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Numero do processo: 10830.013161/2008-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não restar demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas.
Numero da decisão: 9202-008.588
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência quando não restar demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Trata-se de lançamento para exigência de multa decorrente do descumprimento de obrigação acessória, por ter a empresa deixado de lançar mensalmente em títulos próprios de sua AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 31 61 /2 00 8- 18 Fl. 257DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.588 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10830.013161/2008-18 contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, II, combinado com o art. 225, II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social - RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99 (AI Fundamento Legal 34). Esclarece o Relatório Fiscal: 3. Conforme demonstrado no Relatório Fiscal da Infração, a empresa deixou de lançar mensalmente em títulos próprios de suas contabilidade, de forma discriminada, os fatos . geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. 4. Aplicação da Multa. A autuada é reincidente genérica, conforme arquivos anexos relativos ao AI 37.145.153-1, de 19/12/2007, Código de Fundamento Legal 38, no valor de R$11.951,21 (onze mil, novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos). Consta a baixa por pagamento com redução de 50%, em 24/01/2008, no SICOB - Sistema de Cobrança e, pelos fatos descritos no Relatório Fiscal da Infração, ocorreu também a circunstância agravante do dolo. Após o trâmite processual, a 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária deu provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir do cálculo da multa a circunstância agravante haja vista a ausência de comprovação de conduta dolosa do contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 31/12/2002 a 31/12/2003 FATOS GERADORES. LANÇAMENTO EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE. O artigo 32, inciso II, da Lei nº 8.212/91 determina que a empresa deve lançar em títulos próprios da contabilidade “de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos”. O seu descumprimento enseja a aplicação da multa prevista no artigo 92 da Lei nº 8.212/91. ELEVAÇÃO DA MULTA. REINCIDÊNCIA E DOLO Reincidência devidamente comprovada nos autos e não impugnada em sede de recurso voluntário. Preclusão. Dolo que não restou comprovado nos autos. Exclusão da qualificadora como critério de majoração da multa. Intimada da decisão a Fazenda Nacional apresentou recurso especial ao qual foi dado seguimento. Nos termos do despacho de admissibilidade e com base nos acórdãos paradigmas nº 1301-00214 e 103-23532, devolve-se a este Colegiado a discussão acerca da caracterização da preclusão nos casos em que não tenha havido impugnação expressa do Contribuinte acerca de determina matéria. Contrarrazões do Contribuinte pugnando pelo não conhecimento do recurso, uma vez que a matéria relativa ao agravamento da multa foi devidamente impugnada e enfrentada Fl. 258DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.588 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10830.013161/2008-18 pela Delegacia de Julgamento e pelo Colegiado a quo. No mérito, pugna pela manutenção da decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri – Relatora Do Conhecimento: Antes de analisarmos o mérito, necessário tecer comentários acerca do conhecimento do recurso. Conforme exposto, o recurso da Fazenda Nacional devolve a este Colegiado a discussão acerca da preclusão de matéria não impugnada pelo Contribuinte. Para demonstrar a divergência são citados como paradigmas os acórdãos nº 1301-00214 e 103-23532. De fato os acórdãos citados corroboram a tese da Recorrente, ambos declararam a preclusão de matéria não impugnada pelas partes. No primeiro caso, o Colegiado expõe que “quanto às alegações acerca da qualificação da multa, cabe observar que a recorrente traz, em sede de recurso, contestação em relação a matérias que não foram objeto de impugnação. Assim, a teor do que dispõe o artigo 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, na redação que lhe foi dada pela Lei n° 9.532, de 1997, a matéria que não tenha sido expressamente contestada, considerar-se-á não impugnada, tornando-se preclusa. Decorre daí que, não tendo sido objeto de impugnação, carece competência à autoridade de segunda instância para dela tomar conhecimento em sede de recurso voluntário”. No acórdão 103-23532, a situação é semelhante. O Colegiado analisou lançamento para exigências de IRPJ e CSLL em razão de confusão entre os conceitos de receitas operacionais e não operacionais, exigência majorada pela multa agravada em razão do não atendimento das intimações efetuadas pela fiscalização. Ao julgar o recurso voluntário o Colegiado paradigmático conclui então pela preclusão, destacando: As razões que justificaram o agravamento da multa não foram questionadas pelo sujeito passivo na impugnação. A decisão recorrida salientou tal circunstância e registrou que, por esse motivo, o percentual aplicado seria mantido. Diversamente da omissão cometida na impugnação, em sede de recurso voluntário a interessada apresentou contestação específica contra o agravamento da multa aplicada. Entretanto, não há como apreciar tais argumentos nessa fase processual pois trata-se de matéria preclusa, nos termos do art. 17, do Decreto n° 70.235/72. (...) Observamos que no caso dos acórdãos paradigmas a preclusão da discussão acerca do agravamento da multa foi declarada já pela decisão da Delegacia de Julgamento, seja por manifestação expressa desta ou mesmo pela sua ausência de manifestação sobre o tema. Definitivamente esta não é a situação que ocorre no presente caso. Da leitura da peça de impugnação e da decisão da DRJ é possível verificar que o tema foi considerado – ao Fl. 259DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.588 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10830.013161/2008-18 menos implicitamente - impugnado, tendo a decisão de primeira instância reiterado a existência da caracterização do dolo, elemento para aplicação da circunstância agravante. Consta da impugnação e da decisão da Delegacia de Julgamento: Impugnação (fls. 80): Ainda que, apenas por amor ao debate, se admitisse que a Fiscalização pudesse opinar sobre os procedimentos contábeis da Impugnante, impende salientar que não há um só elemento de prova no AI ora impugnado de não estar a escrita contábil da Contribuinte na mais perfeita ordem. Com efeito, à Fiscalização do INSS caberia provar inequivocamente, o que não fez, que os controles contábeis da Impugnante não atenderiam aos ditames legais. Decisão DRJ (fls. 119): A primeira agravante (inciso II) se verificou quando agiu com dolo ao contabilizar fatos geradores de contribuição previdenciária juntamente com outras não incidentes. A segunda quando foi constatado que a empresa era reincidente (inciso V). Diante desta decisão o contribuinte apresenta então seu Recurso Voluntário o qual, além de devolver toda a discussão do mérito exposta na peça de impugnação, traz argumentos adicionais para desconstituir a imputação de conduta dolosa necessária ao agravamento da multa. O argumento do recurso voluntário passa pela mesma premissa adotada na impugnação: inexistiu qualquer comprovação por parte da fiscalização de que os controles contábeis da empresa não atenderam aos ditames legais (fls. 128). Analisando a peça recursal o Colegiado a quo reconheceu a preclusão apenas no que tange a discussão acerca da agravante genérica de reincidência – entendendo que esta não foi impugnada – entretanto, enfrentou a agravante do dolo uma vez que entendeu tratar-se de matéria efetivamente em litígio. Foi destacado pelo acórdão recorrido: Além disso, o citado patamar foi elevado pela ocorrência de duas circunstâncias agravantes, quais sejam, a reincidência e o dolo. Dando enfoque à reincidência o relatório fiscal aponta que o recorrente fora apenado anteriormente, mediante a lavratura do AI nº 37.145.1531, com Fundamento Legal 38, pago em 24/01/2008. O recurso voluntário, por sua vez, não debate essa questão, tornando a matéria, portanto, preclusa. Por outro lado, sustenta a recorrente não ter havido dolo na conduta e de que não teria havido a sua respectiva comprovação. Nesse ponto acolho a irresignação recursal, pois o dolo pressupõe a comprovação idônea de que o sujeito passivo tenha agido com a vontade de suprimir, no caso, informações com objetivo de escapar da incidência das contribuições previdenciárias, o que não ocorreu. Pela análise do relatório fiscal, em que pese o recorrente ter registrado remunerações em contas contábeis genéricas ou de despesas foi possível ao Fisco delimitar exatamente qual foi a natureza desses pagamentos, como por exemplo, a contribuintes individuais, cooperativas de trabalho etc. ... Fl. 260DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.588 - CSRF/2ª Turma Processo nº 10830.013161/2008-18 Observamos, portanto, que as situações apreciadas pelos Colegiados são distintas, fato que impede o conhecimento do recurso. Diante de todo o exposto, deixo de conhecer do recurso interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 261DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11707.721369/2015-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1402-000.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, vencidas a Relatora e a Conselheira Paula Santos de Abreu que davam provimento e os Conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Murillo Lo Visco.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone Presidente
(documento assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora
(documento assinado digitalmente)
Murillo Lo Visco Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pelo Conselheiro André Severo Chaves (suplente convocado).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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conteudo_txt : Metadados => date: 2020-04-10T19:44:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-04-10T19:44:25Z; Last-Modified: 2020-04-10T19:44:25Z; dcterms:modified: 2020-04-10T19:44:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-04-10T19:44:25Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-04-10T19:44:25Z; meta:save-date: 2020-04-10T19:44:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-04-10T19:44:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-04-10T19:44:25Z; created: 2020-04-10T19:44:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; Creation-Date: 2020-04-10T19:44:25Z; pdf:charsPerPage: 1582; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-04-10T19:44:25Z | Conteúdo => 00 SS11--CC 44TT22 MMiinniissttéérriioo ddaa EEccoonnoommiiaa CCoonnsseellhhoo AAddmmiinniissttrraattiivvoo ddee RReeccuurrssooss FFiissccaaiiss PPrroocceessssoo nnºº 11707.721369/2015-11 RReeccuurrssoo Voluntário RReessoolluuççããoo nnºº 1402-000.966 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária SSeessssããoo ddee 12 de fevereiro de 2020 AAssssuunnttoo PER/DCOMP RReeccoorrrreennttee SALOBO METAIS S/A IInntteerreessssaaddoo FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por voto de qualidade, converter o julgamento em diligência, vencidas a Relatora e a Conselheira Paula Santos de Abreu que davam provimento e os Conselheiros Marco Rogério Borges e Evandro Correa Dias que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Murillo Lo Visco. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone – Presidente (documento assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio – Relatora (documento assinado digitalmente) Murillo Lo Visco – Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Murillo Lo Visco, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paula Santos de Abreu e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Declarou-se impedido de participar do julgamento o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pelo Conselheiro André Severo Chaves (suplente convocado). RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 17 07 .7 21 36 9/ 20 15 -1 1 Fl. 423DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 Relatório Trata-se de procedimento de Malha DCTF, onde foram analisadas DCTFs retificadoras entregues pela recorrente, alterando-se os valores dos tributos apurados para os seguintes períodos de apuração: P.A. TRIBUTO Fevereiro/2014 IRPJ CSLL Agosto/2014 IRPJ CSLL Setembro/2014 IRPJ Janeiro/2015 IRPJ Maio/2015 CSLL As DCTFs retificadoras referentes a fevereiro de 2014, para IRPJ e CSLL, bem como ao IRPJ de agosto de 2014 foram homologadas no despacho decisório de fls. 133/135, por estarem de acordo com os valores declarados na Escrituração Contábil Fiscal (ECF) da Recorrente. As demais declarações não foram homologadas sob os seguintes argumentos: Os valores referentes à CSLL de agosto/2014 e IRPJ de setembro/2014 estão divergentes dos valores constantes da ECF referente ao ano-calendário de 2014; O cruzamento de informações referentes aos períodos de janeiro/2015 e maio/2015 não foi realizado em razão da ECF não ter sido transmitida pelo contribuinte. Cientificada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 143/148, alegando que o processo teria perdido o objeto, uma vez que: a) As DCTFs referentes aos meses de agosto/2014 e setembro/2014 foram retificadas no dia 21/07/2016, apenas um dia antes da disponibilização do despacho decisório na caixa postal da recorrente, razão pela qual, as informações nelas contidas não foram apreciadas pelo Autoridade Fiscal; b) As DCTFs relativas aos meses de janeiro/2015 e maio/2015 não tinham sido homologadas por falta de apresentação de ECF para o cruzamento de informações. Ocorre que, o prazo para apresentação dos ECFs relativos ao ano de 2015 foi 30/07/2016, portanto, tendo sido apresentadas das ECFs dentro do prazo previsto na Instrução Normativa nº. 1.422/2013, deveriam ser estes documentos usados para cruzamento das informações contidas nas DCTFs retificadoras. Fl. 424DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 Requereu-se a baixa do processo em diligência para que os documentos transmitidos fossem apreciados pela fiscalização e homologadas as DCTFs retificadoras, considerando não existir mais divergências entre elas. Em 28/08/2017 a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) converteu o julgamento em diligência, conforme despacho de fls. 216/217, cujo teor é se seguinte: Diante dessas considerações, proponho o encaminhamento dos autos à autoridade recorrida para as seguintes providências: a) consultar as declarações digitais (ECD e ECF) , relativas ao ano-calendário de 2015 transmitidas pela impugnante e ora disponíveis à RFB no Sped (Sistema Público de Escrituração Digital); b) analisar as DCTF´s retificadoras auditadas, especialmente as relativas a janeiro/2015 e maio/2015, em face dos dados informados nas declarações disponíveis no Sped; c) elaborar relatório fiscal para, se for o caso, complementar as conclusões sobre homologação ou não homologação de DCTF´s retificadoras do despacho decisório recorrido. O Relatório Fiscal elaborado às fls. 226/227 analisou as informações fiscais declaradas pela ora recorrente e concluiu que considerando as DCTFs retificadoras/ativas e as ECFs retificadoras/vigentes, os valores a título de IRPJ e CSLL coincidiram em ambas apurações. Confira-se: 6. O contribuinte protocolizou para o débito de CSLL do Período de Apuração (P.A.) de agosto de 2014 o valor de R$ 1.578.169,88 na DCTF original/cancelada n° 100.2014.2014.1871077908 e o valor de R$ 1.582.866,21 na DCTF retificadora/ativa n° 100.2014.2018.1841755126. Para a CSLL deste P.A. o contribuinte inseriu o valor de R$ 1.582.866,21 na ECF retificadora/ativa (Ficha N660 – Linha 18 – CSLL a Pagar) refletindo o mesmo valor da DCTF retificadora/ativa. 7. O contribuinte protocolizou para o débito de IRPJ do Período de Apuração (P.A.) de setembro de 2014 o valor de R$ 5.264.266,33 na DCTF original/cancelada n° 100.2014.2014.1841202933 e o valor de R$ 4.998.809,38 na DCTF retificadora/ativa n° 100.2014.2018.1841756488. Para o IRPJ deste P.A. o contribuinte protocolizou o valor de R$ 4.998.809,38 na ECF retificadora/ativa (Ficha N620 – Linha 26 – IR a Pagar) refletindo o mesmo valor da DCTF retificadora/ativa. 8. O contribuinte protocolizou para o débito de IRPJ do Período de Apuração (P.A.) de janeiro de 2015 o valor de R$ 3.534.284,94 na DCTF original/cancelada n° 100.2015.2015.1830111211 e o valor de R$ 2.244.969,11 na DCTF retificadora/ativa n° 100.2015.2016.1891346722. Para o IRPJ deste P.A. o contribuinte protocolizou o valor de R$ 2.244.969,11 na ECF retificadora/ativa (Ficha N620 – Linha 26 – IR a Pagar) refletindo o mesmo valor da DCTF retificadora/ativa. 9. O contribuinte protocolizou para o débito de CSLL do Período de Apuração (P.A.) de maio de 2015 o valor de R$ 8.228.973,68 na DCTF original/cancelada n° 100.2015.2015.1810521926 e o valor de R$ 4.921.615,58 na DCTF retificadora/ativa n° 100.2015.2016.1891350047. Para a CSLL deste P.A. o Fl. 425DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 contribuinte protocolizou o valor de R$ 4.921.615,58 na ECF retificadora/ativa (Ficha N660 – Linha 18 – CSLL a Pagar) refletindo o mesmo valor da DCTF retificadora/ativa. 10. Para o IRPJ código de receita 2362-01 do P.A. de setembro de 2014 existe o DARF n° 3771208973 no valor de R$ 5.264.266,33 com data de vencimento e de arrecadação em 31/10/2014. Existe Perdcomp de Pagamento Indevido ou à Maior n° 12146.28220.170816.1.7.04-0306 para esta operação. 11. Para o IRPJ código de receita 2362-01 do P.A. de janeiro de 2015 existe o DARF n° 4105295013 no valor de R$ 8.745.523,76 com data de vencimento e de arrecadação em 27/02/2015. Existe Perdcomp de Pagamento Indevido ou à Maior n° 12146.28220.170816.1.7.04-0306 para esta operação. 12. Na DCTF original/cancelada n° 100.2015.2015.1810521926 de maio de 2015, para quitar o débito original de CSLL no valor de R$ 8.228.973,68, foram indicados os Perdcomps nos 25849.57308.300615.1.3.08-1260, 35142.43729.290515.1.3.09-2091 e 01283.65600.300615.1.3.09-0769. Na DCTF retificadora/ativa n° 100.2015.2016.1891350047, para quitar o valor retificado de R$ 4.921.615,58, foram indicados os Perdcomps nos 25849.57308.300615.1.3.08-1260, 39361.74254.310816.1.7.09-9566 e 21986.33943.191017.1.7.02-6870. 13. Tanto no despacho de folhas 133 a 137 quanto este relatório não entraram na análise de mérito da redução dos valores dos débitos do item 2 deste relatório. Neste ínterim, foi juntado aos autos, informação referente ao Mandado de Segurança nº. 2016.51.01.006748-0, impetrado pela ora Recorrente, requerendo a suspensão da exigibilidade do débito de CSLL referente a 05/15, no valor de R$ 3.230.526,09, de forma que o mesmo não se constitua em impedimento à emissão de Certidão Positiva com Efeito de Negativa (CPEN). Foi instaurado o PTA nº. 18470.720722/2016-89 para acompanhar o processo judicial. Ressalta-se que a liminar foi deferida em 22/01/2016, determinando a suspensão da exigibilidade do crédito tributário contestado e a expedição de CPEN, decisão confirmada em sede de sentença publicada em 26/07/2016, julgando procedente o pedido e concedendo a segurança nos termos da liminar deferida. A União Federal teria apresentado Recurso de Apelação pendente de análise perante o TRF da 2ª Região. Em 24 de abril de 2019, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), negou provimento à manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente. A decisão recebeu a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2014, 31/01/2015 Ementa: MALHA FISCAL. DCTF RETIFICADORAS. DCTF retificadoras para redução de débitos que não for comprovada mediante documentação hábil não podem ser homologadas, permanecendo exigíveis os valores da DCTF retificada. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Data do fato gerador: 31/08/2014, 31/05/2015 Ementa: MALHA FISCAL. DCTF RETIFICADORAS. Fl. 426DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 DCTF retificadoras para redução de débitos que não for comprovada mediante documentação hábil não podem ser homologadas, permanecendo exigíveis os valores da DCTF retificada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/08/2014, 30/09/2014, 31/01/2015, 31/05/2015 Ementa: PERDA DE ESPONTANEIDADE. RETIFICAÇÕES NÃO ADMITIDAS. Após a data de ciência de intimação fiscal para prestar esclarecimentos em procedimento de revisão interna ou auditoria interna, a entrega de declaração retificadora não tem o condão de afastar a constituição do crédito tributário pelo Fisco com imposição de multa de ofício, em face da perda de espontaneidade fiscal pelo contribuinte. Inconformada, a contribuinte interpôs recurso voluntário de fls. 295/315, no qual reitera as alegações já suscitadas. É o relatório. Fl. 427DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 Voto Vencido Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio, Relatora. O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) DAS RETIFICAÇÕES DE DÉBITOS RELATIVOS AO ANO-CALENDÁRIO DE 2014. Conforme relatado, o presente processo administrativo fiscal se refere ao procedimento fiscal de Malha DCTF, que teve por objetivo avaliar a informação trazida nas DCTFs retificadoras, uma vez que estas diminuíram os montantes de créditos tributários devidos. O Despacho Decisório (fls. 133/135), homologou a DCTF retificadora relativa a fevereiro de 2014 e de agosto de 2014 para o tributo IRPJ, uma vez que os valores declarados encontravam respaldo na ECF apresentada pela recorrente. Todavia, as DCTF´s retificadoras, relativas aos meses de agosto e setembro de 2014, deixaram de ser homologadas, pois os valores nelas declarados não estavam de acordo com os valores declarados da ECF. Confira-se: 5. (...) Todavia, em relação ao tributo CSLL verificamos que valores declarados em DCTF retificadora retida em Malha DCTF não estão de acordo com valores declarados na ECF para o ano-calendário de 2014, não justificando a diminuição expressiva de valores declarados como devidos na DCTF retificadora, para este tributo. 6. Para o período de apuração de setembro de 2014, verificamos que valores declarados em DCTF retificadora retida em Malha DCTF, referente ao tributo IRPJ, não estão de acordo com valores constantes declarados na ECF para o ano- calendário de 2014, não justificando a diminuição expressiva de valores declarados como devidos na DCTF retificadora, para este tributo. Em sua Impugnação, a ora Recorrente alegou a perda de objeto do despacho decisório. Isso porque “tanto em relação ao mês de agosto/14, quanto em relação ao mês de setembro/14, foram transmitidas DCTFs retificadoras no dia 21.07.16, ou seja, apenas um dia antes da disponibilização do despacho decisório ora recorrido da caixa postal da Impugnante, de modo que as informações consideradas pelo Ilmo. Auditor Fiscal para elaboração da decisão já foram alteradas e não correspondem mais aos fatos analisados.” Diante dessas alegações, o processo foi convertido em diligência a qual concluiu que, considerando as DCTFs retificadoras/ativas e as ECFs retificadoras/vigentes, os valores a título de IRPJ e CSLL coincidiram em ambas apurações. Confira-se: 6. O contribuinte protocolizou para o débito de CSLL do Período de Apuração (P.A.) de agosto de 2014 o valor de R$1.578.169,88 na DCTF original/cancelada n° 100.2014.2014.1871077908 e o valor de R$1.582.866,21 na DCTF retificadora/ativa n° 100.2014.2018.1841755126. Para a CSLL deste P.A. o contribuinte inseriu o valor de R$1.582.866,21 na ECF retificadora/ativa (Ficha N660 – Linha 18 – CSLL a Pagar) refletindo o mesmo valor da DCTF retificadora/ativa. 7. O contribuinte protocolizou para o débito de IRPJ do Período de Apuração (P.A.) de setembro de 2014 o valor de R$5.264.266,33 na DCTF original/cancelada n° 100.2014.2014.1841202933 e o valor de R$4.998.809,38 na DCTF retificadora/ativa n° 100.2014.2018.1841756488. Para o IRPJ deste P.A. o contribuinte protocolizou o valor de R$4.998.809,38 na ECF retificadora/ativa (Ficha N620 – Linha 26 – IR a Pagar) refletindo o mesmo valor da DCTF retificadora/ativa. (grifamos) Fl. 428DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 A decisão recorrida, por sua vez, embora tenha determinado a diligência, não faz qualquer menção às conclusões da autoridade fiscal no relatório de diligência. Ao invés disso, justifica a manutenção do lançamento sob o fundamento de que a contribuinte não teria trazido documentos hábeis a comprovar a admissibilidade das retificações pretendidas, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Em sua defesa, a impugnante alegou que as reduções pretendidas devem-se a revisão dos balancetes mensais nos meses anteriores (até agosto para o IRPJ de 09/14 e até julho para a CSLL de 8/14), apontando como comprovação demonstrativos ("VIDE Sheet") integrantes do documento nominado "Anexo I" (constante dos autos em arquivo não paginável). Contudo, além de a ECF de fato não convalidar as reduções pretendidas, conforme verificado pela autoridade fiscal, o Anexo I apresentado consiste em planilhas elaboradas pelo próprio contribuinte, não fazendo prova a seu favor. Destaque-se que a interessada teve oportunidade para apresentar não somente a ECF (escrituração fiscal), como também a ECD (escrituração contábil), o que não foi feito. Assim, não tendo a interessada acrescentado aos autos argumentos ou documentos hábeis a comprovar a admissibilidade das retificações de débitos pretendidas, as DCTF retificadoras relativas a 2014 e objeto de malha fiscal não podem ser aceitas. O despacho decisório deixou de homologar as demais, em razão de inconsistência dos valores declarados e constantes da ECF ou por falta da ECF. Ou seja, o critério utilizado para confirmação das informações foi, indubitavelmente, o cruzamento das informações constantes da DCTFs retificadoras e as informações contábeis/fiscais. Aceitar que outros critérios fossem considerados no acórdão proferido seria admitir uma inovação do despacho decisório. Nesse mesmo sentido, também merecem destaque os seguintes julgados do CARF: DESPACHO DECISÓRIO. FUNDAMENTAÇÃO. INOVAÇÃO NO JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. No Processo Administrativo Fiscal (PAF), aprecia-se a legalidade ou não do despacho decisório, sendo vedado ao órgão julgador trazer nova fundamentação legal que não constava no despacho original. Deve-se anular a decisão de primeira instância para a realização de novo julgamento adstrita aos fundamentos trazidos no despacho decisório que decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação. Recurso voluntário Parcialmente Provido. (Acórdão nº. 3201-003.033, Relator Conselheiro Winderley Morais Pereira, publicado em 21/08/2017.) DESPACHO DECISÓRIO. ALTERAÇÃO DE FUNDAMENTOS JURÍDICOS PELA DRJ. IMPOSSIBILIDADE. A autoridade administrativa não pode inovar o ato administrativo tributário em julgamento, alterando os critérios jurídicos que o nortearam. (Acórdão nº. 3201-002.165, Relator Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, publicado em 13/06/2016.) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECISÃO DA DRJ. INOVAÇÃO NA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE DECLARADA DE-OFÍCIO. Fl. 429DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 A DRJ, ao julgar a manifestação de inconformidade, não pode inovar nos fundamentos do despacho decisório, alterando a motivação da o não- reconhecimento do direito ao crédito. Nulidade declarada de-ofício.(Acórdão nº. 3802-004.297, Relator Solon Sehn, publicado em 22/04/2015.) Todavia, conforme disposto no § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 § 3º, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Isso porque, a autoridade responsável pela análise do despacho decisório reconheceu a coincidência entre os valores dos valores declarados e constantes da ECF supera-se a declaração de nulidade para dar provimento ao recurso. 2) DAS RETIFICAÇÕES RELATIVAS AO ANO-CALENDÁRIO DE 2015 Com a Impugnação, a recorrente apresentou DCTFs retificadoras transmitidas antes da ciência do despacho decisório (21/07/2016). Também foi informada a transmissão da ECF relativa ao ano-calendário de 2015, uma vez que o prazo encerrava-se em 30/07/2016, e o despacho decisório foi recebido em 22/07/2016. Desta forma, requereu-se o reconhecimento da perda de objeto do despacho decisório e a baixa dos autos em diligência para a análise dos documentos emitidos e a sua regularidade. Os autos foram baixados em diligência e, por meio de cruzamento de informações das DCTFs retificadoras e o ECF foram confirmados os valores declarados a título de IRPJ e CSLL (fls. 226/227). Tais conclusões foram confirmadas pelo acórdão recorrido, conforme se verifica pelo trecho abaixo transcrito: Em resposta à diligência solicitada por esta autoridade julgadora, foi elaborado relatório de diligência fiscal a fls. 226/227, mediante o qual a autoridade fiscal da DEMAC/RJO/DICAT relata ter confrontado as DCTF retificadoras com as ECF retificadoras relativas aos meses discutidos (08/2014, 09/2014, 01/2015 e 05/2015) que se encontravam válidas no sistema, independentemente da data da transmissão, tendo apontado equivalência de valores dos débitos confessados/escriturados. Todavia, embora reconheça que o prazo para apresentação da ECF relativo ao ano-calendário de 2015 não tivesse encerrado, a decisão recorrida acabou por negar provimento à impugnação por entender que o dever de apresentar a ECF decorre simplesmente do recebimento de intimação confira-se: É certo que o contribuinte não havia entregado a ECF relativa ao ano- calendário de 2015 no encerramento da malha fiscal e o prazo para sua entrega ainda não havia sido encerrado, fato que ensejou o retorno dos autos em diligência fiscal após a impugnaçao. Contudo, também é certo que, a despeito de eventual falta de entrega de declaração (ECD ou ECF, no caso) que constitua obrigação tributária acessória, seja essa falta escusável ou não, o dever de apresentar à autoridade fiscal tais documentos decorre simplesmente do recebimento de intimação com essa solicitação em regular procedimento fiscal. Ademais, a autoridade recorrida relatou em seu decisório que o contribuinte "não apresentou escrituração contábil/fiscal comprovadamente registrada e/ou Fl. 430DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 escriturada que atestassem a diminuição...", tendo apenas acrescentado que não foi encontrada a ECF entregue nos sistemas da RFB. Nesse ponto, importa destacar que o ônus da prova da retificação pretendida recai sobre o contribuinte, pois a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, nos termos do artigo 16, caput, III, do Decreto n° 70.235, de 1972 (PAF), que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil. (grifamos) Da mesma forma, entendo patente a inovação e, portanto, a nulidade da decisão recorrida. Isso porque os fundamento do despacho decisório foi falta de apresentação da escrituração fiscal. Confira-se: Para os períodos de apuração de janeiro de 2015 e maio de 2015, contribuinte não apresentou escrituração contábil/fiscal comprovadamente registrada e/ou escriturada que atestassem a diminuição de valores declarados como devidos constantes da DCTF retificadora para esta duas competências, e também não encontramos EFC entregue pelo contribuinte para o ano- calendário de 2015. Contribuinte apresentou somente planilha eletrônica para a qual não conseguimos atestar se refletem a verdadeira escrituração contábil da empresa, por conseguinte atestassem a diminuição de valores declarada na DCTF retificadora. (grifamos) Todavia, em resposta à diligência, a autoridade fiscal reconhece a apresentação do referido documento bem como a coincidência dos valores. Confira-se: 8. O contribuinte protocolizou para o débito de IRPJ do Período de Apuração (P.A.) de janeiro de 2015 o valor de R$3.534.284,94 na DCTF original/cancelada n° 100.2015.2015.1830111211 e o valor de R$2.244.969,11 na DCTF retificadora/ativa n° 100.2015.2016.1891346722. Para o IRPJ deste P.A. o contribuinte protocolizou o valor de R$ 2.244.969,11 na ECF retificadora/ativa (Ficha N620 – Linha 26 – IR a Pagar) refletindo o mesmo valor da DCTF retificadora/ativa. 9. O contribuinte protocolizou para o débito de CSLL do Período de Apuração (P.A.) de maio de 2015 o valor de R$8.228.973,68 na DCTF original/cancelada n° 100.2015.2015.1810521926 e o valor de R$4.921.615,58 na DCTF retificadora/ativa n° 100.2015.2016.1891350047. Para a CSLL deste P.A. o contribuinte protocolizou o valor de R$ 4.921.615,58 na ECF retificadora/ativa (Ficha N660 – Linha 18 – CSLL a Pagar) refletindo o mesmo valor da DCTF retificadora/ativa. (grifamos) Em 23/12/2015, a recorrente tomou ciência do Termo de Intimação nº. 07109/2015/100000016342887 (fls. 82/83), que deu início ao procedimento de malha fiscal. O cumprimento da Intimação se deu em 28/12/2015 e em 22/01/2016. Após esta data, a recorrente apenas recebeu o despacho decisório, em 22/07/2016. Ou seja, se passaram seis meses para que o procedimento fiscal tivesse prosseguimento. Todavia, conforme disposto no § 3º do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72 § 3º, "quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta." Fl. 431DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 Isso porque, a autoridade responsável pela análise do despacho decisório reconheceu tanto a apresentação do ECF por parte da contribuinte quanto a coincidência entre os valores dos valores declarados e constantes da ECF, motivo pelo qual, supero a declaração de nulidade e dou provimento ao recurso. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, dou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 432DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 Voto Vencedor Conselheiro Murillo Lo Visco – Redator desigando. A matéria litigiosa que compõe o presente processo diz respeito à decisão da Autoridade Fiscal competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II de não homologar a retificação dos seguintes débitos declarados em DCTF: CSLL referente a agosto de 2014; IRPJ referente a setembro de 2014; IRPJ referente a janeiro de 2015; e CSLL referente a maio de 2015. Basicamente, os fundamentos para a decisão da Autoridade Fiscal competente foram os seguintes: as retificações referentes a 2014 estão em desacordo com a ECF apresentada; e quanto às retificações referentes a 2015, não houve a entrega da ECF correspondente, necessária para a devida verificação. Em sua Manifestação de Inconformidade, em síntese, a Interessada alegou o seguinte: quanto aos débitos referentes a 2014, houve a entrega de nova DCTF retificadora um dia antes da expedição do Despacho Decisório; e quanto aos débitos referentes a 2015, a ECF correspondente foi transmitida dentro do prazo legal, ainda que depois da expedição do Despacho Decisório. Instaurado o contencioso, o órgão julgador de primeira instância baixou o processo em diligência para que fosse realizada a verificação dos débitos referentes a 2015, considerando a ECD e a ECF disponíveis à RFB no Sped, bem como “elaborar relatório fiscal para, se for o caso, complementar as conclusões sobre homologação ou não homologação de DCTF´s retificadoras do despacho decisório recorrido”. No relatório fiscal elaborado em atendimento à diligência, a Autoridade competente atestou que, para os quatro débitos em questão, a DCTF retificadora que se encontrava ativa estava de acordo com a ECF transmitida. Ainda assim, no julgamento de primeira instância, a DRJ negou provimento à Manifestação de Inconformidade. Na ementa do Acórdão de primeira instância, para todos os débitos que compõem a lide, consta o seguinte: as DCTF retificadoras não podem ser aceitas em razão de terem sido apresentadas após o início do procedimento fiscal, tendo a Interessada perdido a espontaneidade; DCTF retificadoras que tenham por objeto a redução de débitos não podem ser homologadas quando não for apresentada comprovação mediante documentação hábil, permanecendo exigíveis os valores da DCTF retificada. Fl. 433DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 No entanto, no Voto condutor do mesmo Acórdão, o órgão julgador de primeira instância somente se pronunciou quanto à perda de espontaneidade para apresentação das DCTF retificadoras referentes aos débitos de 2014. Além disso, deixou expressamente consignado que, “em atenção ao princípio da verdade material, há que se analisar se a documentação e as alegações trazidas pela defesa são hábeis e suficientes a comprovar que os valores devidos não são os confessados nas DCTF originais e sim aqueles constantes em DCTF retificadoras”. Portanto, a primeira observação necessária refere-se à contradição entre os fundamentos da decisão contida no Voto condutor do Acórdão e as conclusões expostas na ementa do mesmo Acórdão. Como se nota, no Voto, não há qualquer referência a eventual perda de espontaneidade para apresentação de DCTF retificadora em relação aos débitos de 2015. Ademais, a perda de espontaneidade não foi a razão de decidir, haja vista que a própria Autoridade julgadora declarou que, em atenção ao princípio da verdade material, avançaria para a análise do mérito do caso. Em verdade, para todos os débitos que compõem a presente lide, a razão de decidir da DRJ foi, basicamente, a falta de comprovação para as reduções pretendidas. Apresentado o Recurso Voluntário, a proposta da i. Relatora foi no sentido de lhe dar provimento, basicamente em razão de a própria Autoridade competente da DRJ, em atendimento à diligência determinada pela DRJ, ter confirmado que, para os quatro débitos em questão, a DCTF retificadora que se encontrava ativa estava de acordo com a ECF transmitida. No entanto, a maioria desta Turma decidiu converter o julgamento em diligência pelas razões a seguir expostas. Primeiramente, quanto à CSLL referente a maio de 2015, é necessário observar que o próprio órgão julgador de primeira instância destaca “que a diferença da retificação é também objeto de discussão judicial (PAJ, nº 18470.720722/2016-89), estando suspensa a sua cobrança por conta de decisão judicial, conforme relatado acima, não podendo essa autoridade julgadora manifestar-se sobre a questão”. Apesar dessa observação, não há delimitação de litígio no Acórdão recorrido, e nem mesmo qualquer referência ao Parecer Normativo Cosit nº 7, de 22 de agosto de 2014, que trata da concomitância entre processo administrativo fiscal e processo judicial com o mesmo objeto. E conforme bem evidenciam a ementa e o Voto condutor do Acórdão recorrido, a decisão expedida abrangeu, sim, a retificação referente à CSLL de maio de 2015, de modo que resta demonstrada mais uma contradição encontrada na decisão recorrida. No mérito, quanto a todos os débitos em tela (inclusive a CSLL de maio de 2015), o órgão julgador de primeira instância fundamentou sua decisão no fato de a Interessada não ter apresentado a devida comprovação para as reduções pretendidas. Nesse sentido, destaca que à Interessada foi dada a oportunidade para apresentar essa comprovação, por meio do Termo de Intimação nº 07109/2015/ 100000016342887 de fls. 82/83, e do Despacho de fl. 94. Em análise às referidas intimações, verifica-se que a Autoridade competente da DRF, no curso do procedimento fiscal, requereu a apresentação da escrituração contábil e/ou fiscal. No entanto, em análise ao Despacho Decisório, quanto aos débitos referentes a 2014, a decisão da Autoridade competente da DRF não se fundamentou na falta de comprovação para as reduções pretendidas. Fundamentou-se, sim, na divergência entre os valores contidos na ECF e na DCTF que se encontrava ativa. Fl. 434DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 E conforme relatado, depois de a Interessada ter informado que havia retificado as DCTF referentes a agosto e setembro de 2014 e o processo ter sido baixado em diligência a pedido da DRJ, a Autoridade competente da DRF esclareceu que a divergência não mais subsistia. Todavia, com o retorno dos autos para o julgamento, depois de registrar que a Interessada havia perdido a espontaneidade para apresentar essas DCTF retificadoras, a DRJ superou essa questão e, no mérito, negou provimento à Manifestação de Inconformidade sob o fundamento da falta de comprovação das reduções pretendidas. Nesse sentido, o órgão julgador de primeira instância destaca que “a interessada teve oportunidade para apresentar não somente a ECF (escrituração fiscal), como também a ECD (escrituração contábil), o que não foi feito”, de modo que “as DCTF retificadoras relativas a 2014 e objeto de malha fiscal não podem ser aceitas”. Por sua vez, quanto aos débitos referentes a 2015, a decisão da Autoridade competente da DRF se fundamentou, basicamente, na falta de apresentação da ECF. Em sua defesa, a Interessada alegou que a ECF foi transmitida dentro do prazo legal, ainda que depois da expedição do Despacho Decisório, fato esse que ensejou a realização da diligência. E mesmo depois de ter baixado o processo em diligência para que a ECF fosse analisada, em sua decisão a DRJ assinalou que “com relação aos meses de 2015, entendo que as ECFs transmitidas após o encerramento da malha fiscal, ainda que dentro do prazo de entrega, não se mostram suficientes para convalidar os débitos reduzidos por meio de DCTF retificadoras”. Nesse sentido, acrescentou que “com o conteúdo da ECD, o contribuinte poderia demonstrar quais os valores de débitos devidos a serem informados na ECF e nas DCTF correspondentes”. Nesse ponto, primeiramente há que se perguntar o seguinte: se a própria Autoridade julgadora entende que apenas a ECF não se mostra suficiente para convalidar as reduções pretendidas, por que o processo foi baixado em diligência justamente para verificação da ECF? De toda sorte, pode-se concluir que, também quanto aos débitos referentes a 2015, a razão de decidir da DRJ foi a falta de comprovação para as reduções pretendidas, em especial por meio da ECD. Feita toda essa contextualização, passo às seguintes considerações. De fato, as fichas da ECF trazidas aos autos pela Recorrente não são suficientes para demonstrar as reduções pretendidas, notadamente porque partem da base de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente. No entanto, à Interessada não pode ser negado de plano seu direito, primeiramente, porque no parágrafo 13 do Relatório Fiscal produzido em atendimento à diligência (fl. 227), a Autoridade Fiscal deixou consignado que “tanto no despacho de folhas 133 a 137 quanto este relatório não entraram na análise de mérito da redução dos valores dos débitos do item 2 deste relatório”. Ou seja, a verificação levada a efeito pela Autoridade competente da DRF limitou-se ao simples cotejamento dos valores encontrados na DCTF e na ECF. E embora a Autoridade Fiscal tenha, de fato, intimado a Interessada a apresentar sua escrituração contábil, impende reconhecer que a falta de apresentação da ECD não foi sua razão de decidir. Fl. 435DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 da Resolução n.º 1402-000.966 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11707.721369/2015-11 Ademais (e o que me parece mais importante), não se pode olvidar que a ECD encontra-se disponível para acesso das autoridades fiscais da RFB, nos termos do Decreto nº 6.022, de 22 de janeiro de 2007, e da Instrução Normativa RFB nº 1774, de 22 de dezembro de 2017. Desse modo, considerando que para o período sob exame a escrituração digital já se encontrava disponível para acesso da Receita Federal, entendo que se trata de caso típico que demandaria a observância do art. 37 da Lei nº 9.784, de 1999, com aplicação subsidiária ao processo administrativo fiscal autorizada pelo art. 69 da mesma Lei: Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de converter o julgamento do Recurso em diligência, remetendo-se os autos à Unidade de Origem, para que esclareça, sem prejuízo de outras verificações que entender necessárias: (i) quanto à CSLL do mês de maio de 2015, se há concomitância entre este processo administrativo fiscal e o processo judicial acompanhado pelo PAJ nº 18470.720722/2016-89, à luz do que dispõe o Parecer Normativo nº 7 de 2014; e (ii) se as ECD e as ECF referentes aos anos de 2014 e 2015 dão suporte às retificações pretendidas neste processo, sendo necessário realizar tal verificação quanto à CSLL de maio de 2015 apenas na hipótese de não ter sido configurada a concomitância que é objeto do quesito anterior. Do resultado desta diligência a Recorrente deverá ser cientificada, oferecendo-lhe a oportunidade de manifestar-se acerca do objeto das verificações solicitadas, caso assim desejar. Após a realização das verificações solicitadas, o processo deve retornar a este Colegiado para prosseguimento do julgamento do Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Murillo Lo Visco Fl. 436DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10805.723764/2015-50
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49.
Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46.
O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA
A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO.
Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO.
Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA.
O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
Numero da decisão: 2003-000.664
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 37 64 /2 01 5- 50 Fl. 42DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.664 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.723764/2015-50 proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Fl. 43DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.664 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.723764/2015-50 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando que não foi intimado previamente ao lançamento, invocando a súmula 410 do STJ; a denúncia espontânea da infração; que já quitou a obrigação principal, e por isso a multa não se aplicaria; que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN; invocou ofensa a princípios constitucionais no lançamento, inclusive o efeito confiscatório da multa; e a contrariedade à jurisprudência tanto dos tribunais, quanto do próprio CARF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário no qual pretende sejam novamente apreciadas as alegações já submetidas à apreciação da primeira instância. Requer o cancelamento do débito lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares As questões preliminares se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Fl. 44DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.664 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.723764/2015-50 Mérito Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 do CTN, uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da Fl. 45DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.664 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.723764/2015-50 multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Alega ainda que o Manual vigente da GIFP/SEFIP 8.4 traz disciplina contraditória, pois assim estabelece: “12 - PENALIDADES Estão sujeitas a penalidades as seguintes situações: • Deixar de transmitir a GFIP/SEFIP; • Transmitir a GFIP/SEFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; • Transmitir a GFIP/SEFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005. A correção da falta, antes de qualquer procedimento administrativo ou fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza a denúncia espontânea, afastando a aplicação das penalidades previstas na legislação citada.” Entretanto, consta no referido Manual a seguinte informação: “Atualização: 10/2008”. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ou seja, em data posterior à publicação da última versão do Manual. Nota-se que o próprio dispositivo citado do Manual prevê que “Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005.”, dispositivo este que resguardou a aplicação da multa que se discute nos autos. Isso posto, não há como prover o recurso neste ponto. Da necessidade de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Fl. 46DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.664 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.723764/2015-50 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de ... entrega após o prazo”. O recorrente invoca a aplicação da Súmula 410 do STJ (que não possui efeito vinculante), segundo a qual “A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.” Além de não ter efeito vinculante, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido, cabe aqui a aplicação da Súmula CARF nº 2, esta sim de observância obrigatória por todos os membros desse Colegiado, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Da alteração no critério jurídico de interpretação – morosidade no lançamento O recorrente alega ainda que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN. Não assiste razão à recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo a incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto Fl. 47DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.664 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.723764/2015-50 no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir o fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Da alegação de inobservância de princípios constitucionais na aplicação da penalidade Não assiste razão ao recorrente. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência, portanto não há que se falar em confisco. Das outras alegações A fim de subsidiar suas alegações, o recorrente juntou aos autos jurisprudência dos tribunais. Entretanto, a jurisprudência citada não possui efeito vinculante em relação à Administração Pública Federal, pois somente se aplicam entre as partes e nos limites das lides e das questões decididas (inteligência do art. 100 do CTN c/c art. 506 da Lei º 13.105/2015 – Código de Processo Civil). No que se refere à decisão colacionada, emitida por este Conselho, além de não ser vinculante, trata-se de situação distinta daquela que se discute nos autos. Cita-se ali a impossibilidade de concomitância da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. No presente caso, além de não haver concomitância, a multa aplicada foi a prevista no inciso II (e não no inciso I) do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Por último, o fato de ter havido pagamento do tributo em nada invalida o lançamento da multa. Como expressamente assentado no inciso II do art. 32-A da Lei 8.212/91, a multa aplicada foi “de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas... no caso de ...entrega após o prazo”. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Fl. 48DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-000.664 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10805.723764/2015-50 Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13819.722291/2016-93
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Tue May 05 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2014
IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE
Podem ser deduzidos na declaração do imposto de renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se comprovado que os pagamentos efetuados decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade dos valores pagos.
As despesas médicas de filho/alimentado quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente, podem ser deduzidas na declaração do imposto de renda.
Numero da decisão: 2003-001.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilderson Botto Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Wilderson Botto.
Nome do relator: WILDERSON BOTTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2014 IRPF. DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE Podem ser deduzidos na declaração do imposto de renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se comprovado que os pagamentos efetuados decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade dos valores pagos. As despesas médicas de filho/alimentado quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente, podem ser deduzidas na declaração do imposto de renda.
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DEDUÇÃO. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE PREVISÃO EM DECISÃO OU ACORDO HOMOLOGADO JUDICIALMENTE. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. POSSIBILIDADE Podem ser deduzidos na declaração do imposto de renda os pagamentos realizados a título de pensão alimentícia, se comprovado que os pagamentos efetuados decorrem de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e que atendam aos requisitos para dedutibilidade dos valores pagos. As despesas médicas de filho/alimentado quando realizadas em virtude de cumprimento de decisão ou acordo homologado judicialmente, podem ser deduzidas na declaração do imposto de renda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilderson Botto – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Sara Maria de Almeida Carneiro Silva e Wilderson Botto. Relatório Autuação e Impugnação Trata o presente processo, de exigência de IRPF relativa ao ano-calendário de 2014, exercício de 2015, no valor de R$ 20.366,72, já incluídos juros e mora e multa de ofício, em razão da dedução indevida com dependentes, no valor de R$ 2.156,52, e da dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 37.235,44, conforme se depreende da notificação de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 22 91 /2 01 6- 93 Fl. 74DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-001.986 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.722291/2016-93 lançamento constante dos autos, importando na apuração do imposto suplementar no valor de R$ 10.832,79 (fls. 12/17). Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adoto o relatório da decisão de primeira instância – Acórdão nº 15-40.737, proferido pela 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador - DRJ/SDR (fls. 60/56): Trata-se de Impugnação à Notificação de Lançamento que constituiu crédito tributário correspondente ao Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (IRPF) relativo ao ano- calendário 2014, no valor original de R$ 10.832,79, acrescido de multa de ofício e juros moratórios. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal, o lançamento foi efetuado em razão de: a) dedução indevida de dependente, R$ 2.156,52, Pedro Pereira de Paula Machado, CPF nº 427.393.918-54, por não ter comprovado a curatela; e b) dedução indevida de despesas médicas, R$ 37.235,44, diversos prestadores, abaixo especificados, por ausência de comprovação e por beneficiar dependente excluído da declaração. O contribuinte alega em síntese: a) dependente: que Pedro Pereira de Paula Machado é seu filho, portador de necessidades especiais, CID 10 F70-0 – deficiência mental leve, sem comprometimento do comportamento, o qual, desde 11/4/2013, assumiu a condição de alimentando, em decorrência da homologação da sentença proferida em ação de reconhecimento e dissolução de união estável. Aduz erro no preenchimento da declaração de ajuste por relacionar o filho como dependente ao invés de alimentando, requerendo o tratamento próprio desta condição jurídica na apuração do imposto sobre a renda (fls. 2, 8, 18 a 30); b)despesas médicas do alimentando: que os dispêndios com o plano de saúde Sul América (R$ 2.130,44) e o psicólogo Daniel Amiro Basilo Gonçalves (R$ 9.950,00) foram realizados em benefício do alimentando Pedro Pereira de Paula Machado, sendo dedutível com fundamento na Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º §3º, o qual dispõe que despesas médicas dos alimentandos, quando realizadas pelo alimentante em virtude de cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, poderão ser deduzidas pelo alimentante na determinação da base de cálculo da declaração de rendimento. Pede a retificação do número de inscrição no CNPJ informado para a despesa com a Sul América. Anexa comprovantes às fls. 31 e 38 a 41. c) despesas médicas próprias do titular: que os demais dispêndios foram realizados em benefício próprio, anexando comprovantes, a saber: i) Mary Inês Rabello, psicóloga, fls. 32 a 34; ii) Mario Maccarone Filho, odontólogo, fls. 35 a 37; iii) Anderson Sorroche C. Mendes, fisioterapeuta, fls. 42 a 49; e iv) Rogério Pereira de Sousa Lion, fl. 50. Acórdão de Primeira Instância Fl. 75DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-001.986 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.722291/2016-93 Ao apreciar o feito, a DRJ/SDR, por unanimidade de votos, julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada, para restabelecer parcialmente as despesas médicas próprias declaradas, reduzindo o imposto suplementar para R$ 3.915,16, mais acréscimos legais. Recurso Voluntário Cientificado da decisão, em 23/08/2016 (fls. 64), o contribuinte, em 16/09/2016, interpôs recurso voluntário (fls. 66/68), repisando as alegações da peça impugnatória e trazendo outros argumentos, a seguir brevemente sintetizados: I – Dos Fatos Em sentença que homologou o acordo de ação de reconhecimento e dissolução de união estável, foi fixado alimentos devidos ao filho em três salários mínimos mensal, cujo valor contempla os pagamentos de despesas com alimentação, vestuário, lazer, terapia, aula de dança e convênio de assistência médico-hospitalar. II – Do Direito Com base no art. 80, § 5º do RIR/99, se consta no acordo homologado judicialmente que as despesas médicas e de planos de saúde do seu filho/alimentando estão comtempladas dentro do valor da pensão (R$ valor total de R$ 12.080,44), a questão é só de nomenclatura e de reclassificação das despesas (passando a ser deduzidas como pensão alimentícia), uma vez que eu poderia abater até o valor de 36 salários mínimos no ano ( 12 x R$ R$ 724,00 = R$ 26.064,00), e dentro deste valor consta as despensas médicas e de plano de saúde glosadas. Diante do exposto, com a reclassificação das despesas médicas e de planos de saúde para pensão alimentícia, a declaração se modifica apenas da dedução do valor do dependente de R$2.156,52, que resulta numa diferença apurada de imposto a pagar de R$ 534,04. Requer, ao final, o cancelamento do débito fiscal reclamado, no que tange às glosas das despesas médicas e de plano de saúde de seu filho/alimentando. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do art. 23-B, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/15, e suas alterações. É o relatório. Voto Conselheiro Wilderson Botto - Relator. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço e passo à sua análise Preliminares Não foram alegadas questões preliminares no presente recurso. Fl. 76DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-001.986 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.722291/2016-93 Mérito Da glosa mantida sobre as despesas médicas declaradas: Insurge-se, o Recorrente, contra a decisão proferida pela DRJ/SDR, que manteve parcialmente a glosa das despesas médicas, em relação ao psicólogo Daniel Amiro B. Gonçalves - CRP 06/89245, no valor de R$ 9.950,00, e ao plano de saúde Sul América Seguro Saúde S/A, no valor de R$ 2.130,44, por ele pagas em favor de seu filho/alimentando Pedro Pereira de Paula Machado, a título de pensão alimentícia por força do acordo homologado judicialmente, buscando, por oportuno, nessa seara recursal, obter nova análise do todo processado, no sentido do acatamento das despesas declaradas na DAA/2015. A fiscalização, por seu turno, glosou as despesas médicas declaradas, por referir- se a dependente excluído da declaração de ajuste anual. Assim, passo ao cotejo da documentação constantes dos autos em relação aos fundamentos motivadores da glosa subsistente em litígio traçada na decisão recorrida (fls. 58/59): O próprio sujeito passivo reconhece, em sua defesa, a procedência da glosa da dedução na condição de dependente de Pedro Pereira de Paula Machado, CPF nº 427.393.918- 54, ao pleitear a substituição da condição de dependente para alimentando. A glosa da dedução de dependente, pois, deve ser mantida, visto que não há previsão para dedução de alimentando, mas sim para as parcelas relativas ao pagamento de pensão alimentícia, que não foram submetidas ao ajuste anual e não integram a lide, e o valor relativo ao dependente foi indevidamente utilizado na apuração do imposto por meio do ajuste. (...) Incabível, outrossim, a dedução das despesas médicas de Pedro Pereira de Paula Machado, CPF nº 427.393.918-54, na condição de alimentando. As despesas médicas dos alimentandos, somente são dedutíveis pelos alimentantes, quando realizadas por estes em virtude de cumprimento de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública (Lei nº 9.250, de 26/12/1995, art. 8º, §3º). Como visto, a sentença homologatória do acordo (fl. 25) fixou alimentos devidos pelo sujeito passivo ao filho, em três salários mínimos, e a petição inicial da ação de reconhecimento e dissolução de união estável estabelece que tal apensionamento destina-se especificamente ao pagamento das despesas mensais e necessárias com alimentação, vestuário, lazer, terapia, aula de dança e convênio de assistência médico-hospitalar. Assim, o valor do dispêndio com pensão alimentícia – que tem previsão normativa para dedução e que, ressalte-se, não foi pleiteada originalmente nem comprovada, pois não integra a lide sub julgamento - conforme acordo homologado judicialmente, já inclui o pagamento das “despesas médicas”, no caso, dentre estas, plano de assistência médico-hospitalar e terapia, razão pela qual a dedução específica a título de despesas do alimentando, não se revela possível. Mantida, pois, a glosa das despesas declaradas em benefício de Pedro Pereira de Paula Machado, CPF nº 427.393.918-54, visto que descaracterizada sua condição de dependente, bem assim, por não ter sido contemplada, no acordo homologado judicialmente, a obrigação específica de pagamento de “despesas médicas” do alimentando além dos valores fixados para a pensão alimentícia. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decreto-Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, §§3º, e Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, art.73, caput). É dever do contribuinte instruir a impugnação com os Fl. 77DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-001.986 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.722291/2016-93 documentos em que se fundamente, sob pena de não prosperarem suas alegações (arts. 15 e 29 do Decreto nº 70.235, de 1972). Pois bem. Entendo que a pretensão recursal merece prosperar. Conforme se depreende da decisão de piso, as despesas foram glosadas por não terem sido declaradas em título próprio na DAA/2015 (pensão alimentícia), além do fato de, no acordo homologado judicialmente, não ter sido contemplada a obrigação específica de pagamento de despesas médicas além dos valores fixados para a pensão alimentícia pactuada em favor do filho/alimentando. No que tange ao correto cumprimento do dever instrumental, ao se formalizar as obrigações acessórias mediante o preenchimento da declaração de ajuste anual, embora pertinentes e necessárias, tenho que, no processo administrativo fiscal, os princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório devem prevalecer, sobrepondo-se ao formalismo processual, sendo cabível a revisão do lançamento pela autoridade administrativa. Neste ponto, o art. 149 do CTN determina ao julgador administrativo realizar, de ofício, o julgamento que entender necessário, privilegiando o princípio da eficiência (art. 37, caput, CF/88), cujo escopo é efetuar o controle de legalidade sobre o lançamento fiscal, harmonizando-o com os dispositivos legais de cunho material e processual aplicáveis ao caso. Do acordo judicial homologado por sentença carreado aos autos (fls. 26/30), pode-se constatar que coube ao Recorrente arcar com o pagamento da pensão alimentícia mensal a seu filho Pedro Pereira de Paula Machado, fixada em 03 (três) salários mínimos vigentes “correspondente ao pagamento das despesas mensais e necessárias tais, como, alimentação, vestuário, laser, terapia e convênio de assistência médico-hospitalar”, ao teor da cláusula 5.1 (fls. 28/29). Não obstante, os documentos constantes dos autos estão a comprovar que o Recorrente promoveu o pagamento do plano de saúde no valor de R$ 2.130,44 (fls. 31), bem como quitou o tratamento psicológico no decorrer do ano de 2014 (fls. 38/41), no valor de R$ 9.950,00, ambos de seu filho/alimentando, pagamentos estes, ao meu sentir, previstos no acordo judicial homologado, uma vez que lhe coube arcar com as sessões de terapia bem com promover-lhe a assistência médico-hospitalar do alimentando, cujos os recibos apresentados estão em conformidade com a legislação de regência (art. 80, § 1º, III do RIR/99) e deles não emergiu, tanto pela fiscalização quanto na decisão recorrida, nenhum questionamento sobre os efetivos dispêndios realizados. Por tais razões, me convencendo da verossimilhança das alegações recursais, respaldado no conjunto probatório produzido e constatando que o Recorrente se desincumbiu do ônus que lhe competia – demonstrando que cumpriu com o pactuado no processo nº 0045641- 85.2012.8.26.0100 (fls. 25/30), ao arcar com as despesas médicas de seu filho/alimentado e portador de deficiência mental (fls. 31 e 38/41) – afasto a glosa sobre as despesas declaradas, porquanto os respectivos pagamentos decorreram de previsão específica (pensão alimentícia) qualificada no acordo judicial homologado. Conclusão Ante o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao presente recurso, nos termos do voto em epígrafe, para restabelecer a dedução das despesas médicas glosadas, no valor total Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-001.986 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.722291/2016-93 de R$ 12.080,44, que deverão ser alocadas como pensão alimentícia na base de cálculo do imposto de renda no ano-calendário 2014, exercício 2015. É como voto. (assinado digitalmente) Wilderson Botto Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13708.003989/2008-53
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Apr 17 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1003-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que elabore Relatório Fiscal com as informações requeridas na parte dispositiva desta Resolução.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wilson Kazumi Nakayama - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente)
Nome do relator: WILSON KAZUMI NAKAYAMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que elabore Relatório Fiscal com as informações requeridas na parte dispositiva desta Resolução. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Wilson Kazumi Nakayama - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama e Carmen Ferreira Saraiva( Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra o acórdão 12-37.423, de 26 de maio de 2011, da 3ª Turma da DRJ/RJ1, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte contra o Ato Declaratório Executivo da DERAT/RJO que a excluiu do SIMPLES. Por relatar adequadamente os fatos até a apresentação da manifestação de inconformidade e para evitar repetições. adoto e transcrevo o relatório do acórdão recorrido: Trata-se de Manifestação de Inconformidade, fls.86/90, ante ao Ato Declaratório Executivo DERAT/RJO n°.104397, de 22.08.2008 (fls.06), com ciência em 08.09.2008 (fls.65). No referido ADE (fls.06), a autoridade administrativa declarou a exclusão do interessado do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), a partir de 1° de janeiro de 2009, em razão de o interessado possuir débitos com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 37 08 .0 03 98 9/ 20 08 -5 3 Fl. 148DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1003-000.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13708.003989/2008-53 Em virtude da Norma de Execução COSIT/CODAC/COCAJ n°1, de 15.03.2010, o interessado foi cientificado, através da Notificação DRF/RJ2- DIORT n°065/2011 (fls.66), em 04.02.2011 (fls.66-v), da existência dos débitos, a seguir relacionados, tendo sido reaberto o prazo de 30 dias para impugnação, contados da ciência: Na manifestação de inconformidade, recebida em 04.03.2011 (fls.86/90), o interessado alega que: a)A partir do exercício de 2000, passou a recolher pela sistemática do Simples; b)Ocorre que por equívoco do contador, os tributos relativos ao 3° e 4° trimestres de 2004, bem como o relativo ao período de apuração jan/2005, foram recolhidos pela sistemática do Lucro Presumido; c) Sendo assim, aduz que os débitos do Simples Federal de jul/2004 até jan/2005 não são devidos, isso porque já foram recolhidos, porém, pela sistemática do Lucro Presumido; d) Afirma que é imprescindível que a própria Receita aloque os pagamentos efetuados pelo interessado aos débitos do Simples; e) Em relação ao débito do processo n.19726.000045/2008-92 tem-se que referido débito teve como origem suposto não pagamento de custas judiciais do processo 2005.51.01.511099-7. No entanto, referidas custas no valor original de R$707,15, foram recolhidas em 29.06.2007, conforme DARF em anexo (Doc.4); Por fim, requer a reconsideração da decisão que excluiu o interessado do Simples Nacional. Fl. 149DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1003-000.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13708.003989/2008-53 Em despacho às fls. 67 a autoridade administrativa diz que os débitos motivadores da exclusão, não foram regularizados e que a inscrição em Dívida Ativa da União encontra-se na situação "ATIVA". Nesta Turma, foram acostados documentos de fls. 95/108. É o Relatório. A 3ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu que os débitos do SIMPLES Federal do período de apuração 07/2004 a 01/2005 foram encaminhados para inscrição em DAU-Dívida Ativa da União e encontravam-se na situação “ativa ajuizada” (fls. 100 e 101) e também se encontrava na situação “ativa ajuizada” a inscrição na DAU 70.6.08.000929-12, e portanto todos os débitos estavam sob a administração da Procuradoria da Fazenda Nacional. No entendimento da 3ª Turma da DRJ/RJ1, ao pretender compensar os recolhimentos efetuados pelo Lucro presumido com débitos do Simples Federal (que não mais estavam sob a administração da RFB), o que pretende na verdade é a compensação de pagamento indevido ou a maior, e que a legislação exige um procedimento específico. Por fim, como continuavam exigíveis os débitos que acarretaram a exclusão da contribuinte do SIMPLES, a 3ª Turma da DRJ/RJ1 decidiu por manter o ADE de exclusão. A contribuinte tomou ciência do acórdão em 16/06/2011 (e-fl. 120). Irresignada a contribuinte, ora Recorrente, apresentou recurso voluntário em 18/07/2011 onde reafirma que os recolhimentos dos tributos foram feitos de forma errada, voltando a ser feito de forma correta a partir de fevereiro de 2005. Aduz, ainda, que no acórdão combatido a Turma Julgadora a quo entendeu que a pretensão da Recorrente era a compensação dos valores pagos indevidamente ou a maior, e que portanto deveria seguir procedimento específico. A Recorrente então juntou aos autos os formulários de Declaração de Compensação às e-fls. 129-136 nos quais solicita a compensação dos débitos do SIMPLES com os valores recolhidos a título de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, que segundo a mesma, foram recolhidos de forma errada. Requereu ao final a suspensão do processo enquanto estiver sendo apurada a Compensação requerida. É o Relatório. VOTO O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, assim dele tomo conhecimento. Através do Ato Declaratório Executivo DERAT/RJO n°.104397, de 22/ de agosto de 2008, a Recorrente foi notificada da sua exclusão do SIMPLES Nacional, por constarem débitos em seu nome sem a exigibilidade suspensa. Por meio da Notificação DRF/RJ2-DIORT n° 065/2011, de 01/02/2011, a Recorrente tomou ciência que os débitos que acarretaram sua exclusão foram débitos do Fl. 150DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1003-000.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13708.003989/2008-53 SIMPLES Federal do período de apuração 07/2004 a 01/2005 e que foram encaminhados para inscrição em DAU além de um outro débito cuja inscrição na DAU é 70 6 08 000929-12. Quanto a esse último processo a Recorrente alega que trata-se de custas judicias e que foi recolhido em 29/06/2007. Na manifestação de inconformidade a Recorrente alegou que houve um erro no recolhimento dos tributos, que teriam sido recolhidos como se estivesse no regime de apuração do Lucro Presumido. Apresentou comprovantes dos seguintes recolhimentos: PA Receita Dt. Venc. Dt,Pag. Principal Multa Juros Total 12/2004 2372 31/01/2005 31/01/2005 1.355,71 0,00 0,00 1.355,71 12/2004 2372 31/01/2005 28/12/2004 1.037,38 0,00 0,00 1.037,38 09/2004 2372 29/10/2004 30/09/2004 899,44 0,00 0,00 899,44 09/2004 2372 29/10/2004 (ilegível) 904,26 0,00 0,00 904,26 12/2004 2372 31/01/2005 29/12/2004 1.059,31 0,00 0,00 1.059,31 09/2004 2372 29/10/2004 28/10/2004 802,92 0,00 0,00 802,92 09/2004 2089 29/10/2004 30/09/2004 999,37 0,00 0,00 999,37 09/2004 2089 29/10/2004 (ilegível) 1.004,73 0,00 0,00 1.004,73 12/2004 2089 31/01/2005 29/11/2004 1.177,01 0,00 0,00 1.177,01 09/2004 2089 29/10/2004 28/10/2004 892,15 0,00 0,00 892,15 12/2004 2089 31/01/2005 31/01/2005 1.506,35 0,00 0,00 1.506,35 12/2004 2089 31/01/2005 28/12/2004 1;152,64 0,00 0,00 1.152,64 08/2004 2172 15/09/2004 15/09/2004 2.498,44 0,00 0,00 2.498,44 07/2004 2172 13/08/2004 13/08/2004 2.511,82 0,00 0,00 2.511,82 10/2004 2172 12/11/2004 10/11/2004 2.942,53 0,00 0,00 2.942,53 09/2004 2172 15/10/2004 15/10/2004 2.230,37 0,00 0,00 2.230,37 12/2004 2172 14/01/2005 14/01/2005 3.765,86 0,00 0,00 3.765,86 11/2004 2172 15/12/2004 13/12/2004 2.881,61 0,00 0,00 2.881,61 01/2005 2172 15/02/2005 15/02/2005 3.027,82 0,00 0,00 3.027,82 08/2004 8109 15/09/2004 15/09/2004 541,33 0,00 0,00 541,33 07/2004 8109 13/08/2004 13/08/2004 544,23 0,00 0,00 544,23 10/2004 8109 12/11/2004 10/11/2004 637,55 0,00 0,00 637,55 09/2004 8109 15/10/2004 15/10/2004 483,25 0,00 0,00 483,25 12/2004 8109 14/01/2005 14/01/2005 815,94 0,00 0,00 815,94 11/2004 8109 15/12/2004 13/12/2004 624,35 0,00 0,00 624,35 01/2005 8109 15/02/2005 15/02/2005 656,03 0,00 0,00 656,03 03/2005 2089 29/04/2005 28/02/2005 1.211,13 0,00 0,00 1.211,13 03/2005 2372 29/04/2005 28/02/2005 1.090,01 0,00 0,00 1.090,01 02/2005 6106 28/02/2005 10/03/2005 4.382,69 0,00 0,00 4.382,69 A DRJ entendeu que a pretensão da Recorrente era compensar os débitos do SIMPLES com valores recolhido indevidamente, mas que esse procedimento deveria seguir rito específico estabelecido pela Instrução Normativa SRF 600 , de 28 de dezembro de 2005. Considerando que os débitos continuavam em aberto, a DRJ decidiu pela manutenção da exclusão da Recorrente do SIMPLES. Fl. 151DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1003-000.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13708.003989/2008-53 Em sede recursal, a Recorrente juntou aos autos formulários de Declaração de Compensação para pedir a compensação dos valores indevidamente recolhidos com os débitos do SIMPLES. Há que se consignar que a forma com que a Recorrente apresenta a Declaração de Compensação não é adequada, pois deveria ser apresentada através de documento eletrônico através do PGDAS do PER/DCOMP. O formulário em papel só deve ser encaminhado em caso de impossibilidade de encaminhamento do formulário eletrônico, e com a devida justificativa da impossibilidade de envio por meio eletrônico.. Além disso, o prazo para apresentação da DCOMP já teria decaído, pois os fatos geradores mais recentes (recolhimentos pelo lucro presumido) ocorreram em 31/05/2005 e o formulário foi juntado em 18/07/2011. E sobretudo não tem validade a apresentação da DCOMP juntada aos autos, pois deveria ser apresentada à autoridade administrativa em processo próprio e ser formulado pelo responsável legal do contribuinte (o procurador que assina as Declarações deve ter poderes específicos para tal procedimento). Em suma, não tomo conhecimento da declaração de compensação apresentada. Contudo, embora concordando com a DRJ que a intenção da Recorrente era atribuir os recolhimentos realizados no regime do lucro presumido aos débitos apurados sob a sistemática do SIMPLES., entendo que não se trata verdadeiramente de uma “Compensação” nos moldes do estatuído pela Instrução Normativa SRF 600 , de 28 de dezembro de 2005, O que a Recorrente pretende é que os valores recolhidos como lucro presumido do período de apuração 07/2004 a 01/2005 sejam considerados como recolhimentos do SIMPLES Federal. A Recorrente alega que o contador errou ao recolher os tributos do período de 07/2004 a 01/2005 pelo lucro presumido. Para comprovar o alegado juntou cópia dos DARFs com a comprovação do pagamento, dos PAs acima relacionados. Compulsando os autos verifico que haviam outras inscrições em DAU (10768514872/2006-36, , 10768514875/2006-70, 10768514875/2006-70 e 10768514875/2006- 70) e que a DERAT/RJO solicitou o cancelamento da inscrição pelo fato da contribuinte estar recolhendo e declarando os tributos pelo SIMPLES. O processo 10768.514872/2006-36) é relativo ao IRPJ do período de apuração de janeiro a abril de 2004, o processo 10768.514874/2006-25 ) é relativo ao PIS do período de apuração de janeiro a junho de 2004, o processo 10768.514875/2006-70 ) é relativo a CSLL do período de apuração de janeiro a abril de 2004. A origem da inscrição foi pelo fato da contribuinte ter confessado em DCTF os débitos no regime do lucro presumido, quando recolhia e pagava os débitos na sistemática do SIMPLES. A situação acima narrada corrobora a alegação da Recorrente de que houve um erro material ao fazer os recolhimentos pelo lucro presumido, quando deveria indicar que os recolhimentos eram do SIMPLES. Fl. 152DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1003-000.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13708.003989/2008-53 Entendo que os valores recolhidos dos PAs 07/2004 a 01/2005 no regime do lucro presumido poderiam ser atribuídos aos débitos do SIMPLES Federal do mesmo período de apuração, caso não tenham sido ainda aproveitados pela contribuinte. A justificativa é a aplicação do Princípio da Verdade Material, uma vez comprovado o erro de fato alegado pela Recorrente. Além disso, há que se considerar a aplicação da equidade na relação entre o Fisco e o contribuinte, uma vez que no caso de lançamento de ofício por exclusão da empresa do SIMPLES, os valores recolhidos naquela sistemática devem ser deduzidos do valor lançado, conforme determinado pela Súmula n° 76 do CARF. Mas, no presente caso, há indicação de que os débitos foram ajuizados e não foram juntados aos autos qual é a situação do processo de execução fiscal. Não se sabe se a Recorrente apresentou embargos, por exemplo, e se transitou em julgado o processo judicial de execução. Além disso, não foi analisado pela autoridade fiscal se os valores recolhidos pela Recorrente pelo Lucro Presumido são suficientes para liquidar os débitos do SIMPLES. Dispositivo Assim entendo ser necessário diligenciar a Unidade de Origem para que esta: 1) Intime a Recorrente a informar qual é a situação dos processos de execução relativos à Inscrição: 70409002227-83 e 70410012563-57, com a apresentação de histórico do andamento do processo; 2) Verifique quais recolhimentos realizados pela Recorrente sob os códigos de receita 2089, 2172, 2372 e 8189 relativos ao período de apuração 07/2004 a 01/2005 constam no sistema do Fisco. Informe através de relatório quais foram os recolhimentos por tributo, período de apuração, valor do principal e dos demais consectários, de houver. 3) Informe como os recolhimentos foram alocados e se a Recorrente utilizou referidos recolhimentos em compensação. 4) Intima a Recorrente a informar a situação da situação do processo de execução reativo à inscrição 70608 000929-12, com a apresentação de histórico do andamento do processo; A Unidade de Origem deverá elaborar Relatório Fiscal, dando ciência de seu teor à Recorrente, para que esta se manifeste, caso seja seu interesse, no prazo de 30 dias após a ciência. Assim voto em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem para que elabore Relatório Fiscal com as informações requeridas na parte dispositiva desta Resolução. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fl. 153DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 da Resolução n.º 1003-000.173 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13708.003989/2008-53 Wilson Kazumi Nakayama Fl. 154DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10768.008773/2008-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 16 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 04 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
A Lei nº 8.852, de 19934, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula nº 68 do CARF.
Numero da decisão: 2002-004.989
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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A Lei nº 8.852, de 19934, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Súmula nº 68 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 40/41) contra decisão de primeira instância (e-fls. 33/36), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Trata o processo fiscal de lançamento, gerado após o processamento da declaração de ajuste, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o impugnante insurgiu-se contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 87 73 /2 00 8- 81 Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-004.989 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.008773/2008-81 alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever o lançamento. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal especifica. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. Requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil, Relator. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 06/11/2009 (e-fl. 38); Recurso Voluntário protocolado em 16/11/2009 (e-fl. 40), assinado pelo próprio contribuinte. Responde o contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica. Relata o Sr. AFRF: Confrontando o valor dos Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica declarados com o valor dos rendimentos informados pelas fontes pagadoras em Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes, constatou-se omissão de rendimentos sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 15.712,20. A r. decisão revisanda, julgou improcedente a impugnação. Irresignado, o contribuinte maneja recurso próprio, combatendo o mérito. O recorrente lança razões preliminares que se confundem com o mérito, que serão apreciadas. A r. decisão de origem, esmiuçou toda a legislação, pertinente aos fatos, concluindo, que a remuneração, ou seja salário + adicional de tempo não são passíveis de isenção do imposto, peço vênia também para reproduzir os referidos textos: A Lei 7.713/88, em seu art 3°, § 1°, dispõe que o imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, sobre todo o produto do Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-004.989 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.008773/2008-81 capital, do trabalho ou da combinação de ambos (renda), os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados, ressalvadas as disposições dos artigos 9° a 14 desta mesma Lei. Ademais, o § 4 do art 3 da Lei 7.713/88 define que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Todavia, normas legais determinam a exclusão do rendimento bruto, para fins de incidência do imposto de renda da pessoa física, por serem isentos ou não tributáveis. Estas exclusões estão elencadas no artigo 39 do Decreto n" 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda). A Lei 8.852/94 dispõe sobre a aplicação dos arts. 37, incisos XI e XII 39, § 1°, da Constituição Federal, além de dar outras providências, mas não contempla em seu artigo 1°, III, hipóteses de isenção ou de não incidência do imposto de renda da pessoa física. O artigo 1" da Lei 8.852/94 define meramente aquilo que seja vencimento básico, vencimentos e remuneração para aplicação dos seus dispositivos. Com efeito, não outorga isenção ou enumera hipóteses de não incidência de imposto, mesmo porque, lei que concede isenção deve ser específica, nos termos do § 6° do artigo 150 da CF/88, ou seja, deve tratar exclusivamente da matéria isentiva ou de determinada espécie tributária. As alíneas de “a” até “r” no inciso III do art 1° da Lei 8.852/94 são exclusões do conceito de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de imposto de renda da pessoa física, em outras palavras, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do imposto sobre a pessoa física, mas sim, repita-se, de sua exclusão do conceito de remuneração para os objetivos da Lei 8.852/94. Este relator comunga do mesmo posicionamento da r. decisão de origem, eis que o regramento da lei nº 8852/ 94, não é excludente de tributação. Perfilho o entendimento da Súmula 68 do Carf que diz: “A Lei nº 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018).” Assim nesta quadra de entendimento, carece de razão o recorrente. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário e, no mérito, nega-se provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-004.989 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10768.008773/2008-81 Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 15504.729654/2015-18
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 08 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
PRELIMINAR DE MÉRITO. NULIDADE.
Em não havendo as hipóteses, mencionadas no art. 59 do Dec. 70235/72, que regulamenta o PAF, não há de falar-se em nulidade.
CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
PREJUDICIAL DE MÉRITO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA.
A prescrição com lastro no Art. 174 do CTN. Só se aplica a partir da constituição definitiva do crédito tributário. Já a decadência aplicada ao assunto este Colendo Órgão de Julgamento, editou a Súmula CARF n° 148.
MÉRITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADES.
A denúncia espontânea, o instituto já se encontra pacificado na Súmula n° 49 do CARF, quanto às penalidades aplicadas, as mesmas têm previsão legal.
A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
Numero da decisão: 2002-003.597
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13807.730655/2015-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 PRELIMINAR DE MÉRITO. NULIDADE. Em não havendo as hipóteses, mencionadas no art. 59 do Dec. 70235/72, que regulamenta o PAF, não há de falar-se em nulidade. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREJUDICIAL DE MÉRITO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. A prescrição com lastro no Art. 174 do CTN. Só se aplica a partir da constituição definitiva do crédito tributário. Já a decadência aplicada ao assunto este Colendo Órgão de Julgamento, editou a Súmula CARF n° 148. MÉRITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADES. A denúncia espontânea, o instituto já se encontra pacificado na Súmula n° 49 do CARF, quanto às penalidades aplicadas, as mesmas têm previsão legal. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração.
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NULIDADE. Em não havendo as hipóteses, mencionadas no art. 59 do Dec. 70235/72, que regulamenta o PAF, não há de falar-se em nulidade. CONFISCO. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. PREJUDICIAL DE MÉRITO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. A prescrição com lastro no Art. 174 do CTN. Só se aplica a partir da constituição definitiva do crédito tributário. Já a decadência aplicada ao assunto este Colendo Órgão de Julgamento, editou a Súmula CARF n° 148. MÉRITO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PENALIDADES. A denúncia espontânea, o instituto já se encontra pacificado na Súmula n° 49 do CARF, quanto às penalidades aplicadas, as mesmas têm previsão legal. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Votou pelas conclusões a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13807.730655/2015-67, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 96 54 /2 01 5- 18 Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-003.597 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.729654/2015-18 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2002-003.499, de 17 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata o presente processo sobre lançamento no qual é exigido do sujeito passivo acima identificada crédito tributário de multa por atraso na entrega de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social - GFIP. O enquadramento legal foi o art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, com redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O contribuinte apresentou Impugnação, a qual foi julgada improcedente pelo Colegiado a quo. Ciente do julgamento de primeira instância, o contribuinte ingressou com recurso voluntário, nos mesmos termos e alegações de sua impugnação, que em síntese apontam: Nulidade do auto de infração; Prescrição; Do Princípio da publicidade; Confisco; Alteração do critério jurídico de interpretação; Penalidades. É o relatório. Voto Conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Relatora Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2002-003.499, de 17 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. Da Nulidade: Assim dispõe o Decreto n° 70235, que rege o processo administrativo, em seu art. 59: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-003.597 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.729654/2015-18 Portanto como não se vislumbra tal situação ao caso presente, rejeito. Prejudicial de mérito; Prescrição/decadência. Antes de se discutir propriamente o mérito do feito. Podem ser discutidas prejudiciais do próprio mérito, que vêm após preliminares. O juiz também poderá julgar liminarmente improcedente o pedido se verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição. Consiste a prescrição na perda da pretensão do direito, em virtude da inércia de seu titular no decorrer de certo período, ao passo que a decadência consiste na perda do próprio direito, em razão de não ter exercido no prazo legal. Nenhuma dessas hipóteses ocorreu no presente caso, pois a prescrição com estribo no art. 174 do CTN, só se aplica a partir da constituição definitiva do crédito tributário, ao passo que sobre a decadência a matéria já se encontra pacificada na Súmula n°148 deste Colendo CARF. No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Dos Princípios Constitucionais tributários. Em linhas gerais os princípios representam os alicerces, as vigas mestres sobre os quais se ergue o “edifício jurídico”, violar um princípio é muito mais grave do que transgredir uma norma. O STJ tem considerado nulo o processo administrativo, quando o administrado não tem assegurado o acesso aos autos. Por oportuno destaco que o administrado teve pleno acesso aos autos, podendo articular sua defesa, juntando documentos que achou necessário. Dispõe a Carta Política de 88, ser vedado à União aos Estados, ao DF e aos Municípios “utilizar tributo com efeito de confisco”. A falta de delimitação do ponto a partir do qual um tributo assume a feição confiscatória tem conduzido a uma inaplicabilidade desse princípio, por seu caráter subjetivo prejudicial à lógica do sistema. Em última análise, confisco é decretar a perda da propriedade, não sendo este o caso dos autos. Da alteração do critério jurídico de interpretação - Violação do art. 146 do CTN, na brilhante lição de Zuudi Sakakihara em Código Tributário Nacional Comentado (Editora Revista dos Tribunais, 2007 – página 677), sob a coordenação de Vladimir Passos de Freitas, assim comenta: “Os critérios jurídicos adotados no exercício do lançamento são aqueles que permitem determinar a ocorrência do fato gerador e mensurar a obrigação principal decorrente. ... A norma jurídica tem sempre um sentido unívoco, que o jurista procura apreender, mediante a utilização dos meios, ou critérios, que a ciência do direito lhe oferece. ... Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-003.597 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 15504.729654/2015-18 De qualquer modo, como a diversidade de entendimento de uma mesma norma é sempre possível, não há dificuldades em aceitar que a autoridade administrativa, convencendo-se da incorreção dos critérios utilizados na constituição do crédito tributário, adote outros, vindo a interpretar o fato tributário de forma diferente.” Não ocorreu violação ao princípio constitucional e do caráter confiscatório da multa, neste sentido o CARF editou a Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Da denúncia espontânea: O instituto da denúncia espontânea, já se encontra pacificado neste Colendo Órgão de Julgamento, por meio da Súmula N° 49, que assim se impõe: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Isto posto e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, afasto as preliminares arguidas e, no mérito nega-se provimento. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000001/2008-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006, 01/01/2007 a 31/10/2007
LANÇAMENTO. NULIDADE.
É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais.
MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
SÚMULA CARF nº 01.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Numero da decisão: 3301-001.030
Decisão: Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Vencidos os conselheiros Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López que davam provimento para afastar a renúncia.
A conselheira Maria Teresa Martínez López apresentou Declaração de voto.
Esteve presente pela parte Vivian Casanova de Carvalho Eskenazi, OAB/RJ nº 128.556.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006, 01/01/2007 a 31/10/2007 LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
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NULIDADE. É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. MATÉRIA DISCUTIDA NA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. SÚMULA CARF nº 01. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencidos os conselheiros Antonio Lisboa Cardoso, Fábio Luiz Nogueira e Maria Teresa Martínez López que davam provimento para afastar a renúncia. A conselheira Maria Teresa Martínez López apresentou Declaração de voto. Esteve presente pela parte Vivian Casanova de Carvalho Eskenazi, OAB/RJ nº 128.556. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Fl. 230DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ 2 José Adão Vitorino de Morais Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Florianópolis que não conheceu da impugnação apresentada pela recorrente contra o lançamento da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) referente aos fatos geradores dos meses de competência de outubro de 2006 a outubro de 2007. O lançamento decorreu das diferenças entre os valores das contribuições declarados/pagos e os valores efetivamente devidos, apurados com base em sua escrita contábil, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 72. Inconformada com a exigência do crédito tributário, a recorrente impugnou o lançamento, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “. . . afirma que a autoridade fiscal busca reformar o que foi decidido no acórdão da decisão judicial. Entende que a autoridade fiscal, ao definir a receita operacional como fato gerador da COFINS, afrontou a decisão do Tribunal Regional Federal, que já havia decidido qual o conceito de receita bruta a ser utilizado. Além do mais, teria afrontado também o direito positivo, pois não há ato legal prevendo o uso da receita operacional como base de cálculo da COFINS. Defende a contribuinte que com o expurgo do parágrafo 1º do artigo 3° da Lei n.° 9.718/1998 pelo Poder Judiciário, restou afastada a aplicação da Lei n.° 9.718/1998 para a cobrança da COFINS, com a conseqüente determinação da aplicação da legislação anterior, a Lei Complementar n.° 70/1991.” Constou também de seu relatório que: “Anteriormente à apresentação da impugnação acima relatada de forma sintética, a contribuinte ingressou com novo mandado de segurança junto à 1ª Vara Federal de Florianópolis/SC (petição inicial às folhas 104 a 107), no âmbito do qual pleiteia o reconhecimento do Poder Judiciário de que o auto de infração contra ela lavrado o foi com base em uma interpretação da autoridade fiscal que afronta decisão judicial anteriormente prolatada em seu favor. A rigor, as alegações da contribuinte estão baseadas na idéia, igualmente exposta na impugnação administrativa, de que com o expurgo do parágrafo 1º do artigo 3° da Lei n.° 9.718/1998 pelo Poder Judiciário, restou afastada a aplicação da Lei n.° 9.718/1998 para a cobrança da COFINS; e que, assim, a autoridade fiscal, ao definir a receita operacional como fato gerador da COFINS, teria afrontado a decisão do Tribunal Regional Federal, que já havia decidido qual o conceito de receita bruta a ser utilizado. Ao final de sua petição (folha 107), a contribuinte pede expressamente: o reconhecimento de que nada pode lhe ser exigido com base na Lei n.° 9.718/1998; o cancelamento do auto de infração já lavrado; e a ordem para que o Delegado da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC se abstenha da prática de qualquer medida constritiva no sentido da cobrança da COFINS com base no ato legal retromencionado. Nas informações prestadas pela DRF/Florianópolis/SC no âmbito do processamento do mandado de segurança, foram reexpostas as razões que justificaram o lançamento, bem como a interpretação dada à decisão judicial que Fl. 231DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ Processo nº 11516.000001/200826 Acórdão n.º 330101.030 S3C3T1 Fl. 218 3 anteriormente havia afastado a aplicação do parágrafo 1º do artigo 3° da Lei n.° 9.718/1998 (folhas 117 a 126). O Poder Judiciário, na decisão prolatada nos autos do mandado de segurança, denegou a segurança, reafirmando expressamente a tese da autoridade fiscal, qual seja a de que com o expurgo do parágrafo 1º do artigo 3° da Lei n.° 9.718/1998, ‘os demais dispositivos da Lei n.° 9.718 permanecem válidos e aplicáveis e, bem por isso, esses tributos continuam exigíveis na conformidade da base de cálculo definida no restante do ordenamento. Assim, a tributação sobre as receitas operacionais permanece, excluídas apenas as receitas nãooperacionais, em razão do disposto no art. 3º, caput e art. 2°, da Lei n° 9.718/98’ (folha 134)’.” Analisados os autos, aquela DRJ não conheceu da impugnação, conforme acórdão nº 0717.366, datado de 28/08/2009, às fls. 139/142, sob a seguinte ementa: “OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA AO RECURSO ADMINISTRATIVO A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 186/212), requerendo, preliminarmente, a nulidade do lançamento sob o argumento de afronta à coisa julgada, e, no mérito, seja reconhecida a ausência de renúncia à discussão da questão na esfera administrativa, determinando o retorno dos autos à DRJ para que seja apreciada a impugnação e, na hipótese de ainda pairarem dúvidas a respeito da inexistência de outra ação judicial sobre o mérito deste processo administrativo, que não a do mandado de segurança, seja o julgamento convertido em diligência para que a autoridade fiscal a identifique, abrindose, na seqüência, vista a ela recorrente, para que se pronuncie sobre o novo fato. Para fundamentar sue recurso, expendeu extenso arrazoado sobre: i) tempestividade; ii) do direito ao duplo grau obrigatório na esfera administrativa; iii) dos fatos; iv) nulidade do auto de infração: manifesta violação à coisa julgada; v) da inaplicabilidade do art. 38 da Lei nº 6.830/80: só existe um mandado de segurança: o de nº 2006.72.00.0094854. Qual o outro? e, vi) inocorrência de renúncia à esfera administrativa; o direito da recorrente ao devido processo legal na esfera administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A suscitada preliminar de nulidade do lançamento sob o argumento de afronta à coisa julgada, não tem amparo e legal e não merece prosperar. Fl. 232DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ 4 O auto de infração e, conseqüentemente, o lançamento somente seriam nulos se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 59, inciso I, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; (...).” O auto de infração em discussão foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal, servidor competente para exercer fiscalizações externas de pessoas jurídicas e, se constatadas faltas na apuração do cumprimento de obrigações tributárias, por parte da fiscalizada, tem competência legal para a sua lavratura, com o objetivo de constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício. Possíveis incorreções e/ ou deficiências não o tornam nulo nem anulável e sim defeituoso ou ineficaz até a sua retificação. Contudo, inexiste a suscitada afronta à coisa julgada. Ao contrário do seu entendimento, o lançamento foi efetuado de conformidade com a decisão judicial transitada em julgado no mandado de segurança nº 2006.72.00.00.0094854/SC. Neste se reconheceu apenas a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, conforme se depreende do voto do Relator Senhor Desembargador Federal Vilson Darós às fls. 148/151, da ementa e do acórdão do Tribunal Regional Federal (TRF) da 4ª Região às fls. 148, proferidos no julgamento da remessa “ex officio” do referido mandado de segurança. Tanto é verdade que, depois de autuada e cientificada do lançamento em discussão, a recorrente protocolou o requerimento às fls. 104/107, dirigido ao MM Juiz Federal da 1ª Vara Federal em Florianópolis, SC, no qual transcreveu a decisão favorável a ela no referido mandado de segurança e, apesar desta, foi autuada e exigidolhe o pagamento da Cofins nos termos da Lei nº 9.718, de 1998, e, segundo seu entendimento, a lavratura do auto de infração afrontou aquela decisão judicial; assim, requereu “se digne oficiar ao Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil, em Florianópolis, para que, de conformidade ao comando sentencial transitado em julgado, se abstenha de efetuar qualquer medida constritiva no sentido da cobrança da COFINS com base na Lei 9718/98 e, por corolário, torne ineficaz o crédito tributário ilegalmente constituído em face do impetrante, em 04/01/08, com o cancelamento do auto de infração respectivo, para que seja assegurado o resultado prático da segurança concedida, nos termos do art.53 da Lei 9784/99, bem como nos dos arts. 461 e 468 do CPC e 166 inciso II do CCB”. Em virtude desse requerimento, o MM Juiz Federal oficiou o Delegado da Receita Federal em Florianópolis a se manifestar sobre o pedido da recorrente, nos termos do Ofício nº 1756218, MS 2006.72.00.009485/4/SC. Em atendimento àquele ofício, o Delegado daquela DRF elaborou e remeteu àquele MM Juiz Federal a manifestação às fls. 117/126 na qual expôs as razões que justificaram o lançamento, bem como a interpretação dada à decisão judicial no referido mandado de segurança. Recebida a manifestação, o MM Juiz Federal proferiu o Despacho/Decisão às fls. 134, reconhecendo que a lavratura do auto de infração exigindo a Cofins nos termos da Lei nº 9.718, de 1998, não afrontou a decisão transitada em julgado no mandado de segurança nº 2006.72.00.009485/4/SC, tendo em vista que apenas o §1º do art. 3º dessa lei foi julgado inconstitucional, permanecendo válidos e aplicáveis os demais dispositivos, decidindo, ao final, Fl. 233DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ Processo nº 11516.000001/200826 Acórdão n.º 330101.030 S3C3T1 Fl. 219 5 literalmente: “ANTE O EXPOSTO, rejeito as alegações e pedidos da impetrante contidas na petição às 265/268 e não conheço do pedido de esclarecimentos formulado pela autoridade impetrada”. Contra essa decisão, a recorrente interpôs agravo de instrumento cuja decisão do TRF da 4ª Região negoulhe provimento, conforme decisão às fls. 153/156. Ainda, insatisfeita, interpôs embargos de declaração que foram acolhidos apenas para fins de questionamento (fls. 160/163). Posteriormente, a recorrente apresentou recurso especial contra a decisão que negou seguimento ao agravo de instrumento, cuja decisão do Superior Tribunal de Justiça lhe negou seguimento, nos termos da sentença e acórdão às fls. 167/168 e fls. 169. Dessa forma não há que se cogitar da nulidade do lançamento por cerceamento de seu direito de defesa e/ ou por vícios. No mérito, a matéria discutida neste processo administrativo é a mesma discutida no mandado de segurança nº 2006.72.00.009485/4/SC, com decisão transitada em julgado, no qual se reconheceu a inconstitucionalidade do parágrafo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, bem como a validade dos demais dispositivos desta lei, dentre eles, os art. 2º e 3º, caput, que elegeram como base de cálculo o faturamento da pessoa jurídica, ou seja, a receita operacional bruta decorrente da venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços. Ao contrário do entendimento da recorrente, ao ter optado pela via judicial para discutir a mesma matéria objeto do lançamento em discussão, houve renúncia às instâncias administrativas, nos termos da Lei nº 6.830, de 1980, art. 38, parágrafo único, e do Decretolei nº 1.737, de 1979, art. 1º, § 2º. Tratase de matéria já sumulada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), nos termos da Súmula nº 01 que assim dispõe: “Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Dessa forma, em relação à renúncia, aplicase esta súmula, prevalecendo a decisão judicial que reconheceu a legalidade da exigência da Cofins, nos termos da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, com a exclusão da aplicação do § 1º do art. 3º, ou seja, exclusão das receitas nãooperacionais. Finalmente quanto à suscitada hipótese de pairar dúvidas a respeito da inexistência de outra ação judicial sobre a matéria tratada neste processo administrativo, que é a mesma do mandado de segurança, nenhuma existe. No próprio curso do mandado de segurança nº 2006.72.00.009485/4/SC, o MM Juiz Federal reconheceu que o lançamento em discussão não afrontou a decisão judicial e que a Cofins apurada sobre o faturamento, assim entendido, a receita bruta operacional é legal, tendo em vista que o STF julgou inconstitucional apenas e tão somente o §1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ampliava a base de cálculo dessa contribuição estendendoa a receitas nãooperacionais. Fl. 234DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ 6 Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, rejeito a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 235DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ Processo nº 11516.000001/200826 Acórdão n.º 330101.030 S3C3T1 Fl. 220 7 Declaração de Voto CONSELHEIRA MARIA TERESA MARTÍNEZ LÓPEZ Ouso divergir do ilustre conselheiro. As matérias colocadas em discussão dizem respeito em síntese a: I) nulidade do auto de infração sob entendimento de que teria ocorrido manifesta violação à coisa julgada; e II) inocorrência de renúncia à esfera administrativa. O respeitável Conselheiro relator, enfrentou a primeira questão (nulidade do auto de infração) e quanto ao mérito manifestouse pela ocorrência da renúncia administrativa. Passo às minhas breves e sucintas considerações: I) Nulidade do auto de infração No que diz respeito à nulidade do auto de infração, penso que a matéria foi sim objeto de decisão/despacho pelo Judiciário, motivo pela qual, no meu sentir, um novo pronunciamento deste Colegiado, implica em análise desnecessária e prejudicial ao andamento processual. Isto porque, uma vez analisada novamente por este Colegiado, processualmente permite a discordância de meus pares quanto à matéria. No caso, o assunto foi analisado pelo Judiciário, não cabendo a este órgão administrativo nova análise. A análise da matéria, traz como conseqüência, a continuidade de discussão em grau recursal, se houver interesse e dentro das condições que se apresentarem. A rediscussão de matéria já analisada pelo Judiciário vai de encontro com o princípio da celeridade processual. Ainda, por amor ao debate, se nos fosse possível reanalisar a decisão Judicial, ainda sim, entrando na discussão do art. 59 do Dec. nº 70.235/72 (nulidade) discordo do i. relator ao se referir que “o lançamento somente seria nulo se tivesse sido lavrado por pessoa incompetente ou sem fundamentação legal, conforme dispõe o Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 59, inciso I, in verbis”. Entendo, com a máxima vênia, que quando o legislador explicitamente se referiu, no art. 59, a duas regras sancionadoras de nulidade, não quis dizer que apenas estas duas hipóteses seriam sancionadoras de nulidade. Evidentemente, há outras hipóteses que invalidam o auto de infração, implicitamente inseridas nas regras administrativas (vide RICARF e Lei nº 9784/99), dos quais exemplificativamente cito os vícios materiais no lançamento. II) inocorrência de renúncia à esfera administrativa A DRJ e o i. relator aplicaram a figura da renúncia administrativa. Discordo. Em primeiro lugar, se o auto de infração foi lavrado após o transito em julgado, como poderíamos dizer ter ocorrido a figura da renúncia administrativa, em matéria que não está em julgamento na esfera administrativa? A assim chamada “renúncia administrativa” nada mais é do que uma forma de se evitar “decisões conflitantes”, entre o Administrativo e o Judicial, que possui a supremacia. De fato, nenhum dispositivo legal ou princípio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais ou Fl. 236DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ 8 uma de cada natureza. Na sistemática constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior e autônoma. Superior, porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo. Autônoma, porque a parte não está obrigada a recorrer, antes, às instâncias administrativas, para ingressar em Juízo. Aliás, voltando ao passado, a posição predominante sempre foi nesse sentido, como comprova o Parecer da Procuradoria da Fazenda Nacional publicado no DOU de 10/07/1978, pág. 16.431, e cujas conclusões são as seguintes: “32. Todavia, nenhum dispositivo legal ou princípio processual permite a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam administrativas ou judiciais ou uma de cada natureza. 33. Outrossim, pela sistemática constitucional, o ato administrativo está sujeito ao controle do Poder Judiciário, sendo este último, em relação ao primeiro, instância superior ou autônoma . SUPERIOR, porque pode rever, para cassar ou anular, o ato administrativo; AUTÔNOMA, porque a parte não está obrigada a percorrer as instâncias administrativa, para ingressar em juízo. Pode fazêlo diretamente. 34. Assim sendo, a opção pela via judicial importa em princípio, em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de recurso acaso formulado. 35. Somente quando a pretensão judicial tem por objeto o próprio processo administrativo (v.g. a obrigação de decidir de autoridade administrativa; a inadmissão de recurso administrativo válido, dado por intempestivo ou incabível por falta de garantia ou outra razão análoga) é que não ocorre renúncia à instância administrativa, pois aí o objeto do pedido judicial é o próprio rito do processo administrativo. 36. Inadmissível, porém, por ser ilógica e injurídica, é a existência paralela de duas iniciativas, dois procedimentos, com idêntico objeto e para o mesmo fim.” (Grifos originais). No caso em exame, o contribuinte submeteu ao Poder Judiciário apenas a ilegalidade do parágrafo 3º da Lei nº 9.718/98 (v. Termo de verificação fiscal), obtendo êxito. Isso não está mais em discussão, na esfera administrativa. O que busca agora o contribuinte, implicitamente e explicitamente, é justamente a extensão daquela decisão. Quais as verbas estariam ou não incluídas na base de cálculo? O contribuinte alega ter havido interpretação equivocada da fiscalização ao se referir a todas as receitas, e por isso teria ocorrido “ofensa à coisa julgada”. Isto porque no seu entender, com a inconstitucionalidade do parágrafo 3º, do art. 1º da lei 9718/98, apenas as rendas de tarifas, portes e comissões auferidas pela instituição, pela prestação de serviços diversos, estariam sujeitos à incidência da COFINS. A DRJ e o i. Relator Conselheiro José Adão entendem ter ocorrido renúncia à esfera administrativa porque, talvez (?) na tentativa de obter uma salvaguarda de seus Fl. 237DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ Processo nº 11516.000001/200826 Acórdão n.º 330101.030 S3C3T1 Fl. 221 9 interesses, o contribuinte peticionou ao i. Juiz da mesma ação judicial, a nulidade do auto sob o entendimento de que teria ocorrido lançamento em desacordo com o julgado. Data máxima vênia, o despacho/decisão do i. juiz, esclarece que a Lei nº 9.718 estaria vigendo, com exceção do parágrafo terceiro, do art. 1º afastando assim a nulidade MAS não entra no cerne principal das receitas da recorrente. Não entra no mérito de quais receitas operacionais devem ser oferecidas na base de cálculo da COFINS. Seriam apenas as decorrentes de : “vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza” ? Se sim, o contribuinte estaria parcialmente com a razão (exceto as rendas de prestação de serviços, no entender desta Conselheira). Caso negativo, a fiscalização estaria correta na lavratura do auto de infração. Reitero que a matéria não foi coloca em discussão no Judiciário. Razão pela qual os recursos interpostos pelo contribuinte, na esfera judicial, não lograram êxito. Matéria não prequestionada, não poderia ser conhecida. Fortalece tal entendimento, a de que a matéria não foi colocada em análise pelo Judiciário, o pedido efetuado pela própria Delegacia , em resposta ao Of. Nº 1756218, no único MS de nº 2006.72.00.0094854/SC (fls 126), cujos excertos transcrevo a seguir: III. CONCLUSÃO 52. Diante do exposto, solicito a homologação judicial dos procedimentos administrativos adotados que constituíram o crédito tributário. Solicito, assim, a manifestação expressa do Juízo acerca da abrangência do julgado neste mandado de segurança, bem como o afastamento do entendimento pela impetrante de que as receitas decorrentes de suas atividades típicas não estariam sujeitas à Lei 9.718/98 e, por conseqüência, à alteração disposta no artigo 18, da Lei 10.684/2003, confirmandose o tão somente o afastamento do §1° do seu artigo 3º, em respeito à coisa julgada. (negrito, não do original) Ora, se a Delegacia pede ao Juiz e este não esclarece, deveria então a DRJ e este Conselho administrativo, tecer a sua manifestação de forma a suprir a ausência de questionamento. Como exposto, a figura da renúncia administrativa visa evitar conflitos de decisões. Não é o caso dos autos. Carece uma manifestação do órgão julgador administrativo, eis que há ausência do Judiciário sobre o assunto. Assim, uma vez lavrado o auto de infração após o transito em julgado, e havendo ausência sobre a questão que diz respeito a base de cálculo, penso que a sua análise não acarreta em renúncia tácita ao direito público subjetivo de ver apreciada administrativamente a impugnação/recurso do lançamento do tributo. Aliás, Importa registrar que até o momento da elaboração deste estudo, pendente de julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, a análise do RE 400.4798, relativo a uma seguradora, cujas conclusões deverá ser estendido às instituições financeiras em geral ( matéria sujeita a repercussão geral, pelo rito do art. 62 do RICARF – vide RE 609096 RG, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, julgado em 03/03/2011) Fl. 238DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ 10 Caso contrário, aplicar a figura da renúncia administrativa, importa em prejuízo para o contribuinte, que busca uma solução/manifestação sobre o alcance da inconstitucionalidade do dispositivo legal, julgado pelo STF. Conclusão: Diante do acima exposto, Voto no sentido de que seja dado provimento ao recurso de forma a ser reconhecida a ausência da figura da renúncia administrativa, determinandose, em conseqüência a baixa dos autos à DRJ, para que seja apreciado a base de cálculo lançada. Maria Teresa Martínez López Fl. 239DF CARF MF Emitido em 06/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 30 /08/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/09/2011 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ
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Numero do processo: 10665.722828/2012-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 15 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed Apr 15 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR)
Exercício: 2007
NULIDADE DA INTIMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE INTIMAÇÃO REALIZADA EM LOCAL EQUIVOCADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. REJEIÇÃO.
Tendo sido realizada tentativa de intimação no endereço indicado pelo contribuinte na Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, e posteriormente, intimação pela via editalícia, não há que falar em cerceamento de defesa.
NULIDADE DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. REJEIÇÃO.
Não há que se falar em ausência de motivação quando o auto de infração explicita as supostas infrações cometidas e o respectivo enquadramento legal, nos termos do 11 e 59 do Decreto nº 70.235/72.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. ART. 14, DA LEI Nº 9.393/96.
Não tendo apresentado laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, o valor do VTN deve ser arbitrado, com base no Sistema de Preços de Terra - SIPT, nos termos do artigo 14, da Lei nº 9.393/96 e da Portaria SRF nº 447.
ÁREAS DE PASTAGEM. ÁREAS DE PRODUTOS VEGETAIS. RESTABELECIMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO.
Não é possível o reestabelecimento de áreas glosadas de pastagem e de produtos vegetais que não foram devidamente comprovadas por documentos tais como notas fiscais de produtor rural, ficha de vacinação de animais, demonstrativo de movimentação de animais.
PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. PROVA TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO.
Nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/75, autoridade julgadora deverá indeferir a realização de diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Outrossim, inexiste previsão legal para a realização de oitiva de testemunha no âmbito do processo administrativo fiscal.
TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4.
A Taxa SELIC é aplicável à correção de créditos de natureza tributária, conforme previsão da Súmula nº 4 do CARF.
INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 8.
Incidem juros moratórios sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme previsão da Súmula nº 8 do CARF.
Numero da decisão: 2202-005.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Juliano Fernandes Ayres, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: LUDMILA MARA MONTEIRO DE OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL (ITR) Exercício: 2007 NULIDADE DA INTIMAÇÃO. ALEGAÇÃO DE INTIMAÇÃO REALIZADA EM LOCAL EQUIVOCADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. REJEIÇÃO. Tendo sido realizada tentativa de intimação no endereço indicado pelo contribuinte na Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, e posteriormente, intimação pela via editalícia, não há que falar em cerceamento de defesa. NULIDADE DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. REJEIÇÃO. Não há que se falar em ausência de motivação quando o auto de infração explicita as supostas infrações cometidas e o respectivo enquadramento legal, nos termos do 11 e 59 do Decreto nº 70.235/72. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. ART. 14, DA LEI Nº 9.393/96. Não tendo apresentado laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, o valor do VTN deve ser arbitrado, com base no Sistema de Preços de Terra - SIPT, nos termos do artigo 14, da Lei nº 9.393/96 e da Portaria SRF nº 447. ÁREAS DE PASTAGEM. ÁREAS DE PRODUTOS VEGETAIS. RESTABELECIMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO. Não é possível o reestabelecimento de áreas glosadas de pastagem e de produtos vegetais que não foram devidamente comprovadas por documentos tais como notas fiscais de produtor rural, ficha de vacinação de animais, demonstrativo de movimentação de animais. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. PROVA TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. Nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/75, autoridade julgadora deverá indeferir a realização de diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Outrossim, inexiste previsão legal para a realização de oitiva de testemunha no âmbito do processo administrativo fiscal. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A Taxa SELIC é aplicável à correção de créditos de natureza tributária, conforme previsão da Súmula nº 4 do CARF. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 8. Incidem juros moratórios sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme previsão da Súmula nº 8 do CARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Juliano Fernandes Ayres, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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ALEGAÇÃO DE INTIMAÇÃO REALIZADA EM LOCAL EQUIVOCADO. CERCEAMENTO DE DEFESA. REJEIÇÃO. Tendo sido realizada tentativa de intimação no endereço indicado pelo contribuinte na Declaração de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, e posteriormente, intimação pela via editalícia, não há que falar em cerceamento de defesa. NULIDADE DE LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. CERCEAMENTO DE DEFESA. REJEIÇÃO. Não há que se falar em ausência de motivação quando o auto de infração explicita as supostas infrações cometidas e o respectivo enquadramento legal, nos termos do 11 e 59 do Decreto nº 70.235/72. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO. SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS. ART. 14, DA LEI Nº 9.393/96. Não tendo apresentado laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, o valor do VTN deve ser arbitrado, com base no Sistema de Preços de Terra - SIPT, nos termos do artigo 14, da Lei nº 9.393/96 e da Portaria SRF nº 447. ÁREAS DE PASTAGEM. ÁREAS DE PRODUTOS VEGETAIS. RESTABELECIMENTO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. INDEFERIMENTO. Não é possível o reestabelecimento de áreas glosadas de pastagem e de produtos vegetais que não foram devidamente comprovadas por documentos tais como notas fiscais de produtor rural, ficha de vacinação de animais, demonstrativo de movimentação de animais. PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. PROVA TESTEMUNHAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. INDEFERIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 72 28 28 /2 01 2- 02 Fl. 274DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-005.902 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722828/2012-02 Nos termos do art. 18 do Decreto 70.235/75, autoridade julgadora deverá indeferir a realização de diligências e perícias que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Outrossim, inexiste previsão legal para a realização de oitiva de testemunha no âmbito do processo administrativo fiscal. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 4. A Taxa SELIC é aplicável à correção de créditos de natureza tributária, conforme previsão da Súmula nº 4 do CARF. INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA. APLICABILIDADE. SÚMULA Nº 8. Incidem juros moratórios sobre o valor correspondente à multa de ofício, conforme previsão da Súmula nº 8 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Juliano Fernandes Ayres, Leonam Rocha de Medeiros, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira (Relatora), Mário Hermes Soares Campos, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto por MÁRIO DE ASSIS TAVEIRA contra acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande – DRJ/CGE –, que rejeitou a impugnação apresentada e manteve a autuação lavrada por motivo de ausência de comprovação das áreas de pastagem e produtos vegetais, bem como do VTN declarado. Apreciadas as razões declinadas na peça impugnatória (f. 50/92), restou o acórdão recorrido assim ementado (f. 203): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2007 Nulidade do Lançamento. Fl. 275DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-005.902 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722828/2012-02 Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Diligência. Desnecessidade. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se o pedido. Áreas de Produtos Vegetais e Pastagem. O contrato de parceria agrícola por si só não é suficiente para comprovar a exploração do imóvel, sendo necessário também que as Notas Fiscais de produtor, de insumos, certificado de depósito, entre outros documentos, sejam emitidos no ano anterior ao da ocorrência do fato gerador em nome do parceiro outorgado e tenham vínculo com o imóvel em questão. Valor da Terra Nua - VTN A base de cálculo do imposto será o valor da terra nua apurado pela fiscalização, como previsto em Lei, se não existir comprovação que justifique reconhecer valor menor. Multa de Ofício. Juros - Taxa Selic. A obrigatoriedade da aplicação da multa de ofício, nos casos de informação inexata na declaração, e dos juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC ao imposto decorrem de lei. Intimado do acórdão, o recorrente apresentou, em 04/11/2013, recurso voluntário (f. 218/265), replicando parcela substancial dos argumentos lançados em sede de impugnação, os quais podem ser assim sintetizados: Em caráter preliminar, suscita a nulidade i) da intimação, ao argumento que dirigida à endereço distinto do que residiria; ii) do lançamento, por carência de motivação; e iii) do lançamento, ante ofensa dos princípios do contraditório e da ampla defesa. No mérito, aduz que i) em atenção aos princípios da verdade material e razoabilidade e das informações contidas no laudo técnico, devem ser reestabelecidas as áreas e o VTN declarado; ii) padece o arbitramento do VTN com base nos valores contidos no SIPT de inconstitucionalidade; iii) mesmo que superada a inconstitucionalidade, teria falhado a Administração Fazendária em efetivamente comprovar a veracidade dos valores ali lançados; iv) não teria sido acostada a tela do SIPT, comprovando ter sido respeitada a aptidão agrícola – registro, por oportuno, ser a tese suscitada apenas em sede de recurso; v) seria prescindível a apresentação do ADA, o que tornaria a cobrança ilegal; vi) não seria possível presumir a má-fé; vii) inaplicável a aplicabilidade da SELIC; viii) inconstitucional a multa aplicada, ante a inobservância do princípio constitucional da vedação ao confisco; e, viii) ilegal a cobrança de juros sobre a multa. Em caráter subsidiário, pediu fosse o feito baixado em diligência para a produção de provas pericial e testemunhal. É o relatório. Voto Conselheira Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Relatora. Fl. 276DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-005.902 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722828/2012-02 Difiro a aferição do preenchimento dos requisitos de admissibilidade para tecer alguns apontamentos, a meu sentir, salutares a melhor compreensão da controvérsia. Em excerto de extensa peça recursal, afirma que “(...) mesmo a falta do ADA não justifica a absurda cobrança” (f. 236) e, para reforçar sua assertiva, colaciona excerto de precedentes colhidos tanto do col. Superior Tribunal de Justiça quanto deste eg. Conselho, que supostamente tratavam da inexigibilidade da apresentação do ADA para reconhecimento de áreas de preservação permanente e reserva legal. Da mera leitura da descrição dos fatos e enquadramento legal nota ser o objeto de discussão destes autos diverso: carência de comprovação das áreas de produtos vegetais, pastagem e VTN declarados. Em momento algum foi exigida a apresentação do ADA, inclusive, razão pela qual carece o recorrente de interesse recursal neste ponto. Além disso, em dois momentos, o recorrente se vale de arguição de inconstitucionalidade na tentativa de amparar sua pretensão: quanto ao arbitramento do VTN com base nos dados extraídos no SIPT e quanto à multa aplicada. O argumento escorado na vedação constitucional da utilização de tributos com efeitos de confisco, bem como na afronta ao princípio constitucional da legalidade tributária esbarram no verbete sumular de nº 2 deste Conselho, razão pela qual deles não conheço. Por essas razões, conheço parcialmente do recurso, presentes os pressupostos de admissibilidade. Friso ainda que, conforme autoriza a jurisprudência consolidada do col. Superior Tribunal de Justiça – a título exemplificativo, cf.: EDcl no AgRg no REsp nº 1.338.133/MG, REsp nº 1.264.897/PE, AgRg no Ag. 1.299.462/AL, EDcl no REsp nº 811.416/SP, EDcl no nº MS 21.315 – será dado enfoque às questões imprescindíveis à resolução da controvérsia em apreço. I – DAS PRELIMINARES I.1 – DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO: DO CONSEQUENTE CERCEAMENTO DE DEFESA O recorrente narra que a notificação de lançamento (f. 3/6) foi “(...) injustificadamente à Avenida Prudente de Moraes (...), Município de Belo Horizonte (...)”, uma vez que “(...) nunca residiu nesse endereço (...), fic[ando] cerceado o seu direito de defesa, pois somente soube do que estava acontecendo com o recebimento do auto de infração.” (f. 220) O relato do recorrente é diametralmente oposto ao que consta dos autos: em momento algum foi a notificação remetida à endereço na cidade de Belo Horizonte, e sim ao endereço no qual fora a notificação recebida, indicada em DITR, no município de Ribeirão Preto – cf. termo de intimação fiscal às f. 9/15. A correspondência, remetida acertadamente ao ora recorrente, foi devolvida (f. 16), o que ensejou a intimação editalícia (f. 27). Não há que se cogitar, portanto, ter o recorrente dito sua defesa cerceada. Em razão da inveracidade dos fatos narrados, não acolho a preliminar suscitada. Fl. 277DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-005.902 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722828/2012-02 I.1 – DA NULIDADE DO LANÇAMENTO: DO CONSEQUENTE CERCEAMENTO DE DEFESA De forma genérica, após longas transcrições de lições doutrinárias e jurisprudenciais (f. 222/233), diz padecer o lançamento de nulidade. Todavia, observa-se que, no auto de infração, estão explicitadas as infrações supostamente cometidas, bem como o enquadramento legal de cada uma delas. Não há que se falar, pois, em cerceamento de defesa, inclusive porque, em sua impugnação, o recorrente demonstra ter pleno conhecimento de quais infrações lhes estavam sendo imputadas, o que lhes permitiu contraditar cada uma delas. Falhou, portanto, em demonstrar que o lançamento foi feito ao arrepio dos requisitos incrustados no art. 11 do Decreto nº 70.235/72 ou que tenham ocorrido quaisquer das causas de nulidade prevista no art. 59 daquele mesmo diploma. Rejeito, pois, as alegações de nulidade. II – DO MÉRITO II.1 – DA INCORREÇÃO DO VTN ARBITRADO Em primeiro lugar, registro, desde logo, relatar fatos dissociados da realidade: alega não “(...) consta[r] o critério de arbitramento quanto ao VTN, conforme SIPT, principalmente, se houve a utilização do VTN médio DIRT ou aquele médio por aptidião agrícola” (f. 254), havendo “(...) clara improcedência quanto ao VTN arbitrado.” (f. 255) Às f. 5 da notificação do lançamento consta que “[o] VTN foi aferido de acordo com o SIPT Sistema de Preços de Terra” e que, “[a]nexo [ao] auto de infração” estaria a “[c]onsulta ao SIPT, com valores de Terra Nua, para o município de Claraval/MG, para o ano de 2007.” (f. 6) Às f. 28 está acostada a referida tela, da qual consta ter sido o VTN arbitrado em observância à aptidão agrícola. Como, em estrita observância aos ditames legais, consta do termo de intimação fiscal, para que seja comprovado o VTN declarado deveria a recorrente ter apresentado: - Laudo de avaliação do Valor da Terra Nua do imóvel emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT com grau de fundamentação e precisão II, com anotação de responsabilidade técnica - ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo e preferivelmente pelo método comparativo direto de dados de mercado. Alternativamente o contribuinte poderá se valer de avaliação efetuada pelas Fazendas Públicas Estaduais (exatorias) ou Municipais, assim como aquelas efetuadas pela Emater, apresentando os métodos de avaliação e as fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel. (f. 10) Coaduno com a decisão da instância “a quo” acerca da inaptidão do laudo acostado (f. 129/131) para afastar o VTN arbitrado por aptidão agrícola (f. 28), porquanto Fl. 278DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-005.902 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722828/2012-02 (…) os dados de mercado não foram corretamente identificados, não constaram a descrição detalhada das terras dos imóveis das amostras, memória de cálculo do tratamento utilizado, diagnóstico de mercado, etc” Convém salientar que o item 9.2.3.5, alínea “b”, da NBR 14653-3, dispõe que, para enquadramento nos graus de fundamentação II e III, é obrigatório que o Laudo contenha, “no mínimo, cinco dados de mercado efetivamente utilizados”. Os dados de mercado coletados (no mínimo cinco) devem, ainda, se referir a imóveis localizados no município do imóvel avaliando, na data do fato gerador do ITR (1º de janeiro de 2007). Por outro lado, salientamos que a avaliação atribuída ao imóvel em 08 de janeiro de 2013 é R$ 3.059.139,41, superior ao considerado no lançamento. Em sendo adotado o valor pretendido pelo contribuinte, somente implicaria em decisão desfavorável a ele (reformatio in pejus) relativamente ao Exercício 2007, hipótese não admitida em sede de julgamento. (f. 212) Assim, caso fosse possível adotar o laudo acostado, de acordo com as conclusões do experto, teria o VTN valor muito superior ao arbirtado, o que levaria a um substancial incremento do crédito executado. Com base nessas razões, rejeito o pleito do recorrente. II.2 – DO REESTABELECIMENTO DAS ÁREAS GLOSADAS O recorrente, apenas “en passant”, demonstra sua insurgência contra a glosa da área de produtos vegetais declarada, envidando maiores esforços para o reestabelecimento das áreas de pastagem. Para tanto, acosta laudo técnico (f. 134/136 – ART às f. 133), cujas informações anexas (mapa da região, fotografia do rebanho, etc.) estão às f. 137/194. Transcrevo fragmento das conclusões ali obtidas: O solo apesar de ter indícios de uma regular para boa fertilidade, é necessárias análises químicas e físicas para uma avaliação correta e posterior tomada de decisões. O objetivo do levantamento fotográfico realizado foi no intuito de visualizar perfeitamente as áreas de pastagens, as APPs, mato e florestas existentes na propriedade, sendo que, o que foi efetivamente medido foram áreas de pastos. (f. 136) Apesar de afirmar ter realizado a medição da área de pastagem, tanto na conclusão quanto no corpo do trabalho inexiste sequer sinalização quanto ao seu montante. No que tange à área utilizada com produção vegetal, calha registrar que o próprio laudo acostado parece sinalizar ser questionável sua viabilidade. Além disso, como bem asseverado no acórdão recorrido, [o] Contrato Particular de Parceria Agrícola de fl. 123, embora conste como parceiro arrendatário o Sr. Ênio José Natal, por si só, não comprova a área utilizada com pastagem, porque é referente a 01 de janeiro de 2005 e não está acompanhado de Notas Fiscais de Produtor Rural pertinente à venda e compra de gado, Ficha de vacinação de animais, Demonstrativo de Movimentação de animais, entre outros documentos. Os documentos intitulados “Controle Sanitário” nº 167802, 167542, não comprovam o Fl. 279DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-005.902 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722828/2012-02 rebanho bovino existente em 13 de dezembro de 2006, posto que a data de vacinação dos animais é relativa a 1994, 1995, 1998 e 1999. As Declarações de Vacinação de animais em nome do Sr. Ênio José Natal são relativas a outra propriedade, denominada de Fazenda Boa Esperança, com área de 36,54 hectares. Também não é possível vincular os animais das fotos constantes dos autos ao imóvel rural objeto da autuação. (f. 211; sublinhas deste voto) Mantenho, por essas razões, as áreas glosadas pela fiscalização. II.3 – DA CORREÇÃO PELA TAXA SELIC & DA INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE A MULTA Melhor sorte não assiste ao recorrente tanto quanto à inaplicabilidade da SELIC para a correção dos créditos de natureza tributária, quanto à impossibilidade da incidência de juros sobre a multa, uma vez que pacificadas no âmbito deste Conselho: Súmula CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Súmula CARF nº 8. Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. III – DO PEDIDO SUBSIDIÁRIO: DA PRODUÇÃO DE PROVA TÉCNICA E TESTEMUNHAL Em suas razões recursais afirma que (…) a realização de perícia é fundamental, seja para comprovar todas as alegações acima, (…) sendo que a sua negativa importará em cerceamento de defesa, requerendo a conversão do feito em diligência. (f. 262) Quanto ao pedido de realização de perícia, de acordo com o disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235/72, [a] autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (sublinhas deste voto) Não por outra razão, determina o inc. IV do art. 16 do Decreto nº 70.235/75, que, na impugnação, deve-se apresentar “(...) as diligências, ou perícias (...) pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.” Fl. 280DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-005.902 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10665.722828/2012-02 No caso ora sob escrutínio, desnecessária a realização de perícia técnica, uma vez que bastaria o recorrente ter apresentado os documentos exigidos desde o termo de intimação fiscal para corroborar sua narrativa. Entende ainda ser necessária a “(...) oitiva do Sr. Ênio José Natal (...) para comprovar o arrendamento noticiado nos autos.” (f. 262) Entretanto, inexiste previsão legal para sua realização, razão pela qual não há que se falar em cerceamento de defesa ante seu indeferimento. Com essas considerações, deixo de acolher os pedidos formulados. IV – DA CONCLUSÃO Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Ludmila Mara Monteiro de Oliveira Fl. 281DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10865.723275/2015-93
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49.
Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46.
O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA
A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO.
Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO.
Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA.
O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
Numero da decisão: 2003-000.688
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 72 32 75 /2 01 5- 93 Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.688 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.723275/2015-93 proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Fl. 79DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.688 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.723275/2015-93 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando que não foi intimado previamente ao lançamento, invocando a súmula 410 do STJ; a denúncia espontânea da infração; que já quitou a obrigação principal, e por isso a multa não se aplicaria; que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN; invocou ofensa a princípios constitucionais no lançamento, inclusive o efeito confiscatório da multa; e a contrariedade à jurisprudência tanto dos tribunais, quanto do próprio CARF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário no qual pretende sejam novamente apreciadas as alegações já submetidas à apreciação da primeira instância. Requer o cancelamento do débito lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares As questões preliminares se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Fl. 80DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.688 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.723275/2015-93 Mérito Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 do CTN, uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da Fl. 81DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.688 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.723275/2015-93 multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Alega ainda que o Manual vigente da GIFP/SEFIP 8.4 traz disciplina contraditória, pois assim estabelece: “12 - PENALIDADES Estão sujeitas a penalidades as seguintes situações: • Deixar de transmitir a GFIP/SEFIP; • Transmitir a GFIP/SEFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; • Transmitir a GFIP/SEFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005. A correção da falta, antes de qualquer procedimento administrativo ou fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza a denúncia espontânea, afastando a aplicação das penalidades previstas na legislação citada.” Entretanto, consta no referido Manual a seguinte informação: “Atualização: 10/2008”. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ou seja, em data posterior à publicação da última versão do Manual. Nota-se que o próprio dispositivo citado do Manual prevê que “Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005.”, dispositivo este que resguardou a aplicação da multa que se discute nos autos. Isso posto, não há como prover o recurso neste ponto. Da necessidade de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Fl. 82DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.688 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.723275/2015-93 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de ... entrega após o prazo”. O recorrente invoca a aplicação da Súmula 410 do STJ (que não possui efeito vinculante), segundo a qual “A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.” Além de não ter efeito vinculante, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido, cabe aqui a aplicação da Súmula CARF nº 2, esta sim de observância obrigatória por todos os membros desse Colegiado, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Da alteração no critério jurídico de interpretação – morosidade no lançamento O recorrente alega ainda que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN. Não assiste razão à recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo a incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto Fl. 83DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.688 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.723275/2015-93 no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir o fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Da alegação de inobservância de princípios constitucionais na aplicação da penalidade Não assiste razão ao recorrente. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência, portanto não há que se falar em confisco. Das outras alegações A fim de subsidiar suas alegações, o recorrente juntou aos autos jurisprudência dos tribunais. Entretanto, a jurisprudência citada não possui efeito vinculante em relação à Administração Pública Federal, pois somente se aplicam entre as partes e nos limites das lides e das questões decididas (inteligência do art. 100 do CTN c/c art. 506 da Lei º 13.105/2015 – Código de Processo Civil). No que se refere à decisão colacionada, emitida por este Conselho, além de não ser vinculante, trata-se de situação distinta daquela que se discute nos autos. Cita-se ali a impossibilidade de concomitância da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. No presente caso, além de não haver concomitância, a multa aplicada foi a prevista no inciso II (e não no inciso I) do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Por último, o fato de ter havido pagamento do tributo em nada invalida o lançamento da multa. Como expressamente assentado no inciso II do art. 32-A da Lei 8.212/91, a multa aplicada foi “de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas... no caso de ...entrega após o prazo”. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Fl. 84DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-000.688 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10865.723275/2015-93 Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 85DF CARF MF Documento nato-digital
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