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Numero do processo: 10580.721225/2007-58
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004, 2006, 2007
NULIDADE. AUSÊNCIA/RASURA DATA E HORA NO AUTO DE
INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA.
Não há que se considerar cerceamento de defesa o fato de o Auto de Infração
conter rasura ou ainda ausência na data e hora de sua emissão, visto que a
data da ciência do ato administrativo é que importa para a contagem dos
prazos decadenciais e prescricionais.
NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. AMOSTRAGEM.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A fiscalização pode no exercício de suas funções checar as operações da
empresa por amostragem, o que não se confunde com a apuração dos valores
da receita bruta conhecida considerados no arbitramento do lucro efetuado
para os efeitos da exigência fiscal.
Numero da decisão: 1801-000.413
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004, 2006, 2007 NULIDADE. AUSÊNCIA/RASURA DATA E HORA NO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se considerar cerceamento de defesa o fato de o Auto de Infração conter rasura ou ainda ausência na data e hora de sua emissão, visto que a data da ciência do ato administrativo é que importa para a contagem dos prazos decadenciais e prescricionais. NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. AMOSTRAGEM. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A fiscalização pode no exercício de suas funções checar as operações da empresa por amostragem, o que não se confunde com a apuração dos valores da receita bruta conhecida considerados no arbitramento do lucro efetuado para os efeitos da exigência fiscal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Exercício: 2004, 2006, 2007 NULIDADE. AUSÊNCIA/RASURA DATA E HORA NO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há que se considerar cerceamento de defesa o fato de o Auto de Infração conter rasura ou ainda ausência na data e hora de sua emissão, visto que a data da ciência do ato administrativo é que importa para a contagem dos prazos decadenciais e prescricionais. NULIDADE. PROCEDIMENTO FISCAL. AMOSTRAGEM. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A fiscalização pode no exercício de suas funções checar as operações da empresa por amostragem, o que não se confunde com a apuração dos valores da receita bruta conhecida considerados no arbitramento do lucro efetuado para os efeitos da exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em preliminar, afastar as nulidades suscitadas pela recorrente e negar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente e Relatora EDITADO EM: 17/12/2010 Fl. 253DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram da sessão de julgamento, os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Maria de Lourdes Ramirez, Sandra Maria Dias Nunes, Rogério Garcia Peres e Ana de Barros Fernandes. Relatório A empresa em epígrafe foi autuada a recolher: a) IRPJ e CSLL, relativos aos terceiro e quarto trimestres de 2005 e aos quatro trimestres de 2006, por omitir receitas evidenciadas no Livro de Apuração do ISSQN, nº 01, obtidas pelo transporte de passageiros; os lançamentos tributários foram efetuados com base no lucro arbitrado em razão da empresa não exibir à fiscalização os Livros Diário, Razão e Lalur destes anos-calendários e a apuração foi realizada na forma trimestral – IRPJ: percentual de 19,20% da receita bruta; alíquota de 15% para o cálculo do IRPJ e 10% para cálculo do adicional (para o lucro excedente a R$60.000,00); CSLL – percentual de 12% e alíquota de 9% - Infração 002 dos Autos de Infração; b) Multa isolada pelas estimativas não recolhidas relativas à CSLL e IRPJ de dezembro de 2003 – percentual de 50%; c) IRPJ e CSLL calculados no ajuste anual e não recolhidos, relativos ao ano- calendário de 2003. Tudo conforme explicita o Termo de Verificações de fls. 169 a 170, planilha demonstrativa dos valores omitidos e extraídos do Livro de registro de ISSQN de fls. 171, partes integrantes dos Autos de Infração de fls. 07 a 31. A empresa impugnou os lançamentos tributários às fls. 175 a 182 argumentando, em suma, que (i) padecem de vícios formais insanáveis devendo ser declarados nulos, por conterem rasuras visto que as datas e os horários de emissão dos Autos de Infração foram apostas à caneta, quando os documentos foram gerados eletronicamente, e (ii) pela fiscalização ter anotado no Termo de Encerramento que o procedimento fiscal pautou-se em amostragem, o que é inadmissível para a correta apuração dos valores dos tributos. Às fls. 236 a 241, a Primeira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ I exarou o Acórdão nº 12-23.219/09, rejeitando as nulidades suscitadas e mantendo o lançamento tributário na sua integralidade, o qual restou assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE. INOCORRÊNCIA. AÇÃO FISCAL O atendimento aos preceitos estabelecidos na legislação tributária relativos ao processo administrativo fiscal bem como a observância do amplo direito de defesa do contribuinte afasta a hipótese de ocorrência de nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Desconfigura-se a preterição do direito de defesa se o contribuinte foi regularmente cientificado do auto de infração e seus anexos sendo-lhe assegurado o direito a Fl. 254DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.721225/2007-58 Acórdão n.º 1801-00.413 S1-TE01 Fl. 254 3 questionar a exigência nos termos das normas que tratam do processo administrativo-fiscal. NULIDADE. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM. A lei não estabeleceu rito especial a ser seguido no procedimento administrativo que visa determinar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária correspondente. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situa-se na competência da autoridade administrativa. A sustentação probante pode estar calcada não só em fatos, mas também em presunções, já que na busca pela verdade material o fisco pode valer-se, para comprovar suas alegações, de todos os meios de prova admitidos em Direito, até mesmo as presuntivas. VERIFICAÇÃO POR AMOSTRAGEM. A escolha do modo de proceder a investigação fiscal situa-se na competência da autoridade administrativa, respeitados os princípios da legalidade e da proporcionalidade. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRP J Data do fato gerador: 31/12/2003, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Consolida-se administrativamente o crédito tributário relativo à matéria não impugnada. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/12/2003, 30/06/2005, 30/09/2005, 31/12/2005, 31/03/2006, 30/06/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 CSLL. LANÇAMENTO REFLEXO. Subsistindo o lançamento principal, igual sorte colhe o lançamento que tenha sido formalizado por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejarem conclusões diversas. Inconformada, a empresa apresenta o Recurso Voluntário de fls. 246 a 251, reprisando as alegações veiculadas na defesa inicial, a saber, os seguintes vícios que acarretam as nulidades das autuações: 1) data e hora rasuradas nos Autos de Infração: traz incerteza e agridem a segurança jurídica do contribuinte, pois são elementos imprescindíveis aos atos para a computação de prazos prescricionais e decadenciais; o art. 2º do Decreto nº 70.235/72 – PAF impõe que os atos e termos processuais sejam lavrados sem rasuras e emendas; 2) a apuração dos valores tributáveis no procedimento de ofício por amostragem consiste em presumir a receita obtida pela contribuinte, relativa, que não denota a realidade contributiva da fiscalizada, pelo que inadmissível, em vista do princípio da segurança jurídica; a empresa possui todos os livros contábeis e fiscais, em perfeita regularidade, pelo que a fiscalização deveria ter computado todas as receitas, não havendo fundamentos para que fuja à realidade dos fatos. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 É o relatório. Passo a analisar as razões recursais. Voto Conselheira ANA DE BARROS FERNANDES, Relatora Conheço do Recurso Voluntário, por tempestivo. O litígio converge-se em questões preliminares de nulidade absoluta dos Autos de Infração para a exigência de IRPJ e CSLL e multas isoladas, por vícios, ao entender da recorrente, insanáveis. As questões de mérito, como bem registrado pela turma julgadora de primeira instância, não foram submetidas ao litígio administrativo (artigo 17 do Decreto nº 70.235/72 – PAF), portanto, insuscetíveis de apreciação. De plano, saliento que as fundamentações apresentadas no acórdão de primeira instância, ora vergastado, sobre as matérias apresentadas não foram confrontadas, pelo que as adoto integralmente e acrescento as minhas considerações. Repriso a transcrição do art. 59 do PAF, dispositivo que trata das nulidades absolutas dos termos e atos administrativos fiscais: Art. 59. São nulos: I – [...] II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifos não pertencem ao original) O fato de as datas e horas expressas nos Autos de Infração, gerados eletronicamente, terem sido apostas à caneta em nada prejudica a empresa autuada, visto que os prazos prescricionais ou decadenciais, ao contrário do que assevera, iniciam-se a partir da ciência da interessada dos lançamentos tributários e não a partir da emissão dos referidos Autos de Infração. Assim estabelece o § 2º do artigo 23 do PAF: Art. 23. Far-se-á a intimação: [...] § 2° Considera-se feita a intimação: - na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II - no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 256DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10580.721225/2007-58 Acórdão n.º 1801-00.413 S1-TE01 Fl. 255 5 III - se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV - 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Esta matéria inclusive já está assente e pacificada neste órgão colegiado, que editou a Súmula nº 07/CARF: Súmula CARF nº 7: A ausência da indicação da data e da hora de lavratura do auto de infração não invalida o lançamento de ofício quando suprida pela data da ciência. (Súmula 7 do 1º CC) Ademais, a recorrente apresentou em momento oportuno e hábil a impugnação aos lançamentos tributários e pode exercer amplamente seu direito de defesa, em nada sendo cerceada pelo fato suscitado, irrelevante no aspecto material ou processual. No que respeita à fiscalização ter se valido no Termo de Encerramento que procedeu por amostragem, e que esta forma de procedimento afronta a segurança jurídica e trata-se de uma presunção, é, ao menos, bizarra a contestação da recorrente. Primeiramente porque afirma que possui todos os livros contábeis e fiscais, o que possibilitaria à fiscalização fazer um levantamento completo das receitas auferidas e não somente aquelas espelhadas no Livro de Registro de ISSQN. Todavia, nos autos está comprovado que a empresa, nos anos-calendários em que a fiscalização apurou as omissões de receitas – 2005 e 2006 –, na verdade, não apresentou os tais livros contábeis, o que a forçou a arbitrar o lucro da fiscalizada e valer-se das receitas escrituradas pela empresa no referido livro fiscal - LRISSQN. E longe está de tratar-se de presunção de omissão de receitas, pois a prova da percepção das receitas foi realizada, no presente caso, de forma direta, pelos registros realizados no LRISSQN. O lucro da empresa é que foi arbitrado em face da impossibilidade de ser apurado pela ausência da contabilidade completa, nos termos expressos do artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto de Renda vigente – RIR/99, consoante explicitado nos Autos de Infração sob exame. E não há qualquer vedação legal para a fiscalização valer-se da amostragem para realizar auditoria nas empresas. Proceder desta forma significa que a fiscalização checará todas as operações da empresa por amostragem, mas ao detectar indícios de irregularidades se focará nestas determinadas operações. Sem dúvida, não há nada de irregular neste procedimento funcional. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 Não quer dizer que, na presente fiscalização, o auditor fiscal pinçou somente alguns valores das receitas escrituradas no Livro de Apuração do ISSQN, para proceder ao arbitramento do lucro, realizando um lançamento por amostragem dos valores omitidos ao fisco federal. A planilha anexa ao termo de Verificações demonstra que todos os valores que indicam a receita bruta conhecida foram consideradas no arbitramento e ensejaram as exigências fiscais. Por todo o exposto, afasto as preliminares de nulidades suscitadas pela recorrente. Voto em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Fl. 258DF CARF MF Impresso em 18/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2010 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 17/12/2 010 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13839.003218/2007-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO.
Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Se do conjunto probatório restar configurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, deve ser mantido o lançamento dos rendimentos considerados omitidos. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA Nº 25 DO CARF. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-001.716
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao ano-calendário de 2001 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2002 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, conta-se o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Se do conjunto probatório restar configurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, deve ser mantido o lançamento dos rendimentos considerados omitidos. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA Nº 25 DO CARF. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso voluntário parcialmente provido.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ANTECIPAÇÃO DO PAGAMENTO. CONTAGEM DO PRAZO. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). IRPF OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA Se do conjunto probatório restar configurada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, deve ser mantido o lançamento dos rendimentos considerados omitidos. MULTA QUALIFICADA. SÚMULA Nº 25 DO CARF. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Recurso voluntário parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a arguição de decadência suscitada pelo Recorrente para declarar extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2001 e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO 2 (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Antonio Lopo Martinez e Helenilson Cunha Pontes Fl. 374DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13839.003218/200790 Acórdão n.º 220201.716 S2C2T2 Fl. 374 3 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização O contribuinte foi intimado (fl. 93), em 12/03/07, a esclarecer se havia realizado transferências para/do exterior, e, em caso positivo, apresentar os comprovantes das transferências. Em resposta, o recorrente afirmou categoricamente não ter realizado nenhuma transferência bancária para o exterior no período. No decorrer da fiscalização, o contribuinte foi novamente intimado a apresentar esclarecimentos (fl. 96), desta vez tendo confrontados dados mais específicos sobre as transferências para o exterior, nos anoscalendário de 2001 e 2002. Em resposta (fl. 100), o recorrente anexou os extratos bancários de suas contas nos bancos Safra e BankBoston, dizendo que iria posteriormente apresentar as do banco Citibank. Em decorrência da demora na apresentação das informações, a fiscalização emitiu Requisição de Movimentação Financeira (fl. 224) dirigida ao Citibank, que apresentou as informações requisitadas (fl. 226). Posteriormente (fl. 201), apresentou extratos do Citibank, mas apenas os referentes ao ano de 2002, remanescendo a lacuna referente à apresentação dos extratos de 2001. Em 07/08/07, o recorrente foi novamente intimado (fl. 214), desta vez para justificar acréscimo patrimonial a descoberto, bem como demonstrar a efetiva distribuição de lucros e dividendos alegada para o ano de 2002. Frente ao silêncio do contribuinte, a fiscalização deu o procedimento de fiscalização por encerrado. 2 Auto de Infração Com base nas informações obtidas, a Fiscalização lavrou Auto de Infração (fl. 69) baseado em duas infrações constatadas: Acréscimo Patrimonial a Descoberto em 2001 e Omissão de Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas em 2002. A multa lançada foi de 150%. Segundo a autoridade lançadora, o dolo esteve caracterizado pela categórica mentira do recorrente, materializada na negativa firmada quanto às remessas para o exterior. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 721.163,59, incluídos imposto de renda, multa e juros de mora. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO 4 3 Impugnação Não satisfeito com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fl. 251), aduzindo os seguintes argumentos: a) o Mandado de Procedimento Fiscal não foi renovado mediante intimação do contribuinte, motivo que nulifica todos os atos posteriores ao vencimento do primeiro MPF; b) a decadência para tributos sujeitos a lançamento por homologação opera no prazo de cinco anos, contados do fato gerador, conforme disposto no art. 150, § 4º. Os fatos geradores são 30/06/01, 31/07/01, 31/09/01, 31/10/01, 31/12/01 e 31/01/02. Logo, teria precluído o direito da Fazenda de lançar de ofício, já que o lançamento só foi efetuado em 27/08/07; c) a Fiscalização não pode considerar depósitos bancários como sinais exteriores de riqueza para lançar Acréscimo Patrimonial a Descoberto; d) o contribuinte teve seu sigilo bancário quebrado pela autoridade fiscalizadora através de RMF, sem que houvesse prévia autorização judicial; e) a multa deve ser reduzida para 75%, pois tanto não ocorreram o dolo e a fraude, quanto não foram estes cabalmente comprovadas. 4 Acórdão de Impugnação A 5ª Turma da DRJ/SPOII julgou a impugnação do recorrente, acordando, por unanimidade, por afastar as preliminares de nulidade e decadência e, no mérito, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A fundamentação foi a seguinte: a) o MPF foi renovado e disponibilizado digitalmente pela internet, não havendo nulidade dos atos da fiscalização; b) o não recolhimento do montante integral do tributo faz com que a decadência seja regida pelo art. 173, I do CTN, ao invés do art. 150, §4º; c) os R$ 40.000,00 comprovadamente recebidos da empresa Contal Com. e Assessoria Ltda. foram corretamente lançados como omissão de rendimentos provenientes de pessoas jurídicas, vez que embora o contribuinte tenha alegado que estes valores eram de dividendos, não comprovou de nenhuma forma que estes rendimentos eram efetivamente distribuição de lucros; d) o acréscimo patrimonial a descoberto lançado para o ano de 2001 é acertado, pois foram comprovados dispêndios por parte do contribuinte, não amparados por patrimônio ou rendimento por parte do recorrente; e) não ocorreu quebra irregular de sigilo bancário, pois a fiscalização agiu dentro de seus poderes legalmente concedidos; f) o dolo ficou configurado quando o contribuinte mentiu à fiscalização acerca da realização de transferências, quando não apresentou os extratos do Citibank e quando omitiu na Declaração de Ajuste Anual os valores das remessas para o exterior; Fl. 376DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13839.003218/200790 Acórdão n.º 220201.716 S2C2T2 Fl. 375 5 5 Recurso Voluntário Não dignado com o resultado do julgamento de sua impugnação, o recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, repisando os argumentos apresentados, adicionando: a) deveria ter sido emitido novo MPF após a expiração do primeiro, sendo indicado novo agente para conduzir a investigação; b) nem todo o sinal exterior de riqueza denota acréscimo patrimonial, somente aquele que denota dispêndio; c) a simples apuração de omissão não configura dolo ou fraude, segundo jurisprudência e súmula do CARF. É o relatório. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO 6 Voto Conselheiro Relator Rafael Pandolfo O presente recurso atende aos requisitos de admissibilidade do Decreto 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. No decorrer do procedimento fiscal, foi utiizada a figura do RMF, o que significaria, a princípio, a necessidade de sobrestamento do julgamento do recurso. Entretanto, o próprio recorrente já havia entregue os extratos referentes ao anocalendário de 2002. O crédito constituído sobre os rendimentos auferidos no anocalendário 2001, conforme será abaixo demonstrado, foi atingido pela decadência. Desse modo, é possível julgar, desde já, o recurso voluntário. 1 Da Decadência Alega a recorrente que o direito de constituição do crédito tributário em análise teria precluído, em relação ao ano de 2001 e ao ano de 2002, lançado apenas para janeiro, em razão da aplicação do §4º, do art. 150, do CTN, vez que o fato gerador do imposto seria mensal. O Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) é tributo sujeito ao lançamento por homologação, modalidade de lançamento em que o contribuinte antecipa o pagamento do tributo e declara o montante devido ao Fisco, ficando esse procedimento sujeito à posterior homologação por parte da Fazenda Pública. Não havendo qualquer ato que expressamente homologue a declaração efetuada pelo contribuinte e o respectivo pagamento, ainda que parcial, considerase o procedimento tacitamente homologado após o transcurso do prazo de 5 anos contados da data do fato gerador, nos termos do que dispõe o §4º, do art. 150, do CTN. Passado esse prazo, salvo a comprovação de dolo, de fraude ou de simulação, o direito de efetuar eventual lançamento de ofício encontrase atingido pela decadência. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça, analisando o assunto sob o rito previsto no art. 543C, do Código de Processo Civil, cuja decisão é de observância obrigatória por esta Colenda Corte, nos termos do art. 62 A do Regime Interno, entendeu que o art. 173, inciso I, do CTN, é aplicado, de modo ordinário, somente, nos casos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando não há qualquer pagamento realizado pelo contribuinte: in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro Fl. 378DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13839.003218/200790 Acórdão n.º 220201.716 S2C2T2 Fl. 376 7 dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO 8 (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). Grifamos. Conforme se verifica na Declaração de Ajuste Anual do anocalendário de 2001 (fl. 5), houve recolhimento antecipado, fato que, consoante o entendimento jurisprudencial consolidado, atrai a incidência do art. 150, §4º, do CTN. Assim, iniciando o prazo de decadência em 1º/01/02 (CTN, art. 150, § 4º) e tendo sido o contribuinte notificado do auto de infração em 23/08/07, há de se reconhecer a caducidade do direito fazendário à constituição do crédito tributário. Quanto ao argumento do recorrente de que o fato gerador na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto se daria mensalmente, não lhe assiste razão. É que, como bem salientou a decisão recorrida, apesar de a Lei nº 7.713/88 determinar que os acréscimos patrimoniais não declarados devam ser apurados mensalmente, tais valores caracterizamse meras antecipações, já que o fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física somente se verifica no último dia do exercício, em 31 de dezembro. Nesse sentido é o entendimento pacífico dessa E. Corte: Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária Acórdão nº 10616064 do Processo 10845004198200292 Data: 24/01/2007 IRPF DECADÊNCIA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. A omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada em base mensal e tributados anualmente, razão pela qual o fato gerador se perfaz em 31 de dezembro de cada anocalendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). FORMA DE APURAÇÃO TRIBUTAÇÃO MENSAL A partir do anocalendário 1989, o acréscimo patrimonial não justificado deve ser apurado mensalmente, confrontandose os rendimentos do respectivo mês, com transporte para os períodos seguintes dos saldos positivos de recurso, conforme determina o artigo 2º da Lei nº 7.713, 1988. PROVAS Não tendo o contribuinte logrado comprovar integralmente a origem dos recursos capazes de justificar o acréscimo patrimonial, através de rendimentos tributáveis, isentos ou tributáveis exclusivamente na fonte, é de se manter o lançamento de ofício. Recurso negado. (Grifamos) Portanto, merece ser acolhida parcialmente a preliminar, para ser reconhecida a decadência em relação aos eventos jurídicotributários ocorridos no anocalendário de 2001. 2 Da Omissão de Rendimentos Recebidos da Contal Com. e Assessoria Ltda. O recorrente, durante o processo administrativo fiscal, defendeu que os R$ 40.000,00 recebidos da Empresa Contal Com. e Assessoria Ltda. seriam dividendos distribuídos no anocalendário. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13839.003218/200790 Acórdão n.º 220201.716 S2C2T2 Fl. 377 9 O art. art. 10 da Lei nº 9.249/95, abaixo transcrito, determina que os lucros distribuídos não estão sujeitos ao IRPF, a partir de 1996: Art. 10. Os lucros ou dividendos calculados com base nos resultados apurados a partir do mês de janeiro de 1996, pagos ou creditados pelas pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, presumido ou arbitrado, não ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte, nem integrarão a base de cálculo do imposto de renda do beneficiário, pessoa física ou jurídica, domiciliado no País ou no exterior. Parágrafo único. No caso de quotas ou ações distribuídas em decorrência de aumento de capital por incorporação de lucros apurados a partir do mês de janeiro de 1996, ou de reservas constituídas com esses lucros, o custo de aquisição será igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista. Como pode ser verificado, somente o lucro apurado é isento, não qualquer valor pago ao acionista. Por este motivo é necessária a demonstração da existência de lucro a distribuir e a distribuição deste lucro. Bastaria o recorrente ter juntado o Livro Caixa da empresa para demonstrar a distribuição de lucros. Sem esta ou qualquer outra prova, é impossível reconhecer a isenção destes valores. Deste modo, correta a opção da autoridade lançadora de caracterizar omissão de rendimentos, ainda mais levando em conta que o recorrente não informou tais valores em sua declaração. 3 Das Multas Aplicadas A Fiscalização lavrou auto de infração aplicando multa qualificada para todas as omissões de rendimentos. Entendo que a qualificação não merece prosperar. A omissão de rendimento sempre está ligada a uma omissão de informação do contribuinte, que não pode ser compelido à produção de prova contra si. Nesse sentido, tenho como plenamente aplicável, ao caso em tela, a Súmula nº 25 do CARF, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. Deve ser referido, ainda, no presente caso, que o próprio recorrente apresentou documentos relativos ao anocalendário de 2002, que serviram de base à autuação. Conforme acima exposto, voto no sentido de ACOLHER PARCIALMENTE A PRELIMINAR DE DECADÊNCIA referente ao anocalendário de 2001, e, no mérito, DAR PARCIAL PROVIMENTO para reduzir a multa ao patamar de 75%. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Fl. 381DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO 10 Fl. 382DF CARF MF Impresso em 02/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10540.000055/2010-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RECURSO INTEMPESTIVO
É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-003.366
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Júlio César Vieira Gomes Presidente
Ana Maria Bandeira- Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
Nome do relator: ANA MARIA BANDEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RECURSO INTEMPESTIVO É definitiva a decisão de primeira instância quando não interposto recurso voluntário no prazo legal. Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes Presidente Ana Maria Bandeira- Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues.
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Não se toma conhecimento de recurso intempestivo Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Júlio César Vieira Gomes – Presidente Ana Maria Bandeira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Thiago Taborda Simões e Nereu Miguel Ribeiro Domingues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 00 00 55 /2 01 0- 46 Fl. 448DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos da empresa e a destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho. Segundo o Relatório Fiscal (fls. 02/06) e Relatório Fiscal da Ação Fiscal (fls. 49/60), em resposta ao Termo de Constatação, a autuada informou que não localizou os Resumos Gerais da Folha de Pagamentos relativas a gestão anterior, e que por isso entregou fotocópias de folhas de pagamentos enviadas ao TCMBA, as quais por se apresentarem incompletas e desordenadas não foram aceitas pela Fiscalização. Em resposta ao Termo de Constatação e de Intimação Fiscal n° 01 e planilhas A, B, C e D, encaminhou os Demonstrativos extraídos do Sistema de Acompanhamento de Pagamento de Pessoal SAPPE, correspondentes aos anoscalendários de 2007 e 2008, com indicação dos valores de vencimentos e salários bases por competência/mês. De posse destes fatos, e dispondo dos dados fornecidos pelo Tribunal de Contas dos Municípios do estado da Bahia para o ano calendário de 2006, a auditoria fiscal, utilizando da prerrogativa da apuração da base de incidência por aferição indireta, elaborou novas planilhas com valores de remunerações/base de cálculos extraídos dos demonstrativos entregues pelo sujeito passivo e/ou disponibilizadas pelo TCMBA, considerando os salários bases lá indicados como base de cálculo da contribuição previdenciária, relativos aos anos calendários de 2006 a 2008, conforme planilha III. A auditoria fiscal efetuou a comparação entre os valores de remunerações declarados em GFIP – Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social com os dados disponibilizados pelo TCMBA, pertinentes aos anos calendários em comento e ficou caracterizado que a autuada deixou de declarar na GFIP a totalidade das remunerações pagas, creditadas ou devidas a segurados empregados, fato este que resultou em declaração a menor da base de cálculo da contribuição previdenciária, e consequentemente, da contribuição patronal de responsabilidade da empresa, conforme planilhas I, II, III e IV. Com a edição da Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009, que alterou as multas aplicadas tanto no caso de descumprimento de obrigações acessórias como principais, a auditoria fiscal, sob o argumento de apurar a situação mais benéfica ao sujeito passivo com base no disposto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, efetuou o cálculo da multa pela legislação anterior e pela legislação superveniente, a fim de verificar a melhor situação para o contribuinte. Para tanto, efetuou a soma da multa pelo descumprimento da obrigação acessória de declarar os fatos geradores em GFIP, prevista no art. 32, inciso IV e §§ 3º e 5º, Lei n° 8.212/1991, com a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 e comparou o resultado com a multa de ofício prevista na Lei nº 9.430/1996, art. 44, inciso I, que passou a ser aplicada por força do art. 35A da Lei nº 8.212/1991, incluído pelo art. 26 da Lei nº 11.941/2009. Salientase que tratandose de pessoas jurídicas de direito público, por imposição do art. 239, § 9o , do Decreto 3.048, de maio de 1999, era vedada a cobrança da multa de mora motivada pelo recolhimento fora do prazo. Entretanto, este dispositivo foi Fl. 449DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10540.000055/201046 Acórdão n.º 2402003.366 S2C4T2 Fl. 3 3 alterado pelo Decreto 6.042, de 12/02/2007, retirando tal proibição. Portanto, a partir de 02/2007, passouse a cobrar a referida multa de mora sobre as contribuições sociais exigidas mediante lançamento de ofício. Após a comparação de multas, restou mais favorável ao sujeito passivo, pelo critério adotado, as seguintes situações: a) Competência 01/2006 a 01/2007: como não era cobrada a multa de mora 24%, a comparação foi feita entre a multa CFL 68 e multa CFL 78, ambas por descumprimento da obrigação acessória de declarar GFIP sem incorreções ou omissões. b) Competências 02/2007 a 06/2007, 08/2007, 10/2007 e 11/2007, 13/2007 a 02/2008, 07/2008 e 11/2008: a comparação foi feita entre a multa de 75% com o somatório da multa CFL 68 e da multa de mora de 24%; ou quando devido, entre o somatório da multa de 75% e da multa CFL 78 com o somatório da multa CFL 68 e da multa de mora de 24% . c) Competências 07/2007, 09/2007, 12/2007, 03 a 06/2008, 08 a 10/2008: não houve crédito tributário a lançar, a comparação foi feita entre a multa CFL 68 e multa CFL 78, ambas por descumprimento da obrigação acessória de declarar GFIP com incorreções ou omissões. d) Competência 12/2008: não participou do comparativo da multa em decorrência de o fato gerador das obrigações principal e acessória da contribuição previdenciária se materializar na vigência da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Não houve crédito tributário a lançar e está sendo cobrada a multa CFL 78 por descumprimento da obrigação acessória de declarar GFIP com incorreções ou omissões. e) Competência 13/2008: não participou do comparativo da multa em decorrência de o fato gerador das obrigações principal e acessória da contribuição previdenciária se materializar na vigência da Medida Provisória n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Neste caso, está sendo cobrada a multa de 75%. À folha nº 58 encontrase a planilha de cálculo da penalidade mais benéfica e podese observar que a multa aplicada pela legislação atual resultou mais favorável ao sujeito passivo. A autuada teve ciência do lançamento em 25/01/2010 e apresentou defesa (fls. 398/403), onde alega que a fiscalização utilizou valores das remunerações dos servidores, incluídas as parcelas sobre as quais não incide contribuição previdenciária. Considera, portanto, que o lançamento seria nulo em razão de não ter ocorrido a “fiel descrição do fato infringente.” Quanto à multa de mora, argumenta que o Decreto nº 6.042 que determinou alteração no art. 239 § 9º do Decreto nº 3048/1998 foi expedido em 12/02/07, portanto, a incidência da multa de mora somente poderia ser atribuída no mês de referência seguinte, ou seja, março de 2007 e não a partir da competência 02/2007, conforme entendeu a auditoria fiscal. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Alega que o fisco não poderia, num mesmo exercício, exigir a multa por falta de recolhimento concomitantemente com a multa de ofício por redução indevida, total ou parcial, do imposto a pagar na declaração, ainda que essas infrações e penalidades estejam expressamente tipificadas e cominadas na legislação tributária, mais especificamente no § 12, do art. 44, da Lei nº 9.430/1996. Isto porque a segunda infração anistiaria a primeira ou dispensaria a aplicação da respectiva penalidade. Cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Entende que o comparativo efetuado pela RF a fim de aplicar as disposições do art. 106, II 'c' do CTN foge ao pretendido pela Lei, pois o valor da multa em referência que foi comparado à prevista no art. 44, I, não são da mesma espécie e tampouco acumuláveis. Aduz que, na verdade, comparado ao disposto na nova redação do art. 35, que trata da mesma espécie, o valor da multa estaria limitado a 20%. Alega que, com a edição da nova CNAE, foram alterados os valores do grau de risco para acidentes de trabalho para a administração pública de 1% para 2%. Esta alteração, no entanto, ocorreu a partir da competência junho de 2007 e a auditoria fiscal já estaria cobrando a alíquota majorada a partir de 06/2006. Informa que nas competências 12 e 13/2007 foi efetuado pagamento a maior que o valor devido, levantado pela fiscalização. Não obstante, tal valor deixou de ser abatido/compensado com os valores alegadamente pagos a menor nos meses precedentes, deixando de considerar tais compensações no cômputo do montante supostamente devido pelo município. Considera que a multa de ofício de 75 deve ser afastada por ser confiscatória. Pelo Acórdão nº 1526.226 (fls. 414/418), a 6ª Turma da DRJ/Salvador considerou o lançamento procedente. A autuada teve ciência da decisão em 03/05/2001, conforme AR – Aviso de Recebimento (fl. 420) e inconformada apresentou recurso (fls. 422/428) protocolado junto a este CARF em 06/06/2011. Informada de que os autos do processo não se encontravam no CARF, a autuada encaminhou o recurso à DRF Vitória da Conquista (BA) em 21/06/2011, conforme comprovado pela cópia do envelope à folha nº 431. A autuada se manifesta (fl. 432) argumentando que os recursos teriam sido protocolados tempestivamente, ainda que dirigidos diretamente à CARF. Assim, requer que seja reconhecida a tempestividade e que os recursos sejam recebidos, processados e remetidos ao órgão julgador. É o relatório. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10540.000055/201046 Acórdão n.º 2402003.366 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheira Ana Maria Bandeira, Relatora Quanto à admissibilidade do recurso proposto, verificase que a recorrente, encaminhouo diretamente ao CARF, conforme se verifica no protocolo de recebimento à folha 422. A recorrente teve ciência do acórdão de primeira instância em 03/05/2011 e teria até o dia 02/06/2011, quinta feira, para apresentação do recurso. O fato da recorrente ter apresentado o recurso diretamente ao CARF, desde que tempestivamente, não seria motivo para o seu não conhecimento. Ocorre que, embora o prazo para a apresentação do recurso fosse até 02/06/2011, quinta feira, o protocolo do CARF impresso na primeira folha do recurso indica que o recurso foi apresentado em 06/06/2011, segunda feira. Não há nos autos informação de que o recurso tenha sido encaminhado por via postal, bem como qualquer comprovante de que a postagem tenha ocorrido dentro do prazo recursal, ainda que dirigido ao CARF. A única informação existente nos autos é a de que o recurso teria sido apresentado em 06/06/2011, intempestivamente, portanto. Assim, não foi cumprido requisito de admissibilidade o que impede o conhecimento do recurso. Nesse sentido e considerando tudo o mais que dos autos consta. Voto por NÃO CONHECER DO RECURSO, por ser intempestivo. É como voto. Ana Maria Bandeira Fl. 452DF CARF MF Impresso em 24/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 20/03/2013 p or ANA MARIA BANDEIRA, Assinado digitalmente em 17/04/2013 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003177/2006-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ E TRIBUTAÇÃO REFLEXA.
Ano calendário:2002.
OMISSÃO DE RECEITAS APURADA A PARTIR DA DIFERENÇA ENTRE AS RECEITAS CONTABILIZADAS E AS RECEITAS DECLARADAS EM DIPJ ENTREGUE NO EXERCÍCIO 2003.
Os lançamentos decorreram da apuração de diferença entre receitas lançadas na escrita contábil do contribuinte e aquelas declaradas a menor ao Fisco, por meio da DIPJ ano calendário 2002 (exercício 2003).
NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL – Não há nulidade dos lançamentos quando demonstrado nos autos que os elementos caracterizadores do ato ilícito foram obtidos a partir da escrita contábil
apresentada pela própria contribuinte, mediante solicitação formal da autoridade competente, tendo a contribuinte acompanhado o procedimento fiscal.
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI N° 9.718/98 – O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento
da base de cálculo do PIS e da COFINS, que modificou o conceito de faturamento ampliando o para englobar receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que veio a ser revogado pela Lei nº 11.941/2009.
Não houve o indevido alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS no caso analisado, posto que a base tributável tem por origem os valores escriturados pela contribuinte como “venda de serviços”. São, portanto, receitas abarcadas pelo conceito de faturamento vigente.
Caberia à contribuinte comprovar que as receitas alocadas naquela conta não decorrem das receitas com prestação de serviço. Prova esta que não foi realizada.
MULTA DE OFÍCIO DE 75% É DEVIDA Conforme
reiterada jurisprudência firmada neste Conselho, a multa de ofício fixada no patamar de 75% não possui efeito confiscatório.
OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS – Entendimento sumulado pelo Primeiro
Conselho de Contribuintes (súmula 4).
Numero da decisão: 1401-000.693
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ E TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Ano calendário:2002. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA A PARTIR DA DIFERENÇA ENTRE AS RECEITAS CONTABILIZADAS E AS RECEITAS DECLARADAS EM DIPJ ENTREGUE NO EXERCÍCIO 2003. Os lançamentos decorreram da apuração de diferença entre receitas lançadas na escrita contábil do contribuinte e aquelas declaradas a menor ao Fisco, por meio da DIPJ ano calendário 2002 (exercício 2003). NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL – Não há nulidade dos lançamentos quando demonstrado nos autos que os elementos caracterizadores do ato ilícito foram obtidos a partir da escrita contábil apresentada pela própria contribuinte, mediante solicitação formal da autoridade competente, tendo a contribuinte acompanhado o procedimento fiscal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI N° 9.718/98 – O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que modificou o conceito de faturamento ampliando o para englobar receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que veio a ser revogado pela Lei nº 11.941/2009. Não houve o indevido alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS no caso analisado, posto que a base tributável tem por origem os valores escriturados pela contribuinte como “venda de serviços”. São, portanto, receitas abarcadas pelo conceito de faturamento vigente. Caberia à contribuinte comprovar que as receitas alocadas naquela conta não decorrem das receitas com prestação de serviço. Prova esta que não foi realizada. MULTA DE OFÍCIO DE 75% É DEVIDA Conforme reiterada jurisprudência firmada neste Conselho, a multa de ofício fixada no patamar de 75% não possui efeito confiscatório. OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS – Entendimento sumulado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (súmula 4).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ E TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Anocalendário: 2002. OMISSÃO DE RECEITAS APURADA A PARTIR DA DIFERENÇA ENTRE AS RECEITAS CONTABILIZADAS E AS RECEITAS DECLARADAS EM DIPJ ENTREGUE NO EXERCÍCIO 2003. Os lançamentos decorreram da apuração de diferença entre receitas lançadas na escrita contábil do contribuinte e aquelas declaradas a menor ao Fisco, por meio da DIPJ anocalendário 2002 (exercício 2003). NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL – Não há nulidade dos lançamentos quando demonstrado nos autos que os elementos caracterizadores do ato ilícito foram obtidos a partir da escrita contábil apresentada pela própria contribuinte, mediante solicitação formal da autoridade competente, tendo a contribuinte acompanhado o procedimento fiscal. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI N° 9.718/98 – O Supremo Tribunal Federal declarou a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS, que modificou o conceito de faturamento ampliandoo para englobar receita bruta da pessoa jurídica, nos termos do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, que veio a ser revogado pela Lei nº 11.941/2009. Não houve o indevido alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS no caso analisado, posto que a base tributável tem por origem os valores escriturados pela contribuinte como “venda de serviços”. São, portanto, receitas abarcadas pelo conceito de faturamento vigente. Caberia à contribuinte comprovar que as receitas alocadas naquela conta não decorrem das receitas com prestação de serviço. Prova esta que não foi realizada. Fl. 419DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 2 MULTA DE OFÍCIO DE 75% É DEVIDA Conforme reiterada jurisprudência firmada neste Conselho, a multa de ofício fixada no patamar de 75% não possui efeito confiscatório. OS JUROS SELIC SÃO DEVIDOS – Entendimento sumulado pelo Primeiro Conselho de Contribuintes (súmula 4). ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Mauricio Pereira Faro, Antonio Bezerra Neto, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Karem Jureidini Dias. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003177/200690 Acórdão n.º 1401000.693 S1C4T1 Fl. 420 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 1618.579, proferido pela Sétima Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP, que decidiu manter integralmente o lançamento consubstanciado no auto de infração de IRPJ (fls. 150/152) e nos seguintes autos lavrados por tributação reflexa: PIS (fls. 157/159), COFINS (fls. 164/166) e CSLL (fls. 170/172). Por descrever os fatos com riqueza de detalhes, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: Em decorrência do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF n° 08.1.90.002006010775 foi lavrado o auto de infração do IRPJ, no valor de R$ 1.216.684,67 (fls. 150/152) e dos seguintes reflexos: PIS, no valor de R$ 104.334,05 (fls. 157/159); COFINS, no valor de R$ 481.542,82 (fls. 164/166) e CSLL, no valor ,de R$ 172.263,91 (fls. 170/172), totalizando R$ 1.974.825,45, incluindo o valor original, multas e acréscimos legais, até 30/11/2006, relativamente ao anocalendário de 2002. No início da ação fiscal foram solicitados, dentre outros elementos: os livros fiscais, contábeis e extratos bancários das contas mantidas pela empresa em instituições financeiras, com prazo regulamentar de 20 (vinte) dias para sua apresentação. O contribuinte, atendendo à solicitação fiscal, apresentou o livro Razão n° 003 e Diário n° 002, de onde foram extraídas cópias da escrituração das receitas, despesas e a movimentação de contas do ativo e passivo, referente ao período sob exame (fls. 48/117) e (fls. 118/121). De posse desses elementos, a autoridade fiscal confrontou o valor mensal das vendas de serviços, registrado na escrituração contábil do contribuinte, com os valores constantes da Declaração de Informações EconômicoFiscais DIPJ entregue sob a forma de lucro presumido, constantes de nossos registros (fls. 04/35), no percentual de 32% sobre a receita bruta, com tributação do IRPJ apurado trimestralmente. A escrituração contábil registra vendas no total de R$ 7.185.062,03 (fls. 116 e 119), enquanto a DIPJ registra receita bruta sujeita à tributação no total de R$ 716.767,25 (fls. 6/7), apontando uma diferença de R$ 6.468.294,78 entre a receita bruta anual apurada e a declarada. A autoridade fiscal, a fim de confirmar o valor da diferença apontada, intimou o contribuinte para demonstrar o total efetivo das receitas de venda de serviços (notas fiscais emitidas, informação em DIRF Declaração do Imposto de Renda Retido Fl. 421DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 4 na Fonte – prestada por seus clientes, o total das despesas efetuadas no período e, por fim, a compatibilidade do seu movimento financeiro, exceto as transferências entre contas, em diversos bancos). O contribuinte foi intimado, ainda, a justificar a diferença apontada. Como não houve manifestação a respeito do assunto, a autoridade fiscal elaborou o Termo de Constatação (fls. 145 e 146), onde ficou demonstrada a "omissão de receitas" no montante de R$ 6.468.294,78. O representante legal do contribuinte (sóciodiretor) tomou ciência dos autos de infração, em 18/12/2006, e, inconformado com o procedimento fiscal apresentou, inicialmente, em 17/01/2007, através de seu advogado constituído, impugnação aos lançamentos efetuados (fls. 181/232), cujo instrumento de Procuração estava incorreto (apenas uma assinatura do outorgante, quando eram necessárias duas assinaturas fls. 233). Cumprindo a Intimação no 3315/2007, da DERAT, (fls. 331), o contribuinte apresentou nova Procuração (fls. 336) e Termo de Ratificação de Atos Jurídicos (337). Igualmente, o representado apresentou, também, o Termo de Ratificação de Atos Jurídicos (fls. 334), nos termos do § único do art. 662 da Lei n° 10.406/02 (Código Civil), validando a Impugnação apresentada. Assim, a impugnação (fls. 181/232) inicial apresenta os seguintes argumentos contestando o procedimento fiscal: I Breve síntese fática; II Fala sobre a nulidade do auto de infração em virtude da forma de levantamento e apuração do crédito tributário; III Questiona o alargamento da base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS e a elevação de sua alíquota para 3%, conforme Lei n° 9.718/98; III.1 Descompasso da Lei n° 9.718/98 com o texto constitucional vigente à época de sua edição. Não convalidação pela emenda constitucional n° 20/98; II1.2 Inconstitucionalidade formal da Lei n° 9.718/98; III.3 Da superioridade hierárquica da lei complementar sobre a lei ordinária. Aplicação do princípio da segurança jurídica; IV Da multa cominada no percentual de 75% e a carga de inconstitucionalidade nela contida em virtude da sua natureza confiscatória; V — Na inaplicabilidade da taxa SELIC no âmbito tributário; VI — O advogado constituído exigiu que "as intimações e notificações " destinadas ao contribuinte sejam exclusivamente expedidas em seu nome, sob pena de acarretar nulidade aos Fl. 422DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003177/200690 Acórdão n.º 1401000.693 S1C4T1 Fl. 421 5 demais atos processuais que a este se sucederem, fundamentado no Código Civil. VII — Que, a defesa inicial apresentada foi baseada apenas nas informações contidas nos autos de infração, não dispondo de outros elementos; por não ter tido acesso ao processo. Submetida a Impugnação à apreciação da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo/SP, esta houve por bem julgála improcedente e, por meio do acórdão 1618.579, manteve integralmente o lançamento. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RECEITAS APURADA ENTRE A ESCRITA CONTÁBIL E A DIPJ ENTREGUE NO EXERCÍCIO 2003 O lançamento decorreu da constatação da diferença de receitas lançadas na escrita contábil do contribuinte e declaradas a menor ao Fisco, através da Declaração de Informações EconômicoFiscais – DIPJ anocalendário 2002. NULIDADE DO PROCEDIMENTO FISCAL Improcedente o pedido de nulidade do lançamento quando demonstrado nos autos que os elementos caracterizadores do ato ilícito foram obtidos mediante solicitação em termos lavrados pela autoridade competente e com a ciência do contribuinte, que acompanhou toda a ação fiscal. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE LEI N° 9.718/98 — MULTA REGULAMENTAR E TAXA SELIC Não compete à autoridade administrativa declarar, reconhecer ou apreciar a argüição de inconstitucionalidade, ilegalidade e outros juízos de valor, pois essa competência foi atribuída em caráter privativo ao Poder Judiciário pela Constituição Federal de 1988, art. 102 I, a, e III, b. Lançamento Procedente Após ser regularmente intimada do acórdão acima, a Recorrente, irresignada com o resultado do julgamento, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 367/415, que passa a ser apreciado por este Conselho. É o relatório. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 6 Voto Conselheiro Relator Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O Recurso Voluntário preenche as condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. 1. Preliminar de nulidade e Mérito A preliminar, no caso, se confunde com o mérito, pelo que tratarei de ambas conjuntamente. Em suas razões recursais, sustenta a Recorrente a nulidade dos autos de infração ao fundamento de que não foi demonstrada a metodologia utilizada para cálculo do débito, “pois, conforme se pode verificar, o que se tem são, apenas, os valores finais apurados como sendo diferenças de base de cálculo. Para que a autuação tivesse validade, imprescindível a presença de um relatório, que viabilize a descrição pormenorizada do fato autuado, o que não ocorreu no caso dos autos, pois não há o produto final da apuração realizada pela fiscalização.” (fl. 373). Complementou o seu raciocínio afirmando que a Autoridade Fiscal deixou de promover a descrição da forma como apurou as diferenças consideradas como base para a tributação, cerceando o direito de defesa da Recorrente. Confirase os seguintes trechos extraídos da fls. 374: É exatamente a ausência da hipótese acima grifada que faz com o Auto de Infração lavrado no caso em apreço tornese viciado, sobretudo porque, ao promover a descrição da situação de irregularidade em seu relatório, a fiscal responsável deixou de descrever a forma com que apurou as diferenças a serem consideradas como base de cálculo para a cominação e cobrança dos tributos reclamados, pois simplesmente apontou uma diferença milionária, aplicando ao coeficiente de 32% e as correlatas alíquotas. Conforme se pode aferir, essa forma de autuação não permite ao contribuinte a impugnação correta contra o lançamento efetuado, pois, não há possibilidade de aferirse a forma com que o Poder Público chegou aos valores que foram apresentados como sendo relativos às diferenças passíveis de composição da base de cálculo a ser tributada e, nesse sentido, temse que o auto de infração acaba por inibir o direito de defesa do contribuinte, revelandose inconstitucional, por afrontar o princípio do contraditório e da ampla defesa, esculpidos no bojo do artigo 5% inciso LV, da Constituição Federal. Feitas essas considerações, deixo de acolher a nulidade suscitada. Diferentemente do alegado pela Recorrente, a Autoridade Fiscal constatou a omissão de receitas e procedeu à correta apuração da base tributável a partir da diferença entre as receitas declaradas e as receitas contabilizadas, cujos valores foram extraídos do Livro Razão apresentado pela própria Recorrente, consoante se extrai das fls. 57/71. A suspeita de omissão de rendimentos originouse de movimentação bancária incompatível com os rendimentos declarados, bem como das informações das instituições Fl. 424DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003177/200690 Acórdão n.º 1401000.693 S1C4T1 Fl. 422 7 financeiras quanto à base de cálculo da CPMF. Contudo, para efetuar os lançamentos consubstanciados nos autos de infração, a Autoridade Fiscal cuidou de utilizar os valores informados, pela própria Recorrente, em seu Livro Razão, na conta “CAIXA A VENDA DE SERVIÇOS”, considerandoos como receitas da atividade em cada mês correspondente, conforme informado na planilha de fls. 152, como “RB contabilizada”. Desse modo, a base tributável é o somatório, por trimestre, da diferença entre “RB declarada” (receitas informadas pela Recorrente na sua DIPJ/2003) e a “RB contabilizada” (cujas informações foram extraídas do Livro Razão). Sobre a diferença apurada, aplicase o percentual de presunção de 32% a fim de encontrar o lucro tributável, posto que a Recorrente é optante pelo regime do lucro presumido. Quanto à tributação pelo PIS e COFINS, a base tributável é a própria divergência, eis que a Recorrente denomina essas receitas como “venda de serviços”, assim compreendida como faturamento, servindo como base de cálculo para as citadas contribuições. Verificase, portanto, que os autos de infração estão embasados nos documentos acostados no presente feito, não merecendo acolhida a preliminar de nulidade, posto que, com a análise dos documentos acostados, é possível remontar os cálculos realizados pela Autoridade Fiscal e, via de conseqüência, conferir a base tributável apurada. 2. Arguição de inconstitucionalidade da Lei n° 9.718/98. Sustenta a Recorrente que deve ser afastada a cobrança do PIS e da COFINS, nos moldes alterados pela Lei n° 9.718/98, tendo em vista o indevido alargamento da base de cálculo das referidas contribuições. Sobre a matéria, o Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, declarou, por meio do RE 346.084/PR, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS, introduzido pelo § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98. O STF considerou ser inconstitucional o citado dispositivo que ampliou o conceito de faturamento para englobar pela tributação a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Ou seja, invalidou a equiparação das expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, cabendo ressaltar que até a vigência da Lei nº 9.718/98 faturamento era entendido como receita operacional, equivalente à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Posteriormente, a Lei nº 11.941/09, em seu artigo 79, inciso XII, revogou o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, que determinava a incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade das receitas auferidas pelas empresas, e não apenas sobre os valores relativos ao seu faturamento, decorrente da venda de bens e serviços. Feitas essas considerações, diante da declaração de inconstitucionalidade e da revogação expressa do dispositivo que alargava indevidamente a base de cálculo do PIS e da COFINS, estaria este Conselho autorizado a conhecer da matéria e apreciála. Entretanto, a situação aqui versada não se enquadra na hipótese do aumento da base de cálculo acima mencionada. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR 8 No caso em apreço a Autoridade Fiscal cuidou de considerar como receitas contabilizadas os valores informados, pela própria Recorrente, em seu Livro Razão, na conta “CAIXA A VENDA DE SERVIÇOS”, considerandoos como receitas da atividade por ela exercida. Em outras palavras, foram submetidas à tributação pelo PIS e COFINS somente as receitas operacionais, provenientes da prestação de serviços pela Recorrente. Não houve o indevido alargamento da base de cálculo do PIS e COFINS, posto que a base tributável foi apurada a partir da diferença entre as receitas escrituradas na conta “venda de serviços” e as receitas declaradas pela contribuinte em sua DIPJ ano calendário 2002/exercício 2003. Ainda que a contribuinte tivesse alocado na conta “venda de serviços” outras receitas não operacionais, deveria ter comprovado o equívoco, demonstrando que, diferentemente do que indica o nome da conta, lá foram contabilizadas outras receitas que não decorrem da prestação de serviços. Contudo, não foi realizada nenhuma prova nesse sentido. Por essas razões, mantenho os lançamentos nos moldes em que realizados. 3. Multa de ofício e Taxa Selic. Em seu recurso voluntário a Recorrente alega, também, a existência de caráter confiscatório da multa de ofício aplicada no importe de 75%, bem como a ilegalidade da utilização da SELIC como critério de atualização das dívidas tributárias. No que concerne à multa de oficio, verificase que esta encontra respaldo legal, sendo assim devida a penalidade pecuniária no importe de 75% (setenta e cinco por cento) da exação, nos termos do artigo 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96. O escopo da multa de ofício é condicionar o comportamento do contribuinte, coibindo a prática reiterada de infrações. Para essa finalidade, entendo que o percentual em questão guarda proporcionalidade e por isso não tem caráter confiscatório. Com relação à aplicação da Taxa Selic como critério de atualização monetária, verificase que esta possui previsão legal (Lei n°. 9.250/95), sendo perfeitamente cabível a sua utilização. Inclusive, o Primeiro Conselho de Contribuintes sumulou o entendimento sobre essa questão. Confirase: Súmula n° 4: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos .federais." 4. Conclusões. Diante das considerações expostas, rejeito a preliminar e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário interposto e mantenho a decisão que julgou procedente o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Fl. 426DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR Processo nº 19515.003177/200690 Acórdão n.º 1401000.693 S1C4T1 Fl. 423 9 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 19/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIR, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 26/12/2011 por ALEXANDRE ANTO NIO ALKMIM TEIXEIR
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Numero do processo: 11516.002735/2002-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1999
DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO. MULTA EXONERADO POR DECISÃO ANTERIOR. NÃO RESTABELECIMENTO.
A desistência do recurso pelo contribuinte deve colher o crédito tributário na situação em que ele se encontrava no momento da desistência. No caso, tendo a exigência de multa isolada aplicada em concomitância com a multa de ofício sido excluída em decisão vigente no momento da desistência do recurso não cabe restabelecê-la sob o argumento de que a desistência a teria acolhido.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.103
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator.
EDITADO EM: 06/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator. EDITADO EM: 06/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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MULTA EXONERADO POR DECISÃO ANTERIOR. NÃO RESTABELECIMENTO. A desistência do recurso pelo contribuinte deve colher o crédito tributário na situação em que ele se encontrava no momento da desistência. No caso, tendo a exigência de multa isolada aplicada em concomitância com a multa de ofício sido excluída em decisão vigente no momento da desistência do recurso não cabe restabelecêla sob o argumento de que a desistência a teria acolhido. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 27 35 /2 00 2- 54 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator. EDITADO EM: 06/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa (suplente convocado), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Figueirense Futebol Clube foi lavrado o auto de infração de fls. 20/26, objetivando a exigência do Imposto de Renda Retido na Fonte decorrente de pagamentos efetuados para pessoas físicas decorrentes do trabalho assalariado nos meses de fevereiro a dezembro de 1997, dezembro de 1998 e maio de 1999, bem como multa de ofício isolada. A Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 10615.494, que se encontra às fls. 409/419 e cuja ementa é a seguinte: “IRF RECLAMAÇÃO TRABALHISTA FALTA DE RETENÇÃO Deixando o sujeito passivo de recolher o tributo devido, é passível de exigência de ofício o valor do tributo decorrente de infração constatada pelo fisco, ainda que o fato gerador tenha ocorrido no período abrangido pelo REFIS, se o sujeito passivo não o confessou quando da opção. MULTA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da MP 16, de 27/12/2001, publicada no DOU de 28/12/2001, convertida na Lei n°. 10.426, de 24/04/2002, é que passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deve oferecer os rendimentos à tributação. JUROS ISOLADOS Ocorrendo a hipótese de não retenção, quando devida, surge para a Fazenda Nacional o direito de exigir os juros compensatórios, nos exatos termos do art. 43 da Lei n°. 9.430, de 1996. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002735/200254 Acórdão n.º 9202002.103 CSRFT2 Fl. 7 3 Recurso parcialmente provido.” A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por unanimidade de votos, deu parcial provimento ao recurso para excluir do lançamento a multa isolada. Em face dessa decisão, por entender ocorrido lapso manifesto nos termos do art. 28 do antigo Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, a d. Relatora apresentou os Embargos de Declaração de fls. 420/422, devidamente acolhidos pela C. Sexta Câmara em acórdão assim ementado: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO ACÓRDÃO Nº 106 15.494 NORMAS PROCESSUAIS — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO — PROCEDÊNCIA.— RERRATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO Confirmada a omissão do acórdão, outro deve ser proferido na devida forma, para sanar a omissão. IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE — FALTA DE RETENÇÃO — ANTECIPAÇÃO DO AJUSTE ANUAL — LANÇAMENTO APÓS ANOCALENDÁRIO SUJEITO PASSIVO — Após o anocalendário devem ser tributados na declaração de ajuste anual do IRPF os rendimentos recebidos de pessoas jurídicas incluídos no campo de incidência desse imposto, que foram recebidos acumuladamente, não submetidos à respectiva retenção pela fonte pagadora. Nessa circunstância, incabível a constituição do crédito tributário na pessoa jurídica pagadora dos rendimentos para exigência do imposto não retido na fonte. GRATIFICAÇÃO NATALINA A tributação deve se dar exclusivamente na fonte e separadamente dos demais rendimentos do beneficiário, não se incluindo tais valores no ajuste anual, cabendo a responsabilidade pelo pagamento do imposto à fonte pagadora. MULTA ISOLADA PREVISÃO LEGAL Somente com a edição da MP n° 16, de 27/12/2001, publicada no DOU de 28/12/2001, convertida na Lei n°. 10.426, de 24/04/2002, é que passou a existir previsão legal para a cobrança de multa isolada da fonte pagadora pela falta de retenção de imposto de renda sob a sua responsabilidade, quando a constatação da falta ocorre após o encerramento do período de apuração no qual o beneficiário deve oferecer os rendimentos à tributação. JUROS ISOLADOS Ocorrendo a hipótese de não retenção, quando devida, surge para a Fazenda Nacional o direito de exigir os juros compensatórios, nos exatos termos do art. 43 da Lei n°. 9.430, de 1996. Embargos acolhidos.” Assim, por unanimidade de votos, acolheu os embargos de declaração, e, atribuindolhes efeitos infringentes, estendeu a reforma da decisão de primeira instância para Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 incluir não somente o cancelamento da exigência da multa isolada por falta de retenção na fonte como também para excluir do lançamento a exigência do o imposto de renda na fonte sobre os rendimentos pagos aos empregados sujeitos a antecipação na declaração de ajuste anual, eis que o lançamento foi efetuado após a data prevista para entrega da declaração de ajuste pelos beneficiários. Posteriormente, quando da execução da referida decisão, a Autoridade Preparadora apresentou os Embargos de Declaração de fls. 450/454, objeto de análise pela I. Conselheira Relatora, com proposta pelo não conhecimento dos Embargos. Ato subseqüente, o Contribuinte apresentou a petição de fls. 461/463 por meio do qual manifestou sua desistência do litígio em decorrência de adesão a programa de parcelamento da Timemania. Quando da execução do julgado a Autoridade Preparadora elaborou as minutas de cálculo de fls. 465/468, porém devolveu os autos ao E. Conselho de Contribuintes para que a Presidência da Câmara aprovasse o despacho que rejeitou os Embargos de Declaração ou informasse os limites da desistência. O colegiado da Sexta Câmara apreciou os Embargos, tendo exarado o acórdão nº 10617.000 (fls. 473/482), assim ementado: “Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: DESISTÊNCIA DO RECURSO VOLUNTÁRIO — DESISTÊNCIA DO PRÓPRIO DIREITO EM QUE SE FUNDOU O RECURSO — EMBARGOS DE DECLARAÇÃO MANEJADOS PELA AUTORIDADE PREPARADORA PREJUDICADOS LANÇAMENTO MANTIDO — O contribuinte aderiu ao parcelamento regulamentado pela IN RFB n° 772/2007. Quer se considere que houve a desistência do recurso voluntário, quer se considere que houve a renúncia do próprio direito em que se fundou o recurso, mantémse o lançamento, pois a decisão recorrida de 1° grau julgou o lançamento integralmente procedente. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 1997, 1998, 1999 Ementa: MULTA DE OFÍCIO LANÇADA SEM BASE LEGAL — MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA O Conselho de Contribuintes tem o dever de controlar a legalidade do lançamento, devendo expungir do lançamento eventuais atos sem base legal, com erros flagrantes, bem como apreciar as matérias de ordem pública. Recurso submetido à Câmara de julgamento, mesmo que não conhecido, deve ter suas ilegalidades flagrantes afastadas. A multa de oficio lançada sem base legal deve ser afastada. Embargos não conhecidos.” O resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, reconheceu de ofício a insubsistência da multa isolada. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 11516.002735/200254 Acórdão n.º 9202002.103 CSRFT2 Fl. 8 5 Intimada pessoalmente do acórdão em 04/11/2008 (fls. 484) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs o recurso especial de fls. 487/494, em que pleiteia, em apertada síntese, a reforma do v. acórdão por contrariedade ao disposto no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, bem como o artigo 17 do Decreto nº 70.235/1972 e o artigo 54 da Lei nº 9.784/1999. Consoante despacho nº 106009/2009 (fls. 495/496) o referido Recurso Especial foi admitido. Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, o contribuinte apresentou suas contrarazões (fls. 499/502). É o Relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator O Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. No mérito a Procuradoria da Fazenda Nacional pleiteia a reforma do v. acórdão por entender que o Colegiado não poderia, de ofício, determinar a exclusão da multa isolada aplicada em concomitância com a multa de ofício, bem como a ilegalidade da exclusão da referida multa tendo em vista o disposto no artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Embora concorde não ser possível à turma recorrido excluir de ofício a penalidade se o contribuinte não houver se insurgido contra ela, entendo que não merece provimento o recurso da Fazenda Nacional, por outras razões. Examinando os autos verificase que o contribuinte, em 15/10/2007, apresentou o requerimento de fls. 462 por meio do qual desistiu de seu recurso, bem como das suas alegações de direito, por ter incluído o débito em discussão em programa de parcelamento. Ocorre que, naquele momento, o crédito tributário já não continha a multa isolada aplicada em concomitância com a multa de ofício em virtude de estar vigente, naquele momento, a decisão de fls. 409/419, proferida na sessão de 27/04/2006, que a havia excluído por fundamentos diversos daqueles invocados pela decisão ora atacada. Como exaustivamente discutido nos debates na sessão de julgamento, a desistência apresentada pelo contribuinte deve tornar inconteste o crédito tributário no estado em que se encontrava, e naquele momento (em outubro de 2007) a multa isolada havia sido excluída da autuação. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional pra, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/2 013 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por GUSTAVO LIAN HADDAD, Assina do digitalmente em 09/04/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 16327.001739/2010-76
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Ementa JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n° 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, razão pela qual, incidem juros de mora calculados pela taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem.
Numero da decisão: 1302-001.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Paulo Cortez e Guilherme Pollastri, que davam provimento parcial para exonerar da exigência de juros sobre multa de ofício.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 14/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
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Os juros de mora são obrigações acessória à obrigação principal, razão pela qual aqueles seguem a sorte deste. Por expressa disposição legal os tributos com exigibilidade suspensa não são dedutíveis da base tributável do IRPJ (art. 41 da Lei nº 8.981/95). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Os valores dos tributos com exigibilidade suspensa judicialmente e dos juros de mora sobre eles incidentes só podem ser lançados a resultado a título de despesa com provisão, logo, não são dedutíveis da base tributável da CSLL (art. 13, I, da Lei 9249/95). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 Ementa JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A melhor exegese do caput do art. 30 da Lei n˚ 10.522/02 leva à conclusão de que tal dispositivo é aplicável aos débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, razão pela qual, incidem juros de mora calculados pela taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 17 39 /2 01 0- 76 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Márcio Frizzo, Paulo Cortez e Guilherme Pollastri, que davam provimento parcial para exonerar da exigência de juros sobre multa de ofício. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 14/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha. Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 1634.768 da 10a Turma da DRJ/SP1, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151, II a IV, do CTN seguem a norma de dedutibilidade do principal. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA SOBRE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Por constituírem acessórios dos tributos e contribuições sobre os quais incidem, os juros de mora sobre tributos e contribuições cuja exigibilidade esteja suspensa nos termos do art. 151, II a IV, do CTN seguem a norma de dedutibilidade do principal. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, calculados pela taxa Selic, a partir de seu vencimento. Na sua peça recursal, a contribuinte apresenta as seguintes razões de defesa: Fl. 224DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001739/201076 Acórdão n.º 1302001.038 S1C3T2 Fl. 224 3 a) que o § 1º do art. 41 da Lei nº 8.981/95, aplicável ao IRPJ, não se aplica à CSLL nem aos juros de mora, sejam eles decorrentes do IRPJ ou da CSLL; b) que os artigos 7º e 8º da Lei nº 8541/92 foram revogados tacitamente com a entrada em vigor do art. 41 da Lei nº 8.981/95, o qual disciplinou toda a matéria em tela; c) que houve ofensa ao princípio da legalidade; d) que tanto os tributos com exigibilidade suspensa, quanto os juros moratórios a eles relacionados, não são provisões, pois representam uma obrigação certa e líquida, ou seja, um passivo a pagar; e) que durante o curso da ação judicial em que se discute a legalidade ou constitucionalidade da obrigação tributária, ela não se torna incerta e ilíquida; f) que está correto o procedimento da recorrente, pois os tributos e os juros a pagar são obrigações que gozam de certeza, caracterizandose, assim, como despesas incorridas; g) que, quanto à incidência de juros sobre a multa de ofício, tal entendimento não deve prosperar; h) que a Lei nº 9.430/96 prevê que os tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora (art. 61, caput), e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora (art. cit. §3º), ou seja, os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora; i) que, se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, por iguais razões não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício; j) que, se a multa de ofício estivesse compreendida na referência (feita pelo caput do art. citado) aos débitos de tributos e contribuições, chegarseia ao absurdo de concluir que o § 3º do artigo prevê a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício; l) que, diante do exposto, concluise pela total improcedêrncia dos lançamentos de IRPJ e CSLL, razão pela qual se requer a reforma da decisão proferida, a fim de que seja cancelado o auto de infração, inclusive os juros e multa nele consubstanciados. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior O recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Os juros de mora são obrigações acessória à obrigação principal, razão pela qual aqueles seguem a sorte deste. Nesse sentido, não há dúvida que, se existe expressa Fl. 225DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 disposição legal tornando indedutíveis os tributos com exigibilidade suspensa da base tributável do IRPJ (art. 41 da Lei nº 8.981/95), não há como se admitir que os juros de mora incidentes sobre tais tributos sejam dedutíveis. Além disso, a questão da indedutibilidade dos juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa, seja no cálculo da base de cálculo do IRPJ ou da CSLL, encontra amparo nas mesmas razões pelas quais os tributos com exigibilidade suspensa não são dedutíveis da base tributável da CSLL, ou seja, por tais despesas se constituírem despesas com provisões. Nesse sentido, peço vênia aos meus pares, para reproduzir, mutatis mutandis, voto que proferi na 1a Turma da CSRF (acórdão nº 910101.214), o qual foi acolhido por maioria. A questão posta para exame deste colegiado se resume em saber se os valores dos tributos com exigibilidade suspensa podem ser lançados como despesas dedutíveis da base tributável da CSLL, como também os juros de mora sobre eles incidentes. De plano, há que se concluir que a solução que vier a ser dada para a questão, no tocante à dedutibilidade dos tributos com exigibilidade suspensa, deverá ser adotada quanto aos juros de mora sobre eles incidentes, pois não há como, na espécie, o acessório não seguir o principal. Com efeito, o artigo 41 da Lei no 8.981/95 não se aplica à CSLL. Ocorrre que o aludido artigo alberga normas sobre apuração de lucro real, ficando vedada assim sua aplicação na apuração da base ajustada da CSLL por força do disposto no art. 57 do mesmo diploma legal. Ora, o art. 57 da Lei no 8.981/95 preceitua que se aplicam à CSLL as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o IRPJ, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por aquela Lei. Logo, regras de dedutibilidade de despesas aplicáveis, por expressa disposição legal, apenas ao lucro real, não são aplicáveis à CSLL. Por outro lado, pelo regime de competência, as despesas são reconhecidas em “função da sua incorrência e da vinculação da despesa à receita”, independentemente do seu reflexo em caixa. Resta, então, perquirir sobre o cerne da questão, qual seja, os valores relativos a tributos com exigibilidade suspensa devem ser reconhecidos como despesas incorridas? Ora, pelo regime de competência, para se ter como incorrida uma despesa, a respectiva exigibilidade há que ser certa e líquida, ainda que não exigível. Ocorre que a relação jurídicotributária, estabelecida entre o Fisco (sujeito ativo) e o contribuinte (sujeito passivo), é uma relação obrigacional, de tal sorte que, se o crédito tributário do Fisco não goza de certeza e líquidez, a obrigação tributária do contribuinte também não gozará. São lados da mesma moeda, a sorte de um será o destino do outro. O que se nota no caso em tela, é que, enquanto discutido judicialmente, o tributo não goza de certeza e liquidez, pois, se é verdade que a Fazenda Pública pode constituir unilateralmente título extrajudicial em seu favor CDA, também é certo que os créditos nele constituídos gozam de presunção relativa de certeza e liquidez, pois admitem prova em contrário, conforme dispõe o art. 204 do CTN. Convalidando o disposto no art. 204, vale a lembrança da teoria dos graus sucessivos da eficácia da obrigação tributária, segundo a qual, com o fato gerador, a obrigação tributária passa a existir; com o lançamento (em caso de lançamento de ofício ou por declaração), passa a ser atendível; com o vencimento, passa a ser exigível; e com a inscrição Fl. 226DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001739/201076 Acórdão n.º 1302001.038 S1C3T2 Fl. 225 5 em dívida, passa a ser executável. Ou seja, é justamente nesse último momento que a obrigação tributária adquire a presunção de liquidez e certeza. Assim, equivocase a contribuinte quando alega que o crédito tributário já é certo e líquido desde o fato gerador, mesmo porque, no caso em tela, antes mesmo de inscrito em dívida, a certeza e liquidez do crédito tributário passou a ser objeto da ação judicial movida pela contribuinte. Ressaltese que, no Judiciário, a pretensão do Fisco, expressa na CDA, é plenamente embargável e destruível, como ocorre com outros títulos executivos extrajudiciais. Em verdade, os valores dos tributos com exigibilidade suspensa judicialmente e dos juros de mora sobre eles incidentes só poderiam ser lançados a resultado a título de despesa com provisão, pois tais valores representam expectativas de “valores a desembolsar que, apesar de financeiramente ainda não efetivadas, derivam de fatos contábeis já ocorridos; isto é dizem respeito a...prováveis valores a desembolsar originados de fatos já acontecidos (como...probabilidade de ônus futuro em função de problemas fiscais já ocorridos...)”, conforme professavam os ilustres autores do Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (editora Atlas, 7ª edição, p. 312/313) ao conceituar provisão. Logo, se tais despesas tem natureza de despesa com provisão, não há outra conclusão possível, à luz do ordenamento jurídico pátrio, senão considerálas indedutíveis da base de cálculo da CSLL, em face do que dispõe expressamente o art. 13, inciso I, da Lei no 9.249/95, se não vejamos: “Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: I de qualquer provisão, exceto as constituídas para o pagamento de férias de empregados e de décimoterceiro salário, a de que trata o art. 43 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, e as provisões técnicas das companhias de seguro e de capitalização, bem como das entidades de previdência privada, cuja constituição é exigida pela legislação especial a elas aplicável; .................................................................................................................” Como se vê, o caput do art. 13 deixa claro que a norma ali insculpida se aplica na apuração da base de cálculo da CSLL e o inciso I torna inquestionável a indedutibilidade da provisão com tributos discutidos em juízo e com exigibilidade suspensa. Pelo mesmo fundamento, caso não bastasse o fato de que o acessório segue o principal, os juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa são indedutíveis das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, por se constituir despesa com provisão. Em valioso reforço a tudo quanto sustentado, reproduzo trecho, colhido no Termo de Verificação Fiscal nos autos do processo administrativo nº 16327.000171/2006901, acerca da questão que ora se aprecia, in verbis: "(...) Se o contribuinte contesta um tributo lançado, (...) também não reconhece a existência da obrigação, seja por considerar inconstitucional a lei que a 1 O TVF informava que o texto era da autoria do ilustre jurista Ricardo Mariz de Oliveira, mas não indicava a fonte bibliográfica. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 prevê, seja por considerar que o lançamento não está de acordo com lei válida e, portanto, está em desacordo com o art. 142 do CTN, perdendo, destarte, a presunção de legalidade. Por conseguinte, a presunção de validade do ato administrativo de lançamento não é suficiente para justificar a despesa. Em qualquer caso, é impossível ao contribuinte alegar em processo a inexistência da relação jurídica tributária, mas na contabilidade registrar a existência da mesma relação jurídica tributária, e com isso pretender diminuir o seu lucro. (...) Ora, se o contribuinte intenta qualquer ação ou procedimento administrativo, pelo qual declara não reconhecer a existência da relação jurídica tributária, não pode singelamente contabilizar a despesa que pressupõe exatamente o reconhecimento da relação jurídica tributária. (...) A contabilização em despesa, pura e simplesmente, além de incorreta e incoerente, seria insincera, contrária ao princípio da verdade material da contabilidade. Assim, no caso de obrigação tributária, não é suficiente que ocorra o fato gerador, ou que a autoridade fiscal declare em lançamento que houve sua ocorrência. Quando o contribuinte se rebela contra a exigência tributária, não está admitindo que fato gerador válido tenha ocorrido, caso em que falha a incidência da regra de reconhecimento da despesa, porque esta não está na posição de ser definitiva e incondicionalmente devida. Neste caso, tão somente pelo regime de competência, o contribuinte não poderia opor ao fisco a pretensão de deduzir uma despesa que ele próprio sustenta ser uma despesa da qual não é devedor. Tal pretensão seria contraditória e conflitante com o sistema, o qual, repitase, requer a abertura de uma reserva ou de uma provisão na contabilidade, e trata esta conta como fiscalmente indedutível. E nenhuma lógica existe na atitude do contribuinte, de dizer que não deve o tributo quando vierem lhe cobrar, mas dizer na contabilidade que o deve, assim como na declaração de rendimentos para deduzilo fiscalmente. Num primeiro momento ele opõe ao fisco suas razões para não reconhecer o débito, e num momento seguinte, que deveria ser conseqüente, ele, inconseqüentemente, opõe ao fisco o direito de deduzir o tributo, que só existe se este for devido. (...) Assim, se o contribuinte não reconhece o débito não deve registrálo pura e simplesmente como uma despesa a pagar, como o faria em circunstâncias normais. O que ele deve fazer é registrar o risco em reserva ou provisão, que é indedutivel. (...) O essencial, portanto, dentro dos preceitos relativos ao chamado "regime de competência", é que a dúvida lançada sobre o débito redunda em reserva ou provisão indedutível, e não em conta de despesa devida e a pagar, correspondente à despesa fiscalmente dedutível. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001739/201076 Acórdão n.º 1302001.038 S1C3T2 Fl. 226 7 O períodobase para a dedutibilidade, no caso, passa a ser aquele em que transitar em julgado decisão contrária à pretensão do contribuinte, quando não mais haverá risco de perder a demanda (causa da provisão ou reserva) e haverá a perda definitiva da despesa (dedução da despesa, a débito da provisão ou da reserva). (...) É, portanto, a atitude do contribuinte, de não reconhecer a despesa e de submetêla ao poder jurisdicional, que requer adequado e consistente registro contábil, com o conseqüente trato legal. (..)" Por todas essas razões, nego provimento ao recurso voluntário nesta parte e mantenho o lançamento do IRPJ e da CSLL relativo à glosa da despesa com juros de mora sobre tributos com exigibilidade suspensa. No que tange a questão da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, renovo o pedido de vênia aos meus pares, para reproduzir, mutatis mutandis, voto que proferi na 1ª Turma da CSRF (acórdão nº 9101001.474), o qual foi acolhido pelo voto de qualidade. De plano, vale analisarmos o art. 161 do CTN, o qual assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. ................................................................................................................" Notese que o termo crédito no caput do art. 161 vem desacompanhado do adjetivo "tributário", o que deixa clara a intenção do legislador de, nele, incluir também multas (ad valorem ou específicas). A mesma preocupação teve o legislador nos §§ 1˚ e 3˚ do art. 113 do CTN, pois, ao dispor que a penalidade se converte em obrigação qualificou apenas com o adjetivo principal (obrigação de dar), mas não com o adjetivo "tributário". Com isso, já se desconstitui qualquer argumento de ofensa ao conceito de tributo do art. 3º do CTN. Por sua vez, não procede a alegação de que a expressão "sem prejuízo de outras penalidades cabíveis" levaria à conclusão de que a multa de ofício (punitiva) não estaria contida no termo "crédito". Ora, a referida expressão autoriza o legislador ordinário a criar multas de caráter moratório, pois, da simples leitura do dispositivo, verificase que a penalidade ali tratada tem como causa apenas a impontualidade. Realmente, à luz do caput do art. 161 do CTN não incidem juros de mora sobre multa de mora, logicamente, quando for o caso de sua aplicação. Agora, quanto à multa de ofício, cuja causa não reside na mera impontualidade, esta compõe o crédito devido e, por consequência, sofre a incidência dos juros de mora. Assim sendo, em caso de vazio normativo, incidirá, por força do § 1˚ do art. 161, juros de mora à taxa de 1% a.m.. Cabe, então, agora, verificarmos se a matéria foi Fl. 229DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 realmente disciplinada no art. 30 da Lei n˚ 10.522/02. Para tanto, trago à colação tanto o art. 30 como o dispositivo a que ele se remete, in verbis: "Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1˚ de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. ................................................................................................................... Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1 de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Surge de plano uma questão a ser dirimida, qual seja, se a remissão feita, pelo caput do art. 30, aos débitos referidos no art. 29, limitase ou não aos débitos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994. Ora, a remissão é técnica legislativa que visa abreviar o texto legal, evitando repetições desnecessárias. Todavia, há que ser cuidadosamente analisada, pois não pode levar a uma interpretação desarrazoada, resultante da absorção puramente mecânica e literal de uma norma pela outra. Desarrazoado é aquilo em que não se observa a lógica, a razão, é o despropósito. Logo, fere a lógica concluir que apenas as multas de oficio anteriores a 1995 sofreriam a incidência da taxa SEL1C, enquanto que as multas posteriores sofreriam a incidência de outra taxa de juros. Assim, entendo que a melhor exegese levanos a concluir que a remissão feita pelo caput do art. 30 alcança apenas a expressão "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União", razão pela qual, no presente caso, concluo que incidem juros de mora à taxa Selic sobre as multas de ofício ad valorem. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário da contribuinte. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 16327.001739/201076 Acórdão n.º 1302001.038 S1C3T2 Fl. 227 9 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 15/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10735.000854/2003-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1993
PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62 A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 03 de junho de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em junho de 1992, por superar o prazo decenal.
Recurso Negado.
Numero da decisão: 2202-001.658
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. PDV. DIREITO A PARTIR DA RETENÇÃO INDEVIDA. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 03 de junho de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em junho de 1992, por superar o prazo decenal. Recurso Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Júnior e Nelson Mallmann. Ausente justificadamente o Conselheiros Helenilson Cunha Pontes. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 10735.000854/200314 Acórdão n.º 220201.658 S2C2T2 Fl. 2 3 Relatório Em desfavor do contribuinte, AIRTON MEIRELLES , foi negado pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos que teriam sido recebidos a título de incentivo à aposentadoria, durante o anocalendário de 1992, por meio da Decisão de fls. 20 a 22, a Delegacia de Nova Iguaçu indeferiu o pedido de restituição apresentado pelo interessado. O pedido de restituição foi protocolado em 03/03/2003. Cientificado dessa decisão, o contribuinte alega, em síntese, que "o desconto sofrido pelo recorrente em suas verbas rescisórias, a título de Imposto de Renda é indevido, uma vez que incidiu sobre indenização, o que não se enquadra nas situações contidas no artigo 43, incisos I e II, do Código Tributário Nacional. Alega ainda que, os Tribunais Superiores vêm decidindo pela não incidência do imposto de renda sobre as parcelas recebidas pela adesão ao Plano de Incentivo à aposentadoria e anexa farta jurisprudência para corroborar suas alegações. Em 20/01/2007, a DRJ ao apreciar os argumentos do contribuinte, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 1993 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de imposto de renda retido indevidamente na fonte extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Solicitação Indeferida Insatisfeito, o interessado interpõe recurso reiterando fundamentalmente as mesmas razões da impugnação. Não traz qualquer elemento para questionar a decadência, salvo seu descontentamento com o mesmo. No mérito reitera o seu direito a restituição. E o relatório. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O Recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A matéria em litígio prendese à questão do termo inicial de contagem do prazo decadencial do direito de se pleitear a restituição de Imposto incidente sobre verbas recebidas a título de incentivo por adesão a PDV. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após o pagamento antecipado. Para a restituição de imposto de renda retido na fonte sobre PDV, firmou se no antigo Primeiro Conselho de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais o entendimento de que o direito à repetição surge no momento da retenção indevida, e não na declaração de ajuste. No caso, como o pedido administrativo foi protocolado em 03 de junho de 2003, está extinto o direito de se pleitear a restituição de imposto retido na fonte em junho de 1992, por superar o prazo decenal. Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 61DF CARF MF Impresso em 31/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 25/05/201 2 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 24/05/2012 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001063/2008-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
Falta de interesse de agir.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário, quando a decisão recorrida cancelou o lançamento tributário em discussão, ainda que por fundamento diverso do apresentado na impugnação.
Numero da decisão: 1302-001.045
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
EDUARDO DE ANDRADE - Presidente.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator.
EDITADO EM: 13/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE - Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Relator. EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha.
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Não deve ser conhecido o recurso voluntário, quando a decisão recorrida cancelou o lançamento tributário em discussão, ainda que por fundamento diverso do apresentado na impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. EDUARDO DE ANDRADE Presidente. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Relator. EDITADO EM: 13/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade, Márcio Rodrigo Frizzo, Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza. Junior, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Waldir Veiga Rocha. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 10 63 /2 00 8- 77 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Versa o presente processo sobre recurso voluntário interposto pelo contribuinte em face do Acórdão n˚ 0333.756 da 2ª Turma da DRJ/BSB, cuja ementa assim dispõe: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato Gerador: 31/08/2006 a 30/11/2006 Exclusão do Simples. Comunicação do contribuinte. Motivo: opção. Efeitos no anocalendário subsequente. Se a exclusão do Simples decorreu de opção do contribuinte e foi comunicada durante 2006, consoante o disposto no art. 15, I, da Lei n˚ 9.317/96, somente passou a produzir efeitos a partir de janeiro de 2007, ou seja, o contribuinte estava sujeito à apuração no regime simplificado durante todo ano 2006. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato Gerador: 31/08/2006 a 30/11/2006 Fatos e elementos de prova idênticos ao do lançamento de PIS. Aplicase o decidido em relação ao lançamento de PIS, haja vista decorrerem dos mesmos elementos fáticos e de prova. Impugnação Improcedente Crédito tributário exonerado. O contribuinte tomou a inciativa de excluirse do Simples no ano de 2006 e entendeu que não poderia conviver no ano de 2006 com dois regimes de apuração (regime geral e Simples), razão pela qual refez sua escrituração para proceder a apuração do PIS para todo o ano de 2006 pelo regime geral de tributação, como também para a Cofins. A autoridade fiscal, por sua vez, entendeu que poderia conviver os dois regimes de tributação no mesmo ano, de tal sorte que considerou que o contribuinte estava excluído do Simples (e, consequentemente, obrigado ao lucro real trimestral) somente para o período após a comunicação à Receita Federal da sua exclusão espontânea de tal regime, ou seja, junho de 2006. Assim, para as infrações apuradas a partir de junho de 2006, a autoridade fiscal entendeu que se aplicava o regime geral nãocumulativo, e assim lavrou os autos de infração do PIS e da Cofins para os fatos geradores de agosto a novembro de 2006. Para as infrações apuradas nos meses de janeiro a maio, foram lançados o IRPJ, CSLL, PIS, Cofins e Contribuição Previdenciária pelo regime do Simples, sendo que tais lançamentos foram objetos de outro PAF (14041001064/200811). Destarte, a decisão da 2ª Turma da DRJ/BSB, embora tenha julgado improcedente a impugnação, cancelou os lançamentos do PIS e da Cofins, pois entendeu que não poderia a autoridade fiscal considerar o contribuinte excluído do Simples a partir do mês em que manifestou a sua opção de ser excluído do sistema (junho de 2006), mas tãosomente a partir do exercício subsequente. Por essa razão, entendeu que os lançamentos do PIS e da Cofins eram nulos, pois deveriam ter observado a sistemática do Simples a que estava obrigada o contribuinte por todo o ano de 2006. O contribuinte, devidamente intimado da decisão, apresentou o recurso voluntário a fls. 175 deste processo, o qual se encontra apensado ao PAF n˚ 14041000128/201081. É o relatório. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 14041.001063/200877 Acórdão n.º 1302001.045 S1C3T2 Fl. 366 3 Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior Não deve ser conhecido o recurso voluntário do contribuinte, pois lhe falta interesse para recorrer, uma vez que os lançamentos do PIS e da Cofins foram cancelados pela decisão a quo, logo, não se verifica qualquer utilidade ou necessidade da providência revisional pleiteada. Ressaltese que a autoridade julgadora a quo não interpôs recurso de ofício, já que o limite de alçada não foi alcançado, dessa forma, sequer poderseia tomar o recurso voluntário do contribuinte como contrarrazões. Em face do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário do contribuinte. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 367DF CARF MF Impresso em 18/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 11/0 4/2013 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 14/03/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15224.002271/2004-84
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 07/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3102-001.529
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso voluntário, face a sua intempestividade. A Conselheira Nanci Gama declarou-se impedida.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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VIAÇÃO AÉREA RIO GRANDENSE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Data do fato gerador: 07/09/2004 RECURSO VOLUNTÁRIO. PEREMPÇÃO. Não se toma conhecimento do recurso voluntário interposto após o prazo de trinta dias da ciência da decisão da DRJ. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não se tomar conhecimento do recurso voluntário, face a sua intempestividade. A Conselheira Nanci Gama declarouse impedida. Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente. Winderley Morais Pereira Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Fabia Regina Freitas, Winderley Morais Pereira, Helder Massaaki Kanamaru e Nanci Gama. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório da primeira instância, que passo a transcrever. “O presente processo trata de Auto de Infração relacionado A aplicação de multa por embaraço à ação da fiscalização, totalizando um crédito tributário no valor de R$ 5.000,00. DO LANÇAMENTO A Fiscalização trouxe na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, resumidamente, que: • As 06h55 do dia 07/09/2004, pousou a aeronave de prefixo PP VQY, n° do voo RG 8963 da empresa em epígrafe, procedente dos Estados Unidos da América e destinada posteriormente a Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro, trazendo carga de origem estrangeira e seis tripulantes; • constatado este fato pelo Auditor plantonista, este tentou contato com os funcionários da empresa sem obter sucesso, tampouco recebeu a documentação (General declaration) da aeronave, para que se pudesse iniciar a autorização e liberação desta; • a aeronave decolou As 7h45 do mesmo dia com destino ao Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas/SP, sem que a respectiva documentação fosse liberada pela Autoridade Aduaneira; • não foi apresentada documentação com a anuência da Policia Federal, da Receita Federal do Brasil, do Departamento de Aviação Civil (DAC) e da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA); • apenas às 10h20 do dia 07/09/2004 um funcionário da Empresa compareceu entregando o termo de entrada sob o n° 04/0014916 com os respectivos conhecimentos de carga, sendo que já havia passado quase três horas e meia da chegada da aeronave, quando o limite estabelecido na legislação é de apenas duas horas; • considerase ocorrido, pois, embaraço A fiscalização tendo em vista a falta de prestação de informações por parte do transportador, o que dificultou o controle, a verificação e a fiscalização por parte da Autoridade Aduaneira. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 59DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15224.002271/200484 Acórdão n.º 310201.529 S3C1T2 Fl. 2 3 Em 19 de novembro de 2004 o sujeito passivo foi cientificado deste lançamento, vindo a apresentar Impugnação em 20 de dezembro do mesmo ano (fl. 13/17). DA PRELIMINAR A Impugnante. trouxe, em sede de preliminar, que a Autuação indicou a aeronave de prefixo VRG8963 como sendo de propriedade da companhia aérea VARIG LOG, dai a ilegitimidade passiva da VARIG7. DO MÉRITO Quanto ao mérito, asseverou a Impugnante, em síntese, o que se segue: • fazse necessário consignar que o voo VRG 8963 pousou no Aeroporto Internacional Eduardo Gomes em virtude de escala técnica, visando apenas o abastecimento da aeronave, visto que o destino era o Aeroporto de Viracopos, em Campinas/SP; • após a aterrissagem, os funcionários responsáveis pelo voo procederam a todas as obrigações legais, cumprindo as exigências das autoridades aeroportuárias, aeronáuticas, sanitárias, da Policia Federal e da Receita Federal do Brasil; • os documentos em anexo comprovam a adoção das providências "... para a regularização da aeronave, seu pouso, a verificação de sua carga, e final decolagem"; • as informações concernentes ao voo, aterrissagem e carga foram declaradas no sistema SISCOMEX MANTRA, no prazo legal, conforme a cópia do registro eletrônico correspondente; • em seguida a documentação foi apresentada ao Agente da Policia Federal, que liberou o voo, dando por cumpridas as formalidades legais; • a ANVISA, após verificação de praxe, liberou o voo, declarando regulares a carga e os documentos que lhe foram apresentados; • ao dirigirse A Seção de Operações Aduaneiras (SAOPE) o funcionário da Empresa constatou que o Auditor plantonista não se encontrava presente naquele momento, assim a documentação só lhe foi apresentada no momento do seu retorno, às 10h20, conforme cópia da Folha de Controle de Entrega de Termos de Entrada; • "A aterrissagem e a decolagem foram devidamente autorizados pela DAC e pelas demais autoridades aeroportuárias"; • não há como se imputar a multa em comento, pois não restou caracterizada qualquer hipótese de embaraço, dificuldade ou impedimento à fiscalização, já que a documentação a que se alude foi apresentada à Autoridade Fiscal no momento em que esta retornou ao seu posto na SAOPE; Fl. 60DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 4 • temse por oportuno que não foi detectada nenhuma irregularidade na documentação apresentada, ademais, o fato de outros entes mencionados pela Fiscalização não haverem se pronunciado sobre o voo se deu pois este foi liberado pelas mesmas sem a constatação de qualquer anormalidade; • a 1mpugnante não deixou de responder à "tentativa de contato" da Autoridade Aduaneira, pois esta não ocorreu. Na verdade, os funcionários da Empresa é que buscaram, em vão, o contato com a dita Autoridade; • deste modo, não houve desobediência a nenhum dos preceitos legais mencionados, posto não se ter configurado nenhuma das hipóteses ali referidas, ao contrário, cumpriu com rigor As exigências contidas na Instrução Normativa (IN) n° 102/94, registrando a chegada da aeronave no sistema, conforme prevê o artigo 10 da citada IN, no que deu pleno cumprimento ao disposto no Regulamento Aduaneiro, conforme prevê o parágrafo único do dispositivo mencionado; • não há que se falar em desobediência ao artigo 298 do Código Brasileiro de Aeronáutica, posto que a Impugnante não se trata de empresa estrangeira; • além disso, o fato de a Empresa haver cumprido suas obrigações junto a todas as autoridades vinculadas ao processo de fiscalização aeroportuária fez com que não ocorresse qualquer prejuízo aos cofres da Fazenda Nacional; • ante ao exposto, requer seja a Varig S.A. excluída da relação processual em virtude de sua ilegitimidade constatada no próprio texto do Auto de Infração. Caso assim não se entenda, julguese improcedente a autuação.” A Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve integralmente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 07/09/2004 CORRETA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. ARGUIÇÃO DE ILEGITIMIDADE. NÃO CABIMENTO. Incabível a arguição de ilegitimidade por erro na identificação do sujeito passivo quando este encontrase perfeitamente identificado nos autos, inclusive com seus dados indicados no cabeçalho do Auto de Infração. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/09/2004 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA Processo nº 15224.002271/200484 Acórdão n.º 310201.529 S3C1T2 Fl. 3 5 Configurase embaraço à fiscalização quando o sujeito passivo, por meio de ações ou omissões, vier a embaraçar, dificultar ou impedir o desenvolvimento de um procedimento fiscal por parte da autoridade responsável. Lançamento Procedente” Cientificada da decisão da DRJ, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Preliminarmente há de se verificar a tempestividade do recurso voluntário apresentado. Conforme consta dos autos, a comprovação da ciência da decisão da DRJ foi realizada por meio do Aviso de Recebimento – AR (fl. 32), com data de recebimento no dia 20/07/2009, uma segundafeira. Cientificada da decisão de primeira instância. O Recurso Voluntário deverá ocorrer no prazo de 30 (trinta) dias, conforme previsto no parágrafo 2°, do artigo 33, do Decreto n° 70.235/1972, verbis: “Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão”. A forma de contagem do prazo estabelecido pelo art. 33 foi previsto no art. 5º do mesmo decreto. “Art. 5°. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato.” Fl. 62DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA 6 A fruição do prazo, tendo em vista que a ciência ocorreu em uma segunda feira, teve seu termo de início sobrestado para o próximo dia de expediente normal da repartição que seria dia 21/07/2009 uma terçafeira, extinguindose o prazo para interposição do recurso em 19/08/2009. O Recurso Voluntário (fls. 33 a 52) foi apresentado em 20/08/2009, após a data limite para interposição de recurso, sendo desta forma, intempestivo, não atendendo os pressupostos de admissibilidade. Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso por apresentarse intempestivo. Winderley Morais Pereira Fl. 63DF CARF MF Impresso em 04/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PEREIRA, Assinado digitalmente em 30/08/ 2012 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 26/07/2012 por WINDERLEY MORAIS PER EIRA
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Numero do processo: 10580.012031/2002-53
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO PRESUMIDO-DCP Para fins de utilização do crédito presumido de IPI referente a determinado mês, a empresa fica obrigada a apresentar o demonstrativo referente à fruição do benefício no trimestre a que este mês pertence, na forma e no prazo estabelecidos pela legislação pertinente.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito de compensar depende de seu exercício, além da comprovação material do crédito a compensar, bem como escrituração contábil e fiscal que demonstre que o procedimento foi, de fato, adotado tempestiva e espontaneamente.
Numero da decisão: 3201-000.851
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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DEMONSTRATIVO DE CRÉDITO PRESUMIDODCP Para fins de utilização do crédito presumido de IPI referente a determinado mês, a empresa fica obrigada a apresentar o demonstrativo referente à fruição do benefício no trimestre a que este mês pertence, na forma e no prazo estabelecidos pela legislação pertinente. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. O direito de compensar depende de seu exercício, além da comprovação material do crédito a compensar, bem como escrituração contábil e fiscal que demonstre que o procedimento foi, de fato, adotado tempestiva e espontaneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Judith do Amaral Marcondes Armando, Fl. 490DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Daniel Mariz Gudiño,Adriene Maria de Miranda Veras e Luciano Lopes de Almeida Moraes. Ausência justificada de Marcelo Ribeiro Nogueira. Relatório O interessado acima identificado recorre a este Conselho, de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA. Por bem descrever os fatos ocorridos, até então, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo, a seguir: “Trata o presente processo de Pedido de Compensação de Débito de Cofins (código 2172) com Créditos do IPI, formulado pela contribuinte às fls. 01 e 17 nos valores, respectivamente, de R$ 198.264,04 e R$ 242.545,47, totalizando um montante de débitos a compensar de R$ 440.809,51. Para legitimar seu pleito, anexou aos autos a Planilha de fl. 13. Em face do pedido formulado, o Serviço de Orientação e Análise Tributária (Seort) da Delegacia da Receita Federal em SalvadorBA elaborou o Parecer nº 398/2004SEORTPJ (fls. 22/23) propondo o indeferimento do pedido e a não homologação da compensação pleiteada. Nesse parecer, a autoridade fiscal indicou como fundamento principal para o indeferimento proposto o fato de a interessada ter formalizado o processo “em desconformidade com o previsto na IN SRF nº 210, de 2002, art. 21, §4º”, tendo destacado que além de não ter apresentado Pedido de Restituição ou de Ressarcimento, não fez a contribuinte qualquer indicação da existência de créditos que porventura já tivessem sido objeto de pedidos desta natureza. Em 30/07/2004, a autoridade competente, com base no referido parecer, declarou a nãohomologação da compensação no valor total pretendido (fl. 23). Inconformada com a decisão proferida pela DRF/SDR, da qual tomou ciência em 17/08/2004 (AR, fl. 24), a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 25/33, a qual foi apreciada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Recife/PE, que mediante o Acórdão DRJ/REC Nº 12046, de 29/04/2005 (fls. 60/66), decidiu pela nulidade da decisão proferida pela DRF/SDR (Decisão nº 398/2004), por entender que houve cerceamento do direito de defesa, remetendo o processo à origem, no caso a DRF/SDR, para que fosse procedida a intimação da contribuinte no sentido de apresentar os documentos necessários ao saneamento do processo. Em atendimento ao determinado pela DRJ/Recife/PE a contribuinte foi intimada, através das Intimações de nºs. 482/2005 e 534/2005 (fls. 68/69), a apresentar a seguinte documentação: pedido de ressarcimento em que constasse o período de apuração, bem como preenchimento do campo 4, e ainda identificação do estabelecimento filial detentor do crédito; cópia Fl. 491DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.012031/200253 Acórdão n.º 3201000.851 S3C2T1 Fl. 2 3 devidamente carimbada e assinada do Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento detentor do crédito; cópia do LAIPI em que constasse o estorno do (s) pedido (s) de ressarcimento; cópias das DCPs, respectivas, com a apuração do crédito presumido, ou das DCTF. A contribuinte, apesar de ter sido cientificada das intimações em 16/11/2005 e 12/01/2006 (AR de fl. 67), não atendeu as solicitações feitas pela Delegacia da Receita Federal em Salvador/Ba, a qual, mediante Despacho Decisório DRF/SDR nº 0486, de 11/07/2006, declarou as compensações não homologadas e, com base no art. 40, da Lei nº 9.784, de 1999, propôs o arquivamento do referido processo. Tendo tomado ciência do despacho decisório da DRF/SDR em 04/08/2006 (AR, fl. 79), a contribuinte apresentou, 04/09/2006, Manifestação de Inconformidade de fls. 80/89, instruída com os documentos de fls. 90/92, cujo teor é sintetizado a seguir. diz, inicialmente, que, apesar da autorização da Lei nº 10.637, de 2003, teve seu pedido de Compensação de débitos da Cofins dos períodos de apuração de 10 e 11/2002, com créditos do IPI, no montante de R$ 440.809,51, indeferido pela Receita Federal, sob a legação de ela não teria atendido o disposto nos artigos 14, § 2º, e 19 da IN SRF nº 210, de 2002, no tocante, respectivamente, à identificação do período de apuração e preenchimento correto do Campo nº 4 do Pedido de Ressarcimento; que a fiscalização afirmou, ainda, que sua empresa não teria apresentado a cópia do Livro de Apuração do IPI, modelo 8, impedindo, desse modo, a verificação do crédito escriturado no respectivo trimestrecalendário e do crédito presumido do IPI, bem como a apresentação da DCTF com o respectivo comprovante de entrega; que, no entanto, não assiste razão à SRF, uma vez que a lei vigente à época da compensação pretendida, no caso o art. 74 da Lei 9.430, de 1996 (que transcreve), não impunha quaisquer restrições ao exercício do direito a compensação; que, visando regulamentar o processo da compensação, foram emitidas, frisese, nunca com a possibilidade de restringir direito dos contribuinte, as IN SRF nºs. 22 de 1996, 21 de 1997, alterada pela IN SRF nº 73 de 1997, posteriormente revogada pela IN SRF nº 210 de 2002; em seguida, transcreve a IN SRF nº 210 de 2002 (art. 21, §§ 1º e 2º) e diz que da leitura de tais dispositivos verificase, de forma cristalina, que esta não vincula o pedido de compensação do contribuinte a necessário e anterior pedido de ressarcimento e/ou restituição do crédito pretendido para que a compensação seja autorizada; que, desse modo, cai por terra qualquer pretensão do fisco em querer negarlhe o direito à compensação, pela suposta ausência de pedido de ressarcimento anterior, visto não ser este necessário à configuração do seu direito, conforme ficou demonstrado; que apesar da apuração do crédito se dá anteriormente à sua pretensão, todavia, não há necessidade de requerimento prévio da restituição, mediante formalização de pedido específico, já que existem inúmeras maneiras de Fl. 492DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 comprovação do crédito, afirmando, desse modo, que uma coisa não invalida a outra; na seqüência passa à análise da negativa do seu pedido pela ocorrência de erro material: diz, quanto ao não preenchimento do campo 4 do pedido de ressarcimento, que não houve inobservância do firmado na IN SRF nº 210, de 2002, no que tange ao período do crédito, bem como ao estabelecimento do qual o mesmo derivava; que o preenchimento do campo 4, só se faria necessário acaso ela se adequasse a hipótese ali prevista, sendo que a ausência do seu preenchimento, denota, até pela lógica, de que não possuía qualquer processo administrativo ou judicial que viesse a acarretar a redução do seu crédito vindicado; que a simples ausência de dados no preenchimento de formulários não é suficiente para descaracterizar o direito à compensação, em especial, quando a apuração das obrigações e direitos da companhia é efetivada de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, tal como pode ser constatado nos registros da SRF do Brasil; que o fato de não ter sido apontado o CNP da filial, de onde decorreu o crédito, também não a descaracteriza, já que tal informação somente se faria necessária caso cada filial apresentasse suas informações fiscais à receita, o que não acontece, posto serem estas geradas pela matriz; que a comprovação documental dos créditos a serem compensados é que representa formalidade essencial para análise do pedido de ressarcimento, a qual foi devidamente cumprida pela Companhia quando da apresentação de sua escrituração eletrônica; sustenta, ainda, que cabe a DRF, em obediência ao princípio da busca da verdade material, proceder à análise dos elementos de provas trazidos aos autos, solicitando outros tantos que ratifiquem o direito invocado, e não somente, afastar a documentação pela simples alegação de sua inadequação ao quanto pretendido; que, de igual sorte, não merece guarida a alegação da fiscalização de que não foi apresentada cópia da DCTF que comprovasse a sua efetiva entrega com carimbo e número de registro, uma vez que entende ser desnecessária a reapresentação, já que a DCTF é emitida por meio eletrônico, e a RFB é aparelhada e instrumentada para verificar a existência de tal documento através de seus sistemas de controle; que, em assim sendo, mantémse a Administração em posição extremamente cômoda, se negando a verificar a documentação apresentada, quando certamente constaria a existência do crédito invocado; que, em assim agindo, a fiscalização estar a afrontar os princípios basilares da administração fiscal furtandose, desse modo, ao seu dever de busca da verdade material, conforme determina o art. 147, § 2º, do CTN; que, a fiscalização aponta ainda a ausência de cópia do livro de apuração do IPI do trimestrecalendário referente aos créditos pretendidos, como forma de averiguar sua escrituração e apropriação, informando que foi solicitado nas intimações não atendidas (fls. 68/69); que, no entanto, em momento anterior, teria apresentado tal informação à fiscalização (fl. 13), a qual a teria desconsiderado sob o argumento de que se tratava de simples planilha, não prevista em lei ou dispositivo normativo; Fl. 493DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.012031/200253 Acórdão n.º 3201000.851 S3C2T1 Fl. 3 5 que não merece acolhida tal argumento, haja vista que referida planilha se apresenta como efetivos demonstradores de sua escrita contábil para efeito de contabilização e apropriação do IPI, com o estorno do valor do débito da Cofins de sua conta contábil; que, ocorrendo dúvida da fiscalização, acerca da validade de tais documentos, deveria esta promover a realização de diligências para esclarecimentos e verificação de outros documentos que bastassem ao seu convencimento; argumenta, ainda, que, em todos esses anos, nunca sofreu constrangimento ou mesmo autuação por descumprimento de obrigação acessória pela sua forma de escrituração e utilização de livros, não sendo, portanto, aceitável o questionamento da RFB, no momento de apropriação de seus créditos; que, eventuais falhas de comunicação entre fisco/contribuinte devem ser sanadas, e nunca entendidas como forma de negativa de um direito que lhe é legalmente garantido, e cuja extirpação vêm a lhe causar conseqüências danosas como a impossibilidade de aproveitamento de um crédito ao qual faz jus, sustentando, desse modo, que tais atitudes só servem para abarrotar os Conselhos de Contribuintes e os Tribunais, devendo, com isso, a fiscalização deixar de lado o seu posicionamento conservado e ver o contribuinte como um parceiro para crescimento do país, e nunca um infrator contumaz; continua discorrendo, ainda, sobre o seu direito líquido e certo aos créditos de IPI e a homologação da sua compensação com os débitos da Cofins; requer, ao final, a reforma da decisão inquinada, para que seja o presente processo baixado em diligência, quando, será constatado o crédito de IPI de sua Companhia, em face da documentação apresentada, fazendose forçosa a homologação da compensação pretendida dos seus créditos de IPI com seus débitos de Cofins, sendo tais valores baixados nos registros dessa RFB. Em face do despacho de fl. 194, o processo veio a esta DRJ/SDR, para julgamento.” O pleito foi indeferido, no julgamento de primeira instância, nos termos do acórdão DRJ/SDR no 1515.006, de 29/01/2008, proferida pelos membros da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, cuja ementa dispõe, verbis: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2002 a 30/11/2002 DILIGÊNCIA Indeferese o pedido de diligência quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. DEMONSTRATIVOS DE CRÉDITO PRESUMIDO (DCP) Ao utilizar o crédito presumido de IPI correspondente a determinado mês, a empresa produtora e exportadora fica obrigada a apresentar o demonstrativo referente à fruição do benefício no trimestre a que este mês pertence, na forma e no prazo estabelecidos pela legislação. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 O direito subjetivo de compensar não pode ser simplesmente argüido, dependendo seu exercício, além da comprovação material dos créditos a compensar, da correspondente escrituração contábil e fiscal que demonstre que o procedimento foi, de fato, adotado tempestiva e espontaneamente. Rest/Ress. IndeferidoComp. Não homologada.” O julgamento foi no sentido de tornar improcedente a manifestação de inconformidade interposta pelo interessado, bem como indeferir o pedido de compensação de crédito presumido de IPI com débitos da Cofins. Regularmente cientificado do Acórdão proferido, o Contribuinte, tempestivamente, protocolizou o Recurso Voluntário, no qual, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. Registrese que o envio deste processo à PFN para inscrição em Dívida Ativa foi INDEVIDO, por conta da apresentação tempestiva de RECURSO VOLUNTÁRIO , logo houve CANCELAMENTO DA INSCRIÇÃO. Ressalto que, após o devido cancelamento, o processo seguiu para o CARF. O processo digitalizado foi distribuído e encaminhado a esta Conselheira. É o relatório. Voto Conselheiro MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM O presente recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, razão por que dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de inconformidade contra indeferimento pela não homologação, por parte da DRF/Salvador/BA, das compensações apresentadas, tendo em vista ao não atendimento por parte desta das solicitações nas intimações, para saneamento do processo. A compensação, prevista no inciso II do art. 156 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), como modalidade de extinção do crédito tributário, encontrase condicionada ao cumprimento de requisitos legais que restringem sua aplicação. De tais requisitos, o art. 170 do mesmo CTN, o qual estabelece que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Ou seja, a ausência no requerimento de uma indicação a respeito do crédito de IPI passível de ressarcimento deixa em dúvida a existência do crédito favorável a contribuinte, sem o qual tornase impossível o deferimento da compensação. Ademais, sendo esta do exclusivo interesse da contribuinte, que pode impetrar o requerimento no momento e condição que lhe for mais conveniente, seria mais do que razoável esperar que o pedido de compensação quando apresentado estivesse revestido de todas as formalidades e informações exigíveis, o que não se verifica dos formulários apresentados às fls. 01 e 17 que subsidiam o pleito da interessada haja vista que carecem da informação referente aos créditos de IPI que deveriam ser utilizados para compensação com os débitos da Cofins. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.012031/200253 Acórdão n.º 3201000.851 S3C2T1 Fl. 4 7 A empresa não atendeu as solicitações feitas pela DRF/SDR, mediante as intimações, tendo apresentado, tãosomente, cópia do Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento matriz (CGC nº 57.487.142/000142), sem, contudo, ter acrescentado quaisquer outras informações ou documentos que comprovasse de que é detentora de crédito de IPI, suficientes para extinção das parcelas devidas da Cofins, mediante o instituto da compensação. Em sede de recurso voluntário traz memória de cálculo de crédito presumido do ano calendário de 2002. Todas as exigências solicitadas pela DRF/SDR, nas intimações, com a finalidade de viabilizar o aperfeiçoamento da instrução do seu pleito, encontra respaldo legal na IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002, que assim dispõe em seus artigos 14, 15 e 19, in verbis: Art. 14. Os créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), escriturados na forma da legislação específica, poderão ser utilizados pelo estabelecimento que os escriturou na dedução, em sua escrita fiscal, dos débitos de IPI decorrentes das saídas de produtos tributados. § 2o Remanescendo, ao final de cada trimestrecalendário, créditos do IPI passíveis de ressarcimento após efetuadas as deduções de que tratam o caput e o § 1o, o estabelecimento matriz da pessoa jurídica poderá requerer à SRF o ressarcimento de referidos créditos em nome do estabelecimento que os apurou, mediante utilização do "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim utilizálos na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa. (...) § 4º Os créditos presumidos do IPI de que trata o inciso I do § 1º somente poderão ter seu ressarcimento requerido à SRF, bem assim serem utilizados na forma prevista no art. 21, após a entrega, pela pessoa jurídica cujo estabelecimento matriz tenha apurado referidos créditos, do(a): (Redação dada pela IN SRF 323, de 24/04/2003) I Demonstrativo de Crédito Presumido (DCP) do trimestre calendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados após o terceiro trimestrecalendário de 2002; ou (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) II Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do trimestrecalendário de escrituração, na hipótese de créditos escriturados até o terceiro trimestrecalendário de 2002. (Incluído pela IN SRF 323, de 24/04/2003) (...) Art. 15. No período de apuração em que for encaminhado à SRF o "Pedido de Ressarcimento de Créditos do IPI", bem assim em que forem aproveitados os créditos do IPI na forma prevista no art. 21 desta Instrução Normativa, o estabelecimento que escriturou referidos créditos deverá estornar, em sua escrituração fiscal, o valor pedido ou aproveitado. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 (...) Art. 19. É vedado o ressarcimento a estabelecimento pertencente a pessoa jurídica com processo judicial ou com processo administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI cuja decisão definitiva, judicial ou administrativa, possa alterar o valor a ser ressarcido. Parágrafo único. Ao requerer o ressarcimento, o representante legal da pessoa jurídica deverá prestar declaração, sob as penas da lei, de que a pessoa jurídica não se encontra na situação mencionada no caput. Não prospera a alegação que a Receita Federal do Brasil dispõe de informações através de seus sistemas de controle, é de se observar que, exceto a DCTF, os demais documentos solicitados nas intimações expedidas são de apresentação obrigatória da contribuinte tais como: Pedido de Ressarcimento, Livro Registro de Apuração do IPI do estabelecimento detentor do crédito; cópia do LAIPI em que constasse o estorno do (s) pedido (s) de ressarcimento; cópias das DCPs, respectivas, com a apuração do crédito presumido. O Pedido de Ressarcimento apresentado pela empresa continua, da mesma forma, sem atender aos requisitos previstos na IN SRF nº 210, de 2002, tais como: período de apuração, preenchimento do campo 4, e identificação do estabelecimento filial detentor do crédito. Ressaltese, por oportuno, que tais requisitos constam do Anexo III da referida IN. Não foram apresentada, da mesma forma, cópia dos Demonstrativos de Crédito Presumido (DCP), relativos aos trimestres em que houve a fruição ou utilização do crédito presumido do IPI, previsão esta, constante, também, da citada IN, apenas memória de cálculo em sede de recurso. Dessa feita, não se acatam as considerações referentes à compensação realizada, uma vez que não há provas da existência de direitos creditórios, no caso de créditos presumidos do IPI estando, deste modo, o pedido em desacordo com a IN SRF nº 210, de 2002. À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Mércia Helena Trajano D'Amorim Relator Fl. 497DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 10580.012031/200253 Acórdão n.º 3201000.851 S3C2T1 Fl. 5 9 Fl. 498DF CARF MF Impresso em 20/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 2 1/05/2012 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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