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Numero do processo: 19515.002097/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS - Verificada a existência de depósitos não escriturados e
de origem não comprovada, o respectivo valor deve ser lançado como receita omitida nos termos do artigo 42 da Lei 9.430/96.
PRESUNÇÃO LEGAL - ONUS DA PROVA - A presunção legal do artigo
42 da Lei 9.430/96 inverte o ônus da prova cabendo à contribuinte comprovar a origem dos depósitos e descaracterizá-los como receita. A contribuinte alega, mas não comprova que esses depósitos têm origem em cobrança de créditos repassados aos terceiros deles titulares.
Numero da decisão: 1302-000.985
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que deste formam parte integrante.
Nome do relator: LAVINIA MORAES DE ALMEIDA NOGUEIRA JUNQUEIRA
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PRESUNÇÃO LEGAL - ONUS DA PROVA - A presunção legal do artigo 42 da Lei 9.430/96 inverte o emus da prova cabendo à contribuinte comprovar a origem dos depósitos e descaracterizá-los como receita. A contribuinte alega, mas não comprova que esses depósitos têm origem em cobrança de créditos repassados aos terceiros deles titulares. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3 2 câmara / 2' turma ordinária da primeira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que desre formam parte integrante. - Luiz Tadeu atos inho Machado Presidente nia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira latora Processo n° 19515.002097/2008-89 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.985 Fl. 557 EDITADO EM: 3.104 I - 43.) -3 . Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado (presidente), Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (vice-presidente), Eduardo de Andrade, Paulo Roberto Cortez, Márcio Rodrigo Frizzo, Andrada Márcio Canuto Natal. Relatório Trata-se de Autos de Infração (fls. 344, 352, 360, 368, 377 e 383) para a exigência do Contribuinte dos valores de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica - IRPJ, Contribuição ao Programa de Integração Social - PIS, Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido - CSLL, Contribuição para o financiamento da Seguridade Social - COFINS, Contribuição para a Seguridade Social — INSS e ainda o Imposto Sobre Serviços - ISS, relativos ao ano-calendário de 2003, totalizando o montante de R$ 2.514.617,93, lavrados pela Delegacia da Receita Federal em Sao Paulo. De acordo corn o Termo de Verificação Fiscal (fls. 401/406), o Contribuinte foi autuado em razão da (i) omissão de receitas, decorrente de depósitos bancários não escriturados e, ainda (ii) por ter declarado e recolhido a menor o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Ato seguinte, a Fiscalização procedeu à exclusão do Contribuinte do SIMPLES, em razão da receita identificada, bem como pela omitida, as quais ultrapassariam os limites estabelecidos pela Lei, que permitiam a utilização do regime privilegiado — SIMPLES. Devidamente notificado, o Contribuinte apresentou sua impugnação (fls. 414/423), protocolada em 11 de julho de 2008, apresentando os argumentos de sua defesa, aqui sintetizados. (i) a fiscalização procedeu ao lançamento de oficio de tributos, baseando-se na presunção de que a movimentação financeira do contribuinte não condiz corn os valores declarados, ou seja, a autoridade fiscal procedeu ao lançamento apenas com base em extratos bancários disponibilizados pelo próprio contribuinte, relativos a contas do Banco do Brasil e Unibanco; (ii) a autoridade fiscal excluiu, de oficio, o Contribuinte do Simples Federal, tendo como motivo "omissão de receitas e depósitos bancários escriturados"; (iii) a insubsistência do ato declaratório, uma vez que os valores que passaram pela conta bancária do Contribuinte não podem servir de base para apurar o faturamento da empresa; (i) embora a forma adotada pelo Fisco possa ser considerada correta, não pode ser ignorado o fato de 3// Processo n° 19515.002097/2008-89 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.985 Fl. 558 (iv) a movimentação em conta corrente, genericamente considerada, não representa necessariamente receita bruta; (v) a atividade central do Contribuinte é a cobrança de valores e administração de carteira de crédito de terceiros, o que implica dizer que o Contribuinte apenas recebe valores em sua conta corrente por ordem e mandado de terceiros, respectivos titulares dos créditos, aos quais os repassa e, por este motivo, não se constitui receita da empresa passível de tributação; (vi) o dinheiro que ingressou e foi movimentado em sua conta corrente a ela não pertence; (vii) o Contribuinte apenas atuava como mandatário de seus clientes; (viii) o próprio Termo de Verificação Fiscal indica a existência de empréstimos bancários contratados pelo Contribuinte, de modo que tal valor não constitui seu faturamento ou receita que pudesse servir de base de tributação e, menos ainda, significaria valor que o excluisse do regime fiscal Simples Federal; (ix) do equivoco cometido pelas autoridades administrativas ao conceituarem faturamento e receita em função de movimentação financeira; (x) o ato impugnado é insubsistente, urna vez que foi elaborado por meros indícios; (xi) a fiscalização não pode efetuar a exclusão com base em meros indícios, uma vez que o ato declaratório depende de existência de provas que demonstrem a efetiva ocorrência da omissão de receitas e depósitos bancários não escriturados; (xii) é ilegal a retroatividade dos efeitos do Ato declaratório; (xiii) o ato que declarou a exclusão do Simples Federal não poderia ser retroativo, de modo que se assim fosse, deveria ter admitido a data de ciência do interessado, na qual os limites de receita bruta supervenientes de parâmetro para ingresso e permanência no Simples Federal seriam outros e maiores, de acordo com o Decreto n° 5.028/2004 e a Lei Complementar n° 123/06; (iv) Processo n° 19515.002097/2008-89 SI-C3T2 AcórdEto n.° 1302-00.985 Fl. 559 que os limites inicialmente fixados pela Lei 9.317/96 foram aumentados ao longo do tempo, devendo ser necessariamente observada as alterações para o efeito do desenquadramento; (xv) Por fim, requereu que a Impugnação fosse recebida e julgada procedente para determinar a permanência do Contribuinte do Simples, ou ao menos, que da exclusão sejam afastados os efeitos retroativos. A DRJ proferiu decisão em 22 de março de 2012 (fls. 514/530), a qual julgou procedente em parte a Impugnação e manteve parcialmente o crédito tributário lançado, nos termos do voto aqui sintetizado. (i) o lançamento pautou-se no artigo 42, da Lei 9.430/96, o qual requer dois supostos faticos para a sua incidência: (i) a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira de titularidade do interessado, e (ii) a circunstancia do interessado ser instado a comprovar mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos; (ii) estão presentes do caso concreto os dois requisitos para a aplicação do artigo 42, Lei 9.430/96, pois há movimentação financeira sobre a qual o Contribuinte não logra explicar a sua origem, apesar de ter tido tempo e oportunidade para tanto ao longo do procedimento fiscal; (iii) a instancia administrativa não esta autorizada a afastar a aplicação da Lei. Ao contrário, a administração pública deve aplicar a lei de oficio, de acordo com o disposto no artigo 26-A do Decreto n° 70.235/72; não cabe ao Contribuinte ponderar que não teve tempo hábil para demonstrar o que de relevo para que explicasse a movimentação financeira então sindicada, no prazo de impugnação administrativa; ocorreu a preclusdo temporal, nos termos do artigo 16, § 40, do Decreto 70.235/72; cuidou a fiscalização de excluir as transferências interbancárias de mesma titularidade; (vii) não há necessidade de precedência de julgamento do processo de n° 19515.002097/2008-89 em relação ao de n° 19515.002098/2008-23, uma vez que as duas autuações são conseqüência de um mesmo fato, qual seja, a superação do limite de receita bruta, Processo n° 19515.002097/2008-89 Acórdão n.° 1302-00.985 Sl-C3T2 Fl. 560 permanecendo a integra da presunção estatuída no referido artigo 42, Lei 9.430/96; (viii) o Contribuinte foi excluído do Simples Federal a partir de 01/01/2004 (autos 19515.002098/2002-23) porque foi autuado com exigências próprias do regime e pertinentes ao ano-calendário de 2003; (ix) as disposições do Decreto 5.028/04 não interferiram no limite de receita bruta mencionado, não pelo menos para efeitos tributários; (x) para o Contribuinte disputar o espaço no regime tributário diferenciado estatuído pela Lei 9.317/96, entre outros, terá de observar os limites de receita bruta fixados nesta Lei. corn relação ao alcance temporal da exclusão, não se trata de efeito retroativo já que o Contribuinte tinha o dever de comunicar sua situação impeditiva, devendo promover a sua auto -exclusão, nos termos do artigo 13, §3 0, alínea "a", da Lei 9.317/96; foi reconhecida de oficio a decadência do direito do Fisco formalizar exigências pertinentes ao Simples Federal das competências de janeiro/2003 a maio/2003, uma vez que os recolhimentos do Simples Federal compreendem lançamentos por homologação, dos quais foi reconhecido o pagamento pelo Contribuinte, titulo de Simples Federal, relativos a todos os meses do ano-calendário de 2003, antes do inicio do procedimento fiscal; (xiii) o Contribuinte tomou ciência das presentes autuações em 12/06/2008, quando então os fatos geradores pertinentes aos Simples Federal das competências janeiro/2003 a maio/2003 já estavam ao resguardo da decadência do direito de lançar; por fim, foi ressaltado que mesmo excluindo o período decaído, desconsiderando o importe de receita ali omitida, ainda assim existia excesso de receita em face do limite legal imposto. Desta forma, a decisão da DRJ foi proferida no sentido de julgar procedente em parte o lançamento relativo ao crédito tributário exigido e manter o Ato de Exclusão do Simples Federal. Cientificado quanto à decisão da DRJ, o contribuinte interpõe a este conselho Recurso Voluntário protocolado em 08/05/2012 (fls. 536/540) reforçando os argumentos despendidos em sua impugnação ao Auto e Infração, alegando que: z Processo n° 19515.002097/2008-89 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.985 Fl. 561 (i) não consta nos autos o que teria ocorrido com os créditos levantados na conta do Contribuinte, lançados apenas como Omissão de Receitas; (ii) toda a tributação teve origem tão somente em elementos requeridos sem auditoria dos livros fiscais e contábeis, para o fim de constatar a movimentação de valores em conta corrente bancária; (iii) o procedimento fiscal não pode se basear apenas em presunções; (iv) créditos ern conta corrente não significam receita própria e demanda uma verificação mais consistente; (v) a atividade central do Contribuinte é a cobrança de valores e administração de carteira de crédito de terceiros, o que implica dizer que o Contribuinte apenas recebe valores em sua conta corrente por ordem e mandado de terceiros, respectivos titulares dos créditos, aos quais os repassa e, por este motivo, não se constitui receita da empresa passível de tributação; (vi) o ato declaratório é insubsistente pelos motivos expostos; (vii)Por fim, foi requerida a procedência do Recurso Voluntário, pela extinção do auto de infração guerreado. É o relatório. Voto Conselheira Lavinia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira, Relatora 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. 0 artigo 42 da Lei 9.430/96 estabelece a tributação do valor dos depósitos bancários não escriturados como receita. Trata-se de uma presunção legal relativa. . Assim, a autoridade deve comprovar: (a) a existência de depósitos bancários; (b) a falta de escrituração contábil do valor correspondente e/ou a falta de comprovação de sua origem. A reconente alega que a autoridade fez o lançamento somente com base nos depósitos bancários, sem checar se foram escriturados na contabilidade ou não. Ocorre que as folhas 10 e seguintes do processo se verifica que a autoridade fiscal intimou e reintimou a empresa 7. algumas vezes para apresentar sua contabilidade — Livro Diário e Razão — sem sucesso em obter retorno. Processo n° 19515.002097/2008-89 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.985 FI, 562 Na falta da escrituração contábil do valor dos depósitos, ou de sua regular confecção e devida apresentação à autoridade fiscal, conclui-se pela falta de escrituração contábil do valor dos depósitos bancários verificados nos extratos do Banco do Brasil e do Unibanco, entregues voluntariamente pela empresa. Atendidas as condições do artigo 42 da Lei 9.430/96, a autoridade fiscal, exercendo seu poder-dever nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, considerou o valor dos depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada como receita omitida da tributação pelo SIMPLES no ano-calendário de 2003. Com isso, operou-se o lançamento de omissão de receitas por presunção legal, que é válido e autorizado pela Lei 9.430/96. Simultaneamente, nos exatos termos da Lei 9.317/96, a empresa foi excluída do SIMPLES. Os efeitos da exclusão operaram-se a partir de 2004, o que está correto, pois, com a omissão de receitas, a recorrente deixou de atender as condições legais para manter-se no regime SIMPLES. Ela mesma teria, à. época, que optar pelo lucro real ou presumido. 0 Ato Declaratório de Exclusão, formalizado posteriormente, apenas revelou essa realidade e a regularizou. A interessada alega que não é possível efetuar lançamento com base em mera presunção. No caso, não só é possível como está determinado por Lei. Ocorre que a presunção legal não é absoluta, cabendo prova em contrário. A presunção legal nada mais consiste em uma ferramenta criada pela legislação tributária para combater a evasão fiscal. Assim, ao provar o indicio — a existência de depósitos bancários não escriturados e de origem não comprovada — a autoridade fiscal efetua o lançamento fiscal invertendo o ônus da prova. Cabe então à contribuinte comprovar que os depósitos foram escriturados e/ou têm origem comprovada, não se tratando de receitas omitidas. Essa prova, bem feita, afasta a presunção legal, demonstra a realidade dos fatos e da receita da empresa, que sobre aquela prevalece. Neste processo, a empresa alega, mas não comprova, que os depósitos bancários não consistem em receitas não escrituradas. A recorrente afirma que atua com cobrança de créditos em favor de terceiros, recebe os créditos em sua conta e os repassa para os terceiros, mantendo apenas uma comissão, que consiste em sua receita. Contudo, nem um só elemento foi apresentado neste processo até este momento para comprovar o quanto alega a interessada, que do ônus da prova não se desincumbiu nos termos do Decreto 70.235/72 e do artigo 333 do Código de Processo Civil. Nesses termos, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Moraes de Almeida Nogueira Junqueira , Processo n° 19515.002097/2008-89 SI-C3T2 Acórdão n.° 1302-00.985 Pl. 563 8
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Numero do processo: 10980.726365/2011-96
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/06/2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 30/06/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1745; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.726365/201196 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302005.883 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de setembro de 2018 Matéria MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Recorrente COTRANS LOCACAO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 63 65 /2 01 1- 96 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10980.726365/201196 Acórdão n.º 3302005.883 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, ressaltando, inicialmente, cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o lançamento não contém de forma clara a descrição do fato e a indicação legal infringida, dificultando o oferecimento de impugnação consistente. Ressalta que trinta dias não é prazo suficiente para tudo analisar e verificar todas as perícias necessárias, para impugnar especificamente cada ponto. Disserta sobre o princípio do contraditório, citando doutrinadores. Realça que houve erro quanto ao enquadramento legal dos fatos, pois foi omitida a determinação da base de cálculo adotada pelo sistema fiscal, em ofensa ao art. 37, caput, da CF e art. 142, parágrafo único, do CTN. Alega transcurso do prazo decadencial entre parte dos fatos geradores do imposto e à formalização da exigência, já que os créditos considerados como rendimentos foram totalmente quitados, sendo que o lançamento somente foi efetivado após as exigências de cobrança, que, segundo esclarece, depois de transcorrido o prazo de lançados a documentação cobrada. Diz que nem sequer a regra decadencial seria a do 173 do CTN, em razão da multa agravada, eis que inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude. Complementa que o simples fato de se tratar de tributação baseada em presunção da falta de cumprimento de uma obrigação acessória é suficiente, de per se, para afastar a acusada existência de dolo. Observa, ainda sobre o tema, da impossibilidade do agravamento da multa de ofício em matéria de omissão na entrega de documentação acessória pautada em presunção legal, discussão já superada no E. 1° Conselho de Contribuintes. Em um último ponto, pondera que se sobre o lançamento deve incidir acréscimos moratórios, calculados à razão da Taxa Selic, não pode prosperar, pois afrontam o art. 161, § 1°, do CTN, e art. 192, § 3°, da Constituição Federal. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06040.000. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.726365/201196 Acórdão n.º 3302005.883 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.726365/201196 Acórdão n.º 3302005.883 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.726365/201196 Acórdão n.º 3302005.883 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.726365/201196 Acórdão n.º 3302005.883 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.726365/201196 Acórdão n.º 3302005.883 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000188/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 2002
DCOMP. SALDO NEGATIVO. CSLL
De se dizer que processos desta natureza (PERDCOMP) são de rito sumário e devem conter todas as informações necessárias em seu pleito inicial para que a administração tributária tenha condições de analisar seu crédito, oriundo de pagamentos a maior ou utilizado em compensações, como no caso. Não nos olvidemos de que são milhares os PER/DCOMP transmitidos para análises e estão sujeito à homologação tácita se não apreciados em cinco anos de sua data de transmissão, de forma que, reitero, são decisões de rito sumário e devem estar (os pedidos) devidamente instruídos no que toca a natureza do crédito pleiteado e utilizado para fins de compensação.
Se não constava nenhuma informação das estimativas compensadas (débitos) na DCTF (e era para constar), as autoridades fiscais nada poderiam fazer, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-002.875
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Livia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: CLAUDIO DE ANDRADE CAMERANO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 2002 DCOMP. SALDO NEGATIVO. CSLL De se dizer que processos desta natureza (PERDCOMP) são de rito sumário e devem conter todas as informações necessárias em seu pleito inicial para que a administração tributária tenha condições de analisar seu crédito, oriundo de pagamentos a maior ou utilizado em compensações, como no caso. Não nos olvidemos de que são milhares os PER/DCOMP transmitidos para análises e estão sujeito à homologação tácita se não apreciados em cinco anos de sua data de transmissão, de forma que, reitero, são decisões de rito sumário e devem estar (os pedidos) devidamente instruídos no que toca a natureza do crédito pleiteado e utilizado para fins de compensação. Se não constava nenhuma informação das estimativas compensadas (débitos) na DCTF (e era para constar), as autoridades fiscais nada poderiam fazer, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida.
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SALDO NEGATIVO. CSLL De se dizer que processos desta natureza (PERDCOMP) são de rito sumário e devem conter todas as informações necessárias em seu pleito inicial para que a administração tributária tenha condições de analisar seu crédito, oriundo de pagamentos a maior ou utilizado em compensações, como no caso. Não nos olvidemos de que são milhares os PER/DCOMP transmitidos para análises e estão sujeito à homologação tácita se não apreciados em cinco anos de sua data de transmissão, de forma que, reitero, são decisões de rito sumário e devem estar (os pedidos) devidamente instruídos no que toca a natureza do crédito pleiteado e utilizado para fins de compensação. Se não constava nenhuma informação das estimativas compensadas (débitos) na DCTF (e era para constar), as autoridades fiscais nada poderiam fazer, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Livia de Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano - Relator Fl. 236DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário ao Acórdão 12-061.382 proferido pela 15ª Turma da DRJ/RJ1 em que julgou procedente em parte a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte. A seguir, transcrevo os termos e fundamentos da decisão recorrida: Trata o presente processo da declaração de compensação nº24534.74963.141103.1.3.037916, transmitida em 14/11/2003, que pretende compensar o Saldo Negativo de CSLL do ano- calendário de 2002, no valor de R$ 2.226.815,47, com débito de COFINS referente a setembro de 2003, no valor de R$ 2.633.595,13, com vencimento em 15/10/2003 (fls. 02/03). A DERAT DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA em SÃO PAULO – SP homologou parcialmente a compensação declarada na DCOMP nº 24534.74963.141103.1.3.037916, conforme Despacho Decisório às fls. 25/29, onde foi reconhecido um saldo credor de CSLL no valor de R$ 943.117,94. Cientificado da decisão conforme documento de fls. 31, o interessado apresentou impugnação às fls. 35/39, alegando, em síntese, que: • Requereu, através da DCOMP nº 4534.74963.141103.1.3.037916, protocolizada em 14/11/2003, a compensação de débito de COFINS relativo a janeiro de 2003, com créditos referente ao saldo negativo de CSLL, no montante de R$ 3.008.175,61, sendo que o valor efetivamente utilizado nesta declaração de compensação foi de R$ 2.659.931,08. • embora parte do crédito oriundo deste saldo negativo tenha sido devidamente reconhecido pela DeratSP, a autoridade julgadora estornou uma parcela do crédito em questão, com a alegação de que “o interessado não declarou em DCTF a apuração de CSLL por estimativa para o referido período e, portanto, não há credito referente a estimativas mensais a serem utilizadas como dedução da CSLL devida na apuração anual”; • porém, a interessada faz jus ao crédito indevidamente glosado e, portanto, requer que sejam apreciadas as razões da impugnação objetivando a concessão integral do direito creditório ora demonstrado às fls. 37; Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16306.000188/2008-57 Acórdão n.º 1401-002.875 S1-C4T1 Fl. 237 3 • “de fato, a diferença apurada no período impugnado, no valor de R$ 850.969.79, foi objeto de compensação com saldo negativo de CSLL referente ao ano calendário de 2001, conforme demonstrado as fichas 16 e 17 da DIPJ/02 em anexo”; • “dessa forma, foram apurados créditos oriundos de saldo negativo de CSLL pertinentes a duas empresas incorporadas pela ora impugnante, quais sejam, TAM Express S/A e TAM transporte Aéreos regionais S A, correspondentes aos exercícios de 1999 e 2000;” • “o crédito de CSLL incorporado pela impugnante no momento da aquisição da Empresa TAM Express S/A totaliza R$ 21.885,54 enquanto o crédito sucedido da empresa TAM Transportes Aéreos Regionais S/A monta a quantia de R$ 525.503,79 (DIPJ/00 em anexo)”; • apesar dos argumentos expostos pelo julgador monocrático, o saldo negativo apurado durante os exercícios já citados merece subsistir em sua integralidade, como demonstram as DIPJ entregues a época; • “superada esta primeira parcela do crédito compensado que deve ser homologado nos moldes acima aduzidos, passamos a analisar o crédito oriundo da retenção de CSLL na fonte efetuada por órgãos públicos”; • “de fato o montante informado no Despacho Decisório de fls. (R$ 943.117,94) não corresponde ao valor efetivamente declarado pela impugnante a este título”; • “na verdade, o valor declarado pela impugnante na DIPJ/03 totaliza R$ 1.171.099,45, conforme demonstram as fichas 16 e 17 em anexo”; • a composição deste valor nada mais é que a somatória entre os valores utilizados nos meses de janeiro (R$ 129.341,20), fevereiro (R$ 68.111,82), março (R$ 78.263,54) e o montante acumulado durante todo o exercício de R$ 895.382,89); • o crédito constituído a este título deve ser reconhecido e compensado integralmente; • faz-se necessário assinalar que parte significativa do crédito não homologado decorre de simples recolhimento por estimativa efetuada em março de 2002, conforme demonstra o comprovante de arrecadação em anexo (doc. fl. 198); • não há razão para desconsiderar o pagamento efetuado, no montante de R$ 466.269,31 cujo principal representa R$ Fl. 238DF CARF MF 4 438.717,84, pois trata-se de recolhimento efetuado por estimativa no mês de março de 2002; • assim, os valores pagos indevidamente, haja vista a inexistência de imposto devido ao final do exercício, devem ser reconhecidos como crédito da Impugnante, como resta comprovado; • caso não se entenda ser cabível integralmente o pedido em questão, o que se admite apenas para argumentar, deveria ter o fisco precedido a fiscalização in loco, objetivando apurar o direito creditório ora pleiteado; Voto A impugnação é tempestiva, visto ter sido apresentada em 26/11/2008 (fls. 35/39) e a ciência do Despacho Decisório ter ocorrido em 27/10/2008 (fls. 31). Além disto, estão reunidos os demais requisitos de admissibilidade, portanto dela conheço. O interessado, em sua impugnação, informa que apurou para o ano-calendário de 2002 exercício de 2003, saldo negativo de CSLL no valor de R$ 3.008.175,61, e protocolizou o PER/DCOMP nº 24534.74963.141103.1.3.037916, transmitido em 14/11/2003, que pretende compensar um crédito cujo valor original é de R$ 2.226.815,47, com débito de COFINS referente a setembro de 2003, no valor de R$ 2.633.595,13, com vencimento em 15/10/2003 (fls. 02/03). O Despacho Decisório, de fls. 25/29, reconheceu um direito creditório de apenas R$ 943.117,94, decorrente exclusivamente da contribuição retida na fonte sob os códigos 6147, 6175, 6188, 6190, 8835 e 8850. Muito embora o interessado tenha lançado, na Ficha 17, Linha 41, da DIPJ/2003 um montante de R$ 895.382,89 (fl. 09), a DERATSP, ao calcular as parcelas correspondente à CSLL, de acordo com os percentuais definidos na Instrução Normativa SRF nº 306/2003, apurou que as retenções foram maiores que o valor informado pelo contribuinte, reconhecendo, assim, um crédito de R$ 943.117,94. Com relação às estimativas mensais de CSLL, a DERATSP verificou que o somatório dos valores apurados em cada mês na Ficha 16, Linha 07, da DIPJ/2003 totalizou R$ 1.837.076,16. A despeito disso, verificou que o interessado não declarou nenhum débito de estimativa em DCTF. Em face do exposto, nenhum crédito de estimativa foi reconhecido. Assim, como parte do crédito pleiteado pelo interessado já foi reconhecida no Despacho Decisório de fls 25/29, no montante de R$ 943.117,94, será feita a analise da parte não reconhecida. RETENÇÕES NA FONTE No tocante às retenções na fonte, o interessado alega que o valor de R$ 1.171.099,45, por ele pleiteado, deve ser reconhecido na integra, ao invés do valor de R$ 943.117,94 reconhecido pela DERATSP. Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16306.000188/2008-57 Acórdão n.º 1401-002.875 S1-C4T1 Fl. 238 5 Em primeiro lugar, cumpre observar que o valor efetivamente pleiteado pelo Interessado foi de R$ 895.382,89 — vide Ficha 17, Linha 41, da DIPJ/2003 (fl. 09) — , e não de R$ 1.171.099,45. A lide, portanto, no que diz respeito à parcela de CSLL retida na fonte, limita-se ao montante de R$ 895.382,89 informado na DIPJ/2003. Considerando-se que a DERATSP já reconheceu um crédito de CSLL retida na fonte no valor de R$ 943.117,94, montante inclusive superior ao pleiteado originalmente na DIPJ, entendo que nada mais há que ser reconhecido em favor do contribuinte. De mais a mais, o Interessado, em sua defesa, não refuta a aplicação do percentual utilizado pelo fisco, nem aponta qualquer outro erro nos demonstrativos de cálculo da DERRATSP, que evidenciasse desacordo com a legislação vigenteo. Portanto, considero, que deva ser mantido a metodologia do fisco no tocante ao cálculo dos valores retidos. ESTIMATIVAS MENSAIS Já quanto o somatório das estimativas mensais apuradas na Ficha 16, Linha 07, da DIPJ/2003 (doc. fl. 8), composto pelos valores de R$ 850.969,79 + R$ 21.885,54 + R$ 525.502,99 + R$ 438.717,84, totalizando o montante de R$ 1.837.076,16, o interessado somente apresentou documento comprobatório do pagamento de R$ 438.717,84 (doc.fls.198), referente à estimativa do mês de março de 2002. Para os demais valores, nenhum documento foi apresentado. Portanto, será este o valor reconhecido como crédito em favor do interessado. CONCLUSÃO Em face de todo o exposto, reconheço em favor do Interessado um crédito adicional de R$ 438.717,84, a ser compensado com o débito remanescente. Cientificada da decisão do referido acórdão, a Recorrente interpõe Recurso Voluntário, onde após um breve relato do deferimento parcial ao seu direito alegado, traz as seguintes alegações, resumidamente. - que a DRJ não apreciou totalmente os fundamentos da manifestação de inconformidade, notadamente os créditos oriundos de duas empresas sucedidas (TAM Express e TAM Regionais) - que os valores apurados como saldo positivo de CSLL estimativa para os meses de janeiro, fevereiro e março de 2002 foram quitados por meio de compensação com saldo negativo de CSLL de 2002; - assim, diante das informações de que a Recorrente liquidou a CSLL- estimativa via compensações que a Recorrente não conseguiu localizar, é a presente para requerer que seja o processo convertido em diligências; Fl. 240DF CARF MF 6 - que deve ser reconhecido direito creditório além do informado na DIPJ, de forma que "a decisão recorrida não pode prosperar ao limitar o pedido de restituição ao quantum declarado em DIPJ..."; - que o despacho decisório fundamentou sua decisão no fato de a Recorrente não ter informado em DCTF os créditos recolhidos e a decisão recorrida fundamenta o indeferimento na ausência dos recolhimentos/compensações na DIPJ; Voto Conselheiro Cláudio de Andrade Camerano Preenchidos os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário apresentado, dele conheço. Temos a seguinte situação, envolvendo o saldo negativo de CSLL referente ao ano-calendário de 2002: Saldo Neg CSLL Recorrente DRJ Não reconhecido Retenções na fonte por órgãos públicos 1.171.099,45 943.117,94 227.981,51 Estimativas Mensais 1.837.076,16 438.717,84 1.398.358,32 Análise (1) Da diferença não reconhecida referente a retenções de CSLL por órgãos públicos: A DRJ esclarece que o montante reconhecido foi inclusive maior do que o pleiteado na DIPJ, que foi de R$ 895.382,89 (fl.08), destacando que não houve qualquer restrição, por parte da Interessada, da apuração feita pela Unidade de Origem em seu Despacho Decisório (aplicação de percentuais definidos na IN 306/2003). A Recorrente limita-se a afirmações genéricas, que o que vale é o direito creditório decorre de pagamento a maior, no caso, de antecipações realizadas e que "a DIPJ não é instrumento de pleito e o direito creditório não exsurge de sua apresentação, mas sim do confronto entre o quanto devido e o quanto recolhido na forma do pedido de restituição ora apresentado". A fundamentação no Despacho Decisório foi a de que: Foi verificado que as retenções referentes aos códigos 6175, 6188, 6190 e 8850 foram realizadas em percentual abaixo do determinado pelo ANEXO I da IN SRF nº 306, de 12 de março de 2003 (fls.21 a 23) e, portanto o cálculo referente à parte da CSLLserá feito proporcionalmente à retenção realizada. Fl. 241DF CARF MF Processo nº 16306.000188/2008-57 Acórdão n.º 1401-002.875 S1-C4T1 Fl. 239 7 A Recorrente passou ao largo da fundamentação contida no Despacho Decisório e ratificada pela DRJ, de forma que nego provimento ao recurso, relativamente a este item. (2) Da diferença não reconhecida referente às estimativas mensais: O Despacho Decisório não reconheceu a importância informada na DIPJ que foi de R$ 1.837.076,16, porque "o interessado não declarou em DCTF a apuração de CSLL por estimativas para o referido período." A DRJ reconheceu a importância de R$ 438.717,84, pois comprovado o pagamento (fl.196) efetivado em 17/05/2002, referente a estimativa do mês de março de 2002, e "para os demais valores, nenhum documento foi apresentado". A Recorrente entendeu que esses critérios são diferentes na apreciação da matéria, alegando a nulidade da decisão recorrida. Nada mais equivocado, a DRJ apenas ratificou o decidido no Despacho Decisório, mas com outras palavras, de mesmo sentido (ausência de recolhimentos/documentos das demais parcelas). De se rejeitar tal alegação. A Recorrente, em sua manifestação de inconformidade havia destacado a composição/compensação das estimativas informadas na DIPJ/2003, ficha 16, linha 07: Fl. 242DF CARF MF 8 Saldo Negativo de CSLL de 2001 R$ 850.969,79 Saldo Negativo CSLL de períodos anteriores, ref. empresa (TAM Express) sucedida pela Recorrente 21.885,54 Saldo Negativo CSLL de períodos anteriores, ref. empresa (TAM Regionais) sucedida pela Recorrente 525.502,99 Pagamento por estimativa em DARF 438.717,84 TOTAL R$ 1.837.076,16 Naquela ocasião, solicitava em sua manifestação à instância de piso: Em que pesem os argumentos esposados pelo ilustre julgador monocrático, o saldo negativo apurado durante os exercícios fiscais acima descritos merece subsistir em sua integralidade, como constam as declarações entregues à época. Em seu recurso voluntário, alega a existência de saldo negativo de CSLL do ano de 2001 e que o crédito derivado de sucessão empresarial não foi apreciado pela DRJ: Em que pese os argumentos esposados pela decisão recorrida, o saldo negativo apurado durante os exercícios fiscais acima descritos merece subsistir em sua integralidade, como demonstram as declarações entregues à época. Diante do exposto, a Recorrente requer a V.Sas. que se dignem em apreciar essa matéria (não analisada na instância anterior), a fim de que os créditos decorrentes dessas duas empresas incorporadas seja reconhecido para fins de homologação da compensação pleiteada. Esta matéria não foi apreciada pela DRJ por uma simples razão: os valores foram indicados como estimativas somente na DIPJ, não havendo pagamento (integral) e nem informação em DCTF, a título de compensação/estimativa/sem DARF. De se dizer que processos desta natureza (PERDCOMP) são de rito sumário e devem conter todas as informações necessárias em seu pleito inicial para que a administração tributária tenha condições de analisar seu crédito, oriundo de pagamentos a maior ou utilizado em compensações, como no caso. Não nos olvidemos de que são milhares os PER/DCOMP transmitidos para análises e estão sujeito à homologação tácita se não apreciados em cinco anos de sua data de transmissão, de forma que, reitero, são decisões de rito sumário e devem estar (os pedidos) devidamente instruídos no que toca a natureza do crédito pleiteado e utilizado para fins de compensação. Se não constava nenhuma informação das estimativas compensadas (débitos) na DCTF (e era para constar), as autoridades fiscais nada poderiam fazer, portanto, não há reparos a fazer na decisão recorrida. Assim como, indefiro sua solicitação de diligências, pelas razões já expostas, por absoluta impertinência da natureza do pedido, uma vez que não houve pagamento das estimativas e nem foram legitimamente compensadas. Fl. 243DF CARF MF Processo nº 16306.000188/2008-57 Acórdão n.º 1401-002.875 S1-C4T1 Fl. 240 9 Conclusão É como voto, por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cláudio de Andrade Camerano Fl. 244DF CARF MF Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11971.000441/2009-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Oct 08 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, §4º DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL.
Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Numero da decisão: 2301-005.442
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) rejeitar as preliminares, (b) dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do poder-dever de constituir o crédito tributário para os períodos anteriores a 12/2001, e (c) negar provimento ao recurso quanto às demais questões.
(assinado digitalmente)
João Bellini Junior - Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Evaristo Pinto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: ALEXANDRE EVARISTO PINTO
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APLICAÇÃO DO ARTIGO 150, §4º DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Nos termos da Súmula CARF nº 99, para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, (a) rejeitar as preliminares, (b) dar parcial provimento ao recurso voluntário para reconhecer a decadência do poderdever de constituir o crédito tributário para os períodos anteriores a 12/2001, e (c) negar provimento ao recurso quanto às demais questões. (assinado digitalmente) João Bellini Junior Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 97 1. 00 04 41 /2 00 9- 97 Fl. 658DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Evaristo Pinto, Wesley Rocha, Antônio Sávio Nastureles, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada), Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e João Bellini Júnior (Presidente). Ausente justificadamente o conselheiro João Maurício Vital. Relatório Tratase, nos termos de relatório fiscal de fls. 64 a 89, de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD na qual foram lançados os valores complementares da contribuição prevista no art 22, II da lei 8.212/91. Afirma, em síntese, o referido relatório : · a notificada reconhece (campo "Ocorrência" da GFIP) para alguns empregados a exposição a agentes nocivos; · o referido reconhecimento é apto a proporcionar a concessão de aposentadoria após 25 anos de contribuição e o conseqüente adicional de contribuição progressivamente cobrado na seguinte forma : 2% (de 04/99 a 08/99), 4% ( de 09/99 a 02/2000) e 6% ( de 03/2000 em diante); · a base de cálculos dos adicionais mencionados é a mesma declarada pela própria notificada para os empregados expostos a agentes nocivos; · a identificação de tais empregados apoiouse nos seguintes documento ofertados pela empresa : folhas de pagamento, PPRA, PCMSO, LTCAT,DIRBEN8030,PPP e CAT · valores lançados, no período de 04/99 a 12/2005, sob o código ESP Aposentadoria Especial 25 anos; · ausência dos seguintes documentos em diversas competências : PPRA, PCMSO e LTCAT, ensejando a lavratura do Al no 37.009.5502; · para as competências de 08, 12 e 13/1999, 10,11,12 e 13/2000, 03/2001, 03 e 04/2002, 03 e 13/2003 e 13/2004 não foram apresentadas as folhas de pagamento por centro de custo, sendo aferidos seus valores pelo valor da competência imediatamente anterior; · e por fim, do cotejo dos documentos apresentados concluiu a fiscalização pela ausência de comprovação do afastamento dos riscos detectados (RUÍDO , CALOR E QUIMICOS) e a conseqüente cobrança do adicional de 6% relativo a aposentadoria especial cabível. 2. Documentos anexos ao relatório fiscal : A ora recorrente apresentou impugnação (fls. 469 a 489) , alegando em síntese: (i) prazo decadencial para constituição de crédito; (ii) cerceamento de defesa diante do Fl. 659DF CARF MF Processo nº 11971.000441/200997 Acórdão n.º 2301005.442 S2C3T1 Fl. 3 3 prazo quinzenal de defesa; (iii) no mérito, defende que o comprovado uso do EPI afasta por completo o risco e , por conseguinte, o cabimento da aposentadoria especial, ensejadora da cobrança pretendida nesta NF; e (iv) requer, ao final, a completa nulidade da presente notificação. A DecisãoNotificação n. 15.401.4/203/2007 (fls. 521 e ss) julgou a impugnação improcedente, mantendo crédito lançado. Em 28 de setembro de 2009, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 538 e ss) alegando, em síntese, (i) a decadência quinquenal; (ii) incompetência funcional do INSS; (iii) inexigibilidade do adicional do SAT em relação aos trabalhadores da Recorrente; e (iv) inexistência de agentes nocivos não neutralizados. Em 9 de dezembro de 2015, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF emitiu a Resolução n. 2301000.555 (fls. 576 e ss), pela qual o julgamento foi convertido em diligência para verificação de recolhimentos parciais de contribuições previdenciárias visando à aplicação da regra decadencial do artigo 150, §4º do CTN. Em Informação Fiscal (fls. 599 e ss), a fiscalização informa que há que outros recolhimentos específicos em GPS realizados pela notificada foram também objeto de auditoria fiscal no mesmo período de 01/1999 a 12/2005, em que pese tais recolhimentos não tenham sido feitos na rubrica objeto da presente autuação. Em manifestação após a diligência (fls. 607 e ss), a Recorrente solicita a aplicação da Súmula CARF n. 99 diante da existência de recolhimentos parciais de contribuição previdenciária. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Evaristo Pinto Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Decadência Quinquenal Considerando que foi declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal STF na Súmula Vinculante nº8, de 12/06/2008, de eficácia retroativa para os contribuintes com solicitações administrativas apresentadas até a data do julgamento da referida Súmula, os créditos da Seguridade Social somente não estarão decaídos caso eles tenha sido lançados dentro do prazo quinquenal. Aplicação da Regra Decadencial do Artigo 150, §4º, do Código Tributário Nacional Fl. 660DF CARF MF 4 Considerando o resultado da diligência (fls. 599 e ss), no sentido de que há outros recolhimentos específicos em GPS realizados pela notificada foram também objeto de auditoria fiscal no mesmo período de 01/1999 a 12/2005 Nacional, temos que a regra decadencial a ser aplicada é a do artigo 150, §4º, do CTN, uma vez que houve recolhimentos de contribuição previdenciária nos referidos períodos pela Recorrente, sendo que o entendimento de aplicação do artigo 150, §4º, do CTN quando houver recolhimentos consta inclusive na Súmula CARF nº 99, "in verbis": Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Ante o exposto, aplicase a regra decadencial do artigo 150, §4º, do CTN, de modo que todos os fatos geradores anteriores a dezembro de 2001 se encontram atingidos pela decadência, uma vez que o prazo de cinco anos para constituição do crédito tributário se encerrou em dezembro de 2001, ao passo que a cientificação do auto de infração se deu em 14/12/2006 (fls. 499). Da Questão da Incompetência Funcional do INSS A Recorrente alega que a fiscalização do INSS não tem competência para lavrar esta NFLD, uma vez que o fiscal previdenciário não é médico do trabalho ou engenheiro de segurança para apurar e afirmar com certeza a existência de agentes nocivos à saúde dos trabalhadores. Cumpre notar, todavia, que a fiscalização previdenciária não está fiscalizando diretamente a questão da medicina e segurança do trabalho, mas tão somente atribuindo efeitos jurídicos tributários para uma situação fática com base na legislação tributária, de modo que não há que se falar em incompetência, valendo citar ainda que o contribuinte pode apresentar documentação idônea para afastar os efeitos tributários que foram dados pelo auto de infração. Sem razão a Recorrente. Da Questão da Inexigibilidade do adicional do SAT em relação aos trabalhadores da Recorrente e da Inexistência de agentes nocivos não neutralizados Ao contrário do alega a Recorrente, o adicional do SAT pode ser perfeitamente cobrado quando constatado que o risco ambiental do trabalho é superior aquele informado pelo contribuinte. Em igual sentido, em que pese a Recorrente forneça equipamentos de proteção individual, restou claro o descumprimento de alguns procedimentos relativos à segurança do trabalho, tal qual a inexistência de metas ou estratégia para as medidas de controles prevista no PPRA, de modo que entendo que a autuação deve ser mantida também com relação a esse ponto. Conclusão Fl. 661DF CARF MF Processo nº 11971.000441/200997 Acórdão n.º 2301005.442 S2C3T1 Fl. 4 5 Com base no exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e darlhe parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a decadência quinquenal contada conforme a regra do artigo 150, §4º do CTN. (assinado digitalmente) Alexandre Evaristo Pinto Fl. 662DF CARF MF
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Numero do processo: 13433.720274/2011-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. VÍCIO MATERIAL.
Nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.325/1972, há de ser reconhecida a nulidade de despacho decisório, por vício material, quando carente de fundamentação válida, visto que acarreta o cerceamento do direito de defesa do contribuinte.
Numero da decisão: 3002-000.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar a nulidade do despacho decisório proferido, por vício material, bem como de todos os atos subseqüentes.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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NULIDADE DO DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO VÁLIDA. VÍCIO MATERIAL. Nos termos do art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.325/1972, há de ser reconhecida a nulidade de despacho decisório, por vício material, quando carente de fundamentação válida, visto que acarreta o cerceamento do direito de defesa do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acatar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para decretar a nulidade do despacho decisório proferido, por vício material, bem como de todos os atos subseqüentes. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 43 3. 72 02 74 /2 01 1- 31 Fl. 150DF CARF MF 2 Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 109/111 dos autos: Tratase o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório NURAC nº 068/2011, de 17 de fevereiro de 2011, da DRF/Mossoró, fls. 7/11, que decidiu pela não homologação da Declaração de Compensação 38984.11606.131006.1.3.013983. Do Despacho Decisório, extraímos os excertos abaixo: “Em análise neste processo perdcomp 38984.11606.131006.1.3.01 3983, que compensa débito de PIS de setembro/2006 com crédito presumido de IPI de que trata a Lei n° 9.363/96, do 2º trimestre/1999, tratado no processo 13433.000735/200265” “Assim, na determinação do percentual a ser aplicado sobre o total de aquisições de matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, considerando o mandamento contido no § 1º do art. 17 da IN 419/04, teremos confirmado valor zero de receita de exportações no período e, consequentemente, ausência de crédito presumido de IPI” Conclusão “Com base na legislação acima citada, consulta aos sistemas da RFB, considerandose que o crédito objeto do pedido de compensação já havia sido indeferido dentro do processo 13433.000735/200265, considerandose a ausência de receitas de exportação da Cinsal no período, tendose em vista que a Cinsal produz sal, produto não tributado pelo IPI (NT) e com a competência dada pelo art. 96 da IN RFB n° 900/2008 e pela Portaria DRFMossoró n° 19 de 04 de maio de 2009, decido pela NÃOHOMOLOGAÇÃO do perdcomp n° 38984.11606.131006.1.3.013983” (grifo no original) Cientificada, em 29 de março de 2011, AR fl. 13, a interessada interpôs a manifestação de inconformidade em 08 de abril de 2011, fls. 44/27, onde, em síntese, consta: “Em 29/10/2002, a Requerente efetivou o "PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI", perante à Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB o qual gerou o processo Administrativo sob n° 13433.000735/200265, sendo a origem do Crédito. CRÉDITOS RELATIVO A AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE BENS SUJEITO A ALÍQUOTA "0" (ZERO) Art. 11 da Lei 9.779/99 acumulados até 31 de dezembro de 2001 no valor total de R$ 274.717,52” (grifo no original) “...ficou esperando sua Homologação por parte da Autoridade Fiscal competente, para dar inicio as compensações com impostos vincendos, e a referida Autoridade até hoje, ainda não se pronunciou sobre o processo do Pedido de Ressarcimento” “Em 13 de outubro de 2006, a Requerente transmitiu à Secretaria da Receita Federal do Brasil SRFB o PER/DCOMP n° 38984.11606.131006.1.3.013983, por meio do qual demonstrou a compensação de PIS referente a competência 09/2006 no valor de R$ 16.570,85, sendo a origem do crédito informado neste PER/DCOMP, processo Administrativo sob n° 13433.000735/200265” “Assim, a Requerente com base no Art. 11 da Lei n° 9779/99, apresentou em 29/10/2002 o seu Pedido de Ressarcimento” (grifo no original) “Na hipótese de omissão do fisco em homologar expressamente a atividade exercida pelo sujeito passivo, uma vez decorrido o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, ressalvadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação” Por fim, requer: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 13433.720274/201131 Acórdão n.º 3002000.307 S3C0T2 Fl. 151 3 “Face de todo o exposto, requer que o despacho decisório proferido nos presentes autos seja reformado, pelas razões de fato e de mérito apresentadas, no sentido de que seja reconhecido direito da Requerente de compensar o saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado, uma vez, já foi decorrido o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considerandose homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, ressalvadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. E, por via de conseqüência, que sejam homologadas as compensações realizadas por meio das PER/DCOMP n° 38984.11606.131006.1.3.013983. Protesta outrossim, provar o aqui alegando por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada de documentos que se fizerem necessários” Diante de inconsistências apontadas na Resolução de fls. 78/81, a Turma decidiu remeter o presente processo para diligência, nos seguintes termos: a) ANEXAR cópia do despacho decisório proferido no processo 13433.000735/200265. b) IDENTIFICAR a data da ciência do despacho decisório proferido no processo 13433.000735/200265. Em atendimento, a Unidade de origem emitiu a Informação Fiscal NURAC nº 009/2014, fls. 84/85, onde apresenta os devidos esclarecimentos e extraímos os seguintes excertos: 2 O referido processo trata do pedido inicial do contribuinte (formulado em meio papel), para o qual NÃO foi emitido despacho decisório, apesar de haver referência ao mesmo no despacho decisório que não homologou as DCOMPs. Verificamos, pois, a ocorrência de erro formal. 3 Verificamos que a não homologação das DCOMPs foi apreciada nos respectivos pedidos e os motivos/fundamentação constam dos referidos despachos decisórios proferidos em cada uma delas; 4 Os motivos da não HOMOLOGAÇÃO foram a) Ausência de Receitas de Exportação nos períodos solicitados e b) o produto produzido pela empresa ser NÃO TRIBUTADO (Sal marinho), com as fundamentações correspondentes. Concluímos, pois, que o contribuinte teve condições plenas de exercer seu direito de defesa. 5 Cumpre esclarecer que, ao transmitir suas DCOMPs em 2006 (apesar do pedido de ressarcimento ter sido protocolado em 2002), as mesmas já eram apresentadas de forma ELETRÔNICA, por isso a existência de vários processos (cujo controle se dá por trimestre de apuração, conforme a origem do crédito solicitado), servindo o processo 13433.000735/200265 (apresentado em papel) apenas para demonstrar que o crédito solicitado fora realizado dentro do prazo previsto para tanto. Cientificada em 02 de setembro de 2014, fl. 88, a interessada apresentou os seguintes argumentos: a) O Pedido do Ressarcimento do saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado, foi feito com base no art. 11 da Lei 9.779/66 foi efetivado em 29/10/2002; Fl. 152DF CARF MF 4 b) Enquanto no Despacho Decisório, em 2011, (quando já fazia mais de 8 (oito) anos do pedido) foi direcionado a pedidos de Ressarcimento de Credito Presumido do IPI de que trata a Lei n° 9.363/96. O que não foi o caso do Pedido da Requerente, que efetivou o Pedido de Ressarcimento com base Art. 11 da Lei 9.779/99 acumulados até 31 de dezembro de 2001 c) Por outro lado, tornase inacreditável, quando em seu parecer o Auditor Fiscal afirma que deixou de homologar a PER/DCOMP, além dos motivos expostos, já existir indeferimento no Processo Administrativo 13433000735/200265; d) Ora Senhores Julgadores, compulsandose os Autos do Processos de Pedido de Ressarcimento dos Créditos sob n° 134333000735/200265, onde se está a origem dos Créditos, constase que até hoje a Requerente ainda não foi intimada ou notificado sobre qualquer movimentação no referido processo, considerando o silencio, como forma de "HOMOLOGAÇÃO TÁCITA' por parte da RFB. Isto porque, na hipótese de omissão do fisco em homologar expressamente a atividade exercida pelo sujeito passivo, uma vez decorrido o prazo de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, ressalvadas as hipóteses de dolo, fraude ou simulação. (grifos no original) Sendo posteriormente o processo devolvido para julgamento. Com a manifestação de inconformidade, o contribuinte juntou: i) PERDCOMP; ii) despacho decisório; iii) atos constitutivos e de representação da empresa; iv) pedido de ressarcimento. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/1999 a 30/09/1999 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Incabível se falar em homologação, pois o prazo a que se refere a interessada é determinado para análise da compensação declarada e não para análise de pedido de ressarcimento. ART. 11 DA LEI Nº 9.779/1999. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. PRODUTO “NT”. IMPOSSIBILIDADE. Os créditos do IPI decorrentes da aquisição de insumos tributados aplicados na industrialização de produto classificado na TIPI como “NT” (nãotributado) não participam da apuração do saldo credor trimestral para efeito do ressarcimento/compensação de que trata o art. 11 da Lei nº 9.779/99. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seus fundamentos, o acórdão (fls. 108/114) consignou, a respeito da alegada homologação tácita do pedido de ressarcimento feito em 2002, não assistir razão ao contribuinte. Com base no artigo 74, § 5º, da Lei 9.430/96, afirmou que o prazo de cinco anos se destina à análise da compensação declarada, e não ao pedido de ressarcimento, inexistindo prazo para verificação da legitimidade do crédito pleiteado. Afirmou que o contribuinte tomou ciência da decisão acerca da DCOMP dentro do referido prazo. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 13433.720274/201131 Acórdão n.º 3002000.307 S3C0T2 Fl. 152 5 Em relação à análise da existência do crédito de IPI por parte da autoridade administrativa, afirmou, inicialmente, não ter havido prejuízo ao contribuinte, seja pela ausência da análise no processo nº 13433.000735/200265, seja pela alegação de ter o despacho decisório se lastreado em fundamento legal diverso do solicitado. Os fundamentos para o entendimento foram: i) a análise do crédito foi feita em conjunto com a análise da DCOMP, não havendo impedimento legal para tanto; ii) o direito de defesa contra esta decisão foi garantido através da devida fundamentação legal exposta, e da apresentação da manifestação de inconformidade pelo contribuinte, ora sob análise. Sobre os motivos do indeferimento do crédito, afirma ter restado claro que inexiste direito ao aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos aplicados na geração de produtos não tributados, com base na IN SRF nº 33 de 1999, no Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 5 de 17/04/06 e na Súmula nº 13 do Segundo Conselho de Contribuintes, sendo este o caso do contribuinte. O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 09/12/14 (vide AR à fl. 118 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor, interpôs, em 06/01/15, Recurso Voluntário (fls. 121/146). Em seu recurso, o recorrente arguiu: i) que nada foi informado em relação às providências no processo nº 13433.000735/200265, nem tomou conhecimento de nenhum despacho decisório a respeito; ii) que o relator teria entendido, equivocadamente, ter o despacho decisório do referido processo sido efetuado conjuntamente com o da DCOMP; iii) que a primeira instância deveria ter decidido acerca dos fundamentos do despacho decisório para a não homologação, mas a DRJ apresentou um novo despacho decisório no processo de homologação. Pediu, ao final, a reforma do acórdão para obter o reconhecimento do crédito oriundo do processo nº 13433.000735/200265 e, por consequência, a anulação do despacho decisório que negou a homologação da compensação, com a extinção do débito de PIS de 09/2006. Nesta oportunidade, juntou aos autos os documentos de constituição e representação da empresa, cópia do acórdão e DARF. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório. Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Da nulidade do despacho decisório proferido pela DRJ por vício de motivação. De início, este Colegiado precisa se debruçar sobre um fundamento preliminar trazido aos autos pelo contribuinte desde a sua manifestação de inconformidade, qual seja, os Fl. 154DF CARF MF 6 vícios constantes do despacho decisório. O contribuinte se insurgiu quanto ao teor do despacho decisório, alegando, resumidamente: (i) que o pedido de ressarcimento fora realizado com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, ao passo que o relatório e as fundamentações legais do parecer nº 63/2011 teriam sido elaborados com base no crédito presumido de que trata a Lei nº 9.363/1996; (ii) o parecer afirma que teria deixado de homologar a compensação, visto que o crédito já havia sido indeferido anteriormente no processo nº 13433.000735/2002 65, ao passo que o contribuinte não tinha conhecimento de nenhuma decisão proferida naqueles autos. Ao analisar o conteúdo do despacho decisório, é possível confirmar a presença dos vícios indicados pelo contribuinte. Constou do despacho decisório, de forma expressa, tanto o embasamento legal disposto na Lei nº 9.363/1996, quanto a informação de que o direito creditório já teria sido indeferido dentro do processo nº 13433.000735/200265. É o que se infere das passagens a seguir transcritas: “DISPOSITIVOS LEGAIS: (...) Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996; I PEDIDO Em análise neste processo perdcomp 38984.11606.131006.1.3.013983, que compensa débito de PIS de setembro/2006 com crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363/96, do 3º trimestre/1999, tratado no processo 13433.000735/200265. II RELATÓRIO A CINSAL Com. e Ind. de Moagem e Refinação Santa Cecília Ltda transmitiu, em 13/10/2006, perdcomp nº 38984.11606.131006.1.3.013983 (folhas 02 a 05), baixado para tratamento manual neste processo. Este perdcomp informa como crédito ressarcimento de IPI já indeferido no processo administrativo 13433.000735/2002 65. (...). A lei nº 9.363/96 institui o crédito presumido de IPI para ressarcimento de PIS/Cofins incidente sobre a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados em produtos exportados. Em seu art. 2º esta lei determina como é calculado o crédito presumido. (...). III FUNDAMENTOS LEGAIS (...). A Lei 9.363, de 13/12/96 criou o crédito presumido de IPI sobre PIS e Cofins incidentes sobre matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem que compõem produto exportado: (...) A Lei 9.779, de 19/01/99, em seu art. 11 previu a possibilidade de compensação do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME: (...). (...). IV CONCLUSÃO Com base na legislação acima citada, consulta aos sistemas da RFB, considerandose que o crédito objeto do pedido de compensação já havia sido indeferido dentro do Fl. 155DF CARF MF Processo nº 13433.720274/201131 Acórdão n.º 3002000.307 S3C0T2 Fl. 153 7 processo 13433.000735/200265, considerandose a ausência de receitas de exportação da Cinsal no período, tendose em vista que a Cinsal produz sal, produto não tributado pelo IPI (NT) e com a competência dada pelo art. 96 da IN RFB n° 900/2008 e pela Portaria DRFMossoró n° 19 de 04 de maio de 2009, decido pela NÃO HOMOLOGAÇÃO do perdcomp n° 38984.11606.131006.1.3.013983” Quanto ao primeiro vício apontado, verificase que, de fato, embora o crédito objeto do processo nº 13433.000735/200265 estivesse relacionado ao disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, todas as passagens do despacho decisório em que se analisava o caso concreto em testilha indicavam a Lei nº 9.363/1996 como fundamento legal do indeferimento do pedido de compensação. Quando mencionou a Lei nº 9.779/1999, fêlo o despacho decisório de forma genérica, sem precisar eventual relação existente entre aquela norma e o caso concreto ali analisado. De outro norte, especificamente quanto ao segundo vício apontado pelo contribuinte, após a realização da diligência realizada por determinação da Resolução nº 358 de 08 de julho de 2014 (vide fls. 78 a 81 dos autos), restou esclarecido que o crédito em questão não chegou a ser indeferido no processo nº 13433.000735/200265. É o que se verificar da passagem a seguir: 1 – Tratase de Impugnação ao despacho decisório que não homologou a Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte, cuja resolução da DRJ Belém foi no sentido de se fazer juntar o despacho decisório proferido no processo administrativo n.º 13433.000739/200265. 2 – O referido processo trata do pedido inicial do contribuinte (formulado em meio papel), para o qual NÃO foi emitido despacho decisório, apesar de haver referência ao mesmo no despacho decisório que não homologou as DCOMPs. Verificamos, pois, a ocorrência de erro formal. Resta incontroverso nos presentes autos, portanto, que a informação constante do despacho decisório de que o direito creditório já havia sido indeferido no processo nº 13433.000735/200265 é inverídica. Sendo assim, há de se analisar, então, se os constatados vícios constantes do despacho decisório foram capazes de prejudicar o direito de defesa do contribuinte, para que possa ser considerado nulo, nos termos do que preconiza o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Ao analisar o assunto, a DRJ entendeu que não, com base nos seguintes fundamentos: Argumenta a impugnante que no Despacho Decisório NURAC nº 068/2011 foi direcionado com base na Lei 9.363/96 e não como solicitado no Pedido de Ressarcimento, ou seja, fundamentado no art. 11 da Lei 9.779/99. Alega ainda, que não foi analisado o direito creditório do processo 13433.000735/200265. Não assiste razão a impugnante. O despacho decisório, como ato administrativo que é, pode, por deixar de conter os elementos formais a que a lei obriga, conter vícios ou defeitos. Nesta hipótese, a possibilidade de superar o vício existente é limitada pelo fato de o mesmo haver ou não prejudicado, de alguma forma, algum dos direitos do administrado, em especial o da ampla defesa. Fl. 156DF CARF MF 8 No presente caso, em que pese à autoridade administrativa ter informado no Despacho Decisório combatido que o processo 13433.000735/200265 já havia sido indeferido, foi sanada esta deficiência com Informação Fiscal NURAC nº 009/2014. A análise do direito creditório foi efetuada juntamente com a análise das Declarações de Compensação. Não há na legislação vigente impedimento a este procedimento administrativo. Após o indeferimento do direito creditório e da não homologação da compensação foi facultado, ao sujeito passivo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão, apresentar manifestação de inconformidade contra o não reconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação com a conseqüente aplicação do rito que rege o Processo Administrativo Fiscal, manifestação esta que se encontra em julgamento. Quanto à motivação do indeferimento, a descrição de fatos do Despacho Decisório NURAC nº 068/2011, não deixa dúvidas: “A CINSAL produz e comercializa sal marinho classificado na TIPI (tabela de incidência do IPI) com NCM 2501.00.11, como não tributado pelo IPI (NT)” A motivação foi novamente repisada na Informação Fiscal NURAC 009/2014: “o produto produzido pela empresa ser NÃO TRIBUTADO (Sal marinho), com as fundamentações correspondentes” Muito embora nos fundamentos legais e no relatório do Despacho Decisório NURAC nº 068/2011 tenha sido citada a Lei 9.363/96, consta no citado Despacho Decisório, a fundamentação legal para a denegação, qual seja, o art. 11 da Lei nº 9.779/99, sendo que mais que suficiente para motivar o ato, portanto, se a fundamentação legal é suficiente para o indeferimento do crédito, não resta configurado o cerceamento à defesa. Discordo da fundamentação trazida aos autos pela DRJ quanto ao presente ponto. Isso porque, entendo que a fundamentação equivocada constante do despacho decisório cerceou o direito de defesa do contribuinte no caso concreto aqui analisado, impondose, por consequência, o reconhecimento da sua nulidade nos moldes do que preconiza o art. 59, inciso II, do Decreto nº 70.235/1972. Isso porque, como é cediço, a motivação é requisito essencial à validade de ato administrativo. Sobre o assunto, trazse à colação ensinamento do Conselheiro Diego Diniz Ribeiro sobre a necessidade de motivação do ato administrativo: " Assim, quando se fala em motivação do ato administrativo, o que se tem é uma garantia do administrado e, em contrapartida, um dever do agente público, dever esse que consiste em (i) delimitar a circunstância fática para o qual o ato administrativo se dirige; (ii) identificar, com precisão, os fundamentos jurídicos que fundamentam o ato administrativo, e, ainda (iii) concatenar, de forma explícita, clara e congruente a relação entre o fato e o fundamento jurídico que subsidia o ato administrativo. Neste mesmo diapasão são as lições do professor Celso Antônio Bandeira de Mello: Dito princípio implica para a Administração o dever de justificar seus atos, apontandolhes os fundamentos de direito e de fato, Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13433.720274/201131 Acórdão n.º 3002000.307 S3C0T2 Fl. 154 9 assim como a correlação lógica entre os eventos e situações que deu por existentes e a providência tomada, nos casos em que este último aclaramento seja necessário para aferirse a consonância da conduta administrativa com a lei que lhe serviu de arrimo. Dar este tratamento à motivação do ato administrativo, em última análise, significa promover uma identificação das ações da Administração Pública sob o prisma de que o Direito Pública precisa ser, antes de tudo, o Direito nãoautoritário, dialógico e, concomitantemente, promotor da concretização (mais homogênea possível) do núcleo essencial dos direitos fundamentais, acima e além de interpretativismos estritos12". Acontece que, no caso vertente, a motivação do despacho decisório demonstrou se inverídica (quanto à fundamentação de que o crédito já teria sido indeferido no Processo nº 13433.000735/200265), e em completa dissonância com a situação fática analisada nos presentes autos (quanto à fundamentação pautada na Lei nº 9.363/1996), tornando tal ato, portanto, nulo de pleno direito. Apesar do esforço da DRJ em fazer valer a parte dispositiva da decisão ali apresentada, restou incontroverso nos autos a existência de graves vícios na fundamentação constante do despacho decisório, que, no meu entender, não poderiam ser convalidados tão somente por meio da diligência realizada nos autos em decorrência de resolução em que se pede o esclarecimento de fatos indicados no despacho decisório. Até porque, é importante observar que esta diligência tratou apenas da inexistência de despacho decisório no Processo nº 13433.000735/200265, não tendo se pronunciado sobre a errônea fundamentação legal inserta no despacho decisório. Ademais, é importante observar que toda a fundamentação apresentada no despacho decisório para fins de indeferir o pedido de compensação tomou por base o crédito presumido disposto na Lei nº 9.363/1996, e não o crédito base disposto na Lei nº 9.779/1999. O fato de ter mencionado, em determinado momento do despacho decisório, a existência da Lei nº 9.779/1999, sem que tenha indicado qualquer relação da referida norma com o caso concreto analisado, não possui o condão de corrigir a falha na fundamentação ali apresentada. De outro norte, o fato de o despacho decisório ter mencionado que a Recorrente produz e comercializa sal marinho classificado na TIPI como não tributado pelo IPI (NT), em nada supre a falha da fundamentação ali inserida, visto que, em ambos os casos (Lei nº 9.363/1996 e Lei nº 9.779/1999), estáse diante situações que envolvem produto "NT", diferenciandose apenas pela correspondência ao crédito presumido ou ao crédito básico, respectivamente. Em verdade, não se sabe, até o presente momento, quais as razões que levaram a unidade de origem a indeferir o pedido de compensação apresentado, o que não poderia ser corrigido somente em sede de julgamento perante a DRJ, sob pena de se admitir mudança de critério jurídico, inaceitável no trâmite administrativo. Nesse contexto, a despeito de a matéria de mérito objeto da presente contenda ser objeto da súmula nº 20 do CARF, que trata de crédito básico de IPI na aquisição de insumos aplicados em produtos NT, entendo que não há como, nesta oportunidade, se convalidar ato administrativo viciado em sua motivação. Fl. 158DF CARF MF 10 Sendo assim, ao contrário do que entendeu a DRJ, entendo que os vícios em questão não representam meros vícios formais, mas sim vícios materiais, que invalidam o ato administrativo praticado, e cuja nulidade há de ser reconhecida pela Administração Pública, inclusive de ofício, em observância ao princípio da autotutela administrativa. Nesse sentido, não é demais trazer à tona o teor das súmulas do STF sobre o tema, que assim dispõem: Súmula 346 A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula 473 A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Por entender que a indicação equivocada da fundamentação legal realizada no presente caso, somada à inexistência de julgamento anterior no processo nº 13433.000735/200265, prejudicaram a compreensão da matéria sob análise, em nítido cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não vejo alternativa a este Colegiado senão decretar a nulidade do despacho decisório proferido, por vício material, bem como de todos os atos subsequentes. 2. Da conclusão Voto, portanto, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, acatando a preliminar suscitada, decretar a nulidade do despacho decisório proferido no presente caso, por vício material. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 159DF CARF MF
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Numero do processo: 11075.720030/2017-35
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2001-000.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Documentos anexados aos Autos, como exames, atestados, podem complementar as informações do Laudo, na formação da convicção do Julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 5. 72 00 30 /2 01 7- 35 Fl. 51DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2014, anocalendário de 2013, em que foi apurada omissão de rendimentos. Abaixo, reproduzse trecho da fundamentação do lançamento: "Contribuinte apresentou a Certidão nº 1179/2015, emitida pelo Centro de Perícias Médicas da Marinha do Brasil, com data de 22/10/2015, na qual não se encontra consignada a data do início da doença; por conseguinte, a data a ser utilizada para fins de isenção do imposto sobre a renda é a data da emissão do Laudo Médico Pericial, em 09/04/2015, como consta da Certidão referida." A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Belo Horizonte. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 47. Em síntese, alega ser portador de moléstia grave e que a data real da incapacidade retroage a 2009. Informa que recebe proventos de aposentadoria. Argumenta que para confecção de novo Laudo, é necessário deslocarse para município diverso de seu domicílio e que isso demanda tempo superior a 30 dias, razão pela qual entende deve ser dilatado o prazo para que seja possível complementar sua defesa. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 11075.720030/201735 Acórdão n.º 2001000.511 S2C0T1 Fl. 3 3 esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV Fl. 53DF CARF MF 4 e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” O lançamento, assim como o faz a decisão de primeira instância, fundamenta o não reconhecimento da isenção, ao argumento de que o Laudo não indica a data em que a doença foi contraída. Embora o Laudo seja o documento essencial para o reconhecimento da isenção, nada impede que o Julgador, com base em outros elementos trazidos aos Autos, firme sua convicção no sentido de definir eventual lacuna ou incongruência do documento emitido pela perícia. É o que ocorre nos presentes Autos. A documentação acostada justifica a aceitação dos argumentos esposados pela recorrente, haja vista que por suficiente documentação (f. 7 e 12), comprovase que ela padece da doença indicada no Laudo desde o ano de 2009. Portanto, devese reconhecer o direito à isenção pleiteado pela recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.901016/2008-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001
NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO.
Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Numero da decisão: 3402-005.418
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE.
(assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2001 a 31/07/2001 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito elencadas no despacho decisório. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não há ato legal específico que conceda isenção ou outra forma de desoneração de PIS e COFINS nas vendas à Zona Franca de Manaus, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) que davam provimento em conformidade com o entendimento do Superior Tribunal de Justiça no AgRg no Ag 1.420.880/PE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 10 16 /2 00 8- 72 Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10882.901016/200872 Acórdão n.º 3402005.418 S3C4T2 Fl. 3 2 (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz de Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado), Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Fl. 142DF CARF MF Processo nº 10882.901016/200872 Acórdão n.º 3402005.418 S3C4T2 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Declaração de Compensação (DCOMP) mediante a qual a contribuinte pretendeu extinguir débito com pretenso crédito com origem em pagamento indevido de contribuição social. A Delegacia da Receita Federal de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico de não homologação da compensação face a inexistência de crédito disponível para compensação. Cientificada do despacho, a contribuinte manifestou sua irresignação arguindo em síntese que o crédito utilizado na compensação teria origem em pagamento da contribuição na parcela calculada sobre vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Argumenta que as vendas à Zona Franca de Manaus (ZFM) no período em tela estavam imunes à incidência do PIS e da Cofins e, portanto, o pagamento teria sido feito a maior. Iniciando essa linha de argumentação, assevera que o art. 4° do DecretoLei (DL) n° 288, de 1967, equiparou, para todos os efeitos fiscais, as vendas realizadas a Zona Franca de Manaus a uma operação de exportação. Tal disposição, a seu ver, possui envergadura de norma de caráter complementar, e nesse nível de hierarquia teria sido incorporado ao ordenamento jurídico pela recepção que lhe deu a Constituição Federal de 1988, pelo artigo 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT). Defende que o mesmo tratamento dado às exportações, aplicável às vendas realizadas à Zona Franca de Manaus, seria também extensível às vendas efetuadas para destinatários sediados nos municípios integrantes das Areas de Livre Comércio. Ao fim, requer o recebimento da presente manifestação de inconformidade com o seu regular efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. Pleiteia ainda o reconhecimento do direito credit6rio referente aos recolhimentos indevidos ou a maior a titulo de PIS e Cofins incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias à Zona Franca de Manaus e a consequente a homologação da compensação.” Por meio do acórdão nº 0529.850, a DRJ não acolheu as razões de defesa da manifestante, mantendo a não homologação da compensação. Regularmente cientificado, o contribuinte tempestivamente apresentou seu Recurso Voluntário, repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, acrescentando que não foi intimado pela fiscalização, em nenhum momento, a apresentar comprovantes da origem dos seus créditos e que, no despacho eletrônico proferido, também não foi apresentado nenhum argumento para que os créditos pleiteados fossem indeferidos. Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10882.901016/200872 Acórdão n.º 3402005.418 S3C4T2 Fl. 5 4 Argumenta ainda que trouxe aos autos planilha comprovando que os créditos indicados no pedido de compensação são originados de pagamento indevido ao a maior, uma vez que efetuou vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. O processo foi encaminhado a este Conselho para julgamento e posteriormente distribuído a este Relator. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra , Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.398, de 24 de julho de 2018, proferido no julgamento do processo 10882.900443/200833, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3402005.398): "O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a este colegiado cingese sobre direito creditório não reconhecido pela constatação de utilização integral do pagamento na quitação de débitos do contribuinte. Também se discute, a partir das alegações trazidas na Manifestação de Inconformidade, o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus, que poderia lastrear o pleito inicial da interessada. Ainda que o Despacho Decisório nada tenha se manifestado acerca de qualquer documento probatório, o sujeito passivo, além de contestar a vinculação do pagamento, também argumentou quanto às razões pela qual entendia que parte do recolhimento seria indevido, por se referir a vendas realizadas à Zona Franca de Manaus. Segundo seu entendimento, tais vendas estariam imunes à incidência das contribuições, resultando em saldo recolhido à maior. A 3ª Turma da DRJ em Campinas não acolheu as razões de defesa do sujeito passivo, entendendo que o pretendido pagamento indevido teria origem no período de apuração 01/09/2002 a 30/09/2002, em relação ao qual a isenção em comento alcançaria apenas as receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do artigo 14 Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10882.901016/200872 Acórdão n.º 3402005.418 S3C4T2 Fl. 6 5 da MP n°2.15835, de 2001. Segundo a turma julgadora, os autos não trazem comprovação suportada por documentação contábilfiscal da inclusão das receitas decorrentes das mencionadas operações isentas na base que serviu para o cálculo do pagamento formador do apontado indébito, não se podendo reconhecer o pretendido direito de crédito aproveitado na compensação. Preliminarmente, a recorrente alega nulidade do processo administrativo em razão da ausência de diligências na documentação que comprovaria o indébito tributário. Não assiste razão à recorrente. Conforme disposto no artigo 29 do PAF, as diligências são determinadas pela autoridade julgadora, na apreciação da prova, caso entenda necessárias, o que não é o caso. A recorrente não apresentou qualquer documento comprobatório do crédito pleiteado, nem na fase de impugnação, nem nesta fase recursal, em descumprimento do artigo 15 do PAF que determina a instrução dos documentos comprobatórios juntamente com a impugnação. Apenas uma planilha intitulada “VENDAS PARA A ZONA FRANCA DE MANAUS E AREAS DE LIVRE COMÉRCIO UNIDADE SUMARÉ SETEMBRO DE 2002” (fls.43) foi apresentada, sem nenhum documento comprobatório. A prova deve ser feita nos autos, não fora dele, e no momento oportuno. Destacase que o indeferimento do direito creditório foi motivado pela utilização do(s) pagamento(s) na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Nenhuma prova contrária à tal constatação fiscal foi apresentada. Portanto, não resta configurada qualquer nulidade quanto à ausência de diligência. Em consequência, rejeitase o pedido de diligência. A recorrente alega cerceamento de seu direito de defesa, por entender que a decisão de primeira instância teria inovado o lançamento inicial. Segundo seu entendimento, o Despacho Decisório eletrônico não mencionou qualquer documento (físico ou eletrônico) que embasasse a glosa da compensação, limitandose apenas a mencionar que o crédito não existiria, imputando penalidade a Recorrente, sem qualquer análise da materialidade do crédito compensado. Também neste ponto não assiste razão à recorrente. Nenhuma inovação foi trazida aos autos pelo julgador de primeiro grau na apreciação da matéria, que apenas trouxe os fundamentos necessários para rechaçar as alegações do sujeito passivo trazidas na Manifestação de Inconformidade. Tratase Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10882.901016/200872 Acórdão n.º 3402005.418 S3C4T2 Fl. 7 6 do pleno exercício do contraditório, que exige a plena fundamentação das decisões na apreciação de todos os pontos levantados pela defesa do contribuinte. A motivação do indeferimento do direito creditório continua sendo a inexistência de crédito. Dessa forma, também não está configurado qualquer cerceamento do direito de defesa da recorrente, visto que a questão foi por ela trazida e por ela novamente repisada em sua peça recursal. No mérito, a recorrente alega o direito ao crédito do PIS e da COFINS nas operações com empresas situadas na Zona Franca de Manaus. O tema foi objeto de julgamento repetitivo na 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em processos cujo interessado foi a própria recorrente. Dessa forma, adoto no presente voto os fundamentos do Acórdão nº 9303003.934, de 07 de junho de 2016, da lavra do i. Conselheiro Júlio César Alves Ramos, a seguir reproduzido: “Fui incumbido de apontar as razões que levaram o colegiado, por voto de qualidade, a negar provimento ao recurso do contribuinte, sob o entendimento de que, até a redução a zero da alíquota da contribuição efetuada em julho de 2004, não havia qualquer dispositivo legal que concedesse isenção de COFINS às vendas para aquela área. O argumento inicial em sentido contrário buscaa na própria norma que criou a Zona Franca de Manaus. Segundo tal entendimento, o art. 4º do Decretolei 288, ao afirmar que as remessas para aquela região equiparavamse a exportação para o exterior, deveria ser estendido à COFINS, embora, cediço, ela somente tenha sido posteriormente criada. E isso porque tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10882.901016/200872 Acórdão n.º 3402005.418 S3C4T2 Fl. 8 7 interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Pretendem alguns que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10882.901016/200872 Acórdão n.º 3402005.418 S3C4T2 Fl. 9 8 e renda para a região Norte. Para tanto, definiu se um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser tachada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10882.901016/200872 Acórdão n.º 3402005.418 S3C4T2 Fl. 10 9 tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em julho de 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. É que, nos termos constitucionais, a concessão de isenção requer lei específica1 , de modo que, ou se aceita que seja ela o decretolei ou ela não existe. Não se pode inferir que haja uma lei simplesmente porque um parágrafo em artigo de lei posterior a "exclua". Em outras palavras, há apenas dois caminhos interpretativos. O primeiro: se considera que o decretolei 288 fez uma equiparação genérica das Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10882.901016/200872 Acórdão n.º 3402005.418 S3C4T2 Fl. 11 10 vendas àquela região a exportação e, portanto, qualquer ato posterior que concedesse benefício (isenção ou outro) a operações de exportação se aplicava imediatamente e automaticamente às vendas para lá. Nesse caso, a isenção concedida pela Lei Complementar 85 a elas se estende, mesmo não tendo ela sido expressamente referida no dispositivo. Essa interpretação contraria, a meu ver, o art. 150, § 6º da Constituição. Ou, como entendo eu, considerase que não havia dispositivo que concedesse isenção ou qualquer outra forma de desoneração àquelas vendas até a redução a zero de sua alíquota, promovida em 2004. Não contemplo um terceiro caminho. Com tais considerações, negouse provimento ao recurso do contribuinte.” Também não prospera qualquer argumento que aponte a obrigatoriedade do acatamento do entendimento do STF, exceto nos casos de repercussão geral reconhecida, conforme determina o RICARF, o que não é o caso. Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário do sujeito passivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Fl. 150DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.904310/2010-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002
RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
Numero da decisão: 3302-005.757
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Diego Weis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Nome do relator: DIEGO WEIS JUNIOR
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
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AUSÊNCIA DE JUSTIFICATIVA. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72, é de 30 dias a partir da ciência da decisão recorrida o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, não se podendo conhecer de recurso apresentado fora do prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário, por intempestividade. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida (Presidente substituto), Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jorge Lima Abud, Vinícius Guimarães (Suplente Convocado), José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad, Walker Araújo, Diego Weis Junior. Ausente justificadamente o conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 43 10 /2 01 0- 29 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13884.904310/201029 Acórdão n.º 3302005.757 S3C3T2 Fl. 98 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/RPO assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2002 a 30/09/2002 RESSARCIMENTO. DUPLICIDADE. Despacho Decisório que nega o ressarcimento de valores já ressarcidos, não se configura como ato que afete a segurança jurídica, nem tem o condão de, implicitamente, intimar o recolhimento do que já foi pago ao contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Na origem o contribuinte apresentou, em 30.03.2006, Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER de suposto crédito de IPI relativo ao terceiro trimestre de 2002. Em 05.10.2010 sobreveio Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição/ressarcimento apresentado, sob o fundamento de que houve glosas de créditos considerados indevidos, constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado e constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre em referência, até a data de apresentação do PER. Foi apresentada Manifestação de Inconformidade onde o sujeito passivo alegou, em síntese: a) Por força do disposto na Lei nº 9.779/1999 e na Portaria nº 33/1999 a impetrante faz jus ao crédito de IPI decorrente de aquisições de produtos cuja saída é isenta, não tributada ou com alíquota zero relativos aos períodos compreendidos entre o 1ª Trimestre de 2002 ao 4º Trimestre de 2005; b) Impetrou Mandado de Segurança de nº2005.61.19.0072968, obtendo liminar para que os mencionados Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento fossem apreciados; c) Em 18.04.2006, foi proferido, pela DRF Guarulhos, Despacho Decisório deferindo o pleito, tendo sido efetivada, em 16.06.2006, Ordem Bancária no valor de R$440.275,57; d) Que o valor objeto deste processo administrativo já fora ressarcido à Requerente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil por meio de depósito bancário, não se podendo admitir que seja modificada uma decisão proferida Fl. 98DF CARF MF Processo nº 13884.904310/201029 Acórdão n.º 3302005.757 S3C3T2 Fl. 99 3 anteriormente e que já produziu efeitos, não se mostrando legal a vedação à restituição já deferida e efetuada anteriormente (sic); Em 26.05.2011 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) considerou improcedente a manifestação de inconformidade em razão de que não consta no despacho decisório combatido qualquer declaração de nulidade de ato anterior e tão pouco pedido ou intimação para que o contribuinte devolva os valores já ressarcidos anteriormente. Aduz ainda o acórdão combatido que o Despacho Decisório tão somente negou novo ressarcimento daquilo que já foi ressarcido, conforme atesta o próprio manifestante, e que diante disso não como adotar decisão diversa, sob pena de ressarcimento em duplicidade. Cientificado em 14.06.2011 (terçafeira), o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 18.07.2011 (segundafeira), onde repete os mesmos argumentos e alegações da Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Diego Weis Junior, Relator. Muito embora o despacho de fl. 95 informe ser tempestivo o Recurso Voluntário, o AR de fl. 86 não deixa dúvidas sobre a ciência da decisão recorrida ter ocorrido em 14.06.2011, enquanto que o Recurso Voluntário (fls. 87 a 93) foi interposto somente em 18.07.2011, depois de transcorridos 34 (trinta e quatro) dias após o recebimento da correspondência registrada. O art. 33 do Decreto nº 70.235/1972 dispõe ser de 30 (trinta) dias, a partir da ciência da decisão recorrida, o prazo para a apresentação de recurso voluntário. Não há nos autos qualquer argumento ou prova que justifique o protocolo intempestivo do Recurso Voluntário. Diante do exposto, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Diego Weis Junior Relator Fl. 99DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720297/2012-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO.
De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação.
ACÓRDÃO SEM FUNDAMENTAÇÃO. NECESSIDADE DE ACLARAMENTO DA OMISSÃO OU OBSCURIDADE.
É omisso o voto que não contenha de forma clara o relatório e voto, conforme as normas vigentes e do próprio PAF, da qual deixou de apreciar todos os pontos do recurso voluntário apresentado, havendo necessidade, em sede de embargos de declaração, que seja sanado o vício contido em decisão proferida.
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONSTATAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DEVER DE RECOLHIMENTO.
A fiscalização quando constata a ocorrência do fato gerador dos créditos relativos às contribuições previdenciárias, de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, e as contribuições destinadas a terceiros respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados tem o poder-dever de exigir o crédito fiscal.
RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1.
Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PROCESSO JUDICIAL.COISA JULGADA.
Não cabe ao CARF discutir o mérito ou o teor de decisão judicial, transitada em julgada ou não, que abranja matéria objeto de lançamento tributário discutido em processo administrativo, cabendo-lhe apenas fazer cumprir o entendimento consolidado na decisão exarada, quando decidida de forma definitiva.
Embargos Acolhidos em parte.
Numero da decisão: 2301-005.525
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2302-003.694, de 11/03/2015, reapreciar o recurso voluntário e, em o assim fazendo, não conhecer do pedido de duplicidade de lançamento e da matéria na qual há concomitância com ação judicial; na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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CABIMENTO. ELEMENTOS INTERNOS E EXTERNOS DA DECISÃO. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a Turma. Somente a contradição, omissão ou obscuridade interna é embargável, não alcançando eventual os elementos externos da decisão, circunstância que configura mera irresignação. ACÓRDÃO SEM FUNDAMENTAÇÃO. NECESSIDADE DE ACLARAMENTO DA OMISSÃO OU OBSCURIDADE. É omisso o voto que não contenha de forma clara o relatório e voto, conforme as normas vigentes e do próprio PAF, da qual deixou de apreciar todos os pontos do recurso voluntário apresentado, havendo necessidade, em sede de embargos de declaração, que seja sanado o vício contido em decisão proferida. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. CONSTATAÇÃO DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. DEVER DE RECOLHIMENTO. A fiscalização quando constata a ocorrência do fato gerador dos créditos relativos às contribuições previdenciárias, de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91, e as contribuições destinadas a terceiros respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa aos segurados empregados tem o poderdever de exigir o crédito fiscal. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. PROCESSO JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº.1. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 02 97 /2 01 2- 01 Fl. 1007DF CARF MF 2 Consoante a Súmula CARF n.º 1, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO JUDICIAL.COISA JULGADA. Não cabe ao CARF discutir o mérito ou o teor de decisão judicial, transitada em julgada ou não, que abranja matéria objeto de lançamento tributário discutido em processo administrativo, cabendolhe apenas fazer cumprir o entendimento consolidado na decisão exarada, quando decidida de forma definitiva. Embargos Acolhidos em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os Embargos de Declaração, com efeitos infringentes, para, sanando os vícios apontados no Acórdão nº 2302003.694, de 11/03/2015, reapreciar o recurso voluntário e, em o assim fazendo, não conhecer do pedido de duplicidade de lançamento e da matéria na qual há concomitância com ação judicial; na parte conhecida, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato, João Maurício Vital, Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos e Wesley Rocha. Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Contribuinte contra decisão de Recurso Voluntário Acórdão nº 2302003.694, da Segunda Turma Ordinária, da Terceira Câmara, da Segunda Seção de Julgamento do CARF (fls. 983 a 986), julgado na sessão plenária de 11 de março de 2015, que restou assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2009 a 31/12/2009 LANÇAMENTO. O agente fiscal deve, ao verificar o descumprimento de obrigação tributária principal, efetuar o lançamento. A decisão foi assim registrada: "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 16095.720297/201201 Acórdão n.º 2301005.525 S2C3T1 Fl. 3 3 ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado". Conforme os embargos de declaração opostos (fls. 996 a 998) e o despacho de admissibilidade, o recurso é pautado pelo seguinte: "Em síntese, sustenta que a decisão revela omissão frente às alegações constantes da impugnação, mormente em relação ao duplo lançamento de valores, que também são objeto do PAF nº 16095.720298/201248. Ademais, aduz que o julgamento proferido pela Corte sequer veio acompanhado de relatório e voto. Desta forma, argumenta que a decisão viola gravemente os princípios da ampla defesa e do contraditório, impedindo ao contribuinte conhecer da fundamentação pelas quais foi indeferido o recurso voluntário. Cabe mencionar que, o presente auto de infração se refere, consoante o relatório fiscal de fls. 639 a 641, aos Autos de Infração n.º 51.003.6376 e 51.003.6384, e foram lavrados para a constituição dos créditos relativos às contribuições previdenciárias de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91 e às contribuições destinadas a terceiros (Salárioeducação, Incra, Sest, Senat e Sebrae), respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa BINOTTO S/A. LOGÍSTICA, TRANSPORTE E DISTRIBUIÇÃO aos segurados empregados e contribuições individuais a seu serviço no período de outubro a dezembro de 2009 (incluindo o 13º salário). Ainda, nos termos do relatório fiscal e do relatório da DRJ de origem, os fatos ocorreram pelas seguintes razões: "1º) Constituem fatos geradores das contribuições lançadas as remunerações pagas e/ou creditadas aos aludidos segurados, cujos valores encontramse demonstrados no Discriminativo de Débito – DD e no Relatório de Lançamentos RL, em anexo; 2º) Os autos de infração são compostos dos levantamentos “CP – Fopag Contribuição Empresa” e “CT – Fopag Contribuição Terceiros”, ambos abrangendo as competências 10/2009 a 12/2009; 3º) Os documentos examinados durante a auditoria fiscal foram as GFIP – Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social, as Folhas de Pagamento Analíticas e os Resumos Gerais das Folhas de Pagamento Mensais; 4º) Embora os valores das bases de cálculo das contribuições previdenciárias informados na última GFIP válida transmitida antes do início do procedimento fiscal sejam idênticos aos das folhas de pagamento, “o sujeito passivo apresentou GFIP’s de ExclusãoEX, e posteriormente Sem Movimento SM, em 24/07/2010. 02/08/2010 e 03/08/2010, a partir da competência 10/2009. para a matriz e diversas filiais, zerando com isso os valores devidos à previdência social e a outras entidades e fundos”; e 5º) Foram devidamente apropriados todos os recolhimentos efetuados antes do início do procedimento fiscal através de Guia de Recolhimento da Previdência Social – GPS emitidas sob os códigos 2100 e 2631, conforme se depreende do RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados". Fl. 1009DF CARF MF 4 O Recurso Voluntário foi apresentado junto às fls. 946/976. Diante dos fatos narrados, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso é tempestivo. Portanto, passo a analisar o mérito. DO RECEBIMENTO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os artigos 64 e 65, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF Portaria mf nº 343, de 09 de junho de 2015). assim dispõe: "Art. 64. Contra as decisões proferidas pelos colegiados do CARF são cabíveis os seguintes recursos: I Embargos de Declaração; Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto 53 sobre o qual deveria pronunciarse a turma". Os embargos de declaração se prestam para sanar contradição, omissão ou obscuridade, e não possui efeitos modificativos da decisão recorrida, salvo casos específicos que pode resultar em efeitos infringentes do julgamento. Esse instrumento, por vezes pode ser considerado sensível em sua análise, uma vez que excepcionalmente pode contribuir com a modificação de interpretação ou resultado anteriormente esposado. Nesse sentido, os embargos servem exatamente para trazer compreensão e clarificação pelo órgão julgador ao resultado final do julgamento proferido, privilegiando inclusive ao princípio do devido processo legal, entregando às partes e interessados de forma clara e precisa a o entendimento do colegiado julgador. Pois bem. Latente é a constatação da falta de fundamentação no julgado, não contendo relatório e nem voto nos termos do regimento interno deste Conselho, ferindo igualmente dispositivos que regem o Processo administrativo fiscal. Portanto, além de conhecer dos embargos, necessário se faz analisar de forma integral o recurso voluntário apresentado, com o intuito de trazer claridade ao julgamento e entregar às partes a análise do direito ora protestado. DAS RAZÕES DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO A recorrente alega, em suma, duas situações: a primeira, de que a decisão carece de fundamentação legal, não contendo relatório adequado e voto. De certo, nesse aspecto a recorrente possui razão e nesse ato. Portanto, será analisado o mérito do seu recurso. Entretanto, na mesma manifestação a recorrente aduz que não foi analisado a alegação de "duplo lançamento" de valores, que também são objetos do PAF n.º 16095.720298/201248 (analisado nessa mesma sessão de julgamento), pela DRJ e que supostamente teria se omitido em analisar o tema em sede de primeira instância. Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 16095.720297/201201 Acórdão n.º 2301005.525 S2C3T1 Fl. 4 5 Entretanto, analisando do recurso voluntário interposto, verifico que essa matéria não foi objeto de argumentação recursal, e, tampouco, mencionada na impugnação, inexistindo alegação expressa sobre o conteúdo. O processo administrativo fiscal exige que toda a matéria seja argumenta de forma expressa, conforme dispõe o art. 17, do Decreto "Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante". Portanto, inova a recorrente, em sede de embargos de declaração. Ainda assim, em verificação das matérias de ambos os processos (autuações fiscais que foram promovidas concomitantemente) temos que são autuações resultantes da mesma ação fiscal, mas que constam em razões distintas, conforme das informações descritas abaixo: Processo 16095.720297/201201: Consoante o relatório fiscal de fls. 639 a 641, referese aos Autos de Infração n.º 51.003.6376 e 51.003.6384, e foram lavrados para a constituição dos créditos relativos às contribuições previdenciárias de que tratam os incisos I a III do art. 22 da Lei nº 8.212/91 e às contribuições destinadas a terceiros (Salárioeducação, Incra, Sest, Senat e Sebrae), respectivamente, incidentes sobre as remunerações pagas pela empresa BINOTTO S/A. LOGÍSTICA, TRANSPORTE E DISTRIBUIÇÃO aos segurados empregados e contribuições individuais a seu serviço no período de outubro a dezembro de 2009 (incluindo o 13º salário). Processo n.º 16095.720298/201248: referese ao Auto de Infração nº 51.003.6392 foi lavrado para a constituição do crédito resultante da glosa das compensações realizadas pela empresa com as contribuições previdenciárias por ela devidas nas competências 04/2009 a 06/2009 e 10/2009 a 12/2009, incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuições individuais a seu serviço. Notase que, apesar da mesma ação fiscal, são situações (autuações) distintas e períodos diversos também, descabendo se falar em duplicidade de lançamento, pois enquanto um trata do não recolhimento devido, a outra autuação trata de fiscalização em razão de compensação indevida, onde foi realizada a glosa pela fiscalização. Assim, não acolho a alegação de duplicidade de lançamento. Resta, portanto, analisar a segunda situação levantada nos embargos, que é justamente a falta de fundamentação do voto. Registro, ainda, que como relatório do voto, utilizo o conteúdo já transcrito acima, que supre a necessidade de novo relatório. DOS FATOS GERADORES DA AUTUAÇÃO O Recurso Voluntário foi apresentado junto às fls. 946/976. Quanto ao mérito, a recorrente pouco aborda em relação aos fatos geradores do tributo. Fl. 1011DF CARF MF 6 Em relação à incidência do tributo, entendo ser importante transcrever parte do relatório fiscal, onde consta de forma clara o objeto autuado: Notase que quanto ao mérito, a contribuinte não trouxe nenhuma informação capaz de afastar a constatação e autuação da fiscalização. Assim, deve ser mantida o auto de infração. AÇÃO JUDICIAL E DA RENÚNCIA NA ESFERA ADMINISTRATIVA Há a informação de que a recorrente teria ajuizado ação judicial para reaver verbas indenizatórias. Assim, cabe a verificação sobre a natureza das verbas contestadas judicialmente e os valores autuados. Com isso, tomo por empréstimo parte do voto da DRJ de origem: Na tela “CONSULTA PROCESSUAL 1º GRAU – SJSP E SJMS”, juntada pela AFRFB autuante às fls. 442 e 443, verificase que o objeto da ação processada sob nº 000482322.2010.4.03.6119 é assim descrito: “... Binotto S/A, Logística, Transporte e Distribuição impetra mandado de segurança em face do Delegado da Receita Federal do Brasil em Guarulhos objetivando a declaração da inexistência de relação jurídica tributária no tocante ao recolhimento da contribuição social previdenciária incidente sobre os quinze primeiros dias de afastamento dos empregados em gozo de auxíliodoença ou de auxílio acidente, sobre o saláriomaternidade, férias e adicional de 1/3 sobre férias., bem como a compensação do quantum recolhido a maior a esse título nos últimos dez anos com parcelas vincendas de contribuições previdenciárias, tudo atualizado monetariamente pela SELIC". Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 16095.720297/201201 Acórdão n.º 2301005.525 S2C3T1 Fl. 5 7 O que se verificou do relatório fiscal, consoante o objeto da ação é que a recorrente teria "zerado" as informações em GFIP para contestar essas verbas judicialmente. Porém, o que se observou da ação judicial diz respeito somente às verbas indenizatórias. Por outro lado, mesmo que tivesse sido lançada as contribuições sobre essas verbas indenizatórias não cabe a esse Conselho discorrer sobre tal objeto, uma vez que a demanda judicial chancelada sob o número 000482322.2010.4.03.6119, de responsabilidade da TRF da 3ª Região, seria o ambiente correto para deliberação, já que teria a recorrente renunciado às instâncias administrativas, nos termos da Súmula CARF n.º 01, in verbis: "Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial". Assim, houve expressa renúncia ao contencioso administrativo pelo recorrente, conforme prescreve o art. 87 do Decreto n.º 7.574, de 2011, que regula o processo administrativo fiscal: "Art. 87. A existência ou propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial com o mesmo objeto do lançamento importa em renúncia ou em desistência ao litígio nas instâncias administrativas (Lei no 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único). Parágrafo único. O curso do processo administrativo, quando houver matéria distinta da constante do processo judicial, terá prosseguimento em relação à matéria diferenciada." Como bem analisado pela DRJ de origem, a contribuinte renunciou ao direito de contestar seu crédito na esfera administrativa de parte do débito autuado. Verificase que do Recurso Voluntário apresentado, a recorrente também não obrou trazer a prova de que esses créditos seriam correspondentes ao que ela pretende compensar, pois não correspondem aos valores da autuação, e, tampouco, houve comprovação de que houve o crédito correspondente da atuação sobre os quinze primeiros dias de afastamento dos empregados em gozo de auxíliodoença ou de auxílio acidente, sobre o saláriomaternidade, férias e adicional de 1/3 sobre férias, prova que caberia à recorrente. De qualquer sorte, essa matéria não poderia ser abordada em sede desse recurso, e boa parte de suas alegações são no sentido de que teria direito à compensação e direito creditório, e que deveria pelo menos o processo administrativo ser sobrestado enquanto tivesse o trânsito em julgado da ação judicial, que até então teria não ocorrido. Como já dito acima, a recorrente "zerou" as informações prestadas em GFIP, ao passo que a verificação do não recolhimento do tributo gera a hipótese de incidência, uma vez que as informações prestadas em GFIP também servem como base de lançamento das contribuições. Nesse ínterim, verificase o intuito da recorrente de se socorrer ao poder judiciário de maneira a tentar buscar um crédito que no seu entender seria devido, mas que nesse contexto não houve recolhimento das contribuições devidas. Fl. 1013DF CARF MF 8 Contudo, mesmo que a autuada afirme que a legislação em vigência autoriza que o contribuinte, verificando o recolhimento indevido, compense, independentemente de decisão judicial, o valor do indébito. De fato, os normativos citados pela recorrente autorizam as compensações, das quais assiste razão a recorrente quando afirma que não há a necessidade de autorização prévia da administração tributária para a compensação de tributos e contribuições federais, que tenham sido recolhidos a mais ou indevidamente com futuros débitos de exações da mesma espécie, conforme o disposto no art. 66, da Lei 8.383/91, que permite o tal procedimento. Entretanto, esse procedimento pode ser feito desde que sejam observadas as condições da própria legislação vigente. Devese observar que o caráter facultativo da compensação não desobriga o contribuinte do cumprimento da legislação pertinente, no caso, o Código Tributário Nacional e a Lei 8.212/91. O que não foi a situação do presente processo. Nesse sentido, as contribuições previdenciárias, por possuírem natureza tributária, são regidas pelo Código Tributário Nacional – CTN e pelas normas previdenciárias., e o artigo 170A, do CTN, veda a compensação efetuada pela empresa: "Art.170A É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. *(Acrescido pela Lei Complementar 104/01)". Apesar de querer afastar esse dispositivo em seu recurso, a recorrente deixou de observar a legislação em vigor, e lançou de forma equivocada o direito à compensação. Assim, se a fiscalização constata que a compensação não está de acordo com a legislação tributária, é dever do fisco realiza a glosa dos valores constituindo o crédito. Cabe mencionar que, o objeto da ação e o objeto da autuação estão em situações assemelhadas, pois não se localizou no processo o direito mencionado pela recorrente, conforme, inclusive, transcrição da DRJ de origem: "Isto significa que as compensações que a autuada afirma ter realizado nas competências 10/2009, 11/2009, 12/2009 e 13/2009 devem der qualificadas como indevidas, porquanto, àquela época, o acórdão de que vimos falando não havia sequer sido prolatado – e muito menos, por óbvio, transitado em julgado –, incidindo, portanto, in casu, a vedação estabelecida no art. 170A do CTN. Nada obsta, é claro, que depois de a referida decisão revestirse do manto da coisa julgada, poderá a empresa compensar com suas contribuições previdenciárias então vincendas os valores que, comprovadamente, tenha recolhido sobre os valores pagos aos seus empregados a título de abono de férias e dos 15 primeiros dias de afastamento em virtude de auxíliodoença ou auxílioacidente. O que não se pode admitir, entretanto, é a homologação das compensações de que a impugnante nos dá conta nas peças de fls. 837 a 864 e 793 a 820, seja por realizadas ao arrepio do CTN e do acórdão do TRF3, seja porque não comprovada a própria existência dos créditos que lhe dariam suporte, eis que, como alhures ressaltado, não há nestes autos elementos que Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 16095.720297/201201 Acórdão n.º 2301005.525 S2C3T1 Fl. 6 9 demonstrem a ocorrência de recolhimentos sobre as verbas citadas no parágrafo anterior. Face a tais considerações, impõese a ratificação da exigência das importâncias lançadas por meio dos Autos de Infração nº 51.003.6376 e 51.003.6384. Assim, sem razão a recorrente. DA MULTA APLICADA Por fim, sobre a multa aplicada, também não assiste razão a recorrente. Isso porque a penalidade imposta já foi na nova sistemática após a vigência da Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Nesse sentido, a lavratura dos AI nº 51.003.6376 e 51.003.6384 se deu pelo descumprimento da obrigação tributária principal consistente em não recolher as contribuições previdenciárias devidas, culminando, portanto, na penalidade imposta pelo art. 44, inciso I, da Lei n.º 9.430/96. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto, portanto, por CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO aos embargos de declaração opostos pela Contribuinte, para o fim de sanar o vício da omissão de acórdão com relatório e voto, não conhecendo do pedido de duplicidade de lançamento, por preclusão e por não haver "bis in iden" alegado, bem como para no MÉRITO da análise do Recurso Voluntário não conhecêlo da parte que contesta judicialmente a incidência de verbas indenizatórias e das glosas lançadas, em razão da interposição da ação judicial, e na parte conhecida negar provimento. (assinado digitalmente) Wesley Rocha Relator Fl. 1015DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.726445/2011-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Oct 30 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/11/2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON.
A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais-Dacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49.
A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-005.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10980.726362/2011-52, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrente COTRANS LOCACAO DE VEICULOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/11/2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. A entrega fora do prazo do Demonstrativo de Apuração de Contribuições SociaisDacon enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICÁVEL. SÚMULA CARF N° 49. A denúncia espontânea, prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, não alcança penalidade decorrente de atraso na entrega de Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais, obrigação acessória autônoma, ato formal. sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Walker Araujo, Orlando Rutigliani Berri (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Deroulede (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 64 45 /2 01 1- 41 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de exigência decorrente de multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, tendo como fundamento legal o art. 7° da Lei n° 10.246, de 24 de abril de 2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. Cientificada da exigência fiscal, a interessada interpôs impugnação, ressaltando, inicialmente, cerceamento ao seu direito de defesa, uma vez que o lançamento não contém de forma clara a descrição do fato e a indicação legal infringida, dificultando o oferecimento de impugnação consistente. Ressalta que trinta dias não é prazo suficiente para tudo analisar e verificar todas as perícias necessárias, para impugnar especificamente cada ponto. Disserta sobre o princípio do contraditório, citando doutrinadores. Realça que houve erro quanto ao enquadramento legal dos fatos, pois foi omitida a determinação da base de cálculo adotada pelo sistema fiscal, em ofensa ao art. 37, caput, da CF e art. 142, parágrafo único, do CTN. Alega transcurso do prazo decadencial entre parte dos fatos geradores do imposto e à formalização da exigência, já que os créditos considerados como rendimentos foram totalmente quitados, sendo que o lançamento somente foi efetivado após as exigências de cobrança, que, segundo esclarece, depois de transcorrido o prazo de lançados a documentação cobrada. Diz que nem sequer a regra decadencial seria a do 173 do CTN, em razão da multa agravada, eis que inexistem elementos caracterizadores do evidente intuito de fraude. Complementa que o simples fato de se tratar de tributação baseada em presunção da falta de cumprimento de uma obrigação acessória é suficiente, de per se, para afastar a acusada existência de dolo. Observa, ainda sobre o tema, da impossibilidade do agravamento da multa de ofício em matéria de omissão na entrega de documentação acessória pautada em presunção legal, discussão já superada no E. 1° Conselho de Contribuintes. Em um último ponto, pondera que se sobre o lançamento deve incidir acréscimos moratórios, calculados à razão da Taxa Selic, não pode prosperar, pois afrontam o art. 161, § 1°, do CTN, e art. 192, § 3°, da Constituição Federal. A Delegacia Regional de Julgamento considerou PROCEDENTE o presente lançamento, mantendo a exigência, nos termos do Acórdão nº 06040.035. O contribuinte cientificado do Acórdão de Impugnação ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: ü Da Denúncia Espontânea; ü Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302005.880, de 25 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.726362/201152, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302005.880): "Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 26 de abril de 2013, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 21 de maio de 2013, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: Da Denúncia Espontânea; Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Passase à análise. Da Denúncia Espontânea. Sobre o assunto assim se manifestou o Recurso Voluntário (folhas 2 e 3): O Código Tributário Nacional, Lei n° 5.172/66, ao instituir normas gerais a serem observadas pelo legislador ordinário na elaboração de leis de tributação, estabelece a exclusão da responsabilidade pela prática de infração, na seguinte situação: "Art. 138 A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo Único Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração." Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 5 4 Assim, o contribuinte que se antecipa à ação do Fisco e denuncia espontaneamente a infração, não pode ser responsabilizado pela prática do ato contrário à legislação, devendo ainda, ser excluída toda e qualquer penalidade a ser imposta a quem desta forma agir. A infração ou ilícito tributário retrata, conforme referido acima, o comportamento humano contrário às prescrições das normas tributárias e, de acordo com o ensinamento do Prof. Sacha Calmon Navarro Coelho, resulta basicamente de: "a) não pagar o tributo previsto em lei ou de fazêlo a destempo ou a menos; b) praticar atos vedados pela lei tributária ou deixar de praticar atos obrigatórios, segundo esta mesma lei"\ O inadimplemento, total ou parcial, da prestação tributária ou o seu adimplemento a destempo ou, ainda, o descumprimento de deveres instrumentais, acarretam, pois, a imposição de sanções de natureza fiscal, que possuem duplo efeito: o intimidativo (psicológico) que visa evitar a violação do direito e; o repressivo, que se verifica após perpetrado o desrespeito à norma tributária. As sanções fiscais multa por falta ou insuficiência no pagamento de tributo ou por pagamento a destempo têm, portanto, natureza punitiva, sancionatória. O Supremo Tribunal Federal, em sua composição Plenária, decidiu que "não se distingue mais entre multa indenizatória ou punitiva, porquanto a indenização da mora se faz através dos juros e da correção monetária"2. Demonstrado que as multas fiscais têm sempre caráter punitivo, decorram elas da prática de infração material (não pagamento de tributo devido ou efetuado intempestivamente) ou de infração formal (descumprimento de obrigação acessória), é de se afirmar que, qualquer que seja sua espécie, estará abrangida pelo disposto no art. 138 do CTN. Quanto à aplicação da denúncia espontânea ao caso, observo que decisões reiteradas e uniformes proferidas neste Conselho foram consubstanciadas na Súmula CARF n° 49, de observância obrigatória pelos seus membros, por força do art. 72, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF. O enunciado da súmula é o seguinte: Súmula CARF no 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente de atraso na entrega de declaração. Serviram de acórdãos paradigmas para ela, entre outros, os seguintes: · n° CSRF/0400.574, de 19/06/2007; Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 6 5 · n° 19200.096, de'o6/10/2008; · n° 0709.410, de 30/05/2008; · n° 10196.625, de 07/03/2008; · n° 10516.674, de 14/09/2007; · n° 10809.252, de 02/03/2007. Cito as ementas: Acórdão CSRF/0400.574: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO PENALIDADE As penalidades por descumprimento de obrigações acessórias autônomas, sem vínculo direto com fato gerador de tributo, não estão alcançadas pelo instituto da denúncia espontânea grafado no art. 138 do CTN. Recurso especial provido. Acórdão 19200.096: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF EXERCÍCIO: 2005 DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138 do CTN (precedentes CSRF). DECLARAÇÃO IRPF. MULTA POR ENTREGA EM ATRASO. CONFISCO. A penalidade pela entrega da declaração extemporaneamente não se caracteriza como tributo. Inaplicável, assim, o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal de 1988. Recurso negado. Acórdão 10709.410: Assunto: Imposto Sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Ano calendário: 2001, 2002 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIPJ. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A entrega da declaração de IRPJ fora do prazo legal, mesmo que espontaneamente, sujeita à multa estabelecida na legislação de regência do tributo, posto que não ocorre a denúncia espontânea Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 7 6 prevista no art. 138 do CTN, por tratarse de descumprimento de obrigação acessória com prazo fixado em lei para todos os contribuintes. Acórdão 10196.625: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇAO DIPJ. A cobrança de multa por atraso na entrega de declaração tem previsão legal e deve ser efetuada pelo Fisco, uma vez que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A exclusão de responsabilidade pela denúncia espontânea se refere à obrigação principal, não se aplicando às obrigações acessórias, por não estar vinculado diretamente com a existência do fato gerador do tributo. Recurso Voluntário Negado Acórdão 10809.252: IRPJ MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. O instituto da denúncia espontânea não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a declaração de rendimentos porquanto as responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Recurso negado. Verificase que o fundamento para não se aplicar a denúncia espontânea às declarações, nos acórdãos que serviram de paradigma para a edição da Súmula CARF n° 49, também justifica sua não aplicação ao caso presente, pois a apresentação do Dacon é obrigação acessória autônoma, ato formal, sem vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo. Do efeito confiscatório da multa cominada no caso presente. Tendo em vista que a vedação ao confisco tem seio em norma constitucional, na alegação da defesa de que a exação é confiscatória, implícita está a arguição de inconstitucionalidade da própria norma legal que prevê a penalidade, para afastar sua a aplicação no caso concreto. Entretanto, em face do modelo adotado em nosso sistema jurídico, a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre inconstitucionalidade de normas legais, cabendo apenas executálas, não podendo negar aplicação à lei, sob argumento de que há conflito com a Constituição Federal. Com efeito, o órgão administrativo não é o foro apropriado para discussões dessa natureza, uma vez que exercício do controle da constitucionalidade, regulado pela própria Constituição Federal, é reservado ao Poder Judiciário que detém, com exclusividade, essa prerrogativa, conforme prevê a Lei Maior no Capítulo III do Título IV. Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.726445/201141 Acórdão n.º 3302005.897 S3C3T2 Fl. 8 7 A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. No mais, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 89DF CARF MF
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