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Numero do processo: 10920.001431/2010-45
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA.
Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim
como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material.
Estando presentes todos os requisitos do art. 142 do CTN no Auto de Infração, não há que se falar em nulidade.
Não enseja nulidade do Auto de Infração a inclusão de novos fatos geradores no lançamento substituto.
Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-001.182
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares por maioria de
votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências compreendida entre 06/2001 a 03/2005, com base no art. 150, § 4º do CTN. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, que votaram pelo vício formal, conforme decisão do CRPS. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a
redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte.
Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. NÃO OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo decadencial das Contribuições Previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, quando houver antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal; assim como quando o lançamento substituir um lançamento considerado nulo por vício material. Estando presentes todos os requisitos do art. 142 do CTN no Auto de Infração, não há que se falar em nulidade. Não enseja nulidade do Auto de Infração a inclusão de novos fatos geradores no lançamento substituto. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas Preliminares por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso reconhecendo a decadência das competências compreendida entre 06/2001 a 03/2005, com base no art. 150, § 4º do CTN. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, que votaram pelo vício formal, conforme decisão do CRPS. No mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que seja recalculada a multa de mora de acordo com a redação do artigo 35 da Lei 8.212/91, dada pela Lei 11.941/2009, nos termos do art. 61 da Lei Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fazendo prevalecer a mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10920.001431/201045 Acórdão n.º 2403001.182 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração – AI (DEBCAD n. 37.235.5099, posteriormente alterado para a DEBCAD n. 37.282.3980 (fl. 112)), emitido em 22/04/2010, cuja notificação ocorreu em 26/04/2010 (fl. 109), lavrado em face da INTERCONTINENTAL INDÚSTRIA DE MÓVEIS LTDA e, solidariamente, em face da GASTLOSEN COMERCIAL LTDA (CNPJ n. 03.626.468/000184), sediada no mesmo endereço, com o mesmo administrador e por integrar o mesmo grupo econômico, no valor de R$ 326.659,21 (trezentos e vinte e seis mil, seiscentos e cinquenta e nove reais e vinte e um centavos), relativo às contribuições previdenciárias devidas pela empresa destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), referente às remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados (levantamento FN1) e contribuições individuais (levantamento AN1 e PN1), cujos fatos geradores foram extraídos da folha de pagamento e não estão declarados em GFIP, além de diferenças de acréscimos legais decorrentes de recolhimentos em atraso (levantamento DAL). O período de apuração corresponde às competências: 06/2001 a 12/2005. Segundo o Relatório Fiscal de fls. 93/101, o lançamento em tela decorreu do lançamento DEBCAD n. 35.764.2902, Proc. n. 35358.000411/200633, que fora julgado nulo em 30/03/2007, por vício formal. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com o lançamento, a Recorrente apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 117/144, acompanhada dos documentos de fls. 145/742 e a GATLOSEN COMERCIAL LTDA, responsável solidária, apresentou, tempestivamente, Impugnação de fls. 743/778, acompanhada dos documentos de fls. 779/1.375. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar os argumentos da Recorrente, a 6a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) – DRJ/FNS, prolatou o Acórdão n° 0723.673, de fls. 1.385/1.392v, mantendo procedente em parte o lançamento, conforme ementa que abaixo se transcreve, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 31/12/2005 Auto de Infração no 37.282.3980 DECADÊNCIA. NOVO LANÇAMENTO. O direito atribuído à Fazenda Nacional para a constituição do crédito tributário extinguese após cinco anos, contados da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anterior efetuado. JUROS SELIC. Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Contribuições previdenciárias, não recolhidas no prazo legal, ficam sujeitas à incidência dos juros equivalentes à taxa referencial do SELIC, conforme determina a legislação em vigor. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico são responsáveis solidárias pelos créditos previdenciários. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte” DO RECURSO Inconformada, a Recorrente interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 1.395/1.425, acompanhada dos documentos de fls. 1.426/1.458, com os seguintes argumentos, em suma: I – Dos Fatos Tratase de Auto de Infração lavrado em face da Recorrente, julgado parcialmente procedente, referente a cobrança de contribuições previdenciárias supostamente devidas, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT) e concernentes às remunerações (em tese), pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, vujos fatos geradores não teriam sido declarados em GFIP, referentes às competências compreendidas entre: 06/2001 a 12/2005. Houve recolhimento e/ou antecipação das contribuições por parte da Recorrente, vez que reconhecido pela própria DRJ. Alega a Recorrente que o Auto de Infração, tendo sido lavrado em 22/04/2010, o período compreendido entre: 06/2001 a 03/2005, encontrase decaído nos termos do art. 150, § 4o do CTN, vez que houve antecipação no pagamento. A discussão em tela se refere ao marco do prazo decadencial, qual seja, nos termos do art. 173, II do CTN, como pretende a Fiscalização, por se tratar de um lançamento que substituiu a DEBCAD n. 35.764.2902, Proc. n. 35358.000411/200633, ou nos termos do art. 150, § 4o do CTN, como pretende a Recorrente, por se tratar de lançamentos distintos, vez que o “substituído” se referia a contribuições sociais incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, já o atual se refere, além daquelas, a contribuições dos segurados contribuintes individuais. Não é possível identificar exatamente a origem ou correlação dos débitos declarados nulos no lançamento substituído com os débitos ora em litígio. A Recorrente traz um quadro comparativo entre a DEBCAD n. 37.282.3980 (atual) e a DEBCAD n. 35.764.2902 (substituída), no qual demonstra a diferença entre os valores lançados nas citadas DEBCADs, tais como: cobrança de SAT/RAT e Terceiros (substituído) e SAT/RAT e Empresas (atual); assim como as bases de cálculo divergem. Transcreve trechos do Acórdão para comprovar o alegado. Insurge em face da responsabilidade solidária da GASTLOSEN, alegando que o simples fato de funcionarem no mesmo endereço e sob a administração da mesma pessoa, Sr. Gustavo Henrique Paiva Corral Perles, CPF: 288.367.12819, não seriam fatos comprobatórios da formação de um grupo econômico. Ressalta, contudo, que até a presente Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10920.001431/201045 Acórdão n.º 2403001.182 S2C4T3 Fl. 3 5 data, a GASTLOSEN não fora devidamente intimada do Acórdão de 1a instância que reconheceu a responsabilidade solidária. II – Do Direito II.1 – Nulidade do Procedimento Fiscal Não é possível identificar no lançamento a origem exata do levantamento realizado, assim como a correlação dos débitos constantes no Auto de Infração com os débitos exigidos no lançamento substituído, prejudicando a defesa, por ser uma conduta desarrazoada e eivada de vício. Traz doutrina para fundamentar o alegado. II.2 Decadência A regra da decadência ao caso em tela deve ter como base o art. 150, § 4o do CTN, por se tratar de um tributo sujeito a lançamento por homologação. Diante disso, como o lançamento foi constituído com a ciência da Recorrente em 26/04/2010, estão decaídos os períodos anteriores à competência 04/2005. Por outro lado, a DRJ manteve o lançamento em relação ao período compreendido entre 06/2001 a 03/2005, sob o argumento de que o Auto de Infração lavrado em face da Recorrente substituiu a DEBCAD n. 35.764.2902, Proc. n. 35358.000411/200633, julgado nulo em 30/03/2007, aplicando, por conseguinte, a decadência com base no art. 173, II do CTN. Sustenta a Recorrente que um ato administrativo que não traz a descrição clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas, assim como tem valores confusos, que devem ser refeitos, não pode ser tido como um ato eivado de mero vício formal. Restando evidenciado que não se trata de vício na forma, mas no conteúdo, ou seja, vício material, impossibilitando, por conseguinte, um lançamento retificador. Por esse motivo, o caso dos autos é de um novo lançamento, com novos elementos. Traz jurisprudência e doutrina para fundamentar o alegado. III – Das Provas Protesta pela produção de todos os meios de provas admitidos em direito, inclusive conversão em diligência. IV – Do Pedido Protesta pela juntada posterior de eventuais documentos que se fizerem necessários, assim como demais provas. Requer reforma do acórdão da DRJ, assim como o total provimento do recurso e o reconhecimento da decadência das competências compreendidas entre: 06/2001 a 03/2005. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls. 1.394 e 1.395, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. PRELIMINARMENTE DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8, nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõem o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (...) Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10920.001431/201045 Acórdão n.º 2403001.182 S2C4T3 Fl. 4 7 constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Nesse diapasão, mister destacar que para que seja aplicado o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, basta que haja a antecipação no pagamento de qualquer Contribuição Previdenciária, ou seja, não é necessária a antecipação em todas as competências. Havendo a antecipação parcial em uma única competência, já se aplica as regras do art. 150, § 4º do CTN. Também é entendimento deste Relator, que a antecipação a título de Contribuição Previdenciária abrange o pagamento para todas as rubricas relacionadas, tais como: destinadas a outras entidades e fundos — Terceiros (Salárioeducação e INCRA), dentre outras. Tratase de Auto de Infração – AI, referente às contribuições previdenciárias devidas pela empresa, destinadas à Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (GILRAT), referente às remunerações pagas/creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, além de diferenças decorrentes de recolhimentos em atraso. É fato incontroverso que este lançamento substituiu a DEBCAD n. 35.764.2902, Proc. n. 35358.000411/200633, pois, assim destacou o Fiscal autuante no seu Relatório Fiscal, especificamente na fl. 93, verbis: “1.2. Este lançamento foi feito em substituição ao Lançamento de COMPROT 35358.000411/200633 e DEBCAD 35.764.2902, de 29.03.2006, julgado nulo por vício formal em 30.03.2007.” Com base no supracitado entendimento, a Recorrente pleiteia a aplicação da decadência nos termos do art. 150, § 4º do CTN, tendo como marco para a contagem do prazo o dia da notificação deste lançamento, qual seja: 26/04/2010; decaindo, por conseguinte, o período compreendido entre: 06/2001 a 03/2005. Por outro lado, a DRJ aplicou a decadência com base no art. 173, II do CTN, por entender que o lançamento em litígio substituiu a DEBCAD n. 35.764.2902, Proc. n. 35358.000411/200633, que fora julgado nulo em 30/03/2007, por vício formal. Logo, o prazo decadencial fora interrompido, não havendo que se falar em decadência, no caso em tela. Para delimitar o início da contagem do prazo decadencial, temse que analisar se a anulação da NFLD substituída se deu por vício formal, como destacado na ementa, ou por vício material, como pleiteado pela Recorrente. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 8 Analisando a DecisãoNotificação n. 20.421.4/0067/2007, nas fls. 1.446/1.449, referente à NFLD n. 35.764.2902, temse a seguinte ementa, verbis: “NOTIFICAÇÃO FISCAL. VERDADE MATERIAL. NULIDADE. O relatório fiscal deverá conter a discriminação clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas, de forma a possibilitar o contraditório e a ampla defesa. Devem ser integralmente apreciadas as provas apresentadas pela impugnante. É nulo o lançamento fiscal eivado de vício formal insanável. (grifo nosso) LANÇAMENTO NULO.” Dessa análise, fica evidente que a DEBCAD n. 35.764.2902 fora anulada em decorrência da existência de vício formal. Por outro lado, analisando trechos da DecisãoNotificação n. 20.421.4/0067/2007, nas fls. 1.446/1.449, extraise o que segue, verbis: “4. Os autos foram baixados em diligência (fl. 698) para a manifestação da auditoria fiscal que se pronunciou através do Relatório Fiscal Complementar e da Informação Fiscal (fls. 700/706), esclarecendo sobre os levantamentos e sobre as alegações de recolhimentos efetuadas pela impugnante, apresentando planilhas para retificação do presente crédito. Juntou documentos (fls. 707/775). 5. Havendo necessidade de novos esclarecimentos, os autos foram postos em diligência fiscal (fl. 776). O auditor manifesta se à fl. 778, informando sobre vícios constatados nos diversos lançamentos emitidos contra a impugnante, sugerindo sejam anulados e substituídos em novo procedimento fiscal. (...) 7. Inicialmente, analisando os aspectos formais da presente Notificação Fiscal, temos que não foi lavrada em consonância com o disposto no artigo 37 da Lei 8.212/91, eis que não houve a discriminação clara e precisa dos fatos geradores e das contribuições devidas, de forma a propiciar à empresa, adequadamente, a ampla defesa e o devido contraditório. (...) 9. Todavia, fazendose uma análise conjunta em todas as notificações lavradas, devido à estreita interligação entre elas, verificase que, mesmo após as retificações informadas pela auditoria fiscal, a empresa continua com razão ao alegar que nem todos os seus recolhimentos foram considerados e que os valores informados mostramse confusos.” (grifo nosso) Logo, verifico que tais equívocos não ensejam a nulidade decorrente de vício formal, e sim na nulidade da NFLD por vício material. Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10920.001431/201045 Acórdão n.º 2403001.182 S2C4T3 Fl. 5 9 Nesse sentido, seguem trechos da ementa e do voto do Proc. n. 35273.0001091200615, que prolatou o Acórdão n. 240100.434, julgado em 5 de junho de 2009, verbis: “PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. LANÇAMENTO. ERRO DESCRIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. VICIO MATERIAL. NULIDADE. A descrição clara e precisa do fato gerador, bem como da base de cálculo (matéria tributável) do tributo lançado, in casu, contribuições previdenciárias, é condição sine qua non à validade do lançamento, e a sua ausência e/ou equívoco importa na nulidade material do ato, configurando afronta aos preceitos do artigo 142 do Código Tributário Nacional. (...) Não obstante as alegações do fisco previdenciário, suscitadas em suas contrarazões, o inconformismo da contribuinte tem o condão macular a exigência fiscal consagrada pelo lançamento. Da análise dos autos do processo, concluise que, de fato, o fiscal autuante deixou de demonstrar/descrever clara e precisamente a base de cálculo das contribuições previdenciárias ora exigidas, senão vejamos. Consoante se positiva da Informação Fiscal acima transcrita, concluise que a fiscalização não logrou apurar de forma clara e precisa a base de cálculo das contribuições previdenciárias ora lançadas, contrariando o disposto na legislação de regência, notadamente no artigo 142 do CTN.” A fim de robustar esse entendimento, trazse à baila, trechos do Acórdão n. 920200.668, do Proc. n. 35465.000814/200584, julgado por unanimidade em 13 de abril de 2010 pela 2a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, verbis: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1997 a 31/12/1998 VICIO MATERIAL. NULIDADE. Quando a descrição do fato não é suficiente para a certeza de sua ocorrência, carente que é de algum elemento material necessário para gerar obrigação tributária, o lançamento se encontra viciado por ser o crédito dele decorrente duvidoso. Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (...) Por todo o exposto, a descrição dos fatos, quando existente mas tida como insuficiente, contamina o lançamento com um vício Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 10 de conteúdo, material e, portanto, não se deve aplicar a regra especial no artigo 173, II, mas tão somente as regras gerais nos artigos 150, §4° e 173, 1 do Código Tributário Nacional. Portanto, voto por negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional.” (grifo nosso) Nesse diapasão, mister se faz analisar a DEBCAD n. 35.764.2902 há luz da legislação vigente há época, qual seja: art. 142 do CTN, art. 37 da Lei 8.212/91 e art. 243 do Decreto n. 3.048/99, verbis: CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Lei n. 8.212/91: Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Decreto n. 3.048: Art. 243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (grifo nosso) Diante do exposto, coaduno do entendimento de que o presente caso importa a aplicação do prazo previsto no art. 150, § 4º do CTN, pelas seguintes razões: • a DEBCAD n. 35.764.2902, fora anulada por vício material, não tendo interrompido o prazo decadencial, como preceitua o art. 173, II do CTN; • da análise do Relatório de Apropriação de documentos Apresentados – RADA de fls. 28/60, verificase a existência de antecipação no pagamento da contribuição previdenciária em várias competências, mesmo que de forma parcial. O período de apuração compreendeu as competências 06/2001 a 12/2005. A notificação ocorreu em 26/04/2010 (fl. 109). Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre 06/2001 a 03/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, conforme explicado. Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10920.001431/201045 Acórdão n.º 2403001.182 S2C4T3 Fl. 6 11 DO MÉRITO A Recorrente sustenta, em suma, que o lançamento não observou as regras do art. 142 do CTN, assim como não trouxe de forma clara a composição da base de cálculo e os supostos débitos, assim como não foram apontados os supostos segurados e a remuneração submetida a contribuição previdenciária. Contudo, através da análise do Discriminativo do Débito – DD de fls. 4/20, cumulada com o Relatório de Documentos Apresentados – RDA de fls. 21/27, cumulado com o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA de fls. 28/60, cumulado com Diferença de Acréscimos Legais – DAL de fls. 61/63, cumulado com o Relatório de Lançamentos – RL de fls. 64/79 e do Relatório Fiscal, constante nas fls. 93/101, é possível a exata compreensão dos fatos e fundamentos ensejadores do lançamento em litígio. Estando presentes, por conseguintes, todos os requisitos do art. 142 do CTN. A Recorrente argumenta, outrossim, a nulidade do lançamento em face da inclusão de outros fatos geradores, além daqueles já incluídos na DEBCAD n. 35.764.2902, substituído. Ocorre que a inclusão de outros fatos geradores em nova fiscalização, não enseja a nulidade do novo lançamento, razão pela qual não merece prosperar os argumentos da Recorrente. Logo, não tendo demonstrado o adimplemento das verbas não abrangidas pela decadência, deve o lançamento ser mantido. MULTA DE MORA A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabelece que os débitos referentes a contribuições não recolhidas no prazo previsto em lei, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61, da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Tendo em vista que o artigo 106 do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, cominelhe penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 em comparativo com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo), para determinação e prevalência da multa mais benéfica, no momento do pagamento. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: Fl. 1501DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 12 a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. CONCLUSÃO Do exposto, julgo procedente em parte o recurso para reconhecer a decadência em relação ao período compreendido entre 06/2001 a 03/2005, nos termos do art. 150, § 4º do CTN; assim como para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 1502DF CARF MF Impresso em 25/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 15956.000020/2008-24
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO.
Conforme Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
Também o § 3° do artigo 126, da Lei 8.213, de 24/07/1991, aduz que a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto.
Na forma do inciso IV do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, a concessão de medida liminar em mandado de segurança suspende a exigibilidade do crédito. É conseqüente e conservador não julgar o mérito até o trânsito em julgado.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2403-001.152
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não
conhecer do recurso com base na Sumula Nº 1 do CARF. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Fernando Abad Freitas Alves – OAB/RJ105923.
Nome do relator: IVACIR JÚLIO DE SOUZA
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO. Conforme Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF , importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Também o § 3° do artigo 126, da Lei 8.213, de 24/07/1991, aduz que a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. Na forma do inciso IV do artigo 151 do Código Tributário Nacional CTN, a concessão de medida liminar em mandado de segurança suspende a exigibilidade do crédito. É conseqüente e conservador não julgar o mérito até o trânsito em julgado. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso com base na Sumula Nº 1 do CARF. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fez sustentação oral o advogado da recorrente Dr. Fernando Abad Freitas Alves – OAB/RJ105923. Fl. 236DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Carlos Alberto Mees StringariPresidente Ivacir Julio de SouzaRelator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, e Jhonatan Ribeiro da Silva. Convocada a conselheira Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 237DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15956.000020/200824 Acórdão n.º 240301.152 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório A instância “ad quod” produziu o Relatório que li, compulsei com os autos, e tendo corroborado abaixo transcrevo , na íntegra com grifos de minha autoria: “O Auto – de – Infração DEBCAD n° 37.106.1814 foi lavrado por ter sido constatado que a Autuada apresentou G.F.I.P. Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, nas competências arroladas, com dados não correspondentes a todos os fatos geradores, de acordo com o explanado no Relatório Fiscal da Infração, o que constitui infração as disposições contidas no art. 32, inciso IV, § 50 , da Lei n° 8.212, de 24/07/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528, de 10/12/97, tendo sido aplicada a multa no valor de R$ 502.026,00 (quinhentos e dois mil e vinte e seis reais), fundamentada no art. 32, inciso IV, parágrafo 5°, da Lei n° 8.212/91, com a redação dada pela Lei n° 9.528/97, e art. 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social R.P.S., aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, tudo de conformidade com o contido no Feito, no Relatório Fiscal da Infração e no Relatório Fiscal da Aplicação da Multa do presente processo. Em conformidade com o Relatório Fiscal, a Empresa Autuada elaborou e apresentou GFIP Guias do Fundo de Garantia e Informações a Previdência Social, relativas as competências 01/03 até 12/03, mas não incluiu os fatos geradores referentes à receita bruta de álcool e açúcar exportado através da Cooperativa de Produtores de Cana deAçúcar, Açúcar, e Álcool do Estado de São Paulo COPERSUCAR. Dentro do prazo regulamentar, a Autuada apresentou IMPUGNAÇÃO, através do instrumento de fls. 21 a 30, consubstanciada nas seguintes alegações, em síntese: Da Medida Liminar concedida, e que impedia a lavratura do Auto de Infração. Quando da lavratura do presente Auto de Infração, havia, como ainda há, medida liminar em vigor, concedendo efeito suspensivo à apelação e mantendo em vigor as disposições da liminar concedida anteriormente, para que a Receita Federal do Brasil se abstivesse de adotar qualquer ato tendente a obrigar as referidas entidades ao pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre receitas decorrentes de exportação realizada por empresas comerciais exportadoras ou "tradings companies". Frisa também que existe ação direta de inconstitucionalidade n° 35720, onde se requer que a suspensão liminar da eficácia e, ao final, a declaração de inconstitucionalidade dos §§ 1° e 2° do artigo 245 da Instrução 'Normativa MPS/SRP no 03/05. Fl. 238DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Da inexigibilidade da multa cobrada por intermédio do Auto de Infração. Não sendo devida a obrigação principal, também não o será a obrigação acessória. Não houve infração alguma, e, por isso, é improcedente o auto de infração. Estando a Requerente amparada por medida liminar, impedindo a cobrança referida, era defeso ao fisco considerar obrigatório o cumprimento da obrigação acessória no sentido de declarar a receita na GFIP. de se destacar que a requerente está amparada pelo artigo 63 e §§ da Lei n° 9.430/96, que é claro no sentido de não ser exigível a multa de ofício quando se tratar de autuação destinada a constituir o crédito tributário, o que é evidentemente o caso, pois a requerente está amparada por medida liminar. Portanto, o auto de infração é totalmente improcedente, eis que é indevida qualquer multa, muito menos pelo descumprimento de obrigação acessória, face a existência de medida liminar impedindo a cobrança da contribuição sobre as receitas de exportação. Das exportações realizadas diretamente por intermédio da COPERSUCAR, da qual a requerente é associada, e das exportações realizadas intermédio de Trading Companies: A As vendas feitas diretamente pela Cooperativa as quais devem ser consideradas como exportações realizadas diretamente pela requerente. A NFLD é nula, porque está a cobrar valores decorrentes das exportações realizadas via Copersucar, sendo certo que estas jamais poderiam ter instruído a NFLD, uma vez que neste caso a exportação deve ser considerada como tendo sido realizada pela própria Requerente, face a natureza do ato cooperativo. Da mesma forma que a NFLD n° 37.148.7471, também este auto de infração é nulo de pleno direito, pois baseado em receita de exportação via Copersucar, as quais evidentemente não poderiam e não deveriam ensejar a aplicação de multas por infração a obrigação acessória, conforme será demonstrado mais uma vez, da mesma forma que já foi demonstrado na impugnação a NFLD no 37.148.7471. Não existe venda da produção da cooperada para a cooperativa. Por força do sistema cooperativista, a produção da cooperada deve ser necessariamente comercializada pela cooperativa, de tal forma que a produção há de ser imediatamente entregue à cooperativa para que esta promova a comercialização. Essa entrega se dá no próprio estabelecimento da cooperada. Após a comercialização, que poderá completarse em maior ou menor tempo, é que se procede o rateio entre as cooperadas, na proporção do fornecimento de cada uma. Afastase, por completo, a aplicação da Instrução Normativa n° 03, no seu art. 245. E, caso a citada Instrução fosse legal e constitucional, a NFLD poderia cobrar apenas e tão somente as contribuições devidas via trading, e não em função das exportações via Cooperativa. B Vendas feitas via Trading Companies. A empresa foi autuada não só por exportações feitas diretamente pela Cooperativa, mas também por exportações feitas via trading. B 1 Da infração ao principio da irretroatividade da norma tributária. Desde já cabe denunciar a ofensa ao principio da irretroatividade da norma tributária, previsto no artigo 150, inc. Fl. 239DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15956.000020/200824 Acórdão n.º 240301.152 S2C4T3 Fl. 3 5 III "a" da Constituição Federal. O período objeto é janeiro de 2003 a dezembro de 2003, porém, neste período, ainda não estava em vigor a Instrução Normativa IN/SRP n° 03/05. Por mais este motivo, a NFLD não pode prevalecer, devendo ser julgada improcedente, determinando o arquivamento do respectivo processo administrativo. B 2 Da ilegalidade e inconstitucionalidade da norma que instituiu tal cobrança, prevista na Instrução Normativa no 03/2005, artigo 245 e § §. De acordo com a citada Instrução Normativa, as exportações realizadas por meio de empresas comerciais exportadoras (trading companies) não seriam beneficiadas pela imunidade tributária, devendose recolher a contribuição previdenciária respectiva. O texto constitucional concede imunidade às receitas decorrentes de exportação, pouco importando se tal receita decorra de exportação direta ou indireta, realizada por intermédio de trading companies. Para que fosse legitima a introdução da norma de tributação das receitas decorrentes de operações de exportação, seria necessário modificar a Constituição Federal, não bastando Lei Complementar. Por outro lado, a referida Instrução Normativa feriu o art. 110 do Código Tributário Nacional, modificando o conceito legal e usual de exportação, ao considerar como tal somente aquele que tiver sido realizada diretamente pela empresa, desprezando o fato de que a exportação também é aquela realizada por intermédio de trading companies. Há de se ressaltar que o Decreto Lei n° 1.248/72, recepcionado pela Constituição Federal de 1988, estendeu às operações de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa de trading companies os mesmos beneficios fiscais concedidos às efetivas exportações. A referida Instrução Normativa, ao fazer distinção entre as exportações diretas daquelas outras realizadas por intermédio de trading contrariou a regra constante do artigo 3° do DecretoLei n° 1248/72. Assim, a Instrução Normativa violou o princípio da isonomia tributária. Convém consignar que a NFLD não fez a devida separação das receitas decorrentes de vendas no comércio externo via trading companies das vendas decorrentes do mercado externo via Copersucar, englobando todas as receitas numa só, o que cerceia e prejudica o direito de defesa da Requerente e gera a nulidade da NFLD. E, ao final, requer seja declarado nulo o auto de infração, face ter sido lavrado durante a vigência de medida liminar, e ainda porque está a cobrar multa aplicada em decorrência de receitas oriundas das exportações realizadas pela Copersucar, sendo certo que estas jamais poderiam ter instruído a NFLD n° 37.148.7471 (e motivado a aplicação de multa neste auto de infração), uma vez que nesse caso a exportação deve ser considerada como tendo sido realizada pela própria Requerente, diretamente, face a natureza do ato cooperativo. Caso superado esse obstáculo, o que admitese apenas por hipótese, requer seja julgado improcedente o auto de infração, face a existência de impedimento jurisdicional a sua lavratura, consubstanciado em medida liminar impedindo a cobrança da referida contribuição, Fl. 240DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 e face a inexistência da obrigação acessória de preencher e enviar a GFIP em relação aos fatos geradores mencionados no auto de infração, inclusive em face da violação ao principio constitucional da irretroatividade da norma tributária. Caso seja superado este obstáculo, o que admitese apenas por hipótese, requer seja julgada improcedente o auto de infração, face a ilegalidade e inconstitucionalidade das disposições contidas no art. 245 e §§ da Instrução Normativa n° 03/2005, que inclusive fere o principio constitucional da irretroatividade da norma tributária, determinandose, outrossim, o arquivamento do respectivo processo administrativo a ser instaurado. Em 05/03/08, o Contribuinte protocolizou o instrumento de fls. 169 a 177, requerendo a juntada de documento que demonstra que é associada da UNICA, União da Agroindústria Canavieira do Estado de São Paulo, de documento que demonstra que é associada e integra a categoria econômica representantes dos Mandado de Segurança Coletivo, ou seja, Sindicato da Indústria do Açúcar no Estado de São Paulo e Sindicato da Indústria da Fabricação do Álcool no Estado de São Paulo. Requer também a juntada de certidão de documento em pé. É a síntese dos Autos.” DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Após analisar os argumentos da impugnante, na forma do registro de fls. 179, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto – SP – DRJ/POR, em 21 de maio de 2008, exarou o Acórdão n° 1419.296, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, fls.205 onde reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” dando ênfase ao fato de estar amparada por medida liminar, a cobrança da obrigação é indevida em razão de que : “ não sendo devida a obrigação principal, também não o será a obrigação acessória. Neste sentido depois de longo arrazoado , resumiu o seu pedido na forma abaixo: “ Ante o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso, para reformar a decisão recorrida e julgar improcedente o auto de infração lavrado, face a sua evidente nulidade, a qual requer seja declarada, em razão da existência de impedimento jurisdicional a sua lavratura, consubstanciada em medida liminar impedindo a cobrança da referida contribuição.” É o Relatório Fl. 241DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15956.000020/200824 Acórdão n.º 240301.152 S2C4T3 Fl. 4 7 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme fls. 221, a tempestividade resta comprovada. Aduz que este não reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo não conhecimento. DA PRELIMINAR DE NULIDADE De plano, convém trazer à lume o comando do artigo 79, da Lei 5.764/71, lei esta que define a Política Nacional de Cooperativismo, institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, e dá outras providências: “ Art. 79 Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. ” Cabe ressaltar que o presente trata de analisar se é procedente a lavratura do Auto de Infração realizado em razão de, conforme Relatório Fiscal, fls. 15, a Recorrente ter deixado de informar nas Guias de Recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social GFIP nas competências 01/2003 a 12/2003 a receita bruta decorrente da comercialização de seus produtos rurais no mercado externo através da Copersucar infringindo assim o disposto no artigo 32, inciso IV, § 5° da Lei 8212/91 acrescentado pela Lei no 9.528/97 combinado com art 225, IV, § 4° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3048, de 06/05/1999 e alterações posteriores. Sob o comando do inciso IV do artigo 32 a empresa estava assim obrigada : “ IV – informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. ( Incluído pela Lei n° 9.528, de 1997) Na forma do § 2º do artigo 113 do Código Tributário Nacional – CTN a obrigação acessória decorre da legislação : “ Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (...) § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela Fl. 242DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos.” O Auditor Fiscal que lavrou o Auto, na oportunidade, teve entendimento de que ocorrera a obrigação principal à qual fez surgir a presente obrigação acessória vinculada àquela. Dessa forma, sem julgar o mérito, não resta dúvida quanto à exação do procedimento produzido pelo Auditor Fiscal. Assim, não dou provimento à alegação de nulidade. QUESTÃO DE FUNDO Do contexto exsurge questão crucial para definir a lide. A questão de fundo é uma vez compulsado o pedido da liminar com a decisão, verificar se os fatos geradores das contribuições previdenciárias levantados estavam alcançados naquela sentença em Mandado de Segurança. Às fls. 82, no item 52 do Mandado de Segurança Coletivo n° 2005.61.00.0251305 interposto na 8.ª VARA DA JUSTIÇA FEDERAL EM SÃO PAULO, a Recorrente manifesta seu pedido : “ 52. Ex positis, é a presente para reiterar o pedido de liminar, no sentido de emissão de ordem judicial à Autoridade Impetrada para que no exercício de seu dever normativo impeça que as Delegacias da Receita Federal do Brasil Previdenciárias adotem quaisquer medidas judiciais ou administrativas tendentes à cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre as vendas procedidas pelas unidades produtoras associadas aos impetrantes, As empresas comerciais exportadoras e tradinqs com o fim especifico de exportação até o julgamento final deste mandamus.” Às fls. 87 na DECISÃO o Magistrado registrou que : “ Tratase de mandado de segurança, com pedido de liminar, em que se pede a concessão de ordem para: Declarar a inexigibilidade da obrigação tributária relativa às contribuições previdenciárias incidentes sobre as vendas procedidas pelos impetrantes empresas comerciais exportadoras e tradings. com o fim especifico de exportação, já realizadas e a realizar enquanto viger a imunidade tributária contemplada pelo aft. 149, §2.°, I, da CF, afastando, portanto, o justo receio de que venham a ser praticados atos coatores em decorrência da IN MPS/SRP n.° 3/2005” Às fls. 213, decidindo Agravo interposto, o Desembargador assim se manifestou: “Ante o exposto, defiro o efeito ativo requerido, a fim de determinar à agravada que se abstenha de adotar qualquer ato tendente a obrigar a agravante ao pagamento de contribuições previdenciárias incidentes sobre receitas decorrentes de exportação realizada por empresas comerciais exportadoras ou "tradings companies".” Fl. 243DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15956.000020/200824 Acórdão n.º 240301.152 S2C4T3 Fl. 5 9 Tendo prosperado seu pedido, baseado nisto, em sede de impugnação, ora reiterado em grau de recurso alegou a Recorrente que : “ No caso, estando a Recorrente amparada por medida liminar, conforme demonstrado, impedindo a cobrança da contribuição referida, era defeso ao Fisco considerar obrigatório o cumprimento da obrigação acessória no sentido de declarar a receita na GFIP.” Muito embora a extensa exposição de argumentos, no PEDIDO RECURSAL requereu em síntese a improcedência da lavratura do auto em razão da existência de impedimento jurisdicional: “Ante o exposto, requer seja dado provimento ao presente recurso, para reformar a decisão recorrida e julgar improcedente o auto de infração lavrado, face a sua evidente nulidade, a qual requer seja declarada, em razão da existência de impedimento jurisdicional a sua lavratura, consubstanciada em medida liminar impedindo a cobrança da referida contribuição.” DA IDENTIDADE DE OBJETOS Referindose à lavratura da Notificação da infração por descumprimento das obrigações principais que deram origem a Auto em comento, o Relator “ad quod”, às fls. 186, na condução de seu voto, após analisar o Mandado de Segurança, concluiu conforme o abaixo transcrito: “ Nas Defesas apresentadas relativas a NFLD no 37.148.7471 e ao Auto de Infração em pauta, o Impugnante não trouxe nenhuma prova que demonstrasse que receitas consideradas pela fiscalização estão abrangidas no objeto da ação judicial interposta, ou seja, Mandado de Segurança n° 2005.61.00.0251305.” Em que pese o merecido respeito que se declina ao Relator, e também à prerrogativa da livre convicção do julgador definida no artigo 29 do Decreto 70.235/72, entendo que seu ponto de vista carrega subjetividade em razão de discordar mas não apresentar de que modo e quais foram os parâmetros que o levaram a tal conclusão. De modo diverso, compulsando o Auto e a Liminar, destaco que o objeto do ponto de vista do Fisco é a ocorrência dos fatos geradores a incidência e sua exação. E pelo prisma da Recorrente, referindose ao mesmo objeto, a discordancia da incidência. Resguardandose para que não fosse cobrada , requereu e obteve liminar para tal. Simplificando, o Fisco amparado na Legislação entendeu que devia constituir o crédito e o contribuinte, entendendo estar legalmente amparado, embora de forma precária, discorda de cumprir as obrigações lhe imputadas. Cumpre destacar que no item 50 do Mandado de Segurança interposto, ao afirmar que , se for o caso de obter êxito no seu pedido, o deferimento da liminar requerida não representará óbices para que o Fisco exija o crédito tributário guerreado, a própria Recorrente de forma indireta assume que há identidade de objetos. Fl. 244DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 “ 50. Ponderam os impetrantes que o deferimento dessa liminar não trará qualquer prejuízo à Administração Previdenciária, na medida em que na improvável hipótese de improcedência do writ poderá ela adotar todas as providências que entender devidas para a exigência do crédito tributário.” Relevante dar ênfase à parte final do item 52 da liminar supra, onde a Recorrente aponta que seu objeto é que se : “impeça que as Delegacias da Receita Federal do Brasil Previdenciárias adotem quaisquer medidas judiciais ou administrativas tendentes à cobrança das contribuições previdenciárias incidentes sobre as vendas procedidas pelas unidades produtoras associadas aos impetrantes, As empresas comerciais exportadoras e tradinqs com o fim especifico de exportação até o julgamento final deste mandamus.” Assim, consignado no objeto da ação judicial a generalidade concedida com a inclusão de óbice a que se pratique quaisquer medidas administrativas e/ou judiciais no sentido de compelilas ao pagamento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as vendas, faz alcançar todos os atos da mesma natureza exposta restando claro a identidade de objetos. DA RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS Conforme Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Também o § 3° do artigo 126, da Lei 8.213, de 24/07/1991, aduz que a propositura, pelo beneficiário ou contribuinte, de ação que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual versa o processo administrativo importa renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Na forma do inciso IV do artigo 151 do Código Tributário Nacional – CTN, o Mandado de Segurança suspende a exigibilidade do crédito tributário, verbis : “Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I moratória; II o depósito do seu montante integral; III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; ( Incluído pela Lcp n° 104, de 10.1.2001) ” Fl. 245DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 15956.000020/200824 Acórdão n.º 240301.152 S2C4T3 Fl. 6 11 Por óbvio, para ser suspenso o crédito precisa estar constituído e este se constitui pela lavratura do LANÇAMENTO. Diante de tudo que foi exposto, entendo que a empresa desistiu das instâncias administrativas, ab initio, e para elidir hipótese decadencial procedeuse o lançamento em tela. CONCLUSÃO Com fulcro na Súmula nº 1 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e também no § 3° do artigo 126, da Lei 8.213, de 24/07/1991, NÃO CONHEÇO DO RECURSO e declaro a RENÚNCIA da recorrente às instâncias administrativas em face da propositura pelo sujeito passivo de AÇÃO JUDICIAL DE MESMO OBJETO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 246DF CARF MF Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP05.0919.13580.CM05. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES em 21/03/2012 16:32:09. Documento autenticado digitalmente por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES em 21/03/2012. Documento assinado digitalmente por: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI em 24/04/2012 e IVACIR JULIO DE SOUZA em 16/04/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 05/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP05.0919.13580.CM05 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 2EA7A9EA1A2CBE56CB331D357CC55108667E0992 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 15956.000020/2008-24. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10845.004432/87-27
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri May 21 00:00:00 UTC 1993
Data da publicação: Fri May 21 00:00:00 UTC 1993
Ementa: CLASSIFICAÇÃO.
1 - O produto, de nome comercial Unislip 1759, na forma como foi importado, trata-se de uma "mistura de amidas graxas,
com predomínio de oleamida, com características de cera
artificial", conforme Laudo n. 1351/87 e Informação Técnica número 64/89 do LABANA/Santos. Classificação tarifária TAB 34.04.01.99.
2 - Incabível, no caso, a multa de mora.
3 - Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 301-27.425
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a multa de mora, vencido o Conselheiro
José Theodoro Mascarenhas Menck, que retirava também a multa do artigo 526, 11 do RA e Fausto de Freitas e Castro Neto, relator, Miguel Calmon Villas-Boas e Luiz Antonio Jacques, que davam provimento integral e Ronaldo Lindimar José Marton que negava integralmente. Designado para redigir o Acórdão o Conselheiro Itamar Vieira da Costa, na forma do relatório e voto que passam integrar o presente julgado.
Nome do relator: FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO
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decisao_txt : ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a multa de mora, vencido o Conselheiro José Theodoro Mascarenhas Menck, que retirava também a multa do artigo 526, 11 do RA e Fausto de Freitas e Castro Neto, relator, Miguel Calmon Villas-Boas e Luiz Antonio Jacques, que davam provimento integral e Ronaldo Lindimar José Marton que negava integralmente. Designado para redigir o Acórdão o Conselheiro Itamar Vieira da Costa, na forma do relatório e voto que passam integrar o presente julgado.
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F••, ! t.- CAMM,A / :::,.0 CC RP N.•3.~t:_. • MINISTERIO DA ECONOMIA, FAZENDA E PLANEJAMENTO TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PRIMEIRA CAMARA 10845.004432/87-27 PROCESSO N 9 ~~_~~ __ ~~~._~~~_ • 301-27.425ACORDA0 N! _ Recurso n2 .. Recorrente: 21 de maio 3 Sessão d._~~~. _~de 1.99_ 109.830 AKZO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. • Re corrid DRF - SANTOS/SP CLASSIFICAÇAO. 1. O produto, de nome comercial Unislip 1759, na for- ma como foi importado, trata-se de uma "mistura de amidas graxas, com predomínio de oleamida, com ca-. racterísticas de cera artificial", conforme Laudo n. 1351/87 e Informação Técnica número 64/89 do LANABA/Santos. Classificação tarifária TAB . 34.04. 01.99 . 2. Incabível, no caso, a multa de mora. 3. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, • ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votO$, em dar provimento parcial ao recurso, para excluir a multa de mora, vencido o Conse- lheiro José Theodoro Mascarenhas Menck,. que retirava também a multa do artigo 526, 11 do RA e Fausto de Freitas e Castro Neto, relator, Miguel Calmon Vil las-Boas e Luiz Antonio Jacques, que davam provi- mento integral e Ronaldo Lindimar José Marton que negava integral- mente. Designado para redigir o Acórdão 6 Conselheiro Itamar Vieira da Costa, na forma do relatório e voto que passam a integrar o pre- sente julgado. . Brasília-DF em 1 de maio de 1993. e relator desig- RUY ODRIGUES DE SOucA - Procurador da Faz. Nacional VISTO EM SESSAO DE: 22 QUT 1993 vide verso DAMEFP/DF - SECOS N2 041/92 _ J. H. I.,l 2 •. Participaram ainda do presente julgamento os seguin- tes Conselheiros: João Baptista Moreira e Maria de Fátima Pessoa de Mello Cartaxo. • • O:' ~. .-.:::A-. MF - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - PRIMEIRA CAMARA RECURSO N. 109.830 - ACORDA0 N. 301-27.425 RECORRENTE AKZO INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. RECORRIDA : DRF - SANTOS - SP RELATOR : FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO RELATOR DESIGNADO : R E L A T O R I O Retorna o presente processo de diligência ao INT determinada pela Resolução 301-541 (fls. 99) que por não ter sido integralmente atendida, foi para isto devolvido à repartição de origem pelo despacho de fls. 122, com a con- cordância do Dr. Procurador da Fazenda Nacional na sua pro- moção de fls. 123 que foram acolhidas pelo Sr. presidente. Para relembrarem a matéria, leio para os Srs. Conselheiros o relatório da Resolução 301-357 (fls. 8 ) que deu início a todas as outras Resoluções que dela decorreram, bem como a Informação Técnica do LABANA/SANTOS, de fls. 85 e o laudo do INT de fls. 127. E o relatório. r;lJr 0,,, Rec. 109.830 Ac. 301-27.425 v O T O Conselheiro ITAMAR VIEIRA DA COSTA, Relator designado: • A decisão de la. Instância, de n. 291/87, es- tá assim ementada (fls. 49): "Comprovado pelo LABANA não ser a mercadoria oleilamida importada a mesma que consta da Guia de Importação, sua classificação se faz no código 34.04.01.99 da TAB." Nos autos vê-se a preocupação desta la. Câma- ra em chegar a uma conclusão, com a ajuda dos órgãos técni- coso Com efeito. Em 25.01.89, pela Resolução n. 301-357 esta la. Câmara determinou diligência ao LABANA/Santos para diri- mir dúvidas suscitadas. O LABANA/Santos expediu a Informação Técnica n. 064/89 onde ratificou os termos do laudo anterior. O processo foi enviado ao Instituto Nacional de Tecnologia INT (Resolução n. 301-541/90), a fim de aquele Instituto pudesse, também, apresentar sua opinião a respeito do assunto. Depois de todas as intervenções feitas, en- tendo que o encadeamento lógico para a decisão está alicer-. çado nos seguintes dados: As fls. 13, o laudo n. 1351/87, nos seguintes termos: BrookfieldTipo "Resultados das Análises: Aspecto: pó levemente amarelado. Identificação por Infravermelho: positiva (conforme amostra padrão) Identificação por Cromatografia Gasosa: 1 pico principal identificado como oleamida (80,1% em área) e outros picos secundários apresen- tando respectivamente ..... (11,5% a 3,6% em área). positivas.Características de Cera: Faixa de fusão: 69-74 C Viscosidade em Viscosímetro Rotativo do à 84 C: 16,2 cps • CONCLUSAO: Trata-se de uma Misturas de Amidas produto de constituição quimica não características de Cera Artificial. Graxas, um definida com RESPOSTA AO QUESITO: Trata-se de uma Mistura e Amidas Graxas, um produto de tituição química não definida com características de Artificial. 2 cons- Cera verbis: Na mesma linha a Informação Técnica n. 64/89 técnica ferente "Em constante ao produto atendimento à solicitação de informação às fls. 82 e 83 do presente processo, re- "Oleilamida - Unislip 1759", informamos: Pergunta 1- Se a amostra submetida a exame se identifica in- teiramente com o produto descrito nos documentos de importação, Unislip 1759? Pergunta 2- Se o produto tem constituição química definida nos termos da TAB, ou se trata de uma mistura de Amidas Graxas como conclue o laudo de análise de fls. 13? • • Resposta: Resposta: A amostra analisada trata-se de uma mistura de Amidas Graxas, com predominância .em Oleamida (Amida do Acido Oleico), concordandoparcialmen- te com a composição declarada nos documentos de importação . Ao analisar o produto por cromatografia gasosa obteve-se os seguintes resultados: 1 (um) pico principal com 80,1% em área identi- ficado como sendo da oleamida e outros picos se- cundários com 11,5% e 3,6% em área respectiva- mente. Portanto, é constituído de uma mistura de Amidas Graxas com predominância da Oleamida. Isto indica que para a sua síntese foi utilizado um Acido Oleíco impuro ou bruto, existente no mercado com o nome genérico "Acido Oleíco", que contem associado ao mesmo quantidades variáveis de outros ácidos graxos como o ácido linoléico, palmítico e esteárico, sendo portanto, um produ- to de constituição química não definida. Para o produto ser considerado de constituição química definida deveria ter sido submetido a um proces- so de purificação a fim de reduzir o teor de ou- tras amidas graxas ou mesmo isolar a Oleamida pura. Esses dados são confirmados pelos resultados de análises descritos nas folhas 55-56 e 59-60. Pergunta 3- Se o produto tem características de cera artifi- cial como, também, conclui o laudo de análise de fls. 13? Resposta: Quanto à características de cera temos: 1) o produto apresenta um ponto de fusão supe- rior à 40 C; 2) à uma temperatura de 10 de fusão, ou seja, à 84 C acima do seu ponto C, a viscosidade do f' produto, medida no viscosímetro tipo field, é igual a 16,2cps; 3 Brook- Pergunta 5- Há cientificamente parâmetro para estabelecer o percentual mínimo para que o produto seja consi- deradod de constituição química definida? • • Pergunta 4- Resposta: Resposta: 3) o produto previamente fundido e após ter dei- xado solidificar apresenta-se opaco e ao exercer uma ligeira pressão torna-se brilhan- te; 4) à 20 C; a) o produto não é susceptível de modelação; b) o produto prevíamente fundido e após ter deixado solidificar apresenta-se duro e quebradiço; 5) funde-se sem se decompor e não se torna es- tírável acima do seu ponto de fusão; 6) A consistência do produto varia com elevação da temperatura, bem como a sua solubilidade em solvente orgânico. Estando, portanto, de acordo com os dizeres das Notas Explicativas do Sistema Harmoniza- do para as Ceras Artificiais (p.730 e 731). Tendo em vista o catálogo do exportador do pro- duto submetido a exame, os 97% de pureza dizem respeito ao Teor de Amida ou esse percentual é específico e exclusivamente de Oleilamida? o teor de pureza, indicado na literatura técnica específica do fabricante "Unicheme Internacio- nal" (folha 28), refere-se a soma de todas as amidas presentes, ou seja, a soma do teor de Oleamida mais as outras amidas presentes. Compostos orgânicos são constituídos basicamente pela combinações dos elementos C, H, O, N e se apresentam quando isolados fórmula molecular e estrutural definida. E para que apresentem-se puros, ou seja, com características de um com- posto de constituição química definida e isola- do, são submetidos a processos de purificação como extração, recristalização, destilação, etc. Desse modo, para o produto em epígrafe ser con- siderado de constituição química definida e iso- lado, deveria submeter-se a um processo de puri- ficação a fim de reduzir o teor de outras amidas graxas ou mesmo isolar a Oleamida pura. Portanto, ratificamos integralmente o Laudo de Análise n. 1351/87 (fI. 13) que concluiu tratar- se de mistura de Amidas Graxas, um produto de constituição química não defi~a, com caracte- ristioas da Cara ,"tifioial." T de dar a multa lança- é cabi- i' 4 o produto analisado, em decorrência de todas as análises e opiniões aqui relatadas, se classifica no có- digo TAB 34.04.01.99. Foi correta a ação fiscal. Por todo o exposto, voto no sentido provimento parcial ao recurso para excluir, apenas, de mora tendo em vista que este processo resulta de menta "de ofício", através de Auto de Infração e não vel falar-se neste caso, em~. Sala das Sessões, 21 de maio de 1993. • • ITAMAR VIE Relator -, v o T o V E N C I D iJ Rec.109.830 AC.301-27.425 • • Contrapondo-se ao laudo de LABANA n. 1.351 (fls. 13) e Informação Técnica n. 064/89 (fls. 85), que con- cluiu que o produto em questão, OLEILANIDA, de nome comer- cial UNISLIP 1759, trata-se de uma mistura de amidas graxas, um produto de constituição química não definida, com carac- terísticas de cera artificial, o laudo do INT, produzido em razão determinada pela Resolução n. 301-541, conclui que "o ácido oleico do comércio é uma mistura natural de ácidos graxos, com grande predominância do ácido oleico; do fato resulta que a oleamida é também uma mistura de ácido oleico comercial, com predominância de amida do ácido oleico pro- priamente dito. Em conclusão, a mistura decorre do próprio processo de fabricação, mais particularmente de uma das ma- térias-primas emoregadas . A purificação do ácido oleico onera o produto final a ser obtido. Por outro lado, os demais componentes, além da octadecamida propríamente dita, não tornam a merca- doria apta a usos particulares, nem lhe melhoram a aptidão ao emprego. Em conclusão, ao nosso ver, para fins de classificação tarifária, a presença dos demais ácidos gra- xos, além do ácido oleico não descaracteriza "UNISLIP 1759" como composto orgânico de constituição química definida, uma vez que o produto apresenta alta pureza. Se esse parecer do I.N.T. muito mais detalha- do do que o do LABANA conclui que a mistura decorre do pró- prio processo de fabricação e que a presença dos demais áci- dos graxos não descarateriza UNISLIP 1759 como composto or- gânico de constituição química definida, não pode exatamente por isto classificar-se na posição ~ TAB 34.04, de acordo com as notas dessa posição. Consequentemente, dou provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 21 de março de 1993. t:..,(.-.Li ()_.1i?,.;.. FAUSTO DE FREITAS E cISTRÕ-NE1b - Relator. 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008
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Numero do processo: 11330.001023/2007-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2002
Ementa:
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIDADE
Constitui obrigação acessória a empresa lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos.
DECADÊNCIA.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional.
Um único evento em período não decadente caracteriza a infração.
Numero da decisão: 2403-001.173
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar
provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art. 150, § 4º do CTN. Vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari, designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2002 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIDADE Constitui obrigação acessória a empresa lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Um único evento em período não decadente caracteriza a infração.
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Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente VOLUME CONSTRUCÕES E PARTICIPAÇÕES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 31/03/2002 Ementa: OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTABILIDADE Constitui obrigação acessória a empresa lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. Um único evento em período não decadente caracteriza a infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por maioria de votos, em dar provimento ao recurso reconhecendo a decadência total com base no art. 150, § 4º do CTN. Vencido o relator Carlos Alberto Mees Stringari, designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Relator/Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Jhonatas Ribeiro da Silva. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001023/200709 Acórdão n.º 2403001.173 S2C4T3 Fl. 75 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Rio de Janeiro I, Acórdão 1216.506 da 13ª Turma, que julgou procedente o lançamento. A autuação foi assim apresentada no Relatório Fiscal: 1. A empresa autuada não possui em sua contabilidade contas ou subcontas específicas para lançamento, exclusivamente, dos fatos geradores de contribuições previdenciárias relativas aos valores pagos ou creditados pela mesma, aos segurados trabalhadores autônomos e demais pessoas físicas, segurados não empregados da VOLUME, até a competência 02/2000, e aos segurados contribuintes individuais, a partir da competência 03/2000 referentes às despesas com prestações de serviços por eles executados. 2. Da mesma forma, não existem contas ou subcontas individualizadas para lançamento dos fatos geradores de contribuições previdenciárias relativos às remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados, de forma que se possam identificar as rubricas integrantes e não integrantes do salário de contribuição, constantes das folhas de pagamento. 3. Tais lançamentos são efetuados de forma globalizada nas contas de despesas com salários e custos com pessoal (obras). 4. Para comprovação foram anexados a este Relatório Fiscal Cópia do Plano de Contas da Volume (Anexo 1), amostragem de resumos das folhas de pagamento de algumas obras —Hospital do Andaraí, Hospital de Laranjeiras e Hospital Universitário (Anexo 2) e amostragem dos lançamentos contábeis extraídos dos Livros Razão das contas de Custo de Venda de Serviços Obras Custo de Pessoal das contas "4.1.11.02.027 — Hospital do Andarai", "4.1.11.02.033 —Hospital de Cardiologia de Laranjeiras" e "4.1.11.02.008 — Hospital Universitário". (Anexo 3). 5. Observe que o Regulamento da Previdência Social, no inciso II do parágrafo 13° do seu artigo 225, determina que os fatos geradores e as contribuições previdenciárias deverão ser lançados em contas individualizadas. "§ 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo, obrigatoriamente: Fl. 83DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 1 atender ao princípio contábil do regime de competência; e II registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços." (grifei) 6. A situação descrita acima constitui infração ao inciso II do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, de 24/07/1991,combinado com o artigo 225, inciso II, e parágrafos 13 a 17 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, de 06/05/1999, sendo lavrado o presente Auto de Infração Al. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Decadência. • Efetuou compensação de Contribuições Previdenciárias pagas indevidamente sobre a remuneração de autônomos e administradores da Lei 7.787/89. • Quanto à impossibilidade de relevação da multa, pedido feito de início pela Recorrente em se tratando de empresa sem antecedentes de autuação do tipo, essa relevação foi negada sob fundamento de que não houve correção da falta dentro do prazo da impugnação, visto ausência de apresentação de GFIP's, mas, resta evidente que tudo tem sido feito pela pessoa jurídica dentro do que manda a legislação de regência, inocorrendo, dentro da realidade fática, incidência ou reincidência de qualquer infração. É o relatório. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001023/200709 Acórdão n.º 2403001.173 S2C4T3 Fl. 76 5 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. DECADÊNCIA O lançamento fundamentouse no artigo 45 da Lei 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n º 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade desse artigo, nestas palavras: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme previsto no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula de n º 8 vincula toda a Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála. Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Uma vez não sendo mais possível a aplicação do art. 45 da Lei n º 8.212, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional (CTN), o art. 173 ou o art. 150 (este último diz respeito ao lançamento por homologação). Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado Fl. 85DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) No caso presente, tratase de autuação pelo não cumprimento de obrigação acessória (deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos), portanto, não se trata de lançamento por homologação. Não há recolhimento a homologar. Aplico, portanto, a regra do artigo 173 do CTN. Os fatos geradores que motivaram a autuação ocorreram no período de 04/1999 a 03/2002. A ciência do lançamento ocorreu em 03/07/2007. Para esta autuação 1 único evento em período não decadente caracteriza a infração. Uma vez caracterizado evento em período não decadente, entendo não configurada a decadência. RELEVAÇÃO DA MULTA Fl. 86DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11330.001023/200709 Acórdão n.º 2403001.173 S2C4T3 Fl. 77 7 A relevação da multa era prevista no §1°, do Art. 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, e estava condicionada a 3 eventos: formulação de pedido, correção da falta dentro do prazo de impugnação e ausência de circunstâncias agravantes. Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Conforme citado no acórdão recorrido, não houve a correção da falta, o que impede a relevação da multa. 7.14. Não houve a correção da falta dentro do prazo de impugnação CONCLUSÃO Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 87DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 17/05/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10640.003599/2007-36
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103-A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal
No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 04/1997 a 09/1997, o lançamento tendo sido cientificado em 27.09.2007, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o
direito do fisco de constituir o lançamento.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2403-001.142
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento ao recurso voluntário em face da decadência total do crédito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o Art. 173, I, CTN.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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JOAO FELICIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/1997 a 30/09/1997 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº. 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal No presente caso, o fato gerador ocorreu entre as competências 04/1997 a 09/1997, o lançamento tendo sido cientificado em 27.09.2007, dessa forma, irrelevante a apreciação de qual dispositivo legal deve ser aplicado, ora o art. 150, § 4º, CTN ora o art. 173, I, CTN, o que fulmina em sua totalidade o direito do fisco de constituir o lançamento. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário em face da decadência total do crédito tributário, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o Art. 173, I, CTN. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Jhonatas Ribeiro da Silva, Marcelo Magalhães Peixoto e Maria Anselma Coscrato dos Santos. Ausente o Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10640.003599/200736 Acórdão n.º 240301.142 S2C4T3 Fl. 95 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, fls. 78 a 91, apresentado contra Acórdão nº 0918.782 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, fls. 70 a 74, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação acessória, Auto de Infração nº. 37.111.0114, às fls. 01, sendo o valor da multa aplicada originalmente R$ 2.390,26. Conforme o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 17 a 19, o Auto de Infração nº. 37.111.0114, Código de Fundamentação Legal – CFL 33 foi lavrado pela Fiscalização contra a Recorrente pela falta de matricula no CEI — Cadastro Especifico do INSS de obra de construção civil de reforma e ampliação na ala de atendimento de convênios e particular, executada pela prestadora dos serviços NGV ENGENHARIA LTDA no período de 17/04/97 a 22/09/97. Houve portanto o descumprimento da obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, art. 49, §1º e §3º, na redação dada pela MP n° 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27/05/2009, combinado com o art. 256, § 1º, II, e §3º do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999. A multa a ser aplicada tem enquadramento legal na Lei n° 8.212, de 24/07/1991, artigos 92 e 102, e Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, inciso I, letra "d" e art. 373, com valor mínimo atualizado pela Portaria MPS nº 142, de 11.04.2007, no valor total de R$ 2.390,26. Não foi relatada circunstância atenuante e foi configurada circunstância agravante reincidência genérica, prevista no art. 290, inciso V e § único do RPS, o que elevou o valor da multa em duas vezes, conforme art. 292, IV do Regulamento. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 27.09.2007, conforme fls. 01. O período objeto do auto de infração, conforme o Anexo do Relatório Fiscal de Aplicação da Multa, é de 04/1997 a 09/1997. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 0918.782 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de Fora MG, fls. 70 a 74, conforme Ementa a seguir: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 26/09/2007 INFRAÇÃO. OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. MATRÍCULA. DECADÊNCIA E PRESCRIÇÃO. PRAZO DECENAL. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de matricular obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade, no prazo de 30 dias do inicio de suas atividades. O direito de a Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após dez anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. O direito de cobrar os créditos constituídos da Seguridade Social prescreve em dez anos. Lançamento Procedente Acordam os membros da 6' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido no Auto de Infração — AI Debcad n° 37.111.0114, de 26/09/2007, no valor de R$ 2.390,26 (dois mil, trezentos e noventa reais e vinte e seis centavos). Intimese para pagamento do crédito mantido no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao 2° Conselho de Contribuintes em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 305, § 1° do Regulamento da Previdência Social –RPS aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999 na redação dada pelo Decreto n'.4.729, de 09/06/2003, combinados com o art. 29 da Lei 11.457, de 16/03/2007. Encaminhese à Sacat/DRF Juiz de Fora/MG para cientificar o contribuinte do inteiro teor deste acórdão e demais providências necessárias ao seu cumprimento. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, em apertada síntese: Da decadência total. Requer a insubsistência da autuação, alegando que o período da infração, 04 a 09/97, encontrase abrangido pela decadência ou prescrição qüinqüenal, juntando farta jurisprudência com Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10640.003599/200736 Acórdão n.º 240301.142 S2C4T3 Fl. 96 5 decisões que consideram inconstitucional o prazo de 10 (dez) anos previsto nos artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 92. É o Relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação prestada às fls. 92. DAS QUESTÕES PRELIMINARES Preliminarmente, devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10640.003599/200736 Acórdão n.º 240301.142 S2C4T3 Fl. 97 7 nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10640.003599/200736 Acórdão n.º 240301.142 S2C4T3 Fl. 98 9 § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp Fl. 106DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Portanto, para que possa identificar o dispositivo legal a ser aplicado seja o art. 173, I, do CTN ou seja o art. 150, § 4°, do CTN – devese identificar a ocorrência, ou não, de pagamentos parciais, pois só assim se pode declarar os efeitos da decadência no lançamento. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação do Auto de Infração pela Recorrente se deu em 27.09.2007, conforme fls. 01, e o período objeto da autuação se refere a 04/1997 a 09/1997, segundo o Relatório Fiscal às fls. 17 a 19. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, tanto nos termos do artigo 150, § 4o, CTN quanto nos termos do artigo 173, I, do CTN. CONCLUSÃO Voto pelo CONHECIMENTO do Recurso, para, nas preliminares, DAR LHE PROVIMENTO, face à aplicação da decadência qüinqüenal, por quaisquer dos critérios adotados no CTN, ora o art. 150, § 4º, CTN, ora o art.. 173, I, CTN. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 107DF CARF MF Impresso em 24/04/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/03/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 13888.723729/2020-13
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES)
Ano-calendário: 2020
OPÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO. DÉBITO.
Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que, à época da opção, possuía débito com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, não regularizado no prazo legal.
Numero da decisão: 1003-002.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Márcio Avito Ribeiro Faria
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ementa_s : ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2020 OPÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO. DÉBITO. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que, à época da opção, possuía débito com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, não regularizado no prazo legal.
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BORBA TRANSPORTES Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE (SIMPLES) Ano-calendário: 2020 OPÇÃO. TERMO DE INDEFERIMENTO. DÉBITO. Não poderá recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou empresa de pequeno porte que, à época da opção, possuía débito com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, não regularizado no prazo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Márcio Avito Ribeiro Faria, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Retornam os autos após realização da diligência, nos termos da Resolução n° 1003-000.335, proferida, em 5 de outubro de 2021, pela 3ª Turma Extraordinária, da 1ª Seção de Julgamento, deste e. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, assim destacado: ... por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência, para que os autos retornem à DRF de origem a fim de que esta pronuncie-se AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 72 37 29 /2 02 0- 13 Fl. 49DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.895 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.723729/2020-13 sobre a procedência das alegações da Recorrente em relação à Guia da Previdência Social – GPS por ela apresentada. DO PROCESSO Tratam-se os autos de indeferimento da Opção pelo Simples Nacional motivado pela existência de débitos previdenciários exigíveis, conforme Termo de Indeferimento de Opção pelo Simples Nacional, registrado em 11/02/2020, fl. 6. Regularmente cientificada, apresentou Manifestação de Inconformidade, julgada, por unanimidade de votos, improcedente, nos termos do Acórdão da 6ª Turma DRJ10 nº 110- 001.027, de 24.9.2020, e-fls. 14-17, tendo em vista a existência de débito com a Fazenda Pública Federal, com exigibilidade não suspensa, não regularizado no prazo legal. DO RECURSO A Recorrente apresentou o Recurso Voluntário, e-fl. 25, em 18.11.2020, discorrendo sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge, afirmando que o débito previdenciário teria sido pago na devida data, havendo apenas um erro no preenchimento do documento de arrecadação, tendo, inclusive, pedido a sua retificação, conforme comprovante emitido pelo extrato previdenciário anexado ao recurso. DA DILIGÊNCIA A diligência proposta resultou no seguinte despacho (fl. 40): Em atenção à Resolução nº 1003-000.335 consultei os sistemas previdenciários encontrando o pagamento apresentado pela empresa. Referido pagamento foi retificado pelo contribuinte em 13/05/2020 conforme fls. 39, liquidando a divergência 05/2019 (fls. 36). Cientificado do resultado da diligência, a Recorrente restou silente. É o relatório. Voto Conselheiro Márcio Avito Ribeiro Faria, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, cabendo dele conhecer. Como relatado, por conta da existência de débitos impeditivos a opção realizado pelo Simples Nacional fora indeferida. Neste caminhar, já em sede de manifestação a Recorrente/Manifestante alega ter recolhido tais débitos no prazo, contudo, por um equivoco, a GPS teriam sido emitidas com o número de CNPJ errado, tendo solicitado a respectiva retificação. A DRJ, analisando as mesmas alegações ora colocadas no recurso voluntário, foi cirúrgica, apresentando, inclusive, documentos comprobatórios, ao considerar improcedente a Fl. 50DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.895 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.723729/2020-13 Manifestação de Inconformidade, tendo em vista que o dossiê de atendimento (solicitando a retificação das GPS) mencionado pela Recorrente não estava instruído com a documentação necessária (fl. 17), estando ausente o Formulário de Retificação de GPS preenchido e assinado, nos termos da IN RFB nº 1.265/2012. Assim, a decisão de primeira instancia entendeu que não houve a regularização das pendências existentes até o final do prazo legal, mantendo o indeferimento da opção do contribuinte pelo Simples Nacional. A diligência solicitada, por sua vez, afirma que a partir de consulta aos sistemas previdenciários teria encontrado o pagamento apresentado pela empresa, cuja retificação, pelo contribuinte, se deu em 13/05/2020 conforme fls. 39, liquidando a divergência 05/2019 (fls. 36). Não se nega que houve um pagamento e um equivoco do Recorrente, contudo, ficou demonstrado que a devida regularização se deu fora do prazo legalmente previsto. Vejamos que, no ano-calendário de 2020, o contribuinte tinha prazo até 31/01/2020 (último dia útil do mês) para regularizar eventuais pendências impeditivas ao ingresso no Simples Nacional, nos termos do artigo 6°, parágrafo 2º, inciso I, da Resolução CGSN n° 140/2018, abaixo reproduzido (grifo nosso): Art. 6º A opção pelo Simples Nacional deverá ser formalizada por meio do Portal do Simples Nacional na internet, e será irretratável para todo o ano-calendário. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) § 1º A opção de que trata o caput será formalizada até o último dia útil do mês de janeiro e produzirá efeitos a partir do primeiro dia do ano-calendário da opção, ressalvado o disposto no § 5º. (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, § 2º) § 2º Enquanto não vencido o prazo para formalização da opção o contribuinte poderá: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 16, caput) I - regularizar eventuais pendências impeditivas do ingresso no Simples Nacional, e, caso não o faça até o término do prazo a que se refere o § 1º, o ingresso no Regime será indeferido; (...) No caso, restou evidenciado que a regularização somente ocorreu em 13/5/2020, conforme fl. 39, ou seja, fora do prazo legal, levando ao indeferimento da opção ao Simples Nacional, nos termos do artigo 17, inciso V, da Lei Complementar nº 123/2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; (...) Fl. 51DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.895 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13888.723729/2020-13 Portanto, evidenciando-se que não houve regularização das pendências existentes até o final do prazo legal, o indeferimento da opção do contribuinte pelo Simples Nacional deve ser mantido. Nega-se provimento ao recurso. É como voto. (documento assinado digitalmente) Márcio Avito Ribeiro Faria Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10970.000096/2008-58
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. ACOLHIMENTO DO RECURSO.
Constatando-se que o Acórdão se encontra com vícios (contradição, omissão ou obscuridade), os Embargos de Declaração deverão ser acolhidos, para que o eles sejam sanados.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2403-001.186
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
acolher os Embargos de Declaração, que passará a ter a seguinte redação: Voto pelo provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os levantamentos PAT (alimento in natura fornecido pelo contribuinte) e BE (bolsa de estudo de graduação fornecida aos
empregados), bem como, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
Nome do relator: MARCELO MAGALHAES PEIXOTO
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decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, que passará a ter a seguinte redação: Voto pelo provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os levantamentos PAT (alimento in natura fornecido pelo contribuinte) e BE (bolsa de estudo de graduação fornecida aos empregados), bem como, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte.
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VÍCIOS. ACOLHIMENTO DO RECURSO. Constatandose que o Acórdão se encontra com vícios (contradição, omissão ou obscuridade), os Embargos de Declaração deverão ser acolhidos, para que o eles sejam sanados. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, que passará a ter a seguinte redação: Voto pelo provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os levantamentos PAT (alimento in natura fornecido pelo contribuinte) e BE (bolsa de estudo de graduação fornecida aos empregados), bem como, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente Marcelo Magalhães Peixoto – Relator Fl. 683DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 2 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza, Ivacir Júlio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Marcelo Magalhães Peixoto e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI Processo nº 10970.000096/200858 Acórdão n.º 2403001.186 S2C4T3 Fl. 1.947 3 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional contra o Acórdão de n. 2403000.697, que deu provimento parcial ao Recurso Voluntário, para afastar a contribuição previdenciária em relação à alimentação fornecida in natura, sem estar inscrita no PAT, em relação à bolsa de estudo, mesmo que destinada ao ensino superior, assim com no que tange à multa de mora, aplicar aquela mais benéfica, com base no art. 35 da Lei n. 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), com prevalência do valor mais benéfico ao contribuinte. Segundo a Embargante, “o acórdão padece de vícios sanáveis por meio dos presentes Embargos. Seja porque foi omisso, ao não fundamentar um dos pontos – fatal, anotese – de seu resultado; seja porque foi contraditório, ao concluir de uma dada maneira e apresentar resultado diverso.” Sustenta a Embargante que houve divergência entre o voto condutor e o resultado, em relação à aplicação da decadência. A Embargante requer o saneamento do vício apontado. É o relatório. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto Em relação aos pressupostos de admissibilidade dos Embargos opostos, entendo que foram preenchidos os requisitos em relação à tempestividade, a regularidade de representação, assim como em relação ao vício apontado. Analisando os autos, verificase que o fato gerador corresponde às competências compreendidas entre01/2004 a 12/2007 e a notificação ocorreu em 18/06/2008. Logo, não há que se falar em decadência. Da análise do voto condutor, verificase a ausência de qualquer menção à decadência, caracterizando, de fato, uma contradição. Da análise do resultado publicado, verificase outra contradição, tendo em vista que a tese deste relator fora vencedora, no que tange à exclusão da incidência da Contribuição Previdenciária em relação à alimentação in natura, fornecida pela contribuinte sem a inscrição no PAT, assim como em relação à bolsa de estudo de graduação. CONCLUSÃO Diante do exposto, conheço dos Embargos para que sejam sanados os vícios apontados nos Embargos e verificados de ofício, devendo o contribuinte ser intimado da mudança na conclusão do Acórdão n. 2403000.697, que passará a ter a seguinte redação: Voto pelo provimento parcial ao recurso, para excluir do lançamento os levantamentos PAT (alimento in natura fornecido pelo contribuinte) e BE (bolsa de estudo de graduação fornecida aos empregados), bem como, determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o determinado no art. 35, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009, prevalecendo a mais benéfica ao contribuinte. Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 686DF CARF MF Impresso em 29/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2012 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMARA, Assinado digitalmente e m 16/06/2012 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 21/06/2012 por CARLOS ALBERTO M EES STRINGARI
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Numero do processo: 10845.004432/87-27
Data da sessão: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2002
Data da publicação: Mon Jul 08 00:00:00 UTC 2002
Ementa: ADUANEIRO. Multa de mora, em lançamento de ofício.
Não incidência de multa de mora já que o crédito tributário lançado de ofício teve a exigência suspensa por efeito da impugnação e do
recurso.
Desprovido o recurso especial da Fazenda Nacional
Numero da decisão: CSRF/03-03.288
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO HOLANDA COSTA
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Sessão de : 08 DE JULHO DE 2002 Acórdão n° : CSRF/03-03.288 ADUANEIRO. Multa de mora, em lançamento de ofício. Não incidência de multa de mora já que o crédito tributário lançado de ofício teve a exigência suspensa por efeito da impugnação e do recurso. Desprovido o recurso especial da Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pale FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. •-110 ON P=-EITA • DRIGUES PRESIDENTE JOÃO dí,f2 ANDA COSTA REL TOR FORMALIZADO Eg: 2 7 AGO 2002 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros : CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, MÁRCIA REGINA MACHADO MELARÉ, HENRIQUE PRADO MEGDA, PAULO ROBERTO CUCO ANTUNES e NILTON LUIZ BARTOLI. RC Processo n° : 10845.004432/87-27 Acórdão n° : .CSRF/03-03.288 Recurso n° : RP/301-0.487 Sujeito Passivo : AKZO INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA RELATÓRIO Com o Acórdão 301-27.425, de 21 de maio de 1.993, a Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto por Akso Indústria e Comércio LTDA, para o fim de excluir do crédito tributário a multa de mora. Entendeu a Câmara que o produto de nome comercial UNISLIP 1759 se classificava no código 34.04.01.99 na TAB vigorante em 30.01.1987, por se tratar de mistura de amidas graxas, com predomínio de oleamida, com características de cera artificial conforme Laudo n° 1351/87 e Informação Técnica n° 64/89 do LABANA/SANTOS. Excluiu, porém a multa de mora pelo fato de o processo fiscal resultar de lançamento de ofício, através de auto de infração, não tendo ocorrido a mora. Inconformada, a Fazenda Nacional interpõe recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, contra a exclusão da multa de mora. Diz o ilustre Procurador que a revisão aduaneira se reporta ao fato gerador do imposto de importação, havendo o importador incorrido em mora quando não pagou na sua integralidade o imposto devido. Acrescenta que a mora opera-se "ex lege" e não há fundamento para exclusão da penalidade mesmo porque o art. 501 do RA autoriza sua aplicação cumulativa. A empresa apresentou suas contra-razões (fl. 151) e juntou recurso especial (fls. 152/154)1 No seu despacho, o ilustre Presidente da 1 a Câmara negou seguimento ao recurso do contribuinte, por descumprimento da exigência de juntada de decisão divergente. É o relatório. 2 Processo n° : 10845.004432/87-27 Acórdão n° : .CSRF/03-03.288 VOTO CONSELHEIRO JOÃO HOLANDA COSTA, RELATOR Em apreciação o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional que se insurgiu contra a exclusão da multa de mora. O contribuinte também interpusera recurso contra a parte mantida do crédito tributário, mas o pleito não teve seguimento pelo fato de não terem sido observadas as determinações quanto à comprovação da decisão divergente, na forma do Regimento Interno. Quanto ao recurso da Fazenda Nacional, tem-se como única matéria a apreciar, a exclusão da multa de mora do imposto de importação, matéria trazida pelo contribuinte no seu recurso voluntário. Trata-se de questão por diversas vezes julgadas nesta Câmara Superior de Recursos Fiscais, tendo prevalecido o entendimento de ser descabida tal penalidade. Com efeito, como o crédito exigido em lançamento de ofício ficara submetido ao efeito suspensivo da impugnação e do recurso voluntário, não incorreu o contribuinte na mora suscetível da incidência da a multa. Em consonância com os precedentes desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, voto para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Sala de Sessões - DF, em 8 de julho de 2.002 JOÃQ/ÂNDA COSTA 3 Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1
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Numero do processo: 10845.007458/88-16
Data da sessão: Thu Aug 22 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Tue Dec 29 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO
I - Denuncia espontânea: sua apresentação antes da Conferência Final de Manifesto, desde que atendidos os pressupostos do artigo 138 do CTN, exime o sujeito passivo da multa aplicável à espécie.
II, Recurso negado.
Numero da decisão: CSRF/03-01.731
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Cons. José Alves da Fonseca (Relator) e Itamar Vieira da Costa, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Ubaldo Campelo Neto.
Nome do relator: JOSE ALVES DA FONSECA
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ementa_s : CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO I - Denuncia espontânea: sua apresentação antes da Conferência Final de Manifesto, desde que atendidos os pressupostos do artigo 138 do CTN, exime o sujeito passivo da multa aplicável à espécie. II, Recurso negado.
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P/NAII=LUSAdl= MARtITMADIDA CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO I - Denuncia es pontânea: sua apresenta- ção antes da Conferência Final de Manifesto, desde que atendidos os pressupostos do artigo 138 do CTN, exime o sujeito passivo damultaapli cável ã espécie. II, Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos dere_ curso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fis- cais, por maioria de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatOrio e voto que passam a integrar o presente julgado. Venci -- dos os Cons. José Alves da Fonseca (Relator) e Itamar Vieira da Cos - ta, que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Cons. Ubaldo Campeio Neto. ... al2s:es (DF), em 22 de agosto de 1991. , ' , MA" M . i r ,,,,. PRESIDENTE • - /„. /., f. ' ALDO C ,,rEJ/NETO - RELATOR DESIGNADO It -.. , : IRAN DE LIMA - PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- Ak I DANIEFP/DF- SECO N g 064/90 JM -,: , ros: FAUSTO FREITAS DE CASTRO NETO, JOÃO HOLANDA COSTA, PAULO AFFONSE- CA DE BARROS FARIA JÚNIOR e SEBASTIÃO RODRIGUES CABRAL. Defendeu a re- corrente, seu advogado, Dr. Paulo Roberto Cuco Antunes - OABIRj número 44.697. Defendeu a Fazenda Nacional, seu Procurador-Representante, ,Dr. il Iran de Lima ‘t,4 74, r --- SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL PROCESSO NP 10845-007458/88-16 RECURSO NP. RP/301-0.129 ACÓRDÃO CSRF/03-01.731 RECORRENTE : CIA. DE NAVEGAÇÃO LLOYD BRASILEIRA Rep. P/ NAUTILUS AGÊNCIA MARÍTIMA LTDA. RECORRIDA : l g CÂMARA DO 3-12 CONSELHO DE CONTRIBUINTES. RELATÓRIO Recorre à Câmara Superior de Recursos Fiscais a Pro curadoria da Fazenda Nacional, pleiteando a reforma do acórdão n2301- 26.021, de 24/08/89, prolatado pela l g Câmara do 3 2 Conselho de Con tribuintes, cujo teor foi assim ementado: "Conferencia final de manifesto. Acréscimo de merca dor ia. 1. Caracterizada a denúncia espontânea uma vez sá tisfeitos os pressupostos do art. 138 do código Tri_ butário Nacional. 2. Recurso provido. Irisurge-se'à recorrente contra a decisão acima trans- crita que, por reconhecer a espontaneidade da denúncia da infração praticada pelo sujeito passivo, excluiu da exigncia fiscal o montàn te referente às penalidades. Alega a Fazenda Nacional que a sentença recorrida decidiu contra as provas, o direito e a jurisprudéncia. Afirma que a denúncia para ser considerada espontã nea, nos termos do art. 138 do CTN, deve ocorrer anteriormente ao início de qualquer procedimento, administrativo ou fiscal, relaciona do com a infração. Entende a recorrente que a visita aduaneira é o primeiro ato da Fiscalização, o que encontra amparo nos arts.35 e 45 do R.A., além de estar em harmonia com o que estabelece o Ato Decla- ratório CST n 2 04, de 17/01/86. Argumenta que não poderia ser de outra forma, sob pena de tornar letra morta a legislação relacionada com a matéria. ittV r 1 SERMO PÚBL ICO FEDERAL Processo n9 10845/007.458/88-16 2. Assim espera o provimento do recurso interposto. Em suas contra-alegações, o sujeito passivo susten ta que a visita aduaneira não constitui procedimento relacionado com a infração, uma vez que não tem por objetivo sua apuração. Tais infrações são apuradas através da Conferésncia Final de Manifesto, sendo este o procedimento cab,ivel, previsto no art. 25 do Dec. n 2 63.431/68. Acrescenta em sua contradita, argumentos relacio- nados com o requisito imposto pelo art. 138 dó CTN para caracteriza- ção da espontaneidade da denúncia, relacionada com o pagamento dos tributos devidos, ou o depósito de quantia arbitrada, aspecto éste não abordado pela Procuradoria da Fazenda em suas razões de apelação. Pede, assim, a manutenção da sentença recorrida. É o relatório. \-4 1 (4"( SERVO PUBLICO FEDERAL Processo n9 10.845/007.45M88-16 3. Acórdão n9,-CSRF/03-01.731 VOTO VENCEDOR Conselheiro UBALDO CMPELQ NETO, Relator: Entendo não assistir razão a Recorrente pois que, de fato, a confissão formulada atende ao disposto no art. 138 da Lei n9 5.172/66 (Código Tributário nacional). Não levo em consideração as disposições do Ato De- clarat8rio CST n9 4 de 1986,_ pois que a formalização da entrada do velculo y através da visita aduaneira, não é" procedimento específico de apuração de tal infração (falta ou acréscimo de mercadoria),não enquadrando-se, desta forma, na hipótese previstanoparágrafotinico,do mencionado art. 138 da Lei n9 5.172/66. Além do mais, é o pr6prio R.A. que, reportando-se ao DL n9 37_/66, art. 39, parágrafo único, estabelece: "Art. 476-A conferência final de manifesto destina- -se a constatar falta ou acréscimo, de volume ou mercadoria entrada no território aduaneiro, median- te o confronto do manifesto com os registros de des carga (DL 37/66, art. 39, § 19)". Desta forma, sendo a conferência final de manifesto o procedimento específico de apuração de tais infrações, 'entendo que s6 ficará caracterizada a perda da espontaneidade do transpor- tador marítimo para denunciar a falta ou acréscimo quando houver sido comprovadamente notificado, na forma como estabelece o D. n9 70.235/72, em seu art. 79, inciso 1 do inicio do citado procedimen to, ou de qualquer outro que indique, expressamente, que a Repar tição tenha dado início a tal apuração. Como nada disto ,iaçofiteceu no presente Caso, antes da apresentação da mencionada confição,en- tendo que a sua entrega ao 6rcrÃo fiscal ocorreu de forma espontaneal Esse 6, inclusive, o entendimento que norteia diver- sas Sentenças proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais sobre a matéria. • kij114 Imprensa P1Pcional SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n? 10.845100.7 458188-16 4. Ac6rdão n9-CSRF/03-01.731 Quanto ao recolhimento do tributo, conforme exigên- cia estipulada no mesmo art. 138 da Lei n9 5,172/66 (CTN),entendo que o depOsito realizado pela Recorrente, após tomarciencia dovalor fixado pela Repartição, atende, p lenamente, à exigencia da Lei. Como se sabe, a ação fiscal visa Obter do transpor- tador marítimo, a indenização prevista no art. 60, parágrafo úni- co, do DL n9 37/66. Não é, portanto, uma exigência específica de imposto formulada contra o res pectivo contribuinte. O transportador, ao denunciar a falta, não sabe ou não tem obrigação de saber, se existe, de fato, a incidencia butária e qual o seu montante. Daí porque re quer, na mesma peti- ção em que confessa a infração, o arbitramento do valor do im pos- to para fins de dep6sito, comoprevisto na lei. A repartição por sua vez, não atende a tal solicita ção e, ap6s algun tempo, efetua o lançamento do tributo que enten de devido pelo transportador, sob forma de indenização. Ora, o citado art. 138 do CTN fala no "pagamento do tributo devido". No meu entender, o fato do tributo haver sido lançado, ou mesmo exigido pela Repartição Aduaneira, não signifi- ca, obviamente, que seja tal tributo efetivamente devido. No decorrer de vários anos a 2a Câmarado Terceiro Conselho de Contribuintes, da qual tenho a honra de participar co mo membro efeitvo, vem julgando casos semelhantes, sempre acolhen- do o dep6Sito realizado pelo sujeito passivo como perfeitamente enquadrado nas disposiOes do referido art. 138 do CTN, que coloca a Fazenda Nacional garantida quanto ao recebimento do valor do tributo lançado. Isto, a Meu ver, atende á exigência colocada na legislação, Vejo, portanto, que ao determinar que a Denúncia se ja acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, es tá a norma voltada exclusivamente para a pessoa do Cóntribuinte direto do que tem condição de saber, previamente, se existe imposto devido e qual o seu valor. \ii;A 441- v À inly~Nacjor/M SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Processo n? 10845/007,458/88-16 5. Acórdão n9-CSRF/03-01.731 J5 em relação a acróscimosde mercadorias. no há que se falar em pagamento ou depósito de tributo, uma vez que não e- xiste incidé-ncia do mesmo. Desta forma, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial da Procúradoria da Fazenda Nacional. Eis o meu voto. Brasilia-DF, em 22 de agosto de 1991. U4.44 d. t_Oh UBALDO CAMPELO , TO - RELATOR n . 'i 4 h -11w yi , , frip,ensa Nanonal semonsucoHmuL PROCESSSO N? 1084.5/007.458J88-16 6. AcOrdão n9-CSRF/03-01.731 VOTO VENCIDO_ _ _ _ _ Conselheiro JOSÉ ALVES DA FONSECA, relator. Mantenho a decisão recorrida. A visita aduaneira é caracterizada como uma medida de fiscalização. Se assim não fos- se entendida, não haveria necessidade da existencia do artigo 45 do R.A. que dispOe que durante ela, se for o caso, o comandante do navio apresentará declaração de acréscimo de volume ou merca- doria em relação ao manifesto e outras declaraçOes e documentos de seu interesse. Ora, ninguém mais interessado que o comandante teria interesse em denunciar espontaneamente as faltas e acrés- cimos para livrar-se das multas. Entendo, assim, que a denUncia apresentada pela recor rente não atende o disposto no art. 138 do CTN por ter sido efe- tuado depois de iniciado o procedimento fiscal relacionado com a infração. Nego provimento ao recurso. Brasília - D.F., em 22 de agosto de 1991. /É-eeh JOSÉ ALVES DA FONSECA - RELATOR VENCIDO , Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1
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Numero do processo: 11080.014900/88-87
Data da sessão: Wed Sep 20 00:00:00 UTC 1989
Ementa: Conferência final de manifesto.
Falta de mercadoria na descarga - Ácido ortofosfórico, estado físico liquido-garantido IN-SRF 095/84.
Negado provimento.
Numero da decisão: 301-26.042
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em nagar provimento ao
recurso, vencidos os Conselheiros Fausto Freitas de Castro Neto e
Hamilton de Sá Dantas, na forma do relatório e voto que passam a in
tegrar o presente julgado.
Nome do relator: ROSA MARTA MAGALHAES DE OLIVEIRA
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