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Numero do processo: 16327.001988/2006-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2001
IRPJ. DILIGÊNCIA FISCAL. ANALISE DETALHADA DAS PROVAS TRAZIDAS PELA CONTRIBUINTE.CONFIRMAÇÃO DO DIREITO DO CONTRIBUINTE. RECURSO DE OFÍCIO NÃO PROVIDO.
Restando provado nos autos do processo que assiste razão o contribuinte em parte das suas alegações, mediante procedimento de baixa e diligência, sendo investigado forma pormenorizada as provas trazidas pela contribuinte cumpre manter a decisão da DRJ, que cancelou em parte o lançamento.
Recurso de Ofício conhecido e não provido.
Numero da decisão: 1201-000.650
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao apelo oficial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Rafael Correia Fuso
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DILIGÊNCIA FISCAL. ANALISE DETALHADA DAS PROVAS TRAZIDAS PELA CONTRIBUINTE.CONFIRMAÇÃO DO DIREITO DO CONTRIBUINTE. RECURSO DE OFÍCIO NÃO PROVIDO. Restando provado nos autos do processo que assiste razão o contribuinte em parte das suas alegações, mediante procedimento de baixa e diligência, sendo investigado forma pormenorizada as provas trazidas pela contribuinte cumpre manter a decisão da DRJ, que cancelou em parte o lançamento. Recurso de Ofício conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao apelo oficial, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Presidente. (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudemir Rodrigues Malaquias (Presidente), Rafael Correia Fuso, João Carlos De Lima Junior, Marcelo Cuba Netto, João Bellini Junior e Regis Magalhães Soares De Queiroz. Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado pela fiscalização que cobra IRPJ em razão de suposta insuficiência de recolhimento do tributo ou falta de declaração, apurado pelo confronto de dados constantes da DIPJ do contribuinte com os declarados e recolhimentos efetuados na DCTF do ano calendário de 2001. O contribuinte, segundo a fiscalização, apresentou resposta parcial. Foi lavrado Auto de Infração para salvaguardar os interesses da Fazenda Nacional quanto a evitar a decadência. O enquadramento legal apontado pela fiscalização foi: artigo 841, incisos I, III e IV do RIR/99. Multa de 75%, artigo 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96. A contribuinte apresentou impugnação em 26/01/2007, alegando em síntese que: a) Analisandose o Mandado de Procedimento Fiscal ("MPFF") n° 08.1.66.002006002670, a fls. 001 dos autos, notase que os Srs. Fiscais detinham autorização para fiscalizar apenas a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido CSLL", no ano calendário de 2001; b) Assim sendo, a fiscalização e os lançamentos de supostos valores devidos a, titulo de IRPJ foram realizados em afronta à Portaria no 6.087, de 21 de novembro de 2005, motivo pelo qual deverão ser anulados por esta E. Turma de Julgamento; c) Portanto, o simples fato de o Sr. Agente Fiscal ter fiscalizado tributos distintos daquele indicado no MPFF (IRPJ), em clara afronta ao dispositivo da mencionada Portaria, é razão suficiente para a decretação de nulidade dos autos de infração, conforme já se posicionou o E. Conselho de Contribuintes, verbis: "PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS — NULIDADE — Afora as hipóteses de expressa dispensa do MPF, é inválido o lançamento de crédito tributário formalizado por agente do Fisco relativo a tributo não indicado no MPFF, bem assim cujas irregularidades apuradas não repousam nos mesmos elementos de prova que serviram de base a lançamentos de tributo expressamente indicado no mandado. Recurso de oficio a que se nega provimento". (Primeira Câmara, acórdãos nos 132783 e 130521). d) Nem se alegue que a fiscalização seria válida em razão da emissão do MPFComplementar no 08.1.66.0020060026701, que estendeu a fiscalização para o IRPJ, no período de janeiro a dezembro de 2001. Isso porque, uma vez que o MPFF padece de nulidade, os atos fiscalizatórios subseqüentes, tal como o MPFComplementar, também são inválidos por coerência lógica. Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 4 3 e) Desta forma, resta claro que o Sr. Agente Fiscal não detinha autorização para a fiscalização do IRPJ, razão pela qual deve ser reconhecida a nulidade do respectivo auto de infração por essa E. Turma de Julgamento. f) Quanto ao mérito, afirma que a diferença entre os valores declarados em DCTF e os informados em DIPJ correspondem a compensações efetuadas pela Impugnante (i) de saldos negativos de IRPJ, acumulados em razão de incorporação de outras empresas; e (ii) de IR/Fonte. g) Informa que, conforme se observa pela análise da declaração anexa (doc. 13), a Impugnante procedeu a retificação de sua DCTF relativa ao 4° Trimestre de 2001, de forma a demonstrar as compensações realizadas no anocalendário de 2001. h) Conforme demonstrado pela Impugnante no decorrer do procedimento de fiscalização, ela possuía um crédito de IRPJ referente a saldo negativo de exercícios anteriores no valor de R$ 1.495.583,49 (um milhão, quatrocentos e noventa e cinco mil, quinhentos e oitenta e três reais e quarenta e nove centavos), o qual era composto da seguinte forma: Origem do Crédito Valor Saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000 (DIPJ 2001), referente à empresa HSBC CTVM S/A R$ 495.539,23 Retenção na Fonte relativa ao anocalendário de 2000 (DIPJ 2001), referente à empresa HSBC CTVM S/A R$ 41.644,37 Retenção na Fonte relativa ao anocalendário de 2000 (DIPJ 2001), referente ã empresa HSBC CTVM S/A R$ 83.743,08 Saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000 (DIPJ 2001), referente A empresa HSBC CTVM S/A R$ 774.789,09 Saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000 (DIPJ 2001), referente 6 empresa CCF Brasil Commodities Ltda. R$ 99.867,72 Valor Total R$ 1.495.583,49 i) Por seu turno, no anocalendário de 2001, a Impugnante apurou um IRPJ a pagar no valor de R$ 1.506.175,48 (um milhão, quinhentos e seis mil, cento e setenta e cinco reais e quarenta e oito centavos) que, descontado o incentivo fiscal referente ao PAT (R$ 10.591,99), corresponde exatamente ao valor dos créditos por ela compensados. Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 5 4 j) Contudo, inexplicavelmente, no momento da lavratura do auto de infração, a Fiscalização houve por bem lavrar o auto de infração no valor do Imposto de Renda apurado no valor de R$ 1.010.636,25 (R$ 1.506.175,48 – R$ 495.539,23), ignorando o incentivo fiscal em referência, o qual já havia sido reconhecido pela própria Fiscalização no Termo de Intimação e Inicio de Fiscalização. k) Assim, carece de liquidez e certeza o auto de infração lavrado, motivo pelo qual deverá ser julgamento improcedente por esta colenda Turma Julgadora, cancelandose o crédito tributário indevidamente constituído. l) Conforme demonstrado no decorrer do procedimento de fiscalização, parte do IRPJ devido no final do anocalendário de 2001 foi compensado com créditos de IR/Fonte recolhidos no curso desse mesmo anocalendário. m) Com efeito, verificase pela análise da Linha 07, da Ficha 11, da DIPJ 2002 que em quase todos os meses do anocalendário de 2001 a Impugnante teve retido, na fonte, imposto sobre renda, os quais totalizam a quantia de R$ 125.387,45 (R$ 41.644,37 + R$ 83.743,08). (docs. 04 e 10). n) Sendo assim e como não poderia deixar de ser, a Impugnante, utilizando da prerrogativa que lhe confere o artigo 231 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999, utilizou esses créditos de IR/Fonte para dedução do valor do imposto devido no final do ano. o) Conforme demonstrado no decorrer do procedimento de fiscalização, a Impugnante, no anocalendário de 2000, apurou um saldo negativo de IRPJ correspondente a 1.129.533,68 (um milhão, cento e vinte e nove mil, quinhentos e trinta e três reais e sessenta e oito centavos). Faz prova disso a DIPJ 2001 acostada presente defesa. (doc. 11) p) Sendo assim e como não poderia deixar de ser, já no próximo ano calendário (2001) esse valor foi utilizado em compensações com IRPJ devido por estimativa nesse período, sendo que, em dezembro de 2001, esse crédito perfazia o montante de R$ 774.789,09 (setecentos e setenta e quatro mil, setecentos e oitenta e nove reais e nove centavos), o qual foi utilizado na compensação com o IRPJ devido nesse anocalendário. Tais compensações podem ser facilmente comprovadas por meio da análise do Livro Razão Auxiliar (IRPJ a compensar) que instrui a presente defesa. (doc. 11) q) Salientese que referida compensação também foi devidamente informada pela Impugnante em DCTF retificadora apresentada em 11/10/2006. (doc. 13) r) Conforme exposto anteriormente, a empresa CCF Brasil Commodities Ltda. (inscrita no CNPJ/MF sob o no 61.825.857/000135), alterou sua denominação social para HSBC Commodities — Exportadora e Corretora de Mercadorias & Futuros (Brasil) Ltda., a qual, por sua vez, foi incorporada pela Impugnante (antiga CCF Brasil Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A). s) Pois bem, no anocalendário de 2000, a CCF Brasil Commodities Ltda., apurou um saldo negativo de IRPJ correspondente a R$ 254.460,23 (duzentos e cinqüenta e quatro mil, quatrocentos e sessenta reais e vinte e três centavos). Faz prova disso a DIPJ 2000 acostada 6 presente defesa. (doc. 12) Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 6 5 t) Sendo assim e como não poderia deixar de ser, parte desse crédito (R$ 99.867,72) foi utilizado na compensação com o IRPJ devido no anocalendário de 2001. Tal compensação pode ser facilmente comprovada por meio da análise do Livro Razão Auxiliar (IRPJ a compensar) que instrui a presente defesa. (doc. 12) u) Salientese que referida compensação também foi devidamente informada pela Impugnante em DCTF retificadora apresentada em 11/10/2006. (doc. 13) v) Alega ainda o não atendimento ao disposto ao artigo 142 do CTN, além da ilegalidade da cobrança do tributo pela Taxa Selic. Ao final, requereu provimento à impugnação. Juntou todos documentos mencionados em sua defesa, conforme narrado acima. Os autos baixaram em diligência a pedido da DRJ, para averiguar o seguinte: A presente Diligência foi solicitada pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo (DRJ/SPI) em Despacho às fls. 364/366. Solicita relatório conclusivo por parte do diligenciante sobre as verificações solicitadas. Na primeira verificação solicita a motivação da DCTF retificadora de fls. 356/357. Na eventualidade da ocorrência de equivoco por parte da Fiscalização, devem ser consultados os registros contábeis da contribuinte, a fim de se verificar a correção dos valores declarados em DCTF, fazendose, se for o caso, os devidos ajustes no valor lançado de oficio. A seguir, solicita a motivação da glosa que motivou o lançamento referente ao Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), no montante de R$ 10.591,99. Solicita, finalmente, que a fiscalização diligencie, junto ao contribuinte, para verificação da documentação fiscal e respectivos registros contábeis, a fim de averiguar a procedência das alegações de compensações e retenções de IRRF. O relatório fiscal da diligência apontou as seguintes informações: A DCTF retificadora foi apresentada no dia 11 de outubro de 2006, as 15:21, ou seja, 16 dias antes do inicio da ação fiscal, ocorrida em 27 de outubro de 2006 (fl. 01). Tal retificação não estava disponível nos sistemas informatizados da Receita Federal à época. Referida Delegacia Especial De Instituições Financeiras Em São Paulo – DEFIS, Rua Avanhandava, 55, 50 andar São Paulo SP CEP 01306001 Tel: (11) 21129189, declaração havia sido enviada pelo contribuinte, mas não havia sido "validada" pelos diversos filtros e malhas dos sistemas informatizados. Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 7 6 Observamos que o débito de IRPJ constante da DCTF retificadora foi informado como integralmente compensado, ou seja, sem saldo a pagar. Logo, tal débito não constituiria confissão de divida, nem poderia ser inscrito em Divida Ativa da União, e, portanto, estaria sujeito ao lançamento de oficio. (Acórdão 10707.789 em 01/12/2004 do 10° CC / 7ª. Câmara). (...) O lançamento efetuado abriu oportunidade para a discussão administrativa da compensação do débito, atendendo ao principio constitucional do contraditório e da ampla defesa. Vide entendimento manifestado neste sentido no acórdão n° 1617309 de 29/05/2008 da 8ª Turma da DRJSPOI. Com relação ao valor referente ao PAT, no montante de R$ 10.591,99, o contribuinte apresentou a documentação necessária, devendo tal valor ser deduzido do montante global lançado no presente Auto de Infração. Na DCTF retificadora, o contribuinte informa débito de IRPJ no valor de R$ 874.656,81. O débito teria sido totalmente compensado da seguinte forma: saldo negativo apurado em 31/12/2000, no valor de R$ 774.789,09 e saldo negativo apurado em 31/12/2000 na sucedida, CCF Brasil Commodities Ltda, CNPJ 61.825.857/000135, no valor de R$ 99.867,72. Com relação ao valor referente ao PAT, no montante de R$ 10.591,99, o contribuinte apresentou a documentação necessária, devendo tal valor ser deduzido do montante global lançado no presente Auto de Infração. Na DCTF retificadora, o contribuinte informa débito de IRPJ no valor de R$ 874.656,81. 0 débito teria sido totalmente compensado da seguinte forma: saldo negativo apurado em 31/12/2000, no valor de R$ 774.789,09 e saldo negativo apurado em 31/12/2000 na sucedida, CCF Brasil Commodities Ltda, CNPJ 61.825.857/000135, no valor de R$ 99.867,72. Em relação aos créditos próprios compensados, reproduzimos abaixo as informações presentes na DIPJ 2001/2000: IRPJ devido em 2000 R$ 0,00 IRRF R$16.385,12 IR mensal pago por estimativa R$ 1.113.148,56 IR a pagar R$1.129.533,68 Em 18 de dezembro de 2008, o contribuinte produziu um detalhamento do quadro acima, utilizado para elucidação dos fatos em questão (vide fl. 1271): Como observado no quadro acima, A linha (b) retenção de terceiros, o contribuinte alega um valor superior ao informado em DIRF (fl.1263). Foi intimado a apresentar comprovantes de Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 8 7 rendimentos do período, mas apresentou somente dois informes (fls. 881 e 882), referentes às linhas (c) e (d), em 18 de dezembro de 2008. Na manifestação que acompanhou a entrega de documentos referida acima, informa que não conseguiu, no tempo estabelecido, levantar a totalidade de rendimentos retidos na fonte, relativos aos anoscalendário de 2000 e 2001 e solicita que seja realizada diligência junto às fontes pagadoras (fl. 871). Entendemos descabida a diligência, vez que o contribuinte tem obrigação legal de manter tais documentos, a teor do RIR199, Art. 264. O contribuinte pretende compensar parte do crédito tributário com compensação de saldo negativo — próprio de R$ 774.789,09, referente ao anocalendário de 2000. Porém, o demonstrativo de cálculo da compensação (fls. 1231/1237), resulta em um valor disponível para compensação de R$ 653.826,22 e um saldo de débito remanescente de R$ 18.377,54. Do valor informado de compensação de pagamentos a maior — próprio, R$ 774.789,00, validamos o valor de R$ 756.411,55. Foi informado ainda na DCTF compensação do crédito de saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2000, referente A empresa CCF Brasil Commodities — Exportadora e Corretora de Mercadorias & Futuros Ltda, CNPJ 61.825.857/000135, no valor de R$ 99.867,72, que foi descrita pelo contribuinte nos seguintes documentos: (i) item 2.3 da resposta de fl. 130; (ii) quinto item da tabela de fl. 44; (iii) item "iv", de fls. 47/48; (iv) documentos de fls. 323/355. Referida empresa foi cindida em maio de 2000; a parcela cindida foi incorporada pelo Banco CCF Brasil S/A, CNPJ 33.254.319/000100. Como consequência da incorporação, o capital social do Banco ficou inalterado, tendo em vista que era detentor das cotas canceladas como consequência da cisão parcial; seu investimento foi substituído em seu ativo pelo patrimônio incorporado. Também como consequência da incorporação, o Banco sucedeu a empresa cindida em todos os direitos e obrigações relativas à parcela cindida (fls. 1174 1176). Em 14 de dezembro de 2000, a empresa CCF Brasil Commodities alterou sua denominação social para HSBC Commodities — Exportadora e Corretora de Mercadorias & Futuros (Brasil) Ltda. Por sua vez, em 19 de março de 1999, a empresa HSBC Bamerindus S/A Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, CNPJ 76.528.660/000101, alterou sua denominação social para HSBC Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários (Brasil) S/A. Em 29 de junho de 2001, as empresas acima referidas (HSBC Commodities e HSBC Corretora de Câmbio) foram incorporadas Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 9 8 pela ora impugnante que, à época, denominavase CCF Brasil Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S/A (fl. 43). Abaixo reproduzimos parte dos dados da DIPJ entregue por ocasião da cisão. Vide cópia da DIPJ às fls. 12381247. DIPJ janeiro a maio de 2000 IRPJ devido em 31/05/2000 R$ 333219,70 PAT R$275,66 IRPJ pago por estimativa R$ 763.720,20 IR a pagar R$ 430.776,16 Em 18 de dezembro de 2008, o contribuinte produziu um demonstrativo (fl. 1043) em que detalhou o quadro acima. Abaixo reproduzimos parte do mesmo (vide fls. 1273) (...) As retenções na fonte informadas pelo contribuinte são compatíveis com os valores constantes na DIRF (fls. 1248/1251). Nos quadros abaixo reproduzimos parte da DIPJ 1999 do contribuinte, cujos dados principais encontramse às fls. 1252/1260. Verificamos que o saldo negativo do contribuinte no anocalendário de 1998 mostrase consistente com os valores presentes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (fls. 1261/1262). DIPJ 199911998 IRPJ devido R$ 2.991.376,32 PAT R$ 967,53 IRRF R$ 3.787.477,98 IR mensal pago estimativa R$ 8.369.810,27 IR a pagar R$ 9.166.879,46 A vista do acima exposto, consideramos consistente o aproveitamento do valor de R$ 99.867,72, da CCF Brasil Commodities Ltda, CNPJ 61.825.857/000135, efetuado pelo contribuinte no anocalendário de 2001. A DRJ solicita ainda, no segundo quesito do item três do Despacho supramencionado, que esta Diligência verifique as retenções de IRRF relativas ao anocalendário de 2000, que foram descritas pelo contribuinte nos seguintes documentos: (i) itens 2.1 e 2.2 da resposta de fl. 129; (ii) segundo e terceiro itens da tabela de fl. 44; (iii) item "ii" de fl. 46; (iv) documentos de fls. 120/123 e 152/279. Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 10 9 No item acima, o ilustre julgador menciona o ano de 2000. Entretanto acreditamos que o correto seria o ano de 2001. Parecenos que a origem do equivoco devese ao fato de que tanto o contribuinte como seus advogados mencionaram o ano de 2000 às fls. 44 e 129. Porém, na fl. 46, na manifestação dos advogados, verificamos que há menção ao anocalendário de 2001. Observamos, também, as fls. 93 a 96, onde encontramos a ficha 11 — Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa da DIPJ 2002, que os valores de IRRF referemse ao ano calendário de 2001. Assim sendo, passamos a analisar o valor de IRRF utilizado pelo contribuinte no referido anocalendário de 2001 e que totaliza R$ 125.387,45 (R$ 41.644,37 + R$ 83.743,08). Consultando os sistemas internos da RFB, verificamos que o IRRF informado em DIRF totaliza R$ 91.389,26 (fl. 1264). Conforme já mencionamos no item quatro, o contribuinte tem o dever legal de manter os informes de rendimento sob sua guarda. No entanto,nenhum informe de rendimento foi apresentado. As cópias dos Darfs de fls. 152 a 279 referemse ao código 8045 (autorretenção) e totalizam R$ 76.718,51. Estes valores já estão computados no resumo geral da DTRF do anocalendário de 2001, informado no item anterior. Dessa forma, não havendo sido apresentados os informes de rendimentos de 2001, será utilizado o valor de retenção na fonte informado na DIRF, ou seja, o valor de R$91.389,26. A luz dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte e considerando os valores que constam nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, a conclusão do presente relatório encontrase no quadro abaixo: Resumo do Relatório Fiscal IRPJ lançado neste Auto de Infração R$ 1.010.636,25 () PAT (item 10) R$ 10.591,99 () IRRF (item 34) R$ 91.389,26 () Compensação de saldo negativo próprio (item 18) R$ 756.411,55 () Compensação cindida/incorporada (item 27) R$ 99.867,72 (=) IRPJ devido R$ 52.375,73 A vista da análise da documentação juntada pelo contribuinte na impugnação e nas respostas as intimações desta Divisão de Fiscalização, chegamos à conclusão de que o valor lançado de IRPJ deve ser revisto, de R$ 1.010.636,25, para R$ 52.375,73. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 11 10 Em resposta à diligência, a contribuinte informa: Assim, tendo em vista que a Impugnante concorda com o resultado da diligência fiscal, serve a presente para informar que, relativamente parcela do IRPJ no valor principal de R$ 52.375,73, a Impugnante realizará o pagamento ou parcelamento, nos termos da Lei no 11.941/2009. Ante o exposto, tal como dispõe o art. 13 da Portaria PGFN/RFB no 006/2009 1, a Requerente apresentará posteriormente, no prazo previsto pela Portaria no 013/2009, o Anexo I com a desistência parcial da impugnação interposta no presente processo administrativo. Por fim, com relação ao crédito tributário de IRPJ remanescente, cuja regularidade da compensação foi expressamente reconhecida pela Divisão de Fiscalização, a Impugnante requer a essa I. Turma de Julgamento que acolha as conclusões do Relatório de Diligência Fiscal, a fim de que seja dado parcial provimento à impugnação apresentada, com o conseqüente cancelamento definitivo do débito no montante de R$ 958.260,52. A DRJ acolheu na íntegra o parecer da fiscalização, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2001 IRPJ. RESULTADO DE DILIGÊNCIA FISCAL. ANALISE DETALHADA DAS PROVAS TRAZIDAS PELA CONTRIBUINTE. Exonerase parcialmente a contribuinte do recolhimento do IRPJ cobrado no auto de infração, quando restar provado nos autos do processo, mediante diligência fiscal que analisou de forma pormenorizada as provas trazidas pela contribuinte, que assiste razão em parte aos argumentos apresentados pelo sujeito passivo. AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais, é incabível cogitar a nulidade do Auto de Infração. DIPJ. AUSÊNCIA DE ATRIBUTO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. A DIPJ, a partir do exercício de 2000, passou a ter caráter meramente informativo, não ostentando o tributo de confissão de divida. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 12 11 A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de disposição expressa em lei, não cabendo aos órgãos do Poder Executivo afastar sua aplicação. PRODUÇÃO DE PROVAS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de a impugnante faze10 em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a ocorrência de algumas das hipóteses previstas no §4° do art. 16 do Decreto n° 70.235/72. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Exonerado O Recurso a ser julgado é de ofício, em razão do valor do cancelamento de parte do Auto de Infração. Este é o relatório! Voto Conselheiro RAFAEL CORREIA FUSO Entendo que a decisão recorrida não se sujeita a reparos, pelos fundamentos a seguir expostos. Quanto ao resultado da diligência, com maestria, a fiscalização acolheu de forma fundamentada e fulcrada em investigação de documentos trazidos pelo contribuinte e da posse da própria Receita Federal, parte dos fundamentos trazidos pelo Impugnante do lançamento, inclusive refazendo os cálculos daquilo que permaneceu como devido nos autos. Reporto nesse julgamento às justificativas trazidas pela fiscalização, para concluir pela procedência parcial do lançamento, com os destaques abaixo: A DCTF retificadora foi apresentada no dia 11 de outubro de 2006, as 15:21, ou seja, 16 dias antes do inicio da ação fiscal, ocorrida em 27 de outubro de 2006 (fl. 01). Tal retificação não estava disponível nos sistemas informatizados da Receita Federal à época. Referida Delegacia Especial De Instituições Financeiras Em São Paulo – DEFIS, Rua Avanhandava, 55, 50 andar São Paulo SP CEP 01306001 Tel: (11) 21129189, declaração havia sido enviada pelo contribuinte, mas não havia sido "validada" pelos diversos filtros e malhas dos sistemas informatizados. Observamos que o débito de IRPJ constante da DCTF retificadora foi informado como integralmente compensado, ou seja, sem saldo a pagar. Logo, tal débito não constituiria Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 13 12 confissão de divida, nem poderia ser inscrito em Divida Ativa da União, e, portanto, estaria sujeito ao lançamento de oficio. (Acórdão 10707.789 em 01/12/2004 do 10° CC / 7ª. Câmara). (...) Com relação ao valor referente ao PAT, no montante de R$ 10.591,99, o contribuinte apresentou a documentação necessária, devendo tal valor ser deduzido do montante global lançado no presente Auto de Infração. (...) Do valor informado de compensação de pagamentos a maior — próprio, R$ 774.789,00, validamos o valor de R$ 756.411,55. (...) As retenções na fonte informadas pelo contribuinte são compatíveis com os valores constantes na DIRF (fls. 1248/1251). (...) A vista do acima exposto, consideramos consistente o aproveitamento do valor de R$ 99.867,72, da CCF Brasil Commodities Ltda, CNPJ 61.825.857/000135, efetuado pelo contribuinte no anocalendário de 2001. (...) A vista da análise da documentação juntada pelo contribuinte na impugnação e nas respostas as intimações desta Divisão de Fiscalização, chegamos à conclusão de que o valor lançado de IRPJ deve ser revisto, de R$ 1.010.636,25, para R$ 52.375,73. Portanto, adotandose integralmente o fundamentado trabalho da fiscalização quanto à analise objetiva dos questionamentos trazidos pela DRJ em sua solicitação, entendo que não há reparos a fazer na decisão recorrida, visto que fundamentada em diligência da fiscalização, acima colacionada. Diante do exposto, CONHEÇO do recurso de ofício e no mérito NEGOLHE provimento, mantendo a decisão da DRJ. É como voto! (documento assinado digitalmente) RAFAEL CORREIA FUSO Relator Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS Processo nº 16327.001988/200685 Acórdão n.º 120100.650 S1C2T1 Fl. 14 13 Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 22/02/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por RAFAEL CORREIA FUSO, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por CLAUDEMIR RODRIGUES MALAQUIAS
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Numero do processo: 13121.000315/2004-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Apr 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2001
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
DESPESAS MÉDICAS-ODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO.
Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontram-se elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2102-001.907
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial ao recurso para restabelecer as despesas comprovadas pelas notas fiscais de fls. 19/20 no valor total de R$ 1.887,22. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. DESPESAS MÉDICASODONTOLÓGICAS. RESTABELECIMENTO. Devem ser restabelecidas as despesas a título de tratamento médico ou odontológico, quando encontramse elementos suficientes para se formar a convicção que os serviços foram efetivamente prestados com ônus do contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em DAR parcial ao recurso para restabelecer as despesas comprovadas pelas notas fiscais de fls. 19/20 no valor total de R$ 1.887,22. Vencida a Conselheira Núbia Matos Moura que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Fl. 131DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13121.000315/200464 Acórdão n.º 210201.907 S2C1T2 Fl. 128 2 Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 07/05/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Ausente justificadamente a Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 79 a 83: Contra o contribuinte em epígrafe foi emitido Auto de Infração do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 48 a 54), referente ao exercício 2001, ano calendário 2000, por Auditor Fiscal da Receita Federal, da DRF/AnápolisGO. Após a revisão da Declaração foram apurados os seguintes valores (fl. 48): Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar 9.841,48 Multa de Ofício (passível de redução) 7.381,11 Juros de Mora (cálculo válido até 08/2004) 5.887,17 Total do Crédito Tributário 23.109,76 O lançamento acima foi decorrente da(s) seguinte(s) infração(ões): Dedução Indevida de Despesas Médicas. Não comprovou as despesas. Glosa de R$ 35.787,22. Enquadramento legal: art. 8º, inciso II, alínea "a" e parágrafos 2º e 3º da Lei 9.250/95; arts. 37 e 41 a 46 da IN SRF nº 25/96 (fl. 50). O contribuinte apresenta impugnação, datada em 06/12/2004 (fls. 01 a 05), acompanhada da documentação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Em nenhum momento, desde a apresentação da Declaração de Ajuste, qualquer Autoridade Fazendária o intimou, o que configura o cerceamento de defesa e claro descumprimento dos preceitos constitucionais. Transcreve excerto do art. 5º, II, LIV e LV, da Constituição Federal e CTN, art. 3º. Conclui que o tributo só pode ser exigido quando está vinculado ao comando legal, não havendo espaço para a atuação fiscal que não seja a estrita obediência ao comando legal. Transcreve, no sentido de sua argumentação, o art. 844 do RIR/1999. Repete que está clara e evidente a impropriedade da ação fiscal, uma vez que não foi, em nenhum momento, notificado de qualquer irregularidade acerca da sua declaração de ajuste. Transcreve entendimentos jurisprudenciais administrativos e Judiciais no sentido de sua argumentação. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13121.000315/200464 Acórdão n.º 210201.907 S2C1T2 Fl. 129 3 unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente não foram acompanhadas de provas suficientes para comprovar a efetiva prestação dos serviços e pagamento das despesas médicas declaradas, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESAS MÉDICAS. Considerase não impugnada, portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o contribuinte demonstrar ter pleno conhecimento dos atos processuais e lhe for assegurado o direito de resposta ou de reação. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 90 a 92, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Declarou as despesas odontológicas realizadas com os seus filhos e com o próprio contribuinte, os quais não foram declarados na declaração de imposto de renda na qualidade de dependentes; II. Ressaltou que nos anos posteriores e anteriores procedeu da mesma forma, declarando apenas as despesas dos filhos e não os colocando na qualidade de dependentes na declaração de imposto de renda, tendo em vista que os mesmos são dependentes da mãe deles, e ficando as despesas hospitalares e odontológicas a seu cargo; III. Pede que sejam considerados os gastos com os filhos em razão das despesas realizadas, e caso não sejam consideradas que seja consideradas as despesas realizadas para tratamento odontológicos realizadas pelo próprio contribuinte devidamente comprovadas e IV. Requer ao final, pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13121.000315/200464 Acórdão n.º 210201.907 S2C1T2 Fl. 130 4 O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Neste processo, discutese as seguintes glosas no valor de R$ 35.787,22, referentes aos recibos apresentados às fls. 15 a 32. Em relação as despesas dos filhos, não inclusos na respectiva DIRPF, não há o que se discutir sobre as glosas, pela falta de previsão legal, uma vez que, somente são dedutíveis despesas do próprio declarante e seus dependentes, conforme artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/1999). Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13121.000315/200464 Acórdão n.º 210201.907 S2C1T2 Fl. 131 5 O contribuinte, desde o início dessa fiscalização, para comprovar a efetividade das despesas juntou apenas os recibos indicados. Ora, somente a apresentação destes recibos não solidificam uma contraposição minimamente suficiente para rebater as provas e razões que embasaram o lançamento, não reforçando em matéria de prova a substância que se procura. A opção não usual pelo pagamento em espécie, de todas as despesas glosadas, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Saliento que dadas as quantias envolvidas, é pouco provável que os pagamentos tenham sido realizados todos em moeda corrente. E se o foram, em remota possibilidade, é certo que os saques correspondentes seriam de fácil identificação em extratos bancários, haja vista que o impugnante informou em sua DIRPF “rendimentos tributáveis” recebidos exclusivamente de pessoas jurídicas, Prefeitura, que usualmente faz os pagamentos dos vencimentos de seus funcionários e aos prestadores de serviços por meio de créditos em contas/correntes dos beneficiários. A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado, o que até este ponto do processo não foi feito. Por outro lado, dentre as despesas, duas foram comprovadas por meio de Nota Fiscal de Serviço, fls. 19/20, com a devida identificação do recorrente como usuário dos serviços. Dessa forma, entendo que para essas notas fiscais, restou comprovada as respectivas despesas, nos valores de R$ 787,22 e R$ 1.100,00. Portanto, salvo as notas fiscais, não há in casu justificativa para o deferimento do pedido de juntada de provas pleiteada, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica, pleiteando a aceitação de simples recibos, como comprovação de despesas médicas pleiteadas, se o fenômeno econômico não ficar provado. É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 13121.000315/200464 Acórdão n.º 210201.907 S2C1T2 Fl. 132 6 Desta forma, temse que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Não pode, portanto, prevalecer a tese do contribuinte de que o Fisco deveria comprovar, p.ex., o não pagamento dos valores consignados nos recibos e a não efetivação dos serviços, ou ainda, verificar se os prestadores declararam os valores recebidos. Além disso, menciono a seguir julgado do Conselho de Contribuintes relativas à matéria, para reforçar o entendimento aqui manifestado: IRPF – DESPESAS MÉDICAS – DEDUÇÃO – Inadmissível a dedução de despesas médicas, da declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1o CC 104 – 16647/1998) CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, restabelecendo as despesas comprovadas pelas notas fiscais de fls. 19/20 no valor total de R$ 1.887,22 e mantendo as demais exigências lançadas. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 07/05/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 36202.002486/2007-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/2001
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL.
O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a dectaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada
Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In caste, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN).
PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO.
Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 2401-001.109
Decisão: ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA
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SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO • Processo n° 36202.002486/2007-76 Recurso n° 165.888 Voluntário Acórdão n° 2401-01.109 — 4" Câmara / 1' Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2010 • Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente BRASFLEX TUBOS FLEXÍVEIS LTDA E OUTROS Recorrida DRJ- RIO DE JANEIRO II/RJ • ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/04/1999 a 30/06/2001 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO • QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a dectaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's d's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada, Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. In caste, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150, § 4° ou 173, do CTN). PROCESSUAL. RECURSO REPETITIVO. Decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão, conforme disciplina o artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4° Câmara / i a Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. • , . . a Xe" ELIAS SA • 1 FREIRE - Presidente ,CÁ-217S ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA— Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 2 • Processo n°36202.002486/2007-76 S2-C4T1 Acórdão n.° 2401-01.109 Fl. 877 Relatório Trata-se de recurso repetitivo a ser julgado com a adoção do procedimento previsto no artigo 47 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos moldes em que disciplina a Portaria CARF 11083, de 24/09/2009. No julgamento do Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.000296/2005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n°2401-01.096, assim ementado: Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁ RIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, nos termos dos dispositivos • legais constantes do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidacle do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's n's 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n" 08, disciplinando a matéria. In casu, constatou-se a decadência sob qualquer fundamento legal que se pretenda aplicar (artigo 150„f 4' ou 173, do CEN). É o relatório. Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora Inicialmente há de se esclarecer que o presente acórdão supre o despacho previsto no art. 2°, § 2 0 Portaria CARF n°83, de 24/09/2009. No Recurso-Padrão, o Recurso: n° 267248 (167248), Processo: n° 36802.00029612005-93, Recorrente: COMÉRCIO MATERIAIS CONSTRUÇÃO LORENZETTI, a Turma decidiu, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas, através do Acórdão n° 2401-01.096. Portanto, decidido o Recurso-Padrão, aos demais recursos repetitivos que tratam da mesma matéria devem ser aplicados o mesmo resultado do Recurso-Padrão. Pelo exposto, voto por reconhecer a decadência da totalidade das contribuições apuradas. Sala das Sessões, em 24 de fevereiro de 2010 ELAINE CUM 1NA MUNI ElKO E SILVA VIEIRA — Relatora 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS n:',:;-;?::‘.& QUARTA CÂMARA - SEGUNDA SEÇÃO- -.•• Processo n°: 36202.002486/2007-76 Recurso n°: 165.888 . TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no parágrafo 3° do artigo 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o(a) Senhor(a) Procurador(a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Quarta Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2401-01.109 Brasili , 12 Ide março de 2010 ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente da Quarta Câmara Ciente, com a observação abaixo: [ 1 Apenas com Ciência [ ] Com Recurso Especial [ ] Com Embargos de Declaração Data da ciência: / / 'rocurador (a) da Fazenda Nacional
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Numero do processo: 10830.004908/2006-77
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/06/1993 a 30/09/1995
RESTITUIÇÃO DE TRIBUTOS. PRESCRIÇÃO.
Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a
repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do
recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei
Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa.
Numero da decisão: 3302-001.490
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento
parcial ao voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Antonio
Francisco, quanto à semestralidade.
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PRESCRIÇÃO. Para pedidos protocolados até 09/06/2005, o prazo prescricional para a repetição de pagamentos indevidos ou a maior é de 10 anos a contar do recolhimento. Nos termos da decisão do Supremo Tribunal Federal a Lei Complementar 118/2005 possui natureza interpretativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro José Antonio Francisco, quanto à semestralidade. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. EDITADO EM: 02/04/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 2 Relatório Por bem retratar a matéria tratada no presente processo, transcrevese o relatório produzido pela DRJ de Campinas: Tratase de Pedido de Restituição e declarações de compensação vinculadas ao crédito solicitado, encaminhados eletronicamente por meio do programa PER/Dcomp (fls. 13/31). Inicialmente a contribuinte foi intimada a apresentar os Darfs veiculados no pedido de restituição e nas declarações de compensação apresentadas. Em 19/09/2006, a interessada protocolou o requerimento de fls. 1/6, no qual alegava que seu crédito se referia ao Pasep recolhido indevidamente com base nos DecretosLeis n° 2.445, de 29 de junho de 1988, e n° 2.449, de 21 de julho de 1988, que foram declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Alegava ainda que o Superior Tribunal de Justiça teria reconhecido que o prazo para pedir a restituição seria de dez anos contados da data da publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 1995. Na oportunidade, esclareceu ainda que os valores objeto de compensação não se encontravam em um único Darf, mas em uma série de Darfs recolhidos entre os anos de 1993 e 1995, cujas cópias foram anexadas aos autos. A DRF em Campinas, por meio do Despacho Decisório de fls. 49/57, apreciando o pedido de restituição e as declarações de compensação apresentadas, não reconheceu o direito creditório, indeferindo o pleito da interessada e não homologando as compensações efetuadas, sob a fundamentação de que já estaria extinto o direito de pleitear a restituição e a pretensão da contribuinte de considerar como base de cálculo do Pasep o faturamento de seis meses anteriores à ocorrência do fato gerador não procede, pois a Lei Complementar n° 8, de 1970, não tem dispositivo semelhante ao parágrafo único do art. 6° da Lei Complementar n° 7, de 1970. Cientificada desse despacho em 26/10/2006 (fl. 59), a interessada apresentou manifestação de inconformidade em 27/11/2006 (fls. 60/78), na qual alega: • efetuou o recolhimento do Pasep no período compreendido entre 1993 e 1995 conforme dispunham os DecretosLeis n° 2.445, de 1988, e n° 2.449, de 1988, ou seja, no mês seguinte àquele da apuração da receita que lhe servia de base de cálculo; • os citados decretosleis foram julgados inconstitucionais pelo STF e o Senado Federal suspendeu sua vigência por meio da Resolução n° 49, de 09/10/1995, voltando à vigência as Leis Complementares n° 7 e n° 8, de 1970, que originalmente regulavam a matéria, dispondo que os recolhimentos deveriam ser feitos no sexto mês posterior à apuração da receita que servia de base de cálculo do referido tributo, especificamente em relação ao Pasep na forma do art. 14 do Decreto n° 71.618, de 26/12/1972; Fl. 145DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10830.004908/200677 Acórdão n.º 330201.490 S3C3T2 Fl. 115 3 • as contribuições previstas nas Leis Complementares n° 7 e n° 8, de 1970, foram posteriormente unificadas pela Lei Complementar n° 26, de 1975, passando a receber tratamento unificado; • a RFB, por meio da Instrução Normativa SRF n° 31, de 1997, o Presidente da República, por meio da Medida Provisória n° 1.175, de 1995, e posteriores reedições, bem como o Congresso Nacional, por meio da Lei n° 10.522, de 2002, dispensaram a constituição do crédito tributário correspondente ao PIS/Pasep, exigidos pelos DecretosLeis n° 2.445, de 1988, e n° 2.449, de 1988; • o reconhecimento da inconstitucionalidade com efeito erga omnes ocorreu com e publicação da Resolução do Senado Federal n° 49, de 09/10/1995, e c\, reconhecimento legislativo se deu somente por meio da Lei n° 10.522, de 19/07/2002. Logo, tendo sido apresentado o pedido de restituição e as declarações a partir de janeiro de 2004, foi respeitado o prazo decadencial reconhecido pelo STJ; • considerando o art. 10 do DecretoLei n° 2.052, de 3 de agosto de 1983, que prevê o prazo de dez anos para cobrança do Pasep, contados a partir da data prevista para seu recolhimento, seria ferir o princípio constitucional da isonomia pretender aplicar prazos prescricionais diferentes para a contribuinte; • com a edição da Lei n° 10.522, em 22/07/2002, foi possibilitado à interessada o exercício de seu direito à restituição, na medida em que o Poder Legislativo veio introduzir, em nosso ordenamento, o reconhecimento definitivo de que os lançamentos de Pasep efetuados nos termos dos DecretosLeis n° 2.445, de 1988, e n° 2.449, de 1988, foram realizados indevidamente. E assim o fez a contribuinte, protocolando o pedido de restituição aproximadamente dois anos da data em que editada essa lei, estando, portanto, dentro do prazo prescricional; • conforme entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a extinção do crédito tributário operase com a homologação do lançamento, o que na prática resulta num prazo de dez anos: cinco para a homologação tácita e mais cinco para o exercício do direito à restituição de recolhimento indevido; • o STJ já se manifestou com relação à Lei Complementar n° 118, de 2005, firmando seu entendimento de que ela não é interpretativa, não cabendo, pois, a aplicação do art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 — Código Tributário Nacional (CTN). A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem indeferir a solicitação em decisão que assim ficou ementada: Fl. 146DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1993 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO DE INDÉBITO. EXTINÇÃO DO DIREITO. O direito de o contribuinte pleitear a restituição de tributo pago indevidamente extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data do pagamento. Solicitação Indeferida Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende do relatório acima transcrito, tratase de pedido de restituição transmitido em 22/01/2004 (fls. 13) e relacionado a supostos pagamentos indevidos de PASEP no período de 01/06/1993 a 30/09/1995, alegando teriam ocorrido recolhimentos a maior em virtude da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445 e 2.449. A DRF de Campinas indeferiu o pedido da Recorrente em virtude da ocorrência da prescrição do credito pleiteado e também por entender que o PASEP, nos termos da Lei Complementar 8/70, não possuía dispositivo que determinasse a aplicação da semestralidade da base de cálculo. A Delegacia Regional de Julgamento limitouse a analisar o caso sob a ótica da prescrição dos créditos, omitindose quanto ao segundo tema da controvérsia, qual seja a semestralidade do PASEP. Em que pese a omissão da DRJ, que implicaria na nulidade da decisão proferida, por evidente preterição do direito de defesa da Recorrente, passo a analisar as matérias por entender que tal nulidade pode ser suplantada neste caso específico, sem que haja prejuízo para a parte, tudo com intuito de dar maior celeridade e efetividade ao presnete processo administrativo fiscal. Como já me manifestei em outras oportunidades, coaduno com o entendimento de que o prazo de restituição dos tributos recolhidos indevidamente iniciase decorridos cinco anos, contados a partir do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, computados a partir do termo final do prazo atribuído à Fazenda Pública para aferir o valor devido referente à exação. Ou seja, considero que somente após a homologação é que se inicia o curso do prazo prescricional qüinqüenal, de modo que, na prática, o prazo total fixado para restituição é de dez anos após o recolhimento indevido. Neste sentido, o E. STJ, após inúmeras reviravoltas pacificou seu entendimento, senão vejamos: Fl. 147DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10830.004908/200677 Acórdão n.º 330201.490 S3C3T2 Fl. 116 5 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOS LEIS 2.445/88 E 2.449/88. PRESCRIÇÃO. CINCO ANOS DO FATO GERADOR MAIS CINCO ANOS DA HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE DO ART. 3º DA LC N. 118/2005. INÍCIO DA VIGÊNCIA SOMENTE APÓS 120 DIAS CONTADOS DA PUBLICAÇÃO. INTELIGÊNCIA DO ART. 4º DA MESMA LEI. Está uniforme na 1ª Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. O disposto no artigo 3º da Lei Complementar n. 118, de 09 de fevereiro de 2005 é inaplicável, uma vez que ainda não iniciada a sua vigência, a qual somente terá início após 120 dias contados da publicação, a teor do artigo 4º da mesma lei. Agravo regimental não conhecido.1 Ocorre que, com o advento da Lei Complementar 118/05, a questão da prescrição do direito a repetição do indébito ganhou nova conotação, senão vejamos: Art. 3o Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1o do art. 150 da referida Lei. Art. 4o Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3o, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional Não obstante afastar a interpretação que vinha sendo consagrada pela doutrina e pelo judiciário, a nova lei ainda determinou sua aplicação retroativa, uma vez que determinou a observância do disposto do art. 106, inciso I do CTN, que assim prescreve: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: 1 AgRg no AGRAVO DE INSTRUMENTO Nº 653.771 SP (2005/00095396). RELATOR : MINISTRO Francisco Peçanha Martins. Segunda Turma. 05/05/2005. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 6 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; É bom destacar que a respeito da legalidade do disposto no art. 4º da Lei Complementar 118/05, o STJ já manifestou sua posição, entendendo pela manifesta inconstitucionalidade dos dispositivos, conforme se depreende da decisão proferida no Resp nº 644.736/PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. LC 118/2005. INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1ª Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3º da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 2. A norma do art. 3º da LC 118/05, que estabelece como termo inicial do prazo prescricional, nesses casos, a data do pagamento indevido, não tem eficácia retroativa. É que a Corte Especial, em sessão de 06/06/2007, DJ 27.08.2007, declarou inconstitucional a expressão "observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional", constante do art. 4º, segunda parte, da referida Lei Complementar. 3. Embargos de divergência a que se nega provimento. Contudo, o Pleno do Supremo Tribunal Federal, nos autos do RE 566.621 de relatoria da Ministra Ellen Greice, analisou a natureza e as determinações contidas na Lei Complementar 118/2005 e decidiu que esta possui natureza interpretativa, o que implicou no reconhecimento da legalidade da redução do prazo para a restituição dos tributos (10 anos para 5 anos) recolhidos a maior ou indevidamente, para os pedidos protocolados a partir de 09/06/2005, como vemos de sua ementa que segue transcrita: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato Fl. 149DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10830.004908/200677 Acórdão n.º 330201.490 S3C3T2 Fl. 117 7 gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Ou seja, para pedidos de restituição protocolados até 09/06/2005 teremos o prazo de 10 anos, e para os pedidos protocolados em datas posteriores teremos o prazo de 5 anos. No presente caso o pedido foi protocolado em 22/01/2004, estando assim submetido ao prazo de 10 anos conforme interpretação conferida pela Lei Complementar 118/2005. Como o período relacionado aos alegados pagamentos indevidos compreende as competências 01/06/1993 a 30/09/1995, somente parte dos créditos esta atingida pela prescrição. Isto posto, os alegados pagamentos a maior relativos aos período de 22/01/1994 a 30/09/1995, não estão prescritos, devendo a Delegacia da Receita Federal competente analisar os pedidos de restituição, verificando a existência dos alegados créditos e promovendo sua quantificação, bem como se eram suficientes para a quitação das compensações efetuadas. Por fim, vale registrar que o Regimento Interno do CARF determina a obrigatoriedade da aplicação das decisões proferidas pelo Supremo Tribunal, com aplicação do rito estabelecido no art. 543 B do CPC, senão vejamos: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES 8 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Noutro ponto, em relação ao aplicação da semestralidade da base de cálculo no caso do PASEP, entendo também assistir razão a Recorrente. Buscamos no texto do Decreto 71.618/72 a sistemática de calculo e recolhimento do PASEP: Art. 14. A contribuição ao PASEP será calculada, em cada mês, com base na receita e nas transferências apuradas no 6º (sexto) mês imediatamente anterior Tal sistemática de apuração da contribuição para o PASEP perdurou até a entrada em vigor do DecretoLei 2.445/88 e Decreto Lei 2.449/88 que pretenderam modificar a forma de calculo dos tributos. Ocorre que estas alterações foram declaradas inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal EMENTA: CONSTITUCIONAL. ART. 55II DA CARTA ANTERIOR. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. DECRETOSLEIS 2.445 E 2.449, DE 1988. INCONSTITUCIONALIDADE. I CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS: SUA ESTRANEIDADE AO DOMÍNIO DOS TRIBUTOS E MESMO AQUELE, MAIS LARGO, DAS FINANÇAS PÚBLICAS. ENTENDIMENTO, PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, DA EC Nº 8/77 (RTJ 120/1190). II TRATO POR MEIO DE DECRETOLEI: IMPOSSIBILIDADE ANTE A RESERVA QUALIFICADA DAS MATÉRIAS QUE AUTORIZAVAM A UTILIZAÇÃO DESSE INSTRUMENTO NORMATIVO (ART. 55 DA CONSTITUIÇÃO DE 1969). INCONSTITUCIONALIDADE DOS DECRETOS LEIS 2.445 E 2.449, DE 1988, QUE PRETENDERAM ALTERAR A SISTEMÁTICA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. (RE 148754 / RJ RIO DE JANEIRO Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO. DJ 24/06/1993) Ou seja, as contribuições para o PASEP devem ser calculadas com a observância do determinado pelo Decreto 71.618/72, ou seja, respeitandose o critério da semestralidade da base de cálculo. No mesmo norte é forte a jurisprudência do antigo Conselho de Contribuintes: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1988 a 31/12/1995 Ementa: SEMESTRALIDADE. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10830.004908/200677 Acórdão n.º 330201.490 S3C3T2 Fl. 118 9 Até o advento da Medida Provisória n 2 1.212/95 a base de cálculo do PIS corresponde ao sexto mês anterior ao de ocorrência do fato gerador. BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PASEP. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. A base de cálculo da contribuição para o Pasep é a receita operacional bruta, conforme Lei Complementar n2 8/70. COMPENSAÇÃO. SEMESTRALIDADE. Indiscutível o crédito remanescente da base de cálculo exigida pelos DecretosLeis ns 2.445 e 2.449, ambos de 1988, porque ferindo o estabelecido no parágrafo único do art. 62 das LCs n2s 7/70 e 8/70 facultando ao contribuinte a compensação com o próprio PIS/Pasep. Recurso provido em parte. 2 Neste contexto, devem o processo retornar a DRF para que sejam analisados os alegados créditos, verificandose a sua existência e valor respeitando o critério da semestralidade do calculo e afastandose a prescrição. Por todo o exposto, voto por PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário para afastar a prescrição em relação aos pagamentos realizados entre 22/01/1994 a 30/09/1995, bem como garantir a sistemática da semestralidade na apuração dos eventuais pagamentos a maior.. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator 2 Processo n° 10510.001466/200387 Recurso n° 139.517 Voluntário de ã Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO DE PIS sego° Acórdão n° 20218.717 Sessão de 12 de fevereiro de 2008 Recorrente DEPARTAMENTO DE ESTRADAS DREO DDAAGEM E SERGIPE Recorrida DRJ em Salvador BA Fl. 152DF CARF MF Impresso em 09/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 03/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/04/2012 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10925.002625/2004-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Thu Apr 29 00:00:00 UTC 2010
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 04/05/2004 a 10/08/2004
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE
COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF N° 2.
Nos termos da Súmula CARF n° 2, de 2009, este Conselho Administrativo
não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei
tributária, como o de suposta ofensa ao princípio da isonomia.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE
MAIORES SUBSÍDIOS. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PARA
ESCLARECIMENTO.
Tratando-se de restituição e compensação, o ônus de provar o indébito é de
quem o reclama. Na ausência de maiores subsídios no pedido inicial, seguido
de indeferimento e manifestação de inconformidade processada em
conformidade com o Decreto n° 70.235/72, descabe anular o despacho
decisório indeferitório prolatado na origem apenas porque o contribuinte não
foi intimado para esclarecer a fundamentação do pleito.
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE
SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 04/05/2004 a 10/08/2004
PIS E COFINS NA IMPORTAÇÃO. LEI N° 10.865/2004. LEGALIDADE.
DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR.
Os arts. 149, § 2°, II e 195, IV, da Constituição Federal, com base nos quais
foi editada a Medida Provisória n° 164, de 29/01/2004, convertida na Lei n°
10.865/2004, exigem apenas lei ordinária, sendo desnecessária lei
complementar para a exigência do PIS e da afins incidentes na importação.
,i 11
RECURSO NÃO CONHECIDO, EM PARTE, E NEGADO NA PARTE
CONHECIDA.
Numero da decisão: 3401-00.678
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer da alegação de inconstitucionalidade de lei. Na parte conhecida, em rejeitar a
preliminar de nulidade suscitada pelo recorrente e, o mérito, em negar provimento ao recurso,
nos termos do voto do Relator.
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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INCONSTITUCIONALIDADES. Recorrente CEREALISTA SUPERIOR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 04/05/2004 a 10/08/2004 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA DE COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO JUDICIÁRIO. SÚMULA CARF N° 2. Nos termos da Súmula CARF n° 2, de 2009, este Conselho Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, como o de suposta ofensa ao princípio da isonomia. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE MAIORES SUBSÍDIOS. DESNECESSIDADE DE INTIMAÇÃO PARA ESCLARECIMENTO. Tratando-se de restituição e compensação, o ônus de provar o indébito é de quem o reclama. Na ausência de maiores subsídios no pedido inicial, seguido de indeferimento e manifestação de inconformidade processada em conformidade com o Decreto n° 70.235/72, descabe anular o despacho decisório indeferitório prolatado na origem apenas porque o contribuinte não foi intimado para esclarecer a fundamentação do pleito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 04/05/2004 a 10/08/2004 PIS E COFINS NA IMPORTAÇÃO. LEI N° 10.865/2004. LEGALIDADE. DESNECESSIDADE DE LEI COMPLEMENTAR. Os arts. 149, § 2°, II e 195, IV, da Constituição Federal, com base nos quais foi editada a Medida Provisória n° 164, de 29/01/2004, convertida na Lei n° 10.865/2004, exigem apenas lei ordinária, sendo desnecessária lei complementar para a exigência do PIS e da afins incidentes na importação. i 1, 1 ,RECURSO NÃO COier, IDO EM PARTE E NEGADO NA PARTE CONHECIDA. ', i ; , Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da alegação de inconstitucionalidade de lei. Na parte conhecida, em rejeitar a preliminar de nulidade s citada pelo recorrente e, o mérito, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do . or. ak / Gilton acedo Re .enburgT: . o . Presidente— ..------'--- :,-.':"---' „------- _ , - - Emampearfónantas. de Assi. \-. Relator,- ) / EDITADO EM 21/05/2010 ,/ . Participaram do ,piesente julgameyto os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas, Jean Cleuter Simões Mendonlça, Odassi Gue9oni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Relatório O processo trata do Pedido de Restituição de fl. 01, relativos a créditos da Cofins e do PIS incidentes na importação, protocolizado em 14/09/2004 e cumulado com Declarações de Compensação. Por bem resumir o que dos autos até então, reproduzo o relatório da primeira instância: Mediante o Despacho Decisório de fls. 53 a 55, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Joaçaba (SC) indeferiu o pedido, sob o argumento de que a interessada deixou de fazer prova do direito suscitado, tendo alegado, apenas, pagamento a maior ou indevido, sem demonstrar a ocorrência do fato. Cientificada da decisão administrativa, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 63 a 74, alegando, em síntese, que: a) mostra-se equivocada a decisão proferida pela DRF/Joaçaba/SC, calcada na assertiva de que a empresa não teria comprovado a ocorrência do pagamento indevido ou a maior, eis que o direito da requerente à restituição do que recolheu indevidamente ou a maior decorre da inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Cofins na importação de mercadorias, por não ter sido instituída por Lei Complementar, quando não, da ofensa ao princípio da isonomia, em razão da impossibilidade do creditam. ento integral das referidas contribuições, ou ainda, por conta da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS t" e da Cofins (art. 7°, inciso I da Lei n° 10.865/2004), conforme olá argumentação detalhada às fls. 67 a 73 .! ,/ 2 Processo n° 10925.002625/2004-70 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.678 Fl. 115 b) da análise do processo verifica-se que não houve a intimação da interessada para que fosse esclarecido o fundamento do seu pleito; - c) nesse sentido, cabe assinalar que no formulário "Pedido de Restituição" o campo disponibilizado para indicar o motivo do pedido não é suficiente para informações mais particularizadas, assim a requerente limitou-se a dizer que seu pleito fundamenta- se no "pagamento indevido ou a maior a titulo de Cofins e Pis sobre a importação de mercadorias conforme relatório, cópias das notas fiscais e das declarações de importação anexas"; d) o procedimento que deveria ter sido adotado pela DRF/Joaçaba/SC era a intimação da empresa para justzficar o embasamento da sua requisição; e) o referido órgão administrativo limitou-se a intimar a requerente para proceder à retificação das DIs, nos termos dos arts. 13 e 14 da Instrução Normativa (IN) SRF n°460/2004; J) destarte, impõe-se a anulação do despacho decisório proferido, por flagrante desprezo ao direito de defesa da interessada, segundo o disposto no art. 59, inciso II do Decreto n° 70.235/1972; g) caso assim não entenda a autoridade julgadora, deve ser deferido o pedido de restituição formulado pela requerente, pelas razões expendidas no item "a". A 1' Turma da DRJ, por maioria de votos, manteve o indeferimento. O voto vencedor, reportando-se à IN SRF n° 210/2002, considerou que "No caso de créditos relacionados a Declarações de Importação (DI), os valores a serem restituídos serão aqueles que advierem do cancelamento de oficio de DI (art. 12, II), de retificação de DI (art.12, I) ou do cancelamento de DI em razão de registro de mais de uma declaração (art. 12, caput).", e que na situação dos autos não foi comprovada cancelamento ou retificação a justificar o indébito alegado. Quanto aos argumentos expendidos na Manifestação de Inconformidade, afirmou que "sequer se vislumbra, no pedido, o argumento ora trazido pela interessada, de que a restituição é devida em razão de inconstitucionalidade da lei que instituiu a cobrança do PIS/PASEP e da COFINS incidentes nas importações de mercadorias.", e que como cabia à requerente apresentar as provas do indébito alegado, não restou caracterizado cerceamento do direito de defesa. Por fim, o voto vencedor consignou que a apreciação de inconstitucionalidade de normas é matéria de competência exclusiva do Poder Judiciário. O voto vencido, diferentemente, reputou nulo o Despacho Decisório do órgão origem, por considerar que não foi garantido à interessada o devido processo legal, com seus consectários do contraditório e da ampla defesa. Dai ter sido pela anulação da decisão exarada pela DRF/Joaçaba/SC. Escorou-se na Lei n° • 784/1999, arts. 2°, parágrafo único, incisos VI e 3 , IX, 40, I e IV, 6°, 28, 39 e 53, e no Decreto n° 70.235/72, art. 59, II, asseverando o seguinte (negrito no original): No caso em comento, foi tolhido o direito de defesa da interessada, por omissão da própria administração, pois, havendo a empresa Cerealista Superior Ltda. protocolado seu pedido de restituição em tempo hábil, somente após cerca de três anos foi-lhe comunicada a decisão de indeferimento, isto sem que lhe tenha sido feita intimação específica para prestar informações adicionais acerca da fundamentação do pleito. No Recurso Voluntário, tempestivo, a contribuinte insiste na repetição do indébito, repisando com acréscimos argumentos da Manifestação de Inconformidade e refutando a decisão recorrida. Argúi que não postula declaração de inconstitucionalidade de lei federal por órgão administrativo, mas a homologação da restituição tem em vista que a cobrança do PIS e Cofins incidentes na importação de mercadoria "é indevida por causa da inconstitucionalidade das exações por não terem sido instituídas por Lei Complementar...", o mesmo ocorrendo com a Lei n° 10.865/2004 por ter extrapolado o conceito de valor aduaneiro ao tratar da base de cálculo das duas Contribuições (fl. 105). Afirma que o art. 70 da Lei n° 10.865/2004, ao acrescer ao valor aduaneiro o ICMS, extrapolou os limites postos na Constituição Federal, no CTN (menciona o art. 110 deste), no GATT 1994 e no art. 75 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 4.543/2002). Também afirma que seu pedido "está baseado no fato do art. 15 da Lei n. 10.865/04 ofender ao princípio da isonomia", argüindo que não pode ser prejudicada por não estar enquadrada no Lucro Real (mais adiante que não pôde optar tempestivamente por essa forma de apuração do IRPJ). Considera que deve ser ampliado o alcance da norma veiculado pelo referido artigo, a fim de que também possa descontar o crédito de PIS e Cotins na incidência sobre a importação. Ao final requer, sucessivamente, o seguinte: a) que seja declarado nulo o Despacho Decisório, para se prolatar nova decisão na origem; b) quando não, seja deferida a restituição, haja vista a inconstitucionalidade das exações por não terem sido instituídas por lei complementar; c) ou haja o deferimento haja vista que a Recorrente não pôde optar tempestivamente pelo Lucro Real no ano-calendário de 2004, o que lhe possibilitaria o creditamento integral das duas Contribuições incidentes na importação; d) ou haja o deferimento tendo em vista que a Recorrente não pôde optar tempestivamente pelo Lucro Real no ano-calendário 2004, haja vista a inconstitucionalidade do inc. Ido art. 7° da Lei n° 10.865/2004, na sua parte final; ie) que sejam homologadas as compensações, inte‘ mente ou parcialmente (até o limite do que for reconhecido como recolhidiir ; idament& oj a maior, nos termos do item "d"). if ' 14E o relatório. iip d if 4 4 Processo n° 10925.002625/2004-70 S3-C4T1 Acórdão n.° 3401-00.678 Fl. 116 Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço, exceto no argúi inconstitucionalidades. Não devem ser conhecidas as argüições de que o art. 70 e 15 da Lei e 10.865/2004 seriam inconstitucionais - o primeiro por ter acrescido o valor do ICMS na base de cálculo do PIS e Cofins incidentes na importação, o segundo por suposta ofensa ao princípio da isonomia -, por constituírem matéria que somente o Poder Judiciário é competente para julgar, consoante a Constituição Federal, arts. 97 e 102, I, "a", III e §§ 1° e 2° deste último. Neste sentido, também, a Súmula CARF n° 2, constante da consolidação realizada conforme a Portaria CARF n° 106, de 21/12/2009, segundo a qual "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária". Quanto à parte conhecida da peça recursal, não merece acolhida, descabendo qualquer reforma no acórdão da primeira instância. Inicialmente rejeito o pedido de nulidade do Despacho Decisório prolatado na origem, porque diferentemente do voto vencido do acórdão da DRJ tenho para mim que na situação destes autos foi obedecido o devido processo legal, bem como o contraditório e a ampla defesa. Diante do Pedido cuja fundamentação, lacônica, é o "Pagamento indevido ou a maior a título de Cofins e Pis sobre importação de mercadorias conforme relatório, cópias das notas fiscais e das declarações de importação anexas" (ver fl. 01), quando nada impedia que ao formulário padronizado fossem acrescidas outras folhas, com motivação mais detalhada — assim sói acontecer com frequência em requerimentos da espécie -, parece-me razoável o modo como procedeu a unidade de origem. Além do mais, na Manifestação de Inconformidade a defesa foi exercida na sua plenitude, tendo a contribuinte argüido, basicamente, que o direito alegado decorre da inconstitucionalidade da cobrança do PIS e da Co fins na importação de mercadorias, que não foi intimada para esclarecer o fundamento do pleito e que no formulário "Pedido de Restituição" o campo disponibilizado para indicar o motivo não é suficiente para informações mais particularizadas. A salientar, por oportuno, que em se tratando de restituição o ônus de provar o indébito é de quem o reclama. Assim, diante da ausência de maiores subsídios no Pedido original, seguido de indeferimento e manifestação de inconformidade processada em conformidade com o Decreto n° 70.235/72, descabe anular-se o despacho decisório indeferitório prolatado na origem apenas porque o contribuinte não foi intimado para esclarecer a fundamentação do pleito. Doravante cuidando do mérito, considero, ao contrário do defendido pela Recorrente, que para a incidência em questão não há necessidadq de lei complementar, já que os arts. 149, § 2°, II e 195, IV, da Constituiçã e Federal, com baspos quais foi editada a MP n° 164, de 29/01/2004, convertida na Lei n° li .865/2004, exigem a ten. lei ordinária. 01/1111 5 Quanto à afirmação de que a Lei n° 10.865/2004 teria extrapolado o conceito de valor aduaneiro, cabe observar que a base de cálculo das duas Contribuições é distinta da do Imposto de Importação. O inc. I do art. 70 da Lei n° 10.865/2004, ao estabelecer que na importação de bens estrangeiros a base de cálculo das duas Contribuições á "valor aduaneiro, assim entendido, para os efeitos desta Lei, o valor que servir ou que serviria de base para o cálculo do imposto de importação, acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Interrnunicipal e de Comunicação - ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições", toma de empréstimo o valor adotado no Imposto de Importação, mas deixa clara a diferenciação. Para tanto, evidencia que "para os efeitos" das duas Contribuições, ao "valor que servir ou que serviria" para o cálculo do Imposto de Importação é acrescentado os valores do ICMS e do PIS e Cofins. Enquanto não sobrevier decisão do Supremo Tribunal Federal julgando inconstitucional o acréscimo em tela (refiro-me a tal possibilidade levando em conta o Recurso Especial n° 559607 1 , com repercussão geral acordada em 26/09/2007 mas ainda em trâmite no STF), é plena a eficácia do art. 7 0, I, da Lei n° 10.865/2004, e não cabe acatar a pretensão da Recorrente. Pelo exposto, não conhe o do Recurso no que argúi inconstitucionalidades, e na parte conhecida rejeito a n asFiicho Decisório da origem e, no mérito, nego provimento. OrErnw., ,40- • lo W.s de Assis • A, RE 559607 RG / SC - SANTA CATARINA REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO E RAORDINÁRIO Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 26/09/2007 REPERCUSSÃO GERAL — CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS E COFINS — IMPORTAÇÃO - DESEMBARAÇO ADUANEIRO — BASE DE INCIDÊNCIA. Surge a repercussão geral da matéria versada no extraordinário no que o acórdão impugnado implicou a declaração de inconstitucionalidade da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação — ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições", contida no inciso I do artigo 7° da Lei n°10.865/2004, considerada a letra "a" do inciso III do § 2° do artigo 149 da Constituição Federal. REPERCUSSÃO GERAL — CONSEQÜÊNCIAS — MATÉRIA DA COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA FEDERAL. Uma vez assentando o Supremo, em certo processo, a repercussão geral do tema veiculado, impõe-se a devolução à origem de todos os demais que hajam sido interpostos na vigência do sistema, comunicando-se a decisão aos Presidentes do Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais e da Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais bem como , aos Coordenadores das Turmas Recursais, para que suspendam o envio, à Corte, dos recursos que tratem da questão, sobrestando-os. Decisão: O Tribunal, por unanimidade, nos termos do voto do Relator, solucionando questão de ordem, reconheceu a repercussão geral da matéria versada no extraordinário quanto à declaração de inconstitucionalidade, constante do acórdão impugnado, da expressão "acrescido do valor do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação — ICMS incidente no desembaraço aduaneiro e do valor das próprias contribuições", contida no inciso I do artigo 7° da Lei n° 10.865/2004, considerada a letra "a" do inciso III do § 2° do artigo 149 da Constituição Federal. Determinou a devolução à origem de todos os demais recursos idênticos, que tenham sido interpostos na vigência do sistema da repercussão geral, e a comunicação da decisão aos presidentes do Superior Tribunal de Justiça, dos Tribunais Regionais Federais, da Turma Nacional de Uniformização da Jurisprudência dos Juizados Especiais Federais, e dos coordenadores das Turmas Recursais, para que suspendam o envio ao Supremo Tribunal Federal dos recursos que versem a matéria, sobrestando-os. Votou a Presidente, Ministra Ellen Gracie. Ausente, justificadamente, o Ministro Eros Grau. Plenário, 26.09.2007 6
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Numero do processo: 10380.013208/2007-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed May 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/01/2006
CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA.
A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto de demanda administrativa, implica renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa e inibe o conhecimento da matéria oferecida à apreciação da instância judicial.
Quando diferentes os objetos do processo judicial do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA.
Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o
reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. EXIGIBILIDADE DO TRÂNSITO EM JULGADO.
É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial.
CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA.
GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2302-001.815
Decisão: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: Arlindo da Costa e Silva
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Recorrente AUTO PECAS PADRE CICERO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/01/2006 CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto de demanda administrativa, implica renúncia ou desistência de eventual recurso interposto em via administrativa e inibe o conhecimento da matéria oferecida à apreciação da instância judicial. Quando diferentes os objetos do processo judicial do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU DE ATO NORMATIVO. RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a declaração, bem como o reconhecimento, de inconstitucionalidade de leis tributárias, eis que tal atribuição foi reservada, com exclusividade, pela Constituição Federal, ao Poder Judiciário. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO DECORRENTE DE DECISÃO JUDICIAL. EXIGIBILIDADE DO TRÂNSITO EM JULGADO. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. CRÉDITO TRIBUTÁRIO INEXISTENTE. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. GLOSA. É vedada a compensação de contribuições previdenciárias se ausentes os atributos de liquidez e certeza do crédito compensado. A compensação de Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 contribuições previdenciárias com créditos não materialmente comprovados será objeto de glosa e consequente lançamento tributário, revertendo ao sujeito passivo o ônus da prova em contrário. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. CONSTITUCIONALIDADE. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o julgado. Marco André Ramos Vieira Presidente. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Período de apuração: 01/10/2005 a 31/01/2006 Data da lavratura da NFLD: 27/06/2007. Data da Ciência da NFLD: 27/06/2007. O presente lançamento tem por objeto as contribuições sociais a cargo da empresa destinadas ao Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, decorrentes de glosa de compensação realizada indevidamente, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 77/80. Informa a Autoridade Lançadora que a empresa está discutindo judicialmente a contribuição para o INCRA em período anterior à lei 8.212/91, mediante o processo nº 2005.05.00.0346482, em tramitação no TRF da 5ª Região. Conforme entendimento do setor jurídico da empresa, esta teria o direito a compensar os valores recolhidos à titulo de contribuição ao INCRA, o que de fato veio a se suceder nas competências 10, 11 e 12/ 2005 e 01/2006. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.013208/200708 Acórdão n.º 230201.815 S2‐C3T2 Fl. 274 3 Conforme decisão proferida em sede do agravo de instrumento nº 64401 , da lavra do Des. Fed. Francisco Wildo, em 16/02/2006, "É inadmissível o pleito da agravante de obter o reconhecimento do direito à compensação tributária das parcelas discutidas por meio de liminar”. Assim, a fiscalização procedeu à glosa das referidas compensações, do que resultou o presente lançamento. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 149/176. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE lavrou Decisão Administrativa textualizada no acórdão a fls. 195/200, julgando procedente o lançamento e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 16/04/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 297. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 298/251, respaldando sua inconformidade em argumentação desenvolvida nos termos que se vos seguem: • Que não renunciou ao direito de impugnar administrativamente o lançamento, eis que a impetração do Mandado de Segurança foi anterior à autuação fiscal; • Que há a possibilidade de os órgãos do Executivo deixarem de aplicar uma lei que considerem inconstitucional; • Que a contribuição para o INCRA encontrase extinta, havendo sido suprimida pela Lei n° 7.787/89; • Que o Fisco não menciona o art. 193 da IN SRP nº 3/2005, que explica claramente a forma correta de declaração da compensação e seu pressuposto legal; • Que, por ter recolhido mensalmente a contribuição ao INCRA, certo é que efetuou a Recorrente pagamentos indevidos de tributos, possuindo, assim, o direito de proceder à compensação independentemente de autorização administrativa ou judicial dos respectivos valores recolhidos nos últimos dez anos e eventualmente no curso da demanda com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Previdenciária, em especial com as contribuições sociais arrecadadas ao INSS, além das incidentes sobre as folhas de pagamento de salários. • Que a autuação foi precipitada, uma vez que ainda resta pendente de apreciação a questão em 2ª instância judicial; • Que a Taxa Selic é inconstitucional e ilegal; Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Ao fim, requer a declaração de improcedência do lançamento tributário. Relatados os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 16/04/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 14 de maio do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO Alega o Recorrente que a contribuição para o INCRA encontrase extinta, havendo sido suprimida pela Lei n° 7.787/89. Aduz que, por ter recolhido mensalmente a contribuição ao INCRA, certo é que efetuou a Recorrente pagamentos indevidos de tributos, possuindo, assim, o direito de proceder à compensação independentemente de autorização administrativa ou judicial dos respectivos valores recolhidos nos últimos dez anos e eventualmente no curso da demanda com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a quaisquer tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Previdenciária, em especial com as contribuições sociais arrecadadas ao INSS, além das incidentes sobre as folhas de pagamento de salários. Pondera, ainda, que a autuação foi precipitada, uma vez que ainda resta pendente de apreciação a questão em 2ª instância judicial. Com efeito, a empresa Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 2005.81.00.0058135 perante a Seção Judiciária do Estado do Ceará, visando à declaração de inexigibilidade da contribuição ao INCRA, tendo em vista a extinção do Plano de Previdência do Trabalhador Rural promovida pela Lei n° 7.787/1989, bem como a unificação do regime de previdência rural e urbano realizada pelas Leis n° 8.212/1991 e 8.213/1991. Requereu a Impetrante, em sede de medida liminar, a imediata suspensão de exigibilidade do crédito tributário referente ao pagamento da contribuição denominada adicional de 0,2% ao INCRA. Em sede de segurança definitiva, requereu a declaração da ilegalidade dos dispositivos normativos que regulam a contribuição ao INCRA, bem como da inexigibilidade da relação jurídico tributária embasada nos mesmos. Requereu, outrossim, a declaração e determinação Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.013208/200708 Acórdão n.º 230201.815 S2‐C3T2 Fl. 275 5 da compensação de indébito tributário referente aos valores que recolheu a título de contribuição ao INCRA, nos últimos 10 anos, afastando qualquer ameaça de autuação fiscal e imposição de penalidades relativas aos débitos tidos como indevidamente pagos. Assentado que a citada medida judicial versa no tudo e no todo sobre a mesma matéria tratada na presente Notificação Fiscal, e que a decisão proferida na Instância Judicial subjuga qualquer outra exarada na esfera administrativa, adquirindo inclusive o atributo da coisa julgada formal e material, resulta que, qualquer que seja o veredictum proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, bem como por esta Corte Administrativa, acerca da matéria objeto do litígio, será tido como letra morta diante da decisão judicial transitada em julgado. A releitura da norma encartada no §3º do art. 126 da Lei nº 8.213/91, numa interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual, conduz ao entendimento de que a propositura de ação judicial que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo, importa renúncia dos beneficiários acobertados pelos resultados de tal demanda ao direito de recorrer na esfera administrativa e à desistência do eventual recurso interposto. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) (...) 3º A propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Registrese, por relevante, que o Recorrente ab initio invoca em seu favor que a vertente autuação teria sido precipitada, uma vez que ainda restava pendente de apreciação a questão em 2ª instância judicial. Diante desse quadro, atraindo para si o Recorrente os efeitos da demanda judicial, qualquer que seja a decisão proferida na esfera Administrativa, esta não surtirá qualquer consequência perante o provimento judicial. De outro eito, cumpre esclarecer, eis que pertinente, que o Recurso Voluntário consubstanciase num instituto processual a ser manejado para expressar, no curso do processo, a inconformidade do sucumbente em face de decisão proferida pelo órgão julgador a quo que lhe tenha sido desfavorável, buscando reformála. Não exige o dispêndio de energias intelectuais no exame da legislação em abstrato a conclusão de que o recurso pressupõe a existência de uma decisão precedente, dimanada por um órgão julgador postado em posição processual hierarquicamente inferior. Dessarte, não tendo o Órgão Julgador de 1ª Instância conhecido da impugnação na parte atinente à legalidade e exigibilidade da exação em foco, inexistindo Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 consequentemente decisão anterior a respeito do tema em pauta, não pode o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não conhecida, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. A matéria em apreço já foi enfrentada, em situações pretéritas idênticas, por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, dando ensejo à edição da Súmula nº 1, cujo Verbete transcrevemos adiante: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Diante desse quadro, versando a Demanda Judicial invocada pelo Recorrente sobre a inexigibilidade da contribuição ao INCRA, correta foi a decisão proferida pelo órgão a quo ao não conhecer, em sede de impugnação administrativa, de idêntica matéria, restringindo a sua análise às questões não incluídas na ação judicial em realce. Dessarte, pugnamos igualmente pelo não conhecimento dos temas levados à apreciação do Poder Judiciário, e reiterados no vertente Instrumento Recursal interposto perante este Colegiado, com fundamento no preceito insculpido no art. 126, §3º da Lei nº 8.213/91, em interpretação sistemática e teleológica com os princípios da eficiência e da economia processual. Não há como se acatar o argumento esposado pelo contribuinte de que não teria renunciado ao direito de impugnar administrativamente o lançamento, em razão de a impetração do Mandado de Segurança ter sido anterior à autuação fiscal. A renúncia ora em voga independe de ato volitivo da parte, ou mesmo da vontade psicológica do Impetrante. Ela decorre ex lege, e de forma objetiva, independentemente do motivo ou do tempo em que a demanda tenha sido ajuizada perante o poder judiciário. Tal conclusão não colide com as diretivas positivadas no art. 35 da Portaria RFB n°10.875/2007, in verbis: Portaria RFB n°10.875, de 16 de agosto de 2007. Art. 35. A propositura de ação judicial pelo sujeito passivo, por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente ao lançamento, com o mesmo objeto, importa em renúncia às instâncias administrativas ou desistência de eventual recurso interposto. Parágrafo único. Quando diferentes os objetos do processo judicial e do processo administrativo, este terá prosseguimento normal no que se relaciona à matéria diferenciada. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.013208/200708 Acórdão n.º 230201.815 S2‐C3T2 Fl. 276 7 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DA MANIFESTAÇÃO SOBRE A INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Defende o Recorrente a possibilidade de os órgãos do Executivo deixarem de aplicar uma lei que considerem inconstitucional. O Recorrente introduziu nos autos extensa peça impugnatória aproveitando o momento processual oportuno, concedido para atacar a tese e espancar as razões sobre as quais se escorou o órgão a quo, no juízo negativo de apreciação da constitucionalidade das normas legais. Mostrase imperioso neste comenos destacar, de forma a nocautear qualquer dúvida porventura ainda renitente, que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Registrese, por relevante ao deslinde da questão, que as leis e atos normativos produzidos pelos poderes competentes ostentam presunção iuris tantum de constitucionalidade e de legalidade, respectivamente, mesmo que decorrente de uma interpretação conforme da Constituição Federal. Nesse contexto, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. De plano, devese atentar que o Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal, dispõe expressamente em seu art. 26A ser vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, salvo nas hipóteses em que os citados diplomas legislativos tenham sido declarados inconstitucionais por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 § 5o (Revogado).(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de:(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002;(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou(Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Revelase pertinente salientar que é vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.013208/200708 Acórdão n.º 230201.815 S2‐C3T2 Fl. 277 9 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e propalar declarações de inconstitucionalidade, tão veementemente defendida pelo Recorrente, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre, de plano, assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as questões já decididas pelo órgão Julgador de 1ª instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela parte. 3.1. DO DIREITO À COMPENSAÇÃO A empresa Recorrente impetrou o Mandado de Segurança nº 2005.81.00.0058135 perante a Seção Judiciária do Estado do Ceará, visando a declaração de inexigibilidade da contribuição ao INCRA, forte no argumento de extinção do Plano de Previdência do Trabalhador Rural promovida pela Lei n° 7.787/1989, bem como a unificação do regime de previdência rural e urbano realizada pelas Leis n° 8.212/1991 e 8.213/1991. Requereu a Impetrante, em sede de medida liminar, a imediata suspensão de exigibilidade do crédito tributário referente ao pagamento da contribuição denominada adicional de 0,2% ao INCRA. Em sede de segurança definitiva, requereu a declaração da ilegalidade dos dispositivos normativos que regulam a contribuição ao INCRA, bem como da inexigibilidade da relação jurídico tributária embasada nos mesmos. Requereu, outrossim, a declaração e determinação da compensação de indébito tributário referente aos valores que recolheu a título de contribuição ao INCRA, nos últimos 10 anos, afastando qualquer ameaça de autuação fiscal e imposição de penalidades relativas aos débitos tidos como indevidamente pagos. Decisão a fls. 1231/1233 dos autos judiciais indeferiu o pedido de liminar formulado pela Impetrante. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 Em razão da sentença denegatória da segurança, interpôs a empresa o Agravo de Instrumento nº 64401CE, o qual afirmou, expressamente, que o direito à compensação não poderia ser declarado por meio de provimento liminar, em razão da vedação encartada na Súmula 212 do STJ. Em instância de Apelação, o TRF da 5ª Região negou provimento ao recurso da empresa, por reconhecer que a contribuição para o INCRA não havia sido extinta, estando em pleno vigor, sendo passível sua cobrança, inclusive, por empresas urbanas. Consignou, ademais, a impossibilidade de se compensar valores referentes à contribuição destinada ao INCRA com outras contribuições previdenciárias administradas pelo INSS, conforme se depreende da ementa a seguir transcrita: EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO DE 0,2% INCIDENTE SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS DESTINADA AO INCRA. NÃO EXTINÇÃO PELAS LEIS Nº 7.787/89, 8.212/91 E 8.213/91. MUDANÇA DE POSICIONAMENTO DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. NOVO ENTENDIMENTO FIRMADO PELA PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. CLASSIFICAÇÃO COMO CONTRIBUIÇÃO ESPECIAL DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO. CARÁTER PREVIDENCIÁRIO. INEXISTÊNCIA. 1 Tratase de apelação em mandado de segurança que versa sobre a exigibilidade da contribuição do adicional de 0,2% incidente sobre a folha de salários de empresa urbana destinada ao INCRA. 2 O adicional de 0,2% destinado ao INCRA classificase como contribuição especial de intervenção no domínio econômico cujo propósito consiste em promover o desenvolvimento rural e a reforma agrária, não possuindo caráter previdenciário. 3 As Leis nº 7.787/89, 8.212/91 e 8.213/91 unificaram o sistema previdenciário, extinguindo a previdência rural, e instituindo percentual de incidência única, no entanto, não se alterou a exigibilidade do recolhimento do adicional de 0,2% destinado às ações do INCRA. 4 Antes considerada matéria pacificada pela a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a questão acerca da exigibilidade da contribuição de 0,2% destinada ao INCRA foi objeto de recente divergência através do julgamento do EREsp nº 770.451/SC, em que a Primeira Seção do STJ asseverou que a referida contribuição não havia sido extinta, estando em pleno vigor, sendo passível sua cobrança, inclusive, por empresas urbanas. Consignou, ademais, a impossibilidade de se compensar valores referentes à contribuição destinada ao INCRA com outras contribuições previdenciárias administradas pelo INSS. 5 Apelação improvida. Inconformada, a Interessada interpôs Recurso Especial perante o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, o qual foi inadmitida na origem, em virtude de o acórdão hostilizado encontrarse de acordo com o julgamento da Primeira Seção do Colendo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 282DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.013208/200708 Acórdão n.º 230201.815 S2‐C3T2 Fl. 278 11 Concomitantemente, a empresa também atravessou Recurso Extraordinário ao STF, o qual se houve igualmente por inadmitido na origem em virtude de o Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE nº 578.635RS, em 26/09/08, já haver decidido pela inexistência de repercussão geral relativa à matéria nele aviada. Em virtude da não admissão, em sede de agravo de instrumento, dos recursos oferecidos aos Tribunais Superiores, a demanda judicial em foco transitou em julgado em 18/05/2011, com baixa definitiva na seção judiciária do Ceará. Conforme se observa, encontravase à calva de suporte jurídico a compensação levada a efeito pelo Recorrente. Em matéria tributária, o instituto da compensação é tratado pelo Código Tributário Nacional CTN como uma modalidade de extinção do crédito tributário da fazenda pública em face do sujeito passivo da obrigação tributária, nos termos dos seus artigos 156, II ; 170 e 170A. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) II a compensação; Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. (Artigo incluído pela LC nº 104, de 10.1.2001) (grifos nossos) Notese que, ao estabelecer normas gerais em matéria de crédito tributário, através do regramento de uma de suas modalidades de extinção, o art. 170A do CTN estatui expressamente ser vedada a compensação tributária mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Nessa perspectiva, se precipitação houve no caso em estudo, esta não foi praticada pela fiscalização, mas, sim, pela empresa que procedeu à compensação de Fl. 283DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 12 contribuições sociais, ao arrepio das condições de contorno especificadas pela lei e sem possuir crédito líquido e certo, eis que realizada antes do trânsito em julgado da decisão judicial. Não procede a alegação levantada pela empresa de o Fisco não teria mencionado o art. 193 da IN SRP nº 3/2005, o qual explicaria claramente a forma correta de declaração da compensação e seu pressuposto legal. A glosa levada a efeito pela auditoria fiscal não teve por fundamento a forma de como a compensação se houve por realizada, mas, sim, a ausência de crédito líquido e certo do Interessado. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, os débitos relativos a contribuições previdenciárias somente poderão ser compensados com créditos de titularidade do sujeito passivo decorrentes de pagamento a maior ou de recolhimento indevido das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, jamais com valores derivados de outras contribuições sociais como aquelas destinadas ao INCRA, por exemplo. LEI Nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 11. No âmbito federal, o orçamento da Seguridade Social é composto das seguintes receitas: I receitas da União; II receitas das contribuições sociais; III receitas de outras fontes. Parágrafo único. Constituem contribuições sociais: a) as das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) as dos empregadores domésticos; c) as dos trabalhadores, incidentes sobre o seu saláriode contribuição; Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) (grifos nossos) §1º Admitirseá apenas a restituição ou a compensação de contribuição a cargo da empresa, recolhida ao INSS, que, por sua natureza, não tenha sido transferida ao custo de bem ou serviço oferecido à sociedade. (Redação dada pela Lei nº 9.129, de 20.11.1995) §2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 9.129/95) (grifos nossos) As disposições inscritas no parágrafo segundo do Art. 89 combinadas com as do parágrafo único do Art. 11, ambos da Lei Nº 8.212/91, excluem da compensação toda e qualquer espécie de crédito da empresa em face da fazenda pública que não sejam aquelas decorrentes das contribuições sociais instituídas pelos artigos 20, 22, I, II e III e 24, todos da Lei Orgânica da Seguridade Social LOSS. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.013208/200708 Acórdão n.º 230201.815 S2‐C3T2 Fl. 279 13 Ocorre que a impossibilidade da compensação ora debatida não partiu de decisão política, tampouco da consciência social do legislador ordinário. Antes, tem matriz constitucional. O inciso XI do Art. 167 da Constituição da República determina ser vedada a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, ‘a’, e II, da CF/88 para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social – RGPS de que trata o art. 201 da CF/88. Constituição Federal Art. 167. São vedados: XI a utilização dos recursos provenientes das contribuições sociais de que trata o art. 195, I, a, e II, para a realização de despesas distintas do pagamento de benefícios do regime geral de previdência social de que trata o art. 201. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (...) II do trabalhador e dos demais segurados da previdência social, não incidindo contribuição sobre aposentadoria e pensão concedidas pelo regime geral de previdência social de que trata o art. 201; Art. 201. A previdência social será organizada sob a forma de regime geral, de caráter contributivo e de filiação obrigatória, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial, e atenderá, nos termos da lei, a: (...) Dessarte, pela perspectiva constitucional, a destinação dos recursos provenientes das contribuições sociais a cargo do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; e das contribuições sociais a cargo do trabalhador e dos demais segurados da previdência social não pode ser outra que não o pagamento dos benefícios do RGPS, o que afasta, por completo, qualquer possibilidade de compensação tributária que não seja com contribuições previdenciárias. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 14 Diante de tal quadro, não há como não se reconhecer a retidão do procedimento levado a efeito pela autoridade fiscal, inexistindo arestas a serem aparadas na decisão guerreada. 3.2. DA TAXA SELIC Pondera em defesa o Recorrente que a taxa Selic é inconstitucional e ilegal. As alegações acima postadas não merecem o albergue pretendido. A Constituição Federal de 1988 outorgou à Lei Complementar a competência para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários, nas cores desenhadas em seu art. 146, III, ‘b’, in verbis: Constituição Federal de 1988 Art. 146. Cabe à lei complementar: III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) definição de tributos e de suas espécies, bem como, em relação aos impostos discriminados nesta Constituição, a dos respectivos fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes; b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; Imerso nessa ordem constitucional, ao tratar do crédito tributário, já no âmbito infraconstitucional, o art. 161 do Código Tributário Nacional – CTN, topograficamente inserido no Capítulo que versa sobre a Extinção do Crédito Tributário, estabeleceu que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis: Código Tributário Nacional Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Salientese que o percentual enunciado no parágrafo primeiro acima transcrito será o aplicável se a lei não dispuser de modo diverso. Ocorre que a lei de custeio da seguridade social disciplinou inteiramente a matéria relativa aos acessórios financeiros do Fl. 286DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.013208/200708 Acórdão n.º 230201.815 S2‐C3T2 Fl. 280 15 crédito previdenciário em constituição e de forma distinta, devendo esta ser observada em detrimento do percentual previsto no §1º do art. 161 do CTN. Nesse sentido já se manifestou o Tribunal Regional Federal da 4ª Região ao proferir, ipsis litteris: “Na esfera infraconstitucional, o Código Tributário Nacional, norma de caráter complementar, não proíbe a capitalização de juros nem limita a sua cobrança ao patamar de 1% ao mês. pois o art. 161, §1º desse diploma legal prevê que essa taxa de juros somente será aplicada se a lei não dispuser de modo contrário. Assim, não tendo o Código Tributário Nacional determinado a necessidade de lei complementar, pode a lei ordinária fixar taxas de juros diversas daquela prevista no citado art. 161, §1º do CTN, donde se conclui que a incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por forca de instrumento legislativo próprio (lei ordinária) sem importar qualquer afronta à Constituição Federal” (TRF 4ª Região, Apelação Cível 200471100006514, Rel. Álvaro Eduardo Junqueira; 1ª Turma; DJ de 15/06/2005, p. 552). Com efeito, as contribuições sociais destinadas ao custeio da seguridade social estão sujeitas não só à incidência de multa moratória, como também de juros computados segundo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, nos termos do art. 34 da Lei nº 8.212/91 que, pela sua importância ao deslinde da questão, o transcrevemos a seguir, com a redação vigente à época da lavratura do presente débito. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97) A matéria relativa à incidência da taxa SELIC já foi bater à porta da Suprema Corte de Justiça, que firmou jurisprudência no sentido de sua legalidade, consoante ressai do julgado a seguir ementado: TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO DE DÉBITO. JUROS MORA TÓRIOS. TAXA SELIC. CABIMENTO. 1. O artigo 161 do CTN estipulou que os créditos não pagos no vencimento serão acrescidos de juros de mora calculados à taxa de 1%, ressalvando, expressamente, em seu parágrafo primeiro, a possibilidade de sua regulamentação por lei extravagante. o que ocorre no caso dos créditos tributários, em que a Lei 9.065/95 prevê a cobrança de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais (art. 13). Fl. 287DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 16 2. Diante dai previsão legal e considerando que a mora é calculada de acordo com a legislação vigente à época de sua apuração, nenhuma ilegalidade há na aplicação da Taxa SELIC sobre os débitos tributários recolhidos a destempo, ou que foram objeto de parcelamento administrativo. 3. Também , há de se considerar que os contribuintes têm postulado a utilização da Taxa SELIC na compensação e repetição dos indébitos tributários de que são credores. Assim, reconhecida a legalidade da incidência da Taxa SELIC em favor dos contribuintes, do mesmo modo deve ser aplicada na cobrança do crédito fiscal diante do princípio da isonomia. 4. Embargos de divergência a que se dá provimento. STJ EREsp nº 396.554/SC, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI; 1ª SEÇÃO; DJ 13/09/2004; p. 167. Em reforço a tal assertiva jurisdicional, iluminese o Enunciado da Súmula nº 03 do Segundo Conselho de Contribuintes, vazado nos seguintes termos: SÚMULA CARF nº 3 É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Dessarte, se nos afigura correta a incidência de juros moratórios à taxa SELIC, haja vista terem sido aplicados em conformidade com o comando imperativo fixado no art. 34 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 161 caput e §1º do CTN, em afinada harmonia com o ordenamento jurídico. A propósito, repisese que, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pela Lei nº 8.212/91 plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Notificante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo portanto todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10380.013208/200708 Acórdão n.º 230201.815 S2‐C3T2 Fl. 281 17 Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Assim emoldurado o quadro jurídico, avulta encontrarse impedida esta Corte Administrativa de apreciar tal rogativa e reformar a Decisão Recorrida, ao argumento de ilegalidade da aplicação da taxa Selic como juros moratórios, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 289DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 18 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 20/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 16/05/ 2012 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 15/06/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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Numero do processo: 11065.004968/2003-28
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 02/12/2002
IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO INDEVIDO.
EXIGÊNCIA POR AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE.
É possível ao Fisco exigir a devolução de benefício fiscal indevidamente
pago ao sujeito passivo, especialmente quando seu pagamento tenha sido
deferido sob pendência de verificação posterior.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Data do fato gerador: 02/12/2002
CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA.
Os custos de serviços de industrialização por encomendas somente podem
integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI quando provado que o
produto beneficiado, ao retomar ao encomendante exportador, foi por este
novamente industrializado.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 02/12/2002
RESSARCIMENTO INDEVIDO. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
A multa de ofício, em lançamento para exigir a devolução de ressarcimento
indevido de benefício fiscal, não pode ser exigida do sujeito passivo quando
seu pedido seja deferido sob condição de verificação “a posteriori”.
JUROS SELIC. INCIDÊNCIA.
Os juros Selic somente incidem sobre débitos para com a União, decorrentes
de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, o que não
abrange os débitos decorrentes de ressarcimento indevido de benefício fiscal.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3302-001.495
Decisão: Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE ANTONIO FRANCISCO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 02/12/2002 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO INDEVIDO. EXIGÊNCIA POR AUTO DE INFRAÇÃO. POSSIBILIDADE. É possível ao Fisco exigir a devolução de benefício fiscal indevidamente pago ao sujeito passivo, especialmente quando seu pagamento tenha sido deferido sob pendência de verificação posterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 02/12/2002 CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. Os custos de serviços de industrialização por encomendas somente podem integrar a base de cálculo do crédito presumido do IPI quando provado que o produto beneficiado, ao retomar ao encomendante exportador, foi por este novamente industrializado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 02/12/2002 RESSARCIMENTO INDEVIDO. MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. A multa de ofício, em lançamento para exigir a devolução de ressarcimento indevido de benefício fiscal, não pode ser exigida do sujeito passivo quando seu pedido seja deferido sob condição de verificação “a posteriori”. JUROS SELIC. INCIDÊNCIA. Os juros Selic somente incidem sobre débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Receita Federal, o que não abrange os débitos decorrentes de ressarcimento indevido de benefício fiscal. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.004968/200328 Acórdão n.º 330201.495 S3C3T2 Fl. 99 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 67 a 86) apresentado em 08 de maio de 2008 contra o Acórdão no 1015.569, de 06 de março de 2008, da 3ª Turma da DRJ/POA (fls. 58 a 63), cientificado em 09 de abril de 2008, que, relativamente a auto de infração de IPI dos períodos de 02 de dezembro de 2002, considerou procedente o lançamento efetuado, nos termos de sua ementa, a seguir reproduzida: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 RESSARCIMENTO INDEVIDO DE CRÉDITO PRESUMIDO. AUTO DE INFRAÇÃO. Os custos de prestação de serviços de industrialização por encomenda, com remessa dos insumos e retorno do produto com suspensão do IPI, não se incluem na base de cálculo do crédito presumido, porque não são aquisições de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, únicas hipóteses admitidas pela lei. Ocorrendo ressarcimento a maior, identificado em verificação a posteriori, é cabível a exigência dos valores indevidamente ressarcidos, mediante lançamento de ofício. Lançamento Procedente Fl. 107DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.004968/200328 Acórdão n.º 330201.495 S3C3T2 Fl. 100 3 O auto de infração foi lavrado em 15 de outubro de 2003 e, de acordo com o termo de fls. 12 e 13, a Interessada terseia “beneficiouse indevidamente de Crédito Presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados [...]”. A Primeira Instância assim resumiu o litígio: O estabelecimento acima identificado, conforme informação constante na Descrição dos Fatos, fl. 12, requereu, pelo processo nº 11065.003479/200197, ressarcimento do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei no 9.363, de 16 de dezembro de 1996. 2. Na verificação da legitimidade do pleito, a DRF/Novo Hamburgo concluiu que o contribuinte beneficiouse indevidamente de Crédito Presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições do PIS/COFINS incidentes sobre as compras de matériasprimas, produtos intermediários e matéria de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos exportados, em razão de ter incluído, na base de cálculo do crédito presumido do IPI, o valor do custo dos serviços de industrialização por encomenda efetuados por terceiros, o que não era permitido pela legislação em vigor no período de apuração correspondente. 2.1 Em razão de ter ocorrido o ressarcimento/compensação previamente à verificação da legitimidade dos créditos pleiteados, a DRF/Novo Hamburgo, quando do exame dos valores pleiteados, concluiu que houve ressarcimento em montante superior ao que o contribuinte teria direito. As diferenças apontadas na descrição dos fatos, fls. 12/13, estão sendo exigidas pelo auto de infração objeto deste processo, fls. 10/14, totalizando o principal R$ 88.461,42, que, com os respectivos acréscimos legais, calculados até 30/09/2003, resultou num crédito tributário de R$ 169.677,84. O enquadramento legal consta na fl. 13. A ciência do lançamento deuse em 15 de outubro de 2003 (fl. 10). 3. Inconformado, o interessado apresentou, tempestivamente, impugnação ao lançamento, fls. 18 a 36, firmada por procurador (cópia do instrumento de procuração na fl. 38), alegando, em síntese, o que segue: 3.1 Após breve relato dos fatos, diz que o pedido de ressarcimento já foi julgado pela autoridade competente, e que o Fiscal da Receita Federal não pode cobrar valores que se referem a pedido de ressarcimento que já foi analisado pelo Delegado da Receita Federal, muito menos poderá supor que os créditos são passíveis de glosa, uma vez que não é competente para tanto, conforme regra interna da Secretaria da Receita Federal (SRF). 3.2 A constituição do suposto crédito tributário por auto de infração suprimiu a apresentação de manifestação de inconformidade, com efeito suspensivo. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.004968/200328 Acórdão n.º 330201.495 S3C3T2 Fl. 101 4 3.3 Diz que, por ser o produto que fabrica tributado pela alíquota zero, não possui, e nunca possuiu, qualquer débito de IPI, não podendo ser autuada por não ter pago IPI, e que, por esse motivo, o presente auto de infração deve ser anulado, por falta de requisito formal, conforme dispõe o art. 10 do Decreto nº 70.235/72. 3.4 Prosseguindo, diz que não pode ser penalizado por um erro cometido pela DRF/Novo Hamburgo, que, por entender que o ressarcimento se deu a maior, está exigindo a devolução desse valor acrescido de juros e multa, acrescentando que, caso seja considerado indevido o ressarcimento, deve ser cobrado somente o valor depositado indevidamente, sem incidência de juros e multa. 3.5 Defende o direito à inclusão, no cálculo do crédito presumido do IPI, dos valores pagos a titulo de industrialização por encomenda, citando a Lei nº 9.363, de 16 de dezembro de 1996, afirmando que, se essa lei não determinou a exclusão de nenhuma espécie de insumo, não pode uma orientação interna da Secretaria da Receita Federal dispor contrariamente ao estabelecido pela lei. Transcreve decisão do Conselho de Contribuintes nesse sentido. 3.6 Insurgese contra a exigência, imposta por orientação interna da SRF, de existência de pagamento de IPI quando da saída do insumo com destino ao industrializador por encomenda, para que exista o direito ao crédito presumido do IPI nessa operação. A Lei nº 9.363, de 1996, em momento algum determina, para que haja o direito ao crédito presumido de IPI, a comprovação de pagamento de IPI. Transcreve decisões do Conselho de Contribuintes admitindo a inclusão, dos valores pagos a titulo de industrialização por encomenda, na base de cálculo do crédito presumido do IPI. 3.7 Ao final, requer seja reconhecida a improcedência do lançamento, e o apensamento deste processo ao de nº 11065.003479/200197. No recurso, alegou que “o pedido de ressarcimento n. 11065.003479/200197 já restou julgado, ou seja, sobre o requerimento feito pela Recorrente a titulo de ressarcimento do crédito presumido de IPI, já se pronunciou a Delegacia da Receita Federal, não podendo se falar, em momento posterior, em glosa dos créditos já reconhecidos.” Na sequência, alegou que, à época da análise do pedido de ressarcimento, já fora efetuada diligência, ocasião em que deveria ter sido efetuada qualquer glosa pretendida pela autoridade fiscal. Acrescentou que a Lei n. 10.833, de 2003, art. 17, teria disciplinado o procedimento a ser adotado quanto às glosas. Ainda requereu a aplicação do art. 100, III, do CTN e alegou que a IN SRF n. 210, de 2002, foi revogada pela IN SRF 460, de 2004. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.004968/200328 Acórdão n.º 330201.495 S3C3T2 Fl. 102 5 Passou a tratar de sua situação fiscal, alegando que não apurou débitos de IPI e que, desobedecendo ao disposto no art. 10, IV, do Decreto n. 70.235, de 1972, o auto de infração não conteria a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Quanto à multa e aos juros, alegou que o depósito dos valores de ressarcimento requerido seria “de responsabilidade única e exclusiva do Fisco Federal, que restituiu à Recorrente, em espécie, porém, depois, entendeu que esta restituição era indevida, impondolhe a cobrança de mais do que o dobro do valor depositado.” Em relação ao mérito dos valores ressarcidos, alegou que a Lei n. 9.363, de 1996, “não determinou a exclusão de nenhuma espécie de insumo” e que, no seu caso, aplicar seia o princípio da acessoriedade (o acessório seguiria o principal) e o art. 100 do CTN. Em relação à industrialização por encomenda, defendeu sua inclusão na base de cálculo do benefício, citando ementas de decisões do antigo 2º Conselho de Contribuintes. Alegou que, supostamente, a Receita Federal não admitiria o crédito presumido por haver suspensão da incidência de IPI. É o relatório. Voto Conselheiro José Antonio Francisco, Relator O recurso é tempestivo e satisfaz os demais requisitos de admissibilidade, dele devendose tomar conhecimento. Primeiramente, esclareçase que não se trata de exigência de débitos de IPI, mas de lançamento de crédito presumido considerado indevidamente ressarcido à Interessada, conforme claramente constou da fundamentação legal da autuação. A multa de ofício foi aplicada com suposto supedâneo no art. 44, § 4º, da Lei n. 9.430, de 1996, conforme indicado na fl. 7: § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Os juros de mora foram exigidos conforme art. 61, § 3º, da mesma lei. Portanto, ao menos formalmente descabe razão à Interessada em relação às alegações de nulidade, de inexistência de débito e de impossibilidade de lavratura de auto de infração para exigir benefício ou incentivo fiscal indevidamente ressarcido. As demais alegações, entretanto, merecem análise específica. Como relatado, a Interessada ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, que lhe foi deferido por meio de compensação e depósito em conta bancária. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.004968/200328 Acórdão n.º 330201.495 S3C3T2 Fl. 103 6 Na presente ação fiscal, realizada “a posteriori”, verificouse que a Interessada havia incluído na base de cálculo do benefício os serviços de industrialização por encomenda, o que não seria permitido pela legislação. Esclareçase que a fiscalização “a posteriori” ocorreu com fundamento na Ordem de Serviço DRF/NHO n. 01, de 05 de março de 2002, conforme destacado na cópia do despacho de fl. 55, do qual se deu ciência à Interessada. Portanto, a alegação da Interessada de que a glosa somente poderia ter sido efetuada naquele momento improcede, sob o ponto de vista de seu direito subjetivo (uma vez que o despacho determinou a diligência “a posteriori”, o que poderia modificar a decisão). Sob o ponto de vista legal, não há dúvida de que o art. 44, § 4º, da Lei n. 9.430, de 1996, pressupõe claramente tal possibilidade, ao estabelecer que, do contribuinte que tenha dado causa a ressarcimento indevido, seja exigida a multa de ofício. Concluise, portanto, que o deferimento inicial do ressarcimento não gerou direito adquirido à Interessada e poderia ser alterado posteriormente, dependendo do que fosse apurado na diligência “a posteriori”. Dessa forma, passase a analisar a questão de mérito da glosa, deixandose para depois as questões da multa e dos juros de mora. A alegação da Interessada de que a razão para o não reconhecimento do direito seria a suspensão de IPI não corresponde à realidade, muito embora, na fundamentação citada no auto de infração haja menção a tal fato. O que se discute, na realidade, é se a inclusão na base de cálculo do crédito presumido dos custos de industrialização por encomenda tem previsão legal, uma vez que a Lei n. 9.363, de 1996, claramente restringe o benefício, ao contrário do alegado pela Interessada, às matérias primas, material de embalagem e produtos intermediários. Quando se trata de industrialização por encomenda, no entanto, temse prestação de serviço incluída na operação, que pode incidir sobre produtos do encomendante remetidos para industrialização. O valor da operação, nesse caso, é o da prestação de serviços. O caso em que o industrializador por encomenda emprega insumos próprios de fato não permite que as saídas se deem com suspensão do IPI, exatamente para que haja incidência do IPI sobre o valor agregado dos insumos no retorno ao estabelecimento encomendante. Nesse contexto, a jurisprudência recente da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais não é mais aquela citada pela Interessada, conforme se demonstra pela ementa abaixo reproduzida: Ementa: CUSTOS DE INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA IPL CRÉDITO PRESUMIDO. LEI N° 9.363/96. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. NECESSIDADE DE TERCEIROS ENCOMENDADOS SEREM PESSOAS JURÍDICAS E DE NOVA INDUSTRIALIZAÇÃO. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.004968/200328 Acórdão n.º 330201.495 S3C3T2 Fl. 104 7 Só se admite computar o custo de beneficiamento ou industrialização por encomenda na base de cálculo do crédito presumido do IPI quando provado que o beneficiamento foi realizado por pessoa jurídica contribuinte do PIS e Cofins e que o produto beneficiado, ao retomar ao encomendante exportador, foi por este novamente industrializado. (Acórdão n° 0202.937, de 29 de janeiro de 2008.) Conforme trecho abaixo reproduzido do relator para o Acórdão, Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, o que importa, para caracterizar a aquisição como insumo (em sentido estrito de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem) é que ele seja utilizado como tal pelo encomendante, ou seja, submetido a processo de industrialização. Como destaca a ilustre Procuradora, ora recorrente, não foram juntados aos autos documentos a comprovar que os produtos indicados pela interessada efetivamente foram remetidos a empresas terceirizadas e que no retomo do produto beneficiado houve nova industrialização pelo estabelecimento industrial da interessada. Se após o retomo ao encomendante (a contribuinte que solicitou o ressarcimento do Crédito Presumido) a exportação é realizada após outro processo de industrialização, o industrialexportador não é mero intermediário e faz jus ao beneficio. Sem a nova industrialização o exportador equivale a simples adquirente de mercadorias de terceiros, que as revende ao exterior sem direito ao beneficio em tela. Por outro lado, se o beneficiamento é realizado por pessoas fisicas, não contribuintes do PIS e Cofins, face à não incidência das duas Contribuições descabe considerar o insumo na base de cálculo do Crédito Presumido. Quanto à circunstância de suspensão (ou não) do IPI, por ocasião da remessa da matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem a ser beneficiado por terceiro, consideroa irrelevante. Tal suspensão existe em função da legislação do imposto, que a permite, e de todo modo não descaracteriza o produto beneficiado como insumo da mercadoria final. O que importa saber é se o insumo é caracterizado como tal na legislação do IPI, e não se houve incidência desse imposto na operação de beneficiamento. A inexistência de tributação efetiva pelo IPI, em função da suspensão, não tem qualquer relevo, se a matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem beneficiado for empregado como insumo na industrialização efetuada pelo exportador, e se o beneficiamento for realizado por pessoa jurídica, com incidência do PIS e Cofins. A primeira questão acima citada ficou superada com a jurisprudência do STJ em relação às aquisições não contribuintes de PIS e Cofins (REsp n. 993.164MG). Fl. 112DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 11065.004968/200328 Acórdão n.º 330201.495 S3C3T2 Fl. 105 8 Portanto, no caso dos autos, somente se houvesse posterior industrialização pelo encomendante é que seria possível admitir que os custos de prestação de serviço fossem incluídos na base de cálculo do benefício. Cabe ainda analisar se seria possível incidir multa e juros Selic. No caso da multa, como já esclarecido, ela seria cabível se o sujeito passivo desse causa ao ressarcimento indevido. No caso dos autos, não foi exatamente o que ocorreu, uma vez que a autoridade fiscal assumiu o risco de efetuar um ressarcimento indevido ao postergar a diligência. Ademais, como a matéria sempre foi extremamente controversa no âmbito do antigo 2º Conselho de Contribuintes e do Carf, não se poderia penalizar o sujeito passivo por entender ter direito ao ressarcimento, vale dizer, por simplesmente efetuar o pedido, uma vez que, desde o início, a fiscalização seria certa. Aplicase, pelas razões acima mencionadas, o disposto no art. 102, II e III, do Código Tributário Nacional, concluindose que o dispositivo da Lei n. 9.430, de 1996, acima citado não se aplica ao caso dos autos. Quanto aos juros de mora, da mesma forma o disposto no art. 61, § 3º, da Lei n. 9.430, de 1996, não se aplica ao caso, pois não se trata de débitos “decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal”. De fato, o crédito presumido em questão é um débito decorrente de ressarcimento indevido de benefício fiscal e, portanto, não decorre de tributo. À vista do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso, para excluir a incidência de juros Selic e da multa de ofício do auto de infração. (Assinado digitalmente) José Antonio Francisco Fl. 113DF CARF MF Impresso em 10/04/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/04/2012 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 06/04/20 12 por JOSE ANTONIO FRANCISCO, Assinado digitalmente em 09/04/2012 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10580.007887/2007-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/1999 a 31/07/1999, 01/12/1999 a 31/12/1999, 01/04/2000 a 31/05/2000, 01/08/2000 a 30/09/2000, 01/12/2000 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 31/12/2002, 01/04/2006 a 30/04/2006
Ementa:
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN.
Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4°; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173, I.
PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS.
O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.850
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicar-se o art. 173, inciso I do CTN para todo o período.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: Liege Lacroix Thomasi
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/1999 a 31/07/1999, 01/12/1999 a 31/12/1999, 01/04/2000 a 31/05/2000, 01/08/2000 a 30/09/2000, 01/12/2000 a 31/07/2002, 01/09/2002 a 30/09/2002, 01/11/2002 a 31/12/2002, 01/04/2006 a 30/04/2006 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional CTN. Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplicase o artigo 150, §4°; caso contrário, aplicase o disposto no artigo 173, I. PARCELAS SALARIAIS INTEGRANTES DA BASE DE CÁLCULO. RECONHECIMENTO PELO CONTRIBUINTE ATRAVÉS DE FOLHAS DE PAGAMENTO E OUTROS DOCUMENTOS POR ELE PREPARADOS. O reconhecimento através de documentos da própria empresa da natureza salarial das parcelas integrantes das remunerações aos segurados torna incontroversa a discussão sobre a correção da base de cálculo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, reconhecendo a fluência do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do CTN. Fl. 344DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vencido o Conselheiro Arlindo da Costa e Silva que entendeu aplicarse o art. 173, inciso I do CTN para todo o período. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 02/07/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos vieira (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi, Jhonatas Ribeiro da Silva, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriana Sato. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.007887/200711 Acórdão n.º 230201.850 S2C3T2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de lançamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período descontínuo de 06/1999 a 12/2002. A notificação foi lavrada em 14/08/2007, com ciência pelo sujeito passivo em 17/08/2007. O relatório fiscal diz que o levantamento referese às contribuições declaradas pela recorrente em GFIP e não recolhidas à seguridade social, sendo que na competência 04/2006, referese apenas a diferenças de acréscimos legais, em virtude de recolhimento efetuado em atraso. Aduz o relatório que os valores declarados em GFIP encontramse discriminados no Relatório de Lançamento às fls. 22/31, o qual relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo, com observações sobre sua natureza ou fonte documental. Após impugnação, Acórdão de fls. 303/311, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso, alegando em síntese: a) a nulidade da NFLD por ser obscura, não obedecer as formalidades legais, infringindo o artigo 10 do Decreto n.º 70235/72 e cercear a defesa; b) que não há indicação do valores levados à base de cálculo; c) que há confusão nos valores de 12/1999; d) que discorda que os valores tenham sido declarados em GFIP; e) que a competência 04/2006 está foram do escopo da auditoria, basta ver os fundamentos legais do débito, que não abrangem esta competência; f) que impugna o DAD, DSD, DSE,RL, RDA, RADA, FLD, por serem obscuros, prejudicando a defesa; g) a prescrição até 08/2002 e impugna o relatório fiscal, todos os valores lançados como salário de contribuição, todos os autos de infração e notificações lavrados. Requer o cancelamento do débito previdenciário por serem insubsistentes e improcedentes todos os AI’s e Notifificações lavrados, ou que seja relevada ou atenuada a multa nos termos do artigo 291, do Regulamento da Previdência Social. Posteriormente protocolou requerimento para a aplicação da Súmula n.º 8, do STF, cancelando o AI e que a Certidão Positiva de Débito com efeito de negativa seja corrigida para CND. É o relatório. Fl. 346DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.007887/200711 Acórdão n.º 230201.850 S2C3T2 Fl. 3 5 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, documento de fls. 320, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A notificação foi cientificada ao sujeito passivo em 17/08/2007, conforme documento de fls. 01, e contempla o período descontínuo de 06/1999 a 12/2002 e 04/2006. A recorrente solicitou, ainda que extemporaneamente ao prazo recursal, a aplicação da Súmula Vinculante n.º 8, do Supremo Tribunal Federal. E, com efeito, deve ser acatado o pedido, eis que a decadência por ser matéria de ordem pública deve ser, inclusive, examinada de ofício. Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Exmo Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator: Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantémse hígida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto. Súmula Vinculante n° 08: Fl. 348DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006: Regulamenta o art. 103A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinculante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências. ... Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1o O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, devendo observar a regra prevista no art. 150, parágrafo 4o do CTN. Havendo o pagamento antecipado, observarseá a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art. 173, inciso I do CTN. Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CTN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 4o do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso I, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.007887/200711 Acórdão n.º 230201.850 S2C3T2 Fl. 4 7 No caso presente, se pode observar pelo DAD – Discriminativo Analítico do Débito, fls. 04 a 13, que a recorrente procedeu a recolhimentos parciais que foram abatidos do débito apurado, devendo ser observado o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional, artigo 150, § 4º, e excluídas as competências até 07/2002, inclusive: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. ... § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Não vislumbro a tese de nulidade da notificação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 Não há qualquer obscuridade nos valores lançados que estão discriminados no Relatório de Lançamentos às fls. 22 a 31, e foram declarados pelo contribuinte em GFIP. O relatório fiscal é explícito em dizer que a notificação se refere aos valores que foram informados pelo próprio contribuinte na GFIP e não foram recolhidos, não havendo, por parte da notificada, qualquer apontamento ou evidenciação de erro nos valores que compõem o crédito, limitandose a impugnar no todo, os relatórios e discriminativos que compõem a notificação. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do Decreto n.º 70235/72: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Ressalto a inexistência do cerceamento defesa, como alegado, posto que a notificação de débito, seus anexos e o relatório fiscal explicitam claramente a origem e o valor do débito, o procedimento fiscal foi desenvolvido dentro da empresa, à vista de seus administradores e empregados e o relatório fiscal de fls.112/125, expressa claramente que a base imponível para a cobrança das contribuições previdenciárias, consubstanciadas nesta notificação, foi retirada das GFIP’s, das folhas de pagamento da notificada e de seus registros contábeis, documentos elaborados pela recorrente, de sua posse e guarda, que nem sequer trouxe provas nas fases de defesa e recurso, para apontar onde os valores lançados estariam incorretos. O direito à ampla defesa e ao contraditório, assegurado pela Constituição federal, não foi maculado em razão do levantamento ter sido efetuado através do exame dos documentos de posse da notificada, por ela elaborados, o que lhe permite contradizer e defenderse sem qualquer restrição, eis que forçosamente, são de seu conhecimento os elementos oferecidos para exame. Ainda, quanto ao contraditório e à ampla defesa, preleciona Hugo de Brito Machado in Mandado de Segurança em Matéria Tributária, Ed. Revista dos Tribunais, 1995, pág. 304: Os conceitos de contraditório, e de ampla defesa, são interligados, até porque o contraditório é, de certa forma, um meio, ou um instrumento inerente à ampla defesa. Por contraditório entendese a garantia de que nenhum decisão ocorrerá sem a manifestação dos que são parte no conflito. No processo administrativo fiscal a garantia do contraditório quer dizer que o contribuinte tem direito de manifestarse sobre toda e Fl. 351DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.007887/200711 Acórdão n.º 230201.850 S2C3T2 Fl. 5 9 qualquer afirmação dos agentes do fisco, antes da decisão. E também que os agentes do fisco devem ser ouvidos sobre a defesa oferecida pelo contribuinte. .......................................................................................... A ampla defesa quer dizer que o contribuinte não pode ter contra ele constituído um crédito tributário sem que lhe seja assegurada oportunidade para demonstrar que o mesmo é indevido. Portanto, a argumentação da recorrente não deve prosperar. O cerceamento de defesa e a violação ao princípio do contraditório e ao princípio da ampla defesa não restaram caracterizados, pois, o interessado apresentou impugnação e recurso à notificação lavrada. A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 352DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 10 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. A notificação teve por base as informações prestadas pela recorrente em GFIP e o confronto das mesmas com os valores constantes das folhas de pagamento e outros documentos apresentados e preparados pela própria recorrente que reconheceu, através da inclusão das rubricas salariais no campo destinado à remuneração dos segurados, a incidência sobre as mesmas das contribuições sociais lançadas pela fiscalização. Não pertencem ao lançamento impugnado parcelas contestadas pelo recorrente quanto à sua natureza salarial ou não. A base de cálculo considerada pela fiscalização coincide com o montante de salários informado pelo recorrente. Acrescentase, ainda, que a partir de 01/01/99, com a implantação da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP, os valores nela declarados são tratados como confissão de dívida fiscal, nos termos do artigo 225, §1° do Decreto n° 3.048, de 06/05/99: Art.225. (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituirseão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Assim sendo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento como da GFIP, caberlheia demonstrálo e providenciar sua retificação; no entanto, embora oferecida essa oportunidade durante todo o processo, não o fez. Apreciada a regularidade das bases de cálculo consideradas pela fiscalização, passase ao exame das exações exibidas no relatório discriminativo analítico do débito. Todos os recolhimentos e créditos do recorrente foram devidamente considerados para o cálculo das contribuições e todas as rubricas levantadas decorrem de regrasmatrizes legalmente criadas e que, portanto, não podem ser afastadas do lançamento sob pena de se negar aplicação aos diplomas legais legitimamente inseridos no ordenamento jurídico. Cuidou a autoridade fiscal de demonstrar ao recorrente em seu relatório de fundamentos legais do débito todos os dispositivos legais e regulamentares que impõem a obrigação tributária de recolhimento. No que se refere à competência 04/2006, já foi informado à recorrente que os valores ali cobrados de R$ 2,46, referemse à multa e aos juros pelo recolhimento de competência fora do prazo, conforme discriminado no Relatório DAL – Diferenças de Acréscimos Legais, fls. 93, do processo. Foi apresentada a guia de recolhimento da competência 09/2002, efetuado em atraso em 13/04/2006 e o sistema informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil apurou diferenças nos valores relativos a juros e multa. A fundamentação legal para a cobrança se encontra nos Fundamentos Legais do Débito, às fls. 95, itens 041, 041. 02 e 083, 083.1. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 10580.007887/200711 Acórdão n.º 230201.850 S2C3T2 Fl. 6 11 Deixo de me manifestar quanto aos demais autos de infração e notificações fiscais de lançamento de débito, que não compõem e nem estão apensados a estes autos.Cada processo percorre a via administrativa de forma individual e neste, tratamos, exclusivamente, das contribuições previdenciárias patronais declaradas pelo contribuinte em GFIP e não recolhidas na sua totalidade.Os demais compõem autos distintos e serão assim apreciados. Com relação à solicitação de relevação ou atenuação da multa, faço referência ao artigo 291 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999, (hoje revogado pelo Decreto n.º 6.727, de 12/01/2009), que cuidava das circunstâncias atenuantes das penalidades aplicadas, à época do lançamento, e dispunha em seu § 2º que a relevação da multa não se aplicava aos casos em que a multa decorre de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas. Ou seja, a relevação não se aplicava à multa incidente sobre as contribuições lançadas em NFLD. Por derradeiro, informo à recorrente que não é competência deste Colegiado a emissão ou correção de Certidão Negativa de Débito, devendo a solicitação ser encaminhada ao pertinente setor da Receita Federal do Brasil. Pelo exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso para excluir do lançamento as competências até 07/2002, inclusive, devido à extinção do crédito pela homologação tácita prevista no art. 150, parágrafo 4º do CTN. Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 354DF CARF MF Impresso em 18/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/07/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 02/07/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10875.004827/2003-16
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Ano-calendário:1999
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MOTIVO INEXISTENTE.
A inexistência do motivo invocado pela fiscalização rende ensejo ao
cancelamento do auto de infração.
Recurso provido.
Numero da decisão: 3403-001.504
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso.
Matéria: IPI- ação fiscal- insuf. na apuração/recolhimento (outros)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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MOTIVO INEXISTENTE. A inexistência do motivo invocado pela fiscalização rende ensejo ao cancelamento do auto de infração. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Liduína Maria Alves Macambira, Domingos de Sá Filho, Robson José Bayerl, Raquel Motta Brandão Minatel, e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em 29/09/2003 para exigir o crédito tributário relativo ao IPI, multa de ofício e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do imposto nos períodos de apuração compreendidos entre 10/06/1999 e 31/12/1999, detectada após a glosa de compensação declarada em DCTF. O lançamento foi efetuado com base no art. 90 da MP nº 2.15835. Segundo consta dos autos, o contribuinte solicitou restituição e compensação do PIS recolhido com base nos Decretosleis nº 2.445 e 2.449, de 1988, no autos do processo nº Fl. 157DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 10875.001003/9975. A delegacia de origem negou o direito pleiteado ao argumento de que o o indébito estaria prescrito, em face do pedido ter sido formalizado após cinco anos da ocorrência dos pagamentos indevidos. Tal decisão foi mantida pela DRJ em Campinas (fl. 74/84). Ao julgar a impugnação relativa ao auto de infração albergado neste processo, a 2ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto, por meio do Acórdão nº 11.291, de 15/03/2006, manteve o lançamento (fls. 96/101) . O julgado recebeu a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Anocalendário: 1999 Ementa: SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DE DÉBITOS. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A manifestação de inconformidade apresentada antes da edição da Medida Provisória MP n° 135, de 2003, não suspende a exigibilidade dos débitos cuja compensação não foi homologada pela autoridade administrativa. Lançamento Procedente.” Regularmente notificado daquele Acórdão em 23/05/2006, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário de fls. 113/114, em 20/06/2006, alegando, em síntese, que o auto de infração decorreu de glosa de compensação contra a qual foi interposto recurso administrativo pendente de decisão no Conselho de Contribuintes e que, por tal motivo, o lançamento é insubsistente. Requereu a suspensão da cobrança até que seja decidido o litígio instaurado no processo de compensação. Por meio da Resolução 220100.014, o julgamento foi convertido em diligência à repartição de origem a fim de que: “(...) se aguarde a decisão final no PA 10875.001003/9975, acima apontado. Após o término daquele deve ser acostada ao presente processo cópia da decisão final proferida, apontandose em que a mesma se aproveita ao referido processo – se favorável à recorrente – e em que extensão face ao crédito de IPI aqui reclamado. (...)” Os autos retornaram com o Acórdão CSRF/0203.329 por meio do qual negouse provimento ao recurso especial da PFN, para reconhecer que o contribuinte não decaiu do direito à repetição do indébito reclamado no processo nº 10875.001003/9975. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, o processo nº 10875.001003/9975 encerra questão prejudicial ao auto de infração albergado neste processo. A diligência determinada solicitou que além da decisão derradeira, proferida no âmbito daquele processo, fosse apontada a extensão do crédito existente e até que ponto ele seria suficiente para extinguir os débitos ora lançados. Fl. 158DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10875.004827/200316 Acórdão n.º 3403001.504 S3C4T3 Fl. 2 3 Conquanto a autoridade administrativa não tenha se manifestado em relação à quantificação do crédito, entendo que tal providência é desnecessária no caso concreto, pois a motivação deste lançamento foi a glosa da compensação em face dos pagamentos indevidos estarem prescritos. Ora, se no final do processo que versou sobre a prejudicial ficou decidido que não houve a prescrição, a consequência lógica é o cancelamento do auto de infração, uma vez que se a esta altura fosse constatada a insuficiência do crédito, este colegiado estaria de mãos atadas, dado que não poderia alterar a motivação original do ato administrativo para negar ou dar provimento parcial ao recurso sob a justificativa de que o crédito é inexistente ou insuficiente. Não persistindo o motivo único invocado pelo fisco para lavrar o auto de infração, a consequência lógica é o seu cancelamento em face de sua improcedência. Com estas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 159DF CARF MF Impresso em 30/03/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 29/03/201 2 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 16095.000200/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Mar 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2002
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA. TRINTÍDIO LEGAL CONTADO DA DATA REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO OU, SE OMITIDA, CONTADO DE QUINZE DIAS APÓS A DATA DA EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO
CONHECIMENTO.
Na forma dos arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. No caso de intimação postal, esta será considerada ocorrida na data do recebimento colocada no AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2102-001.879
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO
conhecer do recurso, por perempto.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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CIÊNCIA POSTAL DA DECISÃO RECORRIDA. TRINTÍDIO LEGAL CONTADO DA DATA REGISTRADA NO AVISO DE RECEBIMENTO OU, SE OMITIDA, CONTADO DE QUINZE DIAS APÓS A DATA DA EXPEDIÇÃO DA INTIMAÇÃO. RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO. Na forma dos arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, o recurso voluntário deve ser interposto no prazo de 30 dias da ciência da decisão recorrida. Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. No caso de intimação postal, esta será considerada ocorrida na data do recebimento colocada no AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO conhecer do recurso, por perempto. Assinado digitalmente GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Relator e Presidente. EDITADO EM: 28/03/2012 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Em face do contribuinte Eduardo Gomes Ferreira, CPF/MF nº 036.680.118 00, já qualificado neste processo, foi lavrado, em 14/12/2005, auto de infração (fls. 171 e seguintes), com ciência pessoal (procurador) em 14/12/2005 (fl. 171), a partir de ação fiscal iniciada em 22/03/2005 (fl. 5). Abaixo, discriminase o crédito tributário constituído pelo auto de infração, que sofre a incidência de juros de mora a partir do mês seguinte ao do vencimento do crédito: IMPOSTO R$ 617.709,13 MULTA DE OFÍCIO NO PERCENTUAL DE 75% SOBRE O IMPOSTO LANÇADO R$ 463.281,84 Ao contribuinte foi imputada uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no importe de R$ 2.247.895,03, no ano calendário 2001. Compulsando os autos, vêse que o contribuinte, em petição recepcionada em 11/05/2005 (fls. 10 a 12), imputou a responsabilidade pela movimentação financeira auditada a negócios levados a efeito na empresa de sua propriedade Sucabrás Reciclagem de Metais Ltda., asseverando ainda que documentação da empresa havia sido apreendida em cumprimento de mandado de busca e apreensão judicial, juntando a este processo o auto de apreensão (fls. 14 a 19). Ademais, juntou planilha discriminando a destinação dos valores das contas auditadas (fls. 83 a 111). Alfim, intimado a comprovar os depósitos bancários (fls. 112 a 116), o contribuinte repisou que a movimentação era oriunda do giro da empresa Sucabrás Reciclagem Ltda., lembrando “... que o controle de valores no comércio de sucatas (produtos recicláveis) é prejudicado devido a necessidade de se comercializar diretamente com "catadores de rua" e profissionais informais, sendo que estas pessoas não possuem qualquer documentação empresarial tornandose impossível de se juntar outros documentos que comprovem origem de valores” (fls. 117 e 118). Abaixo, como síntese, transcrevese a motivação exarada pela autoridade autuante para executar o lançamento (fl. 166), verbis: Atendendo Termo de Inicio de Fiscalização recebido via postal, o contribuinte através do seu procurador (procuração anexa), compareceu a Delegacia da Receita Federal em Guarulhos/SP, para solicitar a dilação do prazo legal determinado para apresentação dos documentos necessários à comprovação da movimentação financeira, relativamente ao ano de 2001, em 30 (trinta) dias. O contribuinte apresentou juntamente com os extratos de sua movimentação bancária junto ao Banco Rural, Banco Fl. 225DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16095.000200/200511 Acórdão n.º 210201.879 S2C1T2 Fl. 2 3 Sudameris, e Banco Bradesco, relatório informando a destinação dos recursos (débitos ocorridos nas contas bancárias), e ainda esclarecimentos de que a movimentação bancária é oriunda do giro da empresa Sucabras Reciclagem de Metais Ltda., da qual é proprietário, e que a documentação da referida empresa estão indisponíveis em razão do Mandado de Busca e Apreensão (copia anexada), por conta do processo judicial nº IPL 1212/2005, em trâmite na 10ª, Vara Criminal do Foro da Comarca de Salvador/Bahia. Assim foram listados os valores creditados/depositados que constam dos extratos de suas contas bancárias, durante o ano de 2001, sendo o contribuinte intimado a esclarecer por escrito e comprovar mediante documentação hábil e idônea, a origem desses valores. O contribuinte apresentou planilha de Movimentação da Conta Corrente do ano de 2001, alegando que não há como justificar os referidos créditos senão a afirmação do próprio contribuinte, que se trata de movimentação da empresa Sucabras Reciclagem de Metais Ltda., não apresentando até a presente data, nenhuma documentação hábil e idônea que efetivamente comprovasse as origens dos valores creditados/depositados em suas contas correntes junto aos bancos acima mencionados. Inconformado com a autuação, o contribuinte apresentou impugnação ao lançamento, dirigida à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deduzindo os seguintes argumentos (relatório da decisão ora recorrida – fls. 198 e 199): a) trabalha como comerciante de materiais recicláveis, conhecido como "sucateiro", é proprietário da empresa Sucabrás Reciclagem de Metais Ltda., e juntase com outros comerciantes para conseguir o numerário necessário para a compra de recicláveis de grandes empresas, posto que as empresas que vendem sucatas fazem esta comercialização em grandes quantidades, vendendo lotes de valor elevado e, portanto, de forma isolada jamais adquiriria esses materiais; b) outra forma de trabalho consiste em receber antecipadamente valores de pessoas físicas e pessoas jurídicas para serem usados em pagamentos aos "catadores de rua" os quais, pelas sucatas trazidas, recebem em dinheiro no ato da entrega, sacase do banco este valor em dinheiro para efetuar o pagamento, que são valores impossíveis de serem contabilizados de forma isolada, posto que tais catadores não possuem sequer documentos de identidade e trabalham objetivando somente a alimentação diária; c) o MPF em referência teve início em 10 de março de 2005, com data de execução inicialmente prevista para 08 de julho de 2005, depois foi prorrogado sucessivamente para as seguintes datas: 6 de setembro de 2005, 5 de novembro de 2005 e finalmente para 04 de janeiro de 2006; e já estava previsto a conclusão dos trabalhos fiscais em seu prazo máximo de validade de 120 dias, no entanto, de forma contrária às normas da SRF, ocorreram 03 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 4 prorrogações sem qualquer emissão do demonstrativo pertinente; desta forma requer seja considerado nulo o presente A.I, com fundamento na extinção do MPF pela inobservância e desrespeito à norma de execução de procedimento fiscal; d) não restou configurada a previsão legal do art. 849 do RIR/1999, posto que o levantamento fiscal baseouse em indícios e não em fatos concretos, os quais deveriam partir das informações que prestou, fazendose uma circularização junto aos depositantes dos valores em suas contas. Assim, deveria a fiscalização primeiro identificar a receita do contribuinte, para depois tributar. Também a autuação não está apoiada em um possível acréscimo patrimonial, pois o fato de apresentar um somatório anual de depósitos acima do previsto na Lei n° 9.481/97, somente serve como indícios de uma omissão de receitas, o que deve ser provado pelo fisco no decorrer de um MPF, e que também não foi demonstrado por este após as informações repassadas pelo contribuinte; e) a movimentação financeira não consiste em meio idônio para a verificação da ocorrência do fato gerador do imposto sobre a renda, incrito no art. 43 do CTN, a movimentação numerário sob a guarda da instituição financeira não reflete, efetivamente, qualquer acréscimo no patrimônio do contribuinte; f) concluise que a notificação emitida pela Receita Federal com o propósito de tributar valores verificados pela incidência da CPMF é absolutamente ineficaz na consecução de sua finalidade e neste sentido podese afirmar que carece, o ato, não só de motivo, mas de finalidade, o que viola o princípio da eficiência, encartado na CF em seu art. 37; Por fim, requereu a nulidade do Auto de Infração. A 2ª Turma de Julgamento da DRJCampo Grande (MS), por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento, em decisão consubstanciada no Acórdão n° 0415.351, de 19 de setembro de 2008 (fls. 197 a 203). O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 27/10/2008 (fl. 208). Irresignado, interpôs recurso voluntário em 28/11/2008 (fl. 211). No voluntário, o recorrente repisa as argumentações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, Relator O contribuinte foi intimado da decisão a quo em 27/10/2008 (fl. 208) e interpôs o recurso voluntário em 28/11/2008 (fl. 211), sextafeira, quando já fluíra o trintídio legal, que teve seu termo final em 26/11/2008, quintafeira. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16095.000200/200511 Acórdão n.º 210201.879 S2C1T2 Fl. 3 5 Para aclarar a afirmação acima, transcrevemse os arts. 5º, 23 e 33 do Decreto nº 70.235/72, que dispõem sobre as formas e prazos de intimação no rito do Processo Administrativo Fiscal: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o , I a III – omissis; § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III e IV – omissis; § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS 6 II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o a §9º omissis. (...) SEÇÃO VI Do Julgamento em Primeira Instância (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (grifouse) Pelo acima destacado, vêse que o trintídio legal para interposição do recurso voluntário contase da data de ciência anotada no aviso de recebimento AR ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Ainda, os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Pelo que consta dos autos, o contribuinte foi intimado formalmente da decisão a quo em 27/10/2008 (fl. 208), segundafeira, e interpôs o recurso voluntário em 28/11/2008 (fl. 211), sextafeira. Assim, o prazo de trinta dias contase a partir de 28/10/2008, inclusive, encerrandose no dia 26/11/2008. Dessa forma, quando interposto o recurso voluntário em 28/11/2008 (fl. 211), sextafeira, já tinha fluído o prazo legal. Ante o exposto, patente a intempestividade do recurso voluntário, sendo definitiva a decisão da Turma de Julgamento da DRJ que aqui se recorre, como se vê pelo art. 42 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (...) Dessa forma, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso voluntário interposto, pois perempto. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 16095.000200/200511 Acórdão n.º 210201.879 S2C1T2 Fl. 4 7 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS, Assinado digitalmente em 28/03/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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