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Numero do processo: 10768.001966/2007-21
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Aug 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ACOMPANHADO DO PAGAMENTO. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA.
Inexistindo declaração prévia, apurado diferença do tributo e o pagamento integral acompanhado de juros de mora antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório do sujeito ativo, constitui verdadeira confissão de dívida e ao mesmo tempo pagamento, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Em sendo assim, a aprovação premial contida no instituto da denúncia espontânea excluí as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivas, nas quais se incluem as multas moratórias.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3403-001.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Robson José Bayerl, além de ter acompanhado o relator quanto ao mérito, chamou a atenção para o fato de o auto de infração ser nulo de pleno direito por inobservância do art. 10, VI, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que não constou o número da matrícula do atuante. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor Soares da Silva Cereja, OAB/RJ nº 168.314.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ACOMPANHADO DO PAGAMENTO. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. Inexistindo declaração prévia, apurado diferença do tributo e o pagamento integral acompanhado de juros de mora antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório do sujeito ativo, constitui verdadeira confissão de dívida e ao mesmo tempo pagamento, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138 do Código Tributário Nacional. Em sendo assim, a aprovação premial contida no instituto da denúncia espontânea excluí as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivas, nas quais se incluem as multas moratórias. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. O Conselheiro Robson José Bayerl, além de ter acompanhado o relator quanto ao mérito, chamou a atenção para o fato de o auto de infração ser nulo de pleno direito por inobservância do art. 10, VI, do Decreto nº 70.235/72, uma vez que não constou o número da matrícula do atuante. Sustentou pela recorrente o Dr. Victor Soares da Silva Cereja, OAB/RJ nº 168.314. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 19 66 /2 00 7- 21 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Ortiz Tranchesi. Relatório Trata o presente processo de auto de infração para exigir multa de mora e juros sobre pagamento a destempo relativamente aos períodos de apurações: 01/01/2004 a 31/01/2004, 01/03/2004 a 31/03/2004, 01/05/2004 a 31/05/2004, 01/06/2004 a 30/06/2004. Com vista uma apresentação sistemática e abrangente deste feito aproveitase do relatório da decisão recorrida a adiante transcrito: “Relatório. Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra o contribuinte acima identificado, relativo à multa de mora paga a menor no valor de R$ 1.601.199,88, e Juros pagos a menor de R$ 154,55, no total de R$ 1.601.354,43, referente ao pagamento em atraso da contribuição ao PIS, pertinente aos períodos de apuração 01/2004, 03/2004, 05/2004 e 06/2004 (fls. 83/94), em decorrência de auditoria interna efetuada pela DEFIS/RJO. Na Descrição dos Fatos (fls. 84), consta que a presente exigência originouse de auditoria interna nas DCTF apresentadas pelo sujeito passivo, tendo sido verificada a falta de pagamento da multa moratória calculada pertinente a contribuição ao PIS relativa aos períodos janeiro, março, maio e junho de 2004 recolhidas após o prazo de vencimento. O enquadramento legal da presente autuação encontrase especificado às fls. 84. Após tomar ciência da autuação em 04/04/2007 (fls. 96), a empresa autuada, apresentou a impugnação anexada às fls. 01/7 em 02/05/2007, alegando em síntese: 1. No mês de janeiro de 2004 houve um erro formal em sua contabilidade, gerando o recolhimento a menor relativo ao PIS no valor de R$ 7.938.908,25 (período de apuração — janeiro de 2004) cujo vencimento ocorreu em 13/02/2004; 2. Após ter detectado tal erro, antes do início de qualquer procedimento fiscal relativo a matéria em tela, efetuou a denúncia espontânea através de petição protocolada em 27/05/2004, processo n° 10768.101133/200416, juntando comprovante do referido pagamento, atualizado com juros da SELIC; Fl. 158DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.001966/200721 Acórdão n.º 3403001.980 S3C4T3 Fl. 8 3 3. O pagamento efetuado foi acrescido de juros de mora calculados com base na taxa SELIC, não tendo efetuado o pagamento da multa de mora, nem da multa de oficio em função do disposto no art.138 do CTN; 4. Ainda com relação ao mês de abril de 2004 houve um erro formal em sua contabilidade, gerando o recolhimento a menor relativa a PIS no valor de R$ 125.993,31, cujo vencimento ocorreu em 14/05/2004; 5. O erro foi detectado e recolhidos com denúncia espontânea igualmente aos períodos anteriores, sem o pagamento da multa de mora, nem multa de oficio em função do disposto no art.138 do CTN; 6. Quanto ao demais débitos houve erro nas DCTF's que foram corrigidos através de DCTF's retificadoras, sendo que os valores pagos de multa e juros foram calculados pelo SICAL e estão corretos; 7. Ressaltese que não foi possível efetuar os REDARF 's pois os DARF's estão vinculados aos respectivos débitos, e portanto, extintos no sistema da SRF, sendo anexados a presente impugnação os REDARF 's respectivos; A Delegacia da Receita Federal de Fiscalização do Rio de Janeiro, através do auto de infração em epígrafe autuou a impugnante cobrando o valor referente a multa moratória de 0,33% ao dia, com limite de 20%; 9. Oportuno salientar diversas decisões do Conselho de Contribuintes para comprovar que a multa moratória não é devida no caso de denúncia espontânea, sendo este também o entendimento do Superior Tribunal de Justiça; 10. Estando caracterizado o direito da impugnante em ter feito a denúncia espontânea sem o pagamento da multa moratória no valor de 0,33% ao dia com limite de 20% improcede o auto de infração; 11. Face ao exposto, demonstrada a insubsistência do auto de infração merece ser a presente impugnação acolhida e anulado o auto, por ser de merecia Justiça. Junto com a petição impugnatória, o contribuinte carreou aos autos cópia da petição apresentada na Denúncia Espontânea protocolada no processo n° 10768.101130/200482, cópia de DARF, cópia de Pedido de Retificação de DARF, Procuração, documentos de identidade e Estatuto Social. Consta juntado ao presente, o processo tf 10768.101129/200458 que trata de Denúncia Espontânea efetuada pelo contribuinte em tela”. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 O julgado de piso rechaçou a tese de denúncia espontânea, o Acórdão assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO MULTA DE MORA . DENÚNCIA ESPONTÂNEA Cabível multa de mora sobre valores pagos em atraso, visto que a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, aplicase apenas às multas de lançamento de ofício, de caráter punitivo, não afetando aquelas derivadas do adimplemento da obrigação tributária fora do prazo legal”. Em razões recursais reprisa os argumentos tecidos na fase de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. O recurso é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, impõe conhecer. O cerne da questão trazida no bojo deste caderno processual administrativo se refere ao pagamento do tributo não declarado e antes de procedimento fiscal usufruir do benefício da denúncia espontânea prevista pelo art. 138 do Código Tributário Nacional. Essa matéria encontra pacificada nesta seara administrativa, bem como pelos tribunais pátrios. Já se assentou entendimento no sentido de que não havendo procedimento fiscal em curso o pagamento efetivado e não declarado anteriormente encontra albergado pela norma do art. 138 do CTN. No caso em tela a contribuinte apurou diferenças em sua contabilidade e imediatamente recolheu o principal acrescido de juros calculados pela Taxa Selic no sistema Sical da Receita Federal do Brasil. Em seguida comunicou a autoridade fazendária por meio de petição e fazendo acompanhar dos respectivos DARF, prova contundente do pagamento. Posteriormente a comunicação foi emitida auto de infração parametrizado exigindo a multa de mora e diferença de juros, o que restou resistido por meio da Impugnação. O entendimento pacificado pelo STJ é de que ocorrendo pagamento antes da confissão do débito e de procedimento fiscal, aplicase a norma do 138 do CTN, conforme dispõe: “Art. 138 – A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração”. “§ único. Não se considera espontânea a denúncia apresenta após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração”. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.001966/200721 Acórdão n.º 3403001.980 S3C4T3 Fl. 9 5 O Superior Tribunal de Justiça ao examinar essa querela sob a ótica do Artigo 543C, do CPC assim decidiu: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543“ “Tributário. IRPJ e CSLL. Tributos sujeitos a lançamento por homologação. Declaração parcial de débito tributário acompanhado do pagamento integral. Posterior retificação da diferença a maior com a respectiva quitação. Denúncia espontânea. Exclusão da multa moratória. Cabimento. 1 – A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2 – Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da mula moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer parcelamento do Fisco (Súmula 360/STJ (Precedentes da Primeira /seção submetidos ao rito do artigo 543C do CPC; REsp 886.462/RS, rel. Ministro Teori Albino Zavascki, j. 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RJ, rel. Ministro Teori Albino Zavascki, j. 22.10.2008. 3 – É que a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte (REsp 850.423/SP, rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, j. 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4 – Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto n o artigo 138, do CTN. 5. – In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, Fl. 161DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional. 6 – Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em visto a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7 – Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea excluí as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8 – Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008” (STJ, 1ª S. REsp 1149022/SP, rel. Min. Luiz Fux, DJe 24.06.2010)”. Comentando sobre o assunto na 5ª edição do Código Tributário Nacional comentado de coordenação do professor Vladimir Passos de Freitas, pág. 736/737, ensina: “Aos infratores o CTN concede uma oportunidade para que se redimam, através do instituto da denúncia espontânea. Assim, se voluntariamente confessarem a violação ao Fisco, ficam livres do pagamento de qualquer penalidade. Se, em face da contrariedade à lei, não tiver havido recolhimento de tributo, a denúncia apenas surtirá efeito se for acompanhada do correspondente pagamento, acrescido de juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando não for possível, de logo, se apurar o quantum debeatur. A declaração da falta cometida tem que ser livre de qualquer pressão, de maneira que, se for formulada após o início de procedimento administrativo ou fiscalização, relacionados com a infração, igualmente não gerará as conseqüências do art. 138, cabendo ao sujeito passivo arcar com as sanções impingidas. A corrente que o julgador de piso se filiou ao decidir a questão não encontra eco junto aos juristas renomados. Na mesma obra aqui citado, ao comentar o assunto assim dispôs: “Ocorrendo a denúncia espontânea, há quem faça distinção entre as chamadas multas fiscais (também ditas punitivas) e as moratórias, de maneira a excluir as primeiras, mantendo as segundas. A justificativa seria que estas últimas teriam caráter indenizatório. Não penso assim. A multa aplicada no âmbito do Direito Tributário, seja de que natureza for, tem feição sancionatória e, como tal, seria atingida pelo art. 138, que, de modo, explícito, menciona que a responsabilidade por infrações é relevada quando a falta for espontaneamente declarada, acompanhada do “pagamento do tributo devido e dos juros de mora”, nada dispondo acerca da quitação quanto às multas. Se fosse intenção do legislador retirar do benefício as multas de cunho moratório, certamente teria feito de forma expressa. Assim não tendo laborado, não cabe ao interprete distinguir, conforme regra básica de hermenêutica”. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10768.001966/200721 Acórdão n.º 3403001.980 S3C4T3 Fl. 10 7 Extraíse das cópias dos DARF juntados que todos os pagamentos ocorreram em 2004, bem como, a comunicação a Receita Federal deuse em 17 de agosto de 2004 e o auto de infração foi lavrado em 07 de março de 2007. Portanto, está evidente quando do pagamento da diferença do tributo apurado ainda não existia ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório específico em relação ao débito quitado. Acompanhando as razões traçada pelo STJ de que o benefício do instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades de caráter pecuniárias, que são eminentemente punitivas, acolher a sustentação manifestada pela Recorrente e afastar a exigência da multa de mora. Assim, aplicase por força normativa interna e contido no 62A do regimento o que restou decidido no Resp nº 886.462/RS A outra discussão se refere aos juros que a contribuinte insiste em afirmar que está correto por ter efetuado o cálculo no próprio sistema disponibilizado pela RFB em sitio conhecido como “sical”. A distorção no cálculo dos juros de mora pode estar vinculada a data em que a Recorrente calculou e recolheu o tributo e a data da lavratura do auto de infração, 07.03.2007. Forte nessa convicção que o auto de infração trata de diferença. Em que pese poder esse fato ser apurado em execução, pois o auto de infração ao deixar de informar se os juros estão calculados até a data da lavratura, de modo que o contribuinte não consegue identificar, bem como esse Julgador. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o recurso e dar provimento para afastar a multa moratória. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 163DF CARF MF Impresso em 13/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 26/07/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/07/2013 por DOMINGOS DE SA FILHO
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Numero do processo: 13831.000384/2003-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
ANO-CALENDÁRIO: 1998
DECADÊNCIA. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543-C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.
NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01.
Recurso Voluntário não provido.
Numero da decisão: 3202-000.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se
impedido.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, entendeu que o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do inciso I do artigo 173 do CTN, e não de acordo com o § 4º do artigo 150, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Em face da unidade de jurisdição, a existência de ação judicial proposta pelo contribuinte, versando sobre o mesmo objeto, importa renúncia às instâncias do contencioso administrativo. Súmula CARF No. 01 Recurso Voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. José Luiz Novo Rossari – Presidente Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Rodrigo Cardozo Miranda, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri e Octávio Carneiro Silva Corrêa. Relatório O presente litígio decorre de lançamento de ofício, veiculado através de Auto de Infração eletrônico (fls. 21/31), para a cobrança do IPI e acréscimos legais, em decorrência da apuração de falta de recolhimento do tributo nas saídas de açúcar do estabelecimento da Recorrente (CNPJ No. 61.149.589/014643), no período de abril a dezembro de 1998, sendo exigido o crédito tributário no valor total de R$ 1.349.360,63. A empresa apresentou Impugnação em 15/09/2003 (fls. 1/ss), onde alegou, em síntese: a nulidade do auto de infração lavrado, uma vez que o Fisco estaria impossibilitado de proceder ao lançamento com a imposição de penalidades, tendo em vista a existência de medidas judiciais suspensivas da exigibilidade do crédito; a decadência quanto aos fatos geradores ocorridos até julho/98, considerandose que os fatos geradores ocorreram entre abril e dezembro/98 e que foi intimada do lançamento em 01/07/03; que todo o período autuado encontrase amparado com medida suspensiva, em função de terem sido impetrados Mandados de Segurança em nome de vários estabelecimentos da empresa que operam no Estado de São Paulo, inclusive daquele autuado, conforme documentos anexados aos autos; no mérito, aduz que houve ilegitimidade da exigência do IPI, em razão da manifesta inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência do IPI sobre saídas de açúcares, por violação dos princípios da seletividade e da uniformidade, pelo desvio da finalidade, pela falta de motivação do ato administrativo; a ilegitimidade do acréscimo da SELIC; Fl. 207DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13831.000384/200381 Acórdão n.º 3202000.490 S3C2T2 Fl. 194 3 A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, julgou procedente em parte o lançamento, proferindo o Acórdão nº 1425.028 (fls. 172/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI ANOCALENDÁRIO: 1998 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento do IPI, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. MULTA. LIMINAR. LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PREVENÇÃO. No lançamento destinado à constituição do crédito tributário para prevenir a decadência, cuja exigibilidade esteja suspensa em razão de medida liminar, excluise a aplicação da multa de oficio. JUROS DE MORA. EXIGIBILIDADE. São exigíveis os juros de mora em lançamento com a exigibilidade suspensa, exceto na hipótese de depósito do montante integral. MEDIDA JUDICIAL. LANÇAMENTO. A medida judicial, embora suspenda a exigibilidade do crédito tributário, apenas impede que a Fazenda Pública pratique atos executórios tendentes a cobrar o seu crédito, mas não tem o condão de impedir a sua constituição. AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. Lançamento Procedente em Parte Cientificada da decisão de primeira instância administrativa, em 30/09/2009 (fl. 180), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 15/10/2009 (fls. 181/ss), onde repisa o argumento, já trazido em sua Impugnação, quanto à decadência parcial do crédito tributário lançado. Em seu Recurso o contribuinte afirma que deve ser reformada a decisão de primeira instância para que seja reconhecida a decadência parcial. Alega que o Auto de Fl. 208DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 Infração abrange o IPI supostamente recolhido a menor no período de abril a dezembro de 1998, sendo que a ciência do Auto de Infração ocorreu em 01/07/2003, resulta, então, no seu entendimento, que as parcelas relativas a fatos ocorridos há mais de cinco anos (ou seja, até 01/7/1998) restaram atingidas pela decadência. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo e atente os pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. Nesta instância administrativa, portanto, resta apenas a análise da decadência parcial alegada pelo Recorrente, uma vez que é fato amplamente demonstrado nos autos, que a Recorrente impetrou ações judiciais (vide documentos anexados às folhas 44 a 143 dos autos) para buscar guarida ao seu alegado direito de não recolhimento do IPI nas saídas de açúcar. A autoridade fiscal da DRFMarília, em despacho anexado à folha 161 dos autos, confirma a existência destas ações judiciais, assim como, a própria Recorrente informa a existência destas ações, tanto em sua Impugnação (fls. 1/ss) como em seu Recurso Voluntário (fls. 181/ss). O Ato Declaratório (Normativo) n° 3, de 14 de fevereiro de 1996, da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação, prevê que, havendo coincidência entre razões de impugnação e o objeto da impetração da ação em mandado de segurança, devem ser observadas as seguintes disposições: a) a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial – por qualquer modalidade processual , antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto; b) conseqüentemente, quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada (por exemplo, aspectos formais do lançamento, base de cálculo, etc); c) no caso da letra "a", a autoridade dirigente do órgão onde se encontra o processo não conhecerá de eventual petição do contribuinte, proferindo decisão formal, declaratória da definitividade da exigência discutida ou da decisão recorrida, se for o caso, encaminhando o processo para a cobrança do débito, ressalvada a eventual aplicação do disposto no artigo 1.19 do CTN. d) na hipótese da alínea anterior, não se verificando a ressalva ali contida, procederseá a inscrição em Dívida Ativa, deixandose de fazêlo, para aguardar o pronunciamento judicial, somente quando demonstrada a ocorrência do disposto nos incisos II (depósito do montante integral do débito) ou IV (concessão de medida liminar em mandado de segurança), do artigo 151, do CTN, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13831.000384/200381 Acórdão n.º 3202000.490 S3C2T2 Fl. 195 5 e) é irrelevante, na espécie, que o processo tenha sido extinto, no Judiciário, sem julgamento do mérito (artigo 267 do CPC). Tal dispositivo encontrase em consonância com o princípio constitucional da unidade de jurisdição, consagrado no art. 5o, inciso XXXV da Constituição Federal de 5 de outubro de 1988, segundo o qual a decisão judicial sempre prevalece sobre a administrativa. Portanto, no tocante à matéria relativa ao direito de não recolhimento do IPI nas saídas de açúcar, portanto, há identidade de matéria e de partes, entre o presente processo administrativo e os processos judiciais. Deste modo, quando impetrou a(s) ação(ões) judicial(is), a Recorrente fez a opção pela via judicial, abdicando, assim, da via administrativa para a solução do litígio fiscal, nesta matéria. Este é o teor da Súmula CARF No. 01, verbis: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. O artigo 72 do Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF no. 256 de 22/06/2009) prescreve que as Súmulas aprovadas são de observância obrigatória pelos membros do CARF. Quanto à decadência parcial arguida pela Recorrente, entendo que não merece reparo a decisão recorrida. O direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário relativo ao IPI, por meio do lançamento de ofício, nos casos de não recolhimento do imposto, está previsto no artigo 173, I do CTN, verbis: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Descabe, no caso em tela, a aplicação do art. 150, § 4º, do CTN, vez que não há pagamento a ser homologado, logo, não há o que a Administração Tributária homologar, motivo por que a regra da contagem do prazo decadencial aplicável deve ser a regra geral do art. 173, inciso I, do CTN, iniciandose, por conseguinte, a contagem do prazo decadencial, a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do que já decidiu o Superior Tribunal de Justiça – STJ. O Egrégio Superior Tribunal de Justiça, inclusive, já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “Recursos Repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO Fl. 210DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 6 PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal o entendimento de que, nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação e não há pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no inciso I do artigo 173 do CTN, e não no § 4º do artigo 150 do mesmo Código. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13831.000384/200381 Acórdão n.º 3202000.490 S3C2T2 Fl. 196 7 Verificase, assim, que a referida decisão do STJ deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do que dispõe os artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Em se tratando de tributo cujo vencimento mais remoto foi o dia 20/04/1998, o lançamento só poderia ocorrer a partir de 21/04/1998. O primeiro dia do exercício seguinte era, portanto, 01/01/1999, a partir do qual, contandose cinco anos do referido prazo, seu término se daria em 01/01/2004. Cientificada a Recorrente dentro desse prazo, em 07/07/2003, não ocorreu a decadência. Concluise, portanto, que não houve a decadência parcial alegada pela Recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 212DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por RUY DE AZEVEDO BASTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 09/05/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
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Numero do processo: 10580.721043/2009-49
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO.
Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese.
JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça noS Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543-C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62-A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial
Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes.
Numero da decisão: 2802-001.840
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para re-ratificar o acórdão 2802-001.068, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$32.001,11, em cada um dos anos-calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Redator designado.
EDITADO EM: 18/07/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ALEGAÇÃO DE OMISSÃO NA DECISÃO RECORRIDA, POR FALTA DE ANÁLISE DA TESE DE NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO SOBRE JUROS DE MORA RECEBIDOS PELO CONTRIBUINTE EM RENDIMENTOS RECEBIDOS A DESTEMPO. RECURSO DE QUE SE CONHECE QUANTO A ESTE FUNDAMENTO. Não tendo sido enfrentada a alegação de não incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia, é de se acrescer à decisão recorrida fundamentação no sentido do cabimento de tal tese. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE VERBAS TRABALHISTAS PAGAS EM FUNÇÃO DE DECISÃO JUDICIAL. RECURSO ESPECIAL EDCL NO RESP 1227133 / RS, JULGADO EM REGIME DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça noS Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial Embargos acolhidos parcialmente com efeitos infringentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 10 43 /2 00 9- 49 Fl. 300DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade ACOLHER EM PARTE os Embargos de Declaração para reratificar o acórdão 2802001.068, de 29 de setembro de 2011, e excluir da tributação os valores de R$32.001,11, em cada um dos anos calendários, discriminados como juros de mora, bem como a multa de ofício, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (relatora), German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Carlos André Ribas de Mello. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Redator designado. EDITADO EM: 18/07/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dayse Fernandes Leite Relatora), Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), Carlos André Ribas de Mello (Redator designado), Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros e German Alejandro San Martin Fernandez. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração com fulcro no artigo 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº. 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão 2802 001.068, de 29 de setembro de 2011, fls. 81/86. de lavra desta relatora, cuja ementa abaixo se transcreve: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa IRPF. ABONO PERCEBIDO PELOS INTEGRANTES DA MAGISTRATURA DO ESTADO DA BAHIA (LEI ESTADUAL nº. 8.730, de 08 de setembro de 2003) As verbas percebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda. Precedentes do C. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10580.721043/200949 Acórdão n.º 2802001.840 S2TE02 Fl. 11 3 STJ e deste E. Sodalício. JUROS DE MORA. Sobre tributo pago em atraso incidem juros de mora conforme previsão legal, não sendo lícito ao julgador administrativo afastar a exigência. MULTA DE OFÍCIO. ERRO ESCUSÁVEL. Se o contribuinte, induzido pelas informações prestadas por sua fonte pagadora, que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos, incorreu em erro escusável quanto à tributação e classificação dos rendimentos recebidos, não deve ser penalizado pela aplicação da multa de ofício.Recurso Provido em Parte Cientificado dessa decisão em 23/05/2012 (fls. 300), o recorrente apresentou o presente recurso tempestivamente, em 24/05/2012, nos termos artigo 65, § 1º, do RICAF, onde alegou, em síntese, omissão do acórdão no que tange: a) nulidade do lançamento , motivada pela forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado; b) não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; c) natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; d) da ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e e) violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 150, inciso II, da Constituição Federal). Voto Vencido Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora. Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à classificação indevida de rendimentos tributáveis na declaração de ajuste anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. O acórdão embargado, por unanimidade de votos rejeitou as preliminares e, no mérito, deu provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 4 Na fase recursal, em preliminar a recorrente solicita a reabertura em primeira instância, onde deve ser analisada e decidida as mesmas matérias já apresentadas na fase impugnatória e recursal, quais sejam; a) nulidade do lançamento , motivada pela forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado; b) não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios e/ou compensatórios; c) natureza indenizatória dos valores (diferenças de URV) pagos em atraso; d) da ilegitimidade da União para cobrar imposto de renda que pertence, por determinação constitucional, ao Estado; e e) violação ao princípio constitucional da isonomia (art. 150, inciso II, da Constituição Federal). E, nessa conformidade, quando superou a preliminar de ilegitimidade ativa da União Federal, a decisão de primeira instância demonstrou suficientemente que a exigência contida nos autos se refere ao imposto de renda incidente sobre rendimentos da pessoa física e não ao IRRF que deixou de ser retido indevidamente pelo Estado da Bahia. Deste modo, tanto a exigência do tributo, quanto o julgamento do presente lançamento fiscal, é da competência exclusiva da União. Ainda, esclareceu que as nulidades argüidas sobre a decisão de primeira instância se repetiam nas razões do voluntário, de sorte a rejeitálas sob os mesmos argumentos. Para evitar qualquer argüição quanto a não apreciação do pleito de ilegitimidade ativa da União Federal para exigir imposto de renda retido na fonte, é de ressaltar que a prerrogativa dada pelo artigo 157, I, da Constituição Federal, aos Estados, em arrecadar em definitivo o IRRF sobre rendimentos pagos, a qualquer título, por eles, suas autarquias e pelas fundações que instituírem e mantiverem, apenas implica em dispositivo relativo a repartição constitucional de receitas tributárias, sem qualquer implicação quanto à legitimidade ativa da União para exigir o IRPF por meio de Auto de Infração. Nesse sentido, Leandro Paulsen: "O art. 157, I e o art. 158, I, são dispositivos que tratam da repartição de receitas tributárias. Não cuidam, de modo algum, de distribuição de competência tributária. A competência para instituição do IR é da União (art. 153, III), que o faz por lei federal. O sujeito ativo é, também, a União, sendo tal tributo administrado pela SRF. Os Estados, o DF e os Municípios são simples destinatários do produto da arrecadação do imposto que incide na fonte sobre a renda e proventos pagos por eles. Nesses casos, aliás, os Estados, DF e Municípios figuram enquanto substitutos tributários (obrigados à retenção e ao recolhimento do IR na qualidade de empregadores como qualquer outra pessoa jurídica), mas, em seguida à retenção, em vez de recolherem em favor da União, farão o recolhimento em seu próprio favor em face de serem destinatários constitucionais da respectiva receita." (Direito Tributário Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, Livraria do Advogado Editora, 12ª edição, 2010, pág. 419). No mesmo sentido, TRF da 3ª Região (processo n. 001215787.2003.4.03.6108, j. em 30/03/2011. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10580.721043/200949 Acórdão n.º 2802001.840 S2TE02 Fl. 12 5 Outro ponto muito bem combatido na decisão de primeira instância e ratificado no acórdão embargado foi incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratórios. Nos julgados ficou claramente explicitado o entendimento de que esses valores foram recebidos em decorrência de diferenças não recebidas durante o interregno antes mencionado, e que foram recompostos por decisão judicial, têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária. Tal entendimento está disciplinado no artigo 56 do Decreto 3.000 de 1999, transcrito no julgado de primeira instância e fartamente ilustrado no acórdão embargado, conforme podese constatar pela transcrição das jurisprudências abaixo:: Com efeito, em que pese a expressa qualificação legal dada aos rendimentos pela lei baiana, o C. Superior Tribunal de Justiça tem reiteradamente decidido, em casos análogos que os valores referentes ao pagamento da diferença da URV (11,98%) têm natureza remuneratória, constituindo, assim, fato gerador do imposto de renda, nos termos do art. 43, inciso I, do CTN (RMS nº 19.088/DF, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJ de 20/04/2007; RMS nº 19.089/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 20/02/2006; RMS nº 19.196/MS, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ de 30/05/2005; RMS 27.847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/08/2010, DJe 16/08/2010; AgRg no Ag 1281129/PE, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 22/06/2010, DJe 01/07/2010; ). Esse posicionamento foi reafirmado em recente julgado da Segunda Turma, Relator Ministro Herman Benjamin, cuja ementa é a seguir transcrita: TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DIFERENÇA SALARIAL DECORRENTE DA CONVERSÃO DA URV (11,98%). INCIDÊNCIA. 1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça firmouse no sentido de que as verbas percebidas por servidores públicos resultantes da diferença apurada na conversão de suas remunerações da URV para o Real têm natureza salarial e, portanto, estão sujeitas à incidência de Imposto de Renda e de Contribuição Previdenciária. 2. Agravo Regimental não provido. AgRg no REsp 1235069/MA AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2011/00175830. j. em 24/05/2011 . DJe 30/05/2011. Pela clareza do quanto decidido, transcrevo trecho de voto do Ministro José Delgado, no RMS 19.196/MS, a seguir: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 6 “8. Infere se dos autos que as quantias foram pagas em razão das diferenças retroativas da URV, devidamente corrigidas pelo IGPMFGV, referentes ao período de 01 de janeiro de 1996 a 31 de dezembro de 2000, que corresponde aos cinco anos anteriores à decisão em que foi reconhecido o pagamento correspondente a 11,98% (onze vírgula noventa e oito por cento) decorrentes da implantação da URV. 9. Ora, vê se claramente que as quantias foram recebidas em decorrência de diferenças não recebidas durante interregno antes mencionado, e que foram recompostas por decisão judicial. 10. Evidente, pois, que tais verbas são derivadas de benefício nitidamente salarial. 11. A incidência da tributação deve obediência estrita ao princípio da legalidade, e, conforme bem esposado pelo Exmo. Des. Relator do acórdão recorrido, a definição prevista no inciso I, do artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque, as quantias percebidas pelos recorridos são produto do trabalho, e do trabalho não nascem indenizações. 12. Ademais, o conceito de acréscimos patrimoniais abarca salários e abonos e vantagens pecuniárias.(...)” Logo, ainda que recebidas em virtude de decisão judicial, insuficiente a qualificação de verbas indenizatórias dada pelo art. 2º da Lei Estadual da Bahia nº 20/2003, para excluir os rendimentos recebidos (principais e acessórios) da tributação pelo imposto de renda pessoa física, sob pena de ofensa à universalidade a que se refere o § 1o do artigo 43 do CTN e inciso I, § 2º, do artigo 153 da CF/88 (“A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento ...”). Ora, o fato de o Acórdão embargado ter entendido que as preliminares suscitadas pelo sujeito passivo ( ilegitimidade ativa da União Federal, nulidade do lançamento em decorrência de forma inadequada de apuração da base de calculo do tributo lançado. ) e como matéria de mérito a não incidência do Imposto de Renda sobre os juros moratório se ,foi suficientemente combatida na decisão de primeira instância e adotar como razão de decidir os mesmos fundamentos nela contido, não pode ser visto como uma omissão no acórdão embargado, a uma porque não há qualquer omissão no acórdão guerreado, que adotou como razão de decidir o mesmo entendimento explicitado, na decisão de primeira instância para a rejeição das preliminares argüidas pela recorrente; e a duas porque o órgão julgador não está obrigado a se manifestar sobre todos os argumentos expostos pelas partes (AgRg no Ag 1401739/RJ. DJe 29/06/2011) desde que adote fundamentação suficiente para o efetivo julgamento da lide. Logo, é de se constatar que houve a sucinta, porém, suficiente abordagem, sendo desnecessário exigir do órgão julgador fundamentação exaustiva, conforme pretendido. . Fl. 305DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE Processo nº 10580.721043/200949 Acórdão n.º 2802001.840 S2TE02 Fl. 13 7 No caso em debate, a Turma entendeu que as matérias argüidas como preliminares pela contribuinte, foram suficientemente abordadas, na decisão de primeira instância. Daí não se pode, na via dos embargos, querer obrigar a Turma a decidir de acordo com o pleiteado pela parte. Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 2802001.068, de 29 de setembro de 2011, fls. 81/86., razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Voto Vencedor Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Redator designado. Em que pese o judicioso voto da Conselheira Relatora, a quem presto minhas homenagens, dele ouso divergir em uma pequena parte, por entender que a questão veiculada pelo Embargante em seu Recurso Voluntário acerca da incidência do IRPF sobre os juros moratórios decorrente do pagamento a destempo das verbas pagas pelo Estado da Bahia não foi devidamente apreciada quando do julgamento do recurso voluntário do Embargante. Com efeito, o Embargante pede a expressa manifestação desta Turma sobre esta tese, citando inclusive entendimento jurisprudencial que possui efeitos normativos de efeitos vinculantes aos conselheiros do CARF, segundo o art. 62A do seu Regimento Interno. E neste sentido, nos termos da decisão do Superior Tribunal de Justiça noS Embargos de Declaração no Recurso Especial nº 1.227.133/RS, proferido em 23 de novembro de 2011, Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial, o qual, tendo sido julgado sob o rito do art. 543 C do Código de Processo Civil, é de observância obrigatória para os membros deste Colegiado (art. 62A do Regimento Interno do CARF), deve ser excluído da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora das parcelas de natureza remuneratória pagas a destempo, pois os valores correspondem a pagamento de acréscimo de remuneração paga em função devida pelo trabalho de decisão judicial. Conforme a Lei Estadual que autorizou o pagamento das verbas decorrentes de diferenças na remuneração da Embargante, está expressamente consignado que o mesmo se dá em função de uma decisão em processo judicial, consoante consigna a Ementa do Acórdão embargado. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE 8 Isto posto, voto no sentido de acolher em parte os Embargos, e excluir da tributação os valores de R$32.001,11, em cada um dos anoscalendários, discriminados como juros de mora, bem como a respectiva multa de ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/ 07/2013 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAYSE FERNANDES LEITE
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Numero do processo: 13888.722417/2011-00
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Ano-calendário: 2007, 2008
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Aplica-se aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS, tudo quanto fora decidido sobre o lançamento do IRPJ, tendo em vista que derivam das mesmas circunstâncias fáticas e do mesmo conjunto probatório.
MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO.
A omissão de receitas operacionais apurada por meio de circularização de clientes caracteriza prova indireta, sendo, portanto, presunção incapaz de caracterizar o dolo, fraude ou simulação para fins de qualificação da multa de ofício prevista no art. 44, inc. II, alínea a, da Lei n. 9.430/96.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Não logrando a contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários, há que ser mantido os lançamentos com base nas receitas presumivelmente omitidas, por força do disposto no art. 42 da Lei 9.430/96.
MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO. DEPÓSITO BANCÁRIO.
Deve ser reduzido o percentual de multa de ofício, de 150% para 75%, uma vez que a omissão de receita decorre unicamente da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, razão pela qual, há que se aplicar in casu o disposto na Súmula CARF nº 25.
Numero da decisão: 1302-001.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, para desqualificar as multas de ofício aplicadas, reduzindo-as para o percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto S. Jr. e Eduardo de Andrade, que davam provimento em menor extensão para desqualificar tão-somente a multa relativa aos lançamentos decorrentes de omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
MÁRCIO RODRIGO FRIZZO - Redator designado.
EDITADO EM: 28/06/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Márcio Rodrigo Frizzo e Alberto Pinto S. Jr..
Matéria: 18
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Recorrente Transportadora Perdigão Ltda Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1998 OMISSÃO DE RECEITA OPERACIONAIS. Os comprovantes de pagamentos feitos ao contribuinte por seu cliente, bem como os conhecimentos de transporte rodoviário de cargas emitidos pelo contribuinte, são provas diretas da omissão de receita, uma vez verificado que tais receitas não foram oferecidas à tributação. MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO. A omissão de receitas operacionais apurada por meio de circularização de clientes caracteriza prova indireta, sendo, portanto, presunção incapaz de caracterizar o dolo, fraude ou simulação para fins de qualificação da multa de ofício prevista no art. 44, inc. II, alínea “a”, da Lei n. 9.430/96. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Não logrando a contribuinte comprovar a origem dos depósitos bancários, há que ser mantido os lançamentos com base nas receitas presumivelmente omitidas, por força do disposto no art. 42 da Lei 9.430/96. MULTA DE OFÍCIO. DESQUALIFICAÇÃO. DEPÓSITO BANCÁRIO. Deve ser reduzido o percentual de multa de ofício, de 150% para 75%, uma vez que a omissão de receita decorre unicamente da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, razão pela qual, há que se aplicar in casu o disposto na Súmula CARF nº 25. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 SIMPLES. EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 24 17 /2 01 1- 00 Fl. 942DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 2 Demonstrada a prática reiterada de infração à legislação tributária, deve ser mantida a exclusão do contribuinte do Simples, desde o primeiro mês que ocorreu a infração. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2007, 2008 LANÇAMENTOS DECORRENTES. Aplicase aos lançamentos da CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS, tudo quanto fora decidido sobre o lançamento do IRPJ, tendo em vista que derivam das mesmas circunstâncias fáticas e do mesmo conjunto probatório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado, para desqualificar as multas de ofício aplicadas, reduzindoas para o percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros Alberto Pinto S. Jr. e Eduardo de Andrade, que davam provimento em menor extensão para desqualificar tãosomente a multa relativa aos lançamentos decorrentes de omissão de receita com base em depósitos bancários de origem não comprovada. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio Rodrigo Frizzo. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. MÁRCIO RODRIGO FRIZZO Redator designado. EDITADO EM: 28/06/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Guilherme Pollastri, Luiz Tadeu Matosinho, Márcio Rodrigo Frizzo e Alberto Pinto S. Jr.. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntáio interposto pela contribuinte em face do Acórdão no 1437.631 da 5a Turma da DRJ/POR, o qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra o Ato Declaratório de Exclusão do Simples, ficando mantida a exclusão do Simples a partir de 01/01/2007, como também, julgou improcedente a Impugnação contra os Auto de infração, ficando, em conseqüência, mantida a exigência tributária tal como foi constituída. Em sua peça impugnatória, a contribuinte apresenta as seguintes razões de defesa: Fl. 943DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13888.722417/201100 Acórdão n.º 1302001.057 S1C3T2 Fl. 943 3 a) que a decisão de primeiro grau feriu literalmente o princípio da ampla defesa e do contraditório ao decidir pela desnecessidade da realização de perícia contábil; b) que só os depósitos bancários não são suficientes para decidir sobre a omissão de receitas; c) que deve ser modificada a decisão que concluiu pela omissão de receita com base na presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96, quando encontrou a diferença entre os demonstrativos mensais de valores pagos pela Química Amparo e o valor declarado, pela simples razão de que o cálculo foi aritmética comum, logo o depósito bancário não é de origem não identificada, pois sabiase que era dda Química Amparo; d) que o simples levantamento dos depósitos bancários não serve como cálculo para base do imposto, pois como o próprio nome diz, imposto sobre a renda, assim, os depósitos não podem ser vistos como receita presumida e somente a renda desses depósitos é que deve ter a incidência do imposto, eis aí a razão do pedido de perícia contábil para determinar a real renda destes depósitos, na medida em que valores encontrados nas contas bancárias da pessoa jurídica compõem o capital de giro da mesma; e) o IRPJ lançado por arbitramento está totalmente equivocado, já que os valores foram extraídos dos extratos bancários da recorrente, valores esses que não podem servir de base de cálculo, já que não se trata de aquisição patrimonial; f) em momento algum os julgadores de primeira instância “consideraram a ocorrência do incêndio que destruiu todos os documentos contábeis do período, não havendo como comprovar a inexistência de lucro, fato esse que deve ser considerado e declarado inexistente qu qualquer lucro no período de 2007/2008”[sic]; g) que o que ocorreu foi um acidente, portanto deve ser acatado como justificativa pela não entrega dos documentos e em hipótese alguma lançar qualquer imposto sem a devida comprovação, deixando a recorrente senta de qualquer responsabilidade tributária; h) em prevalecendo o Ato Declaratório 57/2011, que excluiu a recorrente do regime do Simples, e com o arbitramento apresentado, o Fisco estará infrigindo as regras da moralidade pública e do fato gerador; i) que o Ato Declaratório 57/2011 deve ser declarado nulo por direito, já que sua aplicação está surtindo efeito mesmo antes de exaurida todas as vias de defesa, como o arbitramento sem qualquer documento probatório, o arrolamento dos bens da recorrente, os reflexos na Cofins, Pis, previdência e multa; j) que não há falar em prática reiterada de infração, não existem documentos hábeis para se comprovar tal alegação, os documentos foram destruídos durante o incêndio. É o relatório. Voto Vencido Fl. 944DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 4 Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso voluntário da contribuinte atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, cabe ressaltar que, na sua peça recursal, a contribuinte não se insurge sobre qualquer aspecto formal do Ato Declaratório 57/2011, pois aduz apenas argumentos contra os lançamentos em tela, os quais, logicamente, caso acatados, maculariam também o referido ato, já que a exclusão do Simples foi fundamentada na prática reiterada de infrações tributárias, objeto dos autos de infração em tela. Por sua vez, os efeitos decorrentes do Ato de Declaratório, antes mesmo de exaurida a defesa administrativa, decorre de expressas determinações legais, pois o arrolamento de bens, como providência de natureza cautelar, deve observar apenas o previsto no art. 64 da Lei nº 9.532/97. Outrossim, o direito potestativo de o Fisco efetuar os lançamentos dos tributos e multas não se interrompe nem se suspende em função da manifestação de inconformidade em face do ato declaratório de exclusão do Simples, apenas os créditos neles constituídos ficam com a exigibilidade suspensa até a decisão final na esfera administrativa. Nesse sentido, o Pleno do CARF aprovou a Súmula nº 77, cujo verbete assim dispõe: “A possibilidade de discussão administrativa do Ato Declaratório Executivo (ADE) de exclusão do Simples não impede o lançamento de ofício dos créditos tributários devidos em face da exclusão.” A contribuinte equivocase quando alega que seria necessária perícia contábil para determinar a real renda derivada dos depósitos bancários. Ora, a presunção legal de omissão de receita baseada em depósito bancários de origem não identificada, de que trata o art. 42 da Lei 9430/96, já determina que se considere tais valores como receitas. Tratase de uma presunção juris tantum, ou seja, que admite prova em contrário, mas o ônus de tal prova caberia à contribuinte, a qual não logrou prova que tais valores não eram receitas. Ademais, no presente caso, houve necessidade de se arbitrar o lucro, pela impossibilidade de apuração do lucro real – conforme a seguir tratado, de tal forma que a legislação já determina como se chegar, a partir do valor das receitas brutas conhecidas e dos demais rendimentos às bases tributáveis do IRPJ (renda) e da CSLL, o que torna qualquer perícia contábil in casu totalmente dispensável. Assim, os depósitos bancários não identificados não são rendas, mas receitas segundo a presunção legal, as quais compuseram as bases arbitradas do IRPJ e da CSLL, seguindo o figurino legal. Logo, afasto a preliminar suscitada, pois entendo incabível o pedido de perícia contábil neste caso. No Termo de Constatação Fiscal (Relatório do Trabalho Fiscal) a fls. 619/620, a autoridade fiscal explica as razões que levaram ao arbitramento do lucro: “De acordo com as Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica Simples PJSI referente ao período entre 01/01 e 30/06/2007 (em anexo), o contribuinte era optante pelo regime tributário “Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte – SIMPLES”, instituído pela Lei nº 9.317 de 05/12/1996, programa no qual estava inscrito desde 1997, e passou a exercer a opção pelo LUCRO PRESUMIDO a partir de 01/07/2007. A opção pelo Simples deuse em 01/01/1997, conforme registro no cadastro CNPJ (anexo). A opção pelo Lucro Presumido ocorreu com o pagamento do Fl. 945DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13888.722417/201100 Acórdão n.º 1302001.057 S1C3T2 Fl. 944 5 IRPJ e da CSLL sob esta forma de tributação, nos termos do Art. 26, Inciso 1º da Lei nº 9.430/96. ............................................................................................................................. A empresa, conforme descrito no item II acima, apesar de intimada não apresentou à fiscalização os documentos relacionados à sua movimentação financeira, não apresentou contabilidade (livros Diário e Razão), nem livros Caixa e Registro de Inventário. Apresentou tão somente cópia do Boletim de Ocorrência relatando incêndio no imóvel onde se localiza a empresa.”. A recorrente, por sua vez, alega que o incêndio “um acidente, portanto deve ser acatado como justificativa pela não entrega dos documentos e em hipótese alguma lançar qualquer imposto sem a devida comprovação, deixando a recorrente senta de qualquer responsabilidade tributária”. Não tem razão a recorrente, pois a apuração do IRPJ e da CSLL, respectivamente, sobre o lucro arbitrado e a base arbitrada decorreu unicamente da impossibilidade de se apurar o lucro real e a base ajustada, sendo irrelevante as razões pelas quais a contribuinte não apresentou os livros da sua escrita contábil. A adoção do lucro arbitrado não é uma penalidade, mas o caminho legal quando não houver condições efetivas de se apurar o lucro real e base ajustada. Outro equívoco da contribuinte reside na alegação de que também teria sido fundamentado na presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96 a omissão de receita apurada a partir da diferença entre os demonstrativos mensais de valores pagos pela Química Amparo e o valor por ela declarados. O auto de infranção claramente segregou as infrações em dois itens, sendo que apenas o item 0002 – Depósito Bancário de Origem não Comprovada foi fundamentado no art. 42 da Lei 9.430/96. O item 0001 do auto de infração, que se refere às omissões de receitas apuradas a partir de provas diretas obtidas junto à Química Amparo, foi fundamentado no art. 537 do RIR/99, cuja base legal é o art. 24, § 1°, da Lei nº 9.249/95. Aliás, as omissões de receitas durante todos os meses do ano de 2007, objeto do item 0001 do auto de infração do IRPJ, as quais foram apuradas com base em provas diretas, são demonstrações irrefutáveis da prática reiterada de infrações à legislação tributária a justificar tanto a exclusão da contribuinte do regime do Simples, razão pela qual entendo perfeito o Ato Declaratório 57/2011, como a qualificação da multa de ofício. Da mesma forma, deve ser mantida a multa qualificada (150%) incidente sobres os créditos tributários de CSLL, Cofins e PIS decorrentes da mesma omissão de receita de que trata o item 001 do auto de infração do IRPJ ( omissão de receitas referentes à prestação de serviços de transporte). Por outro lado, deve ser reduzido o percentual de multa de ofício, de 150% para 75%, do item 002 do auto de infração do IRPJ, uma vez que a omissão de receita a que se refere esse item da autuação decorre unicamente da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96, razão pela qual, há que se aplicar in casu o disposto na Súmula CARF nº 25, cujo verbete assim dispõe: “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.”. Fl. 946DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 6 Pelas mesmas razões, devem ser reduzidas, de 150% para 75%, a multa de ofício incidente sobre os créditos tributários de CSLL, Cofins e PIS decorrentes da mesma omissão de receita de que trata o item 002 do auto de infração do IRPJ (“Valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações...”). Em face do exposto, voto no sentido de afastar a preliminar suscitada, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reduzir o percentual de multa de ofício, de 150% para 75%, incidente sobre o crédito de IRPJ, CSLL, Cofins e Contribuição para o PIS decorrentes da omissão de receita por presunção legal com base em depósitos bancários de origem não comprovada (item 002 do auto de infração do IRPJ e bases tributáveis correlatas dos autos de infração decorrentes – CSLL, Cofins e contribuição para o PIS). Alberto Pinto Souza Junior Relator Voto Vencedor Adoto integralmente o relatório do voto do relator, uma vez que todos os eventos relevantes ocorridos neste PAF encontramse adequadamente descritos, de modo que se evitam repetições desnecessárias. A turma acompanhou o relator na maioria de suas argumentações, razão pela qual deixo de apresentar e defender novamente os argumentos acima constantes. Apenas faço menção a eles e os adoto como razão de decidir. Cumpre apresentar, todavia, apenas o ponto em que ficou vencido o relator, qual seja, o afastamento da multa qualificada tanto sobre o item 002 (como decidiu o relator) quanto do item 001 (como prevaleceu entre os membros da turma). Ou seja, deve ser afastada a multa qualificada em razão da presunção de omissão de receitas operacionais, comprovadas através de “circularização de clientes”. Vale frisar que, na decisão supra, afasta o r. relator apenas a multa qualificada do item 002 do auto de infração, que se refere à constatação de omissão de receitas (verificadas através dos extratos de movimentação bancária). As razões do relator dão conta que verificação de omissão de receita (item 002 do auto de infração) decorreu unicamente da presunção legal estabelecida no art. 42 da Lei 9.3430/96, razão pela qual tem lugar a Súmula CARF n° 251 para que seja reduzida a multa 150% para 75%. Contudo, o relator entendeu adequado manter a multa qualificada no que se refere ao item 001 do auto de infração. Ao que parece, a conclusão seria de que neste caso não haveria presunção. Data vênia, discordo do entendimento. Ocorre que, a mesma exegese aplicada para afastar a multa qualificada no tocante ao item 002 (omissões de receitas constatadas através de movimentação bancária), deve 1 “A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64.” Fl. 947DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13888.722417/201100 Acórdão n.º 1302001.057 S1C3T2 Fl. 945 7 ser aplicada também ao item 001 do auto de infração. Em ambos os casos houve presunção de omissão de receita em decorrência da aplicação de provas indiretas. Vale observar que a conclusão de omissão de receitas operacionais (item 001 do auto de infração) foi alcançada através da análise de uma das clientes da recorrente. Mais especificamente, tratase da DIPJ da Química Amparo, que forneceu sua DIPJ e outros documentos encaminhados. Ou seja, os documentos não são da própria recorrente. Efetivamente, esta é uma situação de presunção, uma situação indiciária, uma prova indireta, a qual não pode conduzir ao agravamento da multa de ofício. Assim, para que se tenha a exata noção de quão superficial essa espécie de prova, ou melhor, como é frágil provar a ocorrência de um fato por meio de “indícios”, cumpre fazer uma breve anotação acerca das presunções em Direito. O Direito é uma ciência que se constrói através de fatos que possuem aptidão para produzir consequências jurídicas. De longa data se afirma que “o direito nasce do fato” (ex facto oritur jus). Aliás, já nas ordenações filipinas se declarava que “a prova é o farol que deve guiar o juiz nas suas decisões” (Liv. III, Tit. 63)2. Daí a necessidade de mensurar adequadamente as provas acerca dos fatos alegados. Vale relembrar, ainda, que a prova de um fato pode ser feita de forma direta ou de forma indireta3. Convém para este momento consignar que os “indícios” são modalidades de prova indireta, que se prestam a fornecer “presunções” acerca do acontecimento de um fato. Noutro dizer, o “indício” não é prova da ocorrência do fato em si, mas um elemento que auxilia na comprovação de que tal fato teria ocorrido. A esse respeito, transcrevese as palavras de FERRAGUT, a qual busca apoio em PONTES DE MIRANDA para descortinar o papel dos “indícios” como elementos de prova: Indício é todo vestígio, indicação, sinal, circunstância e fato conhecido apto a nos levar, por meio de raciocínio indutivo, ao conhecimento de outro fato, não conhecido diretamente. É, segundo Pontes de Miranda, “o fato ou parte do fato certo, que se liga a outro fato que se tem de provar, ou a fato que, provado, dá ao indício valor relevante na convicção do juiz, como homem”. (FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. 2 ed. São Paulo: Noeses, 2009. p. 136). Exemplificativamente, e por meio de um didático exemplo analógico com o Direito Penal, podese visualizar as prova direta de um homicídio pelo corpo da vítima; 2 Conforme CINTRA, Antônio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria Geral do Processo. 22 ed. rev. e atual. São Paulo: Malheiros, 2006. p. 371. 3 Segundo NEDER e LÓPEZ, “prova direta tem por objetivo imediato o fato que se quer provar. Por exemplo, escritura pública é prova direta do contrato. Já a prova indireta resulta de algum fato de tal maneira relacionado com o fato principal que, da existência daquele fato, chegase à certeza do fato principal”. (NEDER, Marco Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2010. p. 217). Fl. 948DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE 8 indiretamente, por indícios, como o sangue no local, o revólver com digitais etc. (art. 167, CPP4). Retomando a linha de raciocínio, temse que os indícios posicionamse a milhas de distância do fato que se pretende provar. No presente caso, para que fosse qualificada a multa (art. 44, §1º, da Lei n. 9.430/96) seria preciso provar uma das condutas do art. 71 e ss. da Lei n. 4.502/64 (Sonegação, Fraude e Conluio). Ocorre que os indícios constantes neste PAF, depreendidos da discrepância de informações referentes à recorrente, mas encontradas nos documentos de uma de suas clientes (Química Amparo) podem sim autorizar a constatação de suposta omissão de receita operacional. Mas só isso. Este mesmo fato não comprova a simulação, fraude ou conluio. Do contrario, se estaria presumindo o fato principal (art. 71 e ss. da Lei n. 4.502/64) a partir da presunção da omissão de receitas operacionais (item 001 do auto de infração), que por sua vez é presumida a partir dos documentos de uma terceira pessoa (Química Amparo). Em suma, é a presunção da presunção dos fatos, o que é rechaçado pela doutrina: Vale lembrar que, ao se utilizar uma presunção, a prova do fato indiciário deve ser realizada de forma direta. Não é possível a prova do fato indiciário por meio de presunção. A dupla presunção (primeiro presumese o fato indiciário e depois presumese o fato gerador) não permite uma conclusão segura e compatível com a certeza necessária a aplicação da norma tributária). (NEDER, Marco Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2010. p. 218). Com dito acima, a prova obtida através dos documentos da Química Amparo induziriam à conclusão de suposta omissão de receita operacional, mas não a ocorrência de simulação, fraude ou conluio. Por ser tratar de prova indireta, cumpre ao interessado (AFRFB) trazer vários indícios para que o juiz presuma com segurança o fato principal. Em síntese, a prova indireta exige um conjunto de indícios, como novamente adverte FERRAGUT: Quando tratamos de presunções, referimonos à prova indiciária, espécie de prova indireta que visa demonstrar, a partir da comprovação da ocorrência de fatos secundários, indiciários, a existência ou a inexistência do fato principal. Para que ela exista, fazse necessária a presença de indícios, a COMBINAÇÃO DELES, a realização de inferências indiciárias e, finalmente, a conclusão dessas inferências. (FERRAGUT, Maria Rita. Responsabilidade Tributária e o Código Civil de 2002. 2 ed. São Paulo: Noeses, 2009. p. 136). Em auxílio a este entendimento estão NEDER e LÓPEZ, os quais exigem a reunião de um acervo probatório de indícios para que se tenha certeza sobre a ocorrência do fato principal, observese: (...) A constatação de um indício é apenas o ponto de partida para novas investigações, pois, em geral, são necessários mais 4 Código de Processo Penal. Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprirlhe a falta. Fl. 949DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 13888.722417/201100 Acórdão n.º 1302001.057 S1C3T2 Fl. 946 9 elementos de convicção para que se possa concluir de forma segura a ocorrência do fato gerador do tributo. A obtenção de uma pluralidade de indícios, nesses casos, é importante. (...)(NEDER, Marco Vinicius; LÓPEZ, Maria Teresa Martínez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2010. p. 217). Dessa sorte, não se pode atribuir a conduta da recorrente a presunção de ter sido simulada, fraudulenta ou em conluio, devendo ficar afastada a multa qualificada também no caso do item 001 do auto de infração, pela mesma razão incidente no item 002, porquanto o CARF tem entendimento pacífico neste sentido (súmula n. 25, CARF). (Assinado eletronicamente) Márcio Rodrigo Frizzo Relator designado Fl. 950DF CARF MF Impresso em 24/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/06/2013 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 28/06/201 3 por MARCIO RODRIGO FRIZZO, Assinado digitalmente em 08/07/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Ass inado digitalmente em 12/07/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
score : 1.0
Numero do processo: 10831.003274/2006-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Fri Aug 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Data do fato gerador: 28/03/2006
MULTA REGULAMENTAR. ART.83, 1 DA LEI N° 4.502/64. NATUREZA JURÍDICA. PRAZO EXTINTIVO PARA O ERÁRIO EFETUAR O LANÇAMENTO
A multa prevista no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64 foi instituida para punir violações ao controle aduaneiro das importações.
Pelo fato da penalidade em foco não se revestir de natureza tributária, não se pode aplicar nenhum dos prazos de decadência previstos nos arts. 150, § 4° ou 173, 1 do CTN.
O prazo para que a Fazenda Pública possa infligir esta penalidade consta expressamente do art. 78 da Lei nº 4.502/64.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3201-000.277
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Matéria: II/IE/IPIV - ação fiscal - penalidades (isoladas)
Nome do relator: Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro
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Eiráff.s.inpa,:y, MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS • • ef-SM TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10831.003274/2006-25 Recurso n" 138.928 Voluntário Acórdão n° 3201-00.277 — r Câmara / 1" Turma Ordinária Sessão de 14 de agosto de 2009 Matéria MULTA DIVERSA Recorrente DARCY MACEDO JUNIOR Recorrida DRJ-SÃO PAULO/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Data do fato gerador: 28/03/2006 MULTA REGULAMENTAR. ART.83, 1 DA LEI N° 4.502/64. NATUREZA JURÍDICA. PRAZO EXTINTIVO PARA O ERÁRIO EFETUAR O LANÇAMENTO A multa prevista no art. 83, I, da Lei n" 4.502/64 foi instituida para punir violações ao controle aduaneiro das importações. Pelo fato da penalidade em foco não se revestir de natureza tributária, não se pode aplicar nenhum dos prazos de decadência previstos nos arts. 150, § 4° ou 173, 1 do CTN. O prazo para que a Fazenda Pública possa infligir esta penalidade consta expressamente do art. 78 da Lei n" 4.502/64. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2a Câmara / 1" Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. 014.—C/•Siec,• 411 JUDIT D 11 AMARAL MARCONDES ARM • D O — Presidente (ja 41-2.22 ROSA MA A DE JESUS DA SILVA COSTa DE CASTRO - Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros, Ricardo Paulo Rosa, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Costa e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Processo n° 10831.003274/2006-25 S3-C2T1 Acórcliio n.° 3201-00.277 Fl. 118 Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 02/05/2006, em face do contribuinte em epígrafe (doravante denominado Interessado), para exigência de multa proporcional do valor aduaneiro pelos fatos a seguir descritos (transcrição do relatório constante da decisão de primeira instância): Em ação .fiscal foi constatado que o contribuinte sujeita-se ao recolhimento de multa proporcional do valor aduaneiro de veículo introduzido clandestinamente no pais; A importação irregular fai confirmada através de acórdão do TRF 3" Região transitado em julgado, referente ao Mandado de Segurança No. 6400051; O veículo em questão, motocicleta Honda CBX, 1050 CC, ano 1980, chassi No. SCO32010484, Placa SP-3VK8946, foi licenciado no órgão estadual competente mediante liminar; O veículo possuía no RENA VAN o No. 368996239, anteriormente de propriedade de um dos impetrantes, posteriormente adquirido pelo autuado; Em consulta ao RENA VAM o autuado ainda era o proprietário do veiculo; O autuado foi intimado para comparecer com o bem à Alfândega do Aeroporto de Viracopos para proceder sua apreensão; Não procedendo desse modo, além da conduta incorrer no artigo 334 do Código Penal, suportou os efeitos do artigo 83, inciso Importa da Lei 4.502/64, c/c o artigo 631 do Regulamento Aduaneiro - Decreto 4.543/002, fii aplicada a multa proporcional do valor aduaneiro; O valor aduaneiro atribuído foi estipulado no mercado de motocicletas usadas; Cientificado do auto de infração, pessoalmente, em 08/05/2006 (fls. 1-frente,), o contribuinte protocolizou impugnação, tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 24/05/2006, de fls. 55 à 67, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a in2pugnante alegou resumidamente que: - No Mandado de Segurança No. 6400051 não consta em nenhum momento referéncia à motocicleta em questão; - Pede sua exclusão do pólo passivo da autuação em função de não ter promovido o ingresso do bem no mercado nacional e ter 2 Processo n" 10831.003274/2006-25 S3-C2TI Acórdão n.° 3201-00.277 Fl. 119 sido adquirente de boa fé, mesmo porque quando da sua aquisição, não havia qualquer restrição pois o veiculo se encontrava devidamente licenciado; - Em decorrência de já se ter passado 17 anos do ingresso do bem no mercado nacional, está-se diante dos institutos da decadência /prescrição; - O valor aduaneiro atribuído estipulado pela fiscalização é exorbitante irreal; - Pugna pela nulidade do Auto de Infração, senão pela sua improcedência improcedência. Nada obstante os argumentos aduzidos, a i. Delegacia de Julgamento em São Paulo/SP manteve a exigência fiscal, pelos fundamentos resumidamente expostos na ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - 1P1 Data do fato gerador: 28/03/2006 Infração ao artigo 463,1 e parágrafo único do Regulamento do Imposto de Produtos Industrializados; aprovado pelo Decreto 2.637/98. O impugnante adquiriu o produto mencionado em 1997 e pelos meios legais procedeu com o seu licenciamento nos anos de 1997, 1998 e 1999. Por ser um bem durável, seu consumo se protrai no tempo. Portanto, o uso continuo de um veiculo, importa conseqüentemente no seu consumo. Regularmente intimado do indeferimento de sua peça impugnatória no dia 27 de abril de 2007, o Interessado protocolizou Recurso Voluntário endereçado a este Colegiado, no dia 17 de maio do mesmo ano. Nesta peça processual, o Interessado sustenta, em síntese, o que segue: 1) a ocorrência do instituto da prescriçào, prevista no art. 174, do CTN, por se tratar de multa administrativa que deve, por sua natureza, ser tratada como se tributo fosse; 3 Processo n°10831.003274/2006-25 53-C2T 1 Acórdão n." 3201-00.277 Fl. 120 2) O veiculo foi importado em meados de 1984, sendo que o Interessado somente o adquiriu, de boa-fé, em maio de 2001 (tendo sido transferido há vários compradores, antes de sua aquisição pelo mesmo); 3) a boa-fé do Interessado é comprovada mediante documentação anexa ao processo, a qual comprova que, à época da aquisição, não havia qualquer restrição/observação junto ao órgão de trânsito, motivo pelo qual o Interessado licenciou, emplacou e recolheu todos os tributos durante o período em que foi proprietário. 4) O valor atribuído ao veiculo deveria ter sido resultado de uma avaliação técnica formulada por perito especializado, em função do principio da verdade material. É o breve relato. 4 Processo n° 10831.003274/2006-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.277 Fl. 121 Voto Conselheira ROSA MARIA DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO, Relatora O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Conforme relatado o presente processo trata de auto de infração, lavrado em 02/05/2006, para exigência de multa proporcional do valor aduaneiro, com fulcro no inciso 1, do art. 83, da Lei n°4.502/64, c/c, art. 631, do RA/02. Consta do Termo de Verificação Fiscal (fis. 06/09) que o veiculo, objeto da citada multa, foi importado irregularmente, consoante concluído por acórdão proferido pelo TRF da 3' Região, nos autos do MS n°6400051, transitado em julgado em 26/01/84 (fl. 14). Sem mesmo adentrar nas razões concernentes à boa-fé do Interessado, tenho que a multa imposta não pode ser, de forma alguma, mantida por este Colegiado. Com efeito, leiam-se os termos da capitulação legal utilizada para embasar o lançamento: Lei n°4.502/64 Ar! . 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectiwtmente: I - Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no Pais ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dêle saído ou néle permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota-fiscal, contar-me o caso • (Redação dada pelo Decreto-Lei n" 400, de 1968) Decreto n°4.543/02 Art. 631. Sem prejuízo de outras sanções administrativas ou penais cabíveis, incorrerão na multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo, ou consumirem mercadoria de procedência estrangeira introduzida clandestinamente no País ou importada irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido sem que tenha havido registro da declaração da importação no Siscomex, ou desacompanhado de Guia de Licitação ou nota fiscal, conforme o caso (Lei n°4.502, de 1964, art. 83, inciso I, e Decreto-lei n" 400, de 30 de dezembro de 1968, art. 1", alteração 25. Processo n° 10831.003274/2006-25 S3-C2T1 Acórdão n.° 3201-00.277 Fl. 122 Parágrafo único. A multa referida no capuz não será exigida quando já tenha sido aplicada a pena de perdimento do bem, caso em que será efetuada a conversão de que trata o § 1" do art. 6181 (Redação dada pelo Decreto n°4.765, de 24.6.2003) No que tange ao prazo para exigência da multa sob exame, o i. acórdão recorrido assim se manifesta: Notamos não ser possível precisar exatamente quando a infração foi cometida, entretanto, temos nos autos que, no mínimo, desde 1988 o veículo estava em situação irregular no pais, passível de apreensão ou aplicação de penalidade. Quanto aos parágrafos do art. 78 da lei 4502/64, referem-se claramente ao prazo prescricional de cobrança do crédito regularmente constituído através do lançamento, pois: O parágrafo primeiro se refere ao início do prazo prescricional, idêntico ao prazo decadencial previsto no caput, através de qualquer notificação ou exigência administrativa feita ao sujeito passivo, com referência ao imposto que tenha deixado de pagar ou à infração que haja cometido, ou seja, através do lançamento. O parágrafo segundo diz respeito à suspensão do prazo prescricional de cobrança, iniciado pela ciência do sujeito passivo do lançamento efetuado, enquanto o processo estiver pendente de decisão administrativa. Da análise do art 78 da lei 4502/64 nota-se que o prazo prescricional para imposição de penalidade, previsto no capta, efetivamente é de cinco anos contados da data da infração, prazo que deve ser obedecido pelo Fisco, sob pena de perder o direito de exigência do crédito tributário. Mas o fato é que qual o marco inicial do prescricional de uma infração permanente? Infração permanente é aquela em que cuja consumação é prolongada, dependendo sua duração da vontade do sujeito ativo, como ocorre, por exemplo no delito de seqüestro e cárcere privado, casos esses apontados como ícones pela doutrina nacional. A prescrição para a infração permanente começa a ser contada da data em que cessar a infração No presente caso, seria data em que o autuado se desfiz do veículo. Pelo corpo do Auto de Infração, em consulta ao RENA VAM o autuado ainda era o proprietário do veículo, desse modo não há o que se falar sequer em início de contagem do prazo prescricional. Importa apenas, a título informativo, que se atente para o fato de que a multa de 100% do valor do produto tem como escopo representar um substitutivo da pena de perdimento na hipótese 6 Processo n°10831.003274/2006-25 S3-C2T1 Acórdão n°3201-0O.277 Fl. 123 de os bens irregularmente adentrados no território nacional já terem sido consumidos ou dados a consumo. Ou seja, em realidade o valor exigido equivale à privação de propriedade quando esta se mostra impraticável. Esta, a exegese do art. 83, caput e incisos, da Lei n" 4.502/64, não sendo o caso, por conseguinte, de aplicação, na hipótese, do § 2' do art. 68 e do art. 69 da referida lei. Em que pese a perfeita fundamentação da i. decisão recorrida no que tange à aplicação do art. 78, da Lei n° 4.502/64 ao caso concreto, discordo de sua conclusão. Com efeito, não se pode cogitar em "infração permanente" no caso concreto, vez que a norma em evidencia, claramente estabelece o que segue: Art. 78 - O direito de impor penalidade extingue-se em cinco anos, contados da data da infração. § 1' O prazo estabelecido neste artigo interrompe-se por qualquer notificação ou exigência administrativa feita ao sujeito passivo, com referência ao imposto que tenha deixado de pagar ou à infração que haja cometido, recomeçando a correr a partir da data em que este procedimento se tenha verificado. § 2" Não corre o prazo enquanto o processo de cobrança estiver pendente de decisão, inclusive nos casos de processos fiscais instaurados, ainda em fase de preparo ou de julgamento. § 3 0 A interrupção do prazo mencionado no parágrafo primeiro só poderá ocorrer uma vez. Ora, consoante anteriormente exposto, o trânsito em julgado do processo judicial pelo qual se discutia a regularidade da importação do veiculo (MS n° 6400051, TRF da 3' Região) transitou em julgado em 26/01/84 (11. 14). Tem-se, portanto, que, independente da data de ocorrência da infração, desde o trânsito em julgado do feito judicial (janeiro de 1984), o Erário possuía o prazo de cinco anos para exigir a multa prevista no art. 83, inciso I, da Lei n° 4.502/64 (ou, pelo menos para interrompê-lo, mediante notificação ao sujeito passivo). Ora, o Interessado somente tomou conhecimento do Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.77.00-2006-00087-5, em 12 de abril de 2006 (ou seja, mais de vinte e dois anos, após o trânsito em julgado do processo judicial que culminou pela improcedência do pedido dos Impetrantes). Assim, face aos fatos supra mencionados, voto por declarar extinto o direito de o Erário exigir a multa imposta e, portanto, por dar provimento ao recurso da Interessada. Sala das Sessões, em 14 de agosto de 2009 (7,56? C/ gri 4i7 ROSA MARI/ DE JESUS DA SILVA COSTA DE CASTRO - RelatoraP. 7 4*. MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Pw2,--ett, TERCEIRA SEÇÃO Processo n°: 10831.003274/2006-25 Recurso n.°: 138928 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3° do art. 81 anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n°. 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, a tomar ciência do Acórdão a' 3201-00.277. gBrasilia, 18 de a o to dr 2009. LUIZ HUMB • FERNANDES Chefe cilapa. . da erceira Seção V Ciente, com a observação abaixo: [ ] Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / • Procurador (a) da Fazenda Nacional Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 10768.901840/2006-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO CONFIRMADO.
Para se aplicar o instituto da denúncia espontânea, necessário se torna que duas premissas sejam atendidas concomitantemente: (i) inexistência, na data da quitação em atraso, de prévia declaração com efeito de constituição do crédito tributário, (ii) a existência de um efetivo pagamento em atraso, ou, similarmente, de um efetivo direito creditório declarado, efetuado anteriormente ao início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.
PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO. MULTA DE MORA.
Os débitos relativos a tributos da competência tributária da União não pagos nos prazos serão acrescidos, além dos juros, da multa de mora estipulada na legislação de regência.
Numero da decisão: 3803-004.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal na data da ciência do despacho decisório. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO NÃO CONFIRMADO. Para se aplicar o instituto da denúncia espontânea, necessário se torna que duas premissas sejam atendidas concomitantemente: (i) inexistência, na data da quitação em atraso, de prévia declaração com efeito de constituição do crédito tributário, (ii) a existência de um efetivo pagamento em atraso, ou, similarmente, de um efetivo direito creditório declarado, efetuado anteriormente ao início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. PAGAMENTO EXTEMPORÂNEO. MULTA DE MORA. Os débitos relativos a tributos da competência tributária da União não pagos nos prazos serão acrescidos, além dos juros, da multa de mora estipulada na legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 90 18 40 /2 00 6- 77 Fl. 127DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901840/200677 Acórdão n.º 3803004.259 S3TE03 Fl. 128 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado para se contrapor à decisão da DRJ São Paulo I/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada. O contribuinte havia transmitido, em 6 de junho de 2003, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), em que pretendia compensar débitos da Cofins e do IRPJ, com vencimentos, respectivamente, em 15 e 28 de fevereiro de 2005, com crédito no valor atualizado de R$ 153.874,89, decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins devida em março de 1999 (fls. 1 a 6). Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem não homologou a compensação, em razão do fato de que o pagamento efetuado já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos do contribuinte (fl. 8). Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 10 a 22) e requereu a homologação integral da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) apresentara DCTF retificadora, comprobatória do crédito correspondente ao valor informado no PER/DCOMP; b) não protocolizara o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo, pois a disponibilização do programa ocorrera 103 dias após esse mesmo vencimento; c) à época, não havia determinação legal para envio do PER/DCOMP na data do vencimento do tributo, o que impediria lhe fosse imputado o valor de multa e juros; d) caso não fosse acatado tal argumento, terseia ocorrido, no presente caso, a extinção do crédito tributário, via compensação, sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco, enquadrandose a situação no art. 138 do CTN (denúncia espontânea), em razão do que se encontraria eximido do pagamento de qualquer multa, em especial a multa moratória. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901840/200677 Acórdão n.º 3803004.259 S3TE03 Fl. 129 3 Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias (i) documentos societários, (ii) do despacho decisório, (iii) do PER/DCOMP, (iv) do comprovante de arrecadação e (v) da DCTF retificadora entregue em 18 de janeiro de 2006 (fls. 23 a 85). A DRJ São Paulo I/SP decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade, considerando que o direito creditório deveria ser demonstrado pelo sujeito passivo com base em documentação contábil idônea. Destacou o relator do voto condutor do acórdão recorrido que o contribuinte apresentara DCTF retificadora, em que buscara desvincular parte do DARF, reduzindo o valor do tributo devido no mês ou alterando a rubrica dos créditos vinculados. No entendimento do relator, o contribuinte deveria ter comprovado não somente a base de cálculo da contribuição como a origem dos novos créditos lançados sob a rubrica “créditos vinculados”, para o que seria necessária a apresentação da escrituração contábilfiscal e das notas fiscais dentre outros documentos. No que se refere à alegação de que o PER/DCOMP não se encontrava disponível na data do vencimento do débito compensado, aduziu o relator que tal fato não justificaria a inação do sujeito passivo, pois, no presente caso, tratarseia de débitos vencidos em fevereiro de 2003, quando já existia a previsão de entrega da Declaração de Compensação em papel, matéria essa regulada exaustivamente pela Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002. Argüiu, ainda, que, em relação aos débitos não extintos por compensação, haveria a incidência de juros e multa desde a data do vencimento até a data de sua quitação e que o instituto da denúncia espontânea não seria aplicável a este caso, por não se tratar de exigência de multa de ofício, mas de multa de mora, esta destituída de caráter punitivo. Cientificado da decisão em 17 de junho de 2011, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 19 de julho do mesmo ano e requereu a homologação da compensação declarada, assim como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional (multa de mora), repisando os mesmos argumentos de defesa da Manifestação de Inconformidade. Ressaltou o Recorrente que o débito sob discussão neste processo encontravase suspenso por medida judicial (mandado de segurança nº 2009.61.00.0078827), o que não significava concomitância de discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, por se tratar de pedido de suspensão da exigibilidade em razão da manifestação de inconformidade interposta, o que seria corroborado pelo silêncio da Delegacia de Julgamento quanto a essa questão. Ao final, protestou o ora Recorrente pela realização de sustentação oral no momento do julgamento do processo, nos termos do art. 58, II, da Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) e requereu que fosse notificado com antecedência da data, hora e local da realização do julgamento. Junto à peça recursal, o Recorrente trouxe aos autos cópia de tela de consulta na internet da ação judicial a que fez referência. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901840/200677 Acórdão n.º 3803004.259 S3TE03 Fl. 130 4 É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições para a sua admissibilidade e dele tomo conhecimento. De pronto, registrese que, conforme já apontara o julgador de piso, nenhuma razão assiste ao Recorrente quando alega que não protocolizara o PER/DCOMP na data de vencimento do débito, pelo fato de que a disponibilização do programa se dera após 103 dias, pois, na data da apresentação do PER/DCOMP (6/6/2003), já existia a previsão de entrega da Declaração de Compensação em papel, nos termos da Instrução Normativa SRF nº 210, de 2002. Por outro lado, assiste razão ao Recorrente ao alegar que o mandado de segurança fora impetrado com o objetivo de suspender a exigibilidade do débito discutido neste processo, não se configurando concomitância de discussão da matéria nas esferas judicial e administrativa, pois, conforme se verifica da cópia da sentença presente às fls. 119 a 125, a ação, efetivamente, tinha o propósito afirmado pelo Recorrente. Feitas essas considerações, temse por superados os argumentos do Recorrente no que se refere a essas matérias. No que tange ao pedido do Recorrente de notificação, com antecedência, da data, hora e local de realização do julgamento, registrese que, nos termos do disposto no parágrafo único do art. 55 do Anexo II do Regimento do CARF, a pauta de julgamento será publicada no Diário Oficial da União com 10 (dez) dias de antecedência e divulgada no sítio do CARF na Internet. I. Compensação. Prova. Quanto ao pedido de homologação total da compensação declarada, há que se destacar que, conforme já havia afirmado o relator de piso, o interessado não apresentou nenhum elemento de sua escrituração contábilfiscal, nem os documentos fiscais que a embasam, que pudessem comprovar o direito alegado. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxera aos autos somente cópias de documentos societários e das declarações por ele transmitidas à Receita Federal, incluída a DCTF retificadora transmitida em 18 de janeiro de 2006, anteriormente à ciência do despacho decisório (7/2/2008 – fl. 7), não apresentando quaisquer documentos que comprovassem os dados declarados. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador de primeira instância acerca da necessidade de apresentação da escrituração contábil e de documentos fiscais para se comprovar o direito creditório reclamado, ele se predispôs a instruir os autos com os elementos probatórios hábeis e idôneos, pois, junto ao recurso voluntário, nenhum outro documento foi acrescentado. Fl. 130DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901840/200677 Acórdão n.º 3803004.259 S3TE03 Fl. 131 5 Não obstante o contribuinte ter apresentado, junto à Manifestação de Inconformidade, a DCTF retificadora transmitida em 18/1/2006, anteriormente à ciência do despacho decisório (fls. 26 e 27), conforme acima apontado, há que se ressaltar que tal declaração fora desconsiderada em razão do fato de que, na data de sua apresentação, o crédito tributário do período de apuração março/1999, pago em abril do mesmo ano, já se encontrava homologado tacitamente, por força da previsão do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional (CTN). Essa conclusão, por outro lado, não prejudica a apreciação do PER/DCOMP pelo fato de que este fora transmitido em 6 de junho de 2003, antes do transcurso do prazo decadencial acima referenciado e antes de cinco anos da data do pagamento, este ocorrido em 9/4/1999, nos termos disciplinados pelo art. 168, I, do mesmo Código. Além disso, o PER/DCOMP transmitido em 6/6/2003 veio a ser analisado pela autoridade administrativa em 7/2/2008 (fl. 7), data da ciência do despacho decisório, anteriormente, portanto, ao término do prazo de cinco anos para a homologação da compensação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Passase, então, à análise do mérito, no que tange à comprovação do indébito reclamado. Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação) no momento da prolação do despacho decisório, não cabendo em processos da espécie a inversão do ônus da prova. Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 131DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901840/200677 Acórdão n.º 3803004.259 S3TE03 Fl. 132 6 III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Dessa forma, por total ausência de prova da existência do crédito reclamado, não se acatam os argumentos do Recorrente quanto à homologação total da compensação declarada. II Multa de mora. Denúncia espontânea. Quanto ao pedido do Recorrente de exoneração da multa de mora com base no instituto da denúncia espontânea, há que se destacarem os seguintes pontos: 1º) conforme acima já afirmado, o PER/DCOMP fora transmitido em 6 de junho de 2003 e os débitos compensados venceram em 15 e 28 de fevereiro de 2003 (fls. 1 a 6); 2º) em junho de 2003, a declaração de compensação ainda não tinha caráter de confissão de dívida, nos termos do § 6ºdo art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzido pela Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003; 3º) referidos débitos foram declarados em PER/DCOMP antes de qualquer procedimento por parte da Administração tributária, situação que, de acordo com a defesa do Recorrente, reclamaria a aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional (CTN). Feitos esses destaques, passase à análise do pedido relativamente à exoneração da multa de mora. Os débitos de Cofins e de IRPJ que o Recorrente pretende compensar venceram em 15 e 28 de fevereiro de 2003 e foram informados em Declaração de Compensação transmitida em 6/6/2003, em data posterior, portanto, à data de apresentação da DCTF do 1º trimestre de 2003 fixada no art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 255, de 2002, que estipula que a DCTF deve ser apresentada até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores, o que, no presente caso, equivale ao dia 15 de maio de 2003. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901840/200677 Acórdão n.º 3803004.259 S3TE03 Fl. 133 7 Não consta dos autos informação de que o Recorrente tenha transmitido a DCTF do 1º trimestre de 2003 anteriormente à data da entrega da Declaração de Compensação, esta ocorrida, conforme acima apontado, em 6/6/2003. O Superior Tribunal de Justiça (STJ), em julgamento submetido ao rito do art. 543C do Código de Processo Civil (recursos repetitivos), de observância obrigatória pelos conselheiros do CARF2, já decidiu pela não aplicação da denúncia espontânea aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação regularmente declarados (REsp 962379), decisão essa cujo teor consta da súmula 360/STJ. Nesse julgamento, o STJ deixa claro que o afastamento da denúncia espontânea (art. 138 do CTN) somente se dá quando o tributo, sujeito ao lançamento por homologação, tiver sido recolhido em atraso, mas após a apresentação da declaração com efeito de confissão de dívida. Eis o teor de partes dessa decisão do STJ: TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO PELO CONTRIBUINTE E PAGO COM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. SÚMULA 360/STJ. 1. Nos termos da Súmula 360/STJ, "O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" . É que a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco. Se o crédito foi assim previamente declarado e constituído pelo contribuinte, não se configura denúncia espontânea (art. 138 do CTN) o seu posterior recolhimento fora do prazo estabelecido.(grifei) (...) VOTO (...) 4. Importante registrar, finalmente, que o entendimento esposado na Súmula 360/STJ não afasta de modo absoluto a possibilidade de denúncia espontânea em tributos sujeitos a lançamento por homologação. A propósito, reportome às razões expostas em voto de relator, que foi acompanhado unanimente pela 1ª Seção, no AgRG nos EREsp 804785/PR, DJ de 16.10.2006: "(...) 4. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso. O que a jurisprudência afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído 2 Conforme preceitua o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Fl. 133DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901840/200677 Acórdão n.º 3803004.259 S3TE03 Fl. 134 8 no momento em que ocorreu o pagamento. A contrario sensu, podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo o sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. (grifei) Verificase dos excertos supra que, para se afastar a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN, há necessidade de que o tributo tenha sido pago em atraso e após a sua declaração com efeito de confissão de dívida. Eis a dicção do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. No presente caso, o direito creditório não foi reconhecido pela Delegacia de Julgamento, decisão essa mantida neste voto, não se tendo, por conseguinte, a configuração atual da extinção do crédito tributário por meio de compensação3, tratandose de um pleito relativo a direito creditório declarado mas não confirmado, o que equivale a um pagamento alegado e posteriormente não comprovado. Diante da atual situação deste processo (ainda que provisória ou precária, dada a possibilidade, ainda que remota, de modificação do julgamento em face da inocorrência do trânsito em julgado), com o não reconhecimento do direito creditório, não se tem por configurada a homologação da compensação nos termos previstos no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 19964, de forma que o pagamento a se efetivar no futuro deverá abarcar, além dos juros, a multa de mora decorrente do pagamento efetuado em atraso. Caso a compensação tivesse sido mantida pela Delegacia de Julgamento e/ou confirmada neste voto, aí, sim, poderseia argumentar acerca de uma possível equiparação do pagamento antecipado previsto no art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN, com a compensação declarada sob condição resolutória de sua ulterior homologação prevista no § 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, previsão normativa essa autorizada pelo art. 170 do CTN. Não tendo sido confirmada a existência do direito creditório ou do “pagamento antecipado”, tornase despicienda a discussão acerca da ocorrência ou não de prévia declaração para fins de aplicação da exegese contida na decisão do STJ, pois, para se acatar a denúncia espontânea, necessário se torna que duas premissas sejam atendidas 3 Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; II a compensação; (...); VII o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; (Código Tributário Nacional CTN). 4 Lei nº 9.430/1996 Art. 74. (...) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Fl. 134DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901840/200677 Acórdão n.º 3803004.259 S3TE03 Fl. 135 9 concomitantemente, uma relativa à (i) inexistência de prévia declaração com efeito de constituição do crédito tributário e a outra referida a um (ii) efetivo pagamento em atraso, ou, similarmente, a um efetivo direito creditório declarado em atraso, mas anteriormente ao início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A Lei nº 9.430/1996 assim dispõe sobre os acréscimos moratórios cabíveis nos casos de pagamento extemporâneo: Art.61 Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Verificase que a multa de mora decorrente de pagamentos em atraso, assim como os juros de mora, encontrase prevista em lei válida e vigente, inexistindo qualquer irregularidade em sua exigência nos termos ora analisados. No presente caso, não se está diante de um direito creditório efetivamente existente, não lhe sendo estendida, por conseguinte, a regra definida no referido Recurso Especial, de observância obrigatória por parte deste Colegiado. III Conclusão. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, por ausência de prova do direito creditório pleiteado e pelo não cabimento da denúncia espontânea nos casos da espécie. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 135DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10768.901840/200677 Acórdão n.º 3803004.259 S3TE03 Fl. 136 10 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 19/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 17/07/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 04/07/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 11080.721794/2009-69
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
RENDIMENTOS DE ALUGUEL. DEDUÇÃO. Os valores referentes ao pagamento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) são passíveis de exclusão dos rendimentos de aluguéis, quando o encargo tenha sido exclusivamente do locador.
Recurso Provido
Numero da decisão: 2802-002.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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DEDUÇÃO. Os valores referentes ao pagamento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) são passíveis de exclusão dos rendimentos de aluguéis, quando o encargo tenha sido exclusivamente do locador. Recurso Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernández, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de notificação de lançamento formalizada em virtude da apuração de omissão de rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas, omissão de rendimentos de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 17 94 /2 00 9- 69 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 aluguéis recebidos de pessoas jurídicas e compensação indevida de imposto de renda na fonte, fls. 05 a 10. O contribuinte apresentou impugnação parcial, às fls. 01 e 02, alegando, em síntese que: a omissão de receitas de R$ 4.446,50 corresponde ao IPTU que foi pago pelo contribuinte e está devidamente lançado no item pagamentos da declaração de ajuste anual; a glosa do IRRF, no valor de R$ 243,21, em parte foi causada por equívoco do contribuinte, que declarou o total retido pela imobiliária Expansão, de R$ 181,20, como se fosse retido pela fonte pagadora Cedenir S. de Oliveira; requer que seja retificado o lançamento. Anexa à impugnação: a) declaração de rendimentos fornecido pela Expansão Imóveis Ltda com a retenção de R$ 181,20; b) DIRF da empresa Cereal Cereais Araguaia Ltda, e; c) comprovante de rendimentos fornecido pela Cereal Cereais Araguaia Ltda do ano calendário 2005. Examinando o assunto, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) julgou procedente em parte a impugnação, fls. 102 a 104, para restabelecer a dedução do imposto de renda retido na fonte pela empresa Companhia de Distribuição Araguaia (Cereal Cereais Araguaia Ltda), no valor de R$ 62,01, à vista do comprovante de rendimentos anexo às fls. 12. No que diz respeito à pretensão do contribuinte de se considerar a exclusão dos rendimentos de alugueis dos valores referentes ao pagamento do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU), entendeu a autoridade julgadora que as guias juntadas às fls. 16 a 25 não seriam suficientes para o contribuinte fazer jus à dedução, sendo necessário o contrato com a previsão de que o imposto seria pago pelo locador. Cientificado em 15/04/2011, fls. 111, o interessado ingressou com recurso voluntário em 12/05/2011, fls. 113, instruído com os documentos de fls. 114 a 120, alegando que apresenta o contrato de locação, bem como declaração do locatário assumindo o não pagamento do IPTU. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. A discussão se restringe tão somente em relação à matéria omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, cujo valor o contribuinte alega corresponder aos valores pagos a título de do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Fl. 125DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11080.721794/200969 Acórdão n.º 2802002.335 S2TE02 Fl. 125 3 Nos termos da legislação de regência, os valores referentes ao IPTU são passíveis de exclusão dos rendimentos de aluguéis, quando o encargo tenha sido exclusivamente do locador. (arts. 12 e 22, da Instrução Normativa SRF nº 15, de 6 de fevereiro de 2001). A decisão de primeira instância não acatou as alegações do contribuinte, uma vez que as guias de recolhimento do IPTU juntadas à impugnação não estavam acompanhadas do contrato de locação com a previsão de que o imposto seria pago pelo locador. Instruindo a peça recursal, o contribuinte juntou cópia do contrato de locação, do qual se constata que a cláusula que previa o encargo de tal pagamento pelo locatário foi suprimida mecanicamente daquele contrato. A despeito disso, consta da declaração firmada pelo locador às fls. 114: “(...) o valor do IPTU sempre foi pago pelo proprietário desde o início do contrato em 1982 até o ano de 2009. Somente no ano de 2010 assumimos este ônus.” Diante da comprovação de que o valor do encargo do IPTU somente foi assumido pelo locatário no ano de 2010, o somatório dos pagamentos representados pelas guias juntadas às fls. 16 a 25 deve ser excluído da base tributada pela notificação de lançamento a título de omissão de rendimentos de alugueis recebidos de pessoa jurídica. Voto por dar provimento ao recurso voluntário para excluir o valor de R$4.446,50 da base tributada a título de omissão de rendimentos de alugueis. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 126DF CARF MF Impresso em 24/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/06/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10675.906621/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jul 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO.
Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração.
Numero da decisão: 3402-001.858
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Conselheiro Relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo DEça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta.
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AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE OMISSÃO, OBSCURIDADE, CONTRADIÇÃO OU ERRO MATERIAL. DESCABIMENTO. Não havendo omissão, obscuridade, contradição ou erro material, devem ser rejeitados os Embargos de Declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e rejeitar os Embargos de Declaração, nos termos do voto do Conselheiro Relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 66 21 /2 00 9- 66 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 2 (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior – Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Fernando Luiz da Gama Lobo D’Eça, Silvia de Brito Oliveira, Helder Masaaki Kanamaru (suplente), Gilson Macedo Rosenburg Filho e Nayra Bastos Manatta (Presidente). O Presidente substituto da Turma, assina o acórdão, face à impossibilidade, por motivo de saúde, da Presidente Nayra Bastos Manatta. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10675.906621/200966 Acórdão n.º 3402001.858 S3C4T2 Fl. 253 3 Relatório Tratam de Embargos de Declaração opostos pelo sujeito passivo, ora Embargante, contra v. Acórdão que negou provimento ao Recurso Voluntário manejado pelo contribuinte, de minha relatoria, proferido em Sessão de julgamento de 20 de março de 2012, cuja ementa restara vazada nos seguintes termos: “Assunto: CONTRIBUIÇÕES AO PIS E A COFINS Período de Apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. SÚMULA CARF Nº 02. ´O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária´ (Súmula nº 02). CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI COMO RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS. LEI Nº 9.363/96. BASE DE CÁLCULO. COMBUSTÍVEIS E AFINS. SÚMULA CARF Nº 19. Apenas são passíveis de integrar a base de cálculo do crédito presumido de IPI de que trata a Lei nº 9.363, de 1996, a aquisição de matéria prima, produtos intermediários e materiais de embalagens, não se enquadrando como tais as aquisições de óleo BPF, lenha e óleo térmico, utilizados nas caldeiras como combustíveis e fontes de energia elétrica, uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto. Aplicação da Súmula nº 19, do CARF.” Aduz a Embargante que o v. Acórdão se omitiu ao deixar de aprofundar os fatos que circundam o caso em concreto, especialmente no que diz respeito ao fato de os insumos por ela adquiridos (óleo BPF, lenha e óleo térmico, utilizados nas caldeiras e secadores, como fonte de energia elétrica), se consumirem no processo produtivo, e, portanto, caracterizarseia como produtos intermediários, concessivos de créditos segundo dispositivos que cita (art. 393, II, do RIPI/82 e parágrafo único do art. 3º, da Lei nº 9.363/96), os quais igualmente teriam sido omitidos de menção pela decisão embargada. Em razão disso afirma que o Acórdão embargado foi superficial, tendo omitidose inclusive de apreciar os fatos concretos e de citar os dispositivos legais invocados no Recurso Voluntário, limitandose apenas em aplicar a Súmula nº 19, do CARF. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO 4 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. Os Embargos de Declaração foram protocolizados em 08 de maio de 2012, após ciência relativa ao Acórdão recorrido, dada ao contribuinte em 03 de maio, de modo que tempestivos, devendo ser conhecido do recurso. Entendo que as omissões apontadas pela Embargante não se materializaram no caso concreto, pois que restou claro pela decisão embargada, que se estava tratando de insumos do tipo óleo combustível BPF, de lenha e de óleo térmico, utilizados nas caldeiras no processo de secagem de seus produtos. Vejamos trecho a decisão: “E, assim, já adentrando na questão central, temse que o cerne da contenda reside na pretensão do contribuinte em computar na base de cálculo do crédito presumido de IPI em questão, os dispêndios por ela incorridos na aquisição de óleo combustível BPF, de lenha e óleo térmico, utilizados para alimentar caldeiras no seu processo produtivo, sendo que a decisão recorrida posicionouse no sentido de não considerar tais insumos como sendo concessivos do crédito presumido, por entender que os mesmos não revestem esta qualidade porque não são consumidos diretamente no contato com o produto em fabricação, nos termos do Parecer Normativo CST nº 65/79.” No tocante a pretensa falta de abordagem do fato de se tratarem, tais insumos, de produtos intermediários e de serem eles consumidos no processo produtivo, igualmente a decisão embargada foi textual: “Tais produtos certamente são insumos indispensáveis ao processo produtivo, e nele se desgastam. Então, não se questiona que os mesmos tenham relação de essencialidade e até mesmo de imprescindibilidade ao processo produtivo da recorrente. No entanto, no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, prevaleceu o entendimento de que, para o caso de crédito presumido de IPI como ressarcimento de Pis e de Cofins, instituído pela Lei nº 9.363/96, por se tratar de incentivo fiscal que deve ser restritiva e literalmente interpretado (art. 111, do CTN), apenas dará direito ao crédito os insumos que se enquadrarem no conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem. E os óleos combustíveis, a lenha e o óleo térmico, no caso, sofrem desgaste no processo produtivo, e, como tal, há entendimentos que sustentam que enquadrarseiam no conceito de produto intermediário, sendo, aliás, este o entendimento particular deste Relator.” No que diz respeito a citação de dispositivos legais invocados pela Embargante em seu Recurso Voluntário, entendo que parte deles foram considerados, bastando verificar o que constou da transcrição acima e também do Relatório da decisão embargada, mas especialmente, deve restar claro que em sede de processo administrativo tributário não se faz Fl. 255DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO Processo nº 10675.906621/200966 Acórdão n.º 3402001.858 S3C4T2 Fl. 254 5 necessário que se enfrente todos os fundamentos legais que levaram o colegiado a formar sua convicção e proferir seu julgamento. Está assente que não existe o prequestionamento de dispositivos legais para fins de PAF, em caso de pretender a Embargante manejar outros recursos ainda nesta esfera administrativa de julgamento, e que, se pretender ir ao Judiciário, desnecessário que a decisão ora embargada tenha se manifestado sobre todos os dispositivos legais invocados pela parte, bastando que fundamente a decisão, o que entendese ter sido atendido plenamente. O que se vê, portanto, é que a Embargante está buscando rediscutir o mérito em sede de Embargos de Declaração, o que em regra não é possível, apenas em caso em que tenha havido erro material, o que não se mostra ter ocorrido no caso em concreto. Assim, não havendo omissão, tampouco obscuridade, contradição ou erro material, não há como acolher os Embargos de Declaração, ainda mais com efeitos modificativos, como sugeriria a Embargante pelas falhas que aponta ter havido no julgamento, as quais, repitase, não restaram materializadas. Ante ao exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 256DF CARF MF Impresso em 18/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/0 7/2013 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 10/07/2013 por GILSON MACEDO ROSENBU RG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721734/2012-21
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS.
Não comprovado nos autos o pagamento ao advogado informado na declaração de rendimentos como patrocinador da ação judicial, não há como reconhecer a dedução dos rendimentos considerados omitidos.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-002.221
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) German Alejandro San Martín Fernández (relator). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jaci de Assis Junior.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2011 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Não comprovado nos autos o pagamento ao advogado informado na declaração de rendimentos como patrocinador da ação judicial, não há como reconhecer a dedução dos rendimentos considerados omitidos. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) German Alejandro San Martín Fernández (relator). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jaci de Assis Junior. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano.
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DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. Não comprovado nos autos o pagamento ao advogado informado na declaração de rendimentos como patrocinador da ação judicial, não há como reconhecer a dedução dos rendimentos considerados omitidos. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Vencido(s) o(s) Conselheiro(s) German Alejandro San Martín Fernández (relator). Designado(a) para redigir o voto vencedor o (a) Conselheiro (a) Jaci de Assis Junior. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 17 34 /2 01 2- 21 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JU NIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Julianna Bandeira Toscano. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física, ano calendário 2010, exercício 2011 (fls. 30/34), lavrada em decorrência de omissão de rendimentos no valor de R$ 17.494,69 recebidos de pessoas físicas a título de honorários advocatícios referentes a transações de venda de carta de crédito no processo judicial em face do Estado de Mato Grosso. Apreciada a Impugnação, o lançamento foi julgado procedente, sob fundamento de que não há previsão na legislação tributária para as deduções de tais honorários da base de cálculo dos rendimentos auferidos. Nas razões de Voluntário (fls. 63/65), a Recorrente nega ter omitido rendimentos. Assevera que a quantia foi deduzida dos rendimentos recebidos e informados na relação de pagamentos e doações efetuadas ao beneficiário que deu quitação do recebimento. Argui que o lançamento impugnado implica em tributação em duplicidade e enriquecimento sem causa por parte da Receita. Anexa documentos de fls. 67/107. Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Vencido Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Presentes os pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Apesar de se tratar de recebimento de rendimentos acumulados, a quaestio juris se cinge à dedutibilidade ou não dos valores pagos aos advogados a título de honorários. A Recorrente, conforme reconhecido pela DRJ, traz aos autos recibos emitidos pelos advogados Maria Lúcia Ferreira Teixeira, fl. 16, no valor de R$ 12.573,48 (doze mil, quinhentos e setenta e três reais e quarenta e oito centavos) e Clóvis de Mello, fl. 17, no valor de R$ 4.921,51 (quatro mil, novecentos e vinte e um reais e cinquenta e um centavos), totalizando o valor glosado de R$ 17.494,99 (dezessete mil, quatrocentos e noventa e quatro reais e noventa e nove centavos). De acordo com a acusação fiscal, tais valores de referem a omissão de rendimentos acumulados pagos pelo Estado do Mato Grosso, em virtude de ação judicial. Por se tratar de Precatório Requisitório, tais valores possuem força de Carta de Crédito para efeitos de compensação e podem, nos termos da lei, ser cedidos a terceiros. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JU NIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.721734/201221 Acórdão n.º 2802002.221 S2TE02 Fl. 111 3 A Recorrente transferiu seus créditos a terceiros (Ipiranga Produtos de Pretóleo S/A). Dos recibos juntados, apenas o recibo de fl. 17, emitido em nome do advogado Clóvis de Mello, no valor de R$ 4.921,51 (quatro mil, novecentos e vinte e um reais e cinquenta e um centavos), informa a origem dos valores (processo n. 30.891/97) e por se tratar do mesmo advogado que patrocinou a ação contra o Estado do MT, me leva a concluir tratarse de honorários dedutíveis, nos termos do art. 12 da lei n. 7.713/88). Reconheço a validade do recibo apesar de ser assinado pela esposa do advogado, Sra. Wilma Teixeira de Mello, informação esta obtida após consulta à rede mundial de computadores. Não há impugnação recursal quanto aos honorários pagos a Maria Lúcia Ferreira Teixeira, fl. 16, no valor de R$ 12.573,48 (doze mil, quinhentos e setenta e três reais e quarenta e oito centavos). Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário interposto e no mérito lhe dou provimento, para reconhecer a dedutibilidade dos valores pagos ao advogado Clóvis de Mello, no valor de R$ 4.921,51 (quatro mil, novecentos e vinte e um reais e cinquenta e um centavos). É o meu voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Voto Vencedor Conselheiro Jaci de Assis Junior, Redator designado Em que pese o entendimento constante do voto do ilustre Relator, durante as discussões ocorridas por ocasião do julgamento do presente litígio surgiu divergência que levou à conclusão diversa. O ilustre Relator, ao conduzir seu voto, reconheceu a validade do recibo de fls. 17, emitido em nome do advogado Clóvis de Mello, no valor de R$ 4.921,51 (quatro mil, novecentos e vinte e um reais e cinquenta e um centavos). De seu exame, porém, constatase que tal recibo não foi assinado pelo mencionado advogado, mas sim pela Sra. Wilma Teixeira de Mello, sem que dos autos constem documentos comprobatórios que evidenciem o copatrocínio desta na ação movida pela contribuinte no âmbito judicial. Tampouco se vê dos autos cópia do instrumento de procuração no qual eventualmente referida senhora teria sido nomeada como representante do advogado Sr. Clóvis de Mello, atribuindolhe poderes para receber em nome deste os valores de honorários contratados. Portanto, não comprovado nos autos o pagamento ao advogado Sr. Clóvis de Mello, informado na declaração de rendimentos como patrocinador da ação trabalhista, não há como reconhecer a dedução dos rendimentos considerados omitidos, realizada pela Fl. 114DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JU NIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 contribuinte a título de honorários advocatícios, nos termos do parágrafo único do art. 56, do Decreto 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999. Quanto às demais questões de mérito, os integrantes desta Turma Julgadora acompanharam o entendimento firmado no voto proferido pelo Relator. Diante do exposto, a decisão do colegiado é NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 115DF CARF MF Impresso em 11/06/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/05/2013 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JACI DE ASSIS JU NIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2013 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 14120.000001/2010-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário:
2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Eventuais vícios nos
Mandados de Procedimento Fiscal não têm o condão de acarretar a nulidade de
Autos de Infração lavrados com observância dos pressupostos legais.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. LEI 9.784/1999. APLICAÇÃO SUBSIDIARIA.
A Lei no 9.784/1999 não revogou as leis que disciplinam processos administrativos
específicos, como o de determinação e exigência do crédito tributário, que segue
regido pelo Decreto n° 70.235/1972, tendo a referida lei aplicação subsidiária.
PRODUÇÃO DE PROVAS. FATO CONTROVERSO E RELEVANTE.
CABIMENTO. A realização de diligência só deve ser deferida quando vise a apurar
fato controverso e relevante para o julgamento do processo.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE
DEFESA. NULIDADE. Não há que se falar ema nulidade da decisão de 1a.
instancia que enfrenta todas as matérias objeto do litígio.
VENDA DE IMÓVEL RURAL AO INCRA. IMUNIDADE. NÃO
RECONHECIMENTO. A imunidade prevista no art. 184, §5°, da Constituição
Federal, é aplicável apenas aos casos de desapropriação, não alcançando a venda de
imóveis rurais, mesmo que se destinem à reforma agrária.
Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado.
Numero da decisão: 1402-000.928
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as
preliminares de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e
voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. NULIDADE. Eventuais vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal não têm o condão de acarretar a nulidade de Autos de Infração lavrados com observância dos pressupostos legais. PROCESSO ADMINISTRATIVO. LEI 9.784/1999. APLICAÇÃO SUBSIDIARIA. A Lei no 9.784/1999 não revogou as leis que disciplinam processos administrativos específicos, como o de determinação e exigência do crédito tributário, que segue regido pelo Decreto n° 70.235/1972, tendo a referida lei aplicação subsidiária. PRODUÇÃO DE PROVAS. FATO CONTROVERSO E RELEVANTE. CABIMENTO. A realização de diligência só deve ser deferida quando vise a apurar fato controverso e relevante para o julgamento do processo. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTANCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Não há que se falar ema nulidade da decisão de 1a. instancia que enfrenta todas as matérias objeto do litígio. VENDA DE IMÓVEL RURAL AO INCRA. IMUNIDADE. NÃO RECONHECIMENTO. A imunidade prevista no art. 184, §5°, da Constituição Federal, é aplicável apenas aos casos de desapropriação, não alcançando a venda de imóveis rurais, mesmo que se destinem à reforma agrária. Preliminares Rejeitadas. Recurso Negado. Fl. 3714DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório FAZENDA ELDORADO S. A. recorre a este Conselho contra o acórdão proferido pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal, em primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Tratase de impugnação apresentada contra lançamento que, constatando exclusão indevida do lucro liquido do exercício na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL, formalizou a exigência de crédito no montante de R$ 90.124.917,24, compreendendo tributo, multa e juros, tendo por fundamento normativo o art. 250, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda RIR, e demais dispositivos mencionados nos autos de infração de fls. 1.031 a 1.038. Entendeu a Fiscalização que o valor excluído na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL corresponde a venda de imóveis ao INCRA, operação essa sujeita A incidência de ambos os tributos, porquanto a isenção prevista no art. 423 do RIR restringese apenas As operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. Não resignada, a contribuinte apresentou impugnação, arguindo em preliminar a nulidade do lançamento, motivada pela inobservância dos termos do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF que lhe deu origem, especialmente quanto ao período, tributos passíveis de serem fiscalizados e local de fiscalização. 0 auto de infração também deve ser cancelado, afirma a impugnante, em razão da perda de eficácia do termo de inicio de procedimento fiscal, já que não foi prorrogado, por escrito, dentro do prazo de sessenta dias de sua emissão. Fl. 3715DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 3 Por outro lado, a impugnante não teria sido intimada previamente para se manifestar sobre o encerramento da fase de instrução, como determina o art. 44 da Lei n° 9.784/1999. Afirmou a contribuinte que o lançamento carece de fundamentação jurídica e de motivos de direito. Os autos de infração deveriam indicar os dispositivos que estabelecem a sujeição passiva e os relativos A base de cálculo e aliquota, j á que os dispositivos mencionados não demonstram os elementos que formam a regra matriz de incidência. Referida omissão impediria a exata compreensão do lançamento. Estaria ausente também a demonstração das razões jurídicas necessárias para à realização do ato administrativo. Tudo isso teria acarretado cerceamento de defesa. O exercício do direito A ampla defesa também foi cerceado pela falta de apresentação de cópia integral dos autos de infração e de seus anexos. Além disso, o próprio levantamento fiscal seria precário. A Fiscalização teria deixado de apurar o suposto ganho de capital auferido, considerando como tal a totalidade do preço. Ignorou também o fato de que parte do pagamento se fez mediante emissão de títulos da divida agrária, resgatáveis em períodos subsequentes. A par desses fatos, a invalidade do lançamento viria também da ilegitimidade passiva da impugnante, que só realizou a venda dos imóveis ao INCRA confiando em que não estaria obrigada ao IRPJ e A CSLL, como prescreve o art. 10, §3°, do Decreto n° 433/1992. Assim, concluiu a impugnante que não existe nexo de causalidade entre a pessoa do infrator e o ato tido como infração (sic). A responsabilidade, portanto, seria do INCRA e da própria Unido, que deveriam ter ofertado A impugnante um valor para a compra dos imóveis, expondo os encargos de IRPJ e CSLL, e não deveriam ter assinalado na nota de empenho tratarse de operação de desapropriação. Dispõe o art. 137 do Código Tributário Nacional — CTN que a responsabilidade por infrações é pessoal. Nesse caso, ela deve recair sobre o agente que a cometeu. Assim, devem ser responsabilizados o INCRA e a União, que induziram a impugnante a vender os imóveis sem qualquer encargo ou tributação. A impugnante, que agiu todo tempo de boafé, não pode ser responsabilizada. Os autos de infração são nulos por faltar intimação à União e ao INCRA para se manifestarem como responsáveis tributários, já que ambos têm interesse comum na situação que consistiu fato gerador da obrigação tributária. No mérito, alegou que as regras de imunidade, diferentemente das que concedem isenção, devem ser interpretadas teleologicatnente, buscando a intenção do constituinte, de modo a assegurar As normas constitucionais a máxima efetividade. Assim deve ser feito com o disposto no art 184, §5°, da Constituição Federal, que prevê imunidade para as operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. Teria sido da mesma forma desrespeitada a imunidade consagrada no art. 150, inciso VI, letra "a", da Constituição Federal, já que o INCRA, ao adquirir os imóveis, agiu representando a Unido, cujo patrimônio acaba sendo afetado pela tributação. E que a incidência de IRPJ e de CSLL repercute no preço, que, sendo pago pelo adquirente, se reflete ao final sobre o patrimônio. Fl. 3716DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 4 Além da imunidade, ampara a impugnante a isenção prevista no art. 10, §3°, do Decreto n° 433, que limita o ônus tributário a taxas, custas, impostos e demais emolumentos inerentes a escritura. A Fiscalização teria deixado de considerar que os imóveis foram adquiridos em 1960 e, com o fator de redução, o ganho de capital seria reduzido em 100%, tal como previsto no art. 18, da Lei n° 7.713/1988. Houve erro também na apuração do ganho de capital. Primeiro porque ele foi confundido com a expressão do valor total da alienação; depois, porque se ignorou que a impugnante recebeu o pagamento em TDA, para resgate a prazo, deixando a Fiscalização de aplicar o disposto no art. 21, da aludida Lei n° 7.713. Ao final, requereu a realização de perícia, a fim de sanar dúvidas sobre a veracidade das informações prestadas pela impugnante, desde logo formulando quesitos e indicando o perito. Com esses fundamentos, pugnou pelo cancelamento dos autos de infração. A decisão recorrida está assim ementada: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PRORROGAÇÃO. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Eventual irregularidade na prorrogação do mandado de procedimento fiscal não gera nulidade do lançamento, sobretudo quando dela não tenha decorrido prejuízo para o contribuinte. PRODUÇÃO DE PROVAS. FATO CONTROVERSO E RELEVANTE. CABIMENTO. A realização de diligência só deve ser deferida quando vise a apurar fato controverso e relevante para o julgamento do processo. PROCESSO ADMINISTRATIVO. LEI 9.784/1999. APLICAÇÃO SUBSIDIARIA. A Lei no 9.784/1999 não revogou as leis que disciplinam processos administrativos específicos, como o de determinação e exigência do crédito tributário, que segue regido pelo Decreto n° 70.235/1972, tendo a referida lei aplicação subsidiária. VENDA DE IMÓVEL RURAL AO INCRA. IMUNIDADE. NÃO RECONHECIMENTO. A imunidade prevista no art. 184, §5°, da Constituição Federal, é aplicável apenas aos casos de desapropriação, não alcançando a venda de imóveis rurais, mesmo que se destinem à reforma agrária. Impugnação Improcedente. Credito Tributário Mantido. Cientificada da aludida decisão em 8/11/2010 (fl. 3038), a contribuinte apresentou em 24/11/2010 o recurso voluntário, fls. 3039 e seguintes, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, argüiu sua nulidade, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final requer (verbis): 117. Por tudo o que foi exposto, requer a Recorrente o provimento do presente Recurso Voluntário para ser cancelado o Acórdão recorrido em razão de não ter deferido o pedido de perícia e diligência e apreciado diversas e importantes Fl. 3717DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 5 razões de defesa conforme defendido no tópico 11.1.1. com o retorno dos autos para primeira instância para novo julgamento. 118. Requer, sucessivamente, caso não existe este cancelamento, que seja reformado o Acórdão recorrido com o cancelamento total do lançamento realizado do IRPJ e da CSLL. 119. Reitera, também, a realização da perícia e diligência na forma pleiteada no tópico Ill, no qual estão satisfeitos os pressupostos exigidos pelo artigo 16, inciso IV c/c §1° do Decreto n° 70.235, de 06 de março de 1972. É o relatório. Fl. 3718DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 6 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Passo a apreciar as alegações recursais. DAS PRELIMINARES DE NULIDADE DA AÇÃO FISCAL E DO AUTO DE INFRAÇÃO De inicio, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração por vicio no Mandado de Procedimento Fiscal, em face do entendimento majoritário neste Conselho de que o MPF se constitui em instrumento de controle administrativo. Eventuais vícios nos Mandados de Procedimento Fiscal não têm o condão de acarretar a nulidade dos presentes Autos de Infração, conforme demonstrase a seguir. Para análise da questão colocada impõese destacar, primeiramente, o conteúdo do artigo 142 do Código Tributário Nacional e de seu parágrafo único: “Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único A atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional”. Do conceito legal expresso no citado artigo, depreendese que o lançamento é indelegável e privativo da autoridade administrativa devidamente investida nessa competência. A Lei nº 2.354/54, artigo 7º, e o Decreto 2.225/85, expressamente estabelecem a competência exclusiva do Auditor Fiscal da Receita Federal para execução do lançamento tributário. Por outro lado, do parágrafo único do artigo 142 do CTN extraise que o lançamento deve ser presidido pelo princípio da legalidade, além de constituirse num dever indeclinável, uma vez constatada a ocorrência de fato gerador da obrigação principal ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória. Fl. 3719DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 7 No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, regulado pelo Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, são considerados nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente (artigo 59, inciso I) e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa (artigo 59, inciso II). A lavratura de Auto de Infração em desacordo com o MPF não configura a hipótese de nulidade do lançamento prevista no inciso I do artigo 59 do Decreto nº 70235/72, uma vez que a competência para a execução dessa atividade, deferida de forma exclusiva ao Auditor Fiscal da Receita Federal só pode ser retirada por norma veiculada em legislação complementar ou ordinária . O Mandado de Procedimento Fiscal foi instituído pela Portaria SRF nº 1.265/99, com o objetivo de regular a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), sendo instrumento de controle administrativo. Já as normas que se referem aos procedimentos de fiscalização visam o disciplinamento de sua execução e, ao tempo em que constituem instrumento para a Administração Tributária, preservam direitos do cidadão perante o Estado. Assim, o MPF não tem o condão de restringir a competência do AFRF designado, para fins de constituição do crédito tributário. A natureza indisponível deste sobrepõese, indubitavelmente, àquela norma de caráter meramente administrativo. A limitação da atividade de fiscalização do AFRF trazida pela norma administrativa, portanto, não desonera o agente fiscal da atividade obrigatória e vinculada do lançamento, sob pena, inclusive, de cometimento de ato de improbidade administrativa, capitulada nos artigos 10, inciso X, e 11, inciso II, da Lei nº 8.429 de 02/06/92, in verbis: “Art. 10 Constitui ato de improbidade administrativa que causa lesão ao erário qualquer ação ou omissão, dolosa ou culposa, que enseje perda patrimonial, desvio, apropriação, malbaratamento ou dilapidação dos bens ou haveres das entidades referidas no artigo 1o. dessa Lei, notadamente: (...) X Agir negligentemente na arrecadação de tributo ou renda” “Art. 11 Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições e, notadamente: (...) II retardar ou deixar de praticar indevidamente, ato de ofício”. Portanto, não procedem as alegações de nulidade dos Autos de Infração por vícios dos Mandados de Procedimento Fiscal, entendimento esse corroborado por reiteradas decisões do Conselho de Contribuintes, conforme demonstram os julgados abaixo exemplificativamente transcritos: Fl. 3720DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 8 “PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário.“ (1º Conselho de Contribuintes – 6ª Câmara / Acórdão nº 10612.941 em 16.10.2002 – DOU 02.12.2002) “MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS.INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF ) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A nãoobservância na instauração ou na amplitude do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente que o praticou.” (1º Conselho de Contribuintes – 7ª Câmara / Acórdão nº 10706797 em 18.09.2002 – DOU 10.12.2002) Quanto as demais preliminares de nulidade do auto de infração e do procedimento fiscal, nada cabe acrescentar as fundamentos da decisão recorrida, a seguir transcritos: Ausência de intimação ao final da fiscalização e antes do lançamento A impugnante alega como motivo de nulidade do lançamento a ausência de intimação, na forma do art. 44, da Lei n° 9.784, que assim dispõe: Art. 44. Encerrada a instrução, o interessado terá o direito de manifestarse no prazo máximo de dez dias, salvo se outro prazo for legalmente fixado. 0 dispositivo, embora determine a intimação ao interessado para que se manifeste após a instrução, não se aplica aos procedimentos inerentes à fiscalização tributos, que permanecem disciplinados por legislação especifica. A Lei n° 9.784, conquanto regule o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, não derrogou as leis especificas, de sorte que o processo de determinação e exigência do crédito tributário segue sob a disciplina do Decreto n° 70.235, aplicandose as disposições daquela lei apenas em caráter subsidiário, como dispõe seu art. 69: Art. 69. Os processos administrativos especificos continuarão a reger se por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. Afastase, também aqui, a preliminar de nulidade. Fl. 3721DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 9 Falta de apresentação de cópia do auto de infração e anexos Arguiuse o cerceamento do direito de defesa, já que não teriam sido apresentados os autos de infração e os anexos. A alegação não pode ser acolhida. O Aviso de Recebimento de fl. 1.050 demonstra que os auto de infração foi efetivamente entregue á. impugnante. Já a alegação de que não foram entregues os anexos ao auto de infração é completamente desprovida de fundamento, uma vez que o auto de infração não possui nenhum demonstrativo ou relatório anexo. Portanto, nada mais havia de ser entregue além do próprio auto de infração. Notese que a Fiscalização não está obrigada a reproduzir todos os elementos de prova constantes dos autos e remetêlos ao contribuinte. Os documentos devem estar reunidos nos autos do processo, os quais, por sua vez, permanecem à disposição do interessado para vista e para a extração de cópias, na forma do inciso II, do art. 3°, da Lei n° 9.784: Art. 3o. 0 administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: II ter ciência da tramitação dos processos administrativos ern que tenha a condição de interessado, ter vista dos autos, obter cópias de documentos neles contidos e conhecer as decisões proferidas; Observese que não há nenhum indicio de que a impugnante tentou ter vista dos autos ou obter cópia de documentos, sem que fosse atendida pela autoridade a quo. Inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito Sustenta a impugnante que não há descrição adequada dos motivos de direito que deram ensejo à lavratura do auto de infração, e que os dispositivos legais citados não demonstram os elementos constitutivos da regramatriz do tributo. 0 fato considerado como infração, motivador do lançamento contra o qual a impugnante se insurge, foi a exclusão indevida do valor de R$ 120.470.904,83 do lucro liquido do exercício, quando da apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esse fato está claramente descrito nos dois autos de infração, permitindo sem qualquer dificuldade a compreensão dos motivos do ato administrativo. Quanto ao enquadramento, também há referência clara aos dispositivos legais e regulamentares pertinentes ao imposto e A contribuição, bastando para comproválo o exame dos autos de infração, em especial o exame das fls. 1.036 e 1.044. Convém ressaltar, a propósito do enquadramento legal, que uma eventual imprecisão, ou mesmo uma omissão nesse ponto, não implicará necessariamente a nulidade do ato administrativo, se a descrição fática tiver Fl. 3722DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 10 sido feita com correção e com clareza, possibilitando, a despeito da irregularidade, o exercício do direito de defesa. Nessa hipótese, não terá havido prejuízo para o contribuinte, o que afasta o risco de nulidade. No caso em exame, não houve nenhum prejuízo para a impugnante, que pode exercer plenamente seu direito de defesa, o que se evidencia pela extensa impugnação, vertida em mais de trinta laudas. Digase, por último, que nenhum lançamento, seja qual for o tributo, pode ter a sua validade condicionada A. demonstração esquemática da chamada regramatriz de incidência, que nunca foi um conceito legal, mas sim uma construção doutrinária, que se presta ao estudo e compreensão do direito. Relevante registrar que os procedimentos adotados na ação fiscal e lavratura do auto de infração em nada implicaram em cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, muito menos desatendimento a normas processuais ou administrativas, logo, quaisquer outras falhas porventura existentes devem implicar na improcedência do lançamento e não nulidade. Rejeito, pois, as preliminares. DO PEDIDO DE PERICIA Quanto ao pedido de realização de perícia, os fundamentos da decisão recorrida, a seguir transcritos também não merecem reparos: “A impugnante requereu a realização de perícia a fim de confirmar a veracidade das informações por ela prestadas, formulando desde logo os quesitos e indicando, na forma do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, os respectivos quesitos. Dispõe o art. 18 do referido decreto que "a autoridade julgadora de primeira instância determinará, de oficio ou a requerimento do impugnante, a realização de diligencias ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis". No mesmo sentido aponta o §20 do art. 38 da Lei n° 9.784/1999, de aplicação subsidiária ao processo administrativo tributário, quando reza que "somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias". Os dispositivos citados, alinhados aos princípios da economia e da celeridade, exigem para o deferimento da prova pericial ou da diligencia que ela preencha simultaneamente aos requisitos pertinência, necessidade e possibilidade. No caso em exame, entretanto, está ausente o requisito necessidade. Embora a impugnante afirme que a perícia se destina a comprovar as informações prestadas, os quesitos revelam que o verdadeiro escopo da perícia é apontar os valores atribuidos aos imóveis, para fins de apuração do ganho de Fl. 3723DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 11 capital. Este não é o ponto em torno do qual gira a solução do problema. E, mesmo que o dado fosse imprescindível, ele poderia ser obtido pelo mero exame dos documentos acostados aos autos, para o qual não se requer conhecimento técnico a exigir a intervenção de perito. Evidenciase, pois, que a intenção da contribuinte é utilizar a pericia para ganhar tempo e produzir as provas que deveria ter trazido aos autos com a impugnação ou recurso voluntário, pelo que deve mesmo ser indeferida. DA NULIDADE DA DECISÃO DE 1A. INSTANCIA. A recorrente aduz que a decisão de 1a. instancia deixou de apreciar as seguintes matérias argüidas em sua defesa inicial: i) Não analisou os efeitos do artigo 196 do CTN tendentes a cancelar o lançamento fiscal por não ter sido respeito o prazo máximo do Termo de Inicio da Ação Fiscal (Tópico II.1.2); ii) Não analisou os argumentos relacionados a nulidade dos Autos de Infração por ter sido realizado um Levantamento Fiscal Precário sem análise e apuração de importantíssimas questões de fato e de direito necessárias para a realização do lançamento tributário (Tópico II.1.5); iii) Não analisou os argumentos relacionados ao cerceamento do direito de defesa da Recorrente como algo importantíssimo por ocasionar nulidade dos lançamentos tributários realizados (Tópico II.1.6); iv) Não analisou os argumentos relacionados a ilegitimidade da Recorrente por aplicação dos artigos 136,e 137 do CTN e artigo 10, Parágrafo 3° do Decreto n° 433/1992, bem como a responsabilidade do INCRA e da União Federal no crédito tributário se ele for realmente devido(Tópico II.1.8).; e v) Não analisou os argumentos relacionados a necessidade do INCRA e da União Federal terem sido intimados dos lançamentos tributários realizados (Tópico II.1.11). Compulsandose os autos verificase que a decisão de 1a. instancia enfrentou objetivamente todas as alegações do contribuinte, em especial o argumento de que a responsabilidade tributária seria do adquirente, INCRA, em face do disposto no art. 137 CTN e artigo 10, Parágrafo 3° do Decreto n° 433/1992, senão vejamos: “ Ausência de imunidade e de isenção Diferentemente do que sustenta a impugnante, a operação de venda de imóveis rurais ao INCRA, ainda que destinados à reforma agrária, não se faz ao abrigo de imunidade, nem de isenção. Não se aplica, ao caso, a imunidade prevista no §5º do art. 184 da Constituição Federal. O dispositivo se refere às operações de transferência de imóveis Fl. 3724DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 12 desapropriados para fins de reforma agrária. A imunidade tem por pressuposto a desapropriação, que não se confunde com o negócio jurídico de compra e venda, o qual depende de manifestação de vontade do proprietário, que pode, se o preço ou as condições não lhe agradarem, recusar o negócio. A liberdade que está presente na venda e não existe na desapropriação justifica o tratamento tributário distinto. A interpretação teleológica, defendida pela impugnante, não pode produzir um resultado que o constituinte não pretendeu, pois se fosse sua intenção equiparar, para fins de imunidade tributária, a desapropriação e a compra de imóveis rurais, para fins de reforma agrária, ele o teria feito de forma expressa, sobretudo considerando que os imóveis produtivos não são passíveis de desapropriação (art. 185, II, CF). A redação do dispositivo constitucional, portanto, não foi obra do acaso, nem descuido do legislador, foi uma escolha que o aplicador da lei deve respeitar. É igualmente inaplicável a chamada imunidade recíproca. A afirmação de que o IRPJ e a CSLL repercutem no preço do bem vendido é, em si, discutível. Entretanto, mesmo que, no plano econômico, esse efeito se verificasse, isso não justificaria elastecer a imunidade recíproca para alcançar os bens adquiridos pela União, Estados, Distrito Federal, Municípios e suas autarquias. Se fosse assim, não poderia incidir ICMS sobre os produtos adquiridos pela União ou ISS pelos serviços a ela prestados. Quanto à suposta isenção concedida pelo art. 10, §3º do Decreto nº 433, tratase de um equívoco de interpretação. Este é o conteúdo do dispositivo: §3° Deverá constar na escritura que o vendedor se responsabiliza, integralmente, pelas obrigações trabalhistas, resultantes de eventuais vínculos empregatícios, mantidos com os que trabalhem ou tenham trabalhado no imóvel sob aquisição e por quaisquer outras reclamações de terceiros, inclusive por aquelas relativas a indenizações por benfeitorias, bem como pelo pagamento das taxas, custas, impostos e demais emolumentos inerentes à lavratura. A referência à responsabilidade do vendedor pelo pagamento das taxas, custas, impostos e demais emolumentos inerentes à escritura não autoriza a conclusão de que o dispositivo esteja a excluir a incidência de todos os demais tributos, a conceder isenção ou qualquer benefício fiscal. A Constituição Federal, no §6º do art. 150, estabelece que todo benefício fiscal deva ser concedido por lei específica. Já o CTN, no art. 176, diz que a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Tanto à luz da Constituição Federal, quanto à luz do CTN, nenhuma isenção pode ser concedida por decreto. Portanto, mesmo que o Decreto nº 433 concedesse isenção, o que à toda evidência não ocorre, o referido benefício seria inexistente, em razão da inidoneidade do instrumento utilizado. Ilegitimidade passiva e boafé A impugnante alega não ser parte legítima para figurar no polo passivo, no qual deveriam estar a União e o INCRA. Fl. 3725DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 13 Ninguém pode figurar, a um só tempo, nos polos ativo e passivo de uma relação obrigacional. Não se pode ser credor e devedor da mesma prestação. Quando isso ocorre, a obrigação se extingue. Isso se aplica à União, que não pode ser devedora de IRPJ e de CSLL, uma vez que são tributos cuja competência lhe pertence. Portanto, pretender que a União e o INCRA integrem o polo passivo tangencia o absurdo. No mais, ambos os tributos incidem sobre o lucro, que não foi auferido nem pela União, nem pelo INCRA, mas pela impugnante. No que tange à alegada boafé, ela não torna improcedente o lançamento, nem descaracteriza a infração, porquanto, nos termos do art. 136 do CTN, a responsabilidade por infrações, em princípio, independe da intenção do agente, vale dizer, da existência de dolo. A impugnante afirmou ainda ter sido induzida pelo INCRA e pela UNIÃO a realizar a venda, omitindo a incidência do IRPJ e da CSLL. Esse fato, mesmo que seja verdadeiro (não há prova nesse sentido), não produz nenhum efeito no plano tributário, restando à impugnante buscar em juízo, com fulcro no §6º do art. 37 da Constituição Federal, a reparação de um possível dano material. (...) Grifei. Portanto, todas as preliminares devem mesmo serem rejeitadas. MÉRITO No mérito está patente que não cabe razão ao recorrente. A questão em litígio é óbvia: a empresa alienou terra nua ao INCRA, e deveria ter tributado integralmente o resultado da venda. Todavia efetuou a exclusão indevida da importância de R$ 120.470.904,83 do lucro líquido do exercício, na apuração da base de cálculo do IRPJ e da CSLL. A decisão recorrida foi precisa ao esclarecer que “A apuração exata do ganho de capital, portanto, só seria importante na hipótese de se admitir a imunidade ou a isenção. Porque, nesse caso, teria o lançamento de ser mantido na parte que correspondesse à diferença entre a receita de venda e o ganho de capital, ou seja, ainda assim subsistiria uma parte do crédito tributário. Daí se conclui que a alegação de que o levantamento foi precário, não apurando o ganho de capital, não concedendo reduções, nem diferindo a tributação de parte do preço, é impertinente, já que o problema concretamente gira em torno da exclusão de R$ 120.470.904,83”. Logo, resta apenas verificar se alguma parcela desse valor deve ser excluída da tributação tal qual alega do contribuinte. Em primeiro lugar reiterese que a operação de venda de imóveis rurais ao INCRA, ainda que destinados à reforma agrária, não se faz ao abrigo de imunidade, nem de isenção. Repitase que não se aplica, ao caso, a imunidade prevista no §5º do art. 184 da Constituição Federal. “O dispositivo se refere às operações de transferência de imóveis desapropriados para fins de reforma agrária. A imunidade tem por pressuposto a Fl. 3726DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 14 desapropriação, que não se confunde com o negócio jurídico de compra e venda, o qual depende de manifestação de vontade do proprietário, que pode, se o preço ou as condições não lhe agradarem, recusar o negócio. A liberdade que está presente na venda e não existe na desapropriação justifica o tratamento tributário distinto.” Caso a Constituição Federal tivesse a intenção de equiparar, para fins de imunidade tributária, a desapropriação e a compra de imóveis rurais, para fins de reforma agrária, teria feito de forma expressa, especialmente considerando que os imóveis produtivos não são passíveis de desapropriação (art. 185, II, CF). A Constituição Federal, no §6º do art. 150, estabelece que todo benefício fiscal deva ser concedido por lei específica. Já o CTN, no art. 176, diz que a isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo caso, o prazo de sua duração. Enfim, não há mesmo lei vigente que estabeleça isenção de tributos sobre o ganho de capital na venda de imóvel rural (terra nua) por contribuinte pessoa jurídica. A recorrente repisa a alegação no sentido de que não foram observadas as normas contidas na Lei nº 7.713/1988, que estabelecem redução do ganho de capital segundo a data de aquisição do imóvel; nem o diferimento da tributação, considerando que parte do preço foi pago mediante a entrega de TDA. Tal questão foi adequadamente enfrentada na decisão recorrida: os dispositivos da Lei nº 7.713, em especial os arts. 18 e 21, regulam o Imposto de Renda das pessoas físicas, sendo, por essa razão, inaplicável ao lucro das empresas. O próprio Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/1999 trata essa isenção (redução do ganho tributável) no art. 139, que dispõe: Art. 139. Na alienação de imóvel adquirido até 31 de dezembro de 1988, poderá ser aplicado um percentual fixo de redução sobre o ganho de capital apurado, segundo o ano de aquisição ou incorporação do bem, de acordo com a seguinte tabela (Lei nº 7.713, de 1988, art. 18) Observase que esse dispositivo encontrase no Livro 1, Tributação das Pessoas Físicas. Inexistindo qualquer norma semelhante nos dispositivos que regem a tributação das pessoas jurídicas. A Lei 7.713 de 1988, matriz legal dessa isenção, tratou exclusivamente da tributação das pessoas físicas. Espancando quaisquer dúvidas quanto a aplicação desse benefício apenas às pessoas físicas vejamos a redação original da norma instituidora do mesmo. DECRETOLEI Nº 1.641, DE 7 DE DEZEMBRO DE 1978. Altera a legislação do Imposto de Renda das pessoas físicas Fl. 3727DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 15 Art 1º Constitui rendimento tributável o lucro apurado por pessoa física em decorrência de alienação de imóveis, no que exceder a Cr$4.000.000,00 (quatro milhões de cruzeiros) no anobase. Art. 1º Constitui rendimento tributável o lucro apurado por pessoa física em decorrência de alienação de imóveis efetuada no anobase. (Redação dada pelo Decretolei nº 1.950, de 1982) (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 1º No caso de pessoa física equiparada à empresa individual, nos termos dos DecretosLeis nº 1.381, de 23 de dezembro de 1974, alterado pelo de nº 1.510, de 27 de dezembro de 1976, o disposto neste artigo somente será aplicável aos imóveis não alcançados pela equiparação e àqueles não computados na apuração do lucro da empresa. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 2º Para os efeitos do disposto neste artigo consideramse: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) I Imóveis os bens definidos no artigo 43 do Código Civil; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) II Alienação as operações que importem na transmissão ou promessa de transmissão, a qualquer título, de imóveis ou na cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por: compra e venda, permuta, adjudicação, dação em pagamento, doação, desapropriação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos à aquisição de imóveis e contratos afins em que haja transmissão de imóveis ou cessão de direitos à sua aquisição. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) III Data de aquisição ou de alienação aquela em que foi celebrado o contrato inicial da operação imobiliária correspondente, ainda que através de instrumento particular. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 3º Quando se tratar de alienação de imóvel edificado em terreno próprio, será considerada, para efeito do disposto no item III do parágrafo anterior, a data de aquisição do terreno. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 4º A data de aquisição ou de alienação constante de instrumento particular só será aceita pela autoridade fiscal, se favorável aos interesses da pessoa física, quando atendida pelo menos uma das seguintes condições: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) o instrumento tiver sido registrado no Registro Imobiliário ou no Registro de Títulos e Documentos, no prazo de 30 (trinta) dias contados da data dele constante; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) b) houver conformidade com cheque nominativo pago ou nota promissória registrada, dentro do prazo de 30 dias contados da data do instrumento; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) c) houver conformidade com lançamentos contábeis da pessoa jurídica, atendidos os preceitos da legislação em vigor; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) d) houver menção expressa da operação nas declarações de bens da parte interessada, apresentadas tempestivamente à repartição competente, juntamente com as declarações de rendimentos. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Fl. 3728DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 16 § 5º O disposto neste artigo não se aplica às doações em adiantamento da legítima e às efetuadas às entidades enumeradas nos artigos 110 e 113 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 76.186, de 02 de setembro de 1975. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art 2º O rendimento de que trata o artigo anterior será tributado na declaração de rendimentos, através de uma das formas seguintes, à opção do contribuinte: (Vide Decretolei nº 1.814, de 1983) (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) I inclusao na cédula H; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) II mediante aplicação da alíquota de 25% (vinte e cinco por cento), sobre os lucros apurados, sem direito a abatimentos e reduções por incentivos fiscais. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 1º Considerase lucro a diferença entre o valor de alienação e o custo corrigido monetariamente, segundo a variação nominal das Obrigações Reajustáveis do tesouro Nacional. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) § 2º Considerase valor da alienação: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) o preço efetivo da operação de venda ou da cessão de direitos; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) b) o valor efetivo da contraprestação nos demais casos de alienação; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) c) o valor de mercado nas operações a título gratuito. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) 3º Integram o Custo: (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) a) o preço de aquisição; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) b) os dispêndios com a construção, ampliação e reforma, desde que os projetos tenham sido aprovados pelos órgãos competentes; (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) c) os juros pagos por empréstimos contraídos para financiamento das operações mencionadas nos itens anteriores quando não computados na declaração de rendimentos como abatimento ou dedução cedular.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) d) outros gastos que vierem a ser relacionados pelo Ministro da Fazenda. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) 4º Na apuração do montante tributável, o rendimento será reduzido pela aplicação do percentual de 10% (dez por cento) por ano completo transcorrido entre a data de aquisição e a de alienação do imóvel. § 4º Na apuração do montante tributável, o rendimento será reduzido pela aplicação do percentual de 5% (cinco por cento) por ano completo transcorrido entre a data da aquisição e a da alienação do imóvel.(Redação dada pelo Decreto lei nº 1.790, de 1980) (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Fl. 3729DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O Processo nº 14120.000001/201082 Acórdão n.º 140200.928 S1C4T2 Fl. 0 17 Art 3º O imposto de transmissão pago pelo alienante na aquisição dos imóveis que deram origem à tributação prevista no artigo 1º, constitui crédito a ser deduzido do imposto de renda. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Parágrafo único O crédito de que trata este artigo não poderá exceder a diferença entre o imposto líquido devido sem a inclusão do rendimento e o imposto líquido devido com a inclusão do mesmo rendimento.(Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) Art 4º O Ministro da Fazenda poderá baixar normas complementares necessárias à aplicação do disposto nos artigos anteriores. (Revogado pela Lei nº 7.713, de 1988) (...) Constatase que no art. 1o. do Decretolei 1641/1978 está expressa sua aplicação apenas às pessoas físicas. Em verdade o benefício foi revogado pela Lei 7.713/1998, mas, por se tratar de uma isenção a titulo oneroso, a lei preservou o direito adquirido, daí a tabela estabelecendo o percentual a ser observado a cada ano de aquisição. Quanto as demais matérias de mérito, adoto os fundamentos da decisão de 1a. instância que, a meu ver, está irretocável. Logo, também no mérito não cabe razão ao recorrente. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 3730DF CARF MF Impresso em 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE O, Assinado digitalmente e m 01/06/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 29/05/2012 por LEONARDO HE NRIQUE MAGALHAES DE O
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