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Numero do processo: 10283.006485/2006-73
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 07/01/2002 a 31/07/2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÕES.
A omissão do colegiado sobre determinado aspecto do litígio dá azo a embargos de declaração.
INEXISTÊNCIA DE EFEITOS INFRINGENTES.
Não há se falar em efeitos infringentes quando a conclusão do julgamento remanesce inalterada depois de sanada a omissão. Embargos desprovidos.
Numero da decisão: 3101-001.144
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento aos embargos de declaração. Vencidos o conselheiro Henrique Pinheiro Torres, na forma do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: VALDETE APARECIDA MARINHEIRO
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OMISSÕES. A omissão do colegiado sobre determinado aspecto do litígio dá azo a embargos de declaração. INEXISTÊNCIA DE EFEITOS INFRINGENTES. Não há se falar em efeitos infringentes quando a conclusão do julgamento remanesce inalterada depois de sanada a omissão. Embargos desprovidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em negar provimento aos embargos de declaração. Vencidos o conselheiro Henrique Pinheiro Torres, na forma do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado. Henrique Pinheiro Torres Presidente Valdete Aparecida Marinheiro Relatora Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Elias Fernandes Eufrásio, Tarásio Campelo Borges e Vanessa Albuquerque Valente. Relatório Fl. 3093DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.16133.1G5G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11283.006485/200673 Acórdão n.º 310100.144 S3C1T1 Fl. 2 2 Tratam os autos de embargos de declaração manejados pela Fazenda Nacional, em face do acórdão 310100.250 de 19/10/2009 da lavra desta relatora, cujo voto aqui reproduzo: “O Recurso Voluntário é tempestivo e dele tomo conhecimento. Conforme está descrito no relatório da presente peça, houve uma investigação sobre empresas do setor pneumático e no caso específico constatouse que foram enviadas mercadorias importadas (pneus e câmaras de ar) com a proteção do regime aduaneiro de que trata o Decretolei nº. 288/67, da área geográfica da Zona Franca de Manaus para o restante do território nacional, inclusive Amazônia Ocidental, sem autorização legal da Receita Federal, implicando, pois, em contrabando e consequentemente, no perdimento das mercadorias, sendo que por já terem sido consumidas a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias. Todavia, consoante se depreende da leitura dos autos, as mercadorias saíram da ZFM sem ter sido feita a DCI, razão pela qual entendeu o auditor fiscal ter ficado caracterizado o contrabando, passível da aplicação da pena de perdimento das mercadorias, convertida na multa objeto da presente lide, em função da previsão legal constante do art. 23 do Decretolei nº. 1.455, de 1976. Entretanto, a mesma questão que envolve o presente processo, ou seja, saída de mercadorias da Zona Franca de Manaus, na grande maioria para a Amazônia Ocidental, foi discutido por essa turma ordinária da primeira Câmara da Terceira Seção, no mês passado, ou seja, em Setembro de 2009, no processo nº. 10.283.0060582/200666, Recurso Voluntário nº. 140.453, interessada TRIÂNGULO COMÉRCIO DE PNEUS LTDA, com decisão recorrida de 1º instância da mesma DRJ – Fortaleza/CE, cujo voto aqui vencedor do relator, que acompanhei foi de autoria do Conselheiro Tarásio Campelo Borges, que com homenagem aqui transcrevo: “Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges (relator) Conheço do recurso voluntário interposto às fls. 163 a 185, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Versa o litígio, conforme relatado, acerca da exigência de multa equivalente ao valor aduaneiro, lançada em face da conversão em pecúnia da pena de perdimento de mercadorias importadas de outro país para a Zona Franca de Manaus, depois irregularmente remetidas para a Amazônia Ocidental. É certo que consta da descrição dos fatos relato de operação de repressão ao contrabando na qual pneus e câmaras de ar da interessada foram apreendidos após saírem da Zona Franca de Manaus para a Amazônia Ocidental sem autorização legal das autoridades aduaneiras competentes. Esse fato, no entanto, é objeto de outro processo administrativo e estranho ao litígio ora examinado. Fl. 3094DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.16133.1G5G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11283.006485/200673 Acórdão n.º 310100.144 S3C1T1 Fl. 3 3 No caso concreto, a pena de perdimento convertida em pecúnia foi aplicada em face de auditoria nos registros e documentos fiscais do estabelecimento comercial que constatou a saída de pneus e câmaras de ar da Zona Franca de Manaus para a Amazônia Ocidental sem o correspondente registro de Declaração para Controle de Internação (DCI). A partir dessa constatação, os auditoresfiscais presumiram o consumo e converteram o perdimento em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria. Consoante fundamentação legal consignada no lançamento do crédito tributário, a exação está ancorada no artigo 105, inciso I, do Decretolei 37, de 18 de novembro de 1966, e no artigo 23, inciso IV, §§ 1º e 3º do Decretolei 1.455, de 7 de abril de 1976, então regulamentados pelo artigo 618, inciso I, do Regulamento Aduaneiro de 2002, verbis: Decretolei 37, de 1996, artigo 105: Aplicase a pena de perda da mercadoria: I – em operação de carga, já carregada em qualquer veículo ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito da autoridade aduaneira ou não cumprimento de outra formalidade especial estabelecida em texto normativo; ......................................................................................................... ................... Decretolei 1.455, de 1976, artigo 23: Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias : ......................................................................................................... ................... IV – enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas “a” e “b” do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. ......................................................................................................... ................... § 1º O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias (Incluído pela Lei 10.637, de 30.12.2002) ......................................................................................................... ................... § 3º A pena prevista no § 1º convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Incluído pela Lei 10.637, de 30.12.2002) Regulamento Aduaneiro de 2002, artigo 618: Aplicase a pena de perdimento da mercadoria nas seguintes hipóteses, por configurarem dano ao Erário (Decretolei 37, de 1966, art. 105, e Decretolei 1.455, de 1976, art. 23 e § 1º, com a redação dada Fl. 3095DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.16133.1G5G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11283.006485/200673 Acórdão n.º 310100.144 S3C1T1 Fl. 4 4 pela Lei 10.637, de 2002, art. 59): (Redação dada pelo Decreto 4.765, de 24.6.2003) I – em operação de carga ou já carregada em qualquer veículo, ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo; ......................................................................................................... ................... § 1º A pena de que trata este artigo convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida (Decretolei nº. 1.455, de 1976, artigo 23, § 3º, com a redação dada pela Lei nº. 10.637, de 2002, artigo 59). Nada obstante, entendo discrepante o confronto dos fatos típicos denunciados com os descritos nessas normas jurídicas, senão vejamos: infração denunciada: saída de mercadorias da Zona Franca de Manaus para a Amazônia Ocidental sem o correspondente registro de Declaração para Controle de Internação (DCI), irregularidade apurada em auditoria nos registros e documentos fiscais do estabelecimento comercial; fato típico enunciado nas normas jurídicas citadas pelos auditoresfiscais: “(...) mercadoria (...) em operação de carga ou já carregada em qualquer veículo, ou dele descarregada ou em descarga, sem ordem, despacho ou licença, por escrito, da autoridade aduaneira, ou sem o cumprimento de outra formalidade essencial estabelecida em texto normativo”. Diferentemente da Fazenda Nacional, penso que o fato típico previsto no inciso I do artigo 618 do Regulamento Aduaneiro de 2002 busca resguardar bem jurídico diverso: subordinação das “operações de carga, descarga ou transbordo de veículo procedente do exterior ao formal ingresso dele no território nacional, ordinariamente “em porto, aeroporto ou ponto de fronteira alfandegado”, a teor do disposto nos artigos 24 a 28 do Regulamento Aduaneiro de 2002. Com essas considerações, dou provimento ao recurso voluntário Sala das Sessões, em 18 de setembro de 2009. Tarásio Campelo Borges Relator Assim, como o processo citado é similar a este processo, do seu julgamento participei e corroboro com o voto citado, concluo pelo cancelamento do lançamento fiscal, por insubsistente, para DAR PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO.” Fl. 3096DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.16133.1G5G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11283.006485/200673 Acórdão n.º 310100.144 S3C1T1 Fl. 5 5 Da mesma forma como no processo citado da Triangulo, a Fazenda Nacional embarga a decisão denunciando ter havido omissão no acórdão embargado, nestas palavras: “Quanto à autuação objeto do processo em comento, esta teve por base a conclusão de que foram enviadas mercadorias importadas (pneus e câmaras de ar) aos auspícios do regime aduaneiro de que trata o Decretolei n° 288/67 (Zona Franca de Manaus), da cidade de Manaus/AM para fora da Zona Fanca de Manaus, conforme listagem e notas fiscais de fls. 23/654, sem autorização legal da Receita Federal, ou seja, sem o registro de Declaração para Controle de Internação (DCI), implicando, pois, em contrabando (art. 39, Decretolei n° 288/67) e, conseqüentemente, em perdimento das mercadorias (art. 623,Decreto n° 4.543/2002), sendo que, por já terem sido consumidas (referentes a importações anteriores), a pena de perdimento foi convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias (art. 618, § 1°, Decreto 4543/2002). Sobreveio o acórdão de fls. 2001/2004, da lavra da Primeira Turma Ordinária desta Câmara que, confrontando os fatos denunciados com a previsão abstrata da infração, entendeu que aquele não se subsumia a esta e por isso deu provimento ao recurso voluntário do contribuinte. Cumpre anotar que a norma objeto do confronto foi a prevista no art. 618, caput e inciso I, do Regulamento Aduaneiro de 2002. Ocorre, com a devida vênia, que o acórdão embargado não se pronunciou, restando omisso, sobre o confronto dos fatos descritos com as demais normas que constam do enquadramento legal do auto de infração de fls. 01/11. Dentre essas normas, desponta a previsão contida no Decreto Lei n° 37/1966, art. 105; Decretolei n° 1.455/1976, art. 23, caput, inciso IV e §§ 1° e 3º; Decreto Lei n° 288/1967, art. 3° e 39; Decreto n° 4.543/2002, art. 618,§ 1°, art. 453, caput e § 2° e, em especial, art. 623. Assim, a autoridade fazendária fez remissão a diversos dispositivos que trataram de dano ao erário, “contrabando" e da respectiva penalidade que não foram objeto de especifica análise pelo órgão julgador.Ademais, a autoridade fiscalizadora fez o cotejo dessas normas com a situação fálica descrita e citou a remissão expressa do art. 618, § 1°, do RA/2002, ao art. 23, § 3° do DecretoLei n° 1.455/76, autorizando a conversão da pena de perdimento em pecúnia diante da presunção de consumo das mercadorias que deveriam ser apreendidas no caso concreto ventilado neste feito. Com efeito, a multa infligida está calcada no art. 23, § 3°, do DecretoLei n.° 1.455/76, com a redação dada pela Lei n.° 10.637/02, regra na qual se estabelece que a pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Por fim, “requer que sejam conhecidos e acolhidos os presentes aclaratórios, sendo sanados os vícios apontados”. É o relatório. Voto Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro (Relatora). Fl. 3097DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.16133.1G5G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11283.006485/200673 Acórdão n.º 310100.144 S3C1T1 Fl. 6 6 Conheço dos embargos de declaração porque tempestivos e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Mais uma vez, por se tratar de um embargo idêntico ao processo já citado da Triangulo, cujo voto do Relator Dr. Tarásio Campelo Borges, eu concordo em todos os aspectos, dele vou adotar como minhas razões de convencimento, nos seguintes termos: “ Conforme relatado, a embargante aponta omissão no acórdão embargado. É certo que o colegiado quedou se silente quanto a outras normas jurídicas integrantes do enquadramento legal do auto de infração. Nada obstante, da própria denúncia fiscal trago à colação fatos que põem em evidência a fragilidade dela. A internação irregular é mera presunção e os auditores fiscais não demonstraram tentativas de localização das mercadorias nem constataram ter havido o consumo delas. Eles traçaram suposições relativas ao consumo para converter a pena de perdimento em pecúnia, senão vejamos: [...] Neste ponto já se sabia que nenhuma das duas empresas nunca havia registrado Declarações para Controle de Internação (DCI) nos sistemas da Receita Federal, ou seja, toda e qualquer mercadoria que, até este momento, havia sido internada, tinha sido, em tese, de forma irregular. [...] Como tais mercadorias, provavelmente, já foram objeto de consumo, determina a lei que converta se a proposta de pena de perdimento em Auto de Crédito Tributário, conforme determina o § 1° do artigo 618 do Regulamento Aduaneiro (Decreto n° 4.543/2002). [6] [grifos do relator destes embargos]. Por outro lado, a conversão da pena de perdimento em multa de montante equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias tem como pressupostos infrações consideradas dano ao erário relativas a mercadorias não localizadas ou consumidas, a saber: Decretolei 1.455, de 1976, artigo 23: Consideram se dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: IV enquadradas nas hipóteses previstas nas alíneas “a” e “b” do parágrafo único do artigo 104 e nos incisos I a XIX do artigo 105, do Decretolei número 37, de 18 de novembro de 1966. § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei 10.637, de 30.12.2002). § 3o A pena prevista no § 1o converte se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei 10.637, de 30.12.2002). Por conseguinte, não há se falar em conversão da pena de perdimento em pecúnia amparada em mera presunção de consumo, vale dizer, sem prévia tentativa de localização das mercadorias. Fl. 3098DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.16133.1G5G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11283.006485/200673 Acórdão n.º 310100.144 S3C1T1 Fl. 7 7 A despeito da omissão, a eliminação do vício, neste caso concreto, não produz efeitos infringentes. Com essas considerações, nego provimento aos embargos ao Acórdão 310100234, de 18 de setembro de 2009” Nesse mesmo sentido e também com as considerações acima citadas, também nego provimento aos presentes embargos ao Acórdão 310100.250 de 19/10/2009. Relatora Valdete Aparecida Marinheiro Fl. 3099DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP16.0919.16133.1G5G. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO em 20/11/2012 19:52:30. Documento autenticado digitalmente por VALDETE APARECIDA MARINHEIRO em 20/11/2012. Documento assinado digitalmente por: HENRIQUE PINHEIRO TORRES em 15/04/2013 e VALDETE APARECIDA MARINHEIRO em 20/11/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por HIULY RIBEIRO TIMBO em 16/09/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP16.0919.16133.1G5G Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 5BDEC8362D37B1912F620A2120EA504787B436C3 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 10283.006485/2006-73. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 10925.000034/2009-72
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: rocesso Administrativo Fiscal
Anocalendário:
2004, 2005, 2006, 2007
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO.
Nos termos do art. 2° do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009 (Regimento Interno do CARF), é da competência da Primeira Seção o julgamento de recursos acerca de questões relativas ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES).
Numero da decisão: 3201-000.739
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, para declinar competência à Primeira Seção de Julgamento, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDIÑO
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ementa_s : rocesso Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: NORMAS PROCESSUAIS. COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Nos termos do art. 2° do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009 (Regimento Interno do CARF), é da competência da Primeira Seção o julgamento de recursos acerca de questões relativas ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES).
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COMPETÊNCIA PARA JULGAMENTO. Nos termos do art. 2° do Anexo II da Portaria MF nº 256/2009 (Regimento Interno do CARF), é da competência da Primeira Seção o julgamento de recursos acerca de questões relativas ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, para declinar competência à Primeira Seção de Julgamento, nos termos do voto do Relator. Judith do Amaral Marcondes Armando Presidente. Daniel Mariz Gudiño Relator. EDITADO EM: 12/07/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Judith do Amaral Marcondes Armando (presidente da turma), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Marcelo Ribeiro Nogueira, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Daniel Mariz Gudiño. Ausentes Fl. 237DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO 2 justificadamente os Conselheiros Luciano Lopes de Almeida Moraes e Luís Eduardo Garrossino Barbieri. Relatório O processo administrativo fiscal em questão versa sobre a cobrança da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS, porém, o auto de infração foi lavrado em razão de a Recorrente ser empresa optante pelo Simples Nacional e ter sido excluída deste regime fiscal diferenciado por fazer parte de um grupo de empresas formado por membros de uma mesma família, evidenciando, segundo a fiscalização, o claro intuito de fraude. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 01/03/2011. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Como indicado no relatório, a matéria versada no recurso não é da competência desta Terceira Seção, mas sim da Primeira Seção deste Conselho. Com efeito, o artigo 2º, inciso V, do Anexo II da Portaria MF n° 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do CARF, assim dispõe: Artigo 2º À Primeira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre aplicação da legislação de: (...) V exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (SIMPLESNacional); (...) Fl. 238DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO Processo nº 10925.000034/200972 Acórdão n.º 320100.739 S3C2T1 Fl. 165 3 Como se vê, cabe àquela Seção a apreciação de recursos versando a legislação do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). Diante do exposto, não conheço do recurso voluntário, que deve ser redirecionado à Primeira Seção do CARF. É como voto. Daniel Mariz Gudiño Relator Fl. 239DF CARF MF Impresso em 25/03/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 12/07/2011 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 02/08/2011 por JUDITH DO AMARAL MARCONDES ARMANDO
score : 1.0
Numero do processo: 13701.000468/2002-19
Data da sessão: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Sep 30 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 1803-000.015
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o processo enviando-a à 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF, para julgamento simultâneo ou mediato ao processo n° 13701.000303/2001-66, nos termos do voto do relator. Ausente,
momentaneamente, o Conselheiro Aloysio José Percínio da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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Matéria IRPJ - Ex.: 1998 Recorrente TRANSPORTES CAMPO GRANDE LTDA Recorrida I' TURMA/DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, sobrestar o processo enviando-a à T Câmara da Primeira Seção do CARF, para julgamento simultâneo ou mediato ao processo n° 13701.000303/2001-66, nos termos do voto do relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Aloysio José Pereinio da Silva (Suplente Convocado). A10~ - rENE FERREIRA DE MORAES - Presidente (.14a/(-, 74 • )170, Y' c27 WALTER ADOLFO M RESCII — Relator EDITADO EM: o - 7 L 2009 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes (Presidente); Walter Adolfo Mareseh, Benedicto Celso Benicio Sénior, Luciano Inocêncio dos Santos. Aloysio José Percinio da Silva (Suplente Convocado) e Lavínia Moraes de Almeida Nogueira Junqueira (Vice-Presidente). Processo n°13701.000468/2002-19 SI-TE03 Resolução n.° 1803-00.015 Fl. 175 RELATÓRIO TRANSPORTES CAMPO GRANDE LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela l a Turma da DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ. Trata-se de manifestação de inconformidade apresentada pela interessada acima qualificada, juntada às fls. 141/142 e acompanhada dos documentos de fls. 143/148, em face do Despacho Decisório/Parecer Conclusivo n° 159/2006 (fls. 136/138), proferido pelo titular da Derat/RJO. Nos termos do despacho decisório, aquela autoridade não reconheceu o direito creditório objeto do pedido de restituição formulado à fl. 02 e não homologou a declaração de compensação objeto da conversão do pedido de compensação formulado à fl. 01. Ressalve-se que o pedido de compensação (fl. 03) e restituição (fl. 04) foram transferidos para o processo n° 13701.000853/2001-85 (fls. 136 e 137) tendo em vista que o crédito pleiteado constitui objeto do supracitado processo. O direito creditório alegado pela interessada monta a R$ 67.415,27 (ft 02) e corresponde ao IRPJ recolhido por antecipação (estimativa) no ano-calendário de 1997. A interessada pleiteia a sua compensação com débitos da Cofins, relativos aos períodos de apuração de abril e maio de 2002, explicitados no pedido de fl. 02. Nos termos do DESPACHO DECISÓRIO/PARECER CONCLUSIVO (fls. 136/138), a autoridade da Derat/RJO assim se manifesta: -Elos pedidos de compensação c restituição de fis. 03 e 04 foram extraídos do presente processo, substituídos por cópias, e anexados ao processo n° 13701.000853/2001-85, tendo em vista que o crédito pleiteado constitui objeto do supracitado processo; -O em vista do exposto, será objeto de análise os pedidos de compensação c restituição, anexos fls. 01 e 02, no valor total de R$ 67.415,27 (sessenta e sete mil quatrocentos e quinze reais e vinte e sete centavos), de crédito referente aos recolhimentos de IRPJ mensal por estimativa, objeto do processo n° 13701.000303/2001-66, com débitos de COFINS, período de apuração abril c maio/2002; -Elo pedido de compensação de fl. 01 se transformou em Declaração de Compensação (Dcomp) em observância ao disposto no artigo 74, § 4° da Lei n° 9.430, de 1996, com a redação dada pelo artigo 49 da Medida Provisória n° 66, de 2002, convertida na Lei n/' 10.637, de 2002; -Oda análise do processo n° 13701.000303/2001-66 foi elaborado o Parecer ConclusivoOn° 87/2005 e Despacho Decisório, cópias anexas fls. 131 a 134, concluindo por não reconhecer o direito creditório e não homologar as compensações efetivadas através do processo supracitado. Inconformada com a decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, cujo julgamento resultou no acórdão DRJ/RJOI n° 9.762, de 2006, que _201, Processo n° 13701.000468/2002-19 S1-TE03 Resolução n." 1803-00015 E. 176 indeferiu a solicitação, não reconhecendo o direito crediário e não homologando as compensações efetivadas, conforme fl. 135; - inicialmente, cumpre ressaltar que a certeza e a liquidez do crédito pleiteado são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei, de acordo com as disposições constantes no artigo 170 da Lei n" 5.172, de 25 de outubro de 1966 — CTN, segundo as quais."A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública."; - em vista de o processo n" 13701.00030312001-66 encontrar-se pendente de decisão na esfera administrativa, bem como em obediência ás disposições constantes no artigo 170 da Lei n° 5.172, de 1966— CTN, o crédito a ser utilizado na compensação de fl. 01 não está revestido de certeza e liquidez; - em conseqüência da transferência dos pedidos de compensação e restituição, fls. 03 e 04, para o processo 13701.000853/2001-85, deve-se proceder à atualização do sistema profisc a fim de que contenha apenas os débitos deste processo; -Hdiante do exposto, não ficando comprovada a existência de crédito líquido e certo por não ter sido reconhecido o crédito solicitado no processo n° 13701.000303/2001-66, conforme cópia do despacho decisório e do Acórdão DRJ/RJOI n° 9.762, de 2006 às fls. 131 a 135, e nos termos da legislação tributária vigente, proponho a NÃO HOMOLOGAÇÃO da compensação pleiteada à fl. 01. Em face dessas constatações, a autoridade da Derat concluiu que não teria havido a comprovação da existência e efetividade do crédito pleiteado. Considerando, então, que certeza e liquidez do crédito a restituir seriam requisitos indispensáveis para a compensação (art. 170 do CTN), não reconheceu o direito creditório e não homologou as compensações. Tendo sido cientificada do despacho decisório (fl. 140), a interessada, inconformada, apresentou a aludida MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE (fls. 141/142), alegando que: - da composição e confirmação dos créditos, é de se ressaltar que o respectivo processo acima epigrafado depende do processo que transcorre de n° 13701.000303/2001-66, que em voga apresentou TRES ERROS MATERIAIS EXISTENTES NO ACÓRDÃO, que doravante deixou o processo ora em questão descoberto dos créditos devidos; - o julgador reconhece na sua decisão que o processo em questão está intrinsecamente ligado ao processo de n° 13701.000303/2001-66 que por sua vez encontra-se revestido de 3 (três) GRAV1SSIMOS ERROS MATERIAIS, evidentemente que o douto julgador não pode interpretar ou questioná-lo e acima de tudo corrigi-lo, porém já é fato pelas análises preliminares internas que houve ERRO MATERIAL no "Parecer Conclusivo de ri° 87/2005 e Despacho Decisório, cópias anexas Ils. 131 a 134, concluindo por não reconhecer o direito creditório...", sendo que em 24/08/2006 foi apresentado a Petição para que seja levada a Julgamento determinando a Revisão da Douta decisão que não reconheceu o direito creditório indicado no pedido de restituição bem como as compensações, sabendo que existe um saldo -as7f Processo n°13701.000468/2002-19 SI-TE03 Resolução n.° 1803-00015 Fl. 177 sem atualização de R$ 623.666,45 (seiscentos e vinte e três mil seiscentos e sessenta e seis reais e quarenta e cinco centavos); - assim, entendemos a posição do douto Julgador levar em consideração a Decisão referente ao Acórdão DRERJOI n" 9.762 de março de 2006 contida no processo de IV 13701.000303/2001-66 para este processo de n° 13701.000468/2002-19, porém, ressaltamos que o processo de n" 13701.000303/2001-66 possui, em 24/08/2006, a Petição junto ao Recurso Inominado ao Ilustre Delegado da Receita Federal sobre os ERROS MATERIAIS EXISTENTES NO ACÓRDÃO; - à vista do exposto, tão logo as correções dos ERROS MATERIAIS no processo de n°13701.000303/2001-66 sejam feitas, o processo ora em questão estará revestido de certeza e liquidez de acordo com a Seção IV do artigo 170 do CTN para que proceda a devida compensação. A DRJ RIO DE JANEIRO/RJ I, através do acórdão n°12-14.429 de 15 de junho de 2007 (fls. 161/164), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1997 Pedido de Restituição/Compensação. Não tendo a contribuinte logrado previamente comprovar a existência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, não pode a autoridade administrativa autorizar a pleiteada compensação. Inconformada a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 170 a 172, pugnando pela suspensão dos efeitos da decisão do acórdão DRJ 12-14.429 e da exigência dos débitos compensados e juntada do presente ao processo n" 13701.000303/2001-66 que encerra a discussão do direito creditório utilizado neste processo. É o relatório. 4 erj Processo r2 13701.000468/2002-19 S1 -TEU Resolução 1803-00015 Fl. 178 VOTO Conselheiro LUCIANO 1NOCÊNCIO DOS SANTOS, Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, portanto dele conheço. Trata o processo de não homologação da compensação de débitos de COF1NS com créditos decorrentes de estimativas recolhidas no decorrer do ano calendário 1997, cuja restituição foi pleiteada no âmbito do processo administrativo n° 13701.000.303/2001-66. A recorrente requer em síntese: a) A suspensão da decisão contida no Acórdão da DRJ e principalmente a exigência dos débitos de COFINS compensados; b) Que dada a intima relação entre o presente processo e o processo n° 13701.000303/2001-66, onde se discute o direito creditório utilizado, requer a remessa e juntada dos processos para revisão dos erros materiais contidos na decisão DRJ n° 9.762/2006, que decidiu o direito creditório. Assiste razão à interessada. A utilização de direito crediário antes do seu efetivo reconhecimento por parte da Administração Tributária, é permitido desde que o referido pedido de restituição ou ressarcimento ainda esteja pendente de decisão administrativa à data da transmissão da Declaração de Compensação, conforme se infere do § 4° do art. 21 da Instrução Normativa SRF 210/2002, vigente á época da compensação. No caso presente, a interessada julgando deter crédito líquido e certo frente a Fazenda Nacional, apresentou pedido de compensação (fls. 01/02), decorrente de saldo negativo de IRRT do ano calendário 1997, que restou indeferido face a inexistência de direito creditório, conforme despacho decisório de fls. 136/138. A inexistência de direito crediário é atribuída a inexistência da extinção de estimativa de IRPJ em 1997, cujo reconhecimento foi negado conforme despacho decisório contido no processo n° 13701.000303/2001-66 (fls. 131/134). Ante o exposto, verifica-se a impossibilidade fática de realizar o julgamento do presente processo, ante a insegurança quanto ao reconhecimento ou não do crédito constante do processo ri." 13701.000303/2001-66, que será crucial para o deslinde da matéria objeto do litígio. Como a decisão daquele processo, do qual este também depende, não é definitiva, estando atualmente distribuído na 2" Câmara da P Seção do CARF (antiga 8" Câmara do 1° CC), é de se sobrestar a apreciação do feito até sua decisão final, nos termos do artigo 265, IV, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, que assim dispõe: Processo e 13701.000468/2002-19 S1-T1303 Resoluçào a." 1803-00015 Fl. 179 Art. 265 - Suspende-se o processo: "- IV - quando a sentença de mérito: 11 a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaraedo da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente. Ante o exposto, impende seja SOBRESTADO o presente processo c enviado à r Câmara da la Seção do CARF para julgamento simultâneo ou mediato ao PAF n" 13701.000303/2001-66. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso em relação ao pedido de sobrestamento do processo, até a decisão final do processo n° 13701.000303/2001-66. dadt tr ,c6-€1(7 WALTER ADOLFO J7RESCH 1
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Numero do processo: 35601.000211/2007-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/07/2006
CO-RESPONSÁVEIS. SÓCIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. SIMPLES
INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO.
A indicação de sócios no Auto de Infração não pode ser interpretada como conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sócios gerentes, o que só ocorrerá
em sede de execução fiscal, se preenchidos os requisitos legais.
GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS.
A existência de grupo econômico tem como consequência responsabilizar pelo pagamento do crédito tributário todas as empresas componentes do grupo, que deve ser comprovada através de relatórios e outros documentos que possam evitar qualquer arbitrariedade da fiscalização.
MATRÍCULA DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. EXECUTOR DA OBRA OU PROPRIETÁRIO. CONTRATAÇÃO EMPREITADA TOTAL. AUSÊNCIA DE PROVAS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de matricular obra de construção civil de sua propriedade ou executada sobre a sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início de suas atividades.
Tratando-se de contratação por empreitada total, a responsabilidade fica a cargo das empresas contratadas, o que não foi provado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.661
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sede de preliminar, em afastar a nulidade requerida. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato na questão dos co-responsáveis (julgado na sessão do dia 27/07/2011 às 14:00hs)
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
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SÓCIOS. AUTO DE INFRAÇÃO. SIMPLES INDICAÇÃO. AUSÊNCIA DE VÍCIO. A indicação de sócios no Auto de Infração não pode ser interpretada como conduta prejudicável ao sujeito passivo, tendo em vista que tal ato constitui em simples relação dos sócios da empresa à época da autuação, não havendo qualquer tipo de consequência para esses sóciosgerentes, o que só ocorrerá em sede de execução fiscal, se preenchidos os requisitos legais. GRUPO ECONÔMICO. NÃO CONSTATAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVAS. A existência de grupo econômico tem como consequência responsabilizar pelo pagamento do crédito tributário todas as empresas componentes do grupo, que deve ser comprovada através de relatórios e outros documentos que possam evitar qualquer arbitrariedade da fiscalização. MATRÍCULA DE OBRA DE CONSTRUÇÃO CIVIL. RESPONSABILIDADE. EXECUTOR DA OBRA OU PROPRIETÁRIO. CONTRATAÇÃO EMPREITADA TOTAL. AUSÊNCIA DE PROVAS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de matricular obra de construção civil de sua propriedade ou executada sobre a sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início de suas atividades. Tratandose de contratação por empreitada total, a responsabilidade fica a cargo das empresas contratadas, o que não foi provado. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em sede de preliminar, em afastar a nulidade requerida. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato na questão dos coresponsáveis (julgado na sessão do dia 27/07/2011 às 14:00hs) Ivacir Júlio de Souza – Presidente Substituto. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Ausente o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 35601.000211/200732 Acórdão n.º 2403000.661 S2C4T3 Fl. 6 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls.179 a 203 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP (fls.172 a 176) que julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração n 35.957.8047, no valor originário de R$ 67.103,10 (sessenta e sete mil, cento e três reais e dez centavos), sendo tal numerário reduzido para R$ 57.847,50 (cinquenta e sete mil, oitocentos e quarenta e sete reais e cinqüenta centavos), após essa decisão de 1 instância que reconheceu decadentes as competências 09/1999 a 12/2001 com base no art.173, I, do Código Tributário Nacional. A autuação, segundo o relatório fiscal às fls.04, foi lavrada, em virtude de a empresa ter deixado de matricular obras de construção civil de sua propriedade ou executadas sob sua responsabilidade, junto à Previdência Social. Tal conduta constitui infração ao parágrafo 1°, alínea “b” e parágrafo 3°, do artigo 49, da Lei 8.212/91, combinado com o parágrafo 1°, inciso II e parágrafo 3°, do art. 256, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O período objeto da fiscalização compreendeu as competências de 01/1998 a 07/2006, segundo os MPF’s (inicial e complementares) juntados aos autos. Ainda segundo o relatório fiscal, foi informado que dessas obras, 24 não foram encerradas no decurso da fiscalização, implicando assim, observância por parte da empresa, quanto à exigência GFIP pertinente. Elucidou que, de acordo com o art. 30, inciso IX da Lei 8.212/91 são solidariamente responsáveis pelo crédito previdenciário todas as empresas pertencentes ao grupo econômico, que serão cientificadas deste Auto de Infração e dos demais documentos lavrados no procedimento fiscal. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 29/12/2006 e apresentou impugnação às fls. 75 a 93, acostando ainda a documentação às fls.94 a 100, alegando em síntese: Em grau de preliminar, que deve ser excluído o nome dos administradores do pólo passivo da presente autuação fiscal, pois que os diretores relacionados pela impugnante sequer faziam parte da diretoria da empresa impugnante no período abrangido pela autuação, representando tal inclusão uma afronta ao Código Tributário Nacional; A decadência do direito de lançar os créditos tributários com fatos geradores ocorridos anteriormente a novembro de 2001 com base no art.150, parágrafo 4, do Código Tributário Nacional, tendo em vista que o Auto de Infração ora impugnado foi lavrado em 18 de dezembro de 2006; A impossibilidade de se desconsiderar a prestadora do serviço como verdadeiro sujeito passivo da obrigação, pois a impugnante não é Fl. 3DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 4 responsável pelas matriculas referentes às obras de construção civil, as quais são de inteira responsabilidade das empresas por ela contratadas. Neste sentido, a responsabilidade pelo cadastro da obra de construção civil é regulamentada pelo art. 49 da Lei 8.212/91 c/c art. 256 do Decreto 3.048/99, que atribui essa obrigação ao responsável pela execução da obra, conforme se depreende da leitura do dispositivo legal supramencionado; A violação ao princípio da tipicidade – impossibilidade de aplicação da multa prevista no artigo 283, parágrafo 3 do regulamento previdenciário. Nesse sentido, elucidou que além do fato de não ser responsável pela obrigação a ela imposta, a multa prevista pelo art. 92 da Lei 8.212/91 não pode servir de instrumento à autoridade fiscal, para que eleja ao seu arbítrio condutas que entenda como passíveis de incidência, sob pena de se conferir ilegítima subjetividade a uma norma sancionatória e violar os princípios da tipicidade e legalidade. A ofensa ao princípio da legalidade – impossibilidade da Portaria MPS/GM n° 342, de 16/08/2006, servir de parâmetro para aplicação da multa, haja vista que no relatório fiscal o autuante fixou a multa com fundamento na portaria acima citada. Entretanto é inadmissível que o parâmetro para fixação de multa seja fundamentado em Portarias, tendo em vista que o art. 97 do CTN dispõe que somente a lei pode estabelecer a instituição de tributos ou a sua extinção, a majoração de tributos ou a sua redução, bem como a fixação da alíquota do tributo e da sua base de cálculo. Por fim, requereu a imediata anulação da autuação. Alternativamente, requereu o acolhimento da impugnação para o fim de julgar improcedente o lançamento efetuado e cancelar o crédito constituído indevidamente, tendo como consequência o arquivamento do respectivo processo administrativo. Às fls.110 a 114 foi juntado ofício 263/2007 informando a constatação de grupo econômico composto por diversas empresas, inclusive a ora recorrente. Às fls.125, a 8 Turma da DRJ de Campinas decidiu, por unanimidade de votos, em converter o feito em diligência (Resolução 2105 – 8 Turma DRJ/Campinas) que tivesse como objetivo esclarecer os fatos constitutivos da autuação, bem como elucidar com precisão o número de matrículas efetuadas, elaborando, por fim, caso fosse necessário, um relatório fiscal complementar. Em resposta à Resolução 2105 – 8 Turma DRJ/Campinas, o Serviço de Fiscalização da Receita Federal de Campinas informou que foram considerados como empreitada total aqueles contratos celebrados com empresas construtoras com registro no CREA, que assumem a responsabilidade direta pela execução dos serviços necessários à realização da obra, compreendidos os projetos com ou sem fornecimento de material. Por outro lado, foi considerada como empreitada parcial a contratação de empresas não registradas no CREA ou que apesar de registradas estivessem com habilitação específica para a realização de determinados serviços (instalações elétricas, hidráulicas e similares), mesmo que assumam a responsabilidade direta pela execução dos serviços necessários à realização da obra. Assim, concluiuse que somente as empresas construtoras cujos objetos sociais fossem a indústria da construção civil, registradas no CREA, são responsáveis pela Fl. 4DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 35601.000211/200732 Acórdão n.º 2403000.661 S2C4T3 Fl. 7 5 matrícula no CEI, em contratos de empreitada total. Ademais, apurouse que os números dos contratos são únicos, não obstante os fornecedores e datas de início e fim da obra terem se repetido várias vezes. Às fls. 132/133, foi dado prazo de 30 (trinta) dias para o contribuinte manifestarse acerca da resposta da diligência, o que foi feito e protocolado perante às fls.145 a 160, tendo alegado, em síntese, os mesmos argumentos anteriormente apresentados na primeira impugnação. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 8° Turma da DRJ/Campinas SP proferiu acórdão (n°0527.753) nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 29/12/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. DEIXAR DE EFETUAR MATRÍCULA DE OBRA Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de matricular obra de construção civil de sua propriedade ou executada sobre a sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início de suas atividades. DECADÊNCIA – Em se tratando de autuação em razão de descumprimento de obrigação acessória não há que se falar em antecipação de pagamento, aplicandose a regra geral insculpida no art. 173, I, do CTN. ÔNUS DA PROVA – Cabe à autoridade lançadora provar a ocorrência do fato constitutivo do direito de lançar do fisco. Comprovado o direito de lançar, cabe ao sujeito passivo alegar fatos impeditivos, modificativos ou extintivos e, além de alegálos, comproválos efetivamente, nos termos do Código de Processo Civil, que estabelece as regras de distribuição do ônus da prova aplicáveis ao processo administrativo fiscal, subsidiariamente. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.179/203, utilizandose dos mesmos argumentos apresentados na impugnação, com exceção da do pedido de decadência, e aduziu, em sede de preliminar, a necessidade de ser declarada nula a decisão recorrida, por esta ter violado o princípio da motivação das decisões, alegando não possuir no decisum de 1 instancia argumentos jurídicos aptos a combater os fundamentos expostos no recurso voluntário. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DA PRELIMINAR: I – DA AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA MOTIVAÇÃO DAS DECISÕES: Preliminarmente, cabe destacar que não vejo vício que possa acarretar a nulidade da autuação no que diz respeito à suposta ausência de motivação do decisum de 1 instância. Alega a recorrente que a decisão não apreciou os fundamentos jurídicos expostos por ela, ao passo que desconsiderou o fato de que os contratos eram realizados na modalidade de empreitada total e exigiu como prova de tal o registro da empresa construtora no CREA. Todavia, não há como considerar que houve omissão por parte do acórdão de 1 instância, tendo em vista que a 8 turma da DRJ de Campinas manifestouse acerca de todos os pontos arguidos pela recorrente, senão vejamos: Destaquese que foi aberto tópico específico para tratar da responsabilidade de realizar a matrícula das obras de construção civil, tendo a relatora decidido pela manutenção da cobrança por descumprimento de obrigação acessória sob o argumento de que a recorrente não foi capaz de produzir provas suficientes que demonstrasse a ocorrência da empreitada total. Ademais, nem cogitese a hipótese de eventual alegação de cerceamento de defesa, haja vista a fiscalização ter requerido em seus TIAD’s a documentação, que ao meu ver, era essencial para delimitar de quem seria a responsabilidade de proceder às matrículas das obras. Além disso, a relatora também proferiu seu entendimento acerca da suposta ilegalidade da multa atribuída ao sujeito passivo por esta encontrarse “fundamentada” em portaria ministerial. Entretanto, foi esclarecido que o instrumento normativo utilizado para determinar a multa não tem o condão de substituir a lei em sentido estrito, haja vista ter a Portaria 342/2006 a finalidade tão somente de reajustar os valores cobrados por descumprimento de certas obrigações acessórias. Sendo assim, considerando os argumentos da recorrente e os pontos que foram abordados no voto da relatora da 8 turma da DRJ de Campinas, percebese que não houve qualquer omissão capaz de decretar a nulidade da autuação, motivo pelo qual a validade da cobrança será discutida nas linhas abaixo: Fl. 6DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 35601.000211/200732 Acórdão n.º 2403000.661 S2C4T3 Fl. 8 7 DO MÉRITO: I – DA INDICAÇÃO DOS SÓCIOS – AUSÊNCIA DE VÍCIO: Quanto à solicitada exclusão dos sócios administradores do pólo passivo da autuação fiscal, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis, anexada aos autos pela Fiscalização, não tem como escopo incluir os sócios da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, mas sim listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa, pois o chamamento dos responsáveis só ocorre em fase de execução fiscal, em consonância com o §3o do artigo 4o da Lei no 6.830/80, e após se verificarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa. A responsabilização dos sócios somente ocorrerá por ordem judicial, nas hipóteses previstas na lei e após o devido processo legal. O débito foi lançado somente contra a pessoa jurídica e, neste momento, os sócios não sofreram restrições em seus direitos. Assim, esta discussão é inócua na esfera administrativa, sendo mais apropriada na via da execução judicial, na hipótese dos responsáveis serem convocados, por decisão judicial, para satisfação do crédito. Ademais, os relatórios de Corresponsáveis e de Vínculos fazem parte de todos os processos como instrumento de informação, a fim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 688 da Instrução Normativa INSS/DC de 18/12/2003 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 688. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: X Relação de CoResponsáveis (CORESP), que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos (VÍNCULOS), que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais e esclarece: Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativofiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: Fl. 7DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 8 (...) X Relação de CoResponsáveis CORESP, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente; Por fim, entendo que a indicação dos sóciosgerentes não representa nenhum vício que seja capaz de declarar a nulidade do auto de infração ora guerreado, motivo pelo qual não há o que se falar em nulidade. Todavia, ressalto ainda que a cobrança deva ser feita tão exclusivamente à pessoa da recorrente, pois não houve em nenhum momento provas concretas da formação do grupo econômico, o que só foi constatado pela fiscalização através de critérios sem nenhuma plausibilidade. II – DA RESPONSABILIDADE DE MATRICULAR AS OBRAS DE CONSTRUÇÃO CIVIL: Percebese que toda a celeuma do presente caso repousa na seguinte indagação: De quem é o dever de matricular as obras de construção civil? Sobre a obrigatoriedade de realizar a matrícula/cadastro da obra da construção civil, cabe destacar que os dispositivos legais que regulamentam a matéria atribuem tal obrigação ao responsável pela execução da obra, vejamos: Lei n 8.212/91: Art. 49. A matrícula da empresa será efetuada nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 1o No caso de obra de construção civil, a matrícula deverá ser efetuada mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo de 30 (trinta) dias, contado do início de suas atividades, quando obterá número cadastral básico, de caráter permanente.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).Destacouse. (...) § 3o O não cumprimento do disposto no § 1o deste artigo sujeita o responsável a multa na forma estabelecida no art. 92 desta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009).Destacouse. Regulamento da Previdência Social Fl. 8DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 35601.000211/200732 Acórdão n.º 2403000.661 S2C4T3 Fl. 9 9 Art.256. A matrícula da empresa será feita: (...) § 1º Independentemente do disposto neste artigo, o Instituto Nacional do Seguro Social procederá à matrícula: I de ofício, quando ocorrer omissão; e IIde obra de construção civil, mediante comunicação obrigatória do responsável por sua execução, no prazo do inciso II do caput. Destacouse. § 2º A unidade matriculada na forma do inciso II do caput e do § 1º receberá certificado de matrícula com número cadastral básico, de caráter permanente. § 3º O não cumprimento do disposto no inciso II do caput e no inciso II do § 1º sujeita o responsável à multa prevista no art. 283. Diante da transcrição legal acima, percebese que a responsabilidade em cadastrar a obra civil perante a Receita Federal é do executor da obra. No caso em tela, por serem os contratos ocorridos supostamente sob a modalidade de empreitada total, a execução da obra estava a cargo das empresas contratadas para a construção civil, as quais estavam obrigadas a realizar a matrícula exigida pela legislação previdenciária. Assim, no caso presente, se realmente a contratação tiver ocorrido em empreitada global/total, a responsabilidade de registrar as obras de construção civil será das empresas executadas. Entretanto, não vislumbrei nenhum documento probatório capaz de direcionar essa obrigação às empresas contratadas. Ressaltese que a recorrente juntou aos autos documentos quando do oferecimento de suas impugnações (inicial – fls.75 a 93e complementar – 145 a 160) e de seu recurso voluntário (fls.179 a 203), mas nenhum teve o condão de fundamentar o argumento da recorrente em afirmar que a contratação foi através de empreitada global/total, tendo em vista que só foram apresentados procuração, ata da assembléia da Elektro e documentos de identificação dos patronos. Destaco mais uma vez que a grande discussão gira em torno da responsabilidade em matricular as obras de construção civil, tendo em vista que a depender do tipo de contratação realizada para a execução das obras (empreitada total ou parcial), a responsabilidade é diferente, independentemente de ter ocorrido a inscrição por parte das contratantes e contratadas no CREA, considerando que a legislação é omissa quanto à essa exigência. Desse modo, exigir que só seja considerada empreitada total os contratos que tenham sido celebrados com empresas registradas no CREA é normatizar, é criar obrigação não prevista em lei anterior, o que foge da competência dos contenciosos administrativos. Todavia, mesmo com os fortes argumentos (Código Civil, Instrução Normativa 03/2005 e demais dispositivos legais), trazidos à baila pela recorrente no sentido de direcionar a responsabilidade pela matrícula das obras às empresas contratadas no regime de Fl. 9DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 10 empreitada total, não posso negar que é imprescindível para determinar a modalidade de contratação ocorrida a juntada de contratos de empreitada e projetos arquitetônicos, o que não foi feito pela nobre recorrente. Assim, não há como ser afastada a responsabilidade da recorrente em proceder ao registro das obras de construção civil, haja vista ter sido inerte na produção de provas. III – DA MULTA APLICADA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA – AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO PRINCÍPIO DA TIPICIDADE E LEGALIDADE: Considerando a inércia da empresa em não ter apresentado a documentação que comprovasse a contratação por empreitada total para a execução das obras de construção civil, a manutenção da cobrança do Auto de Infração deverá ser mantida nos termos lavrados inicialmente. A recorrente foi autuada através do Auto de Infração n° 35.957.8047 por ter deixado de matricular obras de construção civil de sua propriedade ou executadas sob sua responsabilidade, junto à Previdência Social, infringindo obrigação prevista no parágrafo 1°, alínea “b” e parágrafo 3°, do artigo 49, da Lei 8.212/91, combinado com o parágrafo 1°, inciso II e parágrafo 3°, do art. 256, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, dispositivos já transcritos anteriormente neste voto. Assim, a fiscalização ao verificar o descumprimento dessa obrigação acessória, lançou multa com base nos arts.92 e 102 da Lei nº 8.212/91, e art.283, I, “d” c/c o art.373 do Regulamento da Previdência Social. Vejamos o que cada dispositivo preleciona, in verbis: Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. 24 Vale destacar que tal dispositivo foi atualizado conforme indicativo nº 24, vejamos: 24 Valores atualizados pela Portaria MPAS nº 4.479, de 4.6.98, a partir de 1º de junho de 1998, para, respectivamente, R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) e R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos) Além disso, previu o art.102 que os valores desta legislação seriam reajustados nos mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Art.102.Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. Decreto n 3.048/99 (Regulamento da Previdência Social) Fl. 10DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA Processo nº 35601.000211/200732 Acórdão n.º 2403000.661 S2C4T3 Fl. 10 11 Art.283.Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) (...) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: (...) d) deixar a empresa de matricular no Instituto Nacional do Seguro Social obra de construção civil de sua propriedade ou executada sob sua responsabilidade no prazo de trinta dias do início das respectivas atividades; * * * Art.373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Como já citado anteriormente, a Portaria do Ministério da Previdência Social n 342/2006 visa tão somente atualizar os valores das multas, e, em alguns casos, quantifica o valor exato para determinadas situações, dentre as quais a conduta violadora prevista no art.283, I do Decreto n 3.048/99, que foi publicada em 17/08/2006, vejamos: Art. 7º A partir de 1º agosto de 2006: (...) V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (caput do art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.156,95 (um mil cento e cinqüenta e seis reais e noventa e cinco centavos) a R$ 115.694,42 (cento e quinze mil seiscentos e noventa e quatro reais e quarenta dois centavos);Destacouse. Ante o exposto, percebese que o valor mínimo para o pagamento da infração cometida pela recorrente, atualizado pela Portaria do Ministério da Previdência Social 342/2006, que já se encontrava vigente à época da lavratura do Auto, é de R$ 1.156,95 (hum mil, cento e cinquenta e seis reais e noventa e cinco centavos), tendo sido utilizado para o cálculo da multa, a qual tinha como valor inicial R$ 67.103,10 (sessenta e sete mil, cento e três reais e dez centavos), que foi reduzido para R$ 57.847,50 (cinquenta e sete mil, oitocentos e Fl. 11DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA 12 quarenta e sete reais e cinquenta centavos) após decisão de 1 instância, conforme explicado no início do voto. Portanto, não vislumbro qualquer tipo de violação aos princípios da legalidade e tipicidade, tendo em vista que a multa aplicada encontra fundamento legal nos arts.92 e 102 da Lei n 8.212/91, os quais remetem ao Decreto n 3.048/99 para aplicação conjunta, permitindo o reajuste dos valores a título de multa. CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para, na preliminar, NEGARLHE PROVIMENTO, afastando a nulidade requerida por ausência de vício formal. No mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 16/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 08/ 09/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 12/09/2011 por IVACIR JULIO DE SOU ZA
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Numero do processo: 14041.000211/2006-74
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.225
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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TEC. E INF. DA PREV. SOC. DATAPREV Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 40 41 .0 00 21 1/ 20 06 -7 4 Fl. 739DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 273 ___________ Relatório Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília – DF (DRJBSA), que decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Para descrever os fatos, e, também, por economia processual, transcrevemos, a seguir, o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Em 13/04/2006, foi lavrado Auto de Infração do IRPJ, atinente ao período de apuração fevereiro/1992, cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 410.297,01, assim discriminado (fls. 04/12): a) IRPJ, R$ 99.892,15; b) Juros de Mora (calculados até 31/03/2006), R$ 235.485,75; c) Multa de Oficio (75%), R$ 74.919,11. Descrição dos fatos e infração: GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE SALDOS DE PREJUÍZOS INSUFICIENTE Fato gerador: 28/02/1992 Valor tributável Cr$ 254.865.952,48 Fundamento legal: RIR/80, arts. 157, 382 e 388, III (dec. 85.450/80). ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA — INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Fato gerador: 28/02/1992 Valor tributável: Cr$ 254.865.952,48 Fundamento legal: Lei 8.383/91, art. 49. O sujeito passivo tomou ciência do Auto de Infração pessoalmente, por intermédio de seu representante legal, em 19/04/2006 (fl. 04); apresentou impugnação em 19/05/06 As fl. 69/84, juntando, ainda, os documentos As fls. 85/159. Consta da impugnação, em apertada síntese: Preliminarmente, a arguição de nulidade e de decadência do lançamento fiscal. 2) No mérito propriamente dito: alegou que o Auto de Infração ora impugnado nada mais é do que uma repetição daquele que fora lavrado em 17/01/1997 (fls. 47/48), o qual foi julgado nulo, por vicio de forma, conforme Acórdão DRJ/RJ01 no 4.556, de 28 de novembro de 2003 (fls. 65/67); que somente veio tomar ciência do citado acórdão em 2006, quando do recebimento do presente Auto de Infração; que essa demora do Fisco — no dar a ciência daquele acórdão lesionou princípios constitucionais do contraditório, da ampla defesa, da publicidade e do devido processo legal; que o prejuízo fiscal do ano base 1991, por ocasião da revisão da DIRPJ 1992 (anobase 1991), foi reduzido de oficio em Cr$ 160.898.905,00 (Cr$ 3.121.172.070,00 para Cr$ 2.960.273.165,00), conforme Notificação de Multa pela redução Fl. 740DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14041.000211/200674 Resolução nº 1802000.225 S1TE02 Fl. 274 3 de Prejuízo Fiscal (Notificação 0402317, de 12/07/1996), por conta de divergência de informação (dados conflitantes entre diversos Quadros da DIRPJ 1992, anobase 1991, ou seja: a) Excesso de retiradas de administradores: que inexiste excesso de remuneração de administradores, além do valor que fora informado na DIRPJ 1992, anobase 1991 (o Fisco entende que o excesso de retiradas é de Cr$ 111.110.983,00, e não apenas Cr$ 39.434.341,00); que, no caso, aplicase o limite individual mensal, e não o limite mínimo colegial mensal; que — embora tenham sido pagas retiradas a treze administradores diferentes no anobase 1991 — a impugnante em nenhum período de apuração referente ao exercício 1992 (anobase 1991), remunerou mais do que cinco dirigentes por mês, conforme demonstrativos e documentos As fls. 143/157); b) Lucro inflacionário do períodobase 1991 (parcela deferível): o qual teria sido apurado e informado a maior do que o valor calculado pelo Fisco. Vale dizer: valor a maior informado é de Cr$ 89.222.283,00. A impugnante alegou que isso decorreu de erro material no preenchimento da DIRPJ 1992 (anobase 199), ou seja: • que os "descontos sobre entregas" Cr$ 89.004.362,88 foram informados erroneamente como sendo "outras receitas operacionais" — Quadro 13, item 09 , quando deveriam ter sido informados como "receitas financeiras" — Quadro 13, item 05 (quando da apuração do lucro inflacionário, o citado valor já havia sido computado corretamente como receita financeira); • quanto A diferença de Cr$ 217.920,12 (89.222.283,00 — 89.004.362,88) referese a bonificações e dividendos (resultado positivo com partic. societ.) cujo valor foi, indevidamente, computado pela impugnante na apuração do lucro inflacionário; por isso, deve ser excluído (só nessa parte a impugnante aceita a redução do prejuízo fiscal e a glosa da compensação como indevida); • que, por conseguinte, o valor correto do lucro inflacionário do períodobase (parcela deferível) é Cr$ 3.059.614.682,78, e não Cr$ 2.970.610.319,00 como quer o Fisco; que o valor correto do prejuízo fiscal do anobase 1991 é de Cr$ 3.120.954.150,78, e não Cr$ 2.960.273.165,00 como quer o Fisco. Diante do exposto, a impugnante alegou que relativo ao período de apuração fev./1992 — período objeto da autuação a glosa da compensação de prejuízos fiscais deve ser revista, pois, como demonstrado, a redução de oficio do prejuízo fiscal, do anobase 1991, foi em parte indevida. Por fim, a impugnante pediu que o julgamento fosse convertido em diligencia fiscal, para que pudesse apresentar outros documentos, livros fiscais, demonstrativos e laudos contábeis e qualquer outra prova admissível na esfera administrativa, pois os fatos objeto do lançamento fiscal ocorreram há quatorze anos, situação que dificulta sobremaneira a defesa. É o relatório. Fl. 741DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14041.000211/200674 Resolução nº 1802000.225 S1TE02 Fl. 275 4 Inicialmente, se mostra de extrema importância tecer breve explicação sobre o objeto do presente Processo Administrativa Fiscal, de cuja leitura extrai que o Recorrente, inicialmente, sofreu duas Autuações Fiscais distintas: (i) um referente à Notificação Fiscal nº 0402317, de 12.07.1996, relativa ao ano calendário de 1991, e (ii) a Notificação Fiscal nº 11 00388, de 17.01.1997, relativa ao ano calendário de 1992. Ambos os autos de infração acima mencionados foram anulados em primeira instância. Após estes atos anulatórios foram gerados novas autuações sendo que aquela referente ao ano calendário de 1991, fora quitada pelo contribuinte. A segunda autuação, referente ao ano calendário de 1992, lavrada em 13.04.2006, é objeto do presente processo. A Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília – DF (DRJBSA), julgou o lançamento procedente em parte – Acórdão n° 03 26.073 de 25 de julho de 2008, o qual transcrevo abaixo a ementa: “Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ. Anocalendário: 1992 Ementa: NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O lançamento fiscal objeto da lide foi efetuado em face do anterior ter sido declarado nulo, uma única vez, ainda na primeira instância. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. O lançamento fiscal foi efetuado dentro do lapso temporal de cinco anos, a partir da decisão que anulara o lançamento anterior, por vicio formal. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL. SALDO DE PREJUÍZO FISCAL INSUFICIENTE DE ANOBASE ANTERIOR. REVISÃO DO LANÇAMENTO FISCAL. Restando demonstrado nos autos que parte do prejuízo fiscal do ano base anterior fora glosado indevidamente pela adição do excesso de remuneração a administradores apurado pelo Fisco, revisase o lançamento fiscal para redução do valor da compensação indevida, pelo acolhimento ou restabelecimento do prejuízo fiscal do anobase anterior, por conta da inexistência do excesso de remuneração ou de retiradas de administradores apurado pelo Fisco (diferença). LUCRO INFLACIONÁRIO – PARCELA DIFERÍVEL. EXCESSO APURADO PELO FISCO. Mantémse a redução do prejuízo fiscal do anobase anterior, por conta do excesso de lucro inflacionário — parcela deferível — apurada pelo Fisco, uma vez que — em relação ao alegado equivoco de preenchimento da declaração pelo contribuinte — não restou comprovado nos autos que o valor trataria de receita financeira, e não outras receitas operacionais. PROTESTO PELA JUNTADA DE TODAS AS PROVAS ADMITIDAS EM DIREITO. PEDIDO REJEITADO. Fl. 742DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14041.000211/200674 Resolução nº 1802000.225 S1TE02 Fl. 276 5 Para que seja deferido o pedido de diligência, perícia, produção ou juntada de outras provas, o requerimento deve, além de demonstrar com fundamentos a sua necessidade, ser formulado em consonância com o inciso IV e § 1 do artigo 16 do Decreto n° 70.235/72. Lançamento Procedente em Parte Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese, a nulidade do auto de infração em decorrência da existência de (i) Auto de Infração anterior que, em seu entendimento, versava sobre a mesma matéria e que havia sido julgado nulo pela autoridade fiscal; (ii) por ter ocorrido a decadência do direito da Fazenda quanto ao crédito tributário em questão; (iii) além de contestar a redução do prejuízo fiscal em decorrência de erro material que houvera cometido ao preencher a linha correspondente ao lucro inflacionário. É o relatório, passo a decidir. Voto O presente recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço e passo a tratar de suas questões preliminares. Preliminares Nulidade do Auto de Infração O Recorrente aduz, em sede de preliminar, a nulidade do auto de inflação, por considerar que este detinha o mesmo objeto de Auto de Infração lavrado pela autoridade fiscal que já havia sido julgado nulo. No entanto, da leitura do Processo Administrativo Fiscal, podemos extrair a existência de dois lançamentos distintos, sendo um referente à Notificação Fiscal nº 0402317, de 12.07.1996, que fora quitado pelo Recorrente e outro referente à Notificação Fiscal nº 11 00388, de 17.01.1997, relativo ao anocalendário de 1992, objeto do presente processo. Entendo que não há qualquer nulidade no presente auto de infração. Como razões de decidir, adoto os mesmos argumentos do acórdão recorrido, abaixo transcritos: Na verdade, diversamente do alegado pela impugnante, não restou configurado vicio algum que pudesse macular o presente lançamento fiscal de nulidade; (...). Fl. 743DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14041.000211/200674 Resolução nº 1802000.225 S1TE02 Fl. 277 6 Quanto aos fatos: em 1996, após processamento da DIRPJ 1992 (ano base 1991), houve de oficio a redução do prejuízo fiscal, com emissão da Notificação de Multa no valor de R$ 80,79, conforme Notificação n° 0402317, de 12/07/96 As fls. 118/120. No ano seguinte, em 1997, após processamento da DIRPJ 1993 (ano base 1992), o Fisco constatou que a impugnante compensara prejuízo fiscal do anobase 1991, inclusive aquele valor do prejuízo fiscal que havia sido glosado ou reduzido de oficio, de que trata a Notificação citada anteriormente. Por isso, nessa ocasião, foi emitida a notificação de lançamento suplementar do IRPJ relativo ao período de apuração fev/1992, conforme Notificação n° 1100388, de 17/01/1997 As fls. 123/132. Como se observa, o primeiro lançamento é atinente ao anobase 1991, referese a exigência de multa, pela redução de oficio de parte do prejuízo fiscal desse ano; já, o segundo lançamento é pertinente ao período de apuração fev/1992, pela compensação indevida de prejuízo fiscal do anobase 1991, quanto ao montante que fora reduzido de oficio. Quanto ao julgamento de 1998 (fl. 114), ele referese a decretação de nulidade do lançamento da multa de R$ 80,79 do anobase 1991 de que trata a Notificação n° 0402317, de 12/07/96, por vicio formal (fls. 118/120). Quanto ao julgamento de 2003 (fls. 115/117), ele referese à decretação de nulidade do lançamento fiscal (IRPJ, multa de oficio e juros de mora) relativo ao período de apuração fev/1992 de que trata a Notificação n° 11 00388, de 17/01/1997, por vicio de forma (fls. 123/132). Vale dizer: as duas decisões de nulidade têm objetos diversos e não se referem ao mesmo lançamento fiscal; a primeira (prolatada em 1998), diz respeito ao lançamento de multa do anobase 1991 (aplicação de multa isolada, apenas); a outra decisão (proferida em 2003), diz respeito ao período de apuração fev/ 1992 (imposição de IRPJ, multa de oficio e juros de mora). Logo, os lançamentos são diversos; têm períodos objeto de apurações diferentes. Inexiste, por conseguinte, duas decisões de nulidade sobre o mesmo lançamento fiscal. Assim, adotando os mesmos fundamentos apresentados da decisão recorrida, ante a inexistência de nulidade no Auto de Infração, decido que o lançamento do crédito tributário não padece da precariedade apresentada pelo Recorrente. Decadência Também em sede de preliminar, o Recorrente alega em sua defesa, a nulidade do Auto de Infração devido à ocorrência da decadência da constituição do crédito tributário, pela Autoridade Fiscal. Fl. 744DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14041.000211/200674 Resolução nº 1802000.225 S1TE02 Fl. 278 7 Em relação a essa alegação, entendo que os argumentos do Recorrente também não merecem prosperar. O Auto de Infração ora contestado foi lavrado em 13.04.2006, em decorrência da decisão que declarou a existência de vício formal na constituição do crédito tributário referente à Notificação nº. 1100388 de 17. 01.1997, sendo certo que a referida decisão foi proferida em 28.11.2003. O Código Tributário Nacional, em seu artigo 173, inciso II, prescreve que na ocorrência de declaração de nulidade formal de lançamento de oficio, o prazo decadencial é interrompido para a constituição do crédito tributário, cujo termo inicial será a publicação da referida decisão. Vejase abaixo a transcrição do citado artigo: Art. 173 – O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contatos: II – da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vicio formal, o lançamento anterior efetuado. Quanto à interrupção do prazo decadencial para o lançamento do crédito, cujo auto de infração foi anulado por erro formal, transcrevo a seguir doutrina esclarecedora da lavra do prof. Paulo Barros de Carvalho: “Este inciso constitui hipótese de interrupção do prazo prescricional. Aliás, o instituto da decadência, no direito tributário, possui elementos que o diferenciam da decadência do direito privado: a) o termo inicial, no direito privado, coincide com o nascimento do direito subjetivo (no campo tributário isso acontece somente com os tributos sujeitos a lançamento por homologação); e b) o prazo que culmina com o fato jurídico da decadência não se interrompe nem se suspende (no direito tributário há causa interruptiva – CTN, art. 173, II). (Paulo de Barros Carvalho, Curso de Direito Tributário, 8ª edição, Ed. Saraiva, 1996, p.315/316) (grifei) Assim, ante aplicação da regra prevista no art. 173, II do CTN, a Autoridade fiscal, após a publicação do Acórdão que declarou a nulidade formal do lançamento fiscal, detém 5 (cinco) anos para efetuar novo lançamento sobre os fatos geradores declarados nulos. Como a publicação da decisão declaratória da nulidade é datada de 28.11.2003, a Autoridade Fiscal poderia efetuar o lançamento até o mês de novembro de 2008 e, tendo o presente auto de infração que ensejou a contestação do Recorrente sido lavrado em 13.04.2006, ou seja, dentro do prazo decadencial ao qual a Fazenda fazia jus, não há o que se falar em decadência. Rejeito, por estas razões, as preliminares argüidas pela Recorrente, passando a seguir analisar as questões de mérito. Fl. 745DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14041.000211/200674 Resolução nº 1802000.225 S1TE02 Fl. 279 8 Mérito Conforme relatado, em 1996, por ocasião da revisão da DIRPJ1992 (anobase 1991), houve redução de oficio do prejuízo fiscal do anobase 1991, no valor de Cr$ 160.898.905,36 (Cr$ 3.121.172.070,36 para Cr$ 2.960.273.165,00). Essa redução de oficio do prejuízo fiscal do anobase 1991, repercutiu na DIRPJ1993 (anobase 1992), ou seja, o Fisco constatou que a contribuinte havia compensado na DIRPJ1993, lucro real do período de 1992 (fevereiro), com prejuízos fiscais do anobase 1991, inclusive a parcela do prejuízo fiscal insubsistente (valor reduzido de oficio). Vale dizer, em fevereiro de 1992, houve compensação de lucro real com prejuízo fiscal insubsistente, no valor de Cr$ 160.898.905,36 (valor original). Por isso, sobre o citado valor compensado indevidamente, foi exigido, via Auto de Infração, o IRPJ suplementar com acréscimos legais. Tal glosa deuse por dois motivos (fls 120): diferença de excesso de remuneração dos administradores Cr$ 71.676.622,00 (Cr$ 111.110.963,00 — Cr$ 39.434.341,00); lucro inflacionário (parcela diferível) maior do que o valor calculado pelo Fisco — diferença de Cr$ 89.222.283,00 (Cr$ 3.059.822.602,00 — Cr$ 2.970.610.319,00). Quanto ao excesso de remuneração de administradores na DIRPJ1992 (ano base 1991), a decisão recorrida cancelou a exigência fiscal sobre essa parcela, entendendo que não houve excesso de remuneração ou retiradas além do valor já informado na DIRPJ1992 (anobase 1991), pois, embora tenham sido pagas retiradas a treze administradores diferentes no anobase 1991, em nenhum período de apuração referente ao exercício 1992 (anobase 1991), houve remuneração mais do que cinco dirigentes por mês. Por outro lado, a decisão recorrida manteve a infração referente a parcela a maior do lucro inflacionário (parcela diferível), correspondente a Cr$ 89.222.283,00 (Cr$ 3.065.832.602,00 para Cr$ 2.970.610.319), em face de divergência de critérios nos preenchimentos dos Quadros da DIRPJ1992 (anobase 1991), entendendo que o citado montante não pode ser computado na apuração do lucro inflacionário, pois a contribuinte não comprovou nos autos que realmente seria receita financeira (não juntou documentos de sua contabilidade). Desta forma, considerando a incorreção na apuração do Lucro Real do ano calendário de 1991, devido ao cálculo equivocado do respectivo lucroinflacionário, o Prejuízo Fiscal gerando e utilizado pela Recorrente no anocalendário subsequente também estava aumentado indevidamente. Em seu recurso voluntário, a Recorrente discordou da exclusão do citado valor (Cr$ 89.222.283,00) na apuração do lucro inflacionário, sendo que a divergência com os cálculos da Receita Federal deuse por duas situações: (i) descontos sobre entregas, no valor de Cr$ 89.004.362,88 e, (ii) bonificações e dividendos, no valor de Cr$ 217.919 22 Fl. 746DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14041.000211/200674 Resolução nº 1802000.225 S1TE02 Fl. 280 9 Alega que a razão para a existência de tais divergências é facilmente detectável e sanável e que, em relação aos descontos sobre entregas (Cr$ 89.004.362,88) o que existe é simples erro material, pois tal valor deveria ter sido lançado pela Recorrente no item 05, do quadro 13, do formulário 1, da Declaração de IRPJ exercício 1992, por se caracterizar como "receita financeira" e não no item 09, do mesmo quadro 13, em "outras receitas operacionais", aonde foi incluído apenas por equivoco da recorrente, juntamente com outras reais receitas operacionais. Analisando o lançamento fiscal efetuado em decorrência do equivoco do Recorrente no cálculo do lucro inflacionário, pude constatar que os mesmos ocorreram efetivamente pela escrituração equivocada no saldo correspondente a conta “desconto sobre entregas”, as quais consistiram, numa falha no preenchimento da linha do formulário, ou seja, um erro material; além da inclusão indevida do saldo da conta contábil “bonificação e dividendos” no referido cálculo. No que concerne ao pretenso equivoco no preenchimento dos valores, verifiquei que foram acostados ao presente Processo Administrativo Fiscal, apenas em sede recursal, documentos contábeis da sociedade que buscam a comprovação da natureza da referida conta, como receita financeira. No que concerne apresentação de provas apenas em sede de recurso voluntário, importante lembrar que a Recorrente, ao elaborar sua impugnação, teve o pedido de conversão em diligência denegado. Somase a isto o fato do presente Processo Administrativo Fiscal apreciar lançamento cujo fato gerador ocorrera no longínquo ano de 1992, o que me faz considerar como justificativa plausível aceitação das provas produzidas exclusivamente no âmbito do Recurso Voluntário. Ademais, levando os aspectos fáticos em consideração, o fato das referidas provas terem sido apresentada pelo Recorrente apenas no âmbito do recurso voluntário, não impossibilita a apreciação das mesmas em face aplicação do princípio da verdade material. Este entendimento, é amplamente consagrado nos julgados proferidos no âmbito deste conselho, conforme explicitado no trecho abaixo transcrito: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. Ano calendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora.” (Acórdão n˚. 180300.765 Sessão. 26.01.2011, Turma Especial, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF). Fl. 747DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14041.000211/200674 Resolução nº 1802000.225 S1TE02 Fl. 281 10 Assim, estando plenamente convencido quanto à possibilidade de apresentação da respectiva prova, em sede de recurso voluntário, passo a analisar a seguir os documentos acostados pelo Recorrente e os efeitos que os mesmos trazem ao julgamento da lide. No que tange à inclusão equivocada do saldo da conta contábil “bonificações e dividendos”, no cálculo do lucro inflacionário, não resta qualquer dúvida que o procedimento está contrário aos preceitos legais, conforme já se manifestou o próprio Recorrente. Assim, no que tange ao valor das “bonificações e dividendos”, encontrados no item 06, do quadro 13, do Formulário I, da Declaração de IRPJ exercício 1992, na rubrica "resultados positivos em participações societárias", a decisão recorrida não merece qualquer reparo, pois, ao calcular o lucro inflacionário do período base (item 16, quadro 14 do formulário I, da declaração de IRPJ exercício 1992), a recorrente abateu – indevidamente – de tal resultado a quantia discriminada no item 6 do quadro 13, quando não poderia fazêlo, o que ocasionou a indevida majoração do prejuízo fiscal no valor de Cr$ 217.919,22. Portanto, o valor de Cr$ 217.919,22, indevidamente computado na apuração do lucro inflacionário deve ser excluído. Para comprovar os valores lançados a título de receitas financeiras dos “descontos sobre entregas”, no valor de Cr$ 89.004.362,88, a recorrente juntou com o Recurso Voluntário cópia do balancete com despesas operacionais consolidadas, competência dezembro/1991 e, cópia do razão analítico da conta 803.00 (descontos sobre entregas). Às fls. 283 dos autos, consta o Balancete Analítico com Despesas Operacionais Consolidadas, do mês de dezembro de 1991, cuja conta 803.00, denominada desconto sobre entregas, possui o saldo acumulado de Cr$ 89.004.362,88. Esse montante lançado no Balancete mencionado é originário do Razão Analítico, sendo o maior valore decorrente da soma dos descontos concedidos ao longo do ano calendário de 1991, conforme fls. 2.174 do Razão Analítico (fls. 323). Com as provas trazidas pela Recorrente, os lançamentos contábeis foram provados, a meu ver, à saciedade, sendo que a prova da correção do lançamento da despesa esta calcada em documento hábil – a contabilidade da empresa – que faz prova da veracidade dos lançamentos a seu favor. Entretanto, a Recorrente alegou erro material no preenchimento da DIPJ quanto aos valores dos descontos sobre entregas (Cr$ 89.004.362,88), que, segundo seus argumentos deveria ter sido lançado no item 05, do quadro 13, do formulário 1, da Declaração de IRPJ exercício 1992, por se caracterizar como "receita financeira" e não no item 09, do mesmo quadro 13, em "outras receitas operacionais”. No meu entendimento, o erro material alegado pela Recorrente que impactou na apuração do lucro inflacionário na sua parcela diferível não fora comprovado, uma vez que não ficou demonstrado que os valores referentes aos descontos sobre entregas são efetivamente receitas financeiras. Ou seja, a natureza de receita financeira da conta “descontos sobre entrega” que justificaria o procedimento adotado pela Recorrente não restou demonstrado pelas provas trazidas em sede de recurso voluntário. Fl. 748DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 14041.000211/200674 Resolução nº 1802000.225 S1TE02 Fl. 282 11 Assim, já que, ao analisar os documentos acostados ao recurso voluntário objeto do presente processo administrativo, não identifiquei a possibilidade de concluir sobre a natureza da receita da conta “desconto sobre entregas”, entendo necessário o saneamento do processo sobre essa questão. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, encaminhandose os presentes autos à DRF de origem –Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Brasília – DF (DRJBSA), para que: (i) a luz da escrituração contábil apresentada e de outros elementos que a DRF entender necessários, intimar a Contribuinte apresentar documentos que esclareçam a natureza das receitas registradas como descontos sobre entregas; (ii) elabore relatório circunstanciado; (iii) intimar a Contribuinte para, desejando, se manifestar sobre o resultado da diligência; (iv) retorne os autos a esse Conselheiro para julgamento. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 749DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 11 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0520.10129.GNE7. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO em 09/07/2013 11:00:33. Documento autenticado digitalmente por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO em 09/07/2013. Documento assinado digitalmente por: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA em 15/07/2013 e MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO em 09/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 06/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP06.0520.10129.GNE7 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: CC6E3CF457ACD9A25EFB316B42FA69EEE83C0AB3 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 14041.000211/2006-74. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 11831.005339/2002-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/07/1997 a 30/09/1997
Ementa:
MULTA DE MORA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO.
A multa moratória não possui natureza punitiva, mas sim, indenizatória, representando ônus pela não disponibilização dos recursos pertencentes aos cofres do Estado na data legalmente aprazada, de maneira que não se aplica a figura da denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3403-000.904
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz (Relator), Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Esteve presente ao julgamento o Dr. Márcio Lopes de Freitas Filho. OAB/DF nº 29.181.
Nome do relator: MARCOS TRANCHESI ORTIZ
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/07/1997 a 30/09/1997 Ementa: MULTA DE MORA. NATUREZA INDENIZATÓRIA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DESCABIMENTO. A multa moratória não possui natureza punitiva, mas sim, indenizatória, representando ônus pela não disponibilização dos recursos pertencentes aos cofres do Estado na data legalmente aprazada, de maneira que não se aplica a figura da denúncia espontânea, tal como prevista no art. 138 do CTN. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marcos Tranchesi Ortiz (Relator), Domingos de Sá Filho e Ivan Allegretti. Designado o Conselheiro Robson José Bayerl. Esteve presente ao julgamento o Dr. Márcio Lopes de Freitas Filho. OAB/DF nº 29.181. Antonio Carlos Atulim – Presidente Marcos Tranchesi Ortiz – Relator Robson José Bayerl – Redator Designado Fl. 142DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ , 03/05/2011 por ROBSON JOSE BAYERL 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Robson José Bayerl, Domingos de Sá Filho, Winderley Morais Pereira, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Ao quanto relatado na Resolução de fls. 84/85, adiciono o seguinte. Com os esclarecimentos prestados pela autoridade preparadora de fls. 109, podese finalmente compreender que o saldo do lançamento mantido na DRJSão Paulo I referese à multa de mora devida pelo recolhimento atrasado da obrigação principal – PIS das competências jul/97, ago/97 e set/97. As obrigações principais venceramse em 15 de agosto, 15 de setembro e 15 de outubro de 1997, respectivamente. Todas elas foram pagas, de uma só vez, em 27 de outubro de 1997 (fls. 28/30). A multa moratória, calculada de acordo com o art. 61 da Lei nº 9.430/96, ficaria assim liquidada: Per.Ap. Dias de Atraso Multa por dia de Atraso Multa Total Jul/97 73 0,33% 20% Ago/97 42 0,33% 13,86% Set/97 12 0,33% 3,96% Os débitos foram confessados pela recorrente em duas “etapas”. Na DCTF transmitida em 28 de novembro de 1997 (fl. 117), declarou os seguinte valores: Per.Ap. Valor Decl. Jul/97 R$29.785,69 Ago/97 R$30.400,33 Set/97 R$29.219,73 Posteriormente, em 20 de outubro de 1998, transmitiu DCTF complementar (fls. 123) para declarar os seguintes valores: Per.Ap. Valor Decl. Jul/97 R$149.244,57 Ago/97 R$150.234,97 Set/97 R$166.041,71 A multa moratória foi calculada com base nos valores declarados na primeira DCTF apenas. É dizer, pareceme que, em relação aos valores declarados somente na DCTF Fl. 143DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ , 03/05/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11831.005339/200214 Acórdão n.º 340300.904 S3C4T3 Fl. 2 3 complementar, aceitouse que o pagamento tardio dos débitos – prévio a qualquer procedimento fiscalizatório – afastou a incidência da multa, por força do art. 138 do CTN. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz Tempestivo e obediente aos pressupostos da interposição, o recurso será conhecido. Esclareçase, de início, que a eficácia da denúncia espontânea sobre a multa chamada moratória, comumente recusada pelas autoridades fiscais, não foi controvertida pela DRJ nestes autos. Tanto assim que a multa não foi calculada sobre os débitos declarados na DCTF complementar. A DRJ firmou controvérsia apenas em relação aos débitos declarados na DCTF original, presumivelmente orientada pela Súmula STJ nº 360, segundo a qual “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”. Sucede, entretanto, que o pagamento foi realizado pela recorrente em 27 de outubro de 1997, antes da entrega da própria DCTF original, ocorrida em 28 de novembro 1997. Assim sendo, não faz sentido tratar diferentemente as DCTFs original e complementar: ambas são posteriores ao pagamento. Ao tempo do pagamento atrasado, nenhuma parcela do crédito estava já declarada pela recorrente; em 27 de outubro de 1997, precisaria o Fisco ainda constituir o débito pela via do lançamento de ofício para cobrálo, tarefa essa que restou dispensada pelo pagamento efetuado pela recorrente naquela data. A ratio inequívoca da Súmula STJ nº 360 é premiar o contribuinte que, com o pagamento ainda que tardio, dispensou o Fisco de instaurar procedimento tendente a constituir o crédito tributário. E isso foi alcançado pelo pagamento de 27 de outubro de 1997, mesmo em relação à parcela do crédito fiscal que, 32 dias depois, foi confessada na DCTF original. Não vejo, pois, razão para aplicar a Súmula STJ nº 360 nem mesmo em relação a essa parcela do crédito. Dou provimento ao recurso, para cancelar integralmente a exigência fiscal. Marcos Tranchesi Ortiz Relator Fl. 144DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ , 03/05/2011 por ROBSON JOSE BAYERL 4 Voto Vencedor Conselheiro Robson José Bayerl, Redator Designado Nada obstante o brilhante raciocínio exposto pelo voto condutor, peço vênia para dele dissentir; a começar pela premissa, nele presumida, que as autoridades administrativas teriam admitido a eficácia da denúncia espontânea ao não exigir a multa moratória cabível sobre os valores informados na DCTFComplementar, haja vista que a ausência de cobrança deste consectário, em relação a esta declaração, neste processo, não induz à sua inexigibilidade, ao passo que certamente será cobrado em outro procedimento administrativo específico. Quanto ao cabimento, ou melhor, aplicação da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do Código Tributário Nacional, à denominada “multa moratória”, tenho que seu exame perpassa a definição da natureza jurídica de tal acréscimo pecuniário incidente sobre os recolhimentos tributários extemporâneos. Desde há muito defendo que a multa moratória não ostenta a natureza de pena administrativa, a atrair a figura da denúncia espontânea, mesmo que o seu título a isto possa induzir. Em minha opinião, seu caráter é meramente indenizatório, um ônus de natureza civil arcado pelo contribuinte impontual em face da lesão causada aos cofres públicos pela indisponibilidade dos recursos a ela pertencentes na data legalmente aprazada. Neste mesmo sentido, aliás, a conclusão do elucidativo voto estampado no acórdão nº 20101.970, à qual peço licença para reproduzir o excerto: “A natureza jurídica da multa de mora, diferentemente das multas previstas em lei para coibir a prática de infrações tributárias, não é penal. Tratase, em verdade, de um ônus de natureza civil, mais especificamente, reparatóriocompensatório do dano que sofre a Fazenda Pública com a impontualidade do devedor. Razão pela qual a multa de mora é aplicada independentemente das razões que levaram ao atraso do pagamento pelo devedor, caracterizandose como de caráter ressarcitória. (...) A obrigação tributária deve ser adimplida oportunamente. Quando a contribuinte desatende o aspecto temporal, há o atraso na prestação, surgindo então a mora. Assim sendo, uma vez se torne o devedor impontual, a multa moratória, embora obrigação acessória, nasce ao lado da obrigação principal, à qual adere, independente dos motivos que levaram à impontualidade do pagamento dos tributos ou contribuições. Independente, pois, do motivo que levou a contribuinte ao inadimplemento do pagamento de créditos tributários devidos, de qualquer ato ou medida preliminar por iniciativa do Fisco, a multa de mora é devida quando do exaurimento do prazo fixado em lei para cumprimento da obrigação tributária principal, sendo que, a ela faz jus a Fazenda Nacional porque a lei tem o direito de receber o valor do imposto na época certa, mesmo sem atuação fiscal do Estado. Fl. 145DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ , 03/05/2011 por ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 11831.005339/200214 Acórdão n.º 340300.904 S3C4T3 Fl. 3 5 Sob o ponto de vista doutrinário, vários autores têm se pronunciado no sentido de que é devida a multa de mora nas circunstâncias definidas na presente ação. Luiz Emydio F. da Rosa Jr., em “Manual de Direito Financeiro & Direito Tributário”, 10ª edição, Renovar, pág. 506, diz: os pressupostos cumulativos de exclusão da responsabilidade são a confissão espontânea e, ao mesmo tempo, desistência do proveito da infração; b) a denúncia espontânea deve ser feita antes do início de qualquer procedimento administrativo (auto de infração) ou medida de fiscalização específica relacionada com a infração, pelo que o início de uma fiscalização geral não impede a espontaneidade da denúncia; c) ficam excluídas apenas as multas fiscais punitivas, continuando obrigado ao pagamento do tributo, juros de mora, correção monetária e multas moratórias; d) o mero pedido de parcelamento do tributo não configura denúncia espontânea porque não há comunicação da existência de qualquer infração. (grifos nossos). Paulo de Barros Carvalho, em “Curso de Direito Tributário”, Ed. Saraiva, págs. 348/349, esclarece: Modo de exclusão da responsabilidade por infrações à legislação tributária é a denúncia espontânea do ilícito, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração (CTN, art. 138). A confissão do infrator, entretanto, haverá de ser feita antes que tenha início qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionada com o fato ilícito, sob pena de perder sua espontaneidade (art. 138, parágrafo único). A iniciativa do sujeito passivo, promovida com a observância desses requisitos, tem a virtude de evitar a aplicação de multas de natureza punitiva, porém não afasta os juros de mora e a chamada multa de mora, de índole indenizatória e destituída do caráter de punição. Entendemos, outrossim, que as duas medidas juros de mora e multa de mora por não se excluírem mutuamente, podem ser exigidas de modo simultâneo : uma e outra. (grifos nossos).” Comungando desta mesma compreensão acerca do tema, não vejo como estender os efeitos do predito dispositivo (art. 138 do CTN) ao encargo moratório denominado “multa de mora”, razão pela qual voto por negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 146DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ , 03/05/2011 por ROBSON JOSE BAYERL 6 Fl. 147DF CARF MF Emitido em 13/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ Assinado digitalmente em 08/05/2011 por ANTONIO CARLOS ATULIM, 02/05/2011 por MARCOS TRANCHESI ORTIZ , 03/05/2011 por ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10183.002979/2004-45
Data da sessão: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Dec 03 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 3403-000.019
Decisão: Resolvem os Membros do Colegiado, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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An orno Carlos Atulim Presidente e Relator EDITADO EM 02/02/2010 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Robson José Bayerl, Luciano Pontes de Maya Gomes (Suplente) Domingos de Sá Filho, Marcos Tranchesi Ortiz e Antonio Carlos Atulim. RELATÓRIO Trata-se de auto de infração notificado ao contribuinte em 16/08/2004 para exigir o crédito tributário relativo ao PIS, multa de oficio e juros de mora, em razão da falta de recolhimento do imposto. A r Turma da DRJ em Campo Grande - MS, por meio do Acórdão n 2 04- - 11.381, de 09/02/2007, julgou o lançamento procedente em parte e excluiu do auto de infração os valores declarados em DIPJ, visto que podem ser consolidados no PAES. Houve a interposição de recurso de oficio por parte do Presidente da 2 a Turma da DRJ em Campo Grande. É o relatório. 1 VOTO Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Relator Conforme se verifica dos autos, a decisão de primeira instância cancelou uma parte do lançamento referente aos períodos de apuração compreendidos entre março de 1999 e novembro de 2002 pelos seguintes motivos: 1) os débitos lançados estavam declarados em DIPJ; 2) a Turma recorrida considera que o art. 5°, parágrafo único, do DL n° 2.184/84 nunca deixou de ser aplicável à DIPJ e, portanto, a dívida estava confessada; 3) ainda que não se - considere a DIPJ como instrumento de confissão de dívida, os débitos foram nela regularmente declarados, o que é suficiente para que incida o artigo 1 0, § 2° da Portaria Conjunta PGFN/SRF n° 3, 01/09/1993, que estabelece que débitos declarados ou confessados antes do advento da declaração ao PAES devem ser incluídos no parcelamento especial, não devendo ser informados na Declaração PAES. Entretanto, verifica-se nos autos que o contribuinte não foi notificado da decisão de primeira instância para que pudesse recorrer da parte que lhe foi contrária. Com a revogação do art. 33, § 1° do Decreto n° 70.235/72 pelo art. 7 0, II da Medida Provisória n° 465/2009, desapareceu a previsão legal no sentido de que o prazo para o recurso voluntário deve correr a partir da data em que for dado provimento a recurso de oficio. Isto porque, conforme o disposto nos artigos 9° e 64, II do RICARF, não existe mais a possibilidade de interposição de recurso voluntário à CSRF da decisão que der provimento a recurso de oficio. Desse modo, e também por uma questão de economia processual, deve o contribuinte ser notificado da decisão de primeira instância para que possa exercer seu direito de apresentar recurso voluntário da parte que lhe foi desfavorável, o qual, acaso interposto, deverá ser julgado por este Colegiado junto com o recurso de oficio em um único Acórdão. Com estas considerações voto no sentido de converter o julgamento em diligência à repartição de origem para que o contribuinte seja notificado da decisão de primeira instância e para que lhe seja aberto o prazo previsto no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. Atendida esta diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para prosseguimento, c m ou sem al terposição do recurso voluntário. • Antonio Carlos Atu im 2
score : 1.0
Numero do processo: 16048.000071/2008-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Ano-calendário: 2003
COOPERATIVA MÉDICA. VENDA DE PLANOS DE SAÚDE POR VALOR PRÉ-ESTABELECIDO. RETENÇÃO INDEVIDA DE IRRF. COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ART. 652 DO RIR/99.
O Imposto sobre a Renda retido indevidamente da cooperativa médica, quando do recebimento de pagamento efetuado por pessoa jurídica, decorrente de contrato de plano de saúde a preço pré-estabelecido, não pode ser utilizado para a compensação direta com o Imposto de Renda retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos cooperados, mas, sim, no momento do ajuste do IRPJ devido pela cooperativa ao final do período de apuração em que tiver ocorrido a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período.
Numero da decisão: 1401-005.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(documento assinado digitalmente)
André Severo Chaves - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
Nome do relator: André Severo Chaves
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2003 COOPERATIVA MÉDICA. VENDA DE PLANOS DE SAÚDE POR VALOR PRÉ-ESTABELECIDO. RETENÇÃO INDEVIDA DE IRRF. COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ART. 652 DO RIR/99. O Imposto sobre a Renda retido indevidamente da cooperativa médica, quando do recebimento de pagamento efetuado por pessoa jurídica, decorrente de contrato de plano de saúde a preço pré-estabelecido, não pode ser utilizado para a compensação direta com o Imposto de Renda retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos cooperados, mas, sim, no momento do ajuste do IRPJ devido pela cooperativa ao final do período de apuração em que tiver ocorrido a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => date: 2021-11-02T21:09:11Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2021-11-02T21:09:11Z; Last-Modified: 2021-11-02T21:09:11Z; dcterms:modified: 2021-11-02T21:09:11Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2021-11-02T21:09:11Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2021-11-02T21:09:11Z; meta:save-date: 2021-11-02T21:09:11Z; pdf:encrypted: true; modified: 2021-11-02T21:09:11Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2021-11-02T21:09:11Z; created: 2021-11-02T21:09:11Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 17; Creation-Date: 2021-11-02T21:09:11Z; pdf:charsPerPage: 1949; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2021-11-02T21:09:11Z | Conteúdo => S1-C 4T1 MINISTÉRIO DA ECONOMIA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 16048.000071/2008-61 Recurso Voluntário Acórdão nº 1401-005.969 – 1ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de outubro de 2021 Recorrente UNIMED DE TAUBATE COOP DE TRAB MEDICO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2003 COOPERATIVA MÉDICA. VENDA DE PLANOS DE SAÚDE POR VALOR PRÉ-ESTABELECIDO. RETENÇÃO INDEVIDA DE IRRF. COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ART. 652 DO RIR/99. O Imposto sobre a Renda retido indevidamente da cooperativa médica, quando do recebimento de pagamento efetuado por pessoa jurídica, decorrente de contrato de plano de saúde a preço pré-estabelecido, não pode ser utilizado para a compensação direta com o Imposto de Renda retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos cooperados, mas, sim, no momento do ajuste do IRPJ devido pela cooperativa ao final do período de apuração em que tiver ocorrido a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, André Severo Chaves, Itamar Artur Magalhaes Alves Ruga, André Luis Ulrich Pinto, Lucas Issa Halah e Luiz Augusto de Souza Goncalves (Presidente). Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão de nº 05-39.015, da 4ª Turma da DRJ/CPS, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, apresentada pela ora Recorrente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 8. 00 00 71 /2 00 8- 61 Fl. 916DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Transcreve-se, portanto, o relatório da supracitada DRJ, que resume o presente litígio: “Trata o presente processo de PER/DCOMP nº 38280.06262.131103.1.3.054380, na qual a interessada declara a extinção de débito de IRRF de seus cooperados (cód. 0588), dos períodos 307/ 03, 308/ 03 e 209/ 03, com crédito decorrente das retenções do imposto de renda feitas pelas fontes pagadoras relacionadas na declaração (cód. 3280), relativas aos meses 06/03 a 09/03, no total de R$ 26.657,10. Conforme o Despacho Decisório da DRF/TAU, de 19/06/2008, foi deferido parcialmente o direito creditório e homologada em parte a compensação, mediante o seguinte fundamento (fls. 125/126): “FUNDAMENTAÇÃO 4. Na determinação dos créditos utilizados para a extinção do tributo foi, rigorosamente, observado o pedido da contribuinte; tendo sido cotejada cada parcela por ela requerida, nos documentos anexados como folhas 01 a 27, com as informações prestadas pelas respectivas fontes pagadoras, conforme documentos anexados como folhas 30 a 109. 5. Os débitos devem receber acréscimos legais, tendo em vista que a Declaração de Compensação foi efetuada em 13 de novembro de 2003 e as obrigações tributárias venceram em datas anteriores, 23 de julho, 20 de agosto e 17 de setembro de 2003, conforme detalhamento constante no Demonstrativo de Compensação, anexado como folhas 120 a 121. 6. Na última coluna do "COMPARATIVO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO x DIRF", anexado como folhas 110 a 117, constam os créditos utilizados na extinção da obrigação tributária, e foi resultado da comparação entre o Crédito Disponível e o Crédito Requerido, dos dois o menor, tendo em vista a prevalência da emissão volitiva do declarante que, a seu exclusivo critério, pode utilizar o excedente do crédito para a extinção de outra obrigação tributária principal. 7. Com relação ao direito pleiteado pela contribuinte, o amparo legal é o artigo 45 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, assim redigido. Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. (Redação dada pela Lei n° 8.981. de 1995) § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados.(Redação dada pela Lei n° 8 981. de 1995) 8. O texto do caput determina a retenção, pelas fontes pagadoras, de 1,5% das importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas. O parágrafo 1º possibilita à cooperativa a utilização dessa retenção para a extinção, por compensação, de obrigação tributária principal, originada do imposto que está obrigada a reter de seus cooperados, quando lhes repassa os valores relativos à prestação de serviços. Esse é, exatamente, o caso deste processo. DECISÃO 9. Considerando o exposto e, ainda, em especial os Demonstrativos de Crédito, de Débito e de Compensação, anexados como folhas 118 a 121, HOMOLOGO PARCIALMENTE a Declaração de Compensação objeto deste processo e, por conseqüência, a extinção da obrigação tributária principal, até o limite de R$ 18.345,35 (dezoito mil, trezentos e quarenta e cinco reais, trinta e cinco centavos). 11. A diferença entre o valor compensado e o homologado, R$ 8.311,75 (oito mil, trezentos e onze reais, setenta e cinco centavos), deverá ser objeto de cobrança junto interessada.” Fl. 917DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Cientificada em 22/07/2008 (AR de fls. 134), a interessada apresentou, em 20/08/2008, manifestação de inconformidade de fls. 135/148, acompanhada dos documentos de fls. 149/786. Ao fazer um breve resumo dos fatos, diz que a autoridade fiscal concluiu pela não correspondência, em parte, entre os créditos pleiteados com aqueles declarados na DIRF pelos tomadores de serviços, deferindo a quantia de R$ 18.345,35 e exigindo a diferença correspondente a R$ 8.311,75, acrescida dos consectários legais. Alega que o tributo exigido está extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, “uma vez que o objeto de compensação regular com créditos a que tinha (e tem) direito a Impugnante, decorrentes de retenção do discutido imposto pelas fontes pagadoras, conforme permissivo do artigo 45 da Lei nº 8.541/92”. E que a simples constatação da existência de tal crédito face a retenção mencionada é elemento suficiente para a validação da compensação, não podendo ser imputada à impugnante a responsabilidade de eventual descumprimento de obrigações acessórias da fonte pagadora. Ainda, argumenta que a decadência fulmina o suposto débito exigido, não cumprindo ao Fisco constituir o crédito tributário cujo fato gerador ocorreu antes de julho de 2003, “porquanto passados cinco anos contados entre a data daqueles fatos geradores e a correspondente notificação do sujeito passivo da não homologação ora discutida, em 21 de julho de 2008”. Fundamentase na natureza do imposto retido como antecipação do devido pelo beneficiário dos rendimentos, bem como nos arts. 150, § 4º, e 156, V, do CTN, e arts. 38 e 628 do RIR/99. Cita doutrina e jurisprudência. Passa a defender a existência do crédito. Esclarece exercer a atividade de cooperativa de trabalho médico, “atuando na catalise das atividades de seus cooperados, operando planos de saúde que viabilizam a prestação de assistência médicohospitalar pelos referidos profissionais, sem fins lucrativos”. Por tal razão, diz não estar sujeita à tributação dos resultados decorrentes dos atos cooperativos, conforme a Lei nº 5.764/71, recaindo a obrigação sobre o efetivo beneficiário de tais rendimentos, ou seja, os cooperados. Argumenta que, em razão de tal peculiaridade, o legislador determinou estarem sujeitos à retenção na fonte os pagamentos realizados às cooperativas de trabalho médico, “mas tão somente sobre a parcela referente aos serviços prestados pelos cooperados”, admitindo a compensação no exercício em curso, exclusivamente, com o imposto retido por ocasião do repasse da remuneração pela cooperativa aos cooperados, podendo ser objeto de pedido de restituição, conforme art. 652 do RIR/99, que tem como base legal o art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995. Diz que para operacionalizar tal retenção foi editado o ADN Cosit nº 01, de 1993, “segundo o qual as cooperativas de trabalho deveriam discriminar em suas faturas as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados à pessoa jurídica por seus associados (base da retenção) das importâncias que corresponderem a outros custos ou despesas”. Nesse sentido, julga incontroverso o direito creditório existente em benefício da requerente, “haja vista as retenções do Imposto de Renda procedidas pelas fontes pagadoras referentes aos serviços prestados pelos médicos cooperados”. Reitera que as retenções, por si sós, são suficientes para a constituição do direito da contribuinte, encontrando-se demonstradas em toda documentação acostada ao processo. Esclarece que a compensação atendeu regularmente a todos os requisitos legais, especialmente a IN SRF nº 210, de 2002, centrando-se a controvérsia na incompatibilidade entre o valor do crédito pleiteado em contraste com as DIRF das fontes pagadoras. Fl. 918DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Diz inexistir qualquer questionamento no despacho decisório acerca do procedimento adotado, exceto em relação à incompatibilidade acima citada, sendo inclusive reconhecida a extensão do direito posto no art. 45 da Lei nº 8.541, de 1992. Por tal razão, afirma estar demonstrado na documentação anexa o destaque do imposto em todas as faturas. Dessa forma, entende provada a existência do indébito a compensar e extinto o crédito tributário, nos termos do art. 156, II, do CTN, independentemente de a tomadora de serviços ter ou não declarado em DIRF, pois tal declaração, em hipótese alguma, pode ser entendida como constitutiva do direito ao crédito da recorrente, que nasce com o desconto na fonte do imposto incidente sobre a remuneração dos cooperados paga por intermédio das cooperativas e da autorização legal do seu aproveitamento para a quitação do imposto retido por ocasião do pagamento a esses profissionais. Acrescenta inexistir qualquer poder à cooperativa para verificação e comprovação do correto cumprimento de tal obrigação acessória por parte do tomador do serviço. Além do mais, argumenta se a DIRF fosse condição para o reconhecimento e utilização do crédito, “as sociedades cooperativas nunca poderiam proceder à compensação dos tributos retidos ao longo do ano-calendário, já que a entrega de tal declaração dá-se somente ao final daquele”. Ainda que assim não fosse, alega que a responsabilidade pela retenção e recolhimento é do tomador do serviço, não podendo a cooperativa ser responsabilizado pelos atos daquele, “especialmente quando, tendo procedido àqueles recolhimentos, deixou de declarar em DIRF os tributos retidos”. Fundamenta-se nos arts. 717 e 722 do RIR/99. Em outra frente de defesa, entende estar protegida pelo Parecer Normativo Cosit nº 01/02, “que exime expressamente o contribuinte da exigência do IRRF não recolhido, dos juros e das penalidades decorrentes do descumprimento das referidas obrigações, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste (pessoa física) – ocorrido em abril de 2004”: "IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual, e, no caso de pessoa jurídica, na data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE. Constatada a falta de retenção do imposto, que tiver a natureza de antecipação, antes da data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, e, antes da data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de Mora. Verificada a falta de retenção após as datas referidas acima serão exigidos da fonte pagadora a multa de oficio e os juros de mora isolados, calculados desde a data prevista para recolhimento do imposto que deveria ter sido retido até a data fixada para a entrega da declaração de ajuste anual, no caso de pessoa física, ou, até a data prevista para o encerramento do período de apuração em que o rendimento for tributado, seja trimestral, mensal estimado ou anual, no caso de pessoa jurídica; exigindose do contribuinte o imposto, a multa de oficio e os juros de mora, caso este não tenha submetido os rendimentos à tributação. IRRF RETIDO E NÃO RECOLHIDO. RESPONSABILIDADE E PENALIDADE. Fl. 919DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Ocorrendo a retenção e o não recolhimento do imposto, serão exigidos da fonte pagadora o imposto, a multa de oficio e os juros de mora, devendo o contribuinte oferecer o rendimento à tributação e compensar o imposto retido. DECISÃO JUDICIAL. NÃO RETENÇÃO DO IMPOSTO. RESPONSABILIDADE. Estando a fonte pagadora impossibilitada de efetuar a retenção do imposto em virtude de decisão judicial, a responsabilidade desloca-se, tanto na incidência exclusivamente na fonte quanto na por antecipação, para o contribuinte, beneficiário do rendimento, efetuando-se o lançamento, no caso de procedimento de oficio, em nome deste." (destacamos) Conclui que a própria União reconhece a exclusão da responsabilidade da recorrente sobre o crédito tributário em questão. Aponta doutrina acerca do efeito vinculante do posicionamento adotado pela administração, dizendo que o ato tem força de norma complementar, com fundamento no art. 100 do CTN. Cita jurisprudência. Encerra com o seguinte pedido: “Pelo exposto, requer-se a reforma do despacho decisório proferido nos autos do processo administrativo em questão, para homologar integralmente a compensação procedida pela Impugnante tendo em vista: (i) a decadência do direito do Fisco Federal em exigir tributos referentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a julho de 2003; (ii) a existência de direito da Impugnante aos créditos indevidamente glosados, decorrentes da retenção do Imposto de Renda pelas fontes pagadoras, não podendo ser imputada à Impugnante a responsabilidade pelo não cumprimento de obrigações acessórias e/ou principais pelo tomador de serviços; (iii) o reconhecimento do Fisco Federal, através do Parecer Normativo n.° 01/2002 de que da fonte pagadora não pode ser exigido o Imposto de Renda/retenção na fonte, na hipótese de pagamentos a pessoas físicas, após o transcurso do prazo para a entrega de declaração de ajuste (no caso, abril de 2004).” A seguir, a transcrição da ementa do acórdão proferido pelo órgão julgador de 1ª instância: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 Declaração de Compensação. Ônus Probatório. Nos pedidos de repetição de indébito e de compensação é da contribuinte o ônus de demonstrar de forma cabal e específica seu direito creditório. Declaração de Compensação. Direito Creditório. IRRF incidente em Serviços Prestados por Cooperados. A pessoa jurídica que efetua pagamentos a sociedade cooperativa pela prestação de serviços pessoais por parte dos respectivos cooperados deve efetuar a retenção do imposto de renda na fonte. Os valores do imposto retido são compensáveis, por parte da cooperativa, na ocasião da retenção do imposto de renda incidente na fonte sobre os pagamentos a serem efetuados às pessoas físicas dos cooperados. Referida compensação condiciona-se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte, mediante apresentação dos correspondentes Informes de Rendimentos Pagos, conforme previsto na legislação de regência. Não é admitida como prova de retenção de imposto de renda na fonte a juntada de faturas e/ou notas fiscais. Para o interessado constituir prova a seu favor, não basta carrear aos autos elementos por ele mesmo elaborados; deverá ratifica-los por outros Fl. 920DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 meios probatórios cuja produção não decorra exclusivamente de seu próprio ato de vontade. Indeferido o direito creditório não se homologa a compensação dele decorrente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido No acórdão proferido pela DRJ, esta destacou as seguintes razões de mérito: “(...) Inicialmente, cumpre esclarecer que não se trata no presente processo de constituição de crédito tributário. Os valores dos débitos cobrados, que remanesceram em aberto após o reconhecimento parcial do direito creditório, foram confessados pela própria interessada em sua declaração de compensação. E, assim, eventual impossibilidade de exigência de débitos somente se verificaria se ocorrida a homologação pelo decurso do prazo de 05 anos previsto no art. 74, § 5º, da Lei 9.430/96, com a redação da Lei 10.833/2003. (...) No presente caso, a autoridade competente da DRF, dentro do prazo de cinco anos contados da transmissão da declaração de compensação (transmitida em 13/11/03), cientificou a contribuinte do Despacho Decisório que homologou apenas parcialmente a compensação declarada (em 22/07/2008). Remanescem, portanto, devidos os valores dos débitos cuja compensação não foi homologada. Mostra-se, assim, imprópria a alegação de que teria ocorrido a decadência, pois esta se refere ao prazo de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. E, no caso, o crédito tributário (consubstanciado pelo débito indicado na declaração de compensação) já estava constituído pela declaração de compensação que, como dito, passou a ter caráter de confissão a partir da MP nº 135, de 2003, convertida na Lei nº 10.833, de 2003. (...) Continuando, equivocado se mostra o entendimento esposado pela defendente, de que estaria eximida, expressamente, do recolhimento dos débitos de IRRF indevidamente compensados, com fundamento nas disposições do PN COSIT nº 01, de 24 de setembro de 2002, expressas, especificamente, na ementa intitulada “IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. NÃO RETENÇÃO PELA FONTE PAGADORA. PENALIDADE”, conforme transcrito no relatório. Isso, porque se observa que a hipótese aqui tratada não versa sobre a não retenção, mas sim sobre a falta de recolhimento do imposto comprovadamente retido pela fonte pagadora. Deveras, a interessada demonstrou, mediante a confissão dos referidos débitos de IRRF em DCTF e PER/DCOMP, ter implementado a retenção do imposto, incidente sobre os rendimentos pagos aos cooperados, cuja natureza é de antecipação, como, aliás, pode ser confirmado na DIRF regularmente apresentada pela ora manifestante. E, nessa hipótese, qual seja, da comprovada retenção do imposto, o próprio PN COSIT nº 01, de 2002, no qual se fundamenta a defendente, deixa claro que a fonte pagadora continua a responsável pelo pagamento do tributo retido e não recolhido, enquadrando- se no crime de apropriação indébita, na condição de depositária infiel, independentemente do encerramento da data fixada para a entrega da declaração anual de ajuste da pessoa física beneficiária dos rendimentos (contribuinte). Confira-se: (...) Nesse contexto, não há de se cogitar da exclusão da responsabilidade da recorrente sobre o crédito tributário em questão. Fl. 921DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Adentra-se, a seguir, na questão litigiosa, propriamente dita. A compensação requerida encontra fundamento legal no art. 45 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, com a redação dada pelo art. 64 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, o qual dispõe o seguinte: “Art. 45. Estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na fonte, à alíquota de 1,5%, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a cooperativas de trabalho, associações de profissionais ou assemelhadas, relativas a serviços pessoais que lhes forem prestados por associados destas ou colocados à disposição. § 1º O imposto retido será compensado pelas cooperativas de trabalho, associações ou assemelhadas com o imposto retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos associados. § 2º O imposto retido na forma deste artigo poderá ser objeto de pedido de restituição, desde que a cooperativa, associação ou assemelhada comprove, relativamente a cada ano-calendário, a impossibilidade de sua compensação, na forma e condições definidas em ato normativo do Ministro da Fazenda.” (negrejou-se) Os dispositivos supra constituem base legal do art. 652 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99). Os valores retidos são compensáveis, por parte da cooperativa, na ocasião da retenção do imposto de renda incidente na fonte sobre os pagamentos a serem efetuados às pessoas físicas dos cooperados. Se findo o ano-calendário da retenção e remanescendo saldo credor em favor da cooperativa, tais valores são restituíveis ou compensáveis com os tributos administrados pela RFB, por parte da sociedade. (...) No presente caso, a interessada, na qualidade de cooperativa de trabalho, apresentou declarações de compensação para utilização do imposto que lhe foi retido pelas fontes pagadoras, em virtude de serviços prestados, com débitos de IRRF incidente sobre os pagamentos efetuados às pessoas físicas dos seus cooperados. Submetida a declaração de compensação à análise manual, à ausência dos comprovantes de rendimentos pagos, a autoridade administrativa confirmou o IRRF para o qual houve a regular apresentação da DIRF pelas respectivas fontes pagadoras, conforme quadro comparativo, efetuando a compensação dos débitos apontados, presentes na DCTF, com o crédito parcialmente confirmado. In casu, o cerne da questão é a comprovação do IRRF sobre os pagamentos efetuados à cooperativa de trabalho, para o qual não foi apresentada a DIRF pelas respectivas fontes pagadoras. Em sua defesa, a contribuinte requer o reconhecimento de todo o IRRF que lhe foi retido, apresentando, em comprovação, cópia das faturas emitidas, acompanhadas dos respectivos boletos bancários, demonstrando o depósito em conta corrente líquido do imposto questionado. No que versa sobre o IRRF, por expressa disposição legal, o meio probatório adequado para comprovar a retenção do imposto incidente sobre rendimentos pagos ou creditados é aquele previsto no art. 943, § 2º, do RIR/99, ou seja, o Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados. Veja-se: (...) Não se olvida que a responsabilidade pela apresentação da DIRF e fornecimento do Comprovante de Rendimentos Pagos ou Creditados e do Imposto de Renda Retido na Fonte é da fonte pagadora, a teor dos artigos 929 e 942 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 RIR/ 99. Fl. 922DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Porém, a contribuinte tem o dever de exigir o Comprovante de Rendimentos da fonte pagadora, cuja obrigação de fornecimento é prevista nas normas de regência (art. 733 do RIR/99). A apresentação de cópias de notas fiscais não se mostra suficiente para comprovar a efetividade e/ou o valor da retenção do imposto pelas fontes pagadoras, fazendo-se necessária a participação das empresas destinatárias dos documentos, com o fornecimento do informe de rendimentos à prestadora de serviços, bem como o registro em DIRF dos valores retidos. Frise-se que documentos da própria emissão da contribuinte não fazem prova a seu favor, havendo-se que recorrer às empresas participantes da transação, para confirmação dos valores constantes das faturas e/ou notas fiscais. (...) Acrescente-se que a interessada, Cooperativa de Trabalho Médico, é qualificada como Operadora de Plano de Assistência à Saúde, nos termos do inciso II do art. 1º da Lei nº 9.656, de 1998, com a redação dada pelo art. 1º da MP nº 2.17744, de 2001, que define como Operadora de Plano de Assistência à Saúde a pessoa jurídica constituída sob a modalidade de sociedade civil ou comercial, cooperativa, ou entidade de autogestão, que opere produto, serviço ou contrato de que trata o inciso I daquele artigo, ou seja, Plano Privado de Assistência à Saúde. Destaque-se, por oportuno, que o contrato de “Plano Privado de Assistência à Saúde” é um contrato específico, com características que lhe são próprias, regulamentado por lei, e, no caso dos contratos na modalidade de pré-pagamento, estes estipulam valores fixos. Veja-se a definição consignada no inciso I do art. 1º da Lei nº 9.656, de 3 de junho de 1998: “Art.1º (...) I - Plano Privado de Assistência à Saúde: prestação continuada de serviços ou cobertura de custos assistenciais a preço pré ou pós estabelecido, por prazo indeterminado, com a finalidade de garantir, sem limite financeiro, a assistência à saúde, pela faculdade de acesso e atendimento por profissionais ou serviços de saúde, livremente escolhidos, integrantes ou não de rede credenciada, contratada ou referenciada, visando a assistência médica, hospitalar e odontológica, a ser paga integral ou parcialmente às expensas da operadora contratada, mediante reembolso ou pagamento direto ao prestador, por conta e ordem do consumidor; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.17744, de 2001)” (negrejou-se) Quanto à formação do preço a ser pago às Operadoras, a Resolução Normativa RN n° 100, de 3 de junho de 2005, da Agência Nacional de Saúde Suplementar, dispõe, em seu anexo II, item 11: “11. FORMAÇÃO DO PREÇO São as formas de se estabelecer os valores a serem pagos pela cobertura assistencial contratada: 1 pré–estabelecido: quando o valor da contraprestação pecuniária é efetuado por pessoa física ou jurídica antes da utilização das coberturas contratadas; 2 pós–estabelecido: quando o valor da contraprestação pecuniária é efetuado após a realização das despesas com as coberturas contratadas, devendo ser limitado à contratação coletiva em caso de plano médico-hospitalar. O pós-estabelecido poderá ser utilizado nas seguintes opções: I – rateio – quando a operadora ou pessoa jurídica contratante divide o valor total das despesas assistenciais entre todos os beneficiários do plano, independentemente da utilização da cobertura; II – custo operacional – quando a operadora repassa à pessoa jurídica contratante o valor total das despesas assistenciais. Fl. 923DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 3 misto: permitido apenas em planos odontológicos, conforme RN nº 59/03.” (grifou-se) Desse modo, nem todo contrato de Plano Privado de Assistência à Saúde implica pagamento direto pelos serviços prestados. Como visto, o preço do contrato pode ser pré-determinado, em que a contratada paga certo valor independentemente do efetivo uso do serviço. Paga-se a prestação mensal pré-estabelecida mesmo que nenhum beneficiário do contrato receba atendimento médico no período ou, ainda, que o custo efetivo dos serviços de medicina executados em determinado mês seja maior do que a mensalidade devida. Nesse caso, não se pode falar que houve um pagamento pelos serviços prestados pelos médicos, pois não há vinculação entre o desembolso financeiro e as atividades executadas, ou seja, o valor da contraprestação pecuniária é efetuado antes da utilização das coberturas contratadas. Deve-se, pois, concluir que as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas a Cooperativas de Trabalho Médico, na condição de Operadoras de Planos de Assistência à Saúde, decorrentes de contratos pactuados na modalidade de pré-pagamento, que estipulem o pagamento mensal de valores fixos pelo contratante, independentemente da efetiva utilização dos serviços pelo segurado, da natureza dos serviços prestados, do número de procedimentos realizados, etc., não se confundem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos, não estando sujeitas, portanto, as primeiras, à retenção na fonte do imposto de renda, prevista no art. 652 do RIR/99, que tem como base legal o art. 64 da Lei nº 8.981, de 1995. Por outro lado, deve-se deduzir que, embora não haja incidência na fonte do imposto de renda sobre os rendimentos referentes a planos de saúde oferecidos pela requerente (cooperativa de trabalho), decorrentes de contratos pactuados com pessoas jurídicas na modalidade de pré-pagamento, as importâncias a ela pagas ou creditadas por pessoa jurídica de direito privado, relativas a serviços pessoais que lhe forem prestados pelos associados da cooperativa ou colocados à disposição, estarão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de 1,5% (um e meio por cento), nos termos do supracitado art. 652 do RIR/99, tal como exposto na Solução de Consulta DISIT/SRRF/8ª RF nº 481, de 19 de dezembro de 2008, elaborada em resposta à formulação feita por outra Unimed. Observe-se que, se houver participação do beneficiário no pagamento de cada procedimento, conforme classificação do art. 3º da Resolução CONSU nº 8, de 1998 (coparticipação é a parte efetivamente paga pelo consumidor à operadora de plano ou seguro privado de assistência à saúde e/ou operadora de plano odontológico, referente a realização do procedimento), o valor recebido das empresas que contratam o plano de saúde é apurado pelo somatório da parcela fixa (pré-determinada) e da variável (coparticipação) de acordo com o grau de utilização dos serviços médicos e laboratoriais pelo beneficiário. Nesse caso, para fins tributários, os valores cobrados das empresas contratantes da requerente relativos às parcelas de coparticipação integram o preço dos serviços prestados e devem ser contabilizados como receita. É preciso atentar, ainda, para a existência de outra disposição legal, que prescreve a retenção na fonte do imposto de renda, da CSLL, da COFINS e da contribuição para o PIS/PASEP, a que se refere o art. 64 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, nos pagamentos efetuados por entidades da administração pública federal pelo fornecimento de bens ou prestação de serviços: (...) Como visto, é necessária a discriminação na fatura dos serviços pessoais prestados pelos cooperados dos demais custos/despesas; além da emissão de fatura separada para consignar serviços prestados por terceiros não cooperados, contratados ou conveniados. Fl. 924DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 E, na hipótese de desatendimento das normas de preenchimento do documento fiscal, é cabível o entendimento de que a retenção se deu sobre o valor total da fatura, a título de demais serviços. A cooperativa de trabalho deverá, pois, discriminar, em suas faturas, as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados à pessoa jurídica por seus associados das importâncias que corresponderem a outros custos ou despesas, a teor do ADN Cosit nº 01, de 1993, citado pela própria recorrente, bem como da IN SRF nº 306, de 2003 (art. 22), acima transcrita, a fim de identificar corretamente a base de cálculo do imposto aqui envolvido (cód. 3280). (...) Pois bem, ainda que se admitisse a fatura de emissão da própria contribuinte como prova hábil, impõe-se reconhecer que aquelas trazidas pela defendente não atendem ao disposto na legislação transcrita. Com efeito, compulsando-se as faturas apresentadas, por amostragem, observa-se o seguinte: • a fatura nº 3935/2003 (fls. 277), cujo crédito corresponde a R$ 11,16, é relativa a competência 08/2003, com vencimento em 20/08/2003. Foi emitida no total de R$ 3.271,83, possuindo como base de cálculo do imposto a quantia de R$ 744,29, a qual não guarda pertinência com o total indicado no rodapé do documento como “atos coop. principais” (R$ 2.126,64), total este que também não corresponde a soma dos serviços descritos na fatura como “mensalidade de usuários – PP plano ... até a idade de ...” (R$ 3.202,25) e nem com a soma dos serviços descritos como “mensalidade de usuários intercPP plano D até a idade de ...” (R$ 69,58). Além disso, o documento apresenta no rodapé o registro de “atos coop. auxiliares” (R$ 1.145,19), não constando da fatura a descrição de serviços cooperativos auxiliares. • A fatura nº 2057/2003 (fls. 325), cujo crédito corresponde a R$ 24,36, é relativa à competência 05/2003, com vencimento em 10/05/2003. Nota-se que foi emitida no total de R$ 7.199,00, possuindo como base de cálculo do imposto a quantia de R$ 1.624,11, a qual não guarda pertinência com o total indicado no rodapé do documento como “atos coop. principais” (R$ 4.640,35), total este que também não corresponde a soma dos únicos serviços descritos na fatura como “mensalidade de usuários – PP plano ... até a idade de ...” (R$ 6.785,00) e nem com a soma dos serviços descritos como “retroativo – PP Plano A até a idade de ...” (R$ 354,00). Além disso, o documento também apresenta na rodapé a indicação de “atos coop. auxiliares” (R$ 2.558,65), cujo total não corresponde aos serviços descritos na fatura como “inscrição de usuários – PP Plano A até a idade de ...” (R$ 60,00). Como visto, os documentos fornecidos, quando relativos à competência do crédito pleiteada (06/03 a 09/03), não permitem a correta identificação e quantificação dos serviços pessoais prestados, para fins de cálculo do IRRF questionado. A interessada se limita a dizer que a retenção, por si só, justifica o direito ao seu crédito, nos termos do art. 652 do RIR/99. Contudo, não se pode acolher a pretensão da interessada, pois a legislação vigente prevê que para identificar a base de cálculo do IRRF em questão se deve discriminar no documento fiscal as importâncias relativas aos serviços pessoais prestados à pessoa jurídica por seus associados daquelas relativas a outros custos/despesas. E a apresentação pela contribuinte de outros elementos comprobatórios, suficientes a confirmar os dados dos documentos fiscais de sua emissão, porque não atendidos os requisitos legais para o seu correto preenchimento, tratase, da mesma forma que os comprovantes de rendimentos pagos, de matéria de prova a ser regularmente ofertada, por ora da manifestação de inconformidade. Portanto, ao contrário do que alega a recorrente, não restou demonstrada à saciedade a certeza e liquidez do direito creditório indicado na declaração de compensação analisada, razão pela qual nada há de se reformar no Despacho Decisório recorrido. Fl. 925DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Por todo exposto, VOTO no sentido de JULGAR IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, NÃO RECONHECER direito creditório adicional e NÃO HOMOLOGAR a compensação trazida a litígio.” Cientificado da decisão de primeira instância em 10/10/2012 (Aviso de Recebimento à e-Fl. 818), inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 09/11/2012 (e-Fls. 820 a 850). Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente: i. Reafirma a existência do crédito, impugnando os argumentos da DRJ que considerou imprescindível a informação em DIRF pela fonte pagadora para o aproveitamento do crédito; ii. Alega que “a documentação anexada à Manifestação de Inconformidade demonstra que, o valor líquido efetivamente recebido pela Cooperativa, em pagamento vinculado à fatura de prestação de serviço, é diferente do valor bruto cobrado, pelo que se conclui, inequivocamente, que a retenção aconteceu”; iii. Quanto ao argumento subsidiário levantado pela DRJ, aduz que é “falsa premissa de que não estaria autorizada a compensação prevista no artigo 652, §1º do IRRF retido por contratantes em pré-pagamento/preço pré- estabelecido, já que estes não se confundiriam com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais de medicina ou correlatos”; iv. E que “o fato de os contratos eventualmente serem em pré-pagamento não afasta o direito ao crédito. É o relatório. Voto Conselheiro André Severo Chaves, Relator. Ao compulsar os autos, verifico que o presente Recurso Voluntário é tempestivo, e atende aos requisitos de admissibilidade do Processo Administrativo Fiscal, previstos no Decreto nº 70.235/72. Razão, pela qual, dele conheço. Concerne, portanto, o presente litígio, a verificar o direito creditório informado em DCOMP nº 38280.06262.131103.1.3.054380, decorrente de retenções realizadas na fonte de IRRF cooperativas, relativas ao período de 06 a 09 de novembro de 2003, no valor original de R$ 26.657,10. Como relatado, a DRF homologou parcialmente a declaração de compensação, no valor reconhecido de R$ 18.345,35, ante o cotejo entre as parcelas requeridas e as informações prestadas pelas fontes pagadoras. Ou seja, no Despacho Decisório foi reconhecido o direito à compensação, mas mediante a premissa de que somente seria possível reconhecer as parcelas informadas em DIRF pelas empresas. Tal argumento fora reforçado pela DRJ que, mesmo a contribuinte tendo apresentado outros documentos a fim de comprovar as retenções, entendeu que: Fl. 926DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 “A apresentação de cópias de notas fiscais não se mostra suficiente para comprovar a efetividade e/ou o valor da retenção do imposto pelas fontes pagadoras, fazendo-se necessária a participação das empresas destinatárias dos documentos, com o fornecimento do informe de rendimentos à prestadora de serviços, bem como o registro em DIRF dos valores retidos.” Além disso, a DRJ destacou que as importâncias pagas por pessoas jurídicas a Cooperativas de Trabalho Médico, na condição de Operados de Planos de Assistência à Saúde, decorrentes de contratos pactuados na modalidade pré-pagamento, não se confundem com as receitas decorrentes da prestação se serviços médicos, não estando sujeitas, portanto, à retenção na fonte do imposto de renda prevista no art. 652 do RIR/99. Quanto a primeira controvérsia, importante mencionar que a Súmula nº 143, recentemente editada pelo CARF, solidificou o entendimento de que o comprovante de rendimentos emitido pela fonte pagadora não é o único meio hábil a comprovar a retenção na fonte. Desse modo, como a contribuinte apresentou junto à Manifestação de Inconformidade vasta documentação probatória a fim de comprovar as retenções, tais documentos poderiam até serem considerados no exame do crédito. Contudo, como já destacado pela DRJ, o presente crédito esbarra também na questão da natureza jurídica dos pagamentos, e consequentemente na verificação se as retenções na fonte são devidas ou não, para fins de aproveitamento da compensação prevista no artigo 45, §1º, da Lei nº 8.541/92. Na peça recursal, a contribuinte alega que o prestador de serviço de medicina é o próprio médico, e não a cooperativa. E que, nas cooperativas de trabalho médico, o seu caráter representativo consiste em angariar pacientes aos seus cooperados, visando otimizar a inclusão de tais profissionais ao mercado econômico. Conclui entendendo que, como sociedade cooperativa, sujeita-se à retenção do IR prevista na legislação supracitada, exatamente por intermediar os serviços médicos prestados pelos seus cooperados aos usuários. Passemos à análise dessa matéria. As sociedades cooperativas devem se constituir conforme as disposições da Lei nº 5.764, de 16 de dezembro de 1971, observando-se, ainda, o disposto nos arts. 1.093 a 1.096 do Código Civil. Visando diferenciar os atos cooperativos e não-cooperativos a Lei nº 5.764, de 1971, que prevê: Art. 85. As cooperativas agropecuárias e de pesca poderão adquirir produtos de não associados, agricultores, pecuaristas ou pescadores, para completar lotes destinados ao cumprimento de contratos ou suprir capacidade ociosa de instalações industriais das cooperativas que as possuem. Art. 86. As cooperativas poderão fornecer bens e serviços a não associados, desde que tal faculdade atenda aos objetivos sociais e estejam de conformidade com a presente lei. Art. 87. Os resultados das operações das cooperativas com não associados, mencionados nos artigos 85 e 86, serão levados à conta do "Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social" e serão contabilizados e m separado, de molde a permitir cálculo para incidência de tributos. Art. 88. Poderão as cooperativas participar de sociedades não cooperativas para melhor atendimento dos próprios objetivos e de outros de caráter acessório ou complementar. (Redação dada p ela Medida Provisória nº 2.168 - 40, de 24 de agosto de 2001) Fl. 927DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Art. 88 - A. A cooperativa poderá ser dotada de legitimidade extraordinária autônoma concorrente para agir como substituta processual em defesa dos direitos coletivos de seus associados quando a causa de pedir versar sobre atos de interesse direto dos associados que tenham relação com as operações de mercado da cooperativa, desde que isso seja previsto em seu estatuto e haja, de forma expressa, autorização manifestada individualmente pelo associado ou por meio de assembleia geral que delibere sobre a propositura da medida judicial. (Incluído pela Lei nº 13.806, de 2019) [...]Art. 111. Serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os artigos 85, 86 e 88 desta Lei. À luz dos referidos dispositivos legais, atos cooperativos são os atos praticados entre a cooperativa e seus associados, entre seus associados e a cooperativa, e pelas cooperativas entre si quando associadas, sempre visando a consecução dos objetivos sociais. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Diferentemente, os atos não cooperativos são aqueles que importam em operação com terceiros não associados, ou seja, inclui a contratação de bens e serviços de terceiros não associados. Nesse sentido, as cooperativas deverão recolher o IRPJ sobre o resultado positivo das operações e das atividades estranhas a sua finalidade, ato não cooperativo, isto é, serão considerados como renda tributável os resultados positivos obtidos pelas cooperativas nas operações de que tratam os arts. 85, 86 e 88 da Lei nº 5.761, de 1971. Inclusive, essa matéria, há muito está sedimentada no âmbito da Administração Tributária, sendo objeto de diversas Soluções de Consulta emanadas da Receita Federal. Tais normas estabelecem que as receitas obtidas por entidades como a Recorrente, na condição de operadora de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactuados com pessoas jurídicas na modalidade de pré-pagamento (pagamentos mensais a valores fixos), não estão sujeitas à retenção na fonte do imposto de renda, conforme previsão d o art. 647 do RIR/99. Vejamos: SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 50 de 15 de Fevereiro de 2008 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte–IRRF EMENTA: COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO - PLANOS DE SAÚDE - RETENÇÃO. Não estão sujeitas à retenção do imposto de renda na fonte, as importâncias pagas ou creditadas por pessoas jurídicas às cooperativas de trabalho médico, na condição de operadoras de planos de assistência à saúde, relativas a contratos que 34 estipulem valores fixos de remuneração, independentemente da utilização dos serviços pelos usuários da contratante (segurados). SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 33 de 09 de Abril de 2009 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte–IRRF EMENTA: PLANOS DE SAÚDE. MODALIDADE PRÉ-PAGAMENTO. DISPENSA DE RETENÇÃO. As receitas obtidas pela consulente, na condição de operadora de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos pactua dos com pessoas jurídicas na modalidade pré- pagamento, que estipulem o pagamento mensal de valores fixos pelo contratante, não estão sujeitas à retenção na fonte do imposto de renda prevista no art. 647 do RIR/1999. Por outro lado, as importâncias a ela pagas ou creditadas ela pessoa jurídica, relativas a serviços pessoais que lhe forem prestados pelos associados da cooperativa ou colocados à disposição, estarão sujeitas à incidência do imposto na fonte, à alíquota de 1,5% (um e meio por cento), nos termos do art. 652 do RIR/1999. SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 59 de 30 de Dezembro de 2013 ASSUNTO: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte–IRRF Fl. 928DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 EMENTA: PLANOS DE SAÚDE. MODALIDADE DE PRÉ-PAGAMENTO. DISPENSA DE RETENÇÃO. Os pagamentos efetuados a cooperativas operadoras de planos de assistência à saúde, decorrentes de contratos de plano privado de assistência à saúde a preços pré- estabelecidos (contratos de valores fixos, independentes da utilização dos serviços pelo contratante), não estão sujeitos à retenção do Imposto de Renda na fonte. As importâncias pagas ou creditadas a cooperativas de trabalho médico, relativas a serviços pessoais prestados pelos associados da cooperativa, estão sujeitas à incidência do Imposto de Renda na Fonte, à alíquota de um e meio por cento, nos termos do art. 652 do Regulamento do Imposto de Renda. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 9. 656/1998, art. 1º, I; RIR, arts. 647, caput e § 1º, e 652; PN CST nº 08/1986, itens 15, 16 e 22 a 26. No caso dos autos, observa-se que as faturas apresentadas pela Recorrente, junto à Manifestação de Inconformidade, deixam claro tratar-se de atos não cooperativos, pois demonstram o pagamento de mensalidade e inscrição, na modalidade pré-pagamento. Portanto, revela-se incabível o reconhecimento do crédito em litígio, haja vista que, em casos tais, as compensações somente são autorizadas com créditos do imposto retido sobre os pagamentos efetuados à cooperativa relativamente aos serviços pessoais prestados pelos cooperados ou colocados à disposição. Assim, o referido crédito não possui os atributos de liquidez e certeza previstos no Art. 170, CTN. Destaca-se que os valores retidos sobre as receitas oriundas dos contratos de planos de saúde, na modalidade de preço pré-estabelecido, poderiam ter sido utilizados tão somente na apuração do IRPJ devido ou do saldo negativo apurados ao final do período- base em que ocorrida a respectiva retenção. No caso dos autos, observa-se que as faturas apresentadas pela Recorrente, junto à Manifestação de Inconformidade, deixam claro tratar-se de atos não cooperativos, pois demonstram o pagamento de mensalidade e inscrição, na modalidade pré-pagamento. Ademais, como destacado pela DRJ, os documentos fornecidos não permitem a correta identificação e quantificação dos serviços pessoais prestados, para fins de cálculo do IRRF questionado, o que não fora desconstituído em sede recursal. Portanto, revela-se incabível o reconhecimento do crédito em litígio, haja vista que, em casos tais, as compensações somente são autorizadas com créditos do imposto retido sobre os pagamentos efetuados à cooperativa relativamente aos serviços pessoais prestados pelos cooperados ou colocados à disposição. Assim, o referido crédito não possui os atributos de liquidez e certeza previstos no Art. 170, CTN. Destaca-se que os valores retidos sobre as receitas oriundas dos contratos de planos de saúde, na modalidade de preço pré-estabelecido, poderiam ter sido utilizados tão somente na apuração do IRPJ devido ou do saldo negativo apurados ao final do período-base em que ocorrida a respectiva retenção. Por fim, importante consignar que esse entendimento vem sendo aplicado em diversos julgados do CARF, inclusive recentemente nesta Turma, conforme acórdãos a seguir colacionados: Fl. 929DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Numero do processo: 10865.720044/2009-80 Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção Data da sessão: 22 de julho de 2021 Ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se reconhece o crédito nem tampouco se homologam as compensações requeridas. COOPERATIVA MÉDICA. PLANO DE SAÚDE. PREÇO PRÉ-ESTABELECIDO. RETENÇÃO INDEVIDA DE IR. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas auferidas por conta da venda de planos de saúde, na modalidade de preço pré-estabelecido, estão sujeitas às normas de tributação das pessoas jurídicas em geral. É indevida a retenção do imposto renda sobre rendimentos recebidos em decorrência de contratos de planos de saúde, na modalidade de preço pré-estabelecido. Referidos ingressos não se confundem com as receitas decorrentes da prestação de serviços profissionais, além de não haver vinculação entre o desembolso financeiro e os serviços prestados pelos cooperados. A homologação das compensações requeridas nos moldes do § 1º do art. 652 do RIR/1999 somente são autorizadas com créditos do imposto retido sobre os pagamentos efetuados à cooperativa relativamente aos serviços pessoais prestados pelos cooperados ou colocados à disposição. Numero da decisão: 1401-005.727 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Votou pelas conclusões o conselheiro André Severo Chaves. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro José Roberto Adelino da Silva. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Carlos André Soares Nogueira, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Letícia Domingues Costa Braga, André Severo Chaves e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Nome do relator: Luiz Augusto de Souza Gonçalves Numero do processo: 13609.721859/2016-24 Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção Data da sessão: 22 de julho de 2021 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2012 COOPERATIVA MÉDICA. VENDA DE PLANOS DE SAÚDE POR VALOR PRÉ- ESTABELECIDO. RETENÇÃO INDEVIDA DE IRRF. COMPENSAÇÃO. INAPLICABILIDADE DO ART. 652 DO RIR/99. O Imposto sobre a Renda retido indevidamente da cooperativa médica, quando do recebimento de pagamento efetuado por pessoa jurídica, decorrente de contrato de plano de saúde a preço pré-estabelecido, não pode ser utilizado para a compensação direta com o Imposto de Renda retido por ocasião do pagamento dos rendimentos aos cooperados, mas, sim, no momento do ajuste do IRPJ devido pela cooperativa ao final do período de apuração em que tiver ocorrido a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ do período. Fl. 930DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Numero da decisão: 1301-005.478 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Júnior - Presidente (documento assinado digitalmente) Rafael Taranto Malheiros - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Giovana Pereira de Paiva Leite, Jose Eduardo Dornelas Souza, Lizandro Rodrigues de Sousa, Bianca Felicia Rothschild, Rafael Taranto Malheiros, Lucas Esteves Borges, Marcelo Jose Luz de Macedo, Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Nome do relator: Rafael Taranto Malheiros Numero do processo: 13609.720567/2010-89 Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção Seção: Primeira Seção de Julgamento Data da sessão: 06 de outubro de 2020 Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Ano-calendário: 2005 COOPERATIVA MÉDICA. PLANOS DE SAÚDE. MODALIDADE DE PRÉ- PAGAMENTO. Os pagamentos efetuados a cooperativas operadoras de planos de assistência à saúde, decorrente de contrato com preço pré-fixado, não estão obrigados à retenção do IR na fonte. Numero da decisão: 1003-001.936 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Wilson Kazumi Nakayama, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Nome do relator: Bárbara Santos Guedes Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. É como voto. (documento assinado digitalmente) André Severo Chaves Fl. 931DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1401-005.969 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 16048.000071/2008-61 Fl. 932DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 18184.003168/2007-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/2003 a 31/08/2006
CO-RESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS.
Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de Co-Responsáveis
CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade
solidária ou subsidiária pelo crédito constituído.
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e
precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os valores pagos a título cartão de premiação.
REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA
DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de
cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado.
PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO
SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerá-lo
prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito.
A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-01.503
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente a preliminar quanto à coresponsabilidade
para, por aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de CoResponsáveis – CORESP” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem, por si só, atribuir-lhes responsabilidade
solidária ou subsidiária pelo crédito constituído, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo que rejeitavam a preliminar argüida.
Apresentará voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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REMUNERAÇÃO CARTÃO PREMIAÇÃO. SEGURADOS EMPREGADOS. Recorrente JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2003 a 31/08/2006 CORESPONSABILIDADE DOS REPRESENTANTES LEGAIS. Com a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09, a “Relação de CoResponsáveis CORESP” passou a ter a finalidade de apenas identificar os representantes legais da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade pela falta de obscuridade na caracterização dos fatos geradores incidentes sobre os valores pagos a título cartão de premiação. REMUNERAÇÃO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO. PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Integram a base de cálculo de contribuições previdenciárias os valores pagos a título de prêmios de incentivo. Por depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação de serviço prestado. PRODUÇÃO DE PROVAS. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. NÃO SÃO NECESSÁRIOS. OCORRÊNCIA PRECLUSÃO. Quando considerálo prescindível e meramente protelatório, a autoridade julgadora deve indeferir o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito. A apresentação de elementos probatórios, inclusive provas documentais, no contencioso administrativo previdenciário, deve ser feita juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento, salvo se fundamentado nas hipóteses expressamente previstas. Fl. 1DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em acolher parcialmente a preliminar quanto à coresponsabilidade para, por aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, reconhecer que a relação apresentada no lançamento sob o título de “Relação de CoResponsáveis – CORESP” apenas identifica os sócios e diretores da empresa sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído, vencidos os conselheiros Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado e Ronaldo de Lima Macedo que rejeitavam a preliminar argüida. Apresentará voto vencedor nessa parte o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Por unanimidade de votos, em rejeitar as demais preliminares e, no mérito, em negar provimento ao recurso. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Ana Maria Bandeira, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Igor Araújo Soares. Fl. 2DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18184.003168/200714 Acórdão n.º 240201.503 S2C4T2 Fl. 514 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) lançada pelo Fisco em face da sociedade empresária JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO Ltda, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, correspondentes à contribuição dos segurados e da empresa (patronal), bem como a contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) e as contribuições devidas aos Terceiros (INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE), compreendendo as competências 11/2003 a 08/2006. O Relatório Fiscal da notificação (fls. 11 a 13 – Volume I) informa que o fato gerador das contribuições lançadas decorre dos valores pagos aos segurados empregados por meio de cartões de premiação, denominados “SPIRITCARD e PERFORMANCE CLASS”, fornecidos pelas empresas ALQUIMIA SERVIÇOS DE MARKETING LTDA (antiga SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA), CNPJ 04.182.848/000130, e SALLES, ADAN & ASSOCIADOS – MARKETING PROMCIONAL, INCENTIVO, PUBLICIDADE e PROPAGANDA LTDA, CNPJ 66.844.754/000136 ou 66.844.754/000217. Os valores prêmios repassados aos segurados são nominais e têm natureza remuneratória, pois são utilizados como estímulo ao incremento de produtividade, ou seja, são valores pagos em função da melhor qualidade e produção do trabalho e devem integrar a base de cálculo para incidência de contribuição previdenciária, conforme determina a Lei no 8.212/91, em seu artigo 28, incisos I e III. Esse relatório informa ainda que o valor tributável foi apurado com base nos valores repassados aos segurados da empresa (empregados), via cartões de premiação, constantes das notas fiscais de serviços e/ou faturas emitidas pelos fornecedores já elencados. Os valores apurados de contribuições previdenciárias, relativas à parte Patronal FPAS 515, incidentes sobre a remuneração dos segurados foram, calculadas aplicandose as seguintes alíquotas: (i) contribuição devida à Previdência Social de 20%; (ii) para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT) de 2%; (iii) as destinadas aos terceiros (INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE) de 3,30% – o contribuinte possuía convênio com o FNDE/SalárioEducação à época do período deste lançamento fiscal e foi efetuada Representação Administrativa ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação; e (iv) as contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados foram levantadas tomandose como base de cálculo o total da soma do prêmio recebido e o salário do segurado para enquadramento da nova faixa salarial e abatendose o valor já recolhido em folha de pagamento. Os valores da remuneração decorrem das seguintes planilhas, de acordo com dados fornecidos por meio de Arquivo Digital apresentado pela empresa: (i) JJ FUNCIONÁRIOS IDENTIFICADOS – TOTAL MENSAL POR CRACHÁ, em que constam os seguintes itens: CNPJ tomador; fornecedor, CNPJ, nota fiscal; data emissão; crachá/nome do segurado premiado; CPF; total mensal dos prêmios; base INSS empresa (10080); INSS segurado (5010); total base segurado; limite segurado; a recolher segurado; base empresa; e (ii) Fl. 3DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 FUNCIONÁRIOS IDENTIFICADOS – TOTAL MENSAL, em que constam os seguintes itens: fornecedor; CNPJ; mês; emissão; crachá; total base segurado; limite segurado; a recolher segurado e base INSS empresa. A empresa conforme resposta ao TIAD de 03/09/2007 informa que os valores pagos aos segurados não foram informados em GFIP e não transitaram por folha de pagamento, tendo sido então emitido o auto de infração (AI) de Código de Fundamento Legal (CFL) 68 com o DEBCAD n. 37.058.217.9. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 27/12/2007 (fl. 01). A Notificada apresentou impugnação tempestiva (fls. 24 a 58 – Volume I) – acompanhada de anexos de fls. 59 a 134 –, alegando, em síntese, que: I DAS PRELIMINARES: 1. falta de Discriminação dos Fatos Geradores da NFLD. A autoridade não discriminou na NFLD os fatos geradores a que se refeririam os lançamentos efetuados, ofendendo assim o artigo 142, parágrafo único do CTN, e o artigo 37 da Lei 8.212/1991, que prevê que a NFLD deve discriminar clara e precisamente os fatos geradores das contribuições nela exigidas, diante disso requer seja anulada a presente NFLD, ante a frustração do devido processo legal pela inobservância das regras formais previstas, geral e individualmente no CTN e na Lei n. 8.212/91; 2. da falta de amparo legal para a lavratura da NFLD. A autoridade ignorou a existência de contrato de prestação de serviços celebrado entre Impugnante e as empresas de Marketing de Incentivo, cujo objeto é a promoção de campanha com a finalidade de premiar a título de incentivo à performance e produtividade, assim a legítima relação de prestação de serviços, cujos meios de execução , assim como os objetivos traçados estão em perfeita harmonia com as normas vigentes e autorizada pela legislação civil; 3. a impossibilidade da responsabilização das pessoas arroladas. Entende que somente poderão ser responsabilizados os diretores, sócios gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado quando a obrigação tributária advir de um ato por eles praticado com excesso de poderes ou infração a Lei ou contrato social, o que não ocorreu e não restou comprovado em nenhum momento. Assim, a mera inadimplência não configura a prática de um ato com excesso de poderes ou com infração à Lei ou contrato social, e nem é possível cogitar da aplicação do artigo 124, inciso II, do CTN, o qual trata da responsabilidade solidária. II DO MÉRITO: 1. dos planos de incentivos adotados. O Auditor Fiscal não explicitou na presente Autuação quais as origens dos pagamentos realizados através das empresas de marketing de incentivo. Assim os programas reportavamse a três distintas abordagens: (a)funcionários com mais Fl. 4DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18184.003168/200714 Acórdão n.º 240201.503 S2C4T2 Fl. 515 5 de vinte e cinco anos de serviços prestados para a empresa; (b) promotores de venda que cumprissem determinada quota; e (c) funcionários que contribuíssem com ideias adotadas pela empresa. Quanto aos promotores de vendas, a modalidade de premiação implantada pela empresa davase em relação aos promotores de venda que atuavam através de contratos de cessão de mão de obra, desta feita caso estes atingissem certa meta, seriam contemplados, alem dos salários que lhes era pago pela empresa cedente de mão de obra, com o valor do prêmio ofertado pela Impugnante, por intermédio de empresa de marketing de incentivo. Cita par tanto a definição de mão de obra dada pela Lei 8212/91, artigo 31, § 3o, e do Decreto 3.048/99, artigo 143, §§ 1°, 2° e 3°. Alega que não existe a possibilidade de se reter os valores para se eximir da responsabilidade solidária, conforme hipótese prevista no artigo 30, VI, presumindose a arrecadação dos valores nos termos do artigo 33, §5°. Contata ainda, que houve vício na autuação que nem logrou identificar a natureza e a origem dos valores recebidos pelos promotores de venda, nem como não buscou dados referentes a contribuições sociais eventualmente recolhidas pela empresa cedente de mão de obra; 2. hipótese de incidência tributária. Discorre pormenorizadamente acerca da hipótese de incidência das contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, para concluir que o ato de pagar ou creditar valores somente gera a incidência, se o fato social ou jurídico que justificou o pagamento ou crédito gerou a filiação obrigatória ao RGPS do sujeito perceptor do valor pago ou creditado. Assim, os pagamentos ou créditos de valores cuja origem não configura contraprestação do trabalho, seja qual for a respectiva natureza ou rubrica, não desencadeiam a incidência e, por conseguinte não constituem a relação jurídica de custeio. Desta forma, a verba remuneratória compreendida pelo fato gerador é aquela que retribui o trabalho, verbas, não obstante deferidas no âmbito do pacto laboral cujo escopo não consiste na remuneração do trabalho, não integram o fato imponível, não podendo, como se verá, dimensionar a base de cálculo da hipótese de incidência. Discorre acerca dos conceitos de remuneração dados pelos artigos 457 e 458 da CLT, e conclui a partir daí que prestações in natura eventuais, não são compreendidas pela definição de remuneração. Contudo o artigo 22 do inciso I da Lei 8.212/91 diversamente do prescrito nos incisos II e III não limita o fato imponível da contribuição social sobre a folha ao ato de pagar ou creditar remuneração, inclui os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Conclui por final que o pagamento dos valores desvinculados da remuneração dada pelos artigos 457 e 458 da CLT só enseja a contribuição previdenciária se habitual; 3. diferença entre isenção e não incidência – valores que não integram a base de cálculo. Após discorrer entre as diferenças doutrinárias entre a não incidência e isenção, conclui que a verba recebida na relação laboral, necessariamente não constitui base de cálculo da contribuição sobre a folha mesmo diante da inexistência de Fl. 5DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 hipótese de isenção que a contemple (§9° artigo 28 da Lei n. 8.212/91), pois a importância ante a não satisfação do fato gerador (contraprestação ao trabalho), pode não gerar incidência. Assim, as verbas pagas pela impugnante aos seus colaboradores e a terceiros não são isentas, porque sequer geraram a incidência, posto, não terem origem na prestação laboral, nem foram percebidas de forma habitual; 4. da natureza dos prêmios. O requisito da premiação, genérico e impessoal é unicamente o cumprimento das condições de exigibilidade estipuladas na oferta que se fez pública. Sempre considerado, é claro o escopo do melhor resultado alcançado por quem participou da promoção desse modo engendrada; 5. requisitos da Campanha. Para que fique bem configurada a campanha de incentivo é imprescindível que resulte preestabelecido um especial procedimento, cujo desenvolvimento seguirá o regulamento prescrito para tanto. Para tanto são oferecidos estímulos extraordinários aos trabalhadores que colaboram com a empresa, estes por sua vez são livres para decidir ou não ao plano engendrado pela entidade promotora do programa.A adesão dependerá, única e exclusivamente do juízo de valor daquele que resolve aderir, baseado tal juízo no nexo entre a vantagem que está sendo oferecida e o esforço que certamente, exigirá para ser conquistada; 6. compreensão casuística. Não incidência. Improcedência da NFLD. Pede pela improcedência da NFLD em virtude da ausência de natureza remuneratória, da inexistência habitualidade no deferimento, o que não se pode admitir como caracterização dos valores lançados como contribuições à Seguridade Social. III – DO PEDIDO: 1. a NFLD é nula, pois ausente de pressuposto formal, isto descrição pormenorizada do fato gerador da contribuição e de sua base de incidência. A ausência de notificação das empresas cedentes de mão deobra beneficiada pelos cartões de premiação nulifica formalmente o lançamento. Os valores pagos pela empresa impugnante a colaboradores diretos e indiretos através de cartões de premiação não constituem base de cálculo da contribuição sobre a folha, já que não integram o conceito de remuneração, bem como não foram deferidos de forma habitual. O recebimento individual dos valores não enseja a filiação do colaborador ao RGPS, não repercutindo quando da aposentação no valor de sua renda mensal inicial (RMI). Assim, diante do exposto requer pelo imediato saneamento da NFLD, sob pena de ser inevitável seu pleno cancelamento. Espera, pois pelo acolhimento da defesa com o cancelamento da NFLD, bem como dos Autos de Infração conexos, para reconhecer a improcedência das autuações e lançamentos; 2. por fim, requer que seja determinada o cancelamento da NFLD, haja vista o exposto, devendo ser o mesmo arquivado, evitandose assim futuros prejuízos a empresa, bem como dos Autos de Infração conexos, para reconhecer a improcedência das autuações e Fl. 6DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18184.003168/200714 Acórdão n.º 240201.503 S2C4T2 Fl. 516 7 lançamentos. Pretendese provar o alegado com todos os meios de provas admitidos no direito, bem como aqueles que o contraditório vier a exigir. Protestase, desde já, pela julgada de novos documentos interessantes ao contraditório. Posteriormente, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em São Paulo ISP – por meio do Acórdão n° 1617.011 da 11a Turma da DRJ/SPOI (fls. 134 a 148 – Volume I) – considerou o lançamento fiscal procedente em sua totalidade, eis que a notificação encontrase revestida das formalidades legais, foi lavrada de acordo com as disposições expressas da legislação e a Impugnante não apresentou argumentos e/ou elementos de prova capazes de elidir e/ou modificar o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. A Notificada apresentou recurso (fls. 154 a 172 – Volume I) – acompanhado de anexos de fls. 173 a 508 (Volumes I, II e III) –, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento das contribuições e no mais efetua repetição das alegações apresentadas na peça de impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) em São PauloSP informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao Conselho de Contribuintes para processamento e julgamento (fls. 509 e 510 – Volume III). É o relatório. Fl. 7DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 Voto Vencido Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo (fls. 510). Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. DAS PRELIMINARES: Inicialmente na análise das preliminares, a Recorrente manifesta inconformismo a respeito do relatório dos corresponsáveis, pois entende que estaria sendo imputada responsabilidade aos sócios da empresa. Quanto à essa alegação da indevida responsabilização dos sócios (diretores), cabe esclarecer que os corresponsáveis mencionados pela fiscalização não figuram no polo passivo do presente lançamento fiscal. A relação de corresponsáveis anexada pela fiscalização tem como finalidades identificar as pessoas que poderiam ser responsabilizadas na esfera judicial, caso fosse constatada a prática de atos com infração de leis ou estatuto, conforme determina o Código Tributário Nacional e permitir que se cumpra o estabelecido no art. 2º, inciso I, § 5º, da Lei nº 6.830/1980, que dispõe: “Art. 2º Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou nãotributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de Direito Financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal. (...) § 5º O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter: I o nome do devedor, dos coresponsáveis e sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros (g.n.);” Assim, a responsabilidade tributária também será discutida na eventual execução do débito, sendo obrigação da fiscalização, indicar os eventuais representantes da empresa. Se houve violação a lei ou estatuto, não importa neste momento. O que importa é a legalidade do lançamento e a existência do fato gerador. Na possível cobrança efetuada pela Procuradoria da Fazenda Nacional, irá ser apurado a eventual responsabilidade em caso de omissão do devedor principal, no caso a Recorrente. A finalidade do simples arrolamento, no processo administrativo, dos representantes legais do sujeito passivo, na condição de corresponsáveis, é que os mesmos sejam previamente identificados e não significa que essas pessoas serão convocadas para pagamento do débito que é imputado à empresa. E tanto é assim, que nem ao menos foram notificados com vistas ao exercício dos seus respectivos direitos de defesa e nem conferiram mandato aos patronos da impugnante para propor defesas em seus nomes. Dessa forma, essa discussão, sobre a intimação dos sócios corresponsáveis, não pode prosperar em esfera administrativa. Seria cabível, possivelmente, se o débito Fl. 8DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18184.003168/200714 Acórdão n.º 240201.503 S2C4T2 Fl. 517 9 estivesse inscrito em dívida ativa, e, na via da execução judicial, caso os dirigentes tivessem sido convocados para o pagamento do crédito. Com isso, rejeito a preliminar supramencionada e passo ao exame da preliminar de nulidade do lançamento fiscal ora analisado e constituído por meio da NFLD n° 37.058.2160. Ainda em preliminar, a Recorrente alega nulidade da NFLD sob o argumento de que a auditoria fiscal da Receita Federal do Brasil e a unidade julgadora de primeira instância não fundamentaram ou explicitaram os motivos pelos quais entenderam que os valores pagos a título de prêmios para incentivo à produtividade fariam parte da remuneração dos empregados. Alega que os valores lançados na presente notificação não foram devidamente provados e nem os fatos alegados foram claramente demonstrados, não tendo a fiscalização demonstrado os requisitos necessários para considerar os pagamentos efetuados aos segurados como se fossem decorrentes de remuneração. Tal alegação não será acatada, pois os elementos que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do lançamento, qual seja: contribuições devidas pela empresa, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, e apuradas mediante o levantamento “SID – SEGURADOS EMPREGADOS”. Portanto, os valores apurados no lançamento fiscal são as contribuições sociais decorrentes do fato gerador incidente sobre as verbas pagas aos segurados empregados por meio de cartões de premiação, denominados “SPIRITCARD e PERFORMANCE CLASS”, para as competências 11/2003 a 08/2006. Percebese que, consoante o Relatório Fiscal de fls. 11 a 13, o valor tributável foi apurado com base nos valores repassados aos segurados da Recorrente (empregados), via cartões de premiação, constantes das notas fiscais de serviços e/ou faturas emitidas pelos fornecedores: (i) ALQUIMIA SERVIÇOS DE MARKETING LTDA (antiga SPIRIT INCENTIVO E FIDELIZAÇÃO LTDA), CNPJ 04.182.848/000130; e (ii) SALLES, ADAN & ASSOCIADOS – MARKETING PROMCIONAL, INCENTIVO, PUBLICIDADE e PROPAGANDA LTDA, CNPJ 66.844.754/000136 ou 66.844.754/000217. Esclarecemos que existem outras duas Notificações em face do sujeito passivo, quais sejam: (i) NFLD no 37.058.2144 (processo no 18184.003166/200717), refere se ao levantamento “CIN” – Contribuintes Individuais, em que a base de cálculo das contribuições sociais foi apurada somente com base nos valores nominais dos prêmios creditados pela empresa a estes contribuintes, conforme planilha fornecida pela Recorrente; e (ii) NFLD no 37.058.2152 (processo no 18184.003167/200761), referese ao levantamento “NFD” – Notas Fiscais, o valor foi aferido com base nos valores nominais das notas fiscais de serviços e ou faturas emitidas pelas fornecedoras dos prêmios, descontados das comissões, dos honorários e cartões de plásticos, e não discriminados quanto aos beneficiários. O valor tributável foi apurado conforme planilha “JJ NOTAS FISCAIS SALLES, ADAN E SPIRIT DIFERENÇAS NÃO IDENTIFICADAS”. Verificase ainda que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, já que, na NFLD com seus anexos, consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em vícios na NFLD, pois estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 20) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN, o art. 37 da Fl. 9DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 10 Lei n.° 8.212/1991 e o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Assim, dispõem o art. 142 do CTN e o art. 37 da Lei n.° 8.212/1991: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. Nesse mesmo sentido dispõe o art. 10 do Decreto n° 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 11 a 13) e anexos da notificação são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais RFL (fls. 04 a 07). Anexo à notificação, foi enviado à empresa, por meio de arquivos digitais – conforme Recibo de arquivos entregues ao contribuinte de fls. 19 e 20 –, o Discriminativo Analítico de Débito (DAD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Discriminativo Sintético do Débito (DSD); Relatório de Lançamentos (RL); as planilhas JJ FUNCIONÁRIOS IDENTIFICADOS – TOTAL MENSAL POR CRACHÁ e FUNCIONÁRIOS IDENTIFICADOS – TOTAL MENSAL; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito. Fl. 10DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18184.003168/200714 Acórdão n.º 240201.503 S2C4T2 Fl. 518 11 Além disso, no Termo de Intimação para Apresentação de Documentos TIAD (fls. 15 e 16) e no Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEAF (fls. 17 e 18), assinados por representantes da empresa, constam a documentação utilizada para caracterizar e concretizar a hipótese fática do fato gerador das contribuições lançadas e a informação de que o sujeito passivo recebeu toda a documentação utilizada para caracterizar os valores lançados no presente lançamento fiscal. Posteriormente, isso foi confirmado pelo Relatório Fiscal de fls. 11 a 13. Toda a fundamentação legal que amparou o lançamento foi disponibilizada ao contribuinte, conforme se verifica no relatório Fundamentos Legais do Débito (FLD), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, a NFLD foi lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária, fazendo constar, nos relatórios que compõem a Notificação (FLD, DAD, DSD, RL e planilhas), os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade da NFLD são genéricas, ineficientes e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade no lançamento fiscal ora analisado, e não serão acatadas. A constituição da NFLD foi detalhadamente descrita, conforme documentos às fls. 01 a 20, fornecendo todos os fatos necessários para sua compreensão e análise. Por tudo isso, não há que se falar em vícios e nulidade da notificação. Diante disso, não acato a preliminar ora examinada de nulidade e passo ao exame de mérito. DO MÉRITO: No aspecto meritório, a Recorrente não nega que concedeu aos segurados empregados os valores decorrentes das parcelas pagas a título de programa de incentivo, por meio de cartão de premiação. Ela apenas entende que tais valores não integram a base de cálculo da contribuição previdenciária por não possuírem natureza remuneratória. Tal alegação não deve prosperar pelos fatos, pela legislação de regência e pela jurisprudência judicial e deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto. Conforme o Relatório Fiscal de fls. 11 a 13, a auditoria fiscal teve acesso as notas fiscais, tabela de incidência da folha de pagamento mediante listagem com valores descontados dos segurados empregados e bases de cálculo referentes a segurados premiados, sendo que com base em tais documentos, verificouse que tais cartões eram destinados a programa de estímulo ao aumento de produtividade e, portanto, relacionados ao alcance de metas de desempenho, conforme relatado pela própria Recorrente em sua peça de impugnação de fls. 24 a 58. Os valores pagos por meio de cartão de incentivo são considerados prêmios e prêmio é um salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como a produção, a eficiência, dentre outros fatores de produção. Caracterizase pelo seu aspecto condicional; uma vez atingida a condição prevista por parte do trabalhador, este faz jus ao mesmo. Portanto, por Fl. 11DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 12 depender do desempenho individual do trabalhador, o prêmio tem caráter retributivo, ou seja, contraprestação do serviço prestado e, por conseqüência, possui natureza jurídica salarial. A Recorrente tenta descaracterizar a natureza salarial dos prêmios alegando que são pagos por mera liberalidade da empresa e sem habitualidade (ganhos eventuais), uma vez que o pagamento é vinculado exclusivamente à eventual superação das metas ou expectativas de desempenho prédeterminadas pela mesma. Ocorre que tal entendimento não pode prevalecer. A meu ver, a habitualidade não fica caracterizada apenas pelo pagamento em tempo certo, de forma mensal, bimestral, semestral, ou anual, mas pela garantia do recebimento a cada implemento de condição por parte do trabalhador. O pagamento de prêmios por cumprimento de condição leva tais valores a aderirem ao contrato de trabalho, cuja eventual supressão pode caracterizar alteração prejudicial do contrato de trabalho, o que é vedado pelo art. 468 da Consolidação das Leis do Trabalho, que dispõe neste sentido: Art. 468. Nos contratos individuais de trabalho só é lícita a alteração das respectivas condições por mútuo consentimento, ainda assim, desde que não resultem, direta ou indiretamente, prejuízos ao empregado, sob pena de nulidade da cláusula infringente desta garantia. O entendimento acima encontra respaldo na jurisprudência trabalhista, conforme se verifica nos seguintes julgados: Prêmios. Saláriocondição. Os prêmios constituem modalidade de saláriocondição, sujeitos a fatores determinados. E, como tal, integram a remuneração do autor estritamente nos meses em que verificada a condição”.(RO23976/97 – TRT 3ª Reg. – 1ª T – relator juiz Ricardo Antônio Mohallem – DJMG 220199). Comissões e prêmios. Distinção. Comissão é um porcentual calculado sobre as vendas ou cobranças feitas pelo empregado em favor do empregador. O prêmio depende do atingimento de metas estabelecidas pelo empregador. É saláriocondição. Uma vez atingida a condição, a empresa paga o valor combinado. Não se pode querer que o preposto saiba a natureza jurídica entre uma verba e outra”. (Proc. nº 00693200390202007 – Ac. 20030282661 – TRT 2ª Reg. 3ª Turma – relator juiz Sérgio Pinto Martins – DOESP 24.0603). Com isso, entendo que há incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos aos segurados empregados por meio de cartão de premiação. Nesse sentido, registramos que há vários precedentes desta natureza prolatados por esta Corte Administrativa, então denominada 6ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes: Ac. 20600236, Ac. 20600286, Ac. 20600333, Ac. 20600949. Assim, peço vênia à ilustre Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira para transcrever trecho de seu voto, condutor do Ac. 20601657, que enfrenta a questão ora posta em julgamento: Fl. 12DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18184.003168/200714 Acórdão n.º 240201.503 S2C4T2 Fl. 519 13 Conforme discutido nos autos o ponto chave é a identificação do campo de incidência das contribuições previdenciárias. Para isso façamos uso da legislação previdenciária, atrelada a conceitos trazidos da legislação trabalhista. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: “Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” O conceito de remuneração, descrito no art. 457 da CLT, deve ser analisado em sua acepção mais ampla, ou seja, correspondendo ao gênero, do qual são espécies principais os termos salários, ordenados, vencimentos etc. “Art. 457. Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagens e abonos pagos pelo empregador. (Súmulas nos 84, 101 e 226 do TST.) § 2º Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3º Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada a distribuição aos empregados. Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao Fl. 13DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 14 empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas.” Não procede o argumento do recorrente, uma vez que já está pacificado na doutrina e jurisprudência que os prêmios pagos possuem natureza salarial. A definição de “prêmios” dada pela recorrente não se coaduna com a de verba indenizatória, mas, com a de parcelas suplementares pagas em razão do exercício de atividades, tendo o empregado alcançado resultados no exercício da atividade laboral. O ilustre professor Maurício Godinho Delgado, em seu livro “Curso de Direito do Trabalho”, 3º edição, editora LTr, pág. 747, assim referese ao assunto: “(...) Os prêmios consistem em parcelas contraprestativas pagas pelo empregador ao empregado em decorrência de um evento ou circunstância tida como relevante pelo empregador e vinculada à conduta indicidual do obreiro ou coletiva dos trabalhadores da empresa.(...) O prêmio, na qualidade de constraprestação paga pelo empregador ao empregado, têm nítida feição salarial. (...)” Claro é o posicionamento do STF, acerca da natureza salarial dos prêmios, posto o descrito na súmula n° 209, nestes termos: “Súmula 209 – SalárioPrêmio, salário –produção. O salário produção, como outras modalidades de salário prêmio, é devido, desde que verificada a condição a que estiver subordinado, e não pode ser suprimido, unilateralmente, pelo empregador, quando pago com habitualidade.” Os prêmios são considerados parcelas salariais suplementares, pagas em função do exercício de atividades atingindo determinadas condições. Neste sentido, adquirem caráter estritamente contraprestativo, ou seja, de um valor pago a mais, um “plus” em função do alcance de metas e resultados Não tem por escopo indenizar despesas, ressarcir danos, mas, atribuir um incentivo ao empregado. Segundo o professor Amauri Marcaro Narcimento, em seu livro Manual do salário, Ed. Ltr, p. 334, nestas palavras “Prêmio é modalidade de salário vinculado a fatores de ordem pessoal do trabalhador, como produtividade e eficiência. Os prêmios caracterizamse por seu aspecto condicional, sendo que uma vez instituídos e pagos com habitualidade não podem ser suprimidos.” Vale destacar ainda, que por se caracterizarem como remuneração, os prêmios devem, em regra, refletir no pagamento de todas as demais verbas trabalhistas, sejam elas: férias, 13º salário, repouso semanal remunerado, devendose observar a habitualidade dependendo da verba que se faça incidir. Fl. 14DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18184.003168/200714 Acórdão n.º 240201.503 S2C4T2 Fl. 520 15 Pelo exposto o campo de incidência é delimitado pelo conceito remuneração. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado ou de um serviço prestado, ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Cabe destacar nesse ponto, que os conceitos de salário e de remuneração não se confundem. Enquanto o primeiro é restrito à contraprestação do serviço devida e paga diretamente pelo empregador ao empregado, em virtude da relação de emprego; a remuneração é mais ampla, abrangendo o salário, com todos os componentes, e as gorjetas, pagas por terceiros. Nesse sentido é a lição de Alice Monteiro de Barros, na obra Curso de Direito do Trabalho, Editora LTR, 3ª edição, página 730. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, nestas palavras: “Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) e) as importâncias: (Alínea alterada e itens de 1 a 5 acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10/12/97, e de 6 a 9 acrescentados pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; Fl. 15DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 16 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, de 1º de dezembro de 1965; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Fl. 16DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18184.003168/200714 Acórdão n.º 240201.503 S2C4T2 Fl. 521 17 p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97)” Pela análise do dispositivo legal, podemos observar que não existe nenhuma exclusão quanto aos prêmios concedidos seja aos segurados empregados ou contribuintes individuais. Além disso, o texto legal não cria distinção entre as exclusões aplicáveis aos empregados e aos contribuintes individuais. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: Fl. 17DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 18 “No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado”.” Ademais, o art. 458 da CLT, §2º descreve as verbas fornecidas aos empregados que não possuem natureza salarial. Senão vejamos: “Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações in natura que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. (Súmula nº 258 do TST.) § 1º Os valores atribuídos às prestações in natura deverão ser justos e razoáveis, não podendo exceder, em cada caso, os dos percentuais das parcelas componentes do salário mínimo (artigos 81 e 82). § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; IV – assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; V – seguros de vida e de acidentes pessoais; VI – previdência privada; VII – VETADO.” Logo, entendo que são devidas as contribuições sociais lançadas no presente processo, eis que os valores pagos pela Recorrente, por meio de cartão de premiação, aos seus segurados empregados são utilizados como estímulo ao incremento de produtividade, Fl. 18DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18184.003168/200714 Acórdão n.º 240201.503 S2C4T2 Fl. 522 19 possuindo assim natureza remuneratória. Ou seja, são valores pagos em função da melhor qualidade e produção do trabalho e devem integrar a base de cálculo para incidência de contribuição previdenciária, conforme determina a Lei no 8.212/91, em seu artigo 28, incisos I e III. A Recorrente insiste na realização de produção de prova por todos os meios admitidos em direito, afirmando que isso prejudicaria o seu direito da ampla defesa e do devido processo legal. Essa tese também não prospera, eis que o deferimento de produção de prova requerida pela Recorrente depende de demonstração das circunstâncias que a motiva. Assim, a prova testemunhal e outros meios de prova admitidos em direito só deverão ser concedidos com fundamento nas causas que justifiquem a sua imprescindibilidade, pois essas provas só têm sentido na busca da verdade material. Logo, somente é justificável o deferimento de outros meios de prova admitidos em direito, tais como a prova testemunhal, quando não se referir a matéria fática documental, ou assunto de natureza técnica, que tenha utilidade probatória, relacionada ao objeto que cuida o processo, ou cuja comprovação não possa ser feita no corpo dos autos. Por conseguinte, revelase prescindível a prova testemunhal que não tenha nenhuma utilidade, eis que não se relacione com o processo ou sobre aspecto que pode ser facilmente esclarecido nos autos, como as matérias constantes das alegações apresentadas pela Recorrente. Ademais, verificase que – para apreciar e prolatar a decisão de procedência, ou não, do lançamento fiscal ora analisado – não existem dúvidas a serem sanadas, já que, na notificação com seus anexos (fls. 01 a 20), consta de forma clara os elementos necessários para a configuração do ato administrativo fiscal. Logo, não há que se falar em produção de prova por outros meios admitidos em direito, nem na produção de prova testemunhal. Estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01 a 20) – para o procedimento de lançamento fiscal analisado – todos os seus requisitos legais, conforme preconiza o art. 142 do CTN e art. 10 do Decreto n° 70.235/1972, tais como: tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumpri la ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Dessa forma, a realização de prova testemunhal, ou qualquer outra diligência, não é necessária para a deslinde do caso analisado no momento. Nesse sentido, os arts. 18 e 29, ambos da Lei do Processo Administrativo Fiscal (Decreto n° 70.235/1972) estabelecem: Art.18 A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Por fim, registramos que, nos termos do art. 17 do Decreto n° 70.235/1972 – na redação dada pela Lei n° 9.532/1997 –, considerarseá não impugnada a matéria que não Fl. 19DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 20 tenha sido expressamente contestada na sua peça de impugnação ou na sua peça recursal, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pelo art. 67 da Lei n.° 9.532/1997). Assim, indeferese o pedido de produção de prova por outros meios admitidos em direito, por considerálo prescindível e meramente protelatório. Após os registros dos fatos e da legislação de regência delineados anteriormente, não serão acatadas as alegações da Recorrente registradas dentro do seu aspecto meritório. Com efeito, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade do lançamento ou da decisão de primeira instância, eis que o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicoprevidenciário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso, rejeitar as preliminares e no mérito negarlhe provimento, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 20DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18184.003168/200714 Acórdão n.º 240201.503 S2C4T2 Fl. 523 21 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Redator Designado Embora na essência não exista dissenso do colegiado quanto à aplicação do artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 que revogou o artigo 13 da Lei no 8.620/93, entendo que a decisão do colegiado passou a ser no sentido do acolhimento parcial dessa preliminar argüida. Isto porque após a revogação acima a denominada “Relação de CoResponsáveis – CORESP” não pode mais ostentar em seu título qualquer expressão que venha mesma a apenas insinuar uma coresponsabilidade das pessoas nela relacionadas. Segue transcrição: Lei 8.620/93: Art. 13. O titular da firma individual e os sócios das empresas por cotas de responsabilidade limitada respondem solidariamente, com seus bens pessoais, pelos débitos junto à seguridade social. Parágrafo único. Os acionistas controladores, os administradores, os gerentes e os diretores respondem solidariamente e subsidiariamente, com seus bens pessoais, quanto ao inadimplemento das obrigações para com a seguridade social, por dolo ou culpa. A “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente não mais existe, fora substituída pela relação de “Representantes Legais – REPLEG” que apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído. Não é conseqüência do aludido documento que os referidos representantes legais passem a constar no pólo passivo da obrigação tributária. O Relatório "REPLEG" serve apenas como subsídio à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, caso haja necessidade de execução judicial do crédito previdenciário, e sendo verificada a ocorrência das hipóteses legais para a responsabilização tributária prevista no Código Tributário Nacional. Assim, temse que a indicação dos representantes legais é mero subsídio para, se necessário e cabível, o crédito previdenciário ser exigido dos administradores exclusiva, solidária ou subsidiariamente com o contribuinte. No entanto, nem por isso os representantes legais não devam constar em relação preparada pelo fisco. É através do exame de contratos sociais e estatuto que são identificados os sócios e diretores. da empresa e é da relação a PFN poderá indicar eventuais coresponsáveis pelo crédito, conforme dispõe em especial o artigo 135 da Lei n.° 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional — CTN): Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: Fl. 21DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 22 1 as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Em síntese, temos que: a) a “Relação de CoResponsáveis – CORESP” atualmente apenas identifica os sócios e diretores da empresa e respectivo período de gestão sem, por si só, atribuirlhes responsabilidade solidária ou subsidiária pelo crédito constituído; b) a revogação do artigo 13 da Lei no 8.620/93 pelo artigo 79, inciso VII da Lei n° 11.941/09 alcança o crédito ainda não definitivamente constituído, pois o documento somente se presta para a cobrança através da Certidão de Dívida Ativa; c) não há de se falar em exclusão da relação que apenas identifica os representantes legais quando os documentos da empresa confirmam a veracidade da informação. Portanto, embora não se atenda ao requerido para exclusão de sócios e diretores da “Relação de CoResponsáveis – CORESP”, devese acolher parcialmente a preliminar para que se reconheça que a finalidade do documento é apenas indicar os representantes legais da empresa, “Representantes Legais – REPLEG”, como subsídio para a PFN. Voto pelo acolhimento parcial da preliminar de coresponsabilidade. Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 22DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 22 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP10.1121.15289.02O4. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por RONALDO DE LIMA MACEDO em 22/03/2011 12:36:42. Documento autenticado digitalmente por RONALDO DE LIMA MACEDO em 22/03/2011. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR VIEIRA GOMES em 25/03/2011 e RONALDO DE LIMA MACEDO em 22/03/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 10/11/2021. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP10.1121.15289.02O4 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 19534FB6DEE577A576313989B66EBB9E9773F316 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18184.003168/2007-14. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10980.916793/2009-94
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Nov 08 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/12/2006
CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO POR EDITAL. REQUISITOS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72.
A cientificação edilícia é procedimento que somente se justifica após a caracterização irrefutável da tentativa frustrada de intimação do contribuinte por meio das outras modalidades previstas na norma.
Numero da decisão: 1003-002.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, determinando o retorno à DRJ/RPO para que a manifestação de inconformidade seja apreciada.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Benatti Marcon, Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2006 CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO POR EDITAL. REQUISITOS. ART. 23 DO DECRETO Nº 70.235/72. A cientificação edilícia é procedimento que somente se justifica após a caracterização irrefutável da tentativa frustrada de intimação do contribuinte por meio das outras modalidades previstas na norma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, determinando o retorno à DRJ/RPO para que a manifestação de inconformidade seja apreciada. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Benatti Marcon, Barbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 14-61.352, proferido pela 6ª Turma da DRJ/RPO, que não conheceu da manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente. Por bem descrever os fatos e por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, nos termos abaixo, que será complementado com os fatos que se sucederam: Trata-se de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 67 93 /2 00 9- 94 Fl. 406DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 19231.39279.200407.1.3.02-1051, por intermédio da qual o contribuinte pretende compensar débitos próprios com saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2006. Em decisão proferida pela DRF competente em 06/07/2010, foi reconhecido em parte o direito creditório a favor do contribuinte, sendo homologada também em parte a compensação declarada. Por terem resultado improfícuos os meios pessoal e/ou postal (fl. 108), a contribuinte foi cientificada do despacho decisório por Edital, em 18/09/2010, conforme documentos de fls. 106/107. Em 10/12/2010, irresignado, interpôs o contribuinte manifestação de inconformidade na qual alega que: I. DA TEMPESTTVIDADE - DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO POR EDITAL Em 10/11/2010, ao tentar renovar a sua Certidão Negativa de Débitos, a Contribuinte foi surpreendida pelas seguintes restrições: PAFs n°s 10980.920722/2009-96, 10980.920723/2009-31, 10980.920724/2009-85 e 10980.920725/2009-20 (processos de cobrança). As pendências acima referidas dizem respeito à cobrança de supostos débitos oriundos das compensações não homologadas no âmbito do presente processo administrativo- fiscal (ref. à análise do crédito). Conforme se observa dos documentos anexos (doc. 02), a intimação da Empresa acerca da do despacho decisório n° 868490366, proferido neste processo, foi levada a efeito por meio do Edital PER/DCOMP n° 2638/2010, afixado em 03/09/2010, tendo em vista que a correspondência inicialmente enviada retornou sem a devida cientificação da Contribuinte (cf. rastreamento emitido pelos Correios). Ocorre que, a intimação editalícia da Contribuinte, nos moldes em que realizada, é nula, pois não observou os requisitos legais, devendo ser reaberto o prazo de manifestação de inconformidade. Com efeito, da documentação anexa, verifica-se que a Receita Federal tentou cientificar a Empresa, via postal, não tendo logrado êxito, pois, segundo informado pela Empresa de Correios e Telégrafos, a mesma havia se mudado. Diante da informação dos Correios, ao invés de verificar o cadastro da Contribuinte e fazer nova tentativa de entrega do despacho decisório, a Receita Federal preferiu adotar a postura mais simplista e rigorosa de proceder à publicação do edital antes referido. Entretanto, mostra-se absolutamente inválida a intimação da Requerente na forma em que perpetrada no presente caso, na medida em que, a comunicação editalícia, de natureza ficta, apenas possui cabimento subsidiário, quando frustrados os demais meios de notificação pessoal ou postal (cf. artigo 23 do Decreto n° 70.235/72). O mencionado artigo 23 estabelece que: "Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III- por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: Fl. 407DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I - no endereço da administração tributária na internet; II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. Como se vê, somente se consubstancia a legitimidade da intimação efetivada pela via editalícia, no processo administrativo fiscal, se a autoridade não lograr êxito em consumá-la pelos demais meios previstos. Afinal, cuidando o edital de forma subsidiária. de intimação, cumpre ao Fisco diligenciar para a localização do devedor no processo administrativo, a fim de justificar suficientemente a publicação do edital, sob pena de nulidade dos atos subseqüentes. Na presente hipótese, precedentemente à intimação por meio de edital, tentou-se a intimação por via postal, tendo a correspondência retornado, sobre a justificativa de que a Contribuinte havia se mudado. Contudo, oportuno destacar que, desde outubro/2003, a empresa possui domicílio fiscal no mesmo endereço, qual seja, Rua Mamoré, Curitiba, Paraná, CEP: 80.810080 (conforme documentação societária anexa - doc. 01), não tendo efetuado qualquer mudança nos últimos tempos, razão pela qual causa estranheza a informação constante do rastreamento do AR ("mudou-se"). As últimas declarações entregues à Receita Federal desde 2009 também já informavam adequadamente o endereço da Requerente (doc. 03), não havendo qualquer justificativa para a sua intimação via edital. A Contribuinte sempre cumpriu com seus deveres, mantendo atualizados os seus cadastros junto aos órgãos públicos, inclusive a Receita Federal do Brasil, não havendo como lhe imputar eventual intimação por edital, tendo em vista que o seu domicílio fiscal é plenamente conhecido. Ademais, cumpre destacar que a ora Requerente é emissora de rádio de Curitiba, integrante de tradicional grupo de comunicação do Estado do Paraná (GRPCOM - Grupo Paranaense de Comunicação, nova denominação da RPC - Rede Paranaense de Comunicação), com endereço amplamente conhecido e divulgado. Portanto, in casu, não se configurou o pressuposto para a intimação por edital, pois existe autorização legal para tanto apenas quando a cientificação pessoal (via postal) se mostrar impossível por qualquer motivo. Não há como considerar subsistente, porém, a intimação enviada pela Receita Federal e não entregue pelos Correios sob a justificativa de a Contribuinte havia se mudado, já que o seu domicílio fiscal continua sendo o mesmo. Fl. 408DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 A notificação por edital constitui exceção à regra de notificação pessoal, cabível somente quando o contribuinte estiver em lugar incerto e não sabido. Não é possível presumir tal fato antes de empreender diligências para localizá-lo. A autoridade administrativa tem o dever de cientificar o contribuinte no seu domicílio, mormente quando esse dado está a seu alcance, cabendo-lhe proceder a novas tentativas para encontrar o atual endereço. Não pode tratar esse requisito fundamental do procedimento administrativo como se fosse exigência meramente formal. Corroborando o exposto, merecem destaque recentes decisões do Tribunal Regional Federal da 4a Região, assim ementadas: "TRIBUTÁRIO E PROCESSO CIVIL. AÇÃO ANULATÓRIA. DOCUMENTO NOVO INADMISSÍVEL EM APELO. NOTIFICAÇÃO EDITALÍCIA. ENDEREÇO CONHECIDO. CERCEAMENTO DE DEFESA. CONFIGURADO. 1. Compete à parte instruir a contestação com os documentos destinados a provar-lhe as alegações, sendo defesa a juntada por ocasião da apelação, nos termos dos arts. 396, 397 e 517 do CPC. 2. A intimação do contribuinte pela via editalícia no processo administrativo deve ser precedida de tentativa de intimação postal, conforme o art. 23 do Decreto n° 70.235/72. 3. Tendo a intimação postal sido enviada para endereço incorreto por erro da Administração, não é válida a citação realizada por edital." (TRF4, APELREEX 0001825-89.2008.404.7100, Segunda Turma, Relatora Luciane Amaral Corrêa Münch, D.E. 14/04/2010) "TRIBUTÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. IRPF. INTIMAÇÃO POR EDITAL. NULIDADE. PREJUÍZO AO CONTRADITÓRIO E À AMPLA DEFESA. ART. 5º, LV, DA CF. 1. O artigo 23 do Decreto n° 70.235/72 prevê a possibilidade da intimação do lançamento ser efetivada por edital, exigindo, contudo, que haja tentativa de intimação pessoal ou postal prévia à intimação ficta. 2. Não obstante o sujeito passivo tenha informado o endereço novo à Receita Federal, esta equivocamente enviou a correspondência para o endereço antigo. 3. A invalidade da tentativa de intimação postal em endereço que não mais pertence ao sujeito passivo torna inválida a intimação por edital, por falta de condição prévia e necessária exigida pela lei, acarretando também a nulidade dos atos subseqüentes de cobrança, uma vez que houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa. 4. Precedentes desta Corte." (TRF4, APELREEX 2009.72.08.001500-0, Segunda Turma, Relatora Vânia Hack de Almeida, D.E. 24/02/2010) Outro não é o entendimento das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil, a exemplo dos seguintes acórdãos: "ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF EMENTA: INTIMAÇÃO POR EDITAL. No âmbito do processo administrativo fiscal, para cada ato ou termo processual de que deva ser intimado o sujeito passivo deve-se proceder à intimação pessoal ou por via postal e, somente depois, não logrando êxito essa intimação, será efetuada a intimação por edital. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. MUDANÇA DE ENDEREÇO. Considera-se inválida a intimação, enviada a endereço constante do cadastro CPF, quando restar comprovado nos autos que o contribuinte já havia informado na Declaração de Ajuste Anual a mudança de domicílio. PRELIMINAR DE NULIDADE. Quando se puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. DECADÊNCIA. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (inciso I, art. 173 do CTN)." (DRJ Rio de Janeiro - Acórdão 13.17627, de 19/10/2007) Fl. 409DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 "ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF EMENTA: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - INTIMAÇÃO POR EDITAL. Em razão do direito a ampla defesa, consagrado na Carta Magna no art. 5o, inciso LV e transposto para o procedimento administrativo pelo art. 2o da Lei n. ° 9.784/99, a intimação por edital somente pode ser realizada quando restarem infrutíferas as tentativas de intimação via Correio em todos os endereços à disposição da fiscalização. (...)" (DRJ São Paulo - Acórdão 17-37535, de 20/01/2010). Portanto resta claro que a intimação por edital levada a efeito no presente processo é invalida, devendo ser anulados todos os atos praticados desde a expedição do despacho decisório, com a conseqüente reabertura do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade. Reaberto o prazo, e tendo em vista a apresentação do presente expediente, impõe a suspensão da exigibilidade do crédito tributário discutido, consoante o disposto no art. 151, inciso II, do CTN. II. DA INSUBSISTÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO 1. Com a reabertura do prazo, nos termos em que pleiteado no item anterior, a autoridade julgadora competente deve proceder à análise das razões a seguir declinadas, a título de manifestação de inconformidade, que bem demonstram a necessidade de reforma do despacho decisório recorrido, diante da legitimidade das compensações. De fato, a ora Recorrente enviou à Secretaria da Receita Federal, em 20/04/2007, a declaração de compensação registrada sob n° 19231.39279.200407.1.3.02-1051, (doc. 04), no âmbito da qual informou como tipo de crédito "Saldo Negativo de IRPJ referente ao exercício 2007, ano-calendário 2006, no importe de R$ 132.606,39. O mesmo crédito de Saldo Negativo do IRPJ foi utilizado em outras declarações de compensação, da seguinte forma: PER/DCOMPs n°s 35801.78684.180507.1.3.02-0153, 14921.27580.180607.1.3.02-8149, 05766.52963.100707.1.3.02-6033, 11099.36163.130807.1.3.02-9503, 02205.96809.130907.1.7.02-1587, 26934.83238.130907.1.3.02-0032, 23896.68724.101007.1.3.02-8044, e 41172.90630.091107.1.3.02-1559 - cf. doc.05. Examinando as referidas declarações de compensação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, por meio de despacho eletrônico (doc. 02), entendeu por bem homologá-las apenas em parte, consignando a fundamentação da decisão: "Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado e considerando que a soma das parcelas de composição do crédito informadas no PER/DCOMP deve ser suficiente para comprovar a quitação do imposto devido e a apuração do saldo negativo, verificou-se: (...) Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 132.606,39 Valor na DIJP: R$ 136.252.32 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 136.252,32 IRPJ devido: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) - (IRPJ devido) limitado ao menor valor entre saldo negativo DIPJ e PER/DCOMP, observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 82.807,22 Fl. 410DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 O crédito reconhecido foi insuficiente para compensar integralmente os débitos informados no PER/DCOMP, razão pela qual: HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada no PER/DCOMP: 02205.96809.130907.1.7.02-0032 NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP 23896.68724.101007.1.3.02-8044, 41172.90630.091107.1.3.02-1559 e 26983238.130907.1.3.02-0032. " Ou seja, embora tenha confirmado a existência de Saldo Negativo indicado pela Recorrente em DIPJ (doc. 06), como não confirmou parte das estimativas informadas na declaração de compensação, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Curitiba entendeu pela insuficiência do crédito para a homologação integral das PER/DCOMPs transmitidas pela Empresa, intimando-a, por outro lado, para promover o pagamento dos débitos correspondentes (saldo devedor), com os respectivos encargos legais. A decisão, todavia, está a merecer reforma neste aspecto. 2. Conforme já afirmado alhures, a homologação parcial das PER/DCOMPs já citadas (docs. 04 e 05), tem como pressuposto a insuficiência do crédito de Saldo Negativo do IRPJ no ano-calendário de 2006, exercício de 2007. Com efeito, o auditor fiscal considera que o Saldo Negativo disponível para o referido exercício corresponde a R$ 82.807.22, o qual não seria suficiente para a homologação total das compensações analisadas. Para chegar a tal conclusão, a auditoria fiscal parte da premissa de que do total das estimativas informadas (R$ 93.803,50), apenas a quantia de R$ 44.004,32 restou confirmada pelos seus sistemas de controle. O que ocorreu, na verdade, é que a Recorrente equivocou-se ao informar as parcelas do crédito em sua declaração de compensação, o que, nada obstante a higidez do seu direito creditório, conduziu à inconsistência no cruzamento de dados pela autoridade administrativa. A Recorrente reconhece que, na demonstração de seu crédito, no âmbito do PER/DCOMP inicial, acabou indicando estimativas compensadas como se fossem pagamentos, o que, provavelmente, motivou a homologação apenas parcial dos PER/DCOMPs. Entretanto, a Contribuinte realmente recolheu/compensou as estimativas no valor total informado, não havendo qualquer razão para desconsiderá-las, em sua integralidade, na formação do Saldo Negativo, consoante se verifica dos comprovantes anexos (doc. 07). O despacho decisório recorrido expressamente reconhece que não foi apurado IRPJ devido no período, bem como que as retenções sofridas totalizam R$ 38.802,90. Esses aspectos são, portanto, incontroversos. Quanto às estimativas mensais pagas pela Empresa, mediante DARFs, a Receita Federal confirmou o total de R$ 44.004,32, montante com o qual a Recorrente não se opõe. Ocorre que o auditor fiscal acabou deixando de computar no cálculo do Saldo Negativo, as estimativas mensais quitadas mediante procedimentos de compensação, no total de R$ 53.445,10. como o que não se pode concordar. Conforme já afirmado, a Recorrente acredita que a não confirmação das estimativas compensadas se deu pelo mero equívoco de sua parte no preenchimento do descritivo do crédito na PER/DCOMP inicial, tratando-se de mero erro formal, que não pode invalidar o direito creditório efetivamente existente. Fl. 411DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 Com efeito, o mero equívoco de preenchimento do PER/DCOMP quanto aos valores das retenções não é capaz de afastar a efetiva existência do crédito pleiteado, razão pela qual se impõe a reforma do despacho decisório. Ora, comprovada a existência do direito creditório pleiteado, impõe-se a homologação integral das compensações pretendidas. É certo que o Saldo Negativo do IRPJ em comento (exercício 2007), deve levar em conta não só retenções e pagamentos efetuados pela Recorrente, mas, também, as estimativas mensais compensadas via PER/DCOMPs, sendo composto da seguinte maneira: Saldo Negativo IRPJ - Exercício 2007 (ano-calendário 2006) -IRPJ devido: R$0,00 -Retenções IRPJ: R$ 38.802,90 -Estimativas pagas: R$ 44.004,32 - Estimativas compensadas: R$ 53.445,10 - Saldo Negativo (Crédito): R$ 136.252.32 Essa composição do crédito pleiteado pela Recorrente é comprovada pela DIPJ/2007, guias de recolhimento do imposto no período, informes de rendimentos e PER/DCOMPs com a quitação das estimativas, cujas cópias se encontram anexas (docs. 06/07). Especificamente quanto à DIPJ/2007, observa-se da sua "ficha 12-A" a exata apuração do Saldo Negativo. Assim, verifica-se não só a existência do crédito de Saldo Negativo de IRPJ (exercício 2007, ano-calendário 2006) aproveitado pela Recorrente, mas também que o mesmo é suficiente para a quitação de todos os débitos indicados nas respectivas declarações. Diante disso, espera-se e confia-se que essa Delegacia de Julgamento reconheça o direito creditório da Contribuinte, convalidando as compensações. 3. Corroborando as razões antes suscitadas, cumpre salientar que, em casos como o presente, o Eg. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF tem se manifestado no sentido de que, uma vez comprovada a adequada formação do Saldo Negativo, deve ser assegurado o direito creditório pleiteado. O acórdão abaixo transcrito é exemplo do posicionamento daquele órgão julgador: "COMPENSAÇÃO - CRÉDITO - SUFICIÊNCIA - PROVA - Demonstrada a suficiência do crédito tributário para a quitação integral do débito, impõe-se a homologação integral da compensação declarada. Recurso provido" (Acórdão 105- 17418. de 05/02/2009, Rei. Cons. Paulo Jacinto do Nascimento) Outro não é o posicionamento firmado pelas Delegacias da Receita Federal de Julgamento, o que se vê pelos seguintes acórdãos: Fl. 412DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 "COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DO IRPJ. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. COMPENSAÇÃO. A restituição de saldo negativo do IRPJ, com a concomitante compensação, condiciona-se à demonstração da existência e da liquidez do direito, o que inclui a comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte levado à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras, preenchidos nos termos da legislação aplicável, bem da comprovação do recolhimento ou liquidação das estimativas apuradas durante o período. Diante da apresentação dos comprovantes de rendimentos e retenção do IRRF, bem como dos dados presentes nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil, reconhece-se parcialmente o direito creditório pleiteado e homologam-se as compensações declaradas, até o limite desse direito." (DRJ/Campinas - Acórdão n° 05-30209, de 02/09/2010). "SALDO NEGATIVO. COMPROVAÇÃO. RECONHECIMENTO INTEGRAL. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL. Tendo sido comprovados os pagamentos de estimativa e a homologação das compensações, os quais suplantaram a contribuição devida, o direito creditório deve ser reconhecido conforme pleiteado na DCOMP. O direito creditório integralmente reconhecido se mostrou insuficiente para compensar todos os débitos. Compensações parcialmente homologadas." (DRJ/Belém - Acórdão n° 01- 17879, de 02/06/2010). Desse modo, a jurisprudência administrativa confirma a procedência das alegações desenvolvidas na presente manifestação de inconformidade, impondo o seu acolhimento, com a conseqüente homologação da compensação por esse d.Colegiado. 4. Ademais, como se depreende do despacho decisório ora recorrido, a homologação parcial das compensações decorre da falta de confirmação de estimativas quitadas pela Recorrente. Contudo, como já exposto anteriormente, esse entendimento decorre do equívoco cometido pela empresa quando do preenchimento da declaração de compensação inicial, erro material já suprido pelos esclarecimentos deduzidos no "item II.2" supra e pela documentação acostada ao presente expediente. Ora, é certo que meros erros materiais não podem culminar na negativa do direito creditório da Empresa, ainda mais em casos como o presente, em que o equívoco já restou sanado/justificado. E, mesmo que se entenda ter havido equívoco da Contribuinte no preenchimento da PER/DCOMP inicial, a verdade é que a finalidade da norma que prevê a compensação foi atingida, não se podendo colocar a forma do ato em plano superior à realidade da situação, em face da observância de diversos princípios norteadores do processo administrativo. Com efeito, a observância ao disposto no caput do art. 74, da Lei n° 9.430/96, combinado com os §§ 1° e 2°, aliada aos princípios da legalidade, do informalismo (ou do formalismo moderado), da proporcionalidade, da razoabilidade e da verdade material (arts. 5° e 37, da CF/88), demonstram que a não homologação da compensação revela rigor formal extremado da administração, incompatível com o caso concreto. Fl. 413DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 A propósito, a jurisprudência do Eg. Conselho de Contribuintes da UNIÃO (atualmente CARF) já vinha reconhecendo, de forma pacífica e reiterada, que deve prevalecer a verdade material sobre a formal, bem como dado aplicabilidade, em casos como o presente, ao princípio do formalismo moderado. Exemplo disso são os seguintes acórdãos: "COMPENSAÇÃO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO - Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão n° 101-96829. de 27/06/2008, Rei. Cons. Valmir Sandri - g.n.) "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ - EXERCÍCIO: 1998 REPETIÇÃO DE INDÉBITO E COMPENSAÇÃO - ORIGEM DO CRÉDITO PLEITEADO - Restando claro que a dúvida acerca da origem do crédito pleiteado pelo contribuinte foi dissipada pelos elementos carreados aos autos, a autoridade julgadora deve, em homenagem aos princípios da verdade material e do informalismo, proceder a análise do pedido formulado. " (Acórdão n° 105-16675. de 14/09/2007, Rel. Cons. Wilson Fernandes Guimarães - neg.) "INDÉBITOS COM REQUISITOS PARA COMPENSAÇÃO DE CREDITO DE UM CONTRIBUINTE COM DEBITO DE OUTRO. VIGÊNCIA DO PRIMITIVO ART. 15 DA IN SRF 21/97. O processo administrativo fiscal é informado pelo princípio do formalismo moderado. Assim, hábil para comprovar o requerimento do pedido de compensação de crédito de um contribuinte com débito de outro, o formulário protocolado na unidade de jurisdição do contribuinte devedor no qual constem os débitos, mesmo que o segundo formulário protocolado na unidade de jurisdição do detentor do crédito não discrimine expressamente todos os débitos objeto da compensação. Recurso parcialmente provido." (Acórdão n° 106-16592. de 07/11/2007, Rei. Cons. Giovani Cristian Nunes Campos - g.n.). Nessa linha de pensamento, conclui-se que a verdade material não pode ser mitigada em face de mero erro formal no preenchimento da declaração de compensação, já que a existência do crédito pleiteado resta amplamente demonstrada. Assim sendo, impõe-se a reforma do despacho decisório, com a conseqüente homologação das compensações por esse Eg. Conselho. III. DO PEDIDO Pelo exposto, a Contribuinte espera e confia em que seja: a) reconhecida a nulidade da intimação editalícia, com a conseqüente reabertura do prazo para manifestação de inconformidade e a suspensão da exigibilidade do crédito tributário controvertido, nos termos do art. 151, II, do CTN - item "F' supra; e b) oportunizado o seu direito de defesa, diante dos argumentos despendidos no item "II" supra, requer-se o encaminhamento do processo à Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para que analise as questões controvertidas, reconhecendo a insubsistência do despacho decisório que homologou apenas em parte as compensações pretendidas, deferindo-as integralmente. Subsidiariamente, na remota hipótese de não restar confirmada a nulidade da intimação da Empresa, requer-se que os argumentos trazidos na presente manifestação, sejam apreciados de ofício pela Autoridade Administrativa competente, nos termos do art. 149, do CTN. Fl. 414DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 Por sua vez, 6ª Turma da DRJ/RPO entendeu por bem não conhecer da manifestação de inconformidade, cuja decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2006 DCOMP. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. Comprovada a regularidade da ciência por edital do despacho decisório proferido pela unidade administrativa, nos termos da legislação de regência, bem como o decurso de prazo de apresentada da manifestação de inconformidade, impõe-se não acolher a preliminar de tempestividade do requerimento interposto a destempo e afastar a admissibilidade de exame das demais contra-razões narradas no contexto da defesa. DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INTEMPESTIVIDADE. EFEITOS. Expirado o prazo para interposição da manifestação de inconformidade correlata ao despacho decisório proveniente da análise da Declaração de Compensação (DCOMP), deve ser configurada a revelia e iniciada a cobrança amigável do saldo devedor apurado pela unidade administrativa, visto que o requerimento submetido fora do prazo legal não instaura a fase litigiosa do procedimento, não suspende a exigibilidade do crédito tributário, bem como não comporta julgamento de primeira instância no âmbito administrativo, salvo se caracterizada ou suscitada a tempestividade, como preliminar. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a Recorrente apresentou recurso voluntário alegando o seguinte: “RAZÕES DE RECURSO VOLUNTÁRIO (...) A decisão, entretanto, deve ser reformada, a fim de que se reconheça a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta em 10/12/2010, bem como o direito da Recorrente ao adequado processamento da mesma, com a consequente homologação integral das compensações discutidas. É o que se demonstrará na sequência. 3. Em breve histórico processual, cumpre destacar que o presente caso diz respeito às declarações de compensação apresentadas pela Recorrente, nas quais utiliza o crédito de Saldo Negativo de IRPJ”, referente ao exercício 2007, ano-calendário 2006, no importe de R$ 132.606,39. Examinando-as, a Delegacia da Receita Federal do Brasil houve por bem em homologá- las apenas em aparte (até o limite de R$ 82.807,22). Apesar de não ter sido devidamente intimada do despacho decisório, a ora Recorrente teve ciência da situação quando da renovação de certidão de regularidade fiscal junto à DRF/CTA, e. não concordando com o entendimento da Autoridade Administrativa, a Recorrente interpôs a competente manifestação de inconformidade em 10/12/2010, demonstrando a origem e a suficiência do crédito utilizado nas compensações e requerendo a sua integral homologação. Fl. 415DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 Num primeiro momento, foi dado prosseguimento ao feito, com o reconhecimento da tempestividade da manifestação apresentada pela Contribuinte, que foi instruída com a cabível preliminar, suscitando, desde então, a nulidade da intimação por edital. Ocorre que, posteriormente, após mais de 5 (cinco) anos desde a interposição da manifestação, a insurgência da Empresa acabou sendo tida por extemporânea, partindo o v. acórdão recorrido de equivocadas premissas para decidir de tal forma. Entretanto, ao considerar intempestiva a manifestação de inconformidade, o v. acórdão recorrido acabou olvidando-se da realidade fática que circunscreve o caso concreto, apoiando-se em razões que não condizem com a hipótese, as quais, portanto, não se mantêm e merecem ser revistas/reformadas por esse Eg. Conselho 4. Conforme já esclarecido, em 10/11/2010, ao tentar renovar a sua Certidão Negativa de Débitos, a Recorrente foi surpreendida pelas seguintes restrições: PAFs nºs 10980.920722/2009- 96, 10980.920723/2009-31, 10980.920724/2009-85 e 10980.920725/2009-20 (processos de cobrança). As pendências acima referidas dizem respeito à cobrança de supostos débitos oriundos das compensações não homologadas no âmbito do presente processo administrativo- fiscal (ref. à análise do crédito). Conforme se observa dos documentos acostados à manifestação de inconformidade, a intimação da Empresa acerca do despacho decisório nº 868490366, proferido neste processo, foi levada a efeito por meio do Edital PER/DCOMP nº 2638/2010, afixado em 03/09/2010, tendo em vista que a correspondência inicialmente enviada retornou sem a devida cientificação da Contribuinte (cf. rastreamento emitido pelos Correios). Ocorre que, a intimação editalícia da Contribuinte, nos moldes em que realizada, é nula, pois não observou os requisitos legais, razão pela qual deveria ter sido considerado pela DRJ reaberto o prazo de manifestação de inconformidade. Com efeito, da documentação já integrante dos autos leva a conclusão diversa daquele em que se firmou o v. acórdão recorrido. Na realidade, verifica-se que a Receita Federal tentou cientificar a Empresa, via postal, não tendo logrado êxito, pois, segundo informado pela Empresa de Correios e Telégrafos, a mesma havia se mudado (??). Diante da informação dos Correios, ao invés de verificar o cadastro da Contribuinte e fazer nova tentativa de entrega do despacho decisório, a Receita Federal preferiu adotar a postura mais simplista e rigorosa de proceder à publicação do edital antes referido. Entretanto, mostra-se absolutamente inválida a intimação da Recorrente na forma em que perpetrada no presente caso, na medida em que, a comunicação editalícia, de natureza ficta, apenas possui cabimento subsidiário, quando frustrados os demais meios de notificação pessoal ou postal (cf. artigo 23 do Decreto nº 70.235/72). O mencionado artigo 23 estabelece que: “Art. 23. Far-se-á a intimação: I - pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II - por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; Fl. 416DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 III - por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. § 1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo, a intimação poderá ser feita por edital publicado: I - no endereço da administração tributária na internet; II - em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou III - uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. Como se vê, somente se consubstancia a legitimidade da intimação efetivada pela via editalícia, no processo administrativo fiscal, se a autoridade não lograr êxito em consumá-la pelos demais meios previstos. Afinal, cuidando o edital de forma subsidiária de intimação, cumpre ao Fisco diligenciar para a localização do devedor no processo administrativo, a fim de justificar suficientemente a publicação do edital, sob pena de nulidade dos atos subsequentes. Na presente hipótese, precedentemente à intimação por meio de edital, tentou-se a intimação por via postal, tendo a correspondência retornado, sobre a justificativa de que a Contribuinte havia se mudado. Contudo, oportuno destacar que, desde outubro/2003, a empresa possui domicílio fiscal no mesmo endereço, qual seja, Rua Mamoré, Curitiba, Paraná, CEP: 80.810- 080 (conforme documentação societária anexada aos autos, não tendo efetuado qualquer mudança nos últimos tempos, razão pela qual causa estranheza a informação constante do rastreamento do AR (“mudou-se”). As últimas declarações entregues à Receita Federal desde 2009 também já informavam adequadamente o endereço da Requerente (doc. 03 da MI), não havendo qualquer justificativa para a sua intimação via edital. A Contribuinte sempre cumpriu com seus deveres, mantendo atualizados os seus cadastros junto aos órgãos públicos, inclusive a Receita Federal do Brasil, não havendo como lhe imputar eventual intimação por edital, tendo em vista que o seu domicílio fiscal é plenamente conhecido. A conclusão do v. acórdão recorrido pela legitimidade da intimação por edital não pode prevalecer, inclusive, porque a própria decisão a quo reconhece que a correspondência havia sido enviada para o endereço da empresa constante dos cadastros da RFB. Ora, a Recorrente não nega que a intimação inicial, via postal, estivesse corretamente endereçada. Na verdade, o que houve foi que, mesmos havendo o devido endereçamento, a empresa NUNCA RECEBEU o despacho decisório! A informação constante do histórico de objeto dos Correios, de que a Empresa havia se mudado, como provado, não prospera. Se, de um lado, a Receita não pode ser prejudicada por eventual equívoco do agente postal, muito menos a Contribuinte deve arcar como enormes prejuízos que vem sofrendo pela indevida devolução do despacho decisório objeto deste processo. Fl. 417DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 Como se observa dos documentos anexos, e reforço às provas já juntadas aos autos, à exceção do despacho decisório deste feito, todas as demais correspondências enviadas pela RFB forma devidamente recebidas no mesmo endereço da Recorrente, uma vez que, conforme afirmado alhures, a mesma NÃO SE MUDOU! Ademais, cumpre destacar que a ora Requerente é emissora de rádio de Curitiba, integrante de tradicional grupo de comunicação do Estado do Paraná (GRPCOM – GRUPO PARANAENSE DE COMUNICAÇÃO, nova denominação da RPC – REDE PARANAENSE DE COMUNICAÇÃO), com endereço amplamente conhecido e divulgado. Portanto, in casu, não se configurou o pressuposto para a intimação por edital, pois existe autorização legal para tanto apenas quando a cientificação pessoal (via postal) se mostrar impossível por qualquer motivo. Não há como considerar subsistente, porém, a intimação enviada pela Receita Federal e não entregue pelos Correios sob a justificativa de a Contribuinte havia se mudado, já que o seu domicílio fiscal continua sendo o mesmo. A notificação por edital constitui exceção à regra de notificação pessoal, cabível somente quando o contribuinte estiver em lugar incerto e não sabido. Não é possível presumir tal fato antes de empreender diligências para localizá-lo. A autoridade administrativa tem o dever de cientificar o contribuinte no seu domicílio, mormente quando esse dado está a seu alcance, cabendo-lhe proceder a novas tentativas para encontrar o atual endereço. Não pode tratar esse requisito fundamental do procedimento administrativo como se fosse exigência meramente formal. Corroborando o exposto, merecem destaque recentes decisões do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, assim ementadas: (...) E, situações como a presente, demonstrado o equívoco na tentativa de intimação pessoal do Contribuinte, a intimação por edital é nula, devendo o feito retornar à origem para reexame do mérito da manifestação de inconformidade. Nesse mesmo sentido já decidiu esse Eg. CARF/MF ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/05/2003 DESPACHO DECISÓRIO. TEMPESTIVIDADE. LITÍGIO.INSTAURAÇÃO. DECISÃO RECORRIDA. NULIDADE Provada a tempestividade da manifestação de inconformidade interposta pela recorrente, anula-se a decisão de primeira instância que equivocadamente dela não conheceu, para que outra seja proferida pela autoridade julgadora de primeiro grau, enfrentando as questões de mérito, expendidas naquela manifestação.”– g.n. (Acórdão nº 3301-00.908, de 02/05/2011, Rel.Cons. JOSÉ ADÃO VITORINO DE MORAIS) Portanto resta claro que a intimação por edital levada a efeito no presente processo é invalida, devendo ser anulados todos os atos praticados desde a expedição do despacho decisório, com a consequente reabertura do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 418DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 Reaberto o prazo, e tendo em vista a apresentação da manifestação de inconformidade em 10/12/2010, a sua tempestividade é inquestionável, o que espera seja reconhecido pelos Ilustres Conselheiros, com a anulação do v. acórdão recorrido e o regular processamento da manifestação de inconformidade (julgamento do mérito pela DRJ). 5. PELO EXPOSTO e com os suprimentos de Vossas Senhorias, a Recorrente espera seja provido o presente recurso, anulando-se o v. acórdão recorrido, nos termos da fundamentação antes deduzida, ao efeito de que a manifestação de inconformidade tenha o seu adequado processamento. É o relatório. Voto Conselheiro Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça, Relatora. O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, inclusive para os fins do inciso III, do art. 151 do Código Tributário Nacional. Assim, dele tomo conhecimento. Conforme já relatado, a DRJ não conheceu da Manifestação de Inconformidade, por considera-la. intempestiva. Dessa forma, concluiu que não houve a instauração da fase litigiosa administrativa fiscal, fundamentado no fato de que a Recorrente teria sido regulamente intimada por edital, tendo em vista que a respectiva intimação por via postal teria retornado sem cumprimento, em virtude de mudança de endereço. Por outro lado, a Recorrente discorda da decisão de piso visto que, segundo suas alegações “mostra-se absolutamente inválida a intimação da Recorrente na forma em que perpetrada no presente caso, na medida em que, a comunicação editalícia, de natureza ficta, apenas possui cabimento subsidiário, quando frustrados os demais meios de notificação pessoal ou postal (cf. artigo 23 do Decreto nº 70.235/72)”. De acordo com a Recorrente, ainda, “desde outubro/2003”, a empresa possui domicílio fiscal no mesmo endereço, qual seja, Rua Mamoré, Curitiba, Paraná, CEP: 80.810-080 (conforme documentação societária anexada aos autos, não tendo efetuado qualquer mudança nos últimos tempos, razão pela qual causa estranheza a informação constante do rastreamento do AR (“mudou-se”). Inclusive, suas últimas declarações entregues à Receita Federal desde 2009 também já informavam adequadamente o endereço da Recorrente, consoante documentos carreados aos autos, não havendo qualquer justificativa para a sua intimação via edital. Segue trecho dos argumentos da Recorrente Fl. 419DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 Como se observa dos documentos anexos, e reforço às provas já juntadas aos autos, à exceção do despacho decisório deste feito, todas as demais correspondências enviadas pela RFB forma devidamente recebidas no mesmo endereço da Recorrente, uma vez que, conforme afirmado alhures, a mesma NÃO SE MUDOU! Ademais, cumpre destacar que a ora Requerente é emissora de rádio de Curitiba, integrante de tradicional grupo de comunicação do Estado do Paraná (GRPCOM – GRUPO PARANAENSE DE COMUNICAÇÃO, nova denominação da RPC – REDE PARANAENSE DE COMUNICAÇÃO), com endereço amplamente conhecido e divulgado. Portanto, in casu, não se configurou o pressuposto para a intimação por edital, pois existe autorização legal para tanto apenas quando a cientificação pessoal (via postal) se mostrar impossível por qualquer motivo. Não há como considerar subsistente, porém, a intimação enviada pela Receita Federal e não entregue pelos Correios sob a justificativa de a Contribuinte havia se mudado, já que o seu domicílio fiscal continua sendo o mesmo Compulsando os autos, entendo razão assistir à Recorrente. Explique-se. Constou no acórdão de piso que, nos temos de consulta efetuada no sistema SUCOP da Secretaria da Receita Federal do Brasil, houve tentativa de ciência por via postal do despacho decisório mediante expedição de correspondência destinada ao domicílio tributário eleito da Recorrente, porém, o documento foi devolvido e o motivo da devolução foi por mudança. Há se observar que o endereço constante no AR foi Rua Mamore, S/N, Bairro Merces, Curitiba, CEP 80510160: Assim, diante do resultado improfícuo da iniciativa da autoridade administrativa em notificar o sujeito passivo por intermédio do meio de intimação referido no art. 23, inciso II do Decreto nº 70.235, de 1972, a ciência do despacho decisório acabou sendo firmada legalmente mediante afixação de Edital no âmbito da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba/PR mantida no período de 03/09/2010 a 18/09/2010 (fl. 106). Fl. 420DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 Entretanto, de acordo com suas alegações, a Recorrente nunca mudou de endereço, em todas as suas declarações fiscais constam esse mesmo endereço (Rua Mamore, S/N, Bairro Merces, Curitiba, CEP 80510160), além do que, por ser integrante de tradicional grupo de comunicação do Estado do Paraná (GRPCOM - GRUPO PARANAENSE DE COMUNICAÇÃO, nova denominação da RPC - REDE PARANAENSE DE COMUNICAÇÃO), esse seu endereço amplamente conhecido e divulgado. Ocorre que o resultado do julgamento proferido pela DRJ, em que a Manifestação de Inconformidade não foi conhecida pela Turma por suposta intempestividade, foi encaminhado para ciência da Recorrente, para endereço praticamente semelhante, porém, o CEP está diferente, visto agora ter sido incluído o CEP correto, ou seja, o de nº 80.810-080: Assim, desta vez não houve devolução do objeto (pelo motivo de Mudança), pelo contrário, a ciência da decisão pela Recorrente ocorreu normalmente de forma profícua e o competente Recurso Voluntário, que ora se analisa, fora interposto tempestivamente. Afinal, o CEP estava correto. Acrescente-se a isso o fato de suas que em suas declarações fiscais (juntadas aos autos por ocasião da Manifestação de Inconformidade, bem como quando do Recurso Voluntário), constante o referido enderenço. Por conseguinte, torna-se inválida a intimação da Requerente na forma em que perpetrada no presente caso, na medida em que, a comunicação editalícia, de natureza ficta, apenas possui cabimento subsidiário, quando frustrados os demais meios de notificação pessoal ou postal (artigo 23 do Decreto n° 70.235/72). Desta forma, não se nega a regularidade e a expressa previsão legal de realização de intimação das partes por edital, entretanto esse procedimento somente se justifica após a caracterização irrefutável da tentativa frustrada de intimação do contribuinte por meio das outras modalidades previstas na norma, não se exigindo o esgotamento de todas elas. Fl. 421DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 17 do Acórdão n.º 1003-002.707 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10980.916793/2009-94 No contexto do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 é facultado ao sujeito ativo da relação tributária a possibilidade de utilização de três formas ordinárias de intimação: pessoal, postal e eletrônica, e deixa claro que a quarta modalidade intimação edilícia é forma excepcional de comunicação com o contribuinte. No caso concreto entendo que este requisito foi vencido, já que está amplamente demonstrado que a Recorrente não mudou de endereço, tanto é verdade que houve a efetiva ciência da decisão da DRJ encaminhada para o mesmo endereço. Logo, a Recorrente não pode ser prejudicada com o referido equívoco, devendo- lhe ser garantido o exercício do contraditório e da ampla defesa. Assim sendo, deve haver o retorno dos autos à DRJ/POR para que a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente seja apreciada. Ante o exposto, voto pela procedência do recurso analisado. (documento assinado digitalmente) Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça Fl. 422DF CARF MF Documento nato-digital
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