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Numero do processo: 11543.003609/2003-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
PIS/PASEP. ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO.
A contribuição para o PIS/Pasep apenas não incide sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação.
RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL.
As variações cambiais ativas têm natureza de receitas financeiras, não se enquadrando no conceito de receitas de exportação.
NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS.
Para fins de apuração do saldo a pagar no sistema de não-cumulatividade, consideram-se insumos os bens e serviços aplicados diretamente na fabricação do produto.
TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO.
A receita decorrente da transferência onerosa de créditos do ICMS somente deixou de integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS a partir do dia 1º de janeiro de 2009, tal como disposto na Lei 11.945/09.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3102-00.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Beatriz Veríssimo de Sena e Luciano Pontes de Maya Gomes.
Nome do relator: Ricardo Paulo Rosa
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ISENÇÃO. VENDAS PARA EXPORTAÇÃO. A contribuição para o PIS/Pasep apenas não incide sobre as receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior ou vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. As variações cambiais ativas têm natureza de receitas financeiras, não se enquadrando no conceito de receitas de exportação. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração do saldo a pagar no sistema de não-cumulatividade, consideram-se insumos os bens e serviços aplicados diretamente na fabricação do produto. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. BASE DE CÁLCULO. A receita decorrente da transferência onerosa de créditos do ICMS somente deixou de integrar a base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS a partir do dia 1º de janeiro de 2009, tal como disposto na Lei 11.945/09. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a) Conselheiro(a) Beatriz Veríssimo de Sena e Luciano Pontes de Maya Gomes.. Fl. 1DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA 2 Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente. Ricardo Paulo Rosa - Relator. EDITADO EM: 29/12/2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Ricardo Paulo Rosa, Beatriz Veríssimo de Sena, José Fernandes do Nascimento, Luciano Pontes de Maya Gomes. Ausente a Conselheira Nanci Gama. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o pre sente processo de Declaração de Compensação de débito de CSLL com créditos da Contribuição para o Programa de Integração Social — PIS de que trata o § 1° do art. 5° da Lei 10.637/2002. A DRF/VITÓRIA exarou o Despacho Decisório de fls. 140/141, com base no Parecer DRF/VIT/SEORT n° 1518/2008 de fls. 121 a 140 decidindo não reconhecer o direito creditório pleiteado e, por conseguinte, não homologar a compensação efetuada à fl. 01. No Parecer Conclusivo consta consignado, em resumo, que: 1) A produção da Cia Coreano Brasileira de Pelotização — KOBRASCO é comercializada tanto no mercado interno, com vendas para a Companhia Vale do Rio Doce — CVRD, como no mercado externo. A partir de 01/12/2002, a empresa interessada ficou sujeita ao regime de incidência não cumulativo da contribuição para o PIS; 2) O exame da escrita contábil e fiscal, dos demonstrativos de apuração do PIS não-cumulativo e dos demais elementos apresentados pela empresa revelou inconsistências nos valores dos créditos compensados. No que tange à base de cálculo apurada pelo sujeito passivo, foram realizados ajustes e adições adequando- os ao que foi disciplinado pela legislação tributária; 3) Ao analisar os DACON constatou-se que praticamente toda a produção da empresa foi destinada ao mercado externo. Como revelam os Livros Registro de Apuração do ICMS, balancetes e Notas Fiscais de venda, a empresa destinou grande parte de sua produção para a sua coligada Companhia Vale do Rio Doce - CVRD, CNPJ 33.592.510/0220-42, registrando as operações sob o Código Fiscal de Operação 5.11 e 5.101, utilizado para vendas no mercado interno. Da mesma forma, na escrituração contábil os lançamentos fazem menção a vendas no mercado interno; 4) O código utilizado nas Notas Fiscais revela a ausência da finalidade exigida pela Lei 10.637/02 para a fruição do benefício da isenção fiscal, bem como dá suporte para que o destinatário de seus produtos aproveite os créditos de PIS não- Fl. 2DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11543.003609/2003-71 Acórdão n.º 3102-00.861 S3-C1T2 Fl. 298 3 cumulativo vinculados, às aquisições, o que em uma operação com fim específico de exportação não é admitido, conforme art. 21, § 2° da IN 600/2005; 5) Em diligência realizada junto à CVRD, CNPJ 33.592.510/0220-42 verificou-se que em muitos casos, o estabelecimento escriturou as compras como aquisições no mercado interno, com CFOP 1.12 e 1.102. As vendas realizadas pela CVRD são registradas sob os códigos 5.11 e 7.11 (até dez/02) e 5.101 e 7.101 (a partir de jan/03), todas identificadas como vendas de produção própria, não havendo registros no código 7.501 que identifica as exportações de mercadorias recebidas . com fim específico de exportação; 6) Em verdade, trata-se de comercialização normal no mercado interno, em que se tributa a receita auferida pelo produtor e mantém-se o crédito na escrita do comprador; 7) A documentação apresentada pela CVRD em atendimento ao Termo de Solicitação de Documentos confirma os fatos apontados bem como o aproveitamento, pela CVRD, de créditos do PIS utilizados para as compensações sob exame; 8) De acordo com a definição legal dada à expressão "fim específico de exportação", para o gozo do benefício fiscal, as mercadorias vendidas devem ser remetidas diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. É o que dispõem a IN/SRF 247/02, art. 46, § 1°, a Lei 9.532/97, art. 39, § 2° e o Decreto-lei 1.248/72, art. 1°, parágrafo único; 9) Intimada, a CVRD informou que as pelotas são entregues no pátio do remetente. Cumpre observar que o estabelecimento industrial da KOBRASCO não está compreendido em área ou recinto alfandegado, conforme esclarecimento da Inspetoria da Receita Federal do Brasil (fls. 89/92); 10) Verifica-se, assim, que as vendas efetuadas pela interessada à CVRD não estão amparadas pela isenção da contribuição ao PIS, pois não se enquadram na definição de fim específico de exportação; 11) O sujeito passivo equivocou-se ao não incluir na base de cálculo do PIS as variações cambiais dos passivos, conta esta de natureza devedora. Desse modo, ao lançamentos registrados a crédito representam uma receita tributável devendo compor sua base de cálculo; 12) Analisando a contabilidade do sujeito passivo, constatou-se que foi adotado o regime de competência das variações cambiais. Assim, para fins de apuração da base de cálculo do PIS não-cumulativo, foram considerados os valores registrados no Balancete, considerando as variações cambiais ativas decorrentes de conta dos passivos e dos ativos, não fazendo jus à apuração do saldo mensal positivo entre as variações cambiais ativas e passivas como realizado por ele; 13) Constata-se do Livro Registro de Apuração do ICMS que no mês de setembro de 2002 2003 a contribuinte transferiu créditos desse imposto no valor de R$ 88.774.794,67, sem contudo oferecê-las à tributação do PIS. Intimado, o contribuinte apresentou o contrato decorrente dessa cessão de créditos (fls. 74/76); 14) A receita decorrente da cessão de créditos de ICMS a outras empresas está compreendida no faturamento a que se refere o art. 1° da Lei 10.637/2002, incidindo Fl. 3DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA 4 sobre ela a contribuição para o PIS, conforme entendimento expresso na SCI n° 48/2004; 15) Intimado, o contribuinte apresentou planilhas elencando os itens que compuseram a base de cálculo dos créditos de PIS não-cumulativo (fls. 33/38 e 66/70); 16) Foram efetuadas glosas no item serviços contratados diretos — SAC, tendo em vista que alguns desses serviços não se enquadram na definição de insumos delineada pela legislação; 17) O conceito de insumo adveio do Decreto 247/2002. Destarte, para que o serviço prestado possa ser utilizado para fins de apuração dos créditos a descontar, o serviço prestado deve ser necessariamente aplicado ou consumido na produção ou fabricação dos do produto; 18) Foram elaboradas as tabelas de Serviços Contratados Diretos — Serviços Excluídos (fl. 115) onde são discriminados os contratos que foram excluídos da base de cálculo dos créditos a descontar, visto não se enquadrarem na definição de insumos. A Planilha de Apuração da BC dos serviços Contratados (fl. 116) corresponde a soma dos serviços que serviram de base para o cálculo dos créditos e que foi transportada para a Planilha de Apuração da Contribuição para o PIS/PASEP (fls. 117/118); 19) De posse do contrato de operação das usinas de pelotização (fls. 39/65) verificou-se que a CVRD realizou a operação das usinas de pelotização da Kobrasco no período analisado, ficando ajustado uma compensação a ser paga por essa operação; 20) No que tange ao Fator C, foram glosados nas atividades de Serviços de Apoio Administrativos e Serviços Gerais, os gastos com pessoal e gastos diversos, uma vez que não configuram serviços aplicados na produção. Não foram excluídos os gastos com materiais e energia elétrica; 21) O Fator K corresponde a despesas gerais e também foram excluídos da base de cálculo dos créditos por não se enquadrarem na definição de serviços aplicados na produção; 22) O fator Y corresponde à remuneração do capital de giro provido pela CVRD. Não existe previsão legal para que esse tipo de despesa se insira na base de cálculo dos créditos a descontar; 23) O Fator T corresponde a gastos realizados pela utilização de uma pilha adicional, tendo sido mantido na base de cálculo dos créditos a descontar; 24) Não houve correção a ser efetuada nos gastos relativos a Despesas financeiras Mútuo — CVRD, Saldo de Insumos no Estoque em 31/11/02 e Insumos Adquiridos, mantendo-se os valores originais fornecidos pelo sujeito passivo; 25) Foram elaboradas as Planilhas de Apuração a Contribuição para o PIS (fls. 117/118). O campo Receita da Exportação foi preenchido já com seus valores líquidos, retratando nada mais do que os valores lançados a crédito no Livro Balancete da empresa menos os valores lançados a débito. Foi utilizado o saldo das respectivas contas. No campo Receitas Financeiras foram incluídas as contas Variações Cambiais Passivas; 26) O sujeito passivo informou ter adotado o regime de rateio proporcional entre as receitas de exportação e receitas no mercado interno, sendo então utilizada essa metodologia no preenchimento das planilhas de apuração da contribuição; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11543.003609/2003-71 Acórdão n.º 3102-00.861 S3-C1T2 Fl. 299 5 27) Foi elaborada a Planilha de Compensação (fl. 119), a qual ilustra as compensações efetuadas a partir dos valores de débitos e créditos apurados pela diligência. Não foi possível homologar as compensações efetuadas, tendo em vista a ausência de créditos, sendo apurado saldo de PIS a pagar. Conseqüentemente foi emitido auto de infração com vistas a cobrar a contribuição devida. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 28/08/2008 (fls. 145 a 175), alegando, em síntese que 1) A requerente não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo; 2) A Carta Magna prescreve expressamente imunidade tributária atinente às receitas decorrentes de exportação (art. 149, § 2°, inciso I da CF). O art. 5° da Lei 10.637/2002 repete expressamente a determinação Constitucional; 3) O disposto no art. 5° da Lei 10.637/2002 refere-se diretamente à regra da imunidade constitucional das receitas de operações de exportação e, por isso, deve ser interpretado extensivamente; 4) Assim, para o aproveitamento da imunidade não importa que a venda seja destinada a recinto alfandegado ou mesmo que seja destinada diretamente ao embarque para exportação. Basta que o contribuinte comprove que figura na cadeia de exportação e que suas receitas decorrem de operações de exportação; 5) As vendas realizadas pela requerente para a CVRD são destinadas exclusivamente ao mercado externo, conforme os memorandos de exportação; 6) As variações monetárias ativas decorrentes do fechamento dos contratos de câmbio se subsumem ao conceito de "receita decorrente de operação de exportação"; 7) O crédito que goza a requerente com a variação cambial no fechamento do câmbio é direito creditório decorrente das operações de exportação imunes de tributação pelo PIS; 8) Com base no artigo 279 do Regulamento do Imposto de Renda, o crédito de ICMS não pode ser qualificado como receita, pois representa simplesmente um valor retificador do custo anteriormente suportado na aquisição de insumos; 9) Somente pode ser enquadrado no conceito de receita o ingresso de divisas proveniente de contraprestação decorrente do fornecimento de bens ou serviços; 10) Tanto o STJ como o STF têm entendimento pacificado no sentido de que a base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP deve ser pautada pelos limites das Leis Complementares 07/70 e 70/91, ou seja, o resultado decorrente do fornecimento de bens e serviços; 11) O STJ, em caso análogo, entendeu que o crédito presumido de IPI não pode figurar na base de cálculo do PIS/PASEP; 12) Admitir a incidência do PIS sobre o crédito de ICMS equivaleria a nulificar a sistemática adotada pelo legislador, pois se restauraria a incidência em cascata daquele imposto sobre os insumos consumidos no processo produtivo voltado à exportação; Fl. 5DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA 6 13) Ainda que se entenda que o crédito presumido é receita, seria incabível a sua inclusão na base de cálculo do PIS, uma vez que as receitas de exportação são isentas dessa contribuição; 14) O modo sob o qual os bens ou serviços são empregados no processo produtivo (se direta ou indiretamente) não é relevante para a ocorrência ou não do crédito. Tal interpretação se dá com base no art. 145, § 12 da CF e no art. 3º, inciso II, da Lei 10.637/2002; 15) O conceito de insumo é muito mais amplo que os conceitos de matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem, juntos ou isoladamente. Dessa forma, não pode prosperar o entendimento restritivo esposado pela autoridade fiscal; 16) A autoridade fiscal não aceitou os créditos computados pela requerente decorrentes da utilização de serviços relativos à operação das usinas da requerente. Tal entendimento não pode prosperar, pois o inciso II do art. 3° da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado à luz do regime não-cumulativo imposto pelo art. 195, § 12 da CF; 17) Tendo o legislador federal eleito que determinado setor da atividade econômica ficará submetido ao sistema da não-cumulatividade, ele não poderá ultrapassar certos limites jurídicos impostos pela matriz constitucional das contribuições; 18) Para que seja atingida a não-cumulatividade imposta pela sistemática constitucional, o art. 3° da Lei 10.637/2002 deve ser interpretado de modo apto a desfazer os malefícios causados pela cumulatividade, ou seja, a incidência do tributo em cascata sobre todas as fases de produção; 19) Os serviços de frete decorrentes da operação da indústria da requerente oneram a atividade empresarial, pois são tributados em razão do faturamento da empresa prestadora e em virtude do faturamento da empresa vendedora, existindo, então, evidente cumulatividade na incidência das contribuições. Portanto, a exclusão de tais valores viola as prescrições do art. 195, § 12 da CF; 20) Dessa forma, não tem razão a autoridade fiscal ao excluir da base de cálculo do crédito referente à contribuição para o PIS relativa à aquisição dos serviços de operação das usinas de pelotização da requerente; 21) Por fim requer seja dado provimento à manifestação de inconformidade com a finalidade de reformar in totum o despacho decisório. Foi desapensado do presente processo, o processo n° 15578.000216/200 73 que trata do Auto de Infração de PIS, a fim de possibilitar o julgamento em separado da manifestação de inconformidade apresentada pela empresa contra o Despacho Decisório proferido e da impugnação contra o auto de infração lavrado. Após a ciência do contribuinte das decisões proferidas por esta DRJ nos dois processos, os mesmos deverão ser outra vez apensados. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. VARIAÇÃO CAMBIAL. Fl. 6DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11543.003609/2003-71 Acórdão n.º 3102-00.861 S3-C1T2 Fl. 300 7 A exclusão das receitas de exportação da base de cálculo da contribuição ao PIS não alcança as variações cambiais ativas, que têm natureza de receitas financeiras, devendo, como tal, sofrer a incidência daquela contribuição. CESSÃO DE CRÉDITOS DO ICMS. TRIBUTAÇÃO. Os valores auferidos com a cessão de créditos do ICMS estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. Para fins de apuração de créditos da não cumulatividade, consideram-se insumos os bens e serviços diretamente aplicados ou consumidos na fabricação do produto. Insatisfeita com a decisão de primeira instância, a recorrente apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por meio do qual repisa argumentos contidos na impugnação ao lançamento. Esclarece que adquire minério de ferro bruto ('pellet feed') da Companhia Vale do Rio Doce - CVRD, e, em seu estabelecimento fabril (usina de pelotização), transforma esse minério em pelotas destinadas a venda no mercado externo. Que por conta do contrato de administração firmado com a CVRD está obrigada a adquirir um montante mensal de minério bruto, enquanto a CVRD, possuidora do know-how, presta serviços de operação da planta industrial da recorrente. Que, por vezes e outras, o excedente de produção é transferido para a CVRD exclusivamente para a operação de venda no mercado externo e que não realiza operação de venda de pelota de minério de ferro que não seja destinada ao mercado externo, o que se comprova nos memorandos de exportação que são documentos públicos registrados perante a Secretaria da Fazenda do Estado do Espirito Santo. Que é suficiente a comprovação de que tratam-se de operações integrantes da cadeia de exportação e que suas receitas são decorrentes das operações de exportação, pouco importando que a venda seja destinada a recinto alfandegado, ou remetida diretamente ao embarque para exportação, conforme dicção do Decreto Lei n° 1.248/72. Que os créditos correspondentes às variações cambiais monetárias ativas no fechamento do câmbio são, verdadeiramente, direito creditório decorrente das operações de exportação. Cita jurisprudência. Que no julgamento dos recursos extraordinários nº 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, pelo Supremo Tribunal Federal, restou decidida a inconstitucionalidade da cobrança da COFINS sobre as receitas financeiras. Que de acordo com as disposições do Regulamento do Imposto de Renda, o crédito de ICMS, do ponto de vista econômico-financeiro e contábil, não pode ser qualificado como receita, pois representa simplesmente um valor retificador de custo anteriormente suportado na aquisição de insumos. Sustenta que o modo sob o qual os bens ou serviços são empregados no processo produtivo, se direta ou indiretamente, não é relevante para a ocorrência o não do Fl. 7DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA 8 crédito, ao contrário do que entendeu a fiscalização, entendimento que considera em desconformidade com a interpretação literal do art. 3°, inc. II, da Lei 10.687/2002, pois insumo é um conceito muito mais amplo que os conceitos de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem, e que o fato apto a ensejar a existência do crédito é representado pela ocorrência da incidência em cascata das contribuições. Considera incorreta a exclusão da base de cálculo do crédito correspondente às contribuições para o PIS/PASEP na aquisição dos serviços de operação das usinas de pelotização, pois os serviços de frete decorrentes da operação da sua própria indústria oneram a atividade empresarial, na medida em que, além de serem tributados em razão do faturamento da empresa prestadora, serão tributados em virtude do faturamento da empresa vendedora, ocorrendo, então, evidente cumulatividade na incidência das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator. Tal como se depreende dos autos, a apresentação de diversas Declarações de Compensação por parte da contribuinte deu azo à realização de diligência com o fito de atestar a regularidade do pleito, restando identificadas inconsistências tanto nos valores informados a título crédito do administrado quanto naqueles identificados como crédito tributário, trazendo como consequência a não homologação das Declarações de Compensação e a constituição do crédito tributário por meio de auto de infração veiculado neste e em outros processos, cada um deles versando sobre períodos distintos. A análise das alegações presentes no recurso voluntário denota uma linha de argumentação alicerçada na interpretação da lógica que, segundo a recorrente, suporta o sistema da não-cumulatividade tributária, com fulcro nas disposições constitucionais. É neste diapasão que a recorrente argumenta que pouco importa se “a venda seja destinada a recinto alfandegado, ou remetida diretamente ao embarque para exportação, conforme dicção do Decreto Lei n° 1.248/72”, “bastando a comprovação de que tratam-se de operações integrantes da cadeia de exportação”. Em sentido oposto determina a legislação, tal como já mencionado na decisão de piso. O Decreto-lei n° 1.248/1972, ao dispor sobre o tratamento tributário das operações de compra de mercadorias no mercado interno, para o fim específico da exportação, dá a seguinte definição: "Art. 1° As operações _decorrentes de compra de mercadorias no mercado interno, quando realizadas por empresa comercial exportadora, para o fim especifico de exportação, terão o tratamento tributário previsto neste Decreto-lei. Parágrafo único. Consideram-se destinadas ao fim específico de exportação as mercadorias que forem diretamente remetidas do estabelecimento do produtor- vendedor para: a) embarque de exportação por conta e ordem da empresa comercial exportadora; Fl. 8DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11543.003609/2003-71 Acórdão n.º 3102-00.861 S3-C1T2 Fl. 301 9 b) depósito em entreposto, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, sob regime aduaneiro extraordinário de exportação, nas condições estabelecidas em regulamento. Art. 3° São assegurados ao produtor-vendedor, nas operações de que trata o artigo 1° deste Decreto-lei, os benefícios fiscais concedidos por lei para incentivo à exportação." Acrescenta o i. Julgador de primeira instância. Registre-se que os memorandos de exportação emitidos pela CVRD, anexados aos autos por cópia não se constituem em elementos de prova capazes de contradizer as informações extraídas do Livro Razão, Livro do ICMS e Notas Fiscais de venda, uma vez que não se trata de livro contábil revestido das formalidades necessárias para que possa fazer prova a favor do contribuinte. Os citados memorandos de exportação apenas demonstram que os produtos adquiridos pela CVRD da KOBRASCO foram posteriormente exportados, o que não foi objeto da análise da DRF/VITÓRIA, por ser irrelevante ao caso. Não há qualquer impedimento para que os produtos adquiridos no mercado interno sejam posteriormente destinados ao exterior pela empresa adquirente, situação em que a empresa exportadora fará jus ao crédito de PIS calculado sobre o valor das mercadorias adquiridas e as receitas decorrentes da venda ao exterior estarão isentas do PIS e da COFINS. Penso que tem razão a Delegacia da Receita Federal de Julgamento. As vendas realizadas no mercado interno, ainda que posteriormente destinados ao exterior, não estão contempladas pelo benefício, se não aquelas criteriosamente especificadas na norma. No que diz respeito à fração do crédito glosado pelo fato de ter sido considerado como não aplicado diretamente na fabricação dos bens, a recorrente, ao discorrer sobre a irrelevância do modo pelo qual os bens ou serviços são empregados no processo produtivo, advoga ser o conceito de insumo muito mais amplo que os conceitos de matéria- prima, produto intermediário e material de embalagem, apontando o erro da fiscalização na valoração de tais circunstâncias. Contudo, o que se observa da decisão de piso é que tal distinção foi respeitada, na medida em que as glosas se deram pelo fato de as despesas não se enquadrarem no conceito de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto, hipótese contemplada na letra “b” do item 1 do parágrafo 5º do artigo 66 da IN SRF n° 247/2002, alterada pelas IN SRF n.º 358/2003 e 464/2004, e não na letra “a”, onde estão relacionadas as matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem. Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep não-cumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: 1- das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na fabricação de produtos destinados à venda; ou Fl. 9DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA 10 b.2) na prestação de serviços; § 5° Para os efeitos da alínea "b" do inciso 1 do caput, entende-se como insumos: I- utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II- utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Ainda considerando os apontamentos presentes no voto condutor da decisão recorrida, consta que as despesas glosadas dizem respeito à operação e manutenção do aterro industrial, estudos e desenvolvimento de engenharia, sensibilização e promoção da consciência ambiental, serviços técnicos de engenharia de projetos industriais, manutenção e monitoramento da qualidade do ar, consultoria em meio ambiente, serviços técnicos de gerenciamento dos serviços de engenharia, serviços de apoio administrativo, serviços gerais, gastos com pessoal e gastos diversos classificados no Fator C (fator que não compreende serviços aplicados na produção da empresa) despesas gerais classificados no Fator K, os créditos calculados sobre a remuneração do capital de giro correspondente ao Fator Y serviços técnicos de controle e automação. Acolhêssemos a pretensão da recorrente e não restaria uma só despesa que não pudesse ser classificada como insumo, passível de ser excluída na apuração do quantum devido. Fosse essa a intenção do legislador e, certamente, a expressão bens e serviços utilizados como insumo, presente no artigo 3º da Lei 10.637/02, deveria ser substituída pela expressão quaisquer bens e serviços. Ainda a esse respeito, cumpre esclarecer que a defesa limitou-se à discussão do conceito de insumos, sem qualquer esforço com vistas ao reconhecimento de pelo menos parte das despesas glosadas como inseridas no conceito de serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto destinado a venda, razão pela qual deixo de examinar a possibilidade de que algum destes serviços pudesse ensejar o lançamento credor na apuração dos tributos. No tocante aos créditos correspondentes às variações cambiais monetárias ativas no fechamento do câmbio, entendo estar, mais uma vez, correta a decisão de primeira instância, razão pela qual adoto, in totum, os argumentos trazidos, que passo a transcrever. Variações Cambiais Ativas: Em seguida a impugnante apresenta a tese de que a variação cambial ativa apurada em sua escrita contábil é oriunda de contratos de exportação e, por esta Fl. 10DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11543.003609/2003-71 Acórdão n.º 3102-00.861 S3-C1T2 Fl. 302 11 razão, deve ser considerada receita decorrente de operação de exportação, alcançada pela isenção prevista no artigo 5° da Lei 10.637/2002. A tese do contribuinte não pode prosperar. Tanto do ponto de vista contábil como fiscal as variações monetárias recebem tratamento distinto das receitas de vendas de mercadorias, sejam elas destinadas ao exterior ou não. As variações monetárias dos direitos de crédito, em função da taxa de câmbio ou de outros índices ou coeficientes legais ou contratuais têm natureza de receita financeira, conforme se depreende do artigo 9°, da Lei 9.718, de 1998 e como tal devem integrar a receita da empresa, base de cálculo do PIS e da COFINS, independentemente do tratamento fiscal dispensado às receitas de vendas de mercadorias que lhes deu origem. Art 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. Vale lembrar que de acordo com o artigo 111 do Código Tributário Nacional, a legislação que verse sobre isenção de tributos deve ser interpretada literalmente, não sendo permitida a interpretação extensiva. Mencione-se, ainda que o art. 30 da Medida Provisória 2.037-23, de 2000, reeditada pela Medida Provisória 2.158-35, de 2001 prevê tratamento tributário específico para as receitas provenientes de variação cambial dispondo que os contribuintes poderão optar em oferecê-las à tributação no momento da liquidação das correspondentes operações. Sobre o tema, cabe transcrever trechos da Solução de Consulta SRRF/4- 4RF/DISIT N231, de 29 de setembro de 2003: "4. Especificamente sobre as variações monetárias em função da taxa de câmbio -variação cambial-, o mencionado Decreto n° 4.524, de 2002, em seu art. 13, com respaldo no art. 90 da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998, dispôs, in verbis: 'Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio, ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência das contribuições, como receitas financeiras (Lei n° 9.718, de 1998, art. 9°, e Medida Provisória n°2.158-35, de 2001, art. 30). § 1° As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2° À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1° poderão ser consideradas na determinação da base de cálculo das contribuições segundo o regime de competência. . § 3° A opção prevista no § 2° aplicar-se-á a todo o ano-calendário. § 4° A alteração no critério de reconhecimento das receitas de variação monetária deverá observar normas a serem expedidas pela Secretaria da Receita Federal (SRF).'(g.n.) Fl. 11DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA 12 5. Esse excerto legal torna evidente que a variação cambial positiva, também denominada de variação cambial ativa, tem natureza jurídico-contábil de receita financeira, distinta, pois, da receita de exportação; 0 auferimento da receita decorrente da variação cambial não deriva da operação de exportação em si, mas do incremento patrimonial causado pela desvalorização da moeda nacional em relação à estrangeira. Trata-se, em última análise, de um verdadeiro ganho de capital originado da valorização de um ativo da empresa. Portanto, pouco importa a origem do valor contratado em moeda estrangeira, bastando ser de propriedade da empresa para que a variação cambial ativa influa positivamente em seu resultado tributável. 6. Neste sentido, a Secretaria da Receita Federal - SRF expediu o Ato Declaratório SRF n° 73, de 9 de agosto de 1999, verbis: (..) 10. De todo o exposto, resta concluir que a variação monetária ativa do direito de crédito em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes legais ou contratuais tem natureza de receita financeira, devendo, como tal, compor a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins."(Grifei) Dos ensinamentos transcritos, conclui-se que a variação monetária ativa tem natureza diversa da receita de exportação de mercadorias. Tratando-se de receita financeira, não está alcançada pelo benefício fiscal concedido às receitas decorrentes de operações de exportação de mercadorias para o exterior, ficando sujeita à incidência da contribuição ao PIS, nos termos dos artigos 10 e 2°, da Lei 10.637/2002. Correto, portanto, o ajuste efetuado pela autoridade fiscal no sentido de incluir na base tributável da contribuição em tela, as receitas correspondentes à variação monetária ativa. No que diz respeito à receita decorrente da transferência onerosa de créditos do ICMS, tal como disposto na Lei 11.945/09, foi apenas a partir do dia 1º de janeiro daquele ano que esse tipo de ingresso deixou integrar a base de cálculo das contribuições. Art. 15. Os arts. 3o e 5o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998, passam a vigorar com a seguinte redação: (...) V - a receita decorrente da transferência onerosa a outros contribuintes do ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1 o do art. 25 da Lei Complementar n o 87, de 13 de setembro de 1996. Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I - a partir de 1o de janeiro de 2009, em relação ao disposto: b) no art. 15, relativamente ao inciso V do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; Lei 9.718/98. Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluem-se da receita bruta: Fl. 12DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11543.003609/2003-71 Acórdão n.º 3102-00.861 S3-C1T2 Fl. 303 13 De resto, a impugnação referente à glosa das despesas de frete foi nos seguintes termos respondida no voto condutor da decisão a quo. Por fim, registre-se ser improcedente a alegação da autuada quanto à suposta glosa relativa a despesas com fretes, uma vez que não há registro nos autos de exclusão da base de cálculo dos créditos a descontar, de valores registrados a esse título. Não havendo no recurso voluntário nada que contradite a informação acima transcrita, mas apenas a reprodução do teor do protesto contido na impugnação, adoto, também neste particular, a decisão de piso. Pelo exposto, VOTO POR NEGAR provimento ao recurso voluntário apresentado pela recorrente. Sala de Sessões, 10 de dezembro de 2010. Ricardo Paulo Rosa Fl. 13DF CARF MF Emitido em 01/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA Assinado digitalmente em 29/12/2010 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, 29/12/2010 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 10950.003680/2005-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2000
EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO.
Verificado equívoco na ementa do acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação do correto exercício objeto de análise no caso concreto, deve tal lapso ser sanado, esclarecendo-se a que exercício se referiu o julgamento.
Numero da decisão: 2102-003.281
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para RERRATIFICAR o Acórdão nº 2102-01.588, de 28/09/2011, sem alteração de resultado, para que de sua ementa conste o Exercício de 2001.
Assinado Digitalmente
Joao Bellini Junior - Presidente Substituto
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 06/04/2015
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOAO BELLINI JUNIOR (Presidente Substituto), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, LIVIA VILAS BOAS E SILVA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1795; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 141 1 140 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10950.003680/200551 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2102003.281 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2015 Matéria ITR Embargante AGRO MERCANTIL VILA RICA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2000 EMBARGOS INOMINADOS. LAPSO MANIFESTO. CORREÇÃO. Verificado equívoco na ementa do acórdão embargado, especificamente no que diz respeito à indicação do correto exercício objeto de análise no caso concreto, deve tal lapso ser sanado, esclarecendose a que exercício se referiu o julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos, para RERRATIFICAR o Acórdão nº 210201.588, de 28/09/2011, sem alteração de resultado, para que de sua ementa conste o Exercício de 2001. Assinado Digitalmente Joao Bellini Junior Presidente Substituto Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 06/04/2015 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros JOAO BELLINI JUNIOR (Presidente Substituto), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, ALICE GRECCHI, NUBIA MATOS MOURA, LIVIA VILAS BOAS E SILVA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 36 80 /2 00 5- 51 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI 2 Relatório Em face do acórdão nº 210201.588, proferido por esta Turma de Julgamento em 28.09.2011, foi apresentado o Requerimento de fls. 167, por meio do qual a Delegacia da Receita Federal em Maringá solicita os esclarecimentos deste CARF quanto a lapso contido na referida decisão, especificamente no que diz respeito ao Exercício objeto de julgamento, tendo em vista que o acórdão fez menção ao Exercício 2000, quando o processo se referia ao exercício 2001. A fim de sanar o lapso apontado, deve a questão ser submetida à turma para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator Conforme relatado, tratase de embargos inominados opostos com o objetivo de sanar lapso manifesto apontado na decisão recorrida no que diz respeito ao correto exercício para o qual se exige o ITR analisado nestes autos. Com efeito, revisando o acórdão em questão, é possível verificar que consta da ementa a menção ao Exercício de 2000. Entretanto, todo o restante do documento faz menção ao Exercício correto (2001) e levado a julgamento no caso. Ao longo do relatório e do voto não foi cometido qualquer equívoco quanto ao correto Exercício apreciado por ocasião do julgamento do Recurso Voluntário em tela – apenas, repitase, na ementa. Por isso, é de se concluir que houve mero erro de digitação na formalização da ementa, eis que o restante do acórdão afasta qualquer dúvida quanto ao Exercício em julgamento. Diante do exposto, nos termos do art. 66 do Regimento Interno deste Conselho, VOTO no sentido de acolher os embargos opostos para RERRATIFICAR o Acórdão nº 210201.588, sem alteração de resultado, para que de sua ementa conste o Exercício de 2001. Assinado digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 180DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI Processo nº 10950.003680/200551 Acórdão n.º 2102003.281 S2C1T2 Fl. 142 3 Fl. 181DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 27/05/2015 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/05/2015 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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Numero do processo: 10840.901886/2009-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 18 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu May 21 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2001
INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO.
A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindíveis, sem que isso gere a nulidade do processo.
PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL.
Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço.
Numero da decisão: 3401-002.960
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Presidente.
JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2001 INDEFERIMENTO DE DILIGÊNCIA. ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindíveis, sem que isso gere a nulidade do processo. PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço.
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ARGUIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. A realização de diligência depende da convicção do julgador, que pode indeferir, ao seu livre arbítrio, as diligências que entender prescindíveis, sem que isso gere a nulidade do processo. PIS FATURAMENTO. BASE DE CÁLCULO. LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE DO ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO JULGADA EM REPERCUSSÃO GERAL. Em apreciação a Recurso Extraordinário com Repercussão Geral reconhecida, o STF julgou inconstitucional a base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, no que amplia o significado do termo faturamento. Assim, o PIS tributado na forma da Lei nº 9.718/98 incide somente sobre receita originada na venda, na prestação de serviço ou na venda e prestação de serviço. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 18 86 /2 00 9- 19 Fl. 124DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Angela Sartori, Jean Cleuter Simões Mendonça, Eloy Eros da Silva Nogueira e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP transmitida em 22/11/2005 (fls.02/06) pela qual a Contribuinte pediu o ressarcimento de crédito do PIS, supostamente recolhido a maior em 15/10/2001, referente ao período de apuração de setembro de 2001, para compensar com débitos do IRPJ de outubro de 2005. O crédito foi indeferido. A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls.11/22), mas a DRJ em Ribeirão Preto/SP manteve o indeferimento (fls. 59/62). A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 08/06/2010 (fl.64) e interpôs recurso voluntário em 01/07/2010 (fls.65/86). Na primeira análise do recurso voluntário, sob a relatoria do Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte, o debate era acerca da base de cálculo aplicável, em razão da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovida pela Lei nº 9.718/98. O julgamento foi convertido em diligência para que fosse averiguada a existência do crédito (fls.96/100). A conclusão da diligência está presente nas fls. 115/116. A Contribuinte foi intimada, mas não se manifestou. É o Relatório. Voto Conselheiro Jean Cleuter Simões Mendonça O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. O valor requerido pela Recorrente para ressarcimento era de R$ 9.400,71. No recurso voluntário, preliminarmente, alegouse a nulidade do acórdão da DRJ por indeferir a realização de diligência. No mérito, alegou que o recolhimento a maior ocorreu porque concluiuse na base de cálculo valores de receitas não operacionais. Argumentando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da Lei nº 9.718/98, a Recorrente pediu que o crédito fosse calculado utilizandose a correta base de cálculo. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10840.901886/200919 Acórdão n.º 3401002.960 S3C4T1 Fl. 125 3 1 Da nulidade do acórdão da DRJ A Recorrente alega que o acórdão da DRJ é nulo em razão de aquela instância ter negado a realização de perícia contábil. Ocorre que o indeferimento de diligência por parte da DRJ não torna o julgamento nulo, haja vista que, nos termos do art. 18, combinado como art. 29, do Decreto nº 70.235/72, a realização de diligência é questão de livre convicção do julgador. A autoridade julgadora pode negar a realização de diligência se entendêla prescindível, senão, vejamos: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine”. “Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”. Portanto, o acórdão da DRJ não é nulo. 2 Da base de cálculo do PIS faturamento A Recorrente alega que a base de cálculo disposta no art. 3o da Lei nº 9.718/98 é inconstitucional, porque amplia indevidamente o campo e incidência do PIS. A base de cálculo determinada pela Lei nº 9.718/98 pode ser observada pela leitura conjunta do art. 2o e art. 3o, da aludida lei, in verbis: “Art. 2° As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. (Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) § 1º Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas”. Fl. 126DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA 4 Ocorre que o STF, em 10/09/2008, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 585.235, com Repercussão Geral reconhecida, prolatou a seguinte decisão: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nos 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RERGQO 585235, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, publicado em 28/11/2008, ) (grifo nosso) Um dos precedentes utilizados pelo Supremo para chegar ao julgamento do RE 585.235 e reconhecêlo na sistemática de repercussão Geral foi o seguinte: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 346084, Relator (a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator (a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 0109 2006 PP00019 EMENT VOL0224506 PP01170) (grifos nosso) Fl. 127DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA Processo nº 10840.901886/200919 Acórdão n.º 3401002.960 S3C4T1 Fl. 126 5 Em suma, o STF julgou que o PIS e a COFINS, tributados na forma da Lei nº 9.718/98, incidem somente sobre as receitas oriundas de venda e de prestação de serviço. Portanto, seguindo a linha do STF, o PIS só incide sobre as receitas que sejam originadas em vendas, prestação de serviço ou vendas e prestação de serviço, de modo que os recolhimentos feitos sobre outras receitas são indevidos. A diligência, aplicando a base de cálculo correta, isto é, somente as receitas oriundas de vendas, concluiu que existe um saldo credor em favor da Contribuinte no montante de R$ 3.699,27 Como a Recorrente não se manifestou contra o resultado da diligência, presumese que o novo cálculo está correto, devendo ser reconhecido o direito creditório encontrado durante a diligência. Ex positis, dou provimento parcial ao recurso voluntário interposto para reformar o acórdão da DRJ e reconhecer o direito creditório no montante de R$ 3.699,27 e homologar as compensações até o limite do crédito. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 128DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA, Assinado digitalmente em 20 /05/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 18/05/2015 por JEAN CLEUTER SIMOES ME NDONCA
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Numero do processo: 19515.008009/2008-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed May 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004, 2006
Custos, Despesas Operacionais e Encargos.Dedutibilidade.
Não satisfeitas as normas previstas no artigo 299, do RIR/1999, cabe a glosa dos custos, despesas ou encargos que tenham afetado a base imponível do IRPJ. Confirmado o atendimento dos requisitos ali inseridos, especialmente usualidade, normalidade e necessidade e estando suportados por documentação hábil e idônea a escorar os registros contábeis, impõe-se excluir da tributação os montantes comprovados.
Apuração Anual. Valores Declarados ou Pagos. Diferença. Lançamentos.
Diferença na apuração anual do Imposto de Renda das pessoas jurídicas, apurada pelo cotejamento entre os valores declarados ou pagos pela contribuinte e o efetivamente apurado em auditoria fiscal, leva à imposição de lançamento de ofício para exigir a divergência encontrada. Constatado, porém, que a Fiscalização tomou como diferença de ajuste anual valores que se referem a provisões de estimativas mensais ou de imposto de renda na fonte incidente nos pagamentos de juros sobre capital próprio, os lançamentos não podem prosperar. Lançamentos que se cancelam.
Multa de Lançamento de Ofício. Incidência de Juros de Mora.
Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 1101-001.294
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de cerceamento ao direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, foi REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas com materiais de engenharia; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas com serviços de fretes para clientes; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas com viagens; 7) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas de serviços de transferência entre fábricas; 8) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas de comissões de vendas; 9) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas com reparos e manutenção; 10) por unanimidade de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas com consultoria externa; 11) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas com serviços prestados por terceiros; 12) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago; 13) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso, substituídos no Colegiado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
(documento assinado digitalmente)
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente.
(documento assinado digitalmente)
PAULO MATEUS CICCONE - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004, 2006 Custos, Despesas Operacionais e Encargos.Dedutibilidade. Não satisfeitas as normas previstas no artigo 299, do RIR/1999, cabe a glosa dos custos, despesas ou encargos que tenham afetado a base imponível do IRPJ. Confirmado o atendimento dos requisitos ali inseridos, especialmente usualidade, normalidade e necessidade e estando suportados por documentação hábil e idônea a escorar os registros contábeis, impõe-se excluir da tributação os montantes comprovados. Apuração Anual. Valores Declarados ou Pagos. Diferença. Lançamentos. Diferença na apuração anual do Imposto de Renda das pessoas jurídicas, apurada pelo cotejamento entre os valores declarados ou pagos pela contribuinte e o efetivamente apurado em auditoria fiscal, leva à imposição de lançamento de ofício para exigir a divergência encontrada. Constatado, porém, que a Fiscalização tomou como diferença de ajuste anual valores que se referem a provisões de estimativas mensais ou de imposto de renda na fonte incidente nos pagamentos de juros sobre capital próprio, os lançamentos não podem prosperar. Lançamentos que se cancelam. Multa de Lançamento de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de cerceamento ao direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, foi REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas com materiais de engenharia; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas com serviços de fretes para clientes; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas com viagens; 7) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas de serviços de transferência entre fábricas; 8) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas de comissões de vendas; 9) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas com reparos e manutenção; 10) por unanimidade de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas com consultoria externa; 11) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas com serviços prestados por terceiros; 12) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago; 13) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso, substituídos no Colegiado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Sérgio Luiz Bezerra Presta. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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(sucedida por PQ SÍLICAS BRAZIL LTDA.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2006 Nulidade. Improcedência. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo. 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. Direito de Defesa. Cerceamento. É incabível a alegação de cerceamento ao direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dandolhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos e apresentar sua defesa sem empecilho de qualquer espécie. Provas. Análise. Comprovado nos autos que a Autoridade Julgadora de 1ª Instância procedeu a criteriosa e profunda análise das provas documentais juntadas pela defesa, soa impróprio reclamo da recorrente de que as mesmas não teriam sido apreciadas. Pretensão de retorno dos autos para novo julgamento pela Autoridade a quo que não se sustenta. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2006 Custos, Despesas Operacionais e Encargos.Dedutibilidade. Não satisfeitas as normas previstas no artigo 299, do RIR/1999, cabe a glosa dos custos, despesas ou encargos que tenham afetado a base imponível do IRPJ. Confirmado o atendimento dos requisitos ali inseridos, especialmente usualidade, normalidade e necessidade e estando suportados por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 80 09 /2 00 8- 52 Fl. 4042DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 3 2 documentação hábil e idônea a escorar os registros contábeis, impõese excluir da tributação os montantes comprovados. Apuração Anual. Valores Declarados ou Pagos. Diferença. Lançamentos. Diferença na apuração anual do Imposto de Renda das pessoas jurídicas, apurada pelo cotejamento entre os valores declarados ou pagos pela contribuinte e o efetivamente apurado em auditoria fiscal, leva à imposição de lançamento de ofício para exigir a divergência encontrada. Constatado, porém, que a Fiscalização tomou como diferença de ajuste anual valores que se referem a provisões de estimativas mensais ou de imposto de renda na fonte incidente nos pagamentos de juros sobre capital próprio, os lançamentos não podem prosperar. Lançamentos que se cancelam. Multa de Lançamento de Ofício. Incidência de Juros de Mora. Sobre a multa por lançamento de ofício não paga no vencimento incidem juros de mora, na forma dos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: 1) Por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de nulidade do lançamento; 2) por unanimidade de votos, REJEITAR a argüição de cerceamento ao direito de defesa; 3) por unanimidade de votos, foi REJEITAR a argüição de nulidade da decisão recorrida; 4) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas com materiais de engenharia; 5) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas com serviços de fretes para clientes; 6) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas com viagens; 7) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas de serviços de transferência entre fábricas; 8) por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas de comissões de vendas; 9) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas com reparos e manutenção; 10) por unanimidade de votos, foi NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente a despesas com consultoria externa; 11) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário relativamente a despesas com serviços prestados por terceiros; 12) por unanimidade de votos, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente às diferenças apuradas entre o valor escriturado e o declarado/pago; 13) por voto de qualidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário relativamente aos juros de mora sobre a multa de ofício, divergindo os Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Benedicto Celso Benício Júnior e Antônio Lisboa Cardoso, substituídos no Colegiado pelos Conselheiros Marcos Vinícius Barros Ottoni e Sérgio Luiz Bezerra Presta. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente. Fl. 4043DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 4 3 (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Paulo Mateus Ciccone, Paulo Reynaldo Becari e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 4044DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 5 4 Relatório INEOS SÍLICA BRASIL LTDA., (atualmente denominada PQ SÍLICAS BRAZIL LTDA.) já qualificada nos autos, recorre a este Conselho de decisão proferida pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo – SP, que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTE impugnação apresentada contra lançamentos formalizados em 12 de dezembro de 2008, em decisão assim ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/12/2004, 31/03/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS. IMPUGNAÇÃO. Os documentos que fundamentam contestação a lançamento tributário devem ser apresentados juntamente com a impugnação administrativa. FATOS E ATOS. REGISTRO CONTÁBIL. ÔNUS DA PROVA. É do contribuinte o ônus de provar, com documentos hábeis e idôneos, os fatos e atos registrados em sua contabilidade. LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. O decidido quanto à infração que, além de implicar o lançamento de IRPJ implica o lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), também se aplica a este outro lançamento naquilo em que for cabível. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2003, 31/12/2004, 31/03/2006, 30/09/2006, 31/12/2006 DESPESAS INCOMPROVADAS. Mantémse a glosa de despesas não comprovados por documentos hábeis e idôneos. Exonerase a parcela de despesas devidamente comprovada. ESCRITURAÇÃO. DCTF. DIFERENÇA. Pertinente o lançamento referente à diferença entre o valor escriturado no Livro Razão e aquele informado na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Exonerase a parcela lançada sem a correta correspondência com a data do fato gerador. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/03/2006, 30/09/2006 LANÇAMENTO. FATO GERADOR. ERRO. VÍCIO. ELEMENTO ESSENCIAL. NULIDADE. O erro na identificação da data do fato gerador do lançamento constitui vício em um de seus elementos essenciais a impor o reconhecimento de sua nulidade. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Fl. 4045DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 6 5 DA ACUSAÇÃO FISCAL Nos termos do relatório presente na decisão recorrida (fls. 3809/3810)1 a acusação fiscal pode ser assim resumida: “Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 12/12/2008 (fls. 383 e 512), e intimada a recolher o crédito tributário constituído relativo ao IRPJ e à CSLL, multa proporcional e juros de mora, referentes a fatos geradores ocorridos em 2003, 2004 e 2006. Conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 349 a 352) a contribuinte, que apurou o IRPJ pelo Lucro Real anual no anocalendário 2004, de acordo com cópia da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) às fls. 23 a 143, deduziu indevidamente na apuração da base de cálculo do imposto e da CSLL valores a título de despesas/custos, já que referidas despesas/custos não foram comprovados por documentação hábil e idônea e/ou não foram considerados pela fiscalização como necessários para a atividade da empresa ou a manutenção da fonte produtora. A autuação constatou, ainda, conforme descrito nos Autos de Infração e no Termo de Verificação Fiscal (fls. 361 e 362), que nos períodos examinados (janeiro/2003 a dezembro/2007) a fiscalizada está sujeita à tributação do resultado com base no Lucro Real, regime pelo qual optou, tendo efetuado os cálculos das estimativas mensais, mediante balancetes mensais levantados para fins de suspensão ou redução, com respectivas demonstrações de apuração do Lucro Real; entretanto, foram verificadas divergências entres os valores consignados na escrituração e os valores pagos ou recolhidos , que restaram não esclarecidas pela recorrente e que foram objeto de autuação pela fiscalização. Tendo em vista o apurado, foram lavrados, conforme preceitua o artigo 9º do Decreto n º 70.235, de 06 de março de 1972, os seguintes Autos de Infração: IRPJ (fls. 365 a 374): Custos ou Despesas não comprovadas – Glosa de Despesas com base nos artigos 249, inciso I, 251, parágrafo único, 299 e 300 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), com valor tributável de R$ 2.083.088,43. Custos, Despesas operacionais e encargos não necessários com base nos artigos 249, inciso I, 251, parágrafo único, 299 e 300 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), com valor tributável de R$ 52.405,00. 1 A numeração referida é sempre a do processo digitalizado. Fl. 4046DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 7 6 Imposto de Renda Pessoa Jurídica – Diferença Apurada entre o Valor Escriturado e o Declarado/Pago com base nos artigos 247 e 841 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999), com valor tributável de R$ 829.384,70. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 28/11/2008, totalizou o montante de R$ 3.083.689,13. CSLL (fls. 375 a 380): Falta de Recolhimento da CSLL com base nos artigos 2º e §§ da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, 1º da Lei nº 9.316, de 22 de novembro de 1996, 28 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e 37 da Lei nº 10.637/2002. O crédito tributário, com juros de mora calculados até 28/11/2008, totalizou o montante de R$ 436.780,99. O enquadramento legal da multa de ofício aplicada no percentual de 75% é o artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, e o dos juros de mora com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) são os artigos 6º, § 2º, e 28 c/c 6º, § 2º, da mesma Lei nº 9.430/1996 (fls. 370 e 376)”. DA IMPUGNAÇÃO Em sua impugnação inaugural e no adendo que a completou (fls. 385 a 446 e 2679 a 2698), a impugnante inicialmente informou reconhecer como devidas as glosas das despesas relativas ao Investimento em Ativo Fixo, no valor de R$ 1.316,34, bem como ao Bônus por Performance Individual, no valor de R$ 52.405,00, razão pela qual não impugnou esses itens do lançamento, tendo efetuado, em 12.01.2009, o pagamento do crédito tributário correspondente, conforme DARF anexos, deixando tais infrações de compor a lide. No mais, rebateu todas as acusações do Fisco e contrapôsse, uma a uma, às irregularidades apontadas, juntando farta documentação (documentos de fls. 446 a 2678 e 2699 a 3801 e 3919 e seguintes). DA DECISÃO RECORRIDA Analisando o litígio, a 2ª Turma da DRJ/SP, depois de tratar dos temas ônus da prova e obrigatoriedade de o contribuinte manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (RIR/1999, art. 251), acolheu parcialmente os argumentos da autuada e exonerou parte dos lançamentos realizados, mantendo, todavia, a glosa das despesas para as quais não haveria suporte em documentos hábeis e idôneos (art. 264, RIR/1999). DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão de primeira instância em 24/04/2014 (cf. “AR” fls. 3866), a contribuinte interpôs, tempestivamente, o Recurso Voluntário de fls. 3871/3895, no qual, basicamente, reprisa os argumentos apresentados na impugnação, acrescentando, em síntese: Fl. 4047DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 8 7 “8. Com o devido respeito, a Recorrente entende que a r. decisão recorrida merece reparo. Primeiro porque, deixou de se manifestar sobre pontos relevantes da defesa e, com isso, não deu a devida valoração às provas documentais, ofendendo assim o princípio da ampla defesa e o dever de busca da verdade material. 9. Segundo porque há nestes autos a comprovação de todas as despesas glosadas, não cabendo restringir o direito a dedutibilidade previsto no art. 299 do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99). 10. Terceiro porque verificada inexatidão da acusação fiscal quando do confronto de informações contábeis e fiscais, no que tange aos lançamentos relativos aos anos de 2003 e 2006. E mais, o suposto débito de IRPJ ref. ao mês de dezembro de 2006 está comprovadamente pago. 11. Quarto porque é inexigível crédito tributário apurado a título de antecipação mensal, após o término do anocalendário, tal e qual o entendimento consagrado por este Conselho e traduzido na Súmula 82 do CARF”. (...) 13. III. PRELIMINARMENTE: DA NULIDADE DA DECISÃO DEFICIENTE VALORAÇÃO DE PROVAS E DISTANCIAMENTO DA VERDADE MATERIAL “14. A r. decisão recorrida deixou de se manifestar sobre pontos relevantes discutidos em sede de Impugnação e não valorou suficientemente as provas da defesa, ofendendo o princípio da ampla defesa e o dever de busca da verdade material”. (...) “21. No caso vertente, para comprovar a efetividade das despesas deduzidas na apuração do IRPJ e CSLL relativos ao ano calendário de 2004, a Recorrente apresentou vasta documentação anexa à Impugnação e à petição de 26.07.2010. 22. A r. decisão recorrida não se manifestou, porém, sobre todos os documentos apresentados e, sobre as que se manifestou, as desqualificou realizando uma análise superficial e infundada, não as analisando ponto a ponto”. (...) “32. Cumpre ressaltar que este E. Conselho decidiu, por diversas vezes, pela nulidade da decisão que não analisa ou não valora devidamente os documentos apresentados pelo contribuinte” (transcreve decisões do CARF). Fl. 4048DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 9 8 33. Ressalta se, mais uma vez, que o fato de que ignorar e/ou dar a indevida valoração aos documentos apresentados em sede de defesa significa violar o direito à ampla defesa e ao contraditório, assim como descumprir o dever de busca da verdade material que rege os procedimentos e processos administrativos tributários. 34. Nessa linha, é de rigor decretar a nulidade da r. decisão recorrida, nos termos do art. 59, I e § 3°, do Decreto n° 70.235/71, para que seja proferida nova decisão que analise e dê a devida valoração às provas carreadas nos autos”. .IV. NO MÉRITO: NECESSÁRIA REFORMA PARCIAL DA DECISAO RECORRIDA .IV.I. DA EFETIVA COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS GLOSADAS — ANOCALENDÁRIO DE 2004 “35. A d. Autoridade Fiscal glosou despesas realizadas pela Recorrente por considerar que não teriam sido apresentados os respectivos documentos comprobatórios. As despesas glosadas e aqui questionadas se referem à: (i) material de engenharia; (ii) fretes clientes; (iii) despesas com viagens; (iv) fretes — transferência entre fábricas (v) comissão de vendas; (vi) reparos e manutenções; (vii) consultoria externa; e (viii) serviços prestados por terceiros. 36. Quando da apresentação de sua Impugnação, bem como quando da apresentação de documentação suplementar em 26.07.2010, a Recorrente comprovou a efetividade de tais despesas e demonstrou a necessidade e usualidade das mesmas, que permitem a sua dedutibilidade, nos termos do artigo 299, do Decreto ri.' 3.000/99 — Regulamento do Imposto de Renda (" RIR/99"). 37. Haja vista que a r. decisão recorrida não analisou devidamente a documentação apresentadas, a Recorrente, desde já, faz remissão às provas apresentadas juntamente à sua Impugnação e à petição datada de 26.07.2010. E, para facilitar a análise deste E. Conselho, traz breve detalhamento da comprovação de cada uma das despesas glosadas”. (i) Da correta dedução das despesas com materiais de engenharia “38. Segundo já mencionado, a fiscalização glosou as despesas com materiais de engenharia no valor total de R$ 23.753,38, por considerar que as referidas despesas não teriam sido comprovadas. Fl. 4049DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 10 9 39. Entretanto, conforme demonstrado nos documentos de n° 04 a 13, juntados na Impugnação, não há que se falar em ausência de comprovação de tais despesas. 40. Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 13 a 19 da Impugnação, os quais não deixam dúvidas quanto à dedutibilidade das despesas com materiais de engenharia, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP”. (ii) Da correta dedução das despesas com serviços de fretes para clientes “45. A fiscalização glosou as despesas com serviços de fretes para clientes no valor total de R$ 139.208,75, por considerar que as referidas despesas não teriam sido comprovadas. 46. Entretanto, entende a Recorrente que não há que se falar em ausência de comprovação de tais despesas, conforme planilha apresentada na Impugnação, bem como documentos a esta anexados (doe. 14 a 21 da Impugnação) e documentos suplementares apresentados em 26.07.2010. 47. Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 20 a 24 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com serviços de fretes para clientes, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP”. (iii) Da correta dedução das despesas com viagens “51. Inicialmente, no Auto de Infração, a fiscalização glosou as despesas com viagens no valor total de R$ 258.443,02, por considerar que as referidas despesas não teriam sido comprovadas. 52. Ato contínuo, após a apresentação da Impugnação, a decisão recorrida entendeu que "do resultado global da análise do item despesas com viagens, cabe reconhecer a comprovação de R$159.608,57" (fl. 3838). 53. Ora, novamente notase que a r. decisão recorrida não analisou de forma detalhada toda a documentação apresentada. 54. Neste quesito, não há que se falar em ausência de comprovação de tais despesas. Conforme comprovado através da planilha constante na Impugnação, bem como dos documentos a ela anexados e documentos suplementares apresentados em 26.07.2010, foram explicitados (i) o valor da despesa incorrida pela Recorrente; (ii) o destino da viagem; (iii) o nome do funcionário e o cargo que ele ocupa Fl. 4050DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 11 10 na empresa; (iv) o motivo da viagem; e (v) a relação dos documentos anexados ao presente processo. 55. Segundo demonstrado, restou sim comprovada a efetiva realização de todas as despesas com viagens no valor total de R$ 258.443,02, sendo notória a inobservância do Princípio da Verdade Material, assim como cerceamento de defesa, vez que entendeu a decisão recorrida que apenas houve a comprovação do valor de R$ 159.608,57. 56. Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 25 a 29 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade de todas as despesas com viagens, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP”. (iv) Da correta dedução das despesas com serviços de transferência entre fábricas “57. No Auto de Infração, a fiscalização glosou as despesas com serviços de "transferências entre fábricas" no valor total de R$ 884.008,81, por considerar que as referidas despesas não teriam sido comprovadas. 58. Ato contínuo, após a apresentação da Impugnação, a decisão recorrida entendeu que os documentos juntados não constituem prova robusta que permita desconsiderar a glosa de despesas com fretes. "Assim, não há o que exonerar neste quesito da autuação" (fl. 3840). 59. Entretanto, notase que novamente a r. decisão recorrida não analisou de forma detalhada toda a documentação apresentada. 60. Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 30 a 35 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com serviços de transferência entre fábricas, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP. 61. Primeiramente, cumpre salientar que não se trata aqui de despesas com transferências entre fábricas. De fato, a Recorrente cometeu um equivoco ao lançar, manualmente, em sua contabilidade, como despesas com transferências entre fábricas, o que, na realidade, são despesas de serviços de fretes para clientes. 62. Ultrapassada essa questão preliminar, conforme comprovado pela planilha constante na Impugnação, bem como todos os documentos juntados aos autos, restou comprovada a efetiva realização das despesas com serviços de fretes, sendo notória a inobservância do Princípio da Verdade Material, assim como cerceamento de defesa”. Fl. 4051DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 12 11 (v) Da correta dedução das despesas com comissões de vendas “63. No Auto de Infração, a autoridade autuante glosou as despesas com comissões de vendas, no valor total de R$ 156.419,81, sob o argumento de que não foi possível correlacionar as notas fiscais apresentadas pela Recorrente, com os respectivos representantes de vendas e suas comissões pagas. 64. Após a apresentação da Impugnação, entendeu a d. Delegacia da Receita Federal do Brasil em São Paulo que a Recorrente apresentou diversas Notas Fiscais referentes a comissões, porém, não efetuou nenhuma correlação. 65. Notase que novamente a r. decisão recorrida não analisou de forma detalhada toda a documentação apresentada. 66. Para que não restasse qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com comissões de vendas, indevidamente glosadas pela autoridade autuante, a Recorrente, em sua Impugnação, apresentou planilha com a correlação entre as notas fiscais apresentadas na Impugnação e os respectivos representantes de vendas, bem como a relação dos documentos, anexados na Impugnação, que comprovam a efetividade das despesas com comissões incorridas pela Recorrente. 67. Após, em 26.07.2010, disponibilizou não só os documentos necessários à comprovação de parte das despesas não comprovadas na Impugnação, como também os documentos já apresentados na defesa inicial, de modo a evitar quaisquer dúvidas. 68. Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 36 a 39 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com comissões de vendas, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP”. (vi) Da correta dedução das despesas com reparos e manutenção “69. No Auto de Infração, a fiscalização glosou as despesas com reparos e manutenção, no valor total de R$ 10.863,11, sob o argumento de que restaram 4 lançamentos no Livro Razão que não haviam sido comprovados pela Recorrente. 70. Após a apresentação da Impugnação, a d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo entendeu que "a defendente tem direito a redução da base de cálculo no valor de R$ 8.376,11 " (fl. 3842). 71. Ora, notase que novamente a r. decisão recorrida não analisou de forma detalhada toda a documentação apresentada. A Fl. 4052DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 13 12 Recorrente juntou a sua Impugnação (doc. 93) a Nota Fiscal n° 015483, a qual comprova que tanto o valor glosado, como o valor pago pela Recorrente a título de serviço de reparo e manutenção equivale a R$ 2.487,00. Ou seja, o valor exonerado deveria corresponder a R$ 10.863,11. 72. Para que não restasse qualquer dúvida quanto à dedutibilidade de tal despesa com reparos e manutenção, indevidamente glosada pela autoridade autuante, a Recorrente apresentou em sua Impugnação planilha com (i) a relação dos valores pagos a título de serviços de reparos e manutenção; e (ii) a relação dos documentos, anexados na presente impugnação. (...) 74. Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 40 a 42 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com comissões de vendas, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP”. (vii) Da correta dedução das despesas com consultoria externa “75. No auto de infração, a fiscalização glosou as despesas com serviços de consultoria externa no valor total de R$ 8.379,46, por considerar que as referidas despesas não teriam sido comprovadas. 76. Após a apresentação da Impugnação, entendeu a r. decisão recorrida que "neste tópico relacionado as Despesas com consultoria externa, não há o que exonerar" (fl. 3844). 77. Notase que mais uma vez a r. decisão recorrida não analisou de forma detalhada toda a documentação apresentada. 78. Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 43 a 45 da Impugnação , não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com consultoria externa, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo SP. 79. Esclarece a Recorrente que para que não restasse qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com serviços consultoria externa, indevidamente glosadas pela autoridade autuante, foi apresentada em sua Impugnação planilha com (i) a relação dos valores pagos a título de serviços de consultoria externa; (ii) a descrição do tipo de serviço prestado; e (iii) relação dos documentos, anexados na Impugnação”. (viii) Da correta dedução despesas com serviços prestados por terceiros Fl. 4053DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 14 13 “81. No Auto de Infração, a fiscalização glosou as despesas com serviços prestados por terceiros à Recorrente no valor total de R$ 640.695,75, por considerar que as referidas despesas não teriam sido comprovadas. 82. Após a apresentação da Impugnação, entendeu a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo que "no que se relaciona ao item Serviços Prestados por Terceiros, resta comprovado o valor de R$ 352.286, 32" (fl. 3850). 83. Notase que novamente a r. decisão recorrida não analisou de forma detalhada toda a documentação apresentada. A Recorrente, em sua Impugnação, assim como em petição de 26.07.2010, juntou documentos comprobatórios (docs. 101 a 161) da efetiva realização das despesas com serviços prestados por terceiros, devendo ter sido exonerado o valor de R$ 640.695,75. 84. Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 46 a 50 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com serviços prestados por terceiros, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP. 85. Corroborando com o trabalho da d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que não restasse qualquer dúvida quanto à efetividade das despesas com serviços prestados por terceiros, incorridos pela Recorrente, esta juntou à sua Impugnação planilha com (i) o valor da despesa incorrida pela Recorrente; (ii tipo de serviço prestado; relação dos prestadores de serviços; e (iii) a relação dos documentos, anexados à Impugnação”. .IV.II. DO NECESSÁRIO CANCELAMENTO DE TODOS OS VALORES DE IRPJ REFERENTE AOS ANOS DE 2003 E 2006 “87. Alegou a autoridade fiscalizadora, no Termo de Verificação Fiscal constante do AIIM, suposta divergência entre o valor escriturado pela Recorrente e o valor declarado/pago a título de IRPJ, referente aos valores de antecipação mensal do IRPJ apurados nos meses de janeiro, março, abril, outubro e dezembro de 2003 e fevereiro, julho e dezembro de 2006. 88. Quanto a este ponto da autuação, a Recorrente apresentou defesa alegando, em síntese: (i) a inexatidão do procedimento fiscal que verificou a suposta divergência entre as informações contábeis e fiscais da empresa e procedeu ao lançamento das estimativas mensais de IRPJ apuradas nos anos calendário de 2003 e 2006. Demonstrou que a d. Autoridade Fiscal incorreu em erro ao não considerar os lançamentos a crédito escriturados no Livro Razão da Fl. 4054DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 15 14 Recorrente, bem como os pagamentos e estornos realizados na contabilidade e; (ii) a impossibilidade de cobrança dos valores de IRPJ apurados por estimativa mensal, após o término do anocalendário correspondente, tal e como consagrado pela jurisprudência deste E. Conselho. 89. Diante de tais argumentos, a r. decisão recorrida entendeu que: (i) Para o anocalendário de 2003: (a) a própria Recorrente teria admitido a ocorrência de equívoco em sua contabilidade, o que confirmaria o lançamento no valor total de R$ 514.075,20 e; (b) que o valor de R$ 514.075,20, relativo ao IRPJ cobrado para o anocalendário de 2003, seria referente a fato gerador concretizado em 31.12.2003 (IRPJ anual), portanto, devido o lançamento. (ii) Para o anocalendário de 2006: (a) os lançamentos referentes aos meses de janeiro e julho devem ser cancelados, porque representam antecipação do IRPJ, cuja cobrança não pode ocorrer após o final do anocalendário, mas deve ser mantido o lançamento de dezembro de 2006 e; (b) quanto à alegação de pagamento do valor de IRPJ apurado em dezembro de 2006, que tal pagamento não poderia ser reconhecido porque houve equívoco no preenchimento do DARF recolhido. 90. Data máxima venia, o entendimento da decisão recorrida não deve prevalecer na parte em que mantém os lançamentos de IRPJ relativos ao anocalendário de 2003 e a dezembro de 2006, como se passa a demonstrar”. (i) ANOCALENDÁRIO DE 2003 E 2006: FALTA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO APURADO PELA FISCALIZAÇÃO OFENSA AO ART.142 DO CTN “95. Nos termos do art. 142 do CTN o lançamento tributário é ato administrativo vinculado por meio da qual a autoridade fiscal deve verificar a ocorrência do fato gerador, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, se for o caso, propor a aplicação da penalidade aplicável. (...) Fl. 4055DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 16 15 99. Ocorre que, o presente lançamento tributário foi efetuado somente levandose em consideração, única e exclusivamente, o total dos lançamentos a débitos efetuados na conta patrimonial n° 088106, desconsiderandose, por completo, todos os lançamentos a crédito escriturados na referida conta, e demonstrados no doc. 166 a 170 da impugnação. 100. Diante disso, ao analisar o Livro Razão da Recorrente, a d. Autoridade Fiscal chegou a valores de IRPJ devidos por antecipação mensal que não correspondem à realidade. 101. O método utilizado pela Fiscalização é impreciso, pouco criterioso, (...) devendo ser reformada a decisão recorrida para cancelar integralmente todos os lançamentos referentes aos anoscalendário de 2003 e 2006”. (ii) DA IMPOSSIBILIDADE DE COBRANÇA DA ANTECIPAÇÃO MENSAL DO IRPJ APÓS O FINAL DO CORRESPONDENTE ANO CALENDÁRIO “102. Ainda que este E. Conselho entenda que o lançamento de IRPJ relativo aos anos de 2003 e 2006 não está eivado de vício material insanável, o que se admite apenas para argumentar, fato é que ainda assim tais lançamentos não merecem prosperar por tratarem de lançamento de IRPJ apurado a título de antecipação mensal, após o término do anocalendário correspondente, o que afronta o entendimento já sedimentado pelo CARF e traduzido na Súmula 82. (...) 104. No decorrer do ano calendário a Recorrente apura o IRPJ com base no regime de estimativa mensal / balancete de suspensão e redução, e no final do anocalendário, apura o lucro real, e efetua eventuais ajustes. 107. No presente caso, a acusação fiscal foi somente de que teria havido, relativamente a certos meses dos exercícios de 2003 e 2006, divergência quanto aos valores pagos mensalmente a título de antecipação mensal. (...) “109. Na r. decisão recorrida, a d. Autoridade Julgadora demonstrou saber que não é devido o lançamento sobre bases mensais após o encerramento do ano base e, por conta disso, cancelou o lançamento de IRPJ referente aos meses de março e setembro de 2006. 110. Mas, de maneira surpreendente e incoerente, decidiu manter os lançamentos referentes aos meses de janeiro, março, abril, outubro e dezembro de 2003 e o lançamento referente ao mês de dezembro de 2006. Fl. 4056DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 17 16 111. Sobre os lançamentos referentes aos meses de 2003, a d. Autoridade Julgadora entendeu que o valor de R$ 514.075,20, corresponderia ao imposto anual devido pela Recorrente: "o lançamento foi concretizado com fato gerador em 31/12/2003 (base de cálculo): R$ 514.075,20 — fls. 365 e 374 do AI), em linha com a DIPJ entregue para o anocalendário 2003, na qual a contribuinte informou apuração anual do IRPJ (fls. 23 a 143), o que caracteriza que a autuada não apurou corretamente o valor do IRPJ a pagar anual." (fl. 3856). 112. Na mesma linha, entendeu que o IRPJ lançado para o mês de dezembro de 2006 também seria o valor do imposto anual, calculado com base no lucro real da Recorrente: "Entretanto, no que compete ao lançamento para o anocalendário 2006, ano em que a interessada igualmente informou apuração anual do IRPJ em sua DIPJ (fl. 3806), a fiscalização efetuou lançamentos com fatos geradores em 3110312006, 3010912006 e 3111212006, com valores tributáveis de R$ 29.093,87, R$102.941,93 e R$183.273, 70, respectivamente, sendo correto o lançamento do valor total com fato gerador em 3111212006." (fl. 3856). 113. Não poderia estar mais equivocado o entendimento da D. Autoridade Julgadora. 114. As planilhas anexas ao Termo de Verificação Fiscal demonstram que o valor de R$ 514.075,20 corresponde, nada mais, do que à somatória dos valores de IRPJ apurados por estimativa mensal nos meses de janeiro, março, abril, outubro e dezembro de 2003. Ou seja, não se trata do valor do IRPJ apurado sobre o lucro real auferido durante o anocalendário de 2003 e após as deduções previstas em lei, mas sim de IRPJ apurado sobre bases mensais. 115. Do mesmo modo, fica claro que o valor de IRPJ lançado para o mês de dezembro de 2006 também não corresponde ao valor do "IRPJ anual", mas sim ao valor do IRPJ calculado sobre a base estimada mensal daquele mês. (...) 118. Nesse contexto, jamais seria possível um lançamento tal como foi feito, em que se aplica uma forma de tributação própria do não pagamento com base no lucro real anual (tributo devido acrescido de juros moratórios e multa de ofício de 75%), só que incidente não sobre as bases mensais estimadas (base receita) 119. Cumpre salientar que a impossibilidade de cobrança do IRPJ e da CSLL após o término do anobase já foi sedimentada por este E. Conselho, por meio da Súmula 82 do CARF, segundo a qual: "após o encerramento do anocalendário é incabível lançamento de oficio de IRPJ e CSLL para exigir estimativas não recolhidas". Fl. 4057DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 18 17 120. Destarte, também por esta razão, merece ser reformada a decisão recorrida para que restem integralmente cancelados os lançamentos de IRPJ referentes aos meses de janeiro, março, abril, outubro e dezembro de 2003 e dezembro de 2006”. (iii) DA EXTINÇÃO, PELO PAGAMENTO, DO SUPOSTO DÉBITO DE IRPJ APURADO PARA O MÊS DE DEZEMBRO DE 2006. “122. Em sede de impugnação, a Recorrente comprovou o pagamento do suposto débito de IRPJ relativo ao mês de dezembro de 2006, conforme documento acostado à referida defesa (doc. 170). A d. Autoridade Julgadora, por sua vez, confirmou ter encontrado no sistema da Receita Federal do Brasil o pagamento de IRPJ no exato valor em cobrança (R$ 183.273,70). Todavia, decidiu manter o lançamento porque o recolhimento do débito teria sido realizado em código da receita equivocado (fls. 3.855). 123. Ora, a realização do pagamento é fato incontroverso e atestado na decisão recorrida. Diante disso, manter o lançamento de um débito que já foi reconhecidamente pago pela Recorrente afronta o disposto no art. 156, I, do CTN, assim como a boafé e confiabilidade dos atos administrativos. 124. Fato é que ter a Recorrida recolhido o IRPJ apurado em dezembro de 2006 em código diferente do devido é uma mero erro de preenchimento, totalmente escusável e que não desnatura o pagamento e nem a obriga o contribuinte a efetuar novo recolhimento” (transcreve decisões do CARF). .IV.3. DA IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A respeito, proclama a recorrente ser indevida tal imputação, cita decisões do Conselho e conclui: “se mantida a r. decisão recorrida, não deve sobre a multa de oficio incidir juros moratórios, conforme jurisprudência já pacificada pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais”. .V. DO PEDIDO “131. Pelo exposto, requerse o provimento deste recurso voluntário para reformar a r. decisão da DRJ na parte em que manteve o AIIM e: (i) decretar a nulidade da decisão recorrida, nos termos do art. 59 do Decreto n° 70.235/71, dada a deficiente valoração das provas em afronta ao dever de busca da verdade material, com ordem de retorno dos autos à d. Delegacia da Receita Federal do Brasil do Julgamento em São Paulo SP para nova apreciação do caso concreto; ou, alternativamente, Fl. 4058DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 19 18 (ii) cancelar integralmente os lançamentos de IRPJ e CSLL, referentes aos anos de 2003, 2004 e 2006, eis que: (a) comprovadas as despesas incorridas no anocalendário de 2004 e dedutíveis nos termos do artigo 299, do Decreto n° 3.000/99 (RIR/99); (b) improcedente o lançamento de débitos de IRPJ apurados sobre bases mensais, ref. de 2003 e 2006; (c) demonstrada a inexigibilidade do IRPJ apurado sobre bases mensais nos anos de 2003 e 2006, nos termos da Súmula 82 do CARF e (d) extinto, pelo pagamento, o suposto crédito tributário de IRPJ relativo ao mês de 12/2006, nos termos do art. 156, I do CTN; ou, subsidiariamente, em qualquer hipótese de manutenção do AIIM, (iii) reconhecer a inexigibilidade de juros de mora lançados sobre a multa de ofício, conforme orientação dada, na sessão do dia 09.11.2010, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF (RESP no PA n.° 10680.002472/200723)”. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 4059DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 20 19 Voto Conselheiro PAULO MATEUS CICCONE O recurso voluntário apresentado é tempestivo, consoante manifestação da autoridade preparadora às fls. 3898 e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Destaquese, por relevante, que o presente processo, inicialmente pautado para julgamento na sessão de fevereiro/2015 desta Turma e Câmara, foi dela retirado a pedido da recorrente que, na sequência, juntou “parecer técnico contábil” elaborado por empresa de auditoria e consultoria por ela contratada, acompanhado de farta documentação (fls. 3919 e seguintes), de modo a dar substância às suas teses de defesa. Tais documentos (e parecer), embora, por motivos óbvios, não tenham sido analisados pela Instância a quo, foram devidamente apreciados por este Relator. PRELIMINARES No seu recurso a recorrente, por diversas vezes, proclama ter havido “nulidade”, “cerceamento de defesa”, ou “não análise das provas” por parte do julgado de 1ª Grau, impondo a reforma da decisão ou retorno à DRJ para apreciação das mesmas. Divirjo do pensamento da recorrente. Primeiramente porque, como se sabe, para que se exteriorize qualquer nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal, deve ser atingido irremediavelmente o artigo 59, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, verbis: “Art. 59. São nulos; I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Comprovadamente o Auditor que presidiu o procedimento é servidor de carreira, integrante dos quadros da Receita Federal e competente, no exercício de suas atribuições, para lavrar todos os termos necessários para o correto desempenho de suas funções. Ora, sendo, os atos e termos, lavrados por pessoa competente, dentro da estrita legalidade e garantido o mais absoluto direito de defesa, mediante abertura do prazo legal de impugnação, não há que se cogitar de nulidade dos autos de infração. Igualmente foram atendidos os preceitos do artigo 10 do PAF2 (Decreto nº 70.235, de 1972), ratificando a inexistência da nulidade pretendida, pelo que se indefere o pleito. 2 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: Fl. 4060DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 21 20 Assim, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário em relação à nulidade suscitada. Acerca do alegado cerceamento de defesa reclamado pela combatente em diversas oportunidades da peça contestatória, igual razão não lhe cabe. Como se percebe pela análise dos autos, a contribuinte teve total acesso ao processo e conseqüente possibilidade de obter as cópias que desejasse, efetuar sua defesa, expor seus argumentos e produzir as provas entendidas necessárias, tanto que laborou uma ampla, longa, detalhada e bem articulada peça impugnatória, podendo juntar quaisquer documentos que pretendesse para dar suporte às suas teses, de modo que insustentável o pedido de nulidade dos lançamentos por cerceamento de defesa. Ademais, estando o presente processo já pautado para julgamento em fevereiro de 2015, a recorrente ainda juntou, às vésperas da sessão plenária marcada, novos documentos, parecer e cópias de livros, notas fiscais e contratos com os quais procurou fortalecer suas provas, conjunto probatório que, como dito antes, foi devidamente analisado por este Relator, de modo que absolutamente impensável possa ter ocorrido qualquer impedimento à consecução da defesa, feita de forma ampla, padecendo de sustentação o pleito de “cerceamento de defesa”. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao RV no que tange à provocação de cerceamento de defesa. De outra banda, o reclamo da recorrente de que a decisão recorrida não teria se atido, profundamente, à análise das provas carece de fundamento. Na verdade, como se infere da leitura da decisão exarada pela DRJ/São Paulo, a relatoria de 1º Piso apreciou, minudentemente, todas as alegações suscitadas e o material probatório apresentado pela então impugnante, acolhendo parcialmente seu pleito e cancelando lançamentos cuja comprovação entendeu presentes e, reversamente, mantendo outros que, no seu livre arbítrio e convencimento, não restaram fulminados por provas incontestes. Vale dizer, o I. Relator de 1º Piso debruçouse de forma criteriosa sobre os autos, o trabalho fiscal, a argumentação da defesa e as provas juntadas, formando sua convicção exposta no voto lavrado. O fato de ter decidido, em alguns casos, contrariamente à vontade da impugnante, ora recorrente, não significa que tenha agido sem a diligência cabível, nem que tenha sido “deficiente a valoração das provas”, como deseja a autuada, mas, sim, que tais provas, no pensamento de quem cabia relatar o processo, se mostraram não robustas. Ademais, com a subida dos autos a este Colegiado de 2º Grau, a recorrente tem seu direito de defesa plenamente atendido, sem necessidade de retorno dos autos à instância a quo. I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 4061DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 22 21 Em razão dos argumentos expendidos, NEGO PROVIMENTO ao Voluntário na sua pretensão de retorno dos autos à instância a quo para novo julgamento. Afastadas todas as preliminares invocadas, passase ao exame de mérito. MÉRITO Duas as infrações remanescentes para apreciação por este Colegiado: a) CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA b) IRPJ – DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO OU PAGO Cabe analisar cada uma delas. a) CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA Na ótica da legislação do IRPJ, as pessoas jurídicas tributadas pelo regime do Lucro Real devem possuir escrituração na forma do que dispuser a legislação comercial (Lei nº 6.404/1976) e a lei fiscal (Decretolei nº 1.598, de 1977 e alterações), regras que se encontram resumidas nos artigos 251 e 264, do RIR/1999. Também é sabido que os custos e despesas que influenciam o resultado destas pessoas jurídicas precisam ser suportados por documentos hábeis e idôneos (RIR/1999, artigos 299 e 300), sob pena de sua indedutibilidade para fins de apuração da base imponível do IRPJ. No caso agora apreciado, auditando a autuada, o Fisco entendeu não presentes os requisitos acima elencados em várias situações estampadas na escrituração e procedeu à glosa de custos e despesas no montante de R$ 2.083.088,43, realizando o correspondente lançamento de ofício. Impugnada a exigência, os autos foram encaminhados à DRJ/São Paulo que, analisando as provas acostadas pela autuada, exonerou parcialmente os lançamentos por julgar comprovados e lastreados em documentos hábeis parcela dos dispêndios havidos. Inconformada, a autuada recorreu a este Colegiado refutando, naquilo que lhe foi desfavorável, a decisão da autoridade julgadora de 1ª Etapa, ratificando argumentos anteriormente expendidos e reafirmando a solidez das provas acostadas aos autos. Mais ainda, como dito alhures, às vésperas do julgamento agendado destes autos (fevereiro/2015), acostou outros documentos, vinculados a parecer elaborado por empresa da área contábil, com os quais buscou robustecer suas provas (fls. 3919 e seguintes). Pois bem, sendo certo, sob o ângulo conceitual, que custos e despesas, para fins de dedutibilidade do IRPJ, devem estar fincados em documentos “hábeis e idôneos” e se revistir dos pressupostos de “usualidade, necessidade e normalidade”, resta ver, de acordo com o que consta nos autos, se as provas carreadas pela recorrente para tal comprovação atingem aquilo que a legislação exige. Fl. 4062DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 23 22 É a análise individualizada que se passa a fazer, partindo de cada item glosado pela Fiscalização e mantido pela decisão recorrida. a.1) DESPESAS COM MATERIAIS DE ENGENHARIA – R$ 23.753,38 Decisão recorrida (fls. 3824): “De plano, no que se relaciona aos registros eletrônicos, termo utilizado pela própria defendente na descrição do doc. 04, tratase de relatórios gerenciais, ao que tudo indica emitido por um sistema denominado SAP, e que não se prestam, como já asseverado pela autoridade autuante, para suprir a documentação suporte exigida para comprovação do lançamento. Quanto à Notas Fiscais de compra da mercadoria, em valor total de R$ 9.274,02 e emitidas no período de 02/04/2004 a 02/06/2004, não há registros contábeis que permitam associálas ao valor de R$ 4.579,22, questão que remete ao controle da contabilidade de custos da empresa. Assim, rejeitase o pleito da Impugnante para comprovação do valor de R$ 4.579,22. Quanto aos demais valores que compõem o total do valor glosado (R$ 23.753,38), o conjunto probatório acostado à defesa, composto pela planilha indicada e pelos documentos de nºs 6 a 13, remetem à mesma conclusão exarada acima, sendo, portanto, improcedente a reivindicação da contribuinte. Assim, neste tópico, não há o que exonerar”. Argumentos da recorrente (fls. 3880): “Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 13 a 19 da Impugnação, os quais não deixam dúvidas quanto à dedutibilidade das despesas com materiais de engenharia”. (...) (fls. 393): “Após a aquisição das mercadorias necessárias para o funcionamento da empresa, as mesmas são registradas na conta contábil de estoque nº 304000 de seu Livro Razão, e quando requeridas as mercadorias são baixadas da referida conta e registradas como despesas, na conta contábil nº 404000 do mencionado Livro. A transação é feita de forma eletrônica, de forma que todas as despesas com materiais de engenharia ficam registradas nas referidas contas contábeis, bem como no extrato de lançamentos contábeis”. Voto: a decisão recorrida entendeu que relatórios gerenciais internos da recorrente não se prestariam para suprir a exigência legal de comprovação dos custos e que as notas fiscais juntadas não apresentam coincidência de valores com os registros contábeis. Discordo da conclusão adotada. Sabidamente as grandes e médias corporações possuem sistemas de custos integrados não só para atendimento ao Fisco como para a correta mensuração de sua margem de lucratividade, sob pena, até, de inviabilização de seus negócios. Neste patamar com a adoção de novas técnicas de escrituração, novos equipamentos, novas tecnologias, especialmente a informatização, o aparecimento dos “ERP”3, ou mesmo o SAP, citado pela decisão recorrida, os tradicionais métodos de mensuração de materiais em estoque ou saída dos mesmos para a linha de produção, que eram feitos mediante registros manuais ou manuscritos a cada requisição feita no almoxarifado das empresas, têm sido substituídos por inserções em lotes das peças que comporão o produto final, muitas vezes no momento em que 3 Sistemas Integrados de Gestão Empresarial (SIGE ou SIG), em inglês Enterprise Resource Planning (ERP), são sistemas de informação que integram todos os dados e processos de uma organização em um único sistema. A integração pode ser vista sob a perspectiva funcional (sistemas de: finanças, contabilidade, recursos humanos, fabricação, marketing, vendas, compras, etc) e sob a perspectiva sistêmica (sistema de processamento de transações, sistemas de informações gerenciais, sistemas de apoio a decisão, etc). Os ERPs em termos gerais, são uma plataforma de software desenvolvida para integrar os diversos departamentos de uma empresa, possibilitando a automação e armazenamento de todas as informações de negócios. Fl. 4063DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 24 23 tal produto já está totalmente pronto, como no caso de grandes equipamentos, aeronaves, retroescavadeiras, etc. Nesta nova realidade, diversamente do acordado na decisão recorrida, entendo que relatórios gerenciais contemporâneos aos fatos, que mostrem vinculação com o produto estocado, que estejam integrados à contabilidade de custos e contabilidade geral da companhia, prestamse, sim, para comprovação dos estipêndios havidos, DESDE QUE, por óbvio, existam comprovantes (notas fiscais, via de regra) que mostrem a anterior aquisição das mercadorias posteriormente levadas a custo de produção. Concretamente, a recorrente juntou notas fiscais mostrando a compra dos materiais que, sequencialmente, passaram a compor seus produtos finais (p. ex., fls. 521/538), o que, no meu pensar, dá a necessária solidez à exigência imposta pelo artigo 299, do RIR/1999, de modo que reformo a decisão recorrida neste particular e cancelo o lançamento relativo a este item. Vlr. sob julgamento 23.753,38 Vlr. exonerado neste voto 23.753,38 Vlr. mantido a.2) DESPESAS COM SERVIÇOS DE FRETES PARA CLIENTES R$ 139.208,75, Decisão recorrida (fls. 3824/3827): “Os valores incomprovados somam R$ 139.208,75 e encontramse listados no anexo ao T.V.F (fl. 354), sendo constituídos por 27 lançamentos na referida conta, ocorridos no período de 31/01/2004 a 14/12/2004. No contraditório apresentado a recorrente consigna que conforme se pode comprovar na planilha abaixo, bem como pelos documentos anexados (acostou documentos nºs 14 a 21 – fls. 581 a 594), do montante de 139.208,75 somente a importância de R$ 72.827,97 não pode ser comprovada até a data da presente defesa, especialmente em razão do exíguo prazo concedido pela autoridade fiscal para a apresentação de grande número de documentos (...). Acrescenta que para que não reste qualquer dúvida quanto à efetividade das despesas com fretes, segue planilha (fl. 397) que, no seu entendimento, comprovam as deduções (...). Quanto ao primeiro item [da planilha] (doc.14 – fl. 582), não há como atender o pleito da defendente, porquanto a data consignada no lançamento (04/05/2004 – fl. 354) é anterior à data que consta como data de emissão da Fatura (19/05/2004 – fl. 582). O mesmo problema ocorre nos itens 3 (doc. 16 – fl. 585) e 4 (doc. 17 – fl. 587). Cabe esclarecer, ainda, que os itens 1 (doc. 14), 2 (doc. 15 – fls. 583/584), 3 (doc. 16 – fl. 585), 4 (doc. 17 – fls. 587/588), 5 (doc. 18 – fl. 589), 6 (doc. 19 – fl. 590) e 8 (doc. 21) não apresentam o valor do frete coincidente com aquele constatado nos lançamentos (fl. 354). Assim, o único quesito que pode ser aceito é o de nº 7 (doc. 20 – fl. 591), no qual há coincidência entre a data (22/10/2004) e valor (R$ 5.500,00) nele registrados e os parâmetros consignados no lançamento (fl. 354). Entretanto, a contribuinte não disponibilizou a Fatura correspondente. Registrese, ainda, que há documentos ilegíveis, e outros não disponibilizados (...). Em 26/07/2010 a autuada acostou aos autos defesa complementar (fls. 2679 a 2698, com anexos às fls. 2701 a 3801), na qual acrescentou, neste quesito, que recentemente localizou documentos, que associados aos juntados à impugnação inicial, permitem comprovar o valor total glosado, de R$ 139.208,75 (...). Como se verifica na planilha apresentada todos os valores glosados são distintos dos valores de frete que a interessada pretender justificar, sendo improcedente, neste quesito, a defesa complementar acostada pela requerente. Portanto, não há o que exonerar neste quesito (Fretes)”. Fl. 4064DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 25 24 Argumentos da recorrente (fls. 3880): “Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 20 a 24 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com serviços de fretes para clientes, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP”. (...) (fls. 397): “Para que não reste qualquer dúvida quanto à efetividade das despesas com fretes incorridas pela Impugnante, segue a planilha (fl. 397 do contraditório) com (i) o valor histórico da despesa incorrida; (ii) o valor glosado pela autoridade autuante; (iii) o valor do serviço de frete pago pela Impugnante; e (iv) a relação dos documentos, anexados na presente impugnação, que comprovam as corretas deduções das referidas despesas na apuração do IRPJ e da CSLL”. Voto: acompanho parcialmente a decisão recorrida por entender que, embora entregues diversos comprovantes de transportes, não houve coincidência de datas e valores entre os valores apontados pelo Fisco e os argumentos e provas apresentadas pela recorrente. Destaco que tal entendimento não se alternou com o parecer técnico da empresa de auditoria contratada pela recorrente e juntado em fevereiro de 2015 ou mesmo com as planilhas inseridas no que nominou de Anexo XI, posto que o foco principal que ensejou a glosa (a não comprovação dos serviços contratados mediante a presença de documentos hábeis e idôneos, coincidentes em datas e valores) permaneceu inalterado. Aliás, destaquese, não há, na planilha do nominado Anexo XI, um só valor que tenha coincidência. Todavia, discordo da R. decisão em relação ao quesito nº 7 ao vislumbrar que a falta da “fatura” levantada pelo Relator de 1ª Instância foi suprida pela juntada do “Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas”, série única, nº 008030, no valor de R$ 5.500,00, documento fiscal acostado às fls. 591 e datado de 22/10/2004, exatamente a mesma data do lançamento feito pelo Fisco, de modo que reformo a decisão recorrida neste particular e cancelo o lançamento relativo a este item e valor, conforme se demonstra: Vlr. sob julgamento 139.208,75 Vlr. exonerado neste voto 5.500,00 Vlr. mantido 133.708,75 a.3) DESPESAS COM VIAGENS – R$ 98.834,45 Decisão recorrida (fls. 3827/3838): A decisão recorrida analisou com profundidade todos os documentos acostados pela defesa em relação a este item, por si só bastante detalhado, pugnando por acatar algumas das comprovações, exonerando parcialmente o crédito tributário constituído e mantendo o valor remanescente, ora sob julgamento, de R$ 98.834,45 (R$ 258.443,02 – valor lançado (–) R$ 159.608,57 – valor exonerado pela decisão recorrida), em argumentação assim exarada: fls. 3829: “Os valores incomprovados somam R$ 258.443,02 e encontramse listados no anexo ao T.V.F (fls. 354 a 357), sendo constituídos de diversos lançamentos na referida conta, ocorridos no período de 31/01/2004 a 21/12/2004. (...) Na viagem nº 4 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 10.315,89, realizada pelo seu DiretorPresidente, Sr. Flávio Ribeiro, em viagem de negócios à planta da empresa na Ásia, conforme Anexo E (Planta Ásia – Ineos Sílica), em razão do lançamento nº 5000031605, de 22/07/2004, no valor de 10.315,89 (fl. 355). Tendo em vista a emissão de bilhete aéreo para aeroportos na Europa, conforme Fatura emitida em 21/07/2004 (fl. 600), resta não comprovada a despesa”; fls. 3829: “na viagem nº 6 (fl. 2340) a requerente pretende justificar Fl. 4065DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 26 25 a despesa de R$ 9.240,00, realizada pelo seu Direto de Negócios, Sr. Guilherme Geraldes, em viagem de negócios à planta da empresa na Europa, conforme Anexo F (Planta Europa – Ineos Sílica), em razão do lançamento nº 0100026163, de 31/08/2004, no valor de 9.240,00 (fl. 355). Tendo em vista que na Fatura de cartão de crédito (fls. 602/605) não é possível identificar o referido item, resta não comprovada a despesa”; fls. 3830: “na viagem nº 12 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 4.615,09, realizada pelo seu Diretor de Negócios, Sr. Guilherme Geraldes, em viagem de negócios à planta da empresa na Europa, conforme Anexo F (Planta Europa – Ineos Sílica), em razão do lançamento nº 0100025032, de 30/04/2004, no valor de 4.615,09 (fl. 355). Tendo em vista que na Fatura de cartão de crédito (fls. 614/624) não é possível identificar o referido item, resta não comprovada a despesa. Esta mesma Fatura é utilizada para justificar outra viagem do Sr. Geraldes (nº 13), no valor de R$ 4.565,01, que resta igualmente não comprovada”; fls. 3831: “na viagem nº 22 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 3.265,05, realizada pelos Srs. Flávio Ribeiro, Reginaldo Domingos e Ronaldo Santos em viagem de negócios a Porto Alegre, conforme Anexo D (Lista de clientes), em razão do lançamento nº 5000034645, de 25/11/2004, no valor de 3.265,05 (fl. 355). Tendo em vista a emissão de bilhete aéreo para os aeroportos de Curitiba e Pampulha, conforme Fatura emitida em 22/11/2004, resta não comprovada a despesa”; fls. 3831/3832: “na Viagem nº 25 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 3.001,26, realizada pelo Sr. Flávio Ribeiro, em viagem que ela descreve como “Viagem para Cancun para o congresso que reuniu todas as empresas do grupo”, em razão do lançamento nº 0100025032, de 30/04/2004, no valor de 3.001,26 (fl. 355). Tendo em vista que esta despesa já foi considerada na Viagem nº 18, resta não comprovada a despesa”; fls. 3832: “na viagem nº 27 a 30 a requerente pretende justificar quatro despesas de R$ 2.855,87, realizada pelos funcionários Valéria Bernardi, Edmir Bevilacqua, Paulo Lima e Flávio Ribeiro, em viagem para Cancun, em razão do lançamento nº 0100025018, de 30/04/2004, no valor de 2.855,87 (fl. 355). Tendo em vista que esta despesa já foi considerada nas Viagens nsº 15 a 18, resta não comprovada a despesa”; fls. 3832: “na viagem nº 31 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 2.784,00, realizada pelo seu Diretor de Negócios, Sr. Guilherme Geraldes, em viagem de negócios à Argentina, conforme Anexo B (Lista de cadastro de clientes), em razão do lançamento nº 5000032453, de 24/08/2004, no valor de 2.784,00 (fl. 355). Tendo em vista a emissão de bilhete aéreo para o aeroporto de Ezeiza/Argentina, no valor de R$ 1.392,00 (fl. 952), conforme Fatura emitida em 23/08/2004, resta comprovada parcialmente a despesa. Quanto à passagem do Sr. Alberto Spera, o mesmo não é funcionário da empresa”; fls. 3832: “nas viagens nºs 33, 34, 35, 42, 43, 44, 51, 52, 57, 58, 62, 63, 65, 66, 67, 71, 72 e 73, com despesas pagas com Fatura de cartão de crédito, não há como identificar, com precisão, a relação de gastos com os respectivos lançamentos, bem como o critério de conversão cambial, quando aplicável. Assim, restam não comprovadas as despesas”; fls. 3832/3833: “na viagem nº 37 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 2.281,47, realizada pelos Srs. Guilherme Geraldes e Ronaldo Santos em viagem de negócios a Belo Horizonte, Curitiba e Rio de Janeiro, conforme Anexo D (Lista de clientes), em razão do lançamento nº 0100025743, de 30/07/2004, no valor de 2.281,47 (fl. 355). Tendo em vista que na Fatura emitida em 22/11/2004 (fls. 986/987) não foi possível identificar, com precisão, o retrocitado valor, resta não comprovada a despesa”; fls. 3833: “na viagem nº 39 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 1.830,43, realizada pelo Sr. Celso Mendonça em viagem de negócios a Salvador e Recife, conforme Anexo D (Lista de clientes), em razão do lançamento nº 0100025743, de 30/07/2004, no valor de 1.830,43 (fl. 355). Apesar da emissão de bilhete aéreo para os aeroportos das retrocitadas cidades, a Fatura foi emitida em 01/11/2004 (fls. 983/984), no valor de R$ 1.845,60; assim, resta não comprovada a despesa. Na viagem nº 40 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 1.812,35, realizada pelo funcionário Paulo Lima em viagem de negócios a Porto Alegre, conforme Anexo D (Lista de clientes), em razão do Fl. 4066DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 27 26 lançamento nº 5000031605, de 22/07/2004, no valor de 1.812,35 (fl. 355). Apesar da emissão de bilhete aéreo para o aeroporto da retrocitada cidade, a Fatura foi emitida em 22/11/2004 (fls. 994/995), no valor de R$ 1.088,00; assim, resta não comprovada a despesa. Na viagem nº 41 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 1.812,35, realizada pelo funcionário Celso Mendonça em viagem de negócios a Belo Horizonte, conforme Anexo D (Lista de clientes), em razão do lançamento nº 5000031605, de 22/07/2004, no valor de 1.812,35 (fl. 355). Apesar da emissão de bilhete aéreo, no valor de R$ 1.812,35, o mesmo foi emitido para os aeroportos de Belém e Brasília, com Fatura emitida em 21/07/2004 (fl. 997); assim, resta não comprovada a despesa. Na viagem nº 45 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 1.708,70, realizada pelos Srs. Paulo Lima e Jaim Lichtig, em viagem de negócios a Brasília, conforme Anexo B (Lista de cadastro de clientes), em razão do lançamento nº 5000027904, de 18/02/2004, no valor de 1.708,70 (fl. 356). Tendo em vista a emissão de bilhete aéreo para o aeroporto de Brasília, no valor de R$ 854,35 (fl. 1024), conforme Fatura emitida em 11/02/2004, resta comprovada parcialmente a despesa. Quanto à passagem do Sr. Jaim Lichtig, o mesmo não é funcionário da empresa”; fls. 3834: “na viagem nº 49 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 1.584,70, realizada por Guilherme Geraldes e Thereza Guerra, em viagem de negócios a Curitiba, conforme Anexo B (Lista de cadastro de clientes), em razão do lançamento nº 5000035428, de 21/12/2004, no valor de 1.584,70 (fl. 356). Tendo em vista a emissão de bilhete aéreo para o aeroporto de Curitiba, no valor de R$ 792,35 (fl. 1051), conforme Fatura emitida em 21/12/2004, resta comprovada parcialmente a despesa (a Sra. Thereza Guerra não é funcionária da empresa). Na viagem nº 50 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 1.584,70, realizada pelos funcionários Paulo Lima e Ronaldo Santos, em viagem de negócios a Curitiba, conforme Anexo B (Lista de cadastro de clientes), em razão do lançamento nº 5000034281, de 09/11/2004, no valor de 1.584,70 (fl. 356). Tendo em vista a emissão de bilhete aéreo para o aeroporto de Curitiba, no valor de R$ 1584,70 (fl. 934), conforme Fatura emitida em 21/12/2004, mas tendo como beneficiários Guilherme Geraldes e Thereza Guerra, resta não comprovada a despesa”; fls. 3834/3835: “na viagem nº 55 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 1.468,70, realizada por Guilherme Geraldes e Thereza Guerra, em viagem de negócios a Curitiba, conforme Anexo B (Lista de cadastro de clientes), em razão do lançamento nº 5000027904, de 08/10/2004, no valor de 1.468,70 (fl. 356). Tendo em vista a emissão de bilhete aéreo para o aeroporto de Curitiba, no valor de R$ 734,35 (fl. 1056), conforme Fatura emitida em 01/10/2004, resta comprovada parcialmente a despesa. Quanto à passagem da Sra. Thereza Guerra Lichtig, o mesma não é funcionária da empresa”; fls. 3835: “na viagem nº 68 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 1.114,60, realizada pelo funcionário Ronaldo Santos em viagem de negócios a Joinville, conforme Anexo D (Lista de clientes), em razão do lançamento nº 5000032911, de 10/09/2004, no valor de 1.114,60 (fl. 356). Tendo em vista a emissão de bilhete aéreo para o aeroporto de Joinville, no valor de R$ 767,40, conforme Fatura emitida em 01/09/2004 (fl. 1102), resta comprovada parcialmente a despesa”; fls. 3837: “na viagem nº 80 a requerente pretende justificar a despesa de R$ 1.101,35, realizada pelo funcionário Reginaldo Domingos em viagem de negócios a Porto Alegre, conforme Anexo D (Lista de clientes). Entretanto, não foi encontrado lançamento coincidente em valor (fl. 356) e a Fatura encontrase com o valor ilegível (fl. 1134); assim, resta não comprovada a despesa”. Argumentos da recorrente (fls. 3882): “Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 25 a 29 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade de todas as despesas com viagens”. (...) (fls. 398): “conforme se pode comprovar na planilha abaixo, bem como pelos documentos anexados, do montante de R$ 258.443,02 somente a importância de R$ 14.324,11 não pode ser comprovada até a data da presente defesa, especialmente em razão do exíguo Fl. 4067DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 28 27 prazo concedido pela autoridade fiscal para a apresentação de grande número de documentos, que foram produzidos quando a empresa ainda era administrada por seus antigos controladores (...)”. Voto: a decisão recorrida procedeu a criteriosa, profunda e minuciosa análise das provas acostadas aos autos, demonstrando com propriedade que, embora a recorrente tenha discorrido longamente sobre o tema e juntado centenas de documentos, não houve a necessária comprovação das despesas havidas, seja por divergência valorativa (fatura com um valor e registro contábil com outro), de data, de locais de viagem (viagem que seria para Belo Horizonte com bilhetes emitidos para Brasília e Belém, por exemplo), viagem internacional de seu DiretorPresidente supostamente para a Ásia, quando no bilhete aéreo emitido consta como destino a Europa, aeroportos de Londres, Manchester e Southampton. De outro lado, há, ainda, a presença de documentos comprobatórios ilegíveis, valores não coincidentes e faturas de cartões de crédito igualmente ilegíveis. Vejase: não se está afirmando neste voto que tais despesas de viagens não possam ter ocorrido nem que os documentos acostados não pertençam à companhia ou sejam de idoneidade suspeita. O que se está posicionando é que mencionados documentos que deveriam servir como comprovação das despesas assumidas pela empresa não estão dispostos de forma ordenada de modo que possam, claramente, contraporse à acusação fiscal e fulminá la. Vale dizer, simplesmente trazer aos autos centenas ou milhares de documentos (ainda que idôneos), sem que deles se extraia um mínimo de sentido lógico entre o que neles se estampa, o que foi objeto da imposição fiscal e os argumentos do recurso, evidentemente não tem o escopo de abater a acusação da parte contrária. Nesta linha a lição de Manoel Antonio Teixeira Filho4 é límpida, quando afirma ser a prova o resultado, não o meio, posto que, se assim não fosse, “terseia de admitir, inevitavelmente, por exemplo, que qualquer documento juntado aos autos constituiria, por si só, prova do fato a que se refere”. Em decisão sob a Relatoria do I. Conselheiro Paulo Jackson da Silva Lucas, Ac. 1301000.751, este Colegiado Administrativo pontificou: GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. COMPROVAÇÃO DE DESPESAS. ÔNUS DE PROVA DOCUMENTAL DO CONTRIBUINTE. Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o Estado não tem participação prévia na identificação do tributo devido. Cabe ao contribuinte, nesta modalidade de lançamento, manter os seus registros contábeis e a documentação que os respalde de forma ordenada e pronta para análise por parte da fiscalização. Entretanto, quando da recente juntada dos documentos de fls.3919 e seguintes, a recorrente conseguiu dar um formato lógico e comprovado a algumas destas despesas, pelo que serão aceitas, a saber: a) 31/08/2004 – viagem Guilherme Geraldes – valor R$ 9.240,00, despesas em US$: 3.000,00 (X) R$ 3,06 – fls. 603/604 4 in "A prova no processo do trabalho". Fl. 4068DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 29 28 b) 30/04/2004 – idem – valor R$ 4.615,09 – US$ 1.580,51 (X) R$ 2,92 – fls. 2710/2712 c) 31/01/2004 – despesas com hospedagem no exterior e comunicações – valor R$ 4.565,01 – US$ 1.413,22 (X) 2,92 (+) taxa de embarque em reais R$ 436,40 – fls. 2714/2716/2717/2718 d) 30/06/2004 – hospedagem internacional Guilherme Geraldes – valor R$ 1.086,75 – US$ 345,00 (X) 3,15 fls. 2747/2748/2749 e) 30/10/2004 – idem – valor R$ 1.684,24 – US$ 569,00 (X) 2,96 – fls. 2751/2752/2753 Total a excluir dos lançamentos = R$ 21.191,09 Observese que a própria empresa contratada pela recorrente para elaborar parecer a respeito somente conseguiu comprovar exatamente o valor acima, de forma que, como dito antes, estáse diante de um cenário que fragiliza os argumentos da recorrente (a quem caberia zelar pela correta juntada de documentos, inclusive sua perfeita identificação e legibilidade), impondo reconhecer não comprovadas, com documentação hábil e idônea, parte das despesas com viagens, já considerando o montante exonerado neste voto, na forma abaixo: Vlr. sob julgamento 98.834,45 Vlr. exonerado neste voto 21.191,09 Vlr. mantido 77.643,36 a.4) DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSFERÊNCIA ENTRE FÁBRICAS – R$ 884.008,81 Decisão recorrida (fls. 3839/3840): “Os valores incomprovados somam R$ 884.008,81 e encontramse listados no anexo ao T.V.F (fl. 357), sendo constituídos de 29 lançamentos na referida conta, ocorridos no período de 31/01/2004 a 31/12/2004. (...) De plano, quanto aos documentos juntados pela autuada (doc. 82 – fls. 1135 a 1975), tratamse, ao que tudo indica em uma análise amostral, realmente de cópias de Conhecimento de Transporte Rodoviário de Cargas, relacionados ao transporte de mercadorias entre a fiscalizada e outras empresas (exemplo: fl. 1137), e entre empresas que a recorrente indica serem suas clientes (exemplo: fl. 1405). Entretanto, a recorrente não esclarece qual a relação entre a documentação apresentada e os 29 lançamentos que estão registrados no anexo ao T.V.F (fl. 357). Este relator constatou, entre os CTRC acostados, que há planilhas (fls. 1255/1258, 1559/1562, 1594/1597, 1781/1784 e 1830/1832) com indicação de somatórios dos valores de CTRC, mas sem que a interessada tenha elucidado sua relação com o documento à fl. 357, questão que no tópico referente a fretes com clientes foi acompanhada por planilha integrante da própria defesa. Assim, não há o que exonerar neste tópico do contraditório. Em 26/07/2010 a autuada acostou aos autos defesa complementar (fls. 2679 a 2698, com anexos às fls. 2701 a 3801), na qual acrescentou, neste quesito, que os documentos ora juntados (fls. 2705 a 2762, com Planilha resumo às fls. 2691 a 2697 da defesa) permitem, no seu entendimento, justificar o montante de R$ 258.647,76 (R$ 884.008,81 – 589.361,05) que restou não comprovado. Acrescenta que no presente contraditório disponibiliza não só os documentos necessários à comprovação de parte das despesas não comprovadas, como também os documentos já apresentados na defesa inicial, de modo a evitar quaisquer dúvidas (apresentou planilha às fls. 2691 a 2697 do contraditório e juntou documentos (doc. 05 – A a Fl. 4069DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 30 29 doc. 05 – R) às fls. 3098 a 3801). Conclui que, do valor total glosado, a defendente apenas não pode comprovar o valor de R$ 155.604,24, mas esclarece que ainda pretende comproválas tão logo os respectivos documentos sejam localizados. Neste tópico, ainda que a recorrente tenha juntado à defesa planilha com relação entre os valores glosados e os valores dos fretes que ela utiliza para justificálos, os documentos juntados apresentam as mesmas características daqueles já analisados acima, não se constituindo em prova robusta que permita desconsiderar a glosa de despesas com fretes. Assim, não há o que exonerar neste quesito da autuação”. Argumentos da recorrente (fls. 3883): “Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 30 a 35 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com serviços de transferência entre fábricas, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP”. (...) (fls. 408): “primeiramente, não se trata de despesas com transferências entre fábricas, tendo a empresa cometido um equívoco ao lançar, manualmente, em sua contabilidade, como despesas com transferências entre fábricas, o que são despesas de serviços de fretes para clientes”. Voto: do mesmo modo que no item precedente, a decisão recorrida procedeu a criteriosa, profunda e minuciosa análise das provas acostadas aos autos, demonstrando, com propriedade, que, embora a recorrente tenha discorrido longamente sobre o tema, não houve a necessária comprovação das despesas havidas, em face da incongruência dos documentos aportados e aquilo que constou na acusação. De fato, como esta Relatoria já se manifestou atrás, não basta a anexação de centenas de documentos sem que lhes seja dado um mínimo de tratamento lógico de forma a compor uma prova robusta e segura, permitindo ao julgador o necessário convencimento daquilo que se alegou. No caso deste tópico, há uma agravante pelo fato de a empresa tratar contabilmente a rubrica como “transferência entre fábricas”, alterando a, depois, para “despesas de fretes para clientes” (contas contábeis com conceitos antagônicos, enquanto a primeira pode se referir a transferências de qualquer espécie, inclusive matéria prima, ou seja, insumos – custos , a segunda tem nítido caráter de despesas com vendas) o que, por si só, já mostra inconsistência entre as nominações adotadas e os documentos que serviram para o registro contábil. Entretanto, se por ocasião da impugnação e do recurso voluntário apresentados, as centenas de documentos acrescidos como prova não continham logicidade, com a entrega do parecer técnico em fevereiro de 2015, a recorrente conseguir enfeixar e dar consistência a diversos itens destas despesas, vinculando valores, conhecimentos de transportes, transportadoras e suas notas fiscais de vendas a clientes, ou seja, alinhou comprovantes de forma simétrica que permitiram concluir pela legitimidade dos lançamentos assentados na contabilidade. Deste modo, em obediência ao princípio da supremacia da essência sobre a forma, aceito como comprovados os valores pautados na planilha apresentada pela recorrente (Anexo VII do parecer técnico), excluindo da tributação o montante de R$ 446.360,73. Vlr. sob julgamento 884.008,81 Vlr. exonerado neste voto 446.360,73 Vlr. mantido 437.648,08 Fl. 4070DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 31 30 a.5) DESPESAS COM COMISSÕES DE VENDAS – R$ 156.419,81 Decisão recorrida (fls. 3840/3842): “Os valores incomprovados somam R$ 156.419,81 e encontramse listados no anexo ao T.V.F (fls. 357 a 359), sendo constituídos de 60 lançamentos na referida conta, ocorridos no período de 29/02/2004 a 21/12/2004. (...) Os documentos acostados pela defendente (fls. 1976 a 2020) para justificar os 60 lançamentos constituemse de 9 Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidos pela empresa C.A Cardoso Representação Ltda (CNPJ 05.512.318/000175), acompanhados de relatórios de lançamento gerenciais, cópias de DARF (código 8045 Comissões e Corretagens Pagas à Pessoa Jurídica) e Relatórios gerenciais de apuração do Imposto de Renda Retido na Fonte semanal. Assim, por meio da Nota Fiscal nº 021 (fl. 1977), emitida em 09/08/2004 (vencimento: 15/08/2004), no valor de R$ 19.745,94 (descrição do serviço: comissão referente ao mês de julho/2004), a requerente pretende justificar 5 lançamentos, no montante de R$ 15.575,40 (fls. 410/411). Os lançamentos, que constam na tabela anexa ao T.V.F (fls. 357/359), registram os valores de R$ 5.616,80 (nº 0090162309, data: 16/07/2004), R$ 2.879,80 (nº 0090162312, data: 16/07/2004), R$ 2.577,60 (nº 0090159909, data: 21/06/2004), R$ 2.468,40 (nº 0090160796, data: 30/06/2004) e R$ 2.032,80 (nº 0090164211, data: 05/08/2004). O relatório disponibilizado pela autuada (fl. 1978) não permite associar nenhum valor, nº do lançamento e data com os valores que ela pretende justificar, além de, como já asseverado pela fiscalização (T.V.F – fl. 351), tratase de relatório gerencial, improcedente para justificar lançamentos delineados no Razão da empresa (fls. 357/359). Observese, ainda, que não há como justificar lançamentos ocorridos em 21/06/2004 e 30/06/2004 com Nota Fiscal emitida em 09/08/2004, em razão de comissão referente ao mês de julho/2004. Os demais documentos juntados pela recorrente (doc. 84 a doc. 91) apresentam as mesmas características já apontadas, não sendo, portanto, hábeis para comprovar o valor por ela pleiteado, de R$ 91.331,95. Em 26/07/2010 a autuada acostou aos autos defesa complementar (fls. 2687 a 2690, com anexos às fls. 2920 a 3097), na qual acrescentou, neste quesito, que do montante global glosado, de R$ 156.419,81, somente a importância de R$ 65.087,86 não pode ser comprovado, e acosta, nesta oportunidade, os documentos necessários à comprovação da parcela restante (apresentou tabela ao contraditório (fls. 2688 a 2690) e juntou documentos às fls. 2920 a 3097). Os documentos disponibilizados apresentam as mesmas características dos apresentados anteriormente, sendo incabíveis para exonerar a glosa conduzida pela fiscalização (neste segundo conjunto de documentos não há, ainda, qualquer indicação, na tabela produzida (fls. 2688 a 2690), acerca de qual lançamento se referem (fls. 357 a 359). Portanto, neste item de Comissão de Vendas não há o que exonerar”. Argumentos da recorrente (fls. 3884): “Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 36 a 39 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com comissões de vendas, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo”. (...) (fls. 410): “Para que não reste qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com comissões de vendas, indevidamente glosadas pela autoridade autuante, a Impugnante apresenta a planilha (...) com a correlação entre as notas fiscais apresentadas pela Impugnante e os respectivos representantes de vendas, bem como a relação dos documentos, anexados na presente impugnação, que comprovam a efetividade das despesas com comissões incorridas pela Impugnante”. Voto: de plano, ratifico e assumo como razões de decidir os mesmos argumentos fáticos e de direito envolvidos e citados antecedentemente (item despesas com viagens). É certo que existem notas fiscais emitidas pelos representantes comerciais da contribuinte, por exemplo, C.A Cardoso Representação Ltda (CNPJ 05.512.318/000175), Fl. 4071DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 32 31 todavia, os valores dos documentos não “fecham” com os lançamentos constantes no Livro Razão, impossibilitando aceitarse tal prova. De se destacar que sequer a empresa de consultoria que emitiu o parecer juntado pela recorrente conseguiu vincular os montantes das notas fiscais com os lançamentos presentes na escrituração da empresa (fls. 357/359). A alegação da recorrente de que “a provisão de comissão era contabilizada sistematicamente conforme emissão da nota fiscal” (cf. parecer juntado) é bastante plausível. Porém, como exaustivamente exposto e ainda mais por se tratar de lançamentos com características iniciais de “provisão” – seria obrigatório que os ajustes presentes na escrituração – e eles são diversos estivessem explicitamente demonstrados e que as notas fiscais emitidas pelos representantes confirmassem, conclusiva e especificamente, os valores das despesas com comissões sobre vendas e que tais montantes “fechassem” com o que consta da contabilidade da empresa. Não é isto o que se vê. Assim, em que pese o minucioso trabalho realizado pela empresa de consultoria/auditoria contratada pela recorrente para confirmar tais despesas, data vênia, a força probatória desejada não se fez presente, ao revés, mais uma vez há centenas de informações, documentos ou planilhas, de cunho interno da autuada, sem uma formatação lógica que permita ao julgador convencerse da correção do procedimento. Novamente assoma nos autos que o que a recorrente acabou por fazer foi tentar transferir ao órgão judicante administrativo a missão de “chegar” aos números apontados pelo Fisco, procedimento que, por óbvio, caberia à autuada. No CARF: IRPJ – PROVA – Cumpre à impugnante demonstrar o efeito modificativo ou extintivo do crédito constituído pelo lançamento. Não basta ao impugnante juntar documentos aos autos, sendo indispensável que ele demonstre o efeito probatório por eles produzido. (Acórdão nº 10707882) Nesta linha, perfilo com a decisão recorrida, mantendoa integralmente, conforme abaixo demonstrado: Vlr. sob julgamento 156.419,81 Vlr. exonerado neste voto Vlr. mantido 156.419,81 a.6) DAS DESPESAS COM REPAROS E MANUTENÇÃO – R$ 2.487,00 Decisão recorrida (fls. 3842/3843): “Os valores incomprovados somam R$ 10.863,11 e encontramse listados no anexo ao T.V.F (fl. 359), sendo constituídos de 4 lançamentos na referida conta, ocorridos no período de 23/01/2004 a 02/12/2004. (...) O doc. 92 (fls. 2021/2023) registra Nota Fiscal de mercadoria de R$ 2.494,80, emitida em 01/06/2004, em concordância com o lançamento nº 1900017911, de 01/06/2004, no mesmo valor. O doc. 93 (fls. 2024/2025) está ilegível. O doc. 94 (fls. 2026/2027) registra Nota Fiscal de Serviços de R$ 2.588,16, emitida em 29/12/2003 com data de vencimento em 26/01/2004, em linha com o lançamento nº 5000027358, de 23/01/2004, no mesmo valor. O doc. 94 (fls. Fl. 4072DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 33 32 2028/2029) registra Nota Fiscal de Serviços de R$ 3.293,15, emitida em 02/02/2004, em concordância com o lançamento nº 5000028060, de 27/02/2004, no mesmo valor. Assim, neste tópico, a defendente tem direito a redução da base de cálculo no valor de R$ 8.376,11”. Argumentos da recorrente (fls. 3884): “Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 40 a 42 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com reparos e manutenção, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo”. (...) (fls. 413): “Para que não reste qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com reparos e manutenção, indevidamente glosadas pela autoridade autuante, a Impugnante apresenta a planilha (...) que comprova a efetividade das despesas incorridas pela Impugnante, e, consequentemente, as corretas deduções na apuração do IRPJ e da CSLL”. Voto: a decisão recorrida exonerou R$ 8.376,11 dos lançamentos, mantendo o residual de R$ 2.487,00, por entender que o documento que comprovaria tal dispêndio (fls. 2024/2025) estaria ilegível. Melhor analisando os autos e verificando tal documento, ainda que a digitalização esteja comprometida, vêse que se refere à nota fiscal emitida por Avic – Com. e Repr. Ltda. em desfavor da recorrente e distinguese que o montante da mesma sugere ser exatamente o valor de R$ 2.487,00, atrás referido. Pois vejase: Em tempo, com os recentes documentos juntados, é possível confirmarse a autenticidade da mencionada nota fiscal, impondose aceitar a prova apresentada. Neste eito, reformo a decisão recorrida neste aspecto, exonerando o valor de R$ 2.487,00, conforme abaixo: Vlr. sob julgamento 2.487,00 Vlr. exonerado neste voto 2.487,00 Vlr. mantido a.7) DAS DESPESAS COM CONSULTORIA EXTERNA – R$ 8.379,46 Decisão recorrida (fls. 3843/3844): “Registra o T.V.F (fl. 351) que por meio das intimações 05/2008 e 10/2008 a empresa foi solicitada a apresentar a documentação suporte para os lançamentos contábeis, pois foram apresentados apenas os relatórios gerenciais auxiliares gerados pela própria empresa e uma cópia de Nota Fiscal de serviços prestados, mas sem comprovação efetiva da prestação de serviços. Complementa o T.V.F que a fiscalizada não apresentou documentação. Os valores incomprovados somam R$ 8.379,46 e encontramse listados no anexo ao T.V.F (fl. 359), sendo constituídos de 5 lançamentos na referida conta, ocorridos no período de 31/03/2004 a 25/11/2004. (...) O doc. 96 (fl. 2031) é representado pela Nota Fiscal de Serviço, com descrição de “Consultoria em Estudos de Melhorias de Processo”, no valor de R$ 4.150,00, que confere com o valor glosado (fl. 359). Entretanto, a descrição do lançamento registra “Entrada Merc. Depósito” e não há relatório da empresa que prestou o serviço consignando a natureza e o escopo do serviço prestado. O Fl. 4073DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 34 33 doc. 97 (fl. 2033) é constituído por um boleto bancário, no valor de R$ 1.900,00, com descrição de que se trata de “Inscrição de Marcus Giardini e Daniel Galano no Curso de Técnicas de Análise de Riscos”. Apesar de a descrição conferir com o registrado no lançamento (fl. 359), referida despesa não se enquadra como serviço de consultoria. O doc. 98 (fl. 2035) é representado pela Nota Fiscal de Serviço emitida pela empresa C.A Cardoso Representação Ltda, com descrição de “Serviços Prestados em Desenvolvimento – Setembro/04”, no valor de R$ 1.500,00, que confere com o valor glosado (fl. 359). Entretanto, a descrição do lançamento registra “Entrada Merc. Depósito” e não há relatório da empresa que prestou o serviço consignando a natureza e o escopo do serviço prestado. O doc. 99 (fl. 2037) é constituído pela Nota Fiscal de Serviço, com descrição de “Manutenção Auditor Fatah – período 02 a 04/8/4”, no valor de R$ 3.732,57, que a recorrente utiliza para justificar glosa no valor de R$ 414,73. A defendente juntou cópia de e.mail (fl. 2038), com indicação de que o referido valor foi contabilizado em 9 parcelas de R$ 414,73, fato que ele também destaca no contraditório apresentado (fl. 414). Entretanto, os centros de custo indicados no e.mail não conferem com o que está indicado no lançamento (601234 – fl. 359), e não há relatório da empresa que prestou o serviço consignando a natureza e o escopo do serviço prestado. O doc. 100 (fl. 2034) é constituído pela Nota Fiscal de Serviço, com descrição de “Manutenção Auditora Maria Carolina – período 10/3/4”, no valor de R$ 3.732,57, que a recorrente utiliza para justificar glosa no valor de R$ 414,73. Neste caso, a exceção do boleto bancário (fl. 2041) que registra o pagamento do serviço, não há qualquer documento que elucide o critério de rateamento da referida Nota Fiscal. Não há, ainda, relatório da empresa que prestou o serviço consignando a natureza e o escopo do serviço prestado. Assim, neste tópico relacionado as Despesas com consultoria externa, não há o que exonerar”. Argumentos da recorrente (fls. 3885): “Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 43 a 45 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com consultoria externa, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo”. (...) (fls. 414): “Para que não reste qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com serviços consultoria externa, indevidamente glosadas pela autoridade autuante, a Impugnante apresenta a planilha (...) com (i) a relação dos valores pagos a título de serviços de consultoria externa; (ii) a descrição do tipo de serviço prestado; e (iii) relação dos documentos, anexados na presente impugnação, que comprovam a efetividade das despesas incorridas pela Impugnante, e, conseqüentemente, as corretas deduções na apuração do IRPJ e da CSLL”. Voto: a comprovação deste tipo de despesa, justamente por seu caráter subjetivo, exige a presença de documentos que dêem robustez ao que foi avençado e identifiquem, claramente, o que foi contratado, quem executou tais serviços, o período, qualificação completa, relatórios, horas de trabalho, etc., de forma a permitir justificar, sob o ângulo do IRPJ, que tais dispêndios, além de serem necessários e usuais, estão revestidos dos demais requisitos que a legislação impõe para sua aceitação, como idoneidade e efetiva contraprestação do que foi acordado. No caso, ainda que tenham vindo aos autos diversos documentos, parece claro, como bem alertado pela decisão recorrida, que notas fiscais com o histórico “Entrada Merc. Depósito” não têm, salvo prova inconteste em contrário, não apresentada, o condão de justificar “serviços de assessoria”, até porque, por óbvio, sendo “serviços” (intangível abstrato) não podem ser “mercadorias (tangívelconcreto). Mais, a inexistência de relatórios que dêem suporte aos possíveis serviços acaba por fragilizar, ainda mais, o material probatório. Fl. 4074DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 35 34 Diferentemente na causa, mas com igual resultado no efeito, pagamentos para inscrição em cursos de possíveis funcionários da empresa (certamente uma despesa a ser considerada dentro de um contexto empresarial), não devem ter tratamento de uma despesa com a nominação de “serviços de consultoria”. Deste modo, ainda que tais estipêndios pudessem ser aceitos como despesas, deveriam estar inseridos em conta contábil coerente com a realidade factual, de forma a se contextualizar com a realidade e aferir uma possível não contabilização em duplicidade (na conta correta e na indevida). Por igual, a glosa com o possível serviço com descrição de “Manutenção Auditor Fatah – período 02 a 04/8/4”, no valor de R$ 3.732,57, que a recorrente utiliza para justificar glosa no valor de R$ 414,73. Para este caso, os centros de custo não conferem com o que está indicado no lançamento (601234 – fl. 359) e não há relatório da empresa que prestou o serviço consignando a natureza e o escopo do serviço prestado, do mesmo modo que no pertinente ao doc. 100 (fl. 2034), constituído pela Nota Fiscal de Serviço, com descrição de “Manutenção Auditora Maria Carolina – período 10/3/4”, no valor de R$ 3.732,57, que a recorrente utiliza para justificar glosa no valor de R$ 414,73, também apontando para completa ausência de documento que elucide o critério de rateamento da referida Nota Fiscal ou um simples relatório da empresa que prestou o serviço consignando a sua efetividade, as razões da prestação e o tipo de trabalho desenvolvido. Pelo exposto, mantenho integralmente a decisão recorrida, conforme segue: Vlr. sob julgamento 8.379,46 Vlr. exonerado neste voto Vlr. mantido 8.379,46 a.8) DESPESAS COM SERVIÇOS PRESTADOS POR TERCEIROS – R$ 288.409,43 Decisão recorrida (fls. 3844/3850): “Registra o T.V.F (fl. 351) que por meio das intimações 05/2008 e 10/2008 a empresa foi solicitada a apresentar documentos, e conclui que a fiscalizada não respondeu a este item. Os valores incomprovados somam R$ 640.695,75 e encontramse listados no anexo ao T.V.F (fls. 359 e 360), sendo constituídos de diversos lançamentos na referida conta, ocorridos no período de 08/01/2004 a 13/12/2004. (...) Vopak Brasterminais Armazéns Gerais S/A. O doc. 101 (fls. 2043 a 2051) constitui cópia do Contrato Especial de Locação de Tanque e Prestação de Serviços VBTA/00104/03, de 15/12/2003, celebrado entre Vopak Brasterminais Armazéns Gerais S/A e Ineos Sílicas Brasil Ltda, tendo por objeto a locação de tanques destinados a armazenagem de Fenol, que ficará sob responsabilidade da contratada. No doc. 102 (fl. 2053) temse cópia da Nota Fiscal, emitida em 10/02/2004 pela Vopak Brasterminais Armazéns Gerais S/A, referente à armazenagem e movimentação, no valor de R$ 4.414,865, que corresponde ao valor glosado no lançamento 5000027831, de 16/02/2004. Assim, resta comprovado [parcialmente] o valor. Os docs. 111, 112, 118 e 120 (fls. 2074, 2076, 2098 e 2102), apesar de indicarem cópias de Notas Fiscais emitidas pela Vopak, estão ilegíveis. KP Consultoria Ltda. No doc. 105 (fl. 2059) temse cópia da Nota Fiscal, emitida pela KP Consultoria Ltda, com descrição do serviço “Avaliação agronômica do silicato de potássio como fonte do silício, através de métodos químicos e biológicos”, no valor de R$ 26.240,00, com a qual a recorrente pretende justificar o valor 5 Na verdade, o valor correto é R$ 45.414,86, estando comprovado. A diferença de R$ 41.000,00 está sendo exonerada neste voto. Fl. 4075DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 36 35 glosado no lançamento 5000034825, de 02/12/2004, no valor de R$ 26.240,00. Além da data de emissão da Nota Fiscal estar ilegível, assim como outros campos, não há relatório da citada empresa de consultoria com detalhamento do serviço prestado. Assim, resta não comprovado o valor. Granel Química Ltda. No doc. 107 (fl. 2063) temse cópia da Nota Fiscal, emitida em 22/01/2004 pela Granel Química Ltda, referente a “prestação de serviços de armazenagem e manuseio de fenol em tanque...”, no valor de R$ 14.246,61, que corresponde ao valor glosado no lançamento 5000027279, de 16/01/2004. Tendo em vista que o lançamento é anterior à data de emissão da Nota Fiscal, resta não comprovado o valor. IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S/A. No doc. 109 (fl. 2068) tem se cópia da Nota Fiscal, emitida pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S/A em 26/10/2004, com descrição do serviço “Referente a elaboração de pareceres técnicos quanto a necessidade de trabalho ininterrupto”, no valor de R$ 27.000,00, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 190001980, de 09/11/2004, no valor de R$ 27.000,00. Tendo em vista que não há relatório da citada empresa de consultoria com detalhamento do serviço prestado, resta não comprovado o valor. Arão Sapiro – Consultor & Associados S/C Ltda. No doc. 110 (fl. 2072) temse cópia da Nota Fiscal, emitida pela empresa Arão Sapiro – Consultor & Associados S/C Ltda, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900016444, de 19/02/2004 [R$ 12.000,00]. Tendo em vista que o documento está ilegível, resta não comprovado o valor. Veirano e Advogados Associados. No doc. 113 (fl. 2078) temse cópia de Fatura, emitida por Veirano e Advogados Associados em 27/02/2004, com descrição genérica de honorários profissionais, no valor de R$ 10.583,81, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900016484, de 26/02/2004, no valor de R$ 10.583,81. Tendo em vista que não há descrição precisa do serviço executado, bem como relatório da citada empresa com detalhamento do serviço prestado, resta não comprovado o valor. Também não é possível aceitar documento fiscal emitido em data posterior ao lançamento. No doc. 115 (fl. 2082) tem se cópia de Fatura, emitida por Veirano e Advogados Associados em 12/03/2004, no valor de R$ 10.097,75, com descrição de serviços advocatícios em documento anexo (fls. 2084 a 2090), com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900016817, de 23/03/2004, no valor de R$ 10.460,55. Tendo em vista que os valores não são coincidentes, resta não comprovado o valor. No doc. 116 (fl. 2094) temse cópia de Fatura, emitida por Veirano e Advogados Associados em 31/05/2004, com descrição genérica de honorários profissionais, no valor de R$ 10.113,45, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900017546, de 21/05/2004, no valor de R$ 10.113,45. Tendo em vista que não há descrição precisa do serviço executado, bem como relatório da citada empresa com detalhamento do serviço prestado, resta não comprovado o valor. Também não é possível aceitar documento fiscal emitido em data posterior ao lançamento. No doc. 127 (fl. 2122) tem se cópia de Fatura, emitida por Veirano e Advogados Associados em 08/07/2004, com descrição genérica de honorários profissionais, no valor de R$ 7.700,85, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900018165, de 30/06/2004, no valor de R$ 7.700,85. Tendo em vista que não há descrição precisa do serviço executado, bem como relatório da citada empresa com detalhamento do serviço prestado, resta não comprovado o valor. Também não é possível aceitar documento fiscal emitido em data posterior ao lançamento. No doc. 153 (fls. 2190/2191) temse cópia de Fatura, emitida por Veirano e Advogados Associados em 17/09/2004, com descrição genérica de honorários profissionais, no valor de R$ 6.532,45, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900019201, de 23/09/2004, no valor de R$ 6.532,45. Tendo em vista que não há descrição precisa do serviço executado, bem como relatório da citada empresa com detalhamento do serviço prestado, resta não comprovado o valor. No doc. 158 (fls. 2200) temse cópia de Boleto Bancário, emitido por Veirano e Advogados Associados em Fl. 4076DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 37 36 21/01/2004, sem qualquer descrição acerca do serviço executado, no valor de R$ 5.555,14, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900016215, de 23/01/2004, no valor de R$ 5.633,73. Tendo em vista que não há descrição precisa do serviço executado, bem como relatório da citada empresa com detalhamento do serviço prestado, resta não comprovado o valor. Também não há razão para considerálo, em razão da divergência de valor. Sonia Marques Dobler Advogados. No doc. 123 (fl. 2111) temse cópia de Fatura, emitida por Sonia Marques Dobler Advogados com data e valor ilegíveis, com descrição de serviços advocatícios em documento anexo (fls. 2113 a 2115), com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900016697, de 12/03/2004, no valor de R$ 9.529,00. Tendo em vista a impossibilidade de análise do valor e data, resta não comprovado o valor. No doc. 128 (fl. 2124) temse cópia de Fatura, emitida por Sonia Marques Dobler Advogados em 11/08/2004, com descrição genérica de serviços advocatícios, no valor de R$ 7.673,00, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900018619, de 05/08/2004, no valor de R$ 7.673,00. Tendo em vista que não há descrição precisa do serviço executado, bem como relatório da citada empresa com detalhamento do serviço prestado, resta não comprovado o valor. Também não é possível aceitar documento fiscal emitido em data posterior ao lançamento. No doc. 155 (fl. 2195) tem se cópia de Fatura, emitida por Sonia Marques Dobler Advogados em 09/12/2004, com descrição genérica de serviços advocatícios, no valor de R$ 5.954,50, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900020226, de 13/12/2004, no valor de R$ 5.954,50. Tendo em vista que não há descrição precisa do serviço executado, bem como relatório da citada empresa com detalhamento do serviço prestado, resta não comprovado o valor. Dinsmore Associates Consultores S/C Ltda. No doc. 124 (fl. 2117) temse cópia de Fatura, emitida por Dinsmore Associates Consultores S/C Ltda em 05/08/2004, com descrição do serviço “referente a parcela do seminário Teal a ser realizado”, no valor de R$ 7.875,00, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900018655, de 09/08/2004, no valor de R$ 7.875,00. Tendo em vista que a descrição do serviço é genérica, e não há documentos adicionais com esclarecimento acerca das atividades do seminário, resta não comprovado o valor. 267. No doc. 125 (fl. 2119) temse cópia de Fatura, emitida por Dinsmore Associates Consultores S/C Ltda, que encontrase ilegível, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900018494, de 29/07/2004, no valor de R$ 7.875,00. Tendo em vista a deficiência da prova apresentada, resta não comprovado o valor. No doc. 126 (fl. 2120) temse cópia de Fatura, emitida por Dinsmore Associates Consultores S/C Ltda em 01/08/2004, com descrição do serviço “referente a parcela do seminário Teal a ser realizado”, no valor de R$ 7.875,00, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900018335, de 20/07/2004, no valor de R$ 7.875,00. Tendo em vista que a descrição do serviço é genérica, e não há documentos adicionais com esclarecimento acerca das atividades do seminário, resta não comprovado o valor. Também não é possível aceitar documento fiscal emitido em data posterior ao lançamento. Visão Assessoria em Recursos Humanos. No doc. 148 (fls. 2179 e 2180) temse cópia da Nota Fiscal, emitida pela Visão Jundiaí Assessoria Recursos Humanos Sociedade Ltda em 31/08/2004, com descrição do serviço “Assessoria na Área de Recursos Humanos”, no valor de R$ 6.569,50, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900019077, de 14/09/2004, no valor de R$ 7.000,00. Tendo em vista que não há relatório da citada empresa de consultoria com detalhamento do serviço prestado, bem como há diferença entre os valores, resta não comprovado o valor. (...) Assim, no que se relaciona ao item Serviços Prestados por Terceiros, resta comprovado o valor de R$ 352.286,32”. Argumentos da recorrente (fls. 3885/3886): “No Auto de Infração, a fiscalização glosou as despesas com serviços prestados por terceiros à Recorrente no valor Fl. 4077DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 38 37 total de R$ 640.695,75, por considerar que as referidas despesas não teriam sido comprovadas. Após a apresentação da Impugnação, entendeu a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo que "no que se relaciona ao item Serviços Prestados por Terceiros, resta comprovado o valor de R$ 352.286, 32" (fl. 3850). Notase que novamente a r. decisão recorrida não analisou de forma detalhada toda a documentação apresentada. A Recorrente, em sua Impugnação, assim como em petição de 26.07.2010, juntou documentos comprobatórios (docs. 101 a 161) da efetiva realização das despesas com serviços prestados por terceiros, devendo ter sido exonerado o valor de R$ 640.695,75. Em atenção ao Princípio da Economia Processual, fazse menção ao quanto disposto nos parágrafos 46 a 50 da Impugnação, não restando qualquer dúvida quanto à dedutibilidade das despesas com serviços prestados por terceiros, cuja glosa foi indevidamente mantida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São PauloSP. Corroborando com o trabalho da d. Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que não restasse qualquer dúvida quanto à efetividade das despesas com serviços prestados por terceiros, incorridos pela Recorrete, esta juntou à sua Impugnação planilha com (i) o valor da despesa incorrida pela Recorrente; (ii) tipo de serviço prestado; relação dos prestadores de serviços; e (iii) a relação dos documentos, anexados à Impugnação”. Voto: na mesma linha do item anterior (despesas com consultoria externa), as despesas aqui apreciadas também têm alto grau de subjetividade, exigindo do julgador uma análise criteriosa e profunda dos documentos aportados e sua relação com a atividade da empresa, como fez a decisão recorrida ao exonerar grande parte dos lançamentos. Neste contexto, o presente voto será expresso apenas em relação aos casos em que foram aceitas as provas acostadas no recurso voluntário e reformada a decisão inaugural. Dizendo diversamente, a não manifestação em relação aos documentos juntados aos autos como provas significa que foi adotada a decisão recorrida como razões de decidir e mantida neste aspecto. i) Vopak Brasterminais Armazéns Gerais S/A. Decisão recorrida: “Os documentos não aceitos pela decisão recorrida mostravamse ilegíveis”. Voto: a recorrente apresentou no seu RV cópias legíveis das notas fiscais emitidas pela Vopak, com datas e valores coincidentes, acompanhadas de comprovantes de pagamentos, pelo que reformo a decisão recorrida e afasto os lançamentos. No valor abaixo está incluída a diferença de R$ 41.000,00 exonerada a menor na decisão inaugural (4.414,86 ao invés de R$ 45.414,86). Valor de R$ 98.706,33 exonerado dos lançamentos. ii) Granel Química Ltda. Decisão recorrida: “doc. 107 (fl. 2063) cópia da Nota Fiscal emitida em 22/01/2004 pela Granel Química Ltda, referente a “prestação de serviços de armazenagem e manuseio de fenol em tanque...”, no valor de R$ 14.246,61, que corresponde ao valor glosado no lançamento 5000027279, de 16/01/2004”. Tendo em vista que o lançamento é anterior à data de emissão da Nota Fiscal, resta não comprovado o valor. Voto: divirjo da decisão recorrida. Embora com data posterior ao lançamento contábil a nota fiscal apresenta o mesmo valor, não se olvidando que o Livro Razão Fl. 4078DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 39 38 reproduz conta de “provisões”, de modo que aceitável, como prova, documentos contemporâneos aos fatos, ainda que com cronologia divergente em alguns dias, desde que outros fatores convirjam para dar sustentabilidade à prova. No caso, além do que já foi exposto, há coincidência de valores, constam informações sobre o pagamento dos serviços e este tem direta relação com a atividade da recorrente (armazenagem e manuseio de fenol). Valor de R$ 14.246,61 exonerado dos lançamentos. iii) IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S/A. Decisão recorrida: “doc. 109 (fl. 2068) cópia da Nota Fiscal, emitida pelo IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo S/A em 26/10/2004, com descrição do serviço “Referente a elaboração de pareceres técnicos quanto a necessidade de trabalho ininterrupto”, no valor de R$ 27.000,00, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 190001980, de 09/11/2004, no valor de R$ 27.000,00." Voto: discordo da decisão recorrida e a reformo neste aspecto por aceitar a prova documental juntada por entender que, pela própria tradição centenária do IPT, instituto vinculado à Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação do Estado de São Paulo, é possível firmar convicção de que os serviços foram prestados, ainda que não haja relatório da citada entidade com detalhamento do serviço prestado. Valor de R$ 27.000,00 exonerado dos lançamentos. iv) Veirano e Advogados Associados. Decisão recorrida: “doc. 113 (fl. 2078) cópia de Fatura, emitida por Veirano e Advogados Associados em 27/02/2004, com descrição genérica de honorários profissionais, no valor de R$ 10.583,81, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900016484, de 26/02/2004, no valor de R$ 10.583,81.” Voto: reformo a decisão recorrida em razão da juntada pela recorrente, em fevereiro/2015, de fatura, documentos e relatórios que comprovam a prestação dos serviços e seu pagamento. Valor de R$ 10.583,01 exonerado dos lançamentos v) Veirano e Advogados Associados. Decisão recorrida: “doc. 115 (fl. 2082) cópia de Fatura, emitida por Veirano e Advogados Associados em 12/03/2004, no valor de R$ 10.097,75, com descrição de serviços advocatícios em documento anexo (fls. 2084 a 2090), com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900016817, de 23/03/2004, no valor de R$ 10.460,55.” Voto: discordo da decisão recorrida e a reformo parcialmente neste aspecto por verificar que, além dos honorários advocatícios presentes na fatura, há informações adicionais de cobrança de “reembolso de despesas” por parte da contratada, o que levou à contabilização do montante de R$ 10.460,55. Além disso, com os documentos encartados às fls. 2084/2090 é lícito presumir tenham sido os serviços efetivamente prestados. Destaco, porém, que o valor da fatura apresentada é de R$ 10.420,55 (diferença de R$ 40,00, não aceita Fl. 4079DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 40 39 como comprovada). Valor de R$ 10.420,55 exonerado dos lançamentos. vi) Veirano e Advogados Associados. Decisão recorrida: “doc. 116 (fl. 2094) cópia de Fatura, emitida por Veirano e Advogados Associados em 31/05/2004, com descrição genérica de honorários profissionais, no valor de R$ 10.113,45, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900017546, de 21/05/2004, no valor de R$ 10.113,45.” Voto: reformo a decisão recorrida em razão da juntada pela recorrente, em fevereiro/2015, de fatura, documentos e relatórios que comprovam, detalhadamente, a prestação dos serviços e seu pagamento. Além disso, a fatura tem data próxima (mesmo mês) aos lançamentos provisionados, o que permite concluir que o registro contábil da provisão fezse com base em informações previamente conhecidas pela autuada e ratificado pela fatura posteriormente emitida. Valor de R$ 10.113,45 exonerado dos lançamentos vii) Veirano e Advogados Associados. Decisão recorrida: “doc. 127 (fl. 2122) temse cópia de Fatura, emitida por Veirano e Advogados Associados em 08/07/2004, com descrição genérica de honorários profissionais, no valor de R$ 7.700,85, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900018165, de 30/06/2004, no valor de R$ 7.700,85. Tendo em vista que não há descrição precisa do serviço executado, bem como relatório da citada empresa com detalhamento do serviço prestado, resta não comprovado o valor. Também não é possível aceitar documento fiscal emitido em data posterior ao lançamento.” Voto: divirjo e reformo a decisão recorrida em razão da juntada pela recorrente, em fevereiro/2015, de fatura, documentos e relatórios que comprovam, detalhadamente, a prestação dos serviços e seu pagamento. Além disso, a fatura tem data próxima aos lançamentos provisionados, o que permite concluir que o registro contábil da provisão fezse com base em informações previamente conhecidas pela autuada e ratificado pela fatura posteriormente emitida. Valor de R$ 7.700,85 exonerado dos lançamentos viii) Veirano e Advogados Associados. Decisão recorrida: “doc. 153 (fls. 2190/2191) cópia de Fatura, emitida por Veirano e Advogados Associados em 17/09/2004, com descrição genérica de honorários profissionais, no valor de R$ 6.532,45, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900019201, de 23/09/2004, no valor de R$ 6.532,45.” Voto: em face da coincidência de valores, da emissão da fatura antecedentemente aos lançamentos contábeis e pela descrição, ainda que sucinta, dos serviços, entendo comprovada a despesa. Valor de R$ 6.532,45 exonerado dos lançamentos. ix) Veirano e Advogados Associados. Decisão recorrida: “doc. 158 (fls. 2200) temse cópia de Boleto Bancário, emitido por Veirano e Advogados Associados em 21/01/2004, sem qualquer descrição Fl. 4080DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 41 40 acerca do serviço executado, no valor de R$ 5.555,14, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900016215, de 23/01/2004, no valor de R$ 5.633,73. Tendo em vista que não há descrição precisa do serviço executado, bem como relatório da citada empresa com detalhamento do serviço prestado, resta não comprovado o valor. Também não há razão para considerálo, em razão da divergência de valor.” Voto: divirjo da decisão recorrida e a reformo neste aspecto em razão da juntada pela recorrente, em fevereiro/2015, de fatura, documentos e relatórios que comprovam, detalhadamente, a prestação dos serviços e seu pagamento. É certo que a fatura juntada não tem legibilidade suficiente para se aferir a data de sua emissão, porém o valor nela inserto e os demais documentos levam à presunção de sua correspondência com os lançamentos feitos na escrituração da recorrente. Valor de R$ 5.633,73 exonerado dos lançamentos. x) Sonia Marques Dobler Advogados. Decisão recorrida: “doc. 123 (fl. 2111) cópia de Fatura, emitida por Sonia Marques Dobler Advogados com data e valor ilegíveis, com descrição de serviços advocatícios em documento anexo (fls. 2113 a 2115), com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900016697, de 12/03/2004, no valor de R$ 9.529,00.” Voto: ainda que haja dificuldade na leitura da nota fiscal, os demais documentos aportados permitem concluir pela realização dos serviços. Valor de R$ 9.529,00 exonerado dos lançamentos. xi) Sonia Marques Dobler Advogados. Decisão recorrida: “doc. 128 (fl. 2124) cópia de Fatura, emitida por Sonia Marques Dobler Advogados em 11/08/2004, com descrição genérica de serviços advocatícios, no valor de R$ 7.673,00, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900018619, de 05/08/2004, no valor de R$ 7.673,00.” Voto: embora a fatura tenha sido emitida em data posterior ao lançamento contábil, como bem apontado pela decisão recorrida, há documentação com data anterior (03/08/2004 – fls. 2125) acostada aos autos que já dava conta, à empresa recorrente, dos valores dos honorários advocatícios devidos, de modo que seria perfeitamente possível a alocação desta despesa. De se destacar, ainda, que os valores contabilizados são coincidentes. Valor de R$ 7.673,00 exonerado dos lançamentos. xii) Sonia Marques Dobler Advogados. Decisão recorrida: “doc. 155 (fl. 2195) cópia de Fatura, emitida por Sonia Marques Dobler Advogados em 09/12/2004, com descrição genérica de serviços advocatícios, no valor de R$ 5.954,50, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900020226, de 13/12/2004, no valor de R$ 5.954,50.” Voto: reconheço a validade da prova pela proximidade de datas entre a nota fiscal e os lançamentos contábeis e, principalmente, pelo histórico de relação profissional entre o escritório de advocacia e a recorrente, expresso em diversos relatórios de serviços acostados aos autos, sendo lícito presumir que Fl. 4081DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 42 41 estes, a exemplo de outros, também tenham sido efetivamente realizados. Valor de R$ 5.954,50 exonerado dos lançamentos. xiii) Visão Assessoria em Recursos Humanos. Decisão recorrida: “doc. 148 (fls. 2179 e 2180) cópia da Nota Fiscal, emitida pela Visão Jundiaí Assessoria Recursos Humanos Sociedade Ltda em 31/08/2004, com descrição do serviço “Assessoria na Área de Recursos Humanos”, no valor de R$ 6.569,50, com a qual a recorrente pretende justificar o valor glosado no lançamento 1900019077, de 14/09/2004, no valor de R$ 7.000,00. Na decisão recorrida, consta a confirmação da glosa imputada pelo Fisco em razão de não haver “relatório da citada empresa de consultoria com detalhamento do serviço prestado, bem como há diferença entre os valores”. Voto: discordo da decisão e a reformo, primeiro porque, pelo próprio princípio da boafé, é possível aceitar, em face das atividades empresariais da recorrente, que os serviços tenham sido realmente contratados e efetivamente prestados; em segundo porque a documentação é contemporânea aos fatos e antecede a contabilização, e terceiro porque os valores, ao revés do manifestado pela decisão recorrida, estão corretos. Vejase: o valor bruto da nota fiscal (da despesa, em última análise) é R$ 7.000,00. O fato de o seu valor líquido ser R$ 6.569,50 é facilmente detectável: tratase da subtração dos tributos federais (IRRF, PIS, COFINS e CSLL – R$ 430,50), de retenção obrigatória quando da emissão do documento fiscal. Valor de R$ 7.000,00 exonerado dos lançamentos. Em razão do relatado e em relação a este tópico, reformo parcialmente a decisão recorrida, na forma abaixo sintetizada: Vlr. sob julgamento 288.409,43 Vlr. exonerado neste voto 221.093,48 Vlr. mantido 67.315,95 Assim, em relação à infração “IRPJ – Custos ou despesas não comprovadas – Glosa”, item 001 do AI de IRPJ (fls. 373), DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário para afastar parte dos lançamentos, conforme abaixo resumido: INFRAÇÃO: CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS – GLOSA RESUMO DA EXONERAÇÃO GLOSA DE DESPESAS RESUMO DO JULGAMENTO Valores das Infrações Bases de Cálculo Fato Gerador 31/12/2004 Valor sob julgamento 1.601.501,09 Valor exonerado neste voto 720.385,68 Valor mantido 881.115,41 Obs. Os valores exonerados, acima estampados, aplicamse, por igual, às bases de cálculo da CSLL pertinentes a estas infrações. Fl. 4082DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 43 42 b) IRPJ – DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO OU PAGO Sobre esta infração, excertos da decisão recorrida bem resumem o feito: “Registra a autuante no Termo de Verificação Fiscal – IRPJ (fls. 361 e 362) que a fiscalizada está sujeita à tributação do resultado com base no Lucro Real, sendo que nos períodos examinados (janeiro/2003 a dezembro/2007) optou pela apuração pelo Lucro Real Anual, tendo efetuado os cálculos das estimativas mensais, mediante balancetes mensais levantados para fins de suspensão ou redução, com respectiva demonstração de apuração do Lucro Real. Acrescenta que foram constatadas divergências entres os valores consignados na escrituração e os valores pagos ou recolhidos, sendo a recorrente intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal nº 11/2008 (fl. 216 – ciência por AR em 01/11/2008), a justificar as diferenças apuradas a partir do cotejamento dos valores declarados em DCTF e os valores escriturados no Livro Razão e/ou balancetes mensais, conforme planilhas a ela disponibilizadas (fls. 217 a 319). Conclui que a partir dos esclarecimentos prestados (resposta da empresa encontrase às fls. 321 a 347), restaram não comprovadas as diferenças indicadas nas planilhas anexas ao T.V.F (fls. 363 a 364), a seguir reproduzidas”: “O artigo 247 do RIR/1999 assevera que o Lucro Real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas pelo art. 6º do DecretoLei nº 1.598/1977. Consigna, ainda, em seu § 1º, que a determinação do Lucro Real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração, com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, § 1º). (...) Assim, pertinente o lançamento de ofício que ora se examina, com fulcro no art. 841, inciso IV, do RIR/1999, em razão da constatação de diferenças entre os valores Fl. 4083DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 44 43 escriturados e os declarados/pagos, nos parâmetros de R$ 514.075,20 (anocalendário 2003) e R$ 315.309,50 (anocalendário 2006). (...) No contraditório apresentado a defendente pugna que em momento algum a autoridade autuante questiona ou aponta qualquer irregularidade no que tange à apuração do IRPJ efetuada pela Impugnante, que está devidamente declarada na DIPJ e DCTF. Sem razão da recorrente. Como já descrito acima, a fiscalização constatou diferenças entre os valores declarados em DCTF e os valores escriturados no Livro Razão e/ou balancetes mensais, conforme planilhas a ela disponibilizadas (fls. 217 a 319), nos parâmetros de R$ 514.075,20 (anocalendário 2003) e R$ 315.309,50 (anocalendário 2006), que a interessada não justificou, apressar de regularmente intimada, de acordo com as normas do Processo Administrativo Fiscal (P.A.F). (...) Cabe esclarecer que o lançamento foi concretizado com fato gerador em 31/12/2003 (base de cálculo: R$ 514.075,20 – fls. 365 e 374 do AI), em linha com a DIPJ entregue para o anocalendário 2003, na qual a contribuinte informou apuração anual do IRPJ (fls. 23 a 143), o que caracteriza que a autuada não apurou corretamente o valor do IRPJ a pagar anual. Entretanto, no que compete ao lançamento para o anocalendário 2006, ano em que a interessada igualmente informou apuração anual do IRPJ em sua DIPJ (fl. 3806), a fiscalização efetuou lançamentos com fatos geradores em 31/03/2006, 30/09/2006 e 31/12/2006, com valores tributáveis de R$ 29.093,87, R$ 102.941,93 e R$ 183.273,70, respectivamente, sendo correto o lançamento do valor total com fato gerador em 31/12/2006. (...) A infração ocorrida no anocalendário 2006 foi descrita no relatório fiscal que fundamenta o lançamento como uma insuficiência de recolhimento do IRPJ do período de apuração encerrado no dia 31/12/2006. Todavia, o demonstrativo de apuração da multa e dos juros de mora, peças integrantes do auto de infração (fls. 102), revelam que a auditorafiscal tomou como data de referência do lançamento os dias 31/03/2006 e 30/09/2006, ao invés do dia 31/12/2006. Cabe observar que não seria possível o julgador, de ofício, promover a retificação da data de referência do lançamento, uma vez que se trata de elemento essencial de um ato administrativo, cuja execução é de competência exclusiva da autoridade fiscal autuante. Desta forma, observado vício essencial dos lançamentos de IRPJ e multa de ofício relativos a 31/12/2006, consistente na incorreta identificação da data de seu fato gerador (data de referência), cabe sua anulação. (seguem decisões do CARF e legislação) (...) Assim, pertinente a exoneração dos valores lançados em 31/03/2006 e 30/09/2006, nos seguintes montantes”: Fl. 4084DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 45 44 Em seu recurso voluntário, mediante longa exposição, a recorrente contesta veementemente a conclusão da decisão recorrida naquilo que contrariou seus argumentos, alegando, em apertada síntese: (i) inexatidão do procedimento fiscal que verificou a suposta divergência entre as informações contábeis e fiscais da empresa e procedeu ao lançamento das estimativas mensais de IRPJ apuradas nos anos calendário de 2003 e 2006. Demonstrou que a d. Autoridade Fiscal incorreu em erro ao não considerar os lançamentos a crédito escriturados no Livro Razão da Recorrente, bem como os pagamentos e estornos realizados na contabilidade; (ii) a impossibilidade de cobrança dos valores de IRPJ apurados por estimativa mensal, após o término do anocalendário correspondente, tal e como consagrado pela jurisprudência deste E. Conselho; iii) que, o presente lançamento tributário foi efetuado somente levandose em consideração, única e exclusivamente, o total dos lançamentos a débitos efetuados na conta patrimonial n° 088106, desconsiderandose, por completo, todos os lançamentos a crédito escriturados na referida conta, e demonstrados no doc. 166 a 170 da impugnação; iv) que tais lançamentos não merecem prosperar por tratarem de lançamento de IRPJ apurado a título de antecipação mensal, após o término do anocalendário correspondente, o que afronta o entendimento já sedimentado pelo CARF e traduzido na Súmula 82; v) na r. decisão recorrida, a d. Autoridade Julgadora demonstrou saber que não é devido o lançamento sobre bases mensais após o encerramento do ano base e, por conta disso, cancelou o lançamento de IRPJ referente aos meses de março e setembro de 2006, mas, de maneira surpreendente e incoerente, decidiu manter os lançamentos referentes aos meses de janeiro, março, Fl. 4085DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 46 45 abril, outubro e dezembro de 2003 e o lançamento referente ao mês de dezembro de 2006; vi) sobre os lançamentos referentes aos meses de 2003, a d. Autoridade Julgadora entendeu que o valor de R$ 514.075,20, corresponderia ao imposto anual devido pela Recorrente: "o lançamento foi concretizado com fato gerador em 31/12/2003 (base de cálculo): R$ 514.075,20 — fls. 365 e 374 do AI), em linha com a DIPJ entregue para o anocalendário 2003, na qual a contribuinte informou apuração anual do IRPJ (fls. 23 a 143), o que caracteriza que a autuada não apurou corretamente o valor do IRPJ a pagar anual." (fl. 3856); vii) na mesma linha, entendeu que o IRPJ lançado para o mês de dezembro de 2006 também seria o valor do imposto anual, calculado com base no lucro real da Recorrente: "Entretanto, no que compete ao lançamento para o anocalendário 2006, ano em que a interessada igualmente informou apuração anual do IRPJ em sua DIPJ (fl. 3806), a fiscalização efetuou lançamentos com fatos geradores em 3110312006, 3010912006 e 3111212006, com valores tributáveis de R$ 29.093,87, R$102.941,93 e R$183.273, 70, respectivamente, sendo correto o lançamento do valor total com fato gerador em 3111212006." (fl. 3856); viii) não poderia estar mais equivocado o entendimento da D. Autoridade Julgadora; ix) as planilhas anexas ao Termo de Verificação Fiscal demonstram que o valor de R$ 514.075,20 corresponde, nada mais, do que à somatória dos valores de IRPJ apurados por estimativa mensal nos meses de janeiro, março, abril, outubro e dezembro de 2003. Ou seja, não se trata do valor do IRPJ apurado sobre o lucro real auferido durante o anocalendário de 2003 e após as deduções previstas em lei, mas sim de IRPJ apurado sobre bases mensais; x) do mesmo modo, fica claro que o valor de IRPJ lançado para o mês de dezembro de 2006 também não corresponde ao valor do "IRPJ anual", mas sim ao valor do IRPJ calculado sobre a base estimada mensal daquele mês; xi) cumpre salientar que a impossibilidade de cobrança do IRPJ e da CSLL após o término do anobase já foi sedimentada por este E. Conselho, por meio da Súmula 82 do CARF, segundo a qual: "após o encerramento do anocalendário é incabível lançamento de oficio de IRPJ e CSLL para exigir estimativas não recolhidas". Postos os fundamentos fáticos, passase à análise temática individualizada. b.1) Lançamentos do anocalendário 2003 Fl. 4086DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 47 46 Conforme DIPJ entregue (fls. 2410), a recorrente optou pelo regime do Lucro Real Anual para o anocalendário de 2003, implicando, como sabido, em proceder a recolhimentos mensais de valores estimados (antecipações) calculados sobre a receita bruta ou sobre balanços ou balancetes de redução ou suspensão. No caso da recorrente, vingou esta última alternativa em todos os meses do período. Ainda na forma da legislação vigente, ao final do período base, após os necessários ajustes, os contribuintes devem apurar o valor efetivamente devido a título de IRPJ (e de CSLL) e efetuar o recolhimento sob a rubrica de ajuste anual, sujeitandose, caso não façam ou façam de forma insuficiente, a lançamentos de ofício por parte da Autoridade Fiscal. Pois bem, no caso dos autos resulta claro que, a partir do levantamento de balanços ou balancetes mensais de redução ou suspensão, a recorrente efetuou recolhimentos estimados. Tais demonstrativos encontramse encartados nos autos e a sua principal fonte de referência é o Livro Razão da empresa, no qual são detalhadas as constituições de provisões de IRPJ e CSLL. Neste sentido, p. ex., Razão fls. 2357 contendo os valores provisionados a título de estimativas: Igualmente na DIPJ (fls. 2420): Este procedimento contábil da recorrente sinaliza que os valores presentes na conta contábil nº 088106, como alegado pela defesa, recebe lançamentos a débito e a crédito, contrapondose os mesmos de modo a se aferir o montante a ser recolhido de IRPJ (e da CSLL, quando for o caso) a título de “estimativas mensais”. Diante deste quadro, o demonstrativo juntado pela Fiscalização às fls. 363, anexa ao TVF e base para os lançamentos mostram valores provisionados de “estimativas”. Pois vejase: Fl. 4087DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 48 47 Exatamente o valor lançado no AI, anocalendário 2003 (fls. 374): Denotase que a Fiscalização laborou em evidente equívoco ao tomar valores bases para recolhimentos estimados para imputálos como “diferença no ajuste anual”. Mais ainda, deslocou tais valores para uma suposta database (fato gerador) de 31/12/2003, procedimento que não muda em nada o contexto, bastando ver o relatório atrás estampado, de lavra do próprio Fisco, para constatar que se tratam de valores mensais (janeiro, março, abril, etc) e não anuais. É bem verdade que alguns destes valores estimados mensais podem até não ter sido recolhido, mas aí caberia ao Fisco perpetrar os lançamentos como “multas isoladas” pelo não recolhimento das estimativas, não sendo admissível, até por expressa vedação da Súmula nº 82 deste Casa, efetuar imputação de “estimativas não recolhidas", ou, pior ainda, transmudar cálculos de estimativas mensais em “diferença de ajuste anual”. Não é improvável e muitas vezes acontece, que o valor apurado de estimativa mensal do mês de dezembro, considerando a forma de mensuração da base de cálculo (balanços ou balancetes que se acumulam ao longo do ano), seja o mesmo do ajuste anual. Todavia, no caso aqui tratado, nem isto aconteceu, como se vê: Ø Valor da estimativa mensal dezembro/2013 Os demonstrativos juntados pela recorrente mostram a forma de apuração de tal valor, iniciandose pelo levantamento de balancete acumulado em dezembro/2003, com a apuração do Lucro Real (base imponível do IRPJ), fls. 2502: Fl. 4088DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 49 48 A partir deste valor, a recorrente calculou o tributo devido e adicional, contrapôs as deduções permitidas, inclusive estimativas mensais recolhidas durante o ano, chegando ao valor de R$ 75.193,67, acima estampado, importe recolhido em 30/01/2004, conforme DARF de fls. 2527 (e informação na DCTF de fls. 2525). Já o cálculo do IRPJ no “ajuste anual”, conforme DIPJ entregue pela autuada (que a Autoridade Fiscal reconheceu como válida, posto que não fez ressalva alguma em relação a ela e nem à escrituração da recorrente), mostra um “Lucro Real” (Ficha 09A – fls. 2416) de R$ 2.323.476,90 e um montante negativo de IRPJ a recolher de R$ 617.177,60, em razão de retenções na fonte e antecipações de estimativas (Ficha 12A – fls. 2417): Em suma, de forma equivocada a Fiscalização realizou lançamentos tomando bases mensais estimadas para convertêlas em “diferença no ajuste anual”, situação fática que não encontra amparo na legislação, ressaltandose que o meio adotado pelo Fisco de deslocar os valores mensais para um suposto “fato gerador” em 31/12/2003 não tem qualquer efeito e não muda o resultado final. Pelo exposto, reformo a decisão recorrida neste aspecto, e DOU PROVIMENTO AO RECURSO VOLUNTÁRIO de modo a excluir da tributação os valores lançados sob a rubrica nominada pelo Fisco como “diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado”, anocalendário de 2003, no montante total de R$ 514.075,20 (resultado da soma dos valores mensais R$ 229.331,33 + R$ 66.000,00 + R$ 54.000,00 + R$ 110.500,04 + R$ 54.243,83). b.2) Lançamentos do anocalendário 2006 Relativamente aos lançamentos do anocalendário de 2006, o procedimento fiscal manteve o mesmo tom, como no mesmo tom se manifestou a recorrente. A diferença entre um e outro quadro ficou por conta da posição assumida pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância que, ao revés do que decidiu em relação aos lançamentos do anocalendário de 2003, cancelou os valores imputados pelo Fisco nos trimestres findos em março e setembro/2006, entendendo que o correto seria 31/12/2006. Fl. 4089DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 50 49 Nas literais palavras da Relatoria de 1º Piso (fls. 3857): “307. A infração ocorrida no anocalendário 2006 foi descrita no relatório fiscal que fundamenta o lançamento como uma insuficiência de recolhimento do IRPJ do período de apuração encerrado no dia 31/12/2006. 308. Todavia, o demonstrativo de apuração da multa e dos juros de mora, peças integrantes do auto de infração (fls. 102), revelam que a auditorafiscal tomou como data de referência do lançamento os dias 31/03/2006 e 30/09/2006, ao invés do dia 31/12/2006. 309. Cabe observar que não seria possível o julgador, de ofício, promover a retificação da data de referência do lançamento, uma vez que se trata de elemento essencial de um ato administrativo, cuja execução é de competência exclusiva da autoridade fiscal autuante. Desta forma, observado vício essencial dos lançamentos de IRPJ e multa de ofício relativos a 31/12/2006, consistente na incorreta identificação da data de seu fato gerador (data de referência), cabe sua anulação”. Na sequência, o julgamento de 1º Grau manteve o lançamento que consignou como fato gerador o dia 31/12/2006, no montante de R$ 183.273,70. Pois bem, em relação a este valor a recorrente afirma já o haver recolhido em 04/01/2007 (juntou DARF para comprovação – fls. 2386). Analisando a alegação da autuada, a decisão recorrida, às fls. 3855, pontuou que, “efetuada pesquisa no sistema Sinal da RFB (fl. 3804), realmente se verificou os referidos recolhimentos; entretanto, foram pagos de acordo com o código de receita 9453, que remete ao Imposto de Renda Retido na Fonte sobre Juros de Capital Próprio – Residentes no Exterior, enquanto que a autuação que se examina contempla tributo diverso (IRPJ)”. De fato, consta nos autos o citado recolhimento assim como sua vinculação com a correspondente DCTF entregue, consignando tratarse de “IRRF Juros sobre o Capital Próprio”, código de recolhimento 9453. Neste trilho, à primeira vista, caberia razão ao Fisco em relação ao lançamento perpetrado com base em 31/12/2006 e que se referiria a diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado. Todavia, assim como aconteceu com os lançamentos do anocalendário de 2003, o Fisco partiu de uma premissa equivocada de tomar os valores apontados pela contribuinte em sua conta contábil 088106 e considerar o ali inserido como diferença de ajuste anual, sem se aprofundar na pesquisa. Efetivamente, a mencionada conta registra tal valor (Livro Razão – fls. 2370), mas o identifica como “Juros s/ Capital Próprio 2º semestre 2006. Vejase: Em outra visão (fls. 2372): Fl. 4090DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 51 50 Vale dizer, a provisão presente na conta 088106, usada pelo Fisco para a consecução dos lançamentos, mostrava claramente tratarse de “provisão para IRRF sobre JCP” e não de “provisão para IRPJ – ajuste anual”. Aliás, uma análise menos superficial da conta contábil 088106 mostraria que em 31/07/2006 já teria ocorrido retenção de IR sobre JCP do 1º semestre/2006, no valor de R$ 222.326,69, que, somados ao montante do lançamento aqui discutido (R$ 183.273,70) aponta um total de “IRRF s/JCP” em 2006 de R$ 405.600,39. Pois bem, este valor (R$ 405.600,39) é o resultado da aplicação da alíquota de 15% sobre os JCP pagos ou creditados no ano. Conferindo com a DIPJ entregue para o ano calendário de 2006 (fls. 2557 – Ficha 06A – linha 32) temse tal montante (base de cálculo do IRRF s/ JCP): Aplicandose a alíquota: R$ 2.704.002,58 (X) 15% = R$ 405.600,39 Ou seja, inexistem dúvidas de que o valor provisionado em 31/12/2006, ao revés do entendimento do Fisco e da decisão recorrida, não se refere a “diferença de IRPJ no ajuste anual”, mas, claramente, de “provisão de IRRF sobre JCP”. Somente este motivo já bastaria para que o lançamento fosse cancelado. Há mais, porém. Analisandose a DIPJ entregue pela recorrente (não contestada pelo Fisco), observase, na Ficha 12A (fls. 2563) que a empresa, embora tenha apresentado lucro real, não esteve sujeito a ajuste anual, posto que os valores retidos, as deduções e as antecipações (estimativas pagas) durante o período foram suficientes para compensar (com sobras) o imposto apurado, de modo que não havia “diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado” a ser lançado de ofício, como fez – erroneamente o Fisco. Vejase (fls. 2563): Fl. 4091DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 52 51 Pelo exposto, reformo a decisão recorrida neste aspecto e DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário, excluindo da tributação o valor lançado sob a rubrica nominada pelo Fisco como “diferença apurada entre o valor escriturado e o declarado”, ano calendário de 2006, no montante total de R$ 183.273,70. RESUMO Assim, em relação à infração “IRPJ – Diferença apurada entre o valor escriturado e o valor declarado ou pago”, item 003 do AI de IRPJ (fls. 373/374), DOU PROVIMENTO INTEGRAL ao recurso voluntário para afastar os lançamentos, conforme abaixo resumido: INFRAÇÃO: DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O VALOR DECLARADO OU PAGO RESUMO DA EXONERAÇÃO (ver Extrato do Processo – fls. 3860/3861) RESUMO DO JULGAMENTO Valores lançados de tributo (IRPJ) AnoCalendário 2003 Valor sob julgamento 514.075,20 Valor do IRPJ exonerado neste voto 514.075,20 Valor mantido 0,00 RESUMO DO JULGAMENTO Valores lançados de tributo (IRPJ) Período 12/2006 Valor sob julgamento 183.273,70 Valor do IRPJ exonerado neste voto 183.273,70 Valor mantido 0,00 DA INCIDÊNCIA DE JUROS MORATÓRIOS SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A respeito, proclama a recorrente ser indevida tal imputação, cita decisões do Conselho e conclui: “se mantida a r. decisão recorrida, não deve sobre a multa de oficio Fl. 4092DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 53 52 incidir juros moratórios, conforme jurisprudência já pacificada pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais”. Penso de forma diversa ao entendimento da recorrente. Embora ressalve que a incidência de juros de mora à taxa Selic sobre a Multa de Ofício, é questão superveniente ao presente lançamento, é se apreciar a matéria, já que, inexoravelmente, tal acréscimo virá integrar o crédito tributário objeto de discussão. Consoante dizeres do art. 113 do Código Tributário Nacional – CTN, a obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária, entendida esta como decorrente de obrigação tributária principal. E se referido crédito tributário (penalidade) não for pago integralmente no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, aplicandose a taxa de 1% ao mês, se a lei não dispuser de modo diverso (art. 161, § 1º, do CTN): “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(negrejouse e grifouse) Assim, a cobrança de juros de mora sobre a penalidade pecuniária cabível encontra fundamento de validade no próprio CTN. Por outro lado, só é plausível se falar na incidência de juros de mora pelo atraso no recolhimento quando o crédito tributário inadimplido sujeitase a um prazo de vencimento, o que ocorre com relação ao tributo, à contribuição e à multa de ofício, e não com a multa de mora, a menos que esta última seja exigida isoladamente, mediante lançamento de ofício. Valendose da exceção legal contida no art. 161, § 1º, do CTN, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, dispôs que, a partir de 1º de abril de 1995, sobre os tributos e contribuições sociais não recolhidos no prazo de vencimento incidem juros de mora calculados à taxa Selic (art. 13): Lei nº 9.065, de 1995: Art. 13. A partir de 1º de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei nº 8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6º da Lei nº 8.850, de Fl. 4093DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 54 53 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei nº 8.981, de 1995, o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a 2, da Lei nº 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995: “Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1º de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; (...).” Seguindoa, a Lei nº 9.430, de 1996, foi mais genérica, dispondo que os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições, com fato gerador ocorrido a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos no vencimento, serão acrescidos de juros de mora à taxa Selic (art. 61): “Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Fl. 4094DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 55 54 Consistindo a multa de lançamento de ofício em débito para com a União, de natureza de obrigação tributária principal, correta a interpretação de que, sobre referida penalidade incidem juros à taxa Selic, a partir do seu vencimento. Corroboram, ainda, a conclusão acima, as razões abaixo dispostas. De fato, a mesma Lei nº 9.430, de 1996, reportandose especificamente à multa de mora inadimplida, dispôs que sobre ela incidem juros de mora à taxa Selic, quando exigida de ofício, isolada ou conjuntamente (art. 43): “Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.” Com efeito, como já ressaltado anteriormente, sobre a multa de mora não há de se cogitar na incidência de juros, pois referida penalidade pecuniária é desprovida de vencimento, exceto quando exigida mediante lançamento de ofício, como regula o dispositivo supra, momento o qual se impõe um prazo legal para o seu adimplemento. Da mesma forma ocorre com relação aos juros. Estes não têm vencimento legal para o seu cumprimento, a menos que exigidos por meio de lançamento de ofício. Resta claro, pelo dispositivo acima transcrito, que sobre a penalidade exigida de ofício incidem juros de mora à taxa Selic. Nessa linha, há precedentes nesta Corte Administrativa, com voto de qualidade, dando o Colegiado provimento ao Recurso Especial manejado pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional PGFN (Processo nº 16327.002243/9971), assim ementado: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. Recurso da Contribuinte Improvido. Finalmente, impende destacar que, no âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça, em recente decisão, já legitimou a incidência dos juros sobre a totalidade do crédito tributário, aí incluída a multa de ofício. Vejase: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. Fl. 4095DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 19515.008009/200852 Acórdão n.º 1101001.294 S1C1T1 Fl. 56 55 INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012 DJe 10/12/2012 Neste particular, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário, mantendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício lançada. É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 24 de março de 2015. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Relator Fl. 4096DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 04/05/2015 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 12/05/2015 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 10166.721991/2012-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Apr 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
AUTO DE INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS JUNTO À PREVIDÊNCIA SOCIAL. FATO RECONHECIDO PELA PARTE. MULTA. CABIMENTO. A distribuição de lucros aos sócios, quando a pessoa jurídica possui débito não garantido, com a União ou Previdência Social, enseja infração ao disposto no art. 52 da Lei n°. 8.212/91. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A empresa, ao deixar de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, incorre no descumprimento da obrigação acessória contida na Lei nº 8.212/1991, art. 32, III, sujeitando-se à multa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário em relação aos autos de infração por falta de preparar folha de pagamento, deixar de escriturar em títulos próprios da contabilidade e deixar de arrecadar contribuições dos segurados, vencida a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que dava provimento parcial reconhecendo a nulidade apenas quanto aos prestadoras de serviços que não se submetiam a jornada mínima de trabalho, horas extras e seguro-saúde. Os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Ronaldo de Lima Macedo acompanharam o relator pelas conclusões.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Thiago Taborda Simões - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: THIAGO TABORDA SIMOES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 AUTO DE INFRAÇÃO. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS. EXISTÊNCIA DE DÉBITOS JUNTO À PREVIDÊNCIA SOCIAL. FATO RECONHECIDO PELA PARTE. MULTA. CABIMENTO. A distribuição de lucros aos sócios, quando a pessoa jurídica possui débito não garantido, com a União ou Previdência Social, enseja infração ao disposto no art. 52 da Lei n°. 8.212/91. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA A empresa, ao deixar de apresentar documentos solicitados pela fiscalização, incorre no descumprimento da obrigação acessória contida na Lei nº 8.212/1991, art. 32, III, sujeitandose à multa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 19 91 /2 01 2- 71 Fl. 481DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 ACORDAM os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário em relação aos autos de infração por falta de preparar folha de pagamento, deixar de escriturar em títulos próprios da contabilidade e deixar de arrecadar contribuições dos segurados, vencida a Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que dava provimento parcial reconhecendo a nulidade apenas quanto aos prestadoras de serviços que não se submetiam a jornada mínima de trabalho, horas extras e segurosaúde. Os conselheiros Julio César Vieira Gomes e Ronaldo de Lima Macedo acompanharam o relator pelas conclusões. Júlio César Vieira Gomes Presidente Thiago Taborda Simões Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Luciana de Souza Espindola Reis, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 482DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.721991/201271 Acórdão n.º 2402004.600 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Autos de Infração lavrados por descumprimento de obrigação acessória, em razão de haver o contribuinte infringido o art. 52 da Lei n° 8.212/91 c/c art. 32, “b”, da Lei nº 4.357/64; o art. 32, I, da Lei n° 8.212 c/c art. 225, I e §9º, do RPS; o art. 32, II, da Lei nº 8.212 c/c art. 225, II e §§ 13 a 17, do RPS; art. 32, III e § 11, da Lei n° 8.212 c/c art. 225, III, do RPS; art. 30, I, “a”, da Lei nº 8.212; art. 4º da Lei nº 10.666/03 e art. 216, I, “a”, do RPS. Autos de Infração às fls. 02/60. Relatório Fiscal às fls. 25/60 do Processo n° 10166.721990/201226, apenso. Intimada da autuação, a Recorrente apresentou Impugnações de fls. 73/140, que restaram procedentes em parte às fls. 417/433, sob os seguintes fundamentos: 1) A informação no Relatório Fiscal do Processo nº 10166.721990/201226, acerca dos DEBCAD nºs 51.018.7986 e 51.018.8001, no Processo 10166.721.992/201215, é equivocada. Não há duplicidade no lançamento. O Processo nº 10166.721.992/201215 é referente à Representação Fiscal para Fins Penais. Tratase de mero erro material; 2) O lançamento relativo aos fatos geradores de contribuição previdenciária provenientes de valores pagos, devidos ou creditados pela LINKDATA S/A a segurados empregados pela prestação de serviços realizada por intermédio de pessoas jurídicas interpostas contratadas foi julgado procedente no Auto de Infração consignado no Processo nº 10166.721990/201226. Portanto, as alegações referentes a essa questão foram tratadas no referido processo e não serão conhecidas nos presentes autos; 3) Sendo fatos geradores de contribuição previdenciária, esses valores deveriam constar em folha de pagamento e em títulos próprios de sua contabilidade, bem como deles deveriam ser descontadas as contribuições dos segurados empregados a seu serviço. Dessa forma, estão caracterizadas as infrações consubstanciadas nos DEBCAD nº 51.018.7978, 51.018.7986 e 51.018.8001. Contudo, as multas lançadas nesses DEBCAD foram equivocadamente agravadas; 4) Como as decisões definitivas somente foram prolatadas em 2010 e as práticas das infrações objeto dos DEBCAD nº 51.018.7978, 51.018.7986 e 51.018.8001 se deram no ano de 2008 e início de 2009, não há que se falar em reincidência, nos termos do art. 290, parágrafo único, do RPS, haja vista que quando das decisões definitivas as infrações já haviam ocorrido. Portanto, excluemse do débito os valores relativos ao agravamento das multas dos DEBCAD nº 51.018.7978 e 51.018.8001; 5) O Impugnante, intimado para tanto, deixou de apresentar à fiscalização os documentos elencados no Anexo V do Relatório Fiscal, praticando a Fl. 483DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 infração prevista no art. 32, inciso III e § 11, da Lei n° 8.212. A prática da infração ocorreu no dia seguinte ao termo final do prazo estabelecido pela fiscalização para a apresentação dos documentos, em 18/10/2011 relativo ao TIF n. 02, e em 22/11/2011 relativo ao TIF n. 03. A infração, portanto, ocorreu dentro de cinco anos da data em que se tornou irrecorrível administrativamente a decisão condenatória, da data do pagamento, referentes à autuação anterior (AI DEBCAD nº 37.201.2116 e 37.201.212 4). Assim, correto o agravamento da multa; 6) Argúi o impugnante que com relação ao DEBCAD nº 51.018.7960, a multa aplicada pelo r. Auditor Fiscal teve como pressuposto os empréstimos aos sócios, no período de 01/2008 a 12/2008, conforme os contratos de mútuo e os respectivos termos aditivos. Embora constem dos autos às fls. 162/210 esses documentos, o que se verifica é que a distribuição de lucros foi identificada na contabilidade, cujos valores foram lançados a débito da conta “2117819014 Lucros e Dividendos a Pagar”; 7) Inexistem provas de que o contrato de mútuo foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Assim, não há como prevalecer a tese do impugnante de que os valores não se referiam a distribuição de lucros; 8) Pela confrontação entre os valores devidos pela empresa à Previdência Social, declarados em GFIP e os valores efetivamente recolhidos pela empresa em GPS, a empresa estava em débito não garantido com a União no momento da distribuição de lucros, infringindo neste momento o art. 52, inciso II, da Lei n° 8.212. Portanto, a penalidade cobrada no DEBCAD nº 51.018.7960 é procedente; Intimada do resultado do julgamento, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário de fls. 437/450, em relação ao AI/DEBCAD nº 51.018.7960, alegando, em síntese: 1) Preliminarmente, o r. Auditor Fiscal desconsiderou os contratos de mútuo pactuados entre os sócios e a empresa fiscalizada e considerou as operações como distribuição de lucros. Porém, não declinou os motivos da desconsideração dos contratos e nem citou os dispositivos legais infringidos, especificamente, com relação às possíveis falhas nos referidos contratos; 2) O r. Auditor não observou os requisitos legais do contrato de mútuo previstos na norma legal, especificamente no art. 60, parágrafos 1º e 2º do DecretoLei nº 1.598/77; 3) Os débitos identificados como sendo “débitos não garantidos” na verdade referemse a débitos com a Previdência Social, devidamente contabilizados, declarados e incluídos regularmente em parcelamento junto à Delegacia da RFB, conforme itens 3 e 4 anexados a Impugnação. Referidos débitos foram parcelados antes do início da ação fiscal; 4) O r. Relator de 1ª instância não se manifestou acerca das alegações e dispositivos legais apresentados na Impugnação; 5) Caso tenha ocorrido algum lançamento na escrituração contábil como “Lucros e Dividendos a Pagar”, tratase de equívoco do profissional da Fl. 484DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.721991/201271 Acórdão n.º 2402004.600 S2C4T2 Fl. 4 5 contabilidade, que foi devidamente retificado e que não se refere ao mútuo em questão, mesmo porque não corresponde a um fato contábil, ou seja, a saída de numerário da conta para os sócios. Vêse que o Auditor Fiscal não juntou aos autos nenhuma prova para sustentar sua tese. Foi interposto outro Recurso Voluntário, de fls. 450/464, em relação aos Autos de Infração nºs 51.018.7978, 51.018.7986, 51.018.7994 e 51.018.8001, alegando, em síntese: 1) Preliminarmente, aplicamse a este recurso as mesmas razões de defesa apresentadas no recurso ao lançamento da Contribuição Previdenciária, processo nº 10166.721.990/201226; 2) O r. Auditor Fiscal não apresentou nenhum documento comprobatório da reincidência, p. ex. a decisão definitiva da autuação ou a configuração da revelia. Apenas citou duas autuações e não apresentou o resultado final delas. O ônus da prova é de quem alega, especialmente quando se trata de agravamento de penalidade; 3) Em relação à responsabilização solidária dos administradores, temse que o inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do “sóciogerente”, nos termos da Súmula 430 do STJ. Na mesma linha é o REsp nº 693.235; 4) O Relator desconsiderou o agravamento das multas relativas aos AIs nº 51.018.7978, 51.018.7986 e 51.018.8001. Todavia, manteve o agravamento da multa relativa ao AI nº 51.018.7994, da mesma natureza e circunstâncias. Constatase, portanto, incoerência do Relator; 5) A Recorrente apresentou parte dos documentos solicitados por não os ter localizado em sua totalidade. Portanto, não há que se falar em descumprimento ao TIF nº 2, anexo V; 6) Da mesma forma, o Auditor Fiscal não juntou aos autos a decisão irrecorrível relativa a mesma infração no período de cinco anos; Por fim, a Recorrente requereu, em ambos os Recursos, o cancelamento in totum do crédito previdenciário constituído através deste processo. Os autos foram remetidos ao CARF para julgamento dos Recursos Voluntários. É o relatório. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Relator Thiago Taborda Simões, Relator Inicialmente, o recurso voluntário atende a todos os requisitos de admissibilidade, dentre os quais o da tempestividade, razão pelas quais dele conheço. Passo a analisar os Autos de Infração trazidos à discussão em sede de Recurso Voluntário. O AI DEBCAD de nº 51.018.7960 foi lavrado por ter o Contribuinte atribuído participação de lucros a seus sócios ou quotistas, bem como aos membros de órgãos dirigentes, fiscais ou consultivos, ainda que a título de adiantamento, estando em débito não garantido com a União, conforme previsão do art. 52 da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 32, alínea “b”, da Lei nº 4.357/64. A multa foi graduada de acordo com o art. 292, I, do RPS. No julgamento de 1ª instância, afirma o Relator que a multa aplicada teve como pressuposto os empréstimos aos sócios, cujos valores foram lançados a débito da conta “2117819014 Lucros e Dividendos a Pagar”. Pela confrontação entre os valores devidos pela empresa à Previdência Social, declarados em GFIP e os valores efetivamente recolhidos pela empresa em GPS, a empresa estava em débito não garantido com a União no momento da distribuição de lucros, infringindo neste momento os artigos supracitados. Em seu Recurso, o Contribuinte aduz que os débitos identificados como sendo “débitos não garantidos” na verdade referemse a débitos com a Previdência Social, devidamente contabilizados, declarados e incluídos regularmente em parcelamento junto à Delegacia da RFB, conforme itens 3 e 4 anexados a Impugnação. Referidos débitos foram parcelados antes do início da ação fiscal. Conforme documentos juntados às fls. 240/242, sobre o parcelamento, verificase que a alegação do Contribuinte não merece guarida, já que da leitura dos documentos juntados, verificase que a autuação deve ser mantida, na medida em que no momento da distribuição dos lucros os débitos pendentes não estavam parcelados. O descumprimento da obrigação acessória ocorreu, independentemente de parcelamento destes débitos antes de iniciada a ação fiscal, vez que o descumprimento decorreu da pendência dos débitos à época da distribuição. Portanto, mantenho o auto de infração. O AI DEBCAD nº 51.018.7978 referese à multa aplicada por ter a empresa deixado de preparar folhas de pagamentos das remunerações creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social, nos termos do art. 32, I, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, I, parágrafo 9º do RPS. A multa foi majorada de acordo com o art. 292, IV, do RPS, que dispõe sobre a reincidência. Fl. 486DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10166.721991/201271 Acórdão n.º 2402004.600 S2C4T2 Fl. 5 7 As remunerações as quais se refere o Auto de Infração ora em apreço são os valores pagos, devidos ou creditados pela LINKDATA S/A a segurados empregados pela prestação de serviços realizada por intermédio de pessoas jurídicas interpostas contratadas, já que desconsiderados os contratos de prestação de serviços celebrados pela Recorrente. No PAF nº 10166.721990/201226, a Fiscalização não conseguiu a comprovação de que eram sempre os mesmos sócios das empresas contratadas que executavam os serviços, restando ausente um dos requisitos da relação de emprego, não havendo que se falar em desconsideração dos contratos de prestação de serviços celebrados pela Recorrente. Portanto, excluo a multa aplicada por meio do AI nº 51.018.7978, em razão do resultado do julgamento do AI de obrigação principal que exonerou o crédito lançado. No caso do AI DEBCAD nº 51.018.7986, tratase de infração disciplinada pelo art. 32, II, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, II e parágrafos 13 a 17 do RPS., que trata do lançamento, em títulos próprios, dos fatos geradores de todas as contribuições. A multa foi majorada nos termos do art. 292, IV, do RPS. Em relação a este AI, aplicase o mesmo entendimento adotado no de nº 51.018.7978. Já que não comprovadas as relações de emprego, não há que se falar em lançamento dos valores creditados às pessoas jurídicas contratadas em títulos próprios. Portanto, excluo a multa aplicada por meio do AI nº 51.018.7986, em razão do resultado do julgamento do AI de obrigação principal que exonerou o crédito lançado. O Auto de Infração nº 51.018.7994 foi lavrado por ter o Contribuinte deixado de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse, na forma por ela estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização , conforme previsto no art. 32, III e parágrafo 11, da Lei nº 8.212/91, combinado com o art. 225, III, do RPS. A gradação da multa se deu nos termos do art. 292, IV, do RPS. Intimada para tanto, a empresa deixou de apresentar à fiscalização os documentos elencados no Anexo V do Relatório Fiscal (fls. 83/84 do PAF nº 10166.721990/201226), solicitados mediante TIF nº 02, de 06/10/2011, anexo II. Tratam se de documentos relacionados ao pagamento de fornecedores por aquisições feitas pelo Contribuinte. Em seu Recurso, alega o Contribuinte que não apresentou parte dos documentos solicitados por não os ter localizado em sua totalidade. O fato do Contribuinte não ter encontrado a documentação solicitada não o exime de sua obrigação imposta por Lei de apresentar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de seu interesse. Mantida, neste ponto, a autuação. Por fim, foi lavrada autuação, de nº 51.018.8001, por infração ao disposto no art. 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/ 91, combinado com o art. 216, I, "a" do RPS, pois a empresa deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações, as contribuições dos segurados empregados incidentes sobre os valores pagos pela prestação de serviços realizada por intermédio de pessoas jurídicas interpostas contratadas, conforme itens 12 a 42 deste relatório. Fl. 487DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Utilizase, neste último Auto, a mesma fundamentação adotada para excluir as multas dos AIs nº 51.018.7978 e nº 51.018.7986. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário e a ele DAR PARCIAL PROVIMENTO, nos termos do voto. É como voto. Thiago Taborda Simões. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2015 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 27/02/20 15 por THIAGO TABORDA SIMOES, Assinado digitalmente em 16/03/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10980.729348/2012-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Apr 22 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2101-000.206
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (1) registro no livro diário, com as formalidades, das operações referidas nos livros razão acostados aos autos, com indicação do registro desses livros na junta comercial ou em outro registro público próprio, (2) documentação de suporte aos lançamentos da assunção de dívida alegada, inclusive instrumentos contratuais e recibos, caso existentes, e (3) comprovação do fluxo financeiro, através de extratos bancários que atestem o surgimento dos direitos creditórios alegados pelo recorrente, na operação de assunção de dívida.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS - Presidente
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: Não se aplica
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (1) registro no livro diário, com as formalidades, das operações referidas nos livros razão acostados aos autos, com indicação do registro desses livros na junta comercial ou em outro registro público próprio, (2) documentação de suporte aos lançamentos da assunção de dívida alegada, inclusive instrumentos contratuais e recibos, caso existentes, e (3) comprovação do fluxo financeiro, através de extratos bancários que atestem o surgimento dos direitos creditórios alegados pelo recorrente, na operação de assunção de dívida. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator Participaram do julgamento os Conselheiros LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS (presidente da turma), DANIEL PEREIRA ARTUZO, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, MARIA CLECI COTI MARTINS e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 80 .7 29 34 8/ 20 12 -9 1 Fl. 530DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Erro! Fonte de referência não encontrada. Fls. 3 ___________ Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso de Ofício e Voluntário onde o Contribuinte/Recorrente objetiva a reforma do Acórdão de nº 0640.687 da 4ª Turma da DRJ/CTA (fls. 457/470), que, por unanimidade de votos, não acolheu o pedido de sobrestamento e deu parcial provimento às razões de impugnação, para cancelar parte da exigência fiscal, mantendo a cobrança de R$151.455,31 a título de imposto, além da multa de ofício de 75% e dos acréscimos legais correspondentes. No caso, consta nos autos que, em decorrência de ação fiscal efetuada na empresa CESPO – Centro de Estudos Superiores Positivo, CNPJ/MF nº 78.791.712/000163, que culminou em lançamento de créditos tributários (Processo nº10980.724013/201104), a Receita Federal obteve documentos que evidenciavam a transferência de recursos da pessoa jurídica para seus sócios, por meio de “Instrumentos Particulares de Assunção de Dívidas”, onde tais pessoas físicas assumiam as dívidas da empresa em conta corrente de cada sócio como “créditos”, e posteriormente ocorriam repasses reduzindo o saldo negativo da respectiva conta. Vale ressaltar que, quando o sócio recebia valores em espécie da empresa CESPO, mediante recibos assinados, estes também eram lançados como débitos na conta corrente do sócio, reduzindo o saldo negativo da conta e promovendo a respectiva quitação da empresa de sua dívida com o sócio. Neste sentido, o Contribuinte CIXARES LIBERO VARGAS, sócio da empresa CESPO, foi intimado a prestar esclarecimentos sobre a natureza das dívidas assumidas e comprovar mediante documentos de transferência de valores, que teria efetivamente quitado as dívidas em nome da empresa. Em resposta, o Contribuinte Fiscalizado informou que quitou as dívidas assumidas, alegando que não se trata de mútuos entre as empresas envolvidas, mas apenas de mera movimentação operacional resultante da administração centralizada de caixa das empresas do grupo. Fl. 531DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.729348/201291 Resolução nº 2101000.206 S2C1T1 Fl. 4 3 Apresentou cópias dos “Instrumentos Particulares de assunção de dívidas” entre o CESPO e outras empresas do grupo, assumidas pelos sócios pessoas físicas da referida empresa, referentes ao anocalendário 2007 e 2008, onde se destaca a Cláusula Sétima com seguinte teor: “Como pagamento pelas dívidas assumidas, ficarão com um crédito em conta corrente com a CESPO, em valor igual ao do débito assumido” (fls. 137 como exemplo). Juntou ainda cópia do Relatório Analítico – Positivo de sua Conta, escriturado pela empresa CESPO, onde contabilizados os tais “instrumentos particulares de assunção de dívidas”, e os repasses financeiros efetuados ao sócio. Considerando a documentação apresentada e os resultados das diligências promovidas, a Fiscalização não acolheu as provas da quitação das dívidas da empresa CESPO com outras empresas do grupo, entendendo que as manobras contábeis se caracterizavam como rendimentos ofertados nos termos do art. 55, inc. IV do Decreto nº 3000/99 – RIR, razão pela qual lavrou o Auto de Infração de fls. 389/402, considerando ter havido omissão de rendimentos recebidos de trabalho com vínculo empregatício, cujo crédito tributário foi lançado no valor histórico de R$8.586.477,43, referente a imposto R$4.084.235,80; multa proporcional R$3.063.176,86; e juros de mora R$1.439.064,77 (calculados até 12/2012). Os argumentos trazidos na Impugnação foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “Cientificado do lançamento, por via postal, em 19/12/2012 (fl. 403), o interessado, por intermédio de procuradores (fl. 434), apresentou, tempestivamente, em 18/01/2013, impugnação (fls. 406/431), instruída com documentos (fls. 432/454), a seguir sintetizada. Preliminarmente, requer o sobrestamento do feito até a conclusão do Processo Administrativo nº 10980.724013/201104, arguindo que, conforme descreve a fiscalização, o presente auto de infração decorre da ação fiscal efetuada na empresa CENTRO DE ESTUDOS SUPERIORES POSITIVO – CESPO, que resultou em exigência de contribuição previdenciária patronal, sob o fundamento de que teria efetuado o pagamento de remunerações aos sócios ORIOVISTO GUIMARÃES, CIXARES LIBERTO VARGAS, RENATO RIBAS VAZ, SAMUEL RAMOS LAGO e RUBEN T. FORMIGUIERI. Aduz que, naquele processo administrativo, foi explicado que os valores recebidos pelos sócios são oriundos da quitação de contratos de assunção de dívida da CESPO, concluindo que, se houver decisão favorável à empresa naquele processo, a presente autuação perderá o seu objeto. Ressalta a importância do resultado daquele litígio, para que não haja decisões conflitantes. Alega que a fiscalização não aponta com precisão qual o enquadramento correto que se deve dar aos valores recebidos pelos sócios da empresa CESPO, generalizando e indicando inúmeras possibilidades que sustentariam a exigência do imposto. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.729348/201291 Resolução nº 2101000.206 S2C1T1 Fl. 5 4 Refuta que os valores constituiriam remuneração a qualquer título, seja pro labore ou qualquer outra classificação que conduza à sujeição ao imposto de renda, salientando que não há que se falar em vínculo empregatício em relação ao sócio, o que pressuporia subordinação, aduzindo que a fiscalização confunde pagamento de dívidas com pro labore, que diz ser a “pior hipótese possível em termos de remuneração”. Descreve que a empresa CESPO tinha dívidas com as empresas SOCIEDADE EDUCACIONAL POSITIVO LTDA, EDITORA POSITIVO LTDA e GRÁFICA E EDITORA POSIGRAF S.A, dívidas essas que foram assumidas pelos sócios, dentre os quais o impugnante, conforme contratos apresentados à fiscalização e que já constam dos autos. Esclarece que, em contrapartida à assunção da dívida, houve o lançamento de crédito em conta corrente em nome dos sócios, perante a empresa CESPO, tendo as operações sido devidamente contabilizadas. Exemplifica as operações ocorridas entre a CESPO e a SOCIEDADE EDUCACIONAL POSITIVO, destacando que as dívidas assumidas foram devidamente quitadas pelos sócios, conforme diz constar da contabilidade das empresas, no razão contábil, documentos 6 e 7, em que alega constar a origem da dívida e a sua quitação. Sustenta que a CESPO, posteriormente, visando quitar as dívidas com os sócios, promoveu o pagamento, em espécie e com transferências bancárias, valores esses que a fiscalização pretende tributar, desconsiderando, sem razões plausíveis, as provas que demonstram a regularidade das operações. Discorre acerca da assunção de dívida e da subrogação, que fundamenta nos arts. 299, 347 e 349 do Código Civil, arguindo que, no caso concreto, foram cumpridos todos os seus pressupostos, consistentes na existência e validade da obrigação transferida (instrumentos particulares válidos), substituição do devedor com permanência na substância do vínculo obrigacional e a concordância do credor. Destaca, por outro lado, que não há na legislação dispositivo que desobrigue o devedor originário em relação aos “assuntores da dívida”. Aduz que a CESPO não tinha condições de honrar a dívida com as empresas, tendo acordado com seus sócios o cumprimento do encargo, subrogandose a todos os direitos e obrigações concernentes à operação; que posteriormente, houve a quitação da dívida, por meio de pagamentos aos sócios, considerando restar demonstrada a inexistência de irregularidade nas operações realizadas, não tendo os valores a natureza de pro labore, que conceitua como sendo os valores pagos ou creditados aos sócios, diretores ou administradores das empresas, a título de remuneração, tendo como principal característica o fato de ser uma retirada fixa mensal, acrescentando que não pode a fiscalização alterar a norma de direito privado, porquanto vedado pelo art. 110 do Código Tributário Nacional. Defende, ainda, que os documentos contábeis da empresa gozam de presunção de veracidade e legitimidade e que, no caso, não há prova hábil apresentada pela fiscalização capaz de anular a operação ou descaracterizar sua natureza. Considera que não ocorreu o fato gerador do imposto e que a exigência encontra se embasada em mera presunção, que está elidida pelos documentos juntados aos autos, ilustrando a hipótese com jurisprudência administrativa. Na sequência, descreve os valores movimentados nos anos de 2007 e 2008 em face da operações alegadas, cotejandoos com os valores apontados pelo fisco, Fl. 533DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.729348/201291 Resolução nº 2101000.206 S2C1T1 Fl. 6 5 sustentando que o auto de infração originouse das quitações das dívida assumidas, que não ensejam o pagamento de imposto de renda. Contesta a multa de ofício de 75%, arguindo o princípio constitucional do não confisco, implícito no art. 5º, XXII, da Constituição Federal, citando doutrina e jurisprudência acerca de multas de feição confiscatória, com destaque ao limite de 20% determinado pelo Superior Tribunal de Justiça em face de decisão do Supremo Tribunal Federal, percentual pelo qual pugna no presente caso. Questiona, ainda, a exigência de juros sobre a multa de ofício, transcrevendo jurisprudência administrativa e concluindo que a penalidade pecuniária não decorre de tributo ou contribuição, mas do descumprimento do dever legal de declarálo ou pagá lo, não se estando alcançada pela regra do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996.” (fls.458/460). A decisão proferida pela da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal em Curitiba (PR), restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física — IRPF Anocalendário: 2007, 2008 PEDIDO DE SOBRESTAMENTO. RAZÕES APONTADAS NÃO COMPROVADAS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. As razões suscitadas na impugnação devem ser comprovadas e, mesmo em tese, no que se refere a pedido de sobrestamento, não há previsão legal que vincule o curso de um processo administrativo a outro relativo a uma imposição de natureza diversa e a sujeito passivo distinto, ainda que tratem de matérias que apresentem alguma espécie de conexão. CONTRATOS DE ASSUNÇÃO DE DÍVIDA. BENEFÍCIO AUFERIDO PELA PESSOA FÍSICA. FALTA DE CARACTERIZAÇÃO. À mingua da caracterização de benefício auferido pela pessoa física, descabe considerar como tributáveis para fins de apuração de imposto de renda os valores das dívidas assumidas de pessoas jurídicas. VALORES RECEBIDOS. ALEGAÇÃO DE DEVOLUÇÃO DE DÍVIDAS ASSUMIDAS. PROVA DE QUITAÇÃO ANTERIOR. Para que os valores efetivamente recebidos sejam reconhecidos como sendo decorrentes de devolução de dívidas assumidas perante terceiros, há que se comprovar a prévia entrega de recursos equivalentes. MULTA DE OFÍCIO. PERCENTUAL. PREVISÃO LEGAL. Fl. 534DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.729348/201291 Resolução nº 2101000.206 S2C1T1 Fl. 7 6 A multa aplicada no lançamento de ofício é decorrente de previsão legal expressa, não lhe sendo oponíveis, em sede administrativa, arguições de ofensa a princípios constitucionais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte.” No julgamento, a Turma cancelou a exigência de R$3.932.780,49 de imposto, e manteve a exigência de R$ 151.455,31 de imposto, além da multa de ofício de 75% e dos acréscimos legais correspondentes, ao entendimento que as “assunções de dívida” não corresponderam a recursos transferidos pelas empresas às pessoas físicas, nem dessas àquelas, mas à interposição dos “sócios” nos ajustes dos saldos de movimentação de recursos, ao final de cada mês, entre as pessoas jurídicas. Conforme descrito nos autos, as “assunções de dívidas” estariam relacionadas à “movimentação operacional, resultante da administração centralizada de caixa das empresas do grupo”, estabelecendo elo comum entre as empresas do mesmo grupo, possibilitando o encontro de contas devedoras e credoras, cumprindo o objetivo de um “caixa centralizado”. Nesses termos, os julgadores entenderam que eventual repercussão tributária nas pessoas jurídicas das operações assim realizadas não seria objeto deste contencioso, limitado à análise de suposto benefício que teria sido auferido pelas pessoas físicas, que não se encontra caracterizado. Como consequência da redução do crédito tributário lançado inicialmente, houve Recurso de Ofício. No Recurso Voluntário, o Recorrente reitera os argumentos anteriormente suscitados, repetindo a argumentação de que os saldos remanescentes da movimentação operacional em conta corrente entre as empresas, também foi procedida da transferência de saldos devedores para os sócios pessoas físicas, via contrato de assunção de dívidas. Assim, o retorno dessas quantias não poderiam ser tributados. Distribuído para nossa relatoria, coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Fl. 535DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10980.729348/201291 Resolução nº 2101000.206 S2C1T1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Eduardo de Souza Leão O recurso atende os requisitos de admissibilidade. A questão trazida ao debate diz respeito às consequências tributárias no fato dos sócios de pessoa jurídica assumirem débitos da empresa, de modo que, no momento da restituição/quitação dos respectivos débitos aos sócios, ocorre ou não disponibilidade econômica ou acréscimo patrimonial a ser alcançado pelo Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Contudo, uma análise mais crítica da realidade fática e jurídica exposta nos autos, impõe ainda alguns questionamentos visando assegurar certeza à conclusão a ser proferida, quando a existência ou não de saldo em benefício do sócio pessoa física, assim como se este recebia valores ou apenas “emprestava o nome” para o encontro de contas das pessoas jurídicas. Pelo exposto, voto no sentido converter o julgamento do recurso em diligência, a ser realizada na repartição de origem, para esclarecimento de questões de fato, relativas a: (1) registro no livro diário, com as formalidades, das operações referidas nos livros razão acostados aos autos, com indicação do registro desses livros na junta comercial ou em outro registro público próprio, (2) documentação de suporte aos lançamentos da assunção de dívida alegada, inclusive instrumentos contratuais e recibos, caso existentes, e (3) comprovação do fluxo financeiro, através de extratos bancários que atestem o surgimento dos direitos creditórios alegados pelo recorrente, na operação de assunção de dívida. A autoridade fiscal deverá fazer análise dos elementos acolhidos em termo circunstanciado, confirmando ou afastando a existência dos documentos e seus reflexos, após o qual o Recorrente deverá ser intimado para, se desejar, apresentar manifestação, no prazo de 30 dias. Efetivadas as diligências solicitadas, o Processo deve retornar ao CARF para continuidade do julgamento. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 536DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2015 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 27/03/201 5 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 22/04/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10480.001536/2003-00
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jun 15 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1998
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543-B E 543-C DA LEI nº 5.869/1973 - CPC - As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62-A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010.
Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, deve-se aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional - CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 - PR (2004/0109978-2).
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9101-001.528
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Procurador com retorno à câmara a quo. Vencido o Conselheiro José Ricardo da Silva (Relator). O Conselheiro Valmir Sandri votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
André Mendes de Moura - Redator Ad Hoc - Designado para o Voto Vencido
(Assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Vice Presidente).
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DOS ARTIGOS 543B E 543C DA LEI nº 5.869/1973 CPC As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF, consoante art. 62A do seu Regimento Interno, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010. Para a contagem do prazo decadencial, o STJ pacificou entendimento segundo o qual, em havendo pagamento parcial do tributo, devese aplicar o artigo 150, § 4º do Código Tributário Nacional CTN; de outro modo, em não se verificando pagamento, deve ser aplicado o seu artigo 173, inciso I, com o entendimento externado pela Segunda Turma do STJ no julgamento dos EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782). Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao Recurso Especial do Procurador com retorno à câmara a quo. Vencido o Conselheiro José Ricardo da Silva (Relator). O Conselheiro Valmir Sandri votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 15 36 /2 00 3- 00 Fl. 258DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Ad Hoc Designado para o Voto Vencido (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (suplente convocado), Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes, José Ricardo da Silva, Plínio Rodrigues de Lima e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente à época do julgamento). Ausente, justificadamente, a Conselheira Susy Gomes Hoffmann (Vice Presidente). Relatório Cientificada da decisão de Segunda Instância, em 27/10/2010 (fls. 189), a Fazenda Nacional interpõe, tempestivamente, em 03/11/2010, seu Recurso Especial (fls. 192/199), pleiteando a reforma da decisão proferida pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 1803 00.454, de 08/07/2010 (fls. 175/188) cuja decisão, por maioria de votos, deu provimento ao recurso interposto pelo contribuinte Philips Eletrônica do Nordeste S/A (fls. 175/188). O pleito da Fazenda Nacional busca amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010. Consta dos autos, que contra a contribuinte, Philips Eletrônica do Nordeste S/A, foi lavrado, em 10/02/2003, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Recife – PE, o Auto de Infração de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (fls. 02/04), com ciência pessoal, em 12/02/2003 (fls. 04) exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 548.085,07, a título de Contribuição Social sobre o Lucro líquido, acrescidos da multa de lançamento de ofício normal de 75% e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo referente ao exercício de 1998. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização de revisão interna, onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver compensação indevida da Base de Cálculo Negativa da CSLL de períodosbase anteriores, tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro liquido antes da CSLL, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação. Infração capitulada no art. 2° e §§, da Lei n° 7.689, de 1988; art. 58 da Lei n° 8.981, de 1995 e art. 19 da Lei n° 9.249, de 1995. Alerta a autoridade fiscal lançadora, através do próprio Auto de Infração, que o contribuinte foi intimado em 16/10/2002 e 29/11/2002, a prestar esclarecimentos (ano calendário de 1998), cuja ciência ocorreu por meio do Aviso de Recebimento Postal – AR, Fl. 259DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 4 3 entregando, em 29/11/2002, correspondência em que consta cópia da petição de desistência da ação judicial nº 97.96890 e cópia dos respectivos DARFs de recolhimento. Impugnado, tempestivamente, o lançamento, em 13/03/2003 (fls. 100/115, instruído pelos documentos de fls. 116/117) e após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante a 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife – PE, em 19/03/2007, decide julgar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário lançado (fls. 120/130), lastreado, em síntese, nos seguintes argumentos básicos: que a partir de 1° de janeiro de 1995, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro liquido ajustado poderá ser reduzido por compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores, em, no máximo, trinta por cento; que, no caso da CSLL, é de dez anos o prazo de que dispõe o Fisco para proceder ao lançamento, a teor do disposto no art. 45 da Lei n.° 8.212/91; que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o inicio de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 13/04/2007, conforme Termo constante às fls. 131/133, e com ela não se conformando, a contribuinte interpôs, tempestivamente, em 14/05/2007, o seu Recurso Voluntário (fls. 135/161), o qual, ao ser apreciado pela 3ª Turma Especial da Primeira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, através do Acórdão nº 180300.454, de 08/07/2010 (fls. 175/188), proferiu, por maioria de votos, a decisão de dar provimento ao recurso, acolhendo a preliminar de decadência, conforme se verifica de sua ementa e decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação (art. 150, § 4º do CTN), a decadência se opera a partir da ocorrência do fato gerador, exceto nos casos de dolo, fraude ou simulação, sendo irrelevante a existência de pagamento, pois o que se homologa é a atividade e não o pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencido o Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes (Relator), nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Walter Adolfo Maresch. Cientificada, formalmente, da decisão de Segunda Instância, em 27/10/2010, conforme Termo constante às fls. 189, a Fazenda Nacional, através do seu representante legal, interpôs, de forma tempestiva (03/11/2010), o seu Recurso Especial de fls. 192/199, com amparo nos arts. 64, II e 67, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fl. 260DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 5 4 Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, com as alterações introduzidas pelas Portarias MF nºs 446, de 27 de agosto de 2009, e 586, de 21 de dezembro de 2010, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra ementada, baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que a respeito do prazo para a constituição de créditos tributários relativos a tributos sujeitos a lançamento por homologação, o entendimento jurisprudencial que fundamenta o presente recurso diverge do adotado na decisão recorrida, e está representado no acórdão paradigma cuja ementa está abaixo transcrita, (cópia anexa); que, com efeito, quando o sujeito passivo da obrigação tributária antecipa adequadamente o pagamento, a contagem do prazo decadencial tem inicio na data da ocorrência do fato gerador, conforme o disposto no art. 150, §4° do CTN; que, por outro lado, não havendo recolhimento antecipado do tributo sujeito a lançamento por homologação (omissão), ou não sendo escorreito esse recolhimento (inexatidão), o prazo decadencial para a constituição do respectivo crédito tributário regerseá pelo contido no art. 173, I, do CTN; que, no caso em tela, não consta pagamento do tributo nos autos, conforme salienta a DRJ em sua decisão proferida no juízo de primeira instancia. Portanto, para fins de contagem de prazo decadencial, não deve ser aplicado o art. 150, § 4°, CTN, e sim, o art. 173, I do CTN; que, assim, como o fato gerador ocorreu em 31/12/1997, o lançamento do tributo poderia ter sido efetuado em 1998, fazendo com que o inicio do prazo decadencial fosse conduzido para o dia 1º de janeiro de 1999 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Contandose cinco anos, tem–se que a decadência ocorreria em 01.01.2004. Como a ciência do lançamento aconteceu em 12.02.2003 (fls. 04), não houve lançamento a destempo. Segue, abaixo, o acórdão paradigma apresentado (fls. 200/203), do qual transcrevo a respectiva ementa na parte que interessa: Acórdão 910100.460 – 1ª Turma: DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO LANÇAR TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Restando configurado que o sujeito passivo não efetuou recolhimentos, o prazo decadencial do direito do Fisco constituir o credito tributário deve observar a regra do art. 173, inciso I, do CTN. Precedentes no STJ, nos termos do RESP no 973.733 SC, submetido ao regime do art. 543 C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional e afastar a decadência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Antonio Praga, Karem Jureidini Dias, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, João Carlos de Lima Junior (substituto convocado) e Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho que aplicavam a contagem de Fl. 261DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 6 5 prazo do artigo 150 do CTN, em face do contribuinte ter realizado a apuração do IRPJ, bem como apresentando a DIPJ sem saldo de tributo a pagar. Após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 140000.268, de 24/01/2011 (fls. 216/217), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. Ciente, nos termos regimentais, do Acórdão recorrido e do Despacho de Exame de Admissibilidade, em 17/02/2011 (fls. 217/218), a contribuinte apresenta, tempestivamente, em 11/03/2011, as contrarrazões (fls. 219/237), baseado, em síntese, nas seguintes considerações: que a Procuradoria da Fazenda Nacional, ora Recorrente, insurgese contra o Acórdão proferido em segunda instância especificamente em relação ao reconhecimento, pelas autoridades julgadoras, da ocorrência da decadência no presente caso, em que foi lançado suposto débito de CSLL relativo a 31/12/1997 apenas em 10/02/2003; que, com efeito, alegase que no caso presente não houve qualquer pagamento da CSLL por parte da Recorrida e que, em vista disso, seria aplicável, para fins de contagem do prazo decadencial, aquele previsto no artigo 173, I do CTN, ao invés do prazo estabelecido pelo artigo 150, § 4° do mesmo diploma. Assim, por um equivoco, a Procuradoria concluiu que, "como a fato gerador ocorreu em 31/1211997, o lançamento do tributo poderia ter sido efetuado em 1998, fazendo com que o inicio do prazo decadencial fosse conduzido para o 1° dia de janeiro de 1999 (primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado). Contandose cinco anos, temse que a decadência ocorreria em 01/01/2004. Como a ciência do lançamento aconteceu em 12/02/2003 (fls.04), não houve lançamento a destempo"; que não tem dúvida a Recorrida de que esse argumento da Recorrente não merece prevalecer. Isso porque, primeiramente, como se sabe, a CSLL é um tributo sujeito às normas que regem o lançamento por homologação, ou seja, a legislação que lhe é aplicável atribui ao sujeito passivo o dever de apurar o tributo devido, sem o prévio exame da autoridade administrativa; que, nesses casos, a regra geral de decadência aplicável é aquela prevista no parágrafo 4° do artigo 150 do CTN, hipótese em que o prazo decadencial de cinco anos tem como termo inicial a data de ocorrência do fato gerador. Decorrido esse prazo sem manifestação do Fisco, considerase decaído e extinto eventual crédito tributário; que, em outras palavras, a autoridade administrativa dispõe de cinco anos contados do respectivo fato gerador para homologar a atividade exercida pelo contribuinte. Findo este prazo sem que o Fisco tenha se manifestado, operamse os efeitos da decadência, considerandose tacitamente homologada a atividade exercida pelo sujeito passivo e simultaneamente extinto qualquer crédito tributário que àquele tempo pudesse ter sido constituído pela autoridade fiscal; que, no presente caso, o Auto de Infração foi lavrado em 10/02/2003, ao passo que o fato gerador do crédito tributário ora exigido ocorreu em 31/12/1997. Contandose cinco anos da data em que ocorreram tais fatos geradores, verificase que o direito que possuía a d. fiscalização federal de realizar lançamento do crédito mencionado extinguiuse em Fl. 262DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 7 6 31/12/2002, motivo pelo qual referido direito já se encontrava atingido pelo instituto da decadência em 10/02/2003. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro André Mendes de Moura, Redator Ad Hoc Designado Em face da necessidade de formalização da decisão proferida nos presentes autos, de competência da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais e, tendo em vista que o Conselheiro José Ricardo da Silva, relator do processo, não mais integra o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, fui designado na condição de Redator Ad Hoc pelo Presidente da 1ª Turma da CSRF, nos termos do item III, do art. 17, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 (RICARF). Informo que, na condição de Redator Ad Hoc, estritamente transcrevo as razões expostas pelo relator original da decisão. Portanto, a análise do caso concreto reflete a convicção do Conselheiro José Ricardo da Silva na valoração dos fatos. Ou seja, não me encontro vinculado: (1) ao relato dos fatos apresentado; (2) a nenhum dos fundamentos adotados para a apreciação das matérias em discussão; e (3) a nenhuma das conclusões da decisão incluindose a parte dispositiva e a ementa. Destarte, adoto como base a minuta de acórdão inicialmente apresentada quando do julgamento do recurso, bem como o seu resultado, proferido pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, expresso na Ata da sessão ocorrida em novembro de 2012, para formalizar o voto do relator. Tendo a Fazenda Nacional tomado ciência do decisório recorrido em 27/10/2010 (fls. 189) e tendo protocolizado o presente apelo em 03/11/2010 (fls. 192/199), isto é, dentro do prazo de 15 (quinze) dias, evidenciase a tempestividade do mesmo nos termos do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Da análise dos autos do processo verificase que após o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais exarou o Despacho nº 140000.268, de 24/01/2011 (fls. 216/217), dando seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, por satisfazer aos pressupostos regimentais. É de se observar, que a Fazenda Nacional cumpriu com os requisitos previstos no RICARF para interpor Recurso Especial do Divergência, já que demonstrou que a decisão deu à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria Câmara Superior de Recursos Fiscais. O mero cotejo da ementa e voto do acórdão recorrido com a ementa e voto do acórdão paradigma já caracteriza a divergência, haja vista que tipifica tratamentos diferenciados. Ou seja, questionase qual seria o dispositivo aplicável para aferição do prazo decadencial, tratandose de tributos sujeitos à modalidade do lançamento por homologação, na hipótese de total ausência de pagamento. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 8 7 Contudo, enquanto o acórdão paradigma considerou que no caso aplicase o art.173, inciso I, do Código Tributário Nacional, pela ausência de antecipação de pagamento, o acórdão recorrido ao contrário, apenas ponderou que, por tratarse de tributo sujeito à lançamento por homologação, deveria ser aplicado o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, independentemente da existência ou não de pagamento antecipado. Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional, preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão somente ao termo inicial da contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação. Neste ponto, no que diz respeito a discussão sobre o termo inicial da contagem do prazo decadencial, já se pacificou com a edição da Portaria MF nº. 586, que alterou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. Dispôs o art.62 do RICARF: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 9 8 Diante disso, resta claro que os julgados proferidos pelas turmas integrantes do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) devem se adaptar, nos casos de decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº. 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, a estes julgados. A contagem do prazo decadencial é um destes temas. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça decidiu, por ocasião do julgamento do Recurso Especial nº. 973.733 – SC (2007/01769940), que a contagem do prazo decadencial dos tributos ou contribuições, cujo lançamento é por homologação, deveria seguir o rito do julgamento do recurso especial representativo de controvérsia, cuja ementa é a seguinte: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose Fl. 265DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 10 9 Documento: 6162167 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 18/09/2009 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Nos julgados posteriores, sobre o mesmo assunto (contagem do prazo decadencial), o Superior Tribunal de Justiça aplicou a mesma decisão acima transcrita, conforme se constata no julgado do AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº. 1.203.986 MG (2010/01395597), verbis: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. MATÉRIA DECIDIDA NO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA N° 973.733/SC. ARTIGO 543C, DO CPC. PRESCRIÇÃO DO DIREITO DE COBRANÇA JUDICIAL PELO FISCO. PRAZO QÜINQÜENAL. TRIBUTO SUJEITO À LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA. 1. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados:I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela Fl. 266DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 11 10 notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 2. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). Documento: 12878841 EMENTA / ACÓRDÃO Site certificado DJe: 24/11/2010 Página 1 de 2 Superior Tribunal de Justiça 3. A Primeira Seção, quando do julgamento do REsp 973.733/SC, sujeito ao regime dos recursos repetitivos, reafirmou o entendimento de que “o dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em FALTA O JULGAMENTO AGUARDAR) 4. À luz da novel metodologia legal, publicado o acórdão do julgamento do recurso especial, submetido ao regime previsto no artigo 534C, do CPC, os demais recursos já distribuídos, fundados em idêntica controvérsia, deverão ser julgados pelo relator, nos termos do artigo 557, CPC (artigo 5º, I, da Res. STJ 8/2008). 5. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado Fl. 267DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 12 11 de contribuição social foi omitida pelo contribuinte concernente ao fato gerador compreendido a partir de 1995, consoante consignado pelo Tribunal a quo; (c) o prazo do fisco para lançar iniciou a partir de 01.01.1996 com término em 01.01.2001; (d) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 15.07.2004, data da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito que formalizou os créditos tributários em questão, sendo a execução ajuizada tão somente em 21.03.2005. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Agravo regimental desprovido. É de se esclarecer, que na solução dos Embargos de Declaração impetrado pela Fazenda Nacional no Recurso Especial nº. 674.497 PR (2004/01099782), houve o acolhimento em parte do embargo pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) para modificar o entendimento sobre os fatos geradores ocorridos em dezembro cuja exação só poderia ser exigida a partir de janeiro do ano seguinte, verbis: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. O ministro Mauro Campbell Marques, relator do processo, em síntese, assim se manifestou em seu voto: Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do Fl. 268DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 13 12 CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN) (...) Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. Desta forma, para lançamentos em que não houve pagamento antecipado, é de se observar que os julgados do Superior Tribunal de Justiça firmaram posição no sentido de que o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado corresponde, de fato, ao primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Código Tributário Nacional. Por outro lado, para os lançamentos em que houve pagamento antecipado a contagem do prazo decadencial tem início na data do fato gerador da obrigação tributária discutida. O caso em questão trata de cobrança da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ocorrido em 31/12/1997. Sob o meu ponto de vista o maior obstáculo neste tipo de interpretação dada pelo Superior Tribunal de justiça está em definir o que seria considerado “pagamento antecipado” nos futuros julgados por este Tribunal Administrativo. Ora, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o escoamento do prazo do art. 150, § 4º, sem manifestação do Fisco, significa a aquiescência implícita aos valores declarados pelo contribuinte, porque o silêncio, neste caso, é qualificado pela lei, trazendo efeitos. A única diferença de regime está consubstanciada na hipótese em que não há pagamento antecipado, que de acordo com Superior Tribunal de Justiça, se aplicaria, para efeitos de marco inicial do prazo decadencial, o art. 173, I, do Código Tributário Nacional (regra geral, que deverá ser seguido conforme a interpretação dada pelo STJ), por força do que dispõe o parágrafo único deste mesmo preceptivo. Exaurido o prazo, o Fisco não poderá manifestar qualquer intenção de cobrar os valores. Há, pois, falarse em decadência nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação. No presente caso se torna irrelevante continuar a discussão sobre qual seria o significado de “pagamento antecipado”, já que não houve recolhimento antecipado de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, como restou consignado na Declaração de Rendimentos da pessoa Jurídica (fls. 76/96). Notase, que tanto nos cálculos da CSLL mensais (janeiro a dezembro de 1997), bem como o ajuste pelo lucro real, no anocalendário de 1997, não houve nenhum recolhimento da contribuição. Assim sendo, no ponto de vista dos julgados do Superior Tribunal de Justiça, o termo inicial da contagem do prazo decadencial é 01/01/1999, já que o fato gerador ocorreu em 31/12/1997. Ou seja, de acordo com a linguagem do Superior Tribunal de Justiça “o termo Fl. 269DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 14 13 inicial para contagem do prazo decadencial, nos casos em que não houve pagamento antecipado, é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento de oficio poderia ter sido efetuado, nos termos do art. 173, I, do Código Tributário Nacional. O prazo fatal para a constituição do lançamento ocorreria em 31/12/2003, tendo ocorrido a ciência do lançamento em 12/02/2003, não está decadente o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário questionado. Assim sendo, considero que em relação à exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido, sem pagamento antecipado, aplicase a regra geral de decadência enunciada no artigo 173, I do Código Tributário Nacional, tendo a Fazenda o prazo de cincos anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para constituir o crédito tributário. Nestas condições, entendo que se faz necessários adaptar a decisão recorrida aos julgados do Superior Tribunal de Justiça, razão pela qual conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, por tempestivo, preenchendo as demais questões de admissibilidade e, no mérito, doulhe provimento para declarar que o lançamento não foi alcançado pelo prazo decadencial, determinando o retorno dos autos à Câmara recorrida para apreciação das demais matérias recursais. (Assinado digitalmente) André Mendes de Moura Redator Ad Hoc Designado para o Voto Vencido Voto Vencedor Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, Redator Designado Adoto, como razões de decidir, o voto do eminente Conselheiro Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, por ocasião do Acórdão de no. 9101;00901, o que transcrevo, a seguir, in verbis: “(...) As questões colocadas à apreciação deste Colegiado dizem respeito ao dies a quo da contagem do prazo decadencial para a constituição de crédito tributário em face de tributo lançado por homologação, além do cabimento da aplicação de multa isolada decorrente da falta de recolhimento de tributo devido por estimativa, concomitante com a multa de ofício, temas esses recorrentes, porém ainda não pacificados neste forum. (...) Com referência à contagem do prazo decadencial, duas são as regras estabelecidas mediante a participação do sujeito passivo, a saber: a primeira trata dos tributos lançados por homologação, onde o dies a quo é a data da ocorrência do fato gerador, caso tenha ocorrido o pagamento, ainda que parcial, ou mesmo que o pagamento não tenha ocorrido, sob o entendimento de que se estaria homologando a atividade exercida pelo obrigado (CTN, art. 150, § 4º). A segunda regra corresponde à regra geral para os tributos por declaração, onde Fl. 270DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 15 14 o dies a quo é contado do primeiro dia do exercício seguinte ao qual o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). A propósito, nos julgamentos que tenho participado neste Colegiado vinha me posicionando, acerca da contagem do prazo decadencial, nos casos dos tributos lançados por homologação, pela aplicação da regra nos moldes do artigo art. 150, § 4º, do CTN, mesmo que não houvesse recolhimento de tributo, mas desde que o sujeito passivo tivesse apurado e registrado a inexistência de valor a pagar, como, por exemplo, no caso de apuração de resultados negativos para o cálculo do IRPJ e da CSLL. Entretanto, pela Portaria MF nº 586, de 21/12/2010–DOU de 22/12/2010, foram introduzidas alterações no Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, DOU de 23/06/2009, sobrevindo o art. 62A, que assim dispõe: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Dessa forma, em cumprimento ao citado dispositivo regimental, minha posição passou a ser a da aplicação do art. 173, I, do CTN, em todos os casos em que não tenha havido pagamento antecipado, haja vista essa matéria ter sido objeto de decisão do STJ, na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, no procedimento previsto para os recursos repetitivos. Sendo assim, esta 1ª Turma da CSRF, no Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, da qual também participei, por unanimidade de votos adotou a decisão proferida pelo STJ no julgamento do Resp. STJ nº 973.733/SC, em 12/08/2009, representativo de controvérsia relativa à Contribuição Previdenciária, de cuja decisão transcrevo excerto da sua ementa, reproduzido no seu voto condutor, a seguir: 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, ... (destaques acrescidos) Pois bem. A acima referida decisão deste Colegiado, na sessão de 21/02/2011, tomou como base a definição de que “o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado” corresponde “ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível”, definição essa que suscitara a oposição de embargos declaratórios da Fazenda Nacional junto ao STJ, os quais foram julgados e acolhidos pela sua Segunda Turma, na sessão realizada em 09/02/2010, com a finalidade “... de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. (parte final do voto condutor da decisão dos EDcl nos EDcl no AgRg no Fl. 271DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 16 15 RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782), transcrito mais adiante). Salientese que esse entendimento externado em sede de embargos declaratórios está sendo corretamente reiterado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ, que julgam matéria tributária, de cujas decisões merecem destaque a que foi proferida quando o próprio Ministro Luiz Fux, atualmente Ministro do STF, ainda fazia parte daquela Turma do STJ, assim ementada: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 1ª Turma Título: AgRg no REsp 1050278 / RS Data: 22/06/2010 Ementa: AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. INOVAÇÃO DE FUNDAMENTOS. INCABIMENTO. DECADÊNCIA. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. TERMO INICIAL. PRIMEIRO DIA DO EXERCÍCIO SEGUINTE ÀQUELE EM QUE O LANÇAMENTO PODERIA TER SIDO EFETUADO. AGRAVO IMPROVIDO. 1. Em sede de agravo regimental, não se conhece de alegações estranhas às razões do recurso especial, por vedada a inovação de fundamento. 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é firme em que, no caso de imposto lançado por homologação, quando há prova de fraude, dolo ou simulação, o direito da Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após cinco anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional). 3. Agravo regimental improvido. Da 2ª Turma da 1ª Seção do STJ trago ementa de decisão mais recente, proferida em 07/04/2011, que consagra esse reiterado entendimento, a seguir: Autoridade: Superior Tribunal de Justiça. 2ª Turma Título: AgRg no REsp 1219461 / PR Data: 07/04/2011 Ementa: TRIBUTÁRIO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PARCELAMENTO. ATRASO NO PAGAMENTO DAS PARCELAS. RESCISÃO ADMINISTRATIVA. 1. O prazo decadencial para constituição do crédito tributário, nos casos de lançamento de ofício, contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que ele poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, inciso I). Tal entendimento foi solidificado no STJ quando do julgamento do REsp 973.733/SC, julgado em 12.8.2009, relatado pelo Min. Luiz Fux e submetido ao rito reservado aos recursos repetitivos (CPC, art. 543C). 2. Parcelado o débito sob a égide da MP 38/2002, o atraso de mais de duas parcelas implica em imediata rescisão da avença administrativa, nos termos do art. 13, parágrafo único, da Lei n. 10.522/02, vigente à época da ocorrência dos fatos. Agravo regimental improvido. (destaques acrescidos) Fl. 272DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 17 16 Sendo assim, mantenho a posição anteriormente assumida na decisão desta 1ª Turma da CSRF, no supracitado Acórdão nº 9101000.811, sessão de 21/02/2011, porém com o entendimento externado pelas duas Turmas que compõem a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça – STJ, representado no julgamento dos Embargos de Declaração “EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782)”, julgado em 09/02/2010, cujo aresto transcrevo a seguir: EDcl nos EDcl no AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 674.497 PR (2004/01099782) EMENTA PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART.173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. VOTO O SENHOR MINISTRO MAURO CAMPBELL MARQUES (Relator): Do acurado reexame dos autos, verifico que razão assiste à embargante. Sobre o tema, a Primeira Seção desta Corte, utilizandose da sistemática prevista no art. 543C do CPC, introduzido no ordenamento jurídico pátrio por meio da Lei dos Recursos Repetitivos, ao julgar o REsp 973.733/SC, Rel Min. Luiz Fux (j. 12.8.2009), reiterou o entendimento no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação não declarado e inadimplido, como o caso dos autos, o Fisco dispõe de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado para a constituição do crédito tributário, nos termos do art. 173, I, do CTN. Somente nos casos em que o pagamento foi feito antecipadamente, o prazo será de cinco anos a contar do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Confirase a ementa do julgado: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 273DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 18 17 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (destaques acrescidos) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro Fl. 274DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 19 18 de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Retomando os termos em que os declaratórios foram apreciados: Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. (destaques acrescidos) Com efeito, é cediço que, excepcionalmente, emprestamse efeitos infringentes aos embargos de declaração para correção de premissa equivocada sobre a qual se funda o julgado impugnado, quando tal efeito for relevante para o deslinde da controvérsia. A propósito: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. EMBARGOS DECLARATÓRIOS COM EFEITOS INFRINGENTES. POSSIBILIDADE. PREMISSA EQUIVOCADA. 1. "É admitido o uso de embargos de declaração com efeitos infringentes, em caráter excepcional, para a correção de premissa equivocada, com base em erro de fato, sobre a qual tenha se fundado o acórdão embargado, quando tal for decisivo para o resultado do julgamento" (EDcl no REsp n. 599.653, Rel. Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, DJ de 22.8.2005). 2. Tratando os autos de mandado de segurança, são incabíveis embargos infringentes, ainda que o acórdão do Tribunal a quo tenha sido divergente na reforma do mérito da sentença, de acordo com o entendimento firmado pela Súmula nº 597/STF e nº 169/STJ. 3. Embargos de declaração acolhidos com efeitos modificativos. (EDcl no Resp 727.838/RN, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJ 25.8.2006). PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EFEITO MODIFICATIVO. POSSIBILIDADE. 1. Excepcionalmente, podese emprestar efeito modificativo aos embargos declaratórios. 2. No caso em espécie, tendo em vista o descabido recurso especial interposto em inadmissível processo instaurado contra a coisa julgada, impõese o acolhimento dos declaratórios para, dandolhes efeito modificativo, não conhecer do recurso especial. (EDcl nos EDcl no REsp 543.688/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 26.10.2006). Fl. 275DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10480.001536/200300 Acórdão n.º 9101001.528 CSRFT1 Fl. 20 19 Na seqüência do seu voto condutor, o i. Ministro Relator sentencia que: Portanto, impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria. Isso posto, ACOLHO os embargos de declaração, com efeitos modificativos, para DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso especial, tãosomente, para afastar a decadência dos créditos tributários relativos aos fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. ... É como voto. (destaques acrescidos) (...)” Diante do exposto, e da inexistência de pagamentos, dou provimento ao recurso da Fazenda Nacional, com retorno à Câmara a quo para análise das demais questões. (Assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Fl. 276DF CARF MF Impresso em 15/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2015 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA, Assinado digitalmente em 13/06/2015 por VALMAR FONSECA DE MENEZES, Assinado digitalmente em 15/06/2015 por ANDRE MENDES DE MOURA, Assin ado digitalmente em 15/06/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16327.721498/2012-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Apr 24 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
Autos de Infração DEBCADs sob nºs 37.011.4906, 37.333.6764 e 37.011.4892
Consolidados em 18/12/2012
EMENTA
PLR COM BASE NA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALO.
A PLR que realizada em CCT não há como negar a presença do Sindicato.
No caso em tela, em não havendo configurado outras anomalias apontadas pela Fiscalização, tal como ausência de isonomia nos pagamentos de PLR, há de ser reconhecida como legal a PLR realizada em CCT.
PAGAMENTO FORA DA DETERMINAÇÃO LEGAL. MAIS DE UM PAGAMENTO NO SEMESTRE.
Havendo mais de um PLR e ocorrendo em mais de um pagamento no semestre, há de se reconhecer a agressão legal, desfigurando ao menos um dos PLR's.
No caso em tela, com exceção o PLR da CCT, os demais foram considerados ilegais, mormente pela questão do pagamento em mais de uma vez no semestre.
INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INEXISTÊNCIA
O cerceamento de defesa NÃO pode ser considerado em razão da alegação de fragilidade na fundamentação do lançamento e na medida em que não seria possível identificar o objeto dos AIs, se inexiste tal condição.
No caso em tela não ocorreu desta forma, eis que não se observa acusação desmedida e tão pouco desfundamentada, não havendo acusação sem prova e tão pouco exigência de demonstração de idoneidade.
ISONOMIA NOS PAGAMENTOS DE PLR. NÃO CONFIGURA MOTIVAÇÃO PARA LANÇAMENTO.
O pagamento de PLR onde há previsão no instrumento de negociação a diferença de metas e resultados, com previsão de distinção de tratamento entre os funcionários no que diz respeito ao PLR, não afeta o programa, porque não fere a lei de regência.
NULIDADE DO LANÇAMENTO POR PRECARIEDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS - AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS PAGAMENTOS AUTUADOS E OS RESPECTIVOS INSTRUMENTOS COLETIVOS - PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA FACE A INSUBSISTÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO.
Não pode subsistir a alegação de que os Autos de Infrações lançados são nulos se na descrição dos fatos há uma substanciosa enumeração de fato gerador da contribuição previdenciária.
No caso em tela não houve uma indicação genérica dos fatos, mas minuciosa da fiscalização, como foi feito, criando-se uma certeza do lançamento.
REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INEXISTÊNCIA
A descrição Fiscal de inexistência de regras claras e objetivas, onde não dá para entender as cláusula que determinam as regras, porque inexiste percentual a ser pago pelo empregador ao empregado, de acordo com o lucro, sendo que a estipulação de tal percentual caracterizaria um critério, atendendo, portanto, ao menos um dos requisitos previstos na legislação aplicável.
Também não se tem como considerar as regras claras e objetivas, como ocorre no caso, quando o direito substantivo for baseado no resultado, há necessidade de estabelecimento de metas, e na hipótese do direito substantivo exigir apenas o lucro, não é necessária a estipulação de metas. Mas há de se definir se o PLR está tão somente arraigado no lucro e ou no resultado, ou nos dois, o que não ficou bem claro no plano apresentado, corroborado pela peça recursiva que fala, momento num e momento noutro.
DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. REGULARIDADE
PLR originário da CCT 2006/2007 não questionado pela Autoridade Lançadora, há de ser reconhecido sua regularidade. Como ocorre no caso em julgamento.
Assim, há de ser reconhecido como válido e, portanto, excluído da base de cálculo os pagamentos de PLR realizado em Convenção Coletiva de Trabalho.
AUSÊNCIA DO SINDICATO. PLR INADMISSÍVEL. IRREGULARIDADE. AFRONTA A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA.
Artigo 2º da Lei nº 10.101/00 CONSIDERA QUE "a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante i) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (GN), ii) por convenção ou acordo coletivo.
MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA.
A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35-A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades aplicadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4º a 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal.
Numero da decisão: 2301-004.315
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em: DECISÃO: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, com a manutenção parcial do crédito, para excluir do lançamento as contribuições oriundas da convenção coletiva que trata de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, para exclusão do motivo de ausência de isonomia nos pagamentos relativos ao pagamento da verba PLR, no plano específico da contribuinte, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da aplicação da multa de ofício, a fim de que se verifique, na execução do julgado, para efeitos do Art. 106, do CTN, com a aplicação do cálculo mais benéfico, as penalidades que o sujeito passivo poderia sofrer na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória - falta de declaração e nos de declaração inexata - e principal), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35-A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória - falta de declaração e nos de declaração inexata - e principal), nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, e o Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que limitava a presente multa a 75% (setenta e cinco por cento); b) em negar provimento, com a conseqüente manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, pela ausência de participação de entidade sindical na elaboração e manutenção dos programas de PLR, nos termos do voto do Relator; Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos, Cleberson Alex Friess e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, com a manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, na questão relativa à ausência de regras claras e objetivas, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que dava provimento ao recurso nesta questão. Sustentação oral: Luiz Eduardo de Castilho Girotto. OAB: 124.071/SP. Redator: Cleberson Alex Friess.
Redator designado: CLEBERSON ALEX FRIESS
Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Wilson Antonio de Souza Corrêa - Relator.
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1991; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 2 1 1 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721498/201247 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2301004.315 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de fevereiro de 2015 Matéria Contribuição Previdenciária Recorrente BANCO SANTANDER (BRASIL) S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 Autos de Infração DEBCAD’s sob nºs 37.011.4906, 37.333.6764 e 37.011.4892 Consolidados em 18/12/2012 EMENTA PLR COM BASE NA CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALO. A PLR que realizada em CCT não há como negar a presença do Sindicato. No caso em tela, em não havendo configurado outras anomalias apontadas pela Fiscalização, tal como ausência de isonomia nos pagamentos de PLR, há de ser reconhecida como legal a PLR realizada em CCT. PAGAMENTO FORA DA DETERMINAÇÃO LEGAL. MAIS DE UM PAGAMENTO NO SEMESTRE. Havendo mais de um PLR e ocorrendo em mais de um pagamento no semestre, há de se reconhecer a agressão legal, desfigurando ao menos um dos PLR's. No caso em tela, com exceção o PLR da CCT, os demais foram considerados ilegais, mormente pela questão do pagamento em mais de uma vez no semestre. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. INEXISTÊNCIA O cerceamento de defesa NÃO pode ser considerado em razão da alegação de fragilidade na fundamentação do lançamento e na medida em que não seria possível identificar o objeto dos AI’s, se inexiste tal condição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 14 98 /2 01 2- 47 Fl. 1130DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 No caso em tela não ocorreu desta forma, eis que não se observa acusação desmedida e tão pouco desfundamentada, não havendo acusação sem prova e tão pouco exigência de demonstração de idoneidade. ISONOMIA NOS PAGAMENTOS DE PLR. NÃO CONFIGURA MOTIVAÇÃO PARA LANÇAMENTO. O pagamento de PLR onde há previsão no instrumento de negociação a diferença de metas e resultados, com previsão de distinção de tratamento entre os funcionários no que diz respeito ao PLR, não afeta o programa, porque não fere a lei de regência. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR PRECARIEDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS PAGAMENTOS AUTUADOS E OS RESPECTIVOS INSTRUMENTOS COLETIVOS PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA FACE A INSUBSISTÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Não pode subsistir a alegação de que os Autos de Infrações lançados são nulos se na descrição dos fatos há uma substanciosa enumeração de fato gerador da contribuição previdenciária. No caso em tela não houve uma indicação genérica dos fatos, mas minuciosa da fiscalização, como foi feito, criandose uma certeza do lançamento. REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. INEXISTÊNCIA A descrição Fiscal de inexistência de regras claras e objetivas, onde não dá para entender as cláusula que determinam as regras, porque inexiste percentual a ser pago pelo empregador ao empregado, de acordo com o lucro, sendo que a estipulação de tal percentual caracterizaria um critério, atendendo, portanto, ao menos um dos requisitos previstos na legislação aplicável. Também não se tem como considerar as regras claras e objetivas, como ocorre no caso, quando o direito substantivo for baseado no resultado, há necessidade de estabelecimento de metas, e na hipótese do direito substantivo exigir apenas o lucro, não é necessária a estipulação de metas. Mas há de se definir se o PLR está tão somente arraigado no lucro e ou no resultado, ou nos dois, o que não ficou bem claro no plano apresentado, corroborado pela peça recursiva que fala, momento num e momento noutro. DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR. CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. REGULARIDADE PLR originário da CCT 2006/2007 não questionado pela Autoridade Lançadora, há de ser reconhecido sua regularidade. Como ocorre no caso em julgamento. Assim, há de ser reconhecido como válido e, portanto, excluído da base de cálculo os pagamentos de PLR realizado em Convenção Coletiva de Trabalho. AUSÊNCIA DO SINDICATO. PLR INADMISSÍVEL. IRREGULARIDADE. AFRONTA A LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Fl. 1131DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 3 3 Artigo 2º da Lei nº 10.101/00 CONSIDERA QUE "a participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante i) comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (GN), ii) por convenção ou acordo coletivo. MULTA. RETROATIVIDADE BENIGNA. A análise da multa mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, deverá ser realizada mediante confronto entre a penalidade prevista no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e o somatório das penalidades aplicadas com base na legislação vigente à época do fato gerador, a saber: multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes do art. 32, §§ 4º a 6º, da Lei nº 8.212, de 1991, e a multa do art. 35, inciso II, desta mesma Lei, imposta na autuação correlata pelo descumprimento de obrigação principal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em: DECISÃO: I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, com a manutenção parcial do crédito, para excluir do lançamento as contribuições oriundas da convenção coletiva que trata de Participação nos Lucros e Resultados (PLR), nos termos do voto do Relator; b) em dar provimento parcial ao recurso, para exclusão do motivo de ausência de isonomia nos pagamentos relativos ao pagamento da verba PLR, no plano específico da contribuinte, nos termos do voto do Relator; c) em negar provimento ao recurso nas demais alegações da recorrente, nos termos do voto do Relator; II) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso, na questão da aplicação da multa de ofício, a fim de que se verifique, na execução do julgado, para efeitos do Art. 106, do CTN, com a aplicação do cálculo mais benéfico, as penalidades que o sujeito passivo poderia sofrer na legislação anterior (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e principal), com as penalidades determinadas atualmente pelo Art. 35 A da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e principal), nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Wilson Antônio de Souza Correa e Manoel Coelho Arruda Júnior, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, e o Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, que limitava a presente multa a 75% (setenta e cinco por cento); b) em negar provimento, com a conseqüente manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, pela ausência de participação de entidade sindical na elaboração e manutenção dos programas de PLR, nos termos do voto do Relator; Vencidos os Conselheiros Natanael Vieira dos Santos, Cleberson Alex Friess e Manoel Coelho Arruda Júnior, que davam provimento ao recurso nesta questão; III) Por maioria de votos: a) em negar provimento ao recurso, com a manutenção integral do crédito, em relação às exigências de contribuições oriundas de pagamento de PLR por plano específico, na questão relativa à ausência de regras claras e objetivas, nos termos do voto do Relator. Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que dava provimento ao recurso nesta questão. Sustentação oral: Luiz Eduardo de Castilho Girotto. OAB: 124.071/SP. Redator: Cleberson Alex Friess. Fl. 1132DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 Redator designado: CLEBERSON ALEX FRIESS Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa Relator. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Daniel Melo Mendes Bezerra, Cleberson Alex Friess, Natanael Vieira dos Santos, Manoel Coelho Arruda Junior e Wilson Antonio de Souza Correa. Fl. 1133DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 4 5 Relatório O presente lançamento é constituído de três autos de infração: · AI DEBCAD n.º 37.011.4906, referente a contribuições destinadas à Seguridade Social, previstas no artigo 22, incisos I e II, e parágrafo 1º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, correspondentes à parte da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas a competências de 01/2007 a 12/2007; · AI DEBCAD n.º 37.333.6764, referente a contribuições destinadas a terceiros – SalárioEducação e Incra – incidentes sobre a remuneração paga a segurados empregados, não declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social) e não recolhidas, relativas a competências de 01/2007 a 12/2007; · AI DEBCAD n.º 37.011.4892, com código de fundamento legal 68, e multa no valor originário de R$ 565.992,00 (quinhentos e sessenta e cinco mil e novecentos e noventa e dois reais), por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5º da Lei n.º 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.º 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999. O presente lançamento tem como fato gerador das contribuições lançadas as remunerações aos segurados empregados a propósito de “Participação nos Lucros ou Resultados”, pagas em desacordo com a legislação específica, sobre as quais não foram recolhidas as devidas contribuições sociais. Em abril de 2009 o Banco ABN AMRO REAL S.A. foi incorporado pelo Banco Santander S.A., razão pela qual a ação fiscal abrange as duas empresa. Segundo a Fiscalização, vários foram os problemas encontrados nos PLR’s que estabeleceram os pagamentos de 2007. enumeremos: 1. Os pagamentos de PLR do Banco ABN AMRO REAL SA, ocorreram em 2007 e é dirimido por instrumentos diferentes: a) Plano Próprio (PPR) celebrado entre a empresa e comissão de empregados no ano de 2001; b) CCT dos Bancos em 2006 e 2007; 2. Do Banco Santander o PLR de pagamento em 2007 é regido pelos seguintes instrumentos: a) ACT em PLR celebrado entre a CNTRAF Fl. 1134DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 e a CONTEC em 2006 e 2007; b) Programa Executivo em 2007; c) CCT sobre PLR dos Bancos em 2006 e 2007; 3. O programa próprio de PLR do Banco ABN AMRO que decorreu entre empresa e empregados, com pagamento em 2007, foi estabelecido em 11 de junho de 2001, onde há uma cláusula prevendo que se novo instrumento não fosse celebrado, ele seria restabelecido automaticamente para o ano seguinte. 4. Os representantes da comissão de empregados do mencionado instrumento não foram qualificados, desfigurando a representatividade da classe trabalhadora; 5. Mencionado acordo não há registro no sindicato da categoria, bem como não foi lá arquivado; 6. No mesmo instrumento não há regras claras e objetivas, eis que não há metas e tão pouco critérios de avaliação; 7. Nele não há regras substantivas e nem adjetivas. Não são fixadas metas para atingimento de um objeto, com conhecimento prévio para avaliar o esforço necessário para cumprimento deste; 8. Faltalhe critério e condições; 9. Não é possível identificar no instrumento qual o valor seria pago aos empregados em caso de as metas serem alcançadas. 10. Em 19 de julho, 07 de agosto e 21 de setembro de 2007 foi realizada uma reunião entre empresa e empregado, aprovando o programa de 2001, onde a empresa comprometeuse em apresentar aos funcionários, por intranet, o programa. Nesta reunião não consta a presença do sindicato; 11. Nas reuniões acima, entendeu a Fiscalização que não houve uma prévia negociação, mas uma certa imposição por parte empregadora; 12. O Plano Executivo, feito para os executivos do Banco Santander, não consta assinatura , qualificação ou data de celebração do instrumento; 13. Este plano não teve participação do representante sindical; 14. O plano é restritivo aos executivos da empresa, não extensivo, portanto, a todos; 15. Não houve negociação entre as partes; 16. não tem conhecimento prévio por parte do empregado; 17. Falta regras claras e objetivas; 18. Não há estabelecimento de metas; 19. Do Acordo Coletivo de Trabalho foi assinado e estabelecido em 27 de dezembro de 2007 com data retroativa em janeiro do mesmo ano; Fl. 1135DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 5 7 20. Mesmo no ACT entende a Fiscalização que há falta de regras claras e objetivas; 21. Para todos os programas foi observado que houve mais de um pagamento por semestre; 22. Houve pagamentos de PLR a determinados funcionários com mais de 1.000% de diferença sobre o salário; MULTA Havendo infração ao artigo 32, inciso IV,§ 5º da Lei 8.212/91, por ter deixado de informar na GFIP os valores pagos a segurado empregado a título de PLR deu origem ao AIOA 37.011.4841, com aplicação da multa do Artigo 44 da Lei 9.430/96. No período de autuação constatou que o número de segurados empregados ultrapassava a 5.000. Cientificada em 18/12/2012 a Recorrente apresentou em 17/01/2013 sua impugnação, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Em 20 de maio de 2013 foi noticiada da decisão de piso e no dia 18 de junho do mesmo ano aviou o presente remédio recursivo. É a síntese do necessário. Fl. 1136DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 Voto Vencido Conselheiro Wilson Antonio de Souza Corrêa O Recurso acode os pressupostos de admissibilidade, inclusive a tempestividade, razão pela qual dele conheço e passo a examinar as suas razões. PRELIMINARES A) NULIDADE DO LANÇAMENTO POR PRECARIEDADE NA DESCRIÇÃO DOS FATOS – AUSÊNCIA DE VINCULAÇÃO ENTRE OS PAGAMENTOS AUTUADOS E OS RESPECTIVOS INSTRUMENTOS COLETIVOS – PRETERIÇÃO AO DIREITO DE DEFESA FACE A INSUBSISTÊNCIA DOS AUTOS DE INFRAÇÃO. Alega a Recorrente que os Autos de Infrações lançados no presente PAF devem ser dito como nulos, isto porque foram autuados de forma indevida e esvaecidos. Diz que os Bancos envolvidos, Santander e ABN efetuaram pagamentos de PLR fulcrados em diferentes instrumentos coletivos, e destaca que, ao lavrar a autuação em tela, a Fiscalização deveria ter pautado a listar os pagamentos autuados, sem, no entanto, apontar a quais instrumentos estariam vinculados, isto é, com base em qual instrumento teria sido aferido o seu desenquadramento. Para ela, a mera indicação dos pagamentos autuados impediria a própria fiscalização de chegar à sua conclusão de irregularidade da PLR paga, pois sequer se teria cotejado os pagamentos com o seu lastro normativo. Alega que não há informação nos autos dos lançamentos de qualquer informação acerca da rubrica em que se inseririam os pagamentos autuados, ou qualquer outro dado que possibilitasse a identificação da natureza da verba autuada. Com o intuito de evidenciar a precariedade dos AI’s e o prejuízo acarretado à defesa, cita a relação de pagamentos efetuados à Sra. Beatriz Arruda Outeiro, apresentada no Relatório Fiscal: I) 02/2007 – R$ 11.500,00; II) 02/2007 – R$ 1.500,00; III) 02/2007 – (R$ 4.861,54); IV) 08/2007 – R$ 6.400,00; V) 10/2007 – R$ 900,00. Diz que com fulcro nesta informação a Fiscalização concluiu que teria efetuado 5 (cinco) pagamentos de PLR à Sra. Beatriz Arruda Outeiro, no ano de 2007, o que violaria a o periodicidade máxima prevista na Lei n.° 10.101/00. Mas que isto só não é suficiente para desfigurar todo os programas. Diz que não ocorreu os pagamentos na forma apontada pela Fiscalização. Mas, que assim foi apontado, porque precário o lançamento na forma realizada pelo Lançador. Pensa a Recorrente que o apontamento da forma genérica, como foi feito, criou um clima de instabilidade e dúvida quanto ao valor da pretensão fiscal que nem mesmo é possível verificar se as verbas autuadas se referem realmente a PLR. Fl. 1137DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 6 9 Enfim, lança críticas ao trabalho fiscal, tentando fazer com que ele seja desfigurado de sua exatidão na presente autuação, para que possa assim fulcrar o desejado intuído de ver ser considerado nulo o lançamento. Entretanto, diferentemente da Recorrente, penso que não merece, ao menos neste quesito, acolhimento à sua pretensão, isto porque não há nenhum prejuízo à defesa da forma como foi realizada a autuação que, ao contrário, foi cristalina e objetiva em seu Relatório, mormente às fls. 286 em diante onde identifica a origem dos valores considerados como base de cálculo das contribuições lançadas, que foram fulcrados por documentos da própria Recorrente. Veja trecho do Relatório: (...) 4. Dos Fatos Geradores (...) 4.3. Os valores apurados foram obtidos de dados constantes em planilhas, contendo os pagamentos por beneficiários (formato excel), fornecidas pela empresa ora notificada. Tais dados foram extraídos e confirmados a partir das folhas de pagamento e da contabilidade do sujeito passivo, entregues no formato de arquivos magnéticos com leiaute Manad, todos com autenticação pelo Sistema de Validação de Arquivos – SVA. 4.4 Esses valores encontramse demonstrados nos campos próprios do Relatório de Lançamentos – RL em anexo. (...) 5. Da Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados (...) 5.13 Verificase, portanto, a necessidade de serem analisadas as condições em que essa verba é ajustada e paga, para que se possa concluir se a mesma corresponde ou não à disciplina da Lei nº 10.101, excluída da tributação por força constitucional e da legislação previdenciária. 5.14 Para tanto vejamos a situação concreta em apreço. 5.1.14.1 A Participação nos Lucros ou Resultados do Banco ABN Amro Real S.A. (CNPJ 33.066.408/000115) cujos pagamentos ocorreram durante o exercício de 2007, é regida por diferentes instrumentos, quais sejam: (i) Plano Próprio de Participação nos Resultados – PPR celebrado entre o Grupo ABN Amro e a comissão de representantes dos empregados, em 11 de junho de 2001; e (ii) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2006 e 2007. Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 5.1.14.2 Por sua vez, a Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142) cujos pagamentos ocorreram durante o exercício de 2007, é regida pelos seguintes instrumentos: (i) Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados (PPR), celebrados entre a distribuidora, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito – CONTEC em 2006 e 2007; (ii) Programa Executivos – PEX em 2007; e (iii) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2006 e 2007. (...) 5.16 Analisaremos, num primeiro momento, os problemas específico encontrados, nos Acordos Coletivos e nos Programas Próprios e, a seguir, os problemas gerais que envolvem todos os instrumentos de negociação que deram origem à PLR, quais sejam Convenções Coletivas, Acordos Coletivos e Programas Próprios. (...) 5.105 Á guiza de conclusão, os pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados por intermédio de instrumentos de negociação que não apresentem os requisitos legais fazem com que as parcelas pagas estejam em desacordo com a lei específica, passando a integrar, portanto, o salário de contribuição... (...) Por outro lado, como alegou a Recorrente, urge dizer que a ausência de anexação, aos autos, da Relação de Pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados por Beneficiário não traz nenhum prejuízo à defesa, até porque não se está discutindo números e sim o próprio lançamento em si, comprovado de outras formas, através de outros documentos fornecidos pela própria Recorrente, e por ser documento seu não há como alegar desconhecimento. Quanto ao exemplo dado de uma funcionária, Srª Beatriz, referente aos cinco pagamentos, diz a Recorrente que neles havia pagamentos de PLR de 2006 e uma outra de antecipação, mas, não passou de mera alegação, pois não comprovou o alegado. Neste diapasão, mera alegação não serve nem mesmo para espancar este único exemplo. Seja como for, mesmo sendo antecipação não justifica a forma realizada, pois os pagamentos da forma realizada e localizada pela Autoridade Lançadora fere a legislação de regência: Lei n.º 10.101/2000 assim dispõe: Art. 3º (...) Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 7 11 (...) § 2º É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (...) Assim, imperioso é reconhecer que a autuação da forma que foi realizada nada impediu a parte defendente de exercer o seu direito sagrado de defesa, como alega, eis que seguiu todos os comandos legais e supriu toda dúvida quanto a demonstração de ilegalidade perpetrada pela Recorrente. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Diz a Recorrente que o seu sagrado direito de defesa foi ceifado diante da frágil fundamentação do lançamento e na medida em que não seria possível identificar, com exatidão, o objeto dos AI’s, e tão pouco o objeto da acusação. E, isto, é causa de nulidade, porque arrazoado está a inversão do ônus da prova, onde a Recorrente tem que demonstrar inocência. Entretanto, não vejo desta forma, eis que não se observa acusação desmetida e tão pouco desfundamentada, não havendo acusação sem prova e tão pouco exigência de demonstração de idoniedade. A Fiscalização esmerou em demonstrar a agressão à Lei 10.101/00, por parte da Recorrente, e, na dinâmica do ordenamento jurídico processual pátrio cabe a ela demonstrar a sua regularidade, ou motivação processual para sua nulidade e ou descaracterização. Os documentos fornecidos pela Recorrente embasou o Relatório Fiscal que não deixou dúvidas do lançamento e pedimos vênia para transcrever alguns trechos: (...) 4. Dos Fatos Geradores 4.1 Constituem fatos geradores das contribuições ora lançadas as remunerações aos segurados empregados a propósito de “Participação nos Lucros ou Resultados”, pagas em desacordo com a legislação específica, sobre as quais não foram recolhidas as devidas Contribuições Sociais. (...) 4.3. Os valores apurados foram obtidos de dados constantes em planilhas, contendo os pagamentos por beneficiários (formato excel), fornecidas pela empresa ora notificada. Tais dados foram extraídos e confirmados a partir das folhas de pagamento e da contabilidade do sujeito passivo, entregues no formato de arquivos magnéticos com leiaute Manad, todos com autenticação pelo Sistema de Validação de Arquivos – SVA. 4.4 Esses valores encontramse demonstrados nos campos próprios do Relatório de Lançamentos – RL em anexo. Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 12 (...) 5. Da Participação nos Lucros ou Resultados dos Empregados (...) 5.1.14.1 A Participação nos Lucros ou Resultados do Banco ABN Amro Real S.A. (CNPJ 33.066.408/000115) cujos pagamentos ocorreram durante o exercício de 2007, é regida por diferentes instrumentos, quais sejam: (i) Plano Próprio de Participação nos Resultados – PPR celebrado entre o Grupo ABN Amro e a comissão de representantes dos empregados, em 11 de junho de 2001; e (ii) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2006 e 2007. 5.1.14.2 Por sua vez, a Participação nos Lucros ou Resultados do Banco Santander Brasil S.A. (CNPJ 90.400.888/000142) cujos pagamentos ocorreram durante o exercício de 2007, é regida pelos seguintes instrumentos: (i) Acordos Coletivos de Trabalho do Programa da Participação nos Resultados (PPR), celebrados entre a distribuidora, a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro – CONTRAF e a Confederação Nacional dos Trabalhadores nas Empresas de Crédito – CONTEC em 2006 e 2007; (ii) Programa Executivos – PEX em 2007; e (iii) Convenções Coletivas de Trabalho (CCT) sobre Participação dos Empregados nos Lucros ou Resultados dos Bancos em 2006 e 2007. (...) 5.16 Analisaremos, num primeiro momento, os problemas específicos encontrados, nos Acordos Coletivos e nos Programas Próprios e, a seguir, os problemas gerais que envolvem todos os instrumentos de negociação que deram origem à PLR, quais sejam Convenções Coletivas, Acordos Coletivos e Programas Próprios. (...) 5.18 ... Acordo do Plano de Participação nos Resultados – PPR – do Grupo ABN AMRO... (...) 5.21 ... não ficou comprovado o poder de representação dos integrantes da comissão de representantes da empresa na celebração do plano de concessão de PLR assinado em 2001. (...) 5.26 ... não houve durante a auditoria a comprovação cabal de que a negociação teve o acompanhamento de um representante sindical, ainda mais devido ao fato do acordo não estar Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 8 13 devidamente registrado e arquivado no sindicato, o que lhe retira a possibilidade de adequação à legislação específica. (...) 5.37 No presente caso não há a presença nem de regras substantivas, nem de regras adjetivas. Não são fixadas as metas a serem atingidas para que haja conhecimento prévio por parte dos funcionários do esforço necessário para o recebimento da PLR, não é descrito o processo de avaliação e nem são apresentados os formulários que embasarão tal processo... (...) 5.55 Ao analisar as “reuniões/acordo” realizadas para os anos base de 2006 e 2007 observamos a falta de atendimento a diversos dos requisitos previstos na Lei nº 10.101/2000. Dentre eles podemos destacar a não comprovação dos poderes de representação dos representantes da empresa nessas negociações. 5.56 Além desse fato, vemos que todas as reuniões foram realizadas no decorrer do ano calendário a que se referem. Dessa forma, as negociações para aqueles anos específicos não foram prévias, impossibilitando o conhecimento dos empregados de seu teor anteriormente ao exercício corrente e desvirtuando o mandamento legal específico. Sendo assim, até o momento da realização das reuniões não poderia haver metas estabelecidas para o exercício. (...) 5.64 ... as reuniões em apreço deveriam trazer, clara e objetivamente, as regras subjetivas e adjetivas de participação, ou seja, dentre outros, as metas e os critérios de avaliação do plano de PLR, o que também não se encontra aqui... 5.65 ... não houve a comprovação da participação do representante sindical nas reuniões e negociações, bem como o registro e o arquivamento destas no Sindicato. (...) 5.67 ... Banco Santander Brasil S.A. ... “Programa Executivos”... 5.68 ... não consta qualquer assinatura, qualificação ou data de celebração no instrumento, não sendo possível, portanto, comprovar sequer que foi celebrado e quem foram as partes e seus representantes legais. 5.69 ... não foi comprovada a participação de um representante sindical nas negociações do “Programa Executivos”, nem que o instrumento de negociação esteja devidamente registrado e arquivado na competente entidade sindical. (...) Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 14 5.71 ... não apontando em momento algum as metas que deverão ser atingidas para que o empregado se torne beneficiário da participação. Falase em metas quantitativas e qualitativas e competências individuais, mas não se explica... (...) 5.75 ... Acordos Coletivos de Trabalho da Participação nos Resultados (PPR) do Banco Santander Brasil S.A. ... 5.76 ... foram assinados retroativamente ao início de seus anos base... (...) 5.79 Dessa forma, os instrumentos de acordo em tela não objetivaram incentivar a produtividade, uma vez que o resultado positivo já havia sido definido... (...) 5.85 Não se encontram nos acordos em tela regras claras e objetivas sobre as metas a serem atingidas para o benefício da participação... (...) 5.87 ... Convenções Coletivas de PLR, Acordos Coletivos de PLR e Programa Próprio de PLR. (...) 5.89 ... como pode ser observado, por amostragem, nos demonstrativos PLR Múltiplos Pagamentos 2007, em ambos os CNPJ... realizado, para o mesmo beneficiário, no mesmo ano civil, três e até quatro pagamentos de PLR. (...) 5.97 ... a empresa remunerou parte de seus funcionários em valores altíssimos na forma de PLR... 5.98 ... quando a suposta Participação nos Lucros ou Resultados paga pela empresa aos seus funcionários sobrepuja e é tão ou mais relevante do que o próprio salário contratado com a empresa, resta evidenciada a existência de substituição de parcela salarial. (...) 5.105 Á guiza de conclusão, os pagamentos de Participação nos Lucros ou Resultados por intermédio de instrumentos de negociação que não apresentem os requisitos legais fazem com que as parcelas pagas estejam em desacordo com a lei específica, passando a integrar, portanto, o salário de contribuição... (...) 6. Das Obrigações Acessórias Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 9 15 6.1 O sujeito passivo incorreu na infração ao art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10 de dezembro de 1997, combinado com art. 225, IV, § 4º do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999, por ter deixado de informar na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP... os valores relativos à remuneração paga aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados – PLR, em desacordo com lei específica... (...) Assim, como acima muito bem explicitado por trechos do Relatório Fiscal, vêse que o Relatório Fiscal não retira do Recorrente a sua presunção de inocência, mas, ao contrário, demonstra através de documentos dela que houve infração legal. MÉRITO DO ENQUADRAMENTO DA PLR PAGA PELO BANCO ABN Diz a Recorrente que a PLR paga pelo Banco ABN com base no PPR ABN, a fiscalização teria alegado que não teria sido comprovada a legitimidade dos representantes da empresa signatários do referido acordo, quais sejam, os Srs. Fabio Colleti Barbosa, Lílian Maria F. Guimarães, Nelson Pasini, Pedro Paulo Longuini e Valério João Mugnol, pelo que tal plano estaria em desacordo com os requisitos estabelecidos na Lei n.° 10.101/00. Diz que a legislação de regência não determina e tão pouco explicita qual o tipo de exigência em relação ao tipo de representação da empresa. De mais a mais, segundo a Recorrente o Sr. Fabio Colleti Barbosa era presidente do Banco ABN desde 1998, e seus poderes de representação para firmar o PPR ABN seriam inquestionáveis Segundo a Recorrente a comissão de representantes da empresa era formada por pessoas com plenos poderes para representála e que todos os representantes escolhidos eram gerentes, ao menos, com capacidade inquestionável ara a assunção dos ônus decorrentes das condições discutidas pela comissão de representantes. Destaca que todos os representantes eleitos por ela não apenas detinham cargos hierarquicamente iguais ou superiores a gerência, como também eram ligados a áreas dentro da sua estrutura organizacional diretamente relacionadas ao pagamento e cumprimento das obrigações assumidas no PPR, fato este desconsiderado pela fiscalização e que infirmaria por completo a motivação apontada em seu relatório. E conclui que restaria afastada a alegação do suposto vício de representatividade e demonstrada a legitimidade do PPR ABN nesse aspecto, pelo que deveria ser reconhecida a improcedência da autuação em questão. Todavia, admitir tal comportamento é como realizar um contrato de compra e venda sem que seja qualificada as partes. Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 16 De mais a mais, se não fosse assaz a ausência de qualificação dos representantes, há ausência do representante sindical que desnuda todo o programa. E, neste sentido, nem se diga que o carimbo ou cópia de carimbo aposto no presente recurso serve para comprovar a efetiva participação do sindicato. Não houve dita participação, ao menos para este Julgador. Sem razão. DA EXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS. A Recorrente considera injusta a alegação Fiscal de inexistência de regras claras e objetivas, isto porque a cláusula quarta do programa de PLR previa que o plano de participação nos resultados seria aferido de acordo com o lucro líquido publicado no balanço patrimonial anual, a avaliação quantitativa e qualitativa do desempenho do empregado e o alcance de metas préestabelecidas para sua área e a área hierarquicamente superior a sua. Entretanto, destaco, não dá para entendermos que a mencionada cláusula é suficiente para determinar regras claras e objetivas, até porque inexiste percentual a ser pago pelo empregador ao empregado, de acordo com o lucro, sendo que a estipulação de tal percentual caracterizaria um critério, atendendo, portanto, ao menos um dos requisitos previstos na legislação aplicável. Mas, não é só, eis que somandose ao argumento anterior o direito substantivo referese a normas que calculam o valor e a regra adjetiva está relacionada ao procedimento, ou seja, o modo como é demonstrado. Dessa forma, quando o direito substantivo for baseado no resultado, há necessidade de estabelecimento de metas, e na hipótese do direito substantivo exigir apenas o lucro, não é necessária a estipulação de metas. Mas há de se definir se o PLR está tão somente arraigado no lucro e ou no resultado, ou nos dois, o que não ficou bem claro no plano apresentado, corroborado pela peça recursiva que fala, momento num e momento noutro. Sem razão a Recorrente. DO ENQUADRAMENTO DA PLR PAGA PELO BANCO SANTANDER DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR NOS PPR'S Na peça acusatória a Fiscalização considerou que os pagamentos de PLR planos próprios dos Bancos Santander e ABN, em verdade, consistia em remuneração disfarçada, em razão da discrepância dos valores pagos a diferentes empregados. Recorrendose a legislação de regência não encontramos nenhum óbice para que ocorra diferentes pagamentos a diferentes empregados, ainda que não represente um mesmo percentual. Devemos considerar que os planos e as metas podem ser diferenciadas, o que não causaria nenhuma anomalia ao PLR, por que não impedido na legislação, eis que, tendo em vista que as metas atribuídas aos funcionários, gerentes e a alta administração não seriam iguais, bem como houve pagamentos apenas para determinados empregados. O Contribuinte, em seu recurso, alegou que os acordos coletivos de PLR possuem regras claras e objetivas, que todos os requisitos da Lei nº 10.101/2000 foram Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 10 17 devidamente cumpridos, uma vez que pactuou previamente com os funcionários as metas necessárias aos pagamentos a título de PLR. Compulsando os autos, quanto as regras claras já posicionei, mas quanto a diferença de percentual afetaria a isonomia, como diz a Fiscalização, pareceme excesso de zelo ou interpretação, como alhures dito, não há na lei nada que não permita tal diferenciação. Em verdade há de sertido que o CARF vem reconhecendo a possibilidade de distinção de tratamento entre os funcionários no que diz respeito ao PLR, desde que ela esteja expressamente prevista no instrumento de negociação da PLR, evitando que a natureza do pagamento seja desqualificada Vejo com razão a REcorrente, neste quesito. DA IMPOSSIBILIDADE DE DESCONSIDERAR TOTALMENTE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PLR Alternativamente, em caso de desconsiderar completamente as argumentações sustentadas até então, caso sejam mantidos os lançamentos executados nos AI’s, requer a Recorrente que não sejam desconsiderados completamente os pagamentos realizados no PLR. Requer que seja excluído do lançamento os pagamentos efetuados no PLR que teve origem na CCT. Neste diapasão, sustenta que o PLR originário da CCT 2006/2007 não foi questionado pela Autoridade Lançadora, razão pela qual o mesmo deverá ser reconhecido como válido e, portanto, excluído da base de cálculo os pagamentos por ele realizado. Seguindo a inteligência da tese defensiva e compulsando atentamente os autos, sobretudo o Relatório Fiscal, vejo que o PLR que teve nascedouro na CCT não foi, de fato, hostilizado pela Fiscalização. E, levando ainda em consideração o fato de que todos PLR’s que têm origem em Convenção Coletiva de Trabalho do setor bancário visa, em regra, somente o lucro. E, considerando ainda que, no caso em tela o lucro foi demonstrado, não vejo como desconsiderar este instrumento. Por outro lado a Decisão de piso alega que todos instrumentos estavam incorretos, contrário a lei de regência, sobretudo porque havia mais de um pagamento no mesmo exercício. Veja: (...) Cabe, aqui, ressaltar que a fiscalização agiu corretamente ao efetuar o lançamento sobre a totalidade dos pagamentos realizados a título de PLR, uma vez tendo sido encontrados problemas envolvendo todos os instrumentos de negociação – quais sejam Convenções Coletivas de PLR, Acordos Coletivos de PLR e Programa Próprio de PLR – como informado no Relatório Fiscal, de fls. 286 a 315, entre os quais se pode destacar o desrespeito ao disposto no artigo 3º, parágrafo 2º da Lei n.° 10.101/00, tendo sido realizado, para o mesmo beneficiário, no mesmo ano civil, três e até quatro pagamentos de PLR, conforme demonstrativo PLR Múltiplos Pagamentos 2007. Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 18 (...) Compulsando os autos observei que, quanto a PLR oriunda de CCT, o que recai sobre ela é pagamentos no mesmo semestre, mas, por certo em função de haver mais de dos programas em ação no período autuado. Como não está demonstrado nos autos que a existência de mais de um pagamento no mesmo exercício é oriundo de um mesmo plano, penso que não há de ser desconsiderado o PLR nascido da CCT. Também penso que não há de considerar nos PLR's ausência de isonomia nos pagamentos relativos ao pagamento da verba PLR, no plano específico da Recorrente, eis que não há nos autos demonstração cabal que a mesma não tenha observado isonomia no PPR. Com razão a Recorrente. AUSÊNCIA DO SINDICATO Perfunctoriamente o assunto já foi espancado por este julgador, mas, entretanto, por ser questão fundamental para deslinde da causa, urge tratar com um pouco mais de especificidade. E, considerando também que no afã de fazer imperar os argumentos justificativos para impedir o lançamento, não poderia esquecer a Recorrente que a participação sindical da categoria é condição sem a qual não se realiza o PLR. Nesta seara tenho que o PLR próprio que não socorre a participação do sindicato deverá ser desconsiderado, compondo a base de cálculo do lançamento, eis que, como dizem os latinos, 'na clareza da lei cessa sua interpretação'. "Vide' artigo 2º da Lei nº 10.101/00, 'in verbis': Art.2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (GN) II convenção ou acordo coletivo Assim, aquela PLR que não atende o supramencionado dispositivo de lei, há de compor a base de cálculo do lançamento. NECESSIDADE DE EXCLUIR AS MULTAS SOBRE OS DÉBITOS RELACIONADOS AO BANCO ABN – LANÇAMENTOS POSTERIORES Á INCORPORAÇÃO. Alega a Recorrente, ‘ad argumentandun tantum’, que embora seja responsável pela dívida da responsabilidade principal do Banco ABN, pela sucessão, assim não é quanto a responsabilidade acessória do lançamento. Isto porque o artigo 129 do CTN reza que somente é possível de sucessão de dívidas das obrigações tributárias principais, eis que estas são préexistentes ao ato da sucessão ou em curso de constituição no mesmo momento. Assim, prossegue, nos casos em que não tenha ocorrido o recolhimento de imposto e ou realizado em valor menor, o lançamento posterior à data do ato de sucessão não Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 11 19 ilide a sucessão do tributo, eis que a obrigação principal nasce com a ocorrência do fato gerador. Mas, da mesma forma não é com relação à multa ‘ex officio’, que na hipótese de lançamento posterior ao ato da sucessão, a obrigação não existia antes, ou seja, ela nasce com o ato administrativo no lançamento. O Código Tributário Nacional, quanto trata da obrigação tributária e da responsabilidade dos sucessores nos informa: Obrigação Tributária CAPÍTULO I Disposições Gerais Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. (GN) § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. (...) CAPÍTULO V Responsabilidade Tributária (...) SEÇÃO II Responsabilidade dos Sucessores Art. 129. O disposto nesta Seção aplicase por igual aos créditos tributários definitivamente constituídos ou em curso de constituição à data dos atos nela referidos, e aos constituídos posteriormente aos mesmos atos, desde que relativos a obrigações tributárias surgidas até a referida data.(GN) (...) Art. 132. A pessoa jurídica de direito privado que resultar de fusão, transformação ou incorporação de outra ou em outra é responsável pelos tributos devidos até à data do ato pelas pessoas jurídicas de direito privado fusionadas, transformadas ou incorporadas. (GN) Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 20 Como dizem os latinos, na clareza da lei, cessa sua interpretação. Mas, locupletando, da leitura dos dispositivos acima, penso que todos os créditos decorrentes de obrigações tributárias préexistentes à sucessão que não foram adimplidas pela sucedida, incorporam ao patrimônio negativo da sucessora, mesmo as multas que é uma obrigação acessória, porque, como dito pelo dispositivo, ‘as obrigações acessórias transformamse em principal’. Sem razão. DA ALEGAÇÃO DA NECESSÁRIA EXCLUSÃO DA PENALIDADE POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: Alega a Recorrente que não descumpriu a obrigação acessória consubstanciado na ausência de declaração de débitos que entendia serem indevidos, razão pela qual não lhe há de ser cobrado multa, na forma com que foi feito. Reza o artigo 32, IV, § 5º da Lei nº 8.212/91: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social/INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Incluído pela Lei 9.528, de 10.12.97) (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo incluído pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Como dito no Relatório Fiscal a Recorrente agrediu o mencionado dispositivo de lei, bem como o artigo 225, inciso IV e parágrafo 4º do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06/05/1999. ‘Vide’: Art. 225. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; (...) § 4º O preenchimento, as informações prestadas e a entrega da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social são de inteira responsabilidade da empresa. Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 12 21 (...) Desta forma, não olvidemos que está caracterizado o descumprimento da obrigação acessória, impondo à Fiscalização o imperioso lançamento, sob pena de responder por crime de responsabilidade funcional, por ser sua obrigação, haja vista que a Recorrente não apresentou em GFIP o recolhimento relativo ao período autuado, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, tendo deixado de informar os valores relativos à remuneração paga aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), em desacordo com a legislação específica Desta feita, há de se reconhecer o direito do contribuinte à redução da multa incidente pelo não recolhimento da contribuição previdenciária para 20%, sendo a mesma aplicável a todos os períodos, uma vez que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias, devem seguir o princípio da retroatividade da lei mais benéfica ao contribuinte, com previsão legal no artigo 106, inciso II, "c" do CTN, reduzindose o valor da multa aplicada para o percentual de 20%, por aplicação retroativa da Lei nº 9.430/96. O art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional prevê expressamente que a lei nova possa reger fatos geradores pretéritos, desde que se trate de ato não definitivamente julgado, por aplicação do princípio da retroatividade benéfica. Sendo assim, mister que tenhamos em mente que enquanto não preclusa a oportunidade para a oposição algum remédio processual e ou se estes não tiverem transitado em julgado, possível será a aplicação do dispositivo supramencionado, uma vez que não há nada definido juridicamente, ou seja, não há trânsito em julgado. De mais a mais, na lei não há distinção da multa moratória e a punitiva, e por isto mesmo o contribuinte faz jus à incidência da multa moratória mais benéfica, sendo cabível a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96, desde que, como alhures dito, o ato não se encontre definitivamente julgado, como é o caso em tela. Este pensar, da mesma forma vêm se posicionando nossos Tribunais, in verbis’: "PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. COFINS. DCTF. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INTIMAÇÃO DA JUNTADA DO PROCESSO ADMINISTRATIVO E PROVA PERICIAL INDEFERIDA. MULTA MORATÓRIA. REDUÇÃO. APLICAÇÃO DO ART. 61, DA LEI Nº 9.430/96 A FATOS GERADORES ANTERIORES A 1997. POSSIBILIDADE. RETROATIVIDADE DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA. ART. 106, DO CTN. TAXA SELIC. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DECRETOLEI Nº 1.025/69. .... O Código Tributário Nacional, por ter natureza de lei complementar, prevalece sobre lei ordinária, facultando ao contribuinte, com base no art. 106, do referido diploma, a incidência da multa moratória mais benéfica, com a aplicação retroativa do art. 61, da Lei nº 9.430/96 a fatos anteriores a 1997. ... Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 22 (STJ, REsp 653645/SC, 2a T., Rel. Min. Eliana Calmon, D.J 21/11/2005)" "EXECUÇÃO FISCAL. REDUÇÃO DE MULTA EM FACE DO DEL 2.471/1988. ART. 106, II, "c", CTN. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA AO CONTRIBUINTE. POSSIBILIDADE. 1. O ART. 106, do CTN admite a retroatividade, em favor do contribuinte da lei mais benigna, nos casos não definitivamente julgados. Sobrevindo, no curso da execução fiscal, o DL 2.471/1988, que reduziu a multa moratória de 100% para 20% e, sendo possível a reestruturação do cálculo de liquidação, é possível a aplicação da lei mais benigna, sem ofensa aos princípios gerais do direito tributária. Na execução fiscal, as decisões finais correspondem as fases de arrematação, da adjudicação ou remição, ainda não oportunizados, ou, de outra feita, com a extinção do processo, nos termos do art. 794, do CPC. (STJ, REsp 94511/PR, 1a T., Rel. Min. Demócrito Reinaldo, D.J.: 25/11/1996)" Assim, para valer a regra da retroatividade benéfica da lei, estampada no artigo 106 II, C do Código Tributário Nacional, no caso em tela a multa a ser aplicada é aquela que se encontra no artigo 61 da Lei 9.430/1996, que reza: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Então, neste aspecto, penso que há de se impor a multa estampada no artigo 61 da Lei 9.430/96. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço para DARLHE PROVIMENTO EM PARTE, i) para aplicar a multa mais benéfica conforme determina o CTN no disposto no Artigo 106, II, C, aplicandoselhe a multa do artigo 61 da Lei nº 9.430/96; ii) para excluir da base de cálculo os valores pagos de PLR cujo programa tenha sido oriundo da Convenção Coletiva de Fl. 1151DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.721498/201247 Acórdão n.º 2301004.315 S2C3T1 Fl. 13 23 Trabalho, ou seja, com a participação do sindicato da categoria; iii) excluir do motivo de lançamento a ausência de isonomia em pagamento de PLR. É como Voto. WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Relator (assinado digitalmente) Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess, Redator designado Peço licença ao nobre relator para divergir quanto ao critério a ser utilizado para aplicar, em relação à multa, a retroatividade benigna do art. 106, inciso II, alínea "c", da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, que veicula o Código Tributário Nacional (CTN). 2. Em face às alterações promovidas na Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, pela Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, há que se verificar, em matéria de penalidade relacionada a infrações anteriores a 12/2008, a situação mais favorável ao sujeito passivo. 3. Sob a égide da legislação vigente à época da autuação, a não apresentação ou apresentação com incorreções da Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), independentemente da existência ou não de tributo a recolher, resultava em imposição de multa com fundamento no art. 32, inciso IV, e §§ 4º a 6º, da Lei nº 8.212, de 1991. Penalidade, portanto, relativa ao descumprimento de obrigação acessória. 4. Na hipótese de se verificar na ação fiscal, além do descumprimento de obrigação acessória, a falta de recolhimento das contribuições previdenciárias, ainda havia o lançamento do crédito tributário, com aplicação da multa então prevista no art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, cuja natureza vinculavase ao descumprimento de obrigação principal. 5. A MP nº 449, de 2008, introduziu uma nova sistemática de multas. A penalidade por incorreção ou omissão nas informações na GFIP passou a ser tratada, em substituição ao art. 32, §§ 4º a 6º, no art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991. 6. Por sua vez, o art. 35A trouxe para o contexto da legislação previdenciária a multa do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na hipótese de lançamento de ofício das contribuições previdenciárias, isto é, quando do descumprimento de obrigação principal (não recolher tributo): Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 7. De sorte que o art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, ao estabelecer um percentual fixo de multa de 75% (setenta e cinco por cento), em seu inciso I, sobre o valor da contribuição não declarada, impõe uma única multa tanto para a conduta do não recolhimento Fl. 1152DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA 24 das contribuições previdenciárias, quanto para a falta de GFIP ou sua apresentação deficiente em relação a essas mesmas contribuições. Transcrevo a literalidade do art. 44, inciso I: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (grifei) (...) 8. É de verse que na legislação atual, verificado simultaneamente o descumprimento de obrigação principal e acessória relacionadas às contribuições previdenciárias (não recolher, falta de declaração e/ou declarar com incorreções/omissões), haverá a incidência de apenas uma penalidade, qual seja a multa de ofício do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, introduzida por força do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, 9. Por conseguinte, para se verificar a situação mais benéfica ao sujeito passivo, no caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos antes de 12/2008, há que se realizar, por competência, a seguinte comparação de penalidades entre mesmas contribuições: a) legislação anterior: somatório da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (obrigação principal), e das multas aplicadas na forma do art. 32, §§ 4º a 6º, da mesma Lei (obrigação acessória); b) legislação atual: multa de ofício de 75% prevista no art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, e introduzida pela MP nº 449, de 2008, sem qualquer limitação. 10. Em outras palavras, no que tange às penalidades impostas na ação fiscal, deverá ser verificado, por competência, o cálculo mais benéfico à recorrente, mediante comparação: a) legislação anterior: multa de mora (não recolher) + multa por não declarar (CFL 67) ou multa por declarar com omissão/incorreção (CFL 68/69); b) legislação atual: multa de ofício de 75% (não recolher, não declarar e/ou declarar com omissões/incorreções). CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso quanto à aplicação da multa de ofício, a fim de que se verifique, na execução do julgado, para efeitos da retroatividade benigna, a situação mais favorável ao sujeito passivo: a) penalidades impostas sob a égide da legislação anterior (autuações por descumprimento de obrigação acessória falta de declaração e nos de declaração inexata e por descumprimento da obrigação principal), ou b) penalidade determinada atualmente pelo art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991 (multa de ofício de 75%). É como voto. (Assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1153DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/04/2015 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 22/04/201 5 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 24/04/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10746.000094/2007-31
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 13 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
DECISÃO DEFINITIVA
É definitiva a decisão de primeira instância quando esgotado o prazo para o recurso voluntário sem que este tenha sido interposto.
Numero da decisão: 1803-002.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Redatora Designada Ad Hoc e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Redatora Designada Ad Hoc e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Walter Adolfo Maresch, Meigan Sack Rodrigues, Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração, fl. 13, com a exigência dos créditos tributários no valor de R$6.522,90 a título de multa de ofício isolada por atraso na entrega em 25.10.2005 da Declaração de Imposto Retido na Fonte (DIRF) do anocalendário de 2004, cujo prazo final era 28.02.2005. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 74 6. 00 00 94 /2 00 7- 31 Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10746.000094/200731 Acórdão n.º 1803002.176 S1TE03 Fl. 72 2 Consta na Descrição dos Fatos e Fundamentação Legal: Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte Dirf fora do prazo fixado na legislação, enseja a aplicação de multa correspondente do 2% (dois por cento) sobre o montante do Imposto de Renda e Contribuições retidos na Fonte informado na Dirf, por mêscalendário ou fração, respeitados o percentual máximo de 20% e o valor mínimo de R$200,00, em se tratando de pessoa física ou pessoa jurídica optante paio Simples e R$500,00 para os demais.casos. A multa cabível foi reduzida em cinqüenta por cento em virtude da entrega espontânea da declaração, exceto no caso da multa aplicada por sido a mínima. Fundamentação: Art. 113, § 3º_ e art. 160 da Lei na 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN); art.11 do DecretoLei nº 1.965, de 23 de novembro de 1982, com redação dada pelo art. 10 do DecretoLei nº 2.025, de 26 de outubro de 1983: art. 30 da Lei na. 9.249, de 25 de dezembro de 1S35: art. 7º da Lei nº 10.426, de 24 de abril de 2002 o instrução Normativa SRF nº 197, de 10 de setembro de 2002. INTIMAÇÃO O contribuinte acima identificado fica INTIMADO a recolher ou impugnar, no prazo de 30 dias contados da ciência deste Auto de Infração, o presente crédito tributário. A impugnação deve ser dirigida .ao Delegado da Receita Federal de Julgamento e protocolizada na unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição, conforme disposto nos art. os, 15. 16, 17 e 23 do Decreto no. 70.235 de 06 de março de 1972, com as alterações introduzidas palas Leis no S.74S de 09 de dezembro de 1993 e Lei no 9.532 de 10 de dezembro de 1997: Até o vencimento desta notificação, serão concedidas reduções de 50% para pagamento à vista e 40% para os pedidos de parcelamento formalizados]neste prazo (artigo da Lei 8.218. de 29 de agosto da 1981). Cientificada, a Recorrente apresentou a impugnação, fls. 0312, com as alegações a seguir transcritas: I TEMPESTIVIDADE. O prazo para oferecimento de recurso administrativo é de 30 (vinte) dias, contados da ciência do auto de infração. Desta forma, verificando a data da ciência do notificado, vislumbrase que o presente recurso administrativo está sendo manejado tempestivamente. II DOS FATOS Versam os presentes autos de auto de infração, lavrado pela Secretaria da Receita Federal, onde aplica multa ao Município de Lagoa da Confusão/TO, em razão da não entrega da Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, referente ao Ano Calendário de 2004, ou seja, da gestão de 20012004. Pois bem Excelência, a multa em destaque não pode prosperar. Se não vejamos: Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10746.000094/200731 Acórdão n.º 1803002.176 S1TE03 Fl. 73 3 III RAZÕES DO RECURSO 3.1 DA REALIDADE FÁTICA DO MUNICÍPIO DE LAGOA DA CONFUSÃO É público e notório em todo o Estado do Tocantins, inclusive já batendo às portas do Poder Judiciário, os problemas vivenciados pelo Município da Lagoa da Confusão/TO, ante as irresponsabilidades praticadas na gestão do exprefeito (2001/2004) Mauro Ivan Ramos Rodrigues. Não é demais relatar a esse Juízo a situação em que o ora Demandado deparouse ao assumir o comando do Poder Executivo Municipal: o Município encontrase inadimplente perante todos os órgãos federais e estaduais; o patrimônio público municipal encontrase todo sucateado, inexistindo sequer ônibus escolar para transporte de alunos, em estado mínimo de segurança; não existem remédios no Hospital do Município, sequer para o atendimento das demandas urgentes; a folha salarial está a mais de 5 (meses), em sua maioria, atrasada; os débitos com energia elétrica, telefone e água, suplantam os R$ 200.000,00 (duzentos mil) reais; a cidade esta depredada, com buracos e lixo espalhados pelas ruas, possibilitando até mesmo a contaminação da população; não há quaisquer documentos na sede da Prefeitura Municipal, inexistindo os balancetes do exercício de 2004, fato que .inclusive comandou uma ação de busca e apreensão, sendo que já fora, providenciada, a notificação judicial do exgestor e seus contadores para que tomem a documentação apreendida e efetue as contas de sua administração etc, Pois bem Doutor, dentre os mais graves problemas enfrentados pelo Município, está o afeto a ausência das devidas prestações de contas perante o Tribunal de Contas do Estado do Tocantins, bem como nos demais órgãos, entre eles, esta Secretaria, o qual o antigo gerente deixou de apresentar a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF do ano Calendário 2004. Diante de tal situação fora interposta, uma ação de obrigação de fazer em face do exprefeito, visando transferir à responsabilidade de tal desiderato a pessoa física daquele, eis que o único capaz de efetuar tal desiderato. Nesse processo, o MM. Juiz Dr. Agenor Alexandre da Silva, em sede liminar, concedeu a medida de urgência, determinando ao Sr. Mauro Ivan Ramos Rodrigues que efetuasse as contas em gênese. Nessa oportunidade, acostase a esses autos cópia da ação e da liminar concedida. A ausência da prestação de contas deu ensejo a negativa da certidão no Tribunal de Contas, assim como a falta de Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte do ano de 2004 torna o Município inadimplente perante este órgão, bem como inviabiliza de realizar qualquer operação, e ainda sendo réu de diversos autos de infração, pagando multas por algo de responsabilidade exclusiva da administração anterior, conforme entendimento do judiciário. 3.2 DA IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAR A DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DO ANO CALENDÁRIO 2004. LEGITIMIDADE DA GESTÃO ATUAL. Conforme demonstrado, então, Excelência, o Município continua sendo penalizado pela má gestão praticada pelo exgestor. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10746.000094/200731 Acórdão n.º 1803002.176 S1TE03 Fl. 74 4 Obtemperase, que se tratando do dever de prestar contas, cabe, inicialmente, verificar como tal obrigação está preceituada no ordenamento jurídico. Diz o artigo 84, XXIV, da Constituição Federal que "compete privativamente ao Presidente da República prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior"'. Continua o artigo 165, parágrafo 3o, da Constituição Federal: "§ 3o. O Poder Executivo publicará, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatório resumido da execução orçamentária ". Por simetria, tal obrigação estendese ao Governador do Estado (Constituição Estadual art. 40, VI) e aos Prefeitos Municipais (aplicação por simetria) . Portanto, quem presta contas é o Presidente da República, o Governador do Estado, o Prefeito Municipal, e não, a União, o Estado ou o Município. [...] Assim sendo, vêse que o dever de prestar é da pessoa física do Prefeito e, no caso trazido à baila, portanto, DO EXPREFEITO, ora Requerido, em vista da prestação das contas relativas ao convênio com o Estado do Tocantins, através de sua Secretaria do Trabalho e Ação Social, dos anos de 2003 e 2004. Nesse caso, o Prefeito age em nome próprio, e não em nome do Município. Tal obrigação é ex lege. 0 povo, q ^e outorgou mandato ao Prefeito para gerir seus recursos, exige do Prefeito através de norma editada pelos seus representantes a prestação de contas. É obrigação personalíssima (intuitu personae), que só o.devedor pode efetivar, não se podendo admitir que tal prestação seja executada através de interposta pessoa {procurador, preposto, substituto etc.) . Registrese, por último, os efeitos da não apresentação das contas devidas pelo Prefeito. É ato de improbidade administrativa, nos termos do artigo 11 da Lei 842 9/92 : "Art. 11. Constitui ato de improbidade administrativa que atenta contra os princípios da administração pública qualquer ação ou omissão que viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade e lealdade às instituições, e notadamente: (...)VI deixar de prestar contas quando esteja obrigado a fazêlo"} ficando o responsável sujeito às seguintes cominações: ressarcimento integral do dano, se houver; perda da função pública; suspensão dos direitos políticos de três a cinco anos; pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente; e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, pelo prazo de três anos (Lei n° 8.429, artigos 11, VI, e 12, III). É crime comum, sujeito ao julgamento do Poder Judiciário, independentemente do pronunciamento da Câmara de Vereadores, estando o inadimplente passível de pena de detenção de três meses a três anos, além da perda da inabilitação, pelo prazo de cinco anos, para o exercício de cargo ou função pública, eletivo ou de nomeação, sem prejuízo da reparação civil do dano causado ao patrimônio público ou particular [...] Ressaltese que o Município, em razão da ausência de prestação de contas do mandato 2001/2004, ingressou com ação judicial de obrigação de fazer, em desfavor do ex prefeito, na qual foi proferida decisão liminar determinando que o ex gestor preste as contas de seu mandato (2001/2004). Nesse contexto, o Requerido fora surpreendido pela intimação nesse processo, posto que o Judiciário já se posicionou acerca da matéria, conferindo única e exclusiva responsabilidade do Sr. Mauro Ivan Ramos Rodrigues sobre as contas e qualquer que fosse as declarações referente ao período de seu mandato. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10746.000094/200731 Acórdão n.º 1803002.176 S1TE03 Fl. 75 5 Excelência, s.m.j, as obrigações decorrentes da prestação de contas, conjugadas a legislação federal e estadual, desaguam na exclusiva responsabilidade do Chefe do Poder Executivo. Nesse prisma, sendo as declarações relativas a exercícios anteriores, somente ao respectivo Prefeito incumbe. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Ante o exposto, o auto de infração, ora embatido, não pode prospera, por ilegitimidade da parte autuada, haja vista que são declarações pertinentes da gestão anterior, sendo, portanto de única e exclusiva responsabilidade do Exprefeito Mauro Ivan Ramos Rodrigues. Requer assim, a sua anulação e posterior arquivamento do processo administrativo. IV. DOS PEDIDOS Ante ao exposto despiciendas maiores digressões, requer: a) A anulação do auto de infração n 657063335, em razão da ilegitimidade passiva. b) Em conseqüência, seja determinada a improcedência/arquivamento do procedimento. c) Se necessária a instrução do feito, requer a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, especialmente a oitiva de testemunhas, perícia técnica, juntada de documentos novos. Está registrado como ementa do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/BSA/DF nº 03 38.601, de 12.08.2010, fls. 4851: Assunto: Obrigações Acessórias Anocalendário: 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestiva, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. As multas previstas em lei são aplicáveis às pessoas jurídicas de direito público. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 25.02.2011, fl. 56, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 05.04.2011, fls. 5763, suscitando que Em sede de impugnação o Município de Lagoa da Confusão alegou as dificuldades encontradas após a gestão do exprefeito (20012004) , dentre elas a ausência de prestações de contas perante o TCE, os diversos compromissos Fl. 75DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10746.000094/200731 Acórdão n.º 1803002.176 S1TE03 Fl. 76 6 financeiros inadimplentes, o sucateamento do patrimônio público, bem como s inexistência de documentos na sede da Prefeitura, tornando impassível ao atual gestor conhecimento da situação econômica do Município. É importante ressaltar que o Município ingressou com ação judicial de obrigação de fazer em desfavor do exprefeito, sendo proferida liminar determinando que o exgestor preste as contas do seu mandato. ' Desta feita, em razão do dever de prestar contas ser exclusivamente da pessoa física do prefeito (no caso, o exgestor) e ratificado pela liminar supra mencionada não deve prevalecer o auto de infração em epigrafe. Após apresentação da peça impugnatória, os autos foram conclusos para julgamento. Logo após, adveio sentença que julgou procedente o Auto de Infração ora atacada. Inconformado, o Município de Lagoa da Confusão apresenta nesta oportunidade o Recurso em tela. II DAS RAZÕES RECURSAIS A prestação de contas da Administração é principio constitucional (art. 31, §§ 1º, 2ª e 3º da Constituição) O ponto de partida para a compreensão do problema é o exame do artigo 70, parágrafo único, da Constituição Federal, expresso nos seguintes termos: "Prestará contas qualquer pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre dinheiros, bens e valores públicos ou pelos quais a União redonda, ou que, em nome desta, assuma obrigações de natureza pecuniária ". Como se vê, a prestação de contas pode ser exigida de pessoa física ou jurídica, dependendo de como é constituída a relação jurídica entre devedor e credor da obrigação de prestar contas. Tratandose do dever de prestar, cabe, inicialmente, verificar como tal obrigação está preceituada no ordenamento jurídico. Diz o artigo 84, XXIV, da Constituição Federal que "compete privativamente ao Presidente da República prestar, anualmente, ao Congresso Nacional, dentro de sessenta dias após a abertura da sessão legislativa, as contas referentes ao exercício anterior". Continua o artigo 165, parágrafo 3o, da Constituição Federal: n§ 3o. O Poder Executivo publicará, até trinta dias após o encerramento de cada bimestre, relatório resumido da execução orçamentária". Por simetria, tal obrigação estendese ao Governador do Estado (Constituição Estadual art. 40, VI) e aos Prefeitos Municipais (aplicação por simetria). Portanto, quem presta contas é o Presidente da República, o Governador do Estado, o Prefeito Municipal, e não, a União, o Estado ou o Município. [...] Assim sendo, vêse que o dever de prestar é da pessoa física do Prefeito e, no caso trazido à baila, portanto, DO EXPREFEITO, em vista da prestação das contas relativas ao convênio com a União no ano de 2002. Nesse caso, o Prefeito age em nome próprio, e não em nome do Município. Tal obrigação é ex lege. 0 povo, que outorgou mandato ao Prefeito para gerir seus recursos, exige do Prefeito através de norma editada pelos seus representantes a prestação de contas. É obrigação personalíssima (intuitu personae), que só o devedor Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10746.000094/200731 Acórdão n.º 1803002.176 S1TE03 Fl. 77 7 pode efetivar, não se podendo admitir que tal prestação seja executada através de interposta pessoa (procurador, preposto, substituto etc). Registrese, por último, os efeitos da não apresentação das contas devidas pelo Prefeito. É ato de improbidade administrativa, nos termos do artigo 11 da Lei 8.429/92. [...] Nestes termos, fica o responsável sujeito às seguintes cominações: ressarcimento integral do dano, se houver; perda da função pública; suspensão dos direitos [...] de três a cinco anos; pagamento de multa civil de até cem vezes o valor da remuneração percebida pelo agente; e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, pelo prazo de três anos (Lei n° 8.429, artigos 11, VI, e 12, III). Desta feita, o presente auto de infração tem como objeto a não prestação de contas do Imposto de Renda Retido na Fonte do antigo gestor, ainda em 2004. Não pode ser responsabilizado, nem penalizado o Município recorrente por atos irresponsáveis dos seus exprefeitos. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. De ordem, por designação como redatora ad hoc, cabe formalizar a presente decisão, dado que o relator original não mais compõe o colegiado, nos termos art. 17 e do art. 18, ambos do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Está registrada na Ata da Reunião de Julgamento formalizada no processo nº 15169.000109/201162: Aos seis dias do mês de maio do ano de dois mil e quatorze, às nove horas, no Setor Comercial Sul, Quadra 01, Edifício Alvorada, 3º Andar, 306 Sala, em Brasília Distrito Federal , reuniramse os membros da 3ªTE/4ªCÂMARA/1ªSEJUL/CARF/MF/DF, estando presentes CARMEN FERREIRA SARAIVA (Presidente), MEIGAN SACK RODRIGUES, SERGIO RODRIGUES MENDES, WALTER ADOLFO MARESCH, SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, ARTHUR JOSE ANDRE NETO e eu, MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES, Chefe da Secretaria, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. [...] Relator(a): VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN Processo: 10746.000094/200731 Recorrente: LAGOA DA CONFUSAO PREFEITURA MUNICIPAL e Recorrida: FAZENDA NACIONAL Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10746.000094/200731 Acórdão n.º 1803002.176 S1TE03 Fl. 78 8 Acórdão 1803002.176 Decisão: Por unanimidade de votos não conheceram do recurso voluntário, por ter sido interposto intempestivamente. Votação: Por Unanimidade Questionamento: RECURSO VOLUNTARIO Resultado: Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Redatora Designada Ad Hoc Em preliminar tem cabimento o exame da tempestividade do recurso voluntário interposto. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes são asseguradas aos litigantes em processo administrativo. Por esta razão há previsão de que a pessoa jurídica seja intimada para apresentar sua defesa, inclusive, por via postal no domicílio fiscal constante nos registros internos da RFB, procedimento este que deve estar comprovado nos autos. No caso de lavratura de Auto de Infração, a autoridade administrativa deve cientificar o sujeito passivo para apresentação de impugnação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da sua notificação. No mesmo prazo de 30 (trinta) dias, contra a decisão de primeira instância, cabe recurso voluntário para reexame da sucumbência. O recurso, mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção. Estes prazos legais são contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento e só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Outra característica é que também são peremptórios, já que não podem ser reduzidos ou prorrogados pela vontade das partes. Considerase definitivo o ato decisório de primeira instância, no caso de esgotado o prazo legal sem que a peça de defesa em instância recursal tenha sido interposta1. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática. Verificase no presente caso que a Recorrente foi notificada 25.02.2011, fl. 56, e apresentou o recurso voluntário em 05.04.2011, fls. 5763. 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 5º, art. 15, art. 16, art. 23, art. 33, art. 35 e art. 42 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e art. 182 do Código de Processo Civil. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10746.000094/200731 Acórdão n.º 1803002.176 S1TE03 Fl. 79 9 Logo, restando evidenciada a apresentação intempestiva da petição, a decisão de primeira instância tornouse definitiva, caso em que o procedimento considerase findo na esfera administrativa. Em assim sucedendo, voto por não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 25/06/2 015 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10715.000822/2010-78
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/05/2006, 23/05/2006, 25/05/2006, 30/05/2006
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE.
O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsume-se à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa.
EDIÇÃO DE NOVA NORMA QUE DEIXOU DE SANCIONAR COMO INFRAÇÃO A PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM ATÉ 7 DIAS DO EMBARQUE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE.
A IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, ao alterar a redação do artigo 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, ampliou para 7 (sete) dias o prazo para o registro no Siscomex dos dados do embarque da carga. Tal modificação deixou de considerar como infração a prestação da referida informação em período inferior ao novo prazo estabelecido, passível, pois, de aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, b, do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-005.017
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407..
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Redatora designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DE EMBARQUE. PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA DE FORMA ESPONTÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. POSSIBILIDADE. O cumprimento espontâneo de obrigação tributária acessória, consubstanciada na informação dos dados de embarque no Siscomex, subsumese à hipótese de denúncia espontânea da obrigação tributária, devendo o contribuinte ser liberado do pagamento da multa. EDIÇÃO DE NOVA NORMA QUE DEIXOU DE SANCIONAR COMO INFRAÇÃO A PRESTAÇÃO DA INFORMAÇÃO EM ATÉ 7 DIAS DO EMBARQUE. RETROATIVIDADE BENIGNA. APLICABILIDADE. A IN RFB no 1.096, de 13/12/2010, ao alterar a redação do artigo 37 da IN SRF nº 28, de 27/04/1994, ampliou para 7 (sete) dias o prazo para o registro no Siscomex dos dados do embarque da carga. Tal modificação deixou de considerar como infração a prestação da referida informação em período inferior ao novo prazo estabelecido, passível, pois, de aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges (Relator) que davam provimento parcial ao recurso voluntário. Designada para elaborar o voto vencedor a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Vanessa Ferraz Coutinho, OAB/RJ 134.407.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 08 22 /2 01 0- 78 Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Redatora designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Marcos Antonio Borges, Cassio Schappo, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio De Castro Pontes (Presidente). Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: O presente processo trata da exigência do valor de R$ 55.000,00 consubstanciada no auto de infração de fls. 01 a 09, referente à multa regulamentar pela não prestação de informação sobre veículo ou carga transportada, ou sobre operações que executar. previr t i ) artigo 107, inciso IV, alínea "e", do Decretolei 37/66, com a redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/03 e nas Instruções Normativas 28 e 510, expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil em 1994 e 2005, respectivamente. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal, a autuada não registrou no prazo os dados de embarque referentes aos transportes internacionais realizados em maio de 2006 no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro ALF/GIG, concernentes às cargas amparadas nas declarações de exportação DDE's listadas no demonstrativo "AUTO DE INFRAÇÃO n° 0717700/00/00045/10” (fl. 09), descumprindo, portanto, a obrigação acessória de que trata o artigo 37 da IN/SRF 28/94, alterado pelo artigo Io da IN/SRF 510/05, uma vez que de acordo com o inciso II do artigo 39 da mencionada IN/SRF 28/94, considerase intempestivo o registro dos dados de embarque nos despachos de exportação efetuados pelo transportador em prazo superior a dois dias. Não se conformando com a exigência à qual foi intimada, a autuada apresentou impugnação às fls. 13 a 29 alegando, em síntese, que: a equivocada fundamentação legal da penalidade aplicada torna nulo o auto de infração, conforme se depreende do inciso IV do artigo 10 combinado com o inciso II do artigo 59, ambos do Decreto 70.235/72, eis que cerceia o direito de defesa da impugnante, uma vez que a multa não corresponde à infração supostamente praticada; a manutenção da cobrança da multa vai de encontro aos princípios da razoabilidade, da proporcionalidade e da isonomia, que devem ser observados pela Administração Pública, uma vez que a própria impugnante prestou todas as informações devidas e de forma espontânea; a multa contraria o disposto no inciso VI do artigo 2a da Lei 9.784/99 e no parágrafo 2o do artigo 113 do CTN, pelo fato de não possuir qualquer finalidade específica a ela relacionada ou necessidade de proteger determinado bem jurídico, pois após o desembaraço aduaneiro da mercadoria embarcada considera Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 5 4 se concluído todo o procedimento fiscalizatório, não havendo qualquer possibilidade de se caracterizar dano ao erário; as normas utilizadas para embasar a aplicação da multa estão desvinculadas do interesse de aprimorar a fiscalização e a arrecadação de tributos, eis que toda fiscalização e recolhimento relativo a tributos já foram efetivamente efetuados; a penalidade, da forma como aplicada no caso vertente, viola os princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e da isonomia, pois o valor da multa não se altera, independentemente do quantitativo de registros informados intempestivamente, também porque seu valor é muitas vezes superior ao da multa por embaraço à fiscalização, cuja aplicação depende do valor aduaneiro da mercadoria e do caráter doloso, enquanto que o pequeno atraso na inclusão das informações no Siscomex não causa qualquer prejuízo à fiscalização; I o artigo 107 inciso IV alínea "e" do Decretolei 37/66, ao mencionar a expressão "deixar de prestar informações", não se aplica ao caso sob exame eis que a impugnante inseriu absolutamente todos os. dados de embarque das mercadoriasno Siscomex, conforme determinado pela Receita Federal; diversas datas de embarque de mercadorias nas aeronaves da impugnante corresponderam a sextasfeiras, sábados e domingos ou vésperas de feriado, mas que por razões econômicas não é viável a manutenção de pessoal especializado da impugnante para realizar atividades operacionais exclusivas no Siscomex. Portanto, foi exatamente por esses motivos e em atendimento aos princípios da finalidade e da motivação que foi proferida a Solução de Consulta 215/04. que não deixa dúvida quanto à impossibilidade de se realizar o início da contagem de prazo para registro das informações no Siscomex nas retro mencionadas datas, razão pela qual devem ser declarados nulos os lançamentos da multa relativamente àquelas averbações realizadas no primeiro dia útil subseqüente ao respectivo embarque; até o ano de 2008 o Siscomex Exportação registrava às averbações tempestivamente realizadas com novas, logo, em caso de qualquer divergência que impedisse a averbação automática, as empresas aéreas tinham que excluir a informação equivocada para posteriormente incluir a correta, porém, para fins de contagem de prazo, o Siscomex levava em consideração a data da inserção da informação correta; por razões alheias a vontade do transportador aéreo o registro da DDE não pôde ser efetuado no exíguo estabelecido pela legislação, não obstante ter sempre agido espontaneamente e em total transparência, efetuando, por conseguinte, o registro no menor prazo possível; são freqüentes, tal qual nos anos anteriores, a indisponibilidade temporária do sistema Siscomex Exportação, Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 6 5 uma vez que apresenta diversas falhas que impedem seu acesso, impossibilitando que as empresas transportadoras e demais intervenientes insiram os dados de embarque das mercadorias transportadas no prazo estipulado pela norma de regência, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizada por fato alheio a sua vontade; a inobservância dos prazos regulamentares tão somente acarretaria embaraço à fiscalização se prejudicasse negativamente a capacidade de o fisco arrecadar tributos, o que não é o caso, pois referida intempestividade não traz qualquer prejuízo à atividade fiscalizadora, sendo irrelevante para o direito tributário a conduta infracional supostamente praticada. Por todo exposto, requer seja acolhida a presente defesa e, por conseguinte, declarada a nulidade do auto de infração, bem como a desconstituição do crédito tributário apurado.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a Impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/05/2006, 23/05/2006, 25/05/2006, 30/05/2006 INFRAÇÕES DE NATUREZA TRIBUTÁRIA. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Datado fato gerador: 16/05/2006, 23/05/2006, 25/05/2006, 30/05/2006 AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; evidenciada a ausência de qualquer violação às disposições do Processo Administrativo Fiscal ou do Código Tributário Nacional, descabe a nulidade do auto de infração. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. Não compete às autoridades administrativas proceder à análise da constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias que regem a matéria sob apreço, posto que essa atividade é de competência exclusiva do Poder Judiciário; logo resta incabível afastar sua aplicação, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 7 6 PRESTAÇÃO EXTEMPORÂNEA DOS DADOS DE EMBARQUE. A partir da vigência da Medida Provisória 135/03. a prestação extemporânea da informação dos dados de embarque por parte do transportador ou de seu agente é infração tipificada no artigo 107, inciso IV, alínea "e" do DecretoLei 37/66, com a nova redação dada pelo artigo 61 da MP citada, que foi posteriormente convertida na Lei 10.833/03. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Datado fato gerador: 16/05/2006, 23/05/2006, 25/05/2006, 30/05/2006 PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO. INTEMPESTIVIDADE. DENUNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. NATUREZA OBJETIVA DA INFRAÇÃO. O instituto da denúncia espontânea, não alcança as penalidades aplicadas em razão do descumprimento de obrigações acessórias autônomas, como é o caso da informação dos dados de embarque de mercadoria destinada à exportação, prestada fora do prazo estabelecido normativamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, infração essa que tem natureza objetiva e cuja sanção colima disciplinar o cumprimento tempestivo da obrigação acessória por parte dos transportadores e seus representantes. DADOS DE EMBARQUE. INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A penalidade que comina a prestação intempestiva de informação referente aos dados de embarque de mercadorias destinadas à exportação é aplicada por viagem do veículo transportador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho repisando as alegações ofertadas quando da impugnação, acrescentando ainda que com a edição da Instrução Normativa n° 1.096/2010, que deixou de definir como infração a inserção de dados de embarque de mercadorias no Siscomex, quando realizada dentro do prazo de 07 dias, devese aplicar ao caso o instituto da retroatividade benigna. disposto no art. 106. II. do Código Tributário Nacional. Posteriormente apresentou petição alegando direito superveniente imprescindível à análise da questão, qual seja, a edição da Lei n° 12.350 de 20 de dezembro de 2010, que alterou a redação do §2° doš art. 102 do DecretoLei n° 37/66, que possibilitaria a aplicação do instituto da denúncia espontânea à infração em análise, considerandose a retroatividade benigna prevista no art. 106. II, Código Tributário Nacional. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 8 7 É o Relatório. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 9 8 Voto Vencido Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. No presente caso foi lavrado Auto de Infração para cobrança da multa prevista na alínea "e" do inciso IV do art. 107 do DecretoLei n° 37/1966, com redação dada pela Lei n° 10.833/2003, abaixo transcrita, haja vista o descumprindo da obrigação acessória disposta no art. 37 da IN SRF no. 28/1994, o qual foi posteriormente alterado pela IN SRF n° 510/2005: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): e) por deixar de prestar informação sobre veiculo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada ir empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga. (Grifado) A IN SRF n° 28, de 27/04/1994, em seu art. 37, na redação dada pela IN SRF n° 510/2005, determinava que referido registro deveria ser efetuado no prazo de até dois dias da data do embarque: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de dois dias, contado da data da realização do embarque. (Grifado) Da aplicação do novo prazo previsto na IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Entretanto, no tocante à penalidade, cumpre ainda verificar que a IN SRF n° 28/1994, teve sua redação alterada pela IN RFB n° 1.096, de 13/12/2010, com vigência a partir de 14/12/2010, estabelecendo o novo prazo de sete dias para a prestação das informações sobre embarque de mercadoria, conforme abaixo: Art. 37. 0 transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias,, contados da data da realização do embarque. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB n°1.096, de 13 de dezembro de 2010) (grifei) Portanto, vêse, de fato, que a nova redação deixou de considerar como infração a prestação da informação em tela no prazo de até 7 dias da data do embarque, o que Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 10 9 possibilita, em tais casos – desde que a lide não tenha sido definitivamente julgada – a aplicação da retroatividade benigna capitulada no artigo 106, inciso II, “b”, do CTN, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo: c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Quanto a contagem do prazo previsto para se prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, este deve ser contado de forma contínua, a partir da data da realização do embarque, conforme estipulado no caput do artigo 37 da IN/SRF 28/04, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o de vencimento, em obediência a forma prevista no caput do artigo 210 do CTN, independente do expediente da repartição aduaneira, uma vez que o acesso ao referido sistema informatizado pelo responsável por prestar a informação ocorre de forma ininterrupta, sem a necessidade da intervenção da repartição aduaneira. Da análise da tabela acostada aos autos temse que o lançamento só poderá vigorar em relação às Declarações de Despacho de Exportação – DDE nas quais ao menos uma das informações sobre o embarque foi prestada em prazo superior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. Da aplicação do instituto da denúncia espontânea No entendimento do STJ, conforme comprovam diversos julgados, a entrega extemporânea de qualquer tipo de obrigação acessória (DCTF, por exemplo) configura infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária apta a atrair o instituto da denúncia espontânea prevista no art. 138 do CTN. A prestação de informações no Siscomex, como é o caso, é uma obrigação acessória e, aplicandose essa linha de raciocínio, deveria se observar a aplicação da Súmula CARF n° 49, que adota a mesma interpretação: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do CTN) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. No entanto, essa discussão foi reaberta em face da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, decorrente do art. 40 da Lei nº 12.350/2010: Art.102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Fl. 195DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 11 10 § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) Apesar de alguns julgados recentes do CARF estarem admitindo a caracterização da denúncia espontânea com fundamento da nova redação do dispositivo, entendo que na aplicação do art. 102 do DecretoLei nº 37/1966, devese analisar o conteúdo da “obrigação acessória” violada. Isso porque nem todas as infrações pelo descumprimento de deveres instrumentais são compatíveis com a denúncia espontânea, como é o caso das infrações caracterizadas pelo fazer ou não fazer extemporâneo do sujeito passivo. Esse entendimento, do qual eu compartilho, foi evidenciado em voto do eminente Conselheiro José Fernandes do Nascimento, no Acórdão 310200.988. 3a S/1a C/2a TO. S. de 22/08/2013: O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração Fl. 196DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 12 11 cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2°, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citada a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 13 12 Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Assim, a aplicação da denúncia espontânea às infrações caracterizadas pelo fazer ou nãofazer extemporâneo do sujeito passivo, no caso a prestação de informação no Siscomex na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, implicaria no esvaziamento do dever instrumental, comprometendo o controle aduaneiro efetuado pela autoridade administrativa no exercício do seu Poder de Polícia. Entendese, portanto, que a denúncia espontânea (art. 138 do CTN e art. 102 do DecretoLei n° 37/1966) não alcança as penalidades exigidas pelo descumprimento de obrigações acessórias caracterizadas pelo atraso na prestação de informação à administração aduaneira. Desta forma, em virtude de todos os motivos apresentados e dos fatos presentes no caso concreto, voto no sentido de JULGAR PROCEDENTE EM PARTE O RECURSO VOLUNTÁRIO, exonerandose as multas com referência aos vôos cujas informações sobre o embarque foram prestadas em prazo inferior aos 7 dias previsto na nova redação do artigo 37 da IN SRF nº 28/94 dada pela IN RFB no 1.096, de 13/12/2010. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 198DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 14 13 Voto Vencedor Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Com o devido acatamento, ouso divergir parcialmente do voto do Exmo. Sr. Relator, na parte em que dispõe sobre a denúncia espontânea. Como bem se infere da análise do lançamento, tratase de imposição de Multa Regulamentar pelo descumprimento de obrigação acessória convertida em obrigação principal em relação à penalidade aplicável. Há decretolei em vigor prevendo a aplicação da multa na data da ocorrência da situação que constitui o fato gerador da obrigação acessória. No caso em questão, foi prestada a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, após o prazo especificado no artigo 37 da IN SRF n° 28/94 com redação dada pela IN SRF n° 510/2005, o que ensejaria a aplicação da Multa. Ocorre que o artigo 138 do Código Tributário Nacional assim dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração.” Trata o dispositivo transcrito da chamada denúncia espontânea. A denúncia espontânea, por sua vez, é o instrumento através do qual se exclui a responsabilidade pela prática de alguma infração tributária por parte do contribuinte, ou responsável, desde que sejam obedecidos os preceitos ali constantes, quais sejam, pagamento do tributo devido, se for o caso, e inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da autoridade fazendária. Deveras, o sujeito passivo tem determinadas obrigações para com o sujeito ativo da relação jurídico tributária, seja de pagamento de tributos no prazo correto, seja de prestar a informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, dentro de prazo determinado pela norma tributária, dentre outros comportamentos legalmente previstos. É, pois, a infração tributária, uma ação ou omissão praticada pelo agente da relação jurídica que, seja de forma direta ou indireta, descumpra deveres jurídicos normatizados em legislações fiscais. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 15 14 No caso em análise, de fato, o Recorrente cometeu uma infração, de natureza formal: a prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, em atraso. Sempre que ocorrida uma infração tributária, fato seguinte é o surgimento de suas respectivas sanções, as quais fazem com que o contribuinte tenha a ele imputada determinada penalidade. Ocorrida a infração tributária, podem ser desencadeadas três distintas situações: 1) Na primeira, o agente responsável pela infração não realiza nenhum procedimento, quedandose silente e aguarda a eventual ocorrência da decadência do direito da Fazenda Pública em lançar tais valores. 2) A segunda possibilidade é a Fazenda Pública fiscalizar o agente infrator e, desta feita, lavrar o Auto de Infração, onde o sujeito passivo poderá impugnálo administrativamente, recorrer ao Poder Judiciário para anulálo ou, até, adimplir os valores devidos de pronto. 3) Terceira possibilidade é a chamada denúncia espontânea, ou seja, o agente se antecipa a qualquer procedimento fiscalizatório do Poder Público e efetua o pagamento dos valores de pronto, ou realiza a obrigação que deixou de cumprir, comunicandoo, após, do ocorrido. Neste último caso, como exposto acima, o CTN expressamente prevê que, para beneficiar tanto o contribuinte como o próprio Fisco, os contribuintes se valham de um instituto excludente de responsabilidade, desde que cumpram os requisitos lá constantes para sua fruição. A referida norma, art. 138 do CTN, nada mais é do que uma norma indutora de conduta, uma vez que sua hipótese de incidência conclama apenas uma atitude exclusiva do sujeito passivo, não havendo qualquer obrigação para forçálo a agir de tal forma. É uma faculdade do sujeito passivo em se autodenunciar perante a fiscalização e, desta feita, ser beneficiado pela exclusão da penalidade decorrente da infração cometida. E tal faculdade tem o dom de beneficiar tanto o sujeito passivo que recebe tal benesse, quanto à própria Fazenda. O primeiro é beneficiado porque a legislação lhe dá a oportunidade de ser perdoada a sanção, desde que satisfeitos os pressupostos daquele instituto, o que estimula o adimplemento volitivo de suas obrigações tributárias; enquanto que, para o segundo, representa um estímulo maior para o controle fiscal e o ingresso de divisas, sem que este tenha que ir fiscalizar as empresas e verificar a correição dos procedimentos adotados pelos contribuintes. Para que a denúncia espontânea surta seus efeitos, imprescindível a ocorrência de seus pressupostos. No caso ora analisado, todos os pressupostos foram observados, senão vejamos: Fl. 200DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 16 15 Os pressupostos da denúncia espontânea são os seguintes: 1º) Denúncia espontânea da infração O primeiro pressuposto é a ocorrência da infração cometida – no caso, a prestação extemporânea da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, e, conseqüentemente, o surgimento da respectiva sanção – no caso, o pagamento de multa pelo descumprimento da obrigação fiscal. Passada esta parte, necessário se faz que o contribuinte realize a chamada “denúncia espontânea”, ou seja, que comunique à Fazenda a ocorrência da infração e o seu respectivo adimplemento. A comunicação solene foi realizada pela Recorrente, através da entrega da prestação da informação sobre veiculo ou carga transportada, no Siscomex, espontaneamente, em atraso. 2º) Pagamento do tributo devido e dos juros de mora, se for o caso. Como segundo pressuposto para a plena realização da denúncia espontânea, há a necessidade do adimplemento da obrigação que eventualmente não foi realizada a tempo correto. Neste sentido, mister é que o sujeito passivo, ao denunciarse espontaneamente para o Fisco, acompanhe junto desta comunicação o comprovante de que, ressalvada a multa, a obrigação que deveria ter sido adimplida épocas atrás tenha sido efetivamente cumprida. Vale ressaltar que, apesar de a norma referirse a “pagamento do tributo devido”, a aplicação do instituto da denúncia espontânea não fica reservado apenas para os casos de descumprimento da obrigação tributária principal, relacionada com o recolhimento do tributo efetivamente. A sanção decorrente da inobservância das regras instrumentais do Direito Tributário, notadamente aquelas relacionadas com as obrigações acessórias, também pode ser elidida pela aplicação do artigo 138 do Código Tributário Nacional. Esta assertiva resta absolutamente óbvia quando o legislador utiliza a expressão “se for o caso”. Com efeito, este pressuposto guarda íntima e direta relação com a chamada natureza das infrações fiscais, que podem ser tanto materiais, resultantes diretamente do não adimplemento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária; quanto formais, decorrentes do não cumprimento de uma obrigação, seja através de uma atitude positiva ou negativa. Assim, o não cumprimento de uma obrigação tributária principal ou de prestação pecuniária acarretará no nascimento de uma infração tributária material, relacionada com a expressão “pagamento do tributo”. Já o de um dever instrumental, uma infração formal, está relacionada com a expressão “se for o caso”. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 17 16 Sempre que uma obrigação tributária principal for inadimplida, para os efeitos da aplicação do art. 138 do CTN, necessário será que se pague o tributo devido. Entretanto, se a infração ocorrida for de natureza formal, como no caso presente, a denúncia espontânea consiste simplesmente na formalização junto ao órgão fiscal, do descumprimento de sua obrigação de prestar informações tempestivamente. Não há dúvidas, portanto, que a Recorrente preencheu este segundo pressuposto necessário para que possa usufruir do instituto da denúncia espontânea como forma de afastar a responsabilidade (leiase, punição) pela infração formal cometida. Vale reiterar a importância do caput do artigo 138 do CTN, que abrange sua aplicação tanto para os casos em que há “pagamento do tributo devido”, quanto para os casos em que não há “pagamento do tributo”, como é o caso da expressão “se for o caso”, constante do final daquele texto. Qual a validade da expressão “se for o caso”, se não para as infrações em que não há qualquer relação com valores pecuniários, como são os casos dos deveres instrumentais? Se não se admitir esta possibilidade, a referida expressão seria letra morta no CTN, pois não teria aplicação alguma. Só haverá pagamento de tributo devido quando a infração tenha sido não pagálo. Nesse caso, o autodenunciante, ao confessarse, deverá pagar o tributo nãopago. Mas se a infração cometida tenha sido a não prestação de uma informação, a confissão do Recorrente não ensejará o pagamento de tributo, porquanto esse pagamento representaria a não observância do artigo 138 do CTN. 3º) Inexistência de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. Último pressuposto para a configuração da denúncia espontânea se encontra na figura da ausência de fiscalização, por parte do Fisco, em relação ao tributo sobre o qual o contribuinte, ou o responsável, se autodenuncia. Em suma, entendo que a Recorrente preencheu correta e satisfatoriamente todos os requisitos inerentes ao instituto da denúncia espontânea. É justamente no afastamento da responsabilidade pela infração e, consequentemente, na escusa de toda forma de penalidade, de sanção, que age a denúncia espontânea. Ela funciona como uma “excludente da culpabilidade”. A infração continua existindo. Todavia, o contribuinte não é mais punível. Ou seja, as conseqüências oriundas desta nova relação jurídica (todas elas) não podem mais se externar, pois prejudicado jus puniendi em relação àquele infrator. Isto é o que diz o artigo 138 do Código Tributário Nacional ao dispor que o agente, uma vez realizada a denúncia espontânea, não pode mais ser responsabilizado pela infração cometida. A norma optou por ser o mais abrangente possível e excluiu a própria responsabilização do agente, o que impossibilita, de resto, a incidência de qualquer penalidade – ou seja, de qualquer medida que possa lhe prejudicar. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL Processo nº 10715.000822/201078 Acórdão n.º 3801005.017 S3TE01 Fl. 18 17 Por todo o acima exposto, divirjo do voto do Exmo. Relator, e decido no sentido de dar provimento ao recurso voluntário apresentado, cancelando a exigência consubstanciada no auto de infração de fls.. É assim que voto. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 203DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 22/05/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 21/05/2015 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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