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Numero do processo: 10850.900103/2012-66
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 06 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon May 18 00:00:00 UTC 2020
Numero da decisão: 1001-000.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta examine a idoneidade da documentação anexada e intime a recorrente para apresentar outros documentos contábeis e fiscais, caso entenda necessários, para concluir (ou não) sobre a existência do crédito reclamado pela recorrente.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (presidente), Andréa Machado Millan, André Severo Chaves e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta examine a idoneidade da documentação anexada e intime a recorrente para apresentar outros documentos contábeis e fiscais, caso entenda necessários, para concluir (ou não) sobre a existência do crédito reclamado pela recorrente. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (presidente), Andréa Machado Millan, André Severo Chaves e José Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1500; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T1 Fl. 90 1 89 S1C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10850.900103/201266 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1001000.313 – 1ª Seção de Julgamento / 1ª Turma Extraordinária Data 6 de maio de 2012 Assunto CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO CSLL Recorrente ITAMARATI EXPRESS TRANSPORTE DE CARGAS E ENCOMENDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta examine a idoneidade da documentação anexada e intime a recorrente para apresentar outros documentos contábeis e fiscais, caso entenda necessários, para concluir (ou não) sobre a existência do crédito reclamado pela recorrente. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson (presidente), Andréa Machado Millan, André Severo Chaves e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1453.314 da 6ª Turma da DRJ/RPO que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, apresentada pela ora recorrente, contra o Despacho Decisório, que indeferiu a compensação pleiteada através de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 00 10 3/ 20 12 -6 6 Fl. 187DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10850.900103/201266 Resolução nº 1001000.313 S1C0T1 Fl. 91 2 PER/DCOMP, decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (código de arrecadação 2372), relativo ao período de apuração 09/2008. Em sua manifestação de inconformidade, a ora recorrente alegou que o crédito teve origem em recolhimento efetuado a maior, tendo por referência o valor da contribuição devida informado em DCTF/DIPJ, retificadoras. A DRJ rejeitou a preliminar, onde a ora recorrente pleiteou a realização de diligências e juntada posterior de documentos, com base nos artigos 18, 28 e 16 do Decreto 70.235/72. Quanto ao mérito, menciona os arts. 156 e 170 do Código Tributário Nacional que tratam da compensação. Cita também o Código de Processo Civil, no que se refere à responsabilidade pelas provas, concluindo: A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a interessada deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com documentos respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972... Com efeito, a interessada não fez juntar aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior no período 09/2008 resultante do confronto entre pagamentos alocados e/ou compensações realizadas naquele PA, e o débito apurado. Os documentos juntados aos autos (cópias de declarações prestadas à RFB e documentos de arrecadação), embora relevantes, possuem valor apenas indicativo, e mostramse insuficientes à adequada instrução probatória dos autos, nos termos do art. 333 do CPC, dos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), e do artigo 9º, § 1º, do Decreto Lei nº 1.598, de 1977, já acima transcritos, visando comprovar a insubsistência do débito informado no PER/DCOMP. Resta assim pendente a comprovação de crédito passível de compensação no que concerne ao(s) pagamento(s) objeto do pedido de compensação. Vale ainda ressaltar que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, uma vez não homologada a compensação, deve a autoridade fiscal encaminhar os respectivos débitos para cobrança, nos termos do art. 74, §§ 6º, 7º e 8º, da Lei nº 9.430, de 1996, a seguir transcritos... Cientificada em 27/11/2014 (fl 148), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 19/12/2014 (fl 157). É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, portanto, dele eu conheço. Fl. 188DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10850.900103/201266 Resolução nº 1001000.313 S1C0T1 Fl. 92 3 Em seu recurso voluntário, a recorrente faz um resumo dos fatos e argumenta que a decisão deva ser reformada porque não foram apreciadas, devidamente, as provas anexadas aos autos, argumentando que: Em primeiro lugar, em sua Declaração Original, isto é na DIPJ 2009 ano calendário de 2008, no 3° trimestre, às Fls. 38, consta que a CSLL a pagar resultou no valor de R$ 9.911,17. Não existe nada de errado, e tampouco em momento algum a contribuição apurada como devida foi contestada pelo Fisco. Em segundo, considerando que a DCTF original havia sido apresentada com erro, nada mais correto que apresentasse a DCTF Retificadora, conforme prevê sua norma reguladora. Assim fez a Requerente, apresentando a DCTF Retificadora n° 16.86.10.42.9367, Fls. 96 e 107, da qual consta que o DÉBITO APURADO realmente corresponde ao valor de R$ 9.911,17, sendo que ao mesmo vinculouse o pagamento pelo DARF do valor de R$ 23.582,81, efetivamente recolhido. Consta da mesma informação na DCTF, que do valor principal recolhido de R$ 23.582,81 foi considerado como Valor Pago do Débito a importância de R$ 9.911,17. Portanto, restou claro e sem motivo a maiores indagações que a empresa efetuou Pagamento a Maior do valor de R$ 13.671,64. Ademais, a DCTF retificadora foi apresentada em 07/10/2009 espontaneamente, isto é, antes de qualquer procedimento fiscal, haja vista que o Despacho Decisório chegou ao conhecimento da requerente em 08/02/2012, muito posteriormente à sua apresentação. ... Aliás, diferentemente do que exige a decisão recorrida para a materialização do crédito da Recorrente, sua confirmação é demasiadamente simples, porquanto sobremaneira evidente. Vejamos: Enquanto o DÉBITO APURADO e comprovado da CSLL do 3o Trimestre de 2008 é de R$ 9.911,17 (Fls. 38), a empresa realizou o PAGAMENTO no valor de R$ 23.582,81, identificados pela autoridade fiscal às Fls. 14. Obviamente que resultou no pagamento a maior de R$ 13.671,64. O que há de errado nisso? Cita decisão do Conselho de Contribuintes e a IN RFB 900/2008, art. 65, que todos os elementos estavam à disposição na base de dados da RFB (DCTF, DARF e DIPJ) e que a autoridade tinha a obrigação legal de diligenciar. A recorrente já havia anexado, por ocasião da apresentação de sua manifestação de inconformidade, documentos contábeis: · Balancete do período de julho a setembro de 2008, pelo qual se confirma que a Receita Bruta apurada corresponde exatamente ao valor declarado na apuração do imposto, de R$ 759.536,21, inclusive com a tributação de receitas financeiras no montante de R$ 18.979,71; e · Livro Diário n° 07, período 01/01/2008 a 3/12/2008, devidamente registrado, contendo o Balancete de Verificação de 31 de dezembro de 2008, do qual se verifica que a Receita Bruta do transporte de cargas no anocalendário atingiu o montante de R$ 2.848.226,17, que equivale ao total anual dos valores trimestrais declarados no cálculo do imposto de renda em sua DIPJ. E que a Receita Financeira no montante de R$ Fl. 189DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10850.900103/201266 Resolução nº 1001000.313 S1C0T1 Fl. 93 4 71.787,00, também corresponde ao total anual dos valores trimestres declarados. Requer, por fim: Em face do acima exposto, requerse: i) o acolhimento do presente Recurso Voluntário com a reforma da decisão recorrida e o reconhecimento do direito creditório no montante de R$ 13.671,64 de Pagamento a Maior da CSLL; ii) a HOMOLOGAÇÃO do PER/DCOMP n° 13934.00263.230609.1.3.041340 e o cancelamento do processo de cobrança n° 10850900.103/201266. A DCTF, desde a sua instituição, constitui confissão de dívida e, antes de se constituir em um direito, na verdade é um dever da autoridade confirmar as informações que justificam um direito ao crédito, nos termos do art. 170, do Código Tributário Nacional CTN: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Embora a retificação da DCTF tenha ocorrido antes da ciência do despacho decisório, nos termos da IN RFB 1.110/2010. em vigor na ocasião, a autoridade tem o direito de exigir as provas que lhe dêem a certeza quanto à liquidez dos créditos. A diligência é prerrogativa da autoridade, consoante o artigo 18, do Decreto 70.235/72, a seguir: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993). (grifei). Neste caso, observase, claramente, que a lide situase apenas no campo das provas. A DRJ deixou isso bem claro em seu julgamento. Na minha opinião, então, a recorrente deveria ter sido intimada a apresentar a documentação contábil/fiscal adicional, que fosse requerida pela DRJ ou ter sido convertido o julgamento em diligência, nos termos do art. 18, do Decreto 70.235/72, já transcrito, já que, na sua opinião, provas adicionais eram condição sine qua non para a homologação do direito. Como a documentação contábil, anexada em sede de primeira instância, aparenta não ter sido examinada, proponho a conversão do julgamento em diligência à Unidade de Origem para que esta examine a idoneidade desta documentação (listada acima), intime a recorrente para apresentar outros documentos contábeis/fiscais, que entender necessários, para concluir (ou não) sobre a existência do crédito reclamado pela recorrente. Deverá ser elaborado um relatório fiscal conclusivo sobre o direito, ou não, ao crédito, a ser encaminhado a este CARF, para que se prossiga com o julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 190DF CARF MF Documento nato-digital Processo nº 10850.900103/201266 Resolução nº 1001000.313 S1C0T1 Fl. 94 5 José Roberto Adelino da Silva Fl. 191DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10735.903329/2012-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO
Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Caso a omissão não apresente elementos suficientes para alterar o teor da decisão embargada, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
Numero da decisão: 3302-008.285
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para sanar a omissão, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10735.903325/2012-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargado, impõe-se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Caso a omissão não apresente elementos suficientes para alterar o teor da decisão embargada, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para sanar a omissão, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10735.903325/2012-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
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OMISSÃO. ACOLHIMENTO Existindo obscuridade, omissão ou contradição na decisão embargado, impõe- se seu acolhimento para sanar o vício contido na decisão. Caso a omissão não apresente elementos suficientes para alterar o teor da decisão embargada, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher parcialmente os embargos de declaração para sanar a omissão, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 10735.903325/2012-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Vinicius Guimarães, Walker Araujo, Jorge Lima Abud, Jose Renato Pereira de Deus, Larissa Nunes Girard (Suplente Convocada), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Corintho Oliveira Machado. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 3302-008.281, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de Embargos de Declaração opostos em face do Acórdão em questão, que negou provimento ao recurso voluntário, nos termos da ementa abaixo: AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 33 29 /2 01 2- 35 Fl. 225DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-008.285 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.903329/2012-35 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS [...] PROVAS. COMPENSAÇÃO De acordo com a legislação, a manifestação de inconformidade mencionará, dentre outros, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. A mera alegação sem a devida produção de provas não é suficiente para conferir o direito creditório ao sujeito passivo. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 04. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA DE MORA. ANÁLISE DE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 02. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado A Embargante alega uma série de omissões no acórdão acima citado. Contudo, apenas a omissão relativa à ilegalidade da capitalização de juros foi acolhida, nos termos do despacho de admissibilidade de embargos que integra os autos. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 3302-008.281, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Os embargos de declaração teve o exame de admissibilidade processado regularmente, dele tomo conhecimento. Conforme noticiado anteriormente, os Embargos de Declaração foram admitidos para sanar a omissão quanto à ilegalidade da capitalização de juros. De fato, o acórdão embargado não se pronunciou sobre tema, merecendo, assim, o pronunciamento. No recurso voluntário, a recorrente alega que houve a capitalização dos juros e que essa prática é ilegal. Conforme noção cediça, não cabe aos tribunais administrativos a análise de ilegalidade ou inconstitucionalidade de lei vigente, em respeito ao princípio da jurisdição uma. Fl. 226DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-008.285 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10735.903329/2012-35 A impossibilidade do CARF analisar inconstitucionalidade de lei já foi analisado com profundidade no capítulo recursal referente à aplicação da multa de mora, contido no acórdão embargado. Apenas reitero que, pelo Enunciado de Súmula CARF nº 02, o CARF pode se pronunciar acerca de inconstitucionalidade de lei. Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Diante do exposto, acolho parcialmente os Embargos de Declaração para sanar a omissão, sem efeitos infringentes, para negar provimento ao capitulo recursal referente à “capitalização de juros”. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de acolher parcialmente os embargos de declaração para sanar a omissão, sem, contudo, imprimir-lhes efeitos infringentes, nos termos do voto condutor. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 227DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10855.003945/99-07
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/02/1995 a 30/09/1995, 01/02/1998 a 31/12/1998
LANÇAMENTO INDEVIDO.
Não poderá subsistir o auto de infração de débitos devidamente extintos, por compensação.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-001.075
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1995 a 30/09/1995, 01/02/1998 a 31/12/1998 LANÇAMENTO INDEVIDO. Não poderá subsistir o auto de infração de débitos devidamente extintos, por compensação. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Mauricio Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Fl. 1DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10855.003945/9907 Acórdão n.º 330101.075 S3C3T1 Fl. 279 2 MONTEIRO PEÇAS E ACESSÓRIOS LTDA, devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado através do Recurso de fls. 125/149, contra o Acórdão nº 4.303, de 17/10/2003, prolatado pela DRJ em Ribeirão Preto SP, fls. 101/115, que decidiu pela procedência parcial do lançamento de PIS (fls. 03/04), por falta/insuficiência de recolhimento da contribuição, referente ao período de apuração de janeiro a setembro de 1995 e fevereiro a dezembro de 1998, cuja ciência ocorreu em 22/12/1999 (fl. 02). Tendo em vista que a contribuinte havia efetuado o recolhimento do PIS devido de acordo com a legislação vigente à época, a DRJ em Ribeirão Preto houve por bem cancelar o lançamento referente aos meses de janeiro a setembro de 1995, mantendo a autuação em relação aos demais períodos. Alertese que este processo, originariamente, consolidava os lançamentos de PIS e Cofins. Constatado não se tratar de autuação decorrente de tributação reflexa, foi determinada a formalização de autos distintos. Efetuouse o desentranhamento, permanecendo neste processo o auto de infração do PIS. O lançamento referente a Cofins foi formalizado no processo de nº 10855.001766/0014 (fls. 94 e 96). Em seu recurso, dentre outras questões, a contribuinte aduziu que esses lançamentos decorreram de divergência na base de cálculo, por não ter sido considerada a semestralidade e que os débitos lançados encontramse extintos pela compensação realizada no processo nº 10855.000482/9813. Assim, por meio da Resolução nº 20100.530, de 11/08/2005 (fls. 174/180), a Primeira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes houve por bem converter o julgamento do recurso em diligência a fim de que a DRF em Sorocaba, aguardasse o final do julgamento administrativo em relação ao precitado processo de compensação. Posteriormente, este processo foi instruído com os documentos de fls. 186/274, referentes àquele processo de compensação, além de se promover o seu apensamento a estes autos (fl. 275), sendo devolvido a este Conselho, para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. Como relatado, os presentes autos decorrem de lançamento de PIS, referente ao período de apuração de janeiro a setembro de 1995 e fevereiro a dezembro de 1998. Quanto ao período de janeiro a setembro de 1995, o lançamento foi devidamente cancelado pela primeira instância. Destarte, resta neste processo, tão somente, o período de fevereiro a dezembro de 1998. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10855.003945/9907 Acórdão n.º 330101.075 S3C3T1 Fl. 280 3 Conforme se verifica na Informação fiscal de fls. 203/205, originária do processo nº 10855.000482/9813, a contribuinte obteve decisão judicial reconhecendo o direito de compensar valores de PIS pagos a maior, decorrentes da inconstitucionalidade dos DecretosLeis nos 2.445/88 e 2.449/88, com expurgos inflacionários, semestralidade e prescrição decenal. Assim, visando à apuração do direito creditório, a DRF descontou do valor pago, a contribuição devida (fl. 204), apurando um saldo credor de R$45.019,42 em 29/12/1995 (fl. 210). Este saldo foi utilizado para promover compensações deste crédito com débitos tratados nos processos administrativos relacionados à fl. 205, dentre os quais, os débitos deste processo. Assim, conforme “Demonstrativos de Compensação” às fls. 215/216, os valores objeto do presente lançamento, bem como outros, foram devidamente compensados, extinguindose os débitos. A comprovação da compensação efetuada e, portanto, a extinção do débito lançado se verifica por meio dos documentos acostados às fls. 215, 216, 236, 239, 252/253 e 273. Dentre os períodos lançados que ainda permaneciam em litígio, quais sejam: fevereiro a dezembro de 1998, todos encontramse extintos por compensação. Vez que a Administração reconhece a extinção dos créditos tributários, objeto deste lançamento, não há como subsistir o presente auto de infração. Isto posto, voto no sentido de dar provimento ao recurso para cancelar o auto de infração. (Assinado Digitalmente) Mauricio Taveira e Silva Fl. 3DF CARF MF Emitido em 19/10/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/10/2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 03/10/ 2011 por MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Assinado digitalmente em 13/10/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 12196.000846/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/06/2002 a 28/02/2006
DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF.
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, as disposições do Código Tributário Nacional.
A decadência apenas deve ser reconhecida nas hipóteses em que a constituição do crédito tributário ocorre após 5 (cinco) anos do primeiro dia do exercício seguinte àquela em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou, ainda, após 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF N. 28.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 2201-006.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: SAVIO SALOMAO DE ALMEIDA NOBREGA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2002 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, as disposições do Código Tributário Nacional. A decadência apenas deve ser reconhecida nas hipóteses em que a constituição do crédito tributário ocorre após 5 (cinco) anos do primeiro dia do exercício seguinte àquela em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou, ainda, após 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF N. 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2002 a 28/02/2006 DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8/STF. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, as disposições do Código Tributário Nacional. A decadência apenas deve ser reconhecida nas hipóteses em que a constituição do crédito tributário ocorre após 5 (cinco) anos do primeiro dia do exercício seguinte àquela em que o lançamento poderia ter sido efetuado ou, ainda, após 5 (cinco) anos a contar da ocorrência do fato gerador. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA CARF N. 28. O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Francisco Nogueira Guarita, Douglas Kakazu Kushiyama, Débora Fófano Dos Santos, Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 19 6. 00 08 46 /2 00 7- 63 Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.869.340-9 lavrada em face da PLANEL PLANEJAMENTOS E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA., a qual, durante as competências de 06/2002 a 02/2006, teria cometido as seguintes infrações: i) deixar de recolher, no prazo legal, a Contribuição Previdenciária parte patronal incidente sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados, nos termos do que dispõe o artigo 22, I, ambos da Lei n. 8.212/91; artigo 12, I e parágrafo único c/c o artigo 201, I, parágrafo 1º e artigo 216, I, "b", todos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99 (fls. 32); ii) deixar de recolher, no prazo legal, a Contribuição Previdenciária à cargo dos segurados, incidente sobre as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados, nos termos do que dispõe o artigo 20 combinado com os artigos 12, I e VI, 28, I e parágrafos, todos da Lei nº n. 8.212/91; artigo 7º, § 2º, da Lei n. 8.620/93; artigo 17, II, da Lei n. 9.311/96; artigo 3º, § 2º, “h”, da Lei n. 9.317/96; artigo 9º, I, “g”, VI, §§ 1º a 7º, artigo 198, artigo 214, I, §§ 1º a 15, artigo 216, I, “a” e “b”, §§ 1º a 6º, e artigos 217 e 218, todos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99 (fls. 31); iii) deixar de recolher, no prazo legal, a Contribuição devida ao financiamento dos benefícios concedidos em razão da incapacidade laborativa pelos riscos ambientais do trabalho – RAT, nos termos do que dispõe o artigo 22, II combinado com os artigos 43 e 44, todos da Lei nº n. 8.212/91; artigo 12, I, parágrafo único combinado com os artigos 202, I, II e III e parágrafos 1º ao 6º, todos do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99; iv) deixar de recolher, no prazo legal, a Contribuição devida a Terceiros, destinada ao salário-educação, INCRA, SENAI, SESI, e SEBRAE, nos termos da legislação de regência, conforme fls. 32. Em razão disso, foi aplicada multa prevista nos artigos 239, III, “a”, “b”, “c” e §§ 2º a 6º e 11, e 242, §§ 1º e 2º, todos do Decreto n. 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social), combinados com o artigo 35, I, II, III, da Lei n. 8.212/91. De acordo com o Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 82/87), o crédito lançado tem como fatos geradores as remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados, relativas às competências de 03/2003 a 02/2006 – matriz, e 06/2002 a 12/2004, inclusive 13º salário - filial. A autoridade fiscal dispôs, ainda, que o crédito tributário foi apurado a partir da comparação feita entre as contribuições sociais contidas em folhas de pagamento colocadas a disposição da fiscalização para verificação do cumprimento das obrigações previdenciários e os créditos apresentados pela empresa (GPS pagas, deduções legais, diversos), demonstrados no relatório DAD - Discriminativo Analítico de Débito. Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital Além disso, verifique-se do mencionado relatório que autoridade fiscal acabou elencou os documentos que lhe foram entregues pela recorrente e que serviram para a apuração do crédito lançado (fls. 84), a saber: - Folhas de pagamento (Incluído: recibos de aviso prévio, férias e rescisões de contrato de trabalho) - Rais - Relação Anual de Informação Social - Contrato social e alterações - Cartão de Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica - Comprovantes de recolhimentos - GPS/GRPS - Livros diários (10/2000 a 12/2003) - Livros razões (10/2000 a 12/2005) - Notas Fiscais, faturas e recibos de mão de obra de serviços prestados - Contratos de obra de Empreitada e Sub- empreitada de obra de construção civil - Comprovantes de matrícula de obras de construção civil - Registro de Empregados. - Obs.: As folhas de pagamento que serviram de base para o presente levantamento de débito não foram informadas em GFIP – Guia de recolhimento ao FGTS e Informações à Previdência Social. Notificada da autuação em 24.08.2006 (fls. 3), a PLANEL PLANEJAMENTOS E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. apresentou Impugnação em 08.09.2006 (fls. 92/94), sustentando, pois, as seguintes alegações: - Dificuldade Financeira: A autuada passa por diversas dificuldades financeiras e administrativas, causadas pela estagnação da economia no seu campo de atuação; sendo que sequer possui obras em andamento, nem valores a receber, fatores que a impediram de honrar com alguns compromissos, inclusive previdenciários; - Nulidade - Ilegalidade dos Juros e Multas Exigidos na NFLD: A NFLD deve ser declarada insubsistente e nula por conta da ilegalidade dos juros lançados e da multa computada. Por isso, a NFLD deve ser cancelada ou os juros e multas devem ser reduzidos; - Inconsistência da Base de Cálculo das Contribuições: A base de cálculo não foi utilizada nos ditames legais, não sendo a autuada devedora da totalidade do débito lançado. Os autos foram encaminhados para apreciação da peça impugnatória e, aí, em Acórdão de fls. 130/133, a Seção de Contencioso Administrativo da Unidade de Atendimento de Campo Grande da Secretaria da Receita Previdenciária entendeu por considerar o lançamento procedente, mantendo-se, pois, o crédito tributário tal qual exigido, conforme se pode observar dos trechos transcritos abaixo: Fl. 235DF CARF MF Documento nato-digital “PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA PATRONAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. A empresa é obrigada a apurar e recolher a contribuição previdenciária, bem como aquelas destinadas ao Seguro de Acidente de Trabalho e outras entidades ou fundos, também chamados terceiros, incidentes sobre a folha de pagamento de seus segurados empregados e autônomos que lhe prestem serviços. Apurada falta ou insuficiência de recolhimentos de contribuições devidas à Seguridade Social é efetuada a cobrança com os encargos legais correspondentes. Art. 37 da Lei 8.212/91. LANÇAMENTO PROCEDENTE (...) DA DECISÃO 10. As alegações da impugnante não aponta nenhuma inexatidão no lançamento e nem traz qualquer elemento capaz de infirmar o presente lançamento. Conforme relata o fiscal, as bases de cálculo utilizadas no lançamento constam nos recibos e folhas de pagamentos além de terem sido apropriadas na contabilidade. 11.Restou, portanto, caracterizada nos autos a situação não cumprimento das obrigações tributárias para com a Previdência Social, uma vez que os recolhimentos eventualmente feitos pela notificada não foram suficientes para quitação. 12.Diante desses fatos, mediante os fundamentos legais descritos às fls. 66/69 dos autos, uma vez que constatou o não recolhimento das referidas contribuições, andou bem a fiscalização em constituir o presente crédito pela lavratura desta NFLD. 13.Sendo regularmente notificada, a empresa se limitou a contestar de forma genérica o lançamento efetuado, ventilando hipótese de ilegalidade nas bases de cálculo apuradas por ela mesma.13. Sendo regularmente notificada, a empresa se limitou a contestar de forma genérica o lançamento efetuado, à míngua de demonstrar no ato esta impugnação, prova em contrário do ônus tributário ora imputado. Dos acréscimos legais 14. A impugnante também contesta a cobrança dos acréscimos legais, não obstante, no que diz respeito às multas, de caráter irrelevável, estão previstas no artigo 35, inciso II da Lei 8.212/91, sua aplicação não pode ser excluída decorrendo o principio da legalidade estrita dos atos administrativos. 15. Do mesmo modo, foram aplicadas nesta Notificação o disposto no art. 34 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991: “Art 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia - SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei n° 9. 065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora. Todos de caráter irrelevável. (grifamos) 16. A impugnante apresentou também requerimento em separado para dilação do prazo de defesa em mais 15 dias. No entanto, por expressa disposição legal não será atendido. Nesse sentido, o artigo 37, § 1° da Lei 8.212/91 estabelece que: "Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento." 17. Para juntada posterior de documentos, caberia ao interessado demonstrar nesta oportunidade, os elementos que justificassem o pedido, no entanto, transcorridos quase cem dias desde a lavratura, sem falar no período em que esteve sob fiscalização, nenhuma das hipóteses de exceção foram apresentadas. Para maior clareza, recorro à disposições do artigo 16 do Decreto 70.235l72, combinado com o artigo 9° da portaria MPS 520/2004, §§ 1° e 2°. Os dispositivos referidos determinam que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, salvo nas hipóteses ali previstas como Fl. 236DF CARF MF Documento nato-digital transcrevemos adiante, portanto a presente impugnação será apreciada com os elementos ora apresentados: Portaria MPS 520/2004: “Art. 9° A impugnação mencionará: § 1° A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-Io em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; . b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 2° A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 3° Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados pernaneceräo nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pelo Conselho de Recursos da Previdência Social. § 4° A matéria de fato, se impertinente, será apreciada pela autoridade competente por meio de Despacho ou nas contra-razões, se houver recurso. Conclusão 18. Diante do exposto, e por tudo o que nos autos consta, concluo que a presente lavratura foi regularmente executada e está revestida de todas as formalidades legais. Por outro lado, considerando que as alegações da defesa são meramente de direito, e não foi juntado nenhum documento capaz de infirmar o lançamento, este se reveste de certeza e liquidez, devendo prevalecer a NFLD na forma em que foi lavrada, portanto, JULGO PROCEDENTE esta Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e, DECIDO: a) Receber a peça de impugnação e negar-lhe provimento; b) Declarar a empresa PLANEL PLANEJAMENTO E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA, devedora do crédito apurado no valor de 2.324.965,44 (dois milhões, trezentos e vinte e quatro mll e novecentos e sessenta e cinco reais e quarenta e quatro centavos) consolidado em 10/08/2006; c) Intimar o contribuinte desta decisão.” Devidamente notificada da decisão de 1ª instância presencialmente em 09.08.2007 (quinta-feira), conforme fls. 141, a PLANEL PLANEJAMENTOS E CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. protocolou, em 10.09.2007 (segunda-feira), Recurso Voluntário de fls. 170/183, sustentando, portanto, as razões de seu descontentamento, tendo requerido, ao final, (i) a dispensa do recolhimento de 30% do valor do crédito tributário como condição recursal, (ii) o reconhecimento da prescrição do crédito tributário relativo ao período de 10/2000 a 07/2002, (iii) a nulidade do lançamento fiscal, decorrente da prescrição, (iv) a revisão geral da compensação de débitos com créditos previdenciários, conforme requerimento protocolizado sob o n. 2007/00005669, pois ainda restava sem resposta, e, ainda, (v) que a autoridade fiscal regional comunique a autoridade policial federal informando que o recurso interposto auxiliará sobre a idoneidade e responsabilidade social da recorrente. É o relatório. Voto Fl. 237DF CARF MF Documento nato-digital Conselheiro Sávio Salomão de Almeida Nóbrega, Relator. Verifico que o presente Recurso Voluntário foi formalizado dentro do prazo a que alude o artigo 33 do Decreto n. 70.235/72, razão por que dele conheço e, por isso mesmo, passo a apreciá-lo em suas alegações preliminares e meritórias. De início, observo que a Recorrente suscita preliminares cujos temas se confundem com as questões meritórias tais quais formalizadas, razão pela qual penso ser mais apropriado examiná-las em conjunto, porém em tópicos apartados. É como passo a fazer. Da Perda do Objeto em relação ao Depósito Recursal No que diz respeito à alegação sobre a exigência de arrolamento de bens e direitos de valor equivalente a 30% do montante da dívida como pressuposto de admissibilidade de recurso voluntário, nos termos do que dispunha o artigo 33, § 2º do Decreto n. 70.235/72, devo reconhecer que a questão perdeu seu objeto e, portanto, resta superada. A título de esclarecimentos, é de se registrar que o Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 29.10.2009, DJe n. 210 de 10.11.2009, aprovou a edição da Súmula Vinculante n. 21, tendo por referência, dentre outros, os precedentes firmados nos Recursos Extraordinários n. 388.359, 389.383, 390.513, bem assim na ADIN n. 1976. Confira-se, portanto, o teor da referida Súmula: “Súmula Vinculante 21: É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.” Por essas razões, e levando em conta o que dispõe o artigo 62, § 1º, I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recurso Fiscais – RICARF, reafirmo que a questão perdeu seu objeto e, por conseguinte, resta superada. Prescrição do Crédito Tributário – Nulidade Neste ponto, observo que a Recorrente arrazoa seu recurso considerando que o período fiscalizado abrangeu o intervalo de 10/2000 a 07/2002 e que, tendo sido cientificada do lançamento previdenciário em 24/08/2006, considerando o prazo “prescricional” quinquenal para a constituição do crédito tributário, as referidas competências de 10/2000 a 07/2002 estariam prescritas. Além disso, discorreu-se sobre o prazo prescricional quinquenal para cobrança do crédito tributário previsto no artigo 174 do CTN, bem como sobre o processo de reconhecimento da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n. 8.212/91, que tratava do prazo decenal para a constituição do crédito previdenciário. De fato, é de se reconhecer que o Supremo Tribunal Federal, sob o entendimento de que apenas Lei Complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, “b” da Constituição Federal, negou provimento, por unanimidade, aos Recursos Extraordinários n. 559.882, 559.943 e 560.626 em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Fl. 238DF CARF MF Documento nato-digital E na mesma Sessão Plenária, realizada no dia 12.06.2008, o STF acabou editando a Súmula Vinculante n. 8, publicada no D.O.U. em 20.06.2008, nos termos do artigo 2º, § 4º da Lei n. 11.417/2006, conforme transcrevo abaixo: “Súmula Vinculante 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decreto-Lei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” A extensão dos efeitos da aprovação de Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n. 11.417, de 19.12.2006. Confira-se: “Constituição Federal Art. 103-A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica.” (grifei). Como se pode constatar, a partir da publicação na imprensa oficial todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem o referido verbete sumular. Acrescento, ainda, que o artigo 62, § 1º, I do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF prescreve que os conselheiros podem afastar ou deixar de observar Lei que tenha sido declarada inconstitucional pelo STF, conforme transcrevo abaixo: “PORTARIA MF N. 343/2009 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal.” Tendo sido declarada a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/91, penso que a matéria passa a ser regida pelas disposições do CTN, o qual, aliás, não estabelece apenas uma norma geral e abstrata acerca do instituto da decadência. Cada qual com sua hipótese específica descreve o transcurso de cinco anos contados do dies a quo definido pela legislação tributária. Nesse sentido, é de se reconhecer que o CTN disciplina a decadência nos artigos 173, I e 150, § 4º, abaixo transcritos: “Lei n. 5.172/66 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado;” Fl. 239DF CARF MF Documento nato-digital Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” A contagem criada para os prazos decadenciais pelo CTN considerou como critério a forma pela qual o crédito tributário é constituído. Em outras palavras, o dado por excelência que deve ser considerado quando da escolha por um dos artigos supracitados deve ser a forma de constituição do lançamento. Enquanto a regra do artigo 173, I deve ser aplicada aos casos de lançamento de ofício ou por declaração, a regra do artigo 150, § 4º aplicar-se-á aos casos de lançamento por homologação, salvo nas hipóteses em que resta comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. A título de informação, note-se que à época da publicação da Súmula Vinculante n. 8 foi editado o Parecer PGFN/CAT n. 1617/2008, aprovado pelo Ministro da Fazenda em 18.08.2008, estabelecendo as regras a serem observadas no que diz respeito ao prazo decadencial dos créditos previdenciários, podendo-se observar as alíneas “d” e “e” contidas no item 49, conforme transcrevo abaixo: Parecer PGFN/CAT n. 1617/2008 49. (omissis) d) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplica-se a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve declaração, contando-se o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplica-se a regra do § 4º do art. 150 do CTN. Ainda que este Tribunal não esteja vinculado aos entendimentos exarados pela RFB e/ou PGFN em pareceres e demais veículos normativos de idêntica natureza normativa, decerto que a análise que aqui deve ser empreendida no sentido de se saber se a regra de decadência prevista no artigo 150, § 4º do CTN se aplica de fato à hipótese dos autos deve ser realizada, também, e por força do próprio artigo 62, § 2º do Regimento Interno do CARF – RICARF 1 , aprovado pela Portaria MF n. 343, de junho de 2015, à luz do entendimento firmado no Recurso Especial n. 973.733/SC, julgado sob o rito do artigo 543-C do Código de Processo Civil de 1973, cuja tese restou firmada nos seguintes termos: “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da 1 Cf. RICARF. Art. 62. (omissis). § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 240DF CARF MF Documento nato-digital exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito.” De acordo com tal entendimento que, a propósito, apenas corrobora o entendimento que restou firmado no Parecer PGFN/CAT n. 1617/2008, a regra de decadência prevista no artigo 150, § 4º do CTN só deve ser aplicada nos casos em que o sujeito passivo tiver antecipado pagamento e não houver comprovação de dolo fraude ou simulação, porque, do contrário, prevalecerá a regra decadencial constante do artigo 173, inciso I do CTN. De todo modo, o que deve restar claro é que, em verdade, o crédito tributário aqui discutido foi constituído tendo por objeto apenas as competências de 03.2003 a 02.2006, 06.2002 a 12.2004, de modo que independentemente da regra aplicada – se a regra do artigo 150, § 4º ou a regra do artigo 173, I, ambas do CTN -, decerto não há que se falar na ocorrência da decadência uma vez que a notificação do lançamento foi devidamente realizada em 24.08.2006. Portanto, entendo que o crédito tributário aqui discutido não se encontra decaído e, por isso mesmo, nego provimento ao recurso nesse ponto. Revisão Fiscal e Pedido de Compensação Em relação ao pedido de compensação de débitos com créditos previdenciários requerido nos termos do protocolo de n. 2007/0005669, devo afirmar, de logo, que tal questão não é objeto do presente litígio, o qual, a propósito, limita-se ao exame da legalidade da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n. 35.869.340-9, que, a propósito, abrange as competências de 03.2003 a 02.2006, 06.2002 a 12.2004, e cujos fatos geradores dizem respeito às remunerações pagas, creditadas ou devidas aos segurados empregados, conforme se pode observar do Relatório Fiscal da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 82/87). Por essas razões, penso que não há como tratar, aqui, das questões tais quais formuladas no requerimento de n. 2007/0005669, o qual, aliás, sequer foi (ou é) objeto de discussão nos presentes autos, daí por que me furto, por óbvio, a apreciá-las. Representação Fiscal para Fins Penais Neste ponto, cumpre registrar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre questões relativas a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. É nesse sentido que estabelece a Súmula CARF n. 28, cuja redação transcrevo abaixo: “Súmula CARF nº 28 O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 383, de 12/07/2010, DOU de 14/07/2010).” O destinatário da Representação Fiscal para fins Penais é o Ministério Público Federal, a que competirá dar seguimento ou não à referida representação. Fl. 241DF CARF MF Documento nato-digital Conclusão Por todo o exposto e por tudo que consta nos autos, conheço do presente Recurso Voluntário e, no mérito, nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Sávio Salomão de Almeida Nóbrega Fl. 242DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10980.010530/2007-16
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 15 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2003
IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA
RECIBOS E DECLARAÇÕES MÉDICAS. AUSÊNCIA DE DEMAIS PROVAS.
O conjunto probatório, destinado ao convencimento da Administração Fiscal, deve ser analisado objetivamente e sem olvidar as particularidades do fato gerador subjacente, razão pela qual meros recibos e declarações, ainda que datados e assinados, sem demonstração inequívoca de transferência de patrimônio, não possui aptidão suficiente para comprovar desembolsos dessa natureza.
SIGILO MÉDICO. PROVA DE QUITAÇÃO PELO SERVIÇO. NÃO ABRANGÊNCIA.
O sigilo médico não pode ser levantado pelo contribuinte como fato impeditivo do direito de produzir provas de pagamento por atendimentos dessa natureza, uma vez que o segredo do profissional se restringe à intimidade e à moléstia que possa ser portador, não abrangendo informações de interesse da Administração Fiscal, como recolhimento de tributos e rendimentos auferidos pelo exercício do trabalho.
Numero da decisão: 2003-000.403
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar as glosas de despesas médicas referentes às declarações de fls. 89/91, nos valores de R$ 9.600,00, R$ 2.000,00 e R$ 3.450,00, aliadas aos recibos apresentados.
(assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Presidente Substituta e Redatora ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Relator), Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente Substituta). Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima.
Nome do relator: GABRIEL TINOCO PALATNIC
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AUSÊNCIA DE DEMAIS PROVAS. O conjunto probatório, destinado ao convencimento da Administração Fiscal, deve ser analisado objetivamente e sem olvidar as particularidades do fato gerador subjacente, razão pela qual meros recibos e declarações, ainda que datados e assinados, sem demonstração inequívoca de transferência de patrimônio, não possui aptidão suficiente para comprovar desembolsos dessa natureza. SIGILO MÉDICO. PROVA DE QUITAÇÃO PELO SERVIÇO. NÃO ABRANGÊNCIA. O sigilo médico não pode ser levantado pelo contribuinte como fato impeditivo do direito de produzir provas de pagamento por atendimentos dessa natureza, uma vez que o segredo do profissional se restringe à intimidade e à moléstia que possa ser portador, não abrangendo informações de interesse da Administração Fiscal, como recolhimento de tributos e rendimentos auferidos pelo exercício do trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para afastar as glosas de despesas médicas referentes às declarações de fls. 89/91, nos valores de R$ 9.600,00, R$ 2.000,00 e R$ 3.450,00, aliadas aos recibos apresentados. (assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva – Presidente Substituta e Redatora ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Gabriel Tinoco Palatnic (Relator), Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (Presidente Substituta). Ausente o conselheiro Raimundo Cássio Gonçalves Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 05 30 /2 00 7- 16 Fl. 99DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.403 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.010530/2007-16 Relatório Como Redatora ad hoc, sirvo-me da minuta de relatório inserida pelo Relator no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzida. Trata-se de auto de infração lavrado em face do contribuinte acima identificado (fls. 10-16), onde foi apurado crédito tributário a suplementar no valor de R$ 20.598,52, ante a constatação de ter declarado despesas médicas indevidamente, no imposto de renda de pessoa física do ano-calendário de 2003. Do total acima, a multa de ofício, no importe de 75%, foi aplicada na quantia de R$ 6.449,40, e os juros de mora, aplicáveis à espécie, foram calculados em R$ 5.549,92. Doravante, o contribuinte apresentou sua impugnação às fls. 2-9, pessoalmente, onde aduziu, em síntese, a possibilidade de comprovar as despesas médicas com recibos firmados pelos profissionais que o assistiram, já que fazem prova absoluta de sua alegação; ainda, sustentou que o pagamento por esses serviços, mediante cheques bancários, não é obrigatório, sendo somente uma opção do mercado. Na oportunidade, juntou documentos (fls. 18-52). O acórdão de primeira instância, prolatado às fls. 54-60, manteve o crédito tributário tal como lançado, por unanimidade de votos; assim, a impugnação oferecida foi julgada improcedente. Nesse passo, então, o contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 67-82), em que ponderou, em resumo, citando dispositivos legais e fontes doutrinárias, que os recibos, datados e assinados, fazem prova das deduções por essas despesas, e que o sigilo médico, imposto aos profissionais, impede que o contribuinte produza outras provas. Anexou, ainda, declarações médicas (fls. 88-91). Autos, por derradeiro, encaminhados a esta Seção de Julgamento, para decisão colegiada (fl. 93), com as homenagens de praxe. É o relato do essencial. Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Redatora ad hoc. Como Redatora ad hoc, sirvo-me da minuta de voto inserida pelo Relator no diretório oficial do CARF, a seguir reproduzida, de sorte que o posicionamento adotado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira. Conheço do recurso interposto, eis que o contribuinte foi regularmente cientificado da decisão combatida em 14/5/2010 (fl. 63), e formalizou seu inconformismo em 09/6/2010 (fl. 67), sendo, portanto, tempestivo. No mérito, não assiste razão ao contribuinte. Fl. 100DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.403 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.010530/2007-16 O conjunto probatório apresentado pelo contribuinte autoriza concluir que efetivamente suportou as despesas médicas que fez incluir em sua declaração de ajuste anual, com relação às declarações de fls. 89/91, nos valores de R$ 9.600,00, R$ 2.000,00 e R$3.450,00, aliadas aos recibos apresentados . Nesse particular, importante consignar, que documentos de natureza particular, como recibos e declarações médicas, possuem autoridade de comprovar pagamentos de qualquer espécie, nos termos do art. 8º da Lei nº 9.250 e do art. 80 do RIR, demonstrando inequivocamente a transferência de patrimônio. Assim, como o recorrente trouxe novas alegações hábeis e contundentes a modificar parcialmente o julgado de piso, para afastar as glosas de despesas médicas referentes às declarações de fls. 89/91, nos valores de R$ 9.600,00, R$ 2.000,00 e R$3.450,00, aliadas aos recibos apresentados. Ante o exposto, voto por conhecer do recurso e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, nos termos do voto em epígrafe, para afastar as glosas de despesas médicas referentes às declarações de fls. 89/91, nos valores de R$ 9.600,00, R$ 2.000,00 e R$3.450,00, aliadas aos recibos apresentados. (assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva (voto de Gabriel Tinoco Palatnic) Fl. 101DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13894.721034/2015-51
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49.
Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46.
O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46).
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA
A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO.
Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação.
Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO.
Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA.
O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
Numero da decisão: 2003-000.879
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano-calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. Súmula CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. MOROSIDADE DO ÓRGÃO PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. PRAZO PARA LANÇAMENTO. Incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP. O prazo para que o Fisco AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 4. 72 10 34 /2 01 5- 51 Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-000.879 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13894.721034/2015-51 proceda ao lançamento é de 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (inteligência do art. 173, I, do CTN). É valido o lançamento efetuado com observância desse prazo. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP X PAGAMENTO DA OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. INDEPENDÊNCIA. O pagamento da obrigação principal não afasta a aplicação da multa por atraso na entrega da GFIP. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13770.720659/2015-00, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-000.879 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13894.721034/2015-51 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório o relatado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando que não foi intimado previamente ao lançamento, invocando a súmula 410 do STJ; a denúncia espontânea da infração; que já quitou a obrigação principal, e por isso a multa não se aplicaria; que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN; invocou ofensa a princípios constitucionais no lançamento, inclusive o efeito confiscatório da multa; e a contrariedade à jurisprudência tanto dos tribunais, quanto do próprio CARF. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário no qual pretende sejam novamente apreciadas as alegações já submetidas à apreciação da primeira instância. Requer o cancelamento do débito lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-000.632, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares As questões preliminares se confundem com o mérito e com este serão analisadas. Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-000.879 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13894.721034/2015-51 Mérito Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 do CTN, uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-000.879 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13894.721034/2015-51 multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Alega ainda que o Manual vigente da GIFP/SEFIP 8.4 traz disciplina contraditória, pois assim estabelece: “12 - PENALIDADES Estão sujeitas a penalidades as seguintes situações: • Deixar de transmitir a GFIP/SEFIP; • Transmitir a GFIP/SEFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores; • Transmitir a GFIP/SEFIP com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005. A correção da falta, antes de qualquer procedimento administrativo ou fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, caracteriza a denúncia espontânea, afastando a aplicação das penalidades previstas na legislação citada.” Entretanto, consta no referido Manual a seguinte informação: “Atualização: 10/2008”. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, ou seja, em data posterior à publicação da última versão do Manual. Nota-se que o próprio dispositivo citado do Manual prevê que “Os responsáveis estão sujeitos às sanções previstas na Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990, no que se refere ao FGTS, e às multas previstas na Lei nº. 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores, no que tange à Previdência Social, observado o disposto na Portaria Interministerial MPS/MTE nº 227, de 25 de fevereiro de 2005.”, dispositivo este que resguardou a aplicação da multa que se discute nos autos. Isso posto, não há como prover o recurso neste ponto. Da necessidade de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-000.879 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13894.721034/2015-51 Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de ... entrega após o prazo”. O recorrente invoca a aplicação da Súmula 410 do STJ (que não possui efeito vinculante), segundo a qual “A prévia intimação pessoal do devedor constitui condição necessária para a cobrança de multa pelo descumprimento de obrigação de fazer ou não fazer.” Além de não ter efeito vinculante, afastar multa prevista expressamente em diploma legal sob tal fundamento implicaria declarar a inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido, cabe aqui a aplicação da Súmula CARF nº 2, esta sim de observância obrigatória por todos os membros desse Colegiado, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Da alteração no critério jurídico de interpretação – morosidade no lançamento O recorrente alega ainda que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN. Não assiste razão à recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo a incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto Fl. 63DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-000.879 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13894.721034/2015-51 no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir o fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. Da alegação de inobservância de princípios constitucionais na aplicação da penalidade Não assiste razão ao recorrente. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência, portanto não há que se falar em confisco. Das outras alegações A fim de subsidiar suas alegações, o recorrente juntou aos autos jurisprudência dos tribunais. Entretanto, a jurisprudência citada não possui efeito vinculante em relação à Administração Pública Federal, pois somente se aplicam entre as partes e nos limites das lides e das questões decididas (inteligência do art. 100 do CTN c/c art. 506 da Lei º 13.105/2015 – Código de Processo Civil). No que se refere à decisão colacionada, emitida por este Conselho, além de não ser vinculante, trata-se de situação distinta daquela que se discute nos autos. Cita-se ali a impossibilidade de concomitância da multa prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. No presente caso, além de não haver concomitância, a multa aplicada foi a prevista no inciso II (e não no inciso I) do art. 32-A da Lei nº 8.212/91. Por último, o fato de ter havido pagamento do tributo em nada invalida o lançamento da multa. Como expressamente assentado no inciso II do art. 32-A da Lei 8.212/91, a multa aplicada foi “de 2% (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas... no caso de ...entrega após o prazo”. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Fl. 64DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-000.879 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13894.721034/2015-51 Conclusão Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 65DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10830.005121/2008-94
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Apr 20 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
DEDUÇÕES INDEVIDAS DE DESPESAS MÉDICAS
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal.
TAXA SELIC.
O crédito não integralmente pago é acrescido de juros de mora, nos termos da legislação tributária.
MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS.
É vedado aos Órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
Numero da decisão: 2001-002.025
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Honório Albuquerque de Brito - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Luis Ulrich Pinto - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura
Nome do relator: ANDRE LUIS ULRICH PINTO
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 DEDUÇÕES INDEVIDAS DE DESPESAS MÉDICAS Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora. A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago é acrescido de juros de mora, nos termos da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. É vedado aos Órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
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A dedução com despesas médicas somente é admitida se comprovada com documentação hábil e idônea. Os recibos não fazem prova absoluta da ocorrência do pagamento, devendo ser apresentados outros elementos de comprovação, quando solicitados pela autoridade fiscal. TAXA SELIC. O crédito não integralmente pago é acrescido de juros de mora, nos termos da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO A PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. É vedado aos Órgãos administrativos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Honório Albuquerque de Brito - Presidente (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: André Luis Ulrich Pinto, Fabiana Okchstein Kelbert, Honório Albuquerque de Brito e Marcelo Rocha Paura Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 51 21 /2 00 8- 94 Fl. 143DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2001-002.025 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.005121/2008-94 Trata-se de notificação de lançamento lavrada em 14/04/08, por meio da qual exige-se do ora recorrente o valor de R$ 8.538,98 a título de IRPF suplementar, exercício 2005, ano-calendário 2004, acrescido de multa de ofício e demais consectários legais, diante da dedução indevida de despesas médicas, em que foi glosado o valor de R$31.050,84. Devidamente notificado do lançamento, o Recorrente apresentou impugnação, alegando, em síntese que: a) foram apresentados documentos comprobatórios das despesas médicas que preenchem os requisitos do art. 80 do RIR/99; b) a adoção de juros moratórios é expediente ilegal e inconstitucional, pois desnatura por completo o pressuposto e a finalidade desta espécie de juros. A taxa Selic, da forma como existente e calculada hoje, não guarda qualquer correlação lógica com a recomposição do patrimônio lesado, pela falta do tributo não pago, como se busca nos juros moratórios; c) não há que se falar que a cobrança da taxa Selic estaria autorizada legalmente (Lei n° 9.065/95), com fulcro no art. 161, 1º, CTN, e que suficiente para legitimar sua incidência no caso concreto, visto que desrespeita o art. 110 do CNT; d) a multa aplicada no auto de infração ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade e da proibição do confisco, previstos na CF/88, devendo ser reduzida ao patamar de 20%, de conformidade com o art. 61, §2° da Lei 9.430/96; O Recorrente instruiu a sua impugnação com os seguintes documentos: (i) recibo no valor de R$ 5.000,00, emitido por Dr. Alvaro Afonso Ribeiro, dentista, referente a tratamento odontológico (fl.25); (ii) declaração de serviços odontológicos prestados, emitido por Dr. Alvaro Afonso Ribeiro (fl.26); (iii) recibos no valor de R$ 2.000,00, emitidos por Dr. Leonardo Benedito, médico, referente a honorários médicos (fls.27-30); (iv) recibos, no valor de R$ 9.000,00, emitidos por Carolina Polato, fisioterapeuta, referente a sessões de fisiotrapia (fls.28-35); (v) declaração de serviços fisioterápicos prestados, emitido por Carolina Polato, fisioterapeuta (fl.36); (vi) recibos, no valor de R$ 7.500,00, emitidos por Juliana Siqueira, psicóloga, referente a tratamento psicoterapico (fls.37-44); (vii) declaração de serviços psicoterápicos prestados, emitido por Juliana Siqueira (fl.45); (viii) recibo no valor de R$ 5.000,00, emitido por Dr. Luiz Anastaci Jr., dentista, referente a tratamento odontológico (fl.46-50); (ix) declaração de serviços odontológicos prestados, emitido por Dr. . Luiz Anastaci Jr. (fl.51); Fl. 144DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2001-002.025 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.005121/2008-94 (x) extrato de serviços anual UNIMED – 2004 (fl.52); (xi) certidão de casamento (fl.73); (xii) declaração UNIMED (fl.74); (xiii) recibos reapresentados com carimbo confere com o original (fls. 75-86); (xiv) comprovante de pagamento UNIMED (fl.87-88); Na ocasião do julgamento da impugnação apresentada pelo ora Recorrente, a 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de São Paulo II (SP) proferiu o acórdão nº: 17-36.249 9ª Turma da DRJ/SP2, julgando improcedente a impugnação, diante dos seguintes motivos: a) com relação ao ônus da prova, no caso das deduções, o art. 11, § 3° do Decreto- Lei n° 5.844/43, estabeleceu expressamente que o contribuinte pode ser instado a comprova-las ou justifica-las, deslocando para ele o ônus probatório; b) nos recibos médicos apresentados, há descrição genérica dos serviços prestados, impedindo verificar se tratam-se de despesas médicas dedutíveis. c) mesmo com o reconhecimento, por parte dos profissionais Álvaro Afonso Ribeiro (fl. 25), Carolina Polato (fl. 35), Juliana Stefani Siqueira (fl. 44) e de Luiz Henrique Anastaci (fl. 50), este último irmão do contribuinte, quanto à prestação do serviço, o tipo de tratamento realizado, o recebimento dos honorários em dinheiro e a declaração nas DIRPF/2005, não há elemento de prova contundente e inequívoco que caracterize a prestação de espécie alguma de serviço ou a efetiva transferência de numerário correspondente. Os recibos e as declarações firmadas limitam-se a demonstrar uma relação entre as partes, o que, porém, não comprova haver materializado aquilo que pretendem fazer crer; d) todas as declarações foram emitidas em abril de 2008, provavelmente a pedido do contribuinte, mas não vieram acompanhadas de qualquer outro documento produzido em momento anterior ao início do procedimento de fiscalizaçao; e) o interessado é médico e declara possuir plano de saúde. Mesmo assim, efetuou gastos de R$ 9.000,00 com fisioterapia, R$ 7.500,00 com psicoterapia, R$2.000,00 com clínico geral e R$ 10.000,00 com tratamento odontológico, somados os recibos de dois profissionais; f) quanto às despesas médicas relativas à Unimed Campinas, dos R$ 3.297,24 declarados na DIRPF/2005 (fl. 60), foram glosados pela autoridade fiscal RS 1.017,24 relativos a P.A.F. (Plano de Auxílio Funeral), uma vez que não existe previsão legal para dedução destas despesas; g) sobre os gastos com a Unimed Bragança Paulista, consta na Descrição dos Fatos (fl. 57-verso), que foram glosados por falta de comprovação. Na impugnação juntou o demonstrativo de fl. 51 da Unimed, CNPJ 01.029.782/0001-54, no montante de RS 1.533,60, tal qual declarado na DIRPF/2005 (fl. 60), os quais serão restabelecidos; h) quanto à utilização da taxa Selic, a exigência dos juros apurados a partir deste índice está prevista no parágrafo 3º do art. 5º c/c com o parágrafo 3º do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante à multa de ofício de 75% lançada, seu fundamento legal está no art. 44, I, da Lei 9.430/96. Fl. 145DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2001-002.025 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.005121/2008-94 Inconformado com o v. acórdão nº: 17-36.248 9ª Turma da DRJ/SP2, o Recorrente interpôs recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alegando, em suma: a) em outro momento, o Conselho de Contribuintes já reconheceu a suficiência dos recibos e declarações dos prestadores dos serviços como comprovantes da efetiva ocorrência dos tratamentos (Recurso n° 145547, proc., n° 10930.007684/2002-01); b) o Recorrente anexou os competentes LAUDOS, RELATÓRIOS DE PROCEDIMENTOS MÉDICOS E DECLARAÇÕES, além de anexar prontuários, comprovantes de tratamentos e declaração do profissional, comprovando a efetividade dos tratamentos efetuados, em total conformidade com requisitos exigidos pelo Regulamento do Imposto de Renda, em seu art. 80; c) se a mora no pagamento do tributo traz a obrigação de indenizar o Estado pelo não recebimento do tributo no prazo legal, não pode se materializar numa taxa de caráter puramente remuneratório, como é a é a SELIC, logo, não é possível alegar que a cobrança da SELIC estaria autorizada legalmente (Lei n° 9.065/95, art. 161, §1º, do CTN), e que isto seria suficiente para legitimar sua incidência no caso concreto; d) descabida qualquer alegação de impossibilidade do Órgão Administrativo examinar a constitucionalidade das leis, assim, há de considerar que a multa aplicada no auto de infração ofende aos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade (art. 5°, LIV) e (art.150, IV), previstos na Constituição Federal. Voto Conselheiro André Luis Ulrich Pinto, Relator. O recurso é tempestivo, razão pela qual passo a analisar as razões de fato e de direito aduzidas pelo Recorrente. Preliminarmente – Impossibilidade de deixar de aplicar lei federal sob o fundamento de inconstitucionalidade Pretende a recorrente que a multa veiculada pelo auto de infração seja afastada por força dos princípios da razoabilidade ou proporcionalidade, que – sempre segundo o Recorrente – são violados pela aplicação da multa de ofício. Em que pese meu entendimento pessoal no sentido de que as multas de ofício encontram fundamento de validade na constituição e estão em perfeita harmonia com o sistema jurídico tributário, fato é que, ainda que assim não fosse, a lei federal não poderia ser afastada em face da norma prescrita no art. 26-A, do Decreto nº 70.235/72. O Mérito – aplicação da norma do art. 57, §3º, do RICARF Fl. 146DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 2001-002.025 - 2ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.005121/2008-94 No que diz respeito ao mérito do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte, entendo que é plenamente aplicável o art. 57, §3º, do RICARF, tendo em vista que o ora Recorrente não apresentou novas razões de defesa perante este CARF, razão pela qual eu proponho a confirmação e adoção do acórdão 17-36.248 – 9ª Turma da DRJ/SP2, pelos seus próprios fundamentos. Diante do exposto, conheço do recurso e nego-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) André Luis Ulrich Pinto Fl. 147DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 12689.000108/00-27
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: REGIMES ADUANEIROS
Ano-calendário: 1995 II. IPI.
DRAWBACK IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO — II IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO.
Somente serão aceitos para comprovação do regime Drawback Registros de Exportação devidamente vinculados ao Ato Concessório que tentam comprovar, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de Drawback.
SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
Os arts. 132 e 133 do CTN impõem a responsabilidade integral ao sucessor, pelos tributos devidos, juros aplicáveis à matéria e pelas multas, sejam de caráter punitivo ou moratório.
Negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte.
Numero da decisão: 9303-001.826
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos
FISCAIS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento total. Vencida, ainda, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que dava provimento parcial para excluir a multa.
Nome do relator: Marcos Aurélio Pereira Valadão
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DRAWBACK IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO — II IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime Drawback Registros de Exportação devidamente vinculados ao Ato Concessório que tentam comprovar, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de Drawback. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Os arts. 132 e 133 do CTN impõem a responsabilidade integral ao sucessor, pelos tributos devidos, juros aplicáveis à matéria e pelas multas, sejam de caráter punitivo ou moratório. Negado provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, ACORDAM os membros da 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos FFIISSCCAAIISS, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento total. Vencida, ainda, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann, que dava provimento parcial para excluir a multa.. Fl. 0DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 2 Otacílio Dantas Cartaxo _ Presidente da CSRF Marcos Aurélio Pereira Valadão Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente) Relatório Por bem descrever os fatos adoto o Relatório do acórdão recorrido, com os ajustes necessários para maior clareza: Em 17/02/95 a SECEX emitiu o Ato Concessório n° 195/0351 em favor da Usina Siderúrgica da Bahia S/A — USIBA, atualmente GERDAU S/A (a USIBA foi incorporada à Siderúrgica Açonorte S/A, que, por sua vez, foi incorporada à Companhia Siderúrgica da Guanabara — COSIGUA, que passou a denominarse de GERDAU S/A), autorizando a empresa a importar “Eletrodo de Grafite Impregnado, grau AGX, de 24”x 36”, com os respectivos nipples cônicos”, com o compromisso de exportar "Palanquilha de aço". O prazo para exportação foi alterado do dia 17/08/95 para 17/02/96, conforme Aditivo firmado em 08/08/95. A SECEX, mediante comprovação por parte da empresa, emitiu o "Relatório de Comprovação de DRAWBACK", onde consta que a empresa exportou, em julho de 1995, 10.657,40 toneladas de Fio Máquina de Ferro — fls. 25/27. Ao efetuar o Registro da Exportação — RE no SISCOMEX, para a devida averbação, a empresa deixou de informar que a operação de exportação estava vinculada ao Regime Aduaneiro Especial de Drawback, registrando a operação como "exportação normal", tornando impossível ao Fisco adotar as cautelas próprias para urna exportação no "regime drawback", tais como verificar o cumprimento de todas as condições e requisitos previstos em lei ou contrato para a concessão e fruição do beneficio, inclusive confrontar a mercadoria exportada com a aquela autorizada pelo Ato Concessório. As exportações informadas no "Relatório de Comprovação de Drawback" tiveram um tratamento fiscal, no procedimento de desembaraço aduaneiro de exportação, como sendo uma exportação no "regime comum" e não uma exportação no "regime drawback". Fl. 1DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 12689.000108/0027 Acórdão n.º 930301.826 CSRFT3 Fl. 706 3 O Fisco entende que não pode o exportador, após concluídos todos os procedimentos de despacho de exportação, utilizarse de uma exportação efetuada no "regime comum" para comprovar um Ato Concessório Drawback — Suspensão. Somente exportações enquadradas nos códigos de operação para o Regime Aduaneiro Especial de Drawback é que são hábeis para comprovar o Ato Concessório Drawback — Suspensão. As autoridades autuantes entenderam, ainda, que a quantidade comprometida para exportação (10.600,00 ton) era inferior ao rendimento efetivo da mercadoria importada. Pelos cálculos da fiscalização, deveria ser exportado 11.416,50 toneladas de fiomáquina. Em conseqüência, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 02/09, nos valores de R$ 63.181,14 (sessenta e três mil, cento e oitenta e um reais e quatorze centavos), relativo ao IP I, e de R$ 59.077,34 (cinqüenta e nove mil, setenta e sete reais e trinta e quatro centavos), relativos ao II, ambos incluindo multa de oficio e juros de mora. A empresa Recorrente tornou ciência dos Autos de Infração em 04/02/00 e, inconformada com a exigência, apresentou, em 08/03/00, a impugnação de fls. 212/228, onde alega, em sua defesa, o seguinte, resumidamente: 1. Que efetivamente cumpriu o compromisso assumido do ato concessório, objeto do litígio, ao exportar os produtos previstos no mesmo, na quantidade, no valor e no prazo definidos, devidamente comprovado perante a SECEX, que emitiu o competente Relatório de Comprovação de Drawback; 2. O fato de não haver sido indicado nos RE's o ato concessório ao qual estavam relacionados constitui um vício formal que não pode levar à descaracterização de toda urna operação de exportação, efetivamente realizada e aceita pela SECEX; 3. Inexiste qualquer dispositivo legal que obrigue a empresa a manter controles e registros em separado de estoque de insumos estrangeiros importados sob o regime de drawback. 4. A utilização de insumos nacionais em produtos exportados sob o regime de drawback e a utilização de insumos importados, também sob o regime de drawback, para fabricar e vender o mesmo produto no mercado interno, nenhum prejuízo causa às concorrentes no mercado interno, pela natureza fungível do insumo importado (eletrodo) 5. A diferença entre a exportação realizada e a dita pelo Fisco como devida, em virtude do rendimento dos eletrodos, é desprezível e está dentro do limite permitido pelo art. 326 do RA. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 4 6. A GERDAU é sucessora da USIBA e a responsabilidade de sucessoras de pessoas jurídicas incorporadas diz respeito apenas aos tributos gerados pela sucedida, não sendo extensiva, esta responsabilidade, às multas, por constituírem sanções tributárias, com caráter penal, sendo a responsabilidade sobre estas de caráter estritamente pessoal. 7. Os juros não são devidos a partir de junho de 1995, urna vez que os tributos incidentes na importação dos eletrodos foram recolhidos à época e, posteriormente, compensados com tributos incidentes sobre importações realizadas em 27/10195 e 10/11/95. 8. Discorda da cobrança dos juros com base na taxa SELIC, contestando sua norma instituidora. O Delegado da DRJ Salvador BA julgou procedente o lançamento, nos termos da Decisão DRJ/SDR n° 1.241, de 25/06/01, cuja ementa abaixo transcrevo. Assunto: Imposto sobre a Importação Data do fato gerador: 25/04/1995 Ementa: COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. Somente serão aceitos para comprovação do regime Drawback Registros de Exportação devidamente vinculados ao Ato Concessório que tentam comprovar, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de Drawback. LAUDO TÉCNICO. Incabível o questionamento, pela Receita Federal, da relação insumo importado/produto exportado constante do laudo técnico que instruiu o pedido de drawback, aprovado e concedido pela Secex, órgão competente para tal. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA DE OFICIO. CABIMENTO. A responsabilidade da sucessora por infração cometida pela empresa incorporada, inclui a multa de oficio. JUROS DE MORA. A inadimplência quanto ao recolhimento de tributos e contribuições sujeitase à incidência de juros de mora. Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Data do fato gerador: 09/06/1995 Ementa: COMPROVAÇÃO DE EXPORTAÇÃO Somente serão aceitos para comprovação cio regime Drawback Registros de Exportação devidamente vinculados ao Ato Concessório, e que contenham, a informação de que se referem a uma operação de Drawback. LAUDO TÉCNICO. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 12689.000108/0027 Acórdão n.º 930301.826 CSRFT3 Fl. 707 5 Incabível o questionamento, pela Receita Federal, da relação insumo importado/produto exportado constante do laudo técnico que instruiu o pedido de drawback, aprovado e concedido pela Seca, órgão competente para tal. SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A responsabilidade da sucessora por infração cometida pela empresa incorporada, inclui a multa de oficio. JUROS DEMORA. A inadimplência quanto ao recolhimento de tributos e contribuições sujeitase à incidência de juros de mora. Dentre outros, o ilustre julgador monocrático fundamenta sua decisão com os seguintes argumentos: 1. As informações contidas nos Registros de Exportação, preenchidos pela própria empresa, são de sua inteira responsabilidade, e a lei prevê, de forma explicita, a vinculação da exportação ao beneficio concedido. 2. As exportações realizadas pela contribuinte e glosadas pela fiscalização não guardam relação com o ato concessório em análise. 3. Descaracterizada a relação entre as exportações e o respectivo ato concessório, não há como se comprovar que os bens importados foram efetivamente utilizados na produção dos bens exportados e, por conseguinte, não há como se dizer que o contribuinte cumpriu o compromisso assumido, ficando, desta sorte, as importações sujeitas ao pagamento dos tributos suspensos. 4. Cabe à SECEX a aceitação ou não do beneficio pleiteado, bem como do Laudo Técnico que instruiu o pedido, não cabendo à SRF questionar a validade do documento ou moldes e parâmetros utilizados para a concessão do regime. 5. A taxa de juros mencionada no § 1° do artigo 161 do CTN vem sendo quantificada, ao longo do tempo, pela legislação ordinária. 6. A taxa SELIC vem sendo aplicada por força das Leis n° 9.065/95 (art. 13) e n° 9.430/96 (art. 61, § 3º). 7. Em relação à data da vigência dos juros de mora, é de se concluir que os tributos devidos encontramse em aberto, sem pagamento, desde o vencimento, já que o recolhimento efetuado inicialmente foi, posteriormente, alocado no pagamento de outros débitos tributários, pelo sistema de compensação. 8. A infração tributária é objetiva (art. 136 do CTN) e a sucessão se dá, neste feito, objetivamente. A impugnante não pode alegar que desconhecia a irregularidade, pois ela está na escrita na Fl. 4DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 6 declaração da incorporada, pelo que sucedeu sabedora dos riscos impostos pela compensação ilegal. A falta do recolhimento de tributo por desrespeito a legislação está à vista de todos e esta infração, objetiva que é, deve ser suportada por sucessão. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 24/07/01, conforme AR de fl. 437. Discordando da referida decisão de primeira instância, a interessada apresentou, no dia 22/08/01, o Recurso Voluntário de fls. 440/462, onde reprisa os argumentos da impugnação, reforçando seus argumentos de que, efetivamente, cumpriu o compromisso assumido e a mercadoria importada foi totalmente utilizada no produto exportado, cabendo à SECEX verificar o adimplemento do compromisso de exportar, o que efetivamente o fez (Portaria MF n° 46/82). Em garantia de recurso, foi oferecida a Carta de Fiança de fls. 467/468. Na forma regimental o processo foi a mim distribuído no dia 14/10/03, conforme despacho exarado na última folha dos autos — fls. 564. A Câmara a quo negou provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO — II IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI. DRAWBACK SUSPENSÃO. INADIMPLEMENTO DO COMPROMISSO DE EXPORTAÇÃO. Registro de Exportação não vinculado a ato concessório não será aceito para fins de comprovação do regime de drawback. Constatado divergência entre o Relatório de Comprovação do Drawback, encaminhado pela SECEX/CACEX à SRF para comprovar o adimplemento, e os dados apurados em procedimento de fiscalização, será feito o lançamento dos impostos, eventualmente devidos, acrescidos de multa de oficio e juros de mora. JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. A falta de pagamento de imposto no prazo legal sujeita a aplicação dos juros de mora, calculados com base na taxa SELIC, nos termos da legislação vigente. Compete exclusivamente ao Poder Judiciário o controle da constitucionalidade das normas jurídicas. JUROS DE MORA. TERMO DE INÍCIO. Os juros de Mora devem ser computados a partir do trigésimo primeiro dia após a expiração do prazo fixado para a exportação (art. 319, I, do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto n° 91.030/85). SUCESSÃO POR INCORPORAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 12689.000108/0027 Acórdão n.º 930301.826 CSRFT3 Fl. 708 7 A obrigação tributária principal, inclusive decorrente de descumprimento de obrigação acessória por empresa incorporada, como é o caso de multa de oficio, é de responsabilidade da empresa incorporadora. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO POR MAIORIA. Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso especial às fls. 633/655, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. Alegou em sua peça recursal a recorrente argumenta que: a) Cometeu um simples "erro material", ao realizar exportações com a utilização do código 80.000, nos Registros de Exportação RE, quando deveria ter utilizado o código 81.101, que é próprio para exportações que exigem a baixa nos atos concessórios; b) O fato de a empresa ter feito constar o código 80.000, nos REs, ao invés de colocar o código 81.101, em nada afetou a conferência aduaneira, pois não há diferença entre a conferência de mercadorias com o código 80.000 e a conferência de mercadorias com o código 81.101; c) Tendo a empresa realizado importação de insumos com o beneficio do "drawback", não teria qualquer razão para exportar mercadoria sem valerse de tal beneficio, tendo apenas incorrido em “erro humano", ao fazer constar um código no lugar de outro, o que em nada prejudicou o erário; d) O descumprimento de um mero aspecto formal, não deve ter força suficiente para anular o direito a um beneficio fiscal, pois todos os contribuintes (inclusive os servidores da Administração Pública) estão sujeitos à prática de erros. O que importa é a essência e não a forma. O formalismo excessivo é contrário ao principio da Justiça Fiscal, pois inúmeras injustiças são praticadas sob o manto do descumprimento de aspectos formais. e) No máximo, a empresa poderia sofrer penalidade por descumprimento de obrigação acessória. O recurso foi admitido pelo Presidente da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por meio de despacho às fls. 694. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarazões às fls. 697/703. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 6DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 8 Conheço o Recurso Especial do Contribuinte, que é tempestivo e apresentado em boa forma. A matéria posta à apreciação por esta Câmara Superior, que suscitada no Recurso Especial, cingese aos seguintes pontos: a) O contribuinte teria cometido apenas "erro material", ao realizar exportações com a utilização do código 80.000, nos Registros de ExportaçãoRE, quando deveria ter utilizado o código 81.101, que é próprio para exportações que exigem a baixa nos atos concessórios; e isto não teria afetado a conferência de mercadorias, seria apenas um “erro humano”, que em nada teria prejudicado o erário – tratandose apenas de mero aspecto formal. Neste entendimento a operação de exportação teria satisfeito o compromisso de drawback e, no máximo, a empresa poderia sofrer penalidade por descumprimento de obrigação acessória. b) Mantida a exigência, a discussão seria em relação à responsabilidade da sucessora por infração cometida pela empresa incorporada, o que incluiria a multa de oficio. Passemos à análise dessas questões. Em relação ao primeiro ponto, em que pese a jurisprudência administrativa trazida à baila pelo contribuinte, é preciso verificar que há também decisões em sentido oposto, que se amoldam exatamente no mesmo tema decidendum, como é o caso do Acórdão 301 31368 abaixo transcrito: Acórdão 30131368. II/IPI VINCULADO. DRAWBACK. SUSPENSÃO. ADIMPLEMENTO. INEXISTÊNCIA. Somente serão aceitos como comprovação do regime "Drawback", Registros de Exportação devidamente vinculado ao Ato Concessório, e que contenham a informação de que se referem a uma operação de drawback. (Inteligência do Comunicado DECEX nº 21/97, item 19.1).(Grifamos) Na falta de vinculação dos Atos Concessórios do Registro de Drawback aos Registros de Exportação deverão ser exigidos os tributos suspensos na importação, acrescidos de multa de oficio e dos juros de mora. (Grifamos) RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO PROVIDO. Vejase que o próprio Comunicado DECEX nº 21/97 prevê que a aceitação de comprovação de regime de drawback deve ser feita com registros de exportação vinculados aos atos concessório. A razão disto é o controle aduaneiro. Em consonância com este raciocínio, vejase que o art. 325 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto 91.030, de 1985, determinava que a utilização do beneficio drawback deveria ser anotada no documento comprobatório da exportação, o que, segundo Roosevelt Baldomir Sosa, in Comentários à Lei Aduaneira, Editora Aduaneiras, pág. 277/278, visa exatamente garantir o controle fiscal, como outrora já afirmado. Em não se procedendo desta forma o controle aduaneiro falha. A questão crucial é a inaceitabilidade dos Registros de Exportação glosados pelo Fisco na comprovação do compromisso assumido no Ato Concessório n° 195/0351, em virtude das exportações, que em tese correspondem ao compromisso de drawback, não terem sido vinculados ao respectivo ato concessório que tentam comprovar, nem terem feito o devido enquadramento das operações como sendo parte de uma operação de drawback, e sim o código de operação 8000, relativo a exportação normal. O art. 325 do Decreto 91.030, de 1985 (Regulamento Adunaeiro Vigente à época da infração) dispõe in verbis: Fl. 7DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO Processo nº 12689.000108/0027 Acórdão n.º 930301.826 CSRFT3 Fl. 709 9 Art. 325. A utilização do benefício previsto neste Capítulo [Drawback] será anotada no documento comprobatório de exportação. (Adendo nosso). A notação no documento comprobatório de exportação é a correta vinculação da operação no Registro de Exportação o que, repitase, não foi feito. A questão aqui, objeto do debate, não é a desconsideração do ato da SECEX denominado “Relatório de Comprovação de Drawback”, mas de se obedecer à norma que deixa claro que somente se considera exportado para efeitos de cumprimento de regime de drawback, para efeitos de controle aduaneiro e seus conseqüentes tributários, a exportação cujo Registro de Exportação esteja vinculado ao ato concessório do drawback respectivo. Ora isto não ocorreu no caso, daí a cobrança ser procedente, em estrita obediência ao princípio da legalidade. Daí serem devidos os tributos, multas e juros de mora, conforme exigidos pela Administração Tributária. Superada a primeira questão, passase ao segundo ponto. A alegação é de que não se aplica a multa à sucessora (Gerdau S/A) por força do art. 132 do CTN, ou seja, que ela não sucede as multas aplicadas à incorporada, mas tão somente os tributos (dito “principal”). Se o lançamento do tributo e multa se deu antes da aquisição, o art. 132 do CTN indica justamente que a sucessora é responsável pelos tributos devidos e todos os seus acessórios legais (juros e multas). A jurisprudência judicial é tranqüila neste sentido. Vejase os Recursos Especiais seguintes REsp 745007 / SP, I T, Rel. Ministro José Delgado, dec. em 19/05/2005; REsp 1017186 / SC, Ii., T., Ministro Rel. Castro Meira, dec. em 11/03/2008; e REsp 670224 / RJ, I T, Rel. Ministro José Delgado, dec. em 04/11/2004, cuja ementa transcrevo em homenagem a sua hialina clareza: REsp 670224 /RJ TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. EMPRESA INCORPORADORA. SUCESSÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO SUCESSOR. CDA. APLICAÇÃO. ARTS. 132 E 133 DO CTN. PRECEDENTES. 1. Recurso especial oposto contra acórdão que manteve a inclusão da empresa alienante, como responsável solidária, no pólo passivo de processo executivo fiscal, em decorrência de sucessão tributária prevista no art. 133, I, do CTN. 2. Os arts. 132 e 133 do CTN impõem ao sucessor a responsabilidade integral, tanto pelos eventuais tributos devidos quanto pela multa decorrente, seja ela de caráter moratório ou punitivo. A multa aplicada antes da sucessão se incorpora ao patrimônio do contribuinte, podendo ser exigida do sucessor, sendo que, em qualquer hipótese, o sucedido permanece como responsável. É devida, pois, a multa, sem se fazer distinção se é de caráter moratório ou punitivo; é ela imposição decorrente do nãopagamento do tributo na época do vencimento. (Grifamos) 3. Na expressão “créditos tributários” estão incluídas as multas moratórias. A empresa, quando chamada na qualidade de Fl. 8DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO 10 sucessora tributária, é responsável pelo tributo declarado pela sucedida e não pago no vencimento, incluindose o valor da multa moratória. 4. Precedentes das 1ª e 2ª Turmas desta Corte Superior e do colendo STF. 5. Recurso especial não provido. Diante do exposto, voto pelo não provimento do recurso especial interposto pelo contribuinte. Marcos Aurélio Pereira Valadão Fl. 9DF CARF MF Impresso em 31/07/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 19/03/2012 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO, Assinado digitalmente em 28/06/2012 por OTACILIO DANT AS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 15504.002108/2010-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. CONHECIMENTO.
Presentes os pressupostos recursais, mostra-se possível o conhecimento do recurso.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SÚMULA CARF N.º119.
No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019).
Numero da decisão: 9202-008.594
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício
(documento assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. EXISTÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. CONHECIMENTO. Presentes os pressupostos recursais, mostra-se possível o conhecimento do recurso. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SÚMULA CARF N.º119. No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em Exercício (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Paula Fernandes, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 21 08 /2 01 0- 13 Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9202-008.594 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.002108/2010-13 Relatório Trata-se de Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional contra o Acórdão n.º 2301-004.156, proferido pela 1ªTurma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção do CARF, em 11 de setembro de 2014, no qual restou consignado o seguinte trecho da ementa, fls. 219: MULTA. INCIDÊNCIA DA RETROATIVIDADE BENIGNA ENQUANTO O ATO NÃO ESTÁ DEFINITIVAMENTE JULGADO. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Incide na espécie a retroatividade prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente autuação ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. No que se refere ao recurso especial, fls. 229 e seguintes, houve sua admissão, por meio do Despacho de fls. 240 e seguintes, para rediscutir a “cesta de multas". Em seu recurso, aduz a Procuradoria, em síntese, que: a) deve-se privilegiar a interpretação no sentido de que a lei não utiliza palavras ou expressões inúteis e, em consonância com essa sistemática, tem-se que, a única forma de harmonizar a aplicação dos artigos citados é considerar que o lançamento da multa isolada prevista no artigo 32-A da Lei nº 8.212/91 ocorrerá quando houver tão-somente o descumprimento da obrigação acessória, ou seja, as contribuições destinadas a Seguridade Social foram devidamente recolhidas; b) toda vez que houver o lançamento da obrigação principal, além do descumprimento da obrigação acessória, a multa lançada será única, qual seja, a prevista no artigo 35-A da Lei nº 8.212/91; c) conforme salientado alhures, houve lançamento de contribuições sociais em decorrência da atividade de fiscalização que deu origem ao presente feito. Logo, de acordo com a nova sistemática, o dispositivo legal a ser aplicado é o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, com a multa prevista no lançamento de ofício (artigo 44 da Lei nº 9.430/96).; d) à semelhança do que ocorre com os demais tributos federais, verificado que o contribuinte não realizou o pagamento ou o recolhimento do tributo devido e não declarou no documento próprio (GFIP) todos os dados relacionados aos fatos geradores das contribuições previdenciárias (a respeito, ver o TEAF e o Relatório Fiscal), cumpre à fiscalização realizar o lançamento de ofício e aplicar a respectiva multa (de ofício) prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430/96; e) cumpre afastar a incidência do art. 61 da Lei nº 9.430/96, aplicável apenas nas hipóteses em que o contribuinte incorreu na mora e efetuou o recolhimento em atraso, de forma espontânea, independente do lançamento de ofício, efetuado com esteio no art. 149 do CTN. Inaplicável, pois, ao presente caso; f) tem-se que, no momento da execução do julgado, a autoridade fiscal deverá apreciar a norma mais benéfica: se as duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou o art. 35-A da Lei nº 8.212/91, introduzido pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9202-008.594 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.002108/2010-13 Intimada, a Contribuinte apresentou Contrarrazões, como se observa das fls. 254 e seguintes: a) o Recurso Especial ora contrarrazoado sequer poderia ter sido conhecido e admitido, porquanto ausente o prequestionamento da matéria, que restou, então, preclusa; b) auto de infração em questão foi lavrado em razão de suposto descumprimento a obrigação principal de recolhimento de contribuição previdenciária, tendo sido imposta, também, a multa moratória, além da autuação específica, também como aplicação de multa, em razão de suposto descumprimento a obrigação acessória; c) a distinção é referente à espécie de penalidade aplicada, na espécie, única e exclusivamente a multa de mora, não havendo espaço para aplicação de multa de ofício em sede de Recurso Especial. É o relatório. Voto Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz, Relatora. 1. Do conhecimento. Aduz a Recorrida a impossibilidade de conhecimento do Recurso Especial interposto, considerando, essencialmente, a ausência de prequestionamento acerca da retroatividade da multa prevista no artigo 35-A da Lei 8.212/91, porquanto ela não corresponde à penalidade aplicável ao descumprimento com relação ao qual foi lavrado o auto de infração. Não obstante os argumentos colacionados, cabe salientar que a divergência jurisprudencial reside justamente na aplicação distinta da penalidade a situações fáticas que se assemelham. Os acórdãos indicados como paradigmas, assim como o acórdão recorrido, foram proferidos após o advento da MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941 de 27/05/2009. Assim, a análise da matéria ocorreu à luz da alteração da redação do caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91. No acórdão recorrido, constou do voto vencedor a seguinte fundamentação: Em relação à multa há de se registrar que o dispositivo legal que lhe dá supedâneo foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35ª da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o artigo 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9202-008.594 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.002108/2010-13 Incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte. Por outro lado, o Paradigma 2401-002.453 dispõe, expressamente, de forma contraria, como se observa do trecho da ementa abaixo transcrita: LANÇAMENTO DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA MULTA PREVISTA NO ART. 44, I, DA LEI n.º 9.430/1996. Nos lançamentos de ofício de contribuições sociais, aplica-se a multa prevista no art. 44, I, da Lei n.º 9.430/1996, não se cogitando da aplicação da multa moratória prevista no art. 61 da mesma Lei. Nesse contexto, entendo pelo conhecimento do Recurso Interposto, pois devidamente prequestionada a matéria, bem como identificada a divergência jurisprudencial suscitada, consoante consta do Despacho de Admissibilidade do Recurso. 2. Da multa Da presente ação fiscal, tiveram origem os seguintes processos, fls. 119: O processo 15504.002107/2010-79 (03 VOLUMES) é o principal ao qual foram apensados os demais: -15504.002108/2010-13 -15504.002109/2010-68 - 15504.002308/201076 - 15504.002106/2010-24 - 15504.002105/2010-80 - 15504.002103/2010-91 - 15504-002104/2010-35. O processo sob análise trata da obrigação principal referente às contribuições sociais previdenciárias devidas à Seguridade Social (parte segurados). Foi admitida para rediscussão pelo Colegiado, conforme narrado, apenas a matéria atinente à aplicação da multa (retroatividade benigna). Sobre o tema, o CARF sedimentou o entendimento esposado no âmbito do Enunciado de Súmula CARF n.º 119, como segue: Súmula CARF nº 119 No caso de multas por descumprimento de obrigação principal e por descumprimento de obrigação acessória pela falta de declaração em GFIP, associadas e exigidas em lançamentos de ofício referentes a fatos geradores anteriores à vigência da Medida Provisória n° 449, de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 2009, a retroatividade benigna deve ser aferida mediante a comparação entre a soma das penalidades pelo descumprimento das obrigações principal e acessória, aplicáveis à época dos fatos geradores, com a multa de ofício de 75%, prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 129, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Pela leitura da Súmula mencionada, verifica-se que assiste razão à Recorrente em seus argumentos. Diante do exposto, voto por conhecer do Recurso Especial interposto pela Procuradoria e, no mérito, dar-lhe provimento. Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9202-008.594 - CSRF/2ª Turma Processo nº 15504.002108/2010-13 (documento assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Fl. 268DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13819.723976/2015-76
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Thu Apr 30 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Ano-calendário: 2010
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIPO. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF nº 148.
A multa por atraso na entrega da GFIP é exigida por lançamento de ofício. A contagem do prazo decadencial para o seu lançamento segue a regra do art. 173, I, do CTN e tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (Súmula CARF nº 148).
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49.
Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP.
PUBLICIDADE DAS NORMAS.
A publicidade dos atos normativos é presumida considerando sua publicação em Diário Oficial.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF nº 46.
O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação.
O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46).
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO.
Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação.
Nos termos da Súmula CARF nº 49, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. LEI 13.097/2015. NÃO INCIDÊNCIA E REMISSÃO. INAPLICABILIDADE.
A entrega em atraso da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) constitui infração punível com a multa prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212/91.
A Lei 13.097/15 inovou o ordenamento jurídico, mas somente se aplica a lançamentos efetuados até 20/1/2015 (data da publicação da lei) e desde que se refiram a GFIP entregues em atraso, mas sem ocorrência de fatos geradores no período de 27/05/2009 a 31/12/2013 (art. 48), ou apresentadas até o último dia do mês subsequente ao previsto para a sua entrega (art. 49), o que não é caso dos autos.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA
A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei.
Numero da decisão: 2003-001.136
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13827.720617/2015-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Raimundo Cassio Gonçalves Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva.
Nome do relator: RAIMUNDO CASSIO GONCALVES LIMA
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DECADÊNCIA. SÚMULA CARF nº 148. A multa por atraso na entrega da GFIP é exigida por lançamento de ofício. A contagem do prazo decadencial para o seu lançamento segue a regra do art. 173, I, do CTN e tem início no primeiro dia do exercício seguinte ao da data prevista para a entrega da GFIP (Súmula CARF nº 148). DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 49. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o instituto da denúncia espontânea não alcança a prática de ato puramente formal do contribuinte, consistente na entrega, com atraso, da GFIP. PUBLICIDADE DAS NORMAS. A publicidade dos atos normativos é presumida considerando sua publicação em Diário Oficial. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. DESNECESSIDADE. SÚMULA CARF nº 46. O contribuinte deve cumprir a obrigação acessória de entregar a GFIP no prazo legal sob pena de aplicação da multa prevista na legislação. O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário (Súmula vinculante CARF 46). INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. SÚMULA CARF nº 2. CONFISCO. Não há que se falar em confisco quando a multa for aplicada em conformidade com a legislação. Nos termos da Súmula CARF nº 49, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 39 76 /2 01 5- 76 Fl. 52DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2003-001.136 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723976/2015-76 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. LEI 13.097/2015. NÃO INCIDÊNCIA E REMISSÃO. INAPLICABILIDADE. A entrega em atraso da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) constitui infração punível com a multa prevista no art. 32-A da Lei nº 8.212/91. A Lei 13.097/15 inovou o ordenamento jurídico, mas somente se aplica a lançamentos efetuados até 20/1/2015 (data da publicação da lei) e desde que se refiram a GFIP entregues em atraso, mas sem ocorrência de fatos geradores no período de 27/05/2009 a 31/12/2013 (art. 48), ou apresentadas até o último dia do mês subsequente ao previsto para a sua entrega (art. 49), o que não é caso dos autos. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA GFIP. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO DE INTERPRETAÇÃO. INEXISTÊNCIA A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32-A na Lei nº 8.212/91, pela lei 11.941/09. O dispositivo não sofreu alteração, de forma que o critério para sua aplicação é único desde a edição da lei. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, aplicando-se o decidido no julgamento do processo 13827.720617/2015-68, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Raimundo Cassio Gonçalves Lima (Presidente), Gabriel Tinoco Palatinic, Wilderson Botto e Sara Maria de Almeida Carneiro Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos, prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, e, dessa forma, adoto neste relatório excertos do relatado no Acórdão nº 2003-001.121, de 19 de fevereiro de 2020, que lhe serve de paradigma. Trata-se de exigência de multas por atraso na entrega da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) em relação às quais o autuado apresentou impugnação, alegando, em suma: 1 – preliminarmente, a nulidade do lançamento por decadência do direito de lançar as multas; falta de intimação prévia ao lançamento (o que contraria dispositivo de lei); Fl. 53DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2003-001.136 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723976/2015-76 violação a princípios constitucionais; inconstitucionalidade de lei; denúncia espontânea da infração; e existência de lei posterior ao lançamento que anistiou as multas lançadas; 2 – no mérito, que houve descumprimento do princípio da publicidade (falta de orientação ao contribuinte); o caráter educativo da multa, invocando o princípio de vedação ao confisco; a alteração do critério jurídico de interpretação; e a entrega espontânea sem intimação prévia. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento por unanimidade de votos julgou improcedente a impugnação por considerar que as razões apresentadas não invalidam o lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Inconformado, o contribuinte interpôs o presente recurso voluntário no qual pretende sejam novamente apreciadas as alegações já submetidas à apreciação da primeira instância. Requer o cancelamento do débito lançado. É o relatório. Voto Conselheiro Raimundo Cassio Gonçalves Lima, Relator Das razões recursais Como já destacado, o presente julgamento segue a sistemática dos recursos repetitivos, nos termos do art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do RICARF, desta forma reproduzo o voto consignado no Acórdão nº 2003-001.121, de 19 de fevereiro de 2020, paradigma desta decisão. Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, razão por que dele conheço. Preliminares Da decadência do direito de lançar as multas. No direito tributário o prazo decadencial para que autoridade fiscal proceda ao lançamento do crédito tributário está disciplinado tanto no art. 150, quanto no art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), sendo que o art. 150 trata de hipótese de contagem de prazo decadencial quando há antecipação do pagamento do tributo, o que não é o caso. Trata-se aqui de penalidade pelo descumprimento tempestivo de obrigação acessória, exigida por lançamento de ofício cujo prazo para constituição encontra-se no art. 173, inciso I, do CTN, matéria sobre a qual este Fl. 54DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2003-001.136 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723976/2015-76 Conselho já tem posição firmada por meio de Súmula no seguinte sentido: Súmula CARF Nº 148: No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. Considerando a disciplina do inciso I do art. 173 do CTN, a contagem do prazo em que o Fisco teria o direito de efetuar o lançamento da multa (já que a entrega se deu em atraso) iniciou-se no primeiro dia do exercício seguinte àquele previsto para a entrega da GFIP, encerrando-se em 5 anos contados dessa data. Considerando que a ciência do lançamento ocorreu antes do prazo final, não há que se falar em decadência. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Da falta de intimação prévia ao lançamento Alega o recorrente que não foi intimado previamente ao lançamento, conforme determinaria o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991. Entretanto, o lançamento foi efetuado com base nas declarações apresentadas pelo recorrente, de forma que quando do lançamento o Fisco já dispunha dos elementos suficientes para proceder ao lançamento da infração oriunda da entrega intempestiva da declaração, o que dispensa a intimação prévia. Nesse sentido, este Conselho já editou Súmula de caráter vinculante a todos os que aqui atuam, ou seja: Súmula CARF nº 46 O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Ademais, o art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, disciplina que o “O contribuinte que deixar de apresentar a declaração no prazo... será intimado a apresentá-la”. Se o contribuinte já apresentou a declaração, não cabe intimá-lo a cumprir algo que já fez. À luz do inciso II do caput do art. 32-A da Lei 8.212, de 1991, a multa por atraso será aplicada a todos os obrigados que descumprirem a lei em duas hipóteses: deixar de apresentar a declaração, ou apresentá-la após o prazo previsto. No presente caso, foi aplicada corretamente a multa de “...de 2% Fl. 55DF CARF MF Documento nato-digital http://idg.carf.fazenda.gov.br/acesso-a-informacao/boletim-de-servicos-carf/portarias-do-mf-de-interesse-do-carf-2018/portarias-mf-277-sumulas-efeito-vinculantes.pdf Fl. 5 do Acórdão n.º 2003-001.136 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723976/2015-76 (dois por cento) ao mês-calendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de ... entrega após o prazo”. Para subsidiar seu entendimento, o recorrente juntou aos autos cópia de decisão proferida pelo TRF/1ª, 5ª Turma Suplementar, na Apelação Cível nº 2001.38.03.003902-9 (fls. 45). Entretanto, a sentença proferida não constitui prova do que se pretende, pois tais decisões não se traduzem em normas complementares do Direito Tributário e vinculam apenas as partes envolvidas nos litígios por elas resolvidos (inteligência do art. 100 do CTN c/c art. 506 da Lei 13.105/2015 - Código de Processo Civil). Juntou ainda julgamento deste Conselho que, além de não ser vinculante, em nada interfere no presente julgamento. Trata-se ali da impossibilidade de aplicação concomitante da multa prevista no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 (por omissão de fatos geradores) com a multa prevista no inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/1991 (por prestação de informações incorretas ou omitidas). Entretanto, o presente caso trata da multa prevista no inciso II do art. 32-A da Lei nº 8.212/1991, aplicada em razão do atraso na entrega da GFIP, situação diversa daquela trazida no julgamento apontado, razão pela qual não há como acatar a preliminar suscitada. Da violação aos princípios constitucionais Alega o recorrente que não foram observados, quando do lançamento, os princípios constitucionais norteadores de toda atividade administrativa. Não assiste razão ao recorrente. A aplicação da penalidade se deu nos exatos termos da lei, não cabendo aqui a análise da constitucionalidade de lei tributária, entendimento inclusive já objeto de Súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Os princípios constitucionais devem ser observados pelo legislador no momento da elaboração da lei. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicá-la, sob pena de responsabilidade funcional, pois desenvolve atividade vinculada e obrigatória. No caso, a multa foi aplicada em conformidade com a legislação de regência, portanto não há que se falar em ofensa a princípios constitucionais ou a confisco. Da denúncia espontânea da infração O recorrente alega a denúncia espontânea da infração, já que entregou as declarações em atraso, mas espontaneamente. Não há que se falar aqui em denúncia espontânea da infração, instituto previsto no art. 138 do CTN, uma vez que quando da apresentação em atraso das GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em Fl. 56DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 2003-001.136 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723976/2015-76 um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Esse entendimento está pacificado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que o 138 do CTN é inaplicável à hipótese de infração de caráter puramente formal, que seja totalmente desvinculada do cumprimento da obrigação tributária principal. Cita-se como exemplo o seguinte julgamento: TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. ENTREGA COM ATRASO DE DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS DO IMPOSTO DE RENDA. MULTA. PRECEDENTES. 1. A entidade "denúncia espontânea" não alberga a prática de ato puramente formal do contribuinte de entregar, com atraso, a Declaração do Imposto de Renda. 2. As responsabilidades acessórias autônomas, sem qualquer vínculo direto com a existência do fato gerador do tributo, não estão alcançadas pelo art. 138, do CTN. Precedentes. 3. Embargos de Divergência acolhidos. (EREsp: Nº 246.295/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, julgado em 18/06/2001, DJ 20/08/2001). A matéria também já foi enfrentada por diversas vezes por este Conselho, que já editou Súmula de caráter vinculante a respeito, ou seja: Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. (Portaria CARF nº 49, de 1/12/2010, publicada no DOU de 7/12/2010, p. 42) O recorrente invocou ainda a aplicação do art. 472 da Instrução Normativa da Receita Federal nº 971, de 13 de novembro de 2009, que prevê que “Caso haja denúncia espontânea da infração, não cabe a lavratura de Auto de Infração para aplicação de penalidade pelo descumprimento de obrigação acessória.” Entretanto, o parágrafo único do mesmo dispositivo já esclarece que “Considera-se denúncia espontânea o procedimento adotado pelo infrator com a finalidade de regularizar a situação que constitua infração,...” (grifei). Como já colocado acima, quando da apresentação em atraso da GFIP já houve a consumação da infração, constituindo-se em um fato não passível de correção pela denúncia espontânea. Além disso, o art. 476, II, da mesma instrução Normativa prevê expressa e especificamente a aplicação da multa no caso de GFIP entregue atraso a partir de 4 de dezembro de 2008. Não pode haver conflito entre dispositivos de um mesmo ato normativo. Enquanto o art. 472 trata de regra geral, aplicável às situações em que é possível a caracterização da denúncia espontânea, o art. 476 trata especificamente da multa que se discute no presente processo, à qual não se aplica tal instituto. Dessa forma, a alegação não procede. Isso posto, não há como prover o recurso neste ponto. Fl. 57DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 2003-001.136 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723976/2015-76 Da aplicação dos arts. 48 e 49 da Lei 13.097, de 2015 O recorrente foi autuado por infração ao art. 32-A da Lei nº 8.212, de 1991, devido a entrega intempestiva de GFIP. Em janeiro de 2015 foi publicada a Lei nº 13.097, cujos arts. 48 e 49 da Lei nº 13.097, de 2015, assim determinam: Art. 48. O disposto no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 , deixa de produzir efeitos em relação aos fatos geradores ocorridos no período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013, no caso de entrega de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Art. 49. Ficam anistiadas as multas previstas no art. 32-A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 , lançadas até a publicação desta Lei, desde que a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 , tenha sido apresentada até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Requer o recorrente a aplicação dos dispositivos legais acima copiadas às autuações por ele sofridas. Da leitura dos dispositivos depreende-se que as multas em GFIP serão afastadas desde que tenham sido lançadas até a publicação da lei (20/1/2015) e se refiram a: 1- GFIP sem ocorrência de fatos geradores (GFIP sem movimento) relativas ao período de 27 de maio de 2009 a 31 de dezembro de 2013; ou 2- GFIP entregue até o último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega. Não é o caso dos autos. O auto de infração foi lavrado em data posterior a 20/1/2015. Também é possível perceber pelo auto de infração a existência de base de cálculo das multas lançadas, o que prova que houve fatos geradores no período do lançamento e afasta a aplicação do art. 48 ao presente caso. Por fim, todas as declarações foram apresentadas em período posterior ao último dia do mês subsequente ao previsto para a entrega, não se aplicando aqui a remissão prevista no art. 49 (registre-se aqui que, embora o texto legal se refira a anistia, trata-se de remissão, a teor do que dispõe o art. 156, IV, do CTN.) Dessa forma, os arts. 48 e 49 da Lei nº 13.097, de 2015, não se aplicam ao presente caso, de forma que a incidência tributária não poderá ser afastada. Isso posto, rejeito as questões preliminares suscitadas. Fl. 58DF CARF MF Documento nato-digital http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art32a. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art32a. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art32a. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art32iv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art32iv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8212cons.htm#art32iv Fl. 8 do Acórdão n.º 2003-001.136 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723976/2015-76 Mérito Da inobservância do princípio da publicidade O recorrente alega que a Receita Federal não deu publicidade às alterações promovidas pela Medida Provisória 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, que alterou a Lei 8.212/1991 e instituiu a multa cobrada nos autos que se discute. Entretanto, não é dado a qualquer pessoa, ainda mais àquelas que se propõem ao risco empresarial, a alegação de desconhecimento das leis. A publicidade dos atos normativos é presumida tendo em vista a sua publicação em Diário Oficial. Alega também que não houve orientação prévia ao contribuinte para que se regularizasse antes da autuação. Eventual orientação prévia não teria o condão de afastar a aplicação da penalidade, uma vez que, configurado o atraso na entrega da declaração, resta à autoridade fiscal proceder ao lançamento da penalidade, pois desenvolve atividade plenamente vinculada à lei. Da alteração do critério jurídico de interpretação O recorrente alega ainda que a demora do fisco em efetuar o lançamento insinua que houve mudança no critério jurídico de interpretação, devendo ser observado o preconiza o art. 146 do CTN. Não assiste razão ao recorrente. A multa por atraso na entrega da GFIP passou a existir no ordenamento jurídico a partir da introdução do art. 32- A na Lei nº 8.212, de 1991, inserido pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. O dispositivo permanece inalterado até o presente momento, de forma que o critério para aplicação da penalidade é único e o lançamento observou este único critério, pois foi efetuado com base nos exatos termos ali previstos. Não cabe aqui qualquer juízo quanto à demora na aplicação da penalidade, sendo incabível a alegação de morosidade do órgão competente para efetuar o lançamento da multa por atraso na entrega da GFIP, desde que o lançamento tenha sido efetuado respeitando o prazo decadencial previsto no art. 173, I, do CTN, o que aconteceu. Se sua efetivação não se deu antes, não se pode atribuir o fato a mudança de entendimento, mas à possibilidade de gerenciamento e controle administrativos a partir dos recursos humanos e materiais disponíveis. O cerne da questão é saber se o contribuinte cumpriu o prazo estipulado pela legislação aplicável, restando incontroverso que não cumpriu. Dessa forma, não há como prover o recurso. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantendo o crédito tributário tal como lançado. É como voto. Fl. 59DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 2003-001.136 - 2ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13819.723976/2015-76 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Raimundo Cassio Gonçalves Lima Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital
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