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Numero do processo: 10880.014215/00-40
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO - No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de débitos relacionados com tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a taxa Selic, ex-vi dos arts.
29 e 30, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002.
Numero da decisão: 9101-001.350
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos
Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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(atual denominação de Gessy Lever Ltda.) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de ofício, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de ofício. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juros de mora. Em se tratando de débitos relacionados com tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de ofício incidem, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a taxa Selic, exvi dos arts. 29 e 30, da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonsêca de Menezes, Marcos Shigueo Takata (Suplente), Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Hugo Correia Sotero (Suplente), Alberto Pinto Souza Júnior, Valmir Sandri, Jorge Celso Freire da Silva e Silvana Rescigno Guerra Barretto. Fl. 642DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI 2 Relatório A Fazenda Nacional interpõe Recurso especial em face do Acórdão nº 107 09.033, Sessão de 23/05/2007, proferido pela Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, que deu provimento parcial ao recurso do contribuinte, para excluir da exigência a aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício até o limite de 1%, conforme ementa a seguir: MULTA DE OFICIO — Cabível a aplicação de multa de oficio se o crédito tributário objeto de discussão judicial não está com sua exigibilidade suspensa no momento do lançamento tributário. Uma vez exigido o tributo, acrescido de juros e multa de oficio, é o Poder Judiciário que irá decidir se a exigência fiscal é procedente ao final do processo judicial. JUROS DE MORA — Sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, não paga no vencimento, incidem juros de mora de 1% (um por cento) ao mês, nos termos do art. 161 do Código Tributário Nacional. Recurso parcialmente provido A Câmara, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso, para excluir da exigência a aplicação de juros de mora com base na taxa SELIC. Afirma que há incidência de juros de mora à taxa SELIC sobre a exigência de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, pois sobre a multa por lançamento de oficio incidem, a partir de 1º. de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo esta taxa, na linha de jurisprudência de outros Colegiados, como exemplo, oferece ao confronto o acórdão 10196.177, cuja ementa, no que interessa ao presente, tem a seguinte dicção: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO No lançamento de oficio, o valor originário do crédito tributário compreende o valor do tributo e da multa por lançamento de oficio. Sobre a multa por lançamento de oficio não paga no vencimento incidem juras de mora. Em se tratando de tributos cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31/12/1994, sobre a multa por lançamento de oficio incidem, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora calculados segundo a Selic. A presidente da 4ª Turma da Primeira Seção de Julgamento deu seguimento ao recurso, por ter a Recorrente logrado demonstrar a divergência jurisprudencial, uma vez que, “diante do mesmo fato, a incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada, para os fatos geradores ocorridos até dezembro de 1994, o paradigma entende devidos os juros sobre a multa, cobrados através da SELIC, enquanto no recorrido esta cobrança é limitada a 1%, (...)” É o relatório. Fl. 643DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10880.014215/0040 Acórdão n.º 9101001.350 CSRFT1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator O recurso atende os preenche os requisitos que o legitimam. Dele conheço. A questão da incidência de juros de mora sobre a multa por lançamento de oficio tem frequentemente sido enfrentada pela segunda instância de julgamento do processo administrativo tributário federal, não havendo um posicionamento pacificado. Para afastar os juros sobre a multa à taxa Selic, mantendoos à taxa de 1%, o Acórdão guerreado articulou os seguintes fundamentos: 1 A aplicação da taxa de juros lastreada em indicadores do mercado financeiro foi inaugurada com o art. 84 da Lei nº 8.981/95; 2 O art. 13 da Lei 9.065/95 substituiu o indicador pela taxa Selic; 3 A base legal de incidência dos juros prevê sua incidência sobre tributo ou contribuição não pago no vencimento, e multa não é tributo ou contribuição; 4 A Lei nº 9.430/96 estabeleceu que sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal incidirão juros de mora à Taxa Selic; 5 A questão está na interpretação da expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições"; 6. Decorrente é aquilo que se segue, que é conseqüente, e o não pagamento de tributos e contribuições nos prazos previstos na legislação faz nascer o débito, ou seja, o débito decorre do não pagamento de tributos e contribuições nos prazos; 7 A multa de ofício não é decorrente de tributos ou contribuições, ela decorre de punição imposta pela fiscalização às condutas descritas no art. 44 da Lei nº 9.430/96; Contudo, embora tenha feito minuciosa apreciação da legislação concernente aos juros de mora, a Câmara recorrida deixou de levar em consideração a Lei nº 10.522/2002, cuja origem foi a MP 1.62131/98, e que dispõe: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de UFIR, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1° de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1° de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. Fl. 644DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI 4 § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – UFIR, instituída pelo art. 1° da Lei n° 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1° de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” Nas diversas vezes em que fui chamado a me manifestar sobre a questão, ressaltei que dos dispositivos legais concernentes ao tema se depreende claramente que os legisladores definiram, como base de incidência de juros de mora, ora exclusivamente "tributos e contribuições", ora entenderam que os juros de mora deveriam ser calculados sobre os "débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União”. No presente caso, por se tratar de débitos referentes a fatos geradores anteriores a 1994, a lei é expressa em determinar que os juros expressos em quantidade de UFIR — por se tratar de débitos de qualquer natureza , serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 10 de janeiro de 1997, e a partir daí, passam a incidir juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia — SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento (arts. 29 e 30, 10.522, de 19 de julho de 2002). Pelas razões acima expostas, DOU provimento ao recurso da Fazenda Nacional. É como voto. Sala das Sessões, em 15 15 de maio de 2012. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 645DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI Processo nº 10880.014215/0040 Acórdão n.º 9101001.350 CSRFT1 Fl. 3 5 Fl. 646DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por EVA RIBEIRO BARROS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OT ACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 25/06/2012 por VALMIR SANDRI
score : 1.0
Numero do processo: 13876.000622/2003-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/1994
REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. VÍCIO.
Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário diante da ausência de apresentação de procuração do signatário, pois há vicio na representação processual.
A irregularidade na representação processual da requerente, quando não sanada, a despeito de intimação expedida pela autoridade preparadora, impede o conhecimento do recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3202-000.473
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer o Recurso Voluntário.
O conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/1994 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. VÍCIO. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário diante da ausência de apresentação de procuração do signatário, pois há vicio na representação processual. A irregularidade na representação processual da requerente, quando não sanada, a despeito de intimação expedida pela autoridade preparadora, impede o conhecimento do recurso. Recurso Voluntário não conhecido.
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Recorrente EUCATEX QUIMICA E MINERAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/1994 REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. VÍCIO. Não pode ser conhecido o Recurso Voluntário diante da ausência de apresentação de procuração do signatário, pois há vicio na representação processual. A irregularidade na representação processual da requerente, quando não sanada, a despeito de intimação expedida pela autoridade preparadora, impede o conhecimento do recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer o Recurso Voluntário. O conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou se impedido. José Luiz Novo Rossari – Presidente. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Luiz Novo Rossari, Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Octávio Carneiro Silva Corrêa e Helio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/04/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 2 Relatório O presente litígio decorre de Pedido de Restituição/Compensação de valores relativos a recolhimento de tributos efetuados entre janeiro de 1993 e junho de 1994, sob a alegação de que teria havido aplicação equivocada da lei tributária na parte relativa à conversão em UFIR. A DRF – Sorocaba (SP), por meio do DESPACHO DECISÓRIO n° 294/03 (fls. 320/ss) indeferiu o pedido da interessada. A empresa apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 324/ss). A 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto – SP, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, proferindo o Acórdão nº 1414.367 (fls. 348/ss), o qual recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1993 a 30/06/1994 PAGAMENTO INDEVIDO. DECADÊNCIA. DO DIREITO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. O direito de pleitear a restituição/compensação extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito Tributário. Solicitação Indeferida Cientificada da decisão de primeira instância administrativa, em 03/01/2007 (fls. 354/355), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 24/01/2007 (fls. 356/ss). A Recorrente foi intimada, pela autoridade competente da ARF – Itú – SP, para apresentar “cópia simples acompanhada do original, ou cópia autenticada, de procuração particular com firma reconhecida ou procuração pública, em que haja a outorga de poderes ao Sr. Josenildo Hardman de França, signatário do recurso voluntário interposto em 24/01/2007 (o prazo de validade da procuração juntada aos autos expirou em 25/03/2005). Observo que, em caso de apresentação de instrumento de substabelecimento, dele também deverá constar o reconhecimento de firma” (fl. 383). A ciência deste Termo de Intimação foi feita, via Correios, em 02/02/2007 (fl. 384). Os autos foram remetidos ao CARF – Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a ressalva de que o contribuinte não atendeu à intimação de folhas 383 emitida pela autoridade fiscal da ARF – Itú – SP. O processo digitalizado foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Fl. 397DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/04/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI Processo nº 13876.000622/200331 Acórdão n.º 3202000.473 S3C2T2 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Luís Eduardo G. Barbieri, Relator. O recurso é tempestivo, entretanto, não atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele não se conhece. Cumpre observar que a Recurso Voluntário, assim como qualquer petição administrativa, deve ser assinada por mandatário(s) ou representante(s) legal(is) cujos poderes estejam devidamente comprovados nos autos. Neste sentido, o Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, determina em seu art. 16, II, que a impugnação, mencionará a qualificação do impugnante e, mutatis mutandis, no caso de recurso deverá constar a qualificação do recorrente. No caso das pessoas jurídicas, representadas por seus sócios, deve ser fornecido o contrato social para que se possa comprovar a capacidade postulatória do(s) representantes legais, e se for o caso, o instrumento de procuração quando haja a outorga de poderes para advogados representarem a pessoa jurídica. Assim dispõe o art. 12 do Código de Processo Civil (CPC): “Art.12. Serão representados em juízo, ativa e passivamente: (…) VI as pessoas jurídicas, por quem os respectivos estatutos designarem, ou, não os designando, por seus diretores; (…)” De outro lado, é pacífico o entendimento de que se deve aplicar subsidiariamente o CPC, que em seu art. 13, traz a seguinte disposição: “Art. 13 – Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para ser sanado o defeito. Não sendo cumprido o despacho dentro do prazo, se a providência couber: I ao autor, o juiz decretará a nulidade do processo; II ao réu, reputarseá revel; III ao terceiro, será excluído do processo”. No caso em tela, a interessada foi devidamente intimada para regularizar a representação processual (fls. 383/384), entretanto não atendeu à citada intimação. Por fim, destaquese, que o prazo de validade da procuração juntada aos autos expirou em 25/03/2005 (vide folha 43 a 48). Dessa forma, inexistindo nos autos documentos que comprovem ser o signatário do Recurso Voluntário pessoa com poderes para representar o contribuinte, não pode este órgão conhecer do recurso. Diante do exposto, na ausência de pressuposto de admissibilidade, voto pelo não conhecimento do Recurso Voluntário. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/04/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI 4 É como voto. Luís Eduardo Garrossino Barbieri Fl. 399DF CARF MF Impresso em 03/05/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/04/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente e m 20/04/2012 por LUIS EDUARDO GARROSSINO BARBIERI, Assinado digitalmente em 23/04/2012 por JOSE LUIZ NOVO ROSSARI
score : 1.0
Numero do processo: 10830.000070/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.
São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2102-001.986
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR
provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel, OAB-SP nº 210.198.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Gustavo Froner Minatel, OABSP nº 210.198. Assinado digitalmente Giovanni Christian Nunes Campos – Presidente Assinado digitalmente Núbia Matos Moura – Relatora EDITADO EM: 27/04/2012 Fl. 119DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.000070/200995 Acórdão n.º 210201.986 S2C1T2 Fl. 2 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Acácia Sayuri Wakasugi, Atilio Pitarelli, Francisco Marconi de Oliveira, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura e Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. Relatório Contra JOSÉ CARLOS SCOLFARO foi lavrada Notificação de Lançamento, fls. 11/13, para formalização de exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF), relativa ao anocalendário 2006, exercício 2007, no valor total de R$ 13.198,65, incluindo multa de ofício e juros de mora, estes últimos calculados até 30/12/2008. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram dedução indevida de despesas médicas, no valor de R$ 12.000,00 e omissão de rendimentos, no valor total de R$ 236.024,02, recebidos do Instituto de Previdência Social do Município de Campinas (R$ 168.805,20) e da Câmara Municipal de Campinas (R$ 67.218,84). Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, fls.01/09, e a autoridade julgadora de primeira instância julgou, por unanimidade de votos, procedente em parte o lançamento, para excluir a multa de ofício sobre os valores já recolhidos antes da lavratura da Notificação, conforme Acórdão DRJ/SPOII nº 1746.377, de 25/11/2010, fls.74/84. Cientificado da decisão de primeira instância em 01/02/2011, fls.88, o contribuinte apresentou, em 28/02/2011, recurso voluntário, fls. 106/114, no qual traz as alegações a seguir resumidamente transcritas: Com o objetivo de sanar a suposta ausência de comprovação da condição de portador de moléstia grave no anocalendário de 2006, o recorrente traz aos autos novo laudo pericial emitido por serviço médico oficial, que atesta sua condição de possuidor de paralisia irreversível e incapacitante desde janeiro de 2004. Com relação aos recibos fornecidos pelo Dr. Joaquim César de Souza Nascimento e pelo Dr. Fernando Sassi Filho, já falecidos, o Recorrente esclarece novamente que não há possibilidade de obter nenhum outro documento comprobatório além dos já fornecidos à Fiscalização. Nesse passo, se alguma dúvida ainda persistir quanto à idoneidade dessas informações, pode e deve o Fisco confrontálas com as Declarações de Ajuste Anual dos profissionais. É o Relatório. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.000070/200995 Acórdão n.º 210201.986 S2C1T2 Fl. 3 3 Voto Conselheira Núbia Matos Moura, relatora O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Cuidase das infrações de dedução indevida de despesas médicas e de omissão de rendimentos. No que concerne aos rendimentos considerados omitidos no Auto de Infração, o contribuinte afirma tratarse de rendimentos de aposentadoria, os quais seriam isentos dada a sua condição de portador de moléstia grave. Quando da apresentação do recurso, o contribuinte juntou aos autos Laudo Pericial, fls. 115, emitido pela Prefeitura Municipal de Capinas, que atesta ser o contribuinte portador de moléstia grave, desde janeiro de 2004. E mais, está devidamente comprovado nos autos que os rendimentos considerados omitidos no lançamento são decorrentes de aposentadoria, conforme Comprovantes de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte, fls. 49/50. Assim, cumpridas as condições determinadas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações, há de se concluir que são isentos do imposto de renda os rendimentos recebidos pelo contribuinte, no exercício 2007, do Instituto de Previdência Social do Município de Campinas (R$ 168.805,20) e da Câmara Municipal de Campinas (R$ 67.218,84). Em assim sendo, desnecessária a apreciação das alegações do recorrente no que diz respeito à infração de dedução indevida de despesas médicas, dado que não consta dos autos que o contribuinte tenha recebido rendimentos tributáveis, sujeitos ao ajuste anual. Ante o exposto, voto por DAR provimento ao recurso, devendo a unidade que jurisdiciona o contribuinte proceder à competente restituição devida, com os acréscimos legais pertinentes. Assinado digitalmente Núbia Matos Moura Relatora Fl. 121DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10830.000070/200995 Acórdão n.º 210201.986 S2C1T2 Fl. 4 4 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 10/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2012 por NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 27/04/2012 po r NUBIA MATOS MOURA, Assinado digitalmente em 30/04/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000007/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. GLOSA.
As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas.
Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar o pagamento dos serviços.
Recurso negado.
Numero da decisão: 2101-001.537
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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DESPESAS MÉDICAS. GLOSA. As despesas médicas são dedutíveis da base de cálculo do imposto sobre a renda, desde que comprovadas e justificadas. Hipótese em que a prova produzida pelo Recorrente não é suficiente para confirmar o pagamento dos serviços. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 76DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.000007/200971 Acórdão n.º 2101001.537 S2C1T1 Fl. 72 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 63/66) interposto em 20 de janeiro de 2011 contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo II (SP) (fls. 50/56), do qual o Recorrente teve ciência em 21 de dezembro de 2010 (fl. 62), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento de fls. 22/27, lavrado em 24 de novembro de 2008, em decorrência de dedução indevida de previdência privada e FAPI, dedução indevida de despesas médicas e omissão de rendimentos do trabalho, verificadas no anocalendário de 2005. O acórdão teve a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2006 GLOSA DE DEDUÇÕES. O direito às suas deduções condicionase à comprovação não só da efetividade dos serviços prestados, mas também dos correspondentes pagamentos. Artigo 73, 80, §1º , III, e 797 do Regulamento de Imposto de Renda (Decreto n° 3.000/99). REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Indeferese pedido de diligência que se mostra prescindível. Artigo 18 do Decreto n° 70.235/72. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” (fl. 50). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 63/66), alegando, em síntese, que inexistem razões para rejeitar os recibos apresentados, tendo em vista serem hábeis e idôneos para garantir o direito à dedução. Afirma ainda não haver possibilidade de apresentar qualquer outra prova, eis que os pagamentos das despesas médicas e odontológicas foram efetuados com moeda corrente. Aduz, por fim, que a exigência de cheques, comprovante de depósitos bancários ou extratos configuraria quebra reflexa de sigilo bancário. É o relatório. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.000007/200971 Acórdão n.º 2101001.537 S2C1T1 Fl. 73 3 Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. A controvérsia gira em torno da necessidade ou não da comprovação da efetiva prestação de serviços médicos e odontológicos, bem como dos respectivos pagamentos, no caso, em dinheiro. Em relação à glosa dessas despesas, a norma aplicável ao caso (Lei n. 9.250/95) determina o seguinte: “Art. 8º. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; ... §2º. O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: I – aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II – restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” Já o Decreto 3.000/99, ao regulamentar o imposto de renda, introduziu o seguinte comando normativo: “Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei n.º 5.844, de 1.943, art. 11, § 3º). Fl. 78DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.000007/200971 Acórdão n.º 2101001.537 S2C1T1 Fl. 74 4 § 1º. Se foram pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei n.º 5.844, de 1943, art. 11, § 4º).” Cabe mencionar ainda que deve a autoridade fiscalizadora fazer a prova necessária para infirmar o recibo de despesas dedutíveis acostado aos autos pela fiscalizada, comprovando a não prestação do serviço ou o não pagamento. Não se pode, simplesmente, glosar as despesas médicas pelo fato de a fiscalizada não comprovar documentalmente o pagamento, já que o contribuinte, em relação a este ponto, não está obrigado a liquidar as obrigações representativas dos serviços por títulos de créditos, podendo fazer a liquidação em espécie. Salvo em casos excepcionais, quando a autoria do recibo for atribuída a profissional que tenha contra si súmula administrativa de documentação tributariamente ineficaz, devidamente homologada e com cópia nos autos para que o contribuinte possa exercer seu direito de defesa ou, quando efetivamente existirem nos autos elementos que possam afastar a presunção de veracidade de recibo, não se pode recusar recibos que preenchem os requisitos legais e que vêm acompanhados de declarações dos profissionais confirmando a prestação dos serviços, o respectivo recebimento, o beneficiário do tratamento e os dados completos do prestador. Nesse sentido a determinação contida no art. 845, § 1°, do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000/99, in verbis: "§ 1° Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores com elemento seguro de prova ou indicio veemente de falsidade ou inexatidão” (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79, §12)." Por fim, cabe ressaltar que os documentos que comprovam a contraprestação dos serviços médicos prestados e deduzidos pelo contribuinte devem ser devidamente armazenados pelo mesmo lapso de tempo que as autoridades fiscais têm para constituir possível crédito. Nesse sentido, colacionamos alguns acórdãos que elucidam tal entendimento: “NULIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – PROVA – No processo administrativo tributário os fatos devem evidenciarse com provas documentais. A documentação dos fatos havidos no transcorrer do anocalendário tem prazo para guarda igual àquele em que possível a constituição do correspondente crédito tributário.” (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 146.926, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 04/07/2007) “DOCUMENTOS – GUARDA – O prazo para guarda de documentos é o mesmo que o permitido ao sujeito ativo para exigir o tributo ou rever de ofício o lançamento. OMISSÃO DE RENDIMENTOS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – A presunção legal de renda com suporte na existência de depósitos e créditos bancários de origem não comprovada tem fundamento legal na norma do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, tendo caráter relativo e transfere o ônus da prova em contrário ao contribuinte.” Fl. 79DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.000007/200971 Acórdão n.º 2101001.537 S2C1T1 Fl. 75 5 (1º Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Recurso Voluntário nº. 140.839, relator Conselheiro Naury Fragoso Tanaka, sessão de 21/06/2006) No presente caso, verificase que o auto de infração foi lavrado em virtude de dedução indevida de despesas médicas e odontológicas, constantes de recibos emitidos no exercício de 2006 por Eliana Harumi Takeda, Priscila Guimarães Pires de Almeida, Marcos dos Santos Martin e Eye Clinic Oftalmologia Clínica, Cirúrgica e Diagnóstica (sendo que o paciente que teria recebido o tratamento não seria dependente do Recorrente), e ainda parte do plano de saúde Unimed Sorocaba correspondente a beneficiário não dependente do Recorrente, totalizando o valor de R$ 34.071,00 (fl. 24). Sustenta o Recorrente, repisando os argumentos nos quais embasou sua impugnação, que os recibos apresentados preenchem todos os requisitos exigidos por lei e que os serviços médicos foram efetivamente prestados a ele, de modo que os valores acima apontados teriam sido efetivamente pagos aos referidos profissionais. Inicialmente, necessário se faz observar que os recibos emitidos pela Sra. Priscila Guimarães Pires de Almeida sequer preenchem os requisitos elencados pela legislação, pois nos referidos recibos não consta o CPF da emitente, o que é de rigor para fins de dedução. Além disso, o Recorrente apresentou apenas os recibos emitidos pelos aludidos profissionais, bem como declarações deles a respeito dos serviços que teriam sido prestados para o Recorrente (fls. 09/20). Ora, em casos como o presente, em que os valores gastos são expressivos, representando grande parcela dos rendimentos declarados como tributáveis, tenho entendido que o contribuinte deve apresentar outros documentos além dos recibos e declarações dos prestadores, como fichas médicas ou odontológicas, agendas do profissional, receitas, exames, notas fiscais de aquisição de medicamentos, extratos bancários para comprovação de saques etc. Como nem todos os documentos apresentados cumpriram os requisitos necessários e nenhum outro documento foi apresentado, nem por ocasião da impugnação, nem no momento da interposição do presente recurso, entendo que a referidas deduções não podem ser restabelecidas. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10855.000007/200971 Acórdão n.º 2101001.537 S2C1T1 Fl. 76 6 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 02/05/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/03/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 21/03/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/03/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10384.003632/2007-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004
É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇÃO INDÉBITA. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos
segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontando-as da respectiva remuneração.
JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS.
É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
MULTA MORATÓRIA
Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. A declaração dos valores em GFIP , reduz a multa em 50%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2302-001.624
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por maioria foi rejeitada a preliminar de nulidade do procedimento nos termos do voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Vencido na preliminar o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Quanto ao mérito, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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RReeccoorrrriiddaa DRJ FORTALEZA/CE ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 É OBRIGATÓRIO O RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO RETIDA DA REMUNERAÇÃO DO SEGURADO. APROPRIAÇAO INDÉBITA. As empresas são obrigadas a arrecadar e recolher as contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais, estes a partir de 04/2003, a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICAÇÃO À COBRANÇA DE TRIBUTOS. É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA MORATÓRIA Em conformidade com o artigo 35, da Lei 8.212/91, a contribuição social previdenciária está sujeita à multa de mora, na hipótese de recolhimento em atraso. A declaração dos valores em GFIP , reduz a multa em 50%. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por maioria foi rejeitada a preliminar de nulidade do procedimento nos termos do voto do Conselheiro Marco André Ramos Vieira. Vencido na preliminar o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Quanto ao mérito, por unanimidade foi negado provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto do Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 2 (assinado digitalmente) MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Presidente. (assinado digitalmente) MANOEL COELHO ARRUDA JÚNIOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco André Ramos Vieira (Presidente de Turma), Manoel Coelho Arruda Junior (Vicepresidente de turma), Liége Lacroix Thomasi, Adriana Sato e Arlindo da Costa e Silva. Relatório Peço vênia para adotar o relatório de fls. 151152: Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD (DEBCAD no. 35.569.3216) lavrada em face do sujeito passivo em epígrafe, relativa As contribuições sociais devidas a Seguridade Social correspondentes a contribuições descontadas de segurados e não recolhidas em época própria. Constituem fatos geradores as remunerações atribuídas a segurados empregados e contribuintes individuais declaradas em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações A Previdência Social. 0 valor do crédito constituído através desta NFLD é de R$ 26.937,32 (vinte e seis mil e novecentos e trinta e sete reais e trinta e dois centavos), consolidado em 30/09/2004. O período de lançamento deste crédito tributário é de: 09/2001 a 03/2004. A presente ação fiscal se dei através da apuração da divergência entre os valores declarados em GFIP e os recolhidos em Guia da Previdência Social GPS. Portanto, todos os fatos geradores foram declarados pela empresa e, conforme legislação vigente, o crédito constituído foi calculado com redução da multa de mora em cinqu enta por cento, de acordo com a disposição contida no parágrafo 4° do art. 35 da Lei n° 8.212/91. 0 sujeito passivo foi cientificado deste lançamento em 14/10/2004, na pessoa de sua representante legal, a Senhora Maria de Jesus da Costa Soares. DO DESPACHO DE DILIGÊNCIA DO ENTÃO SERVIÇO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO Consta nos autos, Despacho do então Serviço do Contencioso Administrativo, de 16/03/2005, fls.91, o qual, em síntese, aponta que não consta no Relatório Fiscal, fls.35/38, informações sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, assim como faz indagação sobre a classificação do levantamento FP — Folha de Pagamento (13° Salário) como declarado em GFIP, determinando assim, remessa dos autos ao Auditor Notificante para manifestação, suprindo, se for o caso, a falha do relatório fiscal. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10384.003632/200704 Acórdão n.º 2302001.624 S2C3T2 Fl. 63 3 DO RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR Manifestandose a respeito do retromencionado Despacho, o Auditor Notificante, por meio de relatório complementar, fls. 93, averba que também constituem fatos geradores desta NFLD as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais. Assevera ainda que o décimo terceiro salário, inserido no levantamento Folha de Pagamento — FP, encontra se declarado em GFIP, anexando comprovantes. DA REABERTURA DO PRAZO DE DEFESA E CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Constatamos, as fls. 131, Despacho do então Serviço do Contencioso Administrativo, de 03/02/2006, pelo qual se determina ciência ao contribuinte do relatório complementar, com reabertura do prazo de 15 (quinze) dias para aditamento A. defesa. Após diversas tentativas frustradas, fls. 134/138, o contribuinte foi cientificado por edital, publicado em jornal de grande circulação (Diário do Povo de TeresinaPI), datado de 09/02/2007. DA IMPUGNAÇÃO 0 sujeito passivo, irresignado com o lançamento do crédito, apresentou impugnação, em 28/10/2004, as fls. 40/83, alegando, em síntese, conforme se segue. Ressaltamos que nenhuma manifestação foi apresentada quanto ao Relatório Complementar, cientificado por edital, publicado em 09/02/2007. DA ADESÃO AO REFIS A presente NFLD não pode prosperar, haja vista que os débitos aduzidos constituemse em objeto de pagamento por parte da empresa devido A. mesma ter aderido ao Programa de Recuperação Fiscal REPIS, o, qual permitiu a oportunidade de regularizar suas obrigações fiscais e previdencidrias existentes até 29.e fevereiro de 2000. DA ADESÃO AO PAES Devido A. verificação de que alguns débitos não haviam sido inclusos no REFIS, a Defendente providenciou também sua adesão ao Plano de Parcelamento Especial — PAES, instituído pela Lei n° 10.684/2003, para parcelamento das dividas junto ao INSS. DA ESPONTANEIDADE DA CONFISSÃO DA DÍVIDA 0 contribuinte assevera que, ao aderir aos planos REFIS e PAES, assinou um termo de confissão de divida, e que nos dois casos esta havendo o pagamento do parcelamento efetuado. Portanto, observase que além do débito não poder ser cobrado (lançado) em sua integralidade, a multa cominada também não pode ser cobrada porque efetivamente já houve a espontânea confissão da aludida divida. Não houve pretensão da empresa em querer burlar o pagamento das contribuições previdencidrias, pois todas as operações estão Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 4 devidamente escrituradas. Sendo que o elevado endividamento junto a credores levou a Defendente a aderir ao REFIS e, posteriormente, ao PAES. Os débitos então lançados foram confessados em GFIP e, portanto, automaticamente os mesmos deveriam ter sido incluídos no REFIS. Porém, caso nem todos tenham sido inclusos, como atestado pela Notificação Fiscal de Lançamento, desde já requer sejam os mesmos inseridos no PAES, já que agora estão sendo cobrados, conforme destaque que se perfez no Razão Caixa da empresa que segue anexo (doc. 05), cuja competência abrange até o período de 01/2003. (sic) Em verdade, observase a apropriação da empresa e dos segurados pela análise do Livro Razão Caixa (doc. 05), o qual demonstra que todas as operações realizadas pela empresa e que foram devidamente registradas não existiu qualquer dolo ou máfé por parte da empresa, tanto que os dados apurados pela fiscalização batem com os constantes no Razão Caixa da empresa. (sic) DA APROPRIAÇÃO INDÉBITA No caso em comento, vislumbrase a extinção da punibilidade do crime de apropriação indébita previdencidria, vez que os requisitos enumerados para a concessão encontramse preenchidos pela Defendente: declaração e confissão antes do inicio da ação fiscal (adesão ao REFIS E PAES). Ressaltese que o pagamento de qualquer importância remanescente está sendo objeto de novo pedido de solicitação ao PAES, como já informado e requerido. Estando o referido crédito na esfera administrativa, encontrase o mesmo suspenso, enquanto houver impugnação ou recurso pendente de julgamento, consoante art. 151 do CTN. Ademais, a adesão ao REFIS é uma causa de suspensão ou extinção da pretensão punitiva do Estado, consoante o disposto no art. 15 da Lei n° 9.964/2000. Conforme entendimento do STJ, o acordo dê pArcRlamento do débito tributário, efetivado antes do recebimento da denúncia, enseja a extinção de punibilidade prevista no art. 34 da Lei n° 9.249/95. DO BIS IN IDEM Os valores lançados como débito nesta NFLD não podem ser cobrados, pois a empresa já confessou os mesmos, ou parte deles, ao aderir ao REFIS e PAES. É necessário que sejam refeitos os cálculos, considerandose os débitos já inclusos nos programas REFIS e PAES, sob pena de incorrer em bis in idem. Quanto a um possível saldo remanescente, a Defendente está envidando esforços no sentido de incluilos no PAES. DA CONJUNTURA ECONÔMICA Qualquer outro saldo residual remanescente não pode ser cobrado in totem, devido a atual situação vivenciada pela empresa (inadimplência, evasão escolar etc). DO PEDIDO Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10384.003632/200704 Acórdão n.º 2302001.624 S2C3T2 Fl. 64 5 Por fim, requer a notificada: 1) A desconstituição desta NFLD por não condizer com a realidade nem computar o valor correto de algum débito, por ventura existente, pelos fatos e fundamentos aduzidos; 2) 0 desmembramento do débito cobrado, comprovado que parte dele já se encontra no REFIS; 3) 0 desmembramento de parte do débito que já se encontra no PAES; 4) Sejam feitos novos cálculos, computandose os débitos inclusos no REFIS e PAES, sob pena de incorrer em bis in idem; 5) 0 parcelamento de algum possível saldo remanescente, embora a empresa já esteja engendrando os esforços necessários no sentido de também incluilos no PAES, o que desde já se requer; 6) Tendo em vista que o fiscal entendeu e concluiu no Relatório da NFLD que existiu ilícito previdencidrio, em face da adesão da empresa ao REFIS, seja suspensa e extinta, após o pagamento de todas as parcelas, qualquer pretensão punitiva; 7) Seja julgado improcedente a presente NFLD, por ser da mais lídima justiça e de acordo com os preceitos vigentes no nosso ordenamento jurídico. Em 09 de novembro de 2007, a DRJ em FortalezaCE julgou procedente o lançamento [fls.149158]. Inconformada com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, a ora Recorrente interpôs recurso voluntário, as fls. 166178, reitera os argumentos colacionados na impugnação. Requer, ao final, seja o recurso recebido e conhecido, para que seja julgado improcedente o lançamento questionado. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, Relator. 1 DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 12/12/2007. Havendo sido o recurso voluntário postado na agência dos correios em 11/01/2008, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 6 2 PRELIMINAR: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA (CITAÇÃO POR EDITAL) Alega a Recorrente, em síntese [fl. 171172]: […]Ocorre que no caso em comento, como já relatado nos fatos não houve observância do devido procesio legal tendo em vista que a empresa prejudicada pela não notificação da nova abertura de prazo para aditar sua defesa, após a realização do Relatório Complementar. Ora, é de se estranhar que para notifciar a empresa acerca da decisão – Acordão 0812.215 da 7ª Turna da DRJ/FOR esta Delegacia da Receita Federal tenha obtido o endereço da sócia representante legal mediante pesquisa pelo CPF da mesma, como se vê as fls. 161. Porém, para tentar notificar a empresa acerca da reabertura do prazo para defesa, mesmo tendo sido juntada copia do contrato social, no qual consta CPF e endereço de todos os sócios da mesma, tal foi realizado por meio de EditaL. Portanto, houve efetivo prejuízo a empresa, no momento em que não lhe foi oportunizado novo prazo para manifestarse acerca do Relatório Complementar, especialmente, por não ter sido deferido o pleito de juntada de novos documentos então realizado na defesa que foi considerada na análise da decisão. Requer, ao final, o acolhimento da preliminar suscitada com o objetivo anular todos os atos a partir da intimação do contribuinte [edital]. Ilustres Julgadores, a ampla defesa e o contraditório, corolários do devido processo legal, postulados com sede constitucional, são de observância obrigatória tanto no que pertine aos "acusados em geral" quanto aos "litigantes", seja em processo judicial, seja em procedimento administrativo. Inserese nas garantias da ampla defesa e do contraditório a notificação do contribuinte do ato de lançamento que a ele respeita (REsp 478853/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 10/06/2003, DJ 23/06/2003, p. 259). É sabido que o art. 23, do Decreto n. 70.235/72 disciplina os meios para intimação no âmbito do processo administrativo fiscal: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 6DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10384.003632/200704 Acórdão n.º 2302001.624 S2C3T2 Fl. 65 7 § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) [Grifo nosso] Para Leandro Paulsen, as intimações pelas modalidades previstas no §1º só se justificam e se legitimam quando a autoridade não tenha conseguido consumar a intimação pelos meios estabelecidos, em caráter preferencial, no caput deste artigo, inclusive pelo meio eletrônico previsto na nova redação do inciso III do caput. A ausência do exaurimento previsto neste inciso resulta na nulidade absoluta de todos os atos subsequentes, inclusive da inscrição em dívida ativa e na propositura de execução fiscal [Direito Processual Tributário: processo administrativo fiscal e execução fiscal à luz da doutrina e jurisprudência. 6. Ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2010]. Tal entendimento está em consonância com a jurisprudência pátria que assevera ser necessário para a “citação” por edital o esgotamento de todos os meios de localização do Interessado: A citação por edital na execução fiscal é cabível quando frustradas as demais modalidades" (Súmula 414/STJ). Feitas essas considerações iniciais, passo a análise da situação fática constante dos autos [fls. 171/172]: 0 sujeito passivo foi cientificado deste lançamento em 14/10/2004, na pessoa de sua representante legal, a Senhora Maria de Jesus da Costa Soares. DO DESPACHO DE DILIGÊNCIA DO ENTÃO SERVIÇO DO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO Consta nos autos, Despacho do então Serviço do Contencioso Administrativo, de 16/03/2005, fls.91, o qual, em síntese, aponta que não consta no Relatório Fiscal, fls.35/38, informações sobre remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais, assim como faz indagação sobre a classificação do levantamento FP — Folha de Pagamento (13° Salário) como declarado em GFIP, determinando assim, remessa dos autos ao Auditor Notificante para manifestação, suprindo, se for o caso, a falha do relatório fiscal. DO RELATÓRIO FISCAL COMPLEMENTAR Manifestandose a respeito do retromencionado Despacho, o Auditor Notificante, por meio de relatório complementar, fls. 93, averba que também constituem fatos geradores desta NFLD as remunerações pagas ou creditadas a segurados contribuintes individuais. Assevera ainda que o décimo terceiro salário, Fl. 7DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 8 inserido no levantamento Folha de Pagamento — FP, encontra se declarado em GFIP, anexando comprovantes. DA REABERTURA DO PRAZO DE DEFESA E CIENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO Constatamos, as fls. 131, Despacho do então Serviço do Contencioso Administrativo, de 03/02/2006, pelo qual se determina ciência ao contribuinte do relatório complementar, com reabertura do prazo de 15 (quinze) dias para aditamento A. defesa. Após diversas tentativas frustradas, fls. 134/138, o contribuinte foi cientificado por edital, publicado em jornal de grande circulação (Diário do Povo de TeresinaPI), datado de 09/02/2007. Ressaltese que as “diversas tentativas” apontadas acima foram: (i) Intimação via postal, por duas oportunidades e em endereços distintos, ao Sujeito Passivo; e (ii) Intimação via postal da Sra. Maria de Jesus da Costa Soares Ramos, representante legal da empresa. Apesar do esforço da Administração Fiscal quanto à intimação do relatório complementar, entendo que a diligência não esgotou todos os meios dispostos na legislação de regência, quais sejam: (i) pessoal e (ii) eletrônico. Assim, por ser procedimento excepcional e que pode resultar em prejuízo ao sujeito passivo, entendo que deve a Administração Tributária esgotar todos os meios previstos. Portanto, a ausência do exaurimento previsto resulta na nulidade absoluta de todos os atos subsequentes [a partir da intimação]. 3 DO MÉRITO 3.1 BIS IN IDEM Caso seja vencido na preliminar acima acolhida, entendo que o decisum recorrido não merece qualquer reforma, pois enfrentou e afastou todos as alegações apresentadas pela ora Recorrente. Por consequência, adoto como razões de decidir excerto do decisum: Em exame percuciente dos autos, verificamos na Peça Impugnatória que a Defendente reconhece expressamente que os fatos geradores apurados pela Auditoria estão em consonância com sua escrita contábil, apontando apenas como controversa a suposta cobrança de valores já declarados anteriormente nos programas REFIS e PAES. Em verdade, observase a apropriação da empresa e dos segurados pela análise do Livro Razão Caixa (doc. 05), o qual demonstra que todas as operações realizadas pela empresa e que foram devidamente registradas não existiu qualquer dolo ou má fé por parte da empresa, tanto que os dados apurados pela fiscalização batem com os constantes no Razão Caixa da empresa. (sic) Fl. 8DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10384.003632/200704 Acórdão n.º 2302001.624 S2C3T2 Fl. 66 9 Não vemos como prosperar a alegação de bis in idem, conforme se demonstrará a seguir. Em consulta ao sistema informatizado PLENUS, desta Receita Federal do Brasil, constatamos que o sujeito passivo, aderiu ao Programa de Recuperação Fiscal — REFIS (Lei n° 9.964, de 10 de abril de 2000) destinado a promover a regularização de créditos da Unido, decorrentes de débitos de pessoas jurídicas, relativos a tributos e contribuições, administrados pela Secretaria da Receita Federal e pelo Instituto Nacional do Seguro Social —INSS, com vencimento até 29 de fevereiro de 2000, constituídos ou não, inscritos ou não em divida ativa, ajuizados ou a ajuizar, com exigibilidade suspensa ou não, inclusive os decorrentes de falta de recolhimento de valores retidos. De acordo com a tela do sistema de cobrança (LPROENV) apensada às fls. 147, foram incluídos neste REFIS, os seguintes débitos previdencidrios: DEBCAD n° 32.768.4305 (origem: Lançamento de Débito Confessado LDC de 27/05/1999), n° 35.122.8969 (origem: LDC de 31/10/2000; período de: 01/1999 a: 01/2000), n° 35.123.0734 (origem: Auto de Infração AI de 31/10/2000; período: 10/2000), e n° 55.752.4733 (data do requerimento: 14/01/1998; data da concessão: 02/04/1998). É imperativo registrar que se tratam de débitos anteriores ao período de apuração da presente NFLD (09/2001 .a 03/2004), conforme Mandado de Procedimento Fiscal — Complementar — 02 n° 09165889, as fls 32; 0 sujeito passivo foi excluído do REFIS, a Pedido, de acordo com a Portaria n° 718, de 11/11/2004, com efeitos a partir de 24/11/2003, conforme tela do sistema (CCADE) acostada As fls. 145. Outrossim, constatamos que o sujeito passivo aderiu ao parcelamento especial estipulado pela Lei n° 10.684, de 30 de maio de 2003, a qual dispõe sobre parcelamento de débitos junto à Secretaria da Receita Federal, à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional e ao Instituto Nacional do Seguro Social, in verbis: [...] Ressaltase que são passíveis deste parcelamento os débitos junto ao INSS oriundos de contribuições patronais, com vencimento até 28 de fevereiro de 2003. 0 prazo a que se refere o art. 5 °, da Lei n° 10.684/2003, fica prorrogado até 31 de agosto de 2003, conforme disposto no art. 13 da Lei n° 10.743, de 09 de outubro de 2003. De acordo com a tela do sistema de cobrança (LPROENV), apensada as fls. 148, foram incluídos, neste parcelamento, os seguintes débitos previdenciários: DEBCAD n° 32.768.4305 (oriundo do REFIS), n° 35.122.8969 (oriundo do REFIS), n° 35.123.0734 (oriundo do REFIS), n° 55.752.4733 (oriundo do REFIS), n° 35.122.8977 (origem: LDC, de 31/10/2000), n° 35.123.1315 (origem: NFLD, de 29/11/2001; período: 10/2000 a 08/2001 conforme MPF 02938800), n° 35.366.9326 (origem: LDC, de 31/07/2003; período: 09/2001 a 01/2003). Em que pese o débito n° 35.366.9326 ser o Alnico processo incluído no parcelamento especial com período de apuração Fl. 9DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 10 alcançado por este presente procedimento fiscal, ressalvamos o fato que, tiosomente os débitos junto ao INSS oriundos de contribuições patronais sio passíveis deste parcelamento. In casu, a presente NFLD referese apenas à falta de recolhimento de contribuições descontadas de segurados e respectivos acessórios, apurados no período de 09/2001 a 03/2004. Repisamos que está afastada, por definitivo, a hipótese de bis in idem, razão pela qual denegamos os pedidos de n°(s) 1 a 4, e 7 efetuados pela Defendente, pelos motivos já amplamente demonstrados. No que se refere ao requerimento da Defendente de incluir no PAES, possível saldo remanescente desta NFLD, cabe ressaltar que não se trata de matéria da competência desta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, não competindo apreciação em sede desta, portanto. Resta, por consequ .ncia, denegado o pedido de n° 5 efetuado pela Defendente. Não há falar o sujeito passivo em conjuntura econômica desfavorável —inadimplência, evasão escolar etc haja vista ser implícito à atividade empresarial, o risco do negócio. Ademais, temos que não cabe ao sujeito passivo alegar circunstâncias pessoais para refugir is contribuições que lhe sio determinadas por lei. 3.2 OBRIGATORIEDADE DO RECOLHIMENTO Conforme dispõe o art. 225, § 1º do RPS, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999, abaixo transcrito, os dados informados em GFIP constituem termo de confissão de dívida quando não recolhidos os valores nela declarados. Art.225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 1º As informações prestadas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social servirão como base de cálculo das contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social, comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários, bem como constituir seão em termo de confissão de dívida, na hipótese do não recolhimento. Desse modo, caso houvesse algum erro cometido pela recorrente na elaboração, tanto das folhas de pagamento, como da GFIP, caberia à notificada a demonstração da fundamentação de seu erro. A notificada teve oportunidade de demonstrar que os valores Fl. 10DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA Processo nº 10384.003632/200704 Acórdão n.º 2302001.624 S2C3T2 Fl. 67 11 apurados pela fiscalização, e por ela própria declarados em GFIP ou registrados nas folhas de pagamento não condizem com a realidade na fase de impugnação e agora na fase recursal, mas não o fez. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe à parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A fiscalização previdenciária provou a existência do fato gerador, com base nos termos de confissão, GFIP, elaborados pela própria recorrente. O relatório fiscal traz explicitamente que a notificação se refere às contribuições previdenciárias que foram descontadas dos segurados empregados e contribuintes individuais, cujos recolhimentos totais não foram comprovados, não cabendo a argüição da recorrente de que a notificação não traz os motivos que ensejaram o levantamento. Por todo o exposto não merece reparo o lançamento do débito, já que por expressa determinação legal, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração e recolher o produto arrecadado no dia 2 do mês seguinte ao da competência (art. 30, inciso I, letras “a” e “b” da Lei n.º 8.212/91), sendo que o crédito também tem suporte no artigo 20 da Lei n.º 8.212/91, que trata da contribuição dos segurados empregados. 3.3 SELIC E MULTA DE MORA No tocante à taxa SELIC, cumpre asseverar que sobre o principal apurado e não recolhido, incidem os juros moratórios, aplicados conforme determina o artigo 34 da Lei 8.212/91: “... As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, a que se refere o artigo 13, da Lei n.º 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável.” O art. 161 do CTN prescreve que os juros de mora serão calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso. No caso das contribuições em tela, há lei dispondo de modo diverso, ou seja, o aludido art. 34 da Lei 8.212/91 dispõe que sobre as contribuições em questão incide a Taxa SELIC. Portanto, está correta a aplicação da referida taxa a título de juros, perfeitamente utilizável como índice a ser aplicado às contribuições em questão, recolhidas com atraso, objetivando recompor os valores devidos. Ainda, quanto à admissibilidade da utilização da taxa SELIC, ressaltamos que o Segundo Conselho, do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, aprovou na Sessão Plenária de 18 de setembro de 2007, publicada no D.O.U. de 26/09/2007, Seção 1, pág. 28 a Súmula 3, que dita: É cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia – Selic para títulos federais. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA 12 E, com a criação do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, tal súmula foi consolidada na Súmula CARF n.º 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Por derradeiro, reitero os termos da decisão recorrida quanto à multa de mora, já que a mesma foi reduzida em 50%, quando do lançamento por estarem os valores declarados em GFIP, constando expressamente do Discriminativo Analítico do Débito às fls.. 4 CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do recurso, para no mérito NEGAR LHE PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Manoel Coelho Arruda Júnior Conselheiro Voto Vencedor Divirjo do entendimento proferido pelo Conselheiro Relator; pois, de acordo com a legislação tributária, não há ordem de preferência entre a intimação pelos correios e a pessoal. Conforme previsto no art. 23, parágrafo 3º do Decreto n. 70.235 de 1972, não há ordem de preferência entre a intimação pessoal e a por via postal. Desse modo, não há qualquer vício no processo administrativo. Voto por rejeitar a preliminar de nulidade do procedimento. Marco André Ramos Vieira Fl. 12DF CARF MF Impresso em 09/05/2012 por ATANAGILDO BARBOSA DE OLIVEIRA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/ 04/2012 por MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/04/2012 por MARCO ANDRE RAMOS V IEIRA
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Numero do processo: 19515.000669/2004-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/07/2000,01/09/2000 a 31/12/2000, 01/04/2001 a 30/04/2001,
01/06/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 31/03/2002
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA
ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo
sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo.
Numero da decisão: 3201-000.866
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/07/2000, 01/09/2000 a 31/12/2000, 01/04/2001 a 30/04/2001, 01/06/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 31/03/2002 AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 28/01/2012 Participaram também da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Mércia Helena Trajano D'Amorim e Adreine Maria de Miranda Veras. Ausente justificadamente o conselheiro Marcelo Ribeiro Nogueira. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente processo de Auto de Infração de fls. 69 a 80, lavrado pela DEFIC/São Paulo em decorrência de falta de recolhimento da Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, consubstanciando exigência de crédito tributário no valor total de R$ 18.162,68, referente aos fatos geradores ocorridos nos meses 02/1999 a 07/2000; 09/2000 a 12/2000, 02/2001 a 04/2001; 06/2001 a 09/2001 e 11/2001 a 03/2002, à multa de oficio de 75% e aos juros de mora calculados até 27/02/2004. 2. Relata o Autuante, no quadro "Descrição dos fatos e enquadramento legal", à fl. 77, que durante o procedimento de verificações obrigatórias foram constatadas as seguintes divergências entre os valores declarados e os valores escriturados: 2.1 Nos meses de janeiro e fevereiro de 2.000, e fevereiro e março de 2.001, recolheu o PIS e declarou nas respectivas DCTF, valor menor do que o devido, conforme está demonstrado no Termo de Verificação e Constatação, que é parte integrante deste processo; 2.2 Embora tenha contabilizado regularmente as receitas financeiras recebidas, no período de fevereiro de 1.999 a março de 2.002 não recolheu o PIS sobre elas, considerando que na época estava amparada por decisão judicial. Como o julgamento do processo foi desfavorável para a empresa, conforme ementa anexa a este processo, deve ser cobrado o PIS sobre aquelas receitas demonstradas na Planilha de Juros Recebidos (fl. 65), que foi resumida na Planilha de Diferenças do PIS (fl. 66), que fazem parte deste processo. 3. No Termo de Verificação e Constatação de fls. 67/68, a Autoridade Fiscal informa que: 3.1 Nos meses 01/2000, 02/2000, 02/2001 e 03/2001, os recolhimentos efetuados e declarados nas DCTF foram menores do que os valores devidos, conforme demonstrado no item 5 deste Termo; 3.2 Nos meses 02/1999 a 03/2002, não calculou a Contribuição para o PIS sobre as receitas de juros recebidos, considerando que estava amparada por medida liminar; 3.3 Embora as receitas de juros recebidos estejam contabilizadas, os valores da Contribuição para o PIS devidos sobre elas não foram incluídos nas Planilhas de Apuração da Base de Cálculo da Contribuição para o PIS de fls. 54 a 57, nem declarados nas respectivas DCTF (fls. 58 a 62), nem recolhidos. A empresa estava amparada por medida liminar nas ocasiões dos seus respectivos vencimentos, conforme item "7" (fls. 37 e 38), da decisão proferida no processo Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0192955 (fls. 23 a 38); Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000669/200461 Acórdão n.º 320100.866 S3C2T1 Fl. 527 3 3.4 Foi proferido Acórdão da Terceira Turma do TRF3 a Região desfavorável à Contribuinte (fls.43 a 53); 3.5 Em virtude dessa decisão a Contribuição para o PIS deve ser recolhida também sobre os valores relacionados na Planilha de Juros Recebidos de fl. 65; 3.6 As diferenças de recolhimento apuradas nos meses 01/2000, 02/2000, 02/2001 e 03/2001, estão demonstradas abaixo (apresenta planilha). Essas diferenças estão englobadas nos valores resumidos na "Planilha de Diferenças do PIS" de fl. 66, e fazem parte da sua última coluna "Diferenças a Recolher"; 3.7 Os valores das bases de cálculo das receitas de juros nos meses 02/1999 a 03/2002, demonstrados na "Planilha de Juros Recebidos" de fl. 65, estão também resumidos na segunda coluna da "Planilha de Diferenças do PIS" de fl. 66; e 3.8 A última coluna da "Planilha de Diferenças do PIS" de fl. 66, "Diferenças a Recolher", demonstra os valores sujeitos à cobrança por meio de auto de infração, num total de R$ 7.796,23. 4. Os dispositivos legais infringidos constam da "Descrição dos fatos e enquadramento legal", de fl. 79 do referido Auto de Infração. 5. Cientificada em 24/03/2004 (fl. 76), a Interessada ingressou, em 23/04/2004, com a impugnação de fls. 82/87, na qual alega, em síntese, que: 5.1 Efetuará nesta data o pagamento dos valores apontados nos item 1 do Auto de Infração, valores esses correspondentes às competências de janeiro e fevereiro de 2000 e fevereiro e março de 2001, os quais não serão objeto da presente impugnação; 5.2 A autuação exige a Contribuição para o PIS nos termos da Lei n° 9.718/98, que aumentou a base de cálculo da contribuição. A exigibilidade deste crédito esteve suspensa até 17/12/2003, em razão de concessão de medida liminar e posterior sentença concessiva de segurança, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0192955 da 18ª VF/SP, ação esta que ainda não obteve desfecho; 5.3 A matéria discutida nos autos do mandado de segurança não é objeto da impugnação ora apresentada, não havendo que se falar, portanto, em renúncia à discussão na esfera administrativa; 5.4 Conquanto tenha a Fiscalização juntado a ementa do julgamento do processo em segunda instância, desfavorável à Impugnante, este julgamento ainda não é definitivo, haja vista terem sido opostos embargos de declaração, ante a existência de vícios no julgado; 5.5 O resultado dos embargos de declaração passará a integrar o julgado, e mesmo a delimitarlhe, podendo interferir no montante do suposto débito tributário; 5.6 Com a possibilidade de recursos Especial e Extraordinário aos Tribunais superiores, o julgamento do TRF ainda poderá ser revertido, motivo pelo qual cabe à Administração evitar que suas Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 decisões conflitem com as proferidas pelos órgãos do Poder Judiciário; 5.7 Nos termos da medida liminar concedida e da sentença recentemente reformada, estava a Impugnante autorizada a efetuar o recolhimento da Contribuição para o PIS nos moldes da legislação anterior, vale dizer, com aplicação da alíquota sobre seu faturamento, desconsideradas as receitas financeiras; 5.8 Está sendo indevidamente aplicada multa de oficio no percentual de 75%, quando a hipótese, em razão da inexistência de decisão transitada em julgado nos autos do mandado de segurança em referência, é de multa moratória, no percentual de 20%; 5.9 Esse entendimento é corroborado pela CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS (CSRF), que se firmou no sentido de ser descabida a exigência de multa de oficio sobre impostos cuja exigibilidade tenha sido suspensa por decisão judicial, mesmo quando essa decisão não prevaleça à época do lançamento (transcreve ementa e trecho do Acórdão CSRF n.° 0104.414); 5.10 No mesmo sentido, é a orientação do 1° Conselho de Contribuintes (transcreve ementa do Acórdão do Recurso Voluntário n° 136601, Processo n° 13808.000868/9834, 7ª Câmara, Relator José Clóvis Alves); 5.11 Pelos argumentos acima expostos e com base na jurisprudência das Cortes Administrativas Federais, o Auto de Infração ora contestado não pode prosperar. 6. Por fim requer: 6.1 O sobrestamento deste processo até decisão final do Poder Judiciário sobre o Mandado de Segurança n° 1999.61.00.0192955 da 18a VF/SP, com o fito de se evitar decisões conflitantes na esfera judicial e administrativa; 6.2 Caso assim não se entenda, seja o lançamento julgado improcedente, reconhecendose a insubsistência da exigência fiscal, com o seu integral cancelamento, por falta de liquidez e certeza do débito exigido, seja em razão da inexistência de decisão transitada em julgado nos autos do referido Mandado de Segurança, seja devido à aplicação da multa de 75%, incabível no presente caso; e 6.3 Caso se mantenha a autuação, seja determinada a retificação do Auto de Infração, excluindose a aplicação da multa de oficio no percentual de 75%, aplicandose a multa moratória no percentual de 20%. 7. Foram por mim anexadas, às fls. 129/154, pesquisas efetuadas nos sítios da Justiça Federal/SP (fls. 129/133), do TRF3a Região (fls. 134/142), do STJ (fls. 143/153) e do STF (fl. 154). Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 28/09/2007, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Rio de Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000669/200461 Acórdão n.º 320100.866 S3C2T1 Fl. 528 5 Janeiro II (RJ) julgou improcedente a impugnação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 13 17.366 (fls. 155/169): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/07/2000, 01/09/2000 a 31/12/2000, 01/04/2001 a 30/04/2001, 01/06/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 31/03/2002 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITOS. Os embargos de declaração apresentados em face de acórdão que denegou segurança não têm efeitos de impedir a prática do ato administrativo questionado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/1999, 01/03/2000 a 31/07/2000, 01/09/2000 a 31/12/2000, 01/04/2001 a 30/04/2001, 01/06/2001 a 30/09/2001, 01/11/2001 a 31/03/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO EXIGÍVEL. INAPLICABILIDADE DO ART. 63 DA LEI N° 9.430/1996. Sendo o crédito tributário , no momento do lançamento, plenamente exigível, não é de se aplicar o disposto no art. 63 da Lei n° 9.430/1996, ainda que, anteriormente, tenha havido, para aquele crédito tributário, qualquer medida judicial suspendendo a sua exigibilidade. MULTA DE OFÍCIO. EXIGIBILIDADE. No caso de lançamento de ofício oriundo da falta ou insuficiência de recolhimento de tributo, é exigível a multa de oficio, por expressa determinação legal. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. O percentual da penalidade aplicável no caso de lançamento de oficio oriundo da falta ou insuficiência de recolhimento de tributo é o previsto no art. 44, inciso I, da lei n° 9.430/1996. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE. RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO. Aplicase a multa moratória na forma prevista no art. 61, da Lei n° 9.430/1996, somente no caso de recolhimento espontâneo de tributo, efetuado depois de decorrido o prazo legalmente previsto para o seu recolhimento. Lançamento Procedente A Recorrente foi cientificada do teor da decisão supra por meio da Intimação n° COB/30/1920/08/LAC (fls. 195/196), em 28/11/2008 (fl. 197), tendo protocolado seu recurso voluntário em 29/12/2008 (fl. 198/204), que, em síntese, reitera os argumentos da sua impugnação (fls. 82/87). Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño A cerne da divergência entre o recurso voluntário e a decisão recorrida é a situação do crédito tributário no momento em que houve a lavratura do auto de infração que originou o presente contencioso, i.e., se o mesmo estava com a exigibilidade suspensa ou não. A despeito da questão de mérito acima identificada e embora o recurso voluntário seja tempestivo, há concomitância entre o seu objeto e o objeto do Mandado de Segurança nº 1999.61.00.0192955, que ainda não teve decisão final transitada em julgado. Segundo o andamento abaixo, o processo judicial encontrase no Supremo Tribunal Federal, em fase recursal. O Recurso Extraordinário nº 526.640 está sobrestado até a decisão final a ser proferida no leading case em que foi reconhecida a repercussão geral do tema, a saber: o Recurso Extraordinário nº 527.602. Vejamos: Constatada a concomitância, é de se aplicar a Súmula CARF nº 1, segundo a qual importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.000669/200461 Acórdão n.º 320100.866 S3C2T1 Fl. 529 7 mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Uma vez que o lançamento não foi realizado para prevenir decadência, nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430 de 1996, a Recorrente deveria ter adotado uma das três alternativas para não ser autuado da forma como aconteceu, a saber: a) realização de depósito judicial nos termos do art. 151, II, do Código Tributário Nacional; b) realização de parcelamento nos termos do art. 151, VI, do Código Tributário Nacional; c) realização de pagamento do principal, multa e juros de mora em até trinta dias a contar da publicação da decisão que reverteu a segurança concedida, nos termos do art. 63, § 2º, da Lei nº 9.430 de 1996. Como a Recorrente ignorou as alternativas acima na época oportuna, o valor em discussão passou a ser o do auto de infração. De qualquer modo, poderá ainda adotar as alternativas expostas. Dependendo da alternativa eleita, a vitória na esfera judicial permitirá à Recorrente pleitear a repetição do indébito, total ou parcial, ou ainda levantar os depósitos realizados. Seja como for, NÃO CONHEÇO o recurso voluntário em razão da concomitância. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 28/01/2012 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 03/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002602/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 09 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007
RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS.
AFASTAMENTO.
Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do
CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios.
IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO
FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO,
ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO.
Por força do art. 26-A
do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo
administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a
aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto,
sob fundamento de inconstitucionalidade.
SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO
IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. VERBAS INDENIZATÓRIAS.
AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL.
O pagamento do auxílio-alimentação
não sofre a incidência da contribuição
previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador
inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Não há
incidência de contribuição social previdenciária sobre verbas indenizatórias,
posto que não compõem a base de remuneração do trabalhador.Recurso
Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-002.581
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar
provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que vota em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional; b) em dar provimento parcial ao recurso, na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão.
Nome do relator: Mauro Jose Silva
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26-A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. VERBAS INDENIZATÓRIAS. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. O pagamento do auxílio-alimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Não há incidência de contribuição social previdenciária sobre verbas indenizatórias, posto que não compõem a base de remuneração do trabalhador.Recurso Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que vota em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de co-responsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional; b) em dar provimento parcial ao recurso, na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 20; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2121; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 177 1 176 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10865.002602/200841 Recurso nº 514027 Voluntário Acórdão nº 230102.581 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de fevereiro de 2012 Matéria CONT. PREV. BATIMENTO FP E GFIP Recorrente MG COMÉRCIO SERVIÇOS E REPRESENT LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2007 RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. AFASTAMENTO. Sem que haja a configuração nos autos dos requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN, não pode prevalecer a responsabilização dos sócios. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO DE ARGUMENTO FUNDADO EM INCONSTITUCIONALIDADE DE TRATADO, ACORDO INTERNACIONAL, LEI OU DECRETO. Por força do art. 26A do Decreto 70.235/72, no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. SALÁRIO INDIRETO. AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO. PAGAMENTO IN NATURA. SEM ADESÃO AO PAT. VERBAS INDENIZATÓRIAS. AUSÊNCIA DE NATUREZA SALARIAL. O pagamento do auxílioalimentação não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. Não há incidência de contribuição social previdenciária sobre verbas indenizatórias, posto que não compõem a base de remuneração do trabalhador.Recurso Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nas preliminares, para afastar a responsabilidade dos listados no CORESP, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira que vota em dar provimento parcial para deixar claro que o rol de coresponsáveis é apenas uma relação indicativa de representantes legais arrolados pelo Fisco, já que, posteriormente, poderá servir de consulta para a Procuradoria da Fazenda Nacional; b) em dar provimento parcial ao recurso, na questão do auxílio alimentação, nos termos do voto do Redator Designado. Vencidos os Conselheiros Mauro José Silva e Marcelo Oliveira, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002602/200841 Acórdão n.º 230102.581 S2C3T1 Fl. 178 3 Relatório Tratase de Lançamento por meio de Auto de Infração, lavrado em 08/08/2008, por ter a empresa acima identificada, segundo Relatório Fiscal da Infração, fls. 33/34, deixado de recolher contribuições previdenciárias dos empregados sobre diferenças apuradas na comparação entre folhas de pagamento e GFIP, nas competências 12/2003 a 12/2007, tendo resultado na constituição de crédito tributário de R$ 19.551,72. Após tomar ciência pessoal da autuação em 11/08/2008, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação, fls. 40/74, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 9ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto, no Acórdão de fls. 111/117, julgou o lançamento , tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 14/04/2009, fls. 120. O recurso voluntário, apresentado em 11/05/2009, fls. 124/150, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Solicita a exclusão dos diretores como coresponsáveis por entender que não foram atendidos os requisitos dos arts. 134 e 135 do CTN. Sustenta a nulidade do lançamento, tendo em vista que não houve uma adequada motivação e descrição dos fatos geradores. Informa que a exigência tributária tem por base recusa ilegal do enquadramento no SIMPLES e que há exigência em duplicidade, tendo em vista que recolheu o DARFSIMPLES. Tece considerações sobre cessão de mão de obra e utilidade alimentação. Afirma que a multa aplicada tem efeito confiscatório, não podendo prevalecer pois contraria o art. 150, inciso IV da Constituição Federal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Vencido Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Exclusão dos diretores do anexo “CORESP” Em suas razões recursais o contribuinte tece considerações defendendo a exclusão dos sóciosgerentes da empresa da lista de ‘coresponsáveis’. E, no meu sentir, tem razão a empresa recorrente. É que, uma vez arrolados os sóciosgerentes da empresa na anexa lista, o documento terá como escopo a garantia de inclusão das pessoas nele indicadas no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal. Portanto não se trata de uma simples lista de todas as “pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo”, como defendido pela Fazenda. Além do aspecto formal, a questão também deve ser analisada sob a perspectiva dos efeitos práticos e imediatos na vida dos contribuintes. E o prejuízo é patente, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado será de pronto inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os coresponsáveis listados na relação anexa a NFLD, sem que haja uma única oportunidade concreta de defesa. Não é demais falar que no caso da pessoa jurídica, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. Contudo, a lei prevê que, como exceção à regra geral, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. Nesse sentido, dispõe o inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional que: “Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – (...) II – (...) III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado.” Fl. 185DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002602/200841 Acórdão n.º 230102.581 S2C3T1 Fl. 179 5 Desta forma, diante do referido comando, a responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sóciogerente responsável ou para o representante legal capaz. Além disso, somente poderá acontecer quando houver prova que praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo. Encerrado o processo administrativo com a confirmação da procedência da dívida e não havendo pagamento, será emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos sóciosgerentes ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais somente aceitam a citação dos coresponsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e apenas nessa hipótese poderá constar o nome do coresponsável. Isso porque partese do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do sóciogerente ou do representante nela incluído, presumirseá, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluído. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, até a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620/93, o chamamento dos coresponsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art. 135 do CTN. Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça, tem farta jurisprudência determinando que se o nome do coresponsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao coresponsável apenas via embargos à execução (cuja oposição é imprescindível a penhora), fazer contraprova à sua condição de sujeito passivo, inclusive com a inversão do ônus da prova para pessoa do sócio ou do diretor arrolado na Certidão. Nesse sentido colhese a seguinte decisão ementada: “PROCESSUAL CIVIL – AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO – SÚMULA 211/STJ – NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA – REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO CUJO NOME CONSTA NA CDA – POSSIBILIDADE. 1. Descumprido o necessário e indispensável exame dos artigos pelo acórdão recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 211/STJ. 2. A Primeira Seção, no julgamento dos EREsp 702.232/RS, de relatoria do Min. Castro Meira, assentou que, se a execução fiscal foi promovida contra a pessoa jurídica e o sóciogerente ou se a execução foi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, compete ao sócio o ônus da prova de demonstrar que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN, em face da presunção juris tantum de liquidez e certeza da referida certidão. 3. Na hipótese dos autos, a Certidão de Dívida Ativa, conforme verificado pelo Tribunal de origem, incluiu o sócio como Fl. 186DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 6 corresponsável tributário, cabendo à executada o ônus de provar os requisitos do art. 135 do CTN. Agravo regimental improvido.” (AgRg nos EDcl no Ag 1162734/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 05/11/2009, DJe 17/11/2009) Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do coresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no pólo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Resta claro o prejuízo para as pessoas arroladas como responsáveis com a sua inclusão na relação anexa ao presente lançamento, independentemente da prática de qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, pois a relação servirá de base para uma futura inscrição do débito em dívida ativa. Feitas essas considerações, acato esta preliminar a fim de afastar a co responsabilidade dos sóciosgerentes listados no CORESP. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo Fl. 187DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002602/200841 Acórdão n.º 230102.581 S2C3T1 Fl. 180 7 integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do lançamento. Ressaltamos que os argumentos sobre auxílio alimentação e cessão de mão de obra são impertinentes ao caso, visto que aqui tratamos apenas de diferenças entre folha de pagamento e GFIP. Igualmente inaplicáveis os argumentos sobre o SIMPLES, uma vez que o lançamento diz respeito às contribuições dos empregados e não da empresa. Inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” Fl. 188DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 8 Acatando tais imposições constitucionais e legais, o Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais insiste na referida vedação, bem como já foi editada Súmula do Colegiado sobre o assunto, conforme podemos conferir a seguir: “Portaria MF nº 256, de 23 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF): Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF Nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Portanto, deixamos de apreciar todos os argumentos da recorrente fundados em discussão sobre constitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto. Auxílio alimentação. Necessidade de inscrição no PAT. Conforme previsto no caput do art. 458 da CLT, a alimentação fornecida ao trabalhador está compreendida no conceito de salário. Apesar do dispositivo legal suscitar poucas dúvidas, temos que acrescentar que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já editou a Súmula 241 sobre o assunto, in verbis: Súmula Nº 241 do TST SALÁRIOUTILIDADE. ALIMENTAÇÃO O vale para refeição, fornecido por força do contrato de trabalho, tem caráter salarial, integrando a remuneração do empregado, para todos os efeitos legais. Estando compreendida no conceito de salário, é verba que está no campo de incidência da contribuição previdenciária. No entanto, quis o legislador, no art. 28, §9º, alínea “c” instituir uma isenção para a alimentação concedida in natura, ou seja, para a alimentação fornecida pela própria empresa. Como requisito para o gozo da isenção, foi estabelecido que a parcela in natura seja “recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. A referida Lei, em seu art. 3º, traz texto similar à Lei 8.212/91, conforme segue: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga in natura , pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. Vêse, pois, que a exigência de que a alimentação fornecida in natura esteja de acordo com programa de alimentação aprovado pelo Ministério do trabalho tem dupla Fl. 189DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002602/200841 Acórdão n.º 230102.581 S2C3T1 Fl. 181 9 previsão legal. Tal constatação, por si só, já seria suficiente para afastarmos qualquer possibilidade de afastarmos, na aplicação da lei, a exigência de tal requisito para o reconhecimento da isenção. No entanto, a título argumentativo, compulsamos a legislação do Ministério do Trabalho que trata do assunto para verificarmos quais as exigências do referido programa, de modo a concluirmos se seriam exigências que atendem ao princípio da proporcionalidade. No art 1º da Portaria 03/2002 há a previsão de que o Programa de Alimentação do Trabalhador “tem por objetivo a melhoria da situação nutricional dos trabalhadores, visando a promover sua saúde e prevenir as doenças profissionais.”. Notase, portanto, que a regulamentação do PAT traz em si uma preocupação com o bem estar dos trabalhadores. Nesse sentido, o art 5º da mesma Portaria estabelece critérios para garantir que o trabalhador receba uma alimentação saudável, com respeito aos alimentos regionais e ao significado socioeconômico e cultural dos vários alimentos. Prossegue a norma infralegal com preocupações sobre os macronutrientes que devem estar contidos em cada uma das refeições do dia. Quanto às formalidades necessárias para adesão ao PAT, não vislumbramos serem demasiadamente excessivas de modo a, consideradas as finalidades de interesse público do PAT, ferirem a proporcionalidade. A necessidade de obediência ao PAT, portanto, é uma exigência legal para o benefício da isenção que tem objetivo proteger o trabalhador, evitando que o empregador forneça alimentação inadequada para sua saúde e bem estar, e que foi regulada atendendo ao princípio da proporcionalidade. Desconsiderar a adesão ao PAT, além de afrontar o texto legal, é operar em desfavor do trabalhador na medida em que implicaria afastar norma que tenta preservar sua saúde. A par disso, não ignoramos que o STJ tem jurisprudência que afasta a incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação in natura, estando ou não a empresa vinculada ao PAT. No entanto, ao analisarmos os vários Acórdãos nesse sentido, observamos, mais uma vez, um encadeamento de referências a precedentes que acabam por tomar como leading case o RESP 85.306DF de 1996 com a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA POR EMPRESA.PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR (PAT). NATUREZA NÃO SALARIAL. REEXAME DE PROVAS. IMPOSSIBILIDADE PELA VIA ELEITA DO ESPECIAL. I AFIGURASE ESCORREITO O V. ACÓRDÃO VERGASTADO AO DECIDIR QUE A ALIMENTAÇÃO PAGA, ESTEJA O EMPREGADOR INSCRITO OU NÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR (PAT), NÃO E SALÁRIO "IN NATURA", NÃO E SALÁRIO UTILIDADE, POR ISSO QUE NÃO PODE, NUM OU NOUTRO CASO, HAVER INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ADEMAIS, NÃO E O RECURSO ESPECIAL O MEIO HABIL PARA REEXAMINAR PROVAS. II RECURSO NÃO CONHECIDO. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 10 Indo além da ementa, o voto condutor do leading case assumiu as conclusões do Parecer do Ministério Público Federal que fez considerações sobre a alimentação fornecida de maneira não gratuita aos funcionários de uma empresa. Ora, é fora de dúvidas que se o trabalhador paga pela alimentação que recebe, não podemos cogitar que isso seja salário. Não sendo salário, não seria mesmo necessário cogitar da inscrição ou não no PAT, pois não faz parte do campo de incidência da contribuição previdenciária. Mas veja que o leading case, tantas vezes repetido no STJ, tratava de uma situação específica de alimentação paga pelo trabalhador e não pela empresa em benefício do trabalhador. Apesar disso, a partir de tal Acórdão foram se multiplicando os Acórdãos que tomavam tal decisum como precedente para, em situação diversa, não exigir o registro no PAT em casos de alimentação in natura fornecidas gratuitamente ao trabalhador. Escapando da reiterada confusão, o RESP 476.194 fez uma clara distinção da situação para a qual não se exige o PAT: REsp 476194 / PR TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR NÃO INSCRITO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. FORNECIMENTO DE REFEIÇÕES DECORRENTE DE CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. NÃO INCIDÊNCIA. TAXA SELIC. 1. Empresa não cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador não faz jus aos benefícios fiscais previstos na Lei 6.321/76, que exclui o custo da alimentação fornecida pelo empregador da parcela incorporada ao salário para fins de contribuição previdenciária. 2. Fornecida a alimentação pelo empregador não inscrito no PAT e havendo desconto do salário do empregado que a usufrui, para cobrir custos dos alimentos auferidos, não se caracteriza como salário in natura, e, por isso, como salário de contribuição para a receita da seguridade. Por outro lado, não sendo integral o pagamento da refeição, fica caracterizada como parcela salarial a diferença do que foi pago, integrando este excedente a base de cálculo da contribuição previdenciária. 3. É pacífico na jurisprudência da Corte o entendimento segundo o qual é legítima a incidência, tanto na cobrança de dívida fiscal,quanto na repetição de indébito tributário, da Taxa SELIC. 4. Recurso especial a que se nega provimento. Lamentavelmente, o Acórdão acima não prevaleceu, tendo sido objeto de Embargos de divergência que acabaram por retomar o conteúdo da jurisprudência reiterada que não exige a inscrição no PAT. De nossa parte, com a devida vênia, assinalamos que a repetida jurisprudência do STJ que dispensa a vinculação ao PAT em qualquer caso está amparada em premissa específica que não permitiria sua aplicação genérica como vem sendo feita. Assim, nossa posição é, seguindo a expressa determinação legal, no sentido de exigir a inscrição no PAT como requisito para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. A propósito, não desconhecemos o teor do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 que concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às Fl. 191DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002602/200841 Acórdão n.º 230102.581 S2C3T1 Fl. 182 11 ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílio alimentação não há incidência de contribuição previdenciária. No entanto, aquele parecer não vincula as decisões deste Colegiado, pois o §5º do art. 19 da lei 10.522/2002 não trata de decisões do CARF, mas apenas prevê a revisão de ofício para os créditos tributários já constituídos a ser feita pela autoridade lançadora. Ademais, o parecer não diz respeito ao direito material e sim ao desinteresse da União em insistir com recursos que, mantido o estado atual da jurisprudência, não teriam êxito, o que, fora de dúvida, diz respeito ao direito processual tributário. Pelas razões acima aventadas, continuamos com o resultado da interpretação da legislação, no campo do direito material tributário, que conclui pela necessidade da inscrição no PAT para desfrutar da isenção em relação à alimentação in natura. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: • lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores esta; • lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 12 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002602/200841 Acórdão n.º 230102.581 S2C3T1 Fl. 183 13 O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 14 Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao Fl. 195DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002602/200841 Acórdão n.º 230102.581 S2C3T1 Fl. 184 15 atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Efeito confiscatório da multa de ofício Em relação ao argumento despendido pela recorrente em relação ao elevado valor da multa, que no seu entender configuraria agressão ao princípio constitucional da vedação ao confisco (artigo 150, inciso IV, da Constituição Federa), devese esclarecer que, sendo o Conselho de Contribuintes órgãos do Poder Executivo, não lhe compete apreciar a conformidade de lei validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal, a ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. Ademais, o art 62 do Regimento Interno deste Colegiado, Portaria MF nº 256/2009, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar Fl. 196DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 16 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por fim, sabendose que o art. 72 da Portaria MF 256/2006 tornou obrigatória a observância por parte dos membros do CARF das súmulas do colegiado e que o assunto é objeto da Súmula CARF nº 2 a seguir transcrita, não é possível apreciarmos o pedido da recorrente referente ao efeito confiscatório da multa de ofício que está prevista em diploma legal que está validamente surtindo efeitos no ordenamento jurídico pátrio. “Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Súmulas 2 do 1º e 2º CC” Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário de modo: (a) afastar a responsabilidade dos sócios listados no anexo CORESP; (b) afastar a multa de mora. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 197DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002602/200841 Acórdão n.º 230102.581 S2C3T1 Fl. 185 17 Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes – Redator Designado 1. No tocante ao auxilio alimentação pago aos empregados segurados da empresa entendo que tal rubrica não sofre a incidência de contribuição previdenciária, haja vista a ausência de sua natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no PAT. 2. Nesse mesmo sentido, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílio alimentação não sofre a incidência de contribuição previdenciária por não constituir natureza salarial, esteja o empregados inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador – PAT. (Precedentes: EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006). 3. Ademais é oportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando seu papel social ao fornecerem refeições e lanches a segurados a seu serviço, notadamente para aqueles de menor renda. Dessa forma, considero que cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. 4. Abaixo, recente julgado da Primeira Turma deste Colendo Tribunal, in verbis: “TRIBUTÁRIO E ADMINISTRATIVO. VALEALIMENTAÇÃO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. NÃOINCIDÊNCIA. 1. O valor concedido pelo empregador a título de vale alimentação não se sujeita à contribuição previdenciária, mesmo nas hipóteses em que o referido benefício é pago em dinheiro. 2. A exegese hodierna, consoante a jurisprudência desta Corte e da Excelsa Corte, assenta que o contribuinte é sujeito de direito, e não mais objeto de tributação. 3. O Supremo Tribunal Federal, em situação análoga, concluiu pela inconstitucionalidade da incidência de contribuição previdenciária sobre o valor pago em espécie sobre o vale transporte do trabalhador, mercê de o benefício ostentar nítido caráter indenizatório. (STF RE 478.410/SP, Rel. Min. Eros Grau, Tribunal Pleno, julgado em 10.03.2010, DJe 14.05.2010) 4. Mutatis mutandis, a empresa oferece o ticket refeição antecipadamente para que o trabalhador se alimente antes e ir ao trabalho, e não como uma base integrativa do salário, porquanto este é decorrente do vínculo laboral do trabalhador Fl. 198DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 18 com o seu empregador, e é pago como contraprestação pelo trabalho efetivado. 5. É que: (a) ‘o pagamento in natura do auxílioalimentação, vale dizer, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito, ou não, no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, ou decorra o pagamento de acordo ou convenção coletiva de trabalho’ (REsp 1.180.562/RJ (grifo nosso) (...) 5. Recurso especial provido.” (STJ REsp 1185685/SP, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, Rel. p/ Acórdão Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/12/2010, DJe 10/05/2011) (g.n.) 6. Salientase, ainda, que para firmar esse entendimento fazse mister a referência de acórdão cuja relatoria é do Ministro José Delgado que tratou da matéria em questão, conforme ementa abaixo transcrita: “TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. REFEIÇÃO REALIZADA NAS DEPENDÊNCIAS DA EMPRESA. NÃOINCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. DÉBITOS PARA COM A SEGURIDADE SOCIAL PRESUNÇÃO DE CERTEZA E LIQUIDEZ DA CERTIDÃO DA DÍVIDA ATIVA. PRECEDENTES. 1. Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 4ª Região segundo o qual: a) o simples inadimplemento da obrigação tributária não constitui infração à lei capaz de ensejar a responsabilidade solidária dos sócios; b) o auxílioalimentação fornecido pela empresa não sofre a incidência de contribuição previdenciária, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Em seu apelo, o INSS aponta negativa de vigência dos artigos 135 e 202, do CTN, 2º, § 5º, I e IV, 3º da Lei 6.830/80, 28, § 9º, da Lei n. 8.212/91 e divergência jurisprudencial. Sustenta, em síntese, que: a) a) o ônus da prova acerca da não ocorrência da responsabilidade tributária será do sócio executado, tendo em vista a presunção de legitimidade e certeza da certidão da dívida ativa; b) é pacífico o entendimento no STJ de que o auxílioalimentação, caso seja pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, é salário e sofre a incidência de contribuição previdenciária. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10865.002602/200841 Acórdão n.º 230102.581 S2C3T1 Fl. 186 19 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. Precedentes. EREsp 603.509/CE, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 08/11/2004, REsp 719.714/PR, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 24/04/2006. 3. Constando o nome do sóciogerente na certidão de dívida ativa e tendo ele tido pleno conhecimento do procedimento administrativo e da execução fiscal, responde solidariamente pelos débitos fiscais, salvo se provar a inexistência de qualquer vínculo com a obrigação. 4. Presunção de certeza e liquidez da certidão da dívida ativa. Ônus da prova da isenção de responsabilidade que cabe ao sóciogerente.Precedentes: EREsp 702.232/RS, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 26/09/2005; EREsp 635.858/RS, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 02/04/2007. 5. Recurso especial parcialmente provido.” (REsp 977.238/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 13.11.2007, DJ 29.11.2007 p. 257) (g.n.) 7. Inclusive, cumpre ressaltar que a argumentação da Fazenda Nacional nos autos acima (REsp 977.238/RS) era de que o auxilio alimentação, pago em espécie e sem inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT), possuía natureza salarial sendo, portanto, passível de recolhimento de tributo. No entanto, sua sustentação não foi provida em razão da orientação jurisprudencial pacífica do STJ em sentido contrário, qual seja não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de auxilio alimentação. 8. Digase, também, pelo que se indica nestes casos, que a concessão da alimentação é desvinculada do salário por força da própria Lei nº 8.212/91 que determina a não integração do saláriodecontribuição às importâncias recebidas a título de ganhos expressamente desvinculados do salário (art. 28, §9º, letra “e”, número 7). 9. Não é inoportuno dizer que as empresas, na verdade, estão desempenhando enorme papel social ao fornecerem alimentação a seus trabalhadores, notadamente para aqueles de menor renda. É dizer, cobrar contribuições sociais sobre o fornecimento próprio de alimentação é penalizar as empresas e desestimular a colaboração da sociedade na saúde do trabalhador. CONCLUSAO Fl. 200DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA 20 10. Por todo exposto, conheço do recurso, para no mérito, DARLHE PROVIMENTO para excluir da base de cálculo das contribuições sociais previdenciárias, os valores pagos a título de auxílio alimentação, por considerar que estes possuem caráter indenizatório, independente de inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Fl. 201DF CARF MF Impresso em 24/07/2012 por LUZILMAR XIMENES MESQUITA MATOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 19/06/2012 por MAURO JOSE SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003803/2004-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração:01/10/2003 a 31/12/2003
TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO.
Os valores correspondentes às transferências de ICMS não são base de cálculo do PIS, pois não constituem receita.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3201-000.842
Decisão: Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara
/ 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário
Nome do relator: LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração:01/10/2003 a 31/12/2003 TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO. PIS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA DE ICMS. IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO. Os valores correspondentes às transferências de ICMS não são base de cálculo do PIS, pois não constituem receita. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, ACORDAM os membros da 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso voluntário. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAES Relator. EDITADO EM: 10/02/2012 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorin, Daniel Mariz Gudiño, Judith do Amaral Marcondes Armando, Adriene Maria de Miranda Veras. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 2 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Trata o presente processo dos Créditos da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo—exportação do período 01/10/2003 a 31/12/2003, de cujo saldo a contribuinte pretende ser ressarcida conforme Pedidos de Ressarcimento e/ou Declarações de Compensação apresentados. 2. Efetivada ação fiscal conforme Relatório, constatou a fiscalização que a interessada não incluía entre as receitas da base de cálculo do PIS não cumulativo as receitas decorrentes da cessão de créditos de ICMs a terceiros. Esta prática, no entanto, não repercutiu na pretensão da contribuinte já que a mesma impetrou Mandado de Segurança visando não incluir na base de cálculos das contribuições tais receitas. Desta forma, foi lavrado auto de infração constituindo os créditos tributários referentes à contribuição social incidente sobre as receitas de transferência de ICMS a terceiros no período de 12/2002 a 12/2004, com exigibilidade suspensa. 3. Outra irregularidade apontada foi a de que o crédito Presumido de IPI para ressarcimento de PIS e de Cofins incidentes sobre insumos utilizados na fabricação de produtos destinados ao mercado externo não foi considerado para fins de apuração da base de cálculo do PIS não cumulativo. Foi então calculado corretamente o valor do PIS — não cumulativo sobre tais receitas, acarretando a diminuição do valor do crédito, resultando em ressarcimento/compensação em valor menor do que o pleiteado, conforme consta do Despacho Decisório da DRF em Novo Hamburgo. 4. Tempestivamente a interessada apresentou manifestação de inconformidade, reclamando da inclusão na base de cálculo do valor da transferência para terceiros do ICMS. Também manifestouse contrária à inclusão da receita do ressarcimento do IPI, alegando que a legislação permite ao contribuinte o ressarcimento do PIS/COFINS através de crédito Presumido de IPI sobre aquisições no mercado interno de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados na fabricação de produtos exportados ou destinados à empresa comercial exportadora. O benefício foi criado para incrementar a exportação, tornando mais atraente no mercado externo o produto brasileiro, já que neutralizaria o efeito cumulativo do PIS e da Cofins. Considera que o valor ressarcido na forma de crédito do IPI assemelhase à verdadeira recuperação de custos e não espécie de receita. Entende que a Lei n° 9.363, de 1996, pretendeu a não inclusão na base de cálculo das contribuições dos valores tidos como recuperação de custos, transcrevendo a exposição de motivos do projeto da Medida Provisória que posteriormente foi convertida na Lei n° 9.363. Argumenta que, mesmo se entendido como receita, seria proveniente de exportação, e como tal, desonerada de tributação. Considera que o inciso I, § 2° do artigo 149 da Constituição Federal Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 11065.003803/200410 Acórdão n.º 3201000.842 S3C2T1 Fl. 397 3 introduzido pela Emenda Constitucional n° 33, de 11 de dezembro de 2001, teria sido explícito neste aspecto. Pleiteia reforma do Despacho Decisório para o fim de reconhecer o direito ao ressarcimento integral dos valores pleiteados. Na decisão de primeira instância, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS indeferiu o pleito da recorrente, conforme Decisão DRJ/POA n.º 11.390, de 15/03/2007, fls. 88/92: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração:01/10/2003 a 31/12/2003 Ementa: BASE DE CÁLCULO PIS/COFINS— NÃO CUMULATIVO O crédito presumido do IPI, uma vez abrangido pelo conceito de receita, e não tendo sido expressamente contemplado pelas hipóteses de exclusão e isenção, compõe a base de cálculo da contribuição (Lei n° 9.718, de 1998, arts. 2° e 3°; Lei n° 9.715, de 1998, art. 8°, I; Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, art. 14; Instrução Normativa SRF n° 146, de 2002). Solicitação Indeferida. Em face da decisão, o contribuinte é intimado às fls. 94 e interpõe recurso voluntário de fls. 92/110. Após, foi dado seguimento ao recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Lopes de Almeida Moraes O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade. O processo discute o lançamento de PIS sobre as transferências de crédito de ICMS. Entendo que tal parcela não deve ser tributada pelo PIS. O crédito de ICMS não pode, em nenhuma hipótese, ser considerado como receita. As empresas, ao adquirirem matériaprima, material secundário e de embalagem, não consideram o valor do ICMS como despesa, mas sim como uma conta transitória em seu ativo, cujo valor será, ao final de cada período de apuração, abatido dos débitos pelas saídas, e, em havendo saldo credor, este se transferirá para o período ou períodos seguintes. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 4 Citamos como exemplo a aquisição de matériaprima no valor de R$ 1.000,00, cuja alíquota de ICMS é de 17%, sendo destacado na nota fiscal o ICMS no valor de R$ 170,00. Contabilmente a empresa lançará como custo da matéria prima adquirida o valor de R$ 830,00 (1.000,00 – 170,00), sendo que o valor do ICMS será lançado no ativo circulante como ICMS a Recuperar. Supondose que esta seja a única operação do período e considerandose que as saídas todas foram imunes em razão da exportação, a empresa apresenta no final do período um saldo credor de R$ 170,00. No período seguinte a empresa efetua a transferência deste saldo credor a outro contribuinte do estado, atendidas as normas vigentes para dita transferência. Esta operação, normalmente utilizada para pagamento na compra de matéria prima, é que a Receita Federal está considerando como receita e pretende que seja incluída na base de calculo do PIS e da COFINS. Dito valor não é receita, porque nunca foi despesa ou custo, é um crédito que nunca transitou pelas contas de resultado. Não há ingresso de valor na empresa, pois o valor do crédito de ICMS, que veio embutido no preço de aquisição da matériaprima, foi um “adiantamento” efetuado pela pessoa jurídica que, pela legislação vigente, poderá ser utilizado em determinadas condições. Quando transfere seus créditos para fornecedores, na forma da lei, a autora usa aqueles como 'moeda' de pagamento do débito que possui. Deixa de retirar dinheiro do caixa ou do banco, e transfere seus direitos, quitando conta que possuía frente ao fornecedor. Não há ingresso de dinheiro novo, pois o tributo recuperado passa para o caixa da mesma forma como se ela tivesse sido ressarcida do benefício/crédito pelo fisco. Mesmo que não adentrássemos no mérito contábil do tema, o crédito de ICMS decorrente da aquisição de insumos também não pode ser considerado como receita, pois este é apenas uma mera escrituração, não havendo qualquer ingresso material de recursos na autora, apenas o lançamento contábil e a respectiva escrituração nos livros fiscais, com vistas a compensar eventuais débitos decorrentes da saída de mercadorias tributadas por aquele imposto. Apesar de desnecessário, a própria Lei nº 10.833/2003 estabeleceu que créditos de tributos não são considerados como receita: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 10. O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo não constitui receita bruta da pessoa jurídica, servindo somente para dedução do valor devido da contribuição. (...) Outro fator relevante reside no fato de que a transferência de créditos de ICMS para compra de insumos, por exemplo, não traduz ingresso de receita nova na empresa, Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE Processo nº 11065.003803/200410 Acórdão n.º 3201000.842 S3C2T1 Fl. 398 5 mas mera cessão de crédito, um escambo, onde ocorre apenas a troca de uma moeda escritural por matéria prima. O que se verifica, ao fim e ao cabo, é que a transferência de saldo credor de ICMS não pode ser tomada como hipótese de incidência do PIS e COFINS, pois não são classificados como receita. Não é outro o entendimento expedido pela Coordenação Geral de Tributação, na solução de divergência COSIT n.º 20, de 12 de novembro de 2003, onde expressamente se manifestou no sentido de que a repetição de indébito não é fato gerador do PIS e da COFINS, como vemos: ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: Tributação do valor restituído. Aspecto material das hipóteses de incidência. Os valores restituídos a título de tributo pago indevidamente serão tributados pelo IRPJ e pela CSLL, somente se, em períodos anteriores, tiverem sido computados como despesas dedutíveis do lucro real e da base de cálculo da CSLL, seja qual for o fundamento para a repetição do indébito. Não há que se falar em incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores recuperados a título de tributo pago a maior, já que tais valores, no período em que foram reconhecidos como despesas, não influenciaram a base tributável dessas contribuições. DISPOSITIVOS LEGAIS: art. 53 da Lei nº 9.430, de 1996. Por fim, a Lei federal n.º 8.981/95, ao conceituar a receita bruta, que é base de cálculo do PIS, assim a disciplinou: Art. 31. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. (...) Como a concessão de um crédito escritural não se enquadra como produto da venda de bens e serviços, também por tal razão tais parcelas não poderiam ser incluídas na base de cálculo do PIS. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Sala de sessões, 25 de janeiro de 2012. Luciano Lopes de Almeida Moraes Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE 6 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/02/2012 por NALI DA COSTA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE, Assinado digitalmente em 22/02/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 10/02/2012 por LUCIANO LOPES DE ALMEIDA MORAE
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001044/2007-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/08/2004 a 30/07/2006
MPF. RECEBIMENTO PELO CONTADOR. VALIDADE.
Em acordo com a Teoria da Aparência, não há nulidade do MPF diante da intimação do contador da empresa ao invés de seu representante legal, se aquele se coloca como investido de autorização para recebê-la, bem como conhece os fatos a serem examinados pela fiscalização (art. 23 do Decreto n°. 70.235/72).
TIAF. INEXIGIBILIDADE.
O TIAF é inexigível desde 18 de dezembro de 2003, com o advento da Instrução Normativa INSS/DC n°. 100. Não há necessidade de expedição de dois instrumentos, o TIAF e o MPF, quando ambos têm o mesmo objetivo, de informar ao contribuinte que se encontram sob auditoria fiscal.
INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
VALIDADE DE INTIMAÇÃO.
Inexiste cerceamento ao direito de defesa da empresa apontada como responsável solidária pelo débito, se devidamente intimada para se manifestar acerca da autuação contra ela lavrada.
CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF.
Reconhecida por decisão do plenário do STF, transitada em julgado, a inconstitucionalidade da contribuição devida pelo produtor rural e segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, bem como a obrigação do adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento, pode o
CARF aplicá-la, afastando as obrigações com fulcro na referida contribuição.
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE.
Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991.
NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE.
POSSIBILIDADE.
A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei.
A penalidade prevista no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, pode retroagir para beneficiar o contribuinte, sendo-lhe mais benéfica.
Numero da decisão: 2301-002.494
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para, no mérito, afastar da autuação os valores referentes à omissão dos valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro e Marcelo, que votaram pela manutenção integral da autuação; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a)em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/07/2006 MPF. RECEBIMENTO PELO CONTADOR. VALIDADE. Em acordo com a Teoria da Aparência, não há nulidade do MPF diante da intimação do contador da empresa ao invés de seu representante legal, se aquele se coloca como investido de autorização para recebê-la, bem como conhece os fatos a serem examinados pela fiscalização (art. 23 do Decreto n°. 70.235/72). TIAF. INEXIGIBILIDADE. O TIAF é inexigível desde 18 de dezembro de 2003, com o advento da Instrução Normativa INSS/DC n°. 100. Não há necessidade de expedição de dois instrumentos, o TIAF e o MPF, quando ambos têm o mesmo objetivo, de informar ao contribuinte que se encontram sob auditoria fiscal. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. VALIDADE DE INTIMAÇÃO. Inexiste cerceamento ao direito de defesa da empresa apontada como responsável solidária pelo débito, se devidamente intimada para se manifestar acerca da autuação contra ela lavrada. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Reconhecida por decisão do plenário do STF, transitada em julgado, a inconstitucionalidade da contribuição devida pelo produtor rural e segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, bem como a obrigação do adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento, pode o CARF aplicá-la, afastando as obrigações com fulcro na referida contribuição. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. A penalidade prevista no art. 32-A, inciso I, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, pode retroagir para beneficiar o contribuinte, sendo-lhe mais benéfica.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para, no mérito, afastar da autuação os valores referentes à omissão dos valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro e Marcelo, que votaram pela manutenção integral da autuação; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a)em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
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Fatos Geradores Recorrente BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA E OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/08/2004 a 30/07/2006 MPF. RECEBIMENTO PELO CONTADOR. VALIDADE. Em acordo com a Teoria da Aparência, não há nulidade do MPF diante da intimação do contador da empresa ao invés de seu representante legal, se aquele se coloca como investido de autorização para recebêla, bem como conhece os fatos a serem examinados pela fiscalização (art. 23 do Decreto n°. 70.235/72). TIAF. INEXIGIBILIDADE. O TIAF é inexigível desde 18 de dezembro de 2003, com o advento da Instrução Normativa INSS/DC n°. 100. Não há necessidade de expedição de dois instrumentos, o TIAF e o MPF, quando ambos têm o mesmo objetivo, de informar ao contribuinte que se encontram sob auditoria fiscal. INEXISTÊNCIA DE CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. VALIDADE DE INTIMAÇÃO. Inexiste cerceamento ao direito de defesa da empresa apontada como responsável solidária pelo débito, se devidamente intimada para se manifestar acerca da autuação contra ela lavrada. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DO PRODUTOR RURAL. INCIDÊNCIA SOBRE A RECEITA BRUTA DA COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. OBRIGAÇÃO DO ADQUIRENTE DE RETER E RECOLHER A CONTRIBUIÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE RECONHECIDA PELO STF. Reconhecida por decisão do plenário do STF, transitada em julgado, a inconstitucionalidade da contribuição devida pelo produtor rural e segurado especial sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, bem como a obrigação do adquirente de efetuar a retenção e o recolhimento, pode o CARF aplicála, afastando as obrigações com fulcro na referida contribuição. Fl. 368DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 351 2 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. Constatada a existência de grupo econômico de fato, não há como ser afastada a solidariedade imposta pelo artigo 30, IX da Lei nº 8.212/1991. NÃO DECLARAÇÃO EM GFIP DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. APLICAÇÃO DE PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. A apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, constituía, à época da infração, violação ao art. 32, IV, §3º da Lei 8.212/91, ensejando a aplicação da multa prevista no art. 32, §5º da mesma Lei. A penalidade prevista no art. 32A, inciso I, da Lei 8.212/91, incluído pela Lei nº 11.941/2009, pode retroagir para beneficiar o contribuinte, sendolhe mais benéfica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para, no mérito, afastar da autuação os valores referentes à omissão dos valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Mauro e Marcelo, que votaram pela manutenção integral da autuação; b) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencido o Conselheiro Marcelo Oliveira, que votou em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Leonardo Henrique Pires Lopes – Relator Damião Cordeiro de Moraes – Declaração de Voto Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa, Damião Cordeiro de Moraes e Mauro Jose Silva. Relatório Tratase de auto de infração lavrado em desfavor da BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA E OUTROS, cientificado ao contribuinte em 13/11/2006, em virtude do descumprimento do disposto no artigo 32, INCISO IV, §5º, da Lei 8.212/91, com redação dada Fl. 369DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 352 3 pela Lei 9.528/97 e artigo 284, inciso II do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, por não ter declarado os valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros, entre 08/2004 e 07/2006, e também, parte das remunerações pagas/creditadas aos seus segurados empregados no período de 09/2004 a 04/2005, na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP no valor de R$ 28.637,86 (vinte e oito mil seiscentos e trinta e sete reais e oitenta e seis centavos). Tendo a SRP constatado que havia a formação de grupo econômico entre a BV COM. DE CARNES LTDA, TANGARA EMPREENDIMENTOS LTDA e BOA VISTA ALIMENTOS LTDA, lançou o débito em nome da primeira e colocou as demais como responsáveis solidárias, baseandose na Lei 8.212/91, nos termos do Relatório Fiscal de fls. 8/9. Inconformada, a ora Recorrente ofereceu Impugnação de fls. 30/39, tendo sido proferido acórdão de fls. 199/212, que julgou procedente a autuação, conforme se pode observar da ementa a seguir transcrita: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFORMAÇÃO DOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. O Contribuinte é obrigado a informar mensalmente ao INSS, por intermédio de GFIP, todos os dados relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias e outras informações de interesse da previdência. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. O julgador de instância administrativa não possui competência para apreciar arguições de inconstitucionalidade da legislação previdenciária. Constitui fato gerador de contribuições previdenciárias a comercialização de produtos rurais de pessoas físicas. AUTUAÇÃO PROCEDENTE Irresignada, BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA apresentou Recurso Voluntário de fls. 226/241, alegando, em síntese que: a) o MPF padece de nulidade absoluta por ausência de intimação, visto que esta foi feita a contador da empresa recorrente, não tendo este poderes para representála, e por estarem ausentes elementos essenciais ao MPF: sua natureza/finalidade, se de Fiscalização ou se de Diligência, e a indicação do tributo objeto do procedimento fiscal; b) a autuação é nula, visto que inexistente o Termo de Início de Ação Fiscal (TIAF); c) o recolhimento da contribuição do produtor rural pessoa física é inconstitucional, inexistindo, portanto a obrigação acessória de declarar valores relativos a esta contribuição; Fl. 370DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 353 4 d) inexiste grupo econômico entre as empresas mencionadas não podendo haver solidariedade entre as mesmas e não há solidariedade natural em decorrência do interesse comum no fato gerador da obrigação principal, pois não há interesse imediato e comum dos membros das empresas nos resultados do fato gerador. Ademais, a TANGARÁ EMPREENDIMENTOS LTDA cientificada da autuação, como integrante do grupo econômico e responsável solidária pelo débito em questão, também ofereceu Recurso Voluntário de fls. 326/342, alegando, em síntese, o mesmo que a BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA, acrescentanto apenas que não foi intimada para apresentar impugnação, padecendo a autuação, portanto, de nulidade absoluta. Vieram os autos a este Conselho por meio de Recurso Voluntário. Sem Contrarazões. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Henrique Pires Lopes, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso e passo ao seu exame. Do Mérito Da nulidade do MPF Pleiteia, a Recorrente, pela nulidade do MPF devido a três vícios aparentemente insanáveis, quais sejam: a realização da intimação ao contador da empresa que não possui poderes para representála; a falta de especificação da natureza/finalidade do MPF no documento; e, a falta de indicação do tributo objeto do procedimento fiscal. Vejamos cada um desses vícios, separadamente. Da intimação do contador. O art. 23 do Decreto n°. 70.235/72 institui que a ciência dos atos da administração pode ser dada ao contribuinte, seu representante ou preposto. Nos termos da CLT, o preposto pode ser o gerente ou qualquer outro que tenha conhecimento dos fatos geradores de contribuições sociais. Ou seja, o contador é considerado preposto, não só por conhecer dos fatos geradores, mas por ser aquele que realiza serviços, atos ou delegações do preponente, nesse caso, o representante legal da empresa, o que o torna apto para receber a intimação citada no art. 23 supra mencionado. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 354 5 Ademais, não se pode perder de vista que não só o contador, mas qualquer pessoa vinculada à empresa que se apresente como investida de poderes para praticar atos em seu nome, terá produzido, ao receber a intimação destinada à pessoa jurídica, os mesmos efeitos do verdadeiro representante legal. Isto porque a Teoria da Aparência preserva a boafé dos terceiros com quem a empresa se relaciona, além de conferir estabilidade às situações jurídicas cujos efeitos nasceram do ato por ela praticado. O Superior Tribunal de Justiça, analisando diversas situações semelhante à hipótese dos autos, aplicou a Teoria da Aparência ora citada, nos seguintes termos: PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL. AGRAVO DE INSTRUMENTO. ART. 544 DO CPC. EXECUÇÃO FISCAL. PENHORA. CITAÇÃO. PESSOA JURÍDICA. TEORIA DA APARÊNCIA. APARENTE REPRESENTANTE LEGAL DA EMPRESA. 1. Reputase válida a citação da pessoa jurídica por intermédio de quem se apresenta na sede da empresa como seu representante legal e recebe a citação sem ressalva de que não possui poderes para tanto. Precedentes desta Corte: AGA 441507/RJ, Relator Ministro Aldir Passarinho Júnior, 4ª Turma, DJ de 22/04/2003; AERESP 205275/PR, Relator Ministra Eliana Calmon, Corte Especial, DJ de 28/10/2002; RESP 302403/RJ, Relator Ministra Eliana Calmon, 2ª Turma, DJ de 23/09/2002. 2. In casu, sob o ângulo fático (Súmula 07/STJ), assentou a Corte local: "Embora, o senhor RICARDO CALDERARO IÓRIO não conste dos atos constitutivos da agravante, ao menos das alterações acostadas aos autos (fl. 33/37TJMG), e embora não esteja claro qual sua relação com a sociedade executada (já que nem mesmo a agravante cuidou de esclarecer este pormenor), não se pode deixar de registrar que o mesmo, além de estar na sede da agravante, nada ressalvou quando firmou o termo de intimação de penhora trazido em cópia às fl. 28TJMGverso" (fl. 72). 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 736.583/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 14/08/2007, DJ 20/09/2007, p. 223) Por esta razão é que o MPF recebido pelo contador ou por qualquer outro que se apresente como investido de poderes para tanto deve ser considerado como válido, sobretudo se este estava presente no local a ser fiscalizado, agindo em nome do representante legal. Em relação à Teoria da Aparência, aplicada também aos atos praticados no curso de uma ação fiscal, segue ementa do entendimento firmado pela Terceira Câmara/Primeiro Conselho de Contribuintes, em Recurso Voluntário nº 139878 (10880.029942/199266): NULIDADE DO LANÇAMENTO. TEORIA DA APARÊNCIA. Em consonância com o princípio da instrumentalidade processual, que recomenda o desprezo a formalidades desprovidas de efeitos prejudicais, é Fl. 372DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 355 6 de se aplicar a teoria da aparência para reconhecer a validade das intimações e do auto de infração lavrados em nome da pessoa jurídica, assinados por quem se apresentou, no local em que a fiscalizada manteve como sede provisória, com poderes para agir como se fosse o seu representante legal, sem ressalvas oportunas, mormente se a autuada diligentemente atendeu às requisições fiscais expedidas, mediante a intermediação do preposto putativo. Publicado no DOU nº 27, de 07/02/06. Por tais razões é que não se verifica qualquer nulidade no MPF recebido pelo contador da empresa. Da especificação da natureza/finalidade do MPF. O artigo 7º, inciso Ill, da Portaria MPS/SRP 3031/2005, institui que o MPFF, o MPFD e o MPFE conterão a natureza do procedimento fiscal a ser executado (fiscalização ou diligência). No MPF do procedimento, fls. 22, podese verificar, no cabeçalho, a indicação de que se trata de “fiscalização previdenciária”, estando, portanto, clara a finalidade do procedimento, de fiscalização. Da falta de indicação do tributo objeto do MPF. Também no MPF do procedimento, fls. 22, constatase que houve sim a indicação do tributo a ser fiscalizado: CONTRBUIÇÕES: Contribuições Sociais previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b" e "c", da Lei n0 8.212, de 24 de julho de 1991, e contribuições por lei devidas a terceiros conveniados, provenientes de empresas 6u equiparados, na forma do artigo 3 0 da Lei 11.098 de 13 de janeiro de 2005. PERÍODO DE APURAÇÃO: Junho/2004 a Agosto/2006 VERIFICAÇÕES: Verificação do cumprimento das obrigações relativas às Contribuições Sociais administradas pela SRP, em nome do INSS, e àquelas relativas a terceiros conveniados, conforme determinado nos artigos 10 e 3 0, da Lei n° 11.098 de 13 de Janeiro de 2005. DESCRIÇÃO SUMARIA: Rendimentos pagos devidos ou creditados a todos os segurados Conciliação de GFIP Comercialização de produtos rurais Contribuições devidas por adquirente na condição de subrogado; Ainda sobre a possível falta de indicação do tributo a que se refere o MPF, entende a Primeira Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes que a indicação de outro tributo que não o que se pretende fiscalizar não é causa de nulidade de procedimento fiscal. Ora, se assim o é, ainda que tivesse havido a autuação por descumprimento de obrigação tributária diversa daquela especificada no MPF, não resultaria na nulidade do procedimento, se o AFRFB possui competência também para fiscalizar os tributos objeto da autuação. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 356 7 Não há que se falar, portanto, em nulidade do MPF do qual decorreu o presente Auto de Infração. Da nulidade do TIAF A Recorrente alega a nulidade do procedimento fiscal devido à inexistência do TIAF Termo de Inicio de Auditoria Fiscal, sugerindo, dessa forma, a nulidade da autuação. Não obstante, o TIAF foi tacitamente revogado pela Instrução Normativa INSS/DC n°. 100 de 18 de dezembro de 2003. Essa revogação teve lugar com o advento do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), instituído pelo Decreto n° 3.969, de 15 de outubro de 2001, alterado pelo Decreto n° 4.058, de 18 de dezembro de 2001. Tendo os dois instrumentos, o TIAF e o MPF, o mesmo objetivo de informar ao contribuinte que o mesmo está em auditoria fiscal, é desnecessária a emissão do TIAF juntamente com o MPF. Em relação à inexigibilidade do TIAF, segue ementa do entendimento firmado pela Sexta Câmara/Segundo Conselho de Contribuintes, em Recurso Voluntário nº 249477: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2004 (...). NORMAS PROCEDIMENTAIS. TERMO DE INÍCIO DE FISCALIZAÇÃO TIAF. INEXIGIBILIDADE. Com o advento da Instrução Normativa nº 100, publicada em 24/12/2003, a qual revogou a IN nº 70/2002, tornouse desnecessária a emissão do Termo de Início de Fiscalização, não estando referido termo incluído no rol dos documentos necessários à instrução e validade do processo administrativo fiscal, elencados no artigo 688, daquele ato normativo. Ante o exposto, não há qualquer nulidade do procedimento fiscal. Da alegação da TANGARÁ de cerceamento de defesa – Intimação do Auto de Infração A TANGARÁ EMPREENDIMENTOS LTDA alega, por fim, não ter sido devidamente intimada para apresentar impugnação, esclarecendo que o documento apresentado nos autos, fls. 57, é cópia de documento relativo a outro feito. Assim, afirma a Tangará, houve violação da garantia do contraditório e da ampla defesa. Contudo, o documento trazido aos autos, fls. 57, não deixa dúvidas de que se refere ao presente processo, pois ao informar que foi constituído crédito contra a Recorrente, consta a TANGARÁ EMPREENDIMENTOS LTDA como responsável solidária do mesmo e cita explicitamente o AI nº 35.960.8353, ora em questão. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 357 8 Além disso, deixa claro que é assegurada às empresas do grupo econômico em questão, nas quais está incluída a TANGARÁ, a vista do processo administrativo fiscal e a apresentação de impugnação ao lançamento no prazo de 15 dias, contados da data do recebimento da intimação. Fica claro, portanto, que não houve, em hipótese alguma, o cerceio da garantia de ampla defesa e contraditório alegada pela TANGARÁ. Assim, não há nulidade do procedimento fiscal, pois válida a intimação da TANGARÁ. Da inconstitucionalidade do art. 25 da Lei 8.212/91 Alega o contribuinte ser inconstitucional o art. 25 da Lei 8.212/91, com redação dada pela Lei 9.528/1997, visto que instituiu, através de lei ordinária, uma nova fonte de custeio da Seguridade Social não prevista no art. 195 da Carta Magna na redação vigente à época em que a lei foi promulgada, qual seja, a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física incidente sobre a receita bruta da comercialização da sua produção, o que feriria, portanto, a forma exigida pelo art. 154, I da CF/88, que é a de lei complementar. De início, cabe esclarecer que, apesar de a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerbar sua competência originária que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como de invadir competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, o Regimento Interno do CARF prevê, em seu artigo 62, que é permitido aos membros das turmas de julgamento afastar a aplicação de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do STF, como se observa, in verbis: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. Neste caso, a análise da constitucionalidade, por estar nos mesmos termos da decisão proferida pelo STF, não terá causado decisões conflitantes ou possivelmente adentrado em competência privativa do Poder Judiciário. Pois bem. No caso dos autos, o STF declarou inconstitucionais os arts. 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97, em sede de apreciação do Recurso Extraordinário de nº 363852, transitado em julgado e abaixo transcrito: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Fl. 375DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 358 9 Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) De fato, a redação do art. 195 da Constituição Federal de 1988, anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, era: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I dos empregadores, incidentes sobre: a folha de salários, o faturamento e o lucro; Percebese, da transcrição acima, que a receita bruta não era prevista como base de cálculo da contribuição para a seguridade social e só poderia ser instituída como nova fonte de custeio dessa através de Lei Complementar (arts. 154, I e 195, §4º da CF/88). Ora, o art. 25 da Lei 8.212/91, ao instituir através de lei ordinária, que a contribuição da pessoa física e do segurado especial destinada à Seguridade Social é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, inclusive para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho, fere a regra formal exigida pelo já citado artigo 154, I da Carta Magna. Somente a partir da Emenda Constitucional nº 20/98 passou a ser admitida a instituição por lei ordinária da contribuição previdenciária sobre a receita bruta proveniente da comercialização. Destaquese, contudo, que as normas editadas anteriormente, sem a observância das exigências constitucionais quanto à forma especial de lei complementar, não se convalidam com a alteração na Constituição Federal que passa a admitir a disciplina da matéria por lei ordinária. Isto porque os requisitos de validade e de existência, bem como a compatibilidade de uma norma com o texto constitucional, devem ser analisados de acordo os dispositivos vigentes no momento da sua edição. Se a norma nasce viciada, sempre será Fl. 376DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 359 10 inválida, ainda que posteriormente venha a ser introduzido na Constituição dispositivo que dê suporte de validade para a referida norma. Em outras palavras, o vício que fulminava o art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528/1997, não foi afastado com a edição da Emenda Constitucional nº 20/1998, o que manteve sua condição de inconstitucionalidade. Assim, sendo inválida a previsão que determinava que a contribuição previdenciária do produtor rural pessoa física e do segurado especial seria a receita bruta da comercialização da sua produção, também foi reconhecida a inconstitucionalidade da norma que determinava, por conseqüência, as obrigações dela decorrentes, como é o caso da obrigação do adquirente de tais produtos de fazer a retenção da contribuição prevista no art. 30, IV da Lei nº 8.212/1991: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; No caso dos autos, verificase que a autuação decorreu da não apresentação de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias de obrigação da empresa Recorrente, tendo havido omissão quanto aos valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros, nas competências compreendidas entre 08/2004 e 07/2006, e também quanto à parte da remuneração paga aos segurados empregados no período de 09/2004 a 04/2005. Diante da declaração de inconstitucionalidade, deve ser afastado do presente auto de infração as verbas referentes às contribuições devidas pela aquisição de produção rural de terceiros e, mantida, contudo, no tocante a omissões de contribuições previdenciárias devidas sobre as remunerações pagas aos seus empregados. Da existência de grupo econômico e da solidariedade Insurgemse a Recorrente (BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA) e as responsáveis solidárias (TANGARA EMPREENDIMENTOS LTDA e BOA VISTA ALIMENTOS LTDA) contra a autuação promovida pela fiscalização, sob o argumento de que não participam de nenhum grupo econômico, não podendo haver, portanto, solidariedade entre as mesmas. Ademais, alegam que são empresas distintas, com objetivos distintos e com vidas distintas. Ocorre que o AFRFB apresentou Relatório Fiscal (fls. 15/21) bastante completo, no qual narra todos os elementos que motivaram o reconhecimento do grupo econômico, dentre os quais podemos citar: Fl. 377DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 360 11 1) A BOA VISTA ALIMENTOS LTDA e a TANGARA EMPREENDIMENTOS LTDA compartilham mesmo endereço; 2) A maioria da composição societária da BOA VISTA ALIMENTOS LTDA e da TANGARÁ EMPREENDIMENTOS LTDA são de pessoas com vínculos familiares comuns. Cabendo observar que no período de 12/12/2002 à 01/01/2004, a sócia gerente MARTHA COURY COELHO participa nas duas empresas com a maioria do capital, acima de 90% e que LUIZ FERNANDO COELHO, esposo de MARTHA COURY COELHO, participou como sócio na empresa TANGARÁ no período de 30/06/1977 a 07/07/2000, e é um dos administradores da empresa Boa Vista Ltda, embora não participe do quadro societário da mesma; 3) Na data de 05/08/2004, antes portanto do primeiro período fiscalizado, a BOA VISTA ALIMENTOS LTDA e a BV COMÉRCIO DE CARNES LTDA firmaram um contrato de prestação de serviços de industrialização, com término em 04/07/2007, em que a contratada, a Boa Vista, se compromete a prestar serviços de abate e industrialização de bovinos para a contratante, BV Comércio de Carnes, nas instalações localizadas no frigorífico de endereço da sede da contratada; 4) Na cláusula sexta desse mesmo contrato entre as empresas se estabelece a responsabilidade da contratada sobre a folha de pagamento do pessoal do parque industrial em questão. Mas como se pode concluir das Fichas de Registro de Empregados da BV CARNES, CAGED das duas empresas e RAIS da Boa Vista Alimentos, num primeiro período que vai de 01/09/2004 a 30/04/2005, a maioria dos empregados, com funções e atividades típicas de um frigorífico, são contratados pela empresa BV CARNES, cujo objetivo social, de comercio atacadista e varejista de carnes, não guarda compatibilidade com o ato, sendo os mesmos empregados, na sua maioria, transferidos, no mês de 05/2005, para a empresa Boa Vista, como se faz entre empresas do mesmo grupo econômico; 5) No período de 09/2004 a 07/2006 a maior parte das operações do frigorífico é com a BV CARNES, girando em tomo de R$ 2.000.000,00 a 4.000.000,00 por mês. Além disso, ambas as empresas, no período que tiveram créditos previdenciários apurados estavam e continuam enquadradas no SIMPLES, não comunicando tal situação à Receita Federal; O conceito de grupo econômico pode ser extraído do senso comum, o qual foi incorporado ao direito positivo através da CLT, cujo art. 1º, §2º dispõe que “sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiver sob a mesma direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis à empresa principal e cada uma das subordinadas”. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 361 12 Tal norma não tem sua aplicação restrita às relações trabalhistas, pois além de ser norma conceitual, que define instituto, possui hierarquia de lei ordinária, suficiente para dispor sobre os conceitos societários. O art. 30, IX da Lei nº 8.212/1991, por sua vez, dispõe que “as empresas que integram o grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei”. Por ser norma de natureza tributária, deve ser necessariamente interpretada conforme as disposições do Código Tributário Nacional acerca da solidariedade: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. (...). Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa a este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. Conforme se depreende dos dispositivos acima, a solidariedade somente pode ser imposta àquele que tiver relação com o fato gerador do tributo. Assim também será nos casos em que a responsabilização por solidariedade decorrer da existência de grupo econômico entre as empresas envolvidas, hipótese em que não será suficiente a relação de uniformidade de direção, sendo necessária também a relação da coresponsável com o fato gerador do tributo. Por esta razão é que a responsabilidade de uma empresa pelos débitos previdenciários das demais empresas do grupo econômico depende da existência de seu interesse no fato gerador daquelas contribuições previdenciárias. Sendo a contribuição incidente sobre a folha de salários, deverá se verificar se existe funcionários prestando serviços em comum para as empresas envolvidas; se a contribuição previdenciária incidir sobre a comercialização da produção rural, terá a fiscalização que comprovar que as coresponsáveis também participaram da operação comercial que deu ensejo à tributação. Ora, devidamente fundamentada a consideração de que existe grupo econômico através dos elementos apresentados pelo Relatório Fiscal acima exposto, e de que há solidariedade em vistas da participação das empresas nas operações comercias que deram ensejo à tributação, não cabe qualquer alegação de que foi indevida a colocação das empresas como solidárias, pois enquadradas nos dispositivos legais acima citados. Da aplicação de penalidade benéfica Mantida a autuação pela omissão de contribuições previdenciárias incidentes sobre a Fl. 379DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 362 13 No caso dos autos, verificase que o auto de infração foi lavrado por ter o contribuinte omitido fatos geradores na GFIP, sendolhe aplicada a penalidade prevista no art. 35, §5º da Lei nº 8.212/1991, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, ou seja, equivalente a 100% da contribuição devida e não declarada, legalmente embasada no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. No entanto, com o advento da Lei 11.941/09, o parágrafo 5º acima suscitado fora revogado em sua totalidade, passando a regular a matéria o disposto em seu art. 32A, inciso I, in verbis: "Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo.” Nesse aspecto, o Código Tributário Nacional, em seu art. 106, II, alínea “c”, afirma expressamente que a Lei nova deverá retroagir quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na Lei vigente anterior, verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Corroborando com entendimento suso aludido, segue abaixo a jurisprudência dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da questão, literris: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL MULTA RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA ART. 106, II, "C", DO CTN 1 A posterior alteração do valor da multa aplicada à cobrança de tributos, mais benéfica ao contribuinte, deve retroagir. Aplicação do art. 106, II, "c", do CTN. Precedentes do STJ. 2 Agravo Regimental não provido. (STJ AgRgREsp 922.984 (2007/00234572) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 11.03.2009 p. 309) *** Fl. 380DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 363 14 TRIBUTÁRIO MULTA ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE DA LEX MITIOR 1 A ratio essendi do art. 106 do CTN implica que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o princípio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução, pelo que, independendemente de o fato gerador do tributo tenha ocorrido em data anterior a vigência da norma sancionatória. 2 A Lei que determina a multa pelo não recolhimento do tributo deve ser menor do que a anteriormente aplicada, a novel disposição beneficia as empresas atingidas e por isso deve ter aplicação imediata, vedandose, conferir à Lei uma interpretação tão literal que conflite com as normas gerais, obstando a salutar retroatividade da Lei mais benéfica. (Lex Mitior). 3 In casu, não se revela obstada a aplicação do art. 61, da Lei nº 9.430/96, se o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido em período anterior à 01.01.1997, pelo que, ante o disposto no art. 106, inc. II, letra "c", em se tratando de norma punitiva, aplicase a legislação vigente no momento da infração. 4 O Código Tributário Nacional, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da Lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal do art. 61, da Lei nº 9.430/96, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 30% para 20%, por ter status de Lei Complementar,. 5 A redução da multa aplicase aos fatos futuros e pretéritos por força do princípio da retroatividade da lex mitior consagrado no art. 106 do CTN. 6 Agravo regimental desprovido. (STJ AgRgAI 902.697 (2007/01371341) Rel. Min. Luiz Fux DJe 19.06.2008 p. 153) *** TRIBUTÁRIO PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DA MULTA FISCAL ART. 35 DA LEI 8.212/91 E ART. 106, II, C, DO CTN APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA AO DEVEDOR ACÓRDÃO CONTRADIÇÃO INEXISTÊNCIA CDA REQUISITOS APRECIAÇÃO SÚMULA 7/STJ 1 Inexiste contradição em acórdão que fixa o entendimento pela necessidade de pagamento para que ocorresse a retroatividade benigna em favor do contribuinte quando a fundamentação do aresto segue no mesmo diapasão. 2 Inviável na sede extraordinária perquirir a presença dos requisitos formais de validade de certidão de dívida ativa, ainda mais quando já declarada válida pela instância ordinária. Inteligência da Súmula 7/STJ. 3 Ainda não definitivamente julgado o feito, o devedor tem direito à redução da multa, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a nova redação dada pela Lei 9.528/97. 4 No confronto entre duas normas, aplicase a regra do art. 106, II "c" do CTN, por ser a dívida previdenciária de natureza tributária. 5 Recurso especial parcialmente provido. (STJ REsp 1.053.735 (2008/00952390) 2ª T. Relª Eliana Calmon DJe 26.11.2008 p. 1032) *** PROCESSUAL CIVIL EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL REDUÇÃO DA MULTA APLICAÇÃO DO ART. 106, II, "C", DO CTN RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA 1 "É plenamente aplicável lei superveniente que preveja a redução de multa moratória dos débitos tributários. Aplicação do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional." (REsp 624.536/RS, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 13.02.2007, DJ 06.03.2007 p. 248). 2 Recurso Especial não provido. (STJ REsp 628.077 (2004/00130990) 2ª T. Rel. Min. Herman Benjamin DJe 17.10.2008 p. 637) Fl. 381DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 364 15 Notase, portanto, que de acordo com as jurisprudências colacionadas, é pacífico o entendimento da aplicação da penalidade da Lei mais benéfica a fatos pretéritos. Portanto, no meu entendimento, caso se constate no recálculo da multa com a observância no disposto no art. 32A, inciso I, da lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei n. 11.941/09, que o novo valor da penalidade aplicada é mais benéfico ao contribuinte, não há como se ignorar o disposto no art. 106, II, “c”, do CTN, privando a empresa do benefício legal. Da Conclusão Em virtude do exposto, conheço do Recurso Voluntário, para, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, apenas para afastar da autuação os valores referentes à omissão dos valores da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural adquirida de terceiros, bem como para determinar que seja aplicada aos valores referentes às omissões de fatos geradores correspondentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos empregados que lhe prestem serviço, a penalidade a multa do art. 32A da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, se esta lhe for mais benéfica. É como voto. Sala das Sessões, 18 de janeiro de 2012. Leonardo Henrique Pires Lopes Declaração de Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes Diante do voto do nobre relator, e notório que a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas físicas e inconstitucional. Principalmente pelo fato do Supremo Tribunal Federal, no julgamento do Recurso Extraordinário – RE n.º 363.852, ter se manifestado sobre a questão e, por entender que a contribuição para o Funrural caracterizase em uma dupla tributação, pois sobre a mesma operação incide também o PIS/Cofins, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n.º 8.212/91. Segue ementa da decisão: “CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS – PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS – SUBROGAÇÃO – LEI Nº 8.212/91 – ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL – PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 – UNICIDADE DE INCIDÊNCIA – EXCEÇÕES – CONFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL – PRECEDENTE – INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto Fl. 382DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 13116.001044/200786 Acórdão n.º 2301002.494 S2C3T1 Fl. 365 16 constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, inciso V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n.º 8212/91, com redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e n.º 9.528/97. Aplicação de leis no tempo – considerações.” Em assentada posterior, em sessão plenária (17/03/2011), o STF ratificou o seu posicionamento e manteve seu entendimento sobre a inconstitucionalidade dos dispositivos legais supramencionados ao rejeitar os embargos de declaração da União Federal no RE n.º 363.852. Os embargos foram apresentados com o objetivo de que fosse declarado que a Lei n.º 10.256/2001, que alterou parte do artigo 25, da Lei n.º 8.212/91, havia sanado a inconstitucionalidade. Porém, o posicionamento do ministro relator, Marco Aurélio Mello, foi no sentido de que como a referida lei somente modificou o caput do artigo 25, mantendo a alíquota e a base de cálculo da contribuição, não houve alteração no que se refere à inconstitucionalidade da cobrança do Funrural. Diante do exposto, acompanho o nobre relator no sentido de que a contribuição incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da produção rural de empregadores pessoas físicas – FUNRURAL não pode ser validamente exigida. Fl. 383DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por APARECIDA DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, A ssinado digitalmente em 19/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13362.000555/2004-26
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL - ADA.
A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do ITR com base no ADA, que é o caso das Areas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10.165, de 281121.2000. Tratando-se de reserva legal, deve ser
verificada a averbação no órgão de registro competente e a individualização da área de proteção; sendo obrigatória que tenha sido levado ao conhecimento de órgão de proteção ambiental a existência da área protegida.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: 9202-001.137
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar
provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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A partir do exercício de 2001, para os contribuintes que desejam se beneficiar da isenção da tributação do 1TR corn base no ADA, que é o caso das Areas de proteção permanente, este documento passou a ser obrigatório, por força da Lei n° 10.165, de 281121.2000. Tratando-se de reserva legal, deve ser verificada a averbação no órgão de registro competente e a individualização da área de proteção; sendo obrigatória que tenha sido levado ao conhecimento de órgão de proteção ambiental a existência da área protegida. Recurso especial negado. Vistas, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Elias Sampaio Freire. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Susy Gomes Ioffmann. EDITADO EM: 07 DEL 2010 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Caio Marcos Candido, Gonçalo Bonet Allage, Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Arruda Coelho Júnior, Gustavo Lian Haddad, Francisco de Assis Oliveira Junior, Rycardo Heruique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional contra Acórdão no qual decidiu-se pela isenção correspondente à area do imóvel de utilização limitada, em razão da dispensa de ato declaratário ambiental protocolado tempestivamente. Seguem transcrições do relatório fiscal, acórdão recorrido e recurso especial, respectivamente: Relatório Fiscal: Em piocedimento fiscal de execução da Malha Valor IT]?, analisamos a DIAC/DIAT 2001 n°03 45720 04, referente ao imóvel ntral de NIRF n°1.588.722-7, de responsabilidade do contribuinte De tal análise, resultou a law atura da Intimação fiscal n°018/2004, através da qual solicitamos que fossem apresentados documentos compi obatórios previstos na legislação e os necessários -esclarecimentos em relação nos dados declarados para as Areas de preservação permanente e Utilização Limitada. Atendendo a intimação, a contribuinte declarou que a área declarada como Preservação Permanente não existe no imóvel e que por conta disso ele apresentou retificação da DITR/I999 e do próprio ADA junto ao MAMA. relação a área. de Reserva Legal declarada, o contribuinte apresentou certidão de inteiro teor constando a averba cão, junto a. matricula do imóvel e dentro do prazo legal. O protocolo,, do ADA apresentado é datado . de 2003, mas o mesmo licita-se de uma retificagão,sendo que o protocolo original foi apresentado em 05/12/2002, conforma pesquisa ealizada no dossiê do contribuinte. O Código Tributário , Nacional determina, em seu artigo 111, que deve ser interpretada literalmente a legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção. Assiut, verificamos que o imóvel db contribuinte não possui t'n ea de presei vação permanente, conforme declarado pelo mesmo, e a tit ea de Reserva Legal declarada não poderá ser aceita, pois apesar da averbação ter sido feita dentro do .prazo legal, o contribuinte não apresentou o protocolo do ADA junto ao 1.13AMA dentro do prazo previsto na legislação, o qual seria até 28/03/2002. Acórdão recorrido: IT]?. ÁREA DE RESERVA LEGAL. ATO DECLARATORIO AMBIENTAL 2 Processo n" 13362 000555/2004-26 CS12F-T2 Acórdfio n '` 9202 - 01.137 2 A comprovação da ár ea de reserva legal, para efeito de sua exclusão na base de cálculo de IT.!?, não depende, exclusivamente, da apresentação do Ato Declara/ária Ambiental 4D.A), no prazo estabelecido Com efeito, a teor do artigo 10 0, parágrafo 70, da Lei N 9,393/96, modificado pela Medida Provisória 2 166-67/2001, basta a simples declaração do contribuinte qualm) à existência de area de preservação permanente e de reserva legal, para fins de isenção cio ITR, respondendo o memo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade, Recurso Voluntário Provido. ACORDAM os membros da 2a Cámara / I" Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por Unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, 110S termos do voto do Relator Inicialmente, cumpre destacar; verifica-se que o fato controverso da presente questão cinge-se, essencialmente, à exclusão da Area de reserva legal como condição para redução da área tributável. Ao compulsarmos os autos do processo sob análise, a existência da Área de Reserva Legal parece inconteste. De certo, verifica- se, ás . fls. 15, Certidão de Registro PUblico na qual encontra-se averbada a área de reserva legal no total de 2.324,00 ha, Isto posto, VOTO no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo Recon ente, considerando como de Reserva legal a area de 2 324,211a, para efeito de exclusão da tributação do ITR Recurso especial: Acórdão de n°301-34352 "ASSUNTO. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR EXERCICIO. 2001 IT]? EXERCÍCIO 2001. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA, A partir do exercício de 2001 é. indispensável a apresentação do Ato Declara/ária Ambiental como condição para o gozo da redução do IT]? em se tratando de areas de preservação permanenle e de utilização limitada, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente essa obrigação (art. 17-0 da Lei no 6 938/81, na redação do art, 1 o da Lei no 10.16.5/2000) RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO" 3 De fato, os acórdãos, recorrido e paradignuts, partem de. premissas .faticas idênticas, tendo em vista que todos discutem lançamentos relativos aoI7'R do exercício de 2001, para chegar a conclusões distintas. Enquanto o acórdão impugnado dispensa comprovação por meio de ADA au do protocol() de leguerimento deste pelo contribuinte junto ao 1114.11L4 ou árgão ambiental conveniado, os acórdãos pat adigmas não prescindem da referida exigência, tendo coma base o art. 17-0 da Lei n° 6.938181, em razão do que, de acordo coin o analisado, resta, pei feitantente configurada a dive, gél1Cia, requisito de admissibilidade do recurso. A Fazenda Nacional sustenta, portanto, que: a) A exigência existe desde a Lei no 6.938, de 31/08/1981 corn a redação dada pela Lei n° 10.165/2000, reiterando-se os termos da supracitada instrução normativa; b) A exigência alinha-se corn a norma que consagrou o beneficio, servindo como meio para comprovação da Area alcançada; c) A declai ação evita que o direito seja comprovado por meios mais gravosos e dispendiosos, como a nomeação de peritos; e d) Não se discute a materialidade, isto e, ser ou não a Area de preservação permanente ou reserva legal, mas apenas o descumprimento de exigência essencial para que se valha do direito legal ao beneficio tributário, sempre interpretado literalmente. O interessado não apresentou contra-razões. o Relatório 4 Assir Julio Vima Comes r negar provimento ao recurso especial. Process() n" 13362.000555/2004-20 CS1117:12 Acórddo 11.9202-01.137 Fl 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Comes, Relator Area de reserva legal: A Area de reserva legal se submete à averbação no árgilo competente. Conforme reconhecido no próprio relatório fiscal houve averbação em data anterior ao exercício objeto do lançamento e, embora tenha sido protocolado a destempo ADA para o exercício 2001, o interessado já havia informado em 1999 ao órgão de proteção ambiental a existência da Area protegida. Entendo que a norma abaixo transcrita é clara quanto à sua aplicação aos casos de isenção com base em ADA, corno é o caso da Area de preservação permanente. Para a Area de utilização limitada, reserva legal, a exigência para a isenção do ITR é a averbação anterior ao fato gerador. O parágrafo primeiro deve ser lido como parte do caput do artigo e não isoladamente — a exigência do ADA é para os casos de isenção com base nesse documento e não para outras Areas de proteção ambiental; sua finalidade foi esclarecer que o documento não pode ser substituído por outro, ainda que tenha o mesmo conteúdo: Lei n° 10,165, de 28/12/2000. Dispãe o art. 17-0 daquela Lei, "in verbis".' "Art. 17-° Os proprietárias rurais que se beneficiarem C0171 redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental — ADM, deverão recolher ao 1BAMA a importância prevista no item 3 11 do Anexo VII da Lei n° 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a titulo da Taxa de Vistoria § 1°- A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. No presente caso, estamos examinando apenas a Area de utilização limitada, reserva legal. Como para tal Area houve a averbação, a individualização do imóvel através de laudo técnico e a informação ao órgão de proteção ambiental de sua existência, todos anteriormente ao fato gerador, não vejo como desconsiderar o direito h isenção. 5
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