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Numero do processo: 10280.722000/2011-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente.
DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. 13º SALÁRIO.
Não é dedutível a pensão alimentícia paga em cumprimento à decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, quando retida sobre o 13º salário.
Numero da decisão: 2002-000.868
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução com pensão judicial no valor parcial de R$16.661,46.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. 13º SALÁRIO. Não é dedutível a pensão alimentícia paga em cumprimento à decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, quando retida sobre o 13º salário.
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DEDUÇÃO. PENSÃO JUDICIAL. Recorrente RAIMUNDO CARDOSO NEGRAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Poderão ser deduzidos os pagamentos referentes a título de pensão alimentícia em face das normas do direito de família, quando comprovados o pagamento e a existência de sentença judicial ou acordo homologado judicialmente. DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA. 13º SALÁRIO. Não é dedutível a pensão alimentícia paga em cumprimento à decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou escritura pública, quando retida sobre o 13º salário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução com pensão judicial no valor parcial de R$16.661,46. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Ausente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 20 00 /2 01 1- 80 Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10280.722000/201180 Acórdão n.º 2002000.868 S2C0T2 Fl. 50 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (fls. 12/15), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual do contribuinte acima identificado, relativa ao exercício de 2008. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$49,48 para saldo de imposto a pagar de R$2.075,50. A notificação noticia a dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, no montante de R$18.090,24, consignando que o contribuinte, após ter solicitado prorrogação de prazo para atendimento da intimação, não apresentou documentação comprobatória do valor declarado. Impugnação Cientificada ao contribuinte em 26/7/2011, a NL foi objeto de impugnação, em 5/8/2011, às fls. 2/10 dos autos, na qual ele alegou que atendera à intimação e que a pensão judicial seria descontada por sua fonte pagadora. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, julgoua improcedente, em decisão assim ementada (fls. 29/32): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. São dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 19/8/2015 (fl. 36), o contribuinte, em 16/9/2015 (fl. 37), apresentou recurso voluntário, às fls. 37/47, no qual alega , em apertado resumo, que: poderia ter incorrido em erro técnico ou em troca de valores nos campos devidos a pessoa responsável pelo preenchimento de sua declaração de ajuste. teria juntado todos os documentos solicitados pela RFB. estaria acrescentando novos documentos de forma a fazer a prova exigida, listandoos (fl.38). Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10280.722000/201180 Acórdão n.º 2002000.868 S2C0T2 Fl. 51 3 caso seja mantida a autuação, o crédito tributário seja parcelado. Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O litígio recai sobre a pensão judicial declarada pelo recorrente, em favor de Gercina Negrão, no montante de R$18.090,24 (fl.21), glosada por falta de comprovação. Quanto a pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, a regra é que eles podem ser deduzidos na declaração de rendimentos, desde que sejam decorrentes do cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil). Nos termos do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999 e demais normas e suas alterações, indicadas na notificação de lançamento, a dedutibilidade do valor pago a título de pensão alimentícia está subordinada à comprovação da obrigação decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, ou mesmo de escritura pública (art. 1.124A da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil) e também à comprovação dos pagamentos efetuados. Na apreciação da impugnação, o colegiado de primeira instância manteve a glosa, consignando: No caso de despesas com Pensão Alimentícia, pagas em face das normas do Direito de Família, a legislação tributária estabelece, com clareza meridiana, que se comprova a obrigação, simultaneamente: · com a apresentação da Decisão Judicial, do Acordo Homologado Judicialmente ou da Escritura Pública a que se refere o art. 1.124A da Lei n.º 5.869/1973, onde é possível conhecer os termos da obrigação, a exemplo do quantum a ser pago em dinheiro; data do início; nomes dos beneficiários e alimentante; etc; e · com a comprovação do pagamento, ou seja, a transferência efetiva dos recursos aos alimentandos. Feita essa preleção, a infração foi lavrada, em face de não ter havido comprovação do direito à dedução, bem como do pagamento da pensão alimentícia. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10280.722000/201180 Acórdão n.º 2002000.868 S2C0T2 Fl. 52 4 O impugnante sustenta que faz jus à dedução, acrescentando que atendeu tempestivamente ao Termo de Intimação Fiscal, apresentando, na ocasião, Certidão de Casamento e Nascimento, comprovantes de despesas médicas e do pagamento da pensão alimentícia judicial, cuja cópia anexa à impugnação. Compulsando os autos, observase que se limitou a apenas acostar os mesmos documentos anteriormente apresentados. A comprovação do pagamento, cuja cópia diz estar apresentando novamente (fl. 08), diz respeito a outro período: 2010. Não é demais destacar que o lançamento reportase ao anocalendário 2007, exercício 2008 (fls. 04). Tal fato, por si só, já é suficiente para a manutenção da glosa, uma vez que, como já se demonstrou acima na legislação tributária colacionada, a comprovação do pagamento é um dos requisitos essenciais para o gozo da dedução. Não bastasse isso, igualmente não apresentou o Acordo Homologado judicialmente ou a Decisão Judicial, mas tão somente o Ofício do Poder Judiciário, determinando o desconto para a fonte pagadora. Nesse documento apresentado (fl. 09), não é possível conhecer os termos integrais contidos na Ação de Separação Consensual, a exemplo de eventuais condições supervenientes relativas aos alimentos acertadas para anos posteriores (redução do percentual, exclusão de alimentandos, etc). Assim, na ausência de comprovação hábil e idônea do pagamento da pensão alimentícia declarada referente ao ano calendário 2007, requisito essencial exigido pela legislação tributária, bem como a não apresentação do Acordo Homologado judicialmente ou da Decisão Judicial, há que manter a glosa efetuada. Agora, em seu recurso, o recorrente junta comprovante de rendimento do anocalendário 2007 (fl.39), o qual comprova o pagamento da pensão dedutível de R$16.661,46, e não de R$18.090,24, como declarado. Cabe esclarecer ao recorrente que a pensão incidente sobre o 13º salário não é dedutível. Isto porque a tributação do 13º salário se distingue dos demais rendimentos, por aquele ser tributado exclusivamente na fonte, conforme preceitua o art. 638 do RIR/99. Ou seja, o 13º salário não é passível de ajuste na DIRPF, não sendo incluído em sua base de cálculo anual. Consequentemente, as retenções ocorridas sobre esse rendimento também não podem ser consideradas dedutíveis nessa mesma base de cálculo. Registrese, ainda, que a pensão alimentícia judicial descontada do décimo terceiro salário já constituiu dedução desse rendimento e a utilização da dedução na Declaração de Ajuste Anual implicaria na duplicação da dedução. Ainda que o recorrente não tenha juntado cópia do acordo homologado judicialmente, considero que os documentos constantes dos autos se revelam hábeis a atestar a existência de decisão judicial determinando o pagamento dessa pensão. Nesse sentido, destaco Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10280.722000/201180 Acórdão n.º 2002000.868 S2C0T2 Fl. 53 5 o Ofício direcionado a sua fonte pagadora, a certidão de casamento contendo a averbação da separação ocorrida em 2004 (fl.46) e o comprovante de rendimento consignando o pagamento. Dessa feita, é de se restabelecer a dedução com pensão no valor parcial de R$16.661,46. Conclusão Pelo exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário, para restabelecer a dedução com pensão judicial no valor parcial de R$16.661,46. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 53DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.730148/2011-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008, 2009, 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DE DEDUÇÕES. MULTA QUALIFICADA.
Comprovada uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964, é de se manter a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 9202-007.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. GLOSAS DE DEDUÇÕES. MULTA QUALIFICADA. Comprovada uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964, é de se manter a qualificação da multa de ofício.
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GLOSAS DE DEDUÇÕES. MULTA QUALIFICADA. Comprovada uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73, da Lei nº 4.502, de 1964, é de se manter a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 01 48 /2 01 1- 11 Fl. 656DF CARF MF 2 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2802002.836, proferido pela 2ª Turma Especial / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de fls.2 e ss., por supostas deduções indevidas, nos exercícios de 2008 a 2010, de despesas médicas, com instrução, previdência privada e FAPI, pensão alimentícia judicial e livrocaixa, por falta de comprovação, incidindo multa de ofício qualificada de 150%, pela reiterada e sistemática realização de diversas deduções não comprovadas em três anoscalendário consecutivos, a configurar a presença de dolo. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 226/234. A DRJ/SDR, à fl. 236, julgou pela improcedência da impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário na forma originalmente lançado. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 258/265. A 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 560/565, DEU PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para restabelecer a dedução das despesas relativas aos pagamentos de pensão alimentícia nos seguintes valores e anoscalendário: 33.000,00 para o anocalendário 2008 e R$ 54.950,00, para o anocalendário 2009. Restabeleço ainda nos termos supra, dedução de despesas médicas no anocalendário 2008, no montante de R$ 4.599,24. Reconduzo ao patamar ordinário de 75% a multa de ofício aplicada, mantendose quanto ao mais o lançamento. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008, 2009, 2010 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. VALORES PARCIALMENTE COMPROVADOS. Parcialmente comprovadas as despesas médicas deduzidas, é de restabelecer se a as glosas na mesma medida de tais comprovações. DESPESAS MÉDICAS NÃO DEDUTÍVEIS. REEMBOLSO. ÔNUS DA PROVA. Havendo prova nos autos de apresentação de comprovante de despesa médica para reembolso por plano de saúde e intimado o contribuinte a apresentar o demonstrativo de tais reembolsos, são de se rejeitar meros recibos, pois há fundado motivo para a exigência pelo Fisco do comprovante de reembolsos, cuja apresentação é ônus do contribuinte. DEDUÇÕES COM PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI, BEM COMO COM LIVROCAIXA NÃO COMPROVADAS. GLOSAS MANTIDAS. Não tendo se comprovado os pagamentos deduzidos é de manterse as glosas respectivas. Fl. 657DF CARF MF Processo nº 10580.730148/201111 Acórdão n.º 9202007.545 CSRFT2 Fl. 10 3 DEDUÇÕES COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PROVA PARCIAL. Parcialmente comprovados os pagamentos de pensão alimentícia judicial, é de restabeleceremse na mesma medida as glosas efetuadas. DEDUÇÕES COM DESPESAS DE INSTRUÇÃO. NATUREZA DE ALIMENTOS, POR CONSTAR A OBRIGAÇÃO DE TAIS PAGAMENTOS DOS ACORDOS HOMOLOGADOS JUDICIALMENTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE EFETIVO PAGAMENTO. GLOSAS MANTIDAS. Sendo fixado no acordo para pagamento de pensão alimentícia homologado judicialmente que o alimentante arcará com despesas de instrução dos alimentados, tais valores tem natureza de pensão alimentícia, sendo dedutíveis mesmo que os alimentandos não figurem como dependentes do contribuinte, embora nesse caso a título de pensão alimentícia. Não havendo, porém, prova de efetivo pagamento pelo contribuinte, mantemse as glosas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. RECONDUÇÃO AO PATAMAR DE 75%. AUSÊNCIA DE DOLO. Os elementos dos autos apontam para o cometimento de erros e a dificuldade da realização da prova, na maioria dos casos, não havendo indícios de intenção dolosa de subtrair valores à tributação. Recurso parcialmente provido. Às fls. 570/584, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Multa de ofício desqualificação. Os paradigmas se assemelha ao caso dos autos, considerando que foram mantidas as glosas de despesas médicas (tendo havido nos autos recibo do qual consta carimbo de apresentação à Petrobrás para reembolso, o que ensejou fundada razão para crer que houve reembolsos médicos efetuados pela empresa, tornando não dedutíveis os valores correspondentes); deduções indevidas relativas à Previdência Privada e FAPI, deduções do livrocaixa, bem como de pensão alimentícia, por falta de comprovação por meio de documentação idônea. O acórdão recorrido, mesmo diante de quadro fático no qual ficou estabelecido que o autuado, de forma consistente e reiterada, pleiteou redução do Imposto de Renda devido não só diante da dedução de despesas médicas em valores elevados, mas também de outras despesas igualmente não comprovadas, de forma a fazer jus, em decorrência, em consecutivos anoscalendários a montantes consideráveis a título de restituição; concluiu que, ainda assim, a qualificação da multa de ofício estaria alicerçada em presunções ou ilações da autoridade lançadora. Todos os arestos discutiam os pressupostos para a qualificação da multa de ofício no caso em que o contribuinte reduziu o montante a pagar a título de IRPF ou obteve restituição indevida do tributo, em razão de deduções não alicerçadas em suporte probatório idôneo e suficiente. Os arestos em referência entenderam que, se do conjunto das provas dos autos resultar indícios suficientes de que o agente conduziu sua conduta de forma intencional para obter a redução do imposto de renda a pagar, estão caracterizados os requisitos necessários à qualificação da multa. Para os paradigmas, como visto, bastou a existência de indícios similares ou até mesmo presentes com menor intensidade, gravidade e quantidade naqueles casos discutidos em Fl. 658DF CARF MF 4 contraposição ao ventilado neste feito, para legitimar a exasperação do patamar em que aplicada a penalidade (150%). Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 586/591, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Multa de ofício desqualificação. Às fls. 595/622, o Contribuinte interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca das seguintes matérias: 1. nulidade do auto de infração por ausência de requisitos essenciais; 2. deduções indicadas nas DIRPF 2007, 2008 e 2009. O Contribuinte apresentou Contrarrazões, às fls. 626/639, alegando, preliminarmente, ausência de demonstração de divergência entre o acórdão recorrido e o paradigma. No mérito, reforçou os argumentos anteriores. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto Contribuinte, às fls. 645/647, a 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, NEGOU SEGUIMENTO ao recurso, por considerar não atendidos os requisitos formais do recurso especial. O Contribuinte foi cientificado sobre a decisão que negou seguimento ao seu recurso especial à fl. 651. À fl. 655, a DRF informou nos autos que o processo nº 10580.727768/2016 70 foi desmembrado, na parte mantida do crédito tributário, para prosseguimento da cobrança, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de fls.2 e ss., por supostas deduções indevidas, nos exercícios de 2008 a 2010, de despesas médicas, com instrução, previdência privada e FAPI, pensão alimentícia judicial e livrocaixa, por falta de comprovação, incidindo multa de ofício qualificada de 150%, pela reiterada e sistemática realização de diversas deduções não comprovadas em três anoscalendário consecutivos, a configurar a presença de dolo. O Acórdão recorrido deu provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Multa de Ofício Qualificada Desqualificação. Na decisão recorrida, deuse parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%, sob o argumento de que a presunção legal de omissão de receia ou de rendimentos, por si só, não autoria a Fl. 659DF CARF MF Processo nº 10580.730148/201111 Acórdão n.º 9202007.545 CSRFT2 Fl. 11 5 qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional, trouxe para análise a divergência jurisprudencial, contestando a redução da multa de ofício do acórdão recorrido, alegando que o comportamento intencional, específico, de causar dano à Fazenda Pública, onde se utiliza de subterfúgios a fim de escamotear a ocorrência do fato gerador ou retardar o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária, como na situação em análise, deve sempre caracterizar a presença de dolo, fundamentando sua proposição nos arts. 44, II, da Lei 9.430/96 e nos arts. 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Todavia o acórdão recorrido concluiu pelos elementos dos autos que as verbas glosadas apontam para o cometimento de erros e a dificuldade da realização da prova, não havendo indícios de intenção dolosa pelo Contribuinte com a finalidade de subtrair valores da tributação. Não há dúvidas de que a multa é um tipo de penalidade. É sanção imposta ao autor de um ato ilícito, consistente na agressão a um bem jurídico tutelado pelo Estado. Deste modo, temse que as multas fiscais, a despeito sanções, medidas repressivas a uma conduta reprovável, isto é, o não recolhimento de tributos. Tais multas, têm nítido escopo de impor castigo e repreensão ao devedor e, também, um evidente caráter pedagógico e inibitório do não pagamento dos tributos. Nesta medida, a qualificação de multas, por representar não só uma sanção ao descumprimento do dever de pagar o tributo, mas também uma repressão a uma conduta fraudulenta, com intuito claramente penal, não pode ser aplicada livremente pelo fisco, pois este deverá motivar a efetiva e clara conduta reiterada do Contribuinte. Ou seja, entendeu a autoridade lançadora que o contribuinte prestou informações ao fisco, em sua Declaração de Ajuste Anual e em resposta à intimação, divergente de dados levantados pela fiscalização com intuito de reduzir o seu imposto de renda, e que mesmo tendo lhe sido ofertado prazo para correção e defesa não logrou êxito em comprovar a inexistência do crédito em favor da Receita Federal. Todavia, tendo havido a imputação do débito e realizada a defesa por parte do contribuinte cabe a autoridade lançadora considerar ou desconsiderar os dados e provas apresentadas (matéria de prova), e desconsiderandoas constituir o lançamento do crédito tributário respectivo a titulo de omissão de rendimentos, o que para o relator a quo, que eu concordo, caracteriza irregularidade simples penalizada pela aplicação da multa de lançamento de ofício normal de 75%, já que a irregularidade apontada jamais seria motivo para qualificação da multa, já que ausente conduta material bastante para a sua caracterização, sem se levar em conta que o presente lançamento foi efetuado por presunção de omissão de rendimentos (depósitos bancários não justificados). Ou seja, o suplicante não conseguiu provar que os recursos depositados/movimentados já foram tributados ou que não eram tributáveis, razão pela qual a autoridade fiscal, por dever de oficio, deve desconsiderar as alegações apresentadas e não considerálos como depósitos bancários com origem justificada e adicionálos a base de cálculo tributável no anocalendário questionado. Já a aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, § 1º, da Lei n° 9.430, de 1996, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, Fl. 660DF CARF MF 6 respeitando assim o princípio da legalidade e a vontade do legislador. Uma vez que a literalidade do dispositivo legal ressaltou expressamente que para que a multa de lançamento de ofício se transforme de 75% em 150% é imprescindível que se configure o evidente intuito de fraude. Este mandamento se encontra no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999. Ou seja, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no dispositivo legal referendado, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude. Para tanto, se faz necessário sempre ter em mente o princípio de direito de que a “fraude não se presume”, devem existir, sempre, dentro do processo, provas evidentes do intuito de fraude. Como se vê o art. 957, II, do Regulamento do Imposto de Renda, de 1999, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei n.º 4.502/64, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente, ocultála. Pensar diferente levaria a ideia de que toda omissão de rendimentos, ou que a simples reiteração em anos subsequentes seriam caso de aplicação de multa qualificada, e se assim fosse, o próprio dispositivo legal deveria trazer essa previsão, contudo não o fez, justamente por que a simples realização da conduta “omissão de rendimentos” não caracteriza o intuito de fraudar. A qualificação da multa, nestes casos, importaria em equiparar uma prática identificada de omissão de rendimentos por presunção legal, aos fatos delituosos mais ofensivos à ordem legal, nos quais o agente sabe estar praticando o delito e o deseja, a exemplo: da adulteração de comprovantes, da nota fiscal inidônea, movimentação de conta bancária em nome fictício, movimentação bancária em nome de terceiro (“laranja”), movimentação bancária em nome de pessoas já falecidas, da falsificação documental, do documento a título gracioso, da falsidade ideológica, da nota fiscal calçada, das notas fiscais de empresas inexistentes (notas frias), das notas fiscais paralelas, do subfaturamento na exportação (evasão de divisas), do superfaturamento na importação (evasão de divisas), etc. E aqui peço vênia para me utilizar dos exemplos utilizados pelo relator do Acórdão 210201.296, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, o qual exemplifica que "não se pode reconhecer na simples omissão de rendimentos / receitas, a exemplo de omissão no registro de compras, omissão no registro de vendas, passivo fictício, passivo não comprovado, saldo credor de caixa, suprimento de numerário não comprovado, acréscimo patrimonial a descoberto ou créditos bancários cuja origem não foi comprovada, tratarse de rendimentos / receitas já tributadas ou não tributáveis, embora clara a sua tributação, que justifique a imposição de multa qualificada". Isso ocorre por uma resposta muito simples. É porque existe a presunção de omissão de rendimentos, por isso, é evidente a tributação, mas não existe a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar. O motivo da falta de tributação é diverso. Pode ter sido, omissão proposital, equívoco, lapso, negligência, e até mesmo desorganização, etc. Se a premissa da autoridade fiscal lançadora fosse verdadeira, ou seja, que a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a exemplo da simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; da classificação indevida de receitas / rendimentos na Declaração de Ajuste Anual; da falta de inclusão de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, da inclusão indevida de algum valor / bem / direito na Declaração de Bens ou Direitos, da simples glosa de despesas por falta de comprovação ou da falta de declaração de algum rendimento recebido, através de crédito em conta bancária, pelo contribuinte, daria por Fl. 661DF CARF MF Processo nº 10580.730148/201111 Acórdão n.º 9202007.545 CSRFT2 Fl. 12 7 si só, margem para a aplicação da multa qualificada, não haveria a hipótese de aplicação da multa de ofício normal, ou seja, deveria ser aplicada a multa qualificada em todas as infrações tributárias, a exemplo de: passivo fictício, saldo credor de caixa, declaração inexata, falta de contabilização de receitas, omissão de rendimentos relativo ganho de capital, depósitos bancários não justificados, acréscimo patrimonial a descoberto, rendimento recebido e não declarado e glosa de despesas, etc. Assim, tomando como base os dispositivos legais atinentes a fraude fiscal, tenho que salientar que foi escorreito o acórdão recorrido ao citar que seu conceito esta delineado na leitura conjunta da Lei 4.502/64 nos arts 71,72 e 73, Lei 9430/96 em seu artigo 44, e Decreto 3000/99, art. 957. Disso se depreende que juridicamente, entendese por máfé todo o ato praticado com o conhecimento da maldade ou do mal que nele se contém. É a certeza do engano, do vício, da fraude. O intuito de fraudar referido não é todo e qualquer intuito, tão somente por ser intuito, e mesmo intuito de fraudar, mas há que ser intuito de fraudar que seja evidente, pois, quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. Considero que o intuito de fraude aparece de forma clarividente em casos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. E ainda que restassem dúvidas quanto ao sentido a ser atribuído à disposição legal, em reforço argumentativo, deve destacar o art. 112 do CTN, que impõe interpretações mais benéfica aos infratores da lei tributária: Código Tributário Nacional – CTN: Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; Fl. 662DF CARF MF 8 IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação.” (grifo nosso) Tomando o art. 112 do CTN como diretriz da aplicação de penalidades tributárias, insta salientar que a aplicação da multa agravada não deve ser tida como regra, mas sim como exceção nos casos de exclusiva comprovação fraude. Na hipótese dos autos, observase que o Contribuinte teve mantidas as glosas de despesas médicas (tendo havido nos autos recibo do qual consta carimbo de apresentação à Petrobrás para reembolso, o que ensejou fundada razão para crer que houve reembolsos médicos efetuados pela empresa, tornando não dedutíveis os valores correspondentes); deduções indevidas relativas à Previdência Privada e FAPI, deduções do livrocaixa, bem como de pensão alimentícia, por falta de comprovação por meio de documentação idônea. E na análise das mesmas verificase um reiterado intuito do Contribuinte em obter vantagens indevidas e o fez por meio de informações falsas. Em face ao exposto, conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional para no mérito darlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 663DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.901698/2014-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 24/01/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.642
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 16 98 /2 01 4- 77 Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10830.901698/201477 Acórdão n.º 3401005.642 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.085, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10830.901698/201477 Acórdão n.º 3401005.642 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 254DF CARF MF Processo nº 10830.901698/201477 Acórdão n.º 3401005.642 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 255DF CARF MF Processo nº 10830.901698/201477 Acórdão n.º 3401005.642 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 256DF CARF MF Processo nº 10830.901698/201477 Acórdão n.º 3401005.642 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 257DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.907819/2015-80
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013
INSUMO. CONCEITO. REGIME NA~O CUMULATIVO.
O conceito de insumo deve ser aferido a` luz dos crite´rios da essencialidade ou releva^ncia, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importa^ncia de determinado item bem ou servic¸o para o desenvolvimento da atividade econo^mica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR).
FRETES MARÍTIMOS INTERNACIONAIS. INCIDÊNCIA NÃO-CUMULATIVA
Não são considerados adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País os serviços de transporte internacional contratados por intermédio de agente, representante de transportador domiciliado no exterior.
FRETE NA AQUISIÇÃO. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO INTEGRAL
Cabe direito ao crédito sobre os valores dos fretes nas aquisições de mercadorias destinadas à revenda por integrarem o custo de aquisição desses bens, desde que o custo tenha sido suportado pelo adquirente.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-005.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar as glosas referentes aos serviços laboratoriais e de análises microbiológicas e o frete na aquisição de bovinos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 INSUMO. CONCEITO. REGIME NÃO CUMULATIVO. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte (STJ, do Recurso Especial no 1.221.170/PR). FRETES MARÍTIMOS INTERNACIONAIS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA Não são considerados adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País os serviços de transporte internacional contratados por intermédio de agente, representante de transportador domiciliado no exterior. FRETE NA AQUISIÇÃO. NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO INTEGRAL Cabe direito ao crédito sobre os valores dos fretes nas aquisições de mercadorias destinadas à revenda por integrarem o custo de aquisição desses bens, desde que o custo tenha sido suportado pelo adquirente. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 78 19 /2 01 5- 80 Fl. 5894DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.895 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento para afastar as glosas referentes aos serviços laboratoriais e de análises microbiológicas e o frete na aquisição de bovinos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 4612 a 4643) interposto pelo Contribuinte, em 14 de dezembro de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 10 60.583 (fls. 3679 a 3691), de 2 de outubro de 2017, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) – DRJ/POA – que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 3641 a 3668) Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: O contribuinte em epígrafe foi alvo de fiscalização que teve seu início com o Mandado de Procedimento Fiscal (MPFD), com suas devidas prorrogações, e o Termo de Intimação das fls. 9 a 11. Os períodos de apuração compreendidos nesse MPFD eram entre o 4º trimestre de 2011 ao 4º trimestre de 2012 (com TDPF ampliando o período até o 4º trimestre de 2013). O objetivo desse procedimento era analisar pedidos de ressarcimento de créditos formalizados pelo contribuinte, sendo que esses autos se referem ao 2º trimestre de 2013. Durante a fiscalização foi solicitado ao contribuinte documentação fiscal e contábil, além de esclarecimentos, a seguir destacados: amostragem de notas fiscais de compras de insumos acompanhadas dos respectivos comprovantes de pagamentos; arquivos magnéticos/digitais com lançamentos contábeis, saldos mensais, plano de contas e tabela de natureza das operações; arquivo de fornecedores/clientes, notas fiscais de saída e de entrada; notas fiscais de terceiros; memoriais de cálculo ou demonstrativos sobre a apuração de créditos declarados nos DACONs ou no SPED Contribuições; descrição do processo produtivo da empresa e insumos utilizados; relação de todas as filiais com o percentual de participação no faturamento e nos custos; contrato social e alterações; consultas fiscais; ações judiciais; entre outros. Fl. 5895DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.896 3 Registrese a existência nos autos de inúmeros arquivos não pagináveis com dados juntados aos autos pela fiscalização (constando DACONs, SPED – escrituração digital, locações de máquinas e equipamentos, locação de imóveis, armazenagens e fretes, depreciações, contribuições do mercado interno e do externo, etc.). Além desses arquivos não pagináveis, encontramse juntados a esses autos: relatório de notas fiscais de entrada por CFOP, NCM e MERCAD, informando a data da emissão, códigos, descrição da mercadoria e valor dos itens (fls. 443 a 902); planilhas com código da empresa, data da entrada do bem ou do serviço, número de nota fiscal, série, espécie, código fiscal, fornecedor, código de item, item, quantidade, preço, valor contábil e código NBM/SH (fls. 922 a 1.534, 1.539 a 3.581); entre outros. Constam nos autos peças judiciais referentes ao processo no 0022920 88.2014.4.03.6100, onde o contribuinte pleiteia a garantia do direito a manutenção da opção ao benefício concedido pelo art. 33 da Lei no 13.043/2014 (fls. 92 a 442). A análise do crédito pela DRF jurisdicionante deveria ser feita em 30 dias contados da data da sentença proferida, tendo para esse objetivo sido criado o edossiê no 10010.017475/091441. Com base nesses elementos à fiscalização elaborou o Despacho Decisório das fls. 3.582 a 3.615 (tal despacho decisório se refere a diversos processos da empresa relativamente a pedidos de ressarcimento da empresa, inclusive o aqui em análise). No caso desses autos o contribuinte em questão, através do PER/DCOMP no 16482.97036.131213.1.1.080865, pleiteava um crédito a ressarcir de R$ 4.034.657,51 (quatro milhões e trinta e quatro mil e seiscentos e cinquenta e sete reais e cinquenta e um centavos), a título de PIS/Pasep Receita de Exportação. Em tal despacho é esclarecido que a MARFRIG tem como atividade econômica o abate de bovinos (frigorífico) e as aquisições de insumos para industrialização são as que geram a maior fatia de seus créditos na nãocumulatividade (compra de bovinos para abate, embalagens e outros bens utilizados no processo produtivo). O trabalho fiscal verificou as rubricas que deram origem aos créditos pleiteados, em confronto com os livros e documentos fiscais e contábeis, bem como com os arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte no formato SPED EFD Contribuições, DACONs, NFE e planilhas MSExcel. O método para a apuração dos créditos ficou vinculado a proporção das receitas auferidas no mercado interno e no de exportação, constatandose que os índices de rateio aplicados pelo contribuinte foram corretamente apurados. Também não foram encontradas irregularidades nas notas fiscais de compras de bens para revenda. Porém no tocante aos bens utilizados como insumos foram identificados valores superiores aos montantes existentes nos arquivos magnéticos de notas fiscais, ficando evidenciada uma grande discrepância entre os DACONs e os valores que serviram de base de cálculo para os pedidos de ressarcimento. O contribuinte foi intimado a se manifestar sobre tais discrepâncias, tendo alegado que as mesmas se referiam a retificações relacionadas a insumos diretos que não haviam sido lançados anteriormente. Reconheceu a inclusão indevida de compras de bovinos para abate. Do cruzamento da escrituração fiscal com as planilhas contendo as notas fiscais consideradas pelo contribuinte como passíveis de crédito, foram identificados Fl. 5896DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.897 4 valores escriturados em desacordo com o disposto nas Instruções Normativas SRF no 247/2002 e 404/2004, sobre cujos montantes aplicouse as devidas glosas, referentes a combustíveis, óleos e lubrificantes de veículos da empresa, gases de manutenção, materiais de laboratório e construção civil, equipamentos de proteção individual, uniformes, alimentos de refeitório e produtos de limpeza. Outra questão tratou do crédito presumido incidente sobre a venda de produtos pecuários e da aquisição de tais produtos na agroindústria. Essa verificação tem como base os arquivos magnéticos de notas fiscais e da contabilidade apresentados pelo contribuinte, discorrendo o Despacho Decisório sobre os dispositivos legais pertinentes para a definição da apuração desse crédito presumido. A respeito dos serviços utilizados como insumos foi observado pela fiscalização que o contribuinte teria se apropriado indevidamente de despesas não caracterizadas como insumos, as quais foram glosadas (Demonstrativo “Serviços GLOSA – ANO 2013”). Tais serviços se referiam a análises laboratoriais. Sobre as despesas de armazenagem e fretes sobre vendas ocorreram glosas devido ao fato de terem sido identificados transportadores sem domicílio no país (Demonstrativos “FRETES VENDAS GLOSA – ANO – 2013”). Sobre os fretes de compras de bovinos foi verificada irregularidade devido ao fato de se ter utilizado a integralidade da alíquota, quando o correto é que tal frete acompanhe o mesmo percentual que a legislação determina para talespecífico insumo, que no caso seria 50 % (ver “FRETES COMPRAS BOVINOS GLOSA – ANO 2013”). Com base em toda a auditoria foi proposto o deferimento parcial do crédito requerido pelo contribuinte. Dessa forma, o Despacho Decisório deferiu em parte o pedido de ressarcimento de PIS/Pasep vinculado às receitas de exportação do 2o trimestre de 2013, sendo reconhecido um crédito de R$ 1.720.011,17, homologando se as compensações transmitidas pelo interessado até o limite desse valor. A ciência do Despacho Decisório se deu de acordo com o Termo de Abertura de Documento na Caixa Postal, em 14/03/2016 (fls. 3.638). A manifestação de inconformidade foi apresentada em 12/04/2016 (conforme Termo de Solicitação de Juntada da fl. 3.640), às fls. 3.641 a 3.668, onde em síntese o contribuinte faz as seguintes alegações: QUE as diferenças que originaram o crédito pleiteado se referiam a retificações de insumos que não haviam sido lançados anteriormente, bem como a inclusão de compras de bovinos vivos para abate, esse último que reconhece indevido. QUE os combustíveis são aplicados no seu processo produtivo, citando o inciso II, do art. 3o, da Lei no 10.833/03, e o art. 8o, da Instrução Normativa no 404/04. Na sequência comenta que o Gás GLP seria utilizado no aparelho chamuscador e em campânulas para aquecimento. Já o óleo diesel seria utilizado em empilhadeiras e geradores. Cita Solução de Consulta no sentido que os combustíveis de caminhões na prestação de lixo seriam considerados insumos, Solução de Divergência COSIT no 37, de 09/10/2008, e Acórdão da DRJ/RJ2. QUE sobre os serviços utilizados como insumos – análises laboratoriais – o aproveitamento desses créditos estaria amparado no inciso II, do art. 3o, da Lei no 10.833/03. A rubrica “análises laboratoriais” seria composta por 3 serviços distintos: laboratório; serviço de inspeção federal (SIF); e análises microbiológicas. Fl. 5897DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.898 5 QUE o SIF teria caráter de inspeção sanitária. Já os serviços de laboratório e de análises microbiológicas seriam essenciais e obrigatórios nos frigoríficos porque serviriam para analisar a qualidade dos insumos e matériasprimas adquiridas. Cita decisão do CARF que entende reconhecer o direito a esses créditos. QUE o termos insumo representa não só elementos diretos, mas também indiretos necessários à produção de produtos e serviços. Faz comentários sobre o conceito de insumo aplicável às contribuições sociais. QUE sobre a natureza jurídica dos créditos de PIS e de Cofins não há correlação com a nãocumulatividade do ICMS e do IPI. Para essas contribuições entende se aplicar o chamado “método indireto subtrativo” 2. Defende que os créditos de PIS e de Cofins se tratam de créditos outorgados, em sentido lato, revestindose de características de subvenção estatal. QUE se nos termos da legislação o PIS e a Cofins incidem sobre a totalidade das receitas auferidas da pessoa jurídica, os créditos devem ser calculados sobre os custos e as despesas inerentes à atividade geradora dessa receita, sob pena de aumento excessivo da carga tributária. Aponta que não há como se restringir o conceito de insumo. QUE sobre a interpretação do conceito de “insumo” e de “produção” à luz da atividade econômica do contribuinte faz diversas considerações, discorrendo que não existe um sentido técnico para esses dois termos no campo legal de incidência do PIS e da Cofins. Aduz que o conceito aqui de insumo deve ser interpretado sob a ótica da ciência econômica, citando o Regulamento do Imposto de Renda. Argumenta que todos valores glosados seriam utilizados no seu processo produtivo, pois seriam indispensáveis ao mesmo. QUE a respeito do crédito presumido registrou a análise e ponderações feitas pela fiscalização a respeito dos mesmos. QUE em relação às glosas de fretes internacionais devido a transportadores sem domicílio no país, discorda entendendo que atendeu a todos requisitos normativos e legais, ou seja, que o ônus fosse suportado pelo vendedor e que os custos e as despesas fossem pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no país. Diz que ao agente marítimos contratados é que seriam os efetivos responsáveis do ponto de vista pelo serviço de transporte realizado, independente da atuação de terceiro. QUE a respeito dos fretes sobre compra de bovinos defende que poderia utilizar a integralidade do frete pago, bastando que o bem adquirido se enquadre como insumo, independentemente da alíquota parcial relativa ao crédito presumido. POR FIM, requer que seja recebida e processada sua manifestação de inconformidade, dandose provimento para: a) suspender a exigibilidade do crédito tributário de acordo com o disposto no inciso III, do art. 151, do CTN; b) reformar parcialmente o Despacho Decisório, a fim de que seja reconhecido integralmente o direito creditório postulado. Protesta, ainda, pela juntada posterior de eventuais documentos a fim de corroborar todas as argumentações que expôs. Tendo em vista a decisão supracitada, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 4612 a 4643), em 14 de dezembro de 2016, visando reformar o referido Acórdão. Fl. 5898DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.899 6 Posteriormente o Contribuinte apresentou em relação a compensação de ofício duas Manifestações (fls. 3903 a 3908 e 4841 a 4846) e quatro Requerimentos (fls. 5597 a 5605; 5729 a 5730; 5846 a 5849 e 5892 a 5893) ao Delegado da Receita Federal do Brasil em São Paulo – SP. Encontramse nos autos Recibos de Consolidação de Parcelamento de Dívidas – Débitos Previdenciários e Demais Débitos. Constam também dos autos Petições dirigidas a Justiça Federal. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1060.583 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 DESPESAS FORA DO CONCEITO DE INSUMOS. Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade. BASE DE CÁLCULO. RECEITA. A base de cálculo do PIS e da Cofins determinada constitucionalmente é a receita obtida pela pessoa jurídica, e não o lucro. INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES MARÍTIMOS INTERNACIONAIS. Não são considerados adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País os serviços de transporte internacional contratados por intermédio de agente, representante de transportador domiciliado no exterior. NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE NA AQUISIÇÃO. PERCENTUAL. Cabe direito ao crédito sobre os valores dos fretes nas aquisições sujeitas ao crédito presumido, no mesmo percentual previsto para o crédito na respectiva aquisição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O presente processo trata de Pedido de Ressarcimento (PER), referente a valores credores de COFINS não cumulativa vinculados à receita de exportação do 2º trimestre de 2013, cumulado com Pedido de Compensação (DCOMP). A administração fiscal entendeu pelo deferimento parcial e glosou parte dos créditos, confirmado pela DRJ, referentes às seguintes rubricas da DACON: a) bens utilizados como insumos, b) serviços utilizados como insumos, c) crédito presumido, e, d) despesas de armazenagem e frete sobre vendas. Fl. 5899DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.900 7 O Contribuinte em seu recurso, em sede de preliminar, trata da verdade material no processo administrativo e diante disso, requer a juntada de documentos a qualquer tempo. O entendimento desta Turma é no sentido de um formalismo moderado e que assim atende o princípio da verdade material, mas acontece que no presente feito, o Contribuinte não junta em sede de recurso voluntário nenhum documento novo, apenas alega genericamente que (fls. 4618): Desse modo, a ora Recorrente pugna pela posterior juntada dos documentos que comprovam que os procedimentos de compensação realizados estão efetivamente corretos, devendo ser reconhecido em sua integralidade os créditos pleiteados. Percebese que o Contribuinte não demonstra e não junta ao processo qual ou quais documentos que comprovam o seu direito de crédito alegado. Assim, voto por negar provimento nesta preliminar. Quanto ao mérito o Contribuinte apresenta por primeiro a questão da glosa dos bens utilizados como insumos, no caso, combustíveis. Salienta que a legislação de regência possibilita a tomada de crédito com as despesas com combustíveis (art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003). Neste sentido verificase o alegado (fls. 4620): COMBUSTÍVEIS (...) E para que não restem dúvidas de que os itens mencionados pelo Sr. Agente Fiscal são combustíveis que geram direito a créditos de PIS e COFINS não cumulativos para a Recorrente, confirase abaixo a descrição deles, com o respectivo emprego no processo produtivo. Gás GLP Insumos utilizados como combustível no aparelho chamuscador, máquina esta que serve para retirar os pelos do suíno que ainda ficaram depois de terem passado pela máquina depiladora, para posterior abate, industrialização e venda. Gás GLP 45 Kg Insumos utilizado em granjas como combustível nas campânulas para aquecimento dos aviários onde estão os pintos, que posteriormente serão mortos para industrialização e venda. Gás GLP Granel – Uso Industrial Insumo utilizado como combustível no aparelho chamuscador, máquina esta que serve para retirar os pelos dos suínos que ainda ficaram depois de terem passado pela máquina depiladora, para posterior abate, industrialização e venda. Óleo diesel (empilhadeiras), óleo diesel filtrado (para geradores) Fl. 5900DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.901 8 Insumo para movimentação de máquinas na indústria, como empilhadeiras e equipamentos, bem como para uso em trator de limpeza de arredores de granjas de matrizes para assegurar a biosegurança e o controle de roedores. Óleo combustível que é utilizado nas empilhadeiras (movimentam produtos dentro do abatedouro) e equipamentos, tais como caldeiras (aquecimento de água) dos abatedouros, bem como nos tratores que efetuam a limpeza externa das granjas de matrizes. Comprovada, assim, a utilização dos combustíveis acima descritos no processo produtivo da Recorrente, no qual se desgastam fisicamente. Desta feita, é inegável o seu direito aos créditos de PIS e COFINS indevidamente glosados pelo fisco. Cabe verificar o que dispõe a Lei nº 10.833/2003 sobre a possibilidade de tomada de crédito sobre combustíveis e lubrificantes: Art. 3º Do valor apurado na forma do artigo 2º, a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II – bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº. 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI. (grifouse) Já a Instrução Normativa SRF 404/2004 assim estabelece: Art. 8º – Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I – das aquisições efetuadas no mês: b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos; b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (grifouse) De acordo com a legislação assiste razão ao Contribuinte, mas ocorre que verificando nos autos a glosa efetuada, percebe se no Despacho Decisório outra motivação, no caso, desencontro entre os valores (fls. 3586 e seguintes): BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS 18. (...) 19. De acordo com as análises efetuadas, identificamos que os valores informados na rubrica “02 – Bens Utilizados como Insumos” das fichas 06A e 16A dos DACONs são muito superiores aos montantes existentes nos arquivos magnéticos de notas fiscais, ficando evidenciada uma grande discrepância entre os DACONs, cujos valores serviram como base de cálculo dos Pedidos de Ressarcimento e os arquivos magnéticos. 20. Também verificamos que essas diferenca̧s de bases de caĺculo foram escrituradas nos SPED EFDCONTRIBUIÇOẼS na rubrica “Ajustes do Crédito de Pis/Pasep Apurado” e “Ajustes do Crédito de Cofins Apurado”. Fl. 5901DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.902 9 21. Intimamos o contribuinte a se manifestar sobre essas diferenças de bases de, o qual explicou que essas bases de cálculos se referem retificações incluindo documentos representativos relacionados a insumos diretos, materiais de embalagem e fretes sobre vendas marítimos que não haviam sido lançados anteriormente, bem como a inclusão de compras de bovinos vivos para abate, que reconhece ser indevida. 22. Esclarecida a motivaçaõ do contribuinte, passamos a analisar as efetivas aquisições de insumos para industrialização com direito a crédito, excluindo das bases de cálculo as compras de bovinos para abate adicionadas indevidamente e outros insumos não aplicados diretamente na produção. 23. Efetuamos o cruzamento da Escrituracã̧o Fiscal com as planilhas contendo as notas fiscais consideradas pelo contribuinte como passíveis de crédito. Anexamos estas aos processos sob o título de “Bens Utilizados como Insumos”. 24. Em sintonia com o artigo 3o da Lei no 10.637 de 30 de dezembro de 2002, a Instruçaõ Normativa SRF no 247, de 21 de novembro de 2002, nos seus artigos 66 e 67 define insumos nos termos a seguir, para fins do PIS/PASEP nãocumulativo: (...) 25. Em sintonia com o artigo 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, a Instruçaõ Normativa SRF no 404, de 12 de marco̧ de 2004, nos seus artigos 8o e 9o define insumos nos termos a seguir, para fins da COFINS nãocumulativa: (...) 26. Segundo os dispositivos mencionados, para que o bem seja considerado insumo à fabricaçaõ, além de não estar incluído no ativo imobilizado, deve enquadrar se em uma das quatro situacõ̧es: ser matériaprima, produto intermediário, material de embalagem ou qualquer outro bem que sofra alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. 27. Dessa forma, identificamos valores escriturados em desacordo com o disposto nas Instrucõ̧es Normativas SRF 247/2002 e 404/2004, sobre cujos montantes aplicamos as glosas devidas, referentes a combustíveis, óleos e lubrificantes de veículos da empresa, bem como gases de manutenca̧õ, materiais de laboratório e construçaõ civil, equipamentos de proteção individual, uniformes, alimentos de refeitório e produtos de limpeza. Em que pese discordar da interpretação restritiva da administração fiscal no que tange aos insumos que possibilitam a tomada de crédito, a questão aqui que se coloca é o desencontro entre os valores informados na rubrica “02 – Bens Utilizados como Insumos” dos DACONS e valores muito superiores aos montantes existentes nos arquivos magnéticos de notas fiscais. Neste caso, por óbvio, a diferença entre os montantes apurados pelo Contribuinte superiores aos identificados nos seus próprios arquivos magnéticos, foi glosada. Com isso considerado e também pelo fato do Contribuinte não apresentar a comprovação do seu crédito, com a devida liquidez e certeza, voto por negar provimento ao recurso voluntário do Contribuinte no que tange aos bens utilizados como insumos, no caso, combustíveis. Por segundo o Contribuinte trata das glosas no que tange aos serviços utilizados como insumos: Laboratório, Análise Microbiológicas e Serviço de Inspeção Federal.. Fl. 5902DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.903 10 Em relação a estes serviços utilizados valhome da decisão proferida no Acórdão nº 3201003.777, do il. Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, como razões para decidir: A fiscalização também glosou créditos derivados da aquisição de servico̧s, quais sejam, despesas com laboratórios, Servico̧ de Inspeçaõ Federal e análises microbiológicas. Temos, no entanto, o entendimento, em consonância com recente decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, na sistemática dos recurso repetitivos (portanto, de observância obrigatória, conforme art. 62 do RICARF/2015), que as despesas com laboratórios e em análises microbiológicas devem ser consideradas insumos, para o efeito de permitir o creditamento na sistemática do PIS/Cofins não cumulativo. A Recorrente, como se sabe, é uma indústria de produtos de origem animal destinados à alimentação humana, de forma que submetese a rigorosos requisitos de controle sanitário. Tais despesas, por óbvio, atendem aos critérios de essencialidade e relevância adotados pelo Tribunal nos autos do Recurso Especial nº 1.221.170/PR: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVAN̂CIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE P ARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuicõ̧es denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3º., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos realtivos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose Fl. 5903DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.904 11 a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Concordamos, porém, com a glosa referente às despesas com o Serviço de Inspeção Federal SIF, as quais não podem ser enquadradas como insumo. Além do mais, este Servico̧ constitui um sistema de controle do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento do Brasil, e suas receitas não se submetem ao pagamento do PIS/Cofins, daí a impossibilidade de creditamento (art. 3º, § 2º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10.833, de 2003). Desta forma, voto por dar provimento ao recurso do Contribuinte para reverter as glosas apenas quanto às despesas com laboratórios e em análises microbiológicas e mantendo as glosas quanto ao Serviço de Inspeção Federal – SIF. Por terceiro o Contribuinte trata do crédito presumido nestes termos (fls. 4637 e 4638): DO CRÉDITO PRESUMIDO Consignou o i. Agente Fiscal no despacho decisório que sendo o bovino vivo para abate o principal insumo utilizado no processo de industrialização da empresa, a legislação vigente do crédito presumido incidentes sobre a venda de produtos pecuários e sobre o crédito presumido decorrente da aquisição desses produtos agroindustriais é a Lei no 12.058/2009 e a Instrução Normativa RFB 977/2009. Destacou, ainda, que a suspensão das contribuições, nos termos dos artigos 2o da IN RFB no 977/2009, aplicase obrigatoriamente, no caso em questão, às vendas efetuadas a pessoa jurídica que produza mercadoria classificada nas posições 02.01, 02.02, 02.06.10.00, 02.06.20, 02.06.21, 02.06.29, ou seja, pessoa jurídica entendida como “frigorífico”, como é o caso da Recorrente. Reconheceu que “além do direito ao crédito presumido devemos ressaltar que a forma do cálculo prevista no art. 8o da IN SRF 660/2006 também foi alterada pelo 9o da IN RFB 977/2009, que passou a ser de 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no art. 3o, inciso II, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, 1,65% e 7,6%, respectivamente”. Por fim, reconhecendo que a partir da publicação da Lei 12.058/2009 e da IN 977/2009 foi permitido o ressarcimento e a compensação dos créditos presumidos, deferiu parcialmente os créditos da Recorrente no que diz respeito à rubrica “crédito presumido”. Por quarto e por último, o Contribuinte trata das despesas de armazenagem e fretes sobre as vendas fretes sobre importação e dos fretes sobre compra de bovinos. Cito trechos do recurso para bem ilustrar o seu entendimento acerca da matéria (fls 4638 e seguintes): DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NAS OPERAÇÕES DE VENDAS No tocante ao presente tópico, afirmou o i. Julgador da 2a Turma da DRJ/POA que “o contribuinte pode ter incorrido no ônus da despesa dos fretes e que os pagamentos foram feitos à pessoa jurídica domiciliada no país, preposto do prestador de serviços. Ocorre que os serviços devem ser adquiridos de uma pessoa jurídica domiciliada no país”. Fl. 5904DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.905 12 Ademais, acrescentou que, em relação aos fretes sobre a compra de bovinos, cabe direito ao crédito, mas apenas no percentual de 50%. Em razão disso, manteve a glosa dos créditos decorrentes de “fretes sobre importações” e “fretes sobre compra de bovinos para abate”. 1. DOS FRETES SOBRE IMPORTAÇÃO Em que pesem as razões do I. Julgador para manter as glosas sobre os fretes em questão, tal posicionamento não merece prosperar, haja vista que a Recorrente atendeu todos os requisitos normativos e legais previstos nas Leis nºs 10.833/03 e 10.637/02, quais sejam (i) que o ônus seja suportado pelo vendedor; e (ii) que todos os custos e despesas incorridos sejam pagas ou creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País. No presente caso, conforme resta comprovado em todas as operações que geraram o direito ao crédito (frete marítimo) o ônus foi suportado pela Recorrente, bem como todos os custos e despesas foram pagas/creditadas a pessoa jurídica domiciliada no País. Vale mencionar que os agentes marítimos contratados pela Recorrente são os efetivos responsáveis do ponto de vista jurídico pelo serviço de transporte realizado, independente da atuação de terceiro (armador) para realização da empreitada pactuada junto à Recorrente. Assim, todas as empresas contratadas pela Recorrente estão domiciliadas no país, configurandose o direito ao creditamento sobre os valores pagos a título de fretes internacionais. Corroborando o argumento, transcrevese o art. 3o, inciso IX, § 3o, da Lei n.o 10.833/03 e art. 3o, § 3o, inciso II da Lei n.o 10.637/02, que trata da matéria em comento: “(...) Analisando os dispositivos legais acima transcritos, notese que em momento algum é apontada a vedação indicada pelo Sr. Agente Fiscal. Tanto isso é verdade que da sua leitura verificase que a Recorrente deve preencher 02 (dois) requisitos para ter direito ao crédito, quais sejam: • o ônus dos valores despendidos com o frete deve ser suportado pelo vendedor, no caso a Recorrente; e • os custos e despesas relativos ao frete devem ser pagos ou creditados à pessoa jurídica domiciliada no País. Registrese que todos os requisitos foram prontamente atendidos pela Recorrente, uma vez que na qualidade de adquirente arcou com os custos relativos ao frete quando do recebimento das mercadorias, bem como pagou todas as despesas a empresas domiciliadas no País. Desta feita, atendendo a Recorrente todos os requisitos necessários para a fruição do benefício fiscal, não pode a autoridade administrativa glosar os créditos de COFINS/PIS calculados sobre a despesa com frete internacional, sob pena de ultrapassar as exigências previstas na legislação de regência, inovando em requisitos não trazidos pelo legislador ordinário. (...) Corroborando os argumentos acima, cumpre transcrever decisão proferida pela E. Câmara Superior de Recursos Fiscais, no qual menciona que não cabe ao intérprete a Fl. 5905DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.906 13 tarefa de legislar, de modo que não se pode afastar o sentido da norma dos termos em que positivada, sob pena de, invadindo seara alheia, fugir de sua competência. IPI – CRÉDITO PRESUMIDO – RESSARCIMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES AO PIS E COFINS MEDIANTE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI – BASE DE CÁLCULO – AQUISIÇÕES DE NÃO CONTRIBUINTES. Os valores correspondentes às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem de não contribuintes de PIS e da COFINS (pessoas físicas, cooperativas) podem compor a base de cálculo do crédito presumido de que trata a Lei n.o 9.363/96. Não cabe ao intérprete fazer distinção nos casos em que a lei não o fez. A forma de cálculo prevista na norma legal estabelece uma ficção legal, aplicável a todas as situações, independentemente da efetiva incidência das contribuições na aquisição das mercadorias ou nas operações anteriores. (Recurso n.o 201116198, Processo n.o 13805.007276/9738, Data da Sessão: 24/04/2006, Relator: Antônio Bezerra Neto, Acórdão: CSRF/0202.268). – grifamos Diante de tudo o quanto exposto, demonstrada a inexistência de qualquer irregularidade nos procedimentos adotados pela empresa, inquestionável o direito creditório da Recorrente, razão pela qual o v. acórdão recorrido deve ser reformado. 2. DOS FRETES SOBRE COMPRA DE BOVINOS Já no que diz respeito ao frete sobre compra de bovinos para abate, entendeu o I. Julgador que “o cálculo desses créditos deve se dar da mesma forma como ocorre o cálculo do insumo. Portanto, cabe direito ao crédito, mas apenas no percentual de 50% das alíquotas de 1,65% de PIS/Pasep e 7,6% de Cofins – consequentemente 0,825% para o PIS e 3,8% para a Cofins – sobre o valor de fretes das aquisições de bovinos”. Contudo, da mesma forma, também não merece prosperar o aludido entendimento. Isto porque, o frete pago por ocasião da compra de insumos a ser utilizado no processo produtivo da empresa, desde que o bem adquirido se enquadre como insumo para fins do crédito previsto no inciso II, do art. 3o das Leis no 10.637/02 e 10.833/03, poderá ser utilizado para fins de desconto de créditos das contribuições utilizando alíquota integral das contribuições, pois compõe o custo do insumo. “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II – bens e serviços, utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Assim, nessa hipótese, é importante esclarecer que o crédito não se refere ao inciso IX do art. 3º (crédito sobre frete na operação de venda), mas sim, por se tratar de valor que compõe o custo do insumo ou da mercadoria para revenda, ou seja, dará direito ao crédito utilizando alíquota integral das contribuições e não crédito presumido conforme afirmado pelo Sr. Agente Fiscal. Nesse sentido, cumpre transcrever a Solução de Consulta no 79/09, abaixo transcrita: “Processo de Consulta no 79/09 Órgão Superintendência Regional da Receita Federal – SRRF/8a RF Fl. 5906DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.907 14 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (...) FRETE NA AQUISIÇÃO DE BENS PARA REVENDA. CRÉDITOS. O frete pago pelo adquirente na compra de mercadorias destinadas à revenda integra o custo de aquisição desses bens, podendo gerar direito a créditos a serem descontados da Cofins, desde que o custo tenha sido suportado pelo adquirente. Dispositivos Legais: Lei no 10.833, de 2003, arts. 3o e 15; Lei no 10.865, de 2004, arts. 15 e 53; RIR, art. 289, § 1o; e IN SRF no 404, de 2004, arts. 8o e 9o. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep. Ementa: (...) ISIDORO DA SILVA LEITE – Chefe da Divisão Data da decisão: 20/03/2009 Data da publicação: 06/04/2009 Deste modo, resta claro que o frete pago na aquisição de insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito do PIS/Pasep e COFINS utilizando alíquota integral das contribuições. Portanto, fica demonstrado que o frete pago pelo adquirente na aquisição de insumos integra o custo de aquisição desses bens, podendo, portanto ser utilizado como crédito integral a ser descontado da contribuição ao PIS/Pasep e COFINS, pouco importando qual o tipo de insumo adquirido, razão pela qual deve ser afastada a glosa também nesse ponto. Na decisão ora recorrida assim ficou consignado no voto acerca do crédito presumido, dos fretes sobre importação e dos fretes sobre compra de bovinos: 2. Dos fretes marítimos e sobre bovinos No tocante aos fretes marítimos (internacionais) argumenta que a glosa não deveria prosperar, pois teria atendido a todos os requisitos normativos e legais previsto na Leis no 10.833/03. As glosas se deviam ao fato de o transportador não ser pessoa jurídica domiciliada no país. Diz ter arcado com os custos relativos aos fretes para a remessa de sua mercadoria ao exterior, bem como todas as despesas foram pagas a empresas domiciliadas no país. Entende que a autoridade administrativa não pode ultrapassar as exigências previstas na legislação de regência. Para fundamentar a glosa por parte da DRF devese ver a Solução de Consulta no 3 – SRRF/10a/RF/DISIT, no sentido de que os gastos com fretes internacionais arcados pela vendedora, decorrentes da exportação de seus produtos, somente dariam direito a crédito para desconto dos valores devidos de PIS e de Cofins na nãocumulatividade, se o transportador fosse pessoa jurídica domiciliada no país, independentemente de o agente do transportador ter domicílio no país. A análise contábil (SPEDContábil) possibilitou identificar os transportadores sem domicílio no país. A interpretação feita pelo contribuinte dos requisitos dispostos na Lei no 10.833/03 é equivocada. O inciso I, do art. 3o, dessas leis, é bem explícito em relação a essa questão: § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; (gn) Fl. 5907DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.908 15 O contribuinte pode ter incorrido no ônus da despesa dos fretes e que os pagamentos foram feitos à pessoa jurídica domiciliada no país, preposto do prestador dos serviços. Ocorre que os serviços devem ser adquiridos de uma pessoa jurídica domiciliada no país. No caso, embora a transação seja intermediada por representantes domiciliados no país, a aquisição dos serviços foi feita de transportadores estrangeiros não domiciliados no país. Reproduzimos jurisprudência administrativa nesse sentido: Acórdão DRJ FNS, no 0733844, de 2014 INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. FRETES MARÍTIMOS INTERNACIONAIS. Não são considerados adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País os serviços de transporte internacional contratados por intermédio de agente, representante de transportador domiciliado no exterior. Correta, pois, a glosa fiscal. O segundo aspecto levantado na manifestação de inconformidade relativamente a fretes referese a compra de bovinos. Entende o contribuinte que poderia se creditar na integralidade desses fretes, e não no percentual aproveitado do crédito presumido de 50 % como entendeu a fiscalização, citando o inciso II, do art. 3°, da Lei no 10.833/03. Para gerar direito ao crédito das contribuições no regime nãocumulativo, é necessário que o valor do frete na compra esteja vinculado a um insumo cuja aquisição gerou crédito, quer seja básico ou presumido. Por conseqüência, o valor do crédito gerado pela despesa com frete na compra tem a mesma natureza e segue a mesma sistemática de cálculo do crédito gerado pelo bem cujo custo ele compôs, quanto a se tratar de crédito básico ou presumido. Apurouse compras efetuadas pela MARFRIG e que permitem o cálculo de crédito presumido no percentual de 50 % das alíquotas do art. 2o das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, nos termos do disposto no art. 8o, da Lei no 10.925/2004. Nesse caso, como a possibilidade de creditamento dos valores despendidos com frete só é possível por ele integrar o custo de aquisição do bem, o cálculo desses créditos deve se dar da mesma forma como ocorre o cálculo do crédito do insumo. Portanto, cabe direito ao crédito, mas apenas no percentual de 50% das alíquotas de 1,65% de Pis/Pasep e 7,6% de Cofins – conseqüentemente 0,825 % para o PIS e 3,8 % para a Cofins – sobre os valores dos fretes das aquisições de bovinos. Dessa forma, é devido o crédito relativo ao frete, porém apenas no percentual aplicado às respectivas aquisições na apuração do crédito presumido. No que tange aos fretes marítimos é correto o entendimento da administração fazendária, referendada pela decisão da DRJ, que com a citação acima serve como razões para decidir. Não há como afastar a glosa efetuada dos fretes marítimos, visto que não são considerados adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no país os serviços de transporte internacional contratados por intermédio de agente, representante de transportador domiciliado no exterior. Já em relação aos fretes relativos a compra de bovinos entendo, com a devida vênia a decisão da DRJ, assistir razão ao Contribuinte. Na decisão ora recorrida ficou consignado que o cálculo dos créditos referentes ao frete sobre compra de bovinos para abate deve ser feito da mesma forma como ocorre no cálculo do insumo, isto é, caberia direito ao crédito apenas no percentual de 50% das alíquotas de 1,65% de PIS/Pasep e 7,6% de Cofins – consequentemente 0,825% para o PIS e 3,8% para a Cofins – sobre o valor de fretes das aquisições de bovinos. Fl. 5908DF CARF MF Processo nº 10880.907819/201580 Acórdão n.º 3301005.713 S3C3T1 Fl. 5.909 16 Discordando desta posição, por se tratar de contribuições não cumulativas, é de se afastar a glosa relativa aos fretes de compra de bovinos visto que o valor compõe o custo do insumo para revenda devendose considerar a alíquota integral incidente sobre as contribuições. Conclusão Diante dos autos do processo e da legislação aplicável, voto por dar provimento parcial ao recurso do Contribuinte para permitir apenas o creditamento sobre as despesas realizadas com serviços laboratoriais, análises microbiológicas e frete na aquisição de bovinos. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 5909DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.920382/2012-07
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.980
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 38 2/ 20 12 -0 7 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10980.920382/201207 Resolução nº 3302000.980 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10980.920382/201207 Resolução nº 3302000.980 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10980.920382/201207 Resolução nº 3302000.980 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10980.920382/201207 Resolução nº 3302000.980 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 94DF CARF MF Processo nº 10980.920382/201207 Resolução nº 3302000.980 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920382/201207 Resolução nº 3302000.980 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920382/201207 Resolução nº 3302000.980 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 97DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.908777/2011-40
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS EM ELABORAÇÃO E INSUMOS. ENTRE ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, conseqüentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal.
CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE.
As despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação.
PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELA CONTRIBUIÇÃO.
Não há previsão legal para a apropriação de créditos da não cumulatividade, na aquisição de serviços de fretes utilizados na compra de insumos, os quais não foram onerados pelas contribuições. O frete, nessa condição, não é insumo do processo produtivo. Se o insumo adquirido não dá direito ao crédito, o mesmo tratamento será dado aos demais valores incluídos no custo de aquisição.
Numero da decisão: 9303-008.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam em dar-lhe provimento parcial nos seguintes termos: (i) quanto aos fretes de produtos acabados, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento; (ii) quanto aos fretes de produtos não onerados pela contribuição, por voto de qualidade, acordam em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS EM ELABORAÇÃO E INSUMOS. ENTRE ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, conseqüentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. PIS. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE FRETES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO ONERADOS PELA CONTRIBUIÇÃO. Não há previsão legal para a apropriação de créditos da não cumulatividade, na aquisição de serviços de fretes utilizados na compra de insumos, os quais não foram onerados pelas contribuições. O frete, nessa condição, não é insumo do processo produtivo. Se o insumo adquirido não dá direito ao crédito, o mesmo tratamento será dado aos demais valores incluídos no custo de aquisição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 87 77 /2 01 1- 40 Fl. 1672DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, acordam em darlhe provimento parcial nos seguintes termos: (i) quanto aos fretes de produtos acabados, por maioria de votos, acordam em dar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos e Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe negaram provimento; (ii) quanto aos fretes de produtos não onerados pela contribuição, por voto de qualidade, acordam em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratamse de Recursos Especiais de Divergências interpostos pela Fazenda Nacional e pelo Contribuinte contra o acórdão n.º 3302004.333, de 25 de maio de 2017 (fls. 3173 a 1399 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF. A discussão dos presentes autos tem origem no Pedido Eletrônico de Ressarcimento (PER) da Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa, vinculada à receita de exportação, do 4º trimestre de 2008, no montante de R$ 12.016.713,71, o qual foi utilizado nas compensações dos débitos discriminados nas Declarações de Compensação (DComp) colacionadas aos autos. Fl. 1673DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 4 3 Nos termos do despacho decisório exarado, foi reconhecido em favor da recorrente o direito creditório no valor de R$ 2.874.303,36 e homologada as compensações declaradas até o limite do valor do crédito reconhecido. Inconformado com o deferimento parcial, o Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: a no que tange à glosa 1 FC falta de comprovação, acosta ao autos cópia de Notas Fiscais não apresentadas; b quanto à glosa 2 aquisição de mercadorias com alíquota zero, concorda com as glosas referentes ao item 48 do Relatório, subitens “a”, “b”, “c”, “e”, “g” e “j”. Deve ser reconhecido o crédito presumido na aquisição de arroz, no valor de R$ 112.474,18, bem como na compra de trigo, no montante de R$ 160.592,52 e também deve ser apurado o crédito presumido incidente na alínea “i” que totaliza R$ 988.486,05. Houve erro na classificação contábil do Refinazil, o que resultou na glosa da fiscalização; c está de acordo com a glosa 3 CONAB e com a glosa 4 Devolução de compras com base de cálculo zero; d a glosa 5 SUS Revenda de milho adquirido com suspensão não deve prosperar. A própria fiscalização reconhece que as aquisições junto a pessoas físicas, superam as vendas efetuadas com suspensão, assim não haveria o que estornar; e o critério da glosa proporcional adotado pelo auditor não tem fundamento legal, mesmo porque as saídas com suspensão são inferiores às aquisições sem crédito. “A única possibilidade de fazêlo seria identificar isoladamente as aquisições e saídas desta glosa para segmentá las”; f glosa 6 –CV Complementação de valor. Junta aos autos cópia de notas fiscais não apresentadas, com o intuito de comprovar o crédito glosado; g a comercialização de produtos agrícolas apresenta características peculiares, entre elas a de se fixar o preço definitivo, após a entrega do Fl. 1674DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 5 4 produto e da emissão da nota fiscal, assim muitas vezes se faz necessária a emissão de uma nota fiscal complementar; h a fiscalização se equivoca ao afirmar que a tradição da soja seria o momento adequado para o reconhecimento da receita. “Portanto, pouco importante na avaliação deste fato em que momento se deu a complementação de preço ou a tradição da soja em grão, para definir a aquisição, posto que as duas ocorrências significam a efetiva aquisição, a observar a legislação correspondente naquele momento e, consequentemente, o regime de competência”. i a legislação de regência não trata desta modalidade de negócio jurídico e não estabeleceu os critérios adotados pela fiscalização para justificar a glosa em comento; j glosa 7.1 – Fretes Falta de comprovação. Acostou aos autos cópias de notas fiscais não apresentadas; k glosa 7.2 Fretes Falta de vinculação a operações. Reúne aos autos cópias de notas fiscais não apresentadas, os demais documentos fiscais serão apresentados em até 30 dias. O Relatório Fiscal não informa quais notas fiscais foi glosadas ou não encontradas, fato que cerceou o direito à defesa (item 162, “a” até “c”); l glosa 7.3 Fretes internos em importações. A interpretação restritiva efetuada pela fiscalização não consta da legislação de regência, ao contrário, o legislador permitiu o cálculo de crédito em serviço contratado junto à pessoa jurídica domiciliada no país; m a Lei nº 10.865/2004 ao permitir o cálculo de crédito na aquisição de mercadorias importadas pretendeu desonerar as importações; n A aquisição do bem e a contratação do frete são operações distintas, assim a compra de um produto não tributado não desqualifica a apuração de crédito incidente sobre o frete deste bem. o cita a Solução de Consulta nº 441/2006 da SRRF 9ª RF; p glosa 7.4 Fretes relativos a bens adquiridos com FEX. A IN nº 379/2003 não poderia extrapolar as disposições legais correspondentes, ao dispor que é vedado apurar crédito a empresa comercial exportadora nas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação; Fl. 1675DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 6 5 q a glosa efetuada se deve ao fato de que o contribuinte adquiriu mercadoria com a cláusula FOB e pagou pelo frete, com entrega por conta e ordem no estabelecimento portuário. Em muitas ocasiões não é possível enviar todo um lote de exportação de soja de uma única vez. Desde que comprovada que as transferências se referem a vendas já efetuadas pela empresa, é possível o creditamento relativos a estes fretes, segundo diversos julgados administrativos. r glosa 7.5 Fretes em devoluções. Não há fundamento legal que ampare a posição da fiscalização. O transporte da mercadoria que havia sido destinado à venda/adquirido e retornou ao estabelecimento, é uma despesa suportada e preenchem os requisitos previsto no inciso IX do art. 3º das Leis n.º 10.637/2002 e 10.833/2003; s os fretes em tela foram apropriados pelas filiais “transportes” quando subcontratou o serviço de outros transportadores, o que é considerado insumo; t glosa 7.6. Fretes em transferências. O frete de transferência do produto acabado, dos insumos ou dos produtos em elaboração, já faz parte do processo de venda, diferindo da venda direta somente pela passagem da mercadoria pela filial receptora. Caso ocorresse esta situação com empresas distintas se daria o nome de compra para revenda, o que geraria direito a crédito; u a transferência destes produtos é tributada pelo PIS/COFINS, assim como o faturamento dos fretes, ou seja, há tributação na cadeia anterior. Desta forma, a glosa deste crédito ofenderia o conceito da nãocumulatividade; v parte destes fretes são contratados por filiais dedicadas ao serviço de transporte que contratam o serviço de outros transportadores, fato que caracteriza insumo; w glosa 7.7 Fretes em remessa para armazém geral. Os fretes são contratados por filiais dedicadas ao serviço de transporte que contratam o serviço de outros transportadores, fato que caracteriza insumo; x glosa 7.8 Frete em compra de pessoa física para revenda. Não há previsão legal que vede a apuração de crédito incidente sobre frete Fl. 1676DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 7 6 contratado de pessoa jurídica referente à aquisição de mercadoria para revenda de pessoa física; y glosa 7.9. Relativos à diferença entre a data da emissão da nota fiscal e da expedição do conhecimento de transporte. Junta cópia de notas fiscais não apresentadas, com o intuito de comprovar o crédito; z glosa 7.10. Fretes – Nota fiscal sem movimentação física. Reúne cópia de notas fiscais não apresentadas anteriormente; aa glosa 7.11. Fretes em outras operações sem crédito. Não se pode vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições, são situações autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal; bb glosa 7.12. Frete vinculado à glosa 5. Não se pode vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições, são situações autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal; cc Glosa 7.13. Frete vinculado à glosa 2. Não se pode vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições, são situações autônomas. A glosa efetuada não tem amparo legal; dd requer o reconhecimento da nulidade do relatório fiscal e do despacho, por cerceamento e a homologação das compensações apresentadas. A DRJ em São Paulo julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com o deferimento parcial do seu pleito, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, o Colegiado em rejeitar as preliminares de nulidade do relatório de auditoria fiscal e do despacho decisório e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, para restabelecer o direito da recorrente (i) à dedução integral dos créditos relativos às revendas de milho adquirido com suspensão (glosa 5 SUS) e (ii) à dedução parcial dos créditos calculados sobre o valor do frete relativo às operações de transferências entre estabelecimentos industriais de insumo e produto em elaboração para produção (Glosa 7.6). Conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Fl. 1677DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 8 7 INSUMO DE ORIGEM ANIMAL E VEGETAL. NÃO COMPROVADA A UTILIZAÇÃO NA FABRICAÇÃO DE PRODUTO AGROINDUSTRIAL. APROPRIAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito presumido agroindustrial, calculado sobre o valor de aquisição de insumos de origem animal e vegetal, especificados no art. 8º, § 3º, da Lei 10.925/2004, adquiridos sem tributação (isenção, alíquota zero ou suspensão), somente é admitido se demonstrado, nos autos, que os referidos produtos foram (i) adquiridos das pessoas mencionados no caput e § 1º do citado art. 8º, e (ii) utilizados como insumo de produção de mercadorias destinadas à alimentação humana ou animal. O não atendimento de qualquer uma das condições, impossibilita a dedução do referido crédito presumido. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep, se no transporte de bens para revenda ou utilizado como insumos na produção/industrialização de bens de destinados à venda, o gasto com frete, suportado pelo comprador, somente propicia a dedução de crédito se incluído no custo de aquisição dos bens, logo, se não há previsão legal de apropriação de crédito sobre o custo de aquisição dos bens transportados, por falta de previsão legal, não há como ser apropriada a parcela do crédito calculada exclusivamente sobre o valor do gasto com frete. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE NO TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE E REMESSA PARA DEPÓSITO FECHADO E ARMAZÉM GERAL. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é admitida a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/PASEP calculados sobre os gastos com frete por serviços de transporte prestados nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos do Fl. 1678DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 9 8 próprio contribuinte ou nas remessas para depósitos fechados ou armazéns gerais. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da COFINS e da Contribuição para o PIS/PASEP, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições, nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da 10.637/2002. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA DE INSUMOS ENTRE ESTABELECIMENTOS INDUSTRIAIS DO CONTRIBUINTE. SERVIÇO DE TRANSPORTE COMO INSUMO DE PRODUÇÃO. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. REGIME NÃO CUMULATIVO. OPERAÇÕES DE DEVOLUÇÃO DE COMPRA E DE VENDA. DESPESA COM FRETE NO TRANSPORTE DO BEM DEVOLVIDO. DIREITO DE DEDUÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do regime não cumulativo, por falta de previsão legal, não é passível de apropriação os créditos da Contribuição para o PIS/PASEP calculados sobre as despesas com frete incorridas na operação de Fl. 1679DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 10 9 devolução de bem vendido ou comprado, ainda que tal despesa tenha sido suportadas pelo contribuinte. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. FALTA DE COMPROVAÇÃO. GLOSA DOS CRÉDITOS APROPRIADOS. CABIMENTO. No âmbito do regime não cumulativo, ainda que haja previsão legal da dedução, a glosa dos créditos da Contribuição para o PIS/PASEP deve ser integralmente mantida se o contribuinte não comprova a realização do pagamento dos gastos com frete à pessoa jurídica domiciliada no País com documento hábil e idôneo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 DESPACHO DECISÓRIO E RELATÓRIO DE AUDITORIA FISCAL. MOTIVAÇÃO ADEQUADA. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DECLARAÇÃO DE NULIDADE. IMPOSSIBILIDADE. No âmbito do processo administrativo fiscal, não configura cerceamento do direito de defesa a decisão que apresenta fundamentação adequada e suficiente para o indeferimento do pleito de restituição formulado pela contribuinte, que foi devidamente cientificada e exerceu em toda sua plenitude o seu direito de defesa nos prazos e na forma na legislação de regência. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 1402 a 1420) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à questão do direito aos créditos da nãocumulatividade em relação a fretes na transferência de insumos e produtos inacabados entre estabelecimentos. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de n.º 3302002.025 e 3202001.098. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição de inteiro teor das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. Fl. 1680DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 11 10 O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 1423 a 1427, sob o argumento que no acórdão recorrido o Colegiado reconheceu o direito de o contribuinte apurar os créditos da nãocumulatividade em relação a fretes incorridos na transferência de insumos e de produtos em elaboração entre os estabelecimentos da mesma empresa. Por sua vez, no acórdão paradigma 3302002.025, verificase que em situação fática semelhante à versada no caso concreto, o Colegiado não reconheceu o direito ao crédito sobre fretes incorridos na transferência de insumos entre estabelecimentos, por ter considerado que não existe prestação de serviço entre estabelecimentos de um mesmo contribuinte (ninguém presta serviço para si mesmo). Desta forma, entendeuse que restou comprovada a divergência jurisprudencial. O Contribuinte opôs embargos declaração às fls.1435 a 1438, sendo que estes foram rejeitados, conforme despacho de fls. 1483 a 1486. O Contribuinte interpôs Recurso Especial de Divergência em face do acordão recorrido, a divergência suscitada diz respeito aos seguintes itens: 1 Conceito de insumo aplicável na apuração de créditos das contribuições não cumulativas a. glosa vinculada às operações de transferências e glosa vinculada às operações de remessas para depósito fechado ou armazém geral b. glosa vinculada às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda, glosa vinculada às operações sem crédito, glosa vinculada às operações com suspensão e glosa vinculada às operações com suspensão alíquota zero O Recurso Especial do Contribuinte foi admitido, conforme despacho de fls. 1653 a 1658. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões às fls. 1660 a 1669, manifestando pelo não provimento Recurso Especial do Contribuinte. Fl. 1681DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 12 11 É o relatório em síntese. Voto Vencido Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Do Recurso Especial da Fazenda Nacional Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 1423 a 1427. O acordão n.º 3302002.025, de 23 de abril de 2013, está em fase de recurso do Contribuinte e da Fazenda Nacional, foi distribuído em 20/09/2018 para relator Andrada Márcio Canuto Natal. Mas em análise a divergência jurisprudencial, o acordão recorrido dispõe: Na sistemática de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/PASEP, os gastos com frete por prestação de serviços de transporte de insumos, incluindo os produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do próprio contribuinte propiciam a dedução de crédito como insumo de produção/industrialização de bens destinados à venda. Enquanto citado acórdão paradigma entende que: Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da COFINS e da Contribuição ao PIS. O acórdão nº 3202001.098, de 27 de fevereiro de 2014, não foi reformado e dispõe: Não existe previsão legal para a utilização de créditos do PIS/COFINS, não cumulativos, sobre valores relativos às despesas com fretes realizados entre estabelecimentos da mesma empresa. Fl. 1682DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 13 12 Assim, entendo que ficou comprovada a divergência jurisprudencial. Mérito A divergência jurisprudencial suscita pela Fazenda Nacional em seu Recurso Especial, diz respeito ao direito de o contribuinte apurar créditos sobre as despesas com fretes incorridas com o transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre seus estabelecimentos. Inerente ao direito a crédito referente aos fretes pelo transporte na transferência de produtos acabados e insumos entre estabelecimentos, a mesma matéria foi julgado por esta E. Câmara Superior, na sessão de 15 de agosto de 2018, acórdão nº 9303007.283, do mesmo Contribuinte, de Relatoria do Ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, cujo voto acompanhei, de forma que peço vênia para transcrevêlo, o qual utilizo como fundamento para minhas razões de decidir por se tratar de matéria idêntica, que passa a fazer parte integrante do presente voto: Acórdão: 9303007.283 Número do Processo: 13971.908779/201139 Data de Publicação: 01/10/2018 Contribuinte: BUNGE ALIMENTOS S/A Relator(a): RODRIGO DA COSTA POSSAS Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS INACABADOS E INSUMOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS, CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para a transferência/transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre estabelecimentos do contribuinte integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 14 13 DESPESAS. FRETES. TRANSFERÊNCIA/TRANSPORTE. PRODUTOS ACABADOS. ESTABELECIMENTOS PRÓPRIOS. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas com fretes para o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, para venda/revenda, constituem despesas na operação de venda e geram créditos da contribuição, passíveis de desconto do valor apurado sobre o faturamento mensal. Voto: A Fazenda Nacional suscitou a divergência jurisprudencial, em relação ao direito de o contribuinte apurar créditos sobre as despesas com fretes incorridas com o transporte de produtos em elaboração (inacabados) e de insumos entre seus estabelecimentos. O acórdão recorrido considerou que tais despesas geram créditos passiveis de desconto da contribuição devida mensalmente por constituírem insumos, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003. O art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento da COFINS, assim dispõe: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 15 14 [...]; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]. § 2º Não dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei." As despesas com fretes para o transporte de produtos em elaboração (inacabados) entre os estabelecimentos do próprio contribuinte, bem como de insumos, integram o custo de produção dos produtos fabricados/vendidos e, consequentemente, se enquadram no conceito de insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos anteriormente. Assim, ao contrário do entendimento da Fazenda Nacional, as despesas de fretes para a transferência de produtos em elaboração e de insumos para a industrialização dos produtos fabricados/vendidos geram créditos da contribuição passíveis de desconto do valor da contribuição apurada sobre o faturamento mensal. Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 16 15 Em vista de todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda. É como voto. (Assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Do Recurso Especial do Contribuinte Admissibilidade O Recurso Especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento, conforme despacho de fls. 1653 a 1658. Do Mérito A divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito aos seguintes itens: a. glosa vinculada às operações de transferências e glosa vinculada às operações de remessas para depósito fechado ou armazém geral Tratouse de gastos com transporte de mercadorias (produtos acabados e insumos) entre a matriz (parque industrial) e suas filiais (depósitos fechados) no mesmo município. O art. 3º da Lei nº 10.833/2003, que trata das possibilidades de creditamento da COFINS, assim dispõe: "Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 17 16 I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: [...]; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. [...]. § 2º Não dará direito a crédito o valor:(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]; II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3º O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; [...]. III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei." Entendo que o inc. IX em comento não limita os créditos da não cumulatividade do PIS e Cofins à operação de venda. Quando lido em conjunto com o inc. II, as normas extraídas dos dois incisos encerram abrangência maior, a admitir, além do crédito Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 18 17 do frete na operação de venda, para entrega das mercadorias vendidas aos seus adquirentes, o crédito dos fretes entre estabelecimentos da própria empresa, desde que para o transporte de insumos, produtos acabados ou produtos já vendidos. O primeiro crédito está contemplado inc. IX: o segundo, no inc. II. Primeiramente, é correto afirmar que em * virtude do processo de logística de distribuição da empresa, as vendas efetivamente podem ocorrer pelo estabelecimento produtor como por centros de distribuição. Isto quer dizer que, tal transferência do produto acabado já faz parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final pela passagem da mercadoria pela filial receptora. Se com empresas diferentes o nome para esta passagem se daria por compra para revenda, que de qualquer maneira geraria direito creditório, tal situação não deve descaracteriza o processo de venda como um todo, posto que se equipara em termos de custo de transporte a venda direta. Ademais a transferência destes produtos é tributada pelo PIS/COFINS, assim como o faturamento dos fretes que acompanham tais mercadorias, ou seja, há a tributação na cadeia anterior. E o entendimento fiscal consistente em vedar o crédito das operações de frete nas transferências dos centros industriais para os estabelecimentos distribuidores fere principio da não cumulatividade na medida em que ao se vedar o crédito em uma das etapas do processo de industrialização e ou comercialização que a que decorreria da aplicação da alíquota sobre o valor da mercadoria vendida ao consumidor, caracterizando assim a cumulatividade. Verificase que esse é o entendimento no âmbito desta CSRF: Processo n° 13896.721081/201312 Recurso n° Especial do Contribuinte Acórdão n° 9303004.318 3a Turma Sessão de 15 de setembro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente CARGLASS AUTOMOTIVA LTDA Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 19 18 Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETE. MOVIMENTAÇÃO DE / PRODUTOS EM FABRICAÇÃO OU ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS DO CONTRIBUINTE. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Cofins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. Precedentes. Recurso Especial da Contribuinte provido. Processo n° 10680.722403/201035 Recurso n° Especial do Procurador e do Contribuinte Acórdão n° 9303004.673 3a Turma Sessão de 16 de fevereiro de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS Recorrentes FAZENDA NACIONAL ARCELORMITTAL BRASIL S/A. Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 20 19 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2005 DECADÊNCIA. ( . . . ) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 (...) CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de PIS, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2005 (...) CRÉDITOS BÁSICOS. DESPESAS COM FRETES. As despesas com fretes para transporte de produtos em elaboração e, ou produtos acabados entre estabelecimentos do contribuinte, pagas e/ ou j creditadas a pessoas jurídicas, mediante conhecimento de transporte ou de notas fiscais de prestação de serviços, geram créditos básicos de Co fins, a partir da competência de fevereiro de 2004, passíveis de dedução da contribuição devida e/ ou de ressarcimento/compensação. b. glosa vinculada às aquisições de pessoas físicas de bens para revenda, glosa vinculada às operações sem crédito, glosa vinculada às operações com suspensão e glosa vinculada às operações com suspensão alíquota zero O Acórdão Recorrido entendeu pela glosas dos itens acima por afirmar que não há previsão legal para a tomada do crédito. Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 21 20 Vale ressaltar que a a Bunge Alimentos possui diversos tipos de atuação no mercado, e que cada filial possui uma atividade específica, umas de produção, outras de venda, outras de transportes. Entendo que o direito ao crédito pelo serviço de transporte prestado não se condiciona à tributação do bem transportado, inexistindo qualquer exigência nesse sentido na legislação. A restrição ao crédito se refere, ao bem/serviço não tributado ou sujeito à alíquota zero (art. 3º, §2º, II, Leis n.º 10.637/2002 e n.º 10.833/2003), e não aos serviços tributados que possam ser a eles relacionados, como o caso: "Art. 3º (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)" (grifei) Diante de tal fato, é indiscutível o direito ao crédito quando a filial transporte subcontrata serviço de fretes, que passa a ser o insumo para prestação de seu serviço. Como evidenciado pela fiscalização, não se discute aqui a natureza da operação sujeita ao crédito (frete na aquisição de bens para revenda, tributado e assumido pelo adquirente). O que se discute, apenas, é a suposta impossibilidade de tomada do crédito em razão do bem transportado ser sujeito à alíquota zero, restrição esta não trazida na Lei. Nesse sentido, vejamse outros acórdãos deste E. Conselho: Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 22 21 "(...) CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte" (Processo n.º 13971.005212/200994 Sessão de 20/08/2014. Relator Alexandre Kern. Acórdão n.º 3403003.164. Voto Vencedor do Conselheiro Ivan Allegretti. Maioria grifei) "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição." (Processo n.º 10950.003052/200656. Sessão de 19/03/2013. Relator Rosaldo Trevisan. Acórdão n.º 3403001.938" No acórdão acima citado Conselheiro Relator Rosaldo Trevisan em seu voto assim entendeu: "A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 23 22 Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): (...) Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto" Quanto ao frete em compra de pessoa física para revenda, o acórdão recorrido, novamente, limitase a adotar entendimento restritivo quanto ao crédito dos serviços de frete tomados pela Contribuinte, vinculandoo ao necessário direito de crédito decorrente da aquisições de bens. Os fretes relacionados neste item tratam de fretes contratados de pessoa jurídica referente a aquisições de mercadorias para revenda. O fato de o fornecedor da mercadoria ter sido uma pessoa física, em tese, não desqualifica o serviço adquirido de terceiro pessoa jurídica. Diante de tal entendimento, resta claro que não há qualquer previsão em lei que restrinja a contratação de frete de pessoa jurídica para transportar mercadoria adquirida para revenda de pessoa jurídica. Com relação aos fretes em outras operações sem crédito, na mesma linha o acórdão reitera a necessária vinculação do direito de crédito nas operações de tomada de frete com as relativas as aquisições de bens.Em decorrência do que já foi expendido acima, não há que se confundir ou vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições com ou sem Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 24 23 direito ao crédito. São situação autônomas como geradoras do direito de crédito, cada qual obedecendo o regramento estabelecido nas Leis n° 10.637/ 2002 e 10.833/2003, nos quais inexiste a vedação ou limitação imposta pelo Relatório Fiscal e confirmado no Despacho Decisório impugnado. Diante do exposto dou provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 25 24 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com o devido respeito ao voto da ilustre relatora, discordo de suas conclusões quanto ao provimento do recurso especial do contribuinte. Tendo sido vencido na parte relativa à possibilidade de créditos nos serviços de frete para o transporte de produtos acabados entre estabelecimentos, fui designado para elaborar o voto vencedor em relação à possibilidade de créditos quanto aos serviços de fretes no transporte de insumos não onerados pelas contribuições. Conceito de insumos Como, ambos os recursos discutem a temática do conceito de insumos, para fins de apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS e da Cofins, de que tratam as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, importante, antes de adentrar ao seu mérito, pontuar o conceito de insumos adotado por este relator no presente voto. Importante esclarecer, que parte desse colegiado, nas sessões de julgamento precedentes, inclusive eu, não compartilhava do entendimento de que a legislação da não cumulatividade do PIS e da Cofins dava margem para compreender o conceito de insumos no sentido de sua relevância e essencialidade às atividades da empresa como um todo. No nosso entender a legislação do PIS/Cofins traz uma espécie de numerus clausus em relação aos bens e serviços considerados como insumos para fins de creditamento, ou seja, fora daqueles itens expressamente admitidos pela lei, não há possibilidade de aceitálos dentro do conceito de insumo. Embora não aplicável a legislação restritiva do IPI, o insumo era restrito ao item aplicado e consumido diretamente no processo produtivo, não se admitindo bens ou serviços que, embora relevantes, fossem aplicados nas etapas préindustriais ou pósindustriais, a exemplo dos conhecidos insumos de insumos, como é o caso do adubo utilizado na plantação da canadeaçúcar, quando o produto final colocado à venda é o açúcar ou o álcool. Porém, o STJ, no julgamento do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, submetido à sistemática dos recursos repetitivos de que tratam os arts. 1036 e seguintes do NCPC, trouxe um novo delineamento ao trazer a interpretação do conceito de insumos que Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 26 25 entende deve ser dada pela leitura do inciso II dos art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Sobre o assunto, a Fazenda Nacional editou a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, na qual traz que o STJ em referido julgamento teria assentado as seguintes teses: “(a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Lei nº 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Portanto, por força do efeito vinculante da citada decisão do STJ, esse conselheiro passará a adotar o entendimento muito bem explanado na citada nota da PGFN. Para que o conceito doravante adotado seja bem esclarecido, transcrevo abaixo excertos da Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, os quais considero esclarecedores dos critérios a serem adotados. (...) 15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poderseia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observase que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividadefim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques. 18. (...) Destarte, entendeu o STJ que o conceito de insumos, para fins da não cumulatividade aplicável às referidas contribuições, não corresponde exatamente aos conceitos de “custos e despesas operacionais” utilizados na legislação do Imposto de Renda. Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 27 26 (...) 36. Com a edição das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, o legislador infraconstitucional elencou vários elementos que como regra integram cadeias produtivas, considerandoos, de forma expressa, como ensejadores de créditos de PIS e COFINS, dentro da sistemática da nãocumulatividade. Há, pois, itens dentro do processo produtivo cuja indispensabilidade material os faz essenciais ou relevantes, de forma que a atividadefim da empresa não é possível de ser mantida sem a presença deles, existindo outros cuja essencialidade decorre por imposição legal, não se podendo conceber a realização da atividade produtiva em descumprimento do comando legal. São itens que, se hipoteticamente subtraídos, não obstante não impeçam a consecução dos objetivos da empresa, são exigidos pela lei, devendo, assim, ser considerados insumos. (...) 38. Não devem ser consideradas insumos as despesas com as quais a empresa precisa arcar para o exercício das suas atividades que não estejam intrinsicamente relacionadas ao exercício de sua atividadefim e que seriam mero custo operacional. Isso porque há bens e serviços que possuem papel importante para as atividades da empresa, inclusive para obtenção de vantagem concorrencial, mas cujo nexo de causalidade não está atrelado à sua atividade precípua, ou seja, ao processo produtivo relacionado ao produto ou serviço. 39. Vale dizer que embora a decisão do STJ não tenha discutido especificamente sobre as atividades realizadas pela empresa que ensejariam a existência de insumos para fins de creditamento, na medida em que a tese firmada referese apenas à atividade econômica do contribuinte, é certo, a partir dos fundamentos constantes no Acórdão, que somente haveria insumos nas atividades de produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. Desse modo, é inegável que inexistem insumos em atividades administrativas, jurídicas, contábeis, comerciais, ainda que realizadas pelo contribuinte, se tais atividades não configurarem a sua atividadefim. (...) 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item é como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Buscase uma eliminação hipotética, suprimindo se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo. (...) 50. Outro aspecto que pode ser destacado na decisão do STJ é que, ao entender que insumo é um conceito jurídico indeterminado, permitiuse uma conceituação diferenciada, de modo que é possível que seja adotada definição diferente a depender da situação, o que não configuraria confusão, diferentemente do que alegava o contribuinte no Recurso Especial. 51. O STJ entendeu que deve ser analisado, casuisticamente, se o que se pretende seja considerado insumo é essencial ou relevante para o processo produtivo ou à atividade principal desenvolvida pela empresa. Vale ressaltar que Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 28 27 o STJ não adentrou em tal análise casuística já que seria incompatível com a via especial. 52. Determinouse, pois, o retorno dos autos, para que observadas as balizas estabelecidas no julgado, fosse apreciada a possibilidade de dedução dos créditos relativos aos custos e despesas pleiteados pelo contribuinte à luz do objeto social daquela empresa, ressaltandose as limitações do exame na via mandamental, considerando as restrições atinentes aos aspectos probatórios. (...) Analisando o caso concreto apreciado pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, observase que estava em discussão os seguintes itens que a recorrente, uma empresa do ramo de alimentos, mais especificamente, avicultura, pleiteava: " 'Custos Gerais de Fabricação' (água, combustíveis, gastos com veículos, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI, materiais de limpeza, ferramentas, seguros, viagens e conduções) e 'Despesas Gerais Comerciais' (combustíveis, comissão de vendas a representantes, gastos com veículos, viagens e conduções, fretes, prestação de serviços PJ, promoções e propagandas, seguros, telefone, comissões)". Ressaltese que referido acórdão reconheceu a possibilidade de ser possível o creditamento somente em relação aos seguintes itens: água, combustíveis e lubrificantes, materiais de exames laboratoriais, materiais de proteção EPI e materiais de limpeza. De plano percebese que o acórdão, apesar de aparentemente ter reconhecido um conceito de insumos bastante amplo ao adotar termos não muito objetivos, como essencialidade ou relevância, afastou a possibilidade de creditamento de todas as despesas gerais comerciais, aí incluídas despesas de frete e outras que se poderiam acreditar relevantes ou essenciais. Anote ainda que, mesmo para os itens teoricamente aceitos, devolveuse para que o Tribunal recorrido avaliasse a sua essencialidade ou relevância, à luz da atividade produtiva exercida pelo recorrente. Assim, uma conclusão inequívoca que penso poder ser aplicada é que não é cabível o entendimento muito aventado pelos contribuintes e por alguns doutrinadores, de que todos os custos e despesas operacionais seriam possíveis de creditamento. De forma, que doravante, à luz do que foi decidido pelo STJ no RESP 1.221.170/PR, adotarei o critério da relevância e da essencialidade sempre indagando a aplicação do insumo ao processo de produção de bens ou de prestação de serviços. Por Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 29 28 exemplo, por mais relevantes que possam ser na atividade econômica do contribuinte, as despesas de cunho nitidamente administrativo e/ou comercial não perfazem o conceito de insumos definidos pelo STJ. Da mesma forma, demais despesas relevantes consumidas antes de iniciado ou após encerrado o ciclo de produção ou da prestação de serviços. Situação específica dos fretes É de conhecimento notório que, em estabelecimentos industriais, especialmente do que se cuida no presente processo, existem vários tipos de serviços de fretes. São exemplos: 1) fretes nas aquisições de insumos de fornecedores; 2) fretes utilizados na fase de produção, como por exemplo em decorrência da necessidade de movimentação de insumos e de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do mesmo contribuinte; 3) fretes de produtos acabados entre estabelecimentos ou armazém geral do próprio contribuinte; e 4) fretes de produtos acabados em operações de venda. A legislação do PIS e da Cofins, no regime nãocumulativo, prevê os seguintes tipos de créditos que podem ser aqui aplicados: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Da leitura do texto transcrito, concluise que para admitir o crédito sobre o serviço de frete, só existem duas hipóteses: 1) como insumo do bem ou serviço em produção, inc. II, ou 2) como decorrente da operação de venda, inc. IX. Portanto antes de conceder ou Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 30 29 reconhecer o direito ao crédito, devemos nos indagar se o serviço de frete é insumo, ou se está inserido na operação de venda. Passemos então a analisar como se encaixam os diversos tipos de fretes, citados no exemplo. 1) fretes nas aquisições de insumos de fornecedores; Tratase de um serviço prestado antes de iniciado o processo fabril, portanto não há como afirmar que se trata de um insumo do processo industrial. Assim, o que é efetivamente insumo é o bem ou mercadoria transportada, sendo que esse frete integrará o custo deste insumo e, nesta condição, o seu valor agregado ao insumo, poderá gerar o direito ao crédito, caso o insumo gere direito ao crédito. Ou seja, o valor deste frete, por si só, não gera direito ao crédito. Este crédito está definitivamente vinculado ao insumo. Se o insumo gerar crédito, por consequência o valor do frete que está agregado ao seu custo, dará direito ao crédito, independentemente se houve incidência das contribuições sobre o serviço de frete, a exemplo do que ocorre nos fretes prestados por pessoas físicas. Ao contrário, caso o insumo não gere direito ao crédito, como nos casos de alíquota zero, suspensão ou isenção, o serviço de frete, agregado a esses insumos também não farão jus ao crédito. 2) fretes utilizados na fase de produção, como por exemplo em decorrência da necessidade de movimentação de insumos e de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do mesmo contribuinte; Aqui, ao contrário do exemplo anterior, os serviços de frete, contratados juntos a pessoas jurídicas e utilizados no âmbito do processo produtivo, como por exemplo, o transporte de insumos e produtos em fabricação, entre estabelecimentos fabris do contribuinte, geram direito ao crédito na condição de insumo, nos exatos termos do que consta no inc. II do art. 3º, acima transcrito. 3) fretes de produtos acabados entre estabelecimentos ou armazém geral do próprio contribuinte; Aqui, indubitável que o serviço de frete não pode ser considerado insumo nos termos do inc. II do art. 3º acima transcrito, pois aqui não temos mais processo produtivo. O processo produtivo já se concluiu e o produto acabado não está mais em processo de industrialização. Observe também que esta operação também não se encaixa no inc. IX do art. Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 31 30 3º, pois não se trata de frete na operação de venda, conquanto o produto ainda não foi vendido. Conclusão inequívoca é de que não existe previsão legal para que o contribuinte aproprie deste crédito. 4) fretes de produtos acabados em operações de venda. Aqui, a situação encaixase à perfeição no inc. IX do art. 3º, acima transcrito, sendo indiscutível o direito ao creditamento. Ressaltese mais uma vez, que este crédito não é decorrente do conceito de insumos, propriamente dito, mas em razão de previsão legal expressa. Se esse serviço fosse insumo, certamente seria dispensável a existência do referido inciso na legislação de regência. Com o conceito de insumos acima delineado, e as observações pertinentes aos diversos serviços de frete, passemos a analisar o caso concreto em discussão. Recurso especial da Fazenda Nacional Fretes na transferência de insumos e produtos inacabados entre estabelecimentos. O acórdão recorrido concedeu o direito a esse crédito nos seguintes termos: (...) Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: (...) c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e (...) Portanto, não há reparos a fazer nesta decisão, pois consonante com o meu entendimento exarado no tópico 2 acima. O frete adquirido de pessoas jurídicas, nessa Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 32 31 condição, satisfaz ao conceito de insumos previsto no inc. II do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Recurso especial do contribuinte Direito ao crédito sobre fretes no transporte de produtos não sujeitos ao pagamento das contribuições. Estão englobados neste item, os seguintes sub itens do recurso especial do contribuinte: 2.1 Glosa de fretes nas compras de bens para revenda de pessoas físicas Como resta claro, pelo próprio título, esse assunto engloba os serviços de fretes utilizados na aquisição de bens para revenda. Nesse caso, aplicase o mesmo raciocínio do item 1 da análise de frete. Esclarecese que a apropriação de créditos, da não cumulatividade do PIS e da Cofins, nas aquisições de bens para revenda, se dá não em razão do conceito de insumos, inc. II do art. 3º das Leis, tanto discutido, mas com base no inc. I do mesmo art. 3º, também acima transcrito. Assim, o valor do frete é adicionado ao custo do bem para revenda e só dará direito ao crédito se o próprio bem adquirido para revenda der esse direito. Como se trata de bens adquiridos de pessoas físicas, não é possível esse creditamento. 2.2 Glosa de fretes em outras operações sem crédito. De acordo com o Relatório de Auditoria Fiscal, neste subitem foram glosados os créditos calculados pela contribuinte sobre despesas com fretes, cuja vinculação apresentada remetia a notas fiscais relativas a outras entradas para as quais não houve cálculo de crédito da contribuição. Portanto, pelo mesmo raciocínio constante do item 1 da análise e também do subitem precedente, não é possível esse creditamento. 2.3 Glosa de fretes vinculados a registros atingidos pela glosa 5 SUS Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 13971.908777/201140 Acórdão n.º 9303008.061 CSRFT3 Fl. 33 32 De acordo com o relatório de auditoria fiscal, a glosa 5 referese à aquisição de milho para revenda que foi adquirido com suspensão das contribuições. Portanto, pelo mesmo raciocínio dos itens precedentes, se o bem não dá direito ao crédito, não existe previsão legal para o creditamento do frete. 2.4 Glosa de fretes vinculados a registros atingidos pela glosa 2 AZ De acordo com o relatório fiscal, a glosa 2 AZ, referese a aquisições de bens ou insumos com alíquota zero das contribuições. Portanto, pelo mesmo raciocínio dos itens precedentes, se o bem não dá direito ao crédito, não existe previsão legal para o creditamento do frete. Assim, não há qualquer reparo a fazer no acórdão recorrido, o qual utilizo também como fundamento complementar do presente voto, nos termos do § 1º do art. 50 da Lei nº 9784/99. Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 1703DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002072/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2004
EMBARGOS INOMINADOS. OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES.
Cabem embargos inominados quando for constatada omissão do colegiado em relação a ponto sobre o qual deveria pronunciar-se ou houver decidido sobre determinada matéria com fundamento em premissa equivocada ou lapso manifesto. Demonstrada a omissão, impõe-se a sua correção, em sede de embargos inominados, com a atribuição de efeitos infringentes no no caso concreto ensejou efeitos infringentes no caso concreto.
Numero da decisão: 3201-005.174
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para alterar a conclusão do Acórdão nº 3201-002.137, para reconhecer, no tocante aos débitos que foram constituídos por meio de DCTF retificadoras apresentadas em 10/10/2005, incluindo aí a do 1º trimestre/2004, que o lançamento foi formalizado antes da apresentação da DCTF pela contribuinte, devendo, portanto, ser mantido.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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OMISSÃO. EFEITOS INFRINGENTES. Cabem embargos inominados quando for constatada omissão do colegiado em relação a ponto sobre o qual deveria pronunciarse ou houver decidido sobre determinada matéria com fundamento em premissa equivocada ou lapso manifesto. Demonstrada a omissão, impõese a sua correção, em sede de embargos inominados, com a atribuição de efeitos infringentes no no caso concreto ensejou efeitos infringentes no caso concreto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para alterar a conclusão do Acórdão nº 3201 002.137, para reconhecer, no tocante aos débitos que foram constituídos por meio de DCTF retificadoras apresentadas em 10/10/2005, incluindo aí a do 1º trimestre/2004, que o lançamento foi formalizado antes da apresentação da DCTF pela contribuinte, devendo, portanto, ser mantido. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 20 72 /2 00 5- 73 Fl. 1069DF CARF MF Processo nº 10735.002072/200573 Acórdão n.º 3201005.174 S3C2T1 Fl. 1.070 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Tratase de Despacho de Encaminhamento no qual se solicita esclarecimento quanto a suposto erro material, recepcionado como Embargos Inominados opostos pela Agência da Receita Federal do Brasil em Duque de Caxias RJ (Delegacia da Receita Federal do Brasil em Nova Iguaçu), em face do Acórdão nº 3201002.137, da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, proferido em sessão de 27/04/2016, cuja Ementa abaixo se transcreve: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/2000 a 31/03/2004 DECADÊNCIA. CONTRIBUIÇÕES. A Súmula Vinculante nº 8 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições é de cinco anos, contandose da ocorrência do fato gerador, nos casos de lançamento por homologação em que houve o pagamento insuficiente do tributo, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, ou contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, caso inexistente o recolhimento. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Deve ser aplicada a lei superveniente que estabelece penalidades, quando mais benéfica que a vigente à época da ocorrência do fato gerador, com base no disposto no art. 106, II, "c" do CTN. LANÇAMENTO. DUPLICIDADE. Deve ser cancelado o crédito tributário que já se encontre previamente constituído." Alega a Unidade embargante a possibilidade de ter ocorrido erro material no julgamento, conforme a seguir: "O Acórdão nº 3201002.137 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária esclarece que “[...] a planilha de fls.1016 demonstra que tais débitos foram constituídos por meio de DCTF retificadoras apresentadas em 10/10/2005 e 31/03/2004” e que “verificado que o crédito tributário já se encontrava constituído por meio das DCTF retificadoras apresentadas em 31/03/2004, o presente auto de infração em relação a tais débitos foi constituído em duplicidade, o que enseja o cancelamento destes valores.No tocante aos débitos que foram meio de constituídos por DCTF retificadoras apresentadas em 10/10/2005, contudo, o presente Fl. 1070DF CARF MF Processo nº 10735.002072/200573 Acórdão n.º 3201005.174 S3C2T1 Fl. 1.071 3 lançamento foi formalizado antes da apresentação da DCTF pela contribuinte, devendo, portanto, ser mantido”. E conclui, afirmando que “Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário, para cancelar a exigência em relação aos períodos de apuração de 02/2000 a 07/2000, pela decadência, cancelar os valores incluídos no PAES anteriormente a lavratura desta Auto de Infração, no seu montante confessado, e cancelar os valores informados nas DCTF retificadoras apresentadas em 31/03/2004, no seu montante declarado, restando mantidos os demais valores exigidos”. Conforme a referida planilha de fls. 1016, os débitos que (supostamente) teriam sido retificados pela DCTF (supostamente) entregue em 31/03/2004 são os de PA 01/04 a 03/04 (1º semestre/2004). Todavia, pesquisa realizada nos sistemas da RFB demonstra que a DCTFRetificadora do período em questão foi entregue em 10/10/2005; sendo 31/03/2004 a data de “Período Final” do trimestre, não a data de recepção da DCTF, conforme pode ser observado na Relação de Declarações de fls. 1060. Assim sendo, proponho o retorno do presente processo ao CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para pronunciamento quanto ao cancelamento ou manutenção dos débitos do 1º trimestre de 2004, considerando que não houve DCTFRetificadora entregue em 31/03/2014, apenas em 10/10/2005"." Os embargos foram devidamente admitidos pelo Sr. Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção do CARF, conforme a seguir: "Diante do exposto, com base nas razões acima expostas e com fundamento no art. 66, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015, DOU SEGUIMENTO aos Embargos opostos. Encaminhese o presente processo à SECAM, para providenciar o sorteio dos presentes Embargos dentre os Conselheiros da 1ª Turma da 2ª Câmara, para inclusão em pauta de julgamento, tendo em conta que o Conselheiro Relator, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, não mais integra a Turma que prolatou o acórdão embargado." É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator O despacho de admissibilidade de certo modo já resolveu a questão posta em debate. Fl. 1071DF CARF MF Processo nº 10735.002072/200573 Acórdão n.º 3201005.174 S3C2T1 Fl. 1.072 4 Realmente, a decisão embargada adotou premissa equivocada para decidir no que tange à matéria embargada. Do voto condutor destaco o seguinte excerto: "Da diligência fiscal restou esclarecido que os débitos referentes ao período de apuração de 01/2003 a 03/2004 encontrariamse inscritos em Dívida Ativa da União, com pedido de inclusão em Parcelamento Especial da Lei nº 11941/2009 ainda não deferido. Em relação a estes débitos, contudo, a planilha de fls. 1016 demonstra que tais débitos foram constituídos por meio de DCTF retificadoras apresentadas em 10/10/2005 e 31/03/2004. Seguindo o mesmo raciocínio, e tendo em vista que a ciência do lançamento pelo sujeito passivo ocorreu apenas em 08/08/2005, temos que alguns dos valores que estão sendo exigidos já se encontravam presentes nas DCTF retificadoras apresentadas em 31/03/2004. Assim sendo, verificado que o crédito tributário já se encontrava constituído por meio das DCTF retificadoras apresentadas em 31/03/2004, o presente auto de infração em relação a tais débitos foi constituído em duplicidade, o que enseja o cancelamento destes valores." Ocorre que, de acordo com o documento apresentado à fl 1060, a declaração retificadora referente ao 1º trimestre/2004 foi apresentada em 10/10/2005 e não em 31/03/2004, tendo, portanto, a decisão adotado premissa equivocada como razões de decidir. Vejamos o teor do referido documento: Neste contexto, a reforma do julgado é medida que se impõe. Ora, se a DCTF retificadora relativa ao 1º trimestre/2004 somente foi protocolizada em 10/10/2005, o débito em relação a tal trimestre não estava previamente constituído, conforme consignado na decisão embargada. O CARF tem o entendimento de que os embargos inominados podem ter efeitos infringentes em casos como o presente, ante a premissa equivocada adotada e ocorrência de lapso manifesto. Neste sentido, o seguinte precedente jurisprudencial: "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Fl. 1072DF CARF MF Processo nº 10735.002072/200573 Acórdão n.º 3201005.174 S3C2T1 Fl. 1.073 5 Período de apuração: 01/10/2000 a 31/12/2000 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSOS MATERIAIS. INTERPRETAÇÃO EQUIVOCADA DOS FATOS. PROVIMENTO. Existência de equívocos na decisão caracterizada pela apreciação equivocada dos fatos e provas que constam dos autos impende o recebimento como embargos inominados.Dáse provimento aos embargos inominados admitidos, a fim de que seja saneado os autos com a correção dos lapsos materiais e retificação do acórdão com efeitos infringentes nas partes que com ele inconciliáveis. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Inocorrência da homologação tácita na hipótese da autoridade administrativa proferir despacho em data anterior ao término do prazo de cinco anos a contar da data do pedido/declaração." (Processo nº 10880.919737/200930; Acórdão nº 3201003.565; Relator Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira; sessão de 20/03/2018) Diante do exposto, voto em acolher os Embargos Inominados, com efeitos infringentes, para alterar a conclusão do Acórdão nº 3201002.137 para, no tocante aos débitos que foram constituídos por meio de DCTF retificadoras apresentadas em 10/10/2005, incluindo aí, a do 1º trimestre/2004, reconhecer, que o lançamento foi formalizado antes da apresentação da DCTF pela contribuinte, devendo, portanto, ser mantido. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 1073DF CARF MF
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Numero do processo: 13971.720495/2013-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
VÍNCULO EMPREGATÍCIO. APURAÇÃO. COMPETÊNCIA.
A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho.
DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA.
Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA.
A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação.
MULTA QUALIFICADA.
Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS.
Os valores recolhidos pelas empresas optantes pelo SIMPLES, cujos empregados foram caracterizados como da empresa principal podem ser deduzidos da base de cálculo. (Súmula CARF nº 76)
Numero da decisão: 2202-004.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: Relator JÚNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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APURAÇÃO. COMPETÊNCIA. A fiscalização tem competência para apontar a existência de vínculo empregatício para os efeitos de apuração das contribuições devidas à Seguridade Social, sem que isto configure, sob qualquer perspectiva, invasão à competência da Justiça do Trabalho. DECADÊNCIA. SIMULAÇÃO COMPROVADA. Não se aplica o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º do CTN quando comprovada a prática de ato simulado por parte do sujeito passivo, devendo o prazo decadencial ser contado a partir do 1 dia do exercício seguinte, nos termos do artigo 173, I do mesmo código ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. SIMULAÇÃO ABSOLUTA. A conduta consistente em ocultar o pagamento de remuneração a pessoas físicas, conferindo a essa remuneração a roupagem enganosa de um pagamento realizado em contrapartida de um serviço prestado por pessoa jurídica, implica a ação dolosa de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária acerca da ocorrência dos fatos geradores das contribuições destinadas a entidades e fundos, incorrendo, assim, a autuada na conduta típica da sonegação. MULTA QUALIFICADA. Comprovada a ocorrência de simulação, correta a aplicação da penalidade qualificada prevista no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007. EXCLUSÃO DO SIMPLES. DEDUÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 04 95 /2 01 3- 84 Fl. 1417DF CARF MF 2 Os valores recolhidos pelas empresas optantes pelo SIMPLES, cujos empregados foram caracterizados como da empresa principal podem ser deduzidos da base de cálculo. (Súmula CARF nº 76) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Conforme se verifica pelo Relatório Fiscal de fls. 1090/1111 tratam os presentes autos do lançamento de contribuições da rubrica Terceiros (outras Entidades FNDE/Salário Educação, SENAI, INCRA e Sebrae) e obrigações acessórias correspondentes formalizado contra a Recorrente em virtude de serviços prestados por empregados das empresas OM TÊXTIL LTDA e TECELAGEM EMBALAGEM SALTO LTDA. O lançamento totaliza do montante de R$ 400.035,20. De acordo com a fiscalização, a Recorrente criou as duas empresas (OM TÊXTIL e TECELAGEM) para que pudesse optar pelo SIMPLES NACIONAL e, assim, efetuar o recolhimento a menor das contribuições previdenciárias. Embora a criação das empresas não seja vedada, a fiscalização apontou os seguintes fatos que demonstrariam a existência meramente formal das mencionadas empresas: a) os trabalhadores das empresas prestadoras de serviços, OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO, trabalhavam na realidade para a empresa LULI. Essas empresas foram incorporadas pela empresa LULI em janeiro/2009; b) a empresa LULI LTDA iniciou suas atividades em 02/01/1985, no endereço Praça Dr. Blumenau, 11, Centro, Blumenau/SC. Em 10/12/1998 mudouse para a Rua Engenheiro Udo Deeke, 600, Sala 01, Bairro Salto do Norte, Blumenau/SC, conforme 7ªAlteração Contratual, onde permanece até hoje; Fl. 1418DF CARF MF Processo nº 13971.720495/201384 Acórdão n.º 2202004.696 S2C2T2 Fl. 1.879 3 c) a empresa OM TÊXTIL LTDA ME iniciou suas atividades em 17/05/1999, no endereço Rua Ari Barroso, 80, Salto do Norte, Blumenau/SC, que fica nos fundos da empresa LULI. De acordo com os funcionários da empresa OM TÊXTIL o acesso à empresa sempre foi pela frente (do prédio da LULI), na Rua Udo Deeke, 600, concluindo que, de fato, a empresa instalouse no mesmo endereço da empresa controladora LULI, onde permaneceu até a data da incorporação; d) a empresa TECELAGEM E EMBALAGEM SALTO LTDA iniciou suas atividades em 01/06/1999, no endereço Rua Engenheiro Udo Deeke, 600, Bairro Salto do Norte, Blumenau/SC mesmo endereço da LULI , lá permanecendo até o momento de sua incorporação; e) as três empresas não possuem sede própria. O imóvel situado na Rua Engenheiro Udo Deeke, 600 foi locado pelas empresas e está registrado em nome da empresa PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS INA LTDA, a qual possuía atividades interligadas com as atividades da Recorrente, conforme objeto Social de cada uma em 2008; f) as empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO eram empresas meramente formais ou fictícias e que eram interligadas e operavam de fato como uma única empresa pois; f.1) quadro societário das empresas era composto por parentes dos proprietários da empresa LULI e/ou empregados e ainda exempregados; f.2) as empresas controladas instalaramse dentro da empresa controladora, LULI, sem qualquer distinção ou separação, como afirmaram os exempregados das empresas prestadoras de serviços (empregados atuais da LULI); f.3) no exercício de 01/2008 a 12/2008 o Capital Social da LULI era de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). No mesmo período o Capital Social das empresas OM TÊXTIL e da TEC. EMB. SALTO era de R$ 5.000,00 (cinco mil reais); f.4) o patrimônio das empresas concentrase na empresa LULI, conforme Balancetes Contábeis que anexa (DOC. 11 a 13), pois as empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB SALTO, não possuíam patrimônio nenhum, nem mesmo máquinas, cadeiras, ou um telefone, bem como mercadorias, salvo mercadorias de terceiros, lançadas na conta “1.1.4.04 CONTA DE COMPENSAÇÃO”; f.5) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E BEM. SALTO eram deficitárias e acumulavam prejuízos; f.6) a Folha de Pagamento de Salários da empresa da LULI LTDA correspondeu a 4,2% (do Faturamento da empresa (R$ 53.797.950,57), enquanto que o Faturamento das empresas Prestadoras de Serviços foi insuficiente para cobrir o valor da Folha de Pagamento; f.7) a empresa LULI possuía custos excessivos se comparados com as empresas prestadoras de serviços, considerando que aquela possuía uma média de 134 (cento e trinta e quatro) funcionários e as empresas terceirizadas (somadas) uma média de 320 (trezentos e vinte); Fl. 1419DF CARF MF 4 f.8) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E EMB. SALTO nada pagavam a título de Água, Energia Elétrica, Telefone, Manutenções de Instalações, Máquinas e Equipamentos, Móveis e Utensílios. Também não tinham custos com Material de Segurança, Materiais de Consumo, Expediente e Limpeza. Tais custos corriam por conta da empresa LULI, em cuja contabilidade eram lançados; g) em razão da incorporação das empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO, em janeiro/2009, pela empresa LULI, aquelas foram declaradas extintas, conforme Décima Terceira Alteração e Consolidação do Contrato Social. A maioria dos empregados das empresas incorporadas migraram para a empresa LULI em janeiro/2009, sem efetuarem a Rescisão de Contrato de Trabalho e com a mesma data de admissão que haviam sido registrados nas empresas incorporadas; h) de acordo depoimentos de alguns exfuncionários das empresas incorporadas nunca houve mais de uma empresa. Afirmaram que as empresas operavam em conjunto e alguns funcionários sequer sabiam da existência de outras empresas no local. A maioria dos funcionários não conhecia os sócios da empresas incorporadas. Reconheciam proprietários das mesmas os Srs. JAIR CORDEIRO e LUZIA CORDEIRO (LULI). Além disso, confirmaram que o acesso às três empresas sempre foi pela porta principal da empresa LULI; que sempre houve um só Escritório, um RH, uma Portaria e um Refeitório; e assim permanece até hoje; Em decorrência dos fatos relatados a fiscalização entendeu que os empregados e sócios formais das empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO atendem aos pressupostos necessários à caracterização de segurados empregados da empresa LULI LTDA, conforme o disposto no art. 3º da CLT e no art. 12, inciso I, alínea “a”, da Lei n.º 8.212/91: Pessoalidade; NãoEventualidade; Subordinação e Onerosidade; Além disso, a fiscalização considerou que as empresas LULI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CONFECÇÕES LTDA e PARTICIPAÇÕES INA LTDA configuram um Grupo Econômico de Fato, uma vez que possuem os mesmos sócios. Essa identidade do quadro societário se dá porque JAIR CORDEIRO e LUZIA CORDEIRO, possuem o usufruto vitalício dos bens e quotas doadas para as filhas KATIUSCIA, CAMILA e CELINA. Diante disso, são, indiretamente, proprietários da empresa INA, possuindo o direito de extinguir a sociedade a qualquer tempo; O lançamento se fundamentou nos art. 121, 124, 128, 134 e 135 do CTN; art. 2º, § 2º da Consolidação das Leis do Trabalho; art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212, de 24/07/1991; Em virtude da edição da Lei 11.941/2009 foi efetuado comparativo entre as multas do CFL 68 + multa de mora x Multa de Ofício de 75%, (Período 01/2008 a 11/2008) a fim de verificar qual a multa mais benigna, conforme demonstrativo em anexo, “SAFIS – Comparação de Multas” e, no período autuado (01/2008 a 11/2008) a multa menos severa foi a anterior à vigência da Lei 11.941/2009; Na competência 12/2008 foi aplicada a multa de ofício qualificada (art. 35A da lei 11.941/2009, c/c art. 44 da Lei 9.430/96) por restar caracterizada a prática de sonegação, conforme artigo 71 da Lei 4.502/64; Fl. 1420DF CARF MF Processo nº 13971.720495/201384 Acórdão n.º 2202004.696 S2C2T2 Fl. 1.880 5 A impugnante (LULI) e os sujeitos passivos solidários (Luzia Cordeiro e Participações e Investimentos INA Ltda) foram notificadas dos Autos de Infração e apresentaram suas respectivas impugnações alegando, resumidamente, o seguinte: a) Erro na identificação do sujeito passivo, uma vez que os fatos geradores (vínculos empregatícios) não estavam atrelados diretamente a ela, mas, sim, às reais empregadoras ("Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. ME e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME") cuja existência é admitida pela fiscalização, tanto que nenhum procedimento foi adotado para desconstituílas. Defende que o lançamento tributário deveria ter sido formulado contra o contribuinte direto, cabendo à autuada, empresa Luli Ltda, apenas a responsabilização como coobrigada (responsável). b) Incompetência da Previdência Social Para Reconhecer Vínculo Empregatício, pois somente o Juiz do Trabalho, na sua função inquisitória, é competente para declarar a qualificação de um determinado vínculo jurídico de trabalho, conforme previsão expressa contida no art. 114 da Constituição Federal de 1988, a qual não pode ser derrogada por normativas de inferior hierarquia. c) Decadência do Direito de Lançar, uma vez que vez que entre a ocorrência do fato gerador (jan/08 e fev/08) e a data da formalização do lançamento (mar/13), transcorrera mais de cinco (05) anos. Afirma que não houve a comprovação da prática de ato doloso, fraudulento ou simulado, o que torna impossível transmudar a regra do prazo decadencial fincada no artigo 150, §4°, para o artigo 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. d) Inexistência de Vínculo Direto Para Fins de Recolhimento Previdenciário, pois em nenhum momento restou comprovado que a autuada detinha qualquer relação com as empresas desconstituídas, anteriormente ao ano de 2009 (quando então adquiriuas por incorporação). d.1) A manifestação unilateral do fiscal é incipiente para embasar a desconsideração da existência das empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME e a interferência na esfera jurídicopatrimonial da insurgente é medida extrema, que não pode estar lastreada em dúvida, como ocorre no presente caso d.2) As empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME detinham vida própria, inclusive com a prestação de serviços para várias empresas do mercado, conforme registros anexados da empresa Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda cujo registro contábil demonstra contas à receber de vários clientes, inclusive empresas de grande porte, tais como Malharia Kyly, Malhas Soft, Hering, entre outros. d.3) no período fiscalizado a empresa Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME vinha prestando serviços exclusivos à autuada em face das peculiaridades que norteavam seus produtos, como também, porque encontravase com sua capacidade produtiva totalmente voltada para tal fim. d.4) Defende que não se afigura razoável sustentar a autuação fiscal em meros registros contábeis de uma empresa de pequeno porte, porque a contabilização dos atos e fatos econômicos nestas sociedades nem sempre se afiguram exatos, vez que contabilização completa dos eventos importaria em gastos excessivos para uma sociedade de pequeno porte, como àquelas que a fiscalização supõe serem "de fachada" Fl. 1421DF CARF MF 6 d.5) Alega que a coleta dos depoimentos dos funcionários não foi acompanhada pela impugnante, de forma que podem ter sido coletados de forma direcionada, através da formulação de perguntas induzidas ou distorcidas a pessoas simples, que não detém conhecimento acerca dos negócios, nem tampouco detém capacidade para compreensão da sistemática de funcionamento das instituições, de forma que não podem ser considerados em nenhuma hipótese, por ofensa aos princípios do contraditório e da ampla defesa e) Inexistência de Grupo Econômico de Fato e Solidariedade Tributária, pois este requer a "coligação" e/ou o "controle", haja vista que as sociedades fiscalizadas sequer detêm investimentos (relevantes ou irrelevantes) em outras empresas, quanto menos, nas empresas fiscalizadas. e.1) Defende que no presente caso também não se identifica a "combinação de esforços de sociedades para realizar seus objetivos sociais" haja vista tratarse de 03 (três) sociedades distintas e autônomas, com quadro societário, funcional, atividade, objeto e endereços absolutamente distintos, não denotando qualquer ligação as mesmas. e.2) Ressalta que há absoluta distinção dos sócios das empresas envolvidas e que todas as empresas possuem sócios pessoas físicas, o que, por si só afasta a possibilidade de coligação ou controle necessário para caracterizar o "Grupo Econômico de Fato". e.3) Contesta que o simples fato de alguns dos sócios das sociedades terem sido empregados ou deter quaisquer outro laço com outras empresas, em especial, da empresa autuada, não pode ser considerado como elemento para caracterização de grupo econômico;. e.4) Assinala que as atividades e objeto social das empresas são absolutamente distintas, sendo a autuada empresa especializada na produção de artigos têxteis, ao passo que as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME destinamse a atividades próprias, de tinturaria, estamparia, tecelagem, entre outros, o que afasta ainda mais a possibilidade de caracterização de qualquer tipo de vínculo entre as sociedades, pois a identidade de objeto e atividade para a caracterização do "grupo econômico de fato" deve ser tal, a ponto de causar verdadeira confusão entre as atividades, não se sabendo onde termina uma e começa a outra. f) Quantificação da Base de Cálculo e Compensação dos Tributos Recolhidos Pondera que, na hipótese de mantença da exigência fiscal, deve ser excluído da base de cálculo do lançamento, o valor relativo ao recolhimento da contribuição previdenciária patronal, já recolhido pelo real empregador, pelo sistema Simples de recolhimento de tributos, no período autuado, a fim de se proceder a devida compensação e evitar dupla incidência, uma vez que as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME procederam à regular recolhimento das obrigações previdenciárias pelo Simples Nacional. g) Pleiteia que, na hipótese de não admissão da compensação requerida no tópico anterior, seja reconhecido o direito da autuada ao ressarcimento dos valores pagos a título de Simples pelas empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME. h) Discorda do entendimento do agente fiscal quando afirma que os atos praticados pela autuada caracterizam as hipóteses de "sonegação" e de "conluio" (arts. 71 e 73 da Lei n. 4.502/1964), motivando assim a aplicação da multa qualificada (150%), com fulcro no art. 44 da Lei . 9.430/1996. Fl. 1422DF CARF MF Processo nº 13971.720495/201384 Acórdão n.º 2202004.696 S2C2T2 Fl. 1.881 7 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém julgou improcedente a impugnação em decisão cuja a ementa é a seguinte (fls. 1347/1348): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 SIMULAÇÃO. PRAZO DE DECADÊNCIA. Em caso simulação, o prazo de decadência, é contado segundo a regra do inciso I do art. 173 do CTN. SIMULAÇÃO. A constatação de negócios simulados, acobertando o verdadeiro sujeito passivo da obrigação tributária, enseja a autuação tendo como base a situação de fato, devendo o correspondente tributo ser exigido da pessoa que efetivamente teve relação pessoal e direta com o fato gerador. DESCONSIDERAÇÃO DE ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS SIMULADOS. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A fiscalização tem o dever de desconsiderar os atos e negócios jurídicos simulados, a fim de aplicar a lei sobre os fatos geradores efetivamente ocorridos. Esse dever está implícito na atribuição de efetuar lançamento e decorre própria essência da atividade de fiscalização tributária, que deve buscar a verdade material, com prevalência da substância sobre a forma. VÍNCULO TRABALHISTA FORMALIZADO COM EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. AUSÊNCIA DE AUTONOMIA OPERACIONAL E PATRIMONIAL. SIMULAÇÃO CARACTERIZADA. A ausência de atividade econômica própria e de autonomia operacional e patrimonial da empresa optante pelo Simples Nacional caracteriza a ocorrência de simulação na formalização de contratos de trabalho, tornando cabível a caracterização do vínculo dos segurados com a verdadeira empregadora, da qual deve ser exigido o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento. Presente os requisitos da relação de emprego é cabível à autoridade fiscal a caracterização dos segurados empregados de uma empresa como trabalhadores de outra, tendo em vista que a legalidade formal dos contratos celebrados não se sobrepõe à realidade fática encontrada na empresa, em decorrência do princípio da primazia da realidade e da busca da verdade material, norteadores do contencioso administrativo. RECOLHIMENTOS. COMPENSAÇÃO. REGIME TRIBUTÁRIO DO SIMPLES FEDERAL. IMPOSSIBILIDADE. Não se pode acolher pedido de compensação da dívida do contribuinte com recolhimentos ao SIMPLES em razão de Fl. 1423DF CARF MF 8 vedação legal, de os recolhimentos apontados terem sido efetuados por terceiro e com a utilização do artifício da simulação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA DE 150%. Comprovada a intenção de impedir/ocultar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária das contribuições sociais previdenciárias e modificar suas características de modo a reduzir o montante do tributo devido, resta caracterizada a sonegação e a fraude, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada. PROVAS. JUNTADA POSTERIOR. INDEFERIMENTO A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; que se refira a fato ou a direito superveniente;ou que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. DILAÇÃO PROBATÓRIA. Regra geral, toda prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito do interessado fazêlo em momento processual diverso. Inteligência dos artigos 15 e 16 do Decreto n.º 70.235/72. Cientificado da decisão acima (AR fls. 1357), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 1377 à 1414 no qual reitera as alegações formuladas quando da Impugnação. É o Relatório Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Os recursos estão dotados dos pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, deles conheço. 1) PRELIMINARES 1.1) Erro na identificação do sujeito passivo. Fl. 1424DF CARF MF Processo nº 13971.720495/201384 Acórdão n.º 2202004.696 S2C2T2 Fl. 1.882 9 A preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, tendo em vista a ausência do procedimento de desconsideração das pessoas jurídicas por meio das quais foi efetuada a pejotização se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. 1.2) Incompetência da Previdência Social para reconhecer vínculo empregatício. Alega o Recorrente que somente o Juiz do Trabalho, na sua função inquisitória, é competente para declarar a qualificação de um determinado vínculo jurídico de trabalho, conforme previsão expressa contida no art. 114 da Constituição Federal de 1988, a qual não pode ser derrogada por normativas de inferior hierarquia. Antes de mais nada é importante registrar que, conforme previsto da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Sendo assim, alegações de inconstitucionalidade da legislação previdenciária não podem ser conhecidas. A competência para que a fiscalização reconheça o vínculo laboral vem expressamente prevista no artigo 229, §2º do Regulamento da Previdência Social que assim dispõe: Art. 229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2º Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9º, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado O Superior Tribunal de Justiça, por sua vez, já se manifestou, diversas vezes, quanto a possibilidade de reconhecimento de vínculo laborar pela fiscalização para efeito de cobrança das contribuições previdenciárias PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INSS. FISCALIZAÇÃO DE EMPRESA. CONSTATAÇÃO DE EXISTÊNCIA DE VÍNCULO EMPREGATÍCIO NÃO DECLARADO. COMPETÊNCIA. AUTUAÇÃO. POSSIBILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. (...) II O INSS, "ao exercer a fiscalização acerca do efetivo recolhimento das contribuições por parte do contribuinte, possui o dever de investigar a relação laboral entre a empresa e as pessoas que a ela prestam serviços.Caso constate que a empresa erroneamente descaracteriza a relação empregatícia, a fiscalização deve proceder a autuação, a fim de que seja efetivada a arrecadação" (REsp nº 515.821∕RJ, Rel. Min. FRANCIULLI NETTO, DJ de 25.04.2005). Fl. 1425DF CARF MF 10 III Destaquese que remanesce hígida a competência da Justiça do Trabalho na chancela da existência ou não do aludido vínculo empregatício, na medida em que: "O juízo de valor do fiscal da previdência acerca de possível relação trabalhista omitida pela empresa, a bem da verdade, não é definitivo e poderá ser contestado, seja administrativamente, seja judicialmente" (REsp nº 575.086∕PR, Rel. Min. CASTRO MEIRA, DJ de 30.03.2006). (grifamos) Improcedente, portanto, a preliminar suscitada. 1.3) Da decadência Alega a Recorrente que entre a ocorrência do fato gerador (jan/08 e fev/08) e a data da formalização do lançamento (mar/13), transcorrera mais de cinco (05) anos, ocorrendo, portanto, a decadência do direito de lançar em relação à essas competências. Verificase que o pressuposto essencial da alegação de decadência é o de que a contagem do prazo deveria ser feita a partida da data da ocorrência do fato gerador, nos termos previstos no artigo 150, §4º do Código Tributário Nacional. Ocorre que, conforme demonstrado no relatório, o pressuposto da presente autuação é a simulação da prestação de serviços por meio de empresas meramente formais. Conforme restará demonstrado da análise do mérito, entendo que a simulação restou satisfatoriamente demonstrada, motivo pelo qual a contagem do prazo decadencial deverá ser feita a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme previsto no artigo 173 do Código Tributário Nacional. Sendo assim, as competências relativas ao ano de 2008, não estão abrangidas pela decadência, uma vez que a ciência ocorreu em 27/03/2013 e o prazo do fisco efetuar o lançamento somente se esgotaria em 31/12/2013 para as competências 01 a 11 e 13/2008 e 31/12/2014 para o mês 12/2008. 2) MÉRITO 2.1) DA "PEJOTIZAÇÃO" ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO DIREITO PARA FINS DE RECOLHIMENTO PREVIDENCIÁRIO. Alega a Recorrente que inexiste vinculo para fins de recolhimento pois em nenhum momento restou comprovado que a autuada detinha qualquer relação com as empresas desconstituídas, anteriormente ao ano de 2009 (quando então adquiriuas por incorporação), sem, contudo, demonstrar satisfatoriamente a existência autônoma das empresas utilizadas para redução dos recolhimentos previdenciários. Por outro lado, o extenso conjunto probatório trazido aos autos no trabalho fiscal deixa clara a inexistência das referidas pessoas jurídicas. Tais fatos, como já evidenciado no relatório, permitem concluir pela existência de vínculo de emprego diante da presença dos elementos de onerosidade, subordinação e habitualidade constantes do artigo 12 da Lei 8.212/91. Tais elementos podem ser identificados pelas seguintes situações, já descritas no relatório: a) As empresas LULI LTDA, OM TÊXTIL E TECELAGEM E EMBALAGEM SALTO ALTO estavam localizadas no mesmo endereço na a Rua Engenheiro Udo Deeke, 600, Sala 01, Bairro Salto do Norte, Blumenau/SC Fl. 1426DF CARF MF Processo nº 13971.720495/201384 Acórdão n.º 2202004.696 S2C2T2 Fl. 1.883 11 b) quadro societário das empresas era composto por parentes dos proprietários da empresa LULI e/ou empregados e ainda exempregados; c) no exercício de 01/2008 a 12/2008 o Capital Social da LULI era de R$ 15.000,00 (quinze mil reais). No mesmo período o Capital Social das empresas OM TÊXTIL e da TEC. EMB. SALTO era de R$ 5.000,00 (cinco mil reais); d) o patrimônio das empresas concentrase na empresa LULI, conforme Balancetes Contábeis que anexa (DOC. 11 a 13), pois as empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB SALTO, não possuíam patrimônio nenhum, nem mesmo máquinas, cadeiras, ou um telefone, bem como mercadorias, salvo mercadorias de terceiros, lançadas na conta “1.1.4.04 CONTA DE COMPENSAÇÃO”; e) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E BEM. SALTO eram deficitárias e acumulavam prejuízos; f) a Folha de Pagamento de Salários da empresa da LULI LTDA correspondeu a 4,2% (do Faturamento da empresa (R$ 53.797.950,57), enquanto que o Faturamento das empresas Prestadoras de Serviços foi insuficiente para cobrir o valor da Folha de Pagamento; g) a empresa LULI possuía custos excessivos se comparados com as empresas prestadoras de serviços, considerando que aquela possuía uma média de 134 (cento e trinta e quatro) funcionários e as empresas terceirizadas (somadas) uma média de 320 (trezentos e vinte); h) as empresas OM TÊXTIL e TEC. E EMB. SALTO nada pagavam a título de Água, Energia Elétrica, Telefone, Manutenções de Instalações, Máquinas e Equipamentos, Móveis e Utensílios. Também não tinham custos com Material de Segurança, Materiais de Consumo, Expediente e Limpeza. Tais custos corriam por conta da empresa LULI, em cuja contabilidade eram lançados; i) em razão da incorporação das empresas OM TÊXTIL e TEC. EMB. SALTO, em janeiro/2009, pela empresa LULI, aquelas foram declaradas extintas, conforme Décima Terceira Alteração e Consolidação do Contrato Social. A maioria dos empregados das empresas incorporadas migraram para a empresa LULI em janeiro/2009, sem efetuarem a Rescisão de Contrato de Trabalho e com a mesma data de admissão que haviam sido registrados nas empresas incorporadas; j) de acordo depoimentos de alguns exfuncionários das empresas incorporadas nunca houve mais de uma empresa. Afirmaram que as empresas operavam em conjunto e alguns funcionários sequer sabiam da existência de outras empresas no local. A maioria dos funcionários não conhecia os sócios da empresas incorporadas. Reconheciam proprietários das mesmas os Srs. JAIR CORDEIRO e LUZIA CORDEIRO (LULI). Além disso, confirmaram que o acesso às três empresas sempre foi pela porta principal da empresa LULI; que sempre houve um só Escritório, um RH, uma Portaria e um Refeitório; e assim permanece até hoje; O conjunto de indícios trazidos pela fiscalização permitem concluir pela inexistência fática das pessoas jurídicas. Nesse sentido, valiosas as ponderações de FÁBIO PIOVESAN BOZZA: Fl. 1427DF CARF MF 12 Por se tratar de prova indireta, a conclusão sobre a existência do fato principal desconhecido, a partir do indício, estará sujeita a diferentes graus de crença. Se o fato desconhecido pode ter multiplicidade de causa, ou ser causa de muitos efeitos, o indício isolado perde a força e impede o emprego da presunção. Por isso o quadro de indícios deve ser: (i) preciso: o fato controvertido deve ter ligação direta com o fato conhecido, podendo dele extrair consequências claras e efetivamente possíveis, a ponto de rechaçar outras possíveis soluções; (ii) grave: resultante de uma forte probabilidade e capacidade de induzir à persuasão; (iii) harmônico: com indícios concordantes entre si e não contraditórios, os quais convergem para a mesma solução, de modo a aumentar o grau de confirmação lógica sobre uma dada ilação. (BOZZA, Fábio Piovesan Planejamento Fiscal e Autonomia Privada ed. Quartier Latin, p. 193) (grifos no original) Dessa forma, improcedente as alegações de ilegitimidade do lançamento no perante a Recorrente. Isso porque restou demonstrada a simulação. O Código Civil, ao tratar dos efeitos dos negócios jurídicos simulados, assim dispõe: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados (grifamos) A Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF reconheceu a simulação e a validade do lançamento efetuado em situações como a dos autos (interposição se pessoas jurídicas), conforme se verifica pelo acórdão CSRF/0105.543 que recebeu a seguinte ementa: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – INTERPOSTA PESSOA – SIMULAÇÃO. Comprovada a interposição fictícia de pessoa jurídica, deve o fisco exigir o imposto do beneficiário da renda tributável auferida em nome da empresa individual. O artigo 149 do CTN, VII, autoriza realizar o lançamento de ofício diretamente naquele que agiu com dolo, fraude ou simulação, afastandose os sujeitos aparentes, cuja constituição formal visava apenas ocultar os reais titulares da renda. Essa, aliás, é a também regra inscrita na Lei nº 9.430/96, art. 42, § 5º, que determina que, no caso de interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito bancário. SOCIEDADE DE FATO – evidenciada a existência de vários beneficiários do ilícito, organizados sobre a gerência do principal interessado, configurase a sociedade de fato e a Fl. 1428DF CARF MF Processo nº 13971.720495/201384 Acórdão n.º 2202004.696 S2C2T2 Fl. 1.884 13 imputação de responsabilidade tributária por força do interesse comum (art. 124, I, do CTN). LEGITIMIDADE PROCESSUAL – Admitese a defesa administrativa dos responsáveis solidários no processo administrativo fiscal, por força do disposto no art. 58 da Lei nº 9.784/99, que atribui legitimidade aqueles cujos interesses forem indiretamente afetados pela decisão. COMPETÊNCIA – Dada a identificação dos coresponsáveis pelo pagamento da obrigação tributária, é legitima sua inclusão no lançamento de ofício (art. 202 do CTN). Entendemos que, em situações como essa, não há que se falar em desconsideração da pessoa jurídica, pois esse procedimento pressupõe a existência material das empresas interpostas. Nos termos do artigo 149, inciso VII do CTN, a autoridade fiscal está autorizada a rever de ofício o lançamento e exigir o tributo diretamente daquele que agiu com dolo ou simulação, afastando o sujeito aparente. Por fim, a alegação de que o fato das provas testemunhais terem sido colhidas unilateralmente pela fiscalização maculariam a conclusão do trabalho fiscal por ofensa ao princípio do contraditório não se sustenta. Em primeiro lugar, porque os depoimentos dos funcionários são apenas um dos diversos indícios trazidos no trabalho fiscal. Além disso, não há se que falar em contraditório no procedimento de fiscalização, uma vez que esse é, essencialmente, inquisitorial, não havendo, portanto que se falar em contraditório de ampla defesa. Nesse sentido esclarecedoras as lições de JAMES MARINS: Na etapa fiscalizatória, não há porém, processo, exceto quando já se chegou à etapa litigiosa, após o ato de lançamento ou de imposição de penalidades e sua respectiva impugnação. Nesse caso, por já estar configurada a litigiosidade diante da pretensão estatal (tributária ou sancionatória) poderá haver fiscalização com o objetivo de carrear provas ao Processo Administrativo. A fiscalização levada a efeito como etapa preparatória do ato de lançamento tem caráter meramente procedimental. Disso decorre que as discussões que trazem à etapa anterior ao lançamento questões concernentes a elementos tipicamente processuais, em especial as garantias do due process of law, confundem momentos logicamente distintos. Primeiramente, não há processo, há procedimento que atende a interesses da Administração. O escopo de tal procedimento é justamente fundamentar um ato de lançamento e, em certos casos, instruir um eventual processo futuro. “O procedimento administrativo fiscalizador interessa apenas ao Fisco e tem finalidade instrutória, estando fora da possibilidade, ao menos enquanto mera fiscalização, dos questionamentos processuais do contribuinte. É justamente a presença, ou não, de uma pretensão deduzida ante ao contribuinte, que separa o procedimento, atinente exclusivamente ao interesse do Estado, do processo, que vincula, além dos Estado, o contribuinte.” (MARINS, James – Direito Processual Tributário Brasileiro – ed. Dialética, 4ª edição, p. 231) Sendo assim, não há que se falar no direito ao contraditório pleiteado pela Recorrente. Fl. 1429DF CARF MF 14 2.2) INEXISTÊNCIA DE GRUPO ECONÔMICO DE FATO Alega a Recorrente a inexistência de grupo econômico de fato e solidariedade tributária, pois este requer a "coligação" e/ou o "controle", haja vista que as sociedades fiscalizadas sequer detêm investimentos (relevantes ou irrelevantes) em outras empresas, quanto menos, nas empresas fiscalizadas. Assinala que as atividades e objeto social das empresas são absolutamente distintas, sendo a autuada empresa especializada na produção de artigos têxteis, ao passo que as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda. e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda. ME destinamse a atividades próprias, de tinturaria, estamparia, tecelagem, entre outros, o que afasta ainda mais a possibilidade de caracterização de qualquer tipo de vínculo entre as sociedades, pois a identidade de objeto e atividade para a caracterização do "grupo econômico de fato" deve ser tal, a ponto de causar verdadeira confusão entre as atividades, não se sabendo onde termina uma e começa a outra. Improcedentes as alegações do Recorrente. Isso porque, como bem observado pela decisão recorrida: Todavia, examinando os autos não se constata a caracterização de grupo econômico entre a empresa Luli Ltda e as empresas Estamparia e Tinturaria OM Têxtil Ltda e Tecelagem e Embalagem Salto Ltda ME, nos moldes combatido na impugnação. Segundo o Relatório Fiscal em seu item 25, bem como os termos de Sujeição Passiva Solidária 1 e 2 (fls. 1158 a 1161) houve tão somente a caracterização de grupo econômico e configuração de solidariedade entre a autuada e a empresa PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS INA LTDA e a sócia administradora, LUZIA CORDEIRO. Em relação à responsabilidade da sócia Luzia Cordeiro entendo que uma vez comprovada a prática de simulação, correta a imputação da responsabilidade solidária prevista no artigo 135 do Código Tributário Nacional. 2.4) DA MULTA AGRAVADA Alega a Recorrente que não houve, no caso dos autos, dolo fraude ou simulação, mas mera divergência quanto a interpretação dos conceitos da legislação de regência. Nesse ponto, como já extensamente demonstrado pelo trabalho fiscal e pela decisão recorrida, entendo que resta claramente demonstrada a simulação da qualidade de "sócios" por parte da Recorrente para se esquivar das suas obrigações tributárias e trabalhistas. Sendo assim, considero correto o procedimento fiscal e a decisão recorrida, devendo ser mantida a penalidade qualificada, porquanto aplicada nos exatos termos das disposições contidas no art. 44, inciso I e § 1º, da Lei n.º 9.430, de 1996,com redação dada pela Lei n.º 11.488, de 2007: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) Fl. 1430DF CARF MF Processo nº 13971.720495/201384 Acórdão n.º 2202004.696 S2C2T2 Fl. 1.885 15 § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Em face do exposto, entendo correta a imputação da multa qualificada. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1431DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721749/2015-97
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.734
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório O Trata o presente processo de auto de infração de multa em decorrência de DCOMP não homologada. O contribuinte foi cientificado e apresentou impugnação que, após o julgamento, manteve a cobrança do crédito tributário. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando que: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 74 9/ 20 15 -9 7 Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16682.721749/201597 Resolução nº 3201001.734 S3C2T1 Fl. 3 2 Do Direito Da Nulidade do Auto de Infração A Recorrente alega que a aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. Em seu apoio cita doutrina e jurisprudência. Cumulação de Multa Configurando BIS IN IDEM A Recorrente alega que há cumulação da multa de ofício com a multa de mora, entendendo que as duas multas partilham da mesma essência. Nesse raciocínio afirma que a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem. Da Apensação A Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP constante do PAF 16682.720030/201539. Nesse sentido, exige que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Da Suspensão No caso dos processos não serem juntados, a Recorrente pede a suspensão do presente processo até o trânsito em julgado do PAF 16682.720030/201539. Nessa linha, argumenta que este processo seria subsidiário ao PAF 16682.720030/201539. Dos Pedidos Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; c) a apensação do presente processo ao PAF 16682.720030/201539; d) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente. É o relatório. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 16682.721749/201597 Resolução nº 3201001.734 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.718, de 31 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.721714/201558, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.718): "Em breve síntese a Recorrente explica que a cobrança da multa, prevista no art. 74 §17 da Lei nº 9.430/96, ocorreu em virtude da não homologação do PER/DCOMP 14194.20200.240211.1.7.041872 constante do PAF 16682.7200030/201539. Nesse sentido, requer que os autos deste processo sejam juntados por apensação ao PAF 16682.720030/201539. Em atendimento ao requerimento da recorrente, resolvo em remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados, por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. Após a juntada o processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu remeter os autos para a unidade de origem, a fim de que sejam apensados (ou confirmada a apensação), por conexão de matérias, ao processo em que tratado o PER/DCOMP respectivo. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 289DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.902013/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 26/12/2002
COMPENSAÇÃO COM DÉBITO VENCIDO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO.
A data de transmissão da declaração de compensação se constitui na data do encontro de contas entre crédito disponibilizado para a realização da compensação e o respectivo débito a compensar. Se a transmissão da DCOMP se der depois do vencimento do débito, sobre ele incidirá multa e juros de mora, acarretando, conforme o caso, a homologação parcial da compensação declarada (art. 28, caput, da IN SRF nº 210, de 30/09/2002).
Numero da decisão: 3402-006.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Diego Diniz Ribeiro- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 26/12/2002 COMPENSAÇÃO COM DÉBITO VENCIDO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. A data de transmissão da declaração de compensação se constitui na data do encontro de contas entre crédito disponibilizado para a realização da compensação e o respectivo débito a compensar. Se a transmissão da DCOMP se der depois do vencimento do débito, sobre ele incidirá multa e juros de mora, acarretando, conforme o caso, a homologação parcial da compensação declarada (art. 28, caput, da IN SRF nº 210, de 30/09/2002).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 26/12/2002 COMPENSAÇÃO COM DÉBITO VENCIDO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. A data de transmissão da declaração de compensação se constitui na data do encontro de contas entre crédito disponibilizado para a realização da compensação e o respectivo débito a compensar. Se a transmissão da DCOMP se der depois do vencimento do débito, sobre ele incidirá multa e juros de mora, acarretando, conforme o caso, a homologação parcial da compensação declarada (art. 28, caput, da IN SRF nº 210, de 30/09/2002). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Marcos Antonio Borges (Suplente convocado), Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 20 13 /2 00 8- 18 Fl. 208DF CARF MF 2 Relatório 1. Por bem retratar o caso em questão, emprego parte do relatório veiculado no acórdão n. 0941.345 (fls. 195/2002), desenvolvido pela DRJ de Juiz de Fora/MG, o que passo a fazer nos seguintes termos: Trata o presente processo de Declaração Eletrônica de Compensação, DCOMP nº 21890.67548.101203.1.3.042713 (fls. 03/07), transmitida sob o fundamento de pagamento indevido ou maior que o devido de IPI de valor recolhido em 06/01/2003, sob o código 0668 (IPI), no montante de R$171.861,31, com o intuito de quitar débito relativo ao 3º decêndio do mês de dezembro de 2002. O débito a compensar na DCOMP se referia ao IPI de R$171.861,31, código 0668, relativo ao 3ª decêndio de outubro de 2003, com vencimento em 05/11/2003. A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 09, com o indeferimento do crédito requerido e, consequentemente, a não homologação da compensação declarada. O ato decisório foi emitido nos seguintes termos: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 11/13, para alegar que: (...). A análise preliminar dos autos revelou que o contribuinte requereu crédito decorrente de recolhimento indevido de IPI, relativamente ao 3º decêndio de dezembro de 2002. A justificativa apresentada para tal fato foi a de que não haveria saldo devedor que justificasse o recolhimento do tributo. Tal circunstância poderia ser comprovada no RAIPI anexado à fl. 23. Diante da norma legal que exige que o direito creditório deva gozar de liquidez e certeza antes de ser reconhecido como tal, os autos foram devolvidos à DRF de origem, pois mostrouse insuficiente para provar a alegação de pagamento indevido a simples juntada do RAIPI (trazido sem qualquer autenticação ou termo de abertura) e também para a verificação das demais argumentações do contribuinte, quais sejam: pagamento em duplicidade do débito exigido pela não homologação da compensação declarada, à vista de cobrança já realizada em outro processo fiscal, e a afirmação de que o débito já estaria em processo de parcelamento. Seguiu, então, o processo em diligência, instruído pelo Despacho da Presidência de fls. 63/65, no qual foram requeridas as seguintes verificações: a) o direito creditório do contribuinte; b) a alegação de cobrança em Fl. 209DF CARF MF Processo nº 15374.902013/200818 Acórdão n.º 3402006.318 S3C4T2 Fl. 1.847 3 duplicidade dos débitos não extintos pela compensação, e c) a existência de parcelamento do débito declarado. Para dirimir as questões propostas na Diligência, o contribuinte foi intimado a apresentar documentos fiscais e contábeis, analisados na DIORT da DEMAC/RJO/RJ Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Maiores Contribuintes, com ulterior emissão do Relatório de Diligência de fls. 178/181. Encerrados os trabalhos na DEMAC/RJO/RJ, os autos retornaram à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora DRJ/JFA/MG, para prosseguimento. (...). 2. A manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte as fls. 11/13 foi julgada parcialmente procedente pelo sobredito acórdão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/01/2003 PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. É de se deferir o pleito relativo ao direito creditório quando restar comprovado o pagamento indevido ou maior que o devido nos termos do art. 165 do Código Tributário Nacional, em face das averiguações realizadas pela DRF jurisdicionante, relatadas em Termo de Verificação Fiscal anexado aos autos. COMPENSAÇÃO COM DÉBITO VENCIDO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DA COMPENSAÇÃO. A data de transmissão da declaração de compensação se constitui na data do encontro de contas entre crédito disponibilizado para a realização da compensação e o respectivo débito a compensar. Se a transmissão da DCOMP se der depois do vencimento do débito, sobre ele incidirá multa e juros de mora, acarretando, conforme o caso, a homologação parcial da compensação declarada (art. 28, caput, da IN SRF nº 210, de 30/09/2002). Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Reconhecido. 3. Em suma, a instância a quo determinou que: Acordam os membros da 3ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, DEFERIR EM PARTE A SOLICITAÇÃO CONTIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, para reconhecer como indevido o pagamento realizado pelo contribuinte, em 06/01/2006, sob o código 0668, no montante de R$171.861,31, e determinar sua utilização na homologação da compensação declarada, até o montante do crédito ora Fl. 210DF CARF MF 4 reconhecido, observandose na compensação a cobrança de multa e de juros de mora, tendo em vista a DCOMP nº 21890.67548.101203.1.3.042713 referirse à compensação com débito vencido. Ressaltese que o contribuinte, em relação ao débito declarado, alega cobrança em duplicidade, que se dá por dois expedientes distintos: o processo de inscrição em Dívida Ativa da União nº 15559000.083/200782 e o processo de cobrança em face da declaração de compensação nº15374.902.563/200829 (fl. 194). Sobre a cobrança na PFN, alegou ainda a existência de parcelamento pendente. Sobre essas questões, em face da competência da DRF para dirimilas, não da DRJ, encaminhase petição no sentido de verificar os alegações feitas pelo contribuinte na manifestação de inconformidade, para solucionálas e apresentar a resposta adequada ao contribuinte. (...). 4. Tendo em vista a aludida decisão, o contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 210/213, oportunidade em que alegou a existência de duplicidade de cobrança, haja vista a exigência retratada no processo administrativo autuado sob o n. 15559.000083/200782, no qual consta exigência retratada pela CDA n. 70.3.08.00004787. 5. Não obstante, após a interposição do sobredito recurso voluntário, a SRRF07 esclarece a relação existente entre o presente processo administrativo e aquele veiculado no processo administrativo n. 15559.000083/200782, para o qual o contribuinte alega suposta duplicidade. 6. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Diego Diniz Ribeiro 7. A questão posta no presente processo administrativo é bem esclarecida pelo acórdão recorrido, quando assim aduz: (...). 1 O Direito Creditório do Contribuinte Com relação ao item (a) (exame do direito creditório do contribuinte, nota da relatora), foi o contribuinte intimado, conforme documento anexo às fls. 69/70, resultando nas seguintes informações abaixo prestadas, segundo o Relatório de Diligência: Direito creditório do contribuinte A análise da cópia do Livro Registro de Apuração do IPI (RAIPI) às fls. 120/122 do processo, referente ao 2° decêndio de dezembro de 2002, demonstra que pelo total das entradas do mercado nacional com créditos do imposto no período, o valor dos créditos é de R$8.089,73, que somado ao saldo credor do período anterior de R$119.504,48, monta a R$127.594,21 de total de créditos no período. Confrontado com o total dos débitos do período Fl. 211DF CARF MF Processo nº 15374.902013/200818 Acórdão n.º 3402006.318 S3C4T2 Fl. 1.848 5 (R$165.749,52) resultaria num saldo devedor para o período de R$38.155,31. A empresa foi intimada a apresentar (conforme Intimação de fls. 66/67): original do Livro Registro de apuração do IPI (RAIPI), bem como cópias autenticadas das folhas do Livro Registro de Entradas e Saídas (com termos de abertura) e originais das notas fiscais acima relacionadas, com intuito de verificar se a apuração do saldo do IPI no período condizia com as operações registradas nos livros de saídas e entradas. A verificação nos registros de notas fiscais nos livros de entradas e saídas apresentados pelo contribuinte, com foco naquelas com direito a crédito e débito do imposto respectivamente, culminou com a constatação, apenas nos registros citados, da existência de saldo devedor do IPI para o período examinado, 2º decêndio de dezembro de 2002. (negrito e grifos acrescidos) À vista da informação prestada no Relatório de Diligência apontando saldo devedor para o 2º decêndio de dezembro de 2002, no montante de R$38.155,31, e tendo o contribuinte recolhido, para o período em referência, a quantia de R$165.656,08, resta claro o pagamento maior que o devido de R$127.500,77. O fato torna a petição do contribuinte procedente, no tocante ao recolhimento indevido, resultando, no presente voto, no reconhecimento de seu direito creditório em R$127.500,77 e, conseqüentemente, na destinação de tal montante para homologação da compensação a ele atrelada, até o montante desse recolhimento indevido. Nessa compensação serão observados os atos normativos que a regulamentam, inclusive a incidência de juros e multa de mora, tendo em vista a declaração de compensação originalmente apresentada datar de 10/12/2003 e o débito a compensar ter seu vencimento em 05/11/2003(art. 28, caput, da IN SRF nº 210, de 30/09/2002: o encontro de contas se dá na data da transmissão do Per/DCOMP, acarretando a cobrança de juros e multa de mora quando a transmissão do PER/DCOMP acontece depois de vencido o débito a compensar). (...) (grifos constantes no original). 8. Por sua vez, quanto à duplicidade, assim esclarece a SRRF07 nas informações prestadas após a interposição do recurso voluntário, in verbis: Fl. 212DF CARF MF 6 Fl. 213DF CARF MF Processo nº 15374.902013/200818 Acórdão n.º 3402006.318 S3C4T2 Fl. 1.849 7 Fl. 214DF CARF MF 8 Fl. 215DF CARF MF Processo nº 15374.902013/200818 Acórdão n.º 3402006.318 S3C4T2 Fl. 1.850 9 9. Percebese, pois, que em relação à duplicidade da cobrança alegada pelo contribuinte esta é suprida pela medida tomada pela SRRF07, qual seja, de correção da inscrição em dívida ativa sob o n. 70.3.08.00004787 para a sua redução para o valor de R$ 221.370,52. 10. Logo, nesse aspecto, a parcial procedência veiculada pelo acórdão recorrido deve ser mantida nos exatos termos em veiculada, inclusive em relação a manutenção da multa incidente em relação ao débito remanescente no presente processo administrativo. Neste diapasão, mais uma vez me socorro da decisão recorrida quando assim aduz na parte dispositiva do voto atacado: (...). Diante de todo o exposto, VOTO PELO DEFERIMENTO PARCIAL DA SOLICITAÇÃO CONTIDA NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE para reconhecer como pagamento maior que devido o realizado pelo contribuinte em 26/12/2002, sob o código 0668, no montante de R$165.656,08, dele resultando a quantia maior que a devida de R$127.500,77. Conseqüentemente, deve ser homologada, até o montante do crédito reconhecido como disponível, a compensação declarada, vinculada ao referido pagamento, observando o acréscimo de multa e de juros de mora na efetivação da compensação declarada. (...). (sublinhas nossa). Fl. 216DF CARF MF 10 11. Assim, com fundamento nas razões acima expostas e com base no disposto no art. 50, § 1o da lei n. 9.784/99, resta claro o acerto da decisão recorrida, a qual deve ser mantida pelos seus próprios e jurídicos fundamentos. Dispositivo 12. Ante o exposto alhures, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. 13. É como voto. (assinado digitalmente) Diego Diniz Ribeiro. Fl. 217DF CARF MF
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