No que se refere à alegação de ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído.
CSLL. AMORTIZAÇÃO FISCAL DO ÁGIO. APLICAÇÃO REFLEXA DO IRPJ, POR REPRESENTAR REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO.
Se a amortização do ágio corresponde a uma espécie do gênero despesa, sua dedução fiscal deve respeitar os ditames do art. 299 do RIR/99. O art. 299 do RIR/99, por sua vez, também é aplicado à CSLL, conforme interpretação do art. 13 da Lei 9.249/1995. Desta forma, aplica-se à CSLL a mesma decisão exarada em relação ao IRPJ.
COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA.
Subsistindo a autuação fiscal, não há que se falar em recomposição do saldo de prejuízos fiscais ou de base negativa de CSLL.
Numero da decisão: 1401-002.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para suprir as omissões apontadas. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à adição à base de cálculo da CSLL das glosas de despesas com ágio e a consequente recomposição do saldo de base de cálculo negativa do respectivo tributo. Vencidos os conselheiros Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Acordam, ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencida a conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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Os embargos de declaração são cabíveis para suprir omissão do julgado. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. No que se refere à alegação de ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído. CSLL. AMORTIZAÇÃO FISCAL DO ÁGIO. APLICAÇÃO REFLEXA DO IRPJ, POR REPRESENTAR REDUÇÃO INDEVIDA DO LUCRO LÍQUIDO. Se a amortização do ágio corresponde a uma espécie do gênero despesa, sua dedução fiscal deve respeitar os ditames do art. 299 do RIR/99. O art. 299 do RIR/99, por sua vez, também é aplicado à CSLL, conforme interpretação do art. 13 da Lei 9.249/1995. Desta forma, aplicase à CSLL a mesma decisão exarada em relação ao IRPJ. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. Subsistindo a autuação fiscal, não há que se falar em recomposição do saldo de prejuízos fiscais ou de base negativa de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 72 01 57 /2 01 4- 43 Fl. 3168DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, sem efeitos infringentes, para suprir as omissões apontadas. No mérito, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso quanto à adição à base de cálculo da CSLL das glosas de despesas com ágio e a consequente recomposição do saldo de base de cálculo negativa do respectivo tributo. Vencidos os conselheiros Lívia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Acordam, ainda, por maioria de votos, negar provimento ao recurso quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício. Vencida a conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campo Grande (MS) que manteve o crédito tributário decorrente do auto de infração lavrado em decorrência de supostas infrações à legislação tributária, referente a exigências de IRPJ E CSLL do anocalendário 2010 a 2013, mais aplicação de multa qualificada e isolada, tendo o total do crédito consolidado no valor de R$ 94.984.820,99 acrescido de juros de mora, conforme descrição na tabela abaixo: IRPJ Principal R$ 25.216.794,54 Juros de Mora R$ 4.682.486,29 Multa Ofício Qualificada R$ 33.560.769,91 Fl. 3169DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.169 3 Multa Isolada R$ 12.958.347,44 TOTAL R$ 76.418.398,18 CSLL Principal R$ 6.350.697,40 Juros de Mora R$ 1.424.143,88 Multa de Ofício Qualificada R$ 9.526.046,12 Multa Isolada R$ 1.265.535,41 TOTAL R$ 18.566.422,81 2. Ao compulsar dos autos, notase que as exigências fiscais contra o sujeito passivo acima identificado, são decorrentes da compensação indevida de prejuízo operacional com resultado da atividade geral, multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada e ajustes do RTT efetuado a menor. 3. Inferese do TVF – Termo de Verificação Fiscal às fls.2215 que o procedimento de autuação corresponde à glosa de deduções da amortização de ágio das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL dos anoscalendário 2010 a 2013, em razão da fiscalizada ter ilicitamente interposta sociedade veículo. 4. Concluiu a fiscalização, “que a empresa Estônia era uma empresa apenas 'no papel'. Não possuía qualquer estrutura operacional e administrativa. Foi utilizada apenas para servir de veículo entre a Bradseg e os acionistas da Integritas que desejavam vender as parcelas de suas participações com lucro". 5. Informa o Auditor Fiscal às fl.2217, que “num instrumento celebrado em 2007, entre a fiscalizada e diversas pessoas físicas, as partes acordaram um modelo negocial no qual a Bradseg adquiria do referido grupo de pessoas físicas participações em sociedade controladora (Integritas) de empresa da área de gestão de saúde, medicina diagnóstica e hospitalar para cirurgias de baixa e média complexidades (Fleury). No entanto, as participações nessa sociedade controladora não foram adquiridas diretamente pela Bradseg. Antes do fechamento do “Contrato”, que formalizou o modelo negocial, as pessoas físicas transferiram as referidas participações para a Estônia, a qual foi integralmente adquirida pela fiscalizada (momento em que surgiu o ágio para a Bradseg). Pouco tempo depois, a fiscalizada incorporou a Estônia (momento a partir do qual a Bradseg passou a amortizar tributariamente o ágio)”. 6. De acordo com o TVF – Termo de Verificação Fiscal, a fiscalizada teria amortizado indevidamente o ágio pago na aquisição da Estônia SP Participações Ltda. ("Estônia"), em síntese: Fl. 3170DF CARF MF 4 i) Em razão da ausência de razões econômicas ou negociais das operações societárias de criação e incorporação desta empresa, a qual seria uma suposta "empresa veículo" que teria sido utilizada apenas para viabilizar a amortização do referido ágio, uma vez que a real intenção da Impugnante teria sido a aquisição da Integritas Participações S.A. ("Integritas") que detinha a maior parte das ações do Fleury S.A. ("Fleury"); ii) Em razão da ausência de "confusão patrimonial", isto é, o encontro no mesmo patrimônio do ágio com o investimento não teria ocorrido, na medida em que a pessoa que suportou o ágio (Recorrente) teria incorporado apenas a suposta "empresa veículo" e não o investimento (Integritas); ii) Em razão de não ter havido unificação patrimonial, por esse motivo o ágio pago na aquisição da investida não é amortizável para fins tributários, pois “continua existindo a sociedade investidora Bradseg e o seu investimento na sociedade Integritas. O que ocorreu foi que a fiscalizada, detentora indireta de 9,37% das ações da Integritas, antes da incorporação da Estônia, tentou se ajustar à letra da lei, sem atender à sua fundamentação, praticando uma série de "reestruturações societárias" sem qualquer motivação econômica para, ao final das operações, apresentar a mesma (e verdadeira) estruturação societária de antes. Tudo não passando de uma estratégia para se tentar conseguir ganho tributário em prejuízo do Fisco Federal”. 7. Tendo tomando ciência em 11/12/2014 (fl.2.310) do auto de infração lavrado, o interessado apresentou Impugnação em 09/01/2015 (fls. 2.343/2.429), onde defendeu: i) A EFETIVA OPERAÇÃO REALIZADA: Informa que “no final do ano de 2007, o denominado Grupo Segurador do Bradesco, com o intuito de expandir a sua carteira de investimentos, iniciou uma negociação com 23 pessoas físicas para adquirir uma parcela minoritária das ações que estas possuíam da Integritas, empresa que, por sua vez, controlava o Fleury, negócio que interessava ao referido Grupo.” (...) “Constatase que, com a aquisição da Estônia pelas Pessoas Físicas, qualquer negócio realizado por meio desta empresa não precisaria ser aprovado por todas (100%) as Pessoas Físicas, mas apenas pela quantidade de quotistas que representem 3/4 do capital social da Estônia.” (...) “O Grupo Segurador Bradesco e uma grande parte das Pessoas Físicas tiveram a celeridade de suas negociações muito prejudicada pelos mais diversos entraves, todos ocasionados em razão da necessidade de negociar com muitas pessoas físicas e eventualmente com herdeiros ou cônjuges”; ii) Que as operações devem ser analisadas no conjunto e não isoladamente e cada uma delas foi praticada de forma legal e com o conhecimento dos órgãos competentes envolvidos; iii) Que em 21/12/2009, “a Impugnante incorpora a Estônia e, no ano seguinte, começa a amortizar o ágio fiscalmente as operações societárias que culminaram no aproveitamento fiscal do ágio pela Impugnante visavam, Fl. 3171DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.170 5 desde sempre, a aquisição de 20% da participação indireta no Fleury e a viabilização de uma operação cuja negociação se arrastava a mais de um ano em razão de diversos incidentes e entraves gerados por algumas das diversas pessoas físicas que participavam do negócio”; iv) A LEGITIMIDADE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS APROVEITAMENTO FISCAL DO ÁGIO: Alega a impugnante que o ágio ou deságio gerado nas operações “decorre da diferença entre o valor de aquisição (custo de aquisição) e o valor patrimonial das ações adquiridas (valor de patrimônio líquido), quando se adota o registro da participação societária pelo método da equivalência patrimonial, previsto no artigo 248 da Lei das S/A (Lei no 6.404/76)”. Ressaltando que houve a aquisição “de participação societária na Estônia, operação esta que (i) se deu entre partes e grupos econômicos independentes — Grupo Segurador Bradesco (Impugnante) e Grupo Fleury (Pessoas Físicas e Dr. Toledo); (ii) mediante o pagamento em moeda de R$ 150.430.000,00, decorrente do Contrato de Compra e Venda e de Subscrição de Ações celebrado entre as partes; (iii) com a apuração de ganho de capital por parte dos vendedores na alienação da Estônia”. Alega que “a Integritas não foi objeto de aquisição direta da Impugnante, mas sim a Estônia, holding colocada à venda pelas Pessoas Físicas e o Dr. Toledo que detinha a participação indireta na Fleury na qual o Grupo Segurador Bradesco tinha interesse. E que houve sim a efetiva "confusão patrimonial" no termos da legislação pátria, tendo em vista que o investidor (a Impugnante), pessoa que suportou o ágio pago, incorporou a pessoa jurídica investida (a Estônia) pela qual pagou um ágio projetado em função da expectativa de rentabilidade futura”. Reitera que foram atendidos todos os requisitos contábeis, societários e fiscais para o registro e amortização do ágio, previstos na legislação pátria e que por isso, as operações foram lícitas e realizadas de acordo com os atos societários; v) A INEXISTÊNCIA DE EMPRESA VEÍCULO: Informa que “a aquisição da Estônia foi provida de efetivo propósito negocial, de modo que a operação em comento não buscou nenhuma economia tributária indevida e que o principal propósito negocial para a aquisição da Estônia pela Impugnante foi o de facilitar as negociações com as mais de 20 pessoas físicas que participavam da transação, viabilizando o desenrolar mais célere dos atos seguintes até a sua conclusão. (...) A Estônia não teve como função facilitar o pagamento às Pessoas Físicas/Dr. Toledo, mas sim impulsionar as negociações que vinham sofrendo com muitos entraves e proteger a Impugnante e seu Grupo de conflitos preexistentes e desalinhamentos econômicos entre os acionistas da Integritas”; vi) IMPOSSIBILIDADE DE INGERÊNCIA PELA AUTORIDADE FISCAL NA ATIVIDADE DESENVOLVIDA: Alega que “não pode o Fisco adentrar à liberdade individual dos contribuintes, por não possuir poder de ingerência sobre os negócios particulares realizados entre partes contratantes que visam sempre o sucesso de sua atuação no mercado, mesmo que, reitere se, a alternativa adotada pelos contribuintes seja a menos onerosa fiscalmente. (...)Além da clara existência do fundamento econômico demonstrado, as operações livremente organizadas pelos contribuintes Fl. 3172DF CARF MF 6 somente poderiam ser contestadas com base em sua legalidade estrita, estando sujeitas à desconstituição apenas nos casos em que fosse constatada a ocorrência de atos ilícitos, realizados depois da ocorrência do fato gerador, ou se houvesse simulação. Aduz ainda, “que não obteve economia fiscal indevida, uma vez que a Estônia possuía evidente propósito negocial, o ágio objeto do presente caso decorre de aquisição de participação societária, entre partes independentes, mediante pagamento em dinheiro e fundamentado em expectativa de rentabilidade futura devidamente comprovada e não questionada em momento algum”; vii) A VALIDADE DA SOCIEDADE VEÍCULO NA JURISPRUDÊNCIA DO CARF: Aduz que “a participação da Estônia na estrutura societária de aquisição fundamentase em legítima decisão empresarial de organização de atividades e negócios, mostrandose plenamente lógica dentro da conjuntura empresarial”. Ao colacionar alguns julgados do CARF sobre a matéria em discussão, acrescenta, “que ainda que se tratasse de empresa veículo, constituída com a finalidade principal de viabilizar o aproveitamento fiscal do ágio, o que se admite apenas a título argumentativo, fato é que estrutura societária tem sido reiteradamente validada pelo CARF – de que a utilização de empresas holding ("empresas veículo") não seria motivo para tornar inválida a amortização fiscal do ágio”; viii) A INEXISTÊNCIA DE FRAUDE IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA MULTA AGRAVADA: Aduz que não pode prosperar a multa agravada, vez que não houve nas operações em comento que culminaram com o surgimento e a respectiva amortização do ágio, o instituto do dolo ou fraude, com a devida prova da “malfadada intenção perniciosa”. Traz aos autos, a distinção entre o dolo e o erro, na medida em que “no erro a circunstância que acarreta o vício é espontânea e no dolo o vício é provocado, é praticado intencionalmente por uma das partes”. Alega que nenhuma dessas condutas foram praticadas pela impugnante, que: “(i) prestou informações e forneceu documentos à Fiscalização, sem retardar, impedir, atrapalhar, nem confundir o trabalho fiscal, sendo entregue, inclusive, Prospecto divulgado no mercado detalhando a estrutura societária adotada de forma transparente e nos mínimos detalhes. (ii) apresentou ao Fisco todas as DIPJ e respectivas obrigações acessórias que continham o lançamento e a informação dos valores amortizados. (iii) apresentou todos os atos societários foram devidamente registrados e arquivados na Junta Comercial, dandose a publicidade necessária, o que foi inclusive reconhecido pela Autoridade Fiscal no TVF”; ix) A AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO: Alega que não há como se justificar uma simulação nas atitudes do Grupo Segurador Bradesco, pois não fora devidamente comprovada pela fiscalização, isso porque [i]“não aparentou conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem ou seja, a aquisição da Estônia cumpriu o seu objetivo que foi facilitar as negociações com os vendedores (Pessoas Físicas e Dr. Toledo); [ii] nenhum dos atos societários publicados pelo Grupo Segurador Bradesco continham "declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira". Todos os atos, sem nenhuma exceção, foram efetivamente concretizados; [iii] não houve qualquer incorreção com relação aos instrumentos celebrados pelo Grupo Segurador Bradesco.” Reitera que, nenhuma das hipóteses previstas pelo artigo 167 do Código Civil foi verificada no caso concreto, motivo pelo Fl. 3173DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.171 7 qual tampouco poderá se alegar que as operações realizadas pelo Grupo Segurador Bradesco teriam sido simuladas, e, portanto, nulas; x) A IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DA MULTA: Aduz que “restou inequívoca a presença da dúvida quanto à correção das autuações originárias da presente lide conforme se afere do artigo 112 do Código Tributário Nacional, segundo o qual "A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida.”; xi) A INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA A ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO DA CSLL: Alega que “tendo em vista que o ordenamento foi silente quanto à adição ao lucro líquido, para fins de apuração da base de cálculo da CSLL, da parcela do ágio não cabe à Autoridade Fiscal exigir o que a lei não exige. De fato, o tributo só pode ser exigido quando ocorrer a efetiva subsunção do fato à norma tributária e, somente assim, poderia se falar em ocorrência do fato jurídico tributário”; xii) A IMPOSSIBILIDADE DA COBRANÇA DA MULTA ISOLADA EM RAZÃO DA FALTA DE RECOLHIMENTO DO IRPJ/CSLL POR ESTIMATIVA: Discorre que a aplicação da multa isolada por falta de recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL somente pode ser realizada antes do encerramento do anobase. (...) “ao final do anobase o contribuinte deve elaborar sua declaração de ajuste anual, com a finalidade de verificar se o montante que foi pago ao longo do ano excede ou fica aquém do que realmente é devido. Assim, somente ao final do anobase é que o contribuinte verifica o quantum realmente devido de IRPJ e da CSLL a pagar, confrontandose os valores devidos com os valores pagos por estimativa, pelo que, independentemente do sistema de apuração (base anual/bases correntes), o fato jurídico tributário do 'RI') e da CSLL permaneceu sendo ANUAL, pois somente em 31 de dezembro de cada ano calendário é que se tem a base de cálculo definitiva para a apuração desses tributos”. Acrescenta que “os autos de infração objeto do presente processo foram lavrados após o encerramento dos anosbase de 2010 a 2013, eventuais insuficiências de recolhimento do IRPJ e da CSLL não mais poderão ser punidas pela exigência da multa isolada. E que, analisandose os autos de infração lavrados, verificase que há cobrança cumulativa da multa isolada com a multa de ofício, sobre os mesmos valores supostamente devidos a título de IRPJ e da CSLL”; xiii) A COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DE PREJUIZOS FISCAIS E DA BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DA CSLL: Argumenta que “ao autuar a Impugnante, adicionando valores às bases de cálculo do IRPJ e da CSLL relativas aos anosbase de 2010 a 2013, o Sr. Agente Fiscal compensou "de ofício" os montantes de prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL passíveis de compensação em tais períodos”; xiv) A ILEGALIDADE DA COBRANÇA DE JUROS SOBRE A MULTA: Aduz que “os juros calculados com base na taxa SELIC não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão Fl. 3174DF CARF MF 8 legal”. A impugnante discorre acerca da diferença existente sobre os institutos da multa e tributo: (i) multa não é tributo; e (ii) só há previsão legal para que os juros calculados à taxa SELIC incidam sobre tributo (e não sobre multa), a cobrança de juros sobre a multa desrespeita o princípio constitucional da legalidade, expressamente previsto nos artigos 50, II, e 37 da Constituição Federal”. xv) Requereu ao final o provimento da impugnação para cancelar de forma integral autos de infração de IRPJ e CSLL que deram origem ao presente processo administrativo. xvi) De forma subsidiária, requereu: O cancelamento da multa agravada no percentual de 150% e da multa isolada;O ressarcimento das quantias que foram compensados de ofício, os saldos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa pela fiscalização. O Acórdão ora Recorrido (0441.087 2ª Turma da DRJ/CGE) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS. A cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício só é passível de impugnação a partir do momento em que o fato se materializar, sendo defeso ao órgão de julgamento conhecer a impugnação e apreciar a matéria preventivamente. IRPJ. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. Correto o lançamento relativo às glosa de amortização de ágio quando há o desatendimento dos aspectos pessoal e material relativos a essa possibilidade e, consequentemente, a descaracterização da aplicação dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 CSLL. ADIÇÃO DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. EXISTÊNCIA DE PREVISÃO NORMATIVA. A adição à base de cálculo da CSLL de despesas com amortização de ágio deduzidas indevidamente pela contribuinte encontra amparo nas normas que regem a exigência da referida contribuição. AUTUAÇÃO REFLEXA: CSLL. Dada a íntima relação de causa e efeito, aplicase ao lançamento reflexo o decidido no principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 3175DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.172 9 Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 MULTA QUALIFICADA. Demonstrada a ocorrência de dolo, fraude e simulação, correta a aplicação MULTA ISOLADA. INCIDÊNCIA. A multa isolada é aplicada no caso de não pagamento das estimativas, independentemente de ter havido ou não o encerramento do período de apuração e mesmo que lançada a multa de ofício em face de cobrança de tributo apurado no período anual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 8. Isto porque, segundo entendimento da Turma “a ausência de propósito negocial em transações comerciais no âmbito de planejamentos tributários configura ofensa à ordem jurídica posta. (...) indício baseiase na ausência de efeitos econômicos perante terceiros, ficando as operações limitadas a um mesmo grupo econômico. Vale ressaltar que o simples fato de a operação se realizar entre parte vinculadas não quer dizer que há afronta à lei tributária. Tratase de operações anormais, ou seja, que destoam da rotina empresarial da sociedade. 9. Informa ainda, “que os julgados do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais–CARF, tem demonstrado uma tendência pelo afastamento de planejamentos tributários que encerrem propósitos exclusivamente fiscais. Com efeito, o que tem sido rechaçado pelos Conselheiros do CARF são planejamentos tributários com fortes indícios de descompasso entre a formalidade jurídica apresentada e o cursor corrente dos negócios das empresas”. 10. Aduz que “nos chamados planejamentos tributários, ainda que a estrutura aparente das operações societárias empregadas subsumase ao arcabouço legal que geraria menor ônus, cabe ao Fisco investigar se a estrutura adotada foi legítima e se o seu regime jurídico foi observado. Ou seja, para a prevalência dessas estruturas é necessário que haja causa jurídica e sua coerência com o conteúdo e a forma utilizada. É irrelevante no caso que a Estônia já tivesse existência há tempos. Conforme ficou claro no Termo de Verificação e Fiscal (fls. 2.273 a 2.276), na realidade ela só teve existência ao final da reorganização societária realizada”. 11. Conforme o entendimento da Turma cumprese destacar que: “a utilização da Estônia teve papel preponderante ou específico para fins de amortização de ágio.O fisco não pode se imiscuir no interesse empresarial da Bradseg na aquisição de participação societária na Fleury, mesmo que indiretamente.(...) O ágio pago pela fiscalizada foi em decorrência da rentabilidade futura projetada para a empresa operacional Fleury, empresa esta controlada pela Integritas, holding com quem a fiscalizada concluiu as negociações em 19/01/2009 (‘Data do Fechamento. E a Estônia tem todas as características da assim denominada Fl. 3176DF CARF MF 10 “empresa veículo”, como visto no item próprio acima. Ainda, a empresa investida era, de fato, a Fleury e não a Integritas. Mesmo se considerada a Integritas como sendo a empresa investida original (mas que de fato não é), a utilização de uma pessoa jurídica interposta (Estônia) exclusivamente para transferência do ágio, que veio a ser adquirida pela investidora (Bradseg), implica no desatendimento dos aspectos pessoal e material e, conseqüentemente, na descaracterização da aplicação dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, que resulta na impossibilidade da amortização do ágio”. 12. Informa o acórdão ora recorrido, “que os registros contábeis e fiscais, em conjunto com a reorganização societária ocorrida, foram no sentido de dar uma forma aparente de correção à amortização do ágio. Na realidade esses registros tiveram como objetivo a obtenção de vantagens indevidas. Agindo assim, a contribuinte tinha pleno conhecimento da prática, em desrespeito à legislação, sem propósito negocial, pretendendo induzir a fiscalização ao erro. Portanto, não há dúvida quanto à ocorrência da prática delituosa da impugnante, pelo que se mantém a multa de ofício aplicada no seu percentual de 150%”. 13. Neste particular, constatouse pela Turma julgadora, “que a lei determina a aplicação das mesmas normas de apuração e pagamento do IRPJ à CSLL. Relativamente à amortização de ágio, a Instrução Normativa SRF nº 390/2004, consolidou as regras relativas à apuração e pagamento da CSLL”. 14. Tendo sido intimado da decisão do Acórdão em 28/06/2016 o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 27/07/2016 (fls. 2.656/2.781), no qual traz em seu bojo o mesmo conteúdo daquele apresentado na impugnação às (fls. 2.343/2.429), acrescentando apenas o tópico: Da Nulidade da Decisão Recorrida. Dos Inadmissíveis Vícios de Motivação: Alega a recorrente que “a DRJ, expressamente, discordou da alegação trazida no TVF e inovou o fundamento do lançamento tributário, mantendo os lançamentos com base em acusação diferente daquela trazida pela Fiscalização, de modo que, caso não se determine o cancelamento integral dos autos de infração, deve este E. CARF, ao menos, reconhecer a clara e inadmissível inovação ao lançamento tributário praticada pela DRJ”; Aduz ainda que houve cerceamento de defesa, na medida em que “a DRJ trouxe, na maior parte de seu voto, um emaranhado de citações de forma descoordenada e sem tecer qualquer conexão com o caso concreto, sem, ainda, enfrentar todos os argumentos traçados pela Recorrente em sua impugnação. Informa ainda, “que a manutenção integral das autuações as afirmações da DRJ foram genéricas e superficiais e a decisão recorrida careceu de uma análise aprofundada do caso”; Requereu o cancelamento do auto de infração, e subsidiariamente, a nulidade da decisão recorrida, ou o retorno dos autos à DRJ para análise do tópico "da ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício". Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.173 11 15. O Recurso Voluntário foi parcialmente provido, e o Acórdão ora Recorrido (1401002.076 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012, 2013 ÁGIO. RENTABILIDADE FUTURA. FUNDAMENTO QUE NÃO SE VERIFICOU NO CASO CONCRETO. FALTA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. GLOSA DE DESPESAS DE AMORTIZAÇÃO. O propósito negocial vai além da mera formalidade dos instrumentos societários; ele depende precipuamente da intenção das partes em firmar o contrato. Caso este desígnio resumase meramente na economia fiscal, correta é a glosa da amortização do ágio fincada na rentabilidade futura. ÁGIO. INEXISTÊNCIA DE CONFUSÃO PATRIMONIAL. A amortização fiscal do ágio somente tem aparo legal quando as empresas adquirente e adquirida se emaranham entre si, a partir de um dos institutos elencados no art. 7' da Lei n' 9.532/1997 (fusão. cisão ou incorporação), resultando dessa operação a confusão patrimonial entre ambas. Não se permite, em regra, a dedução do ágio se ambas as empresas permanecem ativas após todo o processo de reorganização societária. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. DOLO. AUSÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. Não havendo provas de conduta dolosa, afastase a qualificação da multa de ofício. O dolo não pode ser presumido. O contribuinte não simulou ou dissimulou seus atos e operações, especialmente porque poderia obter o mesmo resultado econômico com a adoção de outras operações. MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é meio de execução da segunda. A aplicação concomitante de multa de ofício e de multa isolada na estimativa implica em penalizar duas vezes o mesmo contribuinte, já que ambas as penalidade estão relacionadas ao descumprimento de obrigação principal. Lançamento procedente em parte. 16. Isso porque, segundo entendimento da maioria da turma e de acordo com as informações extraídas do TVF, “a Recorrente teria, supostamente, amortizado indevidamente o ágio pago na aquisição da Estônia SP Participações Ltda. (Estônia), em razão (i) da alegada ausência de razões econômicas ou negociais das operações societárias de criação e incorporação desta empresa, a qual seria uma suposta empresa veículo que teria sido utilizada apenas para viabilizar a amortização do referido ágio, uma vez que a real intenção da Fl. 3178DF CARF MF 12 Recorrente teria sido a aquisição da Integritas Participações S.A. (Integritas) que detinha a maior parte das ações do Fleury S.A. (.Fleury.); e (ii) da hipotética ausência de .confusão patrimonial., isto é, o encontro no mesmo patrimônio do ágio com o investimento não teria ocorrido, na medida em que a pessoa que suportou o ágio (Recorrente) teria incorporado apenas a suposta .empresa veículo. e não o investimento (Integritas)”. 17. Desta feita, restou consignado que “restou comprovado que a empresa Estônia era uma empresa veículo, que teve como nítido interesse servir de transporte para um ágio que não foi gerado a partir de sua rentabilidade futura. E não se trata de afirmar que nenhuma empresa veículo pode ser adquirida com ágio. É que no caso concreto, percebeuse que está forma foi escolhida como objetivo meramente fiscal”. 18. No caso concreto, de acordo com o voto vencedor “era nítida a intenção da Bradseg em adquirir participação na empresa Fleury, que tinha como controladora a empresa Integritas. Entretanto, após todo o processo de reorganização societária, empresa adquirente, real adquirida e controladora direta permaneceram intactas, o que apenas corrobora as razões da fiscalização de que não houve a efetiva confusão patrimonial, como se pode observar de trecho do Termo de Verificação Fiscal (efl. 2.280)”. 19. Dessa forma, negouse provimento ao recurso voluntário quanto à amortização do ágio. 20. Em face da decisão do Acórdão de nº 1401002.076 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, a Fazenda Nacional interpõe Recurso Especial (fls. 2871/2906). 21. Às fls. 2910/2915 dos autos – Exame de Admissibilidade de Recurso Especial, admitindo o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. 22. Às fls. 2982/2996 – Embargos de Declaração do Contribuinte, trazendo os seguintes argumentos: · DAS OMISSÕES QUANTO AOS ARGUMENTOS DE DEFESA NÃO ANALISADOS PELO ACÓRDÃO EMBARGADO: Afirma que "embora o acórdão tenha reestabelecido a exigência fiscal então cancelada pelo voto vencido, deixou de se manifestar sobre as demais razoes recursais trazidas pela embargante em seu recurso voluntário que também não haviam sido objeto do voto vencido (por terem sido considerados prejudicados)”. · OMISSÃO QUANTO À ORIGEM DA SOCIEDADE ESTÔNIA E SEU EFETIVO PROPÓSITO NEGOCIAL: Diz que a participação da Estônia no negócio não foi realizada pela Embargante na posição da compradora, mas pelos próprios vendedores que assim entenderam necessário para consecução do objetivo daquela negociação. Portanto, “o entendimento exarado no acordão embargado é omisso quando à realidade dos fatos retratados nos autos, porquanto embora esteja claro que a Estônia não foi inserida no negócio pela Embargante, imputa a essa sociedade o propósito único de gerar economia de tributos por meio do aproveitamento do ágio". Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.174 13 · DA OMISSÃO QUANTO AO EXPOSTO NO RV ACERCA DOS EFEITOS DA ESTRUTURA DIRETA E ATINGIMENTO DA MESMA POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO FISCAL DO ÁGIO: Diz que a decisão embargada se mostrou omissa, pois deixou de enfrentar o exposto pela Embargante em seu RV. · DA OMISSÃO QUANTO AO EXPOSTO NO RV ACERCA DA INGERÊNCIA DO FISCO NA ATIVIDADE DO CONTRIBUINTE: Afirma que houve omissão no voto prolatado no acordão embargado, porquanto expõe flagrante intromissão fiscal no campo das atividades desenvolvidas pelos contribuintes, passando a Autoridade Fiscal a realizar verdadeiro e ilegal juízo de valor quanto à motivação das decisões negociais tomadas efetuadas pela Embargante e pelo vendedores. · DA CONTRADIÇÃO QUANTO À IMPOSSIBILIDADE DE INGERÊNCIA DO FISCO SOBRE OS NEGÓCIOS DESENVOLVIDOS PELO CONTRIBUINTE: Diz que a Embargante apresentou, ainda durante a fiscalização, as razões pelas quais os vendedores decidiram por transferir a participação que detinham na Integritas à Estônia. · DA CONTRADIÇÃO QUANTO À ALEGADA AUSÊNCIA DE CONFUNSÃO PATRIMONIAL: Afirma que a embargante não criou qualquer sociedade ou inseriu qualquer etapa na negociação, simplesmente adquiriu a empresa detida pelos vendedores, de acordo com a conveniência, para, assim, atingir seu objeto negocial. · DA CONTRADIÇÃO QUANTO AO RECONHECIMENTO DA AUSÊNCIA DE SIMULAÇÃO/DISSIMULAÇÃO E A CONCLUSÃO PELA AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL DA ESTÔNIA: Diz que a Estônia teve por finalidade, em linhas gerais, centralizar “a tomada de decisão por parte dos vendedores pessoas físicas, facilitando o atingimento do objetivo da negociação por exemplo, não seria mais necessária a unanimidade das pessoas físicas para conclusão do negócio, bastaria a aprovação de 75% dos sócios da Estônia”. · Requereu o provimento dos Embargos de Declaração opostos, para suprir as omissões evidenciadas. 23. Às fls. 3004/3062 CONTRRAZÕES AO RECURSO ESPECIAL.”. 24. Às fls. 3148/3166 – Despacho de Admissibilidade de Embargos de Declaração, no qual acolheu os E.D em parte para SANAR as 3(três) omissões abaixo: a) Da Ilegalidade da Cobrança de Juros Sobre a Multa. Fl. 3180DF CARF MF 14 b) Da Inexistência de Previsão Legal Para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio Considerada Indedutível pela Fiscalização, e; c) Da Compensação "de Ofício" de Prejuízos Fiscais e da Base de Cálculo Negativa da CSLL; 25. É o essencial ao relatório. Voto Vencido Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Inicialmente, quanto à ausência na análise do argumento relativo à legalidade da aplicação dos juros sobre mora, concordo com a Embargante quanto à omissão. De fato, este relator deixou de analisar o referido item de recurso. 1. Da legalidade da incidência de juros sobre multa No que se refere à alegação de ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante Fl. 3181DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.175 15 da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Não por outra razão, a Lei 9.430/1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, a possibilidade de tal incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha já adotada pela Segunda Turma do mesmo Tribunal (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Assim, conheço e dou provimento aos embargos sem efeitos infringentes quanto a este ponto, restando suprida a omissão indicada, e devendo ser acrescida à ementa do Acórdão recorrido o seguinte tópico: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. No que se refere à alegação de ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído. Fl. 3182DF CARF MF 16 Quanto as demais razões de mérito omitidas, este Relator entende, com a devida vênia, que dando provimento à tese principal, restaram prejudicadas as demais razões de mérito, que eram subsidiárias. De fato, o enfrentamento das razões prejudicadas deveria ter ocorrido em sede de voto vencedor, e não do vencido. Entretanto, tendo sido designado como Relator dos presentes Embargos, passo a analisar as demais razões não apreciadas. 2. Da Inexistência de Previsão Legal Para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, da Despesa com a Amortização de Ágio Considerada Indedutível pela Fiscalização Necessário se faz verificar a definição da base de cálculo da CSLL através da análise das expressas disposições do art. 2 da Lei 7.689/88, que, ao instituíla, assim especificamente destacou: Art. 2º A base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda. § 1º Para efeito do disposto neste artigo: (...) c) O resultado do períodobase, apurado com observância da legislação comercial, será ajustado pela: (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 1 adição do resultado negativo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 2 adição do valor de reserva de reavaliação, baixada durante o períodobase, cuja contrapartida não tenha sido computada no resultado do períodobase; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 3 adição do valor das provisões não dedutíveis da determinação do lucro real, exceto a provisão para o Imposto de Renda; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 4 exclusão do resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor de patrimônio líquido; (Redação dada pela Lei n 8.034, de 1990) 5 exclusão dos lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita; (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) 6 exclusão do valor, corrigido monetariamente, das provisões adicionadas na forma do item 3, que tenham sido baixadas no curso de períodobase. (Incluído pela Lei n 8.034, de 1990) Fl. 3183DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.176 17 As disposições contidas no caput do Art. 57 da Lei 8.981/95, por sua vez, especificamente destacou: Art. 57. Aplicamse à Contribuição Social sobre o Lucro (Lei n 7.689, de 1988) as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38,mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei. (Redação dada pela Lei n 9.065, de 1995) Ora, conforme se verifica da leitura dessas disposições, o mencionado art. 57 da Lei 8.981/95 não autoriza, de forma alguma, a aplicação indiscriminada das disposições regentes do Imposto de Renda na verificação dos contornos de incidência da CSLL, mas preserva, expressamente, os ditames próprios da definição de sua base de cálculo, da forma como realizado pelas disposições até então vigentes, mantendo, assim, as normas contidas na mencionada Lei 7.689/88, nos termos ali então especificamente apontados. Por sua vez, o art. 2º, parágrafo 1º, alínea ‘c’ da Lei 7.689/88, expressamente faz referência aos específicos ajustes (exclusões e adições) a serem aplicados ao resultado do períodobase, apurado a partir da aplicação das expressas disposições da legislação comercial, distinguindo a composição da base de cálculo da Contribuição em questão, assim, às regras próprias da legislação do Imposto sobre a Renda. Assim, para admitir como valida qualquer exclusão e/ou adição na apuração da base de cálculo da CSLL, fazse necessária a existência de legislação expressa, sem a qual, estarseia admitindo a possibilidade de interpretação ampliativa de normas restritivas de direito. Assim é que, as regras de dedutibilidade de despesas que sejam aplicáveis na apuração do lucro real, não podem ser estendidas, sem a existência de previsão legal, à apuração da base de cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. A obrigação de adição do ágio na base de cálculo, foi implementada apenas pela Medida Provisória nº 627, de 2013, convertida na Lei nº 12.973, de 2014. Assim, chega a ser contraditório a inclusão expressa de tal adição em lei se a legislação anterior supostamente dava guarida ao entendimento do Fisco. Na linha desse entendimento, inclusive, destacamse precedentes desta Corte Administrativa, que, sob esse específico foco, assim inclusive já se manifestaram, senão vejamos: Número do Processo: 18471.000003/200585 Contribuinte: VALEPAR S/A Fl. 3184DF CARF MF 18 Tipo do Recurso: Recurso Voluntário / Recurso de Ofício Data da Sessão: 06/12/2006 Relator(a): Márcio Machado Caldeira N Acórdão:10322.749 Decisão: Por maioria, DAR provimento ao recurso voluntário para acolher a preliminar de decadência do direito de constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 1999 e, em conseqüência, não tomar conhecimento do recurso ex officio em relação ao anocalendário de 1999, vencido o conselheiro Cândido Rodrigues Neuber que não a acolheu e, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso ex officio para restabelecer a exigência fiscal relativa ao anocalendário de 2001 referente à CSLL constante na DIPJ porém não inclusa na DCTF. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO – CSLL – DECADÊNCIA Tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o início da contagem do prazo decadencial é a data do respectivo fato gerador, decaindo o direito da Fazenda Nacional de efetuar o lançamento após o prazo de cinco anos, na forma do disposto no parágrafo 4 do artigo 150 do CTN. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995 Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. LANÇAMENTO – ERRO FORMAL – ANOCALENDÁRIO DE 2001 Atendendo o lançamento os requisitos legais, descrevendo a infração com perfeita identificação dos valores efetivamente levados à tributação e com o devido enquadramento legal, não há irregularidade formal que possa ensejar o seu cancelamento. JUROS DE MORA – CRÉDITO COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA A partir de 1 de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. (Súmula 1 C.C. nº 4) JUROS DE MORA TAXA SELIC São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. (Sumula 1 C.C. nº 5) Preliminar acolhida, recurso de ofício parcialmente provido. (Publicado no D.O.U. n 230 de 30/11/2007). (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.177 19 Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 DECADÊNCIA Na hipótese de fato que produza efeito em períodos diversos daquele em que ocorreu, a decadência não tem por referência a data do evento registrado na contabilidade, mas sim, a data de ocorrência dos fatos geradores em que esse evento produziu o efeito de reduzir o tributo devido. ÁGIO REGULARMENTE CONSTITUÍDO. INCORPORAÇÃO DE EMPRESA. TRANSFERÊNCIA DO ÁGIO ENTRE EMPRESAS DO MESMO GRUPO. DEDUTIBILIDADE. É válida a transferência de ágio entre pessoas jurídicas integrantes do mesmo grupo econômico, podendo as quotas de amortização ser deduzidas da base de cálculo do IRPJ, se o ágio tiver sido regularmente constituído em operação realizada entre pessoas jurídicas independentes, lastreadas em expectativa de rentabilidade. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. INCORPORAÇÃO REVERSA. VALIDADE. O uso de empresa veículo e de incorporação reversa, por si só, não invalida as operações societárias que transferiram o ágio da investidora original para a empresa investida, estando diretamente vinculadas ideologicamente a um propósito negocial. Verificadas as condições legais, especialmente a confusão patrimonial entre investidora e investida, deve ser admitida a amortização fiscal do ágio. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. INOCORRÊNCIA DE SIMULAÇÃO, ABUSO DE DIREITO OU ABUSO DE FORMA No contexto do programa de privatização, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n. 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. IRPJ. CSLL. BASES DE CÁLCULO. IDENTIDADE. INOCORRÊNCIA Fl. 3186DF CARF MF 20 A aplicação, à Contribuição Social sobre o Lucro, das mesmas normas de apuração e pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, por expressa disposição legal, não alcança a sua base de cálculo. Assim, em determinadas circunstâncias, para que se possa considerar indedutível um dispêndio na apuração da base de cálculo da contribuição, não é suficiente a simples argumentação de que ele, o dispêndio, é indedutível na determinação do lucro real, sendo necessária, no caso, disposição de lei nesse sentido. (Acórdão 1301002.433 Julgado em 16/05/2017) (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. POSSIBILIDADE. O art. 7º da Lei nº 9.532, de 1997, permite a dedução do ágio devido a resultados de exercícios futuros somente quando a pessoa jurídica absorve patrimônio de outra em casos de cisão, fusão ou incorporação. No caso vertente, a operação societária foi legítima e revestida dos pressupostos legais no tocante a transferência do ágio. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Inexiste previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago na aquisição de investimento avaliado pela equivalência patrimonial. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n. 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS ABATIMENTOS CONCEDIDOS NA LIQUIDAÇÃO DE CRÉDITOS DEDUTIBILIDADE Constituem despesas habituais e normais compreendidas na atividade operacional das instituições financeiras a concessão de descontos e abatimentos ao devedor na liquidação de operações de crédito. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008, 2009, 2010 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.Operase a preclusão em relação a matéria que não tenha sido objeto de impugnação ou de decisão de primeira instância administrativa. Decreto nº 70.235/1972, art. 16, inciso III JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A obrigação tributária principal compreende tributo e multas de oficio. Incidem juros de mora devidos à taxa SELIC sobre o crédito tributário constituído, incluindo as multas de ofício. (Acórdão 1301002.281 Julgado em 11/04/2017) Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.178 21 Assim, face ao exposto, dou provimento aos embargos apresentados neste ponto, com efeitos infringentes, devendo ser incluída na ementa do Acórdão recorrido o seguinte tópico: AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Não existe previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. 3. Da Compensação "de Ofício" de Prejuízos Fiscais e da Base de Cálculo Negativa da CSLL Neste ponto, cumpre ressaltar que o restabelecimento do prejuízo fiscal em caso de desconstituição, total ou parcial, do presente lançamento, é conseqüência lógica do resultado do julgamento. O fato de o contribuinte possuir prejuízo fiscal em algum exercício, e o mesmo ser compensado, total ou parcialmente, com o lançamento realizado, é medida que se impõe sob pena de exigir duplamente o tributo. Por sua vez, caso o lançamento não subsista, total ou parcialmente, como conseqüência lógica o contribuinte terá o seu saldo de prejuízo fiscal e base negativa recomposto. Entretanto, levando em consideração que, quanto ao mérito do IRPJ o voto vencedor foi no sentido de considerar indevido o ágio gerado e, portanto, glosar a amortização, não há o que se falar em recomposição do prejuízo fiscal. Por sua vez, como nos presentes embargos dou provimento ao argumento do Embargante quanto à inexistência de Previsão Legal Para a Adição, à Base de Cálculo da CSLL, também acolho os argumentos quanto á recomposição da base negativa da CSLL, por se tratar de conseqüência lógica. Assim, face o exposto, voto por dar provimento aos Embargos quanto a este ponto, com efeitos infringentes, devendo constar da ementa do Acórdão recorrido o seguinte tópico: COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. Não subsistindo o lançamento a conseqüência lógica é a recomposição do saldo de prejuízos fiscais ou base negativa considerados no lançamento fiscal. Assim, face o exposto, voto por dar parcial provimento aos Embargos para, suprindo as omissões indicadas, aplicar efeitos infringentes quanto às omissões 2 e 3, devendo serem incluídos na ementa da decisão embargada os seguintes tópicos: Fl. 3188DF CARF MF 22 JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. No que se refere à alegação de ilegalidade da incidência de juros sobre a multa de ofício, basta observar o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN para se chegar à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, já que ambos compõem o crédito tributário constituído. AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. ADIÇÃO À BASE DE CÁLCULO. INAPLICABILIDADE DO ART. 57, LEI N 8.981/1995. Não existe previsão legal para que se exija a adição à base de cálculo da CSLL da amortização do ágio pago. Inaplicabilidade, ao caso, do art. 57 da Lei n 8.981/1995, posto que tal dispositivo não determina que haja identidade com a base de cálculo do IRPJ. COMPENSAÇÃO DE OFÍCIO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. Não subsistindo o lançamento a conseqüência lógica é a recomposição do saldo de prejuízos fiscais ou base negativa considerados no lançamento fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Voto Vencedor Conselheiro Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Redator Designado Em pese o voto do I. Conselheiro Daniel Ribeiro da Silva, peço venia para dele divergir quanto à sua proposta de dar provimento ao recurso voluntário, para permitir a amortização das despesas com o ágio com relação à base de cálculo da CSLL. Segundo o relator, não há base legal para a exigência da CSLL nos mesmos moldes da legislação do IRPJ. Pois bem. Minha discordância quanto ao posicionamento permissivo da amortização do ágio tem suporte nas regras fiscais para dedução (fiscal) de uma despesa. A amortização do ágio também representa uma despesa; uma espécie do gênero despesa. Assim, como tal, a amortização do ágio deve seguir as mesmas regras fiscais para dedução (fiscal) de uma despesa qualquer. E adoto tal premissa em razão de que o Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999 (Decreto nº 3.000/1999) estabeleceu no Subtítulo II (Lucro Real), Capitulo V (Lucro Operacional), Seção III (Custos, Despesas Operacionais e Encargos), as disposições sobre as regras de custos, despesas operacionais e encargos. Sendo assim, contemplou Fl. 3189DF CARF MF Processo nº 16561.720157/201443 Acórdão n.º 1401002.733 S1C4T1 Fl. 3.179 23 disposições gerais para dedução fiscal de despesas (em sentido amplo) na Subseção I in casu, prevista no art. 299 . Em uma análise sistêmica, é de se interpretar que a amortização fiscal seria espécie de despesa, por estar situada na mesma Seção III (Subseção IV). Da mesma forma, e apenas título de informação, as despesas com Depreciação de Bens do Ativo Imobilizado (Subseção II) e Depreciação Acelerada Incentivada (Subseção III) também podem ser consideradas como espécie de despesa. Desta forma, a partir da disposição das regras fiscais contidas no Regulamento, a regra de amortização fiscal do ágio deve seguir o artigo 299 do RIR/99. Em relação à CSLL, o art. 299 do RIR/99, por sua vez, determina que, para que uma despesa seja considerada como operacional, para fins fiscais, deve tal despesa ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). § 3º O disposto neste artigo aplicase também às gratificações pagas aos empregados, seja qual for a designação que tiverem. Como a base de cálculo da CSLL, assim como do IRPJ, partem do lucro líquido para o cálculo dos tributos, a apuração da CSLL deve seguir o disposto no art. 299 do RIR/99. Isto tornase mais patente com a redação proposta pelo art. 13 da Lei 9.249/1995, que apresentou ajustes ao lucro real e à base de cálculo da CSLL, mas fez ressalva de que o art. 47 da Lei 4.506/64, que é a base legal do art. 299 do RIR/99, continua sendo aplicado aos dois tributos aqui discutidos. Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: Na acepção gramatical, a redação acima representa uma "oração", que é um conjunto linguístico que se estrutura em torno de um verbo ou locução verbal1. Diferentemente de um "período", que é a frase constituída de uma ou mais orações, formando um todo, com sentido completo2. O período pode ser simples ou composto. Período Simples é aquele constituído por apenas uma oração, que recebe o nome de oração absoluta. Período Composto é aquele constituído por duas ou mais orações, as quais podem ser coordenadas ou subordinadas. 1 extraído do site: https://pt.wikipedia.org/wiki/Ora%C3%A7%C3%A3o_(gram%C3%A1tica), em 29/01/2018 2 extraído do site: https://www.soportugues.com.br/secoes/sint/sint4.php, em 29/01/2018 Fl. 3190DF CARF MF 24 Como se trata de apenas uma oração, ou período simples, concluise que os signos constantes na redação legal devem ser concatenados entre si para que deem ensejo ao propósito do texto legal. Diferentemente de um período composto em que uma eventual redação legal poderia ter orações que não conversariam, não teriam a obrigatoriedade de concatenar os signos de uma (oração) com os de outra (oração). Esta definição serve para que se perceba a impossibilidade de se dissociar a parte final da parte inicial do artigo acima. Ou seja, fica muito claro que o advérbio de modo "independentemente" faz uma ressalva para ambos os tributos, inseridos na oração como uma finalidade ("para") que busca a norma "Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido" . Logo, a construção de todo o dispositivo legal nos leva a deduzir que a regra contida art. 47 da Lei 4.506/64, que é a base legal do art. 299 do RIR/99, também se aplica à Contribuição Social para o Lucro Líquido. E este meu entendimento de que a CSLL segue as regras do IRPJ vale tanto para a obrigatoriedade de uma adição quanto para permissão de uma exclusão fiscal. Em um caso hipotético de permissão de exclusão (no Lalur) de uma despesa de amortização de ágio outrora controlada na parte B do Lalur , por seguir as regras de amortização fiscal do ágio, também concluiria por sua possibilidade de dedução da base de cálculo da CSLL. Assim sendo, estendo meu posicionamento à CSLL sobre a proibição da dedução fiscal da amortização do ágio, nos mesmos moldes da fundamentação relativa ao IRPJ. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário quanto à amortização do ágio da base de cálculo da CSLL. (assinado digitalmente) Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa Fl. 3191DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.000794/2001-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.415
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório do Acórdão de Manifestação de Inconformidade: Trata o presente processo do pedido de ressarcimento/compensação de fls. 129/130, no valor de R$610.747,52 (retificadores dos pedidos de fls. 03 e 05). Segundo discriminado Pedido de Ressarcimento à fl. 129, a solicitação se refere ao crédito presumido do IPI, apurado segundo a Lei nº 9.363, de 27/121996, e Portaria MF nº 38, de 27/02/1997, relativamente ao 1º trimestre de 2001. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 20 .0 00 79 4/ 20 01 -3 1 Fl. 1429DF CARF MF Processo nº 10320.000794/200131 Resolução nº 3201001.415 S3C2T1 Fl. 3 2 Além deste, a contribuinte formalizou outros pedidos de compensação lastreados no crédito presumido do 1º trimestre de 2001, segundo discriminado a seguir: Processo Protocolo Crédito Presumido utilizado na compensação (1° Trim/2001) 10320 .000911/200167 28/05/2001 500.000,00 10320 .001062/200169 25/06/2001 700.000,00 Considerandose o pedido do presente processo, alcança R$1.810.747,52 o pedido de ressarcimento relativo ao 1º trimestre de 2001. A análise do pleito se iniciou na DRF/São Luis/MA, domicílio fiscal do estabelecimento, que entendeu ser incompetente para a verificação da legitimidade dos créditos, em razão da obrigatoriedade de apuração centralizada do crédito presumido (fls. 24/26), remetendo o processo para a Derat/Rio de Janeiro/RJ, para que aquela repartição diligenciasse a apuração do crédito pretendido no domicílio fiscal da matriz. Por sua vez, a DIORT/DERAT/RJO indeferiu a solicitação sem exame do mérito (fls. 30/35), ao constatar que o pedido não fora apresentado por período trimestral, conforme legislação de regência, e também pelo fato da empresa não ter juntado aos autos as cópias do Livro de Registro de Apuração do IPI relativas ao período de apuração do crédito e ao período do estorno do montante solicitado em ressarcimento. A partir desse ponto várias decisões foram proferidas, anulandose as decisões anteriores, sempre com ciência e manifestação da contribuinte. Nesse ínterim, a contribuinte retificou o pedido de ressarcimento (fl. 129), retificação essa que foi deferida pela DIORT/Derat/Rio de Janeiro por intermédio do Despacho Decisório de fls. 165/172, em razão do que, a partir de então, este processo deve ser tratado como pedido de compensação de débitos da matriz utilizando crédito presumido apurado pela matriz. No mesmo Despacho Decisório, embora a retificação tenha sido acatada, o direito creditório foi denegado e, conseqüentemente, a compensação não foi homologada. Contra esse último Despacho Decisório, a contribuinte apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 177/187. Solicitou, preliminarmente, a nulidade desse despacho, sob o fundamento de decurso do prazo para homologação tácita da compensação. No mérito, defendeu seu direito ao crédito presumido, não se conformando em ver seu pleito denegado em virtude dos erros formais cometidos no preenchimento dos pedidos. Diante da retificação do pedido, o processo foi baixado em diligência com o objetivo de apurar o crédito presumido de forma centralizada, nos termos do Despacho de fls. 230/231. Em resposta, a fiscalização elaborou a informação fiscal de fls. 418/419, mas não apurou qualquer montante do benefício. Alegou que a Billiton Metais não poderia ser beneficiária do crédito presumido por não se enquadrar no conceito de empresa produtora e exportadora (art. 1º da Lei 9.363, de 1996), dado Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 10320.000794/200131 Resolução nº 3201001.415 S3C2T1 Fl. 4 3 que a industrialização dos produtos exportados ocorreu no âmbito do Consórcio Alumar, e não em estabelecimento da Billiton. Aduziu, citando representação fiscal elaborada pela DRF/Poços de Caldas, que o empreendimento Alumar não poderia, segundo a legislação de regência, ser constituído sob a forma de consórcio, tratandose, em verdade, de uma sociedade de fato. Ao tomar ciência da informação fiscal, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 421/436. Em resumo, a Manifestante apresentou as seguintes alegações: i. que “o Consórcio Alumar tem por objeto um empreendimento determinado”; ii. “que o Consórcio Alumar reveste a natureza de consórcio operacional que, após a conclusão da construção do parque industrial, tem como objetivo o desenvolvimento coordenado e conjunto de uma atividade industrial de transformação de recursos minerais”; iii. que o Consórcio Alumar também atende ao requisito legal de prazo de duração determinado; iv. que a Billiton, enquanto integrante do Consórcio Alumar, faz jus crédito presumido, pois produz e exporta mercadorias nacionais e, para isso, adquire, no mercado interno, MP, PI e ME. Retornaram os autos a esta DRJ. Sob o entendimento de que, no caso da Billiton, não haveria motivos para não enquadrála como empresa produtora e exportadora, segundo fundamentos expostos no Despacho da Presidência de fls. 474/478, o processo foi novamente encaminhado à DEFIC/RIO DE JANEIRO/RJ para que a fiscalização procedesse à apuração do crédito presumido. Em atendimento à nova solicitação, o auditor fiscal verificou os documentos e informações apresentadas pela contribuinte e apurou o valor do crédito presumido, segundo demonstrativo de fl. 611. Entretanto, resultou apurado montante inferior ao pleiteado em virtude, principalmente, de o auditor ter excluído as aquisições de energia elétrica e de combustíveis da base de cálculo do benefício. Devidamente cientificada da apuração elaborada pelo auditor fiscal, a contribuinte apresentou a manifestação de fls. 618/625. Desta feita, insurgiuse contra a exclusão da energia elétrica na apuração do benefício. Alegou que o alumínio é produzido mediante o processo de eletrólise, no qual a energia elétrica é consumida em ação direta sobre o produto em fabricação. Encerrado o preparo do processo, os autos retornaram a DRJ/JFA/MG para apreciação. Foi então emitido o Acórdão nº 0928.662, em 19/03/2010, às fls. 644/661. Por maioria de votos, o crédito presumido foi indeferido e a compensação não homologada. A relatora do voto naquele acórdão foi vencida. Foi emitido voto vencedor, tendo como redatora a presente relatora, que entendeu que a manifestante não preenchia os requisitos para a fruição do benefício, em face da descaracterização do consórcio do qual era participante. Cientificada do acórdão, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, às fls. 667/684, tendo este resultado na emissão do Acórdão nº 380100.897, de 01/09/2011, às fls. 250/266. Por maioria de votos, Fl. 1431DF CARF MF Processo nº 10320.000794/200131 Resolução nº 3201001.415 S3C2T1 Fl. 5 4 decidiu o colegiado: “reconhecer a legitimidade da Recorrente para pleitear o ressarcimento e as compensações, retornando o processo à DRJ para apreciar as demais questões de mérito”. A DRJ/Juiz de Fora/MG – 3ª Turma, por meio do Acórdão 0947.513, de 25/10/2013, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e não reconheceu direito créditório. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 LEGITIMIDADE DE CRÉDITOS DE IPI. ENERGIA ELÉTRICA. A energia elétrica consumida na eletrólise não satisfaz às condições do PN CST 65/79, não devendo compor a base de cálculo do crédito presumido.Isso porque, nos termos do já mencionado parecer, para que um insumo seja enquadrado como produto intermediário é necessário que seu consumo decorra de “um contato físico, ou melhor dizendo, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou por este diretamente sofrida”. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/01/2001 a 31/03/2001 1) CONSUMO DE CRÉDITOS ANTERIORMENTE AO PEDIDO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. Ainda que reconhecido em parte o direito creditório do contribuinte sobre o crédito requerido para o trimestre, é de se indeferir o pleito tendo em vista sua utilização prévia pelo estabelecimento filial do peticionário 2) COMPENSAÇÃO. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. RETIFICAÇÃO. Admitida a retificação da declaração de compensação, o prazo para homologação é contado a partir da data da entrega da declaração retificadora. A empresa então apresentou Recurso Voluntário, onde pede: o reconhecimento do direito ao crédito presumido relativo a energia elétrica, em função de sua utilização como insumo na eletrólise para fabricação do alumínio; colaciona precedente da CSRF – Câmara Superior de Recursos Fiscais nesse sentido; afirma a possibilidade de aferir a energia elétrica consumida no processo de eletrólise na produção de alumínio; a validação de seu saldo credor de crédito presumido no primeiro trimestre de 2001, independentemente do resultado do processo 10320.001220/200695; solicita diligência para comprovação das alegações, em caso de dúvida. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator. Fl. 1432DF CARF MF Processo nº 10320.000794/200131 Resolução nº 3201001.415 S3C2T1 Fl. 6 5 A súmula Carf 19 estabelece que a energia elétrica não compõe o crédito presumido de IPI sob a metodologia prevista na Lei 9.363/96: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Todavia, no caso da produção de alumínio, a energia elétrica também funciona como insumo direto, porque um dos processos industriais é a eletrólise da alumina (Al2O3). Nesse caso, não se trata de energia para funcionamento de equipamento ou iluminação, mas de processo físicoquímico em que a eletricidade participa como elemento intrínseco e essencial, em contato físico com a matériaprima. No mesmo sentido o Acórdão CSRF/2001.292, e o Acórdão 3403002.960, dentre outros. A recorrente trouxe, no Recurso Voluntário, diversas faturas de energia elétrica, as quais alega que distinguem a energia utilizada no processo de eletrólise da alumina. Em vista da apresentação de prova exigida pela decisão recorrida, dentro da dialética processual – art. 16, §4º, “b” que possivelmente pode lastrear direito de crédito presumido, entendo que o julgamento deva ser convertido em julgamento, a fim de que o Fisco se manifeste sobre a prova referida, em especial, sobre a alegada possibilidade de que haja comprovação da energia elétrica utilizada apenas no processo físico de eletrólise da alumina, em separado de outros processos industriais, tais como aquecimento, iluminação, funcionamento de máquinas, etc, procedendo às verificações que entender cabíveis. Após, deve a recorrente ser instada a manifestarse, se o desejar, com o retorno do processo ao Carf para continuidade do julgamento . (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 1433DF CARF MF
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Numero do processo: 10240.000740/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/09/2001
INCONSTITUCIONALIDADE DA MULTA.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIUDADE SOLIDÁRIA.
Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação.
INTIMAÇÃO. VIA EDITALÍCIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
É válida a intimação feita por edital no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária.
Restando infrutífera a citação por via pessoal ou por via postal, plenamente válida a citação pela via editalícia.
MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.
JUROS SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2201-004.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: Relator
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Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIUDADE SOLIDÁRIA. Nos termos da legislação previdenciária, as empresas integrantes de Grupo Econômico respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa legislação. INTIMAÇÃO. VIA EDITALÍCIA. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É válida a intimação feita por edital no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo este aquele fornecido por ele, para fins cadastrais, à administração tributária. Restando infrutífera a citação por via pessoal ou por via postal, plenamente válida a citação pela via editalícia. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. JUROS SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 07 40 /2 00 7- 51 Fl. 2028DF CARF MF Processo nº 10240.000740/200751 Acórdão n.º 2201004.581 S2C2T1 Fl. 2.029 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o Conselheiro Douglas Kakazu Kushiyama. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente), Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação nº 26.401.4/0051/2006, da Seção do Contencioso Administrativo, da Delegacia da Receita Previdenciária em Porto Velho/RO. Foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de contra o Frigorífico Bonsucesso Ltda, que de acordo com o Relatório FiscalRF de fls. 285299, refere se à contribuição social da empresa (cota patronal), contribuição social para o financiamento dos benefícios concedidos em decorrência dos riscos ambientais do trabalho (RAT), contribuição social adicional para o financiamento da aposentadoria especial, contribuição social do empregado, não arrecadada, todas incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, bem como as contribuições sociais dos produtores rurais pessoas físicas devidas por subrogação, incidentes sobre o valor da aquisição de produtos rurais, todas destinadas à Seguridade Social. Tratase, ainda, das contribuições destinadas a outras entidades e fundos (Salário Educação, Incra, Senai, Sesi, Senac, Sesc, Senar e Sebrae) incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e sobre o valor de aquisição de produtos rurais. De acordo com o Relatório de Grupo EconômicoRGE de fls.578605, todas as empresas em epígrafe são solidárias pelas contribuições previdenciárias lançadas, em razão de comporem um grupo econômico com administração única, exercida pelos sócios e familiares do Frigorífico Santa Elvira Ltda e Frigorífico Novo Estado S/A. O crédito foi consolidado em 22.12.2005, totalizando a importância de R$ 19.585.260,55 (dezenove milhões, quinhentos e oitenta e cinco mil, duzentos e sessenta reais, cinqüenta e cinco centavos). O Frigorífico Bonsucesso Ltda foi regularmente notificado em 26.12.2005(fl.284). As demais empresas foram cientificadas. Fl. 2029DF CARF MF Processo nº 10240.000740/200751 Acórdão n.º 2201004.581 S2C2T1 Fl. 2.030 3 Em 10.01.2006, apresentou impugnação tempestiva de fls. 15791592, alegando os seguintes fundamentos: Em preliminar, a insubsistência da NFLD em face do entendimento equivocado da Fiscalização quanto ao grupo econômico. Inexistência dos requisitos que caracterizam o grupo econômico: personalidade jurídica própria, direção, controle ou administração centralizados e o exercício da mesma atividade econômica. Fragilidade das informações contidas no “Relatório de Grupo Econômico”, não restando evidenciado que a impugnante está sob o controle e administração de outra pessoa jurídica, não possuindo sequer o mesmo domicílio fiscal. Inexistência de provas do grupo econômico. Impropriedade no enquadramento realizado pela Fiscalização ao integrar o Frigorífico Bonsucesso no grupo econômico composto pelo Frigorífico Santa Elvira e Novo Estado. Inexistência de provas dos requisitos que caracterizam o grupo econômico; Nulidade da citação com fundamento no art. 588, incisos II e VII, da Instrução Normativa SRP/MPS nº 03, por deixar notificar a empresa em seu domicílio fiscal e cientificar seus representantes legal. No mérito, ofensa ao princípio constitucional da capacidade contributiva e ao art. 150, inciso IV, da CF/88, que veda a utilização de tributo com efeito de confisco, pela aplicação de multa superior a 2% (dois por cento) estabelecida pelo art. 52, §19, da Lei 8.078/90, com a nova redação dada pela Lei nº 9.298/1996. Inconstitucionalidade dos juros moratórios aplicados à alíquota superior a 1% (um por cento) ao mês. Ofensa aos arts. 161, §19, do CTN e 192, §39, da CF/88. Pelo exposto, requer a improcedência da NFLD, ou, alternativamente, a redução dos juros e multa ao mínimo legal estabelecido. A decisão de primeira instância restou ementada nos termos abaixo: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. A empresa está obrigada a recolher as contribuições previstas no art. 20, incisos I e II do art. 22, e art. 25, todos da Lei 8.212/91, a contribuição adicional prevista no § 6º do art. 57 da Lei 8.213/91, bem como as contribuições destinadas aos terceiros (Salário Educação, Incra, Senai, Sesi, Senac, Sesc, Senar e Sebrae), na forma da Legislação vigente; O grupo econômico responde solidariamente pelas contribuições previdenciárias; A Secretaria da Receita Previdenciária não tem competência legal para apreciar e declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade de dispositivo de Lei ou Decreto; o controle da constitucionalidade é exercido, via de regra, pelo Poder Judiciário. A multa e juros moratórios e os juros equivalentes à taxa referencial SELIC são de caráter irreveláveis, amparados pelo disposto nos artigos 34 e 35 da Lei n° 8.212/91, com as alterações da Lei n° 9.528/97. Fl. 2030DF CARF MF Processo nº 10240.000740/200751 Acórdão n.º 2201004.581 S2C2T1 Fl. 2.031 4 Cientificado do acórdão de primeira instância em 19/04/2006 (fl.1.090), o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fls.1.108/1.114), intempestivamente, em 26/06/2006, limitandose a arguir a tempestividade do recurso e reiterando os mesmos argumentos trazidos por ocasião do protocolo da peça defensiva. Os responsáveis solidários foram intimados pela via editalícia em 22/09/2006 (fl.1.126), não tendo apresentado recurso voluntário. Em face da superveniência da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal, a Unidade preparadora revisou o lançamento de ofício para reconhecer a decadência parcial do presente crédito tributário. É o relatório. Voto Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo, uma vez que o art. 34, III, § 4º da Portaria nº 520/2004, vigente à época da ciência do lançamento, previa que no caso de solidariedade, o prazo será contado a partir da ciência do último coobrigado. Considerando que os responsáveis solidários foram intimados pela via editalícia em 22/09/2006 (fl.1.805), não resta qualquer dúvida acerca da tempestividade do recurso apresentado pelo Frigorífico Bonsucesso, o qual foi protocolizado em 26/06/2006, portanto, quase três meses antes do início da fluência do prazo recursal. Da alegada nulidade da citação Alega a recorrente a nulidade da citação com fundamento no art. 583, VII, no art. 588, II, e 662 da Instrução Normativa SRP/MPS nº 03/2005, por deixar notificar a empresa em seu domicílio fiscal e cientificar seu representante legal. Pelo teor dos dispositivos normativos citados, inferese que a recorrente sustenta a irregularidade tanto na ciência do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, quanto na ciência do próprio lançamento. Em relação à alegação de irregularidade no MPF, deixaremos a abordagem para o tópico específico seguinte, em que trataremos a questão de modo específico. De acordo com a legislação citada pelo próprio recorrente (Instrução Normativa nº 03/2005): Art. 662. O sujeito passivo será cientificado da NFLD e do AI da seguinte forma: I pessoalmente, após a lavratura da NFLD ou do AI, comprovandose o recebimento mediante a assinatura do representante legal ou do mandatário; II por via postal ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; ou Fl. 2031DF CARF MF Processo nº 10240.000740/200751 Acórdão n.º 2201004.581 S2C2T1 Fl. 2.032 5 III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos. Como se vê, não existe hierarquia ou ordem de preferência entre os meios de ciência pessoal ou por via postal. No caso concreto, a autoridade fiscal optou regularmente pela via postal, entretanto, esta restou infrutífera, eis que a recorrente não funcionava mais no endereço constante do cadastro da Previdência Social. Em face do desconhecimento do novo endereço da empresa, esta foi considerada como em local incerto e não sabido, o que ensejou a citação pela via editalícia, com base no art. 662, III, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005. Destarte, não há qualquer vício na citação capaz de macular o presente lançamento, eis que os procedimentos adotados encontram lastros na legislação vigente ao tempo da citação. Assim, afastase a preliminar de nulidade de citação arguida pelo sujeito passivo. Do Mandado de Procedimento Fiscal MPF Argumenta o recorrente que o lançamento seria nulo por não ter sido emitido Mandado de Procedimento Fiscal – MPF específico para a fiscalização da comercialização de produção rural. Inicialmente, deve ser registrada a reiterada jurisprudência deste colegiado no sentido expresso pelo Acórdão 2301004.168, relatado pelo Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, de acordo com o qual eventuais deficiências do MPF não maculam o lançamento: Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes as unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, ato praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não tem condão de invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prendese tão somente a questões relacionadas a sua segurança contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Entretanto, não se vislumbra qualquer irregularidade no MPF emitido. A suposta mácula alegada pelo recorrente, constou expressamente no MPF, podendo ser observado que Fl. 2032DF CARF MF Processo nº 10240.000740/200751 Acórdão n.º 2201004.581 S2C2T1 Fl. 2.033 6 em sua descrição sumária: “ação fiscal específica por fato gerador de folha de pagamento e contribuições rurais”. No que pertine a ciência do MPF, de igual modo, não existe qualquer vício. Estando a empresa estabelecida em local incerto e não sabido, plenamente regular a ciência pela via editalícia, nos termos do art. 588, III, da Instrução Normativa SRP nº 03/2005, vigente à época do procedimento fiscal, verbis: Art. 588. Será dada ciência do MPF ao sujeito passivo da seguinte forma: I pessoal, comprovada com a assinatura do representante legal, do mandatário ou do preposto do sujeito passivo; II por via postal, ou por qualquer outro meio, com prova de recebimento tomada no domicílio tributário do sujeito passivo; III por edital, quando os meios previstos nos incisos I e II resultarem infrutíferos (grifouse). Dessa forma, não vejo qualquer mácula no procedimento adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento. Rejeito, pois, a nulidade arguida. Do Grupo Econômico responsabilidade solidária Cumpre salientar que o próprio sujeito passivo se defende da imputação de responsabilidade solidária decorrente da caracterização de grupo econômico a outras empresas. Referidos solidários não apresentaram recurso, carecendo a recorrente de interesse processual, uma vez que não pode defender interesses de outrem. Todavia, por apego ao debate, analisaremos a questão trazida pelo recorrente no que pertine à caracterização de grupo econômico. No presente caso, restou configurada a existência de grupo econômico de fato. Restou sobejamente comprovado nos autos que os sócios da autuada figuravam apenas formalmente no contrato social da empresa, mas a administração da sociedade empresarial era exercida através de procuração pelos administradores do Frigorífico Santa Elvira e Novo Estado. Destacou com propriedade a decisão de piso que referidos procuradores possuíam amplos e ilimitados poderes de gestão e o administravam simultaneamente aos Frigoríficos Santa Elvira, Porto e Novo Estado. A título de exemplo, destacase que Cláudio Marcia Sereia recebeu procuração do Sr. Roberto Demario Caldas para representálo junto a qualquer instituição financeira, gerir e administrar os bens, negócios e haveres do outorgante. Toda a operacionalização comercial do recorrente, desde a aquisição dos bovinos, abate e preparo de carne, vendas e distribuição, era realizada, de fato, pelos Frigoríficos Santa Elvira e Novo Estado que tinham toda a estrutura operacional, nome e capital para concretizar os negócios, embora as reses fossem adquiridas em nome do Frigorífico Bonsucesso, ora autuado. Fl. 2033DF CARF MF Processo nº 10240.000740/200751 Acórdão n.º 2201004.581 S2C2T1 Fl. 2.034 7 No tocante às contribuições devidas à Seguridade Social, a Lei 8.212/91 estabelece, em seu art. 30, inciso IX, a responsabilidade solidária das empresas integrantes de Grupo Econômico, nos seguintes termos: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; Conforme se observa no dispositivo transcrito acima, a Lei de Custeio da Seguridade Social prevê a responsabilidade solidária ex lege e objetiva das empresas integrantes de Grupo Econômico, ou seja, basta que uma empresa faça parte de um Grupo Econômico para que se tenha por configurada a sua responsabilidade solidária por débitos previdenciários das demais empresas do grupo. Destarte, correta a caracterização de grupo econômico e a consequente imputação de responsabilidade solidária às empresas coobrigadas. Da alegação de inconstitucionalidade de normas Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infringência aos princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva. Fl. 2034DF CARF MF Processo nº 10240.000740/200751 Acórdão n.º 2201004.581 S2C2T1 Fl. 2.035 8 Da multa confiscatória A recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, da Constituição Federal. Entretanto, de igual modo ao item precedente, a argumentação da recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula nº 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como a infrigência aos princípios da vedação ao confisco. Da aplicação da Taxa Selic A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar,uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no se ntido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF nº 4 A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Assim sendo, improcede a argumentação da recorrente quanto a não incidência de juros de mora no presente lançamento. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, para negar lhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 2035DF CARF MF Processo nº 10240.000740/200751 Acórdão n.º 2201004.581 S2C2T1 Fl. 2.036 9 Declaração de Voto Douglas Kakazu Kushiyama Conselheiro Na sessão de julgamento do dia 08 de maio do ano corrente, por precaução, me declarei impedido de participar dos julgamentos dos processos em que tinham como parte o Frigorífico Santa Elvira Ltda., pois pude constatar, apenas em sessão de julgamento que, havia uma carta enviada pelo Procurador da Fazenda Nacional ao então Presidente deste Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais fazendo menção de que esta empresa seria pertencente ao Grupo JBS. Por esta razão, havia me declarado impedido, nos termos do disposto no artigo 42, § 4º do RICARF, verbis: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: (...) § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplicase também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Na mencionada correspondência, havia menção também ao Frigorífico Bonsucesso Ltda.. Entretanto, verificando melhor os autos, pude constatar que a causa de impedimento a que estaria sujeito, não se aplicaria, tendo em vista que a única menção/documento de que o Frigorífico Bonsucesso Ltda. seria do Grupo JBS é a mencionada carta. Sendo assim, excetuando o fato de haver mencionada correspondência nos autos e o Grupo JBS não constar como sujeito passivo diretamente ou mesmo não haver nenhum patrono conhecido deste Conselheiro, não subsiste a causa de impedimento para julgamento do presente caso. Conclusão Diante de todo o exposto, deixo consignado que não estou impedido de participar do presente julgamento e acompanho o voto proferido pelo relator. (Assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Conselheiro Fl. 2036DF CARF MF
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Numero do processo: 11065.002749/2007-38
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Oct 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. EQUIPAMENTOS "FAN COIL". FALTA DE MOTIVAÇÃO.
A fiscalização não investigou a real natureza dos equipamentos "fan coil ", sua funcionalidade e características, para que pudesse perfazer o caminho delineado pelas regras de classificação fiscal. Faltou, portanto, devida motivação à autuação, eivando-lhe de vício material, por atingir elementos constitutivos da obrigação tributária, derivados da apropriada classificação fiscal, a qual determina a alíquota aplicável e assim o quantum de tributo devido. É caso de nulidade por preterição do direito de defesa, aqui declarada, nos termos dos artigos 59, II e 61 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-005.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para declarar nula a autuação, por vício material, quanto às exigências decorrentes da reclassificação fiscal dos aparelhos de "fan coil", nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS DA COSTA CAVALCANTI FILHO
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EQUIPAMENTOS "FAN COIL". FALTA DE MOTIVAÇÃO. A fiscalização não investigou a real natureza dos equipamentos "fan coil ", sua funcionalidade e características, para que pudesse perfazer o caminho delineado pelas regras de classificação fiscal. Faltou, portanto, devida motivação à autuação, eivandolhe de vício material, por atingir elementos constitutivos da obrigação tributária, derivados da apropriada classificação fiscal, a qual determina a alíquota aplicável e assim o quantum de tributo devido. É caso de nulidade por preterição do direito de defesa, aqui declarada, nos termos dos artigos 59, II e 61 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao recurso voluntário para declarar nula a autuação, por vício material, quanto às exigências decorrentes da reclassificação fiscal dos aparelhos de "fan coil", nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 27 49 /2 00 7- 38 Fl. 780DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão nº 1015.260, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, sobre lançamento de IPI por discordância quanto a classificação fiscal, entre outros temos. A 1ª Turma Especial da 3ª Seção de julgamento decidiu por converter o julgamento em diligência. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório constante do acórdão recorrido, em parte: A Delegacia da Receita Federal do Brasil, em Novo Hamburgo/RS, empreendeu ação fiscal junto ao estabelecimento acima qualificado, a fim de proceder à verificação da regularidade do cumprimento das suas obrigações tributárias relativamente ao Imposto sobre Produtos Industrializados IPI do ano de 2003. O procedimento fiscal apurou as irregularidades relatadas a seguir, que resultaram na lavratura do Auto de Infração de fls. 55/256 e dos demonstrativos de fls. 257 a 287, acompanhado do Relatório de Ação Fiscal, de fls. 237 a 254, com crédito tributário exigido no valor total de R$ [...]. A exigência decorre, principalmente, da reclassificação de uma das unidades "split", denominada de "a unidade evaporadora", bem assim a uma outra unidade denominada "FanCoil". A contribuinte as classificou no código 8419.50.90 da TIPI, com alíquota de 5%, conforme amostra de notas fiscais, de fls. 189 a 220, enquanto que para a fiscalização o correto seria a classificação das "unidades evaporadoras" nos códigos 8415.10. 0, 8415.82. 10 e 8415.82.90, (sic) odos com alíquota do IPI de 20%, conforme já teria sido objeto de consulta do próprio interessado no processo n° 13002.000205/9787, tendo sido emitida a Decisão SRRF/10ªRF/DIANA n° 12, de 12 de fevereiro de 1998, cópia de fls. 16 a 21. No mesmo auto de infração, foram constatadas outras irregularidades, alusivas i) ao cálculo do crédito presumido de IPI, previsto na Lei nº 10.276/2001; ii) à atualização monetária de, inexistente, saldo credor do IPI; Fl. 781DF CARF MF Processo nº 11065.002749/200738 Acórdão n.º 3301005.314 S3C3T1 Fl. 781 3 determinado na Ação Ordinária n° 93.00092138; iii) não estorno pelo contribuinte, no final do 3º decêndio de 12/2002 (início do 1° decêndio de 01/2003), do saldo credor registrado no livro Registro de Apuração do IPI, no valor de R$ 2.494.824,89, porque esse saldo foi integralmente absorvido por ocasião da reconstituição da escrita fiscal do contribuinte em decorrência do Auto de Infração do IPI lavrado contra o impugnante e formalizado no processo n° 11065.003605/200618 relativo ao ano de 2002 . Não conformada com o auto de infração, a empresa apresentou defesa, a qual foi acolhida parcialmente pela DRJ (fls. 612 e ss.). De acordo com o acórdão recorrido, não há repercussão prática no erro, alegado pelo contribuinte, de indicar na nota fiscal que se tratava de "unidades evaporadoras”, quando na verdade seriam aparelhos “fancoil”, uma vez que a alíquota do IPI é a mesma, Confirase: Primeiramente, cumpre esclarecer, que se mostra sem efeito a preliminar trazida pelo impugnante a respeito da correta descrição dos produtos nas notas fiscais de saída, reclamado pelo contribuinte que seriam aparelhos "FanCoil", e não "unidades evaporadoras" do tipo "split", como descrito nessas notas porque, como se verá a seguir, a classificação fiscal e, por conseqüência, a alíquota do IPI dos dois produtos é a mesma, não havendo, em conseqüência, que se falar em qualquer prejuízo ao impugnante, pela ocorrência do suposto vício material na descrição dos produtos nessas notas. Ainda segundo o aresto, a reclassificação fiscal empreendida pela fiscalização foi correta, porque tais aparelhos devem ser classificados de acordo com função principal que caracteriza o conjunto (aparelhos de arcondicionado). Confirase: 5.5. Em razão de tudo o que foi exposto acima resta claro denominadas "unidades evaporadoras" dos aparelhos split, bem assim denominados "FanCoil”, contêm um ventilador motorizado e são destinados conjunto com outras unidades (unidades condensadoras ou torre de resfriament (sic) visto), devendo ser classificados de acordo com função principal que caracteriza o conjunto, que é a de modificar, ao mesmo tempo, a temperatura e a umidade do ar, funções típicas dos aparelhos de arcondicionado, nos exatos termos da definição expressa na posição 8415 da TIPI/2001, com alíquota de 20%. Dessa forma, para efeitos de valor do IPI, verificar se a descrição dos produtos nas notas fiscais foram feitas de forma equivocada, como alegado pelo impugnante, mostrandose, também por esse motivo, desnecessária a perícia técnica, como solicitado. 5.6. Diante disso, agiu corretamente a fiscalização ao formalizar o lançamento complementar do IPI que foi lançado a menor nas notas fiscais, conforme detalhamento de valores nas planilhas das fls. 45 a 78, referente ao ano e 2003, com a imputação da multa de lançamento de ofício agravada em 50 %, que passou de 75% para Fl. 782DF CARF MF 4 112,5%, porque o imposto destacado em valor inferior, referese a produto cuja classificação fiscal já foi objeto de solução em consulta formulada pelo infrator, nos termos do RIPI/2002 Para a DRJ, também deve ser mantido o lançamento pelo não estorno de crédito de IPI, referente ao 3º12/ 2001, porque tal valor já teria sido glosado em auto de infração anterior, pendente de julgamento no CARF, não havendo que se falar em duplicidade de exigência: Não estorno do saldo credor ao final do 312/ 2002 6. Com relação à irresignação do interessado pela glosa do crédito de R$ [...], regístrados na sua escrita fiscal ao final do 3° decênd' (sic) mesmo valor no início do 1° decêndio de 01/2003, cabe salientar que, de acordo no item 1.3.3 do relatório deste acórdão, esse valor foi integralmente abso (sic) escrita fiscal do contribuinte foi reconstituída por ocasião do lançamento do IP (sic) sobre ele imputadas no processo n° 11065.003605/200618, lançamento esse que por ocasião do julgamento na primeira instância administrativa, conforme Acórdão n° 1012.673, de 12 de julho de 2007 e, 1 atualmente, pendente de julgame (sic) voluntário no Conselho de Contribuintes. Assim, se o valor do crédito foi absorvido no lançamento anterior, não há mais que se admitir o seu aproveitam (sic) fiscal, como quer o interessado, sob pena das infrações imputadas naquele surtirem qualquer efeito. Esse entendimento deve ° (sic) ser mantido até que a matéri (sic) definitivamente apreciada pela instância I final administrativa, no caso o Contribuintes, ou, se for o caso, na instância judicial, onde a matéria ainda pode (sic) apreciação. 6.1. Da mesma forma, ê incabível o entendimento esposado pelo que estaria sendo duplamente autuado, por motivos similares aos quais j (sic) anteriormente. Pelo contrário, a fiscalização agiu corretamente ao autuar o impugnante quando verificou que, mesmo tendo sido intimado a efetuar o estorno do saldo credor do 3º decênio de 12/2002, por ocasião da autuação anterior, este não o fez e prosseguiu cometer irregularidades já autuadas. Entretanto, cabe esclarecer que, caso o contribuinte no Conselho de Contribuintes ou no Poder Judiciário, com o cancelamento c anteriormente efetuado, o crédito glosado poderá ser integralmente aproveitado. Quanto erro na apuração do crédito presumido de IPI, o acórdão recorrido acolheu parcialmente a defesa da recorrente, dizendo não ser possível, depois de março de 2003, incluir na receita operacional bruta as mercadorias adquiridas de terceiros e revendidas pela autuada: Primeiramente, em relação à inclusão, na Receita Operacional Bruta dos valores correspondentes à revenda de mercadorias adquiridas de terceiros, promovida pela autoridade administrativa, verificase que tal procedimento mostrase equivocado, em razão do que dispõe a Portaria MF nº 64, de 24 de março de 2003, publicada no Diário de 26 de março de 2003, em seus artigos 3º § 12, I, e 12: [...] Fl. 783DF CARF MF Processo nº 11065.002749/200738 Acórdão n.º 3301005.314 S3C3T1 Fl. 782 5 7.3. Antes dessa data (26 de março de 2003), o entendimento da Receita Federal vinculavase ao conceito constante da Portaria MF no 38, de 27 de fevereiro (art. 3º, § 15) e Instruções Normativas SRF nº 23, de 13 de março de 1997, e agosto de 1991, que definiam receita operacional bruta como "o produto da venda de serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia". Essa definição, sem deixar dúvidas, incluí receitas relativas a produtos revendidos no cômputo dá receita operacional bruta. 7.4. Assim, pelo disposto nos atos legais antes mencionados, a obrigatoriedade da inclusão, na Receita Operacional Bruta, dos valores cor espondentes (sic) à revenda de mercadorias adquiridas de terceiros, deixou de existir, a partir o período de apuração março de 2003, devendo, portanto, ser reconhecido o direito do c ntribuinte (sic) não incluir esses valores a partir desse mês. Assim, os novos valores de receita op racional bruta, para fins de apuração do crédito presumido do IPI, encontramse no ANEXO I deste acórdão, bem assim os valores de benefício a que o contribuinte tem direito, encontrams (sic) discriminados no ANEXO II deste acórdão. Dessa forma, os valores do IPI glosados pela fisc lização (sic) foram alterados para menos, conforme demonstrado no ANEXO II retrocitado devendo ser cancelados do auto de infração, de fls. 255/256, os seguintes valores: período e apuração 309/ 03, R$ 194.747,11 (141.571,80+53.175,31); período de apuração, 311/ 03, R 144.383,74 e período de apuração, 312/ 03, R$ 44.234,78, totalizando R$ 383.365,63, bem as im (sic) a multa de ofício de 75% e os juros de mora pela taxa Selic. Na sequência, a DRJ rejeitou o pedido da empresa, de que fossem excluídas as receitas dos estabelecimento nãoexportadores da receita operacional bruta, porquanto a Portaria MF nº 64/2003 determinou a apuração centralizada do crédito presumido, abrangendo todos os estabelecimentos da empresa. Eis seus termos: 7.5. Já o pleito do impugnante em querer excluir as receitas de ve das (sic) efetuadas pelos estabelecimentos nãoexportadores não tem nenhum amparo legal. E 'ora (sic) a defesa tenha invocado a autonomia dos estabelecimentos e procurado estabelecer uma diferença entre a figura da pessoa jurídica e a do produtor exportador, expressões empregados pela Lei n° 9.363, de 1996, na verdade a referida Lei atribui o crédito presumido à empresa produtora exportadora, figura que se confunde com a pessoa jurídica, desautorizando assim a diferenciação pretendida. 7.6. Já a Portaria MF n°. 64, de 2003 (art. 3º § 1°), estabeleceu que a apuração do crédito presumido de IPI deve ser feita de forma centralizada, nos termos do art. 15 inciso II da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, que determinou, expressamente, que a apuração seja feita de forma centralizada no estabelecimento matriz. Fl. 784DF CARF MF 6 7.7. E a apuração centralizada do crédito presumido, como determina a Lei, implica incluir a Receita Operacional Bruta/ROB (na definição do art. 3º, § 1º, da Portaria MF nº 64, de 2003) de todos os estabelecimentos da pessoa jurídica, sem exceção, o cálculo do citado benefício; qualquer outra modalidade de cálculo é irregular, ainda que, e entualmente (sic), venha a chegar ao mesmo resultado. Por conseguinte, a pretensão de excluir a rceita (sic) de seus estabelecimentos nãoexportadores da Receita Operacional Bruta da empr sa (sic), não tem justificativa na legislação de regência. Finalmente, o acórdão concluiu que a glosa da atualização monetária do saldo credor do IPI não implicou em ofensa à ordem judicial, diante da inexistência do referido saldo credor, rejeitando ainda o pedido de perícia. Observese: Com relação à glosa do crédito do IPI de R$ [...], registr do (sic) na escrita fiscal do autuado, em 31/12/2003, cumpre esclarecer ao impugnante que nã (sic) há nenhum desrespeito à decisão judicial citada aos autos, de fls. 184 a 188, posto que com a reconstituição da escrita fiscal do contribuinte levada a efeito por ocasião as infrações constantes do processo 11065.003605/200618 e no presente processo, de fls. 23 /232, não se apurou saldo credor do IPI na data citada, não havendo, por conseqüência que se falar em atualização monetária do que não existe, motivo pelo qual resta correta a glosa efetuada pela fiscalização. [...]9.2.. No presente caso, não vislumbro necessidade de perícia técnica nem vejo prejuízo para o impugnante, que juntou à impugnação os catálogos com as técnicas dos aparelhos além de laudo técnico referente à matéria, de fls. 344 a suficientes para formar convicção sobre os fatos e proceder à decisão ora emiti forma, entendo desnecessária a realização de perícia contábil para apuração (contribuinte, posto que essas informações foram obtidas pela fiscalização e prestadas pelo próprio impugnante, Ficha 26A da DIPJ, de fls. 168 a 179 impugnante provado qualquer incorreção a esse respeito. Cientificada da decisão da DRJ, a interessada interpôs o presente recurso voluntário, pedindo o reconhecimento da nulidade do acórdão recorrido, por ter indeferido o pedido de perícia e por ter se omitido de apreciar o argumento da empresa, de que a consulta sobre a classificação fiscal, que resultou em multa majorada, se referia a unidades evaporadoras, enquanto que o caso dos autos só tratam de mercadorias denominadas fancoil. Alternativamente, a recorrente pede a reforma do acórdão recorrido para julgar totalmente improcedente a autuação. Finalmente, a recorrente requereu a juntada aos autos de laudo técnico, que ratificaria a sua classificação fiscal. A resolução em pauta decidiu pela conversão do julgamento em diligência, por entender que, "para o deslinde da questão é imprescindível a realização" desta "para definir Fl. 785DF CARF MF Processo nº 11065.002749/200738 Acórdão n.º 3301005.314 S3C3T1 Fl. 783 7 qual é o produto objeto da reclassificação fiscal (unidade evaporadora ou fan coil)", ao contrário do que decidiu a DRJ. Realizada a diligência, a unidade de origem juntou Relatório Técnico do Instituto Nacional de Tecnologia (INT). Sobre esse relatório, manifestouse a contribuinte. Foime distribuído o presente processo para relatar e pautar. É o relatório. Fl. 786DF CARF MF 8 Voto Conselheiro Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Relator. O recurso voluntário apresentado foi dado por tempestivo pela resolução em pauta1. Preliminar A recorrente defende a nulidade do acórdão de primeira instância por ter indeferido pedido de perícia. Não assiste razão à contribuinte. É que o art. 18 do Decreto n° 70.235/72 determina que "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias" apenas "quando entendêlas necessárias". E, segundo relato, apresenta motivos. A recorrente aponta nulidade no mesmo acórdão, por omissão, com relação a "decidir questão relativa à natureza dos aparelhos objeto da fiscalização ora combatida". Tal tema será atacado na discussão de mérito. Mérito A classificação das mercadorias, mediante "a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul" (NCM) "será feita com observância das Regras Gerais para "Interpretação (RGIs), "das Regras Gerais Complementares" (RGCs) "e das Notas Complementares" (NCs) "e, subsidiariamente, das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas" (NESH) (art. 94, parágrafo único do RA/09, com base no DecretoLei 1.154/71, art. 3º, caput). No relatório técnico que da diligência emergiu, o INC respondeu a quesitos formulados por este CARF, pela unidade de origem e pela contribuinte. Reproduzo os quesitos e respectivas respostas que entendi relevantes: Questionamentos formulados pelo CARF — ANEXO I 1) Quais são os produtos objeto do lançamento tributário (unidade evaporadora e/ou fan coil)? 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 787DF CARF MF Processo nº 11065.002749/200738 Acórdão n.º 3301005.314 S3C3T1 Fl. 784 9 Resposta: Os aparelhos objeto do lançamento tributário são todos equipamentos fan coil, conforme lista apresentada pela Consulente e estudos de rastreabilidade feitos conforme anexo com 28 paginas. 2) As unidades evaporadoras, consideradas isoladamente em relação as unidades condensadoras, modificam simultaneamente a temperatura e a umidade do ar? Resposta: Não. Possuem ventilador motorizado? Resposta: Sim. Há dispositivo próprio para modificar a temperatura e a umidade do ar? Resposta: Não. 3) As unidades evaporadoras vendidas pelo contribuinte podem ser utilizadas em outras finalidades, que não as que desempenham quando operam em conjunto com as unidades condensadoras dos condicionadores de ar modelo split? Resposta: Sim, as evaporadoras podem ser utilizadas em outras finalid or exemplo (sic), elas podem servir como cortinas de ar. 4) Descreva os elementos que compõem o fan coil e sua função. Quais são as diferenças entre a unidade evaporadora e o fan coil? Resposta: O fan coil/intercambiador de calor é composto por conexões para interligação com tubulação de água, existência de purga para permitir drenagem do líquido (água) do interior, serpentina com tubos lisos para passagem da água com a mínima perda de carga, placa eletrônica (se existente) possui saída (comando) para abertura e fechamento de válvula externa (ou interna) que controla a passagem da água pelo interior do equipamento. A função do fan coil é permitir a troca do calor entre a água que circula no seu interior e o ar do ambiente em que ele se encontra. Podese afirmar que as diferenças entre a evaporadora e o fan coil dizem respeito ao estado do fluido refrigerante usado no sistema. Enquanto no fan coil ele se apresenta em forma de líquido e, portanto, os tubos e conexões estarão adaptados para este tipo de fluído, na evaporadora ele é encontrado em forma de gás. [...] 5) O fan coil pode ser utilizado em quais finalidades? Resposta: O fan coil pode ser utilizado para ventilação. Por exemplo, para secag de produtos. O fan coil pode ser utilizado isoladamente? Fl. 788DF CARF MF 10 Resposta: Sim. O aparelho, isoladamente, tem a simples função de ventilador. O fan coil foi concebido para modificar simultaneamente a temperatura e a umidade do ar? Resposta: Não. Há entre suas finalidades a função de controlar e regular a umidade do ar? Resposta: Não. O fan coil é dispositivo para tratamento de materiais (ar) por meio de operações que impliquem mudança de temperatura? Resposta: Isoladamente não. Contudo, se estiver interligado a um sistema/ciclo de refrigeração, sim. [...] Questionamentos do Contribuinte [...] Fan Coil [...] 12) Diga o Sr. Perito se existe(m) outro(s) elemento(s) indispensável(is) para a constituição de um sistema de refrigeração a partir de um Fan Coil. Se afirmativos, quais? Se afirmativo, pode ainda o sistema prescindir de outros elementos (como, por exemplo, bombas dágua, sifão, painel de controle, torre de resfriamento, etc.) que são considerados essenciais, a depender do local e condições em que for instalado? Resposta: Sim. O Fan Coil exige outros elementos indispensáveis para a constituição de um sistema de refrigeração, como termostatos, válvulas e elementos de conexão para a água que circulará em seu interior e dutos de ar. É imprescindível a presença de um chiller (ou caldeira), bomba d'água, tubulação hidráulica para a condução da água, sistema de controle e torre de resfriamento no caso de um chiller com condensação a água. 13. Diga o Sr. Perito se os Fan Coil podem ser considerados uma máquina de arcondicionado ou se podem ser considerados um elemento dos sistemas de refrigeração. Resposta: O fan coil é apenas um elemento do sistema de refrigeração (ar condicionado), uma vez que, separadamente, não possui os dispositivos necessários para alterar a temperatura e a umidade do ar. Fl. 789DF CARF MF Processo nº 11065.002749/200738 Acórdão n.º 3301005.314 S3C3T1 Fl. 785 11 14. Diga o Sr. Perito se os Fan Coil podem ser utilizados como partes ou peças de substituição para sistemas já em funcionamento. Resposta: Sim. O Fan Coil pode ser substituído por outro em caso de pane ou ou necessidade de projeto. 15. Diga o Sr. Perito se os Fan Coil apresentam, além de um ventilador a motor e serpentina, algum dos elementos abaixo: quer um corpo de aquecimento (de tubos de água quente, de vapor ou de ar quente, ou de resistências elétricas, etc.) e um umidificador de ar (que consiste, geralmente, em um pulverizador de água) ou um desumidificador de ar; Resposta: Não. quer uma bateria de água fria ou um evaporador de grupo frigorífico (cada um modificando ao mesmo tempo a temperatura e, por condensação, a umidade do ar); Resposta: Não. quer um outro elemento de arrefecimento e um dispositivo distinto para modificar a umidade do ar; Resposta: Não. Do relatório técnico produzido é possível afirmar que: 1) Os produtos em questão são fan coils e não unidades evaporadoras. 2) O fan coil é um intercambiador de calor, composto por conexões para interligação com tubulação de água, sendo sua função permitir a troca do calor entre a água que circula no seu interior e o ar do ambiente em que ele se encontra. Isoladamente ele não muda a temperatura do ambiente, mas se interligado a um sistema/ciclo de refrigeração, sim. Ele pode ser utilizado para outras finalidades. 3) O fan coil é um elemento do sistema de refrigeração (ar condicionado)., 4) O fan coil não modifica a umidade do ar, apenas a temperatura, haja vista a diferença entre a resposta absolutamente negativa quanto à função de umidificação e positiva quanto à mudança de temperatura, se interligado o aparelho a sistema de refrigeração: "Isoladamente não. Contudo, se estiver interligado a um sistema/ciclo de refrigeração, sim". A classificação na posição 84.15 exige a presença de "dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade" 5) O "fan coil" apresenta ventilador motorizado. Fl. 790DF CARF MF 12 6) A diferença entre o fan coil e a evaporadora está no estado do fluido refrigerante usado no sistema: "Enquanto no fan coil ele se apresenta em forma de líquido e, portanto, os tubos e conexões estarão adaptados para este tipo de fluído, na evaporadora ele é encontrado em forma de gás". Observese ainda que na TIPI , posição 84.15 há item específico para partes das máquinas e aparelhos de arcondicionado, entre as quais "unidades evaporadoras" e "unidades condensadoras" (subitens 8415.90.10 e 8415.90.20), além de "outras" (8415.90.90). Não encontrou este relator, menção na TIPI específica do "fan coil". Identificou trocadores (ou intercambiadores) de calor, mas em outras aplicações e características, como o emprego em laboratórios. O mesmo se passou em pesquisa na NESH Há de se ressaltar que a SPRINGER CARRIER S/A obteve solução de consulta na Decisão SRRF/10ª/ DIANA Nº 12/98, dando pela classificação das unidades evaporadoras na posição 8415, nada mencionando sobre "fan coil". A DRJ por sua vez, diz que "não há repercussão prática no erro, alegado pelo contribuinte, de indicar na nota fiscal que se tratava de "unidades evaporadoras”, quando na verdade seriam aparelhos “fan coil”, uma vez que a alíquota do IPI é a mesma" [...] "porque tais aparelhos devem ser classificados de acordo com função principal que caracteriza o conjunto (aparelhos de ar condicionado)". Importante destacar e repisar que, do relatório técnico trazido pela delegacia de origem, provocada por solicitação de diligência, das resposta do INC, entendi que o "fan coil" não modifica a umidade do ar, apenas a temperatura, afastandoo da NCM aplicada pela autuação. No manual do "Fab Coil 42LS" há menção a função de alteração de temperatura mas não de umidade. A Solução de Consulta referida explica a função de alteração de umidade do ar para o evaporador, "o evaporador possui uma bandeja para coleta de umidade condensada do ar resfriado, que é drenada de Modo contínuo para o esgoto, através de tubulação externa". Assim, independentemente da classificação correta do fan coil, entendo que a fiscalização não investigou a real natureza dos equipamentos sob fiscalização, sua funcionalidade e características, para que pudesse perfazer o caminho delineado pelas regras de classificação fiscal. Limitouse a dizer, em seu "RELATÓRIO DA AÇÃO FISCAL" (fl. 239 e seguintes): 3.1.2.9 — Fazem parte da linha de produção da fiscalizada também os aparelhos denominados "FAN COIL", que são aparelhos condicionadores de ar, ou unidades (partes) de um sistema condicionador de ar, sendo algumas concebidas para funcionar como um corpo único (evaporadora e condensadora) e outras concebidas para funcionar com condensação a ar remoto; algumas montadas m um gabinete com acabamento para ficar exposto no ambiente a ser refrigerado, e outras com gabinete sem acabamento tão esmerado, próprias para ficarem em ambientes reservados, mas todas , apresentando ventilador motorizado, tendo a função de modificar a temperatura (arrefecimento/aquecimento) e, por condensação, a umidade do ar, conforme pode se ver, resumidamente, nos catálogos colocados pela fiscalizada na internet, referentes aos citados aparelhos, catálogos estes anexos à fls. 33 a 44. Estes aparelhos foram classificados erroneamente pele fiscalizada, na posição 8419.50.90, tributados em uma alíquota de IPI na ordem de 5 %. Fl. 791DF CARF MF Processo nº 11065.002749/200738 Acórdão n.º 3301005.314 S3C3T1 Fl. 786 13 [...] 3.1.2.11 — Em face ao exposto, com base nas Regras Gerais pára Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI) 1ª (texto da posição 8415) e 6a (textos das subposições 8415.81 e 8415.82), bem como na Regra Geral Complementar RGC1 (textos dos itens 8415.81.10, 8415.81.90, 8415.82.10 e 8415.82.90) e coro os esclarecimentos das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado NESH, os produtos denominados "FAN COIL" classificam se, de acordo com as suas respectivas potências medidas em frigorias/hora, bem como de acordo com a existência ou não, no ap arelho, de válvula de inversão do ciclo térmico, nos códigos 8415.81 .10, 8415.81.90 , 8415.82.10 e 8415.82.90 da TIPI, todos tributados a alí quota de 20%, como aparelhos de arcondicionado, contendo um ventilador motorizado e dispositivos próprios para modificar a temperatura e a umidade, tendo como funções principal a de arrefecimento ou aquecimento do ar e secundária a de movimentação de ar. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/02/2008 LANÇAMENTO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE POR VÍCIO MATERIAL. Por ocasião da vistoria aduaneira, solicitada pela importadora, a mercadoria se encontrava sob custódia do depositário, sem que haja registro de este tenha tomado providências que pudessem excluir sua responsabilidade. Responsabilidade pelo extravio é do depositário e não do transportador. Erro na identificação do sujeito passivo é matéria de ordem pública, não atingida pela preclusão. É vício material por atingir elementos constitutivos da obrigação tributária, devendo ser declarado nula a autuação. Faltou, portanto, devida motivação à autuação, eivandolhe de vício material, por atingir elementos constitutivos da obrigação tributária, derivados da apropriada classificação fiscal, a qual determina a alíquota aplicável e assim o quantum de tributo devido. É caso de nulidade por preterição do direito de defesa, aqui declarada, nos termos dos artigos 59, II e 61 do Decreto 70.235/72. Quanto ao "crédito presumido de IPI para ressarcimento do valor da COFINS rias exportações", a contribuinte se insurge contra a decisão da DRJ, quando esta: 1) dá razão parcial à impugnação, ao afastar a inclusão na receita operacional bruta as mercadorias adquiridas de terceiros e revendidas pela autuada, para fins de rateio, apenas depois de março de 2003; e 2) mantém a inclusão das receitas de todos os estabelecimentos da empresa mesmo os não exportadores. Não assiste razão à recorrente. Fl. 792DF CARF MF 14 A Portaria MF nº 64, de 24 de março de 2003, é a que regulamenta, a partir daquela data, "o cálculo e a utilização do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) de que trata a Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996", e em seu art. 3,º § 12, I, estabelece a forma de apuração do dito crédito presumido, considerando "receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica [...]", ficando de fora, a partir dessa norma regulamentadora, as mercadorias adquiridas de terceiros e revendidas pela autuada. Antes vigorava a Portaria MF nº 38, de 27 de fevereiro de 1997, que considerava receita operacional bruta "o produto da venda de serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia". Já art. 15, II, da Lei 9.779/99 é clara ao determinar que será efetuada "de forma centralizada, pelo estabelecimento matriz da pessoa jurídica" [...] "a apuração do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI de que trata a Lei no 9.363, de 13 de dezembro de 1996". Nesses temas, complemento minhas razões de decidir com as da DRJ, já reproduzidas no relatório do presente acórdão. A recorrente se insurge também contra a manutenção da "glosa da correção monetária aplicada sobre do (sic) saldo credor de IPI. na escrita fiscal da Recorrente, com base na decisão judicial proferida nos autos da ação no 93.00092138". Diz que a reconstituição da escrita se deu sob a autuação contida no processo 11065.003605/200618. Traz o art. 151, III, do Código Tributário Nacional em seu socorro. A decisão judicial em comento apenas reconhece "ao autor o direito de corrigir os saldos credores de IPI [...], pela variação do BTNF/UFIR, [...]". Dessa forma, concordo com a decisão de primeiro grau que endossa o entendimento da fiscalização de que "a glosa da atualização monetária do saldo credor do IPI não implicou em ofensa à ordem judicial, diante da inexistência do referido saldo credor". O referido artigo do CTN, de fato, determina a suspensão de exigibilidade do crédito tributário ante recursos movidos pela recorrente o que não altera, ao meu sentir, a conclusão do acórdão de piso, inclusive com relação às multas aplicadas. A recorrente ainda argumenta sobre "suposta falta de declaração e pagamento do IPI". Diz que "as glosas devem ser mantidas até o julgamento definitivo da matéria, sendo que o crédito glosado poderá ser integralmente aproveitado com o cancelamento do lançamento, seja pelo Conselho de Contribuintes, seja pelo Poder Judiciário". Entendo que, com relação a essa assertiva, não há o que se decidir, nas funções julgadoras desse Colegiado. Assim, por todo o exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário para declarar nula a autuação, por vício material, quanto às exigências decorrentes da reclassificação fiscal dos aparelhos de "fan coil". Repiso que a não reversão da glosa da correção monetária deuse por, ao momento da fiscalização, não haver saldo credor a ser corrigido, em função da autuação contida no processo 11065.003605/200618. (assinado digitalmente) Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho Relator Fl. 793DF CARF MF Processo nº 11065.002749/200738 Acórdão n.º 3301005.314 S3C3T1 Fl. 787 15 Fl. 794DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.900832/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA
Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora, sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente.
Numero da decisão: 1302-003.019
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rogério Aparecido Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente)
Nome do relator: ROGERIO APARECIDO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora, sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente)
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RETENÇÕES INDEVIDAS. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS DE CONTRIBUINTES ISENTOS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Recorrente GERDAU AÇOS LONGOS S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 COMPENSAÇÃO. TRIBUTOS DE TERCEIROS. RETENÇÃO INDEVIDA OU A MAIOR DE CSRF. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO DE RESSARCIMENTO ÀS EMPRESAS RETIDAS INDEVIDAMENTE. DCOMP NÃO HOMOLOGADA Nos casos de retenção indevida ou a maior, ainda que se acolha a retificação de DCTF, realizada após despacho decisório, há ainda a obrigatoriedade de se comprovar que as prestadoras retidas foram devidamente ressarcidas pela fonte pagadora, sob pena de não homologação da DCOMP que utilizou o valor retido e recolhido indevidamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 08 32 /2 01 0- 16 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 16682.900832/201016 Acórdão n.º 1302003.019 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente) Relatório Tratase de recurso voluntário interposto face ao Acórdão nº 1259.854, de 19/09/2013, da 5ª Turma da DRJ do Rio de Janeiro (RJ) que, por unanimidade de votos, negou provimento à manifestação de inconformidade, registrandose a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 DIREITO CREDITÓRIO FALTA DE COMPROVAÇÃO NÃO HOMOLOGAÇÃO. A falta de comprovação do crédito líquido e certo, requisito necessário para o reconhecimento do direito creditório, conforme o previsto no art. 170 da Lei N° 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação das compensações. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Recorrente pretende demonstrar a existência de saldo de direito creditório decorrente de pagamento a maior e requer a homologação integral da compensação retificadora declarada na DCOMP n.° 39792.87206.260307.1.3.043945, de 26/03/2017 (original DCOMP Eletrônica n° 19339.79336.140306.1.3045824), referente a Contribuição Social Retida na Fonte (CSRF), apurada na primeira quinzena de março de 2007, no valor principal de R$3.778,26, com crédito decorrente do pagamento a maior da CSRF, apurada na segunda quinzena de abril de 2006, no valor histórico de R$3.412,45. Assim, alega que estariam demonstrados a origem e a suficiência do crédito utilizado para a quitação do débito de CSRF, apurado na primeira quinzena de março de 2007. O crédito em questão teria origem na indevida retenção na fonte e, posterior, recolhimento indevido das contribuições sociais, no valor de R$7.988,73, por ocasião do pagamento realizado à empresa Essencis Soluções Ambientais. A contratação referese à cessão, pela Essencis, de espaço e disponibilização de infraestrutura para aterro de resíduos industriais, como atestam as notas fiscais 3063 e 5388, já acostadas aos autos. Em julgamento à impugnação, a DRJ destacou os seguintes pontos em questão: DCOMP Eletrônica n° 19339.79336.140306.1.3045824, onde a interessada declara, resumidamente, a compensação utilizando o seguinte crédito: Fl. 145DF CARF MF Processo nº 16682.900832/201016 Acórdão n.º 1302003.019 S1C3T2 Fl. 4 3 Crédito Pagamento Indevido ou a Maior de CSRF Data de Arrecadação : 15/05/2006 Valor Original do Crédito Inicial : R$ 3.412,45 Crédito Original da Data da Transmissão : R$ 3.412,45 Total do Crédito Original Utilizado nesta DCOMP: R$ 3.412,45 A interessada informa que o crédito decorre de DARF recolhido em 15/05/2006, no valor de R$ 614.893,44, código 5952. A DCOMP foi analisada em procedimentos informatizados, resultando em não homologação da compensação. De acordo com o despacho decisório de fls. 07, n° de rastreamento 880550536, o julgamento teve a seguinte fundamentação: "Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 3.412,45. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP" Segundo o despacho, o crédito já teria sido utilizado anteriormente na quitação do débito de CSRF, código 5952, PA 30/04/2006, no valor de R$ 614.893,44. A ciência do Despacho Decisório ocorreu em 20/09/2010, fls. 11. Irresignada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 20/10/2010, fls. 12/16, com as seguintes alegações: houve pagamento a maior no valor de R$ 7.988,73, gerando retificação da DCTF original, alterando o débito de R$ 614.893,44 para o correto de R$ 606.949,08. apresentou DCOMP para o aproveitamento do crédito, da seguinte forma: DCOMP CRÉDITO 39792.87206.260307.1.3.043945 R$ 3.412,45 42765.92290.150806.1.3.040710 R$ 322,01 o crédito tem origem em retenção e pagamento indevido de Contribuição Social para o fornecedor Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. 04.627.574/000307 e CNPJ. 04.627.574/00049. não cabe a retenção na fonte por força do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003, já que a relação comercial deste fornecedor com a interessada é a de cessão de espaço para aterro de resíduo industrial e de toda a infra estrutura e licenciamento necessários para a destinação final do resíduo. Juntamente com a manifestação de inconformidade, a interessada apresentou os seguintes documentos: Fl. 146DF CARF MF Processo nº 16682.900832/201016 Acórdão n.º 1302003.019 S1C3T2 Fl. 5 4 Nota Fiscal, fls. 17, emitida pela Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. 04.627.574/000307, relativo à prestação de serviços pago no valor de R$ 73.386,00, com a indicação da retenção das contribuições sociais no valor de R$ 3.412,45; Nota Fiscal, fls. 18, emitida pela Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. 04.627.574/000498, relativo à prestação de serviços pago no valor de R$ 91.489,65, com a indicação da retenção das contribuições sociais no valor de R$ 4.254,27. A DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade alegando a ilegitimidade da Recorrente para pleitear o crédito, tendo em vista que não haveria comprovado que seria devida a retificação de DCTF e DCOM, bem assim, não demonstrou ressarciu às empresas prestadores os respectivos valore retidos indevidamente. A recorrente foi intimada do Acórdão da DRJ, em 14/11/2014 (fl. 98). Interpôs recurso voluntário, em 15/12/2014 (fls. 102/137). Sustenta que os créditos compensados em questão, decorrem de pagamentos indevidos ou a maior de CSRF, conforme detalhamento a seguir sintetizado: A atividade contratada não se caracteriza como prestação de serviço, portanto, não enseja a retenção, pelo tomador, da CSLL, PIS e Cofins, nos termos do art. 30, da Lei n°. 10.833/2003. Após constatada a retenção equivocada, a Recorrente retificou a DIRF e a DCTF referente ao mês de abril de 2006, para consignar que, naquela competência, o débito referente à CSRF somava R$606.949,08, e não os R$614.893,44 declarados originalmente e quitados, por meio de DARF, em 15.05.2006. Portanto, em razão do pagamento a maior da CSRF apurada na competência de abril de 2006, a Recorrente faz jus a crédito no valor de R$7.988,73 (R$614.893,44 R$606.949,08), cuja utilização se deu da seguinte forma: DCOMP Data da transmissão Valor do Crédito 23050.82886.260307.1.3.045612 26/03/2007 R$ 4.254,27 42765.92290.150806.1.3.040710 15/08/2006 R$ 322,01 39792.87206.260307.1.3.043945 26/03/2007 R$3.412,45 TOTAL R$ 7.988,73 (...) sobre o entendimento da DRJ de que deveria estar demonstrado nos autos que as filiais da Essencis Soluções Ambientais, CNPJ 04.627.574/000307 e CNPJ. 04.627.574/000498, teriam recebidos os valores totais pela prestação dos serviços, relativos às duas Notas Fiscais", alegou que, em observação ao princípio da verdade material e o fato de que a Recorrente arcou com o ônus pelo pagamento indevido das contribuições sociais retidas na fonte, tal entendimento da DRJ não deveria prevalecer. Na segunda quinzena de abril de 2006, a Recorrente havia apurado débito de CSRF (código 5952 CSLL/COFINS/PIS/PASEP Retenção quinzenal sobre pagamentos de pessoa jurídica a pessoa jurídica de direito privado/Lei 10.833/2003), no valor de R$614.893,44, efetuando o seu pagamento mediante DARF, em 15.05.2006. Ocorre que, em fevereiro/2007, a Recorrente constatou que havia efetuado retenção indevida da CSLL, PIS e Cofins, incidentes sobre os pagamentos destinados à empresa Essencis Soluções Ambientais, nos valores de R$69.239,69 (Nota Fiscal 3063) e R$86.320,48 (Nota Fiscal 5388), pela cessão de espaço e disponibilização Fl. 147DF CARF MF Processo nº 16682.900832/201016 Acórdão n.º 1302003.019 S1C3T2 Fl. 6 5 de infraestrutura para aterro de resíduos industriais atividade que não se sujeita à retenção na fonte das contribuições sociais, nos termos do art. 30 da Lei n°. 10.833/2003. Apresentou telas que teriam sido reproduzidas de suas contabilidade, por meio das quais servia possível concluir que houve as devidas retenções de PIS, Cofins e CSLL nas notas fiscais mencionadas. Também apresentou planilhas, com base nas quais pretende indicar a composição dos valores referentes à devolução, que teria realizado, por meio de pagamentos complementares, à prestadora Essencis, em 27.02.2007, relativamente aos tributos retidos indevidamente na fonte, como consta do Livro Razão da Recorrente: Com base em tais informações, a recorrente entende que teria comprovado que promoveu ao devido ressarcimento à Essencis dos valores retidos indevidamente a título de CSLL, PIS e Cofins, referente às notas fiscais 3063 e 5388. Dessa forma, defende que apenas a relação entre o Fisco e a Recorrente teria subsistido, alegando, assim, que teria direito à restituição daqueles valores de CSLL, PIS e COFINS, que foram indevidamente recolhidos aos cofres públicos, nos termos do art.166 do Código Tributário Nacional. Requer, assim, a homologação da DCOMP n° 39792.87206.260307.1.3.043945. Para tanto, retificou e transmitiu, antes da emissão do Despacho Decisório impugnado, a DIRF e a DCTF referentes ao mês de abril de 2006, para constar o valor correto do débito referente à CSRF apurado na segunda quinzena de abril de 2006. Assim, o valor de R$614.893,44 informado na declaração original e quitado, mediante DARF, em 15.05.2006, foi retificado para constar o montante de R$606.949,08, gerando o crédito de R$7.988,43, correspondente às contribuições indevidamente retidas e recolhidas por ocasião do pagamento à Essencis. Registra que, não procederia, todavia, a alegação contida no Acórdão recorrido de que "as retificações das Declarações em questão, da DIRF e da DCTF, ocorreram após a apresentação da DCOMP". Ou seja, na data da compensação, considerando os valores informados nas citadas declarações, o crédito não existia. Além disso, por força do artigo 147 do CTN, convém esclarecer que a retificação de declaração por iniciativa do sujeito passivo, quando vise reduzir tributo, só é admissível mediante Fl. 148DF CARF MF Processo nº 16682.900832/201016 Acórdão n.º 1302003.019 S1C3T2 Fl. 7 6 comprovação do erro, o que não se restringe à demonstração de equívocos na determinação do valor do tributo pago, mas também a sua correta apuração.''(fls.72) Prosseguiu, salientando que seria pacífico no CARF o entendimento no sentido de que a DCTF retificadora substitui integralmente a original e que esta não se presta somente à declaração de novos débitos, mas também para aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados: RETIFICAÇÃO DE DCTF PARA SUBSTITUIÇÃO DA FORMA DE PAGAMENTO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF são formalizados por meio de DCTF retificadora, que tem a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, servindo não só para declarar novos débitos e aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados, mas, também, para efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. O sujeito passivo tem o direito de requerer a restituição das quantias recolhidas a título de tributo ou contribuição, nas hipóteses de cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido, podendo utilizar o referido crédito na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB. (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF 1a Seção 3a Turma Especial. Acórdão 180300.237. Processo n° 10510.900358/200631. Data do julgamento 08.12.2009) Alega que, até mesmo quando o contribuinte deixa de retificar as suas declarações fiscais, este Eg. Conselho reconhece a necessidade de se buscar a realidade dos fatos: IRRF COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DIPJ PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Tendo sido devidamente comprovado nos autos, através da diligência fiscal realizada, que a contribuinte cometeu erro de fato no preenchimento de sua Declaração de Rendimentos, em observância ao principio da verdade material, deve ser reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte. (Processo n° 10768.025710/9992, Recurso Voluntário n° 144.402, acórdão n° 1101 00.132, de 18 de junho de 2009) Requer que, na eventualidade de se entender que as declarações fiscais retificadoras e os demais documentos apresentados não foram suficientes para comprovar a origem do crédito, caberia à autoridade julgadora a conversão do julgamento em diligência para que fossem solicitados à Recorrente os documentos entendidos como necessários para o completo julgamento da questão, conforme pleiteado, desde a Manifestação de Inconformidade apresentada. A DRJ indeferiu o pedido de realização de diligência, ao entendimento de que é obrigação do contribuinte apresentar provas necessárias ao convencimento da autoridade julgadora. Essas informações foram apresentadas pela recorrente, somente em sede de recurso voluntário, com o objetivo de demonstrar o motivo pelo qual promoveu a retificação da DCTF. Já que a decisão recorrida concluiu que não haveria justificativa para a retificação que indicou o crédito em questão. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 16682.900832/201016 Acórdão n.º 1302003.019 S1C3T2 Fl. 8 7 É o relatório. Voto Conselheiro Rogério Aparecido Gil Relator O recurso voluntário e tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Conheço o recurso. Com base no Despacho Decisório ora combatido, não foi apurado crédito de pagamento indevido uma vez que o recolhimento estaria totalmente alocado para quitação de débito de retenção das contribuições federais, da 2° quinzena do mês de abril de 2006, no valor de R$ 614.893,44. Em sua defesa, alega que se equivocou, afirmando que retificou a DCTF alterando o débito para R$ 606.949,08. Alega que a retenção no valor de R$ 7.988,73 é indevida, nos termos do artigo 30 da Lei n° 10.833/2003. Ocorre que o tributo em questão trata de retenção da contribuição na fonte. Assim, o sujeito passivo do tributo é a empresa que prestou os serviços, a Essencis Soluções Ambientais, já que suas filiais CNPJ. 04.627.574/000307 e CNPJ. 04.627.574/000498, recebem a remuneração pelo serviço prestado deduzido do valor retido pela interessada. E, nos termos do artigo 166 do CTN, quem tem legitimidade para pedir a restituição é o sujeito passivo, ou seja, a Essencis Soluções Ambientais. À vista da conclusão da DRJ de que, para coubesse pedido de restituição/compensação de valor retido indevidamente, deveria comprovar que arcou com o ônus do pagamento. isto é, deveria estar demonstrado nos autos que as filiais da Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. 04.627.574/000307 e CNPJ. 04.627.574/000498, teriam recebidos os valores totais pela prestação dos serviços, relativos as duas Notas Fiscais, a recorrente apresentou em suas razões de recurso voluntário, telas do sistema de sua contabilidade e planilha que indica valores que, em tese, teriam sido ressarcidos às retidas. Todavia, tais documentos, em realidade, apenas indicam o que de fato afirma a recorrente. Não comprova, inequivocamente, o pretende evidenciar. Pois, não há nota fiscal no valor do ressarcimento emita pelas retidas; não há recibo de quitação do ressarcimento; não á recebido de depósito em conta corrente das retidas; não há recibo de transferência entre contas bancárias (DOC/TED), nem qualquer outro documento que houvesse sido confeccionado unilateralmente pela recorrente. Registrese, nesse ponto, que não há dúvida de que realmente houve a retenção na fonte de CSRF. Entretanto, persiste a incerteza quanto ao efetivo ressarcimento às retidas. Por todo o exposto, é possível concluir que as filiais da Essencis Soluções Ambientais, CNPJ. 04.627.574/000307 e CNPJ. 04.627.574/000498, receberam pela prestação dos serviços descritos nas Notas Fiscais a remuneração deduzida do valor retido. Ou seja, nesse caso, somente a prestadora do serviço que tem a legitimidade para pedir a restituição. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16682.900832/201016 Acórdão n.º 1302003.019 S1C3T2 Fl. 9 8 Cabe ressaltar que as retificações das Declarações em questão, da DIRF e da DCTF, ocorreram após a apresentação da DCOMP. Ou seja, na data da compensação, considerando os valores informados nas citadas declarações, o crédito não existia. Além disso, por força do artigo 147 do CTN, convém esclarecer que a retificação de declaração por iniciativa do sujeito passivo, quando vise reduzir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro, o que não se restringe à demonstração de equívocos na determinação do valor do tributo pago, mas também a sua correta apuração. Por fim, o direito à restituição, para que se proceda à compensação pleiteada neste processo, requer que o crédito seja líquido e certo, conforme prevê o artigo 170 do CTN, abaixo transcrito: "Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública." (grifei) Lembro, ainda, que o ônus da comprovação do crédito reside no âmbito da interessada que apresentou a DCOMP. É o que determina o artigo 373 do CPC e art. 166 do CTN. Dessa forma, não há como acolher os pedidos de homologação de DCOMPs da recorrente. Pois, em conformidade com o art. 166 do CTN, Art. 166, "a restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido o referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla". Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rogério Aparecido Gil Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10825.900420/2006-41
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA.
O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado.
Numero da decisão: 1003-000.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 560 1 559 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10825.900420/200641 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1003000.205 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 02 de outubro de 2018 Matéria PER/DCOMP Recorrente CADBURY BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) nº 14966.62747.140803.1.3.035760 em 14.08.2003, fls. 0105, utilizandose do saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor original de R$55.511,49 apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2002, para compensação dos débitos ali confessados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 90 04 20 /2 00 6- 41 Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10825.900420/200641 Acórdão n.º 1003000.205 S1C0T3 Fl. 561 2 Consta no Despacho Decisório Saort/DRF Bauru/SP nº 812, de 14.07.2008, fls. 273279, os seguintes fundamentos: O saldo negativo do anocalendário de 1999 foi objeto de análise no processo n° 15892000124/200821, em que foi necessário estender a análise dos dados até o anocalendário de 1995. No entanto, no presente processo iremos demonstrar apenas o resumo dos saldos negativos relativamente aos anos que repercutirão no saldo credor pleiteado no presente processo. [...] AnoCalendário 1996 CSLL a Pagar (R$202.289,04) AnoCalendário 1997 CSLL a Pagar (R$1.012.083,98) AnoCalendário 1998 CSLL a Pagar R$257.053,14 AnoCalendário 1999 CSLL a Pagar (R$916.922,81) AnoCalendário 2002 CSLL a Pagar (R$32.678,79) [...] Em virtude do acima exposto, propõese: 1. HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos relacionados na Tabela 1 até o limite do crédito demonstrado na tabela 5 na coluna “valores ajustados/confirmados”, a título de saldo negativo de CSLL (vide demonstrativo às de folhas 270 272); 2. NÃO HOMOLOGAÇÃO das compensações dos débitos relacionados na Tabela l no que exceder o limite do crédito demonstrado na tabela 6 na coluna “valores ajustados/confirmados”, a título de saldo negativo de CSLL (vide demonstrativo às folhas 270 a 272). Cientificada em 21.07.2008, fl. 298, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 14 31.035, de 24.09.2010, fls. 338346: LUCRO REAL. APURAÇÃO ANUAL. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA DAS ESTIMATIVAS MENSAIS REcoLHIDAS. OFERECIMENTO A TRIBUTAÇÃO A correção, segundo a variação da Ufir, do quanto recolhido a título de estimativa ao longo do primeiro semestre de 1996, pode ser incluída como item de dedução da contribuição a pagar apurado no encerramento daquele anocalendário, desde que haja comprovação do oferecimento deste valor à tributação, como variação monetária ativa. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10825.900420/200641 Acórdão n.º 1003000.205 S1C0T3 Fl. 562 3 DECADÊNCIA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INDÉBITO FISCAL. INEXISTÊNCIA EM FACE DE DIFERENTES RELAÇÕES JURÍDICAS. O direito creditório contra a Fazenda Pública em decorrência de pagamento indevido ou a maior do tributo é relação jurídica diversa da dívida tributária do sujeito passivo para com aquela. A decadência do direito fiscal de constituição do crédito tributário, em face do transcurso do lapso qüinqüenal, é forma de extinção daquele, de sorte que a ocorrência desse fenômeno não se aplica à análise da certeza e liquidez do direito creditório invocado pelo sujeito passivo em Declaração de Compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada em 25.11.2010, fl. 234, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 29.11.2010, fls. 354367, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Relativamente aos fatos aduz que: 2 PRELIMINARES 2.1 DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS [...] De igual forma, havendo decretação do reconhecimento da suposta ausência de prova do indébito somente em sede do julgamento ora combatido inconteste o direito da Recorrente de apresentação de prova nesta fase processual, vez que perfeitamente caracterizada a ocorrência de matéria superveniente ao Despacho Decisório, assegurandose, assim, o devido processo legal, mediante exercício de seu poder direito o contraditório. [...] 2.2 DA OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL [...] Diametralmente oposto ao que fundamentado na decisão recorrida,_a Administração Pública tem, sim , o dever de perquirir acerca da verdade ocorrida no mundo fático, não somente na persecução do crédito tributário, mas, também, no que condiz com o direito ao indébito do Contribuinte. [...] 2.3 Da homologação tácita Ademais, é imperioso destacar, que a compensação promovida pela manifestante, no mês de janeiro de 2002, foi atingida pelo instituto da decadência, não mais sendo passível de revisão o saldo credor de CSLL apurado no ano calendário de 2002, no montante de R$ 55.511,49. Com efeito, a compensação, sendo modalidade de extinção do crédito tributário (artigo 156, inciso II, do CTN), está subordinada às regras da decadência e da prescrição. [...] 3 DA ORIGEM DO CRÉDITO Conforme já exposto, o não reconhecimento na integralidade do crédito pleiteado pela Recorrente, do saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002, teve início em anoscalendário anteriores, especificamente de 1996, exercício de 1997, que desencadeou um efeito cascata nos demais exercícios. Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10825.900420/200641 Acórdão n.º 1003000.205 S1C0T3 Fl. 563 4 Desse modo, a comprovação do direito creditório está na tributação da correção monetária dos valores recolhidos a título de estimativas de CSLL, no primeiro semestre de 1996, visto que a DRJ em seu Acórdão admitiu que a Recorrente procedeu corretamente e de acordo com a L legislação vigente à época dos fatos. No intuito de comprovar a tributação do. valor de R$ 29.217,63 (R$ 2.508.638,50 R$ 2.479.420,87), que é a diferença entre o valor informado na DIRPJ, especificamente Linha 23 Contribuição Social Mensal c/ Base Receita Bruta ou Balancete Suspensão Redução da Ficha 11 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro, de R$ 2.508.638,50 e os valores constantes no sistema da Receita Federal do Brasil, de R$ 2.479.420,87, seguem no Anexo 1 (fls. 01 a 117) as cópias dos balancetes, do período de 01.01.1996 a 31.12.1996 com destaque às contas 0994 Antecipação. Contribuição Social e 612003 Variações Monetárias Ativas. A comprobação da tributação da correção monetária deve se dar por meio de análise da movimentação das citadas contas, durante o ano de 1996, sendo possível constar que em 31/12/1996, a Recorrente contabilizou, juntamente com o valor pago de estimativa de CSLL do mês de novembro de 1996, de R$ 238.825,90, o valor de R$ 29.217,63 (Anexo 2, fls. 01 e 02) [...]. Por tudo que foi exposto e comprovado, não há que se falar em ausência de tributação da atualização monetária das estimativas recolhidas de CSLL no primeiro semestre de 1996 e consequentemente, podese afirmar, com exatidão, que o saldo negativo de CSLL apurado no anocalendário de 1996 é de R$ 231.506,67 e, portanto, por gozar de liquidez e certeza, é passível de compensação com a estimativa devida de CSLL do mês de março de 1997 (parte). 4 DAS DILIGÊNCIAS Apesar do direito creditório em pauta (especificamente quanto à diferença e à tributação da atualização monetária dos valores recolhidos a título de estimativas de CSLL do anocalendário de 1996), já estar totalmente evidenciado através da fundamentação e da documentação acostada aos autos, urge ressaltar que, no intuito de esclarecer quaisquer aspectos que poderão surgir durante a análise do caso, a Recorrente, requer desde já, que este Egrégio Conselho determine a realização de diligência, caso julgue necessário [...]. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Concernente ao pedido expõe que: Ante toda a argumentação apresentada pela Recorrente, corroborada por vasta legislação e jurisprudência, requer o conhecimento das preliminares suscitadas, pugna pelo reconhecimento do direito à apresentação de prova documental nesta fase processual, possibilitando à Recorrente a demonstração de seu direito creditório, tendo em vista matéria superveniente ao Despacho Decisório inicialmente impugnado, consubstanciada em suposta ausência de comprovação de parte do indébito. Acolhida a produção da prova, requer, ainda, em homenagem ao principio da verdade material, não sendo a prova documental ora ofertada suficiente à demonstração do indébito, sejam os autos baixados em diligência, para comprovação efetiva do direito ora pleiteado. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 10825.900420/200641 Acórdão n.º 1003000.205 S1C0T3 Fl. 564 5 Requer, por fim, analisadas as provas dos fatos constitutivos do direito do Contribuinte, seja o presente recurso conhecido e provido, em seu mérito, para fins do reconhecimento na integralidade do crédito no valor original de R$ 55.511,49 e a homologação da compensação promovida pela Recorrente. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos1. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela Recorrente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente suscita que o direito creditório de saldo negativo de CSLL no valor de R$55.511,49 do anocalendário de 2002 deve ser reconhecido, pois o saldo negativo de CSLL correto do anocalendário de 1996 é de R$231.506,67. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da 1 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 564DF CARF MF Processo nº 10825.900420/200641 Acórdão n.º 1003000.205 S1C0T3 Fl. 565 6 compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. 2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. O erro de fato é aquele que se situa no conhecimento e compreensão das características da situação fática tais como inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos. A Administração Tributária tem o poder/dever de revisar de ofício o procedimento quando se comprove erro de fato quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória. A este poder/dever corresponde o direito de a Recorrente retificar e ver retificada de ofício a informação fornecida com erro de fato, desde que devidamente comprovado (art. 32 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e incisos I e III do art. 145 e inciso IV do art. 149 do Código Tributário Nacional). Cabe à Recorrente produzir o conjunto probatório nos autos de suas alegações, já que o procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal4. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 565DF CARF MF Processo nº 10825.900420/200641 Acórdão n.º 1003000.205 S1C0T3 Fl. 566 7 de determinação do saldo de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza5. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. O Per/DComp nº 14966.62747.140803.1.3.035760 foi apresentado em 14.08.2003, fls. 0105. A Recorrente foi cientificada em 21.07.2008, fl. 298, do Despacho Decisório Saort/DRF Bauru/SP nº 812, de 14.07.2008, fls. 273279. Assim, não há que se falar em homologação tácita. Sobre o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1996, consta no Despacho Decisório Saort/DRF Bauru/SP nº 812, de 14.07.2008, fls. 273279: Exercício 1997, anocalendário de 1996 Tabela 3 Saldo Negativo de CSLL anocalendário de 1996 PA Estimativa DIPJ Valor Devido Saldo CSLL a Comp. Ap. Per. Anteriores Demais Compensações CSLL Estimativa DIPJ Valor a Pagar Valores Recolhidos DARF Janeiro 203.656,72 203.656,72 211.699,19 Fevereiro 178.117,06 57.547,37 8.042,47 112.527,22 112.527,22 Março 241.695,76 241.695,76 241.695,76 Abril 157.818,53 157.818,53 157.818,53 Maio 209.088,88 209.088,88 209.088,88 Junho 226.023,67 3.274,45 222.749,22 222.749,22 Julho 146.054,62 146.054,62 146.054,62 Agosto 232.220,85 232.220,85 232.220,85 Setembro 251.160,68 251.160,68 251.160,68 Outubro 223.118,55 223.118,55 223.118,55 Novembro 238.825,90 238.825,90 238.825,90 Dezembro 171.639,46 171.639,46 171.639,46 Total 2.479.420,68 57.547,37 11.316,92 2.410.556,39 2.418.599,05 DIRPJ FICHA 11 Valores Ajustados/Confirmados 18. CSLL 2.277.131,83 2.277.131,83 19. () CSLL por Estimativa 2.508.638,50 2.479.420,87 21. CSLL a Pagar 231.506,67 202.289,04 Os pagamentos foram todos confirmados, conforme consulta de folhas 177. 5 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. Fl. 566DF CARF MF Processo nº 10825.900420/200641 Acórdão n.º 1003000.205 S1C0T3 Fl. 567 8 A compensação efetuada com saldo negativo de período anterior teve sua regularidade constatada, conforme cópia do demonstrativo de cálculo do processo n° 15892.000124/200821 de folhas 257 a 259. A parcela da estimativa de fevereiro informada como compensada com “ Demais Compensações CSLL” no valor de R$ 8.042,47, deveria ter sido compensada com valor recolhido a maior atinente a estimativa de janeiro. No entanto, a interessada declarou em DCTF a estimativa atinente a janeiro em valor superior ao apurado em DIRPJ. Tal fato, entretanto, não alterou o valor total das estimativas recolhidas. Já o valor de R$ 3.274,45, referente a parte da estimativa de junho informada em DIRPJ como compensado com “Demais Compensações CSLL” foi compensado com saldo negativo de CSLL atinente ao anocalendário de 1995, cópia do demonstrativo de cálculo do processo n° 15892.000124/200821 de folhas 257 a 259. A divergência entre o saldo negativo informado na DIPJ e o confirmado/ajustado se justifica, tendo em vista ter sido informado um valor superior a título de CSLL por estimativa paga/compensada, o que gerou um aumento indevido do saldo negativo de CSLL apurado para o anocalendário de 1996. Verificase que as alegações referentes ao saldo negativo de CSLL do ano calendário de 1996 estão tratadas no processo n° 15892.000124/200821 e por essa razão não podem ser novamente analisadas no presente processo, efls. 535539. Consta no Acórdão da 5ª Turma/DRJ/RPO/SP nº 1431.035, de 24.09.2010, fls. 338346, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Conforme relatado, a contribuinte em epígrafe teve o reconhecimento parcial do seu direito creditório, em razão da compensação parcial da estimativa de janeiro de 2002, compensada sem processo com saldo negativo do anocalendário de 1997, em virtude de a contribuinte ter efetuado atualização monetária dos valores dos recolhimentos efetuados mensalmente a título de estimativa na apuração do cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido no anocalendário de 1996, o que resultou em saldo negativo de CSLL a maior no anocalendário de 1996 e, conseqüentemente, no anocalendário de 1997. Da pretensão do despacho decisório em contraposição à tese levantada pela defesa depreendese que a discussão nos autos situase na possibilidade, ou não, da atualização dos pagamentos efetuados mensalmente (estimativas), no decorrer do anocalendário de 1996. Quanto ao tema, assim prescreve [a] Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995: [...] À Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995 seguiuse, cronologicamente, a edição da Lei n° 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e, ainda sob a vigência desta última editou‹ se a IN SRF n° 11, de 21 de fevereiro de 1996, a qual dispôs sobre a apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas a partir do anocalendário de 1996, ou seja, cujos comandos aplicarseiam a fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1996. sendo certo que, em seu artigo 18 abaixo transcrito praticamente repetiu os preceitos legais já referenciados. [...] Fl. 567DF CARF MF Processo nº 10825.900420/200641 Acórdão n.º 1003000.205 S1C0T3 Fl. 568 9 Vêse, então, que a ordem legal amparava a interessada, posto que, a teor da legislação acima transcrita era possível a atualização monetária dos recolhimentos mensais, para efeito de confronto com a contribuição devida apurada no encerramento do anocalendário de 1996. Logo, a administração tributária ao fazer editar a mencionada instrução normativa, no mesmo sentido da Lei n° 8.981, de 1995, em nada mudou o entendimento que convergia, àquela época, para a possibilidade da aplicação da atualização monetária dos pagamentos efetuados antecipadamente (estimativas), no curso de anocalendário de 1996. E, não se pense, também, que o citado artigo 37, da Lei n° 8.981, de 1995, não mais vigia, por ter sido expressamente revogado pelo artigo 88 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, visto que este último só vigorou a partir de 01/01/1997, data em que a Lei passou a produzir seus efeitos financeiros. (Art. 87 da Lei n° 9.430, de 1996). Assim, à luz da legislação vigente à época dos fatos, vislumbrase, em tese, correta a atitude da interessada em proceder à atualização monetária dos valores recolhidos, a titulo de estimativas de CSLL, no primeiro semestre de 1996. Contudo, embora a Requerente pugne pela correção monetária com base na variação da UFIR, não informa se o valor da atualização foi oferecido à tributação, ou seja, somado à Ficha 06 (Demonstração do Lucro Liquido), linha 04 (Variações Monetárias Ativas), de sua DIRPJ/97, conforme estabelecia o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n° 1.041, de 1 l de janeiro de 1994) em seu artigo 320, [...]. Notese a Recorrente, por ocasião do presente contencioso, não se desincumbiu do ônus da prova constitutiva do direito que alega possuir (CPC, art 333, l). Nesse sentido, a contribuinte deveria trazer documentos de prova que servissem de supedâneo a sua intenção, tais como: cópia das folhas do Livro Diário, do Livro Razão ou de outros documentos comprobatórios que dessem suporte a sua pretensão. Consoante noção cediça, a escrituração contábil e fiscal mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, [...] Portanto, para fins de reconhecimento de direito creditório, a título de saldo negativo de CSLL, não basta a interessada comprovar o direito à correção monetária do valores pagos por estimativa com base na variação da UFIR, mas também é imprescindível que a interessada comprove que o valor da atualização, objeto da presente lide, foi oferecido à tributação, para que este possa ser aproveitado na compensação da contribuição apurada no final do período, originando, se for o caso, o saldo negativo de CSLL. [...] Assim, não é possível verificar se 0 contribuinte utilizou a opção que a legislação lhe oferecia no sentido de atualizar o valor da CSLL devida por estimativa e, ao mesmo tempo, somar ao valor da variação monetária ativa o montante de atualização encontrado, razão pela qual não há como reconhecer o direito creditório aqui pretendido. Por fim, quanto à tese no sentido de que se operou a decadência do direito do Fisco em apurar a compensação da estimativa da CSLL, realizada em janeiro de Fl. 568DF CARF MF Processo nº 10825.900420/200641 Acórdão n.º 1003000.205 S1C0T3 Fl. 569 10 2002, com saldo negativo de CSLL do anocalendário de 1997, não vejo como a mesma possa prosperar. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado 0 pagamento indevido ou maior que o devido. Decorre, dai, que os pedidos, solicitações e declarações envolvendo reivindicação de direito creditório junto à Fazenda Nacional devem estar, necessariamente, instruídos com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de indeferimento, configurandose imprescindível, no caso de saldo negativo de CSLL, que seja comprovada a regular apuração do tributo devido no período, bem como as deduções efetivadas a título de antecipações, tais como o pagamento (compensações) de estimativas. Dessa forma, a mera informação de saldo negativo de CSLL nas declarações entregues à Secretaria da Receita Federal do Brasil não se constitui, automaticamente, em indébito tributário. Diferente disso, o resultado declarado pela contribuinte deve obrigatoriamente refletir a apuração escriturada em seus livros contábeis e fiscais, sujeitandose a requerente à comprovação documental para aferição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. Portanto, a contribuinte não pode confundir constituição do crédito tributário (lançamento) com restituição do indébito. São institutos distintos. Um é 0 crédito tributário, cuja constituição e' um dever do Estado, que tem a obrigação de cobrar o que lhe é devido. O outro é uma faculdade, que depende de prova, da demonstração dos fatos. por parte do sujeito passivo, de que fez pagamentos a maior que o devido. A pretensão busca uma nova relação jurídica e, como tal, a implicar no ônus da demonstração de efetiva existência do direito pleiteado por parte de quem alega, conforme já exposto. Assim, a decadência do direito da Fazenda Pública restringese à formalização do lançamento de obrigações tributárias detectadas em períodos de apuração após 0 decurso do prazo de cinco anos da ocorrência do fato gerador do tributo, o que não se aplica à verificação de certeza e liquidez do crédito alegado pela contribuinte, que fica vinculado ao período de apuração em que aproveitado. A par disso, é dever da Administração analisar a correta composição procedência do direito creditório invocado pelo sujeito passivo em Declarações d Compensação, o que pode levar à verificação da consistência de apurações de tributos que digam respeito a anoscalendário anteriores, quando estes implicarem diretamente na certeza e liquidez do indébito pleiteado. Em virtude dessas considerações, portanto, improcedente a afirmação da manifestante de que a compensação da estimativa de CSLL de janeiro de 2002, desconsiderada parcialmente no ajuste final, já estaria homologada, não podendo ser mais questionada pela autoridade fiscal. No caso sob exame, a PER/Dcomp foi transmitida em 14/08/2003 e a ciência da não homologação da declaração de compensação deuse em 21/07/2008 (v. fl. 298), ou seja, não transcorreu o prazo de cinco anos, nos termos do §5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, necessários para homologação tácita da PER/Dcomp objeto dos autos. Fl. 569DF CARF MF Processo nº 10825.900420/200641 Acórdão n.º 1003000.205 S1C0T3 Fl. 570 11 No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso, nos termos do art. 100 do Código Tributário Nacional. Atinente aos princípios constitucionais, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade6. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Em assim sucedendo, voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 6 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº 2. Fl. 570DF CARF MF
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Numero do processo: 19515.001373/2004-68
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 31/03/1999
AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE.
Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 31/03/1999
MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO.
Não compete à autoridade administrativa manifestar-se quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 31/03/1999
O passivo fictício é infração continuada, por isso, não cabe afastar a autuação em razão da possibilidade de a obrigação não comprovada já ter sido fictícia em exercício anterior ao período fiscalizado; ressalvando-se que um mesmo passivo fictício não legitima diversas autuações por persistir na escrita por mais de um período de apuração, pois seria tributar diversas vezes uma única omissão de receita.
PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO.
As presunções legais relativas caracterizam-se por dispensarem o Fisco do dever de provar a ocorrência do evento descrito no fato indiciado, que no caso é a omissão de receita, uma vez provado o fato indiciário, qual seja, contas já pagas, ou fictícias mantidas no passivo.
Numero da decisão: 1201-002.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues, Luis Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eva Maria Los - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente Luis Fabiano Alves Penteado, substituído por Eduardo Morgado Rodrigues.
Nome do relator: EVA MARIA LOS
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NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/1999 MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO E PERCENTUAL. LEGALIDADE Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. A utilização da taxa Selic como juros moratórios decorre de expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. APRECIAÇÃO. VEDAÇÃO. Não compete à autoridade administrativa manifestarse quanto à inconstitucionalidade ou ilegalidade das leis, por ser essa prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/1999 O passivo fictício é infração continuada, por isso, não cabe afastar a autuação em razão da possibilidade de a obrigação não comprovada já ter sido fictícia em exercício anterior ao período fiscalizado; ressalvandose que um mesmo passivo fictício não legitima diversas autuações por persistir na escrita por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 13 73 /2 00 4- 68 Fl. 342DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 3 2 mais de um período de apuração, pois seria tributar diversas vezes uma única omissão de receita. PRESUNÇÃO LEGAL DE OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. As presunções legais relativas caracterizamse por dispensarem o Fisco do dever de provar a ocorrência do evento descrito no fato indiciado, que no caso é a omissão de receita, uma vez provado o fato indiciário, qual seja, contas já pagas, ou fictícias mantidas no passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Vencidos os conselheiros Eduardo Morgado Rodrigues, Luis Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima e Gisele Barra Bossa. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, José Carlos de Assis Guimarães, Rafael Gasparello Lima, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa; ausente justificadamente Luis Fabiano Alves Penteado, substituído por Eduardo Morgado Rodrigues. Relatório Trata o processo de autos de infração de págs. 86/103, que exigem: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, no regime lucro real trimestral, no montante de R$1.211.903,75, relativo à infração: 0001 Omissão de Receitas, Passivo Fictício, fato gerador em 31/03/1999; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, R$389.729,20, reflexo da mesma infração; Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, no valor de R$146.673,34, reflexo da mesma infração; Contribuição para o PIS, R$31.779,22, reflexo da mesma infração; todas infrações foram apenadas com multa de ofício 75%. Os procedimentos de fiscalização e as autuações estão descritos no Termo de Constatação Fiscal, págs. 82/85. 2. O contribuinte apresentou impugnação e a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP DRJ/SPO1 proferiu o Acórdão nº 1613.853, em 20 de junho de 2007, págs. 138/146, em que julgou o lançamento procedente: Fl. 343DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 4 3 Vistos, relatados e discutidos estes autos, ACORDAM os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Sao Paulo I, por unanimidade de votos, rejeitar a prejudicial de decadência e considerar PROCEDENTE o lançamento, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. 3. O contribuinte cientificado em 24/08/2007, pág. 153, apresentou Recurso Voluntário, págs. 154/171, tempestivo, em 05/09/2007, a seguir resumido. 4. Pleiteia a nulidade dos autos de infração, pelos argumentos a seguir. 5. Argui a decadência, pois foi cientificada dos autos em 28/06/2004, porém a maioria dos valores lançados não são relativos ao primeiro trimestre de 1999, mas originárias do ano de 1998. 6. No mérito, argumenta que a constatação de passivo fictício deve ser efetuada por ocasião do balanço, no caso os balanços trimestrais, e a autuação deve se reportar ao maior destes valores do ano 1999, mas que no presente caso, estão incluídos saldos da conta Fornecedores relativos aos anos 1997 e 1998, ou seja, se o saldo da conta em 1998 correspondesse a passivo fictício, esta constatação e o correspondente lançamento deveriam ser efetuados relativamente ao ano 1998. No entanto: na presente autuação, não ocorreu o necessário expurgo dos efeitos dos anos anteriores e o lançamento trouxe para o ano base 1999 valores que, se fosse o caso, e não é, deveriam ter sido apurados e tributados nos anos anteriores. Assim, para que o lançamento relativo ao ano base 1999 pudesse prosperar, o saldo inicial da conta em questão deveria ter sido excluído. Teria, certamente, que ser efetuada apuração do movimento desta conta durante o ano base 1999 com a exclusão do saldo inicial, para tributar somente o do ano sob fiscalização. Por evidente, o valor total objeto do lançamento inclui valores já atingidos pela decadência, dado que se referem a anos base anteriores a 1999. 7. Demonstra que, se excluído o saldo da conta Fornecedores em 31/12/1998, que era R$4.888.493,39, do total autuado como passivo fictício de R$4.889.111,56, resta o saldo de R$1.618,17 (sic) em 31/03/1999. 8. Que os documentos anexados comprovam que as obrigações vinham, na totalidade, do o ano anterior e devem ser excluídas da autuação; e aduz que devem ser consideras as situações: "• primeira, a ora Recorrente não foi intimada a apresentar os comprovantes do passivo relativos ao ano anterior, 1998;• segunda, a inexistência desta intimação macula o lançamento por dois fundamentos: nulidade por erro material na apuração da base de cálculo e do período de incidência, e por cerceamento do direito de defesa." Fl. 344DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 5 4 9. Destaca que os arts. 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, padecem de constitucionalidade, pois se trata de matéria que deve ser regida por lei complementar, além de que a citada lei trata das contribuições previdenciárias e não da CSLL, PIS e Cofins: As considerações acima aplicamse tanto ao IRPJ quanto à CSLL, PIS e COFINS. Não procede a alegação segundo a qual ás Contribuições para a Seguridade Social aplicarseia o prazo de decadência de 10 anos, ao invés daquele previsto no Código Tributário Nacional. 10. Quanto à alegação de que descabe a apreciação de alegações de inconstitucionalidade na esfera administrativa, diz que a Administração está sob a égide do Princípio da Legalidade, no entanto, isto não quer dizer que os demais órgãos judiciais e administrativos não possam, no exercício de suas funções, entender que determinada norma não deve ser aplicada, tão somente por seu teor estar em desacordo com as normas e princípios constitucionais vigentes e que deixar de aplicar determinada norma, utilizando outra, pertencente ao infinito universo da legislação tributária brasileira, não equivale, absolutamente, a exercer o controle concentrado de constitucionalidade, este sim, privativo do STF. 11. Requer o cancelamento da multa de ofício, dada a improcedência da autuação; pugna pela improcedência da cobrança de juros superiores a 12% ao ano, por expressa vedação constitucional, por isso, impõese a exclusão dos juros à taxa Selic. 12. E por todo o exposto, o cancelamento dos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins. 13. O CARF julgou o recurso voluntário e emitiu o Acórdão nº 110100.179, de 27/08/2009, cujas ementas e decisum se transcreve: DECADÊNCIA — IRPJ O direito da Fazenda Pública de realizar o lançamento, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, está previsto no art. 150 do CTN, sendo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Declarada a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212, de 1991, pelo Supremo Tribunal Federal (súmula vinculante n° 8 DOU de 20 de junho de 2008), cancelase o lançamento no qual não foi observado o prazo qüinqüenal previsto no Código Tributário Nacional. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER a preliminar de decadência e cancelar o lançamento, com fulcro no art. 150 do CTN, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. 14. A Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, interpôs Recurso Especial, págs. 200/207, admitido; cientificado, o contribuinte apresentou Contrarrazões de págs. 227/246. 15. E a Câmara Superior de Recursos Ficais CSRF no Acórdão nº 9101002.786, de 06/04/2017 decidiu que: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 345DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 6 5 Ano calendário:2001 DECADÊNCIA IRPJ E LANÇAMENTOS REFLEXOS DE CSLL, PIS E COFINS ART.173, CTN DIPJ Não comprovado o pagamento de tributos, a regra decadencial aplicável é a do artigo 173, I, do CTN. (...) Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencido o conselheiro Gerson Macedo Guerra (relator), que lhe negou provimento e os conselheiros Luís Flávio Neto e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que acompanharam o relator pelas conclusões. Por unanimidade de votos, acordam em determinar o retorno dos autos ao colegiado de origem, nos termos do voto do relator. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Cristiane Silva Costa. 16. É o relatório. Voto Conselheira Eva Maria Los, Relatora 17. A determinação da CSRF foi que, uma vez decidido que não ocorreu a decadência dos lançamentos fiscais relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, então as demais alegações do recurso voluntário devem ser examinadas por este colegiado. 18. Cabe destacar que a decisão da CSRF se referiu à data do fato gerador em 31/03/1999, quando, a teor do art. 173, I do CTN, se inicia a contagem do prazo decadencial do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; portanto, em 28/06/2004, não havia ocorrido a decadência; esta questão está superada e não será mais discutida por este colegiado. 19. Restou, porém, a discutir, a argumentação da Recorrente de que os passivos seriam referentes a anoscalendário precedentes. 1 Nulidade. Autos de infração. 20. Argui a nulidade do lançamento fiscal, porque os valores já teriam sido atingidos pela decadência por se tratarem de passivos de anos precedentes, e devido à inconstitucionalidade dos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, e da aplicação da taxa de juros calculada com base na taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic. 21. Tais alegações não se inserem na previsão da legislação de se considerar nulos os autos de infração, pois, de acordo com o art. 59, I, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, só se pode cogitar de declaração de nulidade de auto de infração que se insere na categoria de ato ou termo , quando esse auto for lavrado por pessoa incompetente (art. 59, I), que não foi o caso. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 7 6 22. Quaisquer outras irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, a teor do art. 60 do mesmo Decreto nº 70.235, de 1972. Caso não influam na solução do litígio, também prescindirão de saneamento. 2 Passivo Fictício. 23. A autuação se refere à omissão de receita caracterizada pela manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não foi comprovada, com fato gerador em 31/03/1999. 24. A recorrente alega que os passivos em questão se referem a fatos geradores anteriores a 31/03/1999, que foram alcançados pela decadência, argumento que norteia a contestação apresentada. 25. As presunções legais relativas caracterizamse, por dispensarem o sujeito que tem a presunção a seu favor, do dever de provar a ocorrência do evento descrito no fato indiciado, porém lhe cabe provar o fato indiciário. 26. No caso da presunção legal por passivo fictício, a prova indiciária, a cargo do Fisco, é indicar quais montantes, mantidos no passivo, já foram quitados. 27. No presente caso, o Autuante, conforme descreveu: Compilados os dados, informações e documentos apresentados, apuramos diferenças entre os saldos da conta Fornecedores e os totais de valores dos documentos de suporte apresentados, para todos os quatro trimestres do ano fiscalizado. Desta feita, lavramos o Termo de Intimação c Reintimação, com ciência em 16/02/2004, que, em seu elemento 2, solicita ao contribuinte 'justificar as diferenças apuradas entre os saldos de 'fornecedores' constantes dos balanços trimestrais do anocalendário de 1.999 (fornecidos pelo contribuinte) c os totais das duplicatas apresentadas...", no prazo de vinte dias. As diferenças apuradas foram demonstradas no referido Termo de Intimação e Reintimação por meio de quadro demonstrativo, conforme reproduzimos abaixo: Trimestre de 1.999 Saldo Contabilizado (balanço) Saldo Comprovado (Dem. Comp. Passivo) Passivo Não Comprovado Encerrtº do 1o Trim 4.964.966,06 75.854,50 4.889.111,56 Encerrtº do 2o Trim 4.942.190,56 54.193,00 4.887.997,56 Encerrtº do 3o Trim 5.165.191,94 277.018,00 4.888.173,94 Encerrtº do 4o Trim 5.133.204,52 245.030,00 4.888.174,52 28. O Autuante relatou, ao encerrar a fiscalização em 28/06/2004: Fl. 347DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 8 7 Até a presente data, o contribuinte não justificou as diferenças acima demonstradas, nem apresentou qualquer documento adicional, permanecendo, as quantias constantes da coluna "Passivo Não Comprovado", no quadro acima, sem suporte documental. 29. O contribuinte, na impugnação e no Recurso Voluntário, apresentou, págs. 172/175, livro contábil onde os valores de passivo fictício já constariam desde o início de 1998, nos montantes da conta Fornecedores: a. cópia livro Razão do ano 1998, conta 211010014 Fornecedores de Mercadorias, onde o saldo em 01/01/1998 consta como R$3.501.523,35, e em 31/12/1998 consta como R$4.888.493,39; b. o contribuinte não documentou nem esclareceu se seriam valores já quitados e ainda mantidos no passivo, ou se seriam valores registrados nunca existentes; e tampouco apresentou documentação suporte para tais esclarecimentos, não havendo prova documental de quando os registros se tornaram fictícios, porém, sua tese é que teriam ocorrido antes de 31/03/1999, e a omissão teria sido atingida pela decadência (não julgada pela CSRF). 30. Citese Acórdão que trata de questão semelhante: Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 12/04/2018 Nº Acórdão 1302002.771 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJAno calendário: 2001 DECADÊNCIA. PASSIVO FICTÍCIO. NÃO COMPROVAÇÃO DA COMPOSIÇÃO DO SALDO.Nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, existem duas hipóteses quanto à contagem do prazo decadencial: i) quando o contribuinte efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício de eventual diferença a maior, ainda devida, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CTN); ii) quando o contribuinte não efetua o pagamento no vencimento, ou haja dolo, fraude ou simulação, o prazo para o lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte ao de ocorrência do fato gerador (art. 173, I, do CTN). Não havendo efetiva comprovação da composição do saldo (acumulado) de passivo fictício e não sendo pago o tributo no exercício em que o balanço foi analisado (2001), contase o prazo decadencial nos termos art. 173, inciso I, do CTN. (Grifouse.) Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão 26/01/2017 Nº Acórdão 1401001.777 DECADÊNCIA. PASSIVO FICTÍCIO. BASE DE CÁLCULO. SALDO DA CONTA. OBRIGAÇÕES PROVENIENTES DE PERÍODOS JÁ DECAÍDOS. INOCORRÊNCIA. A presunção legal de omissão de receita caracterizada por passivo fictício tanto no caso de obrigação cuja existência não foi comprovada, como no de irregular manutenção no passivo decorre da lógica contábil de que tais procedimentos têm por objetivo impedir o Fl. 348DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 9 8 surgimento de saldo credor de caixa. Portanto, o dever de comprovar a obrigação mantida no passivo em período não decaído permanece, mesmo tendo ela sido registrada em período já decaído, sob pena de não se poder aplicar a presunção legal ao passivo de longo prazo. Preliminar indeferida. (Grifouse.) 31. Há acórdãos do próprio CARF, no sentido de que cabe a autuação de receita omitida, presumida a partir da constatação de passivo fictício, somente em relação ao período em que o passivo foi quitado, ou em que foi registrado sem ser exigível, momento em que ocorre a omissão de receita. 32. Contudo, como já citado neste voto, também há decisões em sentido oposto: Nº Acórdão 1401001.586, de 05 de abril de 2016 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. PERÍODOS PRETÉRITOS. A presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja, a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Não há nada na norma que permita inferir que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício. Recurso de Ofício Provido (...) A DRJ entendeu que a presunção de omissão de receita com base na existência de passivo fictício deve ser consubstanciada nos períodos de apuração em que se verifica: (i) o momento em que a obrigação foi paga quando se está diante da hipótese normativa que trata da manutenção no passivo de obrigações já pagas: e (ii) o momento em que ocorreu o lançamento contábil da obrigação quando se está diante da hipótese normativa que trata da manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja comprovada. Nada obstante, discordo dessa opinião. Entendo que a presunção de omissão de receita com base no passivo fictício é clara quanto ao seu fato indiciário, qual seja. a "manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada". Confirase. nesse sentido, o inciso III do artigo do 281 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99 (RIR/99): (...) Portanto, não há nada na norma que permita inferir, como fez a instância a quo. que a presunção remeta a omissão de receita para períodos de apuração pretéritos ao da constatação do passivo fictício. Por bem esclarecer a fundamentação desse raciocínio, peço vénia para reproduzir o trecho que trata do assunto no voto condutor do Acórdão n° 1102001.075, de 29/04/2014. da lavra do Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé: "Tanto nas situações que a recorrente denomina de passivo "fictício" (manutenção no passivo de obrigações já pagas) quanto nas de passivo "insubsistente" (manutenção no passivo de obrigações cuja exigibilidade não seja Fl. 349DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 10 9 comprovada), a lei não fixou propriamente o momento em que o passivo em questão tornase "fictício" ou "insubsistente", referindose apenas à "manutenção" no passivo de obrigações naquelas condições. Tratase, no caso, de uma presunção de omissão de receitas. Por óbvio o momento em que a verdadeira omissão de receitas ocorreu é desconhecido, funcionando a "manutenção" no passivo de obrigações já pagas ou não comprovadas apenas como um "marcador" que aponta para a ocorrência de uma omissão de receitas em período anterior. De fato, nas presunções legais de omissão de receitas, a verdadeira receita auferida (e omitida) sempre se dá em momento anterior àquele que é tomado em consideração para se efetuar o lançamento. Tomese o exemplo de um pagamento não escriturado. Ao identificar a data em que ocorreu tal pagamento, tomase esta data como a da ocorrência do fato gerador, por presunção. Contudo, cediço que pagamento nada tem a ver com receita, senão antes com despesa ou custo. O pressuposto da presunção é de que aquele pagamento foi efetuado com recursos mantidos à margem da escrituração. De onde provieram tais recursos? Certamente de vendas, ou de outras receitas, auferidas em período pretérito, contudo também não contabilizadas. Importante registrar que este período pretérito em que se deu a efetiva omissão de receita pode se encontrar em momento tão distante no tempo que até abrangido pela decadência se encontraria o respectivo período de apuração, contudo, a presunção legal em comento desloca o momento da ocorrência da omissão de receita para o momento da verificação da existência do pagamento não escriturado. Da mesma forma se dá com o saldo credor de caixa. O saldo da conta caixa somente tomase credor justamente quando os pagamentos superam os recebimentos. Mais uma vez, o momento da ocorrência do saldo credor, por óbvio, nada tem a ver, portanto, com o momento da efetiva omissão de receita, que lhe é anterior. Assim também com o passivo "fictício" ou "insubsistente". Ainda que se tomasse, como sugere a recorrente, e ao arrepio da lei, a data do registro contábil do passivo como a referência temporal para a aplicação da presunção, isto não significa que seria naquele momento que teria ocorrido a efetiva omissão de receitas. Isto porque é cediço que a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou não comprovadas, no mais das vezes, tem por objetivo justamente impedir o surgimento de saldo credor de caixa. E assim, mais uma vez estamos tratando de omissões de receita pretéritas. Neste sentido, portanto, enquanto "mantiver" o contribuinte um registro contábil de um passivo já pago ou não comprovado, está ele sujeito à autuação ante a constatação, pela fiscalização, desta situação, a qual, conforme acima referido, funciona como um "marcador" da existência de Fl. 350DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 11 10 omissões de receita pretéritas, ocorridas em período(s) impreciso(s)." E. para completar esse raciocínio, vale a pena também reproduzir a ementa do Acórdão n° 120100.213, de 28/01/2010, da lavra do Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 2001 Ementa: PASSIVO FICTÍCIO o passivo fictício é infração continuada. Não cabe afastar a autuação em razão da possibilidade de a obrigação não comprovada já ter sido fictícia em exercício anterior ao período fiscalizado. Todavia, um mesmo passivo fictício não legitima diversas autuações por persistir na escrita por mais de um período de apuração, pois seria tributar diversas vezes uma única omissão de receita. Assim, não se pode dar guarida aos argumentos da decisão recorrida que serviram de fundamento para exonerar a maior parte das bases de cálculo utilizadas para apuração, tanto do IRPJ e da CSLL. quanto do PIS e da COFINS.". 33. A transcrição supra vem ao encontro a como esta julgadora interpreta o dispositivo legal que embasa a autuação. 34. Constatado passivo, cuja exigibilidade o contribuinte não comprova (e a contabilidade faz prova a favor do contribuinte, se apoiada por documentos hábeis e idôneos) fica caracterizada a omissão. 35. O dispositivo legal não estabelece marco temporal constatado o passivo fictício, presumese a omissão de receitas descabe perquirir o momento em que tal passivo foi quitado e deixou de ser exigível, ou o momento em que foi registrado sem ser real. 36. No máximo se pode se concluir que, se tal passivo restava pago há mais de 5 (cinco) anos e só agora foi constatada omissão, então, o contribuinte infrator foi beneficiado pela constituição do imposto devido sobre valor defasado da receita omitida e com menor incidência de juros de mora. 37. Tampouco procede argumento que alguns apresentam de que, se fiscalizado o contribuinte em períodos sucessivos, seria objeto de reiteradas autuações relativas ao mesmo passivo fictício; ora, não seria difícil ao autuado provar a duplicidade ou multiplicidade das autuações, cancelando as demais e mantendo uma delas. 3 Multa de ofício de 75%. 38. Reclama da multa de ofício de 75%, que classifica como indevida 39. O dispositivo que regula a multa de ofício aplicada, conforme indicado no auto de infração, foi o art. 44, I da Lei nº 9.430, de 1996: Art.44.Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 12 11 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; 40. Portanto, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual de 75% o legalmente previsto para o lançamento de ofício, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. 41. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor de impostos e contribuições não recolhidos. 4 Juros de Mora. Taxa Selic. 42. Quanto aos percentuais de juros com base na taxa Selic, o Código Tributário Nacional CTN, em seu art. 161, § 1o, abaixo transcrito, permite, por autorização legal, exigência de juros de mora em valor superior a 1% ao mês: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1o. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. (Grifouse). 43. A lei dispôs de modo diverso, ao prever, no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, a seguinte disposição: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 19515.001373/200468 Acórdão n.º 1201002.583 S1C2T1 Fl. 13 12 44. Assim, os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, sujeitamse, a partir de 1º de janeiro de 1997, a juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema de Liquidação e Custódia para títulos federais Selic, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês de pagamento. Dessa forma, a taxa referencial Selic para títulos federais, por refletir o custo de rolagem da dívida interna pelo Tesouro Nacional, foi escolhida pelo legislador para o cálculo dos juros moratórios decorrentes da impontualidade do sujeito passivo no adimplemento da obrigação tributária, a partir de 01/01/1997. 45. Nestes termos, o lançamento seguiu estritamente o que determina a legislação em vigor, devendo a autoridade lançadora, por dever de ofício, agir na forma que dispõe a legislação tributária, sob pena de, em não assim procedendo, sofrer responsabilização funcional. 46. A validade da aplicação da taxa Selic é entendimento pacífico na jurisprudência do CARF, conforme a seguir: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 4.1.1 Inconstitucionalidade. Ilegalidade. 47. E quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade de legislação devese esclarecer que, sendo aos Conselheiros do CARF, não compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. 5 Conclusão Voto por NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eva Maria Los Fl. 353DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10209.000640/2004-79
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 24/11/1999
PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252.
Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Trata-se de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN.
Numero da decisão: 9303-007.267
Decisão: Visto, relatado e discutido os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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PREFERÊNCIA TARIFÁRIA. Recorrente PETRÓLEO BRASILEIRO S A PETROBRAS Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/11/1999 PREFERÊNCIA TARIFÁRIA PREVISTA EM ACORDO INTERNACIONAL. CERTIFICADO DE ORIGEM. TRIANGULAÇÃO COMERCIAL. RESOLUÇÃO ALADI 252. Para se beneficiar da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), o contribuinte deve seguir com rigor as exigências estabelecidas na legislação de regência. Tratase de benefício tributário a reclamar a aplicação do art. 111 do CTN. Visto, relatado e discutido os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 20 9. 00 06 40 /2 00 4- 79 Fl. 442DF CARF MF Processo nº 10209.000640/200479 Acórdão n.º 9303007.267 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3101001.391, que deu provimento ao recurso voluntário. A discussão do presente processo tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte. Consta dos autos que o Contribuinte procedeu à importação de bens com a utilização da redução tarifária prevista no Acordo de Complementação Econômica n.º 39 (ACE 39), conforme Decreto n.º 3.138, de 1999, firmado entre o Governo do Brasil e os Governos da Colômbia, do Equador, do Peru e da Venezuela (PaísesMembros da Comunidade Andina). A fiscalização concluiu que a importação não contempla o Acordo Tarifário, seja em razão da divergência entre a fatura comercial e o certificado de origem, seja também porque o produto foi comercializado por terceiro país sem que tenham sido atendidos os requisitos estabelecidos na legislação pertinente, razão porque tratou de lavrar o auto de infração objeto da lide, para exigir o tributo de modo integral, deduzido da parte já recolhida, além dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. Cientificado do lançamento, o Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que a triangulação comercial não elide a aplicação de redução tarifária prevista em acordo firmado no âmbito da ALADI. A DRJ em Fortaleza/CE, na parte de interesse ao presente julgamento, não reconheceu o direito à redução tarifária. Irresignado, o Contribuinte apresentou recurso voluntário. O Colegiado do CARF deu provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3101001.391, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 24/11/1999 IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO PREFERÊNCIA TARIFÁRIA TRIANGULAÇÃO COMERCIAL POSSIBILIDADE Em operações internacionais de triangulação comercial, cuja origem do produto importado está certificada para os fins de atendimento de Acordo de preferência tarifária, é imprescindível a demonstração documental da vinculação das operações, ainda que a mercadoria seja remetida diretamente, e de que a intervenção de terceiro país não desfigurou a origem. Demonstrado o requisito formal no curso do processo administrativo resta comprovada a origem, na forma da norma internacional. Recurso Voluntário Provido A Fazenda Nacional interpôs, então, o Recurso Especial ora sob exame A divergência suscitada diz respeito ao direito à redução tarifária em face da intermediação de Fl. 443DF CARF MF Processo nº 10209.000640/200479 Acórdão n.º 9303007.267 CSRFT3 Fl. 4 3 terceiro país, que não faz parte do acordo comercial internacional em tela. Visando comprovar o dissenso jurisprudencial a Fazenda apresentou os acórdãos 30133.018 e 302 36.741. O Recurso Especial da Fazenda foi admitido conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara de competência do CARF. Cientificado do despacho que admitiu o especial fazendário, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.260, de 14/08/2018, proferido no julgamento do processo 10209.000826/200517, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303007.260): "Da Admissibilidade O Recurso Especial do Fazenda é tempestivo e, depreendendose da análise de seu cabimento, entendo pela admissibilidade integral do recurso conforme despacho de fls. 326 a 328. (...)1 Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas tenho conclusões distintas das suas a respeito das operações de triangulação comercial e suas consequências de que trata o presente processo. A discussão desse processo gira em torno do tratamento beneficiado de importação efetuada pela recorrente utilizandose de preferência tarifária com suporte no Acordo de Complementação Econômica nº 39 (ACE 39), firmado entre o Governo Brasileiro com os Governos da Colômbia, Equador, Peru e Venezuela, Países Membros da Comunidade Andina. Grosso modo, tratase de redução tarifária do Imposto de Importação, caso os produtos sejam adquiridos daqueles países em determinadas condições. Ou seja, tratase de uma regra de exceção, benefício fiscal, o qual reclama a aplicação do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; 1 Não se transcreveu o voto da relatora do processo paradigma, na parte em que enfrentou o mérito, em razão de trazer entendimento que restou vencido na votação, não se aplicando, portanto, à solução do litígio dos presentes autos. A íntegra do voto consta do Acórdão 9303007.260. Fl. 444DF CARF MF Processo nº 10209.000640/200479 Acórdão n.º 9303007.267 CSRFT3 Fl. 5 4 II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. É da essência das regras de exceção, a aplicação literal dos dispositivos que as concedem. Isto porque, se de um lado estabelecese um tratamento beneficiado, de outro, as regras condicionantes devem ser seguidas com rigor. Nesse sentido, vejamos o que dispunham as regras para o aproveitamento da redução tarifária pretendida. No início do referido acordo, vigia o disposto na Resolução ALADI nº 78, o qual não permitia a possibilidade de triangulação comercial nos moldes realizados pela contribuinte no presente processo. Art. 4º da Resolução ALADI nº 78: QUARTO Para que as mercadorias originárias se beneficiem dos tratamentos preferenciais, as mesmas devem ter sido expedidas diretamente do país exportador para o país importador. Para esses efeitos, considerase como expedição direta: a) As mercadorias transportadas sem passar pelo território de algum país não participante do acordo. b) As mercadorias transportadas em trânsito por um ou mais países não participantes, com ou sem transbordo ou armazenamento temporário, sob a vigilância da autoridade aduaneira competente nesses países, desde que: i) o trânsito esteja justificado por motivos geográficos ou por considerações referentes a requerimentos do transporte; it) não estejam destinadas ao comércio, uso ou emprego no país de trânsito; e iii) não sofram, durante seu transporte e depósito, qualquer operação diferente da carga e descarga ou manuseio para mantêlas em boas condições ou assegurar sua conservação. Veja que na vigência do art. 4º, acima transcrito, as mercadorias deveriam ser faturadas diretamente do país exportador para o importador, admitindo o seu trânsito por outro país, em síntese, somente por razões de logística do transporte. Não se permitia a participação de outro país interveniente com emissão de fatura nele ocorrida, como no presente caso. Somente a partir de 08/12/98, com a entrada em vigência da Resolução ALADI nº 232 é que se passou a permitir, com uma série de condicionantes. O disposto na Resolução ALADI 232, foi consolidado na Resolução ALADI nº 252, o qual transcrevo abaixo: NONO. Quando a mercadoria objeto de intercâmbio for faturada por um operador de um terceiro país, membro ou não da Associação, o produtor ou exportador do país de origem deverá indicar no formulário respectivo, no campo relativo a “observações”, que a mercadoria objeto de sua Declaração será faturada de um terceiro país, identificando o nome, denominação ou razão social e domicílio do operador que, em definitivo, será o que fature a operação a destino. Na situação a que se refere o parágrafo anterior e, excepcionalmente, se no momento de expedir o certificado de origem não se conhecer o número da fatura comercial emitida por um operador de um terceiro país, o campo correspondente do certificado não deverá ser preenchido. Nesse caso, o importador apresentará à administração aduaneira correspondente uma declaração juramentada que justifique o fato, onde deverá indicar, pelo menos, os números e datas da fatura comercial e do certificado de origem que amparam a operação de importação. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 10209.000640/200479 Acórdão n.º 9303007.267 CSRFT3 Fl. 6 5 Somente com a Resolução 232, que passou a viger no país a partir de 08/12/98, é que se permitiu a participação de um operador de terceiro país, porém as regras para esta participação são claras e não poderiam ser ignoradas pela Petrobrás. Primeiro que são de fáceis cumprimento e seu conteúdo é de clareza meridiana. Então bastava constar o número da fatura do terceiro interveniente já no próprio certificado de origem. Se o número da fatura, ainda não era conhecido, a determinação é que se deixasse em branco o espaço e que fosse apresentada no momento do desembaraço a declaração juramentada. Com certeza a motivação dessas exigências têm fundamento no controle aduaneiro. Ao abandonar ao livre arbítrio estas condições a Petrobrás afastou do conhecimento imediato da aduana as reais condições de sua importação. A comprovação documental em momento bem posterior aos fatos, podem prejudicar a perfeita verificação se os documentos apresentados correspondem aos fatos erigidos. Portanto, penso ser incabível, uma empresa do porte da recorrente, não se submeter a regras simples estabelecidas a nível de tratado internacional. Retomando os fatos do presente processo, vêse que se trata de uma importação objeto da Declaração de Importação nº 00/12080657, cujo registro deuse em 13/12/2000. Constatase de forma inequívoca que não foram seguidas as condições estabelecidas no artigo 9º da Resolução ALADI nº 252, acima trasncrito. No Certificado de Origem, efl. 21, consta a fatura comercial emitida pela ECOPETROL e não tem qualquer referência à fatura comercial emitida pela interveniente de outro país, no caso a PFICO. Neste caso, diferente dos demais, no campo "observações" do Certificado de Origem há referência expressa à empresa interveniente, PIFCO, porém não tem a informação do número da fatura comercial emitida por ela. Também não foi apresentada a declaração juramentada no momento do desembaraço aduaneiro. Assim está comprovado que não foram cumpridas as regras estabelecidas para que se tenha direito à redução tarifária que se pretendia. Também não tem fundamento a invocação do contribuinte pela aplicação do art. 434 do Regulamento Aduaneiro de 1985, Decreto nº 91.030/85, de que a comprovação será feita por qualquer meio julgado idôneo. Veja a sua redação: Art. 434 No caso de mercadoria que goze de tratamento tributário favorecido em razão de sua origem, a comprovação desta será feita por qualquer meio julgado idôneo Parágrafo único Tratandose de mercadoria importada de país membro da Associação LatinoAmericana de Integração (ALADI), quando solicitada a aplicação de reduções tarifárias negociadas pelo Brasil, a comprovação constará de certificado de origem emitido por entidade competente, de acordo com modelo aprovado pela citada Associação. Ora, o próprio decreto remete à necessidade de cumprimento das regras atinentes ao certificado de origem. Como visto a ALADI aprovou o modelo e as regras de seu preenchimento no caso da referida triangulação comercial. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 446DF CARF MF Processo nº 10209.000640/200479 Acórdão n.º 9303007.267 CSRFT3 Fl. 7 6 Fl. 447DF CARF MF
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Numero do processo: 10882.901013/2008-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.417
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 13 /2 00 8- 39 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10882.901013/200839 Acórdão n.º 3402005.417 S3C4T2 Fl. 3 2 Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10882.901013/200839 Acórdão n.º 3402005.417 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.849, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10882.901013/200839 Acórdão n.º 3402005.417 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10882.901013/200839 Acórdão n.º 3402005.417 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10882.901013/200839 Acórdão n.º 3402005.417 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10882.901013/200839 Acórdão n.º 3402005.417 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10882.901013/200839 Acórdão n.º 3402005.417 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10882.901013/200839 Acórdão n.º 3402005.417 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10882.901013/200839 Acórdão n.º 3402005.417 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 150DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.724592/2015-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN.
O prazo decadencial para o lançamento somente é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. Se não há registro e nem comprovação de recolhimentos parciais das rubricas exigidas nos autos de infração, o prazo decadencial aplicável é o do art. 173, inc. I, do Código.
NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AUTUAÇÕES FUNDAMENTADAS. INEXISTÊNCIA DE PRETERIÇÃO AOS DIREITOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. MPF. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE FORMAL.
1. Não há nulidade quando as autuações por descumprimento das obrigações principais e acessórias estão devidamente motivadas e fundamentadas, e quando não subsiste prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório.
2. A Portaria RFB 1687/14 extinguiu o instrumento denominado Mandado de Procedimento Fiscal e instituiu o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF), ocasião em que convalidou os procedimentos fiscais iniciados com base em MPF emitidos até a data de sua publicação, nos termos do seu art. 15.
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. AUXÍLIOS DOENÇA E ACIDENTE. DESCABIMENTO DE SUA DISCUSSÃO. CÁLCULO DAS MULTAS. PREVISÃO LEGAL.
1. Os pagamentos efetuados aos trabalhadores por meio de cartões de incentivo são, em verdade, remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social.
2. A discussão acerca da não incidência das contribuições sobre os auxílios doença e acidente é descabida quando há o lançamento de contribuições sobre valores pagos a contribuintes individuais, por meio de cartão de incentivo, com base em critérios de desempenho, esforço e produtividade.
3. As multas correspondentes às infrações por descumprimento de obrigações acessórias têm fundamento no artigo 283, inciso I, alínea a (AI Debcad nº 51.071.964-3) e alínea g (AI Debcad nº 51.071.963-5), e inciso II, alínea j (AI Debcad nº 51.071.965-1), todos do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003.
Numero da decisão: 2402-006.578
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência e a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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CARTÕES DE PREMIAÇÃO. Recorrente PADRÃO DE VIDA CORRETORA DE SEGUROS E REPRESENTAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE RECOLHIMENTOS PARCIAIS. REGRA DO ART. 173, I, DO CTN. O prazo decadencial para o lançamento somente é regido pelo art. 150, § 4º, do CTN, se, inexistindo dolo, fraude ou simulação, houver pagamento parcial. Se não há registro e nem comprovação de recolhimentos parciais das rubricas exigidas nos autos de infração, o prazo decadencial aplicável é o do art. 173, inc. I, do Código. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. AUTUAÇÕES FUNDAMENTADAS. INEXISTÊNCIA DE PRETERIÇÃO AOS DIREITOS DO CONTRADITÓRIO E DA AMPLA DEFESA. MPF. INEXISTÊNCIA DE IRREGULARIDADE FORMAL. 1. Não há nulidade quando as autuações por descumprimento das obrigações principais e acessórias estão devidamente motivadas e fundamentadas, e quando não subsiste prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório. 2. A Portaria RFB 1687/14 extinguiu o instrumento denominado Mandado de Procedimento Fiscal e instituiu o Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF), ocasião em que convalidou os procedimentos fiscais iniciados com base em MPF emitidos até a data de sua publicação, nos termos do seu art. 15. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. CARTÕES DE INCENTIVO. PAGAMENTO DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. AUXÍLIOS DOENÇA E ACIDENTE. DESCABIMENTO DE SUA DISCUSSÃO. CÁLCULO DAS MULTAS. PREVISÃO LEGAL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 45 92 /2 01 5- 70 Fl. 3522DF CARF MF 2 1. Os pagamentos efetuados aos trabalhadores por meio de cartões de incentivo são, em verdade, remunerações sujeitas à incidência das contribuições devidas à seguridade social. 2. A discussão acerca da não incidência das contribuições sobre os auxílios doença e acidente é descabida quando há o lançamento de contribuições sobre valores pagos a contribuintes individuais, por meio de cartão de incentivo, com base em critérios de desempenho, esforço e produtividade. 3. As multas correspondentes às infrações por descumprimento de obrigações acessórias têm fundamento no artigo 283, inciso I, alínea “a” (AI Debcad nº 51.071.9643) e alínea “g” (AI Debcad nº 51.071.9635), e inciso II, alínea “j” (AI Debcad nº 51.071.9651), todos do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a decadência e a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. Votaram pelas conclusões os conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira e Luis Henrique Dias Lima. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Denny Medeiros da Silveira, João Victor Ribeiro Aldinucci, Mauricio Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório A 7ª Turma da DRJ/POA fez um relato preciso do lançamento, da impugnação e dos incidentes ocorridos até a prolatação do acórdão de impugnação, que passa a integrar, em parte, o presente relatório: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito na empresa em epígrafe, foram lavrados os seguintes Autos de Infração – AI, valores consolidados em 29/06/2015, decorrentes do descumprimento de obrigações principais: Fl. 3523DF CARF MF Processo nº 10380.724592/201570 Acórdão n.º 2402006.578 S2C4T2 Fl. 3 3 1. AI Debcad nº 51.071.9597, no valor de R$ 5.335.653,41 (cinco milhões, trezentos e trinta e cinco mil, seiscentos e cinquenta e três reais e quarenta e um centavos), relativo à contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais, nas competências de 01/2010 a 06/2010. 2. AI Debcad nº 51.071.9600, no valor de R$ 8.982.384,34 (oito milhões, novecentos e oitenta e dois mil, trezentos e oitenta e quatro reais e trinta e quatro centavos), relativo à contribuição previdenciária da empresa, incidente sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais, nas competências de 07/2010 a 12/2011. 3. AI Debcad nº 51.071.9619, no valor de R$ 2.538.092,32 (dois milhões, quinhentos e trinta e oito mil, noventa e dois reais e trinta e dois centavos), relativo à contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre remunerações recebidas nas competências de 01/2010 a 06/2010. 4. AI Debcad nº 51.071.9627, no valor de R$ 4.291.855,31 (quatro milhões, duzentos e noventa e um mil, oitocentos e cinquenta e cinco reais e trinta e um centavos), relativo à contribuição previdenciária a cargo dos segurados contribuintes individuais, incidentes sobre remunerações recebidas nas competências de 07/2010 a 12/2011. Conforme o Relatório Fiscal, fls. 61/75, as contribuições incidem sobre valores (prêmio de produtividade), pagos a segurados contribuintes individuais por serviços de vendas de seguros, concessões de empréstimos consignados a terceiros, dentre outros serviços relacionados a atividade da autuada, não registrados nas folhas de pagamento e não declarados pela empresa nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Os pagamentos foram realizados pela autuada por meio da empresa contratada “Motive Serviços de Comunicação Ltda – CNPJ 07.526.958/000160”, que recebia os valores transferidos pela contratante (Padrão de Vida Corretora de Seguros e Representações Ltda) e repassava aos contribuintes individuais da própria contratante (chamados de colaboradores), por meio do cartão “COM VOCE INCENTIVE”, conforme contrato firmado entre as partes envolvidas. As remunerações pagas (fatos geradores) estão identificadas nos Relatórios de Lançamento RL e em Planilhas Anexas. Também foram lavrados os seguintes Autos de Infração, decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias: 1. AI Debcad nº 51.071.9635, no valor de R$ 1.925,81 (um mil, novecentos e vinte e cinco reais e oitenta e um centavos), por deixar a empresa de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas ou creditadas, as contribuições previdenciárias a cargo dos segurados contribuintes individuais, Fl. 3524DF CARF MF 4 nas competências 01/2010 a 12/2011. A autuada não realizou o desconto da contribuição previdenciária a cargo dos segurados (11%), incidentes sobre valores pagos a título de prêmio de produtividade aos contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. 2. AI Debcad nº 51.071.9643, no valor de R$ 1.925,81 (um mil, novecentos e vinte e cinco reais e oitenta e um centavos), por deixar a empresa de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com as normas estabelecidas pela legislação, pois não foram incluídos nas folhas de pagamento mensais segurados contribuintes individuais, relacionados em planilha anexa, bem como, as respectivas remunerações pagas a estes segurados (prêmio de produtividade), nas competências 01/2010 a 12/2011. 3. AI Debcad nº 51.071.9651, no valor de R$ R$ 19.257,83 (dezenove mil duzentos e cinquenta e sete reais e oitenta e três centavos), por deixar a empresa de apresentar documentos e livros contábeis solicitados pela fiscalização, relacionados com as contribuições previdenciárias. Apesar de intimada por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF e dos Termos de Intimação Fiscal – TIF (01, 02, 03, 04, 05 e 06) a contribuinte deixou de apresentar à fiscalização os seguintes documentos e livros relativos ao período fiscalizado de 01/2010 a 12/2011: Livros Caixa; Balanço Patrimonial; Balancetes contábeis mensais; Contratos de prestação de serviços realizados com terceiros (pessoas físicas e jurídicas) que receberam valores a título de prêmio de produtividade; Livro de Inventário; e Recibos de pagamentos a contribuintes individuais. [...] A empresa teve ciência dos Autos de Infração (AI) em 07 de julho de 2015, fl. 3.092. Em 05 de agosto de 2015, tempestivamente, apresentou impugnações. 1. AIs Debcad nº 51.071.9597, Debcad nº 51.071.9600, Debcad nº 51.071.9619, Debcad nº 51.071.9627, Debcad nº 51.071.9635, Debcad nº 51.071.9643 e Debcad nº51.071.9651 As peças impugnatórias correspondentes aos Autos de Infração em referência apresentaram idêntico teor nos tópicos a seguir, reproduzidos resumidamente. Do Direito de Defesa Segundo a impugnante, em síntese, a ampla defesa e o contraditório foram totalmente alijados nos presentes autos, porque os AIs são parte de um procedimento fiscal extenso, que resultou na lavratura e cientifícação ao contribuinte de “08 (oito)” instrumentos de lançamento tributário, compostos de mais de 300 folhas. Ter que formular “8 (oito)” defesas no prazo exíguo de 30 (trinta) dias é obstar que o contraditório seja exercitado em sua plenitude e que a defesa seja ampla. Por outro lado, afirma que o Relatório Fiscal é genérico, inexistem detalhes sobre a fundamentação legal específica, não se conhecendo, também, as contribuições exigíveis e as hipóteses de incidência. Lançamentos sem os requisitos de convencimento, Fl. 3525DF CARF MF Processo nº 10380.724592/201570 Acórdão n.º 2402006.578 S2C4T2 Fl. 4 5 quais sejam, a informação e a fundamentação, são absolutamente nulos de pleno direito, não produzindo nenhum efeito, bem como, para que se exercite o contido no art. 5º, inciso LV da CF, deve ser conhecido com riqueza de detalhes o inteiro teor do lançamento. Por essas razões, a ampla defesa encontrase prejudicada. Da Irregularidade Formal do Procedimento por Ofensa ao Artigo 9°, Parágrafo Único, da Portaria 3.014, de 29/06/11 Nulidade do Auto de Infração Afirma a empresa que o MPF foi emitido em 26/08/2014, com ciência em 17/09/2014, constando período a ser fiscalizado de 07/2010 a 12/2011, sendo posteriormente prorrogado, em 25/05/2015, desta feita constando período a ser fiscalizado de 01/2010 a 12/2011. No entanto, o MPF perdeu a validade em 16/01/2015, conforme estabelecido no artigo 11 da Portaria 3.014/11, fato que impossibilita a sua prorrogação. Por outro lado, o art. 9º, caput e seu parágrafo único, da Portaria 3.014/11, prevêem a necessidade de registro eletrônico e consequente intimação do contribuinte quanto a qualquer alteração do MPF, inclusive sua prorrogação. Embora seja permitida a prorrogação do MPF, mediante simples registro eletrônico, caberá ao auditor fiscal cientificar o contribuinte da referida prorrogação no primeiro ato praticado. Ocorre que, não obstante a clareza da disposição contida no parágrafo único do art. 142 do CTN e do art. 9º da Portaria 3.014/11, a autoridade fiscal não intimou o contribuinte das prorrogações do MPF, tendo sido realizados diversos TIF's após as prorrogações, sem que deles constasse qualquer informação acerca da prorrogação realizada, acarretando vício intransponível aos Autos de Infração impugnados, ensejando a sua nulidade. 2. AIs Debcads nºs 51.071.9597, 51.071.9600, 51.071.9619 e 51.071.9627 As peças impugnatórias correspondentes aos Autos de Infração em referência apresentaram argumentos de idêntico teor, reproduzidos a seguir, em síntese. 2.1. Dos Lançamentos e Dos Relatórios Alega a empresa que para a constituição do crédito, nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, há a necessidade de que seja feita uma minuciosa verificação da situação definida em lei como fato gerador da contribuição, através de criteriosa análise dessa situação e devidamente esclarecida no Relatório Fiscal, havendo em seguida de ser expedida a regular notificação do sujeito passivo para o exercício de sua plena defesa. Nada disso verificouse quando da lavratura dos lançamentos fiscais. A empresa foi prejudicada por formalização de obrigações tributárias inexistentes, sem que tivesse havido a constatação dos fatos geradores das contribuições, e o pior, sem Fl. 3526DF CARF MF 6 que tivesse tido a chance de contestálos, por falta da devida clareza. Observa uma diversidade de fatos geradores constantes num mesmo AI, onde constata falta de critérios na apuração das contribuições previdenciárias, confundindo as atividades da empresa, a condição de contratante e julgando a priori como empresa fraudulenta e sonegadora, etc. No corpo do relatório fiscal houve uma superposição de justificativas, ora referentes aos autos de infração de obrigações acessórias, ora de obrigações principais, tornando inviável uma análise lógica. 2.2. Dos Contribuintes Individuais Afirma, em síntese, que houve equívocos na análise fiscal, uma vez que nenhuma informação de remuneração deixou de ser informada na GFIP e que foram efetuados todos os devidos recolhimentos, não havendo razão para criação de fatos geradores fictícios, com o fim apenas de arrecadar, e que está sendo responsabilizada por obrigações que são claramente da empresa contratada. Noticia que celebrou contrato com a empresa Motive Serviços de Comunicação Ltda CNPJ 07.526.958/000160, cujo objeto é a prestação de serviços de vendas de seguros, concessões de empréstimos consignados a terceiros e outros serviços relacionados à atividade da autuada nos anos de 2010 e 2011. No corpo do contrato, podese observar claramente, que a contratada deve incentivar aos colaboradores, premiandoos pela produtividade, deve fornecer cartões, deve controlar, apurar e efetuar os pagamento por esta produtividade que se vincula obrigatoriamente às vendas de produtos da contratante. Prossegue em seu arrazoado afirmando que não se justifica que “novas normas criadas pelo notificante”, provoquem levantamentos de valores adicionais, com base em estimativas e erro de interpretação, tornandoa responsável por obrigações que se apresentam claramente como da empresa contratada. Portanto, os lançamentos são arbitrários ou equivocados, chegando a beirar o excesso de exação, tão repudiado no nosso direito tributário. 2.3. Da Decadência Alega, em síntese, que o prazo de decadência e de prescrição das contribuições previdenciárias passou a ser de 05 (cinco) anos, disciplinado pelo artigo 150, parágrafo 4º, ou pelo artigo 173, inciso I, ambos do CTN; que a Fazenda Pública, por dever de ofício, deve efetivar a constituição do crédito tributário no prazo regulamentar de decadência, que deve ser reconhecida de ofício porque ela atinge o próprio direito; que o TPDF não é medida indispensável ao lançamento, não se enquadrando no estabelecido no artigo 173, parágrafo único, do CTN; que as atividades de mera comunicação da ação fiscal, de constatação, as comprovações formais, as verificações de omissões de recolhimentos e os trabalhos de conferência de documentos fiscais (cruzamento de dados), não podem ser consideradas à luz do Código Tributário Nacional medidas preparatórias da ação fiscal. Fl. 3527DF CARF MF Processo nº 10380.724592/201570 Acórdão n.º 2402006.578 S2C4T2 Fl. 5 7 Afirma que o Auto de Infração foi emitido em 29/06/2015, mais de 60 dias após o último Termo de Início do Procedimento Fiscal TIPF. Sendo assim, uma vez que todos os fatos geradores das contribuições, até a competência 05/2010, já tinham decorrido mais de 5 (cinco) anos no momento da ciência do Auto de Infração pelo contribuinte (06/07/2015), o direito do Fisco de efetuar lançamento de crédito tributário quanto aos fatos geradores objeto do AI encontramse decaídos. Entende, assim, que os Autos de Infração não poderiam ter abrangido as competências anteriores a 06/2010, uma vez que havia declarações e recolhimentos e para os supostos débitos já está decaído o direito de lançamento tributário, não podendo ser objeto de nenhuma fiscalização. 2.4. Da fraude, sonegação e conluio A impugnante apresenta extenso arrazoado acerca dos conceitos de fraude e simulação, concluindo ao final que é indevida a multa qualificada no percentual de 150%, tendo em vista que não ficou caracterizada a máfé, o logro, o dolo, etc, ou seja, que em nenhum momento a Impugnante usou de máfé ou conluio objetivando sonegar contribuições previdenciárias. Requer seja afastada a hipótese de cometimento de fraude, sonegação ou conluio por parte da impugnante. 2.5. Do Caráter Confiscatório dos Juros e da Multa Aplicada Neste tópico argumenta, em síntese, que é inadmissível a incidência da Taxa SELIC sobre as contribuições previdenciárias em questão, por afronta ao que determina a Constituição Federal de 1988, bem como a multa aplicada, no percentual de 150%, afigurase desproporcional em relação à conduta que se visa a coibir. A multa prevista no art. 44, da Lei nº 9.430/96, quando aplicada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), possui caráter confiscatório, razão pela qual requer a sua redução para o patamar de 20% (vinte por cento). 2.6. Do Auxílio Doença e Auxílio Acidente (primeiros quinze dias) Neste tópico informa que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que a verba recebida pelo empregado a título de auxíliodoença, nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento tem caráter previdenciário. Não configurando, portanto, natureza salarial, não há por que falar em incidência de contribuição previdenciária. A mesma interpretação deve ser adotada quanto aos valores pagos a título de auxílioacidente, nos primeiros 15 (quinze) dias de afastamento. Cabe, portanto ao auditor verificar os valores pagos e compensálos no decorrer da Ação Fiscal, procedimento ignorado no presente AI. Do Pedido Pelo exposto, requer que: Fl. 3528DF CARF MF 8 a) sejam tornados insubsistentes os Autos de Infração, por absoluta falta de fundamentação, de vez que inexistiu o detalhamento devido e necessário no relatório fiscal, com prejuízo ao oferecimento da defesa, para que outro seja produzido ao amparo da lei e que possa oferecer condições de defesa; b) sejam nulos os AIs por invalidade do Mandado de Procedimento Fiscal; c) sejam compensados os valores recolhidos, incidentes sobre as remunerações relativas aos primeiros quinze dias de auxílio doença; d) sejam declarados decadentes os valores lançados correspondentes às competências até 06/2010; e e) sejam desconsideradas, conforme demonstrado, as hipóteses de fraude, sonegação e conluio. Ao final, requer a produção no decorrer processual de todas as demais provas possíveis e permitidas em direito, inclusive juntadas de documentos novos e, principalmente, perícia, no sentido de aferir se os cálculos estão corretos. 3. AIs Debcads nºs 51.071.9635 51.071.9643 51.071.9651 As peças impugnatórias correspondentes aos Autos de Infração em referência apresentaram idêntico teor nos tópicos a seguir, reproduzidos resumidamente. 3.1 Dos Lançamentos e dos Relatórios Afirma que a amplitude da defesa, estendida ao processo administrativo pela Constituição de 1988, artigo 5º, LV, é peça indissociável do processo administrativo. O relatório fala de forma generalizada, cita várias infrações no mesmo auto, ou seja, não se baseia em fatos concretos, mas em possibilidades. Em outras palavras: o Auto de Infração carece de um dos seus axiais requisitos, a fundamentação, cuja nulidade deve ser reconhecida. O relatório de lançamento sem os componentes de convencimento, isto é, a fundamentação, é absolutamente nulo a não produzir nenhum efeito. Assim, “em função da falta de fundamentação da infração, pois, obscuros, omissos e defeituosos, o relatório, deve ser considerado insubsistente o Auto de Infração” (AI). 3.2. Dos Fundamentos A impugnante ficou absolutamente impossibilitada de apresentar defesa consistente, “uma vez que a nobre auditora, com sua capacidade legislativa, fundamentou o lançamento do Auto, numa infinidade de normas, ora com base na legislação vigente na ocorrência da infração, ora na legislação pós 2010.” 3.3. Da Confusão Da Multa “Notase que o nobre auditor, na sua ânsia de encerrar os procedimentos fiscalizatórios, resolveu legislar por conta própria”. “A multa aplicada, demonstrada na tabela anexa ao Auto de Infração, sequer obedeceu aos valores mínimos e aos limites determinados pelos arts. 32, §§ 4º e 5º e 92 da Lei n° 8.212/91 e pelo art. 284, II do Decreto n° 3.048/99”. O cálculo da multa não obedeceu aos valores estabelecidos pela norma competente na data da suposta infração, fato gerador da Fl. 3529DF CARF MF Processo nº 10380.724592/201570 Acórdão n.º 2402006.578 S2C4T2 Fl. 6 9 penalidade. Sabese que normas que impõem multas fiscais mais gravosas não podem retroagir no tempo, não podem ser aplicadas retroativamente aos eventos ocorridos antes de sua publicação. “Por conseguinte, os valores mínimos aplicáveis à espécie são aqueles recomendados na Portaria de 12/2009.” “Assim, requer a IMPUGNANTE, realização de diligências (art. 18, do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972), a serem procedidas por este órgão previdenciário, objetivando apurar responsabilidade civil da infração em comento, bem como assinalar prazo para apresentação e juntada o Instrumento de Procuração Adjudicia, como estabelecido na Lei.” “A fiscalização foi efetivada em 2015, no entanto as possíveis infrações ocorreram em 2010, devendolhe, se for o caso, atrair a incidência das normas vigentes e previstas no Regulamento da Previdência Social, as quais estabelecem que a multa imposta ao defendente há de ser relevada”. “Assim, considerando que todos os fatos geradores foram apresentados em meio magnético, com todas as informações necessárias para apuração das contribuições previdenciárias, independentemente da não padronização por parte da legislação Previdenciária, sendo desnecessária a lavratura do presente Auto de Infração, e não sendo a defendente reincidente, nem, igualmente, tendo havido circunstância agravante,” requer seja relevada a multa aplicada. Do Pedido Em face ao exposto, requer a insubsistência do Auto de Infração, por absoluta falta de fundamentação, de vez que inexistiu o detalhamento devido e necessário no relatório fiscal, com prejuízo ao oferecimento da defesa, ou a sua nulidade em razão da invalidade do MPF e da total incompatibilidade entre o descrito como infração e o estabelecido pelas normas legais. Acaso não se acolham as pretensões anteriores, seja relevada a multa com base no disposto no artigo 291, parágrafo 1º do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em função de estarem implementadas todas as condições previstas para tanto. Requer, por fim, a produção, no decorrer processual de todas as demais provas possíveis e permitidas em direito, inclusive juntadas de documentos novos e perícia. 4. AI Debcad nº 51.071.9635 4.1. Da Legislação Tratando especificamente do AI Debcad nº 51.071.9635, alega a empresa que analisando o que estabelece o artigo 30, inciso I, alínea a da Lei nº 8.212/91, e comparando com as conclusões expostas pelo auditor, constata que não houve nenhuma omissão das retenções alegadas, pois se tratam, basicamente, de empresas prestadoras de serviço. Como já ficou devidamente comprovado, os contribuintes individuais não são vinculados à Fl. 3530DF CARF MF 10 Impugnante, prestam serviço à empresa contratada e a todos são concedidos valores referentes a pagamentos por serviços prestados à contratada, que equivocadamente foram tratados, pela fiscalização, como pagos diretamente pela Impugnante. Conseqüentemente, não existe dispositivo legal para fundamentar a tal infração, pois não está tipificada na legislação previdenciária. Ressaltese, ainda, que o auditor efetuou todos os registros dos fatos geradores, não havendo nenhum obstáculo à apuração por parte do nobre auditor. 5. AI Debcad nº 51.071.9643 5.1. Da Legislação Tratando especificamente do AI Debcad nº 51.071.9643, alega a empresa que analisando o que estabelece o artigo 32, inciso I, da Lei nº 8.212/91, e comparando com as conclusões expostas pelo auditor, conclui que não houve nenhuma ausência de folha de pagamento em desacordo com o dispositivo legal, ou seja, todos os fatos geradores foram contabilizados de maneira a atender a lei previdenciária, haja vista que todos os lançamentos foram efetuados. Afirma, também, que “Não existe obrigação de elaboração de folha de pagamentos de autônomos, salvo na legislação criada pelo sedento auditor”. Conseqüentemente, não existe dispositivo legal para fundamentar a tal infração, pois não está tipificada na legislação previdenciária. Ressalta que “todas as folhas de pagamentos foram apresentadas, sem prejuízo para a apuração de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias.” Não existiu falta de informações, logo, não foi caracterizada a infração. 6. AI Debcad nº 51.071.9651 6.1. Da Legislação Tratando especificamente do AI Debcad nº 51.071.9651, alega a empresa que analisando o que estabelece o artigo 33, da Lei nº 8.212/91, e comparando com as conclusões expostas pelo auditor, conclui que não houve nenhuma omissão de documento que prejudicasse a apuração dos fatos geradores, por parte do autuado, não havendo, por conseguinte descumprimento do contido no dispositivo legal, ou seja, todos os fatos geradores foram registrados de maneira a atender a lei previdenciária. Conseqüentemente, não existe dispositivo legal para fundamentar a tal infração, pois não está tipificada na legislação previdenciária. Ressalta, ainda, que a autoridade lançadora efetuou todos os registros dos fatos geradores, não havendo nenhum obstáculo à apuração por parte do nobre auditor. A DRJ julgou as impugnações improcedentes, mantendo integralmente as autuações. Fl. 3531DF CARF MF Processo nº 10380.724592/201570 Acórdão n.º 2402006.578 S2C4T2 Fl. 7 11 Intimado da decisão em 14/12/2015, o sujeito passivo interpôs recursos voluntários em 13/01/2015, nos quais basicamente reiterou os mesmos fundamentos das defesas. A União Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, nas quais requereu a rejeição das preliminares de nulidade e de decadência, e, no mérito, defendeu a legalidade das autuações, inclusive no tocante à multa qualificada e às multas por descumprimento de obrigações acessórias. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Dos esclarecimentos iniciais Quando autuada, a contribuinte apresentou uma impugnação para cada auto de infração, todas elas julgadas improcedentes pela DRJ. Intimada da decisão, a contribuinte apresentou dois recursos voluntários, um deles referente às autuações por descumprimento das obrigações principais, e o outro relativo ao descumprimento das obrigações acessórias. No recurso voltado a combater as obrigações principais, a recorrente basicamente alegou que: o relatório fiscal seria inconsistente; a fiscalização teria violado os princípios da ampla defesa e do contraditório, inclusive pela suposta exiguidade do prazo de trinta dias para apresentação da defesa; o MPF teria perdido a sua validade; teria cumprido as obrigações; teria havido decadência parcial com base no art. 150, § 4º, do CTN; os auxílios doença e acidente não integrariam a base de cálculo das contribuições; e os prêmios não teriam natureza salarial. Já no recurso voltando a desconstituir os autos de infração por descumprimento das obrigações acessórias, a recorrente reafirmou a violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa; asseverou que não foram descumpridas as obrigações instrumentais; e defendeu a tese de que os valores das multas estariam incorretos. 3 Da decadência Quanto à decadência das obrigações principais, devese lembrar que o critério de determinação da regra decadencial aplicável (art. 150, § 4º, ou art. 173, inc. I, ambos do Código Tributário Nacional) é a existência de pagamento antecipado do tributo, ainda que parcial, mesmo que não tenha sido incluída na sua base de cálculo a rubrica ou o levantamento específico apurado pela fiscalização. Fl. 3532DF CARF MF 12 Se o sujeito passivo antecipa o montante do tributo, mas em valor inferior ao efetivamente devido, o prazo para a autoridade administrativa manifestar se concorda ou não com o recolhimento tem início; em não havendo concordância, deve haver lançamento de ofício no prazo determinado pelo art. 150, § 4º, salvo a existência de dolo, fraude ou simulação, casos em que se aplica o art. 173, inc. I. Expirado o prazo, considerase realizada tacitamente a homologação pelo Fisco, de maneira que essa homologação tácita tem natureza decadencial. Mutatis mutandis, pode ser citado o verbete sumular abaixo reproduzido: Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Nesse sentido, eis o entendimento do colendo Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso representativo de controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, Fl. 3533DF CARF MF Processo nº 10380.724592/201570 Acórdão n.º 2402006.578 S2C4T2 Fl. 8 13 "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) (destacouse) Neste caso concreto, ao contrário do que alega o sujeito passivo, não há registro e nem comprovação de recolhimentos parciais das rubricas exigidas nos autos de infração que compõem o presente PAF, de tal maneira que o prazo decadencial aplicável é o do art. 173, inc. I, do Código. Sendo assim, muito embora, no entender deste relator, não tenha havido comprovação de dolo, fraude ou simulação, ainda assim é aplicável aquele dispositivo, segundo o qual o lustro decadencial deve ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento deveria ter sido efetuado. Logo, quando o sujeito passivo foi autuada, em 02/07/2015, não havia transcorrido prazo superior a cinco anos, nem mesmo em relação à competência mais pretérita, razão pela qual deve ser rejeitada a alegação de decadência. Fl. 3534DF CARF MF 14 4 Das nulidades O relatório fiscal não é inconsistente, não houve violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa, tampouco houve qualquer irregularidade formal relativa ao MPF. A ação fiscal foi conduzida por servidor competente, que concedeu à recorrente os prazos legais para a apresentação de documentos e prestação de esclarecimentos; as autuações por descumprimento das obrigações principais e acessórias foram devidamente motivadas e fundamentadas e foi concedido ao sujeito passivo o prazo legal para a formulação de impugnação; as autuações ainda contém clara descrição do fato gerador da obrigação, da matéria tributável, do montante do tributo devido, da identificação do sujeito passivo e da penalidade aplicável; não houve nenhum prejuízo para os direitos de defesa e do contraditório da recorrente, que puderam ser exercidos na forma e no prazo legal. Nem se diga que o prazo de trinta dias seria exíguo, pois isso não é verdade. Esse prazo é suficiente para apresentação de defesa administrativa, inclusive porque o caso concreto é de relativa simplicidade jurídica. Neste Conselho, há casos muitos mais difíceis e com volume de documentos muito maior, sem o menor prejuízo para a defesa dos autuados. Igualmente não se vislumbra a existência de irregularidade formal relativa ao MPF. Como bem esclarecido pela DRJ, a Portaria RFB 3014/11 foi revogada pela Portaria RFB 1687/14, com a consequente extinção do instrumento denominado Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e a instituição do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF), ocasião em que foram convalidados os procedimentos fiscais iniciados com base em MPF emitidos até a data de sua publicação, nos termos do seu art. 15. Ademais, e como constatado pela decisão de piso, foi emitido TDPF prorrogando o procedimento fiscal, primeiramente até 22 de abril de 2015, e depois até 20 de agosto de 2015. Portanto, a fiscalização transcorreu dentro da mais restrita legalidade e não houve qualquer inobservância ao direito de defesa da recorrente, rejeitandose as preliminares de nulidade. 5 No mérito No mérito, cabe rechaçar as afirmações de que a recorrente teria cumprido as obrigações principais e acessórias. A fiscalização, no relatório fiscal, nos autos de infração e nos documentos que os instruíram, claramente comprovou o descumprimento das obrigações pelo sujeito passivo, que, por outro lado, não se dignou de desconstituir as afirmações e muito menos as provas produzidas pela autoridade administrativa. É até mesmo contraditória a alegação de cumprimento das obrigações principais com apresentação de tese concomitante de inexigibilidade das contribuições lançadas. A propósito da inexigibilidade, merece ser dito que a discussão sobre o pagamento de remuneração por meio de cartões de incentivo ou de premiação é recorrente neste Conselho, tendo se firmado o entendimento, já pacificado, inclusive na Câmara Superior de Recursos Fiscais, pela incidência das contribuições devidas à seguridade social. Fl. 3535DF CARF MF Processo nº 10380.724592/201570 Acórdão n.º 2402006.578 S2C4T2 Fl. 9 15 Com efeito, no PAF 10803.720155/201216 decidiuse, por unanimidade, que os pagamentos efetuados por meio de cartões de premiação se constituem em remuneração tributável. Eis a ementa do decisum, no ponto em questão: [...] REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter de retribuição pelo serviço, ou seja, contraprestação de serviço prestado. [...] (PAF 10803.720155/201216, Relator Ronaldo de Lima Macedo, Acórdão 2402004.781, Sessão de 09/12/2015). Para evitar tautologia, devem ser adotados como razões de decidir os seguintes fundamentos: Considerando o Relatório Fiscal (fls. 35/42) e o contrato firmado entre a empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda e a Recorrente, constatase que era fornecido cartão de premiação aos segurados empregados, destinado a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionado ao alcance de metas de desempenho, conforme registro no contrato de prestação de serviço, que tem como objeto “Prestação de serviços de marketing de relacionamento, incentivo e fidelização e gerenciamento de premiação, mediante a utilização do cartão eletrônico denominado Exclusive Card”, no qual foi estabelecido: [...] Assim, os referidos “colaboradores” são escolhidos e indicados pela própria empresa contratante como beneficiários dos prêmios, pela razão mais óbvia possível, são subordinados à Recorrente. É importante esclarecer que os contratos firmados entre a Recorrente e a referida empresa Expertise Comunicação Total S/C Ltda não têm o condão de afastar a incidência da lei, pois, pouco importa que nestes contratos esteja previsto expressamente que os prêmios não configuram salários nem remunerações. Isso está em consonância com o art. 126 do Código Tributário Nacional (CTN) – Lei 5.172/1966 –, in verbis: [...] Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço Fl. 3536DF CARF MF 16 prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. [...] A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. [...] O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: É bem verdade que os casos até então analisados diziam respeito ao pagamento de salários, mas o precedente acima deixa clara a existência de pagamento de retribuição por serviços, retribuição esta que não tem efeitos salariais se não efetuada no contexto do contrato laborativo, mas sim no contexto do contrato de prestação de serviços não sujeito à legislação trabalhista ou especial, como é o caso concreto. A discussão acerca da não incidência das contribuições sobre os auxílios doença e acidente é totalmente descabida nos presentes lançamentos, porque as contribuições previdenciárias lançadas incidiram somente sobre valores pagos a contribuintes individuais, por meio do cartão de incentivo, com base em critérios de desempenho, esforço e produtividade. Tais verbas, como bem decidido pela DRJ, não se confundem com valores pagos a título de auxílio doença e auxílio acidente a segurados empregados. Por fim, não houve qualquer incorreção no cálculo das sanções pecuniárias aplicadas. Com efeito, as multas correspondentes às infrações por descumprimento de obrigações acessórias têm fundamento no artigo 283, inciso I, alínea “a” (AI Debcad nº 51.071.9643) e alínea “g” (AI Debcad nº 51.071.9635), e inciso II, alínea “j” (AI Debcad nº 51.071.9651), todos do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99, na redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003, como demonstrado em sede de fiscalização. 6 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido conhecer do recurso voluntário, para rejeitar as preliminares de decadência e de nulidade, e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 3537DF CARF MF
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