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Numero do processo: 35380.002779/2006-59
Data da sessão: Thu Aug 20 00:00:00 UTC 2009
Numero da decisão: 2401-000.059
Decisão: RESOLVEM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara
do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEITA E SILVA VIEIRA
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CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS •-=_Lit.../ ` SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTOs,...~1,-....,.. Processo n° 35380.002779/2006-59 . Recurso n° 146.759 Resolução n° 2401-00.059 — 42 Câmara 1' Turma Ordinária Data 20 de agosto de 2009 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente MAGRIL COMPERCIO DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA - SRP RESOLVEM os membros da Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Repartição de Origem. (/\-----"\ ELIAS SAMPAIO FREIRE Presidente . - . - - 1 • • G N s e SILVA VIEIRA Relatora Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros: Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Cleusa Vieira de Souza, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. 1 Processo n° 35380.002779/2006-59 52-C6TI Resolução n.° 2401-00.059 Fl. 168 RELATÓRIO Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 30, I, "a" da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, I, "g" do RPS — Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou. de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços. NO caso, a empresa deixou de descontar as remunerações pagas aos segurados: APARECIDO ANTONIO DE ALMEIDA, GERALDO DONIZETE DE JESUS VIEIRA GODOY, MÁRCIO JOSE DA SILVA, conforme relatório fiscal. Importante, destacar que a lavratura do Al deu-se em 16/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/12/2005. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 25 a 71. Foi exarada a Decisão-Notificação - DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 84 a 95. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 99 a 145 Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. O fatos que ensejaram a autuação encontram-se em períodos alcançados pela decadência. 2. Inconstitucional o art. 45 da Lei 8212/91, que prevê a prescrição qüinqüenal. 3. Ilegal a autuação pela aferição indireta, uma vez que deve prevalecer os termos da coisa julgada em relação as reclamatórias trabalhistas promovidas pelos empregados. 4. Ilegal a exigência de contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias diante do preceito do art. 28, § 9° da Lei 8212/91. Ou seja, desconsiderou a fiscalização que a totalidade dos valores pagos em reclarnatória trabalhista possuem caráter indenizatório. 5. O crédito objeto deste lançamento em relação ao segurado Márcio José da Silva, foi regularmente recolhido. 6. A fisc.alinçãn não poderia proceder à autuação fiscal, com a aplicação de multa por irregularidades verificadas no penodo anterior a edição do Decreto 3048/99 em razão do principio da SZ' anterioridade e da irretroatia. 2 Processo n°35380.002779/2006-59 S2-C6T1 Resolução n.° 2401-00.059 Fl. 169 7. Ilegal o valor excessivo da multa aplicada. 8. Ilegal ainda o sistema de correção aplicado, bem como a taxa SELIC. 9. Requer o acolhimento dos argumentos aqui invocados, reconhecendo as ilegalidades apontadas, bem como requer o cancelamento da autuação. A Receita Previdenciária absteve-se de apresentar contra-razões tendo encaminhado o recurso a este conselho. É o relatório. (4-3-j Processo n°35380.002779/2006-59 S2-C6T1 Resolução n.° 2401-00.059 Fl. 170 VOTO Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 148. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, entendo haver uma questão prejudicial ao presente julgamento. A decisão da procedência ou não do presente auto-de-infração está ligado à sorte da Notificação Fiscal que determinou a existência de vínculo de emprego entre os segurados e a empresa autuada. No caso, existem três NFLD lavradas durante o procedimento fiscal referentes ao mesmo período objeto desta autuação, qual sejam: DEBCAD N°358346088, 358346100 E 358346096, sendo que não foi possível identificar qual o fato gerador objeto de cada uma delas e existência de decisão final a respeito das mesmas. Assim, para evitar decisões discordantes faz-se imprescindível a análise conjunta com as referidas Notificações Fiscais. Dessa forma, este auto-de-infração deve ficar sobrestado aguardando o julgamento da(s) NFLD conexa(s). Caso as referidas NFLD já tenham sido quitadas, parceladas ou julgadas em última instância administrativa, deve ser colacionada tal informação aos presentes autos. No caso, requer seja realizado detalhamento acerca do resultado, do período do crédito e da matéria objeto da NFLD (ou seja, individualizando o resultado em relação a cada um dos fatos geradores apurados), para que se possa identificar corretamente a correlação e proceder ao julgamento do auto em questão. CONCLUSÃO: Voto pela CONVERSÃO do julgamento EM DILIGÊNCIA, devendo ser sobrestado este auto-de-infração até o transito em julgado das Notificações Fiscais conexas e prestadas as informações nos termos acima descritos. Do resultado da diligência, antes de os autos retomarem a este Colegiado deve ser conferida vistas ao recorrente, abrindo-se prazo normativo para manifestação. É como voto. Sala das Sessões, em 20 de agosto de 2009 - ----ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA - Relatora (12. _ _
score : 1.0
Numero do processo: 13502.000294/2005-83
Data da sessão: Thu Jan 26 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 3101-000.210
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o
julgamento do recurso em diligência à repartição de origem.
Nome do relator: TARASIO CAMPELO BORGES
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INDÚSTRIA E COMÉRCIO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade, converter o julgamento do recurso em diligência à repartição de origem. Henrique Pinheiro Torres Presidente Tarásio Campelo Borges Relator Formalizada em: 30/01/2012 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Henrique Pinheiro Torres, Luiz Roberto Domingo, Tarásio Campelo Borges, Valdete Aparecida Marinheiro e Vanessa Albuquerque Valente. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 30/01/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.000294/200583 Resolução nº 310100.210 S3C1T1 Fl. 995 _________ Relatório Cuidase de recurso voluntário contra acórdão unânime da Quarta Turma da DRJ Salvador (BA) [1] que rejeitou manifestação de inconformidade [2] contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento de contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins), regime nãocumulativo, atrelado a declaração de compensação com débitos de natureza tributária administrados pela RFB [3]. Na indicação da origem de seus créditos, apuração efetuada no período 01/10/2004 a 31/12/2004, a peticionária apontou: crédito da Cofins, mercado externo [4]. Diagrama do processo produtivo às folhas 176 a 181: unidade de óxido de eteno (folha 176): entrada: eteno e oxigênio saída: óxido de eteno unidade de glicóis (folha 177): entrada: corrente da unidade de óxido de eteno saída: MEG, DEG e TEG unidade de éteres glicólicos (folha 178): entrada: óxido de eteno e álcool (+ catalisador) saída: monoéter, diéter e triéter 1 Inteiro teor do acórdão recorrido às folhas 949 a 952 (volume V). 2 Manifestação de inconformidade acostada às folhas 920 a 939 (volume V). 3 Pedido de ressarcimento e declaração de compensação acostados às folhas 1 a 6. 4 Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003, artigo 6º: A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (I) exportação de mercadorias para o exterior; [...] (§ 1º) Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: (I) dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; (II) compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (§ 2º) A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1º poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. (§ 3º) O disposto nos §§ 1º e 2º aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8º e 9º do art. 3º. [...]. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 30/01/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.000294/200583 Resolução nº 310100.210 S3C1T1 Fl. 996 _________ unidade de etanolaminas (folha 179): entrada: óxido de eteno e amônia saída: MEA, DEA e TEA unidade de etoxilação (folha 180): entrada: base e óxido de eteno saída: derivados etoxilados Do relatório do acórdão recorrido, transcrevo notícias das intercorrências havidas no procedimento administrativo antes do parcial reconhecimento do direito creditório e da homologação da compensação até o limite do crédito reconhecido, ipsis lítteris: Encaminhado o processo para a realização de diligência (despachos às folhas 15/16), foi lavrado o Termo de Encerramento de Diligência de folhas 23/28, mas em face das considerações tecidas na Informação n° 16/2008 (fls. 130/131), nova diligência foi realizada, tendo sido lavrado, então, o Termo de Encerramento de Diligência (fls. 150/153). A autoridade fiscal, após análise dos documentos entregues pela contribuinte (fls. 168/874) em resposta à Intimação SARAC/DRF/CCI n° 0948/2009 (fls. 166/167), reconheceu o direito creditório em favor da interessada no valor de R$ 470.409,52 (outubro) e R$ 10.768,41 (dezembro), homologando a compensação até o limite do crédito. Nenhum valor foi reconhecido em relação a novembro de 2004. Indeferido parte do pedido pela Delegacia da Receita Federal competente [5], a interessada tempestivamente manifestou sua inconformidade com as razões de folhas 920 a 939 (volume V), assim sintetizadas no relatório do acórdão recorrido: 1. Quanto aos valores dos créditos informados na linha 06.02 do DACON, referente a "Bens utilizados como insumos", à época do creditamento não existia qualquer norma que disciplinasse corretamente quais seriam os insumos que se sujeitariam ao crédito da Cofins, razão pela qual entende a manifestante que todos os produtos indicados e citados nos §§ 19 a 27 do Despacho Decisório conferem direito ao crédito; 2. É forçoso trazer à colação o Parecer Normativo CST n° 65/1979, que disciplina os créditos do IPI, para disciplinar a tomada de créditos da Cofins, e embora ambos os tributos possuam a sistemática da não cumulatividade, cada qual possui regras específicas para o creditamento de insumos, não sendo novidade, contudo, que o citado parecer sempre foi, e ainda o é, eivado das mais diversas ilegalidades, ao criar um requisito inexistente no texto regulamentar, uma vez que não é veículo introdutor de normas no sistema jurídico; 3. Sustentar que determinados produtos como o gás natural, nitrogênio gasoso, nitrogênio líquido, vapor 42, vapor de alta pressão, água 5 Indeferimento do ressarcimento às folhas 875 a 914 (volume V). Fl. 3DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 30/01/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.000294/200583 Resolução nº 310100.210 S3C1T1 Fl. 997 _________ clarificada e água desmineralizada não podem ser enquadrados no conceito de insumo por não serem consumidos em decorrência do contato físico com o produto em fabricação significa extrapolar o entendimento do ultrapassado Parecer Normativo CST n° 65/79; 4. Em razão das ilegalidades demonstradas no referido Parecer Normativo, os próprios órgãos julgadores administrativos, em diversas oportunidades, afastaram a esdrúxula exigência de que o bem consumido no processo produtivo tenha que ter contato direto com o produto final, conforme ementas que transcreve; 5. Especificamente em relação ao nitrogênio, cita a Solução de Consulta n° 69, de 19 de maio de 2006, favorável ao creditamento da Cofins, entendimento que deve albergar também outros gases que têm a mesma finalidade, além dos demais insumos glosados no despacho decisório ora em litígio, pois todos sofrem algum tipo de alteração, desgaste, dano ou perda de suas propriedades fisicas ou químicas em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; 6. Desta forma, protesta "pela glosa dos valores" e, conseqüentemente, também pela alteração do percentual considerado pelo agente do Fisco, em relação às "Despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica", ao "Ativo imobilizado" e ao "Crédito presumido relativo ao estoque de abertura"; 7. No que tange às "Despesas de armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda", a interessada discorda das glosas relativas às despesas com cabotagem, que, por definição, é o transporte marítimo entre portos brasileiros, no caso, de Camaçari/BA para Triunfo/RS, e se constitui em operação anterior imprescindível e necessária à operação de venda do produto transportado a cliente pertencente ao mercado de Triunfo/RS; 8. Quanto aos valores da "receita de venda no mercado interno de produtos de fabricação própria", em relação aos quais a fiscalização afirmou haver divergências entre o DACON e o somatório pelo livro de saídas, esqueceuse o agente do Fisco que o valor do IPI não deve ser considerado para compor a base de cálculo do crédito, conforme determinam o artigo 24 da Instrução Normativa SRF n° 247, de 21 de novembro de 2002, o artigo 22 do Decreto n° 4.524, de 17 de dezembro de 2002, e o artigo 50 da Instrução Normativa SRF n° 594, de 26 de dezembro de 2005; 9. Os valores glosados relativos à linha 07.24 – "Outras exclusões" do DACON referemse a venda de sucatas, demonstrados no Livro Razão, ou seja, venda de bens do ativo permanente que não devem integrar a base de cálculo da Cofins, razão pela qual protesta pela glosa; 10. No que tange ao item "Cofins a pagar", a manifestante apresentou demonstrativos com os valores do crédito que entendeu corretos; 11. Por fim, requer que seja reconhecido seu direito creditório pleiteado, com a conseqüente homologação da compensação, bem como protesta pela juntada de outros documentos que se façam necessários. Os fundamentos do voto condutor do acórdão recorrido estão consubstanciados na ementa que transcrevo: Fl. 4DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 30/01/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.000294/200583 Resolução nº 310100.210 S3C1T1 Fl. 998 _________ ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 29/04/2005 [sic] INCIDÊNCIA NÃOCUMULATIVA. BASE DE CÁLCULO. CRÉDITOS. INSUMOS. O sujeito passivo poderá descontar da contribuição apurada no regime não cumulativo, créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. O valor do frete contratado com pessoa jurídica domiciliada no país para a realização de transferências de mercadorias entre estabelecimentos do sujeito passivo não pode ser utilizado como crédito a ser descontado da Cofins devida sob a forma nãocumulativa, por não integrar a operação de venda a ser realizada posteriormente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do inteiro teor desse acórdão, recurso voluntário foi interposto às folhas 956 a 974 (volume V). Nessa petição, preliminarmente, assevera: [...], há um aspecto decisivo para a avaliação da validade e eficácia do presente Despacho Decisório, eis que a auditoria deixou de apontar, topicamente, o motivo pelo qual os inúmeros produtos adquiridos pela recorrente não foram considerados como insumo. Ao invés de indicar, objetivamente, a razão pela qual não poderiam ser considerados como insumos os produtos glosados, a auditoria argumentou, de forma apriorística, que "os bens adquiridos não podem ser caracterizados como insumos geradores do crédito ..., pois não se enquadram do conceito abrangido pelo § 4°, do art. 8°, da IN SRF n° 404/2004". Alegou sic et simpliciter que realizou "uma análise amostral das NF”. Ou seja, a fiscalização não se deteve na análise dos bens e produtos cujos créditos foram glosados e na sua qualificação como insumos, à vista de sua utilização no ciclo produtivo da empresa. De uma penada, efetuou a glosa de todas as notas fiscais de entrada, ceifando, de roldão, indiscriminadamente, todas as aquisições no período, ainda que matériasprimas ou produtos intermediários, presumindo não se tratarem de insumos. [6] No mérito, aduz que: 6 Recurso voluntário, parágrafo 4. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 30/01/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.000294/200583 Resolução nº 310100.210 S3C1T1 Fl. 999 _________ (1) “a auditoria glosou créditos de insumos de suma relevância para a fabricação de seus produtos, tais a água desmineralizada, a água clarificada, o gás natural, o nitrogênio gás, o vapor de alta pressão (também denominado ‘vapor 42’), dentre outros” [7]; (2) as despesas com cabotagem devem ser equiparadas ao frete na operação de venda, porque para ser competitiva no mercado a recorrente necessita remeter para a filial mais próxima do polo consumidor e nela estocar o produto industrializado pela sua matriz [8]; (3) a auditoria equivocouse no cálculo da receita de exportação, porque tomou por base “o balancete quando o correto seriam as informações lançadas na própria DACON” [9]; (4) o produto da venda de sucata de bens do ativo imobilizado é receita nãooperacional, valor não integrante da base de cálculo da Cofins em face do disposto no artigo 1º, § 3º, II, da Lei 10.833, de 29 de dezembro de 2003. A natureza da operação não se altera pelo fato de o contribuinte ter equivocadamente classificado essa receita como “outras receitas operacionais”. “Não é o lançamento contábil que qualifica a venda de sucata como alienação de bem do ativo”. [10] A autoridade competente deu por encerrado o preparo do processo e encaminhou para a segunda instância administrativa [11] os autos posteriormente distribuídos a este conselheiro e submetidos a julgamento em cinco volumes, ora processados com 993 folhas. É o relatório. Voto Conselheiro Tarásio Campelo Borges (Relator) Conheço do recurso voluntário interposto às folhas 956 a 974 (volume V), porque tempestivo e atendidos os demais requisitos para sua admissibilidade. 7 Recurso voluntário, parágrafo 13. 8 Recurso voluntário, parágrafos 47 a 52. 9 Recurso voluntário, parágrafo 53. 10 Recurso voluntário, parágrafo 55. 11 Despacho acostado à folha 993 determina o encaminhamento dos autos para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 30/01/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.000294/200583 Resolução nº 310100.210 S3C1T1 Fl. 1000 _________ No mérito, versa o litígio sobre parcial indeferimento de ressarcimento da contribuição para o financiamento da Seguridade Social (Cofins), regime nãocumulativo, atrelado a declaração de compensação com débitos de natureza tributária administrados pela Receita Federal do Brasil. São quatro os temas controvertidos: (1) glosa de créditos de insumos, (2) glosa de despesas com cabotagem, (3) cálculo da receita de exportação e (4) inclusão da receita da venda de sucata na base de cálculo da Cofins. Acerca da primeira dessas quatro controvérsias, “por não se enquadrarem no conceito abrangido pelo § 4° do artigo 8° da IN SRF 404, de 12 de março de 2004” [12], o fisco glosou créditos relativos à aquisição de, dentre outras: água desmineralizada, água clarificada, gás natural, nitrogênio gás e vapor de alta pressão (também denominado “vapor 42”). Quando analisa essa glosa, o julgador de primeira instância diz, ainda [13]: A IN SRF n° 404, de 2004, tem por suporte o art. 92 da Lei n° 10.833, de 2003, que dá competência legal à Secretaria da Receita Federal (SRF), hoje Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), para editar normas necessárias à aplicação dessa lei. Logo, equivocase a recorrente ao alegar que à época do creditamento não havia qualquer norma que disciplinasse quais os insumos que se sujeitariam ao crédito da Cofins. O conceito de insumos está claro no § 4º do art. 8° da IN SRF n° 404, de 2004, tendo destacado a autoridade fiscal que tal conceito também está bem explicado no Parecer Normativo CST n° 65, de 1979, cuja colação ao presente litígio, para disciplinar o creditamento da Cofins, discorda a manifestante. Segundo o referido parecer, insumos são bens que, embora não se integrando ao novo produto, são consumidos no processo de industrialização, exercendo função análoga a das matériasprimas e produtos intermediários, ou seja, são consumidos em decorrência de um contato físico, de uma ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação ou por este diretamente sofrida. Por outro lado, do exame dos autos deste processo, não é possível concluir, por exemplo, se os créditos glosados são inerentes a aquisições: (1) de insumos utilizados para a fabricação de produtos destinados à venda, integrandose a eles ou consumindose no processo produtivo, independentemente de contato físico; (2) de peças de reposição de bens do ativo imobilizado, com aumento da vida útil; (3) de peças de reposição de bens do ativo imobilizado, sem aumento da vida útil. 12 Voto condutor do acórdão recorrido, folha 950, verso, penúltimo parágrafo. 13 Voto condutor do acórdão recorrido, folha 951. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 30/01/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 13502.000294/200583 Resolução nº 310100.210 S3C1T1 Fl. 1001 _________ Assim, voto pela conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a dúvida descrita no parágrafo imediatamente anterior seja esclarecida mediante precisa identificação da natureza dos bens cuja glosa de créditos é discutida. Posteriormente, após facultar à recorrente oportunidade de manifestação quanto ao resultado da diligência, providenciar o retorno dos autos para este colegiado. Tarásio Campelo Borges Fl. 8DF CARF MF Impresso em 23/07/2012 por EUNICE AUGUSTO MARIANO - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2012 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 30/01/20 12 por TARASIO CAMPELO BORGES, Assinado digitalmente em 17/02/2012 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 35948.000390/2006-14
Data da sessão: Wed Jun 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS
Período de apuração: 01/08/1997 a 30/10/1998
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Solidariedade, art, 31 da Lei n° 8,212/91. Deve ser anulado o lançamento que resultar em prejuízo para o direito de defesa do sujeito passivo. A existência de cessão de mão de obra deve ser demonstrada, para os serviços prestados, nos moldes previstos no parágrafo 3º, do artigo 31, da Lei n.° 8,212/91,
Lançamento Anulado,
Sem credito em Litígio.
Numero da decisão: 2302-000.506
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o lançamento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado . Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que entendeu tratar-se de vicio material. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Marco André Ramos Vieira.
Nome do relator: Marco André Ramos Vieira
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Solidariedade, art, 31 da Lei n° 8,212/91. Deve ser anulado o lançamento que resultar em prejuízo para o direito de defesa do sujeito passivo. A existência de cessão de Ind() de obra deve ser demonstrada, para os serviços prestados, nos moldes previstos no parágrafo 3 0 , do artigo 31, da Lei n.° 8,212/91, Lançamento Anulado, Sem credito em Litígio. Vistos, relatadas e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em anular o lançamento, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado . Vencido o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Júnior, que entendeu tratar-se de vicio material. Apresentou declaração de voto o Conselheiro Marco André Ramos Vieira, Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Sato, Leôncio Nobre Medeiros, Maria Helena Lima, Manoel Coelho Arruda Júnior, Liege Lacroix Thomasi, Thiago Davila Melo Fernandes e Marco Andre Ramos Vieira (Presidente). Relatório Trata-se de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito lavrada em 281101200.3, cuja ciência da Recorrente ocorreu em 04/11/2003 e da prestadora de serviços em 16/12/200.3 (FLS,10.3). De acordo corn o Relatório Fiscal (fis.30/32) constituem os fatos geradores das contribuições lançadas, as remunerações relativas aos segurados empregados que realizaram serviços junto A Recorrente, mediante cessão de mão de obra na prestação de serviço de manutenção, no período de agosto/97 a outubro/98, nos termos do art,31, parágrafo 3 da Lei 8,212/91, A Recorrente apresentou impugnação em 19/11/2003 e o serviço de análise de defesa e recursos, em 01/09/2004 solicitou ao serviço de fiscalização a emissão de relatório fiscal completar onde conste a devida identificação da base legal referente ao arbitramento, bem corno a correta legislação que ensejou a aferição indireta e a solidariedade dos contribuintes, sob pena de nulidade do lançamento por cerceamento ao direito de defesa. As fls,111/114 consta o Relatório Fiscal Complementar nos termos da solicitação do serviço de análise de defesa e recursos, A Recorrente foi cientificada do Relatório Fiscal Complementar ern 31/05/2005 (fis.119) e a prestadora de serviços em 06/06/2005 (fls.121). A Recorrente apresentou defesa complementar, e a prestadora de serviços não apresentou defesa e a DN julgou o lançamento procedente. A prestadora de serviços foi cientificada do teor da DN em 07/02/2006 e a Recorrente em 06/02/2006 (fls.190). Inconformada a recorrente, apresentou recurso voluntário, alegando em síntese: a) ilegitimidade passiva dos administradores da empresa; b) decadência do direito de lançar; c) nulidade da autuação; d) do ilegal alargamento dos conceitos de cessão de mão de obra e empreitada; e) da responsabilidade solidária e da inexistência da obrigação da Recorrente de arquivar as GRP 's e as folhas de pagamento das empresas que lhe prestam serviços; f) diferença entre devedor e responsável solidário; 2 Processo n' 35948.000390/2006-14 S2-C312 Acórdilo n." 2302-00,506 Ft 2 g) do arbitramento e a violação ao principio da legalidade; h) impossibilidade da aplicação da taxa selic; i) por fim, que seja declarada a improcedência da presente NFLD. A Prestadora de Serviços, não apresentou recurso e a SRP apresentou contra- razões. o Relatório. Voto Conselheira ADRIANA SATO, Relatora Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo a análise da questão preliminar suscitada pela Recorrente. O relatório fiscal e o relatório fiscal complementar não evidenciou a caracterização da cessão de mão-de-obra, que seria o fato gerador do lançamento fiscal. E inegável o instituto da responsabilidade solidária no período do crédito lançado, com fulcro no artigo 31 da Lei n.8.212/91, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem, mas desde que reste comprovada a prestação de serviços com cessão de mão de obra, o que definitivamente não ()Correll no processo em tela. Desta forma, não restou evidenciada a prestação de serviço com cessão de mão de obra . Não 6 a simples contratação de um serviço que traz A solidariedade. Esta decorre tão somente da prestação de serviço onde se verifica a cessão de mão de obra. Nos atos legais e normativos o elenco das atividades que comportam cessão de mão de obra especificados na legislação previdenciária 6 meramente exemplificativo, ou seja, pode haver cessão nas atividades arroladas ,desde que ela fique demonstrada, desde que haja enquadramento no conceito de cessão. Dai decorre a necessidade de uma maior precisão na afirmativa da fiscalização de que os serviços contratados foram prestados com cessão de mão de obra, Não a presunção de legitimidade da afirmativa fiscal que possibilita o exercício do amplo direito de defesa e sim a motivação e explicitação que for trazida na notificação . Para que a recorrente possa se contrapor a afirmativa da existência da cessão é necessário que a fiscalização tenha apontado de forma concreta de onde extraiu suas conclusões. Cabe A autoridade lançadora motivar adequadamente suas afirmativas , possibilitando ao contribuinte a perfeita compreensão do que the 6 imputado, viabilizando o exercício do direito inserido no inciso LV, do artigo 5 da Constituição Federa1/88, A autarquia tem o dever de expor os motivos pelos quais está praticando o ato de lançamento fiscal. Nesse sentido , assevera o artigo 50, caput e inciso II da Lei n. 9.784/99: "Art 50. Os atos administrativos deverão .ser motivadas, com indicação dos [alas e dos fimdamentos . juridicos, quando.. — imponham ou agravem deveres, encargos ou sanções, A legislação em apreço insculpiu principio paulatinamente defendido pela doutrina pátria, de que o ato administrativo, alem de legalmente fundamentado, deve ser motivado. Leciona o professor Hely Lopes Meirelles em Direito Administrativo Brasileiro, Melhores Editores Sao Paulo, 2003, p.149: "O motivo ou causa é a situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato administrativo," Ainda continua nas páginas 193/194: "A teoria dos motivos determinantes . funda-se na consideração de que os atos administrativos, quando tiverem sua prática motivada, ficam vinculados aos motivos expostos para todos os efeitos jurídicos. Tais motivos é que determinam e justificam realização do ato e por isso mesmo, deve haver perfeita correspondência entre eles e a realidade. (....)" "Por ai se concluiu que, quer quando obrigatária, quer quando facultativa, se for .feita, a motivação alua como elemento vinculante da Administração aos motivos declarados como determinames do aio. Se tais MINOS sac ) .falsos ou inexistentes, nulo é o ato praticado." Ademais, em se tratando de lançamento fiscal, o artigo 142 do Código Tributário Nacional não deixa dúvidas de que a motivação se refere à verificação pelo agente fiscal da ocorrência do fato gerador . O contencioso administrativo no âmbito da Receita Federal do Brasil é regido pelo Decreto n.° 70.2.35, de 06 de março de 1972 e mais especificamente, no caso das contribuições sociais de que tratam os artigos 2' e 3° da Lei n,' 11.457, de 16 de março de 2007, pela Portaria RFB n.° 10.875, de 16 de agosto de 2007. Em ambos diplomas legais, nos artigos 59, inciso II e 27, inciso respectivamente, está disposto que são nulos "os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direto de defesa" (grifei) No caso em tela, versando o lançamento, exclusivamente, sobre a responsabilidade solidária decorrente da cessão de mão de obra, no period° de 08/1997 a 10/1998, a efetiva prestação do serviço com cessão deve ficar cabalmente demonstrada no relatório fiscal. Estatui o artigo .31,eaput, da Lei n° 8.212/91: 4 Processo e 35948.000390/2006-14 52-C312 Acõrriao ii " 2302-00.506 Fl 3 "Art 31 0 contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23 Alteração - Art. 31. 0 contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigaçães decorrentes desta lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art 23 não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem, (Redação alterada pela MP a" 1.523-9, reeditada ate a conversão na Lei n" 9.528/97) E, o parágrafo 2° , na redação que lhe foi dada pela Lei n.°9.032/95, vigente época do fato gerador, dispõe que : " Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação á disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços continuos relacionados direta ou indiretamente com as atividades normars da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação", (Redação alterada pela Lei n" 9.032/95) Portanto, a solidariedade só estará presente nos serviços continuos, onde houver cessão de mão de obra (art.31, caput da Lei n°8.212/91), de forma que a constatação da existência ou não da solidariedade dar-se-á mediante a verificação da forma como foram contratados os serviços . Por força do dispositivo legal, acima referido, a fiscalização deve comprovar, quando do lançamento, a existência da cessão de mão de obra nos moldes descritos pela legislação .Devem ser juntados aos autos os contratos existentes entre as partes comprovando a forma de contratação, além da descrição dos serviços prestados com os elementos caracterizadores da prestação de seiviço com cessão de mão de obra.., ou seja: que o prestador de serviços ou contratado tenha colocado segurados à disposição do tornado"' .ou contratante; que tais segurados tenham permanecido A disposição nas dependências do tomador (contratante) ou na de terceiros; que tenham realizado serviços continuos, repetindo-se periódica ou sistematicamente. Corn base nas informações trazidas no relatório fiscal 6 impossível concluir acerca da configuração ou não da cessão de mão-de-obra, fato este determinante para o lançamento de débito por responsabilidade soliddria. A fiscalização deve comprovar ., quando do lançamento, a existência da cessão de mão de obra nos moldes descritos pela legislação Os serviços prestados devem ser descritos com os elementos caracterizadores da sua prestação corn cessão de mão de obra., ou seja, deve ficar demonstrado que o prestador de serviços ou contratado tenha colocado segurados A disposição do tomador ou contratante; que tais segurados tenham permanecido à disposição nas dependências do tomador (contratante) ou na de terceiros; que tenham realizado serviços continuos, repetindo-se periódica 01.1 sistematicamente. 5 No presente caso, limitou-se o relatório fiscal da notificação a informar, em poucas palavras que: "os segurados empregados que realizaram serviços junto a notificada, mediante cessão de mão de obra na prestação de serviços de manutenção, no período de agosto/97 a outubro/98." Pelo exposto, não é possível, com base nas informações trazidas no relatório fiscal, concluir acerca da configuração ou não da cessão de mão-de-obra, fato este determinante para o lançamento de debito por responsabilidade solidária. Urn dos princípios que sustenta o processo administrativo fiscal é o da verdade material e, por este principio, o processo fiscal tern por finalidade garantir a legalidade da apuração do crédito . Portanto, a conduta da autoridade fiscal, em prol da verdade material, deve proceder no sentido de verificar se a hipótese abstratamente prevista na norma de direito material, efetivamente ocorreu. Nesse sentido, tern que trazer no relatório fiscal todos os dados, informações e documentos a respeito da real caracterização da cessão de rnão-de-obra . A falta dc caracterização da cessão de mão de obra, no Relatório Fiscal, por si só gera o cerceamento de defesa do contribuinte e conseqfientemente a anulação do lançamento de responsabilidade solidária pelas contribuições previdenciárias advindas da prestação de serviço com cessão de mão de obra, nos termos do inciso 11, do artigo 59, do Decreto 70,235/72. A fonnalização do auto de infração tern como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n " 70.235. 0 erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vício formal, Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto ri° 70.235). A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco . De acordo corn o principio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado corn a prova produzida no processo é a verdade possível, isto 6, aquela suficiente para o convencimento do juizo. Não se pode confundir falta de motivo com a falta de motivação . A falta de motivo do ato administrativo vinculado causa a sua nulidade. No lançamento fiscal o motivo é a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo corno ser sanado, pois sem fato gerador não bá obrigação tributdria . Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. A falha na motivação pode ser corrigida, desde que o motivo tenha existido. Diante da irregularidade constatada, há que ser aplicado o Decreto n° 70.235/1972 devendo ser efetuado novo lançamento, conforme previsto no 18, § 3°, nestas palavras: Art 18( ) 3" Quando, em exames posteriores, diligéncias ou pendas, realizados no curso do processo, .forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inova cão ou alteração da fundamentação legal da exigência, sera lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente matéria modificada. (Redação dada pelo art. 1" da Lei n" 8.748/93) 6 Processo o" 35948000390/2006-14 S2-C31 2 Ac6rcl5o n 2302-00.506 Fl 4 Tal complementação tern que ser comandada pelo órgão de primeira instancia, mesmo que de oficio, pois o eaput do art 18 é determinante para a autoridade julgadora de primeira instância. E como é sabido os parágrafos e incisos devem ser interpretados em conformidade com o caput do dispositivo, que determina a regra geral. Por todo o exposto, voto pela anulação do lançamento por vicio formal, É como voto . Sala das Sessões, em 9 de junho de 2010 SAT4 - Relatora 00 Deciaraerto de Voto Conselheiro MARCO ANDRÉ RAMOS VIEIRA Entendo que a natureza do vicio é formal. O recurso visa a análise da correção da decisão de primeira instância. Se a mesma deve ser mantida, se deve ser reformada, ou anulada. Quando o vicio ocorre no ato administrativo do lançamento, não caberia a anulação da decisão de primeira instância, mas sim o reconhecimento de que o ato nulo deve ser refeito. Não se pode confundir o órgão fiscalizador com o julgador. Cabe à Receita Federal fiscalizar e lançar os tributos, e cabe ao Conselho Administrativo de Recursos Piscais - CARP a tarefa de verificar a regularidade da decisão de primeira instância, e não efetuar ou complementar o lançamento. 0 disposto nos artigos 59 e 60 do Decreto n ° 70,235/1972, que tratam de nulidades, somente se aplicam paru os atos praticados no curso do processo administrativo. 0 lançamento é ligado ao procedimento fiscal de apuração do crédito . Desse modo, há que se reconhecer a possibilidade de existência de outras nulidades que não somente as previstas nos arts. 59 e 60. A formalização do auto de infração tern como elementos os previstos no art. 10 do Decreto n 70.235, 0 erro, a depender do grau, em qualquer dos elementos pode acarretar a nulidade do ato por vicio formal, Entre os elementos obrigatórios no auto de infração consta a descrição do fato (art. 10, inciso III do Decreto n " 70.235), A descrição implica a exposição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, devendo ter os elementos suficientes para demonstração, de pelo menos, da verossimilhança das alegações do Fisco. De acordo corn o principio da persuasão racional do julgador, o que deve ser buscado com a prova 7 produzida no processo 6 a verdade possível, isto 6, aquela suficiente para o convencimento do juizo. Não se pode confundir falta de motivo corn a falta de motivação. A falta de motivo do ato administrativo vinculado causa a sua nulidade. No lançamento fiscal o motivo a ocorrência do fato gerador, esse inexistindo torna improcedente o lançamento, não havendo como ser sanado, pois sem fato gerador não ha obrigação tributária. Agora, a motivação é a expressão dos motivos, é a tradução para o papel da realidade encontrada pela fiscalização. A falha na motivação pode ser corrigida, desde que o motivo tenha existido. Não é outra a lição do mais abalizado administrativista brasileiro, Celso Antônio Bandeira de Mello. De acordo corn esse doutrinador, na obra Curso de Direito Administrativo, 22" edição, Ed. Malheiros, pág. .385, verbis: "em se tratando de atos vinculados, o que mais importa 6 haver ocorrido o motivo perante o qual o comportamento era obrigatório, passando para segundo plano a questão da motivação, Assim, se o ato não houver sido motivado, mas for possível demonstrar ulteriormente, de maneira indisputavelmente objetiva e para além de qualquer dúvida ou entredúvida, que o motivo exigente do ato preexistia, dever-se-á considerar sanado o vício do ato," Na mesma obra, pagina 451, o autor afirma que "a convalidação, ou seja, o refazimento de modo válido e com efeitos retroativos do que fora produzido de modo em nada se incompatibiliza corn interesses públicos„ Isto 6: em nada ofende a índole do Direito Administrativo. Pelo contrario". Na lição de Celso Antônio, pagina 453: "A Administração não pode convalidar um ato viciado se este já foi impugnado, administrativa ou judicialmente.. Se pudesse fazê-lo, seria inútil a argüição do vicio, pois a extinção dos efeitos ilegítimos dependeria da vontade da Administração, e não do dever de obediência A ordem jurídica» Ha entretanto, urna exceção. E o caso da "motivação" de ato vinculado expendida tardiamente, após a impugnação do ato. A demonstração, conquanto serôdia, de que os motivos preexistiam e a lei exigia que, perante eles, o ato fosse praticado com o exato conteúdo corn que o foi é razão bastante para sua convalidação.," Diante da irregularidade constatada, ha que ser aplicado o Decreto n° 70,235/1972 devendo ser efetuado novo lançamento, conforme previsto no 18, § 3', nestas palavras: Art 18 ( ) ,sç 3 1) Quando, em exames posteriores, diligências ou pericias, realizados no curso do processo, fbrem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravainento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendo-se, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente matéria modificada. (Redação dada pelo art. 1" da Lei n" 8.748/93) Tal complementação tem que ser comandada pelo órgão de primeira instância, mesmo que de oficio, pois o caput do art, 18 6 determinante para a autoridade julgadora de primeira instancia. E corno sabido os parágrafos e incisos devem ser » interpretados em conformidade com o caput do dispositivo, que determina a regra geral. É possível a complementação do relatório fiscal por decisão de primeira instancia, entretanto não cabe tal complementação pela segunda instância, pois enquanto a Processo n°35948000390/2006-14 S2-C312 Acórdtlo n ° 2302-00.506 Fl. 5 primeira instancia aprecia a impugnação quanto ao lançamento, a segunda aprecia o recurso quanto à decisão a quo. Contudo, no presente caso ha uma particularidade, a complementação do relatório não foi suficiente, corno já analisado. Sem a manifestação oportuna do sujeito passivo, o ato administrativo portador de vicio permanece no sistema, Embora o ato implique em atentado h ordem jurídica, a restauração da juridicidade violada depende da expedição de outro ato. A invalidação e a convalidação são meios estabelecidos pelo próprio regime jurídico-administrativo para a eliminação material do vicio. Se a Receita Federal não convalida, o ato se torna passive l de invalidação pelo órgão julgador, caso este seja provocado para fazê-lo. O mesmo serve para a hipótese de a Receita Federal se abster de invalidar quando deveria tê-lo feito, A invalidação do ato administrativo tem como efeitos jurídicos: o efeito declaratorio da invalidade; e o efeito constitutivo negativo da pertinência do ato administrativo A convalidação do ato administrativo decorre exclusivamente de competência administrativa; determinando a manutenção do ato administrativo viciado no sistema pelo saneamento do vício constatado. Tal como o ato de invalidação, o ato de convalidação tem o efeito jurídico de declarar a invalidade. Todavia, possui um efeito jurídico de natureza constitutiva positiva, pois prescreve a manutenção da imperatividade e da eficácia do ato convalidado, 0 CARF não convalida lançamento; mas sim declara o grau de invalidade do ato administrativo viciado: nulo ou irregular. Se for nulo, ha que ser realizado novo lançamento; se meramente irregular, o ato permanecerá, apenas sera reconhecida a não importância do seu erro. Destaca-se que no Direito Administrativo não há ato anulável, pois o mesmo é classificado como convalidava Entendo que os meros erros materiais podem ser corrigidos no lançamento, agora as falhas mais graves, os vícios, demandam a realização de urn novo ato. A correção dos erros materiais, a complementação de informações, ou esclarecimentos, já constantes no relatório fiscal, podem ser trazidos aos autos por meio de diligência, inclusive comandada pelo CARE Pelo exposto, in casu, não se tratou de simples erro material, mas de vicio na formalização por desobediência ao disposto no art. 10, inciso III do Decreto n 70.235. O lançamento é forma, sendo o ato de aplicação material da norma de incidência . Apesar de ser forma, exteriorização, reflete o conteúdo da norma de incidência tributária, o fato gerador. A falha na exteriorização do lançamento é um vício fbmial, por seu turno, o erro quanto ao conteúdo hi traduzir um vício material. Como é cediço, são componentes do ato administrativo: a competência, a forma, a finalidade, o motivo e o objeto. Ao lavrar um ato administrativo, a autoridade pode falhar em algum desses elementos; dessa maneira, a distinção, entre os componentes do ato, é relevante para fins de determinação dos efeitos que o vicio nos elementos geram. 9 O vicio do ato pode ser sanável ou insanável, O vicio na competência e na forma são sanáveis; já os vícios na finalidade, no motivo e no objeto são insanáveis. Justamente por vicio na forma ocasionar a possibilidade da convalidação do ato, é importante destacar o que se entende por forma. Os atos irregulares não contém vícios que comprometam a pertinência e a validade de modo decisivo. Não se classificam como inválidos, uma vez que os vícios presentes nos atos irregulares restringem-se a erros, os quais a lei não considera essencial para a validade do ato administrativo e, que não demande a convalidação para corrigi-lo. Em uma concepção a respeito da forma do ato administrativo é incluída não somente a exteriorização do ato, mas também as formalidades que devem ser observadas durante o processo de formação da vontade da Administração, e até os requisitos concernentes publicidade do ato . Nesse sentido é a lição de Maria Sylvia di Pietro, na obra Manual de Direito Administrativo, 18" edição, Ed. Atlas, pagina 200. Na lição expressa de Maria Sylvia di Pietro, na obra já citada, pagina 202, in verbis: "Integra o conceito de forma a motivação do ato administrativo, ou seja, a exposição dos fatos e dos direitos que serviram de fundamento para a prática do ato; a sua ausência impede a verificação da legitimidade do ato." Logo, se ha falha na motivação, o vício é formal, se houver falha no pressuposto de fato ou de direito, o vício é material, Como exemplo nas contribuições previdenciarias: se houve lançamento enquadrando o segurado como empregado, mas corn as provas contidas nos autos é possível afirmar que se trata de contribuinte individual, há falha no pressupostos de fato e de direito. Agora, se houve lançamento como empregado, mas o relatório fiscal falhou na caracterização; entendo que haveria falha na motivação; devendo o lançamento ser anulado por vício formal. A autoridade julgadora deverá analisar a observância dos requisitos formais do lançamento, previstos no art. 37 da Lei n ° 8.212 e no art. 10 do Decreto n `) 70,235 de 1972, nestas palavras: Art. 10. 0 auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da .falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado, ii - o local, a data e a hora da lavra tura, III - a descrição do fato; IV- a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o námero de matricula. Conforme expressamente previsto no Decreto n " 70.235, a descrição do fato é requisito formal. Não se pode confundir descrição do fato com o próprio fato.. A primeira é forma, exteriorização; o segundo é conteúdo. ICI Processo n° 35948,000390/2006-14 S2-C312 Acórcliin n.. 2302-00306 Fl 6 Da analise dos requisitos formais estabelecidos no art. 10 do Decreto n 70.235 pode ser concluído que o relatório fiscal preenche todos os requisitos formais, o que permite urn regular desenvolvimento para ser julgado o mérito; ou pode ser concluído que há um vício sanável, ou o vicio poderá ser insanável. No caso de o vício ser sanável, a autoridade julgadora determinará a correção da eiva pela autoridade lançadora, caso não seja corrigida deverá ser anulado o lançamento por vicio formal. Caso o vicio seja insanável, como por exemplo o fato indicado pelo Auditor Fiscal não consta em lei corno hipótese de incidência, deverá ser dado provimento ao recurso interposto pelo contribuinte, pois se não ha possibilidade de correção, não ha motivo para que seja realizado novo lançamento sobre aquela argumentação. Desse modo, caso o fisco não consiga demonstrar o fato gerador, ha urn vício formal, pois não foi atendido o requisito da motivação (expressão ou descrição de motivos) . Da mesma forma que em urna petição inicial a falha dos fatos e dos fundamentos jurídicos (art, 282 do CPC) 6 um vicio de forma. Nessa hipótese deve ser oportunizada pelo órgão de primeira instância a correção do vício, na forma do art. 18, § 3 0 do Decreto n ° 70.235; caso a fiscalização não consiga realizar tal prova, o lançamento tern que ser anulado. Agora, se diante do lançamento o sujeito passivo faz prova da inexistência dos fatos alegados pelo Fisco, ha um vício não na motivação, mas sim no motivo, não houve o fato gerador. Nesse caso, não ha que se complementar relatório, pois não houve o pressuposto de fato e de direito para a realização do lançamento, logo o julgamento tern que ser de mérito, extinguindo-se o crédito tributário. Vício extrínseco são aqueles que dizem respeito A forma, seja pela inobservância das formalidades legais ou dos critérios de competência. Por sua vez os vícios intrínsecos são os inerentes ao conteúdo, à essência do documento ou A substância do ato nele representado, O lançamento pode se r defeituoso, mas pode não ser falso, no sentido de não ter vício material, mas apenas o vicio formal. Caso não haja oportunidade de saneamento da falta, a autoridade julgadora nunca poderá restar convicta da ausência ou inexistência do fato gerador. O vicio material 6 aquele que não corresponde a verdade. Um lançamento sem fundamentação, não deixa de ser um lançamento . Na lição de Pontes de Miranda: "defeito não 6 falta. O que falta não foi feito. O que foi feito, mas tem defeito, existe. 0 que não foi feito não existe, e, pois, não pode ser desfeito", O que não existe não se anula. Por todo o exposto entendo que o vicio no lançamento 6 de natureza formal. CONCLUSÃO: Pelo exposto, voto por ANULAR o lançamento por vicio formal.. o voto . Sala das Sessões, em 9 de junho de 2010 11
score : 1.0
Numero do processo: 12466.002809/2006-81
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2013
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA
Data do fato gerador: 07/08/2006
PRELIMINAR. NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. ESCUSA DE
ANÁLISE BASEADA EM INCOMPETÊNCIA. LEGALIDADE DE
MPF.ÔNUS DA PROVA. ART. 333, II, CPC,
Segundo o artigo 333, II do Código de Processo Civil, cabe ao Réu o ônus da prova sobre fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
A alegação de que o procedimento fiscal que visa apurar suspeita de que houve interposição fraudulenta foi instaurado a partir de informações fiscais e outras constatações formalizadas no bojo de processo administrativo fiscal de objeto diverso só pode ser examinada se colacionados aos autos do processo em curso as provas em que se apoiam tais alegações.
Desincumbindo-se do ônus de provar, inviável o exame dos procedimentos adotados visàvis com o disposto na IN SRF nº 228/02.
PRELIMINAR. NULIDADE. EXIGÊNCIA. MPF. REVISÃO ADUANEIRA. REJEIÇÃO.
Na forma do §4º do artigo 2º do Decreto nº 3.724/01, o MPF não é exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (i) interno, de revisão aduaneira; e (ii) de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva.
Assim, instaurado o procedimento fiscal, ainda que derivado de processo administrativo fiscal com outro propósito, verificando-se indícios da prática de infrações de outra natureza, nada obsta que a autoridade fiscal instaure procedimento contra o contribuinte a fim de averiguar a lisura de suas operações de importação.
PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. OMISSÃO. DECISÃO RECORRIDA.
REJEIÇÃO.
O artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/72 exige que o Impugnante formule, desde logo, as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito.
A formulação genérica de pedido de apresentação de provas por todos os meios em direito admitidos na impugnação não atende ao disposto no referido dispositivo, incidindo a preclusão prevista no §1º do mesmo artigo. Além disso, diversamente do que alega a Recorrente, a instância de piso examinou e indeferiu o pedido de perícia por esses mesmos fundamentos.
PRELIMINAR. NULIDADE. PROCEDIMENTO ESPECIAL DE CONTROLE ADUANEIRO. ATRIBUIÇÃO. SRF. VÍCIOS.
Nos termos do art. 68 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, quando houver indícios de infração punível com pena de perdimento, a Secretaria da Receita Federal possui atribuição para investigar e aplicar as devidas penalidades ao o contribuinte, se cabíveis. O procedimento investigatório é indispensável para averiguar possíveis infrações.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO.
Nas operações de importação por conta e ordem de terceiro, importador e adquirente participam da nacionalização do bem importado, desse modo, constatada a infração, instaura-se
o vínculo solidário, na forma do artigo 95, V do Decreto-Lei
nº 37, de 18 de novembro de 1966.
OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO.
A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário.
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL.
Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele.
DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU
NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente.
RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 33 DA LEI 11.448/07. MULTA. PENA DE PERDIMENTO. COEXISTÊNCIA. SANÇÕES DIVERSAS.
Conforme decorre do §3º do artigo 727 do Decreto nº 6.759/09, a multa pela cessão de nome do importador, introduzida pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/07, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas.
Preliminares suscitadas rejeitadas.
No mérito, recursos voluntários improvidos.
Numero da decisão: 3202-000.728
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda..
Nome do relator: Gilberto de Castro Moreira Junior
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 07/08/2006 PRELIMINAR. NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. ESCUSA DE ANÁLISE BASEADA EM INCOMPETÊNCIA. LEGALIDADE DE MPF.ÔNUS DA PROVA. ART. 333, II, CPC, Segundo o artigo 333, II do Código de Processo Civil, cabe ao Réu o ônus da prova sobre fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A alegação de que o procedimento fiscal que visa apurar suspeita de que houve interposição fraudulenta foi instaurado a partir de informações fiscais e outras constatações formalizadas no bojo de processo administrativo fiscal de objeto diverso só pode ser examinada se colacionados aos autos do processo em curso as provas em que se apoiam tais alegações. Desincumbindo-se do ônus de provar, inviável o exame dos procedimentos adotados visàvis com o disposto na IN SRF nº 228/02. PRELIMINAR. NULIDADE. EXIGÊNCIA. MPF. REVISÃO ADUANEIRA. REJEIÇÃO. Na forma do §4º do artigo 2º do Decreto nº 3.724/01, o MPF não é exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (i) interno, de revisão aduaneira; e (ii) de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva. Assim, instaurado o procedimento fiscal, ainda que derivado de processo administrativo fiscal com outro propósito, verificando-se indícios da prática de infrações de outra natureza, nada obsta que a autoridade fiscal instaure procedimento contra o contribuinte a fim de averiguar a lisura de suas operações de importação. PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. OMISSÃO. DECISÃO RECORRIDA. REJEIÇÃO. O artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/72 exige que o Impugnante formule, desde logo, as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A formulação genérica de pedido de apresentação de provas por todos os meios em direito admitidos na impugnação não atende ao disposto no referido dispositivo, incidindo a preclusão prevista no §1º do mesmo artigo. Além disso, diversamente do que alega a Recorrente, a instância de piso examinou e indeferiu o pedido de perícia por esses mesmos fundamentos. PRELIMINAR. NULIDADE. PROCEDIMENTO ESPECIAL DE CONTROLE ADUANEIRO. ATRIBUIÇÃO. SRF. VÍCIOS. Nos termos do art. 68 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, quando houver indícios de infração punível com pena de perdimento, a Secretaria da Receita Federal possui atribuição para investigar e aplicar as devidas penalidades ao o contribuinte, se cabíveis. O procedimento investigatório é indispensável para averiguar possíveis infrações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. Nas operações de importação por conta e ordem de terceiro, importador e adquirente participam da nacionalização do bem importado, desse modo, constatada a infração, instaura-se o vínculo solidário, na forma do artigo 95, V do Decreto-Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966. OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presume-se por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considera-se dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 33 DA LEI 11.448/07. MULTA. PENA DE PERDIMENTO. COEXISTÊNCIA. SANÇÕES DIVERSAS. Conforme decorre do §3º do artigo 727 do Decreto nº 6.759/09, a multa pela cessão de nome do importador, introduzida pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/07, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Preliminares suscitadas rejeitadas. No mérito, recursos voluntários improvidos.
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NULIDADE. DECISÃO RECORRIDA. ESCUSA DE ANÁLISE BASEADA EM INCOMPETÊNCIA. LEGALIDADE DE MPF.ÔNUS DA PROVA. ART. 333, II, CPC, Segundo o artigo 333, II do Código de Processo Civil, cabe ao Réu o ônus da prova sobre fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A alegação de que o procedimento fiscal que visa apurar suspeita de que houve interposição fraudulenta foi instaurado a partir de informações fiscais e outras constatações formalizadas no bojo de processo administrativo fiscal de objeto diverso só pode ser examinada se colacionados aos autos do processo em curso as provas em que se apoiam tais alegações. Desincumbindose do ônus de provar, inviável o exame dos procedimentos adotados visàvis com o disposto na IN SRF nº 228/02. PRELIMINAR. NULIDADE. EXIGÊNCIA. MPF. REVISÃO ADUANEIRA. REJEIÇÃO. Na forma do §4º do artigo 2º do Decreto nº 3.724/01, o MPF não é exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (i) interno, de revisão aduaneira; e (ii) de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva. Assim, instaurado o procedimento fiscal, ainda que derivado de processo administrativo fiscal com outro propósito, verificandose indícios da prática de infrações de outra natureza, nada obsta que a autoridade fiscal instaure procedimento contra o contribuinte a fim de averiguar a lisura de suas operações de importação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 28 09 /2 00 6- 81 Fl. 653DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 283 2 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DEFESA. OMISSÃO. DECISÃO RECORRIDA. REJEIÇÃO. O artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/72 exige que o Impugnante formule, desde logo, as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. A formulação genérica de pedido de apresentação de provas por todos os meios em direito admitidos na impugnação não atende ao disposto no referido dispositivo, incidindo a preclusão prevista no §1º do mesmo artigo. Além disso, diversamente do que alega a Recorrente, a instância de piso examinou e indeferiu o pedido de perícia por esses mesmos fundamentos. PRELIMINAR. NULIDADE. PROCEDIMENTO ESPECIAL DE CONTROLE ADUANEIRO. ATRIBUIÇÃO. SRF. VÍCIOS. Nos termos do art. 68 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, quando houver indícios de infração punível com pena de perdimento, a Secretaria da Receita Federal possui atribuição para investigar e aplicar as devidas penalidades ao o contribuinte, se cabíveis. O procedimento investigatório é indispensável para averiguar possíveis infrações. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. LEGITIMIDADE DA AUTUAÇÃO. INFRAÇÃO. Nas operações de importação por conta e ordem de terceiro, importador e adquirente participam da nacionalização do bem importado, desse modo, constatada a infração, instaurase o vínculo solidário, na forma do artigo 95, V do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966. OCULTAÇÃO DO REAL RESPONSÁVEL PELA IMPORTAÇÃO. FRAUDE OU SIMULAÇÃO. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA DE TERCEIROS. DANO AO ERÁRIO. A ocultação do responsável pela importação de mercadorias, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta, é considerada dano ao erário. IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. RECURSOS FINANCEIROS. PRESUNÇÃO LEGAL. Presumese por conta e ordem de terceiro, a operação de comércio exterior realizada mediante recursos financeiros daquele. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Fl. 654DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 284 3 Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, infração punível com a pena de perdimento. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. RETROATIVIDADE BENIGNA. ART. 33 DA LEI 11.448/07. MULTA. PENA DE PERDIMENTO. COEXISTÊNCIA. SANÇÕES DIVERSAS. Conforme decorre do §3º do artigo 727 do Decreto nº 6.759/09, a multa pela cessão de nome do importador, introduzida pelo artigo 33 da Lei nº 11.488/07, não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. Preliminares suscitadas rejeitadas. No mérito, recursos voluntários improvidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento aos recursos voluntários. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Rodrigo Cardozo Miranda.. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Tratase de recursos voluntários interpostos contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis, SC (DRJ/FNS), que julgou improcedentes as impugnações apresentadas pela CSF STORAGE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. (fls. 27 a 33) e pela PROAD S.A. (fls. 107 a 147), ora Recorrentes. Fl. 655DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 285 4 Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante da decisão recorrida, in verbis: “Trata o presente processo de lançamento da multa substitutiva à pena de perdimento prevista no art. 23, § 3.° do Decretolei n.° 1.455/76, com redação da Lei n.° 10.637/2002, no valor de R$345.571,00 lançada contra a empresa PROAD S/A e CSF — Storage Comércio e Serviços Lida, como responsável solidária. Segundo o que consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração de fls. 01/12, a autuada PROAD foi selecionada para os procedimentos de fiscalização de que trata a IN SRF n.° 228/2002, tendo em vista a constatação de que após a habilitação provisória concedida nos termos da IN SRF 286/2002, houve um aumento expressivo das importações, acima da previsão feita no ato da concessão, e um aumento das ocorrências cadastradas no sistema Radar referentes aos despachos de importação. Cientificada do procedimento especial de fiscalização, após intimação, apresentou documentos e esclarecimentos a respeito de suas atividades. Com base na análise desta documentação, a fiscalização apurou a ocorrência de irregularidades que consistiam na simulação de operações de comércio exterior por conta própria, quando na verdade tratavamse de importações por conta e ordem de terceiros, ocultando os reais adquirentes das mercadorias importadas. Às fls. 05/09 do Auto de Infração estão transcritos os dados constantes do Livro Razão dos anos 2004 e 2005 onde foram registrados lançamentos nas contas "Clientes Nacionais" do ativo e "Adiantamentos de Clientes" do passivo. Nestas contas aparecem valores que correspondem aos recursos monetários antecipados pelos clientes para as importações feitas pela PROAD, como se fossem por conta própria. A PROAD efetuou as importações, pagando todas as despesas de nacionalização e emitiu notas fiscais de compra e venda, remetendo as mercadorias aos adquirentes. Alega a fiscalização que a empresa teria obtido vantagem com o pagamento a menor dos impostos devidos além de evitar que os reais adquirentes das mercadorias importadas se apresentassem à fiscalização aduaneira, sem habilitaremse como operadores de comércio exterior. A CSF, empresa autuada como solidária, foi a adquirente das mercadorias importadas da exportadora PCH Eletronics, dos EUA. A PCH fornecia exclusivamente PROAD que, por sua vez, fornecia as mercadorias exclusivamente à CSF. Outro dado levantado pela fiscalização é que o Sr. Adalberto Barboza Filho, sócio da CSF — brasileira – é diretor da PCH americana (fls. 18/22). Às fls. 23 consta a planilha com os dados das importações feitas pela PROAD e que se destinavam à CSF. Fl. 656DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 286 5 Intimadas, as interessadas apresentaram impugnações com as seguintes alegações: Impugnação da PROAD (fls. 107/147): 1 Alega a impugnante que foi incluída no procedimento especial de fiscalização nos termos da IN SRF n.° 22812002 sem que tenha sido informada dos atos administrativos que balizaram tal procedimento. Que com base no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n.° 0727600 200500274 6, a fiscalização reuniu atos e documentos que originaram o processo administrativo n.° 12466.000528/200694, que trata da representação para fins de inaptidão de CNPJ. No entanto este MPF foi emitido para verificação do recolhimento de II no período de 01/2003 a 07/2005, tendo sido prorrogado por duas vezes até o dia 04/03/2006. Portanto alega que o procedimento de que trata a IN SRF n.° 228/2002 foi nulo já que o MPF expedido foi para apuração de II. Além disto a fiscalização não demonstrou naquele processo administrativo a ocorrência de indícios de incompatibilidade entre os volumes transacionados no comércio exterior e a capacidade econômica e financeira da empresa. Também foi excedido o prazo para sua conclusão em aproximadamente 8 meses, sem que houvesse justificativa devidamente documentada nos autos. Por todas estas razões, é nulo o procedimento instaurado contra a peticionaria e nulo, por conseqüência, o auto de infração originado dele e instaurado através do presente processo. 2 Refuta a afirmação da fiscalização de que sua habilitação no siscomex era provisória, haja vista que não foi notificada sobre a vigência da habilitação e ainda que o processo foi encaminhado ao arquivo não havendo pendências, portanto, neste particular. Afirma também que o embasamento no art. 33 da IN SRF n.° 455/2004 (revisão das habilitações) para o procedimento especial de fiscalização é decadente haja visto que além de não ser provisória sua habilitação ainda não foi intimada da revisão de sua habilitação. 3 A finalidade da empresa sempre foi o lucro. Nos anos anteriores a sua habilitação o foco da empresa estava direcionado a atividades de venda no atacado e varejo de produtos adquiridos no mercado nacional, além da prestação de serviços de consultoria. De acordo com os próprios dados levantados pela fiscalização quanto a previsões e importações realizadas pela interessada, não há demonstração de que a mesma obteve habilitação no Radar iludindo a fiscalização. Quanto ao volume de ocorrências após a habilitação, isto se deve ao fato de que se aumentou o volume de operações, também aumentou o número de ocorrências. Mesmo assim estas ocorrências foram suportadas pela PROAD demonstrando a idoneidade da empresa. 4 A fiscalização, segundo os fatos apurados, concluiu que as negociações no exterior foram entabuladas pela CSF Storage, que houve transferência antecipada de recursos â PROAD coincidentes com as despesas incorridas Fl. 657DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 287 6 nas operações de importação e que este "cliente nacional" era o real adquirente das mercadorias e responsável pelas operações de importação. Todavia os elementos apresentados não demonstram a simulação que acusa a fiscalização. Esta é uma acusação muito grave e requer maior investigação. De fato não há elementos para balizar suas conclusões. 5 A PROAD além das atividades de comércio exterior também atua na área de informática e tecnologia, fornecendo mercadorias para órgãos privados e públicos através da participação em licitações. O cliente procura o setor de venda da empresa e verifica se existe mercadoria disponível em estoque ou para fornecimento num prazo determinado, pouco interessando a este cliente a origem da mercadoria. Geralmente é feito uma antecipação parcial do pagamento para garantir o negócio, como é normal em qualquer empresa comercial. Caso não seja cumprido o acordado o cliente requererá a devolução do valor pago antecipadamente, o que será arcado e suportado pela PROAD. Por esta razão tratase de adquirente de boafé, que compra o bem importado no mercado interno, de estabelecimento idôneo, mediante entrega de nota fiscal. Junta acórdãos do STJ quanto à presunção de boafé do adquirente. 6 Para que seja aplicada a pena de perdimento, nos termos do DecretoLei n.° 1.455/1976 é necessário que seja provada a existência de fraude, simulação ou de interposição fraudulenta. Não houve a fraude nos termos da Lei n.° 4.502/64, art. 72, já que não houve interferência de um terceiro na cadeia de circulação de mercadoria, de forma intencional para impedir ou retardar, total ou parcialmente, o recolhimento de tributos, objetivando a ocultação do real beneficiário da operação. A interposição fraudulenta que a lei coíbe não é qualquer interposição de terceiros que é um fenômeno natural no processo de produção e circulação de bens, que decorre da própria necessidade de especialização de atividades. A lei prescreve um indício que permite presumir a interposição fraudulenta nos casos em que não há comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. Somente nesta hipótese há a presunção de interposição fraudulenta. E isto não se confunde com recebimento antecipado de clientes que é uma espécie de arras ou mesmo garantia da celebração do negócio jurídico. Haveria de se constatar que a empresa importadora só teve condições de efetuar a operação mediante o recebimento antecipado dos recursos, o que não se deu com a interessada que é empresa que possui recursos próprios para suportar todas as operações de comércio exterior por ela realizadas, conforme comprovam os extratos financeiros que sempre estiveram à disposição da fiscalização. Desta feita não foi comprovada a inexistência de capacidade financeira da PROAD para realizar as importações. Desse modo, o recebimento antecipado das operações não caracteriza de forma isolada a interposição fraudulenta de terceiros, devendo ser Fl. 658DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 288 7 conjugada com outros elementos. Todos os pagamentos antecipados por clientes estavam devidamente escriturados, não havendo aí simulação de operação por conta própria. 7 A fiscalização se baseou na presunção de que todas as operações feitas com recebimento antecipado de clientes foram feitas mediante a utilização de recursos de terceiros, e por conseguinte, deveriam ser tratadas como por conta e ordem destes. O recebimento antecipado é apenas um indício de utilização de recursos de terceiros. Todavia se a empresa escritura em sua contabilidade esses adiantamentos, eles passam a ser recurso próprio da empresa, principalmente porque eles não são essenciais à concretização da operação, visto que a importadora possuía capacidade financeira para operar sem o recebimento deste recurso. Até porque dentre os vários autos de infração lavrados pela fiscalização, há alguns clientes indicados como adquirentes que ainda são devedores da PROAD mesmo tendo realizado algum adiantamento. A previsão de sinal é um negócio lícito nas operações de compra e venda, razão pela qual o simples adiantamento não pode descaracterizar a operação por conta própria da PROAD. Caso a empresa não possuísse fontes para financiamento próprio poderia a interpretação da fiscalização estar correta, mas isto não foi em nenhum momento questionado no Relatório Fiscal como razão para aplicação da penalidade. Então somente quando a capacidade financeira não for comprovada é que se pode ser evidenciada a interposição fraudulenta de terceiros. 8 Para aplicação da pena de perdimento é preciso que a conduta se enquadre em infrações como a fraude e simulação, de apuração subjetiva, sendo indispensável a prova concreta de sua ocorrência. A presunção do art. 27 da Lei n.° 10.637/2002 é inaplicável e como não foi comprovada a fraude ou simulação, é indevida a aplicação da pena em comento. 9 Quanto aos argumentos utilizados pela fiscalização como fatos causadores da infração, alega o seguinte: a empresa PCHEUA é sua parceira que disponibiliza mercadorias que não possui em estoque. Não sabia que todas as operações de exportação da PCHEUA eram feitas exclusivamente através da PROAD. Só quem tem acesso a este tipo de informação é a Receita Federal. Por outro lado a PCH é uma das fornecedoras de mercadorias, existindo muitas outras distribuidoras no Brasil. Apesar do fato de que a PROAD revender as mercadorias exclusivamente para a CSF, a fiscalização não investigou que, por outro lado, a CSF pode ter adquirido estas mercadorias de outro fornecedor. É irrelevante o fato de que a empresa CSF não é habilitada a operar em comércio exterior e a PROAD não tinha como obter esta informação. Também em relação ao Sr. Adalberto Barboza Filho, que a fiscalização apurou ser sócio da empresa CSF e diretor da exportadora PCH, a impugnante não tinha como saber, além de ser irrelevante para a mesma este Fl. 659DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 289 8 tipo de averiguação para fins de operação comercial. De qualquer modo os contatos no exterior eram feitos através de terceiros e a fiscalização não comprovou que o contato para a encomenda era feito pelo adquirente.° fato dos pagamentos antecipados coincidirem com os valores e datas das despesas de importação não significa que a PROAD não tinha capacidade econômica para suportála. Também não prova nada contra a PROAD o fato de que em 2002 ela operou uma importação por conta e ordem da CSF. 10 A fiscalização alega que houve recolhimento a menor de 1PI devido, visto que foi calculado sem a majoração do preço da mercadoria pela margem de lucro do real comprador. Desta forma o prejuízo ao erário seria esta diferença ínfima de imposto, o qual não foi sequer mensurado pela fiscalização. Também é falaciosa a alegação de que deixou de ser tributada no IRPJ e CSLL sobre os ganhos obtidos com a prestação de serviços. Pressupõese que seja do conhecimento dos auditores da receita federal que o beneficio do FUNDAP (incentivos financeiros) já promove o retomo financeiro para as empresas fundapianas, não havendo espaço para cobrança de operações realizadas por conta e ordem de terceiros, face à concorrência entre as beneficiárias. Portanto não existindo esta cobrança, não que se falar em ISS e quanto aos outros tributos, todos foram recolhidos sobre a margem de lucro embutida na revenda da mercadoria. Não existiu prejuízo algum ao fisco. 11 Requer ao final que seja julgado insubsistente o auto de infração, tendo em vista que as irregularidades apontadas não caracterizam interposição fraudulenta de terceiros ou qualquer outra que implique na aplicação de pena de perdimento de mercadoria. Requer também a produção de provas, em especial a documental, pericial e testemunhal, para análise de todas as questões envolvidas no caso vertente. Impugnação da CSF (fls. 27/33): 1 Não houve intenção de iludir o fisco ocultando os verdadeiros agentes da importação, como argumenta a fiscalização. A impugnante está sendo considerada responsável por conta de uma presunção legal de que "a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste". Mas há que se verificar se outros indícios apontam para esta hipótese. 2 Conforme comprovam os pedidos de compra e notas fiscais, a impugnante adquiriu mercadorias no mercado interno. O pagamento de parcela do preço na encomenda é prática comercial corriqueira, caracterizando sinal (arras), que é legal e não existe vedação para pagamento desta forma. 3 O DecretoLei n.° 1455/1976dispõe que a presunção de interposição fraudulenta se dá quando não se comprove a origem dos recursos. Verifica se que nada foi ocultado da fiscalização, pois todos os valores adiantados foram contabilizados devidamente pela PROAD e colhidos pela fiscalização. Não foi comprovado pela fiscalização a interposição fraudulenta pois não foi Fl. 660DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 290 9 localizado qualquer contrato de prestação de serviços ou qualquer outro elemento que demonstrasse que a negociação comercial e a importação fosse realizada pela impugnante. 4 O pagamento antecipado não prova a importação por conta e ordem de terceiros. Se todas as operações estavam devidamente contabilizadas, não há interposição fraudulenta. A impugnante realizou atividade econômica licita, qual seja, a aquisição de mercadorias no mercado interno para revenda com pagamento dos respectivos tributos. 5 Descaracterizada a presunção, padece também a responsabilidade solidária da impugnante, devendo ser declarado insubsistente o auto de infração.” Em sua decisão, a DRJFNS houve por bem manter totalmente o lançamento através do acórdão n° 0717.659, de 25 de setembro de 2009, conforme ementa transcrita abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTARIA Anocalendário: 2004, 2005 OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE NA IMPORTAÇÃO. COMPROVAÇÃO. APLICAÇÃO DA MULTA POR CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO. Descumprimento das obrigações aduaneiras pertinentes à importação por conta e ordem e conduta dolosa que resultou no fornecimento de informações falsas nas declarações de importação, caracteriza fraude e ocultação do real adquirente das mercadorias importadas, sujeitando os infratores à multa por conversão da pena de perdimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformadas com tal decisão, as Recorrentes apresentaram recursos voluntários (fls. 164 a 222 e 244 a 259) com o objetivo de reformála, reiterando todos os argumentos já apresentados em sua impugnação. Em breve síntese, alega a PROAD S.A que: (i) o auto de infração padece de nulidade, visto ter derivado do relatório de fiscalização integrante do PAF nº 12466.000528/200694, que, a seu ver, foi conduzido com diversos vícios, fato que comprometeria qualquer processo oriundo dele; (ii) a decisão da DRJ ora recorrida deveria ser declarada nula, com o consequente retorno dos autos a este setor, para que haja novo julgamento. Sua posição se embasa em omissão do ilustre julgador, que teria olvidado de Fl. 661DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 291 10 analisar pedido de produção de prova pericial por ela requerida, fato que prejudicaria a solução do PAF e acarretaria cerceamento do direito de defesa; (iii) a decisão é nula em razão de o julgador ter se esquivado da análise de diversas questões apontadas pela ora Recorrente, sob a justificativa que sua competência não abrangeria a análise de procedimento realizado por outra autoridade administrativa, nos autos do PAF nº 12466.000528/200694; (iv) no mérito, alega a irregularidade do PAF que embasou a lavratura do presente auto de infração, já que não houve expedição de MPF específico para a fiscalização nos termos da IN nº 228/2002, assim como houve a extrapolação do prazo de validade do MPFF que havia embasado a fiscalização de II; (v) Quanto à pena de perdimento convertida em multa, defende que não houve indícios suficientes para sua aplicação, pois se trata de empresa idônea, regular com suas obrigações tributárias e com plena capacidade econômico financeira para arcar com suas importações; (vi) Quanto à natureza da importação realizada, reitera que a modalidade por conta própria foi a escolha adequada, vez que os adiantamentos feitos pela CSF tiveram caráter de arras, e não suporte da operação. Se assim não for visto, levanta que, no máximo, a operação poderia ser considerada como por encomenda; (vii) Aponta ainda que não houve dano financeiro ao Erário que justificasse a aplicação de penalidade tão gravosa. A CSF, por seu turno, alega que: (i) não há nos autos qualquer indício de que a antecipação de recursos à importadora tenham sido necessários ao custeio da importação; (ii) de fato, efetuou o pagamento de parcela do preço na encomenda do produto, antes de sua entrega, o que é prática comercial absolutamente corriqueira, caracterizandose como sinal (ou arras, como define o Código Civil em seus artigos 417 a 420). Sendo que a quantia entregue seria absolutamente insuficiente para cobrir o valor da importação, o que tornaria, portanto, impossível a caracterização de importação por conta e ordem de terceiros; (iii) a participação de um dos sócios da Recorrente na quadro societário da empresa exportadora não possui qualquer relevância para o presente caso, já Fl. 662DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 292 11 que não há qualquer discussão nos autos referente a subfaturamento ou revisão aduaneira; (iv) a Recorrente dispõe duas opções comerciais para adquirir mercadorias para revenda (importação ou aquisição no mercado interno), a escolha pelo caminho menos oneroso não configura qualquer tipo de ilícito. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator. Os recursos voluntários preenchem as condições de admissibilidade, razão pela qual deles conheço. I – Preliminar I.1 – Falta de MPF Em seu recurso voluntário, a PROAD aponta nulidades no procedimento especial de fiscalização contra ela instaurado, nos seguintes teremos: (a) Não expedição de Mandado de Procedimento Fiscal pela Autoridade Aduaneira competente. Violação ao artigo 3° da IN n° 228/2002; (b) Ausência de indícios acerca de incompatibilidade entre os valores transacionados no comércio exterior e a capacidade econômico e financeira evidenciada pela empresa. Violação ao artigo 1° da IN n° 228/2002; (c) Não observância do prazo para conclusão do Mandado de Procedimento Fiscal. Violação ao artigo 99 da IN n° 228/2002; (d) Ausência de despacho fundamentado que valide a prorrogação do prazo para conclusão do Mandado de Procedimento Fiscal. Violação ao artigo 9°, parágrafo único, da IN n° 228/2002; (e) Instauração equivocada e ilegal do Procedimento Especial de Fiscalização. Habilitação para operar no SISCOMEX. Atuação idônea da Recorrente como operadora de comércio exterior. O julgador a quo, por sua vez, se escusou de analisar tais matérias sob a justificativa de que o procedimento especial de fiscalização de que trata a IN SRF n° 228/2002 é um procedimento de fiscalização aduaneira que cabe ao titular da unidade da SRF com jurisdição sobre o domicílio fiscal do estabelecimento matriz da empresa determinar o início e Fl. 663DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 293 12 o andamento do mesmo. O seu resultado é que pode implicar na instauração de processo com vistas à aplicação da pena de perdimento, como é o caso do presente processo. No entanto, ao formalizar o auto de infração de que trata o art. 23. do Decretolei n.° 1.455/76, a fiscalização deverá comprovar as alegações que serão apreciadas por este órgão julgador, não se submetendo ao exame desta Delegacia de Julgamento os procedimentos fiscalizatórios adotados pela unidade aduaneira. Embora a Recorrente tenha interpretado o juízo negativo da DRJ/FNS como declaração de incompetência para apreciar a matéria, entendo que em seu recurso ela não foi capaz de infirmar as razões daquela decisão. Primeiramente, porque se os alegados vícios estão documentados no PAF nº 12466.000528/200694, caberia à Recorrente colacionar nestes autos cópias das informações fiscais, mandado de procedimento fiscal (MPF) e outros documentos que julgar úteis à sua defesa nestes autos. Desse modo, sendo ônus da prova da Recorrente a juntada de elementos em que se apoia sua irresignação e tendo ela deixado de juntálos nestes autos, resta prejudicado o exame do itens b, c, d e e supracitados. Em segundo lugar, e já enfrentando o item a da lista de nulidades suscitadas pela Recorrente, porque o §4º do artigo 2º do Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001, ao tempo em que constatada a infração, dispunha que: (...) § 4º O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: I realizado no curso do despacho aduaneiro; II interno, de revisão aduaneira; III de vigilância e repressão ao contrabando e descaminho, realizado em operação ostensiva; IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). A revisão aduaneira de que trata o inciso II do §4º, do artigo 2º do Decreto nº 3.724/01, é definida no artigo 570 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002 – Regulamento Aduaneiro (RA), nos seguintes termos: Art. 570. Revisão Aduaneira é o ato pelo qual é apurada, após o desembaraço aduaneiro, a regularidade do pagamento dos impostos e dos demais gravames devidos à Fazenda Nacional, da aplicação de benefício fiscal e da exatidão das informações prestadas pelo importador na declaração de importação, ou pelo exportador na declaração de exportação (Decretolei nº 37, de 1966 art. 54, com a redação dada pelo Decretolei nº 2.472, de 1988, art. 2º, e Decretolei nº 1.578, de 1977, art. 8º). (g.n.) Fl. 664DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 294 13 Em complemento, o artigo 68 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001 dispõe que: Art. 68. Quando houver indícios de infração punível com a pena de perdimento, a mercadoria importada será retida pela Secretaria da Receita Federal, até que seja concluído o correspondente procedimento de fiscalização. Ainda, visto que o a Instrução Normativa SRF nº 228, de 21 de outubro de 2002 veio a lume para disciplinar o procedimento especial de verificação da origem de recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas, não se pode olvidar que o escopo dessa norma deixa claro tratarse de operação ostensiva de molde a atender o disposto no inciso III, do §4º, do artigo 2º do Decreto nº 3.724/01. Aliás, sobre a necessidade ou não do MPF, no acórdão nº CSRF/0105.330, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Colegiado já pacificou o entendimento de que: Mandado de Procedimento Fiscal – MPF. O Mandado de Procedimento Fiscal instituído pela Port. SRF n° 1.265, de 22/11/99, é um instrumento de planejamento e controle das atividades de fiscalização, dispondo sobre a alocação da mãodeobra fiscal, segundo prioridades estabelecidas pelo órgão central. Não constitui ato essencial à validade do procedimento fiscal de sorte que a sua ausência ou falta da prorrogação do prazo nele fixado não retira a competência do auditor fiscal que é estabelecida em lei (art. 7° da Lei n° 2.354/54 c/c o Dec. Lei n° 2.225, de 10/01/85) para fiscalizar e lavrar os competentes termos. A inobservância da mencionada portaria pode acarretar sanções disciplinares, mas não a nulidade dos atos por ele praticados em cumprimento ao disposto nos art. 950,951 e 960 do RIR/94. 142 do Código Tributário Nacional. O MPF, todavia, é essencial à validade do lançamento quando efetuado com fundamento na Lei Complementar n° 105/2001 – Lei 9.311/96, art. 11 § 3°, nova redação dada pelo art. 1° da Lei 10.174, de 09.01.2001, e Decreto n° 3.724, de 10.01.2001, por se tratar de normas formais ou procedimentais que ampliam o poder de fiscalização com aplicação imediata, alçando fatos pretéritos, consoante o disposto no artigo 144, § 1°, do Código Tributário Nacional. (g.n.) Demonstrada a desnecessidade do MPF para a lavratura de auto de infração no bojo de revisão aduaneira e visto tratar a presente autuação de operação ostensiva, descabe falarse em nulidade do lançamento. Fl. 665DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 295 14 I.2. – Cerceamento de defesa Superada a questão dos vícios do procedimento fiscal, passo ao exame da alegação de cerceamento de defesa fundado na rejeição da perícia. Primeiramente, vejase que o artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 dispõe que: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Como visto, o artigo 16, IV do Decreto nº 70.235/72 exige que, desde logo, com a impugnação, o Impugnante indique as diligências que pretende efetuar e os motivos que as justifiquem. Em sua impugnação, a Recorrente formulou pedido genérico, nos seguintes termos: “Requerse, ainda, a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a documental suplementar, a pericial e a testemunhal, haja vista a necessidade de análise mais acurada das operações analisadas pelo Fisco no caso vertente e o exíguo prazo para a análise de todas as questões envolvidas no caso vertente.” Deixando de se pronunciar precisamente sobre as perícias e diligências que pretendia produzir, na forma do §1º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, verificase que está precluso, por inércia, o direito que a Recorrente alega ter sido violado. Outrossim, diversamente do que alega a Recorrente, vêse que o julgador da instância singular enfrentou a questão às fls. 154: “Quanto ao pedido feito pela PROAD para juntada posterior de documentos, esclareço que todos os elementos de prova, em especial os documentais a que Fl. 666DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 296 15 se refere, devem ser apresentados juntamente com a impugnação nos termos do art. 16 do Decreto n.° 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal). De qualquer forma não há como deferirse pedido genérico de juntada de documentos sem o motivo de sua necessária postergação. Por estas razões, indefiro o pedido das impugnantes.” Logo, descabida a alegação de cerceamento de defesa. II – Da responsabilidade solidária A CSF alega ser incorreta sua responsabilização solidária em relação à pena de perdimento convertida em multa, pois adquiriu no mercado interno as mercadorias importadas pela PROAD. Na ocorrência de concurso de terceiros para a prática de infração tributária, como ocorre nos casos de interposição fraudulenta, impõese sejam esses sujeitos todos incluídos no polo passivo da obrigação tributária pelo vínculo da solidariedade. O artigo 124, I do Código Tributário Nacional assim determina: Art.124. São solidariamente obrigadas: I – as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II – as pessoas expressamente designadas por lei. É certo que a interposição fraudulenta não se instaura pela conduta exclusiva de apenas um sujeito, pressupondo, no mínimo, a presença do importador e do adquirente das mercadorias. Na importação por conta e ordem de terceiros, o importador empresta seu nome ao despacho aduaneiro, figurando como mero mandatário do adquirente, que, por seu turno, a um só termo, assume as vestes de importador de fato e tomador dos serviços, suportando o ônus econômico da operação. Ou seja, a importação por conta e ordem de terceiros, operação que o Fisco diz terse caracterizado, não se aperfeiçoa por exclusiva iniciativa do importador (interposta pessoa), sem que haja ordem do adquirente, verdadeiro destinatário dos bens importados. Dessa forma, concluise que a operação em tela não se concretiza sem a convergência de interesses do mandante e do mandatário na nacionalização do bem importado, daí a caracterização do interesse comum a que alude o Código neste tipo de operação, instaurandose o vínculo solidário entre os sujeitos, na forma do artigo 124, I do CTN. Ademais, exaurindo a competência que lhe fora outorgada pelo artigo 124, II do CTN, o artigo 95, V do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, em harmonia com aquele diploma, determina que: Fl. 667DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 297 16 “Art.95 Respondem pela infração: (...) V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) (g.n.)” Nesse sentido, vale lembrar que esse Colegiado já consagrou o entendimento de que: RESPONSABILIDADE POR INFRAÇÕES. Responde pelas infrações, conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” – PAF 10909.001837/200438, 2ª Câmara, 3º CC, Dj 08.11.2006. Sendo assim, não há que se falar em ilegitimidade passiva da CSF, já que ela preenche os requisitos para se qualificar como responsável solidária, bem assim, a lei determina seja o adquirente qualificado como responsável solidário, inexistindo prova nos autos que leve a conclusão diversa. III – Da importação por conta e ordem de terceiros e da ocultação do real adquirente das mercadorias A PROAD alega que realizou importação por conta própria. Alega ainda o comércio de bens de informática é atividade prevista em seu objeto social, e que tais vendas, assim como a que sucedeu com a CSF, são parceladas, exigindose antecipação de parte do preço para a aquisição do bem. Tratandose de aquisições com recursos próprios, a importação só poderia ser por encomenda. De seu turno, a CSF não se conforma com sua inclusão no polo passivo como responsável solidária. Alega que suas operações ocorreram no mercado interno, logo, não há razão que abone sua qualificação como adquirente em operações de importações de importação por conta e ordem. Pois bem. O auto de infração foi lavrado em razão de se ter apurado que coincidência entre os valores movimentados no ano 2004 e no primeiro semestre de 2005 das importações promovidas pela PROAD e os valores registrados na conta de adiantamento de clientes. Fl. 668DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 298 17 As importações nos anos de 2004 e 2005 corresponderam, respectivamente, a R$ 19.276.421,00 e R$ 7.754.311,00. Já os adiantamentos de clientes do mesmo período foram registrados nos respectivos montantes de R$ 15.443.404,79 e R$ 8.484.947,56. O capital social da PROAD constante de sua última alteração social soma R$ 2.000.000,00 (fls.229). Na forma do artigo 27 da Lei nº 10.637 de 30 de dezembro de 2007: Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Logo, é da essência da importação por conta e ordem a transferência de recursos de terceiros ao importador, erigindose presunção legal de que a operação assim se caracteriza quando constatada a ocorrência desse evento. Segundo a doutrina, existem duas modalidades de presunção, a simples e a legal. A primeira é fruto da análise e interpretação dos fatos feitas pelo aplicador do direito, tendo caráter bastante subjetivo. Já a segunda tem origem legislativa, na medida em que é imposta por Lei. Essa última também se subdivide em duas categorias: (i) relativa; e (ii) absoluta. A diferença entre a presunção simples e a legal se encontra no ônus da prova. Em relação à simples, quem a alega tem o dever de comprovar sua tese, ainda que por meio de prova indireta. Já para presunção legal, se for relativa, invertese o ônus da prova, cabendo ao acusado demonstrar que os fatos por ele praticados não se enquadrariam na hipótese a qual a lei atribuiu a presunção; mas se for absoluta, não cabe prova em contrário. Quando a este instituto, cabe extrair trecho de um artigo de Maurício Barros e Nelson Albino Neto: “Dentre as presunções legais, há, ainda, a divisão entre as relativas (iuris tantum) e as absolutas (iuris et de iure), assim classificadas conforme a admissibilidade, ou não, de prova em contrário, respectivamente. Para LUÍS EDUARDO SCHOUERI, ‘a presunção relativa nada mais faz, em princípio, do que dispor sobre o ônus da prova: reza que, em determinados casos, uma circunstância que, em si, dependeria de prova, dispensa comprovação; tal circunstância é tida por verdade, até que se consiga demonstrar o contrário.’ Já as ‘presunções absolutas’ correspondem às disposições legais que qualificam determinados fatos como verdadeiros, independentemente da produção de prova em contrário (vedadas).’ – SANTI, Eurico Marcos Diniz Fl. 669DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. 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Alega a PROAD que as antecipações por ela registradas justificamse em razão de exigir sinal de seus clientes para efetuar as aquisições, mesmo as de mercadorias estrangeiras. Embora alegue que as operações de importação ocorreram com recursos próprios e que tinha suficiência de recursos para tal, não logrou comproválo. Vejase que a ação do fisco foi desencadeada quando constatado substancial incremento das importações nos anos de 2004 e 2005. As movimentações da conta de adiantamento de clientes coincidem com o valor de importações nos referidos períodos. Tal coincidência não é explicada pela Recorrente, tampouco trouxe aos autos qualquer elemento que infirmasse a presunção fiscal contra ela erigida. Cabe salientar, aliás, que a Recorrente não negou os fatos ocorridos, tendo apenas apresentado justificativas baseadas na natureza jurídica dada aos valores adiantados, sua capacidade econômico financeira, em sua intenção não dolosa e caráter idôneo, e na falta de prejuízo ao Erário. Poderia ter detalhado a composição dos adiantamentos, demonstrando que os sinais pagos por clientes não se destinavam a financiar as importações, poderia ter demonstrado que as importações foram financiadas com linhas de crédito bancárias, eventual manutenção de estoques por certo período poderia indicar que se trata de operações de importação por encomenda, enfim, há uma sorte de fatores capazes de infirmar a presunção prevista no artigo 27 da Lei nº 10.637/02. Todavia, limitase a Recorrente a alegar que recebe sinais de seus clientes para promover as operações de importação, deixando entrever, portanto, que uma parte do custo de importação é suportado por ela, sendo que essas operações ocorrem sempre que há intenção de compra dos bens importados. Fl. 670DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 300 19 Ora, a presunção se instaura mediante o ingresso de recursos de terceiros para financiar as operações de comércio exterior. Cabia à Recorrente produzir contraprova capaz de infirmar a presunção. Deixando ela de se desincumbir de seu ônus, não há razão que abone a decretação da improcedência da autuação. Prevalecendo, portanto, a presunção legal, cumpre também lembrar que as formalizações de obrigações acessórias devem refletir a efetiva operação levada a cabo pelo contribuinte. Nesse sentido, dispõe a Instrução Normativa SRF nº 225, de 18 de outubro de 2002 que, nas importações por conta e ordem de terceiro, os dados do real adquirente devem ser mencionados na declaração de importação, assim como o contrato firmado entre as partes deve ser apresentado à autoridade aduaneira para fiscalização. Se assim não for feito, por fraude, simulação ou interposição fraudulenta de terceiros, as partes envolvidas devem responder solidariamente pela infração, estando sujeitas à pena de perdimento, conforme estabelece o artigo 23, V do DecretoLei nº 1.455, de 7 de abril de 1976. Cabe ressaltar que tal dispositivo condicionou intencionalmente a aplicação desta penalidade somente aos casos em que reste evidenciado o intuito de fraude ou simulação de operações comerciais. Isso porque a finalidade almejada não é penalizar o contribuinte que, por descuido ou mero erro, deixou de cumprir corretamente com suas obrigações acessórias, mas, sim, evitar que eventos mais danosos ocorram em decorrência da omissão dolosa do real adquirente das mercadorias importadas. Com isso, para esclarecer o presente conflito, é pertinente abordar o conceito e a caracterização do instituto da simulação. Segundo Pontes de Miranda: quem simula aparenta, faz verse, ouvirse, ou sentirse, o que não se vê, não se ouve e não se sente. Quer se tenha por existente o que não existe. [...] Põese, em vez do que é verdadeiro, o que se parece com o verdadeiro e não o é. Quem dissimula encobre o verdadeiro. – (Tratado das Ações, Tomo II, São Paulo: Revista dos Tribunais, 1971, p. 273). Como o Direito Tributário valese de conceitos de outros ramos do Direito, como reconhece o art. 109 do Código Tributário Nacional (CTN), a fim de se determinar o alcance de expressões por ele empregadas, vale visitar definições já consagradas em outros domínios jurídicos. Desta forma, ao analisarmos o art. 167, § 1º do Código Civil, notase que: Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1º Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: I aparentarem conferir ou transmitir direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferem, ou transmitem; II contiverem declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira; Fl. 671DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 301 20 III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pósdatados. § 2º Ressalvamse os direitos de terceiros de boafé em face dos contraentes do negócio jurídico simulado." Tendo em vista que a operação praticada entre a Recorrente e sua parceira se revestiu da forma de uma importação em nome próprio, seguida da venda de mercadorias, quando, na verdade, observandose o conjunto de normas que disciplinam as operações de importação por conta e ordem de terceiros já explicitadas, deveria ter se formalizado como tal, houve evidente simulação na forma do inciso II do artigo supracitado. Nesse sentido, este Colegiado já decidiu que: “Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 10/10/2003 a 09/02/2004 Ementa: IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIROS. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE DAS MERCADORIAS. CARACTERIZAÇÃO DA OCORRÊNCIA DE DANO AO ERÁRIO. CONVERSÃO DA PENA DE PERDIMENTO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO DAS MERCADORIAS. Nos termos da legislação de regência, considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo da obrigação tributária, em operações de importação (realizadas por conta e ordem de terceiros), infração punível com a pena de perdimento, que é convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, caso as mercadorias não sejam localizadas ou houverem sido consumidas.” PAF 10909.001837/200438, 2ª Câmara, 3º CC, Dj 08.11.2006. Cabe, ademais, dar destaque ao acórdão 310200.588 deste Conselho, datado de 04 de fevereiro de 2010, de relatoria do Conselheiro José Fernandes do Nascimento, que distinguiu a interposição fraudulenta em: importação sem comprovação da origem dos recursos próprios e importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão de nome). Transcrevo, a seguir, trechos do voto vencedor que elucidam referida distinção: “Da interposição fraudulenta na importação sem comprovação da origem dos recursos próprios. A nãocomprovação da origem, disponibilidade ou transferência lícita dos recursos próprios empregados na operação de importação, bem assim a condição de real adquirente da mercadoria, é causa, simultânea, da presunção da conduta ilícita da interposição fraudulenta e da inidoneidade da pessoa jurídica na operação de importação. No primeiro caso, a nãocomprovação dos recursos próprios é fato presuntivo causador do fato presumido da interposição fraudulenta nas operações de comércio, que se caracteriza pela ocultação do "sujeito Fl. 672DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 302 21 passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação", nos termos do §.2° do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 1976... No segundo caso, o fato presuntivo da nãocomprovação dos recursos próprios é causador da conduta inidôneo da pessoa jurídica, caracterizada pela sua inexistência de fato como importadora, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação, conforme estabelecido no § 1° do art. 81 da Lei n° 9.430, de 1.996. Dessa forma, inferese que, embora o fatobase seja o mesmo (a não comprovação dos recursos próprios), as condutas descritas como infração são distintas. Num caso, o referido fato se constitui em prova indireta da conduta infracional, consistente na ocultação do sujeito passivo, real comprador ou responsável pela importação. No outro, ele é prova indireta da inidoneidade da pessoa jurídica importadora (ela inexiste de fato como importadora). No caso, como as referidas infrações não são idênticas, não há que se falar em hipótese de bis in idem, que consiste na incidência de dupla penalização de uma mesma conduta ilícita ou de dupla valoração de circunstância gravosa na determinação da sanção. Logo, é juridicamente plausível a cominação a cada uma delas (infrações) de penalidades diferentes, a saber: (i) a pena de perdimento da mercadoria e (ii) a sanção de inaptidão de inscrição no CNPJ... Com efeito, em consonância com o estabelecido nos transcritos preceitos legais, a conduta da interposição fraudulenta nas operações de comércio exterior é sancionada com a pena de perdimento da mercadoria, por dano ao erário (art. 23, § 1°, do Decretolei n° 1.455, de 1976), ao passo que a conduta da inidoneidade da importadora (ou por inexistência de fato como importadora) é sancionada com a inaptidão da inscrição no CNPJ (art. 81, § 1°, da Lei n° 9.430, de 1996), sanção administrativa de natureza não patrimonial de caráter interventivo, segundo alguns doutrinadores, ou suspensiva ou privativa de atividade, segundo outros. Na primeira hipótese, a pena imposta visa ressarcir o erário e castigar o infrator pela conduta ilícita caracterizada por dano ao erário. Já a segunda sanção visa punir a fraude na operação de importação, mediante o uso abusivo da personalidade jurídica, pois quem, verdadeiramente, está importando é a pessoa jurídica omitida nos documentos que acobertam a operação. Ressalto ainda que, para fins da legislação aduaneira, é irrelevante se a empresa existe de fato ou não nos termos da legislação societária. Em outros termos, se é empresa é de "fachada" ou não. Para o direito aduaneiro, é possível a empresa existir de fato, ter pessoal, instalações, atividade operacional etc., e ser considerada inexistente de fato para fins aduaneiros, desde que ela atue na área de comércio exterior ilicitamente, como Fl. 673DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 303 22 interposta pessoa, e cometa a infração descrita no comando legal supra referenciado. Da interposição fraudulenta na importação com recursos de terceiros. A interposição ilícita na operação de importação com recursos de terceiros (ou mediante cessão do nome) caracterizase pela comprovação da transferência dos recursos financeiros do caixa ou conta bancária do verdadeiro adquirente da mercadoria, para o caixa ou conta bancária da interposta pessoa (o importador ostensivo). Nesta modalidade de interposição fraudulenta, o importador apenas cede o nome, porém, os recursos empregados no pagamento da operação de importação são integral ou parcialmente fornecidos pelo adquirente ou real importador. No que tange a esta modalidade de interposição ilícita, a legislação aduaneira prevê duas hipóteses de presunção da operação de importação por conta e ordem de terceiro. Uma, prevista no art. 27 da Lei n° 10.637, de 2002 (i), e a outra, no § 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006 (ii), conforme se infere a partir do teor dos referidos dispositivos... Examinado o teor dos transcritos comandos legais, concluo que, por presunção, duas são as hipóteses de interposição ilícita, caracterizada como sendo importação por conta e ordem de terceiro (ilícita), a saber: a) a realizada mediante utilização de recursos de terceiro, sem o cumprimento das exigências legais estabelecidas para o tipo de importação por conta e ordem de terceiro (artigo 27 da Lei n2 10.637, de 2002); e b) a realizada mediante utilização de recursos próprios, sem o cumprimento dos requisitos e condições estabelecidos para a importação por encomenda (§ 2° do artigo 11 da Lei n° 11.281, de 2006). Por força desta presunção, embora os recursos utilizados na importação sejam do próprio importador, como a mercadoria importada será destinada a um comprador predeterminado (o encomendante), a operação será equiparada a importação por conta e ordem de terceiro (ilícita).” Destarte, inexistindo contraprova que autorize a conclusão de que ocorreu importação direta, operação que as Recorrentes alegam ter ocorrido, bem assim, inexistindo elemento probatório apto a afastar a presunção de que ocorreu importação por conta e ordem de terceiros, inviável acolher a pretensão de ver desconstituído o auto de infração. IV Do dano ao Erário Conforme dispõe o art. 602 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002: “Art. 673. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte de pessoa física ou jurídica, de norma estabelecida ou disciplinada neste Decreto ou em ato Fl. 674DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 304 23 administrativo de caráter normativo destinado a completálo (DecretoLei no 37, de 1966, art. 94, caput). Parágrafo único. Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato (DecretoLei no 37, de 1966, art. 94, § 2o).” (grifos nossos) Daí se extrai que o Regulamento Aduaneiro se satisfaz com a mera transgressão de regra nele disciplinada ou em norma destinada a complementálo, como é o caso das regras que disciplinam a importação por conta e ordem de terceiro, tendo lugar as punições decorrente de infração, independentemente de se verificar a configuração de dano financeiro ao Erário. Adicionalmente, dispõe ainda o artigo 23, V do DecretoLei nº 1.455/76: “Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o As infrações previstas no caput serão punidas com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida, observados o rito e as competências estabelecidos no Decreto no 70.235, de 6 de março de 1972. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010)” (grifos nossos) Fl. 675DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 305 24 Com base nisso, não tem lugar a alegação de que a ausência de dano ao Erário afastaria a configuração da infração. A mera omissão de informações relevantes, como o real destinatário das mercadorias, já é suficiente para configurar a infração. V – Da retroatividade benigna O auto de infração foi lavrado em 10 de agosto de 2007. Em 15 de junho de 2007, foi promulgada a Lei nº 11.488, que em seu artigo 33 estabeleceu a seguinte sanção: Art. 33. A pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas no acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários fica sujeita a multa de 10% (dez por cento) do valor da operação acobertada, não podendo ser inferior a R$ 5.000,00 (cinco mil reais). Parágrafo único. À hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fiandose na premissa de que a pena de perdimento não pode ser imposta ao importador, pois não é ele o proprietário das mercadorias, com fulcro no artigo 106, II, ‘c’ do Código Tributário Nacional (CTN), a Recorrente postula a aplicação da sanção mais benigna, prevista no dispositivo retrocitado. Sem embargo de posições divergentes, penso que a pena de perdimento se aplica tanto ao importador quanto ao adquirente e não prejudica a aplicação da multa pela cessão de nome pelo importador, introduzida pela Lei nº 11.033/07. Primeiro, porque o artigo 33 da Lei n° 11.488/2007 não revogou o artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976 e, por conseguinte, que não regulou inteiramente a matéria. Sobre o tema, o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4) já decidiu que: “TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. DILAÇÃO PROBATÓRIA. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. OCULTAÇÃO DO VERDADEIRO IMPORTADOR. PENA DE PERDIMENTO DAS MERCADORIAS. LEGALIDADE. ARTIGO 33 DA LEI N. 11.488, DE 15 DE JUNHO DE 2007. NÃO REVOGAÇÃO DA PENA DE PERDIMENTO PREVISTA NO ARTIGO 23 DO DECRETOLEI N° 1.455, DE 1976. AUSÊNCIA DE DIREITO LÍQUIDO E CERTO. Fl. 676DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 306 25 (...) O artigo 33 da Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007, não tem o condão de afastar a pena de perdimento, porquanto não implicou em revogação do artigo 23 do DL n° 1.455/76, com a redação dada pela Lei n. 10.637/2002. Isso porque, a pena de perdimento atinge, em verdade, o real adquirente da mercadoria, sujeito oculto da operação de importação. A pena de multa de 10% sobre a operação, prevista no referido dispositivo legal, revelase como pena pessoal da empresa que, cedendo seu nome, faz a importação, em nome próprio, para terceiros. O parágrafo único do aludido artigo, por sua vez, estatui que "A hipótese prevista no caput deste artigo não se aplica o disposto no art. 81 da Lei n. 9.430, de 27 de dezembro de 1996". Essa complementação legal, constante do parágrafo único, abona o entendimento de que não houve a revogação da pena de perdimento para a hipótese retratada nos autos. Antes o confirma, porquanto exclui, expressamente, apenas a possibilidade da aplicação da sanção de inaptidão do CNPJ. Quanto as demais penas, permanecem incólumes, havendo a previsão, agora também, da pena pecuniária, nos termos do caput do aludido preceptivo legal.” (AMS 200572080051666, relator Desembargador Otávio Roberto Pamplona grifamos) Segundo, porque se trata de infrações diversas e que coexistem (pena de perdimento e multa pela cessão de nome pelo importador). Tal entendimento é confirmado pelo §3º do artigo 727 do Decreto nº 6.759/2009: Art.727. Aplicase a multa de dez por cento do valor da operação à pessoa jurídica que ceder seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de comércio exterior de terceiros com vistas ao acobertamento de seus reais intervenientes ou beneficiários. (...) § 3° A multa de que trata este artigo não prejudica a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas ou exportadas. (g.n.) Dessa forma, sendo a multa pela cessão de nome do importador sanção diversa da pena de perdimento e que não prejudica sua imposição, não há razão que ampare o acolhimento da pretensão das Recorrentes para aplicar a retroatividade benigna. Pelo exposto, rejeito as preliminares suscitadas e, no mérito, NEGO PROVIMENTO a ambos os recursos voluntários. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 677DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 12466.002809/200681 Acórdão n.º 3202000.728 S3C2T2 Fl. 307 26 Fl. 678DF CARF MF Documento de 26 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP13.1119.14048.EOVD. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR em 24/06/2013 17:19:21. Documento autenticado digitalmente por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR em 25/06/2013. Documento assinado digitalmente por: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA em 27/06/2013 e GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR em 25/06/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 13/11/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP13.1119.14048.EOVD Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: 74CF2DF12AB81F9EF4BEB31621A335154E876A1B Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 12466.002809/2006-81. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 10508.000005/2007-60
Data da sessão: Thu Oct 28 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Data do fato gerador: 30/11/2006
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. APLICABILIDADE
A denúncia espontânea, objeto do Código Tributário Nacional - CTN, art.
138, não se aplica a tributos sujeitos a lançamento por homologação,
regularmente declarados e pagos a destempo, inexistindo amparo legal para exclusão da multa de mora.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-000.724
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López que deram provimento apenas para os valores pagos antes da entrega da DCTF.
Matéria: DCTF_COFINS - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (COFINS)
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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APLICABILIDADE A denúncia espontânea, objeto do Código Tributário Nacional - CTN, art. 138, não se aplica a tributos sujeitos a lançamento por homologação, regularmente declarados e pagos a destempo, inexistindo amparo legal para exclusão da multa de mora„ Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.. Acordam os membros do Colegiada, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator, Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso e Maria Teresa Martínez López que deram provimento apenas para os valores pagos antes da entrega da DCTF„ ; r, LrVafirct, Cyn".2-1/-7 R6d-é 2 kl Pôssas - Presidente Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Rodrigo da Costa Possas (Presidente), Maurício Taveira e Silva, Maria Teresa Martínez López, José Adão Vitorino de Morais (Relator) e Antônio Lisboa Cardoso. Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão proferida pela DRJ Salvador, BA, que julgou procedente o lançamento da multa moratória isolada sobre as parcelas da contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) pagas depois da data dos respectivos vencimentos, fixada em lei, sem o acréscimo daquela multa. Cientificada do lançamento, a recorrente interpôs a impugnação às fls. 01108, requerendo o seu cancelamento, alegando, em síntese, denúncia espontânea pelo fato de todas as parcelas terem sido pagas antes da instauração de quaisquer procedimentos administrativos fiscais por parte do Fisco. Analisada a impugnação, aquela DR ...1 julgou o lançamento procedente, conforme acórdão rf 15-21244, às fls., 119/121, sob a seguinte ementa: "MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. A multa de mora não tem natureza juridica de sanção ou penalidade, mas sim de indenização por atraso no pagamento, de modo que não cabe sua exclusão cm casos de denúncia espontânea" Inconformada, com essa decisão, a recorrente interpôs o recurso voluntário às fls.. 125/130, requerendo a sua a reforma a fim de que se julgue improcedente o lançamento, alegando, em síntese, a mesma razão expendida na impugnação, ou seja, a ocorrência da denúncia espontânea nos termos do CTN, art. 138 o que implica no afastamento da multa de mota. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto n" 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Preliminarmente, ao contrário do entendimento da recorrente, a multa de mora, objeto do lançamento em discussão, teve fundamento o art. 43 da Lei IV 9,430, de 27/12/1996, c/c o art. 161, §§ 1" e 2" desta mesma lei, e não o art. 44, inciso 1. Assim, não há que se falar em aplicação do princípio da retroatividade benigna das leis, previsto no CTN, art, 106, para afastar a multa e cancelar o lançamento. O instituto da denúncia espontânea, ao contrário do entendimentcr-da recorrente, não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmemi declarados pelo contribuinte e pagos a destempo, como no presente caso, Tanto é verdade cifie o CTN, assim dispõe: "Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta sçjy_páríIL)d(_pçr osi dast. e 2 José A orino de Morais Processo n" 10508 000005/2007-60 S3-C311 Acórdão n." 3301-0M24 Fi 138 da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária." (grifo não-original). Conforme se verifica deste dispositivo legal, além dos juros de mora, o crédito tributário não integralmente pago no vencimento está sujeito à imposição de penalidades previstas nele e/ ou em lei tributária. No presente caso, a multa lançada e exigida teve como fundamento a Lei n" 9430, de 27/12/1996, arts. 4.3 e 61, §§ 1' e 2 0, No lançamento por homologação, o contribuinte tem o dever legal e a obrigação de calcular o valor do tributo e recolhê-lo, Assim, ao fazê-lo com atraso, não pode ser beneficiado pelo instituto da denúncia espontânea. Também este tem sido o entendimento do antigo Segundo Conselho de Contribuintes conforme provam as ementas a seguir transcritas: "NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DEMORA. APLICABILIDADE, A denúncia espontânea objeto do art. 138 do CTIV refere-se a outras infrações que não o mero inadimplemento de tributo, pelo que descabe excluir a multa de mora no caso de recolhimento com atraso. (Ac. N" .203-12..511, de 18/10/2007, Rel. Dr Emanuel Carlos Dantas de Assis). DENÚNCIA ESPONTÂNEA INOCORRENCIA O pagamento de tributo ou contribuição espontâneo e extemporâneo enseja a inclusão de multa e juros de mora, cuja natureza se caracteriza pelo caráter compensatório ou reparatório. (Ac. .201-81.587, de 07/11/2008, Rel. Dr, Mauricio Taveira e Silva) Cabe, ainda, ressaltar que, na esfera do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), já editou súmula sobre esta matéria, a de if 360, publicada no Dje, de 09/09/2008, que assim dispõe, in verbis: "Súmula n" 360 — O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo." Dessa forma, ao contrário do entendimento da recorrente, o instituto da denúncia espontânea não se aplica às parcelas da Cofins declaradas e pagas a destemp% Em face do exposto e de tudo o mais que consta dos autos, nego iírovimento ao recurso voluntário. 3
score : 1.0
Numero do processo: 35349.000887/2006-83
Data da sessão: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2302-000.116
Decisão: Resolvem os membros da Segunda Turma da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade, em converter o julgamento em diligência nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 10166.014701/2007-71
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1997, 01/05/1997 a 31/05/1997, 01/03/1998 a 31/03/1998, 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/10/1998 a 31/10/1998, 01/12/1998 a 31/01/1999.
DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08 declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regras do Código Tributário Nacional - CTN, Assim, comprovado nos autos o
pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4º; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 173,
VICIO FORMAL MPF - INOCORRÊNCIA
A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento.
PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO
TEMPORAL.
A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual.
RESPONSABILIDADE. SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE, NÃO OCORRÊNCIA.
A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n° 9,711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há beneficio de ordem na
aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2302-000.554
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos dos presentes conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior. e Thiago D' Ávila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, § 4º do CTN.. Quanto à parcela não decadente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso.
Nome do relator: LIÉGE LACROX THOMASI
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EMPRESAS EM GERAL Recorrente CONSTRUTORA CENTRAL DO BRASIL LTDA E OUTRO Recorrida DELEGACIA DA RECEITA PREVIDENCIÁRIA EM GOIÂNIA/GO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVI DENciÁmAs Período de apuração: 01/01/1997 a 28/02/1997, 01/05/1997 a .31/05/1997, 01/03/1998 a 31/03/1998, 01/05/1998 a 31/05/1998, 01/10/1998 a .31/10/1998, 01/12/1998 a 31/01/1999. DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08 declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as ' regras do Código Tributário Nacional - CTN, Assim, comprovado nos autos o pagamento parcial, aplica-se o artigo 150, §4 0 ; caso contrário, aplica-se o disposto no artigo 17.3, VICIO FORMAL MPF - INOCORRÊNCIA A ciência do sujeito passivo na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito após a expiração do Mandado de Procedimento Fiscal, não acarreta a nulidade do lançamento. PEDIDO DE EVENTUAL JUNTADA DE DOCUMENTOS. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual. RESPONSABILIDADE. SOLIDÁRIA. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE, NÃO OCORRÊNCIA . A tomadora de serviços é solidária com a prestadora de serviços até a entrada em vigor da Lei n° 9,711/1998. A elisão é possível, mas se não realizada na época oportuna persiste a responsabilidade. Não há beneficio de ordem na aplicação do instituto da responsabilidade solidária na construção civil. A — Presidente Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / 2" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos dos presentes conceder provimento parcial quanto à preliminar de decadência, nos termos do voto do relator. Os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Junior . e Thiago D' Ávila Melo Fernandes divergiram, pois entenderam que se aplicava o artigo 150, § 40 do CTN.. Quanto à parcela não decadente, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso. LIEG E LACROIX THOMAS1 Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi, Arlindo Costa e Silva, Thiago D'ávila Melo Fernandes, Manoel Coelho Arruda Júnior, e Marco André Ramos Vieira (presidente). Ausente a Conselheira Adriana Sato., Relatório Trata a notificação, lavrada em 05/11/2003 e cientificada ao sujeito passivo em 03/12/2003, de contribuições previdenciárias decorrentes da responsabilidade solidária entre a notificada e a empresa MARCO AURÉLIO TEIXEIRA, pelos serviços prestados na construção civil nas competências de 01/1997, 02/1997, 05/1997, 0.3/1998, 05/1998, 10/1998 e 12/1998 a 01/1999, O devedor solidário foi notificado por edital, em 22/06/2005, fis. 86. O relatório fiscal diz que a notificada não se ilidiu da responsabilidade solidária, não apresentando os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias e as respectivas folhas de pagamento para as competências de emissão de notas fiscais, ou faturas de prestação de serviços. Também não foram apresentados os contratos de prestação de serviços, tampouco restou comprovada a inexistência de mão de obra na operação dos equipamentos. Após a apresentação de defesa, Decisão-Notificação julgou o lançamento procedente. síntese: Inconformado o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega em que a solidariedade implica responsabilidade que somente pode ser imputada a alguém ligado ao fato gerador da obrigação; b) que somente após a constatação da existência de débitos da prestadora é que pode ser exigido o pagamento da recorrente; 2 3 Processo n" 10166 01470112007-71 Acórdão n " 2302-00.554 S2-C3T2 Fl 2 c) que as contribuições somente podem ser calculadas sobre a folha de salários, o faturamento ou o lucro, não havendo como arbitrar a base de cálculo sobre folha e faturamento alheios; d) que a fiscalização deveria ter consultado o conta-corrente das contribuições para elidir o débito; e) que não há embasamento legal para o arbitramento da base de que deve ser verificada se a data da notificação foi feita dentro do prazo de conclusão do MPF, sob pena de nulidade da notificação, Requer a juntada de provas a posteriori, que seja constatado que a data da notificação foi dentro do prazo do MPF, a improcedência ou o cancelamento da notificação, a realização de diligência fiscal e que o débito seja exigido primeiramente da prestadora. A DRP ofereceu as contra-razões, pela manutenção da decisão recorrida. Os autos foram encaminhados à segunda instância e acórdão da 04 Cai, fis. 137/139, converteu o julgamento em diligência para ser esclarecido pela fiscalização: 1) se houve fiscalização total na empresa prestadora que englobe total ou parcialmente, o período objeto do presente lançamento; e PAES); serviços, 2) se em nome da prestadora consta adesão a parcelamentos especiais (REF1S .3) se há registro de CND de baixa emitida em favor da prestadora dos Em resposta à diligência solicitada à fiscalização informa às tis:. 143, que não houve fiscalização no período do lançamento, ou em qualquer outro período; que não há registro de adesão ao REFIS e ao PAES; que não consta emissão de CND para fins de baixa. As devedoras solidárias foram cientificadas do teor da diligência fiscal, mas não houve qualquer manifestação. É o relatório, Voto Conselheira LIEGE LACROIX THOMAS I, Relatora. Sendo tempestivo conheço do recurso e passo ao seu exame, Da Preliminar A Notificação refere-se à responsabilidade solidária na prestação de serviços em construção civil, abrangendo alternadas competências no período de 01/19 1A7 a 01/1999, e foi lavrada em 05/11/2003, com ciência pelo sujeito passivo em 03/12/2003 e pelo devedor solidário através de Edital publicado em 22/06/2005. Assim, embora não argüida pelo recorrente é de se examinar a decadência por ser questão de ordem pública„ Nas sessões plenárias dos dias 11 e 12/06/2008, respectivamente, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n°8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n°08. Seguem transcrições: Parte final do voto proferido pelo Emito Senhor Ministro Gilmar Mendes, Relator Resultam ille011SlillIC1011(1à, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei n" 8 212/91 e o parágraftr único do art .5" do Decreto-lei a' 1 569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Ti ibutário, invaeliram conteúdo material sob a reserva coa s tit 1rd mial de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém-se higida a legislação anterior, com seus prazos qüinqüenais de prescrição e decadência e regras de fiuéneia, que não acolhem a hipótese de sitspensão da prescrição durante o arquivamento aáninistrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como o .s demais tributo.s, as contribuições de Seguridade Social sujeitam-se, entre outros, aos artigos 150, §- 4", 17.3 e 174 cio CTN Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 4.5 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do mi 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo trinco do art 5" do Decreto-lei n° 1.569/77,.frente ao § 1" do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Coa stitucional 01/69 É como voto Sumula Vinculante n° 08 "S'ao inconstitucionais o parágrafb único cio artigo .5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentado pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Ait 103-A O Sign-em° Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, depois de reiteradas decisões s obre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esteias federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na .forma estabelecido em lei (Inchado pela Emenda Constitucional n"45, de 2004). Lei n° 11 417, de 19/1212006 • 4 Processo n" 10166 014701/2007-71 Acõrdilo n" 2302-00354 S2-C312 EL 3 Regulamenta o ar! 103-A da Constituição Federal e altera a Lei fI L) 9.784, de .29 de .janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de súmula vinca/ante pelo Supremo Tribunal Federal, e dá outras providências Ari .2" O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, depois de reiteradas decisães sobre matéria constitucional, editar enunciado de sumula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá eleito vinca/ante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder á sua ievisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei ,Nç O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre dl-gr-1'0.s judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarreie go ave insegurança . jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. Como se constata, a partir da publicação na imprensa oficial, que se deu em 20/06/2008, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante, As contribuições previdenciárias são tributos lançados por homologação, assim devem observar a regra prevista no art, 150, parágrafo 4 0 do CTN. Havendo, então o pagamento antecipado, observar-se-á a regra de extinção prevista no art. 156, inciso VII do CTN. Entretanto, somente se homologa pagamento, caso esse não exista, não há o que ser homologado, devendo ser observado o disposto no art.. I 73, inciso 1 do CTN, Nessa hipótese, o crédito tributário será extinto em função do previsto no art. 156, inciso V do CIN. Caso tenha ocorrido dolo, fraude ou simulação não será observado o disposto no art. 150, parágrafo 40 do CTN, sendo aplicado necessariamente o disposto no art. 173, inciso 1, independentemente de ter havido o pagamento antecipado. Portanto, inclino-me à tese jurídica na Súmula Vinculante n° 08 para acatar o prazo decadencial exposto no Código Tributário Nacional artigo, artigo 17.3, inciso 1, uma vez que os valores lançados não foram objeto de recolhimento previdenciário, devendo ser excluídas do levantamento as competências de 01/1997, 02/1997 e 05/1997: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constitui; o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados 1 - da primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II - da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício .fbrinal, o lançamento anterioi incute efetuado Parágralb único O direito a que se rekie este artigo extingue-se definitivamente com o decurso do piazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito 6 tributário pela notificação, ao saleito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Esclareço à recorrente que a ciência da notificação fiscal de lançamento de débito ter ocorrido após a expiração do prazo constante do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF, não é causa da nulidade do lançamento eis que o mesmo ocorreu quando o MPF ainda estava válido. A ciência da notificação ao sujeito passivo não pode ser confundida com o lançamento do crédito prevideneiário, que foi efetuado dentro do prazo estipulado pelo Mn. Com respeito ao entendimento do Conselho de Recursos da Previdência Social, ao qual se refere a requerente, de que a notificação do sujeito passivo fora do prazo de validade do MPF, ensejaria a nulidade do lançamento, reitero o que já constou da decisão recorrida, ou seja: tal entendimento foi revogado pelo Enunciado N. 25, conforme Resolução MPS/CRPS n, 01, que transcrevo: RESOLUÇÃO NIPS/CRPS N. 1, de 23 de fevereiro de 2006— DOU de 06/03/2006 Edita o enunciado n. 25 do Conselho de Recursos da Previdência Social A C.-i1E-IRA SUPERIOR do Conselho de Recursos da Previdência Social especializada era matei ia de custeio, no uso da competência que lhe 6 ali ibuida pelo ai figo 303, parágrafo 1 inciso IV do Decreto n 3048/99, na redação do Decreto n 4 729, de 09 de junho cle 2003, publicadono Diário Oficial da União de 10 de junho de 2003, tendo em vista o disposto no alago 61 . Parágrafbs 1 e 2 e ar ligo 63, Parágrafo 5, Inciso Ida Portaria MPS n 88/2004 - Regimento Interno do CRPS — e cumplindo deliberação do Conselho Pleno em reunião realr;ddo no dia 23 de Fevereiro de 2006, resolve Editar o se tinta enunciado: Enunciado N. 25 A notificação do sujeito passivo após o prazo de validade do Mandado de Procedimento Fiscal — MPF — não acarreta nulidade do lançamento Quanto à apresentação de provas extemporâneas é de se destacar que o art. 16, inciso 111, cio Decreto n" 70..235/72, limitou o momento para a apresentação de provas, dispondo que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual: 16. A impugnação mencionará• - os inativos de fato e de direito em que se _ffindamenta, os pontos de discordáncia e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei n" 8.748, de 1993) ( E o parágrafo 4" do mesmo artigo, diz que: 4" A prova documental será apresentada na impugnação, precluinchr o (incito de o impugnantelazê-lo em outro momento processual, a menos que- (Incluído pela Lei n" 9. 532, de 1997). 7 Processo n" 10166 014701/2007-71 S2-C3 T2 Acórdão o " 2302-00,554 El 4 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua aprevanaçõo oportuna, por motivo de .fbrça maior-, (Incluído pela Lei n" 9.532, de 1997) b) refira-se a li-no ou a direito superveniente,- (Incluído pela Lei n"9.532, de 1997) c) destine-se a contrapor .fidos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Incluído pela Lei n" 9..532, de 1997) No processo em questão não ficaram demonstrados tais requisitos para a apreciação das provas trazidas fora do prazo. E, também, é de se notar que não foram trazidas quaisquer provas a serem examinadas, Do Mérito De acordo com a legislação vigente desde a época da ocorrência do fato gerador, qual seja, a contratação dos serviços de construção civil nas competências citadas, o tomador do serviço responde solidariamente com o prestador pelo recolhimento das contribuições previdenciárias. Conforme o inciso VI do artigo 30, da Lei n." 8.212/91, o proprietário, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma, ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando em qualquer hipótese o beneficio de ordem. Portanto, no caso de construção civil, indiferentemente de como o serviço é prestado, sempre haverá a solidariedade, ressalvado o direito à retenção para as competências posteriores a 01/1999, o que não é o caso da presente notificação. O levantamento do crédito previdenciário obedece à legislação de regência e no Anexo FLD — Fundamentos Legais do Débito, fis, 11/14, consta expressamente à fundamentação legal que permite o lançamento por aferição indireta. Quando da quitação da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, cabe ao contratante de obra ou serviço de construção civil, exigir da empresa contratada por empreitada total ou parcial, ou subempreitada, até a competência janeiro de 1999, inclusive, cópia das folhas de pagamento e dos documentos de arrecadação com vinculação inequívoca à obra. O artigo 42, parágrafo 1" do Decreto n. 612/92, que deu nova redação ao Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto no. 356/91 estabelece que a responsabilidade solidária pode ser elidida, desde que seja exigido do construtor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluídos em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma estabelecida pelo INSS Já os parágrafos 1" e 2" do artigo 43 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social — ROCSS, aprovado pelo Decreto no. 2.173/9 ,7, que revogou o Decreto 612/92, determinam que a responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluidos em nota fiscal ou .fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente, e que, para esse efeito, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Não apresentando estes documentos, e uma vez que a não apresentação ou a apresentação deficiente de documentos ou informações autoriza a aferição dos valores devidos, com base no parágrafo 3" do artigo 33 da Lei 8.212/91, ficou o recorrente sujeito à cobrança do N,alor indiretamente aferido com base nas notas fiscais, faturas ou recibos de prestação de serviços. Também o mesmo artigo 33 da Lei n.." 8,212/91, com a redação vigente à época da notificação confere ao INSS a competência para normatizar o recolhimento das contribuições previdenci afias: Ari 3.3 Ao Instituto Nacional do Seguro Social — INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do artigo 11, bem como as contribuições incidentes a titulo de _substituição, e a Secretaria da Receita Federal SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas "d" e "e" clo pai-agi-O) único do artigo 11, cabendo a ambos os órgiios, na e/ ira de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. Nesta esteira, as Ordens de Serviço INSS/DAF 1\1,." 051/92 (período de 05/1997 a 07/1997) e 167/97, vigentes à época do lançamento, definem o procedimento criterial de apuração da remuneração da mão-de-obra com base na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços e estabelecem os parâmetros para aferição indireta da remuneração da mão-de-obra com base na nota fiscal, na fatura ou no recibo de prestação de serviços, caso haja previsão contratual de fornecimento de material, ou de utilização de equipamentos, ou de ambos, na execução dos serviços contratados. A fiscalização, em obediência aos comandos normativos, utilizou, para cálculo da remuneração, a aliquota de quarenta por cento sobre a nota fiscal de serviço, quando há somente mão de obra e de doze por cento sobre o valor das notas fiscais de serviços com utilização de meios mecânicos, No que tange a solicitação da recorrente de que sejam aproveitados os recolhimentos no CNP,I da prestadora de serviços, saliento que a conta-corrente da empresa, às fis.,87/88, demonstra que não há qualquer recolhimento no período lançado nesta notificação. Segundo o artigo 124 do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; e as pessoas expressamente designadas por lei.. O parágrafo imico do artigo 124 do CTN informa ainda que a solidariedade referida não comporta benefício de ordem. Na solidariedade passiva, não existindo beneficio de ordem, o instituto da solidariedade não se compadece com a obrigatoriedade de ouvir-se primeiro urna das partes )Á 8 " Processo n" 10166 014701/2007-71 Acórdão n." 2302-00354 s2-C3T2 Fl 5 envolvidas para, somente após, verificada a inadimplência desta, forçar-se a outra ao cumprimento da obrigação. O credor, pelo contrário, tem a faculdade de escolher a seu talante, não havendo hierarquia a ser obedecida.. A solidariedade no débito não é sucessiva, mas concomitante ou simultânea, podendo qualquer dos envolvidos ser acionado. Na própria definição da palavra se nota a precisão de tal conceito: "Solidariedade: 8 Vinculo furídico entre os credores Ou entre os devedores) duma mesma obrigação, cada um (Ides com direito (ou compromisso) ao total da divida, de sorte que cada credor pode exigir (ou cada devedor é obrigado a pagar) integrahnente a prestação objeto daquela obrigação". Solidário • 1. Que responsabiliza cada um de muitos devedores pelo pagamento total de uma divida "(in Dicionário ,4 urélio, Editora Nova Fronteira, 2"ed , pág. 16(27)" Outra não é a linguagem do direito legislado, como se observa nos diplomas que regem a matéria, em que não se faz exigência alguma quanto ao procedimento do credor no sentido de seguir determinada ordem na tramitação da cobrança, o que implica em facultar- lhe a opção pelo que lhe pareça menos dificultoso ou mais conveniente. A cobrança recaiu na contratante, o que implica dizer que ela está sendo chamada a responder pelas obrigações previdenciárias decorrentes da execução da obra, de forma que o ônus da prova da regularidade fiscal da construção civil é seu.. Exigir a investida fiscal no prestador dos serviços é redirecionar a cobrança e tornar absolutamente inócuo o instituto da solidariedade. Portanto, e ainda considerando o resultado da diligência solicitada pela 04" Ca.l, onde resta evidenciado que o prestador de serviço não foi fiscalizado, que não há parcelamentos em seu nome, tampouco CND de baixa de obra, está correto o lançamento do débito na contratante em face de todo o exposto sobre a solidariedade na construção civil. Pelo exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, para acatar o prazo &cadenciai exposto no artigo 173, I, do Código Tributário Nacional, e excluir do lançamento às competências de 01/1997, 02/1997 e 05/1997. Sala das Sessões, em 18 de agosto de 2010 LIEGE L CROIX THOMASI Relatora
score : 1.0
Numero do processo: 10840.002294/2001-65
Data da sessão: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2004
Ementa: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO - Verificada, em sede de embargos de declaração, a incompetência da Câmara para julgamento do recurso, deve ser anulado o acórdão e encaminhado o processo ao Primeiro Conselho de Contribuintes. Acórdão anulado por vício de competência. Embargos acolhidos
Numero da decisão: 203-08.760
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração para anular o Acórdão n° 203-08.760 e declinar competência para o Primeiro Conselho de Contribuintes, nos termos do voto da Relatora.
Matéria: PIS - ação fiscal (todas)
Nome do relator: Luciana Pato Peçanha Martins
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Numero do processo: 13603.001134/2005-13
Data da sessão: Tue Apr 13 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Data do fito gerador: 01/01/2001
RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA.
NÃO CONHECIMENTO - Não se conhece de apelo de oficio quando, em
face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2202-000.495
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de oficio, por perda de objeto, nos termos do voto do Relatar.
Matéria: ITR - ação fiscal - outros (inclusive penalidades)
Nome do relator: PEDRO ANAN JUNIOR
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Data do fito gerador: 01/01/2001 RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO - Não se conhece de apelo de oficio quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado Recurso não conhecido.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-12-15T10:32:24Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-12-15T10:32:24Z; Last-Modified: 2010-12-15T10:32:24Z; dcterms:modified: 2010-12-15T10:32:24Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:da5c5830-db75-4917-98bc-8d143c2eb406; Last-Save-Date: 2010-12-15T10:32:24Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-12-15T10:32:24Z; meta:save-date: 2010-12-15T10:32:24Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-12-15T10:32:24Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-12-15T10:32:24Z; created: 2010-12-15T10:32:24Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-12-15T10:32:24Z; pdf:charsPerPage: 1120; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-12-15T10:32:24Z | Conteúdo => S2-C2T2 El MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS ,táWP SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 13603,001134/2005-13 Recurso n" 340,846 De Oficio Acórdão n" 2202400,495 — 2" Câmara / 2" Turma Ordinária Sessão de 13 de abril de 2010 Matéria ITR - Ex : 2001 Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado JOÃO COUTINHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Data do fito gerador: 01/01/2001 RECURSO DE OFÍCIO - LIMITE MÍNIMO DE ALÇADA. NÃO CONHECIMENTO - Não se conhece de apelo de oficio quando, em face de determinação superveniente à formalização do recurso, o limite mínimo de alçada não é alcançado Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, não conhecer do recurso de oficio, por perda de objeto, nos termos do voto do Relatar. N, liKeddite !! t)4 Pe. -o Anal] Junior - Relator EDITADO EM: 2 Ay; Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Pedro Anan Júnior, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Helenilson Cunha Pontes, Gustavo Lian Haddad e Nelson Mallmann (Presidente), Relatório Contra o contribuinte João Coutinho inscrito no CPF sob n" 001.21L856-72, foi lavrado, auto de infração em 28 de junho de 2005, fis 03/18, no se exige o crédito tributário no montante de RS 849.410,95 (principal, multa e juros) a título de Imposto Sobre a Propriedade Territorial Rural — 1TR, dos exercícios de 2001 a 2002, incidentes sobre o imóvel rural denominado Fazenda Barra Mansa (NIRF 1.688.389-6) localizado no Município Rio Casca — Estado de Minas Gerais.. O contribuinte foi intimado para apresentar documentos para comprovar as informações declaradas na DITR's, fls 25/26.. Tendo em vista que não foi apresentado até a data fixada na intimação qualquer documentação de prova, a autoridade lançadora lavrou o auto de infração, glosando as áreas declaradas como preservação permanente, ocupadas com benfeitorias utilizadas na produção vegetal e para pastagens, além de rejeitar o VTN declarado por entender que o mesmo estava subavaliado, arbitrando os valores declarados pelo contribuinte. Devidamente cientificado da autuação fiscal, o contribuinte apresentou tempestivamente impugnação de fls. 35/50, apoiados em documentos de fis. 52 a 174. A autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela improcedência parcial do lançamento através do acórdão da 1" Turma da DRJ/BSA n° 21,988, de 22/08/2007, às fls. 180/197 , cuja síntese da decisão segue abaixo: ASSUNTO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RUAL ITR Exercício. 2001, 2002 DAS ÁREAS DE .PRESER PA 0'0 PERMANENTE As áreas de preservação permanente, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo 1BAMA/órgão conveniado ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do requerimento do competente ADA. DAS ÁREAS OCUPADAS COM BENFEITORIAS E UTILIZADAS NA PRODUÇÃO VEGETAL E NA ATIVIDADE GRANJEIRA/AOUICOLA Estando as alegação do contribuinte devidamente embasadas em documentos hábeis, cabe muar as áreas ocupadas com benfeitorias utilizadas com produtos vegetais e na atividade granjeira/aq iiicola pretendidas DAS ÁREAS DE PASTAGENS — REBANHO Com base nos rebanhos comprovados, cabe acatar as áreas de pastagens pretendidas, observado o irulice de lotação mínima por zona de pecuária fixado para o município onde se localiza o imóvel, para efeito de apuração do Grau de Utilização 2 Processo n" 1 361)3. 001 1.34/2005-1 3 S2-C212 Acórdão n " 2202-00,495 Fl 2 DO VALOR DA TERRA NUA — VTN Cabe restabelecer a tributação do imóvel com base no 117'N declarado, quando apresentado Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por prolissionao - habilitado, com ARI' devidamente anotado no CREA, (rias/ando a hipótese de subavaliação. Lan, emo -ocedente em parte. Ho i recu o de oficio por . parte da DRJ/Brasilia„ fiS 'tø A , _d. i P1 É o relatóri i 3 Voto Conselheiro Pedro Anan Junior, Relatou Trata-se de recurso de oficio interposto pelo Presidente da Delegacia Regional de Julgamento de Brasilia. Como se verifica dos autos, a autoridade recorrida, ao examinar o pleito, decidiu, por unanimidade pela improcedência parcial do lançamento através do acórdão da 1" Turma da DRJ/BSA n° 21,988, de 22/08/2007, às fls, 180/197 , ensejando recurso de oficio nos termos do art. 34 do Decreto 70.235/1972 combinado com a Portaria MF n 0 375/ 2001, Não obstante, há fato superveniente que impede o conhecimento do presente recurso de oficio, Isto porque com a edição da Portaria MF n" 3, de 2008, que elevou de R$500,000,00 para R$1,000,000,00 o limite de alçada, aplicando-o ainda apenas à sorna de principal e encargos de multa, o valor exonerado pela decisão de primeira instância não ensejaria a revisão de oficio da r, decisão. Com efeito, nos termos da decisão de primeira instância o montante exonerado pela decisão da DRJ é de valor inferior ao novo limite estabelecido, igual a R$ 1.000,000,00, para imposto e encargos de multa somados. Resta ela* portanto, que o presente recurso de oficio perdeu seu objeto em decorrência de lei. ção perveniente. Ante o exposto, voto no sentido de dele NÃO CONHECER, 11 p -nro An, it Junior 4 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS 2" CAMARA/2" SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n": I3603.001134/2005-1.3 Recurso n': 340.846 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3" do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009, intime-se o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão n" 2202-00.495. Brasília/DF, 2 ° ABO 2 10 d EVELINE COÊLHO DE ELO HOMAR Chefe da Secretaria Segunda Câmara da Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: ( ) Apenas com Ciência ( ) Com Recurso Especial ( ) Com Embargos de Declaração Data da ciência: Procurador (a) da Fazenda Nacional
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000353/2007-20
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 01/01/1999 Ementa: DECADÊNCIA. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91. Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, que é o caso das contribuições previdenciárias, devem ser observadas as regas do Código Tributário Nacional - CTN. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-001.075
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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