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Numero do processo: 10983.908293/2009-59
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 11 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3801-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 08 29 3/ 20 09 -5 9 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908293/200959 Resolução nº 3801000.409 S3TE01 Fl. 3 2 Relatório Por meio de Declaração de Compensação apresentada eletronicamente, a requerente postula a compensação de débito de contribuição com crédito decorrente de pagamento a maior. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC, nos termos de despacho decisório eletrônico não reconheceu o direto creditório e não homologou a compensação efetuada. Após ter sido cientificado dessa decisão, a interessada interpôs manifestação de inconformidade. A DRJ em Florianópolis (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não homologou a compensação. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908293/200959 Resolução nº 3801000.409 S3TE01 Fl. 4 3 Voto O recurso é tempestivo, todavia não atende os demais pressupostos recursais, uma vez que seu conhecimento estará condicionado à regularização da representação processual, conforme será demonstrado. Como constatado pela autoridade fiscal que realizou a diligência fiscal, o signatário do recurso voluntário não comprovou ter poderes para representar a pessoa jurídica, todavia não se deve adotar como solução do litígio a preclusão temporal, ou seja, a declaração de revelia. Registrese que este relator, ao propor a conversão do julgamento em diligência, não atentou para o fato de que o recurso voluntário foi subscrito por advogado sem instrumento procuratório válido. O vício na representação processual não deve resultar na cobrança imediata dos débitos. O artigo 13 do Código de Processo Civil, inciso II, dispõe que: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) Assim, ao receber o recurso voluntário, a autoridade preparadora deveria verificar se o representante legal era detentor de poderes para representar a interessada. Constatado o vício, a recorrente deveria ter sido intimada a regularizar a representação processual. Este procedimento não foi adotado e não pode trazer prejuízos à recorrente. Tenhase presente que o não conhecimento do recurso voluntário nos termos propostos pela autoridade fiscal implicaria em um enriquecimento ilícito da Fazenda Nacional, pois resultaria na cobrança indevida de débito. A administração pública pauta principalmente pelos princípios da legalidade, moralidade e eficiência. De sorte que o presente processo deve retornar à Delegacia de origem para que, no prazo de quinze dias, seja dada à recorrente a possibilidade de regularizar a sua situação processual. Ademais, do exame dos documentos da diligência fiscal, verificase que a diligência não foi cumprida integralmente, pois a recorrente não foi devidamente cientificada de seu teor, em especial dos cálculos efetuados pela autoridade fiscal. A falta de intimação da diligência viola o princípio do devido processo legal e implica ofensa ao amplo direito de defesa administrativa, que é uma garantia individual e reconhecida constitucionalmente. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908293/200959 Resolução nº 3801000.409 S3TE01 Fl. 5 4 Ante ao exposto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para que a Delegacia de origem: a) intime à interessada no prazo de 15 (quinze) a regularizar a representação processual; b) cientifique a interessada quanto ao teor da diligência para, desejando, manifestarse no prazo acima. Após a conclusão da diligência, retornar o processo a este CARF para julgamento. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 113DF CARF MF Impresso em 11/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 20/02/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000261/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL
Exercício: 2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ALEGADO. PROVA. Ausente a demonstração inequívoca do direito de crédito alegado pelo Contribuinte em
declaração de compensação, impõe-se o indeferimento do pedido respectivo.
Recurso voluntário não provido.
Numero da decisão: 1102-000.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Exercício: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. CRÉDITO ALEGADO. PROVA. Ausente a demonstração inequívoca do direito de crédito alegado pelo Contribuinte em declaração de compensação, impõe-se o indeferimento do pedido respectivo. Recurso voluntário não provido.
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CRÉDITO ALEGADO. PROVA. Ausente a demonstração inequívoca do direito de crédito alegado pelo Contribuinte em declaração de compensação, impõese o indeferimento do pedido respectivo. Recurso voluntário não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator. EDITADO EM: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima, Antonio Carlos Guidoni Filho, João Otávio Opperman Thomé, Silvana Rescigno Guerra Barreto, Plínio Rodrigues Lima e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relatório Fl. 149DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 2 Tratase de recurso voluntário interposto pela Contribuinte contra acórdão proferido pela Primeira Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Curitiba – PR assim ementado, verbis: “PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTIMATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA NA VIGÊNCIA DA IN SRF N° 600, DE 2005. OBRIGATORIEDADE DE UTILIZAÇÃO NA DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO DEVIDA AO FINAL DO PERÍODO DE APURAÇÃO OU PARA COMPOR O SALDO NEGATIVO DE CSLL. Aplicase à declaração de compensação apresentada na vigência da IN SRF n° 600, de 2005, a obrigatoriedade de utilização da estimativa de CSLL paga indevidamente ou a maior na dedução da contribuição devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA DE CSLL. VEDAÇÃO À UTILIZAÇÃO COMO DIREITO CREDITÓRIO. Havendo vedação à utilização de estimativa de CSLL como direito creditório oriundo de pagamento indevido ou a maior, é de se confirmar a não homologação da compensação declarada nos autos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Trata o presente processo da compensação declarada por meio do PER/DCOMP n° 26641.88187.110208.1.3.042011 (fls. 01 05), relativa à compensação do débito de Cofins (código de receita 2172) do mês de dezembro/2003, acrescido de multa e juros de mora, totalizando R$ 3.870,80, com utilização do direito creditório de R$ 2.438,45 oriundo do pagamento indevido ou a maior da estimativa de CSLL (código de receita 2484) do mês de dezembro/2003, recolhimento este efetuado em 31/03/2004 (R$ 2.438,45). 2. A DRF/Ponta Grossa, por meio do Despacho Decisório n° 927/2009 (fls. 0910), proferido em 11/12/2009, não homologou a compensação declarada em 11/02/2008 em face da inexistência do direito creditório indicado, haja vista entender que o recolhimento indevido ou a maior de estimativa mensal somente poderia ser utilizado na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de CSLL do período, conforme previsto no art. 10 da IN SRF n° 600, de 28 de dezembro de 2005, que manteve a restrição anteriormente prevista na IN SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004, art. 10. 3. Regularmente cientificada em 18/05/2010 (fl. 15), a reclamante apresentou, em 17/06/2010, a tempestiva manifestação de inconformidade de fls. 1721, instruída com os documentos de fls. 2265, cujo teor é sintetizado a seguir: a) aduz que em 31/03/2004 recolheu indevidamente R$ 2.438,45 de estimativa de CSLL; que o pagamento indevido ocorreu em Fl. 150DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16403.000261/200973 Acórdão n.º 110200.739 S1C1T2 Fl. 2 3 face de o Departamento Financeiro da AFEPON, diante das guias emitidas por escritório de contabilidade externa, com base nas notas fiscais do período, ter efetuado mencionado pagamento; b) que o DARF foi recolhido indevidamente em face de não haver declarado débito algum em DCTF; que não apurou saldo negativo de CSLL na DIPJ 2004 e nem utilizou valores pagos por estimativa como dedução da contribuição devida; c) que tem direito à repetição do valor indevidamente recolhido e que a compensação requerida constitui a melhor forma de apurar e reaver este crédito; d) junta relatório de auditoria externa, demonstrando que durante a gestão anterior, no período de 2001/2004, ocorreram pagamentos indevidos à Receita Federal; e) requer a reforma da decisão de não homologação da declaração de compensação, com reconhecimento do direito à restituição do valor indevidamente recolhido, conforme arts. 165 do CTN e 876 do Código Civil, corrigido monetariamente consoante jurisprudência pacífica dos tribunais superiores. O acórdão acima ementado rejeitou a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, sob o fundamento de que: (i) não restou comprovada nos autos a existência do alegado pagamento indevido ou a maior, mediante apresentação dos balanços/balancetes de suspensão/redução levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no Livro Diário, mormente considerando que a reclamante informou que as estimativas de CSLL foram apuradas por escritório de contabilidade externa com base nas notas fiscais do período (com base na receita bruta); e (b) mesmo se assim não fosse, “a indicação dessa estimativa de CSLL como direito creditório configura descumprimento da regra constante do art. 10 da IN SRF n° 600, de 2005, em vigor à dada da transmissão da declaração de compensação em análise, o que acaba por prejudicar o exercício desse direito, conforme disposto no art. 170 do CTN”. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte reproduz suas razões de impugnação, no sentido de que teria direito à restituição dos valores pretendidos, por intermédio de compensação, pois o DARF em referência teria sido recolhido indevidamente em face de não haver declarado débito algum em DCTF; não ter apurado saldo negativo de CSLL na DIPJ 2004 e nem ter utilizado valores pagos por estimativa como dedução da contribuição devida. É o relatório. Voto Conselheiro ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Fl. 151DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO 4 O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. Entendo que os valores recolhidos pelo contribuinte a título de antecipação (estimativa) de IRPJ e CSLL podem ser restituídos e compensados, mesmo dentro do respectivo anocalendário, desde que o sujeito passivo comprove cabalmente que os montantes recolhidos a esse título eram indevidos na data do respectivo recolhimento (v.g., quando o contribuinte faz prova de ter recolhido valores de estimativas acima dos montantes fixados em lei para tanto). Ausente tal comprovação, os valores em referência obrigatoriamente representarão mera antecipação do tributo devido ao final do anocalendário, sendo que eventual indébito (rectius: saldo negativo) apenas poderá ser apurado (compensado ou restituído) após o encerramento do respectivo anocalendário e entrega da declaração de ajuste pelo contribuinte. Citado entendimento foi acolhido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se depreende de ementa de acórdão abaixo transcrita, verbis: “RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a título de estimativa que supera o valor devido a título de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido do tributo.” (1a Turma da CSRF, Processo n. 14.033.000222/200572; Rel. Antonio Carlos Guidoni Filho, sessão de 30 de setembro de 2009) No caso, verificase dos autos que a Contribuinte declarou na Ficha 16 Cálculo da CSLL Mensal por Estimativa (com base na receita bruta e acréscimos) da DIPJ 2004 (ND 0881654), apresentada em 29/06/2004, não ter apurado débito de estimativa de CSLL para o mês de competência dezembro/2003. Contudo, na DCTF original do 4º trimestre/2003 (ND 0000.100.2003.51769975), apresentada em 13/02/2004, foi confessado débito de R$ 2.006,14 de estimativa de CSLL para esse mês (fl. 79), cujo valor foi retificado para zero em DCTF retificadora (ND 0000.100.2007.32145132) apresentada em 24/09/2007 (fl. 80) e novamente retificado para R$ 996,76 pela declaração apresentada em 05/03/2008 (ND 0000.100.2008.12392541, à fl. 81). Como bem asseverado pelo acórdão recorrido, não há prova nos autos de que os valores recolhidos pela Contribuinte a título de estimativa eram indevidos na data do respectivo recolhimento, o que seria fundamental para o reconhecimento do alegado pagamento indevido ou a maior. Ao contrário, a Contribuinte informa ter débitos de (estimativa) de CSLL em períodos anteriores no próprio anocalendário de 2003 (cf. DIPJ/2004) e não trouxe aos autos provas de que tais valores tenham sido tempestivamente anteriormente quitados (como antecipação do tributo devido ao final do ano calendário), a fim de que os valores de estimativa recolhidos fossem efetivamente um indébito. Além disso, a Contribuinte confessou originariamente em DCTF como débito o valor do crédito que pretende ora restituir e, sem justificar adequadamente a medida nestes autos, retificou citada Declaração para reduzir o valor a zero e, posteriormente, novamente sem o adequado material probatório, confessou como devido valor inferior ao montante do crédito em referência. O fato de a Contribuinte eventualmente não ter se utilizado de valores de estimativa na apuração do resultado respectivo, o que se admite apenas para fins de argumentação já que também não há prova cabal nesse sentido, não altera a natureza jurídica dos montantes recolhidos (estimativas) e não transforma o valor devido (na data do Fl. 152DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO Processo nº 16403.000261/200973 Acórdão n.º 110200.739 S1C1T2 Fl. 3 5 recolhimento) em indevido. Conforme determina a legislação vigente, ao final do ano calendário, a Contribuinte deveria (i) ter deduzido o montante recolhido a título de estimativas do valor do tributo apurado definitivamente; e caso aquele (estimativas) excedesse a este (tributo devido), (ii) ter pleiteado a restituição/compensação do saldo (negativo) respectivo. Ao assim deixar de proceder a Contribuinte, impõese a rejeição de seu pleito de compensação. Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso especial da Contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO Relator Fl. 153DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2012 por MARIA CONCEICAO DE SOUSA RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por ANTONIO C ARLOS GUIDONI FILHO
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Numero do processo: 10925.001739/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2007 a 31/10/2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. O motivo para indeferir a compensação não se confunde com o motivo para aplicação da penalidade. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, não é, por si só, motivo para a qualificação da penalidade.
Numero da decisão: 1401-000.629
Decisão: Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e voto que integram o presen te processo: a) por unanimidade de votos, não conheceram parcialmente do recurso quanto à ocorrência de simulação, pela concomitância com a esfera judicial; b) Na parte conhecida, por unanimidade de votos, negaram provimento quanto à alegação de bis in idem, tendo acompanhado pelas conclusões a conselheira Karem Jureidini Dias; e, por maioria de votos, deram provimento parcial para reduzir a multa de ofício de 75%, vencidos o relator e o conselheiro Antônio Bezerra Neto. Designada a conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor do provimento parcial.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/08/2007 a 31/10/2008 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial (Súmula CARF nº 1). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). MULTA QUALIFICADA DE 150%. A aplicação da multa qualificada pressupõe a comprovação inequívoca do evidente intuito de fraude. O motivo para indeferir a compensação não se confunde com o motivo para aplicação da penalidade. O fato de o contribuinte ter apresentado declaração inexata, não é, por si só, motivo para a qualificação da penalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, nos termos do relatório e voto que integram o presen te processo: a) por unanimidade de votos, não conheceram parcialmente do recurso quanto à ocorrência de simulação, pela concomitância com a esfera judicial; b) Na parte conhecida, por unanimidade de votos, negaram provimento quanto à alegação de bis in idem, tendo acompanhado pelas conclusões a conselheira Karem Jureidini Dias; e, por maioria de votos, deram provimento parcial para reduzir a multa de ofício de 75%, vencidos o relator e o conselheiro Antônio Bezerra Neto. Designada a conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor do provimento parcial. (assinado digitalmente) Fl. 423DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 2 (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Antonio Bezerra Neto, Sergio Luiz Bezerra Presta, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira e Karem Jureidini Dias. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 335 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 290291): Tratase de Auto de Infração no valor de R$ 1.273.658,61, relativo ao período de 08/2007 a 10/2008. Conforme a descrição dos fatos e enquadramento(s) legal (is), o lançamento de oficio se deve As compensações indevidas efetuadas pelo sujeito passivo, em vista do Despacho Decisório DRF/JOA 1962, de 20 de novembro de 2008, pelo qual as referidas compensações não foram homologadas. Segundo o relatório fiscal, as compensações foram realizadas ao arrepio dos dispositivos legais disciplinados pelo art. 74 da Lei n°. 9.430/96 (com a redação dada pelo art. 49 da Lei n°. 10.637/02), tendo a contribuinte se valido indevidamente dos créditos de terceiros. O referido Despacho Decisório (DRF 1962) foi emitido com base no parecer da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional PGFN, datado de 18/12/2007 (fls. 12/21). 0 parecer foi solicitado através de representação fiscal administrativa, pela qual a autoridade fiscal coloca sob suspeição o Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Transitada em Julgado da contribuinte em tela (10925.0002.111/200503), no valor de R$ 1.047.146,67 (14/03/2007), relativo ao PIS, proveniente de operações da empresa Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda. (fl. 31). Segundo a representação fiscal, as pessoas jurídicas envolvidas passaram por repetidas trocas de sócios, incorporações e cisões, em vários casos deixando débitos tributários sem quitação, com suspeita de que tais fatos tenham sido motivados pela possibilidade de utilização do crédito tributário ganho pela empresa Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda., sem vinculálos aos débitos que estão pendentes. 0 parecer emitido pela PGFN trata de esclarecer as relações existentes entre as empresas envolvidas. Segundo trechos compilados do relatório fiscal: Em parecer emitido pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional mencionado que o crédito reconhecido judicialmente era da empresa Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda. (...) que tinha como sócia controladora a empresa Huaine Participações Ltda (...) Ocorre que em 07/12/2005, o Ato Declaratório Executivo n° 34, DRF Joaçaba/SC, declarou inapta a inscrição do CNPJ da empresa Huaine Participações Ltda.. Assim sendo, são considerados inidôneos os documentos emitidos a partir da publicação deste ato. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 4 Nas fls. 14, é mencionado que, após a declaração de inaptidão e encontrandose a empresa inativa, a Huiane Participações Ltda. cedeu e transferiu a integralidade das suas cotas, equivalente a 99,84% do capital da Comercial de Alimentos Verde Vale Lida (...) Declara ainda a PGFN que o negócio jurídico da transferência da participação societária é nulo, bem como a empresa Huaine permanece sendo a controladora da Comercial de Alimentos Verde Vale, Menciona também que neste ato a empresa Huaine praticou simulação. Em 01/01/2007, a 12ª. alteração contratual da Comercial de Alimentos Verde Vale (..) tratou da incorporação desta pela empresa Tróia Consultoria Empresarial Ltda., porém esta alteração somente foi registrada na Junta Comercial do Estado em 19/03/2007. Tendo em vista que o registro foi feito somente após ter transcorrido um período superior a 30 dias da assinatura da alteração contratual, esta alteração pela legislação em vigor só tem validade após o seu registro, ou seja, após 19/03/2007. Em 15/03/2007, foi feito novo pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitado em julgado, em nome de TRÓIA CONSULTORIA EMPRESARIAL, fls. 31, alegando que esta havia incorporado a empresa Comercial de Alimentos Verde Vale, tornandose sucessora do crédito. Concluiu a PGFN que, como a data da alteração contratual (19/03/2007) foi posterior à data do pedido de habilitação (15/03/2007), na época do pedido de habilitação (15/03/2007), na época do pedido de habilitação, não havia incorporação,e com isso, não existia crédito a compensar. Tendo sido consideradas como "não declaradas" as compensações, conforme Despacho Decisório DRF/JOA n°. 1962, nos termos do disposto no artigo 74, §12, inciso II, alínea "a" da Lei n°. 9.430/1996, restou caracterizada a aplicação da multa isolada prevista no § 4°, art. 18, da Lei 10.833, c/c o inciso I e § 1 0. do art. 44 da Lei 9.430 de 27 de dezembro de 1996 (e sucessivas alterações). Com base nos elementos analisados pela PGFN, cujo parecer foi no sentido de caracterizar um grupo econômico e a pratica de simulação por parte das empresas envolvidas, a multa foi qualificada nos termos da §. 1°. do art. 44 da Lei n°. 9.430/96. Foi emitida a Representação Fiscal para Fins Penais pela caracterização, em tese, da conduta de sonegação, tipificada no art. 71, II, da Lei n°. 4.502/64. A contribuinte apresenta a sua defesa as fls. 149/157, alegando, preliminarmente, a nulidade do auto de infração em face da suspensão dos efeitos do despacho decisório n°. 1.962/2008 por decisão judicial transitada em julgado, visto que este foi utilizado como fundamento para a lavratura do auto de infração ora impugnado. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 336 5 Sustenta que, na condição de sucessora da empresa Verde Vale por incorporação, obteve o deferimento no seu pedido de habilitação para reaver indébito de PIS assegurado por decisão judicial, mas que, posteriormente, em ato incompatível, foi proferido o referido despacho decisório glosando as compensações, sob a alegação de que se tratam de débitos de terceiros. Inconformada, propôs a Ação Anulatória de Ato Administrativo n°. 2009.72.11.0001082 contra a União Federal, perante a Vara Federal de Caçador/SC, onde foi proferida a decisão antecipando os efeitos da tutela para declarar, em suma, a suspensão dos efeitos do despacho decisório e da exigibilidade do crédito tributário. Alega que, na mesma data, baseado no Despacho Decisório cujos efeitos foram suspensos, foi lavrado o presente auto de infração, exigindo a multa de 150% do valor dos débitos objeto de compensação, tendo sido cientificada em 17/08/2009, após a intimação da decisão judicial que suspendeu os efeitos do referido despacho. Por este motivo, entende como inválida a pretensão punitiva no lançamento fiscal calcado em ato administrativo que não pode produzir efeitos. A contribuinte remete, ainda, ao artigo 151, V, do Código Tributário Nacional — CTN, para alegar que, enquanto não solucionada a controvérsia no âmbito judicial, não há como lançar a multa consubstanciada no auto de infração ora impugnado. No mérito, alega sobre a inocorrência da infração capitulada no artigo 18, § 4º. da Lei n°. 10.833/2003 e no artigo 74, § 12, II, da Lei n°. 9.430/1996, sustentando que não compensou créditos de terceiros, mas sim créditos próprios, sucedidos por incorporação da empresa Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda. Aduz ter atendido a todas as formalidades legais exigidas pela IN/SRF n°.600/2005, tendo o fisco habilitado o indébito para compensação em favor da impugnante; que agiu de boafé, tanto que levou a incorporação da Verde Vale e a pretensão de compensar o crédito incorporado ao conhecimento do Fisco, nada fazendo às escondidas; que os atos societários da impugnante relativos à incorporação são legítimos, firmes, diretos e efetivos, conforme demonstrado na inicial da ação anulatória, em que já se discute o mérito da causa. Argumenta, ainda, que, segundo a própria fiscalização, a fundamentação/motivação de seus atos seria a ocorrência de simulação, hipótese que não se enquadraria no §12 do artigo 74 da Lei n°. 9.430/96. Sob o titulo "Inconstitucionalidade da multa de 150% ofensa ao principio da vedação ao confisco", referindose ao art 140, IV, da Constituição Federal, alega que a multa imposta, por seu montante excessivo ou despropositado em razão da natureza do delito ou infração tributária, configura verdadeiro confisco. Por tal razão, aduz ser inconstitucional a sua exigência. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 6 Remete, ainda, ao lançamento dos créditos tributários, cujas compensações não foram homologadas, em divida ativa, para alegar que a exigência de nova multa fundamentada no mesmo ato administrativo pretende penalizar duplamente a impugnante, configurando o famigerado "bis in idem", o que contraria o principio da razoabilidade e proporcionalidade da tributação. Alega, ainda, que tal fato, por si só, vicia o auto de infração, impondo o seu cancelamento. A 4ª Turma da DRJ Florianópolis, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada pela interessada, por meio do Acórdão 0720.733, assim ementado (fls. 290): Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/08/2007 a 31/10/2008 CONCOMITANCIA COM AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA A DISCUSSÃO DA MESMA MATÉRIA NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A proposição de ação judicial contra a Fazenda Pública antes ou após o pleito administrativo, importa na renuncia de discutir a matéria objeto da ação judicial na esfera administrativa, uma vez que as decisões judiciais se sobrepõem as administrativas. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no Pais, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Cientificada do Acórdão em 20/09/2010 (fls. 300), a contribuinte, em 20/10/2010, interpôs o recurso voluntário de fls. 301316, reiterando os argumentos e os apresentados em sua impugnação. De maneira resumida, a recorrente: a) arguiu a inocorrência de renúncia à instância administrativa; b) considerou indevida a desconsideração, pelo acórdão recorrido, dos efeitos da antecipação de tutela deferida nos autos da ação anulatória nº 2009.72.11.0001082; c) questionou a ocorrência da infração capitulada, argumentando que a simulação constitui hipótese não titpificada no art. 74,§ 12, II da Lei 9.430/96; d) arguiu ainconstitucionalidade da multa de 150%, por ofensa ao princípio da vedação ao confisco; e) questionou a exigência de duas multas sobre a mesma conduta imputada à recorrente (bis in idem). Nestes termos, requereu que seja dado provimento ao presente recuso voluntário, cancelandose o auto de infração. Alternativamente, requereu o reconhecimento da suspensão da exigibilidade do presente crédito tributário e a suspensão do andamento do presente processo administrativo, até que seja proferida decisão definitiva nos autos da ação anulatória nº 2009.72.11.0001082. É o relatório. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 337 7 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Preliminares Preliminarmente, a contribuinte arguiu a inocorrência de renúncia à instãncia administrativa, o que teria motivado a indevida ausência de apreciação de parte dos argumentos deduzidos pela contribuinte em sua peça impugnatória. Não assiste razão à recorrente. Sobre o tema, assim se pronunciou, com muita propriedade, o acórdão recorrido, fls. 291293 (grifado): Conforme se verifica nas razões da contribuinte, há coincidência na causa que gerou tanto o processo judicial (copia anexada as autos às fls. 235/279) quanto o processo administrativo em apreço, que se configura na insurgência do contribuinte contra o despacho decisório que deu origem tanto ao lançamento dos débitos indevidamente compensados, quanto à multa isolada constante do presente. A coincidência entre a causa de pedir, constante no fundamento jurídico da ação judicial, e o fundamento da exigência consubstanciada em lançamento, impede o prosseguimento do processo administrativo no tocante aos mesmos fundamentos, de modo a prevalecer a solução judicial do litígio. Há determinação expressamente prevista nesse sentido, conforme a alínea "a" do Ato Declaratório Normativo COSIT n.° 03, de 14 de fevereiro de 1996, ipsis verbis: [...] Dessa forma, sempre que um contribuinte ingressa em Juizo para discutir algum direito que entende possuir perante a Fazenda Nacional, esvaziase o contencioso administrativo em relação ao assunto, pois a decisão judicial é sempre soberana, ficando caracterizado um quadro de renúncia/desistência da via administrativa, dai cabendo As unidades fiscais locais/jurisdicionantes dos contribuintes o acompanhamento das ações por estes aforadas para o cumprimento das decisões judiciais aplicáveis e a adoção das medidas cabíveis. Pelo que consta dos autos, verificase que o auto de infração que ora se analisa foi emitido em razão das compensações terem sido consideradas nãodeclaradas. Conforme consta no Relatório de Atividade Fiscal, o referido despacho decisório, amparado pelo parecer da PGFN, expressou que a empresa Tróia Consultoria Fl. 429DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 8 Empresarial compensou indevidamente créditos de terceiros. Neste entendimento, em especial com o contido no § 12, II, alínea "a" do art. 74 da Lei n°. 9.430/96, é que foi emitido o Despacho Decisório 1962 que indeferiu as compensações. Tendo sido consideradas como não declaradas as compensações, restou caracterizada a multa prevista no § 4°., art. 18 da Lei no. 10.833/2003. A suspensão judicial dos efeitos do despacho decisório n° 1962/2008 atingem a cobrança dos tributos e as multas decorrentes daquele ato, mas não o direito de a Receita Federal do Brasil lançar créditos que entende serem devidos e que se encontram legalmente previstos. Lembrese, por oportuno, o permissivo legal constante da Lei 9.430/96, art. 63, prevendo que se constitua o crédito tributário relativo a tributo de competência da União cuja exigibilidade houver sido suspensa, com o intuito de prevenir a decadência, o que pode se estender aqui, por analogia, ao caso em concreto. Assim, da mesma forma que a cobrança dos tributos já lançados nas Certidões da Divida Ativa (CDA) fica suspensa até que seja dirimida a controvérsia através da sentença judicial definitiva, a cobrança da multa isolada gerada por compensações consideradas "não declaradas" fica sujeita ao deslinde da questão posta judicialmente. Ou seja, tratandose de uma discussão de matéria correlata àquele processo judicial, a decisão judicial que definirá a legalidade do referido despacho irá surtir efeitos também em relação à multa de que trata o presente processo. Não há que falar, portanto, em anulação do auto de infração, conforme requer a contribuinte, mas sim em suspensão da cobrança da multa isolada, até que seja prolatada a decisão judicial relativa ao Despacho Decisório n°. 1962/2008. A contribuinte, no mérito, alega não ter incorrido na infração tipificada no artigo capitulado pela fiscalização, sustentando os mesmos motivos alegados processo judicial, em breve síntese: que o indébito de PIS foi vertido para a impugnante em face da incorporação do patrimônio da Verde Vale; que atendeu a todas as formalidades exigidas para a habilitação dos créditos; que os atos societários relativos a incorporação do patrimônio da Verde Vale são legítimos, firmes, diretos e efetivos, conforme demonstrado na Ação Anulatória (judicial), em que já se discute o mérito da causa, na qual alega demonstrar a inexistência de simulação nos Inegócios jurídicos realizados, bem como desmente a alegação de formação de grupo econômico. Isso posto, apenas se conhecerá das questões relativas as matérias diferenciadas abordadas pela contribuinte no presente processo, conforme se colocará a seguir. Antes disso, porém, há que rebater o argumento de que a fimdamentação/motivação do auto de infração em tela seria a ocorrência de simulação, hipótese que não se enquadraria no §12 do art. 74 da Lei n°. 9430/96. Consta dos autos todo o histórico que deu origem ao ato administrativo ora impugnado, conforme já relatado acima. As Fl. 430DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 338 9 compensações foram realizadas ao arrepio dos dispositivos legais disciplinados pelo art. 74 da Lei n°. 9.430/96 (com a redação dada pelo art. 49 da Lei n°. 10.637/02), tendo a contribuinte se valido indevidamente dos créditos de terceiros. Obviamente que para que se chegasse a esta conclusão, foi preciso uma análise apurada das circunstâncias em que os fatos ocorreram, conforme a abordagem feita no parecer da PGFN o qual, por sua vez, gerou o despacho decisório que foi objeto de interposição de decisão judicial. Desta forma, a ocorrência da simulação está sendo discutida naquele processo, não cabendo aqui discussão quanto a legalidade dos atos societários da empresa. Cumpre frisar que este tema já se encontra sumulado no âmbito desta Corte Administrativa: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Nestes termos, considero improcedentes as alegações da recorrente, relativas à arguição de inocorrência de renúncia à instância administrativa e à suposta desconsideração, pelo acórdão recorrido, dos efeitos da antecipação de tutela deferida nos autos da ação judicial. Pelas mesmas razões, considero que o colegiado julgador a quo agiu corretamente, ao se abster de analisar as alegações da recorrente relativas à ocorrência da infração capitulada. Não pode prosperar a alegação da recorrente no sentido de que a simulação constitui hipótese não tipificada no art. 74, §12, II da Lei nº 9.430/96. Afinal, de acordo com a fundamentação legal da presente exigência, o Fisco claramente afirmou que se trata de hipótese de compensação com créditos de terceiros (§ 12, II, “a” do art. 74 da Lei nº 9.430/96). Diante do exposto, concluo que somente não ocorreu a renúnicca à esfera administrativa no que tange à arguição de inconstitucionalidade da multa de 150%, por ofensa ao princípio da vedação ao confisco e ao questionamento acerca da suposta exigência de duas multas sobre a mesma conduta imputada à recorrente (bis in idem). Inconstitucionalidade da multa de 150% Em relação a este tema, a recorrente referiuse ao art 140, IV, da Constituição Federal, alegando que a multa imposta seria inconstitucional, por seu montante excessivo ou desproporcional em relação à natureza da infração tributária. Não assiste razão à recorrente. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 10 A multa aplicada à contribuinte possui clara e explícita previsão legal, consubstanciada no § 4º. do art. 18 da Lei n°. 10.833/2003. A referida multa foi corretamente à hipótese fática identificada pela autoridade fiscal. Consequentemente, a alegação da recorrente subsumese em mera arguição de inconstitucionalidade daquele dispositivo legal. Tal arguição, contudo, não pode ser apresentada perante este colegiado julgador administrativo, a que compete exclusivamente o controle de legalidade dos atos administrativos (ou exame, exame da adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes). Sobre o tema, é suficientemente clara a determinação contante do art. 26A do Decreto n° 70.235/72, com a redação dada pelo art. 25 da Lei n° 11.941/2009, verbis: Art 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fimdamento de inconstitucionalidade. Vale dizer que este tema também se encontra sumulado no âmbito desta Corte Administrativa: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Bis in Idem Em relação a este tema, a recorrente arguiu que a exigência da presente multa, fundamentada no mesmo ato administrativo que deu origem ao lançamento dos créditos tributários, acaba por penalizar duplamente a contribuinte, caracterizando a ocorrência de bis in idem, afrontando os princípios tributários da razoabilidade e da proporcionalidade. Não assiste razão à recorrente. Os valores a que a recorrente se refere são os débitos tributários que que ela pretendia compensar com créditos de terceiros. As aludidas compensações foram consideradas não declaradas, tendo sido a ausência de previsão legal para compensação utilizando créditos de terceiros. Conforme relatado, os aludidos débitos não têm origem no despacho decisório objeto dopresente processo. Os aludidos débitos eram preexistente e efetivamente devem ser exigidos da contribuinte, uma vez que até o momento não foram extintos, seja por pagamento, seja por compensação validamente declarada. Eventuais multas incidentes sobre estes valores decorrem exclusivamente da ausência de pagamento dentro do prazo previsto pela legislação tributária. Por seu turno, o crédito exigido no presente processo referese apenas à multa isolada. A referida multa tornouse exigível em razão da nãohomologação da compensação, decorrente da comprovação de falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, que ficou sujeito à aplicação da multa no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei n°. 9.430/96, duplicado na forma de seu § 1º. Fl. 432DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 339 11 Constatase, pois, que as multas a que alude a recorrente tem origens distintas, razão pela qual não se configura o alegado bis in idem. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer parcialmente do recurso quanto à ocorrência de simulação, pela concomitância com a esfera judicial. Na pare conhecida, voto por NEGAR provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 433DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 12 Voto Vencedor Conselheira Karem Jureidini Dias. Esclareço incialmente que fui designada para redigir o voto vencedor tão somente no tocante à redução da multa qualificada de 150% para 75%. Sobre o tema, entendeu o Conselheiro relator por manter a multa qualificada em 150%, afastando a alegação de inconstitucionalidade do referido percentual. De fato este Tribunal Administrativo não é competente para apreciar a constitucionalidade da lei. Entretanto, ao realizar o controle de legalidade do ato administrativo de lançamento, deve avaliar os fundamentos que serviram para a qualificação da multa no percentual de 150%, tendo em vista que o contribuinte insurgiuse sobre a qualificação da penalidade, ainda que por meio de fundamentos diversos. Verifico do Termo de Verificação Fiscal, que o auto de infração se refere à “lançamento de multa isolada em decorrência de compensações indevidas efetuadas [pela contribuinte], a qual se utilizou indevidamente de crédito de terceiros para compensar débitos próprios referentes ao IRPJ, COFINS e CSLL”. Os períodos de apuração abarcam os anos calendário de 2007 e de 2008. Os débitos se originam em pedidos de compensação indeferidos no processo administrativo nº 10925.002636/200883, no qual a recorrente pretende a utilização de crédito relativo à Contribuição Social Pis/Pasep obtido por ordem judicial pela pessoa jurídica Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda. Segundo relatado, o indeferimento da compensação está fundamentado na alegação de que “os créditos judiciais pertenciam e continuam pertencendo a Comercial de Alimentos Verde Vale Ltda., os quais já haviam sido habilitados em seu próprio nome — fls.123.” O grupo era formado pelas empresas HUAINE PARTICIPAOES LTDA, COMERCIAL DE ALIMENTOS VERDE VALE LTDA e TRÓIA CONSULTORIA EMPRESARIAL S/C LTDA. A empresa Tróia, ora recorrente, promoveu as compensações indicando como origem do crédito o processo judicial 9870001823, crédito de sucedida transitado em julgado. Conforme relata a PGFN, o crédito reconhecido judicialmente era da empresa COMERCIAL DE ALIMENTOS VERDE VALE LTDA, que tinha como sócia controladora, a empresa HUAINE PARTICIPAÇÕES LTDA. Em 07/12/2005, a empresa HUAINE PARTICIPAÇÕES LTDA foi declarada inapta (Ato Declaratório Executivo nº 34, DRF Joaçaba/SC). Conforme a 8ª, 9ª e 10ª alterações contratuais, a HUAINE PARTICIPAÇÕES LTDA. cedeu e transferiu a integralidade das suas cotas, equivalente a 99,84% do capital da COMERCIAL DE ALIMENTOS VERDE VALE LTDA. Tais atos foram considerados nulos pela autoridade fiscal, tendo em vista terem ocorrido Fl. 434DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 340 13 Em 01/01/2007, por meio da 12ª alteração contratual da COMERCIAL DE ALIMENTOS VERDE VALE, fls. 52/54, tratou da incorporação desta pela empresa TRÓIA CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA. Tal alteração foi registrada na Junta Comercial do Estado em 19/03/2007. Argumenta a autoridade fiscal que como o registro foi feito somente após ter transcorrido um período superior a 30 dias da assinatura da alteração contratual, esta alteração pela legislação em vigor, só tem validade após o seu registro, ou seja, após 19/03/2007. O novo pedido de habilitação de crédito reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, em nome de TRÓIA CONSULTORIA EMPRESARIAL, fls. 31, sob o fundamento de incorporação da empresa COMERCIAL DE ALIMENTOS VERDE VALE, tornandose sucessora do crédito, foi feito em 15/03/2007. Segundo a PGFN, como a data da alteração contratual (19/03/2007) foi posterior a data do pedido de habilitação (15/03/2007), na época do pedido de habilitação não havia incorporação, e com isso não existia crédito a compensar. Tendo sido a compensação efetuada com crédito de terceiros, considerou a Receita Federal não declaradas as compensações, nos termos do disposto no § 12 do art.74 da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pela Lei no 11.051/2004. O fundamento para a qualificação da multa foi feita nos seguintes termos, conforme fls. 218/219: Tendo sido consideradas como NÃO DECLARADAS as compensações supra, conforme Despacho Decisório DRF/JOA n° 1962 de 20 de novembro de 2008, nos termos do disposto no artigo 74 § 12 inciso II alínea a da lei 9;430/1996, então resta caracterizada a aplicação da multa prevista no § 4°, art. 18 da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, c/c inciso I e § 1°do art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996 (e sucessivas alterações). (...) Devido às empresas possuírem identidades de objetos e sócios, declara a Sra. Procuradora a caracterização do GRUPO ECONÔMICO e configura a prática de “simulação" por parte do grupo com o objetivo de afastar a sua responsabilidade tributária, fls. 15. Assim sendo, entende esta fiscalização, com base nos elementos analisados pela PGFN, que a multa aplicada deverá ser qualificada nos termos do § 1º do artigo 44 da lei 9.430/96. Então, com os fatos apresentados, concluímos pela caracterização, em tese, da conduta de sonegação, tipificada no artigo 71, II da lei 4.502/64, acima transcrito. Quando à empresa TROIA, ao efetuar compensações através dos documentos eletrônicos PER/DCOMPs, com a finalidade de reduzir o crédito tributário, sendo estes créditos pertencentes a outra pessoa jurídica, no caso a empresa HUAINE, incidiu na conduta, em tese, de sonegação, por que : Fl. 435DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 14 o seu ato de transmissão eletrônica se revestiu de aparência legal (ocorreu normalmente a transmissão eletrônica do PER/DCOMP em questão), entretanto o crédito que consta nessas PER/DCOMPs pertence 'a outra pessoa jurídica, impossibilitando assim, o aproveitamento deste por parte da empresa Tróia.; o ato de transmissão é de sua conveniência (caso a autoridade fazendária não tratasse manualmente os PER/DCOMPs transmitidos, o contribuinte não recolheria o tributo devido, compensandoo sem previsão legal). houve infração aos dispositivos legais que tratam da matéria (art. 74 da Lei 9.430/1996 com redação dada pela Lei 10.637/2002). Ora, apesar da compensação ser um direito discricionário, o contribuinte deve exercêlo de acordo com a legislação que disciplina a matéria. Segundo o art. 170 do CTN a compensação será efetuada "nas condições e sob as garantias" que a lei estipular; Não foram consideradas as orientações da RFB sobre o preenchimento dos PER/DCOMPs; O vocábulo sanção é adotado pelo direito positivo brasileiro tanto para indicar a aprovação de uma lei, quanto para indicar uma coerção. A sanção, enquanto meio coercitivo, é o dever preestabelecido por uma regra jurídica que o Estado utiliza como instrumento jurídico para impedir ou desestimular diretamente um ato ou fato que a ordem jurídica proíbe1. Assim, a sanção corresponde à conseqüência jurídica pela desobediência a determinada norma jurídica, sendo elemento a ela inerente. A desobediência de um dever imposto por uma norma jurídica corresponde ao denominado ilícito, o qual é a razão da imposição da sanção, consequência jurídica. Na norma sancionadora, verificase no antecedente um fato jurídico correspondente a determinado evento ilícito vertido em linguagem competente. No conseqüente, está a própria sanção com as indicações precisas dos sujeitos do vínculo (in casu, o contribuinte e a fazenda) e a forma de calcularse o montante da penalidade aplicável. Desta feita, a sanção é uma conseqüência jurídica que pode ser tanto de natureza indenizatória, anulando os efeitos do ato ilícito praticado, quanto penalizatória, apenando aquele que cometeu o ilícito. Sobre a natureza indenizatória e penalizatória da multa, Hector Villegas2 classificaas como repressivas ou repressivocompensatórias, dependendo da finalidade de castigar o infrator, ou castigálo e ressarcir o fisco pelos prejuízos sofridos. Em ambos os casos, a conseqüência jurídica deverá pretender coibir a ilicitude. Se a sanção é conseqüência jurídica da desobediência de uma determinada norma jurídica, então, a natureza da sanção está diretamente relacionada com a natureza da norma jurídica desobedecida, melhor dizendo, com o ilícito que tenta impedir. Dito isto, partindo do tipo de ilícito, passase ao elenco das espécies de sanções que se verificam em lançamentos de ofício de natureza tributária, mais especificamente, as multas. As multas, no direito tributário, podem ser aplicadas em 1 BECKER, Alfredo Augusto. Teoria Geral do Direito Tributário.Carnaval Tributário. São Paulo: Saraiva, 1989, p556. 2 Curso de direito tributário, ob cit., p.259. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 341 15 decorrência, principalmente, do nãopagamento de tributo, da mora ou da inobservância de obrigação acessória. Em lançamentos de ofício poderão ser encontradas, isolada ou cumulativamente, sanções de natureza tributária, administrativa ou penaltributária. Será de natureza tributária, se aplicada em razão de descumprimento de uma obrigação tributária (obrigação de dar, entregar dinheiro aos cofres públicos). Será de natureza administrativa, se relacionada ao descumprimento de uma obrigação acessória (obrigação de fazer). E, será de natureza penal tributária a sanção aplicada às infrações decorrentes de atos dolosos, visando a fraude ou a sonegação fiscal. Para o evento do não pagamento, nos lançamentos de ofício, verificamos a imposição de multa de ofício, espécie de sanção pecuniária. As multas de ofício são penalidades pecuniárias repressivocompensatórias ou, por vezes, predominantemente repressivas, que normalmente asseguram o recebimento do crédito tributário pelo erário. Tais multas podem aparecer como valores fixos ou por limites (máximo e mínimo), mas, via de regra, as multas de ofício constituemse em percentuais aplicáveis sobre o valor do tributo devido ou do fato jurídico. O percentual e a base (tributo devido ou fato jurídico), quantificadores da sanção, variam de acordo com a sua natureza predominantemente repressiva ou compensatória, dependendo das características do descumprimento da obrigação. No âmbito federal, a multa de ofício será agravada (percentual aumentado pela metade), nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos ou apresentar documentos. Será qualificada a penalidade (percentual duplicado), nos casos de sonegação e fraude. No caso de qualificação da penalidade, a Lei nº 9.430/96, em seu artigo 44, § 1º (na redação vigente à época do lançamento), estabelece que “o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo [75%] será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis”. Ou seja, importante observar que a menção aos artigo 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/64 é feita para limitar a qualificação da multa apenas aos casos em que ocorrer sonegação, fraude ou conluio. Há, portanto, que se distinguir a fraude do mero erro ou entedimento do contribuinte acerca de determinado fato. Isto porque, a multa de ofício qualificada é sempre aplicada para os casos em que se pretende a fraude ou a sonegação. Por esta razão, a autoridade admininistrativa deve observar, para a imputação desta espécie de multa, a existência do elemento subjetivo, o dolo. O dolo se verifica pela vontade do agente de alcançar o resultado (in casu, fraude ou sonegação) ou assumir o risco de produzilo. Ainda que se verifique falta de pressuposto para a imputação do que ora se denomina multa qualificada, pode ser esta reduzida para multa de ofício sem qualificação, não impedindo a manutenção do crédito tributário. Isto porque a responsabilidade pelo pagamento do imposto é objetiva. O elemento subjetivo só alcança a qualificação da multa. A multa qualificada, que se ousa descrever de natureza “penal tributária”, tem característica repressiva e punitiva devido à grave natureza do evento ilícito que se configura em sua hipótese. Fl. 437DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS 16 Neste passo, a sanção administrativa de natureza predominantemente punitiva será aquela única, dentre as multas tributárias, de natureza subjetiva, na qual se identifica a vontade do agente (intuito doloso) e o nexo entre sua atitude e a sonegação, a fraude ou o conluio. O conluio é o ajuste doloso entre duas pessoas (físicas e/ou jurídicas), visando a sonegação ou a fraude. Tanto a sonegação quanto a fraude correspondem a ações ou omissões tendentes a impedir ou retardar, total ou parciamente, o conhecimento ou acontecimento do fato jurídico tributário, respectivamente. Na definição de Ruy Barbosa Nogueira, a sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal enquanto a fraude impede o pagamento do tributo já devido3. Assim, sem dúvida necessária, ao menos, a distinção entre ilícito penal e ilícito fiscal, pois, enquanto para o primeiro aplicase o elemento subjetivo (tratase de sanção de caráter personalíssimo), para o segundo, aplicase o critério objetivo. Enquanto as sanções penais e penaistributárias se referem à conduta do agente, as sanções meramente fiscais, assim como as sanções administrativas, referemse ao fato (ex. falta de pagamento de imposto). Nesse sentido, a aplicação da “multa qualificada” pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada. Para a aplicação da sanção administrativa de natureza “penal tributária”, além da infração tributária haverá que ser verificada a participação e vontade do agente. Voltando ao presente caso, extraise do Termo de Verificação Fiscal que o lançamento tem origem em compensações consideradas não declaradas. Especificamente no tocante à multa qualificada, a autoridade fiscal fundamentou sua aplicação na ocorrência de simulação, mencionando, ainda, os seguintes atos que a configuraram: (i) o crédito que consta nas PER/DCOMPs pertence a outra pessoa jurídica; (ii) o ato de transmissão é de sua conveniência (caso a autoridade fazendária não tratasse manualmente os PER/DCOMPs transmitidos, o contribuinte não recolheria o tributo devido, compensandoo sem previsão legal); (iii) houve infração aos dispositivos legais que tratam da matéria (a compensação será efetuada "nas condições e sob as garantias" que a lei estipular); (iv) Não foram consideradas as orientações da RFB sobre o preenchimento dos PER/DCOMPs. Conforme esclarecemos, a qualificação da penalidade não se confunde com o próprio motivo do lançamento, e pressupõe uma ilicitude especialmente qualificada de natureza penal tributária. Não me parece ser o caso dos autos. A utilização de crédito de terceiro, bem como o descumprimento das orientações da Receita Federal no preechimento dos PER/DCOMP`s são fundamentos para o indeferimento da compensação e para a aplicação da multa de ofício, porém, não são suficientes para a configuração da simulação, tal como pretendeu a fiscalização. E mais, a simulação não se confunde com a fraude, esta sim pressuposto para a qualificação da penalidade in casu. Acrescento, ainda, que a data em que se considera, por questão formal, efetuada a incorporação, pautase na contagem dos 30 dias da assinatura do documento, sem que tenha ocorrido atos até o registro. Tal fato enseja a negativa da compensação pela qualificação, a partir disso, de que se trata de créditos de terceiros e não próprios. Por outro lado, este fato, por si só, não torna possível a qualificação da penalidade, mormente porque o débito foi declarado, ainda que via PER/DCOMP. 3 Curso de direito tributário, ob. cit., p.2O2. Fl. 438DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS Processo nº 10925.001739/200915 Acórdão n.º 140100.629 S1C4T1 Fl. 342 17 Pelo exposto, fui designada para redigir o voto vencedor quanto à qualificação da penalidade, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, a fim de reduzir a multa para 75%. (assinado digitalmente) Karem Jureidini Dias – Redatora Designada Fl. 439DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado digitalmente em 29/10/2012 por VIVIANE VIDAL WAGNER, Assinado digitalmente em 15/10/2012 por KAREM JUREIDINI DIAS, Assinado di gitalmente em 23/10/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Numero do processo: 19515.003708/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU.
Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A
do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JUROS MORATÓRIOS.
MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA.
Inexiste bis in idem na imputação simultânea de juros de mora e multa moratória incidentes sobre o valor da obrigação tributária principal quando não recolhida tempestivamente aos cofres públicos, eis que os acessórios pecuniários em tela ostentam natureza jurídica e fundamentação legal totalmente diversas e distintas.
JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE.
O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, todos de
caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. JUROS MORATÓRIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.658
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e conceder-lhe provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídas as parcelas relativas ao auxílio-transporte.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. SÚMULA 60 DA AGU. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, a teor da Súmula nº 60 da Advocacia Geral da União, de 08/12/2011, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. JUROS MORATORIOS. MULTA DE MORA. BIS IN IDEM. INEXISTÊNCIA. Inexiste bis in idem na imputação simultânea de juros de mora e multa moratória incidentes sobre o valor da obrigação tributária principal quando não recolhida tempestivamente aos cofres públicos, eis que os acessórios pecuniários em tela ostentam natureza jurídica e fundamentação legal totalmente diversas e distintas. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. LEGALIDADE. O crédito decorrente de contribuições previdenciárias não integralmente pagas na data de vencimento será acrescido de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC a que se refere o artigo 13 da Lei 9.065/95, incidentes sobre o valor atualizado, nos termos do art. 161 do CTN c.c. art. 34 da Lei nº 8.212/91, e de multa moratória na gradação detalhada pelo art. 35 da Lei nº 8.212/91, todos de caráter irrelevável, seja qual for o motivo determinante da falta. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. MULTA DE MORA. JUROS MORATÓRIOS. INCONSTITUCIONALIDADE. INOCORRÊNCIA. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e concederlhe provimento parcial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Devem ser excluídas as parcelas relativas ao auxíliotransporte. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004. Data da lavratura do AIOP: 29/07/2008. Data da Ciência do AIOP: 30/07/2008. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor da empresa em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas a outras entidades e fundos (FNDE, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE), incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados que lhe prestaram serviços em cada mês, assim como sobre o valor do Vale Transporte pago em desacordo com a legislação, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 31/36. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 101/106. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão a fls. 116/129, julgando procedente o lançamento, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 143 3 O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 27/03/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 133. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 135/139, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos seguintes elementos: • Que a exigência contida na ação de execução fiscal combatida representa excesso de execução em relação à correção monetária pretendida, que apresenta valor superior ao permitido em lei. Aduz que a Medida Provisória nº 294/91, convertida em Lei nº 8.177/91, trouxe normas para a desindexação da economia, extinguindo as diversas moedas de conta, dentre as quais estavam o BTN e o BTNfiscal. Consequentemente, a referida Lei não mais permitiu a correção monetária de tributos; • Que a exigência de juros de mora, multa moratória e correção monetária, configuram pretensões excessivas e constituem bis in idem. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 27/03/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 27 de abril do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Ante a ausência de questões preliminares a serem dirimidas, passamos diretamente ao exame do mérito. 2. DO MÉRITO Fl. 3DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Cumpre assentar inicialmente que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo Recorrente, as quais se presumirão verdadeiras. 2.1. DO EXCESSO DE EXECUÇÃO Alega o Recorrente que a exigência contida na ação de execução fiscal combatida representa excesso de execução em relação à correção monetária pretendida, que apresenta valor superior ao permitido em lei. Aduz que a Medida Provisória nº 294/91, convertida em Lei nº 8.177/91, trouxe normas para a desindexação da economia, extinguindo as diversas moedas de conta, dentre as quais estavam o BTN e o BTNfiscal. Consequentemente, a referida Lei não mais permitiu a correção monetária de tributos. Se nos antolha que tal alegação tenha sido aqui postada por engano. Mostrase auspicioso esclarecer que o presente Processo Administrativo Fiscal tem por objeto lançamento de crédito tributário formalizado em desfavor do Recorrente, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados que lhe prestaram serviços em cada mês, assim como sobre os valores equivalentes dos Vales Transporte concedidos em desacordo com a legislação, conforme assim descrito no Relatório Fiscal a fls. 31/36, inexistindo qualquer relação, a mínima que seja, com ação de execução fiscal. Compõem a obrigação tributária principal objeto da presente demanda administrativa, o valor do tributo devido, acrescido de juros e multa moratórios, devidos em razão e conformidade com os artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/91, conforme destacado no relatório intitulado Fundamentos Legais do Débito – FLD, a fls. 17/18, não estando compreendida no presente lançamento qualquer parcela atinente a correção monetária, BTN ou BTNfiscal. Por tais razões, não há como apreciar as alegações deduzidas pelo Recorrente, eis que, conforme demonstrado, tal rogativa não se aplica, de modo algum, à demanda ora em julgamento. 2.2. DO ALEGADO BIS IN IDEM Pondera o Recorrente que a exigência de juros de mora, multa moratória e correção monetária configuramse pretensões excessivas e constituem bis in idem. Razão não lhe assiste. Em primeiro lugar, voltamos a alertar que o vertente lançamento não comporta qualquer parcela referente a correção monetária, mas, tão somente, ao principal, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 144 5 acrescido de juros e multa moratórios, conforme assim destacado na folha de rosto do Auto de Infração a fl. 03. Mostra auspicioso trazer à balha que a CF/88 outorgou à Lei Complementar a competência para o estabelecimento de normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários. Nos limites do comando constitucional, ao tratar das obrigações tributárias, já no âmbito de sua competência, o art. 113 do CTN estabeleceu um discrimen entre as obrigações definidas como principais e aquelas conceituadas como acessórias, nos termos que se vos seguem: Código Tributário Nacional CTN Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. §1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. §2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. §3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A inobservância do cumprimento da obrigação principal até a data do seu vencimento sujeita o sujeito passivo ao pagamento de multa de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis, in casu, a penalidade moratória, e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, a teor do art. 161 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifos nossos) Realçadas as normas legais supracitadas, cumpre chamar atenção, na sequência lógica da demonstração de raciocínio, ao fato de que as naturezas jurídicas das parcelas pecuniárias em destaque são absolutamente distintas e inconfundíveis. Muito embora se consubstanciem a obrigação tributária principal, a multa de mora e os juros moratórios numa obrigação de dar, elas não se confundem. A primeira consiste na própria obrigação principal representada pelo tributo devido pelo sujeito passivo, em razão da ocorrência real do fato gerador estatuído na lei. A multa moratória, por seu turno, se Fl. 5DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 configura como uma penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal, enquanto que os juros representam o preço do dinheiro, isto é, o valor que o detentor da moeda paga ao seu legítimo proprietário pela posse temporária do numerário. Salientese que os preceitos normativos supra anunciados não se conflitam com as diretrizes vertidas na Lei Orgânica da Seguridade Social, a qual estabelece as sanções aplicáveis ao descumprimento de obrigação principal, assim como o custo pela retenção indevida do tributo, senão vejamos: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) Deflui das regras matrizes acima desfraldadas que a incidência de juros de mora e de multa moratória sobre o montante de tributo devido decorre de previsão expressa assentada em lei formal, gerada nas Conchas Opostas do Congresso Nacional, segundo o trâmite gestacional plasmado nos artigos 61 a 69 da nossa Lei Soberana. Tal conclusão decorre de esforços hermenêuticos que não ultrapassam a literalidade dos enunciados normativos supratranscritos, não requerendo áurea mestria do exegeta. O alegado bis in idem, portanto, jamais poderá existir nas espécies ora em debate eis que as naturezas jurídicas dos acessórios da obrigação tributária principal postos em xeque são absolutamente diversas e distintas. Por outro viés, mas ária de outra ópera, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional exigiu, em relação aos impostos, a observância aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente Fl. 6DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 145 7 para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. De outro eito, a Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Em conformidade com os comandos constitucionais ora em visita, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e Fl. 7DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Imerso na Ordem Constitucional positiva e eficaz, a disciplina atinente à aplicação de multa de natureza moratória decorrente do descumprimento tempestivo de obrigações tributárias principais de cunho previdenciário ficou a cargo da Lei nº 8.212/91, cujo art. 35 estatuiu, de forma objetiva, que as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas a juros moratórios de caráter irrelevável. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 146 9 a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 9DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não somente à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante, o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). 2. Diante da previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 Fl. 10DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 147 11 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Mostrase auspicioso destacar que escapa da competência deste colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias introduzidas pela Lei nº 8.212/91 ao Ordenamento Jurídico às vedações e princípios constitucionais aviados nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 11DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro lado, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar alegações de inconstitucionalidade e afastar a multa e os juros moratórios aplicados na exata bitola dos trilhos mandamentais da lei, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Dessarte, se nos afigura correta a incidência tanto da multa no percentual indicado quanto de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado nos artigos 34 e 35 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. 2.3. DO VALE TRANSPORTE Malgrado não haja sido suscitada pelo Recorrente, a condição intrínseca de matéria de ordem pública nos autoriza a examinar, ex officio, a questão relativa às contribuições sociais incidentes sobre o vale transporte pago em pecúnia pelo empregador a seus segurados empregados. Nos exatos termos do art. 22, I da Lei nº 8.212/91, como regra geral, incide contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, salvo as exceções taxativamente previstas no art. 28, §9º da Lei nº 8.212/91. Em justa conformidade com o art. 5º do Decreto nº 95.247/87, que regulamenta a Lei nº 7.418/85, o valetransporte não pode ser pago em dinheiro aos empregados, caso contrário não teríamos um vale. As únicas hipóteses em que o pagamento em dinheiro é permitido vêm previstas no parágrafo único do referido dispositivo legal. O escopo de tal proibição foi, no exercício do válido poder regulamentar do Executivo, impedir que o valetransporte fosse utilizado para fins diversos do transporte do trabalhador da residência para a empresa e viceversa, desvirtuando seu caráter social. Assim, apenas o valetransporte pago nos termos da Lei nº 7.418/1985 está isento da contribuição previdenciária, como se observa no disposto no art. 28, §9º, ‘f’ da Lei nº 8.212/1991. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 148 13 No caso em tela, como o próprio assento no Relatório Fiscal a fl. 32 revela, o empregador não efetuou o desconto de 6% do salário básico do empregado, e este beneficio não estava previsto no Acordo ou Convenção Coletiva. Tal parcela configurarseia, portanto, autêntico salário, sendo, nessa condição, base de cálculo da contribuição social da empresa sobre a folha de salários, como bem determinou a fiscalização. Nessa perspectiva, ante a ausência de previsão na legislação do vale transporte e na legislação previdenciária, o pagamento habitual e em pecúnia de verbas a título de vale transporte não estaria albergado pela norma isentiva, sendo irrelevante que tal acréscimo remuneratório tenha advindo de acordo com convenção coletiva de trabalho, tendo em vista que tais atos não podem dispor em sentido contrário à lei. Efetivamente, o Superior Tribunal de Justiça comungava o entendimento de que o pagamento habitual e em dinheiro do valetransporte não estaria abraçado pela regra da não incidência de contribuições previdenciárias, compondo assim o conceito de Salário de Contribuição para todos os fins, uma vez que se configuraria inobservância da legislação de regência, bem como no sentido de que o artigo 5º do Decreto nº 95.247/87 não desbordaria dos limites da Lei nº 7.418/85, porque apenas teria instituído um modo de conceder o benefício que evitaria o desvio de sua finalidade. Ocorre que, recentemente, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 478.410/SP, da relatoria do Min. Eros Grau, publicado em 14/5/2010, decidiu pela inconstitucionalidade da cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em dinheiro a título de valetransporte, inaugurando precedente que restou assim ementado: “RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação, não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento." Diante de tal cenário, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal a inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o benefício do vale transporte, concedido em pecúnia ou em ticket, fezse necessária a revisão da jurisprudência da Corte Superior de Justiça, que passou a se manifestar na forma assentada nos seguintes julgados: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. VALE TRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. JURISPRUDÊNCIA DO STJ. REVISÃO. NECESSIDADE. 1. O Supremo Tribunal Federal, na assentada de 10.03.2010, em caso análogo (RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau), concluiu que é inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. Informativo 578 do Supremo Tribunal Federal. 2. Assim, deve ser revista a orientação pacífica desta Corte que reconhecia a incidência da contribuição previdenciária na hipótese quando o benefício é pago em pecúnia, já que o art. 5º do Decreto 95.247/87 expressamente proibira o empregador de efetuar o pagamento em dinheiro. 3. Recurso especial provido." (REsp 1180562/RJ, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/08/2010, DJe 26/08/2010). "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. AUXÍLIOCRECHE. MATÉRIA FÁTICO PROBATÓRIA. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. AUXÍLIO TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. NÃOINCIDÊNCIA. ENTENDIMENTO DO STF. REALINHAMENTO DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. 1. A solução integral da controvérsia, com fundamento suficiente, não caracteriza ofensa ao art. 535 do CPC. 2. O acórdão de origem consignou que a parte não comprovou os gastos com o auxíliocreche nem a idade dos beneficiários. Rever tal entendimento demanda reexame da matéria fático probatória, vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Fl. 14DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 19515.003708/200814 Acórdão n.º 230201.658 S2‐C3T2 Fl. 149 15 3. Em razão do pronunciamento do Plenário do STF, declarando a inconstitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre as verbas referentes a auxíliotransporte, mesmo que pagas em pecúnia, fazse necessária a revisão da jurisprudência do STJ para alinharse à posição do Pretório Excelso. 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, em parte, provido." (REsp 1.194.788/RJ, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/08/2010, DJe 14/09/2010) Na mesma esteira, a Advocacia Geral da União – AGU fez publicar a pag. 32 do Diário Oficial da União de 09/12/2011 a súmula nº 60, de 08/12/2011, que desonerou a rubrica em foco da incidência da contribuição previdenciária, mesmo quando paga em pecúnia, ostentando o seguinte enunciado: Súmula AGU nº 60 Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba. Nesse contexto, não deve persistir, portanto, o lançamento tributário em relação às contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pago em pecúnia aos segurados empregado, em atenção às disposições insculpidas na alínea ‘b’ do inciso II do §6º do art. 26A do Decreto nº 70.235/72, inserido pela Lei nº 11.941/2009. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) §6º O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Fl. 15DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993, ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) (grifos nossos) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo ser excluído do lançamento as contribuições previdenciárias incidentes, exclusivamente, sobre os valores equivalentes ao valetransporte pago em pecúnia aos segurados empregados, sendo mantidas as demais. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 16DF CARF MF Impresso em 11/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/04/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 18/04/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/05/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.720127/2007-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2004
VENDA DO IMÓVEL. PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR.
RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE PELO ITR ATÉ A DATA DA VENDA. INCLUSIVE POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS APÓS A VENDA.
Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR subrogam-se na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação.
Hipótese em que consta do título a prova da quitação dos tributos relativos ao imóvel, tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, permanecendo o alienante responsável pelo ITR do exercício de 2004.
Essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN.
VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO.
O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização.
No caso, diante da evidente subavaliação, razoável se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacioná-lo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização
imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2101-001.781
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO
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PROVA DA QUITAÇÃO DO ITR. RESPONSABILIDADE DO ALIENANTE PELO ITR ATÉ A DATA DA VENDA. INCLUSIVE POR CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS CONSTITUÍDOS APÓS A VENDA. Nos termos do art. 130 do CTN, os créditos tributários relativos ao ITR sub rogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. Hipótese em que consta do título a prova da quitação dos tributos relativos ao imóvel, tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, permanecendo o alienante responsável pelo ITR do exercício de 2004. Essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN. VTN. SUBAVALIAÇÃO. ARBITRAMENTO PELA FISCALIZAÇÃO. O art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído (SIPT), e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. No caso, diante da evidente subavaliação, razoável se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacionálo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região. Recurso Voluntário Negado Fl. 114DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 114 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), José Evande Carvalho Araujo, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa, Célia Maria de Souza Murphy, Alexandre Naoki Nishioka. Ausente justificadamente o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage. Relatório AUTUAÇÃO Contra o contribuinte acima identificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 1 a 6, referente a Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2004, para arbitrar o Valor da Terra Nua – VTN, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Santa Rita”, NIRF no 2.251.8010, com área de 1.664,4 ha, localizado no município de Nova Santa Rita – RS, formalizando a exigência de imposto suplementar no valor de R$19.880,20, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. IMPUGNAÇÃO Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou impugnação (fls. 33 a 37), acatada como tempestiva. Consoante relatório do acórdão de primeira instância (fls. 96), alegou o seguinte: 7.1 Estava em dia com suas obrigações fiscais e tributárias no momento da formalização da compra e venda do imóvel, tanto que ficou consignado na Escritura Pública que foram apresentadas todas as certidões negativas, inclusive a de quitação de tributos e contribuições federais administrados pela Receita Federal. 7.2 Havia informado que, por subrogação legal e convencional, cabia aos novos proprietários, INCRA e Estado do Rio Grande do Sul, a responsabilidade fiscal e tributária sobre o referido bem. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 115 3 7.3 Surpresamente se deparou com a apuração e lançamento em foco, discordando da utilização dos valores do SIPT por estarem mais próximos daquele pelo qual o imóvel foi, efetivamente, vendido. 7.4 Tratou da avaliação efetuada para alienar o imóvel em leilão público, através do processo de licitação da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, cujo valor constante do laudo da AHM Consultoria de Avaliações Ltda., foi de R$ 4.200.000,00. 7.5 Listou os valores dos lances e explanou a respeito da ordem judicial que autorizou o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA apresentar proposta do VTN de R$ 8.770.533,71, homologado pelo Conselho Diretor da SUSEP. 7.6 Na seqüência disse que a alienação ocorreu atendendo ao disposto na legislação que regulamenta as liquidações extrajudiciais, sendo que o valor foi aquele maior entre os lançadores, superior ao da avaliação do especialista e maior do que o escriturado na contabilidade da vendedora e que, no entanto, não procede o lançamento fiscal apurado entre o valor efetivo da venda e o efetivo da declaração do ITR em cada um dos períodos base, 2003, 2004 e 2005. 7.7 De todo o exposto requereu seja recebida a defesa, com seus respectivos anexos, para considerar cumpridas todas as obrigações fiscais, principais e acessórias, enquanto o bem imóvel esteve sob a propriedade da impugnante, e se determine a extinção, baixa e arquivamento do procedimento para todos os fins e efeitos de direito. 8. Das fls. 38 a 77 consta a documentação anexada, composta por cópia de folhas do processo licitação mencionada, onde constam: as propostas de pagamentos; informação do INCRA de apresentação dos valores com base em laudo técnico; da avaliação efetuada pela AHM Consultoria de Avaliações Ltda., embasada em uma avaliação ocorrida em 28/09/1999 e atualizada por meio de opiniões e variações do valor do Dólar Americano, entre outros, para concluir pelo valor de R$ 5.992.092,00 e, considerando a necessidade de liquidez imediata, com uma redução de 30,0% restaria o valor de R$ 4.200.000,00; cópia da liminar concedida ao INCRA, na qual se verifica a não realização de laudo conforme ABNT; entre ouros e, das fls. 78 a 90 consta providência quanto à regularização do processo, bem como quanto à baixa de inscrição na dívida ativa, efetuada equivocadamente. ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente o lançamento, em julgamento consubstanciado na seguinte ementa (fls. 93 a 98): Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2004 Alienação de bens imóveis Subrogação de créditos Por determinação legal, os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições Fl. 116DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 116 4 de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, porém, não ocorre subrogação se do título de aquisição constar a prova de quitação dos tributos. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado diferente relativo ao ano base questionado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido RECURSO AO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS (CARF) Cientificado da decisão de primeira instância em 6/11/2009 (fl. 101), o contribuinte apresentou, em 24/11/2009, o recurso de fls. 105 a 111, afirma: a) que é uma empresa controlada e/ou coligada do MONTEPIO MFM EM LIQUIDAÇÃO EXTRAJUDICIAL, ambas em processo especial de Liquidação Extrajudicial decretada nos termos e de acordo com o que dispõe a Lei Complementar no 109/2001, submetidas ao juízo da Superintendência de Seguros Privados – SUSEP, e que essa condição não foi mencionada pelo acórdão recorrido; b) que o imóvel objeto do lançamento foi vendido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e ao Estado do Rio Grande do Sul em 21/10/2005, e que, nesta data, estava em dia com suas obrigações fiscais, como ficou consignado na escritura pública; c) que os adquirentes são responsáveis pelo tributo do ano base 2005 por sub rogação legal; d) que todos os documentos do imóvel foram entregues aos compradores; e) que os valores arbitrados com base no SIPT são irreais; f) que o imóvel estava registrado em sua contabilidade por valor baixo, e que, ao vendêlo em leilão público, realizou laudo de avaliação elaborado por AHM Consultoria de Avaliações Ltda, e que se chegou ao valor de R$4.200.000,00, bem abaixo daquele utilizado como base para o lançamento; g) que o valor efetivamente pago pela terra nua foi o de R$ 8.770.533,71; Fl. 117DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 117 5 h) que está comprovado que o valor do imóvel foi alienado atendendo ao disposto na legislação que regulamenta as liquidações extrajudiciais, sendo que o valor da venda foi aquele maior entre os lançadores, superior ao valor da avaliação do especialista e maior do que aquele escriturado na contabilidade da vendedora, sendo improcedente, portanto, o ato de lançamento fiscal do imposto complementar da diferença apurada entre o valor efetivo da venda e o valor efetivo da declaração do ITR em cada um dos períodosbase. O processo foi distribuído a este Conselheiro, numerado até a fl. 112, que também trata do envio dos autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o relatório. Voto Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Não há arguição de qualquer preliminar. Responsabilidade pelo tributo O recorrente afirma que o imóvel objeto do lançamento foi vendido ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA e ao Estado do Rio Grande do Sul em 21/10/2005, e que, nesta data, estava em dia com suas obrigações fiscais, como ficou consignado na escritura pública. Assim, defende que os adquirentes são responsáveis pelo tributo do ano base 2005 por subrogação legal, e que, para os anos anteriores, comprovou estar em dia com os tributos na época da venda, não podendo ser cobrado por débitos passados. A solução do impasse é encontrada no art. 130 do Código Tributário Nacional CTN, abaixo transcrito: Art. 130. Os créditos tributários relativos a impostos cujo fato gerador seja a propriedade, o domínio útil ou a posse de bens imóveis, e bem assim os relativos a taxas pela prestação de serviços referentes a tais bens, ou a contribuições de melhoria, subrogamse na pessoa dos respectivos adquirentes, salvo quando conste do título a prova de sua quitação. (...) Desta forma, as dívidas do ITR, em regra, acompanham o imóvel quando de sua alienação, exceto quando estiver comprovado no título a quitação do tributo, ficando, nesse caso, apenas o alienante responsável pelos débitos passados. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 118 6 Examinando os termos da escritura de venda e compra de fls. 12 a 18, lavrada em 21/10/2005, verificase que foi apresentada certidão negativa de débitos do imóvel rural, expedida pela Secretaria da Receita Federal em 27/09/2005. Assim, ocorre a cláusula excepcional do art. 130 do CTN, ficando o adquirente responsável pelos tributos apenas após a venda. Como o fato gerador do ITR ocorre em 1o de janeiro de cada ano, nos termos do art. 1o da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, e tendo a venda ocorrido em 21/10/2005, o alienante permanece responsável pelo ITR até o exercício de 2005. Acrescentese que essa responsabilidade alcança os créditos tributários constituídos posteriormente à venda, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a essa data, nos termos do art. 129 do CTN, abaixo transcrito: Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data. Desta forma, o contribuinte é o responsável pelos créditos tributários relativos ao imóvel do exercício de 2004. Valor da Terra Nua – VTN O contribuinte informou, em sua Declaração do ITR do exercício de 2004, o VTN de R$1.511.752,29 (fls. 21). Entretanto, o VTN constante no Sistema de Preços de Terra da Receita Federal (SIPT), para imóveis daquele município, era de R$10.511.177,98. Intimado a comprovar o efetivo valor da terra nua mediante laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT (fls. 7 a 8), o sujeito passivo alegou não possuir mais os documentos relativos ao imóvel, que haviam sido entregues ao novo proprietário (fls. 9 a 10). Diante da falta de comprovação mediante laudo, e por considerar que o valor da alienação de R$10.011.847,95, em 2005, era compatível com aqueles constantes no SIPT daquele ano (R$11.105.859,83), a Fiscalização adotou o valor da venda como base para o arbitramento do VTN. Para isso, com o fim de se obter o VTN de 2004, partiu do valor de venda da terra nua em 2005 (R$9.233.642,95), obtido da subtração do valor de venda menos as benfeitorias declaradas, e deflacionou o resultado de acordo com a valorização imobiliária apontada no SIPT. Assim, para o exercício de 2004, chegou o valor de R$8.697.541,80. O recorrente afirma que os valores arbitrados com base no SIPT são irreais, que o imóvel estava registrado em sua contabilidade por valor baixo, que, ao vendêlo em leilão público, utilizou laudo de avaliação elaborado por AHM Consultoria de Avaliações Ltda, que indicou o valor de R$4.200.000,00, bem abaixo daquele utilizado como base para o lançamento, e que o valor efetivamente pago pela terra nua foi o de R$8.770.533,71. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 11065.720127/200795 Acórdão n.º 2101001.781 S2C1T1 Fl. 119 7 Pela simples comparação entre o valor adotado no lançamento, referente a 01/01/2004 (R$8.697.541,80), e aquele efetivamente obtido na venda em 21/10/2005 indicado pelo contribuinte (R$8.770.533,71), vêse que não procede o argumento de que o valor arbitrado era irreal. Na verdade, utilizandose os valores constantes na escritura, há que reconhecer que o valor da terra nua foi na verdade de R$9.595.475,65, já que o valor pago foi de R$10.011.847,95 e as benfeitoria indenizadas importaram em R$416.372,30. O laudo de fls. 52 a 54, que atribuiu o valor de R$ 4.200.000,00 para o imóvel, e que serviu de base para o preço da licitação, não foi admitido pelo julgador de 1a instância por ter como “base uma avaliação efetuada em 1999, corrigida com base em opiniões e valoração de moeda estrangeira”, não se tratando “de uma avaliação específica de VTN, com base em pesquisa de valores de mercados, acompanhado dos comprovantes dessa pesquisa, em quantidade mínima de cinco, relativamente à negociação e/ou oferta oficial de imóveis à venda na região da propriedade em avaliação no ano base do lançamento, atendendo, assim, a requisitos mínimos constante das normas técnicas da ABNT.” Correta a conclusão do acórdão recorrido, até mesmo porque o preço efetivo de venda foi mais que o dobro daquele indicado nessa avaliação. Não se pode perder de vista que o art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, autoriza que, no caso de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal proceda à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Assim, diante da evidente subavaliação, nada mais razoável do que se atribuir como valor do imóvel aquele efetivamente obtido com sua venda, excluídas as benfeitorias, valor inferior ao constante do SIPT, em especial quando se teve o cuidado de deflacionálo para os anos anteriores nos mesmos percentuais de valorização imobiliária constantes no sistema de preços relativos àquela região. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José Evande Carvalho Araujo Fl. 120DF CARF MF Impresso em 03/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 16/ 07/2012 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 21/08/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10283.006925/2007-73
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2004
DECADÊNCIA. TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 - SC, decidido na sistemática do art. 543-C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações.
No presente caso, houve pagamento antecipado. Como a cientificação do lançamento se deu em 07/06/2005 e os débitos lançados se referem a contribuições devidas entre as competências de 01/1995 a 12/2004, encontram-se decaídos os créditos lançados entre as competências 01/1995 a 05/2000, inclusive.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-002.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício)
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
EDITADO EM: 11/03/2013
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (Vice-Presidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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TRIBUTOS LANÇADOS POR HOMOLOGAÇÃO. MATÉRIA DECIDIDA NO STJ NA SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. EXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. REGRA DO ART. 150, §4o, DO CTN. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do REsp nº 973.733 SC, decidido na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil, o que faz com a ordem do art. 150, §4o, do CTN, só deva ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nas demais situações. No presente caso, houve pagamento antecipado. Como a cientificação do lançamento se deu em 07/06/2005 e os débitos lançados se referem a contribuições devidas entre as competências de 01/1995 a 12/2004, encontramse decaídos os créditos lançados entre as competências 01/1995 a 05/2000, inclusive. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 69 25 /2 00 7- 73 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 373 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício) (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator EDITADO EM: 11/03/2013 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Gonçalo Bonet Allage (VicePresidente em exercício), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Freitas de Souza Costa (suplente convocado), Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório O Acórdão nº 240300.031, da 3a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (fls. 324 a 335), julgado na sessão plenária de 29 de abril de 2010, por unanimidade de votos, acolheu a preliminar de decadência levantada de oficio pelo relator, até a competência 05/2000, e, no mérito, negou provimento ao recurso. Transcrevese a ementa do julgado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO SALÁRIO UTILIDADE ALUGUEL RESIDENCIAL CONFIGURAÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Os valores habitualmente pagos pelo empregador por imóveis locados em grande centro urbano em beneficio de empregados ocupantes de cargos de gerência ou de administração, integra o salário de contribuição nos termos do art. 28, 1, da Lei 8.212/1991. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF N° 8. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 374 3 O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n ° 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:”São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal Em 17/02/2005 foi dada ciência à Recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), enquanto que a cientificação da NFLD pela Recorrente ocorreu em 07/06/2005 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social entre as competências 01/1995 a 12/2004. Na hipótese, como houve pagamento antecipado pelo contribuinte por tratarse de lançamento por homologação, temse que o dispositivo legal a ser aplicado está insculpido no art. 150, § 4o, CTN, o que fulmina a constituição dos créditos ora lançados da competência 01/1995 até a competência 05/2000, inclusive. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO EM PARTE. (grifei) Cientificado dessa decisão em 4/8/2010 (fl. 336), a Fazenda Nacional apresentou, no dia seguinte, recurso especial de divergência (fls. 339 a 355), onde defendia não ter ocorrido a decadência do direito de lançar, em virtude da aplicação da regra do art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN ao caso, devido à inexistência de pagamento antecipado. Afirma a recorrente que, para o exame da ocorrência de pagamento antecipado parcial, é necessário verificar se o contribuinte pagou parte do débito tributário objeto de cobrança, e não daqueles afetos a outros fatos. Isso porque os relatórios e discriminativos apresentados pela fiscalização demonstrariam que a antecipação do recolhimento dos tributos, especificamente nas rubricas lançadas, não ocorreu nas competências descritas no presente lançamento, motivo pelo qual se tornaria necessária a aplicação do prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN e não o do art. 150, § 4°, do mesmo código. Para comprovar a divergência jurisprudencial, apresentou o seguinte paradigma: Acórdão 20501.579 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 375 4 DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado – Súmula Vinculante de no 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n ° 8.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, há que se observar o disposto no art. 173, inciso I do CTN . Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todos os fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 356 a 357, que considerou comprovada a divergência de interpretação da lei tributária. Cientificado do acórdão recorrido e do recurso especial da Fazenda Nacional em 30/12/2010 (fl. 361), o contribuinte apresentou, em 7/2/2011, contrarrazões ao recurso especial da Fazenda (fls. 362 a 370), onde pugna pela manutenção da decisão recorrida e pelo direito de expor oralmente seus argumentos perante o Colegiado. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Sabese que a discussão da decadência dos tributos lançados por homologação é questão tormentosa, que vem dividindo a jurisprudência administrativa e judicial há tempos. No âmbito dos antigos Conselhos de Contribuintes, e agora no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, praticamente todas as interpretações possíveis já tiveram seu espaço. É notório que as inúmeras teses que versaram sobre o assunto. Porém, pacificando essa discussão, o Superior Tribunal de Justiça – STJ, órgão máximo de interpretação das leis federais, firmou o entendimento de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Vejase a ementa do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 376 5 PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 377 6 Observese que o acórdão do REsp nº 973.733/SC foi submetido ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, reservado aos recursos repetitivos, o que significa que essa interpretação deverá ser aplicada pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Desta forma, este CARF forçosamente deve abraçar a interpretação do Recurso Especial nº 973.733 – SC, de que a regra do art. 150, §4o, do CTN, só deve ser adotada nos casos em que o sujeito passivo antecipar o pagamento e não for comprovada a existência de dolo, fraude ou simulação, prevalecendo os ditames do art. 173, nos demais casos. Neste processo, a questão é de fácil deslinde, pois existiu antecipação de pagamento, conforme expressamente referido no acórdão recorrido e não refutado no recurso, no qual se alega apenas a inocorrência de recolhimento referente à rubrica. Entendo que não há que se falar em antecipação de pagamento por rubrica, mas tão somente antecipação do tributo (ou seja, do crédito tributário relativo ao fato gerador lançado). Assim, diante de recolhimento antecipado, é obrigatória a utilização da regra de decadência do art. 150, §4o, do CTN, que fixa o marco inicial na ocorrência do fato gerador, conforme consta do acórdão recorrido (fl. 331), cujas razões de decidir utilizo: Verificase, da análise dos autos, que em 17/02/2005 foi dada ciência à Recorrente do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) e do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos (TIAD), fls. 68 a 69, enquanto que a cientificação da NFLD pela recorrente, às fls. 01, se deu em 07/06/2005 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social entre as competências 01/1995 a 12/2004. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados entre as competências 01/1995 a 05/2000, inclusive. Então, em resumo, em relação aos códigos de Levantamento presentes na NFLD em questão: (a) Constatase a decadência total no Levantamento ALU – jan/95 a dez/9, ou seja, a decadência total do direito de constituição dos créditos lançados entre as competências entre as competências 01/1995 a 12/1998; (b) Constatase a decadência parcial no Levantamento ALG – jan/99 a dez/04, ou seja, a decadência do direito de constituição dos créditos lançados entre as competências 01/1999 a 05/2000, inclusive. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, negar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES Processo nº 10283.006925/200773 Acórdão n.º 9202002.543 CSRFT2 Fl. 378 7 Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/03/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/03/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO T ORRES
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Numero do processo: 10821.000386/2004-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 1999
NULIDADE DA DECISÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A realização de perícia não é direito subjetivo da defesa e não se
presta à produção de prova que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor à acusação fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a sua realização se entender que tal medida é necessária para a apreciação das provas apresentadas, cuja compreensão exija conhecimento técnico especializado, fora do seu campo de atuação. O indeferimento
fundamentado para a sua realização descaracteriza o alegado cerceamento do direito de defesa.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Falta previsão legal para a imposição da multa por atraso na entrega da DIAC/DIAT sobre o valor lançado de ofício. Tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido apurado na declaração intempestiva, sobre a
qual incidirá o percentual de 1% (um por cento) ao mês ou fração, não podendo ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais).
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2101-001.847
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa por atraso na entrega da DITR ao seu valor mínimo de R$50,00.
Nome do relator: JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INDEFERIMENTO DO PEDIDO PARA REALIZAÇÃO DE PERÍCIA. A realização de perícia não é direito subjetivo da defesa e não se presta à produção de prova que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor à acusação fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a sua realização se entender que tal medida é necessária para a apreciação das provas apresentadas, cuja compreensão exija conhecimento técnico especializado, fora do seu campo de atuação. O indeferimento fundamentado para a sua realização descaracteriza o alegado cerceamento do direito de defesa. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. PENALIDADE MÍNIMA. Falta previsão legal para a imposição da multa por atraso na entrega da DIAC/DIAT sobre o valor lançado de ofício. Tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido apurado na declaração intempestiva, sobre a qual incidirá o percentual de 1% (um por cento) ao mês ou fração, não podendo ser inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais). Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de 1ª instância e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa por atraso na entrega da DITR ao seu valor mínimo de R$50,00. (assinado digitalmente) ___________________________________ Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 2 (assinado digitalmente) ___________________________________ José Raimundo Tosta Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos, José Raimundo Tosta Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de Recurso Voluntário que pretende a reforma do Acórdão nº 04 11.026, proferido pela 1ª Turma da DRJ Campo Grande (fl. 76), que, por maioria de votos, indeferiu o pedido de perícia e de produção de provas e, no mérito, em considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A infração indicada no lançamento e os argumentos de defesa suscitados na impugnação foram sintetizados pelo Órgão julgador a quo nos seguintes termos: Exigese, do Espólio de Joseph Albert Van Sebroeck, o pagamento de multa por atraso na entrega da Declaração do Imposto Territorial Rural — 1999, no valor de R$ 17.608,08, relativo ao imóvel rural com NIRF (Número do Imóvel na Receita Federal) 3.197.6930, conforme auto de infração de fl. 42. 2. A exigência fundamentase nos artigos 6° ao 9° da Lei n° 9.393/96. 3. Em sua impugnação, o representante do contribuinte, após qualificálo e mencionar a autuação, assim apresenta os argumentos de defesa: “(...) 2. DA IMPUGNAÇÃO O presente Auto de Infração não merece ser convalidado, face o mesmo incorrer em Nulidade, senão vejamos: 2.1. DOS ANTECEDENTES HISTÓRICOS Desde 1958 até idos de 1976, o `de cujus' vivia da terra, plantando bananas e produzindo aguardente, em terreno difícil de trabalhar, conforme se depreende da leitura da Escritura e Compra e Venda anexa. Juntamente com o `de cujus', sua esposa e nove filhos, todos viviam integrados ao serviço da terra, até que na data de 20 de janeiro de 1977, através do Decreto Estadual n° 9.414, foi criado o Parque Estadual de Ilhabela/SP, sendo disposto que toda área acima da cota 200, ou seja, toda área acima de duzentos metros acima do nível do mar constituirseia em Parque Estadual e conseqüentemente, área de preservação permanente. Assim sendo, a partir desta data o `de cujus' foi impedido de desenvolver suas atividades profissionais em sua propriedade, tendo sido obrigado a extinguir sua plantação e cessar sua produção de aguardente, fatos estes que obrigaram todos os seus filhos a dispersarem se, visando buscar novos empregos e funções, para proverem suas subsistências. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10821.000386/200481 Acórdão n.º 210101.847 S2C1T1 Fl. 2 3 2.2. DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE Conforme evidenciam os documentos anexos, na data de 20 de janeiro de 1977, o então Governador do Estado de São Paulo, Paulo Egydio Martins, através do Decreto Estadual n° 9.414, criou o Parque Estadual de Ilhabela/SP, dispondo que toda área acima da cota 200, ou seja, toda área acima de duzentos metros acima do nível do mar constituirseia em Parque Estadual e conseqüentemente, área de preservação permanente. Diante disso, toda área de preservação permanente é isenta do pagamento de impostos, nos termos do Código Florestal. Manifestamse nossos Tribunais neste sentido: `(..) se a área total compreende partes de preservação permanente, assim reconhecidas pelo artigo 2° do Código Florestal, não é possível a incidência do I.T.R. sobre o todo, uma vez que o artigo 5° da Lei n° 5.868172, isenta de tributação as àreas de Preservação Permanente.' (Tribunal Regional Federal, 4ª Turma, Apelação Cível, processo n° 9704463910, publicado no DJU, em 21 de janeiro de 1998, p. 289, relator Juiz Gilson Dipp) Não obstante, o Decreto Estadual n° 9414/77 é lastreado na Lei Federal nº ° 4.771, de 15 de setembro de 1965, a qual concede prerrogativas ao Poder Público para criar Parques Nacionais, Estaduais ou Municipais. Com efeito, conforme constam dos documentos anexos, qual sejam duas Declarações, realizadas pelo Instituto Floresta, datadas de 21 de outubro de 1985 e 19 de janeiro de 1987, respectivamente; e de um Atestado, emitido pela Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo, constatamos que mais de 90% (noventa por cento) da área inscrita no INCRA sob o no 643.025.000.0271DV4, pertencem ao `de cujus' e encontramse abrangidos pelo Parque Estadual de Ilhabela/SP, sendo tributável, somente, 25 (vinte e cinco) hectares, que totaliza a importância de R$ 417,68 (quatrocentos e dezessete reais e sessenta e oito centavos) Assim, o valor aplicado, a título de multa é ilegal, pois este fora baseado na desconsideração da área de preservação permanente, quando deveria incidir sobre o valor correto do imposto que abrange a área tributável, sendo então, apurado que o débito, a este título, somente seria de R$ 12,53 (doze reais e cinqüenta e três centavos). Quanto à desconsideração da área de preservação permanente, realizada pela Receita Federal, esta, provavelmente, fora baseada na Instrução Normativa n° 67197SRF, face a não protocolização de Ato Declaratório Ambiental, no prazo previsto na citada normatização. No entanto, é de meridiana clareza de que os atos normativos constituemse em normas complementares, nos termos expressos no art. 100, inciso I do Código Tributário Nacional. Com efeito, a citada Instrução Normativa não é Lei, bem como não é reguladora da matéria, já que a citada regulamentação somente poderia ser realizada pelo Poder Executivo, através de DecretoLei e jamais através da forma utilizada pela Secretaria da Receita Federal, a qual tenta, deforma ardilosa, suprir a omissão do citado Poder, quando, poderia somente interpretar a Lei ou o Regulamento no âmbito das repartições fiscais. (ADIN3119/DF, Supremo Tribunal Federal, rel. Ministro Carlos Velloso, DJU 14.09.1990) Tal entendimento ainda é corroborado pelo Venerando Acórdão, proferido pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, através de sua 3ª Turma, tendo como Juiz relator, o Dr. Olindo Menezes, quando do julgamento da Apelação em Mandado de Segurança, processo no 199901000281011, datado de 2310512001 e publicado no DJU em 08 de agosto de 2001, página 07, nestes termos: Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 4 (transcreve ementa de acórdão) E mais: (transcreve ementa de acórdão) Outrossim, tendo em vista que a Receita Federal, agindo em nome da Administração Pública, não poderia de observar o princípio da legalidade, previsto no artigo 37 da Constituição da República de 1988, nestes termos: (transcreve o dispositivo mencionado) Assim, o administrador público não pode atuar "contra legem' ou ‘praeter legem', mas tãosomente, `secundum legem'. " 4. Por fim, requer o seja julgada procedente a impugnação, declarando a insubsistência do auto de infração. Requer ainda provar o alegado por todos os meios de prova admissíveis, notadamente a prova documental, juntada posterior de documentos, perícias, expedição de ofícios, sem prejuízo das demais. Em sua peça recursal, o recorrente reportase às questões suscitadas em sede de impugnação, e requer a nulidade da decisão de primeiro grau, por cerceamento do direito de defesa e desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, ocasionado pelo indeferimento do pedido para realização de perícia contábil com o propósito de demonstrar o erro no cálculo do lançamento. É o relatório Voto Conselheiro JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Relator O recurso atende os requisitos de admissibilidade. De acordo com os artigos 113 e 115 do CTN, adiante reproduzidos, a apresentação da DITR tem natureza acessória, formal e autônoma, pois não tem como objeto o pagamento de tributo ou penalidade, mas prestar informações de natureza tributária para o Fisco (obrigação de fazer): Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória: § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente a penalidade pecuniária. (g.n). Fl. 146DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10821.000386/200481 Acórdão n.º 210101.847 S2C1T1 Fl. 3 5 Art. 115 Fato gerador da obrigação acessória é qualquer situação que, na forma da legislação aplicável, impõe a prática ou abstenção de ato que não configure obrigação principal. Inicialmente, verificase que a multa por atraso na entrega da DITR do exercício de 1999, objeto do lançamento em exame (fl. 42), teve por base de cálculo o imposto devido apurado no Auto de Infração, fotocópia às fls. 57/66, no valor de R$586.518,63, impugnado no processo de nº 10821.000604/200305, em razão da desconsideração da área declarada como de preservação permanente/utilização limitada. Contudo, a jurisprudência mansa e pacífica deste Colegiado entende que a base de cálculo da multa por atraso é o valor do imposto devido apurado na declaração intempestiva (R$417,68 – fls. 43/44, 49 e 55). O prazo final para a apresentação da DITR do exercício de 1999 era em setembro/1999, mas o contribuinte cumpriu a obrigação acessória a destempo, em dezembro/1999, com três meses de atraso. Em sua impugnação ao lançamento a própria defesa entendeu que seria devido R$12,53 a título de multa por atraso – resultado da aplicação do percentual de 3% sobre o imposto apurado na DITR intempestiva. Contudo, o valor mínimo desta penalidade pecuniária deve ser de R$50,00, conforme expressamente determina o artigo 7º da Lei nº 9.393, de 1996. Confirase: Art. 7º No caso de apresentação espontânea do DIAC fora do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal, será cobrada multa de 1% (um por cento) ao mês ou fração sobre o imposto devido não inferior a R$ 50,00 (cinqüenta reais), sem prejuízo da multa e dos juros de mora pela falta ou insuficiência de recolhimento do imposto ou quota. No mesmo sentido dispõe o artigo 4º da Instrução Normativa SRF nº 88/99: Art. 4º A apresentação da DITR fora do prazo estabelecido sujeitará o contribuinte à multa de: I 1% (um por cento) ao mês ou fração, incidente sobre o imposto devido, não podendo seu valor ser inferior a R$ 50, 00 (cinqüenta reais), tratandose de imóveis sujeitos à apuração do ITR; II R$ 50, 00 (cinqüenta reais), nos casos de imóveis imunes ou isentos do ITR. Parágrafo único. A multa será lançada de oficio. A 2ª Turma da CSRF, em votação unânime, no julgamento referente ao processo de nº 10930.001545/200517, acórdão 920200.280, proferido em 22 de setembro de 2009, assentou o seguinte entendimento: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2001 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DIAC. BASE DE CÁLCULO. VALOR DECLARADO. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS 6 Por falta de previsão legal para a imposição de multa por atraso na entrega da DIAC sobre o valor lançado de ofício, tal multa tem por base de cálculo o valor do ITR devido, informado na declaração. Cumpre observar que as alterações efetuadas pela fiscalização na DITR original, no exercício da sua atividade homologatória, em nada se relacionada com a infração apontada no lançamento em exame – que trata da exigência de penalidade pecuniária por descumprimento de obrigação acessória. Não há conexão entre os processos, pois a exigência da multa por atraso na apresentação da DITR não tem por base de cálculo o novo imposto devido apurado pela fiscalização, os suportes fáticos são distintos e não dependem dos mesmos elementos de prova. Por fim, inexistente o cerceamento do direito de defesa alegado pelo recorrente, pois o pedido para realização de perícia não é um direito subjetivo da defesa. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a sua realização se entender que tal medida é necessária para a apreciação das provas apresentadas, cuja compreensão exija conhecimento técnico especializado, fora do seu campo de atuação, indeferindo as que entender desnecessárias, nos termos do artigo 18 do Decreto nº 70.235, de 1972. Ademais, o pedido para realização de perícia não atendeu ao disposto no artigo 16, inciso IV, do referido Decreto. Em verdade, o contribuinte solicita que se realize perícia para o fim de se obter prova que ele mesmo deveria ter produzido para se contrapor à acusação fiscal. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado no sentido de não deferir pedidos de diligência e perícia, por impertinentes, tal como consta das ementas a seguir transcritas: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE DILIGÊNCIA CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA A autoridade julgadora de primeira instância indeferirá pedidos de diligência ou perícia que entender impraticáveis ou prescindíveis para a formação de sua convicção, sem que isto constitua cerceamento de direito de defesa (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). Em face ao exposto, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de primeiro grau e, no mérito, dou provimento parcial ao recurso, para reduzir a multa por atraso na entrega da DITR do exercício de 1999 ao seu valor mínimo de R$50,00 (cinqüenta reais). Fl. 148DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS Processo nº 10821.000386/200481 Acórdão n.º 210101.847 S2C1T1 Fl. 4 7 (assinado digitalmente) José Raimundo Tosta Santos Fl. 149DF CARF MF Impresso em 27/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS, Assinado digitalmente em 15/1 0/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por JOSE RAIMUNDO TO STA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100163/2009-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008
Ementa:
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários.
COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO.
Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de COFINS, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003.
Numero da decisão: 3403-001.894
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2008 a 31/12/2008 Ementa: COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários. COFINS. NÃO-CUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de COFINS, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003.
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NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Para uma indústria calçadista, não constituem insumos assistência médica e odontológica, comissões sobre vendas, tratamento de resíduos industriais, transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas, despesas de exportação e manutenção de software, material empregado na limpeza, uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, e formação profissional dos funcionários. COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. Há expressa vedação legal à correção do montante a ser ressarcido a título de COFINS, nas hipóteses referidas no art. 13 da Lei no 10.833/2003. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 01 63 /2 00 9- 08 Fl. 214DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre pedido de ressarcimento (fls. 11 a 4) relativo a saldo credor da COFINS nãocumulativa apurado no período de 1/10 a 31/12/2008, no valor de R$ 1.715.554,36. Ao analisar a solicitação (fls. 133 a 136), a unidade local efetua glosa parcial (R$ 75.838,06), referente a “outras operações com direito a crédito” (detalhadas pelo contribuinte como assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, programa de alimentação ao trabalhador, materiais de limpeza higiene e proteção, gastos com veículos, tratamento de resíduos industriais, serviços de terceiros com exportação, comissões sobre venda no mercado externo, comissões sobre venda no mercado interno, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros análise de situação cadastral, e honorários profissionais de PJ). Cientificada da decisão da unidade local (em 17/11/2009 fl. 148), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (em 14/12/2009 fls. 149 a 163). Na peça apresentada, discorda da glosa efetuada, alegando que o conceito de insumo “engloba todo o arcabouço de mercadorias e atividades intrínsecas ao ramo de atividade”, tais como as comissões (por representação comercial), depesas de marketing, serviços de consultoria, serviços de limpeza, vigilância, assistência médica e odontológica, transporte de pessoal, pagamentos a empresas de refeição coletiva, tratamento de resíduos industriais, despesas de exportação e manutenção de software, equipamento de limpeza e de proteção, uniformes, formação profissional dos funcionários, etc. Em suma, entende por insumo “todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa”, desde que tenha havido incidência das contribuições na etapa anterior, opondose ao conceito de insumo indicado na IN SRF no 247/2002 (com as alterações da IN SRF no 358/2003), que entende violar o princípio constitucional (art. 195, § 12) da nãocumulatividade. Solicita, por fim, que seja computada a atualização pela Taxa SELIC do mês de apuração do pedido até o efetivo ressarcimento. Em 17/3/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 189 a 194), acorda se que “existe vedação legal ao creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de PIS e COFINS”. Em relação à COFINS, a possibilidade de creditamento restringese aos casos previstos no art. 3o da Lei no 10.833/2003, e se encontra regulada pela IN SRF no 404/2004. Entre as despesas glosadas não se encontrou nenhuma que pudesse ser enquadrada como 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 215DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.100163/200908 Acórdão n.º 3403001.894 S3C4T3 Fl. 215 3 insumo nesse contexto. No que se refere à correção, informouse que é expressamente vedada por dispositivo legal para a COFINS (art. 13 da Lei no 10.833/2003). Cientificada da decisão em 4/5/2011 (fl. 196), a empresa apresenta recurso voluntário em 13/5/2011 (fls. 197 a 211), basicamente reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. As matérias controversas em sede de Recurso Voluntário resumemse à inclusão ou não das despesas glosadas no conceito de insumos, e à (im)possibilidade de correção do montante a ser ressarcido pela Taxa SELIC. Do conceito de insumo O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com alicerce no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR. Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois o conceito expresso na legislação do IPI é demasiadamente restrito, e o encontrado na legislação do IR é demasiadamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegase à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.833/2003, que trata da COFINS nãocumulativa, explicita em seu art. 3o que podem ser descontados créditos em relação a: Fl. 216DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) A mera leitura do dispositivo legal já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Não poderia cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. A recorrente é empresa dedicada à fabricação de calçados. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada na confecção dos calçados (v.g. o couro) constitui um insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. A glosa (mantida pelo julgador a quo) é efetuada em relação às seguintes despesas, detalhadas pela própria contribuinte no curso da fiscalização (fls. 133/134): “Assistência médica e farmacêutica a empregados, benefícios a empregados, transporte próprio de funcionários, assistência odontológica, programa de alimentação ao trabalhador, materiais de limpeza higiene e proteção, gastos com veículos, tratamento de resíduos industriais, serviços de terceiros com exportação, comissões sobre venda no mercado externo, comissões sobre venda no mercado interno, despesas com feiras e eventos, propaganda e publicidade, serviços de terceiros (análise de situação cadastral Equifax), honorários profissionais PJ”. No recurso voluntário, argumentase que os seguintes custos são intrinsecamente necessários à atividade da empresa (alertandose que a lista é exemplificativa): “assistência médica e odontológica” (para promover a saúde física dos funcionários), “comissões s/ vendas” (para pessoas jurídicas que praticam a intermediação nas vendas), “tratamento de resíduos industriais” (por obrigação legal), “transporte de pessoal e pagamentos realizados a empresas de refeições coletivas” (pagos a empresas credenciadas perante o programa de alimentação ao trabalhador, para fornecer refeições coletivas aos funcionários), “despesas de exportação e manutenção de software” (a empresas intermediárias na exportação e empresas que prestam manutenção a software). A recorrente ainda relaciona outras despesas que enquadra como insumos (o material empregado na limpeza, os uniformes e equipamentos de proteção individual utilizados pelos funcionários, os valores gastos com propaganda, publicidade e anúncios, formação profissional dos funcionários, etc.), poupandose elaborar relação exaustiva por entender como insumos “todas as despesas necessárias à consecução do objeto social da empresa”. 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 11065.100163/200908 Acórdão n.º 3403001.894 S3C4T3 Fl. 216 5 Não é preciso muito esforço para perceber que tal conceito não se coaduna com a disposição legal que trata da matéria. Nas relações não exaustivas apresentadas pela recorrente encontramse somente zonas de certeza negativa em relação à lei que rege a matéria. Sequer se visualiza “zona de penumbra”. Todas as atividades relacionadas podem até ter alguma relação com o objeto social da empresa (fabricação de calçados), mas não com o processo produtivo/fabril. Não há, assim, como acatar a argumentação da recorrente, no sentido de um alargamento do conceito de insumos que transbordaria o dispositivo legal que rege a matéria. Do montante a ser ressarcido Pleiteia ainda a recorrente a correção pela Taxa SELIC do montante a ser eventualmente ressarcido. Agrega em seu favor precedentes administrativos dos anos de 2002 e 2003. Há que se destacar, entretanto, que há expressa vedação legal à correção, introduzida pelo art. 13 da Lei no 10.833/2003: “Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores”. (grifo nosso) É exatamente por existir tal vedação legal que não foi encontrada jurisprudência posterior a 2003. Inadmissível, assim, a argumentação da recorrente nesse tópico. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário apresentado, mantendo a decisão de piso. Rosaldo Trevisan Fl. 218DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 23/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 03/03/2013 por ROSALDO TREVISAN
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Numero do processo: 13707.000175/2007-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS AUFERIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA
Uma vez comprovada a efetiva retenção de valor a título de imposto de renda na fonte sobre rendimentos auferidos em decorrência de ação judicial, há que se restabelecer a correspondente compensação na declaração de ajuste anual.
Recurso voluntário provido
Numero da decisão: 2101-001.968
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente.
GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
Nome do relator: GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 IRPF. COMPENSAÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS AUFERIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA Uma vez comprovada a efetiva retenção de valor a título de imposto de renda na fonte sobre rendimentos auferidos em decorrência de ação judicial, há que se restabelecer a correspondente compensação na declaração de ajuste anual. Recurso voluntário provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage.
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COMPENSAÇÃO DE IRRF. RENDIMENTOS AUFERIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA Uma vez comprovada a efetiva retenção de valor a título de imposto de renda na fonte sobre rendimentos auferidos em decorrência de ação judicial, há que se restabelecer a correspondente compensação na declaração de ajuste anual. Recurso voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente. GILVANCI ANTÔNIO DE OLIVEIRA SOUSA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Célia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa (Relator), Alexandre Naoki Nishioka, Gonçalo Bonet Allage. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 7. 00 01 75 /2 00 7- 96 Fl. 55DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 40) interposto em 26 de abril de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF), (fls. 34/36), do qual o Recorrente teve ciência em 14 de abril de 2011 (fls.39), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 04, lavrado em 06 de outubro de 2006, em decorrência de compensação indevida de imposto de renda retido na fonte, pleiteada na DAIRPF – Exercício 2003, constituindose um imposto suplementar no valor de R$ 1.164,36 mais acréscimos legais. O acórdão teve a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Ementa: DEDUÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. Mantémse a glosa se o contribuinte não comprovar, com documentação hábil e idônea, que a fonte pagadora efetuou a retenção do Imposto no valor informado na Declaração. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Não se conformando, a viúva do contribuinte, interpôs recurso voluntário (fls. 40), aonde argumenta que o imposto já foi pago e, ao mesmo tempo, faz anexar documentos comprobatórios para análise (fls. 42/50). É o relatório. Voto Conselheiro Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 13707.000175/200796 Acórdão n.º 2101001.968 S2C1T1 Fl. 54 3 No tocante ao mérito, o litígio cingese à ausência de DARF para comprovação do recolhimento do IRRF no valor de R$ 4.879,06, declarado pelo contribuinte em sua DAIRPF relativa ao exercício de 2003, anocalendário 2002 (fls. 17), cuja fonte pagadora informada tratase do BANCO SANTANDER MERIDIONAL. Compulsandose os autos verificase que: a) Efetivamente o contribuinte movera ação trabalhista contra o referido banco, através do processo nº 014420003.1990.5.01.0001 (fls. 16, 42/48); b) Os documentos apensados às folhas 42/45 indicam que efetivamente houve a retenção pela fonte pagadora. Ressalto que a viúva do contribuinte vem se defendendo com os meios de que dispõe, diante da falta de DIRF e de comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora, não podendo ser penalizada quando o conjunto probatório, apensados às folhas 42/45, comprovam que houve a retenção alusiva ao imposto correspondente à ação trabalhista, cujos rendimentos se deram em 2002. Assim, entendo como legítima a compensação do Imposto Retido na Fonte (IRRF) no âmbito de recebimento de verbas trabalhistas oriundas de ação judicial dessa natureza quando os elementos de prova juntados aos autos permitem concluir que houve a retenção alusiva ao anocalendário da autuação, suprindo a prova que ordinariamente é feita por meio de Comprovante de Rendimentos e de Retenção na Fonte emitido pela Fonte Pagadora ou pelo confronto com os dados declarados pela referida Fonte em DIRF. Voto por DAR provimento ao recurso voluntário. Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 18/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 15/01/2013 por GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 19515.003013/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. DÉBITOS. LANÇAMENTOS IMPUGNADOS. INSCRIÇÃO EM DAU. A inscrição de débitos, objetos de lançamentos impugnados, em Dívida Ativa da União (DAU), sem que o sujeito passivo tenha desistido das impugnações, deve ser cancelada e suas cobranças efetuadas de conformidade com a decisão administrativa definitiva proferida no processo em que estão sendo discutidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DIFERENÇAS APURADAS. As diferenças entre os valores da contribuição devida e os declarados nas respectivas DCTFs, apuradas com base nas escrita contábil e fiscal do sujeito passivo estão sujeitas a lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DIFERENÇAS APURADAS. As diferenças entre os valores da contribuição devida e os declarados nas respectivas DCTFs, apuradas com base nas escrita contábil e fiscal do sujeito passivo estão sujeitas a lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 230 DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓPIA Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 MULTA DE OFÍCIO Nos lançamentos de ofício, para constituição de créditos tributários, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
Numero da decisão: 3301-001.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, indeferir a perícia solicitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Joyce Setti Parkins, OAB/SP 222.904.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. É válido o procedimento administrativo fiscal desenvolvido em conformidade com os ditames legais. DÉBITOS. LANÇAMENTOS IMPUGNADOS. INSCRIÇÃO EM DAU. A inscrição de débitos, objetos de lançamentos impugnados, em Dívida Ativa da União (DAU), sem que o sujeito passivo tenha desistido das impugnações, deve ser cancelada e suas cobranças efetuadas de conformidade com a decisão administrativa definitiva proferida no processo em que estão sendo discutidos. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DIFERENÇAS APURADAS. As diferenças entre os valores da contribuição devida e os declarados nas respectivas DCTFs, apuradas com base nas escrita contábil e fiscal do sujeito passivo estão sujeitas a lançamento de ofício. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 DIFERENÇAS APURADAS. As diferenças entre os valores da contribuição devida e os declarados nas respectivas DCTFs, apuradas com base nas escrita contábil e fiscal do sujeito passivo estão sujeitas a lançamento de ofício. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 230DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Período de apuração: 01/01/2002 a 31/12/2002 MULTA DE OFÍCIO Nos lançamentos de ofício, para constituição de créditos tributários, incide multa punitiva calculada sobre a totalidade ou diferença do tributo ou contribuição lançados, segundo a legislação vigente. JUROS DE MORA À TAXA SELIC Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento, indeferir a perícia solicitada e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto Relator. Fez sustentação oral pela recorrente a advogada Joyce Setti Parkins, OAB/SP 222.904. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Redator Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Paulo Sérgio Celani, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ São Paulo I que julgou procedente os lançamentos das contribuições para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e para o Programa de Integração Social (PIS), referentes aos fatos geradores dos meses de competência de janeiro a dezembro de 2002, conforme termo de verificação e constatação de irregularidades às fls. 73/79. Os lançamentos decorreram de diferenças entre os valores declarados/pagos e os efetivamente devidos sobre o faturamento mensal, apurados com base na escrita contábil e fiscal da recorrente. Inconformada com a exigência dos créditos tributários, a recorrente interpôs a impugnação (fls. 110/121), alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “1. Nos termos do art. 19, da Lei n° 3.470/1958, com a redação dada pelo art.71 da MP n° 2.15835/01, impunhase que à contribuinte, no início do procedimento fiscal, fosse dada a alternativa de pagamento do imposto, o que não Fl. 231DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.003013/200662 Acórdão n.º 330101.440 S3C3T1 Fl. 231 3 ocorreu. Logo, na ausência da intimação de que se trata, há a nulidade do lançamento. 2. O lançamento improcede porque os créditos tributários correspondentes JÁ estavam constituídos por meio da DIPJ. 2.1. Se os valores corretos do faturamento estão registrados na contabilidade e declarados na DIPJ, tratase de créditos tributários declarados (DIPJ) e, como tal, descabe novo lançamento via auto de infração. 3. Além disso, o lançamento também improcede porque os valores dos autos de infração impugnados foram também objeto de pedido de parcelamento, nos moldes da MP n° 303, de 29 de junho de 2006, posteriormente convertida na Lei n° 11.371/06. Os valores objeto dos autos de infração já estavam sendo pagos, mensal e tempestivamente, à data de sua lavratura. 3.1. A impugnante aderiu ao Parcelamento Excepcional concedido pela MP n° 303/06 em 15/09/2006. Os valores em relação aos quais foi efetuada esta opção são exatamente aqueles objeto dos autos de infração do qual se originou o presente processo. 3.2. Em consulta ao sítio eletrônico da Receita Federal, relativa à situação do parcelamento em 130 vezes, opção feita pela impugnante, consta a situação ‘ativo aguardando consolidação’(fls.l 13/114). 3.3. Entretanto, os valores inclusos neste parcelamento foram discriminados em planilha feita pela impugnante, constante de petição de esclarecimentos relativa à sua conta PAEX, e protocolizada em dezembro de 2006 (fls.l 18/121), cujos valores são os mesmos objeto dos autos de infração. 3.4. Tendo em vista que a opção pelo parcelamento ocorreu em momento anterior à lavratura dos autos de infração, prevalece o efeito do parcelamento, qual seja, a suspensão da exigibilidade do crédito. 4. Em razão da adesão ao parcelamento excepcional em 15/09/2006, até a formalização dos autos de infração impugnados já tinham sido pagas três parcelas, cada uma no valor principal de R$5.104,12, acrescidas dos juros aplicáveis ao PAEX nos respectivos meses de pagamento (fls.l 15/117). Sendo assim, os autos de infração constituíram crédito tributário já pago, e, portanto, extinto, conforme o art.156, do CTN. 5. A impugnante protesta contra as multas aplicadas, em percentual de 75%, uma vez que não houve a ocorrência de infração. Digase ainda que os créditos tributários relativos às contribuições e aos períodos de apuração objeto dos autos de infração já haviam sido constituídos na DIPJ e no momento de adesão ao parcelamento, que tem por objeto os mesmos créditos. 6. A aplicação da taxa SELIC aos tributos vencidos ofende os conceitos jurídico e econômico de juros, bem como o §1°, do art.161, do CTN, e o §3°, do art.192, da CF.” Analisada a impugnação, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo as exigências dos créditos tributários, conforme acórdão nº 1926.470, datado de 27/08/2010, às fls. 162/169, sob as seguintes ementas: “NULIDADE. CANCELAMENTO. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Satisfeitos os requisitos do art. 10 do Decreto 70.235/72 e não tendo ocorrido o disposto no art. 59 do mesmo decreto, não há que se falar em anulação ou cancelamento da autuação. D1PJ. AUSÊNCIA DE ATRIBUTO DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A DIPJ, a partir do exercício de 2000, passou a ter caráter meramente informativo, não ostentando o atributo de constituição do crédito tributário. DIFERENÇAS APURADAS ENTRE DIPJ E DCTF. PARCELAMENTO EXCEPCIONAL PAEX. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO. Eventuais diferenças de tributos apuradas entre DIPJ e DCTF, uma vez não comprovadas como integrantes, em tempo hábil, do Parcelamento Excepcional PAEX, de que trata a Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 1/07, fundamentam sua exigibilidade de oficio. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 177/194), requerendo, em preliminar, a nulidade dos autos de infração sob os argumentos de violação aos princípios do devido processo legal, da estrita legalidade e da ampla defesa; e, no mérito, o cancelamento dos lançamentos sob a alegação de duplicidade de exigência dos créditos tributários, tendo em vista que os valores, objetos dos lançamentos em discussão, foram confessados mediante o pedido de inclusão no PAEX, processo administrativo nº 11610.002444/200701 que, embora indeferido, teve seus valores inscritos em Dívida Ativa União, inscrições nº 80 7 1000314610 (PIS) e 80 6 10 01086362 (Cofins), conforme provam os documentos em anexo. Contestou, ainda, a multa de ofício sob o argumento de que não houve infração à legislação tributária, e os juros de mora à taxa Selic, estes por expressa vedação constitucional. Para fundamentar sue recurso expendeu extenso arrazoado sobre: I) A Tempestividade; II) A R. Decisão Recorrida; II) Nulidade por Afronta ao Princípio do Bis in Idem; III) A Nulidade do Auto de Infração; IV) A PréExistência de Constituição do Crédito Tributário; V) Da Suspensão da Exigibilidade do Crédito Tributário, VI) As Multas; e VII) Os Juros, concluindo, ao final, em preliminar, que os lançamentos são nulos; e, no mérito, que os créditos tributários em discussão estão sendo exigido em duplicidade, pelo fato de já terem sido constituídos por meio de DIPJ e/ ou confissão de dívidas, mediante pedido de inclusão no PAEX, via processo administrativo nº 11610.002444/200701, a multa é indevida porque não cometeu infração e a exigência de juros de mora à taxa Selic é vedada constitucionalmente. Assim, requereu a nulidade dos lançamentos e, se mantidos, seja excluída a multa de ofício e a exigência dos juros de mora à taxa Selic. É o relatório. Voto Fl. 233DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.003013/200662 Acórdão n.º 330101.440 S3C3T1 Fl. 232 5 Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim dele conheço. No recurso voluntário, a recorrente insiste na nulidade dos lançamentos sob o argumento de violação aos princípios do devido processo legal, da estrita legalidade e da ampla defesa; e, no mérito, que os débitos foram confessados, inclusive, inscritos em Dívida Ativa da União, além de contestar a multa punitiva e a exigência de juros de mora à taxa Selic. I – Nulidade dos lançamentos. Ao contrário da alegação da recorrente, na lavratura dos autos de infração foram obedecidos os princípios do devido processo legal, da estrita legalidade e da ampla defesa. Ela foi intimada do início do procedimento administrativo fiscal, a apresentar os documentos fiscais necessários à verificação do cumprimento de suas obrigações tributárias e cientificada dos lançamentos. Nos autos de infração foram demonstradas: a ocorrência do fato gerador (o faturamento), determinada a matéria tributável (Cofins), a infração imputada (falta e/ ou recolhimento a menor da contribuição), e aplicada a penalidade cabível (multa de ofício), conforme estabelece o CTN, art. 142, e, ainda, foi atendido ao disposto no Decreto nº 70.235, de 1972, art. 10. Assim, possíveis incorreções, como deficiências na descrição dos fatos e do enquadramento legal, não o tornam nulo nem anulável e sim defeituoso ou ineficaz até a sua retificação. Contudo, nenhuma incorreção e/ ou deficiência foi apontada e provada pela recorrente. Aliás, a própria recorrente reconhece a legalidade dos créditos tributários, sua discordância se restringe à alegação de duplicidade de exigência. Os valores lançados e exigidos não foram questionados. Assim, não há que se falar em nulidade dos lançamentos. II – Mérito A recorrente não discordou dos valores lançados e exigidos, limitandose à alegação de duplicidade de exigência dos créditos tributários e a combater a exigência de multa punitiva e dos juros de mora à taxa Selic. II.1 – Duplicidade de exigência dos créditos tributários Conforme consta da decisão recorrida, a autoridade julgadora de primeira instância manteve os lançamentos, sob os argumentos de que a recorrente não comprovou a inclusão dos respectivos débitos no PAEX. Nesta fase recursal, a recorrente alega e reconhece que o seu pedido de inclusão no PAEX dos débitos, objetos dos lançamentos em discussão, processo administrativo nº 11610.002444/200701, foi indeferido e os débitos inscritos em Dívida Ativa da União sob Fl. 234DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 os nº 80 7 1000314610 (PIS) e 80 6 10 01086362 (Cofins), conforme provariam os documentos anexados ao recurso voluntário. Realmente do exame das cópias do aviso de cobrança às fls. 195, dos darfs às fls. 196 e às fls. 197, e do extrato Histórico do Objeto às fls. 199, expedido pelos Correios, depreendese que os débitos, objetos dos lançamentos em discussão foram inscritos em Dívida Ativa da União em outubro de 2010. No entanto, tal inscrição, salvo melhor juízo, foi equivocada. Conforme se verifica dos autos, a recorrente foi notificada dos créditos tributários, objetos dos lançamentos em discussão, em 18/12/2006 (fls. 83 e fls. 91), apresentou a respectiva impugnação em 16/01/2007 (fls. 110). A decisão da DRJ São Paulo mantendo as exigências dos créditos tributários foi prolatada em 27/08/2010, mas a intimação somente se deu em 17/01/2011 (fls. 173 e 174). Assim, em outubro de 2010, os débitos, objetos dos lançamentos em discussão, não podiam ser inscritos em Dívida Ativa da União porque a impugnação interposta contra suas exigências ainda se encontrava pendente de decisão administrativa. Demonstrado o equívoco da inscrição, esta deverá ser cancelada e os débitos exigidos depois de proferida a decisão definitiva neste processo e de conformidade com o decidido nela. II.2 – multa de ofício A multa aplicada teve como fundamento a Lei nº 9.430, de 1996, art. 44, I, que assim dispõe: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (...); I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; (...).” A multa no lançamento de ofício tem como objetivo punir o sujeito passivo pela prática de infrações tributárias (falta de lançamento, de declaração e de pagamento da contribuição). No presente caso, houve declaração e, conseqüentemente, pagamento a menor das contribuições para o PIS e Cofins. II.3) juros de mora à taxa Selic. A exigência de juros de mora à taxa Selic, constitui matéria já sumulada pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) nos termos da súmula nº 3 que assim dispõe: Súmula nº 3. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e Fl. 235DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 19515.003013/200662 Acórdão n.º 330101.440 S3C3T1 Fl. 233 7 contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais.” Dessa forma, em relação a esta matéria, aplicase esta súmula. Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, rejeito a suscitada preliminar de nulidade dos lançamentos e, no mérito, nego provimento ao recurso voluntário e determino que a autoridade administrativa competente, Delegado da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária (Derat) em São Paulo, solicite à Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional em São Paulo, capital, o cancelamento das inscrições em Dívida Ativa da União dos débitos (fls. 196 e 197), objetos deste processo administrativo, e os exija por meio deste processo de conformidade com a decisão administrativa definitiva nele proferida. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 236DF CARF MF Impresso em 25/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 18 /05/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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