Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,871)
- Primeira Turma Ordinária (16,379)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,216)
- Primeira Turma Ordinária (16,197)
- Primeira Turma Ordinária (16,160)
- Segunda Turma Ordinária d (15,905)
- Segunda Turma Ordinária d (14,489)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,511)
- Segunda Turma Ordinária d (12,428)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,468)
- Quarta Câmara (85,170)
- Terceira Câmara (67,786)
- Segunda Câmara (56,453)
- Primeira Câmara (20,645)
- 3ª SEÇÃO (16,216)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,453)
- Segunda Seção de Julgamen (115,046)
- Primeira Seção de Julgame (76,951)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,964)
- Câmara Superior de Recurs (37,972)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,607)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,489)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,899)
- HELCIO LAFETA REIS (3,843)
- ROSALDO TREVISAN (3,233)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,929)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,781)
- WILDERSON BOTTO (2,640)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,493)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,841)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,472)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,600)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,135)
- 2017 (16,840)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2026 (16,157)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 10950.005093/2008-49
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA.
Indefere-se o pedido de perícia quando o deslinde das questões suscitadas nos autos independe do conhecimento técnico de um especialista.
COMPENSAÇÃO. PIS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SEMESTRALIDADE.
É impertinente a discussão administrativa sobre a semestralidade do PIS, quando existe decisão judicial transitada em julgado nesse sentido, a qual foi cumprida à risca pela autoridade administrativa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS.
É vedada a utilização de créditos de terceiros na compensação de débitos próprios.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE.
A partir de outubro de 2002 a compensação entre débitos e créditos tributários de um mesmo contribuinte só pode ser implementada por meio da apresentação da declaração de compensação.
COMPENSAÇÃO. DÉBITOS EM ATRASO.
Na compensação de débitos em atraso incide a multa de mora.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3403-001.950
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR nº 52.658.
(Assinado com certificado digital)
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
(Assinado com certificado digital)
Pero Vaz de Caminha Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. Indefere-se o pedido de perícia quando o deslinde das questões suscitadas nos autos independe do conhecimento técnico de um especialista. COMPENSAÇÃO. PIS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SEMESTRALIDADE. É impertinente a discussão administrativa sobre a semestralidade do PIS, quando existe decisão judicial transitada em julgado nesse sentido, a qual foi cumprida à risca pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. É vedada a utilização de créditos de terceiros na compensação de débitos próprios. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A partir de outubro de 2002 a compensação entre débitos e créditos tributários de um mesmo contribuinte só pode ser implementada por meio da apresentação da declaração de compensação. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS EM ATRASO. Na compensação de débitos em atraso incide a multa de mora. Recurso voluntário negado.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 10950.005093/2008-49
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5210158
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3403-001.950
nome_arquivo_s : Decisao_10950005093200849.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : ANTONIO CARLOS ATULIM
nome_arquivo_pdf_s : 10950005093200849_5210158.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR nº 52.658. (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator. (Assinado com certificado digital) Pero Vaz de Caminha Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
id : 4556740
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:21 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394437718016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1921; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 7 1 6 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.005093/200849 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403001.950 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 19 de março de 2013 Matéria Compensação de PIS Recorrente USINA DE AÇÚCAR SANTA TEREZINHA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PERÍCIA. Indeferese o pedido de perícia quando o deslinde das questões suscitadas nos autos independe do conhecimento técnico de um especialista. COMPENSAÇÃO. PIS. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. SEMESTRALIDADE. É impertinente a discussão administrativa sobre a semestralidade do PIS, quando existe decisão judicial transitada em julgado nesse sentido, a qual foi cumprida à risca pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE TERCEIROS. É vedada a utilização de créditos de terceiros na compensação de débitos próprios. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBRIGATORIEDADE. A partir de outubro de 2002 a compensação entre débitos e créditos tributários de um mesmo contribuinte só pode ser implementada por meio da apresentação da declaração de compensação. COMPENSAÇÃO. DÉBITOS EM ATRASO. Na compensação de débitos em atraso incide a multa de mora. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sustentou pela recorrente o Dr. Carlos Alexandre Tortato, OAB/PR nº 52.658. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 50 93 /2 00 8- 49 Fl. 583DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 (Assinado com certificado digital) Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. (Assinado com certificado digital) Pero Vaz de Caminha – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Por relatar os fatos com clareza e fidelidade, adoto o relatório do Acórdão de primeira instância: “Trata o presente processo das Declarações de Compensação Eletrônicas DCOMP, para as quais consta informado o crédito proveniente da ação ordinária n° 98.30123987, que contestou a inconstitucionalidade na cobrança das contribuições ao PIS/PASEP nos moldes dos DecretosLei 2.445 e 2.449/88 e cujo trânsito em julgado ocorreu em 27/04/2005. O valor do indébito tributário decorrente da referida ação judicial, calculado até o período de setembro de 2005, foi apurado nos autos do processo n° 11384.000319/200515, conforme se verifica pela cópia do Parecer constante às fls. 210 a 213. Em referido processo, foi realizada, também, a conferência da utilização pela contribuinte do aludido crédito nas compensações procedidas diretamente nas DCTF, no período de novembro de 2000 a setembro de 2002, conforme cópia do Parecer de fls. 249 a 250. Após, em outra análise, realizada no curso do presente processo, foram realizados os cálculos do indébito tributário do período complementar (outubro de 2005 a fevereiro de 2006), os quais não haviam sido apurados inicialmente, e os cálculos das compensações realizadas através das DCOMP transmitidas até 07/10/2008, data do Despacho Decisório, proferido pela Seção de Orientação e Análise Tributária SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil cm Maringá (fls. 308/317). Todas as compensações declaradas através das DCOMP analisadas foram homologadas, sendo referido despacho decisório cientificado à contribuinte cm 12/11/2008, conforme comprovante de recebimento (AR/EBCT), juntado às fls. 328. Posteriormente, em uma última análise, conforme o Despacho Decisório de 19/05/2009, proferido pela mesma autoridade administrativa anteriormente citada (fls. 358/361), a DCOMP n° 15406.94826.020409.1.3.570335 foi parcialmente homologada. O débito de IRPJ (código 2089) do 3° trimestre de 2004 no valor original de R$ 1.775.824,21, declarado por citada DCOMP, foi parcialmente extinto, no valor de R$ 666.823,84, restando não homologada a compensação no valor de R$ 1.109.000,37 do mesmo débito. A contribuinte foi cientificada deste segundo despacho decisório em 08/06/2009 e apresentou em 08/07/2009 a manifestação de inconformidade (fls. 371 Fl. 584DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.005093/200849 Acórdão n.º 3403001.950 S3C4T3 Fl. 8 3 a 402) acompanhada de cópia dos documentos societários e dos demonstrativos denominados "PIS —conforme Lei 07/70", da matriz (75.717.355/000103), filiais (000286, 000367 e 000448) e da empresa Agropecuária Sta Terezinha (fls. 405/416) e ""Extrato de Compensação PIS/Compensação" (fls. 417/430). Na manifestação a interessada defende, em resumo, que a compensação do crédito proveniente da ação judicial n° 98.30123987 foi realizada em total conformidade com a decisão judicial, que existe crédito para a compensação do débito de IRPJ (código 2089) do 3º trimestre de 2004, e que, portanto, não existe qualquer diferença que possa ser cobrada. Argumenta que a cobrança, do valor relativo à compensação não homologada, é inconstitucional uma vez que afronta a coisa julgada, e que "esta instância administrativa não pode rescindir decisão judicial e deve se ater, por conseqüência, aos valores pagos a maior, considerando a correção aclamada pelo Poder Judiciário e as compensações efetuadas pelo contribuinte ". Relata que obteve, através da ação ordinária n° 98.30.123987, o direito a compensação dos valores pagos a maior a título de PIS, sob a égide dos Decretos Lei 2.445 e 2.449/88, devidamente corrigidos pelos seguintes índices: BTNF, INPC, UF1R, SELIC e os expurgos inflacionários constantes das Súmulas nº 32 e 37 do TRF da 4ª Região. Defende que uma vez declarada a inconstitucionalidade dos DecretosLei 2.445 e 2.449/88 o retorno da aplicação da Lei Complementar 07/70 impõe a aceitação da semestralidade da base de cálculo do PIS, sem a incidência da correção monetária sobre esta. A interessada dedica uma grande parte da manifestação para demonstrar e defender esta tese, a qual é realizada através do tópico "Da Semestralidade da Base de Cálculo", bem como subtópicos "Hipótese de Incidência e seu Aspecto Temporal", "Base Imponível. Conceito Legal Próprio", "Prazo de Recolhimento", "Hipótese de Incidência. Prazo de Recolhimento. Base Imponível. Conceitos Distintos. Regras Distintas" e "Considerações Lembradas para Melhor Interpretação do Art. 6", parág. único, da 07/70". Alega que o direito à compensação foi obtido com base no artigo 66 da Lei n° 8.383/91, "por força do qual foi autorizada aos contribuintes, a livre compensação dos valores dos tributos ou contribuições recolhidos indevidamente ou a maior, com os futuros recolhimentos correspondentes a períodos subseqüentes." Argumenta que uma vez preenchidos os requisitos exigidos por citado dispositivo legal não existe a necessidade de pedido formal de compensação à Receita Federal, e que para o cumprimento da legislação vigente à época, bem como da legislação que transitou em julgado, basta a apresentação até a data de vencimento de cada tributo da respectiva DCTF. Para este entendimento a interessada dedica o tópico específico denominado "Da Compensação Realizada em Cumprimento Decisão Judicial que Declarou a existência de Crédito da Empresa em Relação a União”. Defende que realizou apuração do crédito e a compensação nos moldes relatados (em conformidade com a decisão judicial) e que "apurou todo o seu crédito, que envolve todas as empresas discriminadas nos autos judiciais (conforme cópia do levantamento em anexo), realizou as compensações e apresentou na data do vencimento de cada tributo a respectiva Declaração de Compensação (DCTF). Ou seja, cumpriu com sua obrigação acessória ". (Negritos no original) Ressalta que a Receita Federal do Brasil nega o seu direito ao crédito sob o fundamento de que não há saldo remanescente para compensar totalmente o débito declarado pela empresa. Fl. 585DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Argumenta que o auto de infração não pode se sustentar sendo necessária a retificação dos cálculos, uma vez que os mesmos foram realizados sem levar em conta a base de cálculo do 6° mês anterior, afrontando as decisões do Conselho de Contribuintes, dos tribunais judiciais pátrios e também a decisão judicial transitada cm julgado. Ressalta que o direito ao crédito não foi totalmente reconhecido tendo em vista não ter sido considerado, pela autoridade administrativa, as DCTF entregues na data do vencimento de cada tributo como forma de pagamento deste. Em decorrência deste fato, sob cada compensação realizada à época do fato gerador, o fisco está exigindo multa de mora de 20% sobre o débito compensado, diminuindo de forma substancial o crédito da empresa. Quanto a este tema ainda, relata que, cm 28/01/2008 e 02/04/2009, teve que reapresentar, por exigência da autoridade fiscal algumas compensações, através do formulário PERDCOMP, e que no encontro de contas destas compensações os tributos foram considerados vencidos, sendo imputados aos mesmos a multa de mora de 20 %. Insurgese contra a imposição das referidas multas de mora alegando que não houve conduta ilícita da empresa e que, portanto, não pode haver a cobrança de multas. Constata, também, que o fisco desconsiderou por completo o crédito da empresa Agropecuária Santa Terezinha (CNPJ 79.109.237/000165), a qual também foi contemplada com a decisão judicial transitada cm julgada. Por fim, reafirma que calculou seu crédito em total conformidade com a decisão judicial dos autos n° 98.30.123987, e de acordo com a jurisprudência do STJ. Repisa que nos seus cálculos foi aplicada a “semestralidade”, até a entrada em vigor da Medida Provisória 1.212/95, e propugna pela realização de perícia contábil, que comprove a retidão de seu procedimento e a regularidade das compensações realizadas. Diante do exposto, requer que a manifestação de inconformidade seja recebida e provida, para o fim de reformar o despacho decisório atacado, e que seja realizada a perícia contábil para comprovar o correto procedimento realizado pela interessada, homologandose todas as compensações apresentadas, sem a incidência da multa de mora de 20 % sobre os valores compensados. (...)” Por meio do Acórdão nº 31.357, de 27 de abril de 2011, a 3ª Turma da DRJ – Curitiba julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob os seguintes argumentos: a) a semestralidade sem correção da base de cálculo foi aplicada nos cálculos elaborados pela autoridade administrativa; b) não é possível incluir na compensação os indébitos da Agropecuária Santa Terezinha, pois ao contrário do alegado, ela não foi beneficiada pela decisão judicial. Tratase de empresa distinta, que não foi incorporada pela recorrente; c) a multa de mora só foi aplicada nas declarações de compensação entregues em 28/01/2008 e 02/04/2009, pois as compensações realizadas pelo contribuinte apenas em DCTF a partir outubro de 2002 não tiveram validade jurídica, em razão do advento da Medida Provisória nº 66/2002. Tratandose de declarações de compensação de débitos vencidos, cabível a exigência da multa de mora; d) tendo em vista que não foram cumpridos os requisitos exigidos no art. 16, IV, do Decreto nº 70.235/72, o pedido de perícia foi considerado como não formulado. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância em 16/05/2011 (fl. 492 do PDF), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 15/06/2011, no qual reprisou as alegações oferecidas na manifestação de inconformidade e acrescentou o seguinte: a) o fato de ter efetuado a compensação em DCTF em vez de na declaração de compensação é uma irregularidade formal, que não acarretou nenhum prejuízo ao Fisco; b) os elementos contidos na DCTF são suficientes para o exercício da fiscalização, tendo o STJ firmado entendimento de Fl. 586DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.005093/200849 Acórdão n.º 3403001.950 S3C4T3 Fl. 9 5 que a compensação informada em DCTF suspende a exigibilidade do crédito compensado, enquanto não apreciada pelo Fisco, mesmo antes do novo regime jurídico instituído pelas Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; c) o art. 74, § 4º da Lei nº 9.430/96 previu que os pedidos de compensação pendentes de apreciação (nos quais a compensação fora informada apenas em DCTF) fossem examinados como se fossem declarações de compensação, o que demonstra a regularidade de seu procedimento; d) no caso concreto, a compensação entre tributos de espécies distintas é perfeitamente possível mediante a integração da decisão judicial ao novo regime jurídico, conforme entendimento da Coordenação do Sistema de Tributação; e e) atacou o indeferimento do pedido de perícia. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. PPRREELLIIMMIINNAARREESS Insurgiuse a recorrente contra o indeferimento do pedido de perícia. Segundo seu entendimento, a perícia é necessária para que seja a ferida a retidão dos cálculos constantes da sua planilha em face da decisão judicial transitada em julgado. A realização de perícia só é justificável em razão da necessidade do esclarecimento de matéria de fato, que exija conhecimento técnico especializado. No caso concreto, as questões de fato suscitadas pelo contribuinte além de independerem de conhecimento específico de um especialista, estão dentro do âmbito de competência da autoridade administrativa e dos órgãos administrativos de julgamento, o que torna prescindível a providência requerida. Com essa fundamentação, e considerando o art. 28 do Decreto nº 70.235/72, indefiro o pedido de perícia por considerar essa providência desnecessária. MMÉÉRRIITTOO No mérito, o inconformismo da recorrente pode ser resumido nos seguintes pontos: a) necessidade de observância da semestralidade da base de cálculo do PIS; b) não consideração do indébito do PIS relativo à Agropecuária Santa Terezinha; e c) não consideração das compensações informadas em DCTF, fato que ocasionou o aumento dos débitos em razão da exigência da multa de mora. DDAA SSEEMMEESSTTRRAALLIIDDAADDEE DDAA BBAASSEE DDEE CCÁÁLLCCUULLOO DDOO PPIISS No caso concreto, argumentação expendida no recurso quanto à natureza do no art. 6º, parágrafo único, da LC nº 7/70 é totalmente impertinente, pois a questão é objeto de decisão judicial transitada em julgado. Fl. 587DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 Não se discute se o contribuinte tem ou não tem direito à semestralidade. O que se discute e o que deve ser verificado é se a autoridade administrativa acolheu a determinação contida no título judicial no momento em que efetuou os cálculos. Nesse sentido, o exame dos demonstrativos de fls. 152 a 156 do PDF, onde foi calculada a contribuição devida até o mês de setembro de 1995, revela que a fiscalização aplicou a alíquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior ao de competência sem aplicar correção monetária sobre essa base de cálculo. Relativamente ao período de outubro de 1995 a fevereiro de 1996, a análise dos valores originais devidos a título de PIS relacionados na fl. 266 do PDF e das bases de cálculo informadas pelo contribuinte na DIPJ do ano base de 1995 (fl. 256 do PDF), revela que os valores apurados resultaram da aplicação da alíquota de 0,75% sobre o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Desse modo, a documentação anexada ao processo permite assegurar que a Administração Tributária cumpriu a sentença judicial que determinou a observância da semestralidade sem correção monetária da base de cálculo. DDOO IINNDDÉÉBBIITTOO RREELLAATTIIVVOO ÀÀ AAGGRROOPPEECCUUÁÁRRIIAA SSAANNTTAA TTEERREEZZIINNHHAA A recorrente alegou que não foram considerados na compensação o indébito do PIS relativo à Agropecuária Santa Terezinha, CNPJ 79.109.237/000165, a qual teria sido beneficiada pela decisão judicial. Os documentos de alterações promovidas no contrato social da recorrente que se encontram às fls. 53 a 67 do PDF revelam que a Santa Terezinha Participações S/A, CNPJ 79.109.237/000165, é uma das sócias da recorrente. Além disso, a consulta efetuada no sistema CNPJ da Receita Federal (fls. 480 a 482 do PDF) revela que a Santa Teresinha Participações S/A não é sucessora e nem sucedida da recorrente. Ou seja, continua sendo uma empresa distinta da recorrente. Por outro lado, o exame da petição inicial da ação ordinária (fls. 68 a 82 do PDF) revela que a Santa Terezinha Participações S/A figurou no polo ativo daquela ação. Embora o Acórdão e os demais documentos emanados do TRF da 4ª Região somente tenham feito menção ao nome da recorrente, as decisões do STJ anexadas aos autos mencionam “USINA SANTA TEREZINHA S/A E OUTROS”, o que permite concluir que a Santa Terezinha Participações S/A foi alcançada pela coisa julgada. Conquanto a documentação juntada ao processo permita inferir que a empresa Santa Teresinha Participações S/A é beneficiária da decisão judicial transitada em julgado, para reaver o indébito do PIS essa empresa deveria ter apresentado PER/DECOMP próprio, pois se trata de pessoa jurídica distinta da recorrente. Tanto se trata de uma pessoa jurídica distinta, que é a principal sócia da recorrente. Não é possível juntar créditos decorrentes de indébitos de pessoas jurídicas distintas em um ou em vários PER/DECOMP, pois o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pela Lei nº 10.637/2002, somente permite a compensação de débitos e créditos da mesma pessoa jurídica. DDAASS CCOOMMPPEENNSSAAÇÇÕÕEESS IINNFFOORRMMAADDAASS AAPPEENNAASS NNAASS DDCCTTFF AAPPÓÓSS OOUUTTUUBBRROO DDEE 22000022 É incontroverso nos autos que um dos motivos da divergência entre os cálculos da autoridade administrativa e os do contribuinte residiu na exigência da multa de Fl. 588DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.005093/200849 Acórdão n.º 3403001.950 S3C4T3 Fl. 10 7 mora sobre os débitos que o contribuinte pretendeu extinguir por compensação via DCTF, após outubro de 2002, quando entrou em vigor o novo regime jurídico das compensações tributárias. Com efeito, verificase no demonstrativo de compensação de fls. 302/311 do PDF, que os débitos de PIS venceram em 14/11/2002, 13/12/2002, 15/01/2003, 14/02/2003, 14/03/2003, 15/04/2003, 15/05/2003, 13/06/2003, 14/08/2003, 15/09/2003 e 15/10/2003, mas a declaração de compensação somente foi transmitida em 28/01/2008. E no demonstrativo de fls. 348/357 do PDF verificase que o débito de IRPJ venceu em outubro de 2004, mas a declaração de compensação só foi transmitida em 02/04/2009. Assim, embora a legislação sobre compensação tivesse sido alterada em outubro de 2002 pela Medida Provisória 66 (convertida na Lei nº 10.637/2002), o contribuinte continuou por mais de um ano após essa mudança a efetuar compensações apenas em DCTF, valendose do art. 66 da Lei nº 8.383/91. O art. 66 da Lei nº 8.383, de 30/12/1991, permitia que os contribuintes efetuassem, no âmbito do lançamento por homologação, a compensação entre créditos e débitos relativos a tributos da mesma espécie. Posteriormente, o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, ampliou as possibilidades de os contribuintes efetuarem compensações. A partir do advento dessa lei, a compensação passou a alcançar tributos de espécies distintas, desde que os contribuintes formalizassem requerimento prévio à Administração Tributária. Esse regime jurídico permaneceu inalterado até setembro de 2002, quando veio ao mundo jurídico a Medida Provisória nº 66, de 03/09/2002. O art. 49 dessa Medida Provisória deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430/96 e regulou inteiramente a compensação no âmbito do direito tributário, instituindo um novo regime jurídico para essas compensações. Assim, entre janeiro de 1992 e dezembro de 1996 só era permitida a compensação entre tributos da mesma espécie a ser efetuada pelo próprio contribuinte no âmbito do lançamento por homologação. Entre janeiro de 1997 e setembro de 2002, ao lado da compensação prevista no art. 66 da Lei nº 8.383/91, passou a ser permitida a compensação entre débitos e créditos relativos a tributos de espécies distintas, mediante requerimento prévio à autoridade administrativa. E, por fim, a partir do advento do art. 49, combinado com o art. 63 da Medida Provisória nº 66 (convertida na Lei nº 10.637/2002), qualquer compensação entre tributos, seja da mesma espécie, seja de espécies distintas, passou a ser declarada ao fisco em um instrumento revestido do efeito de extinguir imediatamente o crédito tributário compensado, sob condição resolutiva de posterior homologação pela autoridade administrativa (art. 74, §§ 1º e 2º da Lei nº 9.430/96). Por ter regulado inteiramente a matéria, houve revogação tácita do art. 66 da Lei nº 8.383/96 a partir de outubro de 2002, fato que tornou sem validade as compensações entre tributos da mesma espécie informadas nas DCTF a partir daquele mês (compensação de PIS com PIS, demonstrativo de fls. 302/311). Portanto, é evidente que a apresentação das DCTF em lugar das declarações de compensação, não constituiu mera irregularidade formal, como entendeu o contribuinte. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Relativamente às decisões judiciais citadas, verificase que o Acórdão do TRF da 4ª Região, segundo o qual a apresentação de declaração de compensação seria mera formalidade, ainda não transitou em julgado, em virtude da Procuradoria da Fazenda Nacional ter apresentado Recurso Especial em 2010. Quanto ao Acórdão do STJ proferido no RESP 1.072.648, cuja ementa se encontra transcrita no corpo do recurso, verificase pela leitura de seu inteiro teor que a apresentação da declaração de compensação foi considerada desnecessária porque aquele caso concreto versava sobre compensação de tributo da mesma espécie e o tribunal considerou que mesmo após o advento da declaração de compensação, continuaram a coexistir as compensações do art. 66 da Lei nº 8.383/91 e do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Entretanto, conforme ficou assentado anteriormente, o art. 74 da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas posteriormente, regulou inteiramente a matéria e revogou de modo tácito o art. 66 da Lei nº 8.383/91. No que tange à compensação do débito de IRPJ com os créditos do PIS, o contribuinte alegou que os pedidos de compensação que estavam pendentes de apreciação pela autoridade administrativa foram convertidos em declarações de compensação. Conquanto o art. 74, § 4º da Lei nº 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66/2002, tenha estabelecido a conversão referida pelo contribuinte, no caso concreto não houve pedido de compensação, pois o contribuinte entendeu que seu procedimento tinha amparo no art. 66 da Lei nº 8.383/96. Esta constatação de inexistência de pedido formal de compensação foi confirmada em pesquisa efetuada por este relator no sistema COMPROT, no qual não foi localizado nenhum pedido de compensação do débito de IRPJ, vencido em outubro de 2004, com o crédito de PIS remanescente da ação judicial. Inexistindo pedido de compensação pendente de análise por parte da autoridade administrativa, é óbvio que não houve a conversão alegada pelo contribuinte. Por fim, o contribuinte invocou o entendimento da Coordenação do Sistema de Tributação, no sentido de que a decisão judicial que reconheceu o direito à compensação do PIS com o próprio PIS pode ser integrada ao novo regime jurídico das compensações, que se tornou mais elástico com o advento da Lei nº 10.637/2002. O contribuinte de forma implícita se referiu à Solução de Consulta Interna – Cosit nº 10, de 11 de março de 2005, por meio da qual foi fixado entendimento segundo o qual é possível aplicar a legislação superveniente e mais favorável ao contribuinte do que aquela que estava em vigor à data em que foi proferida a decisão judicial transitada em julgado. Entretanto, a autoridade administrativa aplicou esse entendimento, pois homologou parcialmente a compensação do crédito de PIS decorrente da ação judicial com o débito de IRPJ. A não homologação do débito que remanesceu foi fundamentada na insuficiência do crédito de PIS e não na impossibilidade de se compensar esse crédito com débitos de outros tributos em face da limitação imposta pela decisão judicial transitada em julgado. Concluise então que foi correto acréscimo da multa de mora sobre os débitos vencidos, pois tanto no caso dos débitos de PIS quanto do débito de IRPJ, não houve Fl. 590DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10950.005093/200849 Acórdão n.º 3403001.950 S3C4T3 Fl. 11 9 compensação juridicamente válida antes da transmissão dos PER/DECOMP de 28/01/2008 e 02/04/2009. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Antonio Carlos Atulim Fl. 591DF CARF MF Impresso em 12/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/03/201 3 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 11543.000708/2007-24
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 Ementa: PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Provado pelo Contribuinte o efetivo pagamento de despesas com pensão alimentícia regularmente estabelecidas, é de se restabelecer sua dedutibilidade, nos termos em que comprovadas. Recurso a que se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 2802-001.372
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução de R$11.310,00 (onze mil, trezentos e dez reais) a título de pensão alimentícia, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201202
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2005 Ementa: PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Provado pelo Contribuinte o efetivo pagamento de despesas com pensão alimentícia regularmente estabelecidas, é de se restabelecer sua dedutibilidade, nos termos em que comprovadas. Recurso a que se dá parcial provimento.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 11543.000708/2007-24
conteudo_id_s : 5218121
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2802-001.372
nome_arquivo_s : Decisao_11543000708200724.pdf
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
nome_arquivo_pdf_s : 11543000708200724_5218121.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução de R$11.310,00 (onze mil, trezentos e dez reais) a título de pensão alimentícia, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
id : 4567651
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:22 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394441912320
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1753; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 76 1 75 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11543.000708/200724 Recurso nº 928.328 Voluntário Acórdão nº 280201.372 – 2ª Turma Especial Sessão de 8 de fevereiro de 2012 Matéria IRPF Recorrente ANDRÉ JUSTEN DE ANDRADE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 Ementa: PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUTIBILIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Provado pelo Contribuinte o efetivo pagamento de despesas com pensão alimentícia regularmente estabelecidas, é de se restabelecer sua dedutibilidade, nos termos em que comprovadas. Recurso a que se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para restabelecer a dedução de R$11.310,00 (onze mil, trezentos e dez reais) a título de pensão alimentícia, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 20/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos André Ribas de Mello (relator), Jorge Claudio Duarte Cardoso (presidente), Lucia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández. Fl. 85DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra o contribuinte (fls.03/07 ), o qual apurou supostas irregularidades relacionadas ao IRPF do exercício 2005, anocalendário 2004, em virtude de deduções indevidas de despesas médicas, de previdência privada e Fapi e de pensão alimentícia judicial, omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada, pgbl e Fapi, o que resultou no lançamento de ofício de crédito tributário no montante de R$ 5601,95. O Contribuinte foi cientificado (fl.25). Inconformado, apresentou tempestivamente a impugnação de fl. 01 e seguintes, juntando documentos. Em julgamento, a 3ª Turma da DRJ/BSB, em sessão realizada no dia 29/10/2009, por unanimidade, julgou procedente em parte o lançamento, por meio do Acórdão n.º 0334.115, mantendo apenas o lançamento quanto a parte dos valores de dedução indevida de pensão alimentícia judicial, por falta de comprovação, e da omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de previdência privada, PGBL e Fapi, uma vez que o contribuinte apresenta o comprovante dos valores omitidos. Intimado da supramencionada decisão, conforme fl. 45, o Recorrente, tempestivamente, interpôs Recurso Voluntário às fl. 46 e seguintes, atacando em parte a decisão exarada pela DRJ, no que tange às glosas das deduções de pensão alimentícia cujo lançamento ainda subsiste, apresentando agora, em sede de recurso, os respectivos comprovantes faltantes de efetivo pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. O recurso deve ser conhecido, por atender aos requisitos de admissibilidade, e exclusivamente quanto àquilo que constitui seu objeto, isto é, a glosa de dedução indevida de pensão alimentícia judicial. O recorrente limitase a trazer aos autos agora em sede de recurso comprovantes de pagamentos da pensão alimentícia, cuja falta foi fundamento do lançamento e da decisão da DRJ. Invoco o princípio do formalismo moderado para conhecer dos documentos trazidos pelo contribuinte em sede recursal e, cotejando os extratos bancários com os comprovantes de agendamentos bancários já previamente apresentados, verificase que na sua quase totalidade as operações se confirmam nos extratos, nos mesmos valores e datas Fl. 86DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 11543.000708/200724 Acórdão n.º 280201.372 S2TE02 Fl. 77 3 constantes dos comprovantes de agendamento, havendo pouquíssima operações agendadas que se frustraram e também uma ou outra transferência constante dos extratos bancários sem indicação de beneficiário, mas que pelos valores e datas coincidentes com as datas em que as operações se faziam em outros meses, permitem admitir os extratos bancários como comprovantes idôneos das despesas apontadas pelo contribuinte. A decisão da DRJ já restabelecera em favor do contribuinte deduções com pagamentos de pensões alimentícias no valor de R$ 1640,00. Verifico que os comprovantes agora trazidos aos autos permitem a comprovação das despesas com pensão a Lívia Guimarães de Andrade que excedem o valor de R$ 2400,00 deduzidos pelo contribuinte em sua DIRPF. O mesmo se dá com as despesas com pensão a Luciana Guimarães de Andrade no valor de R$ 6000,00, segundo a DIRPF do contribuinte, comprovadas para além de tal valor. Por sua vez, em relação à pensão paga a Letícia Guimarães de Andrade, malgrado deduzido pelo contribuinte o valor de R$ 6000,00, somente logrou comprovar desembolsos no montante de R$ 4550,00, não havendo qualquer comprovação de valores pagos a título de pensão alimentícia a Vera Lucia Leite. Assoma ainda que as pensões alimentícias a Livia Guimarães de Andrade, Luciana Guimarães de Andrade e Letícia Guimarães de Andrade estão amparadas pela decisão judicial de fls.12, já trazidas aos autos por ocasião da impugnação. É de destacarse o grande esforço do contribuinte de indicar nos extratos bancários cada uma das despesas constantes dos comprovantes de agendamento bancário anteriormente apresentados, o que, não obstante seja ônus do contribuinte, nos termos da lei, não se fez sem considerável empenho. Isto posto, dou o recurso por parcialmente provido, para restabelecer as deduções de despesas com pensões alimentícias no valor de R$ 12.950,00, aí já incluídos os R$ 1.640,00 que haviam sido restabelecidos pela decisão da DRJ, mantendose a glosa, a este título, do montante de R$ 2.410,00, tudo nos termos do documento de fls.12 e do cotejamento dos comprovantes de fls.16/23, com os de fls.47/73. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO 4 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO Processo nº 11543.000708/200724 Acórdão n.º 280201.372 S2TE02 Fl. 78 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão referente ao processo em epígrafe. Brasília/DF, 20 de setembro de 2012. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 09/2012 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000672/2009-90
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR. REMUNERAÇÃO E DEMAIS RENDIMENTOS DO TRABALHO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição previdenciária sobre o total das remunerações a ele pagas ou creditadas a qualquer título, em forma de pecúnia ou não, no decorrer do mês.
Pagamentos feitos pela empresa a contribuinte individual a título de alimentação, moradia, transporte, assistência médica e odontológica e outras despesas integram o salário de contribuição, constituindo-se em base de cálculo da contribuição social previdenciária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-002.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente.
(assinado digitalmente)
NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR. REMUNERAÇÃO E DEMAIS RENDIMENTOS DO TRABALHO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição previdenciária sobre o total das remunerações a ele pagas ou creditadas a qualquer título, em forma de pecúnia ou não, no decorrer do mês. Pagamentos feitos pela empresa a contribuinte individual a título de alimentação, moradia, transporte, assistência médica e odontológica e outras despesas integram o salário de contribuição, constituindo-se em base de cálculo da contribuição social previdenciária. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 19515.000672/2009-90
anomes_publicacao_s : 201303
conteudo_id_s : 5200508
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 2803-002.039
nome_arquivo_s : Decisao_19515000672200990.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
nome_arquivo_pdf_s : 19515000672200990_5200508.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA - Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
id : 4538897
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:25 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394444009472
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1916; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 215 1 214 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000672/200990 Recurso nº Voluntário Acórdão nº. 2803002.039 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de janeiro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente LURGI DO BRASIL INSTALAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR. REMUNERAÇÃO E DEMAIS RENDIMENTOS DO TRABALHO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Para o contribuinte individual, o fato gerador da contribuição previdenciária ocorre com o exercício de atividade remunerada, incidindo a contribuição previdenciária sobre o total das remunerações a ele pagas ou creditadas a qualquer título, em forma de pecúnia ou não, no decorrer do mês. Pagamentos feitos pela empresa a contribuinte individual a título de alimentação, moradia, transporte, assistência médica e odontológica e outras despesas integram o salário de contribuição, constituindose em base de cálculo da contribuição social previdenciária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Presidente. (assinado digitalmente) NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 06 72 /2 00 9- 90 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 216 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 217 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa LURGI DO BRASIL INSTALALAÇÕES INDUSTRIAIS LTDA. em face da decisão que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito referente ao período de apuração de 01/01/2004 a 31/12/2004 (DEBCAD nº. 37.216.7888). 2. O fato gerador que deu origem ao crédito tributário foram os pagamentos efetuados aos contribuintes individuais a serviço da recorrente, não incluídos em GFIP e folha de pagamento e não considerados pela contribuinte como base de cálculo de incidência previdenciária, conforme verificados na contabilidade da empresa. Desse fato resultou além da não retenção e recolhimento da contribuição devida pelos segurados contribuintes individuais, verificouse a falta de recolhimento da contribuição previdenciária a cargo da empresa. 3. Conforme consta no relatório fiscal os valores registrados na contabilidade da empresa que serviram de base de cálculo para as contribuições sociais foram os pagamentos de benefícios como alimentação sem inscrição no PAT e assistência médica concedidos a contribuintes individuais, sem vínculo empregatícios, e, pagamentos a RC MILA COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., extraídos de faturas, cuja operação tratase de mãodeobra com prestação de serviços administrativos. 4. Para delimitar precisamente os fatos geradores do lançamento destacamos alguns trechos do relatório fiscal: “(...). 2.7. Foi constatado pelo exame de livros contábeis e demais documentos que o contribuinte efetuou pagamentos a pessoas alheias ao quadro societário, não incluídas em GFIP, conforme demonstrado nas planilhas anexas ao presente relatório. 2.8 Serviram de base para apuração do crédito tributário, além dos fatos supramencionados, os benefícios e vantagens concedidos ao administrador nãosócio, Sr. Fritz Thurm, detalhados em planilha (Anexo 1 e 2), como sendo benefícios indiretos oferecidos a prestadores de serviços sem vínculo empregatício; os valores pagos a título de alimentação (Ticket Serviços), já que o contribuinte não estava inscrito no PAT e não possuía segurados empregados no ano calendário de 2004; o pagamento referente à assistência médica (SametradeAtend. Clin. Hospitalar e Uniodonto de SP) efetuados em nome de Nair Machado Giosa e Gisélia Souza Martins, respectivamente, contribuintes individuais sem vínculo empregatício, bem como valores pagos para RC Mila Comércio e Serviços Ltda cuja natureza da operação das faturas é mãodeobra, com prestação de serviço de administrativos. (...). Fl. 217DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 218 4 2.11 O débito incluído no presente auto de infração referese ao desconto de 11% (onze por cento) sobre o total das remunerações pagas ou creditadas aos segurados contribuintes individuais a seu serviço, respeitado o limite máximo do salário de contribuição.(fl. 95) (...). 3 APURAÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO: 3.1 O crédito tributário foi constituído com base nas informações e valores lançados pelo contribuinte em sua escrituração contábil, constantes do Livro Diário n° 31 e Razão n° 1, nas seguintes contas: • Despesas de Representação: 381.23.00128; • Casas dos Expatriados: 381.23.00249; • Serviços Prestados Pessoa Jurídica: 381.23.00267; • Outras Despesas: 381.23.00351; • Despesas de Viagem: 381.23.00043; • Treinamento/Conferências: 381.23.00052 3.2 Na planilha Anexo 2, os valores constantes das colunas "Outras Desp." e " Desp. Veículos" foram transcritos do Livro LALUR n° 2, Despesas Indedutíveis: vr ref. benefícios indiretos (Outras Despesas com Diretor) e vr ref. benefícios indiretos ( Despesas com veículos Diretor). Na coluna "Aluguel", da mesma planilha, o valor constante de R$ 532,80 é a diferença entre o valor do aluguel da residência do administrador nãosócio Sr. Fritz Thurm, de R$ 6.532,80 e o valor ressarcido pelo mesmo, de 6.000,00, efetuado através de desconto em folha/recibo de pagamento.” (fls.95/96). 5. Após ser devidamente intimada em 24/04/2009 (fl. 2), a empresa, apresentou defesa tempestiva às fls. 102/116. A 12ª turma da DRJ/SP/1 por meio do despacho de fls. 132/138 se manifestou a respeito dos termos apresentados pela recorrente e considerando (i) que o questionamento do sujeito passivo em relação ao salário de contribuição relativo a Sra. Nair Machado Giosa, apurado nas competências janeiro e fevereiro de 2004; (ii) que não restou explicitado no Relatório Fiscal a motivação para que os valores pagos pela autuada a empresa prestadora de serviços (pessoa jurídica) fossem lançados como "remuneração paga a contribuintes individuais" e (iii) que do Relatório Fiscal não consta o fundamento legal do lançamento das parcelas pagas a título de benefícios indiretos (fornecimento de veículo, pagamento de aluguel, e despesas médicoodontológicas) como parcelas integrantes da remuneração de segurados "contribuintes individuais", nos termos dispostos no art. 18 do Decreto nº. 70.235/72, encaminhou os autos para diligência fiscal solicitando: “10.1. esclarecer qual é o valor correto do salário de contribuição a ser considerado para a segurada Nair Machado Giosa nas competências janeiro e fevereiro de 2004; Fl. 218DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 219 5 10.2. em função das divergências verificadas entre os valores constantes das planilhas de cálculo do salário de contribuição e aqueles lançados, conforme item 8 deste despacho, esclarecer qual o valor correto do salário de contribuição a ser considerado nas competências maio a dezembro de 2004; 10.3. esclarecer se houve equívoco no lançamento dos valores constantes das notas fiscais de prestação de serviços da empresa "RC Mila Comércio e Serviços Ltda.", ou, caso contrário, se houve desconsideração de tal prestação de serviço como cessão de mãodeobra, informando, neste caso, os motivos; 10.4. informar se foi considerado o limite máximo do salário de contribuição na apuração da contribuição do segurados contribuintes individuais; 10.5. demais esclarecimentos que entender necessários. 11. Encaminhar ao sujeito passivo cópia deste despacho, acompanhado do despacho resultante da diligência fiscal, comunicandolhe a abertura do prazo de 10 (dez) dias para manifestação nestes autos, se assim desejar”. (fl. 138) 6. A diligência fiscal foi iniciada em 16/06/2010 e encerrada em 28/06/2010, dando origem ao relatório de diligência fiscal fls. 144/145 e relatório de encerramento de diligência fl. 152/153. Em atendimento aos questionamentos feitos pela autoridade julgadora de primeira instância o relatório de encerramento da diligência fiscal concluiu: “RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA FISCAL (...). 10.1: A diferença questionada de R$ 600,00, nos meses de janeiro e fevereiro, constante da planilha do item 8, fls. 314 do referido Despacho, referese à remuneração paga a segurada Nair Machado Giosa pelos serviços prestados como contribuinte individual, incluída em GFIP após o início da ação fiscal. Nos meses de janeiro e fevereiro, a composição do salário de contribuição considerado foi de R$ 785,64 (R$ 600,00 de remuneração pelos serviços prestados e R$ 185,64 referente a despesas médicas). Nos demais meses, somente o valor de R$ 185,64 referente a despesas médicas.O valor do salário de contribuição lançado e considerado na lavratura do Auto de Infração para a referida segurada está correto, não havendo diferença. 10.2: As diferenças apontadas na planilha do item 8 do Despacho supramencionado, de fls.314, para os meses de maio a dezembro de 2004, referemse à remuneração paga a segurada Gisélia de Souza Martins pelos serviços prestados como contribuinte individual, não constante em GFIP entregue antes do início da ação fiscal. Fl. 219DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 220 6 O valor do salário de contribuição lançado e considerado na lavratura do Auto de Infração para os meses de maio a dezembro de 2004 está correto, não havendo diferenças. 10.3: Quanto à empresa "RC Mila Comércio e Serviços Ltda", CNPJ: 00.026.269/000147, a prestação de serviços não foi considerada como cessão de mãodeobra, tendo em vista a empresa ter declarado na DIPJ para o anocalendário de 2004 , como sendo INATIVA , com a respectiva Declaração de Inatividade. 10.4: Na apuração da contribuição dos segurados contribuintes individuais foi considerado o limite máximo do salário de contribuição à época, conforme mencionado no Relatório Fiscal, às fls. 93, item 2.11, do Auto de Infração supramencionado, bem como demonstrado na planilha Anexo 3. No caso dos valores lançados para "não identificados (alimentação)" e "não identificados (RC Mila)", não foi considerado o limite máximo do salário de contribuição,tendo em vista não ter sido possível a individualização de cada contribuinte individual para aplicação do teto máximo. (fls. 144/145) (...). RELATÓRIO DE ENCERRAMENTO DE DILIGÊNCIA FISCAL (...). 4. Em atendimento aos questionamentos formulados pela DRJ/SPOl em seu Despacho supramencionado, foram revistos os documentos que serviram de base para a lavratura do auto de infração objeto da presente diligência, chegandose a conclusão de que o valor do salário de contribuição lançado e considerado na lavratura do auto de infração está correto, não havendo, portanto, diferenças a serem corrigidas, conforme demonstrado no Relatório de Diligência Fiscal anexo(fl. 152). (...).” 7. A empresa foi cientificada do Relatório da diligência fiscal em 01/07/2010 conforme AR fl. 147 e se manifestou às fls. 148/15, em seguida os autos seguiram para apreciação da 12ª Turma da DRJ/SP1 que considerou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo parcialmente o crédito tributário, excluindo R$ 3.957,03 do total lançado, restando R$ 11.071,63, tendo em vista que existe nulidade dos valores lançados em função da multa aplicada nas competências 05/2004, 07/2004, 09/2004 e 11/2004. 8. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que transcrevo abaixo: CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. FATO GERADOR. REMUNERAÇÃO E DEMAIS RENDIMENTOS DO TRABALHO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 221 7 Constitui fato gerador da obrigação previdenciária principal, em relação ao segurado contribuinte individual, a remuneração auferida em decorrência do exercício de atividade abrangida pelo Regime Geral de Previdência Social RGPS. Pagamentos feitos pela empresa a contribuinte individual a título de alimentação, moradia, transporte, assistência médica e odontológica e outras despesas integram o salário de contribuição, base de cálculo da contribuição previdenciária, ficando a empresa diretamente responsável pela contribuição que deixou de arrecadar oportuna e regularmente. INFRAÇÃO. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. NOVOS CRITÉRIOS.MULTA MAIS BENÉFICA. NULIDADE. Em virtude do disposto na Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008 (D.O.U. de 04/12/2008), convertida na Lei n° 11.941, de27/05/2009, constatada infração relacionada ao artigo 32, inciso IV da Lein° 8.212/91, em período anterior ao da edição da referida MP, deve ser aplicada a multa mais benéfica ao sujeito passivo, conforme previsto pelo inciso II, alínea "c", do artigo 106 do Código Tributário Nacional. A Administração Pública Federal, em respeito ao princípio da legalidade e no exercício do controle do lançamento tributário, tem o deverpoder de reexaminar seus atos declarando a nulidade de feitos são passíveis de saneamento no processo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido em Parte” (fl. 160) 9. Inconformada com a decisão proferida a contribuinte apresentou recurso voluntário tempestivo as fls. 178/188, no qual aduz em síntese: a) quanto ao Sr. Fritz Thum: i) que devem ser aplicadas as exclusões previstas no § 9º do artigo 28 da Lei 8.212/91 à composição da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pelo contribuinte individual; ii) que o contribuinte individual adimplia com 90% da totalidade do valor do aluguel sendo assim, a despesa paga pela empresa recorrente a fim de complementar o valor pago não tem caráter de remuneração, posto que uma mesma verba não pode ser mitigada parte como salarial e parte como não salarial; iii) considera inadmissível que os valores relacionados ao uso de veículo da empresa sejam considerados como remuneração e, por conseguinte, integrem a base de calculo do tributo, pois o automóvel poderia ser utilizado por qualquer funcionário e não somente pelo Sr. Fritz Thurm. iv) quanto ao item denominado “outras despesas” no período de dezembro de 2004 o montante apurado contempla o pagamento das despesas Fl. 221DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 222 8 pertinentes à manutenção da casa onde reside o Sr. Fritz Thurm, bem como valores referentes ao transporte de todo o mobiliário de sua residência. Assim com a indevida consideração do valor em comento, estaria bitributando os valores relativos sobre as despesas da casa do contribuinte individual; v) reembolso de cota previdenciária – “outros vencimentos”: no que se refere ao item outros vencimentos, tratase de uma indenização paga ao contribuinte individual que além de não ter gerado alteração em sua remuneração bruta, não modificou a base de cálculo do tributo, assim não se pode cogitar em prejuízo aos sofres públicos, devendo o auto de infração ser cancelado; b) quanto aos contribuintes individuais Clóvis Celli Junior, Luciana Henz e Irene S. S. Pinto: i) as referidas despesas não podem servir de base de cálculo para a exigência do crédito tributário ora questionado, eis que a legislação tributária não alberga ou autoriza a pretensão, pois os valores representam simplesmente reembolso de despesas que foram, inicialmente, custeadas pelas mencionadas pessoas; ii) as verbas de reembolso possuem caráter indenizatório, não se sujeitando, portanto, à incidência de contribuições sociais; iii) as despesas mencionadas referemse ao reembolso de locomoção, alimentação e cursos de aperfeiçoamento profissional, não se enquadrando na hipótese de salário contribuição. c) quanto aos contribuintes individuais Gisela de Souza Martins e Nair Machado Giosa: i) as despesas para o custeio de assistência médica e odontológica não devem integrar o salário de contribuição, visto que tais verbas jamais contemplaram o trato sucessivo e habitual do salário de contribuição, vez que nunca objetivaram remunerálas pelo trabalho. d) quanto aos contribuintes Helmut Saft, Karin Beyer e Sebastian Thurm: i) os valores pagos a título de “despesas de viagem” não possui o caráter de remuneração, visto estar ausente a habitualidade, não servindo como base de cálculo das contribuições sociais; e) da contribuinte RC MILA E TICKET SERVIÇOS: i) o fato da empresa contratante estar inativa no ano de 2004 não pode desconfigurar o contrato de prestação de serviços celebrado entre ela e a recorrente, não existindo fundamentação legal para a fiscalização considerála contribuinte individual. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 223 9 10. O fisco não apresentou contrarrazões e o processo foi encaminhado para análise e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 224 10 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO MÉRITO – DOS CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS 2. A recorrente fundamenta suas razões recursais no fato de que os valores incluídos pela fiscalização no lançamento efetuado não possuem caráter remuneratório, não integrando, por consectário, o denominado salário de contribuição. 3. Todavia, que pese o louvável entendimento apresentado pela recorrente, observase que o mesmo confunde, em sua argumentação, a base de cálculo das contribuições sociais incidentes sobre os salários pagos a empregados com a base de cálculo das contribuições sociais decorrentes da prestação de serviços por contribuintes individuais. 4. Ora, entendese como contribuintes individuais aqueles que têm renda pelo trabalho, sem estar na qualidade de empregado, tais como os profissionais autônomos, sócios e titulares de empresas, entre outros. Ou seja, os serviços prestados pelos contribuintes individuais são decorrentes de contratos estranhos as relações de emprego, onde não existe qualquer vínculo empregatício entre a empresa contratante e o prestador de serviço contratado. 5. Nessa esteira, o próprio legislador diferenciou a incidência de contribuições sociais sobre a remuneração salarial paga aos funcionários decorrentes de vínculos empregatícios da incidência de contribuições sociais sobre a remuneração decorrente da prestação de serviço de um terceiro sem qualquer vínculo de emprego. 6. No caso dos contribuintes individuais que prestam serviços para empresas, como é o caso sob análise, este sofrerá o desconto por ocasião do recebimento do preço pelo serviço prestado, ficando a empresa tomadora dos serviços obrigada a repassar o devido desconto ao INSS, nos termos da Lei nº. 10.666/2003, mediante a aplicação da alíquota de 11% sobre os serviços a ela prestados, sendo essa contribuição recolhida juntamente com a contribuição a seu cargo, o que na situação em análise não ocorreu. 7. Destarte, não se pode confundir a remuneração paga ao contribuinte individual com salário, sendo este o rendimento que os trabalhadores auferem em troca do trabalho executado sob a tutela de contrato regulado pela CLT, e, nesta hipótese, os valores que eventualmente lhes são pagos a título de auxílio moradia, alimentação, auxílio doença, “despesas com viagem” que não se revestindo de natureza salarial ou quando constantes no art. 28, § 9º, da Lei nº. 8.212/91, não há a incidência de contribuições sociais previdenciárias. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 225 11 8. Ademais, no tocante ao contribuinte individual, a base de cálculo da contribuição previdenciária é o valor ou preço total dos serviços prestados, devendo, no caso, no meu entender, ser tido como preço o valor em pecúnia, coisa e/ou bem que o represente, recebido como pagamento pelo prestador. De modo que, integrará ao referido preço, e, por conseguinte, a base de cálculo da contribuição previdenciária, não só os valores pagos em espécie, mas também os bens ou benefícios concedidos ao prestador de serviços contribuinte individual, sem qualquer dedução, inclusive aquelas parcelas previstas no § 9º, do art. 28, da Lei nº. 8.212/91, quando ao mesmo atribuídas. 9. Ocorre que, a recorrente em seu recurso (fls. 195/212), é enfática no sentido de “que deve ser aplicada as exclusões previstas no § 9º, do artigo 28 da Lei 8.212/91 à composição da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa sobre as remunerações pagas a contribuintes individuais”, a qual foi objeto do auto de infração ora questionado” . No entanto, nenhuma razão tem a contribuinte, pois, as exclusões a que ela se refere tratamse de isenções concedidas e afetas, exclusivamente, à remuneração do trabalhador empregado, fato impeditivo para que se estenda ou se aplique essa isenção aos pagamentos efetuados a segurado contribuinte individual, nos termos do art. 111, do CTN, dispositivo este que é cristalino no sentido de que: “Interpreta se literalmente a legislação tributária que disponha sobre (...) outorga de isenção (...)”. 10. Em relação aos pagamentos efetuados a empresa RC MILA, o fato desta se encontrar inativa no período fiscalizado, por si só serve de embasamento para o caracterização de que o beneficiado dos pagamentos tratase de prestador pessoa física, portanto, contribuinte individual, evidenciado, assim, a ocorrência do fato gerador da contribuição social previdenciária, além do que a recorrente deveria ter tomado todas as providências cabíveis e ser diligente para aferir a situação fática da empresa contratada. Já quanto aos pagamentos realizado para TICKET SERVIÇOS, registrados na contabilidade como despesas de alimentação, não procede também alegações da recorrente, vez que se tratam de custeio com alimentação de segurado não empregado, integrando portanto o preço dos serviços prestados pelos contribuintes individuais aos quais foram concedido tal benefício. 11. Do até aqui arrazoado, não vislumbro a procedência do recurso, devendo ser mantida a decisão de primeira instância em sua totalidade. CONCLUSÃO 12. Por todo o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO, para manter a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator Fl. 225DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 19515.000672/200990 Acórdão n.º 2803002.039 S2TE03 Fl. 226 12 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/01/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 31/0 1/2013 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 27/02/2013 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
score : 1.0
Numero do processo: 10730.904480/2009-35
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2002 DCTF. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF é possível sua retificação mesmo após o despacho decisório que indeferiu a DCOMP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2002 CSLL ESTIMADA. COMPENSAÇÃO. Comprovado o recolhimento indevido ou a maior de CSLL estimada é possível a restituição ou compensação antes ou após o término do período de apuração, conforme já reconheceu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 2011, sendo inaplicáveis quaisquer restrições anteriores a vigência da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
Numero da decisão: 1803-001.266
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Data do fato gerador: 31/03/2002 DCTF. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF é possível sua retificação mesmo após o despacho decisório que indeferiu a DCOMP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2002 CSLL ESTIMADA. COMPENSAÇÃO. Comprovado o recolhimento indevido ou a maior de CSLL estimada é possível a restituição ou compensação antes ou após o término do período de apuração, conforme já reconheceu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 2011, sendo inaplicáveis quaisquer restrições anteriores a vigência da Instrução Normativa RFB nº 900/2008.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 10730.904480/2009-35
conteudo_id_s : 5214528
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.266
nome_arquivo_s : Decisao_10730904480200935.pdf
nome_relator_s : WALTER ADOLFO MARESCH
nome_arquivo_pdf_s : 10730904480200935_5214528.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4566181
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394448203776
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1723; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 223 1 222 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10730.904480/200935 Recurso nº 923.979 Voluntário Acórdão nº 180301.266 – 3ª Turma Especial Sessão de 10 de abril de 2012 Matéria RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente AUTO LOTAÇÃO INGÁ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Data do fato gerador: 31/03/2002 DCTF. ERRO DE FATO. Comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF é possível sua retificação mesmo após o despacho decisório que indeferiu a DCOMP. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2002 CSLL ESTIMADA. COMPENSAÇÃO. Comprovado o recolhimento indevido ou a maior de CSLL estimada é possível a restituição ou compensação antes ou após o término do período de apuração, conforme já reconheceu a Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 2011, sendo inaplicáveis quaisquer restrições anteriores a vigência da Instrução Normativa RFB nº 900/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 223DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10730.904480/200935 Acórdão n.º 180301.266 S1TE03 Fl. 224 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório AUTO LOTAÇÃO INGÁ LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Trata o processo de Declaração de Compensação não homologada sob o fundamento de inexistência do direito creditório por ter sido utilizado para extinção de débito tributário regularmente confessado e declarado em DCTF. O alegado direito creditório referese ao DARF (fl. 37), referente ao PA 31/03/2002, Vcto. 30/04/2002, recolhido no valor de R$ 12.869,15, com o código 2484 (CSLL estimada). Em sua manifestação de inconformidade, alega a contribuinte que o recolhimento foi indevido pois conforme DIPJ apresentada em 10/10/2006 (fl. 26) não há CSLL estimada devida em relação ao período de apuração 31/03/2002. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão nº 1237.620, de 31de maio de 2011 (fls. 96/104), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, apoiada em duas premissas básicas: a) falta de comprovação através da escrituração contábil e fiscal do alegado erro de fato da DCTF, não se prestando para tanto apenas a DIPJ; b) impossibilidade de repetição de indébito de CSLL estimada antes do encerramento do período de apuração. Ciente da decisão em 01/09/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 111), apresentou o recurso voluntário em 30/09/2011 fls. 112/117, onde refuta os argumentos da DRJ, com a juntada de elementos da escrituração contábil e fiscal e possibilidade de utilizar o recolhimento indevido da CSLL estimada antes do encerramento do período de apuração. É o relatório. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10730.904480/200935 Acórdão n.º 180301.266 S1TE03 Fl. 225 3 Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de declaração de compensação, com direito creditório relativo ao recolhimento indevido de CSLL estimada relativa ao período de 31/03/2002, recolhida em 30/04/2002, cujo despacho decisório eletrônico acusou a inexistência do direito creditório. Conforme exposto no relatório, a decisão de primeira instância rejeitou a manifestação de inconformidade baseada em duas premissas: 1) de que não teria havido a comprovação inequívoca de erro no preenchimento da DCTF através da apresentação da escrituração contábil e fiscal, não sendo possível outrossim, sua retificação após o despacho decisório que indeferiu a compensação; 2) de que a Instrução Normativa SRF nº 460/2004, veda a utilização de IRPJ e CSLL estimada antes do encerramento do período de apuração somente permitindo sua utilização mediante inclusão no saldo negativo do período. A recorrente por seu turno, afirma estar comprovando através do LALUR e balancete contábil, a inexistência de CSLL a recolher relativo ao período de 31/03/2002 por ter apurado base de cálculo negativa, bem como insiste na possibilidade de utilizar o direito creditório da CSLL estimada recolhida indevidamente, mesmo sem sua inclusão na base de cálculo negativa do período. A decisão de primeira instância merece reforma. Com efeito, resta evidente que a recorrente incorreu em erro de fato no preenchimento da DCTF relativa ao 1º trimestre de 2002 pois conforme DIPJ (fls. 25/26), somente apurou estimativa devida em relação a Janeiro 2002, sendo que em relação aos períodos de apuração de Fevereiro e Março 2002, apurou base de cálculo negativa nos balancetes de suspensão/redução. Da mesma forma, comprova a correção dos dados da DIPJ através de escrituração fiscal (fl. 150) e contábil (fls. 151/156), em contraponto às alegações da decisão de primeira instância. Assim, comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF do período, plenamente possível a retificação desta mesmo após o despacho decisório que indeferiu a compensação. No tocante ao mérito igualmente assiste razão à interessada. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10730.904480/200935 Acórdão n.º 180301.266 S1TE03 Fl. 226 4 Com efeito, desde o momento em que a Instrução Normativa SRF nº 900/2008, deixou de prever qualquer restrição no tocante a possibilidade de compensação ou restituição de IRPJ e CSLL estimados recolhidos indevidamente, passouse a admitir este entendimento de forma retroativa no âmbito da Administração Tributária e também dos colegiados julgadores administrativos. Se restavam dúvidas quanto a lisura deste procedimento estas foram espancadas com a Solução de Consulta Interna nº 19 – Cosit, de 5 de dezembro de 2011, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Destarte, conforme a própria Administração Tributária reconheceu com a edição do ato acima transcrito, comprovado o recolhimento a maior ou indevido de estimativa é possível a sua restituição ou compensação, independentemente de integrar ou não o saldo negativo do período de apuração. No caso, comprovado o erro de fato no preenchimento da DCTF e sendo possível o reconhecimento de indébito no recolhimento de CSLL estimada, recolhida indevidamente, deve ser acolhido o pleito da recorrente. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10730.904480/200935 Acórdão n.º 180301.266 S1TE03 Fl. 227 5 Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer o direito creditório original de R$ 12.869,15, homologandose em conseqüência as compensações realizadas, até o limite do crédito apurado. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 22/05/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 16/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13971.911864/2009-60
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-001.536
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201206
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais”. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 13971.911864/2009-60
conteudo_id_s : 5217130
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 3301-001.536
nome_arquivo_s : Decisao_13971911864200960.pdf
nome_relator_s : ANDREA MEDRADO DARZE
nome_arquivo_pdf_s : 13971911864200960_5217130.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2012
id : 4567084
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:59:05 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394450300928
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1909; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 92 1 91 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13971.911864/200960 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301001.536 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de junho de 2012 Matéria IPI. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. Recorrente PROAÇO INDÚSTRIA METALÚRGICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Devem incidir a multa de mora e juros de mora sobre os pedidos de compensação realizados em relação a débitos vencidos. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Nos termos da Súmula CARF nº 4, “a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais”. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optante pelo SIMPLES. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 2 [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Amauri Amora Câmara Júnior e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Ribeirão Preto que negou provimento à manifestação de inconformidade, por entender que as aquisições de insumos de empresas optantes do SIMPLES não geram direito ao crédito básico de IPI. A contribuinte apresentou pedido de ressarcimento de crédito básico do IPI, relativo ao 3º trimestre de 2006. A Delegacia da Receita Federal em Blumenau proferiu Despacho Decisório, indeferindo parcialmente o pleito do contribuinte e homologou as compensações pleiteadas, no limite do crédito reconhecido. Apresentou como fundamento legal para as glosas efetuadas os seguintes dispositivos legais: art. 11 da Lei n° 9.779/99; art. 164, inciso I, do Decreto n° 4.544/2002 (RIPI). Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Inconformada com o despacho decisório, a ora Recorrente apresentou, tempestivamente, manifestação de inconformidade, alegando, em apertada síntese, que: (i) o direito à compensação é exercido na entrega da DCTF que informa os débitos compensados com créditos líquidos e certos, nos termos da legislação, não cabendo, por esta razão a cobrança de multa de mora; (ii).o despacho decisório é nulo por desrespeito aos princípios da estrita legalidade e da ampla defesa, tendo em vista que ele não observou formalidades essenciais para a produção de efeitos; (iii) não há qualquer dispositivo legal que vede a utilização de créditos de IPI decorrentes da aquisição de empresas optantes pelo SIMPLES. Isso porque a Lei nº 9317/96 que trazia esta disposição foi revogada pela Lei Complementar nº 123/06; (iv) com a revogação da Lei 9.317/96 o art. 166 do RIPI/2002 perdeu sua eficácia, cuja redação somente foi alterada através do art. 228 do novo RIPI em 15/06/2010. Portanto, durante o período de 01/07/2007 a 14/06/2010 não havia legislação vigente vedando a utilização do crédito presumido previsto no art. 165, nas aquisições de micros e pequenas empresas optantes pelo Simples Nacional; (v) além disso, qualquer vedação a apropriação ou transferência de créditos relativos ao IPI fere flagrantemente o princípio da não cumulatividade bem como o art. 170, caput e inciso IX e 179 da Constituição Federal, além do CTN, que tem status de norma geral. A DRJ em Ribeirão Preto julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SORRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 COMPENSAÇÃO. DÉBITOS VENCIDOS. MULTA. JUROS. Fl. 310DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13971.911864/200960 Acórdão n.º 3301001.536 S3C3T1 Fl. 93 3 Na compensação de créditos com débitos de espécies diferentes já vencidos é cabível a imputação de multa de mora e juros de mora sobre os débitos não recolhidos nos prazos legalmente estabelecidos. IPI. CRÉDITOS. FORNECEDORES OPTANTES PELO SIMPLES. A legislação em vigor não permite o creditamento do IPI calculado pelo contribuinte sobre aquisições de estabelecimento optantes pelo SIMPLES Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho, repetindo as razões apresentadas na sua manifestação de inconformidade e acrescentado o seguinte: O acórdão traz como fundamentação legal o art. 23 da Lei Complementar n° 123/2006, com a alegação de que tal artigo limita o alcance do aproveitamento do crédito presumido disposto no art. 165 do RIPI/2002. Tal fundamento não pode prosseguir haja visto que, o sistema "Simples Nacional" veio integrar a legislação tributária, a partir de Julho de 2007, com o intuito de simplificar, como diz o próprio nome, e unificar a arrecadação de vários impostos e contribuições que outrora vinham sendo recolhidos individualmente pelas microempresas e empresas de pequeno porte, implicando em pagamento mensal unificado de imposto e contribuições federais. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia versa sobre a aplicação da multa e dos juros de mora sobre os débitos já vencidos no momento da transmissão da DCOMP e sobre a possibilidade de se creditar dos valores relativos à aquisição de insumos de empresas optantes do SIMPLES. Pois bem. Restou incontroverso nos autos que o débito que o contribuinte pretende compensar fora confessado por meio de DCTF, já se encontrando vencido no momento da transmissão da DCOMP. Sendo assim, completamente cabível a aplicação de multa e juros de mora. Afinal, com o vencimento do débito sem que haja sua extinção por qualquer modalidade, devem incidir os acréscimos moratórios. Assim, diferentemente do que Fl. 311DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 4 alega a Recorrente, mesmo que tivesse optado pelo pagamento em dinheiro, os consectários legais seriam cabíveis em face da sua quitação fora do prazo legal, nos termos do art. 61da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por outro lado, não procede a alegação de que a multa de mora deveria ser afastada em face da denúncia espontânea do débito tributário. O art. 138 do Código Tributário Nacional é bastante claro ao prescrever que a regra de exclusão da responsabilidade por infrações somente se aplica quando a confissão é acompanhada do pagamento do tributo, o que não se verificou no caso concreto, haja vista que o pedido de compensação somente fora apresentado em momento posterior, quando já vencido o débito. No que se refere à legalidade da cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC, a matéria já fora pacificada no âmbito deste Conselho Administrativo por meio da Súmula CARF nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Assim, não há dúvida que não assiste razão à Recorrente neste ponto. No que se refere ao direito ao crédito de IPI decorrente da compra de insumos de pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, vale esclarecer que a matéria foi inicialmente regulada pela Lei nº 9.317/96, que assim dispunha em seu art. 5º: Art. 5º O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. Esta disposição foi regulamentada pelo Decreto nº 4.544/2002 (RIPI), que determinava igualmente a vedação aos créditos decorrentes de compras de insumos de pessoas jurídicas optantes do SIMPLES, em seu artigo 118: Fl. 312DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE Processo nº 13971.911864/200960 Acórdão n.º 3301001.536 S3C3T1 Fl. 94 5 Art. 118. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao imposto Em 14 de dezembro de 2006, a Lei nº 9.317/96 foi revogada pela Lei Complementar nº 123. Todavia, diferentemente do que alega a Recorrente, este diploma legal manteve a vedação ao crédito nas compras de insumos de empresas optantes do SIMPLES: Art. 23. As microempresas e as empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional não farão jus à apropriação nem transferirão créditos relativos a impostos ou contribuições abrangidos pelo Simples Nacional. Referido enunciado normativo passou a ser regulamentado pelo Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), nos seguintes temos: Art. 178. Às microempresas e empresas de pequeno porte, optantes pelo SIMPLES Nacional, é vedada: I a apropriação e a transferência de créditos relativos ao imposto; e II a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal Diante dessas disposições expressas, a conclusão é única: não é permitido a este colegiado, no exercício do controle de legalidade, reconhecer como possível o aproveitamento de crédito decorrente da aquisição de insumos de pessoa jurídica optante pelo SIMPLES. Por outro lado, deixo de apreciar a alegação de que os dispositivos normativos acima citados seriam inconstitucionais, por violação ao princípio da não cumulatividade e aos arts. 170, caput, e inciso IX, e 179 da Constituição Federal, por se tratar de matéria que escapa à competência deste tribunal administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em face do exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. [Assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Fl. 313DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE 6 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 18/07/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE
score : 1.0
Numero do processo: 16327.900045/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
TRIBUTO PAGO SOBRE LUCROS AUFERIDOS NO POR SUBSIDIÁRIA EXTERIOR EFETIVAMENTE TRIBUTADOS NO BRASIL. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. o IR-Fonte pago no Brasil por subsidiárias domiciliadas no exterior, é passível de compensação ou aproveitamento na apuração do IRPJ da Controladora Brasileira, quando essa faz prova da efetiva adição dos lucros das subsidiárias na apuração devido no País.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 17.839.382,24; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201303
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 TRIBUTO PAGO SOBRE LUCROS AUFERIDOS NO POR SUBSIDIÁRIA EXTERIOR EFETIVAMENTE TRIBUTADOS NO BRASIL. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. o IR-Fonte pago no Brasil por subsidiárias domiciliadas no exterior, é passível de compensação ou aproveitamento na apuração do IRPJ da Controladora Brasileira, quando essa faz prova da efetiva adição dos lucros das subsidiárias na apuração devido no País. Recurso Voluntário Provido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 16327.900045/2011-02
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5201951
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 04 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 1402-001.345
nome_arquivo_s : Decisao_16327900045201102.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 16327900045201102_5201951.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 17.839.382,24; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto - Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto.
dt_sessao_tdt : Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
id : 4552703
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:44 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394458689536
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1978; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 2 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.900045/201102 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402001.345 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 7 de março de 2013 Matéria Auto de Infração do IRPJ e Reflexos Recorrente BANCO FIBRA S A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 TRIBUTO PAGO SOBRE LUCROS AUFERIDOS NO POR SUBSIDIÁRIA EXTERIOR EFETIVAMENTE TRIBUTADOS NO BRASIL. POSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO. o IRFonte pago no Brasil por subsidiárias domiciliadas no exterior, é passível de compensação ou aproveitamento na apuração do IRPJ da Controladora Brasileira, quando essa faz prova da efetiva adição dos lucros das subsidiárias na apuração devido no País. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para reconhecer o direito ao crédito no montante de R$ 17.839.382,24; nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 00 45 /2 01 1- 02 Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 3 2 Relatório BANCO FIBRA SA com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF), recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que indeferiu seu pleito. Adoto o relatório da decisão recorrida (verbis): O presente processo trata da compensação de diversos débitos com crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2005. O crédito em questão foi declarado no PER/DCOMP nº 20681.54327.310709.1.7.029028 (fls. 192 a 197) e foi utilizado nas compensações declaradas nas DCOMP discriminadas a seguir: (...) Por meio do Despacho Decisório nº 912667697 (fls. 25), a autoridade a quo reconheceu o montante de R$116.770,51 como saldo negativo disponível para compensação, valor inferior ao declarado pela contribuinte de R$17.956.674,38. Verificase que a diferença se deve ao IR pago no exterior no valor de R$17.839.382,24 e ao IRRF no valor de R$521,63 não confirmados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Assim, foi homologada a compensação até o limite do crédito reconhecido, resultando em saldo devedor consolidado para pagamento até 28/02/2011 no seguinte montante: Principal (R$) Multa (R$) Juros (R$) 18.988.381,04 3.797.675,73 9.317.650,34 Cientificada do despacho decisório em 18/02/2011 (fls. 48), a contribuinte apresentou, em 21/03/2011, a manifestação de inconformidade de fls. 2 a 15, acompanhada dos documentos de fls. 16 a 37. A requerente alega que o não reconhecimento do crédito decorreu de mero erro no preenchimento da DIPJ. Argumenta que, por um lapso ocorrido na elaboração da ficha 12B da DIPJ 2006, declarou o IR Fonte Exterior de R$17.839.382,24 juntamente com as retenções sofridas no anocalendário de 2005, de R$117.292,14, na linha 08 (Imposto de Renda Retido na Fonte), quando, na verdade, o IRRF Exterior deveria ter sido informado na linha 07 (Imposto Pago no Exterior s/ Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital) dessa mesma ficha. A requerente alega que apresentou à Deinf/SPO/Diort, em atendimento à Intimação Deinf/SPO/Diort nº 544/2010, a documentação comprobatória das operações realizadas com o exterior, bem como dos respectivos recolhimentos do IRRF. Esclarece que o IRRF Exterior foi retido por ocasião das remessas a título de juros e rendimentos em operações de swap com destino às suas filiais localizadas nas Ilhas Cayman e Ilhas Bahamas (Nassau). Alega que o saldo negativo do IRPJ está devidamente comprovado por documentação idônea, sendo o mesmo passível de ser utilizado em compensação. Argumenta que o processo administrativo é regido pelo princípio da verdade material, devendo a autoridade administrativa conhecer de todas as provas e documentos pertinentes à matéria objeto do questionamento. Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 4 3 A requerente sustenta que houve mero erro formal no preenchimento da DIPJ, devendo ser reformada a decisão que não homologou as compensações declaradas, visto que foi comprovada a existência do crédito. Ante o exposto, requer seja dado provimento à manifestação de inconformidade, reconhecendose o crédito pleiteado e homologandose as compensações declaradas. Requer também seja autorizada e processada a retificação da DIPJ e do PER/DCOMP a fim de que sejam sanados os erros formais cometidos. Por fim, protesta provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, notadamente pela posterior juntada dos documentos que se fizerem necessários. Em 03/05/2011, a manifestação de inconformidade apresentada pela requerente foi julgada improcedente por esta 10ª Turma da DRJ/SP1, que proferiu o acórdão nº 16 31.232 (fls. 222 a 226). Entretanto, em 06/05/2011, antes que a requerente tivesse ciência do referido acórdão, verificouse que não haviam sido juntados ao presente processo os documentos por ela apresentados em 04/04/2011, não tendo sido tais documentos considerados no julgamento. Tratase da petição de fls. 228 a 230, na qual a requerente solicita a juntada dos documentos de fls. 231 a 1.205. Alega que se trata dos mesmos documentos apresentados em resposta à Intimação Deinf/SPO/Diort nº 544/2010, os quais não foram juntados à manifestação de inconformidade, pois já haviam sido apresentados anteriormente à Receita Federal. Todavia, alega a requerente que a Deinf/SPO/Diort lhe devolveu os referidos documentos, em razão de a análise do DCOMP ter se realizado de forma automática pelo Sistema de Controle de Créditos e Compensações, conforme se verifica no Termo de Devolução de Documentos de fls. 249. Assim, requer a juntada dos documentos, a fim de subsidiar sua defesa no presente processo. A decisão recorrida está assim ementada: SALDO NEGATIVO. IRRF INCIDENTE SOBRE RENDIMENTOS PAGOS A FILIAL SITUADA NO EXTERIOR. O imposto de renda retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei no 9.430, de 1996, só pode ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, quando os resultados da filial que contenham os referidos rendimentos forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil, e ainda até o limite do imposto de renda incidente no Brasil sobre tais rendimentos. REVISÃO DE ACÓRDÃO. LAPSO MANIFESTO. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. NOVO ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo. A fim de efetuar a correção, deve ser proferido novo acórdão, anulandose o anterior. PRODUÇÃO DE PROVAS. PROTESTO GENÉRICO. Há que ser indeferido o protesto genérico pela produção de provas posteriormente à entrega da manifestação de inconformidade, face ao não atendimento das condições previstas no art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 5 4 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento nos seguinte termos: É o relatório. Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade. Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório em face de saldo negativo de recolhimentos do IRPJ (SNR), do anocalendário de 2005. Tal SNRIRPJ tem origem na compensação de imposto de renda efetivamente pago no Brasil sobre rendimentos auferidos por subsidiaria da contribuinte no exterior. O indeferimento do pleito em 1a. instancia ocorreu sob os seguintes fundamentos de mérito (verbis): “(...) A requerente alega que o não reconhecimento do crédito decorreu de mero erro no preenchimento da DIPJ. Argumenta que, por um lapso ocorrido na elaboração da ficha 12B da DIPJ 2006, declarou o IR Fonte Exterior de R$17.839.382,24 juntamente com as retenções sofridas no anocalendário de 2005, de R$117.292,14, na linha 08 (Imposto de Renda Retido na Fonte), quando, na verdade, o IR Fonte Exterior deveria ter sido informado na linha 07 (Imposto Pago no Exterior s/ Lucros, Rendimentos e Ganhos de Capital) dessa mesma ficha, conforme instruções de preenchimento da DIPJ. Argumenta que o indeferimento do crédito se deu por meio de cruzamento eletrônico de informações constantes nos sistemas informatizados da RFB, que apontou a inexistência de crédito decorrente de IR Fonte Exterior em razão de a requerente terse equivocado no preenchimento da DIPJ. Alega que as retenções do imposto ocorreram por ocasião de remessas a título de juros e rendimentos em operações de swap com destino às suas filiais localizadas nas Ilhas Cayman e Ilhas Bahamas (Nassau). A compensação pretendida pela requerente encontrase prevista no art. 9º da Medida Provisória nº 2.15835/2001, abaixo reproduzido: MP nº 2.15835/2001: “Art. 9º O imposto retido na fonte sobre rendimentos pagos ou creditados à filial, sucursal, controlada ou coligada de pessoa jurídica domiciliada no Brasil, não compensado em virtude de a beneficiária ser domiciliada em país enquadrado nas disposições do art. 24 da Lei no 9.430, de 1996, poderá ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada no Brasil quando os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada, que contenham os referidos rendimentos, forem computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil. Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 7 6 Parágrafo único. Aplicase à compensação do imposto a que se refere este artigo o disposto no art. 26 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995.” (destacamos) Lei nº 9.249/95: “Art. 26º A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais.” (destacamos) A partir da leitura dos dispositivos acima reproduzidos, concluise que o IRRF sobre os rendimentos pagos ou creditados a filial, sucursal, controlada ou coligada situada em país com tributação favorecida pode ser compensado com o imposto devido sobre o lucro real da matriz, controladora ou coligada domiciliada no Brasil, desde que atendidas duas condições, a saber: i) os resultados da filial, sucursal, controlada ou coligada que contenham os referidos rendimentos devem ser computados na determinação do lucro real da pessoa jurídica no Brasil, ii) a compensação fica limitada ao imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos rendimentos. No presente caso, a requerente não alegou e nem demonstrou que os resultados das filiais localizadas nas Ilhas Cayman e nas Ilhas Bahamas, contendo os juros e rendimentos auferidos nas operações de swap, foram adicionados ao seu lucro real. Além disso, no anobase de 2005, a requerente apurou prejuízo fiscal. Dessa forma, não havendo base tributável sujeita ao IRPJ, não há que se falar em imposto incidente no País sobre os rendimentos auferidos pelas filiais situadas no exterior, não sendo admissível a utilização do IRRF em questão na composição de saldo negativo. Portanto, deve ser mantida a decisão da autoridade a quo, manifestada no Despacho Decisório nº 912667697. (...)” Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 8 7 No recurso voluntário, a contribuinte, após tecer longo arrazoado acerca do direito a compensação do tributo, apresenta provas da efetiva tributação dos resultados auferidos pelas subsidiárias em comento. Vejamos: “(...) 2.2 Da Decisão Recorrida Pois bem. Uma vez tratado genericamente acerca do crédito do Recorrente de IRRF sobre remessa de montantes às filiais das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas (Nassau), bem como analisada a finalidade da norma contida no artigo 9o da MP n° 2.15835/01, tornase possível cuidar da improcedência da decisão recorrida. 2.2.1 –Da Adição dos Resultados das Filiais do Recorrente ao Lucro Real Conforme já adiantado, os i. Julgadores da 10a Turma da DRJ/SP1 deixaram de reconhecer o crédito do Recorrente referente a IRRF sobre remessa de valores às filiais das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas (Nassau), sob o argumento de que não houve alegação, tampouco demonstração, de que os resultados dessas filiais foram adicionados ao lucro real do período, de forma a comprovar o atendimento ao requisito do já mencionado artigo 9o da MP n° 2.15835/01: “No presente caso, a requerente não alegou e nem demonstrou que os resultados das filiais localizadas nas Ilhas Cayman e nas Ilhas Bahamas, contendo os juros e rendimentos auferidos nas operações de swap, foram adicionados ao seu lucro real.” Ocorre que, considerando que a não homologação do crédito (e indeferimento das compensações) pela d. autoridade fiscal havia se dado exclusivamente em razão de cruzamento eletrônico das informações contidas na DCOMP n° 20681.54327.310709.1.7.029028 e na DIPJ referente ao exercício de 2006, o Recorrente entendeu por bem limitar sua defesa quanto ao erro formal cometido. Isso porque, uma vez esclarecido o mero equívoco no preenchimento das declarações, estaria evidente o direito ao crédito de IRRF de que trata o artigo 9o da MP n° 2.15835/01, eis que a informação do cômputo dos resultados das filiais ao lucro real do período consta da própria DIPJ entregue, de livre acesso às autoridades fiscais e julgadoras. (...) Mas, para que não reste qualquer dúvida acerca da legitimidade do direito do Recorrente ao crédito de IRRF, por terem sido adicionados ao lucro real os resultados das filiais domiciliadas em países enquadrados no artigo 24 da Lei n° 9.430/96 nat. .se a fazer prova de tanto, com base na DIPJ 2006, que é acostada ao presente apenas para facilitar o julgamento (Doc. 02). Pois bem, nas Fichas 09B Demonstração do Lucro Real PJ Componente do Sistema Financeiro e 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da DIPJ 2006, consta a indicação de adição ao lucro líquido do período, para apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, do montante de R$ 99.730.566,29, relativo a Lucros Disponibilizados no Exterior (linhas 04 e 05, respectivamente). Lembrese que, segundo o Manual de Preenchimento da DIPJ 2006, as linhas 04 da Ficha 09B e 05 da Ficha 17 serviam justamente à indicação dos lucros de filiais localizadas no exterior adicionados ao lucro real e á base de cálculo da CSLL: Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 9 8 Ficha 09B Demonstração do Lucro Real Esta ficha deve ser preenchida pelas instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil. Linha 09B/04 Lucros Disponibilizados no Exterior Indicar nesta linha, os lucros auferidos no exterior, por intermédio de filiais, sucursais, controladas ou coligadas, que tiverem sido , disponibilizados para a pessoa jurídica domiciliada no Brasil no curso do anocalendário (Lei n9.532, de 1997, art. 1&, § 1S; Lei n& 9.959, ' , de 27 de janeiro de 2000, art. 3S ; MP n1.99115. de 2000. art. 35 e reedições: MP n^ 2.15834, de 2001, art. 74). Em caso de apuração trimestral do imposto, tais lucros devem ser informados na coluna relativa ao 4^ trimestre. Outras informações no subitem 15.4. Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (LR) Esta ficha deve ser preenchida pelas pessoas jurídicas submetidas à apuração da CSLL com base no resultado do período ajustado, trimestral ou anualmente (ajuste), para demonstração do cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). As empresas que exploram atividades rurais e outras atividades em geral que desejarem usufruir os benefícios previstos na legislação para a atividade rural devem preencher ambas as colunas nos trimestres correspondentes. Informações detalhadas sobre segregação do resultado da atividade ' rural do resultados das demais atividades estão contidas no subitem 15.1.8. • ' Linha 17/05 Lucros Disponibilizados no Exterior Valores informados na Linha 09A/05, Linha 09B/04 ou Linha 9C/04. Destacase, por oportuno, que a quantia de R$ 99.730.566,29 refere se, precisamente, aos resultados das filiais das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas (Nassau), como inclusive se verifica das Fichas 34 Participações.no Exterior e 35 Participações no Exterior Resultado do Período de Apuração, páginas 21 e 22: Nessa esteira, depreendese ser indiscutível que os resultados das filiais localizadas nas Ilhas Cayman e nas Ilhas Bahamas (Nassau), contendo os juros e rendimentos auferidos nas operações de swap, objeto de IRRF no Brasil, quando das remessas dos valores, foram adicionados tanto ao lucro real quanto à base de cálculo da CSLL do Recorrente. Tal fato que, até então, em momento algum fora objeto de questionamento, justificando a inexistência de alegação do Recorrente a esse respeito, reiterese, poderia (e até mesmo deveria), nos termos do citado artigo 29 da Lei n° 9.784/99 ser Filial Resultado Banco Fibra S/A Cayman R$ 10.203.703,81 Banco Fibra S/A Nassau R$ 89.526.862,48 Total R$ 99.730.566,29 Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 10 9 identificado de ofício pelas d. autoridades fiscais, vez que de fácil constatação na DIPJ 2006. , Assim, não prospera o entendimento dos i. Julgadores da 10a Turma da DRJ/SP1 no sentido de manter o não reconhecimento do crédito e a não homologr nãc dó compensações, em razão de suposta inexistência de prova quant av pão dos resultados das filiais do "Recorrente das Ilhas Cayman e das llhas Bahamas (Nassau) ao lucro real do período. 2.3 Da Tributação dos Resultados das Filiais no Brasil Outro argumento erroneamente levantado pelas d. autoridades julgadoras da 10a Turma da DRJ/SP1, para negar o crédito de IRRF do Recorrente e, consequentemente, manter a não homologação das compensações, diz respeito à apuração de prejuízo fiscal no período: Além disso, no anobase de 2005, a requerente apurou prejuízo fiscal. Dessa forma, não havendo base tributável sujeita ao IRPJ, não há que se falar em imposto incidente no País sobre os rendimentos auferidos pelas filiais situados no exterior, não sendo admissível a utilização do IRRF em questão na composição do saldo negativo, (grifos nossos) Não obstante, ao fazêlo, data venia, a 10a Turma da DRJ/SP1 deixa de observar a finalidade do limite do artigo 26 da Lei n° 9.249/95, cuja observância é determinada pelo artigo 9o, parágrafo único, da MP n° 2.15835/01, bem como confunde a incidência do imposto com seu efetivo recolhimento. Consoante já esclarecido alhures, no momento em que estabelece que o crédito pelo imposto pago no exterior limitase ao quantum incidente no país, o legislador tão somente nega eventual crédito pela quantia tributada no exterior que exceder a quantia tributada no país. (...) Depreendese que o limite do artigo 26 da Lei n° 9.249/95, como inclusive visto alhures, diz respeito a evitar que o crédito concedido pelo imposto pago no exterior, quando o mesmo rendimento/resultado é computado ao lucro real da empresa brasileira, ultrapasse o montante do IRPJ INCIDENTE sobre a quantia oferecida à tributação no país. Contudo, por momento algum, vinculase o crédito apurado ao pagamento do imposto. Nesse ponto, é imprescindível destacar que a norma em comento fala em "imposto de renda incidente, no Brasil", e não em "imposto de renda recolhido, pago, no Brasil". Aliás, tanto é assim que a já citada IN SRF n° 213/02, por meio de seu artigo 14, §15°, regulando a ordinária situação do artigo 26 da Lei 9.430/1996, que trata de países que tributam a renda, assegura que, em situações em que a empresa brasileira apure prejuízo fiscal, isto é, em que não há pagamento do tributo no Brasil, o imposto pago no exterior pode ser utilizado em períodos de apuração sul sequentes: Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (...) Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 11 10 § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes, (grifos nossos) ' Assim, resta evidente que o limite do artigo 26 da Lei n° 9.249/95 não se refere ao imposto pago no Brasil sobre resultados do exterior, mas, sim, ao imposto incidente no país sobre resultados de filiais, controladas ou coligadas computados no país. Desse modo, tendo em vista que o artigo 9o, parágrafo único, da MP n° 2.15835/01 determina a observância do artigo 26 da Lei n° 9.249/95, estabelecendo, por conseqüência, ser o limite do crédito de IRRF o imposto incidente no Brasil, o mesmo racional aplicase, mas não podendo se perder de vista, no caso, o fato de que o tributo que se pretende compensar foi pago no Brasil. Portanto, independentemente de ter ou não a empresa, no caso o Recorrente, apurado lucro real positivo no período, é assegurado o direito ao crédito do IRRF incidente sobre a remessa de valores a filiais localizadas em países com tributação favorecida até o limite do imposto incidente, e não até o limite do imposto pago no país. Dessa forma, o que importa para constatação do limite do crédito de I \RF de que trata o artigo 9o da MP n° 2.1583501, para além do já comprovado cômputo dos resultados do exterior ao lucro real, é o quantum que seria devido no Brasil a título de IRPJ sobre os resultados das filiais do Recorrente das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas (Nassau), não tivesse o Recorrente incorrido em exclusões outras que implicaram em prejuízo fiscal. Em síntese, devem ser considerados para constatação do limite do artigo 9o da MP n° 2.15835/01 c/c o artigo 26 da Lei n° 9.249/95 o oferecimento dos resultados das filiais das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas (Nassau) à tributação 1 pelo IRPJ e a quantia do IRPJ INCIDENTE (E NÃO PAGO) sobre' referidos resultados. Na hipótese, como ocorrido com o Recorrente, de a pessoa jurídica brasileira ter apurado prejuízo fiscal no período de apuração correspondente, em decorrência de razões outras que não se confundem com o oferecimento ou não dos resultados do exterior à tributação (já visto que foi adicionado ao lucro real a título de lucro das Ilhas Cayman e das Ilhas Bahamas R$ 99.730.566,29), o crédito do artigo 9° da MP n° 2.15835/01 acaba por compor saldo negativo do período. Não é demais mencionar que o prejuízo fiscal apurado pelo Recorrente no período decorreu de exclusões de valores do lucro líquido, na apuração do lucro real, realizadas em perfeita consonância com a legislação, e.g. exclusão de resultados de equivalência patrimonial. Não obstante, em que pese o prejuízo fiscal do período, restou comprovado que os resultados do exterior foram computados ao lucro real/oferecidos a tributação e que o valor do imposto incidente sobre tais resultados i. e. 24.908.641,57 (IRPJ à alíquota de 15% e adicional de 10% sobre 99.730.566,29), ultrapassa o crédito de IRRF reconhecido pelo Recorrente, i.e. R$ 17.839.382,24, donde se depreende ter sido observado o limite do artigo ; 26 da Lei n° 9.249/95. Quanto ao fato de o crédito de IRRF do artigo 9o da MP n° 2.15835/01 ter, juntamente com as demais retenções sofridas pelo Recorrente no anocalendário Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 12 11 2005, composto o saldo negativo do imposto, é oportuno esclarecer que está em perfeita consonância com a já mencionada configuração do IRRF sobre remessa de rendimentos a filial, sucursal, controlada ou coligada domiciliada em país com tributação favorecida como antecipação do IRPJ devido ao final do período de apuração. Com efeito, as retenções do imposto sobre remessas a filiais, sucursais, coligadas ou controladas domiciliadas em "países com tributação favorecida" que não são tributadas e compensadas no exterior, uma vez sendo consideradas no lucro real da empresa remetente, como resultado daquelas, consistem em retenções de caráter não exclusivo e, consequentemente, em antecipações do tributo devido ao final do período de apuração. Insistase: em sendo os rendimentos do exterior integralmente adicionados na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL é evidente que, quaisquer retenções sofridas antecipadamente na fonte sobre os mesmos rendimentos recebem, na sistemática de apuração do lucro real, o tratamento de antecipação, cujo "crédito" servirá para abater eventual imposto apurado no ajuste anual. E, se o montante antecipado ao longo do período já tiver ultrapassado o imposto que seria devido com o cômputo desses rendimentos no ajuste anual, a diferença formará o saldo negativo de IRPJ para ser compensada pelo Recorrente com demais tributos federais! Nessa esteira, resta patente a improcedência do argumento dos i. julgadores da 10a Turma da DRJ/SP1 de que o Recorrente não faria jus ao crédito em razão da apuração de prejuízo fiscal no período, vez que todas as condições para o direito ao crédito do artigo 9o da MP n° 2.15835/01, inclusive a observância do limite do artigo 26 da Lei n° 9.249/95, foram observadas. (...)” (os destaques são do original). Inobstante a extensão e veemência do recurso voluntário, o litígio é de simples compreensão e, a meu, ver tratase de (i) matéria de prova e de (ii) interpretação. No que tange as questões de prova verifico que estão absolutamente comprovados nos autos, quais sejam: 1) O efetivo recolhimento do IRFonte sobre os pagamentos de juros (código 0481) e ganhos e operações de swap (código 5273), auferidos pelas subsidiárias no exterior. Aliás, tais valores foram recolhidos pela própria contribuinte, bem como contabilizados conforme documentos de fls. 228 a 1205, sendo que os recolhimentos totalizaram R$17.839.382,24. Tais documentos já haviam sido entregues em 22/11/2010, em atendimento à Intimação Deinf/SPO/Diort nº 544/2010. 2) Os lucro auferidos com as subsidiárias no exterior, no montante de R$ 99.730.566,29 (anocalendário de 2005) foram tributados pela contribuinte, conforme cópia da DIPJ às fls. 1394. Quanto a esse valor observo que não se tratam de receitas e sim “Resultados Líquidos”, ou seja, o IR pago no total de R$17.839.382,24 que é inferior aos 25% do tributo incidente no Brasil sobre tais valores. Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 13 12 Portanto é incorreto e estranhável o fundamento da decisão recorrida no sentido de que a contribuinte não alegou e nem provou que os resultados com as subsidiárias no exterior foram adicionados ao Lucro Real. Ora, a cópia dos elementos da contabilidade estava nos autos e a DIPJ poderia ter sido acessada pelas próprias autoridades julgadoras. Quanto a interpretação de que o tributo pago no exterior não poderia ser aproveitado em razão de a contribuinte ter apurado prejuízo fiscal, também se equivoca a decisão recorrida. Isso porque não há qualquer disposição legal nesse sentido, haja vista que o resultado positivo obtido no exterior compôs a apuração do lucro real da empresa. Aliás, o tributo não poderia ser aproveitado apenas se a contribuinte não obtivesse lucro no exterior, tanto é assim que a citada IN SRF n° 213/02, por meio de seu artigo 14, §15°, regulando a ordinária situação do artigo 26 da Lei 9.430/1996, que trata de países que tributam a renda, assegura que, em situações em que a empresa brasileira apure prejuízo fiscal, isto é, em que não há pagamento do tributo no Brasil, o imposto pago no exterior pode ser utilizado em períodos de apuração subsequentes: Art. 14. O imposto de renda pago no país de domicílio da filial, sucursal, controlada ou coligada e o pago relativamente a rendimentos e ganhos de capital, poderão ser compensados com o que for devido no Brasil. (...) § 15. O tributo pago sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, que não puder ser compensado em virtude de a pessoa jurídica, no Brasil, no respectivo anocalendário, não ter apurado lucro real positivo, poderá ser compensado com o que for devido nos anoscalendário subseqüentes. (Grifei)' Em verdade o que se verificou in casu foi uma completa absorção dos resultados positivos auferidos no exterior pela prejuízo das operações no Brasil. Tal fato não pode impedir a compensação/aproveitamento do imposto pago sobre os ganhos no exterior, retido e recolhido no Brasil, até porque implicou em redução do montante do prejuízo fiscal que poderia ser objeto de compensação futura. Aliás, a própria DIPJ/2006 (anocalendário 2005) na sua ficha 12b (cópia à fl. 1399) indica que o imposto pago no exterior sobre os lucros efetivamente tributados no Brasil, linha 07, podem compor eventual Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório pleiteado, relativo a parcela do Saldo Negativo de Recolhimentos do IRPJ do anocalendário de 2005, no valor original de R$ 17.839.382,24, homologandose as compensações realizadas pelo contribuinte até esse limite. (assinado digitalmente) Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira ] Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16327.900045/201102 Acórdão n.º 1402001.345 S1C4T2 Fl. 14 13 Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 04/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digital mente em 19/03/2013 por LEONARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721730/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR
Exercício: 2005
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do
Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação
do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel.
RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16
da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da
base de cálculo do ITR.
Preliminar rejeitada
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2201-001.564
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de
4.913,5ha. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (relator) e Marcio de Lacerda Martins. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201204
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
numero_processo_s : 10183.721730/2009-47
conteudo_id_s : 5214277
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2019
numero_decisao_s : 2201-001.564
nome_arquivo_s : Decisao_10183721730200947.pdf
nome_relator_s : EDUARDO TADEU FARAH
nome_arquivo_pdf_s : 10183721730200947_5214277.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de 4.913,5ha. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (relator) e Marcio de Lacerda Martins. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
id : 4566007
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394504826880
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.721730/200947 Recurso nº 924.169 Voluntário Acórdão nº 220101.564 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2012 Matéria ITR Recorrente HUGO WALTER FROTA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR Exercício: 2005 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. ITR. ÁREA TRIBUTÁVEL. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. EXCLUSÃO. NECESSIDADE DO ADA. Por se tratar de áreas ambientais cuja existência independe da vontade do proprietário e de reconhecimento por parte do Poder Público, a apresentação do ADA ao Ibama não é condição indispensável para a exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, de que tratam, respectivamente, os artigos 2º e 16 da Lei nº 4.771, de 1965, para fins de apuração da área tributável do imóvel. RESERVA LEGAL. NECESSIDADE DE AVERBAÇÃO. O § 8º do art. 16 da lei nº 4.771, de 1965 (Código Florestal) traz a obrigatoriedade de averbação na matrícula do imóvel da área de reserva legal. Tal exigência se faz necessária para comprovar a área de preservação destinada à reserva legal, condição indispensável para a exclusão dessas áreas na apuração da base de cálculo do ITR. Preliminar rejeitada Recurso parcialmente provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de 4.913,5ha. Vencidos os conselheiros Eduardo Tadeu Farah (relator) e Marcio de Lacerda Martins. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa – Presidente E Redatordesignado Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Márcio de Lacerda Martins, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Pedro Paulo Pereira Barbosa (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento (fls. 01/06), pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 1.077.666,48, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Três Irmãos do Rio Suia Missu”, localizado no município de São Felix do Araguaia MT. A fiscalização glosou as áreas declaradas como sendo de preservação permanente e reserva legal de 252,7 ha e 6.676,6 ha, respectivamente, além de alterar o VTN de R$ 178.972,84 para R$ 2.389.864,26, com base no Sistema de Preço de Terras (SIPT). Cientificado do lançamento, o interessado apresentou tempestivamente Impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Em Das Preliminares tratou, longamente, a respeito da exigência do ADA. Disse que não tem sido aceito como única forma de o contribuinte desfrutar da isenção prevista em lei. Mencionou decisões de tribunais que, embasadas no § 7º, do artigo 10, da Lei nº 9.393/1996, afirmam que a apresentação do referido ato não seria requisito para configuração de APP e ARL e, conseqüentemente, exclusão do ITR e, na seqüencia, reproduziu jurisprudência que trata do assunto. Prosseguiu tratando da ARL, da dimensão já averbada, da demora da certificação do georreferenciamento e da Licença Ambiental Única – LAU pelo INCRA, indispensável para averbação de 80,0% da ARL. Tratou de diligências a serem efetuadas no imóvel, de envio de ofício para a Secretaria do Meio Ambiente – SEMA/MT para verificação da efetiva entrega da LAU, do envio de ofício ao INCRA, bem como listou os quesitos a serem respondidos na perícia e nomeou perito. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 2 3 Em Dos Pedidos, apurada as áreas de isenção após as diligência e perícia, requereu: Seja acolhida a impugnação com o fim de declarar o cancelamento do lançamento dos impostos apurados pela falta de apresentação do ADA. Seja julgada procedente a declaração de APP e ARL. Seja julgada improcedente a exclusão dessas áreas quando da apuração do imposto. Sejam acolhidas as razões expostas na impugnação considerando as áreas declaradas como de utilização limitada, excluindoas dos valores de referência do VTN tributável. Seja cancelado o imposto suplementar lançado, bem como as multas de ofício e juro incidente sobre as mesmas. Pretende provar o alegado por todos os meios de prova permitidos na legislação, especificamente a realização da perícia no local, bem como a juntada de documentos que se fizerem necessários para melhor convencimento do julgador. Instruiu a impugnação com a documentação de fls. 55 a 68, composta por: procuração, cópias dos documentos de identificação do contribuinte e do procurador, da NL, da matrícula do imóvel, entre outros. A 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Matéria não impugnada Valor da Terra Nua VTN Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimado da decisão de primeira instância em 21/07/2011 (fl. 91), o autuado apresenta Recurso Voluntário em 17/08/2011 (fls. 92 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo, nulidade integral do lançamento tendo em vista o indeferimento do pedido de diligência/perícia. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a autoridade fiscal glosou a área de preservação permanente (252,7 ha) e a área de utilização limitada (6.676,6 ha), além de alterar o VTN declarado de R$ 178.972,84 para R$ 2.389.864,26, relativo ao imóvel rural denominado “Fazenda Três Irmãos do Rio Suia Missu”, localizado no município de São Felix do Araguaia MT. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, a autoridade fiscal glosou as áreas informadas a título de preservação permanente e reserva legal por falta de apresentação do ADA. Além do mais, a área de reserva legal averbada na matrícula do imóvel no Cartório de São Felix do Araguaia/MT consta 4.913,5 ha, todavia, a área informada na DITR/2005 foi de 6.676,6 ha. Finalmente, em função da ausência do laudo de avaliação a fiscalização alterou o VTN declarado de R$ 178.972,84 (R$ 18,76/ha) para R$ 2.389.864,26 (R$ 250,56/ha), com base no SIPT (fl. 07). Em sua peça recursal alega o recorrente, em preliminar, nulidade do auto de infração, pois, segundo seu ponto de vista, o indeferimento do seu pedido de diligência/perícia causou graves ofensas aos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Quanto ao mérito argumenta o suplicante que de posse das informações fornecidas pelo INPE – Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais poderia facilmente ser constatada que a propriedade possui florestas nativas intactas. Preliminar – Indeferimento do Pedido de Diligência/Perícia Inicialmente, cumpre esclarecer que apesar de ser facultado ao sujeito passivo o direito de pleitear a realização de diligências e perícias, compete à autoridade julgadora decidir sobre sua efetivação, podendo ser indeferidas as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis (art. 18, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993). Em verdade, os procedimentos de perícia não podem ter por objetivo a complementação do conjunto probatório, suprindo, a destempo, eventuais lacunas do trabalho do Fisco ao lançar o crédito ou da Impugnação apresentada pelo interessado. Tais instrumentos Fl. 146DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 3 5 se prestam tão somente a esclarecer dúvidas técnicas ou fáticas surgidas ao julgador no exame do litígio. No presente caso houve a devida apreciação pela turma julgadora do pedido de perícia e foi bem explicitada a razão pela qual foi indeferida. Transcrevese o art. 29 do Decreto 70.235/1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formar livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessária. No caso dos autos, bastava a apresentação de laudo técnico, elaborado de acordo com a Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, conforme devidamente solicitado pela autoridade lançadora, para que a autoridade julgadora de primeira instância pudesse confirmar as informações prestadas pelo recorrente em sua DITR/2005. Assim, pelo exposto, não merece ser acolhida a suscitada preliminar. Área de Preservação Permanente De início, deve ser registrado que sempre me posicionei no sentido de que antes do exercício de 2000, não havia previsão legal para a apresentação do Ato de Declaração Ambiental – ADA para fins de exclusão da tributação do ITR de áreas declaradas como preservacionistas. Esse entendimento está arrimado ao fato de que a redução da área tributável do ITR, por falta de previsão legal, não estava condicionada a obtenção do ADA, podendo ser fundada em quaisquer outros meios probatórios idôneos. Todavia, a Lei nº 10.165/2000 alterou a Lei n° 6.938/1981 ao incluir letras ao art. 17, verbis: Art. 1o Os arts. 17B, 17C, 17D, 17F, 17G, 17H, 17I e 17O da Lei no 6.938, de 31 de agosto de 1981, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. (NR) § 1oA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA. (AC) § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (NR) (grifei) (...) Pelo que se vê, para a exclusão da tributação sobre áreas de preservação permanente e reserva legal, além de comprovação efetiva da existência dessas áreas, é Fl. 147DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 6 necessário o reconhecimento específico pelo Ibama ou órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental ADA. Quanto ao § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, mencionado pela defesa, registrese que sua redação apenas determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada: § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (grifei) Portanto, a partir do exercício 2001 a utilização do ADA é um dos requisitos legais para que algumas áreas especificadas na legislação não sejam tributadas pelo ITR, não importando se são as áreas de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico) ou as de Preservação Permanente. Em se tratando do exercício de 2005 e considerado o art. 10, § 4º, inciso II, da IN/SRF nº 043/97, com redação dada pelo art. 1º da Instrução Normativa SRF nº 67/97, e, especificamente, o parágrafo 3º do art. 9º da IN/SRF nº 256/2002, o prazo para a protocolização, junto ao IBAMA/órgão conveniado, do requerimento do Ato Declaratório Ambiental ADA expirou em 30 de março de 2006, ou seja, seis meses após o prazo final para a entrega da DITR/2005, até 30.09.2005, de acordo com a IN/SRF nº 554/2005. No caso dos autos, em que pese conste informação sobre a distribuição do solo (fl. 34), bem como imagem de satélite fornecida pelo INPE (fls. 38/39), como o suplicante não logrou comprovar a entrega tempestiva do ADA, não poderá se beneficiar da isenção do imposto sobre a área de preservação permanente. Área de Reserva Legal De acordo com o artigo 10 da Lei n° 9.393/1996, o sujeito passivo poderá suprimir da base de cálculo da apuração do ITR a área de reserva legal: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Fl. 148DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 4 7 Todavia, para fazer jus à redução deverá o sujeito passivo cumprir determinada exigência, especialmente em relação à reserva legal. Tratase da averbação no órgão competente de registro da destinação para preservação ambiental, conforme determina o Código Florestal, Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, art. 16, § 8º, com a redação dada pela MP nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) (...) §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifei) Assim, o Código Florestal passou a exigir a averbação no registro de propriedade do imóvel, fazendo com que a partir de então, sobre aquela área, o proprietário se submeta às limitações administrativas que lhe são impostas pela lei, sendo vedada à alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas no Código Florestal. Neste sentido, a averbação no registro de imóveis não se trata tão somente de matéria de prova acerca da configuração da área de reserva legal ou, ainda, de obrigação acessória a ser cumprida pelo contribuinte, pelo contrário, tratase de ato constitutivo da própria área de reserva legal. Assim, compulsandose os autos consta averbação tempestiva totalizando 4.913,5 ha, em que pese tenha o contribuinte solicitado em sua DITR/2005 o reconhecimento de 6.676,6 ha. Além do mais, não se encontra nos autos o requerimento do ADA protocolado tempestivamente junto ao Ibama. Destarte, mantémse, pois, as glosas perpetradas pela autoridade fiscal. VTN – Valor da Terra Nua Da análise das peças do presente processo, verificase que a autoridade fiscal considerou que o VTN declarado pela recorrente estava subavaliado, tendo em vista os valores constantes do Sistema de Preço de Terras (SIPT), instituído pela Receita Federal em consonância ao art. 14, caput, da Lei 9.393/96: Art. 14. No caso de falta de entrega do DIAC ou do DIAT, bem como de subavaliação ou prestação de informações inexatas, incorretas ou fraudulentas, a Secretaria da Receita Federal procederá à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras, constantes de Fl. 149DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 8 sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. § 1º As informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II da Lei nº 8.629, de 25 de fevereiro de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. § 2º As multas cobradas em virtude do disposto neste artigo serão aquelas aplicáveis aos demais tributos federais. Com efeito, o VTN declarado para o imóvel na DITR/2005 foi de R$ 178.972,84 (R$ 18,76/ha) e, desta feira, considerando que o valor informado estava muito aquém do preço médio das terras para a região, a autoridade lançadora intimou a contribuinte o comprovar o valor declarado, mediante apresentação de laudo técnico emitido de acordo com as normas da ABNT. Todavia, como o recorrente não apresentou laudo técnico de avaliação a autoridade fiscal alterou o Valor da Terra Nua para R$ 2.389.864,26 (R$ 250,56/ha), com base no VTN por aptidão agrícola fornecido pela Prefeitura Municipal de São Felix do Araguaia/MT, conforme extrato fl. 07. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Voto Vencedor Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade Dele conheço. Fundamentação Divergi do bem articulado voto do i. Conselheirorelator apenas quanto à manutenção das glosas das áreas de preservação permanente e de reserva legal. O Relator concluiu pela manutenção das glosas baseado no fato de que o Contribuinte não apresentou Ato Declaratório Ambiental – ADA. Pois bem, o dispositivo que trata da obrigatoriedade do ADA é o art. 1º da Lei nº 10.165, de 27/12/2000, que deu nova redação ao artigo 17O da Lei nº 6.938/81, in verbis: Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADA, deverão recolher ao Ibama a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 5 9 [...] § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. [...] Inicialmente, embora admitindo como possibilidade a interpretação de que o dispositivo esteja a prescrever a necessidade do ADA para todas as situações de áreas ambientais como condição para a redução dessas áreas para fins de apuração do valor do ITR a pagar, conforme os atos normativos da RFB e do Ibama, não me parece que este sentido e alcance da norma estejam claramente delineados, a ponto de dispensar o esforço de interpretação. Isto é, não me parece que se aplique aqui o brocardo in claris cessat interpretatio. Não basta, portanto, simplesmente dizer que a lei impõe a necessidade do ADA, é preciso expor as razões que levam a esta conclusão. O que chama a atenção no dispositivo em apreço é que o mesmo tem como escopo claro a instituição de uma Taxa de Vistoria que deve ser paga sempre que o proprietário rural se beneficiar de uma redução de ITR com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA, de uma taxa que tem como fato gerador o serviço público específico e divisível de realização da vistoria, que presumivelmente será realizada nos casos de apresentação do ADA, e não de definir áreas ambientais, de disciplinar as condições de reconhecimento de tais áreas e muito menos de criar obrigações tributárias acessórias ou de regular procedimentos de apuração do ITR. Também não se deve desprezar o fato de que a referência à obrigatoriedade do ADA vem apenas no parágrafo primeiro e, portanto, deve ser entendido levando em conta o quanto disposto no caput. E este, como se viu, restringe a tal taxa às situações em que o benefício de redução do ITR ocorra com base no ADA, o que implica no reconhecimento da existência de reduções que não sejam baseadas no ADA. Aliás, a função sintática da expressão “com base em Ato Declaratório Ambiental” é exatamente denotar uma circunstância do fato expresso pelo verbo”beneficiar”. Ora, entendendose o chamado “benefício de redução” como sendo a exclusão de áreas ambientais para fins de apuração da base de cálculo do ITR, indagase se a exclusão de áreas ambientais cuja existência decorre diretamente da lei, independentemente de reconhecimento ou declaração por ato do Poder Público, pode ser entendida como uma redução “com base em Ato Declaratório Ambiental – ADA”. Penso que não. Vejase o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 2º da lei nº 4.771, de 1965, e que existe “pelo só efeito desta lei”, in verbis: Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: (sublinhei) E também o caso da área de reserva legal do art. 16 da mesma lei, a saber; Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, Fl. 151DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 10 no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §8o A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) No caso da área de preservação permanente, a lei define, objetivamente, por exemplo, que tanto metros à margem dos rios, conforme a largura deste, é área de preservação permanente, independentemente de qualquer ato do Poder Público. É a própria lei que impõe ao proprietário o dever de preservar essa área e, para tanto, este não deve esperar qualquer ato determinação do Poder Público. O mesmo ocorre com relação à área de reserva legal. A lei impõe que, conforme certas circunstâncias de localização etc. da propriedade, um mínimo das florestas e outras formas de vegetação nativa devem ser preservadas de forma permanente. E a lei também exige que estas áreas, identificadas mediante termo de compromisso com o órgão ambiental competente, sejam averbadas à margem da matricula do imóvel, vedada sua alteração em caso de transmissão a qualquer título. Também neste caso o proprietário não deve esperar qualquer ato do Poder Público determinando que tal ou qual área deve ser preservada. Por outro lado, a Lei nº 9.393, de 1996, ao cuidar da apuração do ITR define a área tributável como sendo a área total do imóvel subtraída de áreas diversas, dentre elas as de preservação permanente e de reserva legal, sem impor qualquer condição, in verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; c) comprovadamente imprestáveis para qualquer exploração agrícola, pecuária, granjeira, aqüícola ou florestal, declaradas de interesse ecológico mediante ato do órgão competente, federal ou estadual; d) sob regime de servidão florestal ou ambiental; (Redação dada pela Lei nº 11.428, de 2006) Fl. 152DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 6 11 e) cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; (Incluído pela Lei nº 11.428, de 2006) f) alagadas para fins de constituição de reservatório de usinas hidrelétricas autorizada pelo poder público. (Incluído pela Lei nº 11.727, de 2008) Se as áreas de preservação permanente e as de reserva legal independem de manifestação do Poder Público, outras áreas ambientais, passíveis de exclusão, para fins de apuração do ITR, dependem da manifestação de vontade do proprietário ou da imposição do próprio órgão ambiental, observadas certas circunstâncias específicas do imóvel. Vejase, por exemplo, o caso da área de preservação permanente de que trata o art. 3º da Lei nº 4.771, de 1965, in verbis: Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanentes, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. Aqui, a declaração da área como de preservação permanente deve ocorrer em cada caso, conforme entenda o órgão ambiental, considerada a necessidade específica em face de alguma circunstância de risco ao meio ambiente ou de preservação da fauna ou da flora. O mesmo se pode dizer das áreas de que trata a alínea “b” do § 1º do inciso II da lei nº 9.393, de 1996. Ali a área deve ser declarada de interesse ecológico visando à proteção de um determinado ecossistema. Ela não existe “pelo só efeito da lei”, e nem decorre de uma imposição legal genérica de preservação, de uma fração determinada da floresta ou mata nativa. Decorre do entendimento por parte do Poder Público, com base no exame do caso concreto, que aquela área deve ser preservada. Existe, portanto, uma clara diferença entre áreas ambientais: umas cujas existências decorrem diretamente da lei, sem necessidade de prévia manifestação por parte do Poder Público por meio de qualquer ato, e outras que devem ser declaradas ou reconhecidas pelo poder Público por meio de ato próprio. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH 12 Dito isto, não me parece minimamente razoável que a exclusão, prevista em lei, de uma área ambiental, cuja existência independe de manifestação do Poder Público, fique condicionada a um ato formal de apresentação do tal ADA. Mas não há dúvida de que a lei poderia criar tal exigência: A questão aqui, entretanto, é se o art. 170, em que se baseiam os que defendem esta posição, permite esta interpretação; se é este o sentido e o alcance que se deve extrair da norma que melhor a harmonize com os demais princípios e normas que regem a tributação do ITR e a preservação do meio ambiente. Assim, em conclusão, penso que o art. 170 da Lei nº 6.938/81 impõe a exigência da apresentação tempestiva do ADA apenas nos casos em que a existência da área ambiental dependa de declaração ou reconhecimento por parte do Poder Público. A não apresentação do ADA, portanto, não é um obstáculo para a admissibilidade das exclusões das áreas ambientais pretendida pelo Contribuinte. No presente caso, o único fundamento para a manutenção da glosa da área de preservação permanente é a falta do ADA. Portanto, penso que deve ser afastada a glosa. Quanto à área de reserva legal, como ressaltado pelo Relator, foi averbada apenas totalizando 4.913,5 ha, de uma área declarada de 6.676,6 ha. Mas, se a apresentação do ADA não é condição para a exclusão da área de reserva legal, a sua averbação é indispensável, e, neste ponto, estou inteiramente de acordo com a posição do Relator. Portanto, concluo que deve ser reconhecida uma área de reserva legal de apenas 4.913,5ha. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para restabelecer a área de preservação permanente declarada e uma área de reserva legal de 4.913,5ha. Assinado digitalmente Pedro Paulo Pereira Barbosa MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS Fl. 154DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10183.721730/200947 Acórdão n.º 220101.564 S2C2T1 Fl. 7 13 2ª CAMARA/2ª SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10183.721730/200947 Recurso nº: TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº. 220101.564. Brasília/DF, 25 de abril de 2012. ______________________________________ Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente em exercício Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: // Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 155DF CARF MF Impresso em 29/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 16/05/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 15/05/2012 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000061/2007-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO. Sujeita-se ao lançamento de ofício o Imposto de Renda Pessoa Jurídica informado na DIPJ e não pago e tampouco confessado tempestivamente em DCTF, reduzindo-se a exigência ante o comprovado erro de fato na apuração do tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 PRODUÇÃO DE PROVAS. A produção das provas das alegações é ônus da parte que alega, mormente tratar-se de provas singelas que não demandam de maiores indagações ou perícias. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 TAXA DE JUROS SELIC. Conforme preconiza a Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 1803-001.369
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reduzir o imposto original devido para R$ 8.662,76, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO. Sujeita-se ao lançamento de ofício o Imposto de Renda Pessoa Jurídica informado na DIPJ e não pago e tampouco confessado tempestivamente em DCTF, reduzindo-se a exigência ante o comprovado erro de fato na apuração do tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2002 PRODUÇÃO DE PROVAS. A produção das provas das alegações é ônus da parte que alega, mormente tratar-se de provas singelas que não demandam de maiores indagações ou perícias. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2002 TAXA DE JUROS SELIC. Conforme preconiza a Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
turma_s : Terceira Turma Especial da Primeira Seção
numero_processo_s : 15940.000061/2007-17
conteudo_id_s : 5207856
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 11 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 1803-001.369
nome_arquivo_s : Decisao_15940000061200717.pdf
nome_relator_s : WALTER ADOLFO MARESCH
nome_arquivo_pdf_s : 15940000061200717_5207856.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o imposto original devido para R$ 8.662,76, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2012
id : 4556173
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394526846976
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 116 1 115 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15940.000061/200717 Recurso nº 886.718 Voluntário Acórdão nº 180301.369 – 3ª Turma Especial Sessão de 3 de julho de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO IRPJ Recorrente SOL IND. COM. DISTRIB. IMP. EXP. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2002 LUCRO PRESUMIDO. COEFICIENTE DE ARBITRAMENTO. Sujeitase ao lançamento de ofício o Imposto de Renda Pessoa Jurídica informado na DIPJ e não pago e tampouco confessado tempestivamente em DCTF, reduzindose a exigência ante o comprovado erro de fato na apuração do tributo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 PRODUÇÃO DE PROVAS. A produção das provas das alegações é ônus da parte que alega, mormente tratarse de provas singelas que não demandam de maiores indagações ou perícias. INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA. Conforme dispõe a Súmula CARF nº 02, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 TAXA DE JUROS SELIC. Conforme preconiza a Súmula CARF nº 4, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Fl. 124DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 117 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reduzir o imposto original devido para R$ 8.662,76, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Viviani Aparecida Bacchmi e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório SOL IND. COM. DISTRIB. IMP. EXP. LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pela empresa supra, segundo consta da descrição dos fatos, foi apurada, no ano calendário de 2002, insuficiência de recolhimento do IRPJ, uma vez que os valores declarados na DIPJ são superiores àqueles informados na DCTF e aos recolhimentos efetuados. O crédito tributário lançado totalizou R$ 55.821,72 (Cinquenta e cinco mil, oitocentos e vinte e um reais e setenta e dois centavos), conforme demonstrativo de fl. 1, tendo sido lavrado o auto de infração de fls. 42 a 45, exigindo IRPJ no valor de R$ 22.875,88, juros de mora de R$ 15.788,93 e multa proporcional de R$ 17.156,91. O enquadramento legal da autuação é o Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR, de 1999), arts. 516, §§ 40 e 50, 541, 841, I e IV. Sendo notificada da autuação, a interessada ingressou com a impugnação de fls. 52 68, subscrita pelos procuradores Cristina Lucia Paludeto Parizzi e André Hachisuka Sassaki (fls.69, 71 a 75), alegando: O auto de infração é nulo, pois procedeu a retificação da DCTF do 4° trimestre de 2002 antes da lavratura Fl. 125DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 118 3 do presente auto de infração, sendo certo que somente depois efetuou o pagamento das diferenças apuradas. Assim, não deve ser exigida a multa de 75%; Houve ofensa aos princípios da ampla defesa e do contraditório, uma vez que foi lavrado o auto de infração, mesmo já tendo sido sanado o equívoco cometido; A Fiscalização negou a validade aos princípios constitucionais concluindo que houve omissão de rendimentos do trabalho com vínculo empregatício, o que configura uma presunção juris tantum, a qual inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar sua inocência; Não se enquadra no percentual de presunção de 16%, mas sim no de 8%, pois, desde a sua constituição, a sua atividade foi o comércio, como consta no seu contrato social: "Distribuição e Comércio no Atacado e Varejo de Bebidas em Geral, Água Mineral, Gelo, Carvão, Artigos para Festas, produtos de Higiene e Limpeza, Latarias, Frios, Leite e Derivados, Comestíveis em Geral, Cestas Básicas, Importação e Exportação"; O valor correto do IRPJ seria, então, R$ 8.662,76 e não R$ 22.875,88; As multas aplicadas devem observar os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. A multa exigida de 75% onera o seu patrimônio, razão pela qual deve ser reduzida; A aplicação da taxa Selic é ilegal, tendo em vista que não foi criada por lei, não podendo servir de índice de atualização para tributos federais. A ausência de dispositivo legal para sua instituição e cobrança afronta os princípios emanados da Constituição Federal (CF). Solicitou a produção de provas tais como a pericial com a indicação de assistente técnico, fazendose a conversão do julgamento em diligência. A DRJ RIBEIRÃO PRETO (SP), através do acórdão nº 1427.258, de 21 de janeiro de 2010 (fls. 86/92), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO. RETIFICAÇÃO. A retificação do percentual de presunção informado pela própria contribuinte só é admissível mediante a apresentação de documentos e registros contábeis que corroborem a alteração pretendida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 Fl. 126DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 119 4 NULIDADE. Descabe falar em nulidade do lançamento que respeitou os requisitos legais para sua constituição. INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. ESPONTANEIDADE. O início do procedimento fiscal exclui a espontaneidade do sujeito passivo. DCTF RETIFICADORA. A retificação da DCTF no curso do procedimento fiscal, com a finalidade de incluir valor de tributo não confessado na DCTF original, não impede o lançamento de oficio desse valor acrescido da respectiva multa. PEDIDO DE PERÍCIA. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. Indeferese, por prescindível, o pedido de perícia e diligência, quando não existir nos autos matéria que necessite de opinião de perito para ser decidida. IMPUGNAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe à contribuinte a anexação ao processo de todas as provas das alegações apresentadas na impugnação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2002 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA DE OFÍCIO. O lançamento decorrente de procedimento fiscal implica a exigência de multa de oficio, cujo percentual é fixado em lei. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de juros de mora com base no valor da taxa referencial do Selic tem previsão legal. Ciente da decisão em 09/02/2010, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 95), apresentou o recurso voluntário em 23/02/2010 fls. 96/113, onde reitera os argumentos da inicial. É o relatório. Voto Fl. 127DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 120 5 Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de auto de infração, relativo ao IRPJ fato gerador trimestral (Lucro Presumido) – 31/12/2002, lavrado mediante procedimento da Malha IRPJ em virtude da falta de confissão em DCTF e recolhimento do IRPJ do período. A recorrente alega em síntese: a) Nulidade do lançamento por ter sido realizado de forma precária sem a certeza e liquidez, já que havia sanado a irregularidade com a retificação da DCTF antes do lançamento; b) A ilegalidade do auto de infração por não ter verificado que a empresa se sujeita ao percentual de 8% e não 16% para presunção da contribuição, sendo indevida a exigência no patamar constante do auto de infração; c) A necessidade de redução da multa de ofício aplicada considerando o excesso em relação a infração cometida; d) A ilegalidade da taxa SELIC à título de juros de mora; e) requer a produção adicional de provas como perícia técnica e conversão do processo em diligência. Assiste parcial razão à interessada. Com efeito, embora tenha a própria contribuinte contribuído em muito para a falta do correto deslinde da questão não se pode olvidar de necessidade de alterar em parte a decisão de primeira instância. Constatase pelos elementos do processo que a recorrente após ter sido intimada pela Malha IRPJ acerca de diferenças existentes entre a DIPJ 2003 (AC 2002 – 4º Trimestre) e a DCTF, apressouse em retificar a DCTF inserindo o valor do IRPJ apontado na DIPJ e que não havia sido confessado anteriormente. A jurisprudência reiterada deste colegiado julgador administrativo consolidada na Súmula CARF nº 33, deixa claro que a declaração entregue após o início do procedimento fiscal não tem o condão de infirmar o lançamento de ofício, conforme se observa de seu enunciado: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Ressaltese outrossim, conforme se verifica da tela extraída do sistema de conta corrente da RFB (fl. 08), que a recorrente desde o início de suas atividades (10/12/2001) até a data de 13/03/2007, nada pagou (fl. 08) a título de imposto de renda pessoa jurídica. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 121 6 Tampouco nada havia declarado a título de tributos federais relativo ao período objeto do lançamento (fl. 07). Desta forma, rejeito as alegações de nulidade do lançamento por suposta correção da infração através da apresentação de DCTF retificadora. Com razão a recorrente quando aponta equívoco do lançamento, pois embora tenha reconhecido o valor devido à título de IRPJ no 4º Trimestre de 2002, apresentando a correspondente DCTF retificadora, afirma que o cálculo do valor estaria incorreto pois teria utilizado o percentual de presunção de 16% quando o correto seria 8%. Com efeito, o art. 15 da Lei nº 9.249/95, dispõe: (verbis) Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Lei nº 11.119, de 205) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere o inciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Constatase, pois que a teor do inciso II do art. 15 acima transcrito, o percentual de 16% somente é aplicável para a atividade de prestação de serviços de transporte de passageiros e instituições financeiras. Considerando os elementos contidos nos autos às fl. 03 cadastro do CNPJ; fl. 13 – DCTF, e fls. 31, 34 e 139 – Alteração do Contrato Social, a recorrente tem atividade eminentemente mercantil de revenda de bebidas e outros produtos, não havendo qualquer indício de que exerça qualquer atividade relacionada com transporte de passageiros ou instituições financeiras. Revelase evidente erro de fato no preenchimento da DIPJ, ao apurar o imposto com base no percentual de 16%, (dezesseis por cento) quando o percentual geral para presunção do lucro presumido é de 8% (oito por cento). Fl. 129DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 122 7 Destarte, deve a exigência ser reduzida para R$ 8.662,76, considerando a receita bruta declarada de R$ 721.896,94 (DIPJ fl. 05), conforme cálculo a seguir: Receita Bruta em R$ Coeficiente Presunção Base de Cálculo R$ Alíquota IRPJ (*) IRPJ devido 721.896,94 8% 57.751,76 15% 8.662,76 (*) Não cabe adicional – base de cálculo inferior a R$ 60.000,00 Rejeito portanto, a alegação de nulidade do auto de infração e também o pedido de perícia que deveria ser requerida não de modo genérico mas na forma preconizada no art. 16, , inciso IV do Decreto nº 70.235/72, sujeitandose ao disposto no § 1º do mesmo comando legal. Já com relação ao suposto caráter excessivo ou confiscatório da multa de ofício de 75% aplicado no lançamento, incide a Súmula CARF nº 02, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desta forma, sendo defeso ao julgador administrativo a apreciação da validade da norma tributária vigente por envolver o exame da sua constitucionalidade competência esta restrita ao Poder Judiciário, rejeito as alegações acerca da multa de ofício. Por derradeiro, com relação à suposta ilegalidade da taxa SELIC à título de juros de mora, a matéria encontrase sumulada no âmbito deste conselho, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para reduzir o percentual de presunção do lucro presumido para 8% e em conseqüência o imposto original devido para R$ 8.662,76. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 130DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 15940.000061/200717 Acórdão n.º 180301.369 S1TE03 Fl. 123 8 Fl. 131DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 09/08/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/07/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10830.014190/2010-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3202-000.077
Decisão: RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda votou pelas conclusões. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Fez sustentação oral,
pela contribuinte, o advogado Marcos Prado, OAB/SP nº 154.632.
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201211
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10830.014190/2010-11
conteudo_id_s : 6455987
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Aug 23 00:00:00 UTC 2021
numero_decisao_s : 3202-000.077
nome_arquivo_s : 320200077_10830014190201011_201211.pdf
nome_relator_s : LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
nome_arquivo_pdf_s : 10830014190201011_6455987.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda votou pelas conclusões. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Marcos Prado, OAB/SP nº 154.632.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
id : 4555602
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:58:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394546769920
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-09-04T11:31:13Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2020-09-04T11:31:13Z; Last-Modified: 2020-09-04T11:31:13Z; dcterms:modified: 2020-09-04T11:31:13Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:7e9f5b00-b06d-4e35-91ba-0e6fc5ea3322; Last-Save-Date: 2020-09-04T11:31:13Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-09-04T11:31:13Z; meta:save-date: 2020-09-04T11:31:13Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-09-04T11:31:13Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2020-09-04T11:31:13Z; created: 2020-09-04T11:31:13Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2020-09-04T11:31:13Z; pdf:charsPerPage: 1447; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2020-09-04T11:31:13Z | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 985 1 984 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.014190/201011 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3202000.077 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 27 de novembro de 2012 Assunto DILIGÊNCIA Recorrente MOTOROLA INDUSTRIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. O Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda votou pelas conclusões. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Júnior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Marcos Prado, OAB/SP nº 154.632. Irene Souza da Trindade Torres Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Rodrigo Cardozo Miranda, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Fl. 985DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.014190/201011 Resolução n.º 3202000.077 S3C3T2 Fl. 986 2 RELATÓRIO O presente processo trata de lançamento de ofício, veiculado através de auto de infração, lavrado em 25/10/2010 (folhas 01/ss), para a cobrança do IPI – imposto sobre produtos industrializados, multa proporcional, multa do IPI não lançado com cobertura de crédito e juros de mora, perfazendo um montante de R$ 291.394.122,29, referente ao período de apuração de outubro/2005 a dezembro/2009, em decorrência do uso indevido dos benefícios fiscais trazidos pela Lei da Informática (Lei n° 8.191/91, alterada pela Lei n° 8.248/91, com a redação dada pelas Leis n°s 10.176/2001 e 11.077/2004). Por bem descrever os fatos transcrevese o relatório da decisão de primeira instância administrativa: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado auto de infração decorrente da falta de lançamento do IPI na saída do estabelecimento de produtos tributados, por ter o contribuinte utilizado indevidamente do benefício do instituto da isenção, instituído pela Lei nº 8.248/91 e Decreto nº 792/93 (lei da informática) e concedido para os produtos relacionados na Portaria MCT/MDIC/MF nº 838/2001. Segundo a descrição dos fatos, a utilização indevida do benefício decorreu da saída de produtos, como se isentos fossem, cujas descrições não correspondem àquelas contidas na portaria supracitada e no processo de habilitação MCT nº 01200.003903/200148, conforme demonstrado nas planilhas de fls.56/151. Assim, feita a reconstituição da escrita fiscal, foi constituído o crédito tributário montante em R$ 291.394.122,29, sendo R$ 92.122.528,84 de imposto e R$ 172.145.973,46 relativo à multa (de ofício e sobre o IPI não lançado por cobertura de crédito). Regularmente cientificado, o sujeito passivo apresentou a impugnação alegando, em preliminar, nulidade da autuação por patente falha na busca da verdade material. No mérito fez, em resumo, as seguintes considerações: 1. Todos os produtos fabricados e comercializados pela impugnante e seus respectivos modelos estão listados na Portaria nº 838/01. Fechou os olhos o agente autuante para as versões de alguns modelos criadas pela impugnante em situações de mera atualização de software ou de redução de custos dos produtos por ela produzidos, sem procurar entender a origem e natureza dos sufixos escolhidos para controlar tais versões. 2. Os produtos contidos nas notas fiscais que embasaram a autuação fiscal são os telefones celulares, os terminais de sistema troncalizado e as placas de circuito impresso desses dois produtos e o artigo 1º da Portaria nº 838/01 faz expressamente referência a esses quatro produtos. A irresignação da fiscalização, portanto, diz respeito apenas aos seguintes modelos : C151, ROKR E2, V3 e V9 e aos terminais de sistema iDEN i205, iDEN i530 e iDEN i730. Contudo, ao se examinar as listas de modelos para cada um desses produtos Fl. 986DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.014190/201011 Resolução n.º 3202000.077 S3C3T2 Fl. 987 3 constantes da já referida portaria concluise, sem qualquer esforço, que todos os oito modelos acima mencionados estão expressamente nela mencionados; 3. Salta aos olhos a falta de interesse do Fisco em descobrir se os modelos destacados nas notas fiscais seriam os mesmos elencados na Portaria ou se realmente se tratavam de produtos diversos; 4. Para se comprovar o que se afirma foi feito um minucioso levantamento por via do qual se buscou vincular claramente os pedidos de compra efetuados pelos clientes da impugnante com as notas fiscais de venda por esta, emitidas em atendimento a tais pedidos (doc. 03). Por este levantamento fica evidenciado que, nos pedidos, os clientes usaram a nomenclatura geral (V3 e C151), seguindose a emissão de notas fiscais em que se indicavam as nomenclaturas internas da empresa (V3_05 e C151t), criadas para fins exclusivos de controle dos mesmos modelos ou, ainda, por simples divergência de descrição. 5. Ademais, se tivesse o d. agente fiscal real interesse em desvendar a diferença de descrições encontradas nas notas fiscais em face da citada portaria, poderia ter acessado o sítio da impugnante e/ou, ainda, buscado informações no mercado e sobre as tecnologias envolvidas, onde poderia observar facilmente que os modelos iDEN i205, iDEN i530 e iDEN i730 há muito são descritos internamente e no mercado em sua forma abreviada, isto é i205, i530 e i730. O modelo C151 também existiu em versão única, sendo que o sufixo “t” foi adicionado à sua descrição apenas e tão somente para evidenciar que se tratava de um aparelho celular que operava na tecnologia TDMA. Os aparelhos ROKR E1 e E2 funcionam com a tecnologia móvel GSM e são descritos internamente como Motorola E1 e Motorola E2; 6. Quanto aos outros modelos não mencionados, devese fazer as mesmas colocações, pois os sufixos inseridos nas notas fiscais com relação aos modelos iDEN i205, V9 e V3 não tiveram outra função a não ser a de determinar, exclusivamente internos, as novas versões destes mesmos modelos, decorrentes de atualizações de software, reduções de custos e demais mudanças não significativas nos projeto inicial destes terminais portáteis e suas placas de circuito impresso; 7. A impugnante não buscou alcançar benefício fiscal que não lhe seria próprio, tampouco procurou ludibriar o fisco Federal para reduzir, indevidamente a carga tributária dos produtos que fabrica e comercializa. A escolha pela não inclusão dos produtos foi consciente e embasada em critérios técnicos, incapazes de desqualificála ao gozo dos benefícios fiscais a que legalmente faz jus; 8. A multa aplicada sobre o IPI não lançado com cobertura de crédito representa mais do que 35% do valor total da autuação e mais do que 111% do débito tributário efetivamente apurado pela fiscalização, o que, por si, é suficiente para evidenciar sua absoluta falta de razoabilidade e proporcionalidade, o que a torna ilegal; Fl. 987DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.014190/201011 Resolução n.º 3202000.077 S3C3T2 Fl. 988 4 9. O Fisco Federal vem cobrando juros sobre as multas decorrentes da falta de pagamento de um determinado tributo sem base legal, fundamentada apenas e tãosomente no Parecer MF nº 28/1998, o que é ilegal. Encerrou requerendo o cancelamento das exigências fiscais consubstanciada no auto de infração, protestando pela produção de provas adicionais, eventualmente julgadas necessárias para reforçar os fatos e argumentos apresentados. A 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou o lançamento procedente, nos termos do Acórdão n° 1432.958 de 22/03/2011 (fls. 748/ss). Inconformada com a decisão da autoridade julgadora administrativa, interpôs Recurso Voluntário, em 07/06/2011 (fls. 859/ss), onde repisa os argumentos trazidos na impugnação, além de arguir a nulidade da decisão de primeira instância. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou “contrarrazões” às fls. 919/940. Consta ainda dos autos, petição datada de 24/01/2012 (protocolizado diretamente no CARF), através da qual a Recorrente apresenta laudo pericial elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia – INT. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro, na forma regimental. É o relatório. VOTO Conselheiro Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Relator. A questão central para o deslinde do litígio fiscal consiste na apuração se os diversos modelos/produtos comercializados com o benefício fiscal pela Motorola estão efetivamente relacionados dentre aqueles que constam de processo de habilitação da empresa junto Ministério da Ciência e Tecnologia. Pelo que consta dos autos, persiste dúvida razoável em relação ao enquadramento dos produtos vendidos pela Recorrente dentre aqueles autorizados Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838. Deste modo, entendo que deve ser propiciada a ampla oportunidade para as partes esclarecerem os fatos, através da juntada de Laudo Técnico que possa demonstrar o seu direito, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho que os autos retornem à DRFCAMPINAS para a realização de perícia técnica, para que sejam respondidos os seguintes quesitos: Quesitos: 1) Identificar tipo, modelo, código dos produtos, características técnicas, nome técnico e comercial, fabricante e país de origem dos modelos/produtos constantes das Notas Fiscais de Saída objeto da autuação fiscal. Fl. 988DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10830.014190/201011 Resolução n.º 3202000.077 S3C3T2 Fl. 989 5 2) Elaborar um quadro comparativo entre os modelos/produtos constantes das Notas Fiscais de Saída (vide folhas 173 a 176) e aqueles modelos/produtos habilitados à fruição dos benefícios fiscais da Lei de Informática e descritos na Portaria Interministerial MCT/MDIC/MF n° 838 (vide folhas 169 e 177 a 181). Descrever, detalhadamente, as semelhanças e/ou divergências técnicas existentes entre esses grupos de modelos/produtos. 3) Acrescentar outras informações que entender necessárias e úteis para a perfeita identificação dos modelos/produtos sob análise. As partes (Fisco e Recorrente), caso entendam conveniente, podem apresentar quesitos adicionais a serem respondidos pelos peritos. Desta forma, a autoridade fiscal da DRFCAMPINAS (SP) deverá intimar a Recorrente para contratar instituição de renomada reputação (IPT, UNICAMP, ou outra similar) para realização do Laudo Técnico. Caso entenda necessário, ao término da perícia, a fiscalização poderá manifestarse sobre o Laudo Técnico elaborado. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. É como Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 989DF CARF MF Impresso em 04/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 04/02/2013 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 01/03/2013 por IRENE SOU ZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 11610.014302/2002-73
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 1998
RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA DE TESE OPOSTA.
Nos casos em que não se verifica no acórdão paradigma tese oposta àquela defendida no acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial não deve ser conhecido o recurso, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
Numero da decisão: 9101-001.554
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima.
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201301
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 1998 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA DE TESE OPOSTA. Nos casos em que não se verifica no acórdão paradigma tese oposta àquela defendida no acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial não deve ser conhecido o recurso, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial - requisito de admissibilidade.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2013
numero_processo_s : 11610.014302/2002-73
anomes_publicacao_s : 201304
conteudo_id_s : 5203920
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2013
numero_decisao_s : 9101-001.554
nome_arquivo_s : Decisao_11610014302200273.PDF
ano_publicacao_s : 2013
nome_relator_s : JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11610014302200273_5203920.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
id : 4555067
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 08:57:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713041394549915648
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1666; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 226 1 225 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11610.014302/200273 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9101001.554 – 1ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2013 Matéria IRPJ Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COPEBRÁS LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 RECURSO ESPECIAL. NÃO CONHECIMENTO. AUSÊNCIA DE DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL. INEXISTÊNCIA DE TESE OPOSTA. Nos casos em que não se verifica no acórdão paradigma tese oposta àquela defendida no acórdão recorrido e objeto do Recurso Especial não deve ser conhecido o recurso, pois não se caracteriza a divergência jurisprudencial requisito de admissibilidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 43 02 /2 00 2- 73 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 3/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 2 Celso Freire da Silva, Suzy Gomes Hoffmann, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonsêca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência (fls. 164/321) interposto pela Fazenda Nacional com fundamento no artigo 67, do anexo II, do antigo Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela portaria MF 256/2009. Insurgiuse a Recorrente contra o acórdão nº 130100.177 (fls. 151/159) proferido pelos membros da 1ª Turma, da 3ª Câmara, da Primeira Seção de Julgamento deste Conselho, na parte em que, por unanimidade de votos, negaram provimento ao recurso de ofício e mantiveram a exoneração da multa de ofício aplicada ao lançamento. O acórdão recorrido foi assim ementado: AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO DÉBITOS EXTINTOS EM OUTROS PROCESSOS. Devem ser exoneradas as exigências quando resta comprovado que se trata de débitos que foram extintos por pagamento ou por compensação em outros processos. AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO DÉBITOS CONTROLADOS EM OUTRO PROCESSO. Não se conhece dos argumentos acerca de débitos que foram transferidos para outro processo e lá são exigidos e controlados. Recurso de Ofício Negado. Em relação à manutenção da exoneração da multa de ofício, o voto condutor do acórdão recorrido foi no sentido de que, no caso dos autos, a multa aplicada foi aquela prevista no artigo 44, inciso I e § 1º, inciso I, da Lei n° 9.430/96 em razão da não homologação de compensação declarada pelo contribuinte, em vista do que dispunha o artigo 90 da Medida Provisória 2.15835/2001, o qual foi limitado pelo artigo 18 da Lei nº 10.833/03, e que tal limitação alcança o presente lançamento em razão da aplicação do instituto da retroatividade benigna. A Fazenda Nacional, em sede de Recurso Especial, afirmou a existência de divergência jurisprudencial quanto ao entendimento do acórdão recorrido e trouxe como paradigma o acórdão cuja ementa segue transcrita: IPI. DCTF. DÉBITOS INFORMADOS COM VINCULAÇÃO DE CRÉDITOS INDEVIDOS. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CONFISSÃO DE DÍVIDA. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDÊNCIA. Nem todos os valores informados em DCTF constituemse em confissão de divida. Nos termos das IN SRF nºs 45/98 e 126/98, somente os valores dos saldos a pagar de tributos informados em DCTF é que são confessados, não carecendo de lançamentos de oficio para serem cobrados. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 3/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTA XO Processo nº 11610.014302/200273 Acórdão n.º 9101001.554 CSRFT1 Fl. 227 3 Diferentemente, valores para os quais foram vinculados créditos indevidos, de forma a resultar em saldos a pagar nulos, necessitam de lançamentos de oficio, acompanhados da multa de oficio respectiva. Recurso negado." (Acórdão 20309707). Em suas razões recursais argumentou que, no caso dos autos, o art. 18 da Lei nº. 10.833/03 não pode ser aplicado retroativamente, pois foi concebido para disciplinar apenas os fatos atrelados à sistemática da PER/DCOMP, devendo ser mantida a multa de ofício prevista no artigo 44, I, da Lei nº 9.430/96. Em sede de exame de admissibilidade (fls. 175/176) foi dado seguimento ao Recurso. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 189/205 e afirmou que, em vista da penalidade aplicada no caso com fundamento no artigo 44, I, da Lei 9.430/96, foi correto o entendimento no sentido da retroatividade benigna em relação à multa de ofício. Ademais, observou que no caso dos autos a autuação decorreu da não homologação de declarações de compensação apresentadas, as quais já foram devidamente homologadas pela Receita Federal e o tributo devido afastado, inexistindo, portanto, base de cálculo para a multa de ofício. Concluiu que foi correta a exoneração da multa de ofício e requereu a manutenção do acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro João Carlos de Lima Junior, Relator. Tratase de Recurso Especial de divergência apresentado pela Fazenda Nacional em face do acórdão nº 130100.177 na parte que manteve a exoneração da multa de ofício do lançamento. O presente Recurso Especial é tempestivo, entretanto não preenche os demais requisitos de admissibilidade. Com efeito, não se caracterizou a divergência jurisprudencial suscitada pela Fazenda Nacional, senão vejamos. No acórdão recorrido restou consignado o entendimento de que a multa de ofício, aplicada em razão da não homologação de compensação declarada pelo contribuinte e com fundamento no artigo 44, inciso I e § 1º, inciso I, da Lei n° 9.430/96 e artigo 90 da Medida Provisória 2.15835/2001, deveria ser afastada em vista da limitação imposta pelo artigo 18 da Lei nº 10.833/03, que alcança o caso dos autos em função do instituto da retroatividade benigna. Assim, o acórdão recorrido afastou a multa em razão do instituto da Fl. 228DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 3/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTA XO 4 retroatividade benigna que permitiu a aplicação da limitação imposta pelo artigo 18 da Lei nº 10.833/03 que dispõe: Art. 18. O lançamento de ofício de que trata o art. 90 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, limitarseá à imposição de multa isolada em razão de nãohomologação da compensação quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo. Por outro lado, o acórdão paradigma cuida, exclusivamente, da aplicação da multa de ofício nos casos de vinculação de créditos indevidos a débitos informados em DCTF e nada dispõe sobre a aplicação do instituto da retroatividade benigna em matéria de penalidades. Desta forma, temse que o acórdão acostado aos autos como paradigma não trata da questão objeto do Recurso Especial, qual seja, a aplicação do instituto da retroatividade benigna em matéria de penalidades e conseqüente exoneração da multa de ofício. Não há, portanto, como se reconhecer por caracterizada a divergência jurisprudencial, pois o acórdão acostado aos autos como paradigma não sustenta tese oposta àquela defendida no acórdão recorrido. É nesse mesmo sentido o entendimento adotado por este Conselho: RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA. NÃO DEMONSTRADA. Não deve ser conhecido o recurso especial, quando não há divergência entre os acórdãos paradigma e recorrido. A única divergência jurisprudencial que desafia recurso especial é aquela cuja solução tenha potencial para reformar o acórdão recorrido. (Acórdão nº 9101001.314, de 24 de abril de 2012) Do exposto, não comprovada a divergência jurisprudencial, não conheço do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (documento assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 229DF CARF MF Impresso em 09/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 22/0 3/2013 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 02/04/2013 por OTACILIO DANTAS CARTA XO
score : 1.0
