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Numero do processo: 10825.900286/2008-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.052
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Viviani Aparecida Bacchmi e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900286/200841 Resolução n.º 140200.052 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Conforme demonstra o contrato social de fls. 72/75, a recorrente foi constituída no ano de 1976, sob a denominação social de Laboratório Bauru de Patologia Clínica Sociedade Civil Ltda., tendo por objeto “a prestação de serviços de análises, abrangindo (sic.) os campos da bioquímica, hematologia, parasitologia, anatomia patológica, citologia, micro biologia, etc., elaborando exames científicos de sangue, urina, fezes, secreções, etc, atendendo a todos os tipos de exames atinentes ao campo de análises clínicas.” A alteração contratual de fls. 67/71, datada de 11/11/2003, indica que em tal data a recorrente manteve o objeto social no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. A DIPJ fls. 12/25, entregue em 24/04/2008, demonstra que a interessada protocolizou declaração retificadora do período de 01/01/2000 a 31/12/2000, indicando ser tributada na sistemática do lucro presumido e base de cálculo de 8% (oito por cento). O acórdão recorrido, à fl. 79, diz que a retificação da DCTF referente ao primeiro trimestre de 2000 ocorreu somente em 26/03/2008. Todavia, examinando os autos não foi possível localizar a existência da referida declaração retificadora. As DCTF’s de fls. 26/59 se referem ao primeiro trimestre de 2004 e não se tratam de retificadoras, conforme esclareço no parágrafo seguinte. Constam dos autos a DCTF de fls. 26 e seguintes, referente ao primeiro trimestre de 2004, entregue em 14/05/2004, onde se verifica que a parte interessada pagou parte do IRPJ (fl. 29) e da CSLL (fl. 41), mediante compensações. À fl. 50, apenas para citar mais um exemplo das compensações realizadas no período, verificase que o débito relativo ao PIS do primeiro trimestre de 2004, também foi objeto de compensação com valor alegadamente recolhido a maior no período de apuração que se concretizou em 31/03/2000 (fl. 50). Pelo que alega a recorrente, tendo constatado pagamento a maior, isto é, feito levando em consideração a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), a parte tratou de fazer as respectivas compensações. Todavia, não vieram aos autos os comprovantes de pagamento apurados com a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento) e tampouco a DCTF do período de 2000. O acórdão de fls. 78/81 não homologou o procedimento de compensação sob o fundamento de que o direito creditório não estava devidamente comprovado. Dos fundamentos do acórdão recorrido transcrevo a seguinte passagem: “A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. Fl. 136DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900286/200841 Resolução n.º 140200.052 S1C4T2 Fl. 3 3 No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos...” Após citar o artigo 45, da Lei nº 8.981, de 1995, que determina que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido deverá manter todos os livros e documentos que serviram de base à escrituração e que as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, o acórdão guerreado julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada, de forma tempestiva a parte ingressou com recurso alegando: a) que o Pedido de Compensação PER/DCOMP, objeto deste processo, foi transmitido à Receita Federal do Brasil em 23/10/2003, portanto dentro do prazo de 5 (cinco) anos do pagamento indevido ou a maior; b) quanto à averiguação da liquidez e certeza do pagamento indevido ou a maior de tributo, confrontando documentos com registros contábeis e fiscais, entende correto e necessário o procedimento, porém esqueceuse o julgador de 1° instância, que o poderdever dessa obrigação é ônus do Estado; e c) que os elementos para esse reconhecimento foram encaminhados a Receita Federal do Brasil em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, onde se destacam, dentre outras solicitações, os Livros Caixa, Livros Registro de Prestação de Serviços e Notas Fiscais. Junto com o recurso, o sujeito passivo trouxe aos autos o documento de fl. 93, referente ao início de fiscalização iniciada em 06/08/2007, relativa ao período de 2003 a 2005, que resultou no auto de infração cuja cópia parcial consta da fl. 94, notificado ao sujeito passivo em 18/03/2008, que gerou o processo administrativo nº 15889.000.137/200859. Em consulta realizada no COMPROT, em 08/02/2011, verifiquei que o referido processo encontra se na Terceira Turma da Delegacia de Ribeirão Preto. Por inexistir nos autos cópia do referido processo não é possível avaliar se há conexão entre este processo e aquele ou, se aquele, em tese, poderia ser prejudicial ao julgamento deste, o que não considero. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao primeiro trimestre de 2000 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 2000 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTF`s de fls. 26 a 59, no montante de R$ 35.384,00. O acórdão recorrido indeferiu a compensação por entender que a parte interessada não havia apresentado a documentação necessária, sendo que sequer havia retificado as DCTF`s relativas ao ano de 2000, procedimento que só realizou em 2008. É o relatório. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900286/200841 Resolução n.º 140200.052 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame do mérito. À luz do parágrafo único do artigo 142, do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, base de cálculo, a alíquota incidente e, quando devido, realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos legalmente fixados. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988 e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142, do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170, do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos Fl. 138DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900286/200841 Resolução n.º 140200.052 S1C4T2 Fl. 5 5 compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” No caso dos autos, a prevalecer o argumento de que a parte recorrente, tributada com base no lucro presumido, no primeiro trimestre de 2000, recolheu tributo levando em consideração base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto, em tese, seria 8% (oito por cento), não há o que se falar em extinção do direito de postular a compensação, visto que tal direito foi exercido no decorrer do anocalendário de 2004, conforme especificado nas DCTF`s. As DCTF`s entregues em 2004 são documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não há o que se falar em decadência. A falta de retificação imediata da DIPJ referente ao ano de 2000, em nada altera as informações contidas nas DCTF`s referentes ao ano de 2004, cujos créditos de 2000 foram utilizados para pagamento de débitos apurados neste período. Superadas as questões acima enfrentadas, adentro ao mérito donde se extrai que o contrato social de fls. 72/75 e a alteração contratual de fls. 67/71, datada de 11/11/2003, dão conta de que a recorrente se constitui de Laboratório que tem por objeto social a atuação no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”, cuja base de cálculo do imposto de renda é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento), conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a seguinte ementa: “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA. ARTIGO 15, PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). 2. Recurso especial provido.” (REsp 837.913/SC, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010). Fl. 139DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900286/200841 Resolução n.º 140200.052 S1C4T2 Fl. 6 6 "DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO 'SERVIÇOS HOSPITALARES'. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão 'serviços hospitalares' prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de 'serviços hospitalares' apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que 'a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares'. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decidida anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. Fl. 140DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900286/200841 Resolução n.º 140200.052 S1C4T2 Fl. 7 7 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido." (Resp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010). O artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, com a redação dada pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, à luz do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, há que se reconhecer que a base de cálculo dos Laboratórios de Análises Clínicas, em relação às receitas destas atividades, quanto ao IRPJ é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento). Quanto aos aspectos até aqui enfrentados, ao que se depreende do acórdão recorrido, não há divergência. A controvérsia surge em relação à instrução da impugnação. A impugnação foi desacolhida porque a parte recorrente deixou de apresentar documentos que a autoridade julgadora considerou essenciais, dentre os quais a Declaração do Imposto de Renda da época, documento este que, à época, ainda não havia sido retificado e que, ao meu sentir, por estar em poder da Administração esta, à luz do artigo 29, segunda parte, artigo 36, segunda parte e artigo 37, todos da Lei nº 9.784, de 1999, podia ter juntado aos autos. Ao meu sentir, quando da impugnação, em relação ao pedido de compensação não homologado, que tenha por objeto controvérsia relacionada à base de cálculo, a parte recorrente deve apresentar: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido Fl. 141DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900286/200841 Resolução n.º 140200.052 S1C4T2 Fl. 8 8 se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, finalmente, os valores pagos a maior; e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP, etc.). ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: (i) que a requerente seja intimada para, no prazo de 30 (trinta) dias, prestar as informações constantes nas letras “a” a “e”, acima referidas; (ii) após juntada dos documentos apresentados, a fiscalização deverá lançar manifestação analisando a veracidade das informações trazidas aos autos, informando a efetividade dos valores alegadamente pagos ou compensados, em cada um dos períodos; (iii) na análise de que trata o item anterior, a autoridade preparadora também deverá analisar se o mesmo crédito, se existente, foi ou está sendo objeto de compensação em outros processos e, caso afirmativo, em que montantes. (iv) após a manifestação da fiscalização, deverá a parte interessada ser intimada para se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias, devendo os autos, juntamente com eventuais processos conexos, retornarem ao CARF para exame do mérito. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 142DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
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Numero do processo: 10880.912980/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.152
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.912980/200684 Resolução n.º 1401000.152 S1C4T1 Fl. 400 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1622.571, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo ISP. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de pedido de restituição/declaração de compensação, transmitido por meio do programa PER/DCOMP, referente a pagamento indevido ou a maior de IRRF, efetuado no anocalendário de 2002. 2. Despacho Decisório (fl. 06) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT SÃO PAULO) não homologou a compensação declarada em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." 3. A contribuinte apresentou, em 19/06/2008, por seus procuradores, manifestação de inconformidade (fls. 12 a 19), alegando, em síntese, o seguinte: 3.1 que a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; 3.2 que, nos termos da IN SRF n° 600/2005 (artigo 5o), é permitido ao contribuinte que apurar saldo negativo de IRPJ compensar este crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic; 3.3 que no presente caso, conforme se depreende da sua DIPJ 2003, no ano calendário de 2002, foi apurado resultado negativo em todos os meses do ano, motivo pelo qual não houve imposto de renda a ser pago; 3.4 que nesse mesmo ano efetuou diversos recolhimentos do IRRF sob o código 8045, declarando corretamente tais valores em suas DCTFs trimestrais; 3.5 que, em 31/12/2002, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano, uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período; 3.6 que, pretendendo utilizar o referido crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, a Requerente elaborou e apresentou, em outubro de 2003, a competente Declaração de Compensação perante a repartição fiscal; 3.7 que, como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo "Tipo de Crédito" relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ; 3.8 que, não obstante, como os pagamentos indevidos ou a maior referem se àqueles efetuados por meio de DARF, a Requerente, seguindo esse raciocínio, houve Fl. 400DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.912980/200684 Resolução n.º 1401000.152 S1C4T1 Fl. 401 3 por bem pleitear a compensação do crédito existente relacionado a um valor específico de IRRF recolhido sob o código 8045; 3.9 que, dessa forma, ao apresentar a presente DComp, a Requerente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. E, foi justamente em virtude da adoção deste procedimento que, ao analisar a DComp em questão, mediante confrontação eletrônica de dados, a Receita Federal negou homologação à compensação pleiteada; 3.10 que o preenchimento equivocado da DComp em questão, por parte da Requerente, em nada altera a existência de crédito em seu favor a título de saldo negativo de IRPJ; 3.11 que, ainda que a Requerente porventura tenha preenchido de forma errônea a sua DComp, esse fato não pode ser considerado como causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, uma vez que é perfeitamente possível a sua comprovação; 3.12 que o processo administrativo tributário está sujeito às garantias constitucionais ordinariamente previstas, quais sejam, a garantia do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição, da ampla defesa e contraditório e da necessária fundamentação das decisões, além do princípio da verdade material que estabelece que a Administração Pública deve buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada; 3.13 que outros processos administrativos (relacionados na manifestação de inconformidade), tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, motivo pelo qual devem ser apensados, nos termos do art. 9o, § 1º do Decreto 70.235. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO. INOVAÇÃO. A indicação, na fase litigiosa, de direito creditório distinto do apontado na Per/Dcomp original, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.912980/200684 Resolução n.º 1401000.152 S1C4T1 Fl. 402 4 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, a Recorrente alega que cometera erro material no preenchimento da DCOMP, uma vez que indicou equivocadamente Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF ao invés de saldo negativo do IRPJ, anocalendário2002. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo trecho do voto da DRJ: 5. No presente caso, a controvérsia se restringe ao fato da requerente alegar ter informado erroneamente em sua PER/DCOMP, crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF (código de receita: 8045), quando o correto seria um suposto crédito de Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002. 6. Tendo em vista que o pedido inicial da interessada requeria a restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte por ter havido pagamento indevido ou a maior, entendo não ser cabível neste mesmo procedimento inovar o pedido, transmutandoo para saldo negativo do IRPJ, isso porque o reconhecimento desta alteração importaria grave irregularidade, pois, além de se burlar o instituto da decadência, estarseia suprimindo da Delegacia da Receita Federal em São Paulo atribuição regimental de se pronunciar, em primeiro lugar, sobre o mérito da restituição pleiteada. Tomandose como exemplo o presente caso, os procedimentos adotados pela autoridade a quo para analisar a existência de pagamento indevido ou a maior de IRRF divergem fundamentalmente da análise que deveria ser efetuada caso fosse requerido crédito proveniente de saldo negativo de IRPJ. A DRJ, em síntese, colocando ênfase no aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, negou a solicitação nos seguintes termos: (...) 9. Dessa forma, a alteração do crédito pleiteado na Declaração de Compensação encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação cuja competência de apreciação originária é da DRF que exerce jurisdição sobre o domicílio fiscal da contribuinte, e, portanto, fora da alçada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. De fato, restou configurado que não existe pagamento a maior de IRRF, podendo existir porém em tese, saldo negativo do IRPJ, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação. A recorrente se por um lado confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco, pelas provas constantes dos autos, que sua intenção era mesma aproveitar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, tanto é que isso foi facilmente identificado e reconhecido pela DRJ. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.912980/200684 Resolução n.º 1401000.152 S1C4T1 Fl. 403 5 Nessa mesma pisada, a 1a Turma da 1a Câmara da 1a Seção do CARF, em caso idêntico envolvendo a mesma empresa e mesmo anocalendário (2002), no Acórdão nº 1101 00.590, deu provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO. VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Por oportuno extraio trecho desse brilhante voto proferido pela Conselheira Edeli Pereira Bessa, que o adoto em parte como razão de decidir: Nestes termos, a Lei nº 7.450/85, base legal do RIR/99, estabelece a incidência do imposto de renda no momento do pagamento, de uma pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, por serviços de propaganda e publicidade. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 123/92 atribui à agência de propaganda, na condição de beneficiária, o recolhimento do imposto incidente sobre o pagamento ou crédito, por ordem e conta do anunciante. Ainda, a legislação impõe, à agência de propagada, o dever de fornecer ao anunciante documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do Imposto de Renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior, para que ele os discrimine em sua DIRF e disponha da prova necessária para a dedutibilidade da despesa de propaganda. Os dispositivos antes transcritos também exigem que a agência de propagada informe em DCTF o imposto incidente sobre o pagamento por ela recebido, e reconhecem o direito de a agência de propaganda deduzir este imposto de renda na fonte na apuração definitiva do imposto de renda incidente sobre o lucro (IRPJ). Admissível, portanto, neste contexto, que uma agência de propaganda se confunda, no preenchimento da DCOMP, quanto à natureza de seu crédito, e vislumbre indébitos em cada recolhimento de imposto incidente sobre os valores que lhes foram pagos ou creditados, ao invés de um saldo negativo consolidado, mormente se no ano calendário correspondente foi apurado prejuízo fiscal. Neste caso excepcional, distinto Fl. 403DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.912980/200684 Resolução n.º 1401000.152 S1C4T1 Fl. 404 6 da generalidade dos casos nos quais as antecipações cabem a quem paga ou credita rendimentos, o imposto incidente na fonte foi recolhido pela própria beneficiária, de forma que ela dispunha dos DARF que representavam o indébito de imposto de renda naquele período, o que pode têla induzido a apontálos como origem do crédito utilizado em compensação. Cumpre, assim, confirmar se no presente caso concreto estão presentes os demais elementos caracterizadores da condição da recorrente como credora da Fazenda Nacional, no anocalendário 2002, a título de saldo negativo de IRPJ. Está provado nos autos que a contribuinte tem por objeto social: (a) a prestação dos serviços de propaganda, publicidade, marketing, comunicações, promoções, convenções e realização de eventos em geral; (b) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; (c) a prestação de serviços de assessoria e assistência pertinentes às atividades indicadas no item (a); e (d) a participação em outras sociedades, na qualidade de sócia ou acionista (fl. 26). É inconteste, também, que houve recolhimento sob o código de receita 8045, destinado ao IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens); serviços de propaganda, e que tal recolhimento foi vinculado a débito de mesmo valor declarado em DCTF, motivo da não homologação da compensação. Porém, não há prova, nos autos, de que o recolhimento apontado na DCOMP corresponda, efetivamente, a imposto incidente sobre pagamentos que lhe foram feitos a título de serviços de propaganda. Como acima indicado, o código de receita 8045 prestase, também, ao recolhimento de IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens) que tenham sido pagos, e não recebidos pela contribuinte. Contudo, a interessada afirma que os recolhimentos teriam esta natureza, e junta comprovantes apresentados a seus clientes anunciantes, além de DCTF, DARF e DIPJ, como evidências do excesso de pagamentos de imposto de renda retido na fonte sob o código de receita 8045, cuja soma, no anocalendário 2002, representaria R$ 448.957,61. (...) voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer ao crédito utilizado na DCOMP a natureza de parcela do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, providenciandose a apensação dos processos apreciados nesta sessão (nº 10880.912964/200691, 10880.912965/2006 36, 10880.912982/200673, 10880.912984/200662, 10880.912988/200641 e 10880.912987/200604) antes de seu retorno à origem. Esta mesma Câmara tem seguido essa mesma toada, porém utilizandose de um procedimento diferente, qual seja, baixando primeiro em diligência para investigação e constituição do saldo negativo. Nesse sentido, segue abaixo ementa de Acórdão da minha relatoria: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.912980/200684 Resolução n.º 1401000.152 S1C4T1 Fl. 405 7 Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado pelo próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.735). Dessa forma, em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto em que há divergência facilmente perceptível entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. Nesse contexto, inclinome pela realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo do IRPJ para o anocalendário de 2002, levando a PER/Dcomp a tratamento manual; Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide; Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; Após as verificações acima e apurar a certeza e liquidez do crédito tributário em referência, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Para efeito de controle da autoridade executora, o presente processo foi julgado em conjunto com 9(nove) outros processos, todos tendo sido também baixados em diligência: nº 10880.912968/200670, 10880.912969/200614, 10880.912974/200627, 10880.912975/200671, 10880.912976/200616, 10880.912979/200650, 10880.912990/2006 10, 10880.912991/200664, 10880.913014/200684. A autoridade executora também deve atentar para os processos já referidos e julgados pela 1a Turma da 1a Câmara da 1a Seção do CARF (nº 10880.912964/200691 e os processos a ele apensados: nº 10880.912964/200691, 10880.912965/200636, 10880.912982/200673, 10880.912984/200662, 10880.912988/200641 e 10880.912987/200604). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 405DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 11831.002191/2007-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Feb 10 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 13/06/2007
MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA.
Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira
Numero da decisão: 2403-000.377
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de voto, em negar
provimento ao recurso.
Matéria: Outros proc. que não versem s/ exigências cred. tributario
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 13/06/2007 MULTA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Constitui infração, punível com multa, deixar a empresa de apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de voto, em negar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Ivacir Julio de Souza, Marcelo Magalhães Peixoto, Carlos Alberto Mees Stringari, Cid Marconi Gurgel de Souza e Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Relatório Fl. 326DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento São Paulo I, Acórdão 1615.746 13ª Turma, que julgou procedente o lançamento, oriundo de descumprimento de obrigação tributária acessória. Segundo a fiscalização, a empresa, apesar de formalmente intimada a apresentar livros e documentos relacionados em TIAD — Termos de Intimação Para Apresentação de Documentos (fls. 10/12), deixou de exibir o Livro Diário de 2006 e apresentou o Livro Diário de 2005 sem as formalidades legais (apresentou em folhas soltas, sem encadernação e sem registro). Foi aplicada multa no valor de R$ 11.951,21. O dispositivo legal infringido e a descrição da infração foram assim apresentados: DESCRIÇÃO SUMÁRIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa, o servidor de órgão publico da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o sindico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei n. 8.212, de 24.07.91, ou apresentar documento ou livro que não atenda as formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira, conforme previsto no art. 33, parágrafos 2. e 3. da referida Lei, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Inconformada com a decisão de primeira instância, a empresa apresentou recurso, onde resumidamente, alega o seguinte: • Quanto ao ano de 2005, o referido livro foi apresentado à fiscalização, porém, por um atraso da Recorrente, o mesmo ainda não havia sido encadernado e registrado. • Em relação ao ano de 2006, o Livro não foi apresentado porque não houve tempo hábil a tanto, já que a Recorrente foi intimada a apresentálo no dia 11/07/2007 para cumprimento da intimação em apenas 2 dias. • No que diz respeito ao Livro Diário relativo ao ano de 2005, o fato de o mesmo não estar ainda encadernado e registrado não torna a sua escrituração inidônea. A exigência de apresentação do referido livro foi devidamente cumprida. • Anexou à sua impugnação cópia de seus livros Diário relativos aos anos de 2005 e 2006 e requer a atenuação da multa. É o Relatório. Fl. 327DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11831.002191/200762 Acórdão n.º 240300.377 S2C4T3 Fl. 322 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões levantadas pela recorrente. Mérito O art. 32, inciso II da Lei n.º 8.212/91, determina que a empresa é obrigada a lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos. Art. 32. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; De acordo com o Relatório Fiscal da Infração de fls. 05, a empresa deixou de apresentar o Livro Diário de 2006 e apresentou o de 2005 sem as formalidades legais. Esse procedimento resulta em infração ao determinado nos parágrafos 2° e 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/91, combinado com os artigos 232 e 233, parágrafo único, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas d e e do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). § 2º A empresa, o servidor de órgãos públicos da administração direta e indireta, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita Federal DRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de Fl. 328DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Art.232. A empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante legal, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento. Art.233. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro Social e a Secretaria da Receita Federal podem, sem prejuízo da penalidade cabível nas esferas de sua competência, lançar de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa, ao empregador doméstico ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Parágrafo único. Considerase deficiente o documento ou informação apresentada que não preencha as formalidades legais, bem como aquele que contenha informação diversa da realidade, ou, ainda, que omita informação verdadeira. Esse ordenamento encontra respaldo, também, no art. 225, inc. II e §13, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, verbis: Art. 225. A empresa é também obrigada a: II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; § 13. Os lançamentos de que trata o inciso II do caput, devidamente escriturados nos livros Diário e Razão, serão exigidos pela fiscalização após noventa dias contados da ocorrência dos fatos geradores das contribuições, devendo obrigatoriamente: I – atender ao princípio contábil do regime de competência; e II – registrar, em contas individualizadas, todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias de forma a identificar, clara e precisamente, as rubricas integrantes e não integrantes do saláriodecontribuição, bem como as contribuições descontadas do segurado, as da empresa e os totais recolhidos, por estabelecimento da empresa, por obra de construção civil e por tomador de serviços. § 14. A empresa deverá manter à disposição da fiscalização os códigos ou abreviaturas que identifiquem as respectivas rubricas utilizadas na elaboração da folha de pagamento, bem como os utilizados na escrituração contábil. Fl. 329DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11831.002191/200762 Acórdão n.º 240300.377 S2C4T3 Fl. 323 5 Na análise da contabilidade de uma empresa a auditoria fiscal verifica a obediência às formalidades intrínsecas e extrínsecas determinadas pela legislação comercial, fiscal e resoluções do Conselho Federal de Contabilidade. Conforme artigos 1.179 a 1.195 do Código Civil é dever legal da empresa apresentar os Livros Diários com as formalidades previstas em lei, extrínsecas e intrínsecas, quais sejam: • Formalidades Extrínsecas (ou externas): o livro Diário deve ser encadernado com folhas numeradas tipograficamente. Deve conter, ainda, os termos de abertura e de encerramento e ser submetido à autenticação do órgão competente do Registro do Comércio. • Formalidades Intrínsecas (ou internas): A escrituração ido livro Diário deve ser completa, em idioma e moeda nacionais, em forma mercantil, com individualização e clareza, por ordem cronológica de dia, mês e ano, sem intervalos em branco nem entrelinhas, borraduras, rasuras, emendas e transportes para as margens. A análise dos autos demonstra que a fiscalização solicitou o Diário de 2006 por duas vezes (TIAD datados de 04/06/2007, para apresentação em 06/06/2007, e datado de 11/06/2007, para apresentação em 13/06/2007). Assim, a alegação da empresa de que teve apenas dois dias para apresentar este documento não corresponde à verdade, vez que do primeiro TIAD transcorreu o tempo de 9 (nove) dias. Em face dos comandos normativos acima transcritos e à vista dos fatos relatados no "Relatório Fiscal da Infração", revelase procedente a autuação. Da atenuação da multa A recorrente solicita atenuação da multa por haver anexado à sua impugnação cópia de seus livros Diário relativos aos anos de 2005 e 2006. Tal solicitação tem por base os artigos 291 e 292 do RPS. Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Constatase no processo que apesar da empresa apresentar cópias simples dos Livros Diários dos anos de 2005 e de 2006 (fls. 46/295), percebese que não há qualquer prova nos autos de que os mesmos foram submetidos a registro na Junta Comercial. Apenas a Fl. 330DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 apresentação dos Livros Diários de 2005 e de 2006, com todas as formalidades extrínsecas e intrínsecas, seria satisfatória para corrigir a infração. Concluo que não cabe a atenuação da multa. Conclusão À vista do exposto, voto por negar provimento ao recurso.. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 331DF CARF MF Emitido em 21/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por ANTONIA IRISMAR OLIVEIRA GUIMA Assinado digitalmente em 17/03/2011 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10845.900644/2006-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 24 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.038
Decisão: RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira
SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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Recorrida 7ª TURMA DRJ/SÃO PAULO SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da primeira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 400DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10845.900644/200615 Resolução n.º 140200.038 S1C4T4 Fl. 2 2 Vistos. Tratase de Declaração de Compensação de fls. 10/14, por meio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de CSLL e de IRPJ, do anocalendário de 2003, com crédito proveniente de saldo negativo da CSLL, apurado no anocalendário de 2001, conforme especificam as planilhas abaixo relacionadas: PER/DCOMP n°: 40562.58320.271003.1.7.032300 TOTAL DE CRÉDITO UTILIZADO R$ 6.320,95 DEMONSTRATIVO DOS DÉBITOS COMPENSADOS Código Trib./Contr. Período de Apuração Vencimento Valor Original 2484 0101/2003 28/02/3003 4.112,64 2484 0102/2003 31/03/2003 645,54 2484 0103/2003 30/04/2003 1.611,64 DEMONSTRATIVO DO SALDO NEGATIVO DE CSLL Exercício Ano Valor do saldo negativo Credito Original na Data de Transmissão 2002 2001 31.802,31 9.333,02 PER/DCOMP n°: 27592.49846.071103.1.3.030577 TOTAL DE CRÉDITO UTILIZADO R$ 704,03 DEMONSTRATIVO DOS DÉBITOS COMPENSADOS Código Trib./Contr. Período de Apuração Vencimento Valor Original 24841 0107/2003 29/08/2003 500,00 59931 0108/2003 30/09/2003 289,05 DEMONSTRATIVO DO SALDO NEGATIVO DE CSLL Exercício Ano Valor do saldo negativo Credito Original na Data de Transmissão 2002 2001 31.802,31 974,19 A autoridade fiscal, por meio do despacho de fls. 132/136, de 07/10/2008, fez as seguintes observações: “O presente processo foi protocolizado para tratar manualmente as declarações de compensação abaixo descritas, transmitidas eletronicamente pela contribuinte acima identificada, cujo crédito envolvido é o saldo negativo de contribuição social sobre o lucro líquido, declarado para o exercício de 2002, no valor de R$ 31.802,31, mas requerido no valor de R$ 9.333,02. ... A contribuinte apresentou sua declaração de imposto de renda com base no lucro real anual, tendo calculado as antecipações mensais pela receita bruta e balancetes de Fl. 401DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10845.900644/200615 Resolução n.º 140200.038 S1C4T4 Fl. 3 3 suspensão. Apurou prejuízo fiscal no período, gerando saldo negativo de contribuição social sobre o lucro líquido, composto conforme abaixo. Ajuste DIPJ CSLL 0,00 (Estimativa) 31.802,31 Saldo Negativo 31.802,31 Quanto às estimativas mensais, verificouse que elas não foram recolhidas, pois foram parcialmente compensadas com saldo negativo obtido no ano anterior e com um pagamento efetuado em agosto de 20011. ... Embora tenha assim declarado, não se deparou com saldos negativos de CSSL, entre os exercícios de 1998 a 2000, como ilustra a planilha juntada aos autos que exibe, ainda, o ajuste promovido de oficio com o fito de demonstrar a verdade material relativa à evolução do tributo nesse período. Desta feita, para o reconhecimento do saldo credor verificado no exercício de 2001, levouse em conta somente os recolhimentos efetivados no próprio ano, recepcionados pelo sistema de cobrança da RFB, uma vez que se tomou por inexistentes os saldos negativos declarados para exercícios anteriores, passíveis de serem compensados. Da restauração do resultado do período, chegouse ao saldo credor de R$ 8.170,09. Esse montante, todavia, foi insuficiente para as compensações promovidas pela contribuinte no ano seguinte, destinadas a extinguir as antecipações apuradas até maio de 2001, fazendo com que o saldo credor declarado de CSSL tenha sido reduzido de oficio para R$ 6.891,59, de acordo com demonstrativo abaixo. CSSL/2002 CSSL ESTIM. CSSL CSSL DIPJ PAGO COMP. JANEIRO 5.148,16 5.148,16 FEVEREIRO 6.131,31 3.239,38 MARÇO 5.371,15 ABRIL 4.389,00 MAIO 5.667,19 JUNHO 5.095,50 5.056,58 JULHO 0,00 AGOSTO 0,00 SETEMBRO 0,00 OUTUBRO 0,00 NOVEMBRO 0,00 DEZEMBRO 0,00 TOTAL 31.802,31 5.056,58 8.387,54 AJUSTE DIPJ CONSIDERADO CSSL 0,00 6.552,53 1 Aqui temse um erro quanto ao mês do pagamento que, conforme especificado na planilha de fl. 172, deuse no mês de junho. Fl. 402DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10845.900644/200615 Resolução n.º 140200.038 S1C4T4 Fl. 4 4 (ESTIMATIVA) 31.802,31 13.444,12 SALDO NEGATIVO 31.802,31 6.891,59 Ademais, a despeito do reconhecimento da existência do saldo negativo acima, ainda que abaixo do montante declarado, as compensações requeridas mediante as declarações em exame não deverão ser homologadas, pois a interessada o utilizou integralmente para quitar a mesma contribuição, devida mensalmente no exercício seguinte, esgotandoo, sem que ele tivesse sido suficiente para quitálas, conforme declarado nas correspondentes DCTF's Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais. No que diz respeito ao procedimento de compensação, sem a anuência prévia da RFB, até setembro de 2002, não há qualquer óbice, visto que ele estava em perfeita consonância com a legislação então vigente, na forma da Instrução Normativa SRF n° 21/97. Portanto, diante do acima exposto, com base nos artigos 165 e 170 do CTN e, ainda, no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, proponho que as compensações constantes das declarações de compensação acima referidas não sejam homologadas, por ausência de direito creditório líquido e certo, remanescente do saldo negativo da CSSL de 2002.” Regularmente cientificada, a autuada apresentou manifestação de inconformidade fls. 143/144, acompanhada dos documentos de fls. 151 a 170, a saber: a) demonstrativo da composição do saldo negativo da CSLL de fls. 151 a 153, que aponta os seguintes valores: Anocalendário 1998 Exercício 1999 Ajuste DIPJ CSLL 16.243,19 (Estimativas) 29.641,30 SD NEGATIVO 13.396,11 Anocalendário 1999 Exercício 2000 Ajuste DIPJ CSLL 31.434,03 (1/3 COFINS PAGA) 30.498,67 (Estimativas) 8.309,71 SD NEGATIVO 7.465,25 Anocalendário 2000 Exercício 2001 Ajuste DIPJ CSLL 6.552,53 (Estimativas) 37.965,89 SD NEGATIVO 31.413,36 Anocalendário 2001 – Exercício 2002 Ajuste DIPJ CSLL (Estimativas) 31.802,31 SD NEGATIVO 31.802,31 Fl. 403DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10845.900644/200615 Resolução n.º 140200.038 S1C4T4 Fl. 5 5 Anocalendário 2002 – Exercício 2003 Ajuste DIPJ CSLL 4.008,74 (Estimativas) 33.329,28 SD NEGATIVO 29.320,54 b) DIPJ do anocalendário de 1998 (fl. 154), com saldo negativo de CSLL no valor de R$ 13.398,11; c) DARF`s de fls. 155 e seguintes, em número de 12 (doze), demonstrando o pagamento do valor das estimativas referentes ao anocalendário de 1998, onde apurou saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 13.396,11; d) DIPJ anocalendário de 1999 (fl. 161), com saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 7.465,25; e) DARF`s de fls. 162 e seguintes, em número de 7 (sete), referentes aos recolhimentos especificados na planilha de fl. 151, correspondentes ao anocalendário de 1999; f) DIPJ anocalendário de 2000, fl. 164, com saldo negativo de CSLL no valor de R$ 33.413,36; g) DARF`s de fls. 165 e seguintes, em número de 4 (quatro), referentes à CSLL, relativa aos meses de janeiro, fevereiro, julho e agosto de 2000, nos valores de R$ 4.308,06; R$ 4.623,70; R$ 4.790,86 e R$ 1.000,00, respectivamente, totalizando R$ 14.722,62; h) DIPJ de fl. 167, referente ao anocalendário de 2001, indicando CSLL no valor de R$ 31.802,31; i) DARF de fl. 168, no valor de R$ 5.056,58; j) DIPJ de fl. 169, referente ao anocalendário de 2002, indicando CSLL paga por estimativa, no valor de R$ 33.329,28, e saldo negativo, no valor de R$ 29.320,54; l) DARF`s de fl. 170, em número de 2 (dois), recolhidos em junho e agosto de 2002, nos valores de R$ 4.864,60 e R$ 5.966,17, respectivamente, referente à CSLL. Destaca a recorrente, em sua impugnação, que o saldo negativo, em 31/12/2001, foi composto por estimativas compensadas em saldos negativos obtidos em ano anterior, e com um pagamento realizado em junho de 2001, no valor de R$ 5.056,58. Por fim, esclarece que os DARF`s das estimativas, do ano de 1998, foram recolhidos com o código 2372, quando o correto era o código 2484, falha esta regularizada em janeiro de 2002. A DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, em razão da insuficiência de provas acerca da liquidez do crédito declarado. O acórdão recorrido está alicerçado nos fundamentos que seguem: Fl. 404DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10845.900644/200615 Resolução n.º 140200.038 S1C4T4 Fl. 6 6 “No caso concreto, denotase que o impugnante restringe sua controvérsia às circunstâncias sintetizadas no relatório do presente acórdão, defesa esta que não poderá prosperar em razão das particularidades que serão relatadas a seguir, ou seja, suportando suas contrarazões no sentido promover a ratificação da legitimidade da apuração dos saldos negativos e da existência de disponibilidade do pretenso crédito reportado na DCOMP eletrônica. Preambularmente, cumpre esclarecer que a inconsistência pertinente ao erro na identificação do mês de pagamento da estimativa do mês de junho do anocalendário de 2001, não causou nenhum prejuízo para o contribuinte, visto que foi incluído na composição do saldo negativo elaborado pela autoridade administrativa, conforme se demonstra na terceira e quarta paginas do aludido despacho decisório (fls. 134/135). É importante ressaltar, inclusive, que os DARF 's representativos dos pagamentos das antecipações mensais reportados na manifestação de inconformidade para fins de compor a origem dos saldos negativos da CSLL, por si só não possuem o condão de suprir prova documental suficiente que abrigue a reforma da decisão administrativa em discussão e aferir a plena certeza e liquidez do pretenso crédito original declarado, bem como o importe utilizado nas DCOMP's em litígio. Dentro desta ótica, para denotar a liquidez e certeza do crédito, não basta que o interessado se limite a comprovar que houve o pagamento das estimativas e evidenciar a apuração primitiva dos saldos negativos da contribuição pertinentes aos anoscalendário anteriores ao exercício reportado nas DCOMP's eletrônicas, mas também deixar patente que as receitas, sobre as quais incidiram as apurações da CSLL, foram devidamente oferecidas à tributação, devendo apoiarse em demonstração comparativa e detalhada dos registros dos fatos contábeis vinculados às transações, cotejadas com os dados consignados na Declaração de Informação EconômicoFiscais de Pessoa Jurídica. Outrossim, confere igualmente imprescindível que o interessado comprove mediante escrituração contábil e apresentação das respectivas Demonstrações Financeiras previstas pela legislação comercial e fiscal, indicando expressamente se os créditos declarados não foram utilizados em compensações em períodos de apuração distintos do mesmo tributo, demonstrando o direito patrimonial (ATIVO) oriundo da constituição do saldo negativo da CSLL e o correspondente aproveitamento contábil das respectivas antecipações para fins de dedução da CSLL devida nos anoscalendário discutidos na lide, objetivando atender também ao princípio fundamental da oportunidade. Em resumo, compete ao contribuinte trazer aos autos os meios de prova previstos na legislação tributária, acompanhados pelas respectivas Demonstrações Financeiras, Livros Fiscais (LALUR e Livro Razão) e Livros Comerciais (Livro Diário), devidamente escriturados e registrados à época dos eventos circunstanciados, para fins de denotar a legitimidade das apurações relativas à contribuição, comprovar a realização das receitas ligadas à formação da base Fl. 405DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10845.900644/200615 Resolução n.º 140200.038 S1C4T4 Fl. 7 7 imponível, bem como o efetivo oferecimento à tributação da CSLL, o controle antecipações mensais e dos saldos negativos apurados ao final dos exercícios firmados em suas contraposições, e as apropriadas compensações nas contas patrimoniais. Vale frisar que tais providências deveriam ter sido levadas a efeito na fase de litigiosa do procedimento, objetivando a exeqüibilidade da formação da convicção de certeza e liquidez do pretenso crédito pleiteado pelo contribuinte, mais especificamente, comprovar e ratificar os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, cujo teor se resume a reafirmar a legitimidade da importância objeto da lide. Enfim, a falta ou insuficiência de meios probatórios inviabilizam a intenção do contribuinte em revelar a apuração dos saldos negativos de CSLL relativos aos períodos noticiados e conexos às alegações asseveradas em suas contrarazões, caracterizando a ineficácia da defesa interposta com intuito de amparar o reconhecimento do direito creditório, bem como a homologação da compensação. Em sentido geral, é cediço que o apoio de defesa pautado em meras alegações, não tem a força de Verdade Material em sede dos ritos e formalidades disciplinados para o Processo Administrativo Fiscal, os quais demandam o amparo mediante apresentação de material probatório hábil e idôneo em conformidade com a legislação tributária. .... Importante acentuar, em caráter suplementar, que a comprovação da verdade material relacionada a direito creditório sob litígio, bem como o ônus da prova, devem obedecer aos ditames fixados no art. 9°, §1° do DecretoLei n° 1.598, de 1977, regulamentado pelo art. 923 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR199), condições estas que não ficaram configuradas no momento da interposição da manifestação de inconformidade. Em suma, cabe ao sujeito passivo comprovar o que atesta, sob pena de preclusão do direito de interpor em outro momento processual...” Pelo que se extrai do acórdão recorrido, ele fez detalhadas considerações acerca de fundamentos jurídicos, mas não desceu à análise da prova dos autos. Dito acórdão, se colocado em outro processo, que trata da mesma matéria, poderia ser perfeitamente utilizado. No entanto, o caso concreto requer, além das considerações jurídicas, o exame da prova. Cientificada da decisão em 13/05/2009, a autuada interpôs recurso em 12/06/2009, alegando, em síntese: a) que não foram recepcionados pelo sistema de cobrança da RFB os DARF’s pagos em 1998 e 1999; b) que por existirem declarações (DIPJ/DCTF) nos sistemas da RFB contendo todas as informações, a apresentação dos DARF`s pagos era prova suficiente da existência do Fl. 406DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10845.900644/200615 Resolução n.º 140200.038 S1C4T4 Fl. 8 8 crédito, uma vez que nos anos de 1998 e 1999, as estimativas apuradas foram pagas através de DARF`s e o saldo negativo destes períodos estava evidenciado nas declarações de IRPJ apresentadas, portanto, no anocalendário de 2000, existia crédito para ser utilizado; c) que para comprovar a liquidez dos créditos, anexa os seguintes documentos: (i) demonstrativo das estimativas apuradas/pagas e/ou compensadas CSLL P.A. 1998 a 2003; (ii) anocalendário 1998 cópia autenticada do livro diário n° 14; termos de abertura e encerramento e fls. 577/582; cópia da folha 395 do razão analítico; cópia da DIPJ/1998 e dos DARF`s pagos a título de estimativas da CSLL; (iii) anocalendário 1999 cópia autenticada livro diário n° 17; termos de abertura e encerramento e fls. 296/301; cópia das folhas 06/07, 332/333 e 393/395 do razão analítico; cópia DIPJ/1999 e dos DARF`s a título de estimativas da CSLL; (iv) anocalendário 2000 cópia autenticada do livro diário n° 20; termos de abertura e encerramento e fls. 88/093; cópia das folhas 04/05 do razão analítico; cópia DIPJ/2000 e dos DARF`s pagos a título de estimativas da CSLL e cópia DCTF 1° a 4° trimestre/2000; (v) anocalendário 2001 cópia autenticada do livro diário n° 23; termos de abertura e encerramento e fls. 327 a 332; cópia das folhas 446/447 do razão analítico; cópia DIPJ/2001 e dos DARF`s pagos título de estimativas da CSLL e cópia das DCTF`s do 1° ao 4° trimestre de 2001; (vi) anocalendário 2002 cópia autenticada do livro diário n° 26; termos de abertura e encerramento e fls. 376 a 381; cópia das folhas 06 e 30 do razão analítico; cópia DIPJ/2002 e dos DARF`s pagos a título de estimativas da CSLL e cópia das DCTF`s do 1° ao 4° trimestre de 2002; (vii) anocalendário 2003 cópia autenticada livro diário n° 30; termos de abertura e encerramento e fls. 141 a 146; cópia das folhas 90/91 e 125/127 do razão analítico e cópia das DCTF`s do 1° ao 4° trimestre de 2003. É o relatório. Fl. 407DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10845.900644/200615 Resolução n.º 140200.038 S1C4T4 Fl. 9 9 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva O recurso é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 06/03/1972, foi interposto por parte legítima, está devidamente fundamentado e preenche os requisitos de admissibilidade. Assim, conheçoo e passo ao exame da matéria. Na Ficha 17 da DIPJ do anocalendário de 2000 (fl. 164), a recorrente indicou ter pago, por estimativa, o valor de R$ 37.965,89, apurando saldo negativo de CSLL equivalente a R$ 31.413,36. O saldo negativo do anocalendário de 2000, no valor de R$ 31.413,36, se existente, pode ser compensado com os valores a pagar no ano seguinte. Por óbvio, que ao utilizar o saldo negativo do ano anterior para pagamento de estimativas no ano seguinte, do referido saldo, deve ser subtraído o quanto foi utilizado para o pagamento destas, por compensação. Exemplos das situações aqui referidas, são as estimativas referentes aos meses de janeiro e fevereiro de 2001, em que a recorrente utilizou para compensar, respectivamente, os valores de R$ 5.148,16 e R$ 3.239,38, totalizando R$ 8.387,54. Assim, o saldo negativo, que em 2000 era, em tese, de R$ 31.413,36 (fl. 164), se ao final de 2001 fosse apurado lucro, ficaria reduzido, no mínimo, para R$ 23.025,82 (31.413,36 – 5.148,16 – 3.239,38 = 23.025,82). Como em 2002 também houve prejuízo, o valor pago a título de estimativa neste ano é consolidado com o valor do ano anterior. Na Ficha 17 da DIPJ de 2001 (fl. 167), a recorrente informou ter pago, a título de estimativas, o valor de R$ 31.802,31. No entanto, quando se analisa os autos, temse que o valor das estimativas recolhidas, neste ano, foi de apenas R$ 5.056,58, conforme DARF de fl. 168. Assim, se efetivamente existente o saldo negativo de R$ 31.413,36 (fl. 164), referente ao ano de 2000, em havendo prejuízo em 2001, ao saldo negativo do ano anterior é somado apenas o valor das estimativas efetivamente recolhidas no ano de 2001, que foi de R$ 5.056,58, e não R$ 31.802,31. A autoridade fiscal, no despacho que elaborou, destaca, “in verbis”: “Embora tenha assim declarado, não se deparou com saldos negativos de CSSL, entre os exercícios de 1998 a 2000, como ilustra a planilha juntada aos autos que exibe, ainda, o ajuste promovido de oficio com o fito de demonstrar a verdade material relativa à evolução do tributo nesse período.” Ao recorrer, a parte interessada alega que “não foram recepcionados pelo sistema de cobrança da RFB os DARF’s pagos em 1998 e 1999”. Nesta linha, reportase aos Fl. 408DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10845.900644/200615 Resolução n.º 140200.038 S1C4T4 Fl. 10 10 DARF`s de fls. 155 e seguintes e à planilha de fl. 159, em que relaciona os débitos e pagamentos do ano de 1998 e 1999, e diz que os DARF’s das estimativas do ano de 1998 foram recolhidos com o código 2372, quando o correto era o código 2484, falha esta regularizada em janeiro de 2002. Quando proferiu o despacho de fls. 132/136, a autoridade fiscal não tomou conhecimento, por não estarem nos autos, os 12 (doze) DARF`s de fls. 155 e seguintes, referentes ao ano de 1998, em que a recorrente apurou saldo negativo de CSLL, no valor de R$ 13.398,11 (fl. 154). Igualmente, não foram analisados, por não estarem nos autos, os DARF’s de fls. 162 e seguintes, em número de 7 (sete), referentes aos recolhimentos especificados na planilha de fl. 151, correspondentes ao anocalendário de 1999. Diante da informação de recolhimento de tributos com código errado, com a situação regularizada somente após o despacho de fls. 132/136, e do argumento de que não foram considerados os DARF`s juntados aos autos, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal verifique e apure os seguintes pontos: a) em relação ao ano de 1998, qual o valor da CSLL apurado no anocalendário; qual o montante recolhido a título de estimativas e, caso existente, qual o saldo negativo apurado ao final do ano; b) se, em relação aos anoscalendário de 1999, 2000 e 2001, a contribuinte utilizou saldo negativo do ano anterior para pagar/compensar o valor das estimativas, ou se recolheu por DARF os valores devidos, especificando, num caso e noutro, em relação a cada anocalendário, o valor das estimativas efetivamente recolhidas por DARF; o valor das estimativas pagas por compensação de saldo negativo anterior; o saldo remanescente ao final de cada anocalendário, e o quanto deste saldo foi utilizado no ano seguinte; c) por fim, deve a autoridade fiscal, com base nos levantamentos que realizar, e levando em consideração a alegação de que houve correção quanto aos códigos de recolhimento dos tributos especificados nos DARF`s, que não haviam sido considerados, emitir parecer conclusivo, intimando a contribuinte para se manifestar, no prazo de 20 (vinte) dias, com retorno dos autos ao CARF. É o voto. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 409DF CARF MF Emitido em 16/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 16/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 16/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 16/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 10380.005938/2007-27
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/12/1998 a 31/10/2006
PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO
PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA
VINCULANTE STF Nº 8.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a
inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”.
Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência da NFLD no dia 27.02.2007, o período do débito é de 12/1998 a 10/2006. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 01/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN
Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava
sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício.
Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito
lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica.
Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2403-000.428
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso acatando a preliminar de decadência até a competência 01/2002 com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva votaram pelas conclusões. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURÍCIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1998 a 31/10/2006 PREVIDENCIÁRIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO PARCIALMENTE ATINGIDO PELA DECADÊNCIA QÜINQÜENAL SÚMULA VINCULANTE STF Nº 8. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos: “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência da NFLD no dia 27.02.2007, o período do débito é de 12/1998 a 10/2006. Dessa forma, constata-se que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 01/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratando-se de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõe-se o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para compará-la com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalva-se a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991. Após, editou a Súmula Vinculante n º 8, publicada em 20.06.2008, nos seguintes termos:“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal A recorrente teve ciência da NFLD no dia 27.02.2007, o período do débito é de 12/1998 a 10/2006. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados até a competência 01/2002, inclusive, nos termos do art. 150, § 4º, CTN. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Fl. 181DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 2 Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO INOBSERVÂNCIA DE PRECEITO FUNDAMENTAL À VALIDADE DO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso acatando a preliminar de decadência até a competência 01/2002 com base nos critérios estabelecidos no Art. 150, § 4º, CTN. Os conselheiros Ivacir Julio de Souza, Cid Marconi Gurgel de Souza e Eivanice Canário da Silva votaram pelas conclusões. No mérito, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso determinando o recalculo da multa de mora, com base na redação dada pela Lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. Fl. 182DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005938/200727 Acórdão n.º 240300.428 S2C4T3 Fl. 181 3 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Cid Marconi Gurgel de Souza, Eivanice Canário da Silva (suplente). Ausentes o Conselheiro Marcelo Magalhães Peixoto e o Conselheiro Marthius Sávio Cavalcante Lobato. Fl. 183DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 4 Relatório Tratase de Recurso Voluntário, às fls. 167 a 176, apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Recife PE, Acórdão nº 1120.036 – 6ª Turma, fls. 156 a 159, que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, NFLD – Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº. 37.042.9923, com ciência da Recorrente em 27.02.2007, às fls. 01, com valor consolidado de R$ 78.129,39 (setenta e oito mil, cento e vinte e nove reais e trinta e nove centavos). Então, o crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias (parte patronal e parte dos segurados) incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, bem como aquelas incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais. Incluemse as contribuições destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e às contribuições devidas aos terceiros, abrangendo o período de 12/1998 a 10/2006. O período de apuração, de acordo com o Mandado de Procedimento Fiscal Complementar – MPF nº 09344879C01, foi de 12/1998 a 10/2006, fls. 122. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Fiscal, fls. 128 a 131, é de 12/1998 a 10/2006. A Recorrente teve ciência do Auto de Infração no dia 27.02.2007, conforme fls. 01. Contra a autuação, a Recorrente apresentou impugnação tempestiva, de fls. 144 a 145. Após análise, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento Recife PE,emitiu o Acórdão nº 1120.036 – 6ª Turma, fls. 156 a 159, julgando procedente a autuação e mantendo a multa aplicada, conforme a Ementa a seguir: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1998 a 31/10/2006 PREVIDÊNCIA. CUSTEIO. TRIBUTÁRIO. A empresa é obrigada a recolher as contribuições a seu cargo e as relacionadas com a parte dos segurados empregados incidentes sobre remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, bem como aquelas incidentes sobre pagamentos efetuados a segurados contribuintes individuais. Lançamento Procedente Fl. 184DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005938/200727 Acórdão n.º 240300.428 S2C4T3 Fl. 182 5 Inconformada com a decisão, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, fls. 167 a 176, na qual alega em síntese que: Em sede Preliminar: (a) da impossibilidade de defesa do autuado nos termos do art. 5º, LV, CRFB/1988; (b teve o direito de defesa cerceado na medida em que foram efetuadas diversas autuações. (c) da decadência para os períodos anteriores a 02/2002, com fulcro no art. 150, § 4º, CTN. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 179. É o Relatório. Fl. 185DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 6 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 179. Anotase ainda que o Supremo Tribunal Federal – STF ao editar a Súmula Vinculante nº. 21 afastou a exigência de depósito para a admissibilidade de recurso na esfera administrativa. Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo. Fonte de Publicação: DJe nº. 210, p. 1, em 10/11/2009. DOU de 10/11/2009, p. 1. Avaliados os pressupostos, passo para as questões preliminares. DAS PRELIMINARES (a) violação a preceitos constitucionais. A Recorrente alega: da impossibilidade de defesa do autuado nos termos do art. 5º, LV, CRFB/1988 Analisemos. Fl. 186DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005938/200727 Acórdão n.º 240300.428 S2C4T3 Fl. 183 7 Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 187DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 8 (b) Do cerceamento de defesa A Recorrente argumenta: Teve o direito de defesa cerceado na medida em que foram efetuadas diversas autuações. Analisemos. Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Foi realizada auditoriafiscal que resultou no lançamento da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito — NFLD, de contribuições destinadas à Seguridade Social correspondente a parte patronal e a de segurados. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.042.9923que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.042.9923) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Fl. 188DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005938/200727 Acórdão n.º 240300.428 S2C4T3 Fl. 184 9 Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: • A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; • A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; • A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); e. RDA – Relatório de Documentos Apresentados (Este relatório relaciona, por estabelecimento e por competência, as parcelas que foram deduzidas das contribuições apuradas, constituídas por recolhimentos, valores espontaneamente confessados pelo sujeito passivo e, quando for o caso, por valores que tenham sido objeto); f. RADA – Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados(Este relatório demonstra como os seguintes documentos apresentados pelo contribuinte ou apurados em ação fiscal foram apropriados pela fiscalização: GRPS, GPS, LDC, CRED (créditos diversos) e DNF (valores destacados em nota fiscal ainda não recolhidos)); Fl. 189DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 10 g. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); h. REPLEG Relatório de Representantes Legais (Este relatório lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação.); i. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); j. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; k. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. l. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. m. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.042.9923, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação Fl. 190DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005938/200727 Acórdão n.º 240300.428 S2C4T3 Fl. 185 11 fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. (c) Da decadência A Recorrente alega: da decadência para os períodos anteriores a 02/2003, com fulcro no art. 150, § 4º, CTN. Analisemos. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, Fl. 191DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 12 nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: Fl. 192DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005938/200727 Acórdão n.º 240300.428 S2C4T3 Fl. 186 13 I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. (g.n.)” Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: “Art.150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 193DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 14 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (g.n.)” Essas interpretações estão em sintonia com decisões do Poder Judiciário. “Ementa: ....1. O entendimento jurisprudencial consagrado no Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento por homologação cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo decadencial de que dispõe o Fisco para constituir o crédito tributário é de cinco anos, contados a partir do fato gerador.Todavia, se não houver pagamento antecipado, incide a regra do art. 173, I, do Código Tributário Nacional.” (STJ.1ª Turma, AgRg no Ag 972.949/RS, Rel.: Min.Denise Arruda.,ago/08.) (g.n.) “Ementa: ....4. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Somente quand onão há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5.Hipótyese dos autos em que não houve pagamento antecipado, aplicandose a regra do art. 173, I, do CTN.” (STJ. 2ª Turma, AgRg no Ag 939.714/RS, Rel.: Min. Eliana Calmon., fev/08.) . (g.n.) “Ementa: .... Em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, a fixação do termo a quo do prazo decadencial para a constituição do crédito deve considerar, em conjunto, os arts. 150, § 4º, e 173, I, do Código Tributário Nacional. Na hipótese em exame, que cuida de lançamento por homologação (contribuição previdenciária) com pagamento antecipado, o prazo decadencial será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. (...) Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN..” (STJ. EREsp Fl. 194DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005938/200727 Acórdão n.º 240300.428 S2C4T3 Fl. 187 15 278727/DF. Rel.: Min. Franciulli Netto. 1ª Seção. Decisão: 27/08/03. DJ de 28/10/03, p. 184.) . (g.n.) Uma corrente doutrinária também aponta que no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento, se aplica uma regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN em detrimento da aplicação da regra geral do art. 173, I, CTN. No entanto, nos casos de dolo, fraude ou simulação, de modo a que se configure a comprovada máfé do sujeito passivo, não corre o prazo do art. 150, § 4º, CTN mas sim a decadência tributária se rege pela disposição genérica do art. 173, I, CTN. Nesta corrente doutrinária podese citar, dentre outros, Ricardo Lobo Torres1, Eduardo Sabbag2, Mauro Luís Rocha Lopes3 e Leandro Paulsen4. Há vozes discordantes na doutrina que defendem que a decadência opera com base na regra geral de decadência exposta no art. 173 do CTN, haja ou não pagamento antecipado no caso de lançamento por homologação, de forma a não se aplicar o art. 150, § 4º, CTN. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ e com a primeira corrente doutrinária exposta no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, como é o caso da contribuição social previdenciária, com a antecipação de pagamento e desde que não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN. Na hipótese presente, configurase a aplicação da regra de decadência insculpida no art. 150, § 4º, CTN pois o Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados – RADA, disposto às fls. 72 a 103, apresenta pagamentos realizados pela Recorrente a homologar pela AuditoriaFiscal, ainda assim em que pese tais pagamentos não estarem contemplados em todas as competências objeto da NFLD. Verificase, da análise dos autos, que a cientificação da NFLD pela Recorrente, às fls. 01, se deu em 27.02.2007 e o débito se refere a contribuições devidas à Seguridade Social no seguinte período: 12/1998 a 10/2006. Dessa forma, nos termos do artigo 150, § 4o, CTN, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos lançados até a competência 01/2002, inclusive. DO MÉRITO. 1 TORRES, Ricardo Lobo. Curso de direito financeiro e tributário. 16. ed. Rio de Janeiro: Renovar, 2009. p. 283. 2 SABBAG, Eduardo. Manual de direito tributário. São Paulo: Saraiva, 2009. p. 723. 3 LOPES, Mauro Luís Rocha. Direito tributário brasileiro. Rio de Janeiro: Impetus, 2009. p. 248. 4 PAULSEN, Leandro. Direito tributário: constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 11. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2009. p. 1036. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI 16 DA MULTA DE MORA Esta Colenda Turma de Julgamento vem se posicionando reiteradamente, por maioria, em relação ao recálculo dos acréscimos legais, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte: A multa de mora aplicada teve por base o artigo 35 da Lei 8.212/91, que determinava aplicação de multa que progredia conforme a fase e o decorrer do tempo e que poderia atingir 50% na fase administrativa e 100% na fase de execução fiscal. Ocorre que esse artigo foi alterado pela Lei 11.941/2009, que estabeleceu que os débitos referentes a contribuições não pagas nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que estabelece multa de 0,33% ao dia, limitada a 20%. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa mais benéfica. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Ressalvase a posição do Relator, posição vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10380.005938/200727 Acórdão n.º 240300.428 S2C4T3 Fl. 188 17 CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NAS PRELIMINARES, acolher a decadência até a competência 01/2002, inclusive, com base no art. 150, § 4º, CTN, no MÉRITO, DAR PROVIMENTO PARCIAL AO RECURSO, para que se recalcule a multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35 da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica ao contribuinte. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 197DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI Assinado digitalmente em 25/03/2011 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEI, 29/03/2011 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001721/2003-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1402-000.024
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
Matéria: IRPJ - AF (ação fiscal) - Instituição Financeiras (Todas)
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-24T22:20:56Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 9566572; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2010-09-24T22:20:56Z; Last-Modified: 2010-09-24T22:20:56Z; dcterms:modified: 2010-09-24T22:20:56Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 9566572; xmpMM:DocumentID: uuid:bd20cd77-0c2d-416e-8a6a-e89c46912c9f; Last-Save-Date: 2010-09-24T22:20:56Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2010-09-24T22:20:56Z; meta:save-date: 2010-09-24T22:20:56Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 9566572; modified: 2010-09-24T22:20:56Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2010-09-24T22:20:56Z; created: 2010-09-24T22:20:56Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; Creation-Date: 2010-09-24T22:20:56Z; pdf:charsPerPage: 1158; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2010-09-24T22:20:56Z | Conteúdo => S1-C4T2 Fl. 1 1 S1-C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.001721/2003-45 Recurso nº 158.588 Resolução nº 1402-00024 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 03/09/2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente SUL AMÉRICA SEGURO SAÚDE S/A Recorrida 8ª TURMA DRJ SÃO PAULO - I Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. EDITADO EM: 24/09/2010 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09160.DHHJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001721/2003-45 Resolução n.º 1402-00024 S1-C4T2 Fl. 2 2 Relatório Trata-se de lançamento do IRPJ no valor principal de R$ 495.870,61, relativo ao ano-calendário de 1998, com vencimento em 31.03.99, por insuficiência de recolhimento, sem exigência de multa de ofício. Consta no auto de infração que o crédito tributário foi lançado com a exigibilidade suspensa por força de medida liminar concedida nos autos do processo 97.0012158-5, com depósito judicial O objeto da ação judicial é a possibilidade de deduzir do IRPJ, a despesa com a CSLL, com sentença favorável ao contribuinte. O recurso da União encontrava-se junto ao TRF para julgamento. O lançamento foi considerado procedente pela Turma Julgadora, conforme as ementas a seguir transcritas: AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA. A propositura de ação judicial importa renúncia à instância administrativa relativamente à matéria que foi levada a juízo. A discussão administrativa prossegue apenas quanto às matérias não discutidas em ações judiciais. ERRO NA APURAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Por não comprovado o alegado erro na apuração da matéria tributável, há de se considerar perfeito o lançamento baseado em valores extraídos da DIPJ/99 entregue pelo próprio contribuinte. Indefere-se a diligência pleiteada, por não apresentados os elementos de convicção necessários para tanto. JUROS DE MORA. Os acréscimos moratórios são devidos mesmo quando suspensa a exigibilidade do crédito tributário correspondente, por expressa disposição legal. A ciência do recurso se deu em 22.02.2007 e o recurso voluntário foi apresentado em 23.03.2007. Seus argumentos são: a) O erro cometido pelo autuante na apuração da matéria tributável estaria demonstrado por documentos e planilhas apresentados em resposta aos termos de intimação nº. 32 e 113, de 2003, juntados ao processo administrativo antes mesmo da lavratura do auto de infração. Aduz que o julgador compulsou os autos de outro processo, pois seria impossível, que se o tivesse feito não visse os demonstrativos e as provas necessárias à comprovação do erro cometido pelo autor do feito, apresentados quando das respostas aos termos de intimação, bem como a cópia das folhas do Lalur que instruíram a primeira Fl. 2DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09160.DHHJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001721/2003-45 Resolução n.º 1402-00024 S1-C4T2 Fl. 3 3 intimação, sobretudo porque a existência desses elementos foi expressamente reconhecida pela autoridade lançadora no Termo de Verificação de sua lavra. Ressalta que em 28.04.97, a recorrente propôs a ação ordinária 97.0012158-5 visando assegurar seu direito de considerar dedutíveis, na determinação do lucro real, as despesas incorridas com a CSLL, sem se submeter ao disposto nos artigos 1º da Lei 9.316/96, resultante da conversão da MP 1516/96 e suas reedições. Com a finalidade de suspender a exigibilidade do crédito tributário em litígio, depositou seus montantes integrais em conta vinculada àquela ação. Durante o ano-calendário, a referida contribuição foi apurada com base em estimativas mensais, tendo os depósitos judiciais sido realizados mensalmente levando em conta essas estimativas, conforme cópias das respectivas guias juntadas aos autos, no montante de R$ 495.870,61. Salienta que conforme se pode constatar na coluna intitulada “depósito acumulado”do anexo 6 da resposta à intimação 32/2003, expedida pela fiscalização, de 28.03.2003 e recebida pelo autor do feito em 01.04.2003, ao final do ano-calendário a recorrente verificou que o valor em litígio correspondia somente a R$ 292.980,09, havendo excesso de R$ 202.890,52 (posteriormente aproveitados para deduzir os valores que deveriam ser depositados judicialmente, relativos a ano subseqüente), nos valores depositados. Aduz que sobre o valor reportado pelo relator do voto condutor do acórdão da DRJ, de R$ 3.047.706,87, relativo ao valor da CSLL constante da ficha 10 da DIPJ/99, adicionado no Lalur (anexo 7 da intimação 32/2003), correspondente à soma das parcelas de R$ 1.209.570,13, R$ 326.174,08 e R$ 1.511.962,66), bem como a de R$ 2.769.769,29, constante da ficha 30 da DIPJ/99, para sobre elas realizar cálculos tão simplistas quanto incorretos, para concluir que o auto de infração, por ter sido lavrado em valor inferior aos encontrados dessa forma, deveria ser mantido. Afirma que nas grandes organizações, nem sempre se consegue determinar com precisão os valores das provisões no último dia do ano-calendário, e que assim se deu no âmbito da recorrente, significando a importância de R$ 326.740,87, que compõe o total de R$ 3.047.706,87, relativa ao valor da CSLL adicionado no Lalur e mencionada pelo relator do acórdão recorrido, complementação da provisão para CSLL incidente sobre o lucro líquido apurado no ano-calendário de 1997, contabilizada no ano-calendário de 1998. Destaca que no que concerne à aludida contribuição incidente sobre o lucro líquido do próprio ano-calendário de 1998, foram contabilizados como despesa durante o período R$ 2.721.532,79 (R$ 1.209.570,13 + R$ 1.511.962,66) parte dos quais depositada judicialmente nos autos de outra ação, qual seja, o mandado de segurança 97.0012129-1, impetrado pela recorrente para enfrentar o tratamento ofensivo ao princípio da isonomia que lhe era dispensado pela legislação vigente à época, que dela exigia, na condição de companhia seguradora, apurar CSLL à alíquota de 18%, enquanto a generalidade das pessoas jurídicas estava sujeito ao mesmo encargo calculado à alíquota de 8%. Consigna que já na ficha 10 da DIPJ/99, por ter sido apresentada posteriormente ao encerramento do ano-calendário, a recorrente teve tempo para apurar a CSLL, efetivamente devida, no valor de R$ 2.769.769,69, o que por óbvio a obrigou a contabilizar no ano seguinte, complemento da provisão que fizera até 31.12.98, na diferença de R$ 48.236,90 (R$ Fl. 3DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09160.DHHJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001721/2003-45 Resolução n.º 1402-00024 S1-C4T2 Fl. 4 4 2.769.769,69 – R$ 2.721.532,79), tal como ocorreu em relação à provisão de 1997, diferença essa, por ter sido contabilizada em 1999, não podia ser adicionada ao lucro líquido de 1998. Para determinar a quantia de R$ 292.980,09, a recorrente traz aos autos planilha, que diz ser o anexo 2 à resposta dada à intimação 32/2003, expedida pela fiscalização, com informações adicionais que tornariam ainda mais fácil a compreensão do ocorrido. Argumenta que nela, verifica-se que a base de cálculo correta da CSLL do ano- calendário de 1998 era de R$ 15.387.609,40 que, multiplicados por 18% produzem o valor de R$ 2.769.769,69. Todavia, como 10/18 desse montante, ou seja, R$ 1.538.760,94, estavam em discussão no mandado de segurança 97.0012129-1, a recorrente considerou prudente adicioná- los ao lucro líquido, para determinar o lucro real, cumprindo, assim, o disposto no art. 1º da Lei 9.316/96 e pagando o IRPJ sobre eles. Assim, a discussão relativa à ação ordinária 97.0012158-5, restringia-se à parcela de R$ 1.231.008,75, cujo imposto de renda sobre ela incidente, a recorrente não pagou, mas depositou judicialmente em conta vinculada àquele feito. Afirma ser verdade que na linha 19 da ficha 13 da DIPJ/99 a recorrente fez constar R$ 495.870,61, quando talvez devesse ter indicado somente R$ 292.980,09. Alega que esse procedimento, em nada prejudicou o fisco, pois, como visto pela resposta à intimação da fiscalização 113/2003, certificado pelo autuante, a parcela excedente dos depósitos foi aproveitada para suspender exigibilidade de créditos tributários da mesma natureza devidos em 28.02.2000 e 31.03.2000, não se confundindo com o verdadeiro saldo negativo do IRPJ. Reitera pedido de diligência caso o colegiado entenda que deve ser examinada a documentação contábil de suporte desses registros, uma vez que a instância a quo se recusou a atendê-lo. Afirma ser impertinente acrescer juros de mora ao crédito tributário cuja exigibilidade encontra-se suspensa por depósito judicial de seu montante integral. Também discute extensamente equívocos jurídicos em que teria incorrido a Turma Julgadora ao concluir pela renúncia da autuada à esfera administrativa. Pede que sejam consideradas as razões expostas na impugnação como integrantes do recurso. Na impugnação, além das discussões contidas no recurso, discute o seguinte (transcrição do relatório de primeira instância): 4.3. que, embora a legislação determine expressamente que determinadas deduções no lucro líquido não sejam aceitas para o cômputo do lucro real, a despesa de CSLL, cuja dedução está vedada pela Lei 9.316/96, representa despesa inevitável, necessária e indispensável ao livre exercício da atividade empresarial; 4.4. a aplicação dos arts. 1º e 4º da Lei 9.316/96 configura tributação sobre o patrimônio das empresas, ou instituição de um IRPJ sobre a CSLL, violando o art. 154, inciso I, da CF/88; 4.5. além disso, referida tributação ilegítima do patrimônio consubstancia procedimento confiscatório, a ofender o art. 150, IV, da Fl. 4DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09160.DHHJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001721/2003-45 Resolução n.º 1402-00024 S1-C4T2 Fl. 5 5 CF/88, bem assim, vilipendia os princípios da pessoabilidade, da capacidade contributiva, da progressividade, da livre iniciativa. Esclarece a recorrente que face ao depósito do montante integral exigido nos autos da ação ordinária 97.0012158-5, encontra-se plenamente atendido o disposto no art. 33 do Decreto 70.235/72 (com redação dada pelo art. 32 da Lei 10.522/2002); postula seja dado provimento ao recurso, ou se for entendido inaplicável ao caso o disposto no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, seja declarada a nulidade do aresto recorrido, pela recusa em apreciar a totalidade dos argumentos aduzidos na inicial, a ensejar cerceamento do direito de defesa por supressão da primeira instância no rito processual, restituindo os autos à repartição de origem, para que outra seja proferida na boa e devida forma. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso voluntário atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Sobre o pedido de nulidade da decisão administrativa por não ter apreciado a matéria que também está em discussão na esfera judicial, não merece acolhimento tal pleito, uma vez que aquele colegiado, assim como este, não pode apreciar tal matéria, em razão da discussão concomitante naquela esfera. Portanto, rejeita-se a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. O valor da matéria tributável, segundo a fiscalização é de R$ 495.870,61. Referido valor foi extraído da DIRPJ, ficha 13 (cálculo do IR sobre o lucro real), linha 19, exigibilidade suspensa. Consta no Termo de Verificação Conforme planilha apresentada pelo contribuinte, este recolheu o total de R$.5.005.241,12, depositou judicialmente R$. 498.856,97 e compensou R$. 207.479,07, sendo que era devido o total de R$. 3.279.499,55. O crédito tributário gerado foi totalmente compensado, conforme planilha apresentada pelo contribuinte. Sobre a discussão relativa a erro na apuração da matéria tributável, a DRJ assim se pronunciou: 6. Afirma a reclamante que haveria erro na apuração da matéria tributável, e conseqüentemente do imposto lançado. Segundo aduz às fls. 82/83, o valor do imposto em litígio era de R$ 292.980,09, e não de R$ 495.870,61, como apurado pela fiscalização. Alega que este ultimo valor corresponde, na realidade, ao montante depositado, que por sua vez excedeu em R$ 202.890,52 àquele Fl. 5DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09160.DHHJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001721/2003-45 Resolução n.º 1402-00024 S1-C4T2 Fl. 6 6 primeiro valor, que foram posteriormente compensados com depósitos judiciais da mesma natureza relativos a fevereiro e março de 2000. 6.1. Alega ainda que o acima relatado poderia ser aferido na ficha 10 da DIPJ/99, e pleiteia a realização de diligência para que seja possível certificar a fidedignidade dos valores e dos fatos alegados. 6.2. Ocorre que, pelos dados contidos na referida ficha 10 de sua DIPJ/99 (fls. 132), verifica-se que o valor da CSLL adicionado no LALUR foi de R$ 3.047.706,87, enquanto que o valor da CSLL apurada na ficha 30 da mesma DIPJ/99 (fls. 157) era de R$ 2.769.769,69.Além de haver divergência entre os valores acima, impossibilitando a determinação do IRPJ que estaria com a sua exigibilidade suspensa por conta da ação judicial intentada pelo contribuinte, é de se observar que, tomando a alíquota de 25% (IR + adicional), ambos os valores apontam para um crédito tributário superior ao lançado no presente auto de infração (R$ 761.926,71 e R$ 692.442,42, respectivamente, contra R$ 495.870,61 ora exigidos). 6.3. Observe-se que o valor lançado foi extraído diretamente da DIPJ/99 apresentada pelo contribuinte, de sorte que à autoridade fiscal cumpria apenas constituir o respectivo crédito tributário para prevenir a decadência. Ademais, o contribuinte não apresentou nenhum demonstrativo que, ainda que de forma resumida, apontasse para o valor reclamado em sua impugnação, limitando-se a pleitear a diligência alegando que seria necessário juntar quase uma centena de milhar de papéis. (...) No recurso, a contribuinte argumenta: • Durante o ano-calendário, a contribuição foi apurada com base em estimativas mensais, tendo os depósitos judiciais sido realizados mensalmente levando em conta essas estimativas, conforme cópias das respectivas guias juntadas aos autos, no montante de R$ 495.870,61; que ao final do ano-calendário, verificou que o valor em litígio era de R$ 292.980,09, havendo excesso de depósitos no valor de R$ 202.890,52. • Explica que a importância de R$ 326.74,87 que compõe o total de R$ 3.047.706,87, relativo ao valor da CSLL adicionado ao Lalur e mencionada pelo relator do acórdão recorrido é complementação da provisão para CSLL incidente sobre o lucro líquido apurado no ano-calendário de 1997, contabilizada no ano-calendário de 1998. • Aduz que no que concerne à CSLL do próprio ano-calendário de 1998, foram contabilizados como despesa durante o período, o valor de R$ 2.721.532,79 (R$ 1.209.570,13 + R$ 1.511.962,66), parte dos quais depositada judicialmente nos autos de outra ação, o mandado de segurança 97.0012129-1, impetrado para que recolhesse a CSLL à alíquota de 8%, de acordo com a generalidade das empresas, em vez de 18%. • Explica ainda, que já na ficha 10 da DIPJ/99, por ter sido apresentada posteriormente ao encerramento do ano-calendário, a recorrente teve tempo de apurar a CSLL efetivamente devida, no valor de R$ 2.769.769,69, o que a obrigou a contabilizar no ano Fl. 6DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09160.DHHJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 16327.001721/2003-45 Resolução n.º 1402-00024 S1-C4T2 Fl. 7 7 seguinte complemento da provisão que fizera até 31.12.98, na diferença de R$ 48.236,90 (R$ 2.769.769,69 – R$ 2.721.532,79), tal como ocorreu em relação à provisão de 1997, diferença essa porém, que por ter sido contabilizada em 1999, não podia ser adicionada ao lucro líquido de 1998. • Para determinar a quantia de R$ 292.980,09, no entanto, traz aos autos planilha com informações adicionais, que diz ter sido apresentada à fiscalização. Segundo a recorrente, nela se verificaria que a base de cálculo correta da CSLL do ano-calendário de 1998 era de R$ 15.387.609,40, que multiplicados por 18%, produzem o valor de R$ 2.769.769,69. Mas como 10/18 desse montante (R$ 1.538.760,94) estavam sendo discutidos no mandado de segurança mencionado, a recorrente achou prudente adicioná-los ao lucro líquido, para determinar o lucro real, cumprindo assim, o disposto no art. 1º da Lei 9.316/96 e pagando o IRPJ sobre eles. • Consequentemente a discussão na ação ordinária restringe-se à parcela de R$ 1.231.008,75, cujo imposto de renda sobre ele incidente a recorrente não pagou, mas depositou judicialmente, imposto que atingiu o valor de R$ 292.980,09, conforme planilha anexa. • Reconhece que é verdade que na linha 19 da ficha 13 da DIPJ/99, a recorrente fez constar o valor de R$ 495.870,61, quando talvez devesse constar R$ 292.980,09 (decisão tomada por falta de item específico na declaração para informar depósitos efetuados com base em cálculos de estimativas mensais, que resultaram no final do ano-calendário, valor maior que o devido). Levando em conta a documentação apresentada pela recorrente e seus argumentos, concluo que a autoridade fiscal deve se manifestar sobre os mesmos, conforme abaixo explicitado. Verifica-se que o valor de depósitos de R$ 495.870,61, que se refere ao IRPJ devido depositado (calculado sob o regime de estimativas, segundo a recorrente), em função da dedutibilidade da CSLL, na apuração do IRPJ, autorizada judicialmente, contribuiu para o saldo negativo do IRPJ de R$ 2.417.757,72, e que segundo a fiscalização, o crédito gerado foi totalmente compensado, conforme planilha apresentada pela contribuinte (não consta dos autos). Entretanto, se o valor com exigibilidade suspensa for menor, como pretende a recorrente, também menor será o saldo negativo do IRPJ apurado gerando conseqüências nas compensações efetuadas, ou então a contribuinte efetivamente compensou com o valor que deveria ser depositado judicialmente nos períodos subseqüentes. Para melhor elucidar a matéria, voto pela conversão do julgamento em diligência para que à vista das informações internas à Receita Federal e à vista da documentação contábil e fiscal (caso seja necessário), a autoridade fiscal possa verificar a exatidão do valor tributável objeto do lançamento. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo a ser cientificado à recorrente, que poderá se manifestar se entender necessário. Albertina Silva Santos de Lima - Relatora Fl. 7DF CARF MF Documento nato-digital Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0520.09160.DHHJ. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 24/09/2010 19:17:26. Documento autenticado digitalmente por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 24/09/2010. Documento assinado digitalmente por: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA em 24/09/2010. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/05/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0520.09160.DHHJ Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: F8504365FD9ABDC367C3BBE0F45FD16BE4880D9B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 16327.001721/2003-45. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10880.913014/2006-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.155
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva. Fl. 403DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.913014/200684 Resolução n.º 1401000.155 S1C4T1 Fl. 404 2 Tratase de recurso voluntário contra o Acórdão nº 1622.949, da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo ISP. Por economia processual e por bem descrever os fatos, adoto como parte deste, o relatório constante na decisão de primeira instância: Trata o presente processo de pedido de restituição/declaração de compensação, transmitido por meio do programa PER/DCOMP, referente a pagamento indevido ou a maior de IRRF, efetuado no anocalendário de 2002. 2. Despacho Decisório (fl. 06) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT SÃO PAULO) não homologou a compensação declarada em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." 3. A contribuinte apresentou, em 19/06/2008, por seus procuradores, manifestação de inconformidade (fls. 12 a 19), alegando, em síntese, o seguinte: 3.1 que a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; 3.2 que, nos termos da IN SRF n° 600/2005 (artigo 5o), é permitido ao contribuinte que apurar saldo negativo de IRPJ compensar este crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic; 3.3 que no presente caso, conforme se depreende da sua DIPJ 2003, no ano calendário de 2002, foi apurado resultado negativo em todos os meses do ano, motivo pelo qual não houve imposto de renda a ser pago; 3.4 que nesse mesmo ano efetuou diversos recolhimentos do IRRF sob o código 8045, declarando corretamente tais valores em suas DCTFs trimestrais; 3.5 que, em 31/12/2002, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano, uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período; 3.6 que, pretendendo utilizar o referido crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, a Requerente elaborou e apresentou, em outubro de 2003, a competente Declaração de Compensação perante a repartição fiscal; 3.7 que, como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo "Tipo de Crédito" relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ; 3.8 que, não obstante, como os pagamentos indevidos ou a maior referem se àqueles efetuados por meio de DARF, a Requerente, seguindo esse raciocínio, houve Fl. 404DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.913014/200684 Resolução n.º 1401000.155 S1C4T1 Fl. 405 3 por bem pleitear a compensação do crédito existente relacionado a um valor específico de IRRF recolhido sob o código 8045; 3.9 que, dessa forma, ao apresentar a presente DComp, a Requerente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. E, foi justamente em virtude da adoção deste procedimento que, ao analisar a DComp em questão, mediante confrontação eletrônica de dados, a Receita Federal negou homologação à compensação pleiteada; 3.10 que o preenchimento equivocado da DComp em questão, por parte da Requerente, em nada altera a existência de crédito em seu favor a título de saldo negativo de IRPJ; 3.11 que, ainda que a Requerente porventura tenha preenchido de forma errônea a sua DComp, esse fato não pode ser considerado como causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, uma vez que é perfeitamente possível a sua comprovação; 3.12 que o processo administrativo tributário está sujeito às garantias constitucionais ordinariamente previstas, quais sejam, a garantia do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição, da ampla defesa e contraditório e da necessária fundamentação das decisões, além do princípio da verdade material que estabelece que a Administração Pública deve buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada; 3.13 que outros processos administrativos (relacionados na manifestação de inconformidade), tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, motivo pelo qual devem ser apensados, nos termos do art. 9o, § 1º do Decreto 70.235. A DRJ, por unanimidade de votos, INDEFERIU a solicitação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002 PER/DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO. INOVAÇÃO. A indicação, na fase litigiosa, de direito creditório distinto do apontado na Per/Dcomp original, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Irresignada com a decisão de primeira instância, a interessada interpôs recurso voluntário a este CARF, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação. É o relatório. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.913014/200684 Resolução n.º 1401000.155 S1C4T1 Fl. 406 4 VOTO Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Em apertada síntese, a Recorrente alega que cometera erro material no preenchimento da DCOMP, uma vez que indicou equivocadamente Crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF ao invés de saldo negativo do IRPJ, anocalendário2002. Por bem descrever os fatos, reproduzo abaixo trecho do voto da DRJ: 5. No presente caso, a controvérsia se restringe ao fato da requerente alegar ter informado erroneamente em sua PER/DCOMP, crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF (código de receita: 8045), quando o correto seria um suposto crédito de Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002. 6. Tendo em vista que o pedido inicial da interessada requeria a restituição de Imposto de Renda Retido na Fonte por ter havido pagamento indevido ou a maior, entendo não ser cabível neste mesmo procedimento inovar o pedido, transmutandoo para saldo negativo do IRPJ, isso porque o reconhecimento desta alteração importaria grave irregularidade, pois, além de se burlar o instituto da decadência, estarseia suprimindo da Delegacia da Receita Federal em São Paulo atribuição regimental de se pronunciar, em primeiro lugar, sobre o mérito da restituição pleiteada. Tomandose como exemplo o presente caso, os procedimentos adotados pela autoridade a quo para analisar a existência de pagamento indevido ou a maior de IRRF divergem fundamentalmente da análise que deveria ser efetuada caso fosse requerido crédito proveniente de saldo negativo de IRPJ. A DRJ, em síntese, colocando ênfase no aspecto formal inadequado pelo qual a recorrente produziu o seu pedido, negou a solicitação nos seguintes termos: (...) 9. Dessa forma, a alteração do crédito pleiteado na Declaração de Compensação encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação cuja competência de apreciação originária é da DRF que exerce jurisdição sobre o domicílio fiscal da contribuinte, e, portanto, fora da alçada da Delegacia da Receita Federal de Julgamento. De fato, restou configurado que não existe pagamento a maior de IRRF, podendo existir porém em tese, saldo negativo do IRPJ, situação esta que envolve inúmeras outras variáveis que devem ser levadas em conta para que se dê ou não a restituição/compensação. A recorrente se por um lado confundiu esses conceitos, por outro deixou inequívoco, pelas provas constantes dos autos, que sua intenção era mesma aproveitar o saldo negativo do IRPJ do anocalendário de 2002, tanto é que isso foi facilmente identificado e reconhecido pela DRJ. Fl. 406DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.913014/200684 Resolução n.º 1401000.155 S1C4T1 Fl. 407 5 Nessa mesma pisada, a 1a Turma da 1a Câmara da 1a Seção do CARF, em caso idêntico envolvendo a mesma empresa e mesmo anocalendário (2002), no Acórdão nº 1101 00.590, deu provimento parcial ao recurso, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002 ERRO NO PREENCHIMENTO DA DCOMP QUANTO À NATUREZA DO CRÉDITO. VINCULAÇÃO DE PAGAMENTO A DÉBITO COM NATUREZA DE ANTECIPAÇÃO DO IRPJ. EVIDÊNCIAS DE UTILIZAÇÃO DE SALDO NEGATIVO. Provado o erro cometido no preenchimento da DCOMP, motivador de sua não homologação, a compensação deve ser analisada a partir da real natureza do crédito utilizado, mormente tendo em conta as peculiaridades das antecipações previstas nos casos de importâncias pagas, entregues ou creditadas, pelo anunciante, às agências de propaganda. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE DIRECIONADA POR OUTRA NATUREZA DE CRÉDITO. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação tem por pressuposto crédito de outra natureza, em razão de informação equivocada do sujeito passivo. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez admitida que outra é a natureza do crédito, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Por oportuno extraio trecho desse brilhante voto proferido pela Conselheira Edeli Pereira Bessa, que o adoto em parte como razão de decidir: Nestes termos, a Lei nº 7.450/85, base legal do RIR/99, estabelece a incidência do imposto de renda no momento do pagamento, de uma pessoa jurídica a outra pessoa jurídica, por serviços de propaganda e publicidade. Por sua vez, a Instrução Normativa SRF nº 123/92 atribui à agência de propaganda, na condição de beneficiária, o recolhimento do imposto incidente sobre o pagamento ou crédito, por ordem e conta do anunciante. Ainda, a legislação impõe, à agência de propagada, o dever de fornecer ao anunciante documento comprobatório com indicação do valor do rendimento e do Imposto de Renda recolhido, relativo ao anocalendário anterior, para que ele os discrimine em sua DIRF e disponha da prova necessária para a dedutibilidade da despesa de propaganda. Os dispositivos antes transcritos também exigem que a agência de propagada informe em DCTF o imposto incidente sobre o pagamento por ela recebido, e reconhecem o direito de a agência de propaganda deduzir este imposto de renda na fonte na apuração definitiva do imposto de renda incidente sobre o lucro (IRPJ). Admissível, portanto, neste contexto, que uma agência de propaganda se confunda, no preenchimento da DCOMP, quanto à natureza de seu crédito, e vislumbre indébitos em cada recolhimento de imposto incidente sobre os valores que lhes foram pagos ou creditados, ao invés de um saldo negativo consolidado, mormente se no ano calendário correspondente foi apurado prejuízo fiscal. Neste caso excepcional, distinto Fl. 407DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.913014/200684 Resolução n.º 1401000.155 S1C4T1 Fl. 408 6 da generalidade dos casos nos quais as antecipações cabem a quem paga ou credita rendimentos, o imposto incidente na fonte foi recolhido pela própria beneficiária, de forma que ela dispunha dos DARF que representavam o indébito de imposto de renda naquele período, o que pode têla induzido a apontálos como origem do crédito utilizado em compensação. Cumpre, assim, confirmar se no presente caso concreto estão presentes os demais elementos caracterizadores da condição da recorrente como credora da Fazenda Nacional, no anocalendário 2002, a título de saldo negativo de IRPJ. Está provado nos autos que a contribuinte tem por objeto social: (a) a prestação dos serviços de propaganda, publicidade, marketing, comunicações, promoções, convenções e realização de eventos em geral; (b) a representação de outras sociedades, nacionais ou estrangeiras; (c) a prestação de serviços de assessoria e assistência pertinentes às atividades indicadas no item (a); e (d) a participação em outras sociedades, na qualidade de sócia ou acionista (fl. 26). É inconteste, também, que houve recolhimento sob o código de receita 8045, destinado ao IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens); serviços de propaganda, e que tal recolhimento foi vinculado a débito de mesmo valor declarado em DCTF, motivo da não homologação da compensação. Porém, não há prova, nos autos, de que o recolhimento apontado na DCOMP corresponda, efetivamente, a imposto incidente sobre pagamentos que lhe foram feitos a título de serviços de propaganda. Como acima indicado, o código de receita 8045 prestase, também, ao recolhimento de IRRF incidente sobre rendimentos não especificados (condenações judiciais, multas e vantagens) que tenham sido pagos, e não recebidos pela contribuinte. Contudo, a interessada afirma que os recolhimentos teriam esta natureza, e junta comprovantes apresentados a seus clientes anunciantes, além de DCTF, DARF e DIPJ, como evidências do excesso de pagamentos de imposto de renda retido na fonte sob o código de receita 8045, cuja soma, no anocalendário 2002, representaria R$ 448.957,61. (...) voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para reconhecer ao crédito utilizado na DCOMP a natureza de parcela do saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário de 2002, mas sem homologar a compensação por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação, providenciandose a apensação dos processos apreciados nesta sessão (nº 10880.912964/200691, 10880.912965/2006 36, 10880.912982/200673, 10880.912984/200662, 10880.912988/200641 e 10880.912987/200604) antes de seu retorno à origem. Esta mesma Câmara tem seguido essa mesma toada, porém utilizandose de um procedimento diferente, qual seja, baixando primeiro em diligência para investigação e constituição do saldo negativo. Nesse sentido, segue abaixo ementa de Acórdão da minha relatoria: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2003 Ementa: PAGAMENTO A MAIOR. SALDO NEGATIVO. TRANSMUTABILIDADE. POSSIBILIDADE. Em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade devese permitir a retificação da Dcomp quando é Fl. 408DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 10880.913014/200684 Resolução n.º 1401000.155 S1C4T1 Fl. 409 7 patente o erro material no seu preenchimento e que tenha ficado bem configurada a divergência entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado pelo próprio contexto em que foi feita a declaração. (Acórdão nº 1401000.735). Dessa forma, em nome do princípio da verdade material e da fungibilidade, devese permitir a retificação da Dcomp quando é patente o erro material no seu preenchimento, o que ficou configurado no caso concreto em que há divergência facilmente perceptível entre o que foi apresentado e o que queria ser apresentado, revelado no próprio contexto em que foi feita a declaração. Nesse contexto, inclinome pela realização de uma diligência específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Transmutar a situação de pagamento indevido para compensação de saldo negativo do IRPJ para o anocalendário de 2002, levando a PER/Dcomp a tratamento manual; Intimar, se for o caso, o contribuinte a apresentar novas informações, esclarecimentos e retificações que entender pertinentes à solução da lide; Prosseguir na validação do saldo negativo informado pelo sujeito passivo na DIPJ através da análise das parcelas que compõem o crédito informadas no PER/DCOMP; Após as verificações acima e apurar a certeza e liquidez do crédito tributário em referência, verificar se ainda resta algum débito remanescente a ser coberto, refazendo todas as imputações utilizando o Sistema pertinente da Receita Federal do Brasil. A autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações efetuadas nos itens anteriores. Ao final entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. Para efeito de controle da autoridade executora, o presente processo foi julgado em conjunto com 9(nove) outros processos, todos tendo sido também baixados em diligência: nº 10880.912968/200670, 10880.912969/200614, 10880.912974/200627, 10880.912975/200671, 10880.912976/200616, 10880.912979/200650, 10880.912980/2006 84, 10880.912990/200610. A autoridade executora também deve atentar para os processos já referidos e julgados pela 1a Turma da 1a Câmara da 1a Seção do CARF (nº 10880.912964/200691 e os processos a ele apensados: nº 10880.912964/200691, 10880.912965/200636, 10880.912982/200673, 10880.912984/200662, 10880.912988/200641 e 10880.912987/200604). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 409DF CARF MF Impresso em 26/09/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 10/07/2012 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 25/09/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA
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Numero do processo: 10825.900549/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 25 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.056
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Matéria: IRPJ - restituição e compensação
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência. Ausente momentaneamente o Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Moises Giacomelli Nunes da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Albertina Silva Santos de Lima (presidente da turma), Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira (vicepresidente), Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Viviani Aparecida Bacchmi e Moises Giacomelli Nunes da Silva. Fl. 135DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900549/200811 Resolução n.º 140200.056 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Conforme demonstra o contrato social de fls. 71/74, a recorrente foi constituída no ano de 1976, sob a denominação social de Laboratório Bauru de Patologia Clínica Sociedade Civil Ltda., tendo por objeto “a prestação de serviços de análises, abrangindo (sic.) os campos da bioquímica, hematologia, parasitologia, anatomia patológica, citologia, micro biologia, etc., elaborando exames científicos de sangue, urina, fezes, secreções, etc., atendendo a todos os tipos de exames atinentes ao campo de análises clínicas.” A alteração contratual de fls. 66/70, datada de 11/11/2003, indica que em tal data a recorrente manteve o objeto social no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”. A DIPJ de fls. 12/25, entregue em 24/04/2008, demonstra que a interessada protocolizou declaração retificadora do período de 01/01/2000 a 31/12/2000, indicando ser tributada na sistemática do lucro presumido e base de cálculo de 8% (oito por cento). O acórdão recorrido, à fl. 78, diz que as DCTF`s do segundo trimestre de 2000, foram retificadas em 26/03/2008. Todavia, examinando os autos não foi possível localizar a existência das referidas declarações retificadora, pois apenas constam nos autos a DCTF`s retificadoras referentes ao primeiro trimestre de 2004 (fls. 26/58). Pelo que alega a recorrente, tendo constatado pagamento a maior, isto é, feito levando em consideração a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), a parte tratou de fazer as respectivas compensações. Todavia, não vieram aos autos os comprovantes de pagamento apurados com a base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento) e tampouco as DCTF’s do período de 2000. O acórdão de fls. 77 e seguintes não homologou o procedimento de compensação sob o fundamento de que o direito creditório não estava devidamente comprovado. Dos fundamentos do acórdão recorrido transcrevo a seguinte passagem: “A par disso, impende observar que, nos termos do artigo 333, inciso I, do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus da prova dos fatos constitutivos do seu direito. Logo, as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento. No caso em tela, a prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido, pois há situações em que somente a contribuinte detém em seu poder os registros de prova necessários para a elucidação da verdade dos fatos.,..” Fl. 136DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900549/200811 Resolução n.º 140200.056 S1C4T2 Fl. 3 3 Após citar o artigo 45, da Lei nº 8.981, de 1995, que determina que a pessoa jurídica tributada com base no lucro presumido deverá manter todos os livros e documentos que serviram de base à escrituração e que as declarações de compensação devem estar, necessariamente, instruídas com as devidas provas do indébito tributário no qual se fundamentam, sob pena de pronto indeferimento, o acórdão guerreado julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada, de forma tempestiva, a parte ingressou com recurso alegando: a) que o Pedido de Compensação PER/DCOMP, objeto deste processo, foi transmitido à Receita Federal do Brasil em 23/10/2003, portanto dentro do prazo de 5 (cinco) anos do pagamento indevido ou a maior; b) quanto à averiguação da liquidez e certeza do pagamento indevido ou a maior de tributo, confrontando documentos com registros contábeis e fiscais, entende correto e necessário o procedimento, porém esqueceuse o julgador de primeira instância, que o poder dever dessa obrigação é ônus do Estado e; c) que os elementos para esse reconhecimento foram encaminhados a Receita Federal do Brasil em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, onde se destacam, dentre outras solicitações, os Livros Caixa, Livros Registro de Prestação de Serviços e Notas Fiscais. Junto com o recurso, o sujeito passivo trouxe aos autos o documento de fl. 92, referente ao início de fiscalização iniciada em 06/08/2007, relativa ao período de 2003 a 2005, que resultou no auto de infração cuja cópia parcial consta da fl. 93/94, notificado ao sujeito passivo em 18/03/2008, que gerou o processo administrativo nº 15889.000.137/200859. Em consulta realizada no COMPROT, em 08/02/2011, verifiquei que o referido processo encontra se na Terceira Turma da Delegacia de Ribeirão Preto. Por inexistir nos autos cópia do referido processo não é possível avaliar se há conexão entre este processo e aquele ou, se aquele, em tese, poderia ser prejudicial ao julgamento deste, o que não considero. Em síntese, no caso concreto, alega a recorrente que ao calcular o imposto devido em relação ao segundo trimestre de 2000 utilizou base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto seria 8% (oito por cento). Assim, pagou imposto a maior no ano de 2000 e, em 2004, “antes de seu crédito ser atingido pela decadência” realizou as compensações indicadas nas DCTF`s de fls. 22 e seguintes, no montante de R$ 34.066,18. O acórdão recorrido indeferiu a compensação por entender que a parte interessada não havia apresentado a documentação necessária, sendo que sequer havia retificado as DIPJ `s e DCTF`s relativas ao ano de 2000, procedimento que só realizou em 2008. À fl. 82 foi expedida a intimação datada de 14/04/2009, dando ciência da parte interessada ao acórdão. O AR de fl. 85 contém o registro dos Correios com entrega em 20/04/2009 e escrito à caneta, como data de entrega o dia 13/04/2009. Tenho como correta a data de entrega o dia 20/04/2009, especificada no carimbo dos Correios, pois do contrário a parte recorrente teria recebido a correspondência de intimação antes mesmo desta ter sido expedida. Fl. 137DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900549/200811 Resolução n.º 140200.056 S1C4T2 Fl. 4 4 É o relatório. Fl. 138DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900549/200811 Resolução n.º 140200.056 S1C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Relator Moises Giacomelli Nunes da Silva Em relação à tempestividade verifico, à fl. 82, que foi expedida intimação datada de 14/04/2009, dando ciência da parte interessada ao acórdão. O AR de fl. 85 contém o registro dos Correios com entrega em 20/04/2009 e escrito à caneta data de entrega o dia 13/04/2009. Apesar de tal registro, a parte recorrente afirma que foi intimada no dia 20, sendo que a autoridade preparadora nada certificou em contrário. Tenho que a intimação deuse na data de 20/04/2009, especificada no carimbo dos Correios, pois, do contrário a parte recorrente teria recebido a correspondência de intimação antes mesmo desta ter sido emitida. Se a notificação foi emitida em 14/04/2009 o recebimento somente se efetivou após esta data e não antes. Assim, o recurso interposto antes de findar o trintídio é tempestivo, na conformidade do prazo estabelecido pelo artigo 33, do Decreto n°. 70.235, de 06 de março de 1972. No caso em análise o recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Assim, conheçoo e passo ao exame do mérito. À luz do parágrafo único, do artigo 142, do CTN, a atividade de lançamento, assim entendido como o procedimento tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido e identificar o sujeito passivo, é atividade administrativa vinculada e obrigatória. Quer nos casos de lançamento de ofício, quer nas hipóteses de lançamento por homologação em que o sujeito passivo, por conta própria, identifica a matéria tributável, base de cálculo, a alíquota incidente e, quando devido, realiza o pagamento, não há faculdade, em relação a nenhuma das partes, para exigir ou deixar de pagar tributo previsto em lei. A garantia constitucional consagrada no artigo 150, I, que veda à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios “exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça”, também contém a obrigação do contribuinte de pagar, com exatidão, os tributos legalmente fixados. Tal comando constitucional advém do princípio da legalidade consagrado no artigo 5º, II, da Constituição de 1988 e não é novo em nosso direito, pois já se encontrava previsto nas constituições anteriores e no artigo 97, do Código Tributário Nacional. Nos casos de pagamento a menor cabe ao Fisco, nos termos do artigo 142, do CTN, por lançamento de ofício, exigir a diferença. Efetuado pagamento a maior, diante da impossibilidade de se exigir tributo além do montante fixado em lei, cabe à Administração proceder a restituição, que nos casos de pessoa jurídica pode darse mediante compensação, conforme previsto no artigo 170, do CTN. Ainda em relação à compensação, o artigo 74, da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações introduzidas pela Lei nº 10.637, de 2002 e Lei nº 10.833, de 2003, dispõe “in verbis”: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada ao caput pela Lei nº Fl. 139DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900549/200811 Resolução n.º 140200.056 S1C4T2 Fl. 6 6 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002) § 1º A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002. § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002, DOU 31.12.2002 Ed. Extra, com efeitos a partir de 01.10.2002).” No caso dos autos, a prevalecer o argumento de que a parte recorrente, tributada com base no lucro presumido, no segundo trimestre de 2000, recolheu tributo levando em consideração base de cálculo de 32% (trinta e dois por cento), quando o correto, em tese, seria 8% (oito por cento), não há o que se falar em extinção do direito de postular a compensação, visto que tal direito foi exercido no decorrer do anocalendário de 2004, conforme especificado nas DCTF`s. As DCTF`s entregues em 2004 são documentos hábeis para constituir os débitos tributários nelas contidos, assim como para informar que tais débitos foram pagos mediante compensação. Assim, não há o que se falar em decadência. A falta de retificação imediata da DIPJ referente ao ano de 2000, em nada altera as informações contidas nas DCTF`s referentes ao ano de 2004, cujos créditos de 2000 foram utilizados para pagamento de débitos apurados neste período. Superadas as questões acima enfrentadas, adentro ao mérito donde se extrai que o contrato social de fls. 71/74 e a alteração contratual de fls. 66/70, datada de 11/11/2003, dão conta de que a recorrente se constitui de Laboratório que tem por objeto social a atuação no campo de “análises clínicas, abrangendo o campo de bioquímica, hematologia, hormônios, imunologia, microbiologia, parasitologia e citologia”, cuja base de cálculo do imposto de renda é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento), conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime de recurso repetitivo de que trata o artigo 543C, do Código de Processo Civil. Neste sentido, segue a seguinte ementa: “RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA. ALÍQUOTA REDUZIDA. ARTIGO 15, PARÁGRAFO 1º, INCISO III, ALÍNEA "A", DA LEI Nº 9.249/95. SERVIÇOS HOSPITALARES. APOIO DIAGNÓSTICO POR LABORATÓRIO DE ANÁLISES CLÍNICAS. 1. Restam compreendidas no conceito de "serviços hospitalares" (artigo 15, parágrafo 1º, inciso III, alínea "a", da Lei nº 9.249/95, antes das alterações da Lei nº 11.727/2008) as atividades típicas de prestação de serviços de apoio diagnóstico por imagem e laboratório de análises clínicas, permitindose quanto a estas a incidência do percentual reduzido de 8% relativamente ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ, excluídas as simples consultas médicas ou atividades de cunho administrativo (cf. REsp nº 1.116.399/BA, julgado sob o regime do artigo 543C do Código de Processo Civil). Fl. 140DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900549/200811 Resolução n.º 140200.056 S1C4T2 Fl. 7 7 2. Recurso especial provido.” (REsp 837.913/SC, Rel. Ministro HAMILTON CARVALHIDO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 10/11/2010, DJe 19/11/2010). "DIREITO PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AOS ARTIGOS 535 e 468 DO CPC. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. LEI 9.249/95. IRPJ E CSLL COM BASE DE CÁLCULO REDUZIDA. DEFINIÇÃO DA EXPRESSÃO 'SERVIÇOS HOSPITALARES'. INTERPRETAÇÃO OBJETIVA. DESNECESSIDADE DE ESTRUTURA DISPONIBILIZADA PARA INTERNAÇÃO. ENTENDIMENTO RECENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO. RECURSO SUBMETIDO AO REGIME PREVISTO NO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Controvérsia envolvendo a forma de interpretação da expressão 'serviços hospitalares' prevista na Lei 9.429/95, para fins de obtenção da redução de alíquota do IRPJ e da CSLL. Discutese a possibilidade de, a despeito da generalidade da expressão contida na lei, poderse restringir o benefício fiscal, incluindo no conceito de 'serviços hospitalares' apenas aqueles estabelecimentos destinados ao atendimento global ao paciente, mediante internação e assistência médica integral. 2. Por ocasião do julgamento do RESP 951.251PR, da relatoria do eminente Ministro Castro Meira, a 1ª Seção, modificando a orientação anterior, decidiu que, para fins do pagamento dos tributos com as alíquotas reduzidas, a expressão 'serviços hospitalares', constante do artigo 15, § 1º, inciso III, da Lei 9.249/95, deve ser interpretada de forma objetiva (ou seja, sob a perspectiva da atividade realizada pelo contribuinte), porquanto a lei, ao conceder o benefício fiscal, não considerou a característica ou a estrutura do contribuinte em si (critério subjetivo), mas a natureza do próprio serviço prestado (assistência à saúde). Na mesma oportunidade, ficou consignado que os regulamentos emanados da Receita Federal referentes aos dispositivos legais acima mencionados não poderiam exigir que os contribuintes cumprissem requisitos não previstos em lei (a exemplo da necessidade de manter estrutura que permita a internação de pacientes) para a obtenção do benefício. Daí a conclusão de que 'a dispensa da capacidade de internação hospitalar tem supedâneo diretamente na Lei 9.249/95, pelo que se mostra irrelevante para tal intento as disposições constantes em atos regulamentares'. 3. Assim, devem ser considerados serviços hospitalares 'aqueles que se vinculam às atividades desenvolvidas pelos hospitais, voltados diretamente à promoção da saúde', de sorte que, 'em regra, mas não necessariamente, são prestados no interior do estabelecimento hospitalar, excluindose as simples consultas médicas, atividade que não se identifica com as prestadas no âmbito hospitalar, mas nos consultórios médicos'. 4. Ressalva de que as modificações introduzidas pela Lei 11.727/08 não se aplicam às demandas decidida anteriormente à sua vigência, bem como de que a redução de alíquota prevista na Lei 9.249/95 não se refere a toda a receita bruta da empresa contribuinte genericamente considerada, mas sim àquela parcela da receita proveniente Fl. 141DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900549/200811 Resolução n.º 140200.056 S1C4T2 Fl. 8 8 unicamente da atividade específica sujeita ao benefício fiscal, desenvolvida pelo contribuinte, nos exatos termos do § 2º do artigo 15 da Lei 9.249/95. 5. Hipótese em que o Tribunal de origem consignou que a empresa recorrida presta serviços médicos laboratoriais (fl. 389), atividade diretamente ligada à promoção da saúde, que demanda maquinário específico, podendo ser realizada em ambientes hospitalares ou similares, não se assemelhando a simples consultas médicas, motivo pelo qual, segundo o novel entendimento desta Corte, faz jus ao benefício em discussão (incidência dos percentuais de 8% (oito por cento), no caso do IRPJ, e de 12% (doze por cento), no caso de CSLL, sobre a receita bruta auferida pela atividade específica de prestação de serviços médicos laboratoriais). 6. Recurso afetado à Seção, por ser representativo de controvérsia, submetido ao regime do artigo 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 7. Recurso especial não provido." (Resp 1116399/BA, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/10/2009, DJe 24/02/2010). O artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, com a redação dada pela Portaria nº 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, dispõe que as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, à luz do artigo 62A, do Regimento Interno do CARF, há que se reconhecer que a base de cálculo dos Laboratórios de Análises Clínicas, em relação às receitas destas atividades, quanto ao IRPJ é de 8% (oito por cento) e não 32% (trinta e dois por cento). Quanto aos aspectos até aqui enfrentados, ao que se depreende do acórdão recorrido, não há divergência. A controvérsia surge em relação à instrução da impugnação. A impugnação foi desacolhida porque a parte recorrente deixou de apresentar documentos que a autoridade julgadora considerou essenciais, dentre os quais a Declaração do Imposto de Renda da época, documento este que, à época, ainda não havia sido retificado e que, ao meu sentir, por estar em poder da Administração esta, à luz do artigo 29, segunda parte, artigo 36, segunda parte e artigo 37, todos da Lei nº 9.784, de 1999, podia ter juntado aos autos. Ao meu sentir, quando da impugnação, em relação ao pedido de compensação não homologado, que tenha por objeto controvérsia relacionada à base de cálculo, a parte recorrente deve apresentar: a) cópia do contrato social que vigorava no período de apuração do crédito em discussão; b) cópias das DCTF`s referentes aos períodos dos alegados pagamentos a maior, junto com a DIPJ de cada um dos trimestres, identificando a base de cálculo aplicada e a natureza dos rendimentos; c) cópia dos comprovantes de pagamento e/ou extinção dos débitos tributários por compensação; Fl. 142DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL Processo nº 10825.900549/200811 Resolução n.º 140200.056 S1C4T2 Fl. 9 9 d) quadro demonstrativo referente ao período do alegado pagamento a maior, indicando a natureza da origem da receitas (comércio, prestação de serviços, atividades de laboratórios, etc.), a base de cálculo considerada, o valor pago à época, o quanto seria devido se aplicado base de cálculo de 8% (oito por cento) e não de 32% (trinta e dois por cento) e, finalmente, os valores pagos a maior; e) nos casos de pagamentos a maior, com débitos subsequentes, deverá a requerente fazer constar do quadro acima quando isto se deu, em que valores e em que forma (DCTF, DCOMP, etc.). ISSO POSTO, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: (i) que a requerente seja intimada para, no prazo de 30 (trinta) dias, prestar as informações constantes nas letras “a” a “e”, acima referidas; (ii) após juntada dos documentos apresentados, a fiscalização deverá lançar manifestação analisando a veracidade das informações trazidas aos autos, informando a efetividade dos valores alegadamente pagos ou compensados, em cada um dos períodos; (iii) na análise de que trata o item anterior, a autoridade preparadora também deverá analisar se o mesmo crédito, se existente, foi ou está sendo objeto de compensação em outros processos e, caso afirmativo, em que montantes. (iv) após a manifestação da fiscalização, deverá a parte interessada ser intimada para se manifestar no prazo de 15 (quinze) dias, devendo os autos, juntamente com eventuais processos conexos, retornarem ao CARF para exame do mérito. É o voto. (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 143DF CARF MF Emitido em 30/03/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 24/03/2011 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SIL Assinado digitalmente em 30/03/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 24/03/2011 por MOISES GIACOM ELLI NUNES DA SIL
score : 1.0
Numero do processo: 13855.001708/2004-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1402-000.031
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em resolução, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da
Silva, que foi substituído por Marcelo de Assis Guerra.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-05T22:07:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2458984_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-05T22:07:14Z; Last-Modified: 2011-01-05T22:07:14Z; dcterms:modified: 2011-01-05T22:07:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2458984_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:81c426d5-6aa6-4d4f-ba26-26932edbb72d; Last-Save-Date: 2011-01-05T22:07:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-05T22:07:14Z; meta:save-date: 2011-01-05T22:07:14Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2458984_0.doc; modified: 2011-01-05T22:07:14Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-05T22:07:14Z; created: 2011-01-05T22:07:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2011-01-05T22:07:14Z; pdf:charsPerPage: 1963; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-05T22:07:14Z | Conteúdo => S1-C4T2 Fl. 1 1 0 S1-C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13855.001708/2004-19 Recurso nº 230.704 Resolução nº 1402-00.031 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 16 de dezembro de 2010. Assunto Solicitação de Diligência Recorrente WELLINGTON ALMEIDA DE SOUZA LEMOS Recorrida 1ª TURMA/DRJ-RIBEIRÃO PRETO/SP Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em resolução, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, que foi substituído por Marcelo de Assis Guerra. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima - Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório WELLINGTON ALMEIDA DE SOUZA LEMOS recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela DRJ em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Contra a empresa, acima identificada, foi lavrado o auto de infração de fl. 05, que lhe exigiu a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins, dos períodos compreendidos entre 31/01/2000 a 31/05/2004, em razão de ter sido Fl. 1DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13855.001708/2004-19 Resolução n.º 1402-00.031 S1-C4T2 Fl. 2 2 constatada pela fiscalização divergência entre os valores escriturados e os declarados/ pagos pela interessada. De acordo com o auto de infração, foram dados como infringidos o art. 77, III, do Decreto-lei nº 5.844, de 1943; art. 149 da Lei nº 5.172, de 1966; arts. 2º, 3º, e 8º da Lei nº 9.718, de 1998, com as alterações da Medida Provisória nº 1.858, de 1999 e suas reedições; Decreto nº 4.524, de 2002, art. 2º, II e parágrafo único, 3º, 10, 22 e 51. Foram exigidos os valores de R$ 300.427,65 de contribuição; R$ 117.431,98 de juros de mora(calculados até 30/09/2004) e R$ 225.320,59 de multa proporcional, totalizando um crédito tributário no valor de R$ 643.180,22 A base legal da penalidade aplicada e dos encargos moratórios encontra-se às fl.17, assim fundamentada: (...) De acordo com o “Relatório da Fiscalização”, fls 19 a 21, a empresa foi excluída, à revelia, de ofício do Simples pelo Ato Declaratório Executivo nº 13, publicado no Diário Oficial da União no dia 10/09/2004, com retificação publicada no dia 14/09/2004, com efeitos a partir do dia 1º de janeiro de 1997, em razão de sua atividade econômica (Comércio Varejista de Máquinas e Equipamentos Industriais e Prestação de Serviços e Manutenção em Máquinas e Equipamentos Industriais), conforme Processo Administrativo nº 13855.0001341/2004-25. À vista disso, o contribuinte foi intimado a manifestar-se sobre a forma de apuração dos tributos, tendo em resposta à intimação optado pela tributação pelo lucro presumido. Diante disso, a fiscalização elaborou as planilhas de fls. 26 a 30, com base nos livros fiscais e livro Caixa, em que apurou-se diferenças entre os valores escriturados e os declarados/pagos. Regularmente cientificado ingressou com a impugnação de fls. 226 a 239, onde, em síntese, alega: Ilegalidade da exclusão da empresa do Simples. Insurge-se contra a exclusão do Simples que considera ilegal. Adoção do regime de competência em detrimento ao regime de caixa , para a apuração do tributo com base no lucro presumido. Alega que o agente fiscal ignorou a opção de determinar a base de cálculo do imposto com base no regime de caixa conforme permitido pela IN 104/98. Não dedução dos valores recolhidos no sistema Simples. Argüi que o autuante não teria deduzido da base de cálculo o valor recolhido na sistemática do Simples. d) Adoção indevida da taxa Selic para atualização dos débitos. A impugnante insurge-se contra à utilização da taxa Selic a título de juros de mora, pois, entende que a mesma não poderia sobrepor-se aos ditames constitucionais que prevêem leis próprias, com as limitações do poder de tributar(arts. 144 e 145 da Constituição Federal). Aduz que, para que a taxa Selic possa ser cobrada para fins tributários, há imperiosa necessidade de lei estabelecendo os critérios para sua exteriorização, o que não ocorreu até a presente data. Destaca em sua impugnação que não está discutindo se a taxa Selic foi ou não instituída por lei, mas sim, se a mesma foi legalmente instituída para fins tributários, mediante lei válida no sistema atual vigente. e) Adoção de multa com natureza confiscatória. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13855.001708/2004-19 Resolução n.º 1402-00.031 S1-C4T2 Fl. 3 3 Insurge-se, contra a cobrança da multa de ofício, eis que a estipulação de multa em 75% mostra-se totalmente confiscatória, ofendendo os princípios basilares insculpídos em nossa Constituição, quais sejam: o do direito de propriedade, o direito de herança e o direito do livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão. Alega que, no presente caso, o valor da multa ultrapassa os limites da razoabilidade, agredindo assim, de forma violenta e sem causa, o patrimônio da empresa, configurando dessa maneira, o confisco indireto, e, por isso, flagrantemente inconstitucional. f) Cobrança retroativa de tributos. Alega que a autuação retroagiu no tempo, ferindo frontalmente os princípios constitucionais do direito adquirido, da irretroatividade das leis e da anterioridade da legislação tributária. g) Enquadramento no Refis. Requer, caso seja mantida a exigência fiscal, total ou parcialmente, que a mesma seja parcelada nos moldes previstos no Refis. A decisão recorrida está assim ementada: DIFERENÇA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO. Constatada a falta e/ou insuficiência de recolhimentos da Cofins, correto o lançamento de ofício para exigência do crédito tributário apurado a partir dos registros contábeis e declarações da contribuinte.Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. Ementa: JUROS DE MORA. CABIMENTO. CONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE JURISDICIONAL. A falta de pagamento do tributo na data do vencimento implica a exigência de juros moratórios, tendo a aplicação da taxa SELIC previsão legal, cujo controle de constitucionalidade compete às instâncias judiciais. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. PERCENTUAL. LEGALIDADE. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicá-la nos moldes da legislação que a instituiu. O percentual de multa de lançamento de ofício é previsto legalmente, não cabendo sua discussão subjetiva em âmbito administrativo. NULIDADE DO LANÇAMENTO. DESCABIMENTO.Somente será considerado nulo o lançamento, se presente quaisquer das situações previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. LIMITES DE COMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade. Ementa: MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. Não se conhece da impugnação de matéria que não foi objeto do Auto de Infração Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual reforça as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13855.001708/2004-19 Resolução n.º 1402-00.031 S1-C4T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O presente processo é conexo ao de nº 13855.001706/2004-11, relativo a exigência do IRPJ e CSLL nos mesmos períodos (mesmo faturamento), que foi convertido em diligência por este Colegiado, conforme Resolução no. 1402-00.029 desta data. Tendo em vista que a solução daquele processo irá repercutir no presente, propugno que este também seja convertido em diligência para acompanhar aquele principal, devendo ser feita a juntada do relatório de diligência neste processo. É como voto (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 4DF CARF MF Impresso em 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 05/01/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, 09/01/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 12898.001047/2009-69
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 08 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1401-000.140
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva, Antonio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antonio Alkmin Teixeira, Mauricio Pereira Faro e Karem Jureidini Dias. Fl. 3795DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.001047/200969 Resolução n.º 1401000.140 S1C4T1 Fl. 3.796 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório que integra o Acórdão recorrido (fls. 264): Trata o processo administrativo fiscal (PAF) de auto de infração lavrado contra o interessado ora em epígrafe em 25/06/2009. Foi constituído crédito tributário de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (fls. 34 a 37), referente a fatos geradores ocorridos no anocalendário de 2004. 2. Consta no "Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo" (fl. 01) que o auto de infração totalizou o valor de R$ 18.186,21, já incluídos os valores devidos a título de tributo, de multa de ofício de 75% e de juros de mora, calculados até 25/06/2009. 3. A infração fiscal apurada decorre da falta de comprovação de parte da CSLL retida na fonte informada na DIPJ 2005, conforme quadros de fls. 40 e 41. 4 O interessado, que tomou ciência do aludido auto de infração em 25/06/2009 (fl. 35), apresentou impugnação em 23/10/2009, nos termos da petição acostada aos autos (fls. 84 a 104). Alega, em síntese, que sofreu a retenção na fonte informada na DIPJ 2005, de acordo com os documentos acostados aos autos (fls. 158 a 170). 5 E o relatório. A DRJ Ri de Janeiro I, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, por meio do Acórdão 1230.165 1ª Turma DRJRJ1, que recebeu a seguinte ementa (fls. 263): ASSUNTO: C O NTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO C SLL Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. Quando há o pagamento do tributo, ocorre a decadência do dever do Fisco de efetuar o lançamento de ofício depois do prazo de cinco anos contados do fato gerador, no caso de lançamento por homologação. FALTA DE RECOLHIMENTO. RETENÇÃO NA FONTE Deve ser exigida a diferença de CSLL não recolhida em face de redução de fonte maior que a comprovada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimada desse Acórdão em 20/09/2010 (fls. 272), a contribunte apresentou em 18/10/2010 o Recurso Voluntário de fls. 276299, reiterando os argumentos de defesa apresentados na fase impugnatória. Fl. 3796DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.001047/200969 Resolução n.º 1401000.140 S1C4T1 Fl. 3.797 3 A recorrente incorporou ao texto de sua peça recursal diversos relatórios de faturamento acumulado, separados por cliente, referente ao período de 01/04/04 a 31/12/2004 (fls. 279292). Demonstrativos semelhantes, referentes ao período de 01/01/2004 a 31/12/2004, já haviam sido apresentados pela contribuinte, na fase impugnatória, conforme se verifica às fls. 159170. A recorrente juntou, também, ao seu recurso voluntário diversas “Listagens Analíticas de Notas Fiscais por Nº de Nota com Líquido Faturado”, que basicamente reproduzem os dados constantes dos demonstrativos supramencionados (incluídos no corpo de sua peça recursal). Por fim, juntou aos autos milhares de cópias de Notas Fiscais de sua emissão (fls. 3683421), indicando valores retidos a título de IRRF, CSLL, PIS e COFINS. No entanto, um volume considerável destas cópias referemse a Notas Fiscais canceladas. Também há, nos autos, um volume considerável de cópias que se encontram completamente ilegíveis. É o relatório. Fl. 3797DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 12898.001047/200969 Resolução n.º 1401000.140 S1C4T1 Fl. 3.798 4 Voto O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Antes de se prosseguir no julgamento do presente feito, entendo que o mesmo deva ser convertido em diligência para constatação da regularidade da documentação apresentada pelo Recorrente e, eventualmente, recálculo do crédito tributário lançado. De fato, a Recorrente trouxe à baila milhares documentos (cópias) que, em tese, podem demonstrar a ocorrência de valores retidos a título de IRRF, CSLL, PIS e COFINS . Imortante frisar que um volume considerável destas cópias referemse a Notas Fiscais canceladas. Também há, nos autos, um volume considerável de cópias que se encontram completamente ilegíveis. Pelo exposto, proponho retornem os autos à instância preparadora, com o objetivo de: a) confirmar a autenticidade dos documentos (cópias) juntados autos pela Recorrente; b) identificar se os aludidos documentos são hábeis para reduzir o montante do crédito tributário lançado; c) apresentar parecer conclusivo acerca do valor do crédito triutário remanescente, após a devida apreciação dos argumentos e documentos juntados aos autos pela Recorrente; d) promover a regular notificação do contribuinte acerca do resultado da diligência, facultandolhe a apresentação de manifestação escrita, no prazo de 30 dias. Cumprida a diligência, retornem os autos para julgamento do recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 3798DF CARF MF Impresso em 16/08/2012 por MARISTELA DE SOUSA RODRIGUES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 6/08/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/07/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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