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Numero do processo: 10970.000660/2008-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE.
O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a filho maior de 24 anos, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução fiscal, ainda que homologado em juízo para efeitos civis.
IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS.
O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).
Neste sentido, havendo comprovação do cumprimento desses requisitos em um dos casos, há de ser admitida referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF n. 2).
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2101-002.057
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 7.350,00. Vencida a Conselheira Célia Maria de Souza Murphy, que negava provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. PAGAMENTO POR LIBERALIDADE. INDEDUTIBILIDADE. O pagamento de pensão alimentícia, por mera liberalidade, a filho maior de 24 anos, em hipótese não prevista nas normas do direito de família, não está sujeito à dedução fiscal, ainda que homologado em juízo para efeitos civis. IRPF. DESPESAS COM PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DEDUTIBILIDADE. REQUISITOS. O art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda estabelece que “Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II).” Neste sentido, havendo comprovação do cumprimento desses requisitos em um dos casos, há de ser admitida referida dedutibilidade, à luz do disposto pelo referido dispositivo legal. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. LEI TRIBUTÁRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” (Súmula CARF n. 2). Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 06 60 /2 00 8- 32 Fl. 120DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 81 2 R$ 7.350,00. Vencida a Conselheira Célia Maria de Souza Murphy, que negava provimento ao recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 78/102) interposto em 24 de junho de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) (fls. 67/74), do qual o Recorrente teve ciência em 25 de maio de 2011 (fl. 77), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o auto de infração de fls. 02/04, lavrado em 19 de dezembro de 2008, em decorrência de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, verificada no anocalendário de 2003. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 DEDUÇÕES. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Não se pode acatar como dedução, por absoluta falta de amparo legal, os valores pagos pelo contribuinte, na constância da sociedade conjugal, aos seus filhos e a sua sogra, a guisa de "pensão alimentícia judicial", não obstante a existência de acordos judiciais homologados que oficializem, mas não para fins de Imposto de Renda, a realização de tais pagamentos. MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A multa de ofício, prevista na legislação de regência, é de aplicação obrigatória nos casos de exigência de imposto decorrente de lançamento de ofício, Fl. 121DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 82 3 não podendo a autoridade administrativa furtarse à sua aplicação ou conceder desconto não previsto em lei. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa, nos moldes da legislação que a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 67). Não se conformando, o Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 78/102, pedindo a reforma do acórdão recorrido, para cancelar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Discutese, no presente caso, questão relativa à dedução de pensão alimentícia consensual, especificamente no que se refere à possibilidade de dedução para fins fiscais de pensão alimentícia paga a filhos maiores e à sogra do Recorrente, as quais foram objeto de homologação em juízo. Em relação à dedutibilidade da pensão judicial, assim dispõe o art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto n.º 3.000/99): “Art. 78. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida a importância paga a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, inclusive a prestação de alimentos provisionais (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso II). §1º A partir do mês em que se iniciar esse pagamento é vedada a dedução, relativa ao mesmo beneficiário, do valor correspondente a dependente. §2º O valor da pensão alimentícia não utilizado, como dedução, no próprio mês de seu pagamento, poderá ser deduzido nos meses subseqüentes. §3º Caberá ao prestador da pensão fornecer o comprovante do pagamento à fonte pagadora, quando esta não for responsável pelo respectivo desconto. §4º Não são dedutíveis da base de cálculo mensal as importâncias pagas a título de despesas médicas e de educação dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º). §5º As despesas referidas no parágrafo anterior poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo do imposto de renda na declaração Fl. 122DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 83 4 anual, a título de despesa médica (art. 80) ou despesa com educação (art. 81) (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 3º).” Na esteira do referido dispositivo legal, o Código Civil de 2002, da mesma forma que já dispunha em linhas gerais o Estatuto de 1916, estabelece, em caráter geral, o dever de alimentos entre parentes, cônjuges ou companheiros. No tocante ao capítulo específico relativo aos “alimentos”, determina o citado codex o seguinte: “Art. 1.694. Podem os parentes, os cônjuges ou companheiros pedir uns aos outros os alimentos de que necessitem para viver de modo compatível com a sua condição social, inclusive para atender às necessidades de sua educação. § 1º Os alimentos devem ser fixados na proporção das necessidades do reclamante e dos recursos da pessoa obrigada. § 2º Os alimentos serão apenas os indispensáveis à subsistência, quando a situação de necessidade resultar de culpa de quem os pleiteia. Art. 1.695. São devidos os alimentos quando quem os pretende não tem bens suficientes, nem pode prover, pelo seu trabalho, à própria mantença, e aquele, de quem se reclamam, pode fornecêlos, sem desfalque do necessário ao seu sustento. (...) Art. 1.701. A pessoa obrigada a suprir alimentos poderá pensionar o alimentando, ou darlhe hospedagem e sustento, sem prejuízo do dever de prestar o necessário à sua educação, quando menor.” Na hipótese dos autos, como se adiantou, discutese se o Recorrente pode deduzir ou não a pensão decorrente de acordo homologado judicialmente, em que figuram como alimentandos os filhos maiores (HÉLIO LINDOSO QUEIROZ – CPF 034.764.50627, nascido em 11/12/1975, MARIANA LINDOSO QUEIROZ – CPF: 047.860.94692, nascida em 12/03/1978) e também a sogra CREUSA DE NEGREIROS LINDOSO, CPF 111.458.707 91. Como cediço, a doutrina e a jurisprudência majoritária admitem que o pagamento de pensão alimentícia se dê até os 24 (vinte e quatro) anos de idade, mas, neste caso, deve ser comprovado que o alimentando é estudante regularmente matriculado em estabelecimento de ensino superior, sem condições próprias de subsistência. Em tais circunstâncias, o filho do casal ou continua na condição de dependente, informando, assim, os valores recebidos a título de pensão na declaração de ajuste anual apresentada por seu pai ou sua mãe ou passa a apresentar declaração de ajuste anual em seu próprio nome informando os rendimentos recebidos (pensão). A legislação tributária não permite a cumulação da dedução da dependência com a dedução do pagamento da pensão judicial. Verificase que, à época da homologação do acordo de fls. 15/17 no qual se propôs alimentos aos filhos (ano de 1998), nenhum deles havia ainda completado 24 anos, motivo pelo qual, em face do entendimento atual externado no Direito de Família, a pensão alimentícia ainda poderia ser tida como devida. Aliás, por meio da quota de fl. 18 dos autos, percebese que o Ministério Público concordou com os alimentos em razão dos filhos serem, à época, universitários. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 84 5 Ocorre que, na época do fato gerador ora discutido, os filhos já possuíam idade superior a 24 anos, de tal sorte que não se poderia mais falar em “pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família”, tendo em vista que, pelo direito de família, não seria mais obrigatório o pagamento dos alimentos aos filhos maiores de 24 anos. Além disso, mesmo em relação à época da homologação do acordo, cumpre mencionar que este tribunal administrativo tem diferenciado o dever de sustento decorrente do poder familiar, do dever de prestar alimentos, in verbis: “AÇÃO DE OFERTA DE ALIMENTOS. CONTRIBUINTE ALIMENTANTE COABITANDO COM A CÔNJUGE E FILHOS. NATUREZA DE DEVER FAMILIAR. Assim como a legislação civil não comporta a comunicação unilateral para a exoneração dos alimentos fixados, a legislação fiscal só permite a dedução dos alimentos pagos em cumprimento às normas do Direito de Família. O dever de prestar alimentos não se confunde com o dever de sustento decorrente do poder familiar. O dever de sustento dos cônjuges se transforma em dever de prestar alimentos quando há a ruptura da vida conjugal. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 2ª Seção, 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara, Proc. 10840.001792/200786, Sessão de 18 de outubro de 2012) Dessa forma, se mesmo na época da formulação da proposta de alimentos, homologada em juízo, seria questionável a dedução fiscal, quanto mais após os filhos completarem os 24 anos. Não se ignora o fato de que no Novo Código Civil (arts. 1.694 a 1.710) e mesmo no Codex anterior, a obrigação de alimentar perdura e se dá em razão do parentesco, ou seja, em razão do dever de assistência e de solidariedade existentes entre pessoas que têm a sua gênese em um mesmo tronco familiar, quer seja nas linhas ascendente e descendente, quer seja na colateral até o segundo grau. Todavia, nesse caso, para que seja objeto de dedução do imposto de renda a prestação de alimentos, devese comprovar que os alimentandos não possuem bens nem tem condições de prover, pela sua labuta, a sua própria mantença, hipótese esta que não foi objeto de discussão ou deferimento no acordo homologado. Portanto, como à época do fato gerador ora discutido o pagamento de alimentos aos filhos maiores de 24 anos era feito por mera liberalidade, e não “em face das normas do Direito de Família”, não se aplica a regra de isenção do art. 78 do RIR/99. Por outro lado, em relação aos alimentos pagos à sogra do Recorrente, entendo que não merece acolhimento o pedido contido no recurso. Vejamos a prescrição do Código Civil em relação ao grau de parentesco: “Art. 1.591. São parentes em linha reta as pessoas que estão umas para com as outras na relação de ascendentes e descendentes. Art. 1.592. São parentes em linha colateral ou transversal, até o quarto grau, as pessoas provenientes de um só tronco, sem descenderem uma da outra. Art. 1.593. O parentesco é natural ou civil, conforme resulte de consangüinidade ou outra origem. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 85 6 Art. 1.594. Contamse, na linha reta, os graus de parentesco pelo número de gerações, e, na colateral, também pelo número delas, subindo de um dos parentes até ao ascendente comum, e descendo até encontrar o outro parente. Art. 1.595. Cada cônjuge ou companheiro é aliado aos parentes do outro pelo vínculo da afinidade. § 1o O parentesco por afinidade limitase aos ascendentes, aos descendentes e aos irmãos do cônjuge ou companheiro. § 2o Na linha reta, a afinidade não se extingue com a dissolução do casamento ou da união estável.” Considerando que para efeito da contagem do grau de parentesco, as regras para o parentesco por afinidade é semelhante às regras do parentesco consanguíneo, temos que a sogra é parente em primeiro grau em linha reta por afinidade do seu genro (Recorrente). Apesar de ser parente por afinidade, no direito brasileiro a obrigação de pagar alimentos não se estende aos afins, como leciona a doutrina pátria: “No direito brasileiro, ao contrário do que ocorre no francês e naqueles sistemas que seguiram o Código Napoleônico, os parentes afins não são obrigados a prestar, nem tem o direito a receber alimentos uns dos outros” (RODRIGUES, Silvio. Direito Civil: Direito de Família. vol. 6. 28ª ed. ver. E atual. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 380). “Os demais parentes e afins estão excluídos dessa obrigação legal [assistência alimentícia] em nosso ordenamento” (VENOSA, Sílvio de Salvo Venosa. Direito Civil: Direito de Família. 5ª ed. São Paulo: Atlas, 2005. p. 404) Sendo assim, por configurar a prestação alimentícia para a Sra. CREUSA DE NEGREIROS LINDOSO mera liberalidade por parte do Recorrente, não previstas nas normas do direito de família, não haveria como reconhecer a sua dedutibilidade se a declaração do IRPF fosse exclusiva do Recorrente por não encontrar guarida na norma prevista no art. 78 do RIR/99. Apesar disso, não se pode olvidar que a Sra. CREUSA DE NEGREIROS LINDOSO é parente consanguínea de primeiro grau em linha reta da cônjuge do Recorrente e esta sim, pelo direito de família, tem o dever de prestar alimentos à sua mãe, conforme dispositivos transcritos do Código Civil vigente. E, além disso, verificase que no acordo homologado em juízo (fls. 13/14), o qual prevê expressamente o pagamento de alimentos à Sra. CREUSA DE NEGREIROS LINDOSO, em razão da hipossuficiência econômica desta, a esposa do Recorrente também figurou como requerente e alimentante. Pois bem, tendo sido apresentada declaração em conjunto pelo Recorrente e por sua esposa ECILA LINDOSO QUEIROZ, que figurou como dependente (fls. 31/35), e, tendo esta o dever, segundo o direito de família, de prestar alimentos à mãe, cabível a dedução tributária prevista no art. 78 do RIR/99. Dessa forma, forçoso se concluir que essa pensão alimentícia é paga de acordo com as normas do Direito de Família, sendo aplicável a isenção prevista no art. 78 do Fl. 125DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10970.000660/200832 Acórdão n.º 2101002.057 S2C1T1 Fl. 86 7 RIR/99, devendo ser restabelecida a dedução da pensão alimentícia paga à Sra. CREUSA DE NEGREIROS LINDOSO, no valor de R$ 7.350,00 (fl. 34). Com relação à alegação de que a multa de 75% (setenta e cinco por cento) possui caráter confiscatório, vale ressaltar que tal percentual é oriundo de norma cogente. Portanto, tratandose de norma vigente, não poderia este órgão administrativo aferir a natureza confiscatória da multa sem, antes, pronunciarse acerca da constitucionalidade da norma, o que é vedado pelo art. 26A do Decreto 70.235/72, além de violar a jurisprudência uníssona deste Tribunal, materializada na Súmula nº. 2, de acordo com a qual não cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pronunciarse acerca da inconstitucionalidade de leis. Assim, por existir previsão legal para a aplicação da multa não se pode afastar ou reduzir o referido percentual sob pena de se ultrapassar a competência deste órgão administrativo. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de DAR provimento EM PARTE ao recurso, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia no valor de R$ 7.350,00. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 126DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 12/03/ 2013 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 18/03/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10860.002254/00-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998, 1999, 2000
DECADÊNCIA. FORMALIDADES. FUNDAMENTO DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS NOS AUTOS. AFASTABILIDADE.
O pedido de restituição do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ e CSLL não foram atingidos pela decadência, visto ter sido feito dentro do prazo de 5 anos contados da apuração do saldo negativo de 1996 a 2000, qual seja em 09/01/2001.
Desta forma, caberá à DRJ analisar a materialidade do crédito tributário, visto que a decisão recorrida se pautou apenas em aspectos formais e na decadência.
Recurso conhecido e parcialmente provido.
Numero da decisão: 1201-000.741
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
parcial provimento ao Recurso, para afastar a questão quanto à decadência , devendo os autos serem remetidos à DRJ para análise e julgamento do mérito quanto ao crédito tributário retido na fonte e a composição do indébito, visto que as decisões proferidas nesses autos pautaram-se apenas em negar o crédito sob o aspecto da formalidade ou da decadência, não adentrando à materialidade da composição do crédito tributário.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
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FORMALIDADES. FUNDAMENTO DAS DECISÕES ADMINISTRATIVAS NOS AUTOS. AFASTABILIDADE. O pedido de restituição do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ e CSLL não foram atingidos pela decadência, visto ter sido feito dentro do prazo de 5 anos contados da apuração do saldo negativo de 1996 a 2000, qual seja em 09/01/2001. Desta forma, caberá à DRJ analisar a materialidade do crédito tributário, visto que a decisão recorrida se pautou apenas em aspectos formais e na decadência. Recurso conhecido e parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR parcial provimento ao Recurso, para afastar a questão quanto à decadência , devendo os autos serem remetidos à DRJ para análise e julgamento do mérito quanto ao crédito tributário retido na fonte e a composição do indébito, visto que as decisões proferidas nesses autos pautaramse apenas em negar o crédito sob o aspecto da formalidade ou da decadência, não adentrando à materialidade da composição do crédito tributário. (documento assinado digitalmente) Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz Presidente. Fl. 1085DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.086 2 (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz (presidente), Marcelo Cuba Neto, Rafael Correia Fuso, Plínio Rodrigues Lima, Manoel Mota Fonseca e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de pedido de restituição e compensação realizados pela contribuinte, 09/01/2001 e 09/11/2000, respectivamente, de créditos de IRPJ e CSLL, dos períodos de 1996 a 2000, referentes ao faturamento de vendas junto aos órgãos da Administração Pública Federal, apurandose nesses períodos saldo negativos. A contribuinte apresentou anexo aos seu pedido cópias de notas fiscais, quadros demonstrativos de faturamento, comprovantes de pagamento das retenções de tributos pelo Ministério do Exército (Batalhões, Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento IPD, Arsenal de Guerra de São Paulo, entre outros), cópia da legislação relativa à sua constituição, haja vista tratarse de empresa pública etc. A DRF intimou a contribuinte a apresentar o formulário de Pedido de Restituição, que poderá ser obtido via internet na homepage da SRF http//www:receita.fazenda.gov.br, na opção guia do contribuinte e explicar os pedidos de compensação anexados, pois encontramse em branco, sem as devidas informações sobre o código, período de apuração, vencimento e valor do imposto. A contribuinte peticionou perante a Receita Federal, informando que seu pedido e documentos apontam o valor do crédito a ser ressarcido e compensado. A fiscalização indeferiu os pedidos de restituição e compensação, nos seguintes termos: O direito de a contribuinte pleitear a restituição está previsto no art.165 da Lei n° 5.172/1966, Código Tributário Nacional (CTN) e era regulamentado à época da protocolização deste processo e do pedido de restituição da fl. 598 pela IN SRF n° 21/1997, em seus arts. 2° e 6° abaixo transcritos. Esta legislação e a corrente (IN SRF n° 600/2005) facultam ao sujeito passivo o direito de requerer a restituição do crédito decorrente de pagamento espontâneo, indevido ou maior que o devido. Instrução Normativa SRF n° 21/1997 "Art. 2° Poderão ser objeto de pedido de restituição os créditos decorrentes de qualquer tributo ou contribuição, seja qual for a modalidade do seu pagamento, nos seguintes casos: (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) Fl. 1086DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.087 3 I cobrança ou pagamento espontâneo, indevido ou a maior que o devido; (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) erro na identificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) III reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. (Redação dada pela IN SRF n° 73/97, de 15/09/1997) Art. 6° À exceção do valor a restituir relativo ao imposto de renda de pessoa física, apurado na declaração de rendimentos, todas as demais restituições em espécie, de quantias pagas ou recolhidas indevidamente ou em valor maior que o devido, a título de tributo ou contribuição administrado pela SRF, nas hipóteses relacionadas no art. 2°, serão efetuadas a requerimento do contribuinte, pessoa física ou jurídica, dirigido à unidade da SRF de seu domicílio fiscal, acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento e de demonstrativo dos cálculos." Preliminarmente, analisaremos a tempestividade do pedido de restituição. Conforme mencionado nos 2° e 3° parágrafos, temos 3 etapas distintas a serem consideradas nesta análise, que são: a) 09/11/2000 — Protocolização deste processo, onde é solicitada a compensação de pretenso crédito de retenções de IRPJ e CSLL efetuadas no decorrer dos anos de 1996 a 2000, sem, no entanto, informar os débitos a serem compensados; b) 09/01/2001 — Foi anexado ao processo o pedido de restituição de retenções de IRPJ e CSLL, sem indicação a quais períodos de apuração se referiam, juntamente com uma solicitação para que se faça compensação com os débitos por ventura existentes (fls. 598/599). Esta "solicitação" se trata na verdade de uma autorização prévia para que a administração proceda à execução da compensação de oficio, prevista inicialmente no DecretoLei n° 2.287/1986, em seu art. 7°, §1° e também tratada na Lei n° 9.430/1996, em seu art. 73; c) 04/12/2006 Foi entregue à DRF/BSB a solicitação da fl.745, que gerou o processo n° 10166.011269/200686, onde a contribuinte vem esclarecer e solicitar que reconheçamos que a petição das fls.01 a 04 tratase na verdade de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL. Observase que temos, de fato, um pedido de restituição e sua posterior retificação. Consolidandose as informações dos itens a) e b) do parágrafo anterior, concluímos que, até a data de 03/12/2006, não havia propriamente qualquer solicitação de compensação, mas sim, pedido de restituição, que tinha como objeto crédito de retenções na fonte de IRPJ e CSLL feitas Fl. 1087DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.088 4 durante os anos de 1996 a 2000. Para este caso, será considerada como data da solicitação a de protocolização do processo, 09/11/2000, pois não houve alteração do crédito solicitado. Antes de prosseguirmos com a análise dos itens do 8° parágrafo, cabe aqui explicitarmos a diferença de natureza creditória entre as retenções na fonte de IRPJ e CSLL e seus saldos negativos. O art. 28 da Lei 9.430/1996 determina que será dado o mesmo tratamento tributário do IRPJ, no caso da apuração da base de cálculo e de pagamento, à CSLL. O aproveitamento das retenções na fonte de IRPJ e CSLL são uma opção legal do contribuinte, prevista no inciso III, § 4° do art. 2°, da Lei 9.430/1996, em contrapartida à apuração do IRPJ ou CSLL a pagar. (...) O §3° do art. 2° da Lei n° 9.430/1996 obriga a contribuinte, que optar por recolhimentos mensais com base em estimativas, a apurar em 31 de dezembro de cada anocalendário, exceto nos casos de incorporação, fusão, cisão ou extinção, o lucro real, para que se possa fazer o ajuste entre o IRPJ ou a CSLL já pagos por estimativa e os valores efetivamente devidos ao final do período de apuração — PA. Por sua vez, o § 4° enumera as deduções que podem ser feitas do IRPJ ou da CSLL devida para se apurar o valor a ser recolhido, no caso de saldo positivo, ou a ser compensado, no caso de saldo negativo. A retenção na fonte destes tributos é prevista como dedução no inciso III daquele parágrafo, sendo uma antecipação do devido ao fim do PA. Portanto, o fato de ter havido retenções na fonte de IRPJ e CSLL, além de não se confundir, não implica na apuração de seus correspondentes saldos negativos. Retornando à análise do 8° parágrafo, a partir de 04/12/2006, de acordo com o seu item c), a contribuinte, embora não tenha utilizado este termo, na prática, retificou o seu pedido das fls.01 a 04 para restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 1996 a 2000. Desde 30/12/2005, portanto antes da apresentação desta suposta retificação, a compensação e restituição de créditos tributários é regulamentada pela IN n° 600/2005. Os procedimentos de retificação são tratados nos seguintes artigos: (...) O art. 57 determina que a retificação, tanto do pedido de restituição como da declaração de compensação, só pode ser efetuada caso não haja decisão administrativa sobre a solicitação original. Os artigos seguintes trazem detalhamentos específicos sobre a retificação de declarações de compensação e não citam mais nenhuma observação sobre a retificação dos Fl. 1088DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.089 5 pedidos de restituição, conforme explicitaremos nos próximos parágrafos. O art. 58 cita que a retificação da declaração de compensação só pode ser efetuada no caso de inexatidões matérias verificadas no preenchimento do documento. Isso devese ao fato da declaração de compensação ser considerada confissão de dívida e instrumento suficiente para cobrança dos débitos indevidamente compensados (§ 6°, art. 74 da Lei n° 9.430/1996, alterado pela Lei n° 10.833/2003). Portanto, este artigo não se aplica no caso do pedido de restituição. O art. 59 diz que não serão admitidas retificações de declarações de compensação que tenham por finalidade a inclusão de novo débito ou aumento no valor de débitos já declarados. Tal mandamento devese ao fato do disposto no art. 61 o que permitiria ao contribuinte escapar de juros e multa pala não extinção no prazo legal, e novamente não tem nenhuma aplicação no caso de retificação do pedido de restituição. O art. 60 prevê que o prazo para a homologação da declaração de compensação será de 5 (cinco) anos contados da apresentação declaração retificadora, e visa permitir que a administração tenha o mesmo tempo disponível para analisar uma declaração de compensação retificada como para uma original, caso contrário, o prazo de 5 (cinco) anos para a homologação por decurso de prazo seria diminuído do tempo existente entre a transmissão da original e da retificadora. Tal artigo também não tem nenhuma aplicabilidade no caso do pedido de restituição, pois não há prazo para homologação, tendo em vista não se tratar de uma declaração. • O art: 61 prevê que as datas de valoração do crédito e do débito serão a data da apresentação da declaração original. Este artigo nos encaminha para o art. 28, que determina que os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais até a data de entrega da declaração, e também indica a valoração dos créditos deve ser feita nos termos dos art. 52 e 53. Novamente tal artigo não se pronuncia quanto ao prazo para retificação do pedido de restituição. Verificase, portanto, e não poderia ser diferente, que nenhum destes artigos influencia no prazo decadencial previsto no art. 168 do CTN, posto que, constitucionalmente, apenas lei complementar poderia fazêlo. À título de exemplo, caso a retificação do pedido de restituição aproveitasse a data do original, iríamos possibilitar a um contribuinte, que houvesse solicitado em 01/01/2003 a restituição de crédito de pagamento indevido efetuado em 01/01/2000, a alternativa de, em 01/01/2006, modificar este crédito para solicitar um crédito de pagamento indevido recolhido em 01/01/1999, o que seria total desrespeito ao prazo previsto no art. 168 do CTN. Dado que não havia (e não há) previsão legal para que a retificação do pedido de restituição aproveite a data da solicitação original e por se tratar concretamente de um outro Fl. 1089DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.090 6 crédito, de natureza distinta do indicado originariamente, conforme demonstrado do 10° ao 12° parágrafo, será considerada como data da solicitação da restituição deste último crédito, para efeitos de análise da decadência, a data de sua retificação, ou seja, 04/12/2006. Considerandose o crédito de saldo negativo de IRPJ e CSLL apurado de 31/12/1996 a 31/12/2000 e o seu pedido de restituição feito em 04/12/2006, verificase que ocorreu a decadência do prazo para seu requerimento, pois o processo foi protocolizado após os 5 (cinco) anos previstos no Código Tributário Nacional — CTN para que a contribuinte exerça o seu direito à solicitação de restituição da repetição do indébito. Além disso, cabe acrescentar que, nos termos do disposto no art. 3° , caput e § 1°, da IN SRF n° 600/2005, a restituição 'de créditos relativos a tributos e contribuições administrados pela RFB será efetuada pelo sujeito passivo mediante apresentação de pedido gerado a partir do programa PER/DCOMP (Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou de Restituição e Declaração de Compensação) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante apresentação do formulário constante do anexo I da mencionada norma. A contribuinte não solicitou a restituição via PER/DCOMP, e não poderia ser de outra forma, já que, como vimos no parágrafo anterior, não é permitida a solicitação de restituição de crédito já decaído. Conseqüentemente, será desconsiderada a retificação solicitada e considerado como objeto de análise deste processo o pedido de restituição original, de retenções na fonte de IRPJ e CSLL, sofridas no decorrer dos anos calendário de 1996 a 2000, em concordância com as solicitações contidas nos autos, com as cópias de retenções na fonte apresentadas e a não decadência do direito à restituição. Porém, de acordo com o exposto do 10° ao 12° parágrafo, o que torna a retenção na fonte do IRPJ ou da CSLL indevida ou em valor maior que o devido é o ajuste ao fim do PA e apenas após este ajuste, ou seja, da comparação entre o já recolhido e o efetivamente devido ao fim do PA, é que se pode falar em pagamento a maior ou indevido, se houver apuração de saldo negativo. Este saldo negativo é que pode vir a ser restituído ou compensado. Tal entendimento atualmente encontrase sistematizado no art. 10 da IN SRF n° 600/2005. Conforme mencionado no 4° parágrafo, a contribuinte transmitiu o PER/DCOMP n° 34221.55230.300707.1.7.033069 (fls. 830 a 858), que retifica o PER/DCOMP n° 42079.55076.170507.1.3.039338 (fls.801 a 829). A admissibilidade ou não dos PER/DCOMP retificadores também é tratada na IN SRF n° 600/2005, nos artigos transcritos abaixo: Art. 59. A retificação da Declaração de Compensação gerada a partir do Programa PER/DCOMP ou elaborada mediante utilização de formulário (papel) não será admitida quanto tiver Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.091 7 por objeto a inclusão de novo débito ou o aumento do valor do débito compensado mediante a apresentação da Declaração de Compensação à SRF. Portanto, qualquer PER/DCOMP onde ocorra aumento do montante do débito declarado ou inclusão de novo débito não será admitido. Cabe salientar que algumas alterações efetuadas em débito já declarado em PER/DCOMP original têm o efeito de excluir este débito e incluir novo, alterando o seu período de apuração ou código do tributo. Tendo em vista estas considerações, analisaremos as alterações contidas no PER/DCOMP retificador em questão. Verificouse que foi somente uma: o débito de IRRF (cód. rec. 6256), com vencimento em 13/04/2007 e valor de R$ 82.559,80 (PER/DCOMP original fl. 828), foi corrigido para o valor de R$ 475,81 (fl. 858). A alteração do débito diminui o valor do mesmo, além de manter coerência com o seu novo valor declarado na DCTF retificadora (fl. 916). Portanto, o PER/DCOMP retificador n° 34221.55230.300707.1.7.033069 será admitido. E por fim, o § 6° do art. 74 da Lei 9.430/1996, alterado pelo art. 17 da Lei 10.833/2003, determina que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Logo, os débitos constantes nos PER/DCOMP n° 34460.68425.170507.1.3.021287, n° 34221.55230.300707.1.7.033069 e n° 20154.38538.300807.1.3.032225 foram cadastrados no sistema Profisc (fls. 893 a 915) para cobrança. Em resumo, a Delegacia da Receita Federal de Brasília: (i) aplicou a decadência para a restituição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL dos anos calendários de 1996 a 2000; (ii) considerou que o IRRF ou a CSLL retidas na fonte são antecipações e podem ser deduzidos do valor apurado mensalmente ou ao final do anocalendário e que é incabível sua restituição ou compensação diretamente com tributo e contribuições de diferentes espécies. (iii) com isso, indeferiu os pedidos de restituição e decidiu não homologar as declarações de compensação contidas nos PER/DCOMP n° 34460.68425.170507.1.3.021287, n° 34221.55230.300707.1.7.033069 e n° 20154.38538.300807.1.3.032225. Nos autos do Processo Administrativo n° 10166.011269/200686, que trata de pedido de compensação, constou a seguinte decisão da DRF de Brasília: À fl.179 foi solicitado pela Equipe de Execução desta Divisão que verificássemos a alegação trazida pela contribuinte àquela Equipe de que os débitos em cobrança no sistema Sief (fls.180 a Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.092 8 186), apesar da discrepância de valores, seriam os mesmos compensados mediante os PER/DCOMP deste processo. Sendo assim, dado que foi apresentado "recurso" (fls.169 a 171) ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Brasília contra o despacho decisório de não homologação das fls.159 a 161, a contribuinte solicita a suspensão destes débitos. Para facilitar a análise da sua suspensão ou não, elaboramos a tabela da fl.232, que consolida os dados obtidos em DCTF, PER/DCOMP e no sistema Sief/Fiscalização Eletrônica. Os débitos n°s 1 e 2 estão compensados no PER/DCOMP n° 21485.45979.080208.1.3.029413, que não está sendo tratado neste processo, mas sendo analisado automaticamente pelo sistema Sief/PER/DCOMP (fl.233). No entanto, a cobrança deles é correta, pois, apesar da coincidência de valores, não se relaciona com a compensação do citado PER/DCOMP. Ela é resultante da diferença entre os pagamentos informados em DCTF e os valores validados pelo sistema Sief/Fiscalização Eletrônica, já que alguns pagamentos foram feitos após o vencimento dos débitos e não levaram em consideração as correspondentes multas e juros de mora. Os débitos de n°s 3 ao 12 estão em cobrança no Sief como resultado da diferença entre o valor total do débito informado em DCTF e a sua quitação mediante pagamentos ou PER/DCOMP não declarados em DCTF, porém, transmitidos pela contribuinte e imputados ao débito pelo Sief/Fiscalização Eletrônica. Isto explica o fato de, na tabela, os valores da coluna "Cobrança (Sief)" serem sempre menores do que aqueles da coluna "Valores validados (Sief)>PER/DCOMP>Valor Comp.". Logo, como os PER/DCOMP compensam valores superiores aos que estão sendo cobrados pelo Sief e esta cobrança se deve aos valores declarados nestes mesmos PER/DCOMP, sua cobrança deve ser suspensa em virtude do "recurso" apresentado, que é na verdade, uma manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (DRJ/BSB). Cabe destacar que haverá necessidade de revisão dos despachos decisórios deste processo e do de n° 10860.002254/0004, além da juntada por anexação dos mesmos, pois deverá ser reconsiderada a data de apresentação do pedido de restituição do último. Este evento também afetará o despacho decisório do atual processo, dado que o direito creditório é o mesmo. Será mantida a suspensão da cobrança dos débitos proposta no 5° parágrafo, uma vez que eles retornarão à condição de suspensos "sob condição resolutória de ulterior homologação do procedimento" (de compensação), de acordo com o previsto no § 2° do art.26 da IN SRF n° 600/2005. E, por fim, lembramos que o § 6° do art. 74 da Lei 9.430/1996, alterado pelo art.17 da Lei 10.833/2003, determina que a declaração de compensação, seja protocolizada via formulário ou transmitida por PER/DCOMP, constitui confissão de dívida e Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.093 9 instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Considerando o disposto nos parágrafos precedentes, proponho que este processo retorne à Equipe de Execução para: a) Manter a cobrança dos débitos n°s 1 e 2; b) Suspender a cobrança dos débitos de n°s 3 ao 12 no Profisc; c) Proceder à juntada por anexação deste processo ao processo n° 10860.002254/0004, transferindo os débitos cadastrados no sistema Profisc para aquele processo; d) Encaminhar de volta à Sacpj o processo n° 10860.002254/00 04 para revisão de despacho decisório; e) Dar ciência deste despacho à contribuinte, observandose que ela deve desconsiderar os despachos decisórios anteriores deste processo e do de n° 10860.002254/0004. Em face da referida decisão o contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando em síntese que: Em 09/11/2000, a Recorrente requereu junto à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Taubaté/SP a compensação de créditos de retenção de IRPJ e CSLL acumulados no decorrer dos anos de 1996 a 1999, nos respectivos valores de R$ 979.375,41 e R$ 812.978,61, o processo foi acompanhado dos comprovantes de pagamentos, quadros demonstrativos de cálculos das apurações realizadas e o saldo a restituir. Em 09/01/2001, foi incorporado aos autos do processo o pedido de restituição de IRPJ e CSLL. Em 04/12/2006 foi entregue à DRF/BSB, um adendo ao Pedido de Restituição, com o intuito de facilitar o entendimento do item 02 (dois) do "Motivo do Pedido". Neste adendo ficou consignado que o pedido originário deveria ser considerado Pedido de Restituição de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL. A protocolização do adendo gerou novo número de processo (Processo n° 10166.011269/200686). A partir de 17/05/2007, foram transmitidas declarações de compensação através do PER/DCOMP, utilizando o crédito informado no processo n° 10166.011269/200686. Foram geradas as declarações de compensação de números 34460.68425.170507.1.3.021287, 42079.55076.170507.1.3.03 9338, 34221.55230.300707.1.7.033069 (que retifica o PER/DCOMP anterior) e 20154.38538.300807.1.3.032225. Valor dos débitos compensados é de R$ 3.282.723,40. O pedido de restituição incorporado aos autos do processo em 09/01/2001, era regulamentado à época da protocolização pela IN SRF n° 21/1997, que assim dispõem: O art. 1° determina que os pedidos de restituições de tributos e contribuições de competência da União, administrados pela Secretaria da Receita Federal — SRF, assim como os Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.094 10 procedimentos administrativos a eles relacionados, serão efetuados em conformidade com o disposto nesta Instrução Normativa. Com isso o pedido de restituição seguiu as determinações da IN SRF n° 21/1997 e não a IN SRF n°600/2005 que atualmente regula a matéria. O art. 2° prevê que pode ser objeto de pedido de restituição o crédito decorrente de qualquer tributo ou contribuição administrado pela SRF, seja qual for a modalidade do seu pagamento. As retenções de IRPJ e CSLL sofridas pela recorrente durante os anos de 1996 até 1999 foi uma modalidade de pagamento que culminou na geração de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL. O art. 6° estabelece a forma de solicitar a restituição, devendo ser utilizado o formulário "Pedido de Restituição" acompanhado dos comprovantes do pagamento ou recolhimento, demonstrativos de cálculos e cópia da declaração de rendimentos. Essa foi a forma utilizada pela recorrente, juntando ao processo todos os DARF's, cópias de notas fiscais e os demonstrativos de cálculos, que comprovam a legitimidade dos créditos objeto de restituição. Por oportuno encaminho novamente cópia da DIPJ 2000, ano calendário 1999 com as fichas 1 a 7, 10A, 13A, 25A, 26A, 27 e 30 (Doc. 02). Pode ser observado na DIPJ 2000 na Demonstração do Lucro Real, após as adições e exclusões a empresa apurou prejuízo no período de R$ 50.962.910,36 (ficha 10A, linha 38); no Balanço Patrimonial, apresenta prejuízos acumulados de R$ 204.306.378,88 (ficha 26A, linha 40); no Calculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Real, apresenta saldo negativo de R$ 982.956,78 (ficha 13A, linha 18) e no Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, também apresenta saldo negativo de CSLL no valor de R$ 812.978,61 (ficha 30, linha 31). Ou seja, são os valores apurados na DIPJ de 2000 ano calendário 1999, recebida pela SRF via Internet pelo Agente Receptor SERPRO em 30/06/2000, que forma o Saldo Negativo de IRPJ e CSLL pleiteado pelo recorrente. Considerando o próprio entendimento contido no Despacho Decisório/DRF/BSB/Diort item 24 (fls. 1004) "o que torna retenção na fonte do IRPJ ou da CSLL indevida ou em valor maior que o devido é o ajuste ao fim do PA e apenas após este ajuste, ou seja, da comparação entre o já recolhido e o efetivamente devido ao fim do PA, é que se pode falar em pagamento a maior ou indevido, se houver apuração de saldo negativo. Este saldo negativo é que pode vir a ser restituído ou compensado". Conforme demonstrado no item anterior, o que realmente foi apurado e que a empresa requereu em 09/01/2001 foi Saldo Negativo de 1RPJ e CSLL gerados pelas retenções de Imposto de Renda e Contribuições Sociais referente à comercialização com entidades da Administração Publica, seguido as determinações da IN SRF n° 21/1997 e não a IN SRF n° 600/2005 conforme mencionado no Despacho Decisório. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.095 11 É visível a diferença de procedimentos no preenchimento de pedidos de restituição e declarações de compensação normatizados pela IN SRF n° 21/1997, com os quais atualmente encontramse sistematizados pela IN SRF n° 600/2005. Diante desses fatos, o ILMO. Chefe da DIORT ao apreciar a matéria, julgou ter ocorrido a decadência do prazo para a restituição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL e que é incabível sua restituição ou compensação diretamente com tributos e contribuições de diferentes espécies. Convencido ter ocorrido a decadência do prazo para a restituição dos saldos negativos de IRPJ e CSLL, e não permitido a compensação, o ILMO. Chefe da D1ORT, ao analisar os PER/DCOMP n° 34460.68425.170507.1.3.021287, n° 34221.55230.300707.1.7.033069 e n° 20154.38538.300807.1.3.032225, decidiu não homologar as declarações de compensação e também, decidiu por último, cadastrar os débitos no sistema Profisc para cobrança. Entretanto, a recorrente não pode concordar com a referida decisão, na medida em que o pedido de restituição de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL foi formalizado nos exatos termos dos Arts. 1°, 2°, 5°, 6° e 25° da 1N SRF n° 21/1997 e as declarações de compensação foram formalizados nos exatos termos da IN SRF n° 600/2005. Registrese que o aludido Recurso esta embasado na IN SRF n° 600/2005, que em seu Art. 48°, assim dispõe: (...) Diante do exposto e não tendo ocorrido a suposta decadência, e sendo permitido a restituição de Saldo Negativo de IRPJ e CSLL e sua compensação, requer de digne V.Sa. seja recebido o presente Recurso, nos seus efeitos devolutivos e supressivo, e determinar a imediata suspensão do cadastramento dos débitos no sistema Profisc para cobrança, até o julgamento final do Recurso, devendo ainda ser determinado o sobrestamento dos DARFs correspondente aos PER/DCOMPs n° 34460.68425.170507.1.3.021287, n° 34221.55230.300707.1.7.033069 e n° 20154.38538.300807.1.3.032225, por ser esta medida de mais legitima. A DRJ de Brasília proferiu decisão administrativa de primeira instancia administrativa nos seguintes termos: A manifestação de inconformidade apresentada é tempestiva e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235/72. Assim sendo, dela conheço. De pronto, verificase que ocorreu a decadência do prazo para requerer a restituição do saldo negativo de IRPJ e CSLL apurados em 31121996 a 122006, pois o pedido de restituição foi feito em 04122006, ou seja, mais de cinco anos previstos Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.096 12 para que a contribuinte possa pleitear a restituição (fls. 1.004, item 21). De outra feita, a Lei Complementar n° 118/2005 é clara quanto ao inicio da contagem do prazo para pleitear restituição, ou seja, o direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data do pagamento antecipado. Além disso, aquela mesma Lei Complementar determina em seu artigo 4° que o disposto no art. 3° aplicase a ato ou fato pretérito, por ser expressamente interpretativa. Vejase, "in verbis": Art. 3. Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1° do art. 150 da referida Lei. Art. 4° Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3°, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional. Por último, é pertinente esclarecer que a compensação pode ser autorizada nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Confirmase isto no art. 170 do CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Omissis Nessa toada, relativamente ao pleito de suspensão dos débitos em discussão, registrese o comando expresso do inciso II, parágrafo 3 ° do art. 48 da IN SRF 600/2005. "in verbis": Art. 48. É . facultado ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contado da data da ciência da decisão que indeferiu seu pedido de restituição ou o ressarcimento ou, ainda, da data da ciência do despacho que nãohomologou a compensação por ele efetuada. apresentar manifestação de inconformidade contra o nãoreconhecimento do direito creditório ou a nãohomologação da compensação. § 1° e §2°. Omissis. § 3° A manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação, bem como o recurso contra a decisão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade: Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.097 13 I — enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional relativamente ao débito objeto da compensação; e II não suspendem a exigibilidade do débito que exceder ao total do crédito informado pelo sujeito passivo em sua Declaração de Compensação, hipótese em que a parcela do débito que exceder ao crédito será imediatamente encaminhada à PGFN para inscrição em Divida Ativa da União. Ex positis, voto no sentido de indeferir a manifestação de inconformidade formulada, para manter o Despacho Decisório de folhas 998/1.007. A contribuinte foi intimada da decisão em 30/09/2009. Inconformada com a decisão da DRJ, esta interpôs Recurso Voluntário em 29/10/2009, alegando em síntese que: A questão não é, exatamente, a incidência da decadência sobre o documento protocolado no dia 04/12/2006, mas sim, o seu efeito em relação ao PEDIDO DE RESTITUIÇÃO formalizado pela contribuinte perante a SRF/TaubatéSP, no dia 09/01/2001. Notese que, no dia 09/01/2001, a contribuinte/recorrente protocolizou o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO do IRPJ e CSLL efetuados no decorrer dos anos de 1996 a 2000. Não há nenhuma controvérsia com relação à decadência desse pedido. Resta entender o quê, exatamente, representa a Carta da contribuinte, protocolada no dia 04/12/2006, em relação ao PEDIDO DE RESTITUIÇÃO retro mencionado. O PEDIDO DE RESTITUIÇÃO do IRPJ e CSLL protocolado no dia 09/01/2001 registrou como motivo, a "compensação de IRPJ e Contribuições Sociais sobre pagamentos feitos por entidades da Administração Pública Federal, conforme art. 64 da Lei 9430/96". Após o protocolo do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, a contribuinte retificou o seu pedido para fazer constar, a título de MOTIVAÇÃO DA RESTITUIÇÃO, o "SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL". Aqui, cumpre notar dois aspectos importantes: Primeiro: O pedido protocolado no dia 09/01/2001 é um PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, nos termos do anexo I da IN 21/97 e não se trata de pedido de COMPENSAÇÃO nos termos do anexo III da mesma IN 21/97. Segundo: A Carta da contribuinte protocolizada no dia 04/12/2006 não representa novo pedido, mas tão somente é uma nota de esclarecimento com relação ao "MOTIVO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO". Em nenhum momento, a contribuinte solicitou alterações na natureza do pedido, que é a RESTITUIÇÃO de tributos realizados a maior nos termos do art. 2° da IN 21/97, em seu inciso I, já reproduzido a fl. 999. Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.098 14 Assim sendo, não pode prevalecer o equivocado entendimento de que a Carta protocolizada no dia 04/12/2006 seria um novo PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de tributos. Ademais, no caso específico, a contribuinte comprovou nos autos, que não foi uma empresa lucrativa durante o período de apuração, ou seja, não foi lucrativa entre os anos de 1996 a 2000. A consequência legal, nos termos do art. 10 da IN SRF n° 600/2005 é que os valores a serem restituídos são exatamente os mesmos, tanto sob a rubrica que constou do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO protocolizado no dia 09/01/2001, quanto sob a rubrica de SALDO NEGATIVO. Vale dizer, o PEDIDO DE RESTITUIÇÃO do dia 09/01/2001 não foi alterado em sua substância pela Carta do dia 04/12/2006. Em consequência, a Carta do dia 04/12/2006 apenas corrige um equívoco de fundamentação do pedido, mas não inova a sua substância. Mantevese a natureza do PEDIDO que era de RESTITUIÇÃO do valor recolhido a maior e o seu valor, tendo em vista que o somatório das antecipações realizadas a título de IRPJ e CSLL naquele período de apuração (1996 a 2000) correspondente, exatamente ao SALDO NEGATIVO no período, conforme demonstrado nas Declarações de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (DIPJ). Tratase de mero erro de nomenclatura que não implica na invalidação do referido PEDIDO DE RESTITUIÇÃO protocolizado no dia 09/01/2001. A propósito, a Carta do dia 04/12/2006 visando a indicação da correta motivação do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO do dia 09/01/2001, foi protocolizada antes de qualquer decisão administrativa, por tanto deverá ser acolhida como mera retificação do pedido original e jamais como uma nova solicitação eivada pela decadência. Diante do exposto, CONSIDERANDO que a data do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO das antecipações de IRPJ e CSLL realizadas no período de 1996 a 2000 foi protocolizado perante à SRF/TaubatéSP, no dia 09/01/2001, portanto no prazo legal, não marcado pela decadência; CONSIDERANDO que a contribuinte/recorrente apurou prejuízo fiscal durante todo o período de 1996 a 2000 e que em consequência, o somatório das antecipações de IRPJ e CSLL foi exatamente o mesmo valor do SALDO NEGATIVO DE IRPJ E CSLL, conforme demonstrado na DIPJ; CONSIDERANDO que a Carta de 04/12/2006 é mera retificação de aspecto secundário do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO de Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.099 15 09/01/2001 e não tem o condão de modificação substancial daquele PEDIDO DE RESTITUIÇÃO nem, tão pouco, de constituir novo pedido CONSIDERANDO que a Carta do dia 04/12/2006 não altera a substância do PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ORIGINAL quanto à natureza (RESTITUIÇÃO) e nem quanto ao valor da restituição devida (a contribuinte comprovou prejuízo no período de apuração), mas tão somente tem o caráter explicativo e de adequação à terminologia mais adequada, aquela Carta jamais poderia ter sido considerada como um novo pedido de restituição; CONSIDERANDO que o pedido formal encaminhado pela contribuinte/recorrente do dia 09/01/2001 é um PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS e não um pedido de COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS, aquele pedido não poderia ser apreciado sob a ótica de compensação; CONSIDERANDO toda documentação comprobatória dos autos, ESPERA a recorrente a reforma do v. Acórdão recorrido para determinar o deferimento do pedido de restituição dos tributos recolhidos a maior, a título de saldo negativo de IRPJ e CSLL no período de 1996 a 2000 e determinar a homologação das declarações de compensação contidas nos PER/DCOMP n° 34460.68425.170507.1.3.021287, n° 34221.55230.300707.1.7.033069 e n° 20154.38538.300807.1.3.032225, como medida de justiça e adequação à legalidade do ato. É o relatório! Voto Conselheiro Rafael Correia Fuso O Recurso é tempestivo e atende aos requisitos legais, por isso o conheço. Antes de adentrar ao mérito, cumpre destacar nos autos os fatos e documentos apresentados, que definem a questão em análise: a) 09/11/2000 — Protocolização do processo, onde é solicitada a compensação de pretenso crédito de retenções de IRPJ e CSLL efetuadas no decorrer dos anos de 1996 a 2000, sem, no entanto, informar os débitos a serem compensados. Houve informação apenas do valor do crédito de IRPJ e da CSLL. Juntou em seu pedido planilha informando os créditos, cópias de notas fiscais apontando as retenções e os comprovantes de arrecadação CONDARF), declarações do Ministério da Defesa informando da retenção de tributos, as planilhas contendo todos os faturamentos e valores dos tributos retidos da contribuinte. Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.100 16 b) 09/01/2001 — Foi anexado ao processo o pedido de restituição de retenções de IRPJ e CSLL, sem indicação dos períodos de apuração a que se referiam o pedido, juntamente com uma solicitação para que se faça compensação com os débitos por ventura existentes (fls. 598/599). Nesse caso foi intimado o contribuinte para esclarecer com que débitos a empresa gostaria de compensar. c) 04/12/2006 Foi entregue à DRF/BSB petição a fl.745, que gerou o processo n° 10166.011269/200686, onde a contribuinte vem esclarecer e solicitar que reconheçamos que a petição das fls.01 a 04 tratase na verdade de pedido de restituição de saldo negativo de IRPJ e CSLL. Dessa feita, a questão a ser analisada aqui é se a petição de fl. 745, protocolada em 04/12/2006, é ou não um pedido de aditamento daquilo que fora apresentado em 09/01/2001, ou se trata de um novo pedido de restituição. A despeito de não ter sido indicado os períodos de apuração a que se refiram o pedido, juntamente com uma solicitação para que se faça a compensação, entendo que o pedido de restituição fora protocolado em 09/01/2001, sendo que a petição de fl. 745 nada mais fez que buscou esclarecer e corrigir as formalidades do pedido inicial. Outra questão que se apresenta contraditória no âmbito formal em relação ao entendimento da DRF é o fato de considerar que houve em 09/11/2000, a protocolização do processo, onde é requerida a compensação de crédito de retenções de IRPJ e CSLL efetuadas no decorrer de 1996 a 2000, e no mesmo decisum observou que de fato há um pedido de restituição e sua posterior retificação, porém consolidando as informações concluiu que, até a data de 03/12/2006, não havia propriamente qualquer solicitação de compensação, mas apenas um pedido de restituição. Nesse sentido, não acolho os argumentos da DRF e da DRJ, de que o pedido de restituição do crédito decorrente de saldo negativo de IRPJ e CSLL foram atingidos pela decadência, visto ter sido feito dentro do prazo de 5 anos contados da apuração do saldo negativo de 1996 a 2000, qual seja em 09/01/2001, devendo ser reformada as referidas decisões. A despeito da forma ter sido questionada, o fato é que o pedido de restituição fora devidamente protocolado em formulário próprio da Receita Federal em 09/01/2001. Caso o procedimento não fosse aquele, deveria a Fazenda ter recusado realizar o protocolo do pedido, o que não ocorreu. Ademais, quando se observa a decisão proferida nos autos do Processo Administrativo n° 10166.011269/200686, constatase a necessidade de se avaliar os reflexos resultantes dos pedidos de compensação frente ao pedido de restituição. Vejamos as descrições da decisão da DRJ, que atinge este julgamento. Os débitos n°s 1 e 2 estão compensados no PER/DCOMP n° 21485.45979.080208.1.3.029413, que não está sendo tratado neste processo, mas sendo analisado automaticamente pelo sistema Sief/PER/DCOMP (fl.233). No entanto, a cobrança deles é correta, pois, apesar da coincidência de valores, não se relaciona com a compensação do citado PER/DCOMP. Ela é resultante da diferença entre os pagamentos informados em DCTF e os valores validados pelo sistema Sief/Fiscalização Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.101 17 Eletrônica, já que alguns pagamentos foram feitos após o vencimento dos débitos e não levaram em consideração as correspondentes multas e juros de mora. Os débitos de n°s 3 ao 12 estão em cobrança no Sief como resultado da diferença entre o valor total do débito informado em DCTF e a sua quitação mediante pagamentos ou PER/DCOMP não declarados em DCTF, porém, transmitidos pela contribuinte e imputados ao débito pelo Sief/Fiscalização Eletrônica. Isto explica o fato de, na tabela, os valores da coluna "Cobrança (Sief)" serem sempre menores do que aqueles da coluna "Valores validados (Sief)>PER/DCOMP>Valor Comp.". Logo, como os PER/DCOMP compensam valores superiores aos que estão sendo cobrados pelo Sief e esta cobrança se deve aos valores declarados nestes mesmos PER/DCOMP, sua cobrança deve ser suspensa em virtude do "recurso" apresentado, que é na verdade, uma manifestação de inconformidade à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Brasília (DRJ/BSB). Cabe destacar que haverá necessidade de revisão dos despachos decisórios deste processo e do de n° 10860.002254/0004, além da juntada por anexação dos mesmos, pois deverá ser reconsiderada a data de apresentação do pedido de restituição do último. Este evento também afetará o despacho decisório do atual processo, dado que o direito creditório é o mesmo. Será mantida a suspensão da cobrança dos débitos proposta no 5° parágrafo, uma vez que eles retornarão à condição de suspensos "sob condição resolutória de ulterior homologação do procedimento" (de compensação), de acordo com o previsto no § 2° do art.26 da IN SRF n° 600/2005. E, por fim, lembramos que o § 6° do art. 74 da Lei 9.430/1996, alterado pelo art.17 da Lei 10.833/2003, determina que a declaração de compensação, seja protocolizada via formulário ou transmitida por PER/DCOMP, constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Considerando o disposto nos parágrafos precedentes, proponho que este processo retorne à Equipe de Execução para: a) Manter a cobrança dos débitos n" 1 e 2; b) Suspender a cobrança dos débitos de n° 3 ao 12 no Profisc; c) Proceder à juntada por anexação deste processo ao processo n° 10860.002254/0004, transferindo os débitos cadastrados no sistema Profisc para aquele processo; d) Encaminhar de volta à Sacpj o processo n° 10860.002254/00 04 para revisão de despacho decisório; e) Dar ciência deste despacho à contribuinte, observandose que ela deve desconsiderar os despachos decisórios anteriores deste processo e do de n° 10860.002254/0004. Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO Processo nº 10860.002254/0004 Acórdão n.º 120100.741 S1C2T1 Fl. 1.102 18 Nestes termos, a despeito de não estar sob análise desse julgador os pedidos de compensação realizados nos autos do processo administrativo n° 10166.011269/200686, formalizados através do PER/DCOMP n° 34460.68425.170507.1.3.021287, 42079.55076.170507.1.3.039338, 34221.55230.300707.1.7.033069 (que retifica o PER/DCOMP anterior) e 20154.38538.300807.1.3.032225, caberá a DRJ analisar eventuais reflexos quanto ao reconhecimento do direito de crédito a ser restituído nos presentes autos. Diante do exposto, CONHEÇO do Recurso e, no mérito, DOULHE parcial provimento, para afastar a questão quanto à decadência, devendo os autos serem remetidos à DRJ para julgamento e análise do mérito do crédito tributário retido na fonte e a composição do indébito, visto que as decisões proferidas nesses autos pautaramse apenas em negar o crédito sob o aspecto da formalidade ou da decadência, não adentrando à materialidade da composição do crédito tributário. É como voto! (documento assinado digitalmente) Rafael Correia Fuso Relator Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por FRANCISCO DE SALES RIBEIRO DE QU, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO
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Numero do processo: 10120.006674/2007-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SUPRIDA.
INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS ALCANCE DA SÚMULA CARF nº 57. A Súmula CARF nº 57 aplica-se a qualquer forma de execução dos serviços nela descritos, em qualquer espécie de máquina ou equipamento, desde que seja possível presumir, a partir de sua baixa complexidade (evidenciada, dentre outros aspectos, pela receita bruta da pessoa jurídica), que tais atividades poderiam ser exercidas por tecnólogos e técnicos de nível médio.
Numero da decisão: 1101-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, mas sem lhes dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vice-presidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO SUPRIDA. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS ALCANCE DA SÚMULA CARF nº 57. A Súmula CARF nº 57 aplica-se a qualquer forma de execução dos serviços nela descritos, em qualquer espécie de máquina ou equipamento, desde que seja possível presumir, a partir de sua baixa complexidade (evidenciada, dentre outros aspectos, pela receita bruta da pessoa jurídica), que tais atividades poderiam ser exercidas por tecnólogos e técnicos de nível médio.
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OMISSÃO SUPRIDA. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS ALCANCE DA SÚMULA CARF nº 57. A Súmula CARF nº 57 aplicase a qualquer forma de execução dos serviços nela descritos, em qualquer espécie de máquina ou equipamento, desde que seja possível presumir, a partir de sua baixa complexidade (evidenciada, dentre outros aspectos, pela receita bruta da pessoa jurídica), que tais atividades poderiam ser exercidas por tecnólogos e técnicos de nível médio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER os embargos de declaração, mas sem lhes dar efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 66 74 /2 00 7- 90 Fl. 365DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma), José Ricardo da Silva (vicepresidente), Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Nara Cristina Takeda Taga e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 366DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 4 3 Relatório Na sessão plenária de 26 de janeiro de 2011, esta Turma de Julgamento apreciou recurso voluntátio interposto por EROTILDES FERREIRA DA COSTA contra decisão proferida pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília/DF que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra o ato que excluiu a contribuinte do SIMPLES Federal. A exclusão, veiculada no Ato Declaratório nº 138, de 2 de outubro de 2007 (fl. 20), com efeitos a partir de 01/01/2003, decorreu da constatação de que a contribuinte presta serviço que depende de habilitação profissional legalmente exigida, representação comercial e manutenção eletromecânica, atividades abrangidas pelas vedações para opção pelo mencionado sistema, de acordo com o art. 9o, XIII, da Lei n° 9.317, de 1996 (fls. 01/12). A decisão de 1a instância afirmou que a prática de representação comercial e manutenção eletromecânica estaria evidenciada na atividade descrita na declaração de firma individual e em requerimento de empresário, bem como em cópias de notas fiscais de serviços emitidas entre janeiro e junho/2006, e nas notas fiscais juntadas à manifestação de inconformidade, pertinentes ao anocalendário de 2003, que denotam a prestação de serviços de rebobinamento, revisão, substituição de motores elétricos ou seus componentes; montagem e instalação e manutenção em geral; serviços de tubulação e cabeamento (fl. 185); instalações elétricas em unidade industrial (fl. 144); consultoria (fl. 163 e 234). Em recurso voluntário (fls. 322/343) a contribuinte reprisou os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, destacando que sua receita bruta anual nunca ultrapassou R$ 240.000,00, que nunca prestou serviço de representação comercial e que as mencionadas atividades atribuídas a engenheiros poderiam ser prestadas por técnicos, especialmente no que tange à manutenção elétrica, consoante jurisprudência administrativa. Reiterou a discordância à aplicação retroativa dos efeitos da exclusão. Esta Turma de Julgamento firmou o entendimento de que não existiam provas do exercício da atividade de representação comercial, e aplicou a Súmula CARF nº 57 à atividade de instalação e manutenção de equipamentos elétricos, editando o Acórdão nº 1101 00.405 assim ementado: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Anocalendário: 2003 SIMPLES FEDERAL. REPRESENTAÇÃO COMERCIAL. AUSÊNCIA DE PROVAS. É insuficiente para caracterizar situação excludente a indicação da atividade de representação comercial, em declaração de firma individual, quando acompanhada da atividade de comércio varejista dos mesmos produtos. INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE EQUIPAMENTOS ELÉTRICOS. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas Fl. 367DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 5 4 e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal (Súmula CARF nº 57). A Procuradoria da Fazenda Nacional opôs embargos alegando a existência de omissão/contradição a ser sanada. Em síntese, apontou que a atividade de manutenção elétrica não se subsume à Súmula CARF nº 57, citando outros acórdãos deste Conselho que entenderam em sentido diverso. Os embargos foram admitidos ante a constatação de que o voto condutor do acórdão embargado, de fato, manteve implícito o entendimento de que as atividades de manutenção elétrica praticadas pela contribuinte estão incluídas nas hipóteses da Súmula CARF nº 57, deixando de exteriorizar a motivação necessária para esta conclusão. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 6 5 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA O voto condutor do Acórdão nº 110100.405 foi assim redigido: O ato de exclusão apontou como causa a vedação prevista no art. 9o, inciso XIII da Lei no 9.317, de 1996 e decorreu de representação da Secretaria de Receita Previdenciária. A representação de fls. 1/13 aponta a exploração, pela empresa, de atividade de engenharia, prestando serviços de instalação, manutenção elétrica e mecânica de máquinas industriais, dado seu objeto social, até 18/01/2004, ser a prestação de serviços de manutenção elétrica; comércio varejista de materiais elétricos e representação comercial de materiais elétricos, passando depois disto a ser comércio varejista de materiais elétricos p/construção; recuperação de motores elétricos; instalação, reparação e manutenção de transformadores, conversores, sicron. e semelhantes; fabricação de subestações, quadros de comando, reg. de voltagem e outros aparelhos e equipamentos p/distribuição e controle de energia, inclusive peças. As cópias de notas fiscais que acompanham a referida representação mencionam serviços de ampliação elétrica, pintura de barramento e ferragens, montagem de painel para acionamento de automático de motos bomba, iluminação, tomadas, compressor e instalação destes equipamentos, manutenção elétrica e mecânica, montagem elétrica e de instrumentação, serviço de eletricidade de alta tensão e montagem de sistema de proteção contra descarga atmosférica de instalações especificadas. A autoridade administrativa da Receita Federal que analisou estes elementos entendeu que restou comprovado que a mesma não poderia permanecer no Simples, pois exerce, dentre outras, atividade atinente à profissão de engenheiro, ou a essa assemelhada, e de outras profissões que dependem de habilitação profissional legalmente exigida, conforme evidenciam os documentos fiscais (fls. 07 a 13), Declaração de Firma Individual e Requerimento de Empresário (fls. 03/04). Em consequência, editouse o Ato Declaratório Executivo nº 138/2007, sob o fundamento de que a empresa presta serviço de profissão que depende de habilitação profissional legalmente exigida, representação comercial e manutenção eletromecânica, atividades abrangidas pelas vedações para opção pelo mencionado sistema, de acordo com o art. 9°, inciso XIII, da Lei 9.317, de 1996. A recorrente alega que não exerce a atividade de representação comercial e, de fato, a única evidência neste sentido é a descrição de seu objeto contida na Declaração de Firma Individual datada de 16/02/98, reunindo as seguintes atividades econômicas: serviços de manutenção elétrica, comércio varejista de materiais elétricos e representação comercial de materiais elétricos. Não se ignora, aqui, os efeitos jurídicos da declaração de vontade, nas hipóteses em que a lei não lhe exige forma específica (art. 107 do Código Civil). Todavia, no caso em tela, é mais razoável admitir que a atividade de representação comercial foi alocada hipoteticamente como objeto da atividade econômica exercida, mormente tendo em conta a prática, também, de comércio varejista dos mesmos produtos e a ausência de qualquer prova do efetivo exercício daquela atividade, a Fl. 369DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 7 6 descaracterizar a prestação de serviços profissionais que não é admitida no âmbito do SIMPLES FEDERAL. Quanto à segunda causa apontada para a exclusão da recorrente, tratase de matéria já pacificada no âmbito desta instância de julgamento: Súmula CARF nº 57. A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. Por estes motivos, o presente voto é no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e cancelar o Ato Declaratório Executivo nº 138/2007, que excluiu a contribuinte do SIMPLES Federal. A Procuradoria da Fazenda Nacional afirma que inexiste subsunção da atividade de manutenção elétrica (indicada pela própria empresa na Declaração de Firma Individual de fl. 03) à referida súmula, e que os serviços ali mencionados tratam tãosomente de máquinas e equipamentos de uso comum. As evidências presentes nos autos são de que a contribuinte presta serviços de instalação, manutenção elétrica e mecânica de máquinas industriais, recuperação de motores elétricos; instalação, reparação e manutenção de transformadores, conversores, sicron. e semelhantes; fabricação de subestações, quadros de comando, reg. de voltagem e outros aparelhos e equipamentos p/ distribuição e controle de energia, inclusive peças, conforme seus atos constitutivos. Além disso, notas fiscais por ela emitidas mencionam serviços de ampliação elétrica, pintura de barramento e ferragens, montagem de painel para acionamento de automático de motos bomba, iluminação, tomadas, compressor e instalação destes equipamentos, manutenção elétrica e mecânica, montagem elétrica e de instrumentação, serviço de eletricidade de alta tensão e montagem de sistema de proteção contra descarga atmosférica de instalações especificadas. A Súmula nº 57, por sua vez, abrange a prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais. E, como se vê, a Súmula não distingue quais máquinas e equipamentos sujeitamse a manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos, nem qual especifica a forma de execução destas atividades. Entende a representação fazendária que ali somente estão incluídas máquinas e equipamentos de uso comum, e assim seria de se perquirir o que seria “uso comum”. Certamente não há razão para excluir máquinas e equipamentos utilizados por indústria e comércio e prestadores de serviços, de modo a restringir as atividades àqueles de uso doméstico. E, considerando que indústria, comércio e prestadores de serviços certamente fazem uso de máquinas movidas a motores elétricos, ou dependentes de equipamentos de distribuição ou transformação de energia, dentre outros, não há porque se cogitar que a manutenção, instalação ou serviços correlatos nestas máquinas e equipamentos exigiria habilitação profissional distinta daquela realizada em razão das mesmas atividades para manutenção mecânica ou hidráulica de outras máquinas e equipamentos. Em suma, não há qualquer justificativa para se pretender uma interpretação restritiva dos serviços indicados na Súmula nº 57. As referências jurisprudenciais apontadas Fl. 370DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 8 7 pela Procuradoria da Fazenda Nacional são anteriores à edição da Súmula e esta, por sua vez, foi fundamentada nos seguintes paradigmas: Acórdão nº 39300091, DE 20/11/2008: SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. SERVIÇOS DE USINAGEM E FABRICAÇÃO DE PEÇAS INDUSTRIAIS SIMPLES. As atividades de usinagem e fabricação de peças industriais de pouca complexidade não se assemelham à atividade de engenheiro, portanto, não se enquadram na condição impeditiva prevista no art. 9°, inciso XIII da Lei n o. 9.317/96. Acórdão nº 39300054, de 22/10/2008: SIMPLES. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa não é competente para apreciar argüição de inconstitucionalidade de lei formal vigente. As leis nascem com a presunção de constitucionalidade que somente pode ser enfrentada em foro próprio na esfera judicial. SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MANUTENÇÃO DE BOMBAS HIDRÁULICAS. A prestação de serviços de manutenção de bombas hidráulicas não é própria da atividade de engenheiro, portanto, não se enquadra na condição impeditiva prevista no art. 9º, inciso XIII da Lei nº. 9.317/96. Acórdão nº 39300021, de 30/09/2008: SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE USINAGEM. A atividade de usinagem não se assemelha à atividade de engenheiro, portanto, não se enquadra na condição impeditiva prevista no art. 9º, inciso XIII da Lei nº. 9.317/96. Acórdão nº 39100059, de 22/10/2008: SIMPLES. NÃO EXCLUSÃO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE MONTAGEM E MANUTENÇÃO INDUSTRIAL. A vedação imposta pelo inciso XIII do artigo 9º da Lei 9.317, de 1996, não alcança as microempresas nem as empresas de pequeno porte constituídas por empreendedores que agregam meios de produção para explorar atividades econômicas de forma organizada com o desiderato de gerar ou circular bens ou de prestar quaisquer serviços. Ela é restrita aos casos de inexistência da figura do empreendedor cumulada com a prestação de serviços como atividade exclusiva e levada a efeito diretamente pelos sócios da pessoa jurídica qualificados profissionalmente dentre as atividades indicadas no dispositivo legal citado. A atividade de prestação de serviços de montagem e manutenção industrial não se equipara a atividade de engenheiro mecânico ou engenheiro civil. Acórdão nº 30239.829, de 12/09/2008: EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. ENGENHEIRO. MANUTENÇÃO DE TELEFONES CELULARES. A atividade exercida pela recorrente não se configura como específica de engenharia, motivo pelo qual deve ser mantida no SIMPLES. Acórdão nº 30239602, de 20/06/2008: SIMPLES EXCLUSÃO SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO DE EQUIPAMENTOS DE TELEFONIA Na hipótese dos autos, a atividade alegada no ato de exclusão não pode ser equiparada à atividade de engenheiro, já que não exige habilitação técnica para a sua prestação e tampouco inscrição no CREA. Tratase de atividade de nível técnico, sobre a qual não se aplica a exceção do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96. Acórdão nº 30134801, de 16/10/2008: Fl. 371DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 9 8 SIMPLES EXCLUSÃO Manutenção de equipamentos e máquinas. Manutenção de máquinas e equipamentos normalmente não são tarefas cujo nível de complexidade exija a intervenção de engenheiros ou profissionais assemelhados. SIMPLES ATIVIDADES VEDADAS. Verificado que pela Lei Complementar n.º 123/2006, que instituiu o Simples Nacional, as atividades exercidas pela pessoa jurídica não são vedadas, é de se rever a exclusão do SIMPLES Acórdão nº 30134653, de 10/07/2008: SIMPLES EXCLUSÃO ATIVIDADE NÃO VEDADA. COMERCIALIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS EM CONJUNTO COM PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE APARELHOS E CABOS TELEFÔNICOS. Não se compreende nas atividades privativas de engenheiros ou de outras profissões cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida a comercialização de equipamentos em conjunto com a prestação de serviços de instalação e manutenção de aparelhos e cabos telefônicos. Precedente da CSRF. SIMPLES ATIVIDADES DE ENGENHARIA CIVIL ATIVIDADES NÃO VEDADAS PELA LEI COMPLEMENTAR 123/2006 APLICAÇÃO RETROATIVA. As atividades de construção de imóveis e de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, não são mais vedadas ao SIMPLES nos termos do artigo 17, § 1º, inciso XIII, da LC 123/2006. Aplicação retroativa em virtude do artigo 106, inciso II, alínea “b”, do Código Tributário Nacional. Acórdão nº CSRF/0306.233, 08/12/2008: SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA. NÃO ENQUADRAMENTO. A atividade de prestação de serviço de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos industriais não pode ser livremente equiparada àquela de engenheiro, para fim de exclusão do SIMPLES. A diretriz destes entendimentos não está centrada no tipo de máquina ou equipamento, ou na espécie de manutenção, instalação ou reparo executado, mas sim na sua baixa complexidade, de modo que o próprio Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (CREA) os atribui, em suas Resoluções, também a tecnólogos e técnicos de nível médio. E, no presente caso, a baixa complexidade é evidenciada pela receita bruta anual da contribuinte, que não teria ultrapassado R$ 240.000,00. Por fim, a Procuradoria da Fazenda Nacional também se reporta ao Ato Declaratório Normativo COSIT nº 30/99, que exemplifica os serviços auxiliares e complementares da construção civil, e dentre eles inclui as atividades de instalações elétricas. Todavia, como exposto no preâmbulo do referido ato, tratase ali da hipótese de exclusão tratada no inciso V do art. 9o da Lei nº 9.317/96, distinta daquelas que motivaram o presente litígio. Assim, é de se ACOLHER os embargos da Fazenda Nacional, mas sem lhes dar efeitos infringentes, e apenas suprir a omissão apontada, para afirmar a aplicação da Súmula CARF nº 57 a qualquer forma de execução dos serviços nela descritos, em qualquer espécie de máquina ou equipamento, desde que seja possível presumir, a partir de sua baixa complexidade (evidenciada, dentre outros aspectos, pela receita bruta da pessoa jurídica), que tais atividades poderiam ser exercidas por tecnólogos e técnicos de nível médio. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 372DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10120.006674/200790 Acórdão n.º 1101000.844 S1C1T1 Fl. 10 9 Fl. 373DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 18/12/2012 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10855.904484/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 15 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004
DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO.
Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção torna-se definitiva.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF.
Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF.
Numero da decisão: 3401-002.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Júlio Cesar Ramos, que negava provimento.
JULIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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SILVICULTURA LTDA Recorrida DRJ RIBEIRÃO PRETOSP ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DCOMP. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO E LIQUIDAÇÃO DO DÉBITO. EFEITOS EQUIVALENTES AO DO PAGAMENTO. Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, quando reconhecido crédito do contribuinte e homologada a compensação a extinção tornase definitiva. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO DECLARADO. DCOMP. COMPENSAÇÃO HOMOLOGADA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA CARACTERIZADA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. STJ. RECURSO REPETITIVO. REPRODUÇÃO NO CARF. Extinto, por meio de Declaração de Compensação homologada, crédito tributário antes não declarado à administração tributária, resta caracterizada a denúncia espontânea prevista no art. 138 do Código Tributário Nacional, com exclusão da multa de mora segundo interpretação do Superior Tribunal de Justiça em julgamento de recursos repetitivos, de aplicação obrigatória no âmbito do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Júlio Cesar Ramos, que negava provimento. JULIO CESAR ALVES RAMOS Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 44 84 /2 00 8- 26 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira de Ribeiro (Suplente), Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico homologando em parte Declaração de Compensação (DCOMP) transmitida em 09/11/2004, com créditos da Cofins e débito da mesma Contribuição. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte requer o cancelamento da cobrança do saldo devedor, alegando que o indébito foi “atualizado” (referese à aplicação da Selic) e não resta nada a recolher. O Colegiado da DRJ manteve a homologação parcial, observando que não há controvérsia sobre o valor original do crédito da contribuinte porque esse foi julgado integralmente procedente. A divergência reside tãosomente no valor do débito compensado da Cofins ao tempo da transmissão da DCOMP, em face do acréscimo da multa de mora. Como o contribuinte deixou de incluir a multa de mora e segundo o acórdão recorrido estes são devidos, haja vista o art. 28 da IN SRF nº 460/2004 e o art. 61 da Lei nº 9.430/96, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente. No Recurso Voluntário, tempestivo, a interessada insiste na compensação integral, sem o cômputo da multa de mora aplicada até a data de transmissão da DCOMP, invocando a denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. Destaca ter transmitido a DCOMP antes da DCTF retificadora, argüindo que de acordo com a jurisprudência do STJ resta caracterizada a denúncia espontânea, vez que (i) a quitação/compensação foi realizada após o vencimento do débito, (ii) foram acrescidos juros de mora ao débito compensado, (iii) a entrega da DCOMP se deu antes da entrega da DCTF e (iv) de qualquer procedimento de fiscalização. Argúi ainda não haver mora, já que possuía um crédito a ser compensado, apenas aguardando homologação, pelo que, se inaplicável o art. 138 do CTN, de todo modo deve ser afastada a multa de mora. Este Colegiado determinou diligência, visando verificar se o valor do débito compensado, e que se encontrava em atraso na data de transmissão do PER/DCOMP (por isto a contribuinte incluiu na compensação os juros de mora), já constava da DCTF original ou se foi informado apenas na DCTF retificadora. O resultado da diligência confirma que a DCTF retificadora foi transmitida depois da DCOMP e que o débito compensado não constava da DCTF original. Cientificado do resultado da diligência, a Recorrente não se pronunciou. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 97 3 Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O resultado da diligência confirma que a DCTF retificadora foi transmitida em 19/11/2004 (após a DCOMP, então) e que o débito da Cofins compensado, com código da Receita 21721 (cumulativa), não constava da DCTF original. A primeira DCTF contemplava somente Cofins sob o código 58561, próprio do regime nãocumulativo, cujo valor na DCTF retificadora foi reduzido. Como o pagamento foi efetuado no montante original, originouse o indébito compensado por meio da DCOMP ora em debate. O litígio, como já definido com precisão no voto que resultou da diligência, versa unicamente sobre a exigência (ou não) da multa ofício, na situação em que a contribuinte transmite PER/DCOMP compensando débito em atraso, quando considerada a data da transmissão. Para a Recorrente a denúncia restou caracterizada e, por isso, descabe a multa de mora, de modo que deviam ser exigidos apenas o principal e os juros de mora incidentes entre a data de vencimento do débito compensado e a de transmissão do PER/DCOMP. Reconhecendo que o tema é controverso e já adotei interpretação diversa em julgamentos anteriores, curvome à interpretação do STJ quanto à exclusão da multa de mora na hipótese da denúncia espontânea de que trata o art. 138 do CTN, que na situação dos autos vejo caracterizada por não haver dúvida quanto ao crédito da Recorrente. A Turma da DRJ, ao manter a homologação parcial, observou que não há controvérsia sobre o valor original do crédito da contribuinte porque esse foi julgado integralmente procedente. A divergência reside tãosomente no valor do débito compensado da Cofins ao tempo da transmissão da DCOMP, em face do acréscimo da multa de mora. Sendo certo o reconhecimento do crédito informado na DCOMP, a compensação declarada nos termos da Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, ambas de 2002, equiparase ao pagamento por não restar mais dúvida quanto à extinção do crédito tributário. Assim, as condições exigidas pelo art. 138 do CTN, para fins de caracterização da denúncia espontânea defendida pela Recorrente, e consoante interpretação do STJ em Recurso Repetitivo, estão satisfeitas: o débito constante da DCOMP não foi informado antes à Receita Federal e houve a sua liquidação por meio da compensação (no lugar do pagamento a que se refere o texto do citado art. 138) Caracterizada a denúncia espontânea, a multa moratória deve ser excluída por ser obrigada a aplicação da jurisprudência do STJ, como determinada pelo art. 62A do RICARF (Anexo II da Portaria MF nº 586, de 21/12/2010, modificado pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010)1. 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 Segundo julgamentos do STJ na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, a exemplo do Recurso Especial nº 1149022SP, temse o seguinte, verbis: 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.(AC) Fl. 117DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 98 5 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ, Primeira Seção, REsp 1149022, unânime, Relator Min. Luiz Fux, trânsito em julgado em 30/08/2010) Apesar de a compensação ser meio de extinção do crédito tributário distinto do pagamento, homologada a compensação de débito antes não declarado à administração tributária, a extinção tornase definitiva (antes era precária por se submeter a ulterior homologação, nos termos do regime introduzido pela Medida Provisória nº 66, convertida na Lei nº 10.637, ambas de 2000). Na sistemática da compensação introduzida pela MP nº 66, 2002, em que a compensação extingue o crédito tributário, há de se admitir que o contribuinte pode, no lugar do pagamento, preferir compensar o que deve com o crédito que possui. Afinal, não se pode exigir do contribuinte detentor de crédito junto à Fazenda Pública que efetue, a fim de caracterizar a denúncia espontânea, pagamento que pode ser suprido pela compensação. À opção dele, pode ser feito o pagamento do débito confessado espontaneamente ou declarada a compensação a extinguir o débito, extinção esta que poderá ficar sem efeito caso não homologada a compensação. A corroborar a interpretação ora adotada, o Acórdão sob o nº 340101.045, desta Turma sob a relatoria do ilustre Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, processo nº 11516.002888/200714, sessão de 30/09/2010. Destacando que naquela ocasião adotei posição diversa, transcrevo os fundamentos daquele julgado, que é orientado, inclusive, por julgado do STJ, tudo conforme adiante: Inicialmente, de se ressaltar duas características da Dcomp, quais sejam, a de que, nos termos do parágrafo 2º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002, “A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.” (grifei), e a de que, nos termos do parágrafo 6º do mesmo art. 74, acrescentado pela Lei nº 10.833, de 29/12/2003, “A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados.” (grifei) Para mim, embora o artigo 138 do CTN refirase a pagamento e a compensação seja apenas uma forma de extinção do crédito tributário, que não o pagamento, há que se considerar os efeitos idênticos em ambos os casos, ou seja, ambos, o pagamento e a compensação, quando homologados, extinguem o crédito na data em que realizados, isto é, respectivamente, na data do pagamento e na data da entrega da Dcomp. Para referendar a minha linha de raciocínio, lembro o teor do parágrafo 1º do art. 150 do Fl. 118DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 Código Tributário Nacional, segundo o qual “O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento”. (grifei) A relevância das observações constantes dos parágrafos acima está no fato de que, neste caso, haverá a prevalência dos efeitos da entrega das Dcomp (pagamento) sobre os decorrentes da entrega das DCTF (confissão), visto que a entrega daquelas ocorreu antes da entrega dessas. Explicando melhor e situando os fatos no contexto da discussão, o “pagamento” do PIS/Pasep do período de apuração de dezembro de 2004, vencido em 14/01/2005, ocorreu por meio das Dcomp entregues no dia 31/01/2005, enquanto que a entrega da DCTF do 4º trimestre de 2004, que também é forma de constituição dos créditos tributários, só veio ao conhecimento do Fisco em 11/02/20052, após, portanto, a ocorrência do “pagamento” que ocorreu, frisese, acrescido dos juros de mora. Esclarecimento adicional não menos importante se faz necessário em faz das retificações havidas nas Dcomp originais, isto é, embora as retificadoras tenham sido entregues em 05/05/2005, o encontro de contas, ou as compensações, levou em conta a data de entrega das Dcomp originais, ou seja, em 31/01/2005. Assim, no presente caso, em que a interessada, antes de apresentar a DCTF indicando os débitos em atraso e antes de qualquer iniciativa do Fisco relacionada à cobrança desses débitos, procedeu, janeiro de 2005, via entrega da Dcomp, à confissão e à “extinção” daqueles débitos vencidos em 12/11/2004, com juros de mora, resta caracterizada a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, na linha do entendimento manifestado pelo STJ, que, à propósito e em situação semelhante a esta, assim se manifestou no AgRg no REsp 1136372/RS, T1, Ministro Hamilton Carvalhido, votação unânime, julgamento em 04/05/2010, Dje 04/05/2010: ‘AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. COMPENSAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 557 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. INOCORRÊNCIA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA OU PUNITIVA. POSSIBILIDADE. IMPROVIMENTO. 1. (...). 2. Caracterizada a denúncia espontânea, quando efetuado o pagamento do tributo em guias DARF e com a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal, as multas moratórias ou punitivas devem ser excluídas. 3. Agravo regimental improvido.’ 2 Vide "Consulta Declarações DCTF", por mim anexado ao eprocesso. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 99 7 Colhese da referida decisão a informação de que o Recurso Especial então interposto pela Fazenda Nacional atacara o Acórdão da Primeira Turma do TRF da 4ª Região, assim ementado: ‘TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO INTEGRAL DO TRIBUTO MEDIANTE GUIAS DARF E COMPENSAÇÃO DECLARADA À RECEITA FEDERAL. EXCLUSÃO DA MULTA.COMPENSAÇÃO. 1. O pagamento espontâneo do tributo, antes de qualquer ação fiscalizatória da Fazenda Pública, acrescido dos juros de mora previstos na legislação de regência, enseja a aplicação do art. 138 do CTN, eximindo o contribuinte das penalidades decorrentes de sua falta. 2. O art. 138 do CTN não faz distinção entre multa moratória e multa punitiva, aplicandose o favor legal da denúncia espontânea a qualquer espécie de multa. 3. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, declarados em DCTF e pagos com atraso, o contribuinte não pode invocar o art. 138 do CTN para se exonerar da multa de mora, consoante a Súmula nº 360 do STJ. Tal entendimento deriva da natureza jurídica da DCTF, GFIP ou outra declaração com idêntica função, uma vez que, formalizando a existência do crédito tributário, possuem o efeito de suprir a necessidade de constituição do crédito por meio de lançamento e de qualquer ação fiscal para a cobrança do crédito. 4. Todavia, enquanto o contribuinte não prestar a declaração, mesmo que recolha o tributo extemporaneamente, desde que pelo valor integral, permanece a possibilidade de fazer o pagamento do tributo sem a multa moratória, pois nesse caso inexiste qualquer instrumento supletivo da ação fiscal. 5. A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. A declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. 6. A multa, por força do art. 113, § 1º, do CTN, é alçada à categoria de obrigação tributária principal, submetendose ao mesmo regime de constituição, inscrição em dívida ativa e execução dos tributos. Tornandose irrelevante a distinção doutrinária quanto à natureza jurídica da multa, é possível a compensação, desde que o encontro de contas seja feito perante o Fl. 120DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 8 ente responsável pela arrecadação, fiscalização e lançamento do tributo’ E que os argumentos lançados pela Fazenda Nacional para fustigar o mérito do referido Acórdão foram os de que teriam sido violados os artigos 138 e 113, parágrafos 2º e 3º do Código Tributário Nacional, bem como o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, porque: ‘(...) Ora, não efetuado o pagamento do tributo devido, mas apenas o pagamento de valor que a parte entendeu como correto, ou seja, sem a multa moratória, descabida a aplicação da denúncia espontânea, em frontal afronta ao disposto nos artigos retro transcritos. A recorrida entende indevida a multa moratória, alegando que, no caso de mera inadimplência, ao efetuar o pagamento em momento anterior a qualquer atividade do Fisco, estaria caracterizada a denúncia espontânea prevista no artigo 138 do CTN. Sem razão, contudo, considerando que a multa moratória não deve ser excluída em face da denúncia espontânea, que, consoante estabelece o artigo 138, está relacionada à responsabilidade por infrações. Isto porque a multa moratória não se constitui em penalidade por infração à legislação tributária, como refere o eminente tributarias Ruy Barbosa Nogueira: (...) Não merece prosperar, portanto a pretensão da recorrida de eximirse do pagamento da multa moratória, sob a alegação de que efetuou o pagamento espontaneamente. Ora, o recolhimento do tributo se deu fora do prazo, estando sujeito ao acréscimo da multa moratória, não se tratando, no caso, de aplicação de multa de ofício, hipótese em que deveria ser observado o disposto no artigo 138 do CTN. Tratase no presente caso, de tributo sujeito ao lançamento por homologação, cujo montante foi recolhido fora do prazo legalmente previsto, mas espontaneamente pago pelo contribuinte. Em tal hipótese, não há se falar em multa punitiva, mas, sim, de aplicação da multa moratória, porque prevista em lei, como medida de garantia indenizatória. (...) Outrossim, vale seja recordado que a legislação prevê que em casos como o dos autos, em que exista débito tributário impago e informado pelo contribuinte, através de declaração de compensação, não é necessário o lançamento do débito, uma vez que devidamente confessado. Desse modo, havendo previsão normativa afirmando a suficiência da declaração do contribuinte a respeito de sua Fl. 121DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 100 9 situação fiscal, é legítima a recusa da Fazenda em reconhecer a espontaneidade do recolhimento. Porque a espontaneidade implica, isto sim, em pagamento do débito ao mesmo tempo que o confessa. Assim, se há legislação tornando dispensável o lançamento e considerando formalizado o crédito tributário, em documento que se tem o valor de confissão de dívida, não há como se exigir o lançamento fiscal para caracterizar a exigibilidade da multa. De outro viés, fica afastada, por certo, eventual multa de ofício, eis que o contribuinte declarou dever o tributo. Mas, como já dito acima, multa de ofício não se confunde com multa moratória, esta última devida simplesmente pelo pagamento a destempo, da mesma forma como é devida a multa nas hipóteses em que se atrasa o pagamento de prestações outras, tais como cartões de crédito, condomínio, prestações habitacionais, etc. (...)’ Negando seguimento ao referido Recurso Especial, assim se manifestou a autoridade Judicial: ‘(...) Tudo visto e examinado, decido. Esta é a letra do acórdão recorrido, particularmente a parte em que o Tribunal a quo afirma que o contribuinte efetuou o pagamento do tributo antes do início de qualquer procedimento fiscalizatório do Fisco ou antes, sequer, da entrega da respectiva declaração tributária: (...) A exegese firmada pelo STJ é plenamente aplicável às hipóteses em que o tributo é pago com atraso, mediante PER/DCOMP, antes de qualquer procedimento do Fisco e, por extensão, da entrega da DCTF. O que ocorre, na verdade, é que a declaração de compensação realizada perante a Receita Federal, de acordo com a redação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, dada pela Lei nº 10.637/2002, extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Na sistemática dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a compensação equivale ao pagamento antecipado, visto que o sujeito passivo, ao invés de recolher o valor do tributo em pecúnia, registra na escrita fiscal o crédito oponível ao Fisco e o informa na PER/DCOMP. Em outras palavras, até que o Fisco se pronuncie sobre a homologação, seja expressa ou tacitamente, no prazo de cinco anos, a compensação tem o mesmo efeito do pagamento antecipado. Este entendimento coadunase com a jurisprudência deste Tribunal e do STJ, consoante os acórdãos a seguir transcritos: (...) Fl. 122DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 10 In casu, a autora promoveu o pagamento em guias DARF e a compensação de vários créditos, mediante declaração à Receita Federal, antes da entrega das DCTFs e de qualquer procedimento fiscal. Resta configurada, por conseguinte, a denúncia espontânea, fazendo jus à restituição dos valores pagos a título de multa moratória. (...)" Nesse passo, verificase estar caracterizada a denúncia espontânea, eis que não houve a constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos. Ademais, a compensação efetuada possui efeito de pagamento sob condição resolutória, ou seja, a denúncia espontânea será válida e eficaz, salvo se o Fisco, em procedimento homologatório, verificar a ocorrência de algum erro na operação de compensação.’ (...) No tocante à validade e eficácia imediata do pedido de compensação, colaciono os seguintes precedentes: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO NÃO DECIDIDO PELO FISCO SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO POSSIBILIDADE. 1. O pedido de compensação na esfera administrativa, mesmo anteriormente à nova redação do art. 74 da Lei 9.430/96, suspende a exigibilidade do crédito tributário porque enquanto pendente discussão administrativa, a dívida carece de certeza (existência) e exigibilidade. Precedente da Primeira Seção. 2. A processualidade administrativa é instrumento de acertamento do crédito tributário, além de conferir legitimidade ao título extrajudicial fazendário (CDA) pela participação em contraditório do contribuinte, razão pela qual se lhe deve render toda a eficácia possível. 3. Recurso especial provido." (REsp 972.531/AL, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/10/2009, DJe 27/11/2009). TRIBUTÁRIO – EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA – COMPENSAÇÃO –HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA PELA ADMINISTRAÇÃO – RECURSO ADMINISTRATIVO PENDENTE –SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO TRIBUTO – FORNECIMENTO DE CERTIDÃO POSITIVA COM EFEITO DE NEGATIVA. 1. As impugnações, na esfera administrativa, a teor do CTN, podem ocorrer na forma de reclamações (defesa em primeiro grau) e de recursos (reapreciação em segundo grau) e, uma vez apresentadas pelo contribuinte, têm o condão de impedir o pagamento do valor até que se resolva a questão em torno da extinção do crédito tributário em razão da compensação. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 101 11 2. Interpretação do art. 151, III, do CTN, que sugere a suspensão da exigibilidade da exação quando existente uma impugnação do contribuinte à cobrança do tributo, qualquer que seja esta. 3. Nesses casos, em que suspensa a exigibilidade do tributo, o fisco não pode negar a certidão positiva de débitos, com efeito de negativa, de que trata o art. 206 do CTN. 4. Embargos de divergência providos." (EREsp 850332/SP, Rel. Ministra ELIANA CALMON, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/05/2008, DJe 12/08/2008). Uma vez configurada a denúncia espontânea no presente caso, passo à análise da outra questão suscitada pela recorrente, qual seja, a de que a denúncia espontânea não exclui o contribuinte do pagamento da multa moratória. Sobre o tema, o Superior Tribunal de Justiça possui firme entendimento de que o artigo 138 do CTN, ao ressalvar o contribuinte do pagamento de multa, não fez diferenciação entre multa punitiva e a multa moratória, motivo pelo qual não cabe ao intérprete fazêlo, pena de restrição indevida do âmbito de incidência normativo’. Nas suas razões de Agravo, a Procuradoria da Fazenda Nacional alegou: ‘(...) De início, ponderase acerca da legalidade do julgamento monocrático da presente causa, uma vez que a matéria objeto desta demanda não se enquadra nas hipóteses no art. 557, do CPC (...) Perceba Excelência que a decisão não poderia ter sido proferida monocraticamente, eis que não se afigura presente qualquer das hipóteses autorizadoras previstas no art. 557, do CPC. A pretensão recursal deduzida pela União não contraria súmula ou entendimento jurisprudencial predominante deste STJ, nem do STF, muito menos de qualquer outro Tribunal Superior. (...) Ademais, mesmo no mérito, a r. Decisão agravada merece reparos (...) Com efeito, vêse que a caracterização do instituto da denúncia espontânea demanda o pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Em tese, é possível que se considere o pedido de compensação como efetivo pagamento, caso se paute por uma concepção genérica do termo pagamento. Todavia, da detida análise do CTN, aferese que o referido Código pautase por uma concepção estrita dos referidos termos, uma vez que diferencia pagamento e compensação (...) Fl. 124DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 12 Outrossim, o Capítulo IV do Código Tributário Nacional é subdividido em seções, sendo que o pagamento e a compensação são tratados em seções distintas, nas quais são esmiuçadas as particularidades das referidas formas de extinção do crédito tributário . Ora, diante da concepção restrita do termo pagamento propugnada pelo Código Tributário Nacional, não cabe o alargamento de seu conceito, de modo a permitir que o contribuinte que formalize pedido de compensação possa beneficiarse do instituto da denúncia espontânea. Destarte, se o art. 138 do CTN exige pagamento do tributo e dos juros de mora, e o mesmo Código diferencia pagamento de compensação, é de se concluir que não se configura hipótese de denúncia espontânea no caso em que o contribuinte formaliza pedido de compensação de tributos’. E, finalmente, enfrentandoas, o Ministro Hamilton Carvalhido, acompanhado pelos Ministros Luiz Fux, Teori Albino Zavascki e Benedito Gonçalves (Presidente), assim se posicionou: ‘(...) In casu, negouse seguimento ao recurso especial interposto, com fulcro na jurisprudência dominante, por "(...) estar caracterizada a denúncia espontânea, eis que não houve a constituição do crédito tributário, seja mediante declaração do contribuinte, seja mediante procedimento fiscalizatório do Fisco, anteriormente ao seu respectivo pagamento, o que, in casu, se deu com a compensação de tributos." Tal entendimento se compatibiliza com as hipóteses traçadas no artigo 557, caput, do Código de Processo Civil, que autoriza o Relator a negar seguimento a recurso, quando contrário à jurisprudência dominante do respectivo tribunal, restando consolidado, ainda com mais força, o entendimento dominante do Superior Tribunal de Justiça. De resto, merece prevalecer a decisão ora agravada, posto que, uma vez configurada a denúncia espontânea no presente caso, passo à análise da outra questão suscitada pela recorrente, qual seja, a de que a denúncia espontânea não exclui o contribuinte do pagamento da multa moratória. (...) Pelo exposto, nego provimento ao agravo regimental. É O VOTO.’ Assim, repito, no presente caso, em que a interessada, por meio da entrega da Dcomp extinguiu o débito em atraso antes de ter levado ao conhecimento do Fisco tal fato, resta caracterizada a denúncia espontânea de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, na linha do entendimento manifestado pelo STJ e das demais considerações por mim expostas acima. Pelo exposto, dou provimento ao Recurso. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10855.904484/200826 Acórdão n.º 3401002.102 S3C4T1 Fl. 102 13 Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 126DF CARF MF Impresso em 15/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 07/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 08/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 35954.001255/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições referentes à comercialização de produtos rurais Período de Apuração: Julho/1997 a Outubro/2002
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL.
INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF.
Reconhecida por decisão do plenário do STF, transitada em julgado, a inconstitucionalidade da contribuição devida pelo produtor rural e segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, bem como a obrigação do adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento, pode o
CARF aplicá-la, afastando as obrigações com fulcro na referida contribuição.
Numero da decisão: 2301-002.515
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, para, no mérito, excluir os valores referentes à omissão dos valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em manter o lançamento. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Reconhecida por decisão do plenário do STF, transitada em julgado, a inconstitucionalidade da contribuição devida pelo produtor rural e segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, bem como a obrigação do adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento, pode o CARF aplicála, afastando as obrigações com fulcro na referida contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, para, no mérito, excluir os valores referentes à omissão dos valores da receita bruta proveniente da Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 2 2 comercialização da produção rural adquirida de terceiros, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em manter o lançamento. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD da qual foi intimada UNIAO NORTE DO PARANA S/C LTDA em 01/09/2004, referente à apuração e constituição do crédito relativo a contribuições devidas pela empresa na condição de sub rogada pela aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, sendolhe cobrado o montante de R$ 3.082,35 (três mil e oitenta e dois reais e trinta e cinco centavos), conforme Relatório Fiscal (fls. 41 e seguintes). Inconformada, a ora Recorrente apresentou impugnação (fls. 53 e seguintes), alegando não dever qualquer tributo à Seguridade Social ou a terceiros, pugnando pela total improcedência da Notificação de Lançamento de Débito – NFLD, tendo o Órgão Julgador de primeira instância decidido pela improcedência do pleito formulado, conforme ementa a seguir transcrita: NOTIFICAÇÃO. ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212191. PRAZO DECENAL. CONSTITUCIONALIDADE. SUBROGAÇÃO. PRODUÇÃO RURAL. SELIC. MULTA. LEGALIDADE. Somente será isenta das contribuições sociais previstas nos artigos 22 e 23 da Lei n.° 8.212/91, a entidade que preencher cumulativamente todos os requisitos estabelecidos nos incisos do artigo 55 da mesma lei. Ainda, a isenção deverá ser requerida junto ao Instituto Nacional do Seguro Social, conforme expressamente previsto no § 1° do referido dispositivo legal. O art. 45 da Lei 8.212/91 prevê o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito previdenciário. A empresa adquirente fica sub rogada nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a", do inciso V, do art. 12, da Lei n° 8.212/91, e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. É lícita a utilização da Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 3 3 arrecadadas pelo INSS. Inexiste caráter de CONFISCO, se a multa decorre de previsão legal e é fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação. LANÇAMENTO PROCEDENTE Não satisfeita com a decisão proferida, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 2246 e seguintes), alegando em suma: a) A imunidade constitucionalmente garantida da Recorrente em relação às competências sobre as quais incidiu a Notificação Fiscal Lançamento de Débito – NFLD; b) A inclusão de valores indevidos na base cálculo; c) A decadência do direito de lançar; d) A inconstitucionalidade e ilegalidade de exigência de contribuições relativas ao INCRA, SEBRAE, SESC e de Salário Educação; e) A incorreta aplicação de sanção e juros de mora, as quais, conforme seu entendimento, apresentaram, no caso concreto, caráter confiscatório; f) A inexistência de dolo ou qualquer outra intenção fraudulenta contra os interesses do fisco; g) A ilegitimidade das pessoas relacionadas como coobrigadas. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. A Secretaria da Receita Previdenciária apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade do presente recurso, passo ao seu exame. Da Decadência Parcial No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seriam de 10 anos. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 4 4 Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 5 5 Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 6 6 ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 7 7 lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No caso particular deste contribuinte, verificase que houve o efetivo pagamento de algumas contribuições previdenciárias, conforme se infere do Relatório de Documentos Apresentados – RDA juntado às folhas 15 a 41 do processo 35954.001251/2005 30, do qual o referido contribuinte também constitui pólo subjetivo, não havendo que se falar, também, em fraude, dolo ou simulação. Por outro lado, não existe em quaisquer dos documentos juntados pela fiscalização notícia de ausência de pagamento de todas as contribuições previdenciárias, sendo que a comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, não podendo, por esta razão, ser este último aplicado. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 01/09/2004, tenho como certa a decadência das competências situadas entre julho/1997 e agosto/1999, isto é, anteriores a setembro/1999. Da inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física (art. 25 da Lei 8.212/91) No caso dos autos, o débito lançado decorre da subrogação nas contribuições previdenciárias devidas pelo produto rural de pessoa física em face da comercialização da produção rural. Tratarseia, portanto, de uma nova fonte de custeio da Seguridade Social não prevista no art. 195 da Carta Magna na redação vigente à época em que a lei foi promulgada, qual seja, a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, o que feriria, portanto, a forma exigida pelo art. 154, I da CF/88, que é a de lei complementar. De início, apenas a título de esclarecimento da matéria, cabe mencionar que, apesar de a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerbar sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como de invadir competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 8 8 Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do Poder Judiciário. Pois bem. No caso dos autos, o STF declarou inconstitucionais os arts. 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, em sede de apreciação do Recurso Extraordinário de nº 363852, transitado em julgado e abaixo transcrito: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) De fato, a redação do art. 195 da Constituição Federal de 1988, anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, era: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidentes sobre: a folha de salários, o faturamento e o lucro; Percebese, da transcrição acima, que a receita bruta não era prevista como base de cálculo da contribuição para a seguridade social e só poderia ser instituída como nova fonte de custeio através de Lei Complementar (arts. 154, I e 195, §4º da CF/88). Ora, o art. 25 da Lei 8.212/91, ao instituir através de lei ordinária, que a contribuição da pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, inclusive para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho, fere a regra formal exigida pelo já citado artigo 154, I da Carta Magna. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 9 9 Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/98 passou a ser admitida a instituição por lei ordinária da contribuição previdenciária sobre a receita bruta proveniente da comercialização. Destaquese, contudo, que as normas editadas anteriormente, sem a observância das exigências constitucionais quanto à forma especial de lei complementar, não se convalidam com a alteração na Constituição Federal que passa a admitir a disciplina da matéria por lei ordinária. Isto porque os requisitos de validade e de existência, bem como a compatibilidade de uma norma com o texto constitucional, devem ser analisados de acordo os dispositivos vigentes no momento da sua edição. Se a norma nasce viciada, sempre será inválida, ainda que posteriormente venha a ser introduzido na Constituição dispositivo que dê suporte de validade para a referida norma. Em outras palavras, o vício que fulminava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997, não foi afastado com a edição da Emenda Constitucional nº 20/1998, o que manteve sua condição de inconstitucionalidade. Assim, sendo inválida a previsão que determinava que a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física e do segurado especial seria a receita bruta da comercialização da sua produção, também foi reconhecida a inconstitucionalidade da norma que determinava, por conseqüência, as obrigações dela decorrentes, como é o caso da obrigação do adquirente de tais produtos de fazer a retenção da contribuição prevista no art. 30, IV da Lei nº 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; Diante da declaração de inconstitucionalidade, deve ser afastado do presente auto de infração as verbas referentes às contribuições devidas pela aquisição de produção rural de terceiros e, mantida, contudo, no tocante a omissões de contribuições previdenciárias devidas sobre as remunerações pagas aos seus empregados. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso e DOULHE TOTAL PROVIMENTO, uma vez reconhecida a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária lançada. É como voto. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 10 10 Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Declaração de Voto Damião Cordeiro de Moraes 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio, em conformidade ao exposto pelo douto relator, e dou provimento ao recurso voluntário, nos termos seguintes. DA DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaído, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 11 11 Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 12 12 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, constatouse que a consolidação do crédito tributário previdenciário deuse em 1º de setembro de 2004. Assim, vejo que a decadência atingiu os lançamentos de julho de 1997 a agosto de 1999. DAS CONTRIBUIÇÕES DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA 9. Conforme constam nos autos, as contribuições foram lançadas em decorrência da subrogação na condição de adquirente de produtos rurais de pessoas físicas, artigo 25 da Lei 8.212/91. 10. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário – RE n.º 363.852, já se manifestou sobre a questão e, por entender que a contribuição representa uma dupla tributação, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, nos termos abaixo: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisas V e VII, 25, incisos I e II, 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualização até a Lei n.º 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministro Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior, Plenário, 03.02.2010.” 11. Em assentada posterior, em sessão plenária (17/03/2011), o STF ratificou o seu posicionamento e manteve seu entendimento sobre a inconstitucionalidade dos dispositivos legais supramencionados ao rejeitar os embargos de declaração da União Federal no RE n.º 363.852. 12. Os embargos foram apresentados com o objetivo de que se declarasse que a Lei n.º 10.256/2001, que alterou parte do artigo 25, da Lei n.º 8.212/91, havia sanado a inconstitucionalidade. 13. Porém, o posicionamento do ministro relator, Marco Aurélio Mello, foi no sentido de que como a referida lei somente modificou o caput do artigo 25, mantendo a Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 13 13 alíquota e a base de cálculo da contribuição, não houve alteração no que se refere à inconstitucionalidade da cobrança do Funrural. 14. Do exposto, entendo que a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas físicas – FUNRURAL não pode ser validamente exigida. CONCLUSÃO 15. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO: Damião Cordeiro de Moraes Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Numero do processo: 10580.726162/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA.
Os valores pagos aos integrantes do ministério público federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Aplicação do mesmo entendimento à verbas de mesma natureza, pagas aos integrantes do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Numero da decisão: 2102-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 30/10/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. Os valores pagos aos integrantes do ministério público federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Aplicação do mesmo entendimento à verbas de mesma natureza, pagas aos integrantes do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 240 1 239 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.726162/200998 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 2102002.339 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2012 Matéria IRPF, isenção Recorrente SOLON DIAS DA ROCHA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. Os valores pagos aos integrantes do ministério público federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Aplicação do mesmo entendimento à verbas de mesma natureza, pagas aos integrantes do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 62 /2 00 9- 98 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/12 para exigência de IRPF em razão da indevida classificação, em suas DIRPF, dos rendimentos recebidos do Ministério Público da Bahia (tratados como isentos quando na verdade seriam tributáveis), relativamente aos Exercícios 2005 a 2007. Tais rendimentos foram pagos à contribuinte nos termos do que determinou a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de setembro de 2003. O crédito tributário lançado totalizou R$ 143.605,65. Cientificado do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 38/107, por meio da qual alegou que o lançamento seria improcedente, em resumo, pelos seguintes motivos: os valores recebidos a título de diferenças de URV não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda, tratamento extensivo aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; e mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726162/200998 Acórdão n.º 2102002.339 S2C1T2 Fl. 241 3 pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Trouxe jurisprudência em favor de suas alegações. Na análise da Impugnação, os integrantes da DRJ em Salvador decidiram pela manutenção integral do lançamento, ao entendimento de que os valores recebidos deveriam sim ser classificados como tributáveis. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 136/226, por meio do qual reiterou as alegações trazidas em sede de Impugnação. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 22.07.2011, como atesta o AR de fls. 231. O Recurso Voluntário foi interposto em 03.08.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de Recurso Voluntário em processo no qual se discute lançamento para exigência do IRPF sobre valores recebidos pela Recorrente do Ministério Público da Bahia em decorrência do disposto na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003. A referida lei estabeleceu, em seus arts. 2º e 3º, o pagamento a todos os promotores do Estado dos seguintes valores: Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Entendeu a autoridade autuante ser irrelevante o fato de a legislação estadual ter determinado que tais verbas seriam isentas, na medida em que lhe faltaria competência para estabelecer isenção a título de Imposto de Renda, a qual somente poderia ser instituída pela União. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Por outro lado, a defesa do Recorrente sustenta que tais verbas são realmente indenizatórias, principalmente em razão do que determinou o Eg. STF através da Resolução nº 245/2002. Com efeito, esta matéria vem sendo discutida constantemente nesta Turma Julgadora, tendose consolidado aqui o entendimento de que tais verbas são, de fato, indenizatórias, e por isso o imposto não poderia sobre elas incidir. Neste sentido, merece transcrição a ementa do acórdão nº 210201.727, de 20 de janeiro de 2012, que teve como relator o il. Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos membros do ministério público local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso provido. Ilustrando ainda melhor a questão, merece transcrição também o seguinte trecho, extraído do próprio voto proferido pelo il. Relator daquele julgado, que tomo aqui como razão de decidir, verbis: Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/20031 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726162/200998 Acórdão n.º 2102002.339 S2C1T2 Fl. 242 5 (...) Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Comungando deste mesmo entendimento – como já me manifestei outras vezes, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10860.003129/2005-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. ANTES DA MP no 413/2008. CARÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de regulamentação, para o período que antecede a Medida Provisória no 413/2008, a compensação ou restituição dos valores retidos na fonte a título de Contribuição para o PIS/PASEP que excederem o valor da contribuição efetivamente devido pelo contribuinte no respectivo período de apuração, o que impossibilita o deferimento pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 3403-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que reconheceu o direito do contribuinte com base no art. 74 da Lei nº 9.430/96.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. ANTES DA MP no 413/2008. CARÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Carece de regulamentação, para o período que antecede a Medida Provisória no 413/2008, a compensação ou restituição dos valores retidos na fonte a título de Contribuição para o PIS/PASEP que excederem o valor da contribuição efetivamente devido pelo contribuinte no respectivo período de apuração, o que impossibilita o deferimento pela autoridade administrativa.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que reconheceu o direito do contribuinte com base no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
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RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. ANTES DA MP no 413/2008. CARÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Carece de regulamentação, para o período que antecede a Medida Provisória no 413/2008, a compensação ou restituição dos valores retidos na fonte a título de COFINS que excederem o valor da contribuição efetivamente devido pelo contribuinte no respectivo período de apuração, o que impossibilita o deferimento pela autoridade administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. ANTES DA MP no 413/2008. CARÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Carece de regulamentação, para o período que antecede a Medida Provisória no 413/2008, a compensação ou restituição dos valores retidos na fonte a título de Contribuição para o PIS/PASEP que excederem o valor da contribuição efetivamente devido pelo contribuinte no respectivo período de apuração, o que impossibilita o deferimento pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 31 29 /2 00 5- 16 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que reconheceu o direito do contribuinte com base no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação apresentada pela recorrente em 31/10/2005, com intuito de utilizar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS nãocumulativos (mercado interno) referentes ao 1o trimestre de 2005, para compensação com IRPJ (inicialmente sob o código 3373 e posteriormente alterado para o código 0220 fl. 931) referente ao 3o trimestre de 2005 (fls. 3 a 7). A autoridade encarregada de efetuar a análise do crédito emitiu o parecer de fls. 107 a 113, dando conta de que os valores pleiteados não se referem a créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, mas sim de retenção destas contribuições pelas montadoras em virtude de pagamentos efetuados ao contribuinte, sendo que “tais valores retidos pelas montadoras não se enquadram em nenhum dos casos passíveis de ressarcimento e/ou compensação constantes do art. 16 da Lei no 11.116/2005”, citando manifestação da COSIT na Solução de Divergência no 8, de 24/7/2007. Conclui, em seu parecer, que “a permissão legal para a utilização dos valores de PIS e COFINS retidos na fonte passou a existir somente a partir da edição da MP 413/2008, convertida na Lei no 11.727/2008”. Com base no referido parecer, a unidade local proferiu o Despacho Decisório de fls. 125 a 128, não homologando as compensações apresentadas pela recorrente. Decidiuse que: (a) os valores correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à COFINS retidos na fonte devem ser utilizados para dedução do que for devido a título dessas contribuições; (b) o excesso de retenção não configura pagamento indevido ou a maior; e (c) até a publicação da Medida Provisória no 413/2008, por falta de previsão legal, não havia possibilidade de restituição ou compensação, com outros tributos e contribuições administrados pela RFB, do saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Cientificada do teor do Despacho Decisório em 16/3/2010 (fl. 137), a recorrente apresenta manifestação de inconformidade em 12/4/2010 (fls. 145 a 173), buscando a homologação das compensações requeridas e argumentando, em síntese, que: (a) houve erro de fato quando a autoridade fiscal declarou que o crédito objeto do pedido de compensação era proveniente de 1 Toda numeração de folhas indicada nesta decisão se refere à paginação eletrônica no "eprocessos". Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10860.003129/200516 Acórdão n.º 3403001.886 S3C4T3 Fl. 258 3 créditos retidos de Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, pois a recorrente apurou débitos de Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, compensou antecipadamente os créditos dessas contribuições provenientes de retenção na fonte e houve o saldo de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS operacionais; deste modo, o saldo credor objeto do pedido de compensação tem origem em créditos operacionais (decorrentes da nãocumulatividade), de compensação possível (com base no artigo 16 da Lei no 11.116/05); (b) o princípio da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não se encontra previsto na Constituição Federal, mas na legislação tributária, regido, portanto pelo princípio da legalidade, de modo que a legislação infralegal não pode criar ou restringir direitos e obrigações (art. 5o, II e 150, II, ambos da Constituição Federal). (c) o art. 16 da Lei no 11.116/05 estabelece que os saldos credores da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, disciplinados nas Leis no 10.637/02 e 10.833/03, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação com qualquer tributo ou contribuição administrados pela RFB, não se aplicando no caso o artigo 2o da IN SRF no 460/04, a Solução de Divergência COSIT no 8, de 24/7/2007, ou o art. 74, caput da Lei no 9.430/96, que é anterior à norma especial (Lei no 11.116/05) que trata da compensação em questão; (d) mesmo que seja entendido que o crédito objeto do presente pedido de compensação é proveniente de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS retidas na fonte, a compensação requerida é legitima e legal, porque tanto os créditos provenientes da nãocumulatividade (operacionais) como os créditos das contribuições retidos na fonte integram a apuração das contribuições, de forma a gerar saldo credor, que pode ser objeto de compensação com qualquer tributo administrado pela RFB (art. 16 da Lei no 11.116/05); (e) nenhuma norma administrativa em tempo algum vedou expressamente a compensação de retenção, e a nova legislação (Lei no 11.727/08) foi promulgada com a finalidade de evitar interpretações errôneas por parte de alguns agentes da Receita Federal do Brasil; (f) caso seja entendido que o crédito objeto do pedido de compensação é proveniente de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS retidas na fonte, devese aplicar a retroatividade benigna, prevista no artigo 106, II, “b”, do CTN, porque a lei posterior, (art. 5o da Lei no 11.727/08), Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 prevê expressamente esta forma de compensação requerida pela recorrente; (g) subsidiariamente requer, caso não seja provido o recurso, com base na razoabilidade e na economia processual e administrativa, o aditamento do pedido de compensação, com fundamento no artigo 5o da Lei no 11.727/08, sendo irrazoável exigir que a recorrente desista do processo administrativo e requeira novamente o mesmo direito creditório em outro processo de compensação que há de ser deferido porque a legislação atual expressamente permite a compensação das contribuições retidas na fonte; e (h) requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário compensado com base no artigo 74, § 11 , da Lei no 9.430/96 c/c artigo 151, III, do Código Tributário Nacional até decisão administrativa final no presente processo administrativo. A decisão de primeira instância, proferida em 12/9/2011 (fls. 209 a 216), julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Entendeuse que a contribuinte propôs dois tipos de questionamentos, um de fato e outro de direito, explicitandose que: a) na questão de fato sua argumentação se volta para a ordem de aproveitamento dos créditos, e a ordem proposta pela recorrente na dedução das retenções não corresponde àquela definida na legislação; b) os créditos decorrentes do regime nãocumulativo devem ser descontados diretamente da contribuição apurada pela aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, no intuito de definir a contribuição devida (tanto para a Contribuição para o PIS/Pasep, quanto para a COFINS), sendo que os valores retidos na fonte somente podem ser deduzidos após a dedução dos créditos da nãocumulatividade (Lei no 10.637, de 30/12/2002, e Instrução Normativa no 594, de 26/12/2005); c) o saldo pleiteado pela interessada tem como origem as retenções na fonte, uma vez que nos três meses examinados os créditos da nãocumulatividade são insuficientes para absorver a totalidade das contribuições apuradas; d) na questão de direito, “a retenção se deu de acordo com a matriz legal” e não cabe cogitar de pagamento indevido ou a maior que justifique pleito de restituição com base no art. 165 do CTN, ou que embase procedimento de compensação nos termos do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996 (Solução de Divergência COSIT no 8, de 24/7/2007); e) a recorrente não demonstra ou alega que as retenções foram feitas em desacordo com a legislação tributária, então não há que se falar em indébito (na ausência do recolhimento indevido, a utilização dos valores retidos na fonte para a extinção de débitos pela via da compensação depende de Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10860.003129/200516 Acórdão n.º 3403001.886 S3C4T3 Fl. 259 5 autorização legislativa específica, o que só ocorreu, no caso, em 3/1/2008, com a edição da Medida Provisória no 413); e f) não cabe a aplicação da retroação de lei mais benigna, uma vez que a lei posterior definiu uma nova hipótese de utilização dos valores retidos na fonte a partir de sua edição, não se enquadrando no art. 106, II, do CTN. Cientificada da decisão em 20/9/2011 (AR às fls. 255), a empresa apresenta Recurso Voluntário (fls. 219 a 227), em 19/10/2011, no qual reitera a busca pela homologação da compensação requerida e pela manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação até decisão administrativa final. Alega basicamente que: a) a administração recusou os créditos para compensação por falta de previsão legal ao tempo da propositura do pedido, mas que a Lei no 11.116, de 2005, em seu art. 16, já trazia a previsão normativa necessária ao pedido de compensação; b) dúvidas interpretativas sustentaram durante algum tempo decisões contrárias à solicitação da recorrente, mas o legislador tomando conhecimento de que a Administração Tributária considerava a ausência de norma expressa como impeditivo à restituição ou compensação de saldo credor remanescente das retenções da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, editou a Medida Provisória no 419/2008, tornando a questão superada; c) o caput do art. 5o da MP no 413/2008 é taxativo em admitir a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o § 3o desse artigo determina a possibilidade de retroatividade da referida compensação para tributos apurados em períodos anteriores; d) a partir do novo comando legislativo a RFB editou IN no 900/2008, prevendo a possibilidade de restituição/compensação dos saldos de valores retidos na fonte a título de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS; e e) a Resposta à Consulta no 388, de 3/11/2010, corrobora o entendimento pela possibilidade da compensação reclamada. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 A matéria controversa em sede de Recurso Voluntário resumese à (im)possibilidade de restituição ou compensação do saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS com outros tributos e contribuições administrados pela RFB, antes da Medida Provisória no 413/2008, convertida na Lei no 11.727/2008. O texto do art. 5o da Medida Provisória, que corresponde literalmente ao art. 5o da Lei, dispõe: “Art. 5o Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2o Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1o, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3o A partir da publicação desta Medida Provisória, o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, apurados em períodos anteriores, poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo.” (grifo nosso) Do comando legal podem ser extraídas ao menos duas conclusões: (a) após a Medida Provisória, passou a ser possível a restituição ou compensação do saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS com outros tributos e contribuições administrados pela RFB; e (b) pode haver aplicação do comando a saldos anteriores, de acordo com o que dispuser o Poder Executivo. Assim, descartase de imediato a retroação incondicional, tal qual pleiteada pela recorrente (seja pela alegação de retroatividade benigna, seja pela argumentação de que o comando legal tem natureza declaratória). Tivesse o legislador desejado, por exemplo, estabelecer comando de natureza declaratória, esclarecendo conteúdo já vigente (ou seja, que a restituição ou compensação já era amparada pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005), absolutamente contraditório seria o teor limitador do § 3o do art. 5o da Medida Provisória. Poderseia ainda argumentar que o comando é de natureza declaratória, e não poderia o § 3o do art. 5o da Medida Provisória ter estabelecido limitação à retroação. Contudo, tal entendimento implica análise da constitucionalidade de norma legal, tema vedado a este tribunal administrativo pela Súmula CARF no 2. Temse, assim, cristalino, que o comando deve ser aplicado a saldos anteriores na forma disciplinada pelo Poder Executivo. O Poder Executivo, por meio do Decreto no 6.662/2008, regulamentou o art. 5o da Lei no 11.727/2008, dispondo que: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10860.003129/200516 Acórdão n.º 3403001.886 S3C4T3 Fl. 260 7 “Art. 2o A partir de 4 de janeiro de 2008, o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Art. 4o A autoridade da Secretaria da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a restituição ou compensação de que trata este Decreto poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Art. 5o A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste Decreto. (grifo nosso) A IN RFB no 900/2008 tratou do tema, em seu art. 12 (tal norma está hoje revogada pela IN RFB no 1.300/2012, que não alterou substancialmente o referido art. 12), mas sem expedir especificamente as instruções necessárias ao cumprimento do disposto no art. 2o do Decreto: “Art. 12. Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB. § 1º Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2º Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1º, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3º A restituição poderá ser requerida à RFB a partir do mês subsequente àquele em que ficar caracterizada a impossibilidade de dedução de que trata o caput. § 4º A restituição de que trata o caput será requerida à RFB mediante o formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I.” A recorrente alega ainda em seu recurso voluntário que a Solução de Consulta da RFB de no 388, de 3/11/2010, reiterou seu entendimento pela possibilidade da compensação reclamada. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Contudo, tal decisão (Solução de Consulta DISIT SRRF08 de no 388, de 3/11/2010) endossa o entendimento de que o pleito continua a carecer de amparo normativo: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Até a publicação da MP no 413, de 2008, por falta de previsão legal, não havia possibilidade de restituição dos valores retidos na fonte a título de Cofins que excedessem o valor da contribuição efetivamente devido pelo contribuinte no respectivo período de apuração. Esses valores excedentes retidos na fonte não se caracterizavam como tributos recolhidos a maior ou indevidamente, não se enquadrando no art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. A partir da publicação da MP no 413, de 2008, 04/01/2008, quando não for possível a dedução dos valores retidos na fonte, na forma da legislação aplicável, dos valores a pagar a título de Cofins no mês de apuração, tais valores retidos na fonte poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação aplicável à restituição e compensação de tributos e contribuições federais administrados pela RFB, em particular, atualmente, o disposto no art. 12 da IN RFB no 900, de 2008. A partir da publicação da MP no 413, de 2008, 04/01/2008, convertida na Lei no 11.727, de 2008, também é prevista a possibilidade de o saldo dos valores retidos na fonte a título de Cofins, apurado em períodos anteriores à referida data, ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal Brasil, depois de ser regulamentado pelo Poder Executivo o § 3o do art. 5o daquela Medida Provisória. Embora essa regulamentação tenha ocorrido, em princípio, por meio do Decreto no 6.662, de 2008, este previu, em seu art. 5o, a necessidade de expedição, pela RFB, das instruções necessárias para a efetivação desse procedimento. Não tendo sido tais instruções expedidas até o momento, carecem ainda de eficácia o referido parágrafo 3o e a faculdade por ele instituída, entendendose que o art. 12 da IN RFB no 900, de 2008, não disciplinou essa situação, mas, sim, apenas a retenção de que tratam o caput e §§ 1o e 2o do art. 5o da MP no 413, de 2008, atualmente, art. 5o, caput e §§ 1o e 2º da Lei no 11.727, de 2008”. (grifo nosso) Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, por carecer de amparo normativo o pleito da recorrente. Rosaldo Trevisan Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10860.003129/200516 Acórdão n.º 3403001.886 S3C4T3 Fl. 261 9 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10768.016031/99-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997 SALDO NEGATIVO DE IRPJ - PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Os pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002 foram considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei 9.430/1996 (com as alterações da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003). O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996). As providências ao longo do tempo que implicam em medidas de instrução processual não suspendem o prazo para a homologação tácita da compensação de débito. Os pedidos de compensação apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999 restaram homologados tacitamente em 22/07/2004 e 15/09/2004, respectivamente. Atos supervenientes, ainda que promovidos pelo Contribuinte, não tem o condão de reverter essa situação. DIREITO CREDITÓRIO - FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Um determinado saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovando-se no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação. Mas se a própria DIPJ do ano-base 1997 indica que a Contribuinte apurou prejuízo em todos os balancetes de estimativas mensais, não haveria como ela aproveitar os alegados saldos de 1995 e 1996 para quitar estimativas em 1997. Se a negativa em relação a 1997 abrange todo o crédito por ela pleiteado, inclusive os supostos saldos de 1995 e 1996, uma vez que eles não foram reivindicados diretamente, de forma autônoma, mas sim apresentados como justificativa para o saldo negativo de 1997, não há que se falar em preclusão de matéria. A verificação da contribuição dos valores retidos propriamente em 1997, no
montante de R$ 15.242,67, para a formação de saldo negativo a ser restituído ou compensado deixa de ter relevância, eis que a homologação tácita em relação aos outros débitos já absorveu totalmente esse valor. Para débito cuja compensação não foi homologada tacitamente, e não havendo crédito remanescente para a sua quitação, deve ser mantida a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1802-001.170
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997 SALDO NEGATIVO DE IRPJ - PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Os pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002 foram considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei 9.430/1996 (com as alterações da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003). O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996). As providências ao longo do tempo que implicam em medidas de instrução processual não suspendem o prazo para a homologação tácita da compensação de débito. Os pedidos de compensação apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999 restaram homologados tacitamente em 22/07/2004 e 15/09/2004, respectivamente. Atos supervenientes, ainda que promovidos pelo Contribuinte, não tem o condão de reverter essa situação. DIREITO CREDITÓRIO - FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Um determinado saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovando-se no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação. Mas se a própria DIPJ do ano-base 1997 indica que a Contribuinte apurou prejuízo em todos os balancetes de estimativas mensais, não haveria como ela aproveitar os alegados saldos de 1995 e 1996 para quitar estimativas em 1997. Se a negativa em relação a 1997 abrange todo o crédito por ela pleiteado, inclusive os supostos saldos de 1995 e 1996, uma vez que eles não foram reivindicados diretamente, de forma autônoma, mas sim apresentados como justificativa para o saldo negativo de 1997, não há que se falar em preclusão de matéria. A verificação da contribuição dos valores retidos propriamente em 1997, no montante de R$ 15.242,67, para a formação de saldo negativo a ser restituído ou compensado deixa de ter relevância, eis que a homologação tácita em relação aos outros débitos já absorveu totalmente esse valor. Para débito cuja compensação não foi homologada tacitamente, e não havendo crédito remanescente para a sua quitação, deve ser mantida a decisão recorrida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997 SALDO NEGATIVO DE IRPJ PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Os pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002 foram considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei 9.430/1996 (com as alterações da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003). O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996). As providências ao longo do tempo que implicam em medidas de instrução processual não suspendem o prazo para a homologação tácita da compensação de débito. Os pedidos de compensação apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999 restaram homologados tacitamente em 22/07/2004 e 15/09/2004, respectivamente. Atos supervenientes, ainda que promovidos pelo Contribuinte, não tem o condão de reverter essa situação. DIREITO CREDITÓRIO FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Um determinado saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovandose no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação. Mas se a própria DIPJ do anobase 1997 indica que a Contribuinte apurou prejuízo em todos os balancetes de estimativas mensais, não haveria como ela aproveitar os alegados saldos de 1995 e 1996 para quitar estimativas em 1997. Se a negativa em relação a 1997 abrange todo o crédito por ela pleiteado, inclusive os supostos saldos de 1995 e 1996, uma vez que eles não foram reivindicados diretamente, de forma autônoma, mas sim apresentados como justificativa Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 273 2 para o saldo negativo de 1997, não há que se falar em preclusão de matéria. A verificação da contribuição dos valores retidos propriamente em 1997, no montante de R$ 15.242,67, para a formação de saldo negativo a ser restituído ou compensado deixa de ter relevância, eis que a homologação tácita em relação aos outros débitos já absorveu totalmente esse valor. Para débito cuja compensação não foi homologada tacitamente, e não havendo crédito remanescente para a sua quitação, deve ser mantida a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 274 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que manteve a negativa de homologação em relação a Pedidos de Compensação apresentados pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Para se compreender bem o contexto destes autos, é importante fazer uma descrição pormenorizada dos fatos que antecederam o presente recurso, desde o início do processo administrativo. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO Em 22/07/1999, a Contribuinte ingressou com os pedidos de compensação de fls. 04 a 06, com a finalidade de quitar débitos de PISInstituições Financeiras referentes aos períodos de 02/1997 a 02/1999 (código 4574). Em 15/09/1999, ela apresentou os pedidos de compensação de fls. 63 a 65, para quitar débitos de IRRF com vencimento ao longo dos meses de julho, agosto e setembro de 1999 (códigos 1708, 0561 e 0588); Cofins de 02 a 06/1999 (código 2172); e PISInstituições Financeiras de 03 a 06/1999 (código 4574). Nos pedidos de compensação e também nas petições que encaminharam estes pedidos, a Contribuinte indicou como origem do crédito o IRPJ do ex. 1998, período base de 1997, no valor de R$ 36.191,31. Para instruir seu pleito, anexou cópia da DIRPJ correspondente (fls. 07 a 40), que indicava nos quadros referentes às estimativas mensais valores de saldos negativos de IRPJ acumulados ao longo de todo o ano, para finalizar em dezembro com o valor negativo acima referido, ou seja, R$ 36.191,31. Em 09/08/2001, foi apresentado o pedido de compensação de fls. 70, para retificar o valor do débito de PISInstituições Financeiras do período de 02/1997, de R$ 118,46 para R$ 567,21. Em 12/09/2002, a DIORT/DERAT/RJ exarou o despacho de fls. 71/72, determinando que a interessada fosse intimada a apresentar o “formulário de Pedido de Restituição devidamente preenchido, de acordo com o Boletim Central n° 106/97, pergunta 22 e IN/SRF n° 21/97 alterada pela IN SRF 73/97”; e demais elementos necessários à análise do credito pretendido, sob pena de indeferimento do pedido de restituição e imediata cobrança dos débitos informados nos pedidos de compensação. Em 28/03/2003 (fls. 74), foi elaborada intimação para que a Contribuinte apresentasse os elementos acima mencionados. Em 28/04/2003 (fls. 75), a Contribuinte informou que o crédito postulado tinha origem em retenções de IR sobre comissões, serviços prestados e rendimentos de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 275 4 aplicações financeiras do períodobase de 1997 (R$ 15.242,67), bem como na atualização monetária dos saldos de IRRF dos anoscalendário de 1995 (R$ 17.706,31) e 1996 (R$ 3.310,51). A resposta apresentada foi instruída com planilha referente à aplicação da taxa SELIC sobre saldos negativos nos anoscalendário de 1995 e 1996, e com cópias de “Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” do anocalendário de 1997 (fls. 76 a 126). Em 06/05/2003, a Contribuinte apresentou o formulário correto para “Pedido de Restituição” (fl. 127), informando desta vez como crédito de IRPJ do anobase de 1997 o valor de R$ 36.259,49. No quadro “Demonstrativo do Cálculo da Restituição”, informou novamente que o crédito postulado tinha origem em retenções de IR sobre comissões, serviços prestados e rendimentos de aplicações financeiras do períodobase de 1997 (R$ 15.242,67), bem como na atualização monetária dos saldos de IRRF dos anoscalendário de 1995 (R$ 17.706,31) e 1996 (R$ 3.310,51). Em 21/11/2005, a Contribuinte ingressou com nova petição, solicitando a correção dos pedidos de compensação apresentados inicialmente, com a justificativa de que “os Pedidos de Compensação foram entregues à Receita Federal com divergências de informações, tendo em vista que as mesmas são incompatíveis com as declarações prestadas nas DCTF's” (fls. 129). Para tanto, apresentou novos pedidos de compensação (fls. 130 a 134). Estes novos pedidos indicaram exatamente os mesmos débitos de PIS Instituições Financeiras (código 4574) que constavam dos pedidos originais, com exceção do débito de 02/1997, cujo valor foi novamente alterado, de R$ 567,21 para R$ 118,46. Em relação aos débitos de IRRF, os novos pedidos também apresentaram os mesmos códigos, as mesmas datas de vencimento e os mesmos valores. A mudança abrangeu apenas a forma de indicar o período de apuração dos débitos (indicação de dia em vez de mês). No caso dos débitos de COFINS, os períodos de apuração e os valores também foram os mesmos dos pedidos originais. A modificação abrangeu apenas o código do tributo, informado inicialmente como 2172 (COFINS CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO SEGURIDADE SOCIAL), e modificado para 7987 (COFINS ENTIDADES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS). DESPACHO DECISÓRIO Em 15/06/2009, a Contribuinte tomou ciência do DESPACHO DECISÓRIO DERAT/DIORT/EQPIRPJ de fls. 154 a 156, pelo qual a Delegacia de origem manifestou o entendimento de que a requerente não dispunha de crédito de IR relativo ao anocalendário de 1997, porque ela não apurou saldo negativo de IRPJ na linha 13 da Ficha 08 da DIPJ correspondente, consignando, ainda, que não existe previsão legal para restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 276 5 Em 13/07/2009, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 162/164, pela qual requereu a retificação de oficio da DIPJ ex. 1998, com correção dos valores preenchidos nas linhas 06 da ficha 09 e linha 10 da ficha 08 (IRRF), alegando que o valor correto do IRRF no anocalendário de 1997 é de R$ 15.242,67, conforme comprovado pelos informes de rendimentos anexados em 28/04/2003. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Como já mencionado, a DRJ São Paulo/SP I manteve a negativa em relação aos pedidos de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997 COMPENSAÇÃO. IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1997. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. À falta de comprovação documental do erro de preenchimento alegado, prevalecem os valores informados na declaração de rendimentos analisada pela autoridade recorrida, da qual se concluiu na inexistência de crédito em favor da contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. É importante transcrever os fundamentos que embasaram as conclusões da Delegacia de Julgamento: (...) De início, convém observar que os pedidos de compensação originais não conferem homologação tácita das compensações declaradas pois, com a apresentação dos pedidos de compensação retificadores, a data inicial do prazo decadencial previsto no § 5º do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 passa a ser a data da apresentação daqueles, ou seja, 21/11/2005 (fls. 130/134). No mérito, a recorrente alega ter preenchido incorretamente sua DIPJ 98, anocalendário de 1997, vindo requerer a correção de oficio dos valores informados a titulo de IRF considerado nos balancetes mensais (linha 06 da Ficha 09) e IRF deduzido na apuração do IR a pagar anual (linha 10 da Ficha 08). Contudo, a defesa não especificou para quais valores devem os apontados campos ser corrigidos, tampouco entregou ou apresentou DIPJ retificadora que pudesse nos esclarecer tais informações. O único elemento fornecido pela requerente consiste em informes de rendimentos apresentados em 28/04/2003 (fls. 88/126), que comprovariam retenções de IR no montante de R$ Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 277 6 15.242,67, incidentes sobre receitas de comissões de seguros (cód. 8045) e prestação de serviços (cód. 1708). Ocorre que, a falta de demonstração de qual o tratamento contábil atribuído às supostas retenções pela contribuinte em sua escrituração não se mostra hábil a demonstrar crédito de IRPJ em favor da requerente. Consoante salientou a autoridade administrativa recorrida, Imposto de Renda Retido na Fonte não configura crédito de IRPJ compensável com débitos diversos. As retenções porventura suportadas pela contribuinte poderiam ser utilizadas para pagamento de estimativas ou diretamente no cômputo do saldo de IRPJ a pagar ao final do período base 1997 que, na hipótese de ser apurado negativo, poderia ser considerado crédito de IRPJ em favor da requerente. Mesmo que as retenções invocadas tenham ocorrido e os rendimentos correspondentes tenham sido considerados na DIPJ 98, considerar o IRF no cômputo do saldo de IR a pagar é uma faculdade da contribuinte, que deve ser exercida em sua escrituração e refletida em sua DIPJ. A contribuinte pode, por exemplo, ter optado por não utilizar o crédito sobre tais retenções na apuração anual, e sim em compensações com outras retenções em que figura como fonte retentora. Não foram fornecidos elementos e documentos que demonstrassem qual o tratamento dado às supostas retenções de IR, sendo irrelevante analisar se as retenções descritas nos informes de rendimentos apresentados de fato ocorreram, tampouco se a contribuinte considerou os rendimentos correspondentes na apuração do lucro líquido do calendário de 1997. Além disso, a requerente não especificou quais as retenções que entende devessem ser consideradas nos balancetes mensais (que iriam compor a dedução por estimativas pagas informada na linha 12 da Ficha 08) e quais as que seriam informadas diretamente na linha 10 da Ficha 08, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte descontado do IR sobre o Lucro Real. Cabe esclarecer que não cabe à Receita Federal efetuar o preenchimento da declaração da forma mais adequada e condizente com a pretensão da contribuinte. Poderia a Administração acatar erros de preenchimento de declarações que fossem evidenciados pela interessada por meio de documentação probatória hábil. No caso analisado, contudo, a alegação da defesa não se pauta em mero erro de preenchimento, mas em apuração de tributo a pagar completamente diferente daquela informada na DIPJ original e não retificada. Para que a nova apuração fosse aceita, a contribuinte teria que comprovar a identidade entre os rendimentos constantes dos informes apresentados e os rendimentos oferecidos à tributação na DIPJ, bem como indicar Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 278 7 as parcelas das retenções sofridas que entrariam na composição das estimativas e no composição do IR a pagar ao final do período anual, o que não foi feito. RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão anteriormente referida, da qual tomou ciência em 14/04/2010 (fls. 191verso), a Contribuinte apresentou em 14/05/2010 o recurso voluntário de fls. 192 a 209, desenvolvendo argumentos sobre os tópicos abaixo: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA OBJETO DO PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO a decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SPO julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob a alegação de que a Recorrente não comprovou os erros cometidos no preenchimento de sua DIPJ relativa ao anocalendário 1997; por outro lado, a DRJ/SPO não questionou a existência do direito de crédito relativo à atualização monetária do IRRF relativo aos anoscalendário de 1995 e 1996, nos valores de R$ 17.706,31 e R$ 3.310,51, limitandose a analisar a regularidade das retenções de IRRF ocorridas no anocalendário de 1997, no valor total de R$ 15.242,67; por este motivo, permanece em discussão no presente Recurso Voluntário apenas o saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1997, originado a partir de retenções de IRRF relativas a comissões, serviços prestados e rendimentos de aplicação financeiras; a preclusão também atinge o órgão jurisdicional, na hipótese da chamada “preclusão pro judicato”, que ocorre quando a matéria submetida a julgamento não pode mais ser reapreciada pela autoridade julgadora, quer seja porque o magistrado já proferiu decisão no respectivo processo, em relação a qual não foi apresentado recurso, quer seja porque deixou de apreciar a matéria no tempo oportuno; nestas hipóteses, a matéria discutida é atingida pela preclusão, passando a estar protegida pelo instituto da coisa julgada, motivo pelo qual a respectiva matéria não mais poderá ser reapreciada no processo, ainda que por outro órgão jurisdicional; ao deixar de apreciar a questão relativa a atualização monetária do IRRF relativo aos anoscalendário de 1995 e 1996, nos valores de R$ 17.706,31 e R$ 3.310,51, é evidente que ocorreu a “preclusão pro judicato”, com o conseqüente trânsito em julgado parcial da decisão administrativa, na medida em que a Administração Pública não mais poderá questionar a correção monetária do IRRF, em respeito ao princípio da segurança jurídica; considerando que no presente caso não houve a interposição de Recurso de Oficio, resta claro que houve a preclusão do direito de a Administração Pública questionar a existência do crédito relativo à atualização monetária de IRRF dos anoscalendário de 1995 e 1996, nos valores de R$ 17.706,31 e R$ 3.310,51, motivo pelo qual a discussão, em sede de Recurso Voluntário, permanece apenas em relação ao saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 1997; DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA INTEGRALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO DA RECORRENTE Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 279 8 iniciado o anocalendário de 1997, a Recorrente realizou sua opção de apurar e recolher o IRPJ de acordo com a sistemática do regime do lucro real anual. Neste cenário, a Recorrente optou por efetuar os pagamentos mensais com base em balancete mensal de suspensão ou redução, reduzindo a zero o pagamento do IRPJ devido em cada mês, por não ter apurado lucro real passível de tributação; assim, mediante o levantamento de balancete mensal de suspensão ou redução, por meio do qual efetuou todos os ajustes exigidos pela legislação tributária, a Recorrente constatou que apurou prejuízo fiscal desde o mês de janeiro de 1997, motivo pelo qual não efetuou qualquer recolhimento de IRPJ a título de estimativa mensal, o que pode ser comprovado mediante simples análise da Ficha 11 (“Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa”), da sua DIPJ relativa ao anocalendário de 1997; embora tenha apurado prejuízo fiscal ao longo de todo o anocalendário de 1997, a Recorrente sofreu inúmeras retenções de IRRF que perfazem o montante de R$ 15.242,67, sendo que, por um lapso, a Recorrente deixou de transcrever corretamente os valores de IRRF nos balancetes mensais (Linha 06, Ficha 09) e na apuração do IRPJ a pagar anual (Linha 10, Ficha 08); considerando que a Recorrente apurou prejuízo fiscal durante todo o ano calendário de 1997 e sofreu retenções de IRRF no valor de R$ 15.242,67, é evidente que o respectivo valor deu origem a saldo negativo de IRPJ passível de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do artigo 6° da Lei 9.430/96; as retenções de IRRF sofridas pela Recorrente, no valor de R$ 15.242,67, foram devidamente comprovadas pelos respectivos “Informes de Rendimento”, sob os códigos de receita 8045 (comissões de seguro) e 1708 (prestação de serviços), o que evidencia o descaso das autoridades fiscais na análise do direito de crédito a que faz jus a Recorrente; bastaria uma simples análise da DIPJ da empresa para verificar que houve apuração de prejuízo fiscal em todos os meses do anocalendário de 1997, o que tornaria evidente que as retenções de IRRF não teriam sido utilizadas para reduzir estimativas de IRPJ; se não houve apuração de estimativa de IRPJ a pagar com base em balancete de suspensão e redução, como poderia a Recorrente ter efetuado qualquer compensação com os valores retidos a título de IRRF? o entendimento manifestado pela DRJ/SPO no sentido de que a Recorrente poderia ter utilizado tais retenções de IRRF para compensar com outras retenções em que hipoteticamente poderia ter figurado como fonte pagadora é completamente insubsistente, pois embora seja possível, ao menos em tese, compensação do IRRF com outras retenções de IRRF em que a Recorrente figurasse como fonte pagadora, devese ressaltar que esta prática não é usual, sendo raramente utilizada pelo contribuinte; ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para fins de argumentação, percebese claramente que a DRJ/SPO pretende transferir para a Recorrente o ônus de produzir prova negativa, o que é completamente inadmissível no Direito; a Receita Federal do Brasil tem o poderdever de fiscalizar a arrecadação dos tributos federais, cabendo a ela tomar as cautelas próprias para assegurar o controle de Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 280 9 eventuais compensações realizadas pelos contribuintes, não sendo admitida a possibilidade de transferir para o contribuinte este ônus de produzir prova negativa, para beneficiarse da dificuldade, ou mesmo da impossibilidade, da produção dessa prova; ainda que se considere que houve um erro no preenchimento da respectiva DIPJ, é indiscutível que este eventual equívoco não invalida o crédito existente e a compensação realizada, por ser um equívoco de caráter meramente procedimental, do qual não resultou qualquer prejuízo ao Erário. Conforme demonstrado, realmente houve retenções de IRRF ao longo do anocalendário de 1997, o que gerou para a Recorrente um crédito passível de compensação; em razão do próprio principio da legalidade, é induvidoso que o contribuinte que efetuou qualquer pagamento a maior tem direito à respectiva restituição e/ou compensação; a Constituição Federal prevê ao menos quatro fundamentos para garantir o direito à restituição (de oficio) ou à compensação dos tributos pagos a maior, quais sejam: Moralidade, Justiça, Isonomia e Propriedade; o eventual erro formal referente ao preenchimento da DIPJ pela Recorrente jamais poderia ser causa de cobrança de débitos devidamente quitados por compensação, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco; ademais, o próprio Fisco reconhece a primazia da verdade material nos processos administrativos; a DIPJ e os comprovantes de retenções (“Informes de Rendimentos”) anexados ao presente processo são documentos hábeis a comprovar a existência do crédito utilizado pela Recorrente para saldar seus débitos. Este é o Relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 281 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente processo tem por objeto pedidos de compensação apresentados pela Contribuinte, que foram indeferidos tanto pela Delegacia de origem, quanto pela Delegacia de Julgamento. Estes pedidos foram inicialmente apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999, abrangendo débitos de PIS, IRRF e COFINS. A Contribuinte indicou como origem do crédito a ser compensado o IRPJ do ex. 1998, período base de 1997, no valor de R$ 36.191,31. Para instruir seu pleito, anexou cópia da DIRPJ correspondente, que indicava nos quadros referentes às estimativas mensais valores de saldos negativos de IRPJ acumulados ao longo de todo o ano, finalizando em dezembro com o valor negativo acima referido, ou seja, R$ 36.191,31. Em 09/08/2001, foi apresentado outro pedido de compensação para retificar o valor de um dos débitos anteriormente informados (PISInstituições Financeiras do período de 02/1997). Na seqüência, em 28/03/2003, foi elaborada intimação para que a Contribuinte apresentasse pedido de restituição no formulário próprio, nos moldes da IN SRF 21/1997, bem como outros elementos para a comprovação do crédito, sob pena de indeferimento de seu pleito e imediata cobrança dos débitos informados nos pedidos de compensação. Em 28/04/2003 a Contribuinte prestou informações em relação ao crédito pleiteado, e em 06/05/2003 apresentou pedido de restituição no formulário correto (fls. 127), que indicava crédito de IRPJ do anobase de 1997 no valor de R$ 36.259,49, com origem em retenções de IR sobre comissões, serviços prestados e rendimentos de aplicações financeiras do períodobase de 1997 (R$ 15.242,67), bem como na atualização monetária dos saldos de IRRF dos anoscalendário de 1995 (R$ 17.706,31) e 1996 (R$ 3.310,51). Posteriormente, em 21/11/2005, a Contribuinte ingressou com nova petição, solicitando a correção dos pedidos de compensação originalmente apresentados, para sanar divergências em relação aos débitos contidos nos pedidos e os que foram declarados em DCTF. Estes novos pedidos não trouxeram mudanças significativas em relação aos débitos de IRRF e de COFINS, conforme foi relatado anteriormente. Para estes tributos, as alterações abrangeram apenas a forma de indicação dos períodos de apuração do IRRF e o código da COFINS. A mudança mais significativa se deu em relação ao débitos de PIS Fl. 281DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 282 11 Instituições Financeiras de 02/1997, cujo valor foi novamente alterado, de R$ 567,21 para R$ 118,46. O indeferimento da Delegacia de origem ocorreu em 15/06/2009, com a conclusão de que a requerente não dispunha de crédito relativo ao anocalendário de 1997, porque ela não apurou saldo negativo de IRPJ na linha 13 da Ficha 08 da DIPJ (ficha específica para a apuração do saldo final de imposto), e também porque não existe previsão legal para restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação aos pedidos de compensação. Em sua decisão, logo de início, a DRJ manifestou o entendimento de que não teria ocorrido a homologação tácita das compensações, eis que com a apresentação dos pedidos de compensação retificadores, a data inicial do prazo decadencial previsto no § 5º do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 passou a ser a data da apresentação daqueles, ou seja, 21/11/2005, e o Despacho Decisório é de 15/06/2009. O fenômeno da homologação tácita está previsto na Lei nº 9.430/1992, nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Realmente, o prazo transcorrido entre a data dos pedidos retificadores (21/11/2005) e a data do Despacho Decisório (15/06/2009) é menor que cinco anos. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 283 12 Contudo, a meu ver, a homologação tácita, para a grande maioria dos débitos (com exceção do débito de PISInstituições Financeiras de 02/1997), operouse antes mesmo da apresentação dos pedidos retificadores. O fato é que após a apresentação dos pedidos de compensação originais, em 22/07/1999 e 15/09/1999, ocorreram medidas de instrução processual, quando a Contribuinte foi intimada a apresentar pedido de restituição no formulário correto e outros elementos para a comprovação mais detalhada da origem do crédito pleiteado, sob pena de indeferimento do direito creditório. O atendimento desta intimação se deu por duas respostas, apresentadas em 28/04/2003 e 06/05/2003. Nessa época já vigiam as normas introduzidas pela lei 10.637/2002 na Lei 9.430/1996 (acima transcritas). Sendo assim, os fatos ocorridos em abril e maio de 2003 não poderiam caracterizar o início de um novo procedimento de compensação, até porque não atenderiam as normas vigentes, bem diferentes daquelas existentes em 1999, quando foram apresentados os pedidos de compensação. Na verdade, as providências ao longo do tempo implicaram em medidas de instrução processual, o que, nos termos das regras contidas no art. 74 da Lei 9.430/1996, não suspende o prazo para a homologação tácita de compensação de débito. Deste modo, a compensação dos débitos relacionados nos pedidos apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999 restou homologada em 22/07/2004 e 15/09/2004, respectivamente, e os pedidos retificadores apresentados em 21/11/2005 não tem o condão de reverter essa situação. As mudanças promovidas por esses pedidos retificadores, relativas à forma de indicação dos períodos de apuração do IRRF e ao código da COFINS também são irrelevantes, porque não há dúvidas de que os débitos são exatamente os mesmos dos pedidos originais, pela coincidência dos valores e datas de vencimento no caso do IRRF, e pela coincidência dos valores, datas de vencimento e PA no caso da COFINS. A única exceção ocorre para o débito de PISInstituições Financeiras de 02/1997, porque a Contribuinte apresentou em 09/08/2001 um pedido retificador para alteração de seu valor. Essa retificação, em 2001, produz efeito diferente daquela ocorrida em 2005, não só porque foi apresentada em tempo oportuno (antes da homologação tácita do pedido original), mas também por ter modificado elemento essencial do débito a ser compensado, ou seja, o seu valor. O pedido retificador de 2001, portanto, representou um novo marco para a contagem da homologação tácita. Por via de conseqüência, para esse caso específico, a retificação ocorrida em 21/11/2005 representou ato eficaz, eis que ocorreu antes da homologação tácita do pedido apresentado em 09/08/2001, alterandose novamente o valor do débito. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 284 13 Assim, em relação ao débito de PISInstituições Financeiras de 02/1997, no valor de R$ 118,46, o Despacho Decisório da Delegacia de origem se deu em tempo hábil. Para este débito, portanto, é necessário examinar o mérito da negativa em relação à homologação de sua compensação. Como já foi mencionado, a negativa ocorreu porque não restou devidamente demonstrada a apuração de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1997. Primeiramente, quanto aos argumentos sobre a delimitação da matéria a ser examinada nesta fase processual, sobre a preclusão de matérias, etc., cabe esclarecer que desde o início do processo, tanto nos pedidos originais quanto nos retificadores, a Contribuinte sempre fez constar que o crédito reivindicado decorria de IRPJ do anobase 1997. Também vale observar que no curso do procedimento, quando intimada para apresentar elementos de comprovação do crédito, ela passou a alegar que esse crédito não tinha origem somente em retenções ocorridas em 1997, mas também na atualização monetária de saldos de IRRF dos anoscalendário de 1995 e 1996. Contudo, em nenhum momento a Contribuinte esclareceu de que modo os alegados saldos negativos de 1995 e 1996 (ou melhor, sua correção pela SELIC) contribuíram para a formação do saldo negativo de IRPJ em 1997. É importante ressaltar que um determinado saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovandose no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação. Ocorre que, conforme indica a própria DIPJ do anobase 1997, a Contribuinte apurou prejuízo em todos os balancetes para a apuração de estimativas mensais, e, deste modo, não teria como aproveitar os tais saldos de IRRF de 1995 e 1996 para quitar estimativas em 1997, pois não existiram estimativas a serem recolhidas. Assim, não há possibilidade de um saldo negativo em 1997 que decorra de saldos de 1995 e 1996. Além disso, ao contrário do que alega a Recorrente, a negativa em relação a 1997 abrangeu todo o crédito por ela pleiteado, inclusive estes supostos saldos de 1995 e 1996, uma vez que eles não foram reivindicados diretamente, de forma autônoma, mas sim apresentados como justificativa para o saldo negativo de 1997 (que é o crédito reivindicado desde o início). Portanto, além de os alegados saldos de 1995 e 1996 não poderem contribuir para a comprovação do crédito reivindicado pela Contribuinte, também não há qualquer preclusão em relação a eles. Quanto aos valores de IR retidos propriamente em 1997, no valor de R$ 15.242,67, sua contribuição para a formação de saldo negativo a ser restituído/compensado dependeria ainda de outros aspectos, por exemplo, a comprovação de que as receitas que deram Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 285 14 causa a essas retenções foram oferecidas à tributação, conforme o art. 2º, § 4º, III, da Lei 9.430/1996 Mas isso deixou de ter relevância, pois os R$ 15.242,67, independentemente de serem formalmente reconhecidos como formadores de saldo negativo em 1997, já o foram indiretamente, em razão da homologação tácita das compensações de todos os outros débitos constantes deste processo. Com efeito, a homologação tácita da quitação dos outros débitos já absorveu totalmente esse valor, e não há crédito remanescente para a quitação do débito de PIS Instituições Financeiras de 02/1997, no valor de R$ 118,46. Deste modo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para: aplicar a homologação tácita em relação às compensações dos débitos relacionados nos pedidos apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999 (fls. 04/06 e fls. 63/65), com exceção do débito de PISInstituições Financeiras de 02/1997; negar a homologação da compensação do débito de PISInstituições Financeiras de 02/1997, no valor de R$ 118,46, por ausência de crédito. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002977/2005-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
NULIDADE. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF. SÚMULA CARF nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº
10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se
retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem comprovada, por documentos hábeis e idôneos, relacionados individualizadamente aos créditos bancários.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes
sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. Há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que
votaram por dar provimento em parte ao recurso, para excluir a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF. SÚMULA CARF nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem comprovada, por documentos hábeis e idôneos, relacionados individualizadamente aos créditos bancários. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por dar provimento em parte ao recurso, para excluir a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Fl. 559DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0224.619, proferido pela 2ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fl. 421), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação ao lançamento, para excluir da base de cálculo o montante de R$33.600,00, relativo a transferência entre contas do mesmo titular, e R$12.500,00 relativo à alienação de imóvel. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 287/294 pertinente ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), multa de oficio e juros de mora calculados até 31/10/2005, no montante de R$764.485,26, relativo aos exercícios de 2001, 2002 e 2003. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 — Depósitos bancários de origem não comprovada: omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituição financeira, em relação As quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. No citado Termo de Verificação Fiscal (TVF), anexado as fls. 271/286, consta o registro das intimações feitas e das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte no curso da ação fiscal, além do registro da emissão das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) pertinentes. Em seguida, a autoridade fiscal elaborou um demonstrativo dos depósitos bancários de origem não comprovada, concluindo com o lançamento dos valores correspondentes a titulo de omissão de rendimentos. Os demais documentos que fundamentaram a exigência constam das fls. 01/270, enquanto o Termo de Encerramento foi juntado a fl. 295. O contribuinte foi cientificado do lançamento, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 296, com data de postagem em 14/11/2005, tendo apresentado a impugnação de fls. 323/412, em 14/124005. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 441 3 O impugnante sustentou a tempestividade do contraditório apresentado e fez um resumo da autuação, prosseguindo com as razões de defesa a seguir sintetizadas. I — Nulidade do auto de infração relativamente ao ano 2000, lavrado a partir de dados obtidos por força da CPMF, contra vedação expressa de lei. Ressaltou o impugnante que jamais poderia a fiscalização valerse dos dados da CPMF para a lavratura de auto de infração relativo ao anobase de 2000, quando ainda estava em pleno vigor a redação original do § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996. Citou entendimentos doutrinários e jurisprudência do Judiciário, concluindo que não pode pretender o fisco utilizar a movimentação financeira anterior a janeiro de 2001 para efetuar lançamento de crédito tributário de outros impostos e contribuições que não a CPMF, porque a lei vigente ao tempo da realização dessa movimentação retirou dela esse efeito, não podendo lei posterior atribuílo relativamente a período passado sem ferir o principio da irretroatividade das leis. II — Necessidade de abatimento dos valores já constantes da declaração de rendimentos Argumentou o defendente que, por ser pessoa fisica, não possui uma contabilidade na qual registre todas as suas entradas e saídas e, como já salientado, a Lei n° 9.311, de 1996, na sua redação original em vigor em 2000, expressamente vedava a utilização dados da CPMF para lançamentos de outros tributos, razão pela qual não se preocupou o impugnante em manter arquivados quaisquer registros ou documentos, principalmente quanto ao anobase de 2000. Não obstante, não foram excluídos dos créditos apurados, os valores relativos a transferências entre contas e os ingressos já constantes de suas Declarações de Rendimentos, acentuando que não pode a fiscalização exigir a comprovação da totalidade dos depósitos apurados sem abater os ingressos já declarados, tenha ou não o contribuinte origem compatível dos mesmos. Registrou o impugnante que, a muito custo, conseguiu localizar documentos que comprovam que parte dos depósitos se refere aos valores declarados a titulo de salários (doc. 03). Assim, a menos que sejam excluídos dos valores apurados pela fiscalização os ingressos já consignados nas Declarações de Rendimentos, ficará o contribuinte sujeito à tributação em duplicidade. III — Comprovação da origem de créditos Salientou o impugnante que conseguiu identificar a origem de alguns depósitos, tendo feito os seguintes destaques: 1 — Transferências entre contas da mesma titularidade: R$33.600,00 — doc. 02; 2 — Salários pagos em atraso e creditados sem esta identificação: R$25.019,23 — doc. 03; 3 — Empréstimos: R$358.087,20 — doc. 04; 4— Reembolso de despesas: R$72.499,05, R$6.640,05 e R$9.274,99 — doc. 05; 5 — Reembolso de valores pagos em decorrência de fiança em contrato de locação: R$47.938,69 — doc. 06; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 6 — Valores constantes das Declarações de Bens cujos montantes devem ser considerados para justificar os depósitos bancários nos mesmos montantes: R$197.470,60; 7— Apartamento na Rua Hermida Cerbino: R$67.500,00 (doc. 08) Acrescentou o impugnante que protocolou nas instituições financeiras especificadas correspondências solicitando a identificação de inúmeros depósitos, reservandose o direito de, nos termos do art. 16, § 4 °, letra 'a' do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, juntálos aos autos quando receber a resposta dos Bancos, juntamente com outros documentos da mesma natureza que venha a encontrar (doc. 09). — Desconsideração da margem legal de R$80.000,00 ao ano Sustentou o impugnante que a fiscalização deixou de considerar a dedução legal de R$80.000,00 ao ano, expressamente prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo citado jurisprudência administrativa acerca do assunto. V — Da exigência de juros sobre multa Fazendo referência a julgados administrativos, argumentou o autuado que a exigência de juros sobre multa é totalmente ilegal e inconstitucional, não devendo prevalecer por falta de embasamento legal que a autorize. VI— Da imprestabilidade da taxa Selic como índice para efeitos de cômputo dos juros de mora O impugnante fez menção a normas do Código Tributário Nacional (CTN) e jurisprudência judicial para contestar a incidência de juros de mora com base na taxa Selic. VII— Arrolamento de bens O impugnante se manifestou contrariamente As regras pertinentes ao arrolamento de bens. VIII Conclusão Em suma, o impugnante ressaltou que restou demonstrado que o auto de infração não pode prevalecer na medida em que: a) é nulo relativamente ao ano 2000, porque lavrado com base em fiscalização instaurada a partir de dados obtidos por força da CPMF, contra expressa vedação legal; b) deveria a fiscalização ter abatido dos depósitos apurados os ingressos e as disponibilidades financeiras informadas a titulo de dinheiro em espécie, poupança, CDB e outras rubricas semelhantes, já constantes das Declarações de Rendimentos, além dos valores relativos a transferência entre contas e a dedução legal de R$80.000,00; c) além disso, ajuntada ora realizada de documentos comprobat6rios da origem de recursos que justificam os depósitos bancários assinalados evidencia que, a prevalecer o auto de infração, estarão sendo tributados valores que não consubstanciam efetiva omissão de receita; d) finalmente, jamais seriam devidos juros de mora calculados com base na taxa Selic, nem sobre multas por falta de amparo legal. Pede e espera o impugnante que seja acolhida a presente impugnação, a fim de que seja julgado totalmente insubsistente o auto de infração lavrado. Reitera ainda que todas as intimações referentes ao presente feito sejam dirigidas ao advogado por ele nomeado. À fl. 357, o impugnante fez uma relação dos documentos apresentados, anexados As fls. 358/412. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 442 5 De acordo com o despacho da fl. 418, o processo foi encaminhado A DRJ/BHE/MG, tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 167, de 29/01/2008. Posteriormente, foi editada a Portaria DRJ/BHE n° 9, de 06/04/2009, designando a 2a Turma para o julgamento do processo. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manifestouse nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF De acordo com a legislação vigente, ficou facultada à autoridade fiscal a utilização de informações prestadas atinentes à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF para instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS DE VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00 Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, no caso de pessoa fisica, devem ser considerados todos os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, quando seu somatório, dentro do anocalendário, ultrapassar o valor de R$80.000,00. DEPÓSITOS COMPROVADOS Devem ser excluídos do lançamento os valores correspondentes a transferências entre contas do mesmo titular, ficando afastada ainda a presunção legal de omissão de rendimentos, nos casos em que a documentação ateste que os recursos depositados são provenientes dos rendimentos tributáveis, isentos ou de tributação exclusiva auferidos durante o anocalendário, ou oriundos do patrimônio declarado pelo contribuinte. JUROS DE MORA TAXA SELIC Fl. 563DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 legitima a exigência de juros de mora calculados com base em percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, incidente sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, alcançando o principal e a multa lançados de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 452/492, o contribuinte analisa e discute os termos da decisão recorrida e reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo, na parte que lhe foi desfavorável. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das pelas processuais, verificase que a decisão de primeiro grau não merece qualquer reparo. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do Auto de Infração, relativamente ao ano de 2000, tendo em vista que estava em pleno vigor a redação original da Lei n° 9.311/96, que em seu art. 11, § 3°, vedava expressamente a utilização de dados obtidos por força da CPMF para lavratura de autos de infração. Esta questão já foi muito debatida neste CARF e a jurisprudência mansa e pacífica que se firmou deu azo à edição da Súmula CARF nº 35, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. De fato, a Lei n° 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou a redação do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, facultou a utilização de informações prestadas atinentes à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, para instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições. No entanto, quanto aos aspectos meramente formais ou procedimentais, segundo o § 1° do mesmo artigo 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente a ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Acrescentese que no Recurso Extraordinário 61.314/SP, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral tanto da questão do fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial quanto a da possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174, de 2001, para a apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua Fl. 564DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 443 7 vigência. No entanto, não determinou o sobrestamento dos recursos extraordinários versando sobre os mesmos temas, até que seja proferida decisão nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), condição exigida no § 1º do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que fiquem sobrestados os recursos que tratem de temas idênticos neste âmbito administrativo. No mérito, a tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Fl. 565DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Alfredo Augusto Becker1, alicerçado na doutrina francesa e espanhola, ao distinguir presunção legal e ficção legal, assim escreveu: Existe uma diferença radical entre a presunção legal e a ficção legal. ‘A presunção tem por ponto de partida a verdade de um fato: de um fato conhecido se infere outro desconhecido. A ficção, todavia, nasce de uma falsidade. Na ficção, a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente (ou com toda a certeza) falso. Na presunção a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numa provável (ou certa) falsidade é ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade é presunção legal`. A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõese a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. A regra jurídica cria uma ficção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é improvável (ou falsa) porque falta correlação natural de existência entre os dois fatos. Para Pontes de Miranda2, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste 1 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3ª. ed. – São Paulo: Lejus, 1998, pág. 509. Ed. Lejus 2 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 444 9 sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de nº 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 10 Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar a origem dos créditos bancários (fls. 261/270), mediante apresentação de documento hábil e idôneo, cumprindo requisito fundamental estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para que a presunção legal utilizada no lançamento em exame possa ser validamente aplicada. Tendo em vista a falta de apresentação de resposta à referida intimação, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal e o Auto de Infração de fls. 271/294. No julgamento de primeira instância os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte foram minuciosamente analisados, sendo excluídos todos os depósitos decorrentes de transferência entre contas do mesmo titular. As demais questões decididas no voto condutor da decisão recorrida estão em consonância com reiteradas manifestações deste Colegiado. Com efeito, não se desconhece a regra do art. 42, § 3 °, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos na situação em causa, devem ser considerados todos os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, uma vez que seu somatório, dentro do anocalendário, ultrapassou o valor de R$80.000,00, conforme listagem dos depósitos bancários sem origem comprovada indicada no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 272/285. Em relação aos elementos de prova apresentados pelo contribuinte, em sede de impugnação, o voto condutor da decisão recorrida foi bastante claro e objetivo em indicar quais os documentos que seriam hábeis e idôneos para cada situação trazida pela defesa para comprovar a origem dos depósitos bancários. De fato, para o recebimento de salários em atraso e creditados em conta bancária sem esta identificação a declaração prestada pela Associação de Ensino Superior de Nova Iguaçu (fl. 361) sequer individualiza os valores, as datas e a conta da instituição bancária de titularidade do autuado que recebeu o crédito. A relação contendo os supostos salários em atraso consta do demonstrativo de fl. 362, elaborada pelo próprio contribuinte, que se encontra sem qualquer assinatura ou rubrica e segue o mesmo padrão das demais planilhas apresentadas que acompanham demais declarações anexadas (fls. 360, 364/366, 378/379, 385, 388 e 399). O documento hábil e idôneo para tal comprovação é o contracheque. No que tange aos empréstimos, segundo o contribuinte, foram identificados inúmeros valores de empréstimos de curto prazo "tomados de e/ou concedidos" a seu cunhado, Luis Felipe Raunheitti, nos anos de 2000, 2001 e 2002. Foi apresentada declaração prestada por Luis Felipe (fl. 363) e elaborado demonstrativo dos supostos empréstimos (fls. 364/366). Anexou ainda cópia de documentação relativa a empréstimos obtidos diretamente em instituições financeiras (fls. 368/373). Objetivamente, a declaração prestada pelo cunhado do interessado, segundo a qual teria tomado ou concedido empréstimos ao autuado, é insuficiente para comprovar a origem dos depósitos no montante de R$358.087,20 relacionados pelo impugnante as fls. 364/366, na medida em que não foi anexada nenhuma documentação que ateste a efetiva transferência dos recursos do suposto supridor para o impugnante, nas datas e valores consignados nos extratos bancários, lembrando que essa comprovação deve ser feita de forma individualizada, a teor das disposições do art. 42, § 3° da Lei n° 9.430, de 1996. Notese ainda que as declarações de ajuste do autuado pertinentes aos períodos fiscalizados (fls. 05/14) sequer sinalizam a existência desses empréstimos, seja como tomador (no quadro Divida ou Ônus Reais) ou como emprestador (direito de crédito na Fl. 568DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 445 11 Declaração de Bens e Direitos), relativamente a eventuais saldos a pagar ou a receber nessas supostas operações de mútuo, nas quais o autuado figuraria ora como tomador ora como emprestador. Por outro lado, a documentação pertinente a empréstimos obtidos em instituições financeiras não fazem prova da existência dos alegados empréstimos particulares, lembrando que as importâncias correspondentes aos documentos de fls. 368/373 não compuseram o levantamento fiscal como depósitos de origem não comprovada, a teor dos registros feitos na Tabela n° 1 no TVF. Sobre o reembolso de despesas efetuado por empresas das quais participava do quadro societário, em razão de dificuldades financeiras por elas enfrentadas, conforme bem assentado na decisão recorrida, o contribuinte apresentou declaração do Centro de Diagnóstico de Nova Iguaçu Ltda, acompanhada de documento denominado "classificação contábil" contendo o carimbo do CNPJ da empresa (fls. 374/377), seguida da relação dos supostos desembolsos de despesas (fls. 378/379). Também foi anexado documento contábil com carimbo da empresa Global Assistência Médica S/C (fls. 380/384) e a relação correspondente aos supostos desembolsos de despesas (fl. 385). Entretanto, não foi apresentado nenhum documento que ateste o pagamento de despesas das empresas, efetuado pelo contribuinte, nos valores correspondentes aos supostos reembolsos representados pelos depósitos indicados nos demonstrativos elaborados pelo impugnante as fls. 374/377 e 385. A defesa deveria ter juntado aos autos não meros documentos de "classificação contábil", mas a contabilidade propriamente dita, com os registros contábeis das supostas despesas pagas, do débito para com o autuado e do posterior reembolso, além dos documentos pertinentes as operações contabilizadas, a fim de atestar a identidade entre os valores dessas despesas e dos depósitos (reembolsos) efetuados posteriormente. O recorrente também alega que arcou com pagamentos de aluguel, multa e outras despesas no valor de R$47.938,69, no período de 2000, 2001 e 2002, por ter figurado como fiador em contrato de locação. Foi anexada declaração da imobiliária relatando que recebeu diversos pagamentos em cheques emitidos pelo autuado para quitação de aluguéis e condomínios, no período de 2001 e 2002, declaração do irmão do locatário (já falecido) afirmando ter conhecimento do pagamento da divida, planilha elaborada pelo impugnante dos depósitos identificados como reembolso dos pagamentos, além do contrato de locação (fls. 385/394). Contudo, as declarações apresentadas contém relato genérico acerca dos valores recebidos pela imobiliária e dos pagamentos do afiançado, não havendo objetivamente nenhum documento que ateste quanto foi pago pelo autuado em decorrência da fiança prestada (recibos emitidos pela imobiliária ou proprietário), a fim de possibilitar o confronto dos valores pertinentes com os recebimentos representados pelos depósitos indicados no demonstrativo elaborado pelo próprio contribuinte, à fl. 388. O contribuinte apresentou uma relação de bens baixados de suas declarações nos respectivos anoscalendário, tendo salientado que os valores em dinheiro zerados em 2001 e 2002 e os valores dos bens zerados em 2000, transformados em dinheiro, deveriam ser considerados para efeito de justificar os depósitos bancários. O entendimento deste Colegiado sobre tal questão é que é desnecessária a escrituração contábil para a pessoa física comprovar os fatos informados em sua DIRPF, e que não é a mera indicação de registros feitos na declaração de ajuste anual que automaticamente irá justificar a origem de depósitos bancários, desacompanhada da documentação comprobatória hábil e idônea, com a respectiva indicação do depósito bancário relacionado à transação. Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de Fl. 569DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 12 1996, a fiscalização deve elaborar demonstrativo dos créditos de forma individualizada, com data, valores e histórico, e a comprovação da origem dos créditos também deve ser feita de forma individualizada pelo contribuinte, diferentemente do que ocorre com a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, que não necessita dessa vinculação. Embora desobrigada de escrituração, a pessoa fisica não está dispensada de manter em boa ordem e guarda os documentos que deram suporte à elaboração da DIRPF. A venda de um carro, por exemplo, pode não transitar pela conta bancária do vendedor, se o veículo foi dado como parte do pagamento do veículo novo, como é usual. Da mesma forma, rendimentos informados na DIRPF não podem automaticamente ser excluídos da base de cálculo do lançamento, pois o contribuinte deve indicar a quais depósitos bancários os rendimentos estão relacionados. É preciso, realmente, estabelecer a ligação da operação com o respectivo depósito bancário. Em relação à alienação de veiculo e imóvel, o próprio impugnante reconheceu a insuficiência de comprovação, ao registrar que não lograra localizar os documentos pertinentes às vendas realizadas. Sobre a venda do apartamento da rua Hermida Cerbino, o contribuinte alega ter recebido em conta bancária nos anos de 2000, 2001 e 2002, respectivamente, R$15.000,00 R$17.500,00 e R$25.190,00. Foi anexada declaração firmada pelo comprador (fl. 398), na qual consta que houve o pagamento de 48 parcelas de R$2.500,00, a partir do ano de 2000. O impugnante anexou a relação dos depósitos à fl. 399, identificando valores nos anos de 2000, 2001 e 2002, totalizando a importância de R$57.690,00, e a Escritura Pública de fls. 400/403. Nesta situação específica, A análise realizada no julgamento de primeiro instância, à fl. 436, tem suporte no principal elemento de prova relacionada a esta questão, que é a Escritura Pública de fls. 400/403, e já considerou na redução de R$12.500,00 da base de calculo do lançamento em exame, razão pela qual não merece qualquer reparo. No que tange à cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, nunca é demais enfatizar que a assunto não comporta mais discussão no âmbito deste o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que após inúmeros debates a respeito de sua legalidade e constitucionalidade, com suporte em mansa e pacífica jurisprudência, editou a Súmula nº 4 (antigas Súmulas nos 4 do 1º e 3º Conselhos de Contribuinte e 3 do 2º Conselho de Contribuinte), que possui o seguinte conteúdo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada no auto de infração, decorre da norma veiculada através do art. 161 do CTN, o qual tem o seguinte texto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 446 13 § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Sobre a matéria, o i. Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, em estudo primoroso, faz as seguintes considerações no Acórdão nº 10423.441, sessão de 10 de setembro de 2008, com as quais concordo e transcrevo: “A indagação a ser respondida é se a multa de ofício integra ou não o “crédito” a que se refere o caput do artigo. A resposta encontrase no próprio CTN, em diversos dispositivos, mas em especial nos artigos 113 e 139 que, combinadamente, definem o que integra o crédito tributário. O primeiro versa sobre a obrigação tributária e incorpora, no que chama de obrigação principal, o pagamento do tributo e penalidade pecuniária, senão vejamos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (...) O art. 139, por sua vez, afirma que “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 14 Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que a penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral “do crédito tributário”, mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1º, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral “do tributo”, pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10ª ed., Atual – São Paul, pág. 379). Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. A legislação que trata dos juros de mora no pagamento de crédito tributário com atraso passou, nas últimas décadas, por várias mudanças, em grande parte provocadas pela instituição e posterior extinção da correção monetária na apuração e cobrança do crédito Fl. 572DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 447 15 tributário, mormente no processo de extinção. Releva, portanto, fazer um breve histórico dessa evolução, iniciando a partir do DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, que disciplinou a matéria nos seguintes termos: Art 1º O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. Parágrafo único. A multa de mora será 30% (trinta por cento), reduzindose para 15% (quinze por cento) se o débito for pago até o último dia útil do mês calendário subseqüente ao do seu vencimento. Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Art 6º Para os fins dos artigos 1º e 2º do Decretolei nº 1.687, de 18 de julho de 1979, tomarseá o valor de que trata o artigo 1º do Decretolei nº 1.699, de 16 de outubro de 1979. Como se percebe, havia previsão de incidência de multa de mora e de juros de mora, estes à razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, calculados sobre o valor originário do débito, que incluía a multa de ofício, conforme se depreende do exame do artigo terceiro. Registrese, ainda, que sobre esses débitos incidia também correção monetária, instituída desde 1964, pela Lei nº 4.357, de 1964. É interessante notar, inclusive, que o parágrafo único do art. 2º excluía, expressamente, a possibilidade de incidência dos juros sobre a multa de mora, o que seria desnecessário já que o art. 3º, ao se referir às parcelas dos débitos que não integram a base de cálculo dos juros se referia à multa de mora. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 16 Várias outras normas foram editadas após esta versando a mesma matéria. O Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro, de 1987, manteve a incidência dos juros sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e, portanto, também sobre a multa de ofício, com o acréscimo de que o encargo passou a incidir sobre o débito atualizado monetariamente, a saber: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. Na seqüência, veio a Lei nº 7.738, de 09 de março, de 1989 que inovou ao restringir a aplicação dos juros de mora aos “tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda”, atualizados monetariamente, retirando, assim, da sua base de cálculo as penalidades pecuniárias. Confirase: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. § 1º A multa de mora será reduzida a quinze por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que deveria ter sido pago. § 2º O encargo de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 1.025, de 21 de outubro e 1969, será calculado sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. A Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989 tratou da questão e manteve a incidência de juros sobre os tributos e contribuições corrigidos monetariamente, tendo remetido sua aplicação à legislação pertinente, a saber: Art. 74. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que deveria ter sido pago. Pouco tempo depois foi editada a Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, que novamente passou a prever a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, não mais à razão de 1% ao mês, mas com base na TRD, confirase: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: Fl. 574DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 448 17 I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (...) O art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991, contudo, teve vida curta, aplicandose apenas no período de julho a dezembro de 1991, pois sobreveio a Lei nº 8.383, de 1991 que regulou a matéria, com vigência a partir 1º de janeiro de 1992. A nova lei previu a incidência de juros, agora à taxa de 1% ao mês, incidente sobre os tributos ou contribuições, corrigidos monetariamente, verbis: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. Veio então a Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, que deu início a um processo que culminaria com a eliminação da correção monetária dos débitos tributários ao determinar a apuração dos impostos e contribuições, a partir de 1º de janeiro de 1995, em Reais e não mais em Ufir, e alterou normas relativas aos juros de mora e à multa de mora com vistas a adaptar a legislação a essa nova realidade, a saber: Art. 5º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores ocorrerem até 31 de dezembro de 1994, inclusive os que foram objeto de parcelamento, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para Real com base no valor desta fixado para o trimestre do pagamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica também às contribuições sociais arrecadadas pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), relativas a períodos de competência anteriores a 1º de janeiro de 1995. Art. 6º Os tributos e contribuições sociais, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, serão apurados em Reais. (...) Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: Fl. 575DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 18 I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativos ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 19.7.2002) Uma primeira e importante mudança introduzida pela Lei nº 8.981, de 1995 é a de que, com a apuração dos tributos e contribuições em Reais, a partir de 1º de janeiro de 1995, os débitos tributários deixaram de ser corrigidos monetariamente. Ao mesmo tempo, a Lei cuidou para que, sobre esses débitos, passasse a incidir juros calculados, inicialmente, com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Mobiliária Federal e, logo em seguida, com base na Selic. Os débitos em geral relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, contudo, continuaram sendo apurados e cobrados em Ufir, e convertidos para Reais apenas quando do pagamento, com base na Ufir vigente no trimestre em que este ocorresse. A partir de 1995, portanto, iniciouse o processo de transição de um sistema com correção monetária dos débitos Fl. 576DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 449 19 fiscais para um sistema sem correção monetária, no qual conviviam débitos apurados em Ufir, portanto, sujeitos a correção monetária e juros de 1% ao mês, inclusive sobre a multa de ofício, e débitos apurados em Reais, portanto, sem correção monetária, sujeitos a juros calculados com base na taxa Selic. Pelo texto do artigo 8ª da lei, contudo, os juros com base na taxa Selic seriam aplicados apenas sobre os tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal (caput), as contribuições arrecadadas pelo INSS e os débitos para com o patrimônio imobiliário. Logo em seguida à edição da Lei nº 8.981, de 1985, porém, a Medida Provisória nº 1.110 de 30 de agosto de 1995, a qual, depois de muitas reedições, com várias alterações e acréscimos, foi convertida na Lei nº 10.522, de 2002, acrescentou ao art. 84 da lei o parágrafo oitavo, já incluído no texto transcrito acima, o qual ampliou a aplicação do disposto no artigo “aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.” Como já referido, a lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, definiu que os juros a que se refere o art. 84, I da Lei 8.981, de 1995, e em outros dispositivos legais, passariam a ser calculados com base na taxa Selic, conforme seu artigo 13, verbis: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Quando da edição da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, estava em vigor a regra contida na Lei nº 8.981, conforme acima apresentado, e que, sem considerar, por enquanto, o seu parágrafo oitavo, não previa a incidência de juros sobre a multa. Sobreveio então a Lei nº 9.430, de 1996, objeto da controvérsia, que disciplinou a matéria nos artigos 43, parágrafo único e 61, a seguir reproduzidos: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 577DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 20 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 62. Os juros a que se referem o inciso III do art. 14 e o art. 16, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, serão calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos. Parágrafo único. As quotas do imposto sobre a propriedade territorial rural a que se refere a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, serão acrescidas de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente àquele em que o contribuinte for notificado até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Que a lei prevê a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício exigida isoladamente não se discute, dada a clareza cristalina do texto do artigo 43. A controvérsia é sobre a previsão legal de incidência dos juros sobre a multa exigida conjuntamente com o tributo e gira em torno do sentido e alcance da sentença “Débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. É interessante notar que toda a legislação anterior que versou essa matéria referiuse a débitos de qualquer natureza ou a tributos e contribuições, quando quis fazer incidir os juros sobres os débitos em geral, inclusive multa de ofício, ou apenas sobre os tributos e contribuições, exclusive a multa de ofício. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por seu turno, adotou formato distinto ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, o que acabou suscitando a polêmica da qual nos ocupamos neste momento. Sobre o mérito da questão, insta registrar, como início de discussão, que o verbete decorrente é desses que comportam diferentes significações, tais como advindo, originado, derivado, resultado, nascido, procedente, como se colhe dos dicionários e, portanto, a expressão débitos decorrentes de tributos e contribuições, do ponto de vista gramatical e etimológico, tanto poderia se referir aos próprios débitos do tributo ou contribuição como àqueles relacionados com eles, derivados deles, originado deles, como é o caso da multa pelo seu não pagamento, acepções nas quais, vale ressaltar, a legislação tributária já utilizou essa palavra em outros dispositivos, como demonstrarei mais adiante. Vejome forçado, portanto, a divergir frontalmente da ilustre Conselheira da Primeira Câmara deste Conselho de Contribuintes, Sandra Faroni, que goza de merecido prestígio neste Conselho, quando afirma que a expressão em comento não incluiria a multa de ofício, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. (Ac. 10195469, de 26/04/2006 e Ac. 10195802, de 19/10/2006). Com a devida vênia, não vislumbro nenhuma base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 450 21 Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de ofício está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de ofício integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de ofício se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de ofício. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430, de 1996. O primeiro prescreve que, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de ofício de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de ofício, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. Não é sem razão que os Regulamentos do Imposto de Renda de 1994 e o de 1999, para que não pairassem dúvidas sobre isso, dedicaram um dispositivo especificamente para esclarecer essa questão, senão vejamos. Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994 RIR/94: Art. 985. O imposto que não for pago até a data do vencimento ficará sujeito à multa de mora de vinte por cento calculada sobre o valor do tributo atualizado monetariamente (Lei nº 8.383/91, art. 59). (...) § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.(sublinhei) Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). (...) § 3ºA multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a Fl. 579DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 22 aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. (sublinhei) Portanto, não só não há possibilidade de incidência de multa de mora sobre a multa de ofício, como não há de incidência da multa de mora sobre os tributos e contribuições que serviram de base de cálculo para a multa de ofício, muito embora, neste último caso, o texto da lei, se examinado apenas no seu aspecto gramatical, diga o contrário. É dizer, o argumento de que o caput do artigo não inclui a multa de ofício porque se assim o fizesse haveria contradição com a parte final do mesmo artigo não é válido porque, como se vê, a exclusão da multa de ofício não resolveria essa contradição, pois, como vimos, a se interpretar o dispositivo pelo seu aspecto estritamente gramatical, seríamos forçados a concluir que a Lei nº 9.430, de 1996 prevê a dupla incidência da multa de ofício e da multa de mora sobre o mesmo débito. E nem se diga que o caput do artigo, ao se referir a tributos e contribuições, quis alcançar apenas os débitos que não serviram de base para a multa de ofício, pois essa afirmação levaria à conclusão de que o art. 61 da lei não prevê a incidência de juros sobre os tributos lançados de ofício com multa proporcional. Aliás, como pode ser facilmente verificado com o reexame dos textos legais reproduzidos nesta análise, todos os dispositivos legais que tratam da incidência da multa de mora teriam essa mesma impropriedade, mas isso nunca impediu que se os interpretasse corretamente entendendo que os juros incidem sobre os débitos lançados de ofício, o que se fez sempre superando as deficiências da linguagem com a apreciação científica e sistemática do texto. Sendo assim, se é legítimo concluir que os débitos de tributos e contribuições que serviram de base para o lançamento de ofício integram o caput do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e, portanto, sobre eles incide juros de mora, mesmo sabendo da impossibilidade de incidência de multa de mora sobre esses débitos, não há qualquer razão para não se admitir, sob o argumento da impropriedade gramatical, que a multa de ofício também integra o dispositivo e, portanto, que sobre ela incida juros de mora, pois as situações são absolutamente idênticas. É de se concluir, assim, que o que se tem neste caso é um exemplo claro de uma impropriedade gramatical, decorrência natural das limitações lingüísticas e da forma peculiar do processo legislativo, o que por si só desautoriza a pressa em se eleger como “correta” a interpretação que harmonize gramaticalmente o texto, o que, como se viu, neste caso, nem isso se consegue. É certo, contudo, que a simples demonstração da possibilidade de a multa de ofício integrar o caput do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não significa necessariamente que assim seja. É preciso um esforço adicional de análise para afirmar a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Seguindo a recomendação de Carlos Maximiliano, procurei identificar o uso do termo decorrente em outras normas relativas a tributos e contribuições com a acepção de débitos derivados, relacionados com tributos e contribuições, e não tive dificuldade em encontrar. O próprio art. 5º da Lei nº 8.981, de 1995, já reproduzido acima, referese aos débitos decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, texto que foi reproduzido pelo artigo 29 da Lei nº 10.522, de 2002, introduzido pela Medida Provisória nº 1.542, de 18/12/1996 (e não MP nº 1.621 31, de 13 de janeiro de 1998, como referido em alguns votos). Confirase: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 451 23 § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Ora, embora o dispositivo se refira a débitos decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, claramente quer se referir também à multa de ofício e a outros encargos incidentes sobre o valor do tributo ou, do contrário, seríamos forçados a concluir que essas penalidades não seriam convertidas para Reais quando do seu pagamento, nas hipóteses do art. 5º da Lei nº 8.981, de 1995, e os débitos não pagos ou parcelados não seriam convertidos para Reais em 1º de janeiro de 1997. Já o art. 30 da mesma Lei prevê a incidência de juros calculados com base na taxa Selic sobre os débitos referidos no art. 29. Ora, ou bem os débitos decorrentes de contribuições incluem as penalidades e há a incidência de juros sobre estas, ou bem não incluem e não haveria norma determinando a conversão para Reais dos débitos relativos a essas parcelas. Não tenho dúvidas, portanto, de que a primeira opção é a que melhor traduz o sentido e alcance da norma e, neste caso, se verifica situação semelhante à de que se cuida neste processo. É interessante notar, a propósito, que ambos os artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002, foram introduzidas no nosso ordenamento em dezembro de 1996, com poucos dias de diferença da aprovação da Lei nº 9.430, de 1996. Nessa mesma linha de raciocínio, a recente Lei nº 10.547, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil se refere a “dívida ativa decorrente de contribuições” no contexto em que, evidentemente, se referia à contribuição e seus acréscimos, inclusive multa, como nos §§ 1º e 2º do art. 16, verbis: Art. 16. A partir do 1o (primeiro) dia do 2o (segundo) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o débito original e seus acréscimos legais, além de outras multas previstas em lei, relativos às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei, constituem dívida ativa da União. § 1o A partir do 1o (primeiro) dia do 13o (décimo terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o disposto no caput deste artigo se estende à dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Fl. 581DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 24 da Educação FNDE decorrente das contribuições a que se referem os arts. 2o e 3o desta Lei. § 2o Aplicase à arrecadação da dívida ativa decorrente das contribuições de que trata o art. 2o desta Lei o disposto no § 1o daquele artigo. (sublinhei) Notese que o caput do artigo, ao se referir aos débitos que passam a ser Dívida Ativa da União DAU, menciona textualmente a contribuição e os acréscimos legais; já nos parágrafos, quando trata da transferência da dívida ativa do INSS e do FNDE, menciona apenas aquela decorrente das contribuições, o que, necessariamente, inclui todos os acréscimos ou, de outro modo, a lei estaria transferindo para a DAU apenas parte da dívida, o que não faz sentido. Situação semelhante se vê no § 2º, ao determinar este que a dívida ativa decorrente das contribuições referidas no artigo 2º da lei será destinada ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Enfim, como se pode ver, a palavra decorrente não apenas pode ser utilizada no sentido de derivar, estar relacionado a, advir de, como efetivamente foi utilizada com essa acepção em outras situações semelhantes a que se tem no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei nº 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5º, transcritos acima. Relembrese que a Lei nº 8.981, de 1995 determinou que, a partir de 1º de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6º), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5º), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5º). O que a Medida Provisória nº 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1º de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1º de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1º de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação específica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. Merece alguns comentários, também, o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/1998, que da interpretação do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 e da Medida Fl. 582DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 452 25 Provisória nº 1.621, convertida na Lei nº 10.522, de 2002, concluiu pela incidência, a partir de 1º de janeiro de 1997, de juros sobre a multa em relação aos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram antes de 31/12/1994 e posteriores a 1º de janeiro de 1997, a saber: 3 (...) Assim, desde 01/01/1997, as multa de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, desde que estejam associados a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31/12/1994, se não tiverem sido objeto de parcelamento até 31/08/1995. Esse parecer, como transparece claro de seu exame cuidadoso, limitase a interpretar o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e os artigos 29 e 30 da Medida Provisória nº 1.621, e, ainda, o art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, para concluir que quanto aos débitos relativos a fatos geradores ocorridos nos anos de 1995 e 1996, somente havia previsão legal de incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos e contribuições, e que em relação aos períodos anteriores e posteriores a estes, há previsão legal de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Verifico, entretanto, que o Parecer deixou de considerar o § 8º da Lei nº 8.981, de 1995, introduzido pela Medida Provisória nº 1.110, de 30 de agosto de 1995, a conhecida Medida Provisória do CADIN que, após várias e sucessivas reedições, com acréscimos e alterações, veio a ser convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e que estendeu o disposto no artigo 84 da Lei nº 8.981, de 1995 “aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Ora, se o referido dispositivo previa a incidência de juros de mora apenas sobre os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, às contribuições arrecadadas pelo INSS e para com o patrimônio da União, com o parágrafo 8º os juros passariam a incidir sobre todos os débitos mencionados no dispositivo que, por certo, incluem as multas de ofício, conforme se pode extrair da análise das normas que tratam da Dívida Ativa da União e de sua administração e cobrança, a saber: Lei nº 6.840, de 22 de setembro de 1980: Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. § 1º Qualquer valor, cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º, será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. § 2º A Dívida Ativa da Fazenda Pública, compreendendo a tributária e a não tributária, abrange atualização monetária, juros e multa de mora e demais encargos previstos em lei ou contrato. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 26 § 3º A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo da legalidade, será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo. § 4º A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964: Art. 39. Os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária, serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecadados, nas respectivas rubricas orçamentárias. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). § 1º Os créditos de que trata este artigo, exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento, serão inscritos, na forma da legislação própria, como Dívida Ativa, em registro próprio, após apurada a sua liquidez e certeza, e a respectiva receita será escriturada a esse título. (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). § 2º Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza, proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas, e Dívida Ativa não Tributária são os demais créditos da Fazenda Pública, tais como os provenientes de empréstimos compulsórios, contribuições estabelecidas em lei, multa de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros, laudêmios, alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos, indenizações, reposições, restituições, alcances dos responsáveis definitivamente julgados, bem assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de subrogação de hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações legais. (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). Vale ressaltar que em todas as reedições posteriores da Medida Provisória em questão, inclusive após a Lei nº 9.430, de 1996, o mesmo dispositivo foi repetido, até ser finalmente convertida a Medida Provisória na Lei nº 10.522, de 2002 e o dispositivo em questão ter se transformado no artigo 17 dessa lei. Notese que, do ponto de vista gramatical, dizer que algo “aplicase aos demais créditos” não significa outra coisa senão que se aplica a todos os créditos sobre os quais não se aplicava antes, o que, no contexto que estamos tratando, significa que a os juros com base na taxa Selic incidiria sobre todos os créditos, inclusive os juros de mora. É claro, por tudo o que foi dito até aqui, que há sempre a possibilidade de que a leitura estritamente gramatical não seja suficiente para se extrair do texto da lei o seu conteúdo normativo; que apesar de as palavras denotarem um certo significado, o sentido da norma pode ser outro. Mas, para tanto, é preciso demonstrar, a exemplo do que procurei fazer ao longo de toda esta análise, que esse sentido que se pretende dar é o que melhor harmoniza o sistema de normas, apesar da leitura gramatical apontar noutra direção. De minha parte, considerando o contexto em que a norma foi editada, durante uma transição que se fazia do sistema com correção monetária para um sistema sem indexação, Fl. 584DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 453 27 quando se verifica uma inequívoca tendência a se passar a aplicar juros Selic sobre os débitos em geral, não corrigidos monetariamente, não vislumbro como uma interpretação mais restritiva deva prevalecer. Diante disso, não vejo como se pretender uma interpretação do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996 que restrinja a incidência dos juros de mora aos tributos e contribuições relativos a fatos geradores a partir de 1997, atribuindo ao vocábulo decorrente a acepção mais restritiva, quando a mesma lei prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício exigida isoladamente, e na mesma época que editada a lei em questão foi editada medida provisória prevendo a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir de 1997 sobre débitos em geral, relativos a fatos geradores anteriores a 1994; quando norma em vigor estendia a incidência dos juros Selic aos demais créditos da Fazenda Nacional; e, ainda, quando o parágrafo 8º do art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, introduzido pela Medida Provisória nº 1.110, de 30 de agosto de 1995 já estendia a todos os demais débitos da Fazenda Nacional o disposto no referido artigo que, entre outras coisas, previa a incidência de juros com base na taxa de captação da Dívida Mobiliária Federal Interna e, posteriormente, com base na Selic.” Desta forma, entendo que há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. No tocante ao arrolamento de bens e direitos, cumpre esclarecer que a questão constitui matéria estranha ao presente processo administrativo fiscal, que trata especificamente do lançamento do crédito tributário em decorrência de infrações apuradas em procedimento fiscal levado a efeito contra o contribuinte qualificado nos autos. Conforme consta da tela de fl. 313, o Arrolamento de Bens e Direitos, cujo regramento legal pode ser encontrado especialmente no art. 64 da Lei n° 9.532, de 1997, e nos arts. 4° e 7° da Instrução Normativa SRF n° 264, de 20 de dezembro de 2002, foi formalizado em processo próprio, que recebeu o n° 10735.003076/200579. Por fim, rejeito o pedido dos patronos do recorrente para que as intimações sejam a eles dirigidas, tendo em vista que as intimações, no âmbito do processo administrativo fiscal, devem ser encaminhadas para o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, conforme dispõem o inciso II e o § 4º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 585DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 28 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 13804.001909/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 29/12/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DESONERADOS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens desonerados do IPI, inclusive isentos e não-tributados, não geram créditos para dedução do imposto devido na saída dos produtos industrializados. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. Indeferido o pedido de ressarcimento, o julgamento da incidência ou não de juros compensatórios sobre ele ficou prejudicado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.477
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 29/12/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DESONERADOS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens desonerados do IPI, inclusive isentos e nãotributados, não geram créditos para dedução do imposto devido na saída dos produtos industrializados. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. Indeferido o pedido de ressarcimento, o julgamento da incidência ou não de juros compensatórios sobre ele ficou prejudicado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI, apurados nos meses de janeiro a dezembro de 2006, e não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados no Per/Dcomp às fls. 196/199, transmitido na data de 20/03/2008. Por meio do Despacho Decisório às fls. 201/204, a Derat em São Paulo indeferiu o ressarcimento pleiteado e não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados sob os argumentos de que as aquisições de insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero pelo IPI não dão direito a crédito deste imposto, em obediência ao princípio constitucional da nãocumulatividade. Inconformada com o despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 208/209), insistindo no deferimento do ressarcimento e na homologação das compensações dos débitos declarados, alegando, em síntese, que tem direito de se creditar do IPI, como se devido fosse, nas aquisições de insumos não onerados por este imposto. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1432.781, datado de 02/03/2011, às fls. 229/236, sob as ementas: “RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo de presumidos créditos do tributo, alusivos a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem desonerados do IPI, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI.” Fl. 259DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001909/200756 Acórdão n.º 330101.477 S3C3T1 Fl. 259 3 Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 239/252), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito de se creditar do IPI nas aquisições de insumos isentos, alíquota zero e nãotributados por este imposto, como se devido fosse, acrescido de juros compensatórios à taxa Selic, e homologue as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese, que a Constituição Federal (CF/1988), art. 153, §3º, II, que trata da nãocumulatividade desse imposto estabelece que deverá haver compensação do imposto devido em cada operação com o valor cobrado nas operações anteriores, sem quaisquer restrições, conforme reconhecido no RE nº 212.4842, de relatoria do então Ministro Nelson Jobim, e, ainda, que a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, art. 11, assegura à manutenção de créditos diante de saída isenta. Defendeu, ainda, o ressarcimento acrescido de juros compensatórios à taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido, pelo fato de o Fisco ter vedado o ressarcimento/compensação. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A legislação do IPI não prevê direito a créditos escriturais de IPI, como se devido fossem, nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentos, nãotributados e/ ou tributados à alíquota zero por esse imposto, mas tão somente sobre aquisições oneradas e com destaque do seu valor nas respectivas notas fiscais de compras. A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de se deduzir do imposto devido sobre os produtos industrializados e saídos de seus estabelecimentos industriais o valor do IPI que incidiu na operação anterior, ou seja, o valor do imposto pago nas aquisições dos insumos utilizados na industrialização dos produtos cujas saídas são oneradas por este imposto. A Constituição Federal de 1988 assegurou aos contribuintes do IPI o direito de se creditarem do valor do imposto cobrado e pago nas operações antecedentes, deduzindoo nas operações posteriores. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inciso II, da Carga Magna que assim dispõe: “Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (...). IV produtos industrializados. §3º. O imposto previsto no inc. IV: (...). II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;” Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Em consonância com esse dispositivo legal, o CTN assim determina: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” O legislador ordinário, em cumprimento a essas diretrizes, instituiu o sistema de créditos que, regra geral, confere aos contribuintes do imposto o direito de se creditar do valor do imposto cobrado e pago nas operações anteriores. Assim, o IPI destacado nas notas fiscais de aquisições de matériasprima, produtos intermediários e materiais de embalagens que ingressarem no estabelecimento do produtor industrial pode ser compensado com o valor do imposto devido nas operações de saída dos produtos industrializados e comercializados por ele, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem os débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 195 do RIPI/2002, é deduzir do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado, o valor do IPI cobrado e pago sobre as aquisições das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens empregados na sua produção. Nos casos em que as entradas desses insumos foram desoneradas desse imposto, não há o que deduzir, uma vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Quanto ao RE nº 212.4842/RS, citado pela recorrente, o próprio STF já alterou seu entendimento, conforme se denota dos julgados RE 353.6575/PR e RE 370.682/SC. Tratase de tese superada por diversos outros REs, dentre eles, os de nºs 430.720/RJ e 372.005 AgR/PR, cuja ementa decidiu: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. INEXISTÊNCIA. MODULAÇÃO TEMPORAL DOS EFEITOS DA DECISÃO. INAPLICABILIDADE. 1. A expressão utilizada pelo constituinte originário montante "cobrado" na operação anterior afasta a possibilidade de admitirse o crédito de IPI nas operações de que se trata, visto que nada teria sido "cobrado" na operação de entrada de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 2. O Supremo entendeu não ser aplicável ao caso a limitação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.” Especificamente, em relação às aquisições de insumos tributados a alíquota zero, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), já editou súmula, de aplicação obrigatória pela suas Turmas de Julgamento, reconhecendo que tais aquisições não geram créditos, assim dispondo: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001909/200756 Acórdão n.º 330101.477 S3C3T1 Fl. 260 5 “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” Dessa forma, não há que se falar em créditos de IPI sobre aquisições de insumos desonerados deste imposto. Quanto à incidência de juros compensatórios, à taxa Selic, no total do ressarcimento pleiteado, seu julgamento ficou prejudicado em virtude do nãoreconhecimento do direito de a recorrente se creditar do IPI, como se devido fosse, nas aquisições de insumos desonerados deste imposto e, conseqüentemente, indeferimento do seu pedido. A compensação de débitos fiscais, mediante a transmissão de Per/Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp é ilíquido e incerto, ou seja, inexiste o ressarcimento pleiteado. Assim não há que se falar em homologação da compensação do débito fiscal declarado. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (Assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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