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Numero do processo: 10831.005395/00-45
Data da sessão: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed May 20 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS
Data do fato gerador: 29/11/1996, 23/12/1997
"EX" TARIFÁRIO. MÁQUINA BKA3.
A máquina importada BKA3 não pode usufruir da aliquota prevista no "ex" ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n° 313/95 - "Ex" 008), uma vez que há impossibilidade de desmembramento do valor aduaneiro da sua estação de corte.
"EX" TARIFÁRIO. MÁQUINA BKA2.
A máquina importada BKA2 produz todas as peças previstas nos "ex" ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n° 279/96, alterada pelas Portarias MF n° 86/97 e 127/97 - "Ex" 009).
MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES.
A descrição correta das mercadorias importadas afasta a multa do controle administrativo das importações, ao teor do ADN COSIT n° 12/97.
Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
Numero da decisão: 3102-00.234
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
Nome do relator: Corintho Oliveira Machado
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ementa_s : CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/11/1996, 23/12/1997 "EX" TARIFÁRIO. MÁQUINA BKA3. A máquina importada BKA3 não pode usufruir da aliquota prevista no "ex" ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n° 313/95 - "Ex" 008), uma vez que há impossibilidade de desmembramento do valor aduaneiro da sua estação de corte. "EX" TARIFÁRIO. MÁQUINA BKA2. A máquina importada BKA2 produz todas as peças previstas nos "ex" ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n° 279/96, alterada pelas Portarias MF n° 86/97 e 127/97 - "Ex" 009). MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. A descrição correta das mercadorias importadas afasta a multa do controle administrativo das importações, ao teor do ADN COSIT n° 12/97. Recurso Voluntário Provido Parcialmente.
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TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10831.005395/00-45 Recurso n° 137.488 Voluntário Acórdão n° 3102-00.234 — 1' Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2009 Matéria CLASSIF FISCAL Recorrente A. FRIEDBERG DO BRASIL IND. E COM. LTDA. Recorrida DRJ-São Paulo/SP ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Data do fato gerador: 29/11/1996, 23/12/1997 "EX" TARIFÁRIO. MÁQUINA BKA3. -- A máquina importada BKA3 não pode usufruir da aliquota prevista no "ex" ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n° 313/95 - "Ex" 008), uma vez que há impossibilidade de desmembramento do valor aduaneiro da sua estação de corte. 1 "EX" TARIFÁRIO. MÁQUINA BKA2. A máquina importada BKA2 produz todas as peças previstas nos "ex" ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n° 279/96, alterada pelas Portarias MF n° 86/97 e 127/97 - "Ex" 009). MULTA DO CONTROLE ADMINISTRATIVO DAS IMPORTAÇÕES. A descrição correta das mercadorias importadas afasta a multa do controle administrativo das importações, ao teor do ADN COSIT n° 12/97. Recurso Voluntário Provido Parcialmente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. i.1-1_, .,..,-.Là. g„... ,....,. M b IA H L N 1/47' JANO DAMORIM - Presidente I 1 CORINTHO OLI 7 a MACHADO - Relator ' r 1 Processo n° 10831.005395/00-45 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.234 Fl. 478 EDITADO EM: 09/09/2009 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Mércia Helena Traj ano Damorim, Corintho Oliveira Machado, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Marcelo Ribeiro Nogueira, Beatriz Veríssimo de Sena, Ricardo Paulo Rosa, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Judith do Amaral Marcondes Armando. Relatório Adoto o relato do órgão julgador de primeira instância até aquela fase: Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo interessado, a fiscalização constatou o emprego indevido de "Ex" tarifário nas declarações de importação 143595, de 29/11/96, e 1206178-7, de 23/12/97, e declaração inexata do valor do frete. OS "ex" discutidos são os seguintes: Para a declaração de importação 143595/96, o "Ex" 008 ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n2 313/95) — "Ex" 008 – Máquina para estampar, universal, para a produção de parafusos, esferas, rebites, porcas e semelhantes, excluída a estação de corte, com duas matrizes e diâmetro de corte maior que 14 mm, ou com três matrizes e diâmetro de corte maior que 8 mm, ou com quatro ou mais matrizes e sem limitação do diâmetro de corte, para aço alto, médio e baixo carbono, aço inoxidável, alumínio e latão; Para a declaração de importação 97/1206178-7, o "Ex" 009 ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n2 279/96, alterada pelas Portarias MF n2 86/97 e 127/97) — "Ex" 009 – Máquina para estampar, universal, para produção de parafusos, esferas, rebites e semelhantes, com mais de duas matrizes. Foram lavrados autos de infração para a constituição de oficio de créditos referentes ao imposto sobre a importação e ao imposto sobre produtos industrializados, seus juros de mora e multas de oficio, e também para o lançamento da multa por importação sem guia de importação ou documento equivalente. Em síntese, a autuação está fundada nos seguintes elementos: - os equipamentos importados BKA2 e BKA3 não são capazes, por si sós, de produzirem parafusos ou qualquer outro artefato roscado. A rosca é produzida em equipamento diverso; - a máquina BKA3, importada pela declaração de importação 143595/96, possui estação de corte, o que é vedado pelo texto do "Ex" 008 ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n 2 313/95); 2 Processo n° 10831.005395/00-45 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.234 Fl. 479 - as máquinas produzem apenas os itens apresentados nos catálogos, não sendo capazes de produzir esferas nem porcas. Intimada em 28/07/00, a interessada apresentou a impugnação de fls. 200 e ss., em 25/08/00, na qual alega, em síntese: Em preliminar, decadência, sob o argumento de que o enquadramento em "ex" tarif'ário é matéria atinente à classificação fiscal, a qual se sujeita ao prazo decadencial de cinco dias. Cita decisões judiciais. No mérito, as máquinas se enquadram nos "ex" tarifários em pauta, pelas seguintes razões: - as máquinas compreendidas no "ex" 008 (Portaria MF n2 313/95, máquina importada pela declaração de importação 143595/96) não são máquinas para a produção direta de parafusos mas, sim, máquinas para estampar, como etapa da produção de parafusos e, ainda, máquinas para a produção de produtos semelhantes a parafusos, esferas, rebites e porcas; - argumenta que um parafuso, mesmo sem a rosca, já possui a característica essencial do produto acabado, sendo enquadrável no código da nomenclatura correspondente ao produto acabado, conforme a Regra Geral de Interpretação 2 a) do Sistema Harmonizado; - não se pode admitir a interpretação de que a máquina enquadrada no "ex" 008 possa ter a aplicação a que se destina sem a estação de corte, pois esta é absolutamente necessária para a secção da chapa bruta afim de dar início à fabricação do parafuso. Interpreta-se que o "ex" identifica máquina que, além da estação de corte, possui duas matrizes; - com relação à máquina importada pela declaração de importação 97/1206178-7, para a qual foi pleiteado o "ex" 009 da Portaria MF n2 279/96, a argumentação é a mesma; Não procede a aplicação da multa prevista no artigo 526, inciso II, do Regulamento Aduaneiro porque não há divergência de descrição entre as mercadorias importadas e os documentos de importação. A impugnante solicita a realização de perícia técnica, formulando quesito às fls. 206. Não questiona a exigência tributária relativa ao ajuste do valor do frete. Foi juntado às fls. 233 DARF relativo ao recolhimento de diferença de imposto sobre produtos industrializados e acréscimos —juros e multa — resultantes da inclusão no valor aduaneiro da declaração de importação 143595/96 do valor do frete. Esta turma decidiu converter o julgamento em diligência, nos ' termos da Resolução 501, de 26/07/05, solicitando perícia, formulados os quesitos de fls. 236-8. 3 Processo n° 10831.005395/00-45 S3-CIT2 Acórdão n.° 3102-00.234 Fl. 480 Retornaram os autos com os documentos juntados às fls. 245- 327. Intimada da diligência, a impugnante manifestou-se às fis. 331- 3, alegando que os esclarecimentos prestados pelo assistente técnico confirmam que as máquinas se enquadram nos "ex": - respondeu o perito que as máquinas destinam-se à produção de artefatos dos tipos "pinos, parafusos, esferas e afins", bem como rebites e porcas; - os "ex" não mencionam a questão da rosca e o perito informou que a maioria das máquinas pesquisadas produz parafusos e porcas sem a rosca, operação a cargo de equipamento mais simples; - a estação de corte é equipamento essencial ao equipamento, destacando o perito que não encontrou máquinas que funcionem sem a estação; - o perito entendeu corretas as descrições dos equipamentos nas declarações de importação. A DRJ em SÃO PAULO II/SP julgou procedente o lançamento, fls. 342 e seguintes, ficando a decisão assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Importação -II Data do fato gerador: 29/11/1996, 23/12/1997 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LANÇAMENTO. PARCELA INCONTROVERSA. Ausente impugnação, não se estabelece o litígio. Compete à repartição de origem verificar a suficiência do pagamento efetuado e adotar as providências cabíveis. "EX" TARIFÁRIO. As máquinas importadas não produzem todas as peças previstas nos "ex" ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n2 313/95 — "Ex" 008 e Portaria MF n2 279/96, alterada pelas Portarias MF n 2 86/97 e 127/9 7 — "Ex" 009). MULTA ADMINISTRATIVA. IMPORTAÇÃO DESAMPARADA DE GUIA DE IMPORTAÇÃO OU DOCUMENTO EQUIVALENTE. Descrição incorreta do produto. Configurada a falta de licença de importação. MULTA DE OFÍCIO. DECLARAÇÃO INEXATA. CABIMENTO. Descrição incorreta da mercadoria. Lei n 2 9.430/96, artigo 44, I. Ato Declaratório Normativo Cosit n2 10/97. Lançamento Procedente. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário, fls. 368 e seguintes, onde, sem preliminares, basicamente reprisa os argumentos alinhavados quando da impugnação e aduz que não entende a decisão de primeira' instância, porquanto a perícia foi categórica em dizer que as máquinas estavam descritas 4 , Processo n° 10831.005395/00-45 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.234 Fl. 481 perfeitamente nas respectivas Declarações de Importação, e infirmou o quanto dissera a fiscalização - que as máquinas não eram capazes de produzir esferas nem porcas; e mais, também foi esclarecedora ao mencionar que é impossível suprimir a estação de corte, pois isso tornaria a operação do equipamento inviável. Nesse sentido, o EX não pode ser interpretado como vedando a existência da estação de corte na máquina, e sim da forma mais lógica, a saber, que em não integrando a máquina, a estação de corte não se enquadra no EX. A Repartição de origem, após cancelar o Termo de Perempção, e considerando que está presente o arrolamento de bens, encaminhou os presentes autos para este Conselho, consoante despacho de fls. 413. Em 19 de maio de 2008, por unanimidade de votos, acolheu-se a preliminar para converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem, argüida pelo Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, para que a unidade de jurisdição obtenha o valor aduaneiro da estação de corte, por meio de intimação ao contribuinte ou outro meio que julgar adequado, observados os preceitos legais, cientificando-o de que a impossibilidade de atendimento do requerido terá como conseqüência a tributação do equipamento sem a redução de aliquota prevista no "Ex". Levada a efeito a diligência, fls. 426 e seguintes, com a resposta da recorrente de que é inviável proceder ao desmembramento do valor da máquina, uma vez que fora adquirida como um todo, inclusive juntando documentos comprobatórios do asseverado, retorna o expediente a este Terceiro Conselho de Contribuintes, para julgamento, fl. 476. Relatados, passo ao voto. 5 Processo n° 10831.005395/00-45 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.234 Fl. 482 Voto Conselheiro CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Relator O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. In limine, cumpre dizer que após a concordância da impugnante com a exigência tributária relativa ao ajuste do valor do frete, inclusive juntando aos autos o recolhimento da diferença de imposto sobre produtos industrializados e acréscimos, a discussão remanescente gira em torno da aplicação de dois EX tarifários a duas máquinas importadas pela recorrente. O lastro para a glosa dos EX tarifários é sumariamente o seguinte: - vedação à existência de estação de corte, no caso da máquina BKA3 - EX 008; - máquinas não produzem esferas nem porcas; - máquinas produzem apenas esboço de parafusos (sem rosca). Pois bem, em virtude de uma das máquinas estar sendo enquadrada no "Ex" 008 ao código NCM 8462.10.90 (Portaria MF n° 313/95) - Máquina para estampar, universal, para a produção de parafusos, esferas, rebites, porcas e semelhantes, excluída a estação de corte com duas matrizes e diâmetro de corte maior que 14 mm, ou com três matrizes e diâmetro de corte maior que 8 mm, ou com quatro ou mais matrizes e sem limitação do diâmetro de corte, para aço alto, médio e baixo carbono, aço inoxidável, alumínio e latão; houve o entendimento da Câmara que o "Ex" não valeria para a estação de corte da máquina, e, portanto, haveria que se encontrar o valor aduaneiro daquela, sob pena de se tributar a máquina toda. Nesse sentido, foi proposta e deliberada diligência, a qual teve como desfecho, na resposta da própria recorrente, a impossibilidade de desmembramento do valor da máquina, uma vez que fora adquirida como um todo. O que tem por conseqüência, consoante advertido na Resolução desta Câmara, a tributação do equipamento sem a redução de aliquota prevista no Com isso, vislumbro mantido o óbice à aplicação do EX 008 à máquina BKA3. Relativamente à máquina BKA2 (enquadrada no Ex 009 ao código NCM 8462.10.90), e a sua incapacidade para a produção de esferas, porcas e parafusos, impõe-se dizer que o Laudo foi taxativo no sentido de que as máquinas são capazes de produzir esferas, e isso também foi referido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento; no que diz com os parafusos e porcas, o problema reside na exegese da letra da lei, pois a auditoria- fiscal entende que a máquina deveria produzir parafusos e porcas totalmente acabados (com rosca), e a recorrente defende que mesmo sem rosca os produtos que as máquinas fabricam são' 6 Processo n° 10831.005395/00-45 S3-C1T2 Acórdão n.° 3102-00.234 Fl. 483 ' parafusos e porcas inacabados, e como tal devem ser considerados, pois apenas falta-lhes a rosca, que é feita em outra máquina, por ser comercialmente mais favorável. Depois de meditar sobre qual seria a melhor interpretação para o EX tarifário em tela, optei por dar razão à recorrente, por dois motivos, um de ordem econômica e outro de ordem jurídica. Pelo lado econômico, os EX tarifários visam beneficiar o setor que produz "parafusos, esferas, rebites, porcas e semelhantes", ou seja, ele deve ser interpretado de maneira a favorecer o setor, e não prejudicá-lo. O laudo, fl. 305, ao responder a pergunta - Há máquina para estampar, universal, apta à produção de parafusos, esferas, rebites, porcas e semelhantes que não possua estação de corte? - diz ser a produção de peças já roscadas "comercialmente inviável" quando se trabalha com diversidade de peças, como é o caso da maioria dos produtores. Então eu não posso interpretar um EX tarifário que inviabilize a atividade da maioria do setor que o Estado (outorgante do EX tarifário) pretende beneficiar. Juridicamente, entendo que mesmo a interpretação literal do EX tarifário contempla a aplicação deste à máquina em tela, pois ela, comprovadamente (mediante laudo técnico) é máquina para estampar, universal (pode produzir qualquer tipo de peça estampada), e serve para a produção de parafusos, esferas, rebites, porcas e semelhantes. Em lugar algum do EX tarifário consta que os parafusos, esferas, rebites, porcas e semelhantes devem estar totalmente "acabados", como quer o Fisco. Dito isso, devo aclarar que apesar de uma das máquinas (BKA3) não poder ser classificada no Ex 008 apontado, as duas máquinas foram corretamente descritas nas Declarações de Importação, e a parte do auto de infração alusiva às multas do controle administrativo de ambas as máquinas merece ser cancelada, pois aplica-se o teor do ADN COSIT n° 12/97. Ante o exposto, voto por PROVER PARCIALMENTE o recurso voluntário, para aceitar a aplicação do Ex 00 ao código NCM 8462.10.90 para a máquina BKA2, e exonerar as multas do controle adm . istri, Avo. 1 / n f vi iI CORINTHO OL i MACHADO , 7
score : 1.0
Numero do processo: 11040.001941/2001-08
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 1997
ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO, COMPENSAÇÃO OU PARCELAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO EM DCTF. DEFINITIVIDADE Não há como subsistir lançamento de débito que foi objeto de parcelamento devidamente quitado pelo contribuinte antes do auto de infração.
Numero da decisão: 2202-001.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes.
Matéria: DCTF_IRF - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRF)
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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DEFINITIVIDADE Não há como subsistir lançamento de débito que foi objeto de parcelamento devidamente quitado pelo contribuinte antes do auto de infração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos do relator. (assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (assinado digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Rafael Pandolfo, Antonio Lopo Martinez, Odmir Fernandes, Pedro Anan Junior e Nelson Mallmann (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Helenilson Cunha Pontes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 04 0. 00 19 41 /2 00 1- 08 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 2 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11040.001941/200108 Acórdão n.º 2202001.980 S2C2T2 Fl. 204 3 Relatório Tratase de auto de infração, lavrado para exigir o pagamento de débitos de IRRF cujo pagamento, compensação ou parcelamento, informado em DCTF, não foi confirmado. Foram também lançados multa de mora isolada, juros de mora isolados e multa de oficio isolada. A autuada impugnou, alegando ter já ter parcelado ou pago o IRRF. Alega que os acréscimos isolados são indevidos, porque os pagamentos foram feitos no vencimento dos débitos, juntando, como prova, cópias de DCTF e de Darf. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre, ao examinar o pleito decidiu por unanimidade em dar provimento parcial a impugnação, através da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE DE NORMA MAIS BENIGNA. Cancelase a multa de oficio isolada, uma vez que seu fundamento legal foi derrogado por legislação superveniente ao lançamento. MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. CANCELAMENTO. RETROATIVIDADE DE NORMA MAIS BENIGNA Cancelase a multa de oficio vinculada, uma vez que seu fundamento legal foi derrogado por legislação superveniente ao lançamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 FALTA DE CONFIRMAÇÃO DE PAGAMENTO, COMPENSAÇÃO OU PARCELAMENTO INFORMADO EM DCTF. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. A legislação tributaria previa, no período de apuração, em questão o lançamento de oficio dos créditos tributários cujo pagamento, compensação ou parcelamento informados em DCTF não fossem confirmados. Fl. 232DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR 4 ALEGAÇÃO DE PAGAMENTO, COMPENSAÇÃO OU PARCELAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO DECLARADO EM DCTF. DEFINITIVIDADE Tornase definitivo, no âmbito administrativo, o lançamento do crédito tributário cuja existência não é contestada, limitandose a impugnação a alegar que já ele já foi pago, compensado ou parcelado; os valores eventualmente pagos, compensados ou parcelados devem ser levados em conta para apuração do saldo devido, inclusive dos acréscimos legais. MULTA DE MORA ISOLADA E JUROS DE MORA ISOLADOS. Cancelase o lançamento desses acréscimos legais na parte que a documentação trazida na impugnação comprovou que eles são indevidos. Devidamente cientificada dessa decisão o contribuinte apresenta tempestivamente recurso voluntário, onde alega em síntese que o valor objeto do lançamento remanescente no valor de R$ 139.138,75, foi objeto de parcelamento de débito, protocolado em 11 de março de 2007, portanto requer o cancelamento do débito. É o relatório Fl. 233DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR Processo nº 11040.001941/200108 Acórdão n.º 2202001.980 S2C2T2 Fl. 205 5 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade portanto deve ser conhecido. Tratase de lançamento de ofício para exigir o pagamento de débitos de IRRF cujo pagamento, compensação ou parcelamento, informado em DCTF, não foi confirmado. Foram também lançados multa de mora isolada, juros de mora isolados e multa de oficio isolada. A DRJ conheceu parcialmente a impugnação apresentada pela Recorrente, e remanesce a ser apreciado por esse colegiado o débito de R$ 139.138,75. Segundo a Recorrente tal valor foi objeto de parcelamento de débito devidamente concedido pela administração pública em 11 de março de 2007, em 29 parcelas. Podemos observar que o parcelamento do débito foi efetuado em 11 de março de 2007, antes do lançamento de ofício objeto da nossa lide. Ao analisar os autos, verifiquei que o débito objeto do parcelamento de débito requerido pelo Recorrente foi devidamente quitado em 16 de junho de 1998 (fls. 135 a 148). Portanto antes do lançamento de ofício objeto da nossa análise. Nesse sentido, como o lançamento foi efetuado após a quitação do débito pela Recorrente, entendo que não há razões do mesmo subsistir. Dessa forma, conheço do recurso e no mérito dou provimento. (Assinado Digitalmente) Pedro Anan Junior Relator Fl. 234DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR, Assinado digitalmente em 12/09/2012 po r NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por PEDRO ANAN JUNIOR
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Numero do processo: 13888.000011/2001-92
Data da sessão: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Oct 19 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 15/07/1999 a 29/06/2000
A inserção do gás liqüefeito de petróleo - GLP na substituição tributária exigida das refinarias de petróleo no cálculo e no recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins pela MP n- 1.858-6/99 também inseriu os adquirentes, pessoas jurídicas consumidores finais, no direito à restituição da parcela da substituição tributária, correspondente à contribuição que seria devida pelo comerciante varejista, em face da não realização do fato gerador presumido, consoante a IN SRF n- 06/99.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 3301-000.294
Decisão: ACORDAM OS membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à restituição/compensação da Cofins paga sob o regime de substituição tributária no período de 28/09/1999 a 30/06/2000, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Maurício Taveira e Silva e Carlos Alberto Donassolo (Suplente) que negavam provimento ao recurso. O Conselheiro José Adão Vitorino de Morais declarou-se impedido
Matéria: Cofins- proc. que não versem s/exigências de cred.tributario
Nome do relator: Antônio Lisboa Cardoso
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 15/07/1999 a 29/06/2000 A inserção do gás liqüefeito de petróleo - GLP na substituição tributária exigida das refinarias de petróleo no cálculo e no recolhimento da contribuição para o PIS e da Cofins pela MP n- 1.858-6/99 também inseriu os adquirentes, pessoas jurídicas consumidores finais, no direito à restituição da parcela da substituição tributária, correspondente à contribuição que seria devida pelo comerciante varejista, em face da não realização do fato gerador presumido, consoante a IN SRF n- 06/99. Recurso Provido em Parte
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Numero do processo: 10380.009930/2004-97
Data da sessão: Thu May 14 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003.
Ementa:
IRPJ - MULTA ISOLADA - DECORRÊNCIA - CUMULATIVIDADE - Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício, mormente quando já lançada a multa de oficio sobre o imposto apurado com base no lucro real anual, bem corno, ter o tributo que a originou já sido exonerado por esta E. Câmara.
Numero da decisão: 1101-000.071
Decisão: ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, tendo em vista a exoneração do lançamento que ensejou a aplicação da multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Valmir Sandri
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ementa_s : IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. Ementa: IRPJ - MULTA ISOLADA - DECORRÊNCIA - CUMULATIVIDADE - Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício, mormente quando já lançada a multa de oficio sobre o imposto apurado com base no lucro real anual, bem corno, ter o tributo que a originou já sido exonerado por esta E. Câmara.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2009-08-25T20:45:34Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2009-08-25T20:45:34Z; Last-Modified: 2009-08-25T20:45:34Z; dcterms:modified: 2009-08-25T20:45:34Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; Last-Save-Date: 2009-08-25T20:45:34Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2009-08-25T20:45:34Z; meta:save-date: 2009-08-25T20:45:34Z; pdf:encrypted: false; modified: 2009-08-25T20:45:34Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2009-08-25T20:45:34Z; created: 2009-08-25T20:45:34Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2009-08-25T20:45:34Z; pdf:charsPerPage: 1318; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2009-08-25T20:45:34Z | Conteúdo => • CCO I /CO Fls. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA -retti:14k- PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES -~ PRIMEIRA CÂMARA • Processo n° 10380.009930/2004-97 Recurso n° 157.714 Voluntário Matéria Multa Isolada - EX: DE 2000, 2001, 2002, 2003 e 2004. Acórdão n° 1101-00.071 Sessão de 14 de maio de 2009 .Recorrente M DIAS BRANCO INDÚSTRIA DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida 43: TURMA/DM-FORTALEZA-CE ASSUNTO: IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. Ementa: IRPJ - MULTA ISOLADA - DECORRÊNCIA - CUMULATIVIDADE - Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício, mormente quando já lançada a multa de oficio sobre o imposto apurado com base no lucro real anual, bem corno, ter o tributo que a originou já sido exonerado por esta E. Câmara. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da primeira câmara do primeiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao recurso voluntário, tendo em vista a exoneração do lançamento que ensejou a aplicação da multa, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o present .ulgado. ANT0111 P G 13 ' Si WENTE Lieen ara•-_-" - S—• I - G FORMALIZADO EM: o 7 AH 2009 Processo n° 10380.009930t2004-97 CCOUCO I Acórdão n.° 1101-00.071 F. 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Sandra Maria Faroni, Valmir Sandri, João Carlos de Lima Junior, José Ricardo da Silva, Aloysio José Percínio da Silva, José Sérgio Gomes (Suplente convocado), Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (Vice Presidente) e Antonio Praga (Presidente) Relatório M DIAS BRANCO INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA., já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 4' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza - CE, que por unanimidade de votos, JULGOU procedente em parte o lançamento efetuado, para reduzir a multa isolada para o montante de R$ 1.499158,84. De acordo com a autoridade administrativa, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, efetuado junto ao estabelecimento da contribuinte, no qual a fiscalização constatou divergências entre os valores declarados/pagos e os escriturados pela contribuinte, gerando falta de pagamento da Contribuição Social incidente sobre a base de cálculo estimada em função de balanços de suspensão ou redução. Nos quadros demonstrativos de fls. 12/17 foi apurado o correto valor da CSLL tomando como partida a base de cálculo apurada pelo sujeito passivo e informada nas Fichas 29/01 (DIPJ/99-CISÃO) e 16/01 (DM. 2000 a 2004), acrescida de subvenções de incentivos fiscais estaduais (PROVIM e PROADI), cujos detalhes encontram-se discriminados às fls. 04/06. Dessa forma, foi lavrados o Auto de Infração contra a contribuinte para exigir a multa isolada no valor de R$ 5.581.334,63, em função do pagamento a menor das estimativas recolhidas a título de CSLL, relativos aos anos calendários compreendidos entre 1999 e 2003. Cientificada do lançamento em 29.10.2004, a Contribuinte apresentou em 30.11.2004, sua impugnação às fls. 89/109, juntando, ainda, os documentos de fls. 110/436, alegando em síntese o que se segue: Preliminarmente, requer seja declarada a nulidade da multa isolada referente aos fatos geradores ocorridos entre janeiro e setembro de 1999, por entender que estes créditos foram atingidos pela decadência do direito da Fazenda Pública em constituí-los, nos termos do art. 150, §4° do CTN. Afirma que a multa ora exigida está sendo cobrada em duplicidade, uma vez que sobre a mesma base e sobre o mesmo período foi exigida multa de oficio no percentual de 75%, nos autos do Processo Administrativo n° 10380.09931/2004-31, fls. 214/238. Objetivando demonstrar que a multa isolada e a multa de oficio não podem ser exigidas cumulativamente transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes. A título de argumentação, esclarece que ainda que fosse devida a multa isolada, esta não poderia ter sido calculada sobre a base de cálculo da CSLL paga por estimativa mês a mês, em adiantamento, como feito no auto de infração ora guerreado, mas 2 Processo n°10380.009930/2004-97 CC01/001 Acórdão n.° 1101-00.071 Fls. 3 apenas de acordo com o lucro da empresa ao final do exercício financeiro. Corroborando seu entendimento transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes. No mérito, destaca que uma vez comprovado que não houve irregularidade na contabilização das subvenções de investimento concedidas pelo PROVIN e PROAD como isentas para fins da CSLL, também a multa isolada não merece prosperar. - Tendo em vista que o auto de infração que deu origem ao presente processo é reflexo do auto de infração objeto do Processo n° 10380.09931/2004-31, requer o julgamento conjunto desses autos de infração. Passa, então, a discorrer sobre o chamado Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará — FDI, esclarecendo que este Fundo destina-se a custear os incentivos concedidos através do Programa de Incentivo ao Funcionamento de Empresas — PROV1N. O PROV1N representa um incentivo do Governo do Ceará para estimular à instalação, ampliação ou modernização de parques fabris no Estado. Este incentivo consiste em concessão de empréstimos por meio do Banco do Estado do Ceará — BEC, com recursos advindos do FDI. Os recursos do FDI provêm de parte da arrecadação do Imposto sobre Operações de Circulação de Mercadorias — ICMS. A característica fundamental deste beneficio é a sua finalidade de estimular o crescimento e modernização do setor industrial do Ceará; Prossegue afirmando que o PROVIN se utiliza de recursos do FDI, conforme se observa do Contrato de Mútuo em favor da Empresa Comercial e Industrial de Produtos Vegetais Ltda. e seus aditivos (Contrato 44.0070/4) e Contrato em favor de M. Dias Branco S/A — Comércio e Indústria — Divisão GME e seus aditivos (Contrato 33.0321). Em ambos os contratos o BEC atua como órgão gestor do FDI, em favor e em beneficio do desenvolvimento do setor industrial do Estado- do Ceará; Destaca que os objetivos do FDI e dos mútuos em favor das empresas são o incentivo à implantação, relocalização e ampliação de unidades fabris; incentivo a empresas fabricantes de componentes adquiridos fora do Estado do Ceará; promoção da diversificação e sofisticação da pauta de produção industrial cearense, conforme Decreto n° 22.719-A, de 20/08/1993; Ressalta que se trata de beneficio relacionado ao investimento às atividades industriais desenvolvidas no Estado do Ceará. E, para que a empresa seja qualificada para receber tal beneficio, mister se faz uma análise criteriosa, pelos órgãos competentes, do valor que esta empresa possa agregar para o Estado; Salienta que inicialmente as empresas apresentam Projeto de criação, modernização ou ampliação das instalações industriais visando à aprovação do empréstimo. Estes projetos são analisados pelo BEC, em conjunto com o Estado do Ceará, para se verificar o interesse do Estado em estimular este tipo de Projeto; Uma vez aprovado, as partes celebram contrato, pelo qual o BEC se compromete a conceder empréstimo cujas liberações são mensais e prazo de vencimento de 36 meses, a contar de cada liberação. Neste empréstimo, a empresa beneficiária dispõe de taxa de juros inferior ao que encontraria caso fosse contratá-lo no mercado. Como condição para 3 Processo n0 10380.009930/2004-97 CC01/C0 Acórdão ri.° 1101-00.071 Fls. 4 liberação dos empréstimos, está a obrigação da empresa beneficiária em cumprir f elmente com suas obrigações de recolhimento de ICMS ao Estado do Ceará; Afirma que o contrato ainda prevê que, se e somente se, a empresa beneficiária efetuar o pagamento do empréstimo na data correta — ou seja, exatamente 36 meses após a liberação dos recursos — o BEC se compromete a conceder um desconto sobre o valor do principal devido. Caso a empresa beneficiária não cumpra o prazo avençado, esta não fará jus à subvenção; Aduz, portanto, que teve stus projetos aprovados sob o âmbito do PROVIN, celebrando os contratos: (a) Contrato 44.0070/4 em 23/12/1992, prorrogado até dezembro de 2005; e (b) Contrato 33.0321, celebrado em 19/04/2002, com efeitos até 2017; Em relação ao chamado Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte — PROADI, destaca que este Programa destina-se ao investimento das empresas localizadas no Rio Grande do Norte, tendo características semelhantes àquelas ressaltadas no PROVIN. Seu principal objetivo é apoiar e incrementar o desenvolvimento industrial do Estado do Rio Grande do Norte, conforme art. 1 0 do Decreto n° 13.723/97; Trata-se, pois, de subvenção de investimento visando ao desenvolvimento industrial, cujas ferramentas são empréstimos concedidos em favor das empresas. A subvenção se condiciona ao comprometimento do Mutuário a instalar novas empresas e/ou aumentar a produção existente, recebendo em troca isenções parciais do ICMS devido no Estado do Rio Grande do Norte; Observa que a subvenção do PROADI só é concedida após o cumprimento de algumas condições e formalidades. No caso em tela, formou-se um Protocolo de Intenções entre o Estado do Rio Grande do Norte e a empresa Grande Moinho Potiguar e Indústria de Massas Ltda. (Protocolo Moinho Potiguar), incorporada a ora impugnante. Neste documento, a contribuinte se compromete a investir n: Estado do Rio Grande do Norte, cumprindo determinadas condições; Em outras palavras, afirma que o beneficio fiscal não é concedido "sob única condição de que tal valor seja pago na data aprazada para o vencimento", na realidade é necessário efetivo investimento, como de fato foi implementado e está refletido nas cláusulas do "Protocolo Moinho Potiguar"; Após a assinatura do "Protocolo Moinho Potiguar", concedeu-se o beneficio fiscal baseado no PROADI, através do Contrato de Mútuo firmado entre Grande Moinho e Indústria de Massas Ltda. e o Banco do Brasil S/A (Contrato 99/04), sob condição suspensiva do cumprimento. Salienta que ainda conforme o Contrato 99/04, o BB se compromete a conceder empréstimo cujas liberações são mensais e prazo de vencimento de dois meses, a contar de cada liberação, conforme Cláusula Sexta. Neste empréstimo, a empresa beneficiária dispõe de taxa de juros inferior ao que encontraria caso fosse contratá-lo no mercado. Como condição para liberação dos empréstimos, está à obrigação da empresa beneficiária em cumprir fielmente com suas obrigações de recolhimento de ICMS ao Estado do Rio Grande do Norte; 4 Processo n° 10380.009930/2004-97 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.071 Fls. 5 Conclui a esse respeito afirmando que tanto o PROVIN e o PROADI "claramente se enquadra como um beneficio fiscal, na medida em que cada concessão de empréstimo depende do efetivo pagamento do ICMS e, também, é baseada em percentual do ICMS efetivamente recolhido. Tanto é um beneficio fiscal, que a Lei Complementar n° 24/197 5 entendeu por bem incluir como os beneficios sujeitos à avaliação do Conselho Nacional de Política Fazendétria — CONFAZ a quaisquer outros incentivos ou favores fiscais ou financeiro- fiscais, concedidos com base no Imposto de Circulação de Mercadorias"; Após transcrever o art. 443 do RIR199, afirma que se equipara à subvenção para investimento a concessão de beneficios fiscais de isenção ou redução de impostos concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Ora, no presente caso, a impugnante é beneficiário de incentivos que, claramente e pela legislação que os regem, servem para estimulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Foi justamente porque o impugnante expandiu seu parque industrial localizado no Ceará e instalou nova unidade industrial no Rio Grande do Norte que se qualificou como beneficiário do PROVIN e PROADI, respectivamente; Ademais, observa que "investimento" deve ser entendido na sua acepção lata. Ou seja, não se trata do "investimento" contábil, eis que, sob essa rubrica, na contabilidade das empresas, caberia apenas e tão-somente os investimentos permanentes em outras sociedades. Claramente, o "investimento" deve ser entendido como qualquer dispêndio necessário para a implementação, expansão ou manutenção dos empreendimentos econômicos. Sim, imagine operar uma indústria sem tem se tenha caixa para se investir no desenvolvimento de suas atividades operacionais — não há operação!; Prossegue afirmando que quando um determinado investidor coloca dinheiro em uma empresa em troca de, por exemplo, capital, o investidor sabe que não necessariamente esse seu dinheiro será utilizado para aquisição de bens do ativo imobilizado. Ele sabe que seu investimento é importante para viabilizar a empresa como um todo — para que a empresa adquira bens para seu ativo imobilizado, mas também para que a empresa adquira estoques, contrate e pague seus funcionários, etc. E nem por isso, esse investidor deixa de chamar o dinheiro colocado na empresa como seu "investimento"; Reafirma que tanto o PROVIN quanto o PROADI tratam-se de benefícios fiscais que somente são concedidos como um estímulo para novos investimentos no Estado do Ceará e Rio Grande do Norte. E, ainda mais, para assegurar que os recursos serão devidamente aplicados, para que a empresa beneficiária passe a receber tais recursos destinados ao incentivo para novos investimentos, é necessário que a empresa esteja operando; Esclarece que a caracterização de um aporte de recursos como "subvenção para investimento" depende, fundamentalmente, da finalidade que sustenta a entrega de recursos públicos ao particular. No caso em tela, a finalidade do PROVIN e PROADI é estimular o desenvolvimento industrial. Esta finalidade, por si só, é suficiente para que o beneficio se caracterize como sendo subvenção para investimento; Alega que foram cumpridas as condições expressamente listadas no art. 443 do RIR199 para que se caracterize uma subvenção para investimento: (a) redução de impostos (ICMS) concedida como estímulo à expansão de empreendimentos econômicos; e (b) registro das subvenções como reserva de capital; s Processo n° 10380.009930/2004-97 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.071 Fls. 6 Em relação à CSLL, destaca que em se tratando de uma reserva de capital — e não de uma receita contabilizada no resultado do exercício — não há que se falar em incidência desta Contribuição, seja porque as subvenções para investimento não compõem o lucro líquido do exercício, seja porque não há base legal exigindo a tributação dos montantes registrados como reserva de capital; Sendo assim, entende que por expressa determinação legal, os valores registrados como reserva de capital correspondentes às subvenções para investimento recebidos pela impugnante não podem de maneira alguma compor a base de cálculo da CSLL ou do IRPJ; Transcreve, ainda, às fls. 104 decisões do Primeiro Conselho de Contribuintes que reconhecem a natureza de subvenção para investimento, em se tratando de beneficios concedidos pelos Estados; Afirma que "o momento da escrituração foi outro vício apontado no AIIM, pelo fato de a escrituração do suposto "ganho" resultante do desconto obtido com financiamento apenas no momento da liquidação de cada uma das dívidas. Alega-se, no AIIM, que as subvenções do PROVIN e PROADI se dfo sob condição resolutiva através de renúncia fiscal e, como tal, o ganho obtido com a subvenção deveria ser reconhecido na ocasião do financiamento do ICMS. Ora, discutir o momento da contabilização da subvenção é indiferente para fins fiscais, eis que a reserva de capital não tem — nem poderia ter — impactos para fins de IRPJ e CSLL."; Passa, então, a demonstrar que trata-se de condição suspensiva e não condição resolutiva, motivo pelo qual o beneficio só pode ser reconhecido na contabilidade da empresa quando da quitação do empréstimo, quando o beneficio fiscal se aperfeiçoa e produz seus efeitos; Ressalta que de acordo com o estabelecido nos termos tanto do Contrato de Mútuo firmado entre a impugnante e o Estado do Ceará (PROVIN), quanto do contrato de mútuo firmado entre a impugnante e o Estado do Rio Grande do Norte (PROADI), a concessão efetiva do beneficio fiscal (subvenção) só ocorre com o pagamento do empréstimo pela impugnante, no prazo previsto. O não pagamento neste prazo, por sua vez, acarreta a perda do beneficio. Estas características não são próprias de condições resolutivas, mas sim de condições suspensivas; Destaca que até a data do pagamento do empréstimo concedido nos termos do PROVIN e PROADI, o impugnante tem apenas uma expectativa de direito e não um direito em si perfeito e exigível. Com a quitação no prazo de vencimento, o direito surge. Não se trata, pois, de condição resolutiva, mas sim de condição suspensiva. Por este motivo, a escrituração dos beneficios deveria ser feita como de fato foi, ou seja, no momento da quitação dos débitos contra o BEC e BB; Assim, deverão ser aplicados os arts. 116, inciso II, e 117, inciso I, do CTN e não o art. 117, inciso II, como mencionado no auto de infração, porquanto as subvenções para investimento submetidas às condições suspensivas deverão ser escrituradas apenas no momento da efetiva implementação da condição; 6 Processo n0 10380.009930/2004-97 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.071 Fls. 7 Desta forma, alega que ainda que — por absurdo — os valores do PROVIN e PROADI não fossem considerados como subvenção para investimento, certamente o momento correto da sua contabilização seria quando da liquidação de cada um dos empréstimos — nunca quando da sua concessão. Ou seja, ainda nesta absurda hipótese, o auto de infração seria nulo no tocante a este assunto, visto que não indicou corretamente as datas dos fatos geradores de IRPJ e CSLL; Em relação ao montante de CSLL efetivamente pago, o autuante deixou de considerar alguns dos valores declarados e efetivamente pagos. Por este motivo, a base da CSLL a pagar, que serviu para o cálculo da multa, resultou em montante maior do que o devido, dando efeito à multa a maior. Na tabela anexa ao auto de infração, percebe-se que o autuante partiu de um valor de CSLL informado em DCTF que não condiz com o valor efetivamente apurado e pago; Às fls. 108/109 consta tabela explicitando as diferenças não computadas pelo autuante, referente às compensações efetivadas pelo contribuinte. Ao final, requer seja cancelado o auto de infração, bem como seja julgado em conjunto com o Processo Administrativo n°10380.09931/2004-31. - À vista da Impugnação, a 4Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro - RJ, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte o lançamento efetuado. Preliminarmente, rejeitaram a alegação de que parte do crédito tributário ora exigido teria sido atingido pela decadência do direito da Fazenda Pública em constituí-lo. Isto porque, esclareceram que multa não é tributo, razão pela qual não se aplica o art. 150, §4° do CTN, mas sim o disposto no art. 173, I do mesmo diploma legal. Dessa forma, considerando o período questionado pela contribuinte que vai de 01/01/1999 a 30/09/1999, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado é 01/01/2000, contando-se a partir dai cinco anos o Fisco tinha até o dia 31/12/2004 para constituir o crédito tributário que entendesse devido. Dessa forma, os julgadores entenderam que não há que se falar em decadência. Em relação às subvenções (PROVIN e PROADI), verificaram os julgadores que esta matéria já foi suficientemente analisada nos autos dos Processos Administrativos n's 10380.009931/2004-31 e 10380.009701/2004-72, através dos Acórdãos DRJ/FOR n° 6101 e 6102, de 19 de abril de 2005, que mantiveram as autuações, cujas considerações transcreveram ás fls. 480/487. - Em relação à multa isolada pela falta de recolhimento da CSLL por estimativa, os julgadores transcreveram o art. 2° da Lei n° 9.430/96, para então concluir que estando a contribuinte sujeita à apuração com base no lucro real e tendo optado pelo pagamento do tributo, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, como no caso em análise, e não tendo feito tais recolhimentos mensais, sem demonstrar que o imposto de renda não era devido, correta a autuação, uma vez que houve a subsunção do fato à norma legal estabelecida no art. 44, § 1°, inciso IV, da Lei n°9.430/1996. Quanto à suposta duplicidade de penalidades pelo lançamento da multa isolada e da multa de oficio sobre a mesma base de cálculo e do mesmo período, alegada pela 7 Processo n°10380.009930/2004-97 CCOI/C01 Acórdão n.° 1101-00.071 Fls. 8 contribuinte, após transcrever os arts. 43 e-44 da Lei n° 9.430/96, bem como o art. 16 da IN/SRF n° 93/97, destacaram que da análise dos citados dispositivos, não pairam dúvidas de que a constatação de falta ou insuficiência de recolhimentos mensais, por estimativa, dá ensejo ao lançamento da multa de oficio isolada, prevista no inciso IV do § 1 0 do artigo 44 da Lei n° 9.430, de 1996, incidentes sobre as diferenças apuradas e perfeitamente demonstradas, bem como a falta ou o recolhimento a menor do imposto apurado em 31 de dezembro implica o lançamento da multa de oficio conforme determina a legislação analisada e é o que foi efetuado no auto de infração ora questionado e no auto de infração constante do processo n° 10380.009931/2004-31, relativo à multa de oficio lançada para a CSLL, razão pela qual não deve ser acatada a argüição da contribuinte nesse sentido. Por outro lado, verificaram que analisando a apuração efetivada pelo autuante para a multa isolada por falta de pagamento de estimativa da CSLL, anos-calendário de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003, vê-se que este apurou nas planilhas de fls. 12/17 o correto valor da CSLL, tomando como partida a base de cálculo apurada pelo sujeito passivo e informada nas Fichas 29/01 (D1PJ/99-CISÃO) e 16/01 (DIPJ 2000 a 2004), acrescida de subvenções de incentivos fiscais estaduais do PROVIN e PROADI, cujos detalhes já foram suficientemente comentados. Destacaram que a contribuinte requer sejam considerados os valores informados na planilha de fls. 108, ou seja, og valores informados em DCTF's Retificadoras. Nesse sentido, entenderam que somente podem ser consideradas as DCTF's Retificadoras entregues antes de iniciado o procedimento de fiscalização, pois a partir deste momento a contribuinte perdeu a espontaneidade. Sendo assim, considerando que o procedimento fiscal teve início em 17/12/2003, conforme Termo de Início da Ação Fiscal, fls. 83/84, a DCTF's Retificadora referente ao 1 0, 2° e 3° trimestres de 2003, entregue em 12/04/2004, não pode gerar qualquer efeito em relação a presente autuação. Entretanto, consignaram que em relação aos períodos de apuração de fevereiro/2003, março/2003 e maio/2003 as novas compensações informadas pelo sujeito passivo foram formalizadas através do PEIUDCOMP 13921.25057.28110.31304.01-95, enviado à SRF via internet aos 28/11/2003, antes, portanto, de iniciado o procedimento de oficio, motivo pelo qual devem ser computados quando da apuração de diferença de CSLL dos períodos em referência, ficando esta em RS 139.217,08 para fevereiro/2003, R$ 150.333,45 para março/2003 e R$ 355.468,37 para maio/2003. Pelas razões acima expostas, julgaram procedente em parte o lançamento, para alterar os valores da multa isolada com data de referência em 31/12/2001 e 31/12/2003, para os valores respectivos de RS 548.416,19 e RS 1.499.158,84. Intimada da decisão de primeira instância em 06.07.2005, às fl. 494, a contribuinte recorreu a este E. Conselho de Contribuintes, tempestivamente, em 05.08.2005, às fls. 499/539, juntando, ainda, os documentos de fls. 540/589, alegando em síntese o que se segue: 8 Processo n° 10380.009930/2004-97 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.071 Fls. 9 Após fazer um breve relato dos fatos e fundamentos que deram origem ao presente processo, a contribuinte afirma que quando do lançamento já havia decaído o direito da Fazenda Pública em constituir o crédito tributário referente ao período de janeiro a setembro de 1999, nos termos do art. 150, §4° do C-IN,-razão pela qual padece de vício o lançamento. Nesse sentido, esclarece que não merece prosperar o entendimento dos julgadores de primeira instância, de que no presente caso deveria ser aplicado o disposto no art. 173, I do CTN e não o disposto no art. 150, §4° do mesmo diploma legal. Isto porque, estando a CSLL sujeita ao lançamento por homologação, e, sendo a multa isolada aplicada face ao descumprimento da obrigação acessória, esta deve seguir a mesma sorte do principal. " Corroborando seu entendimento transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Ou seja, entende que quando da lavratura do auto de infração em 29/10/2004, o Fisco não poderia mais constituir os créditos de CSLL referentes ao período de janeiro a setembro de 1999 e por este motivo também não poderia exigir multa isolada pelo descumprimento da obrigação acessória, devendo, portanto, ser a mesma cancelada. Afirma que a autoridade administrativa não pode exigir cumulativamente a multa de oficio de 75%, objeto do Processo Administrativo n° 10380.09931/2004-31, e a multa isolada em virtude da mesma diferença de CSLL oriundos do PROVIN e PROADI, supostamente não pagos nos períodos de 1999 a 2003. Ressalta que as multas - e de oficio devem ser aplicadas alternativamente, nos termos do art. 44, §1 0,1 e IV da Lei n° 9.430/96 e não cumulativamente como no caso em tela. Nesse sentido, transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes. Prossegue afirmando que ainda que a multa isolada fosse devida, não poderia ter sido calculada com base no pagamento da CSLL por estimativa, calculada mensalmente, mas sim com base na CSLL paga ao final do exercício. No mérito, a contribuinte afirma que a fiscalização se equivocou ao considerar os ganhos relativos aos incentivos fiscais concedidos por meio dos contratos PROVIN e PROADI, como sendo subvenções para custeio e não subvenções para investimento, que por sua vez, devem ser registradas como reserva de capital, nos termos do art. 443 do RIR/99, não sendo computadas no cálculo da CSLL. Passa, então, a analisar detalhadamente o PROVIN e o PROADI, destacando os termos de concessão de beneficio de cada um deles. Em relação ao Programa de Incentivo ao Funcionamento de Empresas — PROVIN, salienta que é um incentivo do Govemo do Ceará que tem como finalidade estimular o crescimento e modernização do setor industrial, através de concessões de empréstimos por meio do Banco do Estado do Ceará, com recursos advindos do Fundo de Desenvolvimento Industrial do Ceará — FDI. Destaca que o PROVIN enquadra-se claramente como um beneficio fiscal, na medida em que para a concessão dos empréstimos a empresa deve cumprir fielmente com suas obrigações re recolhimento do ICMS ao Estado do Ceará e também, é baseado no percentual do ICMS efetivamente recolhido. ..;r1.---dt 9 Processo n° 10380.009930/2004-97 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.071 Fls. 10 Quanto ao Programa de Apoio ao Desenvolvimento Industrial do Rio Grande do Norte — PROADI, ressalta que este tem como principal objetivo apoiar e incrementar o desenvolvimento industrial do Estado do Rio Grande do Norte, conforme art. 1° do Decreto n° 13.723/97, tendo este programa características semelhantes ao PROVIN. Dessa forma, afirma que o PROADI também é subvenção para investimento, que objetiva o desenvolvimento industrial, através de empréstimos concedidos em favor das empresas que se comprometam a instalar novas empresas e/ou aumentar a produção existente, recebendo em troca isenções parciais do ICMS devido no Estado do Rio Grande do Norte. Aduz que ao contrário do que entendeu a autoridade administrativa autuante, o beneficio fiscal não é concedido "sob única condição de que tal valor seja pago na data aprazada para o vencimento", fls. 04, mas sim é necessário o efetivo investimento, o que no presente caso se evidencia através das cláusulas do "Protocolo Moinho Potiguar". Entende, portanto, que as subvenções do PROVIN e do PROADI preencheram as duas características necessárias para a sua caracterização como subvenção de investimento, quais sejam: a intenção do subvencionador de destiná-la para investimento na implantação ou expansão de empreendimento econômico projetado e a utilização efetiva da subvenção para alcançar a intenção do subvencionador mencionada anteriormente. Ademais, observa que tais incentivos coadunam-se com a definição de subvenção para investimento, trazida no item 2.11 do Parecer Normativo CST n° 112/78. Após destacar qual o tratamento que deve ser dado às subvenções para investimento, nos termos do art. 443 do RIR199, afirma que cumpriu todas as condições nele expressamente listadas, razão pela qual deve a mesma ser contabilizada como reserva de capital. No caso da CSLL, salienta que em se tratando de uma reserva de capital e não de uma receita contabilizada no resultado do exercício, não há que se cogitar na incidência da CSLL, seja porque às subvenções para investimento não compõe o lucro líquido do exercício, seja porque não há base legal exigindo a tributação dos montantes registrados como reserva de capital. Dessa forma, entende a contribuinte que por expressa determinação legal, os valores registrados como reserva de capital correspondentes às subvenções para investimento recebidas pela contribuinte não podem de maneira alguma compor a base de cálculo da CSLL. Após transcreve jurisprudência do Conselho de Contribuintes, fls. 528/531, afirma que não restam dúvidas de que os benefícios concedidos pelo PROVIN e PROADI são subvenções para investimento e, como tais, não sofrem a incidência da CSLL, sendo corretas as escriturações implementadas em relação a esta contribuição. Afirma, ainda, que não merece prosperar o entendimento da autoridade fiscal autuante, de que as subvenções do PROVIN e PROADI se dão sob condição resolutiva através de renúncia fiscal e, como tal, o ganho obtido com a subvenção deveria ser reconhecido na 10 Processo n° 10380.00993012004-97 Cal1/C01 Acórdão n.° 1101-00.071 Fls, ocasião do financiamento do ICMS e não no momento da quitação do empréstimo como foi efetuado pela contribuinte. Nesse sentido, destaca que ainda que se considerasse ter ocorrido ganho tributável pela CSLL, este ganho somente se concretiza com a efetiva quitação da dívida no prazo determinado. Isto porque, trata-se de condição suspensiva e não condição resolutiva, como entendeu a autoridade administrativa, motivo pelo qual o beneficio somente pode ser reconhecido na contabilidade da empresa quando da quitação do empréstimo, momento em que o beneficio fiscal se aperfeiçoa e produz seus_efeitos. A esse respeito após delimitar as condições resolutivas e as condições suspensivas, afirma que até a data do pagamento 'do empréstimo concedido pelo PROVIN ou pelo PROADI, a empresa tem apenas uma expectativa de direito e não um direito em si perfeito e exigível. Com a quitação no prazo de vencimento, o direito surge, razão pela qual não se trata de condição resolutiva, mas sim de condição suspensiva. Dessa forma, entende a contribuinte que a escrituração dos beneficios deveria ser feita como de fato, ou seja, no momento da quitação dos débitos contra o BEC, respeitados os preceitos do Código Civil e do Código Tributário Nacional. Sendo assim, afirma que ainda que se considere que os valores do PROVIN e PROADI não são subvenção para investimento, deve ser julgado nulo o presente lançamento, tendo em vista que não indicou corretamente as datas dos fatos geradores do IRPJ e da CSLL. Finalmente, afirma que a fiscalização desconsiderou alguns dos valores declarados e efetivamente pagos pela contribuinte em relação à base de cálculo da CSLL que serviu para o cálculo da multa, conforme tabela às fls. 537, o que segundo a contribuinte resultou na aplicação de multa a maior. Destaca que apesar das -compensações efetuadas pela contribuinte, os julgadores de primeira instância somente reconheceram as retificações relativas aos períodos de fevereiro, março e maio de 2003, quando na verdade deveria considerar todos os valores informados na tabela pela contribuinte. Pelo exposto, requer seja dado provimento ao recurso voluntário, exonerando definitivamente a exigência fiscal guerreada. É o relatório. Voto Conselheiro VALMIR SANDRI, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os requisitos para a sua admissibilidade. Dele, portanto, torno conhecimento. Conforme se depreende do relatório, o presente processo teve origem em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, no qual a fiscalização cãif;;L: 11 Processo n° W380.009930/2004-97 CCOI/C01 Acórdâo n.° 1101-00.071 Fls. 12 lavrou auto de infração para exigir da contribuinte multa isolada, em decorrência de falta de pagamento da Contribuição Social nos anos-calendário de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2003. Tendo sido julgado procedente em parte o lançamento efetuado, a contribuinte apresentou recurso voluntário alegando em síntese que: (i) parte do crédito tributário (janeiro a setembro de 1999) foi atingida pela decadência do direito da Fazenda Pública em constituí-lo; (ii) a autoridade administrativa não pode exigir cumulativamente a multa isolada objeto do presente processo e a multa de oficio, objeto do Processo n° 10380.009931/2004-31; (iii) ainda que se considere devida à multa, esta deveria ser calculada com base na CSLL paga ao final do exercício e não mensalmente, (iv) os incentivos fiscais referentes ao PROVIN e ao PROADI são subvenções de investimento nos termos do art. 443 do RIR199 e não subvenções de custeio corno entendeu a autoridade administrativa;. (v) a fiscalização desconsiderou alguns valores efetivamente declarados e pagos pela contribuinte. Quanto a preliminar de decadência suscitada, referente ao período de janeiro a setembro de 1999, entendo que não merece qualquer reforma a r. decisão recorrida, pelo simples fato da multa isolada não ser um tributo nos moldes do art. 3° do CTN, eis que tal penalidade representa uma sanção por ato ilícito, como bem destacaram os julgadores de primeira instância e, por conseguinte, não há o que se falar no presente caso da aplicação do § 40., art. 150 do CTN, mas sim, do disposto no inciso I, art. 173, do mesmo diploma legal. Dessa forma, afasto de plano a preliminar de decadência suscitada. Quanto à matéria de mérito objeto do presente recurso, ou seja, a exigência da multa isolada decorrente das diferenças apuradas ex-oficio incidente sobre a base estimada, relativo ao período de 1999 a 2003, é de se observar que a matéria que a originou — estimativas recolhidas há menor nos anos-calendário ora referidos, decorrentes das glosas de subvenção advinda dos programas PROVIN e PROADI, já foram afastadas por esta E. Turma no Acórdão n. 101-96.416, que se encontra assim ementado: "PRELIMINAR DE DECADÊNCIA - DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O- CRÉDITO — Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para o fisco constituir o crédito tributário via lançamento de oficio, começa a fluir a partir da data do fato gerador da obrigação tributária, que no caso das empresas que optam em apurar seus resultados em base anual, ocorre ao final do ano-calendário, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, caso em que o prazo começa a fluir a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. IRPJ — SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO - PROGRAMA DE INCENTIVO FISCAL — ESTADUAL - NÃO CARACTERIZAÇÃO — Incentivo financeiro concedido por governo estadual, a título de subvenção para capital de giro, não se traduz em "subvenção para investimento", mormente quando não efetiva e especificamente aplicada pelo beneficiário nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado, mas sim para atender despesas correntes do beneficiário. 12 Processo n° 10380.009930/2004-97 CC01/C01 Acórdão n° 1101-00.071 Fls. 13 IRPJ — INCENTIVO FISCAL — A isenção concedida para projeto de modernização não se estende a resultados correspondentes à produção anterior. IRPJ — AJUSTE DO LUCRO DA EXPLORAÇÃO — LANÇAMENTO DE OFICIO — Possível a recomposição do lucro da exploração para efeito de base de cálculo dos incentivos de isenção ou redução do imposto, mesmo por ocasião de lançamento de oficio. IRPJ — MULTA ISOLADA - MULTA ISOLADA — Os incisos I e II "caput" e os incisos I, II, III e IV, § lo., do art. 44, da Lei n. 9.430/96, devem ser interpretados de forma sistemática, sob pena da cláusula penal ultrapassar o valor da obrigação tributária principal, constituindo-se num autêntico confisco e num "bis in idem" punitivo, em detrimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. TRIBUTAÇÃO REFLEXA — Tratando-se de lançamento reflexo, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, ao lançamento decorrente, em razão da íntima relação de causa e efeito que OS vincula. Recurso provido parcialmente. • Dessa forma, por ter sido exonerada a matéria que decorreu a presente exigência, não há como esta subsistir. Não fosse o fato acima que por si só já foram suficientes para afastar a presente exigência, é de se observar que a presente penalidade só foi exigida no mês de outubro de 2004, quando não mais havia base de cálculo para a sua exigência, eis que com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem a recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro líquido, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do ano-calendário, surgindo com a apuração do lucro real ao final do ano-calendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. Na verdade, os dispositivos legais previstos nos incisos III e IV, § 1 0., art. 44 da Lei 9.430/96, têm como objetivo obrigar o sujeito passivo da obrigação tributária ao recolhimento mensal de antecipações de um provável imposto de renda e contribuição social que poderá ser devido ao final do ano-calendário. Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só poderá ser exigida durante aquele ano-calendário, de vez que com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do ano-calendário (31.12), desaparece a base imponivel daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique, e a partir daí, surge umà nova base imponível, esta já com base no tributo efetivamente apurado ao final do ano-calendário, surgindo assim à hipótese da aplicação tão- somente do inciso I, § 1 0 . do referido artigo, caso o tributo não seja pago no seu vencimento e 13 Processo n° 10380.009930/2004-97 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.071 Fls. 14 apurado ex-officio mas jamais com a aplicação concomitante da penalidade prevista nos incisos III e IV, do 1 0 do mesmo diploma legal, até porque a dupla penalidade afronta o disposto no artigo 97, V, c/c o artigo 113 do CTN, que estabelece apenas duas hipóteses de obrigação de dar, sendo a primeira ligada diretamente à prestação de pagar tributo e seus acessórios, e a segunda relativamente à obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas pecuniária por descumprimento de obrigação acessória. Ainda, é de se observar que a presente exigência está sendo exigida cumulativamente com a multa de oficio lançada no Processo Administrativo acima citado, em virtude da mesma diferença de CSLL pela não adição ao lucro liquido, para apuração do lucro real dos incentivos fiscais do PROVIN e PROADI, relativos aos anos-calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002. Dessa forma, não há como subsistir tal penalidade concomitantemente com a multa de oficio, sob pena de aplicar-se dupla penalidade sobre uma mesma infração, com malferimento do princípio da não propagação das multas e da não repetição da sanção tributária. - Nesse sentido, a Câmara Superior de Recursos Fiscais vem afastando tal exigência, conforme se depreende da ementa do Proc. Adm. n° 13629.000292/2003-04, tendo como relator o Ilustre Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, que encontra-se assim ementado: "MULTA ISOLADA — FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA — O artigo 44 da Lei n° 9.430/96 preceitua que a multa de oficio deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo não-recolhimento de estimativa quando a fiscalização apura, após o encerramento do exercício, valor de estimativas superior ao imposto apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano- calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação." 14 • Processo n°1038000993012004-97 CC01/C01 Acórdão n.° 1101-00.071 Fls. 15 Por todo o exposto, voto no ãentido de DAR provimento ao presente recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões - DF, em 14 de maio de 2009. 411"2 SDRI, Relator. Is Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1 _0000600.PDF Page 1 _0000700.PDF Page 1 _0000800.PDF Page 1 _0000900.PDF Page 1 _0001000.PDF Page 1 _0001100.PDF Page 1 _0001200.PDF Page 1 _0001300.PDF Page 1 _0001400.PDF Page 1 _0001500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13826.000362/99-98
Data da sessão: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Oct 15 00:00:00 UTC 2007
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/12/1989 a 31/10/1995
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição
de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo
pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa
o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: CSRF/02-02.818
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Antonio Carlos Atulim e Antonio Bezerra Neto que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: O I/12/1989 a 31/10/1995 PROCESSO ADMINISTRA TIVO FISCAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provime:~to ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Relator), Ant6'}jo' Carlos Atulim e Antonio Bezerra Neto que davam provimento ao recurso. Designadc(parà ... redigir o voto vencedor o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Antondresidente I:-. ~V"..-e.. /?-4e.-:;? ~~ i'Henrfque Pinheiro Torres - Relator . GiIe,#'£"",D"';'",dO Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjão Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martinez López, Antonio Bezerra Neto, Dalton César Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, I J Fl. 487DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Leonardo Siade Manzan, Júlio César Vieira Gomes, Misael Lima Barreto, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho. Relatório Por bem relatar a discussão em tela, adoto e transcrevo o relatório do Acórdão recorrido. "Apresentou a recorrente, em 08/07/1999. pedido administrativo de compensação de valores recolhidos a titulo de Contribuição para o PIs, no periodo de março de 1989 a outubro de 1995, com base nos Decretos-Leis nEs2.445/88 e 2.449/88. considerados inconstitucionais. Encaminhado seu pedido à Delegacia da Receita Federal em Marilia - SP, foi o' mesnio indeferido, às fls. 221/233, tendo em vista a decadência do direito de pleitear a repetição dos valores relativos ao período anterior a 08/07/1994, e em relação aos subseqüentes, pelo fato de que a LC nE 07/70 se refere a prazo de recolhimento e não a base de cálculo, sendo também indeferido em relação a estas parcelas. Irresignada, .a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 236/277, impugnando a r. decisão e informando que: o prazo decadencial para a repetição de indébito é de dez anos; em sendo o PIS um tributo lançável por homologação, o prazo para se pleitear um indébito do mesmo é de 5 mais 5 anos, ou seja, do pagamento à homologação tácita cinco anos, e da homologação decorre a extinção do crédito tributário, da qual conta-se o prazo de cinco anos previsto no CTN; e . " em extenso arrazoado, discorre longamente sobre a semestralidade do PIS e eleinimtos afins. ~'.: Remetidos os autos à Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão ,p'r~to - SP, esta manteve a decisão impugnada, conforme o acórdão de fls. 351/361, abaixo Jh;'eh\ada, ensejando o recurso voluntário que neste momento se julga: -,.;_.,' "Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de Apuração: 01/12/1989 a 31/10/1995 Ementa: COMPENSAÇÃO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear a restituição de pagamentos indevidos para compensação com créditos vincendos decai no prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. 'Assunto: contribuição para o PIS/Pasep Período de Apuração: 01/12/1989 a 31/10/1995 Ementa: BASE SEMESTRALlDADE. DE CALCULO. FATURAMENTO. A base de cálculo do PIS é ofaturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Processo n° 13826.000362/99-98 Acórdão n.o 02-002.818 Solicitação indeferida'. " CSRFn02 Fls. 480 ACORDARAM os Membros da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Atulim e Maria Cristina Roza da Costa quanto à decadência. Manifestando a deliberação adotada por meio do acórdão recorrido, sintetizado na seguinte ementa: PIS. PEDIDO. DE RESTITWÇA-o./Co.MPENSAÇÃo. DECADÊNCIA. Cabivel o pleito de restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de Contribuição para o PIS. nos moldes dos inconstitucionais Decretos-Leis nEs2.445 e 2.449. de 1998. sendo que o prazo de decadência/prescrição de cinco anos deve ser contado a partir da edição da Resolução nE 49, do Senado Federal. LC NE 7/70. SEMESTRALIDADE. Ao analisar o disposto no art. 6~ parágrafo unlCO, da Lei Complementar nE7/70. há de se cone/uir que "faturamento" representa a base de cálculo do PIS (faturamento do sexto mês anterior). inerente ao fato gerador (de natureza eminentemente temporal, que ocorre mensalmente). relativo à realização de negócios jurídicos (venda de mercadorias e prestação de serviços). A base de cálculo da contribuição em comento permaneceu incólume e em pleno vigor até a edição da MP nE1.212/95, quando. a partir dos efeitos desta. a base de cálculo do P1S passou a ser ofaturamento do mês anterior. Co.RREÇÃo. Mo.NETÁRIA. A atualização monetária, até 31/12/95, dos valores recolhidos indevidamente, deve ser efetuada com base nos índices constantes da tabela anexa à Norma de Execução Conjullla SRF/Cosit/CosarnE 8, de 27/06/97, devendo incidir a taxa Selic a partir de 01/01/96. nos termos do art. 39. S 4~ da Lei nE9.250/95. Recurso provido em parte. A Fazenda Nacional, por meio de sua Procuradoria, com apoio no ar!. 32, I, do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, aprovado pela Portaria nO 55/98, interpôs RECURSO ESPECIAL, em face do referido acórdão, requereu seu regular processamento e posterior remessa à egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais. Por meio do Despacho n° 202- 153, fls. 423/425, o Presidente da Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes recebeu o Recurso Especial interposto quanto ao prazo para repetição de indébito referente à restituição/compensação de valores recolhidos a maior a título de contribuição para o PIS, nos moldes dos Decretos Leis' nOs2.445 e 2.449, ambos de 1988. A contribuinte apresentou suas Contra-Razões ao Recurso Especial, fls. 452/469, solicitando a manutenção da decisão proferida pela Segunda Câmara do Segundo Conselho. É o relatório. Fl. 489DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Voto Vencido Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso rherece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Como relatado, trata-se de pedido de restituição e compensação dos valores recolhidos a titulo de PIS, referente ao período de apuração compreendido entre dezembro de 1989 e outubro de '1995, que a contribuinte teria pago a maior, com base nos Decretos-Leis nOs 2.445 e 2.449, ambos de 1988, posteriormente, declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Por meio da Decisão de fls. 351 a 361, a DRJ em Ribeirão Preto - SP indeferiu in loium a solicitação do Sujeito Passivo. A Câmara recorrida afastou a decadência - sob o argumento de que o termo a quo do prazo decadencial era a data da publicação da Resolução nO 49 do Senado Federal (10/1 0/1995) e não da extinção do crédito pelo pagamento, como decidira a turma julgadora - e deu provimento parcial ao recurso. O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo de inicio da contagem da decadência/prescrição para repetição de indébito é a extinção do crédito pelo pagamento. De imediato, passemos à controvérsia sobre a decadência/prescrição do direito pleiteado. É de bom' alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito - se decadencial ou prescricional - para o deslínde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. O direito a repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no artigo 165 do Código Tributário Nacional - CTN. Todavia, como todo e qualquer direito esse também tem prazo para ser exercido, in casu, 05 anos contados nos termos do artigo 168 do CTN, da seguinte forma: I. da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; 11. da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Processo n' 13826.000362/99-98 Acórdào n.' 02-002.818 CSRFrr02 Fls. 481 Como visto, duas são as datas que servem de marco inicial para contagem do prazo extintivo do direito de repetir o indébito, a de extinção do crédito tributário e a do trânsito em julgado de decisão administrativa ou judicial. A repetição em análise enquadra-se no primeiro caso em que o prazo inicial da contagem do prazo coincide com a extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado. Na hipótese de' lançamento por homologação, uma questão se faz presente: quando se considera extinto o crédito tributário, na data da antecipação do pagamento ou na da homologação. O inciso 1 do artigo 156 do CTN elege o pagamento, puro e simples, como forma de extinção do crédito tributário, não fazendo qualquer alusão a sua homologação. Por seu turno, o !l I° do artigo 150 do Código é específico quando se refere à extinção do crédito tributário pela antecipação de pagamento, nos lançamento por homologação. Diz o parágrafo: Art. 150 Omissis l- O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito. sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. A exegese deste artigo não deixa margem à dúvida de que a extinção do crédito tributário dá-se no mesmo instante em que o pagamento é efetuado, pois a cláusula condicionante é resolutória, o que antecipa o início dos efeitos do ato para a data de sua realização. Em outras palavras, o efeito extintivo do pagamento dá-se no exato instante de sua efetivação e assim permanece até a homologação do lançamento, quando a condição estará resolvida. Se a homologação não ocorrer quer expressa ou tacitamente, aí sim, o crédito é restabelecido por força da condição que não se implementou. Ademais, com a edição da Lei Complementar nO118, de 09/02/2005, cujo artigo 3° deu interpretação autêntica ao artigo 168, inciso 1 do Código. Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso. de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, !l 12 da Lei 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel Lei Complementar. Esclareça-se, por oportuno, que, em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Contando-se, pois, a extinção do crédito tributário da data do pagamento antecipado, tem-se que, no caso concreto ora em análise, os créditos cujo pagamento ocorreram até 08 de julho de 1994 foram extintos pelo decurso de prazo, haja vista que o pedido fora protocolado em 08 de julho de 1999. . . Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso apresentado pela Fazenda Nacional para reconhecer a prescrição dos créditos relativos' a indébitos cujos pagamentos a maior ocorreram até 08 de julho de 1994. . Henrique Pinheiro Torres Fl. 491DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Voto Vencedor Conselheiro Gileno Gurjão Barreto, Redator Designado No que, diz respeito ao dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de ind~bito, adoto como razões de decidir os argumentos utilizados pelo L Conselheiro Gustavo Kelly Alencar, transcritos a partir da decisão a quo: Inicialmente, quanto a. questão da decadência, acompanho o Superior Tribunal de Justiça que, por intermédio de sua Primeira Seção, fixou o entendimento de que como "... já ficou consignado em diversos antecedentes, uma vez reconhecida a inconstitucionalidade, pelo Pretório Excelso, da discutida exacdo, houve recolhimento indevido (RE 11. i48.754-2/RJ, publicado no DJU de 04JJ3.94 e com trânsito em julgado em i6. 03.94) e assiste direito ao, contribuinte o direito a ser ressarcido. Assim, " ... para as hipóteses restritas de devolução do tributo indevido, por fulminado de inconstitucionalidade, desenvolveu tese segundo a qual se admite como dies a quo para a contagem do prazo para a repetição do indébito para o contribuinte a declaração de inconstitucionalidade da contribuição para o PiS.". , Tal entendimento, alias, recentemente veio a ser questionado pelo próprio Tribunal Superior, pois, em Informativo Jurídico mais recente, assim noticiou: "16/09/2003 Prazo. Prescrição. Repetição. Indébito. PIS. (Informativo ST.l 182 - De 0Ia05/09/2003) O dies a quo para a contagem 'da prescrição da ação de repetição de indébito do PIS cobrado com base nos DL fi. 2.445/1988 e DL fi. 2.449/1988 é lO de outubro de 1995. data em que publicada a Resolução n. 49/1995 do Senado, Federal, que, erga omnes, tornou sem efeito os referidos decretos em razão de o STF, incidentalmente, os ter declarado inconstitucionais. Precedente citado: Ag no REsp 267. 7.18-DF, DJ 5/5/2003. REsp 528.023-RS, Rei. Min. Castro Meira, julgado em 4/9/2003. " Para aquele Superior Tribunal de Justiça, mesmo que recentemente questionada, reconhecida é a restituição do indébito contra a Fazenda, sendo o prazo de prescrição de cinco anos para pleitear a devolução, contado tal prazo a partir do transito em julgado da decisão da Corte Suprema que declarou inconstitucional a aludida exação. Com a devida vênia aqueles que sustentam a referida tese, consigno que não me filio à referida corrente, pois, a meu ver, estar-se-á contrariando o sistema constitucional brasileiro em vigor que disciplina o controle da constitucionalidade e, conseqüentemente, os efeitos dessa declaração de inconstitucionalidade. A Corte Suprema, quando da declaração de inconstitucionalidade dos Decretos- Leis n2s 2.445 e 2.449, ambos de 1988, proferida em sua composição plenária, o fez por ocasião do julgamento de Recurso Extraordinário interposto por Itaparica Empreendimentos e Participações S.A. e Outros e em desfavor da União Federal.' I 6~ A meu ver e a despeito de a decisão ter sido exarada pelo órgão pleno do Supremo Tribunal Federal, os efeitos daquela declaração de inconstitucionalidade em comento, quando de seu trânsito em julgado, somente surtiram para as partes envolvidas naquela lide, pois promovida pela via de exceção. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Processo n' 13826.000362/99-98 Acórdão n.o 02-002.818 CSRFrr02 Fls. 482 E nesses tennos, já dissertava e interpretava Rui Barbosa sobre o tema, ao afinnar que decisões proferidas pela via de exceção n... deveriam adotar-se 'em relação a cada caso particular, por sentença proferida em ação adequada e executável entre as partes" Na sistemática constitucional brasileira vigente, a declaração de inconstitucionalidade definitiva e em grau de Recurso Extraordinário, como na hipótese de que se está tratando, somente podem surtir efeitos inter partes5, e não erga omnes, como se fundou equivocadamente o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça, pois a prestação jurisdicional realizada pela Corte Suprema não o foi de forma direta e abstrata 6, ou seja, não declarava direitos a todos os contribuintes indistintamente. Pois bem, a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs2.445 e 2.449, de 1988, somente surtiu efeitos para Itaparica Empreendimentos e Participações S.A. e Outros e a Unido Federal. Assim, somente para Itaparica e Outros seria aplicável o entendimento de que é qüinqüenal o prazo para a repetição dos valores recolhidos a maior, a titulo da Contribuição para o PIS, a partir do trânsito em julgado de referida declaração; ou, então, para contribuinte que tenha ingressado com ação judicial e obtido manifestação judicial própria a seu favor. Para a hipótese desses autos e para os demais contribuintes, que não ingressaram em Juizo para discutir tal inconstitucionalidade, tenho que o prazo prescricional qüinqüenal deve ser contado (e observado) a partir da edição da Resolução n° 49, do Senado Federal, aliás, como vem sendo acertadamente decidido por este Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda.' Sustento e corroboro o entendimento deste Segundo Conselho de Contribuintes na afirmativa de que cabe ao Senado Federal "suspender a execução, no todo ou em parte, de lei declarada inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal;;, nos exatos termos em que vazado o inciso X do art. 52 da Carta Magna. Abrindo aqui um parêntese e ao contrário - e com o devido respeito ao que defende e vem sinalizando o Ministro Gilmar Mendes, em diversas decisões monocráticas, por ele exaradas no exercício da magistratura no Supremo Tribunal Fede~al -., filio-me A. corrente doutrinária que defende que a "... nós nos parece que essa doutrina privatistica da invalidade dos atos jurídicos não pode ser transposta para o campo da inconstitucionalidade, pelo menos no sistema brasileiro, onde, como nota Themistocles Brandão Cavalcanti, a declaração de inconstitucionalidade em nenhum momento tem efeitos tão radicais, e, em realidade, não importa por si só na eficácia da lei." .. E ao aderir a tal corrente doutrinária, observadora q).le. é 'do sistema constitucional brasileiro, concluo que a declaração de inconstitucionaÍidilde promovida por intermédio de decisão plenária da Corte Suprema, que veio a se tornar definitiya com seu transito em julgado, somente passará a ter os efeitos de sua inconstitucionalidade (e aplicação) erga omnes, a partir da legitima e constitucional suspensão pelo Senado Federal. Neste sentido, aliás, posicionam-se de forma firme José Afonso da Silva, Paulo Bonavides, Regina Maria Macedo Nery Ferrari, Ricardo Lobo Torres, Celso Ribeiro Bastos e André Ramos Tavares. Assim, e com relação ao caso em concreto, concluo que o prazo prescricional para se pleitear a restituição/compensação, nos moldes como pretendido pela recorrente, é o de 05 (cinco) anos contados a partir da edição da Resolução n° 49, do Senado Federal, editada em ~;~ Fl. 493DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA , , 09/1 0/1995 - com' publicação no Diário Oficial da União, I, em 10/10/1995 - ,e após decisão definitiva do Supremo F~deral, que declarou inconstitucional a exigência da Contribuição para o PIS, nos 11101,desdos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88. In casl.!, o pleito foi formulado pela recorrente em 08/07/99, portanto, anterior a 10/10/2000, o que afast'\ a prescrição do referido pedido administrativo. Definido o dies a, quo para a contagem do prazo prescricional para se pleitear a restituição/compensação dos "dinheiros" tidos como recolhidos a maior, pela contribuinte, tenho que se f1j.znecessário analisar o seguinte questionamento: quais períodos são passíveis de restituição/ coU;pensação? Como auxilio e no intuito de solucionar a indagado feita acima, consigno que tomo por norte os ensinamentos de Gabriel Lacerda Troianelli, Leandro Paulsen, Luciano Amaro, Marc1710Fortes de Cerqueira e Paulo Roberto Lyrio Pimenta. Inicio" essa árdua tarefa, observando que para a análise do pedido de restituição/compellsação, 'nos moldes em que formulado no presente processo, tem este Colegiado de se ater aos seguintes parâmetros: (i) trat'\-se de pedido administrativo de restituição/compensação; '(ii) o~iefeitos de declaração inconstitucionalidade em Direito Tributário, contados a partir da edição de Resolução pelo Senado Federal; e (iii) a correta aplicação e interpretação dos prazos de decadência e prescrição, considerando-se tão-somente os itens (i) e (ii), acima. I 'O prazo prescricional, como já examinado, restou definido, deve ser contado a partir da edição e publicação da Resolução n° 49/95, do Senado Federal; ou seja, devem ser considerados prescritos os pedidos administrativos de restituição/compensação formulados após 10/10/2000 (dies a quo). Com relação a quais valores cabe a restituição - devida na espécie em face do que dispõem os princípios constitucionais fundamentais da legalidade, segurança jurídica e moralidade, assim como pelos princípios gerais de Direito: boa-fé e proibição do enriquecimento ilícito -, novamente, tomo como marco temporal a Resolução no. 49/95, para, aqui adiantando meu entendimento, posicionar-me pela possibilidade de a contribuinte ser ressarcida dos valores recolhidos a títulos do PIS a partir de outubro de 1990. E assim firmo meu posicionamento, pois é cediço o fato de que contribuintes, antes da edição e publicação da Resolução em comento, promoviam o recolhimento do PIS nos moldes dos Decretos-Leis n° 2.445/88 e 2.449/88. Com o afastamento das referidas normas do mundo jurídico, por inconstitucionalidade, todo e qualquer recolhimento, até então realizado, foi expressamente tido por equivocado, pois feito em desacordo com a Lei Complementar no. 7170. Ora, com a edição e publicação da Resolução n° 49/95, e com o reconhecimento tácito de que os valores efetivamente pagos pelos contribuintes a titulo de Contribuição para o PIS, a partir de' outubro de 1990, inclusive, passaram a estar passíveis de restituição/compensação, necessário se faz, ante a tais consíderações, acolher a contagem decadencial qüinqüenal de forma inversa, instante em que obteremos a resposta nos moldes em que aquí formulada. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA Processo nO 13826.000362/99-98 Acórdão n.o 02-002.818 CSRFn02 Fls. 483 Q - A partir da afirmativa feita acima, é necessano ponderar, em expressa observação ao principio da segurança jurídica, que não há que se falar em direito a ressarcimento dos contribuintes a partir de 1988, não só por uma razão d bom senso mas também por uma razão de observação das normas legais aplicáveis à espécie. Neste particular, é de se reconhecer a existência de entendimento contrário ao que aqui neste momento é externado. o prazo decadencial, portanto, para se reclamar a restituição/compensação dos valores indevidamente recolhidos - tomando-se, friso, como marco temporal a Resolução no. 49/95 -, passou a ser contado a partir dos recolhimentos passados e efetivamente realizados a partir de outubro de 1990, acolhendo-se e interpretando-se, na espécie, por relevante, o principio da proporcionalidade. Isso posto, voto por negar provimento ao Recurso Especial do Procurador quanto ao dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito, seguindo os demais conselheiros quanto às razões de decidir acerca dos demais tópicos. 9 '. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 13/01/2016 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2015 por ANA MARIA CARVALHO DA SILVA AMACENA 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005 00000006 00000007 00000008 00000009
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Numero do processo: 16327.000717/2004-41
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Apr 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 31/12/1998 a 31/12/1999
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
DECADÊNCIA.
A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para os períodos em que não houve pagamentos, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN).
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO.
Cancela-se parcialmente o lançamento de ofício quando a administração constata e comprova a prévia extinção, por meio de compensação, de valores exigidos em auto de infração.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-001.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado,
I - por voto de qualidade, em negar provimento a uma preliminar de nulidade do auto de infração levantada de ofício pelo Conselheiro Sidney Eduardo Stahl em relação aos períodos de apuração do ano de 1999 em face de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon e Marcos Antônio Borges entenderam que esta preliminar não é uma questão de ordem pública e não poderia ser aventada de ofício, além de não reconhecerem quaisquer vícios no MPF. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade.
II - por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reduzir o valor do débito exigível do período de apuração de 02/1999 para R$ 6.531,92, mantendo os débitos dos demais períodos em discussão. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Fábio Cunha Dower, OAB/SP 151.440.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/12/1998 a 31/12/1999 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. DECADÊNCIA. A Súmula Vinculante nº 08 do STF declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, assim o prazo decadencial para constituição das contribuições sociais é de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para os períodos em que não houve pagamentos, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional (CTN). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CANCELAMENTO. DÉBITOS OBJETO DE COMPENSAÇÃO. Cancelase parcialmente o lançamento de ofício quando a administração constata e comprova a prévia extinção, por meio de compensação, de valores exigidos em auto de infração. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I por voto de qualidade, em negar provimento a uma preliminar de nulidade do auto de infração levantada de ofício pelo Conselheiro Sidney Eduardo Stahl em relação aos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 07 17 /2 00 4- 41 Fl. 897DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 11 2 períodos de apuração do ano de 1999 em face de vício do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Os Conselheiros Flávio de Castro Pontes, José Luiz Bordignon e Marcos Antônio Borges entenderam que esta preliminar não é uma questão de ordem pública e não poderia ser aventada de ofício, além de não reconhecerem quaisquer vícios no MPF. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira que reconheciam a nulidade. II por unanimidade de votos, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso, no sentido de reduzir o valor do débito exigível do período de apuração de 02/1999 para R$ 6.531,92, mantendo os débitos dos demais períodos em discussão. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Fábio Cunha Dower, OAB/SP 151.440. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, José Luiz Bordignon, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 898DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto parcialmente o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Em consequência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias foi lavrado, em 25/05/2004, contra a contribuinte acima identificada, o Auto de Infração relativo à Contribuição para o Programa de Integração Social PIS para formalização e cobrança do crédito tributário nele estipulado no valor total de R$1.164.026,29 (hum milhão, cento e sessenta e quatro mil e vinte e seis reais e vinte e nove centavos), incluindo os juros de mora (calculados até 30/04/2004), referente aos fatos geradores ocorridos nos períodos de 31/01/1998 a 31/12/1998 e 28/02/1999 e 31/12/1999 (fls. 104/106). A ciência da autuação deuse na data da lavratura, conforme consignado à fl. 104. 2. De acordo com o disposto nas folhas de Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fl. 37), a apuração do crédito tributário decorre de insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS (fatos geradores ocorridos em 1998) e Diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado/pago (para os fatos geradores ocorridos em 1999). A exigência está fundamentada nos arts. 1º, 2º e 4º da Medida Provisória nº 1.485/96 e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.701/98; arts. 1º, 2º e 4º da Medida provisória nº 1.67456/96 e suas reedições, convalidadas pela Lei nº 9.701/98 (quanto aos fatos geradores ocorridos em 1999) e art. 149, inciso IV do Código Tributário Nacional; arts 2º e 3º da Lei nº 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858/99 e reedições; art. 4º da Lei nº 9.701/98. 2.1.No Termo de Verificação Fiscal (TVF fls. 99/103), o Auditor Fiscal autuante, ao descrever os fatos, explicita que a ação fiscal fora programada para o lançamento de diferenças entre os valores apurados e declarados do PIS, do ano calendário 1998, bem como a verificação de eventual ação judicial sobre o referido tributo. Relata, ainda que: 2 Em resposta à primeira intimação, o contribuinte informou que apresentou à Delegacia da Receita Federal de São Paulo pedido de compensação dos débitos do PIS de 1998 com créditos do PIS oriundos de decisão judicial favorável, transitada em julgado, na Ação Ordinária de Repetição de Indébito nº 94.5033 0, que deu origem ao processo administrativo nº 10880.034462/9885. 3 Posteriormente, foi juntado ao processo administrativo acima, nesta delegacia, o processo de nº 16327.000169/9949, em virtude de ter o mesmo objeto daquele. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 13 4 4Em consulta ao referido processo, foi verificado no extrato de encerramento, de 03/12/2003, que o valor compensado do PIS de 1998 é de apenas R$ 19.380,66 (dezenove mil, trezentos e oitenta reais e sessenta e seis centavos), embora a diferença entre o PIS apurado e o declarado na DCTF seja de R$ 283.731,23 (...). 2.2.Quanto às irregularidades, expõe o autuante, in verbis: II.1. PIS/1998 5 Ao ser intimado para justificar a diferença apontada no item acima, o contribuinte informou que o valor compensado refere se ao PIS apurado de acordo com a base de cálculo estabelecida pela LC 7/70, em função da Medida Cautelar de nº 96.0024649 1, e que o valor de R$ 296.036,46 (...) declarado como exigibilidade suspensa na DIPJ/99 (ficha 32) referese ao tributo apurado com base na legislação do Imposto de Renda. 6 Na referida ação judicial, o contribuinte questiona a ampliação indevida da base de cálculo por sucessivas Medidas Provisórias (nº 1353/96, 1395/96, 1437/96 e 1485/96), e requer o indeferimento de medida liminar que o abrigue de sanções pela insubmissão à regra do art. 72, inciso V, do ato das Disposições Constitucionais Transitórias, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº 10/96. Em 05/11/2003, foi proferida sentença pela 6a Vara Cível da Justiça Federal em São Paulo, na qual foi julgado parcialmente procedente o pedido formulado pelo autor, para “reconhecer, somente a inexigibilidade do PIS conforme a EC nº 10/96, no período compreendido entre 1º de janeiro de 1996 até 90 dias após a publicação da Emenda, ocorrida em 07 de março de 1996, devendo o recolhimento nesse interstício ocorrer nos termos da legislação vigente anteriormente, restando mantidas as alterações sobre a receita bruta operacional convoladas na Lei nº 9.701/98”. 7 Do exposto, verificase que o contribuinte não tem amparo judicial para calcular o PIS do ano de 1998 de modo diferente do disposto na legislação tributária. Ademais, não houve pagamento do PIS relativo ao anocalendário de 1998, conforme extrato anexo. Desta forma, deverá ser lançada de ofício a parcela da diferença entre o PIS apurado e o declarado em DCTF que exceder ao valor compensado do PIS, com os devidos encargos legais. II.2. PIS/1999 8 Em cumprimento ao MPF Complementar de nº 0816600.2003.0025391, de 25/09/2003, que determinou o procedimento de verificações obrigatórias em relação aos tributos adminstrados pela SRF nos últimos cinco anos, foram apuradas diferenças entre os valores declarados na DIPJ/2000 e os valores pagos. 9 Sobre essas diferenças, o contribuinte informou que foram efetuadas autocompensações ao longo do ano de 1999 com créditos de PIS originados da ação Ordinária de Repetição de Fl. 900DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 14 5 Indébito de nº 94.000.50330. Todavia, no processo informado pelo contribuinte, de nº 10880.034462/9885, não consta pedido de compensação do PIS/1999. 2.3.Quanto à apuração do crédito tributário, o autuante aponta às fls. 101/102, as diferenças apuradas que foram objeto do lançamento de ofício. 3.Irresignada com o lançamento, a interessada, por intermédio de seus advogados e procuradores (docs. às fls. 148/149), apresentou, em 24/06/2004, a impugnação de fls. 114 a 146, acompanhada da documentação de fls. 148 a 273. (...) 4.Considerando (1) que a base de cálculo declarada pela contribuinte não foi em momento algum questionada pela Fiscalização, (2) que na petição inicial do MS nº 2000.61.00.0107439, a contribuinte faz expressa menção ao PIS devido pelas instituições até 31/12/1999, (3) que a sentença prolatada em, 20/06/2003 concedeu a segurança para recolher o PIS tal como ocorria na vigência da LC nº 7/1970 e (4) a disposição contida no artigo 63 da Lei nº 9.430/1996, esta Turma de Julgamento, por meio da Resolução nº 098, de 10/05/2007, resolveu converter o julgamento em diligência à DIFIS/DEINF/SPO para: 4.1. informar se, por ocasião da fiscalização/lançamento, poder seia considerar que parte do crédito tributário lançado (pertinente ao anocalendário de 1999) encontravase com exigibilidade suspensa por força de provimento judicial proferido no MS 2000.61.00.0107439; 4.2. em caso positivo da proposição acima, quantificar a parcela do crédito tributário que se encontrava com exigibilidade suspensa, nos termos do referido provimento judicial. 5. Em atendimento à diligência solicitada, o auditor fiscal autuante assim se manifestou (fls. 650/652): “4.Com relação aos pontos questionados pela DRJ/SPOI, as informações são as seguintes: 4.1.Por ocasião da fiscalização/lançamento não foi levantada a questão da base de cálculo do PIS. Definitivamente, não era possível considerar eventual suspensão da exigibilidade do PIS/99, pelas razões a seguir: ao ser cientificado das diferenças do PIS/99 (fl. 90 e 91), o contribuinte limitouse a informar que as autocompensações efetuadas no ano de 1999 com créditos do PIS decorrem da Ação Ordinária de Repetição de Indébito de nº 94.000.50330 e, ainda, que protocolou pedido de compensação em janeiro de 1999 no processo administrativo de nº 10880.034462/9885, do qual teria remanescido um crédito de PIS no valor de R$ 315.165,62, compensando, dessa forma, as diferenças apontadas Fl. 901DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 15 6 pela fiscalização (fl. 95). Todavia, conforme extrato de encerramento do referido processo (fl. 19 a 31), não estou comprovada a existência de saldo remanescente de crédito tributário a que o contribuinte se refere; ainda na mesma resposta (fl. 96), o contribuinte fez referência ao Mandado de Segurança de nº 2000.61.00.010.74309, mas apenas com relação à COFINS. Informa, também, que obteve sentença favorável que lhe garante o cálculo da COFINS à alíquota de 3% e base de cálculo prevista na LC nº 70/91. Entretanto, tais informações não foram acompanhadas pelas respectivas peças processuais (inicial, liminar, sentença e certidão de objeto e pé); Agora, porém, com a juntada ao processo da certidão narratória do mandado de Segurança de nº 2000.61.00.0107439 (fl. 525 e 526), entendo, s.m.j., que parte do PIS/99 está com exigibilidade suspensa. A quantificação da parcela do crédito tributário que está com exigibilidade suspensa, nos termos do mandado de segurança acima referido, pode ser apurada a partir dos demonstrativos apresentados pelo contribuinte (fl. 522 e 523).” A DRJ em São Paulo(SP) julgou procedente em parte o lançamento nos termos da ementa abaixo transcrita: PIS. DECADÊNCIA. Acatando o entendimento exposto na Súmula Vinculante nº. 8, o direito de constituição do crédito tributário relativo às contribuições sociais decai em 5 anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, quando não se verifica o recolhimento antecipado do tributo. MULTA DE OFÍCIO. CAUSA SUSPENSIVA DA EXIGIBILIDADE. COMPROVAÇÃO. Impõese a exoneração da multa de ofício calculada sobre a parte do crédito tributário que se encontrava com a exigibilidade suspensa por ocasião do lançamento. JUROS DE MORA. APLICAÇÃO O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei tributária. Efetuada a cobrança de juros de mora em perfeita consonância com a legislação vigente, não há base para retificar ou elidir os acréscimos legais lançados. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, fls. 686 a 705, instruído com os documentos de fls. 706 a 737. Em síntese, apresentou as seguintes alegações. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 16 7 Sustentou inicialmente a nulidade do v. acórdão recorrido em razão do cerceamento do direito de defesa, pois a decisão recorrida não examinou as compensações declaradas pela interessada na via administrativa. Insiste que a decisão, tal como lançada pela Autoridade Julgadora de primeira instância, ao não determinar a remessa dos autos para a autoridade competente para analisar as compensações, tende a eternizar o erro cometido pelo agente fiscal preparador do auto, que deixou a par de suas análises a informação prestada pela contribuinte da existência de créditos de PIS e da sua utilização no pagamento de débitos desta mesma contribuição. Após citar doutrina a respeito do cerceamento do direito de defesa, a interessada argumentou que o próprio Superior Tribunal de Justiça tem se manifestado sobre o mister do curso do devido processo legal administrativo para discutir o direito à compensação declarada pelo contribuinte. Solicitou, ainda, que este Egrégio Conselho determine a baixa dos autos a instância de origem, para que o agente fiscal competente proceda à análise das compensações declaradas pela ora recorrente, nas suas DCTFs retificadoras, abrindose, assim, oportunidade para a contribuinte defender o seu procedimento, nos moldes da lei. Em relação à decadência, defendeu novamente a tese de que a compensação, assim como o pagamento, é forma de extinção do crédito tributário, conforme disposto no artigo 156 do CTN. Assim, tratandose de tributos com lançamento por homologação, havendo a quitação do tributo com o efetivo pagamento ou mediante compensação com créditos tributários, como no caso, o resultado final é o mesmo, qual seja, a extinção do crédito tributário. Esta é a razão pela qual, in casu, a regra da contagem do prazo decadencial desloca se para o artigo 150, §4º do CTN. Colacionou vasta doutrina e jurisprudência para sustentar seus argumentos. Aduziu que até a notificação do contribuinte, há a fluidez do prazo decadencial. Assim, o divisor entre estes dois períodos — sujeito e não sujeito à decadência deuse em 25 de maio de 2004, com o recebimento da notificação pelo contribuinte, logo o período anterior a esta data, em que o fisco quedouse inerte, ficou a mercê da decadência. Ademais, defendeu a legitimidade das compensações realizadas com créditos decorrentes de decisão judicial proferida nos autos da ação ordinária de repetição de indébitos de n° 94.000.50330. Repisou basicamente os argumentos suscitados na impugnação. Por fim, requereu o recebimento e conhecimento do presente Recurso Voluntário, para: (i) declare a total nulidade da Decisão ora combatida, determinando a baixa dos autos a origem para que sejam analisadas pela autoridade competente as compensações declaradas pela contribuinte, com o fim de proferir decisão de mérito que viabilize a abertura do devido processo legal e ampla defesa para a recorrente; ou (ii) no mérito: a) reconheça a decadência nos termos do artigo 150, parágrafo 4° do Código Tributário Nacional, para os créditos tributários referentes a fatos geradores anteriores a maio de 1999; e Fl. 903DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 17 8 b) declare extinto o crédito tributário referente ao período de Junho de 1999 a Dezembro de 1999 quitado via compensação com os créditos do próprio PIS oriundos da ação ordinária n. 94.000.50440. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem: a) informasse o andamento do processo administrativo nº 10880.034462/98 85, anexandose cópias das principais decisões proferidas; b) esclarecesse se neste processo administrativo ou em outro foi apurado o crédito tributário reconhecido no processo judicial nº 94.00.050330. Em caso positivo, deveria discriminar as compensações que foram homologadas em relação à contribuição PIS, em especial, informasse se foram aceitas as compensações declaradas nas DCTFs retificadoras de fls. 218 a 441; c) examinasse a escrita contábil em relação aos períodos de apuração do ano de 1999 e verificasse se as alegadas compensações da contribuição PIS foram registradas na contabilidade. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e informou que: o processo administrativo nº 10880.034462/9885 já se encontrava encerrado por ocasião da lavratura Auto de Infração do presente processo, conforme comprova o extrato de encerramento de fls. 21 a 33. Em fls. 781 a 789 apresentou o Despacho Decisório nº 230/2000 do processo nº 10880.034462/9885; o Despacho Decisório nº 230/2000 do processo nº 10880.034462/9885 apurou o crédito tributário reconhecido no processo judicial nº 94.00.050330. Às fls. 790 a 815 apresentou os cálculos das compensações efetuadas no processo nº 10880.034462/9885 e aquelas propostas pelo interessado nas DCTF de fls. 269, 270, 323, 324, 325, 380, 381, 382, 435, 436, e 437, com base no direito creditório reconhecido no processo judicial nº 94.00.050330; o crédito foi suficiente para homologar as compensações do processo nº 10880.034462/9885, para homologar parcialmente a compensação da DCTF de fls. 269 (fevereiro de 1999), e insuficiente para homologar as compensações das demais DCTF (março de 1999 a dezembro de 1999), conforme Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes de fls. 814; intimado, conforme Termo de Intimação nº 40 de fls. 816 a 817, o interessado apresentou a documentação de fls. 821 a 828, demonstrando o registro na contabilidade das compensações do PIS devido, entre os meses de fevereiro a setembro de 1999. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência e manifestouse no prazo que lhe foi concedido. Após breve relatos dos fatos, discordou de seu teor, conforme síntese abaixo. Alega que a autoridade administrativa simplesmente alegou a insuficiência de créditos para a efetivação de toda a compensação declarada pela empresa sem demonstrar no Fl. 904DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 18 9 despacho o saldo de créditos decorrentes do processo judicial 94.00.050330, o que configura cerceamento do direito de defesa. Insiste na tese de que já havia provado o valor dos créditos obtidos em decorrência da decisão transitada em julgado, incluindo os expurgos inflacionários reconhecidos expressamente pela decisão judicial. Sustenta essa tese com a apresentação de tabelas e demonstrativos. Argumenta que após efetuar diversas compensações, possui um crédito remanescente da ordem de R$ 268.930,95 e que utilizou este crédito para compensar os débitos da contribuição PIS do período de fevereiro a dezembro de 1999. Conclui, afirmando que demonstrada a suficiência de seu direito creditório, aguarda a procedência de seu recurso voluntário, com o cancelamento do auto de infração. Assim, os autos administrativos retornaram a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 19 10 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. De início delimitase os períodos de apuração que são objeto de litígio. Do exame da decisão recorrida, verificase que estão em discussão os débitos da contribuição para o PIS dos períodos de apuração de dezembro de 1998 a dezembro de 1999, sendo que débitos parciais dos períodos de apuração de fevereiro de 1999 a dezembro de 1999 estão com a exigibilidade suspensa. Os outros débitos foram exonerados pela decisão de primeira instância. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) por cerceamento do direito de defesa em face de que a decisão recorrida não examinou as compensações declaradas pela interessada na via administrativa sob o argumento de que as DCTF’s retificadoras foram apresentadas após o início da ação fiscal e que a apreciação da extinção (compensação ou pagamento) é assunto além da solução do litígio administrativo. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da DCTF entregue no curso da ação fiscal, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Cumpre registrar que as DCTFs retificadoras apresentadas em 03/05/2004 (fl. 176 – 218/273 e 276/441) apresentadas no curso da ação fiscal (ciência do MPF e do Termo de Intimação Fiscal nº 001 em 18/03/2003 – fls. 01 e 32/33) não tem o condão de afastar nem o lançamento nem a aplicação de penalidade, porquanto, neste período, não socorre ao contribuinte o instituto da espontaneidade (art. 138 do CNT). Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, a apreciação de eventual direito creditório decorrente de medida judicial deve ser realizada em outro processo administrativo de competência da autoridade preparadora. Não há cerceamento do direto de defesa. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 20 11 Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litigio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais não foram apreciadas as DCTFs retificadoras apresentadas no curso da ação fiscal. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. Passase ao exame da preliminar de decadência suscitada pela recorrente em relação aos períodos de apuração 12/1998 a 05/1999. A Lei nº 8.212/91 estabelecia em seu art. 45 que o prazo do direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos era de 10 (dez) anos. Ocorre, todavia, que o Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), após analisar a matéria em sede de controle difuso de constitucionalidade (precedentes recursos extraordinários nºs. 559.9434, 559.8829, 560.6261 e 556.6641), editou a seguinte súmula vinculante: “Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. A propósito dos efeitos da súmula vinculante, o artigo 103A da Constituição Federal de 1988, incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Neste sentido, é o disposto no art. 2º da Lei 11.417/2006: Fl. 907DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 21 12 “Art. 2o O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei.” Destarte, após a publicação desta súmula no DOU em 20/06/2008 com eficácia imediata para a Fazenda Pública, é inconteste que o prazo decadencial é o estabelecido no Código Tributário Nacional A contribuição para o PIS é sujeita à sistemática do lançamento por homologação. Assim sendo, se houver pagamento antecipado da contribuição em tela, aplicase a regra decadencial do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(grifouse) Por outro lado, não havendo pagamento, a regra a ser aplicada é a geral do art. 173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Este também é o magistério de Leandro Paulsen: No caso dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, podem ocorrer duas hipóteses quanto à contagem do prazo Fl. 908DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 22 13 decadencial do Fisco para a constituição de crédito tributário: I) quando o contribuinte efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício de eventual diferença a maior, ainda devida, é de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador, forte no art. 150, § 4º do CTN; 2) quando o contribuinte não efetua o pagamento no vencimento, o prazo para o lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia do exercício seguinte ao de ocorrência do fato gerador, o que decorre da aplicação, ao caso, do art. 173, I, do CTN. Importante é considerar que, conforme o caso, será aplicável um ou outro caso prazo; jamais os dois sucessivamente, pois são excludente um do outro. Ou é o caso de aplicação da regra especial ou da regra geral, jamais aplicandose as duas no mesmo caso. (Leandro Paulsen, Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12 ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado; ESMAFE, 2010, p. 1.190 e 1.191). Nessa esteira é o Parecer PGFN/CAT no 1.617/2008, aprovado pelo Sr. Ministro de Estado da Fazenda em 18/08/2008: (...) para fins de cômputo do prazo de decadência, não tendo havido qualquer pagamento, aplicase a regra do art. 173, inc. I do CTN, pouco importando se houve ou não declaração, contandose o prazo do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; e) para fins de cômputo do prazo de decadência, tendo havido pagamento antecipado, aplicase a regra do § 4º do art. 150 do CTN; O Superior Tribunal de Justiça também consolidou esse entendimento, inclusive em sede de recurso repetitivo de controvérsia: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.INCIDÊNCIA DO ART. 173, INC. I, DO CTN. INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 45 DA LEI N. 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE N. 8 DO STF. 1. O Supremo Tribunal Federal, na Sessão Plenária de 12.6.2008, editou a Súmula Vinculante n. 8, publicada no DO de 20.6.2008, com este teor: "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5.º do DecretoLei n. 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n. 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". 2. Nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação é de se aplicar o art.173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 23 14 No REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/9/2009, submetido ao Colegiado pelo regime da Lei nº 11.672/08 (Lei dos Recursos Repetitivos), que introduziu o art. 543C do CPC, reafirmouse tal posicionamento (grifouse). (REsp 1090021, DJe 05/05/2010) Anotese que, segundo demonstrativos do auto de infração, a interessada não efetuou pagamentos parciais dos débitos em discussão para os períodos de apuração de 12/1998 a 05/1999, de sorte que no presente caso aplicase a regra geral do art. 173, I do CTN. Eventuais compensações declaradas em DCTF’s não se equiparam a pagamento antecipado, de sorte que o prazo decadencial não se desloca para o art. 150, § 4º do Código Tributário Nacional. Não há que se falar em lançamento por homologação pelo simples fato de que a recorrente não antecipou o pagamento da contribuição, limitandose a declarar compensações em DCTF’s retificadoras. Destarte, no caso vertente, a matéria em litígio corresponde aos fatos geradores de 12/1998 a 05/1999 e a ciência ocorreu em 25/05/2004, fl. 160. Assim, o prazo de 05 (cinco) anos é contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. E, iniciada sua contagem em 01/01/2000, constatase que os períodos de apuração acima referidos não foram alcançados pela decadência, como bem assentado pela decisão recorrida. Em remate, aplicandose o art. 173, I, verificase que não se operou o instituto da decadência para os períodos de apuração de 12/1998 a 05/1999. No mérito, a recorrente sustenta essencialmente a legitimidade das compensações efetuadas no ano de 1999 com base no direito creditório decorrente da ação judicial 94.00.050330 ajuizada na 2ª Vara Federal do Distrito Federal. A interessada tem razão parcial. Essa matéria foi objeto da diligência fiscal. Os créditos decorrentes de decisão judicial transitada em julgado nos autos da ação ordinária de repetição de indébitos de n° 94.00.050330 ajuizada na 2ª Vara Federal do Distrito Federal foram apurados no processo administrativo nº 10880.034462/9885, segundo Despacho Decisório nº 230/2000, fls. 781 a 785. Registrese, por oportuno, que este processo já havia sido encerrado quando ocorreu o lançamento de ofício. Do exame dos demonstrativos apresentados, constatase que o direito creditório foi suficiente para homologar parcialmente a compensação do período de apuração de fevereiro de 1999, restando um saldo devedor de R$ 6.531,92, e insuficiente para homologar as compensações dos demais períodos de apuração (março de 1999 a dezembro de 1999), nos termos da Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, fls. 814. Outrossim, não merece prosperar a tese da recorrente de que possui um crédito remanescente da ordem de R$ 268.930,95 e que utilizou este crédito para compensar os débitos da contribuição PIS do período de fevereiro a dezembro de 1999. Fl. 910DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 16327.000717/200441 Acórdão n.º 3801001.760 S3TE01 Fl. 24 15 Como visto, o valor do direito creditório foi apurado no processo administrativo 10880.034462/9885, sendo que eventuais questionamentos em relação ao “quantum” do direito creditório, em especial a inclusão de eventuais expurgos inflacionários, deveriam ser objeto de impugnação no citado processo, não havendo margens para discussões neste processo administrativo. Em suma, reduzse o valor do débito do período de apuração de 02/1999 para R$ 6.531,92, mantendose os demais débitos. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de reduzir o valor do débito exigível do período de apuração de 02/1999 para R$ 6.531,92. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 911DF CARF MF Impresso em 30/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/04/2013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 03/04/2 013 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10675.003559/2002-82
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional - PIS – DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS é de 05 anos, como definido no CTN, não se aplicando ao caso a norma do artigo 45 da Lei 8.212/1991.
Recurso do Sujeito Passivo - MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada.
Recurso especial da Fazenda Nacional negado.
Recurso especial do contribuinte negado
Numero da decisão: CSRF/02-02.630
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, vencido o Conselheiro Antonio Bezerra Neto que deu provimento ao recurso, e por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial do contribuinte, vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez que deu provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Henrique Pinheiro Torres
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ementa_s : Recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional - PIS – DECADÊNCIA. O prazo decadencial para a Fazenda Nacional constituir o crédito pertinente à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS é de 05 anos, como definido no CTN, não se aplicando ao caso a norma do artigo 45 da Lei 8.212/1991. Recurso do Sujeito Passivo - MULTA. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Responde o sucessor pela multa de natureza fiscal. O direito dos contribuintes às mudanças societárias não pode servir de instrumento à liberação de quaisquer ônus fiscais (inclusive penalidades), ainda mais quando a incorporadora conhecia perfeitamente o passivo da incorporada. Recurso especial da Fazenda Nacional negado. Recurso especial do contribuinte negado
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Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2008
Ementa: COFINS. DECADÊNCIA.
O prazo de decadência da Cofins é de dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido realizado.
Recurso especial negado
Numero da decisão: CSRF/02-02.932
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Maria Teresa Martínez López (Relatora), Fábíola Cassiano Keramidas, Antônio Lisboa Cardoso, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que deram provimento ao recurso. O Conselheiro Antônio Praga acompanhou a Conselheira Relatora pelas suas conclusões. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Josefa Maria Coelho Marques.
Matéria: Cofins - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Maria Teresa Martínez Lopez
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Numero do processo: 10920.000223/2002-19
Data da sessão: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Jul 08 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI.
ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA IMPOSSIBILIDADE.
Ressarcimento não se confunde com restituição de tributo, por conseguinte, não é lícito utilizarse da analogia para estender ao ressarcimento a atualização monetária própria da restituição, sob pena de ampliar o montante a ressarcir sem expressa previsão legal.
Numero da decisão: 9303-000.129
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar
provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffman, Marcos Tranchesi Ortiz, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Leonardo Siade Manzan. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Maria Teresa Martinez Lopez
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA IMPOSSIBILIDADE. Ressarcimento não se confunde com restituição de tributo, por conseguinte, não é lícito utilizarse da analogia para estender ao ressarcimento a atualização monetária própria da restituição, sob pena de ampliar o montante a ressarcir sem expressa previsão legal.
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ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA IMPOSSIBILIDADE. Ressarcimento não se confunde com restituição de tributo, por conseguinte, não é lícito utilizarse da analogia para estender ao ressarcimento a atualização monetária própria da restituição, sob pena de ampliar o montante a ressarcir sem expressa previsão legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Susy Gomes Hoffman, Marcos Tranchesi Ortiz, Maria Teresa Martínez López (Relatora) e Leonardo Siade Manzan. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Maria Teresa Martínez López Relatora Henrique Pinheiro Torres Redator Designado Fl. 1028DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Susy Gomes Hoffmann, José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martínez López, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Marcos Tranchesi Ortiz, Leonardo Siade Manzan e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de análise de recurso especial da contribuinte (fls. 269/1004), apresentado contra o acórdão 20180.119 (fls. 954/965), da 3a Câmara do 2o Conselho de Contribuintes, que especificamente não admitiu a atualização monetária no pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI. A ementa dessa decisão na parte recorrida está assim redigida: (...) RESSARCIMENTO DE IPI. JUROS SELIC. Inexiste previsão legal para atualização dos valores objeto de ressarcimento. Recurso negado. Segundo a recorrente, houve interpretação divergente da que lhe deram as decisões proferidas pelas demais Câmaras do antigo Conselho de Contribuintes. Traz jurisprudência em seu favor. Pede a reforma da decisão recorrida. O recurso foi admitido pelo despacho nº 201098/08 (fls 1006/1009). A Fazenda Nacional foi cientificada optando por não apresentar contrarazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Tratam os autos de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI para ressarcimento da contribuição para o PIS e da COFINS, com fundamento na Lei nº 10.276/2001 e IN SRF nº 69/2001, apresentado em 30/01/2002, referente ao 4º trimestre de 2001. A contribuinte é uma indústria montadora de ônibus. O cerne da questão diz respeito a possibilidade de atualização do crédito presumido pela taxa Selic, a partir da protocolização do pedido de ressarcimento. Penso acertado o entendimento defendido pela contribuinte. Por imposição dos princípios constitucionais da isonomia e da moralidade, nada mais justo que à contribuinte titular do direito ao crédito de IPI, lhe seja garantido o direito à atualização monetária pela Selic, nesse período, nos moldes aplicáveis na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais. Isto porque a demora própria do andamento fiscal, e a correspondente defasagem monetária do crédito, não podem ser carregadas como ônus do contribuinte, sob pena de ficar comprometido, pelo menos em parte, o valor ressarcido, que se busca preservar. Fl. 1029DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000223/200219 Acórdão n.º 930300.129 CSRFT3 Fl. 1.015 3 A negativa de aplicação da taxa Selic, nos ressarcimentos de crédito do IPI, por parte dos julgadores administrativos tem sido fundamentada em duas linhas de argumentação: uma, com o entendimento de que seria indevida a correção monetária, por ausência de expressa previsão legal, e a outra considera cabível a correção monetária até 31 de dezembro de 1995, por analogia com o disposto no art. 66, § 3o, da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, não admitindo contudo a correção a partir de 1o de janeiro de 1996, com base na taxa Selic, por ter ela natureza de juros e alcançar patamares muito superiores à inflação efetivamente ocorrida. Não comungo nenhum desses entendimentos, pois, sendo a correção monetária mero resgate do valor real da moeda, é perfeitamente cabível a analogia com o instituto da restituição para dispensar ao ressarcimento o mesmo tratamento, como o faz a segunda linha de argumentação acima referida, à qual não me alio porque, no meu entender, a extinção da correção monetária a partir de 1o de janeiro de 1996 não afasta, por si só, a possibilidade de incidência taxa Selic os ressarcimentos. Entendo que, se sobre os indébitos tributários incidem juros moratórios, também nos ressarcimentos, analogamente à correção monetária, esses juros são cabíveis. Registrese, entretanto, que os indébitos e os ressarcimentos se diferenciam no aspecto temporal da incidência da mora, visto que o indébito caracterizase como tal desde o seu pagamento, podendo ser devolvido desde então. Já os créditos de IPI devem antes ser compensados com débitos desse imposto na escrita fiscal e somente se tornam passíveis de ressarcimento em espécie quando não houver possibilidade de se proceder a essa compensação, cabendo então a formalização do pedido de ressarcimento pelo contribuinte que fará as provas necessárias ao Fisco. Destarte, podese afirmar que a obrigação de ressarcir em espécie nasce para o Fisco apenas a partir desse pedido, portanto, somente com a protocolização do pedido de ressarcimento, podese falar em ocorrência de demora do Fisco em ressarcir o contribuinte, havendo, pois, a possibilidade de fluência de juros moratórios. Ademais, o simples fato de a taxa de juros eleita por lei para a administração tributária ser compensada pela demora no pagamento dos seus créditos e compensar o contribuinte pela demora na devolução do indevido alcançar patamares superiores ao da inflação não pode servir à negativa de compensar o contribuinte pela demora do Fisco no ressarcimento. Alguns, poderiam questionar o por quê da escolha da taxa SELIC. Penso que a sua aplicação vai de encontro ao adotado na legislação, nos pedidos de restituição, compensação e cobrança de créditos da União. Em verdade, o Fisco exige ou paga ao contribuinte aquilo que a União paga para tal captação. Nesse sentido, “os juros” são devidos por representar remuneração do capital, que permaneceu à disposição da empresa, e não guardam natureza de sanção. Por esses motivos, a exemplo do ocorrido na cobrança, restituição ou compensação dos tributos e contribuições federais é que entendo que a escolha da taxa SELIC reflete a melhor opção. Devida assim a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Fl. 1030DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 4 CONCLUSÃO: Em face ao acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso especial da interessada de forma a que: seja devida a atualização monetária, a partir da data de protocolização do pedido de ressarcimento, com a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia Selic, acumulada mensalmente, até o mês anterior ao pagamento e de 1% no mês do pagamento. Maria Teresa Martínez López Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Com as devidas escusas, divirjo da Ilustre Relatora, e o faço pelas razões seguintes: Quanto à questão da incidência de Selic sobre créditos presumido de IPI objeto de ressarcimento, entendo não assistir razão à recorrente, conforme demonstrarseá linhas abaixo. A questão da incidência de Selic sobre créditos presumido de IPI objeto de ressarcimento tem auacitado acirrados debates nwarw Colegiado, ora prevalecendo a posição da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição dos Colegiados. A meu sentir, a posição mais consentânea com o bom direito é a da não incidência de correção monetária desses créditos, visto que, contra tal pretensão, há o fato intransponível da inexistência de previsão legal que autorize a atualização. A Lei concessiva do benefício (Lei 9.363/1996) foi absolutamente silente em relação ao tema. A Instrução Normativa SRF nº 125, de 07/12/89, que trata dos créditos decorrentes de estímulos fiscais na área do IPI, ao prever o ressarcimento em dinheiro dos créditos excedentes aos débitos, não faculta a hipótese de utilização da correção monetária nesses créditos. Aliás, mandou que se corrigisse monetariamente apenas a importância recebida a maior, nos casos em que a requerente, comprovadamente, tenha obtido ressarcimento indevido. Assim, na legislação específica desse benefício não há previsão legal autorizando a correção monetária do valor a ser ressarcido. Resta, agora, analisar a parte geral da Legislação para verificar se há previsão para que se atualizem os créditos do IPI. O RIPI/98, que reproduz a legislação do IPI não traz qualquer autorização para que se corrijam valores a ressarcir. A lei 9.779/1999 que modificou a sistemática de utilização de créditos de IPI não deu qualquer abertura para que se corrigissem eventuais ressarcimentos. A IN SRF nº 33/1999, que cuidou, dentre outros temas, do direito a ressarcimento trimestral do saldo credor de IPI, não previu qualquer hipótese de atualização desses créditos. Fl. 1031DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000223/200219 Acórdão n.º 930300.129 CSRFT3 Fl. 1.016 5 Confirmase, assim, não haver previsão legal para proceder a correção monetária do crédito de IPI, e de outra forma não poderia ser, pois na sistemática de crédito criada pelo legislador ordinário, para atender o princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI, onde se abate o imposto efetivamente pago nas operações anteriores do IPI devido na operação seguinte, não há lugar para a correção monetária, pois consistiria numa redução do IPI a recolher sem base legal ou lógica. Ora, se não é admissível a correção do crédito utilizado para abater do imposto devido, tampouco haveria razão para se permitir a correção do crédito a ser ressarcido. Também a Lei 8.383/91, que instituiu a UFIR como medida de valor e parâmetro de atualização monetária de tributos, multas e penalidades de qualquer natureza, previstos na legislação tributária federal, não tratou da correção do crédito do IPI. O art. 66, § 3º dessa Lei, ao contrário do alegado, não é o suporte legal para a correção monetária dos créditos a lhe serem restituídos. Tal dispositivo trata dos casos de repetição do pagamento indevido ou da parcela paga a maior. Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos e contribuições federais, inclusive previdenciárias, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a períodos subsequentes. § 1º (...) § 3º A compensação ou restituição será efetuada pelo valor do imposto ou contribuição corrigido monetariamente com base na variação da UFIR. (Destaque não presente no original). Decorre dos princípios da hermenêutica que na interpretação das normas jurídicas não se pode dissociar o parágrafo do caput do artigo, a interpretação deve ser integrada, sistêmica e não isoladamente, de tal forma que o parágrafo complete o sentido do artigo ou acrescente exceções ao seu enunciado. Assim, o § 3º supracitado ao estabelecer que o valor da compensação ou da restituição serão corrigidos, está completando o sentido do caput do art. 66 que trata exclusivamente de pagamento indevido ou maior que o devido de tributos e contribuições federais. Por outro lado, a aplicação da taxa SELIC à compensação ou à restituição foi assim estabelecida no art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) Fl. 1032DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES 6 § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Grifouse). Ora, ao reportarse ao art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991, o dispositivo legal acima transcrito restringe a aplicação da taxa SELIC apenas aos casos de compensação ou restituição referentes a pagamento indevido ou a maior que o devido de tributos e contribuições federais. Essas hipóteses de repetição do indébito em nada se assemelham ao ressarcimento dos créditos decorrentes de estímulos fiscais; portanto, não é lícito estender o alcance desse dispositivo legal para permitir a correção monetária pretendida. Por sua vez, o Código Tributário Nacional ao tratar sobre pagamento de tributo indevido ou a maior que o devido assim dispôs: Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento , ressalvado o disposto no § 4º do art. 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; II erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; III reforma, anulação, revogação ou rescisão de3 decisão condenatória. Art. 166. A restituição de tributos que comportem, por sua natureza, transferência do respectivo encargo financeiro somente será feita a quem prove haver assumido referido encargo, ou, no caso de têlo transferido a terceiro, estar por este expressamente autorizado a recebêla. (Grifouse). Como se pode perceber dos dispositivos transcritos, o CTN quando trata de compensação ou restituição, referese a pagamento de tributo indevido ou pago a maior que o devido, o que não é absolutamente o caso do presente processo, que se refere a ressarcimento de crédito presumido de IPI. Ressaltese que o direito à compensação desse crédito ou a seu ressarcimento em espécie, o qual tem como fundamento o favor fiscal graciosamente concedido pela entidade tributante, não tem a mesma natureza jurídica da repetição do indébito, vez que esta tem como origem um pagamento indevido ou maior que o devido pelo sujeito passivo. Em outras palavras, o ressarcimento ou a compensação do crédito de IPI relativo as aquisições de insumos utilizados na fabricação de produtos isentos têm natureza jurídica de incentivo fiscal, enquanto a repetição do indébito, quer na modalidade de restituição, quer na de compensação, tem natureza jurídica de devolução de tributo exigido indevidamente (de receita que ingressou nos cofres da Fazenda Nacional e que não lhe pertencia de direito). Ademais, a empresa ao adquirir os insumos paga a contribuição que vem embutida no preço das mercadorias, exatamente como determina a lei. O que existe Fl. 1033DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10920.000223/200219 Acórdão n.º 930300.129 CSRFT3 Fl. 1.017 7 posteriormente é um favor fiscal que prevê o ressarcimento desses tributos na forma de créditos de IPI. Donde concluise que o ressarcimento desse crédito não se confunde com a devolução de pagamento indevido. Dessa forma, não é lícito valerse da analogia para estender ao ressarcimento de crédito o que a legislação (artigo 39, § 4º da Lei 9.250 c/c o art. 66, da Lei nº 8.383, de 1991) prevê exclusivamente para as hipóteses de compensação e de restituição de pagamento de tributos e contribuições indevidos ou pagos a maior que o devido. Ora, é evidente que se o legislador quisesse conceder a correção monetária também para o ressarcimento em questão, têloia incluído nos diplomas legais citados ou no que instituiu o incentivo fiscal. De todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 1034DF CARF MF Impresso em 20/09/2012 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 19/09/ 2012 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 06/09/2012 por MARIA TERESA MARTIN EZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 13941.000033/2001-61
Data da sessão: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2007
Ementa: COFINS – DECADÊNCIA - O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário relativo à Cofins, extingue-se no prazo de 10 anos, nos termos do art. 45 da Lei nº 8.212/91.
Recurso especial provido
Numero da decisão: CSRF/02-02.624
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso especial, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencida a Conselheira Maria Teresa Martínez Lopez que negou provimento ao recurso.
Nome do relator: Antonio Bezerra Neto
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