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Numero do processo: 13629.000179/2006-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Exercício: 2002, 2003, 2004
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE.
DECLARAÇÕES ZERADAS. CONSTATAÇÃO DO AUFERIMENTO DE
RECEITAS TRIBUTÁVEIS. - Caracterizada a omissão de rendimentos
tributáveis escriturados pelo contribuinte, mas não declarados, correto o lançamento.
MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE. - A apresentação de
declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada.
Descabe a aplicação da multa agravada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados no livro caixa.
Numero da decisão: 1103-000.502
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR provimento parcial para reduzir a multa de oficio para 75%.Vencido o Conselheiro Aloysio Jose Percinio da Silva que votou pela manutenção da multa qualificada (150%). 0 Conselheiro Marcos
Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: HUGO CORREIA SOTERO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2002, 2003, 2004 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DECLARAÇÃO DE INATIVIDADE. DECLARAÇÕES ZERADAS. CONSTATAÇÃO DO AUFERIMENTO DE RECEITAS TRIBUTÁVEIS. - Caracterizada a omissão de rendimentos tributáveis escriturados pelo contribuinte, mas não declarados, correto o lançamento. MULTA AGRAVADA. INADMISSIBILIDADE. - A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação da multa qualificada. Descabe a aplicação da multa agravada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados no livro caixa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR provimento parcial para reduzir a multa de oficio para 75%.Vencido o Conselheiro Aloysio Jose Percinio da Silva que votou pela manutenção da multa qualificada (150%). 0 Conselheiro Marcos Shigueo Takata acompanhou o relator pelas conclusões, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. , ALOYSIO jOSETERCINIO DA SILVA - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aloysio José Percinio da Silva (Presidente), Hugo Correia Sotero (Vice Presidente), Mário Sérgio Fernandes Barroso, Marcos Shigueo Takata, Cristiane Silva Costa, Jose Sergio Gomes (Suplente Convocado). I 2 Processo no 13629.000179/2006-63 SI-C1T1 AcórdiIo n.° 1103-00.502. Fl. 235 Relatório Trata-se de lançamento de oficio formalizado contra a Recorrente em função da identificação, pela autoridade lançadora, de omissão de receitas tributáveis nos exercícios de 2002, 2003 e 2004, com a conseqüente constituição de credito tributário relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), à Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL), Contribuição para Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS). Do Termo de Verificação Fiscal (fls. 57-65), consta: "Nos exercícios 2001 e 2002 o contribuinte apresentou declarações simplificadas com faturamentos zerados. Tambéin fez declaração simplificada no exercício 2003, embora afastado do SIMPLES a partir de janeiro de 2002. Estava omisso quanto As declarações dos exercícios 2004 e 2005. Apôs intimação, a sociedade empresária apresentou, em 27/10/2005, as Declarações de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ dos exercícios 2003, 2004 e 2005, com opção pelo lucro presumido. Nessas declarações, o contribuinte indicou a utilização de escrituração pelo livro Caixa (fichas "outras informações '9. A sociedade fiscalizada iniciou suas atividades em abril de 2002. Nesse ano, a receita bruta da atividade alcançou RS 3.783.975,26 e as receitas financeiras, R$ 13.897,94, conforme registros no Diário e Razão. Em 2003, a receita da atividade (receita operacional bruta deduzida das devoluções de vendas) chegou a R$ 8.809.309,94. Já ell? 2004, a receita da atividade foi de R$ 12.479.202,83. As receitas auferidas em 2003 e 2004 são as constantes dos Livros de Registro de Apuração do ICMS e tanibm declaradas pelo contribuinte nas DIPJ's apresentadas clurante a fiscalização, em 27/10/2005. A fiscalização, CO!!! base na escrituração contábil e fiscal apresentada, apurou o lucro presumido e as bases de cálculo das contribuições sociais (CSLL, PIS e COFINS) do período de 2002 a 2004 conforme demonstrativos de fis.. Constatou que a sociedade fiscalizada não recolheu e não declarou em DCTF os tributos devidos. E mais, só apresentou as declarações de informações econômico-fiscais da pessoa jurídica — DIPJ após intimação fiscal. Dessa forma, com base no art. 149 da Lei 5.172/66 (CTN) e art. 841 do RIR/99, formalizamos o Auto de Infração de IRPJ, lançando de oficio o imposto renda da pessoa jurídica. Os valores lançados estão discriminados nos "Demonstrativos de Situação Fiscal Apurada"." 3 A autoridade lançadora, entendendo configurados os requisitos estabelecidos no art. 44 da Lei if. 9.430/96, aplicou A. Recorrente multa qualificada (150%). Em face do lançamento apresentou o contribuinte impugnação (fls. 166-182), argüindo: (a) ilegalidade da desconsideração da escrituração fiscal do contribuinte; (b) impossibilidade de formalização do lançamento com esteio em meras presunções; e, (c) ilegitimidade da imputação de multa qualificada. A impugnação foi rejeitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Juiz de Fora (MG), sendo julgado procedente o lançamento por decisão assim ementada: "RECEITAS ESCRITURADAS E NÃO DECLARADAS. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO. Diante da falta de recolhimento do imposto, coube a autoridade fiscal efetuar o lançamento de oficio, com base na escrituração contábil e fiscal apresentada, consoante, ainda, com os valores declarados nas DIPJ apresentadas sob procedimento fiscal. MULTA DE OFICIO. CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICADORAS. Restando provada a ocorrência da circunstância qualificadora alegada pela fiscalização, imprescindível para o agravamento da multa, deve ct penalidade ser mantida em 150%. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Ano-calendario: 2002, 2003, 2004 PIS. COFINS. CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO. Enz se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base os mesmos fatos que ensejaranz o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejidgctdo na decisão dos decorrentes. Lançamento Procedente" Da decisão se extrai: "Conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal, de fls. 07/10 e Termo de Verificação Fiscal (TVF), de .fls. 57/65, a fiscalização, com base na escrituração contábil e fiscal apresentada, apurou o lucro presumido e as bases de calculo das contribuições sociais (CSLL, PIS e COFINS) do período de 2002 a 2004 conforme demonstrativos de fls. 66/71, lançando os tributos e contribuições devidos, após constatar que a fiscalizada não os recolheu, assim como não foram estes declarados em DCTF. Contudo, o autuante observa em seu Relatório, relativamente aos anos-calendário de 2003 e 2004, que "considerando os demais documentos disponibilizados (livros de apuração do ICMS, p.ex.), foi possível a .fiscalização levantar a receita bruta auferida pelo contribuinte e determinar o lucro presumido e as bases de calculo das contribuições. Os valores apurados estão impressos nas plain lhcts de .fls. 68/71 e são consoantes com os declarados pelo contribuinte em suas DIPJ's". (grifou-se) 4 Processo n" 13629.000179/2006-63 SI-C ITI Acórciao n.° 1103-00.502. Fl. 236 Já quanto ao ano-calendário autuado, de 2002, está claro no Relatório Fiscal, 11.59, que para esse ano a .fiscalização apurou o lucro prestunido e as bases de cálculo das contribuintes partir dos registros no Diário e Razão, conforme os valores discriminados nas planilhas dells. 66/67. Esclareça-se, no entanto, que a infração lançada não foi baseada na mera presunção de ocorrência do fato imponivel do tributo. Ao contrário, os tributos e contribuições lançados advêm de receitas da própria atividade da interessada, informadas em suas DIPJ dos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, ainda que entregues sob procedimento Resta cristalino, portanto, que a ação fiscal apurou os tributos e contribuições lançados no presente processo com base na receita bruta da atividade, devidamente registrada nos livros contábeis e fiscais da pessoa jurídica, consoante com os valores declarados nas DIPJ dos anos-calendário de 2002, 2003 e 2004, apresentadas durante a fase de fiscalização. de se manter, portanto, o levantamento fiscal, tal qual efetuado. Por certo, a aplicação da multa qualificada requer a plena identificacão do elemento subjetivo da prática dolosa, ou seja, um mero equivoco consubstanciado numa falta declaração ou numa declaração inexata não caracterizaria a hipótese tragada 170 art. 44, II, da Lei n. 9.430/1996, já que aquelas se subsumem ao que dispõe o inciso I do mesmo artigo (multa de 75%). Contudo, a prática reiterada do ato, na espécie correspondente tré.s anos-calendário consecutivos (2002 a 2004), e com o envolvimento de elevados valores que deixaram de ser recolhidos aos cofres públicos, fazem denotar o elemento subjetivo necessário e suficiente para a sanção de 150%." Contra a decisão interpôs o contribuinte o recurso voluntário de fls. 209-222, reproduzindo os argumentos expendidos na impugnação. o relatório. 5 Voto Conselheiro HUGO CORREIA SOTERO, Recurso tempestivo. Preenchidos os requisitos de admissibilidade. Como explicitado no relatório, o lançamento de oficio decorreu da verificação pela autoridade lançadora de omissão de receitas tributáveis nos anos de 2002, 2003 e 2004, tendo a Recorrente apresentado, em 2001 e 2002 declarações simplificadas com faturamentos zerados, e se omitido de apresentá-las nos anos de 2003 e 2004, sendo as declarações desconsideradas em face da existência de assentamentos contábeis que atestam a percepção de receitas tributáveis no período. Não há controvérsia quanto à efetiva percepção de receitas, fato comprovado pelos registros contábeis da própria Recorrente e nas declarações de ajuste apresentadas após a instauração do procedimento de fiscalização. Defende a Recorrente ter a autoridade lançadora indevidamente desconsiderado os seus registros contábeis, por imprestáveis, fato que ensejaria a nulidade do lançamento. A argumentação desenvolvida pela Recorrente mostra-se absolutamente dissociada da realidade, visto que, conforme expressamente consigna a autoridade lançadora no Termo de Verificação Fiscal, a apuração do crédito tributário se deu exclusivamente com base nas informações prestadas pelo contribuinte, que constavam ou de seus assentamentos contábeis ou das declarações de ajuste apresentadas após a instauração do procedimento de fiscalização. Assim, não houve desconsideração da contabilidade da Recorrente — o que redundaria inexoravelmente em arbitramento — e, por consequência, tenho por insubsistente a arguição de nulidade do lançamento. Ressalte-se que a Recorrente em nenhum momento discutiu os valores apurados pela autoridade lançadora — até porque estampados em sua contabilidade e nas declarações de ajuste extemporaneamente apresentadas —, cingindo-se a afirmar a existência de nulidade decorrente da desconsideração da escrita. Não havendo impugnação dos valores indicados pela fiscalização e afastada a suscitação de nulidade, é de se manter o lançamento. Em sequência, impõe-se considerar a argüição de ilegalidade da aplicação de multa agravada (150%). Defende a Recorrente que a aplicação da multa agravada somente se justifica quanto se descortina evidente intuito de fraude, o que não ocorreu no caso vertente, posto que o lançamento de oficio foi realizado com base em seus assentamentos contábeis e fiscais. De fato, pautou a autoridade lançadora seu atuar exclusivamente nos registros contábeis da Recorrente e nas informações prestadas em declarações de ajuste extemporaneamente apresentadas. 6 Processo n° 13629.000179/2006-63 S 1-C1T1 Acórdão n.° 1103-00.502. Fl. 237 Nesse caso, mantendo a Recorrente escrituração com todas as informações pertinentes aos fatos imponiveis, tendo sido possível à fiscalização obter dos correspondentes registros todos os elementos necessários à formação do crédito, descabe a aplicação de multa qualificada, posto que inexistente o intuito evidente de fraude. Nesse sentido o posicionamento deste Conselho: "MULTA AGRAVADA - Somente deve ser aplicada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendo-se a sua redução ao percentual normal de 75%, para os casos de receitas contabilizadas a menor, bem como para aquelas declaradas por valores inferiores aos contabilizados" (Acórdão 17'. 103-21162, 3` Camara, rel. Márcio Machado Caldeira, j. 27/02/2003) "MULTA AGRAVADA - A apresentação de declarações inexatas, por si só, não comporta a imputação de evidente intuito defraude, sonegação ou conluio para fins de aplicação (la multa qualificada. Descabe a aplicação da multa agravada quando, mesmo tendo informado receitas a menor, as receitas foram apuradas pela fiscalização a partir dos valores escriturados nos livros liscais do ICMS." (Acórdão n". 103-21586, 3". Câmara, rel. Paulo Jacinto do Nascimento, j. 14/04/2004) Corn estas considerações, conheço do recurso para dar-lhe parcial provimento, exclusivamente para reduzir a multa de oficio para 75%. 7 Process° n° 13629.000179/2006-63 SI-CIT1 Acórdão n.° 1103-00.502. Fl. 238 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se urn dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo 11, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009. Brasilia, JOSÉ ANTONIO DA SILVA Chefe de Equipe da la Camara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais-MF Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] corn Embargos de Declaração; 9
score : 1.0
Numero do processo: 10580.722354/2008-44
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE.
São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos
pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei
7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial
emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal
ou dos Municípios. Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-00.877
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007 ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido.
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MOLÉSTIA GRAVE. São isentos do imposto de renda os rendimentos de aposentadoria percebidos pelos portadores de moléstia grave descrita no inciso XIV do art. 6º da lei 7.713/1988, quando a patologia for comprovada, mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estado, do Distrito Federal ou dos Municípios. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Fl. 58DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Trata o presente de notificação de lançamento relativa ao imposto sobre a renda, exercício 2007, anocalendário 2006 (fls.3/6), por meio do qual formalizouse a exigência de imposto suplementar, no valor de R$773,59, acrescido de multa de ofício e juros de mora, em decorrência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social Petros (R$63.277,54), os quais foram declarados como isentos e não tributáveis, em razão de que os documentos apresentados pelo Contribuinte não foram conclusivos quanto à existência de cardiopatia grave e nem determinaram a data de início da doença. Insurgese o recorrente contra decisão da 3ª Turma da DRJ Salvador que não considerou o laudo médico apresentado para fins de isenção do imposto de renda sobre proventos recebidos por portador de moléstia grave. A decisão recorrida: fundamentase na assertiva de que o interessado não apresentou documento compatível com essa exigência, pois o laudo médico anexado não pode ser considerado laudo pericial oficial por não consta que o emitente estivesse no exercício de cargo que o autorizasse a se manifestar em caráter oficial em nome de qualquer serviço médico da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, sem qualquer indicação do cargo ou delegação de competência que autorize o profissional emitente a representar a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia em caráter oficial, o que impossibilita distinguir o laudo médico de um atestado particular emitido em um simples receituário, disponível a qualquer profissional médico que preste serviços à instituição que nele consta, sem a representar oficialmente. Ciência da decisão em 02/06/2010 e apresentação de recurso voluntário em 11/06/2010. Em sua peça recursal o recorrente apresenta laudo médico emitido pelo mesmo profissional, no intuito de comprovar que é portador de cardiopatia grave , desde 04/05/2001, e que o signatário do laudo a que se referiu a DRJ é representante do Estado. O recorrente informa, ainda, que não apresentou esse laudo antes por ter entendido ser desnecessário tendo em vista que a isenção já havia sido reconhecida pela fonte pagadora com base nos mesmos documentos que apresentara na impugnação. Requer prioridade de tramitação do processo com base no Estatuto do idoso. O processo foi distribuído a esse Conselheiro exclusivamente pelo sistema informatizado eprocesso. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722354/200844 Acórdão n.º 280200.877 S2TE02 Fl. 59 3 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O cerne do litígio é a isenção dos proventos recebidos pelos portadores de moléstia grave tipificada na Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. O artigo 6º da Lei n° Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com as alterações do art.47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992 e art. 30, § 2º da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, estabeleceu dois requisitos cumulativos para sua concessão dessa modalidade de isenção: a) os valores recebidos devem ser proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; e b) a moléstia deve estar prevista no texto legal e comprovada por meio de laudo médico pericial emitido pelo serviço médico oficial da União, Estados, Distrito Federal ou dos Municípios (a exigência do laudo médico oficial foi acrescentada pelo caput art. 30 da Lei nº 9.250/1995). Aqui já não se discute o cumprimento do primeiro requisito: proventos aposentadoria ou reforma. Cabe averiguar se foi cumprido o segundo dos requisitos, qual seja a comprovação da doença com laudo expedido por serviço médico oficial. O óbice apontado pela DRJ é a falta de comprovação de que o emitente do laudo apresentado pelo impugnante estava habilitado a assinar em nome do Órgão, uma vez que sequer constou no laudo o seu cargo, mas apenas a indicação de cardiologista. O recorrente fez aportar aos autos, juntamente como a peça recursal, novo laudo emitido pelo mesmo médico, Raimundo PereiraCRM 7075, desta vez com o carimbo de identificação o qual indica que o médico é Coordenador de Emergência do Hospital Geral Roberto Santos – HGRS, uma unidade médica do Estado da Bahia (fls. 48). Esse laudo identifica que o recorrente é portador de cardiopatia grave , desde 04/05/2001, conforme exames especificados no laudo. Entendo suprida a falta apontada pela DRJ. Diante do exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 60DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 61DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10580.722354/200844 Acórdão n.º 280200.877 S2TE02 Fl. 60 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.722354/200844 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802000.877. Brasília/DF, (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 62DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 63DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 14751.000188/2008-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
RECURSO GENÉRICO. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Reputase
não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha
sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o
pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito
fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem
pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em
que não foi contestado.
EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECISÃO ADMINISTRATIVA
IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE DE DISCURSÃO NO PRESENTE
FEITO. RETROATIVIDADE PREVISTA EM LEI.
A exclusão da empresa do SIMPLES, quando decorrente de processo
administrativo que verifica a extrapolação do valor máximo previsto para as
empresas de pequeno porte, não pode ser rediscutida no outro processo que
efetua o lançamento dos valores devidos em razão da mudança do
enquadramento.
De qualquer modo, correta a decisão que determina a retroatividade dos
efeitos da exclusão a partir do exercício seguinte àquele em que a receita
bruta foi superior ao máximo legalmente previsto, consoante determinação do
art. 9, II, 13, II, “a”, e 15, IV da Lei nº 9.317/1996.
COMPENSAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL ATRAVÉS DE
DARF’S.
A redação do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, vigente à época da ocorrência dos
fatos geradores, restringia a compensação de contribuições previdenciárias
aos crédito decorrentes de mesma natureza.
Sendo possível se discriminar a parte do montante pago através de DARF
relativo à contribuição previdenciária patronal, enquanto a empresa estava
recolhendo conforme sistemática do SIMPLES (art. 23 da Lei nº 9.317/1996),
deve ser efetuada a compensação, abatendo os referidos valores do total
lançado.
MANDADO DE SEGURANÇA. AUSÊNCIA DE EFEITO SUSPENSIVO.
LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE.
Correto o lançamento do crédito tributário pela autoridade fiscal que, além de
impedir a ocorrência da decadência, cujo prazo não se suspende, não verifica
qualquer causa de suspensão da exigibilidade.
MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As
contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na
hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova
redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei
nº 9.430/1996.
Numero da decisão: 2301-002.062
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, no mérito, para que a parte referente à contribuição previdenciária paga através de DARF´s, enquanto a empresa ainda estava vinculada ao SIMPLES, sejam destacados dos referidos pagamentos e utilizados como crédito da empresa, efetuando a compensação com os débitos contidos no presente lançamento; b) em
negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela manutenção da multa aplicada.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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PRECLUSÃO PROCESSUAL. Reputase não impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado que não configure matéria de ordem pública, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. DECISÃO ADMINISTRATIVA IRRECORRÍVEL. IMPOSSIBILIDADE DE DISCURSÃO NO PRESENTE FEITO. RETROATIVIDADE PREVISTA EM LEI. A exclusão da empresa do SIMPLES, quando decorrente de processo administrativo que verifica a extrapolação do valor máximo previsto para as empresas de pequeno porte, não pode ser rediscutida no outro processo que efetua o lançamento dos valores devidos em razão da mudança do enquadramento. De qualquer modo, correta a decisão que determina a retroatividade dos efeitos da exclusão a partir do exercício seguinte àquele em que a receita bruta foi superior ao máximo legalmente previsto, consoante determinação do art. 9, II, 13, II, “a”, e 15, IV da Lei nº 9.317/1996. COMPENSAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PATRONAL ATRAVÉS DE DARF’S. A redação do art. 89 da Lei nº 8.212/1991, vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, restringia a compensação de contribuições previdenciárias aos crédito decorrentes de mesma natureza. Sendo possível se discriminar a parte do montante pago através de DARF relativo à contribuição previdenciária patronal, enquanto a empresa estava recolhendo conforme sistemática do SIMPLES (art. 23 da Lei nº 9.317/1996), Fl. 154DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14751.000188/200873 Acórdão n.º 230102.062 S2C3T1 Fl. 141 2 deve ser efetuada a compensação, abatendo os referidos valores do total lançado. MANDADO DE SEGURANÇA. AUSÊNCIA DE EFEITO SUSPENSIVO. LANÇAMENTO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. POSSIBILIDADE. Correto o lançamento do crédito tributário pela autoridade fiscal que, além de impedir a ocorrência da decadência, cujo prazo não se suspende, não verifica qualquer causa de suspensão da exigibilidade. MULTA MORATÓRIA. PENALIDADE MAIS BENÉFICA. As contribuições sociais previdenciárias estão sujeitas à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso devendo observar o disposto na nova redação dada ao artigo 35, da Lei 8.212/91, combinado com o art. 61 da Lei nº 9.430/1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) por unanimidade de votos: a) em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário do contribuinte, no mérito, para que a parte referente à contribuição previdenciária paga através de DARF´s, enquanto a empresa ainda estava vinculada ao SIMPLES, sejam destacados dos referidos pagamentos e utilizados como crédito da empresa, efetuando a compensação com os débitos contidos no presente lançamento; b) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram pela manutenção da multa aplicada. MARCELO OLIVEIRA Presidente. LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, lavrada em 28/03/2008, em desfavor de ESCOLINHA RISQUE RABISQUE LTDA ME, face às contribuições devidas à Seguridade Social no importe de R$ 898.925,00 (oitocentos e noventa e oito mil e novecentos e vinte e cinco reais), incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais e empregados, correspondentes à parte da empresa, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade Fl. 155DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14751.000188/200873 Acórdão n.º 230102.062 S2C3T1 Fl. 142 3 laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, bem como a terceiros, conforme se depreende do Relatório Fiscal (fls. 38/40). Impende, ademais, destacar que a mencionada empresa fora excluída do sistema de arrecadação tributária SIMPLES, segundo Ato Declaratório Executivo do Delegado da Receita Federal do Brasil em João Pessoa de 03/10/2006, por ter excedido, no ano calendário 2003, o limite estabelecido pela legislação para as Empresas de Pequeno Porte e não ter requerido sua exclusão, consoante disposto no art. 14, inciso I, da Lei 9.317/96. O ato em referência expressa que a exclusão passará a ter efeito a partir de 01/01/2004. Insta salientar, ainda, que o Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino do Estado da Paraíba impetrou Mandado de Segurança Coletivo com Pedido de Liminar de fls. 97/105, com o fito de manter a empresa optante pelo SIMPLES. Inconformada, a ora Recorrente ofereceu Impugnação de fls. 46/64, tendo sido proferido acórdão de fls. 107/114 tendo julgado o lançamento procedente e mantido o crédito tributário, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCURIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 PREVIDÊNCIA. CUSTEIO. TRIBUTÁRIO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados contribuintes individuais e empregados, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as relativas a terceiros. COMPENSAÇÃO. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Compensação é possível apenas com contribuições recolhidas para a Seguridade Social, consoante preceitos contidos na Legislação Previdenciária. É competente para decidir pela exclusão do SIMPLES a Secretaria da Receita Federal. A empresa excluída do SIMPLES é obrigada a recolher as contribuições previdenciárias devidas a Seguridade Social e aquelas por ela arrecadadas para terceiros, incidentes sobre os valores pagos a todos os segurados que lhe prestem serviços, nos termos da legislação vigente. PROVA. ÔNUS Cabe à empresa o ônus de provar de forma inequívoca que as informações fornecidas por ela Fiscalização e que serviram de base ao lançamento estão incorretas. Lançamento Procedente Irresignada com a r. decisão, a empresa apresentou Recurso Voluntário de fls. 117/129, alegando, em síntese: a) Que não há permissivo legal na própria lei que trata da exclusão que venha a ensejar a retroatividade dos efeitos da mesma, haja vista o disposto no inciso II do art. 15 da Lei 9.317/96; Fl. 156DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14751.000188/200873 Acórdão n.º 230102.062 S2C3T1 Fl. 143 4 b) Que há diferença apurada no valor de R$ 7.442,31 (sete mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e trinta e um centavos); c) Que a condição de optante do SIMPLES não impede que ocorra a compensação entre verbas do mesmo, bem como créditos derivados de tributos alheio ao sistema; d) Que existe previsão de suspensão da exigibilidade do crédito tributário conforme disposto no art. 151, inciso III do Código Tributário Nacional, ante a existência de ação judicial em trâmite. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Preliminarmente Preclusão sobre matérias não impugnadas Os lançamentos da presente NFLD referemse à cobrança de contribuições devidas à Previdência Social, relativas à remuneração dos segurados contribuintes individuais e empregados, à parte da empresa, inclusive ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GILRAT, bem como a terceiros. Nas razões recursais ora em apreço, a Recorrente sequer se defendeu quanto ao mérito da questão acima exposto, já que em nenhum momento afirma que os valores apontados pela fiscalização não correspondem a fatos geradores de contribuições previdenciárias, ou seja, apresentou uma defesa genérica, não se desincumbindo do ônus da prova em contrário do afirmado pela fiscalização. Pois bem. A despeito de tal discussão, imperioso trazer a baila o que preconiza o art. 9º, §6º da Portaria nº 520, de 19 de maio de 2004, in verbis: Fl. 157DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14751.000188/200873 Acórdão n.º 230102.062 S2C3T1 Fl. 144 5 Art. 9º A impugnação mencionará: (...) § 6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. Desta feita, concluise, do acima exposto, que reputase impugnada a matéria relacionada ao lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, o que impede o pronunciamento do julgador administrativo em relação ao conteúdo do feito fiscal com esta matéria relacionado, restando, pois, definitivamente constituído o lançamento na parte em que não foi contestado. Notase, portanto, que houve a preclusão processual, uma vez que não houve insurgência da Recorrente quanto a pretensão externada no lançamento. Ademais, a despeito de tal instituto, importante citar os ensinamentos de Fredie Didier Júnior, in verbis: “Entendese que a preclusão está intimamente relacionada com o ônus, que, como se sabe, é situação jurídica consistente em um encargo do direito. A parte detentora de ônus deverá praticar ato processual em seu próprio benefício, no prazo legal, e de forma correta: se não o fizer, possivelmente este comportamento poderá acarretar conseqüências danosas para ela. (...) a preclusão decorre do não atendimento de um ônus, com a prática de atofato caducificante ou ato jurídico impeditivo, ambos lícitos, conformes com o direito. Com isso, entendo que, no caso em apreço, ocorreu a preclusão consumativa, que é a extinção da faculdade de praticar um determinado ato processual em virtude de já haver ocorrido a oportunidade para tanto, ficando, portanto, o julgador impossibilitado de analisar a questão de mérito, posto que não contestada pela Recorrente. Efeitos da exclusão do SIMPLES A ora Recorrente questiona, de início, a impossibilidade de sua exclusão do SIMPLES ter efeitos retroativos, haja vista a previsão contida no art. 15, II da Lei nº 9.317/1996, segundo o qual os efeitos seriam projetados para as competências posteriores à exclusão. Com tais considerações, a recorrente se insurge, na verdade, contra a própria decisão que a excluiu do SIMPLES, prolatada nos autos do processo administrativo nº 14751.000148/200660, que determinou que a exclusão surtiria efeito a partir de 01/01/2004. Caberia ao contribuinte recorrer daquela decisão quanto aos efeitos previstos, a fim de ver reformada, ainda na via administrativa, a questão acerca da data a partir da qual a empresa estaria excluída do SIMPLES. Qualquer decisão nestes autos quanto a este ponto representaria uma revisitação da matéria, com afronta inclusive à decisão administrativa já prolatada em caráter definitivo, não sendo possível, por isso, ser analisado novamente o efeito retroativo da exclusão. De qualquer modo, cumpre destacar que o dispositivo legal suscitado (art. 15, II da Lei nº 9.317/1996) não é aplicável ao presente caso. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14751.000188/200873 Acórdão n.º 230102.062 S2C3T1 Fl. 145 6 Isto porque a empresa foi excluída por ter ultrapassado, no ano calendário de 2003, o limite de receita para Empresa de Pequeno Porte – EPP previsto no art. 9º, II da Lei nº 9.317/1996. O art. 13, II, a desta Lei dispunha que a exclusão darseia obrigatoriamente em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º. Deste modo, o inciso do art. 15 a ser aplicado seria o IV, e não o II, como defendido pelo Recorrente. Cumpre transcrever o que dispõe os referidos dispositivos legais, na redação vigente à época: Art. 15. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 13 e 14 surtirá efeito: II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude de constatação de situação excludente prevista nos incisos III a XVIII do art. 9o; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 9°; Mostrase, portanto, correta a aplicação dos efeitos da exclusão a partir de 01/2004, pois este é a primeira competência a partir do anocalendário subseqüente em que foi ultrapassado o limite estabelecido (2003), nos termos do art. 15, IV c/c o art. 9º, I e II da Lei nº 9.317/1996. Diferenças apontadas pela Recorrente A empresa Recorrente afirma que existe uma diferença a maior de R$ 7.442,31 (sete mil, quatrocentos e quarenta e dois reais e trinta e um centavos) no valor lançado pelo Auditor Fiscal, conforme apurado por contador, conforme planilha de fls. 56/57, colacionada à sua impugnação. Segundo a Recorrente, a planilha correta teria sido elaborada com base nos livros fiscais da empresa. Ocorre que, em nenhum momento, a empresa junta os referidos livros fiscais ou qualquer outro documento que tenha embasado os seus cálculos. Tampouco a Recorrente apontou qual teria sido o erro da fiscalização no levantamento do débito, não sendo possível, assim, ser acolhida a alegação de diferença nos cálculos. Da compensação A ora Recorrente alega que a fiscalização deveria ter utilizado os valores por ela pagos, através de DARF’s, quando do seu enquadramento no SIMPLES com os valores ora lançados. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14751.000188/200873 Acórdão n.º 230102.062 S2C3T1 Fl. 146 7 É que a compensação de contribuições previdenciárias estava limitada às hipóteses em que ambos os débitos e créditos tivessem também natureza previdenciária, a teor do art. 89, §2º da Lei nº 8.212/1991, com a redação anterior ao advento da Lei nº 11.941/2009: Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (...). § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta lei. Assim, para que fosse possível a compensação dos DARF’s pagos pelo contribuinte com as contribuições previdenciárias ora lançadas, seria necessária a verificação de que aqueles valores integraram contribuições previdenciárias. No caso dos autos, o Relatório Fiscal afirma (fls. 39) que foi aproveitado como crédito o montante pago pela empresa através de Guias de Recolhimento da Previdência Social – GPS, não citando, de fato, os valores pagos através de DARF. Por outro lado, sabese que a Lei nº 9.317/1996, que disciplinava o regime do SIMPLES, previa o recolhimento unificado de diversos tributos, dentre os quais o IRPJ, PIS, CSLL, COFINS, IPI e contribuição previdenciária patronal. A própria Lei previa, no seu art. 23, a repartição dos percentuais entre os tributos referidos, diferenciada de acordo com a faixa de receita bruta. Assim, a fiscalização pode saber quanto do valor recolhido se refere à contribuição previdenciária, para que este seja destacado e compensado com as contribuições previdenciárias devidas. Em outras palavras, parte do que foi pago através de DARF pode ser compensado com as contribuições previdenciárias ora lançadas, desde que o crédito esteja limitado à parcela referente à contribuição previdenciária patronal prevista no art. 3º, §1º, “f” da Lei nº 9.317/1996. Deste modo, não pode ser mantido o entendimento firmado na decisão recorrida de que a legislação previdenciária não abarca a compensação de valores pagos através de DARF com contribuições previdenciárias, uma vez que a própria Lei nº 8.212/1991, art. 89, §1º, não faz qualquer restrição quanto ao documento ou regime jurídico a que a empresa esteja submetida, exigindo apenas que o crédito também seja decorrente de contribuição previdenciária. Superada essa questão, resta saber se os valores integrantes dos DARF’s, na parte relativa à contribuição previdenciária, podem ser utilizados para abater o débito em comento. No caso dos autos, verificase que o lançamento em comento decorreu da exclusão da empresa do SIMPLES, com efeitos retroativos desde janeiro/2004, tendo a Fl. 160DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14751.000188/200873 Acórdão n.º 230102.062 S2C3T1 Fl. 147 8 empresa sido cobrada neste auto pelos valores que deixou de recolher a título de contribuição previdenciária por ter se enquadrado indevidamente naquele regime preferencial. O enquadramento da empresa em um dos regimes jurídicos é excludente do outro, de modo que o recolhimento da contribuição previdenciária deve obedecer apenas àquele a que está submetida. Assim, se a empresa estava excluída do SIMPLES desde janeiro/2004, todas as contribuições previdenciárias pagas relativas a essas competências deverão ser contabilizadas. Em outras palavras, se a empresa recolheu contribuições previdenciárias conforme a sistemática do SIMPLES, quando deveria ter recolhido pelo das empresas em geral, o que foi pago àquele título deverá ser computado, para que a cobrança seja somente das diferenças, sob pena de enriquecimento ilícito da fazenda pública. Contudo, o auditor fiscal abateu tão somente os valores recolhidos da contribuição previdenciária dos segurados, não tendo utilizado como crédito o montante pago da parte patronal, em que pese estas rubricas terem sido incluídas no presente lançamento. Ante o exposto, deve ser acolhido o requerimento do contribuinte, para que a parte do DARF (pagamento unificado do SIMPLES) relativa à contribuição previdenciária seja creditada do total pago pela empresa. Da inexistência de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário Por fim, afirma a Recorrente que foi ajuizado mandado de segurança contra a exclusão da empresa do SIMPLES, motivo pelo qual não poderia sofrer a tributação em tela, que parte exatamente dessa alteração no regime jurídico da empresa com efeitos retroativos. Segundo afirma, a hipótese estaria prevista no inciso III do art. 151 do CTN (reclamações e recursos). Contudo, tal entendimento não pode prosperar. Em primeiro lugar, a suspensão da exigibilidade do crédito tributário não impede o seu lançamento e constituição, mas apenas a prática de atos de constrição posteriores, ou seja, o ajuizamento de execução fiscal destinada a exigirlhe o valor. Este entendimento há muito está consolidado pelos Tribunais do País, pois, do contrário, seriam enormes os prejuízos ao ente público que, sem poder lançar o crédito tributário, veria o seu direito de constituílo ser extinto em face da suspensão da exigibilidade. Assim, ainda que houvesse decisão judicial ou outra causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário, seria possível o lançamento e a conclusão do processo administrativo fiscal a ele referente. Em segundo lugar, o mandado de segurança a que se refere o ora Recorrente não teria o condão, ainda que julgado procedente, de afastar o lançamento em comento, na Fl. 161DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14751.000188/200873 Acórdão n.º 230102.062 S2C3T1 Fl. 148 9 medida em que se refere ao direito da empresa manter sua adesão ao SIMPLES em que pese sua atividade educacional. No caso dos autos, como já destacado anteriormente, o lançamento decorre da exclusão da empresa do SIMPLES, uma vez que apresentou no ano de 2003 receita bruta em valor superior ao admitido pela Lei para o enquadramento das empresas de pequeno porte. Isto é, ainda que tivesse sido concedida a segurança pleiteada, e fosse reconhecido pelo Judiciário o direito da prestadora de serviços educacionais de manterse no SIMPLES, subsistiria a sua exclusão por outro motivo, qual seja, a extrapolação do valor máximo de receita bruta legalmente previsto. Deste modo, tornase irrelevante o deslinde e os efeitos do mandado de segurança eventualmente concedidos em favor da Recorrente, já que a sua eficácia estaria limitada à causa de pedir posta nos autos. Em terceiro lugar, e por último, importa destacar que a empresa não conseguiu, até o presente momento, qualquer efeito suspensivo no referido mandado de segurança, uma vez que restou vencida no acórdão da lavra do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, não tendo igualmente obtido êxito no Superior Tribunal de Justiça e no Supremo Tribunal Federal. Com efeito, não pode ser acolhida a alegação da Recorrente de existência de suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Da multa moratória No tocante aos acréscimos legais, salientamos que os mesmos vêm determinados pela legislação previdenciária, não possuindo natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei n ° 8.212/1991. Não recolhendo na época própria, o contribuinte tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Se não houvesse tal exigência haveria violação ao principio da isonomia, pois o contribuinte que não recolhera no prazo fixado teria tratamento similar àquele que cumprira em dia com suas obrigações fiscais. Imperioso, contudo, destacar que em respeito ao art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. No caso em apreço, esse cotejo deve ser promovido em virtude das alterações trazidas pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, que instituiu mudanças à penalidade cominada pela conduta da Recorrente à época dos fatos geradores. Assim, identificando o Fisco benefício ao contribuinte na penalidade nova, essa deve retroagir em seus efeitos, conforme ocorre com a nova redação dada ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991 que assim dispõe: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim Fl. 162DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A Processo nº 14751.000188/200873 Acórdão n.º 230102.062 S2C3T1 Fl. 149 10 entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, o art. 61 da Lei nº 9.430/96 reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Confrontando a penalidade retratada na redação original do art. 35 da Lei nº 8.212/1991 com a que ora dispõe o referido dispositivo legal, vêse que a primeira permitia que a multa atingisse o patamar de 100%, dado o estágio da cobrança do débito, ao passo que a nova limita a multa a vinte por cento. Sendo assim, diante da inafastável aplicação da alínea “c”, inciso II, art. 106, do CTN, concluise pela possibilidade de aplicação da multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 ao art. 35 da Lei nº 8.212/1991, se for mais benéfica para o contribuinte. Da Conclusão Ante o exposto, deve ser DADO PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, tão somente para que a parte referente à contribuição previdenciária paga através de DARF’s, enquanto a empresa ainda estava vinculada ao SIMPLES, sejam destacados dos referidos pagamentos e utilizados como crédito da empresa, efetuando a compensação com os débitos contidos no presente lançamento, bem como para que seja aplicada a multa prevista no art. 61 da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Sala das Sessões, 12 de maio de 2011 Leonardo Henrique Pires Lopes Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 2 0/07/2011 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 01/08/2011 por MARCELO OLIVEIR A
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Numero do processo: 14474.000283/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/05/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COMPENSAÇÃO. APÓLICE DA DIVIDA PÚBLICA DO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
O ordenamento jurídico pátrio não permite a compensação de contribuições previdenciárias com créditos decorrentes de Apólice da Divida Pública do Brasil.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-001.046
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso voluntário pela intempestividade.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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COMPENSAÇÃO. APÓLICE DA DIVIDA PÚBLICA DO BRASIL. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA. O ordenamento jurídico pátrio não permite a compensação de contribuições previdenciárias com créditos decorrentes de Apólice da Divida Pública do Brasil. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência momentânea : Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Relatório Período de apuração: Março/2005 a Maio/2007. Data da lavratura da NFLD: 28/09/2007. Data da Ciência do NFLD : 28/09/2007. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, lavrado com a finalidade de apurar e constituir o crédito destinado à Previdência Social relativo a glosa de compensações efetuadas indevidamente pela empresa, nas competências 03/2005 a 05/2007, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 42/47. O Contribuinte em referência ajuizou perante à Justiça Federal Seção Judiciária do Distrito Federal as Ações Declaratórias de extinção de relação jurídica obrigacional tributária nº 2005.34.000261570, 2006.34.00.0240745 e 2007.34.00.0060310 em face do Instituto Nacional do Seguro Social, sempre requerendo a declaração do cumprimento de obrigações tributárias mediante compensação. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 131/167. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba/PR lavrou Decisão Administrativa a fls. 228/241, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 17 de dezembro de 2007, conforme Aviso de Recebimento – AR, a fl. 243. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs, em 17de janeiro de 2008, recurso voluntário, a fls. 245/269. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14474.000283/200711 Acórdão n.º 230201.046 S2C3T2 Fl. 309 3 Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. LEI Nº 11.457, DE 16 DE MARÇO DE 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, Fl. 3DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 referentes às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal competência, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Fl. 4DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14474.000283/200711 Acórdão n.º 230201.046 S2C3T2 Fl. 310 5 II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 17 de dezembro de 2007, segundafeira, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na terçafeira seguinte imediata, digase, no dia 18 de dezembro de 2007. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 16 dias do mês de janeiro de 2008, inclusive. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo, o que não ocorre no caso em apreço. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 18 de dezembro de 2007, o que implica na fixação do dia 16 de janeiro de 2008 como o dies ad quem para a protocolização do competente recurso. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 17 de janeiro de 2008, conforme consignado no carimbo de protocolo a fl. 245, há que se reconhecer, portanto, a intempestividade do recurso interposto, fato que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão não se atrita com as disposições expressas no art. 63, I da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007, sob cuja égide sucederamse os fatos jurídicos em realce. Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Fl. 5DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do presente Recurso, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 14474.000283/200711 Acórdão n.º 230201.046 S2C3T2 Fl. 311 7 Arlindo da Costa e Silva Fl. 7DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 35464.004200/2006-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/03/2005
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DESCUMPRIMENTO
INFRAÇÃO
Consiste em descumprimento de obrigação acessória a empresa deixar de
arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos
segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a
seu serviço.
ISENÇÃO INTERPRETAÇÃO
RESTRITIVA MULTA
POR
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEVIDA
A isenção tributária, como espécie de exclusão do crédito tributário, deve ser
interpretada literalmente. A lei estabelece que as entidades beneficentes de
assistência social que atendam aos requisitos farão jus à isenção de
contribuições previdenciárias a seu cargo, nada mencionando a respeito da
desnecessidade de cumprimento das obrigações acessórias. Portanto, comete
infração sujeita a multa a entidade isenta que não cumprir as obrigações
acessórias previstas em lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-001.541
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ISENÇÃO INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA DEVIDA A isenção tributária, como espécie de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente. A lei estabelece que as entidades beneficentes de assistência social que atendam aos requisitos farão jus à isenção de contribuições previdenciárias a seu cargo, nada mencionando a respeito da desnecessidade de cumprimento das obrigações acessórias. Portanto, comete infração sujeita a multa a entidade isenta que não cumprir as obrigações acessórias previstas em lei. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004200/200662 Acórdão n.º 2402001.541 S2C4T2 Fl. 150 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso Júlio César Vieira Gomes Presidente. Ana Maria Bandeira Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes (Presidente), Ana Maria Bandeira, Wilson Antônio de Souza Correa, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004200/200662 Acórdão n.º 2402001.541 S2C4T2 Fl. 151 3 Relatório Tratase de infração ao disposto na Lei nº 8.212/1991, art. 30, inciso I, alínea ‘a’, na Lei nº 10.666/2003, art. 4º, caput e no Decreto nº 3.048/1999, art. 216, inciso I, alínea ‘a’, que consiste em a empresa deixar de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 14), em ação fiscal na entidade, constatouse que nas competências 04 a 12/2003, 01/ a 12/2004 e 01 a 03/2005, a mesma deixou de descontar das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais (autônomos). A notificada apresentou defesa (fls. 25/63) onde tece considerações a respeito das atividades desenvolvidas pela notificada. Aduz que goza de imunidade tributária garantida pela Constituição Federal e entende que não pode responder por obrigação acessória, cuja principal não era devida por ela. Considera o valor da multa abusivo e informa a existência de circunstâncias atenuantes e que irá corrigir a falta mediante entrega de GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social antes da decisão de primeira instância para fazer jus à relevação da multa. Por fim, faz considerações sobre prescrição e decadência. Pelo Acórdão nº 1615.802 (fls. 120/128, a 11ª Turma da DRJ/São Paulo I (SP) considerou o lançamento procedente. Inconformada, a notificada apresentou recurso tempestivo (fls. 131/146) onde inova na alegação de que os serviços prestados pela Recorrente não caracterizam cessão de mão de obra, por tratarse de serviços de grande especialização prestados por profissionais de profissão regulamentada na condição de autônomos sem vínculo empregatício, serviços esses que têm natureza jurídica distinta da cessão de mão de obra. Além disso, os serviços seriam prestado pelos sócios da prestadora dos serviços. Tece considerações sobre sujeição passiva e responsabilidade solidária. Renova os argumentos a respeito do gozo de imunidade constitucional. É o relatório. Fl. 164DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004200/200662 Acórdão n.º 2402001.541 S2C4T2 Fl. 152 4 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora O recurso é tempestivo e não há óbice ao seu conhecimento. A recorrente argumenta que os serviços que presta não caracterizam cessão de mão de obra e seriam prestado pelos sócios da prestadora dos serviços. Não obstante tal matéria não ter sido mencionada em defesa estando, portanto, precluído o direito de discutila em sede recursal, verificase que se trata de matéria estranha ao lançamento. A recorrente foi autuada por ter deixado de arrecadar mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. A recorrente tece considerações teóricas a respeito da sujeição passiva uma vez que entende que não pode ser considerada responsável pelo cumprimento de obrigações acessórias uma vez que é isenta da obrigação principal. De fato, a entidade em gozo de isenção está desobrigada de recolher as contribuições a seu cargo, ou seja, a cota patronal. No entanto, ao contrário do que entende a recorrente, as entidades que tiveram o direito à isenção reconhecido estão sujeitas ao cumprimento das obrigações acessórias. Ademais, não se pode olvidar que a isenção tributária, como espécie de exclusão do crédito tributário, deve ser interpretada literalmente, conforme dispõe o art. 11, Inciso II do Código Tributário Nacional. Além disso, o inciso III do mesmo artigo dispõe que a dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias também é dispositivo que deve ser interpretado literalmente, ou seja, tem que estar devidamente expressa em lei a possibilidade da empresa deixar de cumprir as obrigações acessórias. Abaixo transcrevese os dispositivos citados: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Diante do exposto e de tudo o mais que dos autos consta. Fl. 165DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 35464.004200/200662 Acórdão n.º 2402001.541 S2C4T2 Fl. 153 5 Voto no sentido de CONHECER DO RECURSO E NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 166DF CARF MF Emitido em 27/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA Assinado digitalmente em 08/04/2011 por ANA MARIA BANDEIRA, 25/04/2011 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10245.900213/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Data do Fato Gerador: 31/03/2003
OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade.
DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não homologação de compensação
que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP.
Numero da decisão: 1101-000.518
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez
declaração de voto.
Nome do relator: Edeli Pereira Bessa
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do Fato Gerador: 31/03/2003 OMISSÃO DA DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE. POSSIBILIDADE DE DECIDIR O MÉRITO A FAVOR DO SUJEITO PASSIVO. Não se pronuncia a nulidade de ato cuja omissão deveria ser suprida quando é possível decidir o mérito a favor de quem aproveitaria a declaração de nulidade. DCOMP. ANÁLISE MEDIANTE PROCESSAMENTO ELETRÔNICO DE INFORMAÇÕES DISPONÍVEIS NOS BANCOS DE DADOS DA RECEITA FEDERAL. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DARF VINCULADO A DÉBITO DECLARADO EM DCTF. DÉBITO MENOR INFORMADO EM DIPJ ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de nãohomologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Votou pelas conclusões o Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, que fez declaração de voto. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Fl. 66DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 68 2 (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 67DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 69 3 Relatório VIMEZER FORNC. DE SERV. LTDA, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belém/PA que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensação declarada sob nº 11507.53586.290906.1.7.042072, na qual foi utilizado crédito de R$ 1.689,51, apurado em recolhimento de IRPJ (código 2089), realizado em 30/04/2003 e relativo à apuração de 31/03/2003. Constou do referido despacho decisório que o recolhimento apontado foi localizado, mas já havia sido utilizado integralmente para quitação de débito do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte informou que o débito apurado no período em questão constou de DIPJ retificadora e foi recolhido a maior, ensejando a apuração de indébito utilizado na compensação questionada. Argumentou que a afirmação fiscal, no sentido de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débito, deixou dúvida quanto a origem do débito considerado como quitado. Acrescentou que a simples falha no preenchimento das declarações não afasta em hipótese alguma a existência do direito material em relação à compensação, e que as informações apresentadas nas peculiares declarações permitiriam a confirmação do crédito utilizado. Discorre sobre o conceito de compensação e afirma que além de ter oferecido indevidamente valores a tributação, não se creditou de valores que foram devidamente retidos na fonte pelas fontes pagadoras, conforme documento anexado e evidenciado quando da exposição dos fatos. Daí a utilização do crédito para compensação de débitos próprios do impugnante, e que também são administrados pela Receita Federal. Ressalta que o crédito utilizado não se enquadra em qualquer das hipóteses do art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96, e afirma ter demonstrado a insubsistência e total improcedência do Despacho Decisório. A Turma julgadora rejeitou estes argumentos, acolhendo o voto condutor da decisão recorrida que, depois de destacar o efeito extintivo da Declaração de Compensação DCOMP, e a sua homologação tácita depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, de modo a caracterizar a compensação como um procedimento efetivado pelo próprio contribuinte, sujeito apenas à posterior homologação pelo Fisco, de forma expressa ou tácita, assim abordou a defesa da interessada: • (...) a interessada indicou como crédito a compensar aquele constante de DARF relativo à receita de código 2089, do período de apuração de 31/03/2003. Ocorre que em consulta aos sistemas da Receita Federal do Brasil (telas impressas de fls. 34/36) verificase que o referido DARF encontrase inteiramente alocado a débito informado pelo próprio sujeito Fl. 68DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 70 4 passivo em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), não existindo, por conseguinte, crédito a compensar. • (...) o crédito tributário resulta constituído não somente pelo lançamento, mas também nas hipóteses de confissão de dívida previstas pela legislação tributária, como se dá no caso de entrega da DCTF. Com efeito, o valor informado na DCTF, por decorrer de uma confissão do contribuinte, pode ser encaminhado à divida ativa da União sem que se faça necessário o lançamento de ofício. O valor confessado faz prova contra o contribuinte. Logo, se o valor declarado (confessado) em DCTF é igual ou maior que o valor pago, a conclusão imediata é que não há valor a restituir ou compensar, pois o próprio contribuinte está informando que efetuou um pagamento igual ou menor ao confessado. • (...) é condição necessária – embora não suficiente – a que o sujeito passivo pleiteie o reconhecimento de direito creditório referente a débito confessado em DCTF a apresentação prévia de nova declaração, retificando a confissão anterior. E nos termos da legislação que rege a matéria, a alteração de informações prestadas em DCTF efetuase mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. • (...) a desconstituição do crédito confessado em DCTF não depende apenas da apresentação de DCTFRetificadora, mas igualmente da comprovação inequívoca, por meio de documentos hábeis e idôneos, de que houve pagamento indevido ou a maior. (...) • (...) No caso concreto, como permanece válida a confissão de dívida originalmente efetuada pela contribuinte, haja vista a não apresentação, ao que consta dos autos, de DCTFRetificadora, resulta notória a impossibilidade de ser acolhida sua pretensão. (...) em se tratando de pedido de restituição o contribuinte figura como titular da pretensão e, como tal, possui o ônus de prova quanto ao fato constitutivo de seu direito. Em outras palavras, o sujeito passivo possui o encargo de apresentação de documentos comprobatórios de seu direito creditório, por ter sido ele quem inaugurou o procedimento administrativo. • Citando os arts. 15 e 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, destacou ser ônus do sujeito passivo trazer aos autos administrativos, já com sua peça impugnatória, as provas cuja produção encontrese em sua esfera de responsabilidade. Cientificada da decisão de primeira instância em 23/02/2011 (p. 43 dos autos digitalizados), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 15/03/2011 (fls. 44/57 dos autos digitalizados). Argumenta que a constituição do crédito tributário por meio de DIPJ ou DCTF é provisória, e somente se torna definitiva com a homologação, sendo que, em caso de retificação da declaração antes desta homologação, seu objeto passa a ser o valor retificado. E, ressaltando que a constituição do crédito tributário por meio de DCTF não exclui a constituição por meio de DIPJ retificadora, e citando o art. 1o da Instrução Normativa SRF nº 166/99, a recorrente discorda da afirmação, contida na decisão recorrida, de que o crédito tributário resulta constituído com a apresentação da DCTF. Fl. 69DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 71 5 Assevera, também, que o ônus de aprovar ou não a compensação é do Fisco, cabendolhe questionar as informações veiculadas em declarações retificadoras, e exigir a apresentação de documentos comprobatórios, na medida em que não é permitido à contribuinte juntar estes elementos no momento da retificação. Enquanto o Fisco assim não procede, os valores declarados estarão revestidos de veracidade. Reconhece que a prova é de quem alega, mas, na constituição do crédito tributário mediante entrega de declaração, as provas devem ser guardadas na forma do art. 37 da Lei nº 9.430/96, durante o prazo em que o Fisco pode examinálas. Menciona, também, que a autoridade julgadora não atentou para o disposto no art. 9o do Decreto nº 70.235/72, que exige a juntada dos elementos comprobatórios do ilícito para formalização da exigência de crédito tributário, atuando de forma parcial de modo a, apenas, ratificar as decisões dos agentes fiscais. Esclarece que a afirmação fiscal de que o pagamento foi integralmente utilizado para quitação de débitos declarados somente é verdadeira de desconsiderada a retificação da DIPJ. Acrescenta que a declaração retificadora foi juntada à impugnação, mas que em momento algum foi mencionada no relatório, como sendo uma prova sem valor, e não motivando o julgador, apresentando as razões que o levaram à aparente glosa injustificada. Reitera que, enquanto não promovida qualquer glosa em face da declaração apresentada, esta subsiste como prova do crédito alegado. E, ainda que a declaração não tivesse sido juntada, na medida em que ela está sob guarda do Fisco, caberia à autoridade julgadora comprovar se a documentação de renda apresentada está em conformidade com o que fora apresentado à época. Aduz que a autoridade julgadora deveria, ao menos, ter procedido a uma diligência para confirmação destas informações, ao invés de optar pela omissão e glosa arbitrária. Conclui estar provado que a argumentação apresentada, no despacho decisório e corroborada pelo órgão julgador de primeira instância, é fraca e insubsistente, pois não respeitou as regras legais consagradas nos diplomas legais, dentre as quais a devida motivação, juntada de provas que corroborem o despacho (Dec. 70.235/72), e negligência na análise das provas carreadas pela Recorrente aos autos, como a ventilada Declaração de Renda Retificadora. Transcrevendo os dispositivos legais que regem a compensação no âmbito da Receita Federal, reafirma a necessidade de motivação e de provas para a nãohomologação da compensação, citando também dispositivos da Lei nº 9.784/99. Novamente menciona a necessidade de que o Fisco intime a contribuinte a apresentar as provas que não foram juntadas à declaração retificadora, e a prevalência das informações nela prestadas enquanto não questionadas. Reportase, também, às hipóteses nas quais a compensação é considerada não declarada (art. 74, §12 da Lei nº 9.430/96), para afirmar que não se consegue verificar no despacho decisório, nem as provas colacionadas e nem qual das hipóteses elencadas na lei que fora firmada a decisão, ou seja, com base em que regra legal a decisão está embasa (sic). Afirma que dentre as hipóteses previstas no referido dispositivo não se encontra o fato de o pagamento estar vinculado a débito declarado em DCTF, alegado pela autoridade julgadora. Destaca, mais uma vez, que a autoridade julgadora ignorou a DIPJ retificadora, e discorda da prevalência da declaração retificada, pois nada na legislação permite Fl. 70DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 72 6 concluir que erro de procedimento do contribuinte resultasse na glosa de um direito líquido e certo. Reafirma a validade do que contido na DIPJ retificadora depois de transcorridos cinco anos de sua entrega, e a necessidade de, na dúvida, se decidir em favor do contribuinte, que figura como parte hipossuficiente na relação jurídica. Quanto à menção à necessidade de DCTF retificadora, a recorrente aduz que não pode o julgador analisar algo, não carreados nos autos pelas partes, sem com isso avaliar as provas trazidas aos autos e anexas ao mesmo (sic). Reafirma as evidências do crédito presentes na DIPJ retificadora e na DCOMP, a possibilidade que tinha o Fisco de exigirlhe as demais provas necessárias, e, mais à frente, acrescenta que não foi apresentada a fundamentação legal para a exigência veiculada na decisão recorrida. Questiona se a DIPJ retificadora e a DCOMP nada valem na análise, e novamente aborda o ônus da prova, destacando que tem o dever de guarda, e não de juntada de provas como cópias de livros contábeis ou de demonstrações contábeis. Quanto aos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, acrescenta que poderia apresentar sua documentação contábil à época da elaboração do despacho decisório, mas ela não lhe foi requerida. Pede, assim, um julgamento eqüidistante e que, se for necessário que seja corrigido o despacho decisório, determinando que o agente fiscal intime a Recorrente para apresentar os livros, se não considerar válido os créditos pretendidos. Que aplique a multa em caso da não apresentação das retificadoras de forma correta, conforme preceitua a lei, mas que o faça sob a égide da lei, respeitando o princípio da legalidade e motivação, peculiares ao procedimento administrativo. Invoca a aplicação do art. 37 da Constituição Federal e do art. 2o da Lei nº 9.784/99, e cita excertos da obra de Celso Antonio Bandeira de Mello, para concluir que o despacho estava divorciado com o regramento legal. Acrescenta que no caderno processual administrativo, não se encontra carreados elementos que fundamentam a decisão do agente fiscal (sic). Complementa que a decisão recorrida foi omissa quanto à apreciação do fato da Recorrente ter informado DIPJRetificadora e ter anexado a presente, ofendendo o disposto no art. 31 do Decreto nº 70.235/72. Na medida em que os agentes fiscais não questionaram as informações prestadas nesta declaração, uma vez apresentada esta prova pela contribuinte, o ônus de desconstituila passa ao Fisco. Por fim, aborda os efeitos das declarações retificadoras, reportase ao dever de retificar a DCTF quando retificada a DIPJ (art. 18 da Medida Provisória nº 2.18949/2001 e arts. 1o e 4o da Instrução Normativa SRF nº 166/99), mas aduz que o descumprimento desta norma não tem como penalidade a perda do crédito, até porque o próprio art. 2o, inciso II da Instrução Normativa SRF nº 166/99 reconhece os efeitos da retificação da DIPJ para fins de restituição. Fl. 71DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 73 7 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA A contribuinte juntou, à sua impugnação, cópia da ficha de apuração de IRPJ incidente sobre o Lucro Presumido, constante de sua DIPJ do anocalendário correspondente à apuração do crédito alegado, e nela consta a declaração de tributo no valor de R$ 61.575,20, inferior ao recolhimento de R$ 63.287,78, confirmado na análise eletrônica da DCOMP nº 11507.53586.290906.1.7.042072. Nos sistemas informatizados da Receita Federal verificase que esta informação provém de declaração retificadora apresentada em 25/11/2005, e processada sob nº 1276351. Tais elementos confirmam a alegação de que a retificação de DIPJ promovida pela recorrente evidencia pagamento a maior de IRPJ no valor de R$ 1.712,58, utilizado parcialmente na compensação aqui tratada. Relevante anotar que tal indébito foi também utilizado na DCOMP nº 22155.90206.070906.1.7.041009 (processo administrativo nº 10245.900320/200999), pelo valor de R$ 23,09, o qual, somado ao indébito aqui utilizado (R$ 1.689,51), não supera o pagamento a maior verificado pela diferença entre o débito informado na DIPJ Retificadora (R$ 61.575,20) e o valor principal recolhido (1 quota(s) de R$ 63.287,78). Cabe esclarecer, ainda, que a interessada também formalizou compensações de indébitos apurados em recolhimentos de COFINS e Contribuição ao PIS, as quais restaram, de igual forma, não homologadas, resultando em litígios já apreciados, em sua quase totalidade, pela 3a Seção de Julgamento deste Conselho, cuja 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara, por meio dos Acórdãos nº 340101.262 a 340101.317, e 340101.365 a 340101.384, acolheu, à unanimidade, o voto do I. Conselheiro Emannuel Carlos Dantas de Assis, que concluiu pela nulidade da decisão recorrida com base nos seguintes fundamentos: Apesar de a Manifestação de Inconformidade estar centrada na existência de DIPJ retificadora, o acórdão recorrido tratou apenas da DCTF. Considerando que esta não foi retificada e seu valor coincide com o do recolhimento, julgou improcedente a inconformidade sem ao menos fazer menção à retificação da DIPJ. O voto nem ao menos cita a retificação da DIPJ, que para mim é tema crucial para o deslinde do litígio. Seria irrelevante a retificação? A DIPJ retificada deve ser confrontada com a DCTF ou, sem a retificação desta, deve ser simplesmente desprezada? A circunstância de a retificação ter sido anterior à DCOMP tem alguma importância? São indagações a serem respondidas, de modo a completar a fundamentação do acórdão recorrido. Houve, então, omissão do acórdão recorrido, no que desprezou por completo a retificação da DIPJ. E como essa omissão caracteriza preterição do direito de defesa, nos termos do art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, necessita ser sanada, sob pena de supressão de instância. Diante da possibilidade deste Colegiado decidir em desfavor da Recorrente, se considerar que a DCTF (não retificada) deve prevalecer sobre a DIPJ retificadora, apresentase inaplicável o § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/72.1 Fl. 72DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 74 8 Para a correição do feito fazse necessário que a DRJ trate da retificação da DIPJ, podendo, se julgar pertinente, determinar diligência visando investigar os valores informados pela Recorrente. Afinal, a confissão em DCTF é relativa e admite provas em contrário, cabendo ainda admitir sua retificação se demonstrado, pelo contribuinte, que os valores nela consignados são superiores aos realmente devidos. Para verificação desses valores, pode ser conveniente análise da contabilidade, da escrita fiscal e de documentos fiscais dos perídos em questão. De todo modo, a retificação da DIPJ há de analisada pela DRJ – com ou sem realização de diligência, ao seu juízo, que deve produzir novo acórdão em substituição ao ora anulado. Pelo exposto, voto por anular o acórdão recorrido para que a primeira instância o complemente, pronunciandose, também, sobre a DIPJ retificadora. Em seguida ao novo acórdão a ser prolatado deve ser reaberto o prazo para eventual recurso voluntário, tudo conforme o rito do Decreto nº 70.235/72. Contudo, ante a confirmação, junto aos sistemas da Receita Federal, das informações alegadas pela recorrente em sua impugnação, vislumbrase aqui a possibilidade de aplicação do art. 59, §3o do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993) Isto porque estáse diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: Art. 1o. O art. 1o. da Instrução Normativa SRF nº 077, de 24 de julho de 1998, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 1o. Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições, constantes da declaração de rendimentos das pessoas físicas e da declaração do ITR, quando não Fl. 73DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 75 9 quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União.” [...] Esta é a interpretação que se extrai destes dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: Art. 1º Os saldos a pagar, relativos a tributos e contribuições , constantes das declarações de rendimentos das pessoas físicas e jurídicas e da declaração do ITR, quando não quitados nos prazos estabelecidos na legislação, e da DCTF, serão comunicados à Procuradoria da Fazenda Nacional para fins de inscrição como Dívida Ativa da União. Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do anocalendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominarse Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, como a própria recorrente antecipa em sua defesa, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.189 49/2001, nos termos a seguir transcritos: Medida Provisória nº 2.18949/2001, que convalida texto presente desde a Medida Provisória nº 1.99026, de 14 de dezembro de 1999: Art.18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Instrução Normativa SRF nº 166, de 23 de dezembro de 1999: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] Art. 2o A pessoa jurídica que entregar declaração retificadora alterando valores que hajam sido informados na Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais – DCTF, deverá apresentar DCTF Complementar ou pedido de alteração de valores, mediante processo administrativo, conforme o caso. [...] Fl. 74DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 76 10 Nestes termos, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareçase, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: Da Retificação da DCTF Art. 9º Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF mencionada no caput deste artigo terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados em declarações anteriores. § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou II em relação aos quais o sujeito passivo tenha sido intimado do início de procedimento fiscal. § 3º As DCTF retificadoras, que vierem a ser apresentadas a partir da publicação desta Instrução Normativa, deverão consolidar todas as informações prestadas na DCTF original ou retificadoras e complementares, já apresentadas, relativas ao mesmo trimestre de ocorrência dos fatos geradores. § 4º As disposições constantes deste artigo alcançam, inclusive, as retificações de informações já prestadas nas Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF) referentes aos trimestres a partir do anocalendário de 1997 até 1998 que vierem a ser apresentadas a partir da data de publicação desta Instrução Normativa. § 5º A pessoa jurídica que entregar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados na DIPJ, deverá apresentar, também, DIPJ retificadora. § 6º Verificandose a existência de imposto de renda postergado de períodos de apuração a partir do anocalendário de 1997, deverão ser apresentadas DCTF retificadoras referentes ao período em que o imposto era devido, caso as DCTF originais do mesmo período já tenham sido apresentadas. § 7º Fica extinta a DCTF complementar instituída pelo art. 5º da Instrução Normativa SRF nº 45, de 05 de maio de 1998. Das Disposições Finais Art. 10. Deverão ser arquivados os processos administrativos contendo as solicitações de alteração de informações já prestadas nas DCTF, apresentadas até a data da publicação desta Instrução Normativa e ainda pendentes de apreciação, aplicandose, às DCTF retificadoras respectivas, referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, o disposto nos §§ 1º a 3º do art. 9º desta Instrução Normativa. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 77 11 §1º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anoscalendário de 1999 a 2002, somente deverá ocorrer após a confirmação, pela unidade da SRF, da entrega da correspondente declaração em meio magnético. § 2º O arquivamento dos processos, contendo as solicitações de alteração das informações já prestadas nas DCTF referentes aos anos calendário de 1997 e 1998, somente deverá ocorrer após os devidos acertos, pela unidade da SRF, nos Sistemas de Cobrança. Todavia, tem razão a recorrente quando afirma que o descumprimento daquela obrigação não enseja, como penalidade, a perda do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: Art. 1o A retificação da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ e da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR anteriormente entregue, efetuada por pessoa jurídica, darseá mediante apresentação de nova declaração, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. [...] § 2o A declaração retificadora referida neste artigo: I – terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, inclusive para os efeitos da revisão sistemática de que trata a Instrução Normativa SRF no 094, de 24 de dezembro de 1997; II – será processada, inclusive para fins de restituição, em função da data de sua entrega. [...] Art. 4º Quando a retificação da declaração apresentar imposto menor que o da declaração retificada, a diferença apurada, desde que paga, poderá ser compensada ou restituída. Parágrafo único. Sobre o montante a ser compensado ou restituído incidirão juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, até o mês anterior ao da restituição ou compensação, adicionado de 1% no mês da restituição ou compensação, observado o disposto no art. 2º, inciso I, da Instrução Normativa SRF nº 22, de 18 de abril de 1996. Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizálo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5o, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 78 12 expressou a nãohomologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendoa ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescentese, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: Art. 10. Os pedidos de alteração nas informações prestadas em DCTF serão formalizados por meio de DCTF retificadora, mediante a apresentação de nova DCTF elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 2º Não será aceita a retificação que tenha por objeto alterar os débitos relativos a tributos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição como Dívida Ativa da União, nos casos em que o pleito importe alteração desse saldo; ou [...] § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já inscrito em Dívida Ativa da União, somente poderá ser efetuada pela SRF nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração. [...] Observese, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. [...] § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ retificadora, da qual consta não Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 79 13 apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por conseqüência, admitir sua compensação. Assim, embora evidente que a decisão recorrida foi omissa quanto a argumento da defesa, deixase de declarar sua nulidade pois, no mérito, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 80 14 Declaração de Voto Conselheiro CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Quando a Administração pratica algum ato que tem por base apenas declaração do próprio contribuinte e o contribuinte refuta ou retifica a declaração, o ato deve ser reformado, pois perde sua base fática. Isso porque, se é verdade que a Administração pode praticar seus atos considerando apenas as próprias declarações do contribuinte, também é verdade que as declarações podem ser retificadas ou infirmadas. Assim, se a Administração se acomoda em adotar como único elemento de convicção uma declaração, fica sujeita a ver seu ato reformado, quando o conteúdo desta declaração é alterado por quem a declarou, quer pela negativa do conteúdo, quer por uma retificação, quer por outra declaração com conteúdo divergente. Já manifestei meu entendimento sobre a questão em voto sobre situação semelhante, que transcrevo abaixo (negritei): ... Assim, o lançamento decorre da convicção do Fisco de que a compensação informada pelo contribuinte era de fato feita com base nos DARFs indicados e na constatação de que estes eram insuficientes. Noutro giro, esta convicção decorre na crença de que a DCTF informasse corretamente a forma pela qual foi feita a compensação. Talvez, até o lançamento tenha decorrido da crença de que os fatos informados em DCTF tornemse verdades absolutas e não possam ser retificados. No entanto, nenhuma destas crenças é pertinente, pois a retificação da DCTF é admitida, já que, como qualquer declaração de informação, pode conter erros. Inclusive, a retificação de DCTF não exige a prova de erro em que se fundamente, como demonstra o art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010. A regra pode servir de parâmetro na verificação dos requisitos impostos pela própria RFB para a retificação de DCTF. O texto é o seguinte: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 81 15 b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. § 4º Na hipótese do inciso II do § 2º, havendo recolhimento anterior ao início do procedimento fiscal, em valor superior ao declarado, a pessoa jurídica poderá apresentar declaração retificadora, em atendimento a intimação fiscal e nos termos desta, para sanar erro de fato, sem prejuízo das penalidades calculadas na forma do art. 7º. § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração. § 6º A pessoa jurídica que apresentar DCTF retificadora, alterando valores que tenham sido informados: I na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), deverá apresentar, também, DIPJ retificadora; e II no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), deverá apresentar, também, Dacon retificador. Como visto acima, a disciplina posta pela Receita Federal para as alterações da DCTF não obrigam que o contribuinte tenha de comprovar o erro que motiva a alteração. As restrições apenas visam disciplinar as alterações com o instituto da espontaneidade, da inscrição em dívida ativa, e mudança do órgão que administra o título executivo constituído por débitos em aberto. Portanto, o contribuinte pode alterar o que informou em DCTF sem ter que, para isso, provar o seu erro anterior. Também no CTN não consta nenhuma exigência para retificação de DCTF. A única restrição feita no Código sobre retificação de declaração, é posta no art. 147, e referese a retificação de declaração preparatória de lançamento, relativa a tributo lançado por declaração e asssim mesmo aos casos em que esta nova declaração vise reduzir tributo. Ou seja, a única restrição legal se refere a alteração da declaração do sujeito passivo que será usada pela Administração para efetuar com base nela o lançamento, dentro da sistemática dos tributos lançados por declaração. Apenas este tipo de declaração é que sofre a exigencia de que o contribuinte precisa provar o erro que motiva a retificação. As outras declarações a que os contribuintes estão obrigados, não sofrem a restrição feita pela pelo art. 147 do CTN. Assim, submetemse a regra geral que é a da liberdade de modificar o informado sem necessidade de demosntrar o erro que justifique a retificação. Tal regra decorre do princípio constitucional de que o administrado não é obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. Assim, no caso concreto, era (ou deveria ser) de conhecimento do Fisco que a DCTF poderia estar errada e poderia ser infirmada pelo contribuinte a qualquer Fl. 80DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 82 16 tempo, sem maior ônus para este do que a simples afirmação do erro. Deste modo, percebese que foi uma opção consciente do Fisco efetuar o lançamento com os poucos dados que ele tinha sobre a questão. O Fisco preferiu se abstrair da realidade, para considerar apenas as informações da DCTF. A fragilidade do lançamento decorre da opção do Fisco pelo nível de investigação dos fatos. Tal como alega o contribuinte, o Fisco, ao constatar que a compensação informada na DCTF não podia ser admitida por falta de crédito, podia e devia ter intimado o contribuinte a esclarecer a matéria. Deveria ter intimado o contribuinte a esclarecer a origem do crédito que fundamentava a compensação indicada. Ao não fazêlo, conformouse em trabalhar com uma situação instável, que poderia ser alterada unilateralmente pelo contribuinte. Bastaria que o contribuinte infirmasse, tal como fez, a compensação declarada e afirmasse que o crédito teria outra origem, que o lançamento perderia sua base fática. Também, vale destacar que a DCTF não era um instrumento pelo qual se solicitasse compensação, mas apenas um instrumento de informação. Recapitulando, é preciso ter em mente que, na época, a DCTF apenas indicava uma compensação que foi feita na contabilidade do contribuinte. Também, é preciso considerar que a DCTF não era um veículo de pedido de compensação, que pudesse ser deferido ou indeferido nos termos em que fosse solicitado, mas era um veículo meramente informativo quanto a compensação feita e registrada na contabilidade. Por isso, a compensação informada na DCTF não está sujeita ao crivo de ser ou não concedida, mas sim ao crivo de ser ou não considerada correta. ... Dentro dos poderes atribuídos ao Fisco para desempenho de sua função, não existe a prerrogativa substituir a investigação da matéria tributável por uma investigação de declaração sobre a matéria tributável. Caso o Fisco opte por investigar apenas os fatos declarados, e não a matéria sobre a qual pretende se manifestar, assume o risco de ver suas presunções feitas com base na declaração refutadas pela simples retificação. O ônus de provar que a compensação eventualmente estivesse errada era do Fisco. Não é razoável pretender inverter este ônus sem haver uma previsão legal para tanto. Portanto, não se pode pretender, como quis a DRJ, que o contribuinte tenha de comprovar sua compensação, sem que ninguém o tenha intimado a fazer isso, apenas porque o Fisco suspeitou da compensação declarada na DCTF. ... Não havendo regra que torne imutável o informado em declaração, não havendo regra que exija a comprovação para retificação de declaração, o uso da declaração como elemento de convicção para autuação é frágil e pode ser refutado pela simples negativa. Isso porque a matéria tributável não é o retratado na declaração, mas sim a que de fato ocorreu. Além disso, no presente caso, o ato da Administração foi praticado tendo por base a DCTF, mas desconsiderando a DIPJ, embora ambas as declarações estivessem disponíveis. Deste modo, mesmo antes do ato, o contribuinte já apresentava elementos divergentes de sorte que era absolutamente impróprio que a Administração considerasse apenas uma das declarações, em detrimento da outra. Essa situação de divergência, por sí só já obrigava que a Administração aprofundasse suas investigações, para analisar a divergência entre as declarações e para buscar elementos que entendesse corroborar sua convicção sobre os fatos. Mas, não foi este o caminho trilhado. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10245.900213/200961 Acórdão n.º 110100.518 S1C1T1 Fl. 83 17 O ato administrativo foi praticado e foi impugnado. Para demonstrar a impertinência do conteúdo da DCTF o contribuinte alega o conteúdo de sua DIPJ. Dessa forma o contribuinte infirma a sua DCTF e, com isso, retira as bases fáticas do despacho. Por tais razões, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Fl. 82DF CARF MF Emitido em 28/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 25/08/2011 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 29/08/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUER, Ass inado digitalmente em 26/09/2011 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 13963.001778/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
VERBAS INDENIZATÓRIAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
A mera denominação adotada para determinadas verbas não é suficiente para excluí-las do conceito de saláriodecontribuição,
devendo o caráter indenizatório dos pagamento ser comprovado mediante documentos idôneos.
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS.
COMPENSAÇÃO COM RETENÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL..
IMPOSSIBILIDADE.
Os valores decorrentes de retenção sobre faturas de prestação de serviço por cessão de mão de obra não são passíveis de utilização para quitar as contribuições devidas a outras entidades e fundos.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO.
Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se funda.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-001.944
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A mera denominação adotada para determinadas verbas não é suficiente para excluílas do conceito de saláriodecontribuição, devendo o caráter indenizatório dos pagamento ser comprovado mediante documentos idôneos. CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A OUTRAS ENTIDADES E FUNDOS. COMPENSAÇÃO COM RETENÇÕES PARA A SEGURIDADE SOCIAL.. IMPOSSIBILIDADE. Os valores decorrentes de retenção sobre faturas de prestação de serviço por cessão de mãodeobra não são passíveis de utilização para quitar as contribuições devidas a outras entidades e fundos. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 ALEGAÇÕES GENÉRICAS E DESPROVIDAS DE PROVAS. NÃO CONHECIMENTO. Não merecem conhecimento as alegações que não se refiram à situação ou fato específico e/ou que não indiquem as provas em que se funda. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 2 Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Walter Murilo Melo de Andrade e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13963.001778/200865 Acórdão n.º 240101.944 S2C4T1 Fl. 171 3 Relatório Tratase de recurso voluntário, fls. 1.169/1.170, interposto pela empresa acima epigrafada contra decisão da DRJ em Florianópolis (SC), fls. 1.163/1.166, a qual declarou procedente em parte o lançamento consubstanciado no Auto de Infração – AI n.º 37.155.5868, posteriormente cadastrado sob o número de processo constante no cabeçalho. O AI em questão contempla o período de 01/2004 a 12/2007 e diz respeito às contribuições arrecadadas pela Receita Federal do Brasil RFB e destinadas a outras entidades e fundos (terceiros) incidentes sobre a remuneração de segurados empregados alocados em diversas obras de construção civil. O crédito, com data de consolidação em 13/06/2008, assumiu o montante de R$ 148.889,52 (cento e quarenta e oito mil, oitocentos e oitenta e nove reais e cinquenta e dois centavos). Nos termos do Relatório da Auditoria, fls. 174/180, os recibos foram totalizados mensalmente por obra de construção civil; que aqueles que não identificavam a obra foram consolidados no estabelecimento matriz da empresa; que os recibos relativos a ressarcimento de combustível não integram o presente lançamento; que a contribuição dos segurados, não arrecadada pela empresa, foi calculada aplicandose a alíquota correspondente à remuneração recebida na competência; que alguns trabalhadores não constavam da folha de pagamento; que estão presentes os requisitos configuradores dos vínculos empregatícios; No seu recurso, a empresa argumentou, em apertada síntese, que: a) é necessário que o Fisco apresente um relatório que demonstre a apropriação dos pagamentos efetuados pela empresa; b) não há incidência de contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias; e) há de se considerar as várias mudanças de local de trabalho em razão das distâncias entre as obras de construção civil, portanto, não pode haver incidência de contribuição sobre os valores pagos em razão de mudança do local de trabalho; f) não há comprovação de que houve as compensações mencionadas pelo Fisco. Ao final, requer: a) o cancelamento do auto e infração em questão, com a devida devolução dos abatimentos dos créditos dos pagamentos efetuados, para compensação posterior, b) Alternativamente a compensação dos valores supra contestados, discriminados em planilhas, GFIPs e resumos de folhas de pagamentos anexados, bem como comprovante de pagamentos já juntados. c) Que seja observado também no refazimento das planilhas, levando se em consideração a redução da base de calculo das parcelas pagas em caráter indenizatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 4 É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE Processo nº 13963.001778/200865 Acórdão n.º 240101.944 S2C4T1 Fl. 172 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Falta de demonstração de aproveitamento de guias no CNPJ da empresa Considerando que as contribuições lançadas são aquelas destinadas a outras entidades e fundos, não tem plausibilidade o argumento da falta de compensação dos valores relativos a retenções sobre faturas de prestação de serviço sofridas pela empresa. Sobre essa questão, vale a pena trazer à colação dispositivo da Instrução Normativa SRP n.º 03/2005, que veda a utilização dos valores retidos para quitar contribuição dos terceiros: Art. 203. A empresa prestadora de serviços que sofreu retenção no ato da quitação da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços, conforme previsto nos arts. 140 e 172, poderá compensar o valor retido quando do recolhimento das contribuições devidas ei Previdência Social, desde que a retenção esteja destacada na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços. §2° A compensação da retenção somente poderá ser efetuada com as contribuições devidas a Previdência Social, não podendo absorver contribuições destinadas a outras entidades ou fundos, as quais deverão ser recolhidas integralmente pelo sujeito passivo. Art. 212 §4° A valor das cotas de saláriofamília ou das parcelas de saláriomaternidade só poderá ser deduzido das contribuições devidas el Previdência Social, sendo vedada a dedução das contribuições arrecadadas pela SRP para outras entidades ou fundos. Nesse sentido, não devo acatar o argumento relativo à falta de compensação de guias de retenção. Incidência de contribuição sobre parcelas indenizatórias A recorrente afirma que o Fisco tributou verbas com caráter indenizatório, o que contraria a legislação aplicável. Vale destacar que a única parcela que a contribuinte conseguiu demonstrar que se tratava de reembolso de valores foi o ressarcimento de combustível, que a própria Auditoria prontamente excluiu da tributação. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE 6 Para as demais parcelas que a empresa assevera serem indenizatórias, não houve a apresentação de documentos que pudessem corroborar tal assertiva. Vejase que as folhas de pagamento, as quais, frisese, foram preparadas durante a ação fiscal, foram desconsideradas pelo Fisco, uma vez que apresentavam divergências dos recibos de pagamento. Nesse sentido, as alegações de que as bases de cálculo adotadas continham rubricas indenizatórias carece de amparo documental que pudesse lhe dar validade, mais ainda quando se verifica da análise dos autos que sequer houve a correta contabilização dos valores contidos nos recibos de pagamento, o que deu ensejo a autuação por descumprimento de obrigação acessória. Embora enfatize que o Fisco deveria ter excluído do lançamento a verba denominada “ajuda de custo em razão de mudança do local de trabalho”, não trouxe a empresa os documentos que pudessem demonstrar que efetivamente houve a mudança de local da prestação de serviço que pudesse afastar a tributação sobre tal rubrica. Tendose em conta que os dados constantes nas folhas de pagamento deixaram de ser considerados por não refletirem a realidade da empresa, a natureza indenizatória da “ajuda de custo” deveria ter sido comprovada mediante apresentação de demonstrativos que indicassem o nome do beneficiário, o local de origem e destino do trabalhador, além de documentos hábeis a dar embasamento à alegação da empresa. Nada disso foi acostado, assim, devo manter a conclusão da DRJ pela tributação da verba. Pedido de Compensação/Restituição Conforme já exposto, não há o que se falar em compensação de valores retidos, posto que as contribuições lançadas no presente AI são destinadas a outras entidades e fundos, não podendo ser objeto de encontro de contas com valores retidos para a Seguridade Social. Conclusão Diante de todo exposto, voto pelo conhecimento do recurso, com negativa de provimento. Kleber Ferreira de Araújo Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Assinado digitalmente em 03/08/2011 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, 15/08/2011 por ELIAS SAMPAIO FREI RE
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005629/2001-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999
IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NA.0 COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE.
De acordo com a Súmula do CARF n.° 29, "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento."
Não havendo, assim, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2101-000.933
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NA.0 COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. De acordo com a Súmula do CARF n.° 29, "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." Não havendo, assim, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo. Recurso provido.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NA.0 COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE CO-TITULAR. NULIDADE. De acordo com a Súmula do CARF n.° 29, "Todos os co - titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede a lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." Não havendo, assim, no presente caso, referida intimação, o auto de infração é nulo. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. EDITADO EM: 1 ABR 20 11 Processo n° 10830.005629/2001-16 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.933 Fl. 164 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Caio Marcos Cândido, Alexandre Naoki Nishioka, Ana Neyle Olímpio Holanda, José Raimundo Tosta Santos, Odmir Fernandes e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata-se de recurso voluntário (fls. 143 de seguintes) interposto em 13 de maio de 2009 (fl. 142) contra acórdão proferido pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (fls. 133/138), do qual a Recorrente teve ciência em 13 de abril de 2009 (fl. 141), que, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente o auto de infração de fls. 08/12, lavrado em 29 de agosto de 2001, em decorrência de omissão de rendimentos provenientes de depósitos bancários, verificada no ano-calendário de 1998. O acórdão recorrido teve a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1998 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATOS GERADORES A PARTIR DE 01/01/1997. A Lei n° 9430/96, que teve vigência a partir de 01/01/1997, estabeleceu, em seu art. 42, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente quando o titular da conta bancária não comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados em sua conta de depósito ou investimento. Lançamento Procedente em Parte" (fl. 133). Não se conformando, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 143 e seguintes), basicamente repisando os argumentos ventilados em sua impugnação, no que concerne A. parcela remanescente do auto de infração. Voto o relatório. Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche seus requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. No mérito, o recurso voluntário interposto cinge-se A. aferição da regularidade do lançamento tributário, consubstanciado em suposta omissão decorrente dos depósitos bancários, nos valores de R$ 13.037,55 (15/4/98), R$ 47.000,00 (6/7/98), R$ 13.000,00 (4/9/98), R$ 18.500,00 (9/9/98), R$ 6.800,00 (21/09/08); R$ 10.000,00 (3/11/98), R$ 2 Processo no 10830.005629/2001-16 S2-C1T1 Acórdão n.° 2101-00.933 Fl. 165 16.000,00 (4/11/98) e R$ 16.500,00 (28/12/98), todos realizados nas contas n.° 3.706096-6 e n.° 9.709060-3, mantidas junto ao Banco Real. Antes de adentrar no exame de mérito, tal como alegado no recurso voluntário, cumpre observar que, compulsando-se os documentos acostados As fls. 21/31, verifica-se que todas as contas-correntes da Recorrente descritas no termo de verificação de infração de fls. 14 e seguintes são conjuntas. De fato, consoante se atesta dos extratos bancários colacionados aos autos, as contas bancárias mantidas junto ao Banco Real são de titularidade da Recorrente em conjunto com a sua filha, Maria Teresa Pereira Rodrigues, razão pela qual, de acordo com o disposto pelo art. 42, §6°, deveria a fiscalização, quando do processo fisealizatório, ter intimado a referida co-titular, e, se fosse o caso, rateado os valores depositados entre os referidos titulares. Neste sentido, cumpre trazer A baila o quanto disposto pelo referido dispositivo legal, in verbis: "Art. 42. (...) § 6° Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares." No entanto, muito embora fossem conjuntas, os co-titulares da Recorrente nunca foram intimados para demonstrar a origem dos depósitos efetuados nas respectivas contas, não se podendo pressupor que os valores creditados pertencem proporcionalmente a cada um dos titulares, sob pena de cerceamento de defesa. A este respeito, alias, é expressa a Súmula n.° 29 deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, cujo teor abaixo se reproduz: Súmula CARF no 29: "Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento." Vale frisar, neste esteio, que, muito embora haja procuração nos autos conferida à outra co-titular da conta em data anterior à lavratura do auto de infração (fl. 19) e, igualmente, pedido de dilação de prazo, formulado pela procuradora da Recorrente (fl. 17), fato que jamais houve intimação especifica da Sra. Maria Teresa Pereira Rodrigues para comprovar a origem dos depósitos nela [conta] efetuados." Ora, consoante se observa do texto da Súmula n.° 29 do CARP, a intimação do co-titular deve ser especifica para comprovar a movimentação dos recursos, razão pela qual em nada aproveita, in casu, a ciência dos autos como procuradora da Recorrente. Nesse sentido, cumpre observar que a ausência de intimação especifica para demonstrar a origem dos recursos endereçada a ambas as co-titulares implica, além da ilegitimidade passiva da Recorrente no tocante aos valores eventualmente de titularidade da Sra. Maria Teresa Pereira Rodrigues, manifesto erro na base de cálculo, eis que, ainda que, ad argumentandum, não se entendesse pela nulidade do auto de infração, apenas poderia ter ele 3 Processo n° 10830.005629/2001-16 S2 -C ITI Acórdão n.° 2101 -00.933 Fl. 166 sido lavrado na proporção de 50% dos rendimentos em relação à Recorrente, em atenção ao disposto pelo art. 42, §6°, da Lei n.° 9.430/96. Assim, sendo certo que não houve, in casu, a intimação especifica da outra co-titular da conta bancária para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados na fase que precedia a lavratura do auto de infração, ausência esta que, inclusive, poderia ter o condão de justificar a alegação da Recorrente de que os rendimentos seriam oriundos do contrato de administração de investimento em títulos e valores mobiliários, firmado com o Banco Real de Investimentos - Private Bank e a segunda co-titular da conta (cf. fl. 15), verifica-se a insanável nulidade do presente auto de infração. Eis o motivo pelo qual voto no sent' o de DAR provimento ao recurso. 1,19 QJk U' Alex ndre Naoki Nishioka 4
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Numero do processo: 11474.000068/2007-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do Fato Gerador: 21/12/2006
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO.
No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal.
EXCLUSÃO DO SIMPLES.
A pessoa jurídica formalmente excluída do SIMPLES sujeita-se, a partir da
data de sua exclusão, às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às
empresas em geral.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES.
Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão
de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias.
AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. CÁLCULO DA MULTA.
A obrigação acessória de prestar informações ao INSS mediante GFIP tem
periodicidade mensal, renovando-se a cada mês competência.
Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a cem por
cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, em
cada competência, aos valores da multa que seria aplicada caso o sujeito
passivo deixasse de entregar o citado documento de informações.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente
pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter
irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa
referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91.
GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a
direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial,
comercial ou de qualquer outra atividade econômica.
Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato
pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO E RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURÍDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas
tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 aos princípios constitucionais da
isonomia, razoabilidade, proporcionalidade e eficiência plasmados na
Constituição Federal, eis que tal atribuição foi reservada pela própria
Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário.
GFIP. AUTO DE INGRAÇÃO CFL 68. PENA COMINADA EM LEI.
A penalidade imputada pela entrega de GFIP com dados não correspondentes
aos fatos geradores de contribuições previdenciárias foi cominada não por
regulamento, mas, sim, pelo parágrafo quinto do art. 32 da Lei nº 8.212/91.
AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91.
RETROATIVIDADE BENIGNA.
As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões
foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o
art. 32A à Lei nº 8.212/91.
Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN,
sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa
que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-001.038
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer
parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. EXCLUSÃO DO SIMPLES. A pessoa jurídica formalmente excluída do SIMPLES sujeitase, a partir da data de sua exclusão, às normas de tributação e de arrecadação aplicáveis às empresas em geral. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. Constitui infração à legislação previdenciária a entrega de GFIP com omissão de informações relativas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ENTREGA DE GFIP COM OMISSÕES OU INCORREÇÕES. CÁLCULO DA MULTA. A obrigação acessória de prestar informações ao INSS mediante GFIP tem periodicidade mensal, renovandose a cada mêscompetência. Assim, a cada entrega de GFIP com omissão ou incorreção nos dados relativos a fatos geradores representa uma infração distinta à lei, a qual será punida de forma individualizada mediante a aplicação de multa correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, em cada competência, aos valores da multa que seria aplicada caso o sujeito passivo deixasse de entregar o citado documento de informações. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. Fl. 401DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora, de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta, equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. GRUPO COMPOSTO POR COORDENAÇÃO. RSPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Empresas que, embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas de fato pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico denominado “grupo composto por coordenação”, sendo solidariamente responsáveis pelas contribuições previdenciárias de qualquer uma delas. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO E RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 aos princípios constitucionais da isonomia, razoabilidade, proporcionalidade e eficiência plasmados na Constituição Federal, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. GFIP. AUTO DE INGRAÇÃO CFL 68. PENA COMINADA EM LEI. A penalidade imputada pela entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias foi cominada não por regulamento, mas, sim, pelo parágrafo quinto do art. 32 da Lei nº 8.212/91. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e na parte conhecida conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória nº 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei nº 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei nº 8.212 de 1991. Fl. 402DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 385 3 Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência momentânea : Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Período de apuração: Janeiro/2004 a Agosto/2006. Data da lavratura do Auto de Infração : 21/12/2006. Data da Ciência do Auto de Infração : 21/12/2006. Tratase de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, lavrado em desfavor do Recorrente, em razão de este, malgrado excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte pelo Ato Declaratório N° 12 de 10/05/2005 da SRF Delegacia em Blumenau/SC, com efeitos retroativos a 23/04/1998, ter continuado a declarar em GFIP como empresa optante pelo SIMPLES, e não ter retificado as declarações anteriores, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 28/45 e anexos. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) – Art. 284, II na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. A multa aplicada corresponde a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, incidente sobre os valores das remunerações pagas aos segurados contribuintes individuais, limitada por competência, em função do número de segurados da empresa, consoante Relatório Fiscal de Aplicação da multa a fls. 29/30 e anexos. Fl. 403DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Relata a Autoridade Lançadora que a empresa incorreu em reincidência genérica, em virtude de ter sido lavrado contra si, em ação fiscal anterior, o Auto de infração nº 35.635.1440, CFL 38, com trânsito em julgado em 27/08/2004, e ciência do autuado em 01/09/2004. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Autuado apresentou impugnação a fls. 254/299. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis/SC lavrou Decisão Administrativa a fls. 318/323, julgando procedente o Auto de Infração e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. As empresas que constituem o grupo econômico do qual integra o Recorrente foram cientificadas da decisão de 1ª Instância nos dias 22, 23 e 24 de agosto de 2007, conforme Avisos de Recebimento – AR a fls. 330/331. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 333/364, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Que o processo de exclusão da empresa do SIMPLES, deve ser declarado nulo por padecer de vício insanável, tendo em vista que não pode ser admitido à exclusão imediata, sem trânsito em julgado do processo administrativo. Revelandose assim, o direito da impetrante socorrerse do Poder Judiciário para ver assegurado o seu direito de não ser prejudicada por ato arbitrário da Administração Pública; • Que o INSS não tem competência legal para promover a notificação fiscal em epígrafe, em virtude da opção da empresa pelo referido sistema; • Que os valores apurados pela fiscalização não correspondem às determinações legais, pois não foram demonstrados de forma clara e precisa, para permitir o exame e a defesa da requerente; • Que na apuração dos débitos, a fiscalização considerou como funcionários da Engecass todos os empregados da Sulvapor e Máquinas Wilke, o que gerou uma presunção e um arbitramento, tendo em vista serem empresas completamente distintas; • Que a multa aplicada carece de fundamentação legal, uma vez que a cominação da pena se deu por Decreto, o qual tem como única função regulamentar a lei, e não criar direito; • Que as multas aplicadas devem seguir os princípios da capacidade contributiva do contribuinte e do não confisco. Aduz que o fisco não pode valerse da letra fria da lei para aplicar percentuais absurdos para os padrões atuais; • Que a aplicação de multas cumulativas fere o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade. Argumenta que a multa deve incidir uma vez em face do descumprimento pertinente e não reiteradas vezes a cada mês como pretende o fisco; Fl. 404DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 386 5 • Que a desclassificação de escrita para efeito de arbitramento de tributos é sempre uma medida extrema, que somente se justifica, tem eficácia e validade se o contribuinte não tiver livros, documentos de receita e despesas que permitam apurar os tributos devidos ou, tendo os, se recuse a exibilos no prazo que lhe for concedido, por escrito, pela fiscalização. Não pode ser utilizado como panaceia ou remédio para todas as dificuldades do fisco. • Que houve erro na identificação do polo passivo, pois as empresas Sulvapor e Engecass são partes legítimas para responder, somente, pelas contribuições devidas à Seguridade Social decorrentes dos valores pagos ou creditados, por elas, aos seus segurados empregados e contribuintes individuais, não tendo nada a ver com a empresa notificada. Aduz ainda, que embora a fiscalização tenha citado a Lei 8.212/91 para justificar a configuração de outras empresas no polo passivo da obrigação principal, o CTN impede esta configuração, pois exige a relação direta com a situação que constitua o fato gerador, o que não ocorreu no presente caso. • Que inexiste Grupo Econômico; • Em relação ao entendimento da fiscalização de que os empregados das Empresas Máquinas Wilke e Sulvapor são empregados da Engecass, alega que tais argumentos não merecem prosperar, uma vez que não se encontram preenchidos os requisitos de subordinação, pessoalidade e dependência econômica destes trabalhadores com a referida empresa. • Quanto ao SAT, em virtude do critério de enquadramento de risco de cada atividade em grau leve, médio e grande, ter sido definido por meio de regulamento, infringindo o Princípio da Legalidade Tributária, a autuada entende que a sua exigência é inconstitucional. • Que a aplicação da taxa SELIC como juros de mora é ilegal, e que ao fisco cabe a exigência de juros de mora nos moldes do §1°, art. 161 do CTN. Ao fim, o Recorrente requer que seja julgada improcedente a notificação. Alternativamente, pugna pela redução da multa a percentuais aceitáveis aos padrões nacionais e que a taxa de juros seja adequada à lei. As demais empresas do grupo econômico não se manifestaram no prazo normativo. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 405DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE As empresas que supostamente constituem o grupo econômico do qual integra o Recorrente foram válida e eficazmente cientificadas da decisão de 1ª Instância nos dias 22, 23 e 24 de agosto de 2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 24 de setembro do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Alega o Recorrente que a desclassificação de escrita para efeito de arbitramento de tributos é sempre uma medida extrema, que somente se justifica, tem eficácia e validade se o contribuinte não tiver livros, documentos de receita e despesas que permitam apurar os tributos devidos ou, tendoos, se recuse a exibilos no prazo que lhe for concedido, por escrito, pela fiscalização. Não pode ser utilizado como panaceia ou remédio para todas as dificuldades do fisco. Compulsando a impugnação à Notificação Fiscal em julgamento, verificamos que a alegação acima postada inova o Processo Administrativo Fiscal ora em apreciação. Tal matéria não foi, nem mesmo indiretamente, aventada pelo impugnante em sede de defesa administrativa em face do lançamento tributário que ora se discute. Os alicerces do Processo Administrativo Fiscal de determinação e exigência de crédito previdenciário de encontramse fincados na Portaria MPS nº 520/2004, cujo art. 9º, inserido no Capítulo reservado à Impugnação de lançamentos tributários, estipula que a impugnação deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. Em plena sintonia com tal preceito normativo processual, o §6º desse mesmo dispositivo legislativo dispõe de forma hialina que a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante será considerada legalmente como não impugnada. Portaria MPS nº 520, de 19 de maio de 2004 Art. 9º A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim Fl. 406DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 387 7 como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Outra não é a linguagem positivada no Decreto nº 70.235/72, o qual figura como marco primitivo do direito legislado em matéria de Processo Administrativo Fiscal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 407DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) As disposições inscritas no §6º do art. 9º da Portaria MPS nº 520/2004 c.c. art. 17 do Dec. nº 70.235/72 espelham, no Processo Administrativo Fiscal, o princípio processual da impugnação específica retratado no art. 302 do Código de Processo Civil, assim redigido: Código de Processo Civil Art. 302. Cabe também ao réu manifestarse precisamente sobre os fatos narrados na petição inicial. Presumemse verdadeiros os fatos não impugnados, salvo: I se não for admissível, a seu respeito, a confissão; II se a petição inicial não estiver acompanhada do instrumento público que a lei considerar da substância do ato; III se estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto. Parágrafo único. Esta regra, quanto ao ônus da impugnação especificada dos fatos, não se aplica ao advogado dativo, ao curador especial e ao órgão do Ministério Público. Deflui da normatividade jurídica inserida pelos diplomas Normativos acima assinalados, na interpretação conjunta autorizada pelo art. 108 do CTN, que o impugnante carrega como fardo processual o ônus da impugnação específica, a ser levada a efeito no momento processual apropriado, in casu, no prazo de defesa assinalado expressamente no Auto de Infração, observadas as condições de contorno assentadas no relatório intitulado IPC – Instruções para o Contribuinte. Nessa perspectiva, a matéria específica não expressamente impugnada em sede de defesa administrativa será considerada como verdadeira e não contestada, precluindo processualmente a oportunidade de impugnação ulterior, não podendo ser alegada de maneira inovadora em grau de recurso. Salientese que as diretivas ora enunciadas não conflitam com as normas perfiladas no art. 473 do CPC, aplicado subsidiariamente no processo administrativo tributário, a qual exclui das partes a faculdade discutir, no curso do processo, as questões já decididas, a cujo respeito já se operou a preclusão. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso Fl. 408DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 388 9 do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Nesse contexto, à luz do que emana, com extrema clareza, do Direito Positivo, permeado pelos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, que todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. Por tais razões, a matéria levantada pelo Recorrente no primeiro parágrafo do presente tópico não poderá ser conhecida por este Colegiado. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Recurso, dele conheço parcialmente. Ante a ausência de questões preliminares, passamos diretamente à análise do mérito. 2. DO MÉRITO Cumpre inicialmente assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DA EXCLUSÃO DO SIMPLES O presente Auto de Infração houve por lavrado em face do ora Recorrente em razão de este, malgrado haver sido excluído do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, conforme Ato Declaratório N° 12 de 10/05/2005 da SRF Delegacia em Blumenau/SC, com efeitos retroativos a 23/04/1998, ter continuado a declarar em GFIP como empresa optante pelo SIMPLES, e não ter retificado as declarações anteriores. A empresa alega, em defesa, que o processo de exclusão do SIMPLES deve ser declarado nulo por padecer de vício insanável, em razão não poder ser admitida a exclusão imediata sem trânsito em julgado do processo administrativo. Aduz que a exclusão do SIMPLES está sendo objeto de discussão em âmbito administrativo, com julgamento em andamento, o que suspenderia a exigibilidade do crédito tributário com base no art. 151, II do CTN. Fl. 409DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Acrescenta que a auditoria do INSS não teria competência legal para promover a notificação fiscal em epígrafe, em virtude da sua opção pelo referido sistema. A razão, todavia, não lhe sorri. A Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC, em 10 de maio de 2005, emitiu o Ato Declaratório Executivo nº 12, promovendo a exclusão da empresa ora recorrente do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte, com efeitos retroativos a 23 de abril de 1998, tendo sido o Recorrente cientificado de tal exclusão em 24/05/2005, mediante o Oficio n° 156/2005/DRF/BLU/SACAT, de 10 de maio de 2005. Verificamos que o art. 2º do retro mencionado ADE nº 12/2005 oportunizou à empresa em tela o Direito ao contraditório e à ampla defesa, oferecendolhe, nos termos da legislação de regência, a faculdade de apresentar, no prazo normativo, a competente “Manifestação de Inconformidade”. Merece ser registrado que, ao compulsar os vertentes autos, não logramos deparar com qualquer demonstração material de que o suso referido Ato Declaratório de exclusão tenha sido objeto de impugnação por parte da autuada. Tal ocorrência impugnatória tampouco foi objeto de relato por parte do auditor fiscal autuante. Tais fatos nos permitem concluir, de maneira relativa, ter efetivamente transitado em julgado o mencionado Ato Declaratório Executivo, havendo que ser respeitados todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Não se deve olvidar que, nos termos do art. 42 do Decreto 70.235/72, são definitivas as decisões de primeira instância findo o prazo para a interposição do respectivo recurso. Nesse panorama, não havendo o Recorrente impugnado, dentro do prazo assinalado pela lei, o Ato de Exclusão em questão, resta este transitado em julgado, administrativamente, passando a produzir todos os efeitos de estilo. Não é demais esclarecer que esta Corte Administrativa não possui competência, no presente processo, para investigar a legalidade do Ato Declaratório Executivo em destaque, mas, tão somente, apreciar os efeitos por ele produzidos, eis que, com o Trânsito em Julgado, se trata de ato jurídico perfeito. Citese, por relevante, que houve por bem advertir o Ofício referido em parágrafos precedentes, que “a partir da data da exclusão (23/04/1998), todas as declarações e recolhimentos deverão ser efetuados sob a forma de tributação normal, devendo ser regularizados quaisquer procedimentos adotados sob a sistemática do SIMPLES”. A despeito da expressa advertência aviada no referido Oficio, o Recorrente continuou declarandose, em suas GFIP, como empresa optante pelo SIMPLES, e nem tampouco retificou as declarações anteriores, conforme assim relata a Autoridade Lançadora, a fl. 28. Não resta dúvida, portanto, que a empresa estava obrigada, a contar de 23/04/1998, a declarar em GFIP todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que pudessem alterar o valor das contribuições sociais devidas à Seguridade Social. Fl. 410DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 389 11 A conduta perpetrada pelo Recorrente representou, a todo ver, omissão de declaração, em GFIP, de todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, os quais, citese, eram de declaração obrigatória, conforme nesse sentido determina o inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Diante desse quadro, a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à Lei n° 8.212 de 24/07/1991, art. 32, inciso IV e parágrafo 5°, acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10/12/1997, combinado com o art. 225, IV, parágrafo 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048 de 06/05/1999. 2.2. DOS FATOS GERADORES Alega o Recorrente que os valores apurados pela fiscalização não corresponderiam às determinações legais, pois não foram demonstrados de forma clara e precisa, para permitir o exame e a correspondente defesa. Tal rogativa não merece acolhida. Os fatos geradores objeto do presente Auto de Infração foram apurados no exame das folhas de pagamento elaboradas diretamente pelo Recorrente, as quais foram fornecidas à autoridade fiscal em meio digital, como assim resta consignado no item 17 do Relatório Fiscal a fl. 30. A responsabilidade pela elaboração das folhas de pagamento e pelo seu conteúdo é do próprio sujeito passivo, conforme assim estatui o inciso I do art. 32 da Lei nº 8.212/91. É prerrogativa dos agentes fiscais o exame da documentação fiscal e contábil da empresa. Havendo sido os fatos geradores ora em debate extraídos diretamente de tais Fl. 411DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 documentos, tornase despicienda a sua integral reprodução no Relatório Fiscal do Auto de Infração em apreço, eis que o Recorrente já possui conhecimento de toda a matéria tributável. De outro canto, sendo o presente lançamento um ato administrativo por excelência, este goza de presunção iuris tantum de veracidade e legitimidade, a qual, segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, pág. 191, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191, grifos do original). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil, ônus do qual não se desincumbiu o recorrente. Consoante o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Assim, a presunção de legitimidade diz respeito aos aspectos jurídicos do ato administrativo, e, em decorrência desse atributo, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade” dos atos administrativos, e, em decorrência desse atributo, serão presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração. Revelase, portanto, suficiente a exposição, por parte da autoridade fiscal, das bases de incidência das contribuições em apreço, como assim o fez a fiscalização previdenciária, consoante ressai da tabela postada no item 11 do Relatório Fiscal, a fl. 28. Nesse panorama, não concordando com os valores apurados pelo fisco, bastaria ao Recorrente, para desconstituir tal presunção, instruir o vertente Recurso com cópias autenticadas das folhas de pagamento das quais foram extraídas as bases da matéria tributável indicadas pelo agente fiscal. Assim não o fez o Recorrente nas diversas oportunidades que teve para se manifestar nos autos, optando por opor meras alegações não calçadas em indícios de prova material, as quais são insuficientes para elidir o lançamento tributário em exame. 2.3. DO GRUPO ECONÔMICO. Sustenta o Recorrente inexistir o grupo econômico apontado pela fiscalização. O apelo acima postado não merece a guarida pretendida. Fl. 412DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 390 13 Cumpre neste comenos esclarecer que a responsabilidade direta pelas obrigações decorrentes da vertente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD é da empresa notificada. Ocorre que o inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/91 dispõe as empresas que integram grupo econômico, de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes dessa Lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30 ... IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (grifos nossos) Como é cediço, a solidariedade não se presume. Ela decorre da vontade das partes, ou diretamente de disposição legal, como é o presente caso. Nesse sentido, dispõe a Instrução Normativa SRP nº 3, de 14 de julho de 2005, sob cuja égide se deu a autuação em exame: Instrução Normativa SRP N° 03, de 14/07/2005: Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei n° 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1° Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2° É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do §1° deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. Tal regulamentação não discrepa das disposições encartadas na Instrução Normativa INSS/DC nº 100/2003, sendo, aliás, desta, mero espelho normativo. Instrução Normativa INSS/DC nº 100, de 18/12/2003 Art. 778. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração Fl. 413DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 779. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. §1º Na cientificação a que se refere o caput, constará a identificação da empresa do grupo e do responsável, ou representante legal, que recebeu a cópia dos documentos constitutivos do crédito, bem como a relação dos créditos constituídos. §2º É assegurado às empresas do grupo econômico, cientificadas na forma do § 1º deste artigo, vista do processo administrativo fiscal. No caso ora vertido, a fiscalização apurou a existências de grupo econômico existente entre as empresas MÁQUINAS WILKE LTDA ME, SULVAPOR EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA ME e ENGECASS EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS LTDA, sendo os empregados registrados nas duas primeiras, inicialmente inscritas no SIMPLES, utilizados para trabalhar na terceira, para fugir da tributação previdenciária. A empresa MÁQUINAS WILKE foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório N° 12 de 10/05/2005, da Delegacia da SRF em Blumenau/SC, com efeitos retroativos a 23/04/1998. Igualmente, a SULVAPOR foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório N° 13, de 10/05/2005, da Delegacia da SRF em Blumenau/SC, com efeitos retroativos a 28/12/1998. Em novembro de 2004, todos os segurados empregados da MÁQUINAS WILKE foram transferidos para a ENGECASS. Da mesma forma, em janeiro de 2005, todos os segurados empregados da filial constituída em Rio do Sul da SULVAPOR foram transferidos para a ENGECASS. A sede das empresas Engecass e Maquinas Wilke foram estabelecidas, inicialmente na Rodovia BR 470, s/n°, Km 132, Trevo de acesso a Lontras, Lontras/SC. Posteriormente, foram transferidas para a Rua dos Vereadores, n° 410, Itoupava Rio do Sul/SC. A sede da Sulvapor estabeleceuse, inicialmente na Rua Antônio Socrepa, n° 225, bairro Scheriber, Salete/SC, transferindose, em agosto de 2001, para a Rua Luiz Bertoli n° 960, Centro Salete/SC, operando dentro da filial da ENGECASS. Já a filial da Sulvapor foi constituída em abril de 2003, operando na Rua dos Vereadores, n° 410, Galpão 03, Itoupava — Rio do Sul/SC, dentro das instalações da matriz da ENGECASS. A Engecass era gerida exclusivamente pelo sócio Paulo Roberto Cass, que possuía 80% do capital social. A máquinas Wilke era gerida e administrada isoladamente pela sócia Simone Dors da Cass, esposa do Sr. Paulo Roberto Cass, que possuía 80% das cotas sociais, sendo as Fl. 414DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 391 15 demais 20% da titularidade de Leticia Dors Berto, filha de Dalvio Jose Berto, sócio da Engecass. Registrese que Leticia Dors Berto foi substituída no quadro societário por Jaqueline da Cass, irmã de Paulo Roberto da Cass, administrador da Engecass. A Sulvapor era gerida por Jaqueline da Cass (95% das cotas) e Sebastião Sergio Souza de Farias (5% das cotas). Em abril de 2005, este último foi substituído por Ricardo Dors Wilke (95% das cotas), sobrinho de Simone Dors da Cass, ficando Jaqueline da Cass, antes com 95%, somente com 5% das cotas. Quanto à atividade empresarial, o Relatório Fiscal apresenta um relato pormenorizado da atividade comum das empresas, atuando no mesmo endereço, e como os empregados contratados por uma prestavam serviço às outras. Demonstrativo a fl. 34 revela o balanço do nº de empregados de cada empresa, e a variação da receita liquida da Engecass não em razão do número de seus empregados, mas, sim, com o contingente do grupo econômico. No período fiscalizado, não houve contabilização de despesa com energia elétrica da Máquinas Wilke e Sulvapor. As despesas com energia elétrica foram lançadas apenas na ENGECAS, conta de despesa "Energia Elétrica", código "15075". O mesmo ocorreu com a despesa de "água e esgoto", a qual não foi contabilizada na MÁQUINAS WILKE nem na SULVAPOR, sendo lançadas, unicamente como despesas de "água e esgoto" na ENGECASS nas contas n° 15083 e 17051. Da análise do ativo imobilizado, percebese que este se concentra na Engecass, sendo extremamente diminuto na Wilke e totalmente inexistente na Sulvapor. Além de concentrar o imobilizado, somente a Engecass contabiliza despesa com manutenção de máquinas e equipamentos. A Engecass possui refeitório onde é servido almoço tanto para os seus funcionários quanto para aqueles registrados na Wilke e na Sulvapor. Consignese que somente houve contrato firmado com empresas para fornecimento de refeições pela ENGECASS, sendo as despesas correspondentes lançadas na conta "Despesas Alimentação Funcionários", código "21181". Não houve despesa contabilizada na Wilke e Sulvapor referente às refeições efetuadas no refeitório. Foram igualmente constatadas despesas de viagem contabilizadas na Engecass com funcionários registrados na Wilke e na Sulvapor. De forma análoga, foram apurados lançamentos de despesas com treinamento de pessoal na contabilidade da Engecass, conta "Treinamento de Pessoal", código "21369", referentes a funcionários registrados na Wilke e na Sulvapor. A análise das demonstrações financeiras apresentadas pelas empresas revela uma forte interdependência entre elas, máxime no que pertine à relação entre o custo com pessoal e o custo dos produtos vendidos, a qual apresenta uma brusca variação em 2004 e 2005, quando os funcionários registrados na Wilke e na Sulvapor foram transferidos de volta para a ENGECASS. Verificase que com a transferência dos funcionários da Engecass para Wilke, os custos com pessoal foram aumentando gradativamente até o máximo que a Wilke poderia suportar sem a sua exclusão do SIMPLES por ultrapassar o limite da receita bruta permitido pela legislação. A sua inviabilidade financeira também fica clara com o custo com pessoal Fl. 415DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 superior à receita líquida de vendas da Wilke. Em 2005, não houve custo de pessoal, eis que os funcionários registrados na Wilke foram transferidos de volta para a Engecass. A participação da Engecass nas vendas contabilizadas da Wilke é acima de 97%. Para que o caixa da Wilke pudesse fechar, ostentando custo de operação superior à receita liquida, foram constatadas transferências financeiras da Engecass à Wilke, registradas na contabilidade desta, na conta do passivo "Financ. NP", código "7218”. O comportamento observado nos dois parágrafos precedentes também foi observado em relação à Sulvapor. Ainda nessa toada, foi constatado que os relatórios ambientais e atestados de saúde ocupacional da Engecass, Máquinas Wilke e Sulvapor foram emitidos pela empresa CONSULTORIA DE SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA. No entanto, só foi apresentado contrato de prestação de serviço com a ENGECASS, assim como só foram localizados pagamentos efetuados por esta. De outro eito, o Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho da Wilke, emitido pela CONSULTORIA DE SAÚDE E SEGURANÇA DO TRABALHO LTDA, demonstra que empregados registrados na MÁQUINAS WILKE estavam distribuídos por todo o setor produtivo da ENGECASS. Nessa mesma prumada, vário outros elementos fáticos elencados pela fiscalização a fls. 44/45 e respectivos anexos demonstram de forma insofismável a existência e configuração do grupo econômico de fato. Cabe neste comenos destacar que a caracterização do grupo econômico decorre da conformação fixada no §2º do art. 2º do DecretoLei n ° 5.452/43 CLT. Consolidação das Leis do Trabalho CLT Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Em análise magnífica do preceito acima transcrito, Arnaldo Süssekind extraiu a essência do grupo econômico de fato, ao citar que : “O parágrafo citado fala em 'empresa principal' e 'empresas subordinadas'. Para que se configure, entretanto, a hipótese nele prevista não é indispensável a existência de uma sociedade controladora (holding company). Vimos que a concentração econômica pode assumir os mais variados aspectos. E, desde que ao juiz se depare esse fenômeno, o dever lhe impõe a aplicação daquele dispositivo legal. O controle sobre diferentes sociedades pode ser exercido por uma pessoa física, detentora da maioria de suas ações e, em tal caso, não há por que deixar de aplicarse o §2°...” (SÜSSEKIND, Arnaldo. Instituições de Direito do Trabalho, 14ª ed., São Paulo, LTr, 1993). Da pena de Délio Maranhão (in Instituições de Direito do Trabalho, vol.I, 15ª ed., LTr, São Paulo, 1995, p.297) vem o complemento : “Mas a existência do grupo do qual, Fl. 416DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 392 17 por força da lei, decorre a solidariedade, provase, inclusive, por indícios e circunstâncias. Tal existência é um fato, que pode ser provado por todos os meios que o direito admite”. O comando normativo inscrito na CLT tem sua abrangência estendida tanto aos Grupos Econômicos de Direito quanto aos de fato, circunstância de onde deflui o raciocínio de que os grupos econômicos de fato podem se dar de forma horizontal (modalidade de coordenação), ou vertical (subordinação), sendo que, neste último caso, até mesmo uma pessoa física pode exercer o controle, a direção ou a administração de todo o conjunto empresarial. Revelase flagrante a similitude de redação entre o preceito celetista em voga e aquele da Instrução Normativa SRP n° 03/2005 já transcrito, autorizando que os conceitos doutrinários trabalhistas correlatos sejam utilizados na seara previdenciária, inclusive em face do estreito liame que conecta estes dois ramos do direito. Nesse contexto, para a caracterização de grupo econômico para fins previdenciários, mostrase despicienda a formalização jurídica dessa congregação de empresas, tampouco a existência formal de relação de subordinação, revelandose bastante e suficiente para caracterizar a unidade de interesses e a afinidade de objetivos, a constatação fática de uma relação de coordenação, situação na qual não existe prevalência formal de uma empresa sobre a outra, mas simples conjugação de interesses com vistas à ampliação da credibilidade e dos negócios. Registrese, por relevante, que a jurisprudência pátria, hodiernamente, evoluiu de uma interpretação meramente gramatical do §2° do art. 2° da CLT para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. Admite, portanto, mesmo nas ordens do Poder Judiciário, a configuração de grupo econômico, assim denominado "grupo composto por coordenação", em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento independente do controle jurídico, com base apenas na organização comum da atividade econômica, conforme dessai dos julgados a seguir ementados, perfeitamente aplicáveis ao caso em apreciação: GRUPO ECONÔMICO. CARACTERIZAÇÃO. Consoante a melhor doutrina, a personalidade jurídica é o substrato da autonomia dos sujeitos plúrimos que constituem o grupo empresário, podendose dizer que a autonomia é uma das facetas do grupo econômico, o que, antes de caracterizálo, constituise em nota marcante de sua definição. Quanto à exigência de controle pelo acionista majoritário, tal entendimento encontrase superado pela doutrina e jurisprudência. Admitese, hoje, a existência de grupo econômico independente do controle e fiscalização pela chamada empresa líder. Evoluiuse de uma interpretação meramente literal do artigo 2º, §2º, da CLT, para o reconhecimento do grupo econômico, ainda que não haja subordinação a uma empresa controladora principal. É o denominado "grupo composto por coordenação" em que as empresas atuam horizontalmente, no mesmo plano, participando todas do mesmo empreendimento. Fl. 417DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 No direito do Trabalho impõese, com maior razão, uma interpretação mais elastecida da configuração do grupo econômico, devendose atentar para a finalidade de tutela ao empregado perseguido pela norma consolidada (artigo 2º, § 2º, da CLT). Grupo Econômico Caracterização. (TRTRO 19827/97 4ª T. Rel. Juiz Ronan Neves Cury Publ. MG 22.07.98)." GRUPO ECONÔMICO. Empresas que embora tenham situação jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem suas atividades no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente à outra, formam um grupo econômico, a teor das disposições trabalhistas, sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas. (TRT 3ª Região. 2T— RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier). GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. Para a configuração de grupo econômico, na esfera trabalhista, não se exige que o quadro societário se repita nas empresas integrantes, mesmo porque no âmbito desta Justiça pode ser reconhecido o grupo de fato, como por exemplo pessoas físicas de uma mesma família que controlam e administram várias empresas ou um grupo econômico, pois comandam e dirigem o empreendimento, não sendo de importância capital a pessoa que detenha a titularidade do controle, ou seja, se pessoa física ou jurídica, mormente quando todas as empresas atuam na mesma área comercial e possuem localização comum, como ocorre no presente caso em que as duas empresas atuam na área de transporte e têm sede no mesmo endereço. Assim, mantémse a sentença que conclui pela existência de grupo econômico entre as empresas (...) na forma do §2° do art. 2° da CLT". (TRT Processo n° 01130.2005.004.14.001. Relator: Juiz Shikou Sadahiro, DOJT14 n° 097 de 31/05/2006) GRUPO ECONÔMICO DE FATO. CARACTERIZAÇÃO. O §2.° do art. 2° da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer, na prática situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas físicas que, de fato, mantém a administração das empresas, sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária. (TRT/15ª REGIÃO. Decisão N° 061975/2005PATR., Relatora: MARIANE KHAYAT, publicado em 19/12/2005) Fl. 418DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 393 19 GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO – Para configuração do grupo econômico, não é mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico, basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência admitem hoje o grupo econômico independente do controle e fiscalização de uma empresa líder. Basta uma relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2º, parágrafo 2° da CLT. (TRT 3' R. 4T RO/8486/01 Rel. Juiz Márcio Flávio Salem Vidigal DJMG 18/08/2001 P.14). No caso sub examine, verificouse comunhão de sócios e objetivos sociais nas diversas empresas, houve utilização em comum de empregados entre as empresas integrantes do grupo. Há autuação de empresas na mesma unidade, utilizandose da estrutura do grupo. A linha de comando e representação é efetuada pelo mesmo grupo de pessoas ou por pessoas diretamente a elas vinculadas; há aporte de recursos financeiros entre as empresa do grupo, etc. Tal compreensão caminha no mesmo compasso da jurisprudência que exara das Cortes Ordinárias Federais no que afeta à caracterização, em âmbito previdenciário, dos grupos econômicos de fato, consoante se dessume dos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ARTIGO 30, IX, DA LEI N° 8.212/91. GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO. O art. 146, III, ‘a’, da CF não exige lei complementar para dispor sobre novos casos de responsabilidade tributária, além do que sequer diz respeito a contribuições, restringindose à indicação dos contribuintes possíveis dos impostos nominados. Configurada a hipótese do art. 30, IX, da Lei 8.212/91, que diz que "as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações" porquanto restou evidenciado que se trata de empresas que atuam no mesmo endereço, com sócios ou mandatários em comum, no mesmo ramo de confecções, que há admissão e demissão de empregados com sucessiva admissão em uma das demais empresas deixando contribuições impagas, dentre outros fatos que revelam a unidade de atuação empresarial. Não conhecimento do argumento da decadência trazido pelo Autor em apelação, sendo que o art. 267, §3º do CPC admite tal conhecimento quando matéria de defesa. Apelação Cível. Processo: 200370010016160, UF: PR, Data da decisão: 13/12/2005 TRIBUTÁRIO. AGRAVO DE INSTRUMENTO. MANDADO DE SEGURANÇA. MEDIDA LIMINAR. PRESSUPOSTOS LEGAIS Fl. 419DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 20 INEXISTENTES. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO. EXPEDIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE DÍVIDA PREVIDENCIÁ RIA. EMPRESA DE MESMO GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 30, IX DA LEI N° 8.212/91. ART. 124, II DO CTN. DESNECESSIDADE DE INSTAURAÇÃO DE PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. A negativa da expedição de certidão negativa de débito à empresa impetrante está calcada na existência de débito fiscal de empresa do mesmo grupo econômico de fato, cujo patrimônio, que fora transferido para as novas empresas constituídas, não garantiria o valor total da dívida previdenciária. As provas coligidas aos autos revelam fortes indícios da existência da • formação de grupo econômico de fato com o propósito de escapar da cobrança do crédito previdenciário. Caso de responsabilização solidária expressa na lei, segundo a qual a pessoa jurídica é diretamente responsável pelos débitos tributários de empresa do mesmo grupo econômico. O ato de negativa da CND pela autoridade previdenciária não estaria condicionado à instauração de processo administrativo fiscal. Agravo de instrumento improvido. TRIBUNAL QUINTA REGIÃO, Agravo de Instrumento – 62011, Processo: 200505000124230, UF: RN. Tais elementos, ancorados por outros descritos em tópicos diversos neste voto, demonstram a existência, de fato, de grupo econômico para fins de imputação de responsabilidade solidária, nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91. 2.3. DA FUNDAMENTAÇÃO LEGAL DA MULTA APLICADA. Sustenta o Recorrente que a multa aplicada carece de fundamentação legal, uma vez que a cominação da pena se deu por Decreto, o qual tem como única função regulamentar a lei, e não criar direito. Enganase o Recorrente. O inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 estatui que a empresa é obrigada a informar mensalmente ao INSS, mediante GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse da autarquia previdenciária em realce. No mesmo leito, o parágrafo quinto do mesmo dispositivo legal estabelece que a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeita o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo quarto do dispositivo legal em questão. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em Fl. 420DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 394 21 regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Conforme demonstrado, a penalidade a ser imputada pela entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de contribuições previdenciárias foi cominada não por regulamento, mas, sim, pelo parágrafo quinto do art. 32 da Lei nº 8.212/91. 2.4. DOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS Argumenta o Recorrente que as multas aplicadas devem seguir os princípios da capacidade contributiva do contribuinte e do não confisco. Aduz que o fisco não pode valer se da letra fria da lei para aplicar percentuais absurdos para os padrões atuais. Tal cantilena não encontra ambiente jurídico propício para florescer. Quanto à suposta violação aos princípios da capacidade contributiva e do não confisco aventada pelo Recorrente, mostrase valioso elucidar aos menos versados que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Imersa na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de penalidades pecuniárias decorrentes do descumprimento de obrigações tributárias acessórias de cunho previdenciário foi moldada pela Lei nº 8.212/91, cujo art. 92 estatuiu, de forma objetiva, que a infração a qualquer dispositivo encartado na citada lei de custeio implicaria a cominação de multa, nos termos que se vos seguem: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices Fl. 421DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 22 utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Se nos parece de bom auspício destacar que as diretivas ora enunciadas não destoam dos acordes entoados pelas normas aviadas nos artigos 113, §1º ; 114 e 116 a 118 todos do CTN, ao contrário, lhe realizam. Código Tributário Nacional Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (grifos nossos) Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifos nossos) Conforme articulado, escapa da competência desta Corte Administrativa a análise da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais insculpidos nos dispositivos da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 422DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 395 23 Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Talhada nesses contornos a escultura jurídica, avulta falecer de competência este Colegiado para apreciar tais alegações e afastar os efeitos do presente Auto de Infração, aplicado nos trilhos mandamentais da lei, sob alegação de inconstitucionalidade por violação a princípios insculpidos na Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.5. DO CÁLCULO DA MULTA Fl. 423DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 24 Protesta o Recorrente que a aplicação de multas cumulativas fere o princípio da proporcionalidade e da razoabilidade. Argumenta que a multa deve incidir uma vez em face do descumprimento pertinente e não reiteradas vezes a cada mês como pretende o fisco; A imagem que o Recorrente tem da memória de cálculo da multa aplicada não encontra espelho na legislação que rege a matéria. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (grifos nossos) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Dessumese de forma hialina da redação do inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91 que a obrigação acessória de prestar informações ao INSS mediante GFIP tem periodicidade mensal, isto é, a cada mêscompetência renovase a obrigação de promover a Fl. 424DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 396 25 entrega do citado documento com a totalidade das informações demandadas pela legislação previdenciária. Nesse contexto, no caso versado no §4º do art. 32 da citada Lei de Custeio, cada não apresentação de GFIP representa uma infração distinta, a qual será punida mediante a aplicação de penalidade pecuniária calculada pelo produto do valor mínimo estipulado no art. 92 do Diploma Legal em apreço, pelo multiplicador apropriado, constante no próprio §4º supracitado, o qual será definido pelo número de empregados vinculados à empresa na competência correspondente. Já na hipótese do §5º do tantas vezes referido art. 32, cada entrega de GFIP com omissão ou com distorção nos dados relativos a fatos geradores, como é o caso em estudo, representa, igualmente, uma infração à lei, a qual será também castigada de forma individualizada mediante a aplicação de penalidade pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, em cada competência, aos valores da multa que seria aplicada caso o sujeito passivo deixasse de entregar a GFIP. No caso vertente, a memória de cálculo encontrase publicada nos itens 11 a 16 do Relatório Fiscal, a fls. 28/30. No demonstrativo do item 11 são apresentadas as bases de cálculo dos segurados contribuintes individuais (PRO) e dos segurados empregados (BC), as contribuições devidas a cargo dos segurados contribuintes individuais (CI) e da empresa (empresa e SAT), assim como o montante de contribuição previdenciária devida em cada competência (coluna AI). Já na tabela apresentada no item 14 são apresentados o número global de segurados em cada competência, o limite máximo, em cada competência, da multa a ser aplicada, calculado nos moldes encartados no §4º já referido, o valor da contribuição social efetivamente devida, assim como, disposto na coluna da extrema direita, o valor da multa efetivamente incidente em cada infração cometida. Conforme detalhadamente demonstrado, a multa aplicada percorreu com exatidão os trilhos assentados pela Lei Orgânica da Seguridade Social, inexistindo qualquer vício de legalidade a macularlhe. 2.5. DO SAT. Quanto ao SAT, em virtude do critério de enquadramento de risco de cada atividade em grau leve, médio e grande, ter sido definido por meio de regulamento, infringindo o Princípio da Legalidade Tributária, a autuada entende que a sua exigência é inconstitucional. Razão não lhe assiste. O art. 195, I da Constituição Federal determina que a Seguridade Social seja custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Fl. 425DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 26 Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) Nossa Lei Soberana não parou por aí. Disse mais: No capítulo reservado aos Direitos Sociais, assegurou o Constituinte Originário, como direito dos trabalhadores urbanos e rurais, o seguro contra acidentes do trabalho, a ser custeado diretamente pelo empregador. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XXVIII seguro contra acidentes de trabalho, a cargo do empregador, sem excluir a indenização a que este está obrigado, quando incorrer em dolo ou culpa; (grifos nossos) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual, sem transpor os umbrais erguidos pela Carta Superior, instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Por se tratarem de matérias afins, houve por bem o legislador ordinário, envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, assentar no inciso II de seu art. 22 a instituição e regramento da contribuição social destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, a cargo da empresa, em nada conflitando com as orientações contempladas na Constituição. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 426DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 397 27 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela Lei nº 9.732, de 1998). a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. (...) §3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. Salientese que os preceitos aqui anunciados não conflitam com as disposições encartadas no art. 202 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbatim: Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Fl. 427DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 28 Conforme detalhadamente demonstrado, a Lei n° 8.212/91, realizando o Princípio da Legalidade inscrito no inciso II do art. 5º da Lei Maior, instituiu a contribuição destinada ao custeio do direito social constitucionalmente assegurado, fixandolhe os percentuais aplicáveis em razão do grau de risco inerente a cada atividade empresarial, restando a cargo do Regulamento o enquadramento de cada empresa nos patamares então definidos. No caso em debate, o §3º do art. 22 da Lei nº 8.221/91 estabeleceu que o Ministério do Trabalho e da Previdência Social "poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes". Dessarte, da conjugação dos preceitos plasmados no inciso II, alíneas a, b e c, do art. 22, com o §3º desse mesmo dispositivo legal, concluise que a norma primária, fixando as alíquotas padrão, cometeu ao regulamento a competência para alterar, com base em estatísticas, o enquadramento referido nas mencionadas alíneas. Registrese uma vez mais que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Devese atentar igualmente para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ao revés, o Pretório Excelso, em recente decisão no julgamento do Recurso Extraordinário RE 343.4462/SC, de relatoria do Min. Carlos Velloso, cuja ementa abaixo se transcreve, ratificou a constitucionalidade e exigência da contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, destacando que O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º'; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º art. 154, II; art. 5°, II; art. 150, I . I Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3°, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4°, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II O art. 3°, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4° da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III As Leis 7.787/89, art. 3°, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a Fl. 428DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 398 29 obrigação tributária válida O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao principio da legalidade genérica, C.F., art. 5°, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido". (STF, RE 343.4462/SC, rel. Min. Carlos Velloso. DJ 04042003 PP00040) Reafirmou o Ministro Relator o seu entendimento no sentido de que é possível deixar por conta do Executivo o estabelecimento de normas em regulamento, desde que os standards ou padrões estejam previamente definidos em lei stricto sensu, a fim de que se possa atender às necessidades da administração pública na realização do interesse coletivo. 2.6. DA TAXA SELIC. Assevera o Recorrente que a aplicação da taxa SELIC como juros de mora é ilegal, e que ao fisco cabe a exigência de juros de mora nos moldes do §1°, art. 161 do CTN. Melhor sorte não se reservou a alegação acima esposada. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Fl. 429DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 30 Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: Fl. 430DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 399 31 TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na Fl. 431DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 32 via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de que o órgão de entrância não ter se pronunciado sobre a constitucionalidade de leis – as quais o Recorrente não especificou , atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 2.7. DA RETROATIVIDADE BENIGNA As normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades decorrentes da não entrega de GFIP ou de sua entrega contendo incorreções, foram alteradas pela Lei nº 11.941/2009, produto da conversão da Medida Provisória nº 449/2008. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Lei federal revogou o §4º do art. 32 da Lei nº 8.212/91, fazendo introduzir no bojo desse mesmo Diploma Legal o art. 32A, ad litteris et verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no §3º deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) §1º Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Fl. 432DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 400 33 §2º Observado o disposto no §3º deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação.(Incluído pela Lei nº 11.941/2009). §3 A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Originariamente, a conduta infracional consistente em apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores era punível com pena pecuniária correspondente a cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo 4º do artigo 32 da Lei n º 8.212/91. A Medida Provisória nº 449/2009, convertida na Lei n º 11.941/2009, alterou a memória de cálculo da penalidade em tela, passando a impor a multa de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omissas, mantendo inalterada a tipificação legal da conduta punível. A multa acima delineada será aplicada ao infrator independentemente de este ter promovido ou não o recolhimento das contribuições previdenciárias correspondentes, a teor do inciso I do art. 32A acima transcrito, fato que demonstra tratarse a ora discutida imputação de penalidade pelo descumprimento de obrigação instrumental acessória. Assim, a sua mera inobservância consubstanciase infração e implica a imposição de penalidade pecuniária, em atenção às disposições estampadas no art. 113, §3º do CTN. A Secretaria da Receita Federal do Brasil editou a Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 22 de abril de 2010, que assim dispôs em seu artigo 4º: Art. 4º A Instrução Normativa RFB nº 971, de 2009, passa a vigorar acrescida do art. 476A: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea “c” do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos Fl. 433DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 34 moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. §2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. Mostrase flagrante que a citada IN RFN nº 1.027/2010 extrapolou os limites da lei, inovando o ordenamento jurídico. Nos termos do art. 97 do CTN, somente a lei formal pode dispor sobre a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, e tratar de hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Código Tributário Nacional CTN Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: I a instituição de tributos, ou a sua extinção; II a majoração de tributos, ou sua redução, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; III a definição do fato gerador da obrigação tributária principal, ressalvado o disposto no inciso I do §3º do artigo 52, e do seu sujeito passivo; IV a fixação de alíquota do tributo e da sua base de cálculo, ressalvado o disposto nos artigos 21, 26, 39, 57 e 65; V a cominação de penalidades para as ações ou omissões contrárias a seus dispositivos, ou para outras infrações nela definidas; VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 434DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 11474.000068/200713 Acórdão n.º 230201.038 S2C3T2 Fl. 401 35 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A alínea ‘a’ do inciso I do art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, acrescentado pela IN RFB nº 1.027/2010, é tendente a excluir, sem previsão de lei formal, penalidade pecuniária imposta pelo descumprimento de obrigação acessória nos casos em que a multa de ofício aplicada pelo descumprimento de obrigação principal for mais benéfica ao infrator. Tal hipótese não se enquadra, de forma alguma, na situação de retroatividade benigna prevista pelo art. 106, II, ‘c’ do CTN, pois emprega como parâmetros de comparação penalidades de natureza jurídica diversa, uma pelo descumprimento de obrigação principal e a outra, pelo de obrigação acessória. Como é de sabença universal, a incidência de ambas as penalidades são independentes entre si, pois que a aplicação de uma não afasta a incidência da outra e vice versa. Nesse contexto, não se trata de retroatividade da lei mais benéfica, mas, sim, de dispensa de penalidade pecuniária estabelecida mediante Instrução Normativa, favor tributário que somente poderia emergir da lei formal, a teor do inciso VI, in fine, do art. 97 do CTN. Vislumbrase inaplicável, portanto, a referida IN RFB nº 1.027/2010, por ser flagrantemente ilegal. Como demonstrado, é possível a aplicação da multa isolada em GFIP, independentemente de o contribuinte ter promovido o recolhimento do tributo correspondente, conforme assentado no art. 32A da Lei n º 8.212/91. Uma vez que a penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória encontrase prevista em lei, somente o Poder Legislativo dispõe de competência para dela dispor. A legislação complementar, na forma de Instrução Normativa, emanada do Poder Executivo, extrapola os limites de sua competência concedendo anistia para exclusão de crédito tributário, em violação às disposições insculpidas no §6º do art. 150 da CF/88, o qual exige lei em sentido estrito. Nesse contexto, afastada por ilegalidade a norma estatuída pela IN RFB nº 1.027/2010, por representar a novel legislação encartada no art. 32A da Lei nº 8.212/91 um benefício ao contribuinte, verificase a incidência do preceito encartado na alínea ‘c’ do inciso II do art. 106 do CTN, devendo ser observada a retroatividade benigna, sempre que a multa decorrente da sistemática de cálculo realizada na forma prevista no art. 32A da Lei nº 8.212/91 cominar ao Sujeito Passivo uma penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da ocorrência da infração. Assim, tratandose o presente caso de hipótese de entrega de GFIP contendo informações incorretas ou com omissão de informações, deverá ser aplicada a penalidade prevista no inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, se esta se mostrar mais benéfica ao Recorrente. 3. CONCLUSÃO: Fl. 435DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 36 Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo a penalidade ser recalculada tomandose em consideração as disposições inscritas no art. 32A, I da Lei nº 8.212/91, inserido pela Medida Provisória nº 449/2008, somente na estrita hipótese de o valor multa assim calculado se mostrar menos gravoso ao Recorrente, em atenção ao princípio da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’ do CTN. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 436DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 17/05/ 2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 19/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10980.005592/2005-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano calendário: 2005
SIMPLES. EXCLUSÃO. EFETIVO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. PROVA.
A descrição no contrato social da empresa de atividade vedada aos optantes do Simples, quando desacompanhada de elementos que comprovem o exercício efetivo daquela atividade, não tem fôlego para embasar a exclusão da empresa daquele regime.
Numero da decisão: 1402-000.453
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano calendário: 2005 SIMPLES. EXCLUSÃO. EFETIVO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. PROVA. A descrição no contrato social da empresa de atividade vedada aos optantes do Simples, quando desacompanhada de elementos que comprovem o exercício efetivo daquela atividade, não tem fôlego para embasar a exclusão da empresa daquele regime.
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EXCLUSÃO. EFETIVO EXERCÍCIO DE ATIVIDADE VEDADA. PROVA. A descrição no contrato social da empresa de atividade vedada aos optantes do Simples, quando desacompanhada de elementos que comprovem o exercício efetivo daquela atividade, não tem fôlego para embasar a exclusão da empresa daquele regime. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Frederico Augusto Gomes de Alencar. Fl. 76DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.005592/200536 Acórdão n.º 140200.453 S1C4T2 Fl. 73 2 Relatório Sérgio Wiersbicki ME recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 2ª Turma da DRJ Curitiba/PR, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade ao conteúdo do Ato Declaratório Executivo nº 497, de 24/09/2007 (fl.10), de lavra do Delegado da Receita Federal em CuritibaPR, que excluiu o contribuinte do benefício do Simples, com efeitos a partir de 01/06/2005, por exercício de atividade vedada de montagem e manutenção de equipamentos industriais, em afronta ao disposto no inciso XIII do artigo 9º da Lei nº 9.317,de 1996, que rege a sistemática. O ato de exclusão foi emitido após a análise da Representação enviada pela CAC/Portão. Apresentou a manifestação de fl. 15/16, alegando que sua exclusão ocorreu porque a autoridade fiscal entende que presta serviços de profissional legalmente habilitado ou que necessite de acompanhamento de profissional específico o que não é verdade; que faz manutenção básica como engraxamento, troca ou fixação de peças, sem alteração de uso dos maquinários ou mesmo alteração de suas funções; que análise às declarações em anexo demonstram que a prestação de serviços é mínima, bem como a receita deles decorrentes; que sua atividade principal é o comércio; que em se tratando de ato vinculado, não recebeu qualquer informação da RFB acerca da impossibilidade de permanecer no Simples e não se pode alegar que a alteração da lei original, com a edição da Lei nº 11.196/2005 autorizaria sua exclusão, uma vez que foi admitido anteriormente. Pede sua manutenção no Simples e conseqüente cancelamento do ato declaratório. Juntou os documentos de fls. 17 a 61.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 06 22.530 (fls. 6364) de 04/06/2009, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação da interessada sob o argumento de que a empresa exercia atividade vedada aos optantes do Simples. A decisão foi assim ementada. “MONTAGEM DE MÁQUINAS INDUSTRIAIS. PERMANÊNCIA NO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa previsão legal, é vedada a permanência no Simples das pessoas jurídicas que prestem serviços de instalação, reparação e manutenção em máquinas industriais.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 30/06/2009 (A.R. de fl. 67), a interessada interpôs recurso voluntário em 30/06/2009 (fls. 6870) onde alega, em apertada síntese, que a empresa presta serviços de soldagem, troca de peças e engraxamento de máquinas, serviços esses que prescindiriam da qualificação de um engenheiro ou de qualquer outro profissional com qualificação. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.005592/200536 Acórdão n.º 140200.453 S1C4T2 Fl. 74 3 É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Compulsandose os autos, formo minha convicção no sentido de dar razão à recorrente pelos motivos a seguir expostos. O despacho decisório (fls. 08/11) que embasou o Ato Declaratório Executivo (fl. 12) de exclusão da empresa do Simples teve por base a descrição do objeto social da empresa, constante do seu Requerimento de Empresário (fl. 04), onde se observa como atividade da empresa, dentre outras, a “manutenção e reparação de máquinas e equipamentos de uso industrial”, atividade essa vedada aos optantes do Simples à teor do art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317, de 1996, in verbis: Art. 9º. Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; ” (grifei) De outro lado, a recorrente sustenta que presta serviços de soldagem, troca de peças e engraxamento de máquinas, serviços esses que prescindiriam da qualificação de um engenheiro ou de qualquer outro profissional com qualificação. A DRJ, por sua vez, indeferiu a solicitação da empresa sob o argumento de que a interessada realizava serviço de manutenção e montagem de máquinas industriais, os quais exigiriam habilitação profissional legalmente autorizada. Com efeito, peço vênia para discordar do entendimento contido na decisão de primeira instância. Não há nos autos qualquer prova de que a empresa exercia atividades que necessitassem de profissional habilitado para sua execução. A descrição genérica de que a empresa executaria a manutenção de máquinas industriais, por si só, não tem fôlego para se opor ao argumento da recorrente de que tais atividades consistiam, simplesmente, em serviços de soldagem, troca de peças e engraxamento de máquinas. Nessa esteira, há que se reconhecer, também, que o ADE que excluiu a empresa do Simples, tem por base tãosomente a descrição do objeto social, constante do contrato social da empresa. Tal decisão não pode prosperar, já que o embasamento da exclusão não levou em consideração qualquer elemento, tais como notas fiscais e recibos de pagamento, Fl. 78DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 10980.005592/200536 Acórdão n.º 140200.453 S1C4T2 Fl. 75 4 que comprovassem o exercício efetivo da atividade vedada. Não tem fôlego, portanto, o ADE em apreço para embasar a exclusão da empresa da sistemática do Simples. Ex positis, encaminho meu voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2011 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 28/04/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE Assinado digitalmente em 28/04/2011 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, 28/04/2011 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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