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Numero do processo: 10640.002581/2006-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri May 13 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2002
IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES.
Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da
efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. Comprovada a realização da despesa e a prestação do serviço, deve ser restabelecida a dedução.
Numero da decisão: 2102-001.319
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Giovanni Christian Nunes Campos, que não restabeleciam a despesa médica com o profissional José Augusto Monteiro de Siqueira.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÕES. Cabe ao sujeito passivo a comprovação, com documentação idônea, da efetividade da despesa médica utilizada como dedução na declaração de ajuste anual. Comprovada a realização da despesa e a prestação do serviço, deve ser restabelecida a dedução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Núbia Matos Moura e Giovanni Christian Nunes Campos, que não restabeleciam a despesa médica com o profissional José Augusto Monteiro de Siqueira. ASSINADO DIGITALMENTE GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Presidente. ASSINADO DIGITALMENTE CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 18/06/2011 Fl. 116DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 114 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 89 a 99, interposto contra decisão da DRJ em Juiz de Fora/MG, de fls. 77 a 85, que julgou procedente o lançamento do IRPF de fls. 03 e 04, relativo ao anocalendário 2002, lavrado em 26/10/2006, com ciência do RECORRENTE em 09/11/2006 (fl. 39). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 6.898,35, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75,00%. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 04, o presente lançamento teve origem na glosa de deduções relativas a despesas médicas, nos seguintes termos: “001 DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO PLEITEADA INDEVIDAMENTE (AJUSTE ANUAL) DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS Redução indevida da Base de Cálculo com despesas médicas,por deduções pleiteadas indevidamente, conforme descrito no Relatório do Trabalho Fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto Multa (%) 31/12/2002 R$ 10.792,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43; Arts. 73 e 80 do RIR/99.” No Relatório do Trabalho Fiscal de fls. 07 a 10, a autoridade lançadora afirmou que a ação fiscal originouse em razão de trabalho fiscal junto ao profissional liberal José Augusto Monteiro de Siqueira, em cruzamento de informações com os contribuintes que haviam declarado pagamentos efetuados ao dito profissional no ano calendário de 2002. Após o fornecimento de respostas por parte do RECORRENTE (às fls. 14 a 23 e às fls. 26 a 36), a autoridade fiscal concluiu o seguinte: “(...)Da análise do informado e do que o contribuinte logrou apresentar temos que: 1) considerando a prática adotada pelo profissional liberal, José Augusto Monteiro de Siqueira, oferecendo valores à tributação de montante muito inferior ao verificado pela fiscalização junto aos declarantes de pagamentos ao mesmo efetuados, e, ainda, Fl. 117DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 115 3 que o referido profissional não informou haver recebido qualquer valor do fiscalizado, a este foi solicitado comprovar a efetividade do(s) pagamento(s), uma vez que utilizouo(s) como dedução. A necessidade de comprovação encontra respaldo legal pelo disposto no art. 73, caput, do mesmo Decreto n° 3.000/99, in verbis: ‘Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n2 5.844, de 1943, art. 11, 55' 39.’ Em razão do dispositivo legal anterior, cabe ao contribuinte provar a efetividade dos dispêndios dos valores dos comprovantes utilizados para as deduções pleiteadas com todos os profissionais liberais. O contribuinte não logrou apresentar documentação que efetivamente os comprovasse. 2) observase que, na prática corriqueira de alegar pagamento em moeda corrente, como no presente caso, nenhuma outra prova da efetividade da despesa o declarante logra apresentar: Destarte, e considerando que o fiscalizado não fez prova dos pagamentos que declarou haver efetuado aos profissionais é de se considerar a não prestação dos serviços e que os correspondentes dispêndios não existiram de fato, sendo, assim, incabível a dedução dos valores indicados como pago aos mesmos, a titulo de despesas médicas. (...) Para fins do lançamento de oficio, e considerando a sua Declaração de Ajuste Anual 2003, ano calendário 2002, com o respectivo Acerto de Declaração, (fls. 33 a 36 ) temos: glosa por dedução indevida de despesas médicas: R$ 10.792,00 (dez mil, setecentos e noventa e dois reais) relativos aos profissionais: • José Augusto Monteiro de Siqueira: R$ 4.000,00; • Gabriela Barbosa Feitosa: R$ 4.500,00; • André Luiz Dias: R$ 2.292,00.” Em razão da glosa efetuada pela fiscalização, no valor total de R$ 10.792,00, foi apurado imposto de renda no valor de R$ 2.967,80 (fl. 05), com a aplicação da multa de ofício e dos juros de mora (fl. 06). DA IMPUGNAÇÃO Fl. 118DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 116 4 Em 04/12/2006, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, a impugnação de fls. 40 a 53, e apresentou as alegações a seguir resumidamente transcritas: “DA NULIDADE DO AI (...) Os atos e procedimentos administrativos são regidos por princípios que informam o sistema jurídico e seus subsistemas. Mister se faz salientar que, por se tratar de ato administrativo, o ato de aplicação de penalidade somente é válido quando estiverem presentes, em sua constituição, os cinco requisitos necessários para a sua formação, a saber: competência, finalidade, forma, motivo e objeto. (...) No caso em tela, não há nenhuma ilicitude praticada pelo Recorrente já que as deduções feitas em sua base de cálculo para o IR se deram na forma da lei e foram devidamente comprovadas DOCUMENTALMENTE quando da primeira intimação fiscal com esse fim. Além disso, não há nenhuma comprovação de que houve o descumprimento de obrigação como será mais adiante demonstrado. Logo, não existe MOTIVO para a lavratura do Auto de Infração, já que não houve comprovação da alegada inidoneidade dos documentos apresentados pelo contribuinte. (...) Relativamente ao requisito forma, ou seja, o seu revestimento exterior, é um requisito vinculado e imprescindível para a prática do ato administrativo, pois ele é o modo pelo qual este aparece e revela a sua existência. (...) Por razões de segurança e certeza jurídica, a formalização do ato administrativo será escrita, mesmo porque a legislação rejeita o ato oral ou tácito. Tal ato punitivo deve ter a forma escrita para que o sujeito passivo possa impugnálo, apresentando ampla defesa, também por escrito. O auto de infração, como ato administrativo que é, dentro da forma, deve, obrigatoriamente, sob pena de nulidade, ter consignado os seguintes elementos: a) dia, hora e local de sua lavratura; b) nome e qualificação do autuado, principalmente o endereço; c) DESCRIÇÃO MINUCIOSA DA INFRAÇÃO E SUAS CIRCUNSTÂNCIAS QUALIFICATIVAS; d) indicação da norma violada, capitulando a respectiva falta; Fl. 119DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 117 5 e) prazo para impugnação; f) IDENTIFICAÇÃO DA AUTORIDADE AUTUANTE; g) testemunha, se houver, h) ASSINATURA DO AUTUADO OU SEU REPRESENTANTE LEGAL; (...) No AI ora impugnado, não há a descrição minuciosa da infração supostamente cometida, não há assinatura do AUTUADO e, por fim, não há identificação e assinatura de um dos fiscais responsáveis pelo AI visto que somente um deles assina o ato praticado. Ora, estando demonstrado que os requisitos acima não estão presentes no AI, óbvio que o mesmo está eivado de vício em sua forma. Tornase impossível para ao Recorrente, então, defenderse de uma acusação parcialmente formulada, restando maculado o princípio da ampla defesa. Assim, deve ser julgado insubsistente o presente AI com o cancelamento da multa aplicada. DA SUPOSTA INFRAÇÃO COMETIDA (...) Segundo consta no AI, a inidoneidade do documento seria o fato de que uma simples declaração ou recibo de profissional liberal não faz prova de despesas efetivamente gastas no tratamento alegado. ORA, TRATASE DE ABSURDO JURÍDICO TAL PRESUNÇÃO!!!! A um, porque não se pode presumir a máfé do contribuinte, notadamente depois do advento do novo código civil que sedimentou em nosso ordenamento jurídico a Teoria da BoaFé. (...) Disso podemos concluir sem medo de errar: NÃO SE PODE PRESUMIR A MÁFÉ DO CONTRIBUINTE (OU ATÉ MESMO DOS PROFISSIONAIS QUE LHE FORNECERAM AS DECLARAÇÕES) sem qualquer fundamento concreto que demonstre dolo ou simulação de sua parte. A dois, porque no caso em tela, os documentos apresentados pelas partes são provas cabais de que as despesas deduzidas da base de cálculo do Imposto de Renda são legítimas e de fato Fl. 120DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 118 6 existiram. Logo, não há que se falar em desconsiderações de tais documentos como meio de prova das alegações do contribuinte. (...) Documento Privado: é aquele para cuja formação não contribuiu qualquer agente público exercendo função pública. A declaração contida em documento particular, desde que assinado pelo declarante, dispensa qualquer outro meio probatório, a fim de provar a sua existências pois milita a presunção de veracidade em favor do autor do documento. (Art. 368, caput, CPC). (...) A parte que alegar a falsidade do documento terá o ônus de provála. (Art. 389, inciso I, CPC). Assim, temos que os documentos apresentados pelo Contribuinte são provas inequívocas dos fatos que o fizeram deduzir despesas da base de cálculo do seu Imposto de Renda. 1) Dos Pagamentos feitos a José Augusto Monteiro de Siqueira: Conforme explanado em esclarecimentos prestados pelo Recorrente oportunamente, as despesas pagas naquele exercício financeiro ao profissional acima foram: a) Com referência à dependente Marcília Helena Guedes Bissoli, foram gastos no total RS2500,00 (dois mil e quinhentos reais), pagos em dinheiro ao profissional acima citado. Fazem prova os documentos ora anexados, a saber: recibo e declaração do profissional que recebeu os honorários; radiografias e fotos atuais tiradas da dependente que demonstram o procedimento de feitura do ROACH mencionado no recibo; foto do aparelho de ROACH fabricado pelo dentista e, por fim; declaração do dentista discriminando o procedimento feito em ambos os pacientes (contribuinte e sua dependente). Cabe ressaltar que os procedimentos foram feitos na arcada inferior da dependente. b) Ainda como despesa paga ao mesmo profissional com referência ao tratamento efetuado no ora Recorrente, segue em anexo a declaração dos procedimentos e o recibo dos valores recebidos pelo dentista (R$1500,00 mil e quinhentos reais), valendo ressaltar que os procedimentos em questão não são precedidos de radiografias ou qualquer outro ato que produza documentos a serem apresentados. 2) Dos Pagamentos feitos a André Luiz Dias: Tratase de pagamento feito ao profissional acima descrito referente a tratamento dentário da dependente do contribuinte de nome Marcilia Helena Guedes Bissoli. O tratamento se deu na arcada dentária superior e, como comprovação, anexa os seguintes documentos: Recibos comprovando o valor de Fl. 121DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 119 7 R$2292,00 devidamente pagos em espécie; Orçamento dos serviços que seriam prestados com a devida menção a cada preço unitário e referência ao tratamento, radiografias do procedimento. 3) Dos Pagamentos feitos a Gabriela Barbosa Feitosa: Tratamse de despesas de tratamento psicológico realizado junto à dependente Maria Meggiolaro Bissoli, genitora do contribuinte em questão. Como é notório, o tratamento psicológico não gera exames laboratoriais ou outro tipo de procedimento que acarretem a emissão de documentos para se comprovar a efetiva prestação de serviços. Não obstante, o contribuinte recorreu à profissional que lhe prestou os serviços e solicitoulhe o Laudo em anexo que, juntamente com os recibos de prestação de serviços, tem o condão de demonstrar a efetividade dos procedimentos em tela. Por fim, insta salientar que as despesas pagas foram comprovadas oportunamente por documentos (recibos). Nesta data estão novamente sendo comprovadas por recibos e documentos extras que descrevem e demonstram a veracidade dos tratamentos aos quais o contribuinte e seus dependentes se submeteram naquele ano. (...) Concluindo, não há que se falar em documento inidôneo, notadamente porque há comprovações em anexo com relação aos serviços prestados.” Foram juntados aos autos os documentos de fls. 55 a 63 (relativos às despesas com o Dr. José Augusto M. Siqueira); fls. 64 a 69 (relativos às despesas com o Dr. André Luiz Dias); e fls. 70 a 75 (relativos às despesas com a Dra. Gabriela Barbosa Feitosa). DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 77 a 85 dos autos, julgou procedente o lançamento do imposto, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 NULIDADE. Está afastada a hipótese de nulidade quando o lançamento, lavrado por autoridade competente, atende a todos requisitos formais e possibilita ao sujeito passivo o pleno exercício do direito de defesa. Fl. 122DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 120 8 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Para se gozar do abatimento pleiteado, não basta a disponibilidade dos recibos é necessário comprovar a efetividade do serviço, bem como a vinculação do pagamento realizado, sobretudo quanto tais aspectos foram objeto de intimação por parte da autoridade lançadora. Na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Correta a glosa de valores deduzidos a título de despesas médicas cujos serviços e o efetivo dispêndio do contribuinte não foram comprovados. Lançamento Procedente” Assim, pela falta de comprovação dos pagamentos referentes às despesas médicas questionadas, a DRJ julgou procedente o lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão em 19/05/2009, conforme AR de fl. 88 dos autos, apresentou recurso voluntário de fls. 89 a 98 em 17/06/2009. Em suas razões recursais, renovou a matéria de defesa de sua impugnação. Em relação às despesas com o profissional José Augusto Monteiro Siqueira (dentista), defendeu que o fato de ele não ter declarado as receitas auferidas não justificaria a glosa. Assim, afirmou que o fisco deve exigir do prestador dos serviços o imposto complementar devido, tendo em vista que “o fato de impor ao recorrente a glosa dos mesmos valores implica evidente enriquecimento ilícito do Fisco, vez que pretende receber o imposto devido pelo prestador do serviço e ainda negar ao tomador o direito à dedução”. Adicionalmente, o RECORRENTE defendeu: “(...) não houve nenhuma alegação concreta da autoridade fiscal acerca da glosa das despesas pagas aos demais profissionais, quais sejam, Gabriela Barbosa Feitosa (psicóloga) e André Luiz Dias (odontólogo), o que leva a crer que ambos os profissionais declararam e pagaram os respectivos impostos de renda sobre as receitas auferidas do recorrente (...)” No mérito, o RECORRENTE afirmou que não se limitou a apresentar os recibos das despesas, pois trouxe aos autos laudos médicos, orçamentos, radiografias, fotos e declarações dos profissionais que, aliados aos recibos, tornariam irrefutável a ocorrência dos pagamentos. Fl. 123DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 121 9 Este recurso voluntário compôs lote, sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo com o Relatório do Trabalho Fiscal de fls. 07 a 10, o lançamento decorreu da glosa por dedução indevida das seguintes despesas médicas: R$ 4.000,00 pagos ao Dr. José Augusto Monteiro de Siqueira; R$ 4.500,00 pagos à Dra. Gabriela Barbosa Feitosa; e R$ 2.292,00 pagos ao Dr. André Luiz Dias. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu que tanto na fase investigatória do lançamento, como também na fase impugnatória, o RECORRENTE não logrou comprovar a efetividade do pagamento de tais despesas, e que os recibos apresentados às fls. 14 a 23, bem como os demais documentos acostados às fls. 26 a 32 e às fls. 55 a 75 seriam insuficientes. Sendo assim, o presente caso resumese à aceitação dos documentos apresentados pelo RECORRENTE como prova dos serviços médicos/odontológicos prestados, no anocalendário 2002, no montante total de R$ 10.792,00. Sobre o tema, o Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), em seu art. 73, estabelece que todas as deduções estão sujeitas à comprovação de sua realização, nos seguintes termos: "Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. § 1° Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. § 2° As deduções glosadas por falta de comprovação ou justificação não poderão ser restabelecidas depois que o ato se tomar irrecorrível na esfera administrativa. Fl. 124DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 122 10 § 3º Na hipótese de rendimentos recebidos em moeda estrangeira, as deduções cabíveis serão convertidas para Reais, mediante a utilização do valor do dólar dos Estados Unidos da América fixado para venda pelo Banco Central do Brasil para o último dia útil da primeira quinzena do mês anterior ao do pagamento do rendimento." Em seu art. 80, o RIR/1999 determina, ainda, o seguinte: "Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1° O disposto neste artigo: (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento." No caso dos autos, os recibos foram rejeitados pela fiscalização visto que o RECORRENTE deixou de apresentar comprovação da efetividade dos serviços, bem como a efetiva realização dos pagamentos correspondentes através de cópias de cheques ou extratos bancários que atestassem a despesa realizada. O RECORRENTE alega que juntou aos autos toda a documentação legalmente exigida a fim de comprovar as despesas médicas, sendo ilegítima a exigência de documentação não prevista em lei como condição de dedutibilidade das despesas. Feitos os esclarecimentos acima, passo a analisar o caso em tela. Para efetuar a glosa de deduções, a autoridade fiscal deve motivar o seu ato, expondo as razões para efetivação da glosa. Contudo, tal ato (glosa de deduções) deve obedecer aos limites fixados em lei, sob pena de o ato administrativo tornarse arbitrário e, portanto, ilegal. Sobre a discricionariedade do ato administrativo, transcrevo abaixo as lições de Celso Antônio Bandeira de Mello: “89. A situação é bastante diversa quando a lei deixa ao Poder Público certa margem de discricionariedade por ocasião da prática do ato. Assim, considerese o caso da autorização do porte de arma. Se o particular o solicita, a Administração Fl. 125DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 123 11 deferirá ou não, posto que a lei não constrange à prática do ato, dado que faculta ao Poder Público examinar no caso se convém ou não atender ao pretendido pelo interessado.(...) 90. Em suma: discricionariedade é liberdade dentro da lei, nos limites da norma legal, e pode ser definida como: ‘ margem de liberdade conferida pela lei ao administrador a fim de que este cumpra o dever de integrar com sua vontade ou juízo a norma jurídica, diante do caso concreto, segundo critérios subjetivos próprios, a fim de dar satisfação aos objetivos consagrados no sistema legal’. 91. Não se confundem discricionariedade e arbitrariedade. Ao agir arbitrariamente o agente estará agredindo a ordem jurídica, pois terá se comportado fora do que lhe permite a lei. Seu ato, em conseqüência, é ilícito e por isso mesmo corrigível judicialmente. (...) 98. Assim, a discricionariedade existe, por definição, única e tãosomente para proporcionar em cada caso a escolha da providencia ótima, isto é, daquela que realize superiormente o interesse público almejado pela lei aplicanda. Não se trata, portanto, de uma liberdade para a Administração decidir a seu talante, mas para decidirse do modo que torne possível o alcance perfeito do desiderato normativo. (...)” (BANDEIRA DE MELLO, Celso Antônio. Curso de Direito Administrativo. 22ª ed. rev. São Paulo: Malheiros, 2007. p.413 a 418). Dos pagamentos ao Dr. José Augusto Monteiro de Siqueira: No que diz respeito às despesas odontológicas com o Dr. José Augusto Monteiro de Siqueira, no valor de R$ 4.000,00, entendo que está provada a efetividade da despesa. Como se vê, nos autos há fotos, radiografias, orçamentos e recibos, acostados entre as fls. 60 a 63. Da análise destes documentos, concluo que são hábeis a comprovar a efetividade da prestação dos serviços. Ademais, a acusação de que o prestador de serviço teve lavrado contra si termos de Representação Fiscal para Fins Penais em outros procedimentos de fiscalização, por si só, não pode ser o motivo exclusivo da glosa; principalmente quando há prova da efetividade dos serviços. Desta forma, por haver prova inequívoca da realização dos serviços pelo Dr. José Augusto Monteiro de Siqueira, entendo que devem ser restabelecidas as despesas médicas de R$ 4.000,00, como declaradas. Dos pagamentos à Dra. Gabriela Barbosa Feitosa: Também assiste razão ao RECORRENTE em relação a estes pagamentos. Fl. 126DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10640.002581/200636 Acórdão n.º 2102001.319 S2‐C1T2 Fl. 124 12 Entendo que os recibos emitidos pela Dra. Gabriela Barbosa Feitosa (fls. 15 a 20), aliado ao laudo psicológico expedido pela profissional (fl. 70), devem sim ser aceitos como comprovação de despesas médicas, no valor de R$ 4.500,00. Após a glosa efetuada pela fiscalização, o RECORRENTE apresentou os recibos de fls. 15 a 20, em conjunto com a declaração de fl. 70, que comprovam a efetividade das despesas de serviços psicológicos à Sra. Maria Meggiolaro Bissoli, que é dependente do RECORRENTE (fl. 35). Assim, agiu em conformidade com o que determina o art. 73 do Decreto nº 3.000/99, não podendo a autoridade lançadora simplesmente efetuar a glosa de tais despesas sem motivar legalmente o seu ato. Desta forma, o pedido de dedução de tais despesas médicas, formulado pelo RECORRENTE, deve ser acatado, tendo em vista que os recibos e o laudo apresentados nos autos são perfeitamente aptos a comprovar a efetividade do dispêndio com serviços de tratamento de psicólogo. Dos pagamentos ao Dr. André Luiz Dias: Por último, quanto aos valores pagos ao Dr. André Luiz Dias durante o ano calendário 2002, no valor total de R$ 2.292,00, também entendo que as despesas devem ser restabelecidas. O RECORRENTE acosta aos autos (fls. 64 a 69) recibos, radiografias e orçamento que demonstram a efetividade da prestação dos serviços pelo Dr. André Luiz Dias (R$ 2.292,00), em favor de sua dependente. Sendo assim, diante do contexto fático, das razões motivadoras do lançamento e dos documentos acostados aos autos, devem ser restabelecidas as despesas médicas indicadas na declaração de ajuste do RECORRENTE, por estarem comprovadas. Isto posto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para serem restabelecidas as deduções das despesas médicas, julgando improcedente o auto de infração. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 127DF CARF MF Emitido em 04/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L Assinado digitalmente em 18/06/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA L, 21/06/2011 por GIOVANNI CH RISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 11020.720055/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO. INSUMOS.
Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao
crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como
insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou
produtos destinados à venda.Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.065
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os
conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão
Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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DE MADEIRAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO. INSUMOS. Os gastos com frete de produtos entre estabelecimentos não geram direito ao crédito de PIS não cumulativo, eis que tal serviço não é utilizado como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda.Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do redator designado. Vencidos os conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas (relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Designado o conselheiro Alan Fialho Gandra para redigir o voto vencedor. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) Fabíola Cassiano Keramidas – Relatora (Assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado EDITADO EM: 02/08/2011 Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra (Redator Designado), Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório 1. Tratase de Pedido de Ressarcimento de PIS, derivado de créditos acumulados na apuração não cumulativa, em razão de exportações de mercadorias para o exterior do País (artigo 5º, §1º da Lei nº 10.637/02). O crédito é relativo ao 2º Trimestre de 2006, no valor total de R$ 80.517,24 (fls. 01/03). 2. A autoridade fiscal manifestouse (fls. 06/08) pela glosa de parte dos créditos, em razão de a Recorrente ter calculado crédito sobre valores de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos. 3. O Delegado da Receita Federal de Caxias do Sul/RS, acatando as conclusões do Agente Fiscal (fls. 08), reconheceu apenas parcialmente o direito creditório da Recorrente, mantendo a glosa dos valores relativos a créditos derivados de frete de produtos acabados, entre estabelecimentos. 4. Promovidas as verificações necessárias e após constatado que a Recorrente não possuía débitos em aberto perante a Receita Federal, que autorizassem a compensação de oficio de quaisquer valores, a Recorrente, uma vez intimada, apresentou sua Manifestação de Inconformidade (fls. 36/44). 5. A Recorrente rechaça o procedimento fiscal, por entender que os custos incorridos com o transporte de produtos – ainda que entre estabelecimentos da empresa – configurase etapa essencial da venda dos bens. Isto porque é necessário para que ocorra a exportação (venda) dos produtos, que os mesmos sejam transferidos dos estabelecimentos produtores para aqueles que se encontram mais perto dos portos de Paranaguá, Itajaí e Rio Grande – de onde são transportados para o exterior. No mesmo sentido, produtos oriundos de uma unidade produtora no interior do Estado são trazidos para a Matriz da empresa, de onde podem ser diretamente vendidos. Assim, por se tratar se custo essencial à atividade, as despesas de frete dos produtos entre estabelecimentos não poderiam ser desqualificadas como insumos da atividade, o que lhe garante o direito ao crédito de PIS, na sistemática não cumulativa, sobre tais dispêndios. 6. Alega, ainda, que é incorreta a pretensão fiscal de limitar o direito ao crédito dos contribuintes, pois a incidência do PIS se dá sobre a totalidade da receita da pessoa jurídica. Ou seja, se a incidência – na forma não cumulativa – se dá sobre o resultado integral da atividade econômica desenvolvida, então os créditos têm de ser garantidos sobre todos os custos desta atividade econômica, sob pena de não se cumprir a não cumulatividade estabelecida. Entende haver, portanto, ofensa ao princípio da isonomia, do não confisco e à própria não cumulatividade. 7. Apresenta a Recorrente uma série de decisões da Receita Federal que evidenciam que o assunto é controverso mesmo dentro do próprio órgão. Alega, ainda que decisões contrárias ao creditamento, ainda que baseadas na Solução de Divergência nº 11/07 não podem prosperar, por ofensa ao princípio da hierarquia das normas, visto que Soluções de Divergência não poderiam ferir as disposições legais (que não criaram qualquer restrição ao crédito ora sob análise). 8. Sobreveio a decisão da DRJ (fls. 59/60), que manteve o que foi definido no Despacho Decisório, julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720055/200883 Acórdão n.º 330201.065 S3C3T2 Fl. 2 3 Segundo a DRJ os custos de frete de produtos entre estabelecimentos não estariam vinculados à operação de venda, bem como a autoridade fiscal estaria obrigada a observar as manifestações do órgão a respeito da impossibilidade do creditamento pretendido. 9. Inconformada a Recorrente apresentou seu Recurso Voluntário (fls. 63/72), no qual reitera os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade e requer a reforma total da decisão da DRJ. 10. Vieramme, então, os autos para decidir. 11. É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora Tratase de Recurso Voluntário tempestivo, que atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de PIS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa. No caso da Recorrente o transporte se deu, na maioria dos casos, entre estabelecimentos produtores e outros estabelecimentos que se encontravam mais perto dos portos através dos quais remete suas mercadorias para o exterior (exportação). Outra parte do frete contratado foi para remessa dos produtos de uma unidade produtora no interior do Estado para a matriz, onde são realizadas a maior parte das vendas. A Receita Federal tem se manifestado reiteradas vezes, em relação a uma série de custos de operações de contribuintes, contra o direito ao crédito, numa clara tendência restritiva. Tanto assim que as disposições contidas na Instrução Normativa nº 247/02 (texto alterado pela IN 358/03) – que trata justamente da apuração não cumulativa do PIS – estabelece que para fins da apuração do crédito a que o contribuinte tem direito, sobre os insumos utilizados na produção, o conceito de insumo é aquele trazido pela legislação do IPI. Vejamos: “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: (...) § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 4 b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto;” (destaquei) Da leitura dos dispositivos concluise que a Receita Federal, ao regulamentar a não cumulatividade trazida pela Lei nº 10.637/02, pretendeu adotar os conceitos da legislação do IPI sem que, todavia, referida Lei assim determinasse. Vale recordar que desde o surgimento da não cumulatividade do PIS e da COFINS muito já se discutiu sobre sua natureza. A princípio discutiase se a não cumulatividade do PIS e da COFINS seguia o mesmo modelo – e, portanto, os mesmos princípios – da não cumulatividade do ICMS e do IPI. Após muitas discussões as decisões – tanto administrativas como judiciais – seguiram no sentido de reconhecer que a não cumulatividade das contribuições em tela é distinta daquela do ICMS e do IPI, especialmente porque a dos mencionados impostos segue regras próprias, estabelecidas na Constituição Federal. Evidencia tal distinção o fato de que a não cumulatividade do IPI e do ICMS tem por base, na apuração dos créditos, o valor do imposto que foi recolhido na etapa anterior da cadeia de produção ou venda. No caso da não cumulatividade do PIS e da COFINS, por outro lado, pouco importa o que foi pago na etapa anterior, bastando que o contribuinte esteja sujeito a uma saída tributada nos termos da não cumulatividade, para que tenha direito a creditarse de custos incorridos na atividade que gerou a receita tributada pelas contribuições. Portanto, os limites conceituais da não cumulatividade e/ou da apuração de IPI e ICMS não se aplicam à não cumulatividade do PIS e da COFINS, pois não há, na legislação destas contribuições, qualquer menção à esta aplicabilidade. Impera esclarecer que já externei meu posicionamento neste sentido, acompanhando o Ilustre Conselheiro Relator Walber Jose da Silva, por meio de declaração de voto, na oportunidade do julgamento do processo nº 10247.000001/200619, o qual foi decidido por maioria pela então Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, verbis: “É cediço que até a criação do sistema não cumulativo para o PIS e Cofins, a não cumulatividade alcançava, penas, o imposto estadual sobre circulação de mercadorias – ICMS – e o imposto federal incidente sobre o produto industrializado – IPI. Em vista deste fato, é natural que os intérpretes do direito (neste caso entendidos como as autoridades administrativas fiscalizadoras por aplicarem as normas e as autoridades administrativas de julgamento por julgar a forma como as normas foram aplicadas) busquem as definições pré estabelecidas e já conhecidas dos regimes cumulativos do ICMS e IPI para conceituar o novo sistema. Todavia, este procedimento quase que automático e natural, ao invés de solucionar a questão, acaba por confundir e inviabilizar a correta aplicação da norma tributária. A não cumulatividade para fins de PIS e COFINS instituiuse, inicialmente no âmbito legislativo com a edição das medidas provisórias MP 66/02 e 135/03, posteriormente convertidas nas Leis Ordinárias nº 10.637/02 – PIS – e nº10.833/03 – Cofins. O supedâneo constitucional surgiu com a alteração do artigo 195 da carta magna, ao qual foi incluído o parágrafo 12, conforme Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720055/200883 Acórdão n.º 330201.065 S3C3T2 Fl. 3 5 redação trazida pela Emenda Constitucional nº 42 (EC nº 42 de 19.12.03), in verbis: "Art. 195. ........................................................................................ (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...)” Além da diversidade de fundamentação legal e constitucional, o principal fato diferenciador dos regimes deve ser observado em relação à regra matriz do tributo, especificamente em relação ao seu aspecto material. As contribuições ao PIS/Cofins, desde o início de sua “existência”, pretenderam a tributação do faturamento das pessoas jurídicas, sem qualquer vinculação a um bem ou produto, incidindo, portanto, sobre uma grandeza econômica formada por uma série de fatores contábeis os quais constituem a receita de uma empresa. Já o IPI/ICMS, prevêem a tributação do valor de determinado produto. Tal diferença torna evidente a distinção dos regimes não cumulativos. Explico. Adoto a premissa de que o conceito de cumulatividade significa tributar mais de uma vez a mesma grandeza econômica. Nestes termos, para se alcançar o efeito não cumulativo é necessário, exatamente, evitar esta reiterada incidência tributária sobre a mesma riqueza. No caso da não cumulatividade aplicável ao IPI/ICMS este processo é facilmente constatável. Isto porque se está tratando de não cumulatividade vinculada ao preço do produto, logo, toda vez que o produto for tributado (independente da fase em que ele se encontre), estarseá diante da cumulação de carga tributária. O reflexo no aumento do preço do produto é visível, quase palpável, e o simples destaque na nota fiscal permite impedir a cumulatividade da carga tributária. Todavia, este mesmo pressuposto não se aplica à não cumulatividade trazida ao PIS/Cofins. Diferentemente da hipótese dos impostos, a cumulação que se pretende evitar no caso das contribuições, referese à receita da pessoa jurídica. É em relação a esse aspecto econômico que se deve impedir a reiterada incidência tributária. Neste sentido citamos Marco Aurélio Greco, in “NãoCumulatividade no PIS e na COFINS”, Leandro Paulsen (coord.), São Paulo: IOB Thompsom, 2004: “Embora a não cumulatividade seja uma idéia comum ao IPI e ao PIS/COFINS a diferença de pressuposto de fato (produto industrializado versus receita) faz com que assuma dimensão e perfil distintos. Por esta razão, pretender aplicar na interpretação de normas de PIS/COFINS critérios ou formulações construídas em relação ao IPI é: a) desconsiderar Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 6 os diferentes pressupostos constitucionais; b) agredir a racionalidade da incidência de PIS/COFINS; e c) contrariar a coerência interna da exigência, pois esta se forma a partir do pressuposto ‘receita’e não ‘produto’.” O critério “receita”, ao contrário do critério “produto”, não possui, como bem esclarecido pelo mestre supracitado, “um ciclo econômico a ser considerado, posto ser fenômeno ligado a uma única pessoa”. Inexiste imposto de etapa anterior a ser deduzido, uma vez que não há estágio prévio na apuração da receita da pessoa jurídica, e esta particularidade inviabiliza a aplicação da mesma interpretação para ambos os regimes. ” Não há meios, portanto, de confusão entre os sistemas não cumulativos de impostos e contribuições. Diferentemente do regime previsto para o IPI e ICMS que pretende a compensação de “imposto sobre imposto”, importando o valor despendido a título de tributo, a não cumulatividade das contribuições sociais se preocupa com o quantum consumido pelo contribuinte a título de insumos em toda sua atividade. A este respeito também já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, ao prolatar a decisão contrária a Recurso Especial do Procurador apresentado nos autos do Processo Administrativo nº 11065.101271/200647. Na ocasião, no bem lançado voto do ilustre relator Henrique Pinheiro Torres, a CSRF rechaçou a equiparação do conceito de “insumos” utilizado na legislação do PIS e da COFINS, àquele presente na legislação do IPI. In casu, a CSRF firmou posicionamento no sentido de total distinção de conceito de insumo para a legislação de IPI e para a legislação de PIS e Cofins. Vejamos: “A meu sentir, o alcance dado ao termo insumo, pela legislação do IPI não é o mesmo que foi dado pela legislação dessas contribuições. No âmbito desse imposto, o conceito de insumo restringese ao de matériaprima, produto intermediário e de material de embalagem, já na seara das contribuições, houve um alargamento, que inclui até prestação de serviços, o que demonstra que o conceito de insumo aplicado na legislação do IPI não tem o mesmo alcance do aplicado nessas contribuições. Neste ponto, socorrome dos sempre precisos ensinamentos do Conselheiro Júlio César Alves Ramos, em minuta de voto referente ao Processo nº 13974.000199/200361, que, com as honras costumeiras, transcrevo excerto linhas abaixo: Destarte, aplicada a legislação do IPI ao caso concreto, tudo o que restaria seria a confirmação da decisão recorrida. Isso a meu ver, porém, não basta. É que, definitivamente, não considero que se deva adotar o conceito de industrialização aplicável ao IPI, assim como tampouco considero assimilável a restritiva noção de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem lá prevista para o estabelecimento do conceito de “insumos” aqui referido. A primeira e mais óbvia razão está na completa ausência de remissão àquela legislação na Lei 10.637. Em segundo lugar, ao usar a expressão “insumos”, claramente estava o legislador do PIS ampliando aquele conceito, tanto que aí incluiu “serviços”, de Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720055/200883 Acórdão n.º 330201.065 S3C3T2 Fl. 4 7 nenhum modo enquadráveis como matérias primas, produtos intermediários ou material de embalagem.” O crédito foi reconhecido, nesta decisão em particular, sobre dispêndios com serviços de remoção de resíduos industriais que, embora não possam ser considerados como aplicados diretamente no processo produtivo – nos termos adotados pela legislação do IPI – devem ser considerados como insumos na Lei nº 10.637/02. Superada esta primeira dificuldade, mister se faz analisar especificamente a despesa em discussão, qual seja, valor gasto com frete para o transporte dos produtos da Recorrente, com destino a outros estabelecimentos de sua titularidade – no mais das vezes visando mantêlos mais próximos dos portos de embarque de suas cargas com destino ao exterior (em operações de exportação), ou ainda, em estabelecimentos nos quais são realizadas as operações de vendas (internas – matriz) – entendo que não há como questionar a necessidade dos dispêndios em questão, para o desenvolvimento das atividades da empresa. O objeto social1 da empresa esclarece que a Recorrente é empresa exportadora e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. Sem dúvida são despesas operacionais, necessárias à atividade da Recorrente, atividade esta que gera a receita tributável pelo PIS não cumulativo. Logo, entendo que tais despesas são insumos essenciais ao desenvolvimento das atividades da Recorrente, razão pela qual geram direito ao crédito de PIS não cumulativo. Neste sentido, com acerto a interpretação da Recorrente. Uma vez que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, é necessário reconhecer o direito do contribuinte à concessão do crédito, com base no artigo 3º, inciso II da Lei nº 10.637/02. Desta forma, por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para garantir o direito à restituição integral do crédito de PIS pleiteado pela Recorrente, objeto deste processo. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora 1 Art. 4°. A Sociedade tem por objeto social a indústria e o comércio de madeiras e seus similares, no mercado interno externo, bem como o florestamento, o reflorestamento e agroindústria, podendo, ainda, participar do capital de outras sociedades. Voto Vencedor Conselheiro Alan Fialho Gandra, Redator Designado Consoante bem destacado pela i. Relatora “a controvérsia gira em torno do direito do contribuinte ao crédito de PIS não cumulativo sobre os custos incorridos com frete Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 8 contratado para transporte de produto acabado entre estabelecimentos da empresa”, créditos esses glosados pela fiscalização, quando da análise do pedido de ressarcimento formulado pela Contribuinte. Em que pese o excelente argumento do voto acima, discordo do entendimento da eminente Relatora, pelas razões que passo a expor. A propósito, vejamos o que reza(va) a Lei nº 10.637/02 quanto aos créditos que podem ser descontados, ressalvando que os grifos não constam do original: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3º do art. 1º desta Lei; e a) no inciso III do § 3º do art. 1º desta Lei; e (Alterado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; (Redação do inciso I dada pela Lei nº 10.865/04) b) nos §§ 1º e 1ºA do art. 2º desta Lei; (Alterado pela Lei nº 11.787, de 25 de Setembro de 2008) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação original da Lei 10.637) II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Redação dada pela Lei nº 10.684/03) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865/04) III (VETADO) IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V despesas financeiras decorrentes de empréstimos, financiamentos e contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoas jurídicas, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.684/03) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Processo nº 11020.720055/200883 Acórdão n.º 330201.065 S3C3T2 Fl. 5 9 V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865/04) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. (Redação dada pela Lei nº 11.196/05) VII edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; VIII bens recebidos em devolução, cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei. IX energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. (Incluído pela Lei nº 10.684/03) (Revogado pela Lei nº 11.488/07) IX energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica.. (Redação dada pela Lei nº 11.488/07) Entendo que a lei ao relacionar os bens e serviços que geram direito ao crédito o faz de forma taxativa, quaisquer outros dispêndios, seja qual for a denominação, alheios ao que está enumerado na lei, não dá direito ao creditamento. Dito isso, cabe verificar se o dispêndio em questão está contemplado pelo dispositivo legal acima transcrito. Pelo o que defluise do voto da ilustre Relatora, o gasto em apreço se enquadraria no inciso II do retro citado artigo, sob o fundamento de que o custo indicado está diretamente vinculado à atividade da Recorrente, visto que uma de suas atividades é a exportação e como tal, necessita, para o correto desenvolvimento de sua atividade, transferir as mercadorias produzidas para outros estabelecimentos situados perto dos portos que serão utilizados para a exportação. No entanto, data maxima venia, discordo desse entendimento sobretudo porque aquele dispositivo contempla apenas os serviços utilizados na fabricação ou produção. No presente caso, o frete em apreço é de produto acabado e, sendo assim, não foram utilizados conforme preceitua a lei. Destarte, ao contrário do entendimento da Recorrente, os gastos em apreço não geram crédito do COFINS nãocumulativo, por falta de previsão legal. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA 10 No mais, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, adoto e ratifico as razões e fundamentos do acórdão de primeira instância. Pelas razões acima aduzidas e sendo o que basta para o deslinde processual, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alan Fialho Gandra – Redator Designado Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA Assinado digitalmente em 15/08/2011 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, 16/08/2011 por WALBER JOSE DA SI LVA, 12/08/2011 por ALAN FIALHO GANDRA
score : 1.0
Numero do processo: 13839.005664/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/01/2006
COFINS. REVISÃO DE DCTF. MULTA. LEI N. 10.833, DE 2003, ART.
18. RETROATIVIDADE BENIGNA.
À vista das disposições do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, é descabida a
exigência de multa de ofício no caso de compensação autorizada por medida
liminar, ainda que posteriormente reformada.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2006
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF.
NULIDADE.
O Mandado de Procedimento Fiscal foi concebido com o objetivo de
disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e
contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não
atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais.
PROCEDIMENTOS APÓS INÍCIO DE AÇÃO FISCAL.
ESPONTANEIDADE. PERDA.
O questionamento dos efeitos decorrentes das ações promovidas perante a
Justiça Federal, ainda que no âmbito de Verificações Obrigatórias, exclui a
espontaneidade do contribuinte relativamente às exigências decorrentes de
compensações indevidas vinculadas a processo judicial.
Recurso Voluntário Negado
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 3302-000.910
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto ao recurso de ofício, o conselheiro
Walber José da Silva, que apresentou declaração de voto. A conselheira Fabiola Cassiano
Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra.
Priscila Reys Terra, OAB/SP 281901.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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FAZENDA NACIONAL Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2004 a 30/01/2006 COFINS. REVISÃO DE DCTF. MULTA. LEI N. 10.833, DE 2003, ART. 18. RETROATIVIDADE BENIGNA. À vista das disposições do art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, é descabida a exigência de multa de ofício no caso de compensação autorizada por medida liminar, ainda que posteriormente reformada. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 30/01/2006 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal foi concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal, não atingindo a competência impositiva dos seus auditores fiscais. PROCEDIMENTOS APÓS INÍCIO DE AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE. PERDA. O questionamento dos efeitos decorrentes das ações promovidas perante a Justiça Federal, ainda que no âmbito de Verificações Obrigatórias, exclui a espontaneidade do contribuinte relativamente às exigências decorrentes de compensações indevidas vinculadas a processo judicial. Recurso Voluntário Negado Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário e, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso de Fl. 330DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005664/200739 Acórdão n.º 330200.910 S3C3T2 Fl. 2 2 ofício, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto ao recurso de ofício, o conselheiro Walber José da Silva, que apresentou declaração de voto. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Priscila Reys Terra, OAB/SP 281901. Ausente o conselheiro Alexandre Gomes. (ASSINADO DIGITALMENTE) Walber José da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Alan Fialho Gandra e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recursos de ofício e voluntário (fls. 281 a 291), este último apresentado em 20 de janeiro de 2009, contra o Acórdão no 0521.200, de 20 de fevereiro de 2008, da 5ª Turma da DRJ/CPS (fls. 265 a 271), cientificado em 22 de dezembro de 2008, que, relativamente a auto de infração de Cofins dos períodos de janeiro de 2004 a janeiro de 2006, considerou procedente em parte o lançamento, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. ESPONTANEIDADE. O questionamento dos efeitos decorrentes das ações promovidas perante a Justiça Federal, ainda que no âmbito de Verificações Obrigatórias, exclui a espontaneidade do contribuinte relativamente às exigências decorrentes de compensações indevidas vinculadas a processo judicial. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INSTRUMENTO DE CONTROLE ADMINISTRATIVO. O Mandado de Procedimento Fiscal é mero instrumento de controle administrativo e eventual descompasso entre seu conteúdo e o lançamento não acarreta a nulidade deste. Fl. 331DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005664/200739 Acórdão n.º 330200.910 S3C3T2 Fl. 3 3 RECOLHIMENTOS EFETUADOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DÉBITOS DECLARADOS (JANEIRO/2004 A DEZEMBRO/2005). INAPLICABILIDADE DA MULTA DE OFÍCIO. Nos termos da legislação atualmente em vigor, mesmo após o início do procedimento fiscal, e ainda que ultrapassado o prazo do art. 47 da Lei nº 9.430/96, o contribuinte tem o direito de recolher apenas com acréscimos moratórios os débitos indevidamente compensados, desde que os tenha previamente declarado em DCTF. LANÇAMENTO. A formalização, mediante Auto de Infração, de crédito tributário previamente confessado, não configura ato administrativo nulo, sendo instrumento hábil para conferir liquidez e certeza à exigência nele consignada. Cabe à administração, porém, cuidar para que não ocorra duplicidade na cobrança, ou mesmo cobrança de valores já recolhidos com os acréscimos moratórios devidos. RECOLHIMENTOS EFETUADOS NO CURSO DO PROCEDIMENTO FISCAL. DÉBITOS NÃO DECLARADOS (JANEIRO/2006). Sujeitamse a lançamento de ofício os débitos não declarados antes do início do procedimento fiscal. Todavia, ante os recolhimentos efetuados no curso do procedimento, cumpre à autoridade preparadora promover a imputação proporcional destes aos valores devidos com acréscimo de multa de ofício, para cobrança apenas dos débitos remanescentes. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. Na ausência de norma específica sobre como deve ser feita a alocação de pagamentos entre as parcelas componentes de um mesmo crédito tributário, a sistemática da imputação proporcional, prevista no CTN para a restituição, aplicase, por analogia e simetria, ao pagamento. Lançamento Procedente em Parte O auto de infração foi lavrado em 18 de dezembro de 2007, de acordo com o termo de fls. 47 a 50. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: "Trata o presente processo do Auto de Infração relativo à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, formalizado em razão da compensação indevida com Crédito Prêmio de IPI, objeto de ação judicial, mas sem a comprovação do trânsito em julgado. Ressalta a Fiscalização, no Termo Conclusivo de Ação Fiscal às fls. 43/44, que o contribuinte efetuou o recolhimento dos débitos compensados em 15/02/2007, quando já se encontrava sob procedimento fiscal. A exigência recaiu sobre os períodos de apuração de 01/2004 a 05/2005 e de 07/2005 a 01/2006 e totalizou R$ 21.220.335,43. Cientificado em 18/12/2007, o contribuinte, por intermédio de seus advogados e procuradores, apresentou a impugnação de fls. Fl. 332DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005664/200739 Acórdão n.º 330200.910 S3C3T2 Fl. 4 4 60/78 em 16/01/2008, acompanhada dos documentos de fls. 79/145, deduzindo as seguintes razões de fato e de direito: • Assevera que desistiu do aproveitamento do benefício da compensação obtido na ação judicial e efetuou o recolhimento dos débitos compensados com acréscimo de multa e juros moratórios, de forma a desconsiderar as compensações até então efetuadas. • Entende que os recolhimentos foram realizados de forma espontânea, mas a Fiscalização desconsiderou tal procedimento, simplesmente alegando que o pagamento não poderia ser efetuado após o início do Mandado de Procedimento Fiscal. E consigna: “Importa ressaltar que essa fiscalização sequer entrou no mérito quanto ao cabimento ou não do pagamento da COFINS limitandose a desconsiderar (i) as compensações efetuadas nos prazos de vencimento da COFINS, e ainda absurdamente (ii) os pagamentos dos mesmos valores que foram efetuados acrescidos de juros e multa de mora. “Além disso, o agente fiscal nem mesmo atentou para os períodosbase abrangidos em referido MPF (COFINS 01/2002 a 12/2003), efetuando, assim, auto de infração compreendendo mais períodosbase do que aqueles previstos no MPF (COFINS períodosbase de 2004, 2005 e 2006).” • Argúi a nulidade do auto de infração, na medida em que a descrição do fato e a disposição legal infringida referemse à forma de cálculo e pagamento da COFINS, ao passo que em parte alguma do Auto de Infração demonstrou, por exemplo, que a Impugnante deixou de oferecer alguma receita auferida à tributação da COFINS. Ao contrário, o agente fiscal reconhece, no próprio Auto de Infração emitido, que a Impugnante efetuou pagamento de COFINS (com multa e juros de mora) no período entre o 20ºdia da fiscalização e a data da autuação. • Opõese também à indicação do art. 149 do CTN, no qual inexiste a hipótese de pagamento feito irregularmente pelo fato de o contribuinte encontrarse sob procedimento fiscal. E reportase à jurisprudência administrativa que reconhece a nulidade em tais circunstâncias, por haver cerceamento do direito de defesa. • Consigna, também, como vício formal, o fato de a exigência reportarse a período que não está compreendido no MPF nº 08.1.24.002006007949, citando julgados administrativos em abono à sua tese. • Aduz que a fiscalização não pode pretender restringir a espontaneidade da Impugnante em relação a todos os seus períodos vez que delimitou uma data específica para sua análise. E ressalta que a desconsideração dos pagamentos espontâneos caracteriza enriquecimento ilícito pela administração pública. Fl. 333DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005664/200739 Acórdão n.º 330200.910 S3C3T2 Fl. 5 5 • No mérito, entende improcedente a exigência porque a d. fiscalização deveria necessariamente verificar a base de cálculo de tal tributo e os valores de tributos já quitados, cobrando, então, eventual diferença recolhida a menor. Contudo, todos os valores recolhidos com multa e juros de mora foram desconsiderados pela autoridade fiscal, com o conseqüente lançamento dos exatos valores de principal que já haviam sido recolhidos através de DARF´s. • Destaca que tendo em vista que os pagamentos espontâneos foram feitos após o decurso do prazo de 20 dias, contados do termo de início do Mandado de Procedimento Fiscal, a Impugnante recolheu todos os valores acrescidos de multa de mora de 20% e mais os juros SELIC para atualização dos valores envolvidos, como estabelecido nas regras de pagamentos espontâneos. • Cita jurisprudência administrativa no sentido de dar provimento ao recurso mesmo nos casos de pagamento após o julgamento da infração, na medida em que não se pode cobrar o mesmo imposto duas vezes, e afirma que inexiste vedação ao recolhimento em atraso, independentemente de existir ou não uma fiscalização em curso. • Reportase ao disposto no art. 47 da Lei nº 9.430/97, que reconhece expressamente a possibilidade desse recolhimento em atraso de tributos federais após o início de uma fiscalização, particularmente porque veio para conceder o benefício de dispensa do pagamento de multa para tal recolhimento se efetuado até o 20º ia da data do início da fiscalização. Conclui que tal dispositivo não veda recolhimentos a partir do 21º dia do início da data fiscalização, mas apenas não concede a dispensa da multa (de mora) não existe mais a partir do 21º dia. • Invoca, ainda, o disposto nos arts. 950 e 957 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, no sentido de que as multas de mora e de ofício nunca incidem simultaneamente sobre o mesmo débito, para concluir que a multa de ofício foi indevidamente aplicada, porque os pagamentos dos valores de COFINS lançados já haviam sido integralmente pagos inclusive com a incidência de multa de mora. • Consigna que a multa de ofício depende necessariamente da realização do ato administrativo de lançamento, e somente se torna devida após o lançamento, o que inviabiliza a aplicação da multa de ofício, quando já houve prévio pagamento acompanhado de multa de mora. Em outras palavras, o lançamento da multa de ofício somente seria possível: (a) quando não houvesse recolhimento do tributo; ou (b) quando o tributo fosse recolhido em atraso e sem a respectiva multa de mora. • Em conclusão: se o débito fiscal foi quitado com todos os acréscimos devidos à época do seu recolhimento, não mais se poderia realizar uma autuação fiscal. Fl. 334DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005664/200739 Acórdão n.º 330200.910 S3C3T2 Fl. 6 6 • Ainda, cita acórdão do Conselho de Contribuintes que considera indevida a multa de ofício nos casos de pagamento espontâneo do débito em atraso, entendendo necessária a prévia intimação do contribuinte para pagar no prazo de vinte dias. • Ressalta que, também os juros moratórios já pagos, estão sendo cobrados novamente, desrespeitando assim o princípio da verdade material que rege o processo administrativo, e gerando um enriquecimento sem causa para o erário público. • Subsidiariamente, mesmo que fosse devida a multa de ofício, afirma ser nulo o lançamento porque a exigência inclui valores já quitados. Tais autoridades poderiam, quando muito, ter cobrado da Impugnante a diferença de multa supostamente devida, mas nunca exigido valores que reconhecidamente já haviam sido recolhidos integralmente a título de principal e juros. Assim, ainda que não seja cancelado, devem ser no mínimo excluídos da exigência fiscal os valores já quitados e exigidos em duplicidade ao recolhimento feito antes da autuação. E acrescenta: Em vista da ilegalidade que a Administração Tributária vem perpetrando neste processo, a Impugnante consigna que se reserva de logo o direito de futuramente efetuar compensação ou solicitar restituição de quaisquer valores que sejam cobrados em duplicidade, inclusive a fim de evitar a decadência do seu crédito, caso não seja de imediato reconhecido o seu direito de cancelamento da exigência fiscal neste particular. No entanto, mesmo tendo a Impugnante perdido a espontaneidade – fato este que nunca foi discutido pela Impugnante –, esta circunstância não justifica a realização de lançamento de tributo que já havia sido pago (com multa e juros moratórios), ainda que após a perda da espontaneidade! • Ao final, pede o cancelamento do auto de infração, ou, subsidiariamente, o abatimento dos valores da COFINS, da multa de mora e dos juros de mora já recolhidos em 15/02/2007, de tal forma que somente remanesça a diferença entre a multa de ofício exigida e a multa de mora recolhida, com a devolução do prazo de 30 dias legalmente previsto para apresentação de nova defesa ou pagamento com redução de 50% de seu valor, nos termos da legislação fiscal vigente (art. 6o da Lei 8.218/91 e art. 46, § 2o da Lei 9.430/96)." A DRJ cancelou a multa de ofício incidente sobre débitos indevidamente compensados, à vista das disposições do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003. No recurso, a Interessada contestou o acórdão de primeira instância, alegando que o auto de infração seria nulo, pois “em parte alguma do Auto de Infração demonstrou, por exemplo, que a Recorrente deixou de oferecer, alguma receita auferida à tributação da Cofins”. Além disso, ressaltou irregularidade em relação ao MPF. Quanto ao mérito, alegou o seguinte: Fl. 335DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005664/200739 Acórdão n.º 330200.910 S3C3T2 Fl. 7 7 No mérito, é importante deixar claro que era absolutamente descabida a exigência de multa de ofício sobre valores integralmente recolhidos com multa de mora e juros calculados com base na taxa SELIC, independentemente de tais valores terem sido ou não previamente declarados. Sendo assim, é improcedente a manutenção parcial da autuação com base no argumento de que seria cabível a exigência de multa de ofício sobre a COFINS devida no mês de janeiro de 2006, pelo fato de tais valores não terem sido integralmente declarados anteriormente ao início da fiscalização. Passou, a seguir, a justificar suas alegações. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Em relação ao recurso de ofício, foram as seguintes as considerações da DRJ para efetuar o cancelamento da autuação: Por todo o exposto, mesmo após o início do procedimento fiscal, e ainda que ultrapassado o prazo do art. 47 da Lei nº 9.430/96, o contribuinte tem o direito de recolher apenas com acréscimos moratórios os débitos indevidamente compensados, desde que os tenha previamente declarado em DCTF. Em conseqüência, não se sujeitará a multa de ofício sobre tais valores, e nem mesmo à multa de ofício isolada do art. 18 da Lei nº 10.833/2003, desde que não se valha de DCOMP para tanto. Nos sistemas informatizados da RFB, tais requisitos estão confirmados para a quase totalidade dos débitos aqui exigidos, na medida em que os valores apurados de janeiro/2004 a maio/2005 e de julho/2005 a dezembro/2005 foram declarados e vinculados a “Outras Compensações” com “Processo Judicial” de número “8400201094”. Não há qualquer notícia de apresentação de DCOMP nestes documentos, ou mesmo nos autos do presente processo. As peças juntadas às fls. 154/204 evidenciam as informações contidas nas DCTFs ativas no início do procedimento fiscal (conforme data de recepção indicada na relação de fls. 152/153) e confirmam os dados por amostragem apresentados pela fiscalização às fls. 32/40. Na sequência, juntamse as retificações de DCTF ativas no momento do lançamento (fls. 205/234) e na atualidade (fls. 235/263), por meio das quais o contribuinte desfez a vinculação a compensação nos períodos antes referidos, passando a indicar pagamento em todos eles. Fl. 336DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005664/200739 Acórdão n.º 330200.910 S3C3T2 Fl. 8 8 Logo, impõese a exoneração da multa de ofício aplicada aos débitos exigidos de janeiro/2004 a dezembro/2005. Nesse contexto, o art. 18 da Lei n. 10.833, de 2003, dispôs o seguinte: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada sobre as diferenças apuradas decorrentes de compensação indevida e aplicarseá unicamente nas hipóteses de o crédito ou o débito não ser passível de compensação por expressa disposição legal, de o crédito ser de natureza não tributária, ou em que ficar caracterizada a prática das infrações previstas nos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. § 1º Nas hipóteses de que trata o caput, aplicase ao débito indevidamente compensado o disposto nos §§ 6o a 11 do art. 74 da Lei no 9.430, de 1996. § 2º A multa isolada a que se refere o caput é a prevista nos incisos I e II ou no § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, conforme o caso. § 3º Ocorrendo manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação e impugnação quanto ao lançamento das multas a que se refere este artigo, as peças serão reunidas em um único processo para serem decididas simultaneamente. Tratase, portanto, de nova multa, tendo sido excluída da legislação a previsão anterior. Aplicamse, dessa forma, as disposições do art. 106, II, do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: [...] II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Cabe esclarecer que a Interessada, sem apresentar declaração de compensação, vinculou em DCTF os débitos à hipótese de suspensão e extinção de exigibilidade (“outros”) em razão de processo judicial. Vale dizer, efetuou vinculação completamente indevida em DCTF, como se o processo judicial lhe permitisse deixar de recolher os débitos em face de sua suposta suspensão. Fl. 337DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005664/200739 Acórdão n.º 330200.910 S3C3T2 Fl. 9 9 Entretanto, conforme anteriormente esclarecido, no caso de declaração de tributos em DCTF, somente seria cabível a aplicação da multa se houvesse compensação indevida por meio de declaração de compensação. Portanto, a multa é inexigível nesses casos. Quanto ao recurso voluntário, a Interessada alegou preliminarmente nulidade da autuação. Em relação ao MPF, o entendimento que tem prevalecido no Carf é o de que o MPF é antes um instrumento de controle interno e não um elemento formal imprescindível para a ação fiscal, a ponto de alguma irregularidade representar nulidade do procedimento fiscal. A rigor, não se trata de instrumento previsto em lei como requisito necessário à competência do agente fiscal para investigar infrações de natureza tributária, de forma que a ausência de prorrogação não infringe a lei. É importante ressaltar que, em decisões recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdãos CSRF/0105.189, de 2005, 0105.558, de 2006, 0202.187, de 2006) afastou a configuração da nulidade do lançamento em função de irregularidade e falta de MPF. Há que se considerar, ainda, que todo e qualquer MPF prevê as chamadas “verificações obrigatórias”, que permitem a conferência dos valores declarados com os devidos de acordo com a escrituração do contribuinte. Nesse contexto, o débito de janeiro está abrangido pelas verificações obrigatórias, uma vez que não tinha sido declarado. Portanto, inexiste nulidade no procedimento em questão. Em relação às demais alegações de nulidade, devese esclarecer que os fundamentos alegados são incoerentes com a conclusão, uma vez que, da eventual desconsideração de pagamentos e compensações, deveria resultar cancelamento de mérito da autuação e não sua nulidade. Nesse contexto, esclareçase ainda que o acórdão de primeira instância considerou inexistir espontaneidade, dando razão à Interessada apenas em relação à imputação proporcional dos pagamentos efetuados com multa de mora. Dessa forma, ao contrário do alegado no recurso, o acórdão não decidiu pelo cancelamento de 99% da autuação, pois somente cancelou a multa de ofício de forma parcial. Decidiu, sim, que o lançamento seria procedente e que os valores pagos poderiam ser imputados, o que é algo totalmente diverso. Portanto, no recurso, a Interessada deixou de contestar o acórdão de primeira instância em relação a essa matéria, contestando apenas a validade formal do auto de infração e o lançamento referente ao período de janeiro de 2006. Mas, conforme esclarecido pelo acórdão de primeira instância, não havendo declaração (constituição do crédito tributário) até a data de início de fiscalização, o lançamento Fl. 338DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005664/200739 Acórdão n.º 330200.910 S3C3T2 Fl. 10 10 é cabível, pois a partir daí já não é mais possível ao sujeito passivo efetuar confissão de dívida nem agir espontaneamente em relação à aplicação da multa. Esclareçase que o art. 44 da Lei no 9.430, de 1996, prevê sua incidência nos casos de falta de declaração ou de recolhimento. Portanto, ainda que haja eventual recolhimento após o início da ação fiscal, a falta de declaração implica a exigência da multa. É importante destacar que não é o MPF ou seu conteúdo material ou formal que delimitam a espontaneidade, mas, sim, conforme prevê o art. 7º, § 1º, do Decreto no 70.235, de 1972, “O início do procedimento”, representado pelo “primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto”. Dessa forma, qualquer termo que tenha sido lavrado anteriormente à data dos pagamentos efetuados seria suficiente para excluir a espontaneidade. No auto de infração, a Fiscalização esclareceu que, “No Termo de Início de Fiscalização, também cientificado em 22/12/2006, item 4, foi solicitado o Demonstrativo de apuração dos valores da COFINS que não foram recolhidos pela empresa em virtude de ação judicial movida na justiça federal, ação essa que suportasse definitivamente a falta de recolhimento dos referidos valores, nos termos da legislação”. É o que se verifica do exame do termo de fl. 11. Portanto, quando a Interessada efetuou os recolhimentos, já havia sido excluída sua espontaneidade. À vista do exposto, voto por negar provimento a ambos os recursos. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Declaração de Voto Conselheiro Walber José da Silva Dou provimento ao Recurso de Ofício porque a recorrente fraudou a DCTF ao declarar extintos os débitos por compensação inexistente (ou os vincular a compensação), posto que a compensação somente se efetua (ocorre, existe) com a apresentação da Declaração de Compensação (DCOMP) e a recorrente nunca apresentou DCOMP. Portanto, nenhuma extinção de débito por compensação declarada pela recorrente em DCTF existia, servindo a DCTF assim apresentada ao único fim de evitar que o Fisco viesse a exigir o pagamento dos Fl. 339DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 13839.005664/200739 Acórdão n.º 330200.910 S3C3T2 Fl. 11 11 referidos débitos. A recorrente violou o art. 74 da Lei 9.430/96 (com a redação da Lei nº 10.637/02 e alterações posteriores) ao deliberadamente declarar em DCTF suposta compensação, que sabia inexistir. Por outro lado, a decisão recorrida partiu do falso pressuposto de que houve compensação, quando está provado que compensação nunca houve. Portanto, não se aplica aqui o disposto no art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835/01 porque compensação (devida ou indevida) não houve. O que houve foi falsa declaração de extinção de crédito tributário em DCTF e, portanto, ao caso aplicase literalmente o disposto no art. 44, I, da Lei nº 9.430/96 (pura e simples), conforme consignado no Auto de Infração, verbis: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Quanto ao Recurso Voluntário, nada a reformar na decisão recorrida e, portanto, acompanho o voto do Ilustre Conselheiro Relator. Pelas razões acima, voto no sentido de dar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Fl. 340DF CARF MF Emitido em 17/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Assinado digitalmente em 09/05/2011 por WALBER JOSE DA SILVA, 09/05/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 11853.001191/2007-97
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Feb 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA.
RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA.
Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do
contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal.
FATOS GERADORES. PRESUNÇÃO DE OCORRÊNCIA.
INEXISTÊNCIA.
Não se caracteriza como sendo fundamentada em presunção de ocorrência a notificação fiscal cujos fatos geradores tenham sido obtidos diretamente dos documentos elaborados pelo próprio sujeito passivo, sob seu comando, orientação e responsabilidade, militando em desfavor do Recorrente o ônus da prova em contrário.
IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO. PRODUÇÃO DE PROVAS.
MOMENTO PROCESSUAL PRÓPRIO. PRAZO DE DEFESA.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo
em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-000.795
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. FATOS GERADORES. PRESUNÇÃO DE OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não se caracteriza como sendo fundamentada em presunção de ocorrência a notificação fiscal cujos fatos geradores tenham sido obtidos diretamente dos documentos elaborados pelo próprio sujeito passivo, sob seu comando, orientação e responsabilidade, militando em desfavor do Recorrente o ônus da prova em contrário. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL PRÓPRIO. PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2253; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 127 1 126 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11853.001191/200797 Recurso nº 254.311 Voluntário Acórdão nº 230200.795 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de fevereiro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS NFLD Recorrente NOBEL MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. RELATÓRIO FISCAL. INEXISTÊNCIA. Não incorre em cerceamento do direito de defesa o lançamento tributário cujos relatórios típicos, incluindo o Relatório Fiscal e seus anexos, descreverem de forma clara, discriminada e detalhada a natureza e origem de todos os fatos geradores lançados, suas bases de cálculo, alíquotas aplicadas, montantes devidos, as deduções e créditos considerados em favor do contribuinte, assim como, os fundamentos legais que lhe dão amparo jurídico, permitindo dessarte a perfeita identificação dos tributos lançados na notificação fiscal. FATOS GERADORES. PRESUNÇÃO DE OCORRÊNCIA. INEXISTÊNCIA. Não se caracteriza como sendo fundamentada em presunção de ocorrência a notificação fiscal cujos fatos geradores tenham sido obtidos diretamente dos documentos elaborados pelo próprio sujeito passivo, sob seu comando, orientação e responsabilidade, militando em desfavor do Recorrente o ônus da prova em contrário. IMPUGNAÇÃO DO LANÇAMENTO. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL PRÓPRIO. PRAZO DE DEFESA. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Fl. 134DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. ARLINDO DA COSTA E SILVA Relator. EDITADO EM: 28/03/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato, Arlindo da Costa e Silva e Thiago d’Avila Melo Fernandes. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 11853.001191/200797 Acórdão n.º 230200.795 S2C3T2 Fl. 128 3 Relatório Período de apuração: 01/01/2002 a 31/10/2005. Data da lavratura da NFLD : 26/12/2006. Data da Ciência da NFLD: 29/12/2006. Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD compreendendo as contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados empregados, descontadas das respectivas remunerações e não repassadas ao INSS, incidentes sobre os seus Salários de Contribuição, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 22/26. Relata o auditor fiscal notificante que os fatos geradores que deram origem ao presente crédito tributário foram apurados pela fiscalização mediante análise das Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e folhas de pagamento, e encontramse devidamente discriminados no relatório RL – Relatório de Lançamentos, anexo à NFLD. Acrescenta que as Guias de recolhimentos pagas pela empresa foram devidamente deduzidas, conforme indicado no relatório RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS, em anexo. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado apresentou impugnação a fls. 59/77. A Secretaria da Receita Previdenciária Delegacia no Distrito Federal lavrou DecisãoNotificação (DN), a fls. 82/88, julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O sujeito passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 19 de abril de 2007, conforme Avisos de Recebimento – AR a fl. 115. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 90/109, respaldando sua contrariedade em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: • Sustenta, preliminarmente, a nulidade do lançamento pela falta de clareza e precisão do Relatório Fiscal por não identificar a conta contábil de onde foram extraídos os valores lançados, bem como a relação dos segurados empregados que tiveram suas contribuições retidas e não repassadas à Previdência Social. Aduz que tais omissões obstaram seu direito de defesa, garantido pelo inciso LV do artigo 5° da Constituição Federal/1988, além de tolher o seu direito de corrigir Fl. 136DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 eventuais falhas encontradas, ou mesmo promover o recolhimento das contribuições efetivamente devidas, já que não se pode "sanar aquilo que eventualmente encontrase incorreto". • No mérito, alega a impossibilidade de se lançar o crédito tributário apoiandose em meras presunções. Afirma que a fiscalização, ao efetuar o lançamento, baseouse em indícios, ao considerar poucos elementos da contabilidade, deixando de comprovar, de fato, com base na escrituração contábil da empresa, a efetiva omissão de recolhimento de contribuições previdenciárias. • Aduz que não foi oportunizado à empresa o direito de se manifestar acerca da presunção de não recolhimento das contribuições, quando poderia demonstrar a improcedência do feito com base em sua escrituração contábil. Ao fim, requer o Recorrente a nulidade da NFLD em julgamento ou, alternativamente, o provimento do seu recurso. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 11853.001191/200797 Acórdão n.º 230200.795 S2C3T2 Fl. 129 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi valida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 19/04/2007, quintafeira, iniciandose pois o decurso do prazo recursal na sextafeira seguinte, digase, 20/04/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 18 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Em recurso interposto a fls. 90/109, o Recorrente reage preliminarmente à obstrução do seu exercício de ampla defesa e do contraditório. 2.1. DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Pugna o Recorrente pela nulidade do lançamento tributário em razão da falta de clareza e precisão do Relatório Fiscal, por não identificar a conta contábil de onde foram extraídos os valores lançados, bem como a relação dos segurados empregados que tiveram suas contribuições retidas e não repassadas à Previdência Social. Aduz que tais omissões obstaram seu direito de defesa, garantido pelo art. 5°, LV da CF/88, além de tolher o seu direito de corrigir eventuais falhas encontradas, ou mesmo promover o recolhimento das contribuições efetivamente devidas, já que, no seu entender, “não se pode sanar aquilo que eventualmente encontrase incorreto". A preliminar de mérito defendida pelo Recorrente não pode ser acolhida. Karl Marx, em certa feita, questionado como ele conseguia escrever tanto, respondeu categoricamente: “ ... é porque não tenho tempo para escrever pouco”. O poder de síntese é uma arte e demanda maestria. Dessarte, nem tudo o que é conciso e sintético é, de per si, lacunoso. O art. 195, I da Constituição Federal determinou que a Seguridade Social fosse custeada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, mediante recursos oriundos, dentre outras fontes, das contribuições sociais a cargo da empresa incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 20, de 1998) No plano infraconstitucional, a disciplina da matéria em relevo ficou a cargo da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, a qual instituiu o Plano de Custeio da Seguridade Social, consubstanciado nas contribuições sociais a cargo da empresa e dos segurados obrigatórios do RGPS, nos limites traçados pela CF/88. Envolto na ordem jurídica realçada nas linhas precedentes, o art. 20 da citada lei de custeio da Seguridade Social estatuiu a contribuição previdenciária a cargo do segurado empregado, calculada mediante a aplicação de alíquota própria incidente sobre o seu Salário de Contribuição, restando a cargo do empregador a responsabilidade pelo desconto de tal contribuição social da remuneração auferida mensalmente pelo trabalhador e o recolhimento aos cofres do fisco federal, no prazo legal, por força das disposições insculpidas no inciso I do art. 30 da mesma Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 20. A contribuição do empregado, inclusive o doméstico, e a do trabalhador avulso é calculada mediante a aplicação da correspondente alíquota sobre o seu saláriodecontribuição mensal, de forma não cumulativa, observado o disposto no art. 28, de acordo com a seguinte tabela: (Redação dada pela Lei n° 9.032/95). Saláriodecontribuição Alíquota em % até 249,80 8,00 de 249,81 até 416,33 9,00 de 416,34 até 832,66 11,00 (Valores e alíquotas dados pela Lei nº 9.129/95) §1º Os valores do saláriodecontribuição serão reajustados, a partir da data de entrada em vigor desta Lei, na mesma época e Fl. 139DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 11853.001191/200797 Acórdão n.º 230200.795 S2C3T2 Fl. 130 7 com os mesmos índices que os do reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social.(Redação dada pela Lei n° 8.620/93) §2º O disposto neste artigo aplicase também aos segurados empregados e trabalhadores avulsos que prestem serviços a microempresas. (Parágrafo acrescentado pela Lei n° 8.620/93) Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; (grifos nossos) b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (grifos nossos) Não se mostra demasiada prudência relembrar que a Lei Orgânica da Seguridade Social estabeleceu como presunção absoluta, a efetivação do desconto das contribuições previdenciárias a cargo dos segurados, de suas respectivas remunerações, pelo empregador, não sendo lícito a este alegar omissão para se eximir do correspondente recolhimento, ficando ele diretamente responsável pela importância que deixou de descontar ou que tenha arrecadado em desacordo com a lei. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. (grifos nossos) Fl. 140DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 No caso presente, o Relatório Fiscal a fls. 22/26 descreve claramente, logo na Introdução, que “Constituem parte do crédito previdenciário, ora levantado, as contribuições previdenciárias relativas aos descontos efetuados pela empresa na remuneração de seus segurados empregados não repassadas ao INSS”. Mais adiante, no tópico reservado à descrição do objeto do lançamento do crédito previdenciário, destaca o auditor fiscal notificante: “O objeto do presente lançamento são as contribuições previdenciárias devidas pelo notificado, destinadas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, descontada pela empresa da remuneração de seus empregados e não repassadas ao INSS, infringindo o Art.30, inciso I, alínea "a" e "b", da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991”. Quanto ao período do lançamento, aponta ainda a Autoridade Lançadora que “A presente Notificação abrange o período compreendido entre as competências 01/2002 a 10/2005, ou seja, dentro do período estipulado pelo presente MPFF e MPFF complementares”. No que pertine às razões motivadoras da lavratura da vertente Notificação Fiscal, realça o agente do fisco que “Foi iniciado procedimento fiscal na empresa por meio da entrega do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD, sendo requerida à apresentação do Contrato Social e alterações, folhas de pagamentos dos Segurados, contabilidade (não apresentada pela empresa objeto de auto de infração), comprovantes de recolhimentos, GFIP e comprovante de entrega, retificadores GFIP RDE, RDT, RRD e demais documentos”. (grifos nossos) Acrescenta ainda que “Os descontos (Fatos Geradores desta NFLD) foram verificados pela fiscalização nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP e folhas de pagamento, e estão devidamente discriminados no relatório RL – Relatório de Lançamentos, em anexo”. Por derradeiro, mas não menos importante, ao tratar da fonte de onde foi apurada a matéria tributável, iluminou o Auditor Notificante, ipsis litteris: Os valores das verbas em questão foram obtidos a partir das Folhas de Pagamento e GFIP apresentadas pela empresa NOBEL. Os valores apurados estão discriminados nos seguintes levantamentos: DFG SEGURADOS MATRIZ E FILIAIS DECLARADOS EM FOLHA DE PAGAMENTO, GFIP CNISA E GFIP WEB NDG SEGURADOS INFORMADOS EM FOLHAS DE PAGAMENTO E NÃO DECLARADOS EM GFIP CNISA E GFIP WEB Os elementos que serviram de base ao presente levantamento foram as folhas de pagamento, GFIP, GRPS e GPS apresentadas pela empresa. Além do Relatório Fiscal, o Discriminativo Analítico de Débito, por seu turno, apresenta ao notificado as bases de cálculo apuradas, as rubricas exacionais lançadas, as Fl. 141DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 11853.001191/200797 Acórdão n.º 230200.795 S2C3T2 Fl. 131 9 alíquotas correspondentes, os valores originários das contribuições devidas, os valores ocasionalmente já recolhidos pelo Sujeito Passivo, bem como a eventual diferença a recolher, tudo isso discriminado por rubrica, por levantamento e por competência. Não há, portanto, qualquer obscuridade ou dúvida quanto à hipótese de incidência dos tributos objeto deste lançamento. Também não procede a alegação de que a omissão, no Relatório Fiscal, da relação dos segurados empregados que tiveram suas contribuições retidas e não repassadas à Previdência Social, tenha obstado o direito de defesa do Recorrente, além de tolher o seu direito de corrigir eventuais falhas encontradas, ou mesmo promover o recolhimento das contribuições efetivamente devidas. Ao contrário do que afirma o Recorrente, a não identificação dos segurados não implica nulidade do lançamento. Isto porque os fatos geradores então lançados foram apurados diretamente da análise da documentação oferecida e elaborada pela própria empresa, folhas de pagamento e GFIP, confeccionada sob sua orientação, comando e responsabilidade, beirando ao escárnio a afirmação de que desconhece para quais segurados tenha efetuado pagamento de remunerações e em que quantitativo. Nesse contexto, sendo do conhecimento do Recorrente os beneficiários das remunerações objeto da NFLD supra mencionada, bem como os respectivos valores recebidos, revelase despicienda a identificação dos aludidos segurados no Relatório Fiscal desta NFLD. Destacase que os somatórios das remunerações auferidas pelos segurados obrigatórios em realce encontramse elencados, por competência, no Discriminativo Analítico de Débito, de molde que a sua correcção poderia ter sido sindicada imediatamente pelo sujeito passivo. A Notificada teve oportunidade de demonstrar, se fosse o caso, tanto na fase de impugnação, como agora, em sede recursal, que os valores apurados pela fiscalização, e por ela própria registrados nas folhas de pagamento e GFIP, não estariam condizentes com a realidade. Não o fez. Optou por alegar que a fiscalização omitiu informações que eram do seu próprio conhecimento, eis que obtidas diretamente dos documentos por ela elaborados. Como visto, verificase que a NFLD em relevo foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência dos fatos geradores da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação, de forma discriminada por estabelecimento, levantamento e competência, as bases de cálculo da exação, as destinações de cada tributo, as alíquotas aplicáveis em cada caso, os montantes apurados, bem como as diferenças a serem recolhidas. O Relatório Fiscal expõe todos os elementos que motivaram a lavratura da vertente NFLD e o Relatório Fundamentos Legais do Débito encerra todos os dispositivos legais que fornecem amparo jurídico ao procedimento adotado e as rubricas lançadas. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, dele constando, além dos relatórios já citados, os MPF, TIAD e TEAF, dentre outros, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente Fl. 142DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 feito, restando garantido dessarte o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa ao Notificado. Inexiste pois qualquer vício na formalização do débito a amparar a alegação de cerceamento de defesa erguida pelo Recorrente. Vencidas as questões preliminares, passamos à análise do mérito. 3. DO MÉRITO É mister destacar que não será objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente contestadas pelo recorrente, as quais presumirseão verdadeiras. 3.1. DA APURAÇÃO DOS FATOS GERADORES. Alega o Recorrente a impossibilidade de se lançar o crédito tributário apoiandose em meras presunções. Afirma que a fiscalização, ao efetuar o lançamento, baseou se em indícios, ao considerar poucos elementos da contabilidade, deixando de comprovar, de fato, com base na escrituração contábil da empresa, a efetiva omissão de recolhimento de contribuições previdenciárias. Aduz que não foi oportunizado à empresa o direito de se manifestar acerca da presunção de não recolhimento das contribuições, quando poderia demonstrar a improcedência do feito com base em sua escrituração contábil. Tal alegação é totalmente descabida. Cumpre trazer à baila que o Lançamento Tributário configurase como um ato administrativo por excelência, os quais, como todo ato administrativo, são dotados de presunção de veracidade e legitimidade que, segundo Maria Sylvia Zanella Di Pietro, consiste na "conformidade do ato à lei. Em decorrência desse atributo, presumemse, até prova em contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei" (Direito Administrativo, pág. 191, 18ª Edição, 2005, Atlas, São Paulo). Ainda de acordo com a citada autora, "A presunção de veracidade diz respeito aos fatos. Em decorrência desse atributo, presumemse verdadeiros os fatos alegados pela Administração." (op. cit. pág. 191, grifos do original). Dessarte, a aplicação da presunção de veracidade tem o condão de inverter o ônus da prova, cabendo ao particular comprovar de forma cabal a inocorrência dos fatos descritos pelo agente público, ou circunstância que exima sua responsabilidade administrativa, nos termos dos art. 333, inciso I do Código de Processo Civil, ônus do qual não se desincumbiu o recorrente. Consoante o magistério do Mestre Hely Lopes Meirelles, “os atos administrativos, qualquer que seja sua categoria ou espécie, nascem com a presunção de legitimidade, independentemente de norma legal que a estabeleça. Essa presunção decorre do princípio da legalidade da Administração, que, nos Estados de Direito, informa toda a atuação governamental. Além disso, a presunção de legitimidade dos atos administrativos responde as exigências de celeridade e segurança das atividades do Poder Público, que não podem ficar na dependência da solução de impugnação dos administrados, quanto à Fl. 143DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 11853.001191/200797 Acórdão n.º 230200.795 S2C3T2 Fl. 132 11 legitimidade de seus atos, para só após darlhes execução”. (Direito Administrativo Brasileiro. São Paulo: Malheiros, 1995). Assim, a presunção de veracidade diz respeito aos aspectos jurídicos do ato administrativo, e, em decorrência desse atributo, presumemse, até que se prove o contrário, que os atos administrativos foram emitidos com observância da lei. No entanto, essa presunção abrange também a veracidade dos fatos contidos no ato, no que se convencionou denominar de “presunção de veracidade” dos atos administrativos, e, em decorrência desse atributo, serão presumidos como verdadeiros os fatos alegados pela Administração. Tendo em vista, repisese, o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, e a consequente inversão do encargo probatório, repousa sobre o Notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação, mediante a produção de prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do Fisco. No caso concreto sub examine, a auditoria fiscal procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias apoiada não em indícios ou meras presunções de ocorrência, mas, sim, em fatos geradores coletados diretamente das folhas de pagamento e GFIP, documentos esses, sublinhese, confeccionados pelo próprio Recorrente e sob sua inteira responsabilidade e orientação, mostrando auspicioso enfatizar, por relevante, que os citados documentos figuram contidos, por força de lei, no conjunto dos mais apropriados a registrar fatos geradores de contribuições previdenciárias. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; (grifos nossos) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (grifos nossos) Cumpre destacar, de modo análogo, que o argumento esposado pelo Recorrente, de que “para suportar o lançamento, caberia ao fisco comprovar, à vista da escrituração contábil da empresa, a efetiva omissão de recolhimento de contribuições previdenciárias, na forma pretendida pela fiscal autuante”, é ,no mínimo, absurda, beirando à Fl. 144DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 chacota . Conforme relatado pela Autoridade Fiscal, no primeiro parágrafo da fl. 24, o sujeito passivo, malgrado tenha sido intimado a exibir a sua escrituração contábil, esta não foi apresentada aos agentes do fisco, fato que ensejou, inclusive, a lavratura do competente Auto de Infração. Registrese que tal fato não foi sequer contestado pela empresa. Assim, resta demonstrado que a presente NFLD não foi lavrada apenas com base em indícios, suposições ou presunções. A fiscalização demonstrou, por meio de documentos elaborados pelo próprio Recorrente, a ocorrência formal dos fatos geradores que integram o vertente lançamento, não logrando a Notificada produzir os meios de prova hábeis a desconstituílo. 3.2. DO MOMENTO PROCESSUAL PRÓPRIO PARA IMPUGNAÇÃO O Recorrente pondera ainda que não lhe foi oportunizado o direito de se manifestar acerca da presunção de não recolhimento das contribuições, quando poderia demonstrar a improcedência do feito com base em sua escrituração contábil. O apelo acima clamado não encontra apoio nos fatos, revelandose burlesco. A legislação tributária que rege o Processo Administrativo Fiscal aponta que o foro apropriado para a contradita aos termos do lançamento concentrase na fase processual da impugnação, cujo oferecimento instaura a fase litigiosa do procedimento. No âmbito do Ministério da Previdência Social, a disciplina do rito processual em tela restou a cargo da Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004, cujo art. 9º assinala, categoricamente, que o instrumento de bloqueio deve consignar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta a defesa, os pontos de discordância, as razões e as provas que possuir. Mas não pára por aí: Impõe ao impugnante o ônus de instruir a peça de defesa com todas as provas documentais, sob pena de preclusão do direito de fazêlo em momento futuro, ressalvadas, excepcionalmente, as hipóteses taxativamente arroladas em seu parágrafo primeiro. Portaria MPS n° 520, de 19 de maio de 2004. Art. 9 A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (grifos nossos) IV as diligências ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. §1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; Fl. 145DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 11853.001191/200797 Acórdão n.º 230200.795 S2C3T2 Fl. 133 13 b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos §2º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifos nossos) §3º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. §4º A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contrarrazões, se houver recurso. §5º A decisão deverá ser reformada quando a matéria de fato for pertinente. §6º Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada. (grifos nossos) §7º As provas documentais, quando em cópias, deverão ser autenticadas, por servidor da Previdência Social, mediante conferência com os originais ou em cartório. §8º Em caso de discussão judicial que tenha relação com os fatos geradores incluídos em Notificação Fiscal de Lançamento de Débito ou Auto de Infração, o contribuinte deverá juntar cópia da petição inicial, do agravo, da liminar, da tutela antecipada, da sentença e do acórdão proferidos. Registrese, a título de mera reflexão, que os preceptivos encartados na norma de regência aqui enunciada não se contrapõem às normas estampadas no Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal nas ordens do Ministério da Fazenda, sendo, destas, espelho. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim Fl. 146DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 14 como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provarlheá o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) §5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) §6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) Fl. 147DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 11853.001191/200797 Acórdão n.º 230200.795 S2C3T2 Fl. 134 15 Avulta, nesse panorama jurídico, que as provas documentais assim como todas as alegações de defesa têm que ser produzidas em juízo de impugnação. Como as demonstrações das alegações são provas documentais, estas têm que, necessariamente, ser colacionadas na peça de defesa, sob pena de preclusão, somente sendo permitido a sua apresentação em momento outro – futuro – caso restem caracterizadas as hipóteses autorizadoras excepcionais previstas no §1º do art. 9º da Portaria MPS nº 520/2003, pesando em desfavor do Recorrente o ônus da devida comprovação. Nessas circunstâncias, o Recorrente não tem que protestar por abertura de oportunidade para se manifestar acerca da presunção de não recolhimento das contribuições, ou para demonstrar a improcedência do feito com base em sua escrituração contábil. O momento processual apropriado para tais comprovações e manifestações circunscrevese à impugnação, formalizada por escrito e instruída com todos os documentos em que se fundamenta, sob pena de preclusão, de acordo com os assentamentos descritos no IPC – Instruções para o Contribuinte, a fls. 05/06. Tal abertura processual independe de concessão da administração tributária, eis que prevista, taxativamente, na legislação que rege o Processo Administrativo Fiscal. O Recorrente teve oportunidade de demonstrar, tanto na fase de impugnação, como agora, em sede recursal, o recolhimento das contribuições devidas, bem assim como a apresentação da sua escrituração contábil, a qual, reiterese, não foi disponibilizada à fiscalização no curso da ação fiscal. Não o fez. Optou por alegar que a fiscalização não lhe oportunizou “o direito de se manifestar acerca da presunção de não recolhimento das contribuições, quando poderia demonstrar a improcedência do feito com base em sua escrituração contábil”. Nesse panorama, restou cristalino que as assertivas postadas pelo Recorrente parecem repousar no vazio, gravitando em torno do nada, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, visto não se apresentarem cortejadas por qualquer indício de prova material apto a desconstituir o lançamento tributário em constituição. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, podese asselar categoricamente que o presente lançamento não demanda, alfim, qualquer reparo. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 148DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 16 Fl. 149DF CARF MF Emitido em 03/06/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 28/03/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 29/03/2011 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 14479.000082/2007-65
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007
Ementa:
AUTODEINFRAÇÃO.
FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO.
Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.
É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias.
DECADÊNCIA:
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma,
conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.114
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007 Ementa: AUTODEINFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 Recurso Voluntário Negado
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FOLHA DE PAGAMENTOS. OBRIGAÇÃO. Constitui infração punível na forma da lei deixar de preparar folhas de pagamentos das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos, conforme disposto no art. 225, I e §9º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. É obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. DECADÊNCIA: O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No caso deste auto de infração, a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não havendo alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005 Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relator. EDITADO EM: 14/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Liege Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva,Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000082/200765 Acórdão n.º 230201.114 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Trata o presente de auto de infração lavrado em 13/09/2007 e cientificado ao sujeito passivo em 14/09/2007, pelo descumprimento de obrigação acessória, qual seja a confecção de folha de pagamento de todas as remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados que prestaram serviço à empresa, nos moldes e padrões estabelecidos pela Secretaria da Receita Previdenciária, nas competências de 01/1999 a 03/2007. De acordo com o relatório fiscal de fls. 28 a 33, a autuada incorporou a empresa RM SISTEMAS S/A, CNPJ n.° 21.867.3871000158, cuja Ata de Assembléia Geral Extraordinária, realizada na sede da RM SISTEMAS S/A, em Belo Horizonte, em 01 de março de 2007 que aprovou a incorporação da Companhia pela TOTVS S/A foi registrada na Junta Comercial do Estado de Minas Gerais em 30/05/2007, sob o número 3731430, protocolo 071915206. Aduz o relatório que a ação fiscal foi realizada na incorporada e abarcou o período de antes da incorporação, sendo que a mesma deixou de incluir nas folhas de pagamento as remunerações pagas aos contribuintes individuais e segurados empregados a título de prêmio de férias, ajuda de custo celular, formação profissional e prêmio produtividade. Discriminativos de fls. 34 a 97, trazem a relação nominal dos empregados e contribuintes individuais, bem como a nomenclatura dos pagamentos efetuados por competência. Após a apresentação de defesa, Acórdão de fls. 207/226, julgou a autuação procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, insurgindose contra a obrigação de lançar em títulos próprios da contabilidade verbas que a seu ver não possuem natureza salarial. Alega em síntese: a) o cerceamento de defesa porque não está caracterizada a irregularidade pretendida, levando a nulidade do AI; b) que a autuação foi arbitrária, porque não pode ser exigida multa por falta de contabilização de contribuições previdenciárias sobre verbas não salariais como pagamentos a cooperativas de trabalho, despesas com celular e participação nos lucros; c) que deve ser aplicada a Súmula Vinculante n.º d) que o auditor não comprovou que as cooperativas de trabalho não recolheram o valor das contribuições; e) que não pode prosperar a multa sobre a não contabilização dos pagamentos efetuados a título de Fl. 257DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 patrocínio, pois não tinha ingerência sobre a parte financeira dos eventos; f) que a ajuda de custo celular visava reembolsar os empregados que tinham despesas de serviço com o telefone; g) que o prêmio de férias não consiste em remuneração; h) que alguns empregados após o horário de serviço, capacitavam outros em cursos de formação profissional e ali tinham a função de instrutores e não de empregados, estando correto o lançamento contábil feito; i) que os pagamentos efetuados através de cartão de premiação visam aumentar a produtividade e são pagos uma vez por ano, não sendo caracterizados como salário, não cabendo o AI por não contabilizar em títulos próprios. Requer a reforma da decisão recorrida para desconstituir e cancelar o auto de infração por vício legal, formal e material, ou que o mesmo seja julgado improcedente. É o relatório. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000082/200765 Acórdão n.º 230201.114 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi Cumpridos os requisitos de admissibilidade, conforme protocolo que atesta a tempestividade, fl. 233, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar O auto de infração foi lavrado em 13/09/2007, cientificado ao sujeito passivo em 14/09/2007 e contempla competências de 01/1999 a 03/2007. A recorrente solicita a aplicação da Súmula Vinculante n.º 08. Com efeito, nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Segue sua transcrição: Súmula Vinculante n° 08: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e Fl. 259DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Desta forma, inclinome à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo, artigo 173, inciso I, uma vez que o presente processo trata de auto de infração, onde não restou configurado pagamento parcial, devendo ser excluídas da autuação as competências até 11/2001, inclusive. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Todavia, é de se registrar que como a multa aplicada para a infração cometida é única e não pode ser fracionada, não vai haver alteração no valor referente à mesma, conforme disposto pelo artigo 659, §4º, da Instrução Normativa n.º 03/2005: §4º Se houver materialização das demais infrações não referidas nos arts. 646 a 648, a multa será fixada por Auto de Infração, independentemente do número de ocorrências. Ainda que restasse apenas uma folha de pagamento que não fosse elaborada nos moldes ditados pela legislação, o valor da multa se manteria íntegro. Não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização da mesma. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; Fl. 260DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000082/200765 Acórdão n.º 230201.114 S2C3T2 Fl. 4 7 IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. A recorrente foi devidamente intimada de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) O relatório fiscal do auto de infração às fls. 28 a 33, descreve a conduta da autuada de não elaborar folhas de pagamento com a inclusão de todas as verbas pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço no período fiscalizado e traz a capitulação legal infringida, sendo improcedente a alegação de falta de caracterização da infração. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Fl. 261DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Do Mérito À época da autuação, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte ou o responsável (sujeito passivo) e o fisco (sujeito ativo), tem aquele duas obrigações para com este. Uma obrigação denominada principal, que é a de verter contribuições para a Seguridade Social; outra denominada acessória que tem por objeto a prática ou a abstenção de ato que não configure obrigação principal. O descumprimento da obrigação principal, acarreta a constituição do crédito da Seguridade Social, através da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e o descumprimento da obrigação acessória, que decorre da legislação tributária e tem por objeto prestações positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos (art. 113, § 2º, do CTN), acarreta a lavratura do Auto de Infração. A obrigação se diz acessória, quando se tem por objeto o fazer ou não fazer algo no interesse da fiscalização ou da arrecadação. Portanto, o não recolhimento do tributo acarreta a aplicação dos juros legais e da multa moratória, enquanto o descumprimento de obrigação acessória, que vem definida em lei, acarreta a multa punitiva. Este processo trata da autuação por não confecção das folhas de pagamento, nos moldes estabelecidos pela legislação vigente, sendo totalmente inócuas as alegações da Fl. 262DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 14479.000082/200765 Acórdão n.º 230201.114 S2C3T2 Fl. 5 9 recorrente acerca da não contabilização em títulos próprios de valores relativos à cooperativa de trabalho, participação nos lucros, patrocínios a clubes de futebol profissional, pagamento de valores através de cartões de premiação, prêmio de férias, remuneração de empregados enquanto instrutores de formação profissional e ajuda de custo celular. A não contabilização em títulos próprios não é matéria deste auto de infração, motivo pelo qual não vou me manifestar sobre os argumentos, a ela relativos, trazidos pela recorrente. A recorrente estava obrigada a confeccionar folha de pagamento com todas as remunerações pagas aos segurados a seu serviço. A obrigação de preparar folhas para todos os pagamentos a segurados, vem expressa na legislação vigente, artigo 32, I, da Lei n. 8.212/9, e independe da obrigação principal de recolhimento das contribuições previdenciárias: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; O Decreto n.º 3.48/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social traz no seu artigo 225, parágrafo 9º, os elementos que devem conter a folha de pagamento: Art.225. A empresa é também obrigada a: I preparar folha de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada a todos os segurados a seu serviço, devendo manter, em cada estabelecimento, uma via da respectiva folha e recibos de pagamentos; (...) § 9º A folha de pagamento de que trata o inciso I do caput, elaborada mensalmente, de forma coletiva por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços, com a correspondente totalização, deverá: I discriminar o nome dos segurados, indicando cargo, função ou serviço prestado; IIagrupar os segurados por categoria, assim entendido: segurado empregado, trabalhador avulso, contribuinte individual; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 29/11/99) III destacar o nome das seguradas em gozo de salário maternidade; IV destacar as parcelas integrantes e não integrantes da remuneração e os descontos legais; e V indicar o número de quotas de saláriofamília atribuídas a cada segurado empregado ou trabalhador avulso. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Pelo exposto, é obrigatória a inclusão em folhas de todos os pagamentos a segurados, independente da natureza salarial. Compete à autoridade fiscal identificar as parcelas integrantes ou não da base de cálculo das contribuições previdenciárias. A recorrente não contesta a infração relativa a esta autuação, devendo ser considerada, no caso, a Portaria SRFB n.º 10.875/2007, que disciplina o processo administrativo fiscal relativo às contribuições sociais de que tratam os arts. 2º e 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007 e dita no seu artigo 8º: "Art. 8° Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada." Pelo exposto, Voto por negar provimento ao recurso. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 14/06/2011 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 14/06/201 1 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 16/06/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 10380.005081/2007-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006
CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA.
Na falta de prova regular e formalizada, a mãodeobra
para execução de obra de construção civil poderá ser obtida por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário.
RESPONSÁVEIS POR OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL
O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das
obrigações para com a Seguridade Social.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-001.033
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Wilson Antonio de Souza Correa. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Liege Lacroix Thomasi.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006 CONSTRUÇÃO CIVIL. AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, a mãodeobra para execução de obra de construção civil poderá ser obtida por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. RESPONSÁVEIS POR OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado
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AFERIÇÃO INDIRETA. Na falta de prova regular e formalizada, a mãodeobra para execução de obra de construção civil poderá ser obtida por aferição indireta, cabendo ao contribuinte o ônus da prova em contrário. RESPONSÁVEIS POR OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Arlindo da Costa e Silva e Wilson Antonio de Souza Correa. Designado para redigir o voto vencedor a Conselheira Liege Lacroix Thomasi. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Fl. 159DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI, 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Liege Lacroix Thomasi – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Liége Lacroix Thomasi, Arlindo da Costa e Silva e Wilson Antonio de Souza Correa. Ausência momentânea: Manoel Coelho Arruda Junior e Adriana Sato. Relatório Período de apuração: 01/07/2006 a 31/07/2006. Data da lavratura da NFLD: 30/08/2006. Data da Ciência do NFLD : 31/08/2006. Tratase de crédito tributário lançado em desfavor do sujeito passivo em epígrafe, consistente em contribuições previdenciárias destinadas ao custeio da Seguridade Social, incidente sobre a mão de obra utilizada na construção de um imóvel com área total 2.296,00 m2 , consoante relato no Relatório Fiscal a fls. 12/13. Informa a Autoridade Lançadora que a contribuição previdenciária devida foi aferida indiretamente com base na área construída e no padrão de execução da obra, aplicando se o percentual previsto em legislação vigente sobre o valor do Custo Unitário Básico CUB/m2, de acordo com a tabela elaborada mensalmente pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil – SINDUSCON, conforme os cálculos do Aviso para Regularização de Obra ARO anexado às fls. 14/15. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 20/37. O Serviço do Contencioso Administrativo da Delegacia da Receita Previdenciária em Fortaleza/CE baixou o feito em diligência, para que fossem esclarecidos pontos controversos no lançamento, conforme Despacho a fl. 112. Relatório Fiscal Complementar a fls. 113. Promovida a ciência do referido Relatório Fiscal Complementar ao sujeito passivo, este se manifestou a fl. 115. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE lavrou Decisão Administrativa a fls. 119/126 julgando procedente a Notificação Fiscal e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 07/12/2007, conforme Aviso de Recebimento a fl. 132. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 135/143, para, alfim, requer a reforma Fl. 160DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI, 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005081/200745 Acórdão n.º 230201.033 S2C3T2 Fl. 147 3 da decisão recorrida para se declarar a nulidade da decisão colegiada de primeira instância (sic). Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Vencido Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 07/12/2007. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 04 de janeiro de 2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso. Dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DA MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. Relata a autoridade lançadora que a vertente NFLD foi lavrada “em substituição a outra anterior NFLD Debcad : 35.785.6597, anulada, que continha erro de enquadramento no código FPAS e erros de divergências de datas de emissão nos documentos discriminativos”. Cita ainda que “As diferenças foram apuradas pelo DISO Declaração de Informação sobre Obra, programa que calcula as contribuições previdenciárias, com base na área construída e tipo de obra, com deduções das contribuições pagas pelo contribuinte, que gera um relatório denominado ARO Aviso de Regularização de obra, que discrimina o valor das contribuições a serem recolhidas em valor original referente, neste caso, a competência 07/2006”. Mais adiante, reporta o Auditor que “Na Notificação anulada o contribuinte tinha alegado através de recurso administrativo contra o débito apurado, que a obra tinha sido realizada pela construtora ADAMOR CONSTRUÇÃO LTDA, anexando folhas e GPS sem identificação do CEI, com o CNPJ da Construtora e que estes recolhimentos relacionados com as folhas de pagamentos deveriam fazer parte da dedução do débito apurado. Ocorre que em diligência na construtora citada, não foram encontrados indícios para dedução, como Livro Registro de Empregados específico da obra, GPS com o CEI da obra e lançamentos contábeis, que pudessem relacionar os pagamentos da construtora com a obra”. Fl. 161DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI, 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Ocorre que os vícios que inquinaram de nulidade a NFLD Debcad nº 35.785.6597 vão muito além daqueles citados pelo auditor fiscal notificante, os quais não foram devidamente sanados na vertente Notificação Fiscal. Explico: A DecisãoNotificação n° 05.401.4/0235/2006, de 14 de março de 2006, destacou como vícios nulificadores, além daqueles enfrentados pelo Agente Fiscal, outros de maior relevância, os quais não foram corrigidos no presente lançamento. No item 18 da citada DecisãoNotificação, a fl. 85, o órgão julgador a quo destaca, com exemplar clareza, que : “18. De outro lado, devese atentar para o fato de que analisando os documentos carreados aos autos pelo contribuinte, há um indício de prova que a obra foi executada pela empresa Adamor Construções Ltda, sendo proprietária da mesma, a empresa Júlia Construções Ltda. Quando da emissão de NFLD substitutiva, a fiscalização deve perquirir acerca da relação de empresas com a obra de construção civil, apurando a responsabilidade pela matrícula da obra, e, se for o caso, efetuar a matrícula de ofício no contribuinte correto, segundo a legislação aplicável acerca da matéria vigente no início da obra.” Com efeito, conforme demonstrado nos parágrafos que se seguem, os documentos arrolados a fls. 76/80 comprovam que a propriedade da obra não era da titularidade do ora Recorrente, mas, sim, da empresa Julia Construções Ltda, não sendo pois possível, por tal motivo, ser imputada ao Recorrente a responsabilidade solidária prevista no inciso VI do art. 30 da Lei nº 8.212/91. O Ofício N° 039/2003 SEINF / COURB, de 05 de Setembro de 2003, emitido pela Secretaria Municipal de Infraestrutura e Controle Urbano da PREFEITURA MUNICIPAL DE FORTALEZA, a fl. 76, atesta que o “Conjunto de casas localizada nesta urbe na Rua: Professor Moreninha Irineu, obra de Propriedade da empresa JÚLIA CONSTRUÇÕES LTDA” De outro canto, a Anotação de Responsabilidade Técnica a fl. 77, referente a “Projeto, cálculo, construção, instalações hidráulicas e teste de absorção de um condomínio horizontal constituído de 28 unidades residenciais unifamiliares tipo geminadas e área construída total de 2.075,02 m2 foi contratada pela empresa Julia Construções Ltda. Na mesma toada, o alvará de construção nº 20445, a fl. 78, referente à construção residencial multifamiliar de 28 unidades, área construída total de 2.075,02 m2 , em rua sem denominação oficial nº 80, no bairro Edson Queiroz, registrava como proprietário a empresa Julia Construções Ltda. Por derradeiro, mas não menos importante, as certidões de habitese, a fls. 79 e 80, referentes ao Alvará nº 20445, relativos a residências na Rua ‘C’ (SDO = sem denominação oficial), nº 80, bairro Edson Queiroz, de 28 unidades e área construída total de 2.075,02 m2 , registravam como sendo concedidos à empresa Julia Construções Ltda. Fl. 162DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI, 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005081/200745 Acórdão n.º 230201.033 S2C3T2 Fl. 148 5 Malgrado toda pletora documental mencionada e a determinação expressa na DecisãoNotificação n° 05.401.4/0235/2006 para que fosse investigada a relação da empresa Júlia Construções ltda com a obra de construção civil em tela, visando a apurar a responsabilidade pela matrícula da obra, e, se fosse o caso, a efetuar a matrícula de ofício no contribuinte correto, segundo a legislação aplicável acerca da matéria vigente no início da obra, se nos antolha que nada foi realizado, optando o auditor fiscal notificante pela mera substituição da notificação anulada por uma outra de semelhante teor, a cargo do mesmo sujeito passivo. Limitou a citada autoridade a consignar em seu Relatório Fiscal a fl. 13 que “em diligência na construtora citada, não foram encontrados indícios para dedução, como Livro Registro de Empregados específico da obra, GPS com o CEI da obra e lançamentos contábeis, que pudessem relacionar os pagamentos da construtora com a obra”. Compulsando os autos, no entanto, não foi encontrado qualquer indício de que a autoridade acima referida tenha, de fato, promovido a sindicância que lhe fora determinada. Não há MPF de diligência na empresa Júlia Construções ltda, tampouco Termo de Intimação para Apresentação de Documentos, em clara demonstração de que as providências comandadas na aludida DN foram relegadas ao esquecimento. Além disso, mas vinho de outra pipa, as provas acostadas aos autos indicam ser, de fato, a empresa Julia Construções ltda o real sujeito passivo da exação sub examine, por ser ela a efetiva dona da obra. Nesse particular, não se deve olvidar que a mera aquisição de unidade residencial por terceiros não tem o condão de transferir para o adquirente a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias relativas à obra, eis que tal espécie tributária não ostenta natureza propter rem. O conjunto probatório trazido ao processo aponta, de maneira harmônica e robusta, que o sujeito passivo da obrigação tributária é, de fato, a empresa Julia Construções ltda, não logrando o agente fiscal demonstrar, de forma inequívoca e comprovada, ser o ora Recorrente o contribuinte ou o responsável pelo recolhimento do tributo em realce. Da análise de tudo o quanto se considerou no presente julgado, pautamos pela nulidade da NFLD em julgo, eis que não cumpridas as determinações assentadas na Decisão Notificação n° 05.401.4/0235/2006, de 14 de março de 2006. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto por anular a NFLD nº 35.534.5412, de 30 de agosto de 2006, para que a fiscalização cumpra, de fato, as determinações consignadas na DecisãoNotificação n° 05.401.4/0235/2006, de 14 de março de 2006. É como voto. Fl. 163DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI, 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 Arlindo da Costa e Silva Voto Vencedor Referese a notificação a contribuições previdenciárias relativas a obra de construção civil, apuradas indiretamente com fulcro no artigo 33, §4º, da Lei n.º 8.212/91, na redação vigente à época do lançamento, que dispõe: §4º Na falta de prova regular e formalizada, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mãodeobra empregada, proporcional à área construída, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa co responsável o ônus da prova em contrário. De acordo com o relatório fiscal, as diferenças foram apuradas pela DISO — Declaração de Informação sobre Obra, programa que calcula as contribuições previdenciárias, com base na área construída e tipo de obra, com deduções das contribuições pagas pelo contribuinte, que gera um relatório denominado ARO — Aviso de Regularização de obra, o qual discrimina o valor das contribuições a serem recolhidas em valor original referente, no caso em tela, à competência 07/2006. O relatório ainda informa que em diligência na construtora Adamor Construção Ltda., que segundo a recorrente seria a responsável pela obra, não foram encontrados elementos probantes como Livro Registro de Empregados específico da obra, GPS com o CEI da obra e lançamentos contábeis, que pudessem relacionar os pagamentos da construtora com a mesma, sendo o crédito lançado no proprietário da obra. Não obstante tratarse de notificação substitutiva, é de se atentar que veio sanar a falta de fundamentação legal para a aferição indireta, a competência e o código relativo ao tipo do débito lançado na pessoa física. Desta feita, me permito discordar do ilustre relator, pois entendo que o proprietário da obra é responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias devidas e relativas à mão de obra empregada na construção, a teor do disposto na legislação vigente, mais precisamente, artigo 30, inciso VI, da Lei n.º 8.212/91: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei nº 8.620, de 5/1/93) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e Fl. 164DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI, 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.005081/200745 Acórdão n.º 230201.033 S2C3T2 Fl. 149 7 admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Ademais, não restou comprovado nos autos a exceção exposta no inciso VII, do citado artigo 30: VII excluise da responsabilidade solidária perante a Seguridade Social o adquirente de prédio ou unidade imobiliária que realizar a operação com empresa de comercialização ou incorporador de imóveis, ficando estes solidariamente responsáveis com o construtor; Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Redatora Fl. 165DF CARF MF Emitido em 29/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA Assinado digitalmente em 18/05/2011 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, 21/05/2011 por LIEGE LACROIX THOMA SI, 25/05/2011 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11516.001957/2007-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2006
MULTA POR ENTREGA EM ATRASO DA DIMOB DECLARAÇÃO
DE INFORMAÇÕES SOBRE ATIVIDADES IMOBILIÁRIAS É devida se a empresa não comprovar que está desobrigada da entrega.
Numero da decisão: 1202-000.566
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR
provimento ao Recurso Voluntário.
Matéria: IRPJ - auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI)
Nome do relator: Nereida de Miranda Finamore Horta
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) CARLOS ALBERTO DONASSOLO Presidente. (documento assinado digitalmente) NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo (Presidente), Jorge Celso Freire da Silva, Nereida de Miranda Finamore Horta, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Orlando Jose Gonçalves Bueno. Relatório Tratamse os autos da Notificação de Lançamento n° 62234025213743 (fls 2) exigindo recolhimento de multa por atraso na entrega da Declaração de Informações sobre Atividades Imobiliárias DIMOB, no valor de R$10.000,00. Fl. 32DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/08/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/08/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO 2 O prazo final para a entrega da DIMOB 2007, referente ao anocalendário de 2006, encerrouse no dia 28 de fevereiro do 2007, todavia, a interessada enviou somente em 19 de abril de 2007. A impugnação foi apresentada tempestivamente e nos seguintes termos: que, por erro administrativo, foram enviadas eletronicamente, via internet, no dia 19 de abril de 2007, as informações sobre locações de imóveis próprios; que não estava obrigada à entrega da DIMOB, tendo em vista que: não comercializou imóveis durante o anocalendário de 2006; não intermediou aquisição de imóveis e/ou alienou ou locou imóveis de terceiros; e não realizou sublocação de imóveis. que, apesar de seu objeto social ser a prestação de serviços de engenharia, incorporação, construção e administração de obras, não construiu nem comercializou imóveis e não fez incorporações de imóveis no anocalendário sob análise. a Instrução Normativa da SRF n° 694/06 desobriga as empresas que não tenham realizado operações imobiliárias de apresentarem DIMOB, que é o caso da interessada. ao final, requer o cancelamento da citada Notificação n° 62234025213743. A DRJ julgou improcedente a impugnação, em seu Acórdão de nº 0717.465, de 11 de setembro de 2009, tendo em vista que a interessada não comprovou estar na situação de desobrigação da entrega da DIMOB. Cientificada em 15 de outubro de 2009, a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 16 de novembro do mesmo ano, reiterando os argumentos apresentados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta Por atender aos quesitos de admissibilidade, o Recurso deve ser conhecido Como consta do relatório, tratase de exigência de multa por entrega em atraso da DIMOB – Declaração sobre Informações Imobiliárias relativa ao anocalendário de 2006. O prazo para entrega se encerrou em 28 de fevereiro e a recorrente enviou eletronicamente em 19 abril de 2007. Segundo a recorrente, a DIMOB 2007 foi entregue erroneamente em 19 de abril de 2007, tendo em vista que estava desobrigada da entrega nos termos do artigo 1º, parágrafo 3º, da Instrução Normativa do SRF nº 694/2006. Argumentou que não realizou nenhuma das operações constantes no artigo 1º da Instrução Normativa do SRF nº 694/2006, quais sejam: I que comercializarem imóveis que houverem construído, loteado ou incorporado para esse fim; Fl. 33DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/08/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/08/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO Processo nº 11516.001957/200764 Acórdão n.º 120200.566 S1C2T2 Fl. 2 3 II que intermediarem aquisição, alienação ou aluguel de imóveis; III que realizarem sublocação de imóveis; IV constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios. §1º As pessoas jurídicas e equiparadas de que trata o inciso I apresentarão as informações relativas a todos os imóveis comercializados, ainda que tenha havido a intermediação de terceiros. A recorrente argumentou que não havia realizado nenhuma das atividades, todavia, em primeiro lugar, o seu objeto social é a prestação de serviços de engenharia, incorporação, construção e administração de obras, e, em segundo lugar, não comprovou através de suas demonstrações financeiras ou outro documento hábil e idôneo que não realizou nenhuma dessas atividades. Deve ser comprovado, pois, consoante o inciso parágrafo 3º do artigo 1º da Instrução Normativa 694/2006, in verbis: “§3º As pessoas jurídicas e equiparadas que não tenham realizado operações imobiliárias no anocalendário de referência estão desobrigadas da apresentação da Dimob” Ou seja, estão obrigadas à entrega, as empresas que tenham sido constituídas para a construção, administração, locação ou alienação do patrimônio próprio, de seus condôminos ou sócios, cabendo o não envio às que não tenham realizado operações imobiliárias e, portanto, comprovem tal condição. Desse modo, como, de fato, a recorrente enviou a DIMOB em atraso, sem comprovar devidamente que estava desobrigada e tendo como seu objeto social a atividade de construção, incorporação e administração, as quais são atividades afins às imobiliárias e obrigamna ao envio, entendo que a cobrança da multa por atraso é devida. Portanto, nego provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora Fl. 34DF CARF MF Impresso em 09/09/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 28/08/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO, Assinado digitalmente em 31/08/2011 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 28/08/2011 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.011182/2006-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano calendário:2000, 2001
MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-000.449
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antonio José Praga de Souza
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LUCRO REAL Recorrente PREDIAL HIGIENIZAÇÃO LIMPEZA E SERVIÇOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000, 2001 MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.011182/200611 Acórdão n.º 140200449 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório PREDIAL HIGIENIZAÇÃO LIMPEZA E SERVIÇOS LTDA recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida: Tratase de lançamento de ofício relativo a Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (reflexo) e multa isolada por falta de recolhimento de estimativas do IRPJ e CSLL, consubstanciado nos autos de infração de fls. 02/05, 08/11, 14/16 e 19/21, respectivamente. O montante do crédito tributário lançado é de R$989,864,57 (ver tabela à fl. 34), já incluídos os acréscimos legais, calculados até 30/11/2006. A descrição dos fatos está complementada no relatório de atividade fiscal de fls. 26/35. Conforme descrito pela fiscalização à fl. 30, a contribuinte, relativamente ao ano de 2002, “contabilizou o resultado de suas atividades, porém não o informou nas DCTF originais entregues, no que se refere a IRPJ e CSLL, nem efetuou o recolhimento”. Dado que a pessoa jurídica optou pela tributação dos resultados com base no lucro real anual, a autuação contemplou o lançamento: a) do IRPJ e da CSLL devidos no encerramento do período de apuração anual, acrescidos da multa de ofício de 75% de que trata o art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996; b) da multa de ofício isolada – no percentual de 50% – de que trata o art. 18 da MP nº 303/2006, relativamente aos valores não recolhidos das estimativas mensais de IRPJ e CSLL. A impugnação foi tempestivamente apresentada em 19/01/2007 (fls. 408/411). A interessada não contesta a exigência dos tributos devidos por falta de pagamento e nem a aplicação da multa de ofício de 75%. Insurgese, tãosomente, em relação à exigência da multa de ofício isolada de 50%, sob o argumento de que tal cobrança configura bitributação. Requer, pois, o cancelamento da multa isolada. A decisão recorrida está assim ementada: MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DA ESTIMATIVA MENSAL. A multa isolada por falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente por estimativa independe de o resultado anual ter sido tributável ou não. Lançamento Procedente Transcrevo os fundamentos do voto condutor do aludido acórdão: Alega a impugnante que é incabível a aplicação concomitante da multa de ofício de 75% exigida sobre o tributo devido em base anual e da multa de 50% por falta de Fl. 2DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.011182/200611 Acórdão n.º 140200449 S1C4T2 Fl. 0 3 recolhimento das estimativas devidas mensalmente, visto que ambas as penalidades seriam decorrentes do mesmo ato. Apesar de possível, esse raciocínio diverge frontalmente da interpretação literal da legislação vigente. Se não, vejamos o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (redação prevista, à época dos fatos, no art. 18 da MP nº 303/2006 e, posteriormente, no art. 14 da Lei nº 11.488/2007): (...) Como se vê, as hipóteses de incidência previstas nos incisos I e II, “b”, acima transcritos correspondem a duas infrações distintas: a) a falta de recolhimento do tributo apurado ao final do período de apuração anual e b) o descumprimento da obrigação de recolher, até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir, o imposto apurado por estimativa. Essas infrações são passíveis de penalidades igualmente distintas, previstas em diferentes dispositivos da legislação: a) uma decorre da falta de recolhimento do tributo apurado em base anual, e é cobrada, no percentual de 75%, juntamente com o principal devido. b) a outra incide isoladamente, no percentual de 50%, sobre as antecipações mensais obrigatórias, não recolhidas no curso do anocalendário. Notese que a redação do inciso “b” do art. 44, acima transcrito – mais precisamente a utilização da expressão “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal (...)” –, não deixa dúvidas de que o legislador previu, sim, a possibilidade de aplicação concomitante de duas penalidades, ao contrário do que defende a impugnante. Importante frisar que a possibilidade de os contribuintes realizarem a apuração do IRPJ e da CSLL em base anual é uma alternativa à regra geral de apuração trimestral desses tributos, vinculada ao adimplemento das prestações mensais de que trata o art. 2º da Lei nº 9.430/1996, conforme disposto expressamente nos arts. 1º, 2º, § 3º e 6º da Lei nº 9.430/1996: (...) Em resumo, entendo que a exigência da multa isolada, prevista no art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/1996, independe de o resultado anual ter sido tributável ou não; decorre, isto sim, do descumprimento da obrigação de recolher a estimativa apurada no mêscalendário. Dado que a interessada optou pela apuração anual do imposto e, em conseqüência, pelo recolhimento por estimativa, deve sujeitarse às disposições da legislação e às sanções pelo seu descumprimento. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.011182/200611 Acórdão n.º 140200449 S1C4T2 Fl. 0 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, o contribuinte apresentou impugnação e recurso voluntário para contestar apenas a multa de oficio isolada, por falta de recolhimento de estimativas, que está sendo exigida em concomitância com a multa de oficio de 75% sobre o mesmo tributo. Sobre a matéria já possuo entendimento sedimentado, que já manifestei em diversas decisão no CARF, a exemplo do acórdão CSRF 910100.450, de 4/11/2009,. cuja ementa transcrevo. MULTA ISOLADA NA FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. É inaplicável a penalidade quando há concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual, ou apuração inexistência de tributo a recolher no ajuste anual. Trancrevo agora excertos do voto condutor daquele julgado: No que tange a exigência da multa de oficio isolada, por falta de recolhimento do IRPJ ou CSLL sobre estimativas, após o encerramento do anocalendário, verificase que a penalidade foi aplicada com fulcro no art. 44, inciso I, e § 1o, inciso IV, da Lei 9.430/96, do seguinte teor: .Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte;” ................................................................................................... § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos ................................................................ Fl. 4DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.011182/200611 Acórdão n.º 140200449 S1C4T2 Fl. 0 5 IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente;” (Grife0 Por sua vez, o art. 2o, referido no inciso IV do § 1o do art. 44, dispõe: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 Os artigos 29, 30, 31, 32 e 34 da Lei 8.981/95 tratam da apuração da base estimada. O art. 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, consubstancia hipótese em a falta de pagamento ou o pagamento em valor inferior é permitida (exclusão de ilicitude). Diz o dispositivo: “Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do ano calendário. (...)” Do exame desses dispositivos podese concluir que o art. 44, inciso I, c.c o inciso IV do seu § 1º, da Lei 9.430/96 é norma sancionatória que se destina a punir infração substancial, ou seja, falta de pagamento ou pagamento a menor da estimativa mensal. Para que incida a sanção é condição que ocorram dois pressupostos: (a) falta de pagamento ou pagamento a menor do valor do imposto apurado sobre uma base estimada em função da receita bruta; e (b) o sujeito passivo não comprove, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. Destaco trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Marcos Vinícius Neder de Lima, no julgamento do Recurso nº 105139.794, Processo n° 10680.005834/2003 12, Acórdão CSRF/0105.552, verbis: “Assim, o tributo correspondente e a estimativa a ser paga no curso do ano devem guardar estreita correlação, de modo que a provisão para o pagamento do tributo há de coincidir com valor pago de estimativa ao final do exercício. Eventuais diferenças, a maior ou menor, na confrontação de valores geram pagamento ou devolução do tributo, respectivamente. Assim, por força da própria base de cálculo eleita pelo legislador – totalidade ou diferença de tributo – só há falar em multa isolada quando evidenciada a existência de tributo devido”. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 11080.011182/200611 Acórdão n.º 140200449 S1C4T2 Fl. 0 6 Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, tão somente para cancelar a exigência da multa de ofício isolada que está sendo exigida em concomitância com a multa proporcional de 75%. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 6DF CARF MF Emitido em 13/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 13/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 07/03/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10120.006814/2008-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
IRPF. FATO GERADOR. CARNÊ-LEÃO.
O Imposto de Renda Pessoa Física, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, de sorte que sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual.
SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial
de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO.
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-001.281
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a para o percentual de 75%.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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FATO GERADOR. CARNÊLEÃO. O Imposto de Renda Pessoa Física, embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, de sorte que sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR parcial provimento ao recurso, para afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa para o percentual de 75%. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Fl. 141DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.006814/200819 Acórdão n.º 210201.281 S2C1T2 Fl. 140 2 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 30/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Atilio Pitarelli, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 101 a 110 da instância a quo, in verbis: Para o contribuinte identificado no preâmbulo foi lavrado, por Auditor Fiscal da DRF/Goiânia (GO), o Auto de Infração de fls. 44/58, referente ao imposto de renda pessoa física dos exercícios 2005, 2006 e 2007. O crédito tributário apurado está assim constituído: Imposto... 286.579,90 Juros de Mora (calculados até 04/2008)... 64.849,83 Multa (passível de redução)... 429.869,84 Valor do Crédito Tributário Apurado... 781.299,57 No decorrer da ação fiscal foram emitidos Mandados de Procedimento Fiscal, Termo de Início de Fiscalização, de Ciência e de Intimação, todos devidamente notificados ao contribuinte. O Termo de Verificação Fiscal elaborado pela autoridade lançadora, fls. 53/57, registra que o Poder Judiciário da Comarca de Goiânia, por intermédio de sua corregedoria, informa que o sujeito passivo, nos termos do art. 7º da Lei do Estado de Goiás nº 10.429/1988, percebeu emolumentos e custas das serventias não oficializadas pagos pelas partes e não pelos cofres públicos. Depois da análise da documentação e informações obtidas, foi apurada a infração a seguir, relativa a emolumentos percebidos, conforme descrição dos fatos e enquadramento legal às fls. 45, 59 e 53/56: 001 – OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Exercício Valor Tributável 2005 281.494,52 2006 298.510,95 2007 462.103,28 Anota a autoridade lançadora que, em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, o contribuinte informa que não possui elementos para discriminar Fl. 142DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.006814/200819 Acórdão n.º 210201.281 S2C1T2 Fl. 141 3 quais as custas seriam pagas por pessoas físicas ou jurídicas, motivo pelo qual, com amparo no art. 112 do CTN, considerou os valores que ultrapassaram os declarados como recebidos de pessoas jurídicas, caracterizando situação mais benéfica ao sujeito passivo, pela não obrigatoriedade de recolhimento do imposto a título de CarnêLeão. Com fundamento no inciso II do art. 957, do RIR/1999, a fiscalização qualificou a multa de oficio em 150% e formulou Representação Fiscal para Fins Penais, justificando que o contribuinte vem reiteradamente omitindo receitas provenientes de recebimentos de emolumentos e custas para fins de reduzir o imposto a pagar, caracterizando prática contínua com a intenção de eximirse do pagamento do imposto. DA IMPUGNAÇÃO Reportase aos termos do Auto de Infração para, em seguida, apresentar as razões de defesa adiante relatadas. Apuração dos valores recebidos e despesas dedutíveis Alega que as declarações de rendimentos espelham a realidade e que o montante nelas declarados é o equivalente ao que recebeu, deduzidas as despesas constantes do livro caixa, o qual está plenamente disponível para consulta. Diz que, nas declarações de rendimentos entregues no modelo simplificado, entendeu que o procedimento correto seria o de declarar o montante líquido da receita auferida. Assim o fez porque, na declaração simplificada, não há espaço para descriminação das deduções efetivadas. Aduz que o levantamento realizado pela fiscalização é precário, tendo em vista que tomou como base valores de emolumentos e custas apurados pelo Tribunal de Justiça de Goiás, dados que são falhos, dadas as imperfeições do sistema de computador. O impugnante argumenta que gasta uma fortuna para tornar possível a realização de suas funções: dezenas de funcionários, papéis, pastas, carimbos, material de escritório diverso, maquinários, computadores e tudo mais necessário à realização dos trabalhos que lhe são peculiares. Seu rendimento é mínimo, pois as despesas são representativas. Negandose auditar as despesas e demais deduções feitas pelo contribuinte, mesmo reconhecendo dedutíveis as despesas de livro caixa, o Auditor Fiscal tornou o Auto de Infração sem qualquer efeito jurídico. Inexistência de sonegação fiscal e ausência de dolo Argumenta que auxiliou de todas as formas a fiscalização e explicou que informou o valor líquido das despesas na declaração simplificada, por não haver espaço específico para deduções. Está claro que seu rendimento líquido é o informado nas declarações, não praticando, o sujeito passivo, nenhuma fraude visando impedir a ocorrência do fato gerador do imposto de renda. Se não podia optar pelo modelo simplificado, ou se cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração, está evidente que não o fez dolosamente. Fl. 143DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.006814/200819 Acórdão n.º 210201.281 S2C1T2 Fl. 142 4 Daí, por se tratar de, no máximo, de mero erro de preenchimento da declaração, não só as multas de 150%, como também a Representação Fiscal Para Fins Penais, são incomportáveis. Ilegalidade da cobrança da Taxa Selic No tocante à utilização da taxa Selic como juros de mora, depois de longa argumentação cita decisão do STJ, arts. da Constituição Federal, do ADCT e do CTN para, ao final, afirmar que não restam dúvida quanto à ilegalidade da aplicação da taxa Selic em débitos tributários e previdenciários. Recorre ao art. 193, § 3º, da Constituição Federal para cravar entendimento de que a taxa de juros reais não pode ser superior a 12% ao ano. Pedidos Requer seja considerado sem efeito o Auto de Infração, bem como a multa e os demais valores dele constantes, além da incidência ilegal da taxa Selic. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes e fundamentos legais, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 OMISSÃO. RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS FÍSICAS E JURÍDICAS. São tributáveis os valores percebidos de pessoas físicas e jurídicas, a título de emolumentos e custas, decorrentes de prestação de serviços de cartório. A alegação desacompanhada de documentos de prova não pode ser acolhida. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA (150%). RENDIMENTOS NÃO DECLARADOS. Configurase como prática dolosa com o objetivo de evitar o recolhimento do imposto, a omissão reiterada de rendimentos tributáveis, em montante significativamente superior ao declarado. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. É cabível, por expressa disposição legal, a exigência de juros de mora. A partir de 01/04/1995 os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 120 a 135, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida à DRJ, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, alegando em síntese: Fl. 144DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.006814/200819 Acórdão n.º 210201.281 S2C1T2 Fl. 143 5 I. PRELIMINAR. DA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. De acordo com a IN SRF n° 15 de 06/02/2001, art.21, os rendimentos percebidos por titulares de cartório devem ser tributados mensalmente, sujeitos ao carne leão, independente de identificação da fonte pagadora, se pessoa física ou pessoa jurídica e não poderia a autoridade autuante, sob o argumento de ser mais benéfico ao contribuinte, deixar de aplicar o que determina expressamente a lei, infringindoa, fazendo o lançamento com base em inexistente apuração anual; II. MULTA QUALIFICADA. Alega que a suposta omissão levantada pelo autuante nem de perto deve ser enquadrada nos termos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64, que é condição necessária para satisfazer o estipulado no inciso II do artigo 957 do Regulamento do Imposto de Renda. No caso em tela, não se trata de sonegação advinda de uma omissão dolosa, tão pouco fraude ou conluio, no máximo deveria ser enquadrada como declaração inexata, prevista no inciso primeiro do mesmo artigo. O melhor juízo, caso entenda o ilustre julgador ser procedente a autuação, seria o enquadramento no inciso I do artigo 957, com aplicação da multa de setenta e cinco por cento, vez que não ficou devidamente comprovado o agravamento previsto no inciso II. III. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Ataca a aplicação da Taxa Selic como juros de mora de ilegal e inconstitucional; Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. FORMA DE APURAÇÃO DO IR Inicialmente vejamos o que diz o Regulamento do Imposto de renda (RIR), Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999: TÍTULO VIII DO RECOLHIMENTO MENSAL OBRIGATÓRIO CAPÍTULO I – INCIDÊNCIA Art.106.Está sujeita ao pagamento mensal do imposto a pessoa física que receber de outra pessoa física, ou de fontes situadas no exterior, rendimentos que não tenham sido tributados na fonte, no País, tais como (Lei nº 7.713, de 1988, art. 8º, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 24, §2º, inciso IV): Fl. 145DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.006814/200819 Acórdão n.º 210201.281 S2C1T2 Fl. 144 6 Ios emolumentos e custas dos serventuários da Justiça, como tabeliães, notários, oficiais públicos e outros, quando não forem remunerados exclusivamente pelos cofres públicos; IIos rendimentos recebidos em dinheiro, a título de alimentos ou pensões, em cumprimento de decisão judicial, ou acordo homologado judicialmente, inclusive alimentos provisionais; IIIos rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil que prestem serviços a embaixadas, repartições consulares, missões diplomáticas ou técnicas ou a organismos internacionais de que o Brasil faça parte; IVos rendimentos de aluguéis recebidos de pessoas físicas. Art.107.Sujeitamse igualmente à incidência mensal do imposto (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º, 3º, §1º, e 9º): Ios rendimentos de prestação, a pessoas físicas, de serviços de transporte de carga ou de passageiros, observado o disposto no art. 47; IIos rendimentos de prestação, a pessoas físicas, de serviços com trator, máquina de terraplenagem, colheitadeira e assemelhados, observado o disposto no §1º do art. 47. (...) Art.109.Os rendimentos sujeitos a incidência mensal devem integrar a base de cálculo do imposto na declaração de rendimentos, e o imposto pago será compensado com o apurado nessa declaração (Lei nº 9.250, de 1995, arts. 8º, inciso I, e 12, inciso V ). Cumpre ainda dizer, que os fatos geradores periódicos, também denominados complexivos, são aqueles que se realizam ao longo de um intervalo de tempo. A seu respeito, Luciano Amaro discorreu, in verbis: (...) Não ocorrem hoje ou amanhã, mas sim ao longo de um período de tempo, ao término do qual se valorizam ‘n’ fatos isolados que, somados, aperfeiçoam o fato gerador do tributo(...) Também Hugo de Brito Machado se pronunciou a respeito, in verbis: O imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza incide, em regra geral, sobre as rendas e proventos auferidos em determinado período. O imposto, em princípio, é de incidência anual. Existem, porém, ao lado dessa incidência genérica, incidências específicas, denominadas incidências na fonte. Podem ser mera antecipação da incidência genérica e podem ser, em certos casos, incidência autônoma. Em se tratando de imposto de incidência anual, podese afirmar que o seu fato gerador é da espécie dos fatos continuados. E em virtude de ser a renda, ou o lucro, um resultado de um conjunto de fatos que acontecem durante determinado período, é razoável dizerse também que se trata de fato gerador complexo. Fl. 146DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.006814/200819 Acórdão n.º 210201.281 S2C1T2 Fl. 145 7 O IRPF sujeito ao recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), embora apurado mensalmente, se sujeita ao ajuste anual, art. 109 do RIR, e em assim sendo sua apuração somente se faz ao final do exercício, quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva anual. Tratase, pois, de fato gerador complexivo anual. Temse, portanto, que o fato do lançamento ter considerado apuração anual dos rendimentos provenientes de carnêleão, não traz nenhuma ilegalidade, pelo contrario, está sim em consonância com o que diz o art. 109 do Regulamento do Imposto de renda (RIR), Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, não afeta o aspecto valorativo e não há que se falar nulidade do lançamento. De outra banda, o contribuinte que objetivasse regularizar sua situação perante o fisco, deveria desnudar a origem dos rendimentos, submetendoos à tributação mensal, como recebidos de pessoas jurídicas, físicas ou de fontes no exterior, contudo, caso não se descubra a origem dos rendimentos incontestados, somente restará para a autoridade autuante colacionar tais rendimentos aos declarados no ajuste anual, apurando o imposto devido, com vencimento do imposto na data da entrega da declaração anual. Ressalto que em sede de recurso, o contribuinte nada trouxe para contradizer as razões do julgado da instância anterior, acerca do mérito do recebimento e montante dos rendimentos autuados, dessa forma entendo que não merecem reparos o acórdão anterior e rejeito as alegações de nulidade desse item. MULTA QUALIFICADA. REDUÇÃO PARA 75%. O artigo 72 da Lei n° 4.502, de 1964, conceitua fraude como sendo “toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento”. Nestas circunstâncias, resta saber quando um ato praticado em conformidade com o Direito deixa de ser uma prerrogativa do contribuinte para se caracterizar em sonegação tributária, mediante fraude que impõe aplicação de multa qualificada. A qualificação da multa, no Direito Tributário, está sempre vinculada a uma ação ou omissão consciente, com a finalidade de suprimir ou reduzir tributo. O artigo 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, ao prever multa de 150% (cento e cinqüenta por cento), faz referência aos casos de evidente intuito de fraude, definido nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. A seu turno, a Lei n° 4.502, de 1964, nos artigos aqui referidos, dispõe, “in verbis”: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas Fl. 147DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10120.006814/200819 Acórdão n.º 210201.281 S2C1T2 Fl. 146 8 características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Entendo que a fraude somente se caracteriza a partir de uma ação ou omissão ilícita, o que não é o caso dos autos. Entendemos nesse caso que a reiteração, razão da qualificação no lançamento, por si só não é motivo para a qualificação da multa de ofício.Isso posto, não vejo no presente caso os pressupostos agravantes que permitem a qualificação da multa e voto por afastála da exigência do crédito tributário mantido, reduzindoa para 75%. JUROS DE MORA. TAXA SELIC Sobre as alegações de inconstitucionalidade na aplicação da Taxa Selic como juros de mora, esclarecemos que se trata de tema cujo entendimento é pacífico e sumulado nesse Conselho, como segue: SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Destarte, não há como prosperar tal alegação. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, para afastar a qualificação da multa, reduzindoa para 75%. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 148DF CARF MF Emitido em 08/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO Assinado digitalmente em 30/05/2011 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, 31/05/2011 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011281/2007-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/1999 a 30/09/2006
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO DEIXAR DE INCLUIR REMUNERAÇÃO DE SEGURADO EM FOLHA DE PAGAMENTO
Toda empresa está obrigada a preparar folha de pagamento das remunerações pagas ou creditada a todos os segurados a seu serviço.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2301-002.180
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Adriano Gonzales Silverio, Bernadete De Oliveira Barros, Damião Cordeiro De Moraes, Mauro Jose Silva, Wilson Antonio De Souza Correa. Ausência momentânea: Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 1DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 05/03/2007, por ter deixado a empresa acima identificada de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, infringindo, dessa forma, o art. 32, inciso I, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, inciso I e § 9o, Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 04), a empresa deixou de incluir, em folhas de pagamento, as remunerações de segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços. A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0215.609, da 8a Turma da DRJ/BHE, (fls. 36), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 45 ), alegando, em síntese, o que se segue. Preliminarmente, alega decadência e inexigibilidade do depósito recursal. No mérito, reafirma que existem valores identificados no anexo I do Relatório Fiscal 37.070.4614, que se referem a doações feitas pela Igreja a pessoas físicas e pagamentos realizados a ministros de confissão religiosa (pastores, missionários, seminaristas e obreiros), para o seu sustento e o de sua família, sendo que não existe previsão legal de que tais valores devam ser incluídos nas folhas de pagamento ou na GFIP, como pretende a representante fiscal. Sustenta que os benefícios recebidos em dinheiro ou in natura pelos eclesiásticos não são retributivos, não sendo, portanto, remuneratórios ou salariais, não se referindo a serviços prestados contidos em contratos de emprego ou de trabalho. Reitera que as contribuições previdenciárias dos exercícios de 1999, 2000 e 2001 foram alcançadas pela decadência, e que a cobrança de contribuição ao SEBRAE e AO INCRA é inconstitucional. Alega que a cobrança de multas vinculadas à apresentação de documentos é indevida, uma vez que, na ocasião, a Igreja contribuiu espontaneamente com a fiscalização, apresentando os livros caixa, razão contábil e demais documentos solicitados, à exceção do Livro Diário, como também é improcedente a utilização no trabalho fiscal do método de aferição indireta, com cobrança de contribuições com base em médias, estimativas e suposições de recebimentos. Insiste na realização de perícia, sob pena de contrariar os princípios do contraditório e da ampla defesa e os direitos e garantias fundamentais da autuada, previstos na no artigo 5°,LV, da CF/88, e elenca os quesitos e nomeia o perito para sua realização. É o relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.011281/200752 Acórdão n.º 230102.180 S2C3T1 Fl. 62 3 Voto Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, Relatora. O recurso é tempestivo e todos os requisitos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. Preliminarmente, a autuada alega inexigibilidade do depósito prévio. De fato, plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários ns. 390.513 e 389383, declarou a inconstitucionalidade dos §§ 1º e 2º do artigo 126 da Lei n. 8213/91, cujos acórdãos possuem a seguinte ementa: “RECURSO ADMINISTRATIVO – DEPÓSITO §§ 1º E 2º DO ARTIGO 126 DA LEI Nº 8.213/1991 – INCONSTITUCIONALIDADE. A garantia constitucional da ampla defesa afasta a exigência do depósito como pressuposto de admissibilidade de recurso administrativo.” A situação acima aplicase ao caso concreto e o efeito erga omnes somente se daria após a publicação de Resolução do Senado Federal conforme dispõe o inciso X do artigo 52 da Constituição Federal. Ocorre que o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria 256, de 22/06/2009, prevê, em seu artigo 62, parágrafo único, inciso I, o seguinte: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; Portanto, com amparo no dispositivo acima, acato a preliminar de inexigibilidade do depósito prévio. Em relação à decadência, razão não assiste à recorrente, uma vez que restou claro, nos autos, que o auto objeto da discussão administrativa foi lavrado pelo fato de a recorrente não ter incluído, em folha de salário, os pagamentos efetuados a contribuintes individuais que prestaram serviços à entidade, listados pela fiscalização nos anexos ao AI. A penalidade pela infração descrita acima é um valor que independe do montante que deixou de ser declarado ou do número de empregados ou competências em que a remuneração deixou de constar nas folhas de pagamento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Assim, basta a empresa deixar de informar a remuneração de um segurado a seu serviço e em uma competência não alcançada pela decadência para que fique configurada a infração à legislação previdenciária. No mérito, a recorrente insiste em afirmar que existem valores identificados no anexo I do Relatório Fiscal 37.070.4614, que se referem a doações feitas pela Igreja a pessoas físicas e pagamentos realizados a ministros de confissão religiosa (pastores, missionários, seminaristas e obreiros), para o seu sustento e o de sua família, sendo que não existe previsão legal de que tais valores devam ser incluídos nas folhas de pagamento ou na GFIP, como pretende a representante fiscal. Todavia, a empresa não comprovou que os segurados relacionados no Anexo I, do Auto de Infração, tratamse de beneficiários de doações ou de ministros de confissão religiosa. Em nenhum momento a autoridade fiscal ou o julgador de primeira instância defendeu que os benefícios recebidos em dinheiro ou in natura pelos eclesiásticos integram o salário de contribuição. Pelo contrário, o Relator do Acórdão combatido deixou muito claro que não foram lançadas quaisquer contribuições relativas a pagamentos efetuados a ministro de confissão religiosa a partir de 01/2001, tendo em vista o disposto no §13 do artigo 22 da Lei 8.212/91, acrescentado pela Lei 10.170 de 29/12/00, sendo que os contribuintes individuais são, em sua maioria, segurados que prestaram serviço à empresa como missionários. Cumpre ressaltar que o auto em tela foi lavrado por descumprimento da obrigação acessória de preparar folhas de pagamento com as remunerações pagas a todos os segurados a serviço da empresa, consoante à determinação contida no art. 32, I, da Lei 8.212/91. A Lei é clara ao determinar que a remuneração paga aos segurados deverá constar da folha de pagamento, ou seja:: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Assim, toda empresa é obrigada a preparar as folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas emanados dos órgãos competentes, encarregados da fiscalização e arrecadação das contribuições previdenciárias. Como já exposto anteriormente, a multa aplicada pelo descumprimento da obrigação acessória descrita acima é um valor que independe do número de segurados que não tiveram suas remunerações declaradas nas folhas de pagamento. Assim, basta a empresa deixar de informar, em folha, apenas a remuneração de um contribuinte individual que tenha lhe prestado serviços para que fique configurada a infração. Dessa forma, houve infração à legislação previdenciária e como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância Fl. 4DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.011281/200752 Acórdão n.º 230102.180 S2C3T1 Fl. 63 5 ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Portanto, verificase que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada Vale observar, ainda, que não procedem as alegações da recorrente de que a penalidade é “composta principalmente por juros calculados pela taxa SELIC, multas e contribuições que já caducaram”, uma vez que, ao contrário do que entende a entidade, sobre a penalidade aplicada por meio do Auto de Infração não incide juros à taxa SELIC, e a multa para esse tipo de infração é um valor fixo, que, reiterase, independe do número de competências em que a empresa deixou de informar as remunerações dos segurados. Portanto, verificase, sim, que a autoridade autuante identificou, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrou, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Assim, o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria e, como houve omissão em folha em competências não alcançadas pela decadência, rejeito a preliminar de decadência. Relativamente aos argumentos de inconstitucionalidade da cobrança de contribuição ao SEBRAE e AO INCRA, cumpre reiterar o que já foi oportunamente esclarecido pelo julgador de primeira instância, tais matérias são totalmente estranhas e impertinentes ao AI ora discutido. A recorrente deve demonstrar seu inconformismo em relação a tais exações nos autos que discutem a NFLD que lançou tais contribuições. Da mesma forma, as alegações de que a Igreja contribuiu espontaneamente com a fiscalização, apresentando os documentos solicitados, e de que é improcedente a utilização do método de aferição indireta, não são capazes de desconstituir a multa lançada por descumprimento da obrigação acessória de elaborar folhas de pagamento com as remunerações pagas a todos os contribuintes individuais a serviço da entidade. A notificada insiste na produção de prova pericial, que foi indeferida com muita propriedade pelos julgadores de primeira instância, que constataram a desnecessidade de realização de perícia tendo em vista que a recorrente não demonstrou que a elucidação do caso dependeria de conhecimentos técnicos especializados. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Ademais, todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ser comprovadas por meio da juntada de prova documental pela autuada, conforme disposto no relatório IPC (fls. 02/03) e ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Porém, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. Apenas alega, mas não prova, que as pessoas físicas constantes do Anexo I, do AI seriam beneficiários de doações ou ministros de ministros de confissão religiosa. Porém, não basta alegar. A parte que não produz prova, convincentemente, dos fatos alegados, sujeitase às conseqüências do sucumbimento, porque não basta alegar. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados pela fiscalização e pela recorrente. Daí a necessidade de se juntar aos autos elementos comprobatórios dos fatos alegados. O art. 18, da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Dec. 70.235/72), estabelece: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Dessa forma, não tendo sido demonstrada pela recorrente a necessidade da realização de perícia, não se pode acolher a alegação de cerceamento de defesa pelo seu indeferimento Assim, indeferese o pedido de perícia, por considerála prescindível e meramente protelatória. Nesse sentido, Voto por de CONHECER DO RECURSO e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto Bernadete de Oliveira Barros Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10680.011281/200752 Acórdão n.º 230102.180 S2C3T1 Fl. 64 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 22/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 18 /08/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2011 por MARCELO OLIVEIRA
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