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5514789 #
Numero do processo: 10830.720469/2011-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2006, 2007 NULIDADE. ALEGAÇÃO DE VÍCIO RELATIVO AO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. INOCORRÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF se constitui em instrumento de controle interno da Administração Tributária, desvinculado do lançamento. Eventuais vícios em relação ao MPF, não relacionados à colheita e utilização de provas ilícitas, não causam nulidade do lançamento. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO SEM ORDEM JUDICIAL. MATÉRIA RELACIONADA À CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. INCOMPETÊNCIA DO CARF PARA SE PRONUNCIAR. SÚMULA 02. O chefe do Poder Executivo tem prerrogativa assegurada na Constituição de propor ação direta de inconstitucionalidade para afastar do sistema jurídico norma que a considera inconstitucional. Contudo, enquanto isto não ocorre, não pode deixar de observar as leis e nem avocar para si prerrogativa que a Constituição destinou ao Poder Judiciário, qual seja, de examinar as questões relacionadas à constitucionalidade e à inconstitucionalidade das leis. CONTABILIDADE QUE NÃO REGISTRA A MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA OU A MAIOR PARTE DAS OPERAÇÕES REALIZADAS PELA EMPRESA. CIRCUNSTÂNCIA QUE NÃO CONFERE CREDIBILIDADE AOS REGISTROS CONTÁBEIS. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Não se pode conferir credibilidade à contabilidade quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade das operações comerciais e bancárias realizadas pela empresa. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, ao usar a expressão de que o lucro será arbitrado, nos casos que especifica, não confere faculdade à autoridade fiscal, mas sim comando impositivo quanto à forma de tributação. Assim verificado quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela empresa, impõe-se o arbitramento do lucro para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA. TRANSFERÊNCIA ENTRE CONTAS DA MESMA TITULARIDADE. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. Nos casos de presunção de omissão com base em depósito bancário de origem não comprovada, exclui-se de tributação os oriundos de conta da mesma titularidade. Inteligência do artigo 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430, de 1996. TAXA SELIC. SÚMULA N° 4. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Recurso Voluntário parcialmente provido. Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 1402-001.723
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base tributável os valores de R$ 113.680,80; no 4º trimestre de 2003; e R$ 185.368,40; R$ 37.106,92 e R$ 154.516,14, no 2º, 3º e 4º trimestres de 2004, respectivamente. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou pelo provimento integral. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 45          2 quem a contabilidade não registra a maior parte das transações realizadas pela  empresa,  impõe­se o arbitramento do lucro para  fins de apuração do  IRPJ e  da CSLL.  PRESUNÇÃO  DE  OMISSÃO  DE  RECEITA.  TRANSFERÊNCIA  ENTRE  CONTAS  DA  MESMA  TITULARIDADE.  EXCLUSÃO  DA  BASE DE CÁLCULO.  Nos  casos  de  presunção  de  omissão  com  base  em  depósito  bancário  de  origem  não  comprovada,  exclui­se  de  tributação  os  oriundos  de  conta  da  mesma  titularidade.  Inteligência  do  artigo  42,  §  3º,  I,  da  Lei  nº  9.430,  de  1996.  TAXA SELIC. SÚMULA N° 4.  A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  são  devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial  de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Recurso Voluntário parcialmente provido.  Recurso Voluntário provido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  rejeitar  as  preliminares e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir  da base tributável os valores de R$ 113.680,80; no 4º trimestre de 2003; e R$ 185.368,40; R$  37.106,92  e  R$  154.516,14,  no  2º,  3º  e  4º  trimestres  de  2004,  respectivamente.  Vencido  o  Conselheiro Paulo Roberto Cortez que votou pelo provimento integral.       (assinado digitalmente)  Leonardo de Andrade Couto ­ Presidente      (assinado digitalmente)  Moisés Giacomelli Nunes da Silva ­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Frederico  Augusto  Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes  da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.  Fl. 12858DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 46          3 Relatório  Inicialmente,  para  evitar  omissões  ou  equívocos  quanto  à  eventual  das  questões pertinentes  ao  julgamento,  registro que o  caso diz  respeito  a  lançamento de  crédito  tributário correspondente ao ano­calendário de 2006, sendo que o auto de infração está às fls.03  e seguintes, acompanhado do termo de verificação fiscal de fl. 56/82. A notificação deu­se em  29/03/2011 (fl. 20 e 82), com impugnação às fls.12588/12620 e julgamento pela DRJ por meio  do  acórdão  de  fls.12721/12756,  do  qual  a  parte  interessada  foi  intimada  em  14/10/2011  e  apresentou o recurso de fls. 12765 e seguintes protocolizado em 11/11/2011, o que quer dizer  que observou o prazo recursal de que trata 34, I, do Decreto nº 70.235, de 1972.  A  empresa  autuada  é  tributada  com  base  no  Lucro  Real  com  Apuração  Trimestral, e a autuação, com base no lucro arbitrado, está a exigir IRPJ, CLSS, PIS, COFINS,  em face das infrações abaixo indicadas:    001  RECEITA  OPERACIONAL  OMITIDA  (ATIVIDADE  NÃO  IMOBILIÁRIA)  –  PRESTAÇÃO  DE  SERVIÇOS  –  Administração de contas a pagar e de cobrança de títulos       Fato gerador   Valor Tributável ou imposto    Multa  31/03/2006     53.003,55       75%  31/03/2006     43.549,47       75%  31/03/2006     58.950,72       75%  30/06/2006     60.480,19       75%  30/06/2006     56.737,51       75%  30/06/2006     35.463,96       75%  30/09/2006     20.986,83       75%  31/12/2006     12.497,79       75%  31/12/2006     41.244,85       75%  31/12/2006     37.608,80       75%  31/03/2007     46.250,94       75%  31/03/2007     36.828,68       75%  31/03/2007     27.563,57       75%  30/06/2007     40.050,55       75%  30/06/2007     32.901,87       75%  30/06/2007     24.577,50       75%  30/09/2007     28.797,65       75%  30/09/2007     28.878,90       75%  30/09/2007     28.252,58       75%  31/12/2007     35.787,27       75%  31/12/2007     35.609,26       75%  31/12/2007     45.613,14       75%          Fl. 12859DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 47          4 002  RECEITAS  NÃO  OPERACIONAIS  OMITIDAS  –  RENDIMENTO  DE  APLICAÇÕES  FINANCEIRAS  E  RENDA VARIÁVEL     Fato gerador   Valor Tributável ou imposto    Multa  31/03/2006      1.218.296,61       75%  31/03/2006      223.372,55       75%  31/03/2006      52.420,46       75%    003  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM  NÃO  COMPROVADA    Fato gerador   Valor Tributável ou imposto    Multa  31/03/2006      427.325,31       75%  31/03/2006      442.161,62       75%  31/03/2006      739.413,90       75%  30/06/2006      530.070,05       75%  30/06/2006      507.354,22       75%  30/06/2006      581.304,45       75%  30/09/2006      704.042,21       75%  30/09/2006     1.114.537,58       75%  30/09/2006     1.044.937,76       75%  31/12/2006      989.981,72       75%  31/12/2006     1.092.536,43       75%  31/12/2006      689.826,56       75%  31/03/2007      974.766,89       75%  31/03/2007      814.723,85       75%  31/03/2007     1.032.239,44       75%  30/06/2007     1.138.129,98       75%  30/06/2007      946.868,84       75%  30/06/2007      736.775,54       75%  30/09/2007     1.206.099,45       75%  30/09/2007     1.038.681,00       75%  30/09/2007      823.989,39       75%  31/12/2007     1.340.162,86       75%  31/12/2007     1.149.954,74       75%  31/12/2007     1.125.369,77       75%    004  RECEITAS  OPERACIONAIS  (ATIVIDADE  NÃO  IMOBILAIÁRIA)  Receitas  Registradas  –  Operações  de  Factoring    Fato gerador   Valor Tributável ou imposto    Multa  31/03/2006     164.306,33       75%  31/03/2006     180.178,59       75%  31/03/2006     238.663,69       75%  30/06/2006     195.847,80       75%  30/06/2006     221.886,21       75%  30/06/2006     193.436,33       75%  30/09/2006     197.436,33       75%  Fl. 12860DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 48          5 30/09/2006     200.629,00       75%  30/09/2006     292.469,61       75%  31/12/2006     275.570,96       75%  31/12/2006     265.515,24       75%  31/12/2006     213.619,29       75%  31/03/2007     254.834,08       75%  31/03/2007     257.620,23       75%  31/03/2007     310.646,81       75%  30/06/2007     331.429,81       75%  30/06/2007     359.195,72       75%  30/06/2007     244.609,83       75%  30/09/2007     344.585,91       75%  30/09/2007     366.635,62       75%  30/09/2007     335.703,70       75%  31/12/2007     356.349,28       75%  31/12/2007     273.426,72       75%  31/12/2007     178.223,59       75%    Quanto aos demais aspectos, no que diz respeito às irregularidades apontadas,  transcrevo os seguintes pontos do acórdão recorrido que, por sua vez, reporta­se ao termo de  verificação fiscal, “in verbis”:  (...)   III ­ DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS   76.  Na  execução  da  presente  ação  fiscal,  procedemos  ao  exame  da  escrituração  contábil do contribuinte (Livros Diário e informações dos registros contábeis disponibilizadas  em  meio  magnético)  e  constatamos  que  diversos  lançamentos  relacionados  às  operações  financeiras  (contas  bancárias)  foram  efetuados  de  forma  resumida,  quinzenal,  mensal  ou  trimestralmente.  Tal  situação  obrigaria  a  manutenção  de  Livros  Auxiliares  contendo  os  registros  individualizados  de  cada  operação  bancária,  conforme  definido  no  Art.  258  do  Decreto n° 3.000, de 1999, Regulamento do Imposto de Renda.  77.  Além  dos  lançamentos  resumidos,  constatamos  que  não  foi  contabilizada  a  totalidade  da  movimentação  financeira.  Como  apurado,  o  contribuinte  manteve  diversas  contas correntes e de empréstimos, em treze diferentes instituições financeiras, cujos valores  movimentados  (créditos  lançados) alcançaram a cifra  total de R$ 2,39 bilhões, nos anos de  2006 e 2007. Por outro lado, os valores registrados a débito na contabilidade (que indicam a  entrada de recursos nas contas bancos) somam pouco mais de R$ 125 milhões.  (...)  81. Apesar de ter sido intimado, o contribuinte não reescriturou novos livros, incluindo  a totalidade de sua movimentação bancária. Tal providência far­se­ia necessária haja vista a  omissão  de  vultosa  quantia  movimentada  em  suas  contas  correntes  frente  aos  valores  realmente escriturados em sua contabilidade.  82. Cabe destacar que a principal atividade econômica do contribuinte é factoring, ou  seja,  opera  basicamente  na  compra  e  recebimento  de  títulos,  cujos  valores  financeiros  transitam necessariamente em contas correntes mantidas em instituições financeiras  83.  Estas  situações,  portanto,  ensejam  o  arbitramento  do  lucro  da  empresa  ora  fiscalizada, com fundamento do inciso II do Art. 47 da Lei n° 8.981, de 20 de janeiro de 1995,  Fl. 12861DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 49          6 (art. 530, II, "a" e "b", do RIR/99) (...), pois, a escrituração além de não identificar a efetiva  movimentação bancária, impossibilita o cálculo do lucro real (...).  (...)  85.  Registre­se,  por  oportuno,  que  analisando  as  declarações  do  imposto  de  renda  apresentadas pelo contribuinte, relativas aos anos­calendário 2006 e 2007, verificamos que as  receitas  informadas  correspondem  às  registradas  em  sua  contabilidade  e  tratam  exclusivamente  dos  valores  equivalentes  aos  diferenciais  de  compra  dos  títulos  de  crédito  (deságio)  e  às  comissões  de  serviços  (ad  valoren),  ou  seja,  às  operações  de  factoríng.  Portanto, as declarações revelam­se igualmente não confiáveis para apuração dos resultados  tributáveis da  empresa, pois  foram prestadas a partir das  informações constantes em  livros  que registram uma diminuta parcela das operações bancárias.  86.  Não  restando  alternativa  ao  arbitramento  do  lucro,  passemos  a  identificar  os  valores  das  receitas  brutas  auferidas  pelo  contribuinte,  os  quais  serão  considerados  como  base de cálculo do lucro, conforme disposto nos arts. 15 e 16 da Lei n° 9.249, de 1995 (...).  87. Pois bem. No curso do procedimento  fiscal,  apuramos que o contribuinte auferiu  receitas  das  operações  típicas  de  factoring,  bem  como  da  prestação  de  serviços  de  administração  de  contas  a  pagar  e  de  cobrança  de  títulos  para  quatro  distribuidoras  de  combustível. Constatamos, ademais, que omitiu receitas representadas por créditos bancários  cuja origem não foi comprovada, com base na presunção prevista no art. 42 da Lei n° 9.430,  de 1996.  A) Das receitas da prestação de serviços   88. No caso da atividade de administração de contas a pagar e a receber, verificamos  que  a  empresa  ora  fiscalizada,  em  contrapartida  à  prestação  de  serviços,  fez  jus  à  remuneração no valor correspondente a 0,17% (dezessete centésimos de um ponto percentual)  dos montantes efetivamente recebidos dos títulos encaminhados para cobrança.  89.  A  partir  dos  relatórios  dos  lançamentos  das  operações  de  recebimento  e  de  pagamento apresentados, verificamos que a  fiscalizada efetuou o recebimento de  títulos das  empresas  contratantes,  no montante  total  de R$ 488.020.931,73,  conforme discriminado  no  Anexo I do presente termo. Dos totais mensais, calculamos os valores das receitas auferidas  em decorrência da prestação de serviço de cobrança (...).  90.  Anote­se  que  a  movimentação  financeira  relativa  à  cobrança  dos  títulos  pertencentes  às  distribuidoras  foi  realizada  em  duas  contas  correntes  mantidas  pela  fiscalizada  no  Banco  Bradesco.  Quanto  aos  registros  contábeis,  constatamos  que  essa  movimentação  não  foi  objeto  de  lançamento,  tampouco  a  remuneração  de  0,17%  o  foi.  Portanto, os valores das receitas foram omitidos na escrituração e na declaração apresentada  à Receita Federal.  B) Das receitas escrituradas da atividade de factoring   91. Quanto às receitas de operações típicas de factoring, concernentes à aquisição de  direitos  creditórios  resultantes  de  vendas  mercantis,  temos  que  o  contribuinte  escriturou  e  declarou os valores a seguir discriminados:  [segue demonstrativo]  92. Além dos valores acima apontados, constatamos a omissão de receita com base na  presunção prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, como a seguir demonstrado.  C) Das receitas omitidas representadas por créditos bancários   Fl. 12862DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 50          7 93. No curso da  fiscalização,  em  razão de  ter  sido verificado que o contribuinte não  contabilizou a totalidade de sua movimentação bancária nem reescriturou os Livros Diário, a  fim de incluí­la, procedemos ao exame dos créditos lançados nos diversos extratos bancários.  94. Iniciamos pela identificação dos mesmos. Depois, descartamos aqueles que, por sua  natureza,  não  se  caracterizam  como  receita,  tais  como:  estornos  de  lançamentos,  transferências  de  mesma  titularidade,  créditos  resultantes  das  devoluções  de  TED,  DOC  e  cheques  emitidos,  resgates  de  aplicações  financeiras  e  recebimentos  de  empréstimos  bancários.  95.  Descartamos,  também,  os  valores  creditados  que  se  referem  à  atividade  de  administração de contas a pagar e a receber das distribuidoras de combustível e os créditos  vinculados a operações de renda variável efetuadas pelo contribuinte.  96. Como resultado identificamos os créditos listados no Anexo II do presente termo, os  quais somam R$ 509.831.441,58.  97.  Na  sequência,  cotejamos  os  totais  diários  desses  créditos  com  os  somatórios  também diários dos valores correspondentes aos recebimentos dos títulos de crédito relativos  às operações de factoring, constantes nos relatórios de aquisições efetuadas nos anos de 2006  e 2007 e no relatório dos títulos recebidos nesses anos, mas objeto de aquisições realizadas  em anos anteriores.  98.  Em  decorrência  desse  procedimento,  constatamos  que  os  valores  creditados  nas  contas correntes do contribuinte superaram os recebimentos de títulos, praticamente em todos  os dias do período de fevereiro de 2006 a dezembro de 2007.  99.  Intimado  a  esclarecer  tais  diferenças  e  comprovar,  mediante  a  apresentação  de  documentação, a origem desses recursos, o contribuinte limitou­se a informar que em face do  extravio  da  documentação  contábil­fiscal  encontrava­se  materialmente  impossibilitado  de  apresentar maiores dados e/ou esclarecimentos.  100. Da análise do relatório apresentado pelo contribuinte, no qual  foram listados os  títulos supostamente negociados em anos anteriores, mas recebidos nos anos de 2006 e 2007,  observamos  que  nele  foram  discriminados  25.188  títulos,  os  quais  totalizam  R$  105.302.171,91.  Porém, examinando as informações contábeis verificamos que a conta "1.01.02.01.01 ­  Clientes Diversos ­ Duplicatas a Receber" possuía saldo inicial, em 01/01/2006, no montante  de  R$  3.700.943,08.  Ora,  se  a  contabilidade  registrava  um  saldo  inicial  de  duplicatas  a  receber no montante de R$ 3 milhões, como explicar o recebimento de títulos negociados nos  anos anteriores no valor de R$ 105 milhões.  101. Diante desta disparidade,  intimamos o  contribuinte a apresentar os documentos  (contrato de compra e borderô) relativos às aquisições dos direitos de crédito de uma série  desses títulos, equivalente a mais do que a metade dos discriminados na planilha, em termos  de  valor.  Tais  documentos  comprovariam as  negociações  realizadas nos  anos anteriores. A  empresa, todavia, nada apresentou.  102.  Constatamos,  assim,  que  embora  regularmente  intimado,  o  contribuinte  não  comprovou  a  origem  dos  recursos  creditados  em  suas  contas  correntes,  nos montantes  que  excedem  aos  totais  dos  títulos  negociados  nos  anos  de  2006  e  2007,  nem  tampouco  a  aquisição de títulos, em anos anteriores, no montante total de R$ 105 milhões.  103. A  existência  de  créditos  bancários  cuja  origem não  foi  comprovada mediante  a  apresentação de documentação hábil, ensejaria caracterizar esses valores como omissão de  receita, com base na presunção prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 (...).  Fl. 12863DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 51          8 104. Todavia, no presente caso, o contribuinte trata­se de uma empresa de factoring, e  os seus créditos bancários não correspondem em sua totalidade à receita auferida, já que se  referem ao recebimento de títulos adquiridos no exercício dessa atividade.  105. Nos termos do Ato Declaratório Normativo Cosit n° 51, de 28/09/1994, a receita  da atividade de factoring é representada pela diferença entre a quantia expressa no título de  crédito adquirido e o valor pago, ou seja, equivale à soma (i) do diferencial de compra dos  títulos de crédito (deságio) e (ii) da comissão de serviços (ad valorem).  (...)  107.  Desta  forma,  visando  identificar  os  fatores  de  deságio  e  ad  valorem  a  serem  aplicados  aos  valores  de  face  dos  títulos,  efetuamos  consulta  aos  relatórios  das  operações  realizadas  pelo  contribuinte,  nos  anos  de  2006  e  2007.  Nesses  relatórios,  foram  listados  registros de 1.548 operações de factoring, cujo valor total de face dos títulos negociados soma  R$  112.851.258,14;  o  total  das  receitas  referentes  ao  diferencial  de  compra  dos  títulos  de  crédito, R$ 5.520.207,83; e o total das comissões de serviços, R$ 732.943,13.  108. A partir desses montantes, constatamos que o contribuinte aplicou, em média, os  fatores de 4,89% e 0,65% para calcular os diferenciais de compra (deságio) e as comissões de  serviços  (ad  valorem),  respectivamente,  totalizando  5,54%  (4,89%  +  0,65%),  conforme  demonstrado no Anexo III deste termo. Tais índices estão compatíveis com os publicados pela  Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil (ANFAC) em seu sítio na Internet  (em 2006 os índices respectivos foram de 4,28% e 1,35% = 5,63%).  109.  Sendo  assim,  utilizaremos  os  mesmos  fatores  praticados  pelo  contribuinte  para  calcular os valores das receitas omitidas, representadas por créditos bancários cuja origem  não foi comprovada, com base na presunção prevista no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.  110. No cálculo das receitas mensais omitidas, partiremos dos somatórios dos créditos  bancários  listados  no  Anexo  II  do  presente  termo  e  subtrairemos  os  seguintes  valores:  (i)  aqueles mensais correspondentes aos recebimentos dos títulos negociados nos anos de 2006 e  2007,  constantes  em  relatório  apresentado  pelo  contribuinte,  cujas  receitas  foram  escrituradas (o rol dos títulos encontra­se no Anexo IV); (ii) o valor de R$ 3.700.943,08, que  representa o  saldo dos  títulos adquiridos nos anos anteriores, pendentes de recebimento em  01/01/2006,  conforme  registro  contábil;  e  (iii)  os  valores  das  devoluções  de  cheques  depositados relacionados no Anexo V, pois esses representam redução dos valores creditados.  111.  Apurados  os  valores  mensais  dos  créditos  bancários  cuja  origem  não  foi  comprovada, aplicaremos os  fatores acima mencionados para cálculo das receitas omitidas,  conforme abaixo demonstrado:  [segue demonstrativo]  D) Da receita bruta operacional   112. Do acima apresentado, identificamos os valores das receitas brutas auferidas pelo  contribuinte, que serão consideradas como base de cálculo do lucro arbitrado, como a seguir  demonstrado:  [segue demonstrativo]  113.  Calculados  os  valores  da  receita  bruta  auferida  pelo  contribuinte,  o  lucro  arbitrado  será  determinado mediante  a  aplicação  do  percentual  de  trinta  e  dois  por  cento,  acrescido de vinte por cento, sobre esses valores, conforme disposto nos arts. 15 e 16 da Lei  n° 9.249, de 1995.  E) Das receitas de operações financeiras   Fl. 12864DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 52          9 114.  Todavia,  além  das  receitas  acima  discriminadas,  observamos,  no  curso  do  procedimento fiscal, que o contribuinte realizou operações financeiras de renda variável, por  intermédio da empresa Novação D.T.V.M. Ltda.  115.  Desta  forma,  os  ganhos  líquidos  obtidos  nessas  operações  deverão  compor,  também, o lucro arbitrado, conforme disposto no art. 27, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996  (...).  116.  Anote­se  que  as  operações  de  renda  variável  não  foram  devidamente  contabilizadas  pelo  contribuinte  e  os  ganhos  líquidos  auferidos  não  foram  registrados.  Portanto,  os  valores  tributáveis  também  foram  omitidos  na  escrituração  e  na  declaração  apresentada à Receita Federal.  117.  A  partir  das  Notas  de  Corretagem  e  dos  extratos  da  movimentação  financeira  realizada  na  corretora  Novação  (documentos  apresentados  pelo  contribuinte),  apuramos  ganhos  líquidos  auferidos  em  aplicações  financeiras  de  venda  variável,  nos  meses  do  1º  trimestre de 2006, conforme demonstrado no Anexo VI.  F) Do lucro arbitrado trimestral   118.  Sendo  assim,  o  lucro  arbitrado  trimestral,  como  disposto  no  art.  Io  da  Lei  n°  9.430, de 1996, são os valores abaixo discriminados:  [segue demonstrativo]  IV ­ DA APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO   119. Após determinar os valores trimestrais do lucro arbitrado, passemos a calcular os  montantes relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e ao seu adicional, os quais  são devidos trimestralmente, como dispõe o art. 1º da Lei n° 9.430, de 1996 (...)  (...)  121. Calculados os IRPJ devidos, deduzimos para fins de apuração dos valores a serem  exigidos,  as  quantias  do  imposto  informadas  nas  DCTF  dos  respectivos  trimestres  de  apuração (...).  122.  Como  conseqüência,  devemos  exigir,  ainda,  os  valores  devidos  a  título  de  Contribuição  Social  sobre o Lucro Líquido,  de  contribuição  para  o PIS/Pasep  e  de Cofms,  apurados abaixo, haja vista a insuficiência na determinação de suas bases de cálculo (...).  (...)  Cientificada, a interessada apresentou Impugnação alegando, em síntese, que:  (...)  2.  IMPRESTABILIDADE  DOS  AUTOS  DE  INFRAÇÃO  DE  CSLL,  PIS  E  COFINS:  AUSÊNCIA DE MPF  Como primeiro equívoco a ser demonstrado pela Impugnante,  tem­se que o Mandado  de  Procedimento  Fiscal  n°  08.1.04.00­2010­00098­5,  que  deu  origem  às  autuações  ora  impugnadas, determinou que a fiscalização versasse apenas sobre IRPJ e CPMF. No entanto,  além de ter sido fiscalizado estes tributos, foram lavrados autos de infração para a cobrança  de CSLL, PIS e COFINS.  Como  se  pode  verificar,  a  fiscalização não  ficou  adstrita  aos  poderes  que  lhe  foram  outorgados por meio do Mandado de Procedimento Fiscal­MPF, mas foi além, extrapolando o  âmbito para o qual estava habilitada.  (...)  Fl. 12865DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 53          10 Desse modo,  pela  comprovada  falta  de  habilitação por meio  de MPF,  que  configura  procedimento  arbitrário  praticado  pela  autoridade  autuante  ao  extrapolar  os  limites  de  procedibilidade estampados no MPF em que estava credenciado, devem ser desqualificados e  declarados  imprestáveis os autos de  infração que deram origem aos  lançamentos da CSLL,  PIS e COFINS.  3. AUTUAÇÃO CENTRADA EM PROVA ILÍCITA   Conforme demonstrado anteriormente,  os  autos  de  infração que  exigem CSLL, PIS  e  COFINS são imprestáveis face à inexistência de MPF para fiscalização de tais tributos, além  de  ter  ocorrido  a  decadência  de  parte  dos  valores  exigidos.  Entretanto,  caso  este  órgão  julgador  assim  não  entenda,  o  que  se  alega  apenas  em  observância  ao  princípio  da  eventualidade, há outros equívocos cometidos pelo r. Auditor Fiscal que são suficientes para  acarretar a imprestabilidade dos lançamentos efetuados, conforme se demonstrará adiante.  3.1. RESERVA DE JURISDIÇÃO SOBRE O SIGILO BANCÁRIO   Os autos de infração lavrados para exigir da Impugnante o pagamento de IRPJ, CSLL,  PIS e COFINS deixaram de observar a reserva de jurisdição sobre o sigilo bancário, motivo  pelo qual devem ser declarados imprestáveis.  Com efeito, a Lei n°. 4.595/64 restringe o acesso às  informações contidas nas contas  bancárias,  permitindo o uso de  tais  informações,  com prudência e moderação,  somente nos  casos necessários mediante autorização do Poder Judiciário.  Vale  dizer  que  o  acesso  às  contas  bancárias  estava  sob  a  denominada  reserva  de  jurisdição,  ou  seja,  o  alcance  dessas  informações  só  podia  ser  autorizado  pelo  Poder  Judiciário.  A propósito, é imperioso ressaltar que a entrega dos extratos bancários não foi feita de  forma  espontânea  pela  Impugnante,  mas  apenas  para  evitar  a  acusação  de  embaraço  a  Fiscalização por parte da empresa autuada, com o conseqüente agravamento da penalidade  aplicada.  3.2. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO PARA USO DOS EXTRATOS ­  INOBSERVÂNCIA  DAS REGRAS FIXADAS PELO DECRETO N° 3.724/01   Há ainda outro equívoco que macula os Autos de Infração  lavrados, uma vez que na  condução  dos  trabalhos  fiscais,  o  digno  autuante  ignorou  as  regras  de  garantia  e  controle  fixadas  pelo  Decreto  n°.  3.724/2001  para  o  acesso  aos  dados  bancários,  na  forma  disciplinada pela Lei Complementar n° 105/2001. (...)  No rigor do artigo acima transcrito (art. 2º do Decreto nº 3.724, de 2001), o acesso aos  extratos  bancários  depende  de  motivação,  ou  seja,  o  Fisco  precisa  demonstrar  o  enquadramento  em  umas  das  11  (onze)  hipóteses  listadas  no  Decreto  n°  3.724/01,  que  configuram as denominadas "informações indispensáveis", única condição para autorizar o  acesso aos extratos bancários.  Nos  termos  lavrados,  surpreendentemente,  não  há uma  referência  sequer  ao Decreto  n°.  3.724/2001.  Vale  dizer,  o  autuante  utilizou  as  informações  bancárias  sem  demonstrar  porque  as  considerava  "indispensáveis",  sem  tipificar  em  qual  das  onze  hipóteses  se  enquadrava a empresa autuada.  Dessa  forma,  Senhores  Julgadores,  não  bastassem  as  demais  restrições  impostas  ao  trabalho  fiscal,  as  informações  bancárias  foram manuseadas  pelo Fisco  sem a observância  das restrições também estabelecidas pelo próprio Poder Executivo, o que torna insustentável  os indigitados lançamentos de ofício.  Fl. 12866DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 54          11 4. AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ ­ ARBITRAMENTO ­ RECEITA BRUTA PRESUMIDA ­  INAPLICABILIDADE  DO  ARTIGO  532  RIR/99  QUE  EXIGE  RECEITA  BRUTA  CONHECIDA  (...)  está  incorreta  a  base  de  cálculo  apontada  no  auto  de  infração  que  exige  IRPJ,  motivo este  suficiente para ensejar o cancelamento da exigência  fiscal ora  impugnada, bem  como das reflexas.  De fato, a utilização de valores relacionados como depósitos bancários de origem não  comprovada na determinação da base de cálculo do lucro arbitrado contraria frontalmente o  disposto nos artigos 532 do RIR  /99 e 51 da Lei 8.981/95,  tendo em vista que a omissão de  receita  caracterizada  através  de  presunção  legal  não  pode  ser  equiparada  à  receita  bruta  conhecida, descrita no artigo 532 do RIR/99 como requisito indispensável à majoração dos  percentuais fixados no artigo 519, em vinte por cento.  Vale dizer, portanto, que a autoridade autuante não pode classificar como receita bruta  conhecida  a  receita  obtida  mediante  aplicação  de  norma  que  institui  presunção  legal  de  omissão de receita, pois de fato, esta receita não é conhecida, mas sim presumida e, no caso,  de  forma  imprópria,  pois  os  depósitos  bancários  não  podem  ser  tomados  como  receita  da  atividade de factoring desenvolvida pela Impugnante. Destarte, inaplicável a regra contida no  artigo 532 do RIR/99.  5. ARBITRAMENTO NÃO PODE SER PENALIDADE  Ainda que fosse possível classificar valores decorrentes de suposta omissão de receitas  como receita bruta conhecida, tem­se que o arbitramento adotado no caso em apreço constitui  verdadeira imposição de penalidade, conforme se demonstrará a seguir.  (...)  Assim,  o  arbitramento  sendo  apenas  técnica  de  apuração  de  tributo  não  pode  ser  utilizada como penalidade, em vias normais, e muito menos em ocasiões decorrentes de caso  fortuito ou força maior, como ocorreu no presente caso.  Com  efeito,  no  caso  em  apreço,  durante  a  fiscalização  a  Impugnante  noticiou  e  comprovou  o  roubo  dos  documentos  contábeis  e  fiscais  solicitados  pelo  r.  Auditor  Fiscal.  Apresentou  cópia  de  Boletim  de  Ocorrência  devidamente  lavrado  na  ocasião,  bem  como  protocolo  efetuado  perante  à  JUCESP  para  noticiar  o  roubo  dos  documentos  fiscais  e  contábeis da Impugnante, demonstrando, portanto, que cumpriu as exigências legais para esse  tipo de situação.  Por  tal  motivo,  não  pôde  apresentá­los,  mas  com  o  fim  de  atender  à  fiscalização  disponibilizou  diversas  planilhas  e  relatórios  gerenciais  à autoridade  autuante,  documentos  estes que foram inclusive utilizados pelo Fisco na lavratura dos presentes autos de infração.  Desse  modo  constata­se  que  a  documentação  contábil  e  fiscal  apenas  não  foi  apresentada pela empresa em decorrência de caso fortuito ou força maior, qual seja: o roubo  ocorrido  durante  seu  transporte  por  empresa  terceirizada  responsável  em  arquivá­los  (Arquivum). Assim, nesse caso específico, arbitrar o lucro da Impugnante constitui verdadeira  penalidade, ferindo as regras inerentes à técnica do arbitramento.  Desta  forma,  considerando  que  a  técnica  do  arbitramento  penaliza  a  Impugnante,  devem ser cancelados os autos de infração!  6.  ILIQUIDEZ E  INCERTEZA DO AUTO DE  INFRAÇÃO  ­ FATORES ADOTADOS  PARA  A  APURAÇÃO  DA  RECEITA  NÃO  CONFEREM  COM  OS  PERCENTUAIS  UTILIZADOS PELA IMPUGNANTE  Se  não  bastassem  os  equívocos  até  aqui  explanados,  os  quais  são  suficientes  para  tornar  imprestáveis  os  autos  de  infração  lavrados,  há  ainda  outro motivo  que acarreta  sua  Fl. 12867DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 55          12 iliquidez  e  incerteza,  uma  vez  que  a  autoridade  autuante  se  equivocou  na  aplicação  dos  fatores  inerentes à atividade de  factoring, na apuração da base de  cálculo dos  tributos ora  exigidos.  Com  efeito,  para  apuração  do  total  da  receita  omitida  em  decorrência  de  supostos  créditos  bancários  de  origem  não  comprovada,  o  r.  Auditor  Fiscal  utilizou  os  fatores  de  4,89%, para calcular o diferencial da compra (deságio) e 0,65% para calcular as comissões  de serviços (ad valorem). (...).  (...)  a  autoridade  autuante adotou  como  fator  para  calcular  o  diferencial  de  compra  (deságio)  e as  comissões de  serviço  (ad valorem), a média  supostamente correspondente às  operações realizadas pela Impugnante, nos anos­calendário de 2006 e 2007. Afirmou, ainda,  que os percentuais de 4,89% e 0,65% correspondem aos fatores praticados pelo contribuinte,  o que, no seu entender validaria sua adoção na lavratura dos autos de infração.  Todavia, em que pese o entendimento explanado pelo  r. Auditor Fiscal,  tem­se que a  adoção  da  suposta  média,  correspondente  aos  fatores  de  4,89%  (diferencial  de  compra)  e  0,65% (comissão de serviços) não correspondem aos fatores praticados pela Impugnante!  Ora,  no  desenvolvimento de  sua  atividade,  a  fim de atender  as  necessidades de  seus  clientes, a Impugnante não adota um fator único como fez o r. agente fiscal. De forma diversa,  de acordo com as peculiaridades de cada operação, adota fator específico para cada negócio  jurídico realizado, levando­se em consideração o valor da operação, o cliente que negocia o  título, bem como o prazo constante no título adquirido.  Assim,  em  decorrência  dessa  diversidade  de  operações  e  fatores  utilizados  pela  Impugnante, não é possível que a autoridade autuante utilize um único fator, como se todas as  operações analisadas durante a fiscalização fossem equânimes.  Em decorrência do  roubo de  livros e documentos  fiscais e contábeis e, com o  fim de  comprovar  a  variedade  de  fatores  praticados,  a  Impugnante  diligenciou  junto  a  alguns  clientes  para  obter  documentos  que  demonstrem  a  oscilação  dos  fatores  aplicados  nas  operações.  Neste  sentido,  constatou  que  diversos  fatores  praticados, muitas  vezes  com  a mesma  pessoa  jurídica,  são  inferiores à média adotada pelo Fisco, conforme se exemplifica abaixo  (DOC. 03):  [seguem demonstrativos]  Deste modo,  constata­se que os  fatores  efetivamente praticados pela  Impugnante  são  bem menores que aqueles adotados pela autoridade autuante. Portanto, tendo confirmado que  a  receita  preponderante  advém  da  atividade  de  factoring,  não  cabe  à  autoridade  autuante  aplicar  outro  fator  que  não  aquele  efetivamente  praticado  pela  Impugnante,  o  que  torna  incerto e ilíquido os autos de infração.  Demonstrado  mais  este  insanável  erro,  é  imperativo  o  cancelamento  dos  autos  de  infração, pela sua total imprestabilidade.  7.  METODOLOGIA  EQUIVOCADA  ­  ADOÇÃO  DE  DOIS  REGIMES  DE  RECONHECIMENTO DAS RECEITAS ­ IMPOSSIBILIDADE  Entende  a  empresa  Impugnante  que os  vícios apontados  nos  tópicos  precedentes  são  suficientes para determinar o integral cancelamento dos autos de infração, ora impugnados.  No  entanto,  ainda  que  assim  não  entendam  as  nobres  Autoridades  Julgadoras,  é  preciso  refutar integralmente os autos de Infração que formalizam a exigência do Imposto de Renda  da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), por novas  afrontas ao ordenamento jurídico vigente.  Fl. 12868DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 56          13 Com efeito, a autoridade autuante na apuração da receita bruta a ser arbitrada somou  os valores inerentes a "Receita da Prestação de serviços de cobrança Distribuidoras", com as  "Receitas  Escrituradas"  e  "Receitas  Omitidas  ­  Cred.  Bancários  de  Origem  não  Comprovadas", conforme se verifica na planilha referente ao ano­calendário de 2006 (fl. 20  do Termo de Verificação Fiscal):  [segue demonstrativo]  Assim,  para  apurar  as  receitas  supostamente  omitidas,  decorrentes  de  créditos  bancários  de  origem  não  comprovadas,  o  r.  Auditor Fiscal  elegeu  o  regime  de  caixa,  haja  vista que tomou como base para encontrar o valor da receita a data do crédito ocorrido nas  contas bancárias da Impugnante, conforme se constata no Termo de Verificação Fiscal (...)  62.  No  caso  da  atividade  de  prestação  de  serviços,  efetuamos  a  identificação  dos  créditos  bancários,  a  partir  de  relatórios  dos  lançamentos das operações de cobrança das distribuidoras.  63. Na  seqüência,  identificamos  os demais  créditos  efetuados nas  contas  correntes  do  contribuinte  e  cotejamos  seus  totais  diários  com os  somatórios  também diários  dos  valores  correspondentes  aos  recebimentos dos títulos de crédito relativos à operações de factoring,  constantes nos relatórios de aquisições efetuadas nos anos de 2006  e  2007  e  no  relatório  dos  títulos  recebidos  nesses  anos,  mas  objetos de aquisições realizadas em anos anteriores.  64. Em decorrência desse procedimento, constatamos que os valores  creditados  nas  contas  correntes  do  contribuinte  superaram  os  recebimentos  de  títulos,  praticamente  todos  os  dias  do  período  de  fevereiro de 2006 a dezembro de 2007.  (...)  97. Na seqüência, cotejamos os  totais diários desses  créditos com  os  somatórios  também  diários  dos  valores  correspondentes  aos  recebimentos  dos  títulos  de  crédito  relativos  às  operações  de  factoring, constantes nos relatórios de aquisições efetuadas nos anos  de 2006 e 2007 e no relatório dos títulos recebidos nesses anos, mas  objeto  de  aquisições  realizadas  em  anos  anteriores,  (destaques  acrescidos)  Desta forma, pelas afirmações constantes no Termo de Verificação Fiscal é manifesto  que a autoridade autuante adotou, para os anos­calendário 2006 e 2007, o regime de caixa  para reconhecimento das receitas decorrentes de créditos bancários, ou seja, o momento do  pagamento, do crédito, da liquidação da operação.  Todavia, contraditoriamente, também adotou o regime de competência para parte das  receitas,  vez  que  considerou,  sem  ressalvas,  as  receitas  escrituras/declaradas  pela  Impugnante que foram reconhecidas pelo regime de competência. Veja­se que, no Anexo III  do  Termo  de  Verificação  Fiscal  ("Relação  das  operações  de  factoring  escrituradas"),  a  autoridade  autuante  ratifica  que  as  receitas  escrituradas  foram  reconhecidas  na  data  da  operação (aquisição, de títulos), e não na liquidação do negócio jurídico.  Desse modo, como a autoridade autuante não desqualificou as receitas reconhecidas e  escrituradas  pela  Impugnante,  na  apuração  da  receita  bruta  (base  para  o  arbitramento  adotado pelo Fisco) foram utilizados regimes de reconhecimento de receitas diferentes, quais  sejam: (i) de caixa para as receitas decorrentes de créditos bancários, e (ii) de competência  para as receitas escrituradas pela Impugnante.  Fl. 12869DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 57          14 Ora, é indubitável que os autos de infração lavrados são imprestáveis, uma vez que o  total  da  receita  bruta  não  pode  ser  composto  por  receitas  reconhecidas  por  diferentes  critérios.  Aliás,  o  regime de  reconhecimento  das  receitas  para  a  atividade  de  factoring  é  o  de  competência, como dispõe o Ato Declaratório Normativo ­ COSIT n° 51/94 (...).  Ora, se a própria autoridade autuante confirma que os valores creditados nas contas  bancárias  da  Impugnante  (reconhecidos  pelo  Fisco  pelo  regime  de  caixa)  correspondem  à  atividade de factoring por ela desenvolvida, está contrariando orientação interna da própria  RFB, que tem norma expressa determinando o regime de reconhecimento das receitas para a  atividade desenvolvida pela Impugnante.  Desta  forma, as "receitas" decorrentes dos créditos bancários, por  serem inerentes à  atividade de factoring desenvolvida pela Impugnante não podem ser reconhecidas pela data  da  liquidação do  título  adquirido.  Tais  receitas devem  ser  reconhecidas  na  data  em que  se  celebrou o negócio jurídico (data da operação), adotando­se, assim, o regime de competência.  Assim, considerando que a metodologia utilizada pelo d. auditor fiscal está equivocada,  uma  vez  que  (i)  fez  uso  de  dois  regimes  diferentes  para  reconhecimento  e  composição  da  receita bruta para fins do arbitramento, e (¡i) adotou indevidamente o regime de caixa para o  reconhecimento  das  receitas  obtidas  em  decorrência  da  atividade  de  factoring,  os  autos  de  infração são imprestáveis, e devem ser cancelados por este órgão julgador.  8. DA DECADÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE IRPJ E CSLL   Conforme  explanado  no  tópico  anterior,  o  r.  Auditor  Fiscal  reconheceu,  de  forma  indevida, as receitas auferidas pela Impugnante no regime de caixa, ferindo o disposto no Ato  Declaratorio Normativo COSIT n° 51/94.  Em decorrência do manifesto equívoco na metodologia da apuração do  lucro  líquido  dos anos­calendário de 2006 e 2007, grande parte dos valores exigidos nos autos de infração  de IRPJ e CSLL estão fulminados pela decadência.  Com  efeito,  no  Termo  de  Verificação  Fiscal,  a  autoridade  autuante  afirma  ter  considerado  na  apuração  das  receitas  omitidas  "os  créditos  relativos  às  operações  de  factoring,  constantes  nos  relatórios  de  aquisições  efetuadas  nos  anos  de  2006  e  2007  e  no  relatório  dos  títulos  recebidos  nesses  anos, mas  objeto  de  aquisições  realizadas  em  anos  anteriores".  Assim,  por  ter  reconhecido  a  receita  pelo  regime de  caixa,  incluiu  indevidamente  na  base  de  cálculo  dos  autos  de  infração  valores  percebidos  em  2006  e  2007,  objetos  de  operações realizadas em anos anteriores.  Ora, sendo certo que o reconhecimento da receita para fins de apuração do IRPJ e da  CSLL  deve  ser  feito  pelo  regime  de  competência,  os  valores  computados  na  lavratura  dos  refutados  autos  de  infração  que  se  referirem  à  operações  realizadas  pela  Impugnante  anteriormente  a  2006  devem  ser  excluídos  da  exigência  fiscal,  pois  foram  alcançados  pela  decadência.  Isto porque, sendo o IRPJ e a CSLL tributos sujeitos à sistemática do lançamento por  homologação tem o Fisco o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, para homologar a  atividade  realizada  pelo  sujeito  passivo,  nos  termos  estabelecidos  pelo  mencionado  artigo  150, § 4o , do Código Tributário Nacional.  Portanto,  considerando  que  os  autos  de  infração  contemplam  valores  inerentes  à  operações anteriores a 2006, conforme afirmado pela própria autoridade autuante, os autos  de infração lavrados são imprestáveis, devendo ser cancelados!  Fl. 12870DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 58          15 9.  OS  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  NÃO  SUSTENTAM  A  PRESUNÇÃO  LEGAL  DE  OMISSÃO DE RECEITAS   Na  remota  hipótese  de  não  acatamento  das  razões  apresentadas  anteriormente,  é  preciso  registrar  que  há  obstáculos  técnicos  para  a  exigência  de  tributo  com  base  em  presunções, como acontece com a presunção relativa instituída no art. 42 da Lei n° 9.430/96.  Com efeito,  a presunção constitui prova  indireta,  com origem na ocorrência de  fatos  secundários  (fatos  indiciários)  que  apontam  para  o  fato  principal,  necessariamente  desconhecido, mas relacionado diretamente ao fato conhecido.  (...)  seja,  entre  o  fato  conhecido  (fato  indiciário)  e  o  fato  desconhecido  (provável)deve  haver correlação segura e direta, não podendo haver dúvidas  sobre a materialização dessa  correlação,  sob  pena  desse  artifício  legal  resultar  indevido  por  absoluta  inadequação  do  conceito jurídico escolhido para sua concreção.  Essa inadequação se faz presente na presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei  n°  9.430/96,  haja  vista  que  entre  os  depósitos  bancários  e  a  omissão  de  receitas  não  há  correlação  lógica direta e segura, pois nem sempre o volume de depósitos  leva ao valor de  receitas omitidas, como ocorre no caso em apreço.  Por  este  motivo,  foi  editado  em  1988  o  Decreto­Lei  n°  2.471,  que  determinou  o  cancelamento e arquivamento de todos os processos administrativos que exigiam imposto de  renda com base, exclusivamente, em depósitos bancários, ato legislativo que veio reconhecer  a  firme  orientação  jurisprudencial  pela  imprestabilidade  dos  depósitos  como  sinônimo  de  "renda",  a  ponto  de  merecer  a  edição  da  Súmula  n°  182  do  extinto  Tribunal  Federal  de  Recursos (...).  Há  de  se  reconhecer,  portanto,  que  inexiste  uma  correlação  lógica  possível  para  se  materializar  a  presunção  legal  instituída  na  Lei  em  referência,  por  razões  óbvias:  em  primeiro, porque não há correlação natural e segura entre depósitos e receitas omitidas (que  podem  ter  naturezas  diversas,  tais  como  adiantamentos,  empréstimos,  devoluções  de  empréstimos,  doações,  etc).  A  prova  da  movimentação  bancária  não  materializa  o  fato  gerador  do  imposto  de  renda,  pois  juridicamente  o  depósito  bancário  não  corresponde  a  acréscimo  patrimonial4;  em  segundo,  porque  os  depósitos  bancários  não  trazem  consigo  informações indispensáveis para a correta delimitação da base tributável, não caracterizando,  por si só, sinal exterior de riqueza, mas servindo apenas como marco inicial da irrenunciável  investigação do Fisco.  (...)  Desse  modo,  a  utilização  exclusiva  de  depósitos  bancários  para  a  composição  da  receita bruta para o arbitramento contraria a sistemática deste tributo, e por esta razão, deve  ser afastada.  Essa  realidade  foi  confirmada  pelo  Auditor­Fiscal,  tanto  que  tomou,  por  sua  única  iniciativa,  considerável  parcela  dessas  movimentações  financeiras  que  já  constavam  nos  extratos  como  estornos  de  lançamento,  devoluções  de  TED,  DOC  e  cheques  emitidos,  operações  de  renda  variável,  resgates  de  aplicações  financeiras  e  recebimentos  de  empréstimos bancários, conforme atesta a própria autoridade autuante na fl. 09, do Termo de  Verificação Fiscal.  No entanto, deixou a fiscalização de excluir outros tantos créditos em que os históricos  são elucidativos, assim como deixou de excluir grande volume de operações que se qualificam  como simples transferências entre contas de mesma titularidade e presumiu que tais valores  constituem receita, supostamente omitida pela Impugnante.  Fl. 12871DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 59          16 Desse  modo,  observa­se  que  os  autos  de  infração  foram  lavrados  com  base  em  um  encadeamento de sucessivas presunções, sem que o Fisco tenha comprovado a existência de  um  fato  indiciário,  qual  seja:  ser  os  depósitos  receita  auferida  pela  empresa  autuada!  Portanto, devem ser cancelados os autos de infração lavrados.  10.COMPROVAÇÃO  DA  ORIGEM  DOS  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ELIDE  A  PRESUNÇÃO LEGAL   Com apoio no princípio da eventualidade, na remota hipótese de não serem acatadas  as razões precedentes que desqualificam na totalidade os autos de infração ora contestados, é  preciso continuar refutando o mérito das exigências, pela equivocada metodologia utilizada  nas  desqualificadas  autuações,  pois,  ainda  que  fosse  possível  sustentar  a  aplicação  da  presunção prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430/1996, todos os depósitos/créditos registrados  nas contas­correntes bancárias da Impugnante têm origem comprovada.  O requisito básico para a aplicação da presunção é a impossibilidade de identificação  da origem dos recursos creditados em contas bancárias. Dessa  forma, uma vez  identificada  essa origem, resta elidida a presunção legal.  10.1. NÃO EXCLUSÃO DE CHEQUES DEVOLVIDOS   Com efeito, para a lavratura dos autos de infração, o d. Auditor Fiscal, por iniciativa  própria  elaborou  planilha  (Anexo  V,  do  Termo  de  Verificação  Fiscal),  na  qual  relacionou  cheques devolvidos que foram excluídos dos valores apontados como omissão de receita.  Entretanto, por manifesto equívoco, na apuração da suposta omissão de receita, deixou  a autoridade autuante de excluir uma vasta quantidade de cheques devolvidos, os quais não  constam na referida planilha.  Assim,  diversos  valores  que  constam  nos  extratos  bancários  como  "cheques  devolvidos",  foram  indevidamente  considerados  pelo  fisco  como  receita  omitida.  Como  exemplo,  seguem  valores  constantes  na  conta  corrente  n°  66.420­0,  do  Banco  Bradesco,  a  título de amostragem (DOC. 04):  [segue demonstrativo]  Cumpre  esclarecer  que  o mesmo  equívoco  se  repete  em  outras  contas  bancárias  da  Impugnante.  Por  tal  motivo,  considerando  que  aos  valores  correspondentes  aos  cheques  devolvidos falta os requisitos necessários para a configuração da receita (ingresso definitivo),  os autos de infração são ilíquidos e incertos, devendo ser cancelados.  10.2. TRANSFERÊNCIAS INTER BANCOS: CONTAS DA MESMA TITULARIDADE   Além  dos  créditos  correspondentes  a  cheques  devolvidos  indevidamente  incluídos  na  base  de  cálculo  dos  tributos  exigidos  nos  autos  de  infração,  na  relação  elaborada  pelo  d.  Auditor­Fiscal há numerosas transferências entre contas bancárias da mesma titularidade que  também  não  foram  excluídas  na  efetivação  dos  lançamentos.  É  dizer,  por  diversas  vezes  a  Impugnante  transferiu  valores  para  cobrir  outra  conta  de  sua  própria  titularidade,  dando  ensejo a muitas movimentações bancárias.  Com  o  intuito  de  demonstrar  de  forma  exemplificativa  as  transferências  bancárias  ocorridas,  a  Impugnante  elaborou  planilha  com  as  movimentações  bancárias  relativas  ao  banco ITAÚ, conforme se observa abaixo (DOC. 05):  [segue demonstrativo]  Veja­se que o histórico constante nos extratos por si só é elucidativo, e suficiente para  comprovar a origem dos  depósitos  efetuados  em uma das  contas bancárias da  Impugnante.  Fl. 12872DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 60          17 Novamente, o equívoco cometido pelo r. Auditor Fiscal se repete em outras contas bancárias,  acarretando a imprestabilidade dos lançamentos, em decorrência de sua iliquidez e incerteza.  Evidente que a relação das operações demonstradas neste item e no precedente não é  exaustiva, mas suficiente para demonstrar a precipitação e o desacerto do trabalho realizado  pelo Fisco. Nesse contexto, na remota hipótese de não serem acatadas as objeções colocadas  nos tópicos precedentes, é imperativo que seja determinada a exclusão dos depósitos/créditos  cuja presunção legal já foi elidida mediante prova da origem, porque já comprovados pelos  seus próprios históricos, ou por documentos apresentados na fase de fiscalização, assim como  por  outros  que  protesta  pela  oportuna  juntada  aos  autos,  em  prazo  razoável  que  permita  disponibilizá­los.  11. ERRO NA APURAÇÃO DO GANHO LÍQUIDO DE RENDA VARIÁVEL   Nos autos de infração ora refutados, há ainda outro erro que os tornam imprestáveis,  conforme se demonstrará a seguir.  Com  efeito,  na  apuração  dos  tributos  exigidos  da  Impugnante,  o  r.  Auditor  Fiscal  somou ao "Lucro Arbitrado ­ Receita Operacional" os valores por ele apurados referentes ao  ganho líquido de renda variável.  Entretanto,  a  apuração  do  referido  ganho  líquido  de  renda  variável  foi  feita  pela  autoridade autuante com diversos equívocos, sem observância dos preceitos legais aplicáveis  a esta espécie de operações.  Nos termos do artigo 760, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99), utilizado para fundamentar  a  autuação,  na  apuração  do  ganho  líquido  deverá  ser  deduzido  os  custos  e  despesas  necessários para a realização da operação, in verbis: (...).  Ao  se  analisar  o  referido  dispositivo  legal,  constata­se  que  pretendeu  o  legislador  garantir que na apuração do ganho líquido fossem deduzidos os custos e despesas incorridos  na realização das operações. Estabeleceu, ainda, a possibilidade de se compensar as perdas  apuradas nas operações com os ganhos líquidos auferidos nos meses subseqüentes.  No  mesmo  sentido,  a  Instrução  Normativa  RFB  n°  1.022/2010,  que  dispõe  sobre  o  Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos e ganhos líquidos auferidos nos mercados  financeiros  e  de  capitais,  prevê  o  direito  à  dedução  dos  custos  e  despesas  incorridos,  bem  como à compensação entre perdas e ganhos líquidos. (...).  Todavia, os referidos dispositivos legais não foram observados pelo r. Auditor Fiscal,  que  na  apuração  do  ganho  líquido  de  renda  variável  deixou  de  considerar  as  despesas  suportadas  pela  Impugnante  com  o  serviço  de  corretagem.  Do  mesmo  modo,  na  referida  apuração não foram deduzidos o imposto de renda retido na fonte.  Para verificar o equívoco da autoridade autuante, basta analisar o Anexo VI do Termo  de Verificação Fiscal  ("Demonstrativo de apuração dos ganhos  líquidos  trimestrais obtidos  em  operações  financeiras  de  renda  variável").  O  d.  auditor  fiscal  se  limitou  a  calcular  a  diferença  entre  o  valor  da  alienação  e  seu  custo  de  aquisição,  fazendo  uso  da  média  ponderada dos custos unitários. Entretanto, não se preocupou o i. Auditor Fiscal em deduzir  os custos e despesas que a Impugnante incorreu nas referidas operações.  Do  mesmo  modo,  o  r.  Auditor  Fiscal  não  considerou  as  perdas  suportadas  pela  Impugnante  (prejuízos)  na  venda  de  ações  para  a  apuração  de  ganho  líquido  de  renda  variável. A  título de exemplo, a  Impugnante acosta aos presentes autos, nota de corretagem  (DOC. 06) na qual  fica evidente o prejuízo suportado no valor de R$ 249.267,19, conforme  demonstrado abaixo:  [segue demonstrativo]  Fl. 12873DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 61          18 Portanto, a apuração de ganho líquido de renda variável deixou de observar as regras  estabelecidas  pela  legislação,  sendo manifestamente  ilíquido  e  incerto  os  autos  de  infração  lavrados.  12.  INDEVIDA DESQUALIFICAÇÃO DO REGIME DE APURAÇÃO DO PIS  E DA  COFINS  Estando os lançamentos de exigência de PIS e da COFINS vinculados ao lançamento  principal do IRPJ, evidente que a já demonstrada precipitação no arbitramento do lucro e os  erros apontados que desqualificam integralmente os autos de infração do IRPJ e também da  CSLL,  fazem  com  que  não  possa  prevalecer  a  intentada  desqualificação  do  regime  de  apuração das contribuições do PIS e da COFINS.  Se está equivocado o arbitramento do Lucro, porque a lei veda sua adoção com o fim  de penalizar o contribuinte, caberia ao r. Auditor Fiscal apurar a receita da Impugnante pelo  Lucro  Real.  Por  conseqüência,  os  lançamentos  reflexos  das  contribuições  do  PIS  e  da  COFINS, necessariamente, deveriam ser formalizados na sistemática não­cumulativa imposta  pela Lei, e não da forma como realizada pela fiscalização.  Por  essa  estreita  vinculação,  é  imperativo que  seja determinado o  cancelamento  dos  Autos de Infração do PIS e da COFINS, por conterem indevidas exigências calculadas pelo  regime cumulativo de apuração.  13. DA DECADÊNCIA DOS VALORES EXIGIDOS NOS AUTOS DE INFRAÇÃO DE  PIS E COFINS   Ainda que se pudesse validar a autuação realizada de forma manifestamente arbitrária,  uma  vez  que  o  r.  Auditor  Fiscal  não  possuía  autorização  no  MPF  expedido  pela  DRF/Campinas  para  fiscalizar  CSLL,  PIS  e  COFINS,  tem­se  que  os  autos  de  infração  lavrados para exigir PIS e COFINS não podem subsistir.  Com efeito, os combatidos autos de infração de PIS e COFINS alcançaram operações  realizadas no período entre 1º de janeiro a 28 de março de 2006, já acobertadas pelo manto  da decadência, devendo ser excluídas da refutada exigência fiscal.  Por  se  tratarem de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação,  tem o Fisco  o  prazo  de  cinco  anos,  contados  do  fato  gerador,  para  homologar  a  atividade  realizada pelo  sujeito passivo, nos termos estabelecidos pelo art. 150, § 4o , do Código Tributário Nacional  (...).  In casu, o fato gerador da COFINS e da contribuição ao PIS é instantâneo, pois incide  sobre cada operação realizada pela Impugnante, que comporá seu faturamento. Desta forma,  considerando  que  o  período  lançado  abrange  operações  realizadas  entre  1o  de  janeiro  de  2006 a 31 de dezembro de 2007, e a Impugnante foi notificada dos autos de infração em 29 de  março  de  2011,  devem  ser  excluídas  da  refutada  exigência  fiscal  as  operações  realizadas  entre 1o de janeiro de 2006 a 28 de março de 2006, uma vez que decorreram cinco anos da  ocorrência dos fatos geradores!  14. PROCEDIMENTOS REFLEXOS   Conforme  demonstrado  em  tópico  específico,  os  autos  de  infração  de  CSLL,  PIS  e  COFINS  devem  ser  declarados  imprestáveis,  uma  vez  que  o  MPF  expedido  pela  Receita  Federal do Brasil não autorizava a autoridade autuante a fiscalizar os referidos tributos.  Todavia, caso este órgão julgador assim não entenda, o que se alega apenas para fins  de argumentação, em decorrência da estreita relação de causa e efeito, as objeções trazidas  na  presente  Impugnação nas matérias  que  dizem  respeito  à  tributação do  IRPJ devem,  por  pertinentes, ser consideradas igualmente como oponíveis aos autos de infração de CSLL, PIS  e COFINS.  Fl. 12874DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 62          19 15. JUROS SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO: IMPOSSIBILIDADE   Na  remota  hipótese  de  remanescer  exigências  tributárias  após  a  decisão,  protesta  a  Impugnante  pela  impossibilidade  de  incidência  da  SELIC  sobre  a  multa  de  ofício,  pela  impropriedade dessa imposição, assim como ausência de fundamento legal.  Relembre­se que a taxa SELIC tem o objetivo de remunerar, diante do atraso, receita  sempre esperada pela Fazenda Pública, daí a  sua vocação para  incidir unicamente sobre o  tributo (principal) e não sobre a multa que nunca é esperada.  Por  essa  mesma  razão,  a  SELIC  nunca  incide  sobre  a  multa  de  mora,  e  de  forma  coerente,  nunca poderá  incidir  sobre a multa de ofício,  o que não  tem  sido observado pela  administração tributária.  A  seguir,  os  autos  foram  e  enviados  à  DRJ  e,  ato  continuo,  efetuou­se  o  julgamento em 1a. instância, mantendo integralmente a exigência, sendo que a decisão  recorrida está assim ementada:  NULIDADE. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). NÃO OCORRÊNCIA.   O MPF constitui­se  em elemento de  controle da  administração  tributária,  disciplinado  por ato administrativo. A eventual  inobservância da norma infra­legal não pode gerar nulidades  no âmbito do processo administrativo fiscal.  AUDITORIA FISCAL. EXTRATOS BANCÁRIOS. DISPONIBILIZAÇÃO.  Não  constitui  violação  do  sigilo  bancário  a  utilização  de  extratos  bancários  disponibilizados pelo próprio  contribuinte  titular das  contas correntes  em resposta a  intimações  fiscais.  FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO.  Diante  da  não  apresentação  dos  registros  contábeis­fiscais  por  parte  da  contribuinte  regularmente  intimada,  correto  o  arbitramento  dos  lucros.  O  regime  de  apuração  do  lucro  arbitrado  é  um  meio  regular  de  apuração  da  base  de  cálculo  do  tributo,  não  implicando  penalidade ao sujeito passivo.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. FACTORING. RECEITA.  A receita da atividade de factoring é a soma do valor do deságio do título e da comissão  cobrada. Diante da falta de registros contábeis ou fiscais das transações de forma pormenorizada,  correta  a  determinação  dos  índices  de  deságio  e  de  comissão  a  partir  do  total  dos  valores  transacionados na apuração da receita auferida na atividade de fatorização.  OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.  Constatada  a  existência  de  depósitos  bancários  na  conta  corrente  de  titularidade  do  sujeito  passivo,  cuja  origem,  face  a  impugnações  específicas,  não  foi  devidamente  comprovada,  correta a imputação, decorrente de presunção fiscal, de que tais recursos não foram submetidos à  regular tributação, cabendo, pois, sua exigência de ofício.  LANÇAMENTO DE OFÍCIO. LUCRO ARBITRADO. RECEITA OMITIDA.  Constatada  a  omissão  de  receitas  pela  falta  de  comprovação  da  origem  de  depósitos  bancários, os valores omitidos compõem a base de cálculo para a apuração do lucro arbitrado.  LANÇAMENTOS REFLEXOS.  FUNDAMENTAÇÃO COMUM.  ORIENTAÇÃO DECISÓRIA.  CSLL.  PIS.  COFINS.  Devido  à  íntima  relação  de  causa  e  efeito  existente  entre  as  exigências,  a  orientação  decisória deve coincidir.    Fl. 12875DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 63          20 Do Recurso Voluntário  Cientificada  da  aludida  decisão  em  14/10/2011  (AR  de  fl.  12.764),  a  contribuinte  apresentou  recurso  voluntário  em  11/11/2011  (fls.  12.765  a  12.813),  no  qual  contesta os fundamentos da decisão recorrida e reitera as alegações da peça impugnatória sobre  os seguintes tópicos:  i) Reserva  de  jurisdição  sobre  o  sigilo  bancário  e  a  recente  decisão  do  STF  quanto à necessidade de autorização do Poder Judiciário;  ii) Ausência de motivação para uso dos extratos bancários – inobservância das  regras fixadas pelo Decreto 3.724/2001;  iii) Auto  de  infração  do  IRPJ  do  ano­calendário  de  2006,  arbitramento  com  base na  receita  bruta  presumida  inaplicabilidade  do  art.  532  do RIR/99  que exige receita bruta conhecida;  iv) Falta de  liquidez  e  certeza dos valores  lançados no AI do  IRPJ uma vez  que os fatores adotados para a apuração da receita não conferem com os  percentuais utilizados pela contribuinte;  v)  Metodologia  equivocada  na  apuração  da  base  de  cálculo  em  face  da  impossibilidade  da  adoção  de  dois  regimes  de  reconhecimento  das  receitas;  vi)  Decadência  dos  autos  de  infração  do  IRPJ  e  CSLL  tendo  em  vista  que  contemplam  a  tributação  de  valores  recebidos  anteriormente  ao  ano  de  2006;  vii) Utilização do arbitramento como forma de penalidade;  ix) Comprovação da origem dos depósitos  bancários  elidindo a aplicação da  presunção legal.  x) Erro na apuração do ganho liquido de renda variável;  xi) Falta de MPF para exigência da tributação reflexa de CSLL, PIS e Cofins;  xii)  Indevida  desqualificação  do  regime  de  apuração  das  contribuições  PIS/cofins;  xii) Decadência dos valores exigidos nos autos de infração de PIS/Cofins;  xiii) Impossibilidade de exigência de juros a taxa Selic sobre a multa de oficio.  O  processo  esteve  em  pauta  em  sessão  que  se  realizou  no  mês  de  maio,  próximo passado, ocasião  em que o  ilustre patrono da  recorrente,  em memoriais,  apresentou  planilha indicando 45 (quarenta e cinto) transferências da conta Itaú n° 80.517­5 para a conta  do Itaú 31.683­5, da mesma titularidade, que foram objeto de tributação, quando deveriam ter  sido excluídos da base de cálculo por se tratar da mesma titularidade. Diante da necessidade de  analisar, com detalhe, tais operações, retirou­se os autos de pauta.retirei os autos de pauta.  É o relatório.  Fl. 12876DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 64          21   Voto             Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, relator  O recurso é tempestivo, está devidamente fundamentado, foi  interposto pela  autuada  que  pretende  ver  reformada  a  decisão  recorrida.  Assim,  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame do mérito.  Pelo que se extrai dos autos, em especial dos itens 61, 88, 91 e 108, do termo  de verificação fiscal, a recorrente dedica­se à prestação de serviços de cobrança de títulos para  distribuidoras  de  combustíveis  e  aquisição  de  direitos  creditórios  (atividade  de  factoring).  Segundo  a  autoridade  fiscal,  em  relação  à  primeira  atividade,  obtém  remuneração  de  0,17%  sobre o valor cobrado e, quanto à segunda, foi aplicado, em média, os fatores de 4,89% e 0,65  para  calcular  os  diferenciais  de  compra  (deságio)  e  as  comissões  de  serviços  (ad  valorem),  totalizando 5,54%, índices estes compatíveis com os publicados pela Associação Nacional das  Sociedades  de  Fomento Mercantil  ­  ANFAC),  em  seu  sítio  na  internet  (em  2006  os  índices  respectivos foram de 4,28 e 1,35 = 5,63%).  No  item  100  do  termo  de  verificação  fiscal,  destaca  a  autoridade  autuante  que: “Da análise do  relatório apresentado pelo contribuinte, no qual  foram  listados os  títulos  supostamente  negociados  em  anos  anteriores,  mas  recebidos  nos  anos  de  2006  e  2007,  observamos  que  nele  foram  discriminados  25.188  títulos,  os  quais  totalizam  R$  105.302.171,91.  Porém,  examinando  as  informações  contábeis  verificamos  que  a  conta  "1.01.02.01.01  ­  Clientes  Diversos  ­  Duplicatas  a  Receber"  possuía  saldo  inicial,  em  01/01/2006,  no  montante  de  R$  3.700.943,08.  Ora,  se  a  contabilidade  registrava  um  saldo  inicial de duplicatas a receber no montante de R$ 3 milhões, como explicar o recebimento de  títulos negociados nos anos anteriores no valor de R$ 105 milhões?”   Aduz  a  autoridade  autuante  que  constatou  existirem  valores  de  depósitos  bancários de origem não comprovada, provenientes da atividade de factoring que foram objeto  de autuação, motivo pelo qual adotou os  fatores anteriormente  indicados, conforme se extrai  das planilhas existentes no item 111 do termo de verificação fiscal, as quais transcrevo:    Fl. 12877DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 65          22     Pelo  que  se  extrai  dos  itens  112  e  118  do  termo  de  verificação  fiscal,  a  autoridade  autuante  identificou  a  receita  proveniente  de  serviços  de  cobrança,  as  receitas  escrituradas/declaradas e as receitas referente a depósitos bancários de origem não comprovada  aplicando sobre o total da receita bruta o percentual de 38,4%, visto que arbitrou o lucro. Neste  sentido,  para  que  se  verifique  a  base  de  cálculo  tributável  transcrevo  as  seguintes  planilhas  contidas no termo de verificação fiscal:      Fl. 12878DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 66          23 Fixado  a  síntese  da  autuação  e  já  tendo  indicado,  no  relatório,  as  razões  articuladas no recurso, inicio pela questão referente à alegação de nulidade do lançamento do  crédito tributário em face de vício no MPF. Assim procedo, pois se acolhida tal tese resultam  prejudicadas as demais questões.  I  ­ Da alegação de vício no MPF e nulidade do  lançamento em relação aos tributos não  indicados no MPF.  Quanto  a  este  ponto,  seguindo  o  entendimento  consolidado  nesta  turma  de  que  o Mandado  de  Procedimento  Fiscal  se  constitui  em  instrumento  de  controle  interno  da  Administração Tributária, por assim dizer “desvinculado do lançamento”, eventuais vícios em  relação ao MPF não causam nulidade do lançamento. Neste ponto, desacolho o recurso.  II – Da questão relacionada ao acesso dos dados bancários sem ordem judicial  Dentre os argumentos da recorrente, está o que aponta que o STF, quando do  julgamento  do  RE.  601.314  SP,  reconheceu  que  a  Administração  Tributária  não  pode,  sem  ordem judicial, requisitar a movimentação financeira do contribuinte, às instituições bancárias.  Verifico que intimada a apresentar os extratos bancários a contribuinte, à fl.  4.872,  invoca  em  seu  favor  as  disposições  contidas  no  artigo  5º,  X  e  XII,  da  Constituição  Federal.  Posteriormente,  frente  à  possibilidade  de  agravamento  da  multa,  sob  protesto,  apresentou extratos bancários. Neste sentido, não é possível dizer que entregou ditos extratos  de  forma  espontânea.  Na  verdade,  entregou  para  evitar  que  fosse  penalizada  pela  recusa.  Assim, passo ao exame da questão aqui posta e suscitada no recurso.  Conforme  destacado  pela  recorrente,  quanto  aos  direitos  e  garantias  fundamentais, a Constituição Federal de 1988, no artigo 5º, XII, assegura que “é inviolável o  sigilo  da  correspondência  e  das  comunicações  telegráficas,  de  dados  e  das  comunicações  telefônicas,  salvo,  no  último  caso,  por  ordem  judicial,  nas  hipóteses  e  na  forma  que  a  lei  estabelecer para fins de investigação criminal ou instrução processual penal.” Dentre os dados  cuja a inviolabilidade está assegurada, nos dizeres da recorrente, encontra­se o sigilo bancário,  somente sendo admitido seu acesso com ordem judicial, para fins criminais.  Da  leitura  da  norma  constitucional  acima  transcrita  depreende­se  que  o  legislador  constituinte  estabeleceu  limites  ao  legislador  ordinário,  isto  é,  somente  permitiu  a  edição de lei regulando o acesso ao sigilo bancário mediante duas condições:  a)  para fins de investigação criminal e;   b)  mediante ordem judicial.   Das  condicionantes  estabelecidas  pelo  legislador  constituinte,  vê­se  clara  opção de valores que entendeu merecer maior proteção, ainda que em detrimento de terceiros e  do próprio Estado. Por exemplo, se a questão disser respeito a litígio fora da esfera do campo  penal,  nem  mesmo  o  juiz  pode  quebrar  o  sigilo  assegurado  pela  Constituição.  Em  outras  palavras,  aqui,  nem o  legislador  e  tampouco o  juiz  pode  extrapolar  os  limites  impostos  pela  ordem constitucional. Disto depreende­se a lição de que a justiça, seja na área cível, penal ou  fiscal não se realiza a qualquer preço. Existem, na busca da verdade, limitações imposta por  valores mais altos que não podem ser violados. Neste sentido, lembro lição de Júlio Fabbrine  Mirabete  para  quem  “entre  o  perigo  de  se  condenar  um  inocente  e  se  absolver  culpado,  absolva­se  o  culpado.”  Em  outras  palavras  e  trazendo  a  matéria  para  campo  do  direito  Fl. 12879DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 67          24 tributário,  entre  o  perigo  de  permitir  que  os  agentes  da  fiscalização,  sem  o  crivo  da  análise  prévia  pelo  Judiciário,  possam  requisitar  provas  protegidas  pelo  sigilo  para  embasar  lançamentos  fiscais  e  deixar,  eventualmente,  de  se  cobrar  determinado  tributo  por  falta  de  prova,  o  legislador  constituinte  optou  em  proteger  a  primeira  situação  em  detrimento  da  segunda. Aqui, tem­se o Estado limitando seus próprios atos frente aos cidadãos.  Conforme  lição  de  Jorge  Miranda1,  as  normas  que  definem  direitos  fundamentais são normas de caráter preceptivo, e não meramente programáticos. “Os direitos  fundamentais  têm  seu  fundamento de  validade na Constituição e não na  lei,  com o que  fica  claro  que  é  a  lei  que  deve  respeitar  a  Constituição,  e  não  ao  contrário.  Os  direitos  fundamentais  não  são  normas  matrizes  de  outras  normas,  mas  são  sobretudo  normas  diretamente reguladoras de relações jurídicas.”   Dados os  fundamentos  acima mencionados, questão que se coloca  e que se  constitui  no  ponto  principal  do  recurso  é  se  o  legislador  ordinário  poderia  ter  editado  a  Lei  Complementar  nº  105,  de  2001  e  a  Lei  nº  10.147,  de  2001,  outorgando  poderes  à  Administração  para  requisitar  a  movimentação  financeira  dos  contribuintes.  E  mais:  se  o  Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão da Administração que é, tem competência  para  conhecer  e  julgar  questões  afeta  à  constitucionalidade  das  leis  ou,  em  outras  palavras,  deixá­la de aplicá­las pior entender inconstitucionais.  Inicialmente,  observo  que  sancionada  determinada  lei  ela  entra  no  sistema  jurídico e presume­se constitucional até que seja declarada sua inconstitucional, retirando­a do  sistema  ou  impedindo  sua  aplicação  em  relação  ao  caso  concreto,  isto  é  “inter  partes”.  Por  outro lado, o Judiciário pode deixar de aplicar lei que a considere inconstitucional, contudo, o  mesmo  não  se  aplica  em  relação  à  Administração.  A  razão  desta  lógica  é  que  o  Estado­ Administração não pode avocar para si a prerrogativa de julgar a constitucionalidade ou não de  lei. Tal prerrogativa, por força das previsões contidas nos artigos 97, 102, I, compete ao Poder  Judiciário.  À luz do artigo 103, I, da Constituição Federal, o chefe do Poder Executivo,  no  caso  o  Presidente  da  República,  tem  legitimidade  para  propor  ação  direta  de  inconstitucionalidade sustentando que determinada  lei viola da Constituição. Contudo, nem o  Presidência  da República  e  tampouco  os  demais  órgãos  da  Administração  podem  deixar  de  cumprir lei sob o pretexto de que esta viola norma Constitucional. Neste sentido, por força do  artigo 26­A, § 6º, I, do Decreto nº 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de  2009, a seguir  transcrito, os Conselheiros do Carf somente podem deixar de aplicar lei sob o  fundamento de  inconstitucionalidade após o Supremo Tribunal Federal, por seu Plenário, em  controle concentrado ou difuso, por decisão definitiva, ter reconhecido a inconstitucionalidade  da norma.     Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado  aos  órgãos  de  julgamento  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).  ....                                                              1 Jorge \|Miranda. Manual de Direito Constitucional, tomo IV. Coimbra: Coimbra Editora, 1993, p. 276.  Fl. 12880DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 68          25 § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  ato  normativo: (Incluído  pela  Lei  nº  11.941,  de  2009)  I  –  que  já  tenha  sido  declarado  inconstitucional  por  decisão  definitiva  plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)    Não  desconheço  que  em  15  de  dezembro  de  2010,  ao  julgar  o  Recurso  Extraordinário  nº  389.808/PR,  o  Plenário  do  Supremo  Tribunal  Federal,  por  maioria,  proferiu  decisão  que  pode  ser  sintetizada  na  ementa  abaixo  transcrita,  publicada  no  DJe­086  em  10­05­ 2011.  EMENTA:     SIGILO DE DADOS – AFASTAMENTO. Conforme disposto  no  inciso XII  do  artigo  5º  da  Constituição  Federal,  a  regra  é  a  privacidade  quanto  à  correspondência, às comunicações telegráficas, aos dados e às comunicações,  ficando  a  exceção  –  a  quebra  do  sigilo  –  submetida  ao  crivo  de  órgão  equidistante  –  o  Judiciário  –  e,  mesmo  assim,  para  efeito  de  investigação  criminal ou instrução processual penal.  SIGILO  DE  DADOS  BANCÁRIOS  –  RECEITA  FEDERAL.  Conflita  com  a  Carta  da  República  norma  legal  atribuindo  à  Receita  Federal  –  parte  na  relação  jurídico­tributária  –  o  afastamento  do  sigilo  de  dados  relativos  ao  contribuinte.   A  propósito,  do  voto  do Ministro  Celso  de  Melo  transcrevo  os  seguintes  pontos, desconsiderando os grifos existentes no original:  (...)  Impende, reconhecer, desde logo, que não são absolutos ­ mesmo porque não o são ­ os  poderes  de  que  se  acham  investidos  os  órgãos  e  agentes  da  administração  tributária,  cabendo  assinalar, por relevante, Senhores Ministros, presentes o contexto ora em exame, que o Estado,  em  tema de  tributação,  está  sujeito à observância de um complexo de direitos e prerrogativas  que assistem, constitucionalmente, aos contribuintes e aos cidadãos em geral. Na realidade, os  poderes do Estado encontram, nos direitos e garantias individuais limites intransponíveis, cujo  desrespeito caracterizar ilícito constitucional.   (...)  0  que  me  parece  significativo,  ­  no  contexto  ora  em  exame,é  que  a  administração  tributária  ,  embora  podendo  muito,  não  pode  tudo,  eis  que  lhe  é  somente  lícito  atuar,  "respeitados os direitos individuais e nos termos da lei" (CF, art. 145, § 1º), consideradas, sob  tal perspectiva, e para esse efeito, as limitações decorrentes do próprio sistema constitucional,  cuja  eficácia  restringe,  como  natural  conseqüência  da  supremacia  de  que  se  acham  impregnadas  as  garantias  instituídas  pela  Lei  Fundamental,  o  alcance  do  poder  estatal,  especialmente quando exercido em face do contribuinte e dos cidadãos da República.  (...)  Na  realidade,  a  circunstância  de  a  administração  estatal  achar­se  investida  de  poderes  excepcionais que lhe permitem exercer a fiscalização em sede tributária não a exonera do dever  Fl. 12881DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 69          26 de observar,, para efeito do correto desempenho de tais prerrogativas, os  limites  impostos pela  Constituição  e  pelas  leis  da  Republica,  sob  pena  de  os  órgãos  governamentais  incidirem  am  frontal  desrespeito  às  garantias  constitucionalmente  asseguradas  aos  cidadãos  em  geral  e  aos  contribuintes, em particular.  (...)  Nenhum homem pode ser considerado verdadeiramente livre, se não dispuser de garantia  de inviolabilidade da esfera de privacidade que o cerca.  (...)  É  certo  que  a  garantia  constitucional  da  intimidade  (e  da  privacidade)  não  tem  caráter  absoluto. Na realidade, como já decidiu esta Suprema Corte, "Não há, no sistema constitucional  brasileiro,  direitos ou garantias que  se  revistam de  caráter absoluto,  'mesmo pOrque  razões de  relevante  interesse público ou exigências derivadas do principio de convivência das  liberdades  legitimam,  ainda  que  excepcionalmente,  a  adoção,  por  parte  dos  órgãos  estatais,  de  medidas  restritivas  das  prerrogativas  individuais,  ou  coletivas,  desde  que  respeitados  os  termos  estabelecidos  pela  própria Constituição”  (MS 23.452/RJ, Rel. Min.CELSO DE MELLO).  Isso  não significa, contudo, que o estatuto constitucional das liberdades' públicas ­ nele compreendida  a garantia fundamental da intimidade e da privacidade ­ posse ser arbitrariamente desrespeitado  por qualquer órgão do Poder Publico.  Nesse contexto, põe­se em evidência a questão pertinente ao sigilo bancário, que, ao dar  expressão  concreta  a  uma  das  dimensões  em  que  se  projeta,  especificamente,  a  ,garantia  constitucional da privacidade, protege 'a esfera de intimidade financeira das pessoas.  (...)  0 magistério doutrinário, bem por isso, tem acentuado que o sigilo bancário – que possui  extração  constitucional  reflete,  na  concreção  do  seu  alcance,  um  direito  fundamental  da  personalidade,  expondo­se,  em  conseqüência,  A  proteção  jurídica  a  ele  dispensada  pelo  ordenamento positivo do Estado.  (...)  Se podia haver dúvidas no passado, quando as Constituições brasileiras não se referiam.  especificamente  A  proteção  da  intimidade,  da  vida  privada  e  do  sigilo  referente  aos  dados  pessoais,  é evidente que diante do  texto constitucional de 1988,  tais dúvidas não mais existem  quanto à proteção do sigilo bancário como decorrência das normas da lei magna.  (...)  A relevância do direito ao sigilo bancário impõe, por isso mesmo, cautela e prudência ao  Poder  Judiciário  na  determinação  da  ruptura  da  esfera  de  privacidade  individual  que  o  ordenamento  jurídico,  em  norma  de  salvaguarda,  pretendeu  submeter  A  cláusula  tutelar  de  reserva constitucional (CF, art. 5°, X).  (...)  Mais do que isso, esta Suprema Corte salientou, ao julgar o Inq. 897­AgR/DF, Rel..Min.  FRANCISCO REZEK, DJU de 02/12/94, que, não sendo absoluta a garantia pertinente ao sigilo  bancário, torna­se lícito afastar, quando de investigação criminal se cuidar, p. ex., a cláusula de  reserva que protege as contas bancarias nas instituições financeiras, revelando­se ordinariamente  inaplici4e1, para esse especifico efeito, a garantia constitucional do.contraditório.  Fl. 12882DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 70          27 (...)  Dentro  dessa  perspective,  revela­se  de  inteira  pertinência  a  invocação  doutrinária  da  clausula do "substantive due process of law" ­ já consagrada e reconhecida, em diverges decisões  proferidas  por  este  Supremo  Tribunal  Federal,  como  instrumento  de  expressiva  limitação  constitucional ao próprio poder do Estado (ADI 1.063/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO ­ ADI  1.158/AM,  Rel.  Min.  CELSO  DE  MELLO,  v.g.)  pare  efeito  de  submeter  o  processo  de  "disclosure" as exigências de seriedade e de razoabilidade.  Daí o registro feito por ARNOLDO WALD ("op. cit.", p. 207, 1992, RT), no sentido de  que "A mais recente doutrina norte­ americana fez do 'due process of law' uma forma de controle  constitucional que examina a necessidade, razoabilidade e justificação 'das restrições A liberdade  individual,  não  admitindo  que  a  lei  ordinária  desrespeite  a  Constituição,  considerando  que  as  restrições  ou  exceções  estabelecidas  pelo  legislador  ordinário  devem  ter  uma  fundamentação  razoável  e  aceitável  conforme  entendimento  do Poder  Judiciário.  Coube  ao  Juiz  Rutledge,  no  caso Thomas  v. Collins, definir  adequadamente  a  função  do  devido  processo  legal  ao  afirmar  que:  'Mais  uma  vez  temos  de  enfrentar  o  dever,  imposto  a  esta  Corte,  pelo  nosso  sistema  constitucional, de dizer onde termina a liberdade individual e onde começa o poder 'do Estado. A  escolha do limite, sempre delicada, é o, ainda mais, quando a presunção usual em favor da lei é  contrabalançada  pela  posição  preferencial  atribuída,  em  nosso  esquema  constitucional,  às  grandes  e  indispensáveis  liberdades democráticas  asseguradas pela Primeira Emenda  (...). Esta  prioridade confere a essas liberdades santidade e sanção que não permitem intromissões dúbias.  E  é o  caráter do direito,  não da  limitação, determina o  standard guiador da  escolha. Por  essas  razões, qualquer tentativa de restringir estas liberdades deve ser justificada por evidente interesse  público, ameaçado não por um perigo duvidoso e remoto, mas por um perigo evidente e atual'"  A exigência de preservação do sigilo bancário ­ enquanto meio expressivo de proteção ao  valor  constitucional  da  intimidade  ­  impõe  ao Estado  o  dever  de  respeitar  a esfera  jurídica  de  cada  pessoa.  A  ruptura  desse  circulo  de  imunidade  86  se  justificará  desde  que  ordenada  por  órgão estatal investido, nos termos de nosso estatuto constitucional, de competência jurídica para  suspender,  excepcional  e  motivadamente,  a  eficácia  do  principio  da  reserva  das  informações  bancárias.  Em tema de ruptura do sigilo bancário, somente os órgãos do Poder Judiciário dispõem do  poder de decretar essa medida extraordinária, sob pena de a autoridade administrativa interferir,  indevidamente,  na  esfera  de  privacidade  constitucionalmente  assegurada  às  pessoas. Apenas  o  Judiciário,  ressalvada a competência das Comissões Parlamentares de  Inquérito  (CF, art. 58, §  3º),  pode  eximir  as  instituições  financeiras  do  dever  que  lhes  incumbe  em  tema.  de  sigilo  bancário.  (...)  A efetividade da ordem jurídica, a eficácia da atuação do aparelho estatal e a reação social  a  comportamentos  qualificados  pela  nota  de  seu  desvalor  ético­jurídico  não  ficarão  comprometidas nem afetadas, se se reconhecer aos órgãos do Poder Judiciário, com fundamento  e apoio nos estritos limites de sua competência Institucional, a prerrogativa de ordenar a quebra  do  sigilo  bancário. Na  realidade,  a  intervenção  jurisdicional  constitui  fator  de  preservação  do  regime das franquias individuais e impede, pela atuação moderadora do Poder Judiciário, que se  rompa,  injustamente, a esfera de privacidade das pessoas, pois a quebra do sigilo bancário não  pode  nem  deve  ser  utilizada,  ausente  a  concreta  indicação  de  uma  causa  provável,  como  instrumento de devassa indiscriminada das contas mantidas em instituições financeiras.  (...)  Fl. 12883DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 71          28 A  equação  direito  ao  sigilo  ­  dever  de  sigilo  exige  para  que  se  preserve  a  necessária  relação de harmonia entre uma expressão essencial dos direitos  fundamentais  reconhecidos em  favor  da  generalidade  das.  pessoas  (verdadeira  liberdade  negativa,  que  impõe,  ao  Estado,  um  claro dever de abstenção), de um lado, e a prerrogativa que inquestionavelmente assiste ao Poder  Público,  de  investigar  comportamentos  de  transgressão  à  ordem  jurídica,  de  outro  –  que  a  determinação  de  quebra  do  sigilo  bancário  provenha  de  ato  emanado  de  órgão  do  Poder  Judiciário, cuja intervenção moderadora na resolução dos litígios, insista­se, revela­se garantia de  respeito tanto ao regime das liberdades públicas quanto , a supremacia do interesse público.”  Ocorre  que  o  acórdão  exarado  no  julgamento  do  Recurso  Extraordinário  nº  389.808/PR, com a ementa acima transcrita, foi desafiado por embargos de declaração, com pedido  de modificação da decisão.  Pelo que apurei em pesquisa realizada, os citados embargos foram recebidos por  despacho datado de 07/10/2011 e ainda encontram­se pendentes de julgamento.   Assim, por estarmos diante de acórdão do Plenário do Supremo Tribunal Federal  que não transitou em julgado, com base na decisão resultante do RE 389.808/PR, não é possível,  nesta instância administrativa, deixar de aplicar as disposições constantes na Lei Complementar nº  105, de 2001 e na Lei nº 10.174, de 2001.  Ainda  em  relação  ao  tema,  em  20/11/2009,  ao  examinar  o  Recurso  Extraordinário  nº  601.314,  relatado  pelo  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  o  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu a existência de repercussão geral, nos  termos do artigo 542­B, do Código de  Processo Civil. Neste sentido, segue a ementa da decisão:  EMENTA:   CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  Fornecimento  de  informações  sobre  movimentação  bancária  de  contribuintes,  pelas  instituições  financeiras,  diretamente  ao  fisco,  sem  prévia  autorização  judicial  (lei  complementar  105/2001).  Possibilidade  de  aplicação  da  lei  10.174/2001  para  apuração  de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência.  Relevância jurídica da questão constitucional. existência de repercussão geral.    Neste sentido, quer da análise do Recurso Extraordinário nº 389.808/PR, ou  do  Recurso  Extraordinário  nº  601.314/MG,  não  se  identifica  decisão  definitiva  do  STF  reconhecendo  a  inconstitucionalidade  das  normas  invocadas  pela  recorrente,  impondo  que  se  aplique o disposto na Súmula 02 do CARF nº 2 que estabelece que este órgão não é competente  para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    III – Da alegação de ausência de motivação para uso dos extratos bancários  Conforme  se  depreende  do  art.  1º  do Decreto  nº  3.724,  de  2001,  invocado  pela  recorrente,  esta norma dispõe  sobre  requisição,  acesso  e uso, pela Secretaria da Receita  Federal  e  seus  agentes,  de  informações  referentes  a  operações  e  serviços  das  instituições  financeiras e das entidades a elas equiparadas, em conformidade com o art. 1º, §§ 1º e 2º, da  mencionada Lei, bem assim estabelece procedimentos para preservar o sigilo das informações  obtidas.  Fl. 12884DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 72          29 O  §  5º,  do  artigo  2º,  do  Decreto  nº  3.724,  de  2001,  dispõe  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil, por intermédio de servidor ocupante do cargo de Auditor­Fiscal da  Receita  Federal  do  Brasil,  somente  poderá  examinar  informações  a  registros  de  instituições  financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de  aplicações  financeiras,  quando  houver  procedimento  de  fiscalização  em  curso  e  tais  exames  forem  considerados  indispensáveis.  Por  sua  vez,  o  artigo  3º  elenca  as  situações  em  que  a  análise de tais documentos consideram­se indispensáveis, a saber:  Art. 3º Os exames referidos no § 5º do art. 2º somente serão considerados indispensáveis nas  seguintes  hipóteses:  ("Caput"  do  artigo  com  redação  dada  pelo  Decreto  nº  6.104,  de  30/4/2007).  I  ­  subavaliação  de  valores  de  operação,  inclusive  de  comércio  exterior,  de  aquisição  ou  alienação de bens ou direitos, tendo por base os correspondentes valores de mercado;   II ­ obtenção de empréstimos de pessoas jurídicas não financeiras ou de pessoas físicas, quando  o sujeito passivo deixar de comprovar o efetivo recebimento dos recursos;   III  ­  prática de qualquer operação  com pessoa  física ou  jurídica  residente ou  domiciliada  em  país enquadrado nas condições estabelecidas no art. 24 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro  de 1996;   IV ­ omissão de rendimentos ou ganhos líquidos, decorrentes de aplicações financeiras de renda  fixa ou variável;   V ­ realização de gastos ou investimentos em valor superior à renda disponível;   VI  ­  remessa, a qualquer  título,  para o exterior, por  intermédio de conta de não  residente, de  valores incompatíveis com as disponibilidades declaradas;   VII ­ previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996;   VIII  ­  pessoa  jurídica  enquadrada,  no  Cadastro  Nacional  da  Pessoa  Jurídica  (CNPJ),  nas  seguintes situações cadastrais:   a) cancelada;   b) inapta, nos casos previstos no art. 81 da Lei nº 9.430, de 1996;   IX  ­  pessoa  física  sem  inscrição  no  Cadastro  de  Pessoas  Físicas  (CPF)  ou  com  inscrição  cancelada;   X ­ negativa, pelo titular de direito da conta, da titularidade de fato ou da responsabilidade pela  movimentação financeira;   XI ­ presença de indício de que o titular de direito é interposta pessoa do titular de fato.   § 1º Não se aplica o disposto nos incisos I a VI, quando as diferenças apuradas não excedam a  dez por cento dos valores de mercado ou declarados, conforme o caso.   §  2º  Considera­se  indício  de  interposição  de  pessoa,  para  os  fins  do  inciso  XI  deste  artigo,  quando:   I ­ as informações disponíveis, relativas ao sujeito passivo, indicarem movimentação financeira  superior a dez vezes a  renda disponível declarada ou, na ausência de Declaração de Ajuste  Anual do Imposto de Renda, o montante anual da movimentação for superior ao estabelecido  no inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996;   II ­ a ficha cadastral do sujeito passivo, na instituição financeira, ou equiparada, contenha:   a) informações falsas quanto a endereço, rendimentos ou patrimônio; ou   b) rendimento inferior a dez por cento do montante anual da movimentação.   No  caso  dos  autos,  dentre  os  itens  da  autuação,  encontra­se  a  omissão  de  rendimentos de aplicações financeiras e renda variável. Assim, a regra permissiva à requisição  dos extratos bancários encontra­se no artigo 3º, IV, que considera a apresentação dos mesmos  indispensáveis  nos  casos  de  “omissão  de  rendimentos  ou  ganhos  líquidos,  decorrentes  de  aplicações  financeiras  de  renda  fixa  ou  variável.”  O  fato  da  autoridade  fiscal  não  ter  mencionado, de forma expressa, o fundamento acima indicado não causa nulidade da autuação.  A  ilicitude  da  prova,  se  existente,  dar­se­ia  pelos  fundamentos  enfrentados  no  primeiro  item  deste recurso.  Fl. 12885DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 73          30 IV ­ Da alegação de decadência  De  forma  precisa,  a  autoridade  autuante,  na  apuração  do  montante  dos  créditos bancários de origem não comprovada, conforme explicitado no item 111 do Termo de  Verificação  Fiscal,  excluiu  o  valor  dos  recebimentos  de  títulos  cujas  operações  de  compra  foram realizadas anteriormente a 2006 como forma de expurgar o saldo anterior representativo  de receitas pertencentes a outros períodos de apuração.  Nesta linha, em relação ao IRPJ e a CSLL, tem razão o acórdão recorrido no  ponto  em  que  menciona  que  “o  lançamento  foi  cientificado  em  29/03/2011  e  o  primeiro  período  abrangido  consumou­se  em  31/03/2006.  Assim,  não  há  período  alcançado  pela  decadência do direito de constituir o crédito tributário”.  Quanto  à  decadência  relacionada  ao  PIS  e  a  Cofins,  que  são  tributos  com  fatos  geradores  mensais,  verifico  que  os  documentos  de  fls.  12.569,  12.572  e  12.573,  comprovam  que  a  fiscalizada  entregou  DCTF  em  relação  ao  primeiro  semestre  de  2006,  apurando  débitos,  em  janeiro  e  fevereiro,  a  título  de  PIS  nos  montantes  de  R$  2.711,05  e  2.972,95,  respectivamente  e  de  Cofins  nos  valores  de  R$  12.487,28  e  R$  13.693,57.  No  entanto, em relação a estes tributos, também, não há o que se falar em decadência, visto que o  lançamento  destes  somente  se  deu  a  partir  dos  fatos  geradores  ocorridos  em  31/03/2006  (fl.  21).  V – Da alegação de inaplicabilidade do artigo 532 do RIR   Conforme registrado nos itens 12, 23, 25 e 57, do termo de verificação fiscal,  a  contribuinte  comunicou  que  haviam  sido  extraviados  os  livros  fiscais  e  contábeis,  tendo  a  fiscalização  lhe  intimado a  adotar  as providências  cabíveis para  legalização de novos Livros  Diário e Razão, bem como apresentá­los.   Na análise do Livro Diário (item 33 do TVF), apresentado na data indicada  no item 25 do TVF), a autoridade fiscal observou que diversos lançamentos registrados à conta  “Bancos  conta  movimento”  foram  realizados  de  forma  resumida,  sem  que  a  contribuinte  dispusesse  de  dados  para  reconstituição  dos  Livros  Auxiliares  em  razão  do  roubo  ocorrido  (item 43 do TVF).  Mais, nos itens 52, 53, 54 e 55, do TVF, transcritos no relatório, a autoridade  fiscal observou que os  registros  contábeis  apresentados pela  recorrente contemplam reduzida  parcela das movimentação financeira, razão pela qual arbitrou o lucro.   No item 4 do recurso, à fl. 12.774, a recorrente sustenta que ao adotar como  “receita bruta conhecida” os depósitos bancários de origem não comprovada na determinação  da  base  de  cálculo  do  lucro  arbitrado,  o  lançamento  contrariou  frontalmente  o  disposto  nos  artigos  532  do RIR  e  artigo  51  da  Lei  nº  8.981,  de  1995,  tendo  em  vista  que  a  omissão  de  receita caracterizada através de presunção não pode ser equiparada à receita bruta conhecida,  descrita no artigo 532.  Não assiste  razão à  recorrente quanto aos fundamentos acima mencionados,  bem como nos pontos em que alega falta de liquidez e certeza dos valores lançados no auto de  infração do IRPJ, sob o argumento de “que os fatores adotados para a apuração da receita não  conferem  com  os  percentuais  utilizados  pela  contribuinte  e  que  não  pode  ser  utilizado  o  arbitramento como forma de penalidade.”  Fl. 12886DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 74          31 Os detalhes acima apontados (itens 52, 53, 54 e 55, do TVF) demonstram que  a contabilidade da empresa não merecia credibilidade, pois os valores das transações omitidas  superavam ao montante  das operações  registradas. Tenho me posicionado no  sentido de que  não  se  pode  conferir  credibilidade  à  contabilidade,  só  porque  ela  preenche  os  requisitos  formais, quando materialmente se verifica que ela não reflete a realidade da empresa.  O  artigo  47,  II  da  Lei  nº  8.981,  de  1997,  determina  que  o  lucro  da  pessoa  jurídica será arbitrado quando:  II ­ a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar  evidentes  indícios  de  fraude  ou  contiver  vícios,  erros  ou  deficiências que a tornem imprestável para:  a)  identificar  a  efetiva  movimentação  financeira,  inclusive  bancária; ou  Entende­se  por  contabilidade  na  forma  da  lei  aquela  que  registra  integralmente e não parte reduzida das operações comerciais e transações bancárias.   No  caso  dos  autos,  a  apuração  feita  pela  autoridade  fiscal  demonstrou  omissões  que  indicam  que  a  contabilidade  apresentada  pela  recorrente  não  atendia  aos  requisitos especificados nos incisos I e II, do artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1997 e artigos 529 e  530, do Regulamento do Imposto de Renda, que nestas situações determinam que o lucro deve  ser arbitrado.  O arbitramento do lucro não é penalidade e nem faculdade concedida pela lei,  mas sim imposição. O artigo 47 da Lei nº 8.981, de 1995, não usa a expressão poderá, mas sim  será arbitrado. Constatado irregularidade que não identifica as efetivas operações da empresa, a  autoridade  fiscal,  mesmo  para  as  pessoas  jurídicas  tributadas  com  base  no  lucro  real,  deve  arbitrar o lucro.  O artigo 242 da Lei nº 9.249, de 1996, deve ser aplicado em conjunto com o  artigo 473 da Lei nº 8.981, de 1995. Entendo eu que não é regular a contabilidade que deixa de  registrar  a  maior  parte  das  transações  realizadas  pelo  contribuinte.  Neste  sentido,  além  dos                                                              2 Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a  serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período­base a  que corresponder a omissão.  §  1º.  No  caso  de  pessoa  jurídica  com  atividades  diversificadas  tributadas  com  base  no  lucro  presumido  ou  arbitrado, não sendo possível a  identificação da atividade a que se  refere a  receita omitida, esta será adicionada  àquela a que corresponder o percentual mais elevado.  §  2º.  O  valor  da  receita  omitida  será  considerado  na  determinação  da  base  de  cálculo  para  o  lançamento  da  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ­ CSLL, da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social ­  COFINS,  da  Contribuição  para  o  PIS/Pasep  e  das  contribuições  previdenciárias  incidentes  sobre  a  receita.  (Redação dada ao parágrafo pela Lei nº 11.941, de 27.05.2009, DOU 28.05.2009, conversão da Medida Provisória  nº 449, de 03.12.2008, DOU 04.12.2008).    3 Art. 47. O lucro da pessoa jurídica será arbitrado quando:  I ­ o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real ou submetido ao regime de tributação de que trata  o Decreto­Lei nº 2.397, de 1987, não mantiver escrituração na forma das  leis comerciais e  fiscais, ou deixar de  elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal;  II  ­  a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte  revelar evidentes  indícios de  fraude ou contiver vícios,  erros ou deficiências que a tornem imprestável para:  a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou    Fl. 12887DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 75          32 itens  52  a  55  do  TVF,  como  razões  para  reconhecer  a  correção  do  arbitramento  destaco  o  seguinte trecho contido no item 77 do TVF:  “77. Além dos lançamentos resumidos, constatamos que não foi  contabilizada  a  totalidade  da  movimentação  financeira.  Como  apurado, o contribuinte manteve diversas contas correntes e de  empréstimos,  em  treze  diferentes  instituições  financeiras,  cujos  valores  movimentados  (créditos  lançados)  alcançaram  a  cifra  total  de  R$  2,39  bilhões,  nos  anos  de  2006  e  2007.  Por  outro  lado,  os  valores  registrados  a  débito  na  contabilidade  (que  indicam a entrada de recursos nas contas bancos) somam pouco  mais de R$ 125 milhões.  Quanto  à  base  de  cálculo  considerada  como  receita,  constatando  que  a  fiscalizava dedicava­se, exclusivamente, à atividade de cobrança e de factoring, a fiscalização  adotou os  seguintes procedimentos: a)  tributou os valores  relativos à  receita proveniente dos  serviços de contas a pagar e de cobrança de títulos (item 001 do TVF); b) tributou os valores  oriundos  de  aplicações  financeiras  (item  002  do  TVF);  c)  tributou  os  valores  de  depósitos  bancários de origem não comprovada (item 003 do TFV) e d) tributou as receitas registradas ­  operações de factoring (item 004 do TFV).   Importante destacar, conforme registrei no início deste voto, que a autoridade  fiscal  utilizou  como  percentuais  para  considerar  receita  os  índices  médios  adotados  pela  fiscalizada  e,  apontando  coerência,  demonstrou  que  estes  se  equivalem  aos  divulgados  pela  Associação Nacional das Sociedades de Fomento Mercantil – ANFAC.  Não  tendo  a  fiscalizada  apresentado  os  dados  necessários  à  apuração  com  base n  lucro  real,  correto o procedimento da  autoridade  fiscal  em arbitrar o  lucro,  tendo por  base de cálculo da receita os percentuais acima indicados.  VI – Da alegação de tributação correspondente a transferências entre contas de mesma  titularidade    Ao  apreciar  esta  matéria,  o  acórdão  recorrido,  no  item  10,  destaca  textualmente:  “Em outra vertente, a impugnante reclama a inclusão de transferências  entre contas de mesma  titularidade dentre os  créditos cuja comprovação  foi  considerada não alcançada. Da mesma  forma como no  item anterior,  foram  relacionadas várias operações e uma coleção de extratos bancários foi juntada  aos autos.  Nesse item, os documentos são congruentes no sentido de comprovar a  existência das operações relacionadas e a sua inclusão no demonstrativo que  forma o Anexo II do Termo de Verificação Fiscal. O extrato bancário possui  características formais que permitem admitir sua relação com a exigência.  Não obstante, o extrato apresentado apenas demonstra uma das pontas  da operação, ou seja, os créditos efetuados na conta da autuada. Não  foram  apresentados  os  débitos  em  contas  que  seriam  também  de  propriedade  da  contribuinte.  Fl. 12888DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 76          33 ...  Importa registrar que a exigüidade dos históricos bancários pouco pode  fazer  para  atender  ao  requisito  legal  de  que  a  origem  dos  recursos  seja  comprovada  por  documentos  hábeis  e  idôneos.  Dessa  qualidade  seriam  os  registros contábeis  regulares, o que a autuada  reafirma não possuir,  e/ou os  extratos  bancários  da  conta  de  origem  que  permitissem  aquilatar  a  exata  correspondência entre débitos e créditos.”  No recurso e em memoriais entregues na sessão anterior, a recorrente aponta  que a autoridade julgadora não se ateve às demonstrações contidas nos extratos de fls. 12.661 e  seguintes. Assim, argumenta que sintetizou as transferências de valores da mesma titularidade  no DOC. 02, que anexou ao recurso (planilha de fl. 12.830), demonstrando a transferência de  valores da conta Itaú nº 80.517­7 para a conta nº 31.853­5, da mesma titularidade.  Pois bem, a primeira questão a  ser  esclarecida  é  se a conta nº 31.863­5, do  Banco Itaú, foi objeto de tributação.   No  anexo  I,  do  termo  de  verificação  fiscal,  de  fls.  83  a  102  consta  o  demonstrativo  dos  recebimentos  de  títulos  das  distribuidoras  de  combustível,  objeto  da  prestação de serviços de cobrança.   No  anexo  II,  do  TVF,  às  fls.  103/513,  encontra­se  a  relação  dos  créditos  realizados em conta corrente, onde aparece, dentre outras, a conta nº 31.833­5, de titularidade  da recorrente.   No anexo III, do TFV, às fls. 514/578, encontram­se a relação das operações  de factoring escrituradas.  No anexo IV, do TFV, com relação que ocupou 4.139 folhas, encontra­se a  relação dos títulos negociados e recebidos nos anos calendários de 2006 e 2007, cujas receitas  foram escrituradas.  No  anexo V,  do TFV,  composto  de  planilha de  119  páginas,  a  iniciar  à  fl.  4.718, consta a relação das devoluções de cheques depositados.   No anexo VI, do TFV, composto de planilha de 8 laudas, a  iniciar à página  4838,  consta  a  relação  dos  ganhos  líquidos  tributáveis  obtidos  em  aplicações  financeiras  em  renda variável .  Para calcular o valor dos depósitos bancários de origem não  comprovada  a  fiscalização,  conforme  destacado  nos  itens  110  e  111  do  TVF,  identificou  a  totalidade  dos  créditos  bancários,  diminuindo  deste  montante  (i)  o  recebimento  de  títulos  de  operações  realizadas nos anos de 2006 e 2007; (ii) o recebimento de títulos de compra realizadas nos anos  anteriores  e  (iii)  as  devoluções  de  cheques,  chegando  aos  créditos  de  origem  bancária  não  comprovada, conforme quadro abaixo correspondente ao ano­calendário de 2006, aqui citado  como exemplo:  Fl. 12889DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 77          34   Da  análise  que  fiz  dos  autos,  adotando  datas  aleatórias,  constatei  que  os  valores  indicados  na  planilha  de  fls.  12.830,  efetivamente  integram  o  anexo  II  (créditos  realizados em conta corrente), cujos montantes mensais estão indicados na coluna A do quadro  acima. A título ilustrativo, observo que os seis primeiros valores da planilha de fl. 12.830, nos  montantes de R$ 1.000.000,00; R$ 900.000,00; R$ 152.000,00; R$ 4.000,00; R$ 676.000,00 e  R$ 79.000,00 constam, respectivamente, das fls. 261; 273; 274; 342; 354 e 355 dos autos.  Dado  à  sistemática  utilizada  para  apurar  a  receita  com  base  em  depósito  bancário  de  origem  não  justificada,  cabe  analisar  se  os  valores  indicados  à  fl.  12.830,  se  encontram inclusos nas planilhas que correspondem às letras B, C e D do quadro acima.  Da  análise  do  extrato  bancário  da  conta  nº  31863­5,  do  Banco  Itaú,  à  fl.  12.662  e  seguintes,  tomando  por  base  os  exemplos  acima  elencados,  verifica­se  que  no  dia  21/11/2006, houve um crédito no valor de R$ 1.000.000,00 tendo como histórico de origem a  conta nº 80517­5, da empresa Nova América. Se está indicado como histórico de origem conta  da  empresa  Nova  América,  tratando­se  de  transferência  bancária  (TBI),  a  conclusão  a  que  chego  é  que  efetivamente  tratam­se  de  recursos  da  mesma  titularidade.  A  título  exemplificativo, as seguintes imagens referente aos extratos:        Fl. 12890DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 78          35 A  partir  da  constatação  de  que  os  valores  relacionados  na  planilha  de  fl.  12.830, integram a relação dos depósitos bancários (anexo I) e não foram excluídos nos anexos  subseqüentes, a conclusão a que se chega é que tais valores estão incluídos na base de cálculo  dos depósitos bancários de origem não comprovada, quando na verdade não poderiam compor  tal base de cálculo eis que provenientes de transferência entre contas da mesma titularidade.  Poder­se­ia argumentar de que a conta de onde partiram tais valores não foi  objeto de fiscalização. Contudo, mesmo assim, em se tratando de conta da mesma titularidade,  o fato da autoridade fiscal não fiscalizar a citada conta não exclui a incidência da regra contida  no artigo 42, § 3º, I, da Lei nº 9.430, de 1996, que determina “que não serão considerados os  créditos decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica.”  Porém, em que pese o entendimento acima delineado, é preciso ter presente  que  a  autoridade  fiscal,  em  relação  aos  valores  considerados  como  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  conforme  apontado  nas  planilhas  indicadas  no  item  111  do  TVF,  transcritas  neste  voto,  tributou  apenas  os  percentuais  de  4,89%  e  0,65%,  totalizando  5,54%.  Assim,  neste  ponto,  se  dá  provimento  parcial  ao  recurso  para  excluir  da  base  de  cálculo,  referente a infração correspondente a depósito bancário de origem não comprovada, o valor de  R$ 113.680,80; no 4º trimestre de 2003; e R$ 185.368,40; R$ 37.106,92 e R$ 154.516,14, no  2º, 3º e 4º trimestres de 2004, respectivamente, conforme planilha que segue:     Mês  Soma dos valores excluídos  em razão de transferidos entre  contas da mesma titularidade  Valor tributado (5,54%)  Valor a ser excluído, da  base de cálculo do item 003  do AI  11/2006  1.000.000,00  55.400,00  55.400,00  900.000,00  49.860,00  49.860,00 12/2006    152.000,00  8.420,80  8.420,80  Total  em 2006  2.052.000,00  113.680,80  113.680,80  4.000,00  221,60  221,60  676.000,00  37.450,40  37.450,40  04/2007  79.000,00  4.376,60  4.376,60  335.000,00  18.559,00  18.559,00  54.000,00  2.991,60  2.991,60  63.000,00  3.490,20  3.490,20  19.000,00  1.052,60  1.052,60  122.000,00  6.758,80  6.758,80  197.000,00  10.913,80  10.913,80  116.000,00  6.426,40  6.426,40  295.000,00  16.343,00  16.343,00  144.500,00  8.005,30  8.005,30  394.000,00  21.827,60  21.827,60  05/2007  92.500,00  5.124,50  5.124,50  32.000,00  1.772,80  1.772,80  222.000,00  12.298,80  12.298,80    06/2007    100.000,00  5.540,00  5.540,00  Fl. 12891DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 79          36 33.000,00  1.828,20  1.828,20  211.000,00  11.689,40  11.689,40  108.000,00  5.983,20  5.983,20  8.000,00  443,20  443,20  6.000,00  332,40  332,40  15.000,00  831,00  831,00  7.000,00  387,80  387,80            06/2007  13.000,00  720,20  720,20  Total 2º  trimestre  2007  3.346.000,00    185.368,40    185.368,40    18.500,00  1.024,90  1.024,90  36.500,00  2.022,10  2.022,10  61.000,00  3.379,40  3.379,40  42.000,00  2.326,80  2.326,80  07/2007  14.000,00  775,60  775,60  11.500,00  637,10  637,10  21.500,00  1.191,10  1.191,10  124.000,00  6.869,60  6.869,60  21.000,00  1.163,40  1.163,40  7.000,00  387,80  387,80  119.800,00  6.636,92  6.636,92  08/2007  123.000,00  6.814,20  6.814,20  09/2007  70.000,00  3.878,00  3.878,00  Total 3º  trimestre  2007  3.346.000,00    185.368,40    185.368,40    1.810.000,00  100.274,00  100.274,00  800.000,00  44.320,00  44.320,00  110.000,00  6.094,00  6.094,00  10/2007  69.100,00  3.828,14  3.828,14  Total 4º  trimestre  2007  2.789.100,00    154.516,14    154.516,14    Total  em 2007  6.804.900,00  376.991,46  376.991,46      VII  ­  Da  alegação  quanto  à  impossibilidade  de  dois  regimes  de  reconhecimento  das  receitas (regime de competência e regime de caixa)    No item 6 do recurso, à fl. 12.779, a recorrente argumenta que a autoridade  autuante, na apuração da receita bruta a ser arbitrada, somou os valores inerentes à “Receita da  Prestação dos serviços de cobrança Distribuidoras”, com as “Receitas Escrituradas” e “Receitas  Fl. 12892DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 80          37 Omitidas – Créditos Bancário de Origem não comprovadas”, conforme se verifica na planilha  referente ao ano­calendário de 2006 (fl. 75), transcrita no recurso e abaixo reproduzida:    Todavia,  diz  a  recorrente,  que  a  autoridade  fiscal  adotou  regimes  de  reconhecimento  da  receita  distintos  para  cada  uma das  receitas  apuradas.  (i)  para  as  receitas  escrituradas adotou o  regime de competência  e;  (ii) para as  receitas de prestação de  serviços  adotou o regime de caixa, ou seja, o momento da liquidação dos títulos em cobrança.  Examinando  a matéria,  o  acórdão  recorrido,  rejeitou  tal  alegação  com  base  nos seguintes fundamentos:  As receitas que compõem a base de cálculo apurada pela  fiscalização  foram discriminadas  em três parcelas:  a)  receita de prestação de serviços;  b)  receitas escrituradas pela contribuinte; e  c)  receitas omitidas apuradas por presunção legal.  No que  tange aos  regimes de apuração,  a  fiscalização  informa que considerou, no caso  das receitas de prestação, o momento da liquidação dos títulos em cobrança, ou seja, adotou  o regime de competência.  Quanto  à  segunda  parcela,  constituída  pelas  receitas  escrituradas  pela  contribuinte,  a  fiscalização obedeceu ao método da própria autuada  (regime de caixa), não havendo  razão  para discuti­la.  As  receitas  de  factoring  incluídas  na  base  de  cálculo  são  aquelas  apuradas  a  partir  da  presunção legal de omissão de receitas com base no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996.   Sendo assim, a apuração da receita omitida tem como índice os depósitos bancários cuja  identificação  não  foi  feita pela  autuada  a despeito das  intimações  que  lhe  foram dirigidas.  Não  poderia  ser  de  outra  forma,  uma  vez  que  os  depósitos  de  origem  não  comprovada  representam a materialidade sobre a qual se assenta a presunção legal.  Assim, a questão levantada pela defesa é uma falsa questão. Com efeito, não há que se  falar em regime de caixa para a tributação das receitas de faturização, uma vez que a matéria  sobre a qual trabalhou a fiscalização não foram as operações de faturização em si, mas sim os  depósitos bancários de origem não comprovada.   Fl. 12893DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 81          38 Ao  questionar  a  adoção  do  regime  de  caixa  para  o  reconhecimento  das  receitas  de  faturização,  a  contribuinte  confunde  os  fundamentos materiais  da  apuração. Com  efeito,  o  que parece ser a apuração pelo regime de caixa nada mais é do que um reflexo do fato de que  as  receitas  que  estão  sendo consideradas  são  as provenientes  dos depósitos de origem  não  comprovada. Por certo que, ao apurar as receitas por conta da presunção legal, o momento de  seu auferimento há de ser aquele em que ocorreram os depósitos.  Por conseguinte, o regime de apuração foi uniforme para as três parcelas que compõem a  base  de  cálculo  do  arbitramento  e  não  houve  desrespeito  na  apuração  das  receitas  de  faturização.    No  recurso,  a  fiscalizada  volta  a  criticar  a  decisão  da DRJ  dizendo  que  os  fundamentos anteriormente transcritos encontram­se equivocados, pelas seguintes razões:  a)  em  relação  às  “receitas  escrituradas”  (relação  das  operações  de  factoring)  a  fiscalização  adotou  o  regime  de  competência,  uma  vez  que  considerou,  sem  ressalvas,  as  receitas  escrituradas/declaradas,  sendo que no  anexo  III  a autoridade  fiscal  ratifica que as  receitas  escrituradas foram reconhecidas na data da operação (aquisição de títulos), e não da data da  liquidação do negócio.  b) no tocante às “receitas de prestação de serviços”, a fiscalização adotou, equivocadamente, o  regime  de  caixa,  ou  seja,  o  momento  da  liquidação  dos  títulos  em  cobrança  e  não  o  momento da aquisição ou data da operação.  c) A DRJ, diz a recorrente, na tentativa de salvar o lançamento, se contradiz ao registrar que “a  fiscalização  informa  que  considerou,  no  caso  das  receitas  de  prestação,  o  momento  da  liquidação dos títulos em cobrança, ou seja, adotou o regime de competência.”  d)  Ora,  diz  a  recorrente,  ao  mesmo  tempo  em  que  afirma  que  as  receitas  de  prestação  foi  considerado o regime de caixa (momento da liquidação), conclui, equivocadamente, que foi  adotado o regime de competência.   Pois  bem,  é  fato  incontroverso  que  o  auto  de  infração,  além  das  receitas  financeiras,  autuou:  (i)  “receitas  de  prestação  de  serviços;  (ii)  receitas  escrituradas  pela  contribuinte; e (iii) receitas omitidas apuradas por presunção legal (depósitos bancários).  Em relação à presunção de omissão de receita com base em depósito bancário  de origem não comprovada, o § 1º do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispõe que “o valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela  instituição  financeira.”  Nestas  hipóteses,  o  regime  de  competência  confunde­se com o regime de caixa.  No  que  se  refere  à  atividade  de  factoring,  há  divergência  entre  regime  de  competência  e  regime  de  caixa.  Segundo  o Ato Declaratório Normativo  – COSIT  nº  51/94,  transcrito no  recurso  (fl.  12.783),  a  receita obtida pelas  atividades de  factoring,  representada  pela diferença entre a quantia expressa no título de crédito adquirido e o valor pago, deverá ser  reconhecida, para efeito de apuração do lucro líquido apurado, na data da operação (regime de  competência).  No  caso  dos  autos,  do  exame  no  anexo  III,  não  há  dúvidas  quanto  ao  procedimento da autuação de adotar o  regime de competência,  tendo considerando a data da  operação, conforme se extrai da imagem abaixo, extraída da fl. 514 dos autos.  Fl. 12894DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 82          39   (...)  No que diz  respeito  às  receitas  escrituradas,  indicadas  no  anexo  IV  (títulos  negociados e recebidos), a primeira impressão que se tem é que a autoridade fiscal considerou  a  data  do  recebimento,  isto  é,  o  regime  de  caixa. Neste  sentido,  observa­se  o  cabeçalho  do  anexo IV e o valor indicando a soma do mês de janeiro de 2006:      (...)     O valor de R$ 100.843,57 (fl. 582), indicado na imagem acima, referente às  receitas escrituradas, aparece na terceira coluna da planilha contida no item 111 do TFV, que  segue transcrita:    Tenho  por  absolutamente  inadequado  conjugar  no  lançamento  regime  de  caixa e regime de competência. Contudo, nos caso em que isto ocorre, deve ser desprezado os  valores  indicados no  regime errado e mantido o  lançamento quanto aos valores  indicados no  regime correto, no caso, o regime de competência.  Porém,  na  segunda  planilha  da  fl.  74,  integrante  do  TVF,  a  autoridade  autuante apanhou o valor acima indicado (R$ 7.713.453,27 – regime de caixa), e aplicou sobre  Fl. 12895DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 83          40 ele o percentual de 5,54%, adotando o resultado como sendo omissão proveniente de depósito  bancário.    Na verdade, ao assim proceder, a autoridade atuante identificou a efetiva base  de  cálculo  da  autuação  referente  aos  depósitos  bancários. Assim,  de  forma  correta,  trazendo  tais  valores  para  tributação  com  base  em  depósito  bancário,  em  que  a  receita  é  considerada  recebida no mês do crédito, desaparece, ao meu entender, a alegação de autuação em que se  adotou  dois  regimes  (competência  e  caixa).  Melhor  explicando,  no  momento  em  que  a  autuação  dos  valores  relacionados  no  anexo  IV  se  deu  como  sendo  valores  de  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  o  regime  de  caixa  e  de  competência,  neste  tipo  de  presunção de omissão de receita (depósito bancário de origem não comprovada), se equivalem.   VIII. Da alegação de erro na apuração do ganho liquido de renda variável  No  item 10 do  recurso,  à  fl.  12.790,  a  recorrente  reclama erro na apuração  dos ganhos em renda variável que integram a base de cálculo, alegando  falta de exclusão de  custos, despesas e dos impostos retidos na fonte na determinação do ganho.  A DRJ negou provimento ao recurso, com base nos seguintes fundamentos:  Três ordens de fatores impedem o acatamento da reclamação.  A  primeira  decorre  da  própria  sistemática  de  arbitramento  da  qual  a  autoridade  fiscal  teve  de  lançar mão para  chegar  ao  resultado  tributável. A  ausência  dos  registros  regulares  e  suportados  por  documentação  hábil  e  idônea impede a verificação da existência e magnitude das despesas, custos e  tributos  envolvidos  nas  operações  em  apreço.  A  fiscalização  utilizou­se  da  documentação disponível e, a partir deles, seus cálculos são coerentes.  A  segunda,  diretamente  ligada  à  anterior,  diz  respeito  à  própria  sistemática  de  apuração  do  lucro  tributável  pelo  método  do  arbitramento.  Como  demonstrado  no  Termo  de  Verificação  e  no  Auto  de  Infração,  o  arbitramento  implica  a  aplicação  de  um  percentual  legalmente  determinado  sobre a receita bruta como etapa anterior à determinação da base tributável.  Embutido nesse percentual, que restringe o total das receitas a ser submetido  à tributação, está o cômputo de custos e despesas cuja efetiva dimensão não  foi possível aquilatar pela falta de registros contábeis ou fiscais.  A  terceira  está  na  razão  direta  das  operações  que  a  impugnante  relacionou como demonstração do erro da fiscalização. De pronto, trata­se de  operações que teriam ocorrido em junho de 2006, período em que não houve  inclusão  de  receitas  a  esse  título  na  base  de  cálculo,  conforme  se  pode  verificar  no  demonstrativo  incluído  no  item  118  do  Termo  de  Verificação  Fiscal. Por outro lado, apenas uma nota de corretagem, que é a prova trazida  Fl. 12896DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 84          41 na  impugnação,  é  insuficiente  para  desmentir  a  apuração  fiscal,  tanto mais  que não se refere às operações consideradas pela autoridade no lançamento.   É dizer, ainda que se admita o documento trazido pela impugnante, ele  nenhum efeito exerce sobre a apuração fiscal, por lhe ser totalmente estranho.  Da  mesma  forma,  sua  tão  só  apresentação  é  de  todo  insuficiente  para  demonstrar  que  a  apuração  fiscal  esteja  equivocada  e  justificar  diligência  destinada a aprofundar a apuração.  Assim, por insuficiência de provas, não se acata o argumento da defesa  na sua pretensão de demonstrar erro na apuração fiscal.  No item 10 do recurso, à fl. 12.792, sustenta a recorrente que no item 117 do  TVF, ao contrário do entendimento manifestado pelo acórdão recorrido, o digno auditor fiscal  teve acesso  e  analisou documentos hábeis  e  idôneos que  serviram para a  apuração do  ganho  liquido, consignando expressamente:  “117.  A  partir  das  Notas  de  Corretagem  e  dos  extratos  da  movimentação  financeira  realizada  na  corretora  Novação  (documentos apresentados pelo contribuinte), apuramos ganhos  líquidos auferidos em aplicações  financeiras de  renda variável,  nos meses do primeiro trimestre de 2006, conforme demonstrado  no anexo VI”.  Argumenta a recorrente que os mesmos documentos que serviram de suporte  para  a  apuração  dos  ganhos  líquidos  no mercado de  renda  variável,  não  foram  considerados  hábeis  e  idôneos  à  verificação  da magnitude  das  despesas,  custos  e  tributos  envolvidos  nas  operações.  (...) Diz que este equívoco não pode prevalecer,  assim como não pode subsistir  a  inobservância, no caso, das disposições contidas no § 1º do artigo 760.  Pois  bem,  quando  ao  último  argumento,  isto  é,  de que  “as  perdas  apuradas  nas  operações  de  que  renda  variável  poderão  ser  compensadas  com  os  ganhos  líquidos  auferidos  nos  meses  subseqüentes,  em  operações  da  mesma  natureza”,  tenho  que  no  caso  concreto,  tributou­se  cada  um  dos  trimestres  dos  anos­calendário  de  2006  e  2007,  sendo  apurado  rendimentos  em  aplicações  financeiras  de  renda  variável  somente  no  primeiro  trimestre de 2006, conforme destacado no relatório deste voto. Assim, não há o que se falar em  “perdas apuradas” para serem compensadas em períodos subseqüentes. Ademais, analisando os  demonstrativos de fls. 4.837 e seguintes,  correspondentes ao primeiro  trimestre de 2006, não  identifiquei resultado, nos períodos subseqüentes, passível de compensação.  Em relação ao segundo ponto, penso que não há divergência neste colegiado  no entendimento de que os ganhos no mercado de renda variável devem ser apurados levando  em  consideração  todos  os  elementos  que  envolvem  a  operação,  para  só  então  ser  somado  à  parcela  do  lucro  arbitrado  apurado  pela  aplicação  de  percentuais  definidos  em  lei.  Neste  sentido o artigo 760 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999.  Art.  760.  Considera­se  ganho  líquido  o  resultado  positivo  auferido  nas  operações  realizadas  em  cada  mês,  admitida  a  dedução  dos  custos  e  despesas  incorridos,  necessários  à  realização das operações, e a compensação de perdas apuradas  nas  operações  de  que  tratam  os  arts.  761,  764,  765  e  766,  Fl. 12897DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 85          42 ressalvado o disposto no art. 767 (Lei nº 7.713, de 1988, art. 40,  § 1º, e Lei nº 7.799, de 1989, art. 55, §§ 1º e 7º).   §  1º  As  perdas  apuradas  nas  operações  de  que  trata  este  Capítulo  poderão  ser  compensadas  com  os  ganhos  líquidos  auferidos  nos  meses  subseqüentes,  em  operações  da  mesma  natureza (Lei nº 8.981, de 1995, art. 72, § 4º).  §  2º  As  deduções  de  despesas,  bem  como  a  compensação  de  perdas previstas neste Capítulo, serão admitidas exclusivamente  para as operações realizadas nos mercados organizados, geridos  ou sob a responsabilidade de instituição credenciada pelo Poder  Executivo e com objetivos semelhantes ao das bolsas de valores,  de mercadorias ou de futuros (Lei nº 8.383, de 1991, art. 27).  No  item  117  do  TFV  a  autoridade  destaca  que  a  demonstração  dos  lucros  líquidos encontra­se no anexo VI do TFV (fl. 4.837), cuja planilha indica: 1) número da nota;  2)  ativo;  3)  especificação  do  título;  4)  data  do  pregão;  5)  data  da  liquidação;  6)  tipo  de  operação  (compra ou venda);  7)  forma de pagamento  (a vista ou a  termo); 8)  fator; 9) preço  unitário; 10) quantidade; 11) valor bruto; 12) preço unitário, custo média ponderada; 13) valor  total do custo e; 15) resultado positivo. Na planilha que compõe o anexo VI, é bem verdade,  não  há  registro  de  despesas  de  corretagem  e  tampouco  de  custódia,  incidentes  no  tipo  de  transações indicadas. No entanto, a recorrente, também não indica o montante destas despesas  para  que  se  procedesse  a  exclusão  da  base  de  cálculo.  Desta  forma,  ante  à  inexistência  de  prova, não há como acolher o recurso neste ponto.  IX. Da alegação de impossibilidade de cobrar juros sobre a multa de ofício  Meu  entendimento  é  que  o  valor  da  multa  se  constitui  em  penalidade  de  ordem  financeira,  não  sujeito  à  incidência  de  juros. Destaco,  ainda,  que  esta penalidade não  pode ser confundida com a penalidade decorrente do não cumprimento de obrigação acessória.  Contudo, apesar dos fundamentos acima destacados, o entendimento da douta  maioria do Colegiado é no sentido de que incidem juros sobre a multa de ofício, com base no  entendimento  de  que  a  multa  integra  o  crédito  tributário  e,  como  tal,  sobre  o  valor  correspondente, incide multa de ofício.   Assim, na linha do entendimento da douta maioria, ressalvando meu ponto de  vista acerca da matéria, nego provimento ao recurso, quanto à pretensão de exclusão dos juros  sobre a multa.   X. Das questões relacionadas à correção do crédito tributário  Sustenta a recorrente a impossibilidade de correção do crédito tributário com  base  na  taxa  SELIC.  Neste  ponto,  também  improcede  o  recurso.  A  jurisprudência  resultou  consolidada, no Carf, que por meio da Súmula 04 firmou entendimento de que “A partir de 1º  de  abril  de  1995,  os  juros moratórios  incidentes  sobre débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do  Sistema Especial de Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.”  Fl. 12898DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 86          43 XI. Das demais questões  No momento em que a exigência do crédito tributário deu­se por arbitramento,  na base de cálculo do valor  arbitrado,  também se  incluiu  as  receitas declaradas,  referidas no  item 91 do TVF (fl. 69). Neste sentido, a título exemplificativo faço o seguinte demonstrativo  em relação ao  ano­calendário de 2006,  cujo  raciocínio  também se aplica em relação ao ano­ calendário de 2007.    Dados 2006 ­ DIPJ original e DCTF  Valores informados no item 3 AI e item 112 TVF  Valores  informados  DIPJ/fl.  12.505/08  Base de  cálculo/DIPJ  IRPJ  APURADO  DIPJ –  FICHA 12A  IRPJ  indicado na  DCTF/fl.  12.570  Valores mensais  informados item  004 do AI – fl.  9  Soma base de  cálculo do  trimestre  Base  cálculo/lançame nto  164.306.33  180.178,59    1º Trimestre    583.148,61     17.457,15    17.457,15  238.663.69    583.148,61    583.148,61  195.847,80  221.886,21    2º Trimestre    611.390,62    24.707,10  Não  localizada  nos autos.  193.656,61    611.390,62    611.390,62  197.436.33  200.629,00  3º trimestre    690.534,94    37.313,83    37.313,79  292.469,61    690.534,94    690.534,94  275.570,96  265.515,24  4 º Trimestre    754.705,49    42,909,82    42.909,81  213.619,29    754.705,49    754.705,49    Na planilha  contida no  item 112 do TVF  (fl.  75),  ao  somar  a  receita  bruta  tributável,  a  autoridade  fiscal  inclui  os  valores  referentes  “as  receitas  escrituradas”,  em  cada  ano­calendário.  Em  se  tratando  de  receitas  declaradas,  sobre  estas  e  respectivos  tributos  já  declarados, pagos ou parcelados, não pode se exigir multa de ofício. Em outras palavras, sobre  os tributos que se encontravam declarados e com DCTF entregues, não se pode exigir multa de  ofício.  ISSO POSTO, nos termos da fundamentação, e ressalvado o ponto de vista  do relator em relação aos juros sobre a multa, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e de  decadência e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para excluir da base de cálculo da  infração com base em depósito bancário de origem não comprovada o valor de R$ 113.680,80,  no  quarto  trimestre  do  ano­calendário  de  2006  e  de  R$  185.368,40  R$  37.106,92  e  R$  154.516,14, respectivamente, no segundo, terceiro e quarto trimestre de 2007.      assinado digitalmente  MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA ­ Relator   Fl. 12899DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA Processo nº 10830.720469/2011­19  Acórdão n.º 1402­001.723  S1­C4T2  Fl. 87          44                              Fl. 12900DF CARF MF Impresso em 09/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 09/07/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por MOISES GIACOMELL I NUNES DA SILVA

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Numero do processo: 10840.720392/2011-50
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS - ART. 42 DA LEI 9.430/96 Na presunção legal em jogo, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. Presentes os requisitos para a presunção: individualização dos créditos e intimação da contribuinte para comprovar sua origem. Nada foi carreado aos autos para comprovar a origem dos recursos creditados, a demonstrar que eles não são representativos de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS - PROVA DIRETA - CRÉDITOS BANCÁRIOS Pelo regime de caixa, pode reconhecer-se como receita de vendas o valor antecipadamente recebido, por desconto de duplicatas. Porém, impõe-se o expurgo daquele valor, não resultando honradas as duplicadas perante o descontador (banco), pois o valor de face das duplicatas será debitado da conta bancária do descontário. Não consta a falta de expurgo de valor de duplicatas descontadas devolvidas ao descontário (com débito do valor das duplicatas da conta bancária do descontário). Nesse contexto, os créditos bancários consequentes a desconto de duplicatas, assim como os decorrentes de cobrança, são prova direta, e não de presunção legal, de omissão de receitas. Sobre isso a contribuinte nada trouxe aos autos a infirmar tal prova. MULTA QUALIFICADA - RECEITAS OMITIDAS - PROVA DIRETA Os valores das receitas omitidas apuradas por prova direta são extremamente significativos percentualmente em relação ao total de receitas (excluindo-se desse total as omitidas por presunção legal). Presença do elemento subjetivo do tipo quanto àquelas receitas, em relação às quais se aplica a qualificação da multa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO-ADMINISTRADOR A manutenção da multa qualificada não é elemento, de per se, que permita a automática conclusão de que o sócio administrador tipificou o art. 135, III, do CTN. Sua incidência exige plus, em relação à conduta da contribuinte. Não houve, no caso, demonstração de uso de artifícios por parte do sócio administrador, ou seja, de que tenha orquestrado ou comandado a omissão de receitas. Responsabilidade solidária afastada.
Numero da decisão: 1103-001.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento parcial ao recurso, para afastar a responsabilidade solidária do sr. Walter Rodrigues da Silva, por voto de qualidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA

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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS - ART. 42 DA LEI 9.430/96 Na presunção legal em jogo, o nexo lógico e causal entre o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada) e o fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela lei. Presentes os requisitos para a presunção: individualização dos créditos e intimação da contribuinte para comprovar sua origem. Nada foi carreado aos autos para comprovar a origem dos recursos creditados, a demonstrar que eles não são representativos de receitas. OMISSÃO DE RECEITAS - PROVA DIRETA - CRÉDITOS BANCÁRIOS Pelo regime de caixa, pode reconhecer-se como receita de vendas o valor antecipadamente recebido, por desconto de duplicatas. Porém, impõe-se o expurgo daquele valor, não resultando honradas as duplicadas perante o descontador (banco), pois o valor de face das duplicatas será debitado da conta bancária do descontário. Não consta a falta de expurgo de valor de duplicatas descontadas devolvidas ao descontário (com débito do valor das duplicatas da conta bancária do descontário). Nesse contexto, os créditos bancários consequentes a desconto de duplicatas, assim como os decorrentes de cobrança, são prova direta, e não de presunção legal, de omissão de receitas. Sobre isso a contribuinte nada trouxe aos autos a infirmar tal prova. MULTA QUALIFICADA - RECEITAS OMITIDAS - PROVA DIRETA Os valores das receitas omitidas apuradas por prova direta são extremamente significativos percentualmente em relação ao total de receitas (excluindo-se desse total as omitidas por presunção legal). Presença do elemento subjetivo do tipo quanto àquelas receitas, em relação às quais se aplica a qualificação da multa. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO-ADMINISTRADOR A manutenção da multa qualificada não é elemento, de per se, que permita a automática conclusão de que o sócio administrador tipificou o art. 135, III, do CTN. Sua incidência exige plus, em relação à conduta da contribuinte. Não houve, no caso, demonstração de uso de artifícios por parte do sócio administrador, ou seja, de que tenha orquestrado ou comandado a omissão de receitas. Responsabilidade solidária afastada.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento parcial ao recurso, para afastar a responsabilidade solidária do sr. Walter Rodrigues da Silva, por voto de qualidade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Fábio Nieves Barreira, André Mendes de Moura e Breno Ferreira Martins Vasconcelos. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva- Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 857          2 do tipo quanto àquelas receitas, em relação às quais se aplica a qualificação  da multa.  RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SÓCIO­ADMINISTRADOR  A manutenção da multa qualificada não é elemento, de per se, que permita a  automática conclusão de que o sócio administrador tipificou o art. 135, III, do  CTN. Sua  incidência exige plus, em relação à conduta da contribuinte. Não  houve,  no  caso,  demonstração  de  uso  de  artifícios  por  parte  do  sócio  administrador, ou seja, de que tenha orquestrado ou comandado a omissão de  receitas. Responsabilidade solidária afastada.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  DAR  provimento  parcial  ao  recurso,  para  afastar  a  responsabilidade  solidária  do  sr.  Walter  Rodrigues  da  Silva,  por  voto  de  qualidade,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencidos  os  Conselheiros  Fábio  Nieves  Barreira,  André  Mendes  de  Moura  e  Breno  Ferreira  Martins  Vasconcelos.    (assinado digitalmente)  Aloysio José Percínio da Silva­ Presidente.     (assinado digitalmente)  Marcos Takata ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  Conselheiros  Marcos  Shigueo  Takata,  Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes  de Moura,  Fábio Nieves Barreira,  Breno Ferreira Martins Vasconcelos e Aloysio José Percínio da Silva.   Fl. 857DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 858          3   Relatório  DO LANÇAMENTO  Trata o presente processo de autos de infração, para o ano­calendário de 2006,  de  IRPJ­Simples  (fls. 614 a 619) no valor de R$ 75.841,68; PIS­Simples  (fls. 626 a 631) no  valor  de  R$  55.538,89;  CSL­Simples  (fls.  638  a  643)  no  valor  de  R$  75.841,68;  Cofins­ Simples (fls. 650 a 655) no valor de R$ 222.386,79; e INSS­Simples (fls. 662 a 667) no valor  de R$ 644.413,41, além de juros, multa qualificada de 150% sobre as receitas não escrituradas,  multa  de  75%  sobre  os  depósitos  bancários  não  escriturados  e  multa  de  75%  sobre  a  insuficiência de recolhimento.  O Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal de fls. 687 a 706 descreve a ação  fiscal e  informa que a fiscalizada ofereceu à  tributação, a  título de receita de vendas no ano­ calendário de 2006 o valor de R$ 964.608,95, enquanto sua movimentação financeira foi de R$  7.431.159,27 para o mesmo ano. Da análise dos documentos apresentados, constatou­se que a  contribuinte não mantinha escrituração regular de sua movimentação financeira e bancária.  O autuante observou que o total de lançamentos a crédito nas contas bancárias  da  fiscalizada  somavam  R$  16.184.895,13,  dos  quais  foram  excluídos  aqueles  que  correspondem a transferências entre contas de mesma titularidade e os depósitos identificados,  o que resultou no valor de depósitos a serem comprovados de R$ 6.720.034,85.  Intimada, por duas vezes, a comprovar a origem desses depósitos, inclusive com  o  envio  de  cópia  da  intimação  ao  sócio­administrador,  Sr.  Walter  Rodrigues  da  Silva,  a  contribuinte não respondeu as intimações.  Apurou­se,  ainda,  que  dentro  dos  valores  da  movimentação  bancária  da  contribuinte,  há  depósitos  correspondentes  a  créditos  por  desconto  de  títulos  (duplicatas)  e  cobrança  bancária,  que  tiveram  origem  em  operações  comerciais  e  cuja  identificação  foi  possível,  por  meio  dos  borderôs  de  desconto  de  títulos  e  de  cobrança  fornecidos  pelas  instituições financeiras e pelos próprios extratos bancários.  Concluiu o autuante que os elementos trazidos aos autos permitem afirmar que,  durante o ano de 2006, a contribuinte auferiu  receitas de vendas, perfeitamente  identificadas,  portanto comprovadas, no valor de R$ 3.630.417,44, que,  cotejadas  com a  receita declarada,  indicam a existência de omissão de receitas em quase todos os períodos de apuração, no total  de R$ 2.720.474,90.  Ressaltou­se que a conduta de omissão de receitas ocorreu reiteradas vezes, com  recolhimento a menor do Simples em dez dos doze meses do ano, o que foi confirmado com a  entrega  da  Declaração  Simplificada  da  Pessoa  Jurídica  (DSPJ).  Tal  procedimento  é  incompatível com a hipótese de erro, revelado tão somente a intenção da conduta.  Informou­se  que  os  valores  relativos  aos  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada  superaram  em  muito  os  valores  da  omissão  supramencionada,  o  que  levou  à  Fl. 858DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 859          4 apuração de omissão de  receitas com base na presunção  legal do art. 42 da Lei 9.430/96, no  valor total de R$ 3.025.178,69.  Considerando  que  a  contribuinte  cometeu  crime  contra  a  ordem  tributária  e  incorreu  na  prática  de  sonegação  fiscal,  ao  omitir  da  apuração mensal  do Simples  e  em  sua  DSPJ  parte  das  receitas  auferidas,  o  autuante  aplicou  a  multa  de  150%,  sobre  a  exigência  baseada na omissão de receitas por prova direta.  Foi  lavrado  Termo  de  Sujeição  Passiva  Solidária,  em  face  do  Sr.  Walter  Rodrigues da Silva, sócio com totais poderes de administração da empresa,  tendo em vista o  interesse  comum na  situação  que  constituiu  fato  gerador  da  obrigação  principal,  conforme  o  CTN, art. 124, I, e a prática de sonegação fiscal, prática contrária à lei e definida por esta como  crime contra a ordem tributária, nos termos dos arts. 135, III e 137, I do CTN.  Por entender que a receita auferida pela empresa supera em muito o limite legal  para  enquadramento  no  Simples  para  o  ano  de  2006,  conforme  Lei  9.317/96,  art.  9º,  II,  foi  formalizado Termo de Representação para Exclusão do Simples, e ato declaratório de exclusão.  Foi formalizada Representação Fiscal para fins penais, por meio do Processo nº  15956.000043/2001­34,  tendo  em  vista  que  no  curso  na  ação  fiscal  foram  identificadas  situações que, em tese, configuram crimes definidos nos arts. 1º e 2º, da Lei 8.137/90.    DA IMPUGNAÇÃO  Notificada  do  lançamento  em  14/03/2011,  a  contribuinte  e  o  responsabilizado  solidariamente  apresentaram  impugnação  de  fls.  711  a  720,  em  11/04/2011,  alegando,  em  síntese, o que segue.  Alegou­se preliminarmente a nulidade pela utilização de prova  ilícita, onde os  extratos bancários foram requisitados para uso em processo administrativo, por meio de RMF  da Receita Federal.   A Lei Complementar 105/2001 é inconstitucional, pois desrespeita dispositivos  da Constituição Federal, como o princípio da  intimidade,  inviolabilidade de correspondência,  igualdade  tributária.  Que  no  momento  em  que  os  extratos  bancários  foram  utilizados  pelo  agente fiscal, ocorreu a quebra do sigilo bancário.   Aduziu­se a ilegitimidade passiva do Sr. Walter, pois não se capitulou nenhuma  hipótese  do  art.  135  do  CTN.  O  mero  inadimplemento  das  obrigações  tributárias  não  é  considerado  infração  à  lei  hábil  à  imputação  de  responsabilidade  aos  sócios.  Para  tanto,  é  necessário  que  a Fazenda Pública  comprove  que  houve,  por  parte  dos  diretores,  gerentes  ou  representantes da pessoa jurídica de direito privado, a prática de atos com excesso de poderes,  infração á lei, contrato social ou estatutos, até mesmo dissolução irregular da empresa.  Há desnecessidade da multa, pois a contribuinte sempre atendeu aos chamados  do  fisco,  e  se  não  há negligência,  não  há possibilidade  para  a utilização  da multa  de ofício.  Piorando a situação, o Fisco aplicou multa de 150% somente pela não comprovação da origem  do dinheiro; o que não pode ocorrer, pois não houve  fundamentação do  fiscal para  justificar  que a conduta da contribuinte seria dolosa.  Fl. 859DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 860          5 A contribuinte não agiu com fraude, conluio ou sonegou  informação, pois não  fez prova nenhuma.  Alegou­se que  a autuação não obedeceu à nova  redação  imposta  ao  art.  44 da  Lei 9.430/96,  introduzida pela Lei 11.488/07, que diz que a multa será de, no máximo, 75%,  tendo como regra o valor de 50%.  Afirmou­se que, de acordo com o art. 112 do CTN, a interpretação deve ser feita  em favor do contribuinte.  Requereu­se  a  produção  de  perícia  contábil  sobre  os  valores  apontados  pelo  Fisco,  em  razão  de  serem  exorbitantes  e  desvinculados  da  legislação  em  vigor,  sob  pena  de  cerceamento ao direito de defesa.  Aduziu­se  que  a  arrecadação  fiscal  não  pode  ser  utilizada  como  meio  de  confisco.  E,  caso  a  autuação  seja  mantida,  os  recorrentes  ficarão  sem  quaisquer  bens  para  suprir suas necessidades.  Requereu­se seja cancelado e anulado o auto de infração, ante os argumentos em  preliminar de defesa. E, caso assim não entenda, que, no mérito, seja afastada a pretensão do  Fisco,  pois  há  várias  irregularidades  mencionadas  que  dão  azo  a  modificação  no  auto  de  infração e na decisão proferida pela DRJ/São Paulo II.    DA DECISÃO DA DRJ  E DO RECURSO VOLUNTÁRIO  Em  7/7/2011  acordaram  os  membros  da  3ª  Turma  de  Julgamento  da  DRJ/Ribeirão Preto, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o  crédito tributário exigido. A seguir, os fundamentos sintetizados.  Em relação à inconstitucionalidade da LC 105/2001, não compete à autoridade  julgadora  afastar  o  direito  positivado  sob  pretexto  de  alegados  vícios  de  ilegalidade  e  inconstitucionalidade, cabendo à contribuinte levar suas considerações ao Poder Judiciário.  Sobre a quebra do sigilo bancário, o acesso pelas autoridades administrativas às  informações bancárias tem fundamento no art. 145 da CF, no art. 197 do CTN, posteriormente,  na  Lei  8.021/90,  que  dispôs  sobre  o  acesso  às  informações  bancárias,  condicionando  a  requisição ao início do procedimento fiscal. A Lei Complementar 105/01 sobreveio regulando  com mais detalhes a solicitação de informações.   Imprópria,  assim,  a  tentativa  de  vincular  esta  atividade  tão  só  ao  Poder  Judiciário, sob o argumento de que somente este atua com razoabilidade necessária à garantia  do  direito  fundamental  à  intimidade  ou  à  inviolabilidade  de  dados.  Os  atos  legais  e  regularmente  mencionados  disciplinaram  as  hipóteses  específicas  nas  quais  o  acesso  é  permitido e, ao circunscrever­se a este âmbito, a prova obtida é plenamente válida.  Ainda, cumpre observar que o acesso às  informações bancárias não configura,  propriamente, quebra do sigilo bancário, haja vista a imposição às autoridades administrativas  de seu resguardo durante todo o procedimento, não só em virtude do sigilo fiscal determinado  no art. 198 do CTN, como também do disposto nos arts. 5º, § 5º, 6º, parágrafo único, da LC  Fl. 860DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 861          6 105/01.  Ademais,  as  informações  se  prestam  apenas  à  constituição  de  crédito  tributário  e  eventual  apuração  de  ilícito  penal.  Há,  na  verdade,  mera  transferência  do  sigilo,  que  antes  vinha  sendo  assegurado  pela  instituição  financeira  e  passa  a  ser  mantido  pelas  autoridades  administrativas.  Quanto  às  alegações  relacionadas  ao  termo  de  sujeição  passiva  solidária,  restou  amplamente  demonstrado  no  processo  que  o  Sr.  Walter  Rodrigues  da  Silva,  sócio­ administrador da contribuinte, efetivamente exerceu a administração da empresa durante o ano  fiscalizado e era, portanto, responsável por todas as decisões em relação aos procedimentos de  apuração, recolhimento e declaração dos tributos federais.   Sendo assim, restando caracterizada a conduta reiterada de omissão de receitas,  implicando o  cometimento  de  crime  contra  a  ordem  tributária,  restou  clara  a  infração  da  lei  neste  caso.  Também  houve  infração  de  lei  na medida  em  que  a  empresa,  na  pessoa  de  seu  sócio, deixou de comunicar sua exclusão do Simples em função de ter ultrapassado o limite de  enquadramento nesse regime.  Em  relação  à  perícia  requerida,  o  PAF,  art.  16,  IV  e  §  1º,  alterado  pela  Lei  8.748/93, determina que todo pedido de perícia deve indicar os motivos que o justifiquem e o  perito  do  sujeito  passivo.  Caso  contrário,  o  pedido  deve  ser  considerado  não  formulado.  Portanto  não  tem  efeito  o  pedido  de  perícia  da  empresa,  mesmo  porque  não  há  matéria  contestada nos presentes autos de infração que necessite de opinião de perito para ser decidida.  No  mérito,  esclareceu­se  que  a  contribuinte  faz  menção  a  suposta  decisão  proferida pela DRJ/São Paulo II, que inexiste neste processo, até porque o que está em debate é  o auto de infração lavrado, julgado em primeira instância na Turma da DRJ/Ribeirão Preto.  A  contribuinte  não  questiona  a  situação  fática  que  originou  o  lançamento  combatido (omissão de receitas). Seus protestos voltaram­se apenas contra a multa aplicada e  os  valores  cobrados,  que  considerou  confiscatórios.  Portanto,  tem­se  como  consolidada  a  acusação fiscal nesse aspecto.  A vedação ao confisco é dirigida ao legislador, orientando a feitura da lei. Uma  vez  positivada  a  norma,  é  dever  da  autoridade  de  aplicá­la,  sendo  que  o  lançamento  é  uma  atividade vinculada.  Quanto à necessidade de multa, essa tem natureza punitiva e está prevista na Lei  9.430/96.  Tratando­se  de  lançamento  de  ofício  em  função  da  constatação  de  omissão  de  receitas, correta a exigência de multa de ofício.  Sobre  os  protestos  quanto  à  qualificação  da multa,  o  dolo  resta  caracterizado,  conforme demonstrado no processo, onde se mostra evidente a sonegação. Portanto, cabível a  multa qualificada no percentual de 150%.  Cientificados  a  contribuinte  e  o  responsável  tributário  em  25/7/2011,  ambos  apresentaram  recurso  voluntário,  de  fls.  767  a  776,  em  1/8/2011,  reiterando  as  alegações  contidas na impugnação.      Fl. 861DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 862          7 DA RESOLUÇÃO DO CARF  Em sessão do dia 26/8/2009, acordaram os membros da 3ª Turma Ordinária da  1ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, mediante o Acórdão  nº 1103­00.039, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento, de acordo com o artigo 2º  da Portaria CARF 1/12, conforme entendimento abaixo sintetizado.  Colacionou o art. 62­A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria  MF 256/09, com a redação da Portaria MF 586/10, e transcreveu o parágrafo único do artigo  1º, da Portaria CARF 1/12.  Acentuou que a matéria discutida no presente processo é objeto do RE 601.314­ RG/SP com reconhecimento de repercussão geral, nos termos do art. 543­B do CPC.   Afirmou que o Ministro Ricardo Lewandowski,  no  julgamento,  pelo STF, dos  Agravos  de  Instrumento  nº  668.843  e  nº  765.714/SP,  determinou  a  devolução  dos  autos  referentes a esses feitos aos tribunais de origem a fim de que ocorra o sobrestamento dos feitos,  nos termos do art. 543­B do CPC, em face do RE 601.314­RG/SP, sob repercussão geral, onde  é discutida questão idêntica.   Apontou que, nos termos do artigo 328, parágrafo único, do Regimento Interno  do  STF,  se  houver  a  subida  ou  distribuição  de  múltiplos  recursos  fundados  em  idêntica  controvérsia, o Presidente do Tribunal ou o Relator deve determinar a devolução dos processos  aos tribunais de origem, de modo a aplicar os parágrafos do art. 543­B do CPC.  Por  fim,  entendeu  que,  de  acordo  com  o  artigo  2º,  caput  e  §  2º,  da  Portaria  CARF  1/12,  está  caracterizada,  no  presente  processo,  a  hipótese  para  sobrestamento  do  julgamento do presente feito.  DO DESPACHO DE RETORNO AOS AUTOS  Trata­se  de  despacho  expedido  em  24/2/2014  que  determina  a  reinclusão  do  presente processo, o qual foi sobrestado, na pauta para julgamento.  Apontou  que  a  inclusão  na  pauta  para  julgamento  de processos  que  tratam de  matérias que estão em repercussão geral sem trânsito em julgado no STF, de acordo com o rito  do artigo 543­B do CPC, derivou do fato de a Portaria MF 545/2013 ter revogado o §§ 1º e 2º  do artigo 62­A do Anexo II da Portaria MF 256/2009, o qual aprova o Regimento Interno Do  CARF.  Por  fim, determinou o  retorno do presente processo para o CARF, de modo a  prosseguir o julgamento, em consonância com o Decreto 70.235/72.  É o relatório.        Fl. 862DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 863          8 Voto             Conselheiro Marcos Shigueo Takata  Como se viu do relatório, o julgamento do recurso havia sido sobrestado, em  face do art. 62­A, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Com a revogação  dos §§ 1º e 2º do art. 62­A em questão, pela Portaria MF 545, de 18/11/13 (DOU de 20/11/13),  os autos do feito retornaram a este relator, para julgamento do recurso.  A questão  da  inconstitucionalidade do  art.  6º  da Lei Complementar 105/01  ficou  prejudicada  neste  feito,  em  face  da  revogação  do  preceito  de  sobrestamento  suprarreferido.  E  se  sabe  que  a  questão  de  inconstitucionalidade  da  lei,  para  se  afastar  sua  aplicação, isso constitui matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26­ A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09, o art. 62 do Anexo II do Regimento  Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  256/09,  e  a  Súmula  CARF  nº  2  (conforme  consolidação  das  Súmulas  do  antigo  Conselho  de  Contribuintes  e  do  atual  CARF,  dada  no  Anexo II da Portaria CARF 49/10).  Outrossim, fica prejudicado o exame da questão da inconstitucionalidade na  obtenção dos extratos bancários da contribuinte, em face de sua obtenção por meio da emissão  de  RMF  (requisição  de  informações  sobre  movimentação  financeira)  contra  as  instituições  financeiras.  Nas  fls.  68  a  70,  347  e  348,  375  a  378  consta  a  solicitação  de  emissão  de  requisição de informações sobre movimentação financeira, e nas fls. 71 a 80, 449 a 350, 379 a  392  a  expedição  e  recebimento  dos  RMF  para  os  bancos  Nossa  Caixa,  Safra,  Bradesco,  Sudameris, HSBC, Banco do Brasil e Santander Banespa (numeração do e­processo).  A Súmula 182 do antigo TFR que reconhecia ser inconstitucional a presunção  de omissão de receitas com base nos créditos bancários de origem  incomprovada foi editada  antes  da  criação  da  hipótese  legal  de  presunção  de  omissão  de  receitas  do  art.  42  da  Lei  9.430/96.  Sucede  que  essa  presunção  era  rechaçada  quando  era  empregada  pela  autoridade  fiscal  como  se  fosse uma presunção hominis  ou  facti  ou  comum,  com base no  id  quod plerumque fit (naquilo que geralmente acontece), sem o aprofundamento da investigação  para estabelecer o nexo causal entre os depósitos bancários e a receita omitida. Aí eram meros  indícios, insuficientes para dar amparo a presunção de omissão de receitas.  Isso  mudou  com  a  superveniência  da  Lei  9.430/96,  que,  em  seu  art.  42,  guindou  em  presunção  legal,  juris  tantum,  de  omissão  de  receitas  os  depósitos  ou  créditos  bancários sem comprovação de origem, mediante prévia e regular intimação da pessoa física ou  jurídica1.                                                               1  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem dos  recursos  utilizados nessas operações.   § 1º. O valor das  receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito  efetuado pela instituição financeira.   Fl. 863DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 864          9 A  partir  da  vigência  do  art.  42  da  Lei  9.430/96,  desde  que  cumpridos  os  requisitos previstos nesse preceito, houve o estabelecimento de presunção legal de omissão de  receitas, com inversão do ônus da prova ao sujeito passivo. Não se trata mais de presunção que  resulte de iniciativa criativa e original do Fisco. Sequer se cuida de presunção hominis ou facti.   Para  a  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  por  depósitos  bancários,  é  condicio juris a individualização dos créditos, e a prévia e regular intimação do sujeito passivo  para  comprovação da origem dos valores depositados ou creditado, nos  termos do art. 42 da  Lei 9.430/96 (reproduzido no art. 287 do RIR/99). Na ausência de um desses  requisitos,  fica  derruída essa presunção legal, restando fulminada de nulidade a pretensão naquela apoiada. É  como entendo.  Vejo que houve, inicialmente, intimação da contribuinte para apresentação de  documentos  relativos  a  cobranças  e  desconto  de  títulos,  como  borderôs  ou  extratos  de  descontos/cobranças,  cópias  de  cheques  e  transferências  recebidas  acima  de  R$  5.000,00,  relação de duplicatas emitidas e/ou descontadas, relação de emissão de outros títulos (fl. 186).   Ainda,  compulsando  os  autos,  noto  que  nas  fls.  393  a  395  consta  relação  elaborada  pelo  autuante,  com  exclusão  de  créditos  relativos  a  transferências  entre  contas  de  mesma  titularidade,  totalizando R$ 299.966,48, e nas  fls. 396 a 422  figura relação  feita pelo  autuante, com exclusão de créditos de depósitos identificados, referentes a estornos, devolução  de cheques, financiamentos, empréstimos, redução de saldo de devedor e outros, com total de  R$ 9.164.893,80.   Vejo que há a intimação 362/2010, de fl. 461, para comprovação da origem  dos créditos bancários devidamente individualizados no anexo de fls. 464 a 496.   Essa  última  intimação  com  o  anexo  contendo  os  créditos  individualizados  para  comprovação  de  sua  origem,  associada  ao  expurgo  dos  créditos  de  transferência  entre  contas de mesma titularidade e dos créditos que, pela mera descrição, não representam receitas,  aperfeiçoa os requisitos legais para a presunção de omissão de receitas legalmente estabelecida.                                                                                                                                                                                           § 2º. Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos  impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeter­se­ão às normas de tributação específicas, previstas  na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos.   § 3º. Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado  que não serão considerados:   I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a  R$  1.000,00  (mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­calendário,  não  ultrapasse  o  valor  de  R$  12.000,00 (doze mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97)  §  4º.  Tratando­se  de  pessoa  física,  os  rendimentos  omitidos  serão  tributados  no  mês  em  que  considerados  recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição  financeira.   § 5º. Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de  investimento pertencem a  terceiro,  evidenciando  interposição  de  pessoa,  a  determinação  dos  rendimentos  ou  receitas  será  efetuada  em  relação  ao  terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de  2002)  § 6º. Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos  ou de  informações dos  titulares  tenham sido apresentadas  em separado, e não havendo comprovação da origem  dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante  divisão  entre  o  total  dos  rendimentos  ou  receitas  pela  quantidade  de  titulares.(Incluído  pela  Lei  nº  10.637,  de  2002)    Fl. 864DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 865          10 Na presunção legal (e não facti) em comentário, o nexo lógico e causal entre  o fato conhecido (créditos bancários sem origem comprovada ou não levados à tributação) e o  fato desconhecido (receitas auferidas) são estabelecidos pela  lei. À autoridade fiscal compete  demonstrar  adequada  e  cuidadosamente  o  suporte  fático  da hipótese  legal  presuntiva,  com  a  individualização dos créditos e intimar o contribuinte para que ele os esclareça e comprove sua  origem.  Daí  se  cuidar  de  presunção  legal  de  omissão  de  receitas,  ilidível  diante  de  contraprova do contribuinte (inversão do ônus da prova).   No caso vertente, nada foi carreado aos autos para comprovar a origem dos  recursos  depositados  e  creditados,  a  demonstrar  que  os  créditos  e  depósitos  não  são  representativos de receitas.  Sob essa ordem de razões, nego provimento ao recurso sobre a irresignação  quanto à presunção legal de omissão de receitas por depósitos e créditos bancários de origem  incomprovada.  Importa anotar que, do total de créditos bancários de origem incomprovada, o  autuante identificou como créditos decorrentes de venda feita pela contribuinte, o montante de  R$ 3.630.417,44. Isso corresponde a créditos de cobranças e de descontos de duplicatas.  A questão do desconto de duplicatas merece esclarecimento.   O desconto de duplicatas é operação de crédito.   Havendo  escrituração  contábil  regular,  por  regime  de  competência,  ela  informa uma despesa financeira, pela antecipação do recebimento dos valores já reconhecidos  como  receita.  Pelo  regime  de  caixa,  como  sucede  com  a  contribuinte,  entendo  que  se  pode  reconhecer como receita de vendas o valor antecipadamente recebido, por meio do desconto  de  duplicatas.  Porém,  ainda  neste  caso,  impõe­se  o  expurgo  desse  valor,  se  não  resultarem  honradas as duplicadas perante o descontador  (o banco), pois aquele montante acrescido de  juros  (i.e.,  o valor de  face das duplicatas)  será debitado  da  conta bancária do descontário  (a  contribuinte ­ cliente do banco que desconta as duplicatas).  Nada  há  nos  autos  a  indicar  a  falta  de  expurgo  de  valores  das  duplicatas  descontadas devolvidas ao descontário, e consequente débito do valor (de face) das duplicatas  da conta corrente bancária do descontário, por não havê­las honrado o devedor ao descontador  até o vencimento.  Por  isso,  no  caso  vertente  (regime  de  caixa),  e  em  face  do  exposto  nos  parágrafos precedentes, cabe considerar como receita de vendas o crédito bancário decorrente  do desconto de duplicatas emitidas pela recorrente.   Trata­se, pois, de prova direta (créditos bancários consequentes a cobrança e  a  desconto  de  duplicatas)  de  omissão  de  receitas,  e  não  de  presunção  legal  de  omissão  de  receitas.  Sobre isso a contribuinte também nada trouxe aos autos a infirmar tal prova.  Fl. 865DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 866          11 Dessa forma, nego provimento ao recurso sobre as receitas omitidas apuradas  por prova direta.  Relembra­se que as exigências em causa se deram sob o regime simplificado  federal, não se pondo, aqui, a questão de arbitramento do lucro para fins de IRPJ e de CSL. As  exigências se deram, pois, na forma do art. 24 da Lei 9.249/95.  Passo ao exame da questão da multa qualificada.  As  infrações  pressupostas  nos  arts.  71  a  73,  da  Lei  4.506/64  (elemento  normativo do tipo da multa qualificada do art. 44, § 1º, da Lei 9.430/96) reclamam o concurso  de dolo. O elemento subjetivo integra o tipo da multa qualificada administrativa.  Aliás,  tenho  para  mim  que  o  elemento  subjetivo  do  tipo  exigido  é  o  dolo  específico, e não o dolo genérico, muito menos o dolo eventual. Quer dizer, entendo que o tipo  da multa qualificada em comentário  reclama a vontade da conduta descrita e a  finalidade do  resultado condenado (que é o concurso do dolo específico).  Vontade e  intenção não se confundem. A vontade é muito mais psicológica  ao passo que a intenção é racional.  Pois  bem.  Impõe­se  registrar  que  a  multa  qualificada  foi  infligida  à  contribuinte em relação às  receitas omitidas apuradas por prova direta, não se estendendo às  receitas omitidas por presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/96.   No caso, vê­se que as receitas declaradas, em relação ao total de receitas sem  considerar as omitidas por presunção legal, representam pouco mais que 25%.  Oportuno  pontuar  que,  tratando­se  de  elemento  subjetivo  –  do  tipo  –  a  comprovação de  sua  concreção  em  regra  se  faz por meios  indiretos. A prova direta de dado  subjetivo de relevância jurídica é quase impossível.  Nota­se  que  os  valores  das  receitas  omitidas  apuradas  por  prova  direta  são  extremamente  significativos  percentualmente  em  relação  ao  total  de  receitas  (excluindo­se  desse total as omitidas por presunção legal).  Diante desse cenário, minha conclusão é a de que se caracterizou a presença  do dolo específico na atividade ilícita perpetrada (receitas omitidas por prova direta).  Em  tais  termos,  sobre  a  questão  da multa  qualificada,  nego  provimento  ao  recurso.  Passo ao exame da questão da responsabilização do sr. Walter Rodrigues da  Silva.  Nesse passo, não vejo elementos suficientes à imputação de responsabilidade  ao sócio administrador, nos termos do art. 135,  III, do CTN. Muito menos é o caso, aqui, de  aplicação do art. 124, I, do CTN – interesse comum na ocorrência do fato gerador.  A circunstância de se manter a qualificação da multa não é elemento, de per  se, que permita a automática ou imediata conclusão de que o sócio administrador concretizou o  Fl. 866DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10840.720392/2011­50  Acórdão n.º 1103­001.056  S1­C1T3  Fl. 867          12 tipo  do  art.  135,  III,  do CTN. Deve  haver  plus,  em  relação  à  conduta  da  contribuinte,  para  incidência do art. 135, III, do CTN, a meu ver.  Não  houve,  no  caso,  demonstração  de  uso  de  artifícios  por  parte  do  sócio  administrador,  por  ex.,  como  indicativos  de  comandos  pessoais  para  não  escrituração  de  receitas,  transferências  injustificadas  de  recursos  para  sua  conta  pessoal,  uso  de  interpostas  pessoas. Quer dizer, de que o sócio administrador tenha orquestrado ou comandado a omissão  de receitas.  Dessa  forma,  sobre  a  questão  da  responsabilidade  solidária  do  sr.  Walter  Rodrigues da Silva, dou provimento ao recurso.  Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso  para afastar a responsabilidade solidária do sr. Walter Rodrigues da Silva.    É o meu voto.    Sala das Sessões, em 7 de maio de 2014  (assinado digitalmente)  Marcos Takata ­ Relator                                Fl. 867DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/06/2014 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 09/06/201 4 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA

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Numero do processo: 10680.932848/2009-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA. Simples inexatidões materiais devido a lapsos manifestos não anulam a decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em prejuízo para o sujeito passivo. No caso, as incorreções apontadas não trazem qualquer prejuízo à compreensão do acórdão, que está devidamente fundamentado, ou se confundem com o mérito da lide. ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação - Súmula CARF nº 84. DIREITO CREDITÓRIO NÃO ANALISADO. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA EXISTÊNCIA DO CRÉDITO. RETORNO DOS AUTOS COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. Em situações em que não se admitiu a compensação preliminarmente com base em argumento de direito, caso superado o fundamento da decisão, a unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova decisão, e concedendo-se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso de não homologação total. Preliminares Rejeitadas. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1102-001.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou-se impedido o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. (assinado digitalmente) ___________________________________ João Otávio Oppermann Thomé - Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ José Evande Carvalho Araujo- Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2226; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T2  Fl. 139          1 138  S1­C1T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10680.932848/2009­98  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1102­001.063  –  1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de março de 2014  Matéria  CSLL ­ Compensação de estimativas  Recorrente  CEMIG GERAÇÃO E TRANSMISSÃO S A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO ­ CSLL  Ano­calendário: 2006  NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. INEXISTÊNCIA.  Simples  inexatidões  materiais  devido  a  lapsos  manifestos  não  anulam  a  decisão recorrida, e só necessitam ser sanadas de ofício quando resultem em  prejuízo para o sujeito passivo.  No  caso,  as  incorreções  apontadas  não  trazem  qualquer  prejuízo  à  compreensão  do  acórdão,  que  está  devidamente  fundamentado,  ou  se  confundem com o mérito da lide.  ESTIMATIVAS.  PAGAMENTO  INDEVIDO.  COMPENSAÇÃO  OU  RESTITUIÇÃO. POSSIBILIDADE.  Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na  data  de  seu  recolhimento,  sendo  passível  de  restituição  ou  compensação  ­  Súmula CARF nº 84.  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  ANALISADO.  NECESSIDADE  DE  ANÁLISE  DA  EXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO.  RETORNO  DOS  AUTOS  COM DIREITO A NOVO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.  Em  situações  em  que  não  se  admitiu  a  compensação  preliminarmente  com  base  em  argumento  de  direito,  caso  superado  o  fundamento  da  decisão,  a  unidade de origem deve proceder à análise do mérito do pedido, verificando a  existência, suficiência e disponibilidade do crédito pleiteado, permanecendo  os débitos compensados com a exigibilidade suspensa até a prolação de nova  decisão,  e  concedendo­se  ao  sujeito  passivo  direito  a  novo  contencioso  administrativo, em caso de não homologação total.  Preliminares Rejeitadas.  Recurso Voluntário Provido em Parte.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 28 48 /2 00 9- 98 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932848/2009­98  Acórdão n.º 1102­001.063  S1­C1T2  Fl. 140          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares  de  nulidade  e,  no mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer  o  direito à repetição de indébitos de estimativas, mas sem homologar a compensação, devendo o  processo retornar à unidade de origem para análise do mérito do pedido. Declarou­se impedido  o conselheiro Marcelo Baeta Ippolito.     (assinado digitalmente)  ___________________________________  João Otávio Oppermann Thomé ­ Presidente  (assinado digitalmente)  ___________________________________  José Evande Carvalho Araujo­ Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  João  Otávio  Oppermann Thomé,  José Evande Carvalho Araujo,  João Carlos de Figueiredo Neto, Ricardo  Marozzi Gregório, Marcelo Baeta Ippolito, e Antonio Carlos Guidoni Filho.  Relatório  PEDIDO DE COMPENSAÇÃO  O  contribuinte  acima  identificado  solicitou  a  compensação  de  débitos  de  CSLL  de  julho  e  agosto  de  2006,  acrescidos  de  juros  e  multa,  com  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  de  estimativa  de  CSLL  do  mês  de  setembro  de  2006  no  valor  de  R$  2.286.737,88, por meio do PER/DCOMP de fls. 45 a 51, enviado em 10/7/2007.  O  despacho  decisório  eletrônico  de  fl.  32,  emitido  em  7/10/2009,  não  homologou a  compensação alegando “improcedência do  crédito  informado no PER/DCOMP  por tratar­se de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro  real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda  da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao  final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.”  A  decisão  se  fundamentou  nos  arts.  165  e  170  da  Lei  nº  5.172,  de  25  de  outubro de 1966 ( CTN), no art. 10 da Instrução Normativa SRF nº 600, de 28 de dezembro de  2005 e no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996.        Fl. 140DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932848/2009­98  Acórdão n.º 1102­001.063  S1­C1T2  Fl. 141          3 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado  dessa  decisão,  o  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fls.  2  a  10),  acatada  como  tempestiva.  O  relatório  do  acórdão  de  primeira  instância descreveu os argumentos do recurso da seguinte maneira (fls. 67 a 68):  5.1  A tempestividade da apresentação da manifestação de inconformidade.  5.2   Informa  que  apurou  a  CSLL­Estimativa  Mensal  no  mês  de  setembro/2006  no  montante  de  R$  10.937.113,51,  informou  o  valor  apurado  em  DCTF e efetuou o recolhimento da importância correspondente.  5.2.1  Acrescenta que, posteriormente, constatou erro na apuração do valor do  CSLL (estimativa mensal) para o período, “apurando uma nova estimativa de CSLL  no  valor  de  R$8.650.375,63”,  de  modo  que,  “acabou  por  gerar  o  recolhimento  indevido  de  parte  do  montante  anteriormente  recolhido  no  valor  de  R$2.286.737,88”.(grifo e negrito do original)  5.2.2  A DCTF originalmente apresentada foi retificada e os valores apurados  como  devidos  estão  em  conformidade  com  as  informações  prestadas  em DIPJ.  O  indébito apurado foi utilizado em compensações de débito declaradas em DCOMP.  5.3   A  autoridade  fiscal  Não  Homologou  a  compensação  declarada,  exigindo do contribuinte o principal, multa e juros referentes ao débito compensado.  “Todavia,  a  Requerente  demonstrará  ser  totalmente  ilegal  a  cobrança  do  saldo  devedor  acima  referido,  pleiteando  pela  homologação  das  compensações  declaradas e a anulação do despacho decisório (...)”.  5.4  Tendo em vista  a motivação apresentada pela DRF argumenta que “o  entendimento  da  autoridade  fiscal  destoa  do  entendimento  do  Conselho  de  Contribuintes  sobre  o  assunto,  não  atendendo  aos  ditames  da  Lei  nº  9.430,  de  1996”.  Invoca  os  arts.  2º  e  74  da Lei nº 9.430,  de  1996 para  alegar  que “não há  qualquer  impedimento  legal  à  compensação  pleiteada”.  Afirma  que  a  única  restrição existente está prevista no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005.  Ilustra com  acórdãos e voto do Conselho de Contribuintes.  5.4.1  Argumenta  que  “a  Requerente  efetuou  recolhimento  antecipado  de  IRPJ e, em função de ter constatado erro na apuração da base de cálculo mensal,  apurou  antecipação  superior  à  que  seria  efetivamente  devida  dentro  do  próprio  mês.” Informa a retificação da DCTF, “tornando perfeitamente identificável o mês  de geração do indébito tributário”.  5.4.2  Ressalta que a Instrução Normativa nº 900, de 2008, que revogou a IN  SRF  nº  600,  de  2005  revogou “a  hipótese  de  vedação  à  compensação  dentro  do  próprio  ano,  o  que  demonstra  uma  mudança  de  entendimento  dentro  da  própria  RFB, em relação ao tema objeto da presente impugnação”.  5.5  Em  outra  linha  argumentativa,  o  manifestante  “requer  que  seja  preservado  o  direito  à  restituição  do  indébito  tributário,  tendo  em  vista  que  a  Declaração  de  Compensação  e  a  presente  impugnação,  tempestivamente  apresentada, são provas do cumprimento do prazo prescricional de 05 (cinco) anos  previsto  no  art.  168  do  CTN”.  Destaca  ainda  que  “na  hipótese  de  o  despacho  decisório em epígrafe não for reformado, considera­se resguardado o seu direito de  contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa  que denegar a compensação, por força do art. 169 do Código Tributário Nacional”.  Fl. 141DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932848/2009­98  Acórdão n.º 1102­001.063  S1­C1T2  Fl. 142          4 5.6  Por fim, requer o acolhimento da manifestação de inconformidade para  reformar  o  Despacho  Decisório  prolatado  pela  DRF  e  a  homologação  da  compensação, além da suspensão da exigibilidade do crédito tributário.    ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte  (MG)  julgou  a  manifestação  de  inconformidade  improcedente,  em  acórdão  que  possui  a  seguinte ementa (fls. 65 a 79):  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  SOCIAL  SOBRE  O  LUCRO  LÍQUIDO ­ CSLL  Data do fato gerador: 31/10/2006  DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO   Na  Declaração  de  Compensação  somente  podem  ser  utilizados  os  créditos  comprovadamente  existentes,  passíveis  de  restituição  ou  ressarcimento,  respeitadas  as  demais  regras  determinadas  pela  legislação vigente para a sua utilização.  COMPENSAÇÃO ­ PAGAMENTOS POR ESTIMATIVA  As  estimativas  mensais,  ainda  que  pagas  em  valor  superior  ao  calculado na  forma da  lei  não  se  caracterizam, de  imediato,  como  tributo indevido ou a maior passível de restituição/compensação. A  opção  pelo  pagamento mensal  por  estimativa  difere  para  o  ajuste  anual  a  apuração  do  possível  indébito,  quando  ocorre  a  efetiva  apuração do imposto devido.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Os fundamentos dessa decisão foram os seguintes:  a)  rejeitou­se  a  preliminar  de  nulidade  do  despacho  decisório  por  não  se  verificar hipótese prevista no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), pois  a  decisão  foi  prolatada  por  autoridade  administrativa  plenamente  vinculada,  respeitando  os  devidos procedimentos fiscais previstos na legislação e com a correta identificação do sujeito  passivo  da  obrigação  tributária,  e  o  contribuinte  tomou  ciência  do  procedimento,  da  sua  motivação e da capitulação legal correspondente;  b) as estimativas de IRPJ e de CSLL se constituem em meras antecipações de  um  tributo  que  somente  será  apurado  no  final  do  ano­calendário.  Assim  sendo,  qualquer  pagamento  a  maior  somente  é  detectado  no  encerramento  do  período,  com  a  apuração  definitiva do tributo e traduz­se no saldo negativo de IRPJ ou CSLL;  c)  as  estimativas  são  apuradas,  regra  geral,  pela  aplicação  de  determinado  percentual (variável em função da origem da receita auferida) sobre a receita bruta, mas podem  Fl. 142DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932848/2009­98  Acórdão n.º 1102­001.063  S1­C1T2  Fl. 143          5 ser  reduzidas  ou  suspensas  com  o  levantamento  de  balanço/balancete  de  suspensão/redução.  Contudo, essa apuração deve ser efetuada até a data de vencimento do imposto (arts. 11 a 12 da  IN SRF nº 93, de 1997);  d) no caso, na data do vencimento da estimativa mensal, o  contribuinte  em  questão  apurou  uma  quantia  a  pagar,  sendo  esse  o  valor  devido.  Se,  ao  alterar  o  Balanço/Balancete do mês, o sujeito passivo encontrou um valor menor que o já efetivamente  recolhido,  a  diferença  somente  poderia  ser  deduzida  do  tributo  apurado  quando  do  levantamento de balanços/balancetes em períodos posteriores (como tributo já antecipado) ou  quando  da  apuração  definitiva  do  tributo  devido,  no  final  do  período,  compondo  o  saldo  negativo (art. 10 da IN SRF nº 93, de 1997);  e) nos  termos do  art.  170 do CTN,  a  compensação  tributária  somente pode  ocorrer se expressamente autorizada por lei, e mediante condições e garantias expressamente  estipuladas,  na  hipótese  inequívoca  de  créditos  líquidos  e  certos.  O  dispositivo  legal  que  autoriza  a  compensação  tributária  reporta­se  à  Lei  nº  9.430,  de  1996,  que  só  permite  a  restituição do saldo negativo de IRPJ ou de CSLL;  f) a compensação de estimativas era expressamente proibida pelo art. 10 da  IN SRF nº 460, de 2004, e pelo art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. A alteração do art. 11 da IN  RFB  nº  900,  de  2008,  ao  excluir  a  expressão  “efetuar  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  imposto  de  renda  ou  de CSLL  a  título  de  estimativa mensal”,  não  revogou  a proibição,  que  decorre da própria lei, mas apenas passou a cuidar da hipótese de retenção indevida ou a maior;  g)  a  jurisprudência  administrativa  favorável  à  tese  da  defesa  tem  eficácia  restrita aos casos para os quais foram proferidas;  h)  inexiste  previsão  legal  para  preservar  o  direito  à  restituição,  caso  o  contribuinte não tenha sucesso na compensação pleiteada neste processo;  i)  o  direito  de  contestação  na  esfera  judicial  é  garantido  pela  Constituição  Federal.    RECURSO AO CARF  Cientificado  da  decisão  de  primeira  instância  em  7/5/2010  (fl.  84),  o  contribuinte apresentou, em 4/6/2010 (fl. 85), o recurso voluntário de fls. 87 a 107, onde afirma  que:  a) a decisão recorrida é nula porque (i) confundiu, em sua ementa, a data de  pagamento  do  tributo  a  maior  (31/10/2006)  com  o  período  de  apuração  (30/9/2006);  (ii)  rejeitou  a  nulidade  do  despacho  decisório,  matéria  inexistente  na  impugnação;  (iii)  desconsiderou  as  provas  dos  autos,  e,  após  tecer  considerações  acerca  da  compensação,  imprimiu  ao  pagamento  indevido  a  pecha  de  “mera  antecipação  de  pagamento”,  sem  possibilitar  ao  contribuinte  o  aproveitamento  de  créditos  para  o  adimplemento  de  outros  tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil;  b)  nos  arts.  2°  e  74  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  não  há  qualquer  restrição  à  compensação de estimativas, que só existe no art. 10 da IN SRF nº 600, de 2005. Contudo, essa  Fl. 143DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932848/2009­98  Acórdão n.º 1102­001.063  S1­C1T2  Fl. 144          6 indevida  restrição  foi  revogada  pela  Instrução Normativa  n°  900,  de  2008,  que  demonstra  a  mudança de entendimento da própria RFB com relação ao tema;  c) não prospera o argumento da decisão recorrida de que o levantamento de  balanço/balancete de  suspensão/redução para  apurar a CSLL deve ser  efetuado até  a data de  vencimento do imposto, pois o contribuinte pode fazer os ajustes na sua apuração mesmo após  o encerramento do exercício da CSLL, desde que dentro do prazo legal;  d)  caso  se  mantenha  a  decisão  de  não  homologar  a  compensação,  alternativamente, requer que seja preservado o direito à restituição do indébito tributário, tendo  em  vista  que  a  Declaração  de  Compensação  e  o  presente  recurso,  tempestivamente  apresentados, são provas da interrupção da prescrição e do cumprimento do prazo prescricional  de 5 (cinco) anos previsto no art. 168 do CTN;  e) caso seu direito não seja reconhecido, considera resguardado seu direito de  contestação na esfera judicial em até dois anos contados da decisão administrativa que denegar  a compensação, por força do art. 169 do CTN.  Ao final, requer a anulação da decisão recorrida ou o reconhecimento integral  do direito creditório e a homologação da compensação.  Este  processo  foi  a  mim  distribuído  no  sorteio  realizado  em  novembro  de  2013, numerado digitalmente até a fl. 138.   Esclareça­se  que  todas  as  indicações  de  folhas  neste  voto  dizem  respeito  à  numeração digital do e­processo.  É o relatório.  Voto             Conselheiro José Evande Carvalho Araujo, Relator   O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade,  portanto merece ser conhecido.  No  presente  processo,  não  foram  homologadas  compensações  de  débitos  próprios  com  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  de  estimativa  de  CSLL  do mês  de  setembro de 2006, por não se admitir a restituição de estimativa, que só poderia compor o saldo  negativo do final do ano­calendário.  Preliminarmente, o recorrente defende a nulidade da decisão recorrida porque  (i) na sua ementa consta que o fato gerador é 31/10/2006, enquanto o correto é 30/9/2006; (ii) o  acórdão rejeitou a nulidade do despacho decisório, matéria  inexistente na impugnação;  (iii) o  julgado desconsiderou as provas dos autos, e, após tecer considerações acerca da compensação,  imprimiu  ao  pagamento  indevido  a  pecha  de  “mera  antecipação  de  pagamento”,  sem  possibilitar  ao  contribuinte  o  aproveitamento  de  créditos  para  o  adimplemento  de  outros  tributos exigíveis e administrados pela Receita Federal do Brasil.  Fl. 144DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932848/2009­98  Acórdão n.º 1102­001.063  S1­C1T2  Fl. 145          7 De fato, na ementa da decisão recorrida, consta, como data do fato gerador, a  data em que foi efetuado o pagamento indevido (31/10/2006 – DARF fl. 35), quando o correto  seria 30/9/2006, por se tratar da estimativa de setembro de 2006.  Contudo,  o  restante  da  decisão  descreve  corretamente  qual  o  crédito  em  discussão, tratando­se de simples erro na confecção da ementa.  Já  a  discussão  sobre  a  nulidade  do  despacho  decisório,  apesar  de  desnecessária, não traz qualquer prejuízo à defesa.  Assim, apesar das incorreções apontadas existirem, elas não trazem qualquer  nulidade  à  decisão  recorrida,  tratando­se  de  simples  inexatidões  materiais  devido  a  lapsos  manifestos  que,  se  necessário,  poderiam  ser  sanadas  de  ofício  pela  autoridade  competente.  Contudo,  nem mesmo  essa  providência  é necessária,  pois  o  conjunto  do  julgado  deixa  claro  qual  é o período a qual  se  refere o direito  creditório,  não  existindo qualquer prejuízo para o  sujeito passivo, nos termos do art. 60 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo  Administrativo Fiscal – PAF.  Finalmente,  a  suposta  nulidade  indicada  no  item  “iii”  decorre  do  próprio  entendimento da autoridade julgadora de que estimativas não podem ser restituídas, e compõe  o mérito da lide.  Dessa forma, rejeito as preliminares de nulidade suscitadas.  No mérito, a evolução da jurisprudência se firmou de modo favorável à tese  da  defesa,  entendendo  ser  possível  a  restituição  de  estimativas  pagas  a  maior,  deixando  vinculada à apuração do final do ano apenas a estimativa recolhida de acordo com a legislação  de regência.  Já a  tese de que a vedação à  restituição das  estimativas decorria da própria  Lei  nº  9.430,  de  27  de  dezembro  de  1996,  não  é  nem  mesmo  admitida  pela  Secretaria  da  Receita Federal do Brasil – RFB, que, por meio da Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit,  de 5 de dezembro de 2011, entendeu que art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de  dezembro  de  2008,  admitiu  a  restituição  ou  a  compensação  de  valor  pago  a  maior  ou  indevidamente  de  estimativa,  e  era  preceito  interpretativo  da  legislação,  com  efeitos  retroativos.  O item 10.3 da Solução de Consulta é taxativo ao afirmar que a Lei nº 9.430,  de 1996, se refere apenas às estimativas recolhidas de acordo com a legislação. Transcrevo:  10.3  O  contribuinte  pode,  por  questões  de  praticidade  operacional,  computar  estimativas recolhidas indevidamente na formação do saldo negativo, mas se preferir  solicitar  restituição  ou  compensar  o  indébito  antes  de  seu  prévio  cômputo  na  apuração ao final do ano­calendário, poderá fazê­lo, pois a Lei nº 9.430, de 1996, ao  autorizar  a  dedução  das  antecipações  recolhidas,  refere­se  àquelas  recolhidas  em  conformidade com o caput de seu art. 2º. Nesse último caso, por ocasião do ajuste  anual, o contribuinte deve deduzir apenas as estimativas que considerou devidas, sob  pena de duplo aproveitamento do mesmo crédito.     O mesmo ato normativo sepulta o argumento de que a constatação do erro no  cálculo da estimativa somente poderia se dar até a data de vencimento do imposto, afirmando  Fl. 145DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932848/2009­98  Acórdão n.º 1102­001.063  S1­C1T2  Fl. 146          8 que isso pode ocorrer mesmo após o encerramento do ano calendário, como demonstra o trecho  abaixo transcrito:  15. Como dito, somente as estimativas devidas na forma da Lei nº 9.430, de 1996,  são  necessariamente  computadas  como dedução  na  apuração  anual  do  IRPJ  ou  da  CSLL. Mesmo após o encerramento do ano­calendário, se o contribuinte identificar  um erro em sua apuração e ele repercutir não só em sua apuração final, mas também  no resultado de seus balancetes de suspensão/redução, tem ele o direito de pleitear o  indébito a partir da data do recolhimento da estimativa correspondente, ao invés de  apenas reconstituir a apuração anual desses tributos.     Assim,  a  simples  alteração  de  interpretação  da Administração  Tributária  já  obrigaria o provimento do  recurso,  pois não  é  razoável  entender que o  sujeito passivo possa  receber  menos,  em  sede  de  recurso  administrativo,  do  que  aquilo  que  a  própria  autoridade  fiscal  já  reconhece  para  os  demais  contribuintes,  dado  que  as  soluções  de  consulta  da  Coordenação­Geral de Tributação (Cosit) têm efeito vinculante no âmbito da RFB, sendo que o  ordenamento veda esse comportamento contraditório (venire contra factum proprium).  Contudo,  desde  a  publicação  da  Súmula  CARF  nº  84,  que  fixou  que  o  “pagamento  indevido  ou  a  maior  a  título  de  estimativa  caracteriza  indébito  na  data  de  seu  recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação”, esse entendimento passou a ser  de  observância  obrigatória  pelos membros  do CARF,  nos  termos  do  art.  72  do  anexo  II  do  Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela  Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009.  Dessa  forma,  reconhece­se  o  direito  à  compensação  de  créditos  de  estimativas recolhidas indevidamente ou a maior.  Contudo,  há  que  se  observar  que  não  houve  a  apuração  efetiva  do  direito  creditório, pelo cotejo das afirmações do contribuinte com sua contabilidade, pois a autoridade  fiscal negou o direito preliminarmente, pela simples impossibilidade de utilização de estimativa  como crédito.  Não  se  apurou  se,  de  fato,  houve  recolhimento  indevido  da  estimativa  de  setembro de 2006, se o valor pago a maior não  foi apropriado no saldo negativo apurado no  final do ano­calendário, e se o indébito não foi indicado em outras compensações.  Dessa forma, deve o processo retornar à unidade de origem para verificação  da  existência,  suficiência  e  disponibilidade  do  crédito  pretendido  em  compensação,  permanecendo os débitos  compensados  com a  exigibilidade  suspensa até  a prolação de nova  decisão, e concedendo­se ao sujeito passivo direito a novo contencioso administrativo, em caso  de não homologação total.  Diante do exposto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito,  dar  provimento  parcial  ao  recurso  para  reconhecer  o  direito  à  repetição  de  indébitos  de  estimativas, mas  sem  homologar  a  compensação,  devendo  o  processo  retornar  à  unidade  de  origem para análise do mérito do pedido.  (assinado digitalmente)  José Evande Carvalho Araujo  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO Processo nº 10680.932848/2009­98  Acórdão n.º 1102­001.063  S1­C1T2  Fl. 147          9                               Fl. 147DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALHO ARAUJO, Assinado digitalmente em 22/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 20/03/2014 por JOSE EVANDE CARVALH O ARAUJO

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5550308 #
Numero do processo: 11543.005137/2002-18
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 31/01/2000 a 30/09/2000 LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE VALORES JÁ RECOLHIDOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. No lançamento que exige valores não recolhidos, a prova de que alguns dos valores foram recolhidos antes do lançamento, acarreta ao Órgão julgador o dever de excluir a importância exigida indevidamente, tal inexatidão não implica nulidade do lançamento em relação aos demais valores exigidos. LANÇAMENTO. VALORES PAGOS ESPONTANEAMENTE. COMPROVAÇÃO EM DILIGÊNCIA FISCAL. EXCLUSÃO DE VALORES LANÇADOS. NOVO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O ato de excluir do lançamento valores que, em sede de diligência, verificou-se terem sido pagos anteriormente ao lançamento justifica o deferimento de parte da impugnação, nada mais. Não significa ter sido lavrado um novo lançamento, de maneira que é descabido alegar decadência. FALTA DE RECOLHIMENTO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTOS. RECURSO VOLUNTÁRIO. ÔNUS DE CONTESTAÇÃO ESPECÍFICA E ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO PARA SUPRIR ÔNUS DA PROVA DO RECORRENTE. É do recorrente o ônus de comprovar que efetuou os recolhimentos que estão sendo exigidos após a decisão de primeira instância, diligências não se prestam para suprir a deficiência da peça recursal. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS POSTERIORES À CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. HIGIDEZ DO LANÇAMENTO. O pagamento posterior ao lançamento importa desistência do litígio, não cabe ao Órgão Julgadora extinguir o crédito tributário com base em pagamentos posteriores ao lançamento. Não obstante, esses pagamento serão considerados pela Unidade da Receita Federal encarregada da cobrança, alocando-os aos créditos tributários correspondentes e cobrando o saldo porventura existente. In casu, esta providência está anotada na decisão de primeira instância. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. RECURSOS QUE INDICA RECOLHIMENTOS DE PERÍODOS DE APURAÇÃO ESTRANHOS AO LANÇAMENTO. ALEGAÇÕES INEFICAZES PARA COMBATER O LANÇAMENTO. Os Recolhimentos que não se reportam aos períodos de apuração objeto da autuação são ineficazes para combater o lançamento. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO EM DUPLICIDADE REJEITADA POR DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR FALTA DE PROVA. ÔNUS DO RECORRENTE NÃO ATENDIDO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. O acórdão recorrido consignou que não há prova de que houve a duplicidade de recolhimento alegada pelo contribuinte. O recorrente detém o ônus dessa prova, porém não anexou qualquer outra prova, nem indicou em quais folhas dos autos estariam os comprovantes de recolhimento em duplicidade, o que impossibilita atender ser pleito. LANÇAMENTO. FALTA DE RECOLHIMENTO. REAQUISIÇÃO DE ESPONTANEIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO. O fato de a decisão recorrida ter admitido o benefício da denúncia espontânea em relação a recolhimentos efetuados no período em que o contribuinte readquiriu a espontaneidade implica reconhecimento de que a multa de mora não é cabível em relação a esses mesmos recolhimentos. Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ e matéria objeto do Ato Declaratório 04/2011 por meio do qual a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN declara estar autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, em relação a essa matéria. PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. LITÍGIO EM RELAÇÃO A LANÇAMENTO QUE EXIGE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO NÃO COMPÕE O LITÍGIO. MATÉRIA EM RELAÇÃO À QUAL NÃO CABE MANIFESTAÇÃO DO CARF. A análise de direito creditório ou pedidos de compensação ou restituição não constituem objeto do recurso voluntário que objetiva desconstituir o lançamento. São matérias a serem peticionadas à Receita Federal conforme regramentos específicos. Não compete ao CARF manifestar-se sobre tais requerimentos feitos em sede recursal. Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 2802-002.943
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a cobrança de multa de mora em relação aos recolhimentos abrangidos pelo benefício da espontaneidade, sem prejuízo de a Unidade da Receita Federal de origem atender ao disposto no Acórdão de primeira instância, quanto à alocação de recolhimentos disponíveis, relativos ao código 0588 e períodos de apuração autuados (fls. 1.300), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Período de apuração: 31/01/2000 a 30/09/2000 LANÇAMENTO. INCLUSÃO DE VALORES JÁ RECOLHIDOS. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. No lançamento que exige valores não recolhidos, a prova de que alguns dos valores foram recolhidos antes do lançamento, acarreta ao Órgão julgador o dever de excluir a importância exigida indevidamente, tal inexatidão não implica nulidade do lançamento em relação aos demais valores exigidos. LANÇAMENTO. VALORES PAGOS ESPONTANEAMENTE. COMPROVAÇÃO EM DILIGÊNCIA FISCAL. EXCLUSÃO DE VALORES LANÇADOS. NOVO LANÇAMENTO. INOCORRÊNCIA. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O ato de excluir do lançamento valores que, em sede de diligência, verificou-se terem sido pagos anteriormente ao lançamento justifica o deferimento de parte da impugnação, nada mais. Não significa ter sido lavrado um novo lançamento, de maneira que é descabido alegar decadência. FALTA DE RECOLHIMENTO. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. FUNDAMENTOS. RECURSO VOLUNTÁRIO. ÔNUS DE CONTESTAÇÃO ESPECÍFICA E ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. NÃO CABIMENTO PARA SUPRIR ÔNUS DA PROVA DO RECORRENTE. É do recorrente o ônus de comprovar que efetuou os recolhimentos que estão sendo exigidos após a decisão de primeira instância, diligências não se prestam para suprir a deficiência da peça recursal. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. RECOLHIMENTOS POSTERIORES À CIÊNCIA DO LANÇAMENTO. HIGIDEZ DO LANÇAMENTO. O pagamento posterior ao lançamento importa desistência do litígio, não cabe ao Órgão Julgadora extinguir o crédito tributário com base em pagamentos posteriores ao lançamento. Não obstante, esses pagamento serão considerados pela Unidade da Receita Federal encarregada da cobrança, alocando-os aos créditos tributários correspondentes e cobrando o saldo porventura existente. In casu, esta providência está anotada na decisão de primeira instância. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. RECURSOS QUE INDICA RECOLHIMENTOS DE PERÍODOS DE APURAÇÃO ESTRANHOS AO LANÇAMENTO. ALEGAÇÕES INEFICAZES PARA COMBATER O LANÇAMENTO. Os Recolhimentos que não se reportam aos períodos de apuração objeto da autuação são ineficazes para combater o lançamento. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO EM DUPLICIDADE REJEITADA POR DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA POR FALTA DE PROVA. ÔNUS DO RECORRENTE NÃO ATENDIDO NO RECURSO VOLUNTÁRIO. O acórdão recorrido consignou que não há prova de que houve a duplicidade de recolhimento alegada pelo contribuinte. O recorrente detém o ônus dessa prova, porém não anexou qualquer outra prova, nem indicou em quais folhas dos autos estariam os comprovantes de recolhimento em duplicidade, o que impossibilita atender ser pleito. LANÇAMENTO. FALTA DE RECOLHIMENTO. REAQUISIÇÃO DE ESPONTANEIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. NÃO CABIMENTO. O fato de a decisão recorrida ter admitido o benefício da denúncia espontânea em relação a recolhimentos efetuados no período em que o contribuinte readquiriu a espontaneidade implica reconhecimento de que a multa de mora não é cabível em relação a esses mesmos recolhimentos. Jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça - STJ e matéria objeto do Ato Declaratório 04/2011 por meio do qual a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional - PGFN declara estar autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, em relação a essa matéria. PROCESSO ADMINISTRATIVO-FISCAL. LITÍGIO EM RELAÇÃO A LANÇAMENTO QUE EXIGE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO NÃO COMPÕE O LITÍGIO. MATÉRIA EM RELAÇÃO À QUAL NÃO CABE MANIFESTAÇÃO DO CARF. A análise de direito creditório ou pedidos de compensação ou restituição não constituem objeto do recurso voluntário que objetiva desconstituir o lançamento. São matérias a serem peticionadas à Receita Federal conforme regramentos específicos. Não compete ao CARF manifestar-se sobre tais requerimentos feitos em sede recursal. Recurso voluntário provido em parte.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a cobrança de multa de mora em relação aos recolhimentos abrangidos pelo benefício da espontaneidade, sem prejuízo de a Unidade da Receita Federal de origem atender ao disposto no Acórdão de primeira instância, quanto à alocação de recolhimentos disponíveis, relativos ao código 0588 e períodos de apuração autuados (fls. 1.300), nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 28/07/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Ausente Justificadamente a Conselheira Julianna Bandeira Toscano.

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PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     2 O pagamento posterior ao lançamento importa desistência do litígio, não cabe  ao Órgão  Julgadora  extinguir  o  crédito  tributário  com base  em pagamentos  posteriores  ao  lançamento.  Não  obstante,  esses  pagamento  serão  considerados  pela  Unidade  da  Receita  Federal  encarregada  da  cobrança,  alocando­os  aos  créditos  tributários  correspondentes  e  cobrando  o  saldo  porventura  existente.  In  casu,  esta  providência  está  anotada  na  decisão  de  primeira instância.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  LANÇAMENTO.  RECURSOS  QUE  INDICA  RECOLHIMENTOS  DE  PERÍODOS  DE  APURAÇÃO  ESTRANHOS  AO  LANÇAMENTO.  ALEGAÇÕES  INEFICAZES  PARA  COMBATER O LANÇAMENTO.  Os Recolhimentos que não se  reportam aos períodos de apuração objeto da  autuação são ineficazes para combater o lançamento.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  LANÇAMENTO.  ALEGAÇÃO  DE  RECOLHIMENTO EM DUPLICIDADE REJEITADA POR DECISÃO DE  PRIMEIRA  INSTÂNCIA  POR  FALTA  DE  PROVA.  ÔNUS  DO  RECORRENTE NÃO ATENDIDO NO RECURSO VOLUNTÁRIO.  O acórdão recorrido consignou que não há prova de que houve a duplicidade  de recolhimento alegada pelo contribuinte. O recorrente detém o ônus dessa  prova, porém não anexou qualquer outra prova, nem indicou em quais folhas  dos autos estariam os comprovantes de recolhimento em duplicidade, o que  impossibilita atender ser pleito.  LANÇAMENTO.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  REAQUISIÇÃO  DE  ESPONTANEIDADE. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA.  NÃO CABIMENTO.  O fato de a decisão recorrida ter admitido o benefício da denúncia espontânea  em  relação  a  recolhimentos  efetuados  no  período  em  que  o  contribuinte  readquiriu a espontaneidade implica reconhecimento de que a multa de mora  não  é  cabível  em  relação  a  esses mesmos  recolhimentos.  Jurisprudência  do  Superior  Tribunal  de  Justiça  ­  STJ  e  matéria  objeto  do  Ato  Declaratório  04/2011 por meio do qual a Procuradoria­Geral da Fazenda Nacional ­ PGFN  declara  estar  autorizada  a  dispensa  de  apresentação  de  contestação,  de  interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista  outro fundamento relevante, em relação a essa matéria.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO­FISCAL.  LITÍGIO  EM  RELAÇÃO  A  LANÇAMENTO QUE EXIGE RECOLHIMENTO DE TRIBUTO. PEDIDO  DE  RESTITUIÇÃO  OU  COMPENSAÇÃO  NÃO  COMPÕE  O  LITÍGIO.  MATÉRIA EM RELAÇÃO À QUAL NÃO CABE MANIFESTAÇÃO DO  CARF.  A análise de direito creditório ou pedidos de compensação ou restituição não  constituem  objeto  do  recurso  voluntário  que  objetiva  desconstituir  o  lançamento. São matérias  a  serem peticionadas  à Receita Federal  conforme  regramentos  específicos.  Não  compete  ao  CARF  manifestar­se  sobre  tais  requerimentos feitos em sede recursal.  Recurso voluntário provido em parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Fl. 1353DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.005137/2002­18  Acórdão n.º 2802­002.943  S2­TE02  Fl. 1.353          3 Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  DAR  PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente excluir a cobrança de multa de mora  em relação aos recolhimentos abrangidos pelo benefício da espontaneidade, sem prejuízo de a  Unidade da Receita Federal de origem atender ao disposto no Acórdão de primeira instância,  quanto  à  alocação  de  recolhimentos  disponíveis,  relativos  ao  código  0588  e  períodos  de  apuração autuados (fls. 1.300), nos termos do voto do relator.     (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator.    EDITADO EM: 28/07/2014  Participaram da sessão de  julgamento os Conselheiros  Jaci  de Assis  Júnior,  German Alejandro  San Martín  Fernández,  Ronnie  Soares Anderson,  Carlos André Ribas  de  Mello  e  Jorge Cláudio Duarte Cardoso  (Presidente). Ausente  Justificadamente  a Conselheira  Julianna Bandeira Toscano.     Relatório  Trata o processo do auto de infração de fls. 41/46, que exige crédito tributário  a título de Imposto sobre a Renda Retido na Fonte, IRRF, decorrente da falta de recolhimento  do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre pagamento relativo a trabalho prestado  por pessoa física sem vínculo empregatício de janeiro a setembro de 2000.  Às  fls.42,  consta  que  a  Interessada  foi  intimada  a  comprovar  a  falta  de  recolhimento de IRRF após a análise conjunta das informações dos Sistemas DIRF, DARF e  DCTF, fls.20/40.   Consta  também  às  fls.03  e  42,  que  a  Interessada  quando  da  ação  fiscal  informou que deixou de cumprir a obrigação tributária porque sofreu desvio de verba.  Às  fls.08/19,  constam  cópia  de  Notícia  Crime  em  face  de  seu  empregado,  Leonardo Freitas de Albuquerque, apresentada pela Interessada ao Ministério Público, e outros  documentos que versam sobre o mesmo fato.  O enquadramento legal consta às fls.43.  A Fiscalização formalizou o processo de representação fiscal para fins penais  nº 11543.005132/200287.  Na impugnação foi alegado, em síntese:  Fl. 1354DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     4 a)  nulidade  do  auto  de  infração,  pois  o  auto  de  infração  foi  produzido  em  computador,  quiçá  dentro  da  própria  repartição  e  enviado  via  correio,  sem  que  houvesse  motivo relevante para tal conduta, infringindo o artigo 116, incisos, I e III, da Lei nº. 8.112 de  1991, o artigo 142 do CTN, o princípio da legalidade, artigo 37 da Constituição, e o artigo 145  do Código Civil, devendo ser nulo conforme determina o artigo 146, parágrafo único também  do Código Civil;   b)  nulidade  do  auto  de  infração  porque  houve  exame  da  contabilidade  por  Auditor­Fiscal que não era contador;   c)  no  campo  “Contexto”  do  termo  de  encerramento  do  auto  de  infração,  fls.46, consta referência a outra pessoa jurídica, restando claro que a Fiscalização equivocou­se  ao incluir a Interessada como sujeito passivo, pois a empresa fiscalizada foi outra, havendo de  ser considerada nula a decisão que mantém a exigência fiscal com fundamentos estranhos ao  auto de infração, com base no artigo 61 do Decreto nº. 70.235 de 1972;  d)  não  foram  considerados  os  valores  recolhidos  por meio  da  guias  anexas  quando  da  apuração  do  crédito  tributário,  sendo  diversos  valores  recolhidos  extemporaneamente, muitos no corrente ano (2002);  e) a falta de recolhimento decorreu de razões alheias a sua vontade, uma vez  que a omissão ocorreu em virtude de ter sido vítima de ação criminosa por parte de um de seus  ex­empregados, em relação ao que vem movendo medidas judiciais para responsabilizar aquela  pessoa;  f) é injustificável a aplicação da taxa Selic: e  g) efeito confiscatório da multa.  O  impugnante  também  insurgiu­se  contra  a Representação  Fiscal  para  Fins  Penal.  O  julgamento  foi  convertido  em  diligência  que  trouxe  as  seguintes  informações:  a) não foi encontrado registro da realização de atos de ofício entre a data da  intimação recebida em 12/12/2001 e a data da ciência do auto de infração, 05/12/2002;   b) os pagamentos feitos neste período extinguiram parte do crédito, conforme  demonstrativos de fls.593/594;   c) os valores do lançamento passam a ser os demonstrados às fls.596.  O contribuinte manifestou­se, alegando:  a)  a  inexatidão  dos  valores  lançados  conforme  demonstrado  no  relatório  fiscal importa em nulidade do lançamento, uma vez que tal fato macula o aspecto quantitativo  do lançamento, não cabendo a convalidação do lançamento anterior; por ter se tratado de novo  lançamento consumou­se a decadência, uma vez que os fatos ocorreram em 2000;   b)  está  errado  o  demonstrativo  do  relatório  fiscal  de  fls.  593/596,  pois  já  recolheu o total, incluindo multas e juros de R$ 377.479,26, fls.630;   c) não foram considerados os pagamentos feitos em 2002, 2004 e 2005;   Fl. 1355DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.005137/2002­18  Acórdão n.º 2802­002.943  S2­TE02  Fl. 1.354          5 c) não foram considerados os pagamentos de R$ 2.616,39 e R$ 2.819,96 e de  R$ 3.630,36,  recolhidos em duplicidade; assim, do valor declarado na DIRF, R$ 289.569,55,  fls.627,  foi pago o valor de R$ 270.135,13,  restando uma diferença de apenas R$ 19.434,42;  desse valor, realmente não foram efetuados os recolhimentos relativos aos períodos de 25/06 a  01/07,  23/07  a  29/07  e  20/08  a  26/08,  que  totalizam R$  18.603,40,  restando  dessa  forma,  o  valor de R$ 831,02 que não foi identificado;   d) o relatório em anexo e os documentos juntados aos autos comprovam tudo  que foi acima exposto;   e)  com  o  novo  lançamento,  fls.592/597,  devem  ser  restituídos  os  valores  recolhidos  referentes  às  multas  moratórias,  pois  foram  indevidas  e  se  aplica  o  instituto  da  denúncia espontânea.  A impugnação foi  julgada parcialmente procedente pelo Acórdão nº.11.554,  de  30/08/2006  (fls.1.211/1.221),  contra  o  qual  o  contribuinte  interpôs  recurso  voluntário  (fls.1.229/1.243), alegando, entre outras coisas, que a decisão violou o contraditório e a ampla  defesa ao não apreciar as alegações produzidas após a diligência.  Foi proferido pelo CARF o Acórdão de fls. 1.282/1288 que anulou o acórdão  de primeira instância por reconhecer cerceamento do direito de defesa alegado pelo recorrente.  O  novo  acórdãos  deferiu  em  parte  a  impugnação  e  teve,  em  resumo,  a  seguinte fundamentação:  a)  rejeitou  a  preliminar  de  nulidade  e  reputou  que  a  diligência  realizada  suprira o pedido de perícia formulado;  b) ao readquirir a espontaneidade, o contribuinte teve direito ao afastamento  da multa de ofício em razão dos pagamento feitos espontaneamente, de forma que os débitos  correspondentes  devem  ser  cobrado  com  multa  de  mora  e  juros  de  mora,  tal  como  demonstrativo de fls. 593/596;  c)  os  pagamentos  efetuados  após  a  data  da  ciência  do  auto  de  infração,  05.12.2002, fls.50, não podem ser acobertados pelo manto da espontaneidade;  d)  a  retificação  dos  valores  constantes  do  lançamento,  feita  por  ocasião  da  diligência,  não  constitui  novo  lançamento,  e  sim  correção  de  erro  material  decorrente  de  inexatidão de valores  apurados,  gerou  tão  só  alteração nos montantes  lançados,  não  acarreta  nulidade do lançamento nem a recontagem do prazo decadencial;  e)  exclui­se  os  pagamentos  espontâneos  (fls.696),  no  valor  de  R$202,53  referente  ao  período  de  06  a  12  de  fevereiro  de  2000,  e  recolhido  em  31.01.2001;  os  pagamentos  de  fls.  999,  nos  valores  de  R$886,12,  R$2.297,60  e  R$277,07,  referentes  a  13.05.2000, recolhidos em 17.05.2000; um dos pagamentos da fls.1.002, no valor de R$636,60,  referente a 13.05.2000, recolhido em 17.05.2000;  f)  ao  analisar  as  alegações  posteriores  à  diligência,  concluiu­se  que  os  pagamentos  que  não  se  referiram  ao  período  da  autuação  (janeiro  a  setembro  de  2000)  não  beneficiam a  impugnante;  salvo os pagamentos  realizados antes de 05/12/20002  já excluídos  pela Fiscalização e os  listados no  item acima, os demais pagamentos que constaram entre as  Fl. 1356DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     6 fls.  632/1.206,  não  podem  ser  excluídos  pois  foram  realizados  após  a  ciência  do  auto  de  infração;  contudo,  os  pagamentos  realizados  após  a  ciência  do  lançamento  poderão  ser  imputados  proporcionalmente,  pelo  órgão  competente,  aos  respectivos  créditos  tributários  a  serem exigidos ao final deste julgamento, os quais incluem multa de ofício;  g)  a  impugnante  não  comprovou  que  os  pagamentos  de  R$2.616,39,  R$2.819,96 não foram computados e que o de R$3.630,36 foi recolhido em duplicidade;  h) a multa de ofício e os juros de mora decorreram de previsões legais e não  compete aos órgãos administrativos analisar alegação de inconstitucionalidade.  A  ciência  do  acórdão  ocorreu  em  29/11/2013  e  recurso  voluntário  foi  interposto no dia 30/12/2013 do qual se extrai o resumo abaixo:  1.  preliminarmente,  alega  a  quitação  integral  do  lançamento  em  razão  dos  pagamentos realizados nos anos de 2001 e 2002 e posteriores;  2.  solicita  realização  de  diligência  para  averiguar  o  valor  do  crédito  porventura  remanescente,  sob  pena  de  violação  aos  princípios  do  contraditório  e  da  ampla  defesa;  3. nulidade do lançamento, pois, em cumprimento à diligência realizada em  primeira instância, a autoridade lançadora  reconheceu que havia pagamentos realizados antes  do  lançamento,  os  quais  poderiam  ter  sido  atestados  antes  do  lançamento,  de  forma  que  o  lançamento carecia de certeza e liquidez , posto que a autoridade fiscal não se desincumbiu do  dever de determinar a matéria tributável e calcular o tributo devido;  4. a revisão do lançamento efetuada em 16/02/2006, decorrente da diligência  promovida  por determinação  da DRJ,  foi  efetuada  após  o  prazo  decadencial  previsto  no  art.  173 do CTN;  5.  trouxe  aos  autos  comprovação  de  que  o  valor  total  recolhido  difere  do  devido em apenas R$19.434,42 e não o absurdo de R$110.855,49; muitos dos recolhimentos  foram  feitos  nos  exercícios  de  2002  e  2004,  enquanto  a  citada  “diligência”  estava  sendo  efetuada, motivo pelo qual não  tais valores não deveriam estar  incluídos no  lançamento; nos  anos subseqüentes quitou integralmente todos os valores devidos a título de imposto;  6.  o  levantamento  apresentado  às  fls.  03  aponta  um  acréscimo  de  quase  R$10.000,00  no  valor  total  pago,  que  se  refere  aos  pagamentos  efetuados  e  que  não  foram  computados  (R$2.616,39  e  R$2.819,96)  e  recolhidos  em  duplicidade  (R$3.630,36),  assim  o  total pago é de R$270.135,13 contra o valor declarado de R$289.569,55, ao que corresponde  uma diferença de R$19.434,42;  7.  não  foram  efetuados  os  recolhimentos  relativos  aos  períodos  de  25/06  a  01/07; 23/07 a 29/07 e 20/08 a 26/08, que somam R$18.603,40,  restando valor de R$831,02  que não foi identificado;  8.  todos  os  pagamentos  efetuados  com  incidência  de  penalidade  (multa  moratória) devem ser considerados recolhimentos indevidos, pois efetivados a maior, em razão  do instituto da denúncia espontânea;  9.  é  possível  que  seja  credora,  tendo  inclusive  direitos  a  restituição  ou  compensação.  Fl. 1357DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.005137/2002­18  Acórdão n.º 2802­002.943  S2­TE02  Fl. 1.355          7 No  recurso  voluntário  não  foram  juntados  novos  documentos  comprobatórios.  O  processo  foi  distribuído  a  este  Relator,  por  sorteio,  durante  a  sessão  de  maio de 2014.  É o Relatório.      Voto             Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade,  dele deve­se tomar conhecimento.  Preliminares  Da nulidade do lançamento  O  recorrente  alega  que  seria  nulo  o  lançamento  por  exigido  valores  que  haviam  sido  previamente  recolhidos. Não  lhe  assiste  razão,  nessas  hipóteses  cabe  ao Órgão  julgadora tão só excluir a  importância exigida indevidamente,  tal  inexatidão não compromete  os demais tópicos do lançamento, que atendem adequadamente os ditames do art. 142 do CTN.  As  demais  questões  alegadas  em  preliminar  referem­se  à  decadência  e  suposta quitação do crédito tributário exigido no lançamento e à necessidade de diligência para  confirmar essa alegação, de forma que não são propriamente preliminares.  Da decadência  O ato de excluir do lançamento valores que em sede de diligência verificou­ se  terem  sido  pagos  anteriormente  ao  lançamento  justifica  o  deferimento  de  parte  da  impugnação, nada mais. Não significa ter sido lavrado um novo lançamento, de maneira que é  descabido alegar decadência.  Do mérito  Em resumo, a decisão recorrida tem o seguinte conteúdo:  1. em virtude da diligência,  reduziu o valor exigido em razão de considerar  espontâneo os recolhimentos ocorridos entre o Termo de Início de Fiscalização e a ciência do  auto  de  infração,  exigindo  porém multa  de mora  e  juros  de mora.  Esses DARF  constam  da  relação de fls. 597;  2.  também  reduziu  o  valor  exigido  ao  considerar  que  foram  pagos  espontaneamente,  porém  não  considerados  pela  autoridade  autuante  na  fase  de  diligência  os  recolhimentos abaixo listados  Fl. 1358DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     8 2.1. o pagamento de fls.696, no valor de R$202,53 referente ao período de 06  a 12 de fevereiro de 2000, e recolhido em 31.01.2001;  2.2.  os  pagamentos  de  fls.999,  nos  valores  de  R$886,12,  R$2.297,60  e  R$277,07, referentes a 13.05.2000, recolhidos em 17.05.2000;   2.3.  um  dos  pagamentos  da  fls.1.002,  no  valor  de  R$636,60,  referente  a  13.05.2000, recolhido em 17.05.2000.  2. recolhimentos após a ciência do auto de infração não autorizam excluir do  lançamento  os  créditos  tributários  correspondentes;  tais  pagamentos  não  estão  abrigado  pela  espontaneidade;  3.  recolhimentos  que  não  se  reportam  ao  período  de  janeiro  a  setembro  de  2000 são estranhos ao lançamento, portanto são ineficazes em relação ao litígio;  4. restou sem comprovação a alegada duplicidade de recolhimento em relação  aos DARF de R$2.616,39, R$ 2.819,96 e R$3.630,36.  Essencialmente,  os  argumentos  recursais  são  os  mesmos  já  alegados  em  primeira  instância  e  foram  rebatidos  minuciosamente  pela  DRJ,  notadamente  entre  as  fls.  1.308/1.311,  cabe  ao  recorrente  contrapor  argumentos  objetivamente  em  relação  aos  fundamentos da decisão recorrida.  Nas  alegações  recursais,  de um  lado afirma­se a quitação, de outro pede­se  diligência para identificação do saldo porventura existente.  É do recorrente o ônus de comprovar que efetuou os recolhimentos que estão  sendo exigidos após a decisão de primeira instância, diligências não se prestam para suprir a  deficiência da peça recursal.  Um  ponto  central  da  decisão  recorrida  diz  respeito  à  impossibilidade  de  utilizar pagamentos feitos após a ciência do lançamento para deferir a impugnação e cancelar o  lançamento.  Tecnicamente, o pagamento posterior ao  lançamento  importa desistência do  litígio,  não  cabe  ao Órgão  Julgador  extinguir  o  crédito  tributário  com  base  em  pagamentos  posteriores ao lançamento.  Não obstante,  esses pagamento serão considerados pela Unidade da Receita  Federal  encarregada  da  cobrança,  alocando­os  aos  créditos  tributários  correspondentes  e  cobrando o saldo porventura existente. Isto ficou anotado textualmente na decisão de primeira  instância como transcrito abaixo:  Podem  ser  imputados  ao  crédito  acima  demonstrado,  os  recolhimentos  disponíveis,  relativos  ao  código  0588  e  respectivos períodos de apuração autuados,  (01 a 09 de 2000),  realizados  após  a  ciência  do  auto  de  infração,  que  foi  05.12.2002,  conforme  fls.50,  constantes  nos  volumes  III  a  V,  deste processo, a serem confirmados pela Interessada.(fls. 1300)  O  recorrente  confirma  que  a  maioria  dos  recolhimentos  ocorreu  após  o  lançamento, todavia não aponta razão de direito para combater a decisão recorrida.  Fl. 1359DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11543.005137/2002­18  Acórdão n.º 2802­002.943  S2­TE02  Fl. 1.356          9 O mesmo ocorre em relação ao fundamento alusivo aos recolhimentos que se  referem a períodos que não foram objeto da autuação  O  acórdão  recorrido  consignou  que  não  há  prova  de  que  DARF  de  R$2.616,39, R$ 2.819,96 e R$3.630,36 foram recolhidos em duplicidade. O recorrente detém o  ônus dessa prova, porém não anexou qualquer outra prova, nem indicou em quais  folhas dos  autos estariam os comprovantes de recolhimento em duplicidade, o que  impossibilita atender  ser pleito.  Não cabe reparo à decisão de primeira instância até aqui.  Fundamentado no instituto da denúncia espontânea, o recorrente sustenta que  todos  os  pagamentos  efetuados  com  incidência  de  penalidade  (multa  moratória)  devem  ser  considerados recolhimentos indevidos, pois efetivados a maior.   No auto de infração, a descrição de fls. 42 denota que os valores exigidos não  foram  declarados  em  DCTF,  o  que  torna  inaplicável  a  Súmula  360  do  STJ  que  vedaria  o  benefício da denúncia espontânea para os pagamentos feitos espontaneamente antes da ciência  do auto de infração.  A DRJ admitiu o benefício da denúncia espontânea, porém reputou devida a  cobrança de multa moratória.  Essa  matéria  é  objeto  do  Ato  Declaratório  04/2011  por  meio  do  qual  a  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional  –  PGFN  declara  estar  autorizada  a  dispensa  de  apresentação  de  contestação,  de  interposição  de  recursos  e  a  desistência  dos  já  interpostos,  desde que inexista outro fundamento relevante: “com relação às ações e decisões judiciais que  fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da  denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa  punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional”.  Desta forma, a decisão de primeira instância deve ser reformada nesse tópico  para  que  em  relação  aos  pagamentos  feitos  espontaneamente  não  seja  cobrada  a  multa  moratória.  Os recolhimentos em questão são os seguintes DARF:  1)  os relacionados às fls. 597 (numeração digital 607);  2)  o  de  fls.696,  no  valor  de R$202,53  referente  ao  período  de  06  a  12  de  fevereiro de 2000, e recolhido em 31.01.2001;  3) os de fls.999, nos valores de R$886,12, R$2.297,60 e R$277,07, referentes  a 13.05.2000, recolhidos em 17.05.2000;   4)  um  dos  pagamentos  da  fls.1.002,  no  valor  de  R$636,60,  referente  a  13.05.2000, recolhido em 17.05.2000.  O  recorrente  alega  ser  possível  que  seja  credor,  tendo  inclusive  direitos  a  restituição ou compensação. Neste processo está em litígio a legitimidade do lançamento.  Fl. 1360DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO     10 A análise de direito creditório ou pedidos de compensação ou restituição não  constituem  objeto  de  recurso  voluntário,  é  matéria  a  ser  peticionada  à  Receita  Federal  conforme  regramentos  específicos.  Não  compete  ao  CARF  manifestar­se  sobre  tais  requerimentos feitos em sede recursal.  Diante  do  exposto,  voto  por  DAR  PROVIMENTO  PARCIAL  ao  recurso  para  tão  somente  excluir  a  cobrança  de  multa  de  mora  em  relação  aos  recolhimentos  abrangidos pelo benefício da espontaneidade, sem prejuízo de a Unidade da Receita Federal de  origem  atender  ao  disposto  no  Acórdão  de  primeira  instância,  quanto  à  alocação  de  recolhimentos  disponíveis,  relativos  ao  código  0588  e  períodos  de  apuração  autuados  (fls.  1.300).   (Assinado digitalmente)  Jorge Claudio Duarte Cardoso                                Fl. 1361DF CARF MF Impresso em 05/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 29 /07/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO

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Numero do processo: 10880.907655/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 09/04/1999 DCOMP. CRÉDITO INEXISTENTE. DARF ALOCADO A DÉBITO REGULARMENTE DECLARADO. Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado em DCTF, cujo valor não é contestado, improcedente é a utilização desse pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode homologada pela Administração. COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA IN SRF Nº 210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada e regularmente lançada na contabilidade da Recorrente, à época em que ocorreu, não há como prosperar tal alegação. COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR. A partir da vigência da IN SRF nº 210/2002, a comunicação à RFB das compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente através da “Declaração de Compensação” instituída por esse normativo. A DCTF não é instrumento para tal. DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Não apresentado a escrita contábil, e a documentação que lhe deu suporte, que justifique a alteração dos valores declarados na DCTF, não há como alterar os valores declarados originalmente. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.616
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão Barreto declarou-se impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 03/06/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2069; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C3T2  Fl. 2          1 1  S3­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10880.907655/2008­61  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3302­002.616  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  29 de maio de 2014  Matéria  COFINS ­ RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  Recorrente  COMPANHIA BRASILEIRA DE DISTRIBUIÇÃO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 09/04/1999  DCOMP.  CRÉDITO  INEXISTENTE.  DARF  ALOCADO  A  DÉBITO  REGULARMENTE DECLARADO.  Estando o pagamento devidamente alocado a débito regularmente declarado  em DCTF,  cujo  valor  não  é  contestado,  improcedente  é  a  utilização  desse  pagamento em compensação, cuja declaração de compensação não deve pode  homologada pela Administração.  COMPENSAÇÃO REALIZADA ANTES DA VIGÊNCIA DA  IN SRF Nº  210/2002. LANÇAMENTO CONTÁBIL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.  A mingua de prova de que a compensação alegada foi devidamente efetuada  e  regularmente  lançada  na  contabilidade  da  Recorrente,  à  época  em  que  ocorreu, não há como prosperar tal alegação.  COMPENSAÇÃO. DCTF É INSERVÍVEL PARA DECLARAR.  A  partir  da  vigência  da  IN  SRF  nº  210/2002,  a  comunicação  à  RFB  das  compensações realizadas pelos contribuinte passou a ser feita exclusivamente  através  da  “Declaração  de  Compensação”  instituída  por  esse  normativo.  A  DCTF não é instrumento para tal.  DCTF. ERRO DE PREENCHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO.  Não  apresentado  a  escrita  contábil,  e  a  documentação  que  lhe  deu  suporte,  que  justifique  a  alteração  dos  valores  declarados  na  DCTF,  não  há  como  alterar os valores declarados originalmente.   Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 76 55 /2 00 8- 61 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907655/2008­61  Acórdão n.º 3302­002.616  S3­C3T2  Fl. 3          2 Acordam os membros  do Colegiado,    por unanimidade  de votos,  em negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O conselheiro Gileno Gurjão  Barreto declarou­se impedido.    (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator.     EDITADO EM: 03/06/2014  Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva,  Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó,  Mônica Elisa de Lima e Gileno Gurjão Barreto.    Relatório  No  dia  12/12/2003  a  COMPANHIA  BRASILEIRA  DE  DISTRIBUIÇÃO  transmitiu  o PER/DCOMP Original  (final  nº  04­0165),  pleiteando  a  restituição/compensação  no valor original de R$ 840.117,61, relativo a COFINS tida como paga indevidamente no dia  09/04/1999, através de DARF de mesmo valor, relativo ao PA 03/99. Processado o pedido, o  DARF informado no PER/DCOMP não foi localizado pela RFB.  Em  conseqüência,  no  dia  31/08/2006  a  COMPANHIA  BRASILEIRA  DE  DISTRIBUIÇÃO foi  intimada a sanar a  irregularidade, conforme TERMO DE INTIMAÇÃO  nº 621798803.  No  dia  16/09/2006,  após  receber  o  Termo  de  Intimação  nº  621798803,  a  COMPANHIA  BRASILEIRA  DE  DISTRIBUIÇÃO  transmitiu  o  PER/DCOMP  Retificador  (final nº 04­3248), para alterar o valor do DARF objeto do pedido, de R$ 840.117,61 para R$  1.039.704,38, mantendo o valor do crédito objeto do pedido de  restituição/compensação  (R$  840.117,61).  Na  DCTF  Original  entregue  à  RFB,  a  Empresa  Recorrente  vinculou  ao  débito da Cofins do PA 03/99 (R$ 10.590.615,60) três DARF: um de R$ 8.794.953,53, outro  de R$ 1.039.704,38, e outro de R$ 756.057,69,  todos pagos no dia 09/04/1999. Processada a  DCTF  Original,  a  RFB  confirmou  os  pagamentos  e  sua  alocação  ao  débito  declarado  pela  Recorrente.   No  dia 05/12/2003  a  Empresa Recorrente  apresentou DCTF Retificadora,  do 1º Trimestre de 1999, para alterar a forma de extinção do referido débito da COFINS do PA  de  03/99,  no  valor  de  R$  10.590.615,60.  Na DCTF  Retificadora  a  extinção  desse  débito  passou  a  ser  parte  por  compensação  e  parte  por  pagamento,  nos  seguintes  valores:  (1)  R$  1.596.175,30 por compensação com parte do pagamento da COFINS de PA de 1994 a 1996,  que a Recorrente alega indevido; e (2) R$ 8.994.540,30 com a utilização parcial do pagamento  Fl. 133DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907655/2008­61  Acórdão n.º 3302­002.616  S3­C3T2  Fl. 4          3 de R$ 8.376.934,09, efetuado no dia 09/04/1999. Na referida DCTF Retificadora a Recorrente  não utilizou o DARF de R$ 756.057,69 e utilizou parcialmente o DARF de R$ 1.039.704,38,  ambos também de 09/04/1999.  Com  a  utilização  parcial  do  DARF  de  R$  1.039.704,38,  na  DCTF  Retificadora, a Empresa Recorrente entende possuir R$ 840.117,61 passível de restituição ou  compensação, relativo ao DARF utilizado parcialmente, e é exatamente esse o valor que está  sendo pleiteado neste processo.  Por  meio  do  Despacho  Decisório  nº  781210835,  a  DERAT  São  Paulo  indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou a compensação declarada, sob a alegação de  que  o  pagamento  indicado  no  PER/DCOMP  fora  integralmente  utilizado  para  quitação  de  débito do contribuinte declarado na DCTF original, não restando saldo credor disponível para  compensação do débito informado na PER/DCOMP.  Ciente,  a  empresa  interessada  apresenta  manifestação  de  inconformidade  cujas  alegações  foram  resumidas  pela  decisão  recorrida  nos  seguintes  termos,  que  ratifico  e  adoto:  Relata que a compensação declarada por meio do PER/DCOMP  não  foi  homologada  pelo  despacho  decisório,  e  que,  por  essa  razão,  estaria  sendo  cobrada  dela  o  débito  aí  informado,  no  valor principal de R$ 164.676,13, mais multa e juros.  Sustenta,  no  entanto,  que  tal  valor  teria  sido  devidamente  compensado com créditos de COFINS,  recolhidos em montante  maior  que  o  devido  no  período  de  apuração  31/03/1999,  conforme  DCTF  do  período  em  questão  e  DARF  anexa,  não  podendo  prosperar,  assim,  no  seu  entendimento,  referida  exigência.  Destaca que,  em março de 1999,  teria apresentado  sua DCTF,  apurando, para extinção por pagamento, o valor de COFINS, no  montante  de  R$  8.994.540,30,  e  que  teria  efetuado  o  recolhimento deste tributo, mediante DARF, em valor maior que  o devido e declarado para pagamento em espécie.  Afirma, então, que o inciso I do artigo 165 do Código Tributário  Nacional  concederia,  ao  sujeito  passivo,  o  direito  à  restituição  total ou parcial do tributo, no caso de pagamento espontâneo de  tributo  indevido  ou maior  que  o  devido  em  face  da  legislação  tributária  aplicável,  e  que,  assim  sendo,  considerando  a  existência de saldo em seu favor, teria procedido à compensação  deste  valor  pago  em  excesso,  proveniente  da  guia  DARF  com  valor principal de R$ 1.039.704,38, com o débito tributário ora  exigido, mediante entrega de PER/DCOMP.  Menciona  que  procedeu  à  entrega  da  PER/DCOMP  22364.25531.121203.1.3.04­0165,  que  foi  intimada  sob  o  argumento de que o DARF aí indicado não teria sido localizado  no  sistema  da  RFB,  e  que,  em  atenção  a  esta  intimação,  apresentou PER/DCOMP retificadora  Fl. 134DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907655/2008­61  Acórdão n.º 3302­002.616  S3­C3T2  Fl. 5          4 Informa,  em  seguida,  que  foi  proferido  despacho decisório não  homologando  a  compensação  desta  PER/DCOMP,  sob  o  fundamento  de  que,  a  partir  das  características  do  DARF  discriminado,  teriam  sido  localizados  um  ou mais  pagamentos,  mas que estes teriam sido integralmente utilizados para quitação  de  seus  débitos,  não  restando  créditos  disponíveis  para  a  compensação do débito informado na PER/DCOMP.  Segundo ela, referida decisão não deveria prevalecer, visto que,  por  meio  desta  manifestação  de  inconformidade,  não  só  apresentaria  o  DARF  discriminado  na  PER/DCOMP,  como  demonstraria  tratar­se  de  recolhimento  em  valor  superior  ao  devido para pagamento em espécie,  e que seu procedimento de  compensação  teria  sido  efetuado  como  estabelece  a  legislação  vigente, transcrevendo o artigo 74, caput e parágrafo 1º da Lei  n.º 9.430/96.  Ressalta,  por  outro  lado,  que  a  Administração  deveria  agir  de  acordo  com  a  lei,  com  subordinação  a  dispositivos  legais,  não  podendo sujeitar o particular à exação tributária, sem qualquer  finalidade específica, afrontando as previsões constitucionais, e  que,  neste  contexto,  os  preceitos  do  artigo  37,  caput  da  Carta  Magna estabeleceriam que o administrador público estaria, em  toda a sua atividade funcional, sujeito aos mandamentos da lei,  deles não podendo se afastar, sob pena de infringir ao princípio  da legalidade.  E  conclui  que,  considerando  suas  alegações  e  os  documentos  acostados, a  legitimidade do seu crédito seria  inconteste,  tendo  sido  este  demonstrado  pelo  recolhimento  em  valor  superior  ao  efetivamente  devido  e  declarado,  por  ela,  para  pagamento  em  espécie,  devendo  a  decisão  ser  reformada  para  homologar  a  compensação  procedida,  extinguindo  o  crédito  tributário  exigido, nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário  Nacional.  A  11a  Turma  de  Julgamento  da  DRJ  em  São  Paulo  ­  SP  indeferiu  a  solicitação  da  recorrente,  nos  termos  do  Acórdão  no  16­36.060,  de  07/02/2012,  que  tem  a  seguinte ementa:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Data do fato gerador: 09/04/1999  DCOMP.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  DCTF.  ERRO  DE  PREENCHIMENTO.  NÃO  COMPROVAÇÃO  EM  DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA.  Não  apresentada  a  escrituração  contábil,  nem  outra  documentação hábil  e  suficiente,  que  justifique a alteração dos  valores registrados na DCTF (Declaração de Débitos e Créditos  Tributários  Federais)  original,  demonstrando  a  liquidez  e  certeza  do  crédito  informado  na  DCOMP  (Declaração  de  Compensação),  se  mantém  a  decisão  proferida  pela Delegacia  da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo,  Fl. 135DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907655/2008­61  Acórdão n.º 3302­002.616  S3­C3T2  Fl. 6          5 que  não  homologou  a  compensação  aí  declarada  pelo  contribuinte.  INSERÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  DE  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR  EM  DCTF  RETIFICADORA.  REQUISITOS  FORMAIS.  AUSÊNCIA.  COMPENSAÇÃO  NÃO  DECLARADA.  Considera­se  não  declarada  a  compensação,  simplesmente  informada em DCTF retificadora, que não atenda aos requisitos  estabelecidos na legislação então vigente à época – formalização  mediante  o  uso  do  programa  PER/DCOMP  ou,  nos  casos  de  impossibilidade  de  sua  utilização,  mediante  a  entrega  de  formulário específico – Instruções Normativas SRF n.º 210/2002  e n.º 323/2003.  A  recorrente  tomou  ciência  da  decisão  de  primeira  instância  no  dia  09/05/2013,  conforme  AR,  e,  discordando  da  mesma,  ingressou,  no  dia  04/06/2013,  com  recurso  voluntário,  no  qual  renova  os  argumentos  da  manifestação  de  inconformidade,  acrescentando que restou demonstrado, pela DCTF Retificadora do PA 03/99, o recolhimento a  maior que o devido e o conseqüente direito ao crédito no valor de R$ 840.117,61,  Alega, ainda, a Recorrente “que o mero erro na forma, qual seja: retificação  da DCTF para  efetivar  a  compensação da Cofins  de março/1999,  com  créditos  pretéritos  e  legítimos, não tem o condão de desconstituir a compensação realizada”, citando decisões do  Conselho  de  contribuintes  que  tratam  de  erro  de  fato  no  preenchimento  de  declaração  e  sustentando  que  a  compensação  realizada  e  declarada  da DCTF  retificadora  foi  efetuada  tal  como estabelece a legislação vigente, ou seja, o art. 74 da Lei nº 9.430/96. Cita doutrina.  Concluindo  que  a  decisão  recorrida  “entende  como  um  empecilho  ao  reconhecimento  do  crédito,  o  fato  de a DCTF  retificadora,  com a  finalidade de  desvincular  parte o DARF recolhido,  ter sido  transmitida tão somente em 05/12/2003”, passa a discorrer  sobre  o  prazo  para  pleitear  a  restituição  do  crédito  da  Cofins  apurado  entre  1994  e  1996,  informado na DCTF Retificadora de 05/12/2003, que entende ser de 10 anos, a contar do fato  gerador,  e  que  as  disposições  da  Lei  Complementar  nº  118/2005  atinge  apenas  os  fatos  geradores posteriores à sua vigência.  É o relatório do essencial.    Voto             Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator.    O Recurso Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  legais  e  regimentais. Dele se conhece.  Fl. 136DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907655/2008­61  Acórdão n.º 3302­002.616  S3­C3T2  Fl. 7          6 Como  relatado,  a  Empresa  Recorrente  está  pleiteando  a  compensação  de  débitos  seus com suposto crédito de COFINS, decorrente de pagamento por ela  tido como a  maior,  relativo  ao  período  de  apuração  de  março  de  1999.  O  pagamento  informado  no  PER/DCOMP ocorreu no dia 09/04/1999, no valor original de R$ 840.117,61.  O  crédito  objeto  deste  processo  decorre  da  utilização  parcial,  no  dia  05/12/2003  (data  da  apresentação  da  DCTF  Retificadora),  de  pagamento  feito  no  dia  09/04/1999, no valor de R$ 1.039.704,38. Até a data da apresentação da DCTF Retificadora,  referido  pagamento  estava  integralmente  declarado  e  alocado  ao  débito  da  COFINS  do  PA  03/99.  Em síntese, a Recorrente defende que a DCTF Original continha erro posto  que  o  débito  da  COFINS  do  PA  03/99  foi  liquidado  parte  por  compensação  e  parte  por  pagamento e que a retificação da DCTF se fez necessário para retificar o erro cometido. Além  disso,  que  mesmo  tendo  cometido  erro  na  forma  de  retificar  a  DCTF,  não  pode  tal  erro  prejudicar seu direito à repetição do indébito.  Por seu turno, a decisão recorrida enfrentou a questão nos seguintes termos,  que ratifico e adoto:  Não  obstante  as  razões  apresentadas  pela  empresa,  seu  inconformismo,  contudo,  não  tem  o  condão  de  prosperar,  devendo a decisão da DERAT São Paulo, que não homologou a  compensação declarada, ser mantida em sua integralidade pelas  razões a seguir expostas.  Cumpre  esclarecer,  aqui,  que  o  despacho  decisório  apontou  como causa da não homologação da compensação declarada: a  inexistência  de  crédito  disponível,  tendo  sido  o  DARF  discriminado  na  DCOMP  integralmente  utilizado  para  a  quitação de débitos do contribuinte, que estavam declarados em  DCTF.  É de se ressaltar que a DCTF, a teor do que dispõe o Decreto­ Lei n.º 2.124/84, em seu artigo 5º, parágrafo 1º, se constitui em  um instrumento de confissão de dívida, e que eventual retificação  dos  valores  antes  nela  informados  deve  ter  por  fundamento  os  dados da escrituração contábil da empresa.  Cabe  observar,  aqui,  também,  que,  em  consulta  ao  sistema  informatizado da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB),  se verificou que, quando da entrega da DCTF original, relativa  ao  período  de  apuração  em  tela,  o  crédito  informado  pela  empresa na presente DCOMP não existia, estando o pagamento  realizado  por  meio  do  DARF  aí  discriminado  integralmente  alocado  ao  débito  declarado  pela  empresa,  na  referida DCTF,  referente a COFINS – Db: cód 2172 PA 31/03/1999.  Merece destaque, ainda, o fato, constatado mediante consulta ao  sistema informatizado da RFB, de que a inserção de dados, pela  empresa,  como  “Compensação  de  Pagamento  Indevido  ou  a  Maior”,  em  DCTF,  visando  desvincular  o  DARF  em  tela  parcialmente  do  débito  de  COFINS  do  período  de  apuração  31/03/1999,  por  ela  apurado  e  aí  declarado,  no  valor  de  R$  Fl. 137DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907655/2008­61  Acórdão n.º 3302­002.616  S3­C3T2  Fl. 8          7 10.590.715,60,  de  modo  a  originar  o  crédito  informado  na  DCOMP, se deu somente em 05/12/2003, em DCTF retificadora.  Cumpre registrar, aqui, que a empresa não comprova, nos autos,  mediante  documentação  idônea,  como  o  registro  na  contabilidade, que os créditos informados na DCTF retificadora  eram, de fato, decorrentes de pagamento indevido ou a maior, e  que  tal  compensação  tinha  sido  feita,  efetivamente,  à  época  da  transmissão  da DCTF  original,  e  que,  por  um  lapso,  não  teria  sido informada nesta DCTF.  E, assim, considerando que a compensação informada na DCTF  retificadora  ocorreu  efetivamente  somente  na  data  de  sua  entrega à RFB, ou seja, em 05/12/2003, tem­se que não observou  a  legislação  então  vigente  à  época  referente  ao  assunto  – Instruções  Normativas  (IN)  da  Secretaria  da  Receita  Federal  (SRF)  n.º  210,  de  30/09/2002,  e  n.º  323,  de  24/04/2003,  transcritas  parcialmente  a  seguir  –  que  estabeleciam  a  necessidade  de  apresentação  de  uma  declaração  de  compensação,  seja  em  formulário  ou  mediante  utilização  do  programa PER/DCOMP – sendo que consta, na referida DCTF,  a  informação  de  compensação  “sem  processo”,  no  campo  “formalização do pedido”.  [...]  Portanto,  as  normas  que  disciplinavam  o  exercício  da  compensação,  à  época,  obrigavam  que  fosse  formalizada  primordialmente  mediante  o  uso  do  programa  PER/DCOMP,  disponibilizado  para  tal  finalidade,  admitindo­se,  excepcionalmente,  nos  casos  de  impossibilidade  de  utilização  desse  programa,  que  fosse  formalizada  mediante  a  entrega  de  formulário específico aprovado pela legislação.  Não  se  admite,  pois,  em  nenhuma  hipótese,  a  formalização  de  declarações de compensação – bem assim de reconhecimento de  compensação  praticada,  de  direito  a  compensação  ou  outra  pretensão  equivalente  –  em  qualquer  outro  meio  diverso  dos  estabelecidos nas Instruções Normativas SRF n.º 210/2002 e n.º  323/2003  (como  a  sua  mera  inclusão  em  DCTF  retificadora),  sendo  o  parágrafo  único  do  artigo  3º  desta  última  taxativo  ao  prescrever  que,  ocorrendo  tais  situações  (não  utilização  do  programa PER/DCOMP ou do formulário aprovado pela IN SRF  nº  210/2002),  deveria  ser  considerada  não  declarada  a  compensação.  Vê­se claramente que, ao contrário do argüido pela Recorrente, aqui não se  trata somente de mero erro formal. Há erro no procedimento de efetuar a compensação, posto  que  a  partir  da  vigência  da  IN  SRF  nº  210/2003,  a  compensação  deveria  ser  feita  pelo  Contribuinte  e  informada  à  Receita  Federal  exclusivamente  por  meio  de  “Declaração  de  Compensação”,  como  bem  disse  a  decisão  Recorrida.  Definitivamente,  a  Recorrente  desobedeceu  a  legislação  sobre  compensação,  vigente  na  data  em  que  informou  à  Receita  Federal a compensação que diz ter realizado ­ 05/12/2003 (MP nº 66/2002, Lei nº 10.637/2002,  MP nº 135/03, Lei nº 10.833/03, IN’s SRF nºs 210/2002, 320/2003 e 323/2003), não somente  Fl. 138DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907655/2008­61  Acórdão n.º 3302­002.616  S3­C3T2  Fl. 9          8 por ter utilizado a DCTF para isso, mas também por não ter efetuado os lançamentos contábeis  que demonstrariam toda a operação em abril de 1999.  Argumenta a Recorrente que a compensação de fato foi efetuada quando da  extinção  do  débito  declarado  na  DCTF  Original,  ou  seja,  até  o  dia  09/04/1999  (data  do  vencimento da COFINS do PA 03/99), e que naquela data era possível efetuar a compensação  de crédito com débito do mesmo tributo e declarar em DCTF. Desse modo, o que ocorreu aqui  também foi mero erro de forma.  É verdade que compensação feita em 1999, entre crédito e débito do mesmo  tributo,  poderia  ser declarada  em DCTF. Observe­se que por  essa  sistemática o Contribuinte  estava  obrigado  a  provar  que  de  fato  efetuou  os  lançamentos  contábeis  da  operação  de  compensação que  realizou, ou  seja,  estava obrigado a provar que  em sua  escrita  contábil  foi  reconhecido  e  escriturado  o  crédito  do  pagamento  a maior  da COFINS  de  1994  a  1996  e  a  compensação desse crédito com o débito da COFINS do PA 03/99. Para  isso, bastaria  juntar  aos  autos  cópia  do  Livro Diário  de  abril  de  1999,  onde  conta  os  lançamentos  contábeis  da  compensação  que  a  Recorrente  alega  ter  realizado.  De  posse  dessa  informação,  Auditores­ Fiscais da RFB confirmariam os lançamentos contábeis, à vista da documentação que lhe deu  suporte.  Tivesse  a  Recorrente  trazido  aos  autos  os  elementos  de  prova  acima  referidos,  poder­se­ia  discutir  nos  autos  a  existência  ou  não  de  erro  de  forma  e  a  possível  e  eventual existência de crédito. Sem isso, o que fica claro é que a Recorrente usou de artifício  ilegal  para  gerar  crédito  fictício,  especialmente  porque  não  prova  sequer  que  ocorreu  pagamento  indevido  da  COFINS  entre  1994  e  1996,  devidamente  reconhecido  em  sua  contabilidade por meio de lançamento feito em data anterior à extinção do débito de COFINS  do PA 03/99.  Fica  claro,  como  bem  disse  a  decisão  recorrida,  que  até  a  data  da  apresentação  da  DCTF  Retificadora  o  débito  da  COFINS  do  PA  03/99  estava  extinto  por  pagamento, somente. A extinção, em parte, por compensação somente passou a existir com a  transmissão da  referida DCTF Retificadora. E naquela data,  a comunicação de  compensação  realizada  pelo  contribuinte  somente  poderia  ser  feita  por  meio  de  “Declaração  de  Compensação”.  Portanto, o DARF informado no PER/DCOMP estava, de fato e legalmente,  alocado  ao  débito  declarado  pela Recorrente  na  DCTF Original,  não  podendo  ser  objeto  de  compensação.  Tendo  a  compensação  sido  realizada  na  data  da  apresentação  da  DCTF  Retificadora, aplica­se a legislação sobre compensação vigente nessa data, conforme decidiu o  STJ  no  Recurso  Especial  nº  1.137.738  –  SP,  julgado  no  rito  do  art.  543­C  do  CPC  e  de  aplicação  obrigatória  por  parte  do  CARF  (art.  62­A  do  Regimento  Interno  do  CARF),  cuja  ementa abaixo se transcreve, naquilo que interessa à lide:  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  ART.  543­C,  DO  CPC.  COMPENSAÇÃO  TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS.  LEI  8.383/91.  LEI  9.430/96.  LEI  10.637/02.  REGIME  JURÍDICO  VIGENTE  À  ÉPOCA  DA  PROPOSITURA  DA  DEMANDA.  LEGISLAÇÃO  SUPERVENIENTE.  Fl. 139DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907655/2008­61  Acórdão n.º 3302­002.616  S3­C3T2  Fl. 10          9 INAPLICABILIDADE  EM  SEDE  DE  RECURSO  ESPECIAL.  ART. 170­A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL.  HONORÁRIOS.  VALOR DA  CAUSA  OU  DA  CONDENAÇÃO.  MAJORAÇÃO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇÃO DO ART. 535  DO CPC NÃO CONFIGURADA.  1.  A  compensação,  posto  modalidade  extintiva  do  crédito  tributário  (artigo  156,  do  CTN),  exsurge  quando  o  sujeito  passivo  da  obrigação  tributária  é,  ao  mesmo  tempo,  credor  e  devedor do erário público, sendo mister, para sua concretização,  autorização  por  lei  específica  e  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos  e  vincendos,  do  contribuinte  para  com  a  Fazenda  Pública (artigo 170, do CTN).  [...]  9.  Entrementes,  a  Primeira  Seção  desta  Corte  consolidou  o  entendimento de que, em se tratando de compensação tributária,  deve  ser  considerado  o  regime  jurídico  vigente  à  época  do  ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz  do direito superveniente,  tendo em vista o  inarredável requisito  do  prequestionamento,  viabilizador  do  conhecimento  do  apelo  extremo,  ressalvando­se  o  direito  de  o  contribuinte  proceder  à  compensação  dos  créditos  pela  via  administrativa,  em  conformidade  com  as  normas  posteriores,  desde  que  atendidos  os requisitos próprios (EREsp 488992/MG).  [...]  Diante da inexistência do direito material ao crédito, desnecessário abordar e  discutir aqui a questão relativa ao prazo para pleitear a restituição, até porque esta matéria  já  está pacificada no âmbito do CARF, em face da decisão do STF proferida no RE 566.621, que  é de aplicação obrigatória por parte deste Colegiado.  Por  fim,  ratifico  e,  supletivamente,  adoto  os  fundamentos  da  decisão  recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991).  Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário.    (assinado digitalmente)  WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator                                                                1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando:  [. . .]  § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de  anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato.  Fl. 140DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10880.907655/2008­61  Acórdão n.º 3302­002.616  S3­C3T2  Fl. 11          10                               Fl. 141DF CARF MF Impresso em 09/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 03/06/2014 por WALBER JOSE DA SILVA

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Numero do processo: 13884.003135/2005-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.342
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1636; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 1          1             S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13884.003135/2005­93  Recurso nº              Resolução nº  2202­00.342  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  17 de outubro de 2012  Assunto  IRPF. Sigilo. Sobrestamento   Recorrente  JOSE PERCI RIBEIRO DA COSTA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  decidir  pelo  sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização  da Resolução,  o  processo  será movimentado  para  a Secretaria  da Câmara  que  o manterá  na  atividade de sobrestado, conforme orientação contida no § 3º do art. 2º da Portaria CARF nº  001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada  a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.  (Assinado digitalmente)   Nelson Mallmann – Presidente  (Assinado digitalmente)  Odmir Fernandes – Relator.  Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez,  Maria  Lúcia  Moniz  de  Aragão  Calomino  Astorga,  Nelson  Mallmann  (Presidente),  Odmir  Fernandes,  Pedro  Anan  Júnior  e  Rafael  Pandolfo.  Ausente,  justificadamente,  o  Conselheiro  Helenilson Cunha Pontes.       Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13884.003135/2005­93  Resolução n.º 2202­00.342  S2­C2T2  Fl. 2            2   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário da decisão da 6ª Turma de Julgamento da DRJ  de  São  Paulo  II,  quem manteve  a    autuação  do  Imposto  de Renda  Pessoa  Física­  IRPF,  do  exercício  de  1999,  relativo  a  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  depósitos  bancários  com origem não comprovada.  O Auto de  Infração  foi  lavrado  após  constatação  de  omissão  de  rendimentos  caracterizada  por  valores  creditadas  em  contas  de  depósito  e  de  investimento,  mantida  em  instituições  financeiras,  em  relação  aos  quais,  o  contribuinte  regularmente  intimado,  não  comprovou,  mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recuros  utilizados  nessas  operações.  A  decisão  recorrida,  manteve  o  lançamento,  pois  o  contribuinte  não  comprovou mediante documentação  hábil  e  idônea  a  origem dos  recursos  creditados  em  sua  conta de depósitos ou de investimentos, ou na conta de interposta pessoa.  No Recurso  Voluntário,  sustenta,  em  síntese,  1)  cerceamento  do  direito  de  defesa,  devido  a  inconstitucionaldade  da  multa  agravada  de  150%;  2)  incompetência  da  autoridade  lançadora,  para  fiscalizar  e  autuar  fatos  imponíveis  do  recorrente,  estando  em  desconformidade com o disposto na Portaria SRF 6.087/2005; 3) instauração do MPF com base  em  informações  da CPMF  anteriores  a  Lei  nº  10.174/01;  4)  ofensa  ao  princípio  da  verdade  material  e  da  legalidade;5)  decadência  pelo  decurso  do  prazo  de  cinco  anos  entre  a  data  de  realização do fato gerador e a cientificação do auto de infração;6) ilegitimidade do lançamento  com base em apenas depósitos bancários, pois inexistem nos autos sinais de exteriorização de  riqueza;  inexistência  de  fraude,  uma  vez  que  a  grande  parcela  dos  recursos  depositados  na  conta  mantida  junto  ao  banco  BCN  S/A  em  nome  do  Sr.  Clovis  Ferreira  da  Silva  foram  debitadas  das  diversas  contas  que  o  recorrente  mantém  em  seu  nome  e  em  nome  de  suas  empresas;7) descabimento da multa qualificada já que a aludida penalidade pecuniária constitui  acessório da exação principal; 8) Pede que seja afastado os juros de mora calculados com base  na taxa Selic, por ser inconstitucional e ilegal sua exigência.  E o relatório.  Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13884.003135/2005­93  Resolução n.º 2202­00.342  S2­C2T2  Fl. 3            3   Voto  Conselheiro Odmir Fernandes, Relator.  Cuida­se  de  Recurso  Voluntário  da  decisão  que  manteve  o  lançamento  do  Imposto  de  Renda  Pessoa  Física  –  IRPF  sobre  omissão  de  rendimentos  caracterizados  por  depósitos bancários de origem não comprovada, apurada mediante Requsição de Informações  sobre Movimentação Financeira – RMF do contribuinte junto a instituição financeira (fls.137).   A decisão recorrida possui a seguinte ementa:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF  Ano­calendário: 1999  Ementa:  PRELIMINAR.  DECADÊNCIA  RELATIVA  AO  LANÇAMENTO DO IRPF/2000 (ANO­CALENDÁRIO 1999)  Configurado,  no  presente  caso,  o  dolo,  consistente  na  tentativa  do  contribuinte  em  evitar  o  conhecimento,  por  parte  do  Fisco,  da  ocorrência  do  fato  gerador  do  imposto,  o  prazo  para  que  a Fazenda  Nacional  exerça  o  direito  da  constituição  do  crédito  tributário  extingue­se após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  o  lançamento  poderia  ter  sido  efetuado.  Preliminar rejeitada.  PRELIMINAR.  NULIDADE  DO  LANÇAMENTO  LAVRADO  POR  AUTORIDADE INCOMPETENTE.  Consoante disposição legal expressa, a ação fiscal e todos os termos a  ela  inerentes  são  válidos,  mesmo  quando  formalizados  por  Auditor  Fiscal  pertencentes  a  jurisidição  diversa  da  do  domicílio  fiscal  do  sujeito passivo,  o que confere a validade à  fiscalização,  efetuada por  qualquer  Delegacia  da  Receita  Federal,  mesmo  que  seja  diversa  daquela  cuja  jurisdição  pertence  o  domicílio  fiscal  do  contribuinte.  Preliminar rejeitada.  PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.  Pelos elementos constantes dos autos, fica sem fundamento a alegação  de cerceamento do direito de defesa, na medida em que o interessado,  tanto  na  fase  de  autuação,  quanto  na  fase  impugnatória,  teve  oportunidade  de  carrear  aos  autos  documentos,  informações,  esclarecimentos,  no  sentido  de  elidir  a  tributação  contestada.  Documentos  apreendidos  pela  polícia  ou  pela  justiça  ainda  permanecem  acessíveis  para  o  pedido  de  cópias.  A  omissão  do  interessado  quanto  a  essa  providência  não  pode  beneficiá­lo  com  a  caracterização do cerceamento de defesa. Preliminar rejeitada.  PRELIMINAR. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO.  Comprovado, pelos elementos constantes dos autos, ter o contribuinte,  na  qualidade  de  suposto  mandatário,  utilizado  o  nome  de  interposta  Fl. 1556DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13884.003135/2005­93  Resolução n.º 2202­00.342  S2­C2T2  Fl. 4            4 pessoa para efeito de movimentação de contas bancárias, sendo ele o  real beneficiário dos depósitos que foram objeto da presente autuação,  há que se  refutar a argumentação de erro na  identificação do sujeito  passivo. Preliminar rejeitada.  PRELIMINAR.  IMPOSSIBILIDADE  DE  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA LEI Nº 10.637/2002  Aplica­se ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação,  tenha  instituído  novos  critérios  de  apuração  ou  processos  de  fiscalização,  ampliando  os  poderes  de  investigação das autoridades administrativas. Preliminar rejeitada.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  A  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  autoriza  o  lançamento  do  imposto  correspondente,  sempre  que  o  titular  da  conta bancária  ou o  real  beneficiário dos depósitos,  pessoas  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em  sua  conta  de  depósitos  ou  de  investimentos,  ou  na  conta  de  interposta pessoa.  Assim  sendo,  é  de  ser manter  o  lançamento  em  análise,  uma  vez  constar dos autos elementos que demonstram ser o contribuinte o  real  beneficiários  dos  depósitos  bancários  que  foram  objeto  da  presente autuação.  QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.  A  aplicação  da  multa  de  ofício  decorre  de  expressa  previsão  legal,  tendo  natureza  de  penalidade  por  descumprimento  da  obrigação  tributária  e,  presentes  na  conduta  do  contribuinte  as  condições  que  propiciaram  a  qualificação  da  multa  de  ofício,  consubstanciadas  pela  tentativa de impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato  gerador do imposto é de se manter a multa de ofício de 150% (cento e  cinquenta  por  cento),  aplicada  sobre  o  imposto  incidente  sobre  os  depósitos  bancários  de  origem  não  comprovada,  efetuados  em  conta­ corrente.  ATOS LEGAIS. INCONSTITUCIONALIDADE.  Refoge  à  competência  da  autoridade  administrativa  a  apreciação  e  decisão  de  questões  que  versem  sobre  a  constitucionalidade  de  atos  legais,  salvo  se  já  houver  decisão  do  Supremo  tribunal  Federal  declarando a inconstitucionalidade da lei ou ato normativo.  PEDIDO DE PERÍCIA.  Desnecessário o exame pericial em livros fiscais de empresas, das quais  é sócio o impugnante, quando o motivo apresentado é a comprovação  de  origem  dos  depósitos  bancários  cujo  ônus  probatório  recai  exclusivamente sobre o contribuinte.  Lançamento Procedente     Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13884.003135/2005­93  Resolução n.º 2202­00.342  S2­C2T2  Fl. 5            5 O C. Supremo Tribunal Federal, no RE  601.314/SP, reconheceu a existência de  Repercussão  Geral  para  exame  da  constitucionalidade  da  quebra  do  sigilo  bancário,  pela  fiscalização,  sem a prévia  autorização  judicial,  conforme podemos ver da ementa da decisão  monocrática abaixo:    “CONSTITUCIONAL.  SIGILO  BANCÁRIO.  FORNECIMENTO  DE  INFORMAÇÕES  SOBRE  MOVIMENTAÇÃO  BANCÁRIA  DE  CONTRIBUINTES,  PELAS  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS,  DIRETAMENTE  AO  FISCO,  SEM  PRÉVIA  AUTORIZAÇÃO  JUDICIAL  (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE   APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE  SUA  VIGÊNCIA.  RELEVÂNCIA  JURÍDICA  DA  QUESTÃO  CONSTITUCIONAL.  EXISTÊNCIA  DE  REPERCUSSÃO  GERAL”  (fl. 563).  Brasília, 4 de agosto de 2011.  Min. RICARDO LEWANDOWSKI – Relator”      O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009,  estabelece  no  art.  62  –A  que  devem  ser  sobrestados  os  recursos  sobre  a  matéria  com  Repercussão  Geral  reconhecida  pelo  C.  STF  ou  em  Recurso  Repetitivo  Representativo  da  controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543­B e 543­C, do CPC):  Art.  62­A. As decisões definitivas de mérito,  proferidas pelo Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C  da  Lei  nº  5.869,  de  1973,  CPC,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.  §  1º  Ficarão  sobrestados  os  julgamentos  dos  recursos  sempre  que  o  STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da  mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­ B.  §  2º  O  sobrestamento  de  que  trata  o  §  1º  será  feito  de  ofício  pelo  relator ou por provocação das partes.  O C. STF, pelo Tribunal Pleno, no RE nº 389.808­PR, Rel. Min. Marco Aurélio,  j.,  15.12.2010,    reconheceu  a  inconstitucionalidade  da  quebra  do  sigilo  bancários,  sem  a  prévia autorização judicial Referido RE pede da decisão Embargos de Declaração com pedido  de efeito modificativo ou infringentes.    Fora o RE 389.808­PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado,  o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra   do  sigilo  bancário  pela  existência  de  Repercussão Geral  reconhecida  no  RE  nº  601.314­SP,  conforme vemos nas decisões abaixo:  DESPACHO:   Vistos.   Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13884.003135/2005­93  Resolução n.º 2202­00.342  S2­C2T2  Fl. 6            6 O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face  do  inciso  II  do  artigo  17  da  Lei  n°  9.393/96,  que  possibilitou  a  celebração  de  convênios  entre  a  Secretaria  da  Receita  Federal  e  a  Confederação  Nacional  da  Agricultura  ­  CNA  e  a  Confederação  Nacional  dos  Trabalhadores  na  Agricultura  –  Contag,  a  fim  de  viabilizar  o  fornecimento de  dados  cadastrais  de  imóveis  rurais  para  possibilitar cobranças tributárias. Verifica­se que no exame do RE n°  601.314/SP,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski,  foi  reconhecida  a  repercussão  geral  de matéria  análoga  à  da  presente  lide,  e  terá  seu  mérito  julgado  no  Plenário  deste  Supremo  Tribunal  Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão  do  julgamento  do  mencionado  RE  nº  601.314/SP.  Devem  os  autos  permanecer  na  Secretaria  Judiciária  até  a  conclusão  do  referido  julgamento.  Publique­se.  Brasília,  9  de  fevereiro  de  2011.  Ministro  DIAS  TOFFOLI  Relator  Documento  assinado  digitalmente  (RE  488993,  Rel. Min. DIAS  TOFFOLI,  j.  09/02/2011,  DJe­035 DIVULG  21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011)   REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A  MATÉRIA  –  SIGILO  ­  DADOS  BANCÁRIOS  –  FISCO  –  AFASTAMENTO  –  ARTIGO  6º  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  105/2001  –  SOBRESTAMENTO.  1.  O  Tribunal,  no  Recurso  Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski,  concluiu  pela  repercussão  geral  do  tema  relativo  à  constitucionalidade  de  o  Fisco  exigir  informações  bancárias  de  contribuintes  mediante  o  procedimento  administrativo  previsto  no  artigo  6º  da  Lei  Complementar  nº  105/2001.  2.  Ante  o  quadro,  considerado  o  fato  de  o  recurso  veicular  a  mesma  matéria,  tendo  a  intimação  do  acórdão  da  Corte  de  origem  ocorrido  anteriormente  à  vigência do sistema da repercussão geral, determino o  sobrestamento  destes  autos.  3.  À  Assessoria,  para  o  acompanhamento  devido.  4.  Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min.  MARCO  AURÉLIO,  j.  04/10/2011,  DJe­213  DIVULG  08/11/2011  PUBLIC 09/11/2011)   REPERCUSSÃO  GERAL.  LC  105/01.CONSTITUCIONALIDADE.  LEI  10.174/01.  APLICAÇÃO  PARA  APURAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE  SUA  VIGÊNCIA.  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO  DA  UNIÃO  PREJUDICADO.  POSSIBILIDADE.  DEVOLUÇÃO  DO  PROCESSO  AO TRIBUNAL DE ORIGEM  (ART.  328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO  RISTF  ).  Decisão:  Discute­se  nestes  recursos  extraordinários  a  constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu  o  fornecimento  de  informações  sobre  movimentações  financeiras  diretamente  ao  Fisco,  sem  autorização  judicial;  bem  como  a  possibilidade, ou não, da aplicação da Lei  10.174/01 para apuração  de  créditos  tributários  referentes  a  exercícios  anteriores  ao  de  sua  vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento  à  remessa  oficial  e  à  apelação  da  União,  reconhecendo  a  impossibilidade  da  aplicação  retroativa  da  LC  105/01  e  da  Lei  10.174/01.  Contra  essa  decisão,  a  União  interpôs,  simultaneamente,  recursos  especial  e  extraordinário,  ambos  admitidos  na  Corte  de  origem. Verifica­se que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento  ao  recurso  especial  em  decisão  assim  ementada  (fl.  281):  “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA  Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13884.003135/2005­93  Resolução n.º 2202­00.342  S2­C2T2  Fl. 7            7 CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS –  IMPOSTO  DE  RENDA  –  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  –  PERÍODO  ANTERIOR  À  LC  105/2001  –  APLICAÇÃO  IMEDIATA  –  RETROATIVIDADE  PERMITIDA  PELO  ART.  144,  §  1º,  DO CTN  –  PRECEDENTE  DA  PRIMEIRA  SEÇÃO  –  RECURSO  ESPECIAL  PROVIDO.”  Irresignado,  Gildo  Edgar  Wendt  interpôs  novo  recurso  extraordinário,  alegando,  em  suma,  a  inconstitucionalidade  da  LC  105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 .  O  Supremo  Tribunal  Federal  reconheceu  a  repercussão  geral  da  controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do  Pleno  desta  Corte,  nos  autos  do  RE  601.314,  Relator  o  Ministro  Ricardo  Lewandowski.  Pelo  exposto,  declaro  a  prejudicialidade  do  recurso  extraordinário  interposto  pela  União,  com  fundamento  no  disposto  no  artigo  21,  inciso  IX,  do  RISTF.  Com  relação  ao  apelo  extremo  interposto  por  Gildo  Edgar  Wendt,  revejo  o  sobrestamento  anteriormente  determinado  pelo  Min.  Eros  Grau,  e,  aplicando  a  decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n.  503.064­AgR­AgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626­AgR­ AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473­ED, Rel.  Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de  origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543­B e seus  parágrafos do Código de Processo Civil). Publique­se. Brasília, 1º de  agosto  de  2011.  Ministro  Luiz  Fux  Relator.  Documento  assinado  digitalmente.  (RE  602945,  Rel.  Min.  LUIZ  FUX,  j.,01/08/2011,  DJe­ 158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011)   DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão  em  torno  da  suposta  transgressão  à  garantia  constitucional  de  inviolabilidade  do  sigilo  de  dados  e  da  intimidade  das  pessoas  em  geral,  naqueles  casos  em que  a  administração  tributária,  sem  prévia  autorização  judicial, recebe, diretamente, das  instituições  financeiras,  informações  sobre  as  operações  bancárias  ativas  e  passivas  dos  contribuintes  ­  será  apreciada  no  recurso  extraordinário  representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP,  Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI,  em  cujo  âmbito  o  Plenário  desta  Corte  reconheceu  existente  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional.  Sendo assim,  impõe­se  o  sobrestamento  dos  presentes  autos,  que  permanecerão  na  Secretaria  desta  Corte  até  final  julgamento  do  mencionado  recurso  extraordinário.  Publique­se.  Brasília,  21  de  maio  de  2010.  (RE  479841,  Rel.Min.  CELSO  DE  MELLO,  j.,  21/05/2010,  DJe­100  DIVULG  02/06/2010  PUBLIC  04/06/2010)    Em  face  do  exposto,  parece  não  existir  dúvida  sobre  a  existência  da  Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314­SP sobre a quebra do sigilo bancário,  sem a prévia autorização judicial.  Assim,  por  se  cuidar  de  Recurso  Voluntário  sobre  lançamento  realizado  com  base  na  omissão  de  rendimentos  caracterizados  por  depósitos  bancários  obtidos  mediante   Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte,  sem autorização  judicial,  é  necessário sobrestar o julgamento dos autos, na forma do art. 62­A, do RI, deste Conselho, até  a decisão do RE nº 601.314­SP.  Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 13884.003135/2005­93  Resolução n.º 2202­00.342  S2­C2T2  Fl. 8            8 Ante o exposto, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos,  na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314­SP, do C.  STF.  (Assinado digitalmente)   Odmir Fernandes, Relator.      Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 13/11/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por ODMIR FERNANDES

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Numero do processo: 10215.721646/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2010 a 29/02/2012 IRREGULARIDADE NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA. Os Autos de Infração derivam da constatação pelo Fisco de situação de fato rechaçada pelo direito, situação esta clara e precisamente descrita no Relatório Fiscal. CERCEAMENTO DO DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. o Município foi devidamente notificado, tendo sido apresentados os fatos e fundamentos legais que deram ensejo aos lançamentos. Nítido está que o Município exercitou plenamente seu direito de defesa, ao apresentar, tempestivamente, impugnações e, inclusive, esclarecimentos. ANÁLISE DA CONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS LEGAIS. COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO PODER JUDICIÁRIO. Não cabe à instância administrativa decidir questões relativas à constitucionalidade de dispositivos legais, competência exclusiva do Poder Judiciário CONTRIBUIÇÕES LANÇADAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES APURADAS EM FOLHA DE PAGAMENTO E NÃO DECLARADAS EM GFIP. DEBCAD Nº 51.035.165-4. CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS. O lançamento teve por base as informações constantes nas Folhas de pagamento e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social - GFIP do próprio Município. Donde restou comprovado as Omissões detectadas pela fiscalização. DA APLICAÇÃO INCORRETA DO SAT/RAT - ATIVIDADE PREPONDERANTE. DEBCAD Nº 51.035.166-2. A contribuição da empresa destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação do percentual de dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados empregados, nos termos da legislação de regência. DA APLICAÇÃO DA MULTA Verificado que os autos de infração foram lavrados por ter o contribuinte apresentado em GFIP dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, e que o período de apuração se deu entre 01/08/2010 e 29/02/2012, imperioso se faz a aplicação da multa prevista no artigo 35-A da Lei 8.212/91 cumulado com o Art. 44, I, §2º da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2302-003.175
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. LIEGE LACROIX THOMASI - Presidente. LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LIEGE LACROIX THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E SILVA, LEO MEIRELLES DO AMARAL, JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2709; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C3T2  Fl. 2          1 1  S2­C3T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10215.721646/2012­12  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2302­003.175  –  3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  14 de maio de 2014  Matéria  Contribuições Socias Previdenciárias  Recorrente  MUNICÍPIO DE ORIXIMINÁ  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/08/2010 a 29/02/2012  IRREGULARIDADE NOS AUTOS DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA.  Os  Autos  de  Infração  derivam  da  constatação  pelo  Fisco  de  situação  de  fato  rechaçada pelo direito,  situação esta clara e precisamente descrita no Relatório  Fiscal.  CERCEAMENTO DO DIRETO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.  o  Município  foi  devidamente  notificado,  tendo  sido  apresentados  os  fatos  e  fundamentos  legais  que  deram  ensejo  aos  lançamentos.  Nítido  está  que  o  Município  exercitou  plenamente  seu  direito  de  defesa,  ao  apresentar,  tempestivamente, impugnações e, inclusive, esclarecimentos.   ANÁLISE  DA  CONSTITUCIONALIDADE  DE  DISPOSITIVOS  LEGAIS.  COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO PODER JUDICIÁRIO.  Não  cabe  à  instância  administrativa  decidir  questões  relativas  à  constitucionalidade  de  dispositivos  legais,  competência  exclusiva  do  Poder  Judiciário  CONTRIBUIÇÕES  LANÇADAS  INCIDENTES  SOBRE  AS  REMUNERAÇÕES  APURADAS  EM  FOLHA  DE  PAGAMENTO  E  NÃO  DECLARADAS  EM  GFIP.  DEBCAD  Nº  51.035.165­4.  CONTRIBUIÇÕES  DEVIDAS.  O lançamento teve por base as informações constantes nas Folhas de pagamento  e  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à Previdência  Social  ­ GFIP do  próprio Município. Donde  restou  comprovado as Omissões detectadas pela fiscalização.  DA  APLICAÇÃO  INCORRETA  DO  SAT/RAT  ­  ATIVIDADE  PREPONDERANTE. DEBCAD Nº 51.035.166­2.  A  contribuição  da  empresa  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais do trabalho corresponde à aplicação do percentual de dois por cento para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante  o  risco  de  acidente  do  trabalho  seja  considerado  médio,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados,  nos  termos da legislação de regência.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 16 46 /2 01 2- 12 Fl. 865DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI     2 DA APLICAÇÃO DA MULTA   Verificado  que  os  autos  de  infração  foram  lavrados  por  ter  o  contribuinte  apresentado em GFIP dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as  contribuições  previdenciárias,  e  que  o  período  de  apuração  se  deu  entre  01/08/2010  e  29/02/2012,  imperioso  se  faz  a  aplicação  da  multa  prevista  no  artigo 35­A da Lei 8.212/91 cumulado com o Art. 44, I, §2º da Lei 9.430/96.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  votos  que  integram  o  presente  julgado.   LIEGE LACROIX THOMASI ­ Presidente.     LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  LIEGE  LACROIX  THOMASI (Presidente), ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, ARLINDO DA COSTA E  SILVA,  LEO MEIRELLES DO AMARAL,  JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ,  LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES.    Relatório  Trata­se do Auto  de  Infração  por Descumprimento  de Obrigação Principal,  DEBCAD n° 51.035.165­4, lavrado em 19/12/2012 em face do MUNICÍPIO DE ORIXIMINÁ  – PREFEITURA MUNICIPAL, no valor de R$ 608.453,32 (seiscentos e oito mil, quatrocentos  e cinquenta e três reais e trinta e dois centavos), referente ao não pagamento das contribuições  sociais  previdenciárias,  parte  patronal,  bem  como,  das  contribuições  destinadas  para  o  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incapacidade  laborativa  decorrente dos  riscos ambientais do  trabalho, ambas  incidentes  sobre  remunerações apuradas  em  folha  de  pagamento,  mas  não  declaradas  em  GFIP  pelo  Município  no  período  de  01/01/2010 a 31/12/2010.    Trata­se,  ainda,  do  Auto  de  Infração  por  Descumprimento  de  Obrigação  Principal, DEBCAD n°  51.035.166­2,  lavrado  em  19/12/2012  em  face  do MUNICÍPIO DE  ORIXIMINÁ  –  PREFEITURA  MUNICIPAL,  no  valor  de  R$  1.292.104,36  (um  milhão,  duzentos  e  noventa  e  dois  mil,  cento  e  quatro  reais  e  trinta  e  seis  centavos),  referente  às  contribuições  devidas  no  período  de  01/01/2010  a  31/12/2010  pela  utilização  de  alíquota  SAT/RAT indevida sobre o valor das remunerações declaradas em GFIP.           Segundo  o  relatório  fiscal,  a  municipalidade  não  cumpriu  sua  obrigação  quando  apresentou  GFIP  (Guia  de  Recolhimento  do  FGTS  e  de  Informações  à  Previdência  Social)  com  dados  não  correspondentes  aos  fatos  geradores  de  todas  as  contribuições  previdenciárias,  foram  detectadas  omissões  em  GFIP  de  remunerações  de  segurados  empregados, porquanto, foi aplicada a multa de 75% sobre as contribuições devidas, conforme  Fl. 866DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10215.721646/2012­12  Acórdão n.º 2302­003.175  S2­C3T2  Fl. 3          3 artigo 35­A, da Lei 8.212/91, combinado com o artigo 44, I, § 2º da lei 9.430/96 acrescida de  50% pelo não atendimento  à  intimação. Ademais, Aduz o Auditor Fiscal que os valores  dos  acréscimos  legais  (multa,  juros  e  correções)  encontram­se  evidenciados  em  cada  Auto  de  Infração, nos respectivos Discriminativos do Débito (DD).       Apresentada  impugnação  pela  empresa,  o  lançamento  foi  mantido  pela  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria/RS, cuja ementa foi proferida nos  seguintes termos:    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS    Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010    DIFERENÇAS  DECORRENTES  DA  CONCILIAÇÃO  FOLHAS  DE  PAGAMENTO X GFIP. ÔNUS DA PROVA.  Constatando­ se a declaração a menor em GFIP, de fatos geradores e contribuições,  apurados  através  das  Folhas  de  Pagamento,  cabe  à  auditoria  fiscal  efetuar  o  lançamento do crédito tributário correspondente às diferenças, uma vez que somente  os valores declarados em GFIP podem ser objeto de cobrança automática.    CONSTITUCIONALIDADE DE LEI.  A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como  de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao  Poder Judiciário.    CONTRIBUIÇÃO.  SAT.  ALÍQUOTA.  FUNDAMENTO  LEGAL.  VÍCIO  FORMAL. INOCORRÊNCIA. GRAU DE RISCO. LEGALIDADE.  O Auto de Infração composto pelo anexo Fundamento Legal do Débito  (FLD), que  indica a norma  legal que fundamenta a exigência da contribuição para  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrente dos riscos ambientais do  trabalho, e pelo anexo  Discriminativo  Analítico  do  Débito  (DAD),  que  informa  a  alíquota  aplicada,  garantem  ao  sujeito  passivo  o  amplo  direito  de  defesa,  e  ao  crédito  tributário  a  certeza e liquidez necessárias a eventual inscrição do débito em dívida ativa.  A  contribuição  da  empresa  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais do trabalho corresponde à aplicação do percentual de dois por cento para  a  empresa  em  cuja  atividade  preponderante  o  risco  de  acidente  do  trabalho  seja  considerado  médio,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração  paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  no  decorrer  do  mês,  aos  segurados  empregados,  nos  termos da legislação de regência.    Impugnação Improcedente  Crédito Tributário Mantido    Irresignada, o Município  interpôs Recurso Voluntário  tempestivo, alegando,  em síntese que:      a)  Preliminarmente,  tanto  o  auto  de  infração  de  Debcad  nº  51.035.165­4  quanto  o Auto  de  Infração  com Debcad  nº  51.035.166­2  são  nulos,  vez  Fl. 867DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI     4 que são possuidores de vícios insanáveis, como a indeterminação da base  de  cálculo,  que  culminou  no  cerceamento  do  direito  de  defesa  do  Município  Autuado,  bem  como,  a  desconsideração  da  atividade  preponderantemente desenvolvida pelo Município. Ademais, uma análise  jurídica dos dados que  consubstanciam os  lançamentos  revela que  estes  não têm força sufuciente para subsistirem, tendo em vista que os autos de  infração que deram origem aos débitos, não possuem os requisitos legais  que  são  exigidos  para  sua  lavratura,  tornando  infactível  ao  recorrente  extrair quais os critérios utilizados para a feitura dos autos em contenda;  Desta feita, é patente o cerceamento do direito de defesa posto que faltou  ser levado ao contribuinte os motivos (legais e de fato) que deram origem  a constituição do crédito.  b)  Tanto  a  fiscalização  quanto  os  ilustres  julgadores  desconsideraram  a  documentação  apresentada,  vez  que  restou­se  comprovado  que  fora  aplicada a alíquota do SAT/RAT e do FAP, levando­se em consideração a  atividade preponderante do Município que se situa na seara educacional,  posto  que  mais  de  metade  dos  funcionários  do  Município  estão  vinculados  à  Secretaria  Municipal  de  Educação,  o  que  legitima  a  aplicação  da  alíquota  de  1%  (um  por  cento)  haja  vista  que  o  risco  de  acidente do trabalho nesta atividade é leve;  c)  Ao ser delegada à Administração Pública Federal a  função de definir as  regras e formas de cálculo do fator acidentário de Prevenção – FAP, o art.  10 da Lei 10.666/03 afrontou­se o princípio constitucional da legalidade  estrita,  contrariando  o  art.  150,  inciso  I  da  Carta  Magna,  devendo  ser  reconhecida a sua inconstitucionalidade;    d)  Frisa  que,  pelo  modo  como  fora  calculado  a  multa  de  ofício  aplicada  (75% do valor do débito), caracterizou confisco. Assim, a referida multa  tem caráter meramente confiscatório, o que é determinantemente proibido  pela  Constituição  Pátria.  O  Valor  calculado  revelou­se  completamente  confiscatório,  atentando  aos  ditames  e  princípios  constitucionais,  em  especial  ao  não­confisco,  ao  direito  de  propriedade,  à  razoabilidade  e  à  proporcionalidade, devendo ser excluída ou, ao menos, reduzida a 20%.       Sem contrarrazões.    Assim vieram os autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por  meio de Recurso Voluntário.    É o relatório.    Voto             Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator.      Fl. 868DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10215.721646/2012­12  Acórdão n.º 2302­003.175  S2­C3T2  Fl. 4          5 Dos Pressupostos de Admissibilidade    Sendo o presente Recurso Voluntário tempestivo e apresentado os requisitos  de admissibilidade, passo ao seu exame.    Preliminares    Da Regularidade dos Autos de Infração.    Verifica­se  que  todos  os  requisitos  dos  artigos  10  e  11  do  Decreto  n°  70.235/1972  foram  observados  pelo  fisco,  não  existindo,  pois,  qualquer  vício  formal  ou  material no lançamento sob exame. Se não, vejamos:    Os Autos de Infração derivam da constatação pelo Fisco de situação de fato  rechaçada  pelo  direito,  situação  esta  clara  e  precisamente  descrita  no  Relatório  Fiscal,  com  apontamento dos fatos geradores, das contribuições devidas e do período ao qual se  referem.  Os motivos  legais estão expressamente relacionados nos Fundamentos Legais do Débito  (fls.  615/616)  e  no Descritivo  de Débito  –  DD  estão  indicadas  as  bases  de  cálculo  apuradas,  as  alíquotas adotadas e o valor das contribuições devidas pelo Município por competência.    Ademais,  frise­se  que  os  documentos  examinados  neste  feito  (Folhas  de  Pagamento  e  GFIPs)  foram  elaborados  pelo  próprio  Município  o  que  certamente  foi  fator  facilitador  para  pleno  exercício  do  direito  do  contraditório  e  da  ampla  defesa  pelo  órgão  autuado.     Assim,  estando  os  Autos  de  Infração  revestidos  das  formalidades  legais  e  estando de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, não se  verifica qualquer nulidade.      Do Não Cerceamento do Direto de Defesa     Alega  o  Município  que  ao  longo  do  processo  verifica­se  a  ocorrência  de  vários vícios insanáveis como a indeterminação da base de cálculo. Contudo, compulsando os  Autos,  observa­se  que  tais  alegações  não  prosperam,  na  medida  em  que  o  Município  foi  devidamente  notificado,  tendo  sido  apresentados,  como  dito  anteriormente,  os  fatos  e  fundamentos  legais  que  deram  ensejo  aos  lançamentos.  Por  fim,  é  nítido  que  o  Município  exercitou  plenamente  seu  direito  de  defesa,  ao  apresentar,  tempestivamente,  impugnações  e,  inclusive, esclarecimentos, conforme noticia os itens 3 a 6 do Relatório Fiscal.    Fl. 869DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI     6 Da  impossibilidade  da  análise  da  constitucionalidade  de  dispositivos  legais. Competência exclusiva do Poder Judiciário.    Impende,  ainda,  ratificar  a  posição  externada  pela  decisão  ora  recorrida  no  que pese a não poderem ser apreciadas, por este Conselho Administrativo, questões relativas à  constitucionalidade de dispositivos legais, cuja competência é exclusiva do Poder Judiciário.  No  Capítulo  III  do  Título  IV,  especificamente  no  que  trata  do  controle  da  constitucionalidade das normas, observa­se que o constituinte teve especial cuidado ao definir  quem  poderia  exercer  o  controle  constitucional  das  normas  jurídicas.  Decidiu  que  caberia  exclusivamente ao Poder Judiciário exercê­la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal.  Permitir  que  órgãos  colegiados  administrativos  reconhecessem  a  constitucionalidade  de  normas  jurídicas  seria  infringir  o  disposto  na  própria  Constituição  Federal,  padecendo,  portanto,  a  decisão  que  assim  o  fizer,  ela  própria,  de  vício  de  constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder.  O professor Hugo de Brito Machado in “Mandado de Segurança em Matéria  Tributária”, Ed. Revista dos Tribunais, páginas 302/303, assim concluiu:    “A conclusão mais consentânea com o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto,  há de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar  uma  lei  por  considerá­la  inconstitucional,  ou  mais  exatamente,  a  de  que  a  autoridade administrativa não tem competência para decidir se uma lei é, ou não é  inconstitucional.”    Como  da  decisão  administrativa  não  cabe  recurso  obrigatório  ao  Poder  Judiciário,  em  se  permitindo  a  declaração  de  inconstitucionalidade  de  lei  pelos  órgãos  administrativos judicantes, as decisões que assim a proferissem não estariam sujeitas ao crivo  do Supremo Tribunal Federal que é a quem compete, em grau de definitividade, a guarda da  Constituição.  Poder­se­ia,  nestes  casos,  ter  a  absurda  hipótese  de  o  tribunal  administrativo  declarar  determinada  norma  inconstitucional  e  o  Judiciário,  em  manifestação  do  seu  órgão  máximo, pronunciar­se em sentido inverso.  Por  essa  razão  é  que  através  de  seu  Regimento  Interno  e  Súmula,  os  Conselhos de Contribuintes se auto impuseram com regra proibitiva nesse sentido:  Portaria MF  n°  147,  de  25/06/2007  (que  aprovou  o Regimento  Interno  dos  Conselhos de Contribuintes):  Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos  Conselhos  de  Contribuintes  afastar  a  aplicação  ou  deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento  de  inconstitucionalidade.    Súmula  02  do  Segundo  Conselho  de  Contribuintes,  publicada  no  DOU  de  26/09/2007:  “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar  sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.”    Fl. 870DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10215.721646/2012­12  Acórdão n.º 2302­003.175  S2­C3T2  Fl. 5          7 Deste modo, não tendo sido declarada a  invalidade ou inconstitucionalidade  da  lei  pelo  Poder  Judiciário,  único  competente  para  tanto,  ela  deverá  ser  cumprida  pela  autoridade administrativa por força do ato administrativo vinculado.    Mérito    Das  contribuições  lançadas  incidentes  sobre as  remunerações  apuradas  em folha de pagamento e não declaradas em GFIP. DEBCAD nº 51.035.165­4.      Substancialmente, o Município ora Recorrente alega, também no mérito, que  ante a  existência de vício  insanável no processo  fiscal,  sobretudo,  em  relação à omissão das  bases  de  cálculo  utilizadas  para  a  apuração  da  diferença  das  contribuições  previdenciárias  efetivamente pagas pelo município daquelas apontadas pela  fiscalização como devidas, posto  que  não  restou  claro  nos  autos  combatidos,  quais  as  remunerações  contidas  nas  folhas  de  pagamento do Município foram computadas para embasar a autuação ora analisada.    Conforme já exposto quando da análise das preliminares, consta no Relatório  Fiscal que o  lançamento  teve por base as  informações constantes nas Folhas de pagamento e  Guias  de  Recolhimento  do  Fundo  de  Garantia  do  Tempo  de  Serviço  e  Informações  à  Previdência Social – GFIP do próprio Município.    Por oportuno, transcreve­se trecho do Relatório Fiscal, onde a fiscalização  sintetiza direta e precisamente as atividades desenvolvidas:    “18. Compilamos o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos  segurados  empregados  que  prestaram  serviços  à  Prefeitura  Municipal  de  Oriximiná,  conforme  informações  constantes  nas  folhas  de  pagamento  apresentadas  pelo  sujeito  passivo,  e,  após  exclusão  das  parcelas  não  integrantes  da  base  de  cálculo,  previstas  no  parágrafo  9º  do  art.  28  da  Lei  8.212/91,  apuramos  a  base  de  cálculo  da  contribuição  previdenciária  da  empresa, mês a mês, conforme anexo I deste relatório.    19. Após, procedemos ao cotejo dos valores apurados no item anterior com as  informações  declaradas  pelo  contribuinte  nas  Guias  de  Recolhimentos  do  FGTS e Informações à Previdência (GFIP).    [...]    20.  Com  isto  detectamos  omissões  em  GFIP  de  segurados  empregados,  quando comparamos os valores de base de cálculo informados nas folhas de  pagamento com os valores declarados em GFIP pelo contribuinte, conforme  demonstrado no anexo II deste relatório.”      Da leitura do excerto, vê­se que o fiscal responsável confrontou o valor total  das  remunerações  pagas  pela  Prefeitura  Municipal  de  Oriximiná  constantes  nas  folhas  de  Fl. 871DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI     8 pagamento  apresentadas,  e,  após  exclusão  das  parcelas  não  integrantes  de  base  de  cálculo,  previstas  no  parágrafo  9º  do  art.  28  da  Lei  nº  8.212/91,  com  os  valores  declarados  pelo  Município  em  GFIP,  demonstrando  tudo  objetivamente  através  de  planilhas  anexas  ao  relatório.    Embora o Município  tenha  tomado conhecimento, através da notificação da  presente autuação, da existência de divergência entre o valor total das remunerações declarado  nas  GFIPs  e  do  valor  total  das  remunerações  constantes  em  suas  folhas  de  pagamento,  em  nenhum momento ao tentar se defender (tanto na Impugnação quanto no Recurso Voluntário) o  ente  municipal  apresentou  motivos  fáticos  que  rechaçassem  ou  justificassem  a  diferença  apurada pela fiscalização.    Ademais, em contrapartida, os documentos constantes nos autos, constituem  inegável forma para atestar o exposto no Auto de Infração ora examinado.    Da  aplicação  incorreta  do  SAT/RAT  –  Atividade  Preponderante.  DEBCAD nº 51.035.166­2.    O Município ora Recorrente argui que fora aplicada a alíquota do SAT/RAT  e do FAP, levando­se em consideração a atividade preponderante do Município que se situa na  seara educacional, posto que mais de metade dos funcionários do Município estão vinculados à  Secretaria Municipal de Educação, o que legitima a aplicação da alíquota de 1% (um por cento)  haja vista que o risco de acidente do trabalho nesta atividade é leve.  Primeiramente, frise­se que a exigência da contribuição para o financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  de  riscos  ambientais  do  trabalho  é  prevista  no  art.  22,  II  da  Lei  n  °  8.212/1991,  alterada pela Lei n ° 9.732/1998, in verbis:  Art.22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade  Social,  além do disposto no art. 23, é de:  (...)  II  ­  para  o  financiamento  do  benefício  previsto  nos  arts.  57  e  58  da  Lei  nº  8.213, de 24 de  julho de 1991,  e daqueles  concedidos  em  razão do grau de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do  mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: (Redação dada pela  Lei nº 9.732, de 11/12/98)  a)  1%  (um  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade  preponderante  o  risco de acidentes do trabalho seja considerado leve;  b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse  risco seja considerado médio;  c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse  risco seja considerado grave.    Fl. 872DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10215.721646/2012­12  Acórdão n.º 2302­003.175  S2­C3T2  Fl. 6          9 Ademais,  o  dispositivo  acima  transcrito  é  regulamentado  pelo  art.  202  do  Regulamento  da  Previdência  Social,  aprovado  pelo  Decreto  n°  3.048/1999,  com  alterações  posteriores, in verbis:    Art.202.  A  contribuição  da  empresa,  destinada  ao  financiamento  da  aposentadoria  especial,  nos  termos  dos  arts.  64  a  70,  e  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho  corresponde  à  aplicação  dos  seguintes percentuais,  incidentes  sobre o  total  da  remuneração paga, devida  ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e  trabalhador avulso:  I ­ um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de  acidente do trabalho seja considerado leve;  II ­ dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de  acidente do trabalho seja considerado médio; ou  III ­ três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de  acidente do trabalho seja considerado grave.    Quanto  ao  Decreto  612/92  e  posteriores  alterações  (Decretos  2.173/97  e  3.048/99)  que,  regulamentando  a  contribuição  ao  RAT,  estabeleceram  os  conceitos  de  “atividade preponderante” e “grau de risco leve, médio ou grave”, repele­se a possível argüição  de  contrariedade  ao  princípio  da  legalidade,  uma  vez  que  a  lei  fixou  padrões  e  parâmetros,  deixando  para  o  regulamento  apenas  a  delimitação  dos  conceitos  necessários  à  aplicação  concreta da norma.   Assim, os conceitos de atividade preponderante e grau de risco de acidente de  trabalho não precisariam estar definidos em lei, pois o Regulamento é ato normativo suficiente  para  definição  de  tais  conceitos,  uma  vez  que  são  complementares  e  não  essenciais  na  definição da exação.  Esta  foi a posição do Supremo Tribunal Federal  ­ STF ao apreciar Recurso  Extraordinário em que se questionava a constitucionalidade do SAT:    EMENTA:  ­  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  CONTRIBUIÇÃO:  SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO ­ SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e  4º;  Lei  8.212/91,  art.  22,  II,  redação  da  Lei  9.732/98.  Decretos  612/92,  2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I.  ­ Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho ­ SAT: Lei  7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são  ofensivos  ao  art.  195,  §  4º,  c/c  art.  154,  I,  da  Constituição  Federal:  improcedência.  Desnecessidade  de  observância  da  técnica  da  competência  residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para  Fl. 873DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI     10 a instituição da contribuição para o SAT. II. ­ O art. 3º,  II, da Lei 7.787/89,  não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada  Lei  7.787/89  cuidou  de  tratar  desigualmente  aos  desiguais.  III.  ­  As  Leis  7.787/89, art. 3º,  II, e 8.212/91, art. 22,  II, definem, satisfatoriamente,  todos  os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a  lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade  preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao  princípio  da  legalidade  genérica, C.F.,  art.  5º,  II,  e  da  legalidade  tributária,  C.F., art. 150, I. IV. ­ Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão  não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o  contencioso  constitucional. V.  ­ Recurso  extraordinário  não  conhecido.  (RE  343.446/SC, Rel. Min. Carlos Velloso, julgado em 20.3.2003, DJ 04.04.2003,  p. 40).      Conclui­se,  ante  a  clara  decisão  do  STF,  que  a  contribuição  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho é legal e constitucional.    Quanto à alegação de que a atividade preponderante do autuado sujeitar­se­ia  à  alíquota  diferente do  classificado  pela  fiscalização,  é  importante  destacar  que  os  relatórios  apresentados  pela  Municipalidade  não  atende  ao  fim  colimado,  ou  seja,  não  são  hábeis  a  comprovar que a principal atividade do Município é preponderantemente educação, logo, não  há provas suficientes na defesa apresentada que dê amparo à alegação do Recorrente.          Da Aplicação da multa de ofício      Alega  a  a  recorrente que  a multa  aplicada deve  ser  excluída ou,  ao menos,  reduzida a 20%. Todavia, não merece êxito tal alegação. Veja­se:    No caso dos autos, verifica­se que os autos de infração foram lavrados por ter  o contribuinte apresentado em GFIP dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as  contribuições previdenciárias, e no período de 01/08/2010 a 29/02/2012,  incorrendo na multa  prevista no artigo 35­A da Lei 8.212/91 cumulado com o Art. 44, I, §2º da Lei 9.430/96.    o art. 35A, introduzido pela Lei nº 11.941/2009, passou a punir o contribuinte  pelo  lançamento  de  ofício,  conduta  esta  não  tipificada  na  legislação  anterior,  calculado  da  seguinte forma:      Art.  35A.  ­  Nos  casos  de  lançamento  de  ofício  relativos  às  contribuições  referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430,  de 27 de dezembro de 1996.      O art. 44 da Lei n º 9.430/96, por sua vez, traz que a multa de ofício de 75%  incidirá  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição  nos  casos  de  falta  de  Fl. 874DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI Processo nº 10215.721646/2012­12  Acórdão n.º 2302­003.175  S2­C3T2  Fl. 7          11 pagamento , de falta de declaração e nos de declaração inexata. Portanto, está claro que as três  condutas não precisam ocorrer simultaneamente para ser aplicada a multa:       I ­ de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de  imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento,  de falta de declaração e nos de declaração inexata;  II ­ de 50% (cinqu enta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do  pagamento mensal:    a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que  deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar  na declaração de ajuste, no caso de pessoa física;  b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha  sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição  social sobre o lucro líquido, no anocalendário  correspondente, no caso de pessoa jurídica.        Pela nova sistemática  aplicada  às contribuições previdenciárias, o atraso no  seu recolhimento será punido com multa de 0,33% por dia, limitado a 20% (art. 61 da Lei nº  9.430/1996).  Sendo o  caso  de  lançamento  de  ofício,  a multa  será  de 75%  (art.  44  da Lei  nº  9.430/1996).    Por quanto, agiu corretamente a fiscalização ao aplicar a multa de ofício.       Conclusão    Ante o exposto, conheço do Recurso Voluntário para NEGAR­LHE TOTAL  PROVIMENTO,  mantendo  incólume  o  crédito  fiscal  constantes  nos  DEBCADs  n°  51.035.165­4 e n° 51.035.166­2.    É como voto.  Sala das Sessões, em 14 de maio de 2014.  Leonardo Henrique Pires Lopes Relator                              Fl. 875DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI     12   Fl. 876DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 0 2/06/2014 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por LIEGE LACROIX T HOMASI

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Numero do processo: 11050.001410/2009-45
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004 EXPORTAÇÃO. DADOS DE EMBARQUE. REGISTRO EXTEMPORÂNEO. MULTA ADMINISTRATIVA. FALTA DE PRAZO CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO. Não havendo prazo certo e determinado para cumprimento da obrigação acessória não há que se falar em penalidade decorrente do seu não cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo para o cumprimento do registro de embarque tornou-se certo e determinado.
Numero da decisão: 3803-005.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1768; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 10          1 9  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11050.001410/2009­45  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­005.284  –  3ª Turma Especial   Sessão de  30 de janeiro de 2014  Matéria  ADUANEIRA ­ MULTA  Recorrente  AGENCIA DE VAPORES GRIEG SA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/08/2004 a 31/08/2004  EXPORTAÇÃO.  DADOS  DE  EMBARQUE.  REGISTRO  EXTEMPORÂNEO.  MULTA  ADMINISTRATIVA.  FALTA  DE  PRAZO  CERTO E DETERMINADO. NÃO APLICAÇÃO.  Não  havendo  prazo  certo  e  determinado  para  cumprimento  da  obrigação  acessória  não  há  que  se  falar  em  penalidade  decorrente  do  seu  não  cumprimento. Somente após a vigência da IN SRF nº 510/2005 é que o prazo  para o cumprimento do registro de embarque tornou­se certo e determinado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso para cancelar o auto de infração.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente  (assinado digitalmente)  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Belchior  Melo  de  Sousa,  Corintho Oliveira Machado,  Hélcio  Lafetá  Reis,  João Alfredo  Eduão  Ferreira,  Jorge  Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 05 0. 00 14 10 /2 00 9- 45 Fl. 423DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     2 Relatório  Trata­se de auto de infração com valor total de R$ 25.000,00, em decorrência  do  cumprimento  intempestivo  de  obrigação  tributária  acessória  de  informar  os  dados  de  embarques de mercadorias realizados em agosto de 2004 no Siscomex.  Irresignado, o sujeito passivo apresentou impugnação onde alega:  a) ilegitimidade para figurar no pólo passivo da autuação por não se tratar de  transportador marítimo ou representante deste, mas de agente marítimo;  b)  decadência de  parte  dos  lançamentos,  pois  na  data  da  ciência  já haviam  decorridos cinco anos da data da ocorrência da infração;  c)  realizou  denúncia  espontânea,  visto  que  informou  os  dados  no  sistema  antes da lavratura do Auto de Infração;  d)  a multa  não  pode  ser  aplicada  ao  agente marítimo  por  falta  de  previsão  legal e que, por não se tratar de responsabilidade pelo recolhimento do imposto de importação,  não há solidariedade,  e)  a  penalidade  deveria  ser  aplicada  uma  única  vez  para  punir  uma  só  infração praticada de forma continuada,  f)  não  houve  atraso  na  prestação  da  informação,  mas  retificação,  a  qual  independe  de  sua  vontade  por  depender  de  informações  prestadas  pelos  exportadores,  desta  feita, a presunção de sua boa­fé exclui a ilicitude diante da total ausência de qualquer dano ou  prejuízo ao erário.  Ao  final,  requer  o  apensamento  dos  processos  administrativos  fiscais  11050.002445/2008­11, 11050.002450/2008­23, 11050.000312/2009­91, 11050.000310/2009­ 00, 11050.000230/2009­46 e 11050.001038/2009­77, com fulcro no § 1º do art. 9° do Decreto  n.° 70.235, de 1972, e solicita o cancelamento do Auto de Infração hostilizado.  A  2ª  Turma  da  DRJ/FNS  julgou  a  Impugnação  parcialmente  procedente  e  manteve  o  crédito  tributário  em  parte,  acatando  a  decadência  de  parte  do  lançamentos.  Desconsiderou as demais alegações do contribuinte ao afirmar:  a)  o  impugnante  é,  no  País,  representante  do  transportador  estrangeiro,  expressamente designado responsável solidário pelo pagamento do imposto de importação nos  casos  em  que  se  opera  a  transferência  de  responsabilidade  pelo  pagamento  desse  imposto  e  obrigado  a  cumprimento  das  obrigações  acessórias.  Além  disso,  por  ser  mandatário  de  transportador, é pessoalmente responsável pela infração.  b) não há denúncia  espontânea,  uma vez que a  infração  se dá por  informar  intempestivamente  os  dados  no  Siscomex  e  o  cumprimento  intempestivo  de  obrigações  acessórias autônomas não é alcançado pelo instituto da denúncia espontânea.  c) o  contribuinte não  é penalizado observando­se a quantidade de dados de  embarque  que  deixou  de  informar  relativamente  ao  carregamento  de  um  determinado navio,  mas por embarques distintos em navios distintos, onde a multa é aplicada uma única vez por  embarque, dessa forma não há uma infração continuada;  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11050.001410/2009­45  Acórdão n.º 3803­005.284  S3­TE03  Fl. 11          3 d) a  informação  intempestiva dos dados no Siscomex é de responsabilidade  do agente marítimo, nada importando se esses dados venham a ser posteriormente retificados  no sistema pelo exportador, além disso, não há qualquer documento que dê amparo a alegativa  de que as informações prestadas a destempo tratavam­se de retificações.  e) o marco  inicial  para  que  a Fazenda Pública  realize  o  lançamento  não  se  situa na data do embarque, mas apenas ao oitavo dia seguinte à data do embarque se o sujeito  deixou  de  prestar  as  informações  que  lhe  cabem  prestar  dentro  do  prazo  regulamentar.  Portanto,  parte  dos  lançamentos  foi  atingido  pela  decadência,  exonerando  o  contribuinte  do  pagamento que totaliza R$ 20.000,00 (vinte mil reais).  Irresignado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, por meio do qual  alega:  a)  há  denúncia  espontânea,  uma  vez  que  as  informações  retificadas  pelo  Requerente, foram inseridas no Siscomex antes da lavratura do auto de infração, prejudicando  totalmente o auto de infração, à vista disso há exclusão da punibilidade;  b)  não  houve  atraso  na  prestação  de  informações,  mas  sim,  simples  retificação, que não dificulta ou impede a fiscalização. Desta forma deve­se presumir a boa­fé  do contribuinte de forma a excluir a punibilidade.  c) não deixou de prestar informação no prazo e, por não ser uma empresa de  transporte internacional, nem tampouco um agente de carga, não há tipicidade legal para o seu  enquadramento, de modo que a autuação não merece prosperar.  Ao  final  requer  que  seja  reformada  a  decisão  recorrida,  julgando­se  totalmente improcedente o lançamento fiscal e arquive­se o presente processo.  É o relatório  Voto             Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator  O  Recurso  Voluntário  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento.  Depreende­se  do  processo  que  a  questão  principal  se  encontra  na  intempestividade  de  prestação  de  obrigação  autônoma.  Porém  à  época  dos  fatos  ainda  não  vigorava a Instrução Normativa SRF nº 510, de 14 de fevereiro de 2005, que instituiu o prazo  de 7 dias para se efetuar o registro no sistema de dados por meio de alteração do artigo 37 da  Instrução Normativa SRF nº 28 de 27 de abril de 1994.  Até então o artigo 37 da IN SRF nº 28/1994, em sua redação original, assim  versava:  Art.  37.  Imediatamente  após  realizado  o  embarque  da  mercadoria, o transportador registrará os dados pertinentes, no  SISCOMEX, com base nos documentos por ele emitidos.   Fl. 425DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     4 Parágrafo  único.  Na  hipótese  de  embarque  de  mercadoria  em  viagem  internacional,  por  via  rodoviária,  fluvial  ou  lacustre,  o  registro  de  dados  do  embarque,  no  SISCOMEX,  será  de  responsabilidade  do  exportador  ou  do  transportador,  e  deverá  ser  realizado  antes  da  apresentação  da  mercadoria  e  dos  documentos à unidade da SRF de despacho.  A  conduta  típica  descrita  na  norma  em  evidência  não  se  restringe  simplesmente à omissão na prestação da informação exigida, abrangendo, também, a forma e o  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, isso em relação às informações sobre a  carga transportada em veículo de transporte de carga internacional, é o que se extrai da redação  do artigo 107, inciso IV, alínea “e” do Decreto­lei n° 37/66, com a redação dada pelo artigo 77  da Lei n° 10.833, de 2003, abaixo reproduzido:  “Art. 107. Aplicam­se ainda as seguintes multas:[...]  IV ­ de R$ 5.000,00 (cinco mil reais):[...]  e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele  transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no  prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada  à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de  serviços  de  transporte  internacional  expresso porta­a­porta,  ou  ao agente de carga; e” (Negritamos)  Dessa forma, patente está que a conduta praticada pela recorrente apenas se  subsume  a  hipótese  da  infração  descrita  no  referido  preceito  legal  caso  seja  incontroverso  o  fato  de  que  a  prestação  das  informações  sobre  a  carga  embarcada  se  deu  depois  do  prazo  definido à época pela Administração Tributário­Aduaneira.  Isto  posto,  deve­se  interpretar  o  artigo  37  da  IN  SRF  nº  28/94  sem  as  alterações posteriores à data dos fatos, de forma a esclarecer qual era o prazo estabelecido para  que se registrassem os dados no SISCOMEX.  Percebe­se  que  o  artigo  contém  a  expressão  “imediatamente  após”  para  regulamentar o tempo de que o contribuinte dispunha para informar os dados do embarque.  Sobre  tal  assunto  colaciono  entendimento  da  2ª  Turma  Ordinária,  da  2ª  Câmara da Terceira Seção de Julgamento na sessão de 26 de novembro de 2013 por meio do  Acórdão nº 3202­000.997:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004  REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE  NA  EXPORTAÇÃO.  MULTA  DO  ART.  107,  IV,  “E”  DO  DL  37/1966  (IN/SRF  nºs.  28/1994  E  510/2005).  VIGÊNCIA  E  APLICABILIDADE.  A  expressão  “imediatamente  após”,  constante  da  vigência  original do art. 37 da IN SRF n.º 28/1994, traduz subjetividade e  não se constitui em prazo certo e induvidoso para o cumprimento  da obrigação de registro dos dados de embarque na exportação.  Para  os  efeitos  dessa  obrigação,  a multa  que  lhe  corresponde,  instituída  no  art.  107,  IV,  “e”  do  Decreto­lei  no  37/1966,  na  redação dada pelo art. 77 da Lei no 10.833/2003, começou a ser  Fl. 426DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11050.001410/2009­45  Acórdão n.º 3803­005.284  S3­TE03  Fl. 12          5 passível  de  aplicação  somente  em  relação  a  fatos  ocorridos  a  partir de 15/2/2005, data em que a IN SRF n.º 510/2005 entrou  em  vigor  e  fixou  prazo  certo  para  o  registro  desses  dados  no  Siscomex.  Recurso Voluntário provido.  Tal  acórdão utilizou­se do  raciocínio do  então Conselheiro  José Luiz Novo  Rossari,  relator  do  processo  administrativo  nº.  10715.004710/2009­52  (Acórdão  CARF/2ª  Câmara/2ª Turma Ordinária nº. 3202­00.359), cita­se:  Para a caracterização de  ilícito sujeito à aplicação da referida  multa,  há  que  ser  apurado  o  descumprimento  da  obrigação,  o  que implica, no caso, a inobservância de prazo fixado pela SRF  para a apresentação dos dados relativos ao embarque.  Verifica­se que, por ocasião dos fatos que geraram a aplicação  das  multas,  vigia  a  redação  original  do  art.  37  da  IN  SRF  nº  28/1994,  que  estabelecia  que  a  obrigação  devia  ser  satisfeita  “imediatamente  após  realizado  o  embarque  da  mercadoria”.  Ora, tem­se por evidente que, por não conter regramento certo e  inequívoco que permita seu cumprimento sem a permanência de  dúvidas,  a  imposição  normativa  constante  desse  ato  administrativo é destituída de força cogente para a finalidade a  que se propõe, de imposição de penalidade.  Com  efeito,  não  é  próprio  dos  diplomas  pátrios  norma  semelhante  que  tenha  fixado  prazo  não  revestido  de  certeza  e  não  expresso  em  quantidade  certa.  A  respeito,  vê­se  que  o  Código Civil (Lei nº 10.406, de 2002) refere a prazos em horas,  dias, meses e anos (arts. 132 et alia), o que traduz quantificação  em  números  certos  e  induvidosos.  Também  a  Lei  nº  9.784,  de  1999,  que  dispõe  sobre  o  processo  administrativo,  expressa  prazos em dias, meses e anos (art. 66), revelando quantificação  certa. O Decreto nº 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo  administrativo  fiscal,  estabelece  todos  os  seus  prazos  em  dias,  também com quantificação certa.  A matéria deve ser tratada com rigor ainda mais acentuado em  se  tratando  de  norma  tributária­penal,  que  deve  obedecer  ao  princípio  insculpido  no  art.  97,  inciso  V  do  CTN,  devendo  o  elaborador  usar,  em  sua  redação  legislativa,  dos  cuidados  básicos pertinentes à matéria, de forma a evitar o surgimento de  dúvidas e questionamentos elementares que venham a permitir a  aplicação  das  regras  mais  benéficas  ao  autuado,  previstas  no  art.  112  desse mesmo Código. O  caso  em exame é  exemplo da  falta  desse  cuidado,  ao  apontar  prazo  incerto  para  o  cumprimento  de  norma,  visto  que  “imediatamente  após”  não  pode ser considerado como um prazo regulamentar.  Daí que, na vigência original da IN SRF nº 28/1994, não havia  norma  que  impusesse  prazo  para  que  as  empresas  aéreas  procedessem  ao  registro  no  Siscomex,  visto  que  a  expressão  “imediatamente  após”  não  se  traduz  em  prazo  certo  para  o  cumprimento de obrigação.  Fl. 427DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO     6 Resta  acrescentar,  por  oportuno,  que  a  interpretação  dada  a  essa expressão pela Notícia Siscomex nº 105/1994, no sentido de  que deve ser entendida como “em até 24 horas da data do efetivo  embarque da mercadoria” não tem base legal para os efeitos da  lide,  visto não estar  compreendida entre os atos normativos de  que  trata  o  art.  100  do CTN.  Trata­se,  no  caso,  de  veiculação  destinada  à  orientação  do  Fisco  e  dos  usuários  do  Siscomex,  mas  sem  que  possua  as  características  essenciais  de  ato  normativo, razão pela qual sequer foi referida na autuação.  De outra parte, também cumpre acrescentar que o art. 37 da IN  SRF  nº  28/1994  foi  objeto  de  nova  alteração  pela  IN  RFB  nº  1.096,  de  13/12/2010,  que  aumentou  o  prazo  para  a  apresentação  de  dados  pertinentes  ao  embarque  para  7  (sete)  dias. Ressalte­se que esse ato normativo continua fazendo em seu  art. 44 remissão ao art. 37, de forma a tratar a infração como de  embaraço, o que bem demonstra a falta de atenção à legislação  vigente,  que  desde  a  Medida  Provisória  nº  135/2003  tem  tipificação legal distinta.  Retornando à lide, resta que, em não havendo regra fixadora de  prazo  para  que  se  implementasse  a  eficácia  do  art.  37  do  Decreto­lei  nº  37/1966,  na  redação  que  lhe  deu  a  Lei  nº  10.833/2003, por ocasião de sua publicação, há que se concluir  que  o  primeiro  ato  administrativo  que  veio  a  disciplinar  esse  artigo  foi a  IN SRF nº 510, de 14/2/2005, antes  transcrita, que  em  seu  art.  1o  alterou  a  redação  do  art.  37  da  IN  SRF  nº  28/1994, de forma a fixar o prazo de 2 (dois) dias para o registro  dos dados pertinentes ao embarque.  Desse  modo,  há  que  se  concluir  que  a  multa  objeto  de  lide  somente  tem  aplicação  nos  casos  em  que  a  inobservância  da  prestação de informações refira­se a fatos ocorridos a partir de  15/2/2005, data em que a IN SRF nº 510/2005 entrou em vigor e  produziu efeitos.  Como os fatos que originaram este processo ocorreram entre 3/8  e 15/8/2004, quando ainda não existia essa Instrução Normativa,  são  descabidas  a  sua  arguição  e  a  sua  trazida  ao  mundo  jurídico, de forma a alicerçar a caracterização de infrações e a  legitimar  a  cominação  de  penalidades  que  lhe  correspondam.  Nesse sentido as regras estabelecidas pelo art. 150, III, “a”, da  Constituição Federal e pelo art. 2º, parágrafo único, XIII, da Lei  nº 9.784, de 1999, que rege o processo administrativo.  Em  face  dos  elementos  constantes  dos  autos  e  da  legislação  aplicável à espécie, entendo que não se vislumbram os elementos  básicos  tendentes  à  caracterização  de  infração,  resultando  desnecessária a apreciação das demais alegações da recorrente.    Conclusão  Em  concordância  com  o  todo  o  exposto,  concebe­se  que  na  data  em  que  foram realizados os embarques não havia prazo para registro dos dados no Siscomex, de forma  que não se fundamenta a punição por entrega intempestiva destes.  Fl. 428DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 11050.001410/2009­45  Acórdão n.º 3803­005.284  S3­TE03  Fl. 13          7 Voto  por  DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário  e  pela  IMPROCEDÊNCIA de todo o lançamento fiscal.  (assinado digitalmente)  João Alfredo Eduão Ferreira ­ Relator                                Fl. 429DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 19/ 03/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 09/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO

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Numero do processo: 10920.911159/2012-75
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jun 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.356
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1843; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 1  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10920.911159/2012­75  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­003.356  –  1ª Turma Especial   Sessão de  24 de abril de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE  SOCIAL  Recorrente  LOJAS HIRT LTDA EPP  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Ano­calendário: 2004  EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/COFINS.  Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo do  PIS/COFINS, pois  esse valor  é parte  integrante do preço das mercadorias e  dos  serviços  prestados,  exceto  quando  referido  imposto  é  cobrado  pelo  vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto  tributário.  NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.   O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária. Aplicação da Súmula nº 2 do CARF.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao  recurso voluntário, nos  termos do relatório e do voto que  integram o presente  julgado. A Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel votou pelas conclusões.     (assinatura digital)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 91 11 59 /2 01 2- 75 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911159/2012­75  Acórdão n.º 3801­003.356  S3­TE01  Fl. 3          2   (assinatura digital)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Antônio  Borges,  Paulo  Sérgio  Celani,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911159/2012­75  Acórdão n.º 3801­003.356  S3­TE01  Fl. 4          3   Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 3ª.  Turma  da  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  de  Belo  Horizonte  (DRJ/BHE),  referente  ao  processo  administrativo,  em  que  foi  julgada  improcedente  a  manifestação de inconformidade apresentada, não sendo reconhecido o direito creditório.  Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ/BHE, que assim relatou  os autos:  O  presente  processo  trata  de Manifestação  de  Inconformidade  contra  Despacho  Decisório  nº  rastreamento  emitido  eletronicamente, referente ao PER/DCOMP.  O  PerDcomp  foi  transmitido  com  o  objetivo  de  pedir  a  restituição  de  crédito  de PIS/PASEP, Código  de Receita  8109,  no  valor  original  de,  decorrente  de  recolhimento  com  Darf  efetuado.  De  acordo  com  o  Despacho  Decisório,  a  partir  das  características  do  DARF  descrito  no  PerDcomp  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos,  mas  integralmente  utilizados  para  quitação  de  débitos  do  contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  restituição.  Assim,  diante  da  inexistência  de  crédito,  a  restituição  foi  INDEFERIDA.  Como enquadramento legal citou­se: arts. 165 da Lei nº 5.172 de  25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN).  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado  do  Despacho  Decisório,  o  interessado  apresenta  manifestação de inconformidade alegando, em síntese, o que se  segue:  ­ que o PerDcomp refere­se a crédito decorrente de pagamento a  maior de PIS/Cofins, em razão da  inclusão do ICMS nas bases  de cálculos dessas contribuições;  ­  que  em  relação  à  base  de  cálculo  da  Cofins,  a  Lei  Complementar 70/91, que instituiu a cobrança da contribuição,  dispõe  em  seu  art.  2º  "que  a  contribuição  incidirá  sobre  o  faturamento  mensal,  assim  considerado  a  receita  bruta  das  vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços  de qualquer natureza";  ­ que em relação à base de cálculo do PIS, a Lei Complementar  07/70,  que  instituiu  a  cobrança  da contribuição dispõe  em  seu  art.  3º  que  o Fundo de Participação  será  constituído por duas  parcelas, sendo a segunda com recursos calculados com base no  faturamento da empresa; que posteriormente as contribuições ao  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911159/2012­75  Acórdão n.º 3801­003.356  S3­TE01  Fl. 5          4 PIS  e  a Cofins  passaram  a  ser  disciplinadas  pela  Lei  9718/98  que  dispõe  em  seu  art.  2º,  parágrafo  1º  que  "entende­se  por  receita  bruta  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e  a  classificação  contábil  adotada  para  as  receitas";  que  a  Constituição  Federal  em  seu  art.  195,  I,  b,  dispõe  que  "A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da  União,  Estados,  DF  e  dos  Municípios  e  das  seguintes  contribuições  sociais:  I  –  do  empregador,  da  empresa  e  da  entidade  a  ela  equiparada  na  forma  da  lei,  incidente  sobre:  (...)  b)  a  receita  ou  o  faturamento”;  ­ que segundo o dispositivo constitucional citado, apenas poder­ se­ia reconhecer, como base de cálculo para o PIS e a Cofins, a  receita  ou  o  faturamento,  não  possuindo  autorização  para  incluir em sua base o valor pago a título de ICMS, visto que tal  valor constitui ônus fiscal e não faturamento.  Requer a reavaliação do Despacho Decisório.    Assim, entendeu a DRJ/BHE por conhecer a manifestação de  inconformada  apresentada, por ser tempestiva e atender os demais pressupostos de admissibilidade.  Entretanto, ao analisar o mérito da manifestação de inconformidade, entendeu  a  DRJ/BHE  por  indeferir  a  solicitação,  ratificando  a  decisão  da  DRF  de  origem,  não  reconhecendo o direito creditório e, por conseqüência, não deferindo o pedido de restituição. O  referido julgado contou com a seguinte ementa:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A  MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  Não  se  admite  a  restituição  de  crédito  que  não  se  comprova  existente.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    A  contribuinte  apresentou  Recurso  Voluntário,  postulando  a  reforma  da  decisão, por entender que o pedido de restituição de crédito tributário, oriundo da exclusão do  ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS se mostra legítimo.  Em  sua  fundamentação,  fez  a  colação  de  trecho  do  voto  proferido  pelo  Ministro  Marco  Aurélio,  relator  do  RE  240.785­2/MG,  onde  ele  conclui  que  o  valor  correspondente ao ICMS não têm natureza de faturamento ou receita e por isso não incide na  base de cálculo do PIS e da COFINS.  Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911159/2012­75  Acórdão n.º 3801­003.356  S3­TE01  Fl. 6          5 Por  fim,  refere  a Recorrente que o Supremo Tribunal Federal  reconheceu a  repercussão geral da matéria no julgamento do RE 574.706, requerendo que o presente recurso  fique sobrestado até pronunciamento definitivo pela Suprema Corte, com fundamento no artigo  62­A, § 1º, do Regimento Interno do CARF.  É o relatório.  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911159/2012­75  Acórdão n.º 3801­003.356  S3­TE01  Fl. 7          6   Voto             Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.  O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda,  os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço.  Tanto  na  manifestação  de  inconformidade  apresentada,  quanto  no  recurso  voluntário interposto, a contribuinte manteve o argumento de que deveria ser excluído o ICMS  da base de cálculo do PIS e da COFINS.  Primeiramente,  necessário  destacar  se  há  necessidade  ou  não  de  sobrestamento do processo. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, em ação declaratória de  constitucionalidade proposta pelo Presidente da República (ADC n° 18), deferiu, por maioria,  medida cautelar para determinar que juízos e tribunais suspendam o julgamento dos processos  em  trâmite que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º,  I, da Lei 9.718/1998, até o  julgamento  final da ação pelo Plenário do STF. (MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito, 13.8.2008)  Contudo, em sessão plenária do dia 4.2.2009, o Tribunal, resolvendo questão  de ordem, por maioria, prorrogar o prazo da decisão liminar concedida, nos termos do voto do  relator. (QO­MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito)  Após, em sessão plenária do dia 16.9.2009, o Tribunal, resolvendo questão de  ordem, por maioria, decidiu novamente por prorrogar o prazo da decisão liminar concedida. (2ª  QO­MC­ADC 18/DF, rel. Min. Menezes Direito)  Por  fim,  em  sessão  plenária  do  dia  25.03.2010,  o  Tribunal,  por  maioria,  resolveu questão de ordem no sentido de prorrogar, pela última vez, por mais 180 dias (cento e  oitenta)  dias,  a  eficácia da medida cautelar  anteriormente deferida.  (3ª QO­MC­ADC 18/DF,  rel. Min. Celso de Mello)   Deste modo, entende­se que após decorrido o prazo de 180 dias, a contar de  25.03.2010,  perdeu  a  eficácia  da medida  cautelar  anteriormente  deferida.  Assim,  entende­se  que não deve haver o sobrestamento da matéria.  Outrossim, cabe ainda destacar que o § 1º do Art. 62­A do Regimento Interno  do  CARF  que  faz  referência  a  contribuinte  no  presente  Recurso  Voluntário  (interposto  em  19/12/2013),  estava  inclusive  já  revogado  pela  Portaria MF  nº  545,  de  18  de  novembro  de  2013.  Cumpre  ressaltar  inclusive  que  a  presente  Turma  ao  apreciar  a  mesma  matéria  já  se  manifestou  no  sentido  de  não  sobrestar  o  processo.  Tal  decisão  ocorreu  por  unanimidade nos autos do processo administrativo n° 10950.003104/2010­71, de Relatoria do  Conselheiro José Luiz Bordignon, em sessão de 27 de novembro de 2012, onde foi lavrado o  acórdão n° 3801001.593. No referido acórdão, assim restou decidido:    Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911159/2012­75  Acórdão n.º 3801­003.356  S3­TE01  Fl. 8          7 “Acordam os membros do colegiado:  (I) Por unanimidade de  votos,  não  sobrestar  o  processo;  (II)  Por  unanimidade  votos,  negar  provimento  ao  recurso  em  relação  às  preliminares  de  cerceamento  de  defesa  e  de  que  o  crédito  tributário  já  sido  constituído pelo contribuinte; (III) Pelo voto de qualidade, negar  provimento  ao  recurso  em  relação  à  preliminar  de  vício  do  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  (MPF).  Vencidos  os  Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira  da  Silva Murgel  e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira  que reconheciam a nulidade; (IV) Por unanimidade de votos, no  mérito, negar provimento ao recurso.” (grifou­se)    Deste modo, entendo por não sobrestar o presente processo.  Analisando  o  mérito,  verifica­se  que  a  recorrente  alega  que  a  inclusão  do  ICMS  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  promovida  pela  Lei  n°  9.718/98  violou  dispositivos da Constituição Federal de 1988. Pretende, em suma, a inconstitucionalidade de lei  tributária.  Portanto,  pretendendo  a  contribuinte  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária,  necessário que seja aplicada ao presente caso a Súmula n° 2 do CARF, que assim dispõe:    SÚMULA Nº  2  do  CARF: O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    Por  se  tratar  de  matéria  constitucional,  não  sendo  competência  deste  Conselho a sua análise, encaminho voto por negar provimento ao mérito do recurso, consoante  o que vem sendo julgado por este Conselho Neste sentido as seguintes ementas deste Conselho:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. Período de  apuração:  01/09/2001  a  30/09/2001PIS. BASE DE CÁLCULO.  INCLUSÃO  DO  ICMS.  Sendo  a  base  de  cálculo  da  Cofins  o  faturamento, nele se incluindo todas as parcelas que o compõem,  deve  o  ICMS  integrá­la.  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade  de  lei  tributária.  Aplicação  da  Súmula  CARF  nº  2.  Recurso  Voluntário  Negado.  Vistos,  relatados  e  discutidos  os  presentes  autos.  (Acórdão  n°  3302­ 000.745, julgado em 10/12/2010, grifou­se)    PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano­calendário: 2005,  2006,  2007  INCONSTITUCIONALIDADE  DE  LEI.  INCOMPETÊNCIA  PARA  APRECIAÇÃO.  As  autoridades  administrativas  são  incompetentes  para  apreciar  argüições  de  inconstitucionalidade  de  lei  regularmente  editada,  tarefa  privativa do Poder Judiciário. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  IRPJ  Anocalendário:  2005,  2006,  2007  MULTA  DE  OFÍCIO  QUALIFICADA.  Nos  casos  previstos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502,  de  30  de  Fl. 60DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911159/2012­75  Acórdão n.º 3801­003.356  S3­TE01  Fl. 9          8 novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades  administrativas ou criminais cabíveis, será aplicada à multa de  oficio  de  150%.  ASSUNTO:  OUTROS  TRIBUTOS  OU  CONTRIBUIÇÕES  Anocalendário:  2005,  2006,  2007  PIS/PASEP. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA.  EXCLUSÃO DO ISS E TPT.  IMPOSSIBILIDADE. Para  fins de  determinação da base de cálculo do PIS e da Cofíns, os tributos  que podem ser  excluídos da  receita bruta  são o  IPI e o  ICMS,  quando  cobrados  pelo  vendedor  dos  bens  ou  prestador  dos  serviços  na  condição  de  substituto  tributário.  (Acórdão  1102­ 000.519, julgado em 03/10/2011, grifou­se)    Deste modo, encaminho o voto por negar provimento ao recurso voluntário,  em razão deste Conselho não ser competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade  de lei tributária (Súmula n° 02 do CARF).  É  necessário  igualmente  analisar  o  mérito  do  recurso,  em  que  pese  as  considerações  acima  trazidas.  Apesar  de  entendimento  diverso  desse  relator,  o  pedido  do  contribuinte vai de encontro com a jurisprudência dominante e sumulada do STJ.  Importante referir que o pedido da recorrente não possui respaldo no Superior  Tribunal de Justiça, que já editou Súmula com o seguinte teor:    STJ Súmula nº 68 ­ 15/12/1992 ­ DJ 04.02.1993  ICM ­ Base de Cálculo do PIS  A parcela relativa ao ICM inclui­se na base de cálculo do PIS.    Em  igual  sentido  o  Tribunal  Regional  Federal  da  4ª.  Região  assim  tem  se  manifestado:  EMENTA:  PIS.  COFINS.  ICMS.  EXCLUSÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  INADMISSIBILIDADE.  Os  encargos  tributários  integram  a  receita  bruta  e  o  faturamento  da  empresa.  Seus  valores são incluídos no preço da mercadoria ou no valor final  da  prestação  do  serviço.  Por  isso,  são  receitas  próprias  da  contribuinte,  não  podendo  ser  excluídos  do  cálculo  do  PIS/COFINS,  que  têm,  justamente,  a  receita  bruta/faturamento  como sua base de cálculo. É constitucional e legal a inclusão do  ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, nos  termos do  art.  3º,  §2º,  I,  da  Lei  9.718/98.  (TRF4,  AC  5008959­ 23.2010.404.7000, Primeira Turma, Relatora p/ Acórdão Maria  de Fátima Freitas Labarrère, D.E. 12/09/2013)    Deste modo, entende­se que os encargos tributários integram a receita bruta e  o  faturamento  da  empresa. Assim,  seus  valores  são  incluídos  no  preço  da mercadoria  ou  no  valor  final  da  prestação  do  serviço.  Diante  disso,  são  receitas  próprias  da  contribuinte,  não  Fl. 61DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10920.911159/2012­75  Acórdão n.º 3801­003.356  S3­TE01  Fl. 10          9 podendo deixar de ser incluídos no cálculo do PIS e da COFINS, que tem, justamente, a receita  bruta/faturamento como sua base de cálculo.  Assim,  incabível  a  exclusão  do  valor  devido  a  título  de  ICMS  da  base  de  cálculo do PIS e da COFINS, pois esse valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos  serviços prestados, exceto quando referido imposto é cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo  prestador dos serviços na condição de substituto tributário.  Em  face  do  exposto,  encaminho  o  voto  para  NEGAR  PROVIMENTO  ao  Recurso Voluntário.  É assim que voto.  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator ­ Relator                                  Fl. 62DF CARF MF Impresso em 10/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/06/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

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Numero do processo: 13971.001287/2003-19
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o julgamento do recurso, nos termos do art. 62-A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1829; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE01  Fl. 119          1 118  S2­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.001287/2003­19  Recurso nº            Voluntário  Resolução nº  2801­000.161  –  1ª Turma Especial  Data  17 de outubro de 2012  Assunto  SOBRESTAMENTO  Recorrente  ANÍSIO SEIBEL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  sobrestar  o  julgamento do recurso, nos termos do art. 62­A, §§ 1º e 2º, do Regimento do CARF.        Assinado digitalmente  Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente.        Assinado digitalmente  Carlos César Quadros Pierre – Relator.    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros:  Antonio  de  Pádua  Athayde Magalhães, Marcelo  Vasconcelos  de  Almeida,  Carlos  César  Quadros  Pierre,  Tânia  Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Ausente o Conselheiro Sandro Machado dos  Reis.    Relatório  Adoto  como  relatório  aquele  utilizado  pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento,  5ª  Turma  da DRJ/FNS  (Fls.  90),  na  decisão  recorrida,  que  transcrevo  abaixo:  Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fl.  11,  integrado pelos  documentos  de  fls.  12  a  18,  pelo  qual  se  exige  a  importância de R$ 11.487,54 (onze mil e quatrocentos e oitenta e sete  reais  e  cinqüenta  e  quatro  centavos)  a  titulo  de  Imposto  de  Renda     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 39 71 .0 01 28 7/ 20 03 -1 9 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13971.001287/2003­19  Resolução nº  2801­000.161  S2­TE01  Fl. 120          2 Pessoa Física — Suplementar, acrescida da multa de oficio de 75% e  juros devidos à época do pagamento.  Em  decorrência  do  trabalho  de  revisão  interna,  conforme  demonstrativo de  infração de  fls. 14,  a autoridade revisora  constatou  as seguintes irregularidades na declaração do contribuinte:  OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA  OU  FÍSICA,  DECORRENTES  DE  TRABALHO  COM  VÍNCULO  EMPREGATÍCIO.  OMISSÃO  DOS  RENDIMENTOS  TRIBUTÁVEIS  RECEBIDOS DO BANCO SANTANDER (CNPJ 61.472.676/0001­72),  SUCESSOR DO BANCO GERAL DO COMÉRCIO S/A, REFERENTES  AO  PROCESSO  TRABALHISTA  N  1208/92  DA  2a  VARA  DO  TRABALHO DE BLUMENAU, NO VALOR DE R$ 43.511,86 (ALVARÁ  JUDICIAL  LEVANTADO  EM  20/10/2000  NO  VALOR  DE  R$  54.389,33  MENOS  0  VALOR  DOS  HONORÁRIOS  ADVOCATÍCIOS  DE R$ 10.877,97). (..)  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  RECEBIDOS  A  TÍTULO  DE  RESGATE  DE  CONTRIBUIÇÕES  DE  PREVIDÊNCIA  PRIVADA,  OMISSÃO  DE  RESGATE  DE  PREVIDÊNCIA  PRIVADA,  DE  SUDAMERES GENERALLI  (CNPJ  33.072.307/0001­57), NO VALOR  DE R$ 900,00, (..)  DEDUÇÃO  INDEVIDA  A  TÍTULO  DE  CONTRIBUIÇÃO  PREVIDÊNCIA  PRIVADA  E  FAH.  GLOSA  PARCIAL  DO  VALOR  LANÇADO  COMO  CONTRIBUIÇÃO  À  PREVIDÊNCIA  E  FAPI.  TENDO  EM  VISTA  QUE,  APÓS  INTIMADO,  0  CONTRIBUINTE  APRESENTOU COMPROVANTE APENAS DO VALOR DE R$ 36,62,  CONSTANTE  DO  INFORME  DE  RENDIMENTOS  DO  UNIBANCO  (CNPJ 33.700.38410001/40). (.)  DEDUÇÃO INDEVIDA A TITULO DE DESPESA COM INSTRUÇÃO.  GLOSA PARCIAL DO VALOR  LANÇADO COMO DESPESAS COM  INSTRUÇÃO,  TENDO  EM  VISTA  QUE,  APÓS  INTIMADO  O  CONTRIBUINTE  E  CONSULTADOS  OS  BENEFICIÁRIOS  DA  DESPESA,  RESTARAM COMPROVADOS  APENAS  OS  SEGUINTES  VALORES:  R$  2.040,00  PAGOS  AO  CENTRO  EDUCACIONAL  PINGO  DE  GENTE,  REFERENTES  AO  DEPENDENTE  LUIZ  GUILHERME SEIBEL, AJUSTADO AO LIMITE INDIVIDUAL DE R$  1.700,00;  E  R$  185,31  PAGOS  AO COLÉGIO  BOM  JESUS  SANTO  ANTÓNIO,  REFERENTES  Á  DEPENDENTE  MARIA  AMÁLIA  SEIBEL.(.)  DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS. GLOSA  PARCIAL DOS VALORES LANÇADOS COMO DESPESAS MÉDICAS,  TENDO  EM  VISTA  QUE,  APÓS  INTIMADO,  0  CONTRIBUINTE  LOGROU  COMPROVAR  APENAS  OS  SEGUINTES  VALORES:  R$  740,88  REFERENTE CONTRIBUIÇÃO À FUNDAÇÃO  SUDAMERIS  E R$ 996,98 REFERENTE À CONTRIBUIÇÃO À UNIMED. (.)  DEDUÇÃO  INDEVIDA  DO  IMPOSTO.  GLOSA  DO  VALOR  LANÇADO  COMO  DEDUÇÃO  DE  INCENTIVO,  POR  FALTA  DE  COMPROVAÇÃO POR PARTE DO CONTRIBUINTE. (.)  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13971.001287/2003­19  Resolução nº  2801­000.161  S2­TE01  Fl. 121          3 Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 10,  apresentando inicialmente um breve relato do feito fiscal e expondo em  seguida as razões de sua irresignação.  Inicialmente, argúi a nulidade presente Auto de Infração, por este não  estar  escorado  em  Mandado  de  Procedimento  Fiscal  regularmente  emitido, nos termos da Portaria nº 1.265, de 22 de novembro de 1999.  Aduz, ainda, que o procedimento fiscal não se enquadra na hipótese de  dispensa da prévia emissão do MPF, prevista no art. 11, inciso IV da  Portaria  SRF  n°  3.077/2001,  pois  não  houve  apenas  uma  conduta  interna da Receita Federal, tanto que o contribuinte foi intimado para  fins de que outros elementos fossem trazidos ao processo.  No mérito, alega, em síntese, o caráter  indenizatório dos rendimentos  recebidos  em  ação  judicial,  uma  vez  que  as  verbas  recebidas,  vinculadas  a  diferenças  de  verbas  devidas  quando  da  rescisão  de  contrato  de  trabalho  e  não  adimplidas,  tem  natureza  indenizatória,  assim como as  indenizações por rescisão de contrato de  trabalho são  isentas do imposto de renda (art. 39, XX, do RIR/1999), requerendo o  cancelamento do lançamento relativo a essa matéria.  Questiona a glosa das despesas com educação relativas a dependente  Maria Amália Seibel, por entender que na documentação apresentada  a  autoridade  fiscal,  duas  declarações  do  Colégio  Bom  Jesus  Santo  Antônio, está expresso o vinculo com o estabelecimento educacional e  o custo do curso, que foi de 12 parcelas de R$ 213,00, descontado, de  cada  uma  delas,  o  valor  de  R$  27,69  referente  a  descontos  por  pagamento no vencimento.  Alega  que  a  imposição  de multa  de  oficio  de  75%  sobre  o  valor  dos  créditos  referentes  as  pretensas  irregularidades  cometidas  se  mostra  excessiva.  Primeiro,  porque  não  houve  omissão  de  rendimentos,  uma  vez  que  o  valor  que  autoridade  lançadora  entende  ser  tributável  sempre esteve na declaração de rendimentos, inobstante a discordância  da  classificação  como  rendimento  isento  ou  não  tributável,  não  podendo  incidir, nesse caso, o art. 44,  I, da Lei n° 9.430/96,  somente  aplicável  quando  o  contribuinte  omite  da  autoridade  lançadora  a  aquisição  do  rendimento.  Em  face  do  menor  potencial  ofensivo  da  conduta  do  impugnante,  a  multa  deve  ser  cancelada,  ou,  caso  assim  não seja deferido, reduzido o percentual a 20%, que é o limite máximo  exigível a titulo de multa de mora. Cita, ainda, que a gravosidade da  multa de oficio fica juridicamente demonstrada quando se tem em vista  o disposto no art. 150,  IV, da Constituição Federal (principio do não  confisco).  Por fim, alega a inexigibilidade dos juros de mora calculados com base  na  taxa  Selic,  uma  vez  que  tal  taxa  é  ilegal  e  inconstitucional,  porquanto:  a)  não  foi  criada  por  lei  e  nem  para  fins  tributários;  b)  possui  caráter  remuneratório  e  feições  de  índice  de  correção  monetária;  c)  seu  uso  traz  como pressuposto  implícito  uma  irregular  equiparação  entre  investidores/aplicadores  e  contribuintes/sujeitos  passivos  da  relação  jurídico­tributária  e  d)  representa  aumento  de  tributo,  em  desrespeito  ao  principio  da  estrita  legalidade  tributária  previsto no  inciso I do art. 150 da Constituição Federal. Requer, por  tais  razões,  seja  declarada  a  inexigibilidade  dos  juros  de  mora  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13971.001287/2003­19  Resolução nº  2801­000.161  S2­TE01  Fl. 122          4 calculados  com  base  na  taxa  Selic,  aplicando­se,  em  substituição,  o  percentual de 1% previsto  no  parágrafo  10  do  artigo  161  do Código  Tributário Nacional.  Passo adiante, a 5ª Turma da DRJ/FNS entendeu por bem julgar o lançamento  procedente,  em  decisão  que  restou  dispensado  de  ementa  de  acordo  com  a  Portaria  SRF  nº  1.364, de 10 de novembro de 2004.  Cientificado em 15/09/2008 (Fls. 103), o recorrente interpôs Recurso Voluntário  em  15/10/2008  (Fls.  104  a  115),  reforçando  os  argumentos  apresentados  quando  da  impugnação.  É o Relatório.  Voto  Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator.  De início, verifico que uma parte significativa do lançamento objeto do presente  processo versa sobre omissão de rendimentos  recebidos acumuladamente em ação  trabalhista  contra o Banco Santander, no valor de R$43.511,86.  Compulsando  os  autos  (docs  de  páginas  39  e  seguintes  dos  autos),  também  observo  que  o Banco,  por  solicitação  da  fiscalização,  apresentou  a  planilha  especificando  as  competências de cada verba trabalhista.  Cabe salientar que a constitucionalidade da regra estabelecida no art. 12 da Lei  nº 7.713, de 1988, foi levada à apreciação, em caráter difuso, por parte do Supremo Tribunal  Federal,  o  qual  reconheceu  a  repercussão  geral  do  tema  e  determinou  o  sobrestamento,  na  origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre  a matéria,  bem  como  dos  respectivos  agravos  de  instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC, em decisão assim ementada, in verbis:  “TRIBUTÁRIO.  REPERCUSSÃO  GERAL  DE  RECURSO  EXTRAORDINÁRIO.  IMPOSTO  DE  RENDA  SOBRE  VALORES  RECEBIDOS  ACUMULADAMENTE.  ART.  12  DA  LEI  7.713/88.  ANTERIOR  NEGATIVA  DE  REPERCUSSÃO.  MODIFICAÇÃO  DA  POSIÇÃO  EM  FACE  DA  SUPERVENIENTE  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DA  LEI  FEDERAL  POR  TRIBUNAL  REGIONAL  FEDERAL.  1.  A  questão  relativa  ao  modo  de  cálculo  do  imposto de renda sobre pagamentos acumulados – se por regime de caixa  ou  de  competência  –  vinha  sendo  considerada  por  esta  Corte  como  matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2.  A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III,  b,  da  Constituição  Federal,  em  razão  do  reconhecimento  da  inconstitucionalidade  parcial  do  art.  12  da  Lei  7.713/88  por  Tribunal  Regional Federal,  constitui  circunstância nova  suficiente para  justificar,  agora,  seu  caráter  constitucional  e  o  reconhecimento  da  repercussão  geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo  em  conta  os  princípios  constitucionais  tributários  da  isonomia  e  da  uniformidade  geográfica.  4. Questão  de  ordem acolhida  para:  a)  tornar  sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao  recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte;  b)  reconhecer  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional;  e  c)  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE Processo nº 13971.001287/2003­19  Resolução nº  2801­000.161  S2­TE01  Fl. 123          5 determinar  o  sobrestamento,  na  origem,  dos  recursos  extraordinários  sobre a matéria,  bem como dos  respectivos agravos de  instrumento,  nos  termos do art. 543­B, § 1º, do CPC.”  (STF, RE 614406 AgR­QO­RG, Relatora: Min. Ellen Gracie,  julgado em  20/10/2010, Dje­043 DIVULG 03/03/2011).  Ante  o  reconhecimento  da  repercussão  geral  do  tema,  pelo  Supremo Tribunal  Federal, e a determinação do sobrestamento dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem  como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543­B, §1º, do CPC, verifica­ se  que  as  questões  concernentes  ao  artigo  12  da  Lei  nº  7.713,  de  1988,  não  podem  ser  apreciadas por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais até que ocorra o julgamento  final do Recurso Extraordinário pelo Supremo Tribunal Federal, conforme disposto no art. 62­ A do Regimento  Interno do CARF,  aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de  junho de 2009,  com  as  alterações  das  Portarias  MF  nºs  446,  de  27  de  agosto  de  2009,  e  586,  de  21  de  dezembro de 2010, in verbis:  Artigo  62­A.  As  decisões  definitivas  de mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos  no âmbito do CARF.  § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF  também  sobrestar  o  julgamento  dos  recursos  extraordinários  da mesma  matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543­B.  § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator  ou por provocação das partes.  Ante  o  acima  exposto, VOTO  por  SOBRESTAR  o  julgamento  do  presente  recurso voluntário, nos termos do art. 62­A, §§1º e 2º, do Regimento do CARF.        Assinado digitalmente      Carlos César Quadros Pierre    Fl. 123DF CARF MF Impresso em 29/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 30/ 11/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 29/11/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE

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