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Numero do processo: 19515.001728/2006-81
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 14 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS.
Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do CTN.
Ocorrendo o pagamento antecipado, ausente a hipótese de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 150, § 4º do CTN.
PASSIVO FICTÍCIO - EXIGIBILIDADE COMPROVADA.
O fato de a escrituração indicar a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou incomprovadas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção.
Apresentada na impugnação, documentação hábil e idônea que comprova a exigibilidade da obrigação na data do fechamento do balanço, a base de cálculo deve ser refeita.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se no que couber aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa.
Recurso voluntário parcialmente provido.
Numero da decisão: 1402-001.469
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência do IRPJ e da CSLL para as operações lançadas na contabilidade até 31/12/99; e para o PIS e a Cofins, em relação às operações contabilizadas até 28/08/2001. O conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou pelas conclusões em relação à decadência. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à operações com a Canbras Communications Corp nos valores de R$ 133.000,00; R$ R$ 2.640.000,00; R$ 1.934.520,00.Fica mantida a exigência referente às operações com essa empresa nos valores de R$ 1.390.200,00 e R$ 372.750,00 e também àquelas operações com o Banco Rural nos valores de R$ 1.093.000,00 e R$ 2.000.000,00.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Pelá - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá.
Nome do relator: CARLOS PELA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2001 DECADÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do CTN. Ocorrendo o pagamento antecipado, ausente a hipótese de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 150, § 4º do CTN. PASSIVO FICTÍCIO - EXIGIBILIDADE COMPROVADA. O fato de a escrituração indicar a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou incomprovadas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Apresentada na impugnação, documentação hábil e idônea que comprova a exigibilidade da obrigação na data do fechamento do balanço, a base de cálculo deve ser refeita. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplica-se no que couber aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Recurso voluntário parcialmente provido.
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TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. IRPJ. CSLL. PIS. COFINS. Inocorrendo o pagamento antecipado, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 173, I, do CTN. Ocorrendo o pagamento antecipado, ausente a hipótese de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial do direito de constituir o crédito tributário, para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deve observar o disposto no artigo 150, § 4º do CTN. PASSIVO FICTÍCIO EXIGIBILIDADE COMPROVADA. O fato de a escrituração indicar a manutenção, no passivo, de obrigações já pagas ou incomprovadas, autoriza presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção. Apresentada na impugnação, documentação hábil e idônea que comprova a exigibilidade da obrigação na data do fechamento do balanço, a base de cálculo deve ser refeita. LANÇAMENTOS REFLEXOS. A solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, aplicase no que couber aos lançamentos decorrentes, quando não houver fatos ou argumentos novos a ensejar conclusão diversa. Recurso voluntário parcialmente provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 17 28 /2 00 6- 81 Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a decadência do IRPJ e da CSLL para as operações lançadas na contabilidade até 31/12/99; e para o PIS e a Cofins, em relação às operações contabilizadas até 28/08/2001. O conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto acompanhou pelas conclusões em relação à decadência. No mérito, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência referente à operações com a Canbras Communications Corp nos valores de R$ 133.000,00; R$ R$ 2.640.000,00; R$ 1.934.520,00.Fica mantida a exigência referente às operações com essa empresa nos valores de R$ 1.390.200,00 e R$ 372.750,00 e também àquelas operações com o Banco Rural nos valores de R$ 1.093.000,00 e R$ 2.000.000,00. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez. e Carlos Pelá. Relatório Tratase de auto de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 64/81), cumulados com juros e multa de mora, referente ao anocalendário 2001, lavrado em razão (i) da suposta omissão de receitas decorrente de passivo fictício, com fulcro no art. 40 da Lei nº. 9430/96; e (ii) da glosa de despesas a título de juros e variação cambial, decorrente exclusivamente de reflexo da desconsideração das obrigações escrituradas no passivo. Diante da autuação, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 100/120), bem como os documentos de fls. 121/1069 e 1105/1177, que, por suas vezes, comprovariam a efetividade das obrigações contraídas, decorrentes de contratos de mútuo realizados com empresas coligadas. O presente processo foi enviado à DIPAC/DEFIC/SPO para que fosse atestado, realizandose diligências junto à contribuinte, caso necessário, se os documentos juntados aos autos seriam hábeis e idôneos a comprovar o passivo e se as referidas despesas preencheriam os requisitos legais, solicitandose, ainda, relatório conclusivo quantificando os saldos remanescentes não comprovados e a juntada dos documentos que entendesse necessários. O relatório fiscal conclusivo (fls. 1253/1257) conta que a contribuinte atendeu apenas parcialmente os termos de intimação para entrega de documentos, que durante Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 4 3 o procedimento fiscal a contribuinte mudouse e não foi mais possível encontrála ou a seus sócios, procuradores, responsável perante o CNPJ ou preposto, razão pela qual restou prejudicado o andamento da diligência. Ao apreciar a impugnação, a 4ª Turma da DRJ/SPO1 (fls. 1258/1270), considerou procedente o lançamento, sob o argumento de que os documentos apresentados pela contribuinte não seriam suficientes para comprovar as obrigações em discussão, nos termos da ementa a seguir reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 OMISSÃO DE RECEITAS. PASSIVO FICTÍCIO. Incomprovada a exigibilidade de valores lançados à conta de financiamento a curto e a longo prazo, mantémse a exigência fundada em presunção de omissão de receitas por passivo fictício. CUSTOS OU DESPESAS NÃO COMPROVADAS. GLOSA DE DESPESAS. Os valores lançados a resultado a título de despesas financeiras e de variações cambiais devem ser glosados quando não comprovados os mútuos que lhes teriam dado origem. o PIS. COFINS. CSLL. A decisão referente ao auto de infração do IRPJ deve, no que couber, ser estendida às autuações decorrentes, pela relação de causa e efeito existente entre elas. Lançamento Procedente No momento de cientificar a contribuinte da decisão da DRJ, a autoridade administrativa remeteu a intimação para endereço da contribuinte diverso daquele eleito na impugnação, de modo que a contribuinte não recebeu a carta e, portanto, a intimação foi realizada via edital. O prazo estabelecido no edital para a apresentação de recurso decorreu sem que a contribuinte tomasse ciência do teor da decisão, de forma que, sem defesa, os autos foram enviados à Procuradoria da Fazenda Nacional para inscrição dos valores em Dívida Ativa. Inconformada com a maneira como foi realizada a intimação e com a conseqüente perda de prazo recursal, a contribuinte levou a questão da nulidade da intimação para apreciação pelo Poder Judiciário. Deste modo, impetrou mandado de segurança 2009.61.00.0122833, nos autos do qual obteve medida liminar determinando o regular recebimento e processamento do Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 5 4 presente recurso voluntário, com a conseqüente suspensão da exigibilidade do crédito objeto da inscrição em Dívida Ativa nº. 80.2.08.00965386. No recurso voluntário (fls. 1325/1360), a contribuinte alega, preliminarmente, a decadência do direito do fisco exigir valores decorrentes de contratos de mútuo escriturados anteriormente a 28/8/2001, posto que decorridos mais de cinco anos da ocorrência do fato gerador, conforme art. 150, § 4º do CTN. Sobre o tema, afirma que, para os casos em que o fato gerador é presumido – como no presente caso, em que foi presumida a omissão de receitas, decorrente da manutenção de passivo fictício , o fato índice desta presunção se dá com a escrituração da obrigação na contabilidade, momento em que surge o reflexo tributário daquele fato jurídico. Ressalta que o passivo ora desconsiderado pela fiscalização já constava nas DIPJs anteriores à 2001, as quais nunca foram contestadas pelo fisco. No mérito, sustenta: 1) o descabimento da aplicação da presunção de omissão de receitas por passivo fictício ante a ausência de seu fatoíndice, já que a regra do art. 40 da Lei nº. 9430/96 não seria aplicável às obrigações inexistentes. Afirma que, o registro de obrigações inexistentes no passivo do contribuinte poderia ensejar (i) a aferição direta (não por via presuntiva) de omissão de receitas; ou (ii) a glosa das despesas correlatas; ou ainda (iii) a imposição do imposto de renda exclusivamente na fonte, de que trata o art. 61 da Lei n° 8981/95; porém, jamais a presunção de omissão de receitas por passivo fictício. 2) os valores contabilizados no passivo em 31/12/2001 e objeto da presente autuação possuem suas origens em: (i) financiamento junto ao Banco Rural S/A; (ii) contratos de mútuo firmados com a empresa Canbras Participações Ltda.; e (iii) contratos de mútuo via Banco Central firmados com as empresas Canbras Communications Corp. e Telem Inc. A partir dos documentos apresentados nos autos (os quais lista e enumera), afirma já ter comprovado os valores escriturados em seu passivo. 3) Contraargumentando as alegações da decisão recorrida acerca das provas apresentadas, afirma: Contratos de financiamento junto ao Banco Rural S/A Parte dos valores escriturados no passivo diziam respeito à quantia obtida através de contrato de financiamento contraído junto ao Banco Rural S/A. (fls. 634/643). Para comprovar tal operação, junto à impugnação foram apresentados os contratos de mútuo, resumos de empréstimos, bem como o instrumento particular de constituição de garantia relativo a estes contratos. A D. Autoridade Julgadora reconheceu a existência dos contratos de mútuo neste caso, ainda que tenha buscado desqualificar a prova por se tratar de "cópia simples" a qual apresentava assinaturas supostamente ilegíveis dos (i) representantes do banco, (ii) dos representantes da Requerente e (iii) de duas testemunhas. No entanto, a doutrina e jurisprudência entendem que as cópias simples de documentos possuem valor probatório de documentos originais, a menos que a parte contrária demonstre haver suspeitas específicas sobre tais documentos. Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 6 5 No caso presente não se levantou qualquer dúvida quanto à autenticidade dos documentos apresentados e das informações neles consignadas (mas apenas a mera falta de autenticação notarial das cópias apresentadas), razão pela qual não se pode, sequer, cogitar desconsiderálos. Ademais, não procede a exigência do julgador a quo acerca da demonstração dos pagamentos para a comprovação dos mútuos, pois o contrato de mútuo não é contrato real, que se aperfeiçoa com a entrega da coisa (no caso o ingresso das divisas), mas sim um contrato consensual, o qual obriga as partes desde o firmamento e escrituração na contabilidade da Recorrente. Contratos de Mútuo firmados com Canbras Participações Ltda. Para estes valores, além dos respectivos instrumentos contratuais, a Recorrente apresentou cópia dos Livros Diários da empresa credora (Canbras Participações Ltda. docs. 83/84 da impugnação), que comprovam a contabilização, bem como os extratos bancários daquela empresa (doc. 85 da impugnação), os quais comprovam as respectivas saídas dos recursos em favor da Recorrente, coincidentes em datas e valores. Não merece amparo a alegação de que cópia não autenticada não se presta a comprovação documental, pelos motivos já expostos. Além disso, a grande maioria destes contratos está sim firmado pela Recorrente, mutuante e testemunhas, ao contrário do que afirmou o julgador. E, ainda que assim não fosse, a via contratual juntada na presente defesa é a que foi entregue à Recorrente, a qual, de praxe, é assinado pela outra parte, devendo, posteriormente ser assinado pelo detentor da via. Embora a Recorrente tenha, por lapso, esquecido de assinar a via, o documento anexado demonstra suficientemente a existência do negócio jurídico, pois possui a assinatura do contratante (que é o terceiro). Nesse passo, problemática seria a situação em que apenas a Recorrente tivesse assinado o documento, o que não ocorreu "in casu". Quanto às assinaturas das testemunhas, a sua eventual ausência também é irrelevante, pois aqueles são apenas requisitos de executoriedade do título extrajudicial. O instrumento particular, ainda que sem a assinatura de testemunhas, formaliza a relação jurídica, isto é, representa o negócio jurídico do qual decorreram direitos e obrigações. Por outro lado a D. Autoridade Julgadora entendeu que parte dos contratos já teria vencido anteriormente a 2001, o que não justificaria a manutenção daquele saldo no passivo da Recorrente. Ocorre que, uma vez que a Recorrente ainda não tinha adimplido a obrigação, mesmo que já tivesse vencido o prazo, o ônus continuava em sua contabilidade. Não procede a afirmação de que os contratos apresentados eram desprovidos de "formalidades básicas", pois a legislação brasileira estabelece que os contratos em geral não terão forma prescrita (exceto aqueles que a Lei previamente estabelece o que não se observa no presente caso), não sendo necessária nem mesmo a forma escrita. Imperam no direito contratual o princípio da boa fé e da liberdade das formas. Ainda que assim não fosse, tratamse de operações de mútuos entre empresas coligadas, cuja comprovação independe de qualquer contrato escrito ou documento semelhante, bastando que se apresentem os lançamentos contábeis registrados pela empresa credora e sua congênere devedora. Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 7 6 Contratos de Mútuo via BACEN (empréstimos externos Canbras Communications Corp. e Telem, Inc) Estas operações de mútuo, contratadas com credores no exterior, foram devidamente registradas e autorizadas pelo Bacen. O julgador a quo entendeu que o Bacen teria apenas "autorizado" o ingresso dos recursos no país sem que tenha ocorrido a comprovação do seu efetivo ingresso. Contudo, a autorização de ingresso foi apenas um dos documentos anexos. Além desta autorização, foram apresentadas cópia do contrato de câmbio, do Certificado de Registro emitido pelo Bacen e as telas do Sistema de Informações do Bacen – SISBACEN, que informam a migração das operações e sua situação atual. Portanto, uma vez que o Bacen emitiu o certificado de registro, comprovando a existência do contrato de mútuo, e conseqüentemente da obrigação assumida, não poderia a D. Autoridade Julgadora desconsiderálo. Glosa das despesas Os valores glosados estão diretamente ligados aos mesmos contratos de mútuo já analisados, consistindo seu reflexo tanto em termos de juros passivos quanto em relação à variação cambial, no caso dos empréstimos externos. Desta forma, sua comprovação documental se dá pelos mesmos documentos já juntados e comentados. Subsidiariamente, da compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL apurados em exercícios anteriores Na remota hipótese de ser mantido o auto de infração, requer que o saldo de prejuízo fiscal e bases negativas de CSLL sejam considerados até o limite legal de 30% do lucro do período. É o Relatório. Voto Conselheiro CARLOS PELÁ, Relator Recebo o recurso em razão da decisão judicial. Da decadência Preliminarmente, no que tocam às alegações sobre decadência, conforme DIPJ 2002, anocalendário 2001 (fl. 25/58), importa notar que não foram feitos pagamentos antecipados de IRPJ e CSLL, apenas de PIS e COFINS. Portanto, ao PIS e à COFINS aplicase a regra específica do art. 150, § 4º do CTN e ao IRPJ e à CSLL a regra geral exarada no artigo 173, inciso I do CTN, que fixa o Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 8 7 termo inicial para contagem do prazo decadencial no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Isso porque, conforme entendeu o Egrégio STJ no REsp nº. 973.733SC, nos casos de tributo sujeito à lançamento por homologação, inexistindo pagamento antecipado, aplicase o prazo decadencial previsto no artigo 173, I do CTN que, por sua vez, não tem aplicação cumulativa/concorrente com o prazo do artigo 150, § 4º do CTN. Lembrando que, como esse recurso fora definitivamente julgado pelo Egrégio STJ em sede de recurso repetitivo (Art. 543C do CPC), a decisão tornouse vinculante àquelas proferidas por este CARF, consoante enunciado do artigo 62A do Regimento Interno aprovado pela Portaria MF nº. 256/09. Destarte, nos casos de omissão de receita decorrente de constituição de passivo fictício, o fato gerador é a data da contabilização do passivo inexistente. Se o contribuinte não comprova a data do lançamento que originou o passivo fictício, presumese esta na data do balanço fiscalizado pelo auditor que contenha o passivo fictício. A planilha abaixo indica a data em que foram contabilizadas as obrigações contraídas e consideradas inexistentes pela fiscalização: Com efeito, no caso em comento, para fins de IRPJ e CSLL o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", na visão desta E. Turma, corresponde ao primeiro dia do segundo exercício seguinte ao da ocorrência do fato imponível, que considerando a apuração anual, corresponderá a: 01/01/2000, 01/01/2001, 01/01/2002 e 01/01/2003, para fatos geradores ocorridos, respectivamente, em 1998, 1999, 2000 e 2001 Assim, tendo em vista que a ciência do auto de infração pela contribuinte só aconteceu em 28/08/2006 (fl. 88), percebese que a maior parte dos fatos geradores encontrase alcançada pela decadência. Não estão alcançadas pela decadência as obrigações escrituradas Data do lançamento contábil Característica/objeto Devedor Credor Valor U$ Valor R$ Doc. Nº da impugnação Fl. dos autos 07/06/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 419.289,00 728.137,28 69 605 15/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 196.000,00 325.360,00 68 593 31/03/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 693.525,50 1.190.783,28 66 569 05/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 680.561,00 1.168.523,24 67 581 05/02/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 600.000,00 1.068.000,00 65 558 17/06/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 490.000,00 N/C 64 550 28/05/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 500.000,00 N/C 78 647 09/11/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 500.000,00 N/C 79 652 14/09/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 50.000,00 133.000,00 60 496 12/09/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 1.000.000,00 2.640.000,00 61 512 15/05/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 840.000,00 1.934.520,00 62 527 28/12/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 600.000,00 1.390.200,00 63 546 07/06/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 956.811,00 1.661.597,98 57 475 31/03/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 708.339,00 1.216.218,06 55 455 05/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 141.474,50 242.911,72 54 443 25/02/2000 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 210.000,00 372.750,00 59 492 15/12/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 350.000,00 613.808,00 58 488 08/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 204.000,00 338.640,00 56 459 15/01/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 837.625,00 N/C 80 655 09/10/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Participações Ltda. 54.787,60 65.000,00 73 630 05/10/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Participações Ltda. 113.876,00 135.000,00 72 627 06/07/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Participações Ltda. 1.036.269,00 1.200.000,00 71 621 07/04/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Participações Ltda. 518.408,00 590.000,00 70 618 02/10/2000 Empréstimo TST Ltda. Banco Rural S/A 1.093.000,00 81 659 N/C Empréstimo TST Ltda. Banco Rural S/A 2.000.000,00 82 668 Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 9 8 em 25/02/2000, 02/10/2000, 14/09/2001, 12/09/2001, 15/05/2001 e 28/12/2001, bem assim como a última obrigação indicada na planilha (Empréstimo Banco Rural S/A, no valor de R$ 2.000.000,00), que, em virtude da falta de comprovação da data do respectivo lançamento, considerarseá ocorrida em 31/12/2001, data do balanço fiscalizado. De outro giro, no que toca ao PIS e a COFINS, em virtude da disposição do art. 150, § 4º do CTN e da sistemática de apuração mensal, verificase que apenas os fatos geradores ocorridos em 14/09/2001, 12/09/2001 e 28/12/2001 não se encontravam decaídos em 28/08/2006. Da mesma forma e pelas mesmas razões, também aqui, para fins de incidência do PIS e da COFINS, não se encontra decaída a última obrigação indicada na planilha (Empréstimo Banco Rural S/A, no valor de R$ 2.000.000,00), que, em virtude da falta de comprovação da data do respectivo lançamento contábil, considerase escriturada em 31/12/2001, data do balanço fiscalizado. Logo, estando parcialmente extinto o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário, deve ser acolhida a arguição de decadência, de modo que voto por dar parcial provimento ao recurso voluntário nesta parte. Abro um parêntese para atestar que fiquei vencido na turma quanto à contagem do prazo decadencial do art.173, I do CTN. Isso porque, de acordo com a decisão do STJ supra referida, o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado", nos casos de apuração anual, é o primeiro dia do exercício seguinte ao fato imponível. Assim, no caso em comento, para fins de IRPJ e CSLL, tendo em vista que a ciência do auto de infração pela contribuinte só aconteceu em 28/08/2006 (fl. 88), além das obrigações escrituradas em 14/09/2001, 12/09/2001, 15/05/2001, 28/12/2001 e da última obrigação indicada na planilha (Empréstimo Banco Rural S/A, no valor de R$ 2.000.000,00), que, em virtude da falta de comprovação da data do respectivo lançamento, considerarseá ocorrida em 31/12/2001, data do balanço fiscalizado, também não estavam alcançadas pela decadência as obrigações escrituradas em 25/02/2000 e 02/10/2000. Assim, passo a analisar o mérito relacionado às obrigações não decaídas, indicadas na tabela abaixo, lembrando que, caso não seja comprovada a exigibilidade das obrigações escrituradas em 25/02/2000 e 02/10/2000, estas sofrerão a incidência apenas do IRPJ e da CSLL, já que alcançadas pela decadência para fins de PIS e COFINS. Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 10 9 Do mérito O passivo fictício, caracterizado pela contabilização de obrigações inexistentes ou manutenção no passivo de obrigações já pagas, caracteriza presunção legal de omissão de receitas prevista no Decretolei n° 1.598/77. Ao fisco basta provar o fato indício para que fique autorizado a presumir a omissão de receita, cabendo ao contribuinte comprovar a exigibilidade da obrigação escriturada na sua contabilidade. Nesse caso, os valores contabilizados no passivo em 31/12/2001 e objeto da presente autuação possuem suas origens em: (i) financiamento junto ao Banco Rural S/A; (ii) contratos de mútuo firmados com a empresa Canbras Participações Ltda.; e (iii) contratos de mútuo firmados com as empresas Canbras Communications Corp. e Telem Inc, domiciliadas no exterior. A Recorrente apresentou planilha (fl. 153, Doc. 2 da Impugnação) demonstrando pontualmente a composição do passivo de R$ 34.577.521,43 contabilizado em 31/12/2001 e declarado na DIPJ 2002. Apresentou, ainda, a movimentação de tais valores, ano a ano desde a sua origem em 1998, contrato por contrato, a qual está cuidadosa e pormenorizadamente demonstrada nas planilhas denominadas "Mapas de movimentação de empréstimos" (fl. 155, 284, 366 e 417, Docs. 3, 21, 36, 47 da Impugnação) e "Abertura analítica da Movimentação” (fl. 157, 286, 368 e 419, Docs. 4, 22, 37, 48 da Impugnação), relativas a cada ano (1998 a 2001), nas quais foram inclusive referenciados o número e página dos respectivos Livros Diários onde os lançamentos foram realizados. Além disso, foram juntadas cópias de cada um dos Livros Diários (termos de início, páginas nas quais estão lançados os respectivos valores e termo de encerramento – fls. 162/273, 290/359, 370/410 e 421/438, Docs. 5/20, 23/35, 38/46, 49/53 da Impugnação), bem Data do lançamento contábil Característica/objeto Devedor Credor Valor U$ Valor R$ Doc. Nº da impugnação Fl. dos autos 07/06/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 419.289,00 728.137,28 69 605 15/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 196.000,00 325.360,00 68 593 31/03/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 693.525,50 1.190.783,28 66 569 05/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 680.561,00 1.168.523,24 67 581 05/02/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 600.000,00 1.068.000,00 65 558 17/06/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 490.000,00 N/C 64 550 28/05/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 500.000,00 N/C 78 647 09/11/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Telem, Inc 500.000,00 N/C 79 652 14/09/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 50.000,00 133.000,00 60 496 12/09/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 1.000.000,00 2.640.000,00 61 512 15/05/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 840.000,00 1.934.520,00 62 527 28/12/2001 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 600.000,00 1.390.200,00 63 546 07/06/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 956.811,00 1.661.597,98 57 475 31/03/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 708.339,00 1.216.218,06 55 455 05/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 141.474,50 242.911,72 54 443 25/02/2000 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 210.000,00 372.750,00 59 492 15/12/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 350.000,00 613.808,00 58 488 08/04/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 204.000,00 338.640,00 56 459 15/01/1999 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Communications Corp. 837.625,00 N/C 80 655 09/10/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Participações Ltda. 54.787,60 65.000,00 73 630 05/10/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Participações Ltda. 113.876,00 135.000,00 72 627 06/07/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Participações Ltda. 1.036.269,00 1.200.000,00 71 621 07/04/1998 Empréstimo/Capital giro TST Ltda. Canbras Participações Ltda. 518.408,00 590.000,00 70 618 02/10/2000 Empréstimo TST Ltda. Banco Rural S/A 1.093.000,00 81 659 N/C Empréstimo TST Ltda. Banco Rural S/A 2.000.000,00 82 668 Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 11 10 como dos respectivos contratos que originaram tais valores (fl. 443/630, Docs. 54 a 73 da Impugnação). Anexou, ainda, a “composição das despesas” (fl. 642, Doc. 76 da Impugnação), “Mapa de abertura das contas de despesa” (fl. 644, Doc. 77 da Impugnação), Cópia de contratos (fl. 652/668, Docs. 79 a 82 da Impugnação), cópia dos Livros Razão da empresa Canbras Participações Ltda. (fl. 671/734, Docs. 83 e 84 da Impugnação), extratos bancários da empresa Canbras Participações Ltda. (fl. 780, Doc. 85 da Impugnação) e, por fim, a documentação do BACEN sobre contratos de mútuo firmados com as empresas Canbras Communications Corp. e Telen Inc. (Autorizações Prévias, Contratos de Câmbio, Certificados de Registro, Registros de Operação Financeira ROF e Telas do SISBACEN, fl. 787/1066, Docs. 86 a 104 da Impugnação). Com relação especificamente aos empréstimos tomados do Banco Rural, a Recorrente anexou um Mapa com o resumo dos empréstimos (fl. 633, Doc. 74 da Impugnação) e a cópia do contrato com o Banco Rural (fl. 635, Doc. 75 da Impugnação). Vale notar que, outros documentos, relacionados às operações já decaídas não foram listados, mas encontramse nos autos às fls. 1105/1178. A tabela acima relaciona todos os contratos que geraram os valores do passivo, indicandolhes a data, objeto, partes e valores, bem como o número sob o qual foram anexados os documentos a eles referentes na Impugnação e respectivas folhas dos autos. Sendo assim, passo a analisar a exigibilidade das obrigações não alcançadas pela decadência (financiamento junto ao Banco Rural e contratos de mútuo firmados com a empresa Canbras Communications Corp.), à luz dos documentos e esclarecimentos apresentados pela Recorrente. Financiamento junto ao Banco Rural Com relação às obrigações firmadas com o Banco Rural S/A, a Recorrente apresentou os documentos de nº. 74/75, 81/82 da Impugnação. O documento 74 traz um Resumo do Contrato Bancário cujo principal era R$ 1.093.000,00. O documento 75 traz a cópia desse contrato, de n° 96.25110. É uma cópia simples, constando a assinatura dos representantes do Banco Rural (nomes ilegíveis) e da Impugnante (também ilegível), e de duas testemunhas. Em relação a tal contrato, também foi acostado aos autos um Instrumento Particular de Constituição de Garantia (fls. 612/615) devidamente assinado, apesar de alguns nomes estarem parcialmente ilegíveis , indicando que foram dados em garantia do empréstimo Direitos Creditórios decorrentes de Prestação de Serviços. (O documento n°. 81 repete o de n°. 75). O documento de nº. 82 referese a um contrato de Operação de Crédito Rotativo, no montante de R$ 2.000.000,00, assinado só pela Impugnante. O contrato em questão é um contrato de crédito rotativo mediante caução rotativa de recebíveis, por meio do qual, usualmente, uma Instituição Financeira abre uma linha de crédito a uma pessoa física ou jurídica com limite préestabelecido e que pode ser utilizado Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 12 11 de forma automática pelo tomador, de acordo com suas necessidades. O crédito disponível diminui na medida em que o tomador o utiliza e aumenta na medida em que é feito o pagamento do principal já utilizado. Outra característica desse tipo de crédito é que o cliente paga encargos e impostos somente pelos recursos usados e pelo tempo que os utilizou. A decisão recorrida conclui que não estariam comprovados nos autos a entrega dos valores e a ocorrência dos pagamentos, para que ficasse demonstrada a existência dos mútuos, não restando comprovado o saldo em aberto. Especificamente quanto ao contrato no valor de R$ 2.000.000,00, frisa, ainda, que está assinado somente pela Recorrente. Primeiro, no que toca ao contrato no valor de R$ 2.000.000,00, merece razão o julgador a quo. Conforme cláusulas e condições do contrato, a Instituição Financeira abriria um limite de crédito em forma operacional de empréstimo no valor de dois milhões de reais pelo prazo de 90 dias. A operação de empréstimo seria realizada inicialmente sob a forma de abertura de crédito rotativo, podendo ser modificada para a natureza de mútuo, mantendose inalterada, porém, a sua exigibilidade. O limite de crédito aberto e colocado à disposição da Recorrente poderia ser por ela utilizado de forma integral (caso de mútuo) ou parcialmente (crédito rotativo), iniciandose o empréstimo, em ambas as hipóteses, com o efetivo depósito do crédito na conta corrente da Recorrente (Cláusula 2). Dessa forma, considerando que não há nos autos qualquer declaração da Instituição Financeira atestando a exigibilidade da referida obrigação, para que ficasse comprovada a exigibilidade do contrato assinado tão somente pela Recorrente, seria necessário, inicialmente, que ficasse comprovado o depósito do valor emprestado. No entanto, a Recorrente não apresentou documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores com as importâncias disponibilizadas, que pudesse comprovar a veracidade do crédito rotativo ou do mútuo tomado. O contrato de crédito rotativo não está sequer preenchido no campo que se refere à data em que seria realizado o pagamento correspondente ao valor do crédito aberto e a Recorrente não trouxe aos autos qualquer extrato bancário que demonstrasse ter ocorrido tal depósito. Vale notar que, o contrato também não está preenchido na parte em que se refere à garantia ofertada, tornando impossível verificar se os direitos creditórios dados em garantia pertenciam à Recorrente ou à terceiros. Não bastasse isso, a Recorrente também não apresentou o histórico da contabilização do crédito rotativo ou do mútuo tomado, registrando fielmente os valores utilizados, o seu pagamento ou o pagamento dos encargos para que pudesse ser comprovada a obrigação. Segundo, no que toca ao contrato no valor de R$ 1.093.000,00, também não merece razão a Recorrente. O contrato anexado aos autos, datado de 02/10/2000 data coincidente com a data da contabilização da referida obrigação , está devidamente assinado pela Recorrente e Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 13 12 pelos funcionários do Banco Rural e acompanhado do Instrumento Particular de Constituição de Garantia. Tais documentos, a princípio, poderiam atestar a veracidade das obrigações assumidas, mesmo porque a quitação do valor mutuado em virtude do referido contrato só aconteceria em 23/10/2003, o que justificaria a presença de parte desses valores no passivo contabilizado em 31/12/2001, objeto da presente autuação. Ocorre que, também aqui a Recorrente não apresentou o histórico da contabilização do referido contrato, registrando fielmente os valores utilizados, o seu pagamento ou o pagamento dos encargos para que pudesse ser comprovada a obrigação. Com efeito, verificase que, permanece a dúvida sobre a obrigatoriedade do passivo escriturado pela Recorrente e relacionado ao Banco Rural, o quê, a meu ver, já é bastante para autorizar a manutenção da presunção legal de omissão de receitas. Contratos de mútuo firmados com a Canbras Communications Corp A Recorrente apresenta cópia dos livros contábeis que demonstram que os valores indicados na conta de passivo “2.110.200.000.002 CANBRÁS CANADÁ – R$ 14.012.592,64” estão relacionados a contratos de mútuo realizados com empresas domiciliadas no exterior, tendo os respectivos recursos sido recebidos através de fechamento de contrato de câmbio junto ao Banco Central do Brasil. Sustenta a Recorrente que estas operações de empréstimo contratadas com credores no exterior foram devidamente registradas junto ao Bacen, sob a égide da Circular 3.027, que implementou o registro de operações diretamente por meio de sistema eletrônico, com a criação de um número de registro (ROF) para cada operação. A fim de comprovar tais operações, a Recorrente apresentou os seguintes documentos: (i) contratos de empréstimo (apenas dos empréstimos no valor de U$ 50.000,00, 1.000.000,00 e 840.000,00 fl. 510/511, 525/526 e 544/545 dos autos), (ii) cópia do contrato de câmbio, (ii) telas do SISBACEN que informam a situação atual da operação; (iii) certificado de registro do contrato de Mútuo emitido pelo Bacen e (iv) autorização da entrada de recursos no país (docs. 59/63 e 94/101 da impugnação). Dessa forma, com relação aos empréstimos no valor de U$ 50.000,00, 1.000.000,00 e 840.000,00, entendo que foi comprovada a existência da obrigação e a remessa dos recursos para a Recorrente. Acrescento que, o vencimento de tais contratos só ocorreria em 14/09/2002, 12/09/2002 e 15/05/2002, respectivamente. Portanto, não estavam vencidos em 31/12/2001, data do balanço fiscalizado. Noutro giro, com relação aos contratos no valor de U$ 600.000,00 e U$ 210.000,00, deve ser mantida a exigência relativa ao passivo fictício, pois, os documentos emitidos pelo Bacen, desacompanhados da cópia do contrato, não comprovam a exigibilidade da obrigação, mas, tão somente, a transferência de recursos para a Recorrente. Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA Processo nº 19515.001728/200681 Acórdão n.º 1402001.469 S1C4T2 Fl. 14 13 A solução dada ao litígio principal relativo ao IRPJ, aplicase aos lançamentos decorrentes, posto que não existem fatos ou argumentos a ensejar conclusão diversa. Isso posto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para, acolher a preliminar de decadência de parte dos valores lançados e, no mérito: manter o lançamento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS relacionado (i) ao suposto financiamento tomado junto ao Banco Rural, no valor de R$ 2.000.000,00; e (ii) ao suposto empréstimo tomado da empresa Canbras Communications Corp, no valor de U$ 600.000,00; e manter o lançamento de IRPJ e CSLL relacionado (i) ao suposto financiamento tomado junto ao Banco Rural, no valor de R$ 1.093.000,00; e (ii) ao suposto empréstimo tomado da empresa Canbras Communications Corp, no valor de U$ 210.000,00. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 19/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 12/11/2013 por LEON ARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por CARLOS PELA
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Numero do processo: 10980.007183/2006-55
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Aug 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 1997
SIMPLES FEDERAL. INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADES VEDADAS REMOVIDAS DO CONTRATO SOCIAL. A partir da alteração contratual que removeu as atividades vedadas do contrato social, não mais subsiste motivação para o indeferimento da inclusão retroativa.
INCLUSÃO RETROATIVA. COMPRA E VENDA DE SALVADOS DE SEGURO. PROMOÇÃO DE LEILÕES. INADEQUADA EQUIPARAÇÃO A CORRETAGEM.
As atividades de compra e de venda de salvados de seguro e de promoção e organização de leilões não se equiparam à de corretagem, para fins de enquadramento no Simples Federal.
PROVA INEQUÍVOCA DE OPÇÃO PELO REGIME SIMPLIFICADO.
Não havendo o Fisco recepcionado as declarações simplificadas transmitidas pelo contribuinte, é de se considerar que os DARF - Simples quitados são suficientes à comprovação da vontade inequívoca da pessoa jurídica em optar pelo Simples Federal.
Numero da decisão: 1101-000.718
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão.
(assinado digitalmente)
BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR
Relator
(assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga.
Nome do relator: BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 1997 SIMPLES FEDERAL. INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADES VEDADAS REMOVIDAS DO CONTRATO SOCIAL. A partir da alteração contratual que removeu as atividades vedadas do contrato social, não mais subsiste motivação para o indeferimento da inclusão retroativa. INCLUSÃO RETROATIVA. COMPRA E VENDA DE SALVADOS DE SEGURO. PROMOÇÃO DE LEILÕES. INADEQUADA EQUIPARAÇÃO A CORRETAGEM. As atividades de compra e de venda de salvados de seguro e de promoção e organização de leilões não se equiparam à de corretagem, para fins de enquadramento no Simples Federal. PROVA INEQUÍVOCA DE OPÇÃO PELO REGIME SIMPLIFICADO. Não havendo o Fisco recepcionado as declarações simplificadas transmitidas pelo contribuinte, é de se considerar que os DARF - Simples quitados são suficientes à comprovação da vontade inequívoca da pessoa jurídica em optar pelo Simples Federal.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 SIMPLES FEDERAL. INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADES VEDADAS REMOVIDAS DO CONTRATO SOCIAL. A partir da alteração contratual que removeu as atividades vedadas do contrato social, não mais subsiste motivação para o indeferimento da inclusão retroativa. INCLUSÃO RETROATIVA. COMPRA E VENDA DE SALVADOS DE SEGURO. PROMOÇÃO DE LEILÕES. INADEQUADA EQUIPARAÇÃO A CORRETAGEM. As atividades de compra e de venda de salvados de seguro e de promoção e organização de leilões não se equiparam à de corretagem, para fins de enquadramento no Simples Federal. PROVA INEQUÍVOCA DE OPÇÃO PELO REGIME SIMPLIFICADO. Não havendo o Fisco recepcionado as declarações simplificadas transmitidas pelo contribuinte, é de se considerar que os DARF Simples quitados são suficientes à comprovação da vontade inequívoca da pessoa jurídica em optar pelo Simples Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros da Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e do voto que acompanham o presente acórdão. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 71 83 /2 00 6- 55 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 2 BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Valmar Fonseca de Menezes, Benedicto Celso Benício Júnior, Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, José Ricardo da Silva e Nara Cristina Takeda Taga. Relatório O contribuinte protocolou, em 04.07.2003, à fl. 02, o pedido de inclusão no Simples Federal, retroativamente a 01.01.1997. Pelo despacho decisório de fls. 27/28, proferido pela DRF de Curitiba/PR, o pleito foi indeferido, sob alegação de existência de atividades vedadas à eleição. Intimada da decisão em 19.04.2007, conforme AR de fl. 30, tempestivamente, em 17.05.2007, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 31, instruída com os documentos de fls. 32/48, que se resume a seguir: na quarta alteração de contrato social da pessoa jurídica, foram eliminados os ramos de “estacionamento e guarda de veículos e produtos para seguradoras, banco e público em geral; com finalidade de organizar leilões, representação comercial”, uma vez que tais atividades nunca foram postas em prática pela requerente; em toda sua existência, sempre foi a única atividade da sociedade a de comércio de veículos, móveis e produtos eletroeletrônicos usados e/ou sinistrados; A manifestação de inconformidade apresentada foi indeferida pela 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba / PR, consoante entendimento assim ementado: “ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 1997 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. ATIVIDADE VEDADA REMOVIDA DO CONTRATO SOCIAL. A partir da alteração contratual, que removeu atividade vedada (representação comercial) do contrato social, não mais subsiste essa motivação para indeferimento de inclusão retroativa. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10980.007183/200655 Acórdão n.º 1101000.718 S1C1T1 Fl. 3 3 SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. COMPRA E VENDA DE SALVADOS DE SEGURO. INADEQUADA EQUIPARAÇÃO À CORRETOR. A atividade de compra e venda de salvados de seguro tem por objeto veículos resgatados de sinistro, com algum valor econômico, e não se equipara, portanto, à de corretor, que opera com seguros. SIMPLES. INCLUSÃO RETROATIVA. AUSÊNCIA DE INTENÇÃO INEQUÍVOCA DE ADERIR AO SIMPLES. PAGAMENTOS E DECLARAÇÃO FORA DO SIMPLES. Indeferese pedido de inclusão de retroativa quando, apesar de inexistir comprovação de exercício de atividade vedada, não resta caracterizada a intenção de adesão ao Simples, diante da constatação de envio de declarações e pagamentos fora do regime do Simples.” Cientificada do aresto em 14.07.2009 (fl. 71), a recorrente interpôs Recurso Voluntário a este colegiado (fls. 72/76), tempestivamente, repisando os argumentos de primeira instância e explicando, ainda, que: i) o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16/02 estatuiu serem instrumentos hábeis à comprovação de aderir ao Simples Federal os Documentos de Arrecadação do Simples quitados (DARF Simples) e a apresentação da Declaração Anual Simplificada; ii) os recolhimentos realizados pelo contribuinte, até o anocalendário de 2005, estavam imiscuídos no regime simplificado; e iii) a recorrente deixou de enviar declarações simplificadas, a partir de 2003, somente em virtude de não ter conseguido mais transmitir os arquivos, por conta de limitações técnicas impostas pela Receita Federal do Brasil. É o relatório. Voto Conselheiro BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR, Relator: O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais para seu seguimento. Dele conheço. O contribuinte apresentou, em 04.07.2003, pedido de inclusão retroativa no Simples Federal, a partir de 01.01.1997. Estresido pleito foi indeferido pelo despacho decisório de fls. 27/28, em razão da pretensa verificação do fato de a postulante exercer atividades Fl. 105DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 4 vedadas pela Lei nº 9.317/96 – mais precisamente, as de “guarda de veículos e produtos sinistrados” e de “organização de leilões”, supostamente identificadas à corretagem, de um lado, e a de “representação comercial”, de outro lado. Apresentada manifestação de inconformidade, o colegiado a quo, escorreitamente, entreviu não se poder cogitar de empresas que obstariam a opção pela sistemática simplificada. O objeto social da requerente, afinal, desde a quarta alteração de seu contrato social (fls. 42/43), arquivada em 07.11.1997, passou a ser, somente, de “organizações de leilões, compra e venda de salvados de seguros, assim como veículos, móveis, produtos elétricos e eletrônicos.” Deixouse de elencar, vêse, as atividades de “representação comercial” e de “estacionamento e guarda de veículos e produtos sinistrados” – potencialmente impeditivas à opção pelo Simples Federal, em decorrência do comando esculpido pelo artigo 9º, incisos XII, alínea “c”, e XIII, da Lei nº 9.317/96: “Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII que realize operações relativas a: c) armazenamento e depósito de produtos de terceiros; XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida;” (g.n.) A atividade de “organização de leilões”, por seu turno, exercida pela sociedade, não poderia, como bem reconhecido pelo acórdão recorrido, ser interpretada como imanente à profissão de “corretor” (artigo 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/96, suso copiado). Tal mister, afinal, não se confunde, indubitavelmente, com a figura da promoção de leilões, regida por normas peculiares. Dessumese do exposto, destarte, que a conclusão do acórdão guerreado, no que atine à não verificação de atividades vedadas, é irretocável. Similar conclusão, contudo, não se aplica em relação à adução de que a conduta da peticionária não permitiria visualizar “intenção inequívoca de aderir ao Simples”. O órgão julgador inferior, ao dispor sobre este último ponto, assim se manifestou: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10980.007183/200655 Acórdão n.º 1101000.718 S1C1T1 Fl. 4 5 “No caso em tela, verificase que o contribuinte apresentou declaração pelo Simples para os anos calendários 1997 a 2001, pelo lucro real, para o ano de 2002, pelo lucro presumido, para os anos de 2003 a 2007, e finalmente de inativa, para o ano de 2008, conforme impressão de tela juntado à fl. 62. Quanto aos recolhimentos, para o ano de 1997, consta pagamentos tanto de Simples (código 6106) quanto de PIS (1708) e Cofins (2172); em 1998, 1999 e 2000, somente de Simples; em 2001, pagamentos de Simples, PIS e Cofins; de 2002 a 2004, somente de Simples; a partir de 2005, somente pagamento de código 8822 (RECEITA DE DÍVIDA ATIVA SIMPLES). Pelo exposto, apesar de não constar comprovação de atividade vedada desde a quarta alteração contratual, ocorrida em 08/10/1997, a empresa não demonstra o inequívoco interesse de adesão ao Simples, já que desde o ano calendário de 2002 deixou de enviar declaração simplificada, e, em períodos anteriores, efetuou recolhimentos de tributos distintos do Simples. Por conseqüência, a inclusão retroativa não pode ser deferida.” Ora, é verdade que o contribuinte, em relação a alguns dos anoscalendários versados, efetuou recolhimentos estranhos à sistemática do Simples Federal. Ocorre, contudo, que, em cada um dos períodos, houve pagamentos, sim, operados mediante DARF Simples. As quitações de PIS e de COFINS (códigos de receita 1708 e 2172, respectivamente), efetivadas em 1997 e 2001, não impedem o reconhecimento do indubitável desiderato de inclusão no Simples Federal, externado pelos demais recolhimentos engendrados pela peticionária. No mais, o fato de o sujeito passivo não ter apresentado declaração simplificada a partir de 2002 se deve, com efeito, à impossibilidade técnica de transmissão destes documentos por pessoas não enquadradas no regime. De 1997 a 2001, no entanto, a recorrente, enquanto pôde, entregou as pertinentes Declarações de Ajuste Simplificadas (cf. extrato de fl. 62). Não há dúvidas de que o intuito da postulante sempre foi o de se incluir no regime beneficiado preconizado pela Lei nº 9.317/96 – o que requereu, nos idos de 2003, por meio do pleito de que ora se cuida. Nesse sentido já decidiu este Conselho: “SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES EMENTA Anocalendário: 2007 INCLUSÃO RETROATIVA. Não havendo o Fisco recepcionado a declaração simplificada transmitida pela contribuinte, é de se considerar que os DARF Simples apresentados são Fl. 107DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES 6 suficientes à comprovação da vontade inequívoca da pessoa jurídica em optar pelo Simples.” (Ac. nº 1201 00.465/2011) “SOLICITAÇÃO DE INCLUSÃO RETROATIVA NO SIMPLES FEDERAL. IDENTIFICAÇÃO DA INEQUÍVOCA INTENÇÃO DE ADERIR AO SIMPLES FEDERAL. ADI SRF Nº 16, DE 2002, PARÁGRAFO ÚNICO. OUTROS MEIOS DE COMPROVAÇÃO. A identificação da inequívoca intenção de aderir ao Simples Federal, a que se refere o Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 16, de 2 de outubro de 2002, não se limita às hipóteses previstas em seu parágrafo único, podendo se fazer por outros meios, tais como: Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIPs), Guias da Previdência Social (GPS), ausência de entrega de DCTFs, solicitação e deferimento posterior de inclusão no Simples Nacional etc.” (Ac. nº 1803 00.772/2011) Vale ressaltar, de todo modo, que, em virtude de o desaparecimento das atividades proibidas à eleição ter se materializado somente com o registro da quarta alteração do contrato social da sociedade, em 07.11.1997, o pedido de reinclusão retroativa em foco só pode ser deferido de 01.01.1998 em diante, forte no artigo 8º, § 2º, da Lei nº 9.317/96. Isto posto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, para determinar a reinclusão retroativa da recorrente no Simples Federal, a partir de 01.01.1998. Sala das Sessões, em 11 de abril de 2012 (assinado digitalmente) BENEDICTO CELSO BENÍCIO JÚNIOR Relator (assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente Fl. 108DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES Processo nº 10980.007183/200655 Acórdão n.º 1101000.718 S1C1T1 Fl. 5 7 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 27/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 03/07/2013 por BENEDICTO CELSO BENICIO JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/08/2013 por VALMAR FONSEC A DE MENEZES
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Numero do processo: 13603.000174/92-07
Data da sessão: Fri Jun 09 00:00:00 UTC 1995
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA - Não se conhece do recurso, quando declarado pela autoridade de primeira instância, a intempestividade da impugnação, não contestado pelo contribuinte.
Numero da decisão: 102-29.976
Decisão: ACORDAM os membros da Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Ursula Hansen
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Sessão de 09 de junho de 1995 AcnRnno Ng, 102-29.976 RECURSO Nq, g 80,82 PfS FAMRAMENIU EXS„g 1987 e 1988 R. E C OR RENTE '; (":-3 R (:):! RECORRIDA DRF MMTASEM M2 33 52 ci....:nheLe do quando JHLEPr 5,51...0 CEREAIS AMARAL LTnA. ACORDAM os Membros da Segunda i.'âmara do Primero Conse. nnn••••: I PRES NI 1 - I IIRP: ViSVO EM IOHREMBERS RIBEIRn NHNE8 ROHA . R í. jRAI ) (4 :3 E: O 7 dl) 1995 ?ENDA NnninmAL:: sar t ..33rru....2s da 811v11. Ausentes jusi....ii.f.adamee os ,n.onseLheivos Waidevãn , MINISTERIO DA FAZE.NDA 2. PRIMEIRO CONSELHO DP CONTRIBUINTES PROCESSO Np, 1360"1/000::174/92--07 RECURSO Np, g 80.582 ACORDMO Np„ g 102-.29.976 RECORRENTE g CEREAIS AMARAL.. L..TDA R E... L.. e.. 1... (:). F:. .. I. Q. O presenLe processo trata. de Auto do Irlfração, fls. 01 e ano .;:os, ..1,,R,„':'-.1::.if.-.:: em 2$/01/92, cont.i-a CEREAIS APIAR'..É...... 1....TDA, CSC Np.. Contagem, MO, formalizando a. e-;..:ig@!noia de PIS FAIURAMEETO, rolativa rospoctivo q gravames Iegais. mentar N2 () -.7/7f.) e nos termos de Regulamento do Fundo de Participação do PIS, decol-ru2:i de irT .egularidades apuadas ew procedimonto de fisco- - cl (,..:•:: ff ? (.3 .-: 5 1...,.. p...,.i.:.:. c:1 (,,..) 1 •.: c:3 i ....: r •• c. ):...... 1:::::::::. 5 (••,.....; r\l:......•••,...i... .1 ,....'.: é....,i...:),:::'. / (:) ç..,...),'..".:;) :: I '7:::::: ../ 9.'2, ••• ..".2 4 (....1e2c.•:..-..i. 5::.:1 o (.....1(5, 1. .,::•••:: .H••••: 5 1..... ...i.à ri f......H.1. ,..:R :.: r.:::: . :....JI" f...,..,, i....1., cl:-:•:.: ...,:::, ::: f.:". :5 „ ..1. 4/ .1. !.'..5 „ -:':':k i."..; J... i'ii2r 1 •1:,,,. .:-.:: ci ,..R (•,..! (.....:...., c:. ....i. -:is '21'c.) 51 r•1 .;•,.1;..: j. ,-•:-: r•••• „ o f.... • :......3: ': -1. • ..i. 1:3 Lt.l. .:•••• 1 .... c...! „ ••L ::::......,:f•r••11.,::: ............ 1,......i..a.i.iR •••••• ir ,,..,--' •,__-->''''':'''''' 1........ S F.E R D 3. PRIMFIRO CONSELHO DE CONTRIRUINTES PROCESSO No, ACORDA0 Np, tn2 29::976 Q r.omse[heira Ursula Hansen, Relatora ComsIderando que o q ontYibidmir.e Lumou r.onsiderando que, mns Le y mns do a y.ti.go 15 do Devy'W... em uNe fo y feiLa a i.mtlmação da e.;f.ig-âoui,a. fa ge iiligjou 2 de iHLempegUividade, Deio de 1.x.uflar do y ecur g o, por imLempegLi ya a impugmaç'âo,, Brasília - DF, 09 de juldiu de 1995. , ) 1(Ursuila - Relatora. MINISTERIO DA FAZENDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO Ng.. . 10805/003.897/29 -BI W:25. Sessão de 09 de junho de 1995 ACORDA° Nq .. . 102.-29.977 RECURSO Nq.. . 2 80.059 - PIS .-FA7URAMENtO -- E.X. 1986 RECORRENTE: 2 DIMASA Fl -.flurIENTOS PARA EscRTnRIn l..TDA RECORRIDA 2 'ORE - snNTn ANDRE -- SP C.1..!3FATuRâME:NIP_L_E...,=._15:==.94_::_PgçPBEgNÇJA do . -se de lançamento reflexivo, a decis'ão pn.iff,Fil -ida no processo matriz á aplicável no julgamento do pr-::)::::esso decorrent= devido à relação de causa e efeito que vincula irrl ao outro. Vistos, reial:ados e discutidos os w'esc...iltes autos de recurs interiwr::::!..to 'por DIMASA EQUIPAMENTOS PARA ESCRITORIO LJDA. ACORDAM os Membros d .,1,. Segunda manca: na do Pi--ii-ifirt ...-i Conse- lho de Lonlrinuintes, por unanimidade de voies, dar p .5--ovimenIo parcial ajustar' a exigncia do decidido no processo princi- pai, através do Acórdão Ni .2. 102-27.157, de 08/07S92, nos t ....É.-frícis do re- latório e vcdn que passam a integrar' o presente julgado, ílie-.11.1ellaige-.J •:.:::-.':':RL2S ',...'....:::..-:::-,;-.;....:;El.."....7",....77.;"-Ait":;:':.C-er'i-T-11,',.):2..: -- PRESTDENTE .' ...,6../r-L...---- VISTO EM LOUREMBER RIBEIRO NUNES ROCHA -- PROEURADOR DA FA SESSMO DE ZENDA NACIM,IN....... Â) r'4, J'''''1,J,I. 1995, Fart........H.4-3aram, a;nda, do presente julyamentci, 09 seguirlt.es Conselhei- i-CFS:: Josá Clóvis Alves, Mar-ia t....,:lália de Andrade Figueiredo 2 Júlio Cá- sar- Oumes cli..:'A Silva. Ausentes justificadamente os Conselheiros Waidevan nlf...,,,..2,:-.., de Uliveira e Jusó Carlos Fassuello. ,.... 2. MINISTERIO DA FAZEfiDA PRIMEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES PROCESSO M RECURSO Ng,L7 80.859 ACORDMO Nc:)... . i02•••29.977 RECORRENTE :-.' DIMASA E. ÉJ!..U.F.'NIEIM -10 :5 PAR ESCRITnRin 1...IDA R L I. =3. R. 1 P. a p-esente pro?....,....:-:.J.(...3 irat-...a de Auto de .Ulfração, fls. 14 e anexos, lavrado em 24/10/89, contra. DIMASA EQUIPAMENTOS PARA ESCRI.••• jr.."JRIO LIDA, nnr N,.:.2., 46.189.015/o001-10, jurisdi g ionada à. Delegacia da •R:,.....-ejta Federal em Santo André, SP, formatizando a exigz :ráncia de PIS O i.an(.:J.af..nLo, LCii-g-i base no artjgo Sg, alinca “b" da 1.....c...1 17/71, e nos termos do pespectivo RegulamonLo, cifi,:,.,,,. ........c..-Jr.rii de irregulari- dades apuradas em procedimen10 de fiscalização om que foi apurada n emlfribuinte, 1cmpesLivaff .f.en1:e, apresentou sua. tiJnpug- Ladas no pr,.....esso mat.r1m. NR de(.......isão de 1 . inc,,..tn,...-.1a, .ri p-oferida às fls. /4-:...?-,/.i,K.L... em f2len!.......e da deci.são singular, o contribuinte, Lempestiva•••• ,..... ,.., _ _..., ,.. . ..., -. _ .......-......... ._::..... „.,,, ,........- • Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
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Numero do processo: 13706.004308/99-04
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Aug 28 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 31/01/1990
IOF. REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data.
Recurso Especial do Procurador Provido.
Numero da decisão: 9303-000.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: ANTONIO PRAGA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1990 a 31/01/1990 IOF. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido.
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REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O dies a quo para contagem do prazo prescricional de repetição de indébito é o da data de extinção do crédito tributário pelo pagamento antecipado e o termo final é o dia em que se completa o qüinqüênio legal, contado a partir daquela data. Recurso Especial do Procurador Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Leonardo Siade Manzan, Maria Teresa Martínez López e Susy Gomes Hoffmann, que negavam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Leonardo Siade Manzan, Rodrigo da Costa Pôssas, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 43 08 /9 9- 04 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 230 2 Relatório Tratase de pedido de Restituição/Compensação de indébitos pertinentes a tributo supostamente pago a maior que o devido. A questão que se apresenta a debate cingese ao termo inicial para o sujeito passivo postular a repetição do alegado indébito. O julgamento deste recurso tem como paradigma o do Recursos nº 227.494, julgados na sessão imediatamente anterior a esta, sendolhe aplicada a mesma tese daquele julgado, nos termos do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Em apertada síntese, este é o relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator O recurso merece ser conhecido por ser tempestivo e atender aos pressupostos de admissibilidade previstos no Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A teor do relatado, a questão devolvida a este Colegiado cingese a do termo inicial do prazo extintivo para repetição de indébito de tributos pagos a maior do que o devido. Nos termos do § 2º, in fine, do art. 47 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, adoto a tese do julgamento do Recurso nº 227.494, paradigma para o caso em discussão. A Câmara recorrida afastou a prescrição e determinou o retorno dos autos ao órgão julgador de primeira instância para que fossem julgadas as demais questões de mérito. O representante da Fazenda Nacional pede o restabelecimento da decisão de primeira instância, por entender que o termo de início da contagem da prescrição para repetição de indébito é a extinção do crédito pelo pagamento, nos termos do art. 168, inc. I, do CTN. De imediato, passemos à controvérsia sobre a prescrição do direito pleiteado. Antes, porém, devo registrar que na elaboração deste voto, socorrime dos conhecimentos do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, a quem, desde já agradeço pelos relevantes argumentos sobre a matéria, e peço licença para mais adiante, transcrever excerto do voto por ele proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. Fl. 230DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 231 3 É de bom alvitre esclarecer que, muito embora existam divergências doutrinárias quanto à natureza do prazo para repetição do indébito – se decadencial ou prescricional – para o deslinde da matéria em apreço, esse questionamento não apresenta qualquer relevância, razão pela qual não será aqui abordado. Até o advento da Lei Complementar nº 118, de 10 de fevereiro de 2005, a maioria esmagadora da doutrina e da jurisprudência de nossos tribunais, abalizadas em posicionamento consolidado no STJ, entendia que o critério correto para se contar o prazo prescricional de repetição de indébito era o da tese dos “cinco mais cinco anos”. Como é de todos sabido, a premissa dessa tese consistia em assumir que a extinção do crédito tributário só se daria quando da homologação do lançamento, fosse ela tácita ou expressa. Como o prazo para homologação é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme art. 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, no caso da homologação tácita, somente após o decurso dos cinco anos se iniciaria o prazo prescricional para a postulação da restituição do valor indevidamente recolhido. Todavia, essa apascentada jurisprudência foi violentamente atacada com a publicação da Lei Complementar nº 118, em 10 de fevereiro de 2005. Predita lei, além de adaptar o Código Tributário Nacional à nova legislação falimentar, pretendeu reverter esse entendimento sobre a interpretação do inciso I do art. 168 do CTN, para tanto, em seu artigo 3º, assim dispôs: Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art 150 da referida Lei. Ora, com esse dispositivo, ressurge no ordenamento jurídico contemporâneo de nosso País a interpretação autêntica. Tal dispositivo recebeu duras críticas da doutrina e, sobretudo, do STJ, que viu o entendimento, até então dominante nessa Corte guardiã da legislação federal, ser alterado por via legislativa direta. O escopo dessa lei era restabelecer o entendimento, que vigia no STF quando a Corte Maior detinha a função de tutor da legislação federal, segundo o qual a contagem do prazo prescricional para repetição de indébito, no caso de lançamento por homologação, se iniciaria a partir da data do pagamento. Apesar das críticas de abalizada doutrina, como por exemplo, Carlos Maximiliano, para quem o mecanismo por meio do qual o Legislador, de forma transversa, pretende substituirse às funções do Juiz, vige no Supremo Tribunal Federal a concepção de que, em tese, a lei interpretativa é válida, desde que esta seja proveniente da mesma fonte legislativa do ato primitivo Fl. 231DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 232 4 interpretado; que tenha a mesma hierarquia jurídica do comando jurídico originário; e que seus efeitos não prejudiquem o direito adquirido, a coisa julgada e o ato jurídico perfeito. A partir dessa lei, a questão, então, passou a ser a data a partir de quando se espraiem os efeitos da interpretação trazida em seu art. 3º. Se prospectiva ou retroativa. Isso porque o STJ e boa parte da doutrina entenderam que a eficácia operavase a partir de junho de 2005, enquanto o art. 4º da lei em comento determinou a aplicação retroativa, nos termos seguintes: Art. 4º. Esta lei entra em vigor em 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado, quanto ao art. 3º, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional. A seu turno, esse dispositivo do CTN tem a seguinte dicção: Art 106. A lei aplicase ao ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) De outro lado, os críticos da Lei Complementar nº 118/2005 alegam que a diretriz interpretativa da novel legislação, na realidade, modificou a força normativa da legislação anterior, ao menos em seu sentido até então, majoritariamente, extraído, por essa razão, a pretensa interpretação nela veiculada há de ser tratada como lei nova, e, como tal, deveria respeitar suas características, inclusive, a dos efeitos prospectivos. Assim, a “interpretação” dada ao art. 168 do CTN pelo art. 3º da novel lei complementar não poderia retroagir para alcançar fatos pretéritos, sob pena de violação dos princípios da não surpresa e da segurança jurídica, já que esse dispositivo legal alterou o entendimento consagrado há mais de uma década pelo STJ. Como arrimo dessas críticas, é comum a citação do julgamento da ADIN 605 MC, da relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence, onde o STF decidiu: Se, no entanto, a título de lei interpretativa, a segunda lei extrapola da interpretação, é lei nova, que altera a lei antiga, modificandoa ou adicionandolhe normas inexistentes. E assim há de ser examinada. No âmbito judicial, o Superior Tribunal de Justiça, inicialmente, sem declarar formalmente a inconstitucionalidade do art. 4º dessa lei, decidiu, reiteradamente, por meio de sua 1º Seção, que a Lei Complementar nº 118/2005, no tocante ao art. 3º, somente entraria em vigor, em sua integralidade, à partir do mês de junho de 2005. Contra esse entendimento insurgiuse a Fazenda Nacional, que recorreu ao STF. Acolhido o recurso extraordinário apresentado Fl. 232DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 233 5 pela Fazenda Nacional, o pleno da corte maior deu provimento ao RE 482.0901 SP, e determinou que o STJ observasse a reserva de plenário para afastar a aplicação do art. 4º dessa lei complementar. Aqui, peço licença para transcrever excerto do acórdão do STF, por ser emblemático ao deslinde da questão ora submetida a debate. EMENTA: CONSTITUCIONAL. PROCESSO CIVIL. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ACÓRDÃO QUE AFASTA A INCIDÊNCIA DE NORMA FEDERAL. CAUSA DECIDIDA SOB CRITÉRIOS DIVERSOS ALEGADAMENTE EXTRAÍDOS DA CONSTITUIÇÃO. RESERVA DE PLENÁRIO. ART. 97 DA CONSTITUIÇÃO. TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR 118/2005, ARTS. 3º E 4º. CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL (LEI 5.172/1966), ART. 106, I. RETROAÇÃO DE NORMA AUTOINTITULADA INTERPRETATIVA. “Reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição” (RE 240.096, rel. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 21.05.1999). Viola a reserva de Plenário (art. 97 da Constituição) acórdão prolatado por órgão fracionário em que há declaração parcial de inconstitucionalidade, sem amparo em anterior decisão proferida por Órgão Especial ou Plenário. Recurso extraordinário conhecido e provido, para devolver a matéria ao exame do Órgão Fracionário do Superior Tribunal de Justiça. ......................................................................................................... Brasília, 18 de junho de 2008. V O T O O SENHOR MINISTRO JOAQUIM BARBOSA (Relator): Inicialmente, enfatizo que a discussão travada neste recurso extraordinário se limita à argüida necessidade de submissão do exame incidental de inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/2005 ao Órgão Especial do Superior Tribunal de Justiça, nos termos do art. 97 da Constituição. Não se discute neste recurso extraordinário a constitucionalidade da norma que fixou a validade de uma única interpretação para a contagem do prazo prescricional para a restituição do indébito tributário. Registro também que o e. Superior Tribunal de Justiça, em outro recurso especial e após a submissão deste recurso extraordinário ao conhecimento e julgamento do Pleno, resolveu por submeter questão análoga ao respectivo Órgão Especial, após decisão proferida pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, nos autos do RE 486.888 {DJ de Fl. 233DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 234 6 31.08.2006). O referido precedente, firmado por ocasião do julgamento da Argüição de Inconstitucionalidade nos Embargos de Divergência no Recurso Especial 644.736 (rel. min. Teori Zavascki, DJ de 27.08.2007), foi assim ementado: “CONSTITUCIONAL.TRIBUTÁRIO.LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO, NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. LC 118/2005: NATUREZA MODIFICATIVA (E NÃO SIMPLESMENTE INTERPRETATIVA) DO SEU ARTIGO 3º. INCONSTITUCIONALIDADE DO SEU ART. 4º, NA PARTE QUE DETERMINA A APLICAÇÃO RETROATIVA. 1. Sobre o tema relacionado com a prescrição da ação de repetição de indébito tributário, a jurisprudência do STJ (1a Seção) é no sentido de que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, o prazo de cinco anos,previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na datado recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação expressa ou tácita do lançamento.Segundo entende o Tribunal, para que o crédito se considere extinto, não basta o pagamento: é indispensável a homologação do lançamento, hipótese de extinção albergada pelo art. 156, VII, do CTN. Assim, somente a partir dessa homologação é que teria início o prazo previsto no art. 168, I. E, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo, na verdade, de dez anos a contar do fato gerador. 2. Esse entendimento, embora não tenha a adesão uniforme da doutrina e nem de todos os juizes, é o que legitimamente define o conteúdo e o sentido das normas que disciplinam a matéria, já que se trata do entendimento emanado do órgão do Poder Judiciário que tem a atribuição constitucional de interpretálas. 3. O art. 3º da LC 118/2005, a pretexto de interpretar esses mesmos enunciados, conferiulhes, na verdade, um sentido e um alcance diferente daquele dado pelo Judiciário. Ainda que defensável a f interpretação' dada, não há como negar que a Lei inovou no plano normativo, pois retirou das disposições interpretadas um dos seus sentidos possíveis, justamente aquele tido como correto pelo STJ, intérprete e guardião da legislação federal. 4. Assim, tratandose de preceito normativo modificativo, e não simplesmente interpretativo, o art. 3º da LC 118/2005 só pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. 5. O artigo 4º, segunda parte, da LC 118/2005, que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados, ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 6. Argüição de inconstitucionalidade acolhida.” Fl. 234DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 235 7 Passo ao exame do recurso. Esta é a redação dada aos arts. 3º e 4o da Lei Complementar 118/2005: “Art. 3º Para efeito de interpretação do inciso I do art. 168 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 da referida Lei. Art. 4º Esta Lei entra em vigor 120 (cento e vinte) dias após sua publicação, observado/ quanto ao art. 3, o disposto no art. 106, inciso I, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional.” Por sua vez, o art. 106, I, do Código Tributário Nacional tem a seguinte redação: “Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados;” Discutese no recurso extraordinário se o acórdão recorrido violou a reserva de Plenário para declaração de inconstitucionalidade de lei (art. 97 da Constituição) na medida em que deixou de aplicar retroativamente o art. 3º da LC 118/2005, como determinam o art. 4º da mesma lei e o art. 106, I, do Código Tributário Nacional. Passo a examinar, então, a questão de fundo. Os arts. 3º e 4º da Lei Complementar 118/2 005 objetivam estabelecer, com eficácia retroativa, que a prescrição do direito do contribuinte à restituição do indébito tributário pertinente às exações sujeitas ao lançamento por homologação ocorre em cinco anos contados do pagamento antecipado. Na linha do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, interpretado literalmente, a retroatividade de normas meramente interpretativas é irrestrita e, portanto, o disposto no art. 3º da LC 118/2005 também se aplica aos recolhimentos indevidos que se deram antes da publicação da referida lei complementar, independentemente da data de ajuizamento da respectiva ação judicial. Dito de outro modo, o art. 3º e o art. 106, I, do Código tributário Nacional não colocam qualquer limitação ao alcance retroativo da norma que estabelece como o prazo prescricional deverá ser computado. Anteriormente à publicação da LC 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça firmara orientação segundo a qual o prazo para restituição do indébito tributário era de cinco anos, contados a partir da homologação do lançamento (art. 156, VII, do CTN), que poderia ser expressa ou tácita. Como o prazo de Fl. 235DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 236 8 que dispõe a autoridade fiscal para homologação é de cinco anos (art. 150, §§ 1º e 4º, do CTN), a prescrição do direito à restituição do indébito tributário poderia chegar a dez anos, contados do momento em que ocorria o fato gerador, se houvesse a homologação tácita do lançamento. O art. 3º da LC 118/2005, em um primeiro exame, busca superar o entendimento e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito ao lançamento por homologação. (Destaquei). Para afastar a aplicação conjunta dos arts. 3º e 4º da Lei 118/2005 e do art. 106, I, do Código Tributário Nacional, assim limitando a retroação às ações ajuizadas após a entrada em vigência da lei complementar em questão, o acórdão recorrido invocou precedente da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (EREsp 327.043). 0 mencionado precedente, ainda não publicado, apoiase no principio constitucional da segurança jurídica, como se lê no registro feito pelo eminente relator do acórdão recorrido. Ministro Luiz Fux: “O acórdão embargado assentou que a Primeira Seção reconsolidou a jurisprudência desta Corte acerca da cognominada tese dos cinco mais cinco para a definição do termo a quo do prazo prescricional das ações de repetição/compensação de valores indevidamente recolhidos a titulo de tributo sujeito a lançamento por homologação, desde que ajuizadas até 09 de junho de 2005 (EREsp 327043/DF, Relator Ministro João Otávio de Noronha, julgado em 27.04.2005)”. A Lei Complementar 118/2005 não foi declarada inconstitucional pela Primeira Seção, tendo apenas sido limitada sua incidência às demandas ajuizadas após sua entrada em vigor (09 de junho de 2005), em homenagem, entre outros, ao princípio da segurança jurídica, consoante perfilhado no voto vista desta relatoria: “a Lei Complementar 118, de 09 de fevereiro de 2005, aplicase, tão somente, aos fatos geradores pretéritos ainda não submetidos ao crivo judicial, pelo que o novo regramento não é retroativo mercê de interpretativo. É que toda lei interpretativa, como toda lei, não pode retroagir. Outrossim, as lições de outrora coadunamse com as novas conquistas constitucionais, notadamente a segurança jurídica da qual é corolário a vedação à denominada “surpresa fiscal”. Na lúcida percepção dos doutrinadores, “Em todas essas normas, a Constituição Federal dá uma nota de previsibilidade e de proteção de expectativas legitimamente constituídas e que, por isso mesmo, não podem ser frustradas pelo exercício da atividade estatal.” (Humberto Ávila in Sistema Constitucional Tributário, 2 0 04, pág. 295 a 300) . (...) À mingua de prequestionamento por impossibilidade jurídica absoluta de engendrálo, e considerando que não há inconstitucionalidade nas leis interpretativas como decidiu em recentíssimo pronunciamento o Pretório Excelso, o preconizado na presente sugestão de decisão ao colegiado, sob o prisma institucional, deixa incólume a jurisprudência do Tribunal ao ângulo da Fl. 236DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 237 9 máxima tempus regit actum, permite o prosseguimento do julgamento dos feitos de acordo com a jurisprudência reinante, sem invalidar a vontade do legislador através suscitação de incidente de inconstitucionalidade de resultado moroso e duvidoso a afrontar a efetividade da prestação jurisdicional, mantendo hígida a norma com eficácia aos fatos pretéritos ainda não sujeitos à apreciação judicial, máxime porque o artigo 106 do CTN é de constitucionalidade induvidosa até então e ensejou a edição da LC 118/2005, constitucionalmente imune de vícios”. Ao deixar de aplicar os dispositivos em questão por risco de violação da segurança jurídica (principio constitucional), é inequívoco que o acórdão recorrido declaroulhes implícita e incidentalmente a inconstitucionalidade parcial. Vale dizer, como observou a Primeira Turma desta Corte por ocasião do julgamento do RE 24 0.096 (rei. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 21.05.1999), “reputase declaratório de inconstitucionalidade o acórdão que embora sem o explicitar afasta a incidência da norma ordinária pertinente à lide para decidila sob critérios diversos alegadamente extraídos da Constituição”. Portanto, ao invocar precedente da Seção, e não do Órgão Especial, para decidir pela inaplicabilidade de norma ordinária federal com base em disposição constitucional, entendo que o acórdão recorrido deixou de observar a necessária reserva de Plenário, nos termos do art, 97 da Constituição. Em sentido semelhante, registro as seguintes passagens do voto proferido pelo eminente Ministro Sepúlveda Pertence, por ocasião do julgamento de recente precedente (RE 544.246, rei. min. Sepúlveda Pertence, Primeira Turma, DJ de 08.06.2007): “A inaplicação dos dispositivo questionados da LC 118/05 a todos processos pendentes reclamava, pois, a declaração de sua inconstitucionalidade, ainda que parcial. Foi o que fez, na verdade, o acórdão recorrido. Não importa que o precedente invocado da Primeira Seção do Tribunal a quo, EREsp 328043 tenha declarado incidir a lei nova nas ações propostas a partir de sua vigência. O distinguo dada a irretroatividade irrestrita preceituada nos arts. 3º e 4º da LC 118/05 importou na declaração de inconstitucionalidade parcial deles, malgrado sem redução de texto. Estou, pois, em que, assim decidindo – com fundamento em precedente da Seção e não, do Órgão Especial o acórdão recorrido contrariou efetivamente a norma constitucional da “reserva de plenário”, do art. 97 da Lei Fundamental.” É como voto. Do exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe provimento, para que a matéria seja devolvida ao órgão Fl. 237DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 238 10 fracionário do Superior Tribunal de Justiça, para que seja observado o art. 97 da Constituição. Da leitura do acórdão, dúvida não há que, segundo o Supremo Tribunal Federal, qualquer medida no sentido de afastar a aplicação de dispositivo de lei vigente, importa em controle incidental de inconstitucionalidade. Diante desse posicionamento da Corte Maior, o STJ, por sua corte especial, declarou a inconstitucionalidade da parte final do art. 4º da lei em comento, e, após isso, firmou o entendimento de que o disposto no art. 3º da citada lei somente produz efeitos sobre as ações de repetição que se referirem a indébitos pertinentes a fatos geradores ocorridos a partir de junho de 2005. Em outro giro, como bem destacou o Ministro Joaquim Barbosa no voto condutor do acórdão transcrito linhas acima, o art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005 pretendeu superar o entendimento vigente sobre o termo inicial da prescrição e firmar uma única possibilidade interpretativa para a contagem do prazo de prescrição de indébito relativo a tributo sujeito a lançamento por homologação. Agora, se o art. 4º, que determinou a aplicação retroativa da interpretação trazida no art. 3º, padece de vício de inconstitucionalidade, não cabe a este Colegiado isto declarar, como será demonstrado a seguir. Para começar este tema, faremos um breve passeio na história do controle de constitucionalidade. O mundo conhece hoje, no dizer 1Cappelletti, dois grandes tipos de sistemas de controle da legitimidade constitucional das leis: O “sistema difuso”, isto é, aquele em que o poder de controle pertence a todos os órgãos judiciários de um dado ordenamento jurídico, que os exercitam incidentalmente, na ocasião da decisão das causas de sua competência; e O “sistema concentrado”, em que o poder de controle se concentra, ao contrário, em um único órgão judiciário. O primeiro deles, o difuso, é também conhecido como sistema de controle do tipo americano, em razão da percepção equivocada de alguns constitucionalistas de que esse sistema tenha sido inaugurado pelos norte americanos no famoso caso Marbury versus Madison, em 1803. O segundo, o concentrado, também pode ser denominado, agora com razão, de sistema austríaco de controle, ou ainda como sistema europeu, porquanto foi inaugurado na Constituição da Áustria de 1º de outubro de 1920, redigida com base em projeto elaborado pelo Mestre da Escola Jurídica de Viena, o grande Hans Kelsen. 1 M. CAPPELLETTI, O controle Judicial de Constitucionalidade das Leis no Direito Comparado, 2ª ed, Sergio Antônio Fabris Editor, Porto Alegre 1992, p 67 ss. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 239 11 No Brasil, até a promulgação da Constituição da República de 1891, não existia qualquer controle Judicial de Constitucionalidade. Por influência do jacobinismo parlamentar francês e da idéia inglesa da supremacia do parlamento, o Constituinte de 1824 outorgou ao Poder Legislativo a atribuição de fazer leis, interpretálas, suspendêlas e revogálas, bem como velar na guarda da Constituição (art. 15, itens 8º e 9º). Nesse sistema, não havia lugar para o mais incipiente modelo de controle judicial de constitucionalidade. Consagravase, assim, o dogma da soberania do Parlamento. Com a adoção do regime republicano em 1889, os ventos da mudança também sopraram no sistema 2jurídico brasileiro, sobretudo, no que concerne ao papel a ser exercido pelo Poder Judiciário. A Constituição Republicana de 1891 adotou o sistema norte americano, defendido entusiasticamente por Rui Barbosa, personagem principal na elaboração da Carta. A Constituição de 1934 trouxe uma figura nova no controle brasileiro de constitucionalidade, a ADIn Interventiva, que deveria ser proposta pelo ProcuradorGeral da República, perante o Supremo Tribunal Federal, contra lei ou ato normativo estadual que violassem a Constituição Federal. Essa ADIn Interventiva inseriu no nosso ordenamento jurídico um tímido sistema de controle concentrado de constitucionalidade. A Emenda Constitucional nº 16, de 26 de novembro de 1965, inseriu, de forma clara, o controle concentrado, mas restrito às pessoas legitimadas a propor a ação de inconstitucionalidade. Somente com a Constituição Federal de 05 de outubro de 1988 é que se consagrou, de forma ampla, o sistema de controle concentrado, também denominado sistema abstrato ou do tipo europeu. Desde então, o Brasil passou a conviver harmonicamente com os dois tipos de controle, o concentrado e o difuso. Deixemos de lado o sistema europeu, para voltarmos ao que, de fato, interessa ao nosso tema, o controle difuso, que, como dito linhas acima, alguns constitucionalistas apressados atribuíram sua origem à famosa decisão da Suprema Corte norte americana, prolatada em 1803, no caso Marbury versus Madison, cuja sentença foi redigida pelo juiz John Marshall, que fixou, por um lado, aquilo que ficou conhecido como a supremacia da constituição e, por outro, o poderdever dos juízes negarem aplicação às leis contrárias à constituição. Para se chegar àquela decisão, Marshall partiu do seguinte raciocínio: ou a constituição prepondera sobre os atos legislativos que com ela contrastam ou o Poder Legislativo pode mudála por meio de lei ordinária. Não há meio termo, asseverou o Chefe da Suprema Corte, ou a constituição é uma lei fundamental superior e não mutável por dispositivos ordinários, ou seja, é rígida; ou ela é colocada em pé de igualdade com os 2 O Decreto 848, de 11 de outubro de 1890, estabeleceu que, na guarda e aplicação da Constituição e das leis nacionais, a magistratura federal só interviria em espécie e por provocação da parte. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 240 12 atos legislativos ordinários, portanto, flexível, e, por conseguinte, pode ser alterada sem qualquer entrave pelo Poder Legislativo. Todavia, se é correto a primeira alternativa, e assim concluiu Marshall, um ato do legislativo contrário à constituição não é lei, é nulo, é como se não existisse. Ao proclamar a prevalência da constituição sobre os demais atos legislativos e reconhecer o poder dos juízes de não aplicar as leis inconstitucionais, a Suprema Corte Americana não só inaugurou no mundo moderno o sistema judicial de controle de constitucionalidade, mas, sobretudo, rompeu com o dogma da supremacia do Poder Legislativo, que vige até hoje na Inglaterra e nos demais países que adotam constituições flexíveis. Os fundamentos da inovadora e corajosa decisão da Suprema Corte no caso Marbury versus Madison já haviam sido muito bem delineados por Alexander Hamilton em sua obraprima The Federalist, e partiu do seguinte raciocínio: a função de todos os juízes é a de interpretar as leis e aplicá las ao caso concreto submetido a seu julgamento; a regra básica de interpretação das leis determina que quando dois dispositivos legislativos estiverem contrastando entre si, deve o juiz aplicar a prevalente. Se ambas tiverem igual densidade normativa, devese valer dos critérios tradicionais, segundo os quais: lex posteriori derogat legi priori, lex specialis derogat legi generali, etc. Mas todos esses critérios são desnecessários quando o contraste dáse entre dispositivos de densidade normativa diversa, aí, o critério é o da lex superior derogat legi inferiori. Neste caso, a norma constitucional prevalecerá sempre sobre a lei ordinária, quando a constituição for rígida e não flexível. Do mesmo modo, a lei prevalecerá sempre sobre os decretos. De tudo o que foi exposto, a conclusão óbvia é no sentido de que todo e qualquer juiz, encontrandose no dever de decidir uma lide onde seja relevante ao caso uma lei ordinária que contrasta com a constituição, deve preservar a Carta Magna e não aplicar a norma de menor hierarquia. Vejamos agora como é dividido o controle de constitucionalidade no Brasil. Quanto ao momento de sua realização, o controle é dividido em preventivo e repressivo, o primeiro realizado durante o processo legislativo e, o segundo, após a entrada em vigor da lei. O preventivo é exercido, inicialmente, pelas Comissões de Constituição e Justiça do Poder Legislativo (art. 32, III, do Regimento Interno da Câmara Federal e art. 110 do Regimento Interno do Senado Federal, todos fundamentados no art. 58 da CF/88) e, posteriormente, pela participação do Chefe do Executivo no processo legislativo, quando poderá vetar a lei aprovada pelo Congresso Nacional por entendêla Fl. 240DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 241 13 inconstitucional, nos termos do art. 66, § 1º, da CF/88, denominado veto jurídico. Por sua vez, se o projeto de lei é de iniciativa do Poder Executivo, ou se se trata de Medida Provisória, há, ainda, além dos controles de constitucionalidade acima mencionados, o realizado previamente, no âmbito do Poder Executivo, pela Casa Civil da Presidência da República, por força do estatuído no art. 2º da Lei nº 9.649, de 27/05/1998, que assim dispõe: Art. 2º. À Casa Civil da Presidência da República compete assistir direta e imediatamente ao Presidente da República no desempenho de suas atribuições, especialmente na coordenação e na integração das ações do governo, na verificação prévia da constitucionalidade e legalidade dos atos presidenciais, ... (grifo nosso). O repressivo, por sua vez, poderá se dar de maneira concentrada, por via de ação direta de inconstitucionalidade ou de ação declaratória de constitucionalidade, competindo em ambos os casos, somente, ao Supremo Tribunal Federal processar e julgar tais ações, conforme dispõe a alínea “a” do inciso I do art. 102 da Constituição Federal de 1988. Pode ainda o controle repressivo darse de forma difusa, ou seja, como incidente processual, no julgamento de casos concretos. Depois de tudo o que aqui foi dito, perguntase: podem os órgãos judicantes da administração afastar a aplicação de lei inconstitucional? podem esses órgãos afastar a aplicação de lei que entenderem inconstitucional ou incompatível com a constituição? A resposta à primeira pergunta é positiva, pois a lei inconstitucional, como bem asseverou Marshal, não é lei, é ato nulo. Por conseguinte, não obriga, não vincula ninguém. Já a resposta à segunda pergunta é negativa, pois da interpretação sistemática da Constituição Federal (especialmente dos seus arts. 97; 102, III, “a” e “c”; e 105, II, “a” e “b”), temse que a competência para realizar o controle difuso de constitucionalidade é exclusiva do Poder Judiciário e estendida a todos os seus componentes. Nesse sentido, valiosas são as palavras do exProcuradorGeral da República e Professor Titular da Universidade de Brasília, Dr. Inocêncio Mártires Coelho, conforme elucidativo artigo por ele publicado na Revista Jurídica Virtual (nº 13) da Presidência da República, do qual transcrevemos o seguinte trecho: ...Nessa linha de raciocínio que ousaríamos chamar fática, livre e realista e ainda acompanhando o pensamento do maior jurista do século XX, podese dizer, igualmente, que sem aquela declaração de incompatibilidade, proferida pelo órgão a tanto legitimado, nenhuma norma será reputada inconstitucional; Fl. 241DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 242 14 que onde a Constituição não atribuir a algum órgão, distinto do que produz as leis, a prerrogativa de aferirlhes a constitucionalidade, norma alguma poderá reputarse inconstitucional; e que, finalmente, enquanto não for anulada e nos limites em que o seja toda lei é simplesmente constitucional... (grifo nosso). Por tais razões, podese concluir, que, não tendo a Constituição Federal de 1998 dado competência a órgãos da administração para efetuarem o controle repressivo de constitucionalidade das leis, não podem seus órgãos judicantes afastar a aplicação de lei que julgarem inconstitucional, pois competência não tem quem quer, mas quem a teve atribuída pela Constituição. No mesmo sentido, é a lição de Lúcio Bittencourt3 a respeito da incompetência dos órgãos do Poder Executivo para afastar a aplicação de uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade: É princípio assente entre os autores, reproduzindo a orientação pacífica da jurisprudência, que milita sempre em favor dos atos do Congresso a presunção de constitucionalidade. É que ao Parlamento, tanto quanto ao Judiciário, cabe a interpretação do Texto constitucional, de sorte que, quando uma lei é posta em vigor, já o problema de sua conformidade com o Estatuto Político foi objeto de exame e apreciação, devendose presumir boa e válida a resolução adotada. (...) Oscar Saraiva entende que o julgamento da inconstitucionalidade é privativo do Judiciário, porque, se êste cabe, por fôrça de preceito expresso, a função em aprêço, nenhum dos outros podêres tem competência para exercêla 'sob pena de se confundirem as atribuições dêstes, o que a nossa Constituição veda, ao prescrever a sua separação e independência'. Não acolhemos, todavia, êsse entendimento do culto e esclarecido jurisconsulto, que se choca, aliás, com a opinião unânime dos doutôres. Damolhe razão, apenas quando nega aos funcionários administrativos competência para se recusar a aplicar uma lei sob alegação de sua inconstitucionalidade. É que a sanção presidencial afasta qualquer possível manifestação dos funcionários administrativos, que não dispõem do exercício do poder executivo. (sic) Desta feita, se o órgão administrativo deixa de aplicar lei vigente por considerála inconstitucional, não apenas invade a esfera de competência do Poder Judiciário como também fere de morte um dos princípios norteadores da administração pública, qual seja, o princípio da hierarquia, pois se está discordando do Chefe do Poder Executivo que, ao não vetar a lei, está reconhecendo sua constitucionalidade. 3 Bittencourt, Lúcio O Contrôle Jurisdicional da Constitucionalidade, Forense, 1968, 2º edição, págs.91 a 96. Fl. 242DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 243 15 Em face do exposto, parecenos equivocada a afirmação daqueles que pregam que se a administração é vinculada aos ditames da lei, muito mais será aos da Lei Maior, logo pode negar aplicação à lei manifestamente inconstitucional. Rotundo engano, pois, primeiro, milita a favor de todas as leis a presunção de constitucionalidade; segundo, mesmo sendo uma presunção juris tantum, só ao órgão legitimamente indicado pela Constituição Federal como competente para exercer o controle de constitucionalidade cabe desconstituir a presunção. Pertinente trazer à colação as conclusões de Lúcio Bittencourt sobre o tema, na obra já citada: A lei, enquanto não declarada pelos tribunais incompatível com a Constituição, é lei não se presume lei é para todos os efeitos. Submete ao seu império tôdas as relações jurídicas a que visa disciplinar e conserva plena e íntegra aquela fôrça formal que a torna irrefragável, segundo a expressão de Otto Mayer. Aliás, em relação à lei, ocorre ainda situação diversa da que se manifesta no tocante aos atos jurídicos públicos ou privados, e que reforça a idéia de sua eficácia enquanto não declarada por via jurisdicional. É que, em relação a ela, existe o princípio da obrigatoriedade, que constitui, dentro de qualquer doutrina de direito público, a garantia e a segurança da ordem jurídica. Sendo a lei obrigatória, por natureza e por definição, não seria possível facilitar a quem quer que fôsse furtarse a obedecerlhes os preceitos sob o pretexto de que a considera contrária à Carta Política. A lei, enquanto não declarada inoperante, não se presume válida: ela é válida, eficaz e obrigatória. (sic) Ainda sobre o tema, não menos valiosos são os ensinamentos do festejado constitucionalista Luís Roberto Barroso4: A presunção de constitucionalidade das leis encerra, naturalmente, uma presunção iuris tantum, que pode ser infirmada pela declaração em sentido contrário do órgão jurisdicional competente. O princípio desempenha uma função pragmática indispensável na manutenção da imperatividade das normas jurídicas e, por via de conseqüência, na harmonia do sistema. O descumprimento ou nãoaplicação da lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, antes que o vício haja sido proclamado pelo órgão competente, sujeita a vontade insubmissa às sanções prescritas pelo ordenamento. Antes da decisão judicial, quem subtrairse à lei o fará por sua conta e risco. (grifo nosso). A meu sentir, é imperioso reconhecer que, no Direito brasileiro, o controle de constitucionalidade das leis em vigor é atribuição exclusiva do Poder Judiciário. Com isso, não sendo declarada a inconstitucionalidade pelo Jurisdicional, seja com efeitos erga omnes no controle concentrado de constitucionalidade, seja com 4 BARROSO, Luís Roberto. Interpretação e Aplicação da Constituição. São Paulo: ed. Saraiva, 3º edição, pp 170 e 171. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 244 16 efeito inter partes no controle difuso, a lei goza de presunção de constitucionalidade, e, por conseguinte, é válida e tem aplicação cogente em todo o território nacional. A declaração incidental de inconstitucionalidade de lei é ato de tamanha gravidade, que, desde a Constituição Federal de 1934, há exigência expressa de reserva de plenário para que os tribunais exerçam o controle difuso de constitucionalidade. Por essa regra, suscitado o incidente de inconstitucionalidade por um dos membros do tribunal, suspendese o julgamento do processo e remetese a questão incidental para o pleno ou órgão que o represente. A inconstitucionalidade somente será declarada por voto da maioria absoluta dos membros do tribunal (art. 97 da Seção I do Capítulo III Do Poder Judiciário do Título IV Das Organizações dos Poderes da CF/88). Essa exigência veio para uniformizar a interpretação constitucional no âmbito de cada tribunal. E como se processaria o incidente de inconstitucionalidade no processo administrativo, já que, diferentemente do que ocorre nos tribunais do Judiciário, nos administrativos não há a previsão para tal. Aliás, não poderia mesmo haver, pois, conforme já fartamente demonstrado, órgão nenhum da administração tem poderes para exercer o controle difuso de constitucionalidade. Ora, se para os tribunais do Judiciário é exigida a reserva de plenário, como então, querer que os órgãos judicantes da administração, por suas turmas ou Câmaras, possam exercer o controle de constitucionalidade. Se assim fosse possível, a esfera administrativa estaria investida de mais poder do que o próprio judiciário. E o que dizer, então, da impossibilidade de a Fazenda Nacional recorrer ao Supremo Tribunal Federal quando a instância administrativa julgar determinada lei inconstitucional, o que não ocorre quando o controle é feito no Judiciário. Vejase ao absurdo a que chegaríamos: se determinada lei fosse declarada inconstitucional em controle difuso, a questão, se as partes forem diligentes, iria ser decidida, em última instância, pelo STF. Agora reparem, se a inconstitucionalidade fosse apontada na esfera administrativa, a questão sequer chegaria a ser discutida no Judiciário, que dirá no Supremo Tribunal Federal. Com isso, a decisão administrativa teria mais força do que a de todos os outros órgãos do Poder Judiciário, à exceção do Supremo. Em outras palavras, em matéria de inconstitucionalidade, a Câmara Superior de Recursos Fiscais estaria alçada no mesmo patamar do STF, pois da decisão que declarasse alguma lei inconstitucional, assim como ocorre no STF, não caberia qualquer recurso. De tudo o que foi dito, resta concluir que falece aos órgãos judicantes da Administração competência para afastar a aplicação de lei ainda vigente. Missão atribuída exclusivamente ao Poder Judiciário. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de Fl. 244DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 245 17 inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei complementar nº 118/2005. Aliás, há disposição legal expressa no sentido de vedar este colegiado afastar aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade, salvo as exceções nele previstas, o que não é o caso dos autos. Vide art. 26A do Decreto nº 70.235/1972, com a redação dada pelo art. 25 da Lei nº 11.941/2009. A norma inserta nesse dispositivo do Processo Administrativo Fiscal foi reproduzida no art. 62 do atual regimento interno do CARF. Demais disso, cabe ressaltar que sobre essa matéria os antigos 1º, 2º e 3º Conselhos de Contribuintes sumularam o entendimento de falecer competência aos órgãos administrativos afastar a aplicação de lei por vício de inconstitucionalidade. Por outro lado, não me parece razoável o entendimento de parte da doutrina de que essa lei complementar não se aplicaria ao caso em discussão, pois a normatização da repetição de indébito é toda dada pelo CTN, mais especificamente, no art. 168, e o caso dos autos está amparado, justamente, nesse dispositivo, o qual recebeu a interpretação autêntica trazida pelo art. 3º da Lei Complementar nº 118/2005. Ultrapassada a questão da inconstitucionalidade do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, passase à análise do termo inicial da prescrição do direito de a reclamante repetir o indébito objeto destes autos. O direito à repetição de indébito é assegurado aos contribuintes no art. 1655do Código Tributário Nacional CTN. Todavia, como todo e qualquer direito, esse também tem prazo para ser exercido. 5 Art. 165. O sujeito passivo tem direito, independentemente de prévio protesto, à restituição total ou parcial do tributo, seja qual for a modalidade do seu pagamento, ressalvado o disposto no § 4º do artigo 162, nos seguintes casos: I cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; Fl. 245DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 246 18 A Carta Política da República, de 1988, exigiu lei complementar para estabelecer normas gerais de prescrição e decadência tributários, conforme se vê da alínea “b” do inciso III do art. 146. Art. 146. Cabe à lei complementar: I .................................................................................................... III estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária, especialmente sobre: a) .................................................................................................... b) obrigação, lançamento, crédito, prescrição e decadência tributários; A lei com o status exigido pela Constituição para fixar as hipóteses de prescrição e decadência tributária, quer para a cobrança do débito quer para a devolução do indébito, como é de todos sabido, é a Lei nº 5.172/1966, alçada a categoria de Código Tributário Nacional, recepcionada pela Constituição como lei complementar. Para o caso aqui em debate interessa, apenas, essa última hipótese, a qual é tratada no art. 168 do Código, que estabelece o prazo de 05 anos para a repetição, contados da seguinte forma: I da data de extinção do crédito tributário nas hipóteses: a) de cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido; b) de erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; II da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória nas hipóteses: a) de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória. A exegese desse artigo não deixa margem a dúvida de que o prazo prescricional para repetição de indébito é de 05 anos. A celeuma que se instaurou na doutrina, e também na jurisprudência gira em torno do termo inicial da contagem do prazo. O art. 1686 fixa duas datas distintas, como não poderia 6 Art. 168. O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: I nas hipóteses dos incisos I e II do artigo 165, da data da extinção do crédito tributário. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 247 19 deixar de ser, para hipóteses também distintas. A primeira data da extinção do crédito tributário – aplicase aos casos previstos nos incisos I e II do art. 165 do CTN; e a segunda – data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou judicial ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória, destinase, exclusivamente, às hipóteses enumeradas no inciso II do mencionado art. 165. A exegese, como todos sabem, é a arte de se extrair da norma o seu conteúdo por meio das técnicas de interpretação. Todavia, não pode ir além disso, ou seja, não pode extrair aquilo que não está na norma. O exegeta não pode criar, não pode inventar, tem que se ater ao comando normativo, sob pena de transformarse em legislador positivo, usurpando competência que não lhe foi dada. Em outro giro, a lei complementar fixou, numerus clausus, os eventos que servem como data do termo de início da contagem do prazo prescricional de repetição de indébito – a extinção do crédito tributário que se pretende repetir, e da data em que se tornar definitiva a decisão administrativa ou passar em julgado a decisão judicial que tenha reformado, anulado, revogado ou rescindido a decisão condenatória – afora essas duas hipóteses, nenhum outro dispositivo legal versa sobre o termo inicial da prescrição para repetir o indébito. Assim, toda a engenharia jurídica e criativa utilizada para dar sustentação a outros marcos temporais da contagem desse prazo não encontra respaldo no arcabouço jurídico nacional. Aliás, é de se ressaltar que essas teses que criaram termos de início alternativos ao dado pelo CTN, não só carecem de amparo legal, como afrontam o ordenamento jurídico, in casu, a própria Constituição, art. 146, III, “b”, e o Código Tributário Nacional que detém o status normativo exigido na Carta Cidadã para disciplinar essa matéria. Nesse ponto, transcrevo excerto do voto do Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro7: Nessa linha, penso, portanto, que a inexistência de Lei em sentido formal ou material que apóie a jurisprudência administrativa da qual ora se diverge, faz com que a mesma entre em conflito com o princípio da legalidade, insculpido no art. 37 da Constituição Federal de 19888, na medida em que, uma vez afastada a regra jurídica formalmente vigente, simplesmente não existe outra de igual concretude para ser aplicada. Nesse ponto, não custa relembrar que, sob o ponto de vista da atuação da Administração Pública, onde inegavelmente está inserida este Colegiado, dito princípio assume feições diversas 7 julgamento do recurso voluntário nº 133.010, na Terceira Câmara do do Terceiro Conselho de Contribuintes. 8 “Art. 37. A administração pública direta e indireta de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência...” Fl. 247DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 248 20 da prevista no art. 5o, II da CF de 19889, denominado Autonomia da Vontade. Diferentemente deste último, à Administração Pública só é permitido fazer aquilo que a lei (regra jurídica) prevê. Sobre esse aspecto, peço licença para trazer a lição de JJ Gomes Canotilho10, que assim esquadrinha os diferentes ângulos de atuação do princípio em discussão: “O princípio da legalidade postula dois princípios fundamentais: o princípio da supremacia ou prevalência da lei (Vorrang des Gesetzes) e o princípio da reserva de lei (Vorbehalt des Gesetzes). Estes princípios permanecem válidos, pois num Estado democráticoconstitucional a lei parlamentar é, ainda, a expressão privilegiada do princípio democrático (daí a sua supremacia) e o instrumento mais apropriado e seguro para definir os regimes de certas matérias, sobretudo dos direitos fundamentais e da vertebração democrática do Estado (daí a reserva de lei). De uma forma genérica, o princípio da supremacia da lei e o princípio da reserva de lei apontam para a vinculação jurídicoconstitucional do poder executivo (cfr., infra. fontes de direito e estruturas normativas)”. (grifei) Ou seja, como é cediço, o princípio da legalidade é o alicerce do Estado de Direito e, nessa condição, irradia seus efeitos sobre os demais valores defendidos no plano constitucional, inclusive sobre a Segurança Jurídica, invocado como fundamento para a decisão em debate. Nesse aspecto, recorro à lição de Sacha Calmon Navarro membro de corrente doutrinária contrária àquela que inspirou a prolação dos votos vencedores que, baseado na doutrina alemã11, pontifica: “O conceito de segurança jurídica é considerado conquista especial do Estado de Direito. Sua função é a de proteger o indivíduo de atos arbitrários do poder estatal, já que as intervenções do Estado nos direitos dos cidadãos podem ser muito pesadas e, às vezes, injustas. No entanto, se tais intervenções têm base em lei e visam o bemestar público, será preciso decidirse pela avaliação conjunta do interesse coletivo e do interesse do particular afetado para se aferir a juridicidade (conformação do direito) da medida estatal. Esse princípio é freqüentemente denominado ‘princípio da proporcionalidade’...” (grifei). 9 “II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;” 10 Canotilho, Joaquim José Gomes. Direito Constitucional e Teoria da Constituição. Coimbra, Portugal, Almedina, 2000, 7ª Edição, p. 256 11 STEIN Torstein, A Segurança Jurídica na Ordem Legal da República Federal da Alemanha, apud Navarro, Sacha Calmon, Reflexões Sobre o Artigo 3º da Lei Complementar 118. Segurança Jurídica e a BoaFé como Valores Constitucionais. As Leis Interpretativas no Direito Tributário Brasileiro. Disponível em http://www.sacha.adv.br/admin/arq_publica/bc7f621451b4f5df308a8e098112185d.pdf Fl. 248DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 249 21 Poderseia então argumentar que a solução ora discutida seria então resultado do sopesamento entre os princípios constitucionais aparentemente conflitantes, mediante a redução da “força” do princípio da legalidade. Ocorre que essa solução só seria possível, penso, se os princípios constitucionais invocados possuissem o mesmo grau de concretude das normas cuja aplicação tem sido afastada. Ou seja, se os princípios em conflito pudessem ser traduzidos em regras jurídicas, passíveis de aplicação imediata, independente de lei complementar ou ordinária. Nesse ponto, é importante reforçar que, malgrado seu poder, que os torna aptos a, nas palavras de Paulo de Barros Carvalho12, informar e iluminar a compreensão de segmentos normativos, os princípios invocados, a bem da verdade, não são regras jurídicas, conforme a que precisa lição de Alexy, para quem os primeiros, enquanto “mandatos de otimização”13, assim se distinguem das últimas: “El punto decisivo para la distinción entre reglas y principios es que los principios son normas que ordenan que algo sea realizado en la mayor medida posible, dentro de las posibilidades jurídicas y reales existentes. Por lo tanto, los principios son mandatos de optmización, que están caracterizados por el hecho de que pueden ser cumplidos en diferente grado y que la medida debida de su cumplimiento no sólo depende de las posibilidades reales sino también de las jurídicas. El ámbito de las posibilidades jurídicas es determinado por los principios y reglas opuestos. En cambio, las regias son normas que sólo pueden ser cumplidas o no. Si una regla es válida, entonces de hacerse exactamente lo que el exige, ni más ni menos. Por lo tanto, las reglas contienen determinaciones en el ámbito de lo fáctica y jurídicamente posible. Esto significa que la diferencia entre reglas y principios es cualitativa y no de grado. Toda norma es o bien una regla o un principio” (grifei) Como esclarece José Afonso da Silva14, apesar de sempre vigentes, as normas principiológicas constitucionais normalmente não reúnem todos os elementos necessários para sua incidência direta. Às vezes, faltalhes o que Alexy definiu como “possibilidade jurídica”. Daí porque, desenvolveu o mestre paulista a clássica distinção entre normas de eficácia plena, contida e limitada: “Quando essa regulamentação normativa é tal que se pode saber, com precisão, qual a conduta positiva ou negativa a 12 Curso de direito tributário. 3ª edição, p.72 13 Teoria de los Derechos Fundamentales, apud Inocêncio Mártires Coelho. Interpretação Constitucional. Porto Alegre, 1997, Sérgio Antonio Fabris Editor, p. 85. 14Aplicabilidade das Normas Constitucionais. 3ª. ed., São Paulo, Malheiros, 1998, p. 99: Fl. 249DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 250 22 seguir relativamente ao interesse descrito na norma, é possível afirmarse que está é completa e juridicamente dotada de plena eficácia”. Ainda sob o prisma da concretude, esclarecem Manuel Atienza e Juan Ruiz Manero15 que as regras: “constituem concreções relativas às circunstâncias genéricas que constituem suas condições de aplicação, derivadas do balanço entre os princípios relevantes em ditas circunstâncias. Estas concreções, constituídas pelas regras, pretendem ser concludentes e excluir, como base para adotar um curso de ação, a deliberação de seu destinatário sobre o balanço de razões aplicáveis ao caso. Esta pretensão, sem embargo, resulta em ocasiões falida: quando o resultado de aplicar a regra é inaceitável a luz dos princípios do sistema que determinam a justificação e o alcance da própria regra. Em tais casos, a pretensão concludente e excludente das regras fracassa e o ordenado ou permitido por elas alcança só um valor prima facie que se vê finalmente, uma vez consideradas todas as circunstâncias, afastado” Assim sendo, um princípio constitucional que não reúne os elementos condicionantes para sua eficácia plena não pode substituir a regra jurídica insculpida no CTN, no máximo, afastar sua aplicação por meio dos adequados instrumentos de controle da constitucionalidade, medida que foge à competência deste colegiado. Ou seja, se efetivamente fosse afastada a aplicação da norma, o resultado seria igualmente a improcedência do pedido, pois essa medida não faria surgir uma nova em seu lugar e, nessa condição, o tornaria carente de fundamento legal. Relembrese, o Decreto nº 20.910, de 1932 não pode servir de base para a concessão de restituição tributária. 2. Interpretação Conforme a Constituição Doutrinadores de peso, como Paulo Bonavides16, defendem a interpretação conforme a Constituição, como método de harmonização da norma infraconstitucional aos princípios constitucionais, pretendendo, ao que parece, conferir a essa técnica contornos de mera busca pelo verdadeiro sentido do texto da norma hierarquicamente inferior à Constituição. Ocorre que tal linha, que, ao que parece, tem sido seguida majoritariamente por este Colegiado, diverge daquela que tem sido adotada pelo Supremo Tribunal Federal, que firmou norte no sentido de que a interpretação conforme a Constituição, em verdade, corresponde a um método de controle da 15 Ilícitos atípicos apud Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá, pp 149 a 178 16 Curso de direito constitucional, p. 518. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 251 23 constitucionalidade, sentido igualmente atribuído por Celso Ribeiro Bastos17 e Jorge Miranda18. Tal convicção ganha força em função da leitura do parágrafo único, do art. 28, da Lei nº 9.868, de 10 de novembro de 1999, que assim disciplina os possíveis resultados da Ação Declaratória de Inconstitucionalidade ou da Ação Declaratória de Constitucionalidade. Parágrafo único. A declaração de constitucionalidade ou de inconstitucionalidade, inclusive a interpretação conforme a Constituição e a declaração parcial de inconstitucionalidade sem redução de texto, têm eficácia contra todos e efeito vinculante em relação aos órgãos do Poder Judiciário e à Administração Pública federal, estadual e municipal. (grifei) Nesse sentido, trago à colação manifestação do Ministro Carlos Ayres Britto, em voto vista proferido em questão de ordem suscitada nos autos da ADPF no 54: “38. Em remate, a interpretação conforme não se exprime num típico exercício de hermenêutica, pois o típico exercício de hermenêutica se dá é num precedente contexto de serena aceitação da validade do dispositivo sobre que recai. Ela se inscreve é entre os mecanismos de controle de constitucionalidade, como exigência do sumo princípio da supremacia material da Constituição. Por isso que, já no citado segundo momento processual de sua aplicabilidade, ela é manejada como instrumento de sindicabilidade jurídica do ato público de menor escalão hierárquico. Por conseguinte, mecanismo pelo qual se afere tanto a validade formal quanto material de um modelo jurídicopositivo posto em cotejo com a Magna Carta.” Nesse diapasão, penso que falta competência legal a este Colegiado para, por meio da préfalada técnica, interferir no texto do Código Tributário como se encontra vigente ou afastar a sua aplicação a hipóteses que, sem a pretensa colisão com os princípios constitucionais invocados nos votos vencedores, se subsumiriam perfeitamente ao seu texto. Aliás, ainda que tivéssemos competência para tanto, a técnica da interpretação conforme, na lição de J.J. Gomes Canotilho19, não admite alteração do texto normativo. Leciona o autor: “...daqui se conclui que a interpretação conforme só permite a escolha entre dois ou mais sentidos possíveis da lei mas nunca a 17 Hermenêutica e interpretação constitucional, apud Sérgio Augusto Zampol Pavani. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 18 Manual de direito constitucional, tomo II, p. 267. A Interpretação Conforme e Constituição e o Controle Difuso de Constitucionalidade. Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba, 2005. Juruá. pp. 581 a 599. 19Op. cit., p. 1265/1266 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 252 24 revisão de seu conteúdo. A interpretação conforme a constituição tem, assim, os seus limites na ‘letra e na clara vontade do legislador’, devendo ‘respeitar a economia da lei’ e não podendo traduzirse na ‘reconstrução’ de uma norma que não esteja devidamente explícita no texto”.(grifei) Nesse mesmo sentido, concluiu o Tribunal Pleno do STF, nos autos da ADI 3046/SP20: “III. Interpretação conforme a Constituição: técnica de controle de constitucionalidade que encontra o limite de sua utilização no raio das possibilidades hermenêuticas de extrair do texto uma significação normativa harmônica com a Constituição.” Importa ponderar, noutro giro, que nem a interpretação conforme nem qualquer outro método de controle da constitucionalidade admite que o intérprete inove em relação ao texto da lei, conforme deixou claro o Pretório Excelso na decisão proferida nos autos da Representação no 1.417721: “O princípio da interpretação conforme a Constituição (Verfassungskonforme Auslegung) é princípio que se situa no âmbito do controle da constitucionalidade e não apenas simples regra de interpretação. A aplicação desse princípio sofre, porém, restrições, uma vez que, ao declarar a inconstitucionalidade de uma lei em tese, o STF em sua função de Corte Constitucional atua como legislador negativo, mas não tem o poder de agir como legislador positivo para criar norma jurídica diversa da instituída pelo Poder Legislativo. Por isso, se a única interpretação possível para compatibilizar a norma com a Constituição contrariar o sentido inequívoco que o Poder Legislativo lhe pretendeu dar, não se pode aplicar o princípio da interpretação conforme à Constituição que implicaria, em verdade, criação de norma jurídica, o que é privativo do legislador positivo. (...) No caso, não se pode aplicar a interpretação conforme a Constituição por não se coadunar essa com a finalidade inequivocamente colimada pelo legislador, expressa literalmente no dispositivo em causa, e que dele ressalta pelos elementos da interpretação lógica.” (os grifos constam do original) Nessa linha, importa relembrar, que, como é cediço, no Regime Constitucional vigente, o “remédio” contra a omissão do legislador que ameace a efetividade dos direitos e garantias, não é a criação ou alteração do texto legal, por qualquer dos meios de controle da constitucionalidade, mas o Mandado de Injunção, 20 Relator Min. Sepúlveda Pertence (resp. pelo acórdão), DJ 28.05.2004. 21 Relator Min. Moreira Alves, DJ 15.04.1988. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 253 25 ex vi do art. 5º, caput, inciso VXXI e §1º22. Nem a Ação de Inconstitucionalidade por Omissão, definida no § 2o do art 103, tem o efeito positivo ou inovador aplicado no voto do qual se discorda. Não se vê, portanto, como, em sede de recurso voluntário, conciliar a pretensão do interessado e a aplicação da legislação como se encontra vigente. Todavia, devese reconhecer que, na jurisprudência dos antigos conselhos de contribuintes, proliferaramse teses e mais teses criando várias outras hipóteses de marco inicial da contagem desse prazo. Como exemplo, podese citar a data da publicação da resolução do Senado nos casos em que o indébito decorresse de lei declarada inconstitucional em controle difuso pelo STF; a data do dispositivo legal23, por meio do qual a administração teria reconhecido o direito de não mais se pagar o tributo inconstitucional; a tese do 5 mais 5 e por aí vai. Entretanto, com a edição da Lei Complementar nº 118, de 09/02/2005, cujo artigo 3º deu interpretação autêntica ao art. 168, inciso I, do Código Tributário Nacional, estabelecendo que a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de que trata o art. 150, § 1º, da Lei nº 5.172/1966, o único entendimento possível é o trazido na novel lei complementar. Esclareçase, por oportuno, que em se tratando de norma expressamente interpretativa, deve ser obrigatoriamente aplicada aos casos não definitivamente julgados, por força do disposto no art. 106, I, do CTN. Aliás, não se pode olvidar que o entendimento segundo o qual o termo inicial da prescrição é a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento era o adotado pelo STF antes de a competência para apreciar este tipo de matéria passar para o STJ. Aqui sobreleva citar as palavras do Ministro Marco Aurélio de Mello proferida na votação do RE acima transcrito: O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO Presidente, diria mesmo que a Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça foi surpresada com os embargos declaratórios e a veiculação da matéria, isso porque o caso não é simplesmente de aplicação da lei no tempo, mas, sim, de afastamento peremptório de preceito que revelou, ou melhor, explicitou mais ainda, se é que era preciso, o princípio segundo o qual a prescrição tem como termo inicial a data do nascimento da ação. E se afastou a Lei 22 LXXI concederseá mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania; § 1º As normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata. 23 Pacificouse, noutro giro, o entendimento de que, independentemente da modalidade de controle da constitucionalidade, considerase como início da contagem do prazo prescricional a data da publicação da lei que dispense os agentes públicos de adotar providências tendentes à cobrança dos tributos declarados inconstitucionais. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 254 26 Complementar nº 118/2005, mais precisamente o artigo esclarecedor, artigo 4º, no que remeteu ao artigo 106, inciso I, do Código Tributário Nacional, que versa, justamente, a aplicação da lei a ato ou fato pretérito, em qualquer hipótese, quando seja expressamente para mim, ela foi simplesmente interpretativa interpretativa, excluída a aplicação de penalidade no caso de infração. Aqui estamos diante daquela situação concreta em que se dobrou o prazo alusivo à prescrição mediante uma interpretação inteligente, sem dúvida alguma, mas que, a meu ver, de início, não se coaduna com o que se contém no Código Tributário Nacional. Acompanho, integralmente, o relator no voto proferido, em situação que viria a ser apanhada pelo nosso verbete. Em outro giro, embora não concorde com a tese dos 5 + 5 adotada pelo Superior Tribunal de Justiça, por entender que a homologação tem efeitos declaratórios, e, portanto, seus efeitos retroagem à data do pagamento,devese reconhecer que tal tese tem sua lógica, posto que, assim como o CTN, o termo inicial é a data da extinção do crédito tributário. A divergência reside na interpretação de quando se deu essa extinção. Aqui, ao contrário das demais teses adotadas para refutar o disposto no art. 168 do CTN, parte deste dispositivo e, como dito linhas acima, interpretao de forma a fixar quando se deu o evento da extinção do crédito tributário. Não se inventou nada, apenas se interpretou a lei. Interpretação esta, a meu sentir, não escorreita, já que diferenciada da que foi dada pelo legislador. De qualquer sorte, na interpretação do STJ, continua valendo o marco estabelecido no CTN, o que varia é o momento em que ele se deu, já nas teses outras, aqui combatida, o interprete buscou outro termo de início, sem qualquer pertinência com o estabelecido em lei. Gizese que nenhum tribunal pátrio abriga hoje em dia qualquer dessas teses inovadoras adotadas nos antigos Conselhos de Contribuintes, já que o STJ, a partir de novembro de 2005, espancou qualquer tese que não tivesse como marco temporal da prescrição a data da extinção do crédito tributário, e consolidou a posição de que a decretação da inconstitucionalidade pelo STF ou a edição de resolução do Senado não exercem qualquer influência sobre a contagem do prazo de prescrição. Vejamos: EREsp na 435.835 / SC SC 24: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. LEI N° 7.787/89. COMPENSAÇÃO. PRESCRIÇÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL DO PRAZO. PRECEDENTES. 1.Está uniforme na Ia Seção do STJ que, no caso de lançamento tributário por homologação e havendo silêncio do Fisco, o prazo 24 Relator (para o acórdão): Ministro José Delgado, julgado em 24/03/2004, publicado no DJ de 04/06/2007; Fl. 254DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 255 27 decadencial só se inicia após decorridos 5 (cinco) anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais um qüinqüênio, a partir da homologação tácita do lançamento. Estando o tributo em tela sujeito a lançamento por homologação, aplicamse a decadência e a prescrição nos moldes acima delineados. 2.Não há que se falar em prazo prescricional a contar da declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. A pretensão foi formulada no prazo concebido pela jurisprudência desta Casa Julgadora como admissível, visto que a ação não está alcançada pela prescrição, nem o direito pela decadência. Aplicase, assim, o prazo prescricional nos molde sem que pacificado pelo STJ, id est, a corrente dos cinco mais cinco. AgRg no REsp 852086 / RJ25: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ADMINISTRADORES E AUTÔNOMOS. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. PRAZO. I Nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo prescricional para se pleitear a compensação ou a restituição do crédito tributário somente se opera quando decorridos cinco anos da ocorrência do fato gerador, acrescidos de mais cinco anos, contados a partir da homologação tácita, em nada influenciando o termo inicial da prescrição, a declaração de inconstitucionalidade da exação, pelo STF, seja em controle difuso ou concentrado, conforme restou decidido no julgamento dos EREsp n° 435.835/SC, Rei. p/ acórdão Min. JOSÉ DELGADO, julgado em 24/03/2004. REsp 841652 / PR 26: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. COFINS.PRESCRIÇÃO. SOCIEDADE CIVIL. ISENÇÃO. ACÓRDÃO VERGASTADO.ENFOQUE EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. COMPETÊNCIA DO STF. Nos tributos lançados por homologação, o prazo para a propositura da ação de repetição de indébito será de dez anos a contar do fato gerador, se a homologação for tácita (tese dos "cinco mais cinco"), e de cinco anos a contar da homologação, se expressa. Precedentes. O Tribunal a quo negou a pretensão recursal sob enfoque eminentemente constitucional, cujo reexame é da competência exclusiva do STF. Recurso especial conhecido em parte e improvido. De outro modo não poderia ser, pois ao se deslocar o prazo de prescrição da data da extinção do crédito tributário para 25 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. 26 Relator: Ministro Castro Meira, julgado em 17/05/2007, publicado no DJ de 29.05.2007. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 256 28 qualquer outra data, estarseia criando direito novo, totalmente incompatível com o CTN, e também, com o art. 146 da Constituição da República. Impõese ressaltar que o interprete não pode dar à norma um alcance maior do que a ela o legislador não deu, sob pena de se transformar o ato de interpretar em ato de legislar. Aquele, da alçada do aplicador da lei; esse, com exclusividade, da do legislador. Sobre a tese do termo de início ser deslocado da extinção do crédito tributário, para a data da publicação da resolução do Senado que retirou do mundo jurídico a lei declarada inconstitucional pelo STF, devese esclarecer que ela encontra se totalmente desvinculada da jurisprudência de nossos tribunais, bem como da boa doutrina, como se pode ver a seguir. Regina Maria Macedo Nery Ferrari27, apoiada na doutrina de Oswaldo Aranha Bandeira de Melo28, leciona que a Resolução Senatorial que dá efeitos erga omnes à decisão do STF que declara a inconstitucionalidade de lei teria efeito constitutivo e, nessa condição, somente após a publicação surtiria efeitos para as partes que não integraram o litígio. O Conselheiro Luis Marcelo, no aludido voto proferido na Terceira Câmara do Terceiro Conselho, aduz que um dos efeitos que pode ser afastado de plano é o da imprescritibilidade, característica própria da ADI e das demais ações de cunho declaratório. Todavia, depois da suspensão efetuada pelo Senado, perde a lei ou ato normativo sua eficácia; perde sua executoriedade, vale dizer, a sua revogação, e, a partir daí, não mais pode ser considerada em vigor. Ora, parecenos claro, dentro de tal colocação de idéias, que só a partir dessa suspensão é que a lei perde a eficácia, o que nos leva a admitir seu caráter constitutivo. A lei até tal momento existiu e, portanto, obrigou, criou direitos, deveres, com toda sua carga de obrigatoriedade, e só a partir do ato do Senado é que ela vai passar a não obrigar mais, já que, enquanto tal providência não se concretizar, pode o próprio Supremo, que decidiu sobre sua invalidade, alterar seu entendimento, conforme manifestação dos próprios ministros do Supremo, em voto proferido na decisão do Mandado de Segurança 16.512, de maio de 1966. Assim sendo, não estão com a razão aqueles que consideram ter efeito retroativo a suspensão pelo Senado, pois, se não podemos negar o caráter normativo de tal ato, o mesmo, embora não se confunda com a revogação, opera como ela, já que retira, por disposição constitucional, a eficácia da lei ou ato normativo tido por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 27 Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed., p. 205. 28 A Teoria das Constituições Rígidas, apud Efeitos da Declaração de Inconstitucionalidade. São Paulo, Revista dos Tribunais, 2004, 5ª ed. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 257 29 José Afonso da Silva29, apoiado em doutrinadores da envergadura de Pontes de Miranda, Alfredo Buzaid e Themístocles Brandão Cavalcanti, esclarece que: O problema deve ser decidido, pois, considerandose dois aspectos. No que tange ao caso concreto, a declaração surte efeitos ex tunc, isto é, fulmina a relação jurídica fundada na lei inconstitucional desde o seu nascimento. No entanto, a lei continua eficaz e aplicável, até que o Senado suspenda sua executoriedade; essa manifestação do Senado, que não revoga nem anula a lei, mas simplesmente lhe retira a eficácia, só tem efeitos, daí por diante, ex nunc. Pois, até então, a lei existiu. Se existiu, foi aplicada, revelou eficácia, produziu validamente seus efeitos. O Ministro Teori Albino Zavascki30, em obra dedicada ao tema, citado no voto do Conselheiro Luis Marcelo, estabelece limites temporais para o poder vinculativo advindo da Resolução Senatorial, a saber: Em qualquer caso, o efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade é, sob o aspecto temporal, logicamente posterior ao efeito da inconstitucionalidade em si: esta é ex tunc, desde a edição da norma; aquele só é vinculante a partir do ato do qual decorre, que é superveniente à norma inconstitucional [Essa linha de entendimento norteou o acórdão do Supremo Tribunal Federal no Recurso em Mandado de Segurança 17.976, Relator Min. Amaral Santos (julgamento de 13.09.68), em cujo voto está dito que 'a suspensão da vigência da lei por inconstitucionalidade torna sem efeito os atos praticados sob o império da lei inconstitucional. Contudo, a nulidade da decisão transitada em julgado só pode ser declarada por via de ação rescisória'. Esclareceu o Min. Eloy da Rocha, na oportunidade, que 'a suspensão da execução da lei, pelo Senado, tem efeito ex nunc']. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça31, sobre o tema, firmouse no seguinte sentido: REsp nº 547.744/MG32: Como a ADIN é imprescritível, todas as ações que tiverem por objeto direitos subjetivos decorrentes de lei cuja constitucionalidade ainda não foi apreciada, ficariam sujeitas à reabertura do prazo de prescrição, por tempo indefinido. Assim, disseminariase a imprescritibilidade no direito, tornando os direitos subjetivos instáveis até que a constitucionalidade da lei 29 Curso de Direito Constitucional Positivo. São Paulo. Malheiros, 1994, 10ª ed., p. 57. 30 Eficácia das Sentenças na Jurisdição Constitucional. São Paulo. Revista dos Tribunais, 2001, pp. 81101 31 jurisprudência trazida à colação no voto proferido pelo Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, no voto proferido no julgamento do Recurso Voluntário nº 133.010, da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes. 32 Publicado no DJ de 09/12/2003, Relator: Ministro Luiz Fux. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 258 30 seja objeto de controle pelo STF. Ocorre que, se a decadência e a prescrição perdessem o seu efeito operante diante do controle direto de constitucionalidade, então todos os direitos subjetivos tornarseiam imprescritíveis. A decadência e a prescrição rompem o processo de positivação do direito, determinando a imutabilidade dos direitos subjetivos protegidos pelos seus efeitos, estabilizando as relações jurídicas, independentemente de ulterior controle de constitucionalidade da lei. (grifei) O acórdão em ADIN que declarar a inconstitucionalidade da lei tributária serve de fundamento para configurar juridicamente o conceito de pagamento indevido, proporcionando a repetição do débito do Fisco somente se pleiteada tempestivamente em face dos prazos de decadência e prescrição: a decisão em controle direto não tem o efeito de reabrir os prazos de decadência e prescrição. Descabe, portanto, justificar que, com o trânsito em julgado do acórdão do STF, a reabertura do prazo de prescrição se dá em razão do princípio da actio nata. Tratase de petição de princípio: significa sobrepor como premissa a conclusão que se pretende. O acórdão em ADIN não faz surgir novo direito de ação ainda não desconstituído pela ação do tempo no direito. Respeitados os limites do controle da constitucionalidade e da imprescritibilidade da ADIN, os prazos de prescrição do direito do contribuinte ao débito do Fisco permanecem regulados pelas três regras que construímos a partir dos dispositivos do CTN. (grifei) O Ministro Teori Albino Zavascki, em declaração de voto proferida nos autos EREsp n° 423.994/MG33, entendeu que: Em suma, não há como afirmar que a declaração de inconstitucionalidade, notadamente quando formulada em controle difuso, importe, no plano da norma, qualquer efeito extintivo ou modificativo. A norma permanece nula, como sempre foi. Também nenhum efeito dessa espécie ocorre no plano das relações jurídicas individuais (salvo, evidentemente, a que envolve as partes diretamente vinculadas à ação individual proposta). Mas, mesmo havendo sentença de inconstitucionalidade proferida em ação de controle concentrado, as relações jurídicas individuais formadas inconstitucionalmente (como, v. g., o pagamento de um tributo inconstitucional), não são diretamente atingidas pela declaração e muito menos desfeitas de modo automático. A seu turno, o Ministro Gilmar Ferreira Mendes34, sobre os efeitos desconstitutivos da sentença proferida em sede de controle da constitucionalidade, pondera: Não se está a negar caráter de princípio constitucional ao princípio da nulidade da lei inconstitucional. Entendese, porém, 33 Publicado no DJ de 05/04/2004. 34 Jurisdicão Constitucional. Brasilia. Forense. 2005, 5ª edição, pp. 333 e 334. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 259 31 que tal princípio não poderá ser aplicado nos casos em que se revelar absolutamente inidôneo para a finalidade perseguida (casos de omissão; exclusão de benefício incompatível com o princípio da igualdade), bem como nas hipóteses em que a sua aplicação pudesse trazer danos para o próprio sistema jurídico constitucional (grave ameaça à segurança jurídica). (...) Acentuese, desde logo, que, no direito brasileiro, jamais se aceitou a idéia de que a nulidade da lei importaria na eventual nulidade de todos os atos que com base nela viessem a ser praticados. Embora a ordem jurídica brasileira não disponha de preceitos semelhantes aos constantes do § 79 da Lei do Bundesverfassungsgericht que prescreve a intangibilidade dos atos não mais suscetíveis de impugnação, não se deve supor que a declaração de inconstitucionalidade afete todos os atos praticados com fundamento na lei inconstitucional. Embora o nosso ordenamento não contenha regra expressa sobre o assunto e se aceite, genericamente, a idéia de que o ato fundado em lei inconstitucional está eivado, igualmente, de iliceidade concedese proteção ao ato singular, em homenagem ao princípio da segurança jurídica, procedendose à diferenciação entre o efeito da decisão no plano normativo (Normebene) e no plano do ato singular (Einzelaktebene) mediante a utilização das chama das fórmulas de preclusão. De qualquer sorte, os atos praticados com base na lei inconstitucional que não mais se afigurem suscetíveis de revisão não são afetados pela declaração de inconstitucionalidade. (os grifos não constam do original) Nesse mesmo sentido é a doutrina de JJ Canotilho35: Pode também entenderse que os limites à retroactividade se encontram na definitiva consolidação de situações, actos, relações, negócios a que se referia a norma declarada inconstitucional. Se as questões de facto ou de direito regulados pela norma julgada inconstitucional se encontram definitivamente encerradas porque sobre elas incidiu caso julgado judicial, porque se perdeu um direito por prescrição ou caducidade, porque o acto se tornou inimpugnável, porque a relação se extinguiu com o cumprimento da obrigação, então a dedução de inconstitucionalidade, com a conseqüente nulidade ipso jure, não perturba, através da sua eficácia retroactiva, esta vasta gama de situações ou relações consolidadas. Como bem asseverou o Conselheiro Luis Marcelo, no voto já citado linhas acima: (...) um exemplo claro da aplicação das chamadas normas de preclusão pode ser extraído da decisão proferida nos autos do 35 Canotilho, José Joaquim Gomes. Direito Constitucional, apud Jurisdição Constitucional. Brasília. Forense. 2005, 5ª edição, p. 388. Fl. 259DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 260 32 Resp nº 686.05836 MG, em que se discutia o cabimento de ação rescisória em face da decretação da inconstitucionalidade de lei que fundamentou a sentença: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. EFICÁCIA TEMPORAL DA COISA JULGADA. DESCONSTITUIÇÃO DOS EFEITOS PRETÉRITOS DE SENTENÇA TRANSITADA EM JULGADO, TENDO EM VISTA A POSTERIOR DECLARAÇÃO PELO STF, EM CONTROLE DIFUSO, DA INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI EM QUE SE FUNDA. IMPRESCINDIBILIDADE DA AÇÃO RESCISÓRIA. SUSPENSÃO DA EXECUÇÃO DAS NORMAS PELO SENADO FEDERAL. MODIFICAÇÃO NO ESTADO DE DIREITO QUE FAZ CESSAR, DESDE A EDIÇÃO DA RESOLUÇÃO, AUTOMATICAMENTE, A FORÇA VINCULANTE DO PROVIMENTO JURISDICIONAL. (...) 4. Em nosso sistema, as decisões tomadas em controle difuso de constitucionalidade, ainda que pelo STF, limitam sua força vinculante às partes envolvidas no litígio. Não afetam, por isso, de forma automática, como decorrência de sua simples prolação, eventuais sentenças transitadas em julgado em sentido contrário, para cuja desconstituição é indispensável o ajuizamento de ação rescisória. 5. A edição de Resolução do Senado Federal suspendendo a execução das normas declaradas inconstitucionais, contudo, confere à decisão in concreto efeitos erga omnes, universalizando o reconhecimento estatal da inconstitucionalidade do preceito normativo, e acarretando, a partir de seu advento, mudança no estado de direito capaz de sustar a eficácia vinculante da coisa julgada, submetida, nas relações jurídicas de trato sucessivo, à cláusula rebus sic stantibus. 6. No caso concreto, temse ação ordinária por meio da qual se busca desconstituir os efeitos pretéritos da aplicação do art. 3º, I, da Lei 7.787∕89, emanados de sentença transitada em julgado, invocando a posterior declaração de sua inconstitucionalidade pelo STF em controle difuso. Uma vez esgotado, porém, o prazo para a propositura da ação rescisória, tal intento é inviável.(grifei) Conclui o ilustre Conselheiro: (...) ainda que se discutam os efeitos da declaração de inconstitucionalidade, tornouse pacífico na jurisprudência da Corte Constitucional, que a reclamada nulidade só atinge o ato que ainda encontra condições de ser revisto, o que não ocorre, v.g. com aquele atingido pela prescrição. Como prova de tais 36 Relator designado: Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 19/10/2006, publicado no DJ de 16/11/2006. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 261 33 conclusões, o reconhecido constitucionalista, cita voto proferido pelo Ministro Rodrigues Alckmin, nos autos do RE 86.05637: Não contendo a ordem jurídica brasileira disciplina geral sobre o direitodever de revogar ou anular os atos administrativos ou sobre o prazo dentro do qual isso possa ocorrer afigurase difícil afirmar, com segurança, o dever do Poder Público de anular todos os atos praticados com base na lei inconstitucional. É certo que, por analogia, poderseia cogitar da aplicação dos prazos prescricionais a essa situação, de modo que seria admissível o dever de a Administração proceder à revisão apenas dos atos ainda suscetíveis de impugnação na via judicial. Releva ainda mencionar a posição do Ministro Teori Zavascki, em voto proferido no EREsp n° 423.994/MG38: O caso dos autos é paradigmático, porque põe em confronto duas orientações do STJ, adotadas há muito tempo, mas que, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, se mostram incompatíveis, expondo a fragilidade dos fundamentos que as sustentam. Tal fragilidade reside, segundo penso, na circunstância de terem, ambas, se assentado sobre bases que desconsideram inteiramente um princípio universal em matéria de prescrição: o princípio da actio nata, segundo o qual a prescrição se inicia com o nascimento da pretensão ou da ação (Pontes de Miranda, Tratado de Direito Privado, Bookseller Editora, 2.000, p. 332). Realmente, ocorrendo o pagamento indevido, nasce desde logo o direito a haver a repetição do respectivo valor, e, se for o caso, a pretensão e a correspondente ação para a sua tutela jurisdicional. Direito, pretensão e ação são incondicionados, não estando subordinados a qualquer ato do Fisco ou a decurso de tempo.(grifei) (...) Por tais razões, não se pode justificar, do ponto de vista constitucional, a orientação segundo a qual, relativamente à repetição de tributos inconstitucionais, o prazo prescricional somente corre a partir da data da decisão do STF que declara a sua inconstitucionalidade. Isso significaria, conforme já se disse, atribuir eficácia constitutiva àquela declaração. Significaria, também, atrelar o início do prazo prescricional não a um termo (= fato futuro e certo), mas a uma condição (= fato futuro e incerto). Não haveria termo a quo do prazo, e sim condição suspensiva. Isso equivale a eliminar a própria existência do prazo prescricional de cinco anos previsto no art. 168 do CTN, já que, sem termo "a quo", o termo "ad quem" será indeterminado. O prazo prescricional será incerto, aleatório e eventual, já que, se ninguém tomar a iniciativa de provocar jurisdicionalmente a declaração de inconstitucionalidade, não estará em curso prazo prescricional algum, mesmo que o 37 DJ 01/07/1977. 38 Julgado em 08/10/2003, publicado no DJ de 05/04/2004. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 262 34 recolhimento do tributo indevido tenha ocorrido há cinco, dez ou vinte anos. Em palestra proferida no XX CONGRESSO BRASILEIRO DE DIREITO TRIBUTÁRIO, publicada na revista RDT da Malheiros, o Professor e Doutor Eurico de Santi, com a costumeira maestria, demonstra que a prescrição para repetir tributo tem como termo inicial a data da extinção do crédito tributário pelo pagamento. Com a palavra o mestre de Santi: 3. Desafios da interpretação I, “o início do caos”: a origem da tese dos 10 anos IR, IPI, ICMS, ISS, IPVA etc, demais contribuições e outros tributos, sujeitos ao lançamento por homologação, sempre tiveram suas leis discutidas e os respectivos indébitos reconhecidos em nome do princípio da legalidade, mas sempre sujeitos ao limite temporal desse controle da legalidade, balizado pela regra de prescrição do direito à repetição do indébito, cujo prazo desde a CF67 foi de 5 anos, contados do momento pagamento indevido. Assim foi recepcionada na CF/88, a regra do Art. 168 do CTN: “O direito de pleitear a restituição extinguese com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos, contados: (...) I – nas hipóteses do inciso I (“pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido em face da legislação tributária aplicável”) e II do art. 165, da data da extinção do crédito tributário”. Sendo que, por quase trinta anos, doutrina e jurisprudência foram uníssonas no entendimento de que o dies a quo deste prazo é o momento do pagamento indevido, i.é, a data da extinção do crédito: a regra parecia tão clara que sequer se falava de interpretação (tampouco em “tese”), passavamse 5 anos e, simplesmente, “ocorria” a prescrição do direito de repetir o indébito (por exemplo, no TIT, decadência e prescrição sequer precisavam de paradigmas, no recurso especial). Tudo começou com o reconhecimento, pelo STF, da inconstitucionalidade do Art. 10, primeira parte, do Decretolei nº 2.288/86, que instituiu o controvertido empréstimo compulsório sobre consumo de combustíveis, justamente, depois de esgotado o prazo para propositura da ação de repetição do indébito deste tributo – i.é, cinco anos contados da data da extinção do crédito tributário ex vi do Art. 168, I, do CTN. Deveras, o simples fato era que havia ocorrido a prescrição: bastava aplicar, então, a clara regra prevista no Art. 168 do CTN. É por isso que as regras de prescrição elegem em seus suportes facticos o tempo, o tempo é um fator objetivo e indiscutível: todos tendem a concordar com os dias do calendário e com os ponteiros do relógio: assim, pela legalidade da prescrição, a tipicidade do tempo realiza a segurança jurídica em detrimento da própria legalidade do tributo. Fl. 262DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 263 35 Além disso, convenhamos, tratavase de um tributo irrelevante, contingente e provisório: o empréstimo compulsório sobre combustíveis. Que, alías, enquanto empréstimo, mesmo passado o prazo de ação para questionar o indébito tributário, ensejaria, simplesmente, a exigência do cumprimento de sua claúsula de restituição, tal qual prevista na lei instituidora: novamente, bastava aplicar a lei. 4. Ruptura da legalidade: a sede de fazer justiça! Mas a sede de “justiça” foi maior. Assim, em nome da luta pela reparação da ilegalidade do empréstimo compulsório, corrompeuse sistemicamente, a legalidade da regra de prescrição, disciplinada na própria Constituição ex vi do Art. 146, III, “c”. A partir daí, os prazos de decadência e prescrição, que tem na segurança jurídica sua única razão de existir servindo como técnicas de limitação do próprio princípio da legalidade encontraramse modificados por mera tese. Assim, sem a devida lei complementar e mediante mera e contingente interpretação, alterouse o prazo de prescrição de praticamente todos nossos tributos federais, estaduais e municipais. Tudo, decorrência de uma criativa e sedutora tese que clamava por “Justiça”. E o STJ fez sua justiça salomônica: tese de 10 para cá, tese de 10 para lá. E todos nós ficamos no meio! Até hoje incertos do prazo, mas sempre certos que somos sempre nós, contribuintes, que pagamos a conta. Não lutamos contra gigantes abstratos, o Estado é um moinho concreto que se alimenta do nosso trabalho: é nosso dinheiro que entra; e bem ou mal, é nosso dinheiro que sai para prover o numerário para as restituições de indébito pleiteadas. E se a carga tributária aumenta, é, também, porque alguém tem que pagar mais, para que outros, ou os mesmos, possam restituir mais. Assim, corrompendose a legalidade em nome da legalidade, mas em absurdo desrespeito a segurança jurídica, o termo inicial do prazo deixou de ser o “pagamento antecipado” e passou a ser o momento da homologação tácita ou expressa desse pagamento, sob a alegação de que a extinção do crédito só se realiza com a ulterior homologação do pagamento, ex vi do Art. 156, VII do CTN. Firmouse, assim, a denominada tese dos dez anos, conforme o seguinte acórdão do STJ: Embargos de Divergência em Recurso Especial nº 43.9955/RS Relator: Min. Cesar Asfor Rocha EMENTA: Tributário – Empréstimo Compulsório sobre a aquisição de combustíveis – DecretoLei nº 2.288/86 – Restituição Decadência – Prescrição – Inocorrência. Consoante entendimento fixado pela egrégia Primeira Seção, sendo o empréstimo compulsório sobre a aquisição de combustíveis sujeito a lançamento por homologação, à falta Fl. 263DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 264 36 deste, o prazo decadencial só começa a fluir após o decurso de cinco anos da ocorrência do fato gerador, somados de mais cinco anos, contados estes da homologação tácita do lançamento. Por sua vez, o prazo prescricional tem como termo inicial a data da declaração de inconstitucionalidade da Lei em que se fundamentou o gravame.”(DJ: 24/04/1995) 5. Restaurando a legalidade: dura lex, lex sed A efetivação do princípio da legalidade exige o respeito a sua tríplice dimensão: irretroatividade, reserva legal e tipicidade. A tese dos dez anos fere, num só golpe, estas três perspectivas: (i) corrompeu a irretroatividade, criando, projetando e introduzindo, no passado, novo critério legal de prescrição (como o efeito que agora se pretende com a LC 118, só que, aqui, mediante lei); (ii) desrespeitou, flagrantemente, a reserva legal, arrostando matéria de lei para a discrionariedade do Poder Judiciário, ignorando o princípio da separação dos Poderes; e (iii) afrontou a tipicidade do Art. 168, fundamental nas regras de decadência e prescrição, sobrepondo à clareza objetiva do critério da regra posta, a incerta subjetividade de valores contingentes. A legalidade se realiza no ato de aplicação, mas não muda. O artigo 168 sempre esteve lá, da mesma forma, e a LC 118 em nada o alterou. O prazo legal sempre foi, e continua sendo, de 5 anos a contar do pagamento antecipado: primeiro, porque pagamento antecipado não significa pagamento provisório à espera de seus efeitos, mas pagamento efetivo, realizado antes e independentemente de ato de lançamento; segundo, porque se interpretou o “sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento” de forma equivocada como se fosse, necessariamente, uma condição suspensiva que desloca o efeito do pagamento para a data da homologação39. Ocorre que o Art. 150 § 1º referese a “condição resolutiva” que, como tal, não impede a plena eficácia do pagamento antecipado que equivale, assim, para todos os efeitos à data da extinção do crédito tributário, no caso dos tributos sujeitos ao Art. 150 do CTN. Desta forma, é a data efetiva em que o contribuinte recolhe o valor, a título de tributo, que haverá de funcionar como dies a quo do prazo de prescrição. Em suma, legalmente, o contribuinte sempre gozou de cinco anos para pleitear o débito do Fisco, e nunca dez. 6. Concluindo: legalidade e as decisões judiciais HERBERT HART40, analisando a definitividade e a infalibilidade das decisões dos tribunais superiores, faz uma instigante 39 LUCIANO AMARO aponta a impropriedade técnica de o CTN dirigir a homologação como condição resolutiva: “Ora, os sinais aí estão trocados. Ou se deveria prever, como condição resolutória, a negativa de homologação (de tal sorte que, implementada essa negativa, a extinção restaria resolvida) ou teria de definirse, como condição suspensiva, a homologação (no sentido de que a extinção ficaria suspensa até o implemento da homologação). Direito tributário brasileiro, p. 344 40 O conceito de direito, p. 1556 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 265 37 analogia com os jogos em que, num primeiro momento, não há a figura do juiz, mas que, quando instituído, funcionará como marcador oficial dos pontos e cujas decisões serão definitivas. Explica que nesse tipo de sistema passa a ocorrer um novo tipo de interação entre os actantes do jogo, que deixam de opinar sobre a pontuação ou sobre as regras do jogo, porque as determinações do marcador oficial são indisputáveis e definitivas. E continua: Não difere dessa situação os julgados do STJ (“marcador oficial”) com relação às regras do termo inicial do prazo de prescrição do direito ao indébito: é certo que a autoridade e a definitividade das decisões do STJ são inquestionáveis. Contudo, como ensina HERBERT HART41: “‘O resultado é o que o marcador diz que é’ não é uma regra de marcação: é uma regra que atribui autoridade e definitividade à aplicação por ele em casos concretos da regra de pontuação”. Não é a legalidade: é o simples efeito concreto da coisa julgada. Remanesce, assim, o seguinte problema, como diz o legendário titular da Cadeira de Jurisprudência da Universidade de Oxford: “o fato de as decisões oficiais em descompasso com a regra de jogo serem aceitas não significa que o jogo de críquete ou de basebol já não esteja a jogarse; por outro lado, se estas distorções forem freqüentes ou se o juiz repudiar a regra do jogo positivada, há que chegar um ponto em que, ou os jogadores não aceitam mais as determinações destoantes do marcador ou, se o fazem, o jogo vem a alterarse; já não é críquete ou basebol que se joga, mas “o jogo do Juiz” 42. Enfim, a partir do direito e da aplicação efetiva da legalidade, continuamos entendendo, como aliás vimos defendendo desde 23 de maio de 2000, que nunca coube falar em prazo de 10 anos: nem antes, nem depois da tese dos 10 anos; nem antes, nem depois da LC 118. Em suma, o prazo de prescrição no CTN e o direito continuam os mesmos: tudo não passou de um pesadelo e, agora, o dia está amanhecendo, há luz, e todos nós, acordados, podemos nos dar conta deste simples fato: os tribunais interpretam a lei, podendo até alterar sua eficácia legal, mas não alteram a lei... Outro ponto que clama por refutar a tese adotada no acórdão recorrido é o da total inversão da finalidade da prescrição. Explico: esse instituto extintivo do direito de ação, oriundo do direito civil, tem por escopo estabilizar as relações jurídicas e contribuir para a estabilidade social, na medida em que impede que conflitos jurídicos se perpetuem no tempo e passe de uma geração para outra. 41 O conceito de direito, p. 1569. 42 Tradução livre do original: The concept of law, Oxford university Press, 1961. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 266 38 A tese adotada no acórdão recorrido, simplesmente, mantém a possibilidade de conflitos extintos em um passado distante sejam ressuscitados e venham assombrar a geração presente ou futura. Tomese, por exemplo, o caso da Lei nº 4.502/1964 – lei básica do IPI – que prevê a incidência desse tributo sobre produtos das indústrias gráficas. O Judiciário, sistematicamente, vem decidindo em sentido contrário, que sobre tais produtos incide apenas ISS, e não o imposto federal. A prevalecer a tese esposada no acórdão recorrido, se a União vier a editar qualquer ato dispensando a fiscalização de lançar o IPI sobre esses produtos, o prazo de prescrição do tributo pago desde 1964 seria reaberto, a partir desse ato, que passaria a ser o termo inicial da prescrição. Com isso, poderseia repetir eventuais indébitos relativos a tributos ocorridos no longínquo ano do golpe militar, ou seja, meio século depois. Tal fato acarretaria ônus insuportável aos cofres públicos, de tal monta que, a geração sobrevivente dos anos de chumbo sucumbiria ao caos financeiro decorrente dessa canhestra engenharia jurídica inventada para legitimar, ao arrepio da lei e da constituição, a devolução de um tributo pago por uma geração, que, aliás, dele se beneficiou. Por derradeiro, transcrevo excerto do voto do Luis Marcelo para refutar a tese que defende a renúncia da Fazenda Pública à prescrição. Outro ponto da matéria sob exame que foi objeto de análise pelo Superior Tribunal de Justiça, é a definição dos efeitos do ato governamental que, a teor do artigo 18 da Lei 10.522/2002, resultado de sucessivas conversões da Medida Provisória 1.110, de 1995, que dispensa a adoção de medidas tendentes à cobrança administrativa ou judicial dos tributos declarados inconstitucionais. Conforme já foi dito, este colegiado tem equiparado esses atos à confissão de indébito, capaz de interromper ou de caracterizar renúncia à prescrição que, nesses casos, militaria em favor da Fazenda Pública. Mais uma vez, peço vênia a meus pares para discordar de mais um dos pontos em que se baseia a tese vencedora ora contestada. Em primeiro lugar, penso, estribado na doutrina de Pontes de Miranda43, que é impossível estender, por analogia, as hipóteses de interrupção da prescrição taxativamente expressas na legislação tributária. Por outro lado, independentemente da indisponibilidade dos bens públicos, admitindo, apenas para argumentar, que os interesses em testilha fossem privados, é cediço que, nos termos 43 Tratado de direito privado, apud Eurico Marcos Diniz de Santi. Decadência e Prescrição do Direito do Contribuinte e a LC 118: Entre Regras e Princípios, in Temas de Direito Público — Estudos em Homenagem ao Ministro José Augusto Delgado. Coordenação Cristiano Carvalho e Marcelo Magalhães Peixoto. Curitiba. Juruá, 2005, pp 149 a 178. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 267 39 da Lei nº 10.406, de 2002 (Novo Código Civil), o ato de renúncia44 deve ser interpretado restritivamente e que a renúncia tácita à prescrição somente se opera pela prática de atos incompatíveis com esse fato preclusivo45. Dessa forma, não consigo enxergar nos atos em questão os efeitos vislumbrados nos votos vencedores. Ao meu ver, no caso da medida provisória nº 1.110, de 1995, que, após sucessivas reedições, foi convertida na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, esse raciocínio ganha ainda mais força dada a ressalva expressa contida no § 3º do seu art. 1846. Nesse aspecto, transcrevo trecho do voto vencedor do Recurso Especial no 747.09147 “Sem razão, contudo. Em nosso sistema, considerado o princípio da indisponibilidade dos bens públicos, está assentado o entendimento de que a renúncia à prescrição já consumada em favor da Fazenda Pública não pode ser simplesmente tácita, daí porque, segundo orientação já antiga do próprio STF, é “incensurável a tese de que a renúncia da prescrição em favor da Fazenda Pública só possa fazerse por lei” (RE 80.153∕SP, Segunda Turma, Min. Leitão de Abreu, 13.10.1976). A doutrina posicionase em igual sentido: “O Poder Público pode renunciar a direito próprio, mas esse ato de liberalidade não pode ser praticado discricionariamente, dependendo de lei que o autorize. A renúncia tem caráter abdicativo e em se tratando de ato de renúncia por parte da Administração depende sempre de lei autorizadora, porque importa no despojamento de bens ou direitos que extravasam dos poderes comuns do administrador público” (NOBRE JUNIOR, Edilson Pereira. Prescrição: decretação de ofício em favor da Fazenda Pública in Revista Forense 345∕35). “A administração, uma vez consumado o prazo prescricional, não pode satisfazer o direito prescrito, salvo autorização legislativa, vez que isso importaria em liberalidade com o patrimônio público, que o executor da lei só pode praticar por determinação da própria lei” (CARVALHO, Selma Drumond. Aplicabilidade das normas sobre prescrição à Fazenda Pública in Informativo Jurídico Consulex, Volume 14, nº 40, página 11). No presente caso, o art. 18 da Lei 10.522∕2002 simplesmente dispensou “a constituição de créditos da Fazenda Nacional, a inscrição como Dívida Ativa da União e o ajuizamento da respectiva execução fiscal” relativamente à quota de 44Art. 114. Os negócios jurídicos benéficos e a renúncia interpretamse estritamente. 45Art. 191. A renúncia da prescrição pode ser expressa ou tácita, e só valerá, sendo feita, sem prejuízo de terceiro, depois que a prescrição se consumar; tácita é a renúncia quando se presume de fatos do interessado, incompatíveis com a prescrição. 46§ 3º O disposto neste artigo não implicará restituição ex officio de quantia paga. 47 Relator: Ministro Teori Albino Zavascki, publicado no DJ de 06/02/2006 Fl. 267DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 13706.004308/9904 Acórdão n.º 9303000.661 CSRFT3 Fl. 268 40 contribuição para exportação para o café. Nada dispôs sobre renúncia a prescrição. Pelo contrário, em seu §3º expressamente dispôs que a dispensa nela prevista não autorizava a restituição ex officio de quantias já pagas. Portanto, além de não fazer menção alguma à renúncia à prescrição, a lei deixou claro que não abria mão, espontaneamente, dos valores já recebidos, muito menos, portanto, dos valores já recebidos e insuscetíveis de lhe serem exigidos por via judicial, quando consumada a prescrição. Em outras palavras: não houve renúncia alguma, nem expressa e nem tácita, mas, ao contrário, houve a clara e expressa manifestação no sentido de não abrir mão dos valores já recebidos. Diante do exposto e considerando que, no caso dos períodos de apuração em análise, o pedido foi protocolado após o transcurso do prazo qüinqüenal, contado a partir da extinção do crédito tributário pelo pagamento, é de reconhecerse a prescrição postulada no apelo Fazendário. Com essas considerações, voto no sentido de dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 268DF CARF MF Impresso em 28/08/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2015 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 24/08/2015 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 15374.004411/2001-92
Data da sessão: Wed Jul 28 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Wed Jun 03 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2001
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
O lançamento não está completo sem a demonstração da apuração do crédito tributário apurado de ofício. Completado a apuração do crédito tributário e verificado a existência de pagamento para a Cofins, aplica-se a esse período de apuração a regra do art. 150, § 4º, do CTN.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-000.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, relatora, e Walber José da Silva. Designado Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente e Redator ad hoc.
(assinado digitalmente)
FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS - Relatora.
EDITADO EM: 01/06/2015
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Antonio Francisco.
Nome do relator: WALBER JOSÉ DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. O lançamento não está completo sem a demonstração da apuração do crédito tributário apurado de ofício. Completado a apuração do crédito tributário e verificado a existência de pagamento para a Cofins, aplica-se a esse período de apuração a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Voluntário Provido.
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. O lançamento não está completo sem a demonstração da apuração do crédito tributário apurado de ofício. Completado a apuração do crédito tributário e verificado a existência de pagamento para a Cofins, aplicase a esse período de apuração a regra do art. 150, § 4º, do CTN. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2001 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. O lançamento não está completo sem a demonstração da apuração do crédito tributário apurado de ofício. Completado a apuração do crédito tributário e verificado a existência de pagamento para a Cofins, aplicase a esse período de apuração a regra do art. 150, § 4º, do CTN. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do redator designado, o Conselheiro Gileno Gurjão Barreto. Vencidos os Conselheiros Fabiola Cassiano Keramidas, relatora, e Walber José da Silva. Designado Gileno Gurjão Barreto para redigir o voto vencedor. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 00 44 11 /2 00 1- 92 Fl. 358DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.004411/200192 Acórdão n.º 3302000.484 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Redator ad hoc. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. EDITADO EM: 01/06/2015 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Walber José da Silva, Alan Fialho Gandra, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Ausente, justificadamente, o Conselheiro José Antonio Francisco. Relatório Tratase de autos de infração lavrados e cientificados em 31/10/2001 (fls. 22/26 e 62/66), para o fim de constituir débitos de PIS/Cofins referentes a fatos geradores ocorridos entre 31/01/1999 e 31/03/2001. Ao proceder a descrição dos fatos a autoridade administrativa responsável pelo lançamento tributário informou que foram constatadas divergências entre os valores declarados e os escriturados, conforme indicado às fls. 10/21 e 50/61. Inconformada, a Recorrente interpôs as competentes impugnações (fls. 30/37 e 70/77), alegando, em resumo: (i) Cerceamento de defesa baseado no fato de não ter recebido cópia das planilhas que fundamentaram a lavratura do auto de infração; (ii) Decadência do direito de lançar a Recorrente alega que ocorreu a decadência em virtude de somente ter tomado conhecimento das planilhas que embasaram o lançamento em 08/08/06, mais de cinco anos da ocorrência dos fatos geradores; (iii) Nulidade do auto de infração uma vez que o conteúdo material da infração não seria suficiente para a compreensão dos fatos legais e que não teriam sido considerados os recolhimentos realizados pela empresa; (iv) Ação Judicial a Recorrente informa que possui decisão judicial favorável no Mandado de Segurança nº 99.00606396, para o fim de não recolher PIS/Cofins sobre outras receitas, diversas do faturamento; (v) Existência de Créditos de PIS a Recorrente informa que possui créditos de PIS decorrentes da inconstitucionalidade dos DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, os quais devem ser considerados na hipótese de ser mantido algum débito em seu nome. Fl. 359DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.004411/200192 Acórdão n.º 3302000.484 S3C3T2 Fl. 4 3 Após analisar a citada impugnação, a Quinta Turma da Delegacia de Julgamento do Rio de Janeiro DRJ/RJ II proferiu o acórdão nº 1314.011 (fls. 218/233), por meio do qual deferiu parcialmente o recurso apresentado. Em síntese, as autoridades administrativas de julgamento de primeira instância aplicaram a decisão judicial informada pela Recorrente, reduzindo o valor autuado ao faturamento da Recorrente. No tocante à alegação da decadência e nulidade em virtude da não apresentação das planilhas informativas do quantum devido, a decisão reconheceu o fato como uma nulidade relativa, não absoluta, esclarecendo que houve até mesmo a reintimação do contribuinte para que tomasse ciência das planilhas, com a concessão do prazo adicional de 30 dias para contestação de seus termos (fls. 105), tendo sido apresentada nova defesa (fls. 146/161). Especialmente no tocante à decadência, entende a autoridade de julgamento que o vício foi no procedimento e foi regularizado, não na constituição do débito. Inconformada, a Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 238/254) por meio do qual reiterou suas alegações acerca da decadência dos fatos geradores ocorridos entre 01/99 até 04/01, uma vez que a notificação regular do auto de infração ocorreu apenas em 2006; cerceamento de defesa, com base na impossibilidade de compreensão dos números apresentados pela Agente Fiscal; questão contábil no sentido de que a fiscalização deixou de considerar como dedutíveis as receitas decorrentes de vendas canceladas e descontos incondicionais que não representem ingresso de receitas (Lei nº 9.718/98, artigo 3º, § 2º), traz a colação especificamente o mês de março/99 e nulidade gerada pela impossibilidade de identificação dos termos autuados. É o relatório. Voto Vencido Conselheira FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS, Relatora. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Conforme se verifica dos termos do relatório, as questões em discussão consistem nas seguintes: · decadência dos fatos geradores ocorridos entre 01/99 até 04/01; · cerceamento de defesa e nulidade do auto de infração; · questão contábil referente à base de cálculo do tributo. A decadência alegada está pautada no fato de que a Recorrente apenas foi regularmente cientificada do auto de infração no ano de 2006. Isto porque foi apenas em Fl. 360DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.004411/200192 Acórdão n.º 3302000.484 S3C3T2 Fl. 5 4 14/08/2006 (fls.106 verso) que a Recorrente foi intimada acerca das planilhas que basearam o auto de infração (fls. 105), ou seja, somente ao ter ciência desta informação é que a Recorrente tornouse apta a defenderse da autuação fiscal. In casu, com razão as autoridades administrativas de primeira instância. A constituição do quantum ocorreu com a lavratura do auto de infração. A apresentação das planilhas realmente é necessária para que a Recorrente possa defenderse das acusações que lhe foram feitas e poderiam até mesmo gerar a nulidade do auto de infração se o vício não tivesse sido sanado, todavia, ainda assim a nulidade não seria da constituição do débito. Nesta hipótese, o auto de infração teria sido cancelado por cerceamento de defesa, e não por estar decaído. Registrase que o valor foi quantificado e que a Recorrente foi devidamente cientificada, razão pela qual não há que se falar em decadência. Da mesma forma, o vício de que padecia o auto de infração realmente não representava nulidade absoluta, mas relativa, e foi devidamente sanado. Desta forma, também não se encontra no presente caso cerceamento de defesa ou nulidade da autuação. A partir do momento que o contribuinte foi intimado das planilhas e recebeu prazo suplementar para defenderse das novas informações recebidas, não há que se falar em nulidade. Ademais, a Recorrente apresentou nova e completa defesa, defendendose de todos os fatos e números alegados na primeira instância, por meio de recurso de impugnação (fls. 146/161) e no recurso voluntário (fls. 238/254). Neste diapasão, a Recorrente, inclusive, criticou especificamente em seu recurso a constituição, pelo agente de fiscalização, da base de cálculo da Cofins. Alega a Recorrente que a fiscalização deixou de considerar como dedutíveis as receitas decorrentes de vendas canceladas e descontos incondicionais que não representem ingresso de receitas, em afronta à Lei nº 9.718/98, artigo 3º, § 2º. Especificamente a Recorrente questiona acerca da dedução de apenas R$276,00, realizada no mês de março/99, a título de exclusão de vendas. Com razão a Recorrente. Pela análise dos documentos trazidos à colação, é possível verificar que existem outros valores dedutíveis da base de cálculo da Cofins que não foram consideradas pela fiscalização (exemplo – fls. 270 – contas 3.1.3.9.20.01 devolução). Ante o exposto conheço do presente para o fim de DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário apresentado, no sentido de que devem ser considerados para exclusão da base de cálculo do tributo os valores referentes às receitas decorrentes de vendas canceladas e descontos incondicionais que não representem ingresso de receitas (Lei nº 9.718/98, artigo 3º, § 2º). É como voto. (assinado digitalmente) FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Relatora. Voto Vencedor Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA Redator as hoc. Fl. 361DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.004411/200192 Acórdão n.º 3302000.484 S3C3T2 Fl. 6 5 Discordo do voto da Ilustre Conselheira Relatora em relação à preliminar de decadência. Nos caso dos autos, não resta dúvidas de que o lançamento somente so completou no dia 08/08/2006, com a ciência das planilhas que embasaram o lançamento, conforme defendido pela Recorrente. Como se trata de diferença de crédito tributário, ao caso concreto aplicase as disposições do art. 150, § 4º, do CTN, abaixo reproduzido: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Tal norma estabelece o prazo de 5 (cinco) anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a Fazenda Nacional homologar o lançamento feito pelo contribuinte e, transcorrido o prazo, o crédito tributário lançado pelo contribuinte não só está correto como definitivamente extinto, não podendo mais ser alterado pela Fazenda Nacional. No caso, a Fazenda Nacional pretendeu alterar o lançamento (mudar o seu valor) no dia 08/08/2006, com a apresentação da planilhas que detalham a apuração do crédito tributário, quando já havia transcorrido o prazo fixado pelo referido dispositivo do CTN. Por isso entendo que assiste razão à Recorrente quanto à preliminar de decadência do lançamento. Por todo exposto, conheço do recurso e, doulhe total provimento para reconhecer a decadência perpetrada nos autos, nos termos da fundamentação supracitada. É como voto (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Redator ad hoc. Fl. 362DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS Processo nº 15374.004411/200192 Acórdão n.º 3302000.484 S3C3T2 Fl. 7 6 Fl. 363DF CARF MF Impresso em 08/06/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 01/06/2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 02/06/2015 por FABIOLA CASSIANO KERAMIDAS
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Numero do processo: 11080.001780/2005-00
Data da sessão: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2003
DÉBITOS QUE CORRESPONDEM A ESTORNOS DE RECEITAS NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPOR A BASE DE CÁLCULO DO PIS.
Débitos que correspondem a estornos das respectivas receitas não oferecidas à tributação, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS.
REGIME NÃO-CUMULATIVO - BASE DE CÁLCULO
Em consonância com o disposto no artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002, integram a base de cálculo do PIS os valores do crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, os quais se caracterizam como receitas operacionais da pessoa jurídica e não estão compreendidos entre as hipóteses de exclusão da receita bruta ou de isenção previstas na legislação da contribuição.
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS COM FRETES.
Somente a partir de 01/02/2004, os valores referentes ao frete na operação de venda de produtos, desde que suportados pelo vendedor, podem compor o somatório dos créditos a serem descontados do PIS.
PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS COM ALUGUEL DE SOFTWARE. POSSIBILIDADE.
Por serem indispensáveis para o complemento do processo produtivo, as despesas com aluguel de software devem ser consideradas crédito para fins de apuração do PIS.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3801-002.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório decorrente de estornos de lançamentos efetuados indevidamente ou a maior realizados pela recorrente, nos termos da diligência fiscal; II Pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso no sentido de que se inclui na apuração da base de cálculo do PIS, o valor do ressarcimento referente ao Credito Presumido de IPI. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Raquel Motta Brandão Minatel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. III Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas com aluguéis de softwares. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges. IV Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas de fretes nas operações de venda. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC 22.912.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereida Da Silva Murgel - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2003 a 31/10/2003 DÉBITOS QUE CORRESPONDEM A ESTORNOS DE RECEITAS NÃO TRIBUTADAS. IMPOSSIBILIDADE DE COMPOR A BASE DE CÁLCULO DO PIS. Débitos que correspondem a estornos das respectivas receitas não oferecidas à tributação, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS. REGIME NÃO-CUMULATIVO - BASE DE CÁLCULO Em consonância com o disposto no artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002, integram a base de cálculo do PIS os valores do crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, os quais se caracterizam como receitas operacionais da pessoa jurídica e não estão compreendidos entre as hipóteses de exclusão da receita bruta ou de isenção previstas na legislação da contribuição. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS COM FRETES. Somente a partir de 01/02/2004, os valores referentes ao frete na operação de venda de produtos, desde que suportados pelo vendedor, podem compor o somatório dos créditos a serem descontados do PIS. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS COM ALUGUEL DE SOFTWARE. POSSIBILIDADE. Por serem indispensáveis para o complemento do processo produtivo, as despesas com aluguel de software devem ser consideradas crédito para fins de apuração do PIS. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório decorrente de estornos de lançamentos efetuados indevidamente ou a maior realizados pela recorrente, nos termos da diligência fiscal; II Pelo voto de qualidade, negou-se provimento ao recurso no sentido de que se inclui na apuração da base de cálculo do PIS, o valor do ressarcimento referente ao Credito Presumido de IPI. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Raquel Motta Brandão Minatel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. III Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas com aluguéis de softwares. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges. IV Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas de fretes nas operações de venda. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC 22.912. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida Da Silva Murgel - Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel.
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IMPOSSIBILIDADE DE COMPOR A BASE DE CÁLCULO DO PIS. Débitos que correspondem a estornos das respectivas receitas não oferecidas à tributação, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS. REGIME NÃOCUMULATIVO BASE DE CÁLCULO Em consonância com o disposto no artigo 1º da Lei nº 10.637, de 2002, integram a base de cálculo do PIS os valores do crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, os quais se caracterizam como receitas operacionais da pessoa jurídica e não estão compreendidos entre as hipóteses de exclusão da receita bruta ou de isenção previstas na legislação da contribuição. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS COM FRETES. Somente a partir de 01/02/2004, os valores referentes ao frete na operação de venda de produtos, desde que suportados pelo vendedor, podem compor o somatório dos créditos a serem descontados do PIS. PIS NÃO CUMULATIVO. CRÉDITO DECORRENTE DE DESPESAS COM ALUGUEL DE SOFTWARE. POSSIBILIDADE. Por serem indispensáveis para o complemento do processo produtivo, as despesas com aluguel de software devem ser consideradas crédito para fins de apuração do PIS. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 00 17 80 /2 00 5- 00 Fl. 546DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 522 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, deuse provimento ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório decorrente de estornos de lançamentos efetuados indevidamente ou a maior realizados pela recorrente, nos termos da diligência fiscal; II – Pelo voto de qualidade, negouse provimento ao recurso no sentido de que se inclui na apuração da base de cálculo do PIS, o valor do ressarcimento referente ao Credito Presumido de IPI. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Raquel Motta Brandão Minatel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. III – Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas com aluguéis de softwares. Vencidos os Conselheiros Flávio de Castro Pontes e Marcos Antônio Borges. IV – Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso em relação ao direito de descontar créditos em relação às despesas de fretes nas operações de venda. Vencidos os Conselheiros Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antônio Borges. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Gabriel Cabral do Nascimento, OAB/SC 22.912. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida Da Silva Murgel Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flavio de Castro Pontes (Presidente), Marcos Antonio Borges, Raquel Motta Brandão Minatel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Neudson Cavalcante Albuquerque e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 523 3 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJPorto Alegre/RS, abaixo transcrito: “O contribuinte supracitado solicitou compensação de supostos créditos de PIS Não cumulativo de março de 2003 com débitos da filial, conforme declaração de compensação de fls.01 e 02. Posteriormente, foram apensados os processos administrativos nºs 11080.001785/200524, 11080.1782/200591, 11080.001786/200579, 11080.001784/200580, 11080.002793/200598, 11080.002792/200543, 11080.002794/200532, que envolvem os pedidos de ressarcimento e compensação dos meses de abril a outubro de 2005, bem como o processo 11080.005366/200642, para fins de controle dos débitos (fl.21). Além disso, foram apensados os processos administrativos nºs 11080.009208/200661 e 10925.00833/200604 ao já juntado processo administrativo nº 11080.001785/200524. Todas as apensações estão consolidadas no extrato do sistema de controle do COMPROT, de fl.33. A DRF de origem indeferiu e deferiu parcialmente, conforme o mês, o pleito do contribuinte através do Despacho Decisório 033/2008, de fls.140 e 141, fundamentado nos demonstrativos e na Informação Fiscal, de fls.128 a 138. Inconformado, o contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, de fls.145 a 153. Nesta, começa alegando que as receitas financeiras, outras receitas e crédito presumido de IPI não podem ser tributadas, pois não tem o objeto/finalidade principal da empresa, bem como não fazem parte da base de cálculo da contribuição, conforme jurisprudência que analisou a inconstitucionalidade do art.3º da Lei 9.718/1998. Ademais, a tributação sobre o crédito presumido de IPI não poderia ocorrer, pois é uma recuperação de custos de insumos aplicados em produtos exportados, não uma receita. Mesmo que receita fosse, seria isenta, porque decorre da exportação de produtos. Traz jurisprudência para alicerçar sua defesa. No mesmo sentido, não foi descontada da receita tributável a quantia de R$ 133.363,72, que se referem a estornos, que podem ser identificados no razão contábil do contribuinte, bem como o valor de R$ 1.585.818,61, que seria o estorno de multa e juros de débitos inscritos no PAES, contabilizados equivocadamente pelo contribuinte. Seriam meros estornos de custos ou despesas. Traz Demonstrativo para fundamentar sua alegação. No tocante à glosa de créditos do tributo decorrentes da utilização indevida de valores de oriundos de fretes nas vendas e aluguéis (de veículos e software) pagos, haveria uma incorreta Fl. 548DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 524 4 interpretação dos fatos pela autoridade fiscal, pois os créditos se enquadram dentro dos permissivos legais contidos na Lei 10.637/2002, conforme doutrina.” Analisando o litígio, a DRJPorto Alegre/RS indeferiu a solicitação (fls. 187 a 189), conforme ementa abaixo transcrita: RECEITAS NÃO CONSIDERADAS DESPESAS/CUSTOS INDEVIDOS COMPONDO A BASE DE CÁLCULO DO CRÉDITO AO CONTRIBUINTE INFLUÊNCIA NO VALOR A RESSARCIR PLEITO INDEFERIDO. Na apuração do valor a ressarcir de PIS não cumulativo devem se somar as receitas não consideradas e diminuir a/os despesas/custos indevidamente considerados, que são regidos pela lei aplicável aos fatos, ambos para fins de apuração da base de cálculo da contribuição que serve para apurar o valor do ressarcimento, nos termos da legislação. Às fls. 202 a 214 consta recurso voluntário apresentado tempestivamente, no qual a empresa traz as seguintes alegações, em resumo: • O Fisco não considerou os estornos de lançamentos efetuados indevidamente ou a maior, os quais podem ser identificados no Razão da empresa (juros sobre duplicata, descontos lançados e não obtidos, despesas de aluguel, multa e juros de débitos inscritos no PAES); • Tais valores representam estorno de custo ou despesa, não sendo tributáveis pelo PIS; • O Fisco glosou também valores referentes a estorno de variação cambial e outras receitas não operacionais (créditos de PIS, ajustes de folha de pagamento, reembolsos), sendo estes não tributáveis, pois não se referem a receitas; • O valor referente ao crédito presumido de IPI não foi incluído na base de cálculo do PIS, pois corresponde a recuperação de custo e sua tributação ofenderia a razão da criação do referido crédito; • Transcrevese jurisprudência administrativa e judicial sobre a questão; • Os créditos glosados oriundos de despesas com aluguéis e fretes foram utilizados na produção de bens destinados à venda, sem os quais não se completaria o ciclo produtivo da recorrente, nos termos previstos no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.637/02; • Requer que o presente processo seja apensado ao de nº 11080.013973/200767, correspondente ao auto de infração decorrente do não reconhecimento dos créditos pleiteados. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 525 5 O Recurso Voluntário apresentado pelo contribuinte foi conhecido pela Primeira Turma Especial. Esta, ao analisar os autos, verificou que a autoridade fiscal tomou como base os balancetes mensais trazidos pela empresa (fls. 104 a 127), que trazem os valores lançados a crédito nas contas de apuração de receita relacionadas pela Fiscalização, bem como aqueles lançados a débito, sem, no entanto, especificar a natureza destes últimos;bem como a planilha de fl. 128, na qual consta a relação das contas consideradas, o total da receita apurada e o PIS devido em cada mês. A Turma Especial verificou também que, comparandose os valores relacionados pela Fiscalização na planilha de fl. 128 e aqueles constantes dos balancetes mensais, a autoridade fiscal considerou apenas os registros a crédito, sem fazer qualquer exclusão relativa àqueles registrados a débito. Constatou ainda haver divergências entre a base de cálculo do PIS apurada na planilha de fl. 128 e aquela informada na planilha de fl. 135 (informação fiscal). Em face disso, esta Primeira Turma entendeu por bem determinar a conversão do julgamento em diligência à DRF Porto Alegre/RS para: 1. Verificar os valores lançados a débito nas contas relacionadas na planilha de fl. 128, registrados nos balancetes mensais e no Livro Razão da recorrente, apurando se efetivamente correspondem a estornos das respectivas receitas lançadas a crédito, devendo, nesta hipótese, ser excluídos dos totais relacionados na referida planilha, respectivamente a cada conta e mês; 2. Verificar as divergências entre os valores constantes da planilha de fl. 128 e aqueles relacionados à fl. 135, corrigindo os eventuais equívocos, se for o caso; 3. Considerando o apurado nos itens anteriores, elaborar novas planilhas de cálculo em substituição àquelas constantes da informação fiscal de fls. 133 a 138; 4. Intimar a empresa a se manifestar em aditamento ao recurso voluntário interposto, se assim desejar, relativamente apenas ao resultado da presente diligência, no prazo de trinta dias de sua ciência; Realizada a diligência sem a posterior manifestação da Recorrente, os autos retornaram para julgamento. Estes os fatos. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 526 6 Voto Vencido Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Quanto aos valores lançados indevidamente: Em atendimento a pedido de diligência da Terceira Seção de Julgamento do CARF, foi aberto pela DRF de Porto Alegre procedimento fiscal de Diligência MPF n° 101000201101328 para a verificação dos lançamentos a débito dos meses de abril a outubro de 2003 dos Razões apresentados pelo Recorrente com vistas às suas implicações na planilha de cálculo constante do processo, bem como alguns valores divergentes apurados. A DRF de Porto Alegre verificou que para abril a outubro de 2003, apenas as rubricas contábeis 3.05.01.01 Juros s/duplicatas (fls.272 a 354), 3.05.01.04 Descontos obtidos (fls.387 a a 433), 3.05.01.10.01 Var.Ativacliente do exterior (f1s.451 a 454), 3.05.01.02 Aluguéis recebidos (fls.459 a 460) e 3.06.01.05 IPI Ressarcimento (fl.470) apresentaram lançamentos a débito. Tais débitos correspondem a estornos das respectivas receitas não oferecidas à tributação, conforme descrito na Informação Fiscal fls.133 a 138, devendo portanto, ser excluídos dos totais relacionados na planilha da folha 128. Quanto à divergência de valores informados como de receitas não oferecidas à tributação entre as planilhas constantes das folhas 128 e 135, informou a DRF Porto Alegre ter sido um erro de totalização e transcrição. Efetuados os devidos ajustes, a nova conclusão a que chegou a DRF quantos aos valores pleiteados pelo Recorrente nos meses de abril a outubro de 2003, é de que é reconhecido pela fiscalização o direito creditório do Recorrente no valor de R$ 251.980,94. Ressaltese que, instado a se pronunciar acerca do resultado da Diligência, o Recorrente permaneceuse inerte. Portanto, nessa parte, coaduno com o entendimento da Fiscalização, reconhecendo parcialmente o direito creditório reclamado decorrente de estornos de lançamentos efetuados indevidamente ou a maior, realizados pela Recorrente. Do Crédito Presumido de IPI Alega a Recorrente que não incluiu na apuração da base de cálculo do PIS, o valor do ressarcimento referente ao Crédito Presumido de IPI, levantado pela fiscalização. Dispõe tratarse de uma recuperação de custo. Pois bem. O incentivo às exportações criado pela Lei no. 9.363/96 visa ressarcir o PIS e a COFINS embutido nos preços das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos pelo fabricante para a industrialização de produtos exportados, mediante benefício fiscal que consiste no crédito presumido de IPI, para ser lançado na escrita fiscal contra o próprio IPI. Fl. 551DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 527 7 Vejase que o produtorexportador se apropria de créditos de IPI que serão descontados, na conta gráfica da empresa, dos valores devidos a título de IPI. Porém, o incentivo não se direciona precipuamente ao IPI. O legislador pretendeu, sim, exonerar o pagamento do PIS e da COFINS. Seria, no mínimo, incoerente, conceber a cobrança do PIS sobre o incentivo que decorre da aquisição de insumos empregados na industrialização do produto a ser exportado, criado justamente para incrementar o setor exportador. Como bem esclarece Leandro Paulsen acerca do benefício: Daí que a perspectiva adotada pelo criador da norma não pode ser distorcida de modo a colocar na base de cálculo do PIS e da COFINS importâncias que derivam, em última análise, de dispensa do pagamento das próprias contribuições. Isso implicaria diminuir o benefício fiscal, fazendo com que a desoneração pretendida ocorra de forma parcial. ” (Apelação em Mandado de Segurança nº 2002.71.11.0061239/RS, Juiz Federal Leandro Paulsen, DE de 26.04.2007). De fato, o crédito presumido instituído pela Lei 9.363/96 não constitui receita nova, mas um valor retificador de custo, haja vista que o que justifica a sua existência são os insumos empregados no processo produtivo, cujo preço era composto também pelo PIS de forma cumulativa, o qual deve ser ressarcido ao exportador. Portanto, entendo que deve ser reconhecido o direito creditório do Recorrente, relativo à não inclusão na apuração da base de cálculo do PIS, do valor do ressarcimento referente ao Crédito Presumido de IPI, levantado pela fiscalização. Créditos sobre aluguéis e fretes: Alega a Recorrente que o agente fiscal glosou as compensações com créditos de PIS oriundos de despesas com aluguéis e fretes utilizados na produção de bens destinados à venda, e que sem esses serviços, não se completaria o seu ciclo produtivo. Pois bem. Através da edição das Leis nº 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (COFINS), inseriuse a nãocumulatividade para as contribuições do Programa de Integração Social PIS e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, visando a impedir que as incidências sucessivas nas diversas operações da cadeia econômica de um produto impliquem um ônus tributário muito elevado, decorrente da múltipla tributação da mesma base econômica, ora como insumo, ora como integrante de outro insumo ou de um produto final. Em outras palavras, objetivou fazer com que a exação não onerasse, em cascata, o fluxo negocial. Por óbvio, a metodologia para o PIS e para a COFINS apresenta particularidades que a distingue daquela adotada, há muito, para o IPI e o ICMS. Não sem razão. Diferentemente do que ocorre com os impostos mencionados, o PIS e a COFINS não incidem sobre operações; incidem sobre a receita, que é apurada mês a mês. Fl. 552DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 528 8 A solução legislativa foi o estabelecimento da apuração de uma série de créditos pelo próprio contribuinte para dedução do valor a ser recolhido a título de PIS e de COFINS, mas sempre com em sintonia com o caráter conceitual da nãocumulatividade. Assim, tratandose de tributo direto que incide sobre a totalidade das receitas auferidas pela empresa, impõese que se permita a apuração de créditos relativamente a todas as despesas realizadas junto a pessoas jurídicas sujeitas à contribuição, necessárias à obtenção da receita. É que, em matéria de PIS e de COFINS sobre a receita, não há como limitarse à idéia de crédito físico. Fato é que embora o legislador, nos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03, bem como na sua regulamentação por atos infralegais, tenha parecido excessivamente casuístico, trabalhando com um conceito de insumo sob a perspectiva física de utilização ou consumo na produção ou integração ao produto final, é obrigação do intérprete zelar pela coerência do sistema de nãocumulatividade de tributo direto sobre a receita. É imperioso que se considere o universo de receitas e o universo de despesas necessárias para obtêlas, considerados à luz da finalidade de evitar sobreposição das contribuições e, portanto, de eventuais ônus que a tal título já tenham sido suportados pelas empresas com quem se contratou. O crédito, em matéria de PIS e COFINS, não é um crédito meramente físico, que pressuponha a integração do insumo ao produto final ou seu uso ou exaurimento no processo produtivo. A perspectiva é mais ampla e disso depende a coerência e razoabilidade do sistema instituído. Por isso, entendo que o mais razoável é atribuir ao rol de dispêndios ensejadores de créditos constante dos arts. 3º da Lei 10.637/02 e 3º da Lei 10.833/03 caráter exemplificativo. Isso porque devem ser considerados como insumos que ensejam apuração de créditos, os gastos relativos a serviços e bens cuja aquisição configure dispêndio essencial à exploração da atividade da pessoa jurídica. Relativamente às despesas com aluguéis, estas foram incorridas para utilização de software para a fabricação de papel ondulado, ou seja, essencial à caracterizar a utilidade do maquinário utilizado nessa fabricação. Dispõe a Lei 10.637/2002: "Art. 3o. Do valor apurado na forma do art. 2o. a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IV — aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (..)" Diante deste comando, a Recorrente levantou as despesas incorridas com serviço de aluguel de equipamentos (software) utilizados diretamente nas atividades da empresa, e assim tomou o crédito, descontando da apuração do PIS calculado. Importante ressaltar que, no caso da Recorrente, as despesas com locação de software utilizados na produção são indispensáveis para a conclusão do produto final, já que esse software locado é Fl. 553DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 529 9 utilizado na fábrica de papel e na fábrica de embalagem, devendo destacar que a Recorrente possui em seu ciclo produtivo todas as cadeias necessárias para a confecção do produto final, desde o corte da madeira em seus campos florestais, até a efetiva produção do papel. Em face dessa peculiaridade, a despesa com locação de software, é custo de produção. Devese, portanto, considerar procedente o seu creditamento. Também por serem indispensáveis para o complemento do processo produtivo, as despesas com fretes devem ser consideradas crédito para fins de apuração do PIS. O valor do frete é tão essencial para compor o custo de produção que, posteriormente, a Lei n. 10.833/2003 veio a reconhecer o direito de crédito para a despesa de frete. Por todo o exposto, julgo parcialmente procedente o Recurso Voluntário do contribuinte para: 1) Reconhecer o direito creditório de R$ 26.324,43 decorrente de estornos de lançamentos efetuados indevidamente ou a maior, realizados pela Recorrente; 2) Reconhecer o direito de a Recorrente não incluir na apuração da base de cálculo do PIS, o valor do ressarcimento referente ao Crédito Presumido de IPI; 3) Reconhecer o direito aos créditos de PIS oriundos de despesas com aluguéis de softwares utilizados na fabricação do papel e da embalagem e fretes. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereida da Silva Murgel Relator Fl. 554DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 530 10 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antônio Borges, Em que pese o entendimento da Relatora, ouso dela discordar em relação à inclusão na apuração da base de cálculo do PIS do valor do ressarcimento referente ao Crédito Presumido de IPI e ao direito de descontar créditos em relação às despesas de fretes nas operações de venda. Da inclusão do Crédito Presumido de IPI na apuração da base de cálculo do PIS. A Lei nº 10.637, de 2002, em seu artigo 1o, sujeita a universalidade das receitas da pessoa jurídica à incidência da contribuição para o PIS/Pasep, que, desta forma, abrange, em princípio, todas as receitas da empresa, independentemente da classificação contábil adotada, in verbis: Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. Dizse em princípio, porque o mesmo dispositivo legal, em seu § 3o, excepciona as receitas que não integram a base de cálculo da contribuição, verbis: § 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis no 9.990, de 21 de julho de 2000, no 10.147, de 21 de dezembro de 2000, e no 10.485, de 3 de julho de 2002, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; V referentes a: Fl. 555DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 531 11 a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) No caso em questão, observase que o crédito presumido de IPI tem inquestionável natureza jurídica de incentivo fiscal. Representa nada mais que um estímulo financeiro instituído com o objetivo de compensar as exportações de parcelas integrantes do custo do produto exportado, decorrentes do regime cumulativo de tributação das contribuições. Constituise, portanto, em uma receita da pessoa jurídica, decorrente de incentivo fiscal. Contudo, o fato de ser oriunda de um incentivo fiscal ao setor exportador, não a equipara a receita da exportação de mercadorias para o exterior. Por outro lado, não há isenção específica para as receitas relativas ao crédito presumido do IPI e tampouco previsão de redução da alíquota do PIS a zero em tal hipótese, cabendo ressaltarse que as isenções devem ser interpretadas literalmente, nos termos do artigo 111, II, do CTN. Deste modo, em que pesem as respeitáveis considerações da manifestante, em face do disposto no artigo 1o da Lei nº 10.637, de 2002, e considerando ainda a falta de previsão legal para exclusão do crédito presumido do IPI da base de cálculo do PIS, é forçoso concluirse que tal receita sujeitase à incidência da contribuição. Com relação às decisões dos tribunais colacionadas pela manifestante, registrese que elas não vinculam a Administração Fazendária e somente produzem efeitos em relação às partes que integram o processo judicial e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Créditos sobre fretes: A despesa de frete nas operações de vendas de produção própria, suportado pelo vendedor, passou a ser admitido como item no cálculo de crédito somente a partir de 01/02/2004, segundo a decisão recorrida. A contribuinte, porém, incluiu valores incorridos antes desta data. No tocante aos valores da prestação de serviços de transporte e fretes pagos à terceiros nas operações de vendas de produtos, sujeitos ao pagamento do PIS/Pasep não cumulativo, os arts. 3.º, IX, 15 e 93, da Lei n.º 10.833, de 29 de dezembro de 2003, assim dispõem: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) Fl. 556DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES Processo nº 11080.001780/200500 Acórdão n.º 3801002.104 S3TE01 Fl. 532 12 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto nos incisos I e II do § 3º do art. 1º, nos incisos VI, VII e IX do caput e nos §§ 1º, incisos II e III, 10 e 11 do art. 3º, nos §§ 3º e 4º do art. 6º, e nos arts. 7º, 8º, 10, incisos XI a XIV, e 13. (grifos nossos) (...) Art. 93. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos, em relação: I aos arts. 1o a 15 e 25, a partir de 1o de fevereiro de 2004; (...).(gn) Constatase da leitura dos dispositivos retromencionados que, caso o valor do frete referente à operação de venda em comento seja suportado pelo vendedor, tais valores podem compor o somatório dos créditos a serem descontados do PIS, somente a partir de 01 de fevereiro de 2004, assistindo integral razão, portanto, ao pronunciamento exarado pela autoridade julgadora a quo. Com estas considerações, voto no sentido de manter a inclusão na apuração da base de cálculo do PIS do valor do ressarcimento referente ao Crédito Presumido de IPI e não reconhecer o direito de descontar créditos em relação às despesas de fretes nas operações de venda, julgando parcialmente procedente o Recurso Voluntário do contribuinte nos demais itens acatados pela Turma, conforme fundamentação da Relatora. É como voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 557DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/11/201 3 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA D A SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por MARCOS ANTONIO BORGES
score : 1.0
Numero do processo: 10467.720038/2004-19
Data da sessão: Mon Aug 10 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1996 a 31/01/1999
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO.
A restituição de indébito fiscal relativo ao Programa de Integração Social (PIS), cumulada com a compensação de créditos tributários vencidos e/ ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito.
ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. CONTAGEM DO PRAZO.
O termo inicial do prazo de anterioridade da contribuição social criada ou aumentada por medida provisória é a data de sua primeira edição e não daquela que após sucessivas edições tenha sido convertida em lei.
Numero da decisão: 3803-000.046
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa -Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti.
Nome do relator: CONSELHEIRO BELCHIOR MELO DE SOUSA
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COMPENSAÇÃO. A restituição de indébito fiscal relativo ao Programa de Integração Social (PIS), cumulada com a compensação de créditos tributários vencidos e/ ou vincendos, está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. CONTAGEM DO PRAZO. O termo inicial do prazo de anterioridade da contribuição social criada ou aumentada por medida provisória é a data de sua primeira edição e não daquela que após sucessivas edições tenha sido convertida em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Turma Especial da SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO de RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Daniel Maurício Fedato, Hélcio Lafetá Reis, Carlos Henrique Martins de Lima e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 00 38 /2 00 4- 19 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10467.720038/200419 Acórdão n.º 3803000.046 S3TE03 Fl. 78 2 Relatório Trata o presente de recurso voluntário contra o Acórdão de nº1118.573 , de 02 de abril de 2007, da DRJ/Recife/PE, fls. 51 a 55, que indeferiu a solicitação da recorrente, em face da manifestação de inconformidade, fls. 41 a 48. O contribuinte declarou compensações de PIS e de COFINS, conforme fls 01 a 20, e indicou como crédito pagamento indevido ou a maior. Tal crédito, no entendimento da contribuinte, é decorrente da inconstitucionalidade do art. 18 da Lei nº 9.715/98, assim declarada no julgamento da ADIn nº 1.417, que transitou em julgado em 23 de março de 2001. Em sua manifestação de inconformidade, a interessada argumentou que a MP 1.212/95 não foi convertida em lei, e sendo de 30 dias o prazo de validade da mesma perdeu sua eficácia. Aduziu, ainda, que a reedição de uma MP, constitui uma nova medida provisória, não podendo os atos anteriores ser convalidados, como dispõe o parágrafo único do art. 62 da CF. Alegou violação ao Principio da Irretroatividade da Lei Tributária, pelo que a MP 1.212/95 e diversas reedições, violaram o art, 150, inciso III, alínea “a”, da Constituição Federal, bem como contesta o procedimento fiscal por ter, no seu entendimento, dado efeito retroativo à Lei nº 9.715/98, art. 18, até a data da publicação da resolução do Senado Federal, em outubro de 1995, dando continuidade aos inconstitucionais DecretosLeis nº 2.445 e 2.449/88. Colacionou jurisprudências. Cientificada da decisão em 03 de outubro de 2007, irresignada, apresenta recurso voluntário, fls. 58 a 72, em 22 de outubro de 2007, por meio do qual reitera todos os seus argumentos trazidos na manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele conheço. Não há de prosperar a pretensão da recorrente. O cerne do seu argumento é o fato da MP 1.212/95, exatamente ela, não ter sido convertida na lei 9.715/98, decorrente do que teria perdido a eficácia, em específico relativamente à anterioridade nonagesimal. As sucessivas e tempestivas reedições não tiveram o poder de manter a eficácia do período nonagesimal da MP 1.212/95, defendendo a recorrente Fl. 78DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10467.720038/200419 Acórdão n.º 3803000.046 S3TE03 Fl. 79 3 que cada MP editada constituiuse numa nova, sujeita, portanto, cada uma, ao cumprimento da sua própria noventena. No acórdão do Superior Tribunal de Justiça proferido na AMS nº 1998.01.00.0041630/MG, “ficou decidido que o PIS, nos moldes da MP 1.212/95, somente poderia ser exigido após a conversão em lei da referida medida provisória, haja vista a contagem do prazo nonagesimal de que fala o art. 195, § 6º, da CF/88 reiniciar a cada reedição. 1 Em ação rescisória contra referido acórdão, a União defendeu a manutenção da exigência do PIS, segundo o contorno da MP nº 1.212/95 baseada “no fato de o STF, por ocasião do julgamento da ADI nº 1.417, ter entendido constitucional a exigência do PIS nos moldes da MP nº 1.212/95, podendo a exação ser cobrada desde março de 1996”. 23 [sem grifo no original] “O TRF/1ª Região julgou procedente o pedido rescisório e, realizando novo julgamento, deu provimento à apelação da União e à remessa oficial com base nos seguintes fundamentos: [...] c) nos termos da CF, art. 195, § 6º, em caso de medida provisória convertida em lei, contase o prazo de noventa dias a partir da veiculação da primeira medida provisória; [sem grifo no original] d) é constitucional a alteração da base de cálculo do PIS, pela Medida Provisória n. 1.212, de 28/11/95, e reedições, até a Medida Provisória n. 1.67638, de 22/10/98, convertida na Lei 9.715/98, de 25/11/98”. No Recurso Especial nº 847.990DF, contra acórdão proferido pelo TRF/1ª Região, essa Corte Superior, por meio do voto do e. relator consigna que “Nenhuma censura, portanto merece o aresto recorrido, devendo os seus termos ser mantidos por seus próprios e jurídicos fundamentos”. Ao fim, foi negado provimento ao recurso especial da parte contrária à União. Desse modo, uma vez pacificada a matéria no âmbito das mais altas Cortes judiciais da República, não há como acolher a tese da recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 10 de agosto de 2009 (assinado digitalmente) 1 REsp nº 847.990DF (2006/01077348) 2 Idem. 3 Idem. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10467.720038/200419 Acórdão n.º 3803000.046 S3TE03 Fl. 80 4 Belchior Melo de Sousa Fl. 80DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/08/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000833/2006-21
Data da sessão: Wed Feb 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005
PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO
A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindo-se as sobras, na forma do par. 2º do art. 1º da Lei nº 10.676/2003.
PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CRÉDITO.
Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP nº 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-001.449
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Fez Sustentação Oral: Dr. Bruno Rodrigues Teixeira de Lima – OAB/RJ 164.889.
Nome do relator: Gileno Gurjão Barreto
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ementa_s : Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindo-se as sobras, na forma do par. 2º do art. 1º da Lei nº 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP nº 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 2; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1845; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.000833/200621 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 330201.449 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de fevereiro de 2012 Matéria CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Recorrente COOPERATIVA DE ECONOMIA E CREDITO MUTUO DOS MÉDICOS E DEMAIS PROFISSIONAIS DA SAÚDE DO LITORAL PAULISTA UNICRED LITORAL PAULISTA Recorrida FAZENDA NACIONAL Período de apuração: 2002, 2003, 2004, 2005 PIS. COOPERATIVAS DE CRÉDITO. BASE DE CÁLCULO A base de cálculo das Contribuições ao PIS das cooperativas de crédito, a partir da edição da Lei no. 10.637/2002, é a receita total auferida, excluindo se as sobras, na forma do par. 2o do art. 1o da Lei no. 10.676/2003. PIS SOBRE FOLHA DE PAGAMENTOS. COOPERATIVA DE CRÉDITO. Não se aplica às cooperativas de crédito a incidência cumulativa do PIS sobre a Folha de Pagamentos e o PIS sobre as receitas auferidas, uma vez que as exclusões previstas no art. 15 da MP no. 2.15835/2001 não se referem à atividade dessa espécie de cooperativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do relator. Fez Sustentação Oral: Dr. Bruno Rodrigues Teixeira de Lima – OAB/RJ 164.889. Walber José da Silva Presidente (Assinado Digitalmente) Gileno Gurjão Barreto – Relator (Assinado Digitalmente) Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 2 EDITADO EM: 05/01/2011 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz. e Alexandre Gomes. Relatório Adotase o relatório da decisão recorrida, por bem refletir a contenda: Tratase de impugnação (fls. 499 a 527) a Auto de Infração (fls. 477 a 488) de CONTRIBUIÇÃO PARA O PROGRAMA DE INTEGRAÇÃO SOCIAL — PIS, por FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2002, 2003, 2004 e 2005, lavrado pela Delegacia de Instituições Financeiras de São Paulo — DEINF/SPOI, em 19/06/2006. O crédito tributário assim constituído foi composto pelos valores a seguir discriminados: PIS............................................................................................. R$ 122.321,13 Juros de Mora (calculados até 31/05/2006)................................R$ 33.727,82 Multa de ofício.............................................................................R$ 91.740,72 Valor do crédito tributário apurado............................................R$ 247.789,67 Como enquadramento legal do lançamento, o autuante assinala os artigos 2°, inciso I, alínea a e parágrafo único, 3°, 10, 22 e 51, do Decreto 4.524/2002 (fl. 479). Para os juros de mora traz como fundamento legal o artigo 61, parágrafo 3°, da Lei 9.430/96, e, para a multa de oficio, o artigo 86, parágrafo 1º, da Lei 7.450/85, o artigo 2°, da Lei 7.683/88, e o artigo 44, inciso I, da Lei 9.430/96 (fls. 486 e 487). No Termo de Verificação Fiscal (fls. 490 a 492), a autoridade noticia que o autuado não possuía provimento jurisdicional para recolhimento insuficiente do PIS no período de 12/2002 a 12/2005, pois que, tendo impetrado o Mandado de Segurança 2001.61.00.0167568, com pedido de liminar, para não se sujeitar às modificações da sistemática de recolhimento da COFINS e PIS trazidas pela Lei 9.718/98, terminou por ter, a liminar concedida, cassada, e receber sentença denegatória da segurança, tendolhe, ainda, sido negado provimento aos embargos declaratórios que interpôs. Desta forma, foram constituídos os créditos do período, com exigibilidade integral e multa de ofício. Cientificado do lançamento em 30/06/2006 (fl. 497), o autuado protocolizou a impugnação em 28/07/2006 (fl. 499), na qual alega, em resumo, que: i) o Fisco não teria competência para descaracterizar a natureza jurídica societáriaeconômica do autuado, instituição financeira não bancária, na forma societária de cooperativa de crédito , tributando todos os atos, sem distinção entre atos cooperativos e atos não cooperativos, mediante lançamento baseado nos artigos 2°, inciso I, alínea a, parágrafo único, 3°, 10, 26 e 51, do Decreto 4.524/2001, o que desconsideraria recentes decisões do Conselho de Contribuintes, cujos excertos colaciona; Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 330201.449 S3C3T2 Fl. 2 3 ii) a cooperativa de crédito, por determinação do Conselho Monetário Nacional —CMN e do Banco Central do Brasil — BACEN, não pratica atos não cooperativos, restringindose as operações referidas no artigo 79, da Lei 5.764/71; iii) a não incidência tributária em questão é objetiva, não subjetiva, e, assim, o foco da verificação não pode ser o próprio ente, individualmente considerado para fins classificatórios, mas sim, sua essência, em especial a extensão de seu ato cooperativo, que estaria ao largo da incidência; iv) a autoridade não excluiu do lançamento os valores referentes a seus atos cooperativos, a partir de 01/2005, conforme determina o artigo 30, da Lei 11.051/2004, com redação dada pela Lei 11.096/2005; v) no MÉRITO, o ente cooperativa, atuando como mandatária do cooperado, consoante os artigos 3°, 4° e 7°, da Lei 5.764/71, não pratica fato gerador algum, não alocando riqueza própria, recaindo a incidência tributária sobre a pessoa física do cooperado, ao contrário das sociedades comerciais, que perseguem a receita e o lucro, em nome próprio, sendo, assim, tudo tributado na pessoa jurídica, isentandose a pessoa física do sócio; vi) os eventuais resultados positivos, por não derivarem de atos mercantis, não se equiparam a lucros, correspondendo, na técnica jurídica e contábil do regime cooperativista, as sobras líquidas que pertencem aos associados e que a eles devem ser rateadas, na proporção dos resultados que realizaram; vii) na prestação de serviços aos cooperados não há "resultado do exercício", pois que se verifica somente o repasse aos associados das despesas ocorridas na consecução do objetivo social da cooperativa, nos termos do artigo 4°, da Lei 5.764/71, na proporção dos serviços utilizados; viii) o mesmo ocorre com a receita, porque o ato cooperativo não configura "operação de mercado de compra e venda", destituído, portanto, de conteúdo econômico, e não representa entrada própria com intuito de permanência, consoante o artigo 79, da Lei 5.764/71, nem receita para fins e incidência de PIS e COFINS; se houvesse receita, esta seria do cooperado e não da cooperativa; ix) o propósito do artigo 111 da Lei 5.764/71 é excluir toda incidência tributária sobre os resultados (sobras) decorrentes dos atos cooperativos, incluindose apenas os resultados dos atos não cooperativos, que devem ser contabilizados em apartado, consoante o artigo 87, da Lei 5.764/71; x) as determinações das legislações especificas também excluem a incidência tributária sobre o ato cooperativo, como o artigo 6°, inciso I, da Lei Complementar 70/91, que reforça o disposto nos artigos 79, 87 e 111, da Lei 5.764/71, consoante entendimento do STJ e TRF da 1ª Região, manifestado em excertos de julgados, que colaciona; são normas materialmente complementares, em sintonia com o artigo 146, inciso III, alínea c, da CF, que prevê o "adequado tratamento tributário ao ato cooperativo."; além disso, no que tange ao PIS, considerando a especificidade do ato cooperativo, que não tem receita, a Lei Complementar 07/70, artigo 3°, parágrafo 4°, e a Lei 9.715/98, artigo 2°, parágrafo 1°, com disciplinamento da Resolução BACEN 174/71, artigo 4°, permitem que os atos cooperativos sejam tributados apenas pelo PIS/Folha; Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 4 xi) o ato cooperativo da cooperativa de crédito tem sua essência na captação de recursos, realização de empréstimos a cooperados, bem como a movimentação financeira da cooperativa, consoante entendimento do próprio BACEN, órgão supervisor das cooperativas de crédito, contido na Resolução 3106/2003; na cooperativa de crédito a aplicação financeira, que se efetiva na forma "centralização financeira" e "aplicações no mercado", é o veículo para promover o seu objetivo estatutário, amoldandose ao contexto do artigo 79, da Lei 5.764/71, conforme reconhecido pelo STJ manifestado em julgados cujos excertos colaciona; há decisões do Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, cujos excertos colaciona, reconhecendo a "centralização financeira" como ato cooperativo, e, assim, sem incidência de tributação; manter o entendimento de que a aplicação de recursos de associados no mercado financeiro constitui ato não cooperativo seria absurdo porque haveria tributação em duas frentes sobre o mesmo numerário, quanto à fonte recolhida quando o cooperado opera com a cooperativa, e quando a cooperativa faz a aplicação no mercado financeiro; xii) é necessário se excluir da base de cálculo considerada pela autoridade fiscal, receita bruta sem quaisquer deduções , os custos operacionais, retorno de sobras, despesas de captação e despesas administrativas, nos termos do disposto no artigo 3°, parágrafo 6°, da Lei 9.718/98, para se evitar a tributação de valores que apenas transitaram na contabilidade da cooperativa, com destino aos cooperados e demais despesas operacionais; tais exclusões devem retroagir à época da primeira medida provisória que disciplinou a questão, consoante o artigo 106, do CTN, e julgado do STJ, cujo excerto colaciona. Após o exame dos autos, esta Relatoria recomendou que o julgamento fosse convertido em diligência para que a autoridade lançadora informasse os valores relativos a receitas decorrentes dos atos cooperativos, por período de apuração do PIS, de 01/2005 a 12/2005, bem como os das sobras passíveis de dedução, para os meses de 12/2002 a 12/2005, levando em conta o disposto no artigo 30, da Lei 11.051/2004, e, no artigo 1°, da Lei 10676/2003. Tal requerimento de diligência foi objeto da Resolução 136/2008 (fls. 1.025 a 1028). Em resposta à solicitação, a autoridade lançadora informou, no Relatório de Diligência Fiscal (fls. 1.157 a 1.158), que, para o período de 12/2002 a 12/2004, os atos típicos das cooperativas eram tributáveis, consoante Solução de Consulta Interna DISIT/SRRF08 N° 004/08, com observância do parágrafo 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718/98, levandose em conta as exclusões previstas nos seus parágrafos 2°, 5° e 6°, na redação dada pela MP 2.15835/2001. Quanto às sobras, informa que não havia previsão para sua dedução, tendo em conta que as cooperativas de crédito são equiparadas às instituições financeiras. Noticiou, por fim, que para os fatos geradores ocorridos entre 01/2005 e 12/2005, a base de cálculo do PIS/COFINS seria zero, em observância à Lei 11.051/2004 e à IN SRF 635/2006. Cientificado do resultado da diligência (fls. 1.160), o autuado interpôs manifestação (fls. 1.161 a 1.164), na qual, após reproduzir argumentos apresentados na impugnação, sobre impossibilidade de equiparação das cooperativas de crédito com as instituições financeiras e impossibilidade de limitação às deduções de sobras, conforme previsto no parágrafo 2°, da Lei 10.676/03, defende que deveria ser aplicado o caput do artigo 1º da citada lei (dedução das sobras brutas), o que estaria confirmado pelo artigo 15, inciso VI, da IN SRF 635/2006. Acrescenta que a autoridade fiscal, ao quantificar a base de cálculo com a exclusão das verdadeiras sobras, ignorou a aplicação do parágrafo 5°, do artigo 15, da IN SRF 635/2006. Requereu que, a par dedução das sobras, fosse o lançamento reduzido por conta da exclusão dos supostos débitos do PIS do período de 01/2005 a 12/2005, bem como efetuados ajustes nas bases de cálculo da contribuição no período anterior a 2005 por conta do ato cooperativo. Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 330201.449 S3C3T2 Fl. 3 5 Vistos, relatados e discutidos os autos, acordaram os membros da 8ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar procedente em parte o lançamento, para excluir da base de cálculo do PIS apenas os valores de receitas decorrentes dos atos cooperativos do período de 01/2005 a 12/2005, e exonerar o autuado da correspondente parcela da contribuição. Intimada em 24/04/2009, inconformada a Recorrente interpôs recurso voluntário em 26/05/2009. É o relatório. Voto Conselheiro GILENO GURJÃO BARRETO, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche as condições de admissibilidade, por isso dele o conheço. A controvérsia resumese a dois aspectos. Elaborada a diligência, a autoridade fiscal reconheceu que parte das rendas do recorrente referese a atos cooperados. Outrossim, a decisão recorrida afirma que há receitas de atos não cooperados no período de 03/2005 a 12/2005, e que estariam sujeitos à tributação normal. Observando as fls. 1145, constato que a perícia realmente constata que há receitas de atos não cooperados. Matéria de prova, considero nesse aspecto que correta a decisão ora recorrida, posto que observando adequadamente a Lei no. 11.051/04 A maior parte do lançamento, entretanto, referese à parcela supostamente devida entre 12/2002 e 12/2004. Quanto a esse aspecto, a questão requer analisemos se, a partir da edição da Lei no. 9.718/98 e até a publicação da Lei no. 11.051/04, que literalmente excluiu das bases de cálculo desses tributos os atos cooperados, se cabível o lançamento. Primeiramente, importante observar que a sociedade deve ser tributada pela Lei no. 9.718/98, inclusive pela simples razão de que discutiu diretamente, em nome próprio, a sua aplicação às suas atividades (importante frisar que não discutiu qualquer artigo em específico) às fls. 103 e ss. De acordo com a Lei, portanto, incidiram as contribuições. O que temos que verificar é se a Lei no. 10.676/2003 teve o condão de afastar essa incidência, estabelecer outra base de cálculo e conseqüentemente modificar esse lançamento, considerando que as autoridades fiscais lançaramlhe os tributos, de acordo com a diligência de fls.1156 e os demonstrativos de fls. 1156. Nesse sentido, diligentemente o auditor fiscal já apresentou três demonstrativos: um contendo a base utilizada para o lançamento (faturamento), outra com a Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 6 dedução das sobras do art. 1o da Lei no. 10.676/2003 e outra a base de cálculo para as “demais cooperativas”, tal como o parágrafo 2o do art. 1o da mesma Lei. A Lei no. 10.676/03, conversão da MP no. 101/2002, com vigência a partir de 01/01/2002 trouxe consigo a seguinte exposição de motivos: “MF 00354 EM MP PIS/PASEP COFINS COOPERATIVAS Brasília, 30 de dezembro de 2002. Excelentíssimo Senhor Presidente da República, Tenho a honra de submeter à apreciação de Vossa Excelência a proposta de edição de Medida Provisória que dispõe sobre a contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para Seguridade Social COFINS devidas pelas sociedades cooperativas. 2. A proposta aperfeiçoa a legislação do PIS/PASEP e da Cofins aplicável às sociedades cooperativas e constava da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, no seu art. 36, que foi modificada pelo Congresso Nacional, quando da conversão da Medida Provisória no Projeto de Lei de Conversão nº 31, de 2002. 3. Como os artigos do Projeto de Lei de Conversão foram vetados, a proposta ora apresentada visa a não interromper o tratamento tributário relativamente ao PIS/PASEP e à COFINS dispensado às sociedades cooperativas, e desta forma justifica a relevância e a urgência dessa Medida Provisória. 4. Essas, Senhor Presidente, são as razões pelas quais submeto a Vossa Excelência a presente proposta de edição de Medida Provisória.” Não faz, portanto, qualquer distinção entre as espécies do gênero “cooperativas”. Mais, referese ao art. 36 da MP no. 66, que resultou justamente na Lei no. 10.637/2002. Dizia o art. 36, após conversão, o seguinte: Art. 33. São isentas da Cofins as sociedades cooperativas, quanto aos atos cooperativos próprios de suas finalidades, de acordo com o disposto no art. 6o, inciso I, da Lei Complementar no 70, de 30 de dezembro de 1991 Vetado pelas seguintes razões: “Os arts. 9º e 33 restabelecem normas de incidência, respectivamente, da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins aplicáveis às sociedades cooperativas, vigentes até meados de 1999, as quais foram alteradas por darem ensejo a graves distorções concorrenciais, principalmente por alcançar todas as atividades tidas como cooperativas, inclusive consumo e crédito. Ressaltese que as alterações objetivaram construir um modelo de tributação onde apenas às cooperativas de produção passou a ser dado justo privilégio. Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO Processo nº 16327.000833/200621 Acórdão n.º 330201.449 S3C3T2 Fl. 4 7 Assim, tais dispositivos, que retroagiriam aos fatos geradores ocorridos a partir de junho de 1999 (art. 67), produziriam uma perda de arrecadação, em 2003, da ordem de R$ 1,2 bilhão, sendo que, destes, R$ 445 milhões se referem a arrecadação corrente, que se reproduziria nos anos subseqüentes. Seu texto, ao final, é o seguinte: “1º As sociedades cooperativas também poderão excluir da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, sem prejuízo do disposto no art. 15 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001, as sobras apuradas na Demonstração do Resultado do Exercício, antes da destinação para a constituição do Fundo de Reserva e do Fundo de Assistência Técnica, Educacional e Social, previstos no art. 28 da Lei no 5.764, de 16 de dezembro de 1971. §1o As sobras líquidas da destinação para constituição dos Fundos referidos no caput somente serão computadas na receita bruta da atividade rural do cooperado quando a este creditadas, distribuídas ou capitalizadas pela sociedade cooperativa de produção agropecuárias. §2o Quanto às demais sociedades cooperativas, a exclusão de que trata o caput ficará limitada aos valores destinados a formação dos Fundos nele previstos. §3o O disposto neste artigo alcança os fatos geradores ocorridos a partir da vigência da Medida Provisória no 1.85810, de 26 de outubro de 1999.” Em minha opinião, então, o legislador efetivamente pretendeu, com a Lei no. 10.676/2003, manter parte da tributação das cooperativas de crédito, excluindo apenas as sobras das bases de cálculo das contribuições. Quanto ao requerido pelo contribuinte, no sentido de que o PIS/Folha pago não seria cabível, portanto, poderia ser compensado com tais débitos, considero adequado seu pedido. Isso porque as Cooperativas de Crédito estão na seara do art. 26 do Decreto no. 4.524/2003, logo, não estariam sujeitas ao PIS/Folha na forma do art. 9o. desse mesmo Decreto. Adicionalmente, o artigo 15 da MP no. 2.15835, de 2001, aplicável ao caso, trás consigo rol exaustivo das exclusões que, caso adotadas pelo contribuinte, ensejariam a incidência também do PIS/Folha. Finalmente, a IN 635/2006 foi posterior aos fatos geradores aqui tratados. Por isso, do provimento ao Recurso do contribuinte nesse tópico em especial. Nesse sentido, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do auto de infração as sobras apuradas na diligência, indevidamente computadas no auto de infração, e para que sejam compensados os pagamentos efetuados a título de PIS/Folha com os débitos apurados, mantendo no mais a decisão recorrida. É como voto. (Assinado Digitalmente) GILENO GURJÃO BARRETO Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO 8 Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 12/03/2012 por LEVI ANTONIO DA SILVA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO, Assinado digitalmente em 09/03/201 2 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 07/03/2012 por GILENO GURJAO BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 13603.002426/2007-35
Data da sessão: Thu Jun 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 30/04/2004
RETENÇÃO INDEVIDA. LEI 9.711/98. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA APRESENTADA A DESTEMPO. POSSIBILIDADE. REVISÃO PELA AUTORIDADE FISCAL.
A documentação apresentada pelo contribuinte após a decisão de indeferimento do pedido de restituição pela insuficiência probatória deve ser levada em consideração pela Fiscalização. Após conversão do julgamento em diligência, a autoridade fiscal reviu o posicionamento, reconhecendo o direito creditório, sem nenhuma manifestação dos interessados intimados, apenas resta a ratificação da decisão.
Recurso Voluntário Provido Em Parte - Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 2803-002.487
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, no sentido de ratificar a decisão de fls. 399 dos autos físicos (e fls. 411 dos autos digitais) que reconheceu parcialmente o direito creditório.
(Assinado Digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado Digitalmente)
Gustavo Vettorato - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, no sentido de ratificar a decisão de fls. 399 dos autos físicos (e fls. 411 dos autos digitais) que reconheceu parcialmente o direito creditório. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vice-presidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior.
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LEI 9.711/98. DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA APRESENTADA A DESTEMPO. POSSIBILIDADE. REVISÃO PELA AUTORIDADE FISCAL. A documentação apresentada pelo contribuinte após a decisão de indeferimento do pedido de restituição pela insuficiência probatória deve ser levada em consideração pela Fiscalização. Após conversão do julgamento em diligência, a autoridade fiscal reviu o posicionamento, reconhecendo o direito creditório, sem nenhuma manifestação dos interessados intimados, apenas resta a ratificação da decisão. Recurso Voluntário Provido Em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do relator, no sentido de ratificar a decisão de fls. 399 dos autos físicos (e fls. 411 dos autos digitais) que reconheceu parcialmente o direito creditório. (Assinado Digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado Digitalmente) Gustavo Vettorato Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 24 26 /2 00 7- 35 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.002426/200735 Acórdão n.º 2803002.487 S2TE03 Fl. 425 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (presidente), Gustavo Vettorato (vicepresidente), Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Oséas Coimbra Júnior, Amilcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 423DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.002426/200735 Acórdão n.º 2803002.487 S2TE03 Fl. 426 3 Relatório Tratase de pedido de restituição de valores retidos e recolhidos por empresas tomadoras dos serviços prestados pela firma individual Cláudio Gonçalves nos meses de fevereiro, março e abril em 2004, em observância ao disposto na Lei nº 9.711/98. Ao analisar a documentação consubstanciada nos autos, a Gerência Regional de Arrecadação e Fiscalização de Belo Horizonte constatou hipótese de vedação/exclusão obrigatório do SIMPLES, nos moldes do art. 13, II, da Lei nº 9.317/96, em razão de se tratar de prestadora de serviços de manutenção industrial, usinagem, caldeiraria e montagem industrial, manutenção preventiva, corretiva e preditiva, prestados por cessão de mão de obra, o que gerou o encaminhamento de Representação Fiscal à Secretaria da Receita Federal. Adicionalmente, a autoridade fiscal indeferiu o pedido do contribuinte, por considerar que o interessado não teria apresentado documentação hábil e suficiente à comprovação da procedência da restituição. Em razão da mudança de jurisdição do contribuinte, o processo foi encaminhado à Seção de Análise de Defesas e Recursos da Delegacia da Receita Previdenciária de Contagem, que, na decisão de fls. 285, ratificou o ato da Sra. Supervisora da 4ª Equipe Fiscal da AFBH que indeferiu o pedido de restituição de contribuições retidas da empresa Cláudio Gonçalves competências 02, 03 e 04/99. Devidamente intimado da decisão proferida pela autoridade fiscal, o contribuinte apresentou o livro diário, escriturado e autenticado na JUCEMG (fls. 293/340). O processo foi, então, encaminhado à Gerência Executiva de Contagem, que prontamente solicitou a apresentação de novos documentos pelo contribuinte, sob pena de manutenção da decisão de indeferimento (fl. 342). A documentação solicitada foi apresentada pelo contribuinte às fls. 345/382. Não obstante a Fiscalização tivesse de posse dos elementos necessários à análise do pedido de restituição apresentado, em razão da alteração da jurisdição do contribuinte, o processo foi encaminhado ao Setor de Arrecadação APS de Pedro Leopoldo, posteriormente à Gerência Executiva de Contagem, e por fim, à Delegacia da Receita Federal de Sete Lagoas, que determinou a sua remessa à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte. O contribuinte recorreu de forma simplória à decisão da decisão de primeira instância, basicamente apenas apresentando os documentos solicitados pela Fiscalização (fls. 290 dos autos físicos), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte proferiu o seguinte despacho: “em cumprimento às orientações contidas no MEMO/RFB/GABIN/nº 21/2008, que diz que ‘a competência para apreciar qualquer recurso contrário à decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRFB) que indeferir pedidos de isenção da cota patronal, de restituição e de reembolso de pagamentos relativos às Fl. 424DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.002426/200735 Acórdão n.º 2803002.487 S2TE03 Fl. 427 4 contribuições previdenciárias é do Segundo Conselho de Contribuintes’, encaminhese o presente processo ao órgão competente”. (fl. 390). Os autos, em razão das alterações de competência foram redistribuídos ao CARF/MF, e à Conselheira Dra. Carolina Siqueira Monteiro de Andrade, que votou pela conversão do julgamento em diligência para determinar o retorno do processo ao órgão competente, para que a documentação apresentada pelo contribuinte seja devidamente analisada. (fls. 416 dos autos digitais). Em resposta, a tal resolução, já na Secretaria da Receita Federal do Brasil pela ARF de Pedro Leopoldo fora feita a análise dos documentos, e foi reconhecido parcialmente o direito creditório do contribuinte, de R$ 8.838,46 dos R$ 8.924,63 requeridos. (fls. 399 dos autos físicos, e fls. 411 dos autos digitais). As razões da decisão são a regularidade dos documentos juntados, apenas ressalvado quanto ao código de recolhimento de contribuição retida referente a NF n. 2631, e reconheceu a sua regularidade perante o SIMPLES FEDERAL ao qual o contribuinte é optante, logo a retenção de 11%, disciplinada no art. 31, da Lei n. 8.212/1991, seria indevido. O contribuinte foi intimado da resolução e da decisão supra mencionada, inclusive sendo cientificado da possibilidade de manifestação de conformidade, passando in albis o prazo. Esse é o Relatório. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.002426/200735 Acórdão n.º 2803002.487 S2TE03 Fl. 428 5 Voto Gustavo Vettorato Conselheiro O recurso voluntário foi tempestivo, merecendo conhecimento. Preliminarmente, ao contrário da relatora anterior, o pedido de revisão e juntada, de fls. 290 dos autos físicos, apesar de simplório deve ser considerado recurso, pois foi tempestivo, e demonstrou a insatisfação do contribuinte à decisão inicial de negativa ao seu pedido, bem como em seu título apresenta a expressão de que se tratava de recurso voluntário. Após analise do processo, com a conversão em diligência, observando que a autoridade fiscal reviu o seu posicionamento, reconhecendo o direito creditório e intimação das partes sem qualquer manifestação posterior da Fazenda Nacional ou do contribuinte, para apresentar mais razões. Não há mais o que se manifestar, apenas ratificar a decisão, inclusive por ser a decisão conforme ao entendimento do CARF: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2005 a 31/10/2006 RESTITUIÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA PRESTADORA SERVIÇO OPTANTE PELO SIMPLES FEDERAL. RETENÇÃO DE 11% SOBRE FATURAS. LEI 9.711/1998. INAPLICABILIDADE. REGIME DO ARTIGO 543 C DO CPC. RECURSOS REPETITIVOS. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. ALINHAMENTO COM A JURISPRUDÊNCIA DO STJ. Em decorrência de entendimento da jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a empresa prestadora de serviço, quando optante do SIMPLES FEDERAL, não se submete à sistemática de retenção de 11% do valor da nota fiscal, prevista no art. 31 da Lei 8.212/1991, dada pela redação da Lei 9.711/1998. Recurso Voluntário Provido. (Ac. 240003.410, Rel. Ronaldo de Lima Macedo, 2ª. Turma da 4ª. Câmara da Segunda Seção de Julgamento Isso posto, voto por conhecer o recurso voluntário, para, no mérito, darlhe parcial provimento, no sentido de ratificar a decisão de fls. 399 dos autos físicos (e fls. 411 dos autos digitais) que reconheceu parcialmente o direito creditório. Gustavo Vettorato Relator Fl. 426DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 13603.002426/200735 Acórdão n.º 2803002.487 S2TE03 Fl. 429 6 Fl. 427DF CARF MF Impresso em 20/08/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2013 por GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 15/08/2013 po r GUSTAVO VETTORATO, Assinado digitalmente em 19/08/2013 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 15374.903526/2008-38
Data da sessão: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
Embargos.
Ausentes os fundamentos do artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho, os Embargos de Declaração opostos, conquanto tempestivos, não merecem ser conhecidos ante a absoluta ausência da omissão reputada.
Numero da decisão: 1301-001.237
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade não conhecer dos embargos.
(assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 Embargos. Ausentes os fundamentos do artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho, os Embargos de Declaração opostos, conquanto tempestivos, não merecem ser conhecidos ante a absoluta ausência da omissão reputada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade não conhecer dos embargos. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrente FUNDAÇÃO DE SEGURIDADE SOCIAL BRASLIGHT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 Embargos. Ausentes os fundamentos do artigo 65 do Regimento Interno deste Conselho, os Embargos de Declaração opostos, conquanto tempestivos, não merecem ser conhecidos ante a absoluta ausência da omissão reputada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade não conhecer dos embargos. (assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Plínio Rodrigues Lima , Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 35 26 /2 00 8- 38 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 2 Relatório Cuidase de Embargos de Declaração opostos pela contribuinte acima identificada. A contribuinte, após relembrar os fatos sucedidos, passou a reputar o denominou de omissões no acórdão, fazendoos nos seguintes termos: (...) (...) Após articular estas razões, reputando o acórdão omisso, a Embargante formulou os seguintes requerimentos: É o relatório. Fl. 267DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15374.903526/200838 Acórdão n.º 1301001.237 S1C3T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. Os Embargos de Declaração opostos, conquanto tempestivos, não merecem ser conhecidos ante a absoluta ausência da omissão reputada, porquanto aduziu que o relatório, sobremodo sucinto, do acórdão impugnado não fez menção a todos os seus argumentos, deixando de apreciar a questão alusiva ao fato de a decisão judicial ter enfrentado a matéria em questão. Seguramente a Embargante pretende, na estreita via dos Embargos Declaratórios, a reapreciação dos seus argumentos. Com efeito, a decisão que se reputa omissa, conquanto desfavorável ao que sustentava a contribuinte, não omitiu a questão alusiva aos efeitos concretos da decisão judicial, contrário disso, marcou a partir deles os limites do seu enfretamento, confirase os trechos abaixo: Cuidase como visto, de apresentação de DCOMPs cujo crédito seria oriundo de pagamentos efetivados indevidamente porquanto a recorrente, na qualidade de ente imune, pagou impostos à União. Argumentou a recorrente que a referida imunidade teria sido reconhecida por provimento jurisdicional transitado em julgado, decorrendo daí, diante de pagamento espontâneo de impostos, o seu direito creditório. (...) A recorrente, por seu turno, insiste que tem reconhecida a imunidade por decisão judicial transitada em julgado, e diante disso, ainda que tenha efetivado os recolhimentos, esses se revestiriam de caráter de “tributo pago indevidamente”. Temse, portanto, que o deslinde do caso concreto passa necessariamente pelo cotejo dos efeitos da norma individual e concreta obtida pela recorrente. Inegavelmente (“vide” documentos de folhas 35 a 52 – cópias do processa judicial, incluindo certidão de trânsito em julgado), a recorrente obteve do Poder Judiciário, posicionamento no qual se assinalou que entidades fechadas de previdência privada (como seu caso), embora cobrando dos seus associados contribuições mensais a título de remuneração pelos serviços prestados, gozam de imunidade tributária. Por essa razão é que se reafirma que o enfrentamento da questão da recorrente deve ser realizado à luz da eficácia das decisões do Poder Judiciário, já que não se discute a efetividade dos pagamentos, como também não se discute o mandamento legal que impôs a superveniente obrigação à recorrente, Fl. 268DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA 4 tampouco, a mudança de posicionamento do Supremo Tribunal Federal acerca das entidades fechadas de previdência. Relembrese, portanto, que o óbice encontrado pela decisão recorrida consiste no fato de o Supremo Tribunal Federal, em caso alheio ao processo da ora recorrente, ter decidido que as entidades de previdência privada não gozavam da imunidade de impostos de que trata a alínea "c" do inciso VI do art. 150 da CF (sendo este o fundamento da imunidade da recorrente), e que a lei inovadora não encontra limites na sua eficácia em razão de decisão judicial anterior, evitando eternizarse os efeitos da coisa julgada. Tem razão a decisão recorrida. Por óbvio não se olvida que em determinado período, cotejando a legislação e a jurisprudência que vigoravam, a recorrente obteve do Poder Judiciário declaração de ser ente imune, ocorre, que também na se pode olvidar, que o quadro normativo vigente, as leis que regem a matéria e o posicionamento do Poder Judiciário, evoluíram para os fins de obrigar a recorrente, ao pagamento do imposto tido por ela como indevido. (...) Como bem observou a decisão recorrida, a recorrente gozou incontinente da reconhecida imunidade, até que sobreveio alteração no sistema jurídico vigente, fato que a obrigou ao pagamento do imposto, como de fato o fez nos recolhimentos por ela considerados, posteriormente, como se indevidos fossem. Ademais, é ponto pacífico na jurisprudência e nos precedentes desse CARF que a coisa julgada não obsta que lei nova possa reger a matéria em termos diversos, o que implicaria, inarredavelmente, em desrespeito ao sistema de freios e contrapesos decorrente da tripartição dos poderes. (...) Diante disso, se a Embargante entende que a decisão administrativa negou eficácia à norma individual e concreta de que dispunha, é fato que não se confunde com omissão do acórdão embargado, que analisou a questão alusiva ao transito em julgado e a despeito disso, concluiu na esteira dos precedentes, que não havia certeza e liquidez nos créditos pleiteados. Ausentes os fundamentos do artigo 65 do Regimento Interno deste CARF, não conheço do Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 13 de junho de 2013. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA Processo nº 15374.903526/200838 Acórdão n.º 1301001.237 S1C3T1 Fl. 4 5 Fl. 270DF CARF MF Impresso em 30/07/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 22/07/2013 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 29/07/2013 p or PLINIO RODRIGUES LIMA
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