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Numero do processo: 35011.001114/2007-15
Data da sessão: Fri Oct 30 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Tue Dec 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/06/2001 a 01/11/2003,01/01/2004 a 01/08/2004
RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO
ART. 41 DA LEI N ° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA.
POSSIBILIDADE E RECONHECIMENTO
A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no
art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por
meio do ai 79 da Lei n° 11.941 de 2009.
A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, °missiva
ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada
(sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o
infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o
caput do art. 106 do CTN.
Em relação ao dirigente do órgão público, a revogação perpetrada pelo art. 79
da Lei n° 11.941 deixou de definir o ato de descumprimento de obrigação
acessória, como ato infracional.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2301-000.815
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Leonardo Henrique Pires Lopes
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ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/06/2001 a 01/11/2003,01/01/2004 a 01/08/2004 RESPONSABILIDADE PESSOAL DO DIRIGENTE. REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE E RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do ai 79 da Lei n° 11.941 de 2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, °missiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a revogação perpetrada pelo art. 79 da Lei n° 11.941 deixou de definir o ato de descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado.
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REVOGAÇÃO DO ART. 41 DA LEI N ° 8.212. EFEITOS - RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE E RECONHECIMENTO A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do ai 79 da Lei n° 11.941 de 2009. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, °missiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Em relação ao dirigente do órgão público, a revogação perpetrada pelo art. 79 da Lei n° 11.941 deixou de definir o ato de descumprimento de pbrigação acessória, como ato infracional. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. • Processo n° 35011.001114/2007-15 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.815 R. 2 ACORDAM os membros da 3' Câmara / P Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos.do voto do relator. (\j)‘1, JULIO àESARI VIEIRA e esidente áLEON • • u. •••• LOPES — Relator 4 'ri° I Participaram do presente julgamento os Conselheiros Bemadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Damião Cordeiro de Moraes; Edgar i1a Vidal (suplente), Maria Helena Lima dos Santos (suplente), Julio Cesar Vieira Gomes (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração lavrado em face de Romeiro José Costeira de Mendonça (Prefeito do Município de Presidente Figueiredo - AM), por ter apresentado as Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, relativa à competência 06/2001 a 11/2003 e 01/2004 a 08/2004, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, desatendendo ao disposto na Lei 8.212/191, art. 32, IV, §5°. Ainda que sem Impugnação, o Auto de Infração fora apreciado pelo Serviço de Contencioso Administrativo Previdenciário, cuja Decisão-Notificação de fls. 158/160, julgou procedente o lançamento. Irresignado apresentou Recurso tempestivo às fls. 171/180, alegando, em síntese: a) a inocorrência da infração, eis que os documentos correspondentes ao período da autuação foram devidamente entregues; b) a nulidade do auto de infração e o cerceamento ao direito de defesa; c) o vício da base de cálculo da multa, pois esta não fora discriminada no Auto de Infração, padecendo de vício insanável; d) a revisão da multa de 100%; Sem Contra-Razões. É o Relatório. 2 Processo n° 35011.001/14/2007-15 52-C311 Acórdão n.° 2301-00.815 Fl. 3 Voto Conselheiro LEONARDO HENRIQUE PIRES LOPES, Relator Dos Pressupostos de Admissibilidade Sendo o recurso tempestivo, passo ao exame do seu mérito. Preliminarmente Há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CIN. A responsabilidade pessoal do dirigente tinha fundamento legal expresso no art. 41 da Lei n ° 8.212 de 1991; entretanto tal dispositivo foi revogado por meio do art. 79 da Lei n°11.941 de 2009. Art. 41. O dirigente de órgão ou entidade da administração federal, estadual, do Distrito Federal ou municipal, responde pessoalmente pela multa aplicada por infração de dispositivos desta Lei e do seu regulamento, sendo obrigatório o respectivo desconto em folha de pagamento, mediante requisição dos órgãos competentes e a partir do primeiro pagamento que se seguir à requisição. (Revogado pela Lei n° 11,941. de 2009) Conforme previsto no art. 106, inciso II do CIN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme previsão expressa do Código Tributário Nacional, em seu art. 106, alíneas "a" e "c", a Lei nova deverá retroagir e ser aplicada a ato ou fato pretérito, na hipótese de ato não definitivamente julgado, quando deixe de defini-lo corno infração, verbis: Art. 106. A lei aplica-se a ato ou fato pretérito: 1- em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; Processo n° 35011.001114/2007-15 52-C3T1 Acórdão n.° 2301-00.815 Fl. 4 H- tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. • Corroborando com entendimento suso aludido, segue abaixo o entendimento dos Tribunais Superiores Pátrios acerca da questão, literris: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - MULTA - RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA - ART. 106, II, "C", DO CTN - 1- A posterior alteração do valor da multa aplicada à cobrança de tributos, mais benéfica ao contribuinte, deve retroagir. Aplicação do art. 106, II, "c", do CT/sl. Precedentes do STJ. 2- Agravo Regimental não provido. (STJ - AgRg-REsp 922.984- (2007/0023457-2)- r T - Rel. Min. Herman Benjamin - DJe 11.03.2009 -p. 309) TRIBUTÁRIO - MULTA - ART. 61, DA LEI N° 9.430/96 - PRINCIPIO DA RETROATIVIDADE DÁ LEX MTTIOR - 1- A ratio essendi do art. 106 do CIN implica que as multas aplicadas por infrações administrativas tributárias devem seguir o principio da retroatividade da legislação mais benéfica vigente no momento da execução, pelo que, independendemente deo fato gerador do tributo tenha ocorrido em data anterior a vigência da norma sancionatória. 2-A Lei que determina a multa pelo não recolhimento do tributo deve ser menor do que a anteriormente aplicada, a novel disposição beneficia as empresas atingidas e por isso deve ter aplicação imediata, vedando-se, conferir à Lei uma interpretação tão literal que conflite com as normas gerais, obstando a salutar retroatividade da Lei mais benéfica. (Lex Mitior). 3- In casu, não se revela obstada a aplicação do art. 61, da Lei n° 9.430/96, se o fato gerador decorrente da multa tenha ocorrido em período anterior à 01.01.1997, pelo que, ante o disposto no art. 106, inc. II, letra "c", em se tratando de norma punitiva, aplica-se a legislação vigente no momento da infração. 4- O Código Tributário Nacional, ao não distinguir os casos de aplicabilidade da Lei mais benéfica ao contribuinte, afasta a interpretação literal do art. 61, da Lei n° 9.430/96, que determina a redução do percentual alusivo à multa incidente pelo não recolhimento do tributo, no caso, de 30% para 2094 por ter status de Lei Complementar,. 5- A redução da multa 4 Processo if 35011.0011/4/2007-15 52-C3T1 Acórdão n.°2301-00215 Fl. 5 aplica-se aos fatos futuros e pretéritos por força do principio da retroatividade da ler mitior consagrado no art. 106 do CIN. 6- Agravo regimental desprovido. (STJ - AgRg-Al 902.697 - (2007/0137134-1) - ReL Min. Luiz Fax - DJe 19.062008 - p. 153) TRIBUTÁRIO - PROCESSUAL CIVIL - EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL - REDUÇÃO DA MULTA FISCAL - ART. 35 DA LEI 8212/91 E ART. 106, II, C, DO CTN - APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO MAIS BENÉFICA AO DEVEDOR - ACÓRDÃO - CONTRADIÇÃO - INEJUSTÊNCIA - CDA - REQUISITOS - APRECIAÇÃO - SÚMULA 7/STJ - I- Inexiste contradição em acórdão que fixa o entendimento pela necessidade de pagamento para que ocorresse a retroatividade benigna em favor do contribuinte quando a fundamentação do aresta segue no mesmo diapasão. 2- Inviável na sede extraordinária perquirir a presença dos requisitos formais de validade de certidão de divida ativa, ainda mais quando já declarada válida pela instância ordinária. Inteligência da Súmula 7/STJ. 3- Ainda não definitivamente julgado o feito, o devedor tem direito à redução da multa, nos termos do art. 35 da Lei 8.212/91, com a nova redação dada pela Lei 9.528/97. 4- No confronto entre duas normas, aplica-se a regra do art. 106, II "e" do CTN, por ser a divida previdenciária de natureza tributária. 5- Recurso especial parcialmente provido. (SI'.! - REsp 1.053.735 - (2008/0095239-0) - 2" 7'. - Rei" Viana Calmo n - DJe 26.11.2008 - p. 1032) PROCESSUAL CIVIL - EMBÃRGOSÂ EXECUÇÃO FISCAL - REDUÇÃO DA MULTA - APLICAÇÃO DO ART. 106, II, "C", DO CTN - RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENÉFICA - 1- "É plenamente aplicável lei superveniente que preveja a redução de multa moratória dos débitos tributários. Aplicação do art. 106, II, "c", do Código Tributário Nacional." (REsp 624.536/R5, Rel. Ministro João Otávio de Noronha, Segunda Turma, julgado em 13.02.2007, DJ 06.03.2007 p. 248). 2- Recurso Especial não provido. (STJ - REsp 628.077 - (2004/0013099-0) - 2° T. - Rel. MM. Herman Benjamin - Die 17.10.2008 - p. 637) Entendo que há cabimento do art. 106, inciso II, alíneas "a" e "b" do CTN. A Lei n°11.941 de 2009, ao revogar o art. 41 da Lei n ° 8.212, implica a não responsabilização do dirigente nas omissões e ações que geram o descumprimento de obrigações acessórias. A aplicação de uma penalidade terá como componentes a conduta, omissiva ou comissiva, o responsável pela conduta e a penalidade a ser aplicada (sanção). Se em qualquer desses elementos houver algum beneficio para o infrator, a retroatividade deve ser reconhecida em função de ser cogente o caput do art. 106 do CTN. Processo n°35011.001114/2007-15 52-C371 Acórdão n.° 2301-00215 Fl. 6 Em relação ao dirigente do órgão público, a Lei n° 11.941, de 2009, deixou de definir o ato como descumprimento de obrigação acessória, como ato infracional. Basta uma análise singela, caso a fiscalização fosse autuar o Sr. Romeiro José Costeira de Mendonça, Prefeito do Município de Presidente Figueiredo - AM, na data de hoje, por fatos pretéritos, não poderia fazê-lo em função justamente ddart. 79 da Lei n° 11.941 de 2009. Assim, em relação ao dirigente a referida Lei é, sem dúvida, mais benéfica; se antes a autuação era em nome do dirigente, após a vigência da Lei n° 11.941/09 não cabe tal autuação. Além do mais, a Lei n° 11.941/09 deixou de tratar o ato do dirigente como contrário à exigência de ação ou omissão. In casu, não houve configuração de fraude pelo dirigente no relatório fiscal. — A repercussão da retroatividade em relação às obrigações acessórias, como na hipótese de haver uma obrigação sem responsável, não cabe a este Colegiado apreciar; quem fez a escolha por não autuar o dirigente do órgão público foi o legislador pátrio por meio de Lei Ordinária, se é justo ou injusto não interessa, como esse órgão é componente do Poder Executivo cabe apenas a aplicação objetiva dos atos normativos sem realizar juizo de valor. • Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito CONCEDER- LHE PROVIMENTO. • É como voto. Sala das Sessões, em 30 de nt - irt se 119. • LEO • • e• . • i• - - • PES - Relator • 6
score : 1.0
Numero do processo: 16045.000076/2006-52
Turma: Segunda Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Dec 09 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 10/01/2001 a 20/12/2001
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO.
Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recurso voluntário em processo que versa sobre lançamento de IPI.
DECLINADA A COMPETÊNCIA.
Numero da decisão: 302-39.998
Decisão: ACORDAM os membros da segunda câmara do terceiro conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, declinar da competência do julgamento do recurso em favor do Egrégio Segundo Conselho de Contribuintes, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 10/01/2001 a 20/12/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. COMPETÊNCIA DE JULGAMENTO. Compete ao Segundo Conselho de Contribuintes julgar recurso voluntário em processo que versa sobre lançamento de IPI. DECLINADA A COMPETÊNCIA.
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Numero do processo: 10821.000700/2007-79
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 26 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 03/08/1993 a 10/12/1993
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Encontram-se atingidos pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2302-002.392
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, pela fluência do prazo decadencial exposto no art. 173, I do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial todas as obrigações tributárias relativas aos fatos geradores apurados pela fiscalização. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, pela fluência do prazo decadencial exposto no art. 173, I do Código Tributário Nacional, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente Substituta de Turma), Adriana Sato, André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 1. 00 07 00 /2 00 7- 79 Fl. 347DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Período de apuração: 03/08/1993 a 10/12/1993 Data da lavratura da NFLD: 18/11/2004. Data da Ciência da NFLD: 18/11/2004. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em São Paulo I/SP que julgou procedente o lançamento tributário lançado por intermédio da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 35.657.7368, consistente em contribuições sociais a cargo dos segurados empregados e a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a Outras Entidades e Fundos, incidentes sobre a mão de obra empregada em obra de construção civil, identificada na Declaração e Informação Sobre Obra DISO a fls. 33/35, e no Aviso de Regularização de Obra a fls. 55/57, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 23/29. Informa a Autoridade Lançadora que os valores lançados na presente notificação foram apurados por arbitramento, servindo como base para a apuração do valor da mão de obra empregada na obra de construção civil as tabelas regionais do Custo Unitário Básico CUB publicadas pela imprensa de circulação regular, pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil SINDUSCON. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o Notificado apresentou impugnação administrativa a fls. 103/107. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I/SP proferiu decisão administrativa textualizada no Acórdão a fls. 275/291 julgando procedente o lançamento fiscal em debate e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O sujeito passivo houvese por cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25/02/2009, conforme Aviso de Recebimento a fl. 297. Discordando da decisão proferida pelo Órgão Julgador de 1ª Instância, o Notificado interpôs Recurso Voluntário a fls. 323/335, requerendo a declaração de inexigibilidade do crédito, em razão da prescrição (rectius decadência). Relatados sumariamente os fatos relevantes. Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10821.000700/200779 Acórdão n.º 2302002.392 S2C3T2 Fl. 348 3 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 25/02/2009. Havendo sido o recurso voluntário protocolado no dia 25 de março do mesmo ano, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. Presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço. 2. DAS QUESTÕES PRELIMINARES AO MÉRITO. 2.1. DA DECADÊNCIA O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, em julgamento realizado em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei n º 8.212/91, nos termos que se vos seguem: Súmula Vinculante nº 8 “São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. Conforme estatuído no art. 103A da Constituição Federal, a Súmula Vinculante nº 8 é de observância obrigatória tanto pelos órgãos do Poder Judiciário quanto pela Administração Pública, devendo este Colegiado aplicála de imediato. Constituição Federal Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Afastada por inconstitucionalidade a eficácia das normas inscritas nos artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91, urge serem seguidas as disposições relativas à matéria em relevo inscritas no Código Tributário Nacional – CTN e nas demais leis de regência. O instituto da decadência no Direito Tributário, malgrado respeitadas posições em sentido diverso, encontrase regulamentado no art. 173 do Código Tributário Nacional CTN, que reza ipsis litteris: Código Tributário Nacional CTN Fl. 349DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Conforme detalhadamente explicitado e fundamentado no Acórdão nº 2302 01.387 proferido nesta 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, na Sessão de 26 de outubro de 2011, nos autos do Processo nº 10240.000230/200865, convicto encontrase este Conselheiro de que, após a implementação do sistema GFIP/SEFIP, o lançamento das contribuições previdenciárias não mais se enquadra na sistemática de lançamento por homologação, mas, sim, na de lançamento por declaração, nos termos do art. 147 do CTN. Ocorre, todavia, que o entendimento majoritário esposado por esta 2ª Turma Ordinária, em sua escalação titular, se inclina à seguinte tese: Se nos lançamentos de ofício não restar demonstrado e comprovado qualquer recolhimento prévio de contribuições previdenciárias em favor das rubricas que compõem os levantamentos objeto da Notificação Fiscal, aplicarseá o regime da decadência assentado no art. 173 do CTN. Nenhum outro. Nessas hipóteses, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tem condições a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Por outro viés, consoante o entendimento prevalecente neste Colegiado, em relação às rubricas em que reste comprovada a existência de recolhimentos antecipados, deve ser aplicado o preceito inscrito no parágrafo 4º do art. 150 do CTN, excluindose o crédito tributário não pela decadência, mas, sim, pela homologação tácita, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Código Tributário Nacional CTN Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. §1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação ao lançamento. §2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. §3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém, considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10821.000700/200779 Acórdão n.º 2302002.392 S2C3T2 Fl. 349 5 §4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Anotese que a incidência do preceito inscrito no §4º do art. 150 do CTN não é incondicionada. Ela se sujeita a inexistência de dolo, fraude ou simulação. Ao revés, nas hipóteses em que restar comprovado o cometimento de dolo, fraude ou simulação, comungamos a doutrina que prega a incidência do preceito inscrito no art. 173 do CTN, uma vez, aqui ao contrário do que ocorre no §4º do art. 150 do codex, a incidência da decadência é incondicionada, uma vez que tem por norte principiológico a segurança das relações jurídicas. Veleja ao sabor da mesma brisa a jurisprudência do Colendo Superior Tribunal de Justiça conforme se depreende do julgado adiante ementado: REsp nº 183.603/SP Rel. Min. ELIANA CALMON T2 SEGUNDA TURMA Publicação: DJ 13.08.2001 p. 88 TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150, §4º E 173 DO CTN). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, §4º, do CNT). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art.173, I do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. 4. Recurso especial improvido No voto condutor do Recurso Especial nº 512.840/SP, asseriu a Exma. Min. Relatora Eliane Calmon, in verbis: “Temos em conclusão as regras seguintes: a) no lançamento por homologação em que há pagamento antecipado, dispõe o fisco do prazo de cinto anos para homologar, prazo este que tem seu termo a quo, quando do nascimento do fato gerador (art. 150, §4° do CTN). b) se não há pagamento antecipado ou há no comportamento do sujeito passivo dolo, fraude ou simulação, aplicase o art. 173, I do CTN; c) entendimento jurisprudencial do STJ que apresenta divergência, com a prevalência de posição majoritária no sentido constante deste voto. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 6 A Jurisprudência desta Corte acabou se uniformizando nesse mesmo sentido”. Na seara administrativa, também se posicionou pela revisão do §2º do art. 348 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Dec. nº 3.048/99, a Coordenação Geral de Matéria Tributária, conforme entendimento convergido no Despacho CGMT/DCMT nº 146/2005, onde se conclui, verbis: “Em ocorrendo, todavia, fraude ou simulação, devidamente comprovadas pela Fazenda Pública, imputáveis ao sujeito passivo da obrigação tributária do imposto sujeito a lançamento por homologação, a data do fato gerador deixa de ser o dia inicial da decadência. Prevalece o dies a quo do art. 173, esta conforme o sistema do CTN. O que não se pode admitir é o direito patrimonial incaducável. Afora esta solução para os casos de decadência, ocorrendo dolo ou simulação na antecipação do pagamento, somente uma outra é pensável, qual seja a da adoção da regra do Código Civil que cuida da prescrição das ações pessoais. Ao que nos consta, os tribunais não enveredaram por este caminho, exigente de analogia para ser trilhado e de difícil adoção, porque aqui a espécie é de decadência, e não de prescrição, a exigir crédito já formalizado, certo, liquido e exigível (princípio da actio nata)”. Autores de nomeada já se pronunciaram a respeito da questão, não fugindo, todavia, da conclusão que aqui se declina: “A segunda questão diz respeito à ressalva dos casos de dolo, fraude ou simulação. Em estudo anterior, concluímos que a solução é aplicar a regra geral do art. 173, I. Essa solução não é boa, mas continuamos não vendo outra, de lege lata. A possibilidade de o lançamento poder ser feito a qualquer tempo é repelida pela interpretação sistemática do Código Tributário Nacional (arts. 156, V, 173, 174, 195, parágrafo único). Tomar de empréstimo prazo do direito privado também não é solução feliz, pois a aplicação supletiva de outra regra deve, em primeiro lugar, ser buscada dentro do próprio subsistema normativo, vale dizer, dentro do Código. Aplicar o prazo geral (5 anos, do art. 173) contado após a descoberta da prática dolosa, fraudulenta ou simulada igualmente não satisfaz, por protrair indefinidamente o início do lapso temporal. Assim, resta aplicar o prazo de cinco anos, contado do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido feito. Melhor seria não se ter criado a ressalva. (AMARO, Luciano. Direito Tributário Brasileiro, 2ª ed., Ed. Saraiva, 1998, p. 385). Vale citar que no caso dos presentes autos, a Advocacia Geral da União, pela ProcuradoriaGeral Federal, emitiu Parecer a fl. 173, expendendo considerações ao entendimento consolidado da divisão de Consultoria em matéria Tributária 2003/2006 n° 99 que reza: "Quando ocorre dolo, com a finalidade de fraudar ou simular, o dies a quo se Fl. 352DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10821.000700/200779 Acórdão n.º 2302002.392 S2C3T2 Fl. 350 7 desloca para o primeiro dia do exercício seguinte àquele do lançamento ex officio poderia ter sido efetuado, sendo incorreto o entendimento de que este lançamento pode ser efetuado a qualquer tempo. (Parecer n° 08/04)" De outro eito, mas vinho de outra pipa, pelas razões expendidas nos autos do Processo Administrativo Fiscal referido nos parágrafos anteriores, entende este relator que o lançamento tributário encontrase perfeito e acabado na data de sua lavratura, representada pela assinatura da Autoridade Fiscal lançadora, figurando a ciência do contribuinte como atributo de publicidade do ato e condição de eficácia do lançamento perante o sujeito passivo, mas, não, atributo de sua existência. Nada obstante, o entendimento dominante nesta 2ª Turma Ordinária, em sua composição permanente, esposa a concepção de que a data de ciência do contribuinte produz, como um de seus efeitos, a demarcação temporal do dies a quo do prazo decadencial. Diante de todo o exposto, entendemos que as circunstâncias do caso concreto atrai à espécie a incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Cumpre focalizar, neste comenos, a questão pertinente ao dies a quo do prazo decadencial relativo à competência dezembro de cada ano calendário. O art. 37 da Lei Orgânica da Seguridade Social prevê o lançamento de ofício de contribuições previdenciárias sempre que a fiscalização constatar o atraso total ou parcial no recolhimento das exações em apreço. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. De outro canto, o art. 30 do mesmo Diploma Legal, na redação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores, estabelece como obrigação da empresa de recolher as contribuições previdenciárias a seu encargo e aquelas descontadas dos segurados obrigatórios do RGPS a seu serviço até o dia 02 do mês seguinte ao da competência. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: Fl. 353DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 8 a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; b) recolher o produto arrecadado na forma da alínea anterior, a contribuição a que se refere o inciso IV do art. 22, assim como as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título, aos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, até o dia dois do mês seguinte ao da competência; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). No caso da competência dezembro, até que se expire o prazo para o recolhimento, digase, o dia 02 de janeiro do ano seguinte, não pode a autoridade administrativa proceder ao lançamento de oficio, eis que o sujeito passivo ainda não se encontra em atraso com o adimplemento da obrigação principal. Tratase de concepção análoga ao o princípio da actio nata, impondose que o prazo decadencial para o exercício de um direito potestativo somente começa a fluir a contar da data em que o sujeito ativo dele detentor pode, efetivamente, exercelo. Dessarte, a deflagração do aludido lançamento, referente ao mês de dezembro, somente pode ser perpetrada a contar do dia 03 de janeiro do ano seguinte. Nesse contexto, a contagem do prazo decadencial assentado no inciso I do art. 173 do CTN relativo à competência dezembro do ano xx somente terá início a partir de 1º de janeiro do ano xx + 2. Pacificando o entendimento acerca do assunto em realce, o Superior Tribunal de Justiça assentou em sua jurisprudência a interpretação que deve prevalecer, espancando definitivamente qualquer controvérsia ainda renitente, conforme dessai em cores vivas do julgado dos Embargos de Declaração nos Embargos de Declaração no Agravo Regimental no Recurso Especial nº 674.497, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. Fl. 354DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 10821.000700/200779 Acórdão n.º 2302002.392 S2C3T2 Fl. 351 9 No caso vertente, o prazo decadencial relativo às obrigações tributárias nascidas na competência dezembro de 1993 tem seu dies a quo assentado no dia 1º de janeiro de 1995, o que implica dizer que a constituição do crédito tributário referente aos fatos geradores ocorridos nessa competência poderia ser objeto de lançamento até o dia 31 de dezembro de 1999, inclusive. Assim delimitadas as nuances materiais do lançamento, nesse específico particular, tendo sido a ciência da NFLD em debate realizada aos 18 dias do mês de novembro de 2004, os efeitos do lançamento em questão alcançariam, com a mesma eficácia constitutiva, todas as obrigações tributárias exigíveis a contar da competência dezembro/1998, inclusive, nos termos do art. 173, I do CTN, excluídos os fatos geradores relativos ao 13º salário desse mesmo ano. Pelo exposto, consoante o entendimento majoritário deste Sodalício, sendo o período de apuração do crédito tributário ora em constituição de 03/08/1993 a 10/12/1993, conforme assentamento na Declaração e Informação Sobre Obra DISO e no Aviso de Regularização de Obra, não demanda áurea mestria concluir que se encontram finadas pelo decurso integral do prazo decadencial todas as obrigações tributárias apuradas pela fiscalização, circunstância que se consubstancia em óbice intransponível à constituição do crédito tributário aviado na vertente NFLD, em razão de sua extinção legal, nos termos do art. 156, V, in fine do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 156. Extinguem o crédito tributário: (...) V a prescrição e a decadência; (...) 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva Fl. 355DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI 10 Fl. 356DF CARF MF Impresso em 26/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/ 2013 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/03/2013 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 13688.000146/2003-76
Data da sessão: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Thu Oct 01 00:00:00 UTC 2009
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.
O prazo de cinco anos para pleitear o pedido de restituição se inicia da data do pagamento indevido, após o qual se opera a decadência do direito, nos termos do art. 165 c/c art. 168 do CTN. Precedentes
Numero da decisão: 1103-000.045
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: CSL- que não versem sobre exigência de cred. trib. (ex.:restituição.)
Nome do relator: Eric Moraes de Castro e Silva
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Numero do processo: 18471.001868/2005-69
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
PAGAMENTO DE ROYALTIES AO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. LIMITE DE DEDUÇÃO.
As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido. Nos termos da IN SRF nº 252/02, assim como com as soluções de consulta nº 252/98 e 274/98, quando houver transferência de tecnologia, deverá ser aplicado o limite constante da lei; e quando não houver transferência de tecnologia, referido limite de dedução de custo não será aplicável.
Recurso de ofício provido em parte.
Numero da decisão: 1401-000.880
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Jose Sergio Gomes, Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 PAGAMENTO DE ROYALTIES AO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. LIMITE DE DEDUÇÃO. As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido. Nos termos da IN SRF nº 252/02, assim como com as soluções de consulta nº 252/98 e 274/98, quando houver transferência de tecnologia, deverá ser aplicado o limite constante da lei; e quando não houver transferência de tecnologia, referido limite de dedução de custo não será aplicável. Recurso de ofício provido em parte.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PAGAMENTO DE ROYALTIES AO EXTERIOR. TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA. LIMITE DE DEDUÇÃO. As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido. Nos termos da IN SRF nº 252/02, assim como com as soluções de consulta nº 252/98 e 274/98, quando houver transferência de tecnologia, deverá ser aplicado o limite constante da lei; e quando não houver transferência de tecnologia, referido limite de dedução de custo não será aplicável. Recurso de ofício provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por DAR provimento PARCIAL ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freire da Silva (Presidente), Alexandre Antonio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro, Jose Sergio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 1. 00 18 68 /2 00 5- 69 Fl. 879DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 2 Gomes, Fernando Luiz Gomes de Mattos. Ausente, justificadamente, a Conselheira Karem Jureidini Dias. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001868/200569 Acórdão n.º 1401000.880 S1C4T1 Fl. 3 3 Relatório Trata o presente feito de recurso de ofício interposto em decorrência do cancelamento, pela DRJ do Rio de Janeiro, de auto de infração de IRPJ e CSLL lavrado em desfavor da Recorrente, relativo aos anos calendário 2002 e 2003. Em resumo dos fatos em litígio, temse que a Recorrente, no ano calendário 2002, realizou pagamentos ao exterior, a título de remuneração por serviços prestados, no valor de R$3.724.491,54, que foram considerados indedutíveis por ultrapassar, na visão da fiscalização, o limite disposto no art. 355, inciso III do RIR/99. Como reflexo de referida glosa de custos, reduziuse o prejuízo fiscal acumulado pela Recorrente no ano calendário 2002, refletindo na dedutibilidade de referido prejuízo no ano de 2003, pelo que se promoveu a respectiva glosa de prejuízos fiscais no ano calendário 2003. Ainda, houve a cobrança da CSLL reflexa. Em sede de impugnação, alegou, o Recorrente que o limite constante do art. 355, inciso III do RIR/99 não se aplica ao pagamento por prestação de serviços tomados no exterior quando não ocorre transferência de tecnologia; a questão está bem delineada nas soluções de consulta nº 274/98 e 252/98, assim como no artigo, 17, II, b da IN SRF nº 252/02; e apresenta lista pormenorizada dos pagamentos realizados no exterior, identificando aqueles que estariam sujeitos ao limite, e àqueles que não se sujeitam à restrição. Posto o feito em julgamento, assim se posicionou a DRJ do Rio de Janeiro, in verbis: 7. O fulcro da questão afeta aos presente autos se encontra vinculado ao alcance do conceito a que se reporta o artigo 355, § 3 .do RIR/99 — despesas que envolvam transferência de tecnologia. 7.1. Nesse sentido a IN SRF n .252./02, em seu artigo 17, ao abordar os limites e efeitos da disposição regulamentar em seu inciso II, alíneas a e b, define: "a) serviço técnico: o trabalho, obra ou empreendimento cuja execução dependa de conhecimentos técnicos especializados, prestados por profissionais liberais ou de artes e oficio;" "b) assistência técnica: a assessoria permanente prestada pela cedente de processo ou fórmula secreta à concessionária, mediante técnicos, desenhos, estudos, instruções enviadas ao Pais e outros serviços semelhantes, os quais possibilitem a efetivação utilização do processo ou fórmula cedido." Fl. 881DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 4 7.1.2. Daí, as soluções de consulta n .252/98 e 274/98, originárias da SRRF/7ª RF, formalizarem somente estarem sujeitas à restrição em comento, valores devidos a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia. 7.1.3. No mesmo diapasão, a Egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais, através do Acórdão n.CSRF/011.570, não negar a dedutibilidade, como custos, de valores de prestação de serviços técnicos especializados, que não envolvam a transferência de tecnologia ou a introdução de processo especial de produção. 8. Os serviços objetos desta pendenga se relacionam a condicionamento, preparação para funcionamento, pré operação e operação inicial da Usina Termoelétrica Três Lagoas e dos sistemas Interconectados, mediante contrato celebrado com o Consórcio CNO/PromonUTE Três Lagoas, fls. 433. 8.1. Evidentemente, reembolso de despesas de técnicos especializados, préoperação de turbina, teste de performance, serviços gerenciais de recursos humanos e financeiro por sua natureza não traduzem transferência de tecnologia. Portanto, não se enquadram no conceito limitador da dedutibilidade de seu dispêndio. 8.2. Em sentido inverso, o desempenho em horas de condicionamento técnico e de treinamentos, sem dúvidas, envolve transferência de tecnologia. Como, aliás, o reconheceu o próprio contribuinte. 9. • De outro lado, conforme o ressaltou o Acórdão n . CSRF/011.570, a limitação a que se reporta o artigo 355, § 3º , do RIR/99 implica em prova, trazida aos autos, de transferência de tecnologia. Isto é, a limitação não se ancora em presunção legal autorizada. Portanto, infensa mesmo à mera ilação. 9.1. Ora, a fiscalização não só teve acesso a todos os registros contábeis da empresa, como às Notas Fiscais geradoras das envoices objetos desta lide, fls. 291/359. Entretanto, optou pela lei do menor esforço, fundada em ilação à sustentação de presunção legalmente não autorizada. 10. Quanto à base de cálculo do limite de dedutibilidade a que se reporta o artigo 355, em comento, equivocouse, novamente a fiscalização. O conceito de receita líquida, para os efeitos do dispositivo legal, se reporta ao conceito exarado no artigo 12,§ 1º , do Decretolei nº 1.598/77 (RIR199, art. 280. Isto é "receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre as vendas" 10.1. Do exposto, ao contrário da proposição fiscal de fls. 363/364, a receita líquida a ser considerada é de R$ 7.481.652,21 (= R$ 7.878.579,22 — R$ 396.927,01), dado que, evidentemente, o IRFONTE não integra o conceito de imposto s/ vendas. Sim, de tributo sobre renda. O que, inclusive, induziu o contribuinte a erro quanto ao valor reconhecido como devido do Fl. 882DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001868/200569 Acórdão n.º 1401000.880 S1C4T1 Fl. 4 5 IRPJ e CSLL, fls. 430. Porquanto 5% da receita líquida (R$ 7.481.655,21) iguala 374.082,61. 110 10.2. Por óbvia conclusão o excesso de dedução reportado no artigo 355 do RIR/99 corresponde a R$ 231.017,66 (= 605.100,27— R$ 374.082,61). 11. Ora, havendo a pessoa jurídica apurado prejuízo fiscal de R$ 1.221.536,10 no ano calendário de 2002, a glosa do excesso de remuneração a não residentes com transferência de tecnologia, antes mencionada, apenas reduzirá esse prejuízo compensável para R$ 990.518,44 (= R$ 1.221.536,210 — R$ 231.017,66). 11.1. Inexiste, pois, crédito tributário a ser exigido naquele ano calendário. Ou, a pagar, como efetuado pelo sujeito passivo, R$ 104.837,50, fls. 541. 12. Quanto ao ano calendário de 2003, por força do excesso de dedutibilidade reportado no inciso anterior, o prejuízo fiscal compensável do ano calendário de 2002 é de R$ 990.518,44. Não, dc R$ 1.221.536,10, fls. 366. 12.1. Portanto, o excesso de compensação de prejuízo fiscal, glosado nestes autos se reduz para R$ 231.017,66, relativos ao IRPJ, exclusivamente, conforme demonstra seguir: (...) 13. Por pertinente, embora citado nos fundamentos legais da exigência, o artigo 510 do RIR/99 não sustentou a formalização da mesma. Sim, a glosa do prejuízo fiscal de 2002 se deveu "a reversão do prejuízo após o lançamento da infração constatada no períodobase de 2002", fls. 366. 13.1. Ora, conforme fls. 280, em conformidade com o mesmo artigo 510, o contribuinte teria direito á compensação de prejuízos acumulados até o montante de 1.490.797,29. Procedeu à compensação 'de R$ 1.318.458,56, correspondentes aos anos calendário de 2001 e 2002, fls. 276 e 277. Portanto, o excesso de compensação, antes reportado, não se deveu ao limite a que se refere o artigo 510, antes citado. 14. Quanto a CSLL, apesar de ser exigida por mera reflexividade do IRPJ, por essa mesma razão equivocouse a fiscalização quanto à base de cálculo da contribuição. Esta não se confunde com a base de cálculo do IRPJ — lucro real/prejuízo fiscal, consoante legislação específica aplicável a cada tributo. 14.1. Nesse sentido, pugnar, como pugnou a fiscalização, que a redução de prejuízo fiscal implica em idêntica redução da base de cálculo da CSLL constitui equívoco elementar, fls. 275 e 364, 366 e 371,41, Fl. 883DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 6 14.2. No ponto, basta atentar que, no ano calendário de 2002, o lucro liquido do período apresentou base de cálculo negativa da CSLL, R$ 1.362.702,38, fls. 275. Ad argumentandum tantum, com a adição de valores tomados em exèesso de pagamentos a não residentes com transferência de tecnologia, (R$ 605.100,27 — R$ 374.082,61) R$ 231.017,66, mesmo assim, a base de cálculo da CSLL no ano calendário em questão remanesceria negativa, R$ 1.131.684,72 (= R$ 1.362.702,38 — R$ 231.017,66). 14.3. * Ocorre que a limite de dedutibilidade, antes reportado, somente se aplica à apuração da base de incidência do IRPJ (Decretolei n o1.598/77, arts. 6 e § 2 .(RIR199, arts. 247 e 248). Não, da CSLL, conforme explicitado nos artigos 37 e 38 da IN SRF n o390/04. 14.4. Por necessária conseqüência, reconheçase, legal e materialmente, do indevido recolhimento do valor de R$ 37.741,51, correspondentes a CSLL, juros e penalidade de oficio, relativamente ao ano calendário de 2002, fls. 430 e 511. 15. Na esteira dessas considerações julgo parcialmente procedente o excesso de compensação de prejuízo fiscal no ano calendário de 2003, no valor de R$ 231.017,66, exclusivamente no que se relaciona ao IRPJ. Mantido, pois, o IRPJ de R$ 57.754,42, do mesmo ano calendário, acrescido da penalidade de oficio e dos juros moratórios SELIC devendo os valores , tributo, penalidade e juros moratórios) dos DARFs de fls. 541 (IRPJ e CSLL) ser alocados no crédito tributário que remanesce deste litígio. É esta a decisão posta a julgamento, em sede de recurso de ofício, perante este Conselho. Fl. 884DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001868/200569 Acórdão n.º 1401000.880 S1C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira O valor exonerado pela decisão de piso supera o limite legal pelo que conheço do recurso de ofício. Dispõe, o art. 355 do RIR/99, o seguinte: Art. 355. As somas das quantias devidas a título de royalties pela exploração de patentes de invenção ou uso de marcas de indústria ou de comércio, e por assistência técnica, científica, administrativa ou semelhante, poderão ser deduzidas como despesas operacionais até o limite máximo de cinco por cento da receita líquida das vendas do produto fabricado ou vendido (art. 280), ressalvado o disposto nos arts. 501 e 504, inciso V (Lei nº 3.470, de 1958, art. 74, e Lei nº 4.131, de 1962, art. 12, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 6º). (...) § 3º A dedutibilidade das importâncias pagas ou creditadas pelas pessoas jurídicas, a título de aluguéis ou royalties pela exploração ou cessão de patentes ou pelo uso ou cessão de marcas, bem como a título de remuneração que envolva transferência de tecnologia (assistência técnica, científica, administrativa ou semelhantes, projetos ou serviços técnicos especializados) somente será admitida a partir da averbação do respectivo ato ou contrato no Instituto Nacional da Propriedade Industrial INPI, obedecidos o prazo e as condições da averbação e, ainda, as demais prescrições pertinentes, na forma da Lei nº 9.279, de 14 de maio de 1996. O Termo de Verificação Fiscal às fls. 360 a 364 dá conta do seguinte: Analisando a composição do saldo, em 31/12/2002 da rubrica "Outros Custos", constante no Item 37 da ficha 04A da DIPJ/2003, entregue pelo contribuinte em resposta ao Termo de Início de Fiscalização, juntamente com os contratos assinados entre as empresas, contratos de câmbio e as Invoices, verificamos que a totalidade dos custos lançados na conta n 3.1.03.02.01, referemse à prestação de assistência técnica com transferência de Tecnologia prestadas por pessoas jurídicas domiciliadas no exterior;(com grifos no original) Fl. 885DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 8 Não existe, assim, a princípio, divergência em matéria de direito do que assinalado pela DRJ com o que fora constatado pela Autoridade Fiscal. Ambos os entendimentos estão em consonância com a IN SRF nº 252/02, assim como com as soluções de consulta nº 252/98 e 274/98, segundo as quais quando houver transferência de tecnologia, deverá ser aplicado o limite constante da lei; e quando não houver transferência de tecnologia, referido limite de dedução de custo não será aplicável. No caso dos autos, a Autoridade Fiscal identificou a seguinte situação: 4 Em 19/10/2003, lavramos Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. 126) onde constatamos o seguinte: · O contribuinte apresentou Contrato de Prestação de Serviços celebrado em 03 de dezembro de 2001, entre a PIC ENERGY DO BRASIL LTDA e a PIC ENERGY SERVICES , INC., uma empresa constituída e existente sob as leis do Estado da Geórgia, Estados Unidos da América, com escritório em 1165 Northchase Parkway, Fourth Floor, Manieta, Georgia 30067, EUA (doravante "PIC ENERGY SERVICES"); · Que na cláusula 2.05, referente aos HONORÁRIOS, consta que: "Todas as tarifas pagáveis sob este Contrato serão faturadas e pagas em dólar dos EUA, em favor de PIC ENERGY SERVICES, na conta n g 86674593, ng ABA 061 000256, no Banco SOUTHTRUST BANK BUFORD, GA 305187 · O contribuinte apresentou, referente ao Custo dos Serviços Prestados, Invoices fornecidas pelo contribuinte PIC CARIBEAN, S.A., sociedade constituída e existente de acordo com as Leis das Ilhas Virgens Britânicas; · O contribuinte apresentou Contratos de Câmbio referentes aos pagamentos de Prestação de Serviços em que somente no primeiro Contrato foi feito o pagamento à empresa PIC ENERGY SERVICES , INC., conforme o Contrato de Prestação de Serviços celebrado em 03 de dezembro de 2001, entre a PIC ENERGY DO BRASIL LTDA e a PIC ENERGY SERVICES , INC.. Os Contratos de Câmbio posteriores foram pagos à empresa PIC CARIBEAN, S.A., sociedade constituída e existente de acordo com as Leis das Ilhas Virgens Britânicas; Em conseqüência dos fatos narrados acima, intimamos (fls. 126) o contribuinte para apresentar os esclarecimentos necessários em relação a divergência dos pagamentos dos Contratos de Câmbio com o que está previsto na cláusula 2.05, do Contrato de Prestação de Serviços celebrado em 03 de dezembro de 2001, entre a PIC ENERGY DO BRASIL LTDA e a PIC ENERGY SERVICES , INC., uma empresa constituída e existente sob as leis do Estado da Geórgia, Estados Unidos da América, com Fl. 886DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001868/200569 Acórdão n.º 1401000.880 S1C4T1 Fl. 6 9 escritório em 1165 Northchase Parkway, Fourth Floor, Muleta, Georgia 30067, EUA (doravante "PIC ENERGY SERVICES"); 5 Em 25/10/2005, o contribuinte em resposta ao Termo de Constatação e Intimação Fiscal (fls. ), datado de 19/10/2005, apresentou o seguinte: Cópia do ato de Cessão e Alteração ao contrato de prestação de serviços firmado em 03/12/2001, por e entre PIC Energy Services,Inc. e PIC Energy Services do Brasil LTDA; Cópia do pedido de averbação do Aditivo, junto ao INPI, com o título de TRANSFERÊNCIA DE TECNOLOGIA E FRANQUIA; Cópia do Certificado de Averbação do referido aditamento, junto ao INPI, tendo como objeto — "Serviços técnicos relacionados ao condicionamento, preparação para funcionamento, préoperação, colocação em funcionamento e operação inicial da usina termoelétrica Três Lagoas e dos sistemas interconectados"; Cópia do Estatuto da PIC CARIBEAN S/A; 6 Em 01/11/2005, lavramos Termo de Intimação Fiscal (fls.269) solicitando o contrato de prestação de serviços entre a PIC ENERGY SERVICES DO BRASIL LTDA e a PIC ENERGY SERVICES DE ARGENTINA S.A. com os contratos de câmbio referentes aos pagamentos das Faturas de Exportação nos valores de R$ 3.116,37 e R$ 251.218,16. Solicitamos, ainda, a relação de bens e direitos suscetíveis de registro Civil, para fins de cumprimento da IN/SRF/264/02; 7 Em resposta datada de 10/11/2005 (fIs. 261/290) o contribuinte apresentou a cópia do contrato de Prestação de Serviços celebrado serviços entre a PIC ENERGY SERVICES DO BRASIL LTDA e a PIC ENERGY SERVICES DE ARGENTINA S.A. e as cópias das Invoices. Informou, ainda, que não possui bens para arrolamento na forma da IN/SRF/264/02, anexando cópia das folhas n g01, 191, 192, 193, 194, 195 e 196 do livro Diário, contendo o Balanço Patrimonial levantado em 31/12/2004; Do que se extrai dos autos, a Recorrente, PIC Energy Services do Brasil Ltda (doravante denominada “PIC Brasil”) celebrou contrato com a PIC Energy Services Inc, com sede nos Estados Unidos da América (doravante denominada “PIC EUA”) para prestação dos serviços constantes do contrato acostado às fls. 220/228. Segundo se extrai do documento de fls. 129, encaminhado ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial INPI, referido contrato foi cedido pela “PIC EUA” para outra empresa do mesmo grupo econômico, a PIC Caribean S.A., com sede nas Ilhas Virgens Britânicas (doravante denominada “PIC Caribe”). Fl. 887DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 10 As despesas objeto de glosa no presente feito referemse aos pagamentos realizados em decorrência do cumprimento do referido contrato, cujos valores foram inicialmente pagos à “PIC EUA” e posteriormente pagos à “PIC Caribe”. Segundo se extrai da decisão recorrida, adotouse, como verdadeira a conclusão apresentada pela Contribuinte em sua peça de impugnação, afirmando o seguinte: Os serviços objetos desta pendenga se relacionam a condicionamento, preparação para funcionamento, pré operação e operação inicial da Usina Termoelétrica Três Lagoas e dos sistemas Interconectados, mediante contrato celebrado com o Consórcio CNO/PromonUTE Três Lagoas, fls. 433. 8.1. Evidentemente, reembolso de despesas de técnicos especializados, préoperação de turbina, teste de performance, serviços gerenciais de recursos humanos e financeiros, por sua natureza não traduzem transferências de tecnologia. Portanto, não se enquadram no conceito limitador de seu dispêndio. Na peça de impugnação, o Contribuinte apresenta a planilha em que consta a totalidade das despesas pagas em decorrência de referido contrato, esclarecendo àquelas em que ocorre a transferência de tecnologia. Vejase: Fl. 888DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001868/200569 Acórdão n.º 1401000.880 S1C4T1 Fl. 7 11 Fl. 889DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 12 Fl. 890DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001868/200569 Acórdão n.º 1401000.880 S1C4T1 Fl. 8 13 Em sequência, a Contribuinte reconhece que as despesas incorridas com assistência técnica por meio de treinamento (itens 8 e 16) e assistência técnica por meio de elaboração de manuais (itens 2 e 7) referemse à custos com transferência de tecnologia, sujeitos ao limite de dedutibilidade do art. 355 do RIR/99, e totalizam R$605.100,27. Diante desse quadro, o Contribuinte reconhece que o limite de sua dedução para 2002 era de R$246.778,12, pelo que reconhece o tributo devido no valor de R$146.579,02, mantido pela DRJ e que não foi objeto de recurso voluntário. As despesas relacionadas nos itens 1, 3, 11, 12, 13, 18, 19, 20, 21, 25, 28, 31, 32, 35 e 37, o Contribuinte relaciona como reembolso de despesas, não sujeitas à restrição do art. 355 do RIR/99. As despesas relacionadas nos itens 33 e 24 referemse a contrato com a PIC Argentina, tendo por objeto “prestação de serviços de consultoria financeira e de recursos humanos”, não sujeito a registro no INPI, pelo que não implica em transferência de tecnologia. Com relação aos itens 4, 5, 6, 9, 14, 17, 22, 24, 26, 29, 30 e 36, a Contribuinte os classifica como “Serviços PréOperacionais”. Segundo alega, tratase de serviços prestados por técnicos estrangeiros, tais como mecânicos, eletricistas, engenheiros e operadores, que foram contratados para desenvovler atividades no Brasil pois a Impugnante “não tinha empregados locais para desempenhar as tarefas para as quais foi contratado de acordo com o Contrato de Serviço para Condicionamento, Preparação para Funcionamento, PréOperação, Colocação em Funcionamento e operação Inicial da Usina Termoelétrica Três Lagoas e dos Sistemas Interconectados” (fls. 431/432). Segundo alega: Fl. 891DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 14 Com efeito, a Impugnante possuía apenas dois técnicos locais e portanto seus recursos humanos não eram suficientes para prestar os serviços préoperacionais descritos na cláusula 1.1 do contrato. Assim, foi necessário recorrer a técnicos estrangeiros para a prestação de tais serviços. No entanto, tais técnicos não transmitiram conhecimento para os técnicos brasileiros, mas simplesmente vieram ao Brasil para prestar o serviço específico e depois retornaram ao País de origem. Tendo em vista o número de horas incorridas na prestação dos serviços préoperacionais (mais de 12.000 horas no período de um ano), parece lógico que não houve transferência de tecnologia para os dois técnicos brasileiros, pois não haveria como dois indivíduos absorverem tanta tecnologia em tão curto espaço de tempo. Além disso, a própria titulação do profissional estrangeiro (eletricista, mecânico, engenheiro mecânico, engenheiro elétrico etc.) é mais um indicativo de que não houve transferência de tecnologia na prestação dos serviços Por fim, os serviços 10, 15, 23 e 27 foram classificados como Serviços Técnicos de Publicações, entendidos como “elaboração de documentos internos, da própria prestadora de serviços, para assegurar que o serviço posterior de execução em campo tenha a qualidade e o controle necessários”. Analisando o contrato a que se referem os pagamentos, identifico que o contrato original celebrado entre a “PIC Brasil” e a “PIC EUA” previa o seguinte objeto, in litteris (fls.220 e 221) 1.01 PIC ENERGY SERVICES prestará à RECEPTORA os serviços relacionados no Anexo "A" (doravante os "Serviços") e determinará juntamente com a RECEPTORA a forma e local para a prestação de tais Serviços. A RECEPTORA informará à PIC ENERGY SERVICES, periodicamente, de suas necessidades Serviços, de modo que a PIC ENERGY SERVICES possa garantir que os Serviços prestados sejam tempestivos e atendam às necessidades da RECEPTORA. 1.02 Todos os Serviços prestados de acordo com o presente Contrato serão prestados por indivíduos competentes em suas áreas de atuação e serão baseados em métodos e tecnologias atuais. PIC ENERGY SERVICES empregará cuidados razoáveis na prestação dos Serviços de modo a garantir que a RECEPTORA se beneficie deles. Por sua vez, quanto à forma de remuneração, o contrato previu, além da cláusula de reembolso de despesas (item 2.03), os seguintes honorários, a saber: 2.01 Em contraprestação aos Serviços prestados por PIC ENERGY SERVICES, sob o presente Contrato, a RECEPTORA Fl. 892DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001868/200569 Acórdão n.º 1401000.880 S1C4T1 Fl. 9 15 aceita e comprometese a pagar honorários de Serviço. O valor dos honorários de Serviço (os "Honorários") será determinado multiplicandose os honorários diários indicados no Anexo "B" ao presente pelo tempo efetivamente empregado pelo pessoal na prestação dos Serviços à RECEPTORA. O tempo de viagem de e para as instalações da RECEPTORA será tratado como tempo de Serviço para os fins de cálculo dos Honorários previstos no presente. Assim, da leitura do contrato firmado entre a PIC Brasil e a PIC EUA, os serviços estão discriminados no anexo A e a forma de cálculo para remuneração dos respectivos serviços está discriminado no anexo B. O anexo A do contrato, às fls. 226 e 227 prevê os seguintes serviços: 1. Preparação de Manual de Apoio à Fase de Condicionamento. Preparação de um Manual de Condicionamento, que detalhe aspectos organizacionais, procedimentos de planejamento técnico e documentos e procedimentos específicos para a implementação, avaliação e controle dos serviços de condicionamento. O Trabalho inclui, ainda, atividades administrativas e baseadas em documentação executadas em preparação para a mobilização da equipe de comissionamento — incluindo a disponibilização de membros de equipes qualificados e disponíveis, a identificação dos equipamentos de segurança e o teste/diagnóstico dos equipamentos necessários e subseqüentemente obtidos pelo Cliente; revisão das informações técnicas, manuais de equipamentos e projetos de sistemas do Cliente; e a geração de limites do sistema e um plano de comissionamento detalhado. 2. Preparação de Manual de Apoio às Fases Préoperacional e de Inicializacão. Este trabalho inclui a preparação e planejamento das fases préoperacional e de inicialização do Projeto, incluindo: a identificação dos sistemas operacionais, a subdivisão dos sistemas operacionais em subsistemas, a definição da seqüência de prioridades para a ativação dos sistemas e subsistemas.Planejamento do uso de recursos em termos de materiais, ferramentas, equipamento, apoio do fabricante e pessoal necessário para efetuar a préoperação e inicialização do Projeto, de forma segura e confiável. Este trabalho será executado utilizandose os P&IDs do Cliente e desenhos elétricos de uma linha; o Contratante deverá identificar os conteúdos e limites de cada sistema dentro do Projeto até os limites das interfaces com outras propriedades e serviços externos, como por exemplo água bruta, esgoto, linhas de transmissão elétricas e pontos de entrega de combustível ("Sistema"). A documentação préoperacional e de inicialização supracitada será organizada na forma de um manual pré operacional e de inicialização. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 16 3. Preparação de Manual de Apoio à Fase Inicial de Operação. Este trabalho inclui a preparação de um Manual de Operação e Manutenção. Este manual incluirá uma introdução, uma descrição do Projeto, as características dos equipamentos, uma descrição dos Sistemas do Projeto, condicionamento, procedimentos préoperacionais e de inicialização, procedimentos de operação normal, parada normal e parada de emergência, controle de qualidade, procedimentos de manutenção de rotina, e documentos de referência. 4. Revisão da Operacionalidade do Projeto. A Contratante inspecionará o Projeto de modo a elaborar uma lista de deficiências aparentes que possam afetar de forma adversa a operação e manutenção do Projeto, ou de melhorias a serem implementadas ao mesmo, incluindo estações de operação inacessíveis, problemas de acesso para manutenção, arranjos de válvulas de isolamento e derivação adicionais ou modificados, segregação de cabos e problemas de roteamento. A Contratante deverá submeter tal lista de recomendações ao Cliente. A decisão aceitar, rejeitar, implementar ou de outra forma agir com base em qualquer recomendação apresentada pela Contratante exclusivamente do Cliente. A Contratante não se responsabiliza, junto ao Cliente, pela abrangência ou precisão de qualquer recomendação apresentada na lista, que são apresentadas de boa fé. 5. Cronograma de Inicializacão da Contratante. A Contratante desenvolverá, com base no cronograma de projeto do Cliente, um cronograma lógico das atividades de Trabalho e condições precedentes, incluindo a conclusão da construção dos Sistemas e os testes de précomissionamento de OEM dos equipamentos de engenharia. Por sua vez, a remuneração por estes serviços será realizada, conforme a qualificação profissionais, pelos seguintes valores por hora: Fl. 894DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA Processo nº 18471.001868/200569 Acórdão n.º 1401000.880 S1C4T1 Fl. 10 17 Basicamente, o contrato prevê a prestação de serviços (i) préoperacionais e (ii) pósoperacionais. Os serviços préoperacionais estão descritos nos itens 1, 2, 3 e 5, sendo que os três primeiros referemse à elaboração de manuais de apoio às fases préoperacionais; e o último referese à elaboração de um cronograma de implantação do projeto. O serviço pósoperacional está relacionado no item 4, e referese à ajustes nos procedimentos previstos nos manuais descritos nos itens 1, 2 e 3, elaborando recomendações por meio de “uma lista de deficiências aparentes que possam afetar de forma adversa a operação e manutenção do Projeto, ou de melhorias a serem implementadas ao mesmo”. Permissa venia, em que pese a decisão proferida pela DRJ do Rio de Janeiro, não encontrei elementos no contrato assinado pela Contribuinte com a PIC EUA, qualquer respaldo que sustente a tese adotada na impugnação. Ressalto que a cessão do contrato pela PIC EUA para a PIC Caribean não alterou o objeto do negócio, sua forma de execução ou de remuneração. Vejase: não está previsto, no contrato, a vinda de técnicos estrangeiros para trabalhar no Brasil, mas apenas e tão somente, na parte préoperacional, a elaboração de manuais por meio de técnicos estrangeiros, como forma de instruir a operacionalização futura do empreendimento do Brasil. Ainda, não existe qualquer prova de que as cláusulas do contrato tenham sido alargadas, com o emprego de mãodeobra estrangeira operacional na instalação do empreendimento no Brasil. Não procede, assim, a afirmação da Contribuinte, em sua impugnação, de que não poderia ter havido a transferência de tecnologia, por falta de pessoal no Brasil, assim como não identifico substância na afirmação de que “foi necessário recorrer a técnicos estrangeiros para prestação de tais serviços”. Por outro lado, identifico que o contrato em comento foi objeto de registro perante o Instituto Nacional de Propriedade Industrial, na Diretoria de Transferência de Tecnologia, com o objeto “SAT – serviços técnicos relacionados ao condicionamento, preparação para funcionamento, préoperação, colocação em funcionamento e operação inicial da usina termoelétrica “Três Lagoas” e dos sistemas interconectados”; ou seja, exatamente o mesmo que foi descrito pela decisão recorrida como suficiente ao afastamento do limite de dedução de custos. Salvo melhor juízo, a partir do momento em que o contrato é registrado no INPI, afigurase a existência de transferência de tecnologia na sua execução. Concordo com o Contribuinte quando, em suas razões de impugnação, assevera que, num mesmo contrato registrado perante o INPI, podem existir serviços com transferência de tecnologia, e serviços sem transferência de tecnologia. No entanto, partindose do pressuposto de que o contrato está registrado no INPI, caberia ao contribuinte comprovar qual serviço não comporta transferência de tecnologia. No caso dos autos, (i) todas as descrições de serviços apresentadas na impugnação relacionavamse à fase préoperacional; (ii) não havia previsão contratual de Fl. 895DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA 18 realização de serviços operacionais diretamente por meio de mãodeobra estrangeira, como alegado na impugnação e (iii) não se comprovou que esta mão de obra tenha sido efetivamente prestada. Ressalto, neste ponto, que a empresa PIC Caribean, recebedora da maioria dos pagamentos realizados pela Contribuinte, não possui, no seu objeto social (fls. 159verso e 160), atividade operacional pretendida na impugnação, o que reforça a natureza dos pagamentos realizados em seu favor, relacionados à transferência de tecnologia. No que toca ao contrato mantido pela Contribuinte com a PIC Argentina (fls. 263/264), o mesmo de fato referese a serviços de consultoria financeira e consultoria de recursos humanos, não sujeitos à dedutibilidade. Ainda, quanto ao reembolso de despesas, por óbvio as mesmas não integram a base de limitação da dedutibilidade. Por fim, no que toca à base de incidência para o cálculo do limitador, tem razão a decisão recorrida. De fato, o IRRF não deve ser deduzido na receita líquida para fins de aplicação do limite de 5% . Diante do exposto, entendo deva ser dado parcialmente provimento ao recurso de ofício, de forma a que apenas as despesas relacionadas nos itens 1, 3, 11, 12, 13, 18, 19, 20, 21, 25, 28, 31, 32, 35 e 37 (reembolso) 33 e 24 (PIC Argentina) sejam expurgadas do limite de dedução previsto no art. 355 do RIR/99, observando a orientação da DRJ quanto à forma de apuração da Receita Líquida, com a exclusão do IRRF das deduções aplicáveis à receita bruta. Aplicamse, quanto ao anocalendário 2003 (glosa de prejuízos) e à CSLL, os efeitos reflexos do entendimento supra apontado. É como voto. (assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira Relator Fl. 896DF CARF MF Impresso em 14/12/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por ALEXANDRE ANT ONIO ALKMIM TEIXEIRA
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Numero do processo: 10380.011953/2004-61
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2000
IRPF. DESPESAS MÉDICO-ODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2102-002.171
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Declarou-se impedida a Conselheira Núbia Matos Moura (art. 42, IV, do Anexo II, do RICARF).
Assinado digitalmente.
Giovanni Christian Nunes Campos - Presidente.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 10/09/2012
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho.
Matéria: IRPF- ação fiscal - outros assuntos (ex.: glosas diversas)
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DESPESAS MÉDICOODONTOLÓGICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Em conformidade com a legislação regente, todas as deduções estarão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora, sendo devida a glosa quando há elementos concretos e suficientes para afastar a presunção de veracidade dos recibos, sem que o contribuinte prove a realização das despesas deduzidas da base do cálculo do imposto. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso. Declarouse impedida a Conselheira Núbia Matos Moura (art. 42, IV, do Anexo II, do RICARF). Assinado digitalmente. Giovanni Christian Nunes Campos Presidente. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 10/09/2012 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Atilio Pitarelli, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Rubens Maurício Carvalho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 19 53 /2 00 4- 61 Fl. 73DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.011953/200461 Acórdão n.º 2102002.171 S2C1T2 Fl. 11 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 47 a 55: Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, fls. 02/05, relativo ao ano calendário de 1999, exercício de 2000, para formalização de exigência e cobrança de crédito tributário no valor total de R$ 8.384,97, incluindo multa de ofício de 75% e juros de mora. A infração apurada pela Fiscalização está assim relatada na Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais, fls. 03: Glosa de dedução com despesas médicas, pleiteadas indevidamente na DIRPF/2000, conforme apurado em procedimento de fiscalização oriundo de revisão interna. A contribuinte, Sra. Maria Celuta Pinheiro Costa, foi intimada em 31/03/2004 a apresentar a documentação comprobatória dos pagamentos efetuados ao Sr. Francisco de Assis Rebouças durante o ano de 1999, no valor de R$ 12.000,00, e utilizados como dedução à receita bruta na Declaração de Ajuste do Imposto de Renda da Pessoa Física do exercício de 2000, ano calendário1999. A contribuinte tomou ciência do termo de Intimação fiscal em 12/04/2004, no entanto não atendeu ao termo de Intimação fiscal. Os dispositivos legais infringidos e a penalidade aplicável encontramse detalhados às fls. 03 e 05. Inconformada com a exigência, da qual tomou ciência em 23/12/2004, fls. 14, a contribuinte apresentou impugnação em 24/01/2005, fls. 15/20, mediante instrumento procuratório, fls. 21, apresentando as alegações a seguir, parcialmente transcritas: 1. DOS FATOS Aos 5 de novembro de 2004, a impugnante tomou ciência de uma intimação fiscal para a apresentação de documentação comprobatória dos pagamentos por ela efetuados ao fisioterapeuta Francisco de Assis Rebouças, referentes às deduções feitas na IRPF durante os exercícios de 2000, 2001, 2002 e 2003, correspondente aos valores de R$ 12.000,00,R$ 10.750,00, R$ 9.500,00, R$ 14.208,00, respectivamente. Atendendo ao termo de intimação fiscal, a impugnante compareceu à DRF/FOR e apresentou os recibos comprobatórios das despesas efetuadas com o referido fisioterapeuta, como também prestou os esclarecimentos que se fizeram necessários (doc. 02 e documentos 03 a 48). Fl. 74DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.011953/200461 Acórdão n.º 2102002.171 S2C1T2 Fl. 12 3 Ocorreu que a autoridade fiscal entendeu erroneamente, e não se sabe o motivo, que Maria Celuta Pinheiro Costa não atendeu ao termo de intimação fiscal, ignorando assim os recibos dos pagamentos apresentados pela contribuinte e os esclarecimentos que foram prestados em tempo hábil. Sendo assim, a fiscalização efetuou a glosa das despesas, o que resultou no presente auto de infração, ora impugnado por clarividente erro material, tendo em vista que a glosa ocorreu pelo nãocomparecimento da contribuinte e a nãocomprovação da origem das deduções, quando, na verdade, conforme comprovam os documentos que seguem em anexo, não restam dúvidas de que ela compareceu aos termos da intimação fiscal e apresentou a documentação solicitada. Digase, ainda, que além do erro material acima apontado, por ter ignorado os recibos e os esclarecimentos apresentados pela contribuinte, a fiscalização pareceu haver ainda entendido equivocadamente que as deduções das referidas despesas com o fisioterapeuta foram indevidas, o que não é verdade já que ocorreu perfeitamente de acordo a legislação da época. Desta forma, o auto de infração deve ser declarado nulo, tornando insubsistente a exigência tributária nele contida. II. DO DIREITO A) DA NULIDADE POR ERRO MATERIAL E POR CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA Como já dito anteriormente, contrariamente ao que a fiscalização entendeu, a impugnante atendeu ao termo de intimação fiscal dentro do prazo estabelecido, prestando todos os esclarecimentos solicitados e apresentando os recibos que comprovam os pagamentos feitos ao Sr.Francisco Rebouças nos períodos mencionados. No entanto, a autoridade fiscal ignorou o comparecimento da impugnante e, como conseqüência, procedeu à glosa das despesas, resultando no lançamento do crédito tributário ora impugnado. Logo, bem se vê que a fiscalização incorreu em evidente erro material, uma vez que a glosa das despesas foi motivada por fato inexistente ou inverídico (a não comprovação da origem das deduções pela impugnante), o que acarreta a nulidade do presente lançamento. A desconsideração do fato de que a impugnante compareceu de fato à DRF/FOR e apresentou a documentação comprobatória das deduções importa também em violação ao direito de defesa, consagrado no inciso LV, do art. 5º da Constituição Federal de 1988, que assegura o contraditório e a ampla defesa em processo judicial e administrativo. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.011953/200461 Acórdão n.º 2102002.171 S2C1T2 Fl. 13 4 Por certo, caso o comparecimento da impugnante tivesse sido considerado pela fiscalização, o presente lançamento não teria sido efetuado, o que significa que o direito de defesa da contribuinte foi claramente desrespeitado e lhe resultou em prejuízo. Portanto, ocorreu um vício de formação no presente lançamento (erro material), haja vista a violação ao direito da contribuinte em comprovar a inveracidade das alegações fiscais. Corroborando com o que se afirma, os juristas Marcos Vinícios Neder e Maria Tereza Martinez Lopez, com notória maestria, ensinam que (...). Por sua vez, o inciso II do art 59 do Decreto nº 70.235/72, que regulamenta o processo administrativo fiscal federal, também dispõe que a violação ao direito de defesa dos contribuintes é causa de nulidade do lançamento, in verbis: Art. 59. São nulos: ...omissis; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; (grifouse) Nesse mesmo sentido é o Acórdão nº 862, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo: (...) Portanto, conforme dispõe expressamente a lei que vincula e rege o procedimento fiscal, como também o entendimento dos próprios órgãos julgadores da administração fazendária, o presente auto de infração deve ser declarado nulo diante da ocorrência de inequívoco erro material que invalidou o direito de defesa da impugnante. B) DA LEGALIDADE DAS DEDUÇÕES DAS DESPESAS Além da preliminar acima, que por si só já autoriza a nulidade do presente lançamento, resta também esclarecer que, no mérito, o auto de infração carece de respaldo jurídico, pois as deduções das despesas com o fisioterapeuta Francisco de Assis Rebouças, durante os exercícios de 2000, 2001, 2002 e 2003, correspondente aos valores de R$ 12.000,00, R$ 10.750,00, R$ 9.500,00, R$ 14.208,00, respectivamente, não foram indevidas. As deduções observaram fielmente os requisitos exigidos no art.80 e § 1º do RIR/99 e o disposto no art. 8º, II, “a” da Lei nº 9.250, de 1995: (...) Logo, consoante a literalidade expressa da lei, os pagamentos efetuados a fisioterapeutas, em virtude de tratamentos afeitos à essa especialidade da área de saúde, são plenamente dedutíveis da base de cálculo do IRPF. No caso concreto, portanto, vêse que as deduções efetuadas por Maria Celuta Pinheiro Costa, por serem correspondentes a Fl. 76DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.011953/200461 Acórdão n.º 2102002.171 S2C1T2 Fl. 14 5 pagamentos devidamente comprovados dos serviços prestados pelo fisioterapeuta Francisco de Assis Rebouças, foram legítimas. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os recibos apresentados não são hábeis a comprovar as respectivas despesas médicas, haja vista não atenderem aos requisitos exigidos pelo art. 8º, inciso III, da Lei n° 9.250/95, especialmente pela ausência da comprovação dos pagamentos e pelo fato deste mesmo prestador ter emitido ao mesmo contribuinte, em processo distinto, Recibos Sumulados, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1999 GLOSA DE DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Justificase a glosa de despesas médicas quando o contribuinte deixa de carrear aos autos a prova do efetivo desembolso. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1999 NULIDADE. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Transcrevemos livremente os fundamentos da decisão de 1a instância antes referida: Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 60 a 67, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Em sua defesa, contudo, a ora recorrente apresentou os recibos comprobatórios dos pagamentos efetuados ao fisioterapeuta Francisco de Assis Rebouças, no valor total de R$ 8.384,97. II. Além disso, a ora recorrente comprovou, por meio de documentação idônea, ser portadora de dorsolombalgia crônica associada à fibromialgia, conforme atestado por seu médico ortopedista, Dr. José Maria de Morais B. Filho, CRM Fl. 77DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.011953/200461 Acórdão n.º 2102002.171 S2C1T2 Fl. 15 6 2909, inscrito no CPF sob o n.o 090.278.15372, necessitando, assim, de constante tratamento clinico fisioterápico. III. Como se não bastasse, a recorrente ainda trouxe aos presentes autos vários cupons fiscais que comprovam a aquisição de medicamentos destinados ao tratamento de problemas lombares e contra as dores deles decorrentes ao longo de vários anos. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. OBJETO DO RECURSO O objeto deste processo trata da glosa de despesas médicas declarados como efetuados ao Sr. Francisco de Assis Rebouças durante o ano de 1999, no valor de R$ 12.000,00. No Recurso o contribuinte alega que apresentou recibos comprobatórios dos pagamentos efetuados ao fisioterapeuta Francisco de Assis Rebouças, no valor total de R$ 8.384,97. Assim, entendo que o recurso atinge parcialmente o objeto inicial do lançamento e que resta incontroverso e definitiva a exigência de R$ 3.615,03 decorrente da diferença entre o valor lançado, R$ 12.000,00, e o montante dos recibos apresentados, R$ 8.384,97. MÉRITO Para o exame da questão transcrevemse a seguir os dispositivos que regulam a matéria: Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995 Art.8º – A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I – de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 78DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.011953/200461 Acórdão n.º 2102002.171 S2C1T2 Fl. 16 7 II – das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretolei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Conforme se depreende dos dispositivos acima, cabe ao contribuinte que pleiteou a dedução provar que realmente efetuou os pagamentos nos valores e nas datas constantes nos comprovantes, para que fique caracterizada a efetividade da despesa passível de dedução, no período assinalado. Como dito acima, remanesce neste processo, glosa de despesas médicas declarados como efetuados ao Sr. Francisco de Assis Rebouças durante o ano de 1999, no valor de R$ 8.384,97. Em princípio, admitese como prova idônea de pagamentos, os recibos fornecidos por profissional competente, legalmente habilitado. Entretanto, existindo dúvida quanto à idoneidade do documento por parte do Fisco, pode este solicitar provas não só da efetividade do pagamento, mas também da efetividade dos serviços prestados pelos profissionais. Destaco que da DIRPF do autuado, fls. 09, verificamos rendimentos Tributáveis apenas percebidos de pessoas jurídicas, de fontes oficiais governamentais, no valor total bruto de R$ 67.952,42. Importante registrar, que embora o contribuinte diga no Recurso que trouxe aos presentes autos documentação demonstrando ser portadora de dorsolombalgia crônica associada à fibromialgia e vários cupons fiscais comprovando a aquisição de medicamentos destinados ao seu tratamento médico ao longo dos anos, atestando, assim, a necessidade constante do tratamento clinico fisioterápico, não encontramos nos autos nenhum documento nesse sentido. Ou seja, para comprovar a efetividade das despesas juntou apenas os recibos de fls. 23 a 28. Ora, somente a apresentação destes recibos não solidificam uma contraposição minimamente suficiente para rebater as provas e razões que embasaram o lançamento, não reforçando em matéria de prova a substância que se procura. Não se pode deixar de considerar que o contribuinte foi autuado pela mesma razão e mesmo prestador, nos exercícios 2002, 2003, 2004, 2005 com o agravante que os recibos glosados foram objeto de Súmula Administrativa de Documentação Tributariamente Fl. 79DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.011953/200461 Acórdão n.º 2102002.171 S2C1T2 Fl. 17 8 Ineficaz. Diante disso, no presente processo a apresentação de prova robusta e incontestável que a despesa declarada foi realmente efetivada e paga é insuperável. Registro que a citada autuação dos recibos sumulados, Processo 10380.008077/200658, foi objeto do Acórdão 19400.036 deste Conselho, onde a Ilustre Relatora, Dra. Amarylles Reinaltfe Henriques Resende, manteve integralmente o crédito julgado. A opção não usual pelo pagamento em espécie, de todas as despesas glosadas, embora lícita e permitida, implica na ampliação da dificuldade da contribuinte provar o pagamento, com os riscos inerentes ao exercício da vontade individual. Saliento que dadas as quantias envolvidas, é pouco provável que os pagamentos tenham sido realizados todos em moeda corrente. E se o foram, em remota possibilidade, é certo que os saques correspondentes seriam de fácil identificação em extratos bancários, haja vista que o impugnante informou em sua DIRPF “rendimentos tributáveis” recebidos exclusivamente de pessoas jurídicas de fontes oficiais governamentais, que usualmente fazem os pagamentos por meio de créditos em contascorrentes dos beneficiários. A comprovação citada no Decreto acima deve ser feita com a apresentação de documentos auxiliares para formar um conjunto probante convincente, como a apresentação de cópias de cheque e/ou extratos bancários ou, ainda, exames, fichas de atendimento e laudos médicos atestando e justificando o serviço prestado, o que até este ponto do processo não foi feito. Portanto, não há in casu justificativa para o deferimento do pedido, não se podendo olvidar que é da Recorrente o ônus de provar os fatos extintivos e modificativos do direito da Fazenda Nacional, nos termos do art. 16, inciso III, do Decreto nº 70.235/72, c/c o disposto no art. 333 do Código de Processo Civil, que subsidia o Processo Administrativo Fiscal. Cumpre, ainda, ressaltar que o imposto de renda tem relação direta com os fatos econômicos. Quando a um ato jurídico se segue a tributação, não quer dizer que se tribute aquele, mas sim o fenômeno econômico que está por detrás dele. Não pode o contribuinte alegar simples forma jurídica, pleiteando a aceitação de simples recibos, como comprovação de despesas médicas pleiteadas, se o fenômeno econômico não ficar provado. É oportuno citar o art. 333 do Código de Processo Civil: Art. 333 O ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Concluise, portanto, que o ônus da prova recai sobre aquele que aproveita o reconhecimento do fato. Desta forma, temse que no caso de deduções da base de cálculo do imposto de renda, que é o caso das despesas médicas, o ônus da prova da efetividade de tais despesas é do contribuinte, que se beneficia da dedução. Não pode, portanto, prevalecer a tese de que o Fisco deveria comprovar, p.ex., o não pagamento dos valores consignados nos recibos e a não efetivação dos serviços, ou ainda, verificar se os prestadores declararam os valores recebidos. Fl. 80DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 10380.011953/200461 Acórdão n.º 2102002.171 S2C1T2 Fl. 18 9 Além disso, menciono a seguir julgado do Conselho de Contribuintes relativas à matéria, para reforçar o entendimento aqui manifestado: IRPF – DESPESAS MÉDICAS – DEDUÇÃO – Inadmissível a dedução de despesas médicas, da declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1o CC 104 – 16647/1998) CONCLUSÃO Pelo exposto, não merecendo reparos da decisão recorrida, NEGO PROVIMENTO AO RECURSO. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 81DF CARF MF Impresso em 16/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/09/2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/ 2012 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 14/09/2012 por GIOVANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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Numero do processo: 13982.000313/00-40
Data da sessão: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Tue Sep 02 00:00:00 UTC 2008
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000
CRÉDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃO ADMITIDOS NO CALCULO.
Não são suscetíveis do beneficio de credito presumido de IPI os gastos com combustível para caldeiras, graxa, óleos, lubrificantes, produtos para tratamento da água, material de laboratório, conservação e limpeza, pois, embora sendo utilizados pelo estabelecimento industrial, não se revestem da
condição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, posto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS
OU COOPERATIVAS.
Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas físicas.
TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE.
Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu beneficio.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: CSRF/02-03.528
Decisão: Acordam os membros do Colegiado: 1) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial quanto a matéria "incidência de juros a taxa SELIC sobre o valor a ser ressarcido". Vencidos os Conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjdo Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Carlos Guidoni Filho, que
davam provimento ao recurso; 2) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto a matéria "combustíveis". Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjão Barreto e Gilson Macedo Rosenburg Filho que davam provimento ao recurso; e 3) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial quanto a matéria "Aquisições de pessoas físicas". Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Julio
Cesar Vieira Gomes.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Elias Sampaio Freire
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FAZENDA NACIONAL Processo no Recurso n° Matéria Acórdão n° Sessão de Recorrente Interessado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. INS UMOS NÃO ADMITIDOS NO CALCULO. Não são suscetíveis do beneficio de credito presumido de IPI os gastos com combustível para caldeiras, graxa, oleos, lubrificantes, produtos para tratamento da água, material de laboratório, conservação e limpeza, pois, embora sendo utilizados pelo estabelecimento industrial, não se revestem da condição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, posto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU COOPERATIVAS. Integra a base de cálculo do crédito presumido de IPI o valor referente ao crédito relativo aos insumos adquiridos de cooperativas e pessoas fisicas. TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu beneficio. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado: 1) pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso especial quanto a matéria "incidência de juros a taxa SELIC sobre o valor a ser ressarcido". Vencidos os Conselheiros Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Maria Teresa Martinez Lopez, Gileno Gurjdo Barreto, Leonardo Siade Manzan, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior e Antonio Carlos Guidoni Filho, que davam provimento ao recurso; 2) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial quanto a matéria "combustíveis". Vencidos os Conselheiros Gileno Gurjdo Barreto e Gilson Macedo Rosenburg Filho que davam provimento ao recurso; e 3) por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial quanto a matéria "Aquisições de pessoas físicas". Vencidos os Conselheiros Elias Sampaio Freire (Relator), Josefa Maria Coelho Marques, Henrique Pinheiro Torres, Antonio Carlos Atulim e Gilson Macedo Rosenburg Filho que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. a - Presidente Elias Sa o Freire - Relator Julio CI 4ieira Gomes - Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio Praga, Josefa Maria Coelho Marques, Gileno Gurjdo Barreto, Antonio Carlos Atulim, Maria Teresa Martinez López, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan, Julio Cesar Vieira Gomes, Manoel Coelho Arruda Junior, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Antonio Carlos Guidoni Filho. Relatório Trata-se de recurso especial, com fulcro no art. 32, II, do então vigente Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF n° 55/88, no qual o sujeito passivo alega divergência jurisprudencial quanta as seguintes matérias: 1) inclusão na base de cálculo do IPI presumido dos gastos com combustível para caldeira, produtos para tratamento de água, graxa, combustível, óleo e lubrificantes; 2) inclusão na base de cálculo do IPI presumido dos insumos adquiridos de cooperativas de produtores rurais e pessoas fisicas; 3) atualização do crédito presumido a ser ressarcido pela Taxa Se lic. Quanto 6. primeira matéria, a decisão recorrida considerou que não devem fazer parte da base de calculo do IN presumido os gastos com combustível para caldeira, produtos para tratamento de Agua, graxa, combustível, óleo e lubrificantes. A respeito, no que tange h. matéria, o acórdão recorrido espelha a seguinte ementa: "CREDITO PRESUMIDO. INSUMOS NÃO ADMITIDOS NO CÁLCULO. Não são suscetíveis do beneficio de crédito presumido de IPI os gastos com combustível para caldeiras, graxa, óleos, 2 Processo no 13982.000313/00-40 Acórdão n.° 02-03.528 CSRF/T02 Fls. 1.733 lubrificantes, produtos para tratamento da água, material de laboratório, conservação e limpeza, pois, embora sendo utilizados pelo estabelecimento industrial, não se revestem da condição de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, posto que sequer entram em contato direto com o produto fabricado." O fundamento nuclear da decisão recorrida, quanto A matéria, é o entendimento de que, em caso de renúncia tributária, deve-se interpretar a legislação estrita e literalmente, e, portanto, como a utilização de tais insumos não está prevista em lei, não devem integrar a base de cálculo do IPI presumido. Quanto A. segunda matéria, a Camara Julgadora considerou que não há autorização legal para a inclusão de insumos de não contribuintes do PIS e da COFINS. A respeito, no que tange A matéria, o acórdão recorrido espelha a seguinte ementa: "INSUMOS DECORRENTES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A lei não autoriza o ressarcimento referente its aquisições que não sofreram incidência da contribuição ao PIS e da Cofias no fornecimento ao produtor/exportador." O fundamento nuclear da decisão recorrida, quanto a matéria, é o entendimento de que o legislador estabeleceu o incentivo fiscal como ressarcimento da contribuição ao PIS e ao COFINS, como uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior. Quanto a terceira matéria, o Colegiado considerou que não era cabível a atualização pela Taxa Selic do valor a ser ressarcido ao contribuinte a titulo de crédito presumido de IPI. A respeito, no que tange A matéria, o acórdão recorrido espelha a seguinte ementa: "TAXA SELIC. RESSARCIMENTO. INAPLICABILIDADE. Não se justifica a correção em processos de ressarcimento de créditos incentivados, visto não haver previsão legal. Pela sua característica de incentivo, o legislador optou por não alargar seu beneficio." O fundamento nuclear da decisão recorrida, quanto A. matéria, é o entendimento de que não há previsão legal para a correção de valores referentes a créditos incentivados. Inconformada com a decisão da Câmara Julgadora, a contribuinte interpôs recurso especial, no qual alega em síntese: - a interpretação dada pelos i. Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes à Lei n° 9.363/96 nos presentes autos 6, de fato, equivocada, consoante já decidiu reiteradamente a E. Câmara Superior de Recursos Fiscais; 3 - ao contrário do que se afirma na r. decisão recorrida, o artigo 20 da Lei n° 9.363/96, é por demais claro no sentido de que o incentivo deve ser calculado sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, sem cogitar de qualquer restrição ou exclusão; -a lei de regência do crédito presumido, em momento algum fez qualquer distinção quanto A origem dos insumos (pessoas jurídicas, pessoas fisicas ou cooperativas), determinando simplesmente que o total das aquisições compõem a base de cálculo do beneficio. Onde a lei não distingue, não cabe ao intérprete distinguir; -a decisão recorrida ao sustentar que o crédito presumido deve ser apurado mediante a desconsideração das aquisições de insumos não onerados pelo PIS/PASEP ou pela COFINS na última aquisição, está nitidamente estabelecendo distinção não autorizada pela Lei ri° 9.363/96; - A lei visa desonerar completamente os produtos nacionais das contribuições do PIS/PASEP e da COFINS, conferindo-lhes competitividade no mercado externo, a norma de regência do crédito presumido de IPI deseja retirar dos produtos a serem exportados todo o custo representado pelas referidas contribuições, agregado ao longo da cadeia de comercialização antes de se chegar ao produto final exportado; - Se acaso precedente o argumento sustentado na decisão recorrida, ou seja, de que somente caberia o ressarcimento na medida em que os insumos adquiridos de contribuintes do PIS e do COFINS, ter-se-ia que admitir três conclusões inexoráveis: i) que a aliquota do beneficio teria que ser 2,65% e não 5,37% - isto no período em que a alíquota do beneficio era 0.65% e da COFINS 2,0%, uma vez que na última etapa da operação incidia apenas referido percentual; ii) que o percentual do incentivo deveria ser alterado tendo em vista a majoração da aliquota da COFINS de 2% para 3%; e, iii) ter-se-ia que admitir também a aplicação de um percentual superior a 5.37% àquelas empresas produtoras que adquirissem insumos cujo processo produtivo envolvesse mais de duas incidências de PIS e COFINS; - nenhuma relevância há, se determinadas aquisições de insumos por parte da recorrente eram isentas das contribuições do PIS/PASEP e COFINS na última aquisição ou em alguma fase da circulação, visto que tais insumos trazem embutidos nos seus custos parcelas das aludidas contribuições, que incidiram em etapas anteriores da circulação, cujos custos foram inegavelmente incorporados no preço dos insumos adquiridos pela recorrente na condição de produtora e exportadora; - A luz de uma interpretação sistemática do texto da Lei no 9.363/96, bem assim considerando a finalidade do beneficio instituído, desponta a total improcedência dos argumentos esposados na r. decisão vergastada; - cita acórdãos da Camara Superior de Recursos Fiscais favoráveis ao seu entendimento; - cita jurisprudência do TRF da 4a Regido e do ST.I em seu beneficio; - os insumos em questão - produtos para tratamento de água, combustíveis para caldeira e gerador e óleos e graxas — atendem perfeitamente a todas as condicionantes enumeradas pela legislação do IPI para que possam ser enquadrados como materiais intermediários e, como tais, passíveis de serem incluidos na base de cálculo do crédito presumido do IPI; 4 Processo n° 13982.000313/00-40 Acórdão n.° 02-03.528 CSRF/T02 Fls. 1.734 it - a legislação do IPI (art. 82, I, Decreto n° 87.981/82 e art. 147, 1, do Decreto no 2.637/98) reputa como matéria-prima, produtos intermediários e materiais de embalagem todos os insumos que forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente, independentemente de contato direto com o produto fi nal; - a legislação do IPI requer apenas que o produto seja consumido no processo de industrialização, sem cogitar de que devam ter contato físico ou exercer ação direta sobre o produto fabricado; - observadas as peculiaridades do processo produtivo da requerente, não há como lhes negar a condição de material intermediário e, portanto, com direito de serem incluídos no cálculo do crédito presumido; - é entendimento pacificado nos Tribunais do Pais de que incide a Taxa Se lic na restituição de tributos pagos a maior ou indevido, sendo que o ressarcimento é uma espécie de restituição; - apresenta como paradigmas da divergência os acórdãos n° CSRF/01.160, n° CSRF/02-01.191, n° CSRF/02-01.158, n° CSRF/02-01.170 e n° CSRF/02-01.317. O recurso especial da contribuinte foi admitido pelo Presidente da Camara Julgadora, segundo Despacho n°201-487/2006, de fls. 1.723/1.726. A Fazenda Nacional não apresentou contra-razões. o relatório. Voto Vencido Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. O Acórdão recorrido merece ser mantido pelos seus próprios fundamentos, nos termos proferidos pelo Conselheiro Mauricio Taveira e Silva: Passa-se a analise da exclusão da base de cálculo do crédito presumido dos custos havidos corn combustive! para caldeiras, graxa, óleos, lubrificantes, produtos para tratamento da água, material de laboratório, conservação e limpeza, exceto a energia elétrica que será objeto de análise em separado. A discussão se funda no beneficio fiscal instituído pela Medida Provisória 948/95, convertida na Lei n" 9.363/96, que fixou as bases do crédito presumido de IPI, concedido a estabelecimento produtor exportador como ressarcimento da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes sobre a aquisição de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados no processo produtivo. 5 O cerne da questão decorre de divergência da conceituaçã o envolvendo matériasp rimas e produtos intermediários, pois, entende a recorrente que o insumo deve ser compreendido em seu sentido lato, abrangendo, portanto, toda e qualquer matéria- prima cuja utilização na cadeia produtiva seja necessária a consecução do produto final. Por se tratar de renúncia tributária, sua interpretação deverá ser restritiva, portanto, a determinação precisa do seu significado enseja uma interpretação literal. Neste diapasão, o parágrafo único do artigo 3' da Lei n°9.363/96 esclarece que se utilizará, subsidiariamente, a legislação do IPI para estabelecimento dos conceitos de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. A legislação do IPI, através do artigo 82, I, do RIPI/82, menciona que a possibilidade de creditamento decorre de insumos utilizados na industrialização de produtos tributados, incluindo-se os insumos que, não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização. Visando ao esclarecimento desses conceitos foram editados os Pareceres Normativos CST n's 181/74 e 65/79, mencionando que os insumos, embora não se integrando ao novo produto fabricado, devem ser consumidos em decorrência de contato direto com o produto em fabricação; não podem ser partes nem peças de máquinas e não podem estar compreendidos no ativo permanente. Para maior clareza, traz-se a colação o item 13 do PN CST n° 181/74, verbis: "13. Por outro lado, ressalvados os casos de incentivos expressamente previstos em lei, não geram direito ao crédito do imposto os produtos incorporados as instalações industriais, as partes, peças e acessórios de máquinas, equipamentos e ferramentas, mesmo que se desgastem ou se consumam no decorrer do processo de industrialização, bem como os produtos empregados na manutenção das instalações, das máquinas e equipamentos, inclusive lubrificantes e combustíveis necessários ao seu acionamento. Entre outros, são produtos dessa natureza: limas, rebolos, lâminas de serra, mandris, brocas, tijolos refratários usados ern fornos de fusão de metais, tintas e lubrificantes empregados na inanutenção de máquinas e equipamentos etc. Portanto, bem decidiu a recorrida, posto que, conforme o precitado no item 13 do PN CST n° 181/74, não há previsão de utilização do beneficio em relação aos materiais supracitados, os quais, embora consumidos no processo produtivo, por não estarem em contato direto com o produto fabricado, não se enquadram no conceito de MP, PI ou ME, caracterizando-se como custo indireto incorrido na produção. 6 Processo n° 13982.000313/00-40 Acórdão n.° 02-03.528 CSRF/T02 Fls. 1.735 No que tange ás aquisições de insumos de pessoas fisicas e cooperativas, embora a recorrente mencione decisão favorável a sua tese, prolatada por este Conselho, defendo a impossibilidade do beneficio se estender as aquisições desses fornecedores. O tópico a ser examinado restringe-se à interpretação do beneficio trazido pela Lei n" 9.363/96, de natureza incentivadora, que a ordem jurídica considera conveniente estimular. 0 incentivo em questão consiste em um crédito fiscal concedido pela Fazenda Nacional em função do valor das aquisições de insumos aplicados em produtos exportados. Tem por finalidade permitir maior competitividade desses produtos no mercado externo. A fruição deste incentivo fiscal deve, destarte, ser analisada nos estritos termos do art. 1' da MP n" 948/95, posteriormente convertida na Lei n°9.363/96. Para melhor análise, transcreve-se o referido artigo: Art. 1° - O produtor exportador de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressaraMento das contribuições de que tratam as Leis Complementares números 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para a utilização no processo produtivo," (Grifei) O legislador estabeleceu que o incentivo fiscal deve ser concedido como ressarcimento da contribuição ao PIS e da Cofins. A empresa produtora exportadora paga o tributo embutido no preço de aquisição do insumo e recebe, posteriormente, a restituição da quantia desembolsada, mediante compensação do crédito presumido. Portanto, o crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior, tanto que a própria lei o tratou como ressarcimento de contribuições. O ressarcimento de créditos por valores estimados, tratamento empregado pelo legislador na concessão de incentivos, visa facilitar os mecanismos de execução e controle. O crédito presumido é uma forma de compensação pelos tributos pagos na etapa anterior. Nesse diapasão, verifica-se que o artigo 1° restringe o beneficio ao "ressarcimento de contribuições incidentes nas respectivas aquisições". No presente caso os insumos adquiridos pela recorrente de pessoas fisicas e de cooperativas não sofreram a incidência de contribuição e, portanto, não há como haver o ressarcimento 7 previsto na norma. Se em alguma etapa anterior houve o pagamento de contribuição ao PIS e de Cofins, o ressarcimento, tal como foi concebido, não alcança esse pagamento especifico. Estar-se-ia concedendo o ressarcimento de contribuições "incidentes" sobre aquisições de terceiros que compõem a cadeia comercial do produto e não das respectivas aquisições do produtor e exportador previstas no artigo 1". O estimulo concedido foi materializado como crédito presumido calculado sobre o valor das notas fiscais de aquisição de inswnos de contribuintes sujeitos às referidas contribuições sociais. Instituir uma sistemática que permitisse o crédito de todo o valor dos tributos/contribuições, que, direta ou indiretamente, houvesse onerado o produto exportado, é tarefa complexa e de muito difícil controle, pela qual não optou o legislador. Esse entendimento é reforçado através do que dispõe o art. 5' abaixo transcrito, o qual prevê o imediato estorno a ser promovido pelo produtor exportador, quando o seu fornecedor se beneficiar, através de restituição ou compensa cão, da contribuição que havia sido paga: "Art. 5" A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. lo, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente." Conforme se verifica, a despeito de que a lei isentiva deva ser interpretada literalmente, conforme preceitua o art. 111 do CTN, e no caso presente não haver qualquer resquício autorizativo de utilização dos insumos adquiridos de pessoas fisicas e de cooperativas, nos quais não ocorreu a incidência da contribuição em sua última etapa, ainda que a interpretássemos de modo sistémico o resultado seria o mesmo, ou seja, não há previsão para tal beneficio. Alargar as hipóteses de fruição de tal beneficio equivale a criar regra jurídica nova. Portanto, diferente do que aduz a recorrente, não foram as IN SRF ?es 23/97 e 103/97 que limitaram a utilização dos créditos, e sim a própria Lei n°9.363/96, instituidora do beneficio. Desse modo, conforme amplamente demonstrado, quanto aos insumos adquiridos de pessoas fisicas e de cooperativas, não há o que ressarcir, posto que os fornecedores não são contribuintes das referidas contribuições. A propósito de aplicação da taxa Selic sobre os créditos incentivados do IPI, em pedidos de ressarcimento, não há como concordar, por falta de previsão A incidência da taxa Selic prevista no art. 39, § 4°, da Lei n" 9.250/95, sobre os indébitos tributários, a partir do pagamento indevido, decorre do justo tratamento isonómico para com os créditos da Fazenda Pública e aqueles dos contribuintes, decorrentes de pagamento de tributo, indevido ou a maior. Não há como equiparar a situação originária de um indébito com valores a serem ressarcidos oriundos de créditos Processo n° 13982.000313/00-40 Acórdão n.° 02-03.528 CSRF/T02 Fls. 1.736 incentivados de IPL Neste caso não houve ingresso indevido de valores nos cofres públicos, mas sim renuncia fiscal com o propósito de estimular setores da economia, cuja concessão deve se subsumir estritamente aos termos e condições estipuladas pelo poder concedente, responsável pela outorga de recursos públicos a particulares. Portanto, por se tratar de situação excepcional de concessão de beneficio, não cabe ao interprete ir além do que nela foi estipulado. Desse modo, caso se corrigisse esse crédito decorrente de incentivo, estar-se-ia concedendo duplo beneficio, repise-se, não autorizado pelo legislador." P o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso especial do Contribuinte. Elia ttmpaio Freire Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Redator Designado INTRODUÇÃO: A controvérsia restringe-se à limitação da incidência do art. 10 da Lei n° 9.363, de 16/12/96, imposta pela Instrução Normativa SRF n° 23, de 13/03/1997, que reconhece o direito apenas para aquisições de pessoas jurídicas, e pela Instrução Normativa SRF n° 103, de 30/12/1997, que excluem as cooperativas de produção. Em ambos os casos, o fundamento é o mesmo: o beneficio do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente sera cabível quando nas aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem pelo produtor-exportador houver incidência dessas contribuições sociais. Seguem transcrições: IN SRF n° 23/97: Art. 2°(..) § 2" 0 crédito presumido relativo a produtos oriundos da atividade rural, conforme definida no art. 2' da Lei n" 8.023, de 12 de abril de 1990, utilizados como matéria-prima, produto intermediário ou embalagem, na produção bens exportados, será calculado, exclusivamente, em relação as aquisições, efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas ás contribuições P1S/PASEP e COFINS. IN SRF n° 103/97: 9 Art. 2° as matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas de produtores não geram direito ao crédito presumido. REGRA-MATRIZ: O primeiro dos dispositivos da lei trata de instituir o beneficio fiscal, motivá- lo e delimitar seus contornos. No entanto, sua leitura não é suficiente para que se extraia a norma aplicável ao caso sob exame, isto 6, somente com o emprego da interpretação gramatical o intérprete não encontra respostas quanto à inclusão ou não na base de cálculo do crédito presumido de IPI dos valores correspondentes As aquisições de pessoas fisicas e cooperativas de produção. A expressão "incidentes sobre as respectivas aquisições" comporta ao menos duas interpretações: a) Somente as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem diretamente pelo produtor-exportador e sobre as quais incidam PIS/PASEP e COFINS integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI; ou b) Havendo incidência de PIS/PASEP e COFINS sobre as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, em quaisquer das etapas da cadeia produtiva, os valores correspondentes integram a base de cálculo do crédito presumido de IPI. De fato, não há um único conteúdo semântico a ser extraído da interpretação gramatical. Especialmente porque a expressão "incidentes" se refere ás aquisições de matérias- primas, produtos intermediários e material de embalagem sem, contudo, identificar o responsável por essas aquisições. Sendo este o ponto controvertido para o deslinde da questão sob exame, faz-se necessário o emprego dos demais métodos de interpretação, conforme já sinalizamos na parte introdutória. Seguem transcrições: Lei n° 9.363/96: Art. 1°A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares le 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. ANTECEDENTES — INTERPRETAÇÃO HISTÓRICA: A Medida Provisória n° 674, de 25/10/1994 manteve em suas sucessivas reedições regra diferente para o beneficio fiscal. 0 artigo 1° delimitava o crédito, sempre ressarcido em pecúnia, As aquisições realizadas pelo exportador. De fato, as operações anteriores eram irrelevantes para a sistemática da época. Após a obtenção da parcela de insumos utilizados nos produtos destinados A. exportação, conforme regra estabelecida no artigo 2°, incidia o percentual de 2,65%, resultando do cálculo as contribuições sociais que oneraram o produtor-exportador (2,00% de COFINS e 0,65% de PIS). Também reforça essa conclusão a regra do artigo 5° da MP. Para receber o ressarcimento deveria o produtor-exportador comprovar o recolhimento pelo seu fornecedor imediato das contribuições sociais, verbis: 1 0 Processo n° 13982.000313/00-40 Acórdão n.° 02-03.528 CSRF/T02 Hs. 1.737 MP n° 674/94: Art. 1" Fica instituído a favor do produtor exportador de mercadorias nacionais, crédito fiscal, mediante ressarcimento em moeda corrente, destinado a compensar o custo representado pelas contribuições sociais de que tratam as Leis Complementares n"s 7, de 7 de setembro de 1970; 8, de 3 de dezembro de 1970; e 70, de 30 de dezembro de 1991, que incidirem sobre o valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos no mercado interno pelo exportador para utilização no processo produtivo. Art. 3" 0 crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 2,65% sobre a base de cálculo definida no art. 2". Art. 5" 0 beneficio ora instituído é condicionado à apresentação, pelo exportador, das guias correspondentes ao recolhimento, pelo seu fornecedor imediato, das contribuições devidas nos termos das Leis Complementares n"s 7 e 8, de 1970, e 70, de 1991. Portanto, da comparação com a regra anterior (interpretação histórica) resulta, ainda que se atendo ao primeiro dos dispositivos da lei vigente, a seguinte conclusão: houve uma evolução do beneficio fiscal; entre outras alterações, não mais se limitou a lei às aquisições pelo próprio produtor-exportador. BASE DE CALCULO: Prosseguindo a análise do texto, constata-se no artigo 2° o método de aferição da parcela de insumos (matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem) empregada nos produtos exportados: Lei n°9.363/96: Art. 1" (.) incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Art. 2 Q A base de cálculo do crédito presumido set-4 determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente a relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. MP n° 674/94: Art. 2' A base de cálculo do crédito fiscal será determinada mediante a aplicação sobre o valor total das aquisições de matérias-primas produtos intermediários e material de embalagem referidos no art. I', do percentual correspondente relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do exportador. 11 Nisso, não houve alteração da regra anterior revogada. Ambas se referem As matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem especificados em seus respectivos artigos primeiros. Sobre a expressão "referidos", que vem sendo objeto de divergências, somente identifico uma possibilidade de análise semântica. E regra gramatical de concordância nominal que após uma seqüência de substantivos, uns no masculino e outros no feminino, o verbo seja flexionado no masculino plural. Dai, certamente, não poderia a expressão se referir As aquisições, mas aos insumos. Caso se referisse As aquisições, a expressão correta seria "referidas". Segue transcrição de trecho da gramática DICMAXI Michaelis Intranet - Dicionário Eletrônico Português: 2. Adjetivo posposto Com o adjetivo posposto há dois tipos de concordância: a) o adjetivo concorda com o substantivo mais próximo: Ele comprou uma camisa e um blazer branco. Ele comprou um blazer e uma camisa branca. Fernanda é uma mulher de porte e beleza extraordinária. Fernanda é uma mulher de beleza e porte extraordinário. b) o adjetivo vai para o plural, prevalecendo o masculino se os gêneros forem diferentes: Ele comprou uma camisa e um blazer brancos. Ele comprou um blazer e uma camisa brancos. Fernanda é uma mulher de porte e beleza extraordinários. Fernanda é uma mulher de beleza e porte extraordinários. Apesar de firmar posição, não vejo relevância nesse ponto da discussão. Cada um dos dispositivos legais, artigos 1° e 2°, possuem objetos e finalidades distintas. 0 artigo 1° apresenta o beneficio e descreve sua rega-matriz para gozo; enquanto o artigo 20 se limita a determinar como ele deve ser calculado. Nada impede que as aquisições em etapas anteriores da cadeia produtiva tenham relevância para o reconhecimento do direito; porém, no cálculo do beneficio sejam consideradas apenas as aquisições pelo produtor-exportador, portanto restringindo-se à última etapa. Como se constata, seguiu-se a mesma técnica de instituição de tributos. Primeiro a descrição da hipótese de incidência (regra-matriz) e após a expressão quantitativa ou material (base de cálculo). No caso, não cabe interpretação sistemática para se extrair da conjugação dos dispositivos a rega aplicável sobre a questão analisada. E há uma explicação para que não sejam trazidos para a base de cálculo do beneficio os valores correspondentes As aquisições anteriores, o que se mantém inalterado desde a MP n° 674, em 25/10/1994. 0 produtor-exportador, que é o beneficiário, somente possui em seu poder as notas fiscais de aquisição dos insumos quando é o adquirente. Na produção dos insumos adquiridos, seu fornecedor pode os ter processado desde a matéria- prima em estado natural de sua propriedade, como apenas ter agregado algum beneficiamento antes da venda ao produtor-exportador. Para o produtor-exportador, posicionado na última etapa, não se poderia atribuir qualquer obrigação quanto As etapas anteriores, mesmo porque delas não participou. 12 Processo no 13982.000313/00-40 Acórdão n.° 02-03.528 Caso o legislador atribuísse ao produtor-exportador o ônus da prova sobre as operações anteriores, provavelmente, a lei perecia de efetividade. Ele não obteria dos demais fornecedores da cadeia produtiva os documentos necessários e o beneficio não lhe seria conferido, não se alcançado a finalidade da lei — estimulo as empresas industriais que destinem seus produtos a exportação, melhorando nossa balança comercial. Assim, não consigo vislumbrar outra base que não a última operação, mesmo que a lei tenha reconhecido que o crédito tem por finalidade desonerar o produto exportado das contribuições sociais que incidiram em toda a cadeia produtiva. Concluo, que a opção legislativa se deu por impossibilidade fatica. Dai a parte final do artigo 3 0 : Art. 3' Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Por tudo, portanto, entendo que o fato de se empregar como base de cálculo os insumos adquiridos na última etapa é insuficiente para se concluir que essa escolha do legislador implica afirmar que somente quando incidirem PIS/PASEP e COFINS na última etapa se reconhecerá o direito do produtor-exportador, como impuseram os atos normativos guerreados. Reafirmo nessa oportunidade que o direito não se confunde com a sua expressão material. PERCENTUAL DE INCIDÊNCIA - RECONHECIMENTO DAS ETAPAS ANTERIORES: Antes da análise dos demais artigos da lei, ainda ha o parágrafo 1°, pertinente a nossa análise. Também houve alteração quanto ao percentual incidente para apuração do crédito. Na exposição de motivos está claro que na nova sistemática instituída através da MP n° 948, de 23/03/95 não só a última operação é relevante. Acontece que diante da inviabilidade prática de se identificarem todos os valores de PIS/PASEP e COFINS que oneraram o produto exportado, chegou-se, com apelo a razoabilidade, as duas últimas etapas; dai o percentual de 5,37% (2,65 + 2,65 + 2,65*2,65). Nada obstaria que fossem consideradas tee's etapas ou mais:, porém, o problema para o legislador era que, sendo qual fosse a escolha, não se chegaria ao valor preciso do crédito, pois que ele é presumido e, portanto, seu cálculo aferido. Procurou então, como bem indicou na exposição de motivos, uma opção que conferisse objetividade, independentemente da realidade fatica, e fosse razoável. Assim, recaiu sobre as duas últimas etapas o cálculo do beneficio. 0 texto é claro quanta ao reconhecimento de todas as etapas anteriores e que a escolha das duas últimas para aferição do percentual se deu apenas por apelo ao Principio da Razoabilidade, verbis: "Sendo as contribuições da COFINS e PIS/PASEP incidentes em cascata, sobre todas as etapas do processo produtivo, parece mais razoável que a desoneração corresponda não apenas it última etapa do processo produtivo, mas sim as duas etapas antecedentes, o que revela que a aliquota a ser aplicada deve ser elevada para 5,37%...". Lei n° 9.363/96: CS RF/T02 Fls. 1.738 13 Art. 2° (..) § l O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. MP n° 674/94: Art. 3 0 0 crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 2,65% sobre a base de cálculo definida no art. 20 . Importante destacar a segurança jurídica que confere a louvável escolha feita pelo legislador. Não exercesse ele mesmo a discricionariedade para cálculo do crédito presumido, preferindo confiá-la ao administrador no caso concreto, o valor do beneficio seria aferido com subjetividades e desproporcionalidades, algumas vezes excessivas outras mitigadas, mas sempre oscilantes ao sabor dos ventos. Ao limitar o cálculo do crédito (enfatiza-se mais uma vez que nessa parte da abordagem se está analisando apenas a quantificação do crédito e não o reconhecimento do direito) as duas últimas etapas, de fato se criou uma presunção absoluta, juris et de jure. Isto porque, da mesma forma que se procurou facilitar o cálculo do crédito presumido, também ficou vedado ao beneficiário buscar demonstrar que suportou maior ônus. 0 percentual foi fixado em 5,37%, correspondente a duas etapas, independentemente da dimensão real da cadei a produtiv a. RESTITUIÇÕES E COMPENSAÇÕES DE PIS/PASEP ou COFINS: PREVALÊNCIA SOBRE 0 CRÉDITO PRESUMIDO No último dos dispositivos da lei obriga-se o produtor-exportador a estornar seus créditos correspondentes aos valores já restituídos ao fornecedor ou por ele compensados. Segue transcrição: Art. 5 A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 12, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente. É importante aqui se identificar qual seria a origem desse eventual crédito do fornecedor apontado no dispositivo. Entendo que possa decorrer de qualquer outro direito relativo a PIS/PASEP ou COFINS já existente ou que venha a ser criado, exceto do credito presumido instituído pela lei sob comento. Isto porque o artigo 1° o atribuiu exclusivamente ao produtor-exportador: "A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados". Como se sabe, qualquer espécie de renúncia fiscal somente pode ser concedida ao beneficiário através de lei, nos termos do artigo 150, §6° da Constituição Federal: "Qualquer subsidio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei especzfica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, § 2°, XII, g.". E, decisivamente, não foi a Lei n° 9.363 196 que reconheceu algum direito ao fornecedor. Também não se diga que o direito do fornecedor decorra de liberalidade do produtor-exportador, como vem sendo justificado por alguns. Não ha autorização legislativa nesse sentido e qualquer convenção entre as partes desvirtuaria a finalidade do beneficio, além de dificultar ao fisco a verificação do cumprimento das condições necessárias para seu gozo. Como, por exemplo, as previstas no artigo 11 da Instrução Normativa SRF n° 23, de 14 Processo n° 13982.000313/00-40 Acórdão n.° 02-03.528 CSRF/T02 Fls. 1.739 13/03/1997: a apresentação pelo produtor-exportador de demonstrativo com várias informações necessárias para que o fisco examine a correção dos cálculos realizados na apuração do crédito presumido, principalmente sobre as exportações. Acontece que o fornecedor somente dispõe de informação sobre as vendas efetuadas, nada conhecendo sobre as exportações por parte do adquirente. Portanto, esse eventual direito do fornecedor apenas poderia ser comprovado através de outro processo, com as informações de que dispõe. Acrescenta-se, ainda, que o artigo 4° deixa claro que somente na impossibilidade de utilização do crédito através de compensação é que cabe a restituição: Em caso de comprovada impossibilidade de utilização do crédito presumido em compensação do Imposto sobre Produtos Industrializados devido, pelo produtor exportador, nas operações de venda no mercado interno, far-se-6 o ressarcimento em moeda corrente. Ora, se para o produtor-exportador a restituição somente é cabível excepcionalmente, não seria ao fornecedor que essa modalidade de utilização do crédito poderia, ordinariamente, ser conferida. 0 que se pode concluir do artigo 5° é que o crédito presumido a que tem direito o produtor-exportador é preterido por qualquer outro que também se refira a PIS/PASEP ou COFINS. Um crédito relativo a essas contribuições sociais a que tenha direito o fornecedor prevalece sobre o crédito presumido do produtor-exportador. Dessa preterição do crédito presumido, conforme o artigo 5°, implica o estorno pelo produtor-exportador do valor corresponde ao direito do fornecedor. Não vejo também como dispositivo incompatível com a atual regra-matriz do crédito presumido. 0 fornecedor é o contribuinte de PIS/PASEP e COFINS incidentes sobre sua receita bruta decorrente das aquisições pelo produtor-exportador. Ê possível que, em razão de algum beneficio fiscal, as contribuições sociais recolhidas sej am restituídas ao fornecedor. Neste caso, já tendo sido repassados os tributos ao produtor-exportador, compôs a base de cálculo do credito presumido. 0 reconhecimento do direito A. restituição ao fornecedor simultaneamente com o ressarcimento ao produtor-exportador implicaria dupla renúncia fiscal sobre As mesmas contribuições sociais, dai a preterição do último em favor do primeiro. A solução encontrada pelo legislador foi através do estorno dos valores restituidos ou compensados, reduzindo o crédito presumido calculado, conforme a parte final: "A eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente". Na sistemática instituída pela MP n° 674/94, há expressões em seu artigo 5°, §2° que corroboram corn essa conclusão: "A eventual restituição das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições que serviram a comprovação prevista neste artigo implica a imediata devolução, por parte do exportador beneficiário do crédito, do valor correspondente restituição ou compensação". Como se sabe, o produtor-exportador era obrigado a comprovar o recolhimento das contribuições pelo fornecedor. As duas expressões destacadas no texto, sutilmente, trazem uma idéia de distância entre a origem do direito do fornecedor e crédito presumido do produtor-exportador. DA INCIDÊNCIA EM ETAPAS ANTERIORES Uma vez reconhecido que resulta de toda a cadeia produtiva, o crédito presumido persiste mesmo quando não incidam PIS/PASEP e COFINS na última etapa; mas, 15 desde que tenham incidido em etapas anteriores. Este é o último dos requisitos para se reconhecer o direito do interessado. Refletindo sobre essa possibilidade, inclino-me a afirmar que somente o mais primitivo dos homens acreditaria que o alimento por ele consumido é produto tão somente: da terra, da chuva, da semente e do lavor. Não é essa a realidade. De fato, mesmo ao produtor rural pessoa fisica, que mais próximo está do estado natural das coisas, é repassado o emus fiscal relativo ás contribuições sociais incidentes sobre a receita bruta na venda de equipamentos, ferramentas, fertilizantes, vestuário etc. Com rara percepção, no mesmo sentido se manifestou a Eminente Ministra Eliana Calmon: "mesmo quando o produtor-exportador adquire matéria-prima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa fisica, paga, embutido no prep dessas mercadorias o tributo (PISYCOFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquincirios, adubos, etc., adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo..." (RE n° 529.758 - SC). Sem as ferramentas do arado e a fertilização da terra não seria possível a produção no campo. Ressalta-se que mesmo o inexpressivo pagamento de PIS/PASEP e COFINS em etapas anteriores não obstaria o direito ao crédito. Isto porque a lei, ao estabelecer a base de cálculo e o percentual, criou uma presunção absoluta, juris et de jure. A dimensão real da cadeia produtiva é irrelevante para o cálculo do beneficio. Melhor explicando, mesmo que somente tenha havido incidência sobre o chapéu de palha que protege o homem do campo do Sol ou dos calçados que o protegem do solo árido, ainda assim, ao produtor-exportador será reconhecido o direito ao crédito presumido de IPI. JURISPRUDÊNCIA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA Por fim, noticia-se que a jurisprudência do Egrégio Superior Tribunal de Justiça, consolidada em suas duas turmas de direito público, reconhece o direito do interessado. RECURSO ESPECIAL IV' 529.758 - SC (2003/0072619-9) RELATORA : MINISTRA ELIANA CALMON RECORRENTE: CHA PECO COMPANHIA INDUSTRIAL DE ALIMENTOS ADVOGADO : RÚBIO EDUARDO GEISSMANN E OUTROS RECORRIDO: FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : ARTUR ALVES DA MOTA E OUTROS Depois de todas essas avaliações, conclui da seguinte maneira: 1') o produtor-exportador adquire como insumo, por exemplo, tecidos, linhas, agulhas, botões, etc, e em todas essas aquisições é ele contribuinte de fato da PIS/COFINS, paga pelo vendedor que, no preço, já embutiu a PIS/COFINS paga pelos seus insumos. Na hipótese, a lei permite o ressarcimento sobre o preço final da aquisição, o que leva a também deduzir as antecedentes incidências da PIS/COFINS; 2") mesmo quando o produtor-exportador adquire matéria-prima ou insumo agrícola diretamente do produtor rural pessoa fisica, paga, embutido no preço dessas mercadorias o tributo 16 Processo n° 13982.000313/00-40 Acórdão n.° 02-03.528 (PIS/COFINS) indiretamente em outros insumos ou produtos, tais como ferramentas, maquiná rios, adubos, etc., adquiridos no mercado e empregados no respectivo processo produtivo. Parece-me, portanto, que razão assiste aos que entendem ter a instrução normativa aqui questionada extrapolado o conteúdo da lei. Assim, verifica-se que a Instrução Normativa 23/97 pretendeu resgatar da MP 674/94 aquilo que não mais veio a ser desejado politicamente pelo legislador. Por todas essas razões, dou parcial provimento ao recurso especial. E o voto. Seguem ementas de votos dos demais Eminentes Ministros: RECURSO ESPECIAL N° 719,433- CE (2005/0012921-9) RELATOR : MINISTRO HUMBERTO MARTINS RECORRENTE.' FAZENDA NACIONAL PROCURADOR RAQUEL TERESA MARTINS PERUCH BORGES EOUTRO(S) RECORRIDO. J RECAMONDE E COMPANHIA LTDA ADVOGADO MANUELA SANTANA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTÁRIO — CREDITO PRESUMIDO DE IPI — RESSARCIMENTO DE PIS/COFINS — INEXISTÊNCIA DE OMISSÃO NO JULGADO A QUO ART 1° DA LEI N. 9.363/96 — RESTRIÇÃO PELA IN 23/97 DA SECRETARA DA RECEITA FEDERAL — ILEGALIDADE. 1. A controvérsia restringe-se a limitação da incidência do art. 1° da Lei n. 9.363/96, imposta pelo art. 2", § 2" da IN 23/97, da Secretaria da Receita Federal, que determina que o beneficio do crédito presumido do IPI, para ressarcimento de PIS/PASEP e COFINS, somente será cabível em relação às aquisições de pessoa jurídicas. 2. Inexistente a alegada violação do art. 535 do CPC, pois a prestação jurisdicional foi dada na medida da pretensão deduzida, conforme se depreende da análise do julgado a quo. 3. Ora, uma norma subalterna, qual seja, instrução normativa, não tem a faculdade de limitar o alcance de um texto de lei. A jurisprudência do STJ posiciona-se no sentido da ilegalidade do art. 2°, sç 2' da IN 23/97. CS R F/T02 Fls. 1.740 17 Recurso especial improvido. RECURSO ESPECIAL N°921.397 - CE (2007/0020577-0) RECORRENTE: FAZENDA NACIONAL PROCURADOR : MARCOS ALEXANDRE TAVARES MARQUES MENDES E OUTRO(S) RECORR IDO: CVC CERA VEGETAL DO CEARA' ADVOGADO : MANUELA SANTANA E OUTRO(S) EMENTA TRIBUTA10. RECURSO ESPECIAL. IPI. LEI N° 9.363/96. CRÉDITO PRESUMIDO. INDUSTRIAL-EXPORTADOR. RESSARCIMENTO DE PIS E COFINS EMBUTIDOS NO PREÇO DOS INSUMOS. POSSIBILIDADE. DESCABIMENTO DE DISTINÇÃO ENTRE FORNECEDOR DE INS UMOS PESSOA JURÍDICA OU PESSOA FÍSICA. ILEGALIDADE DE IN —SRF 23/97. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO-PROV1DO. I. 0 apelo especial da Fazenda Nacional prende-se a alegativa de que a utilização do incentivo fiscal do art. 1° da Lei 9.363/96 deve observar as limitações impostas pela IN - SRF 23/97, tese rechaçada pelo acórdão recorrido, que negou provimento et apelação movida pelo órgiio fazendário. 2. Contudo, o inconformismo não merece acolhida, na medida em que o entendimento aplicado pelo julgado atacado está em sintonia com a jurisprudência deste Superior Tribunal de Justiça, segundo a qual, não havendo a Lei 9.363/96 feito distinção entre fornecedores de insumos pessoas físicas (não contribuintes do PIS/PASEP) e fornecedores pessoas jurídicas, não poderia te-lo feito a IN - SRF 23/97, que é de todo ilegal e descaracteriza o favor fiscal em tela. Nesse sentido o julgado: De acordo com o disposto no art. 1° da Lei 9.363/96, o beneficio fiscal de ressarcimento de crédito presumido do IPL como ressarcimento do PIS e da COFINS, é relativo ao crédito decorrente da aquisicdo de mercadorias que são integradas no processo de product-to de produto final destinado a exportação. Portanto, inexiste óbice legal ci concessão de tal crédito pelo fato de o produtor/exportador ter encomendado a outra empresa o beneficiamento de insumos, mormente ern tal operação ter havido a incidência do PIS/COFINS, o que possibilitará a sua desoneração posterior, independente de essa operação ter sido ou não tributada pelo IPI " (REsp n° 576857/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005). 3. O crédito presumido previsto na Lei n° 9.363/96 não representa receita nova. É uma importância para corrigir o custo. 0 motivo da existência do crédito são os insumos utilizados no processo de produção, em cujo preço foram 18 Julio\ esar Vieira Gomes 4V- CSRPT02 Fls. 1.741 Processo n° 13982.000313/00-40 Acórdão n.° 02-03.528 acrescidos os valores do PIS e COFINS, cumulativamente, os Quais devem ser devolvidos ao industrial-exportador. 4. Precedentes: Resp 627.941/CE, DJ 07/03/2007, Rel. Mffi. João Otavio de Noronha; Resp 644.789/CE, Di 04/12/2006, Rel. Mffi. Denise Arruda; Resp 617.733/CE, DJ 24/08/2006, Rel. Mffi. Teori Albino Zavascki; REsp n" 576857/RS, Rel. Mffi. Francisco Falcão, DJ de 19/12/2005; Resp 813.280,/SC, DJ 02/05/2006, de minha relatoria; Resp 529.758/SC, DJ 20/02/2006, Rel. Min. Eliana Calmon; Resp 586.392/RN, DJ 06/12/2004, Ret Mffi. Eliana Calmon. 5, Recurso especial não-provido. Atendidos a todos os requisitos previstos em lei, não vejo como se negar o direito do produtor-export or ao crédito presumido de IPI, ainda que na última etapa não tenha incidido PIS/PA EP OFINS. 19
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901226/2008-22
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2000
PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO.
Caracteriza-se como pagamento indevido ou a maior a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do recolhimento/pagamento da contribuição, e não a data em que houve a retenção.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-002.040
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Odassi Guerzoni Filho - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2000 PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracteriza-se como pagamento indevido ou a maior a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do recolhimento/pagamento da contribuição, e não a data em que houve a retenção. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RETENÇÃO NA FONTE FEITA POR ÓRGÃO PÚBLICO. DEDUÇÃO LEGAL DO VALOR DEVIDO NÃO EXERCIDA. CARACTERIZAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA A PARTIR DO PAGAMENTO E NÃO DA RETENÇÃO. Caracterizase como “pagamento indevido ou a maior” a parcela correspondente ao valor da retenção na fonte feita por órgão publico sobre o valor das receitas auferidas, retenção essa que, por lapso da empresa que sofreu a retenção, deixou de ser utilizada na época correspondente para reduzir o valor da contribuição devida. De outra parte, a atualização monetária do valor reconhecido como pago a maior deve levar em conta a data do “recolhimento/pagamento” da contribuição, e não a data em que houve a retenção. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 12 26 /2 00 8- 22 Fl. 201DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 Relatório O presente processo retorna a esta Turma de Julgamento depois de concluída a diligência que determináramos por meio da Resolução nº 3401000.314, de 06/10/2011, a qual, por sua vez, adicionara quesitos à Resolução nº 340100.177, de 27/10/2010. Essas duas resoluções constam do presente processo, para as quais remeto a leitura de seus respectivos “Relatórios” e “Votos”, caso se façam necessários maiores esclarecimentos durante esta Sessão. A conclusão da Unidade responsável pela realização da diligência deuse nos seguintes termos, verbis: 4 Conclusão O contribuinte regularizou a representação processual e apresentou comprovante relativo a retenção na fonte alegada na Dcomp. A fonte pagadora dos rendimentos confirmou a ocorrência da retenção. Foram confirmados nos sistemas da RFB os recolhimentos efetuados pela fonte pagadora. Do montante retido, R$ 935,48, seriam referentes ao PIS. Posicionado o crédito na data correta (fevereiro/2000), o valor seria suficiente para suportar a compensação da quase totalidade do débito indicado na Dcomp, restando em aberto a parcela de R$ 74,09. Devidamente cientificada, a Recorrente, não obstante insistisse no pedido para a reforma da decisão da DRJ no sentido de provimento integral, não lançou qualquer contestação à referida conclusão. No essencial, é o Relatório. Fl. 202DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10983.901226/200822 Acórdão n.º 3401002.040 S3C4T1 Fl. 202 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho Nas explicações dadas pela DRF de FlorianópolisSC, responsável pela realização da diligência, em resumo, evidenciase que a sua divergência em relação ao montante do crédito postulado pela interessada tem origem no percentual de atualização monetária adotado. Vejase: [...] Na compensação feita na Dcomp o contribuinte utilizou a taxa de correção 75,54%, conforme fl. 42. Essa taxa engloba a SELIC de fevereiro/2000 (de 1,45%), utilizada indevidamente, porque considera que o pagamento indevido teria ocorrido em janeiro/2000. O correto é posicionar o pagamento indevido em fevereiro/2000 (data de recolhimento do PIS de janeiro/2000). Assim procedendo, a taxa de correção seria 74,09% (fls. 189/191). Feita a alocação do crédito de PIS (R$ 935,48, posicionado em fevereiro/2000) ao débito compensado (R$ 1.642,30), verificase que o crédito seria suficiente para suportar a quase totalidade da compensação declarada, restariam em aberto R$ 74,09. O importante aqui é demonstrar que os conceitos utilizados pelo contribuinte estão equivocados. Neste processo, o prejuízo para a Fazenda Nacional seria irrisório, mas, se permitirmos que contribuintes utilizem retenções na fonte como pagamentos indevidos, nada garante que da próxima vez o dano aos cofres públicos não será significativo. [...] A DRF tem razão, ou seja, para fins de determinação de “quando” ocorreu o “pagamento indevido ou a maior”, há de se tomar a data do recolhimento/pagamento efetuado indevidamente ou a maior, e não a data em que houve a retenção na fonte, como, aliás, e de forma equivocada, considerou a interessada ao atualizar o valor do crédito postulado. Pelo exposto, de se dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a existência do pagamento indevido nos exatos termos em que indicado na “Conclusão” da DRF, acima reproduzida, o que implica na homologação parcial da compensação declarada. Odassi Guerzoni Filho Relator Fl. 203DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/11/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 08/11/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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Numero do processo: 15374.002762/2004-10
Data da sessão: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Mon Nov 16 00:00:00 UTC 2009
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2003
INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-00.237
Decisão: ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Antonio Francisco
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS Período de apuração: 01/02/1999 a 31/03/2003 INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. Recurso Voluntário Provido.
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DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 12 do art. 32 da Lei n2 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para afastar a exigência da Cofins sobre as receitas que não representam venda de mercadoria ou de serviço. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros da SEGUNDA TURMA ORDINÁRIA da TERCEIRA CÂMARA da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos te os do voto / o Relator. //1 WALBER-- OISÉ DA S' IL rA' — Presidente em Exercício e Relator Particip am do presente julgamento, os Conselheiros Fabiola Cassiano 1 1 Keramidas, José Antonio Francisco, Tânia Mara Paschoalin (Suplente), Gileno l Gurjão Barreto \Ie Alexandre Gomes. Relatório Contra a empresa TAP- TRANSPORTES AÉREOS PORTUGUESES S/A foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de Cofins relativa a fatos geradores ocorridos entre 02/1997 e 03/2003, tendo em vista que a Fiscalização constatou que a 1 Processo n° 15374.002762/2004-10 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.237 Fl. 266 interessada não pagou e nem declarou em DCTF a Cofins incidente sobre outras receitas não abrangida pela isenção sobre as receitas do transporte internacional de cargas e passageiros. No dia 23/09/2004 a contribuinte insurge-se contra a exigência fiscal, conforme impugnação às fls. 112/124, cujos argumentos de defesa estão sintetizados no relatório acórdão recorrido, que leio em sessão. No dia 08/12/2005 a empresa autuada adita seus argumentos com a alegação de que obteve resultado favorável de consulta formulada à RFB para considerar isenta da Cofins a receita de juros na venda de passagens aéreas — cópia às fls. 175/188. A DRJ no Rio de Janeiro - RI manteve o lançamento, nos termos do Acórdão ti? 13-14.882, de 19/01/2007 — fls. 196/204. Ciente da decisão de primeira instância em 12/02/2007, fl. 207v, a empresa autuada interpôs recurso voluntário em 14/03/2007, no qual repisa os argumentos da impugnação sobre a isenção a que tem direito, sobre o resultado e a vinculação da consulta e sobre a inconstitucionalidade do §1 2, do art. 32, da Lei n2 9.718/98,declarada pelo STF. Na forma regimental, o recurso voluntário foi a mim distribuído. É o Relatório. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais dispositivos legais. Dele conheço. Como relatado, a empresa recorrente foi autuada porque deixou de efetuar o recolhimento da Cofins incidente sobre outras receitas,que não as relativas ao transporte internacional de cargas e passageiros, inclusive receita financeira. É incontroverso que o lançamento decorreu da inclusão na base de cálculo da exação, pela Fiscalização, das receitas financeiras e de outras receita. E o fez com base, dentre outros, no art. 3 2 da Lei n2 9.718/98. Em 09/11/2005, o Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar os Recursos Extraordinários n's 357.950, 390.480 e 358.273 (Diário da Justiça da União de 15/08/2006), declarou, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do § 1 2 do art. 32 da Lei d. 9.718/98. Por seu turno, o Regimento Interno do CARF (Portaria MF n 2 256/2009), em seu art. 62, Parágrafo Único, inciso I I , autoriza expressamente a este Colegiado afastar a Art. 62. Fica vedado aos membros dns turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. 2 Processo n° 15374.002762/2004-10 S3-C3T2 Acórdão n.° 3302-00.237 Fl. 267 aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto "que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal". No caso concreto, não há outra solução a não ser cumprir a determinação regimental e excluir as demais receitas, inclusive receitas financeiras de venda de passagens, da base de cálculo da contribuição apurada pela Fiscalização, o que acarreta, no caso vertente, o cancelamento integral do crédito tributário lançado no auto de infração. Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário para cancelar integralmente o .`bto de infrição. Uite WALBE JOSÉ DA SI 3 A Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I - que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; 3
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Numero do processo: 16707.002617/2001-31
Data da sessão: Mon Dec 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Sun Dec 14 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Exercício: 1996
RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL - PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o
desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do
Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o
julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte.
LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no
recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda
Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo
decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade
social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n°
8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário
Nacional (artigos 150 § 40, e 173).
CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro
Líquido tem natureza de tributo e, portanto, deve ser aplicada a
regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional, em
detrimento do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91,
conforme Súmula Vinculante n° 08 editada pelo Supremo
Tribunal Federal em 12.06.08.
Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado.
Numero da decisão: PLENO/00-00.034
Decisão: ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy
Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, !vete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da relatora, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neçler, de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e(3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Não Informado
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decisao_txt : ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffmann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, !vete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da relatora, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neçler, de Lima, Mário Sergio Fernandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharam; e(3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
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I - MINISTÉRIO DA FAZENDA <k: CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS >24-ia> PLENO Processo n° 16707.002617/2001-31 Recurso n° 105-138.233 Extraordinário Matéria CSLL Acórdão n° 00-00.034 Sessão de 15 de dezembro de 2008 Recorrente FAZENDA NACIONAL Recorrida DIAS HOTÉIS E TURISMO S.A. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Exercício: 1996 RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA FAZENDA NACIONAL - PRELIMINAR DE NÃO CONHECIMENTO EM FACE DA SÚMULA VINCULANTE N° 08 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL- A Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do _ Supremo Tribunal Federal, cabendo ao órgão julgador adequar o julgamento às súmulas vinculantes da Suprema Corte. LIMITES DO LITÍGIO - O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 40, e 173). CSLL - DECADÊNCIA - A Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido tem natureza de tributo e, portanto, deve ser aplicada a regra decadencial prevista no Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo previsto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, conforme Súmula Vinculante n° 08 editada pelo Supremo Tribunal Federal em 12.06.08. Recurso extraordinário conhecido e, no mérito, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do PLENO da Câmara Superior de Recursos Fiscais, 1) Por maioria de votos, CONHECER do recurso extraordinário. Vencidos os Conselheiros Karem Jureidini Dias (Relatora), José Clóvis Alves, Josefa Maria Coelho Marques, Susy Gomes Hoffinann, Maria Helena Cotta Cardozo, Gonçalo Bonet Allage, Marcos Vinícius t , . I Processo n° 16707.002617/2001-31 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 2 Neder de Lima, Ana Maria Ribeiro dos Reis, Mário Sergio Fernandes Barroso, Antonio Carlos Guidoni Filho, !vete Malaquias Pessoa Monteiro, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado) e Antonio Praga, que não conheciam do recurso extraordinário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes; 2) Por maioria de votos, REJEITAR a proposição da relatora, de aprofundar a analise do mérito, para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial, vencidos também os Conselheiros Marcos Vinícius Neçler, de Lima, Mário Sergio Femandes Barroso e Gileno Gurjão Barreto que a acompanharamt;c-e(3) No mérito, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso extraordinário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. AtO P • NI • e. P si te Yasif. --: anac...., CARLOS ALBERTO GON i ALVES NUNES Redator Designado FORMALIZADO EM: 22 JUN 2009 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Alexandre Andrade Lima da Fonte Filho (vice-presidente da CSRF), Dalton César Cordeiro de Miranda, Anelise Daudt Prieto, Henrique Pinheiro Torres, Maria Teresa Martínez Lopez, Judith do Amaral Marcondes Armando, Rosa Maria de Jesus da Silva Cosa de Castro, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Antonio Carlos Atulim, Maria Cristina Roza da Costa, Nanci Gama, Antonio Bezerra Neto (Substituto Convocado), Paulo Jacinto do Nascimento (Substituto Convocado), Júlio César Vieira Gomes, Leonardo Siade Manzan, Elias Sampaio Freire, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Gilson Macedo Rosenburg Filho e Manoel Coelho Arruda Junior (substituto convocado). Relatório Trata-se de Recurso de Divergência entre as Câmaras Superiores de Recursos Fiscais do Conselho de Contribuintes apresentado em 09/03/2007 pela Fazenda Nacional, com base no artigo 5°, inciso II e parágrafo 4° do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Portaria n° 147/2007), contra o acórdão n° 01-05.431, proferido pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual entendeu por bem negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, a fim de reconhecer a decadência da CSLL, em razão da aplicação do artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional. O processo se refere a auto de infração lavrado para constituição de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, relativo aos períodos de janeiro, fevereiro e julho do ano-calendário de 1996. A ciência foi dada ao contribuinte em 19/02/2002. O acórdão recorrido entendeu ser aplicável, para a contagem da decadência, o artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional, em detrimento do artigo 45, da Lei n°8.212/91. O acórdão restou assim ementado: CSLL — DECADÊNCIA — A Contribuição social sobre o lucro líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo , 47 Processo n° 16707.002617/2001-31 CSFErr00 Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 3 • Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE n° 146-733-9-SA-0 PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146. III, da Constituição Federal de 1988. Desta forma. a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com o Código Tributário Nacional no que se refere à decadéncia, mais precisamente no art. 150, §4°. Recurso Especial negado. A Fazenda Nacional, em sede de Recurso Extraordinário, apontou que o r. acórdão está em divergência com o acórdão CSRF/02-01.655, proferido pela Segunda Turma da CSRF, que concluiu pela aplicabilidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, nos termos da seguinte ementa: "COFINS — DECADÊNCIA. O prazo para a Fazenda Nacional lançar o crédito pertinente à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social — Cotins, é de dez anos, contado a partir do I' dia do exercício seguinte àquele em que o crédito da contribuição poderia haver sido constituído". Argumentou a Fazenda Nacional que (i) não cabe ao Conselho de Contribuinte deixar de aplicar o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, uma vez que estaria decretando a sua inconstitucionalidade, razão pela qual pede a nulidade do r. acórdão; (ii) o artigo 45 da Lei n° 8.212/91 é norma especial frente ao artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, e como esta própria norma admite a edição de normas espeCificas sobre o prazo decadencial, inexiste conflito de normas; (iii) o Superior Tribunal Justiça já decidiu que o prazo para o lançamento das Contribuições para a Seguridade Social é o disposto no artigo 45 da Lei n° 8.212/91 O exame de admissibilidade foi realizado (fls. 163/164), determinando o SEGUIMENTO do Recurso Especial. Sobrevieram, então, as contra-razões pelo contribuinte. É o relatório. 3 ' Processo nó 16707.002617/2001-31 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 4 Voto Vencido Conselheira Karem Jureidini Dias, Relatora Em decisão plenária, restou afastada a preliminar de não conhecimento do Recurso em razão da Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, entendendo o Plenário que deve ser conhecido o Recurso para, então, aplicar a mencionada Súmula Vinculante. Ainda, entendeu o plenário que a matéria sob apreciação restringe-se apenas à aplicação do prazo previsto no artigo 150, § 4° do Código Tributário Nacional, em detrimento do prazo previsto no artigo 45, da Lei n° 8.212/91, não sendo objeto do recurso e deste julgamento eventual hipótese de aplicação do prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso 1, do Código Tributário Nacional. O presente processo versa sobre lançamento de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL, relativo aos períodos de janeiro, fevereiro e julho de 1996. A ciência foi dada ao contribuinte em 19/02/2002. Entende a Fazenda Nacional ser aplicável ao caso as disposições da Lei n° 8.212/91, que teria legalmente fixado o prazo decadencial de 10 (dez) anos para as contribuições sociais, alegando, ainda, que o acórdão seria nulo, pois o colegiado teria extrapolado sua competência ao julgar inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/91. O primeiro ponto que deve ser analisado, imprescindível para a solução do presente caso, é a natureza jurídica das contribuições sociais, o que determina o prazo decadencial a ser aplicado. Dispõe o artigo 149, caput, da Constituição Federal: "Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais e econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observando o disposto nos arts. 146, Hl, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, §6", relativamente às contribuições a que alude o dispositivo." Ainda, assevera o artigo 195 da mesma Lei Maior: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I — do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: pl 4 Processo n° 16707.002617/2001-31 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 5 b) a receita ou o faturamento; c) o lucro; Tem-se, pois, que a Contribuição Social sobre o Lucro Liquido é contribuição destinada a financiar a seguridade social, sujeitando-se, portanto, às normas veiculadas pelos artigos 146 e 195 da Lei Maior. A referência ao artigo 146, inciso III, da Constituição Federal no corpo do texto veiculado pelo artigo 149, também da Constituição Federal, deixa evidente a natureza das contribuições sociais como espécie de tributo incidente sobre atividade do particular, mas com destinação especifica, o que a diferencia dos imposto. Visando sedimentar tal orientação constitucional, o Supremo Tribunal Federal se manifestou no sentido de que as contribuições sociais são espécies de tributo e, por assim ser, devem obediência ao artigo 146, inciso III, da Constituição Federal, em especial no que tange à determinação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário. Nesse sentido, dispôs o Exmo. Ministro Carlos Velloso, verbis: "A questão da prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. É que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146 III, "b '2. Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CTIV) são aplicáveis, agora, por expressa previsão constitucional, às contribuições parafiscais (C.F., art. 146, III, b, art. 149). (Recurso Extraordinário n" I48.754-2/RJ, acerto do voto do Ministro Carlos Valioso, junho/1993, gritos nossos). No mesmo sentido, o plenário do Supremo Tribunal Federal, no RE 146.733-9 — SP, também afirmou o caráter tributário das contribuições sociais, no caso, a Contribuição Social Sobre o Lucro Liquido, como se percebe na seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURÍDICAS. LEI 7689/88. - NÃO E INCONSTITUCIONAL A INSTITUICÃO DA CONTRIBUICA-0 SOCIAL SOBRE O LUCRO DAS PESSOAS JURIDICAS, CUJA NATUREZA E TRIBUTARIA. CONSTITUCIONALIDADE DOS ARTIGOS 1., 2. E 3. DA LEI 7689/88. REFUTAÇÃO DOS DIFERENTES ARGUMENTOS COM QUE SE PRETENDE SUSTENTAR A INCONSTITUCIONALIDADE DESSES DISPOSITIVOS LEGAIS)." Dessa maneira, tendo em vista o caráter tributário das Contribuições Sociais, no que tange ao prazo para constituição e cobrança do crédito tributário, deve-se observar os dispositivos do Código Tributário Nacional, o qual foi recepcionado pela Constituição Federal com status de Lei Complementar. No presente caso, contudo, temos um aparente conflito normativo, iniciado com a entrada em vigor da Lei n° 8.212/91, em especifico seu artigo 45, o qual estabelece o prazo de 10 (dez) anos para constituição do crédito tributário pela autoridade administrativa quando se tratar de contribuições sob administração, à época, do Instituto Nacional da Seguridade Social - INSS. Instaurou-se, pois, uma contrariedade legal, impossibilitando a aplicação, ao mesmo • Processo ne 16707.002617/2001-31 MEM° Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 6 tempo, de ambos os dispositivos, quais sejam, o artigo 150, § 4° do Código Tributario Nacional e o artigo 45 da Lei n°8.212/91. O conflito entre disposições legais pode se constituir como contrariedade ou antinomia jurídica, cuja diferença encontra-se calcada na possibilidade de contornar tal conflito por meio de critérios aptos, previstos no ordenamento ou resultado de criação doutrinária. Nesse sentido, leciona o Professor TÉRCIO SAMPAIO FERRAZ JUNIOR, verbis: "Podemos definir, portanto, antinomia jurídica como a oposição que ocorre entre duas normas contraditórias (total ou parcialmente), emanadas de autoridades competentes num mesmo âmbito normativo, que colocam o sujeito numa posição insustentável pela ausência ou inconsistência de critérios aptos a permitir-lhe uma saída nos quadros de um ordenamento dado".' No presente caso, tem-se que as auton'dades que emanaram as normas jurídicas em debate estão inseridas no ordenamento jurídico brasileiro, que o sujeito aplicador encontra- se impossibilitado de aplicá-las ao mesmo tempo, mas que possui critérios aptos a resolver tal contrariedade. Não se configura, pois, uma antinomia. No ordenamento jurídico brasileiro, alguns princípios emanam na solução de controvérsias legislativas. Temos o princípio da especificidade, da anterioridade, e, no que tange ao presente caso, o princípio de hierarquia entre os textos legais. A Constituição Federal destina a certas matérias atenção especial. Entendendo o constituinte se tratar de pontos fulcrais para o desenvolvimento nacional e a aplicação dos valores constitucionais, reserva à Lei Complementar competência exclusiva para legislar. Isso porque, por se tratarem de matérias cruciais, a Lei Complementar apresenta maior segurança no sistema de criação legislativa, pois requer rito especial para sua aprovação. Nesse sentido, determina o artigo 146, inciso III, alínea "b", da Constituição Federal, que as regras sobre decadência e prescrição no direito tributário serão determinadas por Lei Complementar, consubstanciada no Código Tributário Nacional. Tal determinação não pode ser ignorada, sobrepondo-se o Código Tributário Nacional a qualquer outro dispositivo legal que se proponha a dispor sobre prescrição e decadência. É superior, pois, a Lei Complementar no que tange a tal matéria. A Lei n° 8.212/91, ao dispor sobre o prazo decadencial para constituição de crédito tributário específico de contribuições sociais, estabeleceu diferentemente do que determina o Código Tributário Nacional, supostamente ampliando o prazo decadencial para constituição de contribuição social para 10 (dez) anos. Por assim ser, ao se deparar com a contrariedade vislumbrada entre os dispositivos legais acima explanados, o Superior Tribunal de Justiça, órgão responsável pela análise de conflitos envolvendo lei federal, em sua Corte Especial, suscitou incidente de inconstitucionalidade por meio de Argüição de Inconstitucionalidade no REsp 616.348/MG, reconhecendo vício no artigo 45 da Lei n° 8.212/91, por adentrar em matéria de tinada Intrudução ao Estudo do Direito — Técnica, Decisão, Dominação. 4' ed., Atlas, São Paulo —203, pg. 212. 6 I/ • . Processo n° 16707.002617/2001-31 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 7 constitucionalmente à Lei Complementar, determinando, pois, aplicação exclusiva do Código Tributário Nacional, em decisão assim ementada, verbis: "CONSTITUCIONAL, PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. INCIDENTE DE INCONSTITUCIONALIDADE. DO ARTIGO 45 DA LEI 8212, DE 1991. OFENSA AO ART. 146, III, B, DA CONSTITUIÇÃO. I. As contribuições sociais, inclusive as destinadas a financiar a seguridade social (CF, art. 195), têm, no regime da Constituição de 1988, natureza tributária. Por isso mesmo, aplica-se também a elas o disposto no art. 146, III, b, da Constituição, segundo o qual cabe à lei complementar dispor sobre normas gerais em matéria de prescrição e decadência tributárias, compreendida nessa cláusula inclusive a fixação dos respectivos prazos. Conseqüentemente, padece de inconstitucionalidade formal o artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, que fixou em dez anos o prazo de decadência para o lançamento das contribuições sociais devidas à Previdência Social 2. Argüição de inconstitucionalidade julgada procedente." Ainda, no decorrer de seu voto, o Ministro Relator Teori Albino Zavascki entendeu que, verbis: "Não há dúvida, portanto, que a matéria disciplinada no artigo 45 da Lei 8.212/91 (bem como no seu artigo 46, que aqui não está em causa) somente poderia ser tratada por lei complementar, e não por lei ordinária, como o foi. Poder-se-ia argumentar que o dispositivo não tratou de "normas gerais" sobre decadência, já que simplesmente estabeleceu um prazo. É o que defende Roque Antonio Carazza ("Curso de Direito Constitucional Tributário", 19 ed., Malheiros, 2003, páginas 816/817), para quem "a lei complementar, ao regular a prescrição e a decadência tributárias, deverá limitar-se a apontar diretrizes e regras gerais. Não poderá, por um lado, abolir os institutos em tela (que foram expressamente mencionados na Carta Suprema) nem, por outro descer a detalhes, atropelando a autonomia das pessoas políticas tributantes (..) Não é dado, porém, a esta mesma lei complementar entrar na chamada 'economia interna', vale dizer, nos assuntos de peculiar interesse das pessoas políticas (.) Eis por que, segundo pensamos, a fixação dos prazos prescricionais e decadenciais dependem de lei da própria entidade tributante. Não de lei complementar. Nesse sentido, os arts. 173 e 174 do Código Tributário Nacional, enquanto fixam prazos decadenciais e prescricionais, tratam de matéria reservada à lei ordinária de cada pessoa política. Portanto, nada impede que uma lei ordinária federal fixe novos prazos prescricionais e decadenciais para um tipo de tributo federal No caso, para as 'contribuições previdenciárias '". Acolher esse argumento, todavia, importa, na prática, retirar a própria substância do preceito constitucional. É que estabelecer "normas gerais (..) sobre (.) prescrição e decadência " significa, Itnecessariamente, dispor sobre prazos, nada mais. Se, conforme se reconhece, a abolição desses institutos não é viável nem mesmo por lei 7 Processo n° 16707.00261712001-31 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 8 - complementar, outra matéria não poderia estar contida nessa cláusula constitucional que não a relativa a prazos (seu período e suas causas suspensivas e interruptivas). Tem-se presente, portanto, no artigo 45 da Lei 8.212, de 1991, inconstitucionalidade formal por ofensa ao art. 146, HL b, da Carta Magna. Sendo inconstitucional, o dispositivo não operou a revogação da legislação anterior, nomeadamente os artigos 150, § 4° e 173 do Código Tributário Nacional, que fixam em cinco anos o prazo de decadência para o lançamento de tributos." Nesse sentido ainda decidiu monocraticamente o Excelentíssimo Senhor Ministro Marco Aurélio, nos autos do Recurso Extraordinário n° 552.710-7, baseando-se em jurisprudência pacifica da Corte Suprema, no seguinte sentido, verbis: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL — PRAZOS DECADENCIAL E PRESCRICIONAL — REGÊNCIA - ARTIGOS 45 E 46 DA LEI N° 8.212/91 — DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELA CORTE DE ORIGEM — HARMONIA COM A CONSTITUIÇÃO FEDERAL — PRECEDENTES — RECURSO EXTRAORDINÁRIO — NEGATIVA DE SEGUIMENTO. No julgamento do Recurso Extraordinário n° I38.284-8/CE, decidido à unanimidade de votos pelo Plenário em 1° de julho de 1992, o ministro Carlos Venoso, relator, quanto à natureza da norma para a disciplina do instituto da prescrição consideradas as contribuições sociais, expressamente consignou: 11-.1 Todas as contribuições, sem exceção, sujeitam-se à lei complementar de normas gerais, assim ao C.T.N. (art. 146, III, et vi do disposto no art. 149). Isto não quer dizer que a inftitzeição dessas contribuições exige lei complementar: porque não são impostos, não há a exigência no sentido de que os seus fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes estejam definidos na lei complementar (art. 146, III, a). A questão da , prescrição e da decadência, entretanto, parece-me pacificada. E que tais institutos são próprios da lei complementar de normas gerais (art. 146, III, "6'). Quer dizer, os prazos de decadência e de prescrição inscritos na lei complementar de normas gerais (CIN) são aplicáveis, agora, por expressa . previsão constitucional, às contribuições parafiscais (C.F., art. 146, HL b; art. 149). Esse entendimento veio a ser novamente ressaltado pelo Plenário, quando do julgamento do Recurso Extraordinário n° 396.166-3/SC, também relator o ministro Carlos Velloso, cujo acórdão foi publicado no Diário da Justiça de 17 de fevereiro de 2004. Assim restou assentado: 11.1 1.V f, I As contribuições do art. 149 da C.F., de regra, podem ser instituídas por lei ordinária. Por não serem impostos, não há necessidade de que 8 • Processo n° 16707.002617/2001-31 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 9 a lei complementar defina o seu fato ,gerador, base de cálculo e contribuintes (C.F., art. 146, IIL a). No mais, estão sujeitas às regras das alíneas b e c do inciso III do art. 146, C.F. Assim, decidimos, por mais de uma vez, como, v.g., RE I 38.284/CE por mim relatado (RTJ 143/313), e RE I46.733/SP, Relator o Ministro Moreira Alves (RTJ 143/684). Realmente, descabe concluir de forma diversa." Já se pronunciou essa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisões assim emetadas, verbis: "CSLL — DECADÊNCIA — LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO — Os tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa amoldam-se à sistemática de lançamento por homologação, prevista no art. 150 do Código Tributário Naciokal (CT1V). Desta forma, a contagem do prazo decadencial da CSLL se faz de acordo com esta lei nacional no que se refere à decadência, mais precisamente no § 4" do seu art. 150. Por outro lado, a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, instituída pela Lei n° 7.689/88, em conformidade com os arts. 149 e 195, § 4°, da Constituição Federal, tem a natureza tributária, consoante decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, por unanimidade de votos, no RE n° I46.733-9-SÃO PAULO, o que implica na observância, dentre outras, às regras do art. 146, III, da Constituição Federal de 1988. Expirado o prazo de cinco anos sem que a autoridade fazendá ria se tenha pronunciado, homologado está o lançamento e definitivamente extinto o crédito tributário. A ausência de recolhimento não desnatura o lançamento, pois o que se homologa é a atividade não exercida pelo sujeito passivo, do qual pode resultar ou não o recolhimento do tributo." (Recurso Especial n" 108-129.376, Acórdão n"CSRF/01-05.533, Sessão de 19.07.06) "CSLL. LANÇAMENTO. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. ART. 45 DA LEI N° 8.212/91. INAPLICA13ILIDADE. PREVALÊNCIA DO ART. 150, § 4°, DO CTN, COM RESPALDO NO ARTIGO 146, III, '6', DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. A regra de incidência de cada tributo é que define a sistemática de seu lançamento. A CSLL é tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, pelo que se amolda à sistemática de lançamento denominada de homologação, onde a contagem do prazo decadencial desloca-se da regra geral (art. 173, do CTIV) para encontrar respaldo no § 4°, do artigo 150, do mesmo Código, hipótese em que os cinco anos têm como termo inicial a data da ocorrência do fato gerador. É inaplicável à hipótese dos autos o artigo 45, da Lei n° 8.212/91 que prevê o prazo de 10 anos como sendo o lapso decadencial, já que a natureza tributária da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido assegura a aplicação do § 4°, do artigo 150 do CTN, em estrita obediência ao disposto no artigo 146, inciso III, '6', da Constituição Federal." (Recurso Especial n°107-133.941, Acórdão n° CSRF/01-05.473, sessão de 19.06.06) Processo n° 16707.002617/2001-31 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 10 Não bastasse, foi também recentemente aprovada a Súmula n° 08 do Supremo Tribunal Federal que determina que "são inconstitucionais o parágrafo único do artigo 50 do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário". Sobre este aspecto, lembro que respectiva súmula tem efeito vinculante para a administração e julgadores, nos termos do artigo 103, "a" da Constituição Federal de 1988, inserido pela Emenda Constitucional n° 45/2004, e também do disposto nos artigo 64-A e 64-B da Lei n° 9.784/99. A Súmula Vinculante n° 08 foi publicada no D.O.U. de 20/06/2008 com o seguinte teor: Súmula vinculante n° 8 - São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5° do Decreto-Lei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. (DOU n°117, de 20/06/2008, Seção I, pág. 1) Portanto, respaldada nas decisões e súmula do Supremo Tribunal Federal, bem como decisões do Superior Tribunal de Justiça e dessa C. Câmara Superior de Recursos Fiscais, entendo que não merece reparos o r. acórdão que declarou a decadência dos valores lançados a título de CSLL, de acordo com o prazo previsto no artigo 150, § 40 do Código Tributário Nacional. Por todo o exposto e considerando que o lançamento de oficio foi cientificado ao contribuinte em 19/02/2002, constata-se a decadência para o fato gerador ocorrido nos períodos de janeiro, fevereiro e julho de 1996, pelo que voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 15 de dezembro de 2008. AirICAREM JUREIDIN PIAS ti Processo n° 16707.00261712001-31 CSRFrf00 Acórdão n.° 00-00.034 As. II Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto Gonçalves Nunes, Redator Designado. Peço vênia para discordar da proposição de não conhecimento do recurso da Douta procuradoria da Fazenda Nacional por perda do objeto, em face da Súmula Vonculante n° 8, do Supremo Tribunal Federal (STF). E o faço baseado nas seguintes razões: Inicialmente, cabe registrar que o Recurso Extraordinário ao Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais está previsto nos artigos 9° e 43 do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais (RICSRF), aprovado pela Portaria MF n° 147, de 25/06/2007, segundo pressupostos constantes deste último artigo. Confira-se: "A ri. 9° Compete ao Pleno julgar recurso extraordinário de decisão de Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais que der à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra Turma ou o Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais. • "omissis" Art. 43. O recurso extraordinário previsto no art. 9° deverá ser formalizado em petição dirigida ao Presidente da Turma que houver prolatado a decisão recorrida e deverá ser interposto por Procurador da Fazenda Nacional ou pelo sujeito passivo, no prazo de quinze dias contados da data da ciência da decisão. § I° O recurso deverá demonstrar, fundamentadamente, a divergência argüida, indicando a decisão divergente e comprovando-a mediante a apresentação de cópia de seu inteiro teor ou de cópia da publicação em que tenha sido divulgada, ou mediante cópia de publicação de até duas ementas, cujos acórdãos serão examinados pelo Presidente. § 2°A cópia de publicação de ementa referida no § 2", quando extraída da internei, deverá ser impressa diretamente da página dos Conselhos de Contribuintes ou da Imprensa Nacional. § 3° O recurso extraordinário deverá ser protocolizado na unidade da administração tributária de jurisdição do recorrente, quando por este interposto e na secretaria da Turma quando interposto pelo Procurador da Fazenda Nacional credenciado. - "omissis" • Art. 44. O despacho que admitir recurso extraordinário terá o seguinte trâmite: I I • Processo n° 16707.002617/2001-31 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 12 1 - quando se tratar de recurso interposto por Procurador da Fazenda Nacional, os autos serão encaminhados à unidade da administração tributária de jurisdição do sujeito passivo, para ciência, assegurando- se-lhe o prazo de quinze dias para oferecer contra-razões; O recurso da douta Procuradoria atende todos pressupostos processuais constantes do RICSRF, tendo inclusive demonstrado a divergência entre os dois arestos dissidentes, no prazo para a interposição de seu apelo, como bem demonstrou o ilustre Presidente da CSRF. Isto posto, tenho que a Lei n° 11.417, de 19/12/2006, que regulamentou o artigo 103-A, da Constituição Federal, não prevê o desconhecimento de recurso que contrarie súmula vinculante do Supremo Tribunal Federal. Muito pelo contrário. Infere-se da referida lei que a autoridade julgadora deve conhecer a impugnação ou recurso para verificar se os fatos se enquadram no trato que lhe der a Suprema Corte, nesse instrumento. Observe-se que a referida lei até prevê no artigo 7° a possibilidade de descumprimento da súmula vinculante e estabelece o remédio para a prevalência da súmula, em tal caso. Ou seja, há lugar para reclamação ao STF sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. O Supremo Tribunal Federal diante da reclamação poderá anular o ato administrativo ou cassar a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. Com efeito, dizem os artigos 6° a 9° da mencionada lei, "in verbis": "Art. 6° A proposta de edição, revisão ou cancelamento de enunciado de súmula vinculante não autoriza a suspensão dos processos em que se discuta a mesma questão. Art. 7° Da decisão judicial ou do ato administrativo que contrariar enunciado de súmula vinculante, negar-lhe vigência ou aplica-lo indevidamente caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal, sem prejuízo dos recursos ou outros meios admissíveis de impugnação. § I° Contra omissão ou ato da administração pública, o uso da reclamação só será admitido após esgotamento das vias administrativas. § 2' Ao julgar procedente a reclamação; o Supremo Tribunal Federal anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial impugnada, determinando que outra seja proferida com ou sem aplicação da súmula, conforme o caso. Art. 8° O art. 56 da Lei n°9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescido do seguinte § 3°: "Artigo56. (..) . 12 Processo n• 16707.00261712001-31 CSRF/T00 Acórdão n.° 00-00.034 Fls. 14 3° Se o recorrente alegar que a decisão administrativa contraria enunciado da súmula vinculante, caberá à autoridade prolatora da decisão impugnada, se não a reconsiderar, explicitar, antes de encaminhar o recurso à autoridade superior, as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." (NR) Art. 90 A Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, passa a vigorar acrescida dos seguintes arts. 64-A e 64-B: "Artigo 64-A. Se o recorrente alegar violação de enunciado da súmula vinculante, o órgão competente para decidir o recurso explicitará as razões da aplicabilidade ou inaplicabilidade da súmula, conforme o caso." "Artigo 64-B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, dar-se-á ciéncia à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as figuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal." Entendo que a Fazenda Nacional tem o direito de ter o seu recurso conhecido para apreciação do mérito que poderá ser decidido com aplicação da orientação contida na referida súmula. Isto posto, rejeito a preliminar em questão. Outrossim, também entendo que a preliminar levantada pela ilustre Conselheira Conselheira Karen Jureidini Dias, "data venia", não pode prosperar. O Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais deve ater-se aos limites do litígio fixados no recurso extraordinário interposto. E o recurso da Fazenda Nacional limita-se ao prazo decadencial. Ou seja, o prazo decadencial das contribuições sociais em beneficio da seguridade social seria de 10 (dez) anos, como figura do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, ou de 5 (cinco) anos como consta do Código Tributário Nacional (artigos 150 § 4°, e 173). É este o litígio a ser composto no Recurso Extraordinário sob exame, a que me atenho. Não há razão para estender-se o litígio assim formado para apreciar o termo de inicio da contagem do prazo decadencial (art. 150 x 173 do CTN). E, assim, também rejeito esta preliminar. Assim, rejeito a preliminar em questão, e tomo conhecimento do recurso da Douta Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 15 de dezembro de 2008. 05111 Se e— CARLOS ALBERTO GONÇALVES 'NUNES 14 Page 1 _0023900.PDF Page 1 _0024000.PDF Page 1 _0024100.PDF Page 1 _0024200.PDF Page 1 _0024300.PDF Page 1 _0024400.PDF Page 1 _0024500.PDF Page 1 _0024600.PDF Page 1 _0024700.PDF Page 1 _0024800.PDF Page 1 _0024900.PDF Page 1 _0025000.PDF Page 1
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