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Numero do processo: 10935.002619/2007-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para
a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do
recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei
Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.289
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ALEXANDRE GOMES
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PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de cinco anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Walber José da Silva Presidente. Alexandre Gomes Relator. EDITADO EM: 05/12/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes (Relator) e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Curitiba: Trata o processo de pedido de restituição (apresentado por meio de formulário) de contribuição para o PIS/Pasep, fl. 01, protocolizado em 15/06/2007, o qual, consoante planilhas e demonstrativos de fls. 06/26, corresponde a retenções efetuadas nos meses de julho de 1997 a fevereiro de 1999, no montante atualizado de R$ 102.525,07. À fl. 01, no quadro destinado à descrição do motivo do pedido constam os seguintes esclarecimentos: "Restituição do Pasep retido sobre o FPM — Fundo de Participação dos Municípios' no período de junho/1997 a fevereiro/1999, em face de sua inexigibilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.2) impossibilita sua utilização não aceitando a data do fato gerador do crédito passados de cinco anos." Às fls. 02/04, procuração e documentos pessoais do representante do Município encaminhado para análise (fl. 27), apurouse que, com base no referido crédito, o ente federativo também havia transmitido, eletronicamente, em 20/06/2007, 20/07/2097, 16/08/2007, 15/09/2007 e 11/10/2007 as Declarações de Compensação nº 15515.05964.200607.1.3.04 8788, 40479.32147.200707.1.3.044382, 24143.00 95.169807.1.3.049739, 13955.11080.150907.1.3.047400, 39150.3199.111007.1.3.044100, pleiteando a compensação de débitos de PIS/Pasep dos períodos de maio (R$ 3.500,00), junho (R$ 5.630,51), julho (R$ 4.500,00), agosto (R$ 5.000,00) e setembro (R$ 5.300,00) de 2007, no valor total de R$ 23.930,51 (fls. 28/48). Em 01/11/2007, após análise, o pedido foi indeferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cascavel/PR, despacho decisório às fls. 51/54, em face da decadência do direito, a teor dos arts. 165 e 168 do CTN. Consequentemente, não foram homologadas as compensações pleiteadas. Inconformada com a decisão proferida, da qual foi cientificada em 09/11/2007 (fls. 55/56), a interessada, por intermédio de procurador, interpôs, em 27/11/2007, a manifestação de inconformidade de fls. 57/70, instruída com os documentos de fls. 71/74 (procurações e cópias de documentos pessoais de mandatários), cujo teor é sintetizado a seguir. Primeiramente, após relato sucinto dos fatos, discorre sobre a ineficácia das medid1as pro1visórias não convertidas em lei e conclui que a MP n° 1.212, de 1995, "não revela os predica1mentos da urgência e relevância." Fl. 118DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.002619/200746 Acórdão n.º 330201.289 S3C3T2 Fl. 2 3 Disserta sobre a ilegalidade da MP n° 1.212, de 1995, e suas reedições, e diz que "no período compreendido entre outubro de 1995 até fevereiro de 1999, pode ser recuperada a totalidade dos recolhimentos feitos a título de PASEP, haja vista que não havia norma legal a exigir a exação, muito menos através da LC 8/70, em respeito à vedação da repristinação em nosso ordenamento jurídico." Fala sobre o posicionamento do Supremo Tribunal Federal em relação à legislação tributária e às medidas provisórias e, após análise das medidas editadas, conclui que a Lei n° 9.715, de 1998, deve operar como lei primitiva, cuja entrada em vigor, respeitandose a anterioridade nonagesimal, teria ocorrido somente em 24/02/1999. A seguir, discorre sobre o prazo decadencial. Defende; a tese dos "5 + 5 anos", transcreve posicionamento da jurisprudência e conclui que em relação aos pagamentos efetuados anteriormente a 09/06/2005 o prazo de restituição 'seria de dez anos contados da data do pagamento ou até 09/06/2010, "valendo o prazo que vier antes.'" Ao final, requer a reforma do despacho decisório e, consequentemente, o deferimento da restituição e a homologação das compensações vinculadas. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PIS/PASEP. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2007 a 30/09/2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO NÃO PASSÍVEL DE RESTITUIÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. A compensação de débitos com crédito que não é passível de restituição que não é passível de não pode ser homologada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório Fl. 119DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Voto Conselheiro Alexandre Gomes, Relator Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição protocolado em 15/06/2007 relacionado a supostos pagamentos indevidos de PIS no período de 01/07/1997 a 28/02/1999, alegando se tratar de "Restituição do Pasep retido sobre o FPM — Fundo de Participação dos Municípios no período de junho/1997 a fevereiro/1999, em face de sua inexigibilidade em razão da não conversão em lei da Medida Provisória 1212/95 e suas reedições. Pedido de restituição está sendo feito em processo administrativo pois o programa pedido eletrônico de ressarcimento ou restituição e declaração de compensação (Per/Dcomp — versão 3.2) impossibilita sula utilização não aceitando a data do fato gerador do crédito passados de cinco anos." Tanto a DRF quanto a DRJ indeferiram o pedido de restituição, e por conseqüência os pedidos de compensação anexados, por entenderem que o prazo para a restituição de tributos pagos a maior era de 5 anos, a contar do recolhimento indevido ou a maior. Não houve análise por parte das autoridades administrativas em relação ao mérito do pedido de restituição, ou seja, em relação a existência ou não de pagamentos a maior ou indevidos. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada Fl. 120DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.002619/200746 Acórdão n.º 330201.289 S3C3T2 Fl. 3 5 a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 6 pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Como é de conhecimento geral ao julgador administrativo é vedado declarar a inconstitucionalidade de norma tributária vigente, como é o caso do art. 4º da Lei Complementar 118/05, até que haja manifestação plenária do Supremo Tribunal Federal. É o que se extrai do disposto no art. 62 do Regimento Interno do CARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para Fl. 122DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10935.002619/200746 Acórdão n.º 330201.289 S3C3T2 Fl. 4 7 repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 15/06/2007, estando assim submetido ao prazo de 5 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 07/1997 a 02/1999, estão todos atingidos pela prescrição. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça Fl. 123DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA 8 em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Por todo o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Alexandre Gomes Fl. 124DF CARF MF Impresso em 23/02/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 13/02/201 2 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 10865.001074/2001-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 09 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL COFINS
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000
COFINS. VENDA A VAREJO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA A
PARTIR DE SETEMBRO DE 1999. RESSARCIMENTO OU
COMPENSAÇÃO.
Ocorrendo pagamento indevido de tributo ou contribuição, tem o contribuinte
direito à repetição do indébito, inclusive no regime de substituição tributária.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/06/2000
RESTITUIÇÃO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA.
Incide a Selic sobre a restituição de valores recolhidos a maior no regime de
substituição tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.284
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000 COFINS. VENDA A VAREJO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA A PARTIR DE SETEMBRO DE 1999. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. Ocorrendo pagamento indevido de tributo ou contribuição, tem o contribuinte direito à repetição do indébito, inclusive no regime de substituição tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/09/1999 a 30/06/2000 RESTITUIÇÃO. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. Incide a Selic sobre a restituição de valores recolhidos a maior no regime de substituição tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente Fl. 225DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 2 2 (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de retorno de diligência aprovada pela Resolução no 20100.697, de 21 de junho de 2007, da antiga 1ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes (fls. ), cujo relatório foi o seguinte: Tratase de recurso voluntário (fls. 74 a 91) apresentado contra o Acórdão n. 1414.508, de 18 de dezembro de 2006, da DRJ em Ribeirão Preto / SP (fls. 66 a 71), que indeferiu a manifestação de inconformidade da interessada, quanto a pedido de restituição de Cofins (fl. 1), apresentado em 10 de agosto de 2001, relativamente aos períodos de julho de 1999 a junho de 2000, acompanhado de pedido de compensação com débitos “vincendos” e “a apurar” da própria Cofins (fl. 2). A ementa do acórdão de primeira instância foi a seguinte: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins “Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000 “SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. RESTITUIÇÃO / COMPENSAÇÃO. “A restituição e/ ou a compensação de Cofins paga sob o regime de substituição tributária, na aquisição de gás liquefeito de petróleo, está condicionada à comprovação de que a contribuição foi efetivamente apurada, retida e recolhida pelo substituto. “Solicitação Indeferida” O pedido foi objeto de despacho decisório da autoridade local (fls. 34 a 37), comunicado à interessada em 4 de agosto de 2006, que considerou que “A restituição de que trata o art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 6, de 29 de janeiro de 1999, diz respeito somente à aquisição de gasolina automotiva e óleo diesel”. A DRJ considerou que, “No presente caso, além dos valores reclamados se referirem às aquisições de GLP cujo ressarcimento não tem amparo na legislação que instituiu o regime de substituição tributária nem na instrução normativa transcrita acima, a interessada não comprovou a efetiva retenção da contribuição apurada sob aquele regime tributário, Fl. 226DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 3 3 por parte do distribuidor. Sequer apresentou as notas fiscais de aquisição do GLP cujo ressarcimento de Cofins pleiteia.” Por fim, considerou que a apuração teria sido efetuada de forma incorreta. No recurso, esclareceu o interessado que desenvolveria “a atividade mercantil no setor de fabricação de azulejos e pisos” e que, “para a industrialização de seus produtos”, utilizaria “como um de seus principais insumos o Gás Liquefeito de Petróleo – GLP”, que, “em decorrência da grande quantidade de combustível”, seria adquirido “diretamente de distribuidores de combustíveis, ou seja, no atacado”. Como a Cofins incidiria sob o regime de substituição tributária, em face das disposições da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, o titular do direito de crédito decorrente da retenção a maior da contribuição seria o adquirente. Quando houvesse retenção a maior da contribuição, a Instrução Normativa SRF nº 6, de 1999, teria resguardado o direito de ressarcimento das diferenças ao consumidor final, relativamente à gasolina e ao óleo diesel. Entretanto, segundo o recorrente, a não inclusão do GLP deveuse ao fato de que, na data de sua edição, “não existia o regime de substituição tributária para as operações com GLP”. Mencionou decisão em processo de consulta da Superintendência Regional da Receita Federal da 6ª Região, segundo a qual “Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores do PIS, pagos por substituição tributária na hipótese de aquisição de gasolina automotiva, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo GLP diretamente à distribuidora”. A situação teria permanecido até anteriormente a 1º de julho de 2000 e as notas fiscais não teriam sido apresentadas em razão da “necessidade de autenticação das mesmas, as quais são em grande quantidade”, tendo o recorrente aguardado “notificação para apresentação das mesmas, ou que em procedimento de diligência a autoridade fiscal verificasse tais documentos na sede da empresa, o que não foi feito”. A decisão da DRJ, assim, feriria o princípio constitucional na Razoabilidade e o bom senso, uma vez que o tratamento dado ao GLP não poderia ser distinto do dado à gasolina e ao óleo diesel. A seguir, analisou aspectos relativos à compensação de tributos, para considerar insubsistente a nota constante do acórdão de primeira instância de que não teriam sido juntados aos autos pedidos de compensação ou declarações de compensação. Segundo o recorrente, os valores compensados foram declarados em DCTF, vinculados a compensação em processo administrativo, e tratouse de compensação entre contribuições da mesma espécie. Fl. 227DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 4 4 A declaração dos valores não seria exigida pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 1997, e a IN SRF nº 210, de 2002, não poderia ser aplicada retroativamente. Segundo o recorrente, a apuração teria sido efetuada nos termos da IN SRF nº 6, de 1999, arts. 6º, § 2º, e 2º, parágrafo único. A diligência foi aprovada nos seguintes termos: O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Conforme esclarecido no relatório, a autoridade local indeferiu o pleito em razão de inexistência de previsão normativa. A DRJ destacou que o regime de substituição para o gás liquefeito de petróleo vigeu a partir de 1º de outubro de 1999 e que não haveria previsão legal ou normativa para o ressarcimento, uma vez que a lei que instituiu a substituição nada dispôs sobre o ressarcimento, que foi instituído pela IN SRF nº 6, de 1999, relativamente às vendas de gasolina automotiva e de óleo diesel. Ademais, ressaltou o acórdão que o pedido deveria ter sido acompanhado da comprovação do direito, que o método adotado na apuração seria equivocado e que os pedidos de compensação não teriam sido apresentados de forma correta. Há que se notar que a edição da Instrução Normativa SRF nº 6, de 29 de janeiro de 1999, ocorreu concomitantemente à exclusão, pela MP nº 1.807, de 28 de janeiro de 1999, do gás liquefeito de petróleo do regime de substituição tributária. Quando a substituição tributária para o GLP foi novamente criada, não houve alteração na redação da IN. Entretanto, o direito ao ressarcimento foi previsto pela IN SRF nº 6, de 1999, mas não poderia ter sido por ela criado. Se a IN regulou o direito de ressarcimento e regulou o critério de sua apuração, então se deve pressupor que o direito resultou das disposições legais, no caso específico regulado pela IN, que diz respeito tãosomente “ao consumidor final, pessoa jurídica”, que adquire os combustíveis diretamente da distribuidora. Nesse contexto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, para que a interessada seja intimada a demonstrar, relativamente ao período em que vigeu o regime de substituição tributária, o direito alegado, nos termos do art. 6º da Instrução Normativa SRF nº 6, de 2000, especialmente no que diz respeito à base de cálculo e à situação de ser consumidora do combustível. A interessada poderá ser intimada a apresentar à Fiscalização ou a colocar a sua disposição os documentos que se fizerem necessários, apresentando também demonstrativo de apuração. Fl. 228DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 5 5 Após a diligência, a Fiscalização deverá dar ciência do relatório ao contribuinte, para que apresente resposta no prazo de trinta dias. Intimada (fl. 121), a Interessada apresentou a documentação de fls. 122 a 173. No despacho de fls. 174 a 183, a Seort/DRF/Limeira informou haver efetuado confrontação entre as notas fiscais apresentadas e os arquivos magnéticos apresentados. A Interessada foi cientificada do despacho e apresentou a resposta de fls. 186 a 191, por meio da qual discordou do período de início de abrangência do direito, considerado o dia 4 de outubro de 1999 pelo despacho. Segundo a Interessada, nos termos o art. 22 da Medida Provisória no 1.8586, publicada em 30 de junho de 1999, essa seria a data de entrada em vigor das suas disposições. Não se aplicaria ao caso o prazo do art. 195, § 6º, da Constituição Federal, por se tratar apenas de mudança de regime de arrecadação e não de nova exigência. Ademais, discordou do fator de multiplicação (2,2) utilizado na apuração. Segundo a Interessada, deveria ser levado em conta o disposto no art. 6º, § 2º, da Instrução Normativa SRF no 6, de 1999, que se referiu ao parágrafo único do art. 2º, que previu a multiplicação por quatro do preço da refinaria, no caso da gasolina automotiva. Por fim, requereu a aplicação da taxa Selic. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. A principal alegação da Interessada é de que a Medida Provisória n. 1.8586, de 29 de junho de 1999, teria abrangido o período posterior a julho de 1999. Dispunha o art. 4º da mencionada MP: Art.4o O disposto no art. 4o da Lei no 9.718, de 1998, aplicase, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo GLP. Entretanto, a mencionada MP entrou em vigor apenas a partir de setembro de 1999, por conta da anterioridade nonagesimal. No caso, não importa que a Interessada discorde do posicionamento oficial da Receita Federal, uma vez que tendo esse posicionamento sido externado, a retenção não ocorreu anteriormente a esse período (como exemplo, citese http:// www.receita.fazenda.gov.br/ pessoajuridica/ dipj/ 2000/ Orientacoes/ COFINSgerais.htm). Fl. 229DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 6 6 Ademais, a recorrente não prova que a refinaria tenha descumprido esta disposição constitucional e iniciado a retenção e recolhimento do PIS antes do prazo legal, especialmente nas operações objeto do pedido de restituição. A situação do GLP não se assemelha totalmente à do óleo diesel e à da gasolina automotiva, em que a substituição tributária, na saída da refinaria, referese à venda do distribuidor para o posto de combustíveis e à do posto de combustíveis ao consumidor final. Nesse caso, há no mínimo três incidências das contribuições sociais: saída da refinaria, saída do distribuidor (primeira substituição) e saída do posto (segunda substituição). Se a pessoa jurídica adquire o combustível diretamente do distribuidor, torna se indevida a incidência relativa à saída do posto. No caso do GLP, pode ocorrer o envasamento para venda a varejo, que normalmente ocorre na distribuidora. Então, o gás envasado é vendido à revenda. As disposições sobre substituição tributária, entretanto, somente foram alteradas posteriormente. Até MP 18075 não havia previsão de substituição para o GLP: Art. 4o O disposto no art. 4o da Lei no 9.718, de 1998, aplicase, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva e óleo diesel. Depois, com a MP 18586 já citada, a substituição vigorou de setembro de 1999 até a MP no 1.99118, de 9 de junho de 2000, publicada no DOU em 10 de junho de 2000: Art. 4o O disposto no art. 4o da Lei no 9.718, de 1998, aplicase, exclusivamente, em relação às vendas de gasolina automotiva, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo GLP. Parágrafo único. Nas vendas de óleo diesel ocorridas a partir de 1o de fevereiro de 1999, o fator de multiplicação previsto no parágrafo único do art. 4º da Lei no 9.718, de 1998, fica reduzido de quatro para três inteiros e trinta e três centésimos. Portanto, a substituição tributária vigorou em relação ao GLP até a publicação da MP no 1.99118, de 09 de junho de 2000, que determinou o seguinte: Art. 4o O disposto no art. 4o da Lei no 9.718, de 1998, em sua versão original, aplicase, exclusivamente, em relação às vendas de gasolinas, exceto gasolina de aviação, óleo diesel e gás liquefeito de petróleo GLP. Não obstante, a Receita Federal admitiu somente a possibilidade do que chamou de ressarcimento das contribuições em relação à gasolina e ao óleo Diesel. Vejase que a apuração da base de cálculo das duas substituições tributárias, que se dava pela multiplicação do fator “4” (em relação ao óleo Diesel, passou a ser 3,3), foi estabelecida igualmente em relação ao GLP, portanto, a refinaria submetiase às mesmas regras, quer em relação ao GLP, quer em relação à gasolina e ao óleo Diesel. Fl. 230DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO Processo nº 10865.001074/200136 Acórdão n.º 330201.284 S3C3T2 Fl. 7 7 Entretanto, a IN SRF no 6, de 1999, somente previu o ressarcimento de uma das etapas (venda ao varejista), quando o combustível fosse adquirido diretamente do distribuidor, aplicandose, assim, o fator de 2,2, quanto à gasolina e ao óleo Diesel, deixando, sem explicação, o GLP de lado. Embora se refira a ressarcimento, na realidade tratase de restituição, uma vez que o substituído tributário é o contribuinte, enquanto que o substituto é o responsável pela antecipação do recolhimento do tributo. A IN, portanto, reconheceu como parte legítima para receber os valores pagos a maior o contribuinte de direito (não se trata apenas de contribuinte de fato, como ocorre nos casos dos tributos indiretos). Embora o tema seja controverso na doutrina, tratase de uma interpretação plenamente admissível, uma vez que é possível identificar o titular do direito de crédito e sua liquidez e certeza, à vista das instruções expedidas pela própria RFB. Nesse contexto, independentemente da IN, o sujeito passivo (aquele que efetivamente arcou com o encargo financeiro do tributo indevido ou a maior do que o devido) tem direito à restituição, na forma prevista no CTN. Por fim, a Interessada contestou a apuração efetuada na diligência, alegando incidir os juros Selic. Conforme já esclarecido anteriormente, embora a IN denomina o pedido como ressarcimento, na realidade se trata de restituição. Portanto, cabe a incidência de juros compensatórios. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à ressarcimento da Interessada, nos termos do que foi apurado na diligência, incidindo ainda os juros Selic. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 231DF CARF MF Emitido em 08/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 07/12/20 11 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Numero do processo: 13971.000046/2004-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 06 00:00:00 UTC 2011
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004
COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM OUTRO
PROCESSO JUDICIAL VINCULAÇÃO
Aplicase
ao processo em que se discute o débito, a decisão definitiva que foi
proferida nos autos em que se debate o crédito utilizado na compensação. A
vinculação entre os processos é indiscutível e não pode ser ignorada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-001.252
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Presente ao julgamento, a
Dra. Ingrid Karol Cordeiro Moura, OAB/PR 41486.
Nome do relator: FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Recorrida FAZENA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 COMPENSAÇÃO DE CRÉDITO EM DISCUSSÃO EM OUTRO PROCESSO JUDICIAL VINCULAÇÃO Aplicase ao processo em que se discute o débito, a decisão definitiva que foi proferida nos autos em que se debate o crédito utilizado na compensação. A vinculação entre os processos é indiscutível e não pode ser ignorada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Presente ao julgamento, a Dra. Ingrid Karol Cordeiro Moura, OAB/PR 41486. Walber José da Silva Presidente. Fabiola Cassiano Keramidas Relatora EDITADO EM: 07/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas (Relatora), Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Fl. 75DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 2 Relatório Trata o presente processo de aproveitamento de créditos decorrentes de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI objeto do processo n° 13971.000286/98 75. Consta declaração de compensação de débitos às fls. (fls. 01) no valor total de R$ 20.000,00. Às fls. 12/14, consta Despacho Decisório no qual a autoridade administrativa deixou de homologar as declarações de compensação em razão da inexistência de crédito, uma vez que o processo administrativo nº 13971.000286/9875, que discute o crédito, foi analisado pela DRF, tendo a conclusão sido pela procedência parcial. Neste sentido e por retratar a realidade dos fatos, passo a transcrever trecho do relatório da decisão de primeira instância administrativa, verbis: “A Autoridade Fiscal da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Blumenau, através do despacho decisório de fls. 12/14, de 21/01/2004, decidiu por não homologar a declaração de compensação, em razão da inexistência do alegado crédito, pois o pedido de ressarcimento formulado e analisado no processo n° 13971.000286/9875 foi parcialmente deferido, tendo a interessada recebido correspondência com o teor da decisão em 17/12/2003. Irresignada com a decisão administrativa de cujo teor teve ciência em 26/01/2004, conforme aviso de recebimento nos autos, a contribuinte ofereceu a manifestação de inconformidade de fls. 20/26, alegando, em síntese, que não existem motivos para o indeferimento das compensações, posto que, protocolou manifestação de inconformidade nos autos do processo n° 13971.000286/9875, estando o mesmo em pleno andamento processual. Deste modo, ao final requer a reforma do despacho decisório para que seja acatada a compensação efetuada.” Após analisar as razões da Recorrente, a Segunda Turma da Delegacia de Julgamento de Ribeirão Preto proferiu o acórdão nº 1423.297 fls. 45/48, por meio do qual manteve o despacho administrativo nos exatos termos que foi proferido, a saber: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/01/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. A homologação da compensação, quando o direito creditório reclamado é proveniente de outro processo administrativo, só é reconhecida quando o direito creditório reclamado for reconhecido como líquido e certo. Solicitação Indeferida.” Registrase que o mérito do recurso apresentado pela Recorrente, que discutia o direito ao crédito de ressarcimento de IPI, sequer foi analisado pela DRJ, posto que objeto de outro processo administrativo, a saber: Fl. 76DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.000046/200425 Acórdão n.º 330201.252 S3C3T2 Fl. 2 3 “Voto A manifestação de inconformidade, tempestivamente apresentada, cumpre os pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações posteriores. Portanto, dela tomo conhecimento. A origem do crédito indicado na declaração de compensação de fl. 01 está no pedido de ressarcimento de IPI formalizado no processo n° 13971.000286/9875. Assim, a homologação ou não da declaração de compensação está na total dependência do que for decidido naquele processo. Há que se observar que o direito creditório com base no qual a contribuinte efetuou as compensações é matéria estranha ao presentes autos, não cabendo aqui nenhuma manifestação a seu respeito, eis que se trata de matéria já apreciada e decidida no âmbito do processo n° 13971.000286/9875. Aqui, cabe apenas dar conseqüência ao decidido naqueles autos. Em pesquisa ao sitio do Conselho de Contribuintes, a respeito da situação atual do processo n° 13971.000286/9875, verificase que a contribuinte teve seu recurso negado pelo Segundo Conselho de Contribuintes, e posteriormente, pela Câmara Superior. Assim, a pretensão da contribuinte, de ter deferido totalmente seu pedido de ressarcimento, não foi acolhida.” Irresignada, a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 50/56, por meio do qual reiterou as alegações realizadas em sua inconformidade, atinentes à existência de crédito tributário em seu favor e principalmente, no que se refere à impossibilidade dos autos serem decididos antes do processo nº 13971.000286/9875 ser julgado definitivamente, uma vez que o direito creditório está sendo discutidos naqueles autos. Neste aspecto, alega a Recorrente que a manutenção da decisão de primeira instância administrativa significa a não homologação da compensação efetuada e que tal fato está vinculado à existência do crédito. Em virtude da evidente conexão, anexei aos autos os acórdãos nº 20178510 e 202124590, proferidos nos autos do mencionado processo nº 13971.000286/9875. É o relatório. Voto Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se depreende dos termos do relatório, é indiscutível que o Recurso Voluntário apresentado está vinculado a outro processo administrativo, sendo que não há meios de concluir pela procedência da compensação sem que a existência e o valor do crédito seja decidido definitivamente. Fl. 77DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Com razão a Recorrente quando alega que a simples não homologação da compensação é concluir pela inexistência do crédito, o que não está sendo discutido nestes autos. Em virtude destes fatos trouxe à colação as decisões proferidas nos autos do processo administrativo nº 13971.000286/9875. A primeira decisão referese ao julgamento pela Turma Ordinária do Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte, na intenção de reverter a decisão que lhe foi parcialmente favorável, garantindo apenas parte do crédito solicitado (R$ 647.914,05) e indeferindo o ressarcimento do crédito presumido relativo à contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins incidentes sobre prestação de serviço de industrialização por encomenda, energia elétrica, combustíveis industriais e lubrificantes industriais. O recurso do contribuinte foi indeferido e restou da seguinte forma ementado: “IPI CRÉDITO PRESUMIDO. CÁLCULO DO INCENTIVO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. CUSTO DO SERVIÇO. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo ser incluído, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. CONCEITO DE MATÉRIAPRIMA OU PRODUTO INTERMEDIÁRIO. Somente podem ser considerados como matériaprima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. O cálculo do beneficio deve ser realizado com base na receita bruta de exportação de mercadoria nacional para o exterior. A variação cambial ativa de contrato de câmbio vinculado à exportação é receita financeira e não integra a receita de exportação. Recurso negado.” Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF – na intenção de reverter a decisão que lhe foi desfavorável sem, contudo, obter êxito, verbis: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI INCLUSÃO, ENTRE AS AQUISIÇÕES DE INSUMOS, DE PRODUTOS QUE NÃO SE ENQUADRAM NOS CONCEITOS DE MATÉRIAS PRIMAS, PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS NA LEGISLAÇÃO DO IPI Fl. 78DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 13971.000046/200425 Acórdão n.º 330201.252 S3C3T2 Fl. 3 5 Para enquadramento no beneficio, somente se caracterizam como matériaprima e produto intermediário os produtos que se integram ao produto final, ou que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre ele, no processo de fabricação. A energia elétrica utilizada como fonte de iluminação, de calor ou força motriz, os combustíveis e os lubrificantes, por não atuarem diretamente sobre o produto final industrializado pela reclamante, não se enquadram nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. O crédito presumido do IPI diz respeito, unicamente, ao custo de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem, não podendo serem incluídos, em sua base de cálculo, os valores dos serviços de industrialização por encomenda. INCLUSÃO DE VARIAÇÃO CAMBIAL NA RECEITA DE EXPORTAÇÃO. Para efeito de cálculo do crédito presumido, por expressa determinação normativa, a receita de exportação deve ser apurada segundo o cambio vigente na data do embarque. Recurso Especial do Contribuinte Negado.” Uma vez adotada a premissa de que a sorte do presente processo, que nada mais é do que o débito decorrente da glosa da compensação realizada no processo administrativo nº nº 13971.000286/9875, que trata do crédito, nego provimento ao recurso apresentado pela Recorrente. Ante o exposto, é o presente para NEGAR PROVIMENTO, face à inexistência de crédito para a compensação. É como voto. FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Fl. 79DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Fl. 80DF CARF MF Emitido em 21/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por LEVI ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/11/201 1 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Assinado digitalmente em 14/11/2011 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 13362.000159/2004-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jun 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Exercício: 2003, 2004
Ementa:
VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DO VALOR A SER LANÇADO. POSSIBILIDADE.
Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve considerar (deduzir) os eventuais recolhimentos efetuados pelo contribuinte na sistemática do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.
Numero da decisão: 9101-001.037
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Matéria: IRPJ - AF- lucro presumido(exceto omis.receitas pres.legal)
Nome do relator: CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2003, 2004 Ementa: VALORES RECOLHIDOS NA SISTEMÁTICA DO SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DO VALOR A SER LANÇADO. POSSIBILIDADE. Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve considerar (deduzir) os eventuais recolhimentos efetuados pelo contribuinte na sistemática do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DEDUÇÃO DO VALOR A SER LANÇADO. POSSIBILIDADE. Para fins de determinação dos valores a serem lançados de ofício, a autoridade fiscal deve considerar (deduzir) os eventuais recolhimentos efetuados pelo contribuinte na sistemática do Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13362.000159/200407 Acórdão n.º 910101.037 CSRFT1 Fl. 148 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Claudemir Rodrigues Malaquias, Antônio Carlos Guidoni Filho, Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Viviane Vidal Wagner, Karen Jureidini Dias e Susy Gomes Hoffman (Vice Presidente). Relatório Com fundamento no art. 7º, inciso II do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF nº 147/07, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial em face do acórdão nº 10516.664, de 13.09.2007, proferido pela Quinta Câmara do antigo Primeiro Conselhos de Contribuintes, assim ementado, na parte que interessa à presente discussão: “COMPENSAÇÃO DARF/SIMPLES Para fins de determinação dos valores a serem lançados de oficio, a autoridade fiscal deve, antes, promover a subtração dos eventuais pagamentos efetuados pelo contribuinte no Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Recurso Provido parcialmente.” A presente autuação referese ao lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) promovido em decorrência do Ato Declaratório Executivo DRF/FLO nº 001, de 31 de março de 2004 (fls.18), que excluiu de ofício a contribuinte da sistemática do Simples a partir de 01.01.2002. No procedimento fiscal, que alcançou os anoscalendários 2002 e 2003, a fiscalização constatou divergências entre os valores declarados e os valores escriturados, oriundas da exclusão da autuada do regime de tributação simplificada, com efeitos a partir de janeiro de 2002, inclusive. Em sede de recurso especial, a Fazenda Nacional aponta divergência na interpretação da legislação atinente à compensação, sustentando que não é possível, pela autoridade fiscal o reconhecimento e utilização dos valores recolhidos indevidamente sob a sistemática do Simples para reduzir o montante a ser lançado de ofício. O acórdão recorrido acolheu o entendimento de que, com a exclusão da pessoa jurídica do Simples, com efeitos retroativos, são indevidos os pagamentos por ela feitos no período abrangido pela eficácia da ato declaratório de exclusão e, portanto, podem ser compensados com débitos apurados em lançamento de ofício. No seu apelo, a Fazenda Nacional demonstrou haver divergência entre o acórdão recorrido e o Acórdão nº 10807.169, de 17.10.2002, proferido pela antiga Oitava Câmara, o qual firmou o entendimento de que é “incabível a redução dos tributos lançados de ofício pela utilização de valores pagos a título de SIMPLES, porque em se tratando de recolhimentos indevidos, em virtude da exclusão do regime, eles só poderão ser considerados por meio de compensação com o crédito tributário lançado e após aval da autoridade local da Secretaria da Receita Federal”. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13362.000159/200407 Acórdão n.º 910101.037 CSRFT1 Fl. 149 3 Conforme Despacho nº 10500.128/2008 (fls. 132/133), o Presidente da Quinta Câmara do Primeiro Conselhos de Contribuintes deu seguimento ao recurso especial da Fazenda. Regularmente intimada, a contribuinte apresentou suas contrarrazões, onde sustenta a procedência do acórdão (fls. 138/141). É o breve relatório. Voto Conselheiro Claudemir Rodrigues Malaquias O recurso especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A questão a ser dirimida por este Colegiado limitase a saber se, nos casos de exclusão do contribuinte da sistemática do Simples, por ocasião do procedimento de fiscalização, na apuração dos valores a serem exigidos, a autoridade fiscal deve considerar os valores pagos indevidamente no período em que estava sob o regime, compensandoos com os valores a serem lançados de ofício. Entendo, no mesmo sentido que entendeu a decisão ora recorrida, que não assiste razão à Recorrente Fazenda Nacional, porquanto, dentro da melhor interpretação dada aos normativos vigentes, não há como não considerar no procedimento de ofício, os recolhimentos feitos pela contribuinte sob a sistemática do Simples. Conforme o disposto no art. 3º da Lei nº 9.317/1996, a adesão ao Simples implica o pagamento unificado de diversos tributos ali especificados, entre eles o IRPJ objeto da presente autuação. Assim, os valores que a Contribuinte recolheu a título de IRPJ, CSLL, Cofins e Pis/Pasep na sistemática do Simples, devem ser considerados (deduzidos), na determinação dos valores a ser objeto do auto de infração, quando se tratar de lançamento desses mesmos tributos e em relação aos fatos geradores ocorridos nos mesmos anos calendários. A apuração dos valores devidos, relativos aos períodos abrangidos pela exclusão do Simples, deve levar em conta e deduzir do crédito a ser constituído de ofício, os valores efetivamente recolhidos verificados nos DARF/Simples apresentados pela Contribuinte. In casu, a fiscalização deveria ter excluído dos valores lançados os recolhimentos efetuados pois, afinal, correspondem aos mesmos tributos pagos na sistemática do Simples. Em que pesem as alegações da Fazenda Nacional acerca dos limites legais à compensação tributária, no caso, não se trata de compensação propriamente dita, mas de mero critério de apuração do valor efetivamente devido, para fins de lavratura do auto de infração. Devese pontuar também que a consideração dos valores recolhidos feita no momento do lançamento de ofício, evita a geração de processos administrativos de pedidos compensação e um menor ônus para a Contribuinte e trâmite injustificável de processos no âmbito da Administração Pública. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 13362.000159/200407 Acórdão n.º 910101.037 CSRFT1 Fl. 150 4 Nesse sentido, entendo que pode este Colegiado, em respeito aos princípios da finalidade, razoabilidade e eficiência, todos previstos no caput do art. 2º da Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo federal, determinar que se proceda a apuração dos valores devidos, considerandose os valores recolhidos na sistemática do Simples, conforme bem decidiu a Câmara a quo, Por estas razões, NEGO provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) Claudemir Rodrigues Malaquias Relator Fl. 4DF CARF MF Emitido em 23/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Assinado digitalmente em 22/08/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, 08/07/2011 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 10950.002736/2005-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Dec 15 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004
Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA – POSSIBILIDADE. O atraso
pelo contribuinte na entrega da declaração, além do prazo
estipulado pela Receita Federal, acarreta a aplicação da
multa prevista na legislação de regência.
Numero da decisão: 9101-000.805
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Ausentes justificadamente os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias e Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Ausentes justificadamente os Conselheiros Claudemir Rodrigues Malaquias e Susy Gomes Hoffmann. (assinado digitalmente) CAIO MARCOS CANDIDO Presidente Substituto (assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto, Francisco Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre de Lima da Fonte Filho, Leonardo de Andrade Fl. 104DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 2 2 Couto, Karem Jureidini Dias, Antonio Carlos Guidoni Filho, Viviane Vidal Wagner, Valmir Sandri, Nelson Losso e João Carlos de Lima Junior. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Insigne Procurador da Fazenda Nacional, contra a decisão da Terceira Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, consubstanciada no Acórdão n° 30335.174, que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso e cancelou a penalidade imposta ao contribuinte por atraso na entrega da DCTF, conforme ementa a seguir: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 18/02/2005 DCTF PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SISTEMAS ELETRÔNICOS DA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL. O Ato Declaratório Executivo SRF n° 24, de 08 de abril de 2005, que estendeu o prazo estabelecido para a entrega da DCTF relativa ao 4° trimestre de 2004, e declarou válidas as declarações entregues até 18/02/2005, somente foi publicado no dia 12/04/2005. Logo, considerando que a publicidade do ato somente ocorreu em referida data, deve ser considerada tempestiva a entrega da DCTF no dia 24/02/2005. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO O recurso especial foi interposto com fulcro no artigo 7º, inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº Portaria MF n° 147/2007, trazendo, como paradigma, o acórdão n. 30338.631, que traz a seguinte ementa: Assunto. Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/09/2004 a 31/12/2004 Ementa: DECLARAÇÃO DE DÉBITOS E CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS FEDERAIS — DCTF MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. O atraso pelo contribuinte na entrega da declaração além do prazo estipulado pela Receita Federal, em razão do congestionamento de dados em seu site, acarreta a aplicação da multa prevista na legislação de regência. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO Após afirmar a identidade fática dos acórdãos confrontados, pois ambos tratam de atraso na entrega da DCTF do 4ª trimestre de 2004, argumenta o ilustre representante da Fazenda Nacional: Fl. 105DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 3 3 “... Sabese, nesse particular, que, por ocasião da apresentação da DCTF relativa ao 4° Trimestre de 2004, foram detectadas, no último dia do prazo de entrega — 15/02/2005, problemas técnicos no sistema eletrônico de envio da referida declaração. 16. Por essa razão e para maior segurança dos contribuintes, é que o Secretário da Receita Federal, em 08/04/2005, editou o Ato Declaratório Executivo de n° 24, com o que considerou, como apresentadas em 15/02/2005, as declarações transmitidas nos dias 16 a 18/02/2005, não se imputando aos contribuintes respectivos qualquer penalidade por atraso no referida entrega. É o que se observa do texto a seguir O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MI n° 30 de 25 de fevereiro de 2005, tendo em vista o disposto na Instrução Normativa SRF n° 255 de 11 de dezembro de 2002 e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 2005, nos sistemas eletrônicos desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara: Artigo único. As Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4 trimestre de 2004, que tenham sido transmitidas nos dias 16, 17 e 18 de fevereiro de 2005, serão consideradas entregues no dia 15 de fevereiro de 2005. " 17. No presente caso, a contribuinte apresentou a sua DCTF do 4º Trimestre no ano de 2004 em 24/02/2005 ou seja, após o termo do prazo final considerado pelo próprio ADE SRF n° 24, de 08/04/2005, caracterizando a mora no cumprimento da citada obrigação acessória. 18. Do mesmo modo, as justificativas apresentadas pela recorrida no sentido de que teria tentado protocolar a referida declaração perante a repartição pública competente por diversas vezes, o que teria sido negado pelo agente público competente, NÃO lhe socorre de nenhuma maneira. 19. Primeiro, porque não faz prova qualquer dos fatos que aduz, de modo a caracterizar eventual obstrução por parte da Administração tributária como causa do atraso na entrega da aludida DCTF; depois, porque, àquela época, a legislação tributária já havia elegido o meio eletrônico como forma exclusiva de transmissão da DCTF, determinação esta que a contribuinte estava obrigada a observar, conforme art. 4° da IN n° 255, de 11/12/2002. 20. E mais, corroborando os argumentos levantados no acórdão paradigma, em caso semelhante, insta salientar que a "convalidação pela Receita Federal das declarações enviadas nos três dias subseqüentes, provase que outros contribuintes que sofreram o mesmo imprevisto conseguiram enviar suas declarações sem problemas, e que o mesmo poderia ter sido feito pela Interessada", o que, todavia, não foi feito. Fl. 106DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 4 4 21. Considerando os fatos expostos e as questões ora pontuadas, e contrariando os argumentos da decisão recorrida, verificase que NÃO se acha caracterizada a negligência administrativa quanto a definir com antecipação adequada o critério de distribuição diária da transmissão e recepção da demanda esperada de declarações, bem como o prazo geral prospectivo que deveria ser concedido, em igualdade de condições, a todos os contribuintes que foram impedidos de entregar suas DCTF eletronicamente no prazo legal. 22. Com efeito, o ADE SRF nº 24, de 08/04/2005, foi editado, com a devida motivação, para sanar e esclarecer todas as conseqüências decorrentes dos problemas técnicos verificados no sistema de transmissão da DCTF em 15/02/2005. 23. Ora, se a autoridade administrativa competente ali determinou fossem admitidas, sem mora, as DCTFs apresentadas entre os dias 16 e 18/02/2005, é porque reconheceu a insuficiência do referido sistema eletrônico apenas naqueles dias, elegendo critério seguro para proteger os contribuintes prejudicados, tudo com vistas a prestigiar a segurança das relações jurídicas tributárias. 24. Por isso é que não se pode admitir que o contribuinte em mora na entrega da declaração, aproveitandose dos problemas técnicos observados nos sistema de envio da DCTF em 15/02/2005, estes que foram suficientemente sanados com a edição do ADE SRF nº 24/2005, venha a levantar tese desprovida de qualquer substrato jurídico e probatório e cujo modelo vem se repetindo em defesas de outros contribuintes (o que é, ao menos, curioso), tudo com o intuito de se ver livre da imposição tributária, demonstrada legítima no presente caso. 25. Da mesma maneira a ocorrência ou mesmo autoria da infração, sobre a sua imputabilidade e principalmente sobre a punibilidade do ora recorrente, se acham devidamente evidenciadas no caso, já que ficou demonstrado e admitido nos autos que a contribuinte se retardou no cumprimento da obrigação tributária acessória, conduta esta que não se acha respaldada em qualquer causa justificada, o que induz à imputação devida da penalidade tributária, conforme previsão do art. 7° da Lei nº 10.426, de 24/04/2002: (...)" A interessada apresentou contrarazões afirmando inexistir identidade fática entre os julgados confrontados, argumentando: “... a) Empresa Recorrida agiu seguindo orientações da Delegacia Federal local, tendo citado em seu Recurso Voluntário os nomes dos agentes que lhe orientaram; b) as únicas informações que possuía a respeito da nova data para envio da declaração eram as fornecidas pelos funcionários da Delegacia da Receita Federal local; Fl. 107DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 5 5 c) restou inequívoca a sua intenção de entregar a declaração corretamente. No Acórdão apresentado como paradigma, a motivação centra se na falta de prova das alegações do contribuinte de obstrução de entrega da DCTF decorrente da indicação de um serventuário e das frustradas tentativas de entregar as declarações perante as repartições públicas competentes, fatores que contribuíram para o atraso na entrega da DCTF. Entretanto, conforme se verifica no r. acórdão proferido no presente processo supra citado, a Empresa Recorrida obteve provimento de seu Recurso Voluntário por razões diversas demonstradas e por ter restado inequívoca a sua intenção de entregar corretamente. Assim, dúvidas não há que o acórdão paradigma citado não demonstra divergência com a decisão prolatada para a Empresa Recorrida; Protesta pela manutenção do acórdão recorrido invocando o princípio da eficiência da Administração Pública. Ressalta que em caso idêntico, julgado pela mesma Terceira Câmara (anexou cópia), por unanimidade de votos foi dado provimento ao recurso, e a Procuradoria não recorreu, o que fere o princípio da igualdade. Traz cópia de informação prestada pelo servidor do órgão local da SRF em outro processo, atestando que: “1Contribuintes reclamaram durante, pelo menos uma semana antes das entrega da DCTF, questionando sobre as dificuldades encontradas e a não disponibilidade do Programa para entrega pela Internet; 2. Tentamos durante todo o período, inclusive com a SATEC, responder aos questionamentos, porém, não tivemos nada oficial de que seria um problema em nossa Rede; 3. No último dia, como derradeira tentativa de resolver os problemas dos contribuintes, passamos um Notes para a Satec, solicitando que fosse verificada a possibilidade deste CAC receber as DCTF impressas. Não foi possível, uma vez que a legislação, permitia sua recepção, somente em casos de constatação oficial do problema na Rede; 4. A situação foi bem dramática, chegamos a deixar a Delegacia aberta até as 20 horas para que os contribuintes tentassem enviar as declarações pelo autoatendimento; 5. Os esclarecimentos a serem dados, como se colocou, não se tratava de anexação de documentos, uma vez que somente trabalhamos com informações oficiais; o que foi dito é que se daria as informações do ocorrido, como se faz agora; 6. Houve realmente uma reunião com o Delegado o chefe da SATEC e os contribuintes que estavam com dificuldades de transmitir a DCTF. Eles, (Delegado/Chefe SATEC) esclareceram que as DCTFs deveriam ser entregues o mais rápido possível, e Fl. 108DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 6 6 que oficialmente a MULTA não poderia deixar de ser cobrada tendo em vista o efetivo atraso na entrega das declarações. 7. Tivemos sempre a preocupação de somente repassar as informações oficiais, por isso esclarecíamos ao contribuinte que o prazo limite era às 20 horas da data prevista, porque esta era a informação a ser dada. 8. Realmente, se soubéssemos que haveria a prorrogação do prazo para a entrega alertaríamos aos contribuintes, uma vez que os mesmos vieram na manhã seguinte buscando uma solução junto a este CAC e a preocupação foi encaminhada ao Gabinete. 9. Ainda, não tínhamos ate aquele momento qualquer noticia de que poderia haver prorrogação ou ato oficial que permitisse a entrega sem a emissão da multa. 10. As tentativas para verificar os problemas ocorridos foram efetuados por este CAC e SATEC, a exaustão; víamos o sofrimento dos contribuinte na tentativa de entrega com os sistemas congestionados.” É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 7 7 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O contribuinte alega falta de identidade fática, postulando a não admissibilidade do especial. Todavia, existe a identidade fática, pois se trata da mesma infração, relativa ao mesmo período, e a alegação de que teria recebido orientação (verbal) do servidor para não transmitir as declarações via Internet, pois o órgão local de Maringá ainda estava aguardando uma posição de Curitiba, e que o contribuinte não seria onerado com a multa não é suficiente para retirar a identidade fática dos casos. Embora irrelevante para minha apreciação, observo que a cópia da informação que o contribuinte trouxe nas contrarazões não comprova que, até o dia 24 de fevereiro, ele tenha sido orientado a não transmitir a declaração. O que o servidor atesta é que pelo menos uma semana antes do prazo final da entrega os contribuintes reclamaram dos problemas no sistema, e que aquele órgão tentou obter autorização para receber as DCTFs impressas, mas não foi autorizado, e que as autoridades administrativas deixaram à repartição aberta até as 20 horas para que os contribuintes tentassem enviar as declarações pelo autoatendimento, sendo lhes informado que deveriam enviar o mais cedo possível, porque a multa não poderia deixar de ser aplicada, eis que o prazo seria até as 20 horas do dia 15 e, ainda, que não sabiam informar se o prazo seria prorrogado. Portanto, o recurso atende os requisitos para seu seguimento, devendo ser conhecido. Em síntese, temse que ocorreu problema técnico no sistema de transmissão das declarações à Receita Federal, que esses problemas se manifestaram nos últimos dias do prazo, como atesta o CAC/Maringá, que em função disso a Secretaria da Receita Federal, em 08 de abril de 2005, baixou um ato declarando que as declarações transmitidas até o dia 18 de fevereiro daquele ano seriam tidas como tempestivas, que o contribuinte transmitiu sua declaração apenas no dia 24 de fevereiro, portanto fora do prazo admitido pela Receita. Pondera a PFN que ADE SRF nº 24, de 08/04/2005, foi editado para sanar e esclarecer todas as conseqüências decorrentes dos problemas técnicos verificados no sistema de transmissão da DCTF em 15/02/2005, que o ato traduz o reconhecimento, pela administração, da insuficiência do sistema eletrônico apenas até o dia 18, não podendo se admitir que o contribuinte em mora se aproveite dos problemas que foram suficientemente sanados com a edição do Ato Declaratório. Em julgado trazido pelo contribuinte em suas contrarazões, em situação fática idêntica, a Terceira Câmara seguiu o voto do relator que assim conclui: “ (...) com base no disposto no art.108 c/c o art. I12, do CTN, aplicar neste caso juízo de eqüidade e propor o cancelamento da multa lançada.” Fl. 110DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 8 8 Entretanto, não vejo como aplicar o art. 112 do CTN. O fato, capitulado no art. 7º da Lei nº 10.426/2002, está perfeitamente identificado, quer quanto a sua natureza, quer quanto às suas circunstâncias materiais: ocorreu entrega (transmissão) da DCTF após o prazo determinado pela SRF. Também não há qualquer dúvida quanto à natureza ou extensão dos efeitos do fato: infração à legislação punível com a multa de que se trata, bem como, não se vislumbram incertezas quanto à autoria, imputabilidade ou punibilidade. A natureza da penalidade é a multa pecuniária e sua graduação não dá margem à dúvida: 2% ao mês calendário ou fração incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados, limitada a 20%. Quanto ao artigo 108, falece ao Conselho propor dispensa de penalidade (anistia) por qualquer juízo, inclusive de equidade. Antes da nova ordem constitucional, o art. 4º do Decretolei nº 1.041, de 21 de outubro de 1969, dava competência ao Ministro da Fazenda para, em despacho fundamentado, relevar penalidades relativas a infrações tributárias, atendendo a eqüidade em relação às características pessoais ou materiais do caso, inclusive ausência de intuito doloso. Tal possibilidade era restrita às penalidades por infrações de que não houvesse resultado na falta ou insuficiência no recolhimento de tributos. Considerando essa previsão, o Decreto nº 70.235, de 1972, previu, no inciso II do art. 26, instância especial de competência do Ministro da Fazenda para decidir sobre as propostas de aplicação de equidade apresentadas pelos Conselhos de Contribuintes, nos termos do art. 40, que estabelecia: Art. 40. As propostas de aplicação de equidade apresentadas pelos Conselhos de Contribuintes atenderão às características pessoais ou materiais da espécie julgada e serão restritas à dispensa total ou parcial de penalidade pecuniária, nos casos em que não houver reincidência nem sonegação, fraude ou conluio. Ocorre que essa possibilidade não mais existe, eis que o §6º do art. 150 da Constituição de 1988, exige lei específica para concessão de remissão, nos seguintes termos: §6.º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2.º, XII, g. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Nessa ordem de idéias, o Ato Declaratório emitido pela Secretaria da Receita Federal só pode ser entendido dentro dos limites de sua competência, conferida pelo art. 16 da Lei 9.779/1999, de estabelecer o prazo para cumprimento de obrigações acessórias. O acórdão cuja reforma postula a PFN argumenta que, de acordo com o Principio da Publicidade, a eficácia dos atos administrativos está condicionada à sua Fl. 111DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Processo nº 10950.002736/200550 Acórdão n.º 9101000.805 CSRFT1 Fl. 9 9 publicidade, e conclui que, como a transmissão da DCTF ocorreu antes da publicação do Ato Declaratório 24/2005, não ocorreu à mora. Eficácia é uma qualidade da norma que se refere à possibilidade de produção concreta de seus efeitos. O ato de que se trata não se destinou a regular ocorrências futuras, mas foi editado para reconhecer (declarar) uma situação já acontecida, e afastar os efeitos por ela produzidos, seria prejudicial aos administrados, eis que a publicidade, no caso, atende a necessidade de transparência e generalidade do ato administrativo, mas não altera seu alcance. Assim, apenas a partir da publicação do ato administrativo que considerou tempestivo o cumprimento da obrigação até o dia 18 do mês de fevereiro (quando, presumese, estavam superados os problemas técnicos que dificultaram o cumprimento da obrigação), é que os agentes da administração puderam deixar de aplicar a multa naqueles casos, e para a generalidade dos contribuintes. Entretanto, a publicação não altera o conteúdo e o alcance do ato. O ato foi editado de acordo com a lei, a motivação é real, a autoridade que o assinou estava revestida de competência para fazêlo. A publicação confere ao ato a possibilidade de produzir os efeitos nele previsto, mas não tem o condão de alterálo. A visto do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para manter a multa aplicada. É como voto. Sala das Sessões, em 15 de dezembro de 2010. (assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 112DF CARF MF Emitido em 16/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por VALMIR SANDRI Assinado digitalmente em 15/02/2011 por CAIO MARCOS CANDIDO, 07/02/2011 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 13984.000495/2007-77
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2005, 2006
MULTA. MAJORAÇÃO. REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA.
Para majorar multas aplicadas de ofício é preciso que a fiscalização tenha apurado os fatos tributáveis sem qualquer auxílio do contribuinte. Quando a apuração dos fatos tributáveis se faz com base em documentos e livros do contribuinte, não cabe a majoração da multa, sob a alegação de não atendimento de intimação.
MULTA QUALIFICADA.
Caracteriza sonegação o fato do contribuinte apresentar declaração
informando em desacordo com os fatos tributáveis constantes de seus livros. Mesmo estando registrado nos livros os fatos tributáveis e o montante devido, se o contribuinte declara ao Fisco nada dever, resta caracterizada a sonegação de informações, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%.
ARTIGO 124 DO CTN.
O art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso
significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar
o fato gerador.
ARTIGO 135 DO CTN Uma das possibilidades de responsabilização de gerentes, com base no art. 135 do CTN, é que o débito tributário decorra de sonegação, que o gerente tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação, e que não seja possível cobrar da empresa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2005 , 2006
NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
Não é nulo o ato praticado pela autoridade competente, de acordo com a lei, sem cerceamento de defesa, e sem qualquer vício.
TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
Sob pena de nulidade, a determinação do pólo passivo por meio de
documento diverso do auto de infração só é possível se em tal documento
estejam presentes os requisitos legais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972.
TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE.
É nulo o termo de sujeição passiva sem amparo na legislação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2005 , 2006
EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO.
Embora seja difícil estabelecer teoricamente o que seja “prática reiterada de infração da legislação tributária”, é possível verificar se em um caso em concreto ocorre ou não a prática reiterada de infração.
EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA.
O fato do ato de exclusão produzir efeitos desde o mês em que se verifique a prática reiterada de infração a legislação tributária, não significa que se trate de exclusão retroativa, mas sim de mera declaração da exclusão ocorrida no mês em que se caracteriza a causa excludente.
OMISSÃO DE RECEITAS.
Receitas consignadas na contabilidade, mas não declaradas, devem ser
computadas na base de cálculo apurada pela fiscalização. Tributos registrados em livros, mas não pagos e nem declarados, não reduzem os montantes lançados de ofício.
EXCLUSÃO DO SIMPLES. PAGAMENTOS. APROVEITAMENTO.
Devem ser considerados no lançamento de ofício os tributos pagos pelo
contribuinte na sistemática do Simples.
Numero da decisão: 1101-000.602
Decisão: Acordam os membros do colegiado, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao
recurso voluntário para: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do ato de exclusão do SIMPLES e da autuação; 2) por unanimidade de votos, manter os efeitos da exclusão desde janeiro de 2005 e a base de cálculo apurada; 3) por maioria de votos, cancelar a
majoração de 50% das multas de ofício aplicadas em 2005 e 2006, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 4) por maioria de votos, manter a multa de 150% aplicada em 2005, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva, 5) por
unanimidade de votos, admitir o abatimento dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES; e, 6) relativamente aos termos de sujeição passiva solidária: 6.1) por maioria de votos CONHECER o recurso voluntário, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa por
ilegitimidade da recorrente, e 6.2) por maioria de votos, ANULAR os termos de sujeição passiva solidária, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Diniz Raposo e Silva, suplente convocado para substituir a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro
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ME (Responsáveis tributários: Cristiane Binder e Volnei Muniz Lima) Recorrida 3ª Turma da DRJ em Florianópolis ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005, 2006 MULTA. MAJORAÇÃO. REQUISITOS. IMPROCEDÊNCIA. Para majorar multas aplicadas de ofício é preciso que a fiscalização tenha apurado os fatos tributáveis sem qualquer auxílio do contribuinte. Quando a apuração dos fatos tributáveis se faz com base em documentos e livros do contribuinte, não cabe a majoração da multa, sob a alegação de não atendimento de intimação. MULTA QUALIFICADA. Caracteriza sonegação o fato do contribuinte apresentar declaração informando em desacordo com os fatos tributáveis constantes de seus livros. Mesmo estando registrado nos livros os fatos tributáveis e o montante devido, se o contribuinte declara ao Fisco nada dever, resta caracterizada a sonegação de informações, justificando a aplicação da multa qualificada de 150%. ARTIGO 124 DO CTN. O art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. ARTIGO 135 DO CTN Uma das possibilidades de responsabilização de gerentes, com base no art. 135 do CTN, é que o débito tributário decorra de sonegação, que o gerente tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação, e que não seja possível cobrar da empresa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 , 2006 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Não é nulo o ato praticado pela autoridade competente, de acordo com a lei, sem cerceamento de defesa, e sem qualquer vício. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. Sob pena de nulidade, a determinação do pólo passivo por meio de documento diverso do auto de infração só é possível se em tal documento estejam presentes os requisitos legais exigidos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972. TERMOS DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. É nulo o termo de sujeição passiva sem amparo na legislação. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 , 2006 EXCLUSÃO. PRÁTICA REITERADA DE INFRAÇÃO. Embora seja difícil estabelecer teoricamente o que seja “prática reiterada de infração da legislação tributária”, é possível verificar se em um caso em concreto ocorre ou não a prática reiterada de infração. EXCLUSÃO. EXCLUSÃO RETROATIVA. O fato do ato de exclusão produzir efeitos desde o mês em que se verifique a prática reiterada de infração a legislação tributária, não significa que se trate de exclusão retroativa, mas sim de mera declaração da exclusão ocorrida no mês em que se caracteriza a causa excludente. OMISSÃO DE RECEITAS. Receitas consignadas na contabilidade, mas não declaradas, devem ser computadas na base de cálculo apurada pela fiscalização. Tributos registrados em livros, mas não pagos e nem declarados, não reduzem os montantes lançados de ofício. EXCLUSÃO DO SIMPLES. PAGAMENTOS. APROVEITAMENTO. Devem ser considerados no lançamento de ofício os tributos pagos pelo contribuinte na sistemática do Simples. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para: 1) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do ato de exclusão do SIMPLES e da autuação; 2) por unanimidade de votos, manter os efeitos da exclusão desde janeiro de 2005 e a base de cálculo apurada; 3) por maioria de votos, cancelar a majoração de 50% das multas de ofício aplicadas em 2005 e 2006, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa; 4) por maioria de votos, manter a multa de 150% aplicada em 2005, divergindo os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e José Ricardo da Silva, 5) por unanimidade de votos, admitir o abatimento dos valores recolhidos na sistemática do SIMPLES; e, 6) relativamente aos termos de sujeição passiva solidária: 6.1) por maioria de votos CONHECER o recurso voluntário, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa por ilegitimidade da recorrente, e 6.2) por maioria de votos, ANULAR os termos de sujeição Fl. 2DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.083 3 passiva solidária, divergindo a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Fará declaração de voto a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Diniz Raposo e Silva, suplente convocado para substituir a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga. Assinado digitalmente VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. Assinado digitalmente CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERREIRO Relator. EDITADO EM: 03/11/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Edeli Pereira Bessa, José Ricardo da Silva (vicepresidente), e Valmar Fonseca de Menezes (presidente da turma). Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de turma julgadora que: 1) considerou improcedente manifestação de inconformidade contra exclusão do Simples e impugnação do lançamento de ofício; 2) e que reconheceu a responsabilidade tributária de Cristiane Binder e Volnei Muniz Lima. Em 08/05/2007, é feita representação fiscal para exclusão do Simples (proc. fls. 1 a 3). O auditor explica que a ação fiscal decorreu de seleção interna e demanda do MPF (Ministério Público Federal), em razão da empresa não declarar nenhuma receita nos anos calendários de 2005 e 2006, mas apresentar movimentação financeira de 2,5 e 1,8 milhões de Reais, respectivamente. Diz que intimou o contribuinte a apresentar livros e documentos, mas a empresa não se manifestou a respeito. Informa que em visita ao estabelecimento, apreendeu livros relativos ao anocalendário de 2005 e obteve esclarecimentos do procurador da empresa sobre os livros de 2006. Esclarece que intimou o contribuinte a apresentar o livro de inventário, que seria obrigatório em razão do art. 7º, § 1º, “b”, da Lei nº 9.317, de 1996, mas não tevê êxito. Explica que informou ao contribuinte por termo que o livro diário de 2005 não atendia aos requisitos legais, pois não identificava as contas bancárias e seu movimento. Adiciona que intimou o contribuinte a apresentar o livro caixa. Também, informa que foi encontrada, no estabelecimento matriz do contribuinte, mercadoria estrangeira em situação irregular, implicando na lavratura de auto de infração e termo de guarda e apreensão fiscal. Conta que o contribuinte foi intimado a apresentar os seus extratos bancários, mas ignorou a solicitação. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Conforme a fiscalização, a não apresentação dos livros de inventário e caixa e dos extratos bancários, bem como a comercialização de mercadorias objeto de contrabando ou descaminho, são situações excludentes do Simples. Quanto às mercadorias estrangeiras irregulares, o contribuinte apresentou contestação administrativa, mas intempestiva. Deste modo, foi aplicada a pena de perdimento de mercadorias, conforme o processo nº 13984.000214/200786. O fiscal apresenta as seguintes causas para a exclusão do Simples: embaraço a fiscalização, por não fornecer as informações sobre a movimentação financeira; prática reiterada de infrações à legislação tributária; não escrituração de livro caixa e inventário do ano de 2005; e comercialização de mercadoria objeto de descaminho. Diz que os efeitos da exclusão a partir de janeiro de 2005, momento em que se verifica a prática reiterada por infração. Ao final, propõe que, por estas razões, o DRF faça a exclusão, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2005. Em 10/05/2007, é lavrado o ato declaratório executivo que declara a exclusão do contribuinte do Simples, retroativa a janeiro de 2005, por prática reiterada de infração à legislação tributária (proc. fl. 33). Em 29/05/2007, o contribuinte é cientificado da exclusão (proc. fl. 44). Em 28/06/2007, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade quanto a exclusão (proc. fls. 52 a 61). O contribuinte alega que a exclusão por prática reiterada não é clara, mas sim subjetiva, e que fica sem saber a causa da exclusão. Adiciona que só ao fim do processo administrativo se saberá se existe ou não a prática de alguma infração. Explica que solicitou aos bancos os extratos, mas não conseguiu a tempo. Argumenta que em razão do tratamento diferenciasdo que o sistema jurídico garante a micro empresa, a falta dos livros não caracteriazaria prática reiterada de infração à legislação tributária. Informa que não é verdadeira a acusação de que comercializava mercadorias em situação irregular. No caso, apenas não conseguiu encontrar a documentação comprobatória a tempo e diz juntar as notas fiscais de compra. Diz que todas as causas apontadas para a exclusão seriam atuais, não permitindo a exclusão retroativa, que inclusive não tem respaldo na legislação. Em 25/07/2007, o contribuinte é cientificado de auto de infração (proc. fls. 501 a 546) e termo de verificação fiscal que relata os fatos (proc. fls. 549 a 559). Conforme estes documentos, a empresa omitiu receitas de revenda de mercadorias e de prestação de serviços. Também, informa que o lançamento e a exclusão do Simples serão controlados no presente processo. O fiscal autuante conta que, em 16/02/2007, foi retido na empresa arquivos em meio magnético, que foram impressos e juntados aos autos (proc. fls. 97 a 115), e neles constam informações sobre vendas e estoque. Ainda informa que o procurador da empresa alegou que a informação sobre estoque não procedia. Diz que, como o contribuinte não atendeu as intimações para fornecer livros e documentos, a fiscalização apreendeu os livros encontrados no recinto e tomou depoimento do procurador. Em razão destas informações, a fiscalização se encaminhou para o escritório de contabilidade que atendia a empresa, na mesma rua, onde apreendeu outros livros e documentos (proc. fls. 121 e 122). Também, foi obtido esclarecimentos do Sr. Edson Eneias Wegner, contador da empresa (proc. fls. 119 e 120). A fiscalização constatou a imprestabilidade do livro diário de 2005 e intimou a empresa a comprovar o empréstimo que teria sido tomado da sócia Cristiane Binder, no valor de R$ 120.000,00 (proc. fls. 129 e 130). Fl. 4DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.084 5 Com base nos livros e documentos apreendidos e entregues, foi quantificada a receita de venda de mercadorias e de prestação de serviço. O fiscal esclarece que fez alguns ajustes: não considerou os valores que informavam tratarse de simples remessa; nos casos dos livros de saída informar que a nota foi cancelada, mas não haver a primeira via no talonário, foi considerado o valor de notas presas aos blocos apreendidos (proc. fls. 159 a 164); considerou para as notas de 1 a 8 o valor registrado no meio magnético retido, já que não eram informadas nos livros; somou à receita de dezembro de 2006 o valor constante do emissor de cupom fiscal, pois esses valores não estavam registrados nos livros. O fiscal também destaca que nas declarações da empresa para a Receita Federal do anocalendário de 2005 o contribuinte informou que sua receita era zero (proc. fls. 148 e 147). Adiciona que, apesar de intimado, não apresentou a DIPJ e DCTF de 2006, nem recolheu qualquer valor. Explica que, em razão da exclusão, o contribuinte está sujeito às regras normais de tributação. Lembra que o diário de 2005 é imprestável, e que o contribuinte não possui livro caixa e nem livro de inventário para 2005. Diz que o contribuinte não apresentou os livros comerciais e fiscais de 2006. Conclui que o contribuinte fica obrigado à sistemática do lucro arbitrado e que a multa aplicável, no ano de 2005, é a de 150% porque ficou demonstrada as condutas previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964. Enfatiza que a circunstância do contribuinte ter declarado a receita como sendo zero demonstra a intenção de ocultar o fato tributável do Fisco. Argumentando que o contribuinte não apresentou elementos solicitados, o fiscal faz a majoração de 50% da multa, com exceção das receitas de prestação de serviço omitidas, pois o contribuinte apresentou os talonários de notas de serviço. Informa que foram lavrados termos de sujeição passiva solidária da atual administradora da empresa e do seu procurador. Em 25/07/2007, é lavrado o termo de sujeição passiva solidária de Volnei Muiniz Lima (proc. fl. 560 a 561). Conforme o termo, “os poderes outorgados ao procurador, pelo instrumento juntado ao processo às fls. 96, são amplos e contemplam as mais diversas atividades que a empresa necessita desenvolver, constituindose, assim, em um verdadeiro ADMINISTRADOR”. Explica o desenrolar da fiscalização e diz que a conduta do agente constitui crime previsto nos incisos I e II do art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990. Adiciona que no contrato social ficou estabelecido que o administrador prestaria diversas informações para a mepresa, que não foram disponibilizadas ao Fisco. Informa que a base legal da responsabilidade é o art. 124, inciso I, e o art. 135, ambos, do CTN. Cientifica o sujeiro passivo solidário da exigência constante dos autos de infração e disponibiliza vistas do presente processo. Na mesma data, com os mesmos fundamentos e características, é também lavrado o termo de sujeição passiva de Cristiane Binder, apontada como sócia gerente (proc. fls. 562 a 563). Em 18/07/2007, o contribuinte junta planilhas resumo (proc. fls. 572 a 584 e 674 a 686) e os extratos de movimentação financeira ao processo (proc. fls. 570 a 673 e 687 a 792). Conforme esclarece (proc. fls. 570 e 571), diz que apenas agora obteve os extratos, que havia solicitado aos bancos, por ocasião da fiscalização. Diz que constatou que a movimentação financeira de 2005 e 2006 foi, respectivamente, de R$ 2.169.504,89 e de R$ 1.123.785,74. Alega que jamais ultrapassou o limite de faturamento anual de R$ 2.400.000,00 e que, por isso, os extratos provam que foi excluído do Simples indevidamente. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Em 24/08/2007, o contribuinte, a Sra. Cristiane Binder e Volnei Muniz Lima apresentam impugnação ao auto de infração (proc. fls. 801 a 811). A impugnação informa que não houve dedução de qualquer valor pago anteriormente pela empresa, mas que a empresa havia efetuado recolhimentos na sistemática do Simples, referentes aos meses de janeiro de 2005 a dezembro de 2006. Diz que não foi considerada as receitas registradas nos livros contábeis. Argumenta que o demonstrativo de resultados no livro diário de 2005 indica que as receitas forma de R$ 1.749.297,37. Diz que sua contabilidade mostra que registrou débitos fiscais de R$ 150.276,27, que embora não tenham sido recolhidos na sua totalidade devem ser considerados e abatidos do montante lançado. Sustenta que estes vícios implicam na nulidade do lançamento. A defesa propugna que o fiscal não poderia ter desconsiderado a escrita da empresa, até porque seus livros diário, razão, de saídas, e de serviços informam valores compatíveis com os apurados pela fiscalização. Diz que inclusive o fiscal se serviu dos livros para apurar as receitas. Explica que o fiscal usou as notas de simples remessa e as canceladas para quantificar as receitas e isso mostra que os livros não poderiam ser desconsiderados. A empresa diz que os extratos foram disponibilizados antes do fim da fiscalização, para defesa do ato de exclusão, e isso permitiria verificar a exatidão de sua escrita e afastaria a acusação de prática reiterada de infração. Acrescenta que a entrega da declaração do ano de 2005 indicando receita zero foi um erro grosseiro do contador, como mostra o descompasso da declaração com os livros. Alega que a circunstância de informar em livros suas receitas afasta a possibilidade de fraude. Diz que o fato de não ter apresentado DIPJ e DCTF do ano de 2006, após a exclusão, não demonstra nenhuma omissão do contribuinte, pois a exclusão está sendo discutida. Complementa informando que a responsabilidade por apresentar as declarações é do contador Sr. Edison Eneias Wegner. Argumenta que não cabe a aplicação de multa de 150%, pois não houve fraude e a receita estava registrada nos livros, o que impedia a lesão ao Fisco. Lembra que a multa aplicada em 2005 foi de 225% e a de 2006 foi de 112,5%, não havendo razão para tratamento diferenciado. Alega que não cabe a exclusão retroativa. A peça de defesa, no que tange ao Sr. Volnei Lima e a Sra. Cristiane Binder , diz que eles não concordam em serem apontados como responsáveis solidários. Diz que não há base legal para tal determinação. Alega que não foram demonstradas as circunstâncias previstas nos inciso I, do art. 124 e do art. 135 do CTN e nem foi demonstrada qualquer ilegalidade na condução da administração da empresa ou no exercício do mandato. Propugna pela nulidade do termo de sujeição passiva solidária. Em 11/01/2008, a 3º Turma da DRJ em Florianópolis (proc. fls. 1.039 a 1.050): 1) não reconhece nulidade em qualquer dos atos praticados pela Administração; 2) considera improcedente a manifestação de inconformidade sobre a exclusão do Simples, para manter a exclusão do Simples; 3) considera improcedente a impugnação, para manter o lançamento de ofício (tributos, multa qualificada e o agravamento da multa); 4) reconhece a responsabilidade tributária solidária apontada pela fiscalização. No que tange à exclusão do Simples, o voto condutor diz que: Embora no Ato Declaratório Executivo n° 9, de 10 de maio de 2007, expedido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages — SC (fl. 33), haja menção aos dispositivos legais que ampararam a exclusão de oficio da empresa do Simples, os motivos que fundamentam tal medida encontramse detalhados no termo de "Representação Fiscal — Exclusão do Simples" (fls. 01 a 03). Referidos documentos foram entregues conjuntamente Fl. 6DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.085 7 à contribuinte, de modo pessoal, conforme documentado pelo termo de ciência à fl. 31. A turma afirma que a falta de escrituração no ano de 2005 e 2006, bem como as irregularidades verificadas, caracterizadas pela falta de escrituração da movimentação financeira, consiste em prática reiterada de infração a legislação tributária. Lembra que não existe uma regra que determine o número de vezes que uma infração precisa ser praticada para ser considerada reiterada e diz que isso deve ser avaliado caso a caso. Informa que a empresa cometeu diversas infrações, inclusive a de dano ao erário, onde o contribuinte ficou revel (proc. fl. 26). Diz que a apresentação superveniente de documentação tentando comprovar a regularidade das mercadorias não afasta a infração. Complementa dizendo que, mesmo analisando a documentação juntada (proc. fls. 63 a 73), não existe documentos de algumas mercadorias constante da lista de bens apreendidos (proc. fls. 18 e 19). Adiciona que a falta de escrituração de livro inventário e caixa também caracteriza a prática reiterada de infração. Explica que a exclusão retroativa é prevista na lei e que o prazo para a juntada de documento é o previsto na legislação. No que tange ao auto de infração, a turma julgadora diz que não procede a argumentação do contribuinte de que a fiscalização não levou em conta os valores recolhidos que o contribuinte indicou na sua defesa. Explica que o fiscal informou que o único recolhimento feito pelo contribuinte em 2005 e 2006 foi no montante de R$ 232,95 (proc. fl. 550). Argumenta que o fiscal não poderia deduzir este montante dos tributos lançados, dado que ele se refere a um grupo de imposto, mas que o contribuinte pode pedir restituição ou mesmo compensação deste valor, inclusive com o montante lançado. Esclarece que os valores escriturados pelo contribuinte não poderia deduzir o montante apurado pelo Fisco porque o total oferecido a tributação pelo contribuinte em 2005 e 2006 foi zero. Informa que a empresa não pode fugir da sua responsabilidade atribuindo a culpa ao contador. Diz que a tributação com base no lucro arbitrada foi feita de acordo com a lei, já que não era possível tributar pelo lucro real ou presumido, em razão da falta/deficiência dos livros. No que diz respeito às multas, diz que é pertinente a aplicação da multa de 150% em 2005, pois nada foi declarado ao Fisco (embora os livros de saída registrassem receitas). Afirma que também está correta a multa de 75% aplicada no ano calendário de 2006. Sustenta que a majoração de ambas das multas, nos anos de 2005 e 2006, no percentual de 50%, é correta porque o contribuinte não forneceu os livros e documentos solicitados pelo contribuinte, já que estes foram obtidos por retenção feita pela fiscalização. Sobre a solidariedade passiva, a turma entende a sóciagerente e o administrador estavam cientes da fiscalização e que: No caso em análise, entretanto, as duas pessoas arroladas como responsáveis solidárias exerciam amplas funções administrativas e ao não promoverem o levantamento dos demonstrativos e livros contábeis previstos no contrato social e apresentaram informações inexatas ao fisco, com o intuito de omitir informações da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, incorreram não só em infração ao contrato social, mas também à lei tributária. Portanto, presentes estão os pressupostos estabelecidos na lei para a responsabilização dos administradores da pessoa jurídica. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Em 11/02/2008, o contribuinte foi cientificado do acórdão (proc. fl. 1.056 v.). Em 03/03/2008, apresenta seu recurso voluntário, onde repete seus argumentos (proc. fls. 1.057 a 1.075). Voto Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, Relator. O recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento. Quanto a alegação de nulidade da exclusão, não há qualquer reparo a fazer no ato declaratório executivo, que foi praticado nos termos da lei e sem qualquer vício. Ademais, o contribuinte foi cientificado das situações que motivaram a exclusão e estas situações estão sobejamente documentadas no processo. Por isso a alegação do contribuinte de que não sabe identificar quais infrações praticou reiteradamente não é pertinente. Enfim, constatase nos autos que não existiu qualquer prejuízo para a defesa. Quanto a alegação de improcedência da exclusão, feita pelo contribuinte, cabe analisar os fatos e o direito aplicável. No que tange aos fatos, o contribuinte foi flagrado com mercadorias estrangeiras irregulares no seu estabelecimento, constatouse que não possuia os livros caixa e de inventário (que são os necessários ao regime de tributação que havia adotado Simples), ele não apresentou o registro de sua movimentação bancária, deixou de fornecer no prazo a documentação (que era obrigado a ter a disposição), omitiu receitas, deixou de recolher tributos, e etc. As infrações são inúmeras, repetidas, e não foram refutadas na impugnação e nem no recurso. Mesmo tendo trazido alguns elementos para demonstra a regularidade das mercadorias estrangeiras, tal prova não alcança a todas mercadorias apreendidas, como demonstrou a DRJ. Mesmo pretendendo apresentar os extratos bancários, este não foram apresentados quando solicitados. Portanto, fica evidente que o Fisco demonstrou a prática de infrações desde janeiro de 2005. No que tange ao direito, o ato de exclusão se baseou no inciso V do art. 14 da Lei nº 9.317, de 1996. Tal dispositivo prevê a exclusão do contribuinte, quando se verifique a prática reiterada de infração à legislação tributária. Assim, é preciso analisar o conceito de “prática reiterada de infração à legislação tributária”, para verificar se a regra foi corretamente aplicada ao caso concreto. A leitura do texto legal mostra que tratase de um conceito aberto a interpretação do aplicador da lei. Afinal, é impossível préestabelecer o que é uma prática reiterada de infração. Ou seja, é impossível se estabelecer a priori quantas vezes uma infração precisa ser cometida para que seja se entenda que ela é praticada reiteradamente ou quantas infrações diferentes precisam ser praticadas para que se possa sustentar que o agente viola reiteradamente a legislação. Também, é difícil sustentar que o conceito de prática reiterada dependa de decisão definitiva atestando a existência da infração. Ao contrário, parece mais razoável que o processo administrativo julgue a razoabilidade da exclusão com base no dispositivo em análise do que seja um prérequisito para sua aplicação. Ou seja, não parece razoável exigir a existência prévia de um processo administrativo concluso afirmando a existência de infração ou ainda a existência de um segundo processo concluso afirmando que existe prática reiterada. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.086 9 Enfim, como o conceito é aberto, é difícil determinar com exatidão seu alcance. No entanto, embora seja difícil estabelecer teoricamente os limites alcançados pela fórmula legal, é possível verificar se em um caso em concreto ocorre ou não a prática reiterada de infração. No caso concreto, frente aos fatos apresentados pela fiscalização, ficou demonstrado que o contribuinte violou a legislação tributária de diversos modos e repetidas vezes desde janeiro de 2005. Deste modo, é improcedente o recurso contra a exclusão. Quanto a manifestação do contribuinte de que não cabia a exclusão retroativa a janeiro de 2005, cabe lembrar que a matéria tem previsão legal. O inciso V do art. 15 da lei nº 9.317, de 1996, estabelece que, no caso previsto no inciso V do art. 14, a exclusão produzirá efeitos a partir do próprio mês em que for verificada a situação excludente. Inclusive, na verdade não se trata de exclusão retroativa, mas sim de mera declaração da exclusão ocorrida no mês em que se caracteriza a prática reiterada de infração a legislação tributária. Portanto, o pleito do contribuinte não procede. Quanto a alegação de nulidade da autuação, o contribuinte também não tem razão. O lançamento foi feito pela autoridade competente, nos termos da lei, não existe cerceamento de defesa e não há nenhum vício que possa atingir o ato. Quanto a pretensão de não reconhecer como receitas omitidas aquele montante indicado pelo fiscal autuante, mais uma vez o contribuinte não tem razão. Os argumentos trazidos pelo contribuinte já foram didaticamente rebatidos pelo acórdão da DRJ, quer sob este aspecto, quer sob a pretensão de anular o lançamento, e por isso são adotados e passam a fazer parte integrante deste voto. Não obstante, cabe tecer alguns comentários para demonstrar a impertinência dos argumentos apresentados pelo recorrente. Inicialmente, cabe rebater a pretensão do contribuinte de infirmar o lançamento alegando que, embora não tenha declarado e nem recolhido qualquer valor, o fiscal deveria “descontar” da apuração de receitas omitidas os valores registrados nos seus balancetes e documentos. Ora, o trabalho de fiscalização consiste em verificar o cumprimento das obrigações principais e acessórias e exigir os tributos não formalizados espontaneamente pelo contribuinte, aplicando as multas correspondentes. No caso em concreto, embora o contribuinte tenha informado parte de suas receitas de venda e de prestação de serviço em alguns livros e documentos, ele não as formalizou nas declarações adequadas e nem efetuou qualquer pagamento. Portanto, não restou outra alternativa ao fiscal senão considerar toda a receita apurada como omitida e efetuar o lançamento de ofício. O fato do contribuinte ter escriturado sua receita em livros, ou mesmo de ter consignado nos seus livros o montante de tributos devidos, não tem o condão de formalizar o crédito tributário. Assim, sem a formalização espontânea (feita pela declarações constitutivas), e sem o recolhimento dos valores, o fiscal tem o dever legal de efetuar o lançamento. Por isso, no caso concreto, mesmo tendo o fiscal apurado boa parte das receitas omitidas com base nos livros e documentos do contribuinte, o lançamento de ofício foi correto. Também, cabe notar que o contribuinte reconhece a receita apurada, ao afirmar que suas receitas estavam registradas nos livros e notas utilizados pelo fiscal para quantificar o montante de receitas omitidas. Portanto, a apuração do montante de receitas é pacífica e o pedido de que os valores registrados na contabilidade não sejam computados no Fl. 9DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 lançamento é improcedente. Por isso não há o que reformar nestes aspectos do auto de infração. No entanto, a pretensão do contribuinte de que seja considerado os pagamentos que fez na sistemática do Simples na quantificação da autuação é procedente. Assim deve ser abatido dos valores lançados de ofício no lucro arbitrado o(s) recolhimento(s) feito(s) pelo contribuinte na sistemática do Simples nos anos de 2005 e 2006. Outro ponto que cabe lembrar é que quem responde pelas obrigações da empresa é a empresa, e não seu contador. Portanto, totalmente equivocado o contribuinte ao pretender imputar suas omissões ao seu contador. Quanto às multas aplicadas, de 225%, em 2005, e de 112,5%, em 2006, o contribuinte tem razão em parte. A aplicação da multa de 150% no ano de 2005 está correta, pois o fiscal demonstrou que o contribuinte omitiu receitas, tentou ocultar este fato do Fisco, e entregou declaração informando não ter receitas. Cabe destacar que a circunstância do contribuinte ter registrado em alguns de seus livros ou nas suas notas as vendas e prestações de serviços, não afasta a caracterização de que os fatos tributáveis foram ocultados do Fisco. Isso porque, de nada serve ao Fisco o registro em livros se os fatos registrados não são levados ao seu conhecimento por meio das declarações instituídas por lei, quer para informar, quer para formalizar os créditos tributários. Inclusive, no caso concreto, existiu o agravante do contribuinte apresentar declaração informando a inexistência de receitas, o que demonstra cabalmente a intenção de lesar os cofres públicos pela sonegação de tributos. A aplicação da multa de 75% no ano de 2006 também decorre da lei, já que o fiscal autuante entendeu não ficar caracterizada alguma das situações descritas nos arts. 71, 72, ou 73 da Lei 4.502, de 1964, estando correta. Porém, o agravamento de ambas as multas em 50%, sob a alegação de que o contribuinte não apresentou os elementos solicitados, não é correta. Para a análise da questão, cabe observar a legislação relativa ao agravamento e suas alterações. Na redação original, o § 2º do art. 44 da lei 9.430, de 1996 estabelecia que: § 2º Se o contribuinte não atender, no prazo marcado, à intimação para prestar esclarecimentos, as multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e de duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente. Com a alteração introduzida pela Lei nº 9.532, de 1997, o texto legal passou a determinar que: § 2º As multas a que se referem os incisos I e II do caput passarão a ser de cento e doze inteiros e cinco décimos por cento e duzentos e vinte e cinco por cento, respectivamente, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: a) prestar esclarecimentos; b) apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, com as alterações Fl. 10DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.087 11 introduzidas pelo art. 62 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991; c) apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Com a MPV nº 303 de 2006, o dispositivo passou a prever que: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o, serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da lei nº 8.218, de 29 de agosto de1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38. Com a Medida Provisória nº 351. de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei nº 11.488, de 2007, o texto legal passou a ser o seguinte: § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da lei nº 8.218, de 29 de agosto de1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. Para uma melhor compreensão do contexto em que o agravamento se insere, cabe a transcrição do texto todo do art. 44, na sua redação atual, que é igual às anteriores no que pertine a presente análise (grifos não são do original): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: ... § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da lei nº 8.218, de 29 de agosto de1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ... Conforme se observa nos dispositivos transcritos, desde muito, a legislação prevê o agravamento das multas (aplicadas por de falta de declaração e recolhimento de tributos, quer ela seja de 75%, quer ela seja de 150%) em 50%, quando o contribuinte não presta esclarecimentos. Porém, como se percebe, a previsão legal deste agravamento (de 50% do valor da multa) está conectada, desde sua origem, às multas lançadas em razão da não declaração e não recolhimento de tributos. Ou seja, a ideia de agravar a multa está conectada umbilicalmente às situações onde o Fisco descobre fatos tributáveis (cuja declaração e recolhimento estavam a cargo do contribuinte, mas que este nem declarou e nem recolheu) e faz o lançamento de ofício. Estando o agravamento, desde suas origens, ligado à formalização do crédito tributário de ofício pelo Fisco, não cabe supor que seja um mero não atendimento de intimação que permita o agravamento da multa de ofício (a de 75% ou a de 150%). É preciso que o não atendimento da intimação (a não prestação dos esclarecimentos mencionado no inciso I do § 2º) se refira ao fato tributável. Mas, não basta uma simples falta de esclarecimento sobre a matéria tributária para que haja a incidência do agravamento da multa. É preciso que esta falta de esclarecimento seja de tal monta que obrigue o Fisco a descobrir o fato tributável por seu próprio trabalho e esforço. Se não for assim, não haverá uma relação de proporcionalidade entre a conduta e a sanção administrativa e nem será razoável a intervenção da Administração. Por exemplo, se o Fisco intima o contribuinte para que apresente tabela totalizando por mês talonário de notas não incluído na tributação e o contribuinte não atende ao solicitado, não cabe o agravamento da multa de ofício que será lançada em razão da não declaração e não recolhimento dos tributos devidos em razão da não quantificação do talonário. Isso porque o fato tributável, registrado no talonário, feito pelo próprio contribuinte, está a disposição do Fisco, e é com base nele que o Fisco fará a apuração. A negativa do contribuinte, em totalizar o talonário por mês, não dificultou em nada a percepção do fato tributável. Mas, se o Fisco solicita os talonários (ou livros) e o contribuinte não atende e o Fisco por meio de circularização de terceiros descobre as vendas do contribuinte, a multa de ofício proporcional aos tributos não declarados e não recolhidos deve ser agravada. Isso porque, em razão da negativa do contribuinte, o Fisco foi obrigado a ir a campo descobrir o fato tributável. Assim, o agravamento da multa só é possível quando o contribuinte nega informações sobre a própria existência dos fatos tributáveis, obrigando o Fisco a ir a campo Fl. 12DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.088 13 descobrir estes fatos. Só desta forma há uma finalidade racional na regra e uma adequação ao sistema jurídico. Portanto, quando o contribuinte não fornece informações solicitadas ou não presta esclarecimentos solicitados, e o Fisco apura tributos não declarados e não recolhidos com base em documentos ou livros do contribuinte, não cabe o agravamento da multa de ofício. Nesses casos, embora o contribuinte tenha se negado a prestar esclarecimentos solicitados, ele mesmo revelou os fatos tributáveis nos seus livros e documentos, não sendo necessário ao Fisco maiores esforlços do que analisar a documentação do contribuinte para efetuar o lançamento. Por oportuno, cabe notar que a previsão legal das outras hipótese de agravamento (incisos II e III) se colocam dentro do mesmo contexto. Ainda mais se for considerada a época em que surgiram, coincidentes com a informatização das empresa e crescimento da economia. Como se percebe, essas hipóteses estão voltadas para negativa do contribuinte em fornecer informações que permitam ao Fisco conhecer e manipular os sistemas informatizados de registros contábeis e fiscais do contribuinte. De fato, considerando a quantidade de dados manipulados pelos sistemas contábeis, negar ao Fisco os elementos necessários para administrar esses dados equivale a ocultar o conhecimento dos fatos tributáveis. Então, os incisos II e III, longe de infirmarem a exegese propugnada, a confirmam. Em resumo, se o contribuinte não declara e não recolhe seus tributos, caso o Fisco logre identificar a matéria tributável deve efetuar o lançamento com multa de ofício. Se, para identificar a matéria tributável, o Fisco usa os registros, livros ou documentos do contribuinte, não cabe o agravamento da multa de ofício. Mas, se tal identificação é feita com esforço exclusivo do Fisco, negandose o contribuinte a dar informações sobre os fatos tributáveis, cabe o agravamento da multa de ofício. No caso em concreto, o fiscal quantificou as receitas omitidas com base nos livros e documentos do contribuinte. Portanto, não é pertimente o gravamento das multas aplicadas em 2005 e 2006, que devem ser reduzidas para 150% e 75%, respectivamente. Por último, resta analisar o “termo de sujeição passiva solidária” pelo qual se aponta o Sr. Volnei Muiniz Lima e a Sra. Cristiane Binder como sujeitos passivo solidários (proc. fl. 560 a 563) e o pedido de que sejam excluídos do pólo passivo. Inicialmente, cabe considerar que, em razão do Sr. Volnei e Sra. Cristiane terem sido apontados como sujeitos passivos solidários e, assim, em tese, colocados no pólo passivo, eles poderiam participar do processo administrativo. Tal participação, com certeza, pode versar ao menos sobre a pertinência ou não de sua inclusão (ou tentativa de inclusão) no pólo passivo, em razão da lavratura do termo nominado de “termo de sujeição passiva solidária”. Mas, restaria saber se eles poderiam participar, em em quais circunstância, da discussão do mérito da autuação. Quanto a essa questão, se de fato forem sujeitos passivos solidários, certamente deveriam poder participar da discussão sobre o auto de infração (e também inclusive sobre a exclusão do Simples). Em consequencia, se de fato forem sujeitos passivos solidários, deveriam ter sido intimados a recolher ou recorrer, nos mesmos termos em que o foi a empresa. Fl. 13DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Porém, cabe notar que o termo de sujeição passiva solidária não intima os apontados para recolher ou impugnar. O termo apenas dá ciência do auto de infração lavrado contra a empresa e assegura vistas ao processo relativo à exigência. Portanto, independente do posicionamento sobre caber ou não a solidariedade, os termos de sujeição passiva solidária, ora analisados, são nulos. Para quem entenda que existe a solidariedade, há o cerceamento de defesa já que o termo não indica o direito de recorrer do lançamento, ou de pagar/parcelar com redução da multa. Para quem entende que não existe a solidariedade, o termo é nulo por falta de base legal. Inclusive, por oportuno, vale destacar que, caso o fiscal pretendesse intimar os apontados como devedores solidários, deveria ter nominado o documento de “intimação” e não de “termo”. De fato, a expressão “termo” serve para referenciar documento que descreve uma situação. Já a expressão “intimação” serve para veicular exigência. Por isso, o próprio nome utilizado no presente caso induz os apontados como solidários a erro e prejudica sua defesa. Isso porque sugere uma situação estática onde apenas haveria uma constatação de situação, cujos efeitos deveriam/poderiam ocorrer ser adiante, e por outros meios, efetivados, quando então se permitiria a defesa. Em resumo, se o fiscal pretendesse que os apontados fossem tratados como sujeitos passivo, deveria lavrar uma intimação, pela qual exigisse o tributo e informasse das condições de pagamento e impugnação. Ou, ainda, deveria ter nominado o Sr. Volnei e a Sra. Cristiane no auto de infração, junto com a empresa. Mas, de modo algum poderia lavrar um termo ou nominar de termo outro tipo de documento. Mesmo se abstraindo do equívoco do nome dado ao documento, constatase que ele também é falho materialmente. Isso porque omite requisito legal essencial para apontar alguém no pólo passivo. Conforme o inciso V do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, é elemento do auto de infração a intimação para cumprir ou impugnar a exigência. A ausência deste requisito torna o auto (termo) nulo em relação aos dois apontados como sujeitos passivos solidários. Feita esta considerações periféricas, cabe aprofundar a análise dos termos de sujeição passiva solidária lavrados, estudando a base legal pela qual o fiscal pretendeu trazer o Sr. Volnei e a Sra. Cristiane para o pólo passivo (inciso I do art. 124 e art 135, ambos do CTN). Em uma primeira abordagem, apenas com base na tópica dos artigos no código, se percebe que eles alcançam situações totalmente distintas. O art. 124 está localizado no capítulo IV “sujeito passivo”, enquanto o art. 135 está localizado no capítulo V “responsabilidade tributária”. O art. 124 aponta pessoas que estão no pólo passivo em razão de uma conexão com o fato tributável (como propõe o capítulo IV), ao passo que o art. 135 indica pessoas que respondem por dívida tributária de outrem por conexão ao devedor (como propõe o capítulo V). Isso mostra que os artigos não podem constar juntos da mesma acusação, sob pena de nulidade. Afinal, se a acusação não é clara, não é possível a defesa. A única possibilidade dos dois artigos constarem da mesma acusação seria ficar cabalmente demonstrado que o apontado como solidário atende às hipóteses de incidência de ambos os artigos. Mas, no presente caso, isso não foi feito pela fiscalização. Inclusive, não houve nenhuma preocupação do Fisco em demonstrar que os apontados atendiam aos requisitos de um e do outro artigo, quanto mais dos dois ao mesmo tempo. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.089 15 Ou seja, para o fiscal ter imputado solidariedade ao Sr. Volnei e à Sra. Clarice com base nos dois dispositivos deveria ter explicado como o Sr. Volnei e a Sra. Clarice se relacionam com as situações alcançadas em cada artigo. Mas, isso não é observado nos termos de sujeição passiva. Nesses documentos se constata apenas a descrição de alguns eventos ocorridos durante a fiscalização, sem qualquer explicação sobre quais destes eventos realizam a hipótese do inciso I do art. 124 e quais eventos realizam a hipótese do art. 135. Com isso, há evidente prejuízo para a defesa que não sabe ao certo qual situação deve refutar ou esclarecer. Por oportuno, vale lembrar que, sendo a presente questão tão complexa e com tão ampla divergência doutrinária e jurisprudencial, caberia ao fiscal ter sido o mais claro o possível. Inclusive, não bastaria demonstrar como cada uma das hipótese de incidência teria sido realizada pelos Sr. Volnei e Sra. Clarice, mas seria conveniente que definisse o alcance de cada dispositivo. Só assim, ficaria evidenciada a regra aplicada e só assim seria permitida a defesa. A ausência de explicações sobre o alcance da regra e a ausencia de demonstração de realização da hipótese de incidência também implica na nulidade do ato. Na sequencia desta análise, cabe agora transcrever e analisar os artigos em pauta, iniciando pelo art. 124, in verbis: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Da leitura do art. 124, percebese seu aspecto didático, adequado ao status de norma geral (lei nacional), bem como à natureza de código. Conforme o inciso I, são solidárias as pessoas que se coloquem na mesma posição (tenham interesse comum), no que tange ao fato gerador. Assim, por exemplo, os co proprietários de imóvel são devedores solidários do IPTU ou os coadquirentes de imóvel são devedores solidários do ITBI. Ou seja, são solidários aquelas pessoas que corealizam o fato gerador. Já o inciso II diz que são solidários aquelas pessoas apontadas na lei (da União, ou Estados, ou Municípios, no que pertine aos seus tributos respectivamente). Assim, por exemplo, se a legislação estadual estabelecer, o vendedor do imóvel será devedor solidário do ITBI com o comprador. Ou seja, mesmo não realizando conjuntamente o fato gerador, a solidariedade pode decorrer da lei Como visto, com a exegese proposta, o art. 124 de tão didático poderia ser tido como desnecessário. O que serviria de argumento para pretender que a expressão “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” alcançasse outras pessoas além daquelas que estejam na mesma posição em relação ao fato gerador. Mas, mesmo com a interpretação didática propugnada, o art. 124 tem forte razão para existir, o que sustenta a interpretação defendida e afasta outras. Primeiro, ele divide e distingue os casos de solidariedade que existem em razão dos fatos tributáveis (inciso I) daqueles que existem em razão da lei e de outros fatos (inciso II). Segundo, garante que a solidariedade só decorra da lei, quer pela realização da hipótese de incidência do tributo (inciso Fl. 15DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 16 I), quer pela realização da previsão legal de solidariedade estabelecida pelo legislador do ente tributante por razões de administração tributária (inciso II). Enfim, ao dizer “interesse comum”, o CTN diz interesse idêntico. Se o interesse é idêntico, significa que as pessoas corealizam o fato gerador. Deste modo, se percebe que é incabível pretender sustentar, como quis o fiscal, que o sócio gerente, o administrador e a pessoa jurídica estejam na mesma posição em relação aos fatos geradores de tributos da empresa. Os fatos tributáveis realizado pela empresa são delas e os sócios e administradores não têm participação nestes fatos, embora representem a empresa ou a administrem. O sistema jurpidico e o direito tributário reconhece a personalidade jurídica da empresa, que é distinta da dos seus sócios, gerentes e administradores. Os atos e fatos da empresa são delas e de mais ninguém. Os atos e fatos dos sócios e dos administradores são deles e não da empresa. Dessarte, fica claro que o sóciogerente ou o procurador não podem estar na mesma posição em relação ao fato tributável da empresa. De outra banda, é preciso registrar que não há o menor sentido em se pretender que “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” signifique algo diferente que a mesma posição em relação ao fato gerador. Admitir tal possibilidade é admitir que o CTN pretendesse criar uma instabilidade nas relações jurídicas. Ou seja, não é razoável imaginar que uma norma geral, voltada a regular a produção normativa tributária dos entes da federação ou a estabelecer alguns padrões normativos de âmbito nacional, fosse deixar ao aplicador da lei (da União, dos Estados e dos Municípios) um espaço tão grande para interpretação. Pretender que o aplicador da lei pudesse definir, com toda a sua subjetividade, o que seria “interesse comum na situação que constitua o fato gerador” é o equivalente a pretender que o Código Tributário Nacional visasse a instabilidade das relações jurídicas. As pessoas têm infinitos interesses e podem comungar algum destes interesses em uma situação que seja o fato gerador de algum tributo, sem que estejam na posição do sujeito passivo. Por exemplo, o corretor de imóveis, e talvez até o tabelião que lavra a escritura, pode ter interesse na venda e nisso seu interesse coincide com o interesse do comprador e o interesse do vendedor. Mas, cada um deles é uma pessoa distinta e ocupa uma posição jurídica diferente na compra e venda do imóvel e tem motivações próprias da posição que ocupam. Não é possível confundir vontade parecida, interesse coincidente, desejo semelhante, ou qualquer outra proximidade de intenção, com interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Por isso, não é possível atribuir ao inciso I do art. 124 do CTN o condão de estabelecer a solidariedade em razão da semelhança de vontades ou coincidência de interesses. A própria frouxidão que resultaria de tal interpretação é suficiente para refutála. Deste modo, não fosse pelo próprio texto, até por segurança jurídica, é preciso entender que o art. 124 ao mencionar “interesse comum” diz interesse idêntico e isso significa que para serem solidários as pessoas precisam corealizar o fato gerador. Estabelecido o significado do inciso I do art. 124 do CTN, cabe indagar: no caso em concreto, qual seria o interesse comum (idêntico) do Sr. Volnei, da Sra. Cristiane e da empresa na realização dos fatos tributados? Ora, não há qualquer interesse em comum. Fl. 16DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.090 17 A empresa realiza suas operaçoes de venda e de prestação de serviço para realizar sua finalidade social. A sóciagerente e o administrador representam e administram a empresa. O sistema jurídico, há muito atribui a cada um seus próprios atos. Pretender que o art. 124 torne os sóciosgerentes ou administradores solidários com os tributos da empresa é defender um retrocesso de centena de anos na definição da personalidade jurídica das pessoas. Mas, consta do termo também a afirmação de que o Sr. Volnei e a Sra. Clarice teriam, em tese, cometido crime contra a ordem tributária e violado o contrato social. Cabe a pergunta: no que isso tornaria os interesses deles comuns com os da empresa em relação aos fatos tributáveis? Também aqui não há como enquadrar a conduta do Sr. Volnei e da Sra. Clarice no inciso I do art. 124. O fato de a empresa ter sonegado e da conduta do gerente poder ser tipificada penalmente, não significa que eles tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador. Assim, se constata que o inciso I do art. 124 do CTN é totalmente impróprio a estabelecer solidariedade entre a empresa e o Sr. Volnei e a Sra. Cristiane. Cabe agora analisar o art. 135, também mencionado no termo. O texto é o seguinte: Art.135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Como se percebe, é preciso uma análise construtiva para dar significado à regra, já que seu texto não permite uma compreensão imediata. Assim, antes de se falar se cabe ou não a aplicação do artigo ao caso concreto, é preciso construir e enunciar com clareza a hipótese legal da regra veiculada pelo artigo. Para tanto, dois pontos de partida são adotados: 1º) a regra visa claramente proteger o Fisco do inadimplemento, por parte da empresa (isso decorre da interpretação sistemática do CTN, em especial dos artigos do capítulo V); 2º) tal proteção deve se dar dentro de limites razoáveis. Então, se a finalidade da regra é a de garantir o adimplemento, parece ponderado que ela incida quando ocorre o inadimplemento absoluto. Afinal, se a regra pretende evitar que o Fisco seja prejudicado, não parece necessário que ela incida enquanto a devedora ainda pode satisfazer o débito com seus bens. Portanto, resta claro que um dos elementos da hipótese de incidência é a impossibilidade de cobrar da empresa o débito tributário. Outro elemento bastante evidente é a necessidade de alguma conduta ilícita por parte da pessoa que vai ser responsabilizada. Inclusive o art. 135 é expresso em exigir que o responsabilizado tenha agido com infração de lei. Fl. 17DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 18 Obviamente existem diversas possibilidades das pessoas apontadas nos incisos agirem com infração de lei. Mas, considerando que a finalidade da regra é proteger o Fisco do inadimplemento absoluto de débito tributário, é razoável que a atuação da pessoa que será responsabilizada tenha a ver com este débito tributário pelo qual responderá. Com base nesta interpretação, uma das condutas que estariam alcançadas pelo dispositivo é a pessoa estar no comando da empresa quando a empresa sonega tributos (oculta do fisco a ocorrência de fatos tributáveis). Agora, juntando os dois elementos, temse que para reponsabilizar o gerente ou administrador é preciso que o débito tributário decorra de sonegação, que ele tenha estado na administração da empresa no momento em que ocorreu a sonegação, e que não seja possível cobrar da empresa. Outra conduta passível de responsabilizar seria a dissipação irregular de patrimônio de empresa devedora do Fisco. Nesses termos, a responsabilidade decorre, não de sonegação, mas de dissipação do patrimônio da devedora sem observar as regras legais de privilégio de crédito. Em termos práticos, concluise que a responsabilidade prevista no art. 135 é subsidiária, e não solidária, e aplicase, dentre outras situações, quando o débito decorre de sonegação. No caso concreto, conforme o fiscal autuante, o auto de infração formaliza débito decorrente de sonegação fiscal no anocalendário de 2005 e de falta de declaração e pagamento no ano calendário de 2006. Assim, apenas seria possível haver a responsabilização da gerente ou do administrador no ano de 2005. No entanto, não há qualquer demonstração no auto ou no termo de sujeição passiva solidária de que a empresa não tenha condições de pagar o débito de 2005. Portanto, não está demonstrado que os fatos correspondem ao descrito no art. 135 e não se pode falar em responsabilidade da gerente ou do administrador. Deste modo, o art. 135 não fornece base legal para o “termo de sujeição passiva solidária”. Em conclusão, ambos os termos são nulos, quer por cerceamento de defesa, quer por falta de base legal. Por estas razões, voto por declarar a nulidade dos termos de sujeição passiva solidária e por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para autorizar o abatimento dos valores recolhidos na sistemática do Simples dos valores lançados de ofício e para cancelar a majoração de 50% das multas de ofício aplicadas em 2005 e 2006, que ficam reduzidas, respectivamente, para 150% e 75%. Cabe à autoridade encarregada da execução deste acórdão providenciar a confirmação dos valores recolhidos e a sua exclusão do montante lançado de oficio, na forma do disposto no artigo 37 da Lei n°9.784/1999. Sala das Sessões, 4 de outubro de 2011 Assinado digitalmente Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro Relator Fl. 18DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.091 19 Declaração de Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Discordo do I. Relator no que tange à desconstituição do agravamento das penalidades aplicadas ao presente lançamento. Em que pese a análise aprofundada dos dispositivos legais que elevam as multas de ofício de 75% e 150% para 112,5% e 225%, vejo sob outro ângulo a conduta da contribuinte durante o procedimento fiscal. Concordo com a abordagem que circunscreve o agravamento em debate às situações nas quais o não atendimento se refere a intimação associada à apuração dos fatos tributáveis, pois considero necessária a existência de prejuízo ao desenvolvimento da atividade fiscal. Todavia, discordo dos contornos dados a este prejuízo pelo nobre Conselheiro. Penso que apenas o atraso na conclusão dos trabalhos fiscais já é suficiente para caracterizar o mencionado prejuízo, na medida em que a autoridade fiscal deixa de realizar outras atividades enquanto insiste que um contribuinte cumpra a obrigação que a lei lhe impõe de manter sob sua guarda, e à disposição das autoridade fiscais, livros e documentos de sua escrituração. Aqui, porém, o contexto fático mostrouse um pouco mais grave, pois ao deixar de atender à intimação fiscal, a contribuinte exigiu que o Fisco procurasse os documentos exigidos não só em seu estabelecimento, como também no escritório de contabilidade que lhe prestava serviços, mobilizando um representante do Poder Público para apreender os elementos que poderiam desde antes ter sido entregues ao Fisco, mas que, por interesse do fiscalizado, não o foram. Correto, portanto, o agravamento aplicado pela autoridade lançadora. Divirjo, também, do I. Relator, quanto à apreciação dos argumentos contrários à imputação de responsabilidade solidária a representantes da fiscalizada. Isto porque, diversamente do que verificado em 1a instância, quando os responsáveis Cristiane Binder e Volnei Muniz Lima apresentaram impugnações em seu próprio nome, não houve a interposição de recurso voluntário por estas pessoas, mas apenas pela pessoa jurídica autuada, no qual foi inserida a defesa contra a imputação de responsabilidade solidária. O Código de Processo Civil, instituído pela Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, firma que para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade (art. 3º). E mais: que ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei (art. 6º). Desse modo, em caso de pluralidade de sujeitos no pólo passivo do lançamento tributário, cada qual poderá defenderse em nome próprio da exigência fiscal Fl. 19DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES 20 assim constituída, quer pessoalmente quer por meio de representante regularmente constituído nos autos, por competente instrumento de mandato. Acrescento, ainda, que a discordância da pessoa jurídica quanto à atribuição de responsabilidade a seus sócios e administradores mostrase incompatível com os interesses da própria pessoa jurídica em ver liquidado, pelo responsável, o crédito tributário lançado. Entendo, portanto, que não cabe, no presente julgamento, apreciar a oposição à imputação de responsabilidade aos sócios da pessoa jurídica, na medida em que esta não detém legitimidade, e nem interesse, para tanto. Assim, nesta parte, não conheço do recurso voluntário. Todavia, prevalecendo o entendimento majoritário desta Turma em favor do conhecimento desta defesa, discordo, também, de que ela mereça acolhida no mérito. Embora compartilhando do mesmo entendimento expresso em boa parte da interpretação feita pelo I. Conselheiro acerca dos dispositivos legais que regem a responsabilidade tributária, não chego à mesma conclusão apresentada em seu voto. Inicialmente vejo que o fato de o termo de sujeição passiva solidária não intimar os responsáveis a recolher ou impugnar a exigência em nada prejudicou sua defesa, pois as impugnações foram por eles apresentadas no prazo legal. Também considero irrelevante a designação de tal documento como “Termo”, pois determinante para produção de seus efeitos é o seu conteúdo. Assim, não cogito de nulidade dos referidos termos por cerceamento ao direito de defesa ou vício de forma. Quanto à nulidade por falta de fundamentação legal para imputação da responsabilidade tributária, a autoridade lançadora registrou que a contribuinte auferiu vultosa receita bruta, que não fora declarada e/ou confessada na declaração simplificada, praticando crime contra a ordem tributária, além da constatação de afronta às previsões contratuais pactuadas, na medida em que o contrato social exigia a prestação de contas do administrador da sociedade em 31 de dezembro de cada ano, e não era mantida a necessária escrituração para tanto. Entendo que tais circunstâncias fáticas já atraem para si o disposto no art. 135 do CTN, que atribui ao administrador (condição de Cristiane Binder) ou ao mandatário (condição de Volnei Muniz Lima), a responsabilidade pessoal pelo crédito tributário devido pelo representado quando constatada infração à lei ou ao contrato social. De outro lado, pareceme correto o entendimento exposto pelo I. Relator, no sentido de que não foi evidenciada a necessária conexão com o fato tributável para imputação da solidariedade prevista no art. 124 do CTN. É possível, porém, que a indicação deste dispositivo apenas pretendesse dizer que os responsáveis indicados sofrerão a exigência do crédito tributário juntamente com a pessoa jurídica, sem benefício de ordem, deixando de observar que, para tanto, bastava a imputação da responsabilidade pessoal descrita no art. 135 do CTN, a qual se presta a excluir a proteção legal que beneficia representantes de terceiros que exercem regularmente esta atividade, e os coloca ao lado do representado para arcar com a obrigação tributária que deixou de ser adimplida. Sob esta ótica, também divirjo do I. Relator quando exige, para imputação de responsabilidade, a impossibilidade de satisfação do débito fiscal pela pessoa jurídica. Não vejo esta imposição na lei, pois interpreto que o art. 135 do CTN prestase a ampliar as Fl. 20DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 13984.000495/200777 Acórdão n.º 110100.602 S1C1T1 Fl. 1.092 21 garantias do crédito tributário, permitindo a busca de sua satisfação no patrimônio pessoal daqueles que participaram da gestão da pessoa jurídica sem a necessária lisura, hábil a assegurar que não houve desvio da riqueza manifestada pelos fatos jurídicos tributáveis. Assim, se tais pessoas se conduzem com excesso de poderes, infração à lei ou ao contrato social, o Fisco tem o direito de também buscar a satisfação de seus créditos no patrimônio pessoal destes responsáveis, ainda que o representado detenha patrimônio suficiente para tanto, na medida em que esta situação patrimonial pode não decorrer necessariamente da riqueza tributável em debate e estar gravada por outras dívidas, além de estar sujeita a flutuações que podem, no futuro, prejudicar a liquidação da obrigação tributária. Por tais razões, embora não concorde em conhecer dos questionamentos dirigidos à responsabilidade tributária no recurso voluntário apresentado pela pessoa jurídica autuada, vejo que, mesmo apreciandoos, eles não são hábeis a desconstituir a imputação feita a Cristiane Binder e Volnei Muniz Lima. É como voto. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Conselheira Fl. 21DF CARF MF Impresso em 19/04/2012 por JOSE ANTONIO DA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente e m 03/11/2011 por CARLOS EDUARDO DE ALMEIDA GUERRE, Assinado digitalmente em 16/11/2011 por EDELI PER EIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 15885.000191/2008-34
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Feb 08 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADES ISENTAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O termo inicial para a contagem do prazo de decadência para o lançamento de contribuições previdenciárias em virtude do não atendimento aos requisitos para o gozo da isenção por entidades isentas é aquele previsto no Código Tributário Nacional, não se cogitando a suspensão do prazo no período em que a entidade usufruir da isenção por estar esta condicionada a requisitos verificáveis contemporaneamente ao gozo do beneficio, e não ern
período posterior, estando a autoridade fiscal habilitada a desde sempre fiscalizar seu cumprimento e lançar as correspondentes contribuições devidas em caso de infração à legislação pertinente.
Recurso especial negado
Numero da decisão: 9202-001.263
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: Gustavo Lian Hadad
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MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo n° 15885.000191/2008-34 Recurso 258.588 Especial do Procurador Acórdão n° 9202-01.263 — 2 Turma Sessão de 8 de fevereiro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado INSTITUIÇÃO TOLEDO DE ENSINO ITE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ENTIDADES ISENTAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O termo inicial para a contagem do prazo de decadência para o lançamento de contribuições previdencidrias em virtude do não atendimento aos requisitos para o gozo da isenção por entidades isentas é aquele previsto no Código Tributário Nacional, não se cogitando a suspensão do prazo no período em que a entidade usufruir da isenção por estar esta condicionada a requisitos verificáveis contemporaneamente ao gozo do beneficio, e não ern período posterior, estando a autoridade fiscal habilitada a desde sempre fiscalizar seu cumprimento e lançar as correspondentes contribuições devidas em caso de infração à legislação pertinente. Recurso especial negado. S-.1,4 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Cai Marcos Candido .7 P esidente-Substituto O " GustSio Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 12/04/2011 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Caio Marcos Candido (Presidente-Substituto), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Giovanni Christian Nunes Campos (Conselheiro convocado), Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Em face de Instituição Toledo de Ensino foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD de fls. 01/12, objetivando a exigência de contribuições devidas ao INSS, destinadas A. Seguridade Social, correspondente à parte da empresa, a parte dos segurados, ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, e as destinadas aos terceiros (INCRA, SENAI, SESI, SEBRAE e Salário Educação), no período compreendido entre 07/1997 a 08/1997. A Sexta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao apreciar o recurso voluntário interposto pelo contribuinte, exarou o acórdão n° 206-01.831, que se encontra As fls. 265/276 e cuja ementa é a seguinte: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIAIAS Período de apuração: 01/07/1997 a 31/08/1997 PREVIDENCI4'R10 - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO — RESPONSABILIDADE SOLIDARIA - PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCL4 QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF. 0 STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n° 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Yinculante de n° 8, sendo vejamos: Súmula Vinculante n° 8 - "Seio inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5° do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". No presente caso, a NFLD foi lavrada em 15/12/2006, tendo a cientificacdo ocorrido em 19/12/2006. Os fatos geradores ocorreram entre as competências 07/1997 a 08/1997, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento, independente de se tratar de lançamento por homologação ou de oficio. 2 Processo n° 15885.000191/2008-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.263 Fl. 2 Recurso Voluntário Provido." A anotação do resultado do julgamento indica que a Câmara, por maioria de votos, deu provimento ao recurso para declarar a decadência. Intimada pessoalmente do acórdão em 30/06/2009 (fls. 283) a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial às fls. 286/292, em que sustenta, em apertada síntese, que não se operou a decadência no presente caso na medida em que a matéria envolve entidade considerada isenta pelo INSS, o que impedia a constituição de eventuais créditos tributários até que houvesse a cassação da isenção pelo Conselho Nacional de Assistência Social, ficando assim modificado o termo inicial da contagem do prazo decadencial para constituição dos créditos tributários. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho n° 2400-306, de 10 de setembro de 2009 (fls. 293/294). Intimado sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional o contribuinte deixou de apresentou suas contra-razões. E o Relatório. Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad , Relator 0 recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou o Recurso Especial de fls. 286/292 por meio do qual sustenta que não se operou a decadência no presente caso na medida em que o termo inicial de contagem do prazo decadencial teria sido deslocado para o momento da cassação da isenção pelo Conselho Nacional de Assistência Social, eis que antes disto a autoridade fiscal estaria impedida de proceder ao lançamento. Pretende, dessa forma, transferir o momento inicial de contagem do prazo de decadência (i) da ocorrência do "fato gerador' (art. 150, §4°, do CTN) ou (ii) do primeiro dia do primeiro dia do exercício seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, I, do CTN) para a data da cassação da isenção sob o argumento de que "enquanto estava a recorrente resguardada pelo manto da isenção, a Administração Tributária encontrava- se impedida de constituir o crédito tributário que lhe atingisse" (fls. 290). Entendo, no entanto, que no assiste razão à Recorrente. De fato, a isenção das contribuições sociais para entidades de fins filantrópicos, aproveitada pelo contribuinte, a meu ver não é situação impeditiva para que a autoridade fiscal cumprisse com seu dever de fiscalização. Isto porque os requisitos para a isenção são verificáveis contemporaneamente ao período de fruição, devendo ser fiscalizados pela autoridade competente. 3 Transcrevo, abaixo, trecho do voto proferido pelo Ilustre Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, nos autos do processo n° 35348.000097/2007-99, que adoto como fundamento de decidir, in verbis: "Mais a mais, é cediço na doutrina e jurisprudência que o gozo da isenção por entidade de fins filantrópicos não tem o condão de suplantar o poder-dever da autoridade fiscal de promover o lançamento, uma vez constatada a ocorrência dos fatos geradores dos tributos sem o devido recolhimento, mormente quando referido procedimento objetiva prevenir a decadência, sob pena de responsabilidade funcional da autoridade fiscal, nos termos do artigo 142 do CTN. A rigor, repita-se, a própria decisão judicial exarada nos autos do processo retro corrobora esse entendimento, ao determinar o lançamento dos tributos ora devidos para efeito de se evitar a decadência. Nessa toada, admitindo-se a impossibilidade do lançamento, bem como a suspensão da decadência, em face da isenção da entidade, estaríamos dando aos artigos 151 e 173, do C7'N, extensão que dele não decorre, violando a inafasteivel sujeição do contribuinte a fiscalização. Consoante se infere do dispositivo legal supracitado, em momento algum o legislador contemplou a possibilidade da suspensão do prazo decadencial, por ocasião da fruição de isenção, suspendendo- se simplesmente a exigibilidade do crédito tributário eventualmente constituído, observados os requisitos para tanto, até decisão final no processo pertinente, o que se vislumbra no caso vertente. Frise-se, que a isenção em epígrafe não tem eficácia de impedir a constituição do crédito previdenciário pelo lançamento, porquanto a autoridade administrativa, em observância ao disposto no artigo 142 do CIN, deve exercer o seu poder-dever de lançar, sem quaisquer limitações, apenas ficando suspensa a exigibilidade do crédito. Mesmo porque, referido beneficio fiscal não afasta totalmente as obrigações tributárias, relativamente aos demais tributos não abarcados pela isenção e, bem assim, no que tange as obrigações acessórias. Neste sentido, aliás, a própria autoridade julgadora de primeira instância foi por demais enfática em afirmar: "Inicialmente há que se considerar que a concessão, pelo CNAS, do Certificado de Entidade Assistência Social (CEAS) Fundação UIVIVALI não The confere, de pronto, o direito a isenção; a concessão deste beneficio fiscal é de competência do órgão que administra as contribuições sociais previdenciciria, quando cumpridos determinados requisitos previstos ern lei. Assim sendo, o fato de a Fundação possuir o CEAS não consistiria em impedimento ao presente lançamento, assim como este não influencia na condição da Fundação de entidade de assistência social certificada pelo CNAS. Assim não há que se falar que, em face da certificação conferida pelo CNAS, o lançamento consista ern violação do direito da instituição, afronta ao principio do direito adquirido, do ato jurídico perfeito, da coisa julgada e da segurança jurídica. Não procede a alegação de que em tendo o CNAS concedido e renovado o CEAS da Fundação, circunstância que envolveu urn processo administrativo de análise e julgamento da parte (94 4 Processo n° 15885.000191/2008-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01.263 Fl. 3 documental/contábil até 1999, não poderia o AFPS solicitar aqueles documentos, especialmente porque o art. 8° do Decreto n° 2.536, de 6 de abril de 1998 condiciona que as diligencias externas para suprir informações ou mesmo adotar providências fica condicionada a solicitação do CNAS, que formalmente nenhuma exigência fez ao INSS. Vejamos. Inicialmente, é importante não esquecer que a entidade, enquanto isenta, não é obrigada a pagar as contribuições sociais patronais, mas continua responsável pela retenção e recolhimentos das contribuições devidas pelos segurados, ou seja, a entidade não fica isenta das obrigações acessórias impostas as empresas em geral. Assim sendo, continua sujeita a fiscalização do órgão competente, que ci época do lançamento era a Secretaria da Receita Previdencidria (SRP), em relação ás obrigações acessórias que lhe cabem. Portanto, a época do lançamento, era prerrogativa da Secretaria da Receita Previdenciária (SRP), órgão do Ministério da Previdência Social, o exame da contabilidade das empresas, mesmo das isentas, conforme art. 33, caput e §1°, da Lei n° 8.212/91, c/c o art. 1° da Lei n° 11.098, de 13 de janeiro de 2005. Há ainda o fato de que a solicitação dos documentos relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias era indispensável ao cumprimento da ordem judicial que deu origem a ação fiscal. Ademais, ao contrário do que entende a impugnante, o art. 8° do Decreto n° 2.536/98, abaixo transcrito, não diz que o INSS somente poderá realizar diligencia nas entidades isentas por solicitação do CNAS. Na realidade, tal dispositivo possibilita ao CNAS, se este julgar necessário, solicitar ao INSS diligências para suprir a necessidade de informação ou adotar providencia que as circunstâncias assim recomendarem, com vistas a adequada instrução de processo de concessão ou manutenção do CEAS." (grifamos) Como se observa, inexiste qualquer limitação legal capaz de impedir o lançamento relativamente aos contribuintes isentos. Ao contrário, existe sim, determinação legal (artigo 142 do CTN, p. ex.), a qual obriga a autoridade administrativa, sendo privativa, vinculada e obrigatória a constituição do crédito tributário por meio do lançamento, quando constatada a ocorrência dos fatos geradores do tributo. Com efeito, a legislação de regência, vigente a época, ao dispor sobre os requisitos para manutenção e concessão da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias, estabelece que o Fisco poderá/deverá fiscalizar, além do recolhimento de tais tributos, o cumprimento dos pressupostos daquele beneficio, como segue: "Lei n° 8.212/91 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", 'V e "c" do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições 5 incidentes a titulo de substituição; e à Secretaria da Receita Federal — SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Art. 55 Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 22 e 23 desta Lei a entidade beneficente de assistência social que atenda aos seguintes requisitos cumulativamente: [-I § 40.. 0 Instituto do Seguro Social — INSS cancelará a isenção se verificado o descumprimento do disposto neste artigo" (grifamos) "Decreto 3.048/1999 Art. 206. § 70 0 Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo; § 80 0 Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendê-los, observado o seguinte procedimento: - se a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informa cão Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção;" Nessa toada, unia vez constatado que a entidade não cumpre os requisitos para manutenção da isenção, deveria o Fisco, à época, emitir Informação Fiscal propondo o cancelamento da isenção, lavrando por decorrência notificações fiscais para o período correspondente, visando evitar a decadência das contribuições previdencidrias. A fazer prevalecer este entendimento, a legislação de regência hodierna, notadamente a Lei n° 12.101/2009, regulamentada pelo Decreto n° 7.237/2010, editados com o fito de unificar as fiscalizações da antiga Secretaria da Receita Previdenciária com a Secretaria da Receita Federal, após a criação da RFB, determina que a autoridade fazenddria, ao vislumbrar a inobservância dos requisitos da isenção, deverá lavrar auto de infração para o período perrinente, relatando os fatos que ensejaram a constituição do crédito tributário, in verbis: "Lei n° 12.101/2009 Art. 31. 0 direito à isenção das contribuições sociais poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da 6 Processo n° 15885.000191/2008-34 Acórdão n.° 9202-01.263 CSRF-T2 Fl. 4 concessão de sua certificação, desde que atendido o disposto na Seção I deste Capitulo. Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capitulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. sç lo Considerar-se-6 automaticamente suspenso o direito a isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. sç 2o 0 disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente." "Decreto n° 7.237/2010 Art. 41. 0 direito a isenção das contribuições sociais somente poderá ser exercido pela entidade a contar da data da publicação da concessão de sua certificação no Diário Oficial da Unido, se atendidos cumulativamente os requisitos previstos na Lei no 12.101, de 2009, e neste Decreto. Art. 42. Constatado o descumprimento de requisito estabelecido pelo art. 40, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará auto de infração relativo ao período correspondente, devendo relatar os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § lo Durante o período a que se refere o caput, a entidade não terá direito a isenção, e o lançamento correspondente terá corno termo inicial a data de ocorrência da infração que lhe deu causa. §. 2o A entidade poderá impugnar o auto de infração no prazo de trinta dias, contados de sua intimação. § 3o 0 julgamento do auto de infração e a cobrança do crédito tributário seguirão o rito estabelecido pelo Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972." (grifamos) Corno se observa dos dispositivos legais acima transcritos, inexiste a toda evidência impedimento para a fiscalização lavrar notificações fiscais e/ou autos de infração em desfavor de entidades beneficentes que gozem da isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias. Ao contrário, se as normas pretéritas já previam tal possibilidade, atualmente impõem que se constitua o crédito tributário quando verificado o descumprimento dos requisitos do beneficio fiscal sob análise, ficando o débito suspenso até decisão administrativa final, afastando de uma vez por todas o argumento da Procuradoria. Diy 7 Em verdade, sequer se pode cogitar na contrariedade a lei suscitada pela recorrente, o que somente fora relevada em homenagem discussão a propósito de tema de tamanha importância. Destarte, a afronta ao artigo 173, inciso I, do CTN, como defendido na peça recursal, estaria em admitir a tese aventada pela Procuradoria que, por via transversa, extirpa o instituto da decadência do ordenamento jurídico, nos casos de isenção. Com efeito, como muito bem asseverado no Acórdão recorrido, a prevalecer o entendimento da Procuradoria, as entidades beneficentes isentas não estariam sujeitas ao prazo decadencial, em qualquer lapso temporal pretérito, uma vez que, cassada sua isenção, naquela data o fisco poderia alcançar 10, 20, 30, etc... anos para trás e lançar as contribuições previdencidrias que entender devidas, eis que o termo inicial da decadência seria a data do término da condição de isenta. Tal conclusão representa o absoluto afastamento da decadência na relação tributária entre tais contribuintes e o Fisco, o que fere de morte os princípios constitucionais da isonomia, moralidade e segurança jurídica, dentre outros, reproduzidos, igualmente, no artigo 2° da Lei n° 9.784/99, os quais devem ser observados pela Administração em suas atividades, incluindo, conseqüentemente, a Procuradoria da Fazenda Nacional. A rigor, a isenção, no caso de admitir tal conclusão da recorrente, seria uma verdadeira ficção, tendo em vista que a entidade passaria um determinado tempo sem recolher os tributos correspondentes, mas assim que perdesse a condição de isenta estaria sujeita a pagar todas as contribuições (in casu) concernentes ao período em que esteve gozando daquele favor legal, independentemente desse lapso temporal. Da mesma forma, não há se falar em afronta aos ditames do artigo 175, inciso I, do Código Tributário Nacional, vez que a isenção não impossibilita o n'ascimento da própria obrigação tributária, ao contrário do que sustenta a Fazenda Nacional. Como delineado alhures, a isenção da cota patronal das contribuições previdenciárias não impede a ocorrência do fato gerador do tributo, mas tão somente afasta a tributação sobre ele, remanescendo, porém, as obrigações acessórias pertinentes, como informá-los em GFIP, bem como as demais contribuições afora a cota patronal. Em verdade, o artigo 175, inciso I, do CTN, ao estabelecer a isenção como uma das hipóteses de exclusão do crédito tributário exige necessariamente que aquele seja constituído. Em outras palavras, somente se pode cogitar em exclusão do débito, a partir da isenção, se for devidamente constituído por meio de um lançamento fiscal, o que faz cair por terra, novamente, o argumento de que referido dispositivo legal impossibilita o lançamento para as entidades isentas." Como bem destacado no referido voto, a legislação em vigor (art. 33 e 55, § 4° da Lei n. 8.212/1991 e 206, §§ 7° e 8°, inciso I do Decreto n. 3.048/1999), diversamente do quanto alegado pela Recorrente, expressamente detenninava às autoridades fiscais a fiscalização do cumprimento dos requisitos para o gozo da isenção. Assim, não tendo sido demonstrado qualquer impedimento para que fosse constituído o crédito tributário, deve-se aplicar a regra geral do Código Tributário Nacional para a contagem do prazo decadencial das contribuições previdencidrias em questão. 614g, 8 Processo n° 15885.000191/2008-34 CSRF-T2 Acórdão n.° 9202-01 263 Fl. 5 Deixo de me manifestar sobre a aplicação ao caso da regra de inicio de contagem segundo o artigo 150, § 4° ou pelo artigo 173, inciso I, ambos do CTN, tendo em vista que em qualquer caso a conclusão seria pela ocorrência de decadência. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL DA PROCURADORIA, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Gust o 5)-4460( Lian Haddad 9
score : 1.0
Numero do processo: 10950.005914/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2007
Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS
Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das
remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2301-002.440
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em
negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/10/2003 a 30/12/2007 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO NÃO ARRECADAÇÃO, MEDIANTE DESCONTO DAS REMUNERAÇÕES, DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS DOS SEGURADOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS Toda empresa está obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições previdenciárias dos segurados a seu serviço. Recurso voluntário negado.
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Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete de Oliveira Barros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Adriano Gonzales Silverio, Wilson Antonio De Souza Correa, Bernadete De Oliveira Barros, Damiao Cordeiro De Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes Fl. 207DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de Auto de Infração aplicado por ter a empresa acima identificada deixado de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados a seu serviço, infringindo, dessa forma, o inciso I, alínea “a”, do art. 30, da Lei 8.212/91, e art. 4, “caput”, da Lei 10.666/03, c/c o art. 216, inciso I, alínea “a” do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls 06), a recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições que deveriam ser a cargo dos segurados em relação aos contribuintes individuais administradores e autônomos a seu serviço, especificados por período, por meio da relação de nomes, valores pagos e identificação do lançamento contábil, nos discriminados dos ANEXOS "A", "B", "C" e "D"; A recorrente impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 0624.320, da 5a Turma da DRJ/CTA (fls. 182), julgou o lançamento procedente. Inconformada com a decisão, a autuada apresentou recurso tempestivo (fls. 189), repetindo basicamente os argumentos já apresentados na impugnação. Alega que, ao contrário do que expôs a decisão de recorrida, de acordo com os levantamentos realizados, tanto os Anexos "A" e "B" quanto os "C" e "D" correspondem ao pagamento de serviços prestados por terceiros, que trabalham por conta própria, e se referem notadamente a honorários advocatícios e fretes e carretos e, considerando que esses profissionais prestam serviços de forma autônoma, além de não manterem vínculos empregatício com o contratante (recorrente), assumem o fisco da atividade econômica exercida, motivo pelo qual, a teor do art. 30, II da Lei 8.212/91, estão obrigados a recolher a exação por conta própria. Destaca que as contribuições dos contribuintes individuais não são de responsabilidade da empresa tomadora, mas por iniciativa própria daqueles, inexistindo a propalada sujeição passiva indireta da recorrente, encontrandose desobrigada para o cumprimento da exação atribuída pelo art. 21 da Lei 8.212/91. Argumenta que, em que pese as alíquotas de contribuição serem idênticas para os avulsos e contribuintes individuais, (art. 21 — Lei 8212/91), a obrigatoriedade de recolhimento é díspar, sendo que o art. 30 tratou os contribuintes desiguais de forma desigual, respeitando a diversidade das categorias bipartidas no art. 12, inciso I alíneas "g" e "li". Entende que é induvidoso que a exigência das Contribuições descritas nos Relatórios, "A" e "B" e, "C" e "D", carecem de legalidade, tratandose de imposição atípica e injurígena, de modo que a recorrente, no caso concreto, não é sujeito passivo para o cumprimento da guisada obrigação, ressaltandose que esta ocorre exclusivamente sobre a remuneração paga aos prestadores de serviços avulsos e eventuais, tipificados no inciso I do art. 30 da Lei 8.212/91, inexistentes "in casu". Finaliza alegando nulidade da exigência em apreço e, sendo nula a exigência das Contribuições da recorrente por ausência de tipicidade, inquestionável que a cobrança Fl. 208DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10950.005914/200847 Acórdão n.º 230102.440 S2C3T1 Fl. 2 3 MULTA reflexa pela ausência de entrega da GFIP, também as são, haja vista o caráter acessório que detém. É o relatório. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 4 Voto Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, constatase que em nenhum momento a recorrente nega que deixou de arrecadar, mediante descontos da remuneração paga aos segurados citados pela fiscalização, a contribuição por eles devida. Ela apenas tenta demonstrar que não está obrigada a recolher a contribuição lançada, incidente sobre os pagamentos realizados aos contribuintes individuais que lhe prestam serviços, argumentando que tais segurados, por prestarem serviços de forma autônoma e não manterem vínculos empregatício com o contratante, assumem o fisco da atividade econômica exercida, motivo pelo qual, a teor do art. 30, II da Lei 8.212/91, estão obrigados a recolher a exação por conta própria. Todavia, a obrigação de a empresa reter a contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais, e recolher a contribuição retida, encontra amparo nos dispositivos legais transcritos a seguir: Lei 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I a empresa é obrigada a: arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Lei 10.666/2003, com redação dada pela Lei 11.933/2009 Art. 4º Fica a empresa obrigada a arrecadar a contribuição do segurado contribuinte individual a seu serviço, descontandoa da respectiva remuneração, e a recolher o valor arrecadado juntamente com a contribuição a seu cargo até o dia 20 (vinte) do mês seguinte ao da competência, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia. Assim, toda empresa é obrigada a arrecadar as contribuições devidas pelos segurados a seu serviço, mediante desconto de sua remuneração. Dessa forma, houve infração à legislação previdenciária e como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto, em observância ao art. 33 da Lei 8212/99 e art. 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10950.005914/200847 Acórdão n.º 230102.440 S2C3T1 Fl. 3 5 Art.293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social lavrará, de imediato, autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, dispositivo legal infringido e a penalidade aplicada e os critérios de sua gradação, indicando local, dia, hora de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. Cabe destacar, ainda, que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Assim, não há como acatar a alegação de nulidade do AI, que foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Relativamente à alegação de que a cobrança MULTA reflexa pela ausência de entrega da GFIP é nula haja vista o caráter acessório que detém, cumpre observar que é objeto do presente processo administrativo fiscal o AI lavrado por ter deixado a empresa de arrecadar, mediante descontos de suas remunerações, a contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais a seu serviço, sendo a não apresentação de GFIP totalmente impertinente e estranho ao processo ora sob análise. Portanto, a recorrente deve demonstrar seu inconformismo quanto à ausência de entrega da GFIP ou contra a ausência de recolhimento de contribuição devida nos processos que discutem os lançamentos pertinentes. Nesse sentido e Voto por CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete De Oliveira Barros Relatora Fl. 211DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA 6 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 29 /11/2011 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 14/12/2011 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000217/2005-61
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Exercício: 2001, 2002, 2003
INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE.
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA.
Prestadas as informações bancárias pelo próprio contribuinte, não há que se falar em quebra de sigilo bancário.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. ÔNUS.
O ônus da comprovação da origem dos recursos creditados em conta bancária é do sujeito passivo, não sendo admissível que este, lançando mão de pedidos de realização de perícia e diligência, pretenda transferir esse ônus à Administração Pública.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 2001, 2002, 2003
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
Numero da decisão: 1803-001.160
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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materia_s : IRPJ - AF- omissão receitas- presunção legal Dep. Bancarios
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Prestadas as informações bancárias pelo próprio contribuinte, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. ÔNUS. O ônus da comprovação da origem dos recursos creditados em conta bancária é do sujeito passivo, não sendo admissível que este, lançando mão de pedidos de realização de perícia e diligência, pretenda transferir esse ônus à Administração Pública. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1910; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 2.432 1 2.431 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000217/200561 Recurso nº 501.523 Voluntário Acórdão nº 180301.160 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ E OUTROS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SURF EXPRESS COMÉRCIO DE ARTIGOS ESPORTIVOS E VESTUÁRIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2001, 2002, 2003 INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Prestadas as informações bancárias pelo próprio contribuinte, não há que se falar em quebra de sigilo bancário. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS. ÔNUS. O ônus da comprovação da origem dos recursos creditados em conta bancária é do sujeito passivo, não sendo admissível que este, lançando mão de pedidos de realização de perícia e diligência, pretenda transferir esse ônus à Administração Pública. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2001, 2002, 2003 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). CSLL. PIS. COFINS. DECORRÊNCIA. Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.433 2 Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Meigan Sack Rodrigues, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.434 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido (fls. 2.321 a 2.323verso): Tratase dos autos de infração relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, à Contribuição Social sobre o Lucro – CSLL, e às Contribuições para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, cientificados à contribuinte em 28 de dezembro de 2005, no valor total de R$ 305.511,18, devido às irregularidades assim descritas no auto de infração do IRPJ, fls. 357/359: 001. Depósitos Bancários não Contabilizados Valor referente a depósitos e investimentos, realizados junto a instituições financeiras, em que o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. [Demonstrativo com fatos geradores trimestrais, do 1º trimestre de 2000 ao 4º trimestre de 2002, valor tributável ou imposto e percentual da multa (75%)] Enquadramento legal: Arts. 25 e 42 da Lei nº 9.430/96; art. 528 do RIR/99. 2. A autoridade fiscal elaborou o Termo de Constatação Fiscal de fls. 348/350, que se transcreve: IRPJ ANOCALENDÁRIO 2000, EXERCÍCIO 2001. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA INCOMPATÍVEL X RECEITA DECLARADA. Dos fatos 1.1) Em 15.08.2005, Termo de Início de fiscalização, para apresentação dos extratos bancários; 1.2) Em 07.10.2005, o contribuinte foi reintimado; 1.3) Em 14.10.2005, o contribuinte apresentou os extratos bancários; 1.4) Em 11.11.2005, o contribuinte foi intimado a justificar a origem dos créditos e depósitos em suas contas bancárias. 1.5) Até a presente data, o contribuinte não comprovou as origens dos créditos e depósitos em suas contas bancárias. Valores a Tributar Conforme exposto, os valores a serem tributados são os abaixo relacionados: [Demonstrativo referente aos anoscalendário de 2000 a 2002, discriminando, mês a mês, os montantes a serem tributados] Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.435 4 Do direito e enquadramento legal A presente matéria é tratada no art. 849 do RIR/99, que traz a seguinte redação: (...) Até a presente data, não foi apresentado a esta fiscalização nenhum documento que efetivamente comprovasse as origens dos créditos acima relacionados. Em razão do exposto e devido à inexistência das comprovações dos valores creditados em suas contas correntes, conforme constante da relação anteriormente mencionada, no valor total de R$ 2.237.655,17 (...), todos os créditos efetuados em suas contas correntes nos anoscalendário de 2000, 2001 e 2002, conforme extratos bancários anexos, e conforme anteriormente demonstrado mensalmente, somos autorizados, dessa forma, à presunção de omissão de rendimentos, pelos valores creditados nas respectivas contas correntes, razão pela qual o contribuinte será lançado de ofício, por infração ao disposto no artigo 42 da Lei 9.430/96, artigo 4º da Lei 9.841/97, artigo 21 da Lei 9.532/97. 3. Inconformada com a exigência fiscal, a contribuinte, por meio de seus representantes legais, apresentou a impugnação de fls. 402/437, em 20 de janeiro de 2006, com as seguintes razões de defesa. 3.1. Entende que, em decorrência da impugnação apresentada, os fatos discutidos nos autos não podem ser comunicados ao Ministério Público, para tomada de eventuais providências penais, uma vez que a investigação do suposto delito, que é material ou de resultado, não pode prescindir da prévia decisão definitiva do processo administrativo fiscal, que consubstancia uma condição objetiva de punibilidade. 3.2. Acrescenta que eventual requisição da instauração de eventual inquérito policial contraria a Constituição Federal, na medida em que iria investigar a prática de suposto crime tributário cujo lançamento não restou definitivamente constituído. Menciona jurisprudência, fls. 404/405. 3.3. Afirma que os autos de infração tiveram origem em dados da CPMF, baseandose exclusivamente em extratos bancários obtidos administrativamente, em contrariedade ao § 3º, artigo 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996. Em suas palavras: Para tanto concorrem as seguintes e relevantes II – Razões de Direito Que se consubstanciam na nulidade e improcedência dos lançamentos tributários lavrados contra a Impugnante pela (o): a) cerceamento do direito de defesa na fase averiguatória, de fiscalização e do processo administrativo de lançamento; bem como pela inobservância do princípio da verdade material; b) inconstitucionalidade dos lançamentos, pelo desvio de finalidade do poder público na utilização da quebra de sigilo bancário para constituição dos créditos bancários; Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.436 5 c) inconstitucionalidade dos lançamentos, pela quebra do sigilo bancário pelas vias administrativas; d) inconstitucionalidade dos lançamentos, por basearse exclusivamente em extratos bancários e depósitos para a constituição dos créditos tributários; e) improcedência dos AIs, em razão da inclusão, na base de cálculo dos tributos ora lançados, de valores que somente circularam nas contas da Impugnante e nunca lhe pertenceram, com fundamento no § 5º do artigo 42 da Lei nº 9.430/96; e f) improcedência dos AIs, por desconsiderar as despesas dedutíveis na base de cálculo do IRPJ e da CSLL, bem como do PIS e da COFINS, já que a D. Fiscalização presumiu, por arbitramento, as receitas e não abateu as reais despesas dedutíveis do período. 3.4. Aduz que a autoridade fiscal formalizou os autos de infração sem averiguar a verdade material e sem instaurar validamente o procedimento contraditório na fase de fiscalização, para que prestasse os esclarecimentos e comprovasse com documentação hábil e idônea as diferenças entre os valores declarados e os presentes nos extratos das instituições financeiras. 3.5. Dessa forma, teria havido cerceamento de seu direito de defesa, pois se desconsiderou os montantes constantes nas declarações apresentadas e impôs tributação pela totalidade dos créditos em suas contas bancárias, sem lhe dar real oportunidade para se explicar, tendo em conta que foi intimada a prestar referidos esclarecimentos num prazo de 20 (vinte) dias, o que se mostrou notoriamente impossível, diante dos inúmeros cheques, transferências e depósitos presentes em suas contas. Acrescenta que o prazo não foi prorrogado, tendo em vista que a fiscalização consignou que precisava lavrar o auto de infração até o final de dezembro de 2005, em face da decadência. Ressalta que a intimação foi recebida em 11/11/2005, enquanto os autos foram lavrados em 23/12/2005. 3.6. Disserta amplamente sobre o princípio da verdade material e afirma que, por força do princípio da legalidade, a tarefa de subsunção dos fatos à norma jurídica é plenamente vinculada, sendo inadmissível qualquer interferência valorativa por parte da autoridade fiscal, sendolhe vedada a utilização de presunções. 3.7. Reitera que, diante da impossibilidade de conseguir prestar os esclarecimentos necessários no prazo de 20 dias, os lançamentos distanciamse da verdade material, baseandose exclusivamente em presunções, impondose o reconhecimento da nulidade do processo administrativo, diante do procedimento arbitrário adotado. Menciona doutrina a embasar seus argumentos. 3.8. Assinala que houve desvio de poder na utilização da quebra de sigilo bancário para constituição do crédito tributário, com a nova redação ao artigo 11 da Lei nº 9.311, de 1996, porque esta, a pretexto de atingir um objetivo (arrecadar CPMF), visa outro (devassar as contas bancárias do cidadão brasileiro e propiciar a cobrança de créditos tributários), o que macula o ato administrativo de nulidade. Acrescenta que não há como sustentar que haveria um interesse público na quebra de sigilo bancário, diante do que dispõe a Constituição Federal, artigo 145, § 1º. 3.9. Argumenta que a quebra de sigilo bancário no anocalendário de 2000 e janeiro de 2001 não encontra respaldo legal, tendo em vista que se trata de informações anteriores ao advento do artigo 6º da Lei Complementar nº 105, de 2001. E, nos outros períodos, tal norma legal não pode restringir um direito fundamental assegurado pela Constituição Federal. Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.437 6 3.10. Reitera a impossibilidade de quebra do sigilo bancário pela autoridade administrativa, por ausência de previsão constitucional, em analogia com a vedação que teria sido imposta ao Ministério Público, conforme jurisprudência que elenca, fl. 421. 3.11. Afirma que o procedimento adotado viola a intimidade e a vida privada das pessoas, pois investiga o segredo profissional, as relações interpessoais e os negócios particulares. Menciona a Súmula 182 do Tribunal Federal de Recursos, a qual estaria ainda vigente. 3.12. Referese ao artigo 42, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996, que, ao tratar da omissão de receitas, prevê a possibilidade de prova de valores pertencentes a terceiras pessoas, depositadas nas contas bancárias ou de investimentos da contribuinte e acrescenta que a grande maioria dos depósitos presentes em suas contas não lhe pertence, porque efetuados por empresas do mesmo Grupo “Surf Xpress”, relacionadas à fl. 425. 3.13. Nesse sentido, afirma que demonstrará documentalmente e por testemunhas que não auferiu a totalidade das supostas receitas, pois grande parte dos depósitos é de terceiras empresas que depositavam tais recursos em sua conta, para fins de desconto de títulos ou de transferências de cartões de crédito ou débito. Dessa forma, não houve a aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica, fato gerador do IRPJ, ou lucro auferido e faturamento, fatos geradores da CSLL e das contribuições exigidas (PIS e COFINS). Em suas palavras: Como prova préconstituída, a fim de aclarar a situação para a D. Fiscalização, a impugnante junta alguns jogos de documentos que servirão para diferenciar os depósitos em cheque depositados nas contas da impugnante (vide documentos anexos). Verifiquese que cada cheque depositado tem, no verso, a identificação da empresa a qual o numerário pertence, empresa esta que certamente recebeu o título por conta da venda de uma mercadoria de sua propriedade. Sendo assim, todos os cheques que foram depositados e somente circularam nas contas da impugnante não podem ser considerados suas receitas e/ou fazer parte de seu faturamento, para fins de compreenderem base de cálculo para a apuração dos tributos exigidos por meio dos AIs impugnados. Assim, para comprovar real e documentalmente a quantia exata depositada nas contas da impugnante, a seu cargo, necessário se fará a microfilmagem de todos os cheques, depósitos e transferências que constam nas contas bancárias abaixo especificadas, para constatar a origem e o destino do numerário em questão, e, consequentemente, afastar a tributação ora perpetrada, ou, pelo menos, uma grande parte dela. Consignese: as contas bancárias da impugnante somente serviam para depósito/desconto dos títulos das empresas do “grupo” da impugnante, não podendo ela suportar a totalidade da tributação pela integralidade dos valores depositados em suas contas bancárias, conforme fundamentação supra, até mesmo porque todas as empresas possuem personalidade jurídica e contabilidade autônomas. 3.14. Afirma que foi utilizada a base de cálculo presumida e arbitrada, ao se considerar a integralidade dos créditos que circularam pelas suas contas. Dessa forma, como a base de cálculo e o lucro têm fundamento no lucro real, deveriam ter Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.438 7 sido consideradas as despesas dedutíveis suportadas no mesmo período, para se apurar a real base de cálculo dos tributos lançados. 3.15. Anexa diversos documentos que comprovariam as despesas dedutíveis, a fim de serem acolhidas e abatidas das bases de cálculo. 3.16. Requer a realização de perícia e diligências, a teor do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, nos seguintes termos: Outrossim, e, como o presente processo é regido pelo Princípio da Verdade Real, é a presente para requerer se digne Vossa Senhoria de autorizar e determinar seja realizada uma ampla perícia nas contas bancárias da impugnante, para se determinar e identificar todas as respectivas entradas e saídas nos anos de 2000 a 2002, bem como a origem dos depósitos efetuados em suas contas e o destino desses numerários. Igualmente, a perícia será apta para identificar o sacador dos títulos ou titulares das transferências dos depósitos em suas contas bancárias e também trazer a estes autos a microfilmagem de todos os cheques e transferências referentes a essas transações de entradas e saídas, tudo para que seja capaz da impugnante demonstrar e provar que a grande parte dos depósitos em suas contas nunca lhe pertenceu, mas sim a terceiras empresas, exercitando, com isso, seu direito constitucional à ampla defesa que detém, para afastar as exigências que lhe estão sendo injustamente perpetradas. Eis aqui a justificativa e a pertinência da perícia pleiteada. É o que desde já requer. Para tanto, a impugnante vem informar quais as instituições financeiras que detinha contas bancárias, para que elas sejam oficiadas para apresentar, no bojo destes autos, as provas para a realização da perícia acima requerida, como: a microfilmagem da integralidade dos cheques depositados e emitidos nas suas contas bancárias, as transferências e demais movimentações bancárias, que desde já requer a título de diligência, os quais serão impreterivelmente documentos de prova para a aludida perícia, tendo em vista que, em 30 (trinta) dias, que é o prazo para apresentação da presente impugnação, as Instituições Financeiras se negaram a apresentar os referidos documentos, em razão do exíguo prazo. As instituições financeiras são: (...) Requer, igualmente, para complementar a perícia solicitada, sejam, após a vinda das informações dos Bancos Bradesco, Brasil e Itaú, oficiadas às respectivas instituições financeiras “emissoras” dos cheques, DOCs ou outras transferências, para que informem e identifiquem os sacados dos títulos (cheques) ou titulares das transferências realizadas para as contas da impugnante, e também trazer aos autos a microfilmagem desses cheques, DOCs ou transferências referentes a essas transações, tudo para identificar a origem e o destino dos valores circulados nas contas da impugnante e demonstrar e comprovar, repitase, que referidos valores nunca lhe pertenceram, afastando, com isso, as exigências que lhe estão sendo injustamente perpetradas, o que desde já requer. A justificativa e a razão para esta diligência é a mesma da perícia acima. 3.17. Indica como perito seu contador, Sr. Sebastião Luiz Gonçalves dos Santos, com endereço e demais dados detalhados à fl. 432, bem como os quesitos de fls. 435/437. Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.439 8 3.18. Requer a realização de prova oral, com a realização de audiência para a inquirição de testemunhas arroladas, a fim de colher prova de que os cheques depositados em suas contas pertenciam a terceiras pessoas. 3.19. Por fim, pleiteia que a perícia se estenda aos documentos anexados, principalmente os relativos a despesas dedutíveis, para fins de determinação da real base de cálculo dos tributos lançados, como também para determinar se os recursos para a quitação das despesas tiveram origem e saída de suas contas bancárias. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte da exigência fiscal mantida (fls. 2.320 a 2.321): ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000, 2001, 2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. É a impugnação da exigência que instaura a fase litigiosa do procedimento. Com a apresentação da impugnação, o procedimento se torna processo, estabelecendose o conflito de interesses: de um lado, o Fisco que acusa a existência de débito tributário, fundando sua pretensão de recebêlo e, de outro, o contribuinte, que opõe resistência por meio da apresentação de impugnação. É a partir desse momento que, iniciada a fase processual, passa a vigorar, na esfera administrativa, o princípio constitucional da garantia ao devido processo legal. Descritos os fatos que fundamentam a exigência fiscal e estando juridicamente qualificados pelas normas no enquadramento legal, não houve ofensa aos princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, não se caracterizando o cerceamento do direito de defesa da contribuinte. PROVA. EXTRATOS BANCÁRIOS. OBTENÇÃO. Válida é a prova consistente em informações bancárias fornecidas pela própria contribuinte, mediante intimação fiscal. Ademais, a obtenção dos extratos bancários está em absoluta conformidade com as normas de regência e ao amparo da lei, sendo desnecessária prévia autorização judicial. NORMAS PROCESSUAIS. VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. COFINS. CONTRIBUIÇÃO AO PIS. Em se tratando de exigências reflexas de tributos e contribuições que têm por base o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada no processo principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001, 2002 Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.440 9 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receitas com base nos valores depositados em conta bancária, para os quais o contribuinte titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. A forma de tributação utilizada no Lucro Presumido, a partir de percentuais determinados de acordo com a atividade exercida, considera a maior parcela dos depósitos bancários não identificados como custos ou despesas, respeitando os princípios da capacidade contributiva e de isonomia do sujeito passivo da obrigação tributária. [...]. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA ANOCALENDÁRIO: 2000, 2001, 2002 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. Lançamento Procedente em Parte. 3. Cientificada da referida decisão em 06/08/2009 (fls. 2.356), a tempo, em 19/08/2009, apresenta a interessada Recurso de fls. 2.357 a 2.396, instruído com os documentos de fls. 2.397 a 2.399 e 2.402 a 2.417, nele argumentando, em síntese: a) que o presente recurso voluntário limitarseá à discussão: (i) da nulidade da autuação, posto pautarse em informações sigilosas; (ii) inexistência de acréscimo patrimonial a ensejar a tributação pelo IRPJ; e (iii) inadmissibilidade de lançamento com base em informações bancárias, segundo posição consolidada no antigo Conselho de Contribuintes, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); b) que houve inequívoca violação, injustificada, do direito ao sigilo de dados pessoais, resultando a respectiva obtenção, no particular, inadmissível; c) que ilegal, inconstitucional e, pois, nulo o procedimento empregado pela fiscalização, restando o auto de infração respectivo eivado de nulidade insanável, sendo de rigor que assim o seja declarado, por ferir de morte, dentre outros princípios, o do sigilo de dados pessoais, constitucionalmente resguardado (art. 50, X, da Constituição Federal); d) que, à época da lavratura do Termo de Início de Fiscalização a autoridade fiscal já dispunha, antecipadamente, de dados sigilosos da Recorrente, tanto que a intimou para fornecer extratos bancários, dada a incompatibilidade entre a movimentação financeira e a receita declarada; Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.441 10 e) que, para os fatos ocorridos no anocalendário de 2000, não havia instrumento normativo que respaldasse a pretensão da fiscalização, no que tange à constituição de crédito tributário de IRPJ e reflexos, com base em movimentação financeira, notadamente com informações da CPMF; f) que, até 2001, a Lei 9.311, de 1996, não autorizava a Receita Federal a utilizar os dados relativos à CPMF para constituir outro crédito tributário senão o da própria CPMF; g) que não merece subsistir o argumento de que o artigo 144, § 1º, do Código Tributário Nacional, autoriza a aplicação de legislação posterior ao fato imponível; h) que, no mérito, a autoridade fiscal, quando da fiscalização, deveria fazer uma análise das receitas e das despesas, para, então, concluir pelo acréscimo patrimonial, contudo, ao revés, considerou, isoladamente, os depósitos a crédito; i) que, se houvesse, por parte da autoridade fiscal, a correta mensuração de despesas e receitas, chegarseia à conclusão que não houve acréscimo patrimonial a ser tributado pelo IR pelo menos não no valor apurado; j) que, segundo abalizada doutrina e uníssona jurisprudência, para que haja incidência do imposto sobre a renda, necessário, antes, seja comprovada a existência do acréscimo patrimonial ou, como comumente tratado, sinais exteriores de riqueza, o que, no particular, não restou demonstrado pela fiscalização; k) que os valores depositados nas contas correntes tinham como destinatários outras empresas do grupo “Surf Xpress”; l) que a autoridade julgadora não deu o devido destaque ao fato de as contas correntes, indicadas na autuação, pertencerem, também, às empresas (1) Parra Comércio de Artigos Esportivos Ltda., CNPJ 64.560.063/000185; (2) Silcan Surf Action Comercio de Artigos de Vestuário Ltda., CNPJ 00.178.884/000179; (3) Lima Boechat Comércio de Calçados Ltda., CNPJ 60.860.707/000108; (4) Perez Comércio de Calçados e Vestuário Ltda., CNPJ 64.560.048/000137; (5) Surf Xpress Comércio de Vestuário Artigos Esportivos e Acessórios Ltda., CNPJ 01.518.996/000194; (6) Surf Teen Comércio de Vestuários Artigos Esportivos e Acessórios Ltda. e (7) Trust Comercio de Artigos Esportivos e Vestuário Ltda, CNPJ 04.498.362/000185; m) que as contas sub examine pertenciam conjuntamente às empresas do grupo “Surf Xpress”, acima arroladas, sendo certo que os depósitos realizados nas contas bancárias da Recorrente tinham como destinatárias, em sua maioria, as empresas do grupo, as quais, cumpre informar, são devidamente constituídas e possuem tributação autônoma, contudo, sem conta corrente com titularidade própria; Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.442 11 n) que, nesse sentido, para comprovação do alegado, a Recorrente acostou inúmeros cheques à Impugnação, cada qual com um carimbo no verso, que identificava a empresa destinatária do valor, como pagamento de venda realizada; o) que salta aos olhos, com clareza solar, que mesmo diante dos documentos apresentados, houve por bem a autoridade julgadora ignorar o fato de que havia depósitos que não pertenciam à Recorrente; p) que a forma como discriminado no verso do cheque deixa claro que o valor do documento pertencia à terceira empresa, diversa da Recorrente, indo ao encontro da tese ora advogada, qual seja, de que os valores apenas transitaram pela conta corrente da Recorrente, sem, contudo, pertencer a ela; q) que, uma vez demonstrado que os valores apontados no auto de infração apenas transitaram pela conta da Recorrente, não lhe pertencendo, torna se improcedente o lançamento; r) que é confiscatória a multa fixada, devendo ser reduzida a patamar razoável; e s) que é ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic para o fim de cálculo de juros moratórios incidentes sobre os tributos pretensamente devidos à União. Em mesa para julgamento. Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.443 12 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Preliminar de nulidade do lançamento 4. Argui a Recorrente, preliminarmente a nulidade da autuação, posto pautarse em informações sigilosas. 5. Com relação à suposta “quebra de sigilo bancário”, esta não sucedeu no presente processo, uma vez que a própria Recorrente, em atendimento a intimação nesse sentido, forneceu, de livre e espontânea vontade, os extratos bancários nos quais se baseou a autuação (fls. 66). 6. Nesse sentido, os seguintes precedentes administrativos: Acórdão nº 120100.157 — 2ª Câmara – 1ª Turma Ordinária Sessão de 26 de agosto de 2009 EXTRATOS BANCÁRIOS — não há violação de sigilo bancário no caso de lançamento esteado em depósitos bancários, especialmente, se os extratos foram fornecidos pelo próprio sujeito passivo. [...]. Acórdão nº 130100.289 — 3ª Câmara – 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de abril de 2010 EXTRATOS BANCÁRIOS FORNECIDOS PELO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. INOCORRÊNCIA. Descabida a alegação de quebra de sigilo bancário sem autorização judicial, na situação em que os extratos bancários foram fornecidos à fiscalização pelo próprio titular da conta corrente, em cumprimento do dever de prestar informações ao Fisco. [...]. Acórdão nº 120200.307 – 2ª Câmara – 2ª Turma Ordinária Sessão de 05 de julho de 2010 EXTRATOS BANCÁRIOS ENTREGUES PELO CONTRIBUINTE. PROVA ILÍCITA. Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.444 13 A entrega, pelo contribuinte, dos extratos com sua movimentação financeira bancária não configura a existência de prova ilícita. [...]. Acórdão nº 140200.273 – 4ª Câmara – 2ª Turma Ordinária Sessão de 8 de novembro de 2010 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. INOCORRÊNCIA. Não há descumprimento de decisão judicial por quebra de sigilo bancário quando o sujeito passivo fornece seus extratos bancários sem opor resistência. [...]. Acórdão nº 180300.771 – 4ª Câmara – 3ª Turma Especial Sessão de 26 de janeiro de 2011 INFORMAÇÕES PRESTADAS PELO CONTRIBUINTE. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Não há falar em quebra de sigilo quando os extratos bancários são fornecidos pelo próprio contribuinte, em atendimento à intimação da autoridade administrativa nesse sentido. 7. Írritas, por conseguinte, todas as alegações da Recorrente que têm como pressuposto básico uma pretensa “quebra de sigilo bancário” (fls. 2.359 a 2.376). 8. Reiterase, ainda, que a autuação se baseou nos dados constantes dos extratos bancários fornecidos espontaneamente pela Recorrente, e não em dados de CPMF que, quando muito, poderiam se constituir, se fosse o caso, em meros indícios, insuscetíveis de qualquer lançamento. 9. Rejeito a preliminar arguida de nulidade do lançamento. Depósitos bancários de origem não comprovada 10. Esclarecese, de início, que não foram desconsiderados, pela fiscalização, os montantes de receitas constantes nas declarações apresentadas, tendo sido tributados apenas os créditos em contas bancárias de origem não justificada excedentes àqueles montantes (fls. 346 e 347). 11. Também não foi tributada a totalidade dos créditos nas contas bancárias da Recorrente, mas somente aqueles cujo histórico não identificava, em princípio, a respectiva origem dos recursos (art. 42, § 3º, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). 12. Quanto à alegada inexistência de acréscimo patrimonial a ser tributado pelo Imposto de Renda e à suposta ausência de sinais exteriores de riqueza, não demonstrados pela fiscalização, incide na espécie a Súmula CARF nº 26, de seguinte teor: Fl. 2489DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.445 14 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. 13. Evidentemente, a dispensa de comprovação do consumo da renda tem como reflexo a desnecessidade de o fisco demonstrar a existência de acréscimo patrimonial ou de sinais exteriores de riqueza, os quais dão origem àquele consumo. 14. Dessa forma, por força da mencionada Súmula, estão superados os entendimentos externados por este Conselho nas ementas transcritas pela Recorrente de fls. 2.380 a 2.382. 15. No que se refere à assertiva da Recorrente de que teriam sido incluídos, na base de cálculo dos tributos lançados, valores que somente circularam em suas contas e que nunca lhe pertenceram (empresas do mesmo Grupo), nada restou comprovado a esse respeito. 16. De conformidade com o disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, o ônus da comprovação da origem dos recursos creditados em conta bancária é do sujeito passivo, não sendo admissível que este, lançando mão de pedidos de realização de perícia e diligência, pretenda transferir esse ônus à Administração Pública, conforme se verifica a seguir (fls. 429 e 430, grifouse): Outrossim, e, como o presente processo é regido pelo Princípio da Verdade Real, é a presente para requerer se digne Vossa Senhoria de autorizar e determinar seja realizada uma ampla perícia nas contas bancárias da impugnante, para se determinar e identificar todas as respectivas entradas e saídas nos anos de 2000 a 2002, bem como a origem dos depósitos efetuados em suas contas e o destino desses numerários. Igualmente, a perícia será apta para identificar o sacador dos títulos ou titulares das transferências dos depósitos em suas contas bancárias e também trazer a estes autos a microfilmagem de todos os cheques e transferências referentes a essas transações de entradas e saídas, tudo para que seja capaz da impugnante demonstrar e provar que a grande parte dos depósitos em suas contas nunca lhe pertenceu, mas sim a terceiras empresas, exercitando, com isso, seu direito constitucional à ampla defesa que detém, para afastar as exigências que lhe estão sendo injustamente perpetradas. Eis aqui a justificativa e a pertinência da perícia pleiteada. É o que desde já requer. [...]. Requer, igualmente, para complementar a perícia solicitada, sejam, após a vinda das informações dos Bancos Bradesco, Brasil e Itaú, oficiadas às respectivas instituições financeiras “emissoras” dos cheques, DOCs, ou outras transferências, para que informem e identifiquem o sacados dos títulos (cheques) ou titulares das transferências realizadas para as contas da impugnante, e também trazer aos autos a microfilmagem desses cheques, DOCs ou transferências referentes a essas transações, tudo para identificar a origem e o destino dos valores circulados nas contas da impugnante e demonstrar e comprovar, repitase, Fl. 2490DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.446 15 que referidos valores nunca lhe pertenceram, afastando, com isso, as exigências que lhe estão sendo injustamente perpetradas, o que desde já requer. A justificativa e a razão para esta diligência é a mesma da perícia acima. 17. Há que se ressaltar que a mera existência de carimbos ou anotações no verso de cheques poderia comprovar, quando muito, a destinação dada aos recursos depositados, mas não a origem desses recursos, como pretendeu a Recorrente. 18. Além disso, notase a existência de créditos decorrentes de transferências eletrônicas, e não de cheques (CRED. TEF, REDE CARD, REDE SHOP – fls. 299 a 345). 19. Por fim, destacase o fato de constar naqueles cheques (fls. 492 a 507), também, em seu verso, carimbo de conta corrente de outra empresa para depósito, como segue (fls. 104, 491 e 506): Fl. 2491DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.447 16 [...]. 20. Para comprovar que os recursos creditados em sua conta corrente (e não na de outros, como pretendeu) eram realmente oriundos de operações de terceiros, deveria a Recorrente ter anexado aos autos as notas fiscais/duplicatas que deram origem a esses recursos, com datas e valores coincidentes aos dos correspondentes créditos bancários a serem justificados. 21. Como se sabe, cada venda deve estar amparada por nota fiscal, que serve como documento comprobatório da origem dos respectivos recursos recebidos. Fl. 2492DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES Processo nº 16095.000217/200561 Acórdão n.º 180301.160 S1TE03 Fl. 2.448 17 22. Com relação à insurgência recursal quanto à suposta desconsideração de despesas dedutíveis na base de cálculo do IRPJ, CSLL, Pis e Cofins, tratase, no caso, de tributação pelo lucro presumido, conforme opção efetuada pela própria Recorrente em suas Declarações de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) (fls. 23, 35 e 47), pelo que, nos percentuais de presunção do lucro (8% e 12% da receita bruta, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL – fls. 351 a 353 e 382 a 387), já estão automaticamente consideradas aquelas despesas (92% e 88% da receita bruta, respectivamente, para o IRPJ e a CSLL). 23. Assim, não há que se fazer “uma análise das receitas e das despesas” ou “a correta mensuração de despesas e receitas” ou, ainda, a “análise global das despesas e receitas” (fls. 2.379). Alegações de inconstitucionalidade e ilegalidade 24. No tocante às alegações de ser confiscatória a multa fixada e ser ilegal e inconstitucional a utilização da taxa Selic para o fim de cálculo de juros moratórios, aplicase a Súmula CARF nº 2, de seguinte teor: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Demais exigências 25. Ressalvados os casos especiais, igual sorte colhem os lançamentos que tenham sido formalizados por mera decorrência daquele, na medida que inexistem fatos ou argumentos novos a ensejar conclusões diversas. Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 2493DF CARF MF Impresso em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/01/2012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 22/01/2 012 por SERGIO RODRIGUES MENDES, Assinado digitalmente em 31/01/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES
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Numero do processo: 13848.000108/2005-03
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Obrigações Acessórias
Exercício: 2004
Ementa: A Multa por atraso na entrega da DCTF deve ser mantida, uma vez demonstrado que a situação fática descrita pelo contribuinte não se configura caso fortuito.
Numero da decisão: 9101-001.026
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR
provimento ao recurso da Fazenda Nacional. A conselheira Karem Jureidini Dias acompanhou o relator pelas conclusões.
Matéria: DCTF - Multa por atraso na entrega da DCTF
Nome do relator: Alberto Pinto Souza Junior
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado DEL ARCO REPRSENTAÇÕES DE PRODUTOS PARA ALIMENTAÇÃO ANIMAL LTDA.. Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2004 Ementa: A Multa por atraso na entrega da DCTF deve ser mantida, uma vez demonstrado que a situação fática descrita pelo contribuinte não se configura caso fortuito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. A conselheira Karem Jureidini Dias acompanhou o relator pelas conclusões. ﴾documento assinado digitalmente﴿ OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Participaram do presente julgamento: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Claudemir Rodrigues Malaquias, Valmir Sandri, Alberto Pinto Souza Junior, Viviane Vidal Wagner, Susy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, João Carlos de Lima Junior, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em face do Acórdão no 30239973 (doc. a fls. 41 a 48), o qual foi assim ementado: “ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 83DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 2 Período de apuração: 01/01/2003 a 31/03/2003 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. CASO FORTUITO. Tendo o contribuinte comprovado a ocorrência de caso fortuito, deve ser excluída a responsabilidade pelo atraso no adimplemento da obrigação acessória e afastada a penalidade respectiva. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.” O Auto de Infração (doc. a fls. 02) foi lavrado para cobrança de multa referente ao atraso na entrega de DCTF do primeiro trimestre de 2003, a qual foi entregue em 16.05.2003, ou seja, um dia após a data limite para a entrega (15/05/2003). Em sua defesa, o contribuinte alegou que ficou impossibilitado de apresentação da DCTF no dia 15/05/2003, pois houve uma queda momentânea de energia elétrica nas dependências do Escritório de Contabilidade responsável pela entrega da referida Declaração, causando problemas no sistema operacional do microcomputador que seria utilizado para enviar as informações para o site da Receita Federal, sendo que os problemas somente foram resolvidos no dia seguinte, dia este, em que foi entregue a DCTF. Como prova do alegado, anexou: Boletim de Ocorrência n° 287/03 lavrado no dia 16/05/2003 onde encontrase como vitima a empresa responsável pelo fornecimento de energia elétrica — Caiuá Serviços de Eletricidade S/A; e Declaração emitida pela empresa Caiuá Serviços de Eletricidade S/A confirmando o fato ocorrido. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto manteve o lançamento (doc. a fls. 23 a 24), por entender que acontecimentos fortuitos como a interrupção de energia elétrica por 10 (dez) segundos não implica dilação de prazo para o cumprimento de obrigação acessória, nem elide a aplicação da penalidade legal decorrente do inadimplemento no seu cumprimento. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 31 e 32), no qual explica que o curto circuito que causou a referida queda de energia, danificou o disco rígido e consequentemente o sistema operacional do microcomputador, que seria utilizado para transmitir a DCTF. Assim, sustenta que o atraso de 1 (um) dia na entrega da DCTF não foi devido ao fato da queda momentânea da energia elétrica, e sim o que esta queda causou ao microcomputador. A Segunda Câmara do extinto Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio do Acórdão no 302‐39.973 (doc. a fls. 41 a 47), decidiu que devia ser excluída a responsabilidade pelo atraso no adimplemento da obrigação acessória e afastada a penalidade respectiva, uma vez que o contribuinte comprovou a ocorrência de caso fortuito. A Fazenda Nacional teve ciência do referido Acórdão em 12/05/2009 (doc. a fls. 49) e interpôs Recurso Especial em 23/05/2009 (doc. a fls. 51 a 58), com fundamento no art. 7o, inciso I, do antigo Regimento Interno da Câmara Superior, o qual foi admitido em despacho do Presidente da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento do CARF (doc. a fls. 61 e 62). Em seu recurso especial, a Fazenda Nacional sustenta que as justificativas apresentadas pela contribuinte no sentido de que a penalidade imposta deve ser cancelada em razão de queda momentânea de energia elétrica ocorrida no último dia do prazo para remessa da DCTF não socorre a empresa de maneira alguma, pois como registrado pelo próprio Boletim de Ocorrência e pela declaração da empresa responsável pelo fornecimento de energia Fl. 84DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 13848.000108/200503 Acórdão n.º 9101001.026 CSRFT1 Fl. 2 3 elétrica, a queda de energia durou aproximadamente dez segundos, prazo este que não impossibilitou de forma alguma a remessa tempestiva da declaração, eis que por demais diminuto, podendo a empresa diante de tal incidente apresentála durante qualquer outro período. Devidamente cientificada do recurso especial da Fazenda Nacional, o contribuinte não se manifestou (doc. a fls. 66 a 68). É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto S. Jr, Relator. Presentes os pressupostos recursais, conheço do recurso especial. Do que foi decidido pelo acórdão recorrido, afloram três indagações: a) Casos fortuitos podem justificar o descumprimento de obrigações acessórias tributárias? b) O evento descrito pelo contribuinte pode ser classificado como caso fortuito? c) Restou provado que este evento descrito pelo contribuinte deu causa ao atraso na entrega da DCTF? Inicialmente, cabe lembrar os ensinamentos de Hely Lopes (in Direito Administrativo Brasileiro, Malheiros, 28ª edição, p. 231), para quem “caso fortuito é o evento da natureza que, por sua imprevisibilidade e inevitabilidade, cria para o contratado impossibilidade intransponível de regular execução do contrato”. Na mesma linha, Marçal Filho (in Curso de Direito Administrativo, ed. Saraiva, p. 363), define como ocorrência de fato excepcional e imprevisível, estranho à vontade das partes e que impossibilite o cumprimento dos prazos anteriormente previstos.”. O parágrafo único do art. 393 do Código Civil dispõe que “O caso fortuito ou força maior verificase no fato necessário, cujos efeitos não era possível evitar ou impedir”. Tal conceito, que parece amplo e abragente a todo Direito, está limitado à matéria do caput, a qual trata de direito obrigacional, mas precisamente sobre a responsabilidade do devedor civil pelos prejuízos causados pelo caso fortuito ou força maior. Outro dispositivo legal importante que se vale do conceito de “caso fortuito” é a Lei no 8.666/93, quando no seu art. 78, inciso XVII, o colocam como um dos motivos para se rescindir o contrato administrativo. Temos ainda a utilização do conceito de caso fortuito no Código Penal, especialmente no § 1º do art. 28, o qual isenta de pena o agente que por embriaguez completa decorrente de caso fortuito for incapaz de entender o caráter ilícito da sua conduta. Fl. 85DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 4 Notase assim, que o caso fortuito é todo evento da natureza que torna impossível a alguém agir de acordo com a sua livre vontade e que, por isso, fica afastada a sua responsabilidade penal por sua má conduta ou, cível, pelo inadimplemento de uma obrigação. Todavia, vale observar que estamos falando da aplicação da teoria da imprevisão e do conceito de caso fortuito em situações de responsabilidade subjetiva do agente. Ocorre, porém, que a responsabilidade por infrações tributárias é objetiva. Ou seja, a vontade do contribuinte é irrelevante para a sua responsabilização por infrações tributárias, já que o art. 136 do CTN dispõe que, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente”. Ao se compulsar o CTN, não se verifica qualquer dispositivo que autorize o intérprete da norma tributária a dispensar uma penalidade em decorrência de um caso fortuito, nem há na legislação específica da matéria em exame qualquer comando que determine a vinculação da responsabilidade pelo atraso na entrega da DCTF à intenção do contribuinte de assim agir. Ora, se uma enchente atingir toda uma cidade ou um bairro, impossibilitando seus moradores de cumprir com suas obrigações acessórias tributárias durante algum tempo, será necessário a edição de uma Lei, regularmente aprovada pelo Parlamento, para conceder anistia das multas decorrentes dos atrasos na entrega das Declarações. Isso porque somente a lei pode estabelecer hipóteses de dispensa ou redução de penalidades, conforme dispõe o art. 97, VI, do CTN. É verdade, como bem salientava Hely Lopes, que a aplicação da teoria da imprevisão, no Brasil, “assentavase mais na equidade que no Direito, visto que nenhuma lei a consagrava para os contratos administrativos” e “que foi a jurisprudência pátria que, seguindo os rumos do Conselho de Estado da França e estimulada pela doutrina, acabou admitindo a revisão dos ajustes administrativos em razão de fatos supervenientes e altamente onerosos para o particular contratado . Diante disso, eu indago: será que poderia o julgador administrativo, com base na idéia de equidade, dispensar a multa por atraso na entrega da DCTF sem o respaldo de uma lei (anistiadora), da mesma forma como ocorrera na disciplina dos contratos administrativos? A responsabilidade objetiva por infrações tributárias pode ser elidida pela ocorrência de caso fortuito ou força maior? De plano, vale alertar que o § 2º do art. 108 do CTN só veda o emprego da eqüidade para dispensa de pagamento de tributo devido. Como no caso em tela, tratase de multa, que com tributo não se confunde, concluise que não há nenhum óbice expresso no CTN ao emprego da equidade para se dispensar multa. Com relação à responsabilidade objetiva, sustentar que ela não pode ser elidida pela ocorrência de caso fortuito ou força maior é aceitar que ela tenha caráter absoluto, o que, pela jurisprudência pesquisada, parece não ser a melhor exegese. Ao analisar a responsabilidade objetiva do Estado por danos causados por seus agentes, julgados do Supremo Tribunal Federal tem sustentado reiteradamente que a “responsabilidade objetiva não se reveste de caráter absoluto, eis que admite o abrandamento e, até mesmo, a exclusão da própria responsabilidade civil do Estado, nas hipóteses excepcionais configuradoras de situações liberatórias como o caso fortuito e a força maior...” (vide: RDA 137/233 RTJ 55/50, no mesmo sentido, RE 539401 Agr/BA, RE 238453/SC, ). Notese que o § 6º do art. 37 da Constituição Federal de 1988, ao versar sobre a responsabilidade objetiva do Fl. 86DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR Processo nº 13848.000108/200503 Acórdão n.º 9101001.026 CSRFT1 Fl. 3 5 Estado, não faz expressamente qualquer ressalva à hipótese de ocorrência de caso fortuito ou força maior, sendo portanto essa conclusão uma construção jurisprudencial. Se a própria responsabilidade objetiva do Estado é elidida em se demonstrando que decorreu de caso fortuito, sem que haja expressa previsão no § 6º do art. 37 da CF/88, concluo que a melhor exegese do art. 136 do CTN deva ir pelo mesmo caminho, ou seja, a ocorrência de caso fortuito que impeça o cumprimento da obrigação tributária elide a responsabilidade pela infração tributária e, consequentemente, a aplicação da respectiva sanção. Cabe, agora, analisarmos se a situação fática descrita pelo contribuinte pode ser tida como caso fortuito. Conforme já bem frisado, o caso fortuito é o evento da natureza imprevisível e inevitável, ou seja, evento que seja impossível ao homem evitálo. Ainda que se tenha como imprevisível a ocorrência de falta de luz nas nossas cidades, certamente, não se pode dizer que tal evento é inevitável, mormente quando verificamos que o seu lapso temporal foi de apenas 10 segundos. Ora, o problema não era inevitável, pois o escritório de contabilidade poderia ter equipamentos mínimos para segurança de rede. Não estamos falando de equipamento raro e caro, mas de equipamento que se encontra em prateleiras de qualquer loja de computadores. Logo, o evento –falta de luz no escritório de contabilidade – era evitável, ou seja, existia meios ao alcance do contribuinte (ou do seu contratado) para evitálo. Assim, não há que se falar em caso fortuito no situação fática em tela. Não obstante reste demonstrado que não se trata de caso fortuito, vale esclarecer, apenas para argumentar, que não restou provado que o evento descrito pelo contribuinte tenha dado causa ao atraso na entrega da DCTF, pois a falta de luz por 10 segundos não teria o condão de impossibilitar o envio da DCTF durante todo o último dia de entrega, conforme bem salientou o julgador de primeira instância. Só depois que o julgador de primeira instância expôs a fragilidade da tese de defesa, o contribuinte modifica o seu argumento, para, então explicar que a queda da energia não foi a razão do descumprimento da obrigação acessória, mas o dano, por ela causado, no computador do escritório de contabilidade. Mesmo com o emenda feita pelo contribuinte após o julgamento de primeira instância, a tese de defesa continua sendo frágil, primeiro, porque não trouxe nenhuma prova do dano causado ao computador, como por exemplo, um orçamento de empresa especializada em reparos de computadores. Além disso, difícil imaginar que só existisse um computador à disposição de um escritório de contabilidade para fazer o envio da DCTF, mas se assim o fosse, seria por pura imprevidência do referido prestador de serviço, o que não justificaria a anistia da multa. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial do Procurador para restabelecer a cobrança da multa por atraso na entrega da DCTF do 1º trimestre de 2003. ﴾documento assinado digitalmente﴿ ALBERTO PINTO S. JR. Relator. Fl. 87DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR 6 Fl. 88DF CARF MF Emitido em 12/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/0 9/2011 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 20/07/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNI OR
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