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Numero do processo: 13888.000917/00-37
Data da sessão: Wed Dec 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995
PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-001.296
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: Rodrigo Cardozo Miranda
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995 PIS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda (Relator), Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Luiz Roberto Domingo, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Henrique Pinheiro Torres. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Rodrigo Cardozo Miranda Relator Henrique Pinheiro Torres Redator Designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 09 17 /0 0- 37 Fl. 206DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Nayra Bastos Manatta, Maria Teresa Martínez López, Luiz Roberto Domingo e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Cuidase de recurso especial interposto por Doracy Piva Davanzo Ltda. (fls. 151 a 160) contra o v. acórdão proferido pela Colenda Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes (fls. 117 a 126) que, pelo voto de qualidade, negou provimento ao recurso voluntário pra considerar decaídos os recolhimentos efetuados antes de 11/09/1995, e, por unanimidade de votos, deu provimento para acolher a semestralidade em relação aos períodos não decaídos. A ementa do v. acórdão ora recorrido é a seguinte: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 30/09/1995 Ementa: PIS/PASEP. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECRETOSLEIS NºS 2.445/88 E 2.449/88. PAGAMENTOS INDEVIDOS OU A MAIOR. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. PRAZO PARA O PEDIDO E PERÍODO A REPETIR. O direito de pleitear a repetição do indébito tributário oriundo de pagamentos indevidos ou a maior realizados com base nos DecretosLeis nºs 2.445/88 e 2.449/88 extinguese em cinco anos, a contar da Resolução do Senado n° 49, publicada em 10/10/1995, sendo que só podem ser repetidos os pagamentos efetuados nos cinco anos anteriores à data do pedido. SEMESTRALIDADE. DECRETOSLEIS N'S 2.445/88 E 2.449/88 A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6' da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária. Recurso provido em parte. Irresignado, o contribuinte interpôs o já mencionado recurso especial, apontando, em síntese,que o período a restituir independe da data de recolhimento, desde que formulado até cinco anos após a publicação da Resolução do Senado nº 49/95. O recurso especial foi admitido através do r. despacho de fls. 184. Contrarrazões às fls. 187 a 198. É o relatório. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 201 3 Voto Vencido Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade, entendo que o presente recurso especial merece ser conhecido. No que tange ao mérito, entendo que o recurso especial do contribuinte deve ser acolhido. Com efeito, no tocante ao prazo para restituição, em situação análoga à presente, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já vinha se manifestando de forma iterativa na esteira do seguinte precedente: Número do Recurso:301131875 Turma:TERCEIRA TURMA Número do Processo:13706.001916/0009 Tipo do Recurso:RECURSO DE DIVERGÊNCIA Matéria:FINSOCIAL RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO Recorrente:FAZENDA NACIONAL Interessado(a):FERRAMENTAS E LOUÇAS SÃO JOSÉ LTDA. Data da Sessão:12/11/2007 14:30:00 Relator(a):Anelise Daudt Prieto Acórdão:CSRF/0305.530 Decisão:OUTROS – OUTROS Texto da Decisão:1) Pelo voto de qualidade, NEGAR provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. Prevaleceu o entendimento que a contagem do prazo de 5 (cinco) anos para interpor o pedido de restituição do Finsocial iniciouse em 31/08/1995, com a publicação da Medida Provisória n° 1.110 de 30/08/1995. Em face da proposição de três teses distintas, na primeira votação ficaram vencidos os Conselheiros Anelise Daudt Prieto e Antônio José Praga de Souza, que davam provimento integral ao recurso, sob o entendimento que esse prazo tem como marco final a publicação do Ato Declaratório SRF nº 96, em 30/11/1999. Em segunda votação foram vencidos os Conselheiros Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Costa de Castro e Valmir Sandri, para os quais esse prazo é de 10 (anos), contados da ocorrência de cada fato gerador (tese dos "cinco + cinco"), e davam provimento parcial ao recurso. O Conselheiro Antônio José Praga de Souza, vencido na primeira votação, acompanhou a tese vencedora.2) Pelo voto de qualidade, foi determinado o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal (DRF) de origem, para enfrentamento do mérito, podendo o Contribuinte, se discordar da nova decisão, interpor manifestação de inconformidade dirigida à DRJ, vencidos os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marciel Eder Costa, Anelise Daudt Prieto e Valmir Sandri que determinavam o retorno dos autos à DRJ. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Susy Gomes Hoffman. Ementa:Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Pedido de Restituição anterior a 31.08.2000 FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO O direito de se pleitear o reconhecimento de crédito com o conseqüente pedido de restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de Fl. 208DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta.Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição começa a contar da data da publicação da MP nº. 1.110 em 31/08/95 – p. 013397, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%. PRECEDENTES: AC. CSRF/0304.227, 30131.406, 30131404 e 30131.321. Recurso especial negado. (grifos nossos) Ao meu ver, ainda que com o advento da Lei Complementar nº 118/2005, não vejo motivo para mudar esse entendimento. Aliás, me parece que a única questão dirimida pela aludida Lei Complementar foi exatamente a questão referente à tese do “5+5”, não alterando, em nada, o termo inicial do prazo para restituição quando se trata de indébito decorrente de declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, quer seja em controle concentrado de constitucionalidade, quer seja em controle difuso neste último caso, considerando, ainda, a sistemática de julgamento adotada recentemente pela Excelsa Corte, reconhecendo a repercussão geral e combinandoa com a adoção de súmula vinculante, conferindo eficácia erga omnes e caráter vinculante às decisões proferidas em sede de controle difuso. Deveras, o indébito só surge, no presente caso, com a Resolução do Senado Federal, que concede eficácia erga omnes à declaração de inconstitucionalidade proferida pelo Supremo Tribunal Federal em recurso extraordinário, que só tem eficácia inter partes. Não me parece razoável, nessa linha, que o termo inicial de restituição do indébito ocorra antes do surgimento do próprio indébito. Assim, por conseguinte, em face de todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso especial. Rodrigo Cardozo Miranda Voto Vencedor Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Redator Designado Como consignado no voto do Relator, a questão devolvida a este Colegiado cingese a do termo inicial do prazo extintivo para repetição de indébito de tributos pagos a maior do que o devido. Sobre esta matéria já me pronunciei, por diversas vezes, nos termos seguintes: De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorrime dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele Fl. 209DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 202 5 proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito – se decadencial ou prescricional – para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar nº 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos “cinco mais cinco anos”. Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar nº 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, para tanto, em seu artigo 3º, assim dispôs: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituirse às Fl. 210DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3º. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operavase a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4º da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4º. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplicase ao ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) De outro lado, os críticos da Lei Complementar nº 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a “interpretação” dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3º da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ. Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificandoa ou adicionandolhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4º dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1º Seção, que a Lei Complementar nº 118/2005, no tocante ao art. 3º, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiuse a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado Fl. 211DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 203 7 pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.0901 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4º dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3º E 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTOINTITULADA INTERPRETATIVA. “Reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição” (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. ......................................................................................................... Brasília, 18 de junho de 2008. V O T O O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de Fl. 212DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: “CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIO.LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida.” Passo ao exame do recurso. Fl. 213DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 204 9 Esta é a redação dada aos arts. 3º e 4o da Lei Complementar 118/2005: “Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Discutese no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3º da LC 118/2005, como determinam o art. 4º da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3º da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3º e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em Fl. 214DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 10 que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3º da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3º e 4º da Lei 118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). 0 mencionado precedente, ainda não publicado, apoiase no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: “O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)”. A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no votovista desta relatoria: “a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplicase, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunamse com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada “surpresa fiscal”. Na lúcida percepção dos doutrinadores, “Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.” (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 0 04, pág. 295 a 300) . (...) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrálo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 Fl. 215DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 205 11 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios”. Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declaroulhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), “reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição”. Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007): “A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distinguo dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3º e 4º da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo – com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da “reserva de plenário”, do art. 97 da Lei Fundamental.” É como voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Fl. 216DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 12 Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4º da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3º da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4º, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3º, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer 1Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O “sistema difuso”, isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O “sistema concentrado”, em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de 1º de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretálas, suspendêlas e revogálas, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8º e 9º). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagravase, assim, o dogma da soberania do Parlamento. 1 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2ª ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. Fl. 217DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 206 13 Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo ProcuradorGeral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn Interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional nº 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poderdever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudála por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da 2 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 14 supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obraprima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá las ao caso concreto submetido a seu julgamento; a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, devese valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dáse entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrandose no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendêla inconstitucional, nos termos do art. 66, § 1º, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2º da Lei nº 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2º. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da Fl. 219DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 207 15 constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea “a” do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo darse de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aqui foi dito, perguntase: podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, “a” e “c”; e 105, II, “a” e “b”), temse que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do exProcuradorGeral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (nº 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio que ousaríamos chamar fática, livre e realista e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, podese dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferirlhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputarse inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada e nos limites em que o seja toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, podese concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 16 No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt3 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendose presumir boa e válida a resolução adotada. (...) Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercêla 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutôres. Damolhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerála inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. Em face do exposto, parecenos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei não se presume lei é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa 3 Bittencourt, Lúcio O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2º edição, págs.91 a 96. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 208 17 disciplinar e conserva plena e íntegra aquela fôrça formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtarse a obedecerlhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso4: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O princípio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou nãoaplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vício haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrairse à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspendese o julgamento do processo e remetese a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III Do Poder Judiciário do Título IV Das Organizações dos Poderes da 4 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3º edição, pp 170 e 171. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 18 CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Vejase ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o Fl. 223DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 209 19 qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei complementar nº 118/2005. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, passase à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1655do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea “b” do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I .................................................................................................... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) ..................................................................................................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; 5 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 224DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 20 A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei nº 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1686 fixa duas datas distintas, como não poderia deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira data da extinção do crédito tributário – aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformarse em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 210 21 Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro7: Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 19888, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas da prevista no art. 5o, II da CF de 19889, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho10, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: “O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democráticoconstitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos 7 julgamento do recurso voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. 8 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” 9 “II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” 10 Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7ª Edição, p. 256 Fl. 226DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 22 fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para a vinculação jurídicoconstitucional do poder executivo (cfr., infra. fontes de direito e estruturas normativas)”. (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores que, baseado na doutrina alemã11, pontifica: “O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bemestar público, será preciso decidirse pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado ‘princípio da proporcionalidade’...” (grifei). Poderseia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da “força” do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho12, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, enquanto “mandatos de otimização”13, assim se distinguem das últimas: 11 STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 3º da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a BoaFé como Valores Constitucionais. As Leis Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www.sacha.adv.br/admin/arq_publica/bc7f621451b4f5df308a8e098112185d.pdf 12 Curso de direito tributário. 3ª edição, p.72 13 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 211 23 “El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y reglas opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regla es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las reglas contienen determinaciones en el ámbito de lo fáctica y jurídicamente posible. Esto significa que la diferencia entre reglas y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regla o un principio” (grifei) Como esclarece José Afonso da Silva14, apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, faltalhes o que Alexy definiu como “possibilidade jurídica”. Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: “Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmarse que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia”. Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero15 que as regras: “constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado” 14Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3ª. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: 15 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 24 Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CTN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembrese, o Decreto nº 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides16, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastos17 e Jorge Miranda18. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF no 54: “38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena 16 Curso de direito constitucional, p. 518. 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 18 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. Fl. 229DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 212 25 aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídicopositivo posto em cotejo com a Magna Carta.” Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da préfalada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho19, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: “...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na ‘letra e na clara vontade do legislador’, devendo ‘respeitar a economia da lei’ e não podendo traduzirse na ‘reconstrução’ de uma norma que não esteja devidamente explícita no texto”.(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/SP20: “III. Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição.” Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação no 1.417721: “O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o 19Op. cit., p. 1265/1266 20 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004. 21 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 26 STF em sua função de Corte Constitucional atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. (...) No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica.” (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o “remédio” contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, ex vi do art. 5º, caput, inciso VXXI e §1º22. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2o do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal23, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o 22 LXXI concederseá mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 23 Pacificouse, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considerase como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 231DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 213 27 único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareçase, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente para mim, ela foi simplesmente interpretativa interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,devese reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpretao de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou Fl. 232DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 28 outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gizese que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 24: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ 25: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; 25 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 214 29 REsp 841652 / PR 26: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para qualquer outra data, estarseia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõese ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, devese esclarecer que ela encontra se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari27, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo28, leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale 26 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 27 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 28 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 30 dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parecenos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. José Afonso da Silva29, apoiado em doutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themístocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerandose dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tunc, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavascki30, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10ª ed., p. 57. 30 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81101 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 215 31 que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça31, sobre o tema, firmouse no seguinte sentido: REsp nº 547.744/MG32: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminariase a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG33, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como 31 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. 33 Publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 32 sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes34, sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entendese, porém, que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (...) Acentuese, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concedese proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendose à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho35: Pode também entenderse que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada 34 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5ª edição, pp. 333 e 334. 35 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5ª edição, p. 388. Fl. 237DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 216 33 inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (...) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do Resp nº 686.05836 MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. (...) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, temse ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3º, I, da Lei 7.787∕89, emanados de sentença transitada em julgado, 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 34 invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornouse pacífico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direitodever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigurase difícil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poderseia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissível o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo 37 DJ 01/07/1977. 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 217 35 (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, publicada na revista RDT da Malheiros, o Professor e Doutor Eurico de Santi, com a costumeira maestria, demonstra que a prescrição para repetir tributo tem como termo inicial a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Com a palavra o mestre de Santi: 3. Desafios da interpretação I, “o início do caos”: a origem da tese dos 10 anos IR, IPI, ICMS, ISS, IPVA etc, demais contribuições e outros tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, sempre tiveram suas leis discutidas e os respectivos indébitos reconhecidos em nome do princípio da legalidade, mas sempre sujeitos ao limite temporal desse controle da legalidade, balizado pela regra de prescrição do direito à repetição do indébito, cujo prazo desde a CF67 foi de 5 anos, contados do momento pagamento indevido. Assim foi recepcionada na CF/88, a regra do Art. 168 do CTN: “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) I – nas hipóteses do inciso I (“pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável”) e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário”. Sendo que, por quase trinta anos, doutrina e jurisprudência foram uníssonas no entendimento de que o dies a quo deste prazo é o momento do pagamento indevido, i.é, a data da extinção do crédito: a regra parecia tão clara que sequer se falava de interpretação (tampouco em “tese”), passavamse 5 anos e, simplesmente, “ocorria” a prescrição do direito de repetir o indébito (por exemplo, no TIT, decadência e prescrição sequer precisavam de paradigmas, no recurso especial). Tudo começou com o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do Art. 10, primeira parte, do Decretolei nº 2.288/86, que instituiu o controvertido empréstimo compulsório sobre consumo de combustíveis, justamente, depois de esgotado o prazo para propositura da ação de repetição do indébito deste tributo – i.é, cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário ex vi do Art. 168, I, do CTN. Deveras, o simples fato era que havia ocorrido a prescrição: bastava aplicar, então, a clara regra prevista no Art. 168 do CTN. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 36 É por isso que as regras de prescrição elegem em seus suportes facticos o tempo, o tempo é um fator objetivo e indiscutível: todos tendem a concordar com os dias do calendário e com os ponteiros do relógio: assim, pela legalidade da prescrição, a tipicidade do tempo realiza a segurança jurídica em detrimento da própria legalidade do tributo. Além disso, convenhamos, tratavase de um tributo irrelevante, contingente e provisório: o empréstimo compulsório sobre combustíveis. Que, alías, enquanto empréstimo, mesmo passado o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria, simplesmente, a exigência do cumprimento de sua claúsula de restituição, tal qual prevista na lei instituidora: novamente, bastava aplicar a lei. 4. Ruptura da legalidade: a sede de fazer justiça! Mas a sede de “justiça” foi maior. Assim, em nome da luta pela reparação da ilegalidade do empréstimo compulsório, corrompeuse sistemicamente, a legalidade da regra de prescrição, disciplinada na própria Constituição ex vi do Art. 146, III, “c”. A partir daí, os prazos de decadência e prescrição, que tem na segurança jurídica sua única razão de existir servindo como técnicas de limitação do próprio princípio da legalidade encontraramse modificados por mera tese. Assim, sem a devida lei complementar e mediante mera e contingente interpretação, alterouse o prazo de prescrição de praticamente todos nossos tributos federais, estaduais e municipais. Tudo, decorrência de uma criativa e sedutora tese que clamava por “Justiça”. E o STJ fez sua justiça salomônica: tese de 10 para cá, tese de 10 para lá. E todos nós ficamos no meio! Até hoje incertos do prazo, mas sempre certos que somos sempre nós, contribuintes, que pagamos a conta. Não lutamos contra gigantes abstratos, o Estado é um moinho concreto que se alimenta do nosso trabalho: é nosso dinheiro que entra; e bem ou mal, é nosso dinheiro que sai para prover o numerário para as restituições de indébito pleiteadas. E se a carga tributária aumenta, é, também, porque alguém tem que pagar mais, para que outros, ou os mesmos, possam restituir mais. Assim, corrompendose a legalidade em nome da legalidade, mas em absurdo desrespeito a segurança jurídica, o termo inicial do prazo deixou de ser o “pagamento antecipado” e passou a ser o momento da homologação tácita ou expressa desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do crédito só se realiza com a ulterior homologação do pagamento, ex vi do Art. 156, VII do CTN. Firmouse, assim, a denominada tese dos dez anos, conforme o seguinte acórdão do STJ: Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 43.9955/RS Relator: Min. Cesar Asfor Rocha EMENTA: Tributário – Empréstimo Compulsório sobre a aquisição de combustíveis – DecretoLei nº 2.288/86 – Restituição Decadência – Prescrição – Inocorrência. Fl. 241DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 218 37 Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, à falta deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se fundamentou o gravame.”(DJ: 24/04/1995) 5. Restaurando a legalidade: dura lex, lex sed A efetivação do princípio da legalidade exige o respeito a sua tríplice dimensão: irretroatividade, reserva legal e tipicidade. A tese dos dez anos fere, num só golpe, estas três perspectivas: (i) corrompeu a irretroatividade, criando, projetando e introduzindo, no passado, novo critério legal de prescrição (como o efeito que agora se pretende com a LC 118, só que, aqui, mediante lei); (ii) desrespeitou, flagrantemente, a reserva legal, arrostando matéria de lei para a discrionariedade do Poder Judiciário, ignorando o princípio da separação dos Poderes; e (iii) afrontou a tipicidade do Art. 168, fundamental nas regras de decadência e prescrição, sobrepondo à clareza objetiva do critério da regra posta, a incerta subjetividade de valores contingentes. A legalidade se realiza no ato de aplicação, mas não muda. O artigo 168 sempre esteve lá, da mesma forma, e a LC 118 em nada o alterou. O prazo legal sempre foi, e continua sendo, de 5 anos a contar do pagamento antecipado: primeiro, porque pagamento antecipado não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento; segundo, porque se interpretou o “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento” de forma equivocada como se fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o efeito do pagamento para a data da homologação39. Ocorre que o Art. 150 § 1º referese a “condição resolutiva” que, como tal, não impede a plena eficácia do pagamento antecipado que equivale, assim, para todos os efeitos à data da extinção do crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao Art. 150 do CTN. Desta forma, é a data efetiva em que o contribuinte recolhe o valor, a título de tributo, que haverá de funcionar como dies a quo do prazo de prescrição. Em suma, legalmente, o contribuinte sempre gozou de cinco anos para pleitear o débito do Fisco, e nunca dez. 6. Concluindo: legalidade e as decisões judiciais 39 LUCIANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CTN dirigir a homologação como condição resolutiva: “Ora, os sinais aí estão trocados. Ou se deveria prever, como condição resolutória, a negativa de homologação (de tal sorte que, implementada essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definirse, como condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344 Fl. 242DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 38 HERBERT HART40, analisando a definitividade e a infalibilidade das decisões dos tribunais superiores, faz uma instigante analogia com os jogos em que, num primeiro momento, não há a figura do juiz, mas que, quando instituído, funcionará como marcador oficial dos pontos e cujas decisões serão definitivas. Explica que nesse tipo de sistema passa a ocorrer um novo tipo de interação entre os actantes do jogo, que deixam de opinar sobre a pontuação ou sobre as regras do jogo, porque as determinações do marcador oficial são indisputáveis e definitivas. E continua: Não difere dessa situação os julgados do STJ (“marcador oficial”) com relação às regras do termo inicial do prazo de prescrição do direito ao indébito: é certo que a autoridade e a definitividade das decisões do STJ são inquestionáveis. Contudo, como ensina HERBERT HART41: “‘O resultado é o que o marcador diz que é’ não é uma regra de marcação: é uma regra que atribui autoridade e definitividade à aplicação por ele em casos concretos da regra de pontuação”. Não é a legalidade: é o simples efeito concreto da coisa julgada. Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o legendário titular da Cadeira de Jurisprudência da Universidade de Oxford: “o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de jogo serem aceitas não significa que o jogo de críquete ou de basebol já não esteja a jogarse; por outro lado, se estas distorções forem freqüentes ou se o juiz repudiar a regra do jogo positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não aceitam mais as determinações destoantes do marcador ou, se o fazem, o jogo vem a alterarse; já não é críquete ou basebol que se joga, mas “o jogo do Juiz” 42. Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da legalidade, continuamos entendendo, como aliás vimos defendendo desde 23 de maio de 2000, que nunca coube falar em prazo de 10 anos: nem antes, nem depois da tese dos 10 anos; nem antes, nem depois da LC 118. Em suma, o prazo de prescrição no CTN e o direito continuam os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está amanhecendo, há luz, e todos nós, acordados, podemos nos dar conta deste simples fato: os tribunais interpretam a lei, podendo até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei... Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. 40 O conceito de direito, p. 1556 41 O conceito de direito, p. 1569. 42 Tradução livre do original: The concept of law, Oxford university Press, 1961. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 219 39 A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tomese, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica do IPI – que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poderseia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos da Lei nº 43 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 40 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia44 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo45. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória nº 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3º do seu art. 1846. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial no 747.09147 “Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é “incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazerse por lei” (RE 80.153∕SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posicionase em igual sentido: “O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público” (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345∕35). “A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei” (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, nº 40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.522∕2002 simplesmente dispensou “a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal” relativamente à quota de contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3º expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de 44Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente. 45Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 46§ 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 47 Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13888.000917/0037 Acórdão n.º 9303001.296 CSRFT3 Fl. 220 41 quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que no caso em análise o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de se concluir que o direito à repetição pleiteado nestes autos foi alcançado pela prescrição. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 246DF CARF MF Impresso em 10/05/2013 por CLEUZA TAKAFUJI CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RODRIGO CARDOZO MIRANDA, Assinado digitalmente em 27/03/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 10/04/2013 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 13830.000316/2005-93
Data da sessão: Fri May 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001, 2002
ÁREAS OCUPADAS COM BENFEITORIAS. PROVAS.
Provas contraditórias apresentadas pelo contribuinte não se prestam para comprovar área ocupada com benfeitorias.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-000.634
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: NÚBIA MATOS MOURA
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PROVAS. Provas contraditórias apresentadas pelo contribuinte não se prestam para comprovar área ocupada com benfeitorias. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados discutidos os/presentes autos. / Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos terçnos do vo 1 do Relator. // / /7 / GIOVANNI CHRISTWZ/NUN CAMPOS — Presidente / ______ 1 / / / A (),:j 1 /r{l-w )"' i I NIIBIA MATOS MO 7. -Relatora t EDITADO EM: 09/e u/ /010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Ewan Teles Aguiar, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. . i Relatório CARLOS THOMAZ WHATELY, já qualificado nos autos, inconformado com a decisão de primeiro grau, prolatada pelos Membros da P Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS, mediante Acórdão DRJ/CGE n° 04- 13.435, de 18/01/2008, fls. 64/69, recorre a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais pleiteando a sua reforma, nos temios do recurso voluntário, fls. 76/81. Mediante Auto de Infração, fls. 02/11, formalizou-se exigência de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), no valor total de R$ 129.129,70, incluindo multa de oficio e juros de mora, estes últimos calculados até 28/02/2005. A autoridade fiscal imputou ao contribuinte a infração de falta de recolhimento do imposto, que foi apurada em razão dos seguintes fatos: (i) glosa total da área de preservação peimanente por falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA); (ii) glosa total da área de utilização limitada por falta de apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA); e (iii) redução da área ocupada com benfeitorias de 124,8 ha para 6,8 ha, em função de documentos apresentados pelo contribuinte durante o procedimento fiscal. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi devidamente apreciada pela autoridade julgadora de primeira instância. Naquela oportunidade, decidiu-se pela procedência em parte do lançamento, para acatar 89,5 ha de área de preservação permanente e 132,8 ha de área de utilização limitada. Cientificado da decisão de primeira instância, por via postal, em 27/03/2008, Aviso de Recebimento (AR), fls. 74, o contribuinte apresentou, em 18/04/2008, recurso voluntário, fls. 76/81, onde alega, em suma, que a área do imóvel ocupada com benfeitorias é de 124,8 ha, conforme demonstrado no laudo técnico e na planta demonstrativa datada de 25/03/2000, com a localização das respectivas benfeitorias. É o Relatório. Voto Conselheira Núbia Matos Moura O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Na Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), referente aos exercícios 2001 e 2002 o contribuinte informou a existência de 124,8 ha de área ocupada com benfeitorias. 4' 2 Processo n° 13830.000316/2005-93 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.634 Fl. 106 No procedimento fiscal, que deu origem ao lançamento, o contribuinte foi intimado a comprovar as áreas de preservação permanente e de utilização limitada e apresentar o Ato Declaratório Ambiental (ADA), tudo relativamente aos exercícios 2001 e 2002. Para atender ao solicitado, o contribuinte apresentou, dentre outros documentos, Levantamento Planialtimétrico do imóvel, denominado Fazenda Santa Cecília, fls. 31, datado de 21/02/2005. No referido levantamento consta que a área ocupada com benfeitorias é de 6,8 ha, sendo 5,26 ha de açude, 0,75 ha de pomar e 0,76 ha de edificações. Nessa conformidade, considerando que nas Declarações do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (DITR), referente aos exercícios 2001 e 2002, o contribuinte informou a existência de 124,8 ha de área ocupada com benfeitorias, a autoridade fiscal glosou parcialmente a área informada, reduzindo-a para 6,8 ha. Na impugnação, o contribuinte apresentou Planta Demonstrativa da Fazenda Santa Cecília, fls. 45, elaborada em 23/03/2005, pelo mesmo engenheiro agrônomo responsável pela execução do Levantamento Planialtimétrico, apresentado durante o procedimento fiscal. Foi apresentado, ainda, Laudo Técnico, fls. 38/39, onde o engenheiro agrônomo, responsável pelo Levantamento Planoaltimétrico e pela Planta Demonstrativa, esclarece que "o mapa apresentado anteriormente (Resposta ao Termo de intimação fiscal datado de 28/01/2005) corresponde a ocupação atual, sem considerar as benfeitorias, uma vez que este é usado para estimar custos, onde as culturas absorvem as benfeitorias". A decisão recorrida não acatou tais esclarecimentos, fundamentando sua decisão da seguinte maneira: Relativamente às áreas ocupadas com benfeitorias, constante de laudo técnico e mapa, apresentados na impugnação, não podem ser aceitos, pois no atendimento à intimação inicial da autoridade fiscal fora apresentado outro laudo e outro mapa, com indicações totalmente divergentes e as áreas assim indicadas foram utilizadas pela autoridade fiscal quando do lançamento. Numa análise das indicações do mapa apresentado na impugnação, fls. 45 com áreas legendadas como de benfeitorias, verifica-se claramente serem menores do que o contribuinte pretende, além do que o laudo e mapa apresentados datam de 2005, e o lançamento refere-se aos anos 2000 e 2001, além ainda, do aludido técnico não descrever detalhadamente as benfeitorias com suas respectivas áreas e o mapa da impugnação ser contraditório com o mapa apresentado inicialmente. No recurso, o contribuinte apresentou novamente a Planta Demonstrativa, desta feita acompanhada de fotos, fls. 90/100, e laudo técnico, fls. 89. No laudo relaciona as benfeitorias, indicando a área ocupada por cada uma delas. De pronto, cumpre destacar que a área total do imóvel é a mesma, tanto no levantamento planoaltimétrico como no mapa demonstrativo, de sorte que para alterar a área '/3 ocupada com benfeitorias de 6,8 ha para 124,8 ha foi necessário que se alterassem as áreas ocupadas com matas, que passaram de 509,59 ha para 305,60 ha. Ou seja, para dar lugar às benfeitorias as áreas de mata encolheram. A comparação entre o Levantamento Planoaltimétrico (mapa) e a Planta, Demonstrativa indica a existência de divergência entre elas, a saber: (i) Tanto no mapa quanto na planta consta a existência de apenas dois açudes, sendo que no mapa a área dos mesmos é de 5,26 ha, já no laudo, fls. 89, fala-se em três açudes, com área de 7,0 ha; „. (ii) O mapa indica a existência de um pomar com 0,75 ha, que também está indicado na planta. Contudo, o laudo, fls. 89, não faz menção ao pomar; e (iii) No mapa constam benfeitorias, com área total de 0,75 ha, já o laudo, fls. 89, indica a existência de 12,0 ha ocupados por 47 casas de funcionários e sedes; 2,0 ha ocupados por galpões; além de outras áreas ocupadas com igreja, escola, campo de futebol, estradas, curvas de nível e etc. A planta demonstrativa e o laudo, fls. 89, são bem mais detalhados do que o levantamento planoaltimétrico, entretanto, causa bastante estranheza que um engenheiro agrônomo, que afirma ser gerente da propriedade desde 1994, tenha deixado de incluir tantas benfeitorias no mapa altimétrico do imóvel, confundindo o número de açudes existentes e área . por eles ocupada, esquecendo-se das casas dos funcionários, das estradas e das curvas de nível, ao elaborar o mapa altimétrico. Saliente-se que a divergência é bastante significativa. Para prevalecer a tese defendida no recurso seria necessário que se admitisse que o engenheiro deixou de computar no mapa altimétrico 118,0 ha ocupados com benfeitorias. A explicação de que para estimar custos as benfeitorias são absorvidas pelas culturas é totalmente descabida. Nesse contexto, considerando as divergências verificadas entre o mapa altimétrico e a planta demonstrativa, deve prevalecer a decisão recorrida, visto que o lançamento se deu com base em infounações prestadas pelo próprio contribuinte. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso. ., --, 1 • J /1 --à( í ''. ./") ------ Nubia Matos Moura - Relatora , 4
score : 1.0
Numero do processo: 19647.002078/2004-23
Data da sessão: Tue Jul 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA URIDICA - IRP,I
Data do fato gerador: 31/0.3/1999
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA.
Constatado na D1PJ/2000 apuração do IRP.1 com base no lucro presumido, conclui-se liava imposto declarado previamente, antes do lançamento de oficio, com pagamento a homologar em relação ao primeiro trimestre de 1999, portanto, cabível a aplicação do art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional no que se refere ao prazo decadendal para a lavratura do auto de infração. No caso presente, o início da contagem do prazo é o da ocorrência
do fato gerador do tributo, 31/03/1999 e o termo final, 31/03/2004,
LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO - DECADÊNCIA
O pi azo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em thee da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARI : N" 10)
LUCRO 1N1LACION.ÁRIO. REALIZAÇÃO LINEAR.
A partir de I d.e janeit0 de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar no mínimo 10% ao ano do lucro inflacionário acumulado existente em 31 de dezembro de 1995 ou o percentual efetivo, quando maior, calculado em função da.
realização do ativo. A cada período de apuração deve ser reconhecida a parcela de realização do lucro inflacionário acumulado, na fôrma legalmente prevista.
Numero da decisão: 1802-000.561
Decisão: Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, rejeitar preliminar de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA URIDICA - IRP,I Data do fato gerador: 31/0.3/1999 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Constatado na D1PJ/2000 apuração do IRP.1 com base no lucro presumido, conclui-se liava imposto declarado previamente, antes do lançamento de oficio, com pagamento a homologar em relação ao primeiro trimestre de 1999, portanto, cabível a aplicação do art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional no que se refere ao prazo decadendal para a lavratura do auto de infração. No caso presente, o início da contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo, 31/03/1999 e o termo final, 31/03/2004, LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO - DECADÊNCIA O pi azo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em thee da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARI : N" 10) LUCRO 1N1LACION.ÁRIO. REALIZAÇÃO LINEAR. A partir de I d.e janeit0 de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar no mínimo 10% ao ano do lucro inflacionário acumulado existente em 31 de dezembro de 1995 ou o percentual efetivo, quando maior, calculado em função da. realização do ativo. A cada período de apuração deve ser reconhecida a parcela de realização do lucro inflacionário acumulado, na fôrma legalmente prevista.
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Recorrida 5a.Turma/DRI/Recife /PE ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA URIDICA - IRP,I Data do fato gerador: 31/0.3/1999 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA. Constatado na D1PJ/2000 apuração do IRP.1 com base no lucro presumido, conclui-se liava imposto declarado previamente, antes do lançamento de oficio, com pagamento a homologar em relação ao primeiro trimestre de 1999, portanto, cabível a aplicação do art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional no que se refere ao prazo decadendal para a lavratura do auto de infração. No caso presente, o início da contagem do prazo é o da ocorrência do fato gerador do tributo, 31/03/1999 e o termo final, 31/03/2004, LUCRO INFLACIONÁRIO DIFERIDO - DECADÊNCIA O pi azo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em que, em thee da legislação, deveria ter sido realizado, ainda que em percentuais mínimos. (Súmula CARI : N" 10) LUCRO 1N1LACION.ÁRIO. REALIZAÇÃO LINEAR. .A partir de I d.e janeit0 de 1996, a pessoa jurídica deverá realizar no mínimo 10% ao ano do lucro inflacionário acumulado existente em 31 de dezembro de 1995 ou o percentual efetivo, quando maior, calculado em função da. realização do ativo. A cada período de apuração deve ser reconhecida a parcela de realização do lucro inflacionário acumulado, na fôrma legalmente prevista. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiada por unanimidade de votos, r-,:eitar a preliminar de decadência, e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do :elatório e voto que integram o presente julgado. /21 ESTER MARQUES UNS DE SOUSA — Presidente e Relatora. 'EDITADO Emu 5 A 20 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: I :s.ter Marques Lins de Sousa (Presidente da Turma), José De Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista (Conselheiro Convocado), 'Nelso Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior e João Francisco Bianeo (Vice Presidente da Turma). Relatório CONSTRUTORA FAMA LTDA, já qualificada nos autos do processo, recorre a este colegia.do da decisão de primeira instância, DR.1/Recife/PE, que julgou procedente cm parte o Auto de Infração, fls.01/08, consolidado à 11.01, que constituiu o crédito tributário do Imposto de Renda Pessoa Jurídica - IRPJ, relativo ao fato gerador ocorrido, no primeiro trimestre de 1999 (31/03/1999), no valor de R$ 14„717,76, acrescido de multa de oficio de 75% e juros de mora. De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal (11.05); a exigência tributária decorre da seguinte infração: - FALTA DE REALIZAÇ.ÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ACUMULADO -- DIFERENÇA APURADA, tendo em vista que havendo a empresa mudado sua ,forma de tributação, do Lucro Real para o Lucro Presumido deixou de realizar o valor de R$ 37.571,64 como saldo acumulado de lucro inflacionário. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (D.R.I/Recife/PE) deu provimento parcial à impugnação em decisão proferida no venerando, Acórdão 10-1.76, de 11 de novembro de 2004, acatando a alegação de decadência em relação aos anos base de 1995, 1996 e .l998, para exonerar do IR.PJ lançado o valor de R$ 1,951,74 e declarar devido o valor principal de R$ .3.682,50. A. empresa tomou ciência da referida decisão, conforme o Aviso de Recebimento (AR), 0.236, em 22/12/2006 (sexta feira) e, interpôs Recurso ao Conselho de Contribuintes, em 25/01/2007, fls.237/239. A recorrente continua e insiste na tese de que não pode o Fisco a titulo de recomposição do saldo de lucro inflacionário a tributar transferir para exercícios futuros, ainda que de forma indireta, valores cuja exações já foram atingidas pela decadência.. Argumenta que já tinha sido autuada anteriormente, pelo mesmo motivo, conforme processo n 10480.028.069/99-82, que transitou em julgado, após o Acórdão n" 107- 08.457. de 04/04/2006, deste Conselho de Contribuintes, que negou provimento ao recurso, sendo a empresa condenada a recolher o IRPj sobre diferença de lucro inflacionário diferido a menor, relativo ao ano calendário de 1995, cuja base de cálculo corresponde a R$ 3 1f)24,87, valor este que é superior à base de cálculo do presente processo que é de R$ 24.549,99. Afirma a recorrente que, se ao recompor os saldos de exercícios já atingidos p - a decadência, tivesse sido abatido do lucro inflacionário diferido, aquele valor cobrado e 2 Prooc.;sso n'' 196 ,17 00207W2004-23 Sljr Acórdão o" 1502-00 561 1'1 2 que está sendo pago, não existiria diferença a tributar no presente processo, porquanto o valor anterior é superior ao que ora se cobra neste processo, Assim, estará pagando duas vetes o tributo exigido. Ao final requer o provimento do recurso voluntário. É o relatório. 3 Voto Conselheira Ester Marques 1,ins de Sousa O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto if 70.235/72 e suas alterações posteriores Dele tomo conhecimento. 'De inicio cabe analisar a questão decadencial para que seja determinado o momento da ocorrência do fato gerador do 1RPJ, tendo em vista haver a empresa adotado n.o ano calendário de 1999, a apuração trimestral do IR P..1 com base no lucro presumido. Sabe-se que para os fatos geradores ocorridos a partir de 1997, com a edição da Lei ff 9.430/96, o imposto de renda das pessoas jurídicas passou a ter como regra a apuração trimestral, independente da base de cálculo ser o lucro real, presumido ou arbitrado.. Portanto, para as pessoas jurídicas que optaraiii pelo lucro presumido, o fato gerador do imposto ocorre no Ultimo dia de cada trimestre do ano calendário, data da apuração do lucro presumido. Quanto ao prazo decadencial para a constituição do credito tributário, há de se verificar qual o .prazo legal para ser efetuado o lançamento de oficio, do IRPJ, considerando o fato gerador ocorrido no Ultimo dia do primeiro trimestre de 1999 (31./03/1999), conforme relatado . Inicia-se a análise pela transcrição dos artigos 150 e 173 do C A.rt 150 O lançamento i?01 homologação, que °cor, e quanto aos tributos cuja legislação atribua ao .sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento Yen/ prév io exame da autoridade administrativa, opeia-se pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade as sim7 .7 (ael eido pelo obrigado, expr. es somente a homologa 1" O pagamento antecipado pelo obrigado ilos lei 7005 deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento, 4" Se a lei não ,fixar prazo à honiologação, será ele dc ., Cl' 11 CO anos, a contar da ocorrência do Wto gerador; expirado es se prazo sem que a .Pazenda Pública se tenha pronunciado, considera-se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprvvada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação Ar! 173 O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após .5 (cinco) anos, contados. 4 Powesso o" 19647 002075/2001-23 SI - . 1 E02 Acórdão o 1802-00361 .1 do primeiro dia clo exercício seguinte àquele e711 glie o lançamento podei ia ler sido efetuado, Registre-se que, em passado recente vinha compartilhando com o entendimento dos que laboram na tese de que a regra contida no § 4" do artigo 150 só tem efeito de antecipar a decadência, em relação à regra. contida no art 173 da Lei n" 5.172/66, Código Tributário Nacional CTN ou seja ao invés de ocorrer em cinco anos a contar do primeiro dia do exercício seguinte ocorre em cinco anos a contar, do fato gerador no caso de lançamento por homologação, no entanto, curvo-me aos precedentes no STJ, nos Lei nos do RESP n" 973 733 — SC, submetido ao regime do art. 543 — C, do CPC, e da Resolução sfi 08/2008, ou seja, com eleito repetitivo, que, julgado em 12 de agosto de 2009, desloca a regra de contagem do prazo decadencial para o art. 173, inciso 1, do CTN, quando inexiste mamento a homologar ou declaração prévia do débito. Consta da DIN/2000,11.77, que o lucro presumido foi a. forma de tribulação do lucro adotado pela empresa no Ano calendário de 1999, sabendo-se que a opção do lucro presumido, via de regia, é manifestada com o pagamento da primeira quota ou quota única do IRRE correspondente ao primeito período de apuração, no caso, o primeiro trimestre de 1999. 'Nesse ponto, verifica-se à fi.79, que o contribuinte declarou IRPJ a pagar no valor de R$ 46 817,42 no 1° trimestre/99, não constando nos autos débitos relativos ao 1RPJ declarado, pelo que se conclui haver imposto declarado previamente, antes do lançamento de oficio, com pagamento a homologar em relação ao primeiro trimestre de 1999, portanto, cabível a aplicação do art. 150, § 40 do Código Tributário Nacional no que se refere ao prazo decadeneial para a lavratura do auto de infração. No que tange à data da ciência do Auto de Infração pelo sujeito passivo, discordo da decisão de primeira instância (0.214) que ao analisar a tempestividade da impugnação de fis..122/136, considerou o Auto de Infração como cientificado ao contribuinte em 07/04/2004, na data em que apresentou sua impugnação, fis.122/136. A discordância acima tem fundamento, na petição da autuada (fis.107/108) protocolizada em 14/12/2004, que requerendo a juntada da mencionada impugnação (processo n" 19647.00.3127/2.004-45) ao pi esente processo, afirma ter recebido o Auto de Infração em 12/03/2,004, coo oborado pelo Aviso de Recebimento (AR),-11.100. Destarte, considerando que o fato gerador trimestral do IR Pl. (1" trimestre ) relativo ao ano calendário de 1999 ocorreu sob a égide da Lei n" 9.430/96, portanto, no último dia do trimestre acima (31/03/1999), data da apuração do lucro presumido, e que, o contribuinte tomou ciência do lançamento em 12/03/2004, o prazo para a administração lançar eventuais diferenças, referentes ao 1 0 trimestre de 1999 (31/03/1999), somente venceria em .31/03/2004, portanto, descabe falar em decadência do direito do Fisco para efetuar o presente lançamento, haja vista, não haver transcorrido o prazo de 05 (cinco) anos, previsto no art. 1 50, § 4' do CTN para o Fisco efetuar o lançamento da diferença do IRP.1, ou seja-,-constituir o crédito tributário. Piei imin ar de decadência rejeitada. 5 No que diz respeito ao lucro inflacionário tributado, assim como na impugnação, em sede de recurso a Recorrente, continua e insiste na tese de que não pode o Fisco a título de recomposição do saldo de lucro inflacionário a tributar transferir para exercícios futuros, ainda que de forma indireta, valores cuja exações .já foram atingidas pela decadência. Sobre o privo decadencial para constituição do crédito tributário relativo ao lucro inflacionário diferido, a questão encontra-se assentada no âmbito desse Conselho Administrativo, conforme se extrai da Súmula n" 10, vei.bis: O prazo dccadencial para COnSillUiÇãO do crédito tributário relativo ao lucro inflationário dile) ido é contado do período de apuração de sua efetiva realização ou do período em qi«?, ein face da legislação, deveria ter sido iealizado, ainda que em percelituals 1711flit7ZON A exigência fiscal foi modificada pelas razões dispostas às lis 221/222. da decisão recorrida, que alterou o saldo do lucro inflacionário em 31/12/1995, para R$ 179.611,00 e por conseqüência ficou reduzido o valor da realização do saldo do lucro inflacionário diferido (11.229) para R$ 24,549,99, que se tornou obrigatória a sua total realização no primeiro trimestre de 1999, em virtude da mudança de tributação do lucro real para o lucro presumido, adotada pelo contribuinte A alteração acima decorreu da necessidade de se depurar o saldo do lucro inflacionário diferido em 31/ 12/1995 no sistema SAPLA, fis.228/229, procedendo a autoridade administrativa a exclusão das parcelas das realizações obrigatórias vinculadas aos períodos já abrangidos pela decadência, coube ajustar o valor exigido após adequação do lucro presumido em 31/03/1999, dada a mencionada redução do saldo do lucro inflacionário diferido para R$ 24.549,99.. Quanto à tributação do lucro inflacionário, a legislação aplicável detalhada pela fiscalização no enquadramentO legal de fl. 05, dispõe que em cada ano calendário considerar- se-á realizada parte do lucro inflacionário acumulado, proporcional ao valor realizado no mesmo período, dos bens e direitos do ativo sujeitos à correção monetária, existentes em 31.12.95, ou então o percentual de 10%, quando o valor, assim determinado, for superior. àquele montante Corri relação ao valor a ser realizado, saliente-se que, pelo critério de tributação do lucro inflacionário, os saldos credores diferidos só são tributados na proporção da realização do ativo, ou em percentuais mínimos previstos na legislação. • É necessário lembrar que, a partir do ano calendário de 1995, foi revogada a correção monetária das demonstrações financeiras consoante o disposto no int 4" da Lei n" 9249/95, verbis: Art. 4" Fica revogada tt correção monetária das demonstrações financeiras de que traiam a Lei n" 7 799, de 10 de julho de 1989, c o art 1" da Lei n" 8 200, de 28 de junho de 1991 Parágrafo único Fica vedada a utilização de qualquer sistema de correção monetária de derf1011SiiVÇoes financeiras, inclusive para fins' .50CietátiOY. Por conseqüência direta da inexistência da correção monetária de balanço, a parti • e períodos base iniciados em 1996, não mais ocorreu lucro inflacionário do período, • Processo o" I 9647 002078/2004-23 S1-1 E02 Acórdão ri 1562-00 561 H 4 1 Call110 o saldo do lucro inflacionário acumulado "congelado". Portanto, a nibutação futura sempre alcançará as realizações por conta do saldo existente em 31.12,95, corrigido monetariamente até essa data. Os cálculos futuros devem ser feitos com base nos valores existentes em 31 12 95, corrigido monetariamente ate essa data O art. 7" da Lei n" 9.249/95, retro mencionada, dispõe que "o saldo do lucro inflacionai to acumulado, femanese ent e em 31/12/1995, cori igido monetariamente até essa data, será realizado de acordo com as regias ent[7(»)igente". A legislação vigente nessa matéria é a Lei n" 9.065 de 1995, cujos arts. 6" a 8" disciplinaram as formas de realização do lucro inflacionário, alterando as normas anteriores até então espelhadas na Lei n" 7 789 de 1989, restando claro, a partir de então, que o percentual de realização mínimo obrigatório seria de 10% (dez por cento) ao ano no caso de apuração anual ou 2,5% (dois e meio por cento) no caso de apuração trimestral, e deveria incidir sobre o valor do lucro inflacionário acumulado em 31.12.1995, corrigido monetariamente até essa data, de modo que ocoiresse, de forma linear, a realização total do lucro inflacionário diferido, no prazo máximo de 10(dez) anos. Diferentemente da tese apontada pela recorrente, a obrigatoriedade imposta pela norma legal é no sentido de se efetuai a realização do saldo do lucro inflacionário acumulado, em 31.1195, ainda que em percentual mínimo, a cada período de apuração, de sorte a se transportai para os períodos seguintes, o saldo remanescente para fins de controle, apenas„ Portanto, repita-se, o percentual de realização deve incidir sobre o lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995, corrigido monetariamente, e, não sobre o saldo do lucro inflacionário diferido transportado para os períodos seguintes. No presente caso, o relatório SAPL1 (11228) demonstra que havia saldo de lucro inflacionário, em 31/12/1995, no montante de R$ 179 611,00, cuja tributação seria obrigatória em percentual idêntico ao de realização de ativos, ou o mínimo previsto na legislação. Conforme registrado inicialmente, relativamente aos valores apontados pela fiscalização, a decisão de primeiro grau alterou o lançamento para adequar a realização do lucro inflacionário sobre o saldo acumulado em 31/12/1995, no que resultou a decisão parcialmente favorável ao contribuinte. Após as realizações do lucro inflacionário em 1996, 1997 e 1998, nos valores de R$ 67.114,01, R$ 46.811,00 e R$ 41.136,00, restou um saldo remanescente de lucro inflacionário de 12S 24.549,99 que tepresenta 13,6684% de R$ 179.611,00 (Lucro inflacionário acumulado em 31/12/1995), o qual deve sei integralmente tributado, ou seja, adicionado ao lucro presumido do piimeiro período de apuração (31/03/1999) de acordo com o artigo 54 da Lei n°9430/96 Em face do exposto, 1/(..)TO no sentido de :REJET1....k.„_a_pi eliminar de decadência e„ no mérito NEGAR provimento_ao-rerairso • „- - E1e) (SÁ a ai uf.,11,1 /'
score : 1.0
Numero do processo: 10830.004433/2001-12
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Ano-calendário: 1996, 1997, 1998
CONDIÇÃO DE RESIDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO.
Mantém a condição de residente no Brasil a pessoa física que, sem entregar a Declaração de Saída Definitiva do País, não demonstre haver se ausentado por mais de doze meses, mormente quando apresenta regularmente as declarações de ajuste anual.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR.
Rendimentos recebidos no exterior pela pessoa física residente no Brasil que não foram regularmente tributados nos termos da legislação vigente não podem ser considerados como origem na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto.
GANHO DE CAPITAL. PERCENTUAL DE REDUÇÃO. TERRENO ADQUIRIDO ATÉ 31/12/1988.
No caso de alienação de imóvel em que o terreno foi adquirido até
31/12/1998 aplica-se sobre todo o ganho de capital o percentual em relação ao ano de aquisição do terreno, ainda que a construção seja concluída em ano posterior.
Recurso parcialmente provido.
Numero da decisão: 2202-000.442
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência relativo ao ganho de capital nos meses de julho de 1997 e novembro de 1998, os valores de R$ 10.871,33 e R$ 7.993,45, respectivamente. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Júnior, Helenilson Cunha Ponte e Gustavo Lian Haddad, que proviam o recurso em maior extensão para permitir a compensação do crédito do imposto pago no Japão
Matéria: IRPF- ação fiscal - Ac.Patrim.Descoberto/Sinais Ext.Riqueza
Nome do relator: NELSON MALLMAN
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10830.004433/2001-12 Recurso n° 164.464 Voluntário Acórdão n° 2202-00.442 — 2 Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2010 Matéria • IRPF Recorrente ANTONIO DE OLIVEIRA FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Ano-calendário: 1996, 1997, 1998 CONDIÇÃO DE RESIDÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO. Mantém a condição de residente no Brasil a pessoa física que, sem entregar a Declaração de Saída Definitiva do País, não demonstre haver se ausentado por mais de doze meses, mormente quando apresenta regularmente as declarações de ajuste anual. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR. Rendimentos recebidos no exterior pela pessoa física residente no Brasil que não foram regularmente tributados nos termos da legislação vigente não podem ser considerados como origem na apuração de acréscimo patrimonial a descoberto. GANHO DE CAPITAL. PERCENTUAL DE REDUÇÃO. TERRENO ADQUIRIDO ATÉ 31/12/1988. No caso de alienação de imóvel em que o terreno foi adquirido até 31/12/1998 aplica-se sobre todo o ganho de capital o percentual em relação ao ano de aquisição do terreno, ainda que a construção seja concluída em ano posterior. Recurso parcialmente provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da exigência relativo ao ganho de capital nos meses de julho de 1997 e novembro de 1998, os valores de R$ 10.871,33 e R$ 7.993,45, respectivamente. Vencidos os Conselheiros Pedro Anan Júnior, Helenilson Cunha Ponte e • Gustavo Lian Haddad, que proviam o recurso em maior extensão para permitir a compensação do crédito do imposto pago no Japão. 7( , , t. li t c.2..4 i l'C(Maria -á ia Moniz de Ara h ão Ca omino Astorga - Relatora _:... . EDITADO EM: :'' 1 JUN MEI Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente). * . 2 , Processo n° 10830.004433/2001-12 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.442 Fl. 2 Relatório - Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 9 a 11 - volume I, integrado pelos demonstrativos de fls. 5 a 8 - volume I, pelo qual se exige a importância de R$447.556,35, a título de Imposto de Renda Pessoa Física — IRPF, acrescida de multa de oficio 75% e juros de mora, em virtude da apuração das seguintes infrações: 1. Acréscimo patrimonial a descoberto, ano-calendário 1996; e 2. Omissão de ganho de capital na alienação de ganho de capital, anos- calendário 1996, 1997 e 1998. DA AÇÃO FISCAL O procedimento fiscal encontra-se resumido no Termo de Verificação Fiscal de fls. 12 a 14 - volume I, no qual o autuante esclarece que: • no ano-calendário 1996, o contribuinte adquiriu os seguintes imóveis: o em janeiro de 1996, Lote de n 31, gleba São José da Fazenda Monte Deste, Campinas - (Haras das Jabuticabeiras), por R$ 1.490,000,00, sendo pago a título de sinal R$400.000,00 e mais dez parcelas de R$109.000,00, vencendo a primeira em março e a Ultima em dezembro do mesmo ano; o em abril de 1996, imóvel situado à Rua José Nucci, n2 45, Campinas pelo valor de R$464.000,00, sendo pago R$131.000,00 no ato, R$200.000,00 em maio de 1996 e R$133.000,00 em junho de 1996; o em novembro de 1996, Gleba A-1, do imóvel agrícola São José, do bairro Anhumas, Campinas pelo valor de R$300.000,00, sendo R$250.000,00 pagos em novembro de 1996. • conforme consta da Declaração de Ajuste anual do ano-calendário 1996, o contribuinte: o efetuou doações ao Sr. Paulo Góes de Oliveira e a Sra. Saudatina Góes de Oliveira, no valor de R$ 30.000,00 para cada um, considerando-se o mês de dezembro como o mês da doação, uma vez não foi informada a data das doações; o concedeu empréstimo à Thialen Veículos Ltda, no valor de R$67.000,00, sendo considerado o mês de dezembro como o mês da concessão, uma vez que não foi informada a data da operação. o• no ano-calendário 1996, o contribuinte alienou os seguintes imóveis„k: 3 o em fevereiro de 1996, Lotes 07 e 08, Quadra 10, do Loteamento Nova Campinas, por R$45.000,00 cada um, totalizando R$90.000,00. Tais lotes foram adquiridos em 25/02/1994 por Cr$12.500.000,00 cada um, apurando-se um ganho de capital R$10.719,83; o em abril de 1996, prédio da Av. Francisco José de Camargo Andrade, 468 - Campinas, por R$160.000,00, que foi adquirido em 07/12/1990 por Cr$5.000.000,00, apurando-se um ganho de capital no total de R$120.601,33; o em julho de 1997, apartamentos 32 e 42 do Edifício Robson - Campinas, por R$46.000,00 cada um, totalizando R$92.000,00. Tais apartamentos foram adquiridos da seguinte maneira: em novembro de 1983, a fração ideal de 6,25% do terreno pelo valor de Cr$312.500,00 e, em janeiro de 1986, a unidade autônoma pelo valor de Cr$ 42.388.398,00, cada uma. Assim, foi apurado um ganho de capital no total de R$66.219,66; o em novembro de 1998, apartamentos 11, 22, 52 e 62 do Edifício Robson - Campinas, por R$21.000,00 cada um, totalizando R$82.000,00. Tais apartamentos foram adquiridos da seguinte maneira: em novembro de 1983, a fração ideal de 6,25% do terreno pelo valor de Cr$312.500,00 e, em janeiro de 1986, a unidade autônoma pelo valor de Cr$ 42.388.398,00, cada uma. Assim, foi apurado um ganho de capital no total de R$48.690,32. • foi elaborado o Demonstrativo Mensal da Evolução Patrimonial de fl. 15 — volume I, para o ano-calendário 1996, no qual foram considerados como origem as alienações de bens, rendimentos líquidos do cônjuge e outros rendimentos declarados pelo contribuinte e, como dispêndios, compras de bens, empréstimos concedidos, doações e outras despesas, apurando-se ao final, acréscimo patrimonial a descoberto nos meses de janeiro e maio a dezembro de 1996; • foram utilizados os programas da Receita Federal para o cálculo do ganho de capital, adotando-se os índices da tabela de correção do custo de aquisição constante na Instrução Noimativa d- 48, de 1998 (vide demonstrativos anexados às fls. 105, 114, 117, 118 e 123 a 126 — volume I). DO JULGAMENTO DE i a INSTÂNCIA Apreciando a impugnação do contribuinte de fls. 141 a 150 - volume I, instruída com os documentos de fls. 152 a 274 - volume I, foi determinada diligência a fim de que o contribuinte apresentasse documentação comprobatória dos rendimentos mensais e respectivo imposto de renda retido na fonte recebidos no Japão, no ano-calendário 1996, e da efetiva transferência dos valores recebidos no Japão para o Brasil, conforme despacho da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo II (SP) de fls. 280 e 281 — volume I. Em resposta (fl. 291 — volume I), foram juntados os documentos de fls. 292 e 293 — volume I. 4 Processo n° 10830.004433/2001-12 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.442 Fl. 3 Em 08/08/2007, a 3' Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo II (SP) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão n°17-19.511 (fls. 295 a 301 — volume I), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A EXPORTAÇÃO - IE Exercício: 1996, 1997, 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Restando comprovado nos autos o acréscimo patrimonial a descoberto cuja origem não tenha sido comprovada por rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributáveis exclusivamente na fonte, ou sujeitos a tributação exclusiva, é autorizado o lançamento do imposto de renda correspondente. RENDIMENTOS RECEBIDOS DO EXTERIOR - TRIBUTAÇÃO - COMPENSAÇÃO - ÔNUS DA PROVA. Os rendimentos recebidos de fontes situadas no exterior por residente no Brasil, transferidos ou não para o País, estão sujeitos à tributação sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), no mês do recebimento, e na Declaração de Ajuste Anual. A alegação de que os rendimentos foram tributados no exterior deve vir acompanhada de documentos que comprovem a incidência do imposto no país de origem sobre os rendimentos recebidos no ano-calendário referente, observado os acordos, tratados e convenções internacionais firmados pelo Brasil ou da existência de reciprocidade de tratamento. A falta desta comprovação acarreta a não utilização destes rendimentos como origem nos demonstrativos de evolução patrimonial. GANHOS DE CAPITAL - CUSTO DE AQUISIÇÃO. Não tendo sido o imóvel avaliado a valor de mercado, na declaração do exercício 1992, o seu custo corresponde ao valor de aquisição, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Ato Declarató rio CST n° 76 de 1991. Do RECURSO Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 08/10/2007 (vide AR de fl. 304 - volume I), o contribuinte apresentou, em 07/11/2007, tempestivamente, o recurso de fls. 311 a 343 - volume II, firmado por seus procuradores (vide instrumentos de mandato de fls. 305 e 306 - volume I), no qual, inicialmente, requer que seja dado prosseguimento ao recurso, independentemente de depósito e/ou garantia recursal. Em seguida, após breve relato dos fatos, expõe suas razões de irresignação a seguir sintetizada. 1. Do CONCEITO DE RESIDENTE E NÃO RESIDENTE NO BRASIL (fls. 315 a 321 — volume II) rnk\I\X 5 1.1. O recorrente alega que o relator de primeira instância se equivocou ao afirmar que ele não mais possuía a condição de não-residente no país no ano-calendário de 1996, pois teria apresentado declaração de ajuste do ano-calendário 1996. 1.2. No seu entender, de acordo com a legislação pátria, o fato de o contribuinte haver apresentado declaração de ajuste com endereço no Brasil, não caracterizou a condição de residente no país, porque: (i) as pessoas físicas, residentes ou não no país, proprietárias de bens imóveis no Brasil estão obrigadas a apresentar declaração de rendimentos, reportando-se ao art. 798 do RIR199 (correspondente ao art. 848 do RIR/94) ; (ii) as pessoas físicas que se retiraram do território nacional, estão obrigadas a nomear pessoa no país para representá-la perante as autoridades fiscais, consoante art. 31 do RIR199 (art. 32 do RIR/94); e (iii) o domicílio fiscal do procurador ou representante de residentes domiciliados no exterior é o lugar onde se achar sua residência habitual ou a sede de sua representação, conforme disposto no art. 32 do RIR/99 (art. 33 do RIR/94). 1.3. Confornie apontado no próprio Teimo de Verificação Fiscal de fls. 12 a 14 — volume I, no ano-calendário de 1996, o recorrente possuía bens imóveis no Brasil, havendo adquirido alguns e alienado outros nesse período. Aduz que a indicação de endereço no Brasil na Declaração de Ajuste é imposição do Regulamento do Imposto de Renda e não uma faculdade do declarante, inclusive para os não residentes. 1.4. Transcreve os arts. 2' e 3' da Instrução Normativa SRF n' 208, de 2002, que versam sobre os conceitos de residente e não residente, para concluir que (fl. 321 — volume II): [...] não se encontra no rol do artigo 2' supra transcrito, a descrição de que 'a apresentação de declaração de ajuste com endere_ço no Brasil' sela uma das situações para se caracterizar o contribuinte como residente no pais, portanto, resta absolutamente patente que a R. Decisão recorrida padece de notório equivoco, ao afirmar erroneamente, que no ano- calendário de 1996, o recorrente perdeu a condição de não- residente. Bem ao contrário, à evidência, no ano-calendário 1996 o recorrente ainda estava na condição de não residente no país, premissa que deve ser inicialmente esclarecida e fixada para o correto julgamento da quaestio. 2. Do ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO (fls. 321 a 332 — volume II) 2.1. O recorrente alega que o Brasil não é competente para exigir o imposto referente ao acréscimo patrimonial a descoberto, pois "os tratados e as convenções internacionais revogam ou modificam a legislação tributária interna, e serão observados pela que lhes sobrevenha (art. 98 do Código Tributário Nacional — CTN, reproduzido no art. 997 do RIR/99, correspondente ao art. 1028 do RIR194). Reproduz doutrina sobre o assunto. 2.2. Defende que, de acordo com a Convenção filmada entre o governo brasileiro e o governo japonês para evitar a dupla tributação, ratificada pelo Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo n 43, de 1967, e inserida no ordenamento pátrio pelo Decreto 61.899, de 1967, o recorrente enquanto manteve seu domicílio no Japão gozava de isenção total do imposto no Brasil, nos termos dos art. 14 do Decreto n' 61.889, de 1987, e do Parecer Normativa Cosit n' 3, de 1" de setembro de 1995, que interpretou o referido dispositivo. Cita também o art. 15 do Decreto n' 61.889, de 1987, que se refere expressamente aos atletas profissionais, assim como jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes. 6 Processo n° 10830.004433/2001-12 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.442 Fl. 4 2.3. Concluiu, assim, que a capitulação legal apontada pelo auditor fiscal para lavratura do Auto de Infração (leis ordinárias), muito embora superveniente, jamais pode se sobrepor à mencionada Convenção Internacional, o que torna nulo o próprio lançamento fiscal, vez que efetuado sem base legal válida e legítima. 2.4. Da mesma forma, entende que está manifestamente equivocado o entendimento exarado pelo acórdão recorrido de que (fl. 326 — volume II): "... quaisquer rendimentos recebidos no exterior, os quais o contribuinte deseja utilizar para justificar o acréscimo patrimonial a ele atribuído, devem ser acompanhados da comprovação da tributação destes valores, seja no Brasil, por meio de recolhimento mensal do carnê-leão, seja no país de origem com o pagamento efetuado no exterior." Prossegue adiante com a equivocada fundamentação: "... o imposto pago no país de origem dos rendimentos pode ser compensado no mês do pagamento com o imposto relativo ao carnê-leão e com o apurado na Declaração de Ajuste Anual..." 2.5. Afirma que está comprovado que o recorrente efetivamente teve residência e domicílio no Japão, trabalhando naquele país e que sua renda líquida, descontada a tributação no país de origem, foi remetida ao Brasil e investida na aquisição de imóveis, doações e empréstimo referidos no Auto de Infração em discussão, não havendo, assim, acréscimo patrimonial a descoberto a ser tributado como pretende a fiscalização. 2.6. Argumenta que a instância a quo reconhece a lisura e a licitude dos contratos, das declarações e dos recolhimentos realizados no Japão, os quais encontram-se acompanhados da respectiva tradução para o vernáculo por tradutor público juramentado. Entretanto, desconsidera as provas apresentadas sob o argumento de ser impossível compensar o tributo devido no Brasil com o tributo pago no Japão, pois exercício fiscal daquele país é diferente deste, para o que o contribuinte alega não haver arrimo jurídico e que contraria a Convenção Internacional que veda a bi-tributação. Reproduz precedente administrativo sobre o assunto. 2.7. Acrescenta que o fisco dispõe de meios próprios para esclarecer eventuais incongruências decorrentes da convenção internacional, conforme disposto na Portaria SRF n 1.825, de 3 de setembro de 1998, que regula os pedidos de informação fiscal a países estrangeiros. 2.8. O contribuinte assevera que forneceu todos os documentos comprobatórios dos rendimentos no Japão, bem como as respectivas declarações de rendimento, comprovantes de pagamento do imposto pago e extrato da conta n' 605.280-7, de sua titularidade, denominada "POUPANÇA DOLAR MENSAL", do Banco do Brasil no Japão, referente ao ano-calendário 1996, que comprovam as remessas de dinheiro ao Brasil. 2.9. Admitindo, apenas por força de extrema argumentação, que o imposto guerreado esteja fora do campo de incidência da isenção, o contribuinte defende que a compensação do tributo devido no país com o tributo pago no exterior é medida que se impõe, não se podendo alegar que a diferença existente entre o exercício fiscal do Japão (abri a março) e do Brasil (janeiro a dezembro) inviabilizaria a compensação, nos telinos do art. 98 do C'TN e art. 997 do Decreto d . 3.000, de 1999— RIR199 (correspondente ao art. 1028 do RIR/94, aprovado pelo Decreto d. 1.041, de 1994). 3. DA OMISSÃO DE GANHO DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS (fls. 332 a 335 — volume II) 3.1. O recorrente alega que os bens por ele adquiridos foram avaliados pelo valor de mercado em 31/12/1991 e convertidos para UFIR na declaração de 1992, confonne previsto no art. 96 da Lei ri' 8.383, de 1991, e que a diferença entre o valor atualizado e o valor atribuído nos anos anteriores é isenta, nos termos do §1° do referido artigo. Aduz que "a partir de então, o valor dos bens referidos no Auto de Infração passaram a ser declarados anualmente em Ufir, conforme determinava a legislação." (fl. 333 — volume II). 1 3.2. Sustenta que a lei expressamente determina que a apuração de ganho de capital de bens e direitos adquiridos antes de 31/12/1991 deve ter como base o valor declarado em UFIR em 1992 (art. 96, §5', da Lei ri.' 8.381, de 1991) e que, no caso do autos, a fiscalização utilizou o valor em moeda corrente na data da aquisição, acarretando um ganho de capital fictício. 3.3. Da mesma forma, mesmo nos casos de' bens comprados depois de 31/12/1991, a apuração do ganho de capital deve ser feita com base na UFIR, o que também não foi observado pela fiscalização que utilizou como parâmetro a moeda corrente na época da compra e venda. 3.4. Conclui, assim, que omissão de ganhos de capital na alienação de bens e direitos não pode prosperar porque não foi considerada a reavaliação de bens e direitos criada pelo art. 96 da Lei d- 8.383, de 1991, e porque não foi utilizada na apuração do suposto ganho de capital de bens a unidade valorativa correta, qual seja, UFIR, como determina a legislação em vigor. 4. REDUÇÃO SOBRE O GANHO DE CAPITAL APURADO NA ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS ADQUIRIDOS ATÉ 31/12/1988 (fls. 336 e 337 — volume II) 4.1. O contribuinte alega que, ainda que se verifique algum ganho de capital na alienação dos imóveis em questão, o que admite apenas por afeto ao debate, requer que seja aplicado o percentual fixo de redução sobre o ganho de capital apurado, segundo o ano de aquisição do bem, em relação aos imóveis indicados nos itens "c" e "d" do Teimo de Verificação Fiscal, adquiridos em datas anteriores a 31/12/1988, conforme previsto no 18 da Lei d. da Lei d. 7.713, de 1988 (art. 139 do RIR199, correspondente ao art. 813 do RIR194), assim como a correção pela UFIR; prevista na Lei 8.383, de 1991. 5. DA FALTA DE MOTIVAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO DE LANÇAMENTO (fls. 338 a 341 — volume II) 5.1. O recorrente alega afronta ao princípio da motivação dos atos administrativos, pois o autuante teria relatado no Termo de Verificação Fiscal que os cálculos referentes ao ganho de capital teriam sido feitos por meio de programa da SRF, logo, o demonstrativo dos cálculos não faz parte do Auto de Infração, razão pela qual desconhece por C.,\„\\sycompleto a origem do montante apontado no lançamento. 8 Processo n° 10830.004433/2001-12 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.442 Fl. 5 5.2. Sustenta que o julgador de primeiro grau reconheceu a ausência dos referidos cálculos, à fl. 300 — volume I, cujo trecho foi parcialmente transcrito pelo contribuinte (fl. 338 — volume II): "O que realmente falta ao lançamento é a apresentação dos cálculos da apuração do ganho de capital, já que o Auditor Fiscal resume o Termo de Verificação na indicação do resultado apurado, do programa e da legislação que fundamentou a correção do custo de aquisição..." "O único fato que pode trazer certa dificuldade ao contribuinte é a correção do custo de aquisição do imóvel..." 5.3. Em seguida, afirma (fl. 338 — volume II): Entretanto, em que pese tal reconhecimento, de forma desassociada e contraditória concluiu pela regularidade do lançamento, por entender que "... se os cálculos estivessem errados, certamente o resultado também estaria e apurar este resultado o contribuinte é plênamente capaz...". 5.4. Defende que já teria demonstrado nos itens anteriores que os resultados estão incorretos e que a ausência da demonstração do débito, não só caracteriza falta de motivação do lançamento, como também cerceia o direito de defesa do contribuinte, uma vez que desconhece os valores aproveitados. 5.5. Entende ser necessário um demonstrativo explicitando os detalhes do cálculo, "notadamente no presente caso, onde o recorrente sequer pode acessar os aludidos programas internos referidos pela fiscalização" e que tal omissão representa uma afronta ao art. 50, inciso XXXIII, da Constituição Federal. 5.6. Sendo o lançamento ato administrativo, vinculado e obrigatório (art. 142 do CTN), alega ser indiscutível sua submissão aos princípios constitucionais do direito administrativo, dentre eles, o da motivação. Cita doutrina sobre o assunto, concluindo pela nulidade do Auto de Infração ante a falta de motivação caracterizada pela ausência do detalhamento dos autos. DA DISTRIBUIÇÃO Processo que compôs o. Lote n2 06, sorteado e distribuído para esta Conselheira na sessão pública da Segunda Turma da Segunda Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais de 29/10/2009, veio numerado até à fl. 345 - voulme II (última).r. 9 Voto Conselheira Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. Cabe esclarecer que o arrolamento dos bens ou depósito recursal como condição para interposição de recurso voluntário (art. 32, §2 9-, do Decreto n' 70.235, de 26 de março de 1972) não é mais exigido, em virtude da declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal, resultando na edição do Ato Declaratório Interpretativo RFB ri' 9, de 05 de junho de 2007 e do Ato Declaratório Interpretativo RFB rig- 16, de 21 de novembro de 2007. 1 Condição de residente no pais O contribuinte alega que o fato de haver apresentado declaração de ajuste anual com endereço no Brasil, não caracterizou a condição de residente no país, e, por conseguinte, os rendimentos recebidos no exterior não seriam tributáveis no país, assim como justificam o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização no mesmo período. Inicialmente, cumpre esclarecer que a obrigatoriedade de apresentação da declaração de ajuste anual, aplica-se somente aos residentes ou domiciliados no país, sendo totalmente despropositados quaisquer argumentos do contribuinte em sentido contrário, como se depreende do art. 1' da Instrução Nolinativa n' 62, de 22 de novembro de 1996, in verbis (grifos nossos): Art. l Está obrigada a apresentar a Declaração de Ajuste Anual, relativa ao exercício de 1997, a pessoa física, residente ou domiciliaria no Brasil, que no ano-calendário de 1996: I - recebeu rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste na declaração, superiores a R$ 10.800,00; II - recebeu rendimentos isentos, não-tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, cuja soma foi superior a R$ 80.000,00; III - participou de empresa, como titular de firma individual ou como sócio; IV - apurou ganho de capital na alienação de bens ou direitos, em qualquer mês do ano-calendário, sujeito à incidência do imposto; V - realizou operações em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas em qualquer mês do ano-calendário; VI - teve a posse ou a propriedade, em 31 de dezembro de 1996, de bens ou direitos, inclusive terra nua, exceto de bens e direitos da atividade rural, de valor global patrimonial superior a R$ 415.000,00, io Processo n° 10830.004433/2001-12 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.442 Fl. 6 VII - teve a posse ou a propriedade de imóveis rurais, cuja soma total das áreas seja superior a 1.000 ha; VIII - no caso de rendimento; exclusivos da atividade rural: a) teve participação nas receitas brutas das unidades rurais exploradas individualmente, em parceria ou condomínio, em montante superior a R$ 54.000,00; b) deseja compensar saldo de prejuízo acumulado. Parágrafo único. O disposto no inciso III não se aplica a acionista de S.A., associado de cooperativa, e titular ou sócio de empresa que não tenha iniciado sua atividade. O art. 798 do Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 — RIR199 (correspondente ao art. 848 do RIR194), mencionado pelo recorrente, dispõe sobre o conteúdo da declaração de bens que deve abranger todos os bens do contribuinte, no pais ou no exterior, o que não significa que as pessoas não residentes no pais estejam obrigadas a apresentar tal declaração. Da mesma forma, o arts. 31 e 32 do RIR199 (equivalentes aos 32 e 33 do RIR194) não conduzem a interpretação pretendida pela defesa. O primeiro dispõe que a pessoa fisica que se ausentar temporariamente do pais deverá nomear um procurador para cumprir, em seu nome, as obrigações previstas na legislação tributária e o segundo trata do domicilio fiscal do procurador ou representante de residentes ou domiciliados no exterior. Para fins de detenninação da condição de residente e não residente, há que se fazer uma breve retrospectiva dos principais dispositivos legais sobre o assunto. São considerados contribuintes do imposto de renda as pessoas físicas domiciliadas ou residentes no Brasil, sem distinção de nacionalidade, sexo, idade, estado ou profissão (art. 1 0 da Lei 4.506, de 30 de novembro de 1964). Estabelece o art. 61 do Decreto-Lei n° 5.844, de 23 de setembro de 1943, que as pessoas que transferirem sua residência para o território nacional estarão sujeitas à legislação do imposto de renda aplicável aos demais residentes ou domiciliados no pais, a partir da data de sua chegada. . Dispõe ainda o art. 97 do mesmo decreto-lei que serão tributados como não- residentes (ou seja, residentes ou domiciliados no exterior) os "residentes no pais que estiverem ausentes no exterior por mais de doze meses" (alínea "b"), ressalvada as exceções previstas em lei, e os "residentes no estrangeiro que permaneceram no território nacional por menos de doze meses" (alínea "c"). Em relação à saída definitiva do pais, o art. 17 da Lei n° 3.470, de 28 de novembro de 1958, determina (grifos nossos): Art 17. Os residentes eu domiciliados no Brasil que se retirarem em caráter definitivo do território nacional no correr de um exercício financeiro, além do impôsto calculado na declaração correspondente aos rendimentos do ano civil imediatamente anterior, ficam sujeitos à apresentação imediata da nova declaração dos rendimentos do período de 1 de janeiro até a data em que fór requerida às repartições do impôsto de renda a (-\\' 11 certidão para visto no passaporte, ficando, ainda, obrigados ao pagamento, no ato da entrega dessa declaração, do impôsto que nela fôr apurado. [....7 A legislação acima mencionada encontra-se compilada na Instrução Noimativa n2 2, de 7 de janeiro de 1993, vigente à época do fato gerador. Feitas essas digressões iniciais, retorna-se ao caso em concreto. Quando decidiu, confoime alegado, sair do país em caráter definitivo, deveria o contribuinte ter apresentado declaração de rendimentos abrangendo o período de 1 2 de janeiro até a data da transferência de residência para o exterior (art. 53 da Instrução Normativa n2 2, de 1993). Não manifestando sua intenção de se ausentar do país em caráter definitivo, "os rendimentos recebidos de fontes no exterior serão tributados no Brasil, sob a forma de recolhimento mensal, enquanto o beneficiário estiver submetido ao regime de residente ou domiciliado no País" (art. 27, inciso I, da Instrução Normativa n 2 2, de 1993). Dessa fauna, nos termos da legislação vigente, não havendo o contribuinte manifestado expressamente sua intenção de saída definitiva do país, para que fosse considerado não-residente era necessário que se ausentasse do país por mais de doze meses (art. 97, alínea "b", do Decreto-Lei n2 5.844, 1943). No que se refere à alegação de que no art. 2 2 da Instrução Normativa n2 208, de 27 de setembro de 2002, não constar que "a apresentação de declaração de ajuste com endereço no Brasil seja uma das situações para se caracterizar o contribuinte como residente no país", além de tratar-se de norma superveniente ao fato gerador, importa destacar que o inciso V do mesmo artigo dispõe literalmente que considera-se residente no Brasil, a pessoa fisica "que se ausente do Brasil em caráter temporário ou se retire em caráter permanente do território nacional sem entregar a Declaração de Saída Definitiva do País, durante os primeiros doze meses consecutivos de ausência." Verifica-se que o contribuinte entregou, tempestivamente, as declarações de ajuste anuais relativas aos anos-calendário 1996 a 1998 (fls. 65 a 80 — volume I), ratificando sua condição de residente e, por conseguinte, os rendimentos recebidos do exterior deveriam também ter sido incluídos na base de cálculo anual, uma vez que, de acordo com o art. 3 2, §42, da Lei n2 7.713, de 22 de dezembro de 1988, "A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título". Ressalte-se que não existem provas nos autos de que o contribuinte tenha perdido a condição de residente no Brasil, ao contrario, nos comprovantes de rendimentos recebidos de fonte situadas no Japão está consignado "Comprovantes de Pagamentos de Remuneração sobre Atividades de Prestação de Serviço Humanos a Não-Residentes e outros" (fl. 214 e 215 — volume I) e "Comprovante de Pagamento de Rendimentos Pelas Atividades Remuneradas de Trabalho Pessoal aos Não Residentes no Japão, ano-base:1995" (fls. 261 e 262 — volume I). Os contratos de trabalhos apresentados pelo recorrente, por si só, não são suficientes para comprovar a transferência de sua residência em caráter permanente do Brasil. Destarte, há que se considerar o contribuinte como residente no Brasil.,., 12 Processo n° 10830.004433/2001-12 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.442 Fl. 7 2 Acréscimo patrimonial a descoberto Definida a condição de residente no país, resta agora analisar se os rendimentos recebidos no exterior foram tributados de acordo com o disposto no Decreto ri - 61.899, de 14 de dezembro de 1967, que promulgou a convenção para evitar a dupla tributação firmado entre o Brasil e o Japão. Faz oportuno transcrever o- art. 14 do Decreto nu 61.899, de 1967: Artigo 14 I) Com a ressalva do disposto nos Artigos 18, 19 e 20, os salários, ordenados e outras remunerações semelhantes que uma pessoa residente num Estado Contratante receber como empregado serão isentas do impósto no outro Estado Contratante, a não ser que o emprêgo seja exercido nesse outro Estado Contratante. Se o emprego fôr ai exercido, as remunerações correspondentes serão tributáveis nesse outro Estado Contratante. 2) Não obstante o disposto no parágrafo (1) as importâncias recebidas por uma pessoa residente num Estado Contratante a título de remuneração de um emprêgo exercido no outro Estado Contratante serão isentas do impôsto nesse outro Estado Contratante se: a) o beneficiário permanecer nesse outro Estado Contratante durante um período ou períodos que, no ano fiscal e causa, não exceda um total de 183 dias; - b) a remuneração fôr paga por um empregador ou em nome de um empregador que seja residente nesse outro Estado Contratante; c) o encargo da remuneração não fôr suportado por um estabelecimento permanente ou por uma instalação fixa que o empregador possuir nesse outro Estado Contratante. . Depreende-se, assim, que se o emprego é exercido no estado de residência do empregado, o rendimento será isento no outro estado contratante; se o emprego for exercido no outro estado contratante, os rendimentos serão também tributados nesse outro estado, exceto quanto forem atendidos os três requisitos previsto no art. 14, §2, do Decreto ri' 61.899, de 1967. O art. 15 do Decreto n' 61.899, de 1967, mencionado pelo recorrente, dispõe ainda: Artigo 15 Não obstante o disposto nos artigos 13 e 14, os rendimentos obtidos pelos participantes em diversões públicas, tais como artista de teatro, cinema, rádio ou televisão, e músicos, bem r\on,..como por atletas, provenientes das suas atividades profissionais, 13 exercidas nessa qualidade, serão tributáveis no Estado Contratante em que as referidas atividades forem exercidas. Pode-se concluir que os rendimentos recebidos pelos atletas serão sempre tributados no estado contratante em que as atividades profissionais forem realizadas, independentemente do disposto nos arts. 13 e 14 do mesmo decreto, não se podendo afirmar com isso que não seriam tributados no outro estado. .. Exemplificando, se o contribuinte for residente no Brasil e auferir rendimentos de fonte no Japão estes serão tributados no Brasil e no Japão, perinitindo-se a compensação do imposto pago no Japão com o imposto apurado no Brasil, nos limites estabelecidos no art. 22 do Decreto n." 61.899, de 1967: Artigo 22 1) Quando um residente no Brasil receber rendimentos que, de acórdo com o disposto nesta Convenção, sejam tributáveis no Japão, o Brasil considerará como dedução do impôsto de renda daquela pessoa, um montante igual ao impâsto de renda pago no Japão. A dedução, entretanto, não excederá a parte do impásto de renda calculado antes de feita a dedução e que seja apropriada a renda tributável no Japão. [..1 Apenas se o contribuinte for residente no Japão é que os rendimentos auferidos naquele pais não serão tributados no Brasil. O entendimento acima esposado vai ao encontro do Parecer Noimativo COSIT n." 3, de 1995, e dos precedentes administrativos transcritos pelo interessado. Como o recorrente manteve sua condição de residente no Brasil, os rendimentos auferidos no Japão eram tributáveis e deveriam ter sido oferecidos à tributação, nos termos da legislação vigente e em consonância com a Convenção Internacional firmada entre os dois países. O lançamento de acréscimo patrimonial a descoberto está fundamentado nos arts. 2' e 3' da Lei n' 7.713, de 22 de dezembro de 1988, a seguir transcrito (grifos nossos): Art. 2' O imposto de renda das pessoas físicas será devido, mensalmente, à medida em que os rendimentos e ganhos de capital forem percebidos. Art. 3 O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9 4 a 14 desta Lei. sç 1' Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidas em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. f.1 § 42 - A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou , 14 Processo n° 10830.004433/2001-12 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.442 Fl. 8 nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o beneficio do contribuinte por qualquer forma e a qualquer titulo. Trata-se de uma presunção legal do tipo juris tantum (relativa), pois, demonstrada pelo fisco a existência de acréscimos patrimoniais a descoberto presume-se a ocorrência de omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte justificar a origem de tais acréscimos com rendimentos já tributados, isentos, não tributáveis ou de tributação exclusiva. Permanecendo injustificados tais acréscimos, prevalece a presunção relativa de que provêem de fonte ou atividade não declaradas, com o objetivo de subtraí-las à tributação devida. Como já demonstrado, os rendimentos auferidos no Japão eram tributáveis no Brasil e, portanto, para que pudessem ser considerados como origem para justificar o acréscimo patrimonial a descoberto era necessário que o contribuinte os tivesse declarado e tributado, nos termos da legislação vigente, o que não ocorreu. Sem que se entre no mérito na diferença entre os exercícios fiscais dos dois países, a compensação do imposto pago no Japão com o imposto decorrente do acréscimo patrimonial a descoberto apurado de ofício também se mostra indevida, uma vez que os rendimentos correspondentes não foram tributados. Somente se o lançamento tratasse de omissão de rendimentos recebidos do Japão é que poderia ser pleiteada a compensação do imposto apurado com o imposto pago naquele país. Destarte, mantém-se integralmente o acréscimo patrimonial a descoberto apurado pela fiscalização. 3 Ganho de capital Insurgindo-se contra à omissão de ganho de capital o contribuinte questiona os seguintes pontos; (i) os bens por ele adquiridos, antes de 31/12/1991, foram avaliados pelo valor de mercado; (ii) a apuração do ganho de capital deveria ter sido feita com base na UFIR; (iii) deve ser aplicado o percentual fixo de fedução sobre o ganho de capital apurado, segundo o ano de aquisição do bem, em relação aos imóveis adquiridos antes de 31/12/1988; e (iv) falta de motivação do lançamento, pois o demonstrativo dos cálculos do ganho de capital não faz parte do Auto de Infração. Em análise do argüido, importa fazer uma breve retrospectiva da legislação sobre o assunto. Até a edição da Lei ri g. 8.383, 30 de dezembro de 1991 a correção do custo de aquisição de bens ou direitos de qualquer natureza, na apuração do ganho de capital, alienados a partir de 30/07/91, fazia-se com base somente na "Tabela de Coeficientes" anexa ao Ato Declaratório CST n°76, de 02 de setembro de 1991. O caput do art. 96 da Lei ri' 8.383, de 1991 determinou que, no exercício financeiro de 1992, os bens seriam declarados pelo valor de mercado no dia 31/12/1991 e convertidos em quantidade de UFIR pelo valor desta no mês de janeiro de 1992. O §1' desse artigo, estipulou, expressamente, que a diferença entre o valor de mercado dos bens, informado na declaração apresentada nos termos do caput, e os valores constantes de declarações anteriores, seria considerada rendimento isento. Essa isenção não alcança "os bens adquinkl s 15 até 31 de dezembro de 1990, não relacionados na declaração de bens relativa ao exercício de 1991" (art. 96, §8", alínea "b"). A Portaria MEFP n". 327, de 22 de abril de 1992, concedeu aos contribuintes a faculdade de retificar o valor de mercado dos bens declarados em UFIR e coibiu a instauração de procedimentos fiscais tendo como objeto estes valores, em prazo fixado até o dia 15/08/1992 (alterado para 17/08/92, pelo BC ri" 117/92). Após essa data, a retificação dos valores fonnalizados pelo interessado como valor de mercado, para aqueles bens e direitos por ele mesmo avaliados, só passou a ser possível por intermédio de documentação que comprovasse ter efetivamente havido erro e antes de iniciado o processo de lançamento de oficio. Disciplinando o assunto, conforme expressamente autorizado pelo art. 96, §10, da Lei ri" 8.38, de 1991, foi editada a Instrução ri" 39, em 30 de março de 1993, a qual expôs claramente os limites traçados da isenção concedida pela referida lei. Vejam-se os teores dos arts. 7', 8' e 9, desta norma complementar (grifos nossos): Bens ou direitos adquiridos até 31/12/91 Art. 7' Considera-se custo de aquisição dos bens ou direitos, adquiridos até 31 de dezembro de 1991, o valor de mercado em quantidade de UFIR constante da declaração relativa ao exercício de 1992, apresentada tempestivamente, ressalvado o disposto nos arts. 8' e 9'. [..1 §2 Nos casos de dispensa da apresentação relativa ao exercício 1992, ano-base 1991, considera-se custo de aquisição: a) o valor de mercado do bem ou direito em geral, em 31/12/91, convertido em UFIR, utilizando-se para este fim, o valor desta no mês de janeiro de 1992 (Cr$ 597,06); Li..' Art. 8' A pessoa física obrigada à apresentação da declaração de rendimentos relativa ao exercício de 1992, ano-base de 1991, que não avaliou os bens e direitos a preço de mercado em 31/12/91, deverá efetuar a correção do custo de aquisição até essa data, aplicando os índices da tabela constante do Ato Declaratório CST ng- 76/91. Parágrafo único. O valor assim encontrado, em 31/12/91, deverá ser convertido em quantidade de UFIR, pelo valor desta no mês de janeiro de 1992 (Cr$ 597,06). * Art. 9° A pessoa física que, na declaração de rendimentos relativa ao exercício de 1992, ano-base de 1991, avaliou pelo valor de mercado bens adquiridos até 31/12/91, não relacionados na declaração de bens relativa ao exercício de 1991, ano-base 1990, a cuja apresentação se encontrava •obrigada, deverá considerar custo de aquisição o valor original do bem ou direito alienado, corrigido pelos índices da tabela constante do Ato Declarató rio CST n" 76/91. , 16 Processo n° 10830.004433/2001-12 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.442 Fl. 9 Parágrafo único. O valor assim encontrado, em 31/12/91, deverá ser convertido em quantidade de UFIR, pelo valor desta no mês de janeiro de 1992 (Cr$ 597,06). Como se trata de uma isenção condicional, é necessário que o contribuinte comprove que atendeu os requisitos previstos na legislação para que possa avaliar os bens adquiridos antes de 31/12/1991 pelo valor de mercado, o que não ocorreu no caso em análise. O recorrente limitou-se a alegar que avaliou os bens pelo valor de mercado em 31/12/1991 (item i), sem, contudo, anexar qualquer documentação comprobatória. Assim, não havendo provas de que o contribuinte teria cumprido os requisitos para avaliar os bens pelo valor de mercado, resta apenas a possibilidade de corrigir o custo de aquisição até 31/12/1991, aplicando os índices da tabela constante do Ato Declaratório CST 76, de 1991. Com relação aos bens adquiridos a partir de 01/01/1992, cabe transcrever o art. 96, §4', da Lei n°8.383, de 1991: § 4' Todos e quaisquer bens e direitos adquiridos, a partir de 1' de janeiro de 1992, serão informados, nas declarações de bens de exercícios posteriores, pelos respectivos valores em Ufir, convertidos com base no valor desta no mês de aquisição. A partir do ano-calendário 1995, "os valores dos bens e direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1994, declarados em Ufir, serão reconvertidos para Reais, para efeito de preenchimento da declaração de bens e direitos" (art. 24, parágrafo único, da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995). Por sua vez, o custo de aquisição passou ser corrigido, conforme disposto no art. 22 da Lei n°8.981, de 1995: Art. 22. Na apuração dos ganhos de capital na alienação de bens e direitos será considerado como custo de aquisição: I - no caso de bens e direitos adquiridos até 31 de dezembro de 1994, o valor em Ufir, apurado na forma da legislação então vigente; II - no caso de bens e direitos adquiridos a partir de 1° de janeiro de 1995, o valor pago convertido em Ufir com base no valor desta fixado para o trimestre de aquisição ou de cada pagamento, quando se tratar de pagamento parcelado. Parágrafo único. O custo de aquisição em Ufir será reconvertido para Reais coin base no valor da Ufir vigente no trimestre em que ocorrer a alienação. Posteriormente, veio a ser editada a Lei d- 9.249, de 26 de dezembro de 1995, que limitou a correção do custo de aquisição até 31/12/1995, conforme disposto em seu art. 17: Art. 17. Para os fins de apuração do ganho de capital, as pessoas físicas e as pessoas jurídicas não tributadas com base no lucro real observarão os seguintes procedimentos: - tratando-se de bens e direitos cuja aquisição tenha ocorrido até o final de 1995, o custo de aquisição poderá ser corrigido monetariamente até 31 de dezembro desse ano, tomando-se por 17 base o valor da UFIR vigente em 1' de janeiro de 1996, não se lhe aplicando qualquer correção monetária a partir dessa data; II - tratando-se de bens e direitos adquiridos após 31 de dezembro de 1995, ao custo de aquisição dos bens e direitos não será atribuída qualquer correção monetária. Diante da legislação acima transcrita, resta demonstrado que o valor dos bens constante da declaração de bens passou a ser informado em moeda corrente a partir do ano- calendário 1995, e que o custo de aquisição foi corrigido pela UFIR até 31/12/1995 (item ii). Quanto ao percentual de redução do ganho de capital, referente aos bens adquiridos até 31/12/1988, de fato, de acordo com o art. 18 da Lei n' 7.713, de 1988, no caso de alienação de bens imóveis, como adiante se demonstrará, a fiscalização aplicou o referido percentual (item iii). Por fim, quanto à alegada falia de motivação do ato pela ausência do demonstrativo de cálculo do ganho de capital (item iv), observa-se que os referidos demonstrativos encontram-se anexados às fls. 105, 114, 117, 118 e 123 a 126 — volume I. Conforme consignado no Termo de Verificação Fiscal, o custo de aquisição foi corrigido adotando-se os índices da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, anexa à Instrução Normativa n-' 48, de 1998, que consolida todas as correções permitidas até 31.12.1995, a qual se encontra disponível no site da Receita Federal no endereço http ://www.receita. faz enda. go v.br/Legislacao/ins/Ant2001/1998/in04898ane . htm (acessado em 18/02/2010). Partindo-se dos valores de aquisição, constantes do Termo de Verificação Fiscal (fls. 13 e 14 — volume I), verifica-se que estes foram adequadamente corrigidos pela fiscalização e indicados nos demonstrativos anexados às fls. 105, 114, 117, 118 e 123 a 126 — volume I, conforme a seguir demonstradol: ! ,,! AquisiçãoImóvel i lndice de! Valor ! Demonstrativo ! Mês Valor 1 Correção corrigido (folha); j , , (em reais): ' Lote 7 e 8 — Loteamento Nova Fev/1994 Cr$25.000.000,00 ! 315,33731 79.280,191 105, Campinas ... .1 ' , . Prédio Av Francisco José de Dez/1990 Cr$5.000.000,00 ! 126,9078 1 39.398,68 1 114 Carmaro Andrade I , ; , Apto. 32 e 42 — Edificio Nov/1983 Cr$625.000,00 ' 578,2024 ` 1.080,94 1 117 e 118 Robson Jan11986 Cr$84.776.796,00 7154,219; 11.849.90 :. _„,i 1 12.930,84 1 . , Apto. 12, 52 e 62— Edificio Nov/1983 Cr$937.500,00 578,2024 : 1.621,40 1 123 e 124 Robson 1 Jan/1986 Cr$127015194 7154,219 1 17.753,89 1 1 19.396,29 ; , Apto. 22 — Edifício Robson Nov/1983 Cr$312.500,00 578,2024 ` 540,47 ; 125e 126 * Jan/1986 Cr$42.338.398,00 7154,219 15.917,96 ! 1 6.465,43 No que se refere ao percentual de redução, a ser aplicado aos bens imóveis adquiridos antes de 31.12.1988, há que se fazer uma correção nos valores considerados pela fiscalização. Explica-se. í,4 'Existe uma pequena diferença de centavos nos valores c nstantes dos Demosntrativos de Apuração de Ganho de Capital devido ao arredondamento no cálculo dos valores. 18 * Processo n° 10830.004433/2001-12 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.442 Fl. 10 O art. 21 da Instrução Nolinativa d. 48, de 1998, dispõe in verbis (grifos nossos): Art. 21. Na alienação de imóvel adquirido até 31 de dezembro de 1988, poderá ser aplicado urk percentual fixo de redução sobre o ganho de capital, determinado em função do ano de aquisição ou incorporação do imóvel, de acordo com a seguinte tabela: [..1 § 1 2 Na alienação de imóvel constituído por terreno adquirido até 31 de dezembro de 1988 e de edificação, ampliação ou reforma iniciada até essa data, ainda que concluída em ano posterior, informada na declaração de bens e direitos, o percentual de redução será determinado em função do ano de aquisição do terreno e aplicado sobre todo o ganho de capital. 3S' 2' Na alienação em conjunto, de imóvel constituído de partes adquiridas em datas diferentes, a redução aplicar-se-á à parcela do ganho de capital que corresponder a cada parcela adquirida até 31 de dezembro de 1988. 3" Na alienação de imóvel adquirido até 31 de dezembro de 1988, contendo construção, ampliação ou reforma iniciada após essa data, o percentual de redução aplica-se apenas à parcela do ganho de capital que corresponder ao terreno e às edificações existentes em 31 de dezembro de 1988. 11.1 Assim, em relação aos apartamentos do Edificio Robson, os quais, segundo consta do Termo de Verificação FIscal, foram adquiridos em duas etapas: primeiro a fração ideal do terreno e depois a unidade autônoma, cabe aplicar o percentual do ano de aquisição do terreno, no caso 1983, ou seja 30%, sobre todo o ganho de capital apurado. Destarte, há que se reduzir o ganho de capital, conforme abaixo demonstrado: Ganho de Capital.• I: Data da 1-1 Demonstrativo 1 Apartamentos Apurado - I , alienação Redução Redução I Valor a ser (folha) apurada devida (30°/.21 j excluído 32 e 42 1Ju1/1997 79.069,18 ! 12.849,52 23.720,75 10.871,23 117e 118 I 12, 52 e 62 !Nov/1998 1 43.603,71 I 7.086,04 13.081,11! 5.995,07 123 e 124 22 INov/1998 1 14.534,59 1 2.362,00 1 4.360,381 1.998,38 ! 125 e 126 4 Conclusão Diante do exposto, voto DAR provimento PARCIAL ao recurso para reduzir do ganho de capital apurado nos meses de julho de 1997 e novembro de 1998 os montantes de R$10.871,23 e R$7.993,45, respectivamente. 11.1ucu-Ln ce-q Maria L c . a Moniz de Ara ao Ca ino Astorga 19 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2 CAMARA/2' SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n°: 10830.004433/2001-12 Recurso n°: 164.464 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 30 do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n° 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n° 2202 -00.442.'' Brasília/DF, 7. • JdN 2Gié' 1 EVELINE COÊLHO DE MELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: -Procurador(a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 10935.001846/2004-10
Data da sessão: Thu May 20 00:00:00 UTC 2010
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das
Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002
SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. VEDAÇÃO.
A intermediação de negócios financeiros (financiamentos e consórcios),
mediante recebimento de comissões, caracteriza o exercício de atividade de
corretor ou assemelhada à de corretor, razão pela qual a pessoa jurídica fica
impedida de optar pelo Simples
Numero da decisão: 1401-000.244
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado
Matéria: Simples- proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Fernando Luiz Gomes de Mattos
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ementa_s : Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. VEDAÇÃO. A intermediação de negócios financeiros (financiamentos e consórcios), mediante recebimento de comissões, caracteriza o exercício de atividade de corretor ou assemelhada à de corretor, razão pela qual a pessoa jurídica fica impedida de optar pelo Simples
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-09-02T11:56:26Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-09-02T11:56:25Z; Last-Modified: 2010-09-02T11:56:26Z; dcterms:modified: 2010-09-02T11:56:26Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:230e5a9c-d2be-4922-83d9-de6a2a72c365; Last-Save-Date: 2010-09-02T11:56:26Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-09-02T11:56:26Z; meta:save-date: 2010-09-02T11:56:26Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-09-02T11:56:26Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-09-02T11:56:25Z; created: 2010-09-02T11:56:25Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; Creation-Date: 2010-09-02T11:56:25Z; pdf:charsPerPage: 1297; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-09-02T11:56:25Z | Conteúdo => SI-C4T1 Fl. 1 .04 tk: MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10935,001846/2004-10 Recurso n" 340.638 Voluntário Acórdão n° 1401-00244 — 4" Câmara / 1 0 Turma Ordinária Sessão de 20 de maio de 2010 Matéria SIMPLES Recorrente AQUISIVEL VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2002 SIMPLES. INTERMEDIAÇÃO DE NEGÓCIOS. VEDAÇÃO. A intermediação de negócios financeiros (financiamentos e consórcios), mediante recebimento de comissões, caracteriza o exercício de atividade de corretor ou assemelhada à de corretor, razão pela qual a pessoa jurídica fica impedida de optar pelo Simples Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. daNtialit Viviane Vidal Wagner - Presidente j.,boVat , o, dit Femando Luiz omesl.e Mattos - Relatar EDITADO EM: 09/07/2010 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Viviane Vidal Wagner, Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antonio Ananim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro e Sandra Maria Dias Nunes. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto parcialmente o relatório constante do Acórdão reconido: A contribuinte acima qualificada, mediante Ato Decláratório Executivo N" 024, de 03/07/2004, de emissão do Delegado da Receita Federal em (ascavel-PR, tendo por fundamentação a Representação Para Fins de Exclusão do Simples datada de 03/06/2004, foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), com efeitos a partir de 01/01/2002, informando como causa, o exercício de atividade econômica vedada à sistemática, caracterizada por obtenção de receitas de intermediaçâo de negócios, em afronta ao disposto no inciso XIII do artigo 90 combinado com a letra "a" do inciso lido artigo 13 e artigo 14, da Lei n° 9317, de 1996 (f1,35). Cientificada do ato de exclusão (15/06/2004), a reclamante apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 39/44 onde solicita a revisão de sua exclusão ao Simples, posto que, embora um percentual sobre o financiamento dos veículos que vende retorne para si, isso não a caracteriza como representante comercial, já que seu objetivo social é a comercialização de veículos, Prossegue transcrevendo parte da legislação que rege a representação comercial para, mais uma vez, tentar descaracterizar sua exclusão à sistemática, Invoca o conteúdo do artigo 179 da Constituição Federal e sustenta que a lei do Simples estabelece como critério de seleção, apenas a receita bruta anual dos contribuintes. Afirma que os critérios de ordem subjetiva, relacionados à atividade, natureza das operações, distribuição do capital ou composição societária, previstas no artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996, não alcançam sua atividade que é de comercialização de veículos. Ao final, pede o cancelamento do ato declara tório e sua conseqüente permanência no Simples, A DIU Curitiba indeferiu a solicitação da contribuinte, por meio do Acórdão n.° 06-15,623 — 2' Turma (fls. 54-58), do qual transcrevo o seguinte trecho: A autoridade fiscal apurou, por meio dos documentos de fl.s. 04 a 34, que o sujeito passivo anferiu rendimentos decorrentes de comissões na intermediação de negócios envolvendo .financiamento de veículos (fl. 08, 18 e 31), além de auferir comissões sobre vendas de consórcio, fato confirmado pelo Consórcio Nacional Panamericano Ltda., à!! 25. Assim, têm-se como correto que a pessoa jurídica exerce a intermediação de negócios, assemelhando-se, portanto, a corretor ou representante comercial. Tal intermediação é fruto de um pacto que ocorre entre o contribuinte, a empresa contratante do serviço e a pessoa que for indicada. Deste acordo, certamente que a reclamante usufruirá algum benficio monetário, ou então, sua existência não teria razão de ser Esse valor quer chamemos de corretagem, taxa, prêmio de indicação, 2 Processo n° 109.35 001846/2004-10 S1-C4T1 Acó g clilo n' 140/-00,244 Fl. 2 assessoria de negócios ou outra designação qualquer, constitui a receita do interessado e decorre do exercício da atividade da empresa. Assim, quer o requerente atue como corretol; empresário ou qualquer outra atividade assemelhada, sua atividade por encerrar essa característica de meação, é vedada ao Simples A interessada foi cientificada desse Acórdão em 15/10/2007 (fls. 57), Irresignada, interpôs Recurso Voluntário em 14/11/2007 (fls. 60-75), argumentando basicamente que: a) embora um percentual dos financiamentos realizados por seus clientes retorne à ora Recorrente, a mesma não pode ser considerada representante comercial, pois seu objeto social é a comercialização de veículos e não o seu financiamento (cláusula 5' da Sétima Alteração Contratual); b) a atividade de intermediação de negócios realizada pela ora Recorrente não se enquadra na atividade de representante comercial autônomo, regulada pela Lei n° 4.886/65; c) a analogia não pode ser utilizada para instituir ou aumentar a capacidade de arrecadação do Estado, conforme restou decidido nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.04.01,057020/SC; d) a intermediação de financiamento é uma prática natural e necessária à atividade empresarial da Recorrente. Ao contrário, colocar-se-ia em clara situação de desvantagem face à concorrência, que pratica a venda de veículos automotores de forma financiada; e) seria arbitrário impedir que os consumidores realizassem financiamentos para aquisição de veículos e também seria arbitrário exigir da Recorrente que esta impedisse os consumidores de realizar financiamentos para aquisição dos veículos comercializados; f) os retornos de financiamentos recebidos pela Recorrente não configuram verbas decorrentes de representação comercial, Embora prestadas por instituições financeiras, tais verbas nãopossuem a natureza jurídica de comissões decorrentes de representação comercial; g) a Lei n° 4,886/95 estabelece que somente será devida remuneração como intermediador de negócios comerciais a representante comercial devidamente registrado, o que mais uma demonstra que a Recorrente não realiza atividade de representação comercial; h) em casos análogos ao da Recorrente, existem diversas decisões, da Receita Federal e deste Conselho, reconhecendo a possibilidade de enquadramento no Simples (v. fls, 70); i) para que haver exclusão do Simples, é necessário que haja proporcionalidade no ato administrativo de exclusão, Analisando-se o caso concreto, vê-se que o objetivo da Recorrente é vender veículos \ I 3 automotores, O financiamento dos veículos é apenas um meio de se realizar as vendas; j) milita em favor da Recorrente o princípio da garantia do exercício da atividade econômica, conforme já decidiu o TRF 1° Região (transcreve ementa da decisão às. lis, 72-73). É o sucinto relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Relator Trata o presente processo de exclusão do Simples, em razão do exercício de atividade econômica vedada, caracterizada pela obtenção de receitas de intermediaçâo de negócios (financiamentos e consórcios), em afronta ao disposto no inciso XIII do artigo 90 combinado com a letra "a" do inciso II do artigo 13 e artigo 14, da Lei n° 9317, de 1996. Para maior clareza, transcrevo o inteiro teor do inciso XIII do artigo 9 0 da Lei n° 9,317/96, devidamente grifado: Art. 90 Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica; XIII - que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; A interessada reconhece, expressamente, que um percentual dos financiamentos e consórcios realizados por seus clientes retorna à ora Recorrente. Diante desse fato, é forçoso reconhecer que a pessoa jurídica CM apreço efetivamente exerce atividade assemelhada à de corretor, na medida em que realiza, de maneira contínua e permanente, a intermediação de negócios em favor de terceiros, recebendo uma participação ou porcentagem sobre o valor dos negócios por ela inter mediados. Sobre o contrato de corretagem, dispõe o artigo 722 do Código Civil Brasileiro: Art 722 - Pelo contrato de corretagem, uma pessoa, não ligada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obriga-se a obter para a segunda um ou mais negócios, conforme as instruções recebidas. Sobre este tema, colhe-se o seguinte ensinamento do eminente Professor Carlos Roberto Gonçalves (in Direito Civil Brasileiro, vol. III, gifado): 4 ir Processo n° 10935.001846/2004-10 S1-C4T1 Acórdão n ° 1401-00.244 F1 3 Contrato de corretagem é aquele pelo qual uma pessoa não vinculada a outra em virtude de mandato, de prestação de serviços ou por qualquer relação de dependência, obriga-se, mediante remuneração, a intermediar negócios para o segundo, conforme instruções recebidas, fornecendo a este todas as informações necessárias para que possam ser celebrados exitosamente Denomina-se comitente o que contrata a intermediação do corretor A obrigação assumida é de resultado. Somente fará jus a comissão se haver resultado útil, se a aproximação entre comitente e terceiro resultar na efetivação do negócio Os corretores podem ser livres ou oficiais. Os primeiros, são pessoas que, sem nomeação oficial, exerceu: com ou sem exclusividade, a atividade de intermediação de negócios, em caráter continuo e permanente. Os corretores oficiais são os de valores públicos, de mercadorias, de navios, de seguros e de operações de câmbio, que tem sua profissão legalmente disciplinada e é investido em cargo público, cujos atos por esta razão gozam de fé pública, estando sujeitos a requisitos especiais para exercê-lo. Portanto, o contrato de corretagem é contrato pelo qual uma pessoa, sem que haja contrato de mandato, compromete-se a uma obrigação de fazer: de obter um ou mais negócios, para outra pessoa, conforme as instruções passadas anteriormente, mediante o pagamento de uma remuneração. Outra característica importante do contrato de corretagem é que a mediação sempre tem caráter acessório, posto que a sua existência está atrelada a um outro contrato, o qual deverá ser concluído. No presente caso, o contrato principal, ao qual eventualmente se atrela um contrato de corretagem de financiamento ou consórcio, será sempre um contrato de compra e venda de veículo automotor. Interessante analisar algumas características do contrato de corretagem, para melhor compreensão da matéria. O contrato de corretagem será sempre oneroso, posto que no adimplemento do contrato de mediação haverá ônus, vantagem e beneficio patrimonial a ambos os contraentes, assistindo ao corretor direito ao recebimento de remuneração, geralmente variável„ No presente caso, a própria interessada confirma o recebimento de comissões por intermediação de financiamentos e consórcios, ao afirmar que um percentual do valor dos financiamentos (e consórcios) realizados por seus clientes retorna à ora Recorrente O contrato de corretagem também é um contrato aleatório, pelo fato de que o direito do corretor e a obrigação do comitente dependerão sempre da conclusão do negócio principal, ou seja, dependerão de um fato futuro e incerto. No caso presente, os dados constantes do autos demonstram que a Recorrente somente faz jus à sua comissão (percentual) em relação aos contratos de financiamento e 5 .--.4,r consórcio efetivamente concretizados por seus clientes junto às instituições financeiras (comitente), Por fim, o contrato de corretagem é consensual, aperfeiçoando-se por meio do consenso mútuo, independente de fbrma. Em outras palavras , o novo Código, seguindo a posição jurisprudencial previamente existente, não exigiu nenhuma forma legal para caracterização do contrato de corretagem. No caso presente, não se tem notícia sobre a existência de contratos formais entre o Recorrente (corretor) e as instituições financeiras (comitentes). Tal fato, porém, não descaracteriza a existência do contrato de corretagem, nos termos do vigente Código Civil, Por todo o exposto, é forçoso reconhecer que a Recorrente efetivamente exerce atividade de corretor (ou assemelhada à de corretor), razão pela qual não pode optar pelo Simples, cru face da vedação expressa contida no inciso XIII do artigo 9' da Lei n° 9.317/96. Diante das clareza dos fatos até aqui expostos, torna-se quase desnecessário se aprofundar na análise das razões de defesa apresentadas pela Recorrente. Não obstante este fato, passo a apreciar cada uma de suas alegações. A Recorrente afirmou que não pode ser considerada representante comercial, pois seu objeto social é a comercialização de veículos e não o seu financiamento. Afirmou, outrossim, que a atividade de intermediação de negócios que realiza não se enquadra na atividade de representante comercial autônomo, regulada pela Lei n° 4.886/65, Ora, em momento algum se sustentou que a Recorrente exerceria a atividade de representante comercial. O que se afirmou, sim, foi que a Recorrente exerce a atividade de corretor (ou assemelhada à de corretor), razão pela qual efetivamente não pode optar pelo Simples, A Recorrente também afirmou que a analogia não pode ser utilizada para instituir ou aumentar a capacidade de arrecadação do Estado, conforme restou decidido nos autos do Mandado de Segurança n° 2002.04.01,057020/SC. Ab initio, esclareça-se que no presente caso não está fazendo uso de nenhuma espécie de analogia. Simplesmente se está aplicando a literalidade do inciso XIII do artigo 9' da Lei n° 9,317/96, que veda a opção pelo Simples por parte das pessoas jurídicas que exercem atividades de corretor ou assemelhadas. Prosseguindo em sua defesa, a Recorrente afirmou que a intennediação de financiamento é uma prática natural e necessária à sua atividade empresarial. Ao contrário, colocar-se-ia em clara situação de desvantagem face à concorrência, que pratica a venda de veículos automotores de forma financiada. Afirmou, outrossim, seria arbitrário impedir que os consumidores realizassem financiamentos para aquisição de veículos e também seria arbitrário exigir da Recorrente que esta impedisse os consumidores de realizar financiamentos para aquisição dos veículos comercializados; Sobre este tema, cumpre esclarecer que em nenhum momento se negou à Recorrente o direito de continuar exercendo a intermediação de financiamentos e consórcios. Apenas se afirmou, com fundamento na Lei ri° 9.317/96, que enquanto a Recorrente continuar exercendo esta atividade (intermediação de financiamentos e consórcios, com recebimento de comissões), não poderá optar pelo Simples, devendo se submeter às regras normais de tributação, à qual se sujeitam todas as pessoas jurídicas estabelecidas no país, 6 Processo n" 10935 001846/2004-10 SI-CM Acórdão n.* 1401-00.244 Fl 4 Acrescente-se, por oportuno, que todas as pessoas jurídicas que exercem as mesmas atividades da Recorrente — venda de veículos e intermediação onerosa de .financiamentos e consórcios — estão igualmente impedidas de optar pelo Simples, razão pela qual a Recorrente não sofrerá nenhum prejuízo no exercício de suas atividades. Em sua peça recursal, a interessada alegou, ainda, que os retornos de financiamentos e consórcios recebidos pela Recorrente não configuram verbas decorrentes de representação comercial. Embora prestadas por instituições financeiras, tais verbas não possuem a natureza jurídica de comissões decorrentes de representação comercial. Conforme exaustivamente exposto ao longo do presente voto, resultou claro que os valores recebidos pela Recorrente em razão da intermediação de financiamentos e consórcios, independentemente da denominação que lhes seja atribuída, constituem a justa e devida remuneração pelo exercício da atividade de intermediação de negócios (corretagem), conforme prevê os arts. 722 e seguintes do Código Civil. Não restam dúvidas sobre o fato de que a Recorrente exerce a atividade de corretor (ou, no mínimo, atividade muito assemelhada à de corretor), razão pela qual efetivamente não pde optar pelo Simples, nos força do disposto no inciso XIII do artigo 90 da Lei n° 9.317/96. Por fim, esclareça-se que as diversas alegações da interessada relativas à Lei n" 4,886/95 merecem ser desconsideradas, uma vez que em momento algum se considerou que a Recorrente exerce a atividade de representação comercial, mas sim a atividade de corretor (ou atividade assemelhada à de corretor), Vale dizer que as diversas decisões da Receita Federal colacionadas pela Recorrente (fls. 70), dizem respeito exclusivamente reconhecendo às atividades de venda de veículos sob consignação, estacionamento e lavagem de veículos. Nenhuma dessas decisões se refere à atividade efetivamente exercida pela Recorrente (intennediação onerosa de financiamentos e consórcios), que foi a causa de sua exclusão da sistemática do Simples. Da mesma forma, a decisão do Conselho de Contribuinte colacionada pela Recorente (fls. 70) diz respeito a um caso específico no qual se comprovou que a pessoa jurídica efetivamente não exercia a atividade de representação comercial. No presente caso, não se cogita do exercício da referida atividade, mas sim da atividade de corretor (ou assemelhada à de corretor), que é expressamente impeditiva à opção pelo Simpes. Por fim, alegou a Recorrente que, para que haver exclusão do Simples, é necessário que haja proporcionalidade no ato administrativo de exclusão, Analisando-se o caso concreto, vê-se que o objetivo da Recorrente é vender veículos automotores. O financiamento dos veículos seria apenas um meio de se realizar as vendas. Não assiste razão à Recorrente. O ato administrativo de exclusão do Simples, não representou nenhuma afronta ao princípio da proporcionalidade, ou a qualquer outro princípio constitucional ou infraconstitucional aplicável à espécie. De fato, não restam dúvidas de que o objetivo primordial da Recorrente é comercializar veículos automotores. Por outro lado, também é fato incontroverso — pois 7 expressamente admitido pela Recorrente — que a venda de veículos automotores não é a única fonte de renda da pessoa jurídica em apreço. Uma significativa parcela das receitas da Recorrente decorre, justamente, da atividade de intermediação onerosa de contratos de financiamentos e consórcios, atividade esta que impede a sua opção pelo Simples. Revela-se totalmente desnecessário analisar o percentual das receitas de intermediação de negócios em relação ao total das receitas auferidas pela Recorrente, uma vez que o inciso XIII do artigo 9' da Lei n," 9317/96 impede, taxativamente, a opção pelo Simpes por parte de pessoas jurídicas que exerçam aquelas atividades, independentemente do percentual que representam na receita global das aludidas pessoas jurídicas. Sobre o tema, assim já decidiu, por unanimidade, essa Egrégia Corte: SIMPLES FEDERAL - LEI 9317/96 - ATIVIDADE MISTA - SOLICITAÇÃO DE REVISÃO - INTEMPESTIVIDADE. O exercício de qualquer atividade impeditiva, independentemente da participação percentual das receitas provenientes desta atividade no resultado total da pessoa jurídica, veda a adesão ao sistema. Impossível a revisão do Ato Declaratório de exclusão do Simples Federal que não foi impugnado dentro do pra2o fixado pela legislação (Acórdão 108-09781, julgado em 17/12/2008, Relatora Valéria Cabral Géo Verçoza, unânime). Não obstante este fato, ressalte-se que, no presente caso, as receitas decorrentes das atividades de intermediação de negócios foram bastante significativas, em relação ao resultado total da pessoa jurídica. Levando-se em consideração apenas o ano-calendário de 2002, observa-se que a Recorrente auferiu receitas de intermediações de negócios (comissões) muito significativas, conforme revela o quadro abaixo: Instituição Financeira Valor recebido Doc. — fis. BV Financeira R$ 149.251,54 19 Consórcio Panamericano R$ 1322,50 26 Banco Finasa R$ 16,667,74 34 Total R$ 167.241,80 Por fim, a Recorrente aduziu que milita em seu favor o princípio da garantia do exercício da atividade econômica, conforme já decidiu o TRF 1 0 Região (transcreve ementa da decisão às. fls. 72-73). Ora, conforme já mencionado alhures, em nenhum momento se procura negar à Recorrente o direito de continuar exercendo a atividade de revenda de veículos cumulada com a atividade de intermediação de financiamentos e consórcios. Apenas se afirma, com sólido fundamento na Lei n°9317/96, que enquanto a Recorrente continuar exercendo esta atividade vedada (intermediação de financiamentos, com a N!( Processo n° 10935 001846/2004-10 Sl-C4T1 Acórdão n.° 1401-00.244 El 5 recebimento de comissões), não poderá optar pelo Simples, devendo se submeter às regras normais de tributação, à qual se sujeitam todas as pessoas jurídicas estabelecidas no país. Conclusão Por todos o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso. \ C-1 ,AA.510 • )). walT-1) FERNANDO LUIZ G011yIES DE MATTOS 9 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS - CARF i a SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10935,001846/2004-10 Interessado(a) : AQUISIVEL VEÍCULOS LTDA. TERMO DE JUNTADA 1 a Seção Declaro que juntei aos autos o Acórdão n° 1401-00,244, (fls. ), e certifico que a cópia arquivada neste Conselho confere com o mesmo. Encaminhem-se os presentes autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil Em / / ASSINATURA
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001076/92-57
Data da sessão: Tue Mar 22 00:00:00 UTC 1994
Numero da decisão: 108-00.050
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Adelmo Martins Silva
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PLANI"AMENTO Sessão de 22 março de de 19.94--- ÀCOROÃO Nº _ Recurso nQ: - 106.487 - IRPJ - EXS: DE 1989 e 1990 Recorrente: - USINA PROVEITO S.A. Recorrida: - DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM ARACAJU (SE) R E S O L Q ~ ! º NQ 108-00.050 • Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por USINA PROVEITO S .A.: RESOLVEMos Membros da Oitava Câmara do Primeiro Co selhode Contribuintes, porunan.imidade de votos, CONVERTER o julg menta em diligência, nos termos do voto do Relator. PROCURADOR DA FAZENDA NACIONAL - PRESIDENTE - RELATOR Sala. das Sessões (DF),em 22 de março de 1994 ,-...... Participaram, ainda" o presente julgamento, os seguintes Conselhe' ros: PAULO,IRVIN DE CARVALHO VIANNA, JOSÉ CARLOS PASSUELLO, RENAT GONÇALVES PANTOJA, MÃRIOJUNQUEIRAFRANCO JÚNIOR, SANDRA MARIA DIA NUNES e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. 1 • • • Ministério da Fazenda Primeiro Conselho de Contribuintes Processo nQ 10510/001.076/92-57 RECURSO NQ: 106.487 RESOLUç~O NQ: 108-00.050 RECORRENTE: Usina Proveito S.A. RECORRIDA: DRF em Aracaju - SE RELATóRIO USINA PROVEITO S.A., Ja qualificada nos autos, recorre a este Egrégio Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal em Aracaju, Estado de Sergipe, da qual tomou ciência em 16 de agosto de 1993 . Conforme consta do auto de infração (fls. 5 e 6), durante os períodos-base de 1988 e 1989, teria a contribuinte promovido a saída de produtos dos seus estabelecimentos sem a correspondente emissão de notas fiscais. Teria também deixado de escriturar os livros fiscais Registro de Saídas de Mercadorias e Apuração de ICMS. Além disso, teria escriturado o livro Diário e as fichas de Razão por partidas mensais, sem manter livros ou fichas auxiliares analíticos que individuassem os lançamentos contábeis. Com base nesses acontecimentos, arbitrou-se o lucro tributável para os co rrespondentes exe rcícios de 1989 e 1990. Para 1989, o lucro foi arbitrado em 40% do patrimônio líquido no início do período-base; para 1990, em 48%. Na impugnação, em resumo, argumenta a contribuinte que: a) tem dupla atividade: fornecedora de cana e produtora de~ ílr' Resoluçãon9 108-00.050 açúcar na unidade da Usina Vassouras; b) quando age como produtora de açúcar, emite normalmente as notas fiscais; quando age como fornecedora de cana, a responsabilidade pelo pagamento do rCM, por força de substituição tributária determinada por lei, é da Usina Vassouras, em razão do que procede como determina o artigo 270 do Regulamento do rCM; c) o fiscal autuante não levou em conta serviu de base ao registro da receita que, equivale às notas fiscais que deixaram de ser a documentação que se não subs titui , emitidas; • • d) no período em questão não estava produzindo açúcar; apenas fornecia canas a sua coligada, Usina Vassouras; e toda a receita desse período foi oferecida à tributação do rCM e do rR; e) arbitrar o lucro com base no patrimônio líquido significa tributar a inflação, visto que, como o seu ativo fixo é inferior ao patrimônio líquido, este sofreu grande elevação no período, em face dos altos índices inflacionários. Ao final, pede seja convertido o julgamento em diligência, para exame das duas documentações contábeis: a sua e a da Usina Vassouras. Pede ainda a "instalação de pericia, facul tando à impugnante a indicação de Perito, tudo em conformidade com os favores do art .. 17 do Dec. nQ 70 ..235/72", e a juntada de doc umen tos. "Is to, se de pl ano, Vossa Excel ênci a não der insubsistência ao auto de infração atacado ... lo, conclui . A digna autoridade recorrida julgou procedente o auto de infração. Em essência, argumenta ela na r. decisão que a falta de emissão de notas fiscais pela venda de cana-de-açúcar e seus derivados, a falta de escrituração dos livros Registro de Saídas de Mercadorias e Apuração do rCM e, principalmente, a escrituração do livro Diário por partidas mensais, sem o uso de livros auxiliares analíticos, são irregularidades que justificam plenamente o arbitramento do lucro, como foi feito. No apelo, a recorrente começa por afirmar que todas as receitas do período em questão provêm, invariavelmente, de fornecimentos de cana à Usina Vassouras, como provam os registros fiscais e contábeis daquela sua coligada. '. Comba tendo com veemência o acórdão da 3ª Turma do Tribunal contrário a esse procedimento. 2 arbitramento do lucro, Regional Fede ral da 4ª invoca ~ ~ Regiã01l) • • ••l' ,... • Resolução n9 108-00.050 No tocante à falta de emissão de notas fiscais, assevera que o cumprimento dessa obrigação tributária acessória ficou a cargo da sua coligada, Usina Vassouras, que, a rigor, era contribuinte substituta. Acrescenta ainda que jamais sequer pretendeu lesar a Fazenda Pública; só não emitiu as questionadas notas fiscais por considerar isso legalmente desnecessário, e mesmo inviável, visto que a cana fornecida sai de canaviais bem distantes da sede da empresa, indo diretamente para a usina compradora, onde pesada sob controle da Fiscalização do ICMS . A peça recursal traz também larga argumentação no sentido da inaplicabilidade da TRD, Taxa Referencial Diária, como fator de atualização monetária de créditos tributários. Dois acórdãos, um do Tribunal Regional Fede ral da 2ª Região, out ro do Tribunal Regional Federal da 5ª Região, são citados nessa sustentação. Arremata a recorrente alegando ser impossível a exigência do crédi to discutido, uma vez que ela está isenta do Imposto de Renda por dez anos, a partir de 1988, conforme documento anexo, expedido pela SUDENE. Por fim, são apresentados três pedidos: a) seja cancelado o arbitramento, vol tando a prevalece r o r~gime de tributação pelo lucro real; b) seja declarada inadmissível a aplicação da TRD como índice de correção monetária; c) seja a recorrente exonerada da obrigação tributária que lhe foi imposta, uma vez que é até isenta do Imposto de Renda. Instruem o recurso os documentos de fls. 335 a 351. 3 • • Ministério da Fazenda Primeiro conselho de COntribuintes Resolução n9 108-00.050 v <> T <> Conselheiro Adelmo Martins Silva, relator: o recurso é tempestivo, preenchendo também os demais requisitos de admissibilidade. Por isso, dele conheço. o argumento de que a recorrente estaria isenta do Imposto de Renda é novo. Não foi apresentado em primeira instância. A meu ver, contudo, tal fato não é suficiente para que este Conselho, sumariamente, deixe de examinar matéria tão relevante. Ocorre que as cópias dos documentos pertinentes expedidos pela SUDENE, fls. 335 e 336, não me parecem boas. Além disso, sobre o assunto não se manifestou o Fisco. Por estas razões, voto no sentido de que se converta o julgamento em di1igência, para que a repa rtição de origem se pronuncie conclusivamente sobre a autenticidade dos documentos de , fls. 335 e 336 e, igualmente, sobre a alegada isenção. A seguir, deve ser aberto prazo para que a recorrente, se quiser, possa aditar o recurso. Brasília-DF, 22 de março de 1994 - Relator 4 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 10425.001895/2005-85
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2001
RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. FALTA DE PROVAS.
A retificação do lançamento só é possível mediante a comprovação do direito em que se funde.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.512
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - valor terra nua
Nome do relator: GIOVANNI CHISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 10855.001414/95-00
Data da sessão: Tue Oct 19 00:00:00 UTC 1999
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL . DECADÊNCIA - TERMO INICIAL - PRAZO - A União decai do direito de lançar se não o faz em cinco
anos da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, contado, do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Recurso provido
Numero da decisão: 201-73.205
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Nome do relator: Geber Moreira
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O. U. 2.º Do ..12.../ 0.1.../~.Q:Q ~ : ~ _._ ..- Processo Acórdão Sessão Recurso Recorrente : Recorrida : MIINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10855.001424/95-00 201-73.205 19 de outubro de 1999 102.773 METALAC S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO DRJ em Campinas - SP PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL .. DECADÊNCIA - TERMO INICIAL - PRAZO - A União decai do direito de lançar se não o faz em cinco anos da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, contado, do exercício seguinte àquele em que o lançamento pGderia ter sido efetuado. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos do recurso interposto por: METALAC S/A INDÚSTRIA E COMÉRCIO. ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Sala de Sessões, em 19 de outubro de 1999 ~r~~~ Relator Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Rogério Gustavo Dreyer, Valdemar Ludvig, Jorge Freire, Serafim Fernandes Corrêa, Ana Neyle Olímpio Holanda e Sérgio Gomes Velloso. Eaal/ovrs 1 Processo Acórdão Recurso Recorrente : MIINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10855.001424/95-00 201-73.205 102.773 MET ALAC SIA INDÚSTRIA E COMÉRCIO RELATÓRIO J4 Trata-se de Auto de Infração regularmente formalizado, lavrado contra Metalac SIA Indústria e Comércio, imputando-se-Ihe que teria recorrido com insuficiência valores a título de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS, relativo ao período lançado, com conseqüente inobservância do art. 3°, alínea "b", da Lei Complementar nO07/70, ele o art. 1°, parágrafo único, da Lei Complementar nO17/73, e outros dispositivos legais descritos no referido Auto de Infração, entre os quais os Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88. Na Impugnação interposta (fls. 22/29),.a Autuada alega, Preliminarmente, a decadência do direito de a Fazenda Nacional constituir o Crédito Tributário lançado. No Mérito, propugna pela tese de que parcela de ICM(S) não integra base de cálculo do PIS. Aduz, ainda, a inconstitucionalidade dos Decretos-Leis nOs2.445/88 e 2.449/88, utilizados como base legal da exigência. Ao final, requer a improcedência do Auto de Infração. A Autoridade Monocrática julgou procedente a exigência fiscal, acrescida de multa e demais acréscimos legais. Inconformada, recorre a Empresa com as Razões de fls. 45151, esperando a reforma da decisão recorrida, com a conseqüente relevação de quaisquer penalidades. É o relatório. 2 Processo Acórdão MIINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10855.001424/95-00 201-73.205 VOTO CONSELHEIRO-RELATOR GEBER MOREIRA A hipótese vertente é de recolhimento com insuficiência de valores a título de Contribuição para o Programa de Integração Social - PIS. O "Termo de inicio da Ação Fiscal" (fls. 01) deu-se em 31/07/95 e os períodos exigidos reportam-se a fatos geradores relativos aos períodos de novembro/87 a março/88 e julho/88 a dezembro/88. A ilustrada Autoridade Monocrática rejeItou a decadência argüida pelo Contribuinte, ao argumento de que "a Lei fixa prazo para a homologação de recolhimento efetuado pelo sujeito passivo, especialmente no tocante à exação aqui enfocada". O artigo 3° do DL n° 2.052/83, prossegue a decisão recorrida, estabeleceu em 10 (dez) anos o prazo decadencial à Contribuição para o PIS, a partir da data fixada para o seu recolhimento. Eis o que diz o referido diploma legal, verbis: "Art. 3° - Os contribuintes que não conservarem, pelo prazo de 10 (dez) anos a partir da data fixada para o recolhimento, os documentos comprobatórios dos pagamentos efetuados e da base de cálculo das contribuições, ficam sujeitos ao pagamento das parcelas devidas, calculadas sobre a receita média mensal do ano anterior, deflacionada com base nos Índices de variação das Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional, sem prejuízo dos acréscimos r das demais cominações, previstos neste Decreto-Lei" . Versando o tema, o douto Conselheiro Rogério Gustavo Dreyer, no Acórdão nO 201-72.926 proferido nos autos do Processo nO10805.003519/89-33 (Recurso n° 102.318) assim se expressou, com o apoio desta Egrégia Câmara, verbis: "Tenho presente que a referida norma, em nenhum momento estabeleceu prazo decadencial de 10anos para a constituição do crédito tributário. Pelo menos não em consonância com a norma do CTN no qual se calca o meu entendimento quanto a regra decadencial pertinente ao PIS. Esta norma, o artigo 150, ~ 4°, efetivamente determina que o prazo nela constante é aplicado na ausência de lei que outro estabeleça. Pretender admitir a norma antes citada como lei fixadora 3 Processo Acórdão MIINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10855.001424/95-00 201-73.205 de prazo à homologação do lançamento do PIS é dar-lhe status que não se finda na regra complementar mencionada. Quando esta diz se a lei não fixar prazo à homologação, exsurge o entendimento de que a lei deva, expressamente, fixar prazo à homologação. A regra defendida pelo ilustre julgador monocrático como fixadora da homologação, nada mais almeja do que definir uma infração. Esta ocorrente quando não conservados pelo contribuinte documentos comprobatórios, pelo prazo que fixa, dos pagamentos efetuados e da base de cálculo do PIS. Para tal infração, a sanção (penalidade) é o pagamento das parcelas, se devidas, com base em cálculo igualmente na regra estipulado. É somente isto que a noutra estabelece. Em nenhuma circunstância, ainda que de forma tênue, determinou, atendendo a requisito do CTN, prazo para a homologação do lançamento". Com efeito, já assentaram, no tocante ao prazo decadencial no lançamento por homologação, tanto a doutrina, como os julgadores das instâncias judiciais e administrativos que o prazo, findo o qual se considera homologado o pagamento "antecipado", é, em regra, de cinco anos, contados do fato gerador. Se não efetuado o pagamento "antecipado" exigido pela lei, não há possibilidade de lançamento por homologação, pois simplesmente não há o que homologar. Tendo em vista que o art. 150 não regulou a hipótese, e o art. 149 diz apenas que cabe ao Lançamento de Oficio (item V), enquanto, obviamente, não extinto o direito do Fisco, o prazo a ser aplicado para a hipótese deve seguir a regra geral do art. 173, ou seja, cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que (à vista da omissão do sujeito passivo) o lançamento de oficio poderia ser feito. Se realizado o pagamento "antecipado", a autoridade administrativa deve, sob pena de anuência tácita, manifestar-se em cinco anos contados do fato gerador, procedendo ao Lançamento de Oficio. A norma do art. 173, L manda contar o prazo decadencial a partir do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Ora, o exercício em que o lançamento pode ser efetuado é o ano em que se inaugura, em que se instaura a possibilidade de o Fisco lançar. Supondo, por exemplo, que o fato gerador ocorreu em 10 de junho de 1995, e a lei dá ao sujeito passivo trinta dias ara efetuar a "antecipação" do pagamento, se, até 30 de julho de 1995, o recolhimento não tiver sido feito, ou tiver-se realizado com insuficiência, graças a artificio do devedor (dolo, fraude ou simulação), o Fisco poderia ter lançado de oficio já no dia 31 de julho de 1995. Ou seja, o exercício em que o lançamento poderia ter sido efetuado é o exercício de 1995. 4 _..! Processo Acórdão MIINISTÉRIO DA FAZENDA SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES 10855.001424/95-00 201-73.205 Portanto, segundo a regra do art. 173, I, o prazo se contaria a partir de 1° de li- janeiro de 1996. Em suma: a) se, nesse exemplo, tiver havido antecipação de pagamento (e não se constatando dolo, fraude ou simulação), o prazo decadencial (dentro do qual cabe ao Fisco homologar expressamente o pagamento, ou, se discordar do valor recolhido, lançar de oficio) conta-se da data do fato gerador (10/06/1995), nos termos do art. 150, S 4°; b) se não ocorreu o pagamento, não se aplica nem o caput nem os SS do art. 150, mas sim o art. 173, I, iniciando-se o prazo decadencial para o Lançamento de Oficio a partir de 1° de janeiro de 1996, não se discriminando situações de dolo, fraude ou simulação, pelo simples motivo de que o art. 173 não contempla essas discriminações; e c) finalmente, se o pagamento foi efetuado a menor, mas for constatada a existência de dolo, fraude ou simulação, não ocorre a homologação ficta, nos moldes do art. 150, S 4°, e o caso vai para a regra geral do art. 173, I, contando-se o prazo para Lançamento de Oficio, também aí, de 1° de janeiro de 1996. Assim dispõe o CTN sobre a matéria. Isto posto, uma vez iniciada a ação fiscal em 31/07/95 (fls. 01) e reportando-se o crédito tributário a fatos geradores relativos aos períodos de novembro/87 a março/88e julho/88 a dezembro/88, inquestionável que tais períodos foram alcançados pela decadência, razão porque acolho a preliminar suscitada, dou provimento ao recurso (CPC, art. 269, IV), julgando extinto o processo, com o conseqüente reconhecimento da caducidade do direito da Fazenda, quanto aos apontados débitos dos exercícios retro-mencionados. Sala das Sessões, em 19 de outubro de 1999 5 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 10980.002497/2003-19
Data da sessão: Fri Jun 05 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 23/03/1993 a 27/03/2002
CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO.
Enquanto vigeu o crédito-prêmio à exportação, a prescrição do direito ao seu aproveitamento se verificava com o transcurso de cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram, consoante art. 1° do Decreto n° 20.910/32.
CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. DL 491/69. VIGÊNCIA.
O incentivo fiscal à exportação denominado crédito-prêmio de IPI, instituído pelo art. 1° do Decreto-lei n.° 491/69, foi extinto em 30/06/83 por força do art. 1° do Decreto-lei 1.658/79.
RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE.
Ainda que houvesse a possibilidade de ressarcimento decorrente de crédito prêmio de IPI, não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não se tratar de indébito e sim de renúncia fiscal própria de incentivo, casos em que o legislador optou por inão alargar seu beneficio.
INTIMAÇÕES ESCRITÓRIO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE.
As intimações, no processo administrativo fiscal, devem obedecer às disposições do Decreto nº 70.235/72, devendo ser endereçadas ao domicílio fiscal do sujeito passivo.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2102-000.185
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: MAURICIO TAVEIRA E SILVA
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Recorrida DRJ em RIB IRÃO PRETO - SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 23/03/1993 a 27/03/2002 CRÉDITO-PRÊMIO. PRESCRIÇÃO. Enquanto vigeu o crédito-prêmio à exportação, a prescrição do direito ao seu aproveitamento se verificava com o transcurso de cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram, consoante art. 1° do Decreto n° 20.910/32. CRÉDITO-PRÊMIO DE IPI. DL 491/69. VIGÊNCIA. O incentivo fiscal à exportação denominado crédito-prêmio de IPI, instituído pelo art. 1° do Decreto-lei n.° 491/69, foi extinto em 30/06/83 por força do art. 1° do Decreto-lei 1.658/79. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. INAPLICABILIDADE. Ainda que houvesse a possibilidade de ressarcimento decorrente de crédito- prêmio de IPI, não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não se tratar de indébito e sim de renúncia fiscal própria de incentivo, casos em que o legislador optou por inão alargar seu beneficio. INTIMAÇÕES ESCRITÓRIO PROCURADOR. IMPOSSIBILIDADE. As intimações, no processo administrativo fiscal, devem obedecer às disposições do Decreto n2 70.235/72, devendo ser endereçadas ao domicílio fiscal do sujeito passivo. Recurso Voluntário Negado. Vistos relatados e discutidos os presentes autos. r -), Processo n0 10980.002497/2003-19 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.185 Fl. 144 ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da PRIMEIRA CÂMARA da SEGUNDA SEÇÃO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. f _ct3)1,10./6euct_oki jblkbtfloci<3 SEF MARIA COELHO MARQUES Presidente MAURÍCIO TAVEIRA HVA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva, Fabiola Cassiano Keramidas, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, José Antonio Francisco, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório WESTAFLEX TUBOS FLEXÍVEIS LTDA., devidamente qualificada nos autos, recorre a este Colegiado, através do recurso de fls. 100/131 contra o Acórdão n° 14- 17.733, de 22/11/2007, prolatado pela Delegacia da Receita Federal de 'Julgamento em Ribeirão Preto - SP, fls. 79/97, que indeferiu solicitação de ressarcimento de crédito-prêmio de IPI de que trata o art. 1° do Decreto-Lei n° 491/69, decorrente de exportações realizadas no período de 23/03/1993 a 27/03/2002. O presente pedido de ressarcimento foi protocolizado em 20/03/2003 (fl. 01). Consoante Despacho Decisório de fls. 33/34 e 73/74, a DRF indeferiu o pleito, por falta de amparo legal, uma vez que para o período em questão o crédito-prêmio de IPI já havia sido revogado. Irresignada, a interessada protocolizou manifestação de inconformidade de fls. 37/69 e 77, aduzindo, em síntese, que o beneficio ainda se encontra vigente, devendo inclusive, ser corrigido monetariamente pela taxa Selic. Apresenta decisões corroborando sua tese e, ainda, entende indevida a restrição imposta por atos administrativos. A DRJ indeferiu a solicitação, tendo o acórdão a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI - Período de apuração: 23/03/1993 a 27/03/2002 CRÉDITO PRÊMIO DO IN. Indefere-se a solicitação de crédito prêmio relativo a período não mais abrigado por este incentivo. Referido beneficio fiscal não está enquadrado nas hipóteses de restituição, ressarcimento ou compensação dos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. 2 Processo n° 10980.002497/2003-19 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.185 Fl. 145 RESSARCIMENTO DE IN. INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa SELIC a valores objeto de ressarcimento de crédito de IPL Solicitação Indeferida Tempestivamente, em 20/02/2008, a contribuinte protocolizou recurso voluntário de fls. 100/131, aduzindo as mesmas questões anteriormente apresentadas, ou seja, o crédito-prêmio do IPI, instituído pelo DL. n° 491/69 continua em pleno vigor até os dias atuais, devendo o seu ressarcimento ser corrigido pela taxa Selic. Alfim, requer seja reformada a decisão recorrida e reconhecido o direito creditório do crédito-prêmio do IPI, devidamente atualizado pela taxa Selic. Requer, ainda, sejam intimados os subscritores para fins de sustentação oral. É o Relatório. Voto Conselheiro MAURICIO TAVEIRA E SILVA, Relator O recurso é tempestivo, atende aos requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual, dele se conhece. O presente recurso versa sobre pedido de ressarcimento decorrente de crédito-prêmio de IPI, sobre o qual é oportuno fazer um breve histórico. Antes, porém, tratar- se-á da prescrição no que concerne ao prazo para pedido de ressarcimento de créditos de IPI, o qual não se confunde com restituição de indébito. Este prazo é de cinco anos contados da data em que poderia ter sido efetuada a solicitação, conforme dispõe o art. 1° do Decreto n° 20.910/1932, abaixo transcrito: "Art. 1° As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda Federal, Estadual ou Municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originaram." Tendo em vista que o fato que dava origem ao direito ao crédito-prêmio era a exportação dos produtos, a prescrição do seu aproveitamento ocorria em cinco anos, contados do efetivo embarque da mercadoria para o exterior. Portanto, ainda que estivesse vigente esse beneficio, encontram-se prescritos todos os possíveis valores decorrentes de crédito-prêmio, cujo embarque dos produtos exportados tenha ocorrido até 20/03/1998, dado que o pedido de ressarcimento foi protocolizado em 20/03/2003 (fl. 01). O crédito-prêmio tem origem no Decreto-lei n° 491/69, o qual, a título de estímulo fiscal, concedia às empresas fabricantes e exportadoras de produtos manufaturados 4OLL .1 I1(4) 3 Processo n° 10980.002497/2003-19 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.185 Fl. 146 créditos tributários sobre suas vendas para o exterior, como ressarcimento de tributos pagos internamente. Posteriormente houve a edição do Decreto-lei n° 1.658/79, modificado pelo Decreto-lei n° 1.722/79, instituindo a redução gradativa do referido estimulo fiscal, a partir de janeiro/79, até a sua extinção definitiva, em junho/83, assim como o DL n° .724/79, o qual autorizava o Ministro da Fazenda a aumentar, reduzir ou mesmo extinguir os benefícios do crédito-prêmio. Na seqüência, foi editado o Decreto-lei n° 1.894/81, que estendeu o precitado beneficio às empresas exportadoras de produtos nacionais, adquiridos no mercado interno, contra pagamento em moeda estrangeira, ficando assegurado o crédito do IPI que havia incidido na sua aquisição, independentemente de serem estas as fabricantes, enquanto não expirasse a vigência do DL n° 491, de 1969. No artigo 3° do DL n° 1.894/81, reafirma, de modo pormenorizado, a ampla autorização concedida ao Ministro da Fazenda Para dispor sobre os incentivos fiscais à exportação. Não houve, portanto, revogação tácita do DL n° 1.658/79, ocorrendo a extinção do beneficio fiscal em 30/06/83, conforme conclui o Parecer n° AGU-SF-01/98, o qual se encontra anexo ao Parecer AGU n° 172/98, de 13/10/98, publicado no DOU de 23/10/98, pág. 23. Tal interpretação tornou-se vinculante para toda a Administração Federal, nos termos da LC n° 73/93, art. 40, § 1°, uma vez que o parecer aprovado pelo Presidente da República, foi publicado no DOU de 21/10/98, pág. 23. • Ademais, o STF já se manifestou acerca do tema no RE 186.623 (DJ 12/04/2002), cujo julgamento ocorreu em 26/11/2001, tendo como relator o Ministro Velloso, que por maioria decidiu serem inconstitucionais as delegações contidas no art. ] 1 ° do Decreto- lei 1.724/79 e no art. 3 0, 1 do Decreto-lei 1.894/81, sendo vencidos os Ministros Mauricio Corrêa, limar Galvão, Nelson Jobim e Octavio Gallotti, os quais entenderam não se tratar de um beneficio propriamente tributário, mas sim financeiro. A maioria do Pleno considerou que o aumento ou a extinção do crédito-prêmio era matéria submetida à reserva de lei e que a delegação contida nas referidas normas vulnerava o art. 6°, parágrafo único l da Constituição de 1967/69. No mesmo sentido decidiram os Ministros no RE 180.828 cujo julgamento ocorreu em 14/03/2002, publicado no DJ de 14/03/2003 e no RE 208.260 de dezembro/2004, publicado no DJ de 28/10/2005. Registre-se que as decisões do STF trataram tão-somente da delegação legislativa ao Ministro da Fazenda, não sendo objeto de deliberação a questão da extinção do crédito-prêmio em 30/06/1983. Entretanto, neste último RE, tanto o Ministro Nelson Jobim em sua retificação de voto, quanto o Ministro Gilmar Mendes, afirmaram O entendimento de que a extinção do crédito-prêmio de IPI se deu em 1983. De outra banda, o entendimento do STJ era no sentido de que o art. 1°, II, do DL n° 1894/81 teria revogado tacitamente o cronograma de extinção do beneficio, além do que, por não se tratar de beneficio setorial, enquadrável no art. 41 do ADCT, ainda estaria em vigor, conforme acórdãos proferidos pela 1a e 2a Turmas no Agravo Regimental no Agravo de Instrumento 250.914 (DJ 28/02/2000) e 292.647 (DJ 02/10/2000), respectivamente. âgpj‘,_ c;,/ >,\\ 4 Processo n° 10980.002497/2003-19 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.185 Fl. 147 Todavia, no Resp 541.239, julgado em 09/11/2005, relator , Ministro Luiz Fux, a matéria foi novamente apreciada e, por maioria de votos, decidiu-se pela i inocorrência da revogação dos DL n° 1.658/79 e do DL 1.722179, os quais regulavam a extinção gradativa do beneficio, o qual, portanto, foi extinto em 1983. Poteriormente, com fulcro nos acórdãos do STF relativos aos RE 180.828, 186.623, 250.288 e 186.359, o Senado Federal aprovou a Resolução 71/2005 (DJ 27/12/2005) e suspendeu a execução de dispositivos declarados inconstitucionais pela Corte Suprema, ou seja, art. 10 do Decreto-lei 1.724/79 e art. 3 0 , I do Decreto 1.894/81, que conferiam poderes ao Ministro de Estado para reduzir, aumentar ou extinguir o crédito- prêmio. Contudo, a referida Resolução, em suas considerações, faz menção a dispositivos que embasaram, no STJ, o pleito de sobrevivência do crédito-prêmio até os dias atuais, os quais nem chegaram a ser examinados nos julgamentos do STF mencionados na Resolução e ainda consigna: "Considerando as disposições expressas que conferem vigência ao estímulo fiscal conhecido como 'crédito-prêmio de IPI', instituído pelo art. 1 1° do Decreto- Lei n° 491, de 5 de março de 1969...". Ao final do seu artigo 1°, Menciona ainda, ...preservada a vigência do que remanesce do art. 1° do Decreto-Lei n°491, de 5 de março de 1969." Note-se que, nos julgados referentes ao crédito-prêmio do IPI, o STF tão somente tratou das delegações ao Ministro da Fazenda, as quais afrontavam à Constituição, não tendo se manifestado em nenhum momento sobre a permanência em vigor deste ou daquele dispositivo que dava existência ao crédito-prêmio. Desse modo, a Resolução Senatorial utilizando-se de uma abordagem_ inadequada e ambígua, avançou na interpretação vigente, fazendo crer na continuidade da vigência do beneficio do crédito-prêmio, até os dias atuais, editando, portanto, uma espécie de "lei interpretativa" travestida de resolução do Senado. Sobre o tema vale trazer à colação um excerto da obra do jurista Marciano Seabra de Godoi, in Questões Atuais do Direito Tributário na Jurisprudência do STF, Ed. Dialética, São Paulo, 2006, p. 30, in verbis: "...escapa à competência do Poder Legislativo determinar, num juizo interpretativo superposto à interpretação já dada pelo STJ, que o crédito-prêmio na verdade não se extinguiu em 1983. Isso seria uma clara afronta à independência do Poder Judiciário. Esse entendimento quanto à ineficácia da Resolução do Senado foi o adotado pela 1" Seção do STJ em recente julgamento (EREsp 396.836, sessão de 08.03.2006)." Ademais, desse modo vem decidindo esta Câmara conforme demonstram os acórdãos n° 201-79.303 de 24/05/2006 e 201-79.678 de 18/10/2006, que tratam da mesma matéria e cujas decisões foram prolatadas após a edição da referida Resolução Senatorial, tendo sido negado provimento ao recurso voluntário, por maioria e por unanimidade, respectivamente. k 5 Processo n° 10980.002497/2003-19 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00.185 Fl. 148 Portanto, a Resolução do Senado Federal n° 71/05, nos termos do inciso X do art. 52 da CF, deve ser acatada na parte que suspende a execução das expressões que menciona, contidas nos DL n° 1724/79. e 1894/81 e, quanto à parte interpretativa, por se encontrar fora do alcance previsto na Constituição, não vincula os órgãos dos demais poderes. Também não procede o argumento de que o incentivo fiscal foi restabelecido pela Lei n° 8.402/92, pois, o art. 41 do ADCT menciona que os Poderes Executivos "reavaliarão todos os incentivos fiscais de natureza setorial ora em vigor". Portanto, não sendo setorial, não há previsão e sendo setorial é necessário que estivesse em vigor à época da promulgação da Constituição, o que não se verificou, posto que o beneficio se encontrava extinto desde 1983. Ademais, a SRFB já se manifestou acerca da impossibilidade de restituição, ressarcimento ou compensação, decorrentes de crédito-prêmio de IPI, através do Ato Declaratório SRF n° 31/99 e das IN SRF n's 210/02 e 226/02. Ainda contra o pleito da recorrente, o Acordo Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Comércio de 12/04/79, aprovado pelo Decreto Legislativo n° 22/86 e regulamentado pelo Decreto n° 93.962/87, veda a concessão de subsídios em função de desempenhó de exportação, fato reforçado pela ata final da "Rodada do Uruguai", aprovada pelo Decreto Legislativo n° 30/94, cuja execução e cumprimento foram determinados pelo Decreto n° 1.355/94. Embora fique prejudicada a análise da possibilidade de incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento decorrente do crédito-prêmio do IPI, vez que encontra-se extinto este beneficio, ainda assim, cabe consignar a impossibilidade da aplicação analógica do art. 39, § 4°, da Lei 9.250/95, que trata de restituição, dada a natureza distinta dos institutos, conforme se demonstrará. - No contexto de uma economia estabilizada e desindexada inaugurada pós Plano Real, não há como invocar princípios da isonomia, finalidade ou pela repulsa ao enriquecimento sem causa para aplicar, por analogia, a taxa Selic ao ressarcimento de créditos incentivados de IPI. A incidência da taxa Selic prevista no art. 39, § 4o, da Lei 9.250/95, sobre os indébitos tributários, a partir do pagamento indevido, decorre do justo tratamento isonômico para com os créditos da Fazenda Pública e aqueles dos contribuintes, decorrentes de pagamento de tributo, indevido ou a maior. Não há como equiparar a situação originária de um indébito com valores a serem ressarcidos oriundos de créditos incentivados de IPI. Neste caso não houve ingresso indevido de valores nos cofres públicos, mas sim renúncia fiscal com o propósito de estimular setores da economia, cuja concessão deve se subsumir estritamente aos termos e condições estipuladas pelo poder concedente, responsável pela outorga de recursos públicos a - particulares. Portanto, por se tratar de situação excepcional de concessão de beneficio, não cabe ao interprete ir além do que nela foi estipulado. Outro argumento para desqualificar o uso da taxa Selic como fator de correção decorre de sua finalidade precípua de instrumento de política monetária. Neste diapasão, visando defender a economia nacional de choques e contingências internas e externas, além de ser importante instrumento de combate à inflação teve, portanto, evolução muito superior a qualquer índice inflacionário. Desse modo, mesmo que se desconsiderasse a4x,ke, L6 _ Processo n° 10980.002497/2003-19 S2-C1T2 Acórdão o.° 2102-00.185 Fl. 149 prevalência da desindexação da economia e se corrigisse esse crédito decorrente de incentivo, o seu ganho seria substancialmente mais elevado do que sua correção por um índice inflacionário, gerando a concessão de um duplo beneficio, repise-se não autorizado pelo legislador. Quanto à sustentação oral pleiteada, sendo do interesse da recorrente apresentá-la, deverá estar presente na respectiva sessão na qual este processo conste da pauta, a ser publicada no DOU, conforme art. 44 do Anexo I, da Portaria MF 147/07, que aprova o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes. Registre-se, ainda, a impossibilidade de que serem intimados os subscritores do recurso, pois o art. 23, II, do Decreto n2 70.235/72, estabelece que as intimações devem ser endereçadas para o domicilio fiscal do sujeito passivo, enquanto que o § 4 2 do mesmo artigo define como domicilio tributário eleito pelo sujeito passivo aquele por ele indicado nos cadastros da Secretaria da Receita Federal. Isto posto, nego provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 05 de junho de 2009 RAr MAURICIO TAVEI E SILVA 4A` 7
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Numero do processo: 19515.001902/2003-42
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF
Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002
RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE.
Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-000.457
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos tennos do voto do Relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:43:05Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:43:05Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:43:05Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:43:05Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:b18fa406-4ffa-41ca-ab9c-1497dda59e35; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:43:05Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:43:05Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:43:05Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:43:05Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:43:05Z; created: 2010-07-13T13:43:05Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2010-07-13T13:43:05Z; pdf:charsPerPage: 1128; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:43:05Z | Conteúdo => S2-C2T2 Fl. 1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO - Processo n° 19515.001902/2003-42 Recurso n° 165.686 Voluntário Acórdão n° 2202-00.457 - 2 Câmara / 2' Turma Ordinária Sessão de 10 de março de 2010 Matéria IRPF Recorrente MARGARETH PRADO YASSUDO FARIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 1999, 2000, 2001, 2002 RECURSO VOLUNTÁRIO - INTEMPESTIVIDADE. Não se conhece de recurso contra decisão de autoridade julgadora de primeira instância quando apresentado depois de decorrido o prazo regulamentar de trinta dias da ciência da decisão. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo, nos tennos do voto do Relator. Nel-on ai -(- residente N nrtf onio Lop' inez Relator EDITADO EM:3/- 1 jN 29/ ° Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelsón Mallmann (Presidente). Relatório Em desfavor da contribuinte, MARGARETH PRADO YASSUDO FARIA, foi lavrado auto de infração para foluialização e cobrança do crédito tributário, tendo em vista a constatação de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada em todos os meses dos anos-calendário 1998 a 2001. O lançamento resultou em R$ 745.877,55 de imposto, R$ 559.408,15 de multa proporcional (75%) e R$ 209.798,00 de juros de mora calculados até 30 de abril de 2003, totalizando R$ 1.515.083,70.A descrição e o enquadramento quanto à infração, multa e juros constam às fls. 308 e 310 a 312. Cientificada do auto de infração por edital afixado em 09 de maio de 2003, em apertada síntese, alega que: a) a ciência quanto ao Auto de Infração ocorreu por acaso; b) a autuada e seu cônjuge alteraram seu domicilio em 22 de novembro de 2002; c) cabia ser diligenciado no sentido de se localizar o endereço da impugnante e não ficar sendo emitidos "editais de intimação", que só servem para criar presunção legal de que aos contribuintes foi dada a ciência de determinações, conforme dispõe o art. 213 do RIR/99; d) o protocolo da alteração do domicilio tributário foi desconsiderado pelo AFRF que optou por autuar a contribuinte de forma ilegal e inconstitucional; gerando assim um Auto de Infração nulo de pleno direito; e) nunca houve recusa à prestação de esclarecimentos uma vez que não houve intimação de forma válida durante toda a fiscalização; f) questiona a quebra do sigilo bancário; g) considera incorreta a utilização de depósitos bancário; h) aponta a ofensa a vários dispositivos constitucionais. Em 20 de abril de 2007, os membros da r Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Campo Grande proferiram Acórdão que, por unanimidade, considerou procedente o lançamento. Cientificada em 08/10/2007, a contribuinte, se mostrando irresignada, apresentou, em 17/12/2007, o Recurso Voluntário, de fls. 446/480, onde reitera as razões de sua impugnação. É o relatório. )ç 2 Processo n° 19515.001902/2003-42 S2-C2T2 Acórdão n.° 2202-00.457 Fl. 2 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator Do exame dos autos verifica-se que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com a preclusão do prazo para interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. A decisão de Primeira Instância foi encaminhada ao contribuinte, via correio, tendo sido recebido em 08/10/2007, conforme atesta o Aviso de Recebimento de fls.446. A peça recursal, somente, foi protocolada 17/12/2007, conforme atesta documento de fls.446, portanto, fora do prazo fatal. Caberia ao suplicante adotar medidas necessárias ao fiel cumprimento das normas legais, observando o prazo fatal para interpor a peça recursal. Nestes termos, posiciono-me no sentido de NÃO CONHECER do recurso voluntário, por intempestivo. É o meu voto. 4v1i, tonio Lo o rtine 3
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