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Numero do processo: 10880.939699/2009-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 13 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Mon Nov 09 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Data do fato gerador: 30/09/2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
É dever do contribuinte comprovar nos autos o direito creditório invocado em pedido de compensação, quando existe despacho decisório indicando que não foi identificado o crédito pleiteado, em especial quando esse não reconhecimento se deu pelo fato de o contribuinte ter cometido erros em suas declarações.
Numero da decisão: 1302-004.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator.
(documento assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Flávio Machado Vilhena Dias - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flavio Machado Vilhena Dias, Andreia Lucia Machado Mourao, Cleucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert, Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: FLAVIO MACHADO VILHENA DIAS
1.0 = *:*
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. É dever do contribuinte comprovar nos autos o direito creditório invocado em pedido de compensação, quando existe despacho decisório indicando que não foi identificado o crédito pleiteado, em especial quando esse não reconhecimento se deu pelo fato de o contribuinte ter cometido erros em suas declarações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Henrique Silva Figueiredo, Gustavo Guimaraes da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregorio, Flavio Machado Vilhena Dias, Andreia Lucia Machado Mourao, Cleucio Santos Nunes, Fabiana Okchstein Kelbert, Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Trata-se, o presente processo administrativo, de pedido de compensação transmitido pelo contribuinte JK Comercial e Serviços Ltda., ora Recorrente, através do qual pretendia-se quitar débitos próprios com crédito relativo a saldo negativo de IRPJ referente 3º Trimestre de 2003. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 93 96 99 /2 00 9- 31 Fl. 74DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-004.883 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.939699/2009-31 Como se observa do despacho decisório, o direito creditório invocado, no valor de R$ 52.716,38, não foi reconhecido em razão de a DIPJ do ano calendário 2003 apresentar, para o referido trimestre, saldo positivo de IRPJ a pagar no valor de R$ 45.616,97. Cumpre observar que, antes da emissão do despacho decisório que não homologou os pedidos de compensação, o contribuinte foi intimado a “retificar a DIPJ correspondente ou apresentar PER/DCOMP retificador indicando corretamente o período de apuração do saldo negativo e, se for o caso, corrigindo o detalhamento do crédito utilizado na sua composição”. Contudo, como o contribuinte não atendeu à referida intimação, sendo constatada a inexistência do saldo negativo nas declarações por ele próprio apresentadas, o direito creditório não foi reconhecido e, por consequência, restou não homologada a compensação apresentada. Intimado da referida decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, tal como consta no acórdão proferido pela DRJ de São Paulo I (SP), o seguinte: 2.1. quanto as fatos, equivocou-se ao não informar o valor do IRRF no campo apropriado da DIPJ e, dessa forma, não foram considerados tais efeitos, tampouco foram considerados os valores do imposto de renda recolhidos, decorrentes de tais equívocos; 2.2. requer, portanto, seja o período novamente analisado e as declarações de compensação correspondentes homologadas, 2.3. quanto ao direito, os princípios que regem o processo administrativo fiscal, notadamente, o da informalidade e o da verdade material, devem preponderar sobre a verdade formal, que, no caso, tem, por relevante, o citado equívoco; 2.4. o principio da informalidade implica que o direito não pode ser negado em razão da inobservância de alguma formalidade instituída para garanti-lo, desde que o interesse público almejado tenha sido atendido; 2.5. o princípio da verdade material implica a busca da verdade, ainda que se tenha de valer de outros elementos além daqueles trazidos aos autos pelos interessados, 2.6 como decorrência do princípio da verdade material, têm-se o artigo 149, IV, do CTN; 2.7. é nítido o erro, pois tomou-se por base o valor total do tributo devido, quando em verdade pagou-se uma parte e depois outra, mas não anulando a existência de crédito a seu favor. 2.8. o lançamento tributário, como qualquer outra atividade administrativa, pode conter impropriedades que levem, por erro de fato, à sua alteração (transcreve ementas de decisões administrativas): 3. Pelo exposto, requer seja acolhida a presente defesa administrativa, a fim de que seja julgado improcedente o Despacho decisório, lavrado em 18/05/09, bem como seja homologada a compensação espelhada no referido documento fiscal. Em julgamento realizado, aquela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu por bem julgar como improcedente a Manifestação de Inconformidade, refutando os argumentos apresentados pelo contribuinte. No acórdão proferido, a Turma de Julgamento a quo deixou claro que caberia ao contribuinte apresentar provas do seu direito creditório, em especial porque o não reconhecimento deste se deu por um suposto erro no preenchimento da DIPJ, erro cometido pelo próprio contribuinte. Não concordado com a decisão proferida, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, afirmando, em síntese, que o seu direito creditório poderia ser verificado através da Fl. 75DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-004.883 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.939699/2009-31 análise dos seus documentos contábeis e que, no presente caso, deveria prevalecer a verdade material. Não foi juntado aos autos qualquer prova para corroborar com as afirmações do Recorrente. Ato contínuo, o processo foi distribuído a este relator para julgamento. Este é o relatório. Voto Conselheiro Flávio Machado Vilhena Dias, Relator. DA TEMPESTIVIDADE. Como se denota dos autos, o contribuinte foi intimado do resultado do julgamento no dia 10/05/2013 (AR de fls. 51), apresentando seu Recurso Voluntário em 06/06/2013, conforme comprovante de fls. 52, ou seja, o Recurso ora em análise foi apresentado no prazo de 30 dias, como fixado no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. Assim, por cumprir os demais requisitos de admissibilidade, o Recurso Voluntário deve ser conhecido e analisado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. DA AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. A discussão posta no presente processo versa, basicamente, sobre o não reconhecimento do direito creditório indicado pelo Recorrente em pedido de compensação apresentado para quitar débitos próprios. Como demonstrado acima, o direito creditório invocado no pedido de compensação seria relativo a saldo negativo do 3º Trimestre de 2003, sendo que, nos apelos apresentados, o Recorrente alega que o seu direito creditório não foi reconhecido porque teria se esquecido de indicar o IRRF recolhido no campo apropriado da DIPJ. No acórdão proferido pela DRJ em São Paulo I, os julgadores deixaram claro que “os poucos elementos que a Manifestante traz aos autos demonstram que eles não convergem no sentido de confirmar o crédito alegado, mas, pelo contrário, de infirmá-lo (...)”. Como se não bastasse, a Turma de Julgamento a quo deixou claro, após demonstrar a apuração do IRPJ no período, que é evidente “a ausência de certeza e liquidez do crédito informado no pedido de restituição”. Entretanto, mesmo sendo demonstrado que não houve a comprovação do direito creditório, o Recorrente apresentou o Recurso Voluntário, alegando, tão-somente, que caberia aos julgadores apurar se os créditos invocados no pedido de compensação existem ou não. Pois bem. Este julgador, como já externando em vários acórdãos, tem o entendimento de que o processo administrativo fiscal é delineado por diversos princípios, dentre os quais se destaca o da Verdade Material, cujo fundamento constitucional reside nos artigos 2º e 37 da Constituição Federal, no qual o julgador deve pautar suas decisões. Ou seja, o julgador deve perseguir a Fl. 76DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-004.883 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.939699/2009-31 realidade dos fatos, para que não incorra em decisões injustas ou sem fundamento. Nesse sentido, são os ensinamentos de James Marins: A exigência da verdade material corresponde à busca pela aproximação entre a realidade factual e sua representação formal; aproximação entre os eventos ocorridos na dinâmica econômica e o registro formal de sua existência; entre a materialidade do evento econômico (fato imponível) e sua formalidade através do lançamento tributário. A busca pela verdade material é princípio de observância indeclinável da Administração tributária no âmbito de suas atividades procedimentais e processuais. (grifou-se). (MARINS, James. Direito Tributário brasileiro: (administrativo e judicial). 4. ed. - São Paulo: Dialética, 2005. pág. 178 e 179.) No processo administrativo tributário, o julgador deve sempre buscar a verdade e, portanto, não pode basear sua decisão em apenas uma prova carreada nos autos. É permitido ao julgador administrativo, inclusive, ao contrário do que ocorre nos processos judiciais, não ficar restrito ao que foi alegado, trazido e provado pelas partes, devendo sempre buscar todos os elementos capazes de influir em seu convencimento. Isto porque, no processo administrativo não há a formação de uma lide propriamente dita, não há, em tese, um conflito de interesses. O objetivo é esclarecer a ocorrência dos fatos geradores de obrigação tributária, de modo a legitimar os atos da autoridade administrativa, em especial quando se está invocando um direito creditório, oriundo de um pagamento indevido ao maior. Este Conselho, em reiteradas decisões, há muito se posiciona no sentido de que o processo administrativo, em especial o julgador, deve ter como norte a verdade material para solução da lide. Confira-se: IRPJ - PREJUÍZO FISCAL - IRRF - RESTITUIÇÃO DE SALDO NEGATIVO - ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ - PREVALÊNCIA DA VERDADE MATERIAL - Não procede o não reconhecimento de direito creditório relativo a IRRF que compõe saldo negativo de IRPJ, quando comprovado que a receita correspondente foi oferecida à tributação, ainda que em campo inadequado da declaração. Recurso provido. (Número do Recurso: 150652 - Câmara: Quinta Câmara - Número do Processo: 13877.000442/2002-69 – Recurso Voluntário: 28/02/2007) COMPENSAÇAO - ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO E/OU PEDIDO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração e/ou pedido, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso Voluntário Provido. (Número do Recurso: 157222 - Primeira Câmara - Número do Processo:10768.100409/2003-68 – Recurso Voluntário: 27/06/2008 - Acórdão 101- 96829). Inclusive, não se pode deixar de mencionar que, no julgamento da Manifestação de Inconformidade apresentada pela Recorrente, a Delegacia de Julgamento em Brasília poderia, de ofício, independentemente de requerimento expresso, ter realizado diligências para aferir autenticidade dos créditos declarados pelo Recorrente. Esta é a orientação do artigo 18 do Decreto 70.235/72, Confira-se: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) A interpretação que se pode fazer do citado dispositivo do Decreto que rege o processo administrativo federal é de que deve a Administração Pública se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações dos contribuintes. Fl. 77DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-004.883 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.939699/2009-31 Contudo, mesmo com esse entendimento, que não é acompanhado em alguns casos por todos os membros deste colegiado, não se pode perder de vista que é dever do contribuinte a comprovação das suas alegações, o que impõe a apresentação de argumentos e, em especial, documentos que possam, de alguma forma, confirmar o direito creditório alegado. Com base nisto é que o julgador deverá buscar a Verdade Material dos fatos. No presente caso, como se observa, o Recorrente não trouxe qualquer documento para comprovar o erro cometido na sua DIPJ (que ele mesmo alega que cometeu), tampouco rebateu, no Recurso Voluntário, a apuração do IRPJ no período feita pela DRJ, principalmente no ponto em que ela, mesmo considerando a retenção do IRRF, demonstrou que não haveria saldo negativo a ser restituído no período. Com toda venia, nos apelos apresentados, deveria o contribuinte apresentar elementos de prova para comprovar os seu direito creditório. E somente com as provas carreadas aos autos é que teria o julgador administrativo condições de analisar a existência do crédito, inclusive com a determinação, se fosse o caso, de realização de diligência para que se pudesse confirmar alguma informação necessária ao deslinde da discussão administrativa. O que não se pode admitir é que, arrimado apenas no Princípio da Verdade Material, o contribuinte se furte da demonstração e comprovação do seu direito creditório. Por todo o exposto, VOTA-SE por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Flávio Machado Vilhena Dias Fl. 78DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10680.723232/2008-47
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES A ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃO TRIBUTAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
Somente se exclui da tributação o resgate de contribuições a entidades de previdência privada recebido por ocasião do desligamento do plano de benefício, comprovadamente correspondente às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, cujo ônus tenha sido do contribuinte.
ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
A isenção é sempre decorrente de lei especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, cabendo ao interessado provar o preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei, não é suficiente mera alegação. Recurso negado.
Numero da decisão: 2802-000.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE CLÁUDIO DUARTE CARDOSO
1.0 = *:*
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES A ENTIDADES DE PREVIDÊNCIA PRIVADA. NÃO TRIBUTAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Somente se exclui da tributação o resgate de contribuições a entidades de previdência privada recebido por ocasião do desligamento do plano de benefício, comprovadamente correspondente às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, cujo ônus tenha sido do contribuinte. ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção é sempre decorrente de lei especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, cabendo ao interessado provar o preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei, não é suficiente mera alegação. Recurso negado.
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NÃO TRIBUTAÇÃO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. Somente se exclui da tributação o resgate de contribuições a entidades de previdência privada recebido por ocasião do desligamento do plano de benefício, comprovadamente correspondente às parcelas de contribuições efetuadas no período de 01/01/1989 a 31/12/1995, cujo ônus tenha sido do contribuinte. ISENÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A isenção é sempre decorrente de lei especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, cabendo ao interessado provar o preenchimento das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei, não é suficiente mera alegação. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 01/07/2011 Fl. 98DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Sidney Ferro Barros, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e German Alejandro San Martín Fernández. Relatório Tratase de notificação de lançamento do IRPF exercício 2006, ano calendário 2005, com acréscimo de multa (75%) e juros de mora, em virtude de apuração de omissão de rendimentos de três fontes pagadoras: a) Itaú Vida e Previdência R$5.290,00 (titular) b) Unibanco AIG Vida e Previdência AS – R$7.373,67 (titular) c) Unibanco AIG Vida e Previdência AS –R$23.911,07 (dependente – CPF 198.959.41668). Foram incluídos os valores de IRRF de R$793,50, R$1.106,02 e R$3.586.66, respectivamente. O lançamento foi impugnado parcialmente, com a alegação de que o valor recebido pelo dependente não foi declarado porque a fonte pagadora não comunicou à beneficiária, argumentouse também que a soma de aplicações de 31/01/1996 a 30/11/2002 foi de R$16.529,71 e que nos exercícios de 1999 a 2002 houve dedução de contribuição à previdência privada nos valores de R$1.800,00, 3.772,10, R$4.125,89 e R$4.659,38, respectivamente, de forma que nessas declarações houve tributação sobre o excedente aplicado. A impugnação foi indeferida sob o fundamento de que são tributáveis os benefícios e os resgates de planos de previdência privada, independente deter havido a dedução do valor aplicado na Declaração de Ajuste anual, . Ciente da decisão de primeira instância em 15/03/2010 (fls. 78), o recorrente apresentou recurso voluntário em 29/03/2010 (fls. 80), no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. a importância de R$23.911,07 a que se refere a DIRF do Unibanco AIG não ingressou na conta de sua esposa, Maria Leonice Fonseca Reis, conforme se verifica nos autos da ação cautelar de exibição de documentos (contrato com o PREVER, comprovantes das contribuições e dos resgates, cópia de DIRF) que moveu contra o Unibanco AIG; 2. a decisão na ação judicial demonstra que o Unibanco AIG não comprovou que efetuou o pagamento; 3. a DIRF emitida pela fonte pagadora não possui suporte fático, cujo ônus de provar é da fonte pagadora e não do contribuinte, sendo notório que cabe à fonte pagadora manter a documentação comprobatória do pagamento; 4. equivocouse o relator da decisão recorrida ao concluir com base no extrato prever nº 34 (fls. 8 dos autos da ação de exibição de documentos) que houve resgate de R$23.911,07, bem como esse extrato não faz prova de que essa importância foi creditada na conta de Marília Leonice Fonseca Reis, esse extrato referese ao período de 01 de outubro a 31 de dezembro de 2002, ao passo que a notificação de lançamento reportase ao anocalendário 2005; Fl. 99DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.723232/200847 Acórdão n.º 280200.861 S2TE02 Fl. 99 3 5.outrossim, os documentos de fls. 22/28 invocados pela relatora não comprovam que houve resgate nem que tenha havido o depósito em conta corrente da beneficiária, o que pode ser comprovado pela conclusão da sentença judicial, a qual foi mantida pelo TJMG; 6. não existindo prova do resgate e do efetivo depósito não pode prevalecer a informada constante da DIRF; 7. sustenta que o acórdão recorrido contraria o parágrafo único do art. 941 do RIR1999; 8. não pode ser obrigado a fazer prova negativa; 9. merece ser examinado se a aplicação permitia ou não a dedução na declaração de ajuste anual e se houve efetivamente a dedução; O processo foi distribuído a esse Conselheiro exclusivamente pelo sistema informatizado eprocesso. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio restringese ao lançamento de omissão de rendimentos recebidos da Unibanco AIG Vida Previdência pela esposa do recorrente, como imputado pela autoridade fiscal, ao passo que o recorrente alega que não houve o resgate e o efetivo depósito do valor em conta de sua esposa. O cerne do litígio é a prova da ocorrência do fato gerador, qual seja, o resgate de previdência privada ocorrido no ano de 2005. O lançamento foi feito com base na informação prestada em DIRF pela fonte pagadora (fls. 08), tendo o acórdão recorrido indicado as fls.22/28 como documentos apresentados em sede judicial e que corroboram essa informação. Por sua vez o recorrente argumenta que esses documentos não permitem chegar a essa conclusão. Vejamos esses documentos. O extrato do plano de previdência em nome de Maria Leonice foi apresentado em sede judicial na ação cautelar de apresentação de documentos e indica que no ano de 2005 houve dois resgates um de R$1.058,00, em 04/01/2005, outro de R$22.853,08, em 18/02/2005 (fls. 22), o que totaliza os R$23.911,08 apurados na notificação de lançamento e que foram incluídos em DIRF emitida pela fonte pagadora. Fl. 100DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Foram juntados extratos de diversos meses de 2004 e de janeiro e fevereiro de 2005 referentes à conta corrente nº 7157 1031910 em nome de Marília Leonice Fonseca Reis. Façamos uma comparação entre o documento de fls. 22 e os extratos bancários da Srª Marília Leonice F. Reis, para os lançamentos de 2004 e 2005. Extrato fls. 22 Extrato conta corrente Data Valor Data Valor Histórico 03/03/2004 1.058,00 08/03/2004 1.058,00 resgate de previdência privadaUAP 18/03/2004 538,00 (excedente financeiro distribuído) Nada Nada Nada 12/04/2004 1.058,00 14/04/2004 1.058,00 resgate de previdência privadaUAP 10/05/2004 1.058,00 12/05/2004 1.058,00 resgate de previdência privadaUAP 07/06/2004 1.058,00 09/06/2004 1.058,00 resgate de previdência privadaUAP 02/07/2004 1.058,00 06/07/2004 1.058,00 resgate de previdência privadaUAP 10/08/2004 1.058,00 12/08/2004 1.058,00 CP pagamento fornecedores 14/09/2004 1.058,00 16/09/2004 1.058,00 CP pagamento fornecedores 08/10/2004 1.058,00 13/10/2004 1.058,00 CP pagamento fornecedores 08/11/2004 1.058,00 10/11/2004 1.058,00 resgate de previdência privadaUAP 06/12/2004 1.058,00 09/12/2004 1.058,00 resgate de previdência privadaUAP 04/01/2005 1.058,00 06/01/2005 899,30 resgate de previdência Fl. 101DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10680.723232/200847 Acórdão n.º 280200.861 S2TE02 Fl. 100 5 privadaUAP 18/02/2005 22.853,08 23/02/2005 19.425,12 CP pagamento fornecedores Quanto ao anocalendário 2004, a discriminação feita acima objetiva esclarecer a forma como os valores eram consignados nos extratos bancários e nos extratos do plano de previdência. As informações que interessam diretamente a esses autos são os dois registros relativos ao anocalendário 2005. Anotese que os lançamentos de janeiro e fevereiro de 2005 constam no extratos de resgates no valor bruto e nos extratos de conta corrente no seu valor líquido (85% do valor bruto) o que representa um IRRF de R$3.586,66, exatamente como constou na DIRF e foi computado pela autoridade fiscal. A diferença de datas é irrelevante, podendo ser atribuída ao interstício entre o resgate do plano de previdência e a liberação em conta corrente, bem como é irrelevante a mudança de denominação no histórico que ora usa a expressão resgate de previdência privada, ora emprega a expressão Cp pagamento fornecedores. Estou convencido de que os resgates ocorreram e que foram liberados na conta corrente da Srª Marília Leonice F. Reis nos valores que constaram na notificação de lançamento. Passo a apreciar o argumento de que entre a soma dos valores de contribuição à previdência privada de 1996 a 2002 foi superior à deduções de contribuições à previdência privada com as quais se beneficiou nos exercícios de 1999 a 2002, o que demonstraria que o excedente desse valor já foi tributado. Os recursos foram resgatados na vigência da Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, época em que os resgates de previdência privada sofrem a incidência do imposto de renda nos termos do art. 33, da Lei n° 9.250, de 1995. Art. 33. Sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte e na declaração de ajuste anual os benefícios recebidos de entidade de previdência privada, bem como as importâncias correspondentes ao resgate de contribuições. (grifo acrescido) Não obstante, pacificouse na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça que, por força da isenção concedida pelo art. 6º, VII, b, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, na redação anterior à que lhe foi dada pela Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, é indevida a cobrança de imposto de renda sobre o valor do resgate de contribuições correspondentes a recolhimentos para entidade de previdência privada ocorridos no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 cujo ônus tenha sido exclusivamente do participante (AgRg no REsp 1069790 / RJ, EDcl no AgRg no REsp 742316, AgRg no REsp 742316 RESP 833.653RS, Rel. Ministro Luiz Fux, EREsp 717.046/RJ, Rel. Ministro LUIZ FUX, julgado em 28.02.2007, DJ 02.04.2007; e EREsp 380.011/RS, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, julgado em 13.04.2005, DJ 02.05.2005). Fl. 102DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Tratase de hipótese descrita no inciso XXXVIII, do art. 39 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda) a seguir transcrito: Art. 39 Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXVIII o valor do resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de I° de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 (Medida Provisória n°1.74931, de 14 de dezembro de 1998, art. 69; (grifos acrescidos). Não obstante, a isenção é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão. Nos termos do caput do art. 179 do CTN cabe ao interessado provar o preenchimento das condições e o cumprimento dos requisitos previstos em lei. O recorrente não comprovou que os valores foram decorrentes de resgate de contribuições para a Previdência Privada cujo ônus tenha suportado com exclusividade e que se referem ao período de contribuição de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 , período de vigência da isenção prevista no inciso VII do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Diante do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 103DF CARF MF Emitido em 06/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 01/07/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10480.001016/90-77
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 1991
Data da publicação: Thu Oct 24 00:00:00 UTC 1991
Ementa: FALTA DE MERCADORIA APURADA EM CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. Rejeitada a preliminar de ilegitimidade de parte passiva "ad causam" levantada pela Recorrente. A franquia de 5% estabelecida na I.N. n 2 12/76 da SRF estende-se para a exclusão da responsabilidade tributária, nos casos em que a falta apurada é inferior àquele
limite. Recurso provido.
Numero da decisão: 302-32.130
Decisão: ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencidos os Cons. José Alves da Fonseca, relator, José Sotero Telles de Menezes e Elizabeth Emílio Moraes Chieregatto, que negavam provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Designado relator para redigir o acórdão o Cons. Luiz Carlos Viana de Vasconcelos.
Nome do relator: JOSE ALVES DA FONSECA
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Recorrid : IRF - PORTO DE RECIFE - PE FALTA DE MERCADORIA APURADA EM CONFERÊNCIA FINAL DE MA NIFESTO. Rejeitada a preliminar de ilegitimidade de parte passiva "ad causam" levantada pela Recorrente. A franquia de 5% estabelecida na I.N. n 2 12/76 da SRF es tende-se para a exclusão da responsabilidade tributa - ria, nos casos em que a falta apurada é inferior àque- le limite. Recurso provido. VISTOS, relatados e discutidos os presentes autos, ACORDAM os Membros da Segunda Câmara do Terceiro Conse lho de Contribuintes, por maioria de votos, em dar provimento ao re - curso, vencidos os Cons. José Alves da Fonseca, relator, José Sotero Telles de Menezes e Elizabeth Emílio Moraes Chieregatto, que negavam provimento ao recurso, na forma do relatório e voto que passam a inte grar o presente julgado. Designado relator para redigir o acórdão o Cons. Luiz Carlos Viana de Vasconcelos. Brasília-DF, em 24 de outubro de 1991. JOSÉ ALVE DA FONSECA Presidente L S CARLOS VIANA DE VA 4 ANCELOS - 'el. Designado 0111W 'FF0 n SO NEVES BAPTISTA NETO - Pr t . da Faz. Nacional VISTO EM n SESSÃO DE: _No 8 MAI 1992 - 1:Lp/3w-o. Participaram,ainda, do presente jule...- o os seguintes Conselheiros: RONALDO LINDIMAR JOSÉ MARTO , UBALDO CAMPELLO NETO e RICARDO LUZ DE BARROS BARRETO. Ausente o Cons. INALDO DE VASCONCELOS SOARES. SERVIÇOPUBLICOFEDERAL MEFP - TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES - SEGUNDA CÂMARA 02. RECURSO N 2 113.997 - ACÓRDÃO N 2 302-32.130 RECORRENTE: COMISSÁRIA ALMEIDA COMÉRCIO E NAVEGAÇÃO LTDA. RECORRIDA : IRF - PORTO DE RECIFE- PE RELATOR : JOSÉ ALVES DA FONSECA RELATOR DESIGNADO: LUIZ CARLOS VIANA DE VASCONCELOS lgl RELATÓRIO Adoto o relatório do ilustre Conselheiro José Alves da Fonseca que transcrevo ipsis litteris: • • "Em conferencia final de manifesto do na- vio Rio Coari foi constatada a falta de 68.505 quilo - gramas de malte de cevada, a granel. Pela falta, foi responsabilizado o transportador, representado por seu agente Comissária Almeida Com. e Navegação Ltda. Foi exigido o imposto cobrado sobre a falta de mercadoria que excede a 1% nos termos da I.N.-S.R.F. 95/85. Em impugnação tempestiva, o representan- te inicialmente levanta uma preliminar de ilegitimida- de de parte passiva ad causam. Sustenta que o autuado deveria ser o LLoyd Brasileiro, tendo a Comissária e- xercido as atribuições próprias de agente marítimo. Ci AK ta a súmula 192 do TER. Quanto ao mérito, discorda da apenação alegando que o transportador não pode ser penalizado quando a falta pede a aplicação do DL 116/67 e regula- mento que determina que o não fornecimento do competen te recibo pela entidade depositária, pressupõe a entre ga da mercadoria pelas condições indicadas no conheci- mento. Questiona também o procedimento fiscal pelo fato de a fiscalização ter efetuado o lançamento fiscal antes da verificação do rateio final da descar- ga. Assegura que do total manifestado para Recife foi constatada uma falta de 105.505 Kg e um acréscimo de 207.180 Kg em relação ao total manifestado para Vitó - ria, o que compensaria a falta de Recife. Entende que Imprensa Nacional 03. Recurso: 113.997 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Acórdão: 302-32.130 o crédito tributário exigível seria por acréscimo fi- nal no total de 98.675 Kg. Com relação a aplicação do limite estabe lecido pela I.N.-S.R.F. 95/84 entende ser incabível . Assegura o percentual de falta enquadrar-se como que- bra natural e inevitável conforme reconhecido pela I.N.-S.R.F. 12/76. Questiona, ainda, a alíquota aplicada que entende deve ser de 10% e não de 35%, tendo em vista que o produto é procedente de país integrante do GATT. Entende errônea, também a taxa de câmbio aplicável que, segundo à impugnante deveria ser aquela vigente na da- 00 ta de ocorrência do fato gerador. A autoridade singular manteve a exigen - cia considerando: Que a Comissária Almeida é representante do transportador nas condições dos termos de responsa- bilidade firmados e arquivados na IRF; Que a falta global foi de 110.225 Kg sendo 108.505 Kg em Recife e 1750 Kg em Vitória; Que retirando o percentual de tolerância da I.N. (95/84) resta ainda 32.999 sujeitos a inciden- cia do imposto de importação; Que os percentuais estabelecidos para efeitos de penalidade e de exigencia do imposto foram nw estabelecidos depois de criteriosas consultas; Que o 3 2 CC emitiu diversos acórdãos em- basados no mesmo ponto de vista da IRF; Que o transportador não é beneficiário de alíquotas negociadas em acordos internacionais; Que a taxa de câmbio aplicada foi corre- ta nos termos do artigo 87, II, c, do R.A. Em recurso tempestivo, a Comissária le- vanta os mesmos argumentos com exceção da contestação' ao rateio final da descarga. É o relatório': Imprensa Nacional 04. Recurso: 113.997 SERVIÇO PUBLICO FEDERAL Acórdão: 302-32.130 VOTO VENCEDOR Rejeito a preliminar de ilegitimidade de parte passiva "ad causam" levantada pela recorrente, nos termos do art. 95, inciso II, do Decreto-lei n 2 37/66. No mérito, trata-se de importação de malte de cevada na qual foi apurada a falta de 110.255 quilos para o total manifestado de 7.725.620 quilos. Reiteradamente venho entendendo, nesta Câmara, que o 11) percentual de 5% (cinco por cento) estabelecido na I.N. n 2 12/76 da SRF, também deve ser estendido para a exclusão de responsabilidade tri butária, nos casos em que, comprovadamente, a falta se situa dentro daquele limite, o que ocorre no presente caso, pois a falta apurada corresponde a 1,4% do total manifestado. Pelo exposto, dou provimento ao recurso, prejudicados os demais argumentos. Sala das Sessões em 24 de outubro de 1991. lgl (1.5.12---CAR OS VIANA DE VASCONCELO/S - Relator Designado L/ Imprensa Nacional 05. SER VICO PUBLICO FEDERAL Recurso: 113.997 Acórdão: 302-32.130 VOTO VENCIDO Rejeito a preliminar de ilegitimidade de parte passiva "ad causam". O lançamento é válido tendo em vista que as cláusulas en tre transportador e consignatários opera legalmente entre eles. Os agentes assinaram termos de responsabilidade que são arquivados peran te as repartições fiscais. No presente caso, os Termos assinados pela • Comissária Almeida Comércio e Navegação Ltda. perante a Inspetoria de Recife estão (por cópia) às fls. 83 e 84. No mérito assiste razão à decisão recorrida. A quebra natural para granéis para efeito de inciden - cia do imposto é aquele estabelecido para I.N.-S.R.F. 95. O percentu- al de quebra estabelecido pela I.N. 012/76, reinvidicado pela recor - rente é aplicável, porém, restritivamente para efeito de multas. É pacífica a interpretação de que o transportador não se beneficia de alíquota reduzida obtida por celebração de acordos in ternacionais por contrariar disposição imposto pelo 3 2 do artigo 481 do RA. O erro no valor CIF que o recorrente levanta, se ocorrido, só viria a beneficiá-lo. Quanto 'a taxa de câmbio aplicada deu-se de acordo com IML os ditames do artigo 87, II, c, do R.A., que considero a fórmula cor- reta. Face ao exposto, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 24 de outubro de 1991. lgl id%) iec JOSÉ ALVES DA FONSECA - Relator Imprensa Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 13637.001044/2009-69
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2006
PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
Constado que os dados constantes dos comprovantes de rendimentos
fornecidos pela fonte pagadora são conflitantes entre si, cancela-se o lançamento.
Recuso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2802-001.832
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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Constado que os dados constantes dos comprovantes de rendimentos fornecidos pela fonte pagadora são conflitantes entre si, cancelase o lançamento. Recuso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior – Relator EDITADO EM: 08/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, German Alejandro San Martín Fernández e Sidney Ferro Barros. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, fls. 04/05, para exigência de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, em virtude da seguinte constatação relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 04, verso: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa do valor de R$ 645,99, indevidamente deduzido a titulo de Pensão Alimentícia Judicial, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. Dedução indevida: R$645,99, conforme a seguir especificado: 1 Valor declarado pelo contribuinte: R$15.396,23. 2 Valor apurado de acordo conforme comprovantes apresentados: R$14.750,24 (R$5.652,88 descontado da fonte pagadora Governo do Estado de Minas Gerais + R$9.097,44 descontado da fonte pagadora Universidade Federal de Viçosa). 3 Diferença glosada: R$645,99. Não se conformando com o crédito tributário constituído, o contribuinte apresentou impugnação alegando em sua defesa que os valores apontados como dedução de pensão alimentícia judicial em sua Declaração de Ajuste Anual – DIRPF/2006 foram obtidos no Quadro "Informações Complementares" (campo 6) dos Comprovantes Anuais de Rendimentos referentes ao anocalendário de 2005, fornecidos pelas fontes pagadoras mencionadas pela autoridade revisora. Diante disso, conclui que “uma vez que somente ali constavam separadamente os valores descontados em favor de cada um dos beneficiários das pensões alimentícias, enquanto no item 3 do campo 4 era informado apenas um valor, presumidamente a soma das duas pensões”. Assim, para apurar os valores pagos a título de pensão alimentícia aos respectivos beneficiários (duas pessoas distintas) e consignálos no campo próprio destinado à relação dos PAGAMENTOS E DOAÇÕES EFETUADOS, como determinava o Programa IRPF 2005, informou o impugnante que só teve um caminho a seguir: “somar os valores descontados nas duas fontes em favor de cada beneficiário que constavam somente nas Informações Complementares dos dois comprovantes”. Conclui que, se algum erro ocorreu, não cabe responsabilidade ao impugnante, mas à fonte pagadora, Universidade Federal de Viçosa, que discriminou para cada beneficiário valores divergentes do informado como pensão alimentícia em outro campo do comprovante fornecido. Examinando o caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou improcedente a impugnação, fls. 19 a 21, ao fundamento de que: (...) Equivocouse o contribuinte no preenchimento de sua Declaração de Ajuste Anual 1RPF/2005. 0 valor correto a ser pleiteado como dedução a titulo de "pensão alimentícia judicial" é efetivamente o valor expresso no Quadro 03 — "Rendimentos Tributáveis, Deduções e Imposto Retido na Fonte" — do documento em foco. A diferença entre o valor informado no Quadro 03 (R$ 9.097,44) e o somatório dos valores informados no Quadro 06 (R$ 9.743,35)) referese à pensão alimentícia judicial aplicada sobre Fl. 59DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13637.001044/200969 Acórdão n.º 2802001.832 S2TE02 Fl. 2 3 os rendimentos de Décimo Terceiro Salário recebidos pelo notificado. Cumpre esclarecer, por pertinente, que a pensão alimentícia judicial incidente sobre o Décimo Terceiro Salário, não compõe o valor a ser pleiteado na dedução em epígrafe visto que os rendimentos de Décimo Terceiro Salário são "rendimentos sujeitos a tributação exclusivamente na fonte" e não integram a base de cálculo para apuração do imposto de renda devido na Declaração de Ajuste Anual. Cientificado em 23/12/2011, fls. 30, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 12/01/2012, fls. 32 a 35, acompanhado documentos fls. 33 a 56, reiterando os argumentos apresentados em sua impugnação, para aduzir que: se houve equívoco do recorrente, como considerou a ilustre Quarta Turma da DRJ/JFA, esse se deve às informações, no mínimo incompletas (não separando ou simplesmente não desprezando os valores referentes ao décimo terceiro salário) fornecidas pela fonte pagadora Universidade Federal de Viçosa e nas quais ele confiou, tendo agido, portanto, com a mais absoluta boa fé; por essa razão, insiste na tese sustentada na peça impugnatória, ou seja, a de que, se houve algum equívoco, não cabe responsabilidade a ele, mas à fonte pagadora Universidade Federal de Viçosa, não sendo justo que venha a arcar com considerável ônus financeiro, em termos de multa e juros, conforme, inclusive, preceitua o Código Tributário Nacional, em seu artigo 112; o longo prazo de tramitação do presente processo vai de encontro ao art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal, que assegura a razoável duração do processo, bem como de encontro ao art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, que obriga que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 dias a contar do protocolo de petições. As decisões dos tribunais superiores já manifestaram entendimento de que a inobservância aos princípios e diretrizes (inclusive ao princípio da eficiência) poderá implicar vícios processuais (nulidades e anulidades); requer, finalmente, que seja cancelado o débito fiscal reclamado e, tendo em vista já ter 68 anos de idade, requer e espera, também, prioridade na tramitação do seu recurso. É o relatório. Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O recurso foi tempestivamente apresentado e preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Conforme relatado, tratase de Notificação de lançamento que exige diferença de IRPF em virtude da glosa do valor de R$ 645,99, considerado como deduzido indevidamente a título de pensão alimentícia judicial na DIRPF/2006. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, referido valor corresponde à diferença verificada entre o valor declarado pelo contribuinte (R$ 15.396,23) e o valor apurado de acordo com os comprovantes apresentados: R$ 14.750,24 (R$ 5.652,88 descontado pela fonte pagadora Governo do Estado de Minas Gerais + R$ 9.097,44 descontado pela fonte pagadora Universidade Federal de Viçosa). A decisão proferida pela DRJ em Juiz de Fora manteve o lançamento ao argumento de que o valor correto a ser pleiteado como dedução é efetivamente aquele expresso no Quadro 03 do COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE, fornecido pelas mencionadas fontes pagadoras Por sua vez, depreendese do voto do acórdão recorrido que esse argumento se deve ao fato de o relator haver deduzido que a diferença entre o valor informado no Quadro 03 (R$ 9.097,44) e o somatório dos valores informados no Quadro 06 (R$ 9.743,35) – ambos do referido COMPROVANTE DE RENDIMENTOS PAGOS E DE RETENÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA NA FONTE – referese à pensão alimentícia judicial aplicada sobre os rendimentos de décimo terceiro salário recebidos pelo notificado. Contudo, o exame dos referidos comprovantes de rendimentos revela tão somente a existência de dados conflitantes entre si. Uma vez que não se colhe dos autos nenhum elemento que evidencie que, de fato, a diferença constada referese à pensão alimentícia calculada sobre décimo terceiro salário, há que se desconsiderar a conclusão da autoridade de primeira instância, por tratarse de mera dedução. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 61DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13637.001044/200969 Acórdão n.º 2802001.832 S2TE02 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 8 de outubro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 62DF CARF MF Impresso em 23/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 08/10/2012 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907968/2009-76
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.031
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
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FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] Alexandre Kern Presidente. [assinado digitalmente] João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 31/10/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 2172, do período de apuração de janeiro de 2006, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2006 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907968/200976 Acórdão n.º 3803003.031 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (26/12/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 01/01/2012, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZEM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e a COFINS sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907968/200976 Acórdão n.º 3803003.031 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de janeiro de 2006, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. [assinado digitalmente] 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 13856.000418/96-03
Turma: Terceira Turma Superior
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2005
Ementa: ITR - Comprovado que a área utilizada como referência ao exercício lançado era de 65% da área aproveitável.
Recurso especial negado.
Numero da decisão: CSRF/03-04.658
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO
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Acórdão n° : CSRF/03-04.658 ITR - Comprovado que a área utilizada como referência ao exercício lançado era de 65% da área aproveitável. • Recurso especial negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto • PELA FAZENDA NACIONAL, ACORDAM os Membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. a/7 MANOEL ANTÔNIO GADELHA DIAS PR NTE • CAbcJCí IL KLASk FILHO REATOR FORMALIZADO EM: 02 MAI 2006 Participaram, ainda, do presente julgamento, os seguintes Conselheiros: OTACILIO DANTAS CARTAXO, JUDITH DO AMARAL MARCONDES, PAULO —ROBERTO CUCCO ANTUNES, ANELISE DAUDT PRIETO, NILTON LUIZ BARTOLI e MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JÚNIOR. res • Processo n° :13856.000418/96-03 Acórdão n° : CSRF/03-04.658 Recurso n° : 303-1 21 752 Recorrente : FAZENDA NACIONAL Interessada : AGROMIX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA RELATÓRIO Para facilitar de leitura aponta-se o relatório de fls. 82185, que aqui se pede considerar como se transcrito estivesse, que leio em sessão. • Assim sendo, os autos foram encaminhados à E. Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes para julgamento a qual, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao Recurso Voluntário sob a alegação de não haver fundamento legal para o lançamento do ITR/95 conforme as regras válidas, especificamente para qualquer outro exercício, não servindo o laudo técnico trazido aos autos à finalidade de alterar o VTN considerado como base de cálculo, eis que passou a impressão de pretender demonstrar novo valor para o VTN mínimo do Município do imóvel, sendo para isso incompetente qualquer laudo técnico, por definição da legislação de regência. Acatou, assim, a área de preservação permanente de 1004,5 ha para o imóvel e área utilizada acima de 80% para a área aproveitável. Devidamente intimada da decisão, a Fazenda Nacional, insatisfeita, apresentou Recurso Especial (fls. 104/112) acompanhado do devido Acórdão divergente sobre a questão relativa a retificação da declaração do ITR, reafirmando as razões expostas na decisão de 1° instância administrativa. Alega a impossibilidade de retificação após a notificação de lançamento. Alega ainda da imputabilidade do Laudo Técnico para fins de revisão da base de cálculo do ITR. Intimado da decisão, o contribuinte apresentou suas Contra-Razões (fls. 120/127, reafirmando o que já dissera em momento anterio.ar. 2 • Processo n° :13856.000418/96-03 Acórdão n° : CSRF/03-04.658 Preenchidos os requisitos legais, foi determinado o processamento do Recurso Especial a essa E. Turma. É o relatório C4)cf 110 3 ,è • • Processo n° :13856.000418/96-03 Acórdão n° : CSRF/03-04.658 VOTO Conselheiro CARLOS HENRIQUE KLASER FILHO, Relator. O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, uma vez que foram apresentadas decisões sobre idêntica matéria emanada pelas C. Primeira e Segunda Câmaras do Terceiro Conselho de Contribuintes. 411 Ficou comprovado quanto a área de preservação permanente e o grau de sua utilização, bem como, que a área utilizada como referência ao exercício lançado era de 65% da área aproveitável. Assim, mantenho a decisão recorrida, negando provimento ao Recurso Especial. É como voto. Sala das Sess .es - DF, em 08 de novennb de 2005. • allena w C • 1 is KLASER FILHO el) 4 Page 1 _0001800.PDF Page 1 _0001900.PDF Page 1 _0002000.PDF Page 1
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Numero do processo: 18471.001570/2007-11
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
Súmula CARF n. 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de
rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.”
Numero da decisão: 2802-001.172
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a qualificação da multa, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - ganho de capital ou renda variavel
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 Súmula CARF n. 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.”
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Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir a qualificação da multa, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 04/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Lúcia Reiko Sakae, Carlos André Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros. Fl. 682DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Adoto o relatório de 1ª instância pela fidelidade e detalhamento do quanto passado no feito: Trata o presente processo de crédito tributário constituído por meio do Auto de Infração de fls. 614/619, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física sobre ganho de capital, assim composto: composto: Imposto R$ 37.728,60 Juros de mora (calculados até 28/09/2007) R$ 29.567,90 Multa proporcional (passível de redução) R$ 56.592,90 Valor do crédito tributário apurado R$ 123.889,40 O procedimento em face do interessado foi iniciado com a emissão, em 15/05/2007, do Termo de Inicio de Fiscalização As fls. 02/03, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal à fl. 01, ambos recebidos no domicilio fiscal do interessado em 16/05/2007 (AR f1.25). Neste momento o interessado foi cientificado da abertura de fiscalização bem como intimado a apresentar, em relação ao período a ser auditado, documentação referente a aquisição e alienação de imóveis no Brasil e exterior (itens 4 e 5). Os termos da primeira intimação foram reiterados em 22/06/2007 (fls. 27/30) e 23/07/2007 (fls. 31/34). Em 05/08/2007, a fiscalização expediu o Termo de Intimação A fl. 35. Neste instrumento a fiscalização instou o interessado a apresentar comprovante de eventuais recolhimentos de imposto de renda efetuados junto aos cofres do tesouro dos Estados Unidos da América relativo A venda do imóvel identificado como "Unit, 870, South Bayshore, n 2 801". Segundo a intimação, o imóvel foi adquirido pelo interessado em 18/11/1991, por US$ 88.400,00, em operação de financiamento contratada com banco americano e vendido em 31/10/2002 a Angelo Lalli e Lourdes Lalli, por US$ 157.500,00. Foram juntados As fls. 72/599 documentos coletados por intermédio da Adidância da Receita Federal junto à Embaixada do Brasil em Washington, devidamente convertidos para o vernáculo pátrio por tradutor juramentado. Constam entre os documentos escrituras de compra e venda e certificados de hipotecas relativos ao bem em comento. O interessado manifestouse em 24/09/2007. Acusou o recebimento da intimação de 05/08/2007 e requereu a prorrogação do prazo para entrega da documentação solicitada por mais 30 dias (fl.52). Adiantou, porém, que o valor de compra do imóvel atingiu na realidade o equivalente a US$ 138.700,00 e não o valor indicado na intimação, conforme comprovarão documentos que irá apresentar. Na falta de documentação comprobatória acerca do recolhimento dos impostos relativos A operação de alienação descrita na intimação de 05/08/2007 e com base nos elementos colhidos no decorrer da ação fiscal, a autoridade lavrou o presente Auto de Infração apontando a ocorrência da seguinte infração: Fl. 683DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001570/200711 Acórdão n.º 2802001.172 S2TE02 Fl. 668 3 • Ganho de capital na alienação de bens e direitos. Omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos adquiridos em moeda estrangeira. Omissão de ganho de capital obtido na alienação do imóvel "unit, 870, south Bayshore, 801", que foi adquirido e alienado no exterior com desconhecimento da Receita Federal do Brasil, tendo em vista não constar da Declaração de Ajuste Anual do exercício 2003, anocalendário 2002. O valor lançado corresponde ao imposto, calculado a partir da aplicação da alíquota de 15% sobre o ganho de capital, conforme demonstrativo à fl. 44, acrescido de multa de oficio de 150%. Conforme esclarecido no enquadramento legal do Auto de Infração a multa foi qualificada por tratarse de bem omitido com intuito aparente de sonegar tributos, sendo a conduta do contribuinte capitulada na Lei n. 4.502/1964, art. 71, I. Em apenso aos autos, segue representação fiscal para fins penais (processo n° 18470.001569/200796), formalizada conforme previsto na Portaria SRF n.° 326/2005, apontando a ocorrência de fatos que, em tese, configurariam crime contra a ordem tributária. Em 22/10/2007 o procurador do interessado foi pessoalmente cientificado do Auto de Infração, bem como do Termo de Constatação n 2 2 As fls. 42/43 e do Quadro Demonstrativo de Ganho de Capital As fls. 44/46. Inconformado o interessado apresentou, em 14/11/2007, a impugnação de fls. 626/631. Alega inicialmente que o bem objeto da autuação foi adquirido de forma parcelada por US$ 138.700,00, conforme esclarecimentos anteriores, e não por US$ 88.400,00, conforme apontado no Auto de Infração. Acrescenta ainda que nada lucrou na operação de alienação visto que transferiu o imóvel pelo mesmo valor do financiamento e que a documentação em poder da fiscalização faz prova de suas alegações. Contesta a aplicação da multa de oficio qualificada no percentual de 150%. Defende que a simples falta de apuração e recolhimento do imposto calculado sobre ganho de capital caracteriza apenas omissão de rendimentos, hipótese em que a multa cabível, se provada a infração, seria de 75%. Reproduz ementas de acórdãos do Conselho de Contribuintes sobre a necessidade da prova do evidente intuito de fraude para qualificação da multa de oficio. A 1ª Turma da DRJ/RJ2 manteve o Auto de Infração sob o fundamento de que o contribuinte não conseguiu trazer qualquer documento a infirmar o valor de venda considerado pela fiscalização: Assim, diante dos documentos obtidos pela fiscalização, relativos a assentamentos cartorários, impõese considerar que o custo de aquisição do imóvel foi de US$ 88.400,00 e o valor da alienação de US$ 157.500,00, devendo ser mantido o ganho de capital tal como apurado no lançamento. (fl. 656). O Colegiado a quo manteve a multa qualificada de 150%, por entender presente o dolo na conduta do Recorrente: Fl. 684DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 No presente caso, conforme descrito pela autoridade autuante, houve a qualificação da multa pelo fato de o contribuinte não ter declarado o bem objeto da apuração de ganho de capital em sua declaração de rendimentos do exercício 2003. É evidente que ao deixar de informar em declaração a existência de patrimônio no exterior, o contribuinte dificultou a verificação pelo Fisco da ocorrência do ganho de capital e da falta de recolhimento do respectivo imposto. Juntese a isso o fato de o contribuinte, mesmo depois de ter sido intimado a informar os bens adquiridos ou alienados no Brasil ou no exterior, ter se mantido silente. Não se trata, no caso, da demonstração de que o contribuinte deixou de apurar o ganho de capital ou recolher o imposto devido, o que poderia até ser traduzida numa possível conduta involuntária, chegandose a conclusão de que a imposição da penalidade qualificada não seria justificável. À luz do que foi trazido aos autos, a situação é bastante distinta, tornandose absolutamente inverossímil a idéia de que o contribuinte teria sido apenas descuidado ou cometido meros equívocos. Por todo exposto, entendo que restou configurada a intenção dolosa da impugnante. Ao não informar a existência de bem adquirido no exterior, não só nas Declarações de Ajuste Anual, mas também durante todo o procedimento fiscal, o contribuinte teve a clara intenção de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador do imposto de renda, configurando, em tese, sonegação, nos termos do art. 71, inciso I, da Lei n 2 4.502/1964 devendo, assim, ser mantida a aplicação da multa qualificada de 150%. Em seu recurso, o contribuinte reafirma o equívoco da autoridade lançadora ao tomar como custo de aquisição o valor de US$ 88.400,00 (oitenta e oito mil e quatrocentos dólares) e não US$138.700,00 (cento e trinta e oito mil e setecentos dólares). o valor de US$ 88.400,00 seria o valor da hipoteca e não o valor do custo do imóvel. Alega que a falta de apuração e recolhimento de imposto calculado sobre "ganho de capital", caracteriza apenas omissão de rendimentos, hipótese em que a multa cabível, se provada a omissão, seria a de 75% do lançamento "exofficio". Era o de essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández Relator De início, afasto a aplicação da multa qualificada, por força do disposto na Súmula CARF n. 14: “A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” A mera omissão na declaração da compra e venda de imóvel no exterior ou o fato de o contribuinte, mesmo depois de intimado a informar os bens adquiridos ou alienados no Brasil ou no exterior, ter se mantido silente, desacompanhada da prova do evidente intuito fraudulento, não é suficiente para justificar a multa qualificada. Fl. 685DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.001570/200711 Acórdão n.º 2802001.172 S2TE02 Fl. 669 5 Nesse sentido: SANÇÃO TRIBUTÁRIA – MULTA QUALIFICADA – JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE A evidência da intenção dolosa exigida na lei para a qualificação da penalidade aplicada há que aflorar na instrução processual, devendo ser inconteste e demonstrada de forma cabal. A prestação de informações ao fisco divergente de dados levantados pela fiscalização, bem como a falta de inclusão, na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos, bens ou direitos, mesmo que de forma reiterada, por si só, não caracteriza evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no inciso II, do artigo 44 (2a. Seção 2a. Turma da 2a. Câmara: Processo e 10580.003557/200757; acórdão n.° 220200.174). Quanto ao alegado erro no cálculo do ganho de capital auferido com a venda do imóvel, é de se observar que de acordo com escritura especial de garantia às fls. 103/104, traduzida às fls. 226/231, o recorrente adquiriu em 18/11/1991, imóvel descrito como unidade 870, do condomínio The Four Ambassadors. O instrumento de garantia à fl. 106 (tradução às fls. 234/236), lavrada na data da aquisição do bem, por sua vez, revela que o interessado gravou o imóvel em hipoteca concedida em nome de Flager Federal Savings and Loan Association of Miami de quem contraiu divida no montante de US$ 88.400,00. Segundo escritura especial de garantia às fls. 110/113 (tradução às fls.243/253), o bem foi alienado pelo interessado a Angelo Lalli e Lourdes Lalli em 31/10/2002. Do instrumento de garantia à fl. 118 (tradução As fls. 262/268) extraise que a alienação foi efetivada por US$ 157.500,00. Logo, correto o valor apurado pelo Fisco em relação à omissão de ganho de capital na venda de bem imóvel. Ante o exposto, conheço o recurso voluntário e lhe dou parcial provimento com vistas a excluir a multa qualificada. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 686DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 4 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 687DF CARF MF Impresso em 08/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10930.000779/2002-96
Data da sessão: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2006
Data da publicação: Tue Dec 05 00:00:00 UTC 2006
Numero da decisão: 303-01.238
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, acolher os embargos de declaração ao Acórdão 303-31622, de 16/09/2004, declarar a sua nulidade e declinar da competência ao Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, por se tratar de pedido de restituição de PIS, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ZENALDO LOIBMAN
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Numero do processo: 18471.000410/2005-92
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
IRPF. ISENÇÃO. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. PNUD.
Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Aplicação da Súmula CARF nº 39.
MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA.
Descabida a exigência de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base de cálculo e/ou fato gerador do lançamento do tributo. Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2802-000.825
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente afastar a aplicação da multa isolada.
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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ISENÇÃO. ORGANISMOS INTERNACIONAIS. PNUD. Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Aplicação da Súmula CARF nº 39. MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. Descabida a exigência de multa isolada concomitantemente com a multa de ofício, tendo ambas a mesma base de cálculo e/ou fato gerador do lançamento do tributo. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente afastar a aplicação da multa isolada. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 16/05/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martin Fernandez e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Fl. 132DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2003, anocalendário 2002, baseado na incorreta classificação, na Declaração de Ajuste, dos rendimentos recebidos de pessoa jurídica (R$52.800,00), decorrentes de serviço prestado à organismo internacional Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) Projeto BRA/98/013, implicando exigência de imposto e de multa por falta de recolhimento do carnêleão (75%). Os valores foram recebidos da Unidade de Administração de Projetos da Agência Brasileira de Cooperação – ABC na qualidade de Consultor em Modernização Fazendária – Mensalista (33/36). O contrato de Serviço consta das fls. 39/41. Impugnada a exigência o lançamento foi julgado procedente pela DRJ (fls. 83/95). Ciente da decisão de primeira instância em 28032007 (fls. 97), o recorrente apresentou recurso voluntário em 26042007 (fls. 98), no qual apresenta os seguintes argumentos: 1. os contracheques comprovam que recebia salários mensais pelo desempenho de funções específicas no PNUD, que demonstra uma situação incompatível com a função de técnico que preta serviço ao referido Organismo internacional, sem vínculo empregatício como foi considerado no acórdão recorrido; 2. o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas, suas Agências Especializadas e a Agência Internacional de Energia Atômica é a norma legal que assegura aos peritos de assistência técnica os mesmos privilégios e imunidades dos funcionários das nações Unidas, entre os quais a isenção do imposto de renda pessoa física sobre os rendimentos desse trabalho; 3. a decisão recorrida ignorou as razões do sujeito passivo, pois limitouse a breve menção ao artigo V do Acordo Básico de assistência Técnica; 4. a legislação internacional que prevê isenção de impostos sobre os rendimentos dos servidores das Nações Unidas, entre os quais os servidores do PNUD, Unesco, OIT, FMI, etc, prevalece sobre a legislação pátria, de acordo com o art. 5º da Constituição e o art. 98 do Código tributário nacional – CTN, independente da categoria do servidor, sendo lei especial; 5. a fruição de privilégios por esses servidores é disciplinada pelo Artigo V do Acordo Básico e de Fl. 133DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000410/200592 Acórdão n.º 280200.825 S2TE02 Fl. 126 3 forma clara o item 3 do Artigo IV demonstra que não há distinção entre as categorias dos servidores dos Organismos internacionais; 6. o recorrente integra o corpo técnico do PNUD, o que é confirmado pela letra “d” do Artigo IV do Acordo Básico; 7. não são alcançados pela isenção tributária somente os salários recebidos pelos prestadores de serviços eventuais, isto é, sem vínculo empregatício, autônomos, em consonância com as disposições contidas na Resolução da ONU n°76. de 07 de dezembro de 1946; 8. o acórdão recorrido é omisso quanto à Resolução da ONU nº 76/1946, a qual é citada pela Receita Federal no manual Perguntas e Respostas (pergunta 137), além de pautarse em interpretação isolada da convenção sobre Privilégios e Imunidades da ONU, desconhecendo as disposições do Acordo básico que além de lei especial é posterior (20 anos após) à Convenção; 9. as disposições contidas no Artigo VI da Convenção Seção 22 estendem aos técnicos privilégios nela previstos de forma exemplificativas sem necessidade de mencionar novamente a isenção de imposto já prevista na Convenção em dispositivo próprio; 10. não procede a argumentação de que o nome do funcionário deve constar em lista apresentada ao Governo local, pois ocorreu a substituição gradativa dos especialistas estrangeiros por técnicos brasileiros, cuja atuação é de conhecimento do Governo Brasileiro, cabia à Receita Federal trazer a listagem aos autos, não cabe ao Organismo Internacional dar valoração jurídica (isenção) mas tão só indicar os fatos; 11. as orientações da Receita Federal no Perguntas e Respostas vão em favor de sua tese defensiva, bem como são normas complementares art. 100 do CTN) eximindo o recorrente da exigência de multa e juros decorrente da mudança de interpretação do órgão brasileiro; 12. A Instrução Normativa 208/2002 faz exigências ilegais; 13. não é o contrato particular que define os efeitos tributários e sim a lei; Fl. 134DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 14. decisões administrativas e judiciais, em situação fática idêntica à dos autos admitem a isenção; 15. ao fazer de ofício a reclassificação, a autoridade fiscal deveria considerar o desconto simplificado, essa não foi a opção do contribuinte porque essa modalidade só passa a ser benéfica após a reclassificação de ofício; 16. a multa isolada é incabível pois não ocultou rendimento e também porque incidem duas multas de ofício sobre os mesmos rendimentos auferidos, conforme acórdãos desse Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. O litígio envolve a natureza dos rendimentos recebidos de Organismos Internacionais, no caso a ABC/PNUD/ONU. Inicialmente, ressalto que mesmo que os dispositivos do Acordo sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas sigam linha idêntica à que foi dada pela Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas, essa conclusão, por si só, não beneficia o recorrente no que diz respeito à isenção de impostos. Uma nota de caráter objetivo foi prevista nos Acordos internacionais para fazer com que a isenção fosse reconhecida, a inclusão do nome do funcionário do Organismo Internacional em lista própria a ser encaminhada ao Governo Local, logo essa condição é imprescindível para apurar, caso a caso, a existência do direito à isenção. Não há ilegalidade em Instrução Normativa da Receita Federal que contemple essa exigência. Feitas essas anotações preambulares, passo a apreciar o cerne do litígio. Os litígios envolvendo a isenção conferida aos funcionários dos organismos internacionais foram objeto de decisões do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), conforme pode ser exemplificado pelas ementas a seguir: IRPF PNUD ISENÇÃO A isenção de imposto sobre rendimentos pagos pelo PNUD da ONU é restrita aos salários e emolumentos recebidos pelos funcionários internacionais, assim considerados aqueles que possuem vínculo estatutário com a Organização e foram incluídos nas categorias determinadas pelo seu SecretárioGeral, aprovadas pela Assembléia Geral. Não estão albergados pela isenção os rendimentos recebidos pelos técnicos a serviço da Organização, residentes no Brasil, sejam eles contratados por hora, por tarefa ou mesmo com vínculo contratual permanente.Recurso especial provido. CSRF/04 00060 Fl. 135DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000410/200592 Acórdão n.º 280200.825 S2TE02 Fl. 127 5 IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. REMUNERAÇÃO AUFERIDA POR NACIONAIS JUNTO AO PNUD. TRIBUTAÇÃO – São detentores de privilégios e imunidades em matéria civil, penal e tributária os funcionários de organismos internacionais com os quais o Brasil mantém acordo, em especial, da Organização das Nações Unidas e da Organização dos Estados Americanos, situações não extensivas aos prestadores de serviço junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD, contratados em território nacional. Neste caso, por faltarlhes a condição de funcionário, a remuneração advinda em face de tais contratos não está abrangida pelo instituto da isenção fiscal. CSRF/0400002 Recurso especial provido A matéria foi objeto da Súmula CARF nº 39, que consoante o art. 72 do Regimento Interno do CARF é de observância obrigatória pelos membros do CARF. Eis o teor da referida Súmula: Os valores recebidos pelos técnicos residentes no Brasil a serviço da ONU e suas Agências Especializadas, com vínculo contratual, não são isentos do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Convém ressaltar que o recorrente não comprova o vínculo estatutário, não se desincumbindo do ônus de comprovar que atende aos requisitos da suposta isenção. O que se têm nos autos são comprovantes de contrato de serviço na condição de Consultor em Modernização Fazendária do Projeto BRA/98/013. Não obstante a extensa argumentação trazida aos autos, o que se pode concluir é que o recorrente no anocalendário 2002 estava contratado para prestar serviço ao PNUD, não estando comprovado seu vínculo estatutário e sim contratual, o que prejudica toda a sua argumentação. Aplicase ao caso presente a Súmula CARF nº 29 e com isso ficam prejudicados os demais pontos do recurso. O requerente não tem direito à isenção pleiteada. Quanto à alegações em torno das orientação da Receita Federal e as decisões do Primeiro Conselho de Contribuinte e da CSRF, devese esclarecer que: a) As orientações do Manual Perguntas e resposta não são aptas a outorga de isenção, matéria sujeita à reserva legal, bem como a Pergunta 137 a que se refere remete o leitor à pergunta 136 que por sua vez exige como requisito para a isenção a indicação em lista própria entregue pelo Organismo Internacional ao governo Brasileiro, logo não asseguraria ao recorrente o direito à isenção, incabível aplicar as normas do art. 100 do CTN para afastar a exigência de multa e juros; e b) As decisões proferidas por este Conselho aplicamse, exclusivamente, aos processos em que foram proferidas, somente as Súmulas possuem o caráter vinculante para o membros do CARF, de forma que a Súmula 29 sobrepõese a qualquer outro acórdão que venha a ser apontado pelo recorrente. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Outrossim, eventuais decisões proferidas por Tribunal Regional ou mesmo pelo STJ (em sistemática não abrangida pelo rito do art. 543C do Código de Processo Civil) não vinculam a Administração, pois seus efeitos são restritos às partes. Não obstante, a recorrente alega ilegalidade na concomitância das multas. Tratase de aplicação concomitante da multa de ofício sobre os rendimentos omitidos decorrentes dos valores recebidos de fontes do exterior e sujeitos ao recolhimento mensal obrigatório e da multa isolada sobre os mesmos rendimentos. O julgamento, nesse ponto, por envolver cominação de penalidade à infração da legislação tributária deve manter consonância como o disposto no art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN) e com as lições do direito tributário penal. Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I à capitulação legal do fato; II à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. A interpretação conjunta do art. 112 do CTN com os princípios do direito penal da consunção e da proibição do bis in idem, levam ao entendimento de que a multa isolada (inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) é absorvida pela multa prevista no inciso I do art. 44 da lei 9.430/1996 que é mais abrangente. Nestes autos há identidade entre ambos os valores e concomitância das multas. A concomitância na aplicação da multa isolada e da multa de ofício tem sido repelida por este Conselho, conforme decisões abaixo transcritas que tem afastado a multa isolada nesses casos: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada e da multa de oficio não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo (Acórdão CSRF nº 0104.987 de 15/06/2004). (...) (Acórdão 10248981 de 23/04/2008 da 2ª Câmara do 1º Conselhos de Contribuintes, Relator José Raimundo Tosta Santos, recurso 148.735) MULTA ISOLADA CUMULATIVIDADE MULTA DE OFÍCIO – Contendo o artigo 44, I, da lei n.º 9.430, de 1996, norma que alberga a falta, genérica, de pagamento do Imposto de Renda, sua aplicação inibe a eficácia simultânea daquela contida no § 1.º, III, do mesmo artigo.(Acórdão 10247973, de 19/10/2006, relator Naury Fragoso Tanaka, recurso 143042) Fl. 137DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 18471.000410/200592 Acórdão n.º 280200.825 S2TE02 Fl. 128 7 Notese que a menção acima ao inciso III do §1º da lei 9.430/1996 referese à redação original do dispositivo, sem a alteração promovida pela lei 11.488/2007. No mesmo sentido tem sido o entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme demonstrado abaixo: MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO – CONCOMITÂNCIA – MESMA BASE DE CÁLCULO – A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art.44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo.( CSRF/0400832, de 04/03/2008 da 4ª Turma, relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro e CSRF/0104987, de 15/06/2004 da 1 Turma, relatora Leila Maria Scherrer Leitão) No mesmo sentido, há o seguinte entendimento do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF): CSRF/0400271 12/6/2006 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA Improcede a multa por atraso na entrega da declaração exigida sobre a mesma base de cálculo e concomitantemente com a multa de ofício.(acórdão nº CSRF0400271, de 12/06/2006, da Pleno da CSRF, conselheiro(a) relator(a) Remis Almeida Estol). Destarte, sigo a jurisprudência deste Conselho acima transcrita para afastar a multa isolada. Por essas razões voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para tão somente afastar a aplicação da multa isolada. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 138DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Fl. 139DF CARF MF Emitido em 19/05/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Assinado digitalmente em 16/05/2011 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10860.003913/2002-81
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 25 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício:1999, 2000, 2001
MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. SÚMULA CARF n. 43.
Os proventos de aposentadoria reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda (Súmula CARF n° 43).
Numero da decisão: 2802-001.104
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ISENÇÃO. SÚMULA CARF n. 43. Os proventos de aposentadoria reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda (Súmula CARF n° 43). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. EDITADO EM: 04/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lúcia Reiko Sakae, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Carlos André Ribas de Mello, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Fl. 306DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Versam os presentes autos sobre Auto de pedido de restituição indeferido na instância a quo, relativo a recolhimentos de IRPF realizados nos anoscalendário de 1997 a 2001, realizados sob o pleito de ser a Recorrente portadora de moléstia grave (neoplasia maligna) à época dos fatos geradores do imposto recolhido. Manifestação de inconformidade apresentada pelo espólio não acolhida, por maioria, pela 5ª Turma da DRJII, sob o fundamento de que “(...) não restou comprovado na forma exigida em lei, que esta era portadora da moléstia grave no período em relação ao qual se pleiteou o reconhecimento da isenção.” (fl. 226). Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo espólio, dado o falecimento da contribuinte em 11 de setembro de 2004, com vistas a reformar a decisão, em especial pela comprovação, no curso do processo, de ser a Recorrente portadora de moléstia grave à época dos fatos geradores objeto do pedido de restituição. Era o de essencial a ser relatado, em sucinta análise do quanto passado no feito. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator Tempestivo e interposto por parte legítima, é de se conhecer o presente recurso. Passo ao mérito. Em sentido oposto ao decidido na instância a quo, entendo que o contexto probatório apresentado permite concluir que a Recorrente falecida fazia jus à isenção do IRPF no período compreendido no pedido de restituição negado. Há nos autos laudos médicos de fls. 9, 37, 54, 55, todos emitidos pelo serviço médico oficial Secretaria de Estado da Saúde e Coordenadoria de Saúde de Saúde do Interior Direção Regional de Saúde — Taubaté e assinados pelo médico Oswaldo Noyori, que atestam que a Senhora Marilda Costa Lopes era portadora de "Adenocarcinoma Infiltrante", tendo sido submetida à (sic) mastectomia radical no ano de 1972, em decorrência de "carcinoma infiltrante de douctos". Da análise dos respectivos laudos médicos de fls. 9, 37, 54 e 55, é de observar que apenas no laudo de fl. 55, o médico perito afirma que "a Sra. Marilda Costa Lopes encontrase em seguimento de neoplasia maligna (adenocarcinoma da mama E) CID C — 50 estadio II A tendo havido recidivada (sic) patologia citada, há aproximadamente 2 anos". e de ter a Dra. Patricia Néri Gadelha de Almeida Priante esclarecido que a "a palavra 'seguimento' em oncologia é utilizada para pacientes que já concluíram o tratamento especifico para neoplasia e estão apenas em acompanhamento médico de rotina". Fl. 307DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10860.003913/200281 Acórdão n.º 280201.104 S2TE02 Fl. 271 3 Porém, não há nada nos laudos médicos que leve a qualquer conclusão no sentido de cura da Recorrente; apenas que a neoplasia maligna se encontrava em seguimento (acompanhamento), mormente no período no qual se funda o pedido de restituição. Entendo, pois, que os requisitos exigidos no inciso XIV, do art. 6º, da lei n. 7.713, de 1988, se encontravam preenchidos, de sorte a fazer jus a Recorrente e seus sucessores, à restituição de valores de IRPF indevidamente recolhidos. O óbito da Recorrente por metástase em 2004 e a inequívoca recidiva da doença devidamente atestada a partir de 2002 (fl. 55) me leva a ultrapassar qualquer barreira formal imposta à interpretação de enunciados legais isentivos e a concluir que, em se tratando de neoplasia não há ‘cura’, mas constante acompanhamento (seguimento) da doença, cuja manifestação pode ocorrer a qualquer tempo. Ademais, é de ressaltar que a regra isentiva somente alcança rendimentos provenientes da aposentadoria, o que sequer suscita qualquer indagação quanto à cura ou capacitação para o trabalho dos beneficiários, que eventualmente poderia ser suscitada para restringir o alcance da isenção em relação a pessoas físicas aptas a buscar por suas próprias forças recursos para sua subsistência. Logo provado por Laudo que a Recorrente era portadora de neoplasia maligna desde 1972, é de se aplicar ao caso em julgamento o disposto na Súmula CARF n. 43 assim redigida: “Os proventos de aposentadoria reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda.” Ante o exposto, conheço do recurso voluntário e no mérito lhe dou provimento para determinar a restituição dos valores indevidamente recolhidos de IRPF referente ao AnoCalendário 1999 DIRPF/2000; AnoCalendário 2000 DIRPF/2001; Ano Calendário 2001 DIRPF/2002, nos exatos termos da discriminação feita à fl. 225 dos autos. É como voto. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 308DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão identificado em epígrafe. Brasília/DF, 4 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 309DF CARF MF Impresso em 18/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 04/09/2012 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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