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Numero do processo: 10983.908273/2009-88
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO.
A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a saná-la, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.728
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2002 VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO. A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a saná-la, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1515; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 11 1 10 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.908273/200988 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.728 – 1ª Turma Especial Sessão de 11 de dezembro de 2014 Matéria PER/DCOMP ELETRÔNICO Recorrente CENTRAIS ELÉTRICAS DE SANTA CATARINA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO. A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a sanála, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 73 /2 00 9- 88 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908273/200988 Acórdão n.º 3801004.728 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte com o fim de ver compensado débito seu com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, referente a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado. Irresignada com a não homologação integral de suas compensações, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual expõe suas razões de irresignação. Inicialmente, alega a contribuinte que o recolhimento efetuado via DARF se conforma como "pagamento indevido ou a maior", porque no cálculo da contribuição devida teria sido indevidamente utilizado como base de cálculo o critério definido na Lei n.o 9.718/1998 (teria havido a indevida inclusão das receitas financeiras e não operacionais). Entende a contribuinte que o alargamento da base de cálculo promovida por este ato legal é inconstitucional, e elenca extensivamente as razões pelas quais assim entende (tais razões não serão, entretanto, aqui minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se prolatará no voto deste acórdão). Assim, em razão da pretensa inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais trazido pela Lei n.o 9.718/1998 e da conseqüente majoração indevida da contribuição devida apurada, entende a contribuinte que há recolhimento a maior a ensejar a compensação pleiteada. Ao final, defende a contribuinte seu direito genérico à compensação, afirmando não ter incorrido em qualquer das vedações legais ao procedimento repetitório. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908273/200988 Acórdão n.º 3801004.728 S3TE01 Fl. 13 3 a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: se a lei já foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Egrégio Supremo Tribunal Federal, podem os órgãos de julgamento entender pela sua inconstitucionalidade e afastar a sua aplicação; tratase da possibilidade de um órgão da administração deixar de aplicar urna norma inconstitucional, desde que essa já tenha sido assim declarada em decisão plenária pelo órgão máximo do Poder Judiciário; se a lei autoriza os órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade quando o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, em decisão plenária, DEVE esse Colendo Conselho afastar a aplicação do disposto no parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado pela Requerente e, por consequência, declarar homologada a compensação, visto que foram observados todos os ditames do artigo 74 da Lei n° 9430/96. Assim, requereu que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908273/200988 Acórdão n.º 3801004.728 S3TE01 Fl. 14 4 Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Em face da constatação da irregularidade na representação processual, o processo foi convertido novamente em diligência para que a Delegacia de origem intimasse à interessada no prazo de 15 (quinze) dias a regularizar a representação processual. A Delegacia atendeu o solicitado e intimou a recorrente a apresentar documento que permita a comprovação de poderes representação da pessoa jurídica pelo signatário do Recurso Voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos (p.p. Vicente Greco Filho) para atuação perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil em nome da empresa, à época (20 de julho de 2009). A interessada foi cientificada da diligência e não se manifestou no prazo assinalado e tampouco apresentou qualquer documento. Assim, os autos administrativos retornaram mais uma vez a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908273/200988 Acórdão n.º 3801004.728 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora o recurso seja tempestivo, ele não atende os demais pressupostos recursais, portanto dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. Como relatado, a autoridade fiscal constatou em diligência fiscal a irregularidade na representação processual, isto é, o signatário do recurso voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos, não tinha legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) quando da apresentação do recurso voluntário. O vício na representação processual não resultou na cobrança imediata dos débitos, pois a recorrente foi intimada a regularizar a representação processual. Ocorre, todavia, embora intimada, que a interessada não regularizou a representação processual. O vício na representação processual implica a revelia do réu, segundo o disposto no 13 do Código de Processo Civil, inciso II: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) No mesmo sentido, a Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe no art. 6º, inciso V, que o requerimento inicial do interessado deve conter assinatura do requerente ou de seu representante: Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados: I órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; II identificação do interessado ou de quem o represente; III domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações; IV formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908273/200988 Acórdão n.º 3801004.728 S3TE01 Fl. 16 6 V data e assinatura do requerente ou de seu representante. (grifouse) Deste modo, não há nos autos documentos que comprovem que o signatário do recurso voluntário tinha poderes para representar a recorrente no momento da interposição do recurso, logo este colegiado não pode conhecer do mesmo. Insistase, quando da apresentação do recurso voluntário ficou caracterizada a falta de procuração hábil para o signatário do aludido recurso. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em face de irregularidade na representação processual. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 13851.000476/2006-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento, sem alterar o decidido. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
Numero da decisão: 1401-001.294
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva Presidente
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento, sem alterar o decidido. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva.
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Embargos de Declaração conhecidos apenas para esclarecimento, sem alterar o decidido. Os Embargos de Declaração não são o veículo adequado para a discussão do inconformismo da Embargante, pois eventual inconformismo deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, CONHECER e REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 04 76 /2 00 6- 75 Fl. 2366DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Maurício Pereira Faro e Jorge Celso Freire da Silva. Relatório Tratase de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO interpostos pelo contribuinte em que se alega erro de fato, obscuridade e omissão no Acórdão nº 140100.680, proferidos por esta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF, que NEGARAM provimento ao recurso voluntário, nos termos das ementas abaixo: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. Os valores creditados em conta de depósito onde investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, caracterizamse como omissão de receitas. LUCRO ARBITRADO. NÃO APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS FISCAIS. O fato de o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos de escrituração comercial e fiscal, apesar de sucessivas e reiteradas intimações, autoriza o arbitramento do lucro. No caso dos autos, mesmo tendo optado pelo regime de tributação com base no lucro presumido, o contribuinte não apresentou os livros Caixa e Registro de Inventário. MULTA DE OFÍCIO. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. PERCENTUAL APLICÁVEL. Estando devidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, justificase a aplicação da multa de ofício no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento) (art.44, II, da Lei n° 9.430/96, redação à época dos fatos geradores). JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A partir de 1° de abril de 1995 é legítima a utilização da taxa SELIC no cálculo dos juros moratórios (Súmula CARFn°4). LANÇAMENTOS REFLEXOS. CSLL, PIS E COFINS. O decidido no lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ é aplicável aos autos de infração reflexos em face da relação de causa e efeito entre eles existente. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração Tributária. Impropriedades na sua emissão não invalidam o procedimento fiscal e não levam à nulidade de auto de infração regularmente lavrado. NORMAS VEICULADAS EM LEI. IMPOSSIBILIDADE DE SEREM AFASTADAS SOB FUNDAMENTO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Fl. 2367DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13851.000476/200675 Acórdão n.º 1401001.294 S1C4T1 Fl. 2.364 3 No âmbito do processo administrativo fiscal, é vedado ao órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade AMPLA DEFESA. CERCEAMENTO. NÃO OCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento de direito de defesa quando todas as "razoes de fato e de direito que interessam às autuações foram devidamente explicitadas nos autos de infração e Termo de Verificação Fiscal cientificados ao contribuinte. AÇÃO FISCAL. CRITÉRIOS DE SELEÇÃO DE CONTRIBUINTES. ATRIBUIÇÃO DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. A seleção de determinado contribuinte para a verificação do cumprimento de suas obrigações tributárias cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil, que decide por deflagrar a ação fiscal no momento que considere oportuno. IMPEDIMENTO. AUDITORFISCAL. ABUSO DE AUTORIDADE. À míngua de provas, não se acolhem as alegações de defesa relacionadas a suposto impedimento de agentes fazendários que participaram da ação fiscal, bem como ao suscitado abuso de autoridade. O Embargante sustenta ter havido "equívoco material no exame da prova'", tendo o acórdão embargado sido proferido "com base em premissas fáticas equivocadas". Os Embargos justificarseiam para forçar o prequestionamento para fins de interposição de eventual recurso especial. Aduziu várias alegações, objeto dos seguintes itens: (a) Existência de erros materiais; (b) Omissão quanto à apreciação da prova da coação ilegal e da presunção absoluta de abuso de poder, por violação à autoridade vinculante do STF; (c) Omissão ligada à tese de "ilicitude do meio de obtenção da prova", tais como a apreensão de documentos sem a lavratura do Termo exigido (art.35, Lei n° 9.430/96), e à ausência de decisão sobre o pedido de prova testemunhal apta a comprovar a coação ilegal no procedimento fiscal (dever de observância a tratados internacionais); (d) Omissão relacionada à nulidade por vício na descrição dos fatos; (e) Omissão quanto à aplicabilidade da Portaria COFIS n° 28/2002; (f) Omissão sobre a tese conclusiva; (g) Omissão a respeito da ausência de razões do voto vencido. Ao final requereu "...a retificação dos erros materiais ora aventados para, corrigindose as premissas fáticas equivocadas, sejam devidamente apreciadas as teses jurídicas aqui reprisadas, pois, embora tenham sido ventiladas nas razões recursais, restaram tais pontos totalmente omissos de ponderação pelo venerando Acórdão embargado". É o relatório. Fl. 2368DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 4 Voto Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator Atendidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento dos embargos de declaração. Sem razão a embargante. Conforme relatado foi desfilado uma série de omissões no Acórdão embargado. Como se demonstrará ao longo do voto, tratase de embargos declaratórios manejados com a única finalidade de insurgir contra o fato de o Acórdão embargado haver adotado entendimento diverso daquele que entende seja o correto. Os inconformismos estão bastante claros, entretanto, tal circunstância não comparece como motivo suficiente a viabilizar os embargos de declaração. Isso porque eventual inconformismo do embargante deve ser objeto de discussão nos meios processuais cabíveis, porquanto os embargos declaratórios não se prestam a modificar o julgado ou a responder questionamentos das partes. E ao longo dos embargos fica cada vez mais claro essa intenção, na medida em que os termos que são expressos os embargos estão recheados de terminologia que denunciam esse desiderato: Cabe ainda esclarecer, por relevante, que o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas como imagina a embargante, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto, como de fato foi feito. O livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Observese, a propósito, a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Ministro do STF Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497: “Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Nesse sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: (...) 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. Fl. 2369DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13851.000476/200675 Acórdão n.º 1401001.294 S1C4T1 Fl. 2.365 5 (...)Resp nº 394.768/DF, DJ 01/07/2002, pág. 247) 1. Inexiste violação ao art. 535, I e II do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. (...) AG Resp nº 109.122/PR, DJ 08/09/2003, p. 263.” Muito embora o que foi dito acima resguarde o julgador de atingir uma completude absoluta no deslinde da matéria, nem isso precisava aqui ser utilizado. Isso porque o ponto relevante de sua insurgência é no sentido de questionar Omissão quanto à apreciação da prova da coação ilegal e da presunção absoluta de abuso de poder, por violação à autoridade vinculante do STF. Isso se deu por meio de um manifesto erro matéria na análise das provas, em que culminouse por se configurar uma coação ilegal e abuso de poder por parte da Receita Federal, na medida em que engatilhou uma ação penal (ação cautelar penal de busca e apreensão de documentos) antes do deslinde do processo administrativo fiscal, o que vai de encontro a entendimento já sufragado pelo STF. Como se verá não há omissão alguma do julgado, pois foi enfrentado a matéria de forma completa, porém não com a conformação que a Embargante gostaria de ver. Pode haver até equívoco na análise da matéria de direito ou divergência na interpretação dos fatos, mas não há omissão. O Acórdão embargado foi bastante detalhado e profícuo, enfrentando a matéria no tópico principal denominado “Das ilicitudes na obtenção das provas”, que por sua vez foi subdividido em três outros subtópicos distintos: “Da coação das autoridades fiscais”; “Do abuso de autoridade” e “do art.83 da Lei n°9.430/96”. Das ilicitudes na obtenção das provas Da coação das autoridades fiscais Em extenso arrazoado, a defesa menciona supostas irregularidades cometida pela autoridade fiscal quando da obtenção da provas. Os argumentos podem assim ser resumidos: nos termos do art.5°, XII, da Constituição Federal, para que os extratos bancários pudessem ser utilizados como prova, necessária seria uma autorização judicial; os extratos bancários apenas teriam sido entregues pelo contribuinte em razão do "ambiente de coação" instalado, em um contexto de uma operação "...envolvendo mais de duas dezenas (cerca de 25) de Agentes Federais, dentre eles cerca de 14 agentes do Fisco Federal, em operação ostensiva e fortemente armada (ver fotos anexas)". Em tal operação, teria sido apreendida uma "...vastidão tão grande de documentos que sequer relacionouos, conforme manda a legislação vigente, mas utilizouos para coagir a contribuinte"; "Diante de tanto abuso cometido pelo FISCO FEDERAL DE ARARAQUARA, sobre a contribuinte, não haveria como esta não atender aos Fl. 2370DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 6 pedidos do Fisco, pois temia que nova conduta violenta fosse tomada por parte da fiscalização. E assim era ameaçada verbalmente pelos agentes da fiscalização, como pode ser comprovado por testemunhas do rol anexo"; o direito à prova não seria absoluto, sendo inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos, nos termos do art.50, LVI, da Constituição Federal; a execução do Mandado de Busca e Apreensão deveria ser cumprido apenas por servidores da Polícia Federal. Inicialmente, é importante esclarecer que a situação fática tratada nos autos não atrai a incidência do art.62A do Regimento Interno do CARF, que impõe o sobrestamento do julgamento sempre que houver o reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal de repercussão geral de questão constitucional versada em recurso extraordinário (art.543A do Código de Processo Civil). No caso sob exame, os extratos foram fornecidos pelo próprio contribuinte. No recurso extraordinário n° 601.314, em que se reconheceu a repercussão geral, discutese a constitucionalidade da possibilidade de o Fisco obter diretamente das instituições financeiras, sem prévia autorização judicial, os dados bancários. A respectiva ementa é esclarecedora: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS T REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO k~ CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Quanto à alegada coação no fornecimento dos extratos bancários, pra ser confirmada necessitarseia de algum elemento concreto, não de meras insinuações fundamentadas na realização de uma operação policial, em conjunto com a Receita Federal. No processo administrativo fiscal é imprescindível que a defesa não se limite a alegar fatos, devendo comproválos com documentação hábil. Dispõem os artigos 15, caput, e art.16, III, do Decreto n° 70.235/72: Ari. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (...) .. . Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n"8.748; de~l993). É relevante destacar que os extratos bancários sequer foram apreendidos em razão do tão mencionado Mandado de Busca e Apreensão, que no entender do recorrente deveria ter sido cumprido por policiais federais. Ao revés, foram disponibilizados pelo próprio contribuinte em 21/12/2005 (fl.38), em resposta a Termo de Intimação Fiscal devidamente lavrado durante o procedimento fiscal (fl.35) regularmente instaurado, não restando caracterizada, salvo prova em Fl. 2371DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13851.000476/200675 Acórdão n.º 1401001.294 S1C4T1 Fl. 2.366 7 contrário, qualquer coação de agentes do Fisco federal, inexistindo, portanto, a alegada ilicitude quanto à obtenção de tais provas. Do abuso de autoridade Novamente o recorrente valese da alegação de que o Mandado de Busca e Apreensão não poderia ter sido requisitado pelo Fisco, mas apenas pela Polícia Federal, fato que violaria os princípios da oficialidade e autoridade, afetos à persecução penal. Aduz que teria havido desrespeito à ordem judicial quando foi cumprida por agentes da Receita Federal, o que significaria usurpação das atribuições da polícia judiciária. Além disso, a apreensão de mercadorias de sua propriedade e de terceiros, mesmo com a apresentação de documentação a atestar a respectiva origem, já comprovaria a "intenção abusiva da fiscalização". Acrescenta que o "...fato da fiscalização, na abordagem inicial, vir cor força policial, configura a ação discricionária com abuso de poder, portanto ILEGAL, pois não há possibilidade prévia de embaraço, recusa, ou desacato à autoridade sem que se tenha feito o primeiro contato com a fiscalizada". A força excessiva empregada, caract i. da ^ jla atuação de pelo menos treze agentes fiscais e dez policiais federais diante de mera íeita de irregularidades, já evidenciaria o abuso. Conclui a defesa que, de acordo com a Lei n° 9.784/99, a Administração deveria obedecer aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade e proporcionalidade. Em conformidade com a Portaria SRF n° 3.007/01, em procedimentos fiscais não se poderia comprometer mais de vinte por cento da força de trabalho alocada em atividade de fiscalização, razão pela qual a diligência teria sido abusiva por ultrapassar tal limite. Como posto no próprio recurso voluntário, o fato de o Chefe da Fiscalização da DRFAraraquara (SP) ter remetido informações que entendeu relevantes ao Ministério Público Federal não se confunde com o que o sujeito passivo entendeu ser uma requisição de Mandado de Busca e Apreensão. No documento transcrito na peça recursal (fls.2.013/2.014), resta evidente que tal providência, como não poderia ser diferente, foi requerida pelo Ministério Público Federal no exercício de suas atribuições constitucionais. Na realidade, a insurgência do recorrente em sua essência diz respeito à forma de cumprimento de uma ordem judicial de busca e apreensão (v.g., qual autoridade deveria executála; legitimidade do auxílio de força policial; necessidade de contato prévio com a fiscalizada e efetivo de pessoal envolvido na operação, em especial agentes fiscais), o que no caso concreto não tem qualquer relevância, pois a autuação decorreu da constatação de omissão de receitas, tendo por base extratos bancários espontaneamente entregues.pelo contribuinte, ou seja, as provas que.lastrearam os autos de infração não foram apreendidas por determinação judicial. Pela mesma razão, também se mostra irrelevante identificar a origem de determinadas mercadorias. Mais uma vez, verificase que não trouxe o recorrente um único elemento a demonstrar o suposto abuso de autoridade perpetrado por algum agente fazendário, razão pela qual também não se acolhe tal preliminar. Do art.83 da Lei n°9.430/96 Fl. 2372DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 8 Repisa a defesa que apenas com a reclamação da Semp Toshiba, instaurouse o procedimento fiscal contra a Systech e seu sócio proprietário, tendo o Fisco remetido indevidamente, em razão de diversos dispositivos legais que visam a preservar o sigilo fiscal, informações fiscais e de movimentação de cartões de crédito ao Ministério Público Federal e ao Banco Central do Brasil, exatamente para que fosse obtido um Mandado de Busca e Apreensão. A fiscalização apenas poderia fornecer informações ao parquet federal mediante uma Representação Fiscal para Fins Penais, regulamentada pelo art.83 da Lei n° 9.430/96, "...que prescreve que a referida representação, somente será encaminhada ao Ministério Público após proferida a decisão final, na esfera administrativa, sobre a exigência fiscal do crédito tributário correspondente". Ilegal, portanto, sob a ótica do recorrente, a instauração Ainda de acordo com o recorrente, o pedido de busca e apreensão teria sido instruído exclusivamente com provas colhidas à margem da lei, sem autorização judicial. Acrescenta que faturas mensais emitidas pelos Correios, referentes a seus gastos com remessa de mercadoria via SEDEX, teriam sido obtidas ilicitamente. Conclui no sentido "...de se reconhecer como provas ilícitas, todas as informações fiscais, de movimentação financeira e de cartões de crédito, e das Faturas dos Correios, utilizadas ilegalmente pelo AUDITOR FISCAL para a instrução do Mandado de Busca e Apreensão, viciandoo de nulidade insanável, e consequentemente tornando NULA a própria ação fiscal e o processo fiscal dele resultante, pois como amplamente comprovado, a ação fiscal foi violenta, abusiva e i V/* ria". Como exposto no subitem anterior, as provas que fundamentaram os autos de infração não foram apreendidas por ordem judicial. Além disso, a discussão sobre a possibilidade de a Receita Federal do Brasil remeter dados a órgãos outros passa à margem do que se discute no presente processo fiscal, não sendo possível, a partir das colocações de defesa, identificar qualquer ilegalidade durante o procedimento fiscal ou no curso do processo. Quanto à Representação Fiscal para Fins Penais apenas poder ser encaminhada ao Ministério Público Federal após a conclusão do processo administrativo, não influencia na solução da controvérsia. Se a ideia do recorrente era demonstrar suposta ilegalidade na obtenção do tão mencionado mandado de busca e apreensão, voltase à conclusão anterior, de que os lançamentos dele não decorreram. Indeferese mais essa preliminar de nulidade. Como se vê o Acórdão embargado tratou minuciosamente da matéria e chegou à conclusão que não houve coação legal ou abuso de autoridade alguma. E, o mais importante, foi a conclusão certa ou errada que chegou o Acórdão no sentido de afirmar sempre a irrelevância da mencionada ilegalidade do indigitado mandado de busca e apreensão, de que os lançamentos dele não decorreriam, pois os extratos bancários foram entregues pelo próprio contribuinte de forma espontânea. Eis os exatos termos do Acórdão Embargado nesse aspecto: É relevante destacar que os extratos bancários sequer foram apreendidos em razão do tão mencionado Mandado de Busca e Apreensão, que no entender do recorrente deveria ter sido cumprido por policiais federais. Ao revés, foram disponibilizados pelo próprio contribuinte em 21/12/2005 (fl.38), em resposta a Termo de Intimação Fiscal devidamente lavrado durante o procedimento fiscal (fl.35) regularmente instaurado, não restando caracterizada, salvo prova em contrário, qualquer coação de agentes do Fisco federal, inexistindo, portanto, a alegada ilicitude quanto à obtenção de tais provas. Fl. 2373DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 13851.000476/200675 Acórdão n.º 1401001.294 S1C4T1 Fl. 2.367 9 Os supostos erros matérias aventados pela Embargante na análise da prova, não passam de mera divergência de interpretação de fatos do que ela considera ser a melhor interpretação a ser dada, mas isso não dá espaço para o acolhimento dos mesmos nas vias estreitas dos embargos declaratórios. Por todo o exposto rejeito essas omissão apontada A outra omissão, seria com relação à tese de violação ao art. 6º da Portaria COFIS nº 28 de 2002, que seria bem clara ao dispor que o “AFRF deverá restringirse ao proposto na operação fiscal, evitandose a extensão a outros exames” (art. 6º), ou seja, se o MPF previa a fiscalização apenas do IRPJ, seria inválido o lançamento sob as rubricas do PIS, COFINS e CSLL, uma vez que não teria ocorrido a exigida “emissão de Mandado de Procedimento Fiscal Complementar,[...], para ampliação do tributo ou período objeto do lançamento” (art. 7º, § único, Portaria COFIS nº 28 de 2002). A esse respeito, mais uma vez reiterese, por relevante, que o julgador não está obrigado a analisar especificamente todas as questões suscitadas como imagina a embargante, podendo basear o seu julgamento a partir das hipóteses que estão sub judice e com a legislação e entendimento doutrinário que considerar aplicável no caso em concreto, como de fato foi feito. O livre convencimento do julgador permite, inclusive, que uma decisão seja amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão, o que definitivamente não é o caso, simplesmente porque o voto do relator foi no sentido de considerar o MPF um ato meramente administrativo em que uma impropriedade em sua emissão não seria capaz de invalidade o procedimento administrativo. Eis a ementa do Acórdão a esse respeito: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ATO DE CONTROLE INTERNO. LANÇAMENTO. VALIDADE. A emissão do Mandado de Procedimento Fiscal MPF é um ato meramente administrativo, de controle interno da Administração Tributária. Impropriedades na sua emissão não invalidam o procedimento fiscal e não levam à nulidade de auto de infração regularmente lavrado. Outra omissão apontada, seria o pedido não analisado de produção de prova testemunhal (fls. 2.010), que também visava a comprovar e a reforçar a tese de coação no curso do procedimento fiscal. De fato, não foi abordado no Acórdão embargado, justamente porque cai naquela mesma situação de que o Relator não precisa enfrentar todo e qualquer argumento trazido em sua peça de defesa, mormente quando essa peça é deveras extensa, como é o caso. Ademais, vejase como o trecho da peça recursal (fls. 2010) trata a questão de forma secundária sem mesmo dar relevância ao pedido, se que se pode chamar isso de pedido de prova testemunhal, que digase de passagem, não encontra embasamento legal, na esfera administrativa: Fl. 2374DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO 10 Diante de tanto abuso cometido pelo FISCO FEDERAL DE ARARAQUARA, sobre a contribuinte, não haveria como esta não atender aos pedidos do Fisco, pois temia que nova conduta violenta fosse tomada por parte da fiscalização. E assim era ameaçada verbalmente pelos agentes da fiscalização, como pode ser comprovado por testemunhas do rol anexo Afasto também essa omissão apontada. Por fim, tratemos da última omissão apontada, que seria ausência do VOTO vencido, quanto a não incidência da multa qualificada de 150% no presente caso, o que cerceia o amplo direito de defesa da recorrente, na medida em que a mesma desconhece as razões da divergência; o que poderia obstaculizar, como de fato obstaculiza, o amplo exercício do direito de defesa, na medida em que isso dificulta a formulação de suas razões recursais à instância especial. Rejeito de plano essa suposta omissão, uma vez que não há qualquer mandamento legal ou regimental que obrigue a confecção de uma declaração de voto, ficando ao alvedrio do julgador que divergiu em uma matéria específica. Por todo o exposto, conheço e rejeito os embargos da contribuinte. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 2375DF CARF MF Impresso em 18/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 16/12/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10825.001510/2008-10
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL.
O contribuinte poderá deduzir do imposto apurado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos declarados, desde que apresente o comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte fornecido pela fonte pagadora ou outro documento equivalente que comprove o efetivo recolhimento.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2801-003.843
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente
Assinado digitalmente
José Valdemir da Silva Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araújo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: JOSE VALDEMIR DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O contribuinte poderá deduzir do imposto apurado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos declarados, desde que apresente o comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte fornecido pela fonte pagadora ou outro documento equivalente que comprove o efetivo recolhimento. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araújo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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COMPENSAÇÃO NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. O contribuinte poderá deduzir do imposto apurado no ajuste anual o imposto retido na fonte sobre os rendimentos declarados, desde que apresente o comprovante de rendimentos pagos e de retenção na fonte fornecido pela fonte pagadora ou outro documento equivalente que comprove o efetivo recolhimento. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para cancelar a infração de compensação indevida do imposto de renda retido na fonte, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente Assinado digitalmente José Valdemir da Silva – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araújo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 5. 00 15 10 /2 00 8- 10 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10825.001510/200810 Acórdão n.º 2801003.843 S2TE01 Fl. 119 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3a Turma da DRJ/SP2. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Conforme Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 24), o procedimento resultou na apuração da seguinte infração: Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte Glosa do valor de R$ 19.813,98, incidente sobre rendimentos declarados como recebidos da fonte pagadora Store Comércio e Serviços de Automação Ltda ME, CNPJ nº 65.785.404/000183. Cientificado em 12/06/2008 (fls. 31), o interessado insurgese contra o lançamento, mediante a impugnação de fls. 02/03, protocolada em 12/06/2008, alegando em síntese, ter apresentado todos os documentos solicitados no prazo legal. Afirma ainda que exerceu o cargo de diretor técnico e de operações, conforme registro em carteira profissional e não era responsável pelos pagamentos de impostos e tributos. Visando instruir o presente processo, foram juntados os documentos de fls. 35/42.. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, conforme acórdão de ( fls.43/46numeração digital), assim ementado a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IRRF. Para fazer jus à compensação, na declaração de ajuste anual, do imposto retido na fonte por empresa da qual era diretor à época da retenção, caberia ao contribuinte comprovar não só a retenção mas também o efetivo recolhimento do imposto. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado da decisão de 1a instância em 20.10.2011(fl.50numeração digital), o contribuinte apresentou recurso em 16.11.2011(fls.52/56numeração digital). Em sua defesa, argumentou em síntese o seguinte: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10825.001510/200810 Acórdão n.º 2801003.843 S2TE01 Fl. 120 3 ● Aduz que não figura no Contato social da empresa nem como sócio nem como Administrador não sócio. ● Apesar de constar em sua CTPS o registro de diretor Técnico e de Operações, sempre trabalhou no setor de Barra Bonita e a sede da empresa fica em São Paulo, onde funciona os setores de Pessoa, Contábil e Financeiro, como também a Administração. ●Que nunca teve posição de comando na empresa embora seu registro constasse o função de Diretor Técnico e de Operações, mas que seu trabalho limitavase as atividades de assistência técnica e instalação de rede de informática e equipamentos, consultoria e elaboração de programas. ● Por derradeiro pede seja dado provimento ao recurso para reconhecer o direito a restituição. É o Relatório Voto Conselheiro José Valdemir da Silva, Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cuida o presente lançamento de glosa de Imposto de Renda retido na fonte, cujo recolhimento não foi confirmado da fonte pagadora Store Comércio e Serviços de Automação Ltda. A autoridade fiscal glosou o imposto de renda retido na fonte sob alegação de que o contribuinte exercia as funções de Diretor Técnico e de Operações na fonte pagadora, portanto, era responsável solidário pelo recolhimento do imposto de renda descontado dos seus salários. Em tais circunstâncias, embora o Comprovante de Rendimentos e a DIRF apresentados pela fonte pagadora (fl.9e35) atestem a retenção de imposto de renda na fonte de R$ 19.813,98, incidente sobre rendimentos tributáveis incluídos na base de cálculo, de R$ 98.535,98, se faz necessário a apresentação da prova do recolhimento do imposto. O Recorrente alega que exerceu as funções de Diretor Técnico e de Operações no período de 01.07.2003 até 29.04.2006, pelo regime da CLT e recebia da empresa salário, conforme consta nos contracheques de (fls.14/18). Afirma ainda que não tinha competência para determinar pagamento de imposto ou outras atribuições de gerencia como também não pode ser responsável solidário pelo recolhimento dos mesmos, tendo em vista que a competência era dos dois únicos Sócios Administradores como consta no contrato social os srs. Wagner Tadeu Rodrigues e Vitória Recchia Rodrigues. Observase dos autos que consta na 3a Alteração Contratual/Consolidada arquivada na Junta Comercial do Estado de São PauloSP em 14.03.2011(fls.69/78), que a Fl. 120DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10825.001510/200810 Acórdão n.º 2801003.843 S2TE01 Fl. 121 4 empresa tinha dois sócios e que administração cabia aos mesmos, conforme demonstrado a seguir: Clausula Terceira. O capital social é de R$ 20.000,00 ( vinte mil reais), totalmente subscrito e integralizado e distribuídos entre os sócios: Wagner Tadeu Rodrigues.........19.800,00.................99% Vitória Rechhia Rodrigues............200,00................ 1% Total.........................................20.000,00 ...............100% Clausula quinta. A administração será exercida por ambos os sócios isoladamente, a eles competindo a representação ativa e passiva, judicial e extrajudicial, podendo inclusive constituir procuradores, sendolhes vedadolhes o uso da razão social em avais, fianças ou outras obrigações em favor de terceiros e estanhos ao objetivo social. Clausula Nona. Os sócios quando no desempenho de suas funções, terão direito a uma retirada mensal a título de pro labore dentro dos limites que estipularem, observada a Legislação do Imposto de Renda. A DRJ fundamentou sua decisão no art. 723, do Decreto 3.000/99, in verbis: Art. 723. São solidariamente responsáveis com o sujeito passivo os acionistas controladores, os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado, pelos créditos decorrentes do não recolhimento do imposto descontado na fonte (DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, art. 8º). Parágrafo único. A responsabilidade das pessoas referidas neste artigo restringese ao período da respectiva administração, gestão ou representação (DecretoLei no 1.736, de 1979, art. 8o, parágrafo único No presente caso, observase no contrato social da empresa, que o Recorrente não consta nem como sócio e nem como Administrador não sócio, portanto, não exerceu nenhum dos cargos elencados no art. 723. Assim sendo, verificase que o interessado foi admitido pela empresa Store Comércio e Serviços de Automação Ltda ME em 01 de julho de 2003 até 29.04.2006, no cargo de Diretor Técnico e de Operações,como revelam a cópia da Carteira de Trabalho e do Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho, Termo de Rescisão de Contrato, Recibo de férias e Contracheques de (fls14 e 19). A despeito da transcrição do art.135 do Código Tributário Nacional. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 121DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10825.001510/200810 Acórdão n.º 2801003.843 S2TE01 Fl. 122 5 I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; IIIos diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado È importante observa que, para a configuração da responsabilidade tributária, tal qual prevista no art. 135 do CTN, exigese que as obrigações tributárias surjam de atos praticados por quem administra a sociedade. Esta é a exegese que se constrói da leitura do inciso III do referido artigo que se refere a diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Cumpre, então, definir o que vem a ser administrador. O administrador é aquele que pratica atos de gestão, possuindo poder de decisão sobre a gerência administrativa da empresa. A ele é atribuído o comando financeiro e comercial da empresa, tendo, ainda, o poder de decidir sobre o recolhimento de tributos. Portanto, para fins de imputação da responsabilidade pessoal, não se pode considerar administrador o mero diretor de departamento técnico que sequer opina sobre questões financeiras.5 Desse modo, a responsabilidade pessoal apenas pode ser imputada ao sócio administrador. Se o sócio não é diretor, nem gerente e sequer pratica atos de gestão, não terá responsabilidade pelos atos da empresa.A jurisprudência, inclusive, confirmando tal entendimento, já decidiu que a responsabilidade pela prática de atos contrários à lei ou com excesso de mandato não se expande ao mero quotista/diretor da sociedade limitada, induzindo responsabilidade apenas de quem tenha administrado a sociedade Por conseguinte o Recorrente não exerceu no período que esteve vinculado a empresa Store Comércio e Serviços de Automação Ltda, conforme consta nos autos, nenhum cargo de Administrativo ou de Gerencia. Assim sendo, entendo devida a compensação do imposto renda retido na fonte da fonte pagadora Store Comércio e Serviços de Automação Ltda, Ante o exposto, voto dar provimento ao recurso para cancelar a infração de compensação indevida do imposto de renda retido na fonte Assinado digitalmente José Valdemir da Silva Fl. 122DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA Processo nº 10825.001510/200810 Acórdão n.º 2801003.843 S2TE01 Fl. 123 6 Fl. 123DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/20 14 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 14/12/2014 por JOSE VALDEMIR DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10247.000002/2006-63
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Feb 02 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ.
A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ.
CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL.
Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo.
COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE.
São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado.
No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matéria-prima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação.
EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS.
Tratando-se de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos:
1- Serviços Silviculturais;
2- Serviços Florestais Produção;
3- Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo:
3.1- Manutenção de Vias Permanentes;
3.2- Terraplanagem e Manutenção de Estradas;
3.3- Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal.
4- Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matéria-prima na fabricação de pasta de celulose;
5- Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado;
6- Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado.
Recurso Especial do Procurador Negado
Numero da decisão: 9303-003.069
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que dava provimento parcial. Fizeram sustentação oral a Dra. Maria Concilia de Aragão Bastos, Procuradora da Fazenda Nacional, e Dr. Renato Sodero Ungaretti, OAB/SP nº 154.016, advogado do sujeito passivo.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
Rodrigo Cardozo Miranda - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014.
Nome do relator: RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de insumos para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL. Insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matéria-prima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matéria-prima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratando-se de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1- Serviços Silviculturais; 2- Serviços Florestais Produção; 3- Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1- Manutenção de Vias Permanentes; 3.2- Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3- Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4- Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matéria-prima na fabricação de pasta de celulose; 5- Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6- Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que dava provimento parcial. Fizeram sustentação oral a Dra. Maria Concilia de Aragão Bastos, Procuradora da Fazenda Nacional, e Dr. Renato Sodero Ungaretti, OAB/SP nº 154.016, advogado do sujeito passivo. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 21; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2329; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 731 1 730 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10247.000002/200663 Recurso nº 142.996 Especial do Procurador Acórdão nº 9303003.069 – 3ª Turma Sessão de 13 de agosto de 2014 Matéria COFINS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JARI CELULOSE, PAPEL E EMBALAGENS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONCEITO DE INSUMO. PIS E COFINS NÃO CUMULATIVOS. CREDITAMENTO. CRITÉRIOS PRÓPRIOS E NÃO DA LEGISLAÇÃO DO IPI OU DO IRPJ. A legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. CONCEITO DE INSUMO. INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA, SISTEMÁTICA E TELEOLÓGICA. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. CRITÉRIO RELACIONAL. “Insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. COFINS. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. CUSTOS, DESPESAS E ENCARGOS VINCULADOS À RECEITA DE EXPORTAÇÃO. EMPRESA DE CELULOSE. São passíveis de ressarcimento os créditos de COFINS apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 7. 00 00 02 /2 00 6- 63 Fl. 731DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 732 2 relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matéria prima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. EMPRESA DE CELULOSE. CRÉDITOS RECONHECIDOS. Tratandose de uma empresa produtora de celulose, foram reconhecidos créditos com relação aos seguintes insumos: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado. Recurso Especial do Procurador Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso especial. Vencido o Conselheiro Júlio César Alves Ramos, que dava provimento parcial. Fizeram sustentação oral a Dra. Maria Concilia de Aragão Bastos, Procuradora da Fazenda Nacional, e Dr. Renato Sodero Ungaretti, OAB/SP nº 154.016, advogado do sujeito passivo. Fl. 732DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 733 3 Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. Rodrigo Cardozo Miranda Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Nanci Gama, Rodrigo da Costa Pôssas, Rodrigo Cardozo Miranda, Joel Miyazaki, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Ricardo Paulo Rosa (Substituto convocado), Maria Teresa Martínez López e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a teor do Memo. PRES/CARF S/N°, de 27 de maio de 2014. Relatório Cuidase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional (fls. 670 a 683) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 621 a 627), integrado pelo v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma da Terceira Câmara da Terceira Seção do CARF (fls. 652 a 666) que, por unanimidade de votos, indeferiu o pedido de perícia e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário. Referido processo cuida de pedido de ressarcimento de créditos de COFINS não cumulativo, previsto nos §§ 1º e 2º do artigo 6º da Lei nº 10.833/20031 relativo ao 4º trimestre de 2005, em decorrência da obtenção de receitas com exportação de mercadorias para o exterior (fls. 86). 1 Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica domiciliada no exterior, com pagamento em moeda conversível; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Fl. 733DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 734 4 De se destacar que esse pedido de ressarcimento, nos termos do dispositivo acima aludido, se refere a crédito apurado nos termos do artigo 3º do mesmo diploma legal. Ou seja, de acordo com todos os incisos do artigo 3º, incluindo os créditos calculados em relação ao descrito no seu inciso II: bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (...). Daí porque, mesmo tratando o caso especificamente de ressarcimento de COFINS nas receitas de exportação, é necessário adentrar na questão dos “insumos” para fins de creditamento. O pedido inicialmente foi deferido em parte pela Delegacia da Receita Federal em Monte Dourado – PA (fls. 343 a 358), ao fundamento que o crédito do COFINS somente alcança os insumos diretamente ligados à produção específica de celulose (produto final a ser vendido), e não aos insumos referentes à parte florestal, à madeira, que é insumo da celulose. Com isso, foram indeferidos os créditos relativos aos seguintes gastos: (i) despesas com bens do ativo imobilizado; (ii) despesas relativas à parte florestal; (iii) despesas relativas à manutenção de equipamentos; (iv) despesas relativas ao tratamento de água e a geração de energia elétrica comercializados aos moradores da Vila Monte Dourado, não utilizados no processo industrial; e (v) despesas com produtos e serviços pósprodução. Referida decisão foi impugnada através de Manifestação de Inconformidade apresentada pela contribuinte (fls. 374 a 388), em que se alegou, em síntese, conforme relatório apresentado na Colenda Delegacia Regional de Julgamento em Belém – PA, o seguinte, verbis: a) Tem direito ao crédito da Cofins sobre os valores de insumos empregados na produção da sua própria matériaprima, destinada a produção de celulose, de acordo com o previsto na Lei n. 10.833/2003 e parágrafo 12 do art. 195 da CF. b) Seu processo produtivo, que tem como produto final a pasta química de madeira, conhecida como celulose, dividese em três etapas, através das quais verticalizou a produção, por estratégia de mercado: a primeira etapa consiste na produção da madeira em suas áreas de reflorestamento; a segunda no corte das árvores e preparação das mesmas para a extração da celulose (onde são descascadas, picadas e transformadas em cavacos) e a terceira etapa consiste no cozimento dos cavacos em soluções alcalinas de onde se obtém a fibra celulósica. Esclarece que produz produtos químicos consumidos e reaproveita resíduos obtidos no processo. c) Entende que os custos advindos do emprego de bens e de serviços na sua atividade florestal enquadramse no conceito de insumos para a produção da pasta química de madeira (celulose), comercializada pela defendente, devendo, portanto, ser admitidos como passíveis de creditamento na apuração da Cofíns. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 735 5 d) Se a defendente adquirisse a madeira de terceiros não teria havido questionamento e o benefício seria admissível, o que seria uma violação ao princípio da igualdade. Tal entendimento não se encontraria presente na Lei n. 10.833/2003, que previria em seu art. 3o a possibilidade de se creditar todos os bens e serviços utilizados desde o início do processo produtivo ou de fabricação. e) A decisão desconsiderou ainda o direito ao aproveitamento do crédito da Cofms (sic) calculado sobre a contratação do frete relacionado à comercialização da produção da pasta de celulose, bem como a prestação de serviços por ela contratados para a manutenção de seu parque fabril, nos termos da fundamentação utilizada no relatório do levantamento de crédito preparado. A própria SRF já emitiu posicionamento favorável ao aproveitamento dos créditos na contratação de serviços de frete, conforme Solução de Consulta n. 1, de 13/01/2004, da SRRF 2ª RF. f) Já com relação aos créditos apurados sobre os custos da prestação de serviços da manutenção do parque fabril da Defendente, restaria claro que sem a realização de tal manutenção as atividades relacionadas à produção de celulose ficariam seriamente prejudicadas, razão pela qual tais créditos deveriam ser reconhecidos. g) Sobre o crédito relacionado ao presente processo administrativo deveria ser aplicada a taxa Selic desde a data da apresentação do respectivo pedido de ressarcimento, conforme art. 39, § 4º, da Lei n. 9.250/95 e entendimento da CSRF, do Conselho de Contribuintes. Entendimento contrário ofenderia o princípio da isonomia, tendose em vista que a SRF faz uso de tal taxa para a atualização de seus créditos. (grifos e destaques nossos) O pedido formulado nessa Manifestação de Inconformidade, no entanto, foi indeferido pela Colenda DRJ de Belém – PA através de v. acórdão que possui a seguinte ementa (fls. 413 a 420): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Somente podem gerar créditos da Contribuição as despesas com matériaprima, produto intermediário, material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. Fl. 735DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 736 6 Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, bem como na compensação de referidos créditos. Solicitação Indeferida (grifos nossos) Contra essa decisão foi interposto Recurso Voluntário (fls. 423 a 438) em que se reiterou todos os termos da Manifestação de Inconformidade apresentada anteriormente. Esse recurso voluntário, então, foi provido parcialmente em v. acórdão proferido pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, notadamente para aceitar a inclusão dos insumos no cálculo do crédito passível de ressarcimento, mantida a glosa relativa aos créditos da venda de energia elétrica, de venda de água e de manutenção do parque fabril. Esse v. acórdão, por sua vez, foi objeto de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional (fls. 631 a 636) quanto às despesas de manutenção do parque fabril da empresa interessada. E isso porque a r. decisão embargada, na esteira do voto condutor, teria concluído que não concederia referidos créditos, mas, em seguida, contraditoriamente, acabou por concedêlos. A Colenda 2ª Turma da 3ª Câmara da 3ª Seção então decidiu, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração para rerratificar o v. acórdão embargado, sanando a contradição apontada. Ou seja, reconheceu que as despesas de manutenção do parque fabril não ensejam o creditamento. Essa decisão, no entanto, não implicou em modificação do entendimento esposado anteriormente. Assim, a ementa desse julgado, sanando a contradição apontada pela Fazenda Nacional, passou a ser a seguinte (fls. 652): Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO. RESSARCIMENTO. São passíveis de ressarcimento os créditos de Cofins apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, inclusive os relativos à produção de matériaprima usada na fabricação do produto exportado. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para a incidência da taxa Selic ou para atualização dos valores objeto de ressarcimento. ERRO. CONTRADIÇÃO. OCORRÊNCIA. Uma vez constatado erro ou contradição no Acórdão embargado, impõe a sua correção em homenagem à boa aplicação da legislação tributária. Embargos Acolhidos. Acórdão Reratificado. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 737 7 Nessa oportunidade, o Ilustre relator, Conselheiro Walber José da Silva, destacou: (...) Em síntese, tem a recorrente direito ao ressarcimento dos créditos de Cofins dos seguintes custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; (grifos e destaques nossos) Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o já mencionado Recurso Especial, apontando divergência jurisprudencial e propugnando que apenas podem ser considerados insumos para fins de cálculo do crédito referente à COFINS nãocumulativa aqueles elencados no art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, nos termos da IN SRF nº 247, de 2002, como exatamente decidiu a r. decisão de 1ª instância. Além disso, no tocante às despesas de “pósprodução”, apontou ofensa ao disposto no artigo 3º da Lei nº 10.833/2003 e ao artigo 111 do CTN, posto que, no seu entendimento, em razão do creditamento da COFINS ser um benefício fiscal, deveria ser interpretado restritivamente. O recurso foi admitido através do r. despacho de fls. 691 a 692. Contrarrazões às fls. 695 a 701, onde se propugnou pela manutenção do v. acórdão recorrido. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 738 8 É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o recurso especial deve ser conhecido. No tocante ao mérito, porém, ele não merece acolhimento, notadamente porque a legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios para a conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que, além disso, também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. Deveras, quanto ao critério de creditamento para o PIS e a COFINS não cumulativos, entendo que é preciso, inicialmente, fazer um breve apanhado histórico da legislação e da jurisprudência judicial e administrativa. Com efeito, mister lembrar que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, desde o julgamento do Recurso Extraordinário nº 150.764 e da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 1, sempre foi de que a base de cálculo do PIS e da COFINS era o faturamento, equivalente à receita bruta, que por sua vez era o total de receitas auferidas com a venda de mercadorias ou de mercadorias e serviços. As alterações na legislação dos referidos tributos, por outro lado, inicialmente com a Lei nº 9.718/98, e, posteriormente, com a Emenda Constitucional nº 20/98 e as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, foram explícitas no sentido de instituir tributação sobre a totalidade das receitas, independente da sua classificação contábil. A Emenda Constitucional nº 42/2003, por fim, endereçou especificamente a questão da não cumulatividade para o PIS e a COFINS, apontando que a lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. Ou seja, com o advento da sistemática nãocumulativa, buscouse alcançar a totalidade de receitas auferidas pela pessoa jurídica. Verificase, portanto, que houve uma nítida ampliação da base de cálculo através da alteração do conceito de “receita bruta”: de “total de receitas auferidas com vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços” passouse para a totalidade de receitas, mais especificamente para “a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Isso, por sinal, aliado a um aumento da alíquota combinada, na sistemática cumulativa, de 3,65% para 9,25%, ou seja, um aumento de quase 300%! Fl. 738DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 739 9 A contrapartida dessa ampliação da base de cálculo (totalidade de receitas) e da majoração da alíquota (de 3,65% para 9,25%) foi exatamente a possibilidade de tomada de créditos. Nesse sentido, se ampliada a base de cálculo para alcançar a totalidade das receitas, a interpretação que se afigura razoável, a nosso sentir, é a seguinte: se o legislador quis alcançar todas as receitas, justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento. Em outras palavras, no nosso entendimento, todas as despesas incorridas para obtenção das receitas tributadas deveriam ser consideradas como “insumo” para fins de creditamento. É certo, no entanto, que a própria legislação traz limites quanto às receitas tributáveis, conforme se verifica nos próprios parágrafos do artigo 1º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Não integram a base de cálculo, por exemplo, as receitas referentes às vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos. Por outro lado, da mesma forma as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 também trazem limites quantos às despesas passíveis de creditamento, notadamente no seus respectivos artigos 3ºs. É importante ressaltar que, a nosso ver, a linha mestra de interpretação quanto às despesas que geram créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis alcançar todas as receitas (com as limitações previstas em lei), justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento (respeitadas as limitações previstas em lei). A legislação estabeleceu nitidamente um vínculo relacional entre receitas e despesas para atender à sistemática não cumulativa, justificando e permitindo, assim, a ampliação da base de cálculo e a majoração da alíquota. Chegamos a tal conclusão, a propósito, com esteio na análise da própria legislação, tirando daí que o critério para a conceituação de “insumo” não deve vir nem da legislação do IPI e tampouco da legislação do IRPJ, ao contrário do posicionamento esposado em precedentes do CARF.2 2 A) Insumo para PIS/COFINS = legislação IPI Acórdão 20312.469 da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (Relator Cons. Odassi Guerzoni Filho): O aproveitamento dos créditos do PIS no regime da não cumulatividade há que obedecer às condições específicas ditadas pelo artigo 3° da Lei n° 10.637, de 2002, c/c o artigo 66 da IN SRF n° 247, de 2002, com as alterações da IN SRF n° 358, de 2003. Incabíveis, pois, créditos originados de gastos com seguros (incêndio, vendaval etc.), material de segurança (óculos, jalecos, protetores auriculares), materiais de uso geral (buchas para máquinas, cadeado, disjuntor, calço para prensa, catraca, correias; cotovelo, cruzetas, reator para lâmpada), peças de reposição de máquinas, amortização de despesas operacionais, conservação e limpeza, e manutenção predial. No caso do insumo "água", cabível a glosa pela ausência de critério fidedigno para a quantificação do valor efetivamente gasto na produção. Insumos: buchas de máquina, cadeado, caixa para disjuntor, calço para prensa, peças de reposição, material de segurança, seguros, água, amortização de gastos préoperacionais, água sanitária, cloro, desinfetante, lâmpadas, tomadas, carimbos, gás, entre outros. Fl. 739DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 740 10 Nesse sentido, aliás, é o atual entendimento desta Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, representado em dois julgamentos relativamente recentes. O primeiro, da relatoria do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, foi um verdadeiro marco, pois firmou neste Colendo Colegiado o entendimento de que o conceito de insumos para PIS e COFINS diz respeito a critérios próprios decorrentes da sua própria legislação, não se equiparando aos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem previstos na legislação do IPI: Acórdão n° 930301.036 – Rel. Cons. Henrique Pinheiro Torres A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento de Cofins às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Insumos: combustíveis, lubrificantes e custos com remoção de resíduos industriais Atividade da empresa: indústria de couros, tapetes, painéis e estofados O segundo, da relatoria da Ilustre Conselheira Nanci Gama, serviu para reforçar o entendimento adotado anteriormente, propiciando, após as luzes que a publicação do acórdão acima citado lançou sobre o assunto, que este Colendo Colegiado expusesse com mais detalhes o seu posicionamento. Com isso, restou consolidado que será necessária a análise de cada caso para se definir, na hipótese específica, considerando o processo produtivo dos bens e serviços, quais despesas que dão azo ao creditamento: Atividade da empresa: Fabricação de calçados B) Insumo para PIS/COFINS = legislação IRPJ Acórdão n° 320200.226 da 2ª Turma da 2ª Câmara da Terceira Seção de julgamento do CARF (Relator Cons. Gilberto de Castro Moreira Júnior): O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Insumos: serviços efetuados sob encomenda para empresa preponderantemente exportadora, materiais para manutenção de máquinas e equipamentos, energia elétrica, crédito sobre estoques de abertura existentes no momento do ingresso no sistema não cumulativo. Atividade da empresa: provavelmente fabricação de móveis Fl. 740DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 741 11 Acórdão nº 9303 01.740 – Rel. Cons. Nanci Gama COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO. ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. Insumos: indumentária exigida por lei. Atividade da empresa: indústria de alimentos. Por outro lado, mister ressaltar que o entendimento de que a legislação previu critérios próprios para o creditamento e, além disso, nitidamente estabeleceu um vínculo relacional entre receitas e despesas para atender à sistemática não cumulativa, é reforçado pela própria análise do artigo 3º e dos seus vários parágrafos. O caput do artigo 3º e os seus incisos limitam o que pode ser tomado como crédito, notadamente através dos “insumos” utilizados na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do seu inciso II: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 741DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 742 12 III energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004); VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.198, de 8 de janeiro de 2009) Parecenos, assim, que as despesas incorridas na produção de bens e serviços, em geral, tal como as mercadorias adquiridas para revenda, devem dar direito a créditos de PIS e COFINS para atendimento da sistemática nãocumulativa. Além disso, outras despesas não diretamente vinculadas às mercadorias adquiridas para revenda, ou não incorridas na produção de bens e serviços, também dão ensejo ao creditamento. Tais gastos são aqueles previstos nos incisos III a X acima transcritos. Os parágrafos 1º, 2º e 3º, por sua vez, trazem exatamente os limitadores a essa possibilidade de tomada de créditos de forma generalizada (lembrando que, em princípio, se a lei quis alcançar a totalidade de receitas, justo que a totalidade de despesas incorridas para se obter tais receitas seja passível de creditamento): § 1º Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) Fl. 742DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 743 13 I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos III a V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; IV dos bens mencionados no inciso VIII do caput, devolvidos no mês. § 2º Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. Os parágrafos 7º, 8º e 9ª trazem critérios para apuração de créditos quando o contribuinte encontrase sujeito ao recolhimento do PIS e da COFINS nas sistemáticas cumulativa e nãocumulativa, corroborando nosso entendimento de que todas as despesas incorridas para obtenção de receitas, em princípio, com as limitações previstas em lei, devem dar azo ao creditamento. Referidos dispositivos são explícitos ao apontar que devem dar créditos os custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas (por certo as receitas objeto de tributação). Ou seja, não deve haver limitação, salvo as previstas na própria lei: § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 744 14 § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7º e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. § 9º O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8º, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. Deveras, se não fosse assim, por que se admitiria o creditamento de todos os custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas nas hipóteses de rateio, e, ao contrário, não se admitiria a tomada de créditos quando a tributação se dá apenas pela sistemática não cumulativa? Além disso, ressaltando que o creditamento deve se dar de forma ampla, observando apenas os limites previstos na própria legislação, é de se destacar que tais créditos não se podem limitar aos “custos” de produção, visto que a lei, em diversas passagens (parágrafos 3º, 7º e 8º transcritos acima) dispõe que os “custos, despesas e encargos” dão direito a crédito. Por conseguinte, em face de todo o exposto, entendemos que a linha mestra de interpretação quanto às despesas que geram créditos de PIS e COFINS só pode ser uma: se o legislador quis alcançar todas as receitas, justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento, observadas as limitações postas pela própria lei. Não cabe ao intérprete, assim, impor limites além do que a lei já o fez. Especificamente no caso da empresa Jari Celulose, é certo que o § 3º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 segue a mesma linha dos §§ 7º, 8º e 9º do artigo 3º: Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 745 15 § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2º A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 3º O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. (grifos e destaques nossos) Nesse sentido, portanto, não merece reparo o voto proferido pelo Ilustre relator, Conselheiro Walber José da Silva, no caso da Jari Celulose, ao entender que todo e qualquer "custo, despesa ou encargo" vinculado à receita de exportação, desde que legalmente gere crédito, pode ser objeto de pedido de ressarcimento. A propósito, o Ilustre relator do v. acórdão recorrido acrescentou que o § 3º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 não deixa dúvida de que os créditos apurados na forma do artigo 3º da Lei nº 10.833/2003, passíveis de ressarcimento, são aqueles “apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação”, e não somente os relativos aos insumos usados no processo produtivo do bem exportado, conforme entendeu a r. decisão da DRJ. Vale destacar, aqui, pela sua clareza e percuciência, a fundamentação do Ilustre Conselheiro relator, verbis: (...) Portanto, a despesa realizada que gera direito a crédito de PIS passível de ressarcimento é aquela vinculada à receita de exportação. Basta isto. Porque é só isto que a lei exige. Não somente os créditos de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem empregados na fabricação do produto exportado podem ser ressarcidos. Todo e qualquer "custo, despesa ou encargo" vinculado à receita de exportação, desde que legalmente gere crédito, na forma prevista no art. 32 da Lei nº 10.833/03, pode ser objeto de pedido de ressarcimento previsto no art. 52 da Lei nº 10.637/02. Mais ainda, a vinculação da despesa com a receita de exportação não guarda relação exclusivamente com o processo fabricação ou produção do bem exportado. A despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção ou a Fl. 745DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 746 16 fabricação do bem exportado, a exemplo da despesa com frete de insumos e armazenagem de mercadorias acabas (inciso IX do art. 32 da Lei nº 10.833/03). No caso da recorrente, as despesas com a implantação, manutenção e exploração de florestas (ou produção de madeira) estão, sim, vinculadas ao produto exportado (celulose). A produção e a exportação de celulose somente é possível com a utilização de madeira na sua fabricação, sua principal matériaprima. As despesas incorridas na obtenção de madeira empregada no processo produtivo (produção própria ou aquisição de terceiros) são custos ou despesas de produção e estão, inexoravelmente, vinculados à receita de exportação. Portanto os respectivos créditos de Cofins são passíveis de ressarcimento. Claro que os insumos empregados na produção de madeira (defensivos agrícolas, fertilizantes, serviço de corte, etc), os fretes dos insumos e os combustíveis vinculados à produção de madeira dão direito ao crédito da Cofins (arts. 3º, II, e 15 da Lei n 10.833/03). Estando estes custos de produção de madeira vinculados à receita de exportação de pasta de celulose, os respectivos créditos são passíveis de ressarcimento, como acima se disse. Quanto às despesas com a manutenção do parque fabril próprio entendo que não há previsão legal para o crédito com estes dispêndios. Obra de construção civil (prédios, estradas, etc) não é insumo. A previsão é para as despesas com depreciação das edificações e benfeitorias realizadas em prédio próprio ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa, conforme dispõe o inciso VII do art. 3º e seu § lº, inciso III, da Lei nº 10.833/03. Em síntese, tem a recorrente direito ao ressarcimento dos créditos de Cofins dos seguintes custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação: 1 Serviços Silviculturais; 2 Serviços Florestais Produção; 3 Outros Serviços Florestais, exceto os seguintes serviços, por não se enquadrarem no conceito de insumo: 3.1 Manutenção de Vias Permanentes; 3.2 Terraplanagem e Manutenção de Estradas; 3.3 Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. 4 Despesas com fertilizantes, formicida, Herbicida, Calcário, Vermiculita e outros insumos, e os respectivos fretes, Fl. 746DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 747 17 combustíveis e lubrificantes, utilizados na produção de madeira usada como matériaprima na fabricação de pasta de celulose; 5 Serviços industriais, ou seja, as despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos industriais (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; 6 Despesas realizadas com a manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas (partes, peças e serviços de manutenção), desde que não incorporados ao ativo imobilizado; (grifos e destaques nossos) Mas não é só isso. Correta a Colenda Turma a quo ao corroborar o entendimento de que a despesa pode ser incorrida antes ou depois de realizada a produção ou fabricação do bem colocado à venda e tributado, ou, no caso específico, do bem exportado. Aliás, vale lembrar que no precedente desta Colenda Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais da relatoria do Ilustre Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, citado anteriormente, se cuidou de creditamento exatamente de despesas incorridas depois da produção, quais sejam, despesas incorridas com tratamento de efluentes industriais decorrentes do processo produtivo de uma indústria de couro. Referidas despesas, decerto, são imprescindíveis ao processo produtivo do couro, até mesmo por questões ambientais, mas não são necessárias ao processo produtivo em si. Portanto, reiteramos que a linha interpretativa a ser adotada deve ser no sentido de que, quanto ao PIS e COFINS não cumulativo e a sistemática de creditamento, se o legislador quis alcançar todas as receitas (com as limitações previstas em lei), justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas (no caso, receitas de exportação) devem ser passíveis de creditamento (respeitadas as limitações previstas em lei). O critério é relacional entre despesas incorridas e receitas auferidas e tributadas, considerando o processo de produção específico de cada indústria. Isso inclui, no caso, não só os gastos incorridos na produção da celulose, mas também na produção da madeira que lhe servirá de insumo. Assim, os gastos incorridos com os chamados “insumos dos insumos”, que no caso são aqueles necessários para a produção da madeira que, no momento seguinte, entrará no processo produtivo da celulose, indubitavelmente devem ser considerados para atendimento da sistemática não cumulativa. Se assim não fosse, o industrial que produz o seu insumo próprio, no caso a madeira, seria prejudicado e, com isso, seria preferível adquirila de terceiros ao invés de produzila. Nesse ponto, vale destacar as seguintes observações de Eduardo Borges expostas no artigo “Os Créditos de PIS e COFINS na Indústria de Papel e Celulose. O Caso das Florestas Próprias”, 3 que foram certeiras quanto à representatividade da madeira e dos respectivos gastos incorridos na sua produção como insumos, ainda que indiretos, da celulose: 3 In “Tributação no Agronegócio”, Eduardo Borges, coordenador. Editora Quartier Latin, São Paulo, 2005. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 748 18 (...) 4.3. A madeira pode ser adquirida pela indústria de celulose e papel, mas também pode ser produzida em florestas próprias – caso objeto do presente estudo. Na produção e obtenção da madeira, são indispensáveis, especialmente, os seguintes insumos: a) sementes; b) mudas (que podem ser adquiridas ou produzidas a partir de sementes); c) tubetes, bandejas e água para o cultivo de mudas; d) hormônios para o desenvolvimento de mudas; e) serviço de formação e clonagem de mudas em viveiros; f) serviço de preparação da terra; g) corretivos de solo; h) serviço de plantio de mudas; i) adubos, fertilizantes; j) defensivos, pesticidas e inseticidas (artificiais ou orgânicos); k) serviço de conservação da floresta (capinagem, desgalhamento, etc); l) culturas biológicas contra insetos predadores; m) serviço de colheita das árvores; n) serviço de transporte das árvores. 4.4. Os insumos acima estão intrinsecamente ligados ao insumo ‘madeira’ que, por sua vez, está intrinsecamente Fl. 748DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 749 19 ligado à produção da celulose e do papel, como visto acima. Sendo assim, tais insumos devem ser considerados insumos mediatos da produção da celulose e do papel, como visto acima. E portanto, desde que a receita da sua venda seja tributada pelo PIS e pela COFINS, a sua aquisição pela indústria de celulose e papel ensejará o aproveitamento do crédito de tais contribuições, calculado sobre o valor dos referidos insumos à alíquota aplicável à receita da venda da celulose ou do papel, no mês da aquisição de tais bens. (...) (grifos nossos) Nessa linha de entendimento, nossa única discordância quanto ao voto proferido pelo ilustre Conselheiro relator no julgado em análise é quanto ao não creditamento das despesas incorridas a título de Serviço de Pesquisa/Desenvolvimento/Planejamento/Controle Florestal. Com efeito, tais gastos também deveriam ser incluídos no conceito de insumo para fins de creditamento, pois visam a obtenção de insumo melhor e, por consequência, visam também a melhora do processo produtivo da celulose. Todavia, como se trata de recurso especial da Fazenda Nacional, não há o que se reparar no v. acórdão recorrido. Portanto, em linhas gerais, a fundamentação exposta no v. acórdão recorrido vai ao encontro do nosso entendimento, detalhado acima. Fl. 749DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 750 20 CONCLUSÃO Em suma, a legislação do PIS e da COFINS não cumulativos estabelece critérios próprios quanto à conceituação de “insumos” para fins de creditamento. É um critério que se afasta da simples vinculação ao conceito do IPI, presente na IN SRF nº 247/2002, e que também não se aproxima do conceito de despesa necessária prevista na legislação do IRPJ. Nesse sentido, quanto ao PIS e COFINS não cumulativos e à sistemática de creditamento, se o legislador quis alcançar todas as receitas (com as limitações previstas em lei), justo que todas as despesas incorridas para gerar tais receitas devem ser passíveis de creditamento (respeitadas as limitações previstas em lei). O critério é relacional entre custos, despesas e encargos incorridos e as receitas auferidas e tributadas, considerando o processo de produção específico de cada indústria. Portanto, “insumo” para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. No caso das indústrias de celulose, isso implica admitir não só os gastos incorridos na produção direta da celulose, mas também na própria produção da madeira que lhe serve de insumo. Assim, todos os gastos incorridos como “insumos dos insumos”, que no caso são aqueles necessários para a produção da madeira, devem ser considerados para atendimento da sistemática não cumulativa. Não faz sentido permitir o creditamento quando se compra a madeira e impedilo quando se incorre em gastos, por exemplo, no planejamento de plantio e investimento em tecnologia de produção da madeira, sendo que todos eles têm como objetivo incrementar a produção de celulose. Por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. Rodrigo Cardozo Miranda Fl. 750DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA Processo nº 10247.000002/200663 Acórdão n.º 9303003.069 CSRFT3 Fl. 751 21 Fl. 751DF CARF MF Impresso em 02/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 13/09/2014 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA
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Numero do processo: 15540.000382/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jan 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
PRAZO DECADENCIAL.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo dolo, fraude ou simulação do contribuinte, havendo antecipação de pagamento do tributo, ainda que parcial, o prazo decadencial tem início com a ocorrência do fato gerador, caso contrário, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ em recurso submetido ao regime do art. 543-C do CPC.
Em 10/12/2007, data da ciência do lançamento, estava extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do período de 01/97 a 12/97.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência.
Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente
Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Daniele Souto Rodrigues. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência. Julio Cesar Vieira Gomes- Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis- Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Daniele Souto Rodrigues. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é o regido pelo Código Tributário Nacional, nos termos da Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. Salvo dolo, fraude ou simulação do contribuinte, havendo antecipação de pagamento do tributo, ainda que parcial, o prazo decadencial tem início com a ocorrência do fato gerador, caso contrário, no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Precedente do STJ em recurso submetido ao regime do art. 543C do CPC. Em 10/12/2007, data da ciência do lançamento, estava extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do período de 01/97 a 12/97. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 54 0. 00 03 82 /2 00 7- 16 Fl. 762DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário por decadência. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Daniele Souto Rodrigues. Ausente, justificadamente, o conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000382/200716 Acórdão n.º 2402004.448 S2C4T2 Fl. 763 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1219.058 da 11ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Rio de Janeiro I (RJ), fl. 680702, com ciência ao sujeito passivo em 21/05/2008, que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado sob o Debcad no 37.007.0240, do qual o sujeito passivo foi cientificado pessoalmente em 10/12/2007, fl. 3. De acordo com o relatório fiscal de fl. 7376, o lançamento trata de exigência das contribuições patronais devidas para a Seguridade Social, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, e aos terceiros (salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC, SEBRAE), incidentes sobre os pagamentos feitos aos segurados a título de alimentação, sem adesão ao Programa de Alimentação ao Trabalhador (PAT), no período de 01/1997 a 12/1997. A autuada impugnou o lançamento, alegando, em preliminar, decadência e, no mérito, que não incide contribuição sobre as parcelas pagas a título de alimentação. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. Em 20/08/2008, a autuada interpôs recurso, fl. 722752, apresentando suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são: Em preliminar alega tempestividade do recurso, tendo recebido a intimação em 15/08/2008 em razão de greve dos correios, de modo que o prazo se iniciou em 18/08/2008, segundafeira. Suscita decadência e invalidade do lançamento em razão da ausência de discriminação clara e precisa dos fatos geradores. No mérito, alega que o fornecimento de alimentação ao trabalhador não integra o salário de contribuição porque o trabalhador paga pela refeição oferecida na sede da recorrente. Além disso, a base de cálculo é equivocada porque considera o salário de cada empregado e não o valor do salário mínimo, conforme disposto no art. 458 § 1o da CLT. Com base no exposto, pede o cancelamento do crédito tributário lançado. Sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, os autos foram enviados a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 764DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Admissibilidade O despacho da Agência da Receita Federal do Brasil em São Gonçalo (RJ) às fl. 756 esclarece que o recurso é tempestivo. Com base nisso e considerando que estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso. Preliminar de Decadência Sobre a decadência das contribuições previdenciárias, o Supremo Tribunal Federal editou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO”. Afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, aplicase o regime de decadência do Código Tributário Nacional (CTN) às contribuições previdenciárias e às devidas aos terceiros. Na sistemática do CTN, inexistindo antecipação de pagamento pelo sujeito passivo, ainda que parcial, considerase o termo inicial para contagem do prazo decadencial o disposto no inciso I do art. 173: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (...) A segunda regra, prevista no § 4º do art. 150 do CTN, abaixo transcrito, é aplicável quando há pagamento, ainda que parcial, exceto quando constatada fraude, dolo e simulação, caso em que deve ser adotada a regra anterior. Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto Fl. 765DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 15540.000382/200716 Acórdão n.º 2402004.448 S2C4T2 Fl. 764 5 o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Em síntese, para se determinar o dies a quo, é necessário verificar se houve ou não pagamento antecipado. Caso a resposta seja afirmativa, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador, caso contrário, será de cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. Este é o entendimento firmado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em sede de recurso repetitivo (REsp nº 973733/SC, Min. Rel. Luiz Fux, DJe 18/09/2009), que, por força do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22/06/2009, deve ser reproduzido nas turmas deste Conselho. O lançamento em exame referese ao período de janeiro de 1997 a dezembro de 1997. Não consta dos autos informação de que houve antecipação de pagamento, ainda que parcial, fazendo incidir a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Por conseguinte, o prazo decadencial das competências 01/1997 a 11/1997 teve início em 1o de janeiro de 1998 e encerrouse em 31 de dezembro de 2002 e o prazo decadencial da competência 12/1997 teve início em 1o de janeiro de 1999 e encerrouse em 31 de dezembro de 2003. O sujeito passivo teve ciência pessoal do lançamento somente em 10 de dezembro de 2007, f. 03, após o decurso do prazo de cinco anos previsto para constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública. Portanto, com base no art. 156, V, do Código Tributário Nacional (CTN), estão extintos os créditos tributários exigidos neste lançamento. Por incompatibilidade, deixo de analisar as demais alegações do recurso. Conclusão Com base no exposto, voto por dar provimento ao recurso em razão da decadência. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 28/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 13710.002452/2003-12
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2801-000.332
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente e Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Adriano Keith Yjichi Haga, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente o Conselheiro Flavio Araujo Rodrigues Torres. Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 7ª Turma da DRJ/RJ1. Por bem descrever os fatos, reproduzse abaixo o relatório da decisão recorrida: Tratase do lançamento de ofício de fls. 10/27, com ciência em 18/08/2003, que teve origem em auditoria interna da DCTF relativa ao anocalendário de 1998, através do qual são exigidos da interessada os valores abaixo discriminados, relativos ao IRRF: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 10 .0 02 45 2/ 20 03 -1 2 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13710.002452/200312 Resolução nº 2801000.332 S2TE01 Fl. 154 2 Anexo III – Demonstrativo do Crédito Tributário a pagar FALTA DE RECOLHIMENTO OU PAGAMENTO DO PRINCIPAL – DECLARAÇÃO INEXATA – R$ 177.260,58 com multa de ofício e juros de mora. Os anexos Ia e III relacionam os débitos de IRRF, cujos pagamentos não foram localizados. Anexo IV – Demonstrativo de Multas e/ou Juros a pagar – não pagos ou pagos a menor FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS ACRÉSCIMOS LEGAIS E FALTA DE PAGAMENTO DE MULTA DE MORA – R$ 16.010,35 de multa isolada de ofício. Os anexos IIa e IV relacionam os pagamentos e correspondentes valores que foram efetuados com atraso, sem os acréscimos legais (multa de mora e juros de mora). Inconformada, a interessada apresentou impugnação em 12/09/2003, fl. 03/06, alegando que: recolheu todos os débitos. que os débitos com código 8045 foram pagos corretamente pela coligada MERKUR EDITORA LTDA, CNPJ. 28.814.739/000156, mas que foram indevidamente lançados na DCTF do 3º trimestre/1998 da autuada. o débito com código 0481, informa que fizeram contrato de financiamento de importação no Banco Bradesco S.A, cujo contrato de câmbio foi celebrado em nome do Banco Bradesco S.A., houve incidência de Imposto de Renda, que foi debitado em nossa conta corrente no valor de R$ 795,05, cujo DARF foi pago corretamente pelo Banco Bradesco e lançado pelo Banco Bradesco S.A., mas lançado indevidamente na DCTF da autuada Foi realizada revisão de ofício, nos termos do artigo 149, inciso VIII do CTN, do qual foi exonerado o valor relativo ao IRRF decorrente de falta de recolhimento, de R$ 136.602,47, e seus acréscimos legais, conforme despacho fls. 107/108, reduzindo o lançamento para R$ 40.658,11, além da multa isolada de ofício, no valor de R$ 16.010,35. A impugnação foi julgada procedente em parte, conforme Acórdão de fls. 114/117, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 1998 Ementa: DCTF AUDITORIA INTERNA PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. É cabível o lançamento para cobrança de diferença constatada entre o valor declarado e o valor efetivamente recolhido. MULTA ISOLADA MULTA DE OFÍCIO FALTA DE PREVISÃO LEGAL Fl. 154DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13710.002452/200312 Resolução nº 2801000.332 S2TE01 Fl. 155 3 Cabe a aplicação da regra do art. 106, inc. II, do Código Tributário Nacional, que dispõe que a lei nova se aplica a ato ou fato não definitivamente julgados quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. Impugnação Procedente em Parte Regularmente cientificada daquele acórdão em 16/09/2011 (fl. 127), a Interessada, por intermédio de seus representantes legais, interpôs recurso voluntário de fls. 128/140, em 17/10/2011. Em sua defesa, requer seja reconhecida a preliminar de decadência, acolhida a preliminar de nulidade da decisão recorrida e da necessidade de realização de diligência. No mérito, sustenta: que os débitos com código 8045 seriam de sua coligada, MERKUR EDITORA LTDA., CNPJ 28.814.739/000156, já devidamente recolhidos, conforme guias de DARF devidamente quitadas, mas lançados equivocadamente na DCTF; que o débito com código 0561 foi devidamente pago, sendo equivocado o entendimento da decisão recorrida de que os pagamentos apresentados foram alocados ao débito da 1ª semana de abril, ficando em aberto o débito da 5ª semana de março; que o débito com código 0481 era para ser e foi pago pela Instituição Financeira, conforme email juntado aos autos enviado por funcionário do citado banco, informando o recolhimento do tributo aqui exigido, acostando, ainda, a cópia do referido DARF de recolhimento devidamente liquidado. Discorre sobre violação ao princípio da verdade material. Aduz, ainda, que existindo os regulares pagamentos dos tributos aqui taxados como débitos fiscais, a multa de ofício e os juros de mora hão de ser afastados. A numeração de folhas citada nesta decisão referese à serie de números do arquivo PDF. É o Relatório. Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. A decisão da autoridade recorrida foi fundamentada principalmente na ausência de provas nos termos, como se reproduz a seguir: A autuada afirma que os débitos com código 8045 seriam de sua coligada, MERKUR EDITORA LTDA, CNPJ. 28.814.739/000156, já devidamente recolhidos, mas lançados equivocadamente na DCTF. No entanto, em pesquisas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, constatase que a autuada apresentou DIRF – Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, fls. 113, informando que teria retido imposto de renda, com o código 8045, no valor de R$ 13.061,86. Logo, os motivos apresentados não coadunam com as informações por ela mesma declarada. Já que informou que reteve imposto de renda sob o código 8045, salvo comprovação em contrário, correta a declaração destes valores em DCTF. Como não houve recolhimento, devem ser mantidos estes lançamentos. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13710.002452/200312 Resolução nº 2801000.332 S2TE01 Fl. 156 4 Quanto ao débito com código 0561, no valor de R$ 24.880,25, considerando a análise da revisão de ofício, foi constatado que o mesmo valor foi declarado na DCTF/98 do 2º trimestre (5ª semana de março) e na DCTF/98 do 3º trimestre (1ª semana de abril). Também foi constatado que os pagamentos apresentados foram alocados ao débito da 1ª semana de abril, ficando em aberto o débito da 5ª semana de março. Ocorre que não consta nos autos qualquer comprovação de que a autuada teria se equivocado ao declarar o mesmo valor na 5ª semana de março. Logo, é procedente seu lançamento. Já o débito com código 0481, alega que pertence ao Banco Bradesco, que já está pago, mas que foi indevidamente lançado na DCTF da autuada. Alega que celebrou contrato de câmbio em nome do Banco Bradesco S.A. Junto com sua defesa, traz comunicação do citado Banco, fls. 36 dos autos, afirmando que teria feito o recolhimento. No entanto, em que pese suas alegações, não trouxe aos autos o contrato que teria firmado com o citado Banco, de forma a comprovar que foi celebrado em nome do banco, sendo este o responsável pelo recolhimento do imposto retido na fonte. Logo, deve ser mantido o lançamento. Considerando que não há elementos nos auto que permita formar um juízo de certeza, seja positiva, seja negativa, em relação ao débitos questionados, voto no sentido de converter o julgamento do processo em diligência para que a repartição de origem: · Aprecie as provas, realize intimações e diligências que julgar necessárias para formação de sua convicção sobre as explicações prestadas pela recorrente; · Verifique a possibilidade de quitação dos débitos efetivamente confirmados mediante os DARF por ela apresentados; · Providencie relatório consubstanciado e conclusivo sobre os documentos e esclarecimentos prestados, dando ciência à interessada para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, em prazo adequado. A seguir, retornem os presentes autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que seja concluído o julgamento. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 26/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 36918.002964/2005-10
Turma: Segunda Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1999
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE' s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, por unanimidade de votos, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante para aplicação do instituto, os quais se quedaram às conclusões do Conselheiro Relator em virtude de aludido fato
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-000.495
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para acolher a decadência parcial para os fatos geradores ocorridos até o fato gerador de novembro de 1999. Vencido o Conselheiro Julio César Vieira Gomes, que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciàrios é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude ou simulação comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE' s n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In casu, aplicou-se o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 40, do CTN, por unanimidade de votos, eis que restou comprovada a ocorrência de antecipação de pagamento, por tratar-se de salário indireto, tendo a contribuinte efetuado o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante para aplicação do instituto, os quais se quedaram às conclusões do Conselheiro Relator em virtude de aludido fato Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso para acolher a decadência parcial para os fatos geradores ocorridos até o fato gerador de novembro de 1999. Vencido o Conselheiro Julio César Vieira Gomes, que negava provimento ao recurso. 4 r CARLOS AL.13 ' R 1 REITAS BA •/: .TO - Presidente d. dai RYC • • s • 1433. 1 MAGALHÃES DE OLIVEIRA - Relator EDTEADO E . 23 AP 2010 PartiCiparam, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Susy mes Hoffmann (Vice-Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, 'J lio ésar Vieira Gomes, Lourenço Ferreira do Prado (suplente convocado), Moises Giaco i Nunes da Silva, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório FUNDAÇÃO DOS EMPREGADOS DA FIAT, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo administrativo em referência, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD n° 35.724.173-8, referente às contribuições sociais devidas pela notificada ao INSS, correspondentes a parte da empresa, do financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros (INCRA, SEBRAE, SENAC e SESC), incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas (salário-indireto) aos segurados empregados, assim caracterizadas as importâncias concedidas a título de auxilio-alimentação, sem a comprovação da devida inscrição no PAT, em relação ao período de 01/1994 a 12/1999, conforme Relatório Fiscal, às fls. 75/79. Após regular processamento, interposto recurso voluntário ao então Segundo Conselho de Contribuintes contra decisão da SRP em Belo Horizonte/MG, DN n° 11.401.410515/2005, às fls. 203/209, que julgou procedente em parte o lançamento fiscal em referência, a egrégia 6a Câmara, em 12/12/2007, achou por bem conhecer do Recurso da contribuinte e NEGAR-LHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos consubstanciados no Acórdão n° 206-00.325, com sua ementa abaixo transcrita: 'Assunto: Contribuições Sociais Preiddenciárias Período de apuração: 01/01/1994 a 31/12/1999 Ementa: CUSTEIO - CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA — SALÁRIO INDIRETO - DECADÊNCIA. A Previdência Social possui o prazo de dez anos para constituir seus créditos por intermédio de NFLD, de acordo com o art. 45, da Lei 8.212/91. 2 Processo n° 36918.002964/2005-10 C SRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.495 Fl. 2 A rubrica intitulada "auxilio alimentação", paga em desacordo com a legislação previdenciária, integra o salário de contribuição por possuir natureza salarial. Recurso Voluntário Negado." Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 297/308, com arrimo no artigo 15, § 2°, do então Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 147/2007, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurge-se contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito pelas demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes e, bem assim, da Câmara Superior de Recursos Fiscais a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos nos 201-11.243 e 201-79.575, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente uma vez comprovada a divergência argüida. Em defesa de sua pretensão, pugna pela aplicação do prazo decadencial constante do artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional em detrimento dos preceitos do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, inferindo que o decisum guerreado contrariou os ditames contidos no artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal, o qual atribuiu à Lei Complementar, in casu, o Código Tributário Nacional, a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre prescrição e decadência. A propósito do tema, elucida que o Supremo Tribunal Federal, em 12/06/2008, aprovou a Súmula Vinculante n° 08, decretando a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n°8.212/91, devendo ser observado o prazo decadencial do artigo 150, § 4°, do CTN, sobretudo em virtude da ocorrência de recolhimentos relativamente a parcela da remuneração reconhecida pela contribuinte. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da Q Câmara da r Seção do CARF, entendeu por bem admitir o Recurso Especial da Contribuinte, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão recorrido divergiu do entendimento consubstanciado nos paradigmas, Acórdãos n's 20141.243 e 201-79.575, relativamente ao prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, consoante se positiva do Despacho n°2400-120/2009, às fls. 324/325. Instada a se manifestar a propósito do Recurso Especial da contribuinte, a Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 328/334, ressaltando a aprovação da Súmula Vinculante n° 08, pelo STF, propugnando pela aplicação do artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a inexistência de antecipação de pagamento. É o relatório. 3 Voto Conselheiro RYCARDO HENRIQUE MAGALHÃES DE OLIVEIRA, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 4' Câmara da r Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a divergência suscitada pela contribuinte, conheço do Recurso Especial e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende da análise do Recurso Especial, pretende a contribuinte a reforma do Acórdão recorrido, alegando, em síntese, que as razões de decidir ali esposadas contrariaram outras decisões das demais Câmaras dos Conselhos de Contribuintes e CSRF a respeito da mesma matéria. A fazer prevalecer sua pretensão, infere que os entendimentos consubstanciados nos Acórdãos ifs 201-11.243 e 201-79.575, ora adotados como paradigmas, oferecem proteção ao pleito da contribuinte, uma vez que admitiram o prazo decadencial de 05 (cinco) anos inculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, ao contrário do que restou decidido no Acórdão recorrido, o qual aplicou o prazo decadencial do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, malferindo o disposto no artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal, notadamente em razão da ocorrência de antecipação de pagamento. Consoante se infere dos elementos que instruem o processo, conclui-se que o pleito da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a propósito do tema, encontrando guarida na farta e mansa jurisprudência administrativa e judicial, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei n°8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: "Art. 45 — O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extingue-se após 10 (dez) anos contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, capuz, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: 1 — do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; 4 Processo n° 36918.002964/2005-10 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.495 Fl. 3 Com mais especificidade, o artigo 150, § 4°, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: "Art150 - O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ,¢ 4°- Se a lei não focar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação." O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE's n os 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante n° 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: "Súmula n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Registre-se, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por 1 conseguinte, efeito ex tune para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Não bastasse isso, é de bom alvitre esclarecer que o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, em sessão de julgamento realizada no dia 15/12/2008, por maioria de votos (21 x 13), firmou o entendimento de que o prazo decadencial a ser aplicado para as contribuições previdenciárias é o insculpido no artigo 150, § 4°, do CTN, independentemente de ter havido ou não pagamento parcial do tributo devido, o que veio a ser ratificado, também por maioria de votos, pelo Pleno da CSRF em sessão ocorrida em 08/12/2009, com a ressalva da existência de qualquer atividade do contribuinte tendente a apurar a base de cálculo do tributo devido. 5 Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante n° 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4 0, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destaca-se o lançamento de oficio ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando as contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4°, do CTN, levando-se em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4°, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, trata-se, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Observe-se, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontra-se beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 40, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologando-as ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de oficio da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 40, do CTN, o qual dispôs 6 \‘‘ Processo n° 369112.002964/200540 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-00.495 Fl. 4 expressamente os casos em que referido prazo deslocar-se-á para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação especifica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastando-se a regra do artigo 150, § 4 . Como se constata, à toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovando-se que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizando-se de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicar-se-ia o artigo 150, § 4°, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de oficio, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso!. Ressalta-se, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4°, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em "homologação". Esta, aliás, é a tese que prevaleceu na última reunião do Conselho Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Na hipótese dos autos, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento por trata-se de salário indireto, portanto, diferenças de contribuições, uma vez que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração reconhecida (salário normal), fato relevante para aqueles que sustentam ser determinante à aplicação do instituto, entendimento não compartilhado por este Conselheiro. Não bastasse isso constata-se do item 4.2 do Relatório Fiscal, às fls. 76, a informação de valores que foram deduzidos quando da constituição do crédito previdenciários confirmando a ocorrência de antecipação de pagamento. Assim, ocorrendo a comprovação de recolhimentos, concordam os Conselheiros desta Colenda Câmara, à sua unanimidade, pela aplicação do artigo 150, § 4°, do CTN, uns pela natureza do tributo outros pela antecipação de pagamento, devendo ser acolhido o pleito da contribuinte para restabelecer a ordem nesse sentido. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 28/12/2004 com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 01/1994 a 11/1999, os quais encontra-se fora do prazo decadencial de 05 (cinco) anos do artigo 150, § 4°, do Códex Tributário, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. 7 Por todo o exposto, estando o Acórdão guerreado em dissonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DO CONTRll INTE E DAR-LHE PROVIMENTO, acolhendo a preliminar de decadência parcial do crédit„, revidenciário, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. 4.... td er 4 tis *A Rycardo 1 'que Magalhães de Oliveira - Relator , . , 8
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Numero do processo: 16024.000141/2010-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 2006, 2007
COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE.
A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido - de 32% para 8%.
MPF. FALTA DE NOTIFICAÇÃO DAS ALTERAÇÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções neste instrumento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. A partir de 01.01.2008, o MPF passou a ser emitido exclusivamente de forma eletrônica, podendo ser consultado a qualquer tempo via internet por meio de código de acesso fornecido à pessoa jurídica fiscalizada, o que dispensa inclusive a sua juntada aos autos do processo.
Numero da decisão: 1102-001.021
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Carlos de Figueiredo Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO
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INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. MPF. FALTA DE NOTIFICAÇÃO DAS ALTERAÇÕES. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) constitui mero instrumento de controle administrativo, de sorte que eventuais incorreções neste instrumento, ou até mesmo a sua inexistência, não caracterizam vícios insanáveis. A partir de 01.01.2008, o MPF passou a ser emitido exclusivamente de forma eletrônica, podendo ser consultado a qualquer tempo via internet por meio de código de acesso fornecido à pessoa jurídica fiscalizada, o que dispensa inclusive a sua juntada aos autos do processo. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2006, 2007 COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006, 2007 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 01 41 /2 01 0- 74 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000141/201074 Acórdão n.º 1102001.021 S1C1T2 Fl. 3 2 COEFICIENTE APURAÇÃO DO LUCRO PRESUMIDO. SERVIÇOS HOSPITALARES. SERVIÇOS À SAÚDE. A prestação de serviços na área da saúde não se confunde com prestação de serviços hospitalares, devendo restar comprovado nos autos que a pessoa jurídica exerce efetivamente funções inerentes à internação de pacientes, antes da edição da Lei nº 11.727, de 2008, que introduziu novas atividades ligadas à área de saúde no favor fiscal de redução de coeficiente para apuração do lucro presumido de 32% para 8%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé Presidente. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: José Evande Carvalho Araújo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregório, João Carlos de Figueiredo Neto, Antonio Carlos Guidoni Filho e. João Otávio Oppermann Thomé. Relatório A empresa recorre do Acórdão nº 1442.519 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ/ RPO, fls. 250 e segs., em sessão de 17/06/2013, que julgou procedente o lançamento de IRPJ e CSLL, mantendo o crédito tributário exigido. O cerne da questão baseiase na possibilidade ou não da empresa enquadrar se em regime de tributação de IRPJ e CSLL mais favorecido, como aquele estabelecido por lei para Hospitais. Também, argumenta a Recorrente quanto a atenção ou não à Lei quanto ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. Lavrado auto de infração e cientificada a empresa, esta apresentou impugnação que resultou no Acórdão ora combatido, cuja a ementa é (fls. 250 e segs.): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 295DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000141/201074 Acórdão n.º 1102001.021 S1C1T2 Fl. 4 3 Exercício: 2006, 2007 Serviços Hospitalares. Prestador. Lucro Presumido. Requisitos. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem natureza jurídica de sociedade empresária além de estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 2006, 2007 Serviços Hospitalares. Prestador. Lucro Presumido. Requisitos. Para ser considerado serviço de natureza hospitalar é necessário que o empresário ou a sociedade empresária ostentem natureza jurídica de sociedade empresária além de estrutura física do estabelecimento em consonância com a legislação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2006, 2007 Mandado De Procedimento Fiscal. O Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento administrativo de controle e não invalida o lançamento, que é ato administrativo vinculado e obrigatório por parte da autoridade fiscal, passível de responsabilização funcional se for descumprido. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Da leitura do relatório apresentado no Acórdão, abstraise: · Verificada a forma de apuração adotada pela Empresa tributação pelo lucro presumido, foi exigido Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) com base em aplicação indevida do coeficiente para determinação do lucro. · No anocalendário de 2006 a contribuinte aplicou o coeficiente de determinação do lucro de 8% para o IRPJ e 32% para CSLL e no ano calendário de 2007 utilizou 8% para IRPJ e 12% para CSLL sob o fundamento de que a empresa presta serviços hospitalares. · Relata a autoridade fiscalizadora que a Licença de Funcionamento obtida perante a Vigilância Sanitária consta como atividade a de clínica médica (CNAE 8513/801), enquanto que os CNAE 86101/01 e 86101/02 referemse às atividades de atendimento hospitalar. · A empresa foi intimada a apresentar documento expedido pela Vigilância Sanitária Estadual ou Municipal, de que trata o item 3, parte II, da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) n° 50, de 21/2/2002, alterada pela RDC n° 307, de 14/11/2002, e pela RDC n° 189, de 18/7/2003, relativo a atividade de hospitais, o qual não foi entregue. · Em sede de impugnação, a empresa alega (i) nulidade do procedimento fiscal por ausência de prorrogação (art. 7° e o § 2° do Decreto n° 70.235/1972), bem como o prazo de validade do procedimento (Portaria n. 4.066/2007), que é de 60 dias, não consta do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), exigindose que o contribuinte seja notificado da prorrogação; e (ii) quanto a natureza jurídica hospitalar da atividade exercida, alega que preenche os requisitos estabelecidos na Instrução Normativa SRF n° Fl. 296DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000141/201074 Acórdão n.º 1102001.021 S1C1T2 Fl. 5 4 791/2007, na área de obesidade (estrutura material e humana; equipamentos; corpo clínico composto por médicos, enfermeiras e terapeutas; prestação de assistência por 24 horas; executa serviços de laboratório e radiologia via terceiros contratados). No voto, assim ficou decidido: · nulidade sobre o prazo para execução do MPF –a empresa baseouse no art. 7° e seu § 2° do Decreto n° 70.235/1972 para alegar que o prazo de vigência da notificação do início do procedimento é de 60 dias. Em seguida, escora se na Portaria RFB n° 4.066/2007, que estabeleceu requisitos e formalidades do MPF para arguir a falta de prazo de validade inserido no documento e ausência de notificação das sucessivas prorrogações. Tratamse de prazos cuja natureza jurídica é diferente. · O primeiro deles referese à espontaneidade, técnica indutora ao cumprimento das leis a que se refere o art. 138 do CTN. O início do procedimento fiscal impede o contribuinte faltoso de regularizar sua situação usufruindo dos benefícios da lei. Se, o Fisco permanecer inerte por prazo superior a 60 dias o contribuinte readquire o direito de solver seu compromisso com as benesses previstas no referido. · Quanto ao segundo, o art. 12 da Portaria RFB n° 11.371/2007 estabelece que tal prazo pode ser prorrogado tantas vezes quantas forem necessárias. Ainda, o MPF, instituído pela Portaria SRF n° 1.265, de 22/1 999, atualmente regulado pela Portaria RFB n° 3.014, de 29/6/2011, consiste em documento emitido em decorrência de normas administrativas que regulam a execução da atividade fiscal, determinando que os procedimentos fiscais relativos aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) sejam levados a efeito em conformidade com ordem específica, até como instrumento de controle para acompanhamento das atividades realizadas pelos auditoresfiscais. Preliminares rejeitadas. · No mérito, a lide está diretamente vinculada à interpretação da Lei n° 9.249/1995 e pela Lei n° 11.727, de 2008; quanto a CSLL instituída pelo art. 1.° da Lei n° 7.689/88, temse que a regra geral para sua apuração, conforme o disposto no art. 7o da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995, é a mesma determinada pela legislação do IRPJ. Os percentuais a serem aplicados na determinação da base de cálculo da CSLL estão estabelecidos no artigo 20 da Lei n° 9.249/95. · Comenta que desde a edição da Lei n° 8.541/92 instalouse uma polêmica: o que são serviços hospitalares e em quais atividades deste setor deve ser utilizado o percentual normal de presunção aplicável à prestação de serviços, hoje em 32%, no lugar do percentual de 8%. Cita ainda o artigo 23 da Instrução Normativa SRF (IN) n° 306/03, Portaria GM n° 1.884/94, do Ministério da Saúde, e o Ato Declaratório Interpretativo do Secretário da Receita Federal (ADI) n° 18/03, o qual manifestou o entendimento que, para fins do disposto no artigo 15, § 1.°, III, "a", da Lei n° 9.249/95. fundamenta sua decisão na IN n° 539/05. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000141/201074 Acórdão n.º 1102001.021 S1C1T2 Fl. 6 5 · Embora a empresa exerça atividade própria de empresária, com médicos que não compõem o quadro de sócios exercendo atividade intelectual, ela não atendeu a um dos requisitos, previstos na legislação, para caracterizar sua natureza jurídica como empresária, a saber, o registro na Junta Comercial vez que seu contrato social está registrado no 1° Ofício de Registro de Imóveis e Anexos de Sorocaba. · Alega que a empresa não provou a que título recebe suas receitas, aliado à circunstância de existirem usuários dos serviços que não apresentam doença no histórico de saúde, além de o motivo da internação estar relacionado a relaxamento. · A IN 539/2005 é clara em afirmar sobre a necessidade de adequada estrutura física do estabelecimento, atestada por documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. A licença de funcionamento apresentada, expedida em 11/12/2006 pela Vigilância Sanitária, abrange apenas o ano de 2007 e diz respeito somente a serviços albergados sem referirse a unidade funcional (conforme item 3 da Parte II da RDC 50/2002). · Conclui dizendo que à empresa caberia provar diferente do todo alegado, considera a impugnação improcedente e mantém o crédito tributário. Intimada da correspondente decisão em 08/08/2013 (fls. 266), a empresa apresentou Recurso Voluntários em 06/09/2013 (fls. 267 e segs.) esforçandose nos mesmos fundamentos da impugnação. Em 14/05/2009 a empresa foi notificada da decisão (fls. 36) apresentando tempestivamente Recurso Voluntário – (fls. 37/39) em 12/06/2009, reiterando os termos da exordial, esclarecendo que somente em 14/06/2007 tomou ciência do ato de manutenção no Simples (DRF/VAR/SACAT NO.133/2007) e pode entregar respectiva DSPJ. A empresa não juntou prova de data da entrega da referida declaração. É o suficiente como relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro João Carlos de Figueiredo Neto Conheço do recurso interposto, por ser tempestivo. Iniciase este sob o ponto de que deve haver entendimento que não são todas as empresas que prestam serviços à saúde que podem ser consideradas como prestadoras de atividades hospitalares. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000141/201074 Acórdão n.º 1102001.021 S1C1T2 Fl. 7 6 A questão abordada pela IN SRF nº 306/2003 (artigo 23), foi revogada pela IN SRF nº 480/2004, esta alterada pela IN SRF nº 539/2005, que em seu artigo 27 incluiu mais algumas exigências para o conceito de “serviços hospitalares”. Reproduzimos o artigo 27: "Art. 27. Para fins do disposto nesta Instrução Normativa, são considerados serviços hospitalares aqueles diretamente ligados à atenção e assistência à saúde, de que trata o subitem 2.1 da Parte II da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) da Agência Nacional de Vigilância Sanitária no. 50, de 21 de fevereiro de 2002, alterada pela RDC n º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n º 189, de 18 de julho de 2003, prestados por empresário ou sociedade empresária, que exerça uma ou mais das: I seguintes atribuições: a) prestação de atendimento eletivo de promoção e assistência à saúde em regime ambulatorial e de hospitaldia (atribuição 1); b) prestação de atendimento imediato de assistência à saúde (atribuição 2); ou c) prestação de atendimento de assistência à saúde em regime de internação (atribuição 3); II atividades fins da prestação de atendimento de apoio ao diagnóstico e terapia (atribuição 4). § 1º A estrutura física do estabelecimento assistencial de saúde deverá atender ao disposto no item 3 da Parte II da Resolução de que trata o caput, conforme comprovação por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal. § 2º São também considerados serviços hospitalares, para fins do disposto nesta Instrução Normativa, os seguintes serviços prestados por empresário ou sociedade empresária: I préhospitalares, na área de urgência, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias de suporte avançado (Tipo "D") ou em aeronave de suporte médico (Tipo "E"); II de emergências médicas, realizados por meio de UTI móvel, instaladas em ambulâncias classificadas nos Tipos "A", "B", "C" e "F", que possuam médicos e equipamentos que possibilitem oferecer ao paciente suporte avançado de vida."(NR) Assim a norma interpretativa faz o sentido lógico, considerandose a interpretação sistemática das normas, sem a qual qualquer consultório médico, desde que com mais de um profissional, se enquadraria no conceito super relativizado que a recorrente pretendeu atribuir à IN SRF. Na mesma esteira, sigamos com o artigo 15, da Lei nº 9.249/95: Fl. 299DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000141/201074 Acórdão n.º 1102001.021 S1C1T2 Fl. 8 7 Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981 de 20 de janeiro de 1995. § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; [...] Importante observar que a norma tributária, vigente à época, não disse que os demais serviços ligados à área da saúde, desvinculados dos hospitais, fossem tratados como serviços hospitalares. O Superior Tribunal de Justiça tem apreciado a matéria, onde citamos o acórdão extraído do REsp nº 925.175/SC, da lavra do ministro Castro Meira: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO. LABORATÓRIOS DE ANÁLISES CLÍNICAS. ATIVIDADES HOSPITALARES. ART. 15, § 1º, III, "A", DA LEI Nº 9.249/95.O art. 15, § 1º, III, "a", da Lei nº 9.249/95, que diminui a base de cálculo, resultando em menor valor a recolher de pessoas jurídicas que desenvolvem atividades hospitalares, deve ser interpretado restritivamente, para abranger, além dos próprios hospitais, apenas os estabelecimentos que dispõem de "estrutura material e de pessoal destinada a atender a internação de pacientes" (REsp 786.569/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJU de 30.10.06). No caso concreto, não podem ser enquadrados no conceito de serviços hospitalares os exames realizados em laboratórios de análises clínicas, porquanto os favores fiscais não comportam interpretação analógica. Precedentes da Primeira Seção.3. Recurso especial provido A Lei n º 11.727/2008 com vigência a partir de 01/01/2009, assim dispôs: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Artigo 15. (...) § 1º (...) III (...) Fl. 300DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000141/201074 Acórdão n.º 1102001.021 S1C1T2 Fl. 9 8 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; Embora parecesse sanado o alcance da expressão “serviços hospitalares”, novo posicionamento do STJ ampliou ainda mais o entendimento que deveria ser dado a norma. Recurso Especial representativo de controvérsia nº 1.116.399 – BA (2009/00064810), em 13/08/2009) DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 E 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão “serviços hospitalares” prevista na Lei 9.249/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de “serviços hospitalares” apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1a. Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão “serviços hospitalares”, constante do artigo 15 parágrafo 1o., inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que “a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares). 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares “aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde”, de sorte que, “em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos”. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000141/201074 Acórdão n.º 1102001.021 S1C1T2 Fl. 10 9 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decididas anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do parágrafo 2o. do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência de percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso Especial não provido. (grifo nosso) Ratificando este entendimento, transcrevemos decisão proferida pelo mesmo Ministro Relator, em 29/09/2010, nos Embargos de Declaração – no Recurso Especial n º 1.116.399 – BA (2009/00064810): EMENTA. DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO “SERVIÇOS HOSPITALARES”. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. OMISSÃO E CONTRADIÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. ... 3. No caso dos autos, o Colegiado foi claro e preciso ao afirmar que são excluídas dos benefícios tendentes à redução das alíquotas ora pleiteadas as atividades destinadas unicamente à realização de consultas médicas, de sorte que a conclusão ora buscada pela embargante decorre da simples leitura do acórdão embargado. 4. Não obstante, a fim de dirimir quaisquer dúvidas sobre o que foi efetivamente decidido pelo colegiado, prevenir interpretações errôneas do julgado, bem como o manejo de novos aclaratórios, devese esclarecer que a redução da base de cálculo de IRPJ na hipótese de prestação de serviços hospitalares prevista no artigo 15, parágrafo 1o, III, “a” da Lei 9.249/95, efetivamente, não abrange as simples atividades de consulta médica realizada por profissional liberal, ainda que no interior do estabelecimento hospitalar. Por conseguinte, também é certo que o benefício em questão não se aplica aos consultórios médicos situados dentro dos hospitais que só prestem consultas médicas. 5. Ademais, por ocasião do julgamento dos embargos declaratórios opostos pela Fazenda Nacional em face do acórdão proferido no REsp 951.251PR, o Fl. 302DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME Processo nº 16024.000141/201074 Acórdão n.º 1102001.021 S1C1T2 Fl. 11 10 eminente Ministro Relator afirmou que: “Não há que se estender o benefício aos consultórios médicos somente pelo fato de estarem localizados dentro de um hospital, onde apenas sejam realizadas consultas médicas que não envolvam qualquer outro procedimento médico.” Concluindo, a Recorrente poderia, ao menos, ter feito prova de qual atividade realizada efetivamente teria o respaldo da lei como forma de beneficiarse com alíquotas mais favorecidas de tributos, mas não o fez Diante de todo o exposto, voto em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Carlos de Figueiredo Neto Fl. 303DF CARF MF Impresso em 12/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por JOAO CARLOS DE FIGUEIREDO NETO, Assinado digitalmente em 09/12/2014 por JOAO OTAVIO O PPERMANN THOME
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Numero do processo: 15504.013036/2009-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA.
O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regem-se conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano.
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
IRPF. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14.
Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude.
MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25.
A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964.
Numero da decisão: 2201-002.573
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Relator.
EDITADO EM: 26/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: PAF. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física - IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regem-se conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerando-se ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964.
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CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não há cerceamento ao direito de defesa do contribuinte quando constatado que as infrações apuradas foram adequadamente descritas nas peças acusatórias, e que o contribuinte, demonstrando ter perfeita compreensão delas, exerceu plenamente o seu direito de defesa. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. O prazo de decadência do Imposto de Renda de Pessoa Física IRPF nos lançamentos por Acréscimo Patrimonial a Descoberto regemse conforme as regras do imposto sujeito ao ajuste anual, considerandose ocorrido o fato gerador no dia 31 de dezembro de cada ano. IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei nº 9.430/1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. IRPF. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA CARF Nº 14. Nos termos do enunciado nº 14 da Súmula do CARF, não há que se falar em qualificação da multa de ofício nas hipóteses de mera omissão de rendimentos, sem a devida comprovação do evidente intuito de fraude. MULTA QUALIFICADA. MERA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. SÚMULA CARF Nº 25. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 30 36 /2 00 9- 04 Fl. 434DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/1964”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Relator. EDITADO EM: 26/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anoscalendário 2004, 2005 e 2006, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 02/15, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.407.206,37. A fiscalização apurou: 1 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista acréscimo patrimonial a descoberto ocorrida no mês de janeiro do anocalendário de 2004, onde verificouse excesso de aplicações/dispêncios sobre origens/recursos, não respaldado por rendimentos tributáveis, isentos e nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou de tributação definitiva, conforme demonstrativo de Variação Patrimonial a Descoberto (fluxo de caixa), que faz parte integrante desde auto de infração. 2 GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS Omissão de ganho de capital obtidos na alienação de bens e direitos, conforme Demonstrativo de Apuração de Ganho de Capital (fls. ), que faz parte integrante deste auto de infração. O Fl. 435DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.013036/200904 Acórdão n.º 2201002.573 S2C2T1 Fl. 3 3 Contribuinte vendeu em 28 de dezembro de 2006, o apartamento 1.501, do Edifício "Las Palmas", com direito a duas vagas de garagem e um Box B16 e vagas 07 e 08 do subsolo, localizado á rua Samuel Pereira, n° 14 e 26, Bairro Achieta. Belo Horizonte/MG, Matrícula do Imóvel n° 56.701, pelo preço de R$ 450.000,00 (quatrocentos e cinquenta mil reais) para Silvana Canabrava de Barros Carvalho, CPF nº 739.464.27634, conforme Escritura Pública de compra e venda, lavrada pelo Cartório do 1º Oficio de Notas de Belo Horizonte/MG, costatamos o ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos, no montante de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais). Ao ganho de capital foi aplicado o fator de redução de 3,43% (1.715,00), previsto na Lei nº 11.196/2005, assim, o ganho importou em R$ 48.285,00 que aplicada a alíquota do imposto de renda de 15%, apurouse imposto devido de R$ 7.245,75. 3 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA – Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado reintimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em data e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme circunstanciado no Termo de Verificação Fiscal que faz parte integrante deste Auto de Infração. A autoridade fiscal aplicou a multa de ofício de 150%, conforme detalhado no Termo de Verificação Ffiscal de fls. 18/47: Em razão da constatação da ocorrência de sonegação e fraude fiscais, o evidente intuito de sonegação e fraude está presente, assim a conduta do fiscalizado enquadrase na definição constida nos artigos 71 e 72 da lei nº 4.502/64, consequentemente, ao lançamento de oficio foi imputada a multa de oficio qualificada, em conformidade com o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com nova redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007... Cientificado do lançamento, o contribuinte apresenta Impugnação alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: O autuado afirma que sempre teve como atividade principal, desde a mocidade (cartão de produtor rural à fl. 114), a produção rural. Assegura que os depósitos detectados nas contas correntes do contribuinte eram feitos pelos próprios clientes, à medida que a mercadoria ia sendo conferida. “Houve casos que as mercadorias eram retiradas na roça no município de Unaí, em que os compradores depositavam os valores e comprovavam através de simples comprovante de Fl. 436DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 depósito, evitandose assim o transporte de valores em espécie. (...) Quando da entrega das informações de fls. 110/125, o fiscal responsável pela apuração dos fatos afirmou taxativamente que o próximo passo seria a elaboração de mandado de constatação, pois os comprovantes das origens dos depósitos decorrentes da atividade rural exercida pelo impugnante deveriam ser entregues a posteriori, sob pena de havendo imposto a pagar houvesse a majoração da multa aplicada. Causou surpresa a entrega do auto de infração antes da elaboração do mandado de constatação, pois essa condição havia sido imposta pelo próprio fiscal. Esta atitude causou prejuízo ao contribuinte que não teve condições de demonstrar a origem lícita de seus depósitos, fato dificilmente permitido nesta instância de julgamento. Assim, devido ao atropelo do rito administrativo, é que se requer a anulação do auto de infração, e conseqüente elaboração de mandado de constatação, a fim de que o impugnante possa fazer prova da licitude dos depósitos listados no item 3 do auto de infração. Requer por cautela que seja ouvido o digno fiscal acerca desta afirmação, para que este preste as informações de praxe, ratificando a afirmação do impugnante ou rebatendoas.” DECADÊNCIA DO ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO O auto de infração aponta como fato gerador a escritura lavrada em 9 de janeiro de 2004 no valor de R$350.000,00. Entretanto, conforme afirma o autuado e de acordo com documentação anexa (R9 316 – Protocolo 98.098 23.06.2003), entende que o fato gerador verdadeiro foi a data de 31/07/2003, com o valor de 500 mil reais (R$250.000,00 + R$250.000,00). Trazendo à baila doutrina e ementas de DRJ e do Conselho de Contribuintes, conclui pelo início da contagem do prazo decadencial em 01/01/2004. Como o auto de infração foi lavrado em 20/07/2009, já se passaram 5 anos e 7 meses, tendo ocorrido a decadência. Pede diligência para que o cartório de registro de imóveis de Unaí forneça cópia de toda a documentação inerente à transação realizada, bem como seja aberto o sigilo fiscal do vendedor a fim de que esse informe a data da venda do imóvel e o valor da mesma. GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS “Em que pese a discordância expressa do impugnante quanto ao fato dos alegados ganhos de capital, há que se apontar a existência de erro de fato, já que apontouse como imposto devido o valor de R$48.285,00, quando na verdade o valor correto seria de R$7.242,75, conforme ficou consignado no auto de infração, razão pela qual se requer a sua retificação.” Fl. 437DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.013036/200904 Acórdão n.º 2201002.573 S2C2T1 Fl. 4 5 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Assevera o autuado que os depósitos feitos nas contas correntes decorrem de sua atividade de produtor rural em Unaí e que, fechado o negócio, “vendido o produto na ‘pedra’ (local do Ceasa destinado à venda direta dos produtores), o comprador faz o depósito no banco e somente após a entrega do comprovante é que retira a mercadoria”. O impugnante alega que sendo produtor rural tributado na pessoa física deve apresentar via livro caixa o lucro da propriedade. “A não entrega da declaração própria não tem o condão de induzir omissão de receitas, já que há livro próprio, cujas cópias se requer a juntada, comprovando o que já se sabe: a agricultura está no vermelho, lucros ínfimos, devido à crise que assola o mundo como um todo.” Cita legislação do ICMS (art. 132), uma consulta de contribuinte (115/2006), ementa de acórdão de DRJ e anexa uma certidão negativa de débitos junto ao Fisco Mineiro (fl. 261). “A presunção legal de que tenha havido omissão de rendimentos há que ser afastada em casos de comprovação da licitude dos depósitos.” DA MULTA Transcrevendo ementa de acórdão de DRJ, requer o descabimento da multa agravada, eis que não houve dolo específico. DAS PROVAS Requer o autuado o acatamento dos documentos que acompanham a presente impugnação, o acatamento das diligências requeridas e a produção de prova pericial “caso seja suscitada alguma dúvida acerca da originalidade dos documentos juntados com a impugnação”. Ao final requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. A 5ª Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: NULIDADE. Inexistindo incompetência ou preterição do direito de defesa, não há como alegar a nulidade do lançamento. DECADÊNCIA. A contagem do prazo decadencial se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que a constituição do crédito tributário poderia ter sido efetuada. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 6 GANHO DE CAPITAL. Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. A Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. PROVA. Sendo o ônus da prova, por presunção legal, do contribuinte, cabe a ele a comprovação da origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. PERÍCIA E DILIGÊNCIA. As diligências e perícias são dispensáveis quando as investigações pretendidas já foram efetuadas preliminarmente à fase litigiosa do procedimento e os documentos correspondentes já instruem os autos. MULTA QUALIFICADA. A multa de ofício de 150% é aplicável sempre que presentes os elementos que caracterizam, em tese, os crimes tipificados nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. ATIVIDADE VINCULADA. A atividade administrativa, sendo plenamente vinculada, não comporta apreciação discricionária no tocante aos atos que integram a legislação tributária. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 07/10/2009 (fl. 292), Antônio Aparecido Alves apresenta Recurso Voluntário em 06/11/2009 (fl. 293), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos postos em sua Impugnação. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.013036/200904 Acórdão n.º 2201002.573 S2C2T1 Fl. 5 7 O processo em apreço foi julgado em 16 de julho de 2013 e os membros da Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), por meio da Resolução nº 2202000.507, decidiram sobrestar o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuida o presente lançamento de omissão de rendimentos tendo em vista acréscimo patrimonial a descoberto, omissão de ganho de capital obtido na alienação de bens e direitos e omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, relativamente a fatos ocorridos nos anoscalendário 2004, 2005 e 2006. De início, cumpre esclarecer que a Portaria MF n° 545/2013 revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do anexo II do RICARF (Portaria MF n° 256/2009). Assim, o procedimento de sobrestamento não é mais aplicado no CARF. Antes de se entrar no mérito da questão, cumpre enfrentar, de antemão, as preliminares suscitada pelo recorrente. Quanto à alegação de que não foi lavrado pelo auditor fiscal o “Mandado de Constatação” e, em razão da ausência desse termo, não teve como demonstrar a origem lícita dos depósitos, penso que a alegação é totalmente estéril e não merece acolhimento. Compulsandose os autos, verificase que a exigência fiscal levada a efeito encontrase alicerçada nos preceitos legais, o que confere liquidez e certeza ao crédito tributário apurado, que só poderá ser elidida mediante prova em sentido contrário. No Auto de Infração, constante às fls. 02/15, são mencionados os dispositivos legais infringidos, bem como discriminados os valores da exigência fiscal. Ademais, o conteúdo da autuação está minuciosamente especificado no Termo de Verificação Fiscal, conforme se depreende das análises dos demonstrativos às fls. 18/31. Verificase, também, que o recorrente em sua Impugnação quanto ao seu Recurso Voluntário, demonstrou ter pleno conhecimento da matéria consubstanciada no Auto de Infração, transcrevendo, inclusive, jurisprudência do CARF. Ademais, o tal “Mandado de Constatação” sequer representa elemento essencial ao procedimento fiscal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais possui entendimento sedimentado que, para declarar nulidade do Auto de Infração por cerceamento do direito de defesa, é necessário que tanto a fundamentação legal quanto os fatos narrados estejam em desacordo com o caso concreto, conforme ementa que aqui transcrevo: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL — DESCRIÇÃO DOS FATOS E CAPITULAÇÃO LEGAL — IMPRECISÃO — Fl. 440DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 8 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA — NULIDADE — PROCESSO REFLEXIVO — DECORRÊNCIA PROCESSUAL Tendo a peça impositiva procedido à perfeita descrição dos fatos, possibilita ao contribuinte seu amplo direito de defesa, ainda mais que ele foi exercido em sua plenitude. A capitulação legal, cuja precisão foi prejudicada pela generalidade, mas com perfeito enquadramento do tipo fiscal, não conduzindo à efetiva confusão nos argumentos de defesa, não é suficiente para provocar a nulidade do lançamento. Sendo processo reflexivo, pelo princípio da decorrência processual, é de se adotar a mesma decisão prolatada no processo principal. (Acórdão: CSRF/01 04.779. Relator (a): José Carlos Passuello. Sessão: 01/12/2003). Assim, ausente prejuízo à defesa do autuado e preenchidos os preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, bem como os requisitos do arts. 10 e 11 do Decreto n° 70.235/1972, não há que se cogitar em nulidade do lançamento. No que tange à alegação de decadência, melhor sorte não está reservada à defesa. Diferentemente do que afirma o recorrente, a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada em bases mensais, como ocorre com vários tipos de rendimentos auferidos pelas pessoas físicas, em consonância com as disposições da Lei nº 7.713/1988, e tributadas na Declaração de Ajuste Anual. Nos casos em que ocorre pagamento ou antecipação do imposto, conforme se extrai da DIRPF/2005, fl. 211, devese aplicar o Recurso Especial nº 973.733/SC c/c art. 543C do CPC c/c art. 62A do RICARF, contandose o prazo de decadência a partir da data do fato gerador, conforme prevê o § 4º do art. 150 do CTN, supracitado. Embora alegue o recorrente que, relativamente à operação de compra do imóvel rural, a apuração do prazo de decadência deveria ocorrer a partir de 23/06/2003, conforme Registro nº R9 316, Protocolo 98.098, de 23/06/2003, fl. 65, verifico, pois, que o Registro nº R9 316, referese a um compromisso de compra e venda no valor de R$ 500.000,00, com término de pagamento em dezembro de 2003. Entretanto, o registro seguinte, ou seja, o R10 – 316 – Protocolo 100.191, datado de 01/03/2004, referese à compra e venda no valor de R$ 350.000,00 (fls. 65/66). Portanto, em razão da incoerência apresentada, bem como da falta de comprovação do efetivo pagamento, acompanho o entendimento da autoridade fiscal que considerou, para fins de cálculo do acréscimo patrimonial a descoberto, a escritura pública lavrada em 01/03/2004 no Cartório de Ofício de Notas e Registro Civil da Comarca de Unaí/MG, no valor de R$ 350.000,00 (fls. 65/66). Ressaltese que esse também foi o valor informado na Declaração Sobre Operações Imobiliárias (DOI) à fl. 279. Assim, considerando que o fato gerador do IRPF relativo ao anocalendário de 2004 perfezse em 31 de dezembro daquele ano, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2005 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completase em 31 de dezembro de 2009. Como a ciência do lançamento ocorreu em 20 de julho de 2009 (fl. 04), o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2004 não havia sido atingido pela decadência. Sobre o pedido de diligência, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem Fl. 441DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.013036/200904 Acórdão n.º 2201002.573 S2C2T1 Fl. 6 9 prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235/1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748/1993). Os procedimentos de perícia/diligência não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação/Recurso apresentada pelo interessado. Tais instrumentos se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. No presente caso houve a devida apreciação pela turma julgadora do pedido de perícia e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. Transcrevese o art. 29 do Decreto 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária. Em seu apelo o contribuinte reitera o pedido de diligência ao Cartório de Unaí, alegando que é o único meio propício para averiguar a exata base de cálculo para tributação do imposto de renda de pessoa física. Entretanto, da análise dos argumentos do recorrente, fica evidente que todos eles se referem à produção de provas que caberia ao contribuinte apresentar, tais como: comprovante de pagamento do imóvel rural, transferências bancárias, entre outros. Ante a esses argumentos, indefiro o pedido de perícia. No mérito, solicita o contribuinte que seja considerado como rendimentos da atividade rural todos os lançamentos ocorridos em seu extrato bancário, em razão de sua condição de produtor rural e por não estar obrigado à emissão de documento fiscal para acobertar o trânsito de mercadorias no estado. Por fim, argumenta que não houve dolo, portanto, não é devida a multa de 150%. Pois bem, em que pese alegue o recorrente que todos os lançamentos em seu extrato bancário referemse à atividade rural, cumpre esclarecer que o inciso I do § 3° do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, expressamente dispõe que, para efeito de determinação da receita omitida, os créditos devem ser analisados separadamente, ou seja, cada um deve ter sua origem comprovada de forma individual, com apresentação de documentos que demonstrem a sua origem, com indicação de datas e valores coincidentes. O ônus dessa prova, por presunção legal, recai exclusivamente sobre o contribuinte, não bastando indicar uma fonte genérica (atividade rural) para comprovar um ou mais créditos havidos em seu movimento bancário. Portanto, não se constatando nos autos provas documentais contrárias, correta a tributação dos valores como renda omitida. Quanto à omissão de ganho de capital, verifico, pois, que o contribuinte não se insurge concretamente contra a exigência, contudo, alega que houve um erro de fato, já que a fiscalização teria apontado como imposto devido o valor de R$ 48.285,00, “quando na verdade o valor correto seria de R$ 7.242,75”. Entretanto, compulsandose o auto de Infração, fl. 12, constatase que o imposto devido foi de R$ 7.242,75. Portanto, não há qualquer erro na constituição do lançamento. Fl. 442DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 10 No que tange à qualificação da multa, a autoridade autuante consignou no Termo de Verificação Fiscal, fl. 29, que: Em razão da constatação da ocorrência de sonegação e fraude fiscais, o evidente intuito de fraude e sonegação está presente, assim a conduta do fiscalizado enquadrase na definição contida nos 71 e 72 da Lei n° 4.502/64, consequentemente, ao lançamento de ofício foi imputada a multa de ofício qualificada, em conformidade com o art44 da 9.430/96, com nova redação dada pelo art. 14 da lei 11.488 de 15 de junho de 2007... Do exposto, o que se vê dos argumentos despendidos pela autoridade lançadora nada mais é do que o próprio pressuposto da autuação, ou seja, simples omissão de rendimentos ou declaração inexata, sem qualquer prova de conduta dolosa. Com efeito, a infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. Para a qualificação da penalidade deveria o fisco trazer provas que materializassem o dolo do sujeito passivo. Não bastam apenas divergências e/ou omissão entre os valores declarados e os apurados para alicerçarem o evidente intuito de fraude. Assim, relativamente ao item 2 do Auto de Infração, qual seja, omissão de ganho de capital obtidos na alienação de bens e direitos, deve ser aplicada a Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Quanto à qualificação da multa de ofício, aplicada sobre a presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, apurada no item 1 e item 3 do Auto de Infração, fl. 05/06, invoco a Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Incomprovada a fraude ensejadora da multa isolada, esta não pode subsistir. Dessa forma, deve o percentual da multa de ofício ser reduzido para 75%. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 443DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 15504.013036/200904 Acórdão n.º 2201002.573 S2C2T1 Fl. 7 11 Fl. 444DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10675.720164/2011-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 17 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1101-000.091
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, sobrestado o julgamento do recurso voluntário, por se tratar de tema de repercussão geral (sigilo bancário RMF), divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes (substituto) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, sobrestado o julgamento do recurso voluntário, por se tratar de tema de repercussão geral (sigilo bancário RMF), divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes (substituto) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. RELATÓRIO
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Acordam os membros do colegiado, Por maioria de votos, sobrestado o julgamento do recurso voluntário, por se tratar de tema de repercussão geral (sigilo bancário – RMF), divergindo o Conselheiro José Ricardo da Silva e o Presidente Marcos Aurélio Pereira Valadão. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente), José Ricardo da Silva (vicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, José Sérgio Gomes (substituto) e Nara Cristina Takeda Taga. Ausente, justificadamente, a Conselheira Mônica Sionara Schpallir Calijuri. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .7 20 16 4/ 20 11 -3 9 Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Resolução nº 1101000.091 S1C1T1 Fl. 9 2 RELATÓRIO Consta do Termo de Verificação Fiscal e Sujeição Passiva Solidária (proc. fls. 85 a 89), que a ação fiscal teve início em 01/06/2009 referente ao anocalendário de 2006. Após diversas intimações e reintimações, a contribuinte não apresentou a documentação fiscal e contábil solicitada. Desta forma, a autoridade fiscalizadora emitiu Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira – RMF às instituições em que a fiscalizada teve movimentação de valores no anocalendário de 2006. De posse das informações prestadas via RMF, a autoridade fazendária intimou a contribuinte para que comprovasse a origem dos recursos apurados em suas contas correntes. A despeito da concessão de pedido de dilação de prazo, transcorrido este, a interessada não apresentou qualquer esclarecimento. Assim, mais uma vez foram expedidos RMFs, dessa vez para que as instituições apresentassem documentos para esclarecimentos dos valores apurados. A autuada mantevese inerte e não apresentou nenhum documento comprobatório da origem dos valores apurados junto às instituições financeiras. Destarte, procedeuse ao arbitramento do lucro. Lavrados os Autos de Infração por omissão de receitas caracterizada pela existência de depósitos bancários não escriturados, foi imposta multa de ofício qualificada pelo intuito fraudatório, bem como o agravamento da mesma por falta de atendimento às intimações, perfazendo o percentual de 225%. Com fundamento no art. 135, III do Código Tributário Nacional, procedeuse à responsabilização solidária das sócias. Vale mencionar que consta no contrato social que a administração da empresa seria exercida unicamente pela sócia Rosana Pacheco Simão Zardo. Ocorre que, foi registrado no Cartório do 3º Ofício de Notas procuração outorgando plenos poderes para que a sócia Laila Simão Zardo administrasse os negócios da firma outorgante. Neste sentido, as sócias Rosana e Laila foram consideradas coresponsáceis solidárias. O agente fazendário lavrou Autos de Infração de IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, IPI e Contribuições para o INSS separadamente, um para cada tributo. Inconformada com a lavratura dos Autos de Infração, a contribuinte apresentou Impugnação em 21/02/2011 (proc. fls. 1321 a 1342). Preliminarmente, a Impugnante alegou vício no Auto de Infração sob o argumento de que, devido à extensão da “disposição legal infringida”, não foi possível saber exatamente qual parte do ordenamento jurídico foi contrariada, o que dificultou o exercício do direito de defesa. No mérito, a autuada asseverou que os trabalhos realizados pela fiscalização carecem de precisão, pois não foram excluídas do montante apurado no Auto de Infração como receita omitida, aquelas oriundas de operações alcançadas pela imunidade (art. 150, IV da Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Resolução nº 1101000.091 S1C1T1 Fl. 10 3 Constituição Federal) e isenção (Lei nº 10.8665/04) de livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão. Além disso, a interessada afirmou que foram consideradas em duplicidade movimentações entre contas correntes do mesmo titular e deu como exemplo dois cheques datados de 27/04/2006, depositados no Banco Itaú e que são de titularidade da própria Impugnante referente à conta no Banco Real (hoje Santander). Desta forma, requereu a realização de perícia para que fossem expurgados do Auto de Infração os valores movimentados entre contas da própria contribuinte. A fiscalizada ainda argumentou que houve erro de cálculo, visto que a forma de apuração do montante devido e não pago deveria ser pela metodologia do lucro presumido, já que na visão da fiscalização houve superação do limite legal do SIMPLES, portanto, não se poderia utilizar as alíquotas desta sistemática no cálculo do tributo devido. Relativamente à responsabilidade solidária das sócias, a contribuinte relatou que para se atribuir a responsabilidade prevista nos incisos II e III do art. 135 do CTN, seria necessária prova de que houve intenção de causar dano ao Erário, visto que o mero inadimplemento de obrigações tributárias principais não pode ser, por si só, caracterizado como dolo. Ainda sobre a responsabilização solidária das sócias, a Impugnante esclareceu que somente a sócia Rosana Pacheco Simão Zardo tinha poderes para gerir a empresa. Ademais, ressaltou que a conduta dolosa de quem se pretende responsabilizar deverá ser apurada em prévio processo, assegurado ao agente o contraditório e o exercício da ampla defesa. Portanto, somente após o regular processo de apuração da prática do ato doloso a que se refere o CTN é que será possível aventar qualquer indício de responsabilização pessoal do administrador da pessoa jurídica. Por fim, a fiscalizada entendeu que a não entrega de documentos não pode ser considerada como embaraço à autuação fiscal, pois há muitos fatores que justificam a não apresentação, tais como: ausência de entrega da intimação diretamente aos sócios, ou ainda os documentos exigidos pela fiscalização se referirem a período bastante pretérito, ou vasta documentação exigida. Destarte, entendeu que a Impugnante e seus funcionários é que foram embaraçados, e não o contrário. Ademais, alegou que não há que se falar em embaraço por parte do Fisco, pois a autoridade fazendária concluiu perfeitamente a fiscalização. Requereu em sede de Impugnação: 1) a anulação do Auto de Infração por contemplar valores que não são tributáveis – receitas de operação com livros, jornais em periódicos e transferências entre contas bancárias da própria impugnante; 2) que caso não seja esse o entendimento, que seja cancelado o Auto de Infração por excesso nos valores cobrados, emitindo novo auto corrigido e reaberto prazo de defesa; 3) que seja afastada a solidariedade tributária quanto às sócias Laila e Rosana, por não se configurarem, no caso em tela, nenhuma das hipóteses do art. 135 do CTN; 4) que sejam substituídos os bens das sócias citadas no item anterior deste pedido, através de Termo de Arrolamento de Bens, por bens da própria Impugnante, já que esta possui patrimônio próprio suficiente para garantir a dívida; 5) que seja concedido o prazo de 30 dias para juntada de novos documentos. Em 29/06/2011, a 2ª Turma da DRJ em Juiz de Fora exarou Acórdão julgando procedente em parte a Impugnação apresentada (proc. fls. 1.837 a 1859). O Colegiado decidiu exonerar parcialmente parcelas do crédito tributário, sendo que o montante mantido foi Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Resolução nº 1101000.091 S1C1T1 Fl. 11 4 acrescido de multa no percentual de 225%. De início, o Órgão Julgador manifestouse no sentido de que a contribuinte demonstrou em sua Impugnação total entendimento dos atos administrativos que redundaram na lavratura dos Autos de Infração, motivo pelo qual, foi afastada a preliminar de nulidade por impossibilidade de aferição de qual dispositivo foi contrariado. A Turma ressaltou que os Autos de Infração, os Termos de Verificação Fiscal e de Sujeição Solidária contém fundamentação legal, descrição dos fatos e a determinação das exigências, bem como se encontram instruídos com seus respectivos demonstrativos resultantes das constatações firmadas pela autoridade administrativa e a devida ciência de todos eles. Dessa maneira, o órgão fazendário entendeu que não houve qualquer embaraço aos exercícios dos direitos ao contraditório e ampla defesa. No mérito, o órgão julgador a quo afirmou que as receitas consideradas imunes não são excluídas da receita acumulada, tanto para fins de determinação da alíquota aplicável em cada período de apuração, como para fins de verificação do enquadramento da empresa em relação ao ano calendário seguinte. Ademais, explanou que a imunidade prevista no art. 150, VI da Constituição Federal está restrita aos impostos, não alcançando, portanto, as contribuições. Além disso, tal benefício tributário não é dirigido à pessoa jurídica ou física, mas sim a algumas mercadorias, de forma objetiva. Concluiu que “a imunidade relativa aos livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão abrange tãosomente aqueles impostos que incidam especificamente sobre a circulação ou industrialização da mercadoria e não aqueles que atinjam a renda ou o patrimônio da pessoa jurídica”. Quanto aos documentos juntados em sede de Impugnação (notas fiscais) visando justificar a origem das receitas classificadas como omitidas, o Colegiado argumentou que, por se tratar de presunção legal, o ônus da prova caberia à contribuinte e que esta apenas juntou tais documentos sem realizar qualquer tipo de conciliação com os extratos bancários. Ocorre que a DRJ supriu a deficiência da empresa e procedeu a conciliação bancária o que resultou na planilha “Notas Fiscais consideradas imunes”. Confeccionouse também uma segunda planilha (“Notas Fiscais Desconsideradas”) que, juntamente com a anterior, foram acostadas a estes autos às folhas 1827/1836. Em relação ao argumento de que algumas transferências entre contas de sua titularidade não foram excluídas pela auditoria, o Colegiado argumentou que, da análise do Termo de Intimação nº 02 (10/05/2010), a contribuinte foi cientificada dos valores excluídos a titulo de “créditos decorrentes de transferência de outra conta do mesmo titulas” e, no entanto, não apresentou qualquer manifestação. A despeito disto, os dois cheques juntados quando da Impugnação foram analisados e excluídos do montante devido. A Turma mais uma vez ressaltou que por se tratar de presunção legal, o ônus é do contribuinte que se exime com a apresentação de documentação idônea e não apenas com mera alegação. A DRJ entendeu descabido o pedido de perícia, pois não há qualquer justificativa técnica, a contribuinte deseja apenas que sua contabilidade seja mais uma vez analisada. Ademais, outro motivo levantado pela Turma para indeferir a realização de perícia foi o não atendimento do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/72 que determina além da Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Resolução nº 1101000.091 S1C1T1 Fl. 12 5 justificativa técnica, a formulação de quesitos e a indicação de perito quando do pedido de realização de perícia. A contribuinte asseverou que a Lei nº 11.033/04 reduziu as alíquotas do PIS e da COFINS incidentes sobre a venda de livros no mercado interno para zero. No entanto, o Colegiado relatou que o SIMPLES Federal é um sistema especial de tributação criado para beneficiar as Microempresas (ME) e Empresas de Pequeno Porte (EPP), sendo que o pagamento dos tributos integrantes de tal sistema é recolhido de modo unificado, não podendo haver dispensa de um ou outro tributo a título de isenção de qualquer outro regime de tributação (Lei nº 9.317/96). No mesmo sentido, há a Solução de Consulta nº 22/2005 – DISIT 06. A Impugnante ainda requereu que a tributação se desse pelo lucro presumido. No entanto, o órgão julgador fazendário asseverou que regime de tributação a que a empresa estiver submetida deverá ser considerado para efeito de lançamento dos impostos, quando verificada a omissão de receitas, segundo o disposto nos art. 24 da Lei nº 9.249/95 combinado com o art. 18 da Lei nº 9.317/97. Além disso, a alegação de que ao ultrapassar o limite legal a contribuinte seria automaticamente excluída do SIMPLES, e, portanto, a tributação deveria ocorrer de acordo com a sistemática do lucro presumido, não encontra qualquer guarida. A exclusão do SIMPLES encontrase formalizada no processo administrativo nº 10675.720597/201194. As bases legais para tal exclusão são os arts. 9º, II, 14, I c/c art. 15, IV, todos da Lei nº 9.317/96. Neste diapasão, os efeitos da exclusão se verificam no anocalendário seguinte ao que foi extrapolado o limite de receita bruta. A interessada ainda argumentou que a contribuição para a seguridade social deveria ser calculada sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados. Mais uma vez a DRJ afirmou que a contribuinte não pode querer se submeter ora às normas próprias do regime do SIMPLES, ora às normas do regime geral de tributação, sob pena se criar um terceiro regime não previsto em lei. A Turma ressaltou que não houve qualquer contestação quanto à aplicação da multa em sua forma qualificada. Destarte, de conformidade com o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. No tocante à responsabilização das sócias, a DRJ alegou que “as condutas reiteradas das duas sócias, fartamente demonstradas no processo, de movimentar na conta bancária vultosas quantias e o não oferecimento de tais receitas à tributação, com a apresentação da declaração de ajustes anual em valores muito inferiores às receitas omitidas com o intuito de subtrair valores da tributação e para se manter no SIMPLES, evidenciam a prática de vários atos contrários à lei da sócia Rosana Pacheco Simão Zardo com poderes por parte da sócia Laila Simão Zardo tornando cabível a responsabilização de ambas, nos termos dos incisos II e III do art. 135 do CTN”. Concluiuse pela correta responsabilização de ambas as sócias. Quanto ao agravamento da multa para o percentual de 225%, o Colegiado entendeu que os autos demonstram com clareza a falta de atendimento às intimações, desta forma, cabível a aplicação do disposto no inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Resolução nº 1101000.091 S1C1T1 Fl. 13 6 Irresignada com o julgamento da Impugnação, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 02/12/2011 (proc. fls. 1885 a 1914). A Recorrente se valeu basicamente dos mesmos argumentos já esposados quando da Impugnação, quais sejam: cerceamento do direito de defesa tendo em vista a impossibilidade de identificação precisa dos dispositivos legais infringidos; da impossibilidade de tributação da receita supostamente omitida pelo regime do SIMPLES; não se excluiu as operações realizadas pela empresa que são alcançadas por imunidade, bem como as contribuições isentas; valores movimentados entre contas da fiscalizada e que foram considerados como base de cálculo; erro no cálculo do Auto de Infração – tributação pelo lucro presumido ante à superação do limite global para aderir ao SIMPLES; inexistência de responsabilidade solidária das sócias; e, afastar o agravamento da multa por embaraço à fiscalização. Inovando a sua defesa, a postulante questionou a licitude da forma como o Fisco Federal teve acesso à sua movimentação bancária. Afirmou que houve quebra do sigilo bancário sem autorização judicial e que isto afronta o ordenamento vigente. Também questionou a possibilidade de presunção de receita com base apenas em movimentação bancária, matéria está que também não foi objeto de contestação no momento da Impugnação. É o relatório Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Resolução nº 1101000.091 S1C1T1 Fl. 14 7 VOTO Nara Cristina Takeda Taga , Conselheira Relatora O Recurso interposto preenche os requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Antes de adentrar na análise do caso em concreto, fazemse necessárias algumas observações sobre Requisição de Informação para Movimentação Financeira – RMF. A Lei Complementar nº 105/2001 autoriza que a autoridade fazendária requisite às instituições financeiras, por meio de RMF, as informações pertinentes ao contribuinte sob fiscalização, desde que satisfeitos os requisitos objetivos previstos em lei. A constitucionalidade desta lei tem sido questionada tanto em sede de controle concentrado de constitucionalidade como em Recurso Extraordinário, estando ambos pendentes de julgamento no Supremo Tribunal Federal. De acordo com o previsto no art. 62A, § 1º do Regimento Interno deste Conselho RICARF (Portaria MF nº 256/2009), reconhecida a repercussão geral em sede de Recuso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, os julgamentos dos recursos devem ser sobrestados. Confirase: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. (grifei) § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Ocorre que desde 23/10/2009, o STF reconheceu a existência de repercussão geral sobre o tema no julgamento do RE 601.314 conforme se verifica na ementa a seguir: “Constitucional. Sigilo Bancário. Fornecimento de Informações sobre Movimentação Financeira, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial (Lei Complementar nº 105/2001). Possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174/2001 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. Relevância jurídica da questão constitucional. Existência de Repercussão Geral”. Destarte, entendo que os processos em tramite neste Conselho que versem sobre RMF, em conformidade com o previsto no RICARF, devem ficar sobrestados aguardando o julgamento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, tendo em vista que cabe a este Tribunal a última palavra sobre inconstitucionalidade no nosso ordenamento jurídico. Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10675.720164/201139 Resolução nº 1101000.091 S1C1T1 Fl. 15 8 Neste mesmo diapasão já se manifestou a 2ª Turma especial da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo, vide: (CARF, 2ª Turma Especial, Primeira Seção de Julgamento, Acórdão 1802001.387, julgado em 02/10/2012) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO ACOLHIMENTO JULGAMENTO PASSÍVEL DE SOBRESTAMENTO PELO CARF. Configurada a omissão no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos. O fornecimento de informações sobre movimentação bancária de contribuintes, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco por meio de procedimento administrativo, sem a prévia autorização judicial, nos termos do art. 6º da Lei Complementar 105/2001, é matéria cujo julgamento foi sobrestado pelo Supremo Tribunal Federal STF (decisão proferida no Agravo de Instrumento AI 765714 SP, em 19/10/2010). Na data em que foi Proferido o acórdão embargado, 23/05/2011, já estava vigente o art. 62 A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Com as alterações da Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010. O Acórdão embargado deve ser cancelado, e um novo julgamento do recurso voluntário constante do presente processo administrativo deve ficar sobrestado até a decisão definitiva de mérito pelo STF, relativamente à referida matéria (grifei). Ante o exposto, o presente voto é no sentido de SOBRESTAR O JULGAMENTO do recurso voluntário que pende de apreciação neste processo administrativo. (documento assinado digitalmente) NARA CRISTINA TAKEDA TAGA Relatora Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por NARA CRISTINA TAKEDA TAGA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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