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Numero do processo: 10980.920384/2012-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.982
Decisão:
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que a unidade administrativa de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
RELATÓRIO
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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(assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. RELATÓRIO Tratase de Pedido de Restituição enviado pela contribuinte que restou indeferido pela unidade de origem da RFB, em razão da inexistência do crédito pleiteado. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, tecendo comentários acerca da legislação de regência do PIS e da Cofins, sobre o conceito de receita, faturamento e renda, e enfatizando que o ICMS está embutido no preço das mercadorias, integrando a base de cálculo do imposto o próprio imposto e por isso constitui ônus fiscal e não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .9 20 38 4/ 20 12 -9 8 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 10980.920384/201298 Resolução nº 3302000.982 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento. Sendo assim, não se pode aceitar a incidência do PIS e da Cofins sobre outro imposto, no caso o ICMS, o que tornase alheio ao que deve ser o faturamento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pelo colegiado a quo. Irresignado com a decisão da primeira instância administrativa, o recorrente interpôs recurso voluntário ao CARF, no qual argumenta que: a) Pela leitura da ratio decidendi do acórdão recorrido, o direito creditório não foi reconhecido, por inexistir pronunciamento definitivo da PGFN sobre a matéria que autorize as DRJ’s a aplicarem entendimento já consolidado pelo Poder Judiciário. Todavia, em sede de recurso voluntário, é imprescindível assinalar a determinação expressa do artigo 62, §1º, II, ‘b’ e do § 2º do Regimento Interno do CARF, prevê a possibilidade de ser afastada lei sob o fundamento de inconstitucionalidade por turmas daquele Órgão, desde que a matéria tenha sido tratada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal. Foi o que ocorreu no julgamento do RE nº 574.576, onde ficou decidido que o ICMS não integra a base de cálculo para incidência da contribuições ao PIS e à Cofins; b) Diante do princípio da verdade material, requer a juntada dos documentos que comprovarão a existência de créditos no período correspondente a PER/Dcomp apresentada, oriunda da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins. É o breve relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3302000.967, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10980.920372/201263, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3302000.967): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. ICMS na Base de Cálculo das Contribuições. Conforme relatado, a matéria posta em debate cingese ao cabimento da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins. A discussão se encontra superada no âmbito do CARF, tendo em vista que o Supremo Tribunal Federal já proferiu decisão acerca desta matéria, em sede de recurso com repercussão geral reconhecida, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 10980.920384/201298 Resolução nº 3302000.982 S3C3T2 Fl. 4 3 Importante ressaltar que a decisão ainda não transitou em julgado, pois está pendente a análise de embargos opostos para decidir se o direito de exclusão será concedido em maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. Contudo, a decisão proferida pela Suprema Corte se tornou definitiva quanto ao direito do contribuinte de excluir da base de cálculo do PIS/COFINS a parcela do ICMS pago ou a recolher maior extensão, abrangendo, além do arrecadado, aquele destacado em Notas Fiscais de Saída. No RE nº 574706 Tema 069 ficou consignado que o ICMS não integra a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017). Para fins de clarear a posição da RFB sobre o tema, trago à baila a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10980.920384/201298 Resolução nº 3302000.982 S3C3T2 Fl. 5 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Contribuição para o PIS/Pasep, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Contribuição para o PIS/Pasep do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de cálculo mensal, conforme o Código de Situação tributária (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relacao percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa juridica estar dispensada da escrituracao do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.715, de 1998, art. 2o; Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.637, de 2002, arts. 1o, 2o e 8o; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10980.920384/201298 Resolução nº 3302000.982 S3C3T2 Fl. 6 5 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DA CONTRIBUIÇÃO. Para fins de cumprimento das decisões judiciais transitadas em julgado que versem sobre a exclusão do ICMS da base de calculo da Cofins, no regime cumulativo ou não cumulativo de apuração, devem ser observados os seguintes procedimentos: a) o montante a ser excluído da base de calculo mensal da contribuição e o valor mensal do ICMS a recolher, conforme o entendimento majoritário firmado no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, pelo Supremo Tribunal Federal; b) considerando que na determinação da Cofins do período a pessoa jurídica apura e escritura de forma segregada cada base de calculo mensal, conforme o Código de Situação tributaria (CST) previsto na legislação da contribuição, fazse necessário que seja segregado o montante mensal do ICMS a recolher, para fins de se identificar a parcela do ICMS a se excluir em cada uma das bases de calculo mensal da contribuição; c) a referida segregação do ICMS mensal a recolher, para fins de exclusão do valor proporcional do ICMS, em cada uma das bases de calculo da contribuição, será determinada com base na relação percentual existente entre a receita bruta referente a cada um dos tratamentos tributários (CST) da contribuição e a receita bruta total, auferidas em cada mês; d) para fins de proceder ao levantamento dos valores de ICMS a recolher, apurados e escriturados pela pessoa jurídica, devemse preferencialmente considerar os valores escriturados por esta, na escrituração fiscal digital do ICMS e do IPI (EFDICMS/IPI), transmitida mensalmente por cada um dos seus estabelecimentos, sujeitos a apuração do referido imposto; e e) no caso de a pessoa jurídica estar dispensada da escrituração do ICMS, na EFDICMS/IPI, em algum(uns) do(s) período(s) abrangidos pela decisão judicial com transito em julgado, poderá ela alternativamente comprovar os valores do ICMS a recolher, mês a mês, com base nas guias de recolhimento do referido imposto, atestando o seu recolhimento, ou em outros meios de demonstração dos valores de ICMS a recolher, definidos pelas Unidades da Federação com jurisdição em cada um dos seus estabelecimentos. Dispositivos Legais: Lei no 9.718, de 1998, arts. 2o e 3o; Lei no 10.833, de 2003, arts. 1o, 2o e 10; Decreto no 6.022, de 2007; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.009, de 2009; Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil no 1.252, de 2012; Convenio ICMS no 143, de 2006; Ato COTEPE/ICMS no 9, de 2008; Protocolo ICMS no 77, de 2008. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10980.920384/201298 Resolução nº 3302000.982 S3C3T2 Fl. 7 6 Diante da obrigação de observar decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, na sistemática prevista no art. 1.036 da Lei nº 13.105/2015, me curvo ao entendimento de que o ICMS recolhido deve ser excluído da base de cálculo das contribuições para o PIS e para a Cofins. Provas do Indébito Tributário. A instância a quo, utilizou, também, como razão de decidir a falta de provas do direito creditório, de acordo com trecho do voto condutor do acórdão recorrido, verbis: Não bastasse isso, é oportuno observar que não há nos autos prova do direito afirmado. Em outros termos, não basta indicar os argumentos jurídicos que seriam o fundamento legal do pagamento indevido, mas deve a interessada, adicionalmente, demonstrar contabilmente que o valor pleiteado corresponde ao valor da contribuição que foi paga sobre o ICMS que teria feito parte de sua base de cálculo. Isso porque, o direito deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis. Por isso, ainda que houvesse a manifestação da Procuradoria acerca de julgado do STF declarando a inconstitucionalidade do ICMS na base de cálculo do PIS/Pasep e da Cofins, mesmo assim não seria possível lhe conceder o direito creditório postulado. Afinal, é obrigação da manifestante trazer aos autos o direito em que se fundamenta e as provas que possuir. É o que determina o art. 16, do inc. III, do Decretolei n° 70.235/72. Há que se destacar, ainda, que o Despacho Decisório foi emitido pela autoridade fiscal com fundamento nas informações prestadas em DCTF pela Manifestante, ou seja, em declaração válida a produzir efeitos na data da emissão do referido documento. Por tal motivo, o débito encontrase validamente constituído exatamente nos termos do Despacho Decisório proferido. Isso porque, a DCTF é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, conforme legislação de regência (art. 5º do Decretolei nº 2.124/84 e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a DCTF). Sobre esta questão, importante destacar que o art. 147, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25/10/1966, não permite que depois de iniciado qualquer procedimento fiscal seja apresentada declaração retificadora quando esta vise a reduzir ou a excluir tributo, sendo apenas admissível mediante comprovação do erro em que se funde. Enfim, não basta a mera alegação do direito. Ele deve ser demonstrado em documentos fiscais e contábeis, na linha do que determina o art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n º 3.000, de 26 de março de 1999). O recorrente, em sede de recurso voluntário, apresentou alguns documentos para provar seu direito, quais sejam: memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10980.920384/201298 Resolução nº 3302000.982 S3C3T2 Fl. 8 7 referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Requer que esse Colegiado defira a juntada dos documentos, os analise e se posicione acerca de seu direito creditório. A questão que surge é se houve preclusão do direito à apresentação de provas, conforme prevê os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se o recorrente tem o direito a apresentar documentos em qualquer momento processual em nome da verdade material. Posta assim a questão, passo a análise. Tratase de processo de restituição em que o contribuinte teve seu pedido de indébito negado por despacho decisório eletrônico, sob o fundamento de que o crédito financeiro alegado como pagamento indevido foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Na manifestação de inconformidade, o recorrente alega que o pedido de restituição se refere a créditos decorrentes de pagamentos a maior de Cofins, em razão da inclusão do ICMS na respectiva base de cálculo. A DRJ de Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes fundamentos: o ICMS deve compor a base de cálculo da exação e que o sujeito passivo não apresentou provas do direito alegado. Em sede de recurso voluntário, o sujeito passivo pleiteou a observância do RE nº 574706 e apresentou documentos que lastreariam o direito requerido. No procedimento de despacho eletrônico de pedido de restituição, o sujeito passivo não é intimado pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado. O primeiro momento que tem para se pronunciar sobre questões de direito é na manifestação de inconformidade. No caso em análise, é bem verdade que o sujeito passivo não apresentou documentos que comprovassem que houve recolhimento da Cofins tendo o ICMS em sua base de cálculo. Ocorre que, como mencionado, ao interpor o presente recurso voluntário, foram acostados aos autos a memória de cálculo de apuração da COFINS e do consequente crédito pleiteado, a DIPJ referente ao período discutido, o comprovante do recolhimento da Cofins e o resumo de apuração do ICMS. Esse documentos, caso autênticos, podem sugerir que houve a inclusão na base de cálculo da Cofins o valor do ICMS recolhido, gerando um indébito tributário. Não posso deixar de admitir que os fatos produzidos extemporaneamente geraram grande dúvida, o que impossibilita meu julgamento nesta assentada. Consoante noção cediça, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10980.920384/201298 Resolução nº 3302000.982 S3C3T2 Fl. 9 8 diligências que entender necessárias, é a literalidade do art. 29 do Decreto nº 70.235/72. Assim, entendo que as alegações produzidas pelo recorrente devem ser analisadas com mais profundidade, para que possa afastar a fumaça que tomou conta de minha convicção, pois vejo verossimilhança nos fundamentos jurídicos acostados aos autos. Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que o órgão de origem verifique a autenticidade dos documentos acostados aos autos no momento de interposição do recurso voluntário, analise a existência do indébito tributário pleiteado e, caso exista, se foi utilizado em outro pedido de restituição ou de compensação. Após sanadas essa dúvidas, que seja elaborado relatório fiscal, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre os resultados obtidos, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574/2011. Posteriormente aos procedimentos, que sejam devolvidos os autos ao CARF para prosseguimento do rito processual. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.996943/2012-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.788
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB, ateste, conclusivamente, se a DCTF retificadora foi retida para análise, se existe processo administrativo relativo a não aceitação da DCTF retificadora, qual a situação de tal processo e a fundamentação da não aceitação, e se houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos ou apresentar documentação.
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo
Relatório
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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Rosaldo Trevisan Presidente e Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado). Ausente, momentaneamente, o conselheiro Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). Ausente conselheiro Cássio Schappo Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contra o indeferimento de manifestação de inconformidade postulada ante o não reconhecimento integral da compensação pleiteada pela recorrente. Cientificada do Despacho Decisório, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, onde argumenta que os créditos compensados foram gerados pela percepção da ocorrência de equívoco na apuração original do débito que, uma vez corrigido, permitiu a identificação de valores recolhidos a maior. Ou seja, quando apurou os valores corretos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 96 94 3/ 20 12 -6 9 Fl. 4035DF CARF MF Processo nº 10880.996943/201269 Resolução nº 3401001.788 S3C4T1 Fl. 3 2 percebeu que o DARF pago, referente ao período de apuração, foi recolhido em valor maior do que o devido. Explica ainda que os procedimentos de correção da referida situação foram cumpridos por meio de DCTF retificadora e, ao que tudo indica, a análise da fiscalização não observou a referida retificação. Afirma que, após o recolhimento original, percebeu que parte de suas receitas estavam erroneamente tributadas pelo regime não cumulativo, quando o deveriam ser pelo regime cumulativo. O colegiado a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 06052.962. Regularmente cientificada do teor desta decisão, apresentou Recurso Voluntário onde alega: 1) nulidade por ausência de intimação quanto as supostas inconsistências nas DCTF´s retificadoras e da fundamentação genérica do despacho decisório; 2) inovação pela DRJ, já que a fiscalização me momento algum mencionou por qual motivo estava glosando o crédito pleiteado; 3) promoveu regularmente a retificação da DCTF e DACON antes da transmissão do PER/DCOMP; 4) o crédito tributário é legítimo. Apresenta prova da materialidade do direito creditório; 5) solicita diligência ou perícia para que comprove que todo o crédito glosado deve ser reconhecido. E solicita juntada posterior de documentação comprobatória. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3401001.775, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.959884/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401001.775): "O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Conforme se verifica pelo Despacho Decisório, emitido em 04/09/2012 (com ciência da contribuinte em 13/09/2012), não Fl. 4036DF CARF MF Processo nº 10880.996943/201269 Resolução nº 3401001.788 S3C4T1 Fl. 4 3 homologou a compensação declarada na Dcomp em análise (cujo crédito original na data da transmissão era de R$ 259.137,00), devido à inexistência do crédito declarado para quitar os débitos informados no PER/Dcomp. O DARF discriminado como origem do crédito estava integralmente utilizado para quitação do débito de PIS/Pasep do período de apuração de novembro de 2009. Sustenta a recorrente que parte de suas receitas estavam tributadas pelo regime não cumulativo, quando, na verdade, deveriam ser tributadas pelo regime cumulativo, por se tratar de receita decorrentes da prestação de serviços de concretagem, equiparado ao conceito legal de prestação de serviços em obras de construção civil, de forma que a nova apuração demonstrou o valor devido de PIS não cumulativo de R$ 875.479,51 gerando o saldo de crédito de R$ 259.137,00. Por sua vez, o crédito apurado foi utilizado para pagamento do PIS, apurado no regime cumulativo, de novembro de 2009, e da Cofins cumulativa de janeiro de 2012. Relendo o despacho decisório verificase que a autoridade administrativa limitou a sua análise aos valores originalmente informados, não havendo análise das retificações efetuadas, apesar de terem sido efetuadas anteriormente ao despacho decisório. Não há no processo o motivo que as retificadoras não foram aceitas. A recorrente alega não ter sido intimada ou cientificada a respeito da não aceitação das retificadoras da DCTF. O artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 1599/2015, dispõe acerca do procedimento a ser tomado pelo Fisco quando a DCTF for retida para análise, com base nos critérios internos da RFB, verbis: Art. 10. As DCTF retificadoras poderão ser retidas para análise com base na aplicação de parâmetros internos estabelecidos pela RFB. § 1º O sujeito passivo ou o responsável pelo envio da DCTF retida para análise será intimado a prestar esclarecimentos ou apresentar documentação comprobatória sobre as possíveis inconsistências ou indícios de irregularidade detectados na análise de que trata o caput. § 2º A intimação poderá ser efetuada de forma eletrônica, observada a legislação específica, prescindindo, neste caso, de assinatura. § 3º O não atendimento à intimação no prazo determinado ensejará a não homologação da retificação. Paira a dúvida se essa intimação ocorreu e por conseguinte houve a não homologação pelo não atendimento à intimação, já que não existem esses documentos no processo. Para que não hajam dúvidas a respeito do procedimento adotado pela unidade da RFB, que por certo segue os ditames das Instruções Fl. 4037DF CARF MF Processo nº 10880.996943/201269 Resolução nº 3401001.788 S3C4T1 Fl. 5 4 Normativas RFB, voto pela conversão do julgamento em diligência para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período de 11/2009 foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade esclareça: 1) A DCTF retificadora, relativa ao período em discussão foi retida para análise? 2) existe processo administrativo relativo a não homologação da DCTF retificadora? Qual a fundamentação da não aceitação? Qual a situação atual do processo? 3) houve intimação ao sujeito passivo ou responsável para prestar esclarecimentos? Ou apresentar documentação? A unidade da RFB deverá juntar os documentos comprobatórios, e após deverá ser dado conhecimento ao contribuinte sobre o teor das informações prestadas e disponibilizado prazo para apresentar alegações pertinentes. Após o processo deverá retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento tendo em vista as informações prestadas. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 4038DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.003315/2006-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2004
VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF-PAPELIMUNE.
Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF-Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001
RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO.
Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
Numero da decisão: 9303-008.198
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2004 VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA DIF-PAPELIMUNE. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da DIF-Papel Imune deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mês-calendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.158-35/2001 RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea c, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COPASGRAF GRAFICA E EDITORA LTDA ME ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/2002 a 30/06/2004 VALOR A SER APLICADO A TÍTULO DE MULTA POR ATRASO OU FALTA DA ENTREGA DA “DIFPAPELIMUNE”. Com a vigência do art. 1º da Lei nº 11.945/2009, a partir de 16/12/2008 a multa pela falta ou atraso na apresentação da “DIFPapel Imune” deve ser cominada em valor único por declaração não apresentada no prazo trimestral, e não mais por mêscalendário, conforme anteriormente estabelecido no art. 57 da MP nº 2.15835/2001 RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICAÇÃO. Por força da alínea “c”, inciso II do art. 106 do CTN, há que se aplicar a retroatividade benigna aos processos pendentes de julgamento quando a nova lei comina penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência do fato. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 33 15 /2 00 6- 93 Fl. 110DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de auto de infração (efls. 03 a 09) referente a multas previstas no art. 57, inc. I, da Medida Provisória nº 2.15835/2001, por falta de entrega de Declarações Especiais de Informações Fiscais relativas ao Controle do Papel Imune DIF Papel Imune, relativas aos períodos de apuração do 2º trimestre de 2002 até o 2º trimestre de 2004, inclusive, montando a R$ 1.620.000,00. A contribuinte teve ciência da autuação em 11/07/2006. O que deu azo à autuação foi a contribuinte, apesar de intimada a fazêlo (e fl. 12), ter deixado de entregar as referidas DIF Papel Imune, apesar de possuir o registro especial de que tratam o Decretolei nº 1.593 de 21/12/1977 e o art. 1º da IN SRF nº 101/2001. A empresa apresentou impugnação ao lançamento, às efls. 16 a 20, em 07/08/2006. Já a 2ª Turma da DRJ/RPO, em 21/03/2007, no acórdão nº 1415.172, às efls. 47 a 50, apreciou a impugnação, considerando procedente o lançamento. Irresignada, a empresa interpôs recurso voluntário ao CARF em 19/07/2007, às efls. 54 a 58. Em síntese, a contribuinte alega; a) negligência exclusiva do seu contador em não proceder à entrega das declarações; b) violação da capacidade contributiva pelo valor exorbitante das multas; e c) nulidade do auto de infração dada a natureza confiscatória da multa. A 3ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes no acórdão nº 303 35.691, apreciou o recursos em 15/10/2008, às efls. 62 a 68, não conhecendo do recurso voluntário, por entender que seria competência do Segundo Conselho de Contribuintes, por se tratar de penalidade isolada prevista na legislação do IPI. O recurso voluntário foi admitido na 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, e julgado na sessão de 27/01/2016, resultando no acórdão nº 3302003.042, às efls. 71 a 74, que lhe deu provimento em parte. A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidos as ementas e o dispositivo do referido acórdão: DIFPAPEL IMUNE. OMISSÃO. SANÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI 11.945/2009. O artigo 1º, §4º, da Lei nº 11.945 de 2009, veiculada norma sancionatória específica e, ao mesmo tempo, menos gravosa que a estabelecida na MP nº 2.15835, artigo 57, inciso I, para a hipótese de entrega em atraso da DIF Papel Imune, penalidade esta correspondente a R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por declaração omitida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reduzir a multa para R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por declaração. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10830.003315/200693 Acórdão n.º 9303008.198 CSRFT3 Fl. 111 3 O redator do voto vencedor afastou todos os argumentos da recorrente, mas aplicou o princípio da retroatividade benigna em face da edição da MP nº 451/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.945/2009. Embargos de declaração da Fazenda Cientificada (efl. 75) do acórdão nº 3302003.042, em 07/03/2016, a Procuradoria da Fazenda Nacional manejou embargos de declaração de efls. 76 e 77, àquele acórdão, em 08/03/2016. Informa a existência de omissão no acórdão, com relação a retroatividade benigna da Lei nº 12.873/2013, que conferiu nova redação ao art. 57 da MP 2.15835/2001, espeque legal do lançamento. Informou que não pretendia alterar o entendimento do acórdão embargado, mas, buscava a manifestação do Colegiado sobre o ponto indicado, prequestionando a matéria para efeito de Recurso Especial. O então Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho de efls. 79 e 80, em 08/04/2016, analisou os embargos e o acórdão embargando, sem encontrar pressupostos regimentais que viabilizassem sua apreciação e por isso deles não conheceu. Recurso especial da Fazenda Intimada (efl. 83) do despacho de efls. 79 e 80, em 11/05/2016, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência em 12/05/2016, às efls. 84 a 88. No recurso, afirma que o acórdão paradigma nº 3402002.865, em situação fática similar e para os mesmos anoscalendários, afirma que a legislação aplicável para a penalidade seria a do art. 57 da Lei nº 12.873/2013, que alterou a redação o art. 57 da MP nº 2.158 35/2001, reduzindo a multa originalmente aplicada para R$ 1.500,00 por mêscalendário de atraso no período abarcado pela exação. A procuradora argumenta que o art. 12 da IN SRF nº 71/2001 dispõe expressamente que a não apresentação da DIFPapel Imune nos prazos estabelecidos acarreta a penalidade do art. art. 57, I da Medida Provisória nº 2.15835/2001 (art. 505 RIPI/2002), corroborando o entendimento expresso no acórdão paradigma. O Presidente da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, apreciou o recurso especial da Fazenda no despacho de efls. 90 e 91, em 22/06/2016, dandolhe seguimento, por entender presentes o requisitos do artigo 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015. Cientificada por edital (efl 101) do acórdão nº 3302003.042, dos embargos de declaração da Fazenda, do despacho de admissibilidade destes embargos, do Recurso Especial da PFN do despacho de admissibilidade deste recurso e da Intimação SECAT nº 730 / 2016 (efl. 93) em 16/08/2016, a contribuinte não mais se manifestou nos autos. É o Relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 112DF CARF MF 4 O recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e dele conheço. Para delimitar a divergência, cumpre ressaltar que não há qualquer controvérsia que envolva a situação fática que originou o lançamento de multa pelo descumprimento da obrigação acessória de entrega da DIF Papel Imune. A norma legal que impunha a multa à época do lançamento era o artigo 57, inciso I, da MP nº 2.15835/1997, resultando em R$ 5.000,00 por mêscalendário ou fração para quem descumprisse obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779/1999. Estando tal norma reproduzina no art. 12 da IN SRF nº 71/2001. Aqui há de se observar dois pontos que no meu entender são relevantes para a apreciação do litígio, tanto a medida provisória citada, quanto a Lei a que ela se refere tratam de vários regramentos tributários e não apenas da multas isoladas vinculadas ao IPI. A Lei nº 9.779/1999 tinha a seguinte ementa: Altera a legislação do Imposto sobre a Renda, relativamente à tributação dos Fundos de Investimento Imobiliário e dos rendimentos auferidos em aplicação ou operação financeira de renda fixa ou variável, ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, à incidência sobre rendimentos de beneficiários no exterior, bem assim a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, relativamente ao aproveitamento de créditos e à equiparação de atacadista a estabelecimento industrial, do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários IOF, relativamente às operações de mútuo, e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, relativamente às despesas financeiras, e dá outras providências. E a redação de seu artigo 16 assim se mantém: Art.16. Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. Logo, é certo que nessa norma se incluem quaisquer obrigações acessórias sobre as quais a antiga SRF viesse a regular ou criar, sem tratar de penalidades porque sabidamente estas só podem ser criadas por Lei. O art. 57 da MP nº 2.15835/2001 cumpriria esse papel, também de forma genérica, criadas as obrigações acessórias do art. 16 pela SRF e não atendidas, incidiria sobre elas essa multa. A MP nº 2.15835/2001, por sua vez, tinha a seguinte ementa: Altera a legislação das Contribuições para a Seguridade Social COFINS, para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor PúblicoPIS/PASEP e do Imposto sobre a Renda, e dá outras providências. Seu art. 57, inc. I, era assim redigido, à época dos fatos geradores: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10830.003315/200693 Acórdão n.º 9303008.198 CSRFT3 Fl. 112 5 Art.57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, relativamente às pessoas jurídicas que deixarem de fornecer, nos prazos estabelecidos, as informações ou esclarecimentos solicitados; (...) As transcrições demonstram claramente que nenhuma dessas normas legais tratava com mais especificidade a situação aqui discutida do que a Lei nº 11.945 de 04/06/2009, senão, vejamos a redação dos seus artigos 1º e 2º: Art. 1o Deve manter o Registro Especial na Secretaria da Receita Federal do Brasil a pessoa jurídica que: I exercer as atividades de comercialização e importação de papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal; e II adquirir o papel a que se refere a alínea d do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal para a utilização na impressão de livros, jornais e periódicos. § 1o A comercialização do papel a detentores do Registro Especial de que trata o caput deste artigo faz prova da regularidade da sua destinação, sem prejuízo da responsabilidade, pelos tributos devidos, da pessoa jurídica que, tendo adquirido o papel beneficiado com imunidade, desviar sua finalidade constitucional. § 2o O disposto no § 1o deste artigo aplicase também para efeito do disposto no § 2o do art. 2o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, no § 2o do art. 2oe no § 15 do art. 3o da Lei no10.833, de 29 de dezembro de 2003, e no § 10 do art. 8oda Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004. § 3o Fica atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil competência para: I expedir normas complementares relativas ao Registro Especial e ao cumprimento das exigências a que estão sujeitas as pessoas jurídicas para sua concessão; II estabelecer a periodicidade e a forma de comprovação da correta destinação do papel beneficiado com imunidade, inclusive mediante a instituição de obrigação acessória destinada ao controle da sua comercialização e importação. § 4o O não cumprimento da obrigação prevista no inciso II do § 3o deste artigo sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: Fl. 114DF CARF MF 6 I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I deste artigo, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. § 5o Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do § 4o deste artigo será reduzida à metade. Art. 2o O Registro Especial de que trata o art. 1o desta Lei poderá ser cancelado, a qualquer tempo, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil se, após a sua concessão, ocorrer uma das seguintes hipóteses: (...) (Negritei.) Evidentemente que nova lei veio regular situação específica, seguindo a Medida Provisória hígida para a penalização dos descumprimentos das demais obrigações acessórias, e as multas nela definidas não serão aplicadas por mêscalendário de atraso, mas para cada falta de apresentação. Quando o acórdão paradigma invoca a Lei nº 12.873/2013, que alterou o art. 57 da MP 2.15835/2001, passamos a ter a seguinte redação: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) I por apresentação extemporânea:(Redação dada pela Lei nº 12.766, de 2012) a) R$ 500,00 (quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas jurídicas que estiverem em início de atividade ou que sejam imunes ou isentas ou que, na última declaração apresentada, tenham apurado lucro presumido ou pelo Simples Nacional;(Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) b) R$ 1.500,00 (mil e quinhentos reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às demais pessoas jurídicas;(Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) c) R$ 100,00 (cem reais) por mêscalendário ou fração, relativamente às pessoas físicas;(Incluída pela Lei nº 12.873, de 2013) Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10830.003315/200693 Acórdão n.º 9303008.198 CSRFT3 Fl. 113 7 II por não cumprimento à intimação da Secretaria da Receita Federal do Brasil para cumprir obrigação acessória ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela autoridade fiscal: R$ 500,00 (quinhentos reais) por mês calendário;(Redação dada pela Lei nº 12.873, de 2013) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (...) (Negritei.) O art. 57 da MP 2.15835/2001 sofreu diversas alterações até o momento, mas nenhuma dessas alterações fez qualquer referência especifica à multa pelo descumprimento da obrigação acessória de entregar a DIFPapel Imune, como o fez a Lei nº 11.945/2009. Ou seja, pretender que norma genérica pelo descumprimento de qualquer obrigação acessória se sobreponha àquela que trata especificamente da falta de entrega da DIF Papel Isento, não encontra respaldo nas regras de hermenêutica que tratam do conflito de normas. Na verdade, temos um conflito aparente e quando a Procuradora invoca o art. 12 da IN SRF nº 71/2001, utilizandoo como reforço de interpretação, esquece que ela nem mesmo poderia fazer referência a qualquer norma específica decorrente da Lei nº 11.945/2009, haja vista que esta inexistia quando da elaboração da referida IN. Pior ainda, ignorou que aquela IN foi revogada a partir de 08/12/2009 pelo art. 18 da IN RFB nº 976/2009, que igualmente em seu art. 12 adotou o disposto no art. 1º, §§ 4º e 5º da Lei nº 11.945/2009: Art. 12. A nãoapresentação da DIFPapel Imune, nos prazos estabelecidos no art. 11, sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: I 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), do valor das operações com papel imune omitidas ou apresentadas de forma inexata ou incompleta; e II de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais) para micro e pequenas empresas e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Apresentada a informação fora do prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade. Mesmo a IN RFB nº 976/2009 já foi revogada, em 24/07/2018, pela IN RFB nº 1.817/2018, contudo, sempre mantendo o disposto naquela Lei, apenas agora em outro artigo: Art. 17. A nãoapresentação da DIFPapel Imune nos prazos previstos no art. 16 sujeitará a pessoa jurídica às seguintes penalidades: Fl. 116DF CARF MF 8 I multa de 5% (cinco por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais) e não superior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais), sobre o valor da operação com papel imune omitida ou apresentada de forma inexata ou incompleta; e II multa de R$ 2.500,00 (dois mil e quinhentos reais), em caso de micro e pequenas empresas, e de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) para as demais pessoas jurídicas, independentemente da sanção prevista no inciso I, se as informações não forem apresentadas no prazo estabelecido. Parágrafo único. Se a informação que tenha sido omitida ou tenha sido prestada de forma incompleta for apresentada fora do prazo determinado, mas antes de qualquer procedimento de ofício, a multa de que trata o inciso II do caput será reduzida à metade Evidentemente que não poderia ser diferente, as IN podem regular as leis que disciplinam especificamente essa matéria, mas não sobreporse a elas no tocante às definições das multas aplicadas. Logo, penso que andou melhor o acórdão recorrido invocando a aplicação da Lei nº 11.945/2009 e por isso deve ser mantido. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional, para que se considere a incidência da norma mais benéfica extraída do inciso II do § 4º do art. 1º da Lei nº 11.945 de 4 de junho de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 117DF CARF MF
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Numero do processo: 13603.004620/2007-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA.
Aplica-se a multa isolada do art. 18 da Lei n° 10.833/03 nos casos de compensação não homologada em virtude de tratar-se de crédito de natureza não tributária.
JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA N° 2 DO CARF.
Súmula CARF n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1101-000.632
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntario.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: NARA CRISTINA TAKEDA TAGA
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I MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 13603.004620/2007-55 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 1101-00.632 — la Câmara / l a Turma Ordinária Sessão de 24 de novembro de 2011 Matéria Compensação - multa isolada Recorrente Tecido e Armarinhos Miguel Bartolomeu Recorrida 4a Tuma da DRJ em Belo Horizonte Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. MULTA ISOLADA. Aplica-se a multa isolada do art. 18 da Lei n° 10.833/03 nos casos de compensação não homologada em virtude de tratar-se de crédito de natureza não tributária. JUÍZO DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA N° 2 DO CARF. Súmula CARF n° 2: 0 CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os memb osdo olegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntd VALMAR FONSECA DE ENEZES - Presidente. NARA CRIST TAKEDA TAGA - Relatora. EDITADO EM: 26/06/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benicio Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vice-presidente), Nara Cristina Takeda Taga e Valmar Fonseca de Menezes (presidente , da turma) Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão da 4a Turma da DRJ em Belo Horizonte que, por unanimidade de votos, considerou improcedente Impugnação Fiscal apresentada em razão de aplicação de multa isolada por compensação não homologada. 0 Recorrente apresentou declarações de compensação (DCOMP) em março e junho de 2004 que foram julgadas não homologadas pela DRF em Contagem — MG (proc. fls. 25 a 30) em 03/07/2007 pelo despacho decisório n° 824. Consta do Auto de Infração (proc. fls. 2 a 3) que em 16/03/07 a DRF em Contagem proferiu o despacho decisório n° 302 (proc. fls. 10 a 14) em que julgou as DCOMP "não conhecidas". A Autoridade Fazenddria alegou que o crédito informado era originário da aquisição de créditos de origem não tributária, oriundos de precatórios de terceiros, por meio da ação de execução n° 1997.34.00019733-2, ainda não transitada em julgado. Afirmou que a legislação vigente A época das transmissões (Lei n° 9.430/96, art. 74 e IN SRF n° 210/02) vedava compensação com créditos de terceiros. Além disso, asseverou que não houve recolhimento por meio de DARF e que não seria da competência da SRF a análise de pedidos de restituição ou de declaração de compensação relativos à ação judicial em questão. Ao não conhecer tais DCOMP, determinou a imediata cobrança dos débitos declarados. Por fim, afirmou que como as compensações não se enquadravam nas hipóteses do art. 74 da Lei n° 9.430/96, não caberia a aplicação do § 11 que suspende a exigibilidade do crédito quando da apresentação de manifestação de inconformidade. A Contribuinte tomou ciência de tal despacho em 09/04/07 e apresentou recurso. (Não consta dos autos o recurso apresentado). Em 03/07/07 a DRF em Contagem proferiu o despacho decisório n° 824 (proc. fls. 25 a 30) que cancelou e substituiu o despacho decisório n° 302. Neste novo despacho a Autoridade Fazenddria julgou as DCOMP como não homologadas segundo o art. 74 da Lei n° 9.430/96 com sua redação dada pela legislação vigente quando da transmissões das DCOMP. Afirmou que o Contribuinte não era o titular original do crédito em questão e que a alegação de cessão de créditos não pode ser oposta à Fazenda Nacional para definir quem é o credor da Unido. Argumentou ainda "que o art. 74 da Lei n° 9.430/96, já mencionado, restringe a compensa cão aos créditos relativos a tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, passíveis de restituição ou ressarcimento. Da mesma forma, exige-se que, no caso de ação judicial, esta tenha transitado em julgado". Por fim, determinou a cobrança imediata dos débitos compensados indevidamente. Em 11/12/07 a Postulante foi cientificada do Auto de Infração que lhe imputou multa de 75% sobre o valor do crédito objeto da compensação não homologada, com fundamento no art. 18 da Lei n° 10.833/03, e em 24/12/07 apresentou Impugnação (proc. fls. 36 a 110). Em suas razões a Impugnante alegou: 2 Processo n° 13603.004620/2007-55 Sl-CITI Acórdão n.° 1101-00.632 Fl. 2 1) A Impugnação foi apresentada de forma regular, devendo ser recebida no efeito suspensivo da exigibilidade do crédito. 2) A exigibilidade do crédito tributário se encontra suspensa o que lhe dá direito à expedição de certidão negativa de divida ativa. 3) A multa isolada não está correta tendo em vista que não ocorreu a falta de pagamento. 4) 0 Auto de Infração não poderia ter sido lavrado enquanto os débitos constantes do processo n° 13603.000266/2007-90 estivessem com a exigibilidade suspensa por ter apresentado regularmente a reclamação contra a decisão que não homologou a compensação. 5) Não se trata de créditos de terceiros, pois houve cessão de crédito homologada judicialmente, e o art. 74 da Lei n° 9.430/96 não veda a cessão de crédito tributário, nem perquire a forma de sua aquisição ou transferência. 6) Trata-se de ação judicial com transito em julgado tendo em vista que "desistiu da execução, por meio de arquivamento dos embargos A. execução". 7) São válidas as compensações efetuadas com a utilização de crédito decorrente de decisão judicial não transitada em julgado e anteriores a. vigência do art. 170—A do CTN, tendo em vista o principio da irretroatividade legal. 8) Indica quais os indices de correção dos créditos e dos débitos que entende serem aplicáveis à compensação. 9) 0 crédito é proveniente de indébito das quotas de contribuição ao café sendo a compensação junto à Secretaria da Receita Federal do Brasil devida, posto que a Unido é a sucessora do Instituto Brasileiro do Café — IBC. 10) Não há qualquer restrição à compensação segundo a legislação vigente. Por fim, o Contribuinte requereu que fosse aplicado efeito suspensivo à Impugnação e julgada procedente com subseqüente homologação dos pedidos de compensação. A 4a Turma da DRJ em Belo Horizonte proferiu acórdão em 07/05/09 (proc. fls. 386 a 394) por meio do qual, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento e manteve o crédito tributário exigido. Entendeu o órgão julgador a quo que a apresentação da Impugnação instaura a fase litigiosa, o que acarreta a suspensão da exigibilidade do crédito. Alegou que o Auto de Infração foi lavrado segundo previsão legal e que foi assegurado ao Impugnante as garantias do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, não se podendo falar em nulidade do ato administrativo. 3 Afirmou que é da competência da autoridade da Receita Federal do Brasil em Contagem a emissão de certidão negativa, não cabendo à instância de julgamento apreciar esta questão. Quanto A. imputação da multa isolada, a DRJ asseverou que, como já comprovado nos autos do proc. no 13603.000266/2007-90, o crédito não é passível de compensação por expressa disposição legal, e não por falta tão-somente de pagamento ou de apresentação de documentos. "A constatação efetiva de que houve compensação indevida decorrente de o crédito não ser passível de compensação por expressa disposição legal é bastante para que a autoridade fiscal exerça a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória (art. 142 do Código Tributário Nacional). Assim, o presente crédito tributário foi constituído de forma correta, não tendo amparo legal a alegação da impugnante de que a suspensão da exigibilidade dos débitos constantes do processo n° 13603.000266/2007-90 seria causa de impedimento a constituição do presente crédito tributário." Argumentou ainda que os pontos controversos levantados pela Postulante contra a não homologação da declaração de compensação se referem aos autos do proc. n° 13603.000266/2007-90 e estes foram regularmente examinados tanto pela DRF em Contagem como pela 3a Turma da DRJ em Belo Horizonte. Por fim, no que diz respeito A. reunido dos presentes autos ao do proc. n° 13603.000266/2007-90, conforme dispõe o art. 18, § 3 0 da Lei n° 10.833/03, a DRJ afirmou que estes foram encaminhados em 20/12/07 ao CARF para julgamento de Recurso Voluntário, e que a presente impugnação s6 foi apresentada em 24/12/07. Desta forma, os processos estariam em fases processuais diferentes, o que inviabilizou a reunido para julgamento simultâneo. A interessada foi cientificada em 01/06/09 do acórdão da DRJ e interpôs Recurso Voluntário em 30/06/09 (proc. fls.400 a 470). Alegou a Recorrente que o proc. n° 13603.000266/2007-90 não tem decisão com trânsito em julgado o que impediria a imputação da multa isolada. Requereu que a exigibilidade da multa fosse suspensa até o julgamento da compensação. Afirmou que a compensação pleiteada é possível frente a créditos de indébito de contribuição quitado junto ao IBC. No tocante ao disposto no art. 170-A do CTN disse que o trânsito em julgado da execução se deu em 1996 e que a ação prossegue apenas quanto aos expurgos inflacionários. Asseverou que seu crédito é incontroverso inclusive para a Fazenda Nacional que em petição inicial dos Embargos à execução fiscal assim o admite. Referente 6. cessão de crédito, manifestou o entendimento de que o crédito foi adquirido não somente por força de convenção particular, mas também de decisão transitada em julgado, e que não pode IN da SRF tolher esse direito. Afirmou que há patente violação ao direito adquirido. Segundo a Postulante o art. 74 ao dispor sobre compensação em nenhum momento veda cessão de crédito, e que descabe a aplicação do disposto no art. 123 do crN no presente caso. Afirmou ainda que sua compensação foi deferida pelo E. Tribunal Regional Federal da la Regido e que deve ser respeita a garantia da coisa julgada. 4 Processo n° 13603.004620/2007-55 Acórdao n.° 1101-00.632 SI-CITI Fl. 3 Efetivamente no que toca A. multa, a Peticionaria alegou que as hipóteses de aplicação da multa isolada não se aplicam no caso de decisão judicial transitada em julgado. Afirmou que são pontos básicos pra a improcedência do Auto de Infração "os princípios constitucionais e tributários da hierarquia das leis e da irretroatividade, da possibilidade e aplicação do instrumento de cessão de crédito previsto no antigo e no atual Código Civil que tem efeito subsidiário no campo do direito tributário, e do instituto da compensação". Alertou ainda que a fundamentação do Auto de Infração é posterior A. data da cessão de crédito indicada nas DCOMP, e que por força do Principio da Irretroatividade não pode ser aplicada a multa, pois esta não alcança o caso em tela. Por fim, asseverou que não é caso de multa duplicada e que mesmo o percentual de 75% se mostra confiscatório e, desta forma, ilegal. Voto Conselheira Nara Cristina Takeda Taga, Relatora. 0 recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. 0 Recurso Voluntário em tela foi interposto contra Acórdão da 4a Turma da DRJ em Belo Horizonte que manteve a imposição de multa isolada decorrente de compensação não homologada. Preliminarmente vale mencionar que o proc. no 13603.000266/2007-90 referente A. compensação não homologada foi julgado em 19/10/09 por este Colegiado. Naquela ocasião, por unanimidade de votos, o recurso não foi conhecido. Segundo a relatoria do Conselheiro Tarásio Campelo Borges, "o ajuizamento de ação judicial implica em renúncia ao direito de questionar igual matéria na via administrativa bem como desistência de recurso eventualmente interposto, nos termos do parágrafo único do artigo 38 da Lei 6.830, de 22 de setembro de 1980". 0 recurso não foi conhecido por se tratar de situação em que houve "renúncia implícita et via administrativa". Tendo em vista que o Recurso Voluntário interposto contra a não homologação das DCOMP efetuadas pela Recorrente não foi conhecido, verifica-se que a decisão da 3a Turma da DRJ em Belo Horizonte não foi substituida. Vale mencionar que o objeto dos presentes autos não é o julgamento da compensação, que já foi analisado por este Conselho, mas sim a multa isolada. Foi imposta multa isolada no percentual de 75% sobre o valor do débito não compensado, de acordo com o disposto no art. 18 da Lei n° 10.833/03 que versa sobre não homologação de DCOMP baseada em crédito não passível de compensação por expressa disposição legal, pois proveniente de ação judicial não transitada em julgado. A recorrente alega que a fundamentação do auto de infração é posterior a data da cessão de crédito indicados nas DCOMP, e que por for-ça do principio da irretroatividade 460y- 5 I não seria aplicável a multa isolada. No entanto, este não é o entendimento reiterado do Superior Tribunal de Justiça. No julgamento do REsp n° 1.238.987, publicado em 16/05/11 o STJ assim se manifestou: "Sendo assim, é de se aplicar a jurisprudéncia deste STJ no sentido de que a compensação rege-se pela legislação em vigor ao tempo do ajuizamento da ação (tempus regit actum), com a observação de que o marco, para o presente caso onde se pleiteou administrativamente a compensação, é a data da transmissão da PER/DCOMP - equivalente administrativo a data da propositura da demanda." Consta dos autos que as transmissões das DCOMP se deram em março e junho de 2004, desta forma, a imposição da multa isolada é regida pelo disposto no art. 18, § 2° da Lei n° 10.833/03, em sua redação original. Lei n° 10.833/03: "Art. 18. 0 lançamento de oficio de que trata o art. 90 da Medida Provisória n° 2.158-53, de 24 de agosto de 2001, limitar-se-6 a imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicar-se-á unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei n° 4502, de 30 de novembro de 1964. 5S' 2°. A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no 5Ss 2° do art. 44 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, conforme o caso. " Lei n° 9.430/96 (redação original): Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I — de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte. A par da alteração legislativa ocorrida no texto normativo em junho de 2007, não foi alterado o percentual aplicado ao caso concreto. Desta feita, entendo correta a imputação da multa no percentual de 75%. A Postulante ainda afirmou que não seria cabível a imputação da multa isolada no percentual de 150%. No entanto, tal pleito resta prejudicado posto que não lhe foi imputada multa neste percentual. Por fim, quanto h. alegação de que a multa isolada possui caráter confiscatório, tendo em vista que a aplicação se deu nos exatos termos da lei, não cabe a este 6 Processo n° 13603.004620/2007-55 SI-CI Ti Acórddo n.° 1101-00.632 Fl. 4 juizo a análise da constitucionalidade de lei tributária. Nestes termos segue a súmula n° 2 deste Conselho: Sumula CARF n° 2: 0 CARE não e competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário, mantendo o crédito tributário exigido. Sala de sessões, 24 de novembro de 2011. Nara Cristina Takeda Taga — Relatora. V 7
score : 1.0
Numero do processo: 10860.900387/2016-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2011
ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O DÉBITO COMPENSADO.
Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP.
Numero da decisão: 3302-006.678
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Walker Araújo, Jose Renato Pereira de Deus, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Muller Nonato Cavalcanti Silva (Suplente Convocado) e Corintho Oliveira Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 90 03 87 /2 01 6- 03 Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10860.900387/201603 Acórdão n.º 3302006.678 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de PerDcomp transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, decorrente de recolhimento indevido ou a maior que o devido. De acordo com o Despacho Decisório, constatouse a procedência do crédito original informado no PER/DCOMP. Entretanto, considerando que o crédito reconhecido revelouse insuficiente para quitar os débitos informados no PER/DCOMP, a compensação foi HOMOLOGADA PARCIALMENTE. O interessado apresentou manifestação de inconformidade, alegando que, no despacho decisório, a Receita Federal efetuou a compensação usando apenas o valor original do direito creditório, sem considerar os juros equivalentes à taxa SELIC que incidem sobre ele. Assim sendo, pede que a manifestação de inconformidade seja provida, para o fim de reconhecer o direito à atualização dos valores compensados e de homologar integralmente a compensação realizada.. A DRJ Belo Horizonte julgou a impugnação improcedente, nos termos do Acórdão nº 02074.076. Inconformado com a decisão da DRJ, apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alega, em breve síntese, que o valor informado se refere ao valor original atualizado pela Selic; que não separou os valores de original, juros e multa; que o valor do direito creditório contempla a compensação pretendida, devendo ela ser homologada na plenitude. É o breve relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Deroulede, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Acórdão nº 3302006.675, de 27 de março de 2019, proferido no julgamento do processo 10860.900385/201614, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão nº 3302006.675): "O recurso é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, de forma que dele conheço e passo à análise do mérito. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10860.900387/201603 Acórdão n.º 3302006.678 S3C3T2 Fl. 4 3 A lide posta nos autos diz respeito a questão fática. Não se discute interpretação da legislação tributária. O recorrente não se insurge contra a atualização do débito compensado a destempo, tampouco com a forma de atualização utilizada pela Autoridade Tributária para corrigir o direito creditório. Acontece que o sujeito passivo se equivocou quanto ao valor a ser compensado pelo seu indébito tributário, explico: Podemos extrair da análise da Per/Dcomp nº 03339.46253.170815.1.3.047194, os seguintes dados: a) O sujeito passivo possuía um crédito no valor de R$ 4.372,41, referente a recolhimento indevido da Cofins, realizado em 25/05/2011. Ao seu crédito foi adicionada a taxa Selic acumulada, no percentual de 41,07%. O resultado foi um crédito final de R$ 6.168,16; b) O sujeito passivo possuía um débito tributário no valor de R$ 6.168,16, referente ao mês de setembro de 2013, a título de Cofins. Buscou compensar esse débito com o indébito descrito no item anterior. Ocorre que o recorrente esqueceu dos juros e da multa que incidem sobre o valor do principal nos casos em que a compensação é efetuada após o vencimento do tributo. Sobre essa sistemática, reproduzo o voto da instância a quo que a tratou de forma didática e objetiva, verbis: Sobre o débito compensado incidem juros e multa de mora, calculados entre a data de vencimento e a data de transmissão do PER/DCOMP. De acordo com o art. 43 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 da mesma IN e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação. Rege a incidência de acréscimos legais sobre débitos o art. 61 da Lei n.º 9.430, de 1996. Segundo esse artigo, sobre os débitos não pagos no prazo, incidem multa de mora e juros de mora. O percentual dos juros de mora equivale à taxa SELIC, nos meses de atraso anteriores ao do pagamento, e a 1%, no mês do pagamento. A extinção do débito compensado considerase ocorrida na data da transmissão da DCOMP. Por fim, de acordo com o § 1º do art. 43 da IN SRF n.º 1300, de 2012, a compensação total ou parcial de tributo ou contribuição administrado pela SRF será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. Aplicando a sistemática acima explicitada, temos que: O valor do crédito foi de R$ 4.372,41 + 1.795,75 (tx Selic) = R$ 6.168,16. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10860.900387/201603 Acórdão n.º 3302006.678 S3C3T2 Fl. 5 4 O valor do débito tributário foi também de R$ 6.168,16. Não obstante, esse valor não pode se referir na sua totalidade ao principal e sim ao principal, multa e juros moratórios. Nesta linha, o correto valor do principal que foi compensado foi de R$ 4.408,97, pois o restante foi direcionado para a quitação da multa no valor de R$ 881,79, e dos juros no valor de R$ 877,38. Diante desse quadro, devese dizer que o sujeito passivo continuou com um débito da Cofins, referente ao mês de setembro de 2013, no valor de R$ 1.759,19. Resultado da diferença entre seu crédito de R$ 6.168,16 e o débito de R$ 4.408,97. Pelos motivos expostos, não há como reformar a decisão a quo no sentido de homologar a compensação em sua plenitude, pois o indébito tributário que a lastreava era em valor inferior ao valor do débito declarado na Dcomp. Ex positis, nego provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Deroulede Fl. 125DF CARF MF
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Numero do processo: 10660.901880/2013-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2012
RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO.
ERRO DE FATO.
Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei.
Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
Numero da decisão: 1401-003.166
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.901868/2013-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2012 RETIFICAÇÃO DO PER/DCOMP APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhece-se a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tão-somente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10660.901868/2013-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente).
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ERRO DE FATO. Erro de fato no preenchimento de Dcomp não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado, ao auferir receita não prevista em lei. Reconhecese a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo, mas sem deferir o pedido de repetição do indébito ou homologar a compensação, por ausência de análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 18 80 /2 01 3- 46 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 10660.901880/201346 Acórdão n.º 1401003.166 S1C4T1 Fl. 3 2 decidido no julgamento do processo 10660.901868/201331, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Daniel Ribeiro Silva, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Carlos André Soares Nogueira (relator), Letícia Domingues Costa Braga, Bárbara Santos Guedes (Conselheira Suplente Convocada), Luiz Augusto de Souza Gonçalves (presidente). Relatório Tratase de Despacho Decisório, por meio do qual a Autoridade Administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil indeferiu o pedido de repetição de indébito e não homologou declaração de compensação realizada pelo contribuinte. De acordo com o PER/DComp, o crédito pleiteado pelo contribuinte seria decorrente de Pagamento Indevido ou a Maior de CSLL. Todavia, a Autoridade Administrativa, ao exercer sua competência para examinar a liquidez e certeza do crédito pleiteado, concluiu pela inexistência de crédito decorrente de pagamento a maior ou indevido, tendo em vista a integral utilização para a quitação de estimativa mensal. Desta forma, no Despacho Decisório, indeferiu o pedido de repetição de indébito e não homologou as compensações realizadas pelo contribuinte. Diante da resposta negativa, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual, em síntese, alegou que houve um erro de fato no preenchimento do PER/DComp e que o crédito pleiteado referiase, em verdade, a Saldo Negativo de CSLL. Juntou documentos. Em vista do erro de fato no preenchimento do PER/DComp, o contribuinte pediu que houvesse a retificação do PER/DComp para considerar o crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL e que fosse homologada a compensação. A DRJ, na decisão ora combatida, não conheceu do pedido do contribuinte por considerarse incompetente para decidir sobre a retificação de PER/DComp, uma vez que o contencioso tem o escopo determinado pela Manifestação de Inconformidade do contribuinte em face do Despacho Decisório, que versou exclusivamente sobre crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior e não de saldo negativo de CSLL. Considerou a DRJ que estaria invadindo a competência da Delegacia da Receita Federal do Brasil, a quem compete os atos primários, tais como lançamentos de ofício (autos de infração e notificações de lançamento) e despachos decisórios acerca de pedidos de repetição de indébito. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10660.901880/201346 Acórdão n.º 1401003.166 S1C4T1 Fl. 4 3 Na fundamentação, a DRJ destaca que a DRF tem competência para retificar de ofício o crédito declarado, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Notificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reprisa os argumentos da manifestação de inconformidade. Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.158 de 21/02/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10660.901868/201331, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.158): O recurso voluntário é tempestivo e cumpre os requisitos legais. Passo a analisálo, ressalvandose o conhecimento parcial das matérias alegadas pelo contribuinte, conforme será exposto. No que tange às razões adotadas pela DRJ para não conhecer da Manifestação de Inconformidade, impende asseverar, de pronto, que as autoridades julgadoras não detêm competência para a realização de atos primários, como se vê na lição de Gilson Wessler Michels: O que resulta dessa distinção [entre recurso do tipo reexame e recurso do tipo revisão] é que, na medida em que no contencioso administrativo brasileiro foi adotada a separação entre órgãos de lançamento (Administração Ativa) e órgãos de julgamento (Administração Judicante), não sendo dada a esses a competência para praticar os atos primários de que são exemplos o lançamento e o despacho denegatório do pleito repetitório, mas sim a de praticar o ato secundário de reapreciação daqueles atos primários, só podem os órgãos julgadores administrativos prolatar decisões na esfera das quais anulam ou confirmam, parcial ou integralmente, o ato contestado (modalidade revisão), e jamais decisões nas quais substituem tal ato (modalidade reexame). (MICHELS, Gilson Wessler. Processo Administrativo Fiscal. São Paulo: Cenofisco, 2018. p 33.) É oportuno reprisar que o crédito que foi submetido pelo contribuinte à análise de liquidez e certeza por parte da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal do Brasil, com fulcro no artigo 170 do CTN, derivava de pagamento a maior ou indevido de CSLL. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10660.901880/201346 Acórdão n.º 1401003.166 S1C4T1 Fl. 5 4 O pedido de repetição decorrente do direito creditório calcado em pagamento a maior ou indevido de CSLL foi corretamente indeferido pela autoridade administrativa competente. E, na esteira dos ensinamentos acima mencionados, as autoridades julgadoras são incompetentes para efetuar o exame inaugural da liquidez e certeza de um crédito diverso, qual seja, de um crédito decorrente de saldo negativo de CSLL. Todavia, na Manifestação de Inconformidade e no recurso voluntário, o contribuinte formulou dois pedidos. O primeiro deles versa sobre a retificação do erro de fato cometido no PER/DComp, de forma a se considerar o pedido de repetição de indébito de crédito decorrente de saldo negativo de CSLL. No segundo, pede o reconhecimento do direito creditório e a homologação da declaração de compensação. Os pedidos demandam uma análise detalhada, em partes. Em relação ao primeiro pedido, adoto como razão de decidir a fundamentação exarada no Acórdão nº 1301003.599, de relatoria do Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Embora aquele processo tratasse de IRPJ e não de CSLL, sua lógica jurídica é perfeitamente aplicável ao presente caso: O crédito a que refere a Recorrente tratase de Saldo Negativo de IRPJ, porém, ao preencher a Per/DComp para declarar a compensação informou como IRPJ Pago a Maior ou Indevidamente, gerando a não homologação das respectivas compensações. O ponto aqui é que a Per/DComp apresentada pelo contribuinte contém erro material, e tal fato, por si só não pode embasar a negação ao seu direito de crédito, bem como leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Em relação à possibilidade de comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração, inclusive na própria DCOMP, o entendimento atual, inclusive da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação de tal erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cujo excerto de interesse de sua ementa reproduzse a seguir: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. REVISÃO E RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO – DE LANÇAMENTO E DE DÉBITO CONFESSADO, RESPECTIVAMENTE – EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. CABIMENTO. ESPECIFICIDADES. A revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, para reduzir o crédito tributário, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, no caso de ocorrer uma das hipóteses previstas nos incisos I, VIII e IX do art. 149 do Código Tributário Nacional – CTN, quais sejam: quando a lei assim o Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10660.901880/201346 Acórdão n.º 1401003.166 S1C4T1 Fl. 6 5 determine, aqui incluídos o vício de legalidade e as ofensas em matéria de ordem pública; erro de fato; fraude ou falta funcional; e vício formal especial, desde que a matéria não esteja submetida aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. A retificação de ofício de débito confessado em declaração, para reduzir o saldo a pagar a ser encaminhado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional – PGFN para inscrição na Dívida Ativa, pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Dessa forma, este Colegiado tem tido o entendimento de se reconhecer parte do requerido pela Recorrente, no sentido de não lhe suprimir instâncias de julgamento, e oportunizar que, após o contribuinte ser devidamente intimado para tanto, sejam apresentados documentos e estes sejam analisados a fim de se averiguar a ocorrência do erro alegado e consequentemente a aferição de seu direito de crédito. Assim, tendo em vista o princípio da busca da verdade material, já que juntou documentos, ainda que em sede recursal daquilo que faria jus ao seu direito, voto no sentido de se afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada. E dessa forma, a unidade de origem poderá verificar o mérito do pedido, acerca da existência do crédito e da respectiva compensação, bem como analisar a liquidez e certeza do referido crédito, nos termos do art. 170, do CTN, retomandose a partir de então o rito processual de praxe. Vêse que tanto a decisão de piso sob análise, quanto o precedente acima mencionado destacam em suas fundamentações a possibilidade de retificação de ofício, por parte da autoridade da DRF, do crédito objeto do Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10660.901880/201346 Acórdão n.º 1401003.166 S1C4T1 Fl. 7 6 PER/DComp, nos termos do no Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. No caso da decisão a quo, não se conheceu da Manifestação de Impugnação. Ao não tomar conhecimento, a DRJ evitou que a matéria fosse submetida ao contencioso, o que poderia redundar no afastamento da competência da DRF para realizar a revisão de ofício. Neste diapasão, havendo a comprovação do erro de fato na demonstração do crédito, a autoridade administrativa da DRF poderia, de ofício, considerar o crédito decorrente de saldo negativo e passar à análise de liquidez e certeza. No precedente da 1ª TO da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF supra, dáse um passo a mais ao conhecer parcialmente o primeiro pedido do contribuinte tãosomente para "afastar o óbice de retificação da Per/DComp apresentada". Reconhece se, assim, o erro de fato que autoriza a autoridade administrativa a realizar a revisão de ofício, nos termos do Parecer COSIT já citado. É relevante ressaltar que a presente decisão não conhece do primeiro pedido do contribuinte, na parte que versa sobre a retificação de ofício do PER/DComp. Os órgãos julgadores, como asseverado alhures, são incompetentes para realizar o ato administrativo inaugural de revisão de ofício do PER/DComp do contribuinte com vistas à análise de crédito diverso, qual seja, saldo negativo de CSLL. Não se conhece, ademais, do segundo pedido, que trata do deferimento do crédito pleiteado e da homologação da compensação declarada. Desta forma, não se afasta a competência da autoridade da DRF de verificar a ocorrência da hipótese de revisão de ofício, de realizar o exame inaugural da liquidez e certeza do crédito pleiteado e, se for o caso, de homologar a compensação com débitos vencidos ou vincendos, conforme Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Conclusão Voto por conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação acima, e afastar o óbice de revisão de ofício do Per/DComp apresentado. Restituase os autos para análise da sua liquidez e certeza pela unidade de origem, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014. Fl. 182DF CARF MF Processo nº 10660.901880/201346 Acórdão n.º 1401003.166 S1C4T1 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer parcialmente do pedido do contribuinte e, nessa parte, dar provimento ao recurso tãosomente para reconhecer o erro de fato na formulação do pedido de repetição de indébito, nos termos da fundamentação constante do voto condutor, afastando o óbice de retificação do Per/DComp apresentado, devendo o processo ser restituído à Unidade de Origem para a análise da sua liquidez, certeza e disponibilidade, nos termos do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014.. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 183DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.901956/2015-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 18/11/2014
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL.
Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
Numero da decisão: 3401-005.661
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/11/2014 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP - FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS).
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 195, §7º DA CFB/88. PIS/PASEP FOLHA DE PAGAMENTO. INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. Entidades Beneficentes de Assistência Social gozam da imunidade tributária desde que atendam os requisitos estabelecidos em lei. (Paradigma RE nº 636.941/RS). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS Folha de Pagamento, referente a pagamento indevido ou a maior: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 19 56 /2 01 5- 04 Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10830.901956/201504 Acórdão n.º 3401005.661 S3C4T1 Fl. 3 2 A DRF Campinas proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período: Não satisfeita com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, cujos argumentos foram resumidos pelo relator do acórdão recorrido: Em sua manifestação de inconformidade a interessada argumentou, em resumo, que o pagamento indevido decorre de sua condição de imune às contribuições sociais, nos termos dos art. 150, inciso VI, alínea “c”, art. 195, § 7º, c/c art. 205, art. 6º, art. 203, inciso III, art. 145, § 1º, art. 146, II, todos da Constituição Federal, e do art. 14 do CTN. Atende aos requisitos fixados em lei para imunidade tributária das contribuições previdenciárias, conforme comprovado no pedido de emissão do CEBAS (certificado de entidade beneficente de assistência social). Discorre sobre sua condição de imune. Alegou também que a emissão do CEBAS é obrigação legal da autoridade coatora, sendo seu direito líquido e certo. Requer que os efeitos decorrentes do pedido do CEBAS sejam aplicados sobre os recolhimentos objeto deste pedido, em função de seu caráter declaratório com efeitos retroativos. Tece argumentos sobre sua natureza jurídica e suas atividades. A inscrição no CMAS de Campinas está sendo discutida na via judicial e dela depende a concessão do CEBAS. A decisão de piso proferida pela DRJ/JFA julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e ratificou inteiramente o Despacho Decisório, nos termos do Acórdão nº 09060.121, onde quedou assentado entendimento de que "as entidades filantrópicas fazem juz à imunidade tributária sobre a contribuição destinada ao Programa de Integração Social (PIS), desde que atendidos os pressupostos legais". Retirase, ainda, da decisão de primeiro grau, que a inscrição no CMAS de Campinas/SP foi cancelada e persiste a ausência do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (CEBAS), condição necessária para gozo da imunidade prevista no artigo 195, 7º, da CF/88. A Recorrente ingressou tempestivamente com Recurso Voluntário contra o acórdão da DRJ/JFA, reproduzindo os argumentos que embasaram sua Manifestação de Inconformidade. Quanto a inscrição no CMAS (municipal) e no CEBAS (federal), diz o seguinte: d. Da Inscrição no CMAS A inscrição da Recorrente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas sob o nº 132E, conforme comprovante anexado no pedido de CEBAS, foi cancelada sob o fundamento de que foi reformada pelo E. Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo – TJ/SP a r. Sentença proferida pelo MM. Juízo da 7ª Vara da Fazenda Pública nos autos do Mandado de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053 concessiva de ordem para que o CMAS/Campinas inscrevesse a Recorrente. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10830.901956/201504 Acórdão n.º 3401005.661 S3C4T1 Fl. 4 3 Sucede que esta decisão não é definitiva porquanto estão pendentes de julgamento os Recursos Extraordinário e Especial interpostos pela Recorrente (doc. 05). Esta situação não afeta a imunidade tributária, mas apenas a isenção, em especial o requisito de que trata o art. 19, inc. I da Lei 12.101/2009. e. Do Cadastro de Entidades de Assistência Social O cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, cuja inscrição é exigida no inc. II do art. 19 da Lei nº 12.101/2009, está sendo construído a partir dos cadastros dos Conselhos Municipais de Assistência Social e que já inseriu a Recorrente, conforme extrato anexo (doc. 06). Em decorrência, não é da alçada da Recorrente o atendimento desse requisito, disposto no art. 19, inc. II da Lei 12.101/2009. Segue ainda afirmando que: “Conforme documentação apresentada pela Recorrente anexa e no protocolo de expedição originária de CEBAS que apresentou ao Ministério do Desenvolvimento Social MDS, todos os requisitos exigidos pela Constituição Federal e Código Tributário Nacional estão atendidos pela Recorrente”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.634, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.901689/201486, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3401005.634): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. A lide no presente processo versa sobre pedido de ressarcimento da contribuição para o PIS – Folha de Pagamento do período de apuração 28/02/2009, pelo fato da Recorrente estar amparada pela imunidade prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, que contempla o seguinte: “§ 7º São isentas de contribuição para a seguridade social as entidades beneficentes de assistência social que atendam às exigências estabelecidas em lei”. Essa condição contida no dispositivo constitucional citado, de que: “atendam às exigências estabelecidas em lei”, é que está Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10830.901956/201504 Acórdão n.º 3401005.661 S3C4T1 Fl. 5 4 gerando a controvérsia neste processo. Quanto a isenção ou imunidade em si, relacionada a contribuição para o PIS – Folha de Pagamento, não há divergência entre fisco e contribuinte, todos a reconhecem. Portanto, a imunidade constitucional para ser alcançada depende do preenchimento de alguns requisitos como bem assentado no julgamento do RE nº 636.941/RS, no rito do art. 543B do CPC, onde se decidiu que são imunes à Contribuição ao PIS/Pasep, inclusive quando incidente sobre a folha de salários, as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais, quais sejam, aqueles previstos nos artigos 9º e 14 do CTN, bem como no art. 55 da Lei nº 8.212, de 1991 (atualmente, art. 29 da Lei nº 12.101, de 2009). Na sequência dos dispositivos legais citados, temos que o artigo 29 da Lei nº 12.101/2009, estabelece que: Art. 29. A entidade beneficente certificada na forma do Capítulo II fará jus à isenção do pagamento das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, desde que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: Já o art.19 da mesma Lei diz que: Art. 19. Constituem ainda requisitos para a certificação de uma entidade de assistência social: I estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social ou no Conselho de Assistência Social do Distrito Federal, conforme o caso, nos termos do art. 9º da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993; e II integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social de que trata o inciso XI do art. 19 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993. A decisão de piso foi taxativa em sua fundamentação de que cancelada a inscrição da requerente no Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP, não se pode cogitar da inscrição no CEBAS e ser possuidor do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social. Não há que se falar no direito para o gozo da imunidade prevista no artigo 195, §7º da CF/88. A Recorrente tem pleno conhecimento desse fato, tanto que em seu recurso voluntário repete a informação de que a inscrição no CMAS foi cancelada e que busca reverter essa decisão nos autos do Mandato de Segurança nº 0025280 57.2013.8.26.0053, da 7ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo – TJ/SP, atualmente pendente de decisão definitiva em face de Recursos Extraordinário e Especial interpostos. Entende ainda, a Recorrente, que o texto do §7º do art. 195 da CF/88 e o CTN em seu art. 14 tratam de coisas distintas, o Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10830.901956/201504 Acórdão n.º 3401005.661 S3C4T1 Fl. 6 5 primeiro trata de isenção e o segundo de imunidade tributária. Faz citação a Lei nº 12.101/2009 e conclui que: Ao seu turno, os arts. 18 e 19 da Lei 12.101/2009 fixaram os requisitos para o gozo de isenção tributária, desoneração fiscal criada pela legislação ordinária. A partir dessas disposições, constatase que os requisitos para gozar a imunidade são os seguintes: a) ser entidade beneficente de assistência social; b) não distribuir parcela de patrimônio ou rendas; c) aplicar integralmente, no País, os seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais; d) manter escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão. Ao passo que, para gozar a isenção tributária, além dos requisitos acima, devese atender ao seguinte: e) prestar serviços ou realizar ações sócio assistenciais para usuários ou quem deles necessitar e de forma gratuita; f) estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social; e g) integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social. Os requisitos para gozar a imunidade tributária são devidamente cumpridos pela Requerente. Quanto à isenção, a matéria está sub judice, conforme a seguir esmiuçado. Observase que a Recorrente inova em sua tese de defesa com relação ao texto do §7º do art. 195 da CF/88, que a isenção lá mencionada se divide em imunidade e isenção. Que ela, a Recorrente, preenche todos os requisitos para gozar da imunidade tributária e quanto à isenção, a matéria está sub judice. Não é essa a interpretação dada pelo STF na decisão proferida no RE nº 636.941/RS, antes apresentada, que a imunidade da contribuição ao PIS – Folha de Pagamento atinge as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos legais e dentre eles os da Lei nº 12.101/2009. Diante dessas colocações da Recorrente perguntase: porque buscar o reconhecimento do direito da isenção à incidência do PIS – Folha de Pagamento para entidade beneficente de assistência social, com Recursos ao STJ e STF, se a entidade goza da imunidade tributária? Quem pode o mais pode o menos e juridicamente não faria o menor sentido. Uma das exigências estabelecidas em lei para atender a isenção/imunidade contida no art. 195, §7º da CFB é Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10830.901956/201504 Acórdão n.º 3401005.661 S3C4T1 Fl. 7 6 aquela prevista no artigo 19, I e II da Lei nº 12.101/2009, integrar o cadastro nacional de entidades e organizações de assistência social, representada pela inscrição no CEBAS. A certificação do CEBAS é concedida às entidades que atuam nas áreas da assistência social, saúde ou educação, possibilitando usufruir da isenção de contribuições para a seguridade social e a celebração de parcerias com o poder público, desde que atendam aos requisitos dispostos na Lei nº 12.101/2009. Primeiro a entidade deve estar inscrita no respectivo Conselho Municipal de Assistência Social – CMAS de Campinas/SP (Inciso I do art. 19); segundo integrar o cadastro do CEBAS (Inciso II do mesmo artigo). Outro ponto colocado pela decisão de piso é com relação a possível sucesso nos recursos interpostos em Mandato de Segurança, quanto ao cancelamento da inscrição no CMAS – Campinas/SP. Se isso ocorrer, volta a empresa a ter seu direito restabelecido, nos estritos termos da sentença a ser proferida, respeitandose a autonomia das instâncias envolvidas e o cumprimento das decisões/sentenças publicadas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 280DF CARF MF
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Numero do processo: 13924.720022/2013-42
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2010
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni (relator) que lhe deu provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 92 4. 72 00 22 /2 01 3- 42 Fl. 88DF CARF MF 2 Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 27 a 32), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 7.411,07, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 11 dos autos, cujas alegações são, conforme decisão da DRJ: que apresentou a documentação comprobatória das despesas médicas informadas na Declaração de Ajuste Anual; que apresentou resposta ao Termo de Intimação Fiscal Complementar informando que efetuou os pagamentos em espécie; que reconhece a glosa no valor de R$ 120,00 referente à aquisição de vacinas, do plano de saúde FUNBEP (R$ 3.224,30) e da Unimed (R$ 3.699,02). Acrescenta que já recolheu o DARF correspondente no valor de R$ 3.978,37; que as despesas médicas glosadas são de baixo valor, sendo exceção o tratamento odontológico no valor de R$ 12.600,00; que o “Perguntas e Respostas” da Receita Federal do Brasil assevera que as despesas médicas serão comprovadas mediante a apresentação de documentos originais que indiquem o nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CNPJ; que caso não tenha os recibos, poderá apresentar cópia dos cheques nominativos, não sendo, portanto, a regra que a fiscalização poderia embasar o lançamento; que o fisco exige a apresentação de documentos sem embasamento legal; que o fisco está atribuindo ao contribuinte o ônus de provar sua inocência; que apresentou 14 (catorze) recibos médicos com os requisitos determinados pela legislação; Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13924.720022/201342 Acórdão n.º 2002000.792 S2C0T2 Fl. 89 3 que a glosa foi aleatória e sem previsão legal, bem como desconsiderou a idade do contribuinte (69 anos); que observando o princípio da legalidade objetiva, deve a autoridade administrativa aplicar a lei de modo objetivo, sempre agindo em prol do interesse público; Traz à colação jurisprudência administrativa a seu favor. Requer acolhida a presente impugnação para cancelar parcialmente a Notificação de Lançamento. Houve o pagamento do crédito tributário no valor de R$ 3.978,37. A fim de melhor instruir os autos, foi o presente processo remetido à Delegacia da Receita Federal de origem para juntar dossiê da malha fiscal. Em atendimento ao pedido, foi juntada aos autos a documentação de fls. 3864. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/BSB que, em 27/11/2015, no acórdão 0365.808, às efls. 66 a 74, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformado, o contribuinte apresenta Recurso Voluntário, às efls. 78 a 84, no qual alega, em síntese, que os recibos são documentos hábeis a comprovar a contratação dos serviços, que foram pagos em espécie. Voto Vencido Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 24/02/2015, efls. 77, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 19/03/2015, efls. 78, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. O contribuinte foi autuado pela dedução indevida das seguintes despesas médicas: · Carlos Roberto Mezzomo R$ 3. 000,00; · Ademar Jose Boaretto R$ 1. 900,00; · Leandro Peyneau R$ 120,00; · Rodrigo Damazzini R$ 120,00; · Luis Fernando Kummer R$ 140,00; · Laboratório de Análises Clinicas São Lucas Ltda RS 686,00; Fl. 90DF CARF MF 4 · Centro de Diagnóstico por Imagem Ltda R$ 320,00; · Clinca Médica Loureiro e Loureiro S/S RS 120,00; · Clinica de Ultrassonografia Pato Branco Ltda RS 150,00; · Hospital São Lucas de Pato Branco Ltda RS 750,00 · Roberto Setti RS 12 .600,00 Conforme a decisão da DRJ, o contribuinte não contestou parte das glosas, como se vê: Inicialmente, cumpre observar que não foi objeto de contestação a infração relativa a despesas médicas da Comércio de Vacinas Pato Branco (R$ 120,00), FUNBEP (R$ 3.224,30) e UNIMED Pato Branco (R$ 3.699,02). Tal infração será considerada matéria não impugnada nos termos do art. 58 do Decreto 7.574, de 2011. A decisão de piso manteve as glosas vez que o contribuinte não apontou quem foi o paciente dos serviços médicos prestados, nem comprovou o efetivo pagamento das despesas: A fiscalização efetuou a glosa das despesas médicas sobreditas pelo fato de o contribuinte não ter comprovado quem foi o paciente atendido por cada um dos profissionais, clínicas e hospitais, bem como pela falta de comprovação do efetivo pagamento, conforme solicitado no Termo de Intimação Fiscal Complementar (fls. 59). Em sede de impugnação, o interessado também não apresentou a documentação comprobatória que informasse os beneficiários dos serviços prestados, assim como que demonstrasse o efetivo pagamento de tais despesas. É importante ressaltar que a fiscalização efetuou a glosa de despesas médicas com plano de saúde dos beneficiários Inês Guero, Lurdes Guero e Diogo Guero, os quais não foram informadas como dependentes na Declaração de Ajuste Anual, ou seja, com não dependentes. Por isso, a exigência da indicação dos beneficiários das despesas médicas glosadas tornase, no caso específico, ainda mais necessária. Também como o interessado afirma que efetuou o pagamento em dinheiro, deveria ter comprovado a origem dos valores em espécie, apresentado, se fosse o caso, os extratos bancários com saques que justificassem as despesas, demonstrando a relação entre valores e datas, de forma a permitir a verificação inequívoca do nexo causal entre os recibos apresentados e os pagamentos efetuados. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13924.720022/201342 Acórdão n.º 2002000.792 S2C0T2 Fl. 90 5 Por fim, registrase que apesar da exigência do efetivo pagamento para algumas despesas médicas de pequeno valor, insta salientar que o contribuinte não indicou os beneficiários dos gastos médicos efetuados. De acordo com o exposto, deve ser mantida a glosa das despesas médicas pela falta de indicação do beneficiário, assim como pela falta de comprovação do efetivo pagamento. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; Fl. 92DF CARF MF 6 III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13924.720022/201342 Acórdão n.º 2002000.792 S2C0T2 Fl. 91 7 para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Fl. 94DF CARF MF 8 Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Fl. 95DF CARF MF Processo nº 13924.720022/201342 Acórdão n.º 2002000.792 S2C0T2 Fl. 92 9 Às efls. 41 há recibo emitido pelos profissionais Rodrigo Damazzini e Leandro Peyneau, ambas no valor de R$ 20,00. Na mesma folha, há recibo emitido por Luis Fernando Kummer (R$140,00). Às efls 42 há recibos de Ademar Jose Boaretto, que totalizam R$1.900,00. Já às efls. 43 dá recibos emitidos por Carlos Roberto Mezzomo, no valor R$3.000,00. Às efls. 43 a 46 há recibos do dentista Roberto Setti por serviços prestados no importe de RS12.600,00. Às efls. 47 a 50 há notas fiscais de prestação de serviços da Centro de Diagnóstico por Imagem Ltda, no valor R$ 320,00. Ainda, às efls. 51 a 53 há notas fiscais do Laboratório de Análises Clinicas São Lucas Ltda (RS686,00). Às efls. 56 há nota fiscal emitida pela Clinica de Ultrassonografia Pato Branco Ltda RS 150,00. Na folha seguinte, há nota fiscal do Hospital São Lucas de Pato Branco Ltda (RS750,00). Feitas estas considerações, conheço do presente Recurso Voluntário para, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas médicas em litígio. Extraise dos autos que a autoridade fiscal procedeu à glosa dos referidos valores por não ter o contribuinte, devidamente intimado, comprovado o seu efetivo pagamento através de documentação bancária que indicasse a emissão de cheques ou a realização de saques correspondentes (efls. 29/30) A decisão de primeira instância manteve a glosa efetuada, corroborando as razões expostas pela fiscalização (efls. 66/74). Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que o contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar Fl. 96DF CARF MF 10 margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) O contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ele e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. Fl. 97DF CARF MF Processo nº 13924.720022/201342 Acórdão n.º 2002000.792 S2C0T2 Fl. 93 11 É possível que o recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que este não trouxe aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre as movimentações realizadas e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas o contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe ao interessado provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.004181/2010-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008
CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE LIDE.
Não se conhece da matéria que não compõe a lide.
CONHECIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2).
CONEXÃO E CONTINÊNCIA. PROCESSOS DE DIFERENTES SUJEITOS PASSIVOS. IMPOSSIBILIDADE.
A decisão administrativa limita-se aos autos de infração constantes do processo. O julgamento de fatos que transcendem o âmbito do processo não está previsto no regulamento processual administrativo.
DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO, SIMULAÇÃO.
Expirado o prazo de cinco anos, a partir do fato gerador, sem que a Fazenda Pública se manifeste, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Cabe à Autoridade Lançadora fazer prova da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A mera retificação de declaração ou mesmo a omissão de informações que dela deveria constar não representa, isoladamente, indício de dolo ou fraude.
LANÇAMENTO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
O lançamento é vinculado e distinto para cada fato gerador, sendo correta a constituição do crédito tributário da obrigação principal mesmo que haja o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PAGAMENTO DE DIÁRIAS.
Integram o salário de contribuição as diárias pagas, quando excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL.
O art. 22, IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. SELIC
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2301-005.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da questão relacionada à exigência de garantias, da questão afeta à incidência de contribuição sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho e das alegações de inconstitucionalidade, em rejeitar o pedido de conexão e continência e, no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a decadência do período de 01/2005 a 06/2005, inclusive. Declarou-se impedida de participar do julgamento deste processo a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, que foi substituída pela conselheira Fernanda Melo Leal.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e João Mauricio Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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AUSÊNCIA DE LIDE. Não se conhece da matéria que não compõe a lide. CONHECIMENTO. INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2). CONEXÃO E CONTINÊNCIA. PROCESSOS DE DIFERENTES SUJEITOS PASSIVOS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão administrativa limitase aos autos de infração constantes do processo. O julgamento de fatos que transcendem o âmbito do processo não está previsto no regulamento processual administrativo. DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO, SIMULAÇÃO. Expirado o prazo de cinco anos, a partir do fato gerador, sem que a Fazenda Pública se manifeste, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Cabe à Autoridade Lançadora fazer prova da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A mera retificação de declaração ou mesmo a omissão de informações que dela deveria constar não representa, isoladamente, indício de dolo ou fraude. LANÇAMENTO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA E DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. O lançamento é vinculado e distinto para cada fato gerador, sendo correta a constituição do crédito tributário da obrigação principal mesmo que haja o lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. PAGAMENTO DE DIÁRIAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 41 81 /2 01 0- 36 Fl. 827DF CARF MF 2 Integram o salário de contribuição as diárias pagas, quando excedente a cinquenta por cento da remuneração mensal. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. COOPERATIVA DE TRABALHO. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI DECLARADA PELO SUPREMO TRIBUNA FEDERAL. O art. 22, IV da Lei 8.212, de 1991, que prevê a incidência de contribuição previdenciária nos serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho foi julgado inconstitucional, por unanimidade de votos, pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 595.838/SP, paradigma da Tese de Repercussão Geral 166: “É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho”. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS. SELIC A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da questão relacionada à exigência de garantias, da questão afeta à incidência de contribuição sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho e das alegações de inconstitucionalidade, em rejeitar o pedido de conexão e continência e, no mérito, por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para reconhecer a decadência do período de 01/2005 a 06/2005, inclusive. Declarouse impedida de participar do julgamento deste processo a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, que foi substituída pela conselheira Fernanda Melo Leal. João Maurício Vital Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Alexandre Evaristo Pinto, Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Francisco Ibiapino Luz (Suplente Convocado), Marcelo Freitas de Souza Costa, Fernanda Melo Leal (suplente convocada) e João Mauricio Vital (Presidente). Relatório Tratase do Auto de Infração nº 37.212.5077, constituído em 29/07/2010 (e fl. 673), para exigência de contribuições previdenciárias, referentes ao período de 01/2005 a 12/2008, decorrente de ação fiscal que resultou, também, nos autos de infração Debcad nºs 37.212.5085, 37.212.5093 e 37.212.5123. Conforme consta do relatório fiscal (efls. 359 a 365), os lançamentos tiveram os seguintes fatos geradores: O crédito apurado e lançado através do AI n° 37.212.5077 destinase à Seguridade Social e corresponde à contribuição previdenciária devida pela empresa (quota patronal), a Fl. 828DF CARF MF Processo nº 10935.004181/201036 Acórdão n.º 2301005.899 S2C3T1 Fl. 828 3 destinada ao GIL/RAT (grau de incidência de capacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho), incidentes sobre as remunerações dos empregados, e a contribuição incidente sobre as notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho, por serviços prestados por seus cooperados à contratante. O AI n° 37.212.507:7 engloba também a glosa de contribuições compensadas pela empresa. (Grifei.) Os créditos apurados e lançados através dos AI's n° 37.212.508 5, 37.212.5093 destinamse à Seguridade Social e correspondem à contribuição previdenciária de segurados empregados, sendo que o 37.212.5085 referese a contribuições descontadas e o 37.212.5093 referese a contribuições que, embora devidas, não foram descontadas pelo empregador. (Grifei.) Por fim, o crédito apurado e lançado através do AI n° 37.212.5123 corresponde às contribuições da empresa, destinadas a Outras Entidades e Fundos (Terceiros). As entidades favorecidas pelas contribuições variam de acordo com o enquadramento do código FPAS de cada estabelecimento da empresa. (Grifei.) Portanto, nestes autos consta o lançamento das seguintes rubricas: a) incidentes sobre as remunerações dos empregados; b) incidente sobre as notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho, e c) glosa de contribuições previdenciárias indevidamente compensadas. Inconformada, a Recorrente apresentou impugnação (efls. 675 a 693), na qual alegou: a) a decadência dos fatos geradores até 06/2005, porquanto não se provou a ocorrência de dolo, fraude ou simulação; b) que não caberia o lançamento de obrigação principal decorrente do pagamento a empregados, exceto diárias, por tratarse de descumprimento da obrigação acessória; c) que não incidiria contribuição previdenciária sobre os pagamentos de diárias; d) que não incidiria contribuição previdenciária sobre os pagamentos a cooperativas de trabalho; e) que são indevidos os juros com base na taxa Selic, que possui natureza de indenização, e não de remuneração; f) a conexão e continência do presente processo com os que veiculam os autos de infração nº 37.212.5085, 37.212.5093, 37.212.5123 e Fl. 829DF CARF MF 4 37.212.5182, sobre os quais deve a decisão deste processo deverá incidir direta ou indiretamente. A impugnação foi considerada improcedente, nos termos do Acórdão nº 06 32.048 (efls. 789 a 797). Foi interposto recurso voluntário (efls. 815 a 823) em que o recorrente pugnou pela devolução da matéria impugnada, nos exatos termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo. Não conheço, entretanto, da questão relacionada à exigência de garantias para interposição do recurso porque é estranha à lide, porquanto nenhuma garantia foi exigida. Também não conheço das alegações de inconstitucionalidade (Súmula Carf nº 2). 1 Preliminares e prejudiciais de mérito 1.1 CONEXÃO E CONTINÊNCIA ENTRE PROCESSOS Embora esta matéria não componha a lide, a Recorrente solicita que reconheça a conexão e continência entre este processo e os processos que tratam dos DebCad 37.212.5085, 37.212.5093, 37.212.5123 e 37.212.5182. Solicita, pois, que o julgamento dos processos se inicie pelos presentes autos para que a decisão repercuta nos demais. Primeiramente, destacase que o art. 31 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 19721, delimita as decisões aos autos de infração que componham o processo, não sendo possível que se estenda o julgamento a outros processos, ainda que, como alegado, possa haver conexão entre os fatos. Admitese, para efeito de convencimento do julgador, que os fatos e provas decorrentes de uma mesma ação fiscal, mas que foram dispersos em distintos processos do mesmo contribuinte, possam ser analisados em conjunto, mas sempre resultando em distinta decisão em cada processo. A esse respeito, registrese que os processos resultantes da mesma ação fiscal foram distribuídos para o mesmo relator, de modo a, quando possível e necessário, presentes as iguais situações de fato e de direito e mesmos elementos de prova, procederse a conclusões convergentes. Por fim, as normas do processo civil têm aplicação apenas subsidiária e não podem ser invocadas no caso, quanto à conexão, pois o rito processual administrativo, notadamente o inc. I do § 1º do art. 6º do Regimento Interno do Carf (Ricarf) 2, já estabelece o 1 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. 2 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: Fl. 830DF CARF MF Processo nº 10935.004181/201036 Acórdão n.º 2301005.899 S2C3T1 Fl. 829 5 instituto no âmbito do tribunal administrativo. Quanto à continência, também não se aplica, por não haver identidade entre as partes. Indefiro, pois os pedidos de conexão e de continência. 1.2 DECADÊNCIA A recorrente alega a decadência do lançamento, que se aperfeiçoou em 29/07/2010 (efl. 673), referente aos meses de janeiro a junho de 2005. No relatório fiscal (efls. 359 a 362 do Processo nº 10935.004181/201036), a Autoridade Lançadora sustentou ter havido conduta dolosa e fraudulenta da empresa, que, por meio de sucessivas retificações de Gfip,. exclusão do nome de empregados e ausência do registro, na contabilidade, das contribuições sobre valores pagos a cooperativas de trabalho objetivou esconder a obrigação principal de recolher as contribuições devidas. Assim, a Autoridade Fiscal entendeu que a regra decadencial aplicável seria o art. 173 do CTN: A análise dos valores e datas das declarações das GFIP's para o estabelecimento 75.215.756/000157, meses 01/2005 a 06/2005, demonstra que a não declaração de parte dos fatos geradores não ocorreu por simples equívoco da empresa. As GFIP's destes meses foram declaradas dentro do prazo legal, sendo que a GFIP de 03/2005 foi retificada por três vezes e as GFIP's dos outros meses foram retificadas por duas vezes, sempre em datas muito posteriores à da GFIP retificada. Apesar destas retificações, no entanto, os valores referentes às remunerações dos empregados e às bases de cálculo das contribuições incidentes sobre notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho permaneceram os mesmos. (...) ......................................................................................................... Outro fato constatado pela fiscalização é que a sonegação de informações sobre as remunerações dos empregados foi sistemática; ou seja, se determinado empregado não teve seu nome incluído na GFIP de um mês, ele também não seria incluído na GFIP do mês posterior (ex.: Efigênio Alves Machado, empregado relacionado na folha de pagamento de 04/2005 a 09/2005, mas não incluído nas respectivas GFIP's, mesmo após as retificações). Este fato ocorreu até o mês 09/2005 e pode ser confirmado na planilha 24. Pela comparação dos recolhimentos espontâneos efetuados pela Sperafico com os valores declarados em GFIP, referentes às contribuições aqui analisadas, constatase que os valores são iguais ou muito próximos, o que também sugere uma premeditação nas omissões das informações declaradas, conforme relacionado abaixo: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 831DF CARF MF 6 ......................................................................................................... Além da obrigação descumprida pela empresa de declarar em GFIP as contribuições devidas, houve descumprimento da obrigação de lançar as contribuições incidentes sobre as notas fiscais emitidas por cooperativas de trabalho em títulos próprios de sua contabilidade, conforme estabelece o artigo 32, inciso II da Lei 8.212/91. A previsão legal de escrituração em títulos próprios tem o objetivo claro de obrigar o sujeito passivo a demonstrar com transparência as contribuições por ele devidas. O que motiva o sujeito passivo não observar estas regras, senão a intenção de esconder a obrigação principal de recolher as contribuições devidas? Por todos os fatos descritos, não restam dúvidas quanto à natureza dolosa e fraudulenta da conduta adotada pela empresa, o que remete a contagem do prazo de decadência para o artigo 173 do CTN. Em face das condutas da empresa, a Autoridade Lançadora formalizou representação fiscal para fins penais. Pois bem. Embora compreenda o raciocínio da Autoridade Autuante, não posso com ele concordar. O fato de ter havido sucessivas retificações de Gfip não indica, ao meu ver, conduta dolosa para ocultar a ocorrência do fato gerador ou dificultar o seu conhecimento, pois os dados, mesmo que incorretos, estiveram disponíveis ao Fisco. E ainda, a ausência do nome de empregados em Gfip poderia configurar conduta dolosa se, por exemplo, ele tivesse sido incluído e, posteriormente, mediante retificação de declaração, fosse retirado, diminuindose o valor da contribuição devida. Não foi o que ocorreu porque as retificadoras não alteraram o valor devido, ou seja, não tiveram o objetivo de reduzir o montante a pagar. Os indícios apontados são, ao meu ver, insuficientes para fazer prova da ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O relatório de documentos apresentados aponta para a existência de recolhimento de contribuição previdenciária no período. Por essas considerações, entendo que se aplica a regra decadencial do § 4º do art. 150 do CTN. Por conseguinte, estão decaídos os lançamentos referentes aos períodos de janeiro a junho de 2005. 2 Mérito 2.1 LANÇAMENTO SOBRE REMUNERAÇÕES DE EMPREGADOS, EXCETO DIÁRIAS A recorrente sustentou que a ausência de informações em Gfip somente poderia dar ensejo ao lançamento da multa por descumprimento de obrigação acessória, mas não para o lançamento da obrigação principal. Não assiste razão à recorrente. O lançamento é atividade vinculada (art. 142 do CTN) e é distinto para cada fato gerador. O descumprimento de obrigação acessória corresponde a fato gerador de obrigação tributária diferente do fato gerador do tributo em si. Desse modo, a Autoridade Lançadora procedeu corretamente ao constituir o crédito tributário correspondente às Fl. 832DF CARF MF Processo nº 10935.004181/201036 Acórdão n.º 2301005.899 S2C3T1 Fl. 830 7 contribuições devidas, apuradas com base em informações fornecidas pela empresa, que não haviam sido incluídas em Gfip. 2.2 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE DIÁRIAS PAGAS Quanto à incidência de contribuições previdenciárias sobre diárias pagas, reproduzo trecho do acórdão recorrido, que assumo como minhas razões de decidir: A incidência da contribuição previdenciária sobre as diárias pagas por viagens encontrase prevista no art.28 da Lei 8.212/91, em seus parágrafos 8' e 9°, cito: "Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (..) § 8° Integram o saláriodecontribuição pelo seu valor total: (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). a) o total das diárias pagas, quando excedente a cinqüenta por cento da remuneração mensal; (Alínea acrescentada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97) (...) § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei n°9.528, de 10.12.97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% cinqüenta por cento da remuneração mensal; " Assim, não resta dúvida que as diárias que ultrapassam o limite de 50% da remuneração integram a base das contribuições previdenciárias. Cabe ressaltar no caso que a defesa apresentada não trouxe aos autos nenhuma comprovação de que, de fato, os valores pagos foram reembolsos pagos após a apresentação da comprovação das despesas por parte dos empregados que viajaram a trabalho. Assim, resta sem fundamento a discussão sobre o caráter supostamente indenizatório da referida verba. 2.3 INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOBRE PAGAMENTOS A COOPERATIVA DE TRABALHO Quanto à incidência de contribuição previdenciária sobre pagamentos a cooperativa de trabalho, reproduzo parte do voto condutor do Acórdão nº 2301005.076, desta turma, no qual unanimemente se decidiu pela não incidência: O STF reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada no RE 595.838, para o qual firmou a Tese de Repercussão Geral 166: É inconstitucional a contribuição previdenciária prevista no art. 22, IV, da Lei 8.212/1991, com redação dada pela Lei 9.876/1999, que Fl. 833DF CARF MF 8 incide sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura referente a serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. De acordo com o art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf) as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869, de 1973 ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei 13.105, de 2015 – Código de Processo Civil, devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF: Assim, existindo decisão definitiva do STF, submetida à sistemática da repercussão geral, no sentido de ser inconstitucional o fato gerador incidente sobre o valor bruto da nota fiscal/fatura de serviços prestados por cooperados, por intermédio de cooperativas de trabalho (art. 22, IV, da Lei 8.212, de 1991), deve esta Turma reproduzir o conteúdo de tal decisão em seus acórdãos. 2.4 JUROS COM BASE NA SELIC Quanto à incidência de juros calculados com base na taxa Selic, devese aplicar a Súmula Carf nº 4 que dispõe: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. 3 Conclusões Voto por conhecer parcialmente do recurso, não conhecendo da questão relacionada à exigência de garantias e das alegações de inconstitucionalidade, por rejeitar o pedido de conexão e continência, por reconhecer a decadência do período de 01/2005 a 06/2005, inclusive, e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso para excluir do lançamento os valores relativos a pagamentos a cooperativa de trabalho. João Maurício Vital Relator Fl. 834DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.017735/96-77
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3002-000.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem analise os documentos juntados, assim como, caso entenda necessário, intime a contribuinte a apresentar os originais e quaisquer outros documentos, a fim de elaborar relatório justificado e conclusivo sobre a restituição pleiteada do IPI vinculado.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem analise os documentos juntados, assim como, caso entenda necessário, intime a contribuinte a apresentar os originais e quaisquer outros documentos, a fim de elaborar relatório justificado e conclusivo sobre a restituição pleiteada do IPI vinculado. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Alan Tavora Nem e Carlos Alberto da Silva Esteves RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 14 .0 17 73 5/ 96 -7 7 Fl. 348DF CARF MF Processo nº 10814.017735/9677 Resolução nº 3002000.038 S3C0T2 Fl. 349 2 Relatório O processo administrativo ora em análise trata do Pedido de Restituição (fl. 5), referente ao II e ao IPI vinculado pagos a maior, DI 0094337, o qual foi indeferido por Despacho Decisório (fl. 155/157) da Alfândega do Aeroporto Internacional de Guarulhos. Após ser intimada dessa decisão, a contribuinte apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 187/191), a qual foi julgada procedente em parte pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo II (DRJ/SPO II), por Acórdão que possui a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 23/10/1996 Ementa: RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. Retificação de declaração de importação antes do desembaraço.IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO. Não há impedimento quanto ao pedido de compensação do II quando se verifica que não houve a ocorrência do fato gerador.IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. O interessado não efetuou a comprovação de não ter se utilizado do IPI pago na importação na dedução de débitos do IPI decorrentes das vendas de produtos • industrializados sujeitos à incidência do imposto, e que também não repassou seu encargo financeiro a terceira pessoa. Solicitação Deferida em Parte Tendo sido cientificada do Acórdão supracitado, o sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário (fl. 217/223), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido e anexou aos autos novos documentos. Por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário interposto, a Segunda Câmara do Terceiro Conselho Conselho de Contribuintes assim se manifestou: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 23/10/1996 O processo deve ser instruído com todos os meios de prova necessários, precluindo o direito de apresentação das mesmas após o prazo para impugnação, salvo hipóteses excepcionadas em lei. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10814.017735/9677 Resolução nº 3002000.038 S3C0T2 Fl. 350 3 Em seqüência foi interposto Recurso Especial pela ora recorrente e, por sucedâneo, ContraRazões pela Procuradoria da Fazenda Nacional. No julgamento do recurso, os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho acordaram, pelo voto de qualidade, em darlhe provimento, por Acórdão dessa maneira ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II DATA DO FATO GERADOR: 23/10/1996 PROCESSO ADMINISTRATIVO TRIBUTÁRIO PROVA MATERIAL APRESENTADA EM SEGUNDA INSTÂNCIA DE JULGAMENTO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. POSSIBILIDADE PARA CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. A não apreciação de provas trazidas na fase recursal, antes da decisão final administrativa, fere o principio da instrumentalidade processual prevista no CPC e a busca da verdade material, que norteia o contencioso administrativo tributário, mormente quando sua tese de defesa não é acolhida e destinase a refutar entendimento da decisão de primeira instância. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Em decorrência do acima decidido, os presentes autos foram remetidos a esta Turma para prosseguimento do julgamento. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, devo esclarecer que comungo da opinião manifestada no Acórdão nº 30239.717 e no voto perdedor do Acórdão nº 9303001.842, em relação ao momento válido para a apresentação de provas nos processos administrativos fiscais, conforme já tive oportunidade de me pronunciar em outros julgados. A despeito disso, passo a análise do Recurso Voluntário interposto, por força do decidido pela CSRF. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 10814.017735/9677 Resolução nº 3002000.038 S3C0T2 Fl. 351 4 A Recorrente traz a seguinte alegação em seu Voluntário para se contrapor ao decidido pelo Acórdão recorrido: "Isto porque, conforme se extrai das fls. 31 do Livro Registro de Apuração do IPI, ano 1996, 3° decêndio de outubro (anexadas ao presente recurso —Doc. 01), verificase que a Recorrente se apropriou, a título de crédito de "aquisições do exterior", apenas do valor efetivamente devido na operação, qual seja, R$ 14.422,93 (16.088,99 UFIR's) e não R$ 31.519,36 (35.627,17 UFIR's), valor este que foi indevidamente recolhido aos cofres públicos, como comprova a guia DARF já integrante destes autos (cuja cópia a Recorrente novamente anexa nesta oportunidade — Doc. 02). A fim de corroborar a afirmação que ora se faz a Recorrente junta. nesta oportunidade, declaração devidamente assinada por seus profissionais da área 1 de tributos (Doc. 03), na qual a assunção do ônus fiscal de Que ora se trata resta expressamente formalizada. Desta feita, é certo que a Recorrente não se aproveitou da diferença (correspondente ao indébito tributário, no importe de R$ 17.285,43 — 19.538,18 UFIR s) a título de crédito do imposto, para abatimento do valor devido quando das saídas dos produtos industrializados de seu estabelecimento. Em sendo assim, o requisito exigido pelo art. 166 do CTN encontrase plenamente preenchido, já que a Recorrente, de fato, assumiu o encargo fiscal e financeiro que lhe foi, à época, exigido, não considerando o valor correspondente ao indébito tributário na sistemática nãocumulativa (apuração crédito/débito) do imposto em comento. (destaques no original) Assim, considerandose que, no caso em tela, encontramse, atualmente, presentes nos autos documentos que podem aferir a satisfação das condições necessárias ao pedido de restituição, voto por converter o julgamento em diligência para que a Unidade de Origem analise os documentos juntados, assim como, caso entenda necessário, intime a contribuinte a apresentar os originais e quaisquer outros documentos, a fim de elaborar relatório justificado e conclusivo sobre a restituição pleiteada do IPI vinculado. Por fim, deverá ser dada ciência à contribuinte dessa diligência e oportunizado prazo de 30 dias para, querendo, manifestarse. Após, os autos deverão retornar ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 351DF CARF MF
score : 1.0
