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Numero do processo: 35954.001255/2005-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições referentes à comercialização de produtos rurais Período de Apuração: Julho/1997 a Outubro/2002
DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL.
INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF.
Reconhecida por decisão do plenário do STF, transitada em julgado, a inconstitucionalidade da contribuição devida pelo produtor rural e segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, bem como a obrigação do adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento, pode o
CARF aplicá-la, afastando as obrigações com fulcro na referida contribuição.
Numero da decisão: 2301-002.515
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, para, no mérito, excluir os valores referentes à omissão dos valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em manter o lançamento. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : Contribuições referentes à comercialização de produtos rurais Período de Apuração: Julho/1997 a Outubro/2002 DECADÊNCIA. PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplica-se o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento refere-se a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Reconhecida por decisão do plenário do STF, transitada em julgado, a inconstitucionalidade da contribuição devida pelo produtor rural e segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, bem como a obrigação do adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento, pode o CARF aplicá-la, afastando as obrigações com fulcro na referida contribuição.
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PRAZO PREVISTO NO CTN. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Aplicase o art. 150, §4º do CTN se verificado que o lançamento referese a descumprimento de obrigação tributária principal, houve pagamento parcial das contribuições previdenciárias no período fiscalizado e inexiste fraude, dolo ou simulação. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Reconhecida por decisão do plenário do STF, transitada em julgado, a inconstitucionalidade da contribuição devida pelo produtor rural e segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, bem como a obrigação do adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento, pode o CARF aplicála, afastando as obrigações com fulcro na referida contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, para, no mérito, excluir os valores referentes à omissão dos valores da receita bruta proveniente da Fl. 1DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 2 2 comercialização da produção rural adquirida de terceiros, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em manter o lançamento. Declaração de voto: Damião Cordeiro de Moraes. Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva e Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD da qual foi intimada UNIAO NORTE DO PARANA S/C LTDA em 01/09/2004, referente à apuração e constituição do crédito relativo a contribuições devidas pela empresa na condição de sub rogada pela aquisição de produtos rurais de pessoas físicas, sendolhe cobrado o montante de R$ 3.082,35 (três mil e oitenta e dois reais e trinta e cinco centavos), conforme Relatório Fiscal (fls. 41 e seguintes). Inconformada, a ora Recorrente apresentou impugnação (fls. 53 e seguintes), alegando não dever qualquer tributo à Seguridade Social ou a terceiros, pugnando pela total improcedência da Notificação de Lançamento de Débito – NFLD, tendo o Órgão Julgador de primeira instância decidido pela improcedência do pleito formulado, conforme ementa a seguir transcrita: NOTIFICAÇÃO. ISENÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212191. PRAZO DECENAL. CONSTITUCIONALIDADE. SUBROGAÇÃO. PRODUÇÃO RURAL. SELIC. MULTA. LEGALIDADE. Somente será isenta das contribuições sociais previstas nos artigos 22 e 23 da Lei n.° 8.212/91, a entidade que preencher cumulativamente todos os requisitos estabelecidos nos incisos do artigo 55 da mesma lei. Ainda, a isenção deverá ser requerida junto ao Instituto Nacional do Seguro Social, conforme expressamente previsto no § 1° do referido dispositivo legal. O art. 45 da Lei 8.212/91 prevê o prazo decadencial de dez anos para a constituição do crédito previdenciário. A empresa adquirente fica sub rogada nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a", do inciso V, do art. 12, da Lei n° 8.212/91, e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. É lícita a utilização da Taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC, para o cálculo dos juros incidentes sobre as contribuições sociais e outras importâncias Fl. 2DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 3 3 arrecadadas pelo INSS. Inexiste caráter de CONFISCO, se a multa decorre de previsão legal e é fixada nos parâmetros da legislação vigente à época da exação. LANÇAMENTO PROCEDENTE Não satisfeita com a decisão proferida, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 2246 e seguintes), alegando em suma: a) A imunidade constitucionalmente garantida da Recorrente em relação às competências sobre as quais incidiu a Notificação Fiscal Lançamento de Débito – NFLD; b) A inclusão de valores indevidos na base cálculo; c) A decadência do direito de lançar; d) A inconstitucionalidade e ilegalidade de exigência de contribuições relativas ao INCRA, SEBRAE, SESC e de Salário Educação; e) A incorreta aplicação de sanção e juros de mora, as quais, conforme seu entendimento, apresentaram, no caso concreto, caráter confiscatório; f) A inexistência de dolo ou qualquer outra intenção fraudulenta contra os interesses do fisco; g) A ilegitimidade das pessoas relacionadas como coobrigadas. Assim, vieram os autos a este Conselho de Contribuintes por meio de Recurso Voluntário. A Secretaria da Receita Previdenciária apresentou Contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade do presente recurso, passo ao seu exame. Da Decadência Parcial No caso em apreço, o lançamento foi realizado enquanto vigorava os art. 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, segundo os quais os prazos decadencial e prescricional das contribuições previdenciárias seriam de 10 anos. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 4 4 Ocorre que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12.06.2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal–STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais aqueles dispositivos legais e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A da Constituição Federal O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Lei n° 11.417, de 19/12/2006 Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. (...). ...Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 5 5 Temos que a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficaram obrigados a acatar a Súmula Vinculante. Assim, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplica ao caso concreto, uma vez que existem duas regras, aparentemente conflitantes, dispondo sobre a decadência de créditos tributários, tomando a primeira como termo inicial o pagamento indevido (art. 150, §4º), e a segunda o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido realizado (art. 173, I). Cumpre transcrever os referidos dispositivos legais: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...). § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Harmonizando os referidos dispositivos legais, o Superior Tribunal de Justiça esclareceu a aplicação do art. 173 para os casos em que o tributo sujeitarse a lançamento por homologação: 1) Quando não tiver havido pagamento antecipado; 2) Quando tiver ocorrido dolo, fraude ou simulação; 3) Quando não tiver havido declaração prévia do débito. Cumpre transcrever o acórdão prolatado em sede de Recurso Especial representativo da controvérsia: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 6 6 ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009). No voto lavrado no referido REsp 973.733/SC, foi transcrito entendimento firmado em outros julgamento (REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, DJ 25.02.2008), que limitam a aplicação do art. 150, §4º do CTN às hipóteses que tratam de tributo sujeito a Fl. 6DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 7 7 lançamento por homologação, “quando ocorrer pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias” . No caso particular deste contribuinte, verificase que houve o efetivo pagamento de algumas contribuições previdenciárias, conforme se infere do Relatório de Documentos Apresentados – RDA juntado às folhas 15 a 41 do processo 35954.001251/2005 30, do qual o referido contribuinte também constitui pólo subjetivo, não havendo que se falar, também, em fraude, dolo ou simulação. Por outro lado, não existe em quaisquer dos documentos juntados pela fiscalização notícia de ausência de pagamento de todas as contribuições previdenciárias, sendo que a comprovação da presença de tais circunstâncias seria imprescindível para o afastamento do art. 150, §4º do CTN e aplicação do seu art. 173, I, não podendo, por esta razão, ser este último aplicado. Desta feita, considerando que a consolidação do crédito previdenciário se deu em 01/09/2004, tenho como certa a decadência das competências situadas entre julho/1997 e agosto/1999, isto é, anteriores a setembro/1999. Da inconstitucionalidade da contribuição do produtor rural pessoa física (art. 25 da Lei 8.212/91) No caso dos autos, o débito lançado decorre da subrogação nas contribuições previdenciárias devidas pelo produto rural de pessoa física em face da comercialização da produção rural. Tratarseia, portanto, de uma nova fonte de custeio da Seguridade Social não prevista no art. 195 da Carta Magna na redação vigente à época em que a lei foi promulgada, qual seja, a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, o que feriria, portanto, a forma exigida pelo art. 154, I da CF/88, que é a de lei complementar. De início, apenas a título de esclarecimento da matéria, cabe mencionar que, apesar de a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerbar sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como de invadir competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 8 8 Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do Poder Judiciário. Pois bem. No caso dos autos, o STF declarou inconstitucionais os arts. 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, em sede de apreciação do Recurso Extraordinário de nº 363852, transitado em julgado e abaixo transcrito: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) De fato, a redação do art. 195 da Constituição Federal de 1988, anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, era: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidentes sobre: a folha de salários, o faturamento e o lucro; Percebese, da transcrição acima, que a receita bruta não era prevista como base de cálculo da contribuição para a seguridade social e só poderia ser instituída como nova fonte de custeio através de Lei Complementar (arts. 154, I e 195, §4º da CF/88). Ora, o art. 25 da Lei 8.212/91, ao instituir através de lei ordinária, que a contribuição da pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, inclusive para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho, fere a regra formal exigida pelo já citado artigo 154, I da Carta Magna. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 9 9 Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/98 passou a ser admitida a instituição por lei ordinária da contribuição previdenciária sobre a receita bruta proveniente da comercialização. Destaquese, contudo, que as normas editadas anteriormente, sem a observância das exigências constitucionais quanto à forma especial de lei complementar, não se convalidam com a alteração na Constituição Federal que passa a admitir a disciplina da matéria por lei ordinária. Isto porque os requisitos de validade e de existência, bem como a compatibilidade de uma norma com o texto constitucional, devem ser analisados de acordo os dispositivos vigentes no momento da sua edição. Se a norma nasce viciada, sempre será inválida, ainda que posteriormente venha a ser introduzido na Constituição dispositivo que dê suporte de validade para a referida norma. Em outras palavras, o vício que fulminava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997, não foi afastado com a edição da Emenda Constitucional nº 20/1998, o que manteve sua condição de inconstitucionalidade. Assim, sendo inválida a previsão que determinava que a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física e do segurado especial seria a receita bruta da comercialização da sua produção, também foi reconhecida a inconstitucionalidade da norma que determinava, por conseqüência, as obrigações dela decorrentes, como é o caso da obrigação do adquirente de tais produtos de fazer a retenção da contribuição prevista no art. 30, IV da Lei nº 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; Diante da declaração de inconstitucionalidade, deve ser afastado do presente auto de infração as verbas referentes às contribuições devidas pela aquisição de produção rural de terceiros e, mantida, contudo, no tocante a omissões de contribuições previdenciárias devidas sobre as remunerações pagas aos seus empregados. Da Conclusão Ante ao exposto, conheço do Recurso e DOULHE TOTAL PROVIMENTO, uma vez reconhecida a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária lançada. É como voto. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 10 10 Sala das Sessões, em 18 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Declaração de Voto Damião Cordeiro de Moraes 1. Apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio, em conformidade ao exposto pelo douto relator, e dou provimento ao recurso voluntário, nos termos seguintes. DA DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, é importante que seja feita a análise da decadência, tendo em vista que parte do crédito tributário constituído já se encontra decaído, segundo o prazo quinquenal previsto no Código Tributário Nacional. 3. Sobre essa questão, cumpre dizer que, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: “Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 11 11 Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 12 12 7. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 8. Compulsando os autos, constatouse que a consolidação do crédito tributário previdenciário deuse em 1º de setembro de 2004. Assim, vejo que a decadência atingiu os lançamentos de julho de 1997 a agosto de 1999. DAS CONTRIBUIÇÕES DO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA 9. Conforme constam nos autos, as contribuições foram lançadas em decorrência da subrogação na condição de adquirente de produtos rurais de pessoas físicas, artigo 25 da Lei 8.212/91. 10. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário – RE n.º 363.852, já se manifestou sobre a questão e, por entender que a contribuição representa uma dupla tributação, declarou a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, nos termos abaixo: “O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a ‘receita bruta proveniente da comercialização da produção rural’ de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei n.º 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisas V e VII, 25, incisos I e II, 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91, com a redação atualização até a Lei n.º 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n.º 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministro Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior, Plenário, 03.02.2010.” 11. Em assentada posterior, em sessão plenária (17/03/2011), o STF ratificou o seu posicionamento e manteve seu entendimento sobre a inconstitucionalidade dos dispositivos legais supramencionados ao rejeitar os embargos de declaração da União Federal no RE n.º 363.852. 12. Os embargos foram apresentados com o objetivo de que se declarasse que a Lei n.º 10.256/2001, que alterou parte do artigo 25, da Lei n.º 8.212/91, havia sanado a inconstitucionalidade. 13. Porém, o posicionamento do ministro relator, Marco Aurélio Mello, foi no sentido de que como a referida lei somente modificou o caput do artigo 25, mantendo a Fl. 12DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES Processo nº 35954.001255/200518 Acórdão n.º 2301002.515 S2C3T1 Fl. 13 13 alíquota e a base de cálculo da contribuição, não houve alteração no que se refere à inconstitucionalidade da cobrança do Funrural. 14. Do exposto, entendo que a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas físicas – FUNRURAL não pode ser validamente exigida. CONCLUSÃO 15. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO: Damião Cordeiro de Moraes Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Fl. 13DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/10 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 21/09/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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Numero do processo: 10580.726162/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA.
Os valores pagos aos integrantes do ministério público federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Aplicação do mesmo entendimento à verbas de mesma natureza, pagas aos integrantes do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003.
Numero da decisão: 2102-002.339
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso.
Assinado Digitalmente
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 30/10/2012
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. Os valores pagos aos integrantes do ministério público federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Aplicação do mesmo entendimento à verbas de mesma natureza, pagas aos integrantes do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1936; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 240 1 239 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.726162/200998 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 2102002.339 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de outubro de 2012 Matéria IRPF, isenção Recorrente SOLON DIAS DA ROCHA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 IRPF. NÃO INCIDÊNCIA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. Os valores pagos aos integrantes do ministério público federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Aplicação do mesmo entendimento à verbas de mesma natureza, pagas aos integrantes do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 30/10/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS (Presidente), RUBENS MAURICIO CARVALHO, NUBIA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 61 62 /2 00 9- 98 Fl. 244DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 MATOS MOURA, ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, EIVANICE CANARIO DA SILVA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/12 para exigência de IRPF em razão da indevida classificação, em suas DIRPF, dos rendimentos recebidos do Ministério Público da Bahia (tratados como isentos quando na verdade seriam tributáveis), relativamente aos Exercícios 2005 a 2007. Tais rendimentos foram pagos à contribuinte nos termos do que determinou a Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de setembro de 2003. O crédito tributário lançado totalizou R$ 143.605,65. Cientificado do lançamento, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 38/107, por meio da qual alegou que o lançamento seria improcedente, em resumo, pelos seguintes motivos: os valores recebidos a título de diferenças de URV não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, não se enquadrando nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda, tratamento extensivo aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 3º da Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; nos anos de 1994 e 1998, a alíquota do imposto de renda que vigorava era de 25%, e não as alíquotas de 26,6% e 27,5% aplicadas no lançamento fiscal; parcelas dos valores recebidos a título de diferenças de URV se referiam à correção incidente sobre 13º salários e a férias indenizadas (abono férias), que respectivamente estão sujeitas à tributação exclusiva e isenta, portanto, não deveriam compor a base de cálculo do imposto lançado; ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; e mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boa fé, seguindo orientações da fonte Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726162/200998 Acórdão n.º 2102002.339 S2C1T2 Fl. 241 3 pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. Trouxe jurisprudência em favor de suas alegações. Na análise da Impugnação, os integrantes da DRJ em Salvador decidiram pela manutenção integral do lançamento, ao entendimento de que os valores recebidos deveriam sim ser classificados como tributáveis. A contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 136/226, por meio do qual reiterou as alegações trazidas em sede de Impugnação. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 22.07.2011, como atesta o AR de fls. 231. O Recurso Voluntário foi interposto em 03.08.2011 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de Recurso Voluntário em processo no qual se discute lançamento para exigência do IRPF sobre valores recebidos pela Recorrente do Ministério Público da Bahia em decorrência do disposto na Lei Estadual Complementar nº 20, de 2003. A referida lei estabeleceu, em seus arts. 2º e 3º, o pagamento a todos os promotores do Estado dos seguintes valores: Art. 2º As diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para Unidade Real de Valor URV, objeto da Ação Ordinária de nº 140.975921531, julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, e em consonância com os precedentes do Supremo Tribunal Federal, especialmente nas Ações Ordinárias nos. 613 e 614, serão apuradas mês a mês, de 1º de abril de 1994 a 31 de agosto de 2001, e o montante, correspondente a cada Procurador e Promotor de Justiça, será dividido em 36 parcelas iguais e consecutivas para pagamento nos meses de janeiro de 2004 a dezembro de 2006. Art. 3º São de natureza indenizatória as parcelas de que trata o art. 2º desta Lei. Entendeu a autoridade autuante ser irrelevante o fato de a legislação estadual ter determinado que tais verbas seriam isentas, na medida em que lhe faltaria competência para estabelecer isenção a título de Imposto de Renda, a qual somente poderia ser instituída pela União. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 Por outro lado, a defesa do Recorrente sustenta que tais verbas são realmente indenizatórias, principalmente em razão do que determinou o Eg. STF através da Resolução nº 245/2002. Com efeito, esta matéria vem sendo discutida constantemente nesta Turma Julgadora, tendose consolidado aqui o entendimento de que tais verbas são, de fato, indenizatórias, e por isso o imposto não poderia sobre elas incidir. Neste sentido, merece transcrição a ementa do acórdão nº 210201.727, de 20 de janeiro de 2012, que teve como relator o il. Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei complementar baiana nº 20/2003 pagou as diferenças de URV aos membros do ministério público local, as quais, no caso dos membros do ministério público federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos membros do ministério público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso provido. Ilustrando ainda melhor a questão, merece transcrição também o seguinte trecho, extraído do próprio voto proferido pelo il. Relator daquele julgado, que tomo aqui como razão de decidir, verbis: Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/20031 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10580.726162/200998 Acórdão n.º 2102002.339 S2C1T2 Fl. 242 5 (...) Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Comungando deste mesmo entendimento – como já me manifestei outras vezes, VOTO no sentido de DAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 01/03/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10860.003129/2005-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
Ementa:
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. ANTES DA MP no 413/2008. CARÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Carece de regulamentação, para o período que antecede a Medida Provisória no 413/2008, a compensação ou restituição dos valores retidos na fonte a título de Contribuição para o PIS/PASEP que excederem o valor da contribuição efetivamente devido pelo contribuinte no respectivo período de apuração, o que impossibilita o deferimento pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 3403-001.886
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que reconheceu o direito do contribuinte com base no art. 74 da Lei nº 9.430/96.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. ANTES DA MP no 413/2008. CARÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Carece de regulamentação, para o período que antecede a Medida Provisória no 413/2008, a compensação ou restituição dos valores retidos na fonte a título de Contribuição para o PIS/PASEP que excederem o valor da contribuição efetivamente devido pelo contribuinte no respectivo período de apuração, o que impossibilita o deferimento pela autoridade administrativa.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que reconheceu o direito do contribuinte com base no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Antonio Carlos Atulim - Presidente. Rosaldo Trevisan - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
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RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. ANTES DA MP no 413/2008. CARÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Carece de regulamentação, para o período que antecede a Medida Provisória no 413/2008, a compensação ou restituição dos valores retidos na fonte a título de COFINS que excederem o valor da contribuição efetivamente devido pelo contribuinte no respectivo período de apuração, o que impossibilita o deferimento pela autoridade administrativa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RETENÇÃO NA FONTE. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. ANTES DA MP no 413/2008. CARÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Carece de regulamentação, para o período que antecede a Medida Provisória no 413/2008, a compensação ou restituição dos valores retidos na fonte a título de Contribuição para o PIS/PASEP que excederem o valor da contribuição efetivamente devido pelo contribuinte no respectivo período de apuração, o que impossibilita o deferimento pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 0. 00 31 29 /2 00 5- 16 Fl. 257DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, que reconheceu o direito do contribuinte com base no art. 74 da Lei nº 9.430/96. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente processo sobre Declaração de Compensação apresentada pela recorrente em 31/10/2005, com intuito de utilizar créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS nãocumulativos (mercado interno) referentes ao 1o trimestre de 2005, para compensação com IRPJ (inicialmente sob o código 3373 e posteriormente alterado para o código 0220 fl. 931) referente ao 3o trimestre de 2005 (fls. 3 a 7). A autoridade encarregada de efetuar a análise do crédito emitiu o parecer de fls. 107 a 113, dando conta de que os valores pleiteados não se referem a créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, mas sim de retenção destas contribuições pelas montadoras em virtude de pagamentos efetuados ao contribuinte, sendo que “tais valores retidos pelas montadoras não se enquadram em nenhum dos casos passíveis de ressarcimento e/ou compensação constantes do art. 16 da Lei no 11.116/2005”, citando manifestação da COSIT na Solução de Divergência no 8, de 24/7/2007. Conclui, em seu parecer, que “a permissão legal para a utilização dos valores de PIS e COFINS retidos na fonte passou a existir somente a partir da edição da MP 413/2008, convertida na Lei no 11.727/2008”. Com base no referido parecer, a unidade local proferiu o Despacho Decisório de fls. 125 a 128, não homologando as compensações apresentadas pela recorrente. Decidiuse que: (a) os valores correspondentes à Contribuição para o PIS/Pasep e à COFINS retidos na fonte devem ser utilizados para dedução do que for devido a título dessas contribuições; (b) o excesso de retenção não configura pagamento indevido ou a maior; e (c) até a publicação da Medida Provisória no 413/2008, por falta de previsão legal, não havia possibilidade de restituição ou compensação, com outros tributos e contribuições administrados pela RFB, do saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. Cientificada do teor do Despacho Decisório em 16/3/2010 (fl. 137), a recorrente apresenta manifestação de inconformidade em 12/4/2010 (fls. 145 a 173), buscando a homologação das compensações requeridas e argumentando, em síntese, que: (a) houve erro de fato quando a autoridade fiscal declarou que o crédito objeto do pedido de compensação era proveniente de 1 Toda numeração de folhas indicada nesta decisão se refere à paginação eletrônica no "eprocessos". Fl. 258DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10860.003129/200516 Acórdão n.º 3403001.886 S3C4T3 Fl. 258 3 créditos retidos de Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, pois a recorrente apurou débitos de Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS, compensou antecipadamente os créditos dessas contribuições provenientes de retenção na fonte e houve o saldo de créditos de Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS operacionais; deste modo, o saldo credor objeto do pedido de compensação tem origem em créditos operacionais (decorrentes da nãocumulatividade), de compensação possível (com base no artigo 16 da Lei no 11.116/05); (b) o princípio da nãocumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não se encontra previsto na Constituição Federal, mas na legislação tributária, regido, portanto pelo princípio da legalidade, de modo que a legislação infralegal não pode criar ou restringir direitos e obrigações (art. 5o, II e 150, II, ambos da Constituição Federal). (c) o art. 16 da Lei no 11.116/05 estabelece que os saldos credores da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, disciplinados nas Leis no 10.637/02 e 10.833/03, podem ser objeto de pedido de restituição/compensação com qualquer tributo ou contribuição administrados pela RFB, não se aplicando no caso o artigo 2o da IN SRF no 460/04, a Solução de Divergência COSIT no 8, de 24/7/2007, ou o art. 74, caput da Lei no 9.430/96, que é anterior à norma especial (Lei no 11.116/05) que trata da compensação em questão; (d) mesmo que seja entendido que o crédito objeto do presente pedido de compensação é proveniente de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS retidas na fonte, a compensação requerida é legitima e legal, porque tanto os créditos provenientes da nãocumulatividade (operacionais) como os créditos das contribuições retidos na fonte integram a apuração das contribuições, de forma a gerar saldo credor, que pode ser objeto de compensação com qualquer tributo administrado pela RFB (art. 16 da Lei no 11.116/05); (e) nenhuma norma administrativa em tempo algum vedou expressamente a compensação de retenção, e a nova legislação (Lei no 11.727/08) foi promulgada com a finalidade de evitar interpretações errôneas por parte de alguns agentes da Receita Federal do Brasil; (f) caso seja entendido que o crédito objeto do pedido de compensação é proveniente de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS retidas na fonte, devese aplicar a retroatividade benigna, prevista no artigo 106, II, “b”, do CTN, porque a lei posterior, (art. 5o da Lei no 11.727/08), Fl. 259DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 prevê expressamente esta forma de compensação requerida pela recorrente; (g) subsidiariamente requer, caso não seja provido o recurso, com base na razoabilidade e na economia processual e administrativa, o aditamento do pedido de compensação, com fundamento no artigo 5o da Lei no 11.727/08, sendo irrazoável exigir que a recorrente desista do processo administrativo e requeira novamente o mesmo direito creditório em outro processo de compensação que há de ser deferido porque a legislação atual expressamente permite a compensação das contribuições retidas na fonte; e (h) requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário compensado com base no artigo 74, § 11 , da Lei no 9.430/96 c/c artigo 151, III, do Código Tributário Nacional até decisão administrativa final no presente processo administrativo. A decisão de primeira instância, proferida em 12/9/2011 (fls. 209 a 216), julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Entendeuse que a contribuinte propôs dois tipos de questionamentos, um de fato e outro de direito, explicitandose que: a) na questão de fato sua argumentação se volta para a ordem de aproveitamento dos créditos, e a ordem proposta pela recorrente na dedução das retenções não corresponde àquela definida na legislação; b) os créditos decorrentes do regime nãocumulativo devem ser descontados diretamente da contribuição apurada pela aplicação da alíquota sobre a base de cálculo, no intuito de definir a contribuição devida (tanto para a Contribuição para o PIS/Pasep, quanto para a COFINS), sendo que os valores retidos na fonte somente podem ser deduzidos após a dedução dos créditos da nãocumulatividade (Lei no 10.637, de 30/12/2002, e Instrução Normativa no 594, de 26/12/2005); c) o saldo pleiteado pela interessada tem como origem as retenções na fonte, uma vez que nos três meses examinados os créditos da nãocumulatividade são insuficientes para absorver a totalidade das contribuições apuradas; d) na questão de direito, “a retenção se deu de acordo com a matriz legal” e não cabe cogitar de pagamento indevido ou a maior que justifique pleito de restituição com base no art. 165 do CTN, ou que embase procedimento de compensação nos termos do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996 (Solução de Divergência COSIT no 8, de 24/7/2007); e) a recorrente não demonstra ou alega que as retenções foram feitas em desacordo com a legislação tributária, então não há que se falar em indébito (na ausência do recolhimento indevido, a utilização dos valores retidos na fonte para a extinção de débitos pela via da compensação depende de Fl. 260DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10860.003129/200516 Acórdão n.º 3403001.886 S3C4T3 Fl. 259 5 autorização legislativa específica, o que só ocorreu, no caso, em 3/1/2008, com a edição da Medida Provisória no 413); e f) não cabe a aplicação da retroação de lei mais benigna, uma vez que a lei posterior definiu uma nova hipótese de utilização dos valores retidos na fonte a partir de sua edição, não se enquadrando no art. 106, II, do CTN. Cientificada da decisão em 20/9/2011 (AR às fls. 255), a empresa apresenta Recurso Voluntário (fls. 219 a 227), em 19/10/2011, no qual reitera a busca pela homologação da compensação requerida e pela manutenção da suspensão da exigibilidade do crédito tributário objeto da compensação até decisão administrativa final. Alega basicamente que: a) a administração recusou os créditos para compensação por falta de previsão legal ao tempo da propositura do pedido, mas que a Lei no 11.116, de 2005, em seu art. 16, já trazia a previsão normativa necessária ao pedido de compensação; b) dúvidas interpretativas sustentaram durante algum tempo decisões contrárias à solicitação da recorrente, mas o legislador tomando conhecimento de que a Administração Tributária considerava a ausência de norma expressa como impeditivo à restituição ou compensação de saldo credor remanescente das retenções da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, editou a Medida Provisória no 419/2008, tornando a questão superada; c) o caput do art. 5o da MP no 413/2008 é taxativo em admitir a compensação com outros tributos administrados pela RFB e o § 3o desse artigo determina a possibilidade de retroatividade da referida compensação para tributos apurados em períodos anteriores; d) a partir do novo comando legislativo a RFB editou IN no 900/2008, prevendo a possibilidade de restituição/compensação dos saldos de valores retidos na fonte a título de Contribuição para o PIS/Pasep e de COFINS; e e) a Resposta à Consulta no 388, de 3/11/2010, corrobora o entendimento pela possibilidade da compensação reclamada. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 A matéria controversa em sede de Recurso Voluntário resumese à (im)possibilidade de restituição ou compensação do saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS com outros tributos e contribuições administrados pela RFB, antes da Medida Provisória no 413/2008, convertida na Lei no 11.727/2008. O texto do art. 5o da Medida Provisória, que corresponde literalmente ao art. 5o da Lei, dispõe: “Art. 5o Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 1o Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2o Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1o, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3o A partir da publicação desta Medida Provisória, o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, apurados em períodos anteriores, poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal Brasil, na forma a ser regulamentada pelo Poder Executivo.” (grifo nosso) Do comando legal podem ser extraídas ao menos duas conclusões: (a) após a Medida Provisória, passou a ser possível a restituição ou compensação do saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS com outros tributos e contribuições administrados pela RFB; e (b) pode haver aplicação do comando a saldos anteriores, de acordo com o que dispuser o Poder Executivo. Assim, descartase de imediato a retroação incondicional, tal qual pleiteada pela recorrente (seja pela alegação de retroatividade benigna, seja pela argumentação de que o comando legal tem natureza declaratória). Tivesse o legislador desejado, por exemplo, estabelecer comando de natureza declaratória, esclarecendo conteúdo já vigente (ou seja, que a restituição ou compensação já era amparada pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005), absolutamente contraditório seria o teor limitador do § 3o do art. 5o da Medida Provisória. Poderseia ainda argumentar que o comando é de natureza declaratória, e não poderia o § 3o do art. 5o da Medida Provisória ter estabelecido limitação à retroação. Contudo, tal entendimento implica análise da constitucionalidade de norma legal, tema vedado a este tribunal administrativo pela Súmula CARF no 2. Temse, assim, cristalino, que o comando deve ser aplicado a saldos anteriores na forma disciplinada pelo Poder Executivo. O Poder Executivo, por meio do Decreto no 6.662/2008, regulamentou o art. 5o da Lei no 11.727/2008, dispondo que: Fl. 262DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10860.003129/200516 Acórdão n.º 3403001.886 S3C4T3 Fl. 260 7 “Art. 2o A partir de 4 de janeiro de 2008, o saldo dos valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS apurados em períodos anteriores poderá também ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (...) Art. 4o A autoridade da Secretaria da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a restituição ou compensação de que trata este Decreto poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Art. 5o A Secretaria da Receita Federal do Brasil expedirá instruções necessárias ao cumprimento do disposto neste Decreto. (grifo nosso) A IN RFB no 900/2008 tratou do tema, em seu art. 12 (tal norma está hoje revogada pela IN RFB no 1.300/2012, que não alterou substancialmente o referido art. 12), mas sem expedir especificamente as instruções necessárias ao cumprimento do disposto no art. 2o do Decreto: “Art. 12. Os valores retidos na fonte a título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando não for possível sua dedução dos valores a pagar das respectivas contribuições no mês de apuração, poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB. § 1º Fica configurada a impossibilidade da dedução de que trata o caput quando o montante retido no mês exceder o valor da respectiva contribuição a pagar no mesmo mês. § 2º Para efeito da determinação do excesso de que trata o § 1º, considerase contribuição a pagar no mês da retenção o valor da contribuição devida descontada dos créditos apurados naquele mês. § 3º A restituição poderá ser requerida à RFB a partir do mês subsequente àquele em que ficar caracterizada a impossibilidade de dedução de que trata o caput. § 4º A restituição de que trata o caput será requerida à RFB mediante o formulário Pedido de Restituição, constante do Anexo I.” A recorrente alega ainda em seu recurso voluntário que a Solução de Consulta da RFB de no 388, de 3/11/2010, reiterou seu entendimento pela possibilidade da compensação reclamada. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Contudo, tal decisão (Solução de Consulta DISIT SRRF08 de no 388, de 3/11/2010) endossa o entendimento de que o pleito continua a carecer de amparo normativo: “ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: CONTRIBUIÇÃO RETIDA NA FONTE. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. Até a publicação da MP no 413, de 2008, por falta de previsão legal, não havia possibilidade de restituição dos valores retidos na fonte a título de Cofins que excedessem o valor da contribuição efetivamente devido pelo contribuinte no respectivo período de apuração. Esses valores excedentes retidos na fonte não se caracterizavam como tributos recolhidos a maior ou indevidamente, não se enquadrando no art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. A partir da publicação da MP no 413, de 2008, 04/01/2008, quando não for possível a dedução dos valores retidos na fonte, na forma da legislação aplicável, dos valores a pagar a título de Cofins no mês de apuração, tais valores retidos na fonte poderão ser restituídos ou compensados com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela RFB, observada a legislação aplicável à restituição e compensação de tributos e contribuições federais administrados pela RFB, em particular, atualmente, o disposto no art. 12 da IN RFB no 900, de 2008. A partir da publicação da MP no 413, de 2008, 04/01/2008, convertida na Lei no 11.727, de 2008, também é prevista a possibilidade de o saldo dos valores retidos na fonte a título de Cofins, apurado em períodos anteriores à referida data, ser restituído ou compensado com débitos relativos a outros tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal Brasil, depois de ser regulamentado pelo Poder Executivo o § 3o do art. 5o daquela Medida Provisória. Embora essa regulamentação tenha ocorrido, em princípio, por meio do Decreto no 6.662, de 2008, este previu, em seu art. 5o, a necessidade de expedição, pela RFB, das instruções necessárias para a efetivação desse procedimento. Não tendo sido tais instruções expedidas até o momento, carecem ainda de eficácia o referido parágrafo 3o e a faculdade por ele instituída, entendendose que o art. 12 da IN RFB no 900, de 2008, não disciplinou essa situação, mas, sim, apenas a retenção de que tratam o caput e §§ 1o e 2o do art. 5o da MP no 413, de 2008, atualmente, art. 5o, caput e §§ 1o e 2º da Lei no 11.727, de 2008”. (grifo nosso) Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, por carecer de amparo normativo o pleito da recorrente. Rosaldo Trevisan Fl. 264DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10860.003129/200516 Acórdão n.º 3403001.886 S3C4T3 Fl. 261 9 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 10768.016031/99-50
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997 SALDO NEGATIVO DE IRPJ - PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Os pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002 foram considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei 9.430/1996 (com as alterações da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003). O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996). As providências ao longo do tempo que implicam em medidas de instrução processual não suspendem o prazo para a homologação tácita da compensação de débito. Os pedidos de compensação apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999 restaram homologados tacitamente em 22/07/2004 e 15/09/2004, respectivamente. Atos supervenientes, ainda que promovidos pelo Contribuinte, não tem o condão de reverter essa situação. DIREITO CREDITÓRIO - FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Um determinado saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovando-se no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação. Mas se a própria DIPJ do ano-base 1997 indica que a Contribuinte apurou prejuízo em todos os balancetes de estimativas mensais, não haveria como ela aproveitar os alegados saldos de 1995 e 1996 para quitar estimativas em 1997. Se a negativa em relação a 1997 abrange todo o crédito por ela pleiteado, inclusive os supostos saldos de 1995 e 1996, uma vez que eles não foram reivindicados diretamente, de forma autônoma, mas sim apresentados como justificativa para o saldo negativo de 1997, não há que se falar em preclusão de matéria. A verificação da contribuição dos valores retidos propriamente em 1997, no
montante de R$ 15.242,67, para a formação de saldo negativo a ser restituído ou compensado deixa de ter relevância, eis que a homologação tácita em relação aos outros débitos já absorveu totalmente esse valor. Para débito cuja compensação não foi homologada tacitamente, e não havendo crédito remanescente para a sua quitação, deve ser mantida a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1802-001.170
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997 SALDO NEGATIVO DE IRPJ - PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO - HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Os pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002 foram considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei 9.430/1996 (com as alterações da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003). O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996). As providências ao longo do tempo que implicam em medidas de instrução processual não suspendem o prazo para a homologação tácita da compensação de débito. Os pedidos de compensação apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999 restaram homologados tacitamente em 22/07/2004 e 15/09/2004, respectivamente. Atos supervenientes, ainda que promovidos pelo Contribuinte, não tem o condão de reverter essa situação. DIREITO CREDITÓRIO - FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Um determinado saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovando-se no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação. Mas se a própria DIPJ do ano-base 1997 indica que a Contribuinte apurou prejuízo em todos os balancetes de estimativas mensais, não haveria como ela aproveitar os alegados saldos de 1995 e 1996 para quitar estimativas em 1997. Se a negativa em relação a 1997 abrange todo o crédito por ela pleiteado, inclusive os supostos saldos de 1995 e 1996, uma vez que eles não foram reivindicados diretamente, de forma autônoma, mas sim apresentados como justificativa para o saldo negativo de 1997, não há que se falar em preclusão de matéria. A verificação da contribuição dos valores retidos propriamente em 1997, no montante de R$ 15.242,67, para a formação de saldo negativo a ser restituído ou compensado deixa de ter relevância, eis que a homologação tácita em relação aos outros débitos já absorveu totalmente esse valor. Para débito cuja compensação não foi homologada tacitamente, e não havendo crédito remanescente para a sua quitação, deve ser mantida a decisão recorrida.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997 SALDO NEGATIVO DE IRPJ PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO HOMOLOGAÇÃO TÁCITA Os pedidos de compensação que se encontravam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa em 01/10/2002 foram considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no art. 74 da Lei 9.430/1996 (com as alterações da Lei 10.637/2002 e 10.833/2003). O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação (art. 74, § 5º, da Lei 9.430/1996). As providências ao longo do tempo que implicam em medidas de instrução processual não suspendem o prazo para a homologação tácita da compensação de débito. Os pedidos de compensação apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999 restaram homologados tacitamente em 22/07/2004 e 15/09/2004, respectivamente. Atos supervenientes, ainda que promovidos pelo Contribuinte, não tem o condão de reverter essa situação. DIREITO CREDITÓRIO FORMAÇÃO DE SALDO NEGATIVO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO Um determinado saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovandose no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação. Mas se a própria DIPJ do anobase 1997 indica que a Contribuinte apurou prejuízo em todos os balancetes de estimativas mensais, não haveria como ela aproveitar os alegados saldos de 1995 e 1996 para quitar estimativas em 1997. Se a negativa em relação a 1997 abrange todo o crédito por ela pleiteado, inclusive os supostos saldos de 1995 e 1996, uma vez que eles não foram reivindicados diretamente, de forma autônoma, mas sim apresentados como justificativa Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 273 2 para o saldo negativo de 1997, não há que se falar em preclusão de matéria. A verificação da contribuição dos valores retidos propriamente em 1997, no montante de R$ 15.242,67, para a formação de saldo negativo a ser restituído ou compensado deixa de ter relevância, eis que a homologação tácita em relação aos outros débitos já absorveu totalmente esse valor. Para débito cuja compensação não foi homologada tacitamente, e não havendo crédito remanescente para a sua quitação, deve ser mantida a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 274 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP I, que manteve a negativa de homologação em relação a Pedidos de Compensação apresentados pela Contribuinte, nos mesmos termos que já havia decidido anteriormente a Delegacia de origem. Para se compreender bem o contexto destes autos, é importante fazer uma descrição pormenorizada dos fatos que antecederam o presente recurso, desde o início do processo administrativo. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO Em 22/07/1999, a Contribuinte ingressou com os pedidos de compensação de fls. 04 a 06, com a finalidade de quitar débitos de PISInstituições Financeiras referentes aos períodos de 02/1997 a 02/1999 (código 4574). Em 15/09/1999, ela apresentou os pedidos de compensação de fls. 63 a 65, para quitar débitos de IRRF com vencimento ao longo dos meses de julho, agosto e setembro de 1999 (códigos 1708, 0561 e 0588); Cofins de 02 a 06/1999 (código 2172); e PISInstituições Financeiras de 03 a 06/1999 (código 4574). Nos pedidos de compensação e também nas petições que encaminharam estes pedidos, a Contribuinte indicou como origem do crédito o IRPJ do ex. 1998, período base de 1997, no valor de R$ 36.191,31. Para instruir seu pleito, anexou cópia da DIRPJ correspondente (fls. 07 a 40), que indicava nos quadros referentes às estimativas mensais valores de saldos negativos de IRPJ acumulados ao longo de todo o ano, para finalizar em dezembro com o valor negativo acima referido, ou seja, R$ 36.191,31. Em 09/08/2001, foi apresentado o pedido de compensação de fls. 70, para retificar o valor do débito de PISInstituições Financeiras do período de 02/1997, de R$ 118,46 para R$ 567,21. Em 12/09/2002, a DIORT/DERAT/RJ exarou o despacho de fls. 71/72, determinando que a interessada fosse intimada a apresentar o “formulário de Pedido de Restituição devidamente preenchido, de acordo com o Boletim Central n° 106/97, pergunta 22 e IN/SRF n° 21/97 alterada pela IN SRF 73/97”; e demais elementos necessários à análise do credito pretendido, sob pena de indeferimento do pedido de restituição e imediata cobrança dos débitos informados nos pedidos de compensação. Em 28/03/2003 (fls. 74), foi elaborada intimação para que a Contribuinte apresentasse os elementos acima mencionados. Em 28/04/2003 (fls. 75), a Contribuinte informou que o crédito postulado tinha origem em retenções de IR sobre comissões, serviços prestados e rendimentos de Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 275 4 aplicações financeiras do períodobase de 1997 (R$ 15.242,67), bem como na atualização monetária dos saldos de IRRF dos anoscalendário de 1995 (R$ 17.706,31) e 1996 (R$ 3.310,51). A resposta apresentada foi instruída com planilha referente à aplicação da taxa SELIC sobre saldos negativos nos anoscalendário de 1995 e 1996, e com cópias de “Comprovantes Anuais de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” do anocalendário de 1997 (fls. 76 a 126). Em 06/05/2003, a Contribuinte apresentou o formulário correto para “Pedido de Restituição” (fl. 127), informando desta vez como crédito de IRPJ do anobase de 1997 o valor de R$ 36.259,49. No quadro “Demonstrativo do Cálculo da Restituição”, informou novamente que o crédito postulado tinha origem em retenções de IR sobre comissões, serviços prestados e rendimentos de aplicações financeiras do períodobase de 1997 (R$ 15.242,67), bem como na atualização monetária dos saldos de IRRF dos anoscalendário de 1995 (R$ 17.706,31) e 1996 (R$ 3.310,51). Em 21/11/2005, a Contribuinte ingressou com nova petição, solicitando a correção dos pedidos de compensação apresentados inicialmente, com a justificativa de que “os Pedidos de Compensação foram entregues à Receita Federal com divergências de informações, tendo em vista que as mesmas são incompatíveis com as declarações prestadas nas DCTF's” (fls. 129). Para tanto, apresentou novos pedidos de compensação (fls. 130 a 134). Estes novos pedidos indicaram exatamente os mesmos débitos de PIS Instituições Financeiras (código 4574) que constavam dos pedidos originais, com exceção do débito de 02/1997, cujo valor foi novamente alterado, de R$ 567,21 para R$ 118,46. Em relação aos débitos de IRRF, os novos pedidos também apresentaram os mesmos códigos, as mesmas datas de vencimento e os mesmos valores. A mudança abrangeu apenas a forma de indicar o período de apuração dos débitos (indicação de dia em vez de mês). No caso dos débitos de COFINS, os períodos de apuração e os valores também foram os mesmos dos pedidos originais. A modificação abrangeu apenas o código do tributo, informado inicialmente como 2172 (COFINS CONTRIBUIÇÃO PARA FINANCIAMENTO SEGURIDADE SOCIAL), e modificado para 7987 (COFINS ENTIDADES FINANCEIRAS E EQUIPARADAS). DESPACHO DECISÓRIO Em 15/06/2009, a Contribuinte tomou ciência do DESPACHO DECISÓRIO DERAT/DIORT/EQPIRPJ de fls. 154 a 156, pelo qual a Delegacia de origem manifestou o entendimento de que a requerente não dispunha de crédito de IR relativo ao anocalendário de 1997, porque ela não apurou saldo negativo de IRPJ na linha 13 da Ficha 08 da DIPJ correspondente, consignando, ainda, que não existe previsão legal para restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 276 5 Em 13/07/2009, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 162/164, pela qual requereu a retificação de oficio da DIPJ ex. 1998, com correção dos valores preenchidos nas linhas 06 da ficha 09 e linha 10 da ficha 08 (IRRF), alegando que o valor correto do IRRF no anocalendário de 1997 é de R$ 15.242,67, conforme comprovado pelos informes de rendimentos anexados em 28/04/2003. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA Como já mencionado, a DRJ São Paulo/SP I manteve a negativa em relação aos pedidos de compensação, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/1997 COMPENSAÇÃO. IRPJ DO ANOCALENDÁRIO DE 1997. ERRO DE PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO. À falta de comprovação documental do erro de preenchimento alegado, prevalecem os valores informados na declaração de rendimentos analisada pela autoridade recorrida, da qual se concluiu na inexistência de crédito em favor da contribuinte. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. É importante transcrever os fundamentos que embasaram as conclusões da Delegacia de Julgamento: (...) De início, convém observar que os pedidos de compensação originais não conferem homologação tácita das compensações declaradas pois, com a apresentação dos pedidos de compensação retificadores, a data inicial do prazo decadencial previsto no § 5º do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 passa a ser a data da apresentação daqueles, ou seja, 21/11/2005 (fls. 130/134). No mérito, a recorrente alega ter preenchido incorretamente sua DIPJ 98, anocalendário de 1997, vindo requerer a correção de oficio dos valores informados a titulo de IRF considerado nos balancetes mensais (linha 06 da Ficha 09) e IRF deduzido na apuração do IR a pagar anual (linha 10 da Ficha 08). Contudo, a defesa não especificou para quais valores devem os apontados campos ser corrigidos, tampouco entregou ou apresentou DIPJ retificadora que pudesse nos esclarecer tais informações. O único elemento fornecido pela requerente consiste em informes de rendimentos apresentados em 28/04/2003 (fls. 88/126), que comprovariam retenções de IR no montante de R$ Fl. 276DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 277 6 15.242,67, incidentes sobre receitas de comissões de seguros (cód. 8045) e prestação de serviços (cód. 1708). Ocorre que, a falta de demonstração de qual o tratamento contábil atribuído às supostas retenções pela contribuinte em sua escrituração não se mostra hábil a demonstrar crédito de IRPJ em favor da requerente. Consoante salientou a autoridade administrativa recorrida, Imposto de Renda Retido na Fonte não configura crédito de IRPJ compensável com débitos diversos. As retenções porventura suportadas pela contribuinte poderiam ser utilizadas para pagamento de estimativas ou diretamente no cômputo do saldo de IRPJ a pagar ao final do período base 1997 que, na hipótese de ser apurado negativo, poderia ser considerado crédito de IRPJ em favor da requerente. Mesmo que as retenções invocadas tenham ocorrido e os rendimentos correspondentes tenham sido considerados na DIPJ 98, considerar o IRF no cômputo do saldo de IR a pagar é uma faculdade da contribuinte, que deve ser exercida em sua escrituração e refletida em sua DIPJ. A contribuinte pode, por exemplo, ter optado por não utilizar o crédito sobre tais retenções na apuração anual, e sim em compensações com outras retenções em que figura como fonte retentora. Não foram fornecidos elementos e documentos que demonstrassem qual o tratamento dado às supostas retenções de IR, sendo irrelevante analisar se as retenções descritas nos informes de rendimentos apresentados de fato ocorreram, tampouco se a contribuinte considerou os rendimentos correspondentes na apuração do lucro líquido do calendário de 1997. Além disso, a requerente não especificou quais as retenções que entende devessem ser consideradas nos balancetes mensais (que iriam compor a dedução por estimativas pagas informada na linha 12 da Ficha 08) e quais as que seriam informadas diretamente na linha 10 da Ficha 08, a título de Imposto de Renda Retido na Fonte descontado do IR sobre o Lucro Real. Cabe esclarecer que não cabe à Receita Federal efetuar o preenchimento da declaração da forma mais adequada e condizente com a pretensão da contribuinte. Poderia a Administração acatar erros de preenchimento de declarações que fossem evidenciados pela interessada por meio de documentação probatória hábil. No caso analisado, contudo, a alegação da defesa não se pauta em mero erro de preenchimento, mas em apuração de tributo a pagar completamente diferente daquela informada na DIPJ original e não retificada. Para que a nova apuração fosse aceita, a contribuinte teria que comprovar a identidade entre os rendimentos constantes dos informes apresentados e os rendimentos oferecidos à tributação na DIPJ, bem como indicar Fl. 277DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 278 7 as parcelas das retenções sofridas que entrariam na composição das estimativas e no composição do IR a pagar ao final do período anual, o que não foi feito. RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão anteriormente referida, da qual tomou ciência em 14/04/2010 (fls. 191verso), a Contribuinte apresentou em 14/05/2010 o recurso voluntário de fls. 192 a 209, desenvolvendo argumentos sobre os tópicos abaixo: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA OBJETO DO PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO a decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SPO julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob a alegação de que a Recorrente não comprovou os erros cometidos no preenchimento de sua DIPJ relativa ao anocalendário 1997; por outro lado, a DRJ/SPO não questionou a existência do direito de crédito relativo à atualização monetária do IRRF relativo aos anoscalendário de 1995 e 1996, nos valores de R$ 17.706,31 e R$ 3.310,51, limitandose a analisar a regularidade das retenções de IRRF ocorridas no anocalendário de 1997, no valor total de R$ 15.242,67; por este motivo, permanece em discussão no presente Recurso Voluntário apenas o saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 1997, originado a partir de retenções de IRRF relativas a comissões, serviços prestados e rendimentos de aplicação financeiras; a preclusão também atinge o órgão jurisdicional, na hipótese da chamada “preclusão pro judicato”, que ocorre quando a matéria submetida a julgamento não pode mais ser reapreciada pela autoridade julgadora, quer seja porque o magistrado já proferiu decisão no respectivo processo, em relação a qual não foi apresentado recurso, quer seja porque deixou de apreciar a matéria no tempo oportuno; nestas hipóteses, a matéria discutida é atingida pela preclusão, passando a estar protegida pelo instituto da coisa julgada, motivo pelo qual a respectiva matéria não mais poderá ser reapreciada no processo, ainda que por outro órgão jurisdicional; ao deixar de apreciar a questão relativa a atualização monetária do IRRF relativo aos anoscalendário de 1995 e 1996, nos valores de R$ 17.706,31 e R$ 3.310,51, é evidente que ocorreu a “preclusão pro judicato”, com o conseqüente trânsito em julgado parcial da decisão administrativa, na medida em que a Administração Pública não mais poderá questionar a correção monetária do IRRF, em respeito ao princípio da segurança jurídica; considerando que no presente caso não houve a interposição de Recurso de Oficio, resta claro que houve a preclusão do direito de a Administração Pública questionar a existência do crédito relativo à atualização monetária de IRRF dos anoscalendário de 1995 e 1996, nos valores de R$ 17.706,31 e R$ 3.310,51, motivo pelo qual a discussão, em sede de Recurso Voluntário, permanece apenas em relação ao saldo negativo de IRPJ relativo ao ano calendário de 1997; DA COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DA INTEGRALIDADE DO DIREITO CREDITÓRIO DA RECORRENTE Fl. 278DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 279 8 iniciado o anocalendário de 1997, a Recorrente realizou sua opção de apurar e recolher o IRPJ de acordo com a sistemática do regime do lucro real anual. Neste cenário, a Recorrente optou por efetuar os pagamentos mensais com base em balancete mensal de suspensão ou redução, reduzindo a zero o pagamento do IRPJ devido em cada mês, por não ter apurado lucro real passível de tributação; assim, mediante o levantamento de balancete mensal de suspensão ou redução, por meio do qual efetuou todos os ajustes exigidos pela legislação tributária, a Recorrente constatou que apurou prejuízo fiscal desde o mês de janeiro de 1997, motivo pelo qual não efetuou qualquer recolhimento de IRPJ a título de estimativa mensal, o que pode ser comprovado mediante simples análise da Ficha 11 (“Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa”), da sua DIPJ relativa ao anocalendário de 1997; embora tenha apurado prejuízo fiscal ao longo de todo o anocalendário de 1997, a Recorrente sofreu inúmeras retenções de IRRF que perfazem o montante de R$ 15.242,67, sendo que, por um lapso, a Recorrente deixou de transcrever corretamente os valores de IRRF nos balancetes mensais (Linha 06, Ficha 09) e na apuração do IRPJ a pagar anual (Linha 10, Ficha 08); considerando que a Recorrente apurou prejuízo fiscal durante todo o ano calendário de 1997 e sofreu retenções de IRRF no valor de R$ 15.242,67, é evidente que o respectivo valor deu origem a saldo negativo de IRPJ passível de compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), nos termos do artigo 6° da Lei 9.430/96; as retenções de IRRF sofridas pela Recorrente, no valor de R$ 15.242,67, foram devidamente comprovadas pelos respectivos “Informes de Rendimento”, sob os códigos de receita 8045 (comissões de seguro) e 1708 (prestação de serviços), o que evidencia o descaso das autoridades fiscais na análise do direito de crédito a que faz jus a Recorrente; bastaria uma simples análise da DIPJ da empresa para verificar que houve apuração de prejuízo fiscal em todos os meses do anocalendário de 1997, o que tornaria evidente que as retenções de IRRF não teriam sido utilizadas para reduzir estimativas de IRPJ; se não houve apuração de estimativa de IRPJ a pagar com base em balancete de suspensão e redução, como poderia a Recorrente ter efetuado qualquer compensação com os valores retidos a título de IRRF? o entendimento manifestado pela DRJ/SPO no sentido de que a Recorrente poderia ter utilizado tais retenções de IRRF para compensar com outras retenções em que hipoteticamente poderia ter figurado como fonte pagadora é completamente insubsistente, pois embora seja possível, ao menos em tese, compensação do IRRF com outras retenções de IRRF em que a Recorrente figurasse como fonte pagadora, devese ressaltar que esta prática não é usual, sendo raramente utilizada pelo contribuinte; ainda que assim não fosse, o que se admite apenas para fins de argumentação, percebese claramente que a DRJ/SPO pretende transferir para a Recorrente o ônus de produzir prova negativa, o que é completamente inadmissível no Direito; a Receita Federal do Brasil tem o poderdever de fiscalizar a arrecadação dos tributos federais, cabendo a ela tomar as cautelas próprias para assegurar o controle de Fl. 279DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 280 9 eventuais compensações realizadas pelos contribuintes, não sendo admitida a possibilidade de transferir para o contribuinte este ônus de produzir prova negativa, para beneficiarse da dificuldade, ou mesmo da impossibilidade, da produção dessa prova; ainda que se considere que houve um erro no preenchimento da respectiva DIPJ, é indiscutível que este eventual equívoco não invalida o crédito existente e a compensação realizada, por ser um equívoco de caráter meramente procedimental, do qual não resultou qualquer prejuízo ao Erário. Conforme demonstrado, realmente houve retenções de IRRF ao longo do anocalendário de 1997, o que gerou para a Recorrente um crédito passível de compensação; em razão do próprio principio da legalidade, é induvidoso que o contribuinte que efetuou qualquer pagamento a maior tem direito à respectiva restituição e/ou compensação; a Constituição Federal prevê ao menos quatro fundamentos para garantir o direito à restituição (de oficio) ou à compensação dos tributos pagos a maior, quais sejam: Moralidade, Justiça, Isonomia e Propriedade; o eventual erro formal referente ao preenchimento da DIPJ pela Recorrente jamais poderia ser causa de cobrança de débitos devidamente quitados por compensação, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco; ademais, o próprio Fisco reconhece a primazia da verdade material nos processos administrativos; a DIPJ e os comprovantes de retenções (“Informes de Rendimentos”) anexados ao presente processo são documentos hábeis a comprovar a existência do crédito utilizado pela Recorrente para saldar seus débitos. Este é o Relatório. Fl. 280DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 281 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o presente processo tem por objeto pedidos de compensação apresentados pela Contribuinte, que foram indeferidos tanto pela Delegacia de origem, quanto pela Delegacia de Julgamento. Estes pedidos foram inicialmente apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999, abrangendo débitos de PIS, IRRF e COFINS. A Contribuinte indicou como origem do crédito a ser compensado o IRPJ do ex. 1998, período base de 1997, no valor de R$ 36.191,31. Para instruir seu pleito, anexou cópia da DIRPJ correspondente, que indicava nos quadros referentes às estimativas mensais valores de saldos negativos de IRPJ acumulados ao longo de todo o ano, finalizando em dezembro com o valor negativo acima referido, ou seja, R$ 36.191,31. Em 09/08/2001, foi apresentado outro pedido de compensação para retificar o valor de um dos débitos anteriormente informados (PISInstituições Financeiras do período de 02/1997). Na seqüência, em 28/03/2003, foi elaborada intimação para que a Contribuinte apresentasse pedido de restituição no formulário próprio, nos moldes da IN SRF 21/1997, bem como outros elementos para a comprovação do crédito, sob pena de indeferimento de seu pleito e imediata cobrança dos débitos informados nos pedidos de compensação. Em 28/04/2003 a Contribuinte prestou informações em relação ao crédito pleiteado, e em 06/05/2003 apresentou pedido de restituição no formulário correto (fls. 127), que indicava crédito de IRPJ do anobase de 1997 no valor de R$ 36.259,49, com origem em retenções de IR sobre comissões, serviços prestados e rendimentos de aplicações financeiras do períodobase de 1997 (R$ 15.242,67), bem como na atualização monetária dos saldos de IRRF dos anoscalendário de 1995 (R$ 17.706,31) e 1996 (R$ 3.310,51). Posteriormente, em 21/11/2005, a Contribuinte ingressou com nova petição, solicitando a correção dos pedidos de compensação originalmente apresentados, para sanar divergências em relação aos débitos contidos nos pedidos e os que foram declarados em DCTF. Estes novos pedidos não trouxeram mudanças significativas em relação aos débitos de IRRF e de COFINS, conforme foi relatado anteriormente. Para estes tributos, as alterações abrangeram apenas a forma de indicação dos períodos de apuração do IRRF e o código da COFINS. A mudança mais significativa se deu em relação ao débitos de PIS Fl. 281DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 282 11 Instituições Financeiras de 02/1997, cujo valor foi novamente alterado, de R$ 567,21 para R$ 118,46. O indeferimento da Delegacia de origem ocorreu em 15/06/2009, com a conclusão de que a requerente não dispunha de crédito relativo ao anocalendário de 1997, porque ela não apurou saldo negativo de IRPJ na linha 13 da Ficha 08 da DIPJ (ficha específica para a apuração do saldo final de imposto), e também porque não existe previsão legal para restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte. A Delegacia de Julgamento manteve a negativa em relação aos pedidos de compensação. Em sua decisão, logo de início, a DRJ manifestou o entendimento de que não teria ocorrido a homologação tácita das compensações, eis que com a apresentação dos pedidos de compensação retificadores, a data inicial do prazo decadencial previsto no § 5º do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 passou a ser a data da apresentação daqueles, ou seja, 21/11/2005, e o Despacho Decisório é de 15/06/2009. O fenômeno da homologação tácita está previsto na Lei nº 9.430/1992, nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1o A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) (...) § 4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Realmente, o prazo transcorrido entre a data dos pedidos retificadores (21/11/2005) e a data do Despacho Decisório (15/06/2009) é menor que cinco anos. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 283 12 Contudo, a meu ver, a homologação tácita, para a grande maioria dos débitos (com exceção do débito de PISInstituições Financeiras de 02/1997), operouse antes mesmo da apresentação dos pedidos retificadores. O fato é que após a apresentação dos pedidos de compensação originais, em 22/07/1999 e 15/09/1999, ocorreram medidas de instrução processual, quando a Contribuinte foi intimada a apresentar pedido de restituição no formulário correto e outros elementos para a comprovação mais detalhada da origem do crédito pleiteado, sob pena de indeferimento do direito creditório. O atendimento desta intimação se deu por duas respostas, apresentadas em 28/04/2003 e 06/05/2003. Nessa época já vigiam as normas introduzidas pela lei 10.637/2002 na Lei 9.430/1996 (acima transcritas). Sendo assim, os fatos ocorridos em abril e maio de 2003 não poderiam caracterizar o início de um novo procedimento de compensação, até porque não atenderiam as normas vigentes, bem diferentes daquelas existentes em 1999, quando foram apresentados os pedidos de compensação. Na verdade, as providências ao longo do tempo implicaram em medidas de instrução processual, o que, nos termos das regras contidas no art. 74 da Lei 9.430/1996, não suspende o prazo para a homologação tácita de compensação de débito. Deste modo, a compensação dos débitos relacionados nos pedidos apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999 restou homologada em 22/07/2004 e 15/09/2004, respectivamente, e os pedidos retificadores apresentados em 21/11/2005 não tem o condão de reverter essa situação. As mudanças promovidas por esses pedidos retificadores, relativas à forma de indicação dos períodos de apuração do IRRF e ao código da COFINS também são irrelevantes, porque não há dúvidas de que os débitos são exatamente os mesmos dos pedidos originais, pela coincidência dos valores e datas de vencimento no caso do IRRF, e pela coincidência dos valores, datas de vencimento e PA no caso da COFINS. A única exceção ocorre para o débito de PISInstituições Financeiras de 02/1997, porque a Contribuinte apresentou em 09/08/2001 um pedido retificador para alteração de seu valor. Essa retificação, em 2001, produz efeito diferente daquela ocorrida em 2005, não só porque foi apresentada em tempo oportuno (antes da homologação tácita do pedido original), mas também por ter modificado elemento essencial do débito a ser compensado, ou seja, o seu valor. O pedido retificador de 2001, portanto, representou um novo marco para a contagem da homologação tácita. Por via de conseqüência, para esse caso específico, a retificação ocorrida em 21/11/2005 representou ato eficaz, eis que ocorreu antes da homologação tácita do pedido apresentado em 09/08/2001, alterandose novamente o valor do débito. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 284 13 Assim, em relação ao débito de PISInstituições Financeiras de 02/1997, no valor de R$ 118,46, o Despacho Decisório da Delegacia de origem se deu em tempo hábil. Para este débito, portanto, é necessário examinar o mérito da negativa em relação à homologação de sua compensação. Como já foi mencionado, a negativa ocorreu porque não restou devidamente demonstrada a apuração de saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 1997. Primeiramente, quanto aos argumentos sobre a delimitação da matéria a ser examinada nesta fase processual, sobre a preclusão de matérias, etc., cabe esclarecer que desde o início do processo, tanto nos pedidos originais quanto nos retificadores, a Contribuinte sempre fez constar que o crédito reivindicado decorria de IRPJ do anobase 1997. Também vale observar que no curso do procedimento, quando intimada para apresentar elementos de comprovação do crédito, ela passou a alegar que esse crédito não tinha origem somente em retenções ocorridas em 1997, mas também na atualização monetária de saldos de IRRF dos anoscalendário de 1995 e 1996. Contudo, em nenhum momento a Contribuinte esclareceu de que modo os alegados saldos negativos de 1995 e 1996 (ou melhor, sua correção pela SELIC) contribuíram para a formação do saldo negativo de IRPJ em 1997. É importante ressaltar que um determinado saldo negativo só é “transferido” de um período para outro, ou melhor, só é levado para a frente, renovandose no tempo, na medida em que contribua para a formação de saldos negativos em períodos subseqüentes, o que se dá pela sua utilização na quitação de estimativas mensais destes outros períodos, via procedimento de compensação. Ocorre que, conforme indica a própria DIPJ do anobase 1997, a Contribuinte apurou prejuízo em todos os balancetes para a apuração de estimativas mensais, e, deste modo, não teria como aproveitar os tais saldos de IRRF de 1995 e 1996 para quitar estimativas em 1997, pois não existiram estimativas a serem recolhidas. Assim, não há possibilidade de um saldo negativo em 1997 que decorra de saldos de 1995 e 1996. Além disso, ao contrário do que alega a Recorrente, a negativa em relação a 1997 abrangeu todo o crédito por ela pleiteado, inclusive estes supostos saldos de 1995 e 1996, uma vez que eles não foram reivindicados diretamente, de forma autônoma, mas sim apresentados como justificativa para o saldo negativo de 1997 (que é o crédito reivindicado desde o início). Portanto, além de os alegados saldos de 1995 e 1996 não poderem contribuir para a comprovação do crédito reivindicado pela Contribuinte, também não há qualquer preclusão em relação a eles. Quanto aos valores de IR retidos propriamente em 1997, no valor de R$ 15.242,67, sua contribuição para a formação de saldo negativo a ser restituído/compensado dependeria ainda de outros aspectos, por exemplo, a comprovação de que as receitas que deram Fl. 284DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10768.016031/9950 Acórdão n.º 180201.170 S1TE02 Fl. 285 14 causa a essas retenções foram oferecidas à tributação, conforme o art. 2º, § 4º, III, da Lei 9.430/1996 Mas isso deixou de ter relevância, pois os R$ 15.242,67, independentemente de serem formalmente reconhecidos como formadores de saldo negativo em 1997, já o foram indiretamente, em razão da homologação tácita das compensações de todos os outros débitos constantes deste processo. Com efeito, a homologação tácita da quitação dos outros débitos já absorveu totalmente esse valor, e não há crédito remanescente para a quitação do débito de PIS Instituições Financeiras de 02/1997, no valor de R$ 118,46. Deste modo, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para: aplicar a homologação tácita em relação às compensações dos débitos relacionados nos pedidos apresentados em 22/07/1999 e 15/09/1999 (fls. 04/06 e fls. 63/65), com exceção do débito de PISInstituições Financeiras de 02/1997; negar a homologação da compensação do débito de PISInstituições Financeiras de 02/1997, no valor de R$ 118,46, por ausência de crédito. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 285DF CARF MF Impresso em 12/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 04/05/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10735.002977/2005-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001, 2002, 2003
NULIDADE. UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF. SÚMULA CARF nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº
10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplica-se
retroativamente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem comprovada, por documentos hábeis e idôneos, relacionados individualizadamente aos créditos bancários.
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes
sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais. Há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.867
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que
votaram por dar provimento em parte ao recurso, para excluir a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF. SÚMULA CARF nº 35. O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. O artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários sem origem comprovada, por documentos hábeis e idôneos, relacionados individualizadamente aos créditos bancários. ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. SÚMULA CARF nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Gonçalo Bonet Allage, que votaram por dar provimento em parte ao recurso, para excluir a incidência de juros de mora sobre o valor da multa de ofício. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Fl. 559DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório O recurso voluntário em exame pretende a reforma do Acórdão nº 0224.619, proferido pela 2ª Turma da DRJ Belo Horizonte (fl. 421), que, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação ao lançamento, para excluir da base de cálculo o montante de R$33.600,00, relativo a transferência entre contas do mesmo titular, e R$12.500,00 relativo à alienação de imóvel. As infrações indicadas no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 287/294 pertinente ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), multa de oficio e juros de mora calculados até 31/10/2005, no montante de R$764.485,26, relativo aos exercícios de 2001, 2002 e 2003. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: 001 — Depósitos bancários de origem não comprovada: omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituição financeira, em relação As quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal anexo. No citado Termo de Verificação Fiscal (TVF), anexado as fls. 271/286, consta o registro das intimações feitas e das alegações e documentos apresentados pelo contribuinte no curso da ação fiscal, além do registro da emissão das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) pertinentes. Em seguida, a autoridade fiscal elaborou um demonstrativo dos depósitos bancários de origem não comprovada, concluindo com o lançamento dos valores correspondentes a titulo de omissão de rendimentos. Os demais documentos que fundamentaram a exigência constam das fls. 01/270, enquanto o Termo de Encerramento foi juntado a fl. 295. O contribuinte foi cientificado do lançamento, conforme Aviso de Recebimento (AR) de fl. 296, com data de postagem em 14/11/2005, tendo apresentado a impugnação de fls. 323/412, em 14/124005. Fl. 560DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 441 3 O impugnante sustentou a tempestividade do contraditório apresentado e fez um resumo da autuação, prosseguindo com as razões de defesa a seguir sintetizadas. I — Nulidade do auto de infração relativamente ao ano 2000, lavrado a partir de dados obtidos por força da CPMF, contra vedação expressa de lei. Ressaltou o impugnante que jamais poderia a fiscalização valerse dos dados da CPMF para a lavratura de auto de infração relativo ao anobase de 2000, quando ainda estava em pleno vigor a redação original do § 3° do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996. Citou entendimentos doutrinários e jurisprudência do Judiciário, concluindo que não pode pretender o fisco utilizar a movimentação financeira anterior a janeiro de 2001 para efetuar lançamento de crédito tributário de outros impostos e contribuições que não a CPMF, porque a lei vigente ao tempo da realização dessa movimentação retirou dela esse efeito, não podendo lei posterior atribuílo relativamente a período passado sem ferir o principio da irretroatividade das leis. II — Necessidade de abatimento dos valores já constantes da declaração de rendimentos Argumentou o defendente que, por ser pessoa fisica, não possui uma contabilidade na qual registre todas as suas entradas e saídas e, como já salientado, a Lei n° 9.311, de 1996, na sua redação original em vigor em 2000, expressamente vedava a utilização dados da CPMF para lançamentos de outros tributos, razão pela qual não se preocupou o impugnante em manter arquivados quaisquer registros ou documentos, principalmente quanto ao anobase de 2000. Não obstante, não foram excluídos dos créditos apurados, os valores relativos a transferências entre contas e os ingressos já constantes de suas Declarações de Rendimentos, acentuando que não pode a fiscalização exigir a comprovação da totalidade dos depósitos apurados sem abater os ingressos já declarados, tenha ou não o contribuinte origem compatível dos mesmos. Registrou o impugnante que, a muito custo, conseguiu localizar documentos que comprovam que parte dos depósitos se refere aos valores declarados a titulo de salários (doc. 03). Assim, a menos que sejam excluídos dos valores apurados pela fiscalização os ingressos já consignados nas Declarações de Rendimentos, ficará o contribuinte sujeito à tributação em duplicidade. III — Comprovação da origem de créditos Salientou o impugnante que conseguiu identificar a origem de alguns depósitos, tendo feito os seguintes destaques: 1 — Transferências entre contas da mesma titularidade: R$33.600,00 — doc. 02; 2 — Salários pagos em atraso e creditados sem esta identificação: R$25.019,23 — doc. 03; 3 — Empréstimos: R$358.087,20 — doc. 04; 4— Reembolso de despesas: R$72.499,05, R$6.640,05 e R$9.274,99 — doc. 05; 5 — Reembolso de valores pagos em decorrência de fiança em contrato de locação: R$47.938,69 — doc. 06; Fl. 561DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 6 — Valores constantes das Declarações de Bens cujos montantes devem ser considerados para justificar os depósitos bancários nos mesmos montantes: R$197.470,60; 7— Apartamento na Rua Hermida Cerbino: R$67.500,00 (doc. 08) Acrescentou o impugnante que protocolou nas instituições financeiras especificadas correspondências solicitando a identificação de inúmeros depósitos, reservandose o direito de, nos termos do art. 16, § 4 °, letra 'a' do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, juntálos aos autos quando receber a resposta dos Bancos, juntamente com outros documentos da mesma natureza que venha a encontrar (doc. 09). — Desconsideração da margem legal de R$80.000,00 ao ano Sustentou o impugnante que a fiscalização deixou de considerar a dedução legal de R$80.000,00 ao ano, expressamente prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, tendo citado jurisprudência administrativa acerca do assunto. V — Da exigência de juros sobre multa Fazendo referência a julgados administrativos, argumentou o autuado que a exigência de juros sobre multa é totalmente ilegal e inconstitucional, não devendo prevalecer por falta de embasamento legal que a autorize. VI— Da imprestabilidade da taxa Selic como índice para efeitos de cômputo dos juros de mora O impugnante fez menção a normas do Código Tributário Nacional (CTN) e jurisprudência judicial para contestar a incidência de juros de mora com base na taxa Selic. VII— Arrolamento de bens O impugnante se manifestou contrariamente As regras pertinentes ao arrolamento de bens. VIII Conclusão Em suma, o impugnante ressaltou que restou demonstrado que o auto de infração não pode prevalecer na medida em que: a) é nulo relativamente ao ano 2000, porque lavrado com base em fiscalização instaurada a partir de dados obtidos por força da CPMF, contra expressa vedação legal; b) deveria a fiscalização ter abatido dos depósitos apurados os ingressos e as disponibilidades financeiras informadas a titulo de dinheiro em espécie, poupança, CDB e outras rubricas semelhantes, já constantes das Declarações de Rendimentos, além dos valores relativos a transferência entre contas e a dedução legal de R$80.000,00; c) além disso, ajuntada ora realizada de documentos comprobat6rios da origem de recursos que justificam os depósitos bancários assinalados evidencia que, a prevalecer o auto de infração, estarão sendo tributados valores que não consubstanciam efetiva omissão de receita; d) finalmente, jamais seriam devidos juros de mora calculados com base na taxa Selic, nem sobre multas por falta de amparo legal. Pede e espera o impugnante que seja acolhida a presente impugnação, a fim de que seja julgado totalmente insubsistente o auto de infração lavrado. Reitera ainda que todas as intimações referentes ao presente feito sejam dirigidas ao advogado por ele nomeado. À fl. 357, o impugnante fez uma relação dos documentos apresentados, anexados As fls. 358/412. Fl. 562DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 442 5 De acordo com o despacho da fl. 418, o processo foi encaminhado A DRJ/BHE/MG, tendo em vista o disposto na Portaria RFB n° 167, de 29/01/2008. Posteriormente, foi editada a Portaria DRJ/BHE n° 9, de 06/04/2009, designando a 2a Turma para o julgamento do processo. Ao apreciar o litígio, o Órgão julgador de primeiro grau manifestouse nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2001 UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF De acordo com a legislação vigente, ficou facultada à autoridade fiscal a utilização de informações prestadas atinentes à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF para instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003 OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Caracterizam omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa fisica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS DE VALOR INDIVIDUAL IGUAL OU INFERIOR A R$12.000,00 Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos, no caso de pessoa fisica, devem ser considerados todos os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, quando seu somatório, dentro do anocalendário, ultrapassar o valor de R$80.000,00. DEPÓSITOS COMPROVADOS Devem ser excluídos do lançamento os valores correspondentes a transferências entre contas do mesmo titular, ficando afastada ainda a presunção legal de omissão de rendimentos, nos casos em que a documentação ateste que os recursos depositados são provenientes dos rendimentos tributáveis, isentos ou de tributação exclusiva auferidos durante o anocalendário, ou oriundos do patrimônio declarado pelo contribuinte. JUROS DE MORA TAXA SELIC Fl. 563DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 legitima a exigência de juros de mora calculados com base em percentual equivalente à taxa Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, incidente sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, alcançando o principal e a multa lançados de oficio. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Em seu apelo ao CARF, às fls. 452/492, o contribuinte analisa e discute os termos da decisão recorrida e reitera as mesmas questões suscitadas perante o Órgão julgador a quo, na parte que lhe foi desfavorável. É o relatório. Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Do exame das pelas processuais, verificase que a decisão de primeiro grau não merece qualquer reparo. Inicialmente, rejeito a preliminar de nulidade do Auto de Infração, relativamente ao ano de 2000, tendo em vista que estava em pleno vigor a redação original da Lei n° 9.311/96, que em seu art. 11, § 3°, vedava expressamente a utilização de dados obtidos por força da CPMF para lavratura de autos de infração. Esta questão já foi muito debatida neste CARF e a jurisprudência mansa e pacífica que se firmou deu azo à edição da Súmula CARF nº 35, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 35: O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei nº 10.174/2001, que autoriza o uso de informações da CPMF para a constituição do crédito tributário de outros tributos, aplicase retroativamente. De fato, a Lei n° 10.174, de 9 de janeiro de 2001, que alterou a redação do art. 11 da Lei n° 9.311, de 24 de outubro de 1996, facultou a utilização de informações prestadas atinentes à Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, para instauração de procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições. No entanto, quanto aos aspectos meramente formais ou procedimentais, segundo o § 1° do mesmo artigo 144 do CTN, aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente a ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. Acrescentese que no Recurso Extraordinário 61.314/SP, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral tanto da questão do fornecimento de informações sobre movimentação bancária do contribuinte, pelas instituições financeiras, diretamente ao Fisco, sem prévia autorização judicial quanto a da possibilidade de aplicação da Lei nº 10.174, de 2001, para a apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua Fl. 564DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 443 7 vigência. No entanto, não determinou o sobrestamento dos recursos extraordinários versando sobre os mesmos temas, até que seja proferida decisão nos termos do artigo 543B do Código de Processo Civil (Lei nº 5.869, de 1973), condição exigida no § 1º do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para que fiquem sobrestados os recursos que tratem de temas idênticos neste âmbito administrativo. No mérito, a tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/97, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: Art.42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).(Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5º Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). Fl. 565DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 8 § 6º Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002). O fato gerador do imposto de renda é sempre a renda auferida. Os depósitos bancários (entrada de recursos), por si só, não se constituem em rendimentos. Daí por que não se confunde com a tributação da CPMF, que incide sobre a mera movimentação financeira, pela saída de recursos da conta bancária do titular. Por força do artigo 42 da Lei n° 9.430, de 1996, o depósito bancário foi apontado como fato presuntivo da omissão de rendimentos, desde que a pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados na operação. Alfredo Augusto Becker1, alicerçado na doutrina francesa e espanhola, ao distinguir presunção legal e ficção legal, assim escreveu: Existe uma diferença radical entre a presunção legal e a ficção legal. ‘A presunção tem por ponto de partida a verdade de um fato: de um fato conhecido se infere outro desconhecido. A ficção, todavia, nasce de uma falsidade. Na ficção, a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente (ou com toda a certeza) falso. Na presunção a lei estabelece como verdadeiro um fato que é provavelmente verdadeiro. A verdade jurídica imposta pela lei, quando se baseia numa provável (ou certa) falsidade é ficção, quando se fundamenta numa provável veracidade é presunção legal`. A regra jurídica cria uma presunção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é certa, impõese a certeza jurídica da existência do fato desconhecido cuja existência é provável em virtude da correlação natural de existência entre estes dois fatos. A regra jurídica cria uma ficção legal quando, baseandose no fato conhecido cuja existência é improvável (ou falsa) porque falta correlação natural de existência entre os dois fatos. Para Pontes de Miranda2, presunções são fatos que podem ser verdadeiros ou falsos, mas o legislador os têm como verdadeiros e divide as presunções em iuris et de iure (absolutas) e iuris tantum (relativas). As presunções absolutas, na lição deste autor, são irrefragáveis, nenhuma prova contrária se admite; quando, em vez disso, a presunção for iuris tantum, cabe a prova em contrário. Conforme destacado anteriormente, na presunção o legislador apanha um fato conhecido, no caso o depósito bancário e, deste dado, mediante raciocínio lógico, chega a um fato desconhecido que é a obtenção de rendimentos. A obtenção de renda presumida a partir de depósito bancário é um fato que pode ser verdadeiro ou falso, mas o legislador o tem como verdadeiro, cabendo à parte que tem contra si presunção legal fazer prova em contrário. Neste 1 BECKER, Alfredo Augusto, Teoria Geral do Direito Tributário, 3ª. ed. – São Paulo: Lejus, 1998, pág. 509. Ed. Lejus 2 MIRANDA, Pontes, Comentários ao Código de Processo Civil, vol. IV, pág. 234, Ed. Forense, 1974. Fl. 566DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 444 9 sentido, não se pode ignorar que a lei, estabelecendo uma presunção legal de omissão de rendimentos, autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. Em síntese, a lei considera que os depósitos bancários, de origem não comprovada, analisados individualizadamente, caracterizam omissão de rendimentos. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. A caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um depósito bancário, considerado isoladamente. Pelo contrário, a presunção de omissão de rendimentos está ligada à falta de esclarecimentos da origem dos recursos depositados em contas bancárias, com a análise individualizada dos créditos, conforme expressamente previsto na lei. Portanto, claro está que o fato gerador do imposto de renda, no caso, não está vinculado ao crédito efetuado na conta bancária, pois, se o crédito tiver por origem transferência de outra conta do mesmo titular, ou a alienação de bens do patrimônio do contribuinte, ou a assunção de exigibilidade, como dito anteriormente, não cabe falar em rendimentos ou ganhos, justamente porque o patrimônio da pessoa não terá sofrido qualquer alteração quantitativa. O fato gerador é a circunstância de tratarse de dinheiro novo no seu patrimônio, assim presumido pela lei em face da ausência de esclarecimentos da origem respectiva. Quanto à tese de ausência de evolução patrimonial ou consumo capaz de justificar o fato gerador do imposto de renda, é verdade que este imposto, conforme prevê o artigo 43 do CTN, tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica, isto é, de riqueza nova. Entretanto, o legislador ordinário presumiu que há aquisição de riqueza nova nos casos de movimentação financeira em que o contribuinte não demonstre a origem dos recursos. A atuação da administração tributária é vinculada à lei (artigo 142 do CTN), sendo vedado ao fisco declarar a inconstitucionalidade de lei devidamente aprovada pelo Congresso Nacional e sancionada pelo presidente da República. Neste diapasão, o Primeiro Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula n° 02 consolidando sua jurisprudência no sentido de que o Órgão “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” A partir da vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, os depósitos bancários deixaram de ser “modalidade de arbitramento” — que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio a descoberto e sinais exteriores de riqueza), conforme interpretação consagrada pelo poder judiciário (súmula TFR 182), pelo Primeiro Conselho de Contribuintes, e artigo 9º, inciso VII, do DecretoLei nº 2.471/88 (que determinava o cancelamento dos lançamentos do imposto de renda arbitrado com base exclusivamente em valores de extratos ou de comprovantes de depósitos bancários) — para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Nacional. A fim de consolidar o entendimento deste CARF sobre a matéria foi editada a Súmula de nº 26, com a seguinte redação: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancário sem origem comprovada. Fl. 567DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 10 Durante o procedimento de fiscalização o contribuinte foi devidamente intimado a comprovar a origem dos créditos bancários (fls. 261/270), mediante apresentação de documento hábil e idôneo, cumprindo requisito fundamental estabelecido pelo artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, para que a presunção legal utilizada no lançamento em exame possa ser validamente aplicada. Tendo em vista a falta de apresentação de resposta à referida intimação, foi lavrado o Termo de Verificação Fiscal e o Auto de Infração de fls. 271/294. No julgamento de primeira instância os argumentos e documentos apresentados pelo contribuinte foram minuciosamente analisados, sendo excluídos todos os depósitos decorrentes de transferência entre contas do mesmo titular. As demais questões decididas no voto condutor da decisão recorrida estão em consonância com reiteradas manifestações deste Colegiado. Com efeito, não se desconhece a regra do art. 42, § 3 °, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996. Para efeito de determinação dos rendimentos omitidos na situação em causa, devem ser considerados todos os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00, uma vez que seu somatório, dentro do anocalendário, ultrapassou o valor de R$80.000,00, conforme listagem dos depósitos bancários sem origem comprovada indicada no Termo de Verificação Fiscal, às fls. 272/285. Em relação aos elementos de prova apresentados pelo contribuinte, em sede de impugnação, o voto condutor da decisão recorrida foi bastante claro e objetivo em indicar quais os documentos que seriam hábeis e idôneos para cada situação trazida pela defesa para comprovar a origem dos depósitos bancários. De fato, para o recebimento de salários em atraso e creditados em conta bancária sem esta identificação a declaração prestada pela Associação de Ensino Superior de Nova Iguaçu (fl. 361) sequer individualiza os valores, as datas e a conta da instituição bancária de titularidade do autuado que recebeu o crédito. A relação contendo os supostos salários em atraso consta do demonstrativo de fl. 362, elaborada pelo próprio contribuinte, que se encontra sem qualquer assinatura ou rubrica e segue o mesmo padrão das demais planilhas apresentadas que acompanham demais declarações anexadas (fls. 360, 364/366, 378/379, 385, 388 e 399). O documento hábil e idôneo para tal comprovação é o contracheque. No que tange aos empréstimos, segundo o contribuinte, foram identificados inúmeros valores de empréstimos de curto prazo "tomados de e/ou concedidos" a seu cunhado, Luis Felipe Raunheitti, nos anos de 2000, 2001 e 2002. Foi apresentada declaração prestada por Luis Felipe (fl. 363) e elaborado demonstrativo dos supostos empréstimos (fls. 364/366). Anexou ainda cópia de documentação relativa a empréstimos obtidos diretamente em instituições financeiras (fls. 368/373). Objetivamente, a declaração prestada pelo cunhado do interessado, segundo a qual teria tomado ou concedido empréstimos ao autuado, é insuficiente para comprovar a origem dos depósitos no montante de R$358.087,20 relacionados pelo impugnante as fls. 364/366, na medida em que não foi anexada nenhuma documentação que ateste a efetiva transferência dos recursos do suposto supridor para o impugnante, nas datas e valores consignados nos extratos bancários, lembrando que essa comprovação deve ser feita de forma individualizada, a teor das disposições do art. 42, § 3° da Lei n° 9.430, de 1996. Notese ainda que as declarações de ajuste do autuado pertinentes aos períodos fiscalizados (fls. 05/14) sequer sinalizam a existência desses empréstimos, seja como tomador (no quadro Divida ou Ônus Reais) ou como emprestador (direito de crédito na Fl. 568DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 445 11 Declaração de Bens e Direitos), relativamente a eventuais saldos a pagar ou a receber nessas supostas operações de mútuo, nas quais o autuado figuraria ora como tomador ora como emprestador. Por outro lado, a documentação pertinente a empréstimos obtidos em instituições financeiras não fazem prova da existência dos alegados empréstimos particulares, lembrando que as importâncias correspondentes aos documentos de fls. 368/373 não compuseram o levantamento fiscal como depósitos de origem não comprovada, a teor dos registros feitos na Tabela n° 1 no TVF. Sobre o reembolso de despesas efetuado por empresas das quais participava do quadro societário, em razão de dificuldades financeiras por elas enfrentadas, conforme bem assentado na decisão recorrida, o contribuinte apresentou declaração do Centro de Diagnóstico de Nova Iguaçu Ltda, acompanhada de documento denominado "classificação contábil" contendo o carimbo do CNPJ da empresa (fls. 374/377), seguida da relação dos supostos desembolsos de despesas (fls. 378/379). Também foi anexado documento contábil com carimbo da empresa Global Assistência Médica S/C (fls. 380/384) e a relação correspondente aos supostos desembolsos de despesas (fl. 385). Entretanto, não foi apresentado nenhum documento que ateste o pagamento de despesas das empresas, efetuado pelo contribuinte, nos valores correspondentes aos supostos reembolsos representados pelos depósitos indicados nos demonstrativos elaborados pelo impugnante as fls. 374/377 e 385. A defesa deveria ter juntado aos autos não meros documentos de "classificação contábil", mas a contabilidade propriamente dita, com os registros contábeis das supostas despesas pagas, do débito para com o autuado e do posterior reembolso, além dos documentos pertinentes as operações contabilizadas, a fim de atestar a identidade entre os valores dessas despesas e dos depósitos (reembolsos) efetuados posteriormente. O recorrente também alega que arcou com pagamentos de aluguel, multa e outras despesas no valor de R$47.938,69, no período de 2000, 2001 e 2002, por ter figurado como fiador em contrato de locação. Foi anexada declaração da imobiliária relatando que recebeu diversos pagamentos em cheques emitidos pelo autuado para quitação de aluguéis e condomínios, no período de 2001 e 2002, declaração do irmão do locatário (já falecido) afirmando ter conhecimento do pagamento da divida, planilha elaborada pelo impugnante dos depósitos identificados como reembolso dos pagamentos, além do contrato de locação (fls. 385/394). Contudo, as declarações apresentadas contém relato genérico acerca dos valores recebidos pela imobiliária e dos pagamentos do afiançado, não havendo objetivamente nenhum documento que ateste quanto foi pago pelo autuado em decorrência da fiança prestada (recibos emitidos pela imobiliária ou proprietário), a fim de possibilitar o confronto dos valores pertinentes com os recebimentos representados pelos depósitos indicados no demonstrativo elaborado pelo próprio contribuinte, à fl. 388. O contribuinte apresentou uma relação de bens baixados de suas declarações nos respectivos anoscalendário, tendo salientado que os valores em dinheiro zerados em 2001 e 2002 e os valores dos bens zerados em 2000, transformados em dinheiro, deveriam ser considerados para efeito de justificar os depósitos bancários. O entendimento deste Colegiado sobre tal questão é que é desnecessária a escrituração contábil para a pessoa física comprovar os fatos informados em sua DIRPF, e que não é a mera indicação de registros feitos na declaração de ajuste anual que automaticamente irá justificar a origem de depósitos bancários, desacompanhada da documentação comprobatória hábil e idônea, com a respectiva indicação do depósito bancário relacionado à transação. Nos termos do artigo 42 da Lei nº 9.430, de Fl. 569DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 12 1996, a fiscalização deve elaborar demonstrativo dos créditos de forma individualizada, com data, valores e histórico, e a comprovação da origem dos créditos também deve ser feita de forma individualizada pelo contribuinte, diferentemente do que ocorre com a apuração de acréscimo patrimonial a descoberto, que não necessita dessa vinculação. Embora desobrigada de escrituração, a pessoa fisica não está dispensada de manter em boa ordem e guarda os documentos que deram suporte à elaboração da DIRPF. A venda de um carro, por exemplo, pode não transitar pela conta bancária do vendedor, se o veículo foi dado como parte do pagamento do veículo novo, como é usual. Da mesma forma, rendimentos informados na DIRPF não podem automaticamente ser excluídos da base de cálculo do lançamento, pois o contribuinte deve indicar a quais depósitos bancários os rendimentos estão relacionados. É preciso, realmente, estabelecer a ligação da operação com o respectivo depósito bancário. Em relação à alienação de veiculo e imóvel, o próprio impugnante reconheceu a insuficiência de comprovação, ao registrar que não lograra localizar os documentos pertinentes às vendas realizadas. Sobre a venda do apartamento da rua Hermida Cerbino, o contribuinte alega ter recebido em conta bancária nos anos de 2000, 2001 e 2002, respectivamente, R$15.000,00 R$17.500,00 e R$25.190,00. Foi anexada declaração firmada pelo comprador (fl. 398), na qual consta que houve o pagamento de 48 parcelas de R$2.500,00, a partir do ano de 2000. O impugnante anexou a relação dos depósitos à fl. 399, identificando valores nos anos de 2000, 2001 e 2002, totalizando a importância de R$57.690,00, e a Escritura Pública de fls. 400/403. Nesta situação específica, A análise realizada no julgamento de primeiro instância, à fl. 436, tem suporte no principal elemento de prova relacionada a esta questão, que é a Escritura Pública de fls. 400/403, e já considerou na redução de R$12.500,00 da base de calculo do lançamento em exame, razão pela qual não merece qualquer reparo. No que tange à cobrança dos juros de mora com base na taxa SELIC, nunca é demais enfatizar que a assunto não comporta mais discussão no âmbito deste o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, que após inúmeros debates a respeito de sua legalidade e constitucionalidade, com suporte em mansa e pacífica jurisprudência, editou a Súmula nº 4 (antigas Súmulas nos 4 do 1º e 3º Conselhos de Contribuinte e 3 do 2º Conselho de Contribuinte), que possui o seguinte conteúdo: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. A incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada no auto de infração, decorre da norma veiculada através do art. 161 do CTN, o qual tem o seguinte texto: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Fl. 570DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 446 13 § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Sobre a matéria, o i. Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, em estudo primoroso, faz as seguintes considerações no Acórdão nº 10423.441, sessão de 10 de setembro de 2008, com as quais concordo e transcrevo: “A indagação a ser respondida é se a multa de ofício integra ou não o “crédito” a que se refere o caput do artigo. A resposta encontrase no próprio CTN, em diversos dispositivos, mas em especial nos artigos 113 e 139 que, combinadamente, definem o que integra o crédito tributário. O primeiro versa sobre a obrigação tributária e incorpora, no que chama de obrigação principal, o pagamento do tributo e penalidade pecuniária, senão vejamos: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (...) O art. 139, por sua vez, afirma que “O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta.” Ora, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Isso não quer dizer em absoluto que o CTN equipare penalidade pecuniária a tributo, que não tem natureza de sanção. Nesse mesmo sentido, no art. 142, que define o procedimento de lançamento, por meio do qual se constitui o crédito tributário, o legislador não esqueceu de mencionar a imposição da penalidade. Da mesma forma, o art. 175, II, ao se referir à anistia como forma de exclusão do crédito tributário, afasta qualquer dúvida que ainda pudesse remanescer sobre a inclusão da penalidade pecuniária no crédito tributário, pois não seria lícito atribuir ao legislador ter dedicado um inciso especificamente para tratar da exclusão do crédito tributário de algo que nele não está contido. Poderseia argumentar em sentido contrário dizendo que, mesmo estando a penalidade pecuniária contida no crédito tributário, ao se referir a “crédito” no artigo 161, o Código não estaria se referindo ao crédito tributário, mas apenas ao tributo. Questionase, por exemplo, o fato de a parte final do caput do artigo fazer referência à imposição de penalidade e, portanto, se os juros seriam devidos, sem prejuízo da aplicação de penalidades, estas não poderiam estar sujeitas aos mesmos juros. Inicialmente, conforme a advertência de Carlos Maximiliano, não vejo como, num artigo de lei, em um capítulo que versa sobre a extinção do crédito tributário e numa seção que trata do pagamento, forma de extinção do crédito tributário, a expressão “o crédito não integralmente pago” possa ser interpretado em acepção outra que não a técnica, de crédito tributário. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 14 Sobre a alegada contradição entre a parte inicial e a parte final do dispositivo que essa interpretação ensejaria, penso que tal imperfeição, de fato existe. Mas se trata aqui de situação como a que me referi nas considerações iniciais, em que as limitações da linguagem ou mesmo as imperfeições técnicas que o processo legislativo está sujeito produzem textos imprecisos, às vezes obscuros ou contraditórios, mas que tais ocorrências não permitem concluir que a melhor interpretação do texto é aquela que harmoniza a própria estrutura gramatical do texto, e não aquela que melhor harmoniza esse dispositivo com os demais que integram o diploma legal. É interessante notar que em outro artigo do mesmo CTN o legislador incorreu na mesma aparente contradição ao se referir conjuntamente a crédito tributário e a penalidade. Refirome ao art. 157, segundo o qual “A imposição de penalidade não ilide o pagamento integral do crédito tributário”. Uma interpretação apressada poderia levar à conclusão de que a penalidade não é parte do crédito tributário, pois a sua imposição não poderia excluir o pagamento dela mesma. Porém, essa inconsistência gramatical não impediu que a doutrina, de forma uníssona, embora a remarcando, mas não por causa dela, extraísse desse texto a prescrição de que a penalidade não é substitutiva do próprio tributo, estremando nesse ponto o Direito Tributário de certas normas do Direito Civil em que a penalidade é substitutiva da obrigação; de que o fato de se aplicar uma penalidade pelo não pagamento do tributo, por exemplo, não dispensa o infrator do pagamento do próprio tributo. Esse é o entendimento manifestado por Luciano Amaro, que não se desapercebeu dessa incoerência gramatical do texto. Vejase: A circunstância de o sujeito passivo sofrer imposição de penalidade (por descumprimento de obrigação acessória, ou por falta de recolhimento de tributo) não dispensa o pagamento integral do tributo devido, vale dizer, a penalidade é punitiva da infração à lei; ela não substitui o tributo, acrescese a ele, quando seja o caso. O art. 157 diz que a penalidade não ilide o pagamento integral “do crédito tributário”, mas como, na conceituação dos arts. 113, § 1º, e 142, a obrigação e o crédito tributário englobariam a penalidade pecuniária, o que o Código teria que ter dito, se tivesse a preocupação de manter sua coerência interna, é que a penalidade não ilide o pagamento integral “do tributo”, pois não haveria sequer possibilidade lógica de uma penalidade excluir o pagamento de quantia correspondente a ela mesma.(Amaro, Luciano – Direito Tributário Brasileiro, 10ª ed., Atual – São Paul, pág. 379). Não é preciso grande esforço de interpretação, portanto, para se concluir que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação que harmoniza os diversos dispositivos do CTN, ao contrário da tese oposta. Acrescentese, supletivamente, que, como se verá com detalhes mais adiante, a legislação ordinária de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de ofício, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. Concluo, assim, no sentido de que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre a multa de ofício. Porém, conforme disposto no seu parágrafo primeiro, esses deverão ser calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso, o que introduz a segunda questão: a da existência ou não de lei prevendo a incidência de juros sobre a multa de ofício com base na taxa Selic. A legislação que trata dos juros de mora no pagamento de crédito tributário com atraso passou, nas últimas décadas, por várias mudanças, em grande parte provocadas pela instituição e posterior extinção da correção monetária na apuração e cobrança do crédito Fl. 572DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 447 15 tributário, mormente no processo de extinção. Releva, portanto, fazer um breve histórico dessa evolução, iniciando a partir do DecretoLei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979, que disciplinou a matéria nos seguintes termos: Art 1º O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. Parágrafo único. A multa de mora será 30% (trinta por cento), reduzindose para 15% (quinze por cento) se o débito for pago até o último dia útil do mês calendário subseqüente ao do seu vencimento. Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978. Art 4º A correção monetária continuará a ser aplicada nos termos do artigo 5º do Decretolei nº 1.704, de 23 de outubro de 1979, ressalvado o disposto no parágrafo único do artigo 2º deste Decretolei. Art 5º A correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial. Art 6º Para os fins dos artigos 1º e 2º do Decretolei nº 1.687, de 18 de julho de 1979, tomarseá o valor de que trata o artigo 1º do Decretolei nº 1.699, de 16 de outubro de 1979. Como se percebe, havia previsão de incidência de multa de mora e de juros de mora, estes à razão de 1% ao mês, sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, calculados sobre o valor originário do débito, que incluía a multa de ofício, conforme se depreende do exame do artigo terceiro. Registrese, ainda, que sobre esses débitos incidia também correção monetária, instituída desde 1964, pela Lei nº 4.357, de 1964. É interessante notar, inclusive, que o parágrafo único do art. 2º excluía, expressamente, a possibilidade de incidência dos juros sobre a multa de mora, o que seria desnecessário já que o art. 3º, ao se referir às parcelas dos débitos que não integram a base de cálculo dos juros se referia à multa de mora. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 16 Várias outras normas foram editadas após esta versando a mesma matéria. O Decretolei nº 2.323, de 26 de fevereiro, de 1987, manteve a incidência dos juros sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e, portanto, também sobre a multa de ofício, com o acréscimo de que o encargo passou a incidir sobre o débito atualizado monetariamente, a saber: Art. 16. Os débitos, de qualquer natureza, para com a Fazenda Nacional e para com o Fundo de Participação PISPASEP, serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do mês seguinte ao do vencimento, à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário ou fração e calculados sobre o valor monetariamente atualizado na forma deste decretolei. Parágrafo único. Os juros de mora não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo anterior. Na seqüência, veio a Lei nº 7.738, de 09 de março, de 1989 que inovou ao restringir a aplicação dos juros de mora aos “tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda”, atualizados monetariamente, retirando, assim, da sua base de cálculo as penalidades pecuniárias. Confirase: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. § 1º A multa de mora será reduzida a quinze por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que deveria ter sido pago. § 2º O encargo de que trata o art. 1º do DecretoLei nº 1.025, de 21 de outubro e 1969, será calculado sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. A Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989 tratou da questão e manteve a incidência de juros sobre os tributos e contribuições corrigidos monetariamente, tendo remetido sua aplicação à legislação pertinente, a saber: Art. 74. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele em que deveria ter sido pago. Pouco tempo depois foi editada a Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, que novamente passou a prever a incidência dos juros de mora sobre os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, não mais à razão de 1% ao mês, mas com base na TRD, confirase: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: Fl. 574DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 448 17 I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e II multa de mora aplicada de acordo com a seguinte Tabela: (...) O art. 3º da Lei nº 8.218, de 1991, contudo, teve vida curta, aplicandose apenas no período de julho a dezembro de 1991, pois sobreveio a Lei nº 8.383, de 1991 que regulou a matéria, com vigência a partir 1º de janeiro de 1992. A nova lei previu a incidência de juros, agora à taxa de 1% ao mês, incidente sobre os tributos ou contribuições, corrigidos monetariamente, verbis: Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. § 1° A multa de mora será reduzida a dez por cento, quando o débito for pago até o último dia útil do mês subseqüente ao do vencimento. § 2° A multa incidirá a partir do primeiro dia após o vencimento do débito; os juros, a partir do primeiro dia do mês subseqüente. Veio então a Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, que deu início a um processo que culminaria com a eliminação da correção monetária dos débitos tributários ao determinar a apuração dos impostos e contribuições, a partir de 1º de janeiro de 1995, em Reais e não mais em Ufir, e alterou normas relativas aos juros de mora e à multa de mora com vistas a adaptar a legislação a essa nova realidade, a saber: Art. 5º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores ocorrerem até 31 de dezembro de 1994, inclusive os que foram objeto de parcelamento, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para Real com base no valor desta fixado para o trimestre do pagamento. Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica também às contribuições sociais arrecadadas pelo Instituto Nacional de Seguro Social (INSS), relativas a períodos de competência anteriores a 1º de janeiro de 1995. Art. 6º Os tributos e contribuições sociais, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, serão apurados em Reais. (...) Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: Fl. 575DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 18 I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; II multa de mora aplicada da seguinte forma: a) dez por cento, se o pagamento se verificar no próprio mês do vencimento; b) vinte por cento, quando o pagamento ocorrer no mês seguinte ao do vencimento; c) trinta por cento, quando o pagamento for efetuado a partir do segundo mês subseqüente ao do vencimento. § 1º Os juros de mora incidirão a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao do vencimento, e a multa de mora, a partir do primeiro dia após o vencimento do débito. § 2º O percentual dos juros de mora relativos ao mês em que o pagamento estiver sendo efetuado será de 1%. § 3º Em nenhuma hipótese os juros de mora previstos no inciso I, deste artigo, poderão ser inferiores à taxa de juros estabelecida no art. 161, § 1º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, no art. 59 da Lei nº 8.383, de 1991, e no art. 3º da Lei nº 8.620, de 5 de janeiro de 1993. § 4º Os juros de mora de que trata o inciso I, deste artigo, serão aplicados também às contribuições sociais arrecadadas pelo INSS e aos débitos para com o patrimônio imobiliário, quando não recolhidos nos prazos previstos na legislação específica. § 5º Em relação aos débitos referidos no art. 5º desta lei incidirão, a partir de 1º de janeiro de 1995, juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração. § 6º O disposto no § 2º aplicase, inclusive, às hipóteses de pagamento parcelado de tributos e contribuições sociais, previstos nesta lei. § 7º A Secretaria do Tesouro Nacional divulgará mensalmente a taxa a que se refere o inciso I deste artigo. § 8o O disposto neste artigo aplicase aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. (Incluído pela Lei nº 10.522, de 19.7.2002) Uma primeira e importante mudança introduzida pela Lei nº 8.981, de 1995 é a de que, com a apuração dos tributos e contribuições em Reais, a partir de 1º de janeiro de 1995, os débitos tributários deixaram de ser corrigidos monetariamente. Ao mesmo tempo, a Lei cuidou para que, sobre esses débitos, passasse a incidir juros calculados, inicialmente, com base na taxa de captação pelo Tesouro Nacional da Dívida Mobiliária Federal e, logo em seguida, com base na Selic. Os débitos em geral relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994, contudo, continuaram sendo apurados e cobrados em Ufir, e convertidos para Reais apenas quando do pagamento, com base na Ufir vigente no trimestre em que este ocorresse. A partir de 1995, portanto, iniciouse o processo de transição de um sistema com correção monetária dos débitos Fl. 576DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 449 19 fiscais para um sistema sem correção monetária, no qual conviviam débitos apurados em Ufir, portanto, sujeitos a correção monetária e juros de 1% ao mês, inclusive sobre a multa de ofício, e débitos apurados em Reais, portanto, sem correção monetária, sujeitos a juros calculados com base na taxa Selic. Pelo texto do artigo 8ª da lei, contudo, os juros com base na taxa Selic seriam aplicados apenas sobre os tributos e contribuições arrecadados pela Secretaria da Receita Federal (caput), as contribuições arrecadadas pelo INSS e os débitos para com o patrimônio imobiliário. Logo em seguida à edição da Lei nº 8.981, de 1985, porém, a Medida Provisória nº 1.110 de 30 de agosto de 1995, a qual, depois de muitas reedições, com várias alterações e acréscimos, foi convertida na Lei nº 10.522, de 2002, acrescentou ao art. 84 da lei o parágrafo oitavo, já incluído no texto transcrito acima, o qual ampliou a aplicação do disposto no artigo “aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional.” Como já referido, a lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, definiu que os juros a que se refere o art. 84, I da Lei 8.981, de 1995, e em outros dispositivos legais, passariam a ser calculados com base na taxa Selic, conforme seu artigo 13, verbis: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Quando da edição da Lei nº 9.430, de 1996, portanto, estava em vigor a regra contida na Lei nº 8.981, conforme acima apresentado, e que, sem considerar, por enquanto, o seu parágrafo oitavo, não previa a incidência de juros sobre a multa. Sobreveio então a Lei nº 9.430, de 1996, objeto da controvérsia, que disciplinou a matéria nos artigos 43, parágrafo único e 61, a seguir reproduzidos: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto Fl. 577DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 20 para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Art. 62. Os juros a que se referem o inciso III do art. 14 e o art. 16, ambos da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, serão calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao previsto para a entrega tempestiva da declaração de rendimentos. Parágrafo único. As quotas do imposto sobre a propriedade territorial rural a que se refere a alínea "c" do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, serão acrescidas de juros calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente àquele em que o contribuinte for notificado até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Que a lei prevê a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício exigida isoladamente não se discute, dada a clareza cristalina do texto do artigo 43. A controvérsia é sobre a previsão legal de incidência dos juros sobre a multa exigida conjuntamente com o tributo e gira em torno do sentido e alcance da sentença “Débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. É interessante notar que toda a legislação anterior que versou essa matéria referiuse a débitos de qualquer natureza ou a tributos e contribuições, quando quis fazer incidir os juros sobres os débitos em geral, inclusive multa de ofício, ou apenas sobre os tributos e contribuições, exclusive a multa de ofício. O art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, por seu turno, adotou formato distinto ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, o que acabou suscitando a polêmica da qual nos ocupamos neste momento. Sobre o mérito da questão, insta registrar, como início de discussão, que o verbete decorrente é desses que comportam diferentes significações, tais como advindo, originado, derivado, resultado, nascido, procedente, como se colhe dos dicionários e, portanto, a expressão débitos decorrentes de tributos e contribuições, do ponto de vista gramatical e etimológico, tanto poderia se referir aos próprios débitos do tributo ou contribuição como àqueles relacionados com eles, derivados deles, originado deles, como é o caso da multa pelo seu não pagamento, acepções nas quais, vale ressaltar, a legislação tributária já utilizou essa palavra em outros dispositivos, como demonstrarei mais adiante. Vejome forçado, portanto, a divergir frontalmente da ilustre Conselheira da Primeira Câmara deste Conselho de Contribuintes, Sandra Faroni, que goza de merecido prestígio neste Conselho, quando afirma que a expressão em comento não incluiria a multa de ofício, pois esta não decorreria dos tributos ou contribuições, mas do descumprimento do dever legal de pagá lo. (Ac. 10195469, de 26/04/2006 e Ac. 10195802, de 19/10/2006). Com a devida vênia, não vislumbro nenhuma base razoável para, diante de diferentes possibilidades semânticas de um vocábulo, assumirse apenas uma delas como ponto de partida da interpretação do texto de uma lei, quando essa acepção deveria ser o ponto de chegada. Fl. 578DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 450 21 Sustentam os que defendem a interpretação de que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 dirigese apenas aos tributos e contribuições; que, a se entender que a multa de ofício está contida no termo débitos decorrentes de tributos e contribuições, o dispositivo estaria prevendo a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Assim como quando da análise do art. 161 do CTN, aqui, da mesma forma, esse argumento está associado a um critério de interpretação do texto legal com base na leitura que melhor harmoniza, do ponto de vista gramatical, o próprio texto o que, como se viu, não é a melhor forma de se apreciar a questão. Verifico, contudo, que neste caso sequer existe a contradição na forma como apontada e que a interpretação proposta não a soluciona. De fato, ao prever que sobre os débitos incidirá multa de mora, entendendose que a multa de ofício integra o débito, a análise meramente gramatical do texto leva à conclusão de que o dispositivo prescreve a incidência da multa de mora sobre a multa de ofício. Superandose, entretanto, a mera leitura gramatical do texto e examinandoo como parte de um conjunto normativo mais amplo, verseá que tal conclusão não é possível, o que afasta a contradição. É que, como se sabe, a multa de mora e a multa de ofício se excluem mutuamente, de modo que uma não se aplica onde se aplica a outra. Assim, não haveria hipótese de que, quando da aplicação da multa de mora, na sua base esteja a multa de ofício. Esse fato não pode ser visualizado com a mera leitura isolada dos dispositivos, mas é facilmente percebido quando se examina conjuntamente os artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430, de 1996. O primeiro prescreve que, nos casos de lançamento de ofício, será aplicada multa de ofício de 75% ou 150%, conforme o caso, o que exclui a incidência, nas mesmas hipóteses, da multa de mora. Portanto, não há como se concluir que o art. 61, ao prever a aplicação da multa de mora no caso de pagamento de débitos decorrentes de tributos e contribuições, inclusive a multa de ofício, em atraso estaria determinando a incidência daquela sobre esta. Não é sem razão que os Regulamentos do Imposto de Renda de 1994 e o de 1999, para que não pairassem dúvidas sobre isso, dedicaram um dispositivo especificamente para esclarecer essa questão, senão vejamos. Decreto nº 1.041, de 11 de janeiro de 1994 RIR/94: Art. 985. O imposto que não for pago até a data do vencimento ficará sujeito à multa de mora de vinte por cento calculada sobre o valor do tributo atualizado monetariamente (Lei nº 8.383/91, art. 59). (...) § 3º A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício.(sublinhei) Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/99: Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei nº 9.430, de 1996, art. 61). (...) § 3ºA multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a Fl. 579DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 22 aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. (sublinhei) Portanto, não só não há possibilidade de incidência de multa de mora sobre a multa de ofício, como não há de incidência da multa de mora sobre os tributos e contribuições que serviram de base de cálculo para a multa de ofício, muito embora, neste último caso, o texto da lei, se examinado apenas no seu aspecto gramatical, diga o contrário. É dizer, o argumento de que o caput do artigo não inclui a multa de ofício porque se assim o fizesse haveria contradição com a parte final do mesmo artigo não é válido porque, como se vê, a exclusão da multa de ofício não resolveria essa contradição, pois, como vimos, a se interpretar o dispositivo pelo seu aspecto estritamente gramatical, seríamos forçados a concluir que a Lei nº 9.430, de 1996 prevê a dupla incidência da multa de ofício e da multa de mora sobre o mesmo débito. E nem se diga que o caput do artigo, ao se referir a tributos e contribuições, quis alcançar apenas os débitos que não serviram de base para a multa de ofício, pois essa afirmação levaria à conclusão de que o art. 61 da lei não prevê a incidência de juros sobre os tributos lançados de ofício com multa proporcional. Aliás, como pode ser facilmente verificado com o reexame dos textos legais reproduzidos nesta análise, todos os dispositivos legais que tratam da incidência da multa de mora teriam essa mesma impropriedade, mas isso nunca impediu que se os interpretasse corretamente entendendo que os juros incidem sobre os débitos lançados de ofício, o que se fez sempre superando as deficiências da linguagem com a apreciação científica e sistemática do texto. Sendo assim, se é legítimo concluir que os débitos de tributos e contribuições que serviram de base para o lançamento de ofício integram o caput do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e, portanto, sobre eles incide juros de mora, mesmo sabendo da impossibilidade de incidência de multa de mora sobre esses débitos, não há qualquer razão para não se admitir, sob o argumento da impropriedade gramatical, que a multa de ofício também integra o dispositivo e, portanto, que sobre ela incida juros de mora, pois as situações são absolutamente idênticas. É de se concluir, assim, que o que se tem neste caso é um exemplo claro de uma impropriedade gramatical, decorrência natural das limitações lingüísticas e da forma peculiar do processo legislativo, o que por si só desautoriza a pressa em se eleger como “correta” a interpretação que harmonize gramaticalmente o texto, o que, como se viu, neste caso, nem isso se consegue. É certo, contudo, que a simples demonstração da possibilidade de a multa de ofício integrar o caput do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não significa necessariamente que assim seja. É preciso um esforço adicional de análise para afirmar a incidência dos juros sobre a multa de ofício. Seguindo a recomendação de Carlos Maximiliano, procurei identificar o uso do termo decorrente em outras normas relativas a tributos e contribuições com a acepção de débitos derivados, relacionados com tributos e contribuições, e não tive dificuldade em encontrar. O próprio art. 5º da Lei nº 8.981, de 1995, já reproduzido acima, referese aos débitos decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, texto que foi reproduzido pelo artigo 29 da Lei nº 10.522, de 2002, introduzido pela Medida Provisória nº 1.542, de 18/12/1996 (e não MP nº 1.621 31, de 13 de janeiro de 1998, como referido em alguns votos). Confirase: Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 451 23 § 1o A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2o Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3o Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento. Ora, embora o dispositivo se refira a débitos decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, claramente quer se referir também à multa de ofício e a outros encargos incidentes sobre o valor do tributo ou, do contrário, seríamos forçados a concluir que essas penalidades não seriam convertidas para Reais quando do seu pagamento, nas hipóteses do art. 5º da Lei nº 8.981, de 1995, e os débitos não pagos ou parcelados não seriam convertidos para Reais em 1º de janeiro de 1997. Já o art. 30 da mesma Lei prevê a incidência de juros calculados com base na taxa Selic sobre os débitos referidos no art. 29. Ora, ou bem os débitos decorrentes de contribuições incluem as penalidades e há a incidência de juros sobre estas, ou bem não incluem e não haveria norma determinando a conversão para Reais dos débitos relativos a essas parcelas. Não tenho dúvidas, portanto, de que a primeira opção é a que melhor traduz o sentido e alcance da norma e, neste caso, se verifica situação semelhante à de que se cuida neste processo. É interessante notar, a propósito, que ambos os artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002, foram introduzidas no nosso ordenamento em dezembro de 1996, com poucos dias de diferença da aprovação da Lei nº 9.430, de 1996. Nessa mesma linha de raciocínio, a recente Lei nº 10.547, de 2007, que criou a Receita Federal do Brasil se refere a “dívida ativa decorrente de contribuições” no contexto em que, evidentemente, se referia à contribuição e seus acréscimos, inclusive multa, como nos §§ 1º e 2º do art. 16, verbis: Art. 16. A partir do 1o (primeiro) dia do 2o (segundo) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o débito original e seus acréscimos legais, além de outras multas previstas em lei, relativos às contribuições de que tratam os arts. 2o e 3o desta Lei, constituem dívida ativa da União. § 1o A partir do 1o (primeiro) dia do 13o (décimo terceiro) mês subseqüente ao da publicação desta Lei, o disposto no caput deste artigo se estende à dívida ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS e do Fundo Nacional de Desenvolvimento Fl. 581DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 24 da Educação FNDE decorrente das contribuições a que se referem os arts. 2o e 3o desta Lei. § 2o Aplicase à arrecadação da dívida ativa decorrente das contribuições de que trata o art. 2o desta Lei o disposto no § 1o daquele artigo. (sublinhei) Notese que o caput do artigo, ao se referir aos débitos que passam a ser Dívida Ativa da União DAU, menciona textualmente a contribuição e os acréscimos legais; já nos parágrafos, quando trata da transferência da dívida ativa do INSS e do FNDE, menciona apenas aquela decorrente das contribuições, o que, necessariamente, inclui todos os acréscimos ou, de outro modo, a lei estaria transferindo para a DAU apenas parte da dívida, o que não faz sentido. Situação semelhante se vê no § 2º, ao determinar este que a dívida ativa decorrente das contribuições referidas no artigo 2º da lei será destinada ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social. Enfim, como se pode ver, a palavra decorrente não apenas pode ser utilizada no sentido de derivar, estar relacionado a, advir de, como efetivamente foi utilizada com essa acepção em outras situações semelhantes a que se tem no art. 61, caput, da Lei nº 9.430, de 1996. Cabe analisar, por fim, o comando constante dos artigos 29 e 30 da Lei nº 10.522, de 2002, introduzidos pela MP 1.542, de 18 de dezembro de 1996. Esses dois artigos em conjunto prevêem a incidência de juros Selic sobre débitos de qualquer natureza cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, o que é invocado às vezes como argumento no sentido de que a lei limitou a incidência dos juros Selic sobre os débitos de qualquer natureza aos fatos geradores ocorrido até 1994. Tal conclusão, todavia, é fruto de uma análise meramente gramatical e isolada dos dispositivos, sem preocupação com a natureza da matéria que se pretende regular. É que os dois artigos claramente regularam uma situação pendente, decorrência desse processo de desindexação dos tributos, relacionada com a Lei nº 8.981, de 1995, em especial com o seu artigo 5º, transcritos acima. Relembrese que a Lei nº 8.981, de 1995 determinou que, a partir de 1º de janeiro de 1995, os tributos e contribuições seriam apurados em Reais (art. 6º), e não mais em Ufir, como até então. Mas os débitos relativos aos fatos geradores até 31 de dezembro de 1994, continuavam sendo apurados em Ufir e convertidos para Reais apenas quando do pagamento (art. 5º), e sobre esses incidiam juros de mora de 1% ao mês (art. 84, § 5º). O que a Medida Provisória nº 1.541, de 18 de dezembro de 1996 (convertida na Lei nº 10.522, de 2002) fez foi regular a situação dos débitos relativos a fatos geradores até 31/12/1994 que, por não terem sido pagos ou parcelados, continuavam sendo controlados e apurados em Ufir, ao mesmo tempo em que determinava que, a partir de 1º de janeiro de 1997, os débitos relativos a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994 seriam lançados em Reais. E determinou também que, a partir de 1º de janeiro de 1997, esses mesmos débitos, que antes eram atualizados monetariamente e acrescidos de juros de mora de 1% ao mês, e, a partir de 1º de janeiro de 1997 não mais sofreriam correção monetária, passariam a incidir juros de mora com base na taxa Selic. Portanto, não há como entender que os artigos 25 e 26 da Medida Provisória nº 1.541, de 1996, estivessem limitando a incidência de juros Selic aos débitos referentes a fatos geradores até 31/12/1994, mas apenas que eles regulavam uma situação específica desses débitos. Ao contrário, o fato de a lei determinar a incidência de juros Selic, a partir de janeiro de 1997, sobre os débitos de qualquer natureza, relacionados com fatos geradores até 31/12/1994, denota uma clara tendência de aplicação de juros Selic sobre os débitos em geral. Merece alguns comentários, também, o Parecer MF/SRF/COSIT/COOPE/SENOG nº 28, de 02/04/1998, que da interpretação do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 e da Medida Fl. 582DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 452 25 Provisória nº 1.621, convertida na Lei nº 10.522, de 2002, concluiu pela incidência, a partir de 1º de janeiro de 1997, de juros sobre a multa em relação aos créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram antes de 31/12/1994 e posteriores a 1º de janeiro de 1997, a saber: 3 (...) Assim, desde 01/01/1997, as multa de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, desde que estejam associados a: a) fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97; b) fatos geradores que tenham ocorrido até 31/12/1994, se não tiverem sido objeto de parcelamento até 31/08/1995. Esse parecer, como transparece claro de seu exame cuidadoso, limitase a interpretar o artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996, e os artigos 29 e 30 da Medida Provisória nº 1.621, e, ainda, o art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, para concluir que quanto aos débitos relativos a fatos geradores ocorridos nos anos de 1995 e 1996, somente havia previsão legal de incidência de juros de mora sobre o valor dos tributos e contribuições, e que em relação aos períodos anteriores e posteriores a estes, há previsão legal de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Verifico, entretanto, que o Parecer deixou de considerar o § 8º da Lei nº 8.981, de 1995, introduzido pela Medida Provisória nº 1.110, de 30 de agosto de 1995, a conhecida Medida Provisória do CADIN que, após várias e sucessivas reedições, com acréscimos e alterações, veio a ser convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e que estendeu o disposto no artigo 84 da Lei nº 8.981, de 1995 “aos demais créditos da Fazenda Nacional, cuja inscrição e cobrança como Dívida Ativa da União seja de competência da Procuradoria da Fazenda Nacional.” Ora, se o referido dispositivo previa a incidência de juros de mora apenas sobre os débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, às contribuições arrecadadas pelo INSS e para com o patrimônio da União, com o parágrafo 8º os juros passariam a incidir sobre todos os débitos mencionados no dispositivo que, por certo, incluem as multas de ofício, conforme se pode extrair da análise das normas que tratam da Dívida Ativa da União e de sua administração e cobrança, a saber: Lei nº 6.840, de 22 de setembro de 1980: Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. § 1º Qualquer valor, cuja cobrança seja atribuída por lei às entidades de que trata o artigo 1º, será considerado Dívida Ativa da Fazenda Pública. § 2º A Dívida Ativa da Fazenda Pública, compreendendo a tributária e a não tributária, abrange atualização monetária, juros e multa de mora e demais encargos previstos em lei ou contrato. Fl. 583DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 26 § 3º A inscrição, que se constitui no ato de controle administrativo da legalidade, será feita pelo órgão competente para apurar a liquidez e certeza do crédito e suspenderá a prescrição, para todos os efeitos de direito, por 180 dias, ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes de findo aquele prazo. § 4º A Dívida Ativa da União será apurada e inscrita na Procuradoria da Fazenda Nacional. Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964: Art. 39. Os créditos da Fazenda Pública, de natureza tributária ou não tributária, serão escriturados como receita do exercício em que forem arrecadados, nas respectivas rubricas orçamentárias. (Redação dada pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). § 1º Os créditos de que trata este artigo, exigíveis pelo transcurso do prazo para pagamento, serão inscritos, na forma da legislação própria, como Dívida Ativa, em registro próprio, após apurada a sua liquidez e certeza, e a respectiva receita será escriturada a esse título. (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). § 2º Dívida Ativa Tributária é o crédito da Fazenda Pública dessa natureza, proveniente de obrigação legal relativa a tributos e respectivos adicionais e multas, e Dívida Ativa não Tributária são os demais créditos da Fazenda Pública, tais como os provenientes de empréstimos compulsórios, contribuições estabelecidas em lei, multa de qualquer origem ou natureza, exceto as tributárias, foros, laudêmios, alugueis ou taxas de ocupação, custas processuais, preços de serviços prestados por estabelecimentos públicos, indenizações, reposições, restituições, alcances dos responsáveis definitivamente julgados, bem assim os créditos decorrentes de obrigações em moeda estrangeira, de subrogação de hipoteca, fiança, aval ou outra garantia, de contratos em geral ou de outras obrigações legais. (Parágrafo incluído pelo Decreto Lei nº 1.735, de 20.12.1979). Vale ressaltar que em todas as reedições posteriores da Medida Provisória em questão, inclusive após a Lei nº 9.430, de 1996, o mesmo dispositivo foi repetido, até ser finalmente convertida a Medida Provisória na Lei nº 10.522, de 2002 e o dispositivo em questão ter se transformado no artigo 17 dessa lei. Notese que, do ponto de vista gramatical, dizer que algo “aplicase aos demais créditos” não significa outra coisa senão que se aplica a todos os créditos sobre os quais não se aplicava antes, o que, no contexto que estamos tratando, significa que a os juros com base na taxa Selic incidiria sobre todos os créditos, inclusive os juros de mora. É claro, por tudo o que foi dito até aqui, que há sempre a possibilidade de que a leitura estritamente gramatical não seja suficiente para se extrair do texto da lei o seu conteúdo normativo; que apesar de as palavras denotarem um certo significado, o sentido da norma pode ser outro. Mas, para tanto, é preciso demonstrar, a exemplo do que procurei fazer ao longo de toda esta análise, que esse sentido que se pretende dar é o que melhor harmoniza o sistema de normas, apesar da leitura gramatical apontar noutra direção. De minha parte, considerando o contexto em que a norma foi editada, durante uma transição que se fazia do sistema com correção monetária para um sistema sem indexação, Fl. 584DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10735.002977/200543 Acórdão n.º 2101001.867 S2C1T1 Fl. 453 27 quando se verifica uma inequívoca tendência a se passar a aplicar juros Selic sobre os débitos em geral, não corrigidos monetariamente, não vislumbro como uma interpretação mais restritiva deva prevalecer. Diante disso, não vejo como se pretender uma interpretação do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 1996 que restrinja a incidência dos juros de mora aos tributos e contribuições relativos a fatos geradores a partir de 1997, atribuindo ao vocábulo decorrente a acepção mais restritiva, quando a mesma lei prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício exigida isoladamente, e na mesma época que editada a lei em questão foi editada medida provisória prevendo a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir de 1997 sobre débitos em geral, relativos a fatos geradores anteriores a 1994; quando norma em vigor estendia a incidência dos juros Selic aos demais créditos da Fazenda Nacional; e, ainda, quando o parágrafo 8º do art. 84 da Lei nº 8.981, de 1995, introduzido pela Medida Provisória nº 1.110, de 30 de agosto de 1995 já estendia a todos os demais débitos da Fazenda Nacional o disposto no referido artigo que, entre outras coisas, previa a incidência de juros com base na taxa de captação da Dívida Mobiliária Federal Interna e, posteriormente, com base na Selic.” Desta forma, entendo que há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. No tocante ao arrolamento de bens e direitos, cumpre esclarecer que a questão constitui matéria estranha ao presente processo administrativo fiscal, que trata especificamente do lançamento do crédito tributário em decorrência de infrações apuradas em procedimento fiscal levado a efeito contra o contribuinte qualificado nos autos. Conforme consta da tela de fl. 313, o Arrolamento de Bens e Direitos, cujo regramento legal pode ser encontrado especialmente no art. 64 da Lei n° 9.532, de 1997, e nos arts. 4° e 7° da Instrução Normativa SRF n° 264, de 20 de dezembro de 2002, foi formalizado em processo próprio, que recebeu o n° 10735.003076/200579. Por fim, rejeito o pedido dos patronos do recorrente para que as intimações sejam a eles dirigidas, tendo em vista que as intimações, no âmbito do processo administrativo fiscal, devem ser encaminhadas para o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, conforme dispõem o inciso II e o § 4º do artigo 23 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, nego provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 585DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 28 Fl. 586DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
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Numero do processo: 13804.001909/2007-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 29/12/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DESONERADOS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens desonerados do IPI, inclusive isentos e não-tributados, não geram créditos para dedução do imposto devido na saída dos produtos industrializados. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. Indeferido o pedido de ressarcimento, o julgamento da incidência ou não de juros compensatórios sobre ele ficou prejudicado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.477
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 29/12/2006 CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM DESONERADOS. As aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagens desonerados do IPI, inclusive isentos e nãotributados, não geram créditos para dedução do imposto devido na saída dos produtos industrializados. CRÉDITOS BÁSICOS. AQUISIÇÕES. MATÉRIA PRIMA, PRODUTO INTERMEDIÁRIO E MATERIAL DE EMBALAGEM TRIBUTADOS À ALÍQUOTA ZERO. “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” RESSARCIMENTO. JUROS COMPENSATÓRIOS. SELIC. Indeferido o pedido de ressarcimento, o julgamento da incidência ou não de juros compensatórios sobre ele ficou prejudicado. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação de compensação de débito fiscal, efetuada pelo próprio sujeito passivo, mediante a transmissão de Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp), está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento de créditos do IPI, apurados nos meses de janeiro a dezembro de 2006, e não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados no Per/Dcomp às fls. 196/199, transmitido na data de 20/03/2008. Por meio do Despacho Decisório às fls. 201/204, a Derat em São Paulo indeferiu o ressarcimento pleiteado e não homologou as compensações dos débitos fiscais declarados sob os argumentos de que as aquisições de insumos isentos, nãotributados ou tributados à alíquota zero pelo IPI não dão direito a crédito deste imposto, em obediência ao princípio constitucional da nãocumulatividade. Inconformada com o despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 208/209), insistindo no deferimento do ressarcimento e na homologação das compensações dos débitos declarados, alegando, em síntese, que tem direito de se creditar do IPI, como se devido fosse, nas aquisições de insumos não onerados por este imposto. Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, conforme Acórdão nº 1432.781, datado de 02/03/2011, às fls. 229/236, sob as ementas: “RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. DIREITO AO CRÉDITO. INSUMOS NÃO ONERADOS PELO IPI. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo de presumidos créditos do tributo, alusivos a matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem desonerados do IPI, uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. JUROS SELIC É incabível, por falta de previsão legal, a atualização, pela taxa SELIC, dos valores objeto de pedido de ressarcimento de créditos do IPI.” Fl. 259DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001909/200756 Acórdão n.º 330101.477 S3C3T1 Fl. 259 3 Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 239/252), requerendo a sua reforma a fim de que se reconheça seu direito de se creditar do IPI nas aquisições de insumos isentos, alíquota zero e nãotributados por este imposto, como se devido fosse, acrescido de juros compensatórios à taxa Selic, e homologue as compensações dos débitos fiscais declarados, alegando, em síntese, que a Constituição Federal (CF/1988), art. 153, §3º, II, que trata da nãocumulatividade desse imposto estabelece que deverá haver compensação do imposto devido em cada operação com o valor cobrado nas operações anteriores, sem quaisquer restrições, conforme reconhecido no RE nº 212.4842, de relatoria do então Ministro Nelson Jobim, e, ainda, que a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, art. 11, assegura à manutenção de créditos diante de saída isenta. Defendeu, ainda, o ressarcimento acrescido de juros compensatórios à taxa Selic, a partir da data de protocolo do pedido, pelo fato de o Fisco ter vedado o ressarcimento/compensação. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. A legislação do IPI não prevê direito a créditos escriturais de IPI, como se devido fossem, nas aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem isentos, nãotributados e/ ou tributados à alíquota zero por esse imposto, mas tão somente sobre aquisições oneradas e com destaque do seu valor nas respectivas notas fiscais de compras. A nãocumulatividade do IPI nada mais é do que o direito de se deduzir do imposto devido sobre os produtos industrializados e saídos de seus estabelecimentos industriais o valor do IPI que incidiu na operação anterior, ou seja, o valor do imposto pago nas aquisições dos insumos utilizados na industrialização dos produtos cujas saídas são oneradas por este imposto. A Constituição Federal de 1988 assegurou aos contribuintes do IPI o direito de se creditarem do valor do imposto cobrado e pago nas operações antecedentes, deduzindoo nas operações posteriores. Tal princípio está insculpido no art. 153, § 3º, inciso II, da Carga Magna que assim dispõe: “Art. 153. Compete à União instituir imposto sobre: (...). IV produtos industrializados. §3º. O imposto previsto no inc. IV: (...). II será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores;” Fl. 260DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Em consonância com esse dispositivo legal, o CTN assim determina: “Art. 49. O imposto é nãocumulativo, dispondo a lei de forma que o montante devido resulte da diferença a maior, em determinado período, entre o imposto referente aos produtos saídos do estabelecimento e o pago relativamente aos produtos nele entrados. Parágrafo único. O saldo verificado, em determinado período, em favor do contribuinte, transferese para o período ou períodos seguintes.” O legislador ordinário, em cumprimento a essas diretrizes, instituiu o sistema de créditos que, regra geral, confere aos contribuintes do imposto o direito de se creditar do valor do imposto cobrado e pago nas operações anteriores. Assim, o IPI destacado nas notas fiscais de aquisições de matériasprima, produtos intermediários e materiais de embalagens que ingressarem no estabelecimento do produtor industrial pode ser compensado com o valor do imposto devido nas operações de saída dos produtos industrializados e comercializados por ele, em um mesmo período de apuração, sendo que, se em determinado período os créditos excederem os débitos, o excesso será transferido para o período seguinte. A lógica da nãocumulatividade do IPI, prevista no art. 49 do CTN, e reproduzida no art. 195 do RIPI/2002, é deduzir do imposto a ser pago na operação de saída do produto tributado do estabelecimento industrial ou equiparado, o valor do IPI cobrado e pago sobre as aquisições das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagens empregados na sua produção. Nos casos em que as entradas desses insumos foram desoneradas desse imposto, não há o que deduzir, uma vez que o sujeito passivo não arcou com ônus algum. Quanto ao RE nº 212.4842/RS, citado pela recorrente, o próprio STF já alterou seu entendimento, conforme se denota dos julgados RE 353.6575/PR e RE 370.682/SC. Tratase de tese superada por diversos outros REs, dentre eles, os de nºs 430.720/RJ e 372.005 AgR/PR, cuja ementa decidiu: “EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IPI. INSUMOS ISENTOS, NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO. PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. INEXISTÊNCIA. MODULAÇÃO TEMPORAL DOS EFEITOS DA DECISÃO. INAPLICABILIDADE. 1. A expressão utilizada pelo constituinte originário montante "cobrado" na operação anterior afasta a possibilidade de admitirse o crédito de IPI nas operações de que se trata, visto que nada teria sido "cobrado" na operação de entrada de insumos isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero. Precedentes. 2. O Supremo entendeu não ser aplicável ao caso a limitação de efeitos da declaração de inconstitucionalidade. Precedentes. Agravo regimental a que se nega provimento.” Especificamente, em relação às aquisições de insumos tributados a alíquota zero, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), já editou súmula, de aplicação obrigatória pela suas Turmas de Julgamento, reconhecendo que tais aquisições não geram créditos, assim dispondo: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13804.001909/200756 Acórdão n.º 330101.477 S3C3T1 Fl. 260 5 “Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI.” Dessa forma, não há que se falar em créditos de IPI sobre aquisições de insumos desonerados deste imposto. Quanto à incidência de juros compensatórios, à taxa Selic, no total do ressarcimento pleiteado, seu julgamento ficou prejudicado em virtude do nãoreconhecimento do direito de a recorrente se creditar do IPI, como se devido fosse, nas aquisições de insumos desonerados deste imposto e, conseqüentemente, indeferimento do seu pedido. A compensação de débitos fiscais, mediante a transmissão de Per/Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, citado e transcrito anteriormente, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp é ilíquido e incerto, ou seja, inexiste o ressarcimento pleiteado. Assim não há que se falar em homologação da compensação do débito fiscal declarado. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. (Assinado digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 262DF CARF MF Impresso em 25/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 12 /06/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10120.004783/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ATOS POSTERIORES À ALIENAÇÃO ONEROSA DO BEM IMÓVEL. CONTABILIZAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA REAVALIAÇÃO DO BEM IMÓVEL EM RESERVA DE REAVALIAÇÃO. SIMULAÇÃO. Uma série de atos coordenados no sentido de permitir a contabilização do resultado positivo da reavaliação do bem imóvel na conta de reserva de reavaliação caracterizam simulação, visando ocultar deliberadamente a vontade real da contribuinte, de se esquivar da tributação do ganho de capital decorrente da alienação onerosa mesmo bem imóvel para outra sociedade empresária.
DOLO. FRAUDE FISCAL. CONDUTA TIPIFICADA. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. O farto encadeamento de fatos, devidamente documentados, demonstram o intuito doloso da contribuinte, ao operacionalizar um conjunto de atos ordenados e conscientes, com o objetivo de não oferecer à tributação o ganho de capital auferido em alienação onerosa de bem imóvel, e caracterizam a fraude fiscal, além de tipificar conduta prevista no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária
SUSPENSÃO DE ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. CONDIÇÕES. PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. EFEITOS. Caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, cabe a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins conferida pelo Programa Universidade Para Todos - PROUNI, instituído por meio da Medida Provisória nº 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei nº 11.096, de 13/01/2005. A suspensão de isenção deve ser efetivada por meio de ato declaratório executivo, cujos efeitos abrangem todo ano-calendário no qual a infração foi cometida.
IMPUGNAÇÃO. EFEITO NÃO SUSPENSIVO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Consoante procedimentos a serem aplicados na suspensão da imunidade e da isenção, dispostos no art. 32, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez efetivada a suspensão de isenção, por meio do ato declaratório executivo, deverá a autoridade tributária lavrar o auto de infração, se for o caso, sendo que, a impugnação apresentada não terá efeito suspensivo.
Recurso Voluntário Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-001.317
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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CONTABILIZAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA REAVALIAÇÃO DO BEM IMÓVEL EM RESERVA DE REAVALIAÇÃO. SIMULAÇÃO. Uma série de atos coordenados no sentido de permitir a contabilização do resultado positivo da reavaliação do bem imóvel na conta de reserva de reavaliação caracterizam simulação, visando ocultar deliberadamente a vontade real da contribuinte, de se esquivar da tributação do ganho de capital decorrente da alienação onerosa mesmo bem imóvel para outra sociedade empresária. DOLO. FRAUDE FISCAL. CONDUTA TIPIFICADA. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. O farto encadeamento de fatos, devidamente documentados, demonstram o intuito doloso da contribuinte, ao operacionalizar um conjunto de atos ordenados e conscientes, com o objetivo de não oferecer à tributação o ganho de capital auferido em alienação onerosa de bem imóvel, e caracterizam a fraude fiscal, além de tipificar conduta prevista no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária SUSPENSÃO DE ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. CONDIÇÕES. PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. EFEITOS. Caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, cabe a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins conferida pelo Programa Universidade Para Todos PROUNI, instituído por meio da Medida Provisória nº 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei nº 11.096, de 13/01/2005. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 00 47 83 /2 01 0- 78 Fl. 758DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausentes, momentaneamente, os conselheiros Carlos Pelá e Moises Giacomelli Nunes da Silva. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Relatório CENTRO TECNOLOGICO CAMBURY LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): I – Quanto à Suspensão da Isenção do Programa Universidade Para Todos – PROUNI O CENTRO TECNOLOGICO CAMBURY LTDA – Cambury, por ter aderido ao Programa Universidade para Todos – PROUNI, nos termos da Lei nº 11.096, de 2005, possui direito à isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Contudo, em procedimento fiscal, cuja ciência do termo de início foi dada ao contribuinte em 03/03/2009, a autoridade tributária constatou que a contribuinte prometeu para a Sociedade Goiana de Cultura – SGC, CNPJ 01.587.609/000171, a venda do imóvel situado na Av. B c/ Rua 24, Quadra A16, Jardim Goiás, Goiânia GO, matriculado no registro de imóveis da 4ª circunscrição sob o número 48.520, mediante compromisso de compra e venda. Nos termos do acordo, a SGC pagaria, em dinheiro, o valor original de R$30.000.000,00 (trinta milhões de reais), em parcelas, sendo a primeira vencendo em 07/11/2005, de R$3.000.000,00. O imóvel seria quitado no final de 2006, perfazendo os pagamentos o total de R$35.627.509,80. Fl. 759DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 4 3 Informou a SGC que foi efetivada a transferência bancária para a fiscalizada, no valor de R$3.060.000,00, nos dias 08 e 09 de novembro de 2005. Por sua vez, a Cambury foi admitida como uma nova sócia, na sociedade empresária GALULA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – Galula, CNPJ 03.887.661/000179, nos termos da quarta alteração contratual celebrada em 21/11/2005, com firma reconhecida dos sócios das entidades em 21/12/2005, tendo a protocolização na JUCEG ocorrido em 28/12/2005. Os sócios da Galula, Giuseppe Vecci e Vivianne de Araújo Almeida Vecci, são os mesmos do contribuinte, o CENTRO TECNOLOGICO CAMBURY LTDA Para integralizar o capital na Galula, a fiscalizada utilizouse do mesmo imóvel que foi alienado onerosamente à SGC. A transferência deste imóvel para a Galula, que tinha um capital de R$140.000,00, implicou em um acréscimo de R$34.700.000,00 (trinta e quatro milhões setecentos mil reais). Nesse sentido, constatou a Fiscalização que a contribuinte contabilizou, em 21/11/2005, a alienação do imóvel para a Galula, sendo que a diferença entre o custo do imóvel (edificações, terrenos, pertenças e demais bens destinados à sua utilização) e o valor da alienação foi lançada como reserva de reavaliação, mediante crédito nesta conta do Patrimônio Líquido de R$22.612.439,91. Diante dos fatos apurados, a autoridade fiscal concluiu que, na realidade, a operação que efetivamente existiu foi a alienação do imóvel, da fiscalizada para a SGC em 03/11/2005, sendo que, os fatos subsequentes, ocorridos a partir de 21/11/2005, quais sejam, a admissão como sócia da Galula e a correspondente integralização do capital utilizandose do mesmo imóvel alienado á SGC, consistiram em um ardil do qual recorreram os sócios administradores da contribuinte, para evitar o pagamento do IRPJ e da CSLL decorrente do ganho de capital obtido na citada venda. Para chegar a tais conclusões, amparouse a autoridade tributária nas seguintes constatações: a) a reserva de reavaliação, caso fosse lícita e real, deveria ter sido oferecida à tributação por ocasião da realização do valor do bem, conforme inciso IV do art. 439 do RIR/99, sendo que, na realidade, o que ocorreu foi a alienação do imóvel para a SGC em 03/11/2005, fato este inclusive contabilizado pela própria Galula; b) a quarta alteração contratual da Galula não foi levada a registro no ofício de imóveis competente; c) a data de assinatura da alteração contratual da Galula, de 21/11/2005, e seu protocolo na JUCEG, em 28/12/2005, são bem posteriores ao compromisso de compra e venda entre a fiscalizada e a SGC; d) os sócios da fiscalizada e da Galula são os mesmos; e) foi a própria fiscalizada que se apresentou como proprietária do imóvel, por ocasião da lavratura da escritura pública de compra e venda, da assinatura da escritura pública de retificação e da assinatura do termo de quitação, este em 05/09/2006; f) todos os pagamentos efetuados pela SGC acertados no compromisso de compra e venda do imóvel foram feitos à fiscalizada, e não à Galula, que teria recebido o bem em razão da sua utilização para integralização do capital; g) conforme os livros contábeis da Galula, a incorporação do imóvel ao seu patrimônio foi contabilizada às fls. 217 do livro Diário, e, ás fls. 218, foi registrada a alienação, com prejuízo de venda, do mesmo imóvel para a SGC em 04/11/2010, ou Fl. 760DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 5 4 seja, antes mesmo da alteração contratual firmada em 21/11/2005, quando a fiscalizada foi admitida como sócia da Galula; h) a maior parte dos recebimentos, no decorrer do ano de 2006, pela alienação do imóvel, foram contabilizados como empréstimos da Galula á fiscalizada; i) consoante o art. 36 da Lei nº 8.934, de 1994, o arquivamento dos atos apresentados no registro do comércio após 30 (trinta) dias de sua assinatura só terá eficácia a partir do despacho que o conceder, ou seja, a quarta alteração contratual da Galula só poderia surtir efeitos após 28/12/2005, data do protocolo na JUCEG. Concluiu, portanto, a autoridade tributária que o que houve, na verdade, foi uma simulação absoluta da alienação do imóvel da Cambury para a Galula. Ressalta a Fiscalização que, um Auditor Fiscal que examinasse as contas contábeis da fiscalizada, depararseia com lançamentos contábeis de constituição, aparentemente lícita, de reserva de reavaliação. Por outro lado, outra autoridade tributária analisando a contabilidade da Galula, poderia constatar que teria havido uma incorporação válida de um imóvel em decorrência de um aumento de seu capital, e um subseqüente prejuízo em razão de sua alienação. Tendo em vista os fatos apurados, e a constatação da ocorrência da alienação onerosa do imóvel no qual se apurou ganho de capital, foram lançados o IRPJ e a CSLL com fulcro no art. 418 do RIR/99, procedimento formalizado no processo administrativo nº 10120.004712/201075, cujas cópias dos autos encontramse acostadas às fls. 002/332. Por sua vez, considerando a autoridade fiscal que a conduta da empresa e dos seus sóciosadministradores caracterizaram crime contra a ordem tributária, motivo para a suspensão da isenção de tributos do qual gozava a contribuinte, consoante dispõe o art. 4º da IN SRF nº 456, de 2004, foi notificada a interessada em 18/06/2010 a exercer o contraditório e apresentar, no prazo de trinta dias, as alegações e provas que entendesse necessárias, nos termos do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, c/c os artigos 14 e 15, § 3º, da Lei nº 9.532, de 1997. Como não se manifestou a fiscalizada, foi editado o Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/Seort nº 7, de 29 de julho de 2010, fls. 344/345, para declarar a suspensão do benefício do qual gozava a contribuinte referente ao Programa Universidade para Todos – PROUNI, relativo ao anocalendário de 2005. II – Quanto aos Lançamentos de Ofício Em razão da suspensão do contribuinte do Programa Universidade para Todos – PROUNI, a Fiscalização, com fulcro no art. 32, § 6º, da Lei nº 9.430, de 1996, lavrou contra a interessada os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes ao anocalendário de 2005, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$1.513.063,70, assim discriminados por exação fiscal: (...) Para efetuar os lançamentos fiscais, tomou como base a Fiscalização os balancetes mensais de agosto a dezembro de 2005 apresentados pela fiscalizada, em resposta à intimação de fls. 349/350. III. Ciência do Ato Declaratório Executivo de Suspensão da Isenção. Ciência dos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Defesa Apresentada. Fl. 761DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 6 5 Em 12/08/2010, a contribuinte tomou ciência do Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/Seort nº 7, de 29 de julho de 2010 e dos lançamentos de ofício (“AR” de fls. 431). Apresentou a interessada as impugnações de fls. 441/458 (IRPJ), 501/518 (Cofins), 564/581 (PIS) e 626/643 (CSLL), em 10/09/2010, que discorrem sobre idêntico conteúdo, tratando dos pontos relacionados a seguir. Do Não Cabimento de Auto de Infração Para a Cobrança de IRPJ. Impugnação Apresentada nos Autos do Processo Administrativo nº 10120.004712/201075. Efeito Suspensivo. A expedição do Ato Declaratório que suspendeu a isenção, bem como a lavratura do presente Auto de Infração, deveriam aguardar a decisão da matéria que deu origem à suspensão da isenção – a saber, a suposta prática de crimes contra a ordem tributária, apurada nos autos do processo administrativo nº 10120.004712/201075 – o qual, nos termos da lei, foi impugnado. Isto porque, o simples fato do mérito do Ato Declaratório que suspendeu a isenção se fundamentar em suposto crime contra a ordem tributária apurado nos autos do processo administrativo nº 10120.004712/201075 (que se encontra com a exigibilidade suspensa por força do art. 151, inciso III, do CTN, em razão da apresentação da impugnação), já faz com seus efeitos (suspensão da isenção) também estejam suspensos. Ou seja, não existiriam motivos para a cobrança dos tributos isentos no anocalendário de 2005 (IRPJ, CSLL, PIS e Cofins). Conforme dito, a real suspensão do benefício somente será decidida após o julgamento do recurso em que se defende a não ocorrência de crime contra a ordem tributária. Ante o exposto, não merece prosperar o presente Auto de Infração. Contudo, caso assim não entenda, que sejam recebidos os argumentos já trazidos no Auto de Infração impugnado nos autos do processo administrativo nº 10120.004712/201075, em que se demonstra a não ocorrência de simulação na operação realizada pela impugnante. Das Razões de Mérito. Inocorrência de Crime Contra a Ordem Tributária. A operação narrada pelo Fisco (constituição de reserva de reavaliação e integralização de capital na Galula) não chegou a ocorrer para fins tributários e, por isso, é viciado o lançamento relativo ao anocalendário de 2005. De outro modo, ainda que se admitisse que ocorreu a constituição da mencionada reserva – o que por ora é considerado apenas para fins de debate – também não assistiria razão ao Auditor Fiscal, por inocorrência da hipótese prevista na capitulação legal trazida aos autos. Do Tratamento Fiscal na Operação de Venda a Longo Prazo. O fundamento essencial que levou à lavratura do Auto de Infração seria a realização de reserva de reavaliação constituída sobre bens que foram utilizados para aumento de capital na Galula. Porém, para fins de direito, tal operação não existiu, conforme a própria contribuinte informou, nos termos do item 21, letra “b”, do Relatório de Fiscalização. Ou seja, não houve realização de qualquer investimento na Galula, porque, em estrita observância à legislação aplicável, o citado aumento de capital não chegou a produzir efeitos. Observese que entre a data de deliberação para a alteração do contrato social da Galula para a admissão do novo sócio, em 21/11/2005, e a data do protocolo na Junta Comercial, 28/12/2005, transcorreramse mais de trinta dias. Ocorre que nos termos dos artigos 1.150 e 1.151 do Código Civil, os documentos necessários ao registro devem ser apresentados no prazo de trinta dias, contado da lavratura dos atos. Por sua vez, caso o registro seja requerido além do prazo previsto, somente produzirá efeito a partir da data de sua concessão. No mesmo sentido dispõem os artigos 32, inciso II, alínea “a” e 36, da Lei nº 8.934, de 1994, no qual Fl. 762DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 7 6 mencionam que todos os efeitos legais (erga omnes) do ato de alteração das sociedades surtem efeitos desde a data de sua deliberação/assinatura se, e somente se, forem arquivados na Junta Comercial num prazo máximo de trinta dias. Do contrário, tal alteração passará a ter eficácia legal somente a partir da data do despacho em que a Junta Comercial vier a lhe aprovar. Entendimento da Receita Federal em Consulta sobre a incorporação vem no mesmo sentido, ou seja, se entre a data da assinatura dos documentos e de seu arquivamento na Junta Comercial decorrerem mais de trinta dias, a data do evento de incorporação (ou fusão ou cisão) será a de registro pelo órgão. Assim, se o ato de alteração da sociedade foi arquivado após os trinta dias subsequentes à sua deliberação/assinatura, como ocorreu in casu, não há dúvidas de que a alteração societária somente surtiria efeitos a partir da aprovação pela Junta Comercial de Goiás. Por sua vez, consta nos autos apenas que referida alteração foi levada a protocolo na JUCEG em 28/12/2005, não havendo demonstrativo de sua aprovação por aquela junta comercial. Assim, não deve ser admitido qualquer efeito daquela alteração contratual enquanto pendente sua aprovação pela JUCEG. Ainda, cabe verificar o item 14, “b”, do Relatório Fiscal, no qual informa a autoridade tributária que “A quarta alteração contratual da Galula NÃO foi levada a registro no ofício de imóveis competente (...)”. Em se tratando de bens imóveis, se não ocorreu o registro no ofício competente, não pode se falar que ocorreu a transferência de sua propriedade. Posto isto, a integralização de capital na Galula não produziu qualquer efeito, e realmente não poderia ter ocorrido, já que o bem imóvel nem mesmo chegou a fazer parte do patrimônio da suposta empresa investida porque não verificada a formalidade de transcrição da propriedade do imóvel. Aliás, a ausência do registro no competente ofício de imóveis também explica porque foi a impugnante que compareceu como proprietária do bem na lavratura da escritura pública de compra e venda à SGC, bem como foi quem recebeu os recursos provenientes daquela venda. Sendo assim, na pior das hipóteses, deveria o Auditor Fiscal ter se vinculado ao art. 421, do RIR/99: Art. 421. Nas vendas de bens do ativo permanente para recebimento do preço, no todo ou em parte, após o término do anocalendário seguinte ao da contratação, o contribuinte poderá, para efeito de determinar o lucro real, reconhecer o lucro na proporção da parcela de preço recebida em cada período de apuração. Da Inaplicabilidade do Inciso IV do Art. 439 do RIR/99 ao Caso Concreto. Tomando como base a fundamentação do Auditor Fiscal, teria ocorrido a hipótese do inciso IV do art. 439 do RIR/99. Contudo, a realidade dos fatos narrados não se amolda à hipótese de tal dispositivo. Em momento algum, a empresa Galula (suposta investida) efetivou reserva de reavaliação em patrimônio recebido da impugnante, em aumento de capital social (e isso apenas se tal aumento de capital tivesse efetivamente ocorrido). Nem tampouco a Galula utilizouse dos bens supostamente recebidos para aumentar o capital social em outra pessoa jurídica. E, nessa parte é expresso o dispositivo apontado pela autoridade fiscal, ao dizer que somente ocorrerá realização quando a pessoa jurídica que receber os bens (e a Galula nem mesmo os recebeu, mas aqui se admite essa hipótese para argumentar) com eles integralizar o capital social de outra pessoa jurídica. Assim, tendo em vista que nem mesmo a operação que o Auditor Fiscal diz ter sido praticada se amolda ao dispositivo legal utilizado por ele para constituir o crédito Fl. 763DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 8 7 tributário, não há como manter o lançamento fiscal por vício insanável, cabe o cancelamento do Auto de Infração. Cancelamento da Multa de Ofício. Hipótese de Lavratura de Auto de Infração Para Prevenir Decadência. Não há que se falar em lançamento de qualquer tributo em virtude da exclusão da impugnante do benefício do PROUNI, vez que tal exclusão somente ocorrerá na hipótese de constatada a ocorrência do crime contra a ordem tributária, no PTA nº 10120.004712/201075, que foi devidamente impugnado. Assim, como ainda se encontra pendente de julgamento o processo administrativo em que se apura a prática de crime contra a ordem tributária, o presente lançamento, para a cobrança do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins somente poderia existir para prevenir a decadência. Nesse caso, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, não há que se falar em cobrança de multa de ofício, entendimento também do CARF. Do Pedido. Requer a impugnante que seja julgada procedente a sua defesa, anulandose o referido Auto de Infração. Ad argumentandum, caso, por absurdo, não seja acolhido o pedido anterior, requer a declaração do já exposto efeito suspensivo até o julgamento do Auto de Infração impugnado, apresentado nos autos do PTA nº 10120.004712/201075, o qual espera ser cancelado por este órgão administrativo, bem como a exclusão da multa de ofício uma vez que se trata de hipótese de lavratura de Auto de Infração para prevenir a decadência. A decisão recorrida está assim ementada: ATOS POSTERIORES À ALIENAÇÃO ONEROSA DO BEM IMÓVEL. CONTABILIZAÇÃO DO RESULTADO POSITIVO DA REAVALIAÇÃO DO BEM IMÓVEL EM RESERVA DE REAVALIAÇÃO. SIMULAÇÃO. Uma série de atos coordenados no sentido de permitir a contabilização do resultado positivo da reavaliação do bem imóvel na conta de reserva de reavaliação caracterizam simulação, visando ocultar deliberadamente a vontade real da contribuinte, de se esquivar da tributação do ganho de capital decorrente da alienação onerosa mesmo bem imóvel para outra sociedade empresária. DOLO. FRAUDE FISCAL. CONDUTA TIPIFICADA. CRIMES CONTRA A ORDEM TRIBUTÁRIA. O farto encadeamento de fatos, devidamente documentados, demonstram o intuito doloso da contribuinte, ao operacionalizar um conjunto de atos ordenados e conscientes, com o objetivo de não oferecer à tributação o ganho de capital auferido em alienação onerosa de bem imóvel, e caracterizam a fraude fiscal, além de tipificar conduta prevista no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária SUSPENSÃO DE ISENÇÃO DE TRIBUTOS FEDERAIS. CONDIÇÕES. PROGRAMA UNIVERSIDADE PARA TODOS. PROUNI. EFEITOS. Caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, cabe a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins conferida pelo Programa Universidade Para Todos PROUNI, instituído por meio da Medida Provisória nº 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei nº 11.096, de 13/01/2005. A suspensão de isenção deve ser efetivada por meio de ato declaratório executivo, cujos efeitos abrangem todo anocalendário no qual a infração foi cometida. IMPUGNAÇÃO. EFEITO NÃO SUSPENSIVO. MULTA DE OFÍCIO. APLICABILIDADE. Consoante procedimentos a serem aplicados na suspensão da imunidade e da isenção, dispostos no art. 32, da Lei nº 9.430, de 1996, uma vez efetivada a suspensão de isenção, por meio do ato declaratório executivo, deverá a Fl. 764DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 9 8 autoridade tributária lavrar o auto de infração, se for o caso, sendo que, a impugnação apresentada não terá efeito suspensivo. CSLL.LANÇAMENTO DECORRENTES DO MESMO FATO. O decidido em relação ao IRPJ estendese ao lançamento decorrente de CSLL, vez que formalizado com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento no seguintes termos (verbis): Ante o exposto, requer a Recorrente seja julgado procedente seu recurso, reforamandose o Acórdão recorrido com a consequente anulação Auto de Infração lavrado em desfavor da Recorrente. Ad argumentandum, caso, por absurdo, não seja acolhido o pedido anterior, requer a declaração do já exposto efeito suspensivo até o julgamento do Auto de Infração recorrido, apresentado nos autos do PTA n° 10120.004712/2010 75, o qual espera ser cancelado por este órgão administrativo, bem como a exclusão da multa de ofício uma vez que se trata de hipótese de lavratura de Auto de Infração para prevenir a decadência. É o relatório. Fl. 765DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 10 9 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Conforme relatado o litigo está estruturado em dois grupos distintos. No primeiro cumpre analisar a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, em razão de descumprimento de requisitos estabelecidos pelo Programa Universidade para Todos – PROUNI. No segundo, à análise dos Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos ao anocalendário de 2005, período no qual se aplicam os efeitos do Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/Seort nº 7, de 29 de julho de 2010. Uma vez que no recurso voluntário a contribuinte repisa as alegações da peça impugnatória, vejamos os fundamentos da decisão recorrida: “(...) IV. Exclusão do PROUNI. Suspensão da Isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. IV.1 – Negócio Jurídico Simulado. Conduta Dolosa. Fraude Fiscal. Crime Contra a Ordem Tributária. Aduz a impugnante que a expedição do Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/Seort nº 7, de 29 de julho de 2010 que suspendeu a isenção, bem como a lavratura dos Autos de Infração, deveriam aguardar a decisão da matéria que deu origem à suspensão da isenção, qual seja, a suposta prática de crimes contra a ordem tributária, apurada nos autos do processo administrativo nº 10120.004712/201075. Argumenta a interessada que o simples fato do mérito do ato declaratório que suspendeu a isenção se fundamentar em suposto crime contra a ordem tributária apurado nos autos do citado processo administrativo, que se encontra com a exigibilidade suspensa por força do art. 151, inciso III, do CTN (vez que foi impugnado), já faria com que os efeitos da suspensão da isenção também estejam suspensos. Em seguida, alega a requerente que não teria ocorrido a simulação na operação com a Galula e muito menos crime contra a ordem tributária. Discorre a peça defensiva no sentido de que não teria se efetivado a alteração societária, no qual a impugnante teria sido admitida como nova sócia da Galula, vez que, entre a data de deliberação para a alteração do contrato social da Galula para a admissão do novo sócio, em 21/11/2005, e a data do protocolo na Junta Comercial, 28/12/2005, transcorreramse mais de trinta dias, fazendose necessária a aprovação dos atos pela JUCEG, o que não teria ocorrido. Ainda, a quarta alteração contratual da Galula não teria sido levada a registro no ofício de imóveis competente, ou seja, a integralização de capital na Galula não teria produzido qualquer efeito, tendo em vista que o bem imóvel nem mesmo chegou a fazer parte do patrimônio da suposta empresa investida. Assim, a operação narrada pelo Fisco, que seria a constituição de reserva de reavaliação e integralização de capital na Galula, não teria ocorrido para fins tributários. Fl. 766DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 11 10 Também discorre a impugnante que, em nenhum momento a empresa Galula (suposta investida) teria efetivado a reserva de reavaliação em patrimônio recebido da impugnante, em aumento de capital social (e isso apenas se tal aumento de capital tivesse efetivamente ocorrido), e nem tampouco a Galula teria se utilizado dos bens supostamente recebidos para aumentar o capital social em outra pessoa jurídica. Assim, não teria ocorrido nenhuma realização do bem e muito menos integralização de capital em outra pessoa jurídica, o que tornaria inaplicável a previsão do art. 439, inciso IV, do RIR/99. Passemos à apreciação dos argumentos expostos pela defesa. Inicialmente, mostrase pertinente esclarecer as condições no qual se processa a suspensão da isenção do Programa Universidade Para Todos – PROUNI. Instituído por meio da Medida Provisória nº 213, de 10/09/2004, e convertido na Lei nº 11.096, de 13/01/2005, apresenta a seguinte previsão no art. 8º: Art. 8o A instituição que aderir ao Prouni ficará isenta dos seguintes impostos e contribuições no período de vigência do termo de adesão: (Vide Lei nº 11.128, de 2005) I Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas; II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei no 7.689, de 15 de dezembro de 1988; III Contribuição Social para Financiamento da Seguridade Social, instituída pela Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991; e IV Contribuição para o Programa de Integração Social, instituída pela Lei Complementar no 7, de 7 de setembro de 1970. § 1o A isenção de que trata o caput deste artigo recairá sobre o lucro nas hipóteses dos incisos I e II do caput deste artigo, e sobre a receita auferida, nas hipóteses dos incisos III e IV do caput deste artigo, decorrentes da realização de atividades de ensino superior, proveniente de cursos de graduação ou cursos seqüenciais de formação específica. § 2o A Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda disciplinará o disposto neste artigo no prazo de 30 (trinta) dias. Por sua vez, em obediência ao disposto no § 2º do art. 8º da Medida Provisória nº 213, de 10/09/2004, a Receita Federal disciplinou o assunto, com a edição da IN SRF nº 456, de 5 de outubro de 2004, que no seu artigo 4º dispõe sobre a suspensão do benefício da isenção: Art. 4o A prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, bem assim a falta de emissão de notas fiscais, acarretarão à pessoa jurídica infratora a perda, no anocalendário correspondente, ao benefício da isenção de que trata o art. 1o. Parágrafo único. A concessão ou reconhecimento de qualquer incentivo ou benefício fiscal, relativo às contribuições e imposto de que trata o art. 1o, fica condicionada à comprovação pelo contribuinte, da regular quitação dos mesmos. Observese, portanto, que a isenção deve ser suspensa, caso se verifique que a beneficiária incorreu na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, bem assim a falta de emissão de notas fiscais. Fl. 767DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 12 11 Percebese claramente o suporte fático da norma, que consiste na prática de atos que configurem crimes contra a ordem tributária, bem assim a falta de emissão de notas fiscais, e a consequência jurídica, a aplicação da suspensão do benefício da isenção. Devese verificar, nesse contexto, se os atos da impugnante adequamse ao suporte fático descrito. Em breve digressão histórica, a contribuinte celebrou compromisso de compra e venda de bem imóvel com a Sociedade Goiana de Cultura – SGC, no qual a adquirente pagaria, no total, o valor de R$35.627.509,80, em parcelas a serem adimplidas nos anos de 2005 e 2006. A primeira parcela foi paga nos dias 08 e 09 de novembro de 2005, logo após a celebração do contrato. Verificase, portanto, até o momento, a ocorrência de negócio jurídico, compra e venda de bem imóvel, celebrado entre a impugnante e a SGC. Ocorre que a impugnante, nos termos da Quarta Alteração Contratual da Galula, assinada em 21/11/2005, foi admitida como nova sócia na sociedade empresária limitada denominada GALULA EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES LTDA – Galula. Na condição de nova sócia, a requerente subscreveu e integralizou o capital de R$34.700.000,00, mediante a transferência do mesmo imóvel que foi alienado para a SGC. Na sequência, a impugnante contabilizou, em 21/11/2005, a transferência do imóvel para a Galula. Por sua vez, a diferença entre o valor da alienação e o valor de custo do imóvel (edificações, terrenos, pertenças e demais bens destinados à sua utilização), cujo resultado positivo foi no montante de R$22.612.439,91, foi escriturado na conta de reserva de reavaliação. Ou seja, a celebração do contrato de compra e venda e a correspondente alienação onerosa do bem imóvel para a SGC, situação no qual se concretiza a hipótese de incidência prevista no art. 418 do RIR/99 (ganho de capital), e que levaria a contribuinte a ser tributado em decorrência do ganho de capital auferido na transação, foi ocultada. Por outro lado, promoveuse a sobreposição de um outro fato, qual seja, a entrada da impugnante como sócia em uma outra sociedade empresária, a Galula, e a consequente utilização do mesmo imóvel para integralizar sua participação no capital social da Galula, sendo que, o resultado positivo apurado decorrente da reavaliação do imóvel foi contabilizado como reserva de reavaliação, conforme autoriza o art. 439 do RIR/99. Com o lançamento em tal reserva, conta do patrimônio líquido, o valor não foi levado a conta de resultado, e por isso não foi tributado. Em seguida, a Galula contabilizou a alienação onerosa mesmo bem imóvel para a SGC, apurando prejuízo na transação. Valeuse a autoridade tributária de provas indiciárias, para constatar que a entrada da impugnante como sócia da Galula não ocorreu de fato, assim como, por consequência, a utilização do bem imóvel para integralizar o capital, e que tal procedimento serviu apenas para acobertar a verdadeira operação, que seria a compra e venda submetida ao ganho de capital. Devese registrar que a presença de um ou outro indício, por si só, não se mostra suficiente para provar a ocorrência de fatos jurídicos que se subsumem às normas tributárias. Fl. 768DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 13 12 Ocorre que, no caso concreto, a autoridade tributária deparouse com uma série de eventos, estruturados de forma a montar um encadeamento lógico, no sentido de demonstrar, com clareza, a ocorrência de simulação, visando ocultar deliberadamente a vontade real da contribuinte, qual seja, esquivarse da tributação de ganho de capital decorrente da alienação onerosa do bem imóvel. Os indícios levantados são robustos e contundentes, como se pode constatar: 1) a Quarta Alteração Contratual da Galula não foi levada a registro no ofício de imóveis competente; 2) a data de assinatura da Quarta Alteração Contratual da Galula, em 21/11/2005, e seu protocolo na JUCEG, em 28/12/2005, são posteriores à assinatura do contrato de compromisso de compra e venda entre a impugnante e a SGC, em 03/11/2005; 3) a Quarta Alteração Contratual da Galula, assinada em 21/11/2005, apenas foi levada a arquivamento na Junta Comercial em 28/12/2005, logo, não poderia surtir efeitos retroativos, sendo que, no caso, só poderiam ter eficácia a partir de 28/12/2005, data de protocolo na JUCEG, nos termos do art.36 da Lei nº 8.924, de 1994; 4) os sócios da impugnante e da Galula eram os mesmos à época da assinatura da Quarta Alteração Contratual da Galula; 5) a impugnante é que se apresentou como proprietária do imóvel por ocasião da lavratura da escritura pública de compra e venda e da assinatura do termo de quitação do imóvel, e não a Galula; 6) todos os pagamentos efetuados pela SGC em decorrência da aquisição do bem imóvel foram feitos para a impugnante, e não para a Galula; 7) a Galula contabilizou no livro Diário, em 04/11/2005, ou seja, antes mesmo da assinatura da Quarta Alteração Contratual, a incorporação do bem imóvel ao seu patrimônio e, em seguida, a alienação, com prejuízo na venda, para a SGC; 8) a maior parte dos recebimentos no ano de 2006, em razão da alienação do imóvel, foram contabilizados pela impugnante e pela Galula como empréstimos, efetuados da Galula para a impugnante. O quadro a seguir, tendo em vista os elementos levantados pela Fiscalização, tem como objetivo ordenar os indícios coletados de maneira a demonstrar, numa seqüência lógica e coerente, as operações concebidas pela impugnante visando ocultar a alienação onerosa do imóvel, do qual iria auferir resultado positivo e, por consequência, oferecer o ganho de capital á tributação. Negócio Jurídico Lícito Datas Suporte Fático Consequência Jurídica Fls dos Autos 03/11/2005 Assinatura do Contrato de Compromisso de Compra e Venda do Imóvel X, entre a Cambury (alienante) e a SGC (adquirente). 86/91 08 e 09/11/2005 Pagamento da primeira parcela, no valor de R$3.060.000,00 do valor do imóvel X, pela SGC para a Cambury Ocorrência de ganho de capital, em razão da alienação onerosa do imóvel X. Subsunção ao artigo 418 do RIR/99. 241 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 14 13 Negócio Jurídico Simulado Datas Suporte Fático Consequências Jurídicas Buscadas pela Impugnante Fls dos Autos 21/11/2005 Assinatura da Quarta Alteração Contratual da Galula, no qual a Cambury entra como sócia da Galula, e utiliza o imóvel X para integralização do capital social. 83/84 04/11/2005 Contabilização, no livro Diário da Galula, da incorporação do bem imóvel X ao patrimônio da empresa, a débito, e subscrição do capital social, a crédito. O resultado positivo da reavaliação do bem imóvel X, foi levado para a conta de reserva de reavaliação da Cambury (art. 439, RIR/99), uma vez que o imóvel foi utilizado na subscrição do capital social da Galula. Dessa maneira, o valor não foi tributado. 177 04/11/2005 Venda do imóvel X, da Galula para a SGC, com prejuízo de R$1.472.490,20. 178 e 255/256 28/12/2005 Arquivamento da Quarta Alteração Contratual da Galula. X 24/08/2006 Lavratura da Escritura Pública de Compra e Venda, no qual consta como vendedora a Cambury e compradora a SGC. 114/115 05/09/2006 Assinatura do Termo de Quitação, entre a Cambury e a SGC. 140/143 16/01/2006, 24/02/2006, 15/03/2006, 12/04/2006, 18/04/1006, 26/05/2006, 09/06/2006, 03/07/2006, 14/07/2006, 03/08/2006 Recebimento das parcelas referentes a venda do imóvel X, operação contabilizada na Cambury como valores recebidos em nome de terceiros e creditada como mútuo Galula. Venda do imóvel X, da Galula para a SGC, com prejuízo, sem ganho de capital, e, portanto, sem tributação prevista no art. 418 do RIR/99 ( * ) à ver quadro anexo 258 Quadro Anexo – (*) Explicação dada pela impugnante às fls. 255/256: Os bens foram registrados, em decorrência à integralização ao capital social da Galula (...) nas contas(...) Terrenos e Edificações, pelos valores de R$5.000.000,00 e R$29.700.000,00, respectivamente, totalizando a integralização do (...) Cambury. Todavia, antes da convalidação da alteração contratual no Cartório de Registro de Imóveis, os bens foram negociados com a (...) SGC, razão pela qual partes dos recursos foram depositados nas contas do (...) Cambury e, imediatamente repassadas ao destinatário legal, Galula(...). Por ocasião da alienação, em 05/11/2005, suscitou os seguintes registros contábeis: D 1.1.02.15.020.0006 Sociedade Goiana de Cultura .......R$30.000.000,00 D 1.2.30.01.010.0005 Centro Tecnológico Cambury ......R$ 3.227.508,80 D 4.2.10.10.010.0001 Prejuízo em Alienação .................R$ 1.472.490,20 C 1.4.20.20.010.0001 Terrenos .......................................R$ 5.000.000,00 C 1.4.20.20.015.0001 Edificações ...................................R$29.700.000,00 Em relação aos aspectos tributários, tendo em vista que o valor do custo/originário e o valor negociado, não houve ganho de capital. Inexistindo, portanto, receita tributável decorrente da alienação. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 15 14 Mostrase evidente que as operações que ocorreram no sentido promover a entrada da impugnante como sócia da Galula, a integralização do capital mediante a utilização do bem imóvel e a contabilização do valor positivo da reavaliação em conta de reserva de reavaliação, permitindo o diferimento da tributação, foram todas simuladas. Resta ainda mais manifesta a ilicitude dos atos quando se verifica uma série de contradições, começando pelo fato de que, não obstante o imóvel ter sido incorporado ao patrimônio da Galula, foi a impugnante que se apresentou, em momento posterior, como proprietária do imóvel para dar sua quitação no cartório de imóveis e que continuou recebendo os pagamentos efetuados pela SGC em razão da alienação onerosa. Dando seqüência às incoerências, a Galula contabilizou a incorporação do imóvel antes mesmo de a Quarta Alteração Contratual ser assinada ou mesmo levada a arquivamento na Junta Comercial. E mais: logo em seguida contabilizou a alienação à SGC, com prejuízo na venda. Curioso constatar que a impugnante, ao discorrer na peça defensiva que não teria se efetivado a Quarta Alteração Contratual, e que por consequência não teria sido admitida como nova sócia da Galula, que “A quarta alteração contratual da Galula NÃO foi levada a registro no ofício de imóveis competente (...)”, que o bem imóvel nem mesmo chegou a fazer parte do patrimônio da suposta empresa investida, vem ratificar o entendimento da Fiscalização, no sentido de que as operações foram simuladas. As contradições da impugnante mostramse ainda mais evidentes, na medida em que afirma, categoricamente, por um lado, na peça de defesa, que a alteração contratual da Galula não foi efetivada, e, por outro, registra nos seus livros contábeis lançamentos de constituição de reserva de reavaliação ocorrida em razão da reavaliação de bem imóvel ocorrida em razão de sua integralização para compor uma nova sociedade empresária. A própria contribuinte na sua impugnação corrobora os indícios levantados pela Fiscalização, no sentido que os atos referentes à alteração societária e a integralização do capital social da Galula foram simulados, visando ocultar o ganho de capital auferido decorrente da alienação onerosa do imóvel para a SGC. Em brilhante voto no processo administrativo nº 11080.008017/200411, o Conselheiro Nelson Mallmann, no Acórdão nº 10421.675, do Primeiro Conselho de Contribuintes, ao discorrer sobre as diferenças entre evasão fiscal (ilícita) e elisão fiscal (lícita), destaca mais um aspecto relevante, que se amolda perfeitamente ao caso concreto analisado nos presentes autos: (...) há de se considerar uma outra característica diferenciadora entre as condutas: a cronologia do ato. Constatase uma diferença temporal entre a elisão e a evasão. Sendo assim, fazse necessário uma avaliação cronológica do ato ou negócio jurídico; há de se averiguar quando foi praticado no intuito de evitar, reduzir ou retardar o pagamento do imposto, ou seja, deve se verificar se foram realizados antes ou depois da ocorrência do respectivo fato imponível. Se o ato ou negócio jurídico foi praticado antes, podese estar diante de uma elisão fiscal, porém se praticado posteriormente estará constatada uma evasão fiscal. A diferenciação baseada na cronologia busca consagrar a licitude da elisão com base na falta de corporificação do fato gerador da obrigação tributária, já que esta, de acordo com o art. 113, § 1º do Código Tributário Nacional (CTN), surge, somente, com a ocorrência Fl. 771DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 16 15 daquele. Portanto, concluise que a elisão consiste em não entrar na relação fiscal e evasão é da relação sair após já ter estado. O contribuinte, então, para fugir ao alcance da norma e do tributo decorrente, pode escolher entre dois caminhos: ou desviase do campo de tributação, ou, já sujeito a sua incidência, utilizase de meios ilícitos para impedir, reduzir ou retardar o recolhimento do imposto devido, pela descaracterização do fato gerador ou pela redução da base de cálculo. (grifei) Conforme já exaustivamente demonstrado, uma vez celebrada a alienação onerosa do bem imóvel, restou concretizada a hipótese de incidência prevista na norma tributária. Posteriormente, arquitetou a contribuinte uma série de atos visando encobrir tal transação, que, contudo, foram descobertos pela autoridade tributária, resultado de um trabalho minucioso e detalhado que demonstrou com contundência a ilicitude da atitude da requerente. Portanto, resta caracterizada a conduta dolosa da contribuinte, em operacionalizar uma série de atos deliberados, conscientes, com a intenção de se esquivar da tributação do IRPJ e da CSLL. Nesse contexto, configurase a fraude fiscal, nos termos do artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964: Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Observese que tais condutas também se encontram tipificadas no art. 1º, inciso II, da Lei nº 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária: Art. 1° Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: (Vide Lei nº 9.964, de 10.4.2000) (...) II fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos, ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal; Percebese, portanto, a ocorrência do suporte fático previsto no art. 4º da IN SRF nº 456, de 5 de outubro de 2004, uma vez que a que a beneficiária incorreu na prática de atos que configuram crimes contra a ordem tributária, tendo, como consequência jurídica, a suspensão da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes ao ano calendário de 2005. Nesse momento, tornase pertinente relembrar que os atos simulados pela contribuinte tiveram como objetivo ocultar a ocorrência da alienação onerosa do bem imóvel para a SGC. Ocorre que, com a venda do imóvel, a contribuinte apurou ganho de capital, ou seja, operouse a subsunção do disposto no art. 418 do RIR/99. Nesse contexto, a autoridade tributária, cuja atuação encontrase vinculada ao disposto no art. 142 do CTN, efetuou o lançamento de ofício, para constituir o crédito tributário do IRPJ e da CSLL decorrente do ganho de capital auferido. Contudo, tal procedimento foi formalizado em outro processo administrativo, nº 10120.004712/201075, no qual, Fl. 772DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 17 16 em razão da conduta dolosa e tipificada como crime contra a ordem tributária, a multa de ofício foi qualificada e os sóciosadministradores foram responsabilizados solidariamente. Observase, portanto, que os atos simulados com intuito doloso caracterizando fraude fiscal, que serviram para ocultar a vontade real da contribuinte, qual seja, esquivarse do fato gerador do ganho de capital decorrente da alienação onerosa do imóvel, amoldaramse ao suporte fático de mais de uma norma tributária, cada qual com sua consequência jurídica, a saber, a suspensão da isenção dos tributos federais e os lançamentos de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins do anocalendário de 2005, tratados no presente processo administrativo; e o lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL decorrentes do ganho de capital, com a qualificação de multa e responsabilização solidária dos sóciosadministradores, matérias discutidas no processo administrativo nº 10120.004712/201075. De qualquer forma, registrese que o presente processo e o processo administrativo nº 10120.004712/201075 estão sendo apreciados na mesma sessão de julgamento, qual seja, a 400ª Sessão de Julgamento da Segunda Turma da DRJ em BrasíliaDF, realizada no dia 20 de dezembro de 2010. IV.2 – Suspensão da Isenção. Conclusão. Considerando todo o exposto, entendo que cabe ser mantida a suspensão do benefício da isenção do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins referentes ao anocalendário de 2005, conferida pelo Programa Universidade para Todos – PROUNI, nos termos do o Ato Declaratório Executivo DRF/GOI/Seort nº 7, de 29 de julho de 2010, Assim, devem ser apreciadas as matérias atinentes aos lançamentos de ofício do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. V. Lançamentos de Ofício. Autos de Infração. IRPJ, PIS, Cofins e CSLL. V.1 – Multa de Ofício. Aduz a impugnante que, como foi apresentada impugnação referente ao processo administrativo nº 10120.004712/201075, que trata da prática de crime contra a ordem tributária discutido nos presentes autos, e o correspondente julgamento ainda se encontra pendente, o presente lançamento de ofício, no qual foram cobrados o IRPJ, CSLL, PIS e Cofins somente poderia existir para prevenir a decadência. Assim, consoante o art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, não haveria que se falar em cobrança de multa de ofício. Para analisar a questão, convém verificar o que dispõe o art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, que trata dos procedimentos a serem aplicados na suspensão da imunidade e da isenção: Art. 32. A suspensão da imunidade tributária, em virtude de falta de observância de requisitos legais, deve ser procedida de conformidade com o disposto neste artigo. § 1º Constatado que entidade beneficiária de imunidade de tributos federais de que trata a alínea c do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal não está observando requisito ou condição previsto nos arts. 9º, § 1º, e 14, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a fiscalização tributária expedirá notificação fiscal, na qual relatará os fatos que determinam a suspensão do benefício, indicando inclusive a data da ocorrência da infração. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 18 17 § 2º A entidade poderá, no prazo de trinta dias da ciência da notificação, apresentar as alegações e provas que entender necessárias. § 3º O Delegado ou Inspetor da Receita Federal decidirá sobre a procedência das alegações, expedindo o ato declaratório suspensivo do benefício, no caso de improcedência, dando, de sua decisão, ciência à entidade. § 4º Será igualmente expedido o ato suspensivo se decorrido o prazo previsto no § 2º sem qualquer manifestação da parte interessada. § 5º A suspensão da imunidade terá como termo inicial a data da prática da infração. § 6º Efetivada a suspensão da imunidade: I a entidade interessada poderá, no prazo de trinta dias da ciência, apresentar impugnação ao ato declaratório, a qual será objeto de decisão pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento competente; II a fiscalização de tributos federais lavrará auto de infração, se for o caso. § 7º A impugnação relativa à suspensão da imunidade obedecerá às demais normas reguladoras do processo administrativo fiscal. § 8º A impugnação e o recurso apresentados pela entidade não terão efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. (grifei) No que concerne ao procedimento para suspensão da isenção, constatase que a contribuinte, apesar de ser sido intimada a se manifestar nos termos do § 2º transcrito, permaneceu silente. Nesse contexto, consoante determina o § 4º do art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996, foi expedido o ato suspensivo da isenção. Assim, uma vez efetivada a suspensão da isenção, por meio do ato declaratório executivo, a fiscalização lavrará auto de infração, se for o caso. Por sua vez, a impugnação não terá efeito suspensivo em relação ao ato declaratório contestado. Observese que o fato de a motivação da suspensão da isenção ter ensejado a lavratura de um outro auto de infração, relativo ao ganho de capital, não guarda nenhuma relação com o procedimento disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, devem os correspondentes lançamentos de ofício, referentes à suspensão da isenção dos tributos federais no anocalendário de 2005, serem efetuados nos termos do art. 142 do CTN, com aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Registrese que se estende aos lançamentos da CSLL, do PIS e da Cofins o decidido em relação ao IRPJ, vez que os lançamentos foram formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referem à mesma matéria tributável. (...) Aos fundamentos acima transcritos nada merece ser acrescentado, posto que esgotam as questões em litigio, deixando patente a correta tributação do ganho de capital Fl. 774DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 10120.004783/201078 Acórdão n.º 1402001.317 S1C4T2 Fl. 19 18 auferido pela autuada, bem como o intuito de fraude arquitetado pelos administradores da empresa. Frisese que tais fundamentos não foram contraditados na peça recursal, pelo que as razões de decidir da decisão recorrida podem ser perfeitamente adotados neste voto, conforme disposto no art. 50 Lei 9.784 de 1999, que se aplica subsidiariamente ao PAF(verbis): Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) V decidam recursos administrativos; (...) § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. (...) § 3o A motivação das decisões de órgãos colegiados e comissões ou de decisões orais constará da respectiva ata ou de termo escrito. (Grifei) Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 775DF CARF MF Impresso em 02/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 13739.001654/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2005
Ementa:
ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
O desconhecimento da legislação tributária não exime o particular de cumpri-la.
MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE COMETER INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA.
No lançamento de ofício, não havendo dolo ou fraude, aplica-se
multa de 75% sobre o valor do tributo omitido.
O percentual da multa aplicada, no caso, está de acordo com a legislação de regência.
Numero da decisão: 2101-001.777
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O desconhecimento da legislação tributária não exime o particular de cumpri-la. MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE COMETER INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No lançamento de ofício, não havendo dolo ou fraude, aplica-se multa de 75% sobre o valor do tributo omitido. O percentual da multa aplicada, no caso, está de acordo com a legislação de regência.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1631; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T1 Fl. 1 1 0 S2C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13739.001654/200752 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2101001.777 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 12 de julho de 2012 Matéria IRPF Imposto sobre a Renda de Pessoa Física Recorrente Roberval Homem Costa Recorrida Fazenda Nacional Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005 Ementa: ALEGAÇÃO DE DESCONHECIMENTO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. O desconhecimento da legislação tributária não exime o particular de cumpri la. MULTA DE OFÍCIO. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO DE COMETER INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. No lançamento de ofício, não havendo dolo ou fraude, aplicase multa de 75% sobre o valor do tributo omitido. O percentual da multa aplicada, no caso, está de acordo com a legislação de regência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ________________________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. (assinado digitalmente) ________________________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Alexandre Naoki Nishioka, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Celia Maria de Souza Murphy (Relatora). Ausente, justificadamente, o conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, correspondente ao anocalendário de 2004, no valor total de R$ 4.764,76, sujeito a multa de ofício de 75%. Segundo relato da Fiscalização (fls. 8), o contribuinte omitiu rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à Tabela Progressiva, no valor de R$ 25.088,42. Em 30.10.2007, o contribuinte impugnou o lançamento (fls. 1 e 2), argumentando, em síntese, que é professor e, em 2004, estava aposentado em uma de suas duas matrículas, tendo auferido rendimento de R$ 17. 814,36 na matrícula em atividade e R$ 12.778,42 na matrícula de inativo. Acreditava que não havia necessidade de declarar o rendimento de aposentado e incluiu sua esposa, indevidamente, como sua dependente, mas não sabia que ao proceder assim deveria declarar também os rendimentos da esposa. Pede o cancelamento da multa e das “correções monetárias”, além do valor do imposto devido, porque não agiu de má fé. Sustenta que o erro poderia ter corrigido há mais tempo, bastando que lhe tivesse sido comunicado antes do lançamento. A 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 1323.460, de 13 de fevereiro de 2009, mediante a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 REMUNERAÇÃO DE DEPENDENTES. Os rendimentos recebidos pelos dependentes devem ser somados aos rendimentos recebidos pelo titular para efeito de tributação na Declaração de Ajuste Anual. MULTA DE OFÍCIO. No lançamento de oficio aplicase a multa de 75% sobre o imposto nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e nos de declaração inexata. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Lançamento Procedente Fl. 40DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13739.001654/200752 Acórdão n.º 2101001.777 S2C1T1 Fl. 2 3 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 32 e 33, no qual reitera as razões de impugnação. Pede sejam cancelados a multa, a “correção monetária” e o imposto devido, porque não agiu de ma fé. Repisa que o erro poderia ter corrigido há mais tempo, bastando que lhe tivesse sido comunicado antes do lançamento. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. O presente processo originouse de revisão da declaração anual de ajuste de imposto sobre a renda de pessoa física. Confrontando a declaração de ajuste do contribuinte com as Declarações de Imposto de Renda na Fonte DIRF apresentadas pelas fontes pagadoras, a Fiscalização apurou ter havido, por parte da pessoa física, omissão de rendimentos tributáveis no valor de R$ 25.088,42. O contribuinte impugnou o lançamento e, em sua peça de defesa, não questionou a existência dos rendimentos apurados pela Fiscalização. Diante desse fato, a DRJ, em sua decisão, considerou que essa matéria não foi impugnada. Também em sede de recurso voluntário, o contribuinte não se insurgiu contra esse aspecto do lançamento. Tratase, portanto, de matéria incontroversa. A defesa do recorrente fixase nos seguintes pontos: a) não sabia que a legislação do imposto sobre a renda obrigavao a declarar os rendimentos dos dependentes em sua declaração de ajuste; b) por não ter agido de máfé, devem ser cancelados os valores de imposto, “correção monetária” e multa; c) poderia ter corrigido o erro antes do lançamento, caso tivesse sido comunicado. Sobre a primeira alegação, impende salientar que o fato de não ter conhecimento da legislação tributária não exime o contribuinte de cumprila. Mesmo considerando que a legislação tributária é complexa e modificada com frequência, a dificuldade de compreendêla aplicase a todas as pessoas que vivem em nossa sociedade, e não apenas ao recorrente. Sendo assim, por mais que se tome por verdadeira sua alegação acerca do desconhecimento da obrigatoriedade de declarar os rendimentos da dependente em sua declaração de ajuste anual, forçoso reconhecer que este não é motivo suficiente para afastar a incidência do imposto sobre a renda. A conclusão não poderia ser outra, diante da regra inserida no artigo 3° da Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro (anteriormente denominada Lei de Fl. 41DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 Introdução ao Código Civil), DecretoLei n.° 4.657, de 1942, o qual prescreve, em seu artigo 3.º, que não se pode deixar de cumprir a lei por não a conhecer. Vejamos: Art.3o Ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que não a conhece. Sendo assim, esse argumento não socorre o recorrente. No tocante à letra (b), devese considerar que o fato de não agir de máfé não justifica o cancelamento dos valores cobrados a título de imposto e multa (não há imposição de “correção monetária”). Primeiramente, quanto ao imposto lançado, relembrese que, a teor no artigo 3.º do Código Tributário Nacional (Lei n.º 5.172, de 1966), tributo é prestação pecuniária compulsória que não constitui sanção de ato ilícito. A incidência do tributo decorre da existência do fato jurídico tributário, apurado mediante procedimento específico. Nessas circunstâncias, uma vez praticado o fato tributário, pelo sujeito passivo, o tributo incide, independentemente de qualquer intenção. No que diz respeito à multa de lançamento de ofício, o Código Tributário Nacional estipula que, salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade pelo cometimento de infrações da legislação tributária independe da intenção do agente, nos seguintes termos: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Uma vez constatada infração à legislação tributária em procedimento fiscal, o crédito tributário deve ser acompanhado da multa de lançamento de oficio, nos termos do artigo 44 da Lei n.° 9.430, de 1996, a seguir transcrito: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 1.° O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n.° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) [...] § 2.° Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1° deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 42DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 13739.001654/200752 Acórdão n.º 2101001.777 S2C1T1 Fl. 3 5 [...]. Conforme se depreende da leitura do texto legal acima transcrito, a existência de intenção ou dolo só é relevante quando se trata dos casos previstos nos parágrafos 1.° e 2.°, nos quais cabe multa com percentual mais gravoso que o previsto no inciso I. Na presente hipótese, a multa de oficio aplicada foi a prevista no inciso I do artigo 44, de 75%. Diante dessas colocações, correta a aplicação da multa de lançamento de ofício de 75%, pois não ficou evidenciada qualquer intenção do contribuinte de cometer a infração. Pelos motivos acima explicitados, não havendo disposição legal que fundamente o pedido do recorrente, não é possível eximilo da multa de lançamento de ofício, tendo em vista que, mesmo que não tenha sido sua intenção infringir legislação tributária, é cabível a multa de 75%. O recorrente sustenta, na letra (c), que poderia ter corrigido o erro antes do lançamento, caso tivesse sido comunicado. Sobre o alegado, importante ressaltar que é dever do contribuinte preencher sua declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda sempre que enquadrado nos requisitos legais, sendo de sua responsabilidade a veracidade e a acuidade das informações prestadas. Se, após a entrega, verificar qualquer erro nas informações contidas em sua declaração, o contribuinte pode retificála. Todavia, iniciado o procedimento de fiscalização, se houver apuração de qualquer impropriedade, o contribuinte sujeitase ao lançamento de ofício, tal como ocorreu no caso em análise. Salientase, por fim, que a atividade administrativa é vinculada e obrigatória, não podendo o agente da fiscalização proceder de forma diferente daquela prevista em lei. É o que determina o artigo 142 do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Não há, portanto, qualquer reparo a ser feito na decisão a quo. Conclusão Ante todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 43DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10882.002096/2004-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 20 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano calendário:2001
Ementa: PERC – SÚMULA Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindo-se a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37).
INCENTIVO FISCAL. SUDENE. REQUISITOS PARA OPÇÃO. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Para fazer jus ao incentivo fiscal na área da "SUDENE", é indispensável que a pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projetos prioritários nas áreas de atuação da SUDENE,
SUDAM e GERES, aprovados até 02.05.2001, sendo que tal matéria não foi impugnada.
Numero da decisão: 1401-000.678
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2001 Ementa: PERC – SÚMULA Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72 (Súmula CARF nº 37). INCENTIVO FISCAL. SUDENE. REQUISITOS PARA OPÇÃO. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Para fazer jus ao incentivo fiscal na área da "SUDENE", é indispensável que a pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projetos prioritários nas áreas de atuação da SUDENE, SUDAM e GERES, aprovados até 02.05.2001, sendo que tal matéria não foi impugnada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Fl. 361DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 362 2 Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Maurício Pereira Faro, Meigan Sack Rodrigues e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 363 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1521.564, da 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de SalvadorBA. Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de primeira instância: Tratase de Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais PERC, referente ao exercício de 2002, anocalendário de 2001 onde está arrolado como óbice a emissão de certificado do benefício fiscal o fato do contribuinte: i) estar em débito com tributos e contribuições federais e/ou irregularidade cadastral bem como ü) não surtir efeito a opção em DIPJ entregue após 02/05/2001, para fundo dif. De art. 9° da Lei 8.167/91. Após intimar o Banco Alvorada para que, na qualidade de sucessor do Requerente, apresentasse certidões de regularização nos Órgãos Federais, bem como comprovante de opção pelo fundo feita até 02/05/2001, fls. 162, a autoridade administrativa concluiu que, pela documentação acostada aos autos, não estavam satisfeitas as exigências feitas na intimação de folha 162, com o gravame de apresentação de certidões com prazos vencidos. Ciente da decisão em 29 de junho de 2007 o contribuinte apresenta em 2J de julho de 2007 Manifestação de Inconformidade, fls. 192, onde destaca que os documentos juntados ao presente processo dizem respeito à regularidade fiscal do contribuinte à época do processamento de sua declaração de rendimentos, momento em que formalizou, efetivamente, a sua opção por incentivos fiscais, na forma do artigo 60 da Lei 9065/95 e que, portanto, não poderia serlhe negado o beneficio fiscal pleiteado. Em 28 de novembro de 2008 o processo retornou a repartição de origem para que fosse informado se na data da entrega da declaração em que fez a opção pelo incentivo fiscal em comento, estava o contribuinte regular com o recolhimento de tributos e contribuições federais. Em atenção ao pedido de diligência fiscal o SEORT/DRF/SDR informa que a declaração foi recepcionada em 27/06/2002 e que constatouse que foi emitida eletronicamente, em 20/12/2001, a certidão n° £5125403, do tipo Positiva com efeito de Negativa, em favor do contribuinte, com validade até 20/06/2002. A DRJ, por unanimidade de votos, indeferiu a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2001 DESPACHO DECISÓRIO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A falta de questionamento, na manifestação de inconformidade, quanto ao óbice apontado no despacho decisório como impeditivo do gozo de incentivo Fl. 363DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 364 4 fiscal pleiteado pelo contribuinte em sua DIPJ, caracterizase como matéria não impugnada o que impede sua apreciação por esta Turma de Julgamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 INCENTIVO FISCAL. COMPROVAÇÃO DA REGULARIDADE FISCAL. A comprovação da regularidade fiscal para fins de gozo do incentivo fiscal pleiteado na DIPJ, deve se reportar à data de sua entrega, uma vez que este é o momento em que o contribuinte formaliza sua opção. INCENTIVO FISCAL. SUDENE. REQUISITOS PARA OPÇÃO. Para fazer jus ao incentivo fiscal na área da "SUDENE", é indispensável que a pessoa jurídica ou grupo de empresas coligadas isolada ou conjuntamente, detenham, pelo menos cinqüenta e um por cento do capital votante de sociedade titular de projetos prioritários nas áreas de atuação da SUDENE, SUDAM e GERES, aprovados até 02.05.2001, nos termos do art. 9o da Lei n° 8.167, de 1991, alterado pela MP 2.19914 de 24/08/2001. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente. É o relatório. Fl. 364DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 365 5 Voto Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a presente lide decorre da não emissão de ofício do incentivo fiscal, relativo ao exercício de 2002, em razão da existência de débitos de tributos e contribuições federais, bem como, pelo fato de não haver aceito como meio hábil a comprovação da exigência do quanto exigido pelo artigo 9o da Lei 8.167/91 a Declaração de Enquadramento apresentada pelo Impugnante. A DRJ, porém, não amparou na íntegra o entendimento da DRF, uma vez que reconheceu que o momento para a aferição da regularidade fiscal deverseia apurar mesmo por ocasião do momento da opção feito na entrega da declaração: Tenho para mim que o momento adequado para se verificar a regularidade da situação fiscal é aquele da entrega da declaração, momento este em que, em geral, é feita a opção pelo incentivo fiscal e que é também o momento que, não só permite tratar os contribuintes de forma isonômica, como também não cerceia o direito de defesa da requerente. Assim, deve ser entendido que o reconhecimento de qualquer benefício fiscal está subordinado à comprovação da regularidade fiscal até a data da formulação do pedido e é sob este enfoque que deve ser analisado o PERC interposto pela contribuinte. Nesta direção também convergem os julgados de outras DRJ, a exemplo da DRJ Campinas e do Primeiro Conselho de Contribuintes conforme ementas seguintes: (...) Desta forma, haveremos de analisar tal matéria verificando se na data da entrega da DIPJ estava ou não o contribuinte regular para com seus débitos fiscais. Tal resposta nos é dada pelo relatório de diligência de £1. 195 o qual informa que a data de recepção da DIPJ é 28/06/2002 e que nesta data, o contribuinte ostentava a situação de "ATIVA NÃO REGULAR", tendo, contudo, uma Certidão Positiva com efeito Negativa, emitida em 15/01/2002, com validade até 15.07.2002, conforme documentos de fls. 192/193. (destaquei) A esse respeito me alinho inteiramente com a DRJ, uma vez que tal matéria já foi inclusive sumulado pelo CARF em sentido contrário ao entendimento adotado pela DRF e favorável ao entendimento ora adotado pela DRJ: Fl. 365DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 366 6 Súmula CARF Nº 37: Para fins de deferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Incentivos Fiscais (PERC), a exigência de comprovação de regularidade fiscal deve se ater ao período a que se referir a Declaração de Rendimentos da Pessoa Jurídica na qual se deu a opção pelo incentivo, admitindose a prova da quitação em qualquer momento do processo administrativo, nos termos do Decreto nº 70.235/72. (grifei) Porém, ter ultrapassado o óbice relacionado à irregularidade fiscal não será suficiente para a Recorrente lograr êxito neste processo, pois como já se viu, existe um outro óbice cumulativo àquele, qual seja, a falta de comprovação da titularidade ou da participação de grupos de empresas que detinham a titularidade de empreendimento de setor da economia considerado, em ato do Poder Executivo, prioritário para o desenvolvimento regional, aprovado ou protocolizado até 02/05/2001 na área da antiga SUDENE, atual ADENE, na forma prevista no artigo 9o, da Lei 8.167, de 1991, alterado pela MP n° 2.19914/2001. Eis os termos do despacho decisório da DRF: Ocorrências emitidas segundo o Extrato das Aplicações, enviado pela SRF: OCORRÊNCIA 11CONTRIBUINTE COM DEBITO DE TRIBUTOS E CONTRIBUIÇÕES FEDERAIS E/OU IRREGULARIDADES CADASTRAIS (LEI 9069/95, ART. 60); OCORRÊNCIA 16 SEM EFEITO A OPÇÃO EM DIPJ ENTREGUE APÓS 02/05/2001 PARA FUNDO DIF. DE ART.9 DA LEI 8.167/91. (...) Observando a legislação pertinente A concessão de Certificados de Incentivos Fiscais para o exercício em apreço, Lei 9069/95 e NE/SRF/CORAT/COSIT/N° 002, de 14.05.2004, verificamos a impossibilidade de emissão de Certificados As pessoas jurídicas que não obedeçam As Obrigações Acessórias e/ou Principais para a sua concessão. E o caso da empresa ora analisada. (Destacamos) Por oportuno, cabe observar que o direito pátrio adotou o princípio de que a prova compete ou cabe à pessoa que alega o fato, conforme se depreende do transcrito do artigo 16, III, do Decreto n° 70.235, de 1972, que regulamenta o processo administrativo fiscal no âmbito federal, e do artigo 333, do Código de Processo Civil: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Por óbvio, quanto a esse segundo aspecto que o ônus da prova era da Recorrente e isso foi inclusive alertado pela DRJ. Porém, a interessada desde a manifestação de inconformidade e, inclusive passando pela fase recursal, não faz qualquer referência a este tema, silenciase completamente Fl. 366DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10882.002096/200458 Acórdão n.º 1401000.678 S1C4T1 Fl. 367 7 a esse respeito, o que, fez inclusive que nos termos do artigo 17, do Decreto n° 70.235, de 1972, a DRJ caracterizasse como matéria não impugnada, o que impede esta Turma de também apreciar a matéria, pois não faz parte da lide desde a fase impugnatória. Portanto, como não houve o cumprimento dessa última condição no que diz respeito a referida titularidade de empreendimento considerado prioritário, ou a participação em grupos de empresas titular, também, de empreendimento considerado prioritário na área da SUDENE/ADENE, é axiomático que a Recorrente não pode usufruir do referido benefício fiscal ora aqui discutido e pleiteado em sua DIPJ. Por todo o exposto, NEGO provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 367DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 22/11/2011 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 13603.002461/2002-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 11 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 18/02/1993 CORREÇÃO MONETÁRIA. DIFERENÇA IPC/BTNF. REVOGAÇÃO DA LEI Nº 8.200/1991. Na vigência da Medida Provisória nº 312/1993 e suas reedições até a de nº 325/1993, que revogaram a Lei nº 8.200/1991, não era devido o pagamento do imposto correspondente à correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF, realizada em 1990. A edição da Lei nº 8.682/1993, que revigorou a Lei nº 8.200/1991 e restabeleceu a correção monetária com base no IPC/BTNF, não torna devido o valor do tributo correlacionado a esse complemento pago em quota única no período de vigência das citadas medidas provisórias e não afasta o direito da contribuinte à compensação/restituição de valor pago indevidamente ou a maior.
Numero da decisão: 1102-000.791
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e no mérito, observada a condição resolutiva decorrente da ação mandamental nº 2003.38.00.0631935, processada na Quinta Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, dar provimento parcial ao recurso
voluntário para reconhecer o direito creditório de IRPJ afeto a lucro inflacionário da diferença IPC/BTNF, na quantia de Cr$ 8.350.253.744,71, e homologar as compensações declaradas, no
limite do crédito reconhecido.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
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DIFERENÇA IPC/BTNF. REVOGAÇÃO DA LEI Nº 8.200/1991. Na vigência da Medida Provisória nº 312/1993 e suas reedições até a de nº 325/1993, que revogaram a Lei nº 8.200/1991, não era devido o pagamento do imposto correspondente à correção monetária complementar da diferença IPC/BTNF, realizada em 1990. A edição da Lei nº 8.682/1993, que revigorou a Lei nº 8.200/1991 e restabeleceu a correção monetária com base no IPC/BTNF, não torna devido o valor do tributo correlacionado a esse complemento pago em quota única no período de vigência das citadas medidas provisórias e não afasta o direito da contribuinte à compensação/restituição de valor pago indevidamente ou a maior. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de cerceamento do direito de defesa, e no mérito, observada a condição resolutiva decorrente da ação mandamental nº 2003.38.00.0631935, processada na Quinta Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório de IRPJ afeto a lucro inflacionário da diferença IPC/BTNF, na quantia de Cr$ 8.350.253.744,71, e homologar as compensações declaradas, no limite do crédito reconhecido. ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 470 2 JOSÉ SÉRGIO GOMES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, João Otávio Oppermann Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, José Sérgio Gomes, João Carlos de Figueiredo Neto e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Em foco recurso voluntário contra decisão da 4ª Turma de Julgamento da DRJ em Belo Horizonte/MG que não acolheu a solicitação de reforma do despacho decisório do Delegado da Receita Federal em ContagemMG que, por sua vez, não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional por conta de pagamento a maior ou indevido de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) e, consequentemente, deixou de homologar compensações com débitos de antecipações (estimativas) mensais do Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) apuradas em outubro e novembro de 2002 e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do mês de outubro de 2002. A declaração de compensação originária se deu em meio físico (papel) e foi protocolada em 29/11/2002 indicando a repetição do pagamento havido em 18/02/1993, cujo DARF (Documento de Arrecadação de Receitas Federais) enuncia o valor de Cr$ 22.287.627.418,00. Em 26/12/2002 uma segunda declaração de compensação foi apresentada trazendo cópia do mesmo pagamento, a qual gerou a autuação do apensado processo administrativo nº 13603.002667/200270. A Delegacia da Receita Federal em ContagemMG houve por intimar a Requerente para prestação de esclarecimentos, fl. 22, vindo aos autos a resposta de fl. 25 segundo a qual os motivos da pretensão de repetir o pagamento do IRPJ efetuado em 18/02/1993 dáse em razão de que todo o saldo de lucro inflacionário existente no ano calendário de 1992 foi efetivamente realizado no mesmo período, na forma do artigo 31 da Lei nº 8.541/92 e conforme declaração do exercício de 1993, bem assim, que o pagamento é considerado indevido porque diz respeito ao lucro inflacionário afeto à diferença de correção monetária entre o IPC e o BTNF ocorrida em 1990 o que, segundo resposta dada pela Receita Federal a sua consulta, não deveria ser recolhido. Em decisório para ambos os processos, prolatado em 21/06/2004, o Delegado da Receita Federal em ContagemMG não homologou as compensações ao fundamento de ocorrência da extinção do direito de pleitear a restituição prevista no artigo 168, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), em face do transcurso do prazo qüinqüenal para tanto. Inconformada, a contribuinte ingressou com manifestação de inconformidade argüindo, em síntese, que o prazo prescricional para repetir tributos sujeitos ao lançamento por Fl. 502DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 471 3 homologação é de 10 (dez) anos, segundo entendimento pacificado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), não restando razão para o não reconhecimento do direito às compensações realizadas. Aquela 4ª Turma de Julgamento admitiu o inconformismo e concluiu pelo acerto da decisão do Delegado da Receita Federal em ContagemMG, isto é, ratificou o entendimento de que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso de cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário. Ciente do decisório em 28 de novembro de 2005, fl. 115, a contribuinte apresentou em 02 de janeiro de 2006 o recurso e documentos de fls. 116/180 colacionando extensa doutrina do STJ no sentido de ser decenal o prazo para repetição de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, incluindo julgados no sentido da inaplicabilidade das disposições da Lei Complementar nº 118, de 02 de fevereiro de 2005, que fixou o marco inicial de contagem do prazo qüinqüenal a partir do pagamento. Ao final, requereu a legalidade das compensações. Consta às fls. 181/182 ofício da autoridade preparadora endereçado à contribuinte cientificandoa que seu recurso fora apresentado intempestivamente (após 30 dias da data da ciência do acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento), motivo pelo qual se mantinham os termos e prazos das cartas de cobranças. Nesse momento processual foram encartados os expedientes de fls. 183/195, da Quinta Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, que exteriorizam a ordem judicial prolatada na ação mandamental nº 2003.38.00.0631935 no sentido de que a autoridade coatora (Delegado da Receita Federal em Contagem/MG) aprecie os pedidos de compensação tendo como base o prazo decadencial de dez anos, contados da ocorrência do fato gerador, esclarecendo que a prescrição deve ser contada pelo prazo de cinco anos, com início a partir da homologação tácita (cinco anos depois do fato gerador) ou expressa. O Delegado da Receita Federal em ContagemMG, então, exarou novo despacho abstraindose da questão decadencial/prescricional e concluiu que o pagamento efetuado em 18/02/1993 seria de todo devido. Consignou que a consulta formulada pela interessada à Receita Federal, cuja resposta foi efetivada nos termos da Decisão Disit nº 10604.292/95 (fls. 36/39), teria aplicação à situação da empresa se o saldo do lucro inflacionário existente em 31/12/1992 tivesse sido integralmente realizado, o que não ocorreu. Pontuou que o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) nº 01 registra, à página 36, a realização do lucro inflacionário “normal” em 31/12/1992 sem a adição da diferença IPC/BTNF, indiciando, então, que o pagamento efetuado em 18/02/1993 estaria tratando desta diferença e como tal indevido em razão da Lei nº 8.200/91, que a instituiu, ter desaparecido do mundo jurídico. Contudo, é fato que adveio a Lei nº 8.682/93 revigorando aquela norma e dita diferença voltou a constituir adição obrigatória ao lucro real. Assim, para se saber se haveria algum valor a ser restituído a contribuinte haveria de ter apresentado declarações retificadoras e recomposto os ajustes ao lucro real dos períodosbase após a novel norma legal. Fl. 503DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 472 4 Registrou, também, que consultou os registros da Receita Federal (SAPLI) e verificou que o saldo do lucro inflacionário em 31/12/1992, na ordem de Cr$ 94.911.580.080,00, difere daquele registrado pela interessada na página 36 do livro LALUR nº 01, uma vez que o mesmo foi alterado para Cr$ 125.291.145.190,00 por força de auto de infração e decisão de primeira instância abrigados no processo administrativo fiscal nº 13603.001049/200121 (derivado do processo nº 13603.000272/9811), pendente de julgamento no Conselho de Contribuintes. Em conseqüência, não homologou as compensações. Regularmente notificada a contribuinte ingressou com a manifestação de inconformidade de fls. 325/337 argumentando que decidiu realizar todo o saldo do lucro inflacionário com o benefício concedido pelo artigo 31 da Lei nº 8.541/92 e assim efetuou o pagamento do IRPJ em 18/03/1993, contudo, por equívoco, incluiu na base de cálculo do lucro inflacionário não somente a correção monetária pelo BTNF, mas também a diferença entre o IPC/BTNF do ano de 1990, a qual não constituía adição obrigatória porque a Lei nº 8.200/91 já não mais existia por força da Medida Provisória (MP) nº 312 e esta, sucessivamente reeditada, acabou por ser convertida na Lei nº 8.682/93, cujo artigo 10 convalida todos os atos até então praticados. Assim, convalidado o pagamento, não há falar no revigoramento da Lei nº 8.200/91 trazido pelo artigo 11 dessa mesma norma. Colacionou jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes dando pelo incabimento de exigência tributária para quem realizou todo o lucro inflacionário no período em que vigeu a extinção da obrigatoriedade de adição da diferença do IPC/BTNF e daí arremata: “se o tributo foi pago, sob a vigência da MP 312, com a inclusão na base de cálculo da diferença IPC/BTNF, diferença esta não exigível, parte deste tributo foi pago INDEVIDAMENTE. É a aplicação do brocardo jurídico ubi eadem ratio, ibi eadem legis dispositio (onde houver a mesma razão, aplicase o mesmo direito). SE PARA O CASO DE TER SIDO PAGO SOMENTE O BTNF NÃO HÁ QUE SE FALAR EM COMPLEMENTAÇÃO, PARA O CASO EM QUE HOUVE PAGAMENTO DA DIFERENÇA, IMPRESCINDÍVEL SE RECONHECER QUE HÁ O DIREITO À COMPENSAÇÃO” Ainda, fustigou o fundamento da decisão administrativa que se socorreu da alteração do lucro inflacionário imposta por auto de infração, pois, se a decisão reconhece que não era devido o pagamento do imposto sobre a diferença de BTNF/IPC pouco importa que esta diferença tenha sido eventualmente subavaliada à época do pagamento, já que qualquer pagamento que levasse em conta aquela diferença seria indevido. Distribuída a manifestação de inconformidade para a mesma 4ª Turma de Julgamento esta a admitiu, julgandoa improcedente. Dela, extraio os seguintes excertos: “A análise do relatório Sapli, sistema da Secretaria da Receita Federal que acompanha e controla o lucro inflacionário (fls. 239 e seguintes), a partir de informações declaradas pelo contribuinte, constante de suas DIRPJ (e Lalur) e dos Fl. 504DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 473 5 “ajustes” realizados pela SRF com base em decisões administrativas, esclarece a questão. Com a edição da Lei nº 8.200, de 1991, o Sapli passa a controlar o lucro inflacionário em parcelas distintas. A primeira, referente ao lucro inflacionário corrigido pela BTNF (já sujeita à tributação) e a segunda, do lucro inflacionário corrigido pela diferença IPC/BTNF, que só sofreria tributação a partir de 1993. A impugnante, em 14/06/2004, em resposta à intimação, fl. 25, informa que todo o saldo do lucro inflacionário existente no anocalendário de 1992 Cr$ 94.911.540.080,00 foi efetivamente realizado no mesmo período, conforme cópia da DIRPJ. Não é o que se constata no Sapli (fl. 240). Com fundamento em decisões administrativas, os valores informados pelo contribuinte (DIRPJs) sofreram alterações que foram ali registradas. Assim, verificase que no 2o semestre de 1992, o valor do lucro inflacionário acumulado a realizar (corrigido somente pela BTNF) era de Cr$ 125.291.145.190. Da DIRPJ/93, fl. 29v – Demonstração do lucro real, 2o semestre de 1992, verificase que a impugnante realizou o valor de Cr$94.911.540.080,00 a título de lucro inflacionário, porém não pagou tributo devido à apuração de prejuízo fiscal. Concluise que: a) a impugnante não realizou todo o lucro inflacionário acumulado (corrigido somente pelo BTNF), no anocalendário de 1992; restando saldo a realizar no valor de Cr$ 30.379.605.110 e b) no valor indicado Cr$ 125.291.145.190, lucro inflacionário acumulado não está incluído qualquer correção referente à diferença IPC/BTNF. ............................................................................................................... A impugnante argumenta que em fevereiro de 1993, aproveitou a alíquota incentivada e quitou o lucro acumulado corrigido pelo BTNF e também o referente à correção pela diferença IPC/BTNF. E, acrescenta, como o valor referente ao lucro inflacionário decorrente da diferença IPC/BTNF não era devido (MP 312, de 1991), o pagamento ficou a maior. De fato, se durante a vigência da MP 312, de 1993, a impugnante houvesse requerido a restituição do valor pago indevidamente, sua solicitação deveria ser acolhida, eis que parte do pagamento constante do DARF de fl. 03, estaria a maior, de acordo com a legislação vigente. Ocorre que, com a edição da Lei nº 8.682, de 1993, a Lei nº 8.200, de 1991, foi revigorada e o saldo credor de correção monetária diferença IPC/BTNF, que durante a vigência da MP 312, de 1993, não era devido passou a ser novamente devido, e desde a data da edição da Lei nº 8.200, de 1991. No caso, o valor do saldo credor da dif. IPC/BTNF passou a integrar o lucro inflacionário, tal como se apresenta no Sapli, fl. 240, no montante de CR$ 497.811.901 (380.735.680.618,00 * 1,3075), como já demonstrado no quadro acima, nada restando a restituir. Verificase que o montante realizado pela impugnante, em janeiro de 1993 (39.709.704,36 UFIR * 5% = 1.985.485,22 UFIR ou CR$ 381.095.224, fls. 23, foi devidamente deduzido do saldo do lucro inflacionário total até aquela data, como indicado no SAPLI, fl. 240, nada restando do valor recolhido no Darf de fl. 03, a ser restituído.” Fl. 505DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 474 6 Cientificada em 23 de abril de 2007, fl. 384, a contribuinte apresentou em 23 do mês seguinte o recurso de fls. 385/410 destacando que as razões da decisão da 4ª Turma de Julgamento são diversas daquelas expostas pelo Delegado da Receita Federal em Contagem MG e que a remessa do recurso diretamente para o Conselho de Contribuintes cerceará seu direito de defesa e impedirá o contraditório em primeira instância de julgamento, o que ofende os princípios constitucionais do devido processo legal, incumbindo, pois, que a Turma da Delegacia de Julgamento aprecie suas razões. No mérito, reprisa o inconformismo já apresentado contra a decisão do Delegado da Receita Federal em ContagemMG. Já em relação aos fundamentos adotados pelo acórdão da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte diz que este indefere seu pedido de compensação pelo simples fato de ter sido formulado após a conversão da MP nº 312 na Lei nº 8.682/93, que revigorou os efeitos da Lei nº 8.200/91, antes revogada pela própria MP 312, o que se mostra destoante das mais basilares normas de Direito Tributário. Entende, em suma, que a discussão está centrada no regime jurídico aplicável: o da época do pagamento ou do pedido de compensação. Aduz, também, que a validação dos efeitos da MP tem como efeito a validação dos pagamentos efetuados, dentre eles aquele realizado a maior, carecedor de restituição nos termos do artigo 165 do CTN. Ao final, requereu o provimento à preliminar ou, se assim não for entendido, a reforma da decisão recorrida e conseqüente homologação das compensações. Por força da Resolução nº 110300.012, de 25 de janeiro de 2010, fls. 438/444, a douta Terceira Turma Ordinária desta Câmara acordou, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência a fim de que se aguardasse o desfecho do contencioso instaurado no processo administrativo nº 13603.001049/200121, o qual abriga auto de infração que modificou o lucro inflacionário da contribuinte. Às fls. 455 e seguintes encontrase encartada cópia do Acórdão prolatado pela Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes sob nº 10196892, bem assim, despachos de inadmissibilidade de recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão definitiva restou assim ementada: “IRPJ LUCRO INFLACIONÁRIO REALIZADO Tendo a pessoa jurídica optado pela tributação integral do lucro inflacionário acumulado e do saldo credor da correção complementar monetária IPC/BTNF existente em 31 de dezembro de 1992 em cota única, à alíquota de cinco por cento, o fato imponível da obrigação tributária é todo o estoque existente naquela data, e a partir daí, nasce o direito do Fisco constituir o crédito tributário sobre eventuais diferenças não oferecidas à tributação. Não procedido o lançamento no prazo de cinco anos, o crédito resta extinto pela decadência.” Fl. 506DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 475 7 É o relatório, na síntese que se fez possível. Voto Conselheiro José Sérgio Gomes Não vislumbro cerceamento do direito de defesa no fato das razões recursais serem encaminhadas diretamente a este Conselho, sem reapreciação delas por parte da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo HorizonteMG, visto que o procedimento deriva de lei, a ver: “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 74 ..................................................................................... § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes. § 11. A manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9o e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação.” O fato de a decisão recorrida adotar fundamentos jurídicos diferentes daqueles enunciados pela autoridade fiscal que primeiro apreciou as declarações de compensação (Delegado da Receita Federal em ContagemMG) não implica qualquer impedimento ao contraditório, ainda mais quando se considera salvaguardado de todo o seu direito de inconformismo perante esta Corte Administrativa, oportunidade na qual lhe é facultado deduzir todas as razões que entender necessárias. Por outro lado, inexistindo, no caso, omissão por parte das autoridades antecedentes na apreciação de matéria trazida ao debate, indefiro o pedido de baixa do processo à origem. Quanto ao mérito, tenho que independentemente do entendimento que se tenha por aplicável quanto ao prazo decadencial para a repetição de tributos, se qüinqüenal ou decenal, remanesce dos autos que dita questão foi entregue ao Poder Judiciário, vigendo, inclusive, ordem judicial prolatada nos autos da ação mandamental nº 2003.38.00.0631935, processada na douta Quinta Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária de Minas Gerais, no sentido de que as decisões administrativas apreciem o pleito em comento abstraindose dessa questão, é dizer, considerem o pedido como se tempestivo fosse. De acordo com o princípio constitucional da unidade de jurisdição consagrado no art. 5.º, XXXV, da Constituição Federal, de 05 de outubro de 1988, a decisão judicial sempre prevalece sobre a decisão administrativa. Desse modo, a ação judicial tratando de determinada matéria infirma a competência administrativa para decidir de modo diverso, Fl. 507DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 476 8 afinal, se todas as questões podem ser levadas ao Poder Judiciário, a ele é a quem é conferida a capacidade de examinálas de forma definitiva e com o efeito de coisa julgada. A compensação, em caso de reconhecimento do direito creditório contra a Fazenda Nacional operarseá sob condição resolutiva, já que o decisório judicial ainda não transitou em julgado. Noutras palavras: acaso a decisão judicial vier a ser reformada, declarando o prazo decadencial/prescricional de cinco anos para o direito de restituição, a homologação da compensação porventura aqui reconhecida tornarseá de todo ineficaz, restabelecendose a exigência dos tributos então compensados. Pois bem. Até o advento da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, vigia a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, que instituíra o BTN Fiscal (BTNF) como referencial de indexação de tributos e contribuições de competência da União e impunha a correção monetária do balanço patrimonial das empresas, determinando, ainda, que o saldo credor dessa conta, após ajustes definidos, constituiria lucro inflacionário a ser computado na determinação do lucro real, base que serve ao cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica. Regrava, também, o diferimento da tributação do lucro inflacionário na parte considerada não realizada, assim entendida aquela que ultrapassava a relação percentual entre o valor dos bens e direitos do Ativo Permanente e o valor desses integrantes do Patrimônio Líquido, respeitada, ainda, realização mínima de 5% (cinco por cento) em cada períodobase. Por fim, o mecanismo de registro e controle é definido por seu artigo 21, § 3º, a ver: “§ 3° O lucro inflacionário a tributar será registrado em conta especial do Livro de Apuração do Lucro Real, e o saldo transferido do períodobase anterior será corrigido monetariamente, com base na variação do valor do BTN Fiscal entre o dia do balanço de encerramento do períodobase anterior e o dia do balanço do exercício da correção.” Em 28 de junho de 1991 foi publicada a Lei nº 8.200 definindo outro indexador monetário, bem assim, dispondo sobre a correção monetária das demonstrações financeiras do anterior ano de 1990 e demarcou, quanto a esta, que os efeitos tributáveis darse iam a partir do ano de 1993, a ver: “Art. 1º Para efeito de determinar o lucro real base de cálculo do imposto de renda das pessoas jurídicas a correção monetária das demonstrações financeiras anuais, de que trata a Lei nº 7.799, de 10 de julho de 1989, será procedida, a partir do mês de fevereiro de 1991, com base na variação mensal do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). ................................................................................................. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 477 9 Art. 3º A parcela da correção monetária das demonstrações financeiras, relativa ao períodobase de 1990, que corresponder à diferença verificada no ano de 1990 entre a variação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) e a variação do BTN Fiscal, terá o seguinte tratamento fiscal: I .................................................................................. II será computada na determinação do lucro real, a partir do períodobase de 1993, de acordo com o critério utilizado para a determinação do lucro inflacionário realizado, quando se tratar de saldo credor.” Ocorre que a Medida Provisória nº 312, de 11 de fevereiro de 1993, revogou expressamente a Lei nº 8.200/91 (art. 7º), e este comando foi reprisado nas sucessivas medidas provisórias reeditadas para convalidar os atos anteriores até que a Medida Provisória nº 325, de 14 de junho de 1993, houve por ser convertida na Lei nº 8.682, de 14/07/1993. Esta, por sua vez, em sentido oposto, cuidou de revigorar a Lei nº 8.200/91. Permeia a questão, ainda, a Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, que trouxe o seguinte incentivo fiscal: “Art. 31. À opção da pessoa jurídica, o lucro inflacionário acumulado e o saldo credor da diferença de correção monetária complementar IPC/BTNF (Lei n° 8.200, de 28 de junho de 1991, art. 3°) existente em 31 de dezembro de 1992, corrigidos monetariamente, poderão ser considerados realizados mensalmente e tributados da seguinte forma: I 1/120 à alíquota de vinte por cento; ou II 1/60 à alíquota de dezoito por cento; ou III 1/36 à alíquota de quinze por cento; ou IV 1/12 à alíquota de dez por cento, ou V em cota única à alíquota de cinco por cento. ............................................................................................... § 4° A opção de que trata o caput deste artigo, que deverá ser feita até o dia 31 de dezembro de 1994, será irretratável e manifestada através do pagamento do imposto sobre o lucro inflacionário acumulado, cumpridas as instruções baixadas pela Secretaria da Receita Federal.” O deslinde da controvérsia, portanto, consiste em definir se eventual recolhimento do IRPJ condizente à parcela da diferença IPC/BTNF do ano de 1990, realizado no interstício de 11/02/1993 a 13/07/1993 e sob o abrigo do benefício fiscal do artigo 31, inciso Fl. 509DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 478 10 V, da Lei nº 8.541, de 1992, caracteriza pagamento indevido e, como tal, sujeito ao instituto da repetição tributária. Tenho que a retirada do ordenamento jurídico da Lei nº 8.200, de 1991, pela Medida Provisória nº 312 e reedições induz ao entendimento inequívoco de que os contribuintes ficaram eximidos da determinação fiscal inserta no artigo 3º, inciso II, em comento. Diante disto, eventual pagamento pela tributação incentivada prevista no artigo 31 da Lei nº 8.541/1992, abarcando o IRPJ sobre o estoque de lucro inflacionário calculado com o BTNF (ordinário) e com a diferença IPC/BTNF (especial), no momento em que se encontrava revogada a Lei nº 8.200, de 1991, afigurase indevido em relação a esta última parcela. Em suma, o fato da Lei 8200, de 1991, ter sido revigorada não invalida os atos praticados no período em que esteve revogada. O pagamento, na época, relativo ao imposto de renda sobre o saldo do lucro inflacionário diferença IPC/BTNF não era devido. E, como tal, atrai a hipótese de que trata o inciso I do artigo 165 do CTN, pois que inexistente previsão legal exigindo o tributo, naquele momento, em relação a esta específica base de cálculo, a ver: “ Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido;” O revigoramento da norma de origem trazido pela Lei nº 8.682, de 1993, implica, apenas, que se o valor do saldo do lucro inflacionário da diferença IPC/BTNF não foi submetido à tributação durante a vigências dessas Medidas Provisórias deve ser novamente submetido às regras estabelecidas pelas Leis nº 8.200, de 1991, e 8541, de 1992. Assim delineado, passo à análise do pagamento realizado em 18/02/1993, fl. 03, almejado com a pecha de maior que o devido. Reportandose à consulta formulada pela Recorrente à Receita Federal nos idos de 1995, posteriormente ao pagamento efetuado, ela assim se posicionou, fl. 36: “A interessada esclarece que: a) usufruindo do beneficio fiscal de que trata o art. 31 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, efetuou o recolhimento do imposto de 5% (cinco por cento) sobre o lucro inflacionário acumulado em 31/12/92, em fevereiro de 1993; b) em virtude da revogação da Lei n° 8.200/91 pelo artigo 7º da Medida Provisória n° 312, de 11/02/93, aplicou a alíquota do imposto somente sobre o montante do lucro inflacionário Fl. 510DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 479 11 normal, não levando em conta o valor correspondente à correção monetária complementar da diferença do IPC/BTNF realizada em 1990 em decorrência da aplicação da lei revogada; ................................................................................................... A vista do exposto, indaga: 1) Considerando que, quando do recolhimento do tributo correspondente ao lucro inflacionário acumulado até 31 de dezembro de 1992, a Lei n° 8.200/91 encontravase revogada, é correta a afirmação de que na situação descrita na consulta operouse a total extinção do crédito tributário a título de imposto de renda sobre o lucro inflacionário acumulado até dezembro de 1992? 2) Ainda que se considere a restauração da Lei n° 8.200/91, pela Lei n° 8.682/93, é válido dizer que sua força de observância só se verifica a partir da data da vigência da lei repristinatória, em virtude do disposto no § 3º , do art. 2º , da Lei de Introdução ao Código Civil, e que por isso mesmo, não há que se falar em saldo do imposto de renda a pagar, decorrente do saldo credor pela diferença entre o IPC/BTNF? 3) Tendo em vista a eventual hipótese de existência de saldo de tributo a pagar, como deve proceder para regularizar a situação fiscal reflexa do saldo credor de IPC/1990 e da diferença de correção monetária do lucro inflacionário de 1990? Portanto, dizia a Recorrente, expressamente, que no pagamento do IRPJ então efetuado não se encontrava inclusa a parcela do lucro inflacionário da diferença do IPC/BTNF. Mais, questionava qual seria o procedimento para regularizar o tributo não recolhido a este título. Sete (7) anos depois, em 2002, trouxe as declarações de compensação em foco defendendo realidade diametralmente oposta: haveria no pagamento de fevereiro de 1993, sim, parcela afeta ao lucro inflacionário decorrente da diferença IPC/BTNF e, como tal, passível de restituição. Nada obstante estranhável o antagonismo tenho que a premissa basilar em tema de reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional centrase na averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática em todos os seus limites, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. Em resumo: a verificação da liquidez e certeza do crédito é operação que exige provas e contas. Considerando que o § 1º do artigo 33 do Decreto nº 332, de 04 de novembro de 1991, estipula que a diferença entre a correção monetária com base no IPC e no BTN Fiscal apurada no ano de 1990 seja escriturada apartadamente, bem assim, que o artigo 21, § 3º, da Lei nº 7.799, de 1989, elegeu o Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR) como fonte dos controles desta temática, impende avaliar os registros originários nele levados pela contribuinte, plenamente subsistentes em razão da não prevalência do lançamento fiscal tratado Fl. 511DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13603.002461/200240 Acórdão n.º 1102000.791 S1C1T2 Fl. 480 12 no processo administrativo nº 13603.001049/200121 o qual, a propósito, originou o sobrestamento deste feito ante a possibilidade de modificações no lucro inflacionário inseridas por aquele ato administrativo. Assim procedendo, defrontase à fl. 236 com cópia da página 37 do LALUR tratando da conta “Lucro Inflacionário 1990 – IPC x BTNF – Lei 8.200/91” e que dá pelo saldo, em 30/06/1992, de Cr$ 35.984.940.629,44 e ainda um último registro intitulado “transporte para o livro 02 (dois)”. Admito a eficácia dessa cifra, seja porque referido livro extracontábil não fora impugnado pelo Fisco, seja, principalmente, porque ela foi assimilada pelo sistema da Secretaria da Receita Federal que acompanha e controla o lucro inflacionário (SAPLI), fl. 240. Por conseguinte, sabendose que o fator de correção monetária aplicável para o segundo semestre de 1992 foi de 3,5495 (três inteiros vírgula cinco mil quatrocentos e noventa e cinco décimos de milésimos) chegase ao lucro inflacionário, em 31 de dezembro de 1992, na ordem de Cr$ 127.728.546.764,19. Ainda, considerando que no anocalendário de 1993 o período de apuração do imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ser mensal, bem assim, que o fator de correção monetária para o mês de janeiro daquele ano foi definido em 1,3075 (um inteiro vírgula três mil e setenta e cinco décimos de milésimos), sobressai lucro inflacionário nessa época na importância de Cr$ 167.005.074.894,18. Finalmente, consabido que a contribuinte utilizouse da alíquota tributária incentivada de 5% (cinco por cento) prevista no inciso V do artigo 31 da Lei nº 8.541, de 1992, concluise que do pagamento de Cr$ 22.287.627.418,00 havido em 18/02/1993 emerge indébito fiscal a quantia de Cr$ 8.350.253.744,71 (oito bilhões, trezentos e cinquenta milhões, duzentos e cinqüenta e três mil, setecentos e quarenta e quatro cruzeiros e setenta e um centavos), qual seja, 5% (cinco por cento) de Cr$ 167.005.074.894,18. Com tais razões, VOTO pela rejeição da preliminar de cerceamento do direito de defesa e, no mérito, observada a condição resolutiva já dissertada, pelo provimento parcial do recurso voluntário para reconhecer o direito creditório contra a Fazenda Nacional, relativo a pagamento a maior de IRPJ afeto a lucro inflacionário da diferença IPC/BTNF, na quantia de Cr$ 8.350.253.744,71 (oito bilhões, trezentos e cinquenta milhões, duzentos e cinqüenta e três mil, setecentos e quarenta e quatro cruzeiros e setenta e um centavos), seguindose a homologação das compensações que lhe decorrer. documento assinado digitalmente José Sérgio Gomes Relator Fl. 512DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2012 por JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 17/09/2012 po r JOSE SERGIO GOMES, Assinado digitalmente em 18/09/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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