Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,282)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,886)
- Primeira Turma Ordinária (16,420)
- Primeira Turma Ordinária (16,227)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,219)
- Primeira Turma Ordinária (16,172)
- Segunda Turma Ordinária d (15,909)
- Segunda Turma Ordinária d (14,490)
- Primeira Turma Ordinária (13,087)
- Primeira Turma Ordinária (12,514)
- Segunda Turma Ordinária d (12,438)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,492)
- Quarta Câmara (85,208)
- Terceira Câmara (67,880)
- Segunda Câmara (56,645)
- Primeira Câmara (20,759)
- 3ª SEÇÃO (16,219)
- 2ª SEÇÃO (11,306)
- 1ª SEÇÃO (6,854)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (126,732)
- Segunda Seção de Julgamen (115,217)
- Primeira Seção de Julgame (77,090)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,968)
- Câmara Superior de Recurs (37,975)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,488)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,508)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,270)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,906)
- HELCIO LAFETA REIS (3,868)
- ROSALDO TREVISAN (3,234)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,931)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,803)
- WILDERSON BOTTO (2,650)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,589)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,842)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,628)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (16,711)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 16641.000144/2009-05
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91.
SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. INCONSTITUCIONALIDADE DO FUNRURAL.
O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal.
Diante da declaração de inconstitucionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV da Lei n. 8.212/91, no julgamento do RE n. 363.852/MG, não há que se falar em contribuição para o FUNRURAL.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2403-000.813
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade
de votos, em reconhecer a decadência parcial até 07/2004, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. INCONSTITUCIONALIDADE DO FUNRURAL. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Diante da declaração de inconstitucionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV da Lei n. 8.212/91, no julgamento do RE n. 363.852/MG, não há que se falar em contribuição para o FUNRURAL. Recurso Voluntário Provido
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16641.000144/2009-05
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4893472
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.813
nome_arquivo_s : 2403000813_16641000144200905_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : MARCELO MAGALHÃES PEIXOTO
nome_arquivo_pdf_s : 16641000144200905_4893472.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência parcial até 07/2004, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4745534
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:42 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173753401344
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1697; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16641.000144/200905 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.813 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente COMÉRCIO DE CEREAIS AMARILHO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. INCONSTITUCIONALIDADE DO FUNRURAL. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Diante da declaração de inconstitucionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV da Lei n. 8.212/91, no julgamento do RE n. 363.852/MG, não há que se falar em contribuição para o FUNRURAL. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, nas preliminares, por unanimidade de votos, em reconhecer a decadência parcial até 07/2004, nos termos do art. 150, § 4º do CTN. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Marcelo Magalhães Peixoto Relator Fl. 716DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 2 Participaram, do persente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 717DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000144/200905 Acórdão n.º 2403000.813 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Auto de Infração sob o n. 37.225.0882, consolidado em 06/08/2009, cuja notificação ocorreu em 14/08/2009, referente às competências compreendidas entre 01/2004 a 12/2006, não contínua, no montante de R$ 574.536,22 (quinhentos e setenta e quatro mil, quinhentos e trinta e seis reais e vinte e dois centavos). De acordo com o Relatório Fiscal de fls. 64/66, a NFLD em tela foi instaurada em razão das contribuições sociais previdenciárias do produtor rural pessoa física equiparado a trabalhador autônomo e/ou segurado especial destinadas à Seguridade Social, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da empresa adquirente, correspondentes a 2,0 % (dois por cento), incidente sobre os valores de aquisição de produtos rurais; 0,1% (zero vígula um por cento), para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidente sobre a aquisição de produtos rurais. O débito se refere às contribuições não retidas pelo responsável tributário, cujos fatos geradores foram identificados através dos lançamentos contábeis relacionados nos arquivos magnéticos apresentados pelo contribuinte, não declarados em GFIP. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente citada, a recorrente apresentou impuganação, tempestiva, de fls. 278/651, alegando, em síntese: Não reteve a contribuição dos seus fornecedores porque comercializou seus produtos com empresas exportadoras. Por esse motivo, estava amparada pela imunidade prevista no art. 149, § 2o, I da Constituição Federal, acrescentada pela Emenda Constitucional n. 33/2001. A atual redação do art. 25 da lei n. 8.212/1991, não traz fato gerador da referida contribuição, contrariando o princípio da legalidade, previsto no art. 150 da CF/88 e no art. 97 do CTN. Para fundamentar, cita o voto proferido no RE n. 363.852/MG. Entende que os conceitos de receita e faturamento, oriundos da EC 20/1998, só poderiam ser objetos de incidência de contribuição social se definidos em legialação posterior. Defende a inconstitucionalidade na utilização de uma mesma hipótese de incidência para várias contribuições sociais, como o caso da COFINS. Pelas razões expostas estariam violados os princípios constitucionais da legalidade, segurança jurídica e igualdade. Cita precedentes do STF. Alega a inconstitucionalidade da utilização da Taxa SELIC nos juros moratórios. Fl. 718DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 4 No que tange à representação penal, alega que só deveria ocorrer ao final do processo administrativo, ademais, providenciou as retificações de GFIP, fato que retira o ilícito penal. Ao final requer provimento da impugnação em todos os seus termos. Com a impugnação anexa cópias de notas fiscais e GFIP. DA DECISÃO DA DRJ Após analisar aos argumentos da impugnante, a 5ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Juiz de Fora – MG DRJ/JFA, emitiu o Acórdão n° 0933.115, mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Inconformada, a recorrente apresentou, tempestivamente, Recurso Voluntário de fls. 675/699, com os mesmos argumentos da defesa, além de enfatizar a declaração de inconstiticionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV da Lei n. 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/1997, no julgamento do RE n. 363.852/MG, no dia 03/02/2011, data posterior ao acórdão da DRJ. É o relatório. Fl. 719DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000144/200905 Acórdão n.º 2403000.813 S2C4T3 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fl. 702, o recurso é tempestivo e reúne os pressupostos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária de 12 de Junho de 2008, aprovou a Súmula Vinculante nº 8 nos seguintes termos: “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Referida Súmula declara inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, que impõe o prazo decadencial e prescricional de 10 (dez) anos para as contribuições previdenciárias, o que significa que tais contribuições passam a ter seus respectivos prazos contados em consonância com os artigos 150, § 4º, 173 e 174, do Código Tributário Nacional: CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; De acordo com o art. 103A, da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 vincula toda a Administração Pública, inclusive este Colegiado: CF/88 Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal, poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos Fl. 720DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 6 seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder a sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. In casu, como se trata de contribuições sociais previdenciárias que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, contase o prazo decadencial nos termos do art. 150, § 4º do CTN, caso se verifique a antecipação de pagamento (mesmo que parcial) ou, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando o pagamento não foi antecipado pelo contribuinte. Tratase de NFLD lavrada em razão das contribuições sociais previdenciárias do produtor rural pessoa física equiparado a trabalhador autônomo e/ou segurado especial destinadas à Seguridade Social e para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, cuja responsabilidade pelo recolhimento é da empresa adquirente, incidente sobre a aquisição de produtos rurais. Da análise do Relatório Fiscal de fls. 64/66, verificase a existência de uma única NFLD, referente a contribuição destinada ao SENAR, incidente sobre a aquisição de produtos rurais. Ademais, da leitura do item 1, fl. 64 do Relatório Fiscal, verificase que houve o recolhimento, porém não em sua totalidade. Diante do comprovado pagamento parcial das contribuições previdenciárias, o caso em tela comporta aplicação da decadência prevista no art. 150, § 4º do CTN. O período de apuração compreendeu as competências de 01/2004 a 12/2006. A notificação ocorreu em 14/08/2009. Logo, o prazo decadencial ocorreu em relação ao período compreendido entre: 01/2004 a 07/2004 (nos termos do art. 150, § 4º do CTN), conforme explicado. A decadência é matéria de ordem pública e deve ser declarada de ofício. DO JULGAMENTO DO RE N. 363.852/MG Destaca a recorrente a declaração de inconstitucionalidade dos arts. 12, V e VII, 25, I e II e 30, IV da Lei n. 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei n. 9.528/1997, no julgamento do supracitado RE, em data posterior ao acórdão da DRJ, bem como a aplicação da jurisprudência para o caso em tela. Assim como ressaltado pela DRJ, o art. 26A, § 6o, I do Decreto n. 70.235/72, prevê como possível o afastamento de lei que já fora declarada como inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, verbis: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 721DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI Processo nº 16641.000144/200905 Acórdão n.º 2403000.813 S2C4T3 Fl. 4 7 I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; Não obstante a DRJ ter reconhecido que a legislação de referência para o lançamento da NFLD em tela era a mesma da discutida nos autos do RE, entendeu que a nova redação do art. 25 da Lei n. 8.212/91, dada pela Lei n. 10.256/01, por ter vindo em data posterior à EC 20/98, não seria objeto do RE n. 363.852/MG. Ocorre que, o STF declarou inconstitucional os citados artigos por entender que a matéria deveria ser regulamentada por Lei Complementar, por esse motivo, ao contrário do entendimento da DRJ, a nova redação do art. 25, por outra Lei Ordinária, não desvincula o caso em tela ao RE. Assim como se pode constatar, na jurisprudência do Egrégio STF, no RE que transitou em julgado no dia 1o/06/2011, verbis: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária subrogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. (RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169) (grifo nosso) Pela ausência de Lei Complementar regulamentadora da Contribuição Previdenciária que origiou a presente NFLD, deve ser julgado procedente o presente Recurso Voluntário. CONCLUSÃO Do exposto, preliminarmente, voto pelo reconhecimento da decadência parcial, referente ao período compreendido entre 01/2004 a 07/2004, nos termos do art. 150, § 4º do CTN e, no mérito, pelo provimento do recurso. Fl. 722DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI 8 Marcelo Magalhães Peixoto Fl. 723DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 03/11 /2011 por MARCELO MAGALHAES PEIXOTO, Assinado digitalmente em 25/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STR INGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002166/2007-63
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 28/06/2007
GFIP. MANUAL DE ORIENTAÇÃO
Constitui infração a apresentação de GFIP em desconformidade com o
Manual de Orientação.
Numero da decisão: 2403-000.844
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Outras penalidades (ex.MULTAS DOI, etc)
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201110
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/06/2007 GFIP. MANUAL DE ORIENTAÇÃO Constitui infração a apresentação de GFIP em desconformidade com o Manual de Orientação.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10640.002166/2007-63
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4889664
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.844
nome_arquivo_s : 2403000844_10640002166200763_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10640002166200763_4889664.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
id : 4751723
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:44 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173776470016
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1184; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 613 1 612 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10640.002166/200763 Recurso nº 000 Voluntário Acórdão nº 2403000.844 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CLÍNICA SÃO JOSÉ LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 28/06/2007 GFIP. MANUAL DE ORIENTAÇÃO Constitui infração a apresentação de GFIP em desconformidade com o Manual de Orientação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Presidente/Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 613DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, acórdão 09 19.165 5ª turma, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária acessória. O Relatório Fiscal do Auto de infração assim descreveu a autuação: 1 Este relatório é parte integrante do Auto de Infração AI de nQ 37.027.8437 lavrado contra o contribuinte acima identificado por apresentar GFIP(Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) em desconformidade com as formalidades especificadas no respectivo Manual de Orientação contrariando o disposto na Lei 8.212, de 24/07/91, art. 32, IV, parágrafos 10 e 3°, combinado com o art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99. ... 4 A empresa entregou GFIP antes do inicio da ação fiscal, para todo o período fiscalizado, no entanto verificamos divergências nas informações prestadas, tais como:valores de remunerações mensais , contribuições de segurados, e remunerações de contribuintes individuais a maior do que os realmente pagos. 5 Diante da prestação de informações em GFIP em desacordo com o respectivo manual de orientação fica caracterizada infração ao disposto no art. 32, IV, parágrafos 1° e 3° da Lei 8.212, de 24/07/91, combinado com o art. 225, IV, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/99. A multa aplicada totaliza R$1.195,13. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • Nulidade por apresentação de descrição sumaria da infração e dispositivo legal infringido insatisfatórios e sumários, de modo que não permitem compreender o fato gerador da multa. • Ausência de elemento que demonstre qualquer antijuridicidade por parte da recorrente. • Quando do fornecimento das aludidas informações à CEF, nenhum protocolo ou mesmo recibo era dado para a recorrente relativamente à entrega feita. Fl. 614DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10640.002166/200763 Acórdão n.º 2403000.844 S2C4T3 Fl. 614 3 • Não pode a recorrente responder pelo modo como fazia a Caixa Econômica Federal o repasse de tais informações, não lhe cabendo garantir se essa o fazia na integralidade e com a exatidão necessária, de conformidade com os dados recebidos. • Relevação da penalidade. É o Relatório. Fl. 615DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator Contribuinte requer a nulidade do lançamento por entender que a apresentação da descrição sumaria da infração e do dispositivo legal infringido presentes na capa do Auto de Infração, folha 1, são insatisfatórios e sumários, de modo que não permitem compreender o fato gerador da multa. Entendo que não cabe razão à recorrente pelo fato de a autuação ser composta por um conjunto de documentos, dentre os quais o inicial que contém uma descrição sumária e o REFISC – Relatório Fiscal da infração e da Multa Aplicada, folhas 12 a 17 e seus anexos, folhas 18 a 20, que detalham a infração e amulta; pelo fato de entender bem descritos os fatos que motivaram a autuação e presente a fundamentação legal do lançamento. Ademais, conforme podese verificar nas manifestações da recorrente, a autuação foi bem entendida e não verifico a ocorrência de prejuízo. Quanto à questão central da autuação, GFIP contendo informações divergentes das verificadas pelo Fisco nos documentos da empresa, iniciarei apresentando a obrigação legal de apresentar a GFIP contida na Lei 8.212 e no decreto 3048. Lei 8.212 Art. 32. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS.(Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). Decreto 3.048 Art.225. A empresa é também obrigada a: IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse daquele Instituto; Verificase que a responsabilidade pela informação era a empresa. A hipótese de a Caixa Econômica federal ter alterado os dados da requerente não será considerada, por entendêla descabida. Fl. 616DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10640.002166/200763 Acórdão n.º 2403000.844 S2C4T3 Fl. 615 5 Quanto à relevação da multa, devese verificar se estão presentes os requisitos especificados no artigo 291 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo decreto 3.048. Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação.(Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007)(Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante.(Redação dada pelo Decreto nº 6.032, de 2007)(Revogado pelo Decreto nº 6.727, de 2009) Informação Fiscal, folha 495, registra que a empresa não corrigiu totalmente as faltas que motivaram a autuação, o que resulta no não atendimento da relevação. CONCLUSÃO: Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 617DF CARF MF Emitido em 28/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 03/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 3/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 44021.000298/2007-60
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006
FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO. INFRAÇÃO.
Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos.
PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA.
A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o SaláriodeContribuição.
Numero da decisão: 2403-000.824
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o SaláriodeContribuição.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Sep 29 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 44021.000298/2007-60
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4892324
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.824
nome_arquivo_s : 2403000824_44021000298200760_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 44021000298200760_4892324.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4745544
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:42 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173779615744
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1461; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1.624 1 1.623 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 44021.000298/200760 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 240300.824 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente CACIQUE PROMOTORA DE VENDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2005 a 31/12/2006 FOLHA DE PAGAMENTO. ELABORAÇÃO. INFRAÇÃO. Constitui infração, punível na forma da Lei, deixar de preparar folha(s) de pagamento(s), das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos. PROGRAMA DE INCENTIVO. PREMIO ATRAVÉS DE CARTÃO. GRATIFICAÇÃO. REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA. A verba paga pela empresa aos segurados por intermédio de programa de incentivo, mesmo através de cartões de premiação, constitui gratificação e, portanto, tem natureza salarial e deve integrar o SaláriodeContribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Fl. 1624DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhaes Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 1625DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000298/200760 Acórdão n.º 240300.824 S2C4T3 Fl. 1.625 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, acórdão 16 – 25.125 14ª Turma, que julgou improcedente a impugnação ao lançamento. A autuação deuse pelo fato de que a empresa deixou de preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas dos segurados contribuintes individuais, no que toca os valores de prêmios pagos em campanhas de incentivo (pagamentos de prêmios em favor de contribuintes individuais no bojo da prestação de serviços de marketing promocional contratados ("Cartões de Premiação")), para o período de 03/2005 a 12/2006, o que caracteriza infração ao artigo 32, I, da lei 8.212/91. A multa aplicada totaliza R$ 1.195,13 e está prevista no artigo 283, I, alínea "a" do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, com valor atualizado pela Portaria MPS n° 142/2007. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: • não houve descumprimento do dever acessório de corretamente escriturar todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias devidas ao Fisco em sua folha de salário; • a presente autuação traz superposição de multas em relação aos mesmos fatos; • não há fundamento legal para a aplicação de multa referente à conduta da Recorrente; • as ações da Recorrente em momento algum trouxeram prejuízo ao Erário; • a conduta da Recorrente jamais poderia ter sido caracterizada como descumprimento de obrigação acessória, uma vez que, no caso concreto, a obrigação dita principal é indevida; • a Recorrente comprovou ter informado em folha todos os pagamentos de prêmios de incentivo pagos aos seus colaboradores, contudo, não o fez em relação aos funcionários do Banco Cacique S.A. pelo simples fato de que estes não possuem qualquer vínculo com a Recorrente; • o fato havido como infração foi único, qual seja, pagamentos pela Incentive House de valores a funcionários e supostos contribuintes individuais contratados pela Recorrente. É o Relatório. Fl. 1626DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator A autuação deuse pelo fato de que a empresa deixou de lançar nas folhas de pagamento as remunerações pagas ou creditadas dos segurados contribuintes individuais, no que toca os valores de prêmios pagos em campanhas de incentivo ("Cartões de Premiação"), para o período de 03/2005 a 12/2006, caracterizando infração ao artigo 32, I, da lei 8.212/91. Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; Cumpre ressaltar que, em decorrência da relação jurídica existente entre o contribuinte e o Fisco, o Código Tributário Nacional, em seu art. 113, abaixo transcrito, prevê duas espécies de obrigações tributárias: uma denominada principal, outra denominada acessória. “Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorrente da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”. A obrigação principal consiste no dever de pagar tributo ou penalidade pecuniária e surge com a ocorrência do fato gerador. Tratase de uma obrigação de dar, consistente na entrega de dinheiro ao Fisco. A obrigação acessória surge do descumprimento de dever instrumental a cargo do sujeito passivo, consistindo numa prestação positiva (fazer), que não seja o recolhimento do tributo, ou negativa (não fazer). A obrigação tributária principal decorre da lei, ao passo que a obrigação tributária acessória decorre da legislação tributária. Descumprida obrigação acessória (obrigação de fazer/não fazer) possui o Fisco o poder/dever de lavrar o AutodeInfração. A penalidade pecuniária exigida dessa forma convertese em obrigação principal, na forma do § 3º do art. 113 do CTN. Fl. 1627DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000298/200760 Acórdão n.º 240300.824 S2C4T3 Fl. 1.626 5 Alega a recorrente ter informado em folha todos os pagamentos de prêmios de incentivo pagos aos seus colaboradores, contudo, não o fez em relação aos funcionários do Banco Cacique S.A. pelo simples fato de que estes não possuem qualquer vínculo com a Recorrente. Verificase que a sistemática aplicada consiste em contratar uma empresa para efetuar premiações em cartões magnéticos carregados com determinado valor, que poderá ser utilizado para saques ou compras em estabelecimentos da rede comercial. A contratante repassa à contratada o valor dos prêmios mais a remuneração da contratada e indica quem deve receber a premiação (pessoas físicas) e quanto deve receber. A empresa contratada emite os cartões de premiação tal e qual foi determinado pela contratante. Analisando a operação fica evidente que a contratante, por via indireta, remunera as pessoas físicas que determina, no valor que determina; que uma das características da operação é que a remuneração da contratada é bem menor que a carga tributária que incide sobre remuneração de pessoas físicas e que essa operação, se não declarada ao fisco, resulta em sonegação fiscal. Esta Turma já pacificou o entendimento que essa operação caracteriza prestação de serviço remunerado e é geradora de contribuições previdenciárias. Depreendese daí ser procedente a exigência da obrigação acessória ou a autuação pelo seu descumprimento. O valor da multa aplicada teve por base os artigos 92 e 102 da Lei 8.212/91 e artigos 283, I, “a” e 373 do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, sendo os valores de referência atualizados pela PORTARIA MPS N° 142, de 11 de abril de 2007, em seu artigo 9°. Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.18713, de 2001). Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) Fl. 1628DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social; Art. 373. Os valores expressos em moeda corrente referidos neste Regulamento, exceto aqueles referidos no art. 288, são reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da previdência social. Art. 9º A partir de 1º de abril de 2007: IV o valor da multa pelo descumprimento das obrigações, indicadas no: a) caput do art. 287 do Regulamento da Previdência Social RPS, varia de R$ 157,24 (cento e cinqüenta e sete reais e vinte e quatro centavos) e R$ 15.724,15 (quinze mil setecentos e vinte e quatro reais e quinze centavos); b) inciso I do parágrafo único do art. 287, é de R$ 34.942,55 (trinta e quatro mil novecentos e quarenta e dois reais e cinqüenta e cinco centavos); e c) inciso II do parágrafo único do art. 287, é de R$ 174.712,72 (cento e setenta e quatro mil setecentos e doze reais e setenta e dois centavos); V o valor da multa pela infração a qualquer dispositivo do Regulamento da Previdência Social RPS, para a qual não haja penalidade expressamente cominada (art. 283), varia, conforme a gravidade da infração, de R$ 1.195,13 (um mil cento e noventa e cinco reais e treze centavos) a R$ 119.512,33 (cento e dezenove mil quinhentos e doze reais e trinta e três centavos); VI o valor da multa indicado no inciso II do art. 283 do RPS e de R$ 11.951,21 (onze mil novecentos e cinqüenta e um reais e vinte e um centavos); Entendo, portanto, procedente o lançamento. CONCLUSÃO: Voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1629DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 44021.000298/200760 Acórdão n.º 240300.824 S2C4T3 Fl. 1.627 7 Fl. 1630DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10880.022089/95-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 1º trimestre de 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE.
Acórdão obscuro dá azo a embargos de declaração.
Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1990, 01/03/1991 a 31/03/1992
FINSOCIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA.
Decadência é norma geral de direito tributário privativa de lei
complementar, inclusive no lançamento das contribuições sociais. O Código Tributário Nacional, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com o status de lei complementar, disciplina o prazo decadencial em dois dispositivos: no artigo 150, § 4º, e no artigo 173, inciso I; este, é a regra geral; aquele, é específico quando existe pagamento antecipado do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Escoado o prazo, opera-se a
decadência do direito. Precedentes do Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante 8).
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1990, 01/03/1991 a 31/03/1992
LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. JUROS DE MULTA. MULTA DE OFÍCIO.
Incidem juros moratórios sobre o crédito tributário não pago nem
depositado integralmente no vencimento nem pendente de solução de
consulta formulada tempestivamente, até nos casos de exigibilidade suspensa por decisão administrativa ou judicial. A falta de pagamento ou recolhimento de tributo é fato típico para o lançamento com exigência da multa de ofício, inclusive na constituição de crédito tributário para prevenir a decadência, exceto se a suspensão da exigibilidade é anterior ao início de
qualquer procedimento de ofício e na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN.
Numero da decisão: 3101-000.938
Decisão: CORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os
embargos de declaração, com efeitos infringentes, para rerratificar o Acórdão 3101-00.269, de 20 de outubro de 2009, e negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo votaram pelas conclusões.
Matéria: Finsocial- ação fiscal (todas)
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : Finsocial- ação fiscal (todas)
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 1º trimestre de 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Acórdão obscuro dá azo a embargos de declaração. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1990, 01/03/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Decadência é norma geral de direito tributário privativa de lei complementar, inclusive no lançamento das contribuições sociais. O Código Tributário Nacional, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com o status de lei complementar, disciplina o prazo decadencial em dois dispositivos: no artigo 150, § 4º, e no artigo 173, inciso I; este, é a regra geral; aquele, é específico quando existe pagamento antecipado do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Escoado o prazo, opera-se a decadência do direito. Precedentes do Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante 8). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1990, 01/03/1991 a 31/03/1992 LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. JUROS DE MULTA. MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios sobre o crédito tributário não pago nem depositado integralmente no vencimento nem pendente de solução de consulta formulada tempestivamente, até nos casos de exigibilidade suspensa por decisão administrativa ou judicial. A falta de pagamento ou recolhimento de tributo é fato típico para o lançamento com exigência da multa de ofício, inclusive na constituição de crédito tributário para prevenir a decadência, exceto se a suspensão da exigibilidade é anterior ao início de qualquer procedimento de ofício e na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
numero_processo_s : 10880.022089/95-11
conteudo_id_s : 6018988
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 3101-000.938
nome_arquivo_s : Decisao_108800220899511.pdf
nome_relator_s : TARASIO CAMPELO BORGES
nome_arquivo_pdf_s : 108800220899511_6018988.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : CORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para rerratificar o Acórdão 3101-00.269, de 20 de outubro de 2009, e negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo votaram pelas conclusões.
dt_sessao_tdt : Fri Nov 11 00:00:00 UTC 2011
id : 7776613
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:45 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173799538688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2134; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 172 _________ MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.022089/9511 Recurso nº 139.954 Embargos Acórdão nº 310100.938 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 11 de novembro de 2011 Matéria Finsocial (falta de recolhimento) Embargante FAZENDA NACIONAL Interessada METALPÓ INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 1º trimestre de 2003 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. Acórdão obscuro dá azo a embargos de declaração. Assunto: Outros Tributos ou Contribuições Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1990, 01/03/1991 a 31/03/1992 FINSOCIAL. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Decadência é norma geral de direito tributário privativa de lei complementar, inclusive no lançamento das contribuições sociais. O Código Tributário Nacional, recepcionado pela Constituição Federal de 1988 com o status de lei complementar, disciplina o prazo decadencial em dois dispositivos: no artigo 150, § 4o, e no artigo 173, inciso I; este, é a regra geral; aquele, é específico quando existe pagamento antecipado do tributo sem prévio exame da autoridade administrativa. Escoado o prazo, operase a decadência do direito. Precedentes do Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante 8). Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/12/1990, 01/03/1991 a 31/03/1992 LANÇAMENTO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. JUROS DE MULTA. MULTA DE OFÍCIO. Incidem juros moratórios sobre o crédito tributário não pago nem depositado integralmente no vencimento nem pendente de solução de consulta formulada tempestivamente, até nos casos de exigibilidade suspensa por decisão administrativa ou judicial. A falta de pagamento ou recolhimento de tributo é fato típico para o lançamento com exigência da Fl. 193DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 18/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.022089/9511 Acórdão nº 310100.938 S3C1T1 Fl. 173 _________ multa de ofício, inclusive na constituição de crédito tributário para prevenir a decadência, exceto se a suspensão da exigibilidade é anterior ao início de qualquer procedimento de ofício e na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para rerratificar o Acórdão 310100.269, de 20 de outubro de 2009, e negar provimento ao recurso voluntário. Os conselheiros Leonardo Mussi da Silva e Luiz Roberto Domingo votaram pelas conclusões. Henrique Pinheiro Torres Presidente Tarásio Campelo Borges Relator Formalizado em: 18/11/2011 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Mussi da Silva, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges e Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Tratam os autos de embargos de declaração [1] manejados pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, em face do Acórdão 310100.269, de 20 de outubro de 2009 [2], da lavra deste relator. Naquela ocasião, por unanimidade, este colegiado deu parcial provimento ao recurso voluntário para excluir da exigência parcelas do crédito tributário que entendeu alcançadas pela decadência No recurso ora examinado, a embargante aduz serem obscuras e contraditórias com os documentos acostados aos autos as razões que justificaram o acolhimento da decadência e o parcial provimento do recurso voluntário, na forma do voto que transcrevo, ipsis lítteris: 1 Embargos de declaração às folhas 168 a 170. 2 Inteiro teor do acórdão embargado acostado às folhas 162 a 165 (frente e verso). Fl. 194DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 18/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.022089/9511 Acórdão nº 310100.938 S3C1T1 Fl. 174 _________ Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 143 a 147, porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Antes do enfrentamento das razões recursais, levanto uma questão prejudicial de mérito: na data do lançamento da contribuição para o fundo de investimento social (Finsocial) ora discutida, 21 de julho de 1995 [3], a decadência desse direito da Fazenda Nacional já havia extinguido tais créditos tributários vinculados aos fatos geradores do período de janeiro a junho de 1990. Com efeito, entendo que a decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar por força do disposto no artigo 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal de 1988, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4º [4], e 173 [5], ambos do Código Tributário Nacional recepcionado pela atual Carta Política com o status de lei complementar. Na situação fática que se apresenta, pagamento antecipado de tributo sem prévio exame da autoridade administrativa, tem primazia o comando legislativo enunciado no citado § 4o do artigo 150 em detrimento da regra geral imposta pelo artigo 173. Por conseguinte, é de cinco anos o prazo concedido à Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário, contado a partir da ocorrência do fato gerador. A propósito desse tema, creio relevantes decisões do plenário do Supremo Tribunal Federal, proferidas no julgamento do Recurso Extraordinário 559.882 [6]. Na primeira delas, do dia 11 de junho de 2008: O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente), conheceu do recurso extraordinário e a ele negou provimento, declarando a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, e do parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977. Em seguida, o Tribunal adiou a deliberação quanto aos efeitos da modulação, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio. Falou pela recorrente o Dr. Fabrício da Soller, Procurador da Fazenda Nacional. Ausentes, justificadamente, neste julgamento, os Senhores Ministros Carlos Britto e Eros Grau e, na modulação, 3 Data da ciência do lançamento do Finsocial e do encerramento da ação fiscal (folhas 81 e 84). 4 CTN, artigo 150: O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 5 CTN, artigo 173: O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (I) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (II) da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. 6 Decisões disponíveis em: <http://www.stf.gov.br/portal/processo/verProcessoAndamento.asp?numero=559882&classe=RE&origem=A P&recurso=0&tipoJulgamento=M.>. Acesso em 30 jun. 2008, 18h. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 18/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.022089/9511 Acórdão nº 310100.938 S3C1T1 Fl. 175 _________ a Senhora Ministra Ellen Gracie e o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. A conclusão do julgamento foi levada a efeito no dia imediatamente subsequente. Naquela ocasião: O Tribunal, por maioria, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, deliberou aplicar efeitos ex nunc à decisão, esclarecendo que a modulação aplicase tãosomente em relação a eventuais repetições de indébitos ajuizadas após a decisão assentada na sessão do dia 11/06/2008, não abrangendo, portanto, os questionamentos e os processos já em curso, nos termos do voto do relator, Ministro Gilmar Mendes (Presidente). Ausente, justificadamente, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Ainda da Corte Suprema, porque cuida de igual matéria, destaco o enunciado da Súmula Vinculante 8: SÃO INCONSTITUCIONAIS O PARÁGRAFO ÚNICO DO ARTIGO 5º DO DECRETOLEI Nº 1.569/1977 E OS ARTIGOS 45 E 46 DA LEI Nº 8.212/1991, QUE TRATAM DE PRESCRIÇÃO E DECADÊNCIA DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Consequentemente, na data do lançamento, 21 de julho de 1995, já havia decaído o direito de lançar os créditos tributários vinculados aos fatos geradores do período de janeiro a junho de 1990. No que respeita ao litígio remanescente – incidência de juros de mora e de multa de ofício sobre as parcelas do tributo [7] não alcançadas pela decadência – entendo irreparável o acórdão recorrido. Isso porque estão amparados no ordenamento jurídico os lançamentos de juros de mora e de multa de ofício sobre tributos devidos e não pagos nem depositados integralmente no vencimento, inclusive em alguns casos de exigibilidade suspensa por decisão administrativa ou judicial. Com efeito, o artigo 161 [8], caput e § 2o, do Código Tributário Nacional impõe a incidência de juros de mora sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento, independentemente do “motivo determinante da falta”, exceto na “pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito”. Destaco, a propósito, outra exceção à regra de incidência dos juros de mora sobre os créditos não pagos no vencimento: depósito do seu 7 Na lide remanescente, os juros de mora e a multa de ofício incidem sobre o Finsocial calculado mediante alíquota de 0,5%. 8 CTN, artigo 161: O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. [...] § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 18/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.022089/9511 Acórdão nº 310100.938 S3C1T1 Fl. 176 _________ montante integral, regra enunciada no caput do artigo 83 [9] do Decreto 93.872, de 23 de dezembro de 1986. Relativamente às penalidades, a dispensa ou redução delas reclama expressa determinação legal [10]. Nesse sentido, o artigo 63 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996 [11], veda o lançamento de multa de ofício, mas somente alcança a constituição de crédito tributário levada a efeito para prevenir a decadência com exigibilidade suspensa quando a suspensão da exigibilidade atende a dois pressupostos: (1) se deu na forma dos incisos IV e V do artigo 151 do CTN [12] e (2) é anterior ao início de qualquer procedimento de ofício. E tem mais, se favorecida com medida liminar ou tutela antecipada, é cediço que o § 2o do artigo 63 da Lei 9.430, de 27 de 1996, prescreve a interrupção da multa de mora até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial desfavorável ao contribuinte. Nada obstante, não se tem notícia nos autos do presente processo da existência de medida liminar ou de tutela antecipada contrárias à exigência do Finsocial calculado mediante aplicação da alíquota de 0,5%, não havia consulta pendente de solução reclamada pelo sujeito passivo da obrigação tributária, nem existia depósito judicial do montante integral devido na data do lançamento do crédito tributário. Com essas considerações, dou provimento parcial ao recurso voluntário para considerar extinto o crédito tributário litigioso vinculado aos fatos geradores do período de janeiro a junho de 1990. Os autos do processo ora submetidos a julgamento têm 171 folhas. Na última delas, RM 10141, de 13 de abril de 2010, na qual os autos deste processo são movimentados da PGFN para o CARF. É o relatório. 9 Decreto 93.872, de 1986, artigo 83: Será também feito na Caixa Econômica Federal, voluntariamente pelo contribuinte, depósito em dinheiro para se eximir da incidência de juros e outros acréscimos legais no processo administrativo fiscal de determinação e exigência de créditos tributários. Parágrafo único. O depósito de que trata este artigo, de valor atualizado do litígio, nele incluídos a multa e os juros de mora devidos nos termos da legislação específica, será feito à ordem da Secretaria da Receita Federal, podendo ser convertido em garantia de crédito da Fazenda Nacional, vinculado à propositura de ação anulatória ou declaratória de nulidade do débito, à ordem do Juízo competente. 10 CTN, artigo 97: Somente a lei pode estabelecer: [...] (VI) as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. 11 Lei 9430, de 1996, artigo 63: Na constituição de crédito tributário destinada a prevenir a decadência, relativo a tributo de competência da União, cuja exigibilidade houver sido suspensa na forma dos incisos IV e V do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, não caberá lançamento de multa de ofício. (Redação dada pela Medida Provisória 2.15835, de 2001) (§ 1º) O disposto neste artigo aplicase, exclusivamente, aos casos em que a suspensão da exigibilidade do débito tenha ocorrido antes do início de qualquer procedimento de ofício a ele relativo. (§ 2º) A interposição da ação judicial favorecida com a medida liminar interrompe a incidência da multa de mora, desde a concessão da medida judicial, até 30 dias após a data da publicação da decisão judicial que considerar devido o tributo ou contribuição. 12 CTN, artigo 151: Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: [...] (IV) a concessão de medida liminar em mandado de segurança. (V) a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (incluído pela Lei Complementar 104, de 10.1.2001) [...]. Fl. 197DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 18/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.022089/9511 Acórdão nº 310100.938 S3C1T1 Fl. 177 _________ Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges (Relator) Conheço dos embargos de declaração, porque tempestivos e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. Conforme relatado, a embargante aduz serem obscuras e contraditórias com os documentos acostados aos autos as razões que justificaram o acolhimento da decadência e o parcial provimento do recurso voluntário. De fato, entendo configurada no acórdão embargado a obscuridade alegada. Com efeito, o voto condutor do aresto tem como fundamento a existência de “pagamento antecipado de tributo sem prévio exame da autoridade administrativa” [13], mas a planilha de folha 5 demonstra inexistir pagamento antecipado para os fatos geradores ocorridos no período de janeiro a junho de 1990. Daí o caráter confuso do acórdão quando confrontado com os fatos expostos nos autos do processo. Aclarados os fatos, passo, doravante, ao exame da repercussão jurídica. É cediço que a decadência, norma geral de direito tributário privativa de lei complementar por força do disposto no artigo 146, inciso III, alínea “b”, da Constituição Federal de 1988, é matéria disciplinada nos artigos 150, § 4º [14], e 173 [15], ambos do Código Tributário Nacional. Na situação fática que se apresenta, não há se falar em pagamento antecipado de tributo sem prévio exame da autoridade administrativa; consequentemente, tenho por certa a aplicação ao caso do comando legislativo enunciado no citado artigo 173, inciso I, vale dizer, é de cinco anos o prazo concedido à Fazenda Pública para a constituição do crédito tributário, contados “do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado”. 13 Voto condutor do acórdão embargado, folha 164, penúltimo parágrafo. 14 CTN, artigo 150: O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. 15 CTN, artigo 173: O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: (I) do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; (II) da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Fl. 198DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 18/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10880.022089/9511 Acórdão nº 310100.938 S3C1T1 Fl. 178 _________ Por conseguinte, afastada a decadência, entendo merecedora de reparos a decisão deste colegiado, conduzida por voto condutor de minha lavra, que deu provimento parcial ao recurso voluntário porque considerou extinto, por decurso do prazo, o crédito tributário litigioso vinculado aos fatos geradores ocorridos no período de janeiro a junho de 1990, constituído pela Fazenda Nacional em 21 de julho de 1995, data da ciência do lançamento do Finsocial e do encerramento da ação fiscal (folhas 81 e 84). De mais a mais, é tema estranho nos embargos de declaração a incidência de juros de mora e de multa de ofício sobre o tributo devido, enfrentada e mantida no julgamento agora hostilizado. Com essas considerações, acolho os embargos de declaração, com efeitos infringentes, para rerratificar o Acórdão 310100.269, de 20 de outubro de 2009, e negar provimento ao recurso voluntário. Tarásio Campelo Borges Fl. 199DF CARF MF Emitido em 16/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 18/11/2011 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 18/11/20 11 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 24/11/2011 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10830.013096/2008-12
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2007
PREVIDENCIÁRIO. FOLHA DE PAGAMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO COMPETENTE DA SEGURIDADE SOCIAL. DEVER DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. MULTA.
É obrigação acessória da empresa preparar folhas de pagamento das
remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da seguridade social, sujeitando-se, em caso de descumprimento, à pena de multa pecuniária estabelecida em lei.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2403-000.852
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201110
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2007 PREVIDENCIÁRIO. FOLHA DE PAGAMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO COMPETENTE DA SEGURIDADE SOCIAL. DEVER DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. MULTA. É obrigação acessória da empresa preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da seguridade social, sujeitando-se, em caso de descumprimento, à pena de multa pecuniária estabelecida em lei. Recurso Voluntário Negado.
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 27 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10830.013096/2008-12
anomes_publicacao_s : 201110
conteudo_id_s : 4888936
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.852
nome_arquivo_s : 2403000852_10830013096200812_201110.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : IVANCIR JÚLIO DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 10830013096200812_4888936.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
id : 4751714
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:43 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173801635840
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1714; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 314 1 313 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.013096/200812 Recurso nº 111.111 Voluntário Acórdão nº 2403000.852 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 26 de outubro de 2011 Matéria OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente MOGIANA ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2007 PREVIDENCIÁRIO. FOLHA DE PAGAMENTO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.ELABORAÇÃO DE ACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO COMPETENTE DA SEGURIDADE SOCIAL. DEVER DA EMPRESA. DESCUMPRIMENTO. INFRAÇÃO. MULTA. É obrigação acessória da empresa preparar folhas de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da seguridade social, sujeitandose, em caso de descumprimento, à pena de multa pecuniária estabelecida em lei. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Ivacir Júlio de Souza Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 339DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Conforme fls.9, o Auto de Infração n° 37.197.5492 foi lavrado em virtude de a "MOGIANA ALIMENTOS S/A. não haver incluído nas folhas de pagamento de janeiro de 2003 a fevereiro de 2007 todos os segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestaram serviço no período, o que constituiu infração ao disposto no inciso I do art. 32 da Lei n° 8.212, de 24/07/1991. Em virtude de tal omissão, e consoante o RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA (fl. 59), o auditor autuante impôs à empresa a pena de multa cominada no art. 92 da referida lei de custeio, c/c o art. 283, inciso I, alínea "a", do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999, no valor mínimo de R$ 1.254,89 (atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 32008), por não se ter verificado in casu, qualquer das circunstâncias de que cuidam os art. 290 e 291 do mesmo normativo regulamentar. DA IMPUGNAÇÃO Inconformada com a autuação, a empresa impugnou o auto alegando em síntese que : a) os créditos anteriores a 31/12/2003 encontramse abrangidos pela decadência a que alude o § 4° do art. 150 do Código Tributário Nacional; b) o prazo de trinta dias que lhe foi concedido para impugnação é por demais exíguo, o que caracteriza desrespeito ao direito da ampla defesa constitucionalmente garantido; c) dada à conexão entre eles, os AI n° 37.197.5409, 37.197.5441, 37.197.5450, 37.197.5468, 37.197.5476, 37.197.5484, 37.197.5492 e 37.197.5506 devem ser juntados para um julgamento único; d) no mérito, o lançamento é improcedente, como o evidenciam, por amostragem, as páginas 25 e 26 do documento anexado às fls. 119 e 120 dos autos, onde se verifica que, ao contrário do afirmado pelo AFRFB autuante na página 111 do "ANEXO I" de seu relatório fiscal, o Sr. Aparecido Gomes de Carvalho foi incluído na folha de pagamento relativa ao mês de janeiro de 2006; e e) contrariando, da mesma forma, a afirmação do auditor fiscal no relatório do AI n° 37.197.5506, esse mesmo empregado também foi incluído na GFIP Guia de Depósito do FGTS e Informações à Previdência Social do referido mês, como demonstrado na impugnação interposta nos autos daquele processo. A defesa encontrase instruída com cópias dos documentos citados na letra "d", acima (fls. 94 a 271) e de um "EXTRATO DE CONTA VINCULADA" relativo ao mencionado trabalhador (fl. 93), emitido em 21/01/2009. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA Fl. 340DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.013096/200812 Acórdão n.º 2403000.852 S2C4T3 Fl. 315 3 Após analisar aos argumentos da impugnante, na forma do registro de fls. 274, a 6ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil de Campinas ( SP) DRJ/CPS, em 02 de junho de 2009, emitiu o Acórdão n ° 0525.822 mantendo procedente o lançamento. DO RECURSO Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário( fls. 282) onde, em síntese, reiterou as alegações que fizera em instancia “ad quod ” de modo que: A competência 13/12/2003, inclusive, e anteriores encontramse alcançadas pela decadência; b) Apesar de ser o prazo legal, os assuntos tratados em cada auto de infração, com certeza não foram observados todos no mesmo dia assim, o prazo de trinta dias que lhe foi concedido para impugnação é por demais exíguo, o que caracteriza desrespeito ao direito da ampla defesa constitucionalmente garantido; e Os julgadores preferiram justificar que apenas um caso estava sendo impugnado, o que não é realidade, uma vez que impugnamos todos os lançamentos de base de cálculo. Omitiramse assim os julgadores a respeito das demais competências impugnadas, que inclusive juntamos folha de pagamento, que deveriam ter sido analisadas com a devida confrontação de dados. É o Relatório. Fl. 341DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Ivacir Júlio de Souza, Relator DA TEMPESTIVIDADE Conforme registro de fls.313, o recurso é tempestivo e reúne os pressuposto de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento DA PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. A recorrente foi autuada por ter infringido no período jan/2003 a fev/2007 o disposto na Lei 8.212/91, artigo 32, inciso I e tomou conhecimento do Auto de Infração em 23/12/2008, desse modo , ainda que se em se reconheça a ocorrência do Instituto da decadência na forma do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional – CTN, restariam fulminadas somente as competências 11/2003 e anteriores. Entretanto, tratase o presente auto de autuação por valor único abrangendo a infração ao período como um todo. “Lei 8.212/91, artigo 32, inciso I: Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; ” Consoante o RELATÓRIO FISCAL DA APLICAÇÃO DA MULTA (fl. 59), o auditor autuante impôs à empresa a pena de multa cominada no art. 92 da referida lei de custeio, c/c o art. 283, inciso I, alínea "a", do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999, no valor mínimo de R$ 1.254,89 (atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11.3.2008), por não se ter verificado in casu, qualquer das circunstâncias de que cuidam os art. 290 e 291 do mesmo normativo regulamentar. Dessa forma, uma única incorreção, um único mês inadimplido, já constitui conduta punível pela lei. Desse modo, não dou provimento a preliminar. DO PRAZO PARA DEFESA A Recorrente alega que : “ Apesar de ser o prazo legal, os assuntos tratados em cada auto de infração, com certeza não foram observados todos no mesmo dia assim, o prazo de trinta dias que lhe foi concedido para impugnação é por demais exíguo, o que caracteriza desrespeito ao direito da ampla defesa constitucionalmente garantido”( grifei) Fl. 342DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10830.013096/200812 Acórdão n.º 2403000.852 S2C4T3 Fl. 316 5 Ressaltese que a recorrente entende e registra que o prazo é legal. Assim, exíguo ou não, esse prazo legal na forma do disposto no 1rt. 15 do Decreto n° 70.235/72: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. (grifei) Desse modo, não dou provimento a alegação. DAS CONEXÕES A recorrente requereu que em face da conexão, os processos AI n° 37.197.5409, 37.197.5441, 37.197.5450, 37.197.5468, 37.197.5476, 37.197.5484, 37.197.5492 e 37.197.5506 sejam juntados em um único julgamento: Neste sentido, a primeira instância manifestou que “ nenhum dos demais processos acima identificados guarda com o ora apreciado relação suficiente para justificar o deferimento do pleito aqui deduzido pelo sujeito passivo.” Ocorre que muito embora a decisão de primeira instância, coube a mim a relatoria dos processos 10830.013090/200845 e 10830.013095/200878 da mesma Recorrente e procederei ao julgamento na mesma sessão do presente. DO MÉRITO Da suposta improcedência da autuação Neste sentido, na decisão de primeira instância o Julgador “ad quod” ressalta como : “ importantíssimo fato de que a empresa não trouxe aos autos as folhas de pagamento dos demais meses compreendidos no período de janeiro de 2003 a fevereiro de 2007, do que resulta igualmente não provada a suposta improcedência da autuação no tocante a essas competências. Destarte, seja porque a "Folha Fiscal" trazida aos autos foi emitida após a conclusão do procedimento impugnado e, ainda, evidencia a não correção da falta na competência janeiro de 2006, seja porque não foram apresentadas as demais folhas de pagamento do período auditado, não há como fugir à conclusão de que improcedente é a alegação da defesa, e não o AI n° 37.197.5492, que deve, assim, ser mantido em sua totalidade.”(grifei) Cumpre observar que a Recorrente não combateu tal decisão interlocutória fazendo concluir que a autuação fora procedente. Assim, não dou provimento a alegação. CONCLUSÃO Fl. 343DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Por tudo que foi exposto, conheço do Recurso para , no mérito, NÃO DAR PROVIMENTO. É como voto. Ivacir Júlio de Souza Fl. 344DF CARF MF Emitido em 29/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/11/2011 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 07/11/201 1 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 29/11/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11030.002465/2008-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO SANEAMENTO DE OMISSÃO
Restando caracterizada uma das omissões alegadas, devem ser acolhidos parcialmente os embargos de declaração, para que sejam prestados os devidos esclarecimentos e o vício saneado, mantendose,
contudo, a parte dispositiva do acórdão anteriormente proferido.
Numero da decisão: 1802-001.106
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher
parcialmente os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201201
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO SANEAMENTO DE OMISSÃO Restando caracterizada uma das omissões alegadas, devem ser acolhidos parcialmente os embargos de declaração, para que sejam prestados os devidos esclarecimentos e o vício saneado, mantendose, contudo, a parte dispositiva do acórdão anteriormente proferido.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
numero_processo_s : 11030.002465/2008-20
conteudo_id_s : 6587221
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1802-001.106
nome_arquivo_s : 180201106_11030002465200820_201201.pdf
nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
nome_arquivo_pdf_s : 11030002465200820_6587221.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher parcialmente os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jan 31 00:00:00 UTC 2012
id : 9265340
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:49 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173828898816
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1634; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 868 1 867 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11030.002465/200820 Recurso nº 521.441 Embargos Acórdão nº 180201.106 – 2ª Turma Especial Sessão de 31 de janeiro de 2012 Matéria IRPJ E OUTROS Embargante MARPETRO TRANSPORTE DE COMBUSTÍVEIS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO SANEAMENTO DE OMISSÃO Restando caracterizada uma das omissões alegadas, devem ser acolhidos parcialmente os embargos de declaração, para que sejam prestados os devidos esclarecimentos e o vício saneado, mantendose, contudo, a parte dispositiva do acórdão anteriormente proferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em acolher parcialmente os embargos de declaração, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Ausente momentaneamente o Conselheiro Marciel Eder Costa. Fl. 903DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0422.10428.NAXF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11030.002465/200820 Acórdão n.º 180201.106 S1TE02 Fl. 869 2 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela Contribuinte acima identificada, visando sanar alegados vícios de obscuridade, contradição e omissão constante do Acórdão nº 180200.838, proferido por este colegiado na sessão de 29/03/2011, às fls. 836 a 844. O presente processo tem por objeto lançamento de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) cujos fatos geradores ocorreram ao longo dos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. O acórdão embargado apresentou a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA CRITÉRIOS PARA APRECIAÇÃO DE ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INOCORRÊNCIA A grande amplitude no trabalho de interpretação das leis está a cargo do Poder Judiciário, especialmente quando se pretende questionar o fundamento de validade de norma que foi validamente inserida no ordenamento, partindo de uma abstrata conjugação de princípios, como o da capacidade contributiva, da vedação ao confisco etc. Correto o critério adotado pela Delegacia de Julgamento na apreciação dos argumentos relativos à inconstitucionalidade ou ilegalidade de lei. NULIDADE DO LANÇAMENTO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF) O MPF é mero instrumento de controle administrativo, e, portanto, não subtrai ou limita a competência legal do Auditor Fiscal para o exercício de suas funções, que está definida em Lei, em sentido estrito. As repercussões de irregularidades cometidas em relação ao MPF limitamse às relações entre a Administração Tributária e seus integrantes, no âmbito específico do Direito Administrativo. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, Fl. 904DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0422.10428.NAXF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11030.002465/200820 Acórdão n.º 180201.106 S1TE02 Fl. 870 3 regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. OMISSÃO DE RECEITA. LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL DE APURAÇÃO O percentual de presunção do lucro de 1,6% sobre a receita bruta auferida aplicase unicamente à atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural. Quando não for possível determinar se os créditos e/ou depósitos bancários não comprovados se referem a essas receitas, devese aplicar o percentual mais elevado correspondente às receitas obtidas nas atividades desenvolvidas pelo Contribuinte. ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS TAXA SELIC Perfeitamente cabível a exigência dos juros de mora calculados à taxa referencial do sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, conforme os ditames do art. 61, § 3º, e art. 5º, § 3º, ambos da Lei n° 9.430/96, uma vez que se coadunam com a norma hierarquicamente superior e reguladora da matéria Código Tributário Nacional, art. 161, § 1º. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE TAXA SELIC O controle de constitucionalidade dos atos legais é matéria afeta ao Poder Judiciário. Descabe às autoridades administrativas de qualquer instância examinar a constitucionalidade das normas inseridas no ordenamento jurídico nacional. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. A chamada tributação reflexa, relativamente às contribuições sociais, realizada a partir da omissão de receita apurada no âmbito da fiscalização do IRPJ, encontra respaldo no § 2º do art. 24 da Lei 9.249/1995, e independe da ampliação da base de cálculo promovida pelo § 1º do art. 3º da Lei 9.718/1998. A ciência da Contribuinte ocorreu em 14/10/2011 (sextafeira) e os embargos de fls. 853 a 866 foram apresentados em 21/10/2011. Primeiramente, a Embargante tece algumas considerações teóricas sobre os embargos de declaração. Na seqüência, desenvolve argumentos sobre os tópicos abaixo. QUANTO À PROBLEMÁTICA DA CARÊNCIA DE SUPORTE AUTORIZATIVO (MPFF) PARA LANÇARSE O PIS E A COFINS NO PRESENTE FEITO: às fls. 1115 de seu recurso voluntário a Embargante/Recorrente reclamou da nulidade dos lançamentos das contribuições para o PIS e para a COFINS, fundamentalmente Fl. 905DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0422.10428.NAXF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11030.002465/200820 Acórdão n.º 180201.106 S1TE02 Fl. 871 4 porque o MPFF emitido pelo Sr. Delegado da Receita Federal de Passo Fundo não as indicava como espécies tributárias abrangidas pela ação fiscal, tampouco havendo, por parte do Autuante, requerimento apto a alterarlhe para a inclusão destes tributos, antes de confeccionar os autos de infração e darlhes ciência; quanto a esse ponto, o Conselheiro Relator limitouse a transcrever algumas ementas de julgados do CARF, cuja aplicação é apenas “referencial”, não surtindo efeitos às partes não envolvidas no litígio, como tão contumazmente asseveram as Autoridades Fiscais Judicantes, nos casos em que os precedentes são contrários ao seu juízo; o Relator, no voto embargado, não nega o fato de o documento autorizativo limitar a atuação fiscal aos tributos nele mencionados (IRPJ/CSLL), mas rejeita a preliminar, suplementarmente, porque o art. 8° da Portaria RFB n° 11.371/2007 permitiria a “inclusão tácita” dos tributos eventualmente omitidos; sucede que a Embargante, dentre outros, chamou a atenção do DD. Julgador para a redação do art. 9° do mesmo Estatuto, segundo o qual as alterações no MPF, notadamente aquelas relativas a tributos ou contribuições a serem examinados, devem ser procedidas mediante “...registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria”; e de acordo com o parágrafo único do mesmo artigo, “na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração”; ocorre que dito procedimento não foi observado e o Relator não conheceu ou julgou a questão, o que, na pior das hipóteses, se incompatibiliza com a redação do art. 8°, citado no voto embargado como antítese defensiva. Eis a razão, portanto, de o acórdão revelar se omisso, merecendo seja saneado. QUANTO À PROBLEMÁTICA DO PERCENTUAL DE PRESUNÇÃO DO LUCRO DA ATIVIDADE VERSUS A TRIBUTAÇÃO DA OMISSÃO DE RECEITAS PRESUMIDA COMO DE OUTRA FONTE DE RENDIMENTOS: no tocante a essa temática, aduziu a Embargante/Recorrente, às fls. 17 do apelo, que sempre procurou patentear aos Autuantes que a quase totalidade dos créditos/depósitos movimentados nas contascorrente excepcionadas da escrituração decorrem da atividade empresarial de transporte e venda de combustíveis, tal como se depreende do Estatuto Social (e alterações) fls. 287/299 e das Notas Fiscais de Venda carreadas ao PAF, a título exemplificativo (302/654), notadamente as de n° 11, 181, 218, 219, 261 e 323; complementarmente às citadas provas circunstanciais que de que sua única e exclusiva fonte de produção de renda/lucro advinha da exploração de vendas de combustíveis a consumidor, cujo percentual de presunção do lucro, por imposição legal, é sensivelmente menor que o utilizado pelo Agente Lançador, a Embargante invocou, no subtítulo 6.2 da peça recursal, intitulado “INCONSISTÊNCIAS FACTUAIS DOS LANÇAMENTOS”, o princípio da verdade material; sucedeu que, inobstante a clareza da discussão acerca do tema, que conta inclusive com precedentes prolatados pelo CARF, posteriores à edição do famigerado art. 42 da Lei n° 9.430/96, o Insigne Conselheiro Relator deixou de enfrentar a matéria (provas e Fl. 906DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0422.10428.NAXF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11030.002465/200820 Acórdão n.º 180201.106 S1TE02 Fl. 872 5 verdade material), sobretudo sob a perspectiva de a fonte de recursos da Embargante ser apenas uma a atividade de venda de combustíveis, não havendo porque exigirlhe produção de prova negativa dos fatos quando o próprio Fisco Federal não comprova o contrário (outras fontes produtoras de riqueza), limitandose a gizar da documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, como meio único de afastar a regra presuntiva sobre a qual se calcam os lançamentos; portanto, a exemplo da reclamação precedente e à vista das lacunas retroindicadas, pede a Embargante seja essa omissão esclarecida no acórdão embargado. OS PEDIDOS: à vista do exposto, a Embargante requer seja recebido, processado, conhecido e acolhido (provido) os presentes ACLARATÓRIOS, especialmente para fins de sanar e/ou integrar no venerando decisum, as omissões, obscuridades e/ou contradições retroexplicitadas. Este é o Relatório Fl. 907DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0422.10428.NAXF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11030.002465/200820 Acórdão n.º 180201.106 S1TE02 Fl. 873 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator Os embargos são tempestivos e dotados dos demais pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Conforme relatado, cuida o presente processo de lançamento para exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS), cuja motivação foi a omissão de receitas nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006. Esta omissão de receitas foi apurada a partir de crédito/depósitos bancários com origem não comprovada, nos termos da presunção legal prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996. O IRPJ e a CSLL foram constituídos pelo regime do Lucro Presumido. Os embargos de declaração abrangem duas matérias. Quanto ao MPF, o voto que orientou o acórdão embargado sustentou o entendimento de que sua natureza é a de um instrumento meramente administrativo, e que eventual irregularidade em relação a ele não contamina o lançamento que tenha obedecido as regras do Processo Administrativo Fiscal – Decreto nº 70.235/1972. Nesse sentido, destacou também que a competência dos Auditores Fiscais está definida em Lei, em sentido estrito, e que as repercussões de irregularidades cometidas em relação ao MPF limitamse às relações entre a Administração Tributária e seus integrantes, no âmbito específico do Direito Administrativo. Embora não haja nenhuma obrigatoriedade de acatar precedentes, salvo quando sumulados (o que não é o caso), a citação de outros julgados do CARF serviu apenas como um reforço a esta linha de interpretação, que atualmente não é nem mais objeto de controvérsias, e que, por si só, já serviria como fundamento do voto embargado. Mesmo assim, o Relator entendeu que caberiam esclarecimentos adicionais, no seguinte sentido: Não bastassem esses aspectos, vale destacar, em relação ao caso sob exame, a regra contida no art. 8º da mesma Portaria RFB nº 11.371/2007 que foi citada pela Recorrente: “Art. 8º Na hipótese em que infrações apuradas, em relação a tributo ou contribuição contido no MPFF ou no MPFE, também configurarem, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos ou contribuições, estes serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa.” (grifos acrescidos) Fl. 908DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0422.10428.NAXF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11030.002465/200820 Acórdão n.º 180201.106 S1TE02 Fl. 874 7 É justamente o que ocorreu com o PIS e a COFINS, posto que o lançamento destas contribuições se deu a partir das mesmas infração apuradas para o lançamento do IRPJ. Portanto, nem mesmo houve qualquer irregularidade em relação ao MPF, ao contrário do alegado pela Recorrente. Diante destas informações, a Contribuinte, em sede de embargos, alega que não restou analisado o art. 9º da mesma portaria, por ela citado no recurso, e que este artigo, no mínimo, se mostra incompatível com a redação do art. 8° mencionado no voto embargado. Realmente, a Contribuinte buscou amparo no art. 9º da Portaria RFB nº 11.371/2007, e o acórdão embargado não fez um comentário específico sobre esse dispositivo, no sentido de esclarecer o conteúdo de suas regras: Art. 9º As alterações no MPF, decorrentes de prorrogação de prazo, inclusão, exclusão ou substituição de AFRFB responsável pela sua execução ou supervisão, bem como as relativas a tributos ou contribuições a serem examinados e período de apuração, serão procedidas mediante registro eletrônico efetuado pela respectiva autoridade outorgante, conforme modelo aprovado por esta Portaria. Parágrafo único. Na hipótese de que trata o caput, o AFRFB responsável pelo procedimento fiscal cientificará o sujeito passivo das alterações efetuadas, quando do primeiro ato de ofício praticado após cada alteração Nesse contexto, cabe, então, esclarecer que não há conflito ou contradição entre os mencionados dispositivos da Portaria RFB nº 11.371/2007. O fato é que o MPF, depois de emitido, pode sofrer várias alterações, relativamente à prorrogação de prazo, à modificação do Auditor responsável pela sua execução ou supervisão, aos tributos e contribuições a serem examinados e ao período de apuração, alterações que serão procedidas mediante registro eletrônico (...). Contudo, quando as infrações apuradas em relação ao tributo contido inicialmente no MPF configurarem também, com base nos mesmos elementos de prova, infrações a normas de outros tributos, estes outros tributos “serão considerados incluídos no procedimento de fiscalização, independentemente de menção expressa”, que é justamente o que ocorreu com o PIS e a COFINS no presente caso. Vêse, portanto, que o art. 8º é apenas uma exceção à regra contida no art. 9º, exceção que se mostrou totalmente adequada à situação sob exame. Feitos os devidos esclarecimentos em relação ao primeiro ponto, passo à análise do segundo. Quanto aos alegados problemas na identificação do coeficiente para a presunção do lucro, entendo que o acórdão embargado não incorreu em qualquer omissão ou obscuridade. Vale aqui reproduzir os seus fundamentos: Fl. 909DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0422.10428.NAXF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11030.002465/200820 Acórdão n.º 180201.106 S1TE02 Fl. 875 8 Quanto aos questionamentos acerca do coeficiente para a presunção do lucro (8% em vez de 1,6%), cabe destacar que durante a auditoria fiscal a Contribuinte apresentou as notas fiscais de números 001 a 352 (fls.302 a 654), no intuito de comprovar que os depósitos bancários eram provenientes da venda de combustível. Sobre esta documentação, o Termo de Verificação Fiscal de fls. 54 a 60 traz as seguintes informações: “Em 21/08/2008, a contribuinte apresentou resposta ao Termo de Intimação lavrado em 08/08/2006, declarando o seguinte: "vem através desta apresentar a relação de depósito e declarar que os mesmos se referem a venda de combustível por esta empresa”. Em 22/08/2008, 29/09/2008 e 28/10/2008 foram lavrados Termos de Intimação visando obter documentos que possibilitem comprovar que as receitas da empresa efetivamente são provenientes da revenda de combustíveis. Nas respostas da contribuinte esta apresentou apenas 16 Notas Fiscais de compras de Diesel Industrial emitidas por Flórida Distr. De Petróleo Ltda. e as Fiscais de Vendas emitidas por ela. Dessas notas fiscais de venda apenas as de números 11, 181, 218, 219, 261 e 323 referemse a álcool combustível. As demais Notas Fiscais referemse a vendas de lubrificantes. Dessa forma, verificase que as notas fiscais de vendas não possuem nenhuma relação com as notas fiscais de compra. Ainda em sua resposta a fiscalizada informou que não escriturou o Livro Registro de Estoque de Combustíveis. A fiscalizada apresentou o Registro na ANP. No entanto, a autorização foi emitida em 09/06/2008, portanto, após os períodos fiscalizados. Dessa forma, tendo em vista os documentos apresentados pela contribuinte, não ficou comprovada a origem dos crédito/depósitos bancários.” A Delegacia de Julgamento, por sua vez, ao analisar os argumentos apresentados pela Contribuinte, fez as seguintes considerações: “Em relação ao pedido do Contribuinte em aplicar a regra específica de tributação prevista no art. 15 da Lei nº 9.249, de 1995, ou seja, 1,6% sobre os créditos/depósitos cuja origem não restou comprovada, esclareçase que esse percentual é aplicado quando ficar comprovado que a receita auferida se refere à revenda de combustíveis derivados de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural (art. 519, § 1º, I, do RIR/1999). No caso de não ser possível identificar se a receita omitida (créditos/depósitos não comprovados) se refere à revenda de combustíveis derivados de petróleo, álcool etílico carburante Fl. 910DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0422.10428.NAXF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11030.002465/200820 Acórdão n.º 180201.106 S1TE02 Fl. 876 9 ou gás natural, para fins de apuração do lucro presumido, devese aplicar o percentual mais elevado referente às atividades desenvolvidas pelo Contribuinte, em obediência ao disposto no parágrafo único do art. 528 do RIR/1999, a seguir transcrito: “Art. 528. Verificada omissão de receita, o montante omitido será computado para determinação da base de cálculo do imposto devido e do adicional, se for o caso, no período de apuração correspondente, observado o disposto no art. 519 (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Parágrafo único. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º).” No caso, o percentual de apuração do lucro presumido deve ser de 8%, tendo em vista que o Contribuinte também efetua a revenda de óleo lubrificante, conforme cópia das Notas Fiscais apresentadas (fls. 302654), atividade essa que não é abrangida pelo percentual de presunção de 1,6%. Também, o Contribuinte informou na DIPJ do anocalendário de 2004, 4º trimestre, (fl. 67), que auferiu receitas sujeitas ao percentual de 8%. Assim, não tendo comprovado, por intermédio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos movimentados nas referidas contas bancárias, correto o procedimento fiscal em tributar, como omissão de receita, os valores dos depósitos e/ou créditos bancários não comprovados, apurando o lucro presumido no percentual de oito por cento sobre a receita omitida.” Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte não trouxe nenhum argumento capaz de refutar os fundamentos acima transcritos, pelo que os adoto nesta decisão, para efeito de manter o coeficiente de presunção de lucro em 8%. Restou bastante caracterizado, pelas próprias notas fiscais de vendas e pela DIPJ apresentada pela Contribuinte, que ela exerce atividade sujeita ao coeficiente de 8%. Além disso, foi registrado que de acordo com a lei, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta deverá ser tributada pelo coeficiente mais elevado, dentre aqueles aplicáveis à Contribuinte. Invocando o princípio da verdade material, a Embargante busca questionar a conclusão que decorreu do exame das provas, procurando discutir os critérios para a sua valoração, mas os Embargos de Declaração não se destinam a esse fim. Nestes termos, voto no sentido acolher parcialmente os embargos, para sanar a omissão incorrida na análise dos questionamentos referentes ao MPF, mantendo, contudo, as conclusões do acórdão embargado. Fl. 911DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0422.10428.NAXF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 11030.002465/200820 Acórdão n.º 180201.106 S1TE02 Fl. 877 10 (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 912DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 10 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP06.0422.10428.NAXF. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA em 27/02/2012 19:13:58. Documento autenticado digitalmente por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA em 27/02/2012. Documento assinado digitalmente por: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA em 04/03/2012 e JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA em 27/02/2012. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 06/04/2022. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP06.0422.10428.NAXF Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 1D11A4D9E0542B4686C4E0C24E86831582ED72C2 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 11030.002465/2008-20. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
score : 1.0
Numero do processo: 35067.000053/2004-72
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000
RESTITUIÇÃO
Somente poderão ser restituídas as contribuições nas hipóteses de
recolhimento indevido ou maior que o devido.
Numero da decisão: 2403-000.819
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000 RESTITUIÇÃO Somente poderão ser restituídas as contribuições nas hipóteses de recolhimento indevido ou maior que o devido.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 35067.000053/2004-72
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4893052
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.819
nome_arquivo_s : 2403000819_35067000053200472_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 35067000053200472_4893052.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4745538
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:42 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173833093120
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1231; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 160 1 159 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35067.000053/200472 Recurso nº 000000 Voluntário Acórdão nº 240300.819 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MARIA IACY NASCIMENTO FAGUNDES DE ARAGÃO VILLA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/1999 a 30/06/2000 RESTITUIÇÃO Somente poderão ser restituídas as contribuições nas hipóteses de recolhimento indevido ou maior que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhaes Peixoto, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 177DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Trata o presente processo de recurso voluntário contara decisão da Delegacia Da Receita Previdenciária Rio de Janeiro I, acórdão, 1224.238 15ª Turma, que decidiu por indeferir a manifestação de inconformidade apresentada, referente a restituição. O pedido de restituição de contribuições supostamente recolhidas indevidamente pelo contribuinte, protocolado em 22.01.2004, inicialmente referiuse ao período 03/95 a 04/2001 e, posteriormente, em 26/03/2004, restringiuse ao período entre 07/1999 e 06/2000. Tem por base a alegação de ter efetuado recolhimentos de contribuições previdenciárias, na qualidade de contribuinte individual, de forma indevida, uma vez que obteve êxito na reclamatória trabalhista, cuja sentença lá proferida reconheceulhe o vinculo empregatício em face da empresa Latorre Construção e Incorporação Ltda, condenandoa também a efetuar o recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, incluindo a contribuição a titulo de segurado empregado. O relatório apresentado no julgamento de primeira instância apresenta outros detalhes, conforme abaixo apresentado: 2.1. 0 requerimento de restituição foi protocolado em 20.01.2004 (fl.1), cautelarmente, com o fito de evitar a prescrição qüinqüenal para pleitear as restituições, uma vez que a interessada aguardava o trânsito em julgado da sentença proferida nos autos da reclamatória trabalhista 787/01 da 8ª Vara do Trabalho de Vitória (ES). 2.2. Em 26.03.2004 a interessada aditou o requerimento, informando as competência das quais pretende a restituição (07.1999 a 06.2000), anexando as guias da Previdência Social pagas (fls.35/41). 2.3. Analisando o pedido, o INSS indeferiuo conforme Decisão anexa (fl.57), com respaldo na Nota Técnica 171/2004 lavrada pela Procuradora Federal (fls.46/50, 56), sob a justificativa de que cabe à interessada o ônus da prova de que a sua filiação à Previdência Social, na qualidade de segurada contribuinte individual, derivavase tão somente dos serviços autônomos que prestava à. empresa Latorre Construção e Incorporação Ltda, o que possibilitaria em tese a conversão do seu vinculo previdenciário para segurada empregada, por força da sentença trabalhista, e a restituição das contribuições por ela pagas como segurada contribuinte individual. E, desta forma, inexistindo prova de que tenha trabalhado exclusivamente para a empresa citada, no período objeto da restituição, presumese o exercício de atividade remunerada como autônoma para diversos tomadores de serviços, o que impossibilita a restituição das contribuições pagas. Fundamenta ainda a decisão o fato de a sentença trabalhista não ter transitado em julgado. A contribuinte, inconformada com a decisão de primeira instância, apresentou recurso voluntário onde, resumidamente alega o seguinte: • Sentença trabalhista transitou em julgado, onde foi reconhecido à recorrente o vinculo empregatício pelos serviços prestados à Lattorre Construção e Incorporação Ltda., exercidos no horário integral para o período pleiteado, qual seja, de 8:00 As 18:30min, com 1:00 hora de intervalo para refeição. Fl. 178DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35067.000053/200472 Acórdão n.º 240300.819 S2C4T3 Fl. 161 3 • Sentença afirma com total segurança em qual horário a recorrente prestava serviço à Lattorre, visto que reconhecido vinculo trabalhista de horário integral entre as partes — de 8:00 As 18:30 horas e à noite a mesma cursava Direito na Faculdade UVV das 19:00 às 22:40 horas, de 2ª à 6ª feira. • Desatualizada e equivocada também a informação trazida aos autos pelo INSS, quando diz que, conforme comprovam as telas do Sistema CNIS, que informam que a recorrente era autônoma no exercício da função de engenheiro civil, caem por terra diante do recadastramento e alteração de dados efetuados em 30/07/99, pela funcionária Eunice Cruz de Oliveira, constando a autora com ocupação de empresário, e sob este mesmo argumento recolheu a contribuição previdenciária, com o código 1309, como atesta consulta de recolhimentos deste período. É o relatório. Fl. 179DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Inicialmente entendo necessário esclarecer a condição de segurada do regime geral de previdência social. A contribuinte inicialmente, em 01/06/1986, foi cadastrada sob o número 1.117.788.2978, na condição de autônoma (folhas 31 e 32). Um segundo cadastro foi efetuado em 06/04/1988, cuja fonte foi o PIS (folha 28). O terceiro cadastro, e o mais importante neste processo (sobre este cadastro centrarei as discussões), foi efetuado em 07/12/1993, sob número 1.164.787.3397, na condição de autônomo, engenheiro civil (folhas 22 e 23). A recorrente trouxe ao processo, folha 117, documento de alteração de cadastro para a condição de empresária, assinado pela recorrente, datado de 30/07/1999, mês inicial do pedido de restituição. Outro documento trazido ao processo é a Primeira Alteração Contratual da empresa Gerhardt Engenharia Ltda, onde consta a admissão da sócia Maria Iacy Nascimento Fagundes de Aragão Villa em 30/03/95. A sentença do processo trabalhista que determinou o vínculo empregatício registra que a empresa Latorre é sucessora da empresa Gerhart Engenharia Ltda e que considerou frágil a alegação que Maria Iacy fazia parte do quadro societário por não constar dos autos daquele processo a alteração societária que comprovasse tal alegação. IV. DO CONTRATO DE TRABALHO ÚNICO Inicialmente, é mister ressaltar que a ré é sucessora da empresa GERHART ENGENHARIA LTDA., como depreendese às fls. 173, portanto, com arrimo nos arts. 10 e 448 da CLT, responde por todo o contrato de trabalho da autora. Vindica a reclamante a declaração da nulidade da dispensa ocorrida em 01/12/96. A prova oral de fls. 280 assevera que a reclamante trabalhou de forma continua para a ré de 96/97, não havendo sentido na resilição contratual operada em 01/12/96. A alegação de que a reclamante passou a fazer parte do quadro societário da ré a partir de março/95 (fls. 179) é por toda frágil, pois não há nos autos a alteração contratual societária Fl. 180DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 35067.000053/200472 Acórdão n.º 240300.819 S2C4T3 Fl. 162 5 necessária que comprove essa alegação, bem como, o documento de fls. 64 se reveste de recibo de pagamento de salário. Há mais. Os condomínios que a reclamante prestou trabalho eram administrados pela ré, conforme documentos colacionados aos autos com a inicial, não havendo vinculo de emprego com aqueles e sim com esta. Diante da prova oral realizada, declaro a nulidade da extinção contratual ocorrida em 01/12/96, nos termos do art. 9° da CLT, bem como, a unicidade contratual havida, com data de admissão em 01/03 195 e dispensa em 30/04/01, devendo a ré proceder a devida retificação na CTPS da autora, sob pena da Secretaria dessa Vara fazêlo (CLT, art. 39, § 1°). Procede o pedido alinhavado na letra a da inicial. Ocorre que o documento que faltou no processo trabalhista consta deste processo tributário, como citado acima. Acresçase a isso os recolhimentos efetuados sob o código de recolhimento 1309, específico para “Segurado Empresário Recolhimento Mensal”, folhas 38 a 41 e entendo, temos um quadro que permite enquadrar a recorrente como empresária. A Lei 8.212/91 estabelece que empresário é segurado obrigatório e contribuinte do Regime Geral de Previdência Social. Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: III como empresário: o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado, o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria e o sócio cotista que participe da gestão ou receba remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural;(Revogado pela Lei nº 9.876, de 1999). V como contribuinte individual:(Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração;(Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 181DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 O artigo 89 da Lei 8.212/91 estabelece o direito à restituição para a hipótese de recolhimento indevido. Não entendo que ficou provado que os recolhimentos foram indevidos. CONCLUSÃO À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 182DF CARF MF Emitido em 17/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 17/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 7/10/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000353/2008-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
MÉRITO. VALORES PAGOS A TÍTULO DE CESTA BÁSICA. SALÁRIO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. FORMALIDADE EXACERBADA. NÃO IMPEDIMENTO.EXCLUSÃO.VERBA NÃO REMUNERATÓRIA.
O fornecimento de alimentação pelo empregador, por ser espécie de salário in natura, impede que a contribuição previdenciária venha a incidir sobre tal parcela, mesmo que a empresa fornecedora não esteja inscrita no PAT, tendo em vista que o descumprimento dessa exigência constitui mera irregularidade que não desvirtua o caráter não remuneratório da verba.
PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E RESULTADOS. LEGISLAÇÃO PRÓPRIA. VIOLAÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA.
O pagamento das verbas a título de “participação no lucro e resultados ”deve estar de acordo com a legislação própria. Caso contrário, haverá incidência de tributo.
ABONO SALARIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REQUISITO. DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO POR FORÇA DE LEI. NÃO CONSTATAÇÃO.
A verba paga a título de abono salarial só poderá ser excluída da base de cálculo da contribuição previdenciária se a desvinculação ao salário estiver prevista expressamente em lei.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.784
Decisão: Acordam os membros do colegiado, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91 e prevalência da mais
benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Pelo voto de qualidade, com relação à tributação do PAT, foi negado
provimento ao recurso. Vencidos o relator (Cid Marconi Gurgel), Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
Matéria: CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
Nome do relator: CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : CPSS - Contribuições para a Previdencia e Seguridade Social
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201109
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MÉRITO. VALORES PAGOS A TÍTULO DE CESTA BÁSICA. SALÁRIO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. FORMALIDADE EXACERBADA. NÃO IMPEDIMENTO.EXCLUSÃO.VERBA NÃO REMUNERATÓRIA. O fornecimento de alimentação pelo empregador, por ser espécie de salário in natura, impede que a contribuição previdenciária venha a incidir sobre tal parcela, mesmo que a empresa fornecedora não esteja inscrita no PAT, tendo em vista que o descumprimento dessa exigência constitui mera irregularidade que não desvirtua o caráter não remuneratório da verba. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E RESULTADOS. LEGISLAÇÃO PRÓPRIA. VIOLAÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. O pagamento das verbas a título de “participação no lucro e resultados ”deve estar de acordo com a legislação própria. Caso contrário, haverá incidência de tributo. ABONO SALARIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REQUISITO. DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO POR FORÇA DE LEI. NÃO CONSTATAÇÃO. A verba paga a título de abono salarial só poderá ser excluída da base de cálculo da contribuição previdenciária se a desvinculação ao salário estiver prevista expressamente em lei. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 16095.000353/2008-01
anomes_publicacao_s : 201109
conteudo_id_s : 4796676
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.784
nome_arquivo_s : 2403000784_16095000353200801_201109.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CID MARCONI GURGEL DE SOUZA
nome_arquivo_pdf_s : 16095000353200801_4796676.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Pelo voto de qualidade, com relação à tributação do PAT, foi negado provimento ao recurso. Vencidos o relator (Cid Marconi Gurgel), Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari.
dt_sessao_tdt : Fri Sep 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4745517
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:42 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173839384576
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2056; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 40 1 39 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16095.000353/200801 Recurso nº 000.000 Voluntário Acórdão nº 2403000.784 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de setembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA Recorrente ROLL FOR ARTEFATOS METALICOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 MÉRITO. VALORES PAGOS A TÍTULO DE CESTA BÁSICA. SALÁRIO IN NATURA. INSCRIÇÃO NO PAT. FORMALIDADE EXACERBADA. NÃO IMPEDIMENTO.EXCLUSÃO.VERBA NÃO REMUNERATÓRIA. O fornecimento de alimentação pelo empregador, por ser espécie de salário in natura, impede que a contribuição previdenciária venha a incidir sobre tal parcela, mesmo que a empresa fornecedora não esteja inscrita no PAT, tendo em vista que o descumprimento dessa exigência constitui mera irregularidade que não desvirtua o caráter não remuneratório da verba. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E RESULTADOS. LEGISLAÇÃO PRÓPRIA. VIOLAÇÃO. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. O pagamento das verbas a título de “participação no lucro e resultados”deve estar de acordo com a legislação própria. Caso contrário, haverá incidência de tributo. ABONO SALARIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. REQUISITO. DESVINCULAÇÃO DO SALÁRIO POR FORÇA DE LEI. NÃO CONSTATAÇÃO. A verba paga a título de abono salarial só poderá ser excluída da base de cálculo da contribuição previdenciária se a desvinculação ao salário estiver prevista expressamente em lei. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Acordam os membros do colegiado, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, determinando o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91 e prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro na questão da multa de mora. Pelo voto de qualidade, com relação à tributação do PAT, foi negado provimento ao recurso. Vencidos o relator (Cid Marconi Gurgel), Marthius Sávio Cavalcante Lobato e Marcelo Magalhães Peixoto. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari Carlos Alberto Mees Stringari – Presidente e Redator Designado. Cid Marconi Gurgel de Souza – Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000353/200801 Acórdão n.º 2403000.784 S2C4T3 Fl. 41 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado às fls. 185 a 197 contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Campinas/SP (fls.173 a 179) que julgou PROCEDENTE o lançamento constante no Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP n° 37.079.4427, no valor consolidado de R$ 86.985,15 (oitenta e seis mil, novecentos e oitenta e cinco reais e quinze centavos). Segundo o relatório fiscal às fls. 51 a 57, a cobrança referese às contribuições destinadas às outras entidades e fundos (SALÁRIOEDUCAÇÃO, SEBRAE, SENAI, SESI, INCRA) incidentes sobre os valores pagos aos empregados da recorrente – rubrica: terceiros. Ainda consoante o relatório, insta destacar que a fiscalização dividiu as parcelas integrantes da base de cálculo da contribuição social previdenciária em levantamentos, sobre os quais foi feita a constituição do crédito tributário com o lançamento do auto de infração de obrigação principal n° 37.079.4427. Vejamos: Levantamentos: Período do Levantamento: 1) PAT – Programa de Alimentação do Trabalhador (cestas básicas, refeições e alimentação). 01/2004 a 12/2004 2) PLR – Participação nos Lucros e/ou resultados. 02/2004, 09/2004 e 10/2004 3) ABO – Abono Salarial 01/2004, 11/2004 e 12/2004 4) PRE – Prêmio 01/2004 a 04/2004 5) FOP – Parte de folha de pagamento 01/2004 a 07/2004 Cabe destacar que cada levantamento desse foi dividido por terem sido essas parcelas consideradas de cunho remuneratório, permitindo a incidência da contribuição social previdenciária e a cobrança das quantias que não foram recolhidas, estando a descrição de cada uma ao longo do relatório. Desta autuação, a recorrente foi notificada em 26/06/2008 e apresentou impugnação às fls. 98 a 106 alegando em síntese: No Mérito: Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Ser inexorável o reconhecimento da inexigibilidade do crédito tributário em foco, no que diz respeito ao PAT, por quaisquer argumentos; Impõese o cancelamento da exigência, também em relação ao PLR, nas condições em que previsto no Acordo Coletivo, dado que a jurisprudência trabalhista, em sua instância máxima, afirma que tal montante não consiste em salário, e o direito tributário, por ser um direito de sobreposição, não pode chamar de salário, o que salário não configure para fins trabalhistas; Que as parcelas não integram a remuneração, e, consequentemente, a base das contribuições previdenciárias, na forma do artigo 28, § 9, letra "e", item 7, da Lei 8.212/91, na medida em que consistem em "importâncias recebidas a título de ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário", nos termos do acordo coletivo, cujos termos foram desqualificados pela fiscalização, razão pela qual se impõe o cancelamento da exigência, também em relação ao presente item, posto que, como já dito, a jurisprudência trabalhista, em sua instância máxima, afirma que tal montante não consiste em salário, e o direito tributário, por ser um direito de sobreposição, não pode chamar de salário, o que salário não configure para fins trabalhistas. Por fim, requereu o recebimento da peça de impugnação para que fosse julgado improcedente o auto de infração ora impugnado, cancelando integralmente a exigência da multa e por fim, requereu pela produção de provas e juntada de documentos. Instada a manifestarse acerca da impugnação, a 6 Turma da DRJ/CPS CampinasSP proferiu o acórdão o n° 0523.975 às fls.163 a 168. Posteriormente, às fls.172, o Serviço de Controle e Acompanhamento Tributário – SECAT informou que em razão dos comprovantes de recolhimento juntados pelo contribuinte das rubricas PRE, FOP e AUT não terem conferido com os valores constantes no Discriminativo Sintético de Débito – DSD, o processo foi remetido novamente a DRJ de Campinas para que fosse procedida à análise dos supostos pagamentos. Após análise, a 6 turma da DRJ de Campinas proferiu o acórdão n° 05 26.161 nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 PREVIDENCIÁRIO. PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR. PARTICIPAÇÃO NO LUCRO E RESULTADOS. ABONO. Integram o salário de contribuição as verbas pagas pela empresa a título de CESTA BÁSICA, REFEIÇÕES E ALIMENTAÇÃO, sem a inscrição da empresa no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. As verbas pagas a título de "Participação no Lucros e Resultados" em desacordo com a legislação própria, Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000353/200801 Acórdão n.º 2403000.784 S2C4T3 Fl. 42 5 integram o salário de contribuição por possuírem natureza salarial. A rubrica ABONO, paga pela empresa a seus empregados, sem previsão legal, compõe base de cálculo de contribuição previdenciária. Lançamento Procedente. Irresignada com a decisão supra, a recorrente interpôs recurso voluntário às fls.185 a 197, no qual ratificou todos os argumentos expendidos na impugnação, esclarecendo, inclusive que não há insurgência contra as rubricas “PRE” e “FOP”. Ademais, a recorrente apresentou memoriais com o fito de sintetizar o pleito do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza, Relator. DO MÉRITO: I – DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE CESTAS BÁSICAS, ALIMENTAÇÃO E REFEIÇÃO: Dentre os levantamentos considerados pela fiscalização, está o “PAT” relativo ao período de 01/2004 a 12/2004, o qual foi lançado ao ser verificado que a recorrente fornecia alimentação, cesta básica e refeição aos empregados, não estando cadastrada no Programa de Alimentação ao Trabalhador no ano de 2004. Sobre essa parcela ser ou não integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias, é importante destacar o posicionamento de nossos Tribunais, em especial o Superior Tribunal de Justiça STJ, órgão competente para apreciar as divergências de interpretação que ocorrem na análise das legislações infraconstitucionais. Analisando a Lei n 8.212/91 na parte que trata das verbas que não integram o saláriodecontribuição, o STJ firmou seu entendimento no sentido de que a parcela relativa ao fornecimento de alimentação, desde que essa prestação seja in natura ao quadro de funcionários, não pode sofrer a incidência da contribuição previdenciária, vejamos: RESP n 1.051.294/PR (2008/00873730) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR SALÁRIO IN NATURA DESNECESSIDADE DE INSCRIÇÃO NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADORPAT NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. 1. Quando o pagamento é efetuado in natura , ou seja, o próprio empregador fornece a alimentação aos seus empregados, com o objetivo de proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, sendo irrelevante se a empresa está ou não inscrita no Programa de Alimentação ao Trabalhador PAT. 2. Recurso especial não provido.(STJ, RESP n 1.051.294/PR, 2 Turma, Min. Relatora Eliana Calmon, D.O.U de 05/03/2009). Destacouse. RESP n 895.146/CE (2006/02298426) EMENTA TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PARCELAS PAGAS EM PECÚNIA, EM CARÁTER HABITUAL E REMUNERATÓRIO. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PRECEDENTES. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000353/200801 Acórdão n.º 2403000.784 S2C4T3 Fl. 43 7 1.Recurso especial interposto pelo INSS contra acórdão proferido pelo TRF da 5ª Região segundo o qual: "A ajuda alimentação, paga pelo Banco do Brasil, mediante crédito em contacorrente, aos seus empregados, não configura salário in natura, e sim, salário, sobre o qual incidirá desconto de contribuição previdenciária, nos temos do Regulamento do Custeio da Previdência Social. " 2. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido de que o pagamento in natura do auxílioalimentação, isto é, quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não constituir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. Com tal atitude, a empresa planeja, apenas, proporcionar o aumento da produtividade e eficiência funcionais. 3. Na espécie, as parcelas referentes à ajudaalimentação foram pagas em pecúnia, em caráter habitual e remuneratório, mediante depósito em contacorrente dos respectivos valores, integrando, assim, a base de cálculo da contribuição previdenciária. 4. Precedentes: REsp nº 433230/RS; REsp nº 447766/RS; REsp nº 330003/CE; REsp nº 320185/RS; REsp nº 180567/CE; REsp nº 163962/RS; REsp nº 199742/PR; REsp nº 112209/RS; REsp n º 85306/DF e EREsp 603509/CE. 5. Recurso especial nãoprovido. (STJ, RESP n 895.146/CE, 1 Turma, Min. Relator José Delgado, D.O.U de 19/04/2007). Destacouse. Desse modo, a incidência da contribuição social só poderá ocorrer sobre as parcelas pagas em pecúnia pelo empregador, o que não foi verificado no caso em tela, tendo em vista que a recorrente forneceu alimentação aos seus empregados através de refeições e cestas básicas. Sendo assim, o pagamento realizouse nos moldes da Lei n 8.212/91, que, em seu art.28, determina que apenas será excluída da base de cálculo da contribuição social previdenciária a parcela concedida in natura, vejamos: Art.28 – (...) (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 Diante do exposto, mesmo que a empresa não esteja inscrita no PAT, a alimentação por ela fornecida estará isenta de tributação, tendo em vista que a exigência da inscrição no programa do Governo Federal constitui formalidade exacerbada que não pode desvirtuar o caráter não remuneratório dessa verba, e consequentemente sua exclusão da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Assim, diante dos motivos expostos e após ampla reflexão acerca do tema ora discutido, entendo pela exclusão do levantamento “PAT”. II – DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE OS VALORES PAGOS A TÍTULO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS: Ademais, com relação às competências 02/2004, 09/2004 e 10/2004, a recorrente alega que a tributação também é indevida, tendo em vista que os pagamentos foram realizados de acordo com o Acordo Coletivo de Trabalho que trata dessa matéria. A fiscalização entendeu que a empresa não definiu nenhuma regra aos colaboradores, indo de encontro à previsão legal. Verificouse que referido acordo estipulou como condição para o recebimento dos valores pagos a título de participação em lucros e resultados a produtividade. Todavia, a recorrente não identificou sequer nenhuma regra clara e objetiva, conforme determina a Lei n 10.101/2000, não sendo cabível o argumento de que a legislação não exige a descrição minuciosa e detalhada, então vejamos: Art.2oA participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I – comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II – convenção ou acordo coletivo. §1oDos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I – índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II – programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Ante o transcrito, percebese que é imprescindível a identificação clara e precisa dos instrumentos de negociação que tratem de Participação nos Lucros e Resultados. Não havendo isso, há violação legal e a verba não poderá ser afastada da tributação. Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000353/200801 Acórdão n.º 2403000.784 S2C4T3 Fl. 44 9 No presente caso, a recorrente apenas informa que o critério para o recebimento dos valores é a produtividade, não indicando as demais exigências legais já transcritas acima, o que reflete negativamente sobre o art.28, § 9º da Lei n 8.212/91, que trata das parcelas que não integram o saláriodecontribuição, in verbis: Art.28 – (...) (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Portanto, considerando que houve ofensa à Lei n 10.101/2000, entendo que não há como excluir a parcela paga a título de participação no lucro e resultados – PLR da base de cálculo da contribuição previdenciária. III – DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O ABONO SALARIAL: A fiscalização considerou ainda como verba que deva ser integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias o abono salarial. A recorrente afirma que, para tal parcela, o pagamento ocorria anualmente, ou seja, de modo eventual, não se incorporando ao salário para qualquer efeito. Todavia, entendo que o ponto primordial da questão, para fins de exclusão dessa verba do saláriodecontribuição, é saber se o abono salarial decorre de previsão legal, conforme determina o Decreto n 3.048/99 combinado com a Lei n 8.212/91, in verbis: Lei n 8.212/91: Art.28 – (...) (...) § 9 Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) 7.recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário Decreto n 3.048/99: Art.214 – (...) (...) Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (...) V as importâncias recebidas a título de: (...) j) ganhos eventuais e abonos expressamente desvinculados do salário por força de lei; Pela transcrição dos dispositivos legais, percebese que os abonos devem estar expressamente desvinculados do salário por força de lei. Ou seja, não cabe à mera liberalidade do empregador em mencionar que tal abono ficará desvinculado, indicando essa desvinculação no acordo coletivo. Ademais, as disposições de uma convenção/acordo coletivo faz lei entre as partes envolvidas em um contrato de trabalho, não podendo se sobrepor às exigências legais em matéria tributária, que, no caso em tela, prevalece a aplicação da norma mais específica – Decreto n 3.048/99 (aplicável às contribuições destinadas a Seguridade Social). IV – DA MULTA MORATÓRIA E DOS JUROS COM BASE NA TAXA SELIC: Considerando a manutenção da cobrança, cabe destacar que esta será acrescida de multa moratória e juros na forma do art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, in verbis: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Sobre a aplicação deste dispositivo, o qual prevê multa de 0,33% ao dia e limitada a 20%, vale destacar que a redação acima foi dada por Lei diversa daquela vigente à época do fato gerador, motivo pelo qual será aplicada em conformidade com o art.106, II, do Código Tributário Nacional. Ademais, com relação à incidência da taxa SELIC sobre os débitos federais, inclusive contribuições sociais, registrese que a legislação de regência à época do fato gerador, a Lei nº 8.212/91, afastava literalmente os argumentos erguidos pela recorrente, in verbis:: Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Restabelecido com redação alterada pela MP nº 1.571/97, reeditada até a conversão na Lei nº 9.528/97. A atualização monetária foi extinta, para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/95, conforme a Lei nº 8.981/95. A multa de mora esta disciplinada no art. 35 desta Lei) Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000353/200801 Acórdão n.º 2403000.784 S2C4T3 Fl. 45 11 Entretanto, a Lei n 11.941/2009 revogou o dispositivo acima e deu nova redação ao art.35 da Lei n 8.212/91, determinando que os débitos tributários a nível federal, teriam suas cobranças acrescidas de multa e juros na forma do art.61 da Lei n 9.430/96. Então vejamos: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). LEI N 9.430/96 Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Art. 5º(...) (...) § 3º As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. A propósito, convém ainda mencionar que esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, aprovou a Súmula nº 04, nos seguintes termos: Fl. 11DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 SÚMULA Nº4 – CARF: A partir de 1º de abril de 1995,os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic para títulos federais. Portanto, a aplicação da taxa SELIC sobre os débitos tributários federais é correta com fulcro no artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/91. V – DA APLICAÇÃO DA LEI MAIS BENÉFICA AO ATO NÃO DEFINITIVAMENTE JULGADO: Tratandose de ato pendente de julgamento, há que se observarem alguns preceitos legais do Código Tributário Nacional no que se refere à possibilidade de uma lei retroagir e alcançar fatos pretéritos, os quais ocorreram sob a égide de outra legislação. No caso em tela, verificase que tanto a aplicação de multa como a incidência de taxa SELIC sobre os débitos tributários federais encontra amparo atualmente no art.35, caput, da Lei nº 8.212/91, dispositivo este alterado pela Lei nº 11.941/2009. Desse modo, caso seja mais benéfico ao sujeito passivo, a Lei nº 11.941/2009 deverá retroagir em respeito ao art.106 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática CONCLUSÃO: Voto pelo CONHECIMENTO do recurso voluntário para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, afastando a incidência da contribuição social previdenciária sobre o levantamento “PAT” 01/2004 a 12/2004 pelos motivos já expostos, mantendo a cobrança do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP n° 37.079.4427 com relação às demais verbas, acrescida do recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91 com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 12DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 16095.000353/200801 Acórdão n.º 2403000.784 S2C4T3 Fl. 46 13 Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Redator Designado. I – DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE ALIMENTAÇÃO: Quanto à tributação do auxílioalimentação, discordo do relator. Inicialmente farei registro que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), aprovado pela PORTARIA Nº 256/209 do Ministério da Fazenda, estabelece que o CARF tem por finalidade julgar recursos de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. CAPÍTULO I DA NATUREZA E FINALIDADE Art. 1° O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, tem por finalidade julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância, bem como os recursos de natureza especial, que versem sobre a aplicação da legislação referente a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (grifei) Quanto ao auxílioalimentação oferecido aos segurados, a inscrição no Programa de Alimentação do Trabalhador é requisito essencial para que o benefício não integre a base de cálculo das contribuições previdenciárias. O inciso I do artigo 28 da Lei nº 8.212/1991, assim dispõe sobre o saláriodecontribuição: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). E o art. 458 da CLT assevera a natureza salarial do benefício. Logo, uma vez que se subsume ao conceito de saláriodecontribuição, somente outro dispositivo legal seria idôneo para o excluir da base de cálculo da contribuição: Fl. 13DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 Art. 458. Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações “in natura” que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. (...)Grifamos Assim o fez a Lei nº 8.212/91 em sua alínea “c”, do §9º do artigo 28; no entanto, somente para as empresas inscritas no Programa de Alimentação do Trabalhador: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; No caso sob exame, está demonstrado nos autos que durante o período a que se refere o lançamento a recorrente não estava inscrita no programa e, portanto, o lançamento está correto. Carlos Alberto Mees Stringari. Fl. 14DF CARF MF Impresso em 17/02/2012 por MARIA MADALENA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 19/ 12/2011 por CID MARCONI GURGEL DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/02/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 10166.722232/2009-20
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/10/2009
Ementa:
AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização
SIMPLES. EXCLUSÃO
Empresas excluídas do SIMPLES estão sujeitas às regras normais de
tributação.
Numero da decisão: 2403-000.879
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar
provimento ao recurso.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201111
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/10/2009 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização SIMPLES. EXCLUSÃO Empresas excluídas do SIMPLES estão sujeitas às regras normais de tributação.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 10166.722232/2009-20
anomes_publicacao_s : 201111
conteudo_id_s : 4808944
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2403-000.879
nome_arquivo_s : 2403000879_10166722232200920_201111.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
nome_arquivo_pdf_s : 10166722232200920_4808944.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 30 00:00:00 UTC 2011
id : 4748082
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:42 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173887619072
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1304; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T3 Fl. 1 1 S2C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.722232/200920 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2403000.879 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 30 de novembro de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente DEPÓSITO AVATAR LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 30/10/2009 Ementa: AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível na forma da Lei, a falta de apresentação de documentos solicitados pela fiscalização SIMPLES. EXCLUSÃO Empresas excluídas do SIMPLES estão sujeitas às regras normais de tributação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente/Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza e Paulo Maurício Pinheiro Monteiro. Ausentes o conselheiros Marthius Sávio Cavalcante Fl. 863DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Lobato (substituído pelo conselheiro Igor Araujo Souza), o conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto (substituído pelo conselheiro Jhonatas Ribeiro da Silva) e o conselheiro Cid Marconi Gurgel de Souza. Fl. 864DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722232/200920 Acórdão n.º 2403000.879 S2C4T3 Fl. 2 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília, 0339.353 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação ao lançamento. O lançamento referese à multa por a empresa não apresentar o Livro Caixa. Tratase de auto de infração de obrigação acessória AIOA DEBCAD nº 37.249.0514, lavrado por infração ao art. 33, parágrafos 2º e 3º da Lei 8.212/91, com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, combinado com o artigo 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Segundo o Relatório Fiscal da Infração de fls. 06/09, a autuada foi intimada a apresentar o livro Caixa e o Registro de Inventário, conforme Termo de Intimação Fiscal nº 2 (fl. 20), mas, em 06/10/2009, informou que não escritura o livro Caixa. E, de acordo com o disposto no art. 527 do Decreto nº 3.000/99, o fato de ser a empresa tributada pelo lucro presumido, conforme sua DIRPJ/2005, não a impede de manter escrituração contábil. Ressalta o autuante que, por meio do Termo de Início do Procedimento Fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar escrita contábil em meio eletrônico e livros Diário e Razão. Foi verificado, entretanto, durante a ação fiscal, que a empresa não possuía escrituração contábil para o período fiscalizado. Assim, por ser tributada pelo lucro presumido, em não possuindo os referidos livros contábeis, deveria manter Livro Caixa, o que não ocorreu.A empresa declarou em GFIP ser optante pelo SIMPLES. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega, em síntese, cerceamento de defesa por não ter sido notificada da exclusão do SIMPLES, requer a juntada do processo que resultou na exclusão do SIMPLES e que a legislação em momento algum aponta a necessidade do livro Razão. É o Relatório. Fl. 865DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas. INFRAÇÃO O que motivou a autuação foi o fato de a empresa, sendo tributada pelo lucro presumido, não ter apresentado à fiscalização o livro Caixa, após a devida intimação pela fiscalização. Tal procedimento caracteriza infração ao artigo 33, §2º, da Lei nº 8.212/91. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). ... § 2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). Registra o Relatório Fiscal que a empresa foi intimada a apresentar a escrita contábil em meio eletrônico, Livros Diário e Razão e que durante a fiscalização foi verificado que a empresa não possuía escrituração contábil para o período fiscalizado. Complementa concluindo que “Dessa forma, por ser tributada pelo lucro presumido, em não possuindo referidos livros contábeis deveria manter Livro Caixa...”. Tal afirmação tem por base o Decreto 3000/99. Fl. 866DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 10166.722232/200920 Acórdão n.º 2403000.879 S2C4T3 Fl. 3 5 Art.527.A pessoa jurídica habilitada à opção pelo regime de tributação com base no lucro presumido deverá manter (Lei nº8.981, de 1995, art. 45): I escrituração contábil nos termos da legislação comercial; II Livro Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término do anocalendário; III em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Parágrafo único.O disposto no inciso I deste artigo não se aplica à pessoa jurídica que, no decorrer do anocalendário, mantiver Livro Caixa, no qual deverá estar escriturado toda a movimentação financeira, inclusive bancária (Lei nº8.981, de 1995, art. 45, parágrafo único). Concluo que a autuação é procedente. SIMPLES Consta do processo documento registrando a exclusão da empresa do SIMPLES, efetuada por meio do Ato Declaratório Executivo 0497207, em 26/01/2005, com efeito retroativo a 01/01/2002. Destaco o registro da ausência de contestação. Tal documento foi assim apresentado na decisão ora recorrida. Observase, entretanto, pelo documento de fl. 108 – Consulta Histórico da empresa – Sistema SIVEX – Sistema de Vedações e Exclusões do Simples da Receita Federal, que a ora impugnante foi excluída do SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n. 0497207, em 26/01/2005, com efeito retroativo a 01/01/2002 – SEM CONTESTAÇÃO. Com base nesse documento considero superada a questão da exclusão do SIMPLES. CONCLUSÃO Fl. 867DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 868DF CARF MF Emitido em 13/01/2012 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 11/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 1 1/01/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726014/2010-19
Data da sessão: Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2008, 2009
OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA.
A prática reiterada e relevante de omissão de receitas não se confunde com simples equívocos nos livros, assentamentos contábeis e declarações e impõe a aplicação da multa qualificada de 150%.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006, 2008, 2009
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
Consoante dispõe a Súmula CARF nº 02: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a
inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 1803-001.214
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Apr 09 09:00:03 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201203
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano-calendário: 2006, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada e relevante de omissão de receitas não se confunde com simples equívocos nos livros, assentamentos contábeis e declarações e impõe a aplicação da multa qualificada de 150%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006, 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Consoante dispõe a Súmula CARF nº 02: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
numero_processo_s : 11080.726014/2010-19
conteudo_id_s : 6587781
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 1803-001.214
nome_arquivo_s : 180301214_11080726014201019_201203.pdf
nome_relator_s : WALTER ADOLFO MARESCH
nome_arquivo_pdf_s : 11080726014201019_6587781.pdf
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 14 00:00:00 UTC 2012
id : 6727619
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Sat Apr 09 09:55:44 UTC 2022
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1729624173892861952
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1660; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE03 Fl. 493 1 492 S1TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.726014/201019 Recurso nº 912.668 Voluntário Acórdão nº 180301.214 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de março de 2012 Matéria OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente ALEIXO ADVOGADOS ASSOCIADOS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2008, 2009 OMISSÃO DE RECEITAS. MULTA QUALIFICADA. A prática reiterada e relevante de omissão de receitas não se confunde com simples equívocos nos livros, assentamentos contábeis e declarações e impõe a aplicação da multa qualificada de 150%. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2008, 2009 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Consoante dispõe a Súmula CARF nº 02: o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.726014/201019 Acórdão n.º 180301.214 S1TE03 Fl. 494 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Relatório ALEIXO ADVOGADOS ASSOCIADOS, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ PORTO ALEGRE/RS, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Contra o contribuinte foram lavrados autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, de Programa de Integração Social – PIS/PASEP e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, exigindo um total de crédito tributário de R$ 509.534,86. De acordo com o Relatório da Ação Fiscal, a autuação devese, em síntese, aos seguintes fatos: 1. Nos anos calendários de 2006 e 2008 o contribuinte deixou de adicionar rendimentos e ganhos líquidos auferidos em aplicações financeiras, nos valores informados nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRFs) pelas seguintes instituições financeiras: Crediare S/A, no valor de R$ 181.058,14, retido em maio de 2006; Banco ABN AMRO Real S/A, no valor de R$ 8.391,23, retido em março de 2008; ABN AMRO Real Corretora de Câmbio e Valores Mobiliários, no valor de R$ 120.000,00, retido em abril de 2008; e, Santander Asset Management Distribuidora de Títulos, no valor de R$ 2.083,38, retido em março de 2008. 2. Tais valores foram adicionados às bases de cálculos do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Cofins. O Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF, incidente sobre esses rendimentos, foi devidamente compensado. 3. O contribuinte teve depositado em sua conta corrente nº 8.7273086, ag. 0527, do ABN AMRO Real, o valor de R$ 3.542.485,70, em 24/03/2009, esclarecendo que o valor é proveniente da emissão de dois alvarás judiciais, os quais foram expedidos em nome da pessoa física de Paulo de Mello Aleixo, porém foram depositados na conta corrente da pessoa jurídica. Os alvarás foram expedidos nos valores de R$ 3.000.000,00 e R$ 540.000,00, que acrescidos de juros e correção monetária atingiram o montante acima. Tal valor referese a uma parcela do total de R$ 6.000.000,00 pagos pelo antigo Banco Meridional S/A, atualmente Banco Santander Meridional S/A, à pessoa jurídica Planenco Planejamento Engenharia e Construções Ltda Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.726014/201019 Acórdão n.º 180301.214 S1TE03 Fl. 495 3 em decorrência de acordo judicial homologado no processo nº 108.02517653. 4. De acordo com o contribuinte, o valor integral não lhe pertence, tendo repassado para a Planenco o valor de R$ 2.130.000,00 e para o contador, Sr. Walter Porto Neto, o valor de R$ 120.000,00. 5. De acordo com a documentação probatória apresentada, foram aceitos os esclarecimentos do contribuinte a respeito do valor de R$ 2.130,000,00, no qual se inclui o cheque nº 755 no valor de R$ 120.000,00. Nenhum outro cheque no valor de R$ 120.000,00 foi compensado. 6. Também foram repassados para o escritório Corrêa da Cunha os valores de R$ 310.000,00 e R$ 175.000,00, restando como receita do contribuinte fiscalizado o valor de R$ 927.485,70. 7. No ano calendário de 2009 o contribuinte declarou somente receitas recebidas pela prestação de serviços às Lojas Colombo e à Indústria de Plásticos Herc Ltda, não tendo declarado nenhuma receita oriunda do processo judicial acima referido. 8. Em razão desses fatos, foram lavrados os autos de infração de IRPJ e CSLL, observandose os percentuais de presunção estabelecidos para a prestação de serviços advocatícios, e os autos de infração de PIS e Cofins. 9. Foi aplicada a multa de ofício de 150%, estabelecida no § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007, sob o entendimento de que a ocultação dos valores recebidos, sem o correspondente oferecimento à tributação, configura a hipótese de sonegação fiscal, conforme definido no art. 71. da Lei nº 4.502, de 1964. O contribuinte apresentou a impugnação parcial dos lançamentos (fls. 170/187), contestando apenas a aplicação da multa de ofício, no percentual de 150%, por entender exorbitante e confiscatória, pois não teriam sido comprovados o dolo e fraude sobre os fatos objeto do lançamento fiscal. Suas alegações podem ser resumidas da seguinte forma: 10. Não se verificou por parte da empresa a ocultação de valores recebidos sem o correspondente oferecimento à tributação, pois, em realidade, ao ser cientificada do início da ação fiscal, em 10 de fevereiro de 2010, ainda restavam mais de 4 (quatro) meses para elaborar e proceder a entrega da sua declaração de rendimentos (DIPJ) relativa ao ano calendário de 2009. Da mesma forma, o prébalanço de 31 de dezembro de 2009 não tinha passado pelo crivo e aprovação de seus sócios (§§ 1º e 2º do inc. I do art. 1078 do CC), restando mais de 2 (dois) meses também para isso. Antes da aprovação do balanço pelos sócios o que existe na realidade é apenas um esboço ou proposta de balanço apresentado pelos administradores da sociedade. Dessa forma, antes da aprovação do prébalanço pela assembléia, não Fl. 495DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.726014/201019 Acórdão n.º 180301.214 S1TE03 Fl. 496 4 apenas é possível como é comum os sócios fazerem os ajustes necessários. 11. No caso dos autos, a DIPJ viria a refletir os dados constantes do préBalanço levantado em 31 de Dezembro de 2009, depois de feitas as complementações e adições necessárias; entre estas últimas, a inclusão dos honorários advindos efetivamente do processo n° 108.02517653, não obstante as dúvidas, naquele momento, se os honorários deveriam constar da DIPJ ou como ganhos do sócio principal na sua DIRPF. 12. No entanto, em face da precipitação da ação fiscal, o citado préBalanço e também uma cópia do "Razão" acabaram sendo entregues ao Fisco sem os ajustes pendentes. O que se verificou em 17 de Março/2010, em atendimento às requisições da então Senhora AuditoraFiscal. Ou seja, antes da conclusão efetiva e aprovação do Balanço. 13. Quando do levantamento do préBalanço de 31 de Dezembro/09 ainda não se podia precisar com exatidão qual o efetivo valor dos honorários contratuais. Isto porque restava pendente o pagamento de mais de 90% da participação ajustada. Igualmente, não se tinha equacionado se os honorários seriam declarados como receita da Suplicante ou como rendimentos particulares do sócio principal. 14. Com a instauração do procedimento fiscal o sujeito passivo fica impedido de proceder à declaração de honorários, seja como receita da pessoa jurídica, quer como rendimentos do adv. Paulo Mello Aleixo. 15. Sem sopesar tais aspectos, não poderia o Auditor Fiscal presumir que o contribuinte ou seu sócio principal não procederia a declaração dos honorários de uma ou de outra forma. Isto porque em 10 de fevereiro de 2010 (intimação do procedimento fiscal) ainda não se escoara o prazo para apresentação da DIPJ e da DIRPF, relativas a 2009. Muito menos poderia o Auditor presumir, então, que houve ocultação de valores recebidos sem o correspondente oferecimento à tributação. A simples movimentação de valores na sua conta bancária, ponto nuclear da autuação, não se constitui, por si só, em fato gerador dos tributos cobrados, muito menos na sua exigibilidade. 16. nenhuma das presunções é aceitável, pois a ninguém é lícito presumir de forma contrária à lei e às normas aplicáveis, no caso, as IN nºs 1007 e 150, de 2010, que asseguravam a entrega da DIRPF e DIPJ até 30 de abril e 31 de julho de 2010. 17. Antes do vencimento dos prazos de entrega e processamento da DIPJ e da DIRPF, não há como presumir, de forma antecipada, que a empresa ou seu sócio principal não declarariam o valor dos honorários recebidos. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.726014/201019 Acórdão n.º 180301.214 S1TE03 Fl. 497 5 18. Isto porque, muito embora constituído o fato gerador da obrigação tributária em virtude do recebimento dos honorários, ainda não tinham se tornado exigíveis os tributos devidos. A falta de emissão da nota fiscal e o não recolhimento da antecipação trimestral dos tributos explicamse pelos fatos e pelas razões acima narradas; a postura da Suplicante poderia ser no máximo qualificada de atraso no cumprimento das obrigações e no recolhimento dos tributos devidos, com a aplicação da multa moratória de 20%. Mas jamais ser tomada como ato ou tentativa de "ocultação de valores". 19. Realmente, quando foi instaurada a ação fiscal havia prazo de sobra para entregar a DIRPJ e recolher os tributos sobre os honorários. A falta de emissão de nota fiscal e de pagamento das antecipações trimestrais decorreu, como se disse, das vicissitudes da Execução objeto do processo n° 108.02517653 e, em especial, de que naquela data ainda não se tinha consolidado com precisão a quantia a título de honorários contratuais. Assim, antes do prazo de entrega da DIPJ não era lícito presumirse que os honorários não seriam declarados. 20. Ademais, os fatos não revelavam a menor intenção em proceder a alegada "ocultação de valores". Tanto não havia este propósito que os Alvarás Judiciais foram integralmente depositados em sua própria conta corrente bancária, de forma ostensiva e transparente. O que demonstra o oposto, ou seja, a intenção de não esconder. É de ver também que ainda não tinham sido feitos os ajustes e as adições indispensáveis no pré Balanço elaborado em 31 de Dezembro/09. Em suma, não havia inadimplemento em definitivo por parte da Suplicante: os tributos podiam ser apurados, declarados e pagos espontaneamente. Nessas condições, a única infração que poderia se caracterizar seria a do atraso no recolhimento dos tributos e do cumprimento de obrigações acessórias. Não houve em absoluto a alegada "ocultação de valores". Nem muito menos tentativa de sonegação. 21. Em nenhum momento o Auditor Fiscal fez alusão à existência de dolo ou fraude na espécie. À luz do Código Penal (inc. I do art. 18) somente há dolo quando o agente quis o resultado ou assumiu o risco de produzilo. No caso dos autos, recebeu os Alvarás Judiciais e de imediato depositouos em sua conta bancária, com total transparência, não demonstrando absolutamente a intenção de ocultar ou esconder os valores recebidos. Por isso, o Sr. Auditor não poderia ter concluído que tinha intenção de proceder a ocultação dos honorários, posto que a conduta revela o contrário do previsto no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. 22. A doutrina e a jurisprudência são firmes no sentido de que somente nos casos em que se acha comprovada a prática de dolo, fraude ou simulação é que se justifica a aplicação de multa exacerbada. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.726014/201019 Acórdão n.º 180301.214 S1TE03 Fl. 498 6 Por último, requer a exclusão da multa exorbitante e confiscatória de 150%, em face da falta de comprovação de dolo e fraude no lançamento. Às fls. 254 consta o Termo de Transferência de Crédito Tributário, parcela não impugnada, para o processo nº 11080720.520/ 201177. A DRJ PORTO ALEGRE (RS), através do acórdão nº 1031.099 de 28 de abril de 2011 (fls. 263/272 eprocesso), julgou procedente o lançamento, ementando assim a decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário:2006, 2007, 2008 MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO É cabível o agravamento da multa de ofício quando os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem identificar o intuito doloso do contribuinte de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da Autoridade Fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Ciente da decisão em 16/05/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 280eprocesso), apresentou o recurso voluntário em 09/06/2011 fls. 282/300 (eprocesso), onde reitera os argumentos da inicial acrescentando haver dúvidas quanto ao valor dos honorários, situação que impediria o reconhecimento do fato gerador nos termos dos arts. 116, II e 117, II do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de lançamento de ofício contendo autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS por omissão de receitas financeiras nos anos calendários 2006 e 2008 e omissão de receitas de prestação de serviços (honorários advocatícios) em 2009. A recorrente alega em síntese, que consoante documentos já apresentados e outros que junta no recurso voluntário: Fl. 498DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.726014/201019 Acórdão n.º 180301.214 S1TE03 Fl. 499 7 Fl. 499DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.726014/201019 Acórdão n.º 180301.214 S1TE03 Fl. 500 8 Alega adicionalmente: a) Que a situação que envolveu o levantamento dos alvarás não estava inteiramente consolidada, havendo dúvidas e incertezas quando a sua efetividade e extensão; b) Que as diversas vicissitudes existentes no processo judicial não permitiram o registro adequado e a emissão de notas fiscais de prestação de serviços por parte da recorrente; c) Que havia dúvidas se os honorários deveriam ser declarados na pessoa física do sócio Paulo de Mello Aleixo ou na pessoa jurídica ora recorrente; d) Que por ocasião do início da ação fiscal ainda não estava aprovado o pré balanço e paradoxalmente impediu que a recorrente pudesse declarar os valores na DIRPJ ou DIRPF do sócio; Fl. 500DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.726014/201019 Acórdão n.º 180301.214 S1TE03 Fl. 501 9 e) Que os fatos narrados se amoldam ao contido nos artigos 116, II e 117, II do Código Tributário Nacional; f) Que a multa de ofício aplicada no patamar de 150% tem caráter confiscatório, além de não ter sido comprovado o dolo, fraude ou simulação, sendo caso apenas da multa de mora de 20%. Não assiste razão à interessada. Com efeito, conforme se observa dos elementos contidos no processo, da data do recebimento dos honorários – 24/03/2009 (fl. 64) e a data de ciência do início da ação fiscal 10/02/2010 (fl. 15), houve um longo lapso de tempo suficiente para que a recorrente pudesse apropriar adequadamente em seus registros contábeis e fiscais os valores percebidos. As supostas vicissitudes contidas no processo judicial que culminou com o levantamento do alvará judicial e a percepção dos honorários não podem ser elencadas como justificativa para a falta de registro e declaração em DCTF e DACOM dos valores percebidos. Devese lembrar que o regime de tributação eleito pelo contribuinte é o lucro presumido, cuja apuração do IRPJ e CSLL é trimestral e o recolhimento do PIS/COFINS é mensal. Assim, encerrado o período de apuração mensal e trimestral em 31/03/2009, cabia ao contribuinte apurar o IRPJ e CSLL devidos no 1º trimestre de 2009 e o PIS e COFINS devidos em relação ao mês de março/2009, efetuando antes de tudo a emissão dos documentos fiscais e o registro em sua escrituração contábil e fiscal. Não é portanto por ocasião da entrega da declaração de rendimentos da pessoa jurídica que deve ser feito o registro e apuração dos tributos mas já na ocorrência do fato gerador que ocorreu no mês de março de 2009. Se o próprio contribuinte não se insurgiu quanto à tributação levada a efeito na pessoa jurídica pela autoridade fiscal, centrando sua irresignação apenas no tocante ao percentual da multa de ofício aplicada, não pode alegar que tinha fundadas dúvidas se os valores iriam ser oferecidos à tributação na pessoa jurídica ou na pessoa física do sócio principal Paulo de Mello Aleixo. Ademais, a tributação do imposto de renda e demais tributos incidentes sobre a percepção de rendimentos não é opcional ou sujeita à conveniência do sujeito passivo, sendo os tributos devidos pelo titular da percepção dos honorários. Destarte, reconhecendo a recorrente que os valores são de sua titularidade, caem por terra quaisquer alegações sobre as supostas dúvidas que lhe afligiam por ocasião da percepção dos honorários. Importante notar, que consolidado o acordo judicial (fl. 380), autorizado o levantamento dos valores (fls. 87/88) e considerados encerrados os trabalhos de advogado, conforme atesta a carta de renúncia de mandato (fls. 391/392), não há que se falar em situação jurídica não consolidada e tampouco se verifica qualquer condição suspensiva ou resolutiva nos termos dos artigos 116, II e 117, II do Código Tributário Nacional. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.726014/201019 Acórdão n.º 180301.214 S1TE03 Fl. 502 10 Noutro giro, eventual questionamento sobre os valores levantados seriam dirigidos à sua cliente PLANENCO ENGENHARIA e CONSTRUÇÕES LTDA em nome da qual os valores foram levantados não interferindo em sua relação jurídica com esta. Ou seja, quaisquer dúvidas ou incertezas envolviam os valores recebidos pela “PLANENCO” e não em relação aos honorários de sucumbência (R$ 540.000,00 em nome da recorrente – fl. 88) e tampouco os valores retidos diretamente da cliente por conta dos honorários devidos por esta conforme apurou a autoridade fiscal (R$ 387.485,70 – fl. 128), perfazendo o total omitido de R$ 927.485,70, valores repitase não impugnados pela recorrente. Destarte, o tumulto processual ocorrido no processo do qual originaram os honorários não pode ser oposto à Fazenda Nacional com vistas a elidir a multa qualificada aplicada. Com efeito, ficou patente que a recorrente embora tenha percebido os honorários no mês de Março de 2009, até o início da ação fiscal em Fevereiro de 2010, não registrou as receitas de prestação de serviço em sua escrituração e tampouco promoveu a confissão dos valores devidos na DCTF e DACOM. Tal constatação evidencia o ânimo evidente de subtrair os valores da tributação o que atrai sem sombra de dúvidas a aplicação da multa qualificada de 150%. Outrossim, conforme a bem lançada decisão de primeira instância, tanto na omissão das receitas financeiras constatada nos anos calendários de 2006 e 2008, como no caso da omissão de receitas de prestação de serviços constatada em 2009, os valores omitidos superam em grande escala o valor das receitas declaradas e tributadas espontaneamente, evidenciando ser uma prática contumaz o escamoteamento de receitas e o divórcio existente entre a realidade dos fatos e a escrituração contábil e fiscal registrada. Não se confunde portanto com simples equívocos na escrituração e/ou declarações da recorrente mas de verdadeira omissão deliberada das receitas auferidas. Assim, pretendesse a recorrente se submeter apenas à multa de mora de 20% deveria ao menos ter registrado corretamente as receitas em sua escrituração e confessado os débitos em DCTF até o início da ação fiscal, condição que impediria por si só o lançamento de ofício ou permitiria o lançamento com a multa normal de 75% no primeiro caso. Por derradeiro, com relação ao caráter confiscatório da multa de ofício qualificada de 150%, a sua análise implica na apreciação da constitucionalidade da lei tributária, competência sob reserva de jurisdição exclusiva do Poder Judiciário, conforme assentado na Súmula CARF nº 02, com a seguinte ementa: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinatura digital) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 502DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 11080.726014/201019 Acórdão n.º 180301.214 S1TE03 Fl. 503 11 Fl. 503DF CARF MF Impresso em 12/04/2012 por SELENE FERREIRA DE MORAES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/04/201 2 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 11/04/2012 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
