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Numero do processo: 10167.001325/2007-45
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jul 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005
RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA.
Não deve ser conhecido o recurso de ofício quando o acórdão recorrido exonerou o sujeito passivo, do pagamento de tributo e/ou multa de valor que ficou abaixo do limite de alçada em alteração ocorrida por ato normativo superveniente.
Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância.
A Portaria MF n.º 03/2008, fixou o limite de alçada em R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais) e por ser norma processual deve ser aplicada imediatamente, ainda que, à época da interposição do recurso, estivesse em vigor limite de alçada inferior ao presente.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-004.319
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente-Substituto
(Assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente-Substituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005 RECURSO DE OFÍCIO. NÃO CONHECIMENTO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício quando o acórdão recorrido exonerou o sujeito passivo, do pagamento de tributo e/ou multa de valor que ficou abaixo do limite de alçada em alteração ocorrida por ato normativo superveniente. Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplica-se o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF n.º 03/2008, fixou o limite de alçada em R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais) e por ser norma processual deve ser aplicada imediatamente, ainda que, à época da interposição do recurso, estivesse em vigor limite de alçada inferior ao presente. Recurso Especial do Procurador Negado.
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NÃO CONHECIMENTO. ALTERAÇÃO DO LIMITE DE ALÇADA. NORMA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. Não deve ser conhecido o recurso de ofício quando o acórdão recorrido exonerou o sujeito passivo, do pagamento de tributo e/ou multa de valor que ficou abaixo do limite de alçada em alteração ocorrida por ato normativo superveniente. Nos termos da Súmula CARF nº 103, para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. A Portaria MF n.º 03/2008, fixou o limite de alçada em R$ 1.000.000,00 (Um milhão de reais) e por ser norma processual deve ser aplicada imediatamente, ainda que, à época da interposição do recurso, estivesse em vigor limite de alçada inferior ao presente. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 7. 00 13 25 /2 00 7- 45 Fl. 23243DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PresidenteSubstituto (Assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (PresidenteSubstituto), , Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Fl. 23244DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10167.001325/200745 Acórdão n.º 9202004.319 CSRFT2 Fl. 3 3 Relatório A Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD n.º debcad 35.805.1410, referese ao lançamento de contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes a parte da empresa no período de 01/1995 a 03/2005, incidentes sobre os valores pagos aos empregados comissionados (ocupantes exclusivamente de cargo em comissão), a contratados e contribuintes individuais, além de verbas denominadas auxílio moradia, diárias quando excedente a 50% da remuneração mensal (comissionados), auxílio alimentação e auxíliotransporte (contratados) pagos em dinheiro. A ciência do lançamento se deu em 12/08/2005. Após a impugnação, visando esclarecimentos adicionais, o processo foi baixado em diligência. Do cumprimento da mesma foi elaborada Informação Fiscal e Relatório Fiscal Complementar (fls. 732/1157), com ciência e manifestação por parte do sujeito passivo em 19/04/2007. Nas suas considerações, o contribuinte alegou que não tinha apreciado toda a documentação e que posteriormente enviaria à autoridade administrativa um relatório final. Tal documento foi protocolado na Receita Federal em 14/09/2007. Ocorre que apenas em 03/10/2007, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ recebeu a documentação citada, enquanto ainda em 24/09/2007, foi realizado o julgamento de primeira instância, consubstanciado no Acórdão n.º 0322.487. O sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário contra o julgado, que pugnou pela procedência parcial do lançamento decidindo que não eram devidas contribuições sobre os valores pagos a título da auxíliomoradia e diárias, ainda que superiores a 50% da remuneração mensal aos servidores ocupantes exclusivamente de cargo em comissão, fazendo também reduções nos valores relativos a valetransporte e valerefeição em razão de erros identificados. Por conta da redução do crédito para R$ 3.372.635,03, conforme Discriminativo Analítico de Débito Retificado DADR, a DRJ interpôs RECURSO DE OFÍCIO ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), na forma do art. 366, I, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. No julgamento dos recursos de ofício e voluntário, em sessão plenária de 01/12/2010, a 3ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, converteu o julgamento em diligência para que fossem apreciados os documentos apresentados pelo sujeito passivo (fls. 1422/10866), antes de proferida a decisão de 1ª instância. Do resultado da diligência efetuada, foi elaborada Informação Fiscal materializada às fls. 10886/10944, e foi dada ciência ao contribuinte que se manifestou regularmente. Em novo julgamento realizado em sessão plenária de 24/01/2013, o Recurso de Ofício não foi conhecido e ao Recurso Voluntário foi dado provimento parcial, prolatando se o Acórdão nº 2403001.850 (fls. 23158/23183 ), assim ementado: Fl. 23245DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 31/03/2005 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL RECURSO DE OFÍCIO. ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA. Deve ser imediatamente aplicado o novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de oficio interposto quando vigente limite anterior. Com a publicação da Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, o limite de alçada para que o Presidente da Turma da DRJ recorra de oficio da decisão tomada passou para R$ 1,000.000,00, o que impede o conhecimento de recurso de oficio no qual a desoneração do sujeito passivo tenha sido inferior a este novo valor. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicada a regra qüinqüenal da decadência do Código Tributário Nacional. QUARENTENA Sobre a quarentena, período de interdição de quatro meses, contados a partir da data de exoneração, no qual a autoridade fica impossibilitada de realizar atividade incompatível com o cargo anteriormente exercido, não incide tributação previdenciária. VALETRANSPORTE. Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia. ALIMENTAÇÃO Auxílio alimentação, quando pago em pecúnia sofre tributação. NULIDADE A demonstração fundamentada do prejuízo é condição para a decretação da nulidade. Recurso de Ofício Não Conhecido Recurso Voluntário Provido em Parte A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN foi cientificada do acórdão em 15/07/2013, (fls. 23184) e opôs tempestivamente Embargos de Declaração (fls. 23187/23189), que foram rejeitados através do Despacho n.º 2403049 (fls. 23194/23195). Cientificada do feito em 05/09/2013 (fls. 23196), a PGFN ofereceu o recurso especial em análise (fls. 23197/23206). Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme o Despacho fls. 23214 a 23216. O recorrente traz como alegações: Fl. 23246DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10167.001325/200745 Acórdão n.º 9202004.319 CSRFT2 Fl. 4 5 · Que acórdão recorrido não conheceu do recurso de ofício, por considerar como limite de alçada aquele previsto em norma superveniente à época da interposição. · Que, de forma contrária, os paradigmas corretamente afirmaram que o juízo de admissibilidade recursal deve levar em conta a norma vigente na data em que foi praticado o ato processual. · Que norma posterior não poderia impedir o conhecimento do recurso, porque o ato processual praticado encontrase perfeito e acabado. · Que de acordo com o sistema processual pátrio a lei nova só terá eficácia quanto aos atos processuais futuros, respeitada a eficácia dos atos já praticados na vigência da lei velha. · Alega que a jurisprudência do STJ conduz ao fato de que o recurso de ofício, no âmbito do processo administrativo fiscal deve ser conhecido com base no limite de alçada vigente quando proferida a decisão da DRJ. · Requer, por fim, o provimento do recurso especial para que seja conhecido o recurso de ofício. As contrarrazões do Contribuinte apresentam os seguintes argumentos (fls.23222/23239): · Que embora existam acórdãos do CARF em sentido contrário ao decidido no acórdão recorrido, deve ser adotado o entendimento de que a lei nova atinge os atos pendentes, posicionamento que encontra respaldo doutrinário e jurisprudencial. · Que o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional tem por matéria de fundo, no caso de seu provimento, a rediscussão de assunto já resolvido na Administração Federal, objeto do Parecer n.º AC52, de 26 de junho de 2006, que cuida da não incidência de contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de auxíliomoradia e diárias, ainda que superiores a 50% da remuneração mensal de servidores federais ocupantes exclusivamente de cargos em comissão, a despeito de sua vinculação ao Regime Geral de Previdência Social. · Por fim, requer o não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, mantendose o acórdão atacado. É o relatório. Fl. 23247DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser conhecido. Compulsando os autos é de se ver que em segunda instância, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF pugnou pelo provimento parcial ao recurso voluntário e não conheceu do recurso de ofício, nos termos do Acórdão n° 2403 001850, ora recorrido. Por ser objeto do recurso especial o não conhecimento do recurso de ofício, transcrevo os fundamentos adotados no julgado: [...] Ocorre que foi editada pelo Ministro da Fazenda a Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008, que alterou o limite de alçada para interposição de recurso de ofício para R$ 1.000.000,00. Deve ser imediatamente aplicado o novo limite de alçada. Portaria MF nº 3, de 3 de janeiro de 2008 Art. 1ºO Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2ºEsta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Não se deve conhecer do recurso de oficio no qual a desoneração do sujeito passivo tenha sido inferior a este novo valor. [...] A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional sustentou em suas razões recursais que o acórdão recorrido contrariou a jurisprudência administrativa traduzida nos Acórdãos paradigmas n° 340300.078 e n.º 180300312, os quais entenderam que a norma processual a ser observada é a vigente à época da interposição do recurso, ao contrário do que restou assentado pelo Colegiado a quo, o qual aplicou as disposições processuais válidas por ocasião do julgamento em segunda instância. Destarte, vêse que a decisão de primeira instância foi proferida em 24/09/2007, quando vigorava a Portaria MPS n.º 158, de 11 de abril de 2007, a qual dispunha sobre a interposição de recurso de ofício de que trata o art. 366 do Regulamento da Previdência Social. O recurso de ofício foi interposto em razão de ter sido declarado indevido valor superior a R$ 200.000,00, conforme inciso I do artigo 1º da citada Portaria, já que o crédito tributário foi reduzido de R$ 3.703.494,16 para R$ 3.372.635,03. Fl. 23248DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10167.001325/200745 Acórdão n.º 9202004.319 CSRFT2 Fl. 5 7 Entretanto, é de ver que durante o trâmite processual, o limite de alçada foi alterado em algumas oportunidades, sobretudo após a unificação das Receitas Federal do Brasil e Previdenciária, nos termos da Lei nº 11.457/2007. Atualmente, o recurso de ofício no caso de decisão que exonerar parte ou integralmente o crédito tributário, bem como o limite de alçada a ser observado, encontrase fundamentados no artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008, nos seguintes termos: “ Portaria MF nº 03/2008 Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). Parágrafo único. O valor da exoneração de que trata o caput deverá ser verificado por processo. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação. Art. 3º Fica revogada a Portaria MF nº 375, de 7 de dezembro de 2001. Assim, como se depreende das normas acima transcritas, o limite de alçada foi alterado para o valor de R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), relativamente aos créditos exonerados em decisão de primeira instância. E, por se tratar de norma processual, esta nova disposição legal deverá ser aplicada à época do julgamento do recurso, em detrimento à legislação vigente quando da interposição da peça recursal, consoante jurisprudência deste Colegiado, como se pode ver de julgados cujas ementas seguem abaixo transcritas: “RECURSO DE OFÍCIO ALTERAÇÃO NO LIMITE DE ALÇADA TEMPUS REGIT ACTUM RETROATIVIDADE LEGÍTIMA É legítima a aplicação do novo limite de alçada para impedir a apreciação de recurso de ofício interposto quando vigente limite inferior. Retroatividade legítima que não fere qualquer direito consolidado, pois a alteração do limite para maior é feita pela própria administração, única interessada na apreciação do recurso. (Recurso de Ofício). Recurso de ofício não conhecido por falta de objeto. [...]” (5ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº 151.280, Acórdão nº 10516879, Sessão de 04/03/2008) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1991, 1992, 1993 NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO DE OFÍCIO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA RETROATIVIDADE DE REGRA PROCESSUAL PORTARIA MF nº 3/2008. Verificado que o valor de alçada recursal é inferior ao limite de R$ 1.000.000,00, estabelecido pela regra administrativa constante da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, DOU 07.01.2008, deixase de conhecer o recurso de ofício, por se Fl. 23249DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 tratar de regra processual aplicável de imediato, com efeito, retroativo. Recurso de Ofício Não Conhecido.” (8ª Câmara do 1º Conselho– Recurso nº 158.704, Acórdão nº 10809810, Sessão de 19/12/2008) “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2003 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR ABAIXO LIMITE ALÇADA. NÃO CONHECIDO. Não se conhece o Recurso de Ofício interposto antes da edição da Portaria MF no 3, de 3 de janeiro de 2008, que exonera o contribuinte do pagamento de tributo e multa de ofício em valor inferior R$1.000.000,00, por se tratar de norma processual de aplicação imediata. Recurso de ofício não conhecido.” (6ª Câmara do 1º Conselho – Recurso nº 155.249, Acórdão nº 10617122, Sessão de 09/10/2008) No caso em apreço, o atual limite de alçada deve ser observado em detrimento àquele vigente à época da interposição do recurso de ofício, tendo em vista tratarse de regra processual elaborada pelo Fisco e de seu próprio interesse, visando à celeridade processual nos Órgãos Julgadores de segunda instância. Nesse sentido, temos súmula deste Conselho: Súmula CARF nº 103 : Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Portanto, entendo que o recurso de ofício não deva ser conhecido, pois o valor imposto pela Portaria n.º 03 de 03/01/2008, se aplica aos processos ainda pendentes de julgamento e a retroatividade, neste caso, não fere qualquer direito, uma vez que a própria administração, que seria a interessada na apreciação do recurso de ofício, alterou o limite para maior. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso interposto pela Fazenda Nacional, mantendo o Acórdão nos termos em foi prolatado. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 23250DF CARF MF Impresso em 04/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 26/07/2016 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 01/08/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10711.006464/2010-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 03/11/2008
PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE.
A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decreto-lei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.654
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 03/11/2008 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento recurso especial. Vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 64 64 /2 01 0- 47 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 205 2 Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração que exige da contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Julgando o feito, a Turma recorrida negou provimento ao recurso voluntário, nos termos do Acórdão 3403002.374. No que diz respeito à denúncia espontânea, o Colegiado a quo decidiu que esse instituto é inaplicável para afastar a exigência da multa em comento. Após tomar ciência do mencionado acórdão, a Contribuinte apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei 12.350, de 2010, para afastar a multa que lhe foi imputada pelo Fisco. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º a 3º do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.552, de 26/04/2016, proferido no julgamento do processo 11128.007573/200648, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9303003.552): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para sua admissibilidade. Dele tomo conhecimento. Importante observar, quanto à comprovação da divergência, que recorrido e paradigma trataram da exigência da mesma penalidade (art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966) e foram proferidos após 28/07/2010 (data da publicação da MP 497, convertida na Fl. 205DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 206 3 Lei 12.350, de 20/12/2010). Além disso, ambos citaram expressamente as alterações promovidas pela mencionada lei na redação do art. 102, § 2º, do DecretoLei 37/66, que trata da denúncia espontânea, apesar de tal consignação não ser imprescindível. Todavia, os arestos confrontados, que guardam identidade fática e jurídica, chegaram a resultados opostos quanto à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea sobre a exigência da penalidade em foco. Não há dúvida, portanto, quanto à existência de dissenso jurisprudencial. A matéria devolvida a este Colegiado cingese, exclusivamente, à possibilidade de aplicar a denúncia espontânea, após a alteração promovida pela Lei 12.350/2010, para afastar a exigência da multa pelo atraso na prestações de informações sobre veículo ou carga nele transportada. Não vejo como dar razão à pretensão da Contribuinte, sob pena de aniquilar o cumprimento, com observância dos prazos estabelecidos pela legislação, do dever instrumental de prestar informação. Aplicandose o entendimento defendido pela Recorrente, os prazos estipulados pela legislação aduaneira, para prestar informações à RFB, poderiam ser descumpridos pelo sujeito passivo sem punição, tendo como única condição que a prestação das informações seja efetuada antes do início de ação fiscal. Ou seja, os prazos para a apresentação de informações seriam bastante elásticos, a depender de cada caso, e não prazos fatais, como é a regra na legislação tributária. Por concordar na íntegra com os fundamentos, e por aplicarse à solução do presente litígio, adoto o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Solon Sehn no Acórdão 3802 002.314, de 27/11/2013, do qual transcrevo os seguintes excertos: "O Recorrente alega ainda que as informações sobre o embarque foram prestadas antes da lavratura do auto de infração. Portanto, nos termos do art. 138, caput, do Código Tributário Nacional (CTN), a multa deveria ter sido excluída em razão da caracterização da denúncia espontânea: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. A aplicabilidade da denúncia espontânea às “obrigações acessórias” é sustentada por parte da doutrina com base na expressão “se for o caso”, encontrada no caput do art. 138 do CTN. Nesse sentido, cumpre destacar as lições de Hugo de Brito Machado, Luciano Amaro e Sacha Calmon Navarro Coêlho: 'Como a lei diz que a denúncia há de ser acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido, resta induvidoso que a exclusão da responsabilidade tanto se Fl. 206DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 207 4 refere a infrações das quais decorra o não pagamento do tributo como a infrações meramente formais, vale dizer, infrações das quais não decorra o não pagamento do tributo. Inadimplemento de obrigações tributárias meramente acessórias' 1. 'A expressão ‘se for o caso’ explicase em face de que algumas infrações, por implicarem desrespeito a obrigações acessórias, não acarretam, diretamente, nenhuma falta de pagamento de tributo, embora sejam também puníveis, porque a responsabilidade não pressupõe, necessariamente, dano (art. 136). Outras infrações, porém, de um modo ou de outro, resultam em falta de pagamento. Em relação a estas é que o Código reclama o pagamento' 2. 'Se quisesse excluir uma ou outra, teria adjetivado a palavra infração ou teria dito que a denúncia espontânea elidiria a responsabilidade pela prática de infração à obrigação principal excluindo a assessória, ou viceversa. Ora, onde o legislador não distingue não é lícito ao intérprete distinguir segundo cediço princípio de hermenêutica' 3 Essa interpretação, porém, não foi acolhida pela Jurisprudência, consoante se depreende dos seguintes julgados do Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. O STJ possui entendimento de que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, pois os efeitos do art. 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. 2. Agravo Regimental não provido.” (STJ. 2ª T. AgRg nos EDcl no AREsp 209663/BA. Rel. Min. Herman Benjamin. DJe 10/05/2013).' (...) A mesma interpretação foi adotada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, conforme Súmula CARF nº 49: 'A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na 1 MACHADO, Hugo de Brito. Curso de direito tributário. 27. Ed. São Paulo: Malheiros, 2006, p. 182 e ss. 2 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 10 Ed. São Paulo: Saraiva, 2004, p. 437. 3 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 1995, p. 105106. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 208 5 entrega de declaração', que foi fruto de reiterados julgados do Câmara Superior de Recursos Fiscais (...). A discussão, entretanto, foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art. 102. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988). § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010). (...) De fato, a Lei nº 12.350/2010 resultou da conversão da Medida Provisória n.º 497/2010. De acordo com a exposição de motivos desta, seu objetivo foi 'deixar claro' que o instituto da denúncia espontânea aplicase a todas as penalidades pecuniárias, inclusive multas isoladas vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória, conforme se depreende da leitura da exposição de motivos: '40. A proposta de alteração do § 2º do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, visa a afastar dúvidas e divergência interpretativas quanto à aplicabilidade do instituto da denúncia espontânea e a consequente exclusão da imposição de determinadas penalidades, para as quais não se tem posicionamento doutrinário claro sobre sua natureza. [...] 43. Fundamentalmente, o Linha Azul é um procedimento simplificado que propicia às empresas habilitadas um menor percentual de seleção para os canais de verificação amarelo e vermelho e conferência aduaneira das declarações selecionadas realizada prioritariamente, Fl. 208DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 209 6 inclusive com compromisso de tempo máximo para essa conferência estipulado. Esse procedimento segue a orientação internacional de Operadores Econômicos Autorizados OEA, ou seja, de credenciamento de operadores legítimos e confiáveis para operar no comércio exterior com menores entraves burocráticos. 44. A avaliação sistêmica da empresa candidata ao Linha Azul inclui a realização, previamente à adesão, de uma auditoria de controles internos para autoavaliação de seus controles e procedimentos aduaneiros, referente, no mínimo, aos quatro últimos semestres civis. O objetivo dessa autoavaliação é induzir a empresa a verificar o cumprimento da legislação aduaneira (controles administrativos e fiscais), com reflexo na garantia da regularidade dos registros aduaneiros e do recolhimento dos tributos devidos. Exigese, sempre que a auditoria de controles internos aponte irregularidades, que sejam apresentados documentos que comprovem o seu saneamento ou a adoção das providências cabíveis para a sua solução. 45. No caso específico, o que se tem verificado é que, durante o processo de auditoria, as empresas têm constatado reiterados erros em declarações de importação registradas e desembaraçadas no canal verde de conferência e, como forma de sanear a irregularidade para cumprimento do programa, apresentado a relação desses erros na unidade de jurisdição e adotado as respectivas providências para a retificação das declarações aduaneiras. 46. Todavia, ao adotar essa providência, mesmo que a empresa não tenha que recolher quaisquer tributos, ela pode estar sujeita à imposição da referida multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria (multa isolada), disciplinada no art. 711 do Regulamento Aduaneiro, ainda que espontaneamente tenha apurado tais erros e adotado as providências para a sua regularização, o que onera por demais o processo de adesão à Linha Azul. 47. A proposta de alteração objetiva deixar claro que o instituto da denúncia espontânea alcança todas as penalidades pecuniárias, aí incluídas as chamadas multas isoladas, pois nos parece incoerente haver a possibilidade de se aplicar o instituto da denúncia espontânea para penalidades vinculadas ao nãopagamento de tributo, que é a obrigação principal, e não haver essa possibilidade para multas isoladas, vinculadas ao descumprimento de obrigação acessória.' (EMI nº 111/MF/MP/ME/MCT/ MDIC/MT). Todavia, cumpre considerar que, nas obrigações acessórias ou deveres instrumentais, o sujeito passivo está Fl. 209DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 210 7 vinculado a um fazer ou nãofazer, sem expressão econômica, destinado a facilitar a fiscalização e a arrecadação dos tributos4. Podem assumir os conteúdos mais variados, desde a manutenção de escrituração fiscal regular, da descrição adequada do bem importado na declaração de importação, emissão de nota fiscal, bem como da apresentação de informações para a Fazenda Pública dentro dos prazos previstos na legislação tributária. Em razão disso, na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo. Essa importante distinção foi evidenciada em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3ª SJ, C1, 2ª TO, S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme 4 CARVALHO, Paulo de Barros. "Curso de direito tributário". 13. ed. São Paulo: Saraiva, 2000, p. 277349. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 211 8 expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face Fl. 211DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 212 9 da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Destarte, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo implicaria o esvaziamento do dever instrumental, que poderia ser cumprido há qualquer tempo, ao alvedrio do sujeito passivo. Exegese dessa natureza comprometeria toda a funcionalidade dos deveres instrumentais no sistema tributário. Destacase, nesse sentido, a doutrina de Yoshiaki Ichihara: 'Caso se entenda que o descumprimento de dever instrumental formal possa ser denunciado e corrigido sem o pagamento das multas decorrentes, na prática não haverá mais infração da obrigação acessória. Seria, a rigor, uma verdadeira anistia, que somente poderá ser concedida por lei específica. Exemplificando, uma empresa que deixou de registrar e escriturar livros fiscais, com a denúncia espontânea da infração, se assim se entender, não haverá mais multa, e a aplicação da lei tributária estará integralmente frustrada' 5. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de dever instrumental caracterizado pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. (...)" O objetivo do art. 138 do CTN é estimular o contribuinte que não pagou os tributos a fazêlo e regularizar a situação, resgatando as pendências deixadas e não conhecidas pelo fisco, que recebe o que deveria ter sido pago e cuja satisfação, não fosse a iniciativa do contribuinte, talvez jamais ocorresse. Tal norma objetiva estimular o cumprimento espontâneo das obrigações tributárias. Porém, a responsabilidade pelo cometimento das infrações restará afastada apenas com o reconhecimento e cumprimento da obrigação, preservando assim a higidez do sistema, não se podendo ver nela nenhum estímulo à inadimplência. De fato, a jurisprudência dominante em nossos tribunais não admite a configuração da denúncia espontânea ante a prática de determinados atos, que representam 5 ICHIHARA, Yoshiaki. Sanções tributárias questões sugeridas. In: MACHADO, Hugo de Brito (coord.). Sanções administrativas tributárias. São Paulo: DialéticaICET, 2004, p. 502. Fl. 212DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 213 10 infrações à legislação tributária. Várias são as decisões no sentido da inaplicabilidade do art. 138 do CTN no descumprimento do prazo quanto às obrigações acessórias. Vejamos: “DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória.” (STJ, 2ª T. AgRg no Resp 916.168/SP, Herman Benjamin, mar/09) No mesmo sentido do entendimento ora defendido, manifestouse recentemente o e. Tribunal Regional Federal da 4ª Região, conforme se infere do enunciado da ementa e dos trechos do voto condutor do julgado, a seguir transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966. 2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas. 3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...]Voto. [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...] (BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 5005999 81.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013) (grifo acrescido) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 214 11 Importante observar que, no mesmo sentido da mencionada decisão do TRF da 4ª RF, existe a Súmula CARF nº 49 A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Todavia, não se trata aqui de aplicar a Súmula 49 para resolver o presente litígio, uma vez que proferida antes das alterações promovidas pela Lei 12.350/2010. A intransigência em matéria de controles administrativos aduaneiros se justifica, muito mais do que pela questão tributáriofinanceira, pela questão da defesa do Estado nacional. A falta de pagamento de tributo, ou de parte dele, não é o único dano que se faz aos cofres públicos e à sociedade no descumprimento das regras de controle aduaneiro. Muitas vezes, a administração tributária prioriza a arrecadação de tributos e não enfatiza as razões dos controles não tributários ou aduaneiros. Assim, pode ficar a impressão de que não havendo falta de pagamento de tributos não há dano efetivo ao erário, mas essa é uma falsa observação. Cabe a administração aduaneira cumprir as decisões dos demais órgãos do Poder Executivo e de Acordos Internacionais, relativamente à saúde, à defesa da economia, à defesa dos interesses culturais, do patrimônio histórico, da segurança pública, entre outros. São atribuições fundamentadas em conhecimentos que ultrapassam largamente aqueles necessários à excelência do trabalho de fiscalização. Ao fazer o julgamento, especialmente por que não há tantos julgadores especializados em nuances do comércio internacional, passase ao largo dos verdadeiros delitos que são cometidos à sombra da ausência de danos fiscais explícitos — quero dizer — da falta de pagamento de impostos. Por último, é de se observar que o entendimento acerca da impossibilidade de aplicar a denúncia espontânea para afastar a multa capitulada no artigo no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DL 37, de 1966, alcança, indistintamente, a exigência dessa penalidade nas diversas situações nas quais é aplicada, tais como: atraso na prestação de informações sobre mercadoria embarcada, sobre atracação de embarcação, sobre vinculação de manifesto de carga, etc. Afastada a aplicação da denúncia espontânea, e diante de recurso do contribuinte, o resultado do julgamento é por negar provimento ao recurso especial, resultado que deve ser aplicado aos demais processos vinculados ao julgamento deste, na sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF (recursos repetitivos). À luz do exposto, voto por negar provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, por Fl. 214DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10711.006464/201047 Acórdão n.º 9303003.654 CSRF‐T3 Fl. 215 12 considerar inaplicável a denúncia espontânea como excludente da multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Fl. 215DF CARF MF Impresso em 24/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/05/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 18/05/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10735.722811/2011-95
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 11 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed May 25 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE PLEITEADA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO.
É incabível a realização de pedido de isenção exclusivamente na fase recursal, pois a matéria não foi objeto do lançamento e, ainda que tivesse sido, esbarraria no instituto da preclusão.
Numero da decisão: 2201-003.159
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente.
EDUARDO TADEU FARAH - Presidente.
Assinado digitalmente.
ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora.
EDITADO EM: 20/05/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH - Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ - Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA.
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ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE PLEITEADA EM SEDE RECURSAL. PRECLUSÃO. É incabível a realização de pedido de isenção exclusivamente na fase recursal, pois a matéria não foi objeto do lançamento e, ainda que tivesse sido, esbarraria no instituto da preclusão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente. EDUARDO TADEU FARAH Presidente. Assinado digitalmente. ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ Relatora. EDITADO EM: 20/05/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: EDUARDO TADEU FARAH (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, JOSE ALFREDO DUARTE FILHO (Suplente convocado), MARIA ANSELMA COSCRATO DOS SANTOS (Suplente convocada), CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, CARLOS CESAR QUADROS PIERRE e ANA CECÍLIA LUSTOSA DA CRUZ. Presente aos julgamentos a Procuradora da Fazenda Nacional SARA RIBEIRO BRAGA FERREIRA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 72 28 11 /2 01 1- 95 Fl. 95DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Em 10/10/2011, foi lavrada notificação de lançamento referente ao exercício 2010, anocalendário 2009, decorrente da omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 25.509,33, recebidos pelo titular e/ou dependentes da fonte pagadora Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro. Constou da referida notificação que o contribuinte comprovou rendimentos não tributáveis no valor de R$ 4.114,32 referentes aos meses de setembro, outubro e novembro, conforme contracheques apresentados (não apresentou os contracheques referentes aos outros meses). Inconformado com a notificação apresentada, o contribuinte protocolizou impugnação, fl. 2 a 6, alegando que a diferença apurada a título de omissão de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro referese à verba indenizatória denominada "Gratificação de Locomoção". Aduz o contribuinte que tal verba é uma reposição dos valores pagos pelos Oficiais de Justiça no cumprimento dos deveres a eles conferidos. Afirma também que o fato de não ser exigida a prestação de contas não retira do rendimento ora analisado a condição de simples antecipação de despesas necessárias ao exercício do cargo de Oficial de Justiça. Assim, acrescenta que se o pagamento efetuado tipifica simples antecipação ou reposição de despesa não se enquadra no conceito de renda, nem no de proventos de qualquer natureza. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou procedente em parte a impugnação, restando mantida parcialmente a notificação de lançamento, com as seguintes considerações: a) dos contracheques reproduzidos às fls. 22 a 24 (referentes aos meses de setembro/2009, outubro/2009 e novembro/2009), depreendese que a Fiscalização não contesta que a verba recebida pelo Interessado a titulo de “Gratificação de Locomoção” não deve sofrer a incidência de imposto de renda pessoa física, já que o valor a soma dos valores registrados nos contracheques reproduzidos às fls. 22 a 24 a título de “Gratificação de Locomoção” confere com o valor dos rendimentos não tributáveis que a Fiscalização afirmou, na “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fl. 39), ter sido comprovado pelos contracheques referentes aos meses de setembro/2009, outubro/2009 e novembro/2009; b) o Interessado apresentou, juntamente com a impugnação, todos os contracheques referentes ao anocalendário 2009, cabe Fl. 96DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10735.722811/201195 Acórdão n.º 2201003.159 S2C2T1 Fl. 96 3 apenas apurar, com base neles, se o montante correto dos rendimentos tributáveis recebidos pelo Interessado é o indicado pela Fiscalização ou o declarado pelo Interessado; c) com base nos contracheques reproduzidos às fls. 13 a 24, observase que o valor correto dos rendimentos tributáveis recebidos pelo Interessado é R$ 115.917,96, já que o rendimento bruto totaliza R$ 132.048,26 e a “Gratificação de Locomoção” totaliza R$ 16.130,30; d) deve ser julgada procedente, portanto, somente a parcela da omissão de rendimentos correspondente a diferença entre R$ 115.917,96 e o valor declarado pelo Interessado (R$ 102.425,93), ou seja, R$ 13.492,03; e) foi julgada parcialmente procedente a impugnação, restando exonerado o crédito tributário exigido e declarado que o contribuinte, além do imposto já restituído (R$ 2.298,00, faz jus a mais R$ 2.739,15 a título de imposto a restituir. Posteriormente, dentro do lapso temporal legal, foi interposto recurso voluntário, no qual a contribuinte aduz, em síntese, que: a) faz jus também a isenção por moléstia grave de que trata a Lei n.º 7.713/88, embora tenha se referido ao valor descontado indevidamente sobre a gratificação de locomoção; b) não foi possível fazer nova declaração retificadora, uma vez que o termo de notificação de lançamento de ofício já havia sido lavrado; c) o total de rendimentos, após a consideração da isenção, perfaz o valor de R$ 77.562,52, conforme informe de rendimentos retificado pelo Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro; d) requer o recorrente que o valor correspondentes à parcela de rendimentos percebida a partir de 25/09/2009 seja convertida em rendimentos isentos e faça jus à devolução do imposto de renda. É o relatório. Voto Conselheiro Ana Cecília Lustosa da Cruz Conforme relatado, diante da omissão de rendimentos capitulada pela autoridade fiscal, o contribuinte, em sua impugnação, insurgiuse contra a incidência do imposto de renda sobre a "gratificação de locomoção" percebida, com o fundamento de que a verba seria de natureza indenizatória, não se consubstanciando em acréscimo patrimonial. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Ocorre que a própria DRJ reconheceu parcialmente procedente a impugnação, restando exonerado o crédito tributário exigido e declarado que o contribuinte, além do imposto já restituído (R$ 2.298,00), faz jus a mais R$ 2.739,15 a título de imposto a restituir, considerando que a verba recebida pelo contribuinte a título de "gratificação de locomoção" não deve sofrer a incidência do imposto de renda pessoa física. Posteriormente, em sede recursal, de forma sintética, o recorrente aduziu a existência do direito à isenção por moléstia grave, conforme laudo médico datado de 28/03/2011, com data retroativa de 25/09/2009, e realizou a juntada do comprovante de rendimentos recebidos da fonte pagadora Tribunal de Justiça do estado do Rio de Janeiro com a alteração do valor dos rendimentos tributáveis, tendo em vista a concessão do direito à isenção ao contribuinte, fl. 88. Além disso, o contribuinte anexou aos autos Despacho do órgão, no qual consta o deferimento do pedido de isenção, fl. 87. Não assiste razão ao recorrente quanto ao direito à isenção pleiteado, pelas seguintes razões: i), ainda que a referida matéria (ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE) fosse objeto do lançamento em questão, estaria precluso o direito à isenção, pois suscitado apenas em sede recursal, conforme se depreende do art. 16, inciso V, § 4º, e artigo 17, do Decreto 70.235/1972, que assim dispõe: "§ 4º a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos"; "art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante". Assim, na impugnação, que é a peça instauradora da fase litigiosa do procedimento (art. 14 do Decreto 70235/1972), não foi levantada a matéria em questão, de modo que se torna incabível a realização do pedido de isenção em sede recursal, diante do instituto da preclusão e da ausência de subsunção às exceções contidas no Decreto. iii) não obstante a impossibilidade da análise de tal pedido, cabe esclarecer que não houve a juntada de laudo médico oficial emitido pela União, pelo Distrito Federal, pelo Estado ou pelo Município, a fim de comprovar a existência do requisito essencial à concessão do direito à isenção, qual seja o acometimento de moléstia grave. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente. Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Fl. 98DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10735.722811/201195 Acórdão n.º 2201003.159 S2C2T1 Fl. 97 5 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 25/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 20/ 05/2016 por ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ, Assinado digitalmente em 23/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 16707.005175/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2003 a 30/04/2007
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - INOBSERVÂNCIA DE REGULARIDADE NO LANÇAMENTO - NÃO OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MULTA - RELEVAÇÃO - ART. 291, §1º, DECRETO 3.048/1999 - OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA - INAPLICABILIDADE PARA AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL.
No caso de auto de infração de obrigação principal, não se aplica o disposto no art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999 (na redação à época dos fatos geradores) que versava sobre as circunstância atenuantes da penalidade relacionadas a auto de infração de obrigação acessória, na qual a multa era relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - OPERAÇÃO CONCOMITANTE
Na época dos fatos geradores, a operação concomitante se revestia em procedimento administrativo, conforme o requerido pelo contribuinte, previsto no art. 215, da IN MPS/SRP n.° 03/2005 (Revogado pela IN RFB nº 900, de 30/12/2008), na qual o sujeito passivo liquidava créditos previdenciários constituídos pelo Fisco, total ou parcialmente, utilizando-se de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.234
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário.
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MULTA RELEVAÇÃO ART. 291, §1º, DECRETO 3.048/1999 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA INAPLICABILIDADE PARA AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. No caso de auto de infração de obrigação principal, não se aplica o disposto no art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999 (na redação à época dos fatos geradores) que versava sobre as circunstância atenuantes da penalidade relacionadas a auto de infração de obrigação acessória, na qual a multa era AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 70 7. 00 51 75 /2 00 7- 71 Fl. 263DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 2 relevada mediante pedido dentro do prazo de defesa, ainda que não contestada a infração, se o infrator for primário, tiver corrigido a falta e não tiver ocorrido nenhuma circunstância agravante. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO OPERAÇÃO CONCOMITANTE Na época dos fatos geradores, a operação concomitante se revestia em procedimento administrativo, conforme o requerido pelo contribuinte, previsto no art. 215, da IN MPS/SRP n.° 03/2005 (Revogado pela IN RFB nº 900, de 30/12/2008), na qual o sujeito passivo liquidava créditos previdenciários constituídos pelo Fisco, total ou parcialmente, utilizandose de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Márcio Henrique Sales Parada, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Martin da Silva Gesto, Wilson Antônio de Souza Corrêa (Suplente convocado), José Alfredo Duarte Filho (Suplente convocado). Presente ao julgamento, a Procuradora da Fazenda Nacional, Drª Francianna Barbosa de Araújo. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 264 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente VSV VISAO SEGURANÇA DE VALORES LTDA contra Acórdão nº 1122.329 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, NFLD nº. 37.127.0588. O Relatório Fiscal mostra: O valor originário do débito apurado corresponde, assim, em cada competência, ao montante das contribuições sociais devidas pelo empregador, abatida deste montante a parcela correspondente às deduções do Salário Família, Salário Maternidade e valores recolhidos em GPS, conforme disposto no Relatório de Documentos Apresentados, anexo desta NFLD. O Relatório Fiscal aponta os fatos geradores: 5.1 Levantamento ""FPD — FOLHA DE PAGAMENTO": Este levantamento contempla as contribuições devidas à Previdência Social e as destinadas ao FNDE (Salário Educação), INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados declarados na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP. 5.2 Levantamento "DAL — DIFERENÇA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS": Este levantamento contempla as diferenças de acréscimos legais verificadas nas guias de contribuições devidas à Previdência Social e recolhidas fora do prazo de pagamento. Houve a utilização dos seguintes documentos no decorrer da auditoriafiscal: 4. Os valores equivalentes ao montante das contribuições sociais devidas pelo empregador, em cada competência, encontramse dispostos no Discriminativo Analítico do Débito DAD, anexo a esta NFLD, com base nos seguintes documentos, apresentados pelo contribuinte à fiscalização e analisados no decorrer da ação fiscal: 4.1 Folhas de pagamento da remuneração paga, devida ou creditada pelo contribuinte aos segurados empregados; 4.2 Guias de recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e informações à Previdência Social (GFIP), documento informativo instituído pelo art. 32, inc. IV, da Lei 8.212/91 Fl. 265DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 4 (redação dada pela Lei 9.528/97), c/c o art. 1.0 do Decreto 2.803/98, constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil; 4.3 Livros Diário e Razão; 4.4 Informações contábeis e relacionadas aos pagamentos aos segurados empregados, apresentadas em meio digital para o período de fevereiro/2003 a dezembro/2006, conforme recibo de entrega de arquivos digitais anexo; 4.5 Notas fiscais de Serviços prestados;e 4.6 Guias da Previdência Social (GPS). Após, o Relatório Fiscal mostra que houve dedução, em relação ao Levantamento, dos valores destacados em Notas Fiscais de Serviço relativos à retenção: Os valores efetivamente destacados em notas fiscais, relacionados à prestação de serviços de segurança e vigilância ao Departamento Estadual de ImprensaDEI, e sujeitos à retenção pela empresa contratante, foram lançados como crédito da empresa ora fiscalizada no relatório Documentos Apresentados. O período objeto do auto de infração conforme o Relatório Fiscal é de 02/2003 a 04/2007. A Recorrente teve ciência do auto de infração em 28.09.2007, conforme Aviso de Recebimento AR, às fls. 156. A Recorrente apresentou Impugnação, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: A empresa foi cientificada do lançamento, em 28/09/2007, por via postal (cópia do Aviso de Recebimento, à fl. 156), atravessando impugnação em 29/10/2007 (158/160), por meio de representante legalmente autorizado (procuração fls. 171), ocasião em que requer seja realizada operação concomitante, por resultar o presente débito da falta de repasse de contribuições sociais pelos tomadores de seus serviços, objetivando, assim, sanálo e, em persistindo alguma falha de recolhimento, pleiteia o respectivo parcelamento de eventual saldo. Acresce, ainda, em seus argumentos, tratarse de empresa de pequeno porte, merecedora de tratamento diferenciado nos moldes do art. 12 da Lei n.° 9.841/99. A Recorrida analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, nos termos do Acórdão nº 1122.329 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2003 a 31/12/2006 OPERAÇÃO CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 265 5 A operação concomitante, como forma de redução ou extinção da presente NFLD, somente é admissível se comprovada a existência de saldo credor em beneficio do contribuinte, fato, entretanto, que não ocorreu no processo em tela. LANÇAMENTO: ATO VINCULADO. Para fins de fiscalização de tributos previdenciários, inaplicável a exigência do critério de dupla visita. Não há incompatibilidade entre orientação às dúvidas da empresa no curso da inspeção e o respectivo lançamento de contribuições sociais não recolhidas, porque se trata de ato plenamente vinculado. Lançamento Procedente Vistos, relatados e discutidos os autos, acordam os membros da 7' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente o lançamento constituído por meio da NFLD 37.127.0588, mantendoo integralmente. Intimese para pagamento do crédito em questão no prazo de 30 dias da ciência, salvo parcelamento do mesmo, inexistindo óbice legal, ou interposição de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, em igual prazo, conforme facultado pelo art. 33 do Decreto n.° 70.235, de 6 de março de 1972, alterado pelo art. 12 da Lei n.° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, e pelo art. 32 da Lei 10.522, de 19 de julho de 2002. Inconformada com a decisão de primeira instância, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, onde combate fundamentadamente a decisão de primeira instância, em apertada síntese: (i) a empresa é merecedora de tratamento tributário diferenciado por ser empresa de pequeno porte. (ii) Do código FPAS 8500 atribuído erradamente pela fiscalização Após checar os lançamentos efetuados no DAD DISCRIMINATIVO ANALÍTICO DE DÉBITO constatase as seguintes divergências: NO CÓDIGO FPAS: Foi lançado o FPAS 8500 inexistente e 6120 destinado a transportador de valores, quando a requerente está enquadrada no FPAS 515 Atividade de vigilância e segurança privada, devendo contribuir como "terceiros", Salárioeducação, INCRA, SENAC, SESC e SEBRAE. (iii) Do código CNAE 74608 atribuído erradamente pela fiscalização NO CÓDIGO CNAE: Foi lançado o CNAE 74608 destinado a atividade de investigação, vigilância e segurança, quando a requerente está enquadrada no CNAE 80111/01 Atividade de vigilância e segurança privada. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 6 (iv) Da apropriação dos créditos em GPS Após confrontar as informações constantes do RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS com as GPS emitidas para as competências de fev/2003 a 13/2006, constatase que deixaram de ser apropriadas às guias relacionadas abaixo. É importante ressaltar, que a GPS emitida para a liquidação da NFLD 371270570, no valor de R$ 8.721,47, paga em 26/10/2007, através do título n o 24709656, não consta deste rol, sendo mais um valor a ser agregado em favor da requerente: (v) Da operação concomitante Conforme mencionado pela Egrégia Turma de Recurso, a operação concomitante é procedimento administrativo pelo qual o sujeito passivo busca liquidar créditos previdenciários constituídos pelo Fisco, conforme dispõe o Art. 215, da IN/SRP n o 03/2005 e Art. 48, da Lei n o 11.457/2007, com o excesso arrecadado pelo contribuinte. Seguindo os caminhos trilhados pelo Fisco, com as informações prestadas no DAD — Discriminativo Analítico de Débito, no DSD —Discriminativo Sintético de Débito, no Relatório de Lançamentos e RDA —Relatório de Documentos Apresentados podese observar que a requerente dispõe de um crédito previdenciário, que poderá solicitar a restituição. (vi) Relevação das multas com base no art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 266 7 Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. A Colenda Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção, na Resolução no 2403000.286, baixou o processo em Diligência nestes termos: CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente: (i) analise e justifique o enquadramento no código de FPAS 850 0 atribuído ao sujeito passivo no lançamento em oposição ao FPAS 515 alegado pelo Recorrente. (ii) analise e justifique enquadramento no código de CNAE 74608 atribuído ao sujeito passivo no lançamento em oposição ao CNAE 80111/01 alegado pelo Recorrente. (iii) analise e justifique se as GPS relacionadas pelo Recorrente no Recurso Voluntário deveriam ter sido apropriadas no lançamento: (iv) analise e justifique o cabimento da operação concomitante no presente processo, a partir das alegações do Recorrente de que apresentou os recolhimentos necessários à liquidação dos débitos previdenciários. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 8 Posteriormente, a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do contribuinte, emanou Despacho, às fls. 237 a 239, na qual, em relação aos tópicos solicitados pela Resolução de Diligência Fiscal, informa: (i) O FPAS 8500 é gerado pelo próprio sistema informatizado de auditoria fiscal SAFIS e utilizado exclusivamente para cálculos dos recolhimentos decorrentes de ACAL (Aviso de Acréscimos Legais). Não foi identificado no processo 16707.005176/200715 qualquer cobrança relativa a esse FPAS 8500. (ii) O enquadramento no CNAE 7460802 Atividades de vigilância e segurança privada foi realizado com base em declaração do próprio contribuinte em GFIP e nos dados do contrato social e aditivos. Nos termos do Contrato Social, o Objeto Social consiste na "prestação de serviços especializados às instituições bancárias, caixa econômicas, cooperativas de crédito, estabelecimentos industriais, comerciais e residenciais, autarquias, repartições públicas, federais,estaduais e municipais, através de vigilância ostensiva armada e desarmada, ou de outras modalidades contra assaltos, roubos, efetuando monitoramento de sistemas de alarme, bem como todos os serviços pertinentes a área de Segurança de Valores ou Pessoais". Cabe ressaltar que os efeitos tributários da declaração do CNAE 8011101 ou CNAE 7460802 são os mesmos na medida que implicam em cálculos das alíquotas de seguros de acidentes de trabalho de 3%. Segue abaixo a relação de competências com CNAE 8011101 e CNAE 7460802 em GFIP declaradas pelo contribuinte Competência CNAE declarado em GFIP 02/2003, 03/2003, 04/2003, 05/2003, 06/2003, 07/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003, 11/2003, 12/2003, 01/2004, 02/2004, 03/2004, 04/2004, 08/2004, 09/2004, 10/2004, 11/2004, 12/2004, 01/2005, 02/2005, 03/2005, 04/2005, 05/2005, 09/2005, 12/2005 7460802 06/2005, 07/2005, 08/2005, 10/2005, 11/2005, 01/2006 a 12/2006 801101 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 267 9 (iii) Da análise das GPS relacionadas pelo Recorrente no recurso voluntário temse que: Competência Data de Pagamento Valor Justificativa 04/2006 05/05/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de Documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados (folha 67 do processo 16707.005176/200715) RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fioscal (item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 04/2006 19/04/2006 629,57 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de G 'S com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições na ação fiscal 05/2006 09/06/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 06/2006 14/07/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDARelatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISCRelatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 06/2006 22/06/2006 119,14 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de GPS com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições na ação fiscal Fl. 271DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 10 07/2006 27/07/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 08/2006 24/08/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 09/2006 02/10/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 10/2006 10/11/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 11/2006 07/11/2007 474,46 Pagamento realizado após o encerramento do procedimento fiscal 11/2006 07/12/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADARelatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDARelatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715). RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISCRelatório Fiscal(item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) Fl. 272DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 268 11 12/2006 07/11/2007 475,74 Pagamento realizado após o encerramento do procedimento fiscal. 12/2006 27/06/2007 499,37 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de GPS com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições r ação fiscal 12/2006 28/12/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de Documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 (iv) De análise do cabimento de operação concomitante no presente processo, entendo não ser aplicável ao presente caso haja vista tratarse" de procedimento pelo qual o sujeito passivo liquida créditos constituídos no âmbito da SRP, total ou parcialmente, utilizandose de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso". Não resta demonstrado no presente processo a existência de processos em trâmite na Receita Federal do Brasil referentes à restituição ou reembolso e as alegações do contribuinte estão respondidas neste Relatório Fiscal. O contribuinte foi devidamente cientificado mas não apresentou Manifestação, conforme fls. 260. Após, os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 12 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. (a) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário, interposto pela Recorrente VSV VISAO SEGURANÇA DE VALORES LTDA contra Acórdão nº 1122.329 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigações principais, NFLD nº. 37.127.0588. O Relatório Fiscal mostra: O valor originário do débito apurado corresponde, assim, em cada competência, ao montante das contribuições sociais devidas pelo empregador, abatida deste montante a parcela correspondente às deduções do Salário Família, Salário Maternidade e valores recolhidos em GPS, conforme disposto no Relatório de Documentos Apresentados, anexo desta NFLD. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.127.0588 que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.127.0588) Lei n° 8.212/91 Fl. 274DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 269 13 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); Fl. 275DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 14 d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. CORESP Relatório de Coresponsáveis do Débito; g. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); h. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; i. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. j. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. k. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.127.0588, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se Fl. 276DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 270 15 referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (b) Da inconstitucionalidade Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Ainda, o art. 59, caput, Decreto 7.574/2011; Art.59. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade (Decreto no 70.235, de 1972, art. 26A, com a redação dada pela Lei no 11.941, de 2009, art. 25). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária: Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DO MÉRITO (i) a empresa é merecedora de tratamento tributário diferenciado por ser empresa de pequeno porte. Analisemos. Em que pese a argumentação da Recorrente, ela é considerada empresa nos termos do art. 15, I, Lei 8.212/1991, portanto, sujeita à normatividade legal que rege as obrigações principais e acessórias relacionadas às contribuições sociais previdenciárias: Fl. 277DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 16 Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; II empregador doméstico a pessoa ou família que admite a seu serviço, sem finalidade lucrativa, empregado doméstico. Parágrafo único. Equiparase a empresa, para os efeitos desta Lei, o contribuinte individual em relação a segurado que lhe presta serviço, bem como a cooperativa, a associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, a missão diplomática e a repartição consular de carreira estrangeiras. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Em consulta ao comprovante de inscrição e situação cadastral na Receita Federal do Brasil, conforme consulta, em 07.10.2014, ao site: http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/cnpj/cnpjreva/cnpjreva_solicitacao.asp, constatase que: o código e descrição da atividade econômica principal: 80.11 101 Atividades de vigilância e segurança privada o código e descrição da atividade econômica secundária aponta para: 80.20000 Atividades de monitoramento de sistemas de segurança o código e descrição da natureza jurídica da empresa aponta para: 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA. Fl. 278DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 271 17 Outrossim, em consulta ao comprovante de inscrição e situação cadastral na Receita Federal do Brasil, conforme consulta, em 01.03.2016, ao site: http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoajuridica/cnpj/cnpjreva/cnpjreva_solicitacao.asp, constatase que a Situação cadastral: INAPTA, sendo o motivo da Situação cadastral: LOCALIZAÇÃO DECONHECIDA. REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL CADASTRO NACIONAL DA PESSOA JURÍDICA NÚMERO DE INSCRIÇÃO 04.311.121/000105 MATRIZ COMPROVANTE DE INSCRIÇÃO E DE SITUAÇÃO CADASTRAL DATA DE ABERTURA 28/02/2001 NOME EMPRESARIAL V S V VISAO SEGURANCA DE VALORES LTDA TÍTULO DO ESTABELECIMENTO (NOME DE FANTASIA) VISAO SEGURANCA CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA ATIVIDADE ECONÔMICA PRINCIPAL ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DAS ATIVIDADES ECONÔMICAS SECUNDÁRIAS ******** CÓDIGO E DESCRIÇÃO DA NATUREZA JURÍDICA 2062 SOCIEDADE EMPRESARIA LIMITADA LOGRADOURO ******** NÚMERO ******** COMPLEMENTO ******** CEP ******** BAIRRO/DISTRITO ******** MUNICÍPIO ******** UF ** ENDEREÇO ELETRÔNICO TELEFONE (084) 94510007 ENTE FEDERATIVO RESPONSÁVEL (EFR) ***** SITUAÇÃO CADASTRAL INAPTA DATA DA SITUAÇÃO CADASTRAL 27/03/2015 MOTIVO DE SITUAÇÃO CADASTRAL Fl. 279DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 18 LOCALIZACAO DESCONHECIDA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** DATA DA SITUAÇÃO ESPECIAL ******** Aprovado pela Instrução Normativa RFB nº 1.470, de 30 de maio de 2014. Emitido no dia 01/03/2016 às 17:14:13 (data e hora de Brasília). Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Do código FPAS 8500 atribuído erradamente pela fiscalização Analisemos. Conforme o Despacho emanado da AuditoriaFiscal, às fls. 237 a 239, em resposta â Resolução de Diligência Fiscal, temse: (i) O FPAS 8500 é gerado pelo próprio sistema informatizado de auditoria fiscal SAFIS e utilizado exclusivamente para cálculos dos recolhimentos decorrentes de ACAL (Aviso de Acréscimos Legais). Não foi identificado no processo 16707.005176/200715 qualquer cobrança relativa a esse FPAS 8500. Ou seja, não há qualquer cobrança relativa ao FPAS 8500, sendo que este código de FPAS (Fundo de Previdência e Assistência Social) foi utilizado, pelo próprio sistema RFB/SAFIS para os cálculos dos recolhimentos decorrentes de acréscimos legais. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (iii) Do código CNAE 74608 atribuído erradamente pela fiscalização Analisemos. Conforme o Despacho emanado da AuditoriaFiscal, às fls. 237 a 239, em resposta â Resolução de Diligência Fiscal, temse: O enquadramento no CNAE 7460802 Atividades de vigilância e segurança privada foi realizado com base em Fl. 280DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 272 19 declaração do próprio contribuinte em GFIP e nos dados do contrato social e aditivos. Nos termos do Contrato Social, o Objeto Social consiste na "prestação de serviços especializados às instituições bancárias, caixa econômicas, cooperativas de crédito, estabelecimentos industriais, comerciais e residenciais, autarquias, repartições públicas, federais,estaduais e municipais, através de vigilância ostensiva armada e desarmada, ou de outras modalidades contra assaltos, roubos, efetuando monitoramento de sistemas de alarme, bem como todos os serviços pertinentes a área de Segurança de Valores ou Pessoais". Cabe ressaltar que os efeitos tributários da declaração do CNAE 8011101 ou CNAE 7460802 são os mesmos na medida que implicam em cálculos das alíquotas de seguros de acidentes de trabalho de 3%. Segue abaixo a relação de competências com CNAE 8011101 e CNAE 7460802 em GFIP declaradas pelo contribuinte Competência CNAE declarado em GFIP 02/2003, 03/2003, 04/2003, 05/2003, 06/2003, 07/2003, 08/2003, 09/2003, 10/2003, 11/2003, 12/2003, 01/2004, 02/2004, 03/2004, 04/2004, 08/2004, 09/2004, 10/2004, 11/2004, 12/2004, 01/2005, 02/2005, 03/2005, 04/2005, 05/2005, 09/2005, 12/2005 7460802 06/2005, 07/2005, 08/2005, 10/2005, 11/2005, 01/2006 a 12/2006 801101 Ora, entendo que a AuditoriaFiscal afastou completamente a argumentação da Recorrente no sentido de que o código CNAE 74680 foi atribuído erroneamente pois, conforme a AuditoriaFiscal afirma, o enquadramento no CNAE 7460802 Atividades de vigilância e segurança privada foi realizado com base em declaração do próprio contribuinte em GFIP e nos dados do contrato social e aditivos. Ademais, os efeitos tributários da declaração do CNAE 8011101 ou CNAE 7460802 são os mesmos na medida que implicam em cálculos das alíquotas de seguros de acidentes de trabalho de 3%. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. Fl. 281DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 20 (iv) Da apropriação dos créditos em GPS Analisemos. A Recorrente argumenta que, após confrontar as informações constantes do RDA RELATÓRIO DE DOCUMENTOS APRESENTADOS com as GPS emitidas para as competências de fev/2003 a 13/2006, constatase que deixaram de ser apropriadas as guias relacionadas. Por outro lado, conforme o Despacho emanado da AuditoriaFiscal, às fls. 237 a 239, em resposta â Resolução de Diligência Fiscal, analisouse todas as GPS relacionadas pelo contribuinte: Competência Data de Pagamento Valor Justificativa 04/2006 05/05/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de Documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados (folha 67 do processo 16707.005176/200715) RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal (item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 04/2006 19/04/2006 629,57 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de GP'S com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições na ação fiscal 05/2006 09/06/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 06/2006 14/07/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDARelatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISCRelatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 Fl. 282DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 273 21 06/2006 22/06/2006 119,14 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de GPS com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições na ação fiscal 07/2006 27/07/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 08/2006 24/08/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 09/2006 02/10/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 10/2006 10/11/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 11/2006 07/11/2007 474,46 Pagamento realizado após o encerramento do procedimento fiscal Fl. 283DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 22 11/2006 07/12/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADARelatório de Apropriação de documentos sob a sigla CRED conforme RDARelatório de Documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715). RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISCRelatório Fiscal(item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715) 12/2006 07/11/2007 475,74 Pagamento realizado após o encerramento do procedimento fiscal. 12/2006 27/06/2007 499,37 Não consta no RADA Relatório de Apropriação de documentos apropriados por se tratar de GPS com código de pagamento específico 2909Reclamatória Trabalhista, o que não foi objeto de apuração de contribuições r ação fiscal 12/2006 28/12/2006 578,40 GPS foi apropriada no RADA Relatório de Apropriação de Documentos sob a sigla CRED conforme RDA Relatório documentos Apresentados( folha 67 do processo 16707.005176/200715), RADA Relatório de Apropriação de documentos( folhas 135 a 141 do processo 16707.005176/200715) e REFISC Relatório Fiscal( item 7, folha 179 do processo 16707.005176/200715 Conforme a tabela acima, a AuditoriaFiscal analisou todos os valores todos das GPS relacionadas pelo contribuinte, de forma a se constatar que: (a) ou as GPS foram apropriadas; (b) ou não foram apropriadas por serem referentes à GPS com código de pagamento específico 2909 Reclamatória Trabalhista; (c) ou ainda, o pagamento foi realizado após o encerramento do procedimento fiscal. Ora, entendo que, com essas explicações dadas em sede de Diligência Fiscal, a AuditoriaFiscal afastou completamente a argumentação da Recorrente no sentido de que as GPS relacionadas não foram apropriadas. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (v) Da operação concomitante Analisemos. Em relação à operação concomitante, temos que tal procedimento administrativo, conforme o requerido pelo contribuinte, estava previsto no art. 215, da IN MPS/SRP n.° 03/2005 (Revogado pela IN RFB nº 900, de 30/12/2008), na qual o sujeito Fl. 284DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 274 23 passivo liquida créditos previdenciários constituídos pelo Fisco, total ou parcialmente, utilizandose de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso: IN MPS/SRP n.° 03/2005 Art. 215. Operação concomitante é o procedimento pelo qual o sujeito passivo liquida créditos constituídos no âmbito da SRP, total ou parcialmente, utilizando se de crédito oriundo de processo de restituição ou de reembolso. § 1º A operação concomitante poderá ser realizada: I a pedido do sujeito passivo, por escrito, na hipótese de restituição de créditos oriundos de reembolso ou da retenção prevista no art. 31 da Lei nº 8.212, de 1991; II de ofício pela SRP, na hipótese de restituição de valores recolhidos indevidamente à Previdência social ou a outras entidades ou fundos; III por ação da SRP prevista no acordo de parcelamento, nos termos do § 1º do art. 664, na hipótese do § 6º do art. 216. § 2º Na realização da operação concomitante, serão observados os seguintes critérios: I sendo o valor devido pelo sujeito passivo inferior ao da restituição ou do reembolso, será emitida Autorização para Pagamento AP ao requerente do valor excedente, cuja cópia será juntada aos processos de débito, de restituição e de reembolso, conforme o caso, após a efetiva liquidação; II caso o valor devido pelo sujeito passivo seja superior ao da restituição ou do reembolso, a liquidação ocorrerá até o montante do valor a ser restituído ou reembolsado, prosseguindose a cobrança dos valores ainda devidos. § 3º Existindo no âmbito da SRP dois ou mais débitos, inclusive os débitos relativos a multas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias, exigíveis do sujeito passivo, e sendo o valor da restituição ou do reembolso inferior à sua soma, a operação concomitante deverá ocorrer na seguinte ordem de liquidação: I créditos constituídos cuja exigibilidade não esteja suspensa, observada a ordem de constituição, a partir do mais antigo; II parcelas vencidas e nãopagas relativas ao acordo de parcelamento, observada a ordem de vencimento, a partir da mais antiga; III importâncias devidas e não recolhidas, referentes a contribuições e acréscimos legais, considerando as competências mais antigas, observados os prazos de decadência; IV parcelas vincendas relativas ao acordo de parcelamento adimplente, observada a ordem decrescente de vencimento, observado o disposto no § 5º do art. 216. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 24 Desta forma, configurase a possibilidade de um encontro de contas estabelecido pelo art. 215, da IN MPS/SRP n.° 03/2005 c/c o art. 33, Lei 8.212/1991 c/c art. 48, Lei 11.457/2007: Lei 8.212/1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. § 6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 275 25 § 7o O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de lançamento, de auto de infração e de confissão de valores devidos e não recolhidos pelo contribuinte.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 8o Aplicamse às contribuições sociais mencionadas neste artigo as presunções legais de omissão de receita previstas nos §§ 2º e 3º do art. 12 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e nos arts. 40, 41 e 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Lei 11.457/2007 Art. 48. Fica mantida, enquanto não modificados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, a vigência dos convênios celebrados e dos atos normativos e administrativos editados: I pela Secretaria da Receita Previdenciária; II pelo Ministério da Previdência Social e pelo INSS relativos à administração das contribuições a que se referem os arts. 2o e 3o desta Lei; III pelo Ministério da Fazenda relativos à administração dos tributos e contribuições de competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil; IV pela Secretaria da Receita Federal. Outrossim, em que pese os dispositivos normativos elencados acima, o contribuinte não fez prova da existência de direito à restituição ou reembolso de créditos previdenciários, tampouco a existência de processos em trâmite na RFB neste sentido, conforme inclusive já decidiu a decisão de primeira instância às fls. 199 (numeração do arquivo digital): As planilhas colacionadas às fls. 173/187 não servem como prova da existência de eventual retenção sofrida pelo contribuinte nos moldes do art. 31, da Lei n.° 8.212/91, porque desprovidas das respectivas Notas Fiscais de Serviço com os destaques de que trata o referido comando legal. Por seu turno, o Fisco ressaltou em seu relatório, já haver deduzido, na confecção do presente crédito, os valores concernentes às retenções de contribuições sociais sofridas pela empresa, consoante relatório de documentos apresentados (fls. 28/47), onde estão elencadas as Guias da Previdência Social — GPS pertinentes à matéria (códigos de pagamento 2631 e 2640), promovendo, ainda, à apropriação das mesmas no lançamento em tela, bem como nas demais NFLD (Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos), constituídas na mesma ação fiscal, consoante relatório de fls. 48/83 Fl. 287DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA 26 Logo, inexiste qualquer amparo ao acolhimento do pleito do contribuinte que autorize à Administração a utilização da operação concomitante para redução do presente crédito tributário. Desta forma, a decisão de primeira instância demonstrou que as planilhas colacionadas às fls. 173/187 não servem como prova da existência de eventual retenção sofrida pelo contribuinte nos moldes do art. 31, da Lei n.° 8.212/91, bem como já foram deduzidos os valores concernentes às retenções de contribuições sociais sofridas pela empresa, consoante relatório de documentos apresentados (fls. 28/47), onde estão elencadas as Guias da Previdência Social — GPS pertinentes à matéria (códigos de pagamento 2631 e 2640), promovendo, ainda, à apropriação das mesmas no lançamento em tela, bem como nas demais NFLD (Notificação Fiscal de Lançamento de Débitos), constituídas na mesma ação fiscal, consoante relatório de fls. 48/83. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vi) Relevação das multas com base no art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999. Analisemos. No Decreto 3.048/1999, o Capítulo V Das circunstâncias Atenuantes da Penalidade previa no art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999 (na redação dada pelo Decreto nº 6.032/2007 e posteriormente Revogado pelo Decreto nº 6.727/2009) a seguinte disposição: Decreto 3.048/1999 Art. 291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §2º O disposto no parágrafo anterior não se aplica à multa prevista no art. 286 e nos casos em que a multa decorrer de falta ou insuficiência de recolhimento tempestivo de contribuições ou outras importâncias devidas nos termos deste Regulamento. (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §3º A autoridade que atenuar ou relevar multa recorrerá de ofício para a autoridade hierarquicamente superior, de acordo com o disposto no art. 366. §3oDa decisão que atenuar ou relevar multa cabe recurso de ofício, de acordo com o disposto no art. 366. (Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007) (Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Fl. 288DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16707.005175/200771 Acórdão n.º 2202003.234 S2C2T2 Fl. 276 27 A Recorrente neste ponto do recurso Voluntário aduz à relevação da multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória, conforme a previsão do art. 291, § 1º, Decreto 3.048/1999, na redação à época dos fatos geradores. Desta forma, em razão do presente processo tratarse de NFLD, obrigação principal, não há que se cogitar da multa por descumprimento de obrigação acessória, portanto, não prosperando tal argumentação da Recorrente. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, para NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 289DF CARF MF Impresso em 20/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 29/03/2016 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por MARCO AUR ELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10783.721299/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 19 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. VENDA DE CAFÉ. CREDITAMENTO
Comprovada a aquisição de café, de fato, de pessoas físicas, quando os documentos apontavam para uma intermediação por pessoa jurídica, incabível o creditamento integral das contribuições, cabendo apenas o crédito presumido pela aquisição de pessoas físicas.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
SIMULAÇÃO.
A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente - realização formal - e o ato que se quer materializar - oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Portanto, para fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes manifestado publicamente vontade de formalizar determinados atos por natureza lícitos, pois tal fato em nada influi sobre o cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. Para que não se configure simulação, é necessário mais que isso, é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente.
RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO.
Restando configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, os efeitos tributários devem ser determinados conforme os atos efetivamente ocorreram.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS.
Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprová-la diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções.
Numero da decisão: 3201-002.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cássio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário, relatora, que acatavam a preliminar e davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto.
CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA - Presidente.
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Jose Luiz Feistauer de Oliveira e Cássio .
Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. VENDA DE CAFÉ. CREDITAMENTO Comprovada a aquisição de café, de fato, de pessoas físicas, quando os documentos apontavam para uma intermediação por pessoa jurídica, incabível o creditamento integral das contribuições, cabendo apenas o crédito presumido pela aquisição de pessoas físicas. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 SIMULAÇÃO. A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente - realização formal - e o ato que se quer materializar - oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Portanto, para fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes manifestado publicamente vontade de formalizar determinados atos por natureza lícitos, pois tal fato em nada influi sobre o cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. Para que não se configure simulação, é necessário mais que isso, é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Restando configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, os efeitos tributários devem ser determinados conforme os atos efetivamente ocorreram. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS. Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprová-la diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções.
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INTERPOSIÇÃO. VENDA DE CAFÉ. CREDITAMENTO Comprovada a aquisição de café, de fato, de pessoas físicas, quando os documentos apontavam para uma intermediação por pessoa jurídica, incabível o creditamento integral das contribuições, cabendo apenas o crédito presumido pela aquisição de pessoas físicas. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 SIMULAÇÃO. A simulação se caracteriza pela divergência entre o ato aparente realização formal e o ato que se quer materializar oculto. Assim, na simulação, os atos exteriorizados são sempre desejados pelas partes, mas apenas formalmente, pois materialmente o ato praticado é outro. Portanto, para fins de caracterizar, ou não, simulação, é irrelevante terem as partes manifestado publicamente vontade de formalizar determinados atos por natureza lícitos, pois tal fato em nada influi sobre o cerne da definição de simulação, que é a divergência entre exteriorização e vontade. Para que não se configure simulação, é necessário mais que isso, é necessário que as partes queiram praticar esses atos não apenas formalmente, mas também materialmente. RELAÇÃO JURÍDICA APARENTE. DESCARACTERIZAÇÃO. Restando configurado que a relação jurídica formal apresentada não se coaduna com a relação fática verificada, os efeitos tributários devem ser determinados conforme os atos efetivamente ocorreram. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 12 99 /2 01 3- 56 Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.404 2 VERDADE MATERIAL. MEIOS DE PROVAS. Por se tratar de a simulação de divergência entre realidade e subjetividade, é difícil, quando não impossível, comprovála diretamente, pelo que se admite que seja provada por todos os meios admitidos em Direito, inclusive indícios e presunções. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de decadência e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Cássio Schappo e Tatiana Josefovicz Belisário, relatora, que acatavam a preliminar e davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto. CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Presidente. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto, Jose Luiz Feistauer de Oliveira e Cássio . Ausentes, justificadamente, as Conselheiras Mércia Helena Trajano D'Amorim e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Relatório Os interessados acima identificados recorrem a este Conselho em face do Acórdão nº 1266.918, de 17 de julho de 2014, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) (fls. 1.239/1.255) O feito foi assim relatado pela DRJ: Trata o presente processo de Autos de Infração com exigência tributária da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins no valor R$ 16.434.491,64, incluindo principal, multa e juros de mora, e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/Pasep no valor de R$ 3.568.014,62, incluindo o principal, multa e juros de mora, totalizando o crédito tributário no valor de R$ 20.002.506,26, conforme demonstrativo de fl. 2, lavrados em decorrência de insuficiência de recolhimento das contribuições. O presente processo foi formalizado em decorrência da lavratura dos autos de infração de Cofins e de PIS, fls. 804/839 e 840/876 respectivamente, em virtude da apuração de falta/insuficiência de recolhimento nos períodos de apuração 12/2007 a 12/2009. Exigese, para o PIS, principal de R$ Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.405 3 502.690,89, que acrescido de multa de ofício e juros de mora perfaz R$ 1.461.222,50 e, no caso da Cofins, contribuição de R$ 2.272.670,26, totalizando, com multa de ofício e juros moratórios, R$ 6.686.719,51. O auto de infração decorre das constatações relatadas no “Termo de Encerramento da Ação Fiscal” de folhas 724 a 802 no qual a autoridade fiscal informa que a fiscalização teve como escopo a verificação de pretensos créditos deduzidos dos valores devidos da contribuição não cumulativa para o PIS/COFINS, bem como utilizados nos pedidos de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP, abrangendo o período do 1º trimestre/2006 ao 4º trimestre/2009; Consta do Termo que o farto conjunto probatório colhido no curso das investigações que antecederam a presente ação fiscal comprovou que toda a cadeia de comercialização do café passou a esquematizarse em função do novo regime de tributação do PIS/COFINS, qual seja: da não cumulatividade; de tal sorte que as aquisições de café de produtores rurais/maquinistas passaram a ser guiadas fraudulentamente com notas fiscais de empresas laranjas visando o creditamento integral das alíquotas do PIS/COFINS. Esse esquema de utilização de empresas laranjas como intermediárias fictícias na compra de café de produtores para obtenção e apropriação dos créditos do PIS/COFINS foi descortinado nas investigações da DRF/Vitória/ES (“Operação Tempo de Colheita”), iniciadas em 10/2007, e que resultaram posteriormente na Operação “Broca”, deflagrada em 01/06/2010, fruto da parceria entre o Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal. A auditoria fiscal constatou que a MILANEZI CAFÉ lançou mão de pseudoatacadistas para dissimular compras de café de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim apropriarse fraudulentamente dos créditos PIS/COFINS. Afirma que os fatos apurados no decorrer da ação fiscal em face da MILANEZI CAFÉ evidenciaram, em tese, crime contra a ordem tributária tipificado no art 1º, inciso I, II e IV da Lei nº 8.137, de 27/12/1990, pela supressão dolosa de tributos devidos; No Capítulo 3 do Termo, denominado “Descortinando o modus operandi”, a fiscalização traz descrição detalhada do esquema de fraudes na comercialização de café, desvendado no âmbito das operações “Broca” e “Tempo de Colheita”, com trancrição de depoimentos e farta documentação, da qual constam registros de operações efetuadas pela MILANEZI. Sem exceção, as declarações dos produtores, das mais diversas localidades do Espírito Santo, têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas "empresas" TOTALMENTE DESCONHECIDAS DOS DEPOENTES e que não são as reais adquirentes do café negociado. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.406 4 Os corretores de café foram unânimes em asseverar que os reais compradores do café (atacadistas, exportadores e indústrias) detêm o pleno conhecimento da existência do mercado de venda de notas fiscais realizado por intermédio de diversas pseudo atacadistas de café. Conclui a fiscalização que as pretensas aquisições de pessoas jurídicas por parte da MILANEZI CAFÉ em nome das comprovadas empresas de fachada, consolidadas na tabela às folhas 781 e 782, foram usadas para dissimular as verdadeiras operações realizadas, quais sejam: aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas, produtores rurais/maquinistas. Tais constatações levaram a fiscalização a efetuar a glosa nos créditos indevidamente apropriados pela interessada, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos. Constatou a fiscalização que a interessada apurou créditos decorrentes de aquisições de café efetuadas junto ao Ministério da Agricultura e Abastecimento. Afirma a fiscalização que vendas de mercadorias por parte do Ministério da Agricultura e Abastecimento não são tributadas, portanto não fazem jus ao crédito. Se não há contribuição quando da venda, não há o crédito na compra. Tampouco há previsão de crédito presumido para esta situação. Destarte, foram afastados da apuração dos créditos as aquisições advindas do Ministério da Agricultura e Abastecimento nos valores relacionados na tabela de folhas 783 e 784. Em virtude das glosas acima a fiscalização efetuou a recomposição das bases de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos, conforme demonstrativos de folhas 512 a 543, a partir dos quais a fiscalização (i) não reconheceu qualquer crédito a ressarcir e (ii) lançou de ofício as contribuições nos períodos de apuração em que se calculou saldo a pagar. Especificamente em relação ao 3º trimestre de 2009 – PIS, o Pedido de Ressarcimento nº 05921.51655.280411.1.5.08 foi processado automaticamente pelo Sistema SIEF –PERDCOMP (SCC), estando na situação RESTITUIÇÃO CONCLUÍDA em 22/07/2013, conforme extratos juntados aos autos. Assim, considerando que a interessada não faz jus ao pedido de ressarcimento em razão da total ausência de encargos, custos e despesas vinculados à receita de exportação, a fiscalização constituíu crédito tributário de R$ 9.255,36 como valor recebido a título de DEVOLUÇÃO DE RESSARCIMENTO INDEVIDO – processo administrativo digital nº 10783.721300/201342, apenso ao presente. Informa ainda o Termo que os pedidos de ressarcimento indeferidos apresentados após 14/06/2010 impuseram o lançamento da multa estabelecida pela Lei nº 12.249, de Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.407 5 11/06/2010, com a inclusão dos §§ 15 e 16 no artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Como restou comprovado o NÃO RECONHECIMENTO INTEGRAL do valor dos créditos pleiteados nos pedidos de ressarcimento relativos ao PIS e COFINS nos trimestres relacionados nas folhas 796 e 797 foram aplicados sobre tais valores a multa de 100%, totalizando R$2.386.905,32 (dois milhões, trezentos e oitenta e seis mil, novecentos e cinco reais e trinta e dois centavos), em razão dos créditos apropriados estarem lastreados em documentos fiscais de empresas laranjas. O Auto de Infração referente às multas consta do processo 10783.721301/201397. Prosseguindo, afirma que em virtude dos fatos narrados e considerando a atitude dolosa da fiscalizada de reduzir o montante devido das contribuições sociais, foi aplicada multa de ofício de 150% sobre os valores das contribuições PIS/COFINS lançados em decorrência da falta/insuficiência de recolhimento do PIS e Cofins em conseqüência do aproveitamento de créditos integrais fictícios originados de notas fiscais de empresas de fachada. Cientificada em 22/10/2013 a interessada, inconformada, apresentou em 21/11/2013 a impugnação de folhas 883 a 944 na qual alega, em resumo: · Que os documentos que comprovam a regularidade das operações de aquisição de pessoas jurídicas, bem como aqueles relativos às operações com fim específico de exportação, foram juntados exclusivamente no presente Processo Administrativo Fiscal, mas também fundamentam o PAF n° 10783.721301/201397, fato que robustece a necessidade do julgamento conjunto de ambos os processos. · Assim, requer, oportunamente, sejam os dois processos administrativos apensados na forma do art. 18, parágrafo 3º da Lei n°. 10.833/03, para que seja dada uma mesma e única solução, aproveitandose, reciprocamente, as razões aduzidas, sob pena de se causar desnecessária desordem na tramitação dos feitos e divergência nas decisões administrativas. · Da análise do auto de infração lavrado, verificase que dentre os supostos fatos geradores apurados pela fiscalização, encontramse valores sobre os quais já se operou a decadência da pretensão do fisco relativamente aos meses de Janeiro de 2006 a Setembro de 2008, ou, caso seja aplicado o regramento do artigo 173, I, CTN, o qual se aceita apenas a título de argumentação, relativamente aos meses de Janeiro de 2007 a Setembro de 2008. · Alega ainda que do confronto dos cálculos efetuados pelo fisco com os conteúdos dos DACON é possível Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.408 6 constatar flagrante equívoco por parte da fiscalização na "Recomposição das Bases de Cálculo do Crédito a Descontar". · Isto porque, os valores lançados divergem do real valor a ser considerado dos débitos mensais devidos de PIS e Confins. A título de ilustração aponta os meses de setembro a dezembro de 2008. Demonstra que, tomando os valores da linha J das planilhas de apuração e aplicando sobre eles a alíquota do PIS (1,65%) e da Cofins (7,6%) obtémse valores inferiores aos calculado pela fiscalização; · Nesse sentido, torna impossível identificar o efetivo valor dos débitos do período, pois em desacordo com os dados lançados nas DACON's, divergindo da situação fática e jurídica que possibilite à IMPUGNANTE saber com a segurança necessária, inclusive para que os saldos devidos a cada período reflitam de forma correta os valores dos créditos e débitos, já que não há em quaisquer dos demonstrativos apresentados pela fiscalização, nenhum valor que espelhe a realidade. · De acordo com o descrito às fls. 791 dos autos, os créditos de PIS e da COFINS pleiteados pela IMPUGNANTE foram glosados integralmente pela fiscalização, tendo sido inclusive este o fundamento para a constituição dos créditos tributários e aplicação da penalidade tributária no Auto de Infração ora impugnado. · De plano, merece ser destacado que a fiscalização em nenhum momento se dignou a citar quais foram os Despachos Decisórios que teriam resultado nas aventadas glosas, muito menos se estas glosas já foram objeto de confirmação por parte da autoridade titular da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória/ES. · Aponta vícios de incompetência e de forma no Auto de Infração impugnado. · Quanto ao vício de incompetência, afirma que o presente Auto de Infração deturpa a organização interna da Administração Pública, na medida em que o mesmo precede os instrumentos pelos quais são glosados os créditos de PIS e da COFINS. Isso porque, a decisão sobre Pedidos de Ressarcimento, na forma do artigo 302 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, é de competência do Delegado da Delegacia da Receita Federal. · Já no que concerne ao vício de forma, necessário enfatizar que os Despachos Decisórios, por se tratarem de instrumento formal para deferimento ou não de Pedidos de Ressarcimento, constituem conditio sine qua Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.409 7 non para que se possa falar na aplicação de eventuais penalidades tributárias decorrentes das glosas dos créditos de PIS e da COFINS. · Na eventualidade de serem superadas as preliminares aventadas, passa a defender a higidez dos créditos de PIS da COFINS não cumulativos e o descabimento das glosas efetuadas pela fiscalização. · Além de não haver provas seguras, há uma flagrante violação à garantia do contraditório e ampla defesa. · A impugnante não teve conhecimento das informações lançadas no indigitado Termo de Encerramento de Ação Fiscal, que culminou nos Autos de Infração, uma vez que em momento algum foi convocada a participar de qualquer procedimento administrativo alusivo às pessoas físicas e jurídicas ali citadas. · Vêse que, nos depoimentos citados nos autos, em momento algum a Autoridade Administrativa outorgou à empresa impugnante o direito de participar da coleta dos depoimentos prestados pelos supostos profissionais do mercado de café, como legítimo exercício do direito ao contraditório e a ampla defesa. A ofensa ao princípio da ampla produção probatória inquina a decisão administrativa de nulidade, a teor do artigo 59, inc. II, do Decreto 70.235/72. · Ademais, deve ser considerado, ainda, o que dispõe o parágrafo único do art. 82 da Lei n° 9.430/962, segundo o qual as empresas que comprovarem a efetivação do pagamento do preço e o recebimento das mercadorias não poderão ter seus créditos glosados. · A boafé da empresa impugnante é ainda demonstrada pelo fato de que esta teve o zelo de fazer consultas ao banco de dados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, com o objetivo de comprovar a regularidade jurídica das empresas fornecedoras, as quais, em parte, continuam com a situação cadastral ativa até a presente data, conforme se verifica da documentação inclusa. Verificase pelos documentos que acompanham esta defesa, que os Atos que declaram as empresas como "inapta", "baixada" ou "nula" ocorreram posteriormente às compras realizadas pela impugnante. · Ainda que as empresas fornecedoras estivessem inativas no momento da realização das operações de fornecimento de mercadorias no período, o que não é verdade, a impugnante não poderia jamais ser prejudicada por fatos de terceiros que não causou. · A análise do caso concreto demonstra que há efetiva comprovação de que a empresa adquirente, ora impugnante, promoveu o pagamento do valor acordado Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.410 8 para aquisição das mercadorias e recebeu o produto em um dos seus estabelecimentos, conforme demonstra a documentação anexada aos autos (Doc. 04 a 40). · Não é possível concluir que a impugnante tinha conhecimento das práticas ilícitas adotadas pelas empresas fornecedoras, razão pela qual, por óbvio, os valores de PIS e COFINS não cumulativos foram apropriados de forma legítima Diversamente do que sustenta a fiscalização, a impugnante não sabia de qualquer artifício utilizado na comercialização de café, nem mesmo foi omissa em relação à existência de empresas supostamente fictícias. Jamais houve qualquer conduta dolosa, sequer culposa da impugnante tendente a fraudar o fisco, tampouco a utilização de créditos sabidamente fictícios, gerados por empresas de fachada. · A autoridade fiscal não traz nenhuma prova do efetivo envolvimento da empresa impugnante com as pessoas jurídicas que alcunhou de "pseudoatacadistas" e "empresas de fachada", mas apenas reutiliza generalizações sobre o funcionamento do mercado cafeeiro, colhidas ao longo das investigações das Operações "Tempo de Colheita" e "Broca". · Requer seja declarado nulo o lançamento fiscal realizado no valor de R$ 9.255,36 (nove mil reais, duzentos e cinquenta e cinco reais e trinta e seis centavos) relativo a valor ressarcido indevidamente, uma vez que o crédito em questão decorre das mesmas operações abordadas anteriormente, com arrimo na fundamentação já delineada. · O óbice imposto pela fiscalização ao aproveitamento de créditos de PIS e da COFINS decorrentes de operações com fim específico de exportação não encontra amparo na legislação de regência. · Diferentemente do que pretende a fiscalização, geram direito a créditos integrais na forma do artigo 3º das Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03 os custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes de exportação diretas e de vendas a comercial exportadora com fim específico de exportação. · Em relação à apropriação de créditos decorrentes de aquisições de café do Ministério da Agricultura e Abastecimento (CONAB), alega que a sistemática de creditamento instituída pelas Leis n°s. 10.637/02 e 10.833/03, desvincula o crédito da efetiva contribuição na etapa anterior da cadeia e admite, de pleno direito, a manutenção do aproveitamento dos créditos integrais. · Considerada a peculiaridade da sistemática não cumulativa da contribuição para o PIS e a COFINS, a Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.411 9 impugnante tem o direito ao aproveitamento do crédito fiscal integral nas aquisições de café do Ministério da Agricultura e Abastecimento (CONAB), sendo irrelevante o fato de não ter havido contribuição na etapa anterior da cadeia. · As alegações da fiscalização de que a impugnante adotou condutas fraudulentas, consoante já demonstrado nos tópicos precedentes, não passam de meras presunções que não estão efetivamente comprovadas nos autos do Processo Administrativo Fiscal, fato que afasta a possibilidade de aplicação de sanções de natureza tributáriopenal. · O conteúdo tipicamente penal da sanção prevista no §1°do art. 44 da Lei n°. 9.430/1996, exige, inclusive, a ocorrência de dolo específico para que reste configurada a infração, pois tem aplicação restrita aos casos de evidente intuito de fraude, sonegação ou conluio. · A verificação a posteriori de que algumas das atacadistas fornecedoras de café da interessada teriam se tornado inaptas e/ou irregulares não tem o condão de alterar a natureza das coisas. Não transforma em falsas as informações verdadeiras inseridas nas nos PER's e nas DACON's apresentados pela IMPUGNANTE, que refletiam créditos oriundos de operações legítimas e efetivas de aquisição de café celebradas pela mesma. · Não há, pois, qualquer fundamento para se aplicar a penalidade prevista no § 1º do art. 44 da Lei n°. 9.430/1996 ao caso concreto, razão pela qual a multa qualificada de 150% lançada no Auto de Infração deve ser integralmente cancelada. A decisão da DRJ foi assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderandose os negócios fraudulentos. USO DE INTERPOSTA PESSOA. INEXISTÊNCIA DE FINALIDADE COMERCIAL. DANO AO ERÁRIO. CARACTERIZADO. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.412 10 negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. QUALIFICAÇÃO. A multa de ofício qualificada deve ser aplicada quando ocorre prática reiterada, consistente de ato destinado a iludir a Administração Fiscal quanto aos efeitos do fato gerador da obrigação tributária, mormente em situação fraudulenta, planejada e executada mediante ajuste doloso. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em seu Recurso Voluntário (fls. 1.273/1.390), a Recorrente reitera os argumentos de sua Impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Como se verifica pelo relato dos fatos, tratase de questão já bastante debatida por esta Turma: Autos de Infração por meio dos quais se exige valores a título de PIS e COFINS decorrentes da glosa de créditos apropriados na aquisição de café com notas fiscais tidas por fraudulentas, por encobrirem os reais vendedores, pessoas físicas. As autuações decorrem das operações "Broca" e "Tempo de Colheita", feitas de forma conjunta pelo Ministério Público Federal, Polícia Federal e Receita Federal, que descortinaram operações fraudulentas que consistiam na criação de pessoas jurídicas fictícias (maquinistas) com o único objetivo de intermediar a venda de café de produtores pessoas físicas e grandes compradores / exportadores de café, de modo a gerar a emissão de nota fiscal de venda de pessoa jurídica. O objetivo da prática adotada, de acordo com os levantamentos apurados, seria permitir que os compradores de café pudessem se creditar integralmente do PIS e COFINS apurados sob o regime da não cumulatividade, uma vez que a legislação de regência limita o creditamento na aquisição de pessoas físicas. A partir dessas constatações, passouse a realizar a revisão na apuração do PIS e da COFINS de todas aquelas empresas identificadas como adquirentes do café comercializado pelos ditos "maquinistas". Não obstante a notoriedade das operações "Broca" e "Tempo de Colheita" e a seriedade com a qual foram conduzidos os trabalhos pelos responsáveis por tais operações, certo é que cada uma das autuações fiscais levadas a efeito deve ser examinada de modo individualizado, à luz dos fatos, provas e argumentos existentes nos autos. Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.413 11 Feita essa breve introdução, passo à análise de cada um dos pontos suscitados no Recurso Voluntário. Preliminar de nulidade "AUSÊNCIA DOS DESPACHOS DECISÓRIOS QUE SUPOSTAMENTE AMPARARIAM A GLOSA EFETUADA PELA AUTORIDADE LANÇADORA" Como se verifica dos Autos de Infração, o presente lançamento compreende a cobrança dos valores principais apurados como devidos a título de PIS e COFINS, acrescidos de juros de mora e multa de ofício agravada. O valor principal apurado decorre do desconto indevido de créditos na apuração do PIS e da COFINS não cumulativos, que culminaram com a a apuração de tributo a recolher. Nesse tópico, sustenta a Recorrente que os presentes Autos de Infração seriam nulos uma vez que a ausência da apresentação dos Despachos Decisórios que amparariam as glosas efetuadas pela Fiscalização impossibilitaria a verificação dos fundamentos e critérios jurídicos que culminaram no indeferimento do seu direito. Tenho que a alegação do contribuinte não merece prosperar. O Termo de Encerramento de Ação Fiscal, integrante do Auto de Infração, detalha com clareza os itens objeto de glosa, assim como os fundamentos utilizados. Além disso, o Termo enumera todos os Pedidos de Ressarcimento que restaram indeferidos em decorrência da Ação Fiscal. O procedimento fiscal, além de permitir a completa defesa do contribuinte, foi lavrado em conformidade com os procedimentos administrativos estabelecidos. Preliminar de decadência "DECADÊNCIA PARCIAL DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO CONSTITUÍDO ARTIGO 150, §4º, CTN" O Contribuinte postula pelo reconhecimento da decadência mediante aplicação do artigo 150, §4º do CTN, ou seja, que o termo inicial para a contagem do prazo decadencial tenha início a partir do fato gerador da obrigação tributária. Subsidiariamente, argumenta que, ainda que seja aplicável o art. 173 do CTN, teria ocorrido a decadência de parte do período autuado: A Fiscalização, por sua vez, aplicou a contagem prevista no art. 173 do CTN, por entender ter ocorrido fraude no não recolhimento do tributo e afirmou não ter ocorrido a decadência de qualquer período: Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.414 12 Não houve decadência. A interessada equivocase na contagem dos prazos estabelecidos pela legislação aplicável. Como se verificará adiante, ficou comprovada a conduta dolosa da interessada o que impõe a aplicação do artigo 173, inciso I do CTN para fins de contagem do prazo decadencial. Pois bem, tomemos o mais antigo dos períodos de apuração lançados: dezembro de 2007. “O primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” é dia 01/01/2009. Contandose 5 (cinco anos) a partir desta data temos que o lançamento poderia ter sido efetuado até 31/12/2013. Considerandose que a ciência ao lançamento deu se em 22/10/2013, não há que se falar em decadência. Pois bem. Existem 2 (dois) aspectos a serem examinados. Inicialmente, é preciso verificar se, de acordo com o art. 173, I da CTN, utilizado pela Fiscalização, ocorreu ou não a decadência. Consta nos autos que os tributos exigidos têm como fato gerador inicial o mês de dezembro de 2007, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 22/10/2013. O acórdão recorrido entendeu que, para os fatos geradores ocorridos em dezembro de 2007, “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é dia 01/01/2009". Ocorre que tal entendimento contraria o que já restou decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de Recurso Repetitivo: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. (...) 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.415 13 Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). (...) (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Logo, uma vez se definindo que o prazo decadencial deva obedecer ao disposto no art. 173, I do CTN, é forçoso concluir pela decadência dos valores lançados relativamente ao mês de dezembro de 2007, respeitando ao disposto no art. 62 do RICARF. O segundo aspecto diz respeito à possibilidade de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, §4º do CTN, caso se conclua pela inexistência de fraude no caso presente. Sem adentrar à verificação de ocorrência ou não de fraude, aspecto que será analisado no mérito, temse que, no caso dos autos, não houve recolhimento de tributos, pois, conforme consta do próprio relatório, a Recorrente informou ter apurado créditos em montante superior aos débitos. Contudo, não se contesta que tal apuração foi devidamente informada ao Fisco no tempo e modo previstos na legislação. Na hipótese, entendo ser aplicável a regra prevista no art. 150, §4º do CTN (5 anos a contar do fato gerador). Esclareçase que tal entendimento está em perfeita concordância com a decisão proferida pela STJ em sede de Recurso Repetitivo (REsp 973.733). Explicase. Decidiu o Superior Tribunal de Justiça: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.416 14 Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Conforme se verifica pelo julgado do STJ acima transcrito, a regra do art. 173, I do CTN é aplicável, basicamente, em três hipóteses: (i) constatação de dolo, fraude ou Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.417 15 simulação do contribuinte e (ii) nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, (iii) a despeito da previsão legal, o pagamento inocorre. Estas duas últimas situações estão condicionadas à inexistência de declaração prévia do débito pelo contribuinte. É o que se extrai da Súmula/STJ nº 555: Quando não houver declaração do débito, o prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário contase exclusivamente na forma do art. 173, I, do CTN, nos casos em que a legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa. (Súmula 555, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/12/2015, DJe 15/12/2015) É evidente que, na hipótese de o contribuinte ter informado sua apuração ao Fisco e nesta tenha constado a inexistência de saldo de tributo a recolher não equivale, em absoluto, à situação de ausência de declaração por parte do Contribuinte. O art. 150, §4º, que dispõe ser tal prazo contado a partir da ocorrência do fato gerador, pressupõe a prévia ciência do Fisco acerca do nascimento da obrigação tributária. Isso ocorre naquelas situações em que o tributo é lançado de ofício ou quando o contribuinte efetua a competente declaração do tributo apurado acompanhada do respectivo pagamento (ainda que a menor). Ou seja, em ambas as hipóteses o Fisco teve a ciência da ocorrência do fato gerador, houve, verdadeiramente, o lançamento do tributo devido, seja de ofício, ou por meio do chamado "autolançamento". Nessas situações, por óbvio, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco não precisa ser alargado, já que, repisese, ele já tem ciência da ocorrência do fato gerador no momento da sua ocorrência. É exatamente o que ocorre quando o contribuinte apresenta a competente declaração do tributo, dando exata e inequívoca ciência ao Fisco acerca da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, in casu, sem saldo de tributo a recolher. Logo, uma vez que venha a ser se admitida, por essa Turma, a inocorrência de fraude, deverá, por conseguinte, ser reconhecida a aplicação do prazo decadencial em conformidade com o art. 150, §4º do CTN. Preliminar de nulidade "DEVIDO PROCESSO LEGAL. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA. VIOLAÇÃO AO ART. 5º, LIV E LV DA CRFB; ART. 2º, X; ART. 3º LII E ART. 38 DA LEI Nº. 9784/99" O Recorrente sustenta a nulidade do Auto de Infração por ofensa ao devido processo legal essencialmente pelo fato de não ter sido intimado durante a realização dos atos preparatórios ao lançamento. Todavia, notase que os atos dos quais a Recorrente afirma não ter sido intimada são aqueles relacionados aos trabalhos de investigação conjunta (MPF, PF e RFB) de toda a operação de investigação desenvolvida, tais como depoimentos de maquinistas e produtores. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.418 16 Ocorre que, por óbvio, seria impossível, durante o curso desse trabalho de investigação, que todos aqueles que porventura pudessem ser atingidos pelos resultados fossem intimados desde o seu início. Até porque, apenas ao final desses trabalhos de investigação é que tais nomes serão conhecidos. Lado outro, no que tange especificamente aos lançamentos fiscais realizados em face da Recorrente, esta foi devidamente cientificada, tanto do início da verificação fiscal, quando do seu encerramento, que culminou com a lavratura do Auto de Infração e a concessão do prazo de 30 (trinta) dias para defesa, nos exatos termos legais. E, como exposto, o Termo de Encerramento da Ação Fiscal é completo, claro e detalhado, tendo possibilitado ao contribuinte a correta compreensão do feito e o amplo exercício da ampla defesa e do contraditório. Rejeito, pois, a preliminar de nulidade do lançamento. Preliminar de nulidade "ILEGÍTIMA INOVAÇÃO AOS FUNDAMENTOS DA GLOSA DE CRÉDITOS INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 116, P. ÚNICO DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL DESCONSIDERAÇÃO DOS NEGÓCIOS JURÍDICOS" A Recorrente alega que a DRJ teria inovado ao desconsiderar a prática de negócios jurídicos (compras realizadas de pessoas jurídicas) com fundamento no parágrafo único do art. 116 do CTN, que, segundo defende, teria sua aplicação condicionada à edição de norma complementar: Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária.(Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Inicialmente, não vislumbro a citada inovação. A desconsideração do negócio jurídico pela constatação de dissimulação / fraude consta na motivação do Auto de Infração de forma clara e detalhada. Não houve inovação ou adoção de critério jurídico diverso na decisão da DRJ em face daquilo que fora constatado pela Fiscalização. Constato, contudo, que inovação houve nos argumentos de defesa apresentados pela Recorrente, uma vez que, em sede de Impugnação, não foi trazida qualquer Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.419 17 argumentação no sentido de ser inaplicável o disposto no parágrafo único do art. 116 do CTN, pelo que, ocorreu a preclusão de tal matéria. Não obstante, destaco que possuo entendimento em sentido diverso daquele defendido pela Recorrente. O dispositivo legal em comento é amplamente acatado pela jurisprudência judicial e administrativa. Ademais, o procedimento administrativo fiscal é amplamente regulamentado pela legislação pátria e, como já exposto, não se vislumbrou qualquer violação a tais normativos, tais como ao DecretoLei nº 70.235/72 ou às Leis nº 9.430 e 9784. O que não se permitiria é que Fiscalização não tivesse seguido o rito procedimental legalmente estabelecido, ou tivesse levado a efeito a desconsideração do negócio jurídico com fundamento em medidas arbitrárias ou mesmo que tivesse ocorrido qualquer discricionariedade na eleição dos fatos imponíveis ou dos sujeitos passivos, o que sequer se suscita na hipótese presente. Desse modo, afasto também a preliminar de inovação de critério jurídico. MÉRITO Com relação ao mérito, a Recorrente divide sua defesa em diversos tópicos, que, entendo, serão integralmente abordadas na manifestação que se segue. Quando do julgamento de matéria bastante similar a presente (Processo nº 15586.720716/201211, Acórdão nº 32013.201.002.083), me manifestei em sede de Declaração de voto nos seguintes termos: O cerne da questão diz respeito à verificar se os meios de prova acerca da fraude podem ser imputados à Recorrente. Alega a RFB que as empresas vendedoras de café teriam sido constituídas de forma fraudulenta, com amplo conjunto probatório. No caso concreto, a conseqüência da fraude verificada está sendo imputada a terceiro, à compradora do café para fins de exportação. Entendo que, para que a Recorrente possa ser penalizada em razão das supostas fraudes identificadas, seria necessária a comprovação de que esta participou das operações tidas por fraudulenta. Com base em jurisprudência já pacificada no âmbito do STJ, não vejo como imputar a terceiros quaisquer consequências advindas de operações fraudulentas das quais não participou. Até porque, é princípio básico constitucional que a pena jamais poderá ultrapassar a pessoa do condenado. Compreendo a necessidade de se estabelecer procedimentos padronizados/unificados para aprimoramento do processo Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.420 18 fiscalizatório. É o que a professora Misabel Derzi de "princípio da praticidade". Todavia, em respeito aos princípios da legalidade, é certo que a praticidade jamais poderá se converter em presunção. Também ressalto que, conforme assaz debatido nessa turma julgadora, é certo que o ônus da prova no processo fiscal deve ser atribuído ao contribuinte na hipótese de ressarcimento, e, à fazenda, nas autuações fiscais. Contudo, não há como negar que não se discute, nos autos, a existência do crédito, o que atrairia o ônus probatório para o contribuinte. A aquisição ocorreu e, nos termos da legislação de regência, esta aquisição gera, efetivamente, direito à crédito para o adquirente. No caso, a questão da prova se resume à suposta ocorrência de fraude e mais, de que a Recorrente tenha efetivamente participado dessa fraude ou dela tivesse ciência. Imputar à Recorrente o ônus de comprovar que não participou da fraude é imputar a produção de prova negativa, o que é absolutamente rechaçado pelo sistema jurídico pátrio. Ultrapassada a questão relativa à ocorrência ou não de fraude, já que, como ressaltei, esta prova se faz despicienda na hipótese dos autos, é preciso analisar, exclusivamente, eventuais elementos de prova quanto à participação da Recorrente na suposta fraude. Alega a Fiscalização, essencialmente, que as empresas vendedoras não apresentaram DIPJ no período objeto da autuação, e que se encontravam com o CNPJ baixado. Ora, quanto às DIPJs, entendo não ser possível a utilização desse meio de prova em face da Recorrente, uma vez que esta não tem qualquer forma de acesso à tais documentos, protegidos pelo sigilo fiscal. Quanto ao fato dos CNPJs terem sido baixados em 31/12/2005, de igual modo não há como legitimar tal argumento, uma vez que, no caso dos autos, os créditos glosados são relativos ao 1º trimestre de 2005. Me socorrendo às lições de Sacha Calmon, nos termos do art. 142 do CTN, a atividade de lançamento é privativa da administração tributária. Nesse sentido, é a esta que compete, exclusivamente, fiscalizar. Não se pode imputar aos contribuintes o dever de fiscalizar um ao outro. E, ao meu ver, é esta, exatamente, a situação verificada nos autos. A Recorrente está sendo responsabilizada pelo fato de não ter fiscalizado a regularidade de seus fornecedores. o que, a meu ver, não pode ser chancelado, sob pena de subversão à própria segurança jurídica. Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.421 19 A despeito da fraude, a adquirente suportou o ônus do crédito na aquisição das mercadorias, não sendo legítima a exclusão destes de sua escrita fiscal. Diante do exposto, face à clara e incontroversa ausência de provas quanto à participação da Recorrente em qualquer ato fraudulento na constituição das pessoas jurídicas tidas por fictícias, voto por dar provimento ao Recurso Voluntário para exonerar o crédito fiscal lançado. A meu ver, a situação dos presentes autos é bastante similar à examinada naquela oportunidade. Muito embora, como já dito, a operação conjunta MPF, PF e RFB tenha se baseado na coleta de provas robustas acerca da criação de pessoas jurídicas fraudulentas, entendo que a não há prova de conluio da Recorrente. O Relatório Fiscal limitase a demonstrar que os Maquinistas seriam pessoas jurídicas fictícias, e que a Recorrente adquiriu café dessas pessoas jurídicas. Contudo, não há qualquer prova no sentido de que a Recorrente teria participado da criação de tais pessoas jurídicas fictícias, ou mesmo que teria imposto a eventuais fornecedores pessoas físicas a utilização de tal intermediação. Ou seja, tenho que a questão não se subsume ao fato de que a Recorrente adquiriu mercadorias das pessoas jurídicas tidas por fictícias. Isso é inconteste nos autos e reconhecido pela contribuinte. O que se extrai é que, no caso específico dos autos, não há provas de que a Recorrente tenha participação nos eventos fraudulentos identificados, a meu ver, condição sine qua non para que se possa atribuir a responsabilidade tributária. Portanto, no mérito, concluo que, diante do conjunto probatório existente nos autos, não vejo como suportar o lançamento fiscal ora combatido. "3.2. DO DESCABIMENTO DA MULTA DE 150% COM SUPEDÂNEO NO ARTIGO 44, I, §1º LEI Nº. 9430/96 HIGIDEZ DOS CRÉDITOS DE PIS E DA COFINS AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE FRAUDE" Diante do que manifestei acima, por não verificar a existência de provas de qualquer conduta dolosa por parte da Recorrente, ou de que esta tenha agido em conluio com as pessoas jurídicas tidas por inexistentes, não vejo como aplicar o agravamento da multa de ofício, nos termos previstos no art. 44, inciso I, §1º da Lei nº 9.430/96. Por todo o exposto, voto por dar provimento total ao Recurso Voluntário do contribuinte para (i) reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos anteriormente à 22/10/2008, nos termos do art. 150, §4º do CTN e, no mérito (ii) exonerar o lançamento tributário face à inexistência de provas da participação dolosa ou conluio do Contribuinte na formação das pessoas jurídicas fictícias. Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.422 20 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Em que pese a clareza do voto proferido pela ilustre relatora, a turma, por maioria, divergiu do seu entendimento acerca da preliminar de decadência e quanto ao mérito da lide, pelas razões abaixo expostas, mantendose. Da Decadência A decisão recorrida não reconheceu a decadência dos valores cobrados no auto de infração, decidindo pela aplicação da norma prevista no artigo 173 do CTN devido a entender que a conduta da recorrente foi fraudulenta. A contribuinte sustenta, a seu turno, que as contribuições sociais ora cobradas são tributos sujeitos ao lançamento por homologação, devendo observar o prazo decadencial previsto no art. 150, parágrafo 4o, do Código Tributário Nacional. A questão posta, em que pese a pertinência doutrinária, não comporta mais debates, posto já estar contemplada na Súmula CARF nº 72, de observação obrigatória por este Colegiado, e que assim dispõe: Súmula CARF nº 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. Desta feita, constatado, como explicitado no próximo tópico, a ocorrência de fraude, aplicase a regra para a contagem do prazo decadencial prevista no art. 173, I, do CTN. Esclarecese, ainda, em relação aos valores lançados relativamente ao mês de dezembro de 2007, que apenas a partir da data do vencimento da obrigação tributária é que o contribuinte pode ser considerado em mora, momento em que se inicia a contagem do prazo previsto no artigo 173, I, do CTN. Tendo em vista que a data de vencimento deste tributo ocorre apenas em janeiro de 2008, não se operou o a decadência do crédito tributário. Do Mérito Das aquisições de café junto a empresas inexistentes de fato A contribuinte teve negado seu direito creditório referente à Cofins e ao PIS, apurados pelo regime da não cumulatividade, devido da glosa de créditos apropriados. Os créditos glosados referemse, basicamente, a aquisições de café – insumo do processo produtivo da recorrente – que a Fiscalização entendeu terem sido realizadas junto a empresas atacadistas de fachada, constituídas com o objetivo de apropriação indevida de créditos do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade. Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.423 21 A Fiscalização afirma que estas empresas formalizavam a compra de café de pessoas físicas, com posterior venda para empresas da região, comerciais exportadoras ou industria cafeeira, operação esta simulada, efetuada com o objetivo de mascarar o negócio realmente realizado, qual seja à aquisição direta do café junto à proprietários rurais pessoas físicas – que não concede direito ao crédito pleiteado. A recorrente, por sua vez, sustenta a licitude dos seus negócios junto a estas empresas, alegando que não teria obrigação de fiscalizar a idoneidade das empresas as quais contrata a aquisição de seus insumos. Alega ainda não ter sido provado a responsabilidade da recorrente pela criação destas empresas laranjas, realçando a licitude de seus atos. Pois bem, para a solução da lide mostrase necessário antes o esclarecimento de alguns conceitos aplicados neste julgamento. A primeira distinção a ser feita referese aos termos elisão e evasão fiscal. De forma sucinta, podemos conceituar elisão fiscal como sendo a economia lícita de tributos. Já por evasão fiscal entendese a diminuição da carga tributária alcançada pela prática de sonegação, fraude ou simulação, vedadas pelo nosso ordenamento jurídico. A autoridade fiscal afirma que a Recorrente teria adquirido serviços empresas de fachada, inexistentes de fato, prática vulgarmente conhecida como constituição de empresa por meio de sócio “laranja”, conceituada juridicamente como simulação. De Plácido e Silva conceitua simulação como “o artifício ou o fingimento na prática ou na execução de um ato, ou contrato, com a intenção de enganar ou de mostrar o irreal como verdadeiro, ou lhe dando aparência que não possui (...) No sentido jurídico, sem fugir ao sentido normal, é o ato jurídico aparentado enganosamente ou com fingimento, para esconder a real intenção ou para subversão da verdade. Na simulação, pois, visam sempre os simuladores a fins ocultos para engano e prejuízo de terceiros” (Silva, De Plácido e. Vocabulário Jurídico. Ed. Forense, 1990). Luciano Amaro complementa que “a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam.” (Amaro, Luciano. Direito Tributário Brasileiro. 13ª Ed. Ed Saraiva, 2007, p. 231) Simulação corresponde, portanto, a realização de atos ou negócios jurídicos através de forma prescrita ou não defesa em lei, mas de modo que a vontade formalmente declarada no instrumento oculte deliberadamente a vontade real dos sujeitos da relação jurídica. O ato existe apenas aparentemente; é um ato fictício, uma declaração enganosa da vontade, visando produzir efeito diverso do ostensivamente indicado. A autoridade fiscal, ao verificar que o sujeito passivo utilizouse de simulação para esquivarse do pagamento de tributo, tem o dever de aplicar a legislação tributária de acordo como os fatos efetivamente ocorreram, em detrimento daquela verdade jurídica aparente. Esta afirmação encontrase em consonância com o atual estágio de evolução do pensamento jurídico. Resta ultrapassada a fase da idolatria à Lei, e isto não apenas em relação aos ramos clássicos do Direito; o Direito Tributário também acompanhou esta passagem da jurisprudência dos conceitos para a jurisprudência dos valores. Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.424 22 Segundo a hermenêutica contemporânea, ao fatos jurídicos tributários não devem ser interpretados apenas sob a ótica das formas jurídicas permitidas, mas sim também sob a perspectiva de sua utilização concreta, à luz dos valores básicos de igualdade, da solidariedade e da justiça. Ponderase a liberdade com a isonomia e a capacidade contributiva. Marco Aurélio Greco, com lucidez, ressalta que esta transformação acompanha a mudança ocorrida em nossa realidade política, social e fática: Por outro lado, a liberdade absoluta do contribuinte levou a uma infinidade de estruturas negociais e reestruturações societárias que, com propriedade, foram consideradas meramente “de papel”. A prevalência da forma levou, da perspectiva da legalidade, à veiculação de praticamente quaisquer conteúdos desde que através de lei em sentido formal; e da perspectiva da liberdade de autoorganização ao surgimento de “montagens jurídicas” sem qualquer substância econômica, empresarial ou extratributária. Enquanto o modelo formal de abordagem do fenômeno tributário era levado à sua quintessência e privilegiava a forma – e não apenas esta, pois chegava até mesmo à idolatria da linguagem em que esta se apresentava – a realidade política, social e fática mudava profundamente. A Constituição de 1988 assumiu o perfil de uma Constituição da Sociedade Civil, diversamente da Carta de 1967 que possuía o feitio de uma Constituição do Estadoaparato (GRECO, 2005). Esta mudança se espraia por todo seu texto a começar pelo artigo 1º que afirma categoricamente ser o Brasil um Estado Democrático de Direito e não apenas um Estado de Direito e seu art. 3º, I coloca a construção de uma sociedade livre, justa e solidária como objetivo fundamental da República. Isto implica colocar a variável social ao lado e no mesmo plano da individual e abre espaço para se reconhecer a solidariedade social como fundamento último da tributação (GRECO, 2005). [...] Por outro lado, a sociedade passou a ver nos direitos fundamentais e na eficácia jurídica das normas que os prevêem um canal relevante de reconhecimento e atendimento das demandas sociais. Por fim, criouse a consciência de que a criatividade deve ser prestigiada, mas é importante reagir contra a mera esperteza de quem quer levar vantagem como se o indivíduo vivesse isolado, tendo o mundo submetido à sua disposição ou predação. (Greco, Marco Aurélio, artigo “Crise do Formalismo do Direito Tributário”, publicado na Revista da PGFN nº 01) Caracterizado que a forma jurídica adotada não reflete o fato concreto, o Fisco encontrase autorizado “a determinar os efeitos tributários decorrentes do negócio realmente realizado, no lugar daqueles que seriam produzidos pelo negócio retratado na forma simulada pelas partes” (Amaro, Luciano, ob. cit., p. 233/234). Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.425 23 Assim, quando verificado que o contribuinte, com o único objetivo de não recolher tributos, adota formas jurídicas anormais, insólitas ou inadequadas, as mesmas podem ser desconsideradas, exigindose os tributos que seriam devidos não fosse a forma jurídica anormal adotada. Uma questão a ser dirimida é a de se saber se houve, no procedimento fiscal, comprovação material da infração e, para tanto, algumas considerações acerca de direito probatório, ou mais especificamente sobre como se chega à comprovação material de um dado fato, são necessárias. Na busca pela verdade material – princípio este informador do processo administrativo fiscal –, a comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, em regra, por uma de duas vias: ou por uma prova única, direta, concludente por si só, ou por um conjunto de elementos/indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza daquela matéria de fato. Não há, em sede de processo administrativo, uma hierarquização préestabelecida dos meios de prova, sendo perfeitamente regular o estabelecimento da convicção a partir do cotejamento de elementos de variada ordem, desde que estejam estes, por óbvio, devidamente juntados ao processo. É a consagração da chamada prova indiciária, de largo uso no direito. A comprovação fática do ilícito raramente é passível de ser produzida por uma prova única, isolada; aliás, só seria possível, praticamente, a partir de uma confissão expressa do infrator, coisa que dificilmente se terá, por mais evidentes que sejam os fatos. O uso de indícios não pode ser confundido com a utilização de presunções legais. Diferem a presunção e o indício pela circunstância de que àquele o direito atribui, isoladamente, o vigor de um verdadeiro conformador de uma outra situação de fato que a lei presume, por uma aferição probabilística que ocorra no mais das vezes. Já o indício não tem esta estatura legal, uma vez que a ele, isoladamente, pouca eficácia probatória é dada, ganhando ele relevo apenas quando, olhado conjuntamente com outros indícios, transfere a convicção de que apenas um resultado fático seria verossímil. Fazse necessário ainda lembrar que no direito administrativo tributário é permitido, em princípio, todo meio de prova, uma vez que não há limitação expressa, ressaltando que predominam a prova documental, a pericial e a indiciária. Pois é exatamente a associação da primeira com a última que se permite concluir a respeito da correção e validade do lançamento. Desta forma, as provas indiretas – indícios e presunções simples – podem ser instrumentos coadjuvantes do convencimento da autoridade julgadora quando da apreciação do conjunto probatório do processo administrativo tributário. As presunções legais ou absolutas independem de prova, assim como a ficção jurídica. As presunções relativas admitem prova em contrário. As presunções simples devem reunir requisitos de absoluta lógica, coerência e certeza para lastrear a conclusão da prova da ocorrência do fato gerador de tributo. Alberto Xavier, em “Do lançamento. Teoria Geral do Ato do Procedimento e do Processo Tributário”, Ed. Forense, 2ª ed., 1998, pág. 133, ao tratar das presunções e da verdade material, assim se pronuncia: Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.426 24 A questão está em saber se os métodos probatórios indiciários, aí aonde são autorizados a intervir, são, em si mesmo, compatíveis com o princípio da verdade material. Nos casos em que não existe ou é deficiente a prova direta pré constituída, a Administração Fiscal deve também investigar livremente a verdade material. É certo que ela não dispõe agora de uma base probatória fornecida diretamente pelo contribuinte ou por terceiros; e por isso deverá ativamente recorrer a todos os elementos necessários à sua convicção. Tais elementos serão, via de regra, constituídos por provas indiretas, isto é, por fatos indiciantes, dos quais se procura extrair, com o auxílio de regras da experiência comum, da ciência ou da técnica, uma ilação quanto aos fatos indiciados. A conclusão ou a prova não se obtém diretamente, mas indiretamente, através de um juízo de relacionação normal entre o indício e o tema da prova. Objeto de prova em qualquer caso são os fatos abrangidos na base de cálculo (principal ou substituta) prevista na lei: só que a verdade material se obtém de modo direto e nos quadros de um modo indireto, fazendo intervir ilações, presunções e juízos de probabilidade ou de normalidade. Tais juízos devem ser, contudo, suficientemente sólidos para criar no órgão de aplicação do direito a convicção da verdade. Por fim, em se tratando especificamente da verificação da presença de simulação, os atos praticados pelos contribuintes precisam ser analisados em conjunto, não sendo suficiente a constatação da validade formal do ato visto de forma isolada dos demais. Analisase o filme e não apenas a foto. Feitas estas considerações, podese voltar ao caso concreto que aqui se tem, analisandose os fatos trazidos pelas partes. Como já explicitado, a decisão administrativa tem origem na constatação de que as aquisições de café pela recorrente foram contabilizadas em nome de diversas empresas de fachada, utilizadas para dissimular a real aquisição da mercadoria proveniente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim se apropriar de crédito em montante superior ao autorizado pela lei. O Fisco afirma que a recorrente, desde janeiro de 2005, apropriase indevidamente de créditos integrais fictos, baseados em notas fiscais em nome de empresas de fachada (“laranjas”). Diante desta constatação, todos os saldos dos créditos decorrentes de operações do mercado interno e externo foram recalculados, com a glosa daqueles embasados em notas fiscais de “pseudoatacadistas de café”, porém tendo sido reconhecido o direito creditório presumido sobre tais operações. Pois bem, o relatório fiscal objeto do auto de infração lavrado contra a Recorrente expõe de forma clara as provas obtidas pele Fiscalização A recorrente não contesta a inexistência de fato destas empresas, ou mesmo qualquer das irregularidades constatadas pelo Fisco em relação a estas. Afirma, contudo, Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.427 25 inexistir nos autos prova de que a mesma agiu em conluio com as referidas "empresas de fachada" com o objetivo de lesar o Fisco Federal. Aduz que as aquisições de cafés foram, de fato, efetuadas e pagas às empresas em questão, e que as empresas encontravamse, segundo pesquisa junto ao SINTEGRA estadual, na condição de empresas regulares e ativas. Pois bem, em relação às operações praticadas no ambiente de negócios ao qual estava incluída a recorrente, encontrase fartamente comprovado que as empresas do ramo adquiriam café de pessoas físicas, todavia formalizavam tais operações como sendo aquisições junto a pessoas jurídicas, com o nítido objetivo de apropriação irregular de créditos integrais do PIS e da Cofins. A operação era assim formalizada pois as aquisições feitas junto a pessoas jurídicas permitem a apropriação de créditos integrais no regime da não cumulatividade do PIS e da Cofins, ao passo que as efetuadas diretamente com pessoas físicas da direito apenas ao crédito presumido previsto no artigo 8º da Lei nº 10.925/2004. Ao formalizar a compra de café como sendo adquirido junto a pessoas jurídicas, as empresas alcançariam o direito de crédito em sua forma integral, superior ao crédito presumido que teria direito pela aquisição de pessoas físicas. A situação exposta está bastante clara nos autos, não sendo nem mesmo objeto de recurso por parte da recorrente. Ressalto, neste ponto, que os processos administrativos tributários que formalizaram as decisões do Fisco neste sentido tem sido confirmados por unanimidade nesta casa, como demonstram as ementas dos acórdãos abaixo citados: SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO. VENDA DE CAFÉ. CREDITAMENTO Comprovada a aquisição de café, de fato, de pessoas físicas, quando os documentos apontavam para uma intermediação por pessoa jurídica, incabível o creditamento integral das contribuições, cabendo apenas o crédito presumido pela aquisição de pessoas físicas. (Acórdão no 3403002.893, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime,sessão de 27/03/2014) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/09/2007 a 31/05/2008, 01/07/2008 a 31/08/2008, 01/10/2008 a 31/12/2009 PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE PESSOA FÍSICA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE PESSOA JURÍDICA. SIMULAÇÃO. GLOSA DE CRÉDITO. Constatado que o negócio jurídico efetivo foi celebrado com fornecedor pessoa física, devese glosar o crédito de PIS e Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.428 26 COFINS apropriado na operação, em conformidade com o art. 3º, §3º, I da Lei nº 10.833/03. INTERPOSIÇÃO DE TERCEIRO. SIMULAÇÃO. FRAUDE E CONLUIO. MULTA QUALIFICADA. A interposição simulada de terceiro alheio ao negócio jurídico, com o escopo de reduzir o montante do tributo configura fraude e conluio (Lei nº 4.502/64, arts. 72 e 73), justificando aplicação de multa qualificada (Lei nº 9.430/96, art. 44, §1º). (Acórdão no 3403002.635, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime ,sessão de 27/11/2013) Observo ainda que este esquema era de plena utilização na região, não sendo factível acreditar que a recorrente não tivesse conhecimento do mercado em que atuava. Pelo contrário, os documentos anexados aos autos depoimentos, documentos, arquivos magnéticos e controles internos da empresa revelam que esta não só sabia que as aquisições eram realizadas de produtor pessoa física, como também exigia que as negociações ocorressem em nome de empresa de fachada, orientandoas operacionalmente nesse sentido. Assim, o fato de as empresas estarem em situação cadastral regular e ativa no SINTEGRA estadual não parece ser motivo para que a recorrente não tivesse conhecimento de que os documentos que formalizaram os negócios traziam dados de empresas inexistentes de fato. Estas empresas não possuíam locais para a armazenagem do café que negociavam, e se localizavam em diminutos escritórios, algo totalmente incoerente com o volume de negócios que praticavam. As empresas não possuíam patrimônio, não demonstravam capacidade operacional, não possuíam funcionários contratados, nem apresentavam qualquer estrutura logística. Ressaltese ainda que nenhuma destas empresas recolhia os tributos que seriam devidos caso tivesse efetivamente praticado as operações em comento. Inconcebível, portanto, falarse em boafé por parte da recorrente. Em sendo estes os fatos em julgamento, concluise que a recorrente se utilizou deste esquema fraudulento, adquirindo café de empresas inexistentes de fato e apropriandose irregularmente de créditos do PIS e da Cofins. Ao praticar tais condutas, a recorrente se sujeitou as medidas tomadas pelo Fisco, entre elas a glosa dos créditos irregulares, e a aplicação da multa de ofício qualificada, de 150%. Diante de todo o exposto, negase provimento ao recurso voluntário. Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto Redator designado Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO Processo nº 10783.721299/201356 Acórdão n.º 3201002.200 S3C2T1 Fl. 1.429 27 Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 05/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2016 por CARLOS ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digital mente em 13/07/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 20/06/2016 por CARLO S ALBERTO NASCIMENTO E SILVA PINTO, Assinado digitalmente em 21/06/2016 por TATIANA JOSEFOVICZ BELIS ARIO
score : 1.0
Numero do processo: 35564.003772/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
João Bellini Junior - Presidente
Julio Cesar Vieira Gomes - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, MARCELA BRASIL DE ARAÚJO NOGUEIRA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR.
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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CONEXÃO COM OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Recorrente GELRE TRABALHO TEMPORARIO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. João Bellini Junior Presidente Julio Cesar Vieira Gomes Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: JOAO BELLINI JUNIOR, JULIO CESAR VIEIRA GOMES, ALICE GRECCHI, ANDREA BROSE ADOLFO, FABIO PIOVESAN BOZZA, MARCELA BRASIL DE ARAÚJO NOGUEIRA, GISA BARBOSA GAMBOGI NEVES e AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 55 64 .0 03 77 2/ 20 06 -0 4 Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/07/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 35564.003772/200604 Resolução nº 2301000.613 S2C3T1 Fl. 1.284 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado com fundamento na inobservância da obrigação tributária acessória prevista no art. 32, inciso IV e § 5º, da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 9.528/1997, c/c o art. 225, inciso IV e § 4º do Decreto 3.048/1999, que consiste em a empresa apresentar a Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Da análise das peças que compõem os autos, em especial a decisão recorrida, verificase que as contribuições incidentes sobre os fatos geradores não declarados em GFIP foram objeto de lançamento em outros documentos (Auto de Infração da Obrigação Principal AIOP), resultando em quatro processos distintos, fls. 13. No caso, os supostos fatos geradores omitidos e que foram objeto de lançamento tributário da obrigação principal e autuação fiscal por não declaração em GFIP são: participação nos lucros ou resultados, auxílioeducação, remuneração a contribuintes individuais e trabalhadores temporários. Em consulta ao eprocesso constatei que os processos de obrigação principal estão na situação: "Excluído do Controle do EProcesso". É o Relatório. Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/07/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 35564.003772/200604 Resolução nº 2301000.613 S2C3T1 Fl. 1.285 3 Voto Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Relator O presente processo tem origem em autuação pelo descumprimento da obrigação acessória que consiste em deixar de declarar na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Os créditos correspondentes a tais fatos geradores foram constituídos através de documentos próprios que resultaram em processos separados. De fato, há correlação entre os documentos de constituição de crédito que se referem aos mesmos fatos. Assim, o auto de infração lavrado pelo descumprimento da obrigação acessória deva ser julgado junto ou após o julgamento do processo relativo à obrigação principal. Assim, considerando a prejudicialidade por conexão para o presente julgamento, conforme artigo 6º, §6º do Regimento Interno deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, fazse necessária a informação sobre o resultado definitivo de julgamento dos processos principais correlatos, o que não pode ser verificado em função da baixa desses processos no Eprocesso: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. ... § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em Fl. 1285DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/07/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 35564.003772/200604 Resolução nº 2301000.613 S2C3T1 Fl. 1.286 4 diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências solicitadas e seja oportunizado ao recorrente o direito de manifestação sobre esta decisão no prazo de 30 dias. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes Fl. 1286DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/07/2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 14/07/ 2016 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES, Assinado digitalmente em 20/07/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 19740.000450/2006-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO.
A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente . Na época, a declaração em DCTF não constituída o crédito tributário.
DEPÓSITOS JUDICIAIS. VIGÊNCIA DA MP 2.222/2001. ANISTIA.
O depósito judicial para quitação da COFINS foi realizado sob a vigência da MP nº 2.222/2001, que estava albergado pela anistia tributária. Reconhecimento da existência de depósitos pela própria autoridade fiscalizadora.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2002
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO.
A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Na época, a declaração em DCTF não constituída o crédito tributário.
DEPÓSITOS JUDICIAIS. VIGÊNCIA DA MP 2.222/2001. ANISTIA.
O depósito judicial para quitação da contribuição ao PIS foi realizado sob a vigência da MP nº 2.222/2001, que estava albergado pela anistia tributária. Reconhecimento da existência de depósitos pela própria autoridade fiscalizadora.
Numero da decisão: 3302-003.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a denúncia espontânea do valor pago em atraso a título de Fundo de Saúde de Convênios e reconhecer a suficiência dos depósitos realizados a título da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins no período de janeiro a agosto de 2001.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente
(assinatura digital)
Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza - Relatora
Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo.
Nome do relator: SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente . Na época, a declaração em DCTF não constituída o crédito tributário. DEPÓSITOS JUDICIAIS. VIGÊNCIA DA MP 2.222/2001. ANISTIA. O depósito judicial para quitação da COFINS foi realizado sob a vigência da MP nº 2.222/2001, que estava albergado pela anistia tributária. Reconhecimento da existência de depósitos pela própria autoridade fiscalizadora. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica-a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Na época, a declaração em DCTF não constituída o crédito tributário. DEPÓSITOS JUDICIAIS. VIGÊNCIA DA MP 2.222/2001. ANISTIA. O depósito judicial para quitação da contribuição ao PIS foi realizado sob a vigência da MP nº 2.222/2001, que estava albergado pela anistia tributária. Reconhecimento da existência de depósitos pela própria autoridade fiscalizadora.
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RECONHECIMENTO. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente . Na época, a declaração em DCTF não constituída o crédito tributário. DEPÓSITOS JUDICIAIS. VIGÊNCIA DA MP 2.222/2001. ANISTIA. O depósito judicial para quitação da COFINS foi realizado sob a vigência da MP nº 2.222/2001, que estava albergado pela anistia tributária. Reconhecimento da existência de depósitos pela própria autoridade fiscalizadora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2002 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. RECONHECIMENTO. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. Na época, a declaração em DCTF não constituída o crédito tributário. DEPÓSITOS JUDICIAIS. VIGÊNCIA DA MP 2.222/2001. ANISTIA. O depósito judicial para quitação da contribuição ao PIS foi realizado sob a vigência da MP nº 2.222/2001, que estava albergado pela anistia tributária. Reconhecimento da existência de depósitos pela própria autoridade fiscalizadora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 00 04 50 /2 00 6- 61 Fl. 645DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer a denúncia espontânea do valor pago em atraso a título de Fundo de Saúde de Convênios e reconhecer a suficiência dos depósitos realizados a título da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins no período de janeiro a agosto de 2001. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinatura digital) Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Relatora Participaram do julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araujo. Relatório Tratase de autos de infração, advindo do lançamento da contribuição ao PIS e da COFINS, que iniciou com a instalação de um Mandado de Procedimento Fiscal, fls. 031; em 19 de janeiro de 2005. Do Termo de Verificação Fiscal, fls. 195/211, extraemse alguns trechos, in verbis: A ação fiscal de que trata o presente Termo de Verificação foi determinada pela Administração Tributária Federal mediante Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 07.1.66.002005 000113, e tem por objetivo relatar os fatos apurados durante a auditoria da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e da contribuição para o Programa de Integração Social PIS, durante os períodos compreendidos entre janeiro de 2001 e julho de 2002, conforme solicitado no processo n° 19740.000528/200302 formalizado para acompanhamento da adesão do contribuinte ao Regime Especial de Tributação RET (Art.5° da MP n° 2222/2001). A Fundação Eletrobrás de Seguridade Social ELETROS é entidade fechada de previdência privada, sem fins lucrativos, regida pelo estatuto que se encontra às fls.266 a 283. (...) A Fundação optou pelo Regime Especial de Tributação RET previsto no art. 2o da Medida Provisória n° 2.222. 1 Todas as páginas citadas no voto referemse ao eprocesso. Fl. 646DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 4 3 Durante as análises preliminares do processo administrativo n° 19740.000528/200302, constatamos a existência da Ação Ordinária n° 2002.51.01.0186664, vinculada à Ação Cautelar nº 2002.51.01.0186664, ambas impetradas junto à 16º Vara Federal da Seção Judiciária do Rio de Janeiro RJ. Por intermédio da Ação Ordinária pleiteia, a interessada, que: A seja a União Federal condenada a se abster de lhe exigir como condição para aderir à anistia prevista no art 24 da MP 66/2002, à observância das condições impostas pelo § 1o do art. 5o da MP n° 2222/2001, e pelo art. 17, § 3o, I e II, da Lei n° 9.779/99, e, B Seja declarada a inexistência de relação jurídica que obrigue o contribuinte a recolher o PIS e a COFINS apurados até agosto de 2001, nos moldes estipulados pela IN n° 170/2002. Em 02 de outubro de 2002, o pedido na inicial foi julgado improcedente, tendo sido, no entanto, deferido o pleito do depósito judicial dos valores referentes ao PIS e Cofins, calculados nos termos definidos pela IN n° 170/2002. (...) O contribuinte foi intimado a apresentar a planilha de cálculo da Cofins e do Pis demonstrando a base de cálculo dessas contribuições, especialmente os valores referentes à conta 6.1.3. Receitas de aluguéis e rendimentos equiparados na carteira imobiliária, não incluída na apuração regular dessas contribuições, pelo contribuinte, bem como os documentos referentes às arrecadações e depósitos efetuados. Em atendimento à intimação o contribuinte apresentou as planilhas que se encontram às fls. 111 e 161/163 e os comprovantes de recolhimento e depósitos judiciais efetuados, devidamente confirmados no Sistema Sinal (fls. 140 a 158) Da análise da informações obtidas junto ao contribuinte verificouse que os valores informados nas planilhas apresentadas (fls. 111e 161 a 163) 1. não conferem com os constantes dos balancetes em virtude de ter o contribuinte excluído da base de cálculo, os ressarcimentos do Fundo de Saúde e Convênios, durante o período de janeiro de 2001 a novembro de 2002. A esse respeito, informounos o contribuinte, conforme planilha às fls. N/A, que recolheu os valores da diferença apontada no parágrafo anterior em 28 de novembro de 2003. Verificamos que o contribuinte efetivamente recolheu tais valores porém sem os acréscimos legais devidos de acordo com a legislação pertinente (...) Fl. 647DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 5 4 2 Além do descrito em 1 acima, foram apuradas diferenças entre os valores devidos e os declarados pelo contribuinte, como se depreende da análise das planilhas às fls. 204 e 207 a 2 10 , e que foram, também, objeto de lançamento deste Auto de Infração. Por outro lado, com relação às contribuições para o Pis e a Cofins de que trata este Auto de Infração, verificamos a existência de depósitos judiciais suficientes, parcialmente, para cobrir os débitos não declarados e que foram objeto de lançamento com exigibilidade suspensa e formalizados pelos processos 19740.000449/200636. (...) No entanto, objetivando garantir seu direito à anistia e poder discutir judicialmente a ilegalidade do alargamento da base de cálculo promovido pela IN SRF n° 170/02, a ora Recorrente ajuizou as medidas judiciais n° 2002.51.01.0186664 (Cautelar) e n° 2002.51.01.0220532 (Principal), que objetivavam a garantia do pagamento dos débitos de PIS/COFINS nos moldes da IN SRF n° 170/02 com os,abatimentos da anistia da MPv n° 2.222/01 sem ter que abrir mão do direito de discutir a exigibilidade do tributo Conforme relatado do termo de verificação fiscal, a contribuinte ajuizou uma ação cautelar fiscal, fls. 28/48, autos nº 2002.51010186664, em trâmite na 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro, com o propósito de aderir à anistia concedida pela Medida Provisória nº 2222, de 04 de setembro de 2001, sem cumprir os requisitos previstos na lei, como a previsão da desistência de questionamento via ação judicial ou administrativa. Outra cautelar foi ajuizada na 6ª Vara Federal de BrasíliaDF, autos nº 2002.34.00023585, com o mesmo propósito da cautelar ajuizada no Rio de Janeiro, depósitos fls. 598/603. A Recorrente obteve liminar concedida nesta cautelar, fl. 607/608, mas posteriormente realizou um pedido para desistir da ação. Assim, para que fique elucidada a questão: i) na ação cautelar, ajuizada em Brasília, foram depositados valores de COFINS, apuradas antes da Instrução Normativa SRF 170/2002; ii) na ação cautelar, ajuizada no Rio de Janeiro, foram depositados valores de Contribuição ao PIS e à COFINS em conformidade com a IN SRF 170/2002. A ação cautelar, proposta no Rio de Janeiro, foi julgada improcedente por falta de periculum in mora, mas foi permitido o depósito judicial, fls. 50/55. Às fls. 56/93, consta a ação ordinária condenatória com o pleito da não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS aos moldes da IN 170, de 07 de julho de 2002, da não integração das receitas assistenciais na base de cálculo das contribuições em questão. Às fls. 94, há resumo da decisão, publicada no DJE em 27 de outubro de 2006: Por todo o exposto, julgo parcialmente procedentes os pedidos formulados na petição inicial e condeno a União a se abster de exigir o cumprimento das disposições do Art. 5(, §1(, da Medida Provisória n( 2.222/01 (sic) e do Art. 17, §3(, I e II, da Lei n( 9.779/99 (sic), como condição para que Autora possa usufruir do benefício fiscal estabelecido no Art. 24 da Medida Provisória n( Fl. 648DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 6 5 66/02. Ante a sucumbência recíproca, condeno ambas as partes ao pagamento das despesas processuais e dos honorários advocatícios, que fixo em 10% do valor atualizado da causa, a serem recíproca e proporcionalmente compensados (Art. 21 do CPC). Custas da Lei. Sentença sujeita a duplo grau obrigatório de jurisdição. Remetamse os autos, oportunamente, ao E. TRF ¿ 2a. Região. Trasladese cópia desta sentença para os autos da Ação Cautelar n( 2002.51010186664 (sic). P.R.I. Às fls. 169/170, há duas petições, pleiteando a denúncia espontânea, nos termos do art. 138, do CTN, em relação ao não recolhimento da COFINS e da contribuição ao nos meses de janeiro a dezembro de 2001; de janeiro a dezembro de 2002; de janeiro a setembro de 2003, cuja data é de 28 de novembro de 2003. O auto de infração foi cientificado em 21 de dezembro de 2006, fls. 216. Do relatório da DRJ/Rio de Janeiro II, fls. 565, extraise trecho elucidativo: Confrontando as informações fornecidas nas planilhas com os balancetes da empresa, constatou o fiscal que foram excluídas, nas planilhas de apuração da base de cálculo, os ressarcimentos do Fundo de Saúde e Convênios, durante o período de janeiro de 2001 a novembro de 2002. A esse respeito, informou o contribuinte ao fisco que as diferenças apuradas foram recolhidas em 28/11/2003, sem acréscimo de multa, sob alegação de denúncia espontânea. Estes valores, recolhidos sem multa de mora geraram os lançamentos formalizados no primeiro (PIS, fls. 211 a 219) e segundo (Cofins, fls. 238 a 246) auto lavrados, e decorrem da apuração do débito por meio da "imputação proporcional" descrita às folhas 199 a 205 do Termo de Verificação Fiscal. Foram ainda apuradas diferenças entre os valores devidos e os declarados pelo contribuinte, como se depreende da análise da planilha à fl. 261. Por outro lado, verificouse a existência de depósitos judiciais suficientes para cobrir parte dos débitos não declarados. A parcela correspondente aos valores não declarados, nem cobertos pelos depósitos judiciais foi objeto do lançamento formalizado no terceiro auto de infração deste processo (fls. 262 a 265). (negritos não constam no original) Assim, os dois primeiros autos referemse à denúncia espontânea, que a fiscalização considerou que não foi recolhido integralmente, e o terceiro auto é referente aos valores depositados em juízo. Às fls. 293/313, fls. 386/400, fls. 468/488, há a impugnação em relação à COFINS e à contribuição ao PIS, protocolada em 23 de janeiro de 2007, que alega em síntese: i) a existência de denúncia espontânea com o recolhimento dos tributos em 28 de novembro de 2003; ii) irregularidade na constituição do lançamento; Fl. 649DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 7 6 iii) equívocos da composição do suposto crédito tributário, pois desconsiderou os valores pagos no RET; iv) foi realizada uma dedução em duplicidade; v) inconstitucionalidade da taxa Selic para fins tributários. Às fls. 563/571, há a decisão da DRJ/Rio de Janeiro II, cuja ementa colacionase abaixo: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2002 PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. Nos pagamentos extemporâneos, as multas moratórias são sempre devidas, com ou sem denúncia espontânea, porquanto fixadas em lei e de natureza indenizatória, nitidamente apartadas das penalidades pecuniárias. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. CABIMENTO. Na apuração do saldo devedor remanescente de crédito tributário recolhido em valor insuficiente e em atraso, não se pode romper o vínculo de proporcionalidade entre o principal (tributo) e seus acessórios (juros e multa de mora), por se tratar de relação jurídicotributária em que o valor do tributo, o principal, deve ser identificado no momento de liquidação. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2001 a 30/11/2002 PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. Nos pagamentos extemporâneos, as multas moratórias são sempre devidas, com ou sem denúncia espontânea, porquanto fixadas em lei e de natureza indenizatória, nitidamente apartadas das penalidades pecuniárias. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. CABIMENTO. Na apuração do saldo devedor remanescente de crédito tributário recolhido em valor insuficiente e em atraso, não se pode romper o vínculo de proporcionalidade entre o principal Fl. 650DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 8 7 (tributo) e seus acessórios (juros e multa de mora), por se tratar de relação jurídicotributária em que o valor do tributo, o principal, deve ser identificado no momento de liquidação. ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS DE MORA TAXA SELIC. A partir de 01/04/1995, por expressa disposição legal, os juros de mora serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic A contribuinte foi notificada em 18 de junho de 2012, fls. 577, e protocolou recurso voluntário, fls. 580/597, em 05 de julho de 2012, onde repisou a argumentação no que concerne à adesão aos preceitos da Medida Provisória nº 2.222, de 4 de setembro de 2001 e assim expôs, fls.582/585, trechos in verbis: Inicialmente devese estabelecer o escopo da presente lide. O próprio acórdão recorrido esclarece que são objeto do presente processo três autos de infração, sendo um no valor histórico de R$ 738.787,86 (COFINS), outro de R$ 154.577,60 (COFINS) e outro de R$ 33.490,97 (PIS), do período,.de JAN/2001 a NOV/2002. Cumpre esclarecer desde já que a Recorrente aderiu à anistia da MPv n° 2.222/01 e quitou todos os débitos de PIS/COFINS devidos até 31/08/2001 (parte no bojo da ação n° 2002.34.00.0023585; parte no bojo da ação n° 2002.51.01.0186664 e parte em procedimento de denúncia espontânea). As parcelas pagas e acima referidas decorrem do seguinte: i) Por meio da ação n° 2002.34.00.0023585 foram quitados valores apurados de COFINS da forma que normalmente eram apurados antes da IN SRF n° 170/02. e que foram totalmente desconsiderados pela fiscalização e pela decisão recorrida; ii) Por meio da ação n° 2002.51.01.0186664 foram quitados os valores de PIS/COFINS decorrentes da diferença do que já havia sido recolhido conforme item (i). acima e os valores apurados em conformidade com o Anexo da IN SRF n° 170/02; iii) Por meio de denúncia espontânea foram recolhidos os valores de PIS/COFINS com juros de mora calculados sobre "ressarcimento a fundos de custeio e convênios". Ou seja, , com o advento da anistia da MPv n° 2.222/01 a ora Recorrente calculou os valores de contribuições devidas até 31/08/2001 e requereu a sua adesão à anistia quanto à COFINS nos autos da ação n° 2002.34.00.0023585, na qual houve depósito judicial no valor total de R$ 2.178.983,39, sendo certo que para o período de 01/2001 a 08/2001, compreendido no, presente processo administrativo, foi recolhido o total de R$ 367.514,43 de principal. É o relatório. Fl. 651DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 9 8 Voto Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Relatora. 1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, sendo que a contribuinte teve ciência em 18 de junho de 2012 e o recurso protocolado em 05 de julho de 2012. Tratase de matéria da competência deste colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. 2. Do mérito. 2.1. Da denúncia espontânea Os dois primeiros autos de infração, R$ 154.577,60 referente à COFINS e outro de R$ 33.490,97 referente à contribuição ao PIS, do período.de jan/2001 a nov/2002, teve como fundamento os valores recolhidos por meio da denúncia espontânea, onde a contribuinte declara, fls. 169/170, in verbis: " (...) havendo sido recolhido o valor total do principal, acrescido dos juros de mora, com a exclusão da punidade nos termos do citado dispositivo legal, o que se pode atestar através das inclusas guias de recolhimento do montante em questão." A referida denúncia ocorreu pela falta da inclusão na base de cálculo das contribuições em apreço referente aos valores de "ressarcimento a fundos de custeio e convênios". Nesse sentido, a Recorrente pleiteia pela aceitação do pagamento em denúncia sem a imposição de multa moratória, arbitrada pela Fazenda Pública. No Termo de Verificação Fiscal, quanto ao auto de infração de contribuição para o PIS/Pasep, , período de janeiro de 2001 a novembro de 2002, há informação que houve recolhimento em 28 de novembro de 2003 e tais valores estão declarados, assim como todos os recolhimentos 4574 entidades financeiras e equiparadas , vide fls. 124 a 128 e 209. Tais valores se referem a recolhimentos de código 4574 e estão nas DCTF de PIS (podese enxergar do período de 2001 a julho de 2002, demonstrativo de fls. 138). Contudo, o período de agosto a dezembro de 2002, fls. 136, não se consegue identificar. No que concerne ao auto de infração de COFINS, período de janeiro de 2001 a novembro de 2002, apenas de pagamentos 7987 entidades financeiras por imputação proporcional. Os valores objeto do lançamento são de recolhimentos no código 7987 (fls. 131 a 137), declarados em DCTF (fls. 96 e 98). Para 2001, a comparação é confirmada, para 2002, apenas os meses de 02 e 07/2002, a DCTF mostra os mesmos valores recolhidos. Nos demais meses, os valores recolhidos são maiores. Todavia, tais informações são irrelevantes, pois, na época,. a DCTF não era instrumento hábil para a constituição do crédito tributário e, portanto, necessitava do ato de lançar por meio do auto de infração, assim, a denúncia espontânea deve ser aplicada nos termos definidos pelo Superior Tribunal de Justiça. Fl. 652DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 10 9 Importante a análise do Resp nº 1.149.022/SP, relator Ministro Luiz Fux, para o melhor esclarecimento da questão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do Fl. 653DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 11 10 recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Reconhecese, então, a denúncia espontânea para declarar insubsistente os dois primeiros autos de infração, quais sejam, os referentes aos valores de R$ 33.490,97 referente à contribuição para o PIS/Pasep e de R$ 154.577,60 referente à COFINS . 2.2. Dos depósitos judiciais O terceiro auto de infração consubstanciado no valor de R$ 738.787,86 referese aos depósitos judiciais suficientes para cobrir parte dos débitos não declarados. A parcela correspondente aos valores não declarados, nem cobertos pelos depósitos judiciais, foi objeto do lançamento formalizado no terceiro auto de infração deste processo. Conforme expresso anteriormente, a Requerente ajuizou duas ações cautelares com o objetivo de realizar o depósito de valores, referentes à anistia da MPv n° 2.222/01, sem ter que cumprir os requisitos objetivos da lei, no caso, a desistência das ações judiciais e dos procedimentos administrativos: i) ação cautelar, autos 2002.34.00.0045875, 6ª Vara Federal de Brasília, cujos valores foram apurados antes da IN SRF 170/2002; ii) ação cautelar, autos 2002.510.1018666, 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro, cujos valores são decorrentes da diferença depositada na ação em trâmite em Brasília/DF e depositada em conformidade com a IN SRF 170/2002. A ação cujo trâmite ocorreu em Brasília teve a liminar deferida, mas, posteriormente, a Recorrente solicitou a desistência da ação. Já a ação, com o trâmite no Rio de Janeiro, teve a liminar indeferida com o posterior ajuizamento da principal autos 2002.510.10220532, na qual o magistrado considerou o depósito válido para efeitos da anistia. Diferentemente do que expressa o acórdão da DRJ/Rio da Janeiro II, fls. 493, de que não há depósito no período da anistia, referente à COFINS, não é o que se extrai da análise dos autos, fls. 266 e 464. Ademais, a Recorrente, em sede de recurso voluntário, fls. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 12 11 598/603, junta os comprovantes dos seguintes depósitos de COFINS, justamente referente ao período ao período da anistia. A Recorrente alega que aderiu à anistia da MPv n° 2.222/01 e quitou todos os débitos de PIS/COFINS devidos até 31/08/2001 (parte no bojo da ação n° 2002.34.00.002358 5 ação cautelar trâmite em Brasília/DF; parte no bojo da ação n° 2002.51.01.0186664 ação cautelar trâmite no Rio de Janeiro/RJ, e parte em procedimento de denúncia espontânea). Vale esclarecer alguns aspectos. A anistia prevista na MPv nº 2.222/01 previa o seguinte, in verbis: MP nº 2.222/01 Art.5oOs optantes pelo regime especial de tributação poderão pagar ou parcelar, até o último dia útil do mês de janeiro de 2002, nas condições estabelecidas pelo art. 17 da Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, os débitos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, incidentes sobre os rendimentos e ganhos referidos no caput do art. 2o e os lucros que lhes sejam, total ou parcialmente, decorrentes, bem assim em relação à movimentação dos respectivos recursos.(Vide Medida Provisória nº 38, de 13.5.2002) (grifos não constam no original) De fato, a fiscalização se esqueceu de considerar os depósitos, uma vez que no processo 19740.000451/200613, extraise do seu Termo de Verificação Fiscal, que a mesma autoridade declara em fls. 337/338: "Pela análise procedida nos autos do processo n° 10768.017624/20218, como se verifica às fls.113 a 115, concluiuse que os depósitos efetuados nos autos da ação cautelar efetuados nos autos da ação cautelar foram suficientes à cobertura do montante devido relativo aos fatos geradores compreendidos entre 02/1999 a 08/2001." (negritos não constam no original) Na fls. 182 do processo 19740.000451/200613, há a seguinte informação prestada pela autoridade administrativa: "Por intermédio da intimação de fl. 33, foi a interessada instada a apresentar demonstrativo das bases de cálculo da COF1NS para os períodos de apuração compreendidos entre 02/99 e 12/2002, o que foi cumprido conforme fls. 112/115, sendo que, para fins de garantia da anistia de que trata o art. 50 da MP n° 2.222/01, registrese que os depósitos acostados às fls. 120/126 são suficientes para a cobertura do montante devido para os fatos geradores compreendidos entre 02/991/ e 08/2001." Portanto, pareceme que a própria autoridade fiscal, que efetuou os lançamentos em ambos processos (19740.000450/200661 e 19740.000451/200613) reconhecera que os depósitos judiciais eram suficientes para garantir os valores devidos, portanto, o auto de infração no valor de R$ 738.787,86 deve ser cancelado. Fl. 655DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA Processo nº 19740.000450/200661 Acórdão n.º 3302003.193 S3C3T2 Fl. 13 12 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para dar provimento integral a fim de reconhecer a denúncia espontânea do valor pago em atraso a título de Fundo de Saúde de Convênios e reconhecer a suficiência dos depósitos realizados a título da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins no período de janeiro a agosto de 2001. Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza Fl. 656DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA, Assinado di gitalmente em 08/06/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 30/05/2016 por SARAH MARIA LINHARES DE ARAUJO PAES DE SOUZA
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Numero do processo: 12448.727728/2013-35
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 Ementa: PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE / ISENÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO. INTELIGÊNCIA DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, em sede da ADIN 1.802, suspendeu a aplicação do art. 14 da Lei 9.532/97. A suspensão da vigência desse artigo resulta na inaplicabilidade do rito previsto no art. 32 da Lei 9.430/96, mas não impede a Autoridade Fiscal de fiscalizar, verificar o preenchimento de condições para gozo de imunidade/isenção e lançar os tributos que entender devidos, seguindo as demais normas atinetes aos atos administrativos realizados. ATIVIDADES EDUCACIONAIS. ENSINO MARÍTIMO. LIMITES PARA APLICAÇÃO DE RECURSOS. O Ensino Marítimo segue ordenamento específico e não há na legislação limites objetivos para a definição do conceito educacional alcançado por regras de isenção e imunidade. Reformas de alojamentos, laboratórios, participação em pesquisas, consultorias e elaboração de sistemas informáticos, desde que vinculados a contratos com finalidade nitidamente educacional, não desnaturam de forma automática a finalidade da entidade. O estabelecimento de parcerias com órgãos governamentais e empresas privadas também não são motivos suficientes para descaracterização da atividade educacional. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. EXISTÊNCIA. CASSAÇÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO. ACÓRDÃO GERADO NO PGD-CARF PROCESSO 12448.727728/2013-35
Numero da decisão: 1201-001.444
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO TOTAL ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: RONALDO APELBAUM
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 Ementa: PROCEDIMENTO DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE / ISENÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO. INTELIGÊNCIA DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, em sede da ADIN 1.802, suspendeu a aplicação do art. 14 da Lei 9.532/97. A suspensão da vigência desse artigo resulta na inaplicabilidade do rito previsto no art. 32 da Lei 9.430/96, mas não impede a Autoridade Fiscal de fiscalizar, verificar o preenchimento de condições para gozo de imunidade/isenção e lançar os tributos que entender devidos, seguindo as demais normas atinetes aos atos administrativos realizados. ATIVIDADES EDUCACIONAIS. ENSINO MARÍTIMO. LIMITES PARA APLICAÇÃO DE RECURSOS. O Ensino Marítimo segue ordenamento específico e não há na legislação limites objetivos para a definição do conceito educacional alcançado por regras de isenção e imunidade. Reformas de alojamentos, laboratórios, participação em pesquisas, consultorias e elaboração de sistemas informáticos, desde que vinculados a contratos com finalidade nitidamente educacional, não desnaturam de forma automática a finalidade da entidade. O estabelecimento de parcerias com órgãos governamentais e empresas privadas também não são motivos suficientes para descaracterização da atividade educacional. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. EXISTÊNCIA. CASSAÇÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO. ACÓRDÃO GERADO NO PGD-CARF PROCESSO 12448.727728/2013-35
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INCONSTITUCIONALIDADE DO PROCEDIMENTO ADOTADO. INTELIGÊNCIA DA DECISÃO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. A decisão do Supremo Tribunal Federal, em sede da ADIN 1.802, suspendeu a aplicação do art. 14 da Lei 9.532/97. A suspensão da vigência desse artigo resulta na inaplicabilidade do rito previsto no art. 32 da Lei 9.430/96, mas não impede a Autoridade Fiscal de fiscalizar, verificar o preenchimento de condições para gozo de imunidade/isenção e lançar os tributos que entender devidos, seguindo as demais normas atinetes aos atos administrativos realizados. ATIVIDADES EDUCACIONAIS. ENSINO MARÍTIMO. LIMITES PARA APLICAÇÃO DE RECURSOS. O Ensino Marítimo segue ordenamento específico e não há na legislação limites objetivos para a definição do conceito educacional alcançado por regras de isenção e imunidade. Reformas de alojamentos, laboratórios, participação em pesquisas, consultorias e elaboração de sistemas informáticos, desde que vinculados a contratos com finalidade nitidamente educacional, não desnaturam de forma automática a finalidade da entidade. O estabelecimento de parcerias com órgãos governamentais e empresas privadas também não são motivos suficientes para descaracterização da atividade educacional. REMUNERAÇÃO DE DIRIGENTES. EXISTÊNCIA. CASSAÇÃO DE IMUNIDADE/ISENÇÃO. INTELIGÊNCIA DOS REQUISITOS PREVISTOS NA LEGISLAÇÃO. AC Ó RD ÃO G ER AD O N O P G D- CA RF P RO CE SS O 1 24 48 .7 27 72 8/ 20 13 -3 5 Fl. 7708DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.709 2 A mera comprovação pela Autoridade Fazendária da existência de remuneração de dirigentes não autoriza, de forma automática, a conclusão de que uma entidade alcançada pelos institutos da imunidade/isenção não possa seguir nessa condição. Necessário verificar a extensão dos poderes dos dirigentes e as condições remuneratórias estabelecidas. Apenas dirigentes com efetivo poder de direcionamento das entidades e remunerados de forma desproporcional, se comparados ao mercado, são capazes de desnaturar a finalidade da entidade e justificar a cassação da benesse fiscal concedida pelo legislador constitucional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em DAR PROVIMENTO TOTAL ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto (presidente da turma), Ronaldo Apelbaum (vicepresidente), João Otavio Opperman Thome, Ester Marques Lins de Sousa (suplente convocada), Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado e João Carlos de Figueiredo Neto. Fl. 7709DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.710 3 Relatório Por descrever os fatos com a riqueza de detalhes necessária para a compreensão da controvérsia, adoto e transcrevo o relatório elaborado pela DRJ: 1. Tratase de procedimento fiscal que desaguou na formalização de Notificação Fiscal de fls. 2322/2359 (referência à numeração conforme processo de digitalização a que submetido os correntes autos, e assim por diante) tendente a caracterizar a não observância por parte do Contribuinte de condições ao gozo de imunidade/isenção com respeito ao IRPJ e à CSLL, relativamente aos anoscalendário de 2008 e 2009. Dita Notificação foi cientificada ao Interessado em21/08/2013 (fls. 2360/2361), vindo ele a colacionar sua contra argumentação (fls. 2362/2441, 5383/5461) em 20/09/2013 (fl. 5382). Rebatida a insurgência do Contribuinte conforme Parecer emitido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (Diort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRFI/RJO) de fls. 5477/5490, a isto se seguiu a formalização do Ato Declaratório Executivo nº 140 (fls. 5492/5493), que determinou a suspensão do gozo de imunidade/isenção do Contribuinte com respeito ao IRPJ e à CSLL, relativamente aos anoscalendário de 2008 e 2009. De tudo, então, vem de ser o Interessado cientificado em 09/01/2014 (fl. 5505), reservandolhe o direito de recurso a esta Delegacia de Julgamento. Assim estimulado, torna mais uma vez aos autos o Contribuinte em 17/01/2014 com a manifestação de fls. 5529/5557. Também, como consequência direta da suspensão do gozo de imunidade/isenção, seguiuse a formalização de exigências tributárias a título de IRPJ, CSLL (no particular, sob o regime do Lucro Real apurado trimestralmente e mediante arbitramento), Contribuição ao PIS e Cofins (para esses dois últimos, apuração mensal e regime cumulativo), assim pertinentes aos fatos geradores insertos no anocalendário de 2009, e nos montantes de R$ 31.597.488,79, R$ 10.290.946,76, R$ 1.636.428,50 e R$ 9.787.127,44, respectivamente, aí incluídas rubricas que respondem por principal, multa de ofício (ao patamar de 75%) e juros de mora (calculados até 03/2014), conformes fls. 5670/5721, tudo apoiado no Termo de Verificação Fiscal de fls. 5618/5669. Já desse último expediente (lançamento tributário), teve dele ciência o Interessado em 21/03/2014, sextafeira (fls. 5671, 5691, 5705, 5714), contra o que apresentou impugnação em 22/04/2014 (fls. 6839/6966). 2. Retomemse as peças antes referidas. Fl. 7710DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.711 4 3. Da Notificação Fiscal de fls. 2322/2359 retiramse os seguintes articulados que lhe emprestam fundamentação: [...] A FEMAR em sua resposta datada de 04/10/2012, afirma integrar o Sistema de ensino Profissional Marítimo – SEPM, sendo reconhecida e cadastrada para tanto pelas autoridades competentes à sua regulação. Para isso, citou o art. 25 da Lei nº 11.279/06, art. 8º da Lei nº 7.573/86 e arts. 7º e 25 do Decreto nº 94.536/87, que tratam da disposição e regulamentação do ensino profissional marítimo, assim como elencou as portarias nsº 35/DPC, de 15 de março de 2012, Portaria 65/DPC, de 27 de agosto de 2004 e Portaria 220/DPC, de 14 de outubro de 2010, expedidas pela DPC Diretoria de Portos e Costas, de credenciamento da FEMAR para realizar cursos. [...] Da leitura da citada legislação e portarias de credenciamentos expedidas pelo DPC apresentadas pelo fiscalizado, não há comprovação de que FEMAR possuía estabelecimento e cursos autorizados, reconhecidos e credenciados nos períodos sob procedimento fiscal (anoscalendário de 2008 e 2009), conforme dispõe a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei nº 9.394/96), tampouco que se enquadrava como instituição de ensino. Pertinente ressaltar que a finalidade de “apoiar” e “fomentar” as atividades relacionadas ao ensino, à pesquisa, etc., somente foi inserida na alteração estatutária da FEMAR datada de 27/09/2008, sendo que diversos contratos vigentes nos anos base de 2008 e 2009 foram firmados pela Fundação anteriormente a citada data, o que já evidenciava o não enquadramento da FEMAR como instituição de educação. Sendo assim, através do exame da escrituração contábil, dos contratos, projetos, termos de cooperação e demais documentos apresentados pela Fundação, relativos aos anoscalendário de 2008 e 2009, passamos à verificação do cumprimento das condições e requisitos previstos nos arts. 9º e 14 do CTN e art. 12 da Lei nº 9.532/97 para uma instituição de educação usufruir do benefício da imunidade de impostos. Com suporte nos dados constantes das Declarações de Informações EconômicoFiscais, exercícios 2009 e 2010, anos calendário 2008 e 2009 (DIPJ/2009 e 2010), nos Relatórios Anuais da Presidência, em informações constantes do sítio de internet www.fundacaofemar.org.br, na relação de “projetos” em atividades referentes aos anos de 2008 e de 2009, bem como nas respostas/alegações apresentadas pela Fundação e elementos obtidos no curso do procedimento fiscal (escrituração, cópia dos contratos, convênios, termos de cooperação, propostas, projetos, faturas, notas fiscais de despesas, etc.), constatamos o seguinte: Fl. 7711DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.712 5 Quanto aos projetos que a FEMAR relacionou em sua resposta, datada de 16/05/2013, como de atividades de ensino relativas aos anosbase de 2008 e 2009, elencamos a seguir alguns deles, tecendo as seguintes considerações: 3.1.1 Não enquadramento como instituição de educação • Projeto CIABA Contratos n° 84900/2008002/00 e Termo Aditivo nº 84900/2008002/01 (anosbase 2008 e 2009) Contratante – Centro de Instrução Almirante Bráz de Aguiar (CIABA) Objeto – Prestar serviço de apoio Técnico, Administrativo e Pedagógico ao Ensino Profissional Marítimo. Relativamente ao projeto CIABA, com intuito de se verificar a compatibilidade dos serviços prestados com a fruição da imunidade tributária das instituições de educação, intimamos a Fundação, conforme item 13 do Termo de Intimação Fiscal lavrado em 09/07/2013, a comprovar diversos lançamentos contábeis de aplicação de recursos no citado projeto (despesas). Do exame das cópias das notas fiscais apresentadas em sua resposta, datada de 19/07/2013, verificase que nenhuma delas faz referência a qualquer serviço educacional prestado, referindose à confecção de beliches para alojamento de alunos da EFOMM, restauração de hobby cat e escaleres do grêmio de vela da EFOMM, produção editorial de publicação jornalística dirigida a alunos da EFOMM, reforma de instalações telefônicas, jardinagem, fornecimento de máquinas e suas partes e peças, confecções de colchões, manutenção corretiva de máquinas, fabricação e montagem de galpão, confecção e instalação de toldos, execução da cobertura da quadra polivalente externa da EFOMM, manutenção da cobertura dos alojamentos da EFOMM, reforma dos alojamentos da EFOMM. Cumpre lembrar, conforme resposta datada de 04/10/2012, no estudo “Para entender a FEMAR, suas atividades e o enquadramento no campo da imunidade tributária”, bem como no art. 4º da sua escritura de alteração estatutária, assinada em 27/09/2008, que a FEMAR se qualifica como Fundação de apoio às atividades relacionadas ao ensino, à pesquisa, aos desenvolvimentos institucionais e tecnológicos e à inovação tecnológica, e houve dispensa de licitação em consonância com o disposto no inciso XIII, do art. 24 da Lei nº 8.666/93, quando da assinatura do referido contrato firmado com o CIABA nº 84900/2008002/00, a saber: Lei nº 8.666/93 “XIII na contratação de instituição brasileira incumbida regimental ou estatutariamente da pesquisa, do ensino ou do desenvolvimento institucional, ou de instituição dedicada à recuperação social do preso, desde que a contratada detenha Fl. 7712DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.713 6 inquestionável reputação éticoprofissional e não tenha fins lucrativos; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994)” Aqui cabe a seguinte indagação: Onde se encontra a relação desses serviços gerais com o ensino ou com a pesquisa? Além disso, os serviços nem foram realizados diretamente pela Fundação, visto que foram terceirizados. Não há como tais serviços gerais se enquadrarem como ensino, pesquisa, tampouco educação para que a FEMAR faça jus ao gozo da imunidade tributária de impostos. Ressaltese ainda que a contratação, por intermédio de fundação de apoio, de serviços passíveis de terceirização regular, como reforma, manutenção, jardinagem, etc., pode se enquadrar como burla à licitação, caso esta não tenha sido realizada pela Fundação. Ademais, na própria descrição individual dos 24 “projetos”, relativos ao anocalendário de 2008, e dos 32 “projetos” vigentes no anobase de 2009, desenvolvidos pela Fundação e listados no Relatório Anual da Presidência, constatase em sua grande maioria que eles não se referem à “prestar” serviços educacionais, mas sim a “prestar serviços de apoio”, “prestar serviços de assessoria”, “prestar apoio”, “prestar serviços”, “assistir”, “executar serviço”, “apoiar”, etc. O único “projeto” que se enquadraria em atividades educacionais seria o projeto DPC PREPOM, abaixo transcrito, mas que se revela imprestável para fins de fruição da benesse da imunidade tributária, visto que se destina à parcela restrita da população, como mais adiante se verá: • Projeto DPC – PREPOM Convênio n° 52000/2004007/05 (anobase 2008) Termo Aditivo nº 52000/2004007/05 Objeto – Programação e execução de cursos para o Contratante Diretoria de Portos e Costas / Ensino Profissional Marítimo (PREPOM) para as Atividades Correlatas destinados ao aperfeiçoamento de pessoal de agências de navegação marítima, de empresas de navegação e outras empresas pertinentes ao Transporte Marítimo. Contrato nº 52000/2009003/00 (anobase 2009) Objeto – Prestação dos serviços de aperfeiçoamento, atualização e o preparo para as tarefas que exijam qualificações especiais dos empregados dos órgãos e entidades reconhecidas como de atividades correlatas da Marinha Mercante, por meio do adestramento no uso e na operação dos aplicativos e sistemas descritos no Projeto Básico PREPOM2009. Relativamente aos anoscalendário de 2008 e 2009, em sua resposta datada de 04/10/2012, a FEMAR afirma ser uma instituição de educação e colocar seus serviços à disposição da Fl. 7713DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.714 7 população em geral. Dessa forma, INTIMAMOS o interessado a apresentar relação dos cursos destinados à população em geral, a informar se precisaram e quais foram os requisitos que necessitaram preencher para acesso aos referidos cursos. Em resposta, datada de 02/08/2013, a Fundação apresentou suas alegações, juntamente com vários documentos. Ao contrário do que alega a Fundação, do exame da cópia dos Programas de Ensino Profissional Marítimo para Atividades Correlatas 2008 e 2009 (PREPOM – ATIVIDADES CORRELATAS 2008 e 2009), aprovados em 22/02/2008 e 24/03/2009, respectivamente, confirmouse que os respectivos cursos ministrados não são destinados à população em geral, mas sim aos empregados de Agências e de Empresas de Navegação, de Operadoras Portuárias, de Órgãos de Gestão de MãodeObra do Trabalho Portuário, de Sindicatos de Trabalhadores Portuários e das Administrações Portuárias, sendo inclusive os correspondentes sindicatos as entidades divulgadoras das vagas. Pertinente observar que diversos cursos foram ministrados por outras entidades, conforme se verifica no Relatório Anual da Presidência 2008 e na cópia do PREPOMAC 2008, a saber: 1. CENTRAR Centro de Atendimento e Recursos Humanos S/C Ltda. 2. DEPLOY Desenvolvimento de Recursos Humanos Ltda. 3. DLA – Desenvolvimento, Logística e Assessoria Internacional. 4. NPO – Desenvolvimento de Recursos Humanos e Mão de Obra Temporária Ltda. 5. SENAC / Rio Grande do Sul. 6. SENAC / Santos. 7. ICE – Instituto de Ciência da Empresa. 8. ARGUS – Projetos de Capacitação Profissional. 9. ZOROVICH & MARANHÃO – Serviços Náuticos. 10. EVOLUIR Floriadri Consultoria de Recursos Humanos Ltda. 11. SUPPORTE Assessoria em Treinamento. Ainda com relação ao anocalendário 2008, verificamos no respectivo Relatório Anual da Presidência que a Fundação “deu continuidade ao programa de cursos patrocinados pelo Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo, em convênio com a diretoria de Portos e Costas”. Nesse programa, chamado PREPOMAC, foram realizados 211 cursos, ao custo Fl. 7714DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.715 8 total de R$ 2.289.791,64, sendo alguns deles terceirizados, conforme já relatado. Houve, ainda, a realização de cursos especiais: “A FEMAR efetuou, em parceria com o Clube Naval, um Programa de Ensino com o propósito de realizar, gratuitamente, cursos versando sobre atividades correlatas da Marinha Mercante, para Oficiais da Reserva da Marinha do Brasil ou em vias de serem transferidos para a reserva.” (grifo nosso) Com relação ao anocalendário 2009, verificase no respectivo Relatório Anual da Presidência que a Fundação novamente “deu continuidade ao longo do ano, aos programas de cursos patrocinados pelo Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo, fruto de contrato com a Diretoria de Portos e Costas”. No programa PREPOMAC, foram realizados 232 cursos, ao custo total de R$ 2.234.387,51. No programa ExtraPREPOMAC, foram realizados 10 cursos, ao custo total de R$ 118.380,07. Como já dito parágrafos acima, esses cursos são dirigidos exclusivamente aos funcionários das empresas e entidades contribuintes do Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo. Da mesma forma que no ano anterior, foi realizado um curso em parceria com o Clube Naval restrito para Oficiais da Reserva da Marinha do Brasil ou em vias de serem transferidos para a reserva. Além disso, consta nos citados Relatórios Anuais informação de que foram concedidas 376 bolsas de estudo em 2008 e 339 bolsas em 2009, dentre 4.989 e 4.401 alunos matriculados nos anos de 2008 e 2009, respectivamente, entendendose como bolsa a matrícula gratuita concedida pela FEMAR. Verificase que não há qualquer menção a atividades educacionais dirigidas à população em geral. Ao contrário, os serviços educacionais têm público restrito e dirigido. E, ainda assim, o valor gasto com esses cursos restritos em relação ao restante dos recursos gastos pela Fundação em outros projetos é irrisório, como por exemplo, relativamente aos projetos “CIABA”, “CASNAV”, “CIABA E CIAGA PROMINP”, “SECIRM LEPLAC, etc. Dessa forma, sem entrarmos no mérito de ter havido cursos ministrados por outras entidades, a Fundação também não faz jus à imunidade tributária de impostos, visto que, conforme já explicitado anteriormente, foi criado pelo art. 12 da Lei nº 9.532/97 um requisito fundamental para sua fruição pelas instituições de educação: que os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. Se a acessibilidade aos serviços educacionais prestados por determinada instituição de educação for restrita, dirigida a um público específico, a mesma não faz jus à mencionada desoneração fiscal. Fl. 7715DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.716 9 • Projeto CIABA PROMINP Termo de Cooperação n° 0050.0048550.099 (anobase 2009) Contratante – Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA) Objeto – Prestar serviço de apoio para a modernização das instalações do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar. O presente Termo de Cooperação tem por objeto a participação da PETROBRAS na modernização das instalações do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar – CIABA e formação de recursos humanos, visando o atendimento às necessidades do setor de transporte marítimo e fluvial, bem como do Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo e Gás Natural (PROMINP). Do exame dos documentos apresentados (cópia de Termo de Cooperação, planos de trabalho, contratos firmados pela Fundação, etc.), verificase que a FEMAR recebe recursos para prestar serviços de apoio para modernização das instalações do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar CIABA, como modernização da sala de desenho, de laboratórios de motores, de máquinas, de automação, de informática, de refrigeração, de contratação de docentes, construção de alojamentos, atualização da biblioteca, etc. Para realização deste projeto, a Fundação celebrou diversos contratos com empresas privadas, como por exemplo: • Em 29/05/2009, com a Construtora Queiroz Garcia Ltda., CNPJ: 02.895.841/000130, para execução de serviços de engenharia, manutenção predial, elétrica e hidráulica, incluindo conservação de imóveis a ser executado no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar – CIABA; • Em 10/05/2009, com a empresa Minipa Indústria e Comércio Ltda, CNPJ: 43.743.749/000131, com a finalidade de fornecimento de equipamentos e de todos os componentes, acessórios, configurações, programas, licença de softwares e cabeamento, entre outros, destinados à modernização do laboratório didático de eletrônica no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar – CIABA. Da mesma forma que ocorre relativamente ao projeto CIABA anteriormente, indagase: Onde se encontra a relação desses serviços gerais com o ensino ou com a pesquisa? Além disso, constam serviços que nem foram realizados diretamente pela Fundação, visto que foram terceirizados. Não há, portanto, como tais serviços gerais também se enquadrarem como ensino, pesquisa, tampouco educação para que a FEMAR faça jus ao gozo da imunidade tributária de impostos. • Projeto CIAGA PROMINP Termo de Cooperação n° 0050.0048551.099 (anobase 2009) Fl. 7716DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.717 10 Contratante – Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA) Objeto – Prestar serviço de apoio para a modernização das instalações do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha. O presente Termo de Cooperação tem por objeto a participação da PETROBRAS na modernização das instalações do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha – CIAGA e formação de recursos humanos, visando o atendimento às necessidades do setor de transporte marítimo e fluvial, bem como do Programa de Mobilização da Indústria Nacional do Petróleo e Gás Natural (PROMINP). Do exame dos documentos apresentados (cópia de Termo de Cooperação, planos de trabalho, contratos firmados pela Fundação, etc.), verificase que a FEMAR recebe recursos para prestar serviços de apoio para modernização das instalações do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha – CIAGA, como: modernização/atualização da infraestrutura (reforma de camarotes da EFOMM, das quadras descobertas, do grêmio de velas e garagem de barcos, etc.), modernização dos laboratórios, das salas ambientes, dos simuladores e captação e capacitação de recursos humanos. A seguir, elencamos alguns lançamentos contábeis a débito da conta CIAGA – PROMINP (210788000100961 CIAGA PROMINP), relativos aos dispêndios realizados pela FEMAR para realização deste projeto, onde se verifica diversos lançamentos com empresas de construção, manutenção, engenharia, etc., a saber: Como no Projeto CIABAPROMINP, verificase que tais serviços gerais também não se enquadram como ensino, pesquisa, tampouco educação para que a FEMAR usufrua do benefício da imunidade tributária de impostos. Quanto aos demais projetos relacionados pela FEMAR como de atividades de pesquisa e extensão, conforme sua resposta datada de 16/05/2013, elencamos a análise dos seguintes projetos: • Projeto ERMBE Fl. 7717DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.718 11 Termo de Cooperação n° 4600005299 Contratante – Estação Radiogoniométrica da Marinha em Belém Objeto – Apoiar a realização da Corrida Rústica do dia do Marinheiro/2008 Tem como objeto o patrocínio da Corrida Rústica do dia do Marinheiro/2008 pela PETROBRÁS TRANSPORTE S.A. – TRANSPETRO, tendo sua marca divulgada em algumas peças e ações de divulgação das atividades. Neste projeto se verifica claramente que não se trata de atividades de ensino, pesquisa ou educação. • Projeto PETROBRÁS – PROANTAR Termo Aditivo n° 6000.0022641.06.2 (anobase 2008) Contratante – Empresa Brasileira de Petróleo S/A Objeto – Desenvolver um Projeto de Patrocínio do Programa Antártico Brasileiro (PROANTAR) para revitalização da Estação Antártica Comandante Ferraz (EACF). De acordo com a descrição dos serviços prestados no anexo do referido contrato apresentado em 19/07/2013, consta fabricação de 10 tanques de armazenamento de óleo combustível, fabricação de um tanque de gasolina, transporte dos tanques para a EACF, instalação dos tanques na EACF, reparo da chata de óleo combustível (15.000L), tratamento e pintura de trechos de anteparas de módulos e de telhados da EACF, reparo de redes do sistema de água doce, construção da área a ser ocupada pelos paióis e incinerador, reforma dos camarotes e banheiro, reforma do ginásio, substituição das vigas de sustentação dos módulos da EACF, construção de garagem (trator, lancha, quadriciclo), reforma no laboratório multiuso, instalação da nova lavanderia, construção de sanitários, instalação da nova frigorífica e seu maquinário, etc. Elencamos abaixo alguns lançamentos contábeis a débito da conta nº 210777000100461 PETROBRAS CONTRATO Nº 6000.002, relativos aos dispêndios realizados pela FEMAR para realização do projeto PROANTAR, onde se verifica diversos lançamentos com empresas comerciais, prestadoras de serviços, etc., a saber: Fl. 7718DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.719 12 Dessa forma, constatase que o objeto do referido projeto não engloba atividades ensino, de pesquisas ou educação, ocorrendo inclusive contratação de serviços de terceiros pela FEMAR. • Projeto DHN – COMITÊ EXECUTIVO GOOS Contrato n° 51000/2008002/00 Contratante – Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) Objeto – Prestar apoio à operacionalização das Atividades Técnicas afetas ao Comitê Executivo GOOS/Brasil. Na cláusula sétima do contrato (Dos direitos e responsabilidades das partes), constam como obrigações da FEMAR atividades que não se enquadram como educação, pesquisa, etc., como por exemplo: a) gerenciamento de atividades técnicas e administrativas; b) efetuar os pagamentos de despesas com diárias e passagens para eventos, palestra e seminários; c) efetuar os pagamentos de despesas com outros serviços de terceiros, pessoa física e jurídica, e com a aquisições de material permanente e de consumo; d) eximir a MARINHA de responsabilidade por quaisquer reivindicações, queixas, representações e ações judiciais de quaisquer naturezas, inclusive reclamações trabalhistas, relacionadas a prestação de serviços que competirem à FEMAR, visando a não caracterização de vínculo empregatício com a MARINHA. Fl. 7719DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.720 13 • Projeto DHN – ER GOOS Contrato n° 51000/2008001/00 Contratante – Diretoria de Hidrografia e Navegação (DHN) Objeto – Prestar serviços de Assistência Técnica para operacionalização da Comissão Oceanográfica Intergovernamental (COI/UNESCO) para o GOOS no RJ hospedado na DHN. Na cláusula sétima (Dos direitos e responsabilidades das partes) do referido contrato, também constam atividades que não se enquadram como educação, pesquisa, etc., com obrigações praticamente idênticas às do projeto retromencionado, DHN – COMITÊ EXECUTIVO GOOS (contrato n° 51000/2008002/01). • Projeto CASNAV Contratos ns° 23000/2007002/00 e 23000/2009001/00 (anos base 2008 e 2009) Contratante – Centro de Análises de Sistemas Navais (CASNAV) Objeto – Prestar serviço de Assessoria / Consultoria Especializadas nas áreas afetas ao Poder Marítimo; desenvolver, em parceria, Sistemas de Informação. Os itens “2” e “3” do projeto básico de 2008 se reportam à discriminação dos serviços e às tarefas a serem realizadas pela Fundação em 22 (vinte e dois) projetos, nos quais constam sempre incumbências como: “apoiar a implementação do sistema”, “auxiliar na manutenção”, “apoiar as atividades de acompanhamento e controle”, “apoiar o desenvolvimento”, “auxiliar o desenvolvimento”, etc. O item “4” do citado projeto básico discrimina os requisitos técnicos e qualificação necessários aos profissionais envolvidos nos projetos. Em relação ao pessoal, no item “3.2” da proposta de prestação de serviços da Fundação consta que os serviços serão executados nas dependências da MARINHA, por pessoal contratado pela FEMAR sob o regime da CLT, mediante contrato de trabalho e registro na CTPS, de acordo com os níveis salariais médios praticados no mercado brasileiro de mãodeobra e que, quando necessário, os serviços poderão ser complementados por empresas terceirizadas, mediante concordância da MARINHA. Quanto ao contrato firmado entre a FEMAR e o CASNAV, também constam cláusulas que preveem a substituição de prepostos que não atendam às necessidades técnicas do CASNAV (cláusula sétima), de recusa de serviços em desacordo com o objeto e de retirada imediata de quaisquer dos prepostos desta, que não sejam considerados pela MARINHA capazes para o fim desejado, independente de justificativa.” Ademais, do exame de sua escrituração contábil e cópia de notas fiscais/invoices apresentada em sua resposta datada de Fl. 7720DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.721 14 19/07/2013, houve contratação pela FEMAR de prestação de serviços de terceiros. Nas notas fiscais de despesas solicitadas, por amostragem, constam as seguintes descrições de serviços prestados por pessoas jurídicas: • NF 75 JORGE L CAMPOS – CASNAV: “Apoio no desenvolvimento e manutenção do sistema de informações gerenciais”; • NF 202 ADVISER 3000 – CASNAV: “Serviços prestados no mês de fevereiro de 2008”. Apesar de constar na citada nota fiscal uma descrição genérica dos serviços prestados, de acordo com as informações constantes nos sistemas desta RFB, a empresa ADVISER 3000 ASSESSORIA TECNICA EM COMPUTACAO LTDA – ME está cadastrada como empresa de reparação e manutenção de equipamentos eletroeletrônicos de uso pessoal e doméstico, conforme código CNAE Classificação Nacional de Atividades Econômicas de número 9521500; • NF 62 LUGTECH PROCESSAMENTO DE DADOS: “prestação de serviços de processamento de dados no CASNAV”; • NF 26 e 31 JEVOLUTION SERVICOS DE INFORMATICA LTDACASNAV: “prestação de serviços de desenvolvimento de softwares no CASNAV”; • NF 196 INFFACTOR INFORMATICA LTDA – CASNAV: “Prestação de serviços de processamento de dados nas dependências do CASNAV”. Denotase, do exame dos elementos acima, que a Fundação presta serviços de apoio, auxílio, incluindo de intermediação para contratação de profissionais e serviços de terceiros, objetivando o cumprimento das obrigações relativas ao Projeto CASNAV, firmadas contratualmente. Não há, portanto, também como se enquadrar tais atividades como de educação, ensino ou pesquisa. • Projeto CHM Termos Aditivo n° 51213/2006004/02 Contratante – Centro de Hidrografia da Marinha (CHM) Objeto – Prestar apoio ao CHM em projeto de pesquisa de manipulação de imagens satélites, com ênfase na confecção do contorno de Cartas Náuticas Vetoriais. Quanto às cláusulas constantes no contrato nº 51213/2006 004/00, celebrado entre o CENTRO DE HIDROGRAFIA DA MARINHA e a FEMAR, reproduzimos os seguintes itens: Fl. 7721DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.722 15 “CLÁUSULA OITAVA – DOS DIREITOS E RESPONSABILIDADES DAS PARTES Ficam estabelecidos os seguintes direitos e responsabilidades: I da FEMAR: a) (…); b) não substabelecer as obrigações assumidas sem anuência expressa da MARINHA; c) (…); d) arcar com os pagamentos dos encargos trabalhista, previdenciários, fiscais e dos tributos que incidam ou venham a incidir, direta ou indiretamente, no apoio provido, bem como efetuar os recolhimentos de despesas específicos, os pagamentos e recolhimentos referidos na alínea d, ficando o pagamento da parcela subsequente de recursos, condicionada a essa comprovação; e) (…); f) disponibilizar pessoal próprio, previamente selecionada e aprovado pela MARINHA, no provimento do apoio objeto deste Contrato; g) substituir ou desmobilizar imediatamente os empregados ou vagas quando solicitados pela MARINHA; (…) m) utilizar quaisquer recursos técnicos e de pessoal que se façam necessários ao melhor atendimento do objeto deste Contrato, observandose que a eventual contratação de pessoal que vier a ser necessária deverá ser feita mediante Contrato de trabalho; n) (…) o) eximir a MARINHA de responsabilidade por quaisquer reivindicações, queixas, representações e ações judiciais de quaisquer naturezas, inclusive reclamações trabalhistas, relacionadas ao apoio provido, visando a não caracterizar vínculo empregatício com a MARINHA do pessoal que vier a ser utilizado nesse apoio. (…) CLÁUSULA DÉCIMA SEGUNDA – DA FISCALIZAÇÃO A fiscalização deste contrato será exercida por fiscal designado pela MARINHA que terá plenos poderes para: a) recusar a prestação de serviços que estiver em desacordo com o objeto; Fl. 7722DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.723 16 b) exigir da FEMAR a retirada imediata de qualquer dos prepostos desta que dificultem a sua ação fiscalizadora ou que não sejam considerados, pela MARINHA, capazes para o fim desejado, independente de justificativas.” (grifo nosso) Além disso, a cláusula décimasétima (da rescisão) faz remissão à subcontratação, a saber: “Constituem motivos para a MARINHA rescindir o presente Contrato, independentemente de procedimento judicial: (...) f) a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a associação da contratada com outrem, ou ainda, a cessão ou transferência, total ou parcial, bem como a fusão, cisão ou incorporação, não admitidas sem a prévia e expressa anuência da MARINHA; (grifo nosso) Em relação ao pessoal, no item “3.2” da proposta de prestação de serviços da Fundação consta que os serviços serão executados nas dependências da MARINHA por pessoal contratado pela FEMAR, pelo regime da CLT, mediante contrato de trabalho e registro na CTPS, de acordo com níveis salariais e a capacidade máxima de emprego de mãodeobra previamente estabelecido no item 4.0 desta proposta. Cabe ressaltar que no anexo A do Termo Aditivo nº 51213/2006 004/02 consta “Demonstrativo de Custos de Serviços”, contendo os níveis profissionais necessários e os valores de salários estipulados para a prestação dos serviços contratados. Nos elementos acima, verificase que o objeto do presente projeto é a contratação de pessoal pela FEMAR para prestar os serviços de apoio ao CHM, arcando com eventuais encargos trabalhistas, fiscais, etc., e mediante prévia seleção e aprovação do pessoal pela MARINHA, podendo esta exigir a imediata retirada dos prepostos da Fundação, independente de justificativa, caso não sejam considerados capazes para o fim desejado. Dessa forma, neste projeto também não há como ser enquadrado como atividade de educação, haja vista que, do exame do referido contrato e proposta de prestação de serviços, o que se verifica é a ocorrência de prestação de serviços de intermediação de mãodeobra. Situações similares a esta são encontrados contratos, projetos básicos e propostas de prestação de serviços, relativos aos seguintes projetos, entre outros: “Projeto AMRJ Contrato nº 41000/2005099/00, Termo Aditivo n° 41000/2005099/02, n° 41000/2005 099/03 e nº 41000/2005099/04”, “Projeto IPQM – CB Contrato n° 47000/2006029/00”, “Projeto IPQM – CV BARROS Contrato n° 47000/2008010/00”. Fl. 7723DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.724 17 • Projeto SECIRM – LEPLAC (Levantamento da Plataforma Continental Brasileira) Contrato nº 12000/2008006/00 Contratante – Secretaria da Comissão Interministerial de Recursos do Mar (SECIRM) Objeto – Prestar apoio e assessoria/consultoria técnica especializada para a elaboração de nova proposta de limite exterior da plataforma continental brasileira, envolvendo a aquisição de equipamentos e a contratação de serviços e profissionais, de acordo com o Projeto Básico, visando à aquisição, ao processamento e à interpretação de dados geológicos e geofísicos, bem como ao custeio da participação de especialistas brasileiros em reuniões técnicas e seminários, no país e no exterior, e no processo de defesa da nova proposta junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC). (grifo nosso) Quanto às cláusulas constantes no contrato nº 12000/2008 006/00, celebrado entre a SECIRM e a FEMAR, reproduzimos os seguintes itens: “CLÁUSULA SÉTIMA – DOS DIREITOS E RESPONSABILIDADES DAS PARTES Ficam estabelecidos os seguintes direitos e responsabilidades: Da SECIRM: (...) • Informar à CONTRATADA os equipamentos, materiais, serviços, passagens aéreas e diárias a serem adquiridos ou pagos, conforme Projeto Básico; • Efetuar os pagamentos devidos à CONTRATADA, de acordo com o Projeto Básico; • Indicar à CONTRATADA um membro para atuar como fiscal do contrato; e • Informar à CONTRATADA desempenho da assessoria técnica. Da CONTRATADA: • Adquirir equipamentos e materiais, no país, contratar serviços e efetuar o pagamento de diárias do pessoal, quando em viagem a serviço, necessários a elaboração de uma nova proposta de limite exterior da plataforma continental brasileira, conforme Projeto Básico; • Efetuar os pagamentos referentes aos documentos de despesas expedidos e certificados pela SECIRM; • Gerenciar o saldo disponível dos recursos financeiros do presente Contrato; Fl. 7724DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.725 18 • (...) • Substituir prepostos que não atendam às necessidades técnicas da SECIRM; e • Prestar informações de caráter técnico e administrativo, solicitadas pela SECIRM;” (grifo nosso) Relativamente à cláusula de fiscalização (décima terceira), consta o seguinte: “CLÁUSULA DÉCIMA TERCEIRA – DA FISCALIZAÇÃO A fiscalização deste contrato será exercida por fiscal designado pela SECIRM que terá plenos poderes para: a) recusar serviços em desacordo com o objeto; b) (...); c) exigir da CONTRATADA, a retirada imediata de quaisquer dos prepostos desta, que embaracem a ação fiscalizadora da SECIRM, ou que não sejam considerados, por esta, capazes para o fim desejado, independente de justificativa.” (grifo nosso) Além disso, a cláusula décimasétima (da rescisão) faz remissão à subcontratação, a saber: “CLÁUSULA DÉCIMA SÉTIMA – DA RESCISÃO Constituem motivos para a SECIRM rescindir o presente acordo, independente de procedimento judicial: (...) f) a subcontratação total ou parcial do seu objeto, a associação do contrato com outrem, a cessão ou transferência, total ou parcial, sem a prévia autorização da SECIRM; (grifo nosso) Pertinente ressaltar que de acordo com sua escrituração contábil e cópia de notas fiscais/invoices apresentada em sua resposta datada de 19/07/2013, houve contratação de prestação de serviços por empresas nacionais e estrangeiras (serviços geofísicos, etc.). Ademais, em cópia de recibo apresentado pela FEMAR para comprovar o lançamento contábil de receita relativo ao projeto SECIRM LEPLAC, conforme abaixo, consta como descrição: “FAT. 2139 – LEPLAC TAXA ADM.”, o que evidencia que a FEMAR considera sua receita como taxa de administração. O mesmo ocorre em relação a lançamentos de receita dos projetos DPCINFO e CIAGA. O que se verifica do exame das cláusulas do contrato supracitado e do projeto básico é que a FEMAR presta serviços gerenciais, administrativos, de contratação de pessoal, agindo, na verdade, como empresa intermediadora de serviços a serem Fl. 7725DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.726 19 prestados à SECIRM para o atingimento dos objetivos desta. A SECIRM é quem informa os equipamentos, os materiais, os serviços, os profissionais a serem adquiridos/contratados pela FEMAR, podendo exigir ainda a retirada de quaisquer dos prepostos que não sejam considerados capazes para o fim desejado, independente de justificativa. Dessa forma, também não há como se enquadrar este serviço prestado pela FEMAR, como atividades de educação. Além disso, o próprio Relatório Anual da Presidência de 2008 da Fundação de Estudos do Mar corrobora essa constatação. Informa que nas alterações de seu Estatuto efetuadas em 2008, juntamente com a ampliação dos fins a que se destina a FEMAR, também foi aprovada nova estrutura organizacional da Diretoria executiva da FEMAR, passando a ter a possibilidade de atender às necessidades das obtenções (serviços e materiais) e contratações determinadas pelos projetos em atividades, dos quais se destaca o contrato do Projeto LEPLAC. Afirma que tal reformulação permitirá, ainda, o gerenciamento de Projetos de Ciência, Tecnologia e de Inovação Tecnológica a serem financiados pelos órgãos nacionais de fomento à Ciência, à Tecnologia e à Pesquisa, que deverão ser desenvolvidos pelas Instituições de Ciência e Tecnologia da Marinha do Brasil, a saber: “2.4 – Reestruturação Fundacional Nas alterações do Estatuto, aprovadas pela Portaria PFSC n° 87/2008, de 13/11/2008, da Promotoria de Justiça de Fundações, junto com a ampliação dos fins a que se destina a FEMAR, foi também aprovada a nova estrutura organizacional da Diretoria executiva, a saber: Presidente, Superintendente Executivo, Superintendente de Ensino, Superintendente Financeiro e Superintendente Administrativo. Um novo Regimento Interno foi aprovado em caráter experimental pela Portaria n° 4/FEMAR, de 19/12/2008. Prevê a seguinte estrutura organizacional: Presidente, Superintendente Executivo, Superintendente Financeiro, Superintendente Administrativo, Superintendente de Projetos e Superintendente de Controle e uma assessoria de Tecnologia da Informação. Com essa nova estrutura a FEMAR passa a ter a possibilidade de atender às necessidades das obtenções (serviços e materiais) e contratações determinadas pelos projetos em atividades, dos quais se destaca o contrato do Projeto LEPLAC. Tal reformulação permitirá, ainda, o gerenciamento de Projetos de Ciência, Tecnologia e de Inovação Tecnológica a serem financiados pelos órgãos nacionais de fomento à Ciência, à Tecnologia e à Pesquisa, que deverão ser desenvolvidos pelas Instituições de Ciência e Tecnologia da Marinha do Brasil. Fl. 7726DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.727 20 Para suportar essa ampliação organizacional foi necessária uma reestruturação física e a implantação de sistemas de informação, cujos desenvolvimentos ainda estão em curso.” Diante do exposto, constatase que o contribuinte FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR não faz jus à fruição do benefício de imunidade tributária previsto pelo artigo 150, inciso VI, alínea c, da Constituição Federal. 3.1.2 Não destinação da renda às atividades essenciais Não obstante a FEMAR, segundo seu estatuto social, possuir natureza jurídica de Fundação, pessoa jurídica de direito privado dotada de autonomia patrimonial, administrativa e financeira, suas receitas relativas aos anoscalendário de 2008 e 2009 foram provenientes, praticamente em sua totalidade, dos contratos, convênios e termos de cooperação firmados com Organizações Governamentais ligadas ao Comando da Marinha, CNPJ básico nº 00.394.502 e com a Base de Hidrografia da Marinha em Niterói, CNPJ: 03.062.917/000109, conforme projetos elencados nos Relatórios Anuais da Presidência (24 contratos/convênios/termos de cooperação em execução no ano de 2008 e 32 no ano de 2009) e resposta datada de 16/05/2013. Quanto à sua escrituração, em resposta datada de 16/05/2013, a FEMAR informa que para os valores recebidos nos anosbase de 2008 e 2009 foram adotados os procedimentos contábeis previstos no Manual de Procedimentos Contábeis para Fundações e Entidades de Interesse Público – Edição 2008 e nas Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade – CFC (Resolução CFC nº 1.409/12, de 21/09/2012, que aprova a ITG 2002 – Entidades sem Finalidades de Lucros). Ademais, relata que houve transferências de recursos advindas do setor público, especialmente, de instituições militares da Marinha do Brasil, para atividades de interesse recíproco, em regime de mútua cooperação, mediante a celebração de convênios, contratos e termos de cooperação, sendo a contabilização segregada por projeto. Aduz que os recursos de convênios, contratos e termos de cooperação denotam a essência da fonte de recursos públicos ou de terceiros, que no caso da FEMAR são provenientes, essencialmente, dos recursos públicos obtidos pelos órgãos do Comando da Marinha e da Base de Hidrografia da Marinha originados de atividades educacionais da FEMAR voltadas para o ensino, à pesquisa e extensão, sendo contabilizadas em contas próprias de Passivo, segregadamente dos recursos próprios da Fundação. Além disso, afirma que a receita operacional da FEMAR, relativa aos anoscalendário de 2008 e 2009, é constituída pela transferência de valores acordados para atender às despesas administrativas inerentes à execução das atividades educacionais firmadas nos citados acordos administrativos. Fl. 7727DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.728 21 Posteriormente, lavramos Termo Fiscal datado de 09/07/2013, intimando a Fundação para informar as cláusulas contratuais que respaldaram lançamentos contábeis de receitas, relativos a contratos/projetos dos anos de 2008 e 2009, em cujos históricos continham a expressão “REC AVAL TEC”, bem como justificar, mediante documentação comprobatória hábil e idônea, o critério utilizado para apuração dos valores de receitas escriturados nas referidas contas, haja vista que são inferiores aos valores constantes nos correspondentes contratos e aditivos. Em 19/07/2013, relativamente aos lançamentos de receitas com histórico “REC AVAL TEC” (item 3 do Termo de Intimação Fiscal datado de 09/07/2013), o fiscalizado informa que os Recibos de Avaliação Técnica são contabilizados de acordo com o disposto no item 3.3 da Proposta de Prestação de Serviços formalmente apresenta ao Contratante e que constituise parte integrante do Contrato Administrativo, que estabelece os procedimentos de mensuração dos insumos necessários para execução dos objetos dos serviços contratados projetos, de acordo com o destaque: “A operacionalidade de todas as atividades técnicas e administrativas inerentes à execução do objeto proposto, será avaliada mensalmente pela FEMAR, visando aperfeiçoar a utilização de todos os recursos técnicos e de pessoal que se fizerem necessários ao melhor desenvolvimento dos serviços.” (grifo nosso) Afirma ainda que, dessa forma, o preço proposto é composto pelos custos dos serviços orçados e pelo valor da Avaliação Técnica destacada no Demonstrativo de Custos dos Serviços integrante do anexo A da Proposta de Prestação de Serviços e que no decorrer da execução dos contratos são realizados os desembolsos financeiros mediante ordens bancárias emitidas pelo SIAFI que são creditados nas contas bancárias dos projetos e devidamente contabilizadas como entrada de recursos no banco c/movimento e como obrigação a pagar do projeto. Nesse instante é gerado o Recibo de Avaliação Técnica correspondente a parcela de desembolso recebido, mas que certamente constitui se numa fração do valor total de avaliação técnica apresentada no citado demonstrativo de custos. Da análise dos elementos apresentados, constatase que, em sua grande maioria, os objetos dos contratos são executados em regime de empreitada por preço global – quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo e total ou em regime de empreitada por preço unitário quando se contrata a execução da obra ou do serviço por preço certo de unidades determinadas (projetos DPC–INFO, DPCAMBIENTE, DPCENSINO, DPCPREPOM, CASNAV, CIABA, CIAGA, AMRJ, etc.), conforme definições constantes no art. 6º, VIII da Lei nº 8.666/93, que institui normas para licitações e contratos da Administração Pública. Fl. 7728DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.729 22 Cabe ressaltar que, apesar de terem sido firmados diversos contratos a serem executados no regime de empreitada por preço global ou unitário, somente são considerados como receitas parte dos valores recebidos, apurados mensalmente, o que ocasionou a enorme discrepância entre os valores faturados nos anoscalendário de 2008 e 2009 e os informados em suas DIPJ. Anobase 2008 valores faturados: R$ 33.904.372,77 valores de receitas operacionais informadas em DIPJ: R$ 5.134.083,80 Anobase 2009 valores faturados: R$ 149.684.921,44 valores de receitas operacionais informadas em DIPJ: R$ 8.618.661,94 Conforme relatado pela própria Fundação em suas respostas datadas de 16/05/2013 e 19/07/2013, as citadas receitas de avaliação técnicas correspondem a valores utilizados para suprir as despesas necessárias para realização do objeto de cada projeto. Dessa forma, considerando que os referidos projetos não se referem à prestação de serviços da fiscalizada em atividades destinadas à educação, conforme exaustivamente relatado no item anterior (3.1.1), o que se depreende, na verdade, é a utilização dos recursos correspondentes às suas receitas em atividades não educacionais, ficando configurada a não aplicação de recursos na manutenção de suas finalidades essenciais que visem à educação em desempenho à atividade supletiva a do Estado. Não há, portanto, de fazer jus à fruição do benefício da imunidade tributária de imposto, haja vista descumprimento do requisito disposto no art. 14, II, combinado com seu § 2º, com o art. 9º, IV, “c” da Lei nº 5.172/66 (CTN) e § 4º do art. 150 da CF. Relacionamos abaixo exemplos de lançamentos contábeis de escrituração das “Rec. Aval. Técnicas” de alguns projetos, cujos valores são debitados na conta nº 110102000100007 (BCO DO BRASIL C/C 18.0807) para posteriormente serem utilizados nas despesas administrativas inerentes à execução das atividades não educacionais relativas a cada projeto. Fl. 7729DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.730 23 3.1.3 Remuneração de dirigentes Intimada através do Termo de Início de Fiscalização, lavrado em 10/10/2011, para apresentar relação de todos os dirigentes havidos entre janeiro de 2008 a dezembro de 2009, com nome completo e CPF, a FEMAR, em resposta datada de 25/10/2011, entrega relação de seus dirigentes, conforme abaixo: Cargos: Presidentes ı Fernando Coelho Bruzzi, CPF nº 044.237.80763 – falecido em 22/04/2008; ı Lúcio Franco de Sá Fernandes, CPF nº 037.459.37791 e; Fl. 7730DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.731 24 Cargo: Superintendente Executivo ı Sérgio Luiz Coutinho, CPF nº 347.477.29704. Do exame dos arquivos digitais de folhas de pagamento apresentados pela Fundação em março de 2012, bem como dos dados constantes em suas Declarações de Imposto de Renda Retidos na Fonte Dirf, verificase que no anobase de 2008 o dirigente Lúcio Franco de Sá Fernandes auferiu rendimentos do trabalho assalariado – código 0561. Relativamente ao dirigente Sérgio Luiz Coutinho, constatase que este auferiu rendimentos com o código nº 0588 (Rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício) no ano de 2008 e com o código nº 0561 (Rendimentos do trabalho assalariado), relativamente aos anos base de 2008 e 2009, a saber: Ocorre que, para fazer jus à referida imunidade tributária, um dos requisitos é não remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados, consoante o disposto no art. 12, § 2º, alínea “a” da Lei nº 9.532/97. 3.1.4 Não enquadramento como instituição isenta Em sua resposta, datada de 04/10/2012, a FEMAR alegou que, além de ser considerada imune, também estaria enquadrada na condição de isenta, consoante o disposto no art. 15 da lei 9.532/97. Dessa forma, em 09/07/2012, lavramos Termo Fiscal, intimamos o fiscalizado a justificar em que caráter a instituição estaria enquadrada para fins do gozo de isenção, conforme caput do referido artigo, a seguir: “Art. 15. Consideramse isentas as instituições de caráter filantrópico, recreativo, cultural e científico e as associações civis que prestem os serviços para as quais houverem sido instituídas e os coloquem à disposição do grupo de pessoas a que se destinam, sem fins lucrativos.” Quanto à alegação de que seria instituição isenta, relativamente ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido, consoante o disposto no art. 15 da lei nº 9.532/97, em sua resposta de 19/07/2013, a fiscalizada esclarece que é portadora do Certificado de Utilidade Pública emitido Fl. 7731DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.732 25 pela União Federal, ente de direito público que comanda a Secretaria da Receita Federal e que, para emissão do referido certificado teve de atender aos requisitos do art. 1º da lei nº 91/35 e do decreto nº 50.517/61, a saber: Lei nº 91/35 “Art 1º As sociedades civis, as associações e as fundações constituídas no país com o fim exclusivo de servir desinteressadamente à coletividade podem ser declaradas de utilidade pública, provados os seguintes requisitos: a) que adquiriram personalidade jurídica; b) que estão em efetivo funcionamento e servem desinteressadamente á coletividade; c) que os cargos de sua diretoria, conselhos fiscais, deliberativos ou consultivos não são remunerados.” Decreto nº 50.517/61 “Art 2º O pedido de declaração de utilidade pública será dirigido ao Presidente da República, por intermédio do Ministério da Justiça e Negócios Interiores, provados pelo requerente os seguintes requisitos: a) que se constituiu no país; b) que tem personalidade jurídica; c) que esteve em efetivo e contínuo funcionamento, nos três imediatamente anteriores, com a exata observância dos estatutos; d) que não são remunerados, por qualquer forma, os cargos de diretoria e que não distribui lucros, bonificados ou vantagens a dirigentes, mantenedores ou associados, sob nenhuma forma ou pretextos; e) que, comprovadamente, mediante a apresentação de relatórios circunstanciados dos três anos de exercício anteriores à formulação do pedido, promove a educação ou exerce atividades de pesquisas científicas, de cultura, inclusive artisticas, ou filantrópicas, estas de caráter geral ou indiscriminado, predominantemente. f) que seus diretores possuem folha corrida e moralidade comprovada; g) Que se obriga a publicar, anualmente, a demonstração da receita e despesa realizadas no período anterior, desde que contemplada com subvenção por parte da União, neste mesmo período.” Dessa forma, aduz que é a própria União Federal que diz, afirma, positiva e publicamente, que a FEMAR é uma instituição Fl. 7732DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.733 26 que se enquadra em quase todos os caráteres descritos no caput do art. 15 da lei 9.532/97, ou seja, filantrópico, cultural e científico. Conforme relatado anteriormente, do exame dos elementos obtidos no curso do procedimento fiscal, verificase que as alegações da Fundação não se sustentam, haja vista que: • A FEMAR nos anosbase de 2008 e 2009 auferiu receitas e as aplicou em diversos projetos destinados à aquisição de materiais, em reformas, construções, contratações, etc., para os interessados finais dos serviços, inclusive, através de subcontratações, ressaltandose que a FEMAR não se enquadra em entidade de caráter científica, cultural ou filantrópica (vide item 3.1.1); • De acordo com suas folhas de pagamento e com as DIRF apresentadas pela Fundação, ocorreu remuneração de dirigentes nos anosbase de 2008 e 2009 (item 3.1.3); • Conforme relatado no item 3.1.2, houve aplicação de recursos em atividades que não se destinam à manutenção das alegadas finalidades essenciais (filantrópicas, culturais ou científicas). 4. CONSIDERAÇÕES FINAIS Face ao acima exposto, restou demonstrado que a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR FEMAR, entidade constituída com natureza jurídica de fundação, pessoa jurídica de direito privado, dotada de autonomia patrimonial, administrativa e financeira, e sem finalidade lucrativa, reconhecida como de Utilidade Pública Federal nos termos do decreto nº 87.122/92, não cumpriu condição de enquadrarse como instituição de educação, disposta no art. 9º, inciso IV, alínea “c” e caput do art. 12 da Lei nº 9.532/97, tampouco requisitos dispostos no artigo 14, inciso II e § 2º da Lei nº 5.172/66, bem com no art. 12, § 2º, alíneas “a” e “b” da Lei nº 9.532/97, condicionadores do gozo do benefício fiscal de imunidade referente ao IRPJ e à CSLL. Em relação à alegação da FEMAR de que também seria isenta para fins do IRPJ e da CSLL, verificouse que o fiscalizado, além de não se enquadrar como instituição elencada no caput do art. 15 da lei nº 9.532/97 para fazer jus ao benefício fiscal da isenção, não cumpre os requisitos dispostos no art. 12, § 2º, alíneas “a” e “b” da Lei nº 9.532/97. Dessa forma, nos termos do artigo 32, § 2º da Lei nº 9.430/96, combinado com o artigo 14, § 1º da Lei nº 5.172/66, fica o contribuinte Fundação de Estudos do Mar cientificado da presente NOTIFICAÇÃO FISCAL, e de que poderá, no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data desta ciência, apresentar as alegações e elementos de prova que entender necessários na Divisão de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro II (DRF/RJII/Difis), situada na Av. Fl. 7733DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.734 27 João Cabral de Melo Neto, 400, sala 404 – Barra da Tijuca Rio de Janeiro/RJ – CEP: 20.031901 Equipe Fiscal 01. Por conseguinte, não havendo manifestação do interessado no referido prazo ou no caso de improcedência de suas alegações, será expedido Ato Declaratório Suspensivo da imunidade, consoante o disposto no art. 32, §§ 3º e 4º da Lei nº 9.430/96. [...] (destaques do original) 4. Em sua contraargumentação ponderou o Interessado (fls. 2362/2441, 5383/5461): 4.1. Recolheria a benesse da imunidade/isenção em questão diretamente do texto constitucional, sem que se pudesse cogitar da intervenção de juízo que fosse, por autoridade que fosse, sobre a satisfação de alegados requisitos. 4.2. O próprio fundamento jurídico apontado pela Fiscalização, a ensejar a Notificação Fiscal antes referida, já teria sido predicado por inconstitucional sob as hostes do Supremo Tribunal Federal – STF nos autos da ADIN sob nº 1.802. 4.3. A Fiscalização não teria analisado/considerado documentação ofertada no curso do procedimento, a dizer: “lista referente a um só de seus projetos com mais de 20 mil nomes de alunos (com CPFs e dados de contato, telefones inclusive) [...] certificado de Utilidade Pública Federal” (fl. 2365). 4.4. No âmbito dos contratos, convênios e termos de cooperação citados pela Fiscalização, a FEMAR não disputaria a qualidade de parte (particularmente naqueles sob a modalidade convênio), sendo no máximo, “mera interveniente” entre órgãos federais e/ou entes paraestatais. De consequência e a exemplo, no Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás Natural – PROMINP, vinculado ao CIABA/CIAGA (nomeados CIABAPROMINP e CIAGAPROMINP), o numerário vindo da Petrobrás S/A não poderia ser tomado como índice de sua receita. Dizia o Interessado à fl. 2367, 2396/2397: Fl. 7734DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.735 28 [...] [...] [...] 4.5. Ainda com respeito a ditos contratos, convênios e termos de cooperação, afirma que a Fiscalização teria sido seletiva na escolha de cláusulas adjacentes que, então, ilustraram seu arrazoado, sem se dar conta de que o objeto de fundo versava sobre educação (menciona, em particular, sua participação no Programa “Global Ocean Observation System – GOOS”). Igual expediente (seleção dirigida de documentos para consideração) se verificaria quando da análise da aplicação de recursos da FEMAR, classificados pela Fiscalização como descompassados do propósito fundacional eleito (promoção da educação). 4.6. Não houvera remunerado seus dirigentes, não pelo menos até ganharem essa justa condição. Tal seria o caso do Sr. Lucio Franco de Sá Fernandes: primeiro empregado e, portanto, remunerado; depois, dirigente e não mais remunerado. Diziase (fl. 2371): Fl. 7735DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.736 29 4.7. Alguns documentos solicitados pela Fiscalização (precisamente, o registro e credenciamento junto ao Ministério da Educação e do Desporto – MEC e no Ministério da Ciência e Tecnologia MCT) só viriam de ter sua previsão normativa em fins de 2010, com a publicação da Lei nº 12.349, de 15 de dezembro daquele ano. A par disso, o Sistema de Ensino Profissional Marítimo – SEPM, no seu nascedouro, não esteve vinculado ao MEC e/ou ao MCT, mas sim à Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, órgão no qual já se mostrara, ele, Contribuinte, devidamente credenciado/reconhecido como dedicado à educação (afeta ao Ensino Profissional Marítimo), contando com aparato técnico físico necessário ao seu mister, assim espraiado por todo o Brasil. Acresce, nessa linha, que a legislação a se seguir e considerar seria a ditada pela Lei nº 7.573, de 23 de dezembro de 1986, e sua respectiva regulamentação, conferida pelo Decreto nº 94.536, de 29 de junho de 1987. 4.8. A atuação no âmbito do Ensino Profissional Marítimo lhe seria cara mesmo antes da alteração estatutária havida em 27/08/2008 e independentemente dela. Diziase (fl. 2383): 4.9. Sobre o Projeto CIABA: (a) visto o respectivo Projeto Básico, ali se constataria a atuação da FEMAR no planejamento e na execução de cursos afetos ao Ensino Profissional Marítimo; (b) “as despesas preponderantes referentes ao Contrato 84900/2008002/00 e TA84900/2008002/01 relacionamse ao pagamento de instrutores que ministram os cursos do PREPOM e as despesas acessórias, criticadas pelo Auditor, contribuem para atividade educacional [...]” (fl. 2387); (c) escolas “[...] ligadas ao mar também têm alto custo operacional em estrutura. [...] Hobby cat e o escaler são barcos e, como tais, salas de aula do Ensino Marítimo, teórico e prático” (fl. 2387); (d) a Fiscalização, em desprestígio de linha histórica, teria focado atenção sobre período atípico “no qual a estrutura educacional é reformada e ampliada” (fl. 2387), com “investimentos de manutenção/modernização de dependências e aparelhagens” (fl. 2388), circunstância essa que teria, pontualtemporalmente, deslocado o eixo principal de aplicação de recursos (historicamente, à exceção de 2008 e 2009, conforme demonstração gráfica que junta, do total de recursos aplicados, 3/10 se destinara à manutenção/investimento na estrutura escolar e 7/10 à remuneração de professores/instrutores). Pondera equivalentemente sobre o Projeto CIAGA. 4.10. Se os objetos dos contratos, convênios e termos de cooperação, referidos pela Fiscalização, prestigiam o termo Fl. 7736DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.737 30 “apoio”, apenas o fazem sob a perspectiva do ensino, da pesquisa, da qualificação e/ou capacitação de pessoal. A conferir, para além dos respectivos ementários, deverseia prosseguir ao longo do corpo de ditos contratos, convênios e termos de cooperação. Diziase (fl. 2393): [...] 4.11. Sobre o Projeto DPCPREPOM, considera que a Fiscalização se equivocara ao deter forte atenção sobre a previsão em abstrato do público alvo então à vista do Programa do Ensino Profissional Marítimo – PREPOM, quando o correto seria atentar para o factual/ocorrido: “Só nos anos 2008 e 2009 a FEMAR concedeu 972 matrículas para alunos avulsos não pertencentes a empresas contribuintes do FDPEM [Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo]” (fl. 2395). Em reforço (fl. 2395): 4.12. Sobre a circunstância de o PREPOM/2008, ter sido levado a cabo, “em algumas ocasiões”, por outras pessoas jurídicas, pondera que tal haveria se dado à conta de complementação de sua própria capacidade, visto “a grande quantidade de cursos ministrados em diversas capitais brasileiras que qualificavam, na ocasião, cerca de 3.000 trabalhadores/ano, aliado a dificuldade de se recrutar instrutores em áreas de conhecimento do setor marítimo [...]” (fl. 2395). 4.13. Sobre o Projeto ERMBE (Estação Radiogoniométrica da Marinha em Belém), registra que “tratase aqui de um contrato de patrocínio” e, portanto, sem a potência de gerar “faturamento/receita para fins tributários”. Demais disso, mesmo tendose por escopo “apoiar a realização da Corrida Rústica do Dia do Marinheiro/2008” (fl. 2399), tal circunstância não desnaturaria o caráter educacional do referido objeto. 4.14. Sobre o Projeto Petrobrás – PROANTAR, na mesma linha do que realizado nos Projetos CIABAPROMINP e CIAGA PROMINP, aduz que na execução do dito Projeto cuidouse de intermediar a aplicação de recursos (vindos da Petrobrás) para Fl. 7737DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.738 31 a revitalização da Estação Antártica Comandante Ferraz. Tal circunstância, vista a natureza e propósitos notórios da Estação em referência, corroboraria o vetor educacional prestigiado pelo Contribuinte. Diziase (fl. 2402): 4.15. Sobre os Projetos DHN (Diretoria de Hidrografia e Navegação) – Comitê Executivo GOOS (Global Ocean Observing System), pondera que a porção do texto contratual destacada pela Fiscalização apanharia, tãosó, cláusulas acessórias pertinentes ao objeto primordial, esse sempre centrado na prestação de educação. Antes de mais, seria imperioso à Fiscalização descer ao detalhe “de saber do que se trata o Goos” (fl. 2403). E continua (fl. 2403/2404): [...] [...] 4.16. Sobre o Projeto CASNAV (Centro de Análise de Sistemas Navais), mais uma vez teria se detido a Fiscalização em porção marginal do avençado, sendo certo que o fim último de mencionado Projeto foi a concepção e produção de conhecimento tecnológico (programação/desenvolvimento de softwares). Diziase (fl.2409): Fl. 7738DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.739 32 4.17. Sobre o Projeto CHM (Centro de Hidrografia da Marinha), o mesmo. Teria a Fiscalização deslocado o centro de atenção mais meritório. Também nesse Projeto o Interessado teria tido participação vincada à pesquisa e, “assim, perfeitamente condizente às atividades educacionais da Femar” (fl. 2414). 4.18. Sobre o Projeto SECIRM (Secretaria da Comissão Interministerial para Recursos do Mar) – LEPLAC (Levantamento da Plataforma Continental Brasileira), também teria ele curso na área de pesquisa, tendo a Fiscalização, mais uma vez, sublinhado em cores mais fortes aspectos laterais da avença. Diziase (fls. 2417/2419): [...] Fl. 7739DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.740 33 [...] 4.19. Sobre a acusação de não destinar suas rendas em atividade educacional, contagiada que ficara a Fiscalização em destacar a aplicação de recursos na aquisição de bens/serviços que, de imediato, não lhe pareciam vinculados à educação – de toda forma, como já dito alhures, um destino marginal dos recursos da FEMAR se considerado o horizonte mais dilargado de seus Fl. 7740DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.741 34 propósitos –, não restaria mesmo outra conclusão à Fiscalização, mas, também como já destacado acima, desacertada. Diziase (fl. 2423): 4.20. Ainda nesse ponto, registra que a Fiscalização, ao eleger para seu crivo a destinação de receita, mais uma vez se equivocara, pois, quando muito, para início de raciocínio – o dela, Fiscalização – deveria atentar para o destino de eventual superávit do Interessado, assim formado depois de consideradas as receitas (verdadeiras receitas, como se argumenta no tópico seguinte) contras as respectivas despesas. Diziase (fl. 2425, 2429/2430): [...] 4.21. O numerário que lhe é chegado (por transferência de recursos financeiros do setor público) do “Comando da Marinha do Brasil e da Diretoria de Hidrografia da Marinha em Niterói” não poderia, em sua integralidade, ser qualificado como receita da FEMAR. A esse título e vinculado a tais repasses, “as Receitas da FEMAR são exclusivamente decorrentes da Avaliação Técnica Operacional” (fls. 2425/2426). E reafirmase (fls. 2427, 2428): Fl. 7741DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.742 35 [...] 4.22. Passa a discriminar/descrever “exemplificação de despesas aplicadas efetivamente na manutenção das finalidades educacionais e essenciais estabelecidas no Estatuto” (fl. 2430), isso apoiado em “exemplos de notas fiscais” que oportunamente junta aos autos. 4.23. Sobre o Sr. Lúcio Franco de Sá Fernandes e o Sr. Sérgio Luiz Coutinho, assinalados como dirigentes da FEMAR a terem percebido dessa entidade rendimentos por retribuição a trabalho ali prestado, defendelhes outra qualificação: a de empregados, ainda que em cargo de superintendência. Dirigente, mesmo, apenas os “componentes de seu conselho [Conselho Curador da FEMAR]” (fl. 2436). 4.24. Sobre a circunstância de disputar, subsidiariamente, a condição de entidade isenta do IRPJ e da CSLL, a teor do art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997 – possibilidade também afastada pela Fiscalização –, reitera o que tudo antes declinado a justificar seu ponto de vista. Dizia (fl. 2437): Fl. 7742DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.743 36 [...] [...] [...] Fl. 7743DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.744 37 5. No exercício de sua competência, a Divisão de Orientação e Análise Tributária (Diort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRFI/RJO), assim compreendeu a contraargumentação do Contribuinte (fls. 2362/2441, 5383/5461) e decidiu (fls. 5477/5490): Fl. 7744DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.745 38 Fl. 7745DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.746 39 Fl. 7746DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.747 40 Fl. 7747DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.748 41 Fl. 7748DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.749 42 Fl. 7749DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.750 43 Fl. 7750DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.751 44 Fl. 7751DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.752 45 Fl. 7752DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.753 46 Fl. 7753DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.754 47 6. Como já dito, disso intimado, o Interessado tornou aos autos com a manifestação de fls. 5529/5557, agora para dirigir a palavra a esta Delegacia de Julgamento. Reclamava: 6.1. De saída, solicita que “sejalhe comunicada a data de julgamento para que lhe seja franqueado o uso da palavra e defesa em alegações orais, exercício que também coadunase ao princípio da ampla defesa” (fl. 5531). 6.2. Em retomada à sua peça de fls. 2362/2441, 5383/5461, pondera que o decisório proferido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (Diort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRFI/RJO) às fls. 5477/5490, deixara de apreciar a preliminar lá lançada. A dizer, não teria aquela Delegacia se manifestado sobre o que então se argumentava acerca do caráter imperativo da imunidade/isenção em tela. Tal Fl. 7754DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.755 48 benesse, de fato, seria “auto declaratória e decorrente direta de direito constitucional impassível de permissão da Receita. Não competindo à administração pública conceder a imunidade tampouco lhe socorreria base normativa para suspendêla em procedimento administrativo, sem o devido processo judicial [...]”(fl. 2364, 5384). Isso tudo ainda, sem dizer da “impossibilidade jurídica” dos fundamentos do próprio processado, certo que o Supremo Tribunal Federal – STF já houvera por sindicar em medida liminar, assim tomada no julgamento da ADIN nº 1.802, o § 1º e a alínea “f” do § 2º, ambos do art. 12, o art. 13, caput, e o art. 14, todos da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, com determinação de suspensão de respectiva vigência até decisão final. 6.3. Demais disso, a primeira Autoridade (DiortDRFI/RJO) teria desconsiderado as provas até aquele momento colacionadas, bem que se negado a permitir a produção de outras tantas provas periciais, ou mesmo e enfim, houvera por inovar nas motivações. Nesse último ponto, acresce (fl. 5536, 5538/5539): [...] 6.4. Com especial referência à Lei nº 11.279, de 9 de fevereiro de 2006, manejada na decisão recorrida (fls. 5477/5490), pondera terse, ali, incorrido em equívoco, certo que a lei específica referida no art. 83 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996 (Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional), também articulada na peça ora atacada, não seria aquela primeira Lei (a Lei nº 11.279, de 2006), mas sim a Lei nº 7.573, de 23 de dezembro de 1986. Explica. A atividade de ensino na Marinha seria, primeiro e genericamente, regulado, sim, pela Lei nº 11.279, de 2006. Porém, como se estabelece no art. 25 Fl. 7755DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.756 49 desta última Lei, o “Ensino Profissional Marítimo, destinado ao preparo técnicoprofissional do pessoal a ser empregado pela Marinha Mercante, é de responsabilidade da Marinha e objeto de legislação específica” (destacouse). E certo seria que, a cumprir o papel de legislação específica sobre o assunto, estaria a Lei nº 7.573, de 1986. Sob um tal horizonte, seria impróprio cotejar os cursos oferecidos pela FEMAR – especificados e pautados segundo as diretrizes da Lei nº 7.573, de 1986, e respectiva regulamentação –, “com uma longa lista dos cursos regulados pela lei do SEM [Sistema de Ensino Naval] (11.279/06)”, para então concluir pela falta de identidade/semelhança entre uns e outros. E faz cita ao art. 10 da Lei nº 7.573, de 1986 (fl. 5541) e complementa: 6.5. A decisão impugnada, no justo ponto em que se estrutura sobre falsa premissa, a dizer, de que os cursos ministrados pela FEMAR, mesmo que a prestigiar o ensino, não guardariam equivalência/semelhança com os “cursos navais” então Fl. 7756DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.757 50 pretendidos pela “Diretoria de Ensino da Marinha” como equivalentes “aos cursos técnicos de nível médio do ensino civil”, conforme apurado pela Fiscalização em “consulta ao Portal do Ministério da Educação [no bojo do] Parecer CNE/CEB 5/2006, referente ao processo nº 23001.000161/2005 10 do Conselho Nacional de Educação” (fl. 5483), mas, como se dizia, a partir de tal equívoco, a decisão presentemente atacada, crendo suficiente de per si essa nova motivação (ensino é, mas não o ensino que se esperava ser), passara a “negar todos os direitos da recorrente/impugnante ao mesmo tempo em que desfaz a tese da intimação admitindo os fatos alegados pela FEMAR” (fl. 5542). Conclui (fl. 5543): 6.6. Cópia de Certidão expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC (fl. 5591) daria fé de que o Contribuinte disputaria a condição de “Entidade específica de Ensino Profissional Marítimo, nos termos da Lei nº 7.573, de 23 de dezembro de 1986, ministrando diferentes modalidades de cursos, nos termos do parágrafo único do artigo 10 desta lei, equiparados a cursos civis regidos pela legislação federal [...]”. 6.7. Sobre a descaracterização de seu corpo de instrutores como tais, reitera que o decisório recorrido grassou por terreno infértil ao, mais uma vez, apoiarse na Lei nº 11.279, de 2006, quando o correto seria se socorrer, precisamente, no art. 18 da Lei nº 7.573, de 1986, bem que nos arts. 19 e 22 do Decreto nº 94.536, de 29 de junho de 1987 (Decreto que regulamentou essa última Lei), e mais ainda no que previsto em Conveção Internacional (International Convention on Standars of Training Certification and Watchkeeping for Seafares). Desses últimos normativos não se depreenderia condicionamento algum, sob a ótica de formação profissional, daqueles que venham de prestar o Ensino Profissional Marítimo – EPM. Seria o justo contrário. Retomese (fls. 5545/5546): Fl. 7757DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.758 51 [...] Fl. 7758DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.759 52 6.8. Não reputa o Sr. Sérgio Luiz Coutinho como dirigente. Do posto que ocupava e ainda ocupa nos quadros da FEMAR, isto é, o de superintendente executivo, componente da Diretoria Executiva (entre outros segmentos de superintendência), não disputaria referida pessoa natural de qualquer prerrogativa original de poder e mando sobre os rumos negociais da FEMAR. Quando muito, membros da Diretoria Executiva exerceriam funções/cargos de gerência sobre negócios já entabulados, agora sim, por aqueles que, verdadeiramente, emprestavam e emprestam consciência e vontade à FEMAR (presentam a pessoa jurídica), a dizer, seu Presidente e/ou membros do seu Conselho Curador. Registra (fl. 5552): 6.9. Por tudo o que até aqui se disse e subsidiariamente, que haveria de se afastar a tese de suspensão do gozo de isenção tributária afeta ao IRPJ e à CSLL. 6.10. Enfim, reclama que sejam consideradas as argumentações e documentos originalmente postos em sua primeira manifestação (fls. 2362/2441, 5383/5461), que entende não adequadamente analisados na decisão objurgada. Finaliza (fl. 5557): Fl. 7759DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.760 53 7. De sua vez, como já adiantado, expedido o Ato Declaratório Executivo nº 140 (fls. 5492/5493), veio de se seguir a formalização de exigência tributária assim justificada pela Fiscalização (fls. 5618/5669; colacionase apenas a parte do texto discursivo que diferente do que já fora articulado às fls. 2322/2359 – “Notificação Fiscal” – e às fls. 5477/5490 – “Parecer Conclusivo GAB/DIORT”): Fl. 7760DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.761 54 [...] [...] Fl. 7761DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.762 55 Fl. 7762DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.763 56 Fl. 7763DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.764 57 Fl. 7764DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.765 58 [...] Fl. 7765DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.766 59 Fl. 7766DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.767 60 8. Já agora fazendo face ao Auto de Infração (fls. 5670/5721), vem o Contribuinte de considerar o seguinte (fls. 6839/6966): 8.1. Tempestividade. 8.2. Questiona a modalidade em que formalizadas as exigências de IRPJ/CSLL – arbitramento – certo que, em seu entender, a Fiscalização “teve acesso à informação suficiente para efetuar lançamento que utilizasse como parâmetro a escrituração da Contribuinte” (fl. 6843; destacado no original). 8.3. Passa a reiterar, com mais ou menos texto, as argumentações antes expostas: a) Que entre a Notificação Fiscal de fls. 2322/2359 e o Parecer emitido pela Divisão de Orientação e Análise Tributária (Diort) da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro (DRFI/RJO) de fls. 5477/5490, haveria clara inovação motivacional. b) Afirma a inconstitucionalidade de dispositivos da Lei nº 9.532, de 1997, afetos ao caso. Fl. 7767DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.768 61 c) Explica que o Ensino Profissional Marítimo (EPM) – uma dentre outras modalidades educacionais que presta – é regrado, com especificidade, pela Lei nº 7.573, de 1986, e respectivo Decreto regulamentador (Decreto nº 94.536, de 1987), e não pela Lei nº 11.279, de 2006 (que cuidaria do Sistema de Ensino Naval SEN). d) Faltara uma mínima detença por parte da Fiscalização sobre os elementos de prova até então juntados aos autos. e) A Fiscalização mal compreendera a natureza jurídica dos contratos, convênios e termos de cooperação em que o Contribuinte surgiria, apenas, como qualificado interveniente entre terceiros (seria a hipótese do ajuste firmado na tríade Marinha do Brasil – FEMAR – Petrobrás S/A, isso no âmbito do PROMINP). Registra que, mais propriamente, o acordado em tais circunstâncias seria a figura do convênio, em que “prevalece [...] o interesse recíproco e a mútua cooperação, enquanto nos contratos os interesses se opõem, havendo remuneração, ou seja, um preço a ser pago pelo objeto contratado” (fl. 6867). Sem fazer tal distinção, a Fiscalização – ao assumir tudo sob as hostes d’um contrato sinalagmático – acabou por reputar receita ingresso de numerário na contabilidade do Interessado que, de rigor, nem ao menos fora ali patrimonializado. O Decreto nº 6.170, de 25 de julho de 2007, regularia a espécie. Diziase (fl. 6866/6868): [...] Fl. 7768DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.769 62 [...] Fl. 7769DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.770 63 [...] Fl. 7770DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.771 64 f) Mais e profunda detença sobre o texto do Projeto Básico que suporta o Projeto CIABA (idem para o Projeto CIAGA) demonstraria seu claro propósito educacional, aí compreendidos gastos com reparo/manutenção em elementos da instalação física do CIABA/CIAGA, pontualmente mais expressivos nos anos de 2008 e 2009. Dizia (fl. 6873): Fl. 7771DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.772 65 [...] [...] [...] g) O Projeto DPCPREPOM (e outros tantos vinculados ao PREPOM) se realizaria, sim, à vista de indistintos interessados, Fl. 7772DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.773 66 a menos de critério de acesso. Mais, terceiro contratado para prestar o objeto em causa, assim se daria para suprir eventual insuficiência de capacidade do Interessado à vista do excesso de demanda. Dizia (fl. 6881): [...] h) Especificamente sobre os Projetos CIABAPROMINP e CIAGAPROMINP, reitera que a “modernização dos Centros [CIABA e CIAGA] tem por objetivo a ampliação da capacidade de formação de oficiais [...] formados pelas Escolas de Formação de Oficiais da Marinha Mercante [EFOMM], com a adequação das instalações de apoio, salas de aula e laboratórios”. Propósito esse buscado pela Marinha do Brasil, dentro do escopo de suas “obrigações/competências legais que não necessariamente devem ser executadas diretamente, já que o próprio Decreto nº 6.170/2007 atribui a capacidade de execução de programa de governo [...] por entidade privada na qualidade de INTERVENIENTE/CONVENENTE”, que seria a condição dele, Contribuinte (fls. 6882/6883; destaques do original). Dizia se (fl. 6884): [...] Fl. 7773DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.774 67 [...] i) O que recebido no âmbito do Projeto ERMBE (Estação Radiogoniométrica da Marinha em Belém), enfim destinado ao apoio de evento esportivo (Corrida Rústica do Dia do Marinheiro/2008), se caracterizaria como patrocínio. Nessa ordem de ideias, não caracterizaria “faturamento/receita para fins tributários” e nem descaracterizaria a “FEMAR enquanto instituição de ensino” (fl. 6889). j) Sobre o Projeto Petrobrás – PROANTAR, na mesma linha do que realizado nos Projetos CIABAPROMINP e CIAGA PROMINP, aduz que na execução do dito Projeto cuidouse de intermediar a aplicação de recursos (vindos da Petrobrás) para a revitalização da Estação Antártica Comandante Ferraz. Tal circunstância, vista a natureza e propósitos notórios da Estação em referência, corroboraria o vetor educacional prestigiado pelo Contribuinte. k) Sobre os Projetos DHN (Diretoria de Hidrografia e Navegação) – Comitê Executivo GOOS (Global Ocean Observing System), CHM (Centro de Hidrografia da Marinha), SECIRM (Secretaria da Comissão Interministerial para Recursos do Mar) – LEPLAC (Levantamento da Plataforma Continental Brasileira) e CASNAV (Centro de Análise de Sistemas Navais), todos eles teriam curso na área de pesquisa e desenvolvimento de tecnologia, âmago esse suficiente a potencializar forte conteúdo educacional, não sendo possível a sua compreensão a partir de cláusulas adjacentes ao seu fundo Fl. 7774DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.775 68 meritório, mormente aquelas vinculadas a gastos (necessários à consecução do objeto então prestigiado). l) Os recursos que lhe chegam da Administração Pública Federal (Direta e Indireta), segregados projeto a projeto em sua contabilidade, como recomendado “no Manual de Procedimentos Contábeis para Fundações e Entidades de Interesse Social – Edição 2008 e nas Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade – CFC” (fls. 6914/6915), seriam em tudo destinados à consecução dos respectivos projetos, todos ligados à educação e/ou produção de ciência/tecnologia. Certo, ainda, que apenas parte de tais numerários responderiam ao título de receitas próprias do Contribuinte. Desse montante (receitas) descontados os respectivos custos/despesas, sobreviria eventual superávit, assim revertido (o superávit, não a receita, como equivocadamente assinala a Fiscalização) à benefício da Fundação em tela. Diziase (fls. 6918, 6923): [...] m) Não se poderia qualificar dirigente aquele que ocupa cargo e/ou desempenha função de “superintendente executivo” (fl. 6923), certo que encontrarseia, naquela posição, a mando e ordem da Presidência e/ou Conselho Curador da FEMAR. Verdadeiramente, à vista do estatuto do Interessado, esse último que, sim, disputaria poder e mando sobre os rumos de vida da FEMAR – por seus membros, seus dirigentes enfim. Até mesmo seu Presidente não seria remunerado. Diziase (fl. 6930): Fl. 7775DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.776 69 n) Por idênticas razões, subsidiariamente, lhe caberia a benesse da isenção de IRPJ/CSLL, a teor do art. 15 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. 8.4. Sobre a autuação em si, registra: a) Tendo em linha de consideração o instituto da imunidade recíproca (se o serviço enfim prestado é de natureza pública, incabível dizerse que daí resultariam receita/lucro tributáveis), os recursos captados pela FEMAR, isso no âmbito dos contratos, convênios e termos de cooperação citados pela Fiscalização, não seriam tributáveis pois, ou retornam à Administração Pública, realizado que fosse o objeto avençado (finalidade daquela Administração), ou viriam de cobrir despesas/custos adiantados pela FEMAR, ou ainda, transmutarseiam em superátiv de todo reinvestido na própria FEMAR. Diziase (fl. 6940/6942, 6944): [...] [...] Fl. 7776DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.777 70 [...] b) Se não houve patrimonialização de grande parte dos recursos que lhe foram aportados no âmbito dos discutidos contratos, convênios e termos de cooperação citados pela Fiscalização, então não se realizara o elemento “acréscimo patrimonial” a que se reporta o art. 43 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional – CTN. Sobre esse exato ponto, se não suficiente a argumentação exposta, solicita perícia para mais firmemente demonstrar o alegado. c) A incidência da Contribuição ao PIS e da Cofins teria como pressuposto a formação de receita/faturamento no deslinde de atividade empresária, circunstância essa última não atualizada pela FEMAR. d) Enfim (fls. 6948/6949): e) Por idêntica razão, conforme alhures alinhavado, não seria o caso de levar a cômputo da base de cálculo das exigências aqui formalizadas o quantum de rendimentos/ganhos auferidos em aplicações financeiras (mesmo que deduzido, na autuação final, o importe então incidente à título de IRRF), forte na imunidade que lhe beneficiaria. Fl. 7777DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.778 71 f) Tudo o mais ultrapassado, “impõese o reconhecimento da decadência atinente às parcelas de IRPJ e CSLL correspondentes aos meses 01 e 02/2009” (fl. 6952). g) As multas que lhe foram aplicadas teriam caráter confiscatório, devendo ser reduzidas “ao justo patamar de 20%” (fl. 6958). h) Desarrazoado o critério de arbitramento, com desqualificação de sua escrita contábil/fiscal, visto que, no ponto, a forma prestigiada e seguida pelo Contribuinte não seria outra senão aquela determinada no já mencionado Manual de Procedimentos Contábeis para Fundações e Entidades de Interesse Social – Edição 2008 e nas Resoluções do Conselho Federal de Contabilidade – CFC. Se, na condição de entidade imune estaria obrigada, no particular, à escrituração dos recursos que recebe da Administração Pública (Direta e Indireta) projeto a projeto, não poderia ser penalizado justamente por isso (esse, o motivo de fundo da incompreensão da Fiscalização). Por tal razão, inclusive (sem dizer do diminuto tempo concedido, verdadeira “impossibilidade material” – fl. 6962), não poderia dar curso, como solicitado pela Fiscalização, à confecção de “demonstrativos de ‘resultado’, de ‘lucros’, dentre outros, todos estranhos à instituição de natureza fundacional” (fl. 6962). i) Por fim, reclama perícia/diligência para o esclarecimento mais aprofundado e embasado de tudo que antes se expôs. Em sua decisão, a DRJ em São Paulo manteve os termos do Ato Declaratório 140/2013. Vencido o Relator, restou decidido que a FEMAR é Entidade de Educação, mas a prestação de serviços de consultoria e a remuneração dos dirigentes afastaria a imunidade e a isenção aplicáveis às rendas da Fundação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. PAGAMENTO. FATO GERADOR. EXERCÍCIO SEGUINTE. A contagem do prazo decadencial para o lançamento, na hipótese de ausência de pagamento antecipado, ainda que parcial, iniciase a partir da data da ocorrência do fato gerador, conforme preceito contido no § 4º do artigo 150 do Código Tributário Nacional, salvo na ocorrência de dolo, fraude, simulação ou de inexistência de pagamento antecipado, situação em que o marco inicial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos termos do artigo 173, I do Codex. ENSINO SUPERIOR MARÍTIMO. ENTIDADE DE EDUCAÇÃO. O Ensino Superior Marítimo é regido por estatuto jurídico próprio e suas organizações podem ser consideradas entidades de educação. Fl. 7778DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.779 72 ENTIDADE DE EDUCAÇÃO E CARÁTER CIENTÍFICO. IMUNIDADE. ISENÇÃO. REQUISITOS. DESCUMPRIMENTO. A constatação de que entidade de educação e caráter científico presta serviços de consultoria, gestão administrativa, financeira, ambiental, desvinculadas de suas finalidades institucionais e que remunera seus dirigentes, desvirtua sua natureza e os requisitos necessários ao gozo do benefício fiscal da imunidade e isenção. DIRIGENTE. CARACTERIZAÇÃO. É considerada dirigente a pessoa física que exerce função ou cargo de direção de fundação, que assina contratos em nome desta, ainda que em conjunto com outra pessoa e condicionada a aprovação de seu conselho curador. MULTA DE MORA. RECOLHIMENTO ESPONTÂNEO. MULTA DE OFÍCIO. PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. PRESSUPOSTOS DISTINTOS. A multa de ofício é aplicada em sede de procedimento fiscal, não podendo ser convertida em multa de mora, recolhida espontaneamente pelo contribuinte juntamente com tributos em atraso, ante os pressupostos de incidência distintos de cada uma das sanções. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 PEDIDO DE PERÍCIA E DILIGÊNCIA. PRESCINDIBILIDADE. A perícia é prescindível quando os elementos probantes trazidos aos autos são suficientes para formar a convicção do julgador. AUTOS REFLEXOS. O julgamento que reconhece a ocorrência de eventos que representam ao mesmo tempo fato gerador de vários tributos repercute em todos os lançamentos a eles vinculados. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/03/2009, 30/06/2009, 30/09/2009, 31/12/2009 IMUNIDADE SUSPENSA. ESCRITURAÇÃO DEFICIENTE. LUCRO ARBITRADO. A inexistência de regular escrituração impõe o arbitramento do lucro de entidade que teve sua imunidade e isenção suspensas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 ENTIDADE DE EDUCAÇÃO E CARÁTER CIENTÍFICO. IMUNIDADE. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. RECURSOS. FATURAMENTO. A entidade fundacional que tem sua imunidade e isenção suspensas passa a ser tratada como as demais pessoas jurídicas, tendo seus recursos enquadrados no conceito de faturamento, para o qual se deslocará a incidência da contribuição para o PIS/Pasep. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/01/2009, 28/02/2009, 31/03/2009, 30/04/2009, 31/05/2009, 30/06/2009, 31/07/2009, 31/08/2009, 30/09/2009, 31/10/2009, 30/11/2009, 31/12/2009 Fl. 7779DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.780 73 ENTIDADE DE EDUCAÇÃO E CARÁTER CIENTÍFICO. IMUNIDADE. ISENÇÃO. SUSPENSÃO. RECURSOS. FATURAMENTO. A entidade fundacional que tem sua imunidade e isenção suspensas passa a ser tratada como as demais pessoas jurídicas, tendo seus recursos enquadrados no conceito de faturamento, para o qual se deslocará a incidência da contribuição para o PIS/Pasep. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O Contribuinte, não satisfeito com o acórdão proferido pela DRJ, interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reiterou os mesmos fundamentos de defesa já apresentados na sua impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Ronaldo Apelbaum, Relator Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. Da melhor interpretação da decisão na ADIN 1802 e a possibilidade jurídica do procedimento fiscal O Recorrente alega, inicialmente, que o Supremo Tribunal Federal suspendeu a vigência do procedimento que resultou na edição do Ato Declaratório 140/2013. Nesse ponto, não estaria juridicamente fundamentado o procedimento adotado. Transcrevo abaixo a Ementa do Acórdão do STF, que demonstra os limites da suspensão: EMENTA: I. Ação direta de inconstitucionalidade: Confederação Nacional de Saúde: qualificação reconhecida, uma vez adaptados os seus estatutos ao molde legal das confederações sindicais; pertinência temática concorrente no caso, uma vez que a categoria econômica representada pela autora abrange entidades de fins não lucrativos, pois sua característica não é a ausência de atividade econômica, mas o fato de não destinarem os seus resultados positivos à distribuição de lucros. II. Imunidade tributária (CF, art. 150, VI, c, e 146, II): "instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei": delimitação dos âmbitos da matéria reservada, no ponto, à intermediação da lei complementar e da lei ordinária: análise, a partir daí, dos preceitos impugnados (L. 9.532/97, arts. 12 a 14): cautelar parcialmente deferida. Fl. 7780DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.781 74 1. Conforme precedente no STF (RE 93.770, Muñoz, RTJ 102/304) e na linha da melhor doutrina, o que a Constituição remete à lei ordinária, no tocante à imunidade tributária considerada, é a fixação de normas sobre a constituição e o funcionamento da entidade educacional ou assistencial imune; não, o que diga respeito aos lindes da imunidade, que, quando susceptíveis de disciplina infraconstitucional, ficou reservado à lei complementar. 2. À luz desse critério distintivo, parece ficarem incólumes à eiva da inconstitucionalidade formal argüida os arts. 12 e §§ 2º (salvo a alínea f) e 3º, assim como o parág. único do art. 13; ao contrário, é densa a plausibilidade da alegação de invalidez dos arts. 12, § 2º, f; 13, caput, e 14 e, finalmente, se afigura chapada a inconstitucionalidade não só formal mas também material do § 1º do art. 12, da lei questionada. 3. Reserva à decisão definitiva de controvérsias acerca do conceito da entidade de assistência social, para o fim da declaração da imunidade discutida como as relativas à exigência ou não da gratuidade dos serviços prestados ou à compreensão ou não das instituições beneficentes de clientelas restritas e das organizações de previdência privada: matérias que, embora não suscitadas pela requerente, dizem com a validade do art. 12, caput, da L. 9.532/97 e, por isso, devem ser consideradas na decisão definitiva, mas cuja delibação não é necessária à decisão cautelar da ação direta. Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas, por unanimidade de votos, em deferir, em parte, o pedido de medida cautelar, para suspender, até a decisão final da ação direta, a vigência do § 1º e alínea f do § 2º, ambos do art. 12, do art. 13, caput, e do art. 14, todos da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e indeferilo com relação aos demais. Diz o art. 14 da Lei 9.532/97: Art. 14. À suspensão do gozo da imunidade aplicase o disposto no art. 32 da Lei nº 9.430, de 1996. O limite estabelecido pela Suprema Corte demonstra que não houve decisão pela inconstitucionalidade das regras de isenção estabelecidas pela Lei 9.532/97, mas apenas de alguns excertos dessa Lei. Dentre eles, o art. 14, que, remetendo à Lei 9.430/96, estabelecia uma rito específico para o procedimento de suspensão da imunidade. Isso não significa dizer que qualquer rito de análise do cumprimento dos requisitos para fruição dos benefícios fiscais esteja suspenso pelo Supremo Tribunal Federal, mas somente aquele previsto no art. 32 da Lei 9.430/96. Os requisitos de imunidade das entidades educacionais em discussão nos presentes autos encontramse plenamente vigentes. Não se pode conceber que, a partir da decisão do STF na ADIN 1802 teria o efeito de impedir qualquer procedimento de lançamento por parte das autoridades fiscais, quando em jogo o descumprimento de normas vigentes e que potencialmente poderiam resultar na ausência de recolhimento de tributos previstos. Discutese aqui a autuação decorrente do Ato, procedimento distinto e juridicamente possível. Fl. 7781DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.782 75 Dessa forma, afasto tal argumentação para rejeitar o pedido de nulidade do ADE 140/2013 e o presente Auto de Infração. Da caracterização da FEMAR como Instituição de Ensino Após análise dos documentos comprobatórios trazidos pelo Contribuinte (jamais criticados quanto a sua forma e/ou conteúdo pela Fiscalização), chegase à conclusão induvidosa que se trata de uma fundação dedicada ao ensino, como se passa a explicar. Vale ressaltar, nesse ponto, que a acusação fiscal versa sobre a utilização de receitas por parte da FEMAR com desvio de finalidade. Ocorre que pode haver confusão aqui: não há acusação de utilização de recursos por administradores ou fora das atividades da Fundação, mas somente que os contratos assinados pela FEMAR não estariam de acordo com o conceito de atividade educacional e que justifica a imunidade. Por essa razão, a análise dos contratos que será realizada a seguir também visará desconstituir a tese de que há desvio de finalidade na utilização dos recursos recebidos pela FEMAR. Elencarei, assim como fez o Voto Vencido do acórdão ora recorrido, as situações que caracterizam a FEMAR como uma instituição de ensino: a) Certificado de credenciamento junto ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico – CNPq, sob nº 900.1134/2011, assinado a 10/05/2011, valente pelo prazo de 5 (cinco) anos futuros à sua publicação no Diário Oficial da União – DOU, o qual autorizava o Interessado a “proceder a importações de bens destinados à pesquisa científica e tecnológica” (fl. 53). Outro certificado de credenciamento segue à fls. 3996/3998, agora promovido junto ao Ministério da Educação e ao Ministério da Ciência e Tecnologia, a viger pelo período de 2 (dois) anos a contar de 27/04/2011. b) Portaria nº 65, de 27 de agosto de 2004, expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, que credenciava o Interessado, pelo prazo de 1 (um) ano a contar de sua publicação no DOU, a “realizar cursos para profissionais brasileiros não tripulantes, que poderão prestar serviços a bordo de navios [do que se estima, a princípio, que a realização de referido curso tenha tido a necessidade, eventual, d’algum locus físico de embarcação] de passageiros, [...]. Delegar competência àquela Fundação para emitir os correspondentes certificados decorrentes dos cursos realizados, em conformidade com o previsto no artigo anterior. Esses certificados deverão ser reconhecidos pelo Agente da Autoridade Marítima com jurisdição sobre a área onde o curso for realizado” (fl. 54, 127, 2534). c) Portaria nº 220, de 14 de outubro de 2010, expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, que credenciava o Fl. 7782DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.783 76 Interessado, a contar de sua publicação no DOU e até 30/11/2012, a “ministrar o Curso Básico de Segurança de Navio (CBSN) [mais uma vez, não é desarrazoado supor a necessidade de alguma espécie de embarcação para efeito de realização do dito curso], para Profissionais NãoTripulantes (PNT)” (fl. 55, 126). d) Portaria nº 35, de 15 de março de 2012, expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, que credenciava o Interessado, pelo prazo de 3 (três) anos a contar de sua publicação no DOU, a “ministrar Cursos de Adaptação para: 2º Oficial de Náutica (ASON); 2º Oficial de Máquinas (ASOM); Aquaviários, Módulo Específico para Marítimos – Seção de Máquinas (CAAQI MM); e Aquaviários, Módulo Específico para Marítimos – Seção de Máquinas e Eletricidade (CAAQI ME), no Rio de Janeiro, sob a supervisão do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA), a fim de complementar a capacidade daquele Órgão de Execução (OE) na aplicação de cursos do Sistema do Ensino Profissional Marítimo (SEPM), quando pertinente, de modo a atender ao previsto no Programa do Ensino Profissional Marítimo (PREPOMAquaviários) anual. [...]. Ao término de cada curso autorizado, a FEMAR deverá enviar ao CIAGA a relação dos alunos aprovados, com o respectivo aproveitamento, a fim de possibilitar a emissão da Ordem de Serviço e dos Certificados Modelo DPC1034 correspondentes, além das providências relativas aos estágios embarcados” (fl. 124/125). e) Portaria nº 182, de 26 de agosto de 2011, expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, que credenciava o Interessado, pelo prazo de 2 (dois) anos a contar de sua publicação no DOU, a “ministrar os Cursos Especial de Familiarização em Navios Tanque (EFNT), Especial de Segurança em Operações de Cargas em NaviosTanque para Gás Liquefeito (ESOG) e Especial de Segurança em Operações de Carga em NaviosTanque para Produtos Químicos (ESOQ), sob a supervisão do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA), Órgão de Execução (OE) do Sistema do Ensino Profissional Marítimo (SEPM), para complementar a capacidade do OE na aplicação dos cursos do SEPM, quando pertinente, de modo a atender ao previsto no Programa do Ensino Profissional Marítimo (PREPOM Aquaviários) anual. [...] Ao término de cada curso autorizado, a FEMAR deverá enviar ao CIAGA a relação dos alunos aprovados, com o respectivo aproveitamento, a fim de possibilitar a emissão da Ordem de Serviço e dos Certificados Modelo DPC1034 correspondentes”. f) Portaria nº 188, de 6 de setembro de 2011, expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, que credenciava o Interessado, pelo prazo de 2 (dois) anos a contar de sua publicação no DOU, a “ministrar o Curso Especial de Segurança em Operações de Carga em Navios Petroleiros (ESOP), sob a supervisão do Centro de Instrução Almirante Graça Aranha (CIAGA), Órgão de Execução (OE) do Sistema do Ensino Profissional Marítimo (SEPM), para complementar a capacidade do OE na aplicação dos cursos do SEPM, quando Fl. 7783DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.784 77 pertinente, de modo a atender ao previsto no Programa do Ensino Profissional Marítimo (PREPOMAquaviários) anual. [...] Ao término do curso autorizado, a FEMAR deverá enviar ao CIAGA a relação dos alunos aprovados, com o respectivo aproveitamento, a fim de possibilitar a emissão da Ordem de Serviço e dos Certificados Modelo DPC1034 correspondentes”. g) Portaria nº 345, de 22 de novembro de 2013, expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, que nomeava dois militares “para desempenhar tarefas relativas à supervisão pedagógica do Curso de Adaptação para Oficial de Náutica, turma 04/2013, ministrado pela Fundação de Estudos do Mar – FEMAR”, isso no âmbito do “contido na subcláusula 5.3 do Convênio celebrado entre a Diretoria de Portos e Costas – DPC, a Petrobras Transporte S/A – TRANSPETRO e a Fundação de Estudos do Mar – FEMAR em 02 de maio de 2012”. h) Portaria nº 72, de 19 de setembro de 2005, expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, que credenciava o Interessado, pelo prazo de 3 (três) anos a contar de sua publicação no DOU, a “ministrar cursos para profissionais brasileiros não tripulantes, que poderão prestar serviços a bordo de navios de passageiros, [...]. Delegar competência àquela Fundação para emitir os correspondentes certificados decorrentes dos cursos realizados, em conformidade com o previsto no artigo anterior. Esses certificados deverão ser reconhecidos pelo Agente da Autoridade Marítima com jurisdição sobre a área onde o curso for realizado”. i) Portaria nº 80, de 12 de setembro de 2003, expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, que credenciava o Interessado, pelo prazo de 1 (um) ano a contar de sua publicação no DOU, a “ministrar cursos para profissionais brasileiros não tripulantes, que poderão prestar serviços a bordo de navios de passageiros, [...]. Delegar competência àquela Fundação para emitir os correspondentes certificados decorrentes dos cursos realizados, em conformidade com o previsto no artigo anterior. [...] Esses certificados deverão ser reconhecidos pelo Agente da Autoridade Marítima com jurisdição sobre a área onde o curso for realizado”. j) Portaria nº 66, de 24 de abril de 2012, expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, que credenciava o Interessado, pelo prazo de 3 (três) anos a contar de sua publicação no DOU, a “ministrar Cursos de Adaptação para: 2º Oficial de Náutica (ASON); 2º Oficial de Máquinas (ASOM); Aquaviários, Módulo Específico para Marítimos – Seção de Máquinas (CAAQI MM); e Aquaviários, Módulo Específico para Marítimos – Seção de Máquinas e Eletricidade (CAAQI ME), em Belém, sob a supervisão do Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar (CIABA), a fim de complementar a capacidade daquele Órgão de Execução (OE) na aplicação de cursos do Sistema do Ensino Profissional Marítimo (SEPM), quando pertinente, de modo a atender ao Fl. 7784DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.785 78 previsto no Programa do Ensino Profissional Marítimo (PREPOM Aquaviários) anual. [...]. Ao término de cada curso autorizado, FEMAR deverá enviar ao CIABA a relação dos alunos aprovados, com o respectivo aproveitamento, a fim de possibilitar a emissão da Ordem de Serviço e dos Certificados Modelo DPC1034 correspondentes, além de providências relativas aos estágios embarcados”. k) Exemplares de faturas emitidas pela FEMAR no curso dos anos 2008 e 2009, mencionando os objetos ensino e/ou desenvolvimento de pesquisa/tecnologia no respectivo campo descritivo. l) Portaria nº 61, de 21 de maio de 2008, expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, que alterava as “Normas para o Ensino Profissional Marítimo – Portuários e Atividades Correlatas”, ditava que os cursos de “ENSINO PARA EMPREGADOS DE AGÊNCIAS E DE EMPRESAS DE NAVEGAÇÃO, DE EMPRESAS OPERADORAS PORTUÁRIAS, DE ÓRGÃOS DE GESTÃO DE MÃODEOBRA DO TRABALHO PORTUÁRIO, DE SINDICATOS DE TRABALHADORES PORTUÁRIOS E DAS ADMINISTRAÇÕES PORTUÁRIAS” [...] “serão aplicados em todo o Brasil por intermédio da Fundação de Estudos do Mar – FEMAR” (fls. 2443/2532). m) Às fls. 4004/4025, o Contribuinte elenca os 395 “alunos cursantes da FEMAR, nos anos 2008/2009, não pertencentes às empresas que contribuem para o Fundo de Desenvolvimento do Ensino Profissional Marítimo”. n) Certidão expedida pela Diretoria de Portos e Costas da Marinha do Brasil – DPC, em 18/12/2013 (fl. 5591). o) Às fls. 4357/4516 encontrase a Relação de Empregados da FEMAR, no qual se destaca os “profissionais de ensino”, “técnicos de nível médio das ciências físicas, químicas, engenharia” e “professores leigos e de nível médio”. Caso ainda reste alguma dúvida sobre o caráter institucional de ensino do Contribuinte, passase a analisar os contratos, convênios e termos de cooperação nos quais a DRJ entendeu, data vênia equivocadamente, não serem relacionados à atividade de ensino. Da verificação analítica dos contratos da FEMAR 1. Contrato nº 41000/2005099/00, “celebrado entre o ARSENAL DE MARINHA DO RIO DE JANEIRO e a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR – FEMAR”, que teve por objeto “a Prestação de Serviços de apoio ao Sistema de Gestão Ambiental do Arsenal de Marinha por parte da CONTRATADA, conforme projeto básico, com o propósito de contribuir para o treinamento de pessoal, a análise de procedimento afetos à preservação e ao controle do meio ambiente, e às atividades de fiscalização de posturas ambientais”, assinado em 26/01/2006 e com vigência prevista para 1095 dias (e possíveis prorrogações), conforme termos aditivos (fls. 473/499). Fl. 7785DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.786 79 A DRJ entendeu ser esse contrato relativo à prestação de serviço de gestão ambiental para a Marinha, não se relacionando às atividades de ensino. Essa conclusão, no meu entender, foi feita mediante rasa análise do contrato, sendo necessária a leitura do inteiro teor do contrato para que se possa concluir seu objetivo. Após leitura do contrato, percebese que a FEMAR se obrigou a treinar/ensinar os participantes indicados pela Marinha sobre o controle e a prevenção ambiental, bem como gestão ambiental. Dessa forma, entendo que tal contrato tem relação com atividades de ensino. 2. Contrato nº 51213/2006004/00, “celebrado entre o CENTRO DE HIDROGRAFIA DA MARINHA e a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR – FEMAR”, que teve por objeto “dar apoio ao CHM em projeto de pesquisa de manipulação de imagens satélites, com ênfase na confecção do contorno de cartas náuticas vetoriais”, assim iniciado em 15/03/2006 e prorrogado até 15/03/2009, segundo Termo Aditivo (fls. 578/596). No caso, a DRJ entendeu ser um contato com objetivo de fornecer apoio às atividades de treinamento e não com o escopo de executálas. Contudo, o fato da atividade da FEMAR ser de apoio não impede que seja uma atividade voltada ao ensino. Quanto aos termos de cooperação (regulados pelo Decreto 6.170/2007) CIABA e CIAGA, cumpre destacar a qualidade de mera interveniente da FEMAR, isso porque o Termo foi firmado entre a Petrobras e a Marinha do Brasil. Os recursos gerados por esses Termos de Cooperação têm destino especifico, ou seja, a modernização dos Centros de Instituição de Ensino Profissional Marítimo, devendo respeitar várias condições impostas pela Petrobras, como por exemplo, a participação de licitação da Petrobras para aquisição de materiais e contratação de serviços. Saliento, ainda, que a possibilidade de dar outra destinação aos recursos dependerá de autorização da Petrobras, ou seja, a FEMAR deve aplicar tais recursos na modernização das suas escolas, sendo que a utilização diversa dependerá de autorização da Petrobrás (parte do Termo de Cooperação). Assim, notório o objetivo educacional desses Termos. 3. Contrato nº 31000/09087/00, celebrado entre a “MARINHA DO BRASIL (COMANDOGERAL DO CORPO DE FUZILEIROS NAVAIS), por intermédio do Comando do Material de Fuzileiros Navais e a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR (FEMAR)”, que teve por objeto a “realização de estudos, análises e pesquisas, incluindo a promoção de eventos, por meio do gerenciamento da preparação de dez (10) seminários, destinados a produzir subsídios para a implementação da Estratégia Nacional de Defesa”, assinado em 14/12/2009, a viger até 30/01/2010, prevista sua prorrogação por até 60 (sessenta) meses (fls. 972/981). Novamente, com a simples leitura do resumo do contrato, a DRJ entendeu ser um contrato de mero apoio logístico. Porém, ao analisar o contrato inteiro, percebese que a obrigação da FEMAR, conforme fl. 974, constituise em realizar estudos, pesquisa e análises, caracterizando o viés educacional. Fl. 7786DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.787 80 4. Contrato nº (ilegível), celebrado entre a “COMPANHIA MUNICIPAL DE ADMINISTRAÇÃO PORTUÁRIA e a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR”, que teve por objeto a realização de “estudos ambientais necessários à elaboração do Plano de Controle Ambiental do Porto do Forno, Arraial do Cabo”, assinado em 20/06/2006, com duração prevista para 7 (sete) meses (fls. 982/996). 5. Contrato nº 72000/2007004/00, celebrado entre a “DIRETORIA DE ADMINISTRAÇÃO DA MARINHA e a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR (FEMAR)”, que teve por objeto a execução de “estudos de viabilidade técnica para utilização de modal marítimo na logística de abastecimento da Marinha e a prestar serviços de qualificação e capacitação de pessoal, mediante a promoção de seminários, cursos e atividades congêneres”, assinado em 28/11/2007 e a ser cumprido até novembro/2008. E, em termos aditivos, observase a seguinte justificativa de alteração do contrato original (fls. 1047, 1048): “considerando a necessidade de ampliação [remanejamento] do número de turmas. Ao analisar ambos contratos, concluise que se tratam de contratos de realização de estudos de conteúdo de ensino marítimo profissional, bem como serviços de consultoria sobre o tema “estudos do mar”. Cabe destacar, ainda, que quanto ao contrato nº 5 foi estipulado cursos a serem lecionados pela FEMAR no anexo do contrato (“Plano Básico”), sendo que a Contribuinte seria a responsável pelo fornecimento de professores. É possível verificar todos os cursos ofertados pela FEMAR pelo contrato nº 5 no seu Termo Aditivo (fl. 1.047). Dessa forma, não prospera a alegação da DRJ, visto ser clara a relação com ensino dos contratos acima. 6. Contrato nº 442, celebrado entre a “FUNDAÇÃO COORDENAÇÃO DE PROJETOS, PESQUISAS E ESTUDOS TECNOLÓGICOS (COPPETEC) [...] e de outro lado a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR (FEMAR)”, que teve por objeto a prestação de “serviços de levantamentos oceanográficos e pesqueiros a serem realizados nas instalações dos sistemas submarinos de bioprodução”, assinado em 31/05/2006, com término previsto para 30/09/2008 (fls. 997/1011). Semelhante contrato (de nº 75) vai às fls. 1012/1026. Tal contrato também possui clara vertente educacional, isso porque, o contrato determina a realização de pesquisas e estudos vinculados aos aspectos marítimos. É possível concluir tal afirmação principalmente ao analisar a terceira cláusula do contrato, na qual dispõe sobre a propriedade intelectual. 7. Contrato nº 51000/2008002/00, celebrado entre a “União Federal, por intermédio da DIRETORIA DE HIDROGRAFIA E NAVEGAÇÃO – DHN, Organização Militar pertencente à Marinha do Brasil, e a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR – FEMAR”, assinado em 13/10/2008 e a viger até 10/10/2011 (segundo termos aditivos) (fls. 1071/1085). 8. Contrato semelhante ao anterior (sob nº 51000/2005002/02), em tempo passado, já havia sido firmado. Em termo aditivo, prorrogavase a sua execução até 16/09/2008 (fls. 1086/1090). 9. Contrato nº 51000/2008001/00, celebrado entre a “DIRETORIA DE HIDROGRAFIA E NAVEGAÇÃO – DHN, Organização Militar pertencente à Marinha do Brasil, e a Fl. 7787DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.788 81 FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR – FEMAR”, assinado em 27/03/2008 e a viger até 17/03/2009. 10. Contrato nº 53000/2006001/00, celebrado entre o “INSTITUTO DE ESTUDOS DO MAR ALMIRANTE PAULO MOREIRA (IEAPM) e a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR (FEMAR)”, assinado em 31/01/2006 e a ser cumprido até 31/12/2009 (segundo termos aditivos), que teve por objeto “dar apoio ao IEAPM em projeto de pesquisa de criação de um Sistema de Previsão do Ambiente Acústico para o Planejamento das Operações Navais” (fls. 1272/1293). 11. Segue às fls. 1294/1308 contrato sob nº 53000/2009018/00 semelhante ao relatado no parágrafo anterior “10”. Mais uma vez afirmou a DRJ que se tratam apenas de contratos referentes a prestação de serviços de apoio às atividades de treinamento, ensino e gestão. Os contratos nº 7 e 8 são chamados de Projeto GOOS e são relativos a uma plataforma de dados para utilização em estudos e pesquisas. O Brasil participa dessa plataforma por meio da Marinha, de modo que o Contribuinte atuou na área de pesquisas, uma vez que possui grande conhecimento e experiência nos assuntos de ensino marítimo. Quanto ao contrato nº 9, diferente do que concluiu a DRJ, não se trata de mero apoio por parte da FEMAR, visto que age de forma direta nas atividades educacionais. Já quanto ao contrato nº 10 percebese que os ensinos desenvolvidos pela FEMAR não são apenas direcionados ao ensino profissional marítimo, mas para todos assuntos do mar. Assim, temse que o referido contrato guarda relação com as atividades essenciais do Contribuinte. O contrato 11 é semelhante aos acima especificados. Assim, impossível concluir que se trata contratos com objeto diverso da finalidade da FEMAR. 12. Contrato nº 52000/2007005/00, celebrado entre a “Diretoria de Portos e Costas (DPC) e a Fundação de Estudos do Mar (FEMAR)”, assinado em 15/03/2007 e a viger pelo prazo de 24 (vinte e quatro) meses (conforme termo aditivo), que teve por objeto a “Implantação de Sistemas de Gestão Ambiental em Organizações Militares da Marinha que tenham potencial de poluição e Auditoria Interna Ambiental nessas Organizações e outros [...]” (fls. 1103/1112). 13. Contrato semelhante ao anterior (sob nº 52000/2009006/00) vai firmado em 20/03/2009 (fls. 1113/1129). Segundo a DRJ ambos contratos se tratam de gestão ambiental, ou seja, serviços que não tem relação com a finalidade da FEMAR. No entanto, ao analisar o Plano Básico do contrato, percebese indubitavelmente que os serviços contratados eram de “projetos de desenvolvimento e implantação de sistemas de gestão, fiscalização ambiental, englobando estudos e pesquisas em organizações Militares da Marinha que tenham potencial de poluição”, além de “elaboração de cursos, palestras e programas de ensino ambientais para os agentes da Autoridade Marítima lotados em cargos de Direção e Ajudante das Capitania, Delegacia e Agência e outro evento direcionados à da área marítima, portuária e atividades correlatas”. Assim, se mostra evidente o caráter educacional do contrato. Fl. 7788DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.789 82 14. Contrato nº 53000/200916/00, celebrado entre a “União Federal, por intermédio da MARINHA DO BRASIL, neste ato representada pelo Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira (IEAPM) e a Fundação de Estudos do Mar (FEMAR), assinado em 08/12//2009 e a viger por 2 (dois) meses, que teve por objeto “a execução de serviços referentes ao ‘Projeto de Revitalização do Museu Oceanográfico da Marinha’, constando de projeto executivo; projeto gráfico e produção de painéis, legendas e suportes museográficos; projeto de pesquisa histórica, projeto “Módulo Biodiversidade’, vídeo animação, relatório e produção de exposição de longa duração, vitrines, material instrucional e educativo, execução dosexperimentos científicos, seleção e tratamento técnico do acervo multidisciplinar; montagem de novo circuito de exposição de longa duração, com o desenvolvimento esupervisão de museólogo especializado; [...]” (fls. 1260/1271). A DRJ concluiu que o contrato acima versa sobre prestação de serviço de intermediação, gerenciamento de reformas de maquinas e instalações físicas da Marinha. Entretanto, após análise do contrato, concluise que objetivam projetos de revitalização do Museu Oceanográfico da Marinha. A FEMAR atua nesses contratos como entidade de apoio às atividades educacionais. Aqui podemos mencionar o artigo 1º, da Lei n. 8.958/94, que permite às instituições federais de ensino a contratar Fundações criadas com a finalidade de dar apoio a projetos de pesquisa, ensino e derivados, permitida a aquisição de equipamentos laboratoriais, insumos e inclusive gestão administrativa e financeira desses Convênios. O que se pretende, aqui, é demonstrar que a União Federal admite que Fundações com a mesma natureza da FEMAR exercitem atividades como aquisição de materiais e gestão. Assim, temse a promoção de cunho educacional realizada pela FEMAR no contrato acima. 15. Contrato nº 47000/2006029/00, celebrado entre o “INSTITUTO DE PESQUISAS DA MARINHA e a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR – FEMAR”, assinado em 05/09/2006 e a ser cumprido até 06/09/2007, que teve por objeto “a prestação de serviços em apoio ao desenvolvimento do Sistema de Controle de Máquinas (SCM) da Corveta ‘Barroso’ [...]” (fls. 1309/1329). 16. Segue às fls. 1330/1478 contratos sob nº 47000/2008010/00, 47000/2007019/00, 47000/2008022/00, 47000/2008021/00 e 47000/2006031/00 semelhantes (há referência ao desenvolvimento de variadas espécies de sistemas de controle, assim aplicados a objetos também diversos, como embarcações, mísseis) ao relatado no parágrafo anterior “15”. 17. Segue às fls. 1500/1514 contrato sob nº 007FINEPFP/ FEMAR/2009/00 semelhante (há referência ao desenvolvimento d’outra espécie de sistema tecnológico) ao relatado no parágrafo anterior “16”. 18. Contrato de patrocínio nº 6000.000022641.06.2, celebrado entre “PETRÓLEO BRASILEIRO S.A. – PETROBRÁS E FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR”, assinado em 30/06/2006 e a ter duração de 274 dias, que teve por objeto “o patrocínio pela PETROBRÁS, ao projeto de revitalização da Estação Antártica Comandante Ferraz – EACF, de substituição dos tanques de combustível e viabilização da Operação Antártica XXV, cuja realização está a cargo da PATROCINADA” (fls. 1544/1562). 19. Segue às fls. 1578/1615 contratos sob nº 12000/2004003/00 e nº 12000/200907/00 semelhantes (o objeto passa a ser “assessoria e acompanhamento TécnicoCientífico do Plano Setorial para os Recursos do Mar (PSRM) e de estruturação/implementação da Ação de Monitoramento Oceanográfico e Climatológico”) ao relatado no contrato de número “18”. Fl. 7789DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.790 83 Afirma a DRJ que os contratos acima pactuam uma “prestação de serviço de desenvolvimento de sistemas navais e de armas da Marinha que não guardam relação direta com as atividades de educação”. Contudo, ao analisar o Projeto Básico do contrato 15, temse que as atividades a serem executadas pela FEMAR consistem na elaboração de palestras, folders e apostilas para cursos de operação e manutenção. Configurandose, assim, o caráter de ensino do contrato. O contrato 18, por sua vez, teve por objeto a reforma de um laboratório (Estação Antártica Comandante Ferraz). Contratos de Patrocínio, como ressaltou o Contribuinte em seu Recurso Voluntário, não são faturados e nunca são de prestação de serviço. É dizer, o Contribuinte não prestou serviço nesse contrato. O que ocorreu de fato foi a obtenção de um doador que aceitasse contribuir para a revitalização do referido laboratório, que, por sua vez, é utilizado para execução de pesquisas da FEMAR. Mostrase o caráter educacional, inclusive por se resultar de um auxilio sem contrapartida para a renovação do laboratório. O mesmo acontece nos outros contratos, no qual o Projeto Básico determina que serão executados cursos de operação de ferramenta ofertado pela FEMAR, relacionando, então, com sua atividade educacional. 20. Contrato nº 014/200605/00, celebrado entre a “FUNDAÇÃO PARQUE DE ALTA TECNOLOGIA DA REGIÃO DE IPERÓ E ADJACÊNCIAS (FUNDAÇÃO PÁTRIA) E A FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR (FEMAR)”, assinado em 29/05/2006 e a ser cumprido até 21/06/2009 (segundo termos aditivos), vinculado ao Termo de Cooperação firmado entre a FEMAR o CASNAV. Segundo o Projeto Básico, tal contrato possui como objeto “apoiar o projeto SisAqua na pesquisa e no desenvolvimento do software aplicativo para o Sistema de Monitoramento de Tráfego Aquaviario (SisAqua), na sua implantação e na documentação, usando sólidos conhecimentos e experiência de controle de trafego aquaviário, bem como em conversão e digitalização de cartas hidroviárias, georeferenciadas”. Concluise, então, que o presente contrato tem como objetivo a pesquisa estratégica, corroborando com a finalidade da Fundação. 21. Contrato nº 12000/2008006/00, celebrado entre a “COMISSÃO INTERMINISTERIAL PARA OS RECURSOS DO MAR – CIRM, por intermédio de sua Secretaria – SECIRM e a FUNDAÇÃO DE ESTUDOS DO MAR (FEMAR)”, assinado em 11/12/2008, a ser executado em 24 (vinte e quatro) meses (conforme termo aditivo), que teve por objeto a “prestação de apoio e assessoria/consultoria técnica especializada para a elaboração de uma nova proposta de limite exterior da plataforma continental brasileira, envolvendo a aquisição de equipamentos e a contratação de serviços e profissionais, de acordo com o Projeto Básico, visando à aquisição, ao processamento e à interpretação de dados geológicos e geofísicos, bem como ao custeio da participação de especialistas brasileiros em reuniões técnicas e seminários, no país e no exterior, e no processo de defesa da nova proposta junto à Comissão de Limites da Plataforma Continental (CLPC)”. Dizse ainda com pertinência ao corrente contrato que Fl. 7790DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.791 84 de “acordo com a Lei 11.824, de 13 de novembro de 2008, foi aberto ao Orçamento Fiscal da União um crédito especial no valor de R$ 167.400.000,00 [...], para atender ao Projeto Básico. [...] Foram alocados, ao presente contrato, recursos do PA/2008, no valor R$ 20.000.000,00 [...], para atender ao previsto no Projeto Básico para o ano de 2008. [...] Os demais recursos, de até R$ 147.400.000,00 [...], destinados a atender as demais tarefas do Projeto Básico, ficam dependentes da liberação dos respectivos créditos pelo Governo Federal e serão objeto de Termo Aditivo a este contrato” (fls. 1563/1577). O voto vencedor entendeu que o contrato acima tinha por objetivo a prestação de apoio e consultoria para a elaboração de uma proposta de limite exterior da plataforma continental brasileira. Temse que a FEMAR não possui a finalidade única de promover estudos relacionados ao Ensino Profissional Marítimo. Assim, concluise que esse contrato é relativo ao projeto de pesquisa que busca interpretar os dados geológicos e geofísicos, efetivado por meio de reuniões e seminários no pais e no exterior, liderado pela Marinha do Brasil. Como explica o contribuinte em seu Recurso Voluntário (fl. 7636), esse projeto de pesquisa fundouse com o objetivo de coletar dados do Oceano Atlântico Sul e Equatorial, com base em pesquisas e análises. Dessa forma, vislumbravase que o Brasil chegasse aos parâmetros exigidos pela Convenção das Nações Unidas para o Direito do Mar. Assim, coube ao Contribuinte colher esses dados e organizálos, configurando caráter de ensino, desenvolvimento e pesquisa. Além do exposto, tratou o representante da Fundação de demonstrar seu propósito educacional, por meios de entrega a esse Conselho dos seguintes documentos (também digitalizados nesse processo): a) “Guia do Professor”, no qual informa sobre os cursos (localização, programação, objetivos, etc), bem como sobre a própria fundação. b) “Catalogo de Cursos”, no qual discrimina todos os cursos ofertados pela FEMAR, bem como suas informações gerais. c) “Guia do Instrutor”, documento no qual demonstra o que se espera do instrutor da FEMAR, bem como a metodologia que eles devem respeitar para promover os cursos. d) Folhetos e folders informando sobre os seminários ofertados pela fundação. Impossível, a partir daí, não classificar a FEMAR como fundação dedicada ao ensino, à pesquisa e ao desenvolvimento voltada para o público em geral. Concluo, assim, estar presente a caracterização da fundação como instituição de ensino profissional marítimo e pesquisa. Fl. 7791DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.792 85 Da Inexistência de remuneração aos dirigentes O julgamento da DRJ entendeu que houve remuneração ao Sr. Lucio Franco de Sá Fernandes (superintendente executivo) e ao Sr. Sérgio Luiz Coutinho (primeiro titular da presidência) da FEMAR durante o período da fiscalização, ofendendo o disposto no artigo 12, §2º, alínea “a” da Lei nº 9.532/97. No entendimento do julgamento de primeira instância, a palavra “dirigentes” foi conceituada como os responsáveis ou corresponsáveis pela instituição. Esse conceito não assiste razão, uma vez ser extremamente amplo, capaz de abranger inclusive os advogados e contadores da Fundação, visto que eles também são pessoalmente responsáveis pelos documentos que assinam. Dessa forma, essa definição claramente perpassa os limites devidos. A Receita Federal do Brasil na Instrução Normativa nº 113/98 entende de forma diversa, in verbis: DIRIGENTES Art. 4o Para gozo da imunidade, as instituições imunes de que trata o art. 1o não podem remunerar, por qualquer forma, seus dirigentes pelos serviços prestados. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, entendese como dirigente a pessoa física que exerça função ou cargo de direção da pessoa jurídica, com competência para adquirir direitos e assumir obrigações em nome desta, interna ou externamente, ainda que em conjunto com outra pessoa, nos atos em que a instituição seja parte. § 2o Não se considera dirigente a pessoa física que exerça função ou cargo de gerência ou de chefia interna na pessoa jurídica. § 3o A instituição que atribuir remuneração, a qualquer título, a seus dirigentes, por qualquer espécie de serviços prestados, inclusive quando não relacionados com a função ou o cargo de direção, infringe o disposto no caput, sujeitandose à suspensão do gozo da imunidade. § 4o Às pessoas a que se refere o § 2o podem ser atribuídas remunerações, tanto em relação à função ou cargo de gerência, quanto a outros serviços prestados à instituição. Como depreende do Estatuto da FEMAR, a Superintendência Executiva é um órgão subordinado ao Conselho Curador, de modo a apenas efetivar os ditames de tal Conselho. Vejamos: Art. 28. Compete ao Superindentente Executivo: I – substituir o Presidente da Fundação em suas ausências e impedimentos; I – supervisionar os serviços e as atividades da Fundação, conforme orientação geral do Presidente da Fundação e o que Fl. 7792DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.793 86 dispuser o Regimento Interno; (acrescido na alteração estatutária de 27/11/2008 fl. 2286) II – submeter à aprovação do Presidente da Fundação as propostas de alterações do Regimento Interno e a emissão de Ordens [“Nomas”, na alteração estatutária de 27/11/2008 – fl. 2286] Internas da Fundação; III – submeter à aprovação do Presidente da Fundação os Planos de Trabalho, os Programas de Atividade e de Investimentos e a Proposta Orçamentária para o ano subseqüente e promover a execução dos que forem ratificados pelo Conselho Curador; IV – supervisionar a elaboração anual do Plano de Cargos e Salários da Fundação; V – supervisionar a elaboração da Prestação de Contas e Relatório Anual da Fundação; e VI – demais atribuiçõeos que vierem a ser delegadas pelo Presidente da Fundação. (fls.2272/2273) O mesmo acontece com a competência do presidente, conforme Estatuto da FEMAR: Art. 26. São atribuições do Presidente da Fundação: [...] II – cumprir e fazer cumprir as decisões do Conselho Curador [passa a ser o inciso I na alteração estatutária de 27/11/2008 – fl. 2285]; [...] VI – celebrar contratos, acordos e convênios de interesse da Fundação, aprovados pelo Conselho Curador; (fl. 2272) [passa a ser o inciso V na alteração estatutária de 27/11/2008 – fl. 2285] E, por fim, sobre o Conselho Curador, o Estatuto determina que: Art. 23. Compete ao Conselho Curador: [...] V – Fixar a orientação geral das atividades, deliberando mediante proposta do Presidente da Fundação, ouvido previamente o Conselho fiscal, sobre os programas e projetos relativos às atividades da Fundação; Posto isso, concluise que as atribuições do Superintendente, bem como as do Presidente são subordinadas ao Conselho Curador que, por sua vez, possui poderes de mando. Nada faz o Presidente sozinho, muito menos o Superintendente. Fl. 7793DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.794 87 Assim entende esse Conselho: IRPJ INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO SUSPENSÃO DA IMUNIDADE TRIBUTÁRIA As mantenedoras de estabelecimentos de ensino podem ter a imunidade tributária suspensa nos precisos termos do parágrafo 1º, do artigo 14, do Código Tributário Nacional, por descumprimento do inciso I do mesmo artigo. Porém, o pagamento regular de salários e outras rubricas trabalhistas, em retribuição de serviços prestados ao estabelecimento mantido, não carateriza, por si só, desobediência ao comando legal, exceto quando a fiscalização provar que a situação assim apresentada configura distribuição simulada de resultados, o que não foi sequer aventado nos autos. CSLL SUSPENSÃO DA ISENÇÃO Não é suficiente para se considerar desatendido o disposto no § 2º do art. 12 da lei nº 9.532/97 o regular pagamento de salários aos dirigentes da mantenedora em retribuição a serviços prestados na entidade mantida, quando fiscalização não provar que a situação apresentada configura distribuição simulada de resultados, o que não foi sequer aventado nos autos. (Acórdão n. 10707340, sessão de 15/10/2003) Mesmo assim, resta demonstrado nas folhas de pagamento juntadas aos autos às fls. 4347/4359, bem como nas DIRF’s que os únicos pagamentos que existiram em nome dos Srs. Lucio Franco de Sá Fernandes e Sérgio Luiz Coutinho foram pagos quando eram empregados celetistas (regulados pela CLT). Outros Argumentos Alega a Recorrente, por fim, que não deveria incidir PIS e COFINS sobre rendas não classificadas como faturamento, que não houve a correta observância de princípios processuais e que as multas aplicadas não se revestem de razoabilidade. São discussões que fogem à competência do CARF, em razão do Decreto 70.235/72 e normas regimentais aplicáveis a esse Conselho. Dessa forma, reiterando os fundamentos do Voto Vencido da DRJ, voto pelo cancelamento total do Auto de Infração, afastada a validade do Ato Declaratório Executivo nº 140, de 19 de dezembro de 2013. Ante o exposto CONHEÇO do Recurso e, no mérito, voto por DAR PROVIMENTO TOTAL ao Recurso Voluntário. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Apelbaum Relator Fl. 7794DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 12448.727728/201335 Acórdão n.º 1201001.444 S1C2T1 Fl. 7.795 88 Fl. 7795DF CARF MF Impresso em 07/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por RONALDO APELBAUM, Assinado digitalmente em 07/07/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 10680.722858/2014-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 16 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2011
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98).
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2201-003.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário (Súmula CARF nº 98). Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah (Presidente), Carlos Alberto Mees Stringari, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz e Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 28 58 /2 01 4- 84 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.722858/201484 Acórdão n.º 2201003.038 S2C2T1 Fl. 88 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se alterou o resultado da declaração de ajuste anual de saldo de imposto a restituir no valor de R$ 20.416,77 para saldo de imposto a restituir no valor de R$ 9.758,00. Consta da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, às fls. 10/12, que foi constatada, na declaração do contribuinte, dedução indevida de pensão alimentícia judicial e dedução indevida de despesas médicas. O contribuinte apresentou a impugnação de fl. 6, que foi julgada improcedente por meio do acórdão de fls. 66/69, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2013 DEDUÇÕES LEGAIS. PENSÃO ALIMENTÍCIA. A dedução da pensão alimentícia em declaração de ajuste é possível se os alimentos comprovadamente pagos encontram amparo em decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. Cientificado da decisão de primeira instância em 25/03/2015 (fl. 72), o Interessado interpôs, em 23/04/2015, o recurso de fls. 73/74, acompanhado dos documentos de fls. 75/83. Na peça recursal faz referência à juntada, aos autos deste processo, da Carta de Sentença nº 26.504, que, nas cláusulas 17 e 23, esclarece a pensão paga a Sra. Maria Elisabeth Dazzi, aduzindo, em seguida, que os documentos anexados à peça recursal fazem prova de que o pagamento decorre, de fato, de decisão judicial. Pede a revisão da decisão recorrida. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Cingese a controvérsia à glosa de dedução de pensão alimentícia judicial em favor da excônjuge do Recorrente, no valor de R$ 10.836,00, uma vez que as demais glosas efetuadas pela Autoridade lançadora não foram objeto de impugnação. Em 09/12/2013 foi aprovada a Súmula CARF nº 98, com o seguinte teor: Súmula CARF nº 98: A dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física é permitida, em Fl. 88DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.722858/201484 Acórdão n.º 2201003.038 S2C2T1 Fl. 89 3 face das normas do Direito de Família, quando comprovado o seu efetivo pagamento e a obrigação decorra de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente, bem como, a partir de 28 de março de 2008, de escritura pública que especifique o valor da obrigação ou discrimine os deveres em prol do beneficiário. Assim, a dedução de pensão alimentícia da base de cálculo do IRPF está condicionada à comprovação de dois requisitos: a) o efetivo pagamento; e b) a obrigação decorrer de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública que especifique o valor da obrigação, neste último caso, a partir de 28/03/2008. O “Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” de fl. 5 revela que houve o desconto, nos proventos de aposentadoria do Interessado, de pensão alimentícia judicial no valor de R$ 10.836,43, cuja beneficiária é a Sra. Maria Elisabeth Dazzi, excônjuge do Recorrente. Os julgadores da instância de piso mantiveram a glosa porque não foi apresentada cópia de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública que especificasse a obrigação alimentar do Interessado. Nesta sede recursal foram apresentados os seguintes documentos: Primeira folha da Carta de Sentença referente ao Processo nº 26.504 (035990025468) onde o Exmo. Juiz de Direito da 1ª Vara de Família de Vila Velha/ES faz saber que, perante aquele Juízo, processouse a Ação de Separação Consensual requerida por Chequer Hanna Bou Habib e Maria Elisabeth Dazzi Chequer. A requerimento das partes foi expedida a Carta de Sentença referente ao apartamento do Edifício Solar XV de Novembro. Lêse, na referida folha, que a Carta de Sentença foi passada em favor dos filhos dos Requerentes, com reserva de usufruto para o cônjuge virago Maria Elisabeth Dazzi Chequer (fl. 75). Petição dirigida ao Exmo. Juiz de Direito da 1ª Vara de Família de Vila Velha/ES requerendo a homologação de separação judicial consensual, tratando de vários pontos, dentre eles sobre a pensão alimentícia aos filhos e a excônjuge (fls. 76/83). À evidência, o Interessado não se desincumbiu de comprovar, nos termos da legislação que rege a matéria e da Súmula CARF nº 98, que os alimentos descontados de seus proventos decorrem de decisão judicial, de acordo homologado judicialmente ou de escritura pública, haja vista que, na única folha da Carta de Sentença apresentada, não há qualquer menção à obrigação alimentar a cargo do Recorrente para com a sua exesposa. Nesse contexto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 89DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10680.722858/201484 Acórdão n.º 2201003.038 S2C2T1 Fl. 90 4 Fl. 90DF CARF MF Impresso em 16/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 25/04/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por EDUARDO TADEU FARAH
score : 1.0
Numero do processo: 10932.000066/2006-36
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Jul 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003
DEPÓSITO BANCÁRIO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO.
Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a presunção de omissão de rendimento a prévia intimação do titular da conta bancária. A falta de intimação é vício material que gera nulidade do lançamento.
Numero da decisão: 2202-003.450
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, para conhecer e analisar o Recurso de Ofício interposto pela DRJ. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso de Ofício, cancelando o lançamento, por vício material, vencida a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), que negou provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2000, 2001, 2002, 2003 DEPÓSITO BANCÁRIO. VÍCIO NA INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a presunção de omissão de rendimento a prévia intimação do titular da conta bancária. A falta de intimação é vício material que gera nulidade do lançamento.
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VÍCIO NA INTIMAÇÃO PRÉVIA AO LANÇAMENTO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a presunção de omissão de rendimento a prévia intimação do titular da conta bancária. A falta de intimação é vício material que gera nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos inominados, para conhecer e analisar o Recurso de Ofício interposto pela DRJ. Por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso de Ofício, cancelando o lançamento, por vício material, vencida a Conselheira Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), que negou provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 00 66 /2 00 6- 36 Fl. 370DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de Embargos Inominados, opostos pela Presidente da 2ª Câmara da 2ª SeJul, contra o Acórdão CARF nº 2202002.542, que não conheceu do recurso de ofício em função de o acórdão da DRJ não ter alcançado o limite mínimo de alçada. Conforme apontado nos Embargos Inominados, o valor exonerado é sim superior ao limite de alçada, devendo, portanto, o Recurso de Ofício ser conhecido. Tendo resumido o processo, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Em 21/07/2006 foi lavrado auto de infração (fls. 21/27) em desfavor da Contribuinte supra indicada, indicando como infração a “Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada”. Foram constituídos R$ 894.757,28 a título de IRPF do anoscalendário de 2000, 2001, 2002 e 2003, além de juros de mora e de multa de 112,5%. Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 11/15), a fiscalização se debruçou sobre os exercícios de 2001 a 2004, em função de procedimento criminal, uma vez que foi apurada movimentação financeira incompatível com os rendimentos declarados. Também, que a Contribuinte foi devidamente intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários identificados pela fiscalização, mas que se manteve silente. Enfim, que foram considerados os descontos solicitados pela contribuinte em suas DIRPFs, bem como foram excluídos os valores que sofreram tributação exclusiva na fonte. Ainda conforme o TVF, “O lançamento se deu com o agravamento da multa de ofício para 112,5% (cento e doze virgula cinco por cento), por não atendimento da intimação para justificar a movimentação financeira.” (fl. 15). Intimada do lançamento em 01/08/2006 (fl. 41), a Contribuinte apresentou Impugnação em 30/08/2006 (fls. 43/60 e docs. anexos fls. 61/117). Levado a julgamento, a DRJ/BEL proferiu o acórdão 0112.754, de 23/12/2008 (fls. 134/137), que entendeu ser necessário anular o lançamento, por vício na intimação da Contribuinte, antes do lançamento, para comprovar a origem dos recursos. A própria DRJ recorreu de ofício desse acórdão, ao fundamento de que o crédito exonerado ultrapassava o limite de alçada. Devidamente intimada em 06/08/2009, a Contribuinte mantevese silente. O processo foi então encaminhado para este e.CARF onde o Cons. Relator constatou faltar todo o 1º volume dos autos, que foram então digitalizados e anexados (fls. 144/364). Nesse volume constam o Termo de Início de Fiscalização, as Requisições de Informação sobre Movimentação Financeira, as respostas dos bancos e os respectivos extratos, entre outros documentos. Fl. 371DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10932.000066/200636 Acórdão n.º 2202003.450 S2C2T2 Fl. 371 3 O processo foi então levado a julgamento, sendo proferido o acórdão CARF nº 2202002.542, de 20/11/2013 (fls. 347/351), que restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2001, 2002, 2003, 2004 RECURSO DE OFÍCIO LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA NÃO CONHECIMENTO Não se conhece de apelo de ofício quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado” As razões de decidir podem ser assim resumidas: “Não obstante, há fato superveniente que impede o conhecimento do presente recurso de ofício. Isto porque com a edição da Portaria MF nº 3, de 2008, que elevou de R$500.000,00 para R$1.000.000,00 o limite de alçada, aplicandoo ainda apenas à soma de principal e encargos de multa, o valor exonerado pela decisão de primeira instância não ensejaria a revisão de ofício da r. decisão.” Despachada a intimação da Fazenda Nacional em 12/02/2014, a Procuradora interpôs Recurso Especial em 06/03/2014 (fls. 353/358 e docs. anexos fls. 359/365), na qual apontou divergência sobre a aplicabilidade de norma procedimental posterior a fato ocorrido anteriormente à sua entrada em vigor. Acontece que a Presidência dessa 2ª Câmara da 2ª SeJul, ao analisar a admissibilidade do REsp, observou que houve erro material no acórdão recorrido, opondo, ela mesma, Embargo Inominado (fls. 367/368). Neste, explicou que: “compulsando o acórdão de Primeira Instância, constatase que foi exonerado o total do crédito tributário (fl. 330), sendo que a soma do imposto e multa totaliza R$ 1.901.359,20 (Auto de Infração de fls. 216).” Enfim, vieramme os autos. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fazemse presentes os requisitos de admissibilidade do Embargo Inominado, conforme o próprio Despacho que o interpôs e o admitiu (fls. 367/368), de forma que dele tomo conhecimento. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 4 Dos Embargos Inominados: Os Embargos Inominados estão regulamentados no art. 66 do RICARF ora vigente, e devem ser opostos quando houver “inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão”, como é o caso. O acórdão embargado não conheceu do recurso de ofício sob o argumento de que o valor exonerado não alcançava o limite de alçada, especificamente R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais), conforme Portaria MF nº 3/2008. Acontece que o Auto de Infração ora sub litígio constituiu os seguintes valores: Imposto Multa Total R$ 894.757,28 R$ 1.006.601,92 R$ 1.901.359,20 Tendo em vista que o acórdão nº 0112.754, proferido pela DRJ nesses autos, anulou o lançamento, concluise que exonerou integralmente o valor constituído. Portanto, tem razão a embargante, devendo ser corrigido o acórdão CARF nº 2202002.542, de forma que o Recurso de Ofício deve ser conhecido e julgado. Do Recurso de Ofício: A DRJ/BEL recorreu de ofício de sua própria decisão, tendo em vista que exonerou valor superior ao limite de alçada. Sendo recebido e conhecido o Recurso de Ofício, impende analisar os seus fundamentos e a adequação de suas conclusões. O acórdão DRJ nº 0112.754, de 23/12/2008 (fls. 134/138), que entendeu pela nulidade do lançamento, restou assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INTIMAÇÃO. A intimação do titular da conta bancária para comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações é requisito essencial para caracterizar a presunção legal de omissão de rendimentos. Sua falta acarreta a nulidade por vicio formal do lançamento. Lançamento Nulo” As razões de decidir podem ser assim resumidas: “Analisandose, porém a Intimação Fiscal de fl. 196, que tem por objeto justificar a origem dos valores creditados/depositados em suas contas correntes, constatase que há irregularidade de ciência do sujeito passivo. Entregouse a referida correspondência em 03/05/2006 (fl. 207) no seguinte endereço: Rua São José, 261 – apto. 201 – Alto da Boa Vista – São Paulo/SP. No entanto, no dia 10/04/2006, com a entrega da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF do Fl. 373DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 10932.000066/200636 Acórdão n.º 2202003.450 S2C2T2 Fl. 372 5 exercício 2006, a contribuinte alterou o endereço para Rua Baru, 102 – Jd. Cordeiro – São Paulo (fls. 325/326). Logo, a impugnante não foi regularmente cientificada dessa intimação fiscal.” Com razão a DRJ. · As folhas indicadas no trecho transcrito são aquelas da inscrição manual. O Aviso de Recebimento (AR) de 03/05/2006 consta, no processo digital, à fl. 9; já a DIRPF/2006, entregue em 10/04/2006, que efetivamente informa a mudança do endereço, consta às fls. 129/130 do processo digital; · Tendo em vista que o referido Termo de Intimação foi lavrado em 24/04/2006 (fl. 203), já o foi após a entrega da DIRPF/2006, não havendo que se alegar que a autoridade fiscalizadora desconhecida o novo endereço da Contribuinte; · O AR foi assinado por outra pessoa, de nome Sebastião, inexistindo nos autos qualquer indicação de que se trate de procurador da Contribuinte; e · O AR referente ao Auto de Infração e ao Termo de Verificação Fiscal, emitido tão somente 3 (três) meses depois, já foi enviado endereço correto (fl. 41). Enfim, a intimação do Contribuinte, previamente ao lançamento do auto de infração baseado no art. 42 da Lei nº 9.430/1996, é requisito essencial para a referida presunção. Nesse sentido, uma vez que foi observado vício na intimação, impende reconhecer a nulidade do lançamento ora analisado, devendo ser negado provimento ao recurso de ofício nesse quesito. Equivocase, entretanto, a autoridade julgadora de primeiro grau no que toca à natureza do vício. A falta de intimação do Contribuinte para comprovar a origem dos recursos não é vício formal, e sim vício material. Essa turma já decidiu nesse sentido em outras oportunidades: Acórdão CARF nº 2202003.061, de 09/12/2015: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DE TODOS OS COTITULARES. NULIDADE DO LANÇAMENTO. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Súmula CARF nº 29. Recurso Voluntário Provido. Fl. 374DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 6 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal.” Acórdão CARF nº 2202003.131, de 28/01/2016: “DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. FALTA DE INTIMAÇÃO DOS COTITULARES. SÚMULA CARF Nº 29. Todos os cotitulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade do lançamento por vício material, vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA, que declarou a nulidade por vício formal.” Enfim, a falta de intimação da Contribuinte, durante a fiscalização, para comprovar a origem dos depósitos se configura vício material. Nesses termos, não se aplica a regra do art. 173, II, do CTN, diferentemente do que estabeleceu a DRJ. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por acolher os Embargos Inominados para conhecer do Recurso de Ofício interposto pela própria DRJ. Neste, voto por dar provimento parcial ao recurso de ofício, mantendo a nulidade do lançamento, mas alterando a conclusão, para que fique configurada a ocorrência de vício material, à qual não se aplica a regra do art. 173, II, do CTN. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto – Relator. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 20/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 19/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
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