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Numero do processo: 10830.007335/2010-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2007
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS RELATIVOS AO TRATAMENTO DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS MÉDICOS. DESNECESSIDADE.
Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, sendo que tais pagamentos são restritos aos tratamentos médicos do próprio contribuinte ou de seus dependentes, nos termos dos artigos 8º, § 2º, inciso II da Lei nº 9.250/1995 e 80, § 1º, inciso II do Decreto nº 3.000/99.
Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.
Numero da decisão: 2002-007.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sateles - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. PAGAMENTOS RELATIVOS AO TRATAMENTO DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS MÉDICOS. DESNECESSIDADE. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, sendo que tais pagamentos são restritos aos tratamentos médicos do próprio contribuinte ou de seus dependentes, nos termos dos artigos 8º, § 2º, inciso II da Lei nº 9.250/1995 e 80, § 1º, inciso II do Decreto nº 3.000/99. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades.
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PAGAMENTOS RELATIVOS AO TRATAMENTO DO PRÓPRIO CONTRIBUINTE. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO DOS SERVIÇOS MÉDICOS. DESNECESSIDADE. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, sendo que tais pagamentos são restritos aos tratamentos médicos do próprio contribuinte ou de seus dependentes, nos termos dos artigos 8º, § 2º, inciso II da Lei nº 9.250/1995 e 80, § 1º, inciso II do Decreto nº 3.000/99. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, pode-se presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sateles - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 73 35 /2 01 0- 10 Fl. 176DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.640 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.007335/2010-10 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Contra a contribuinte em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF, referente ao exercício 2007, ano-calendário 2006, por Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil da DRF Campinas. Após a revisão da Declaração, o imposto a restituir foi ajustado de R$ 3.921,04 para R$ 133,23. O lançamento decorreu da constatação das seguintes infrações: Dedução Indevida de Despesas Médicas. A glosa do valor de R$ 11.400,00, correspondente à dedução indevida a título de despesas médicas, foi efetuada por falta de comprovação e/ou previsão legal, conforme segue: Glosa das despesas com Lorival D C Ziani Jr e Maria G O Andrade, tendo em vista que os documentos apresentados não indicam o nome do paciente, o endereço do profissional e não há comprovação do efetivo pagamento. Dedução Indevida com Despesa de Instrução. A glosa do valor de R$ 2.373,84, correspondente à dedução indevida a título de despesas com instrução, foi efetuada por falta de comprovação e/ou previsão legal (curso sem indicação de autorização ou reconhecimento pelo MEC). O enquadramento legal do lançamento encontra-se na referida Notificação. Cientificada da exigência em 06/05/2010 (fl. 48), a contribuinte apresentou, em 28/05/2010, impugnação acostada às fls. 3 e 38/39, em que concorda expressamente com a infração indevida de despesa de instrução e discorda da glosa de despesa médica efetuada, sob a alegação de que se trata de despesa própria. Acrescenta que os recibos apresentados comprovam o efetivo pagamento e consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes. Por fim, requer o acolhimento da impugnação. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2007 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. DESPESA DE INSTRUÇÃO. Considera-se não impugnada, e portanto não litigiosa, a matéria que não tenha sido expressamente contestada. DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. NÃO COMPROVAÇÃO. Mantém-se a glosa efetuada quando os valores deduzidos na Declaração de Ajuste Anual não são comprovados por documentação hábil e idônea. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/12/2013, o sujeito passivo interpôs, em 08/01/2014, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que as declarações dos profissionais juntados aos autos declaram a efetiva prestação dos serviços médicos à Recorrente. É o relatório. Fl. 177DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.640 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.007335/2010-10 Voto Conselheiro(a) Marcelo De Sousa Sateles - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Primeiramente, deve-se destacar que o recurso do contribuinte limita-se à infração dedução indevida de despesas médicas, uma vez que a infração dedução indevida de despesas com instrução foi considerada matéria não impugnada pela decisão a quo, não tendo sido esta matéria objeto do recurso. As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I- aplica-se, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II- restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III- limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas - CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica - CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. Fl. 178DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.640 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.007335/2010-10 Da análise da legislação, tenho que a indicação do beneficiário dos serviços só deve ser obrigatória se o paciente for pessoa diversa daquela que efetuou o pagamento das respectivas despesas médicas, porque, do contrário, presume-se que aquele que efetuou o pagamento é o real beneficiário dos serviços médicos. Nesse sentido, confira-se a Solução de Consulta Interna – COSIT nº 23/2013, segundo a qual pode-se presumir que o beneficiário do serviço foi o próprio contribuinte nas hipóteses em que os recibos emitidos pelos respectivos profissionais médicos não indicam ou especificam o beneficiário do serviço, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidade, verbis: Solução de Consulta Interna – COSIT nº 23/2013 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS. IDENTIFICAÇÃO DO BENEFICIÁRIO. São dedutíveis, da base de cálculo do IRPF, as despesas médicas realizadas pelo contribuinte, referentes ao próprio tratamento e de seus dependentes, desde que especificadas e comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Na hipótese de o comprovante de pagamento do serviço médico prestado ter sido emitido em nome do contribuinte sem a especificação do beneficiário do serviço, podese presumir que esse foi o próprio contribuinte, exceto quando, a juízo da autoridade fiscal, forem constatados razoáveis indícios de irregularidades. No caso de o serviço médico ter sido prestado a dependente do contribuinte, sem a especificação do beneficiário do serviço no comprovante, essa informação poderá ser prestada por outros meios de prova, inclusive por declaração do profissional ou da empresa emissora do referido documento comprobatório. Dispositivos Legais: Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), art. 332; Lei nº 9.250, de 26 de dezembro de 1995, art. 8º, inciso II, alínea “a” e § 2º, e Decreto nº 3.000, de 26 de dezembro de 1999 (RIR/1999), art. 80, § 1º, incisos II e III.” (g.n.). Tendo em vista que a única justificativa para a manutenção da infração de dedução indevida de despesas médicas pela decisão de piso foi a ausência de discriminação do beneficiário nos recibos/declarações, Entretanto, as declarações emitidas por Lorival D C Ziani Jr e Maria G O Andrade (fls. 11 e 25, respectivamente), bem como os recibos correspondentes (fls. 12/24 e 26/37), embora apresentem os endereços dos profissionais de saúde, não consistem em documentos hábeis à comprovação das despesas declaradas, pois não preenchem os requisitos do art. 80 do RIR/99, anteriormente transcrito, haja vista que deixaram de apresentar o beneficiário dos serviços prestados. Cumpre esclarecer que tais documentos apenas atestam que o pagamento foi efetuado pela impugnante, mas não explicitam que o serviço pago foi prestado a ela. Logo, presume-se que as despesas médicas foram do contribuinte, logo deve ser cancelada a glosa das despesas médicas. Conclusão Ante o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e, no mérito, dar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Fl. 179DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-007.640 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10830.007335/2010-10 Fl. 180DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 11516.000196/2009-95
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 13 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS.
O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos.
A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes.
EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO.
As embalagens de transporte são essenciais à atividade econômica do Sujeito Passivo, pois garantem que o produto seja devidamente conservado. A não utilização de embalagens para o transporte tornaria inviável o escoamento da produção, tratam-se de itens que se amoldam ao conceito de insumos frente à sua essencialidade e relevância.
Numero da decisão: 9303-014.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, também por unanimidade, em negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
Liziane Angelotti Meira Presidente em exercício
(documento assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Valcir Gassen, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Liziane Angelotti Meira.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. As embalagens de transporte são essenciais à atividade econômica do Sujeito Passivo, pois garantem que o produto seja devidamente conservado. A não utilização de embalagens para o transporte tornaria inviável o escoamento da produção, tratam-se de itens que se amoldam ao conceito de insumos frente à sua essencialidade e relevância.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PIS/PASEP. CONTRIBUIÇÃO NÃO-CUMULATIVA. CONCEITO DE INSUMOS. O conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e da Lei n.º 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade ou relevância, devendo ser considerada a imprescindibilidade ou a importância de determinado bem ou serviço para a atividade econômica realizada pelo Contribuinte. Referido conceito foi consolidado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nos autos do REsp n.º 1.221.170, julgado na sistemática dos recursos repetitivos. A NOTA SEI PGFN MF 63/18, por sua vez, ao interpretar a posição externada pelo STJ, elucidou o conceito de insumos, para fins de constituição de crédito das contribuições não- cumulativas, no sentido de que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção. Ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS. POSSIBILIDADE DE CRÉDITO. As embalagens de transporte são essenciais à atividade econômica do Sujeito Passivo, pois garantem que o produto seja devidamente conservado. A não utilização de embalagens para o transporte tornaria inviável o escoamento da produção, tratam-se de itens que se amoldam ao conceito de insumos frente à sua essencialidade e relevância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, e, também por unanimidade, em negar-lhe provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 00 01 96 /2 00 9- 95 Fl. 1126DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 9303-014.061 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.000196/2009-95 (documento assinado digitalmente) Liziane Angelotti Meira – Presidente em exercício (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan, Tatiana Midori Migiyama, Vinicius Guimaraes, Valcir Gassen, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Erika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Liziane Angelotti Meira. Relatório Trata-se de recurso especial de divergência interpostos pela FAZENDA NACIONAL, com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF n.º 343/2015, buscando a reforma do Acórdão nº 3003-001.272, de 15 de setembro de 2020, proferido pela 3ª Turma Extraordinária da Terceira Seção de Julgamento, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 INSUMOS. PAGAMENTO NÃO INFORMADO. CRÉDITOS PROVENIENTES DE ESTOQUE DE ABERTURA. IMPOSSIBILIDADE. Na ocorrência de fraudes contábeis e crime contra a ordem tributária o aproveitamento de crédito de contribuição sobre os estoques de abertura só é possível quando comprovado o pagamento de sua aquisição. INSUMOS. GLOSA. FALTA DE PROVAS. Correta a glosa de créditos oriundos da aquisição de insumos quando a escrituração é deficiente e o contribuinte não comprova os pagamentos realizados aos fornecedores. NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. CONCEITO DE INSUMOS O alcance do conceito de insumo, segundo o regime da não-cumulatividade do PIS Pasep e da COFINS é aquele em que o os bens e serviços cumulativamente atenda aos requisitos de (i) essencialidade ou relevância com/ao processo produtivo ou prestação de serviço; e sua (ii) aferição, por meio do cotejo entre os elementos (bens e serviços) e a atividade desenvolvida pela empresa. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. INSUMOS. Na sistemática da apuração não-cumulativa deve ser reconhecido crédito relativo a bens e insumos que atendam aos requisitos da essencialidade e relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de repetitivos. Gastos incorridos com peças e Fl. 1127DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 9303-014.061 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.000196/2009-95 serviços de manutenção, vinculados ao processo produtivo geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. DE INSUMOS. Na sistemática da apuração não-cumulativa deve ser reconhecido crédito relativo a bens e insumos que atendam aos requisitos da essencialidade e relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de repetitivos. Gastos incorridos com combustíveis e gás dos veículos utilizados no transporte dos insumos e do produto final, vinculados ao processo produtivo, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada. GASTOS COM EMBALAGEM. EMBALAGEM PARA TRANSPORTE. EMBALAGEM DE APRESENTAÇÃO. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. POSSIBILIDADE. Na sistemática da apuração não-cumulativa deve ser reconhecido crédito relativo a bens e insumos que atendam aos requisitos da essencialidade e relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de repetitivos. Gastos incorridos com embalagens para transporte do dos insumos e do produto final, vinculados ao processo produtivo, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para reconhecer o direito ao crédito de insumos utilizados no processo produtivo, quais sejam: i) aquisições de peças de reposição e serviços de manutenção, exceto itens discriminados na Relação dos Insumos Glosados como Pátio. Peça para conserto da máquina de cortar grama NF 4057, Pátio. Vela de ignição da máquina de cortar grama NF 4057 e Pátio. Peça para conserto da bomba de passar veneno no pátio da empresa NF 306; ii) aquisições de gás e combustível; iii) aquisição de material de embalagem. Vencida a Conselheira Ariene D Arc Diniz e Amaral (relatora) que dava provimento em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Muller Nonato Cavalcanti Silva. (grifos nossos) Não resignada com o acórdão naquilo que lhe foi desfavorável, a FAZENDA NACIONAL interpôs recurso especial suscitando divergência jurisprudencial com relação à possibilidade de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas sobre o valor dos gastos com embalagens para transporte de produtos acabados. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigma o acórdão nº 9303-007.845. Nesse sentido, em sede de exame de admissibilidade, conforme despacho 3ª Seção de Julgamento/4ª Câmara, de 01 de fevereiro de 2021, proferido pelo Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção, foi dado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para que seja rediscutida a seguinte matéria: direito a crédito sobre embalagens para transportes. Em sede de contrarrazões, o Contribuinte postulou, no mérito, a negativa de provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais - 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF. É o relatório. Fl. 1128DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 9303-014.061 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.000196/2009-95 Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora. 1 Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. 2 Mérito mat ria tra ida no recurso especial da a enda acional cin e-se possibilidade de cr dito de e calculado sobre os valores despendidos com a uisição de embalagens de transporte dos produtos acabados. Previamente à análise do item específico do insumo em discussão, explicita-se o conceito de insumos adotado no presente voto, para então verificar o direito ao creditamento. 2.1 CONCEITO DE INSUMO A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autoriza-se a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. 1 O princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignando-se a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a COFINS. 2 1 Lei nº 10.637/2002 (PIS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; [...]. Lei nº 10.8332003 (COFINS). Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...]II - bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; [...] 2 Constituição Federal de 1988. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I - do empregador, da empresa e da Fl. 1129DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 9303-014.061 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.000196/2009-95 A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS e da COFINS. Por meio das Instruções Normativas nºs 247/02 (com redação da Instrução Normativa nº 358/2003) (art. 66) e 404/04 (art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos é excessivamente restritiva, assemelhando- se ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, estabelecido no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). As Instruções Normativas nºs 247/2002 e 404/2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo for efetivamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando-se da legislação do IPI que traz critério demasiadamente restritivo, extrapolaram as disposições da legislação hierarquicamente superior no ordenamento jurídico, a saber, as Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, e contrariaram frontalmente a finalidade da sistemática da não-cumulatividade das contribuições do PIS e da COFINS. Patente, portanto, a ilegalidade dos referidos atos normativos. Nessa senda, entende-se igualmente impróprio para conceituar insumos adotar-se o parâmetro estabelecido na legislação do IRPJ - Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000/99 (RIR/99), poder-se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Em Declaração de Voto apresentada nos autos do processo administrativo nº 13053.000211/2006-72, em sede de julgamento de recurso especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, o ilustre Conselheiro Gileno Gurjão Barreto assim se manifestou: [...] permaneço não compartilhando do entendimento pela possibilidade de utilização isolada da legislação do IR para alcançar a definição de "insumos" pretendida. Reconheço, no entanto, que o raciocínio é auxiliar, é instrumento que pode ser utilizado para dirimir controvérsias mais estritas. Isso porque a utilização da legislação do IRPJ alargaria sobremaneira o conceito de "insumos" ao equipará-lo ao conceito contábil de "custos e despesas operacionais" que abarca todos os custos e despesas que contribuem para a atividade de uma empresa (não apenas a sua produção), o que distorceria a interpretação da legislação ao ponto de torná-la inócua e de resultar em indesejável esvaziamento da função social dos tributos, passando a desonerar não o produto, mas sim o produtor, subjetivamente. As Despesas Operacionais são aquelas necessárias não apenas para produzir os bens, mas também para vender os produtos, administrar a empresa e financiar as operações. Enfim, são todas as despesas que contribuem para a manutenção da atividade operacional da empresa. Não que elas não possam ser passíveis de creditamento, mas tem que atender ao critério da essencialidade. entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: [...] b) a receita ou o faturamento; [...] IV - do importador de bens ou serviços do exterior, ou de quem a lei a ele equiparar. [...]§ 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não-cumulativas. (grifou-se) Fl. 1130DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 9303-014.061 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.000196/2009-95 [...] Estabelece o Código Tributário Nacional que a segunda forma de integração da lei prevista no art. 108, II, do CTN são os Princípios Gerais de Direito Tributário. Na exposição de motivos da Medida Provisória n. 66/2002, in verbis, afirma-se ue “ modelo ora proposto traduz demanda pela modernização do sistema tributário brasileiro sem, entretanto, pôr em risco o equilíbrio das contas públicas, na estrita observância da Lei de Responsabilidade Fiscal. Com efeito, constitui premissa básica do modelo a manutenção da carga tributária correspondente ao que hoje se arrecada em virtude da cobrança do / asep.” Assim sendo, o conceito de "insumos", portanto, muito embora não possa ser o mesmo utilizado pela legislação do IPI, pelas razões já exploradas, também não pode atingir o alargamento proposto pela utilização de conceitos diversos contidos na legislação do IR. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecer-se o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. Diante do entendimento consolidado deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF, inclusive no âmbito desta Câmara Superior de Recursos Fiscais, o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, inciso II da Lei 10.833/2003, deve ser interpretado com critério próprio: o da essencialidade. Referido critério traduz uma posição "intermediária" construída pelo CARF, na qual, para definir insumos, busca- se a relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Conceito mais elaborado de insumo, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF e norteador dos julgamentos dos processos, no referido órgão, foi consignado no Acórdão nº 9303-003.069, resultante de julgamento da CSRF em 13 de agosto de 2014: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. Nessa linha relacional, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Fl. 1131DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 9303-014.061 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.000196/2009-95 Portanto, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS e COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Não é diferente a posição predominante no Superior Tribunal de Justiça, o qual reconhece, para a definição do conceito de insumo, critério amplo/próprio em função da receita, a partir da análise da pertinência, relevância e essencialidade ao processo produtivo ou à prestação do serviço. O entendimento está refletido no voto do Ministro Relator Mauro Campbell Marques ao julgar o recurso especial nº 1.246.317-MG, sintetizado na ementa: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃO-CUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 - Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 - Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não-cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda - IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de Fl. 1132DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 9303-014.061 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.000196/2009-95 microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Assim, impõe-se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) (grifou-se) Portanto, são insumos, para efeitos do art. 3º, II da Lei nº 10.637/2002 e do art. 3º, II da Lei nº 10.833/2003, todos os bens e serviços pertinentes ao processo produtivo e à prestação de serviços, ou ao menos que os viabilizem, podendo ser empregados direta ou indiretamente, e cuja subtração implica a impossibilidade de realização do processo produtivo e da prestação do serviço, objetando ou comprometendo a qualidade da própria atividade da pessoa jurídica. Ainda, no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, o tema foi julgado pela sistemática dos recursos repetitivos nos autos do recurso especial nº 1.221.170 - PR, no sentido de reconhecer a ilegalidade das Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004 e aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS e COFINS no regime não-cumulativo. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe em sua ementa: “TR BUTÁR . E . TR BU ÇÕE . Ã - CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. Fl. 1133DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 9303-014.061 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.000196/2009-95 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo ontribuinte.” O acórdão do recurso especial nº 1.221.170-PR foi proferido pela sistemática dos recursos repetitivos, tendo já ocorrido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional, no sentido de lhe ser negado provimento 3 . Assim, conforme previsão contida no art. 62, §2º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, os conselheiros já estão obrigados a reproduzir referida decisão. Para melhor elucidar meu direcionamento, além de ter desenvolvido o conceito de insumo anteriormente, importante ainda trazer que, recentemente, foi publicada a NOTA SEI PGFN/MF 63/2018: "Recurso Especial nº 1.221.170/PR Recurso representativo de controvérsia. Ilegalidade da disciplina de creditamento prevista nas IN SRF nº 247/2002 e 404/2004. Aferição do conceito de insumo à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Tese definida em sentido desfavorável à Fazenda Nacional. Autorização para dispensa de contestar e recorrer com fulcro no art. 19, IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016. Nota Explicativa do art. 3º da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 01/2014." ota clarifica a definição do conceito de insumos na “visão” da a enda Nacional (Grifos meus): “41. onsoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro ampbell Mar ues, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação se ura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. 3 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO CONTRA ACÕRDÃO QUE DEU PARCIAL PROVIMENTO AO RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. CONCEITO DE INSUMO. PIS. COFINS. CREDITAMENTO DE DESPESAS EXPRESSAMENTE VEDADAS POR LEI. ARGUMENTOS TRAZIDOS UNICAMENTE EM SEDE DE DECLARATÓRIOS. IMPOSSIBILIDADE. INDEVIDA AMPLIAÇÃO DA CONTROVÉRSIA JULGADA SOB O RITO ART. 543-C DO CPC/73 (ART. 1.036 DO CPC/15). OMISSÃO OU OBSCURIDADE NÃO VERIFICADAS. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA UNIÃO A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. É vedado, em sede de agravo regimental ou embargos de declaração, ampliar a quaestio veiculada no recurso especial, inovando questões não suscitadas anteriormente (AgRg no REsp 1.378.508/SP, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJe 07.12.2016). 2. Os argumentos trazidos pela UNIÃO em sede de Embargos de Declaração, (enquadramento como insumo de despesas cujo creditamento é expressamente vedado em lei), não foram objeto de impugnação quando da interposição do Recurso Especial pela empresa ANHAMBI ALIMENTOS LTDA, configurando, portanto, indevida ampliação da controvérsia, vedada em sede de Embargos Declaratórios. 3. Embargos de Declaração da UNIÃO a que se nega provimento. (EDcl no REsp 1221170/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 14/11/2018, DJe 21/11/2018) Fl. 1134DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 9303-014.061 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.000196/2009-95 Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item como uma aferição de uma “conditio sine ua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” ue deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota PGFN: “15. Devese, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a ue se refere o voto do Ministro Mauro ampbell Mar ues.” Adentrando-se ao caso dos autos, a Fazenda Nacional defende em seu recurso especial que não há direito ao creditamento com relação aos dispêndios para aquisição de embalagens para transporte pois não se enquadram no conceito de insumos. O contribuinte INCOMARTE (sociedade limitada sucedida por incorporação pela Indústria de Molduras Moldurarte LTDA) tinha como principal objeto social a fabricação de varetas de madeira para molduras de madeira, conforme contrato social. Fl. 1135DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 9303-014.061 - CSRF/3ª Turma Processo nº 11516.000196/2009-95 Após glosa da fiscalização, mantida pela DRJ, no julgamento do recurso voluntário, foi revertida a glosa referente aos gastos com a aquisição de materiais de embalagem para transporte de produtos acabados. Transcreve-se excertos da fundamentação do acórdão recorrido com relação à matéria: [...] Argumenta a contribuinte que as embalagens mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para transporte de produtos industrializados e não como elementos promocionais são insumos consumidos na fase final da industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção da Incomarte. Tais embalagens utilizadas no acondicionamento dos produtos não serão passíveis de reutilização. Da mesma forma que a matéria prima, onera o custo final do produto. De fato mesmo no caso o material de embalagem (paletes, prego eletrosoldado, tampa de papelão, etc.) que é utilizado apenas para transporte do produto acabados há direito ao creditamento pois constituem custo de aquisição de insumos. Entendo que assiste razão a contribuinte devendo ser afastada a glosa sobre os créditos de material de embalagens. (grifos nossos) Portanto, tais dispêndios são essenciais à atividade econômica do Sujeito Passivo, pois garantem que o produto seja preservado durante o transporte. A não utilização de embalagens para o transporte tornaria inviável o escoamento da produção, tratam-se de itens que se amoldam ao conceito de insumos frente à sua essencialidade e relevância. Dessa forma, com relação às embalagens para o transporte dos produtos acabados, imperioso o reconhecimento do direito ao crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não- cumulativas. 3 Dispositivo Diante do exposto, nega-se provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (documento assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1136DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10120.008376/2002-20
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
COMPETÊNCIA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. ASSUNTO
RESERVADO A LEI. IMPOSSIBILIDADE DE NULIDADE DO ATO
ADMINISTRATIVO POR ALEGADO DEFEITO EM MANDADO DE
PROCEDIMENTO FISCAL.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF, como mero instrumento de
controle administrativo interno das atividades de fiscalização, não se reveste em instrumento legal hábil para estabelecer competência, posto que tal prerrogativa é reservada exclusivamente a lei, por força da qual a autoridade competente para constituir o lançamento e praticar outros atos administrativos em caráter privativo, assim definidos, é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil.
EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA.
INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA.
A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula n° 2 do CARF.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA PESSOAL A MANDATÁRIO COM
PODERES FORMALMENTE CONCEDIDOS PARA O ATO. VALIDADE.
É válida a ciência da notificação, por via pessoal, feita a mandatário que detém amplos poderes para representar a empresa perante a Fazenda Pública.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001
IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO
SIMPLES. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE.
As aquisições, pela indústria, de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, fornecidos por estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejarão aos adquirentes direito à fruição de crédito do IPI.
IPI. COMERCIANTES VAREJISTAS. CREDITAMENTO DO IMPOSTO.
IMPOSSIBILIDADE. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS.
IMPROPRIEDADE LÓGICA.
Os comerciantes varejistas não se enquadram na condição de contribuintes do IPI, não se creditando, portanto, do referido imposto. Consequentemente, não há razão lógica que torne razoável arguir a possibilidade de transferência de créditos do imposto de empresa varejista para pessoa jurídica adquirente de seus produtos, e isso, simplesmente, porque não se pode transferir o que não existe.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-000.379
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade aduzidas pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 COMPETÊNCIA. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. ASSUNTO RESERVADO A LEI. IMPOSSIBILIDADE DE NULIDADE DO ATO ADMINISTRATIVO POR ALEGADO DEFEITO EM MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, como mero instrumento de controle administrativo interno das atividades de fiscalização, não se reveste em instrumento legal hábil para estabelecer competência, posto que tal prerrogativa é reservada exclusivamente a lei, por força da qual a autoridade competente para constituir o lançamento e praticar outros atos administrativos em caráter privativo, assim definidos, é o Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. EXAME DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. A instância administrativa não possui competência para afastar a aplicação de norma sob fundamento de sua inconstitucionalidade, uma vez que tal apreciação é exclusiva do Poder Judiciário, nos termos dos artigos 97 e 102 da Constituição Federal. Tal questão, inclusive, é objeto da Súmula no 2 do CARF. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 AUTO DE INFRAÇÃO. CIÊNCIA PESSOAL A MANDATÁRIO COM PODERES FORMALMENTE CONCEDIDOS PARA O ATO. VALIDADE. É válida a ciência da notificação, por via pessoal, feita a mandatário que detém amplos poderes para representar a empresa perante a Fazenda Pública. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 241DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 2 Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE EMPRESAS OPTANTES PELO SIMPLES. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. As aquisições, pela indústria, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, fornecidos por estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, não ensejarão aos adquirentes direito à fruição de crédito do IPI. IPI. COMERCIANTES VAREJISTAS. CREDITAMENTO DO IMPOSTO. IMPOSSIBILIDADE. TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS. IMPROPRIEDADE LÓGICA. Os comerciantes varejistas não se enquadram na condição de contribuintes do IPI, não se creditando, portanto, do referido imposto. Consequentemente, não há razão lógica que torne razoável arguir a possibilidade de transferência de créditos do imposto de empresa varejista para pessoa jurídica adquirente de seus produtos, e isso, simplesmente, porque não se pode transferir o que não existe. Recurso a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade aduzidas pela interessada e, no mérito, para negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 14/03/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Adélcio Salvalágio, Mara Cristina Sifuentes (Substituta) e Tatiana Midori Migiyama (Substituta). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 3ª Turma da DRJ Juiz de Fora (fls. 195/208), a qual, por unanimidade de votos, indeferiu a manifestação de inconformidade apresentada pela interessada na parte em que a unidade de origem não homologou a compensação pleiteada pela mesma. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Trata o presente processo de RESSARCIMENTO DE CRÉDITO DE IPI de fl. 01, no montante de R$ 6.767,89, relativo ao 4º trimestre do anocalendário de 2001, pleiteado em 28/10/2002, sob o amparo da Lei nº Fl. 242DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 10120.008376/200220 Acórdão n.º 380200.379 S3TE02 Fl. 239 3 9.779, de 19/01/1999. Ao ressarcimento vinculouse, em 02/03/2005, a Declaração de Compensação de fl. 20, referente a débitos da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (código 2172), no montante de R$ 3.369,55, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (código 2372), no montante de R$ 2.582,10, e do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (código 2089), no montante de R$ 816,24. Em análise de legitimidade, a autoridade competente da Delegacia da Receita Federal em Goiânia, GO, por meio do Despacho Decisório de fls. 128/132, alicerçado no Relatório de fls. 117/121, deferiu em parte o ressarcimento pleiteado, com o reconhecimento do saldo credor de R$ 3.397,18. O ressarcimento parcial foi motivado por glosas decorrentes da inclusão pelo contribuinte de valores apropriados como créditos de IPI: a) sobre aquisições cujas notas fiscais não foram apresentadas (R$ 218,32); b) calculados sobre notas fiscais de fornecedores optantes pelo Simples (R$ 2.679,97); c) calculados sobre notas fiscais de fornecedores comerciantes varejistas (R$ 471,85). Com o saldo credor reconhecido de R$ 3.397,18, inferior ao montante dos débitos declarados, bem como pelo fato de que na data de valoração considerada, isto é, em 28/10/2002, data da entrega do pedido de ressarcimento, os débitos declarados já se encontravam vencidos (30/02/2002 e 30/04/2002), o que determinou a exigência de multa e de juros de mora nas respectivas compensações (procedimentos de compensação às fls. 125/127). Cientificada do deferimento parcial de seu pleito, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 136/149, na qual apresenta as seguintes argumentações em sede preliminar e de mérito, para questionar o Despacho Decisório. Como preliminar alega: A) a nulidade do lançamento, em face da perda de eficácia do mandado de procedimento fiscal que amparou as diligências para análise da legitimidade do saldo credor pleiteado; B) que é nulo o despacho decisório cuja ciência foi dada a pessoas nãocompetentes, pois a legislação determina que: farseá a intimação pessoalmente ou por intermédio de mandatário ou o preposto, o que não ocorreu em face da incompetência das pessoas cientificadas. No mérito alega: A) que após constantes derrotas no Poder Judiciário, o governo federal publicou a Lei nº 9.779, em 19/01/1999, que, por meio de seu art. 11, veio reconhecer o direito ao crédito do IPI, mas tãosomente em relação às aquisições realizadas a partir de 01/01/1999 e exclusivamente nos casos em que a pessoa jurídica paga o IPI por ocasião das entradas; B) a partir da Lei nº 9.779, de 1999, de caráter interpretativo, não há dúvida de que há o direito de crédito ainda que a saída do produto não Fl. 243DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 4 seja tributada. Nesse contexto legal, em razão do princípio da não cumulatividade, é imperativo que o fisco federal reconheça o direito de crédito de IPI, inclusive na aquisição efetuada por intermédio de comerciante varejista, quando outrora os insumos adquiridos foram onerados pelo pagamento do IPI. Não admitir o crédito nesses casos nada mais é que anular os efeitos da concessão de isenção ou da redução da tributação à alíquota zero; C) o direito do contribuinte de computar créditos sobre insumos adquiridos de pessoas jurídicas optantes pelo Simples. O art. 5º, § 5º, da Lei nº 9.317, de 1996, e os arts. 118 e 166 do RIPI/2002 ao vedarem o direito ao creditamento nessas circunstâncias ferem dispositivos legais e constitucionais. Legais porque afrontam os dispositivos do Código Tributário Nacional (art. 49) e constitucionais porque não observam o princípio da nãocumulatividade, uma vez que os optantes pelo Simples são contribuintes do IPI; D) que, de acordo com o princípio da materialidade, as aquisições foram efetuadas por empresas de porte respeitável, de monta expressiva, sem nenhuma inscrição ou denominação no documento fiscal que enseje a afirmativa de contribuinte inscrito no Simples. Outrossim, fazse necessário destacar que a Receita Federal desenquadrou muitas empresas em nossa cidade, inclusive distribuidoras de cimento (atacadistas). Segundo fomos informados, tais empresas estavam no Simples de forma irregular em razão de seu faturamento ou atividade que consiste em adquirir cimento da indústria e revendêlo aos varejistas, operando sempre como atacadistas no seguimento; E) que as notas fiscais 737 e 789 foram apresentadas ao fisco quando da notificação fiscal, bem como todos os documentos solicitados. Ante ao exposto, a contribuinte requereu fosse reformado o Despacho Decisório n° 616/2007 da DRF/GOI para: a) ANULAR a decisão de nãohomologação de parte do crédito por descumprimento das normas atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal; b) EXTINGUIR a decisão de nãohomologação de parte do crédito por decurso de prazo; c) REFORMAR a decisão e HOMOLOGAR o total do pedido de compensação e CONSIDERAR o valor total do crédito objeto do processo acima. d) Caso não se acolha o contido no parágrafo anterior, sejam homologados os aproveitamentos dos créditos do IPI sobre os produtos adquiridos de empresas: 1) inscritas no Simples, considerandoas contribuintes do IPI e/ou o princípio da materialidade sobre a opção de forma indevida, pois que operam em grande monta na venda por atacado de material para aplicação no processo produtivo da empresa, destinados a industrialização de produtos tributados pelo IPI; 2) varejistas, haja vista tratarse, de acordo com o princípio da materialidade, de atacadistas inscritas como varejistas, de forma indevida, operando na venda por atacado e de grande monta de material para aplicação no processo produtivo da empresa, destinados a industrialização de produtos tributados pelo IPI. Fl. 244DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 10120.008376/200220 Acórdão n.º 380200.379 S3TE02 Fl. 240 5 Verificado na DRF/GOI que havia erro na adoção da data de valoração das compensações declaradas, ou seja, a valoração em 28/10/2002, elaborouse novo procedimento de compensação, às fls. 151/153, com data de valoração em 02/03/2005, data da apresentação da Declaração de Compensação de fl. 20 e, conseqüentemente, o Despacho Decisório Retificador nº 137/2008, às fls. 169/172. O novo procedimento de compensação gerou a emissão da Carta de Cobrança, às fls. 176/177, com débitos tributários superiores ao do primeiro procedimento de compensação. Em resposta ao Despacho Decisório Retificador, o contribuinte alegou, às fls. 188/190, a nulidade do lançamento. Argumentou que o primeiro Despacho Decisório, de 05/06/2007, com termo de ciência do contribuinte em 06/12/2007, reportase ao dia 06/12/2002, data da entrega da DCTF retificadora do 1º trimestre de 2002, portanto transcorreu entre as datas de 06/12/2002 e 06/12/2007 um período superior a cinco anos. Ainda que a Administração possa rever seus atos de ofício, considerandose a ciência do contribuinte em 06/12/2002, houve a homologação expressa pelo ente arrecadador, nos termos dos arts. 173 e 174 do CTN. Desse modo, já havia ocorrido a prescrição, razão por que não mais poderia haver a mudança de procedimento. Finalmente, o contribuinte requereu fosse anulado/extinto o Despacho Decisório Retificador, por força da prescrição/decadência. É o relatório. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCALMPF. NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade, quer do lançamento, quer do procedimento fiscal que lhe deu origem, quer do documento que formalizou a exigência fiscal. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE. As normas e determinações previstas na legislação tributária presumemse revestidas do caráter de legalidade e constitucionalidade, contando com validade e eficácia, não cabendo à esfera administrativa questionálas ou negarlhes aplicação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2001 a 31/12/2001 IPI. OPTANTES PELO SIMPLES. Aos contribuintes do imposto optantes pelo SIMPLES é vedada a utilização ou a destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). Fl. 245DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 6 IPI. COMERCIANTES VAREJISTAS. Porque não são contribuintes do IPI, porque não há regra especial que os autorize, os comerciantes varejistas não podem repassar créditos do IPI. IPI. COMPROVAÇÃO DE CRÉDITOS. Os créditos escriturados pelo beneficiário serão necessariamente comprovados mediante apresentação das 1as vias das notas fiscais a que correpondem e, quando glosados pela autoridade fiscal, o contribuinte tem a obrigação de ofertálas no prazo previsto para a impugnação ou para a apresentação da manifestação de inconformidade (art. 171 do RIPI/1998 e art. 15, caput, do Decreto nº 70.235, de 1972). Solicitação indeferida. Cientificada da referida decisão em 14/11/2008 (fls. 219), a interessada, em 04/12/2008 (fls. 220), apresentou o recurso voluntário de fls. 221/234, onde se insurge contra a decisão recorrida com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, à exceção da tese em que defendeu haver ocorrido a homologação expressa da compensação (fls. 188/190) – que teria se dado em função do despacho decisório de fls. 128/132 (posteriormente retificado pelo despacho decisório de fls. 154/157) –, questão só aduzida perante o tribunal administrativo a quo. Diante do exposto, requer: a) Nulidade da decisão de não homologação de parte do crédito por descumprimento das normas atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal; b) Extinção da decisão de não homologação de parte do crédito por decurso de prazo; c) Seja reformada a decisão e homologado o total do pedido de compensação e considerado o valor total do crédito objeto do processo acima. d) Caso entenda não acolher o contido no parágrafo anterior, seja: 1) Homologado o aproveitamento do crédito do IPI sobre os produtos adquiridos de empresas inscritas no simples, considerandoas contribuintes do IPI e ou o principio da materialidade sobre a opção de forma indevida, operando em grande monta na venda por atacado de material para aplicação no processo produtivo da empresa, destinados a industrialização de produtos tributados pelo IPI; 2) Homologado o aproveitamento do crédito do IPI sobre os produtos adquiridos de empresas varejistas, haja vista tratarse de acordo com o principio da materialidade de atacadistas inscritas como varejistas de forma indevida, operando na venda por atacado e de grande monta de material para aplicação no processo produtivo da empresa, destinados a industrialização de produtos tributados pelo IPI. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Das preliminares Fl. 246DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 10120.008376/200220 Acórdão n.º 380200.379 S3TE02 Fl. 241 7 Da Admissibilidade do recurso O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Da arguição de nulidade por suposta deficiência do Mandado de Procedimento Fiscal É destituída de amparo legal a arguição de nulidade do lançamento em função de alegados erros formais relacionados ao Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, uma vez que este é um mero recurso de controle administrativo interno das atividades de fiscalização, não se revestindo, de forma alguma, em instrumento legal que estabeleça competência, até porque dito mecanismo de controle foi criado por portaria, enquanto a competência para o lançamento, privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, é decorrente de lei complementar, prevista especificamente no art. 142 do CTN. Assim, mesmo se vislumbrada a desconformidade de alguns requisitos formais estabelecidos nas portarias que sucessivamente tem tratado do MPF, não se poderia cogitar de nulidade do lançamento por incompetência do agente. Há que se ressaltar que as portarias que sucessivamente tem disciplinado o MPF não trazem nenhum dispositivo no sentido de considerar nulo o lançamento, ou quaisquer outros procedimentos, em decorrência da inobservância dos ditames ali disciplinados. E nem poderiam fazêlo, por absoluta impossibilidade dessa matéria, repitase, disposta em lei complementar, vir a ser tratada em simples portaria. Com efeito, a nulidade deve ser perquirida em relação à lei, porquanto é a norma legal que estabelece os requisitos essenciais para a prática do ato administrativo, inclusive no que tange à competência do agente, sancionando com a nulidade aqueles atos que não obedecem a tais preceitos. A inobservância desses requisitos acarreta reprimenda legal caracterizada pela invalidade do ato. Assim, nulidade decorre da eventual inconformidade do ato administrativo com os requisitos essenciais estabelecidos em lei. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal, as hipóteses de nulidade estão previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, que considera nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Neste estágio de cognição não se vislumbra nenhuma dessas hipóteses, a não ser que se pretenda enquadrar como incompetência do agente o caso em que o MPF não está em sintonia com o ato normativo de regência. Todavia, a competência do agente fiscal é conferida diretamente pela lei e não pelo mencionado ato infralegal, de modo que a eventual inobservância de regras atinentes ao MPF não tem o condão de tornar nulo o lançamento tributário ou outros atos administrativos relacionados à adminstração tributária federal que tenham atendido aos ditames legais stricto sensu, notadamente os dispostos no art. 142 do Código Tributário Nacional e nos arts. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/1972. Como já ressaltado, no âmbito federal, a competência do agente fiscal para a fiscalização e a constituição dos créditos tributários é decorrente de lei complementar (art. 142 do CTN), sendo privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil – AFRFB, quaisquer que sejam os tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB. Fl. 247DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 8 Nesse diapasão, cumpre destacar que dentre as inúmeras competências legais atribuídas à RFB para a administração dos tributos federais, quer relacionadas à atividade aduaneira, quer atinente aos tributos internos, bem como relativas ao julgamento administrativo na primeira instância, o agente que detém a competência administrativa para a execução das ações fiscais no âmbito da citada Secretaria, dentre elas àquelas relacionadas à elaboração e ao proferimento de decisões no âmbito do processo administrativo fiscal, é privativa do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, cuja competência inderrogável decorre de ato político por outorga e em benefício da sociedade, conseqüência do disposto no artigo 142 do CTN, combinado com o artigo 6º da Lei nº 10.593, de 06/12/2002, com a redação dada pelo artigo 9º da Lei nº 11.457, de 16/03/2007, verbis: Art. 6º São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: a) constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; b) elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativofiscal, bem como em processos de consulta, restituição ou compensação de tributos e contribuições e de reconhecimento de benefícios fiscais; c) executar procedimentos de fiscalização, praticando os atos definidos na legislação específica, inclusive os relacionados com o controle aduaneiro, apreensão de mercadorias, livros, documentos, materiais, equipamentos e assemelhados; d) examinar a contabilidade de sociedades empresariais, empresários, órgãos, entidades, fundos e demais contribuintes, não se lhes aplicando as restrições previstas nos arts. 1.190 a 1.192 do Código Civil e observado o disposto no art. 1.193 do mesmo diploma legal; (Redação dada pela Lei nº 11.457, de 2007) [...] (grifos nossos) A tese de nulidade em decorrência de incorreções na emissão ou execução do MPF tem sido rechaçada pelos Conselhos de Contribuintes, prevalecendo a posição majoritária de que as incorreções no MPF não maculam o lançamento, conforme ementas a seguir transcritas, cujo teor adoto como fundamento deste voto: “MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. POSTULADOS. INOBSERVÂNCIA. CAUSA DE NULIDADE. ARGÜIÇÃO RECURSAL. IMPROCEDÊNCIA. O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) fora concebido com o objetivo de disciplinar a execução dos procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições sociais administrados pela Secretaria da Receita Federal. Não atinge a competência impositiva dos seus Auditores Fiscais que, decorrente de ato político por outorga da sociedade democraticamente organizada e em benefício desta, há de subsistir em quaisquer atos de natureza restrita e especificamente voltados para as atividades de controle e planejamento das ações fiscais. A nãoobservância na instauração ou na amplitude do MPF poderá ser objeto de repreensão disciplinar, mas não terá fôlego jurídico para retirar a competência das autoridades fiscais na concreção plena de suas atividades legalmente próprias. A incompetência só ficará caracterizada quando o ato não se incluir nas atribuições legais do agente Fl. 248DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 10120.008376/200220 Acórdão n.º 380200.379 S3TE02 Fl. 242 9 que o praticou. (...)” (Acórdão nº 10706797, Data da Sessão: 18/09/2002, Primeiro Conselho de Contribuintes, Sétima Câmara, Relator: Neicyr de Almeida) “MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF A atividade de seleção do contribuinte a ser fiscalizado, bem assim a definição do escopo da ação fiscal, inclusive dos prazos para a execução do procedimento, são atividades que integram o rol dos atos discricionários, moldados pelas diretrizes de política administrativa de competência da administração tributária. Neste sentido, o MPF tem tripla função: a) materializa a decisão da administração, trazendo implícita a fundamentação requerida para a execução do trabalho de auditoria fiscal, b) atende ao princípio constitucional da cientificação e define o escopo da fiscalização e c) reverencia o princípio da pessoalidade. Questões ligadas ao descumprimento do escopo do MPF, inclusive do prazo e das prorrogações, devem ser resolvidas no âmbito do processo administrativo disciplinar e não têm o condão de tornar nulo o lançamento tributário que atendeu aos ditames do art. 142 do CTN. Recurso de ofício a que se dá provimento.” (Acórdão nº 10706820, Data da Sessão: 16/10/2002, Primeiro Conselho de Contribuintes, Sétima Câmara, Relator: Luiz Martins Valero) “MPF O Mandado de Procedimento Fiscal, é mero instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais, não implicando nulidade dos procedimentos fiscais as eventuais falhas na emissão e trâmite desse instrumento.Recurso parcialmente provido.” (Acórdão nº 10514070, Data da Sessão: 19/03/2003, Primeiro Conselho de Contribuintes, Quinta Câmara, Relator: Nilton Pess) “PRELIMINAR NULIDADE DO LANÇAMENTO MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. E, por estar comprovado que o procedimento fiscal foi efetuado de forma regular.Recurso parcialmente provido.” (Acórdão nº 10613188, Data da Sessão: 30/01/2003, Primeiro Conselho de Contribuintes, Sexta Câmara, Relator: Luiz Antonio de Paula) “NULIDADE INOCORRÊNCIA – MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL – O MPF constituise em elemento de controle da administração tributária, disciplinado por ato administrativo. A eventual inobservância da norma infralegal não pode gerar nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Preliminar rejeitada. Recurso negado.” (Acórdão nº 10807458, Data da Sessão: 02/07/2003, Primeiro Conselho de Contribuintes, Oitava Câmara, Relator: Luiz Alberto Cava Maceira) (grifos nossos) Portanto, quaisquer dados relacionados ao MPF são estranhos à definição da competência da autoridade fiscal, consistindo apenas em critérios de planejamento administrativo das atividades fiscais, o que, de fato, representa o escopo que motivou a criação do instrumento em questão. Não há, pois, que se falar em nulidade relativamente aos procedimentos adotados pelo AFRFB responsável pelo exame dos pedidos de ressarcimento e de compensação apresentados pela empresa interessada, posto que não está caracterizado nos autos nenhuma Fl. 249DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 10 conduta que represente violação à competência atribuída por lei a referida autoridade administrativa. Rejeitase, pois, o argumento em defesa da nulidade aduzido pela recorrente. Da inexistência de vícios na ciência do despacho decisório Quanto à ciência do despacho decisório, também não houve nenhum vício que importe em nulidade. A interessada foi devidamente notificada, por via pessoal, do resultado da apreciação do pedido e da exigência para o pagamento dos débitos não compensados. Com efeito, às fls. 133 dos autos consta a ciência pessoal do contador Marciel Augusto Raimundo Lima, ao qual, nos termos do instrumento de mandato de fls. 134, e não obstante estar consignada no mesmo a cláusula ad judicia, foram outorgados “poderes amplos, gerais e ilimitados” para acompanhar o processo, apresentar defesa, recorrer, juntar e retirar documentos, promover provas, pagar e receber, dar quitação, transigir, desistir, renunciar ao direito, firmar compromisso, substabelecer, com ou sem reserva de poderes, tudo para bom cumprimento deste instrumento de mandato, especialmente para promover PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI/ COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA. Não resta nenhuma dúvida, pois, de que o sujeito passivo foi regularmente cientificado do entendimento oficial por um dos meios elencados no artigo 23 do Decreto n° 70.235, de 1972, justamente aquele de que trata seu inciso I, abaixo transcrito: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifo nosso) [...] Aliás, a apresentação de robusta impugnação é prova de que a autuada fora efetivamente cientificada das razões que ensejaram o deferimento apenas parcial de seu pedido inicial, demonstrando a inexistência de vício capaz de redundar em prejuízo para sua defesa, o que afasta completamente a hipótese de nulidade por defeituosa ciência do procedimento, defendida pela reclamante. Do mérito Conforme relatado, vêse que a questão envolve discussão sobre a existência ou não de direito ao ressarcimento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matéria prima, produto intermediário ou material de embalagem, nos moldes estabelecidos pela Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, especialmente no que diz respeito à possibilidade ou não de creditamento em relação às aquisições de insumos de empresas optantes pelo SIMPLES ou de comerciantes varejistas. Até o advento da Lei nº 9.779, de 19/01/99 (antiga MP nº 1.788/98), as hipóteses de ressarcimento relacionadas ao IPI abrangiam apenas o aproveitamento dos créditos presumidos do referido imposto a título de ressarcimento das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, instituídos pela Lei nº 9.363/96, assim como aqueles decorrentes de Fl. 250DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 10120.008376/200220 Acórdão n.º 380200.379 S3TE02 Fl. 243 11 estímulos fiscais inerentes ao tributo em questão, além da dedução do IPI devido pela saída de produtos tributados. No entanto, com a publicação da Lei nº 9.779/99, as hipóteses de utilização dos créditos do IPI passaram a ser bem mais abrangentes, tendose admitido a partir de então, conforme preceitua o texto legal, o aproveitamento dos saldos credores do imposto nas entradas de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, aplicados na industrialização de produtos, inclusive isentos ou tributados à alíquota zero, conforme redação de seu artigo 11, abaixo reproduzido: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Como se vê, o dispositivo legal em comento criou uma forma de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem aplicados na industrialização, saldo este que, anteriormente, era normalmente estornado em vista da isenção ou da tributação à alíquota zero das mercadorias produzidas, a menos que a indústria fabricasse outros produtos sujeitos à incidência normal do imposto, passíveis, pois, de possibilitar o encontro escritural das contas entre crédito e débito. No entanto, a novidade introduzida no ordenamento jurídico pelo artigo 11 da Lei no 9.779/99, relacionada, repitase, a nova possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI, não abrangeu nenhuma nova hipótese de creditamento do imposto além das já previstas nas normas que tratam da matéria em comento. E as normas em tela, com efeito, não autorizam o creditamento do referido imposto quando as aquisições dos insumos são realizadas de empresas optantes pelo simples ou de empresas não contribuintes do IPI, como as empresas varejistas. Relativamente às pessoas jurídicas que adquiriam produtos de empresas optantes pelo SIMPLES, a própria Lei no 9.317, de 05/12/1996 – à época em vigor –, em seu artigo 5o, § 5º, vedava a utilização de quaisquer créditos do IPI (bem como do ICMS), até porque as optantes pelo referido sistema integrado de tributação estavam impedidas de se apropriar dos créditos do imposto em comento, nos termos do referido ditame legal, abaixo reproduzido: § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. (grifo nosso) Não sem razão é que o Regulamento do IPI então vigente (Decreto no 2.637, de 25/06/1998) estabelecia, em seu artigo 149, que Fl. 251DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 12 As aquisições de produtos de estabelecimentos optantes pelo SIMPLES, de que trata o art. 105, não ensejarão aos adquirentes direito a fruição de crédito de matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem (Lei nº 9.317, de 1996, art. 5º, § 5º). Hoje essa questão vem disciplinada no artigo 178 do novo Regulamento do IPI (Decreto 7.212, de 15/06/2010), que, com fundamento no artigo 23 da Lei Complementar no 123, de 14/12/2006, manteve a vedação à apropriação e à transferência do imposto em tela às microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional. Em sintonia com a exegese aqui defendida a seguinte jurisprudência administrativa e judicial: ADQUIRENTE DE OPTANTE PELO SIMPLES. IMPOSSIBILIDADE DE APROVEITAMENTO DOS CRÉDITOS. Nos termos do § 5º do art. 5º da Lei nº 9.317/96, à empresa que adquire matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem de microempresa ou empresa de pequeno porte optante pelo SIMPLES Federal é vedada a apropriação de créditos do IPI, ainda que a nota fiscal do fornecedor, erroneamente, tenha o destaque o imposto. (Acórdão 340100.848, de 26/07/2010. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 1a Turma Ordinária da 4a Câmara. Processo 13971.001242/0021. Relator Emanuel Carlos Dantas de Assis) TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. IPI. DIREITO DE CREDITAMENTO. OPERAÇÕES ANTERIORES. AQUISIÇÃO DE INSUMOS. MICRO E PEQUENAS EMPRESAS OPTANTES DO SIMPLES. ART. 5º, PARÁGRAFO 5º, DA LEI Nº 9.317/96. PROIBIÇÃO DA MICROEMPRESA OU EMPRESA DE PEQUENO PORTE À APROPRIAÇÃO OU A TRANSFERÊNCIA DE CRÉDITOS RELATIVOS AO IPI E AO ICMS. CONSTITUCIONALIDADE. LEGALIDADE. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE. A opção do contribuinte pelo regime do SIMPLES encontrase dentro da sistemática adotada pela Constituição Federal na linha do art. 170, inciso IX da Constituição Federal relativa a elaboração de um tratamento simplificado e favorecido de pagamento às micro e pequenas empresas. O art. 3º, parágrafo 5º, da Lei nº 9.317/96, todavia, vedou expressamente que a microempresa e a empresa de pequeno porte creditemse do valor de IPI cobrado nas operações anteriores de aquisição de insumos para fins de compensação com a operação efetuada pela empresa. A estruturação do SIMPLES, regime diferenciado para as micro e pequenas empresas, foi desenvolvida a partir da elaboração de uma sistemática claramente benéfica em diversos sentidos, com vistas à redução dos custos com a manutenção da escrituração contábil e diminuição da carga tributária incidente, ante a unificação de diversos tributos, reduzindose o valor que seria cobrado caso fosse mantida a tributação do regime normal. As prescrições da Lei nº 9.317/96 devem ser seguidas exatamente nos moldes por ela trazidos, sob pena de, em caso contrário, estabelecerse uma terceira sistemática de tributação, de caráter híbrido, que não se sujeita nem à regra geral, nem ao SIMPLES. O ingresso ao regime do SIMPLES é opcional, voluntário, ou seja, cabe a cada empresa avaliar as vantagens ou desvantagens da sua adoção mediante a verificação da oportunidade e conveniência aplicáveis a sua realidade. Descabida, portanto, é a pretensão de criação de uma regra ainda mais benéfica, sem autorização legal, que traga hipóteses diferenciadas dentro daquilo que já é diferenciado. Apelação não provida. Fl. 252DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 10120.008376/200220 Acórdão n.º 380200.379 S3TE02 Fl. 244 13 (TRF da 5a Região. Primeira Turma. Apelação em Mandado de Segurança no 200581000157599. Relator: Desembargador Federal José Maria Lucena. Decisão unânime. Data da Decisão: 08/05/2008. Publicada no DJ de 29/05/2008, p. 414) Portanto, não há alicerce legal capaz de fundamentar o reconhecido do creditamento pleiteado na parte correspondente às aquisições de insumos realizadas de empresas optantes pelo SIMPLES. Com respeito às compras realizadas de comerciantes varejistas, igualmente, não assiste à recorrente direito a creditamento do IPI decorrente das referidas aquisições, e isso porque, simplesmente, tais empresas não são contribuintes do imposto em evidência, motivo pelo qual não se creditam do mesmo. Não há, pois, razão lógica que torne razoável arguir a possibilidade de transferência de créditos do imposto de empresa varejista para pessoa jurídica adquirente de seus produtos, posto que não se pode transferir o que não existe. Com efeito, concernente a aquisições de empresas não contribuintes do IPI, a lei possibilita apenas o creditamento do imposto relativamente a compras realizadas de comerciante atacadista. Nesse caso, o creditamento em tela deverá ser realizado utilizandose como base de cálculo o correspondente a 50% do valor do produto, nos termos do artigo 148 do Regulamento do IPI à época em vigor, abaixo reproduzido: Art 148. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão, ainda, creditarse do imposto relativo a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de comerciante atacadista nãocontribuinte, calculado pelo adquirente, mediante aplicação da alíquota a que estiver sujeito o produto, sobre cinqüenta por cento do seu valor, constante da respectiva nota fiscal (DecretoLei nº 400, de 1968, art. 6º). Claro está, pois, que o não reconhecimento do direito creditório pleiteado está alicerçado na própria lei, não havendo, portanto, nenhuma emenda a ser feita na decisão vergastada. Quanto à alegada apresentação das notas fiscais nos 737 e 789, a recorrente, também nesta instância, permanece sem acostar aos autos referidos documentos. Não há, pois, como se reconhecer o direito creditório concernente a aquisições respeitantes às quais a interessada não é capaz de comprovar o direito que alega lhe assistir. Assim, deverão ser mantidas, também neste aspecto, as razões pelas quais o direito ao creditamento não foi acolhido na instância a quo. Finalmente, no que concerne à alegada inconstitucionalidade normativa, é vedado à instância administrativa negar a aplicação de lei que entenda inconstitucional, visto que tal forma de proceder, quanto aos seus efeitos, em nada divergiria da declaração de inconstitucionalidade no controle difuso, ou por via de exceção, que, como se sabe, é prerrogativa do Poder Judiciário. Se isso fosse possível, estarseia diante de hipótese de atuação do julgador administrativo como verdadeiro legislador negativo, prerrogativa, como já dito, exclusiva do Poder Judiciário, que tem no Supremo Tribunal Federal o guardião principal da Constituição, nos termos do artigo 102, caput, da Constituição Federal. Fl. 253DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 14 Como se sabe, o julgador administrativo, está, sim, vinculado à legalidade estrita, por força do disposto no artigo 116, III, da Lei no 8.112/90, preceito o qual se repete no artigo 41, inciso IV, do Anexo II, do atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009. Aliás, especificamente sobre exame de constitucionalidade de norma, o caput do artigo 69 do Anexo II do mesmo Regimento veda “[...] aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade”, admitidas, contudo, as exceções elencadas no parágrafo único do referenciado artigo, dentre as quais não se enquadra a matéria fática examinada. Vale lembrar que tal restrição já estava contemplada no artigo 49 do antigo Regimento dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF no 147, de 25/06/2007. O disposto acima também está pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da Súmula no 02 do CARF, segundo a qual “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Da conclusão Por todo o exposto, voto, preliminarmente, para rejeitar os argumentos em defesa da nulidade aduzidos pela interessada, e, no mérito, para negar provimento ao recurso voluntário interposto pela mesma. Sala de Sessões, em 1o de março de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 254DF CARF MF Emitido em 22/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 14/03/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 22/03/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003111/2010-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Período de apuração: 01/05/2005 a 31/12/2005
CONHECIMENTO. IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO.
No caso de apresentação intempestiva da impugnação, não é possível o conhecimento do recurso voluntário quanto às matérias distintas da tempestividade.
INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. VALIDADE.
É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula Carf nº 9.)
Numero da decisão: 2301-010.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, conhecendo apenas da questão relacionada à tempestividade da impugnação, e por negar-lhe provimento.
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente
(documento assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente).
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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IMPUGNAÇÃO INTEMPESTIVA. AUSÊNCIA DE LITÍGIO. No caso de apresentação intempestiva da impugnação, não é possível o conhecimento do recurso voluntário quanto às matérias distintas da tempestividade. INTIMAÇÃO. VIA POSTAL. VALIDADE. É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. (Súmula Carf nº 9.) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer, em parte, do recurso voluntário, conhecendo apenas da questão relacionada à tempestividade da impugnação, e por negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Wesley Rocha, Flávia Lilian Selmer Dias, Fernanda Melo Leal, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Maurício Dalri Timm do Valle, João Maurício Vital (Presidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 31 11 /2 01 0- 86 Fl. 110DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-010.408 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003111/2010-86 Trata-se de lançamento de multa por descumprimento de obrigação acessória, consistente em deixar de informar em Gfip todas as bases de cálculo da contribuição previdenciária do período de 05/2005 a 12/2005 (CFL 68), incidente sobre remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais, Debcad nº 37.251.858-3. O lançamento foi impugnado e a impugnação não foi conhecida por intempestiva. Manejou-se recurso voluntário (e-fls. 94 a 106) em que se alegou: a) que a decisão recorrida não apreciou as alegações acerca da tempestividade da impugnação; b) que o signatário do aviso de recebimento da intimação do lançamento não detinha poderes para representar o contribuinte sendo, portanto, nula; c) que teria havido cerceamento do direito de defesa porque os documentos necessários à apresentação da defesa técnica teriam ficado retidos pela Autoridade Fiscal, o que tornaria nula a intimação e implicaria a reabertura do prazo impugnatório a partir da devolução dos documentos; d) que a impugnação foi tempestiva porque, dado que o signatário do aviso de recebimento não era representante legal da empresa, deveria ter sido aplicada a regra de que a data da ciência corresponderia a quinze dias após a expedição da intimação; e) a decadência, com fundamento no § 4º do art. 150 do CTN. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo. Entretanto, dele somente conheço da preliminar de tempestividade da impugnação, que impediu a análise das questões nela trazidas. Sobre a intimação por via postal, assim se manifestou o contribuinte na impugnação (e-fl. 327): Dessa maneira, assim como ocorre com a citação no processo civil, a intimação do lançamento é ato de comunicação imprescindível ao estabelecimento e desenvolvimento válidos da relação processual, sob pena de nulidade de todos os atos a ela subseqüentes. A inobservância das formalidades inerentes à intimação ou à citação acarretam a invalidação do processo determinando, no mínimo, seja ela reiterada ou refeita. No caso, presente a intimação via postal teve o aviso de recebimento assinado por quem não detém poderes de representação da Contribuinte, na forma de seus estatutos sociais. Fl. 111DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-010.408 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003111/2010-86 Constata-se a ausência, no “Aviso de Recebimento”, da necessária indicação de. entrega da correspondência em “mão própria”, haja visto a pessoalidade do ato de intimação, procedimento este inclusive previsto nas rotinas da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Essencialmente, o contribuinte reputou irregular a intimação postal em que o signatário do aviso de recebimento não seja o responsável legal pela empresa. O colegiado antecedente aplicou o que consta do inc. II do art. 23 e do inc. II do § 2º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que determina que a intimação por via postal é considerada feita na data do recebimento da correspondência no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, para considerar intempestiva a impugnação. Destacou que a norma que regula a intimação pela via postal não condiciona o recebimento da missiva pelo representante legal da empresa, contanto que seja dirigida ao domicílio tributário eleito. No recurso voluntário, o contribuinte reproduziu os mesmos argumentos carreados na impugnação quanto à sua tempestividade. É inconteste que o recebimento da intimação no domicílio ocorreu em 06/10/2010 e que a impugnação foi postada em 09/11/2010, após decorridos trinta dias da data de recebimento da correspondência. Nesse caso, aplica-se o disposto na Súmula Carf nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Uma vez intempestiva a impugnação, não houve a instauração do litígio, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235, de 1972, razão pela qual não é possível conhecer das demais questões recursais. Conclusão Voto por conhecer, em parte, do recurso voluntário, conhecendo apenas da questão relacionada à tempestividade da impugnação, e por negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) João Maurício Vital Fl. 112DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-010.408 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 19515.003111/2010-86 Fl. 113DF CARF MF Original
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Numero do processo: 37280.000024/2005-92
Turma: Sexta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Aug 06 00:00:00 UTC 2008
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2003
PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE PARA MANIFESTAÇÃO ACERCA DE ATOS PROCESSUAIS/DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE.
É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação.
Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestar-se acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo fiscal, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento.
Processo Anulado.
Numero da decisão: 206-01.133
Decisão: ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância.
Nome do relator: CLEUSA VIEIRA DE SOUZA
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ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2003 PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE PARA MANIFESTAÇÃO ACERCA DE ATOS PROCESSUAIS/DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestar-se acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo fiscal, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento. Processo Anulado.
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CONFERE COM O pRialMe" Brasi lia , 1011" &Íb Z_) CCO2JC06r de Fátima F r (a km arvaihc Fls. 258 Maria Matt Siape 751683 irs41:& MINISTÉRIO DA FAZENDA ,:t) i-pd SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES SEXTA CÂMARA Processo n° 37280.000024/2005-92 Recurso n° 141.357 Voluntário Matéria DIFERENÇA DE CONTRIBUIÇÃO Acórdão n. 206-01.133 Sessão de 06 de agosto de 2008 Recorrente TRANSPORTES FUTURO LTDA Recorrida SECRETARIA DA RECEITAPREVIDENCIÁRIA - SRP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2003 a 31/08/2003 PREVIDENCIÁRIO. NORMAS PROCEDIMENTAIS. PRINCÍPIOS DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E AMPLA DEFESA. AUSÊNCIA INTIMAÇÃO CONTRIBUINTE PARA MANIFESTAÇÃO ACERCA DE ATOS PROCESSUAIS/DILIGÊNCIA REQUERIDA ANTES DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. É nula a decisão de primeira instância que, em detrimento aos princípios do devido processo legal e ampla defesa, é proferida sem a devida intimação do contribuinte do resultado de diligência requerida pela autoridade julgadora após interposição de impugnação. Ao contribuinte é assegurado o direito de manifestar-se acerca de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo fiscal, que possam interferir diretamente na apreciação da legalidade/regularidade do lançamento. Processo Anulado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. . 2° Cd/lVii- Sexta Câmara Processo n° 37280.00002412005-92 CONFERE COM O ORIGINAL CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.133 Brasília, 20 / itiall/ c—) Fls. 259grMaria de Fátima F ElP arvalho Matr. Siape 751683 . ACORDAM os Membros da SEXTA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em anular a Decisão de Primeira Instância. ELIAS SA TO FREIRE(1-- I\ -----% Presidente CLEUSA I~JZAi Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Rogério de Lenis Pinto, Bemadete de Oliveira Barros, Ana Maria Bandeira, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Marcelo Freitas de Souza Costa (Suplente convocado). 2 Processo n°37280.000024/2005-92 ta Cãmara- CCO2/C06 • ás*, ORIGINALAcórdão n, 206-01.133 coNFERE COM O Fls. 260 Brasilia. Maria de Fátima Matr. Siape 751683 Relatório 2f2S-r eir arve.%"") Trata-se de Crédito Previdenciário lançado contra a empresa em epígrafe, constante da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito —NFLD n° 35.576.867-4 que, de acordo com o relatório fiscal, fls. 14/15, refere-se a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho; e as destinadas a outras entidades e fundos, no período de março a agosto de 2001 Segundo o referido relatório fiscal, constituem fatos geradores das contribuições objeto do presente lançamento, as remunerações pagas e/ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais (pró-labore), conforme planilha constante do presente relatório fiscal. Tempestivamente o contribuinte apresentou sua contestação, fls. 33, em que alegou, em síntese, que foram constatadas divergências de valores recolhidos entre GPS e a GFIP,que em virtude das diferenças encontradas deixou de recolher a parte patronal que serão eventualmente compensadas através de RDE. Juntou aos autos os documentos de fls. 35/47. A vista das alegações da empresa, a Seção de Análise de Defesas e Recursos na Gerência Executiva do Rio de Janeiro —Sul, encaminhou os autos A ao Coordenador de Equipe Fiscal, sugerindo fossem os autos devolvidos ao fiscal notificante para apreciação da defesa a fim de dirimir as dúvidas suscitadas no processo e elaboração de planilha contendo separadamente os valores lançados,informando os valores a ser retificados e lançados em Notificação complementar. O atendimento encontra-se às fls. 89/92. No entanto o recorrente não foi intimado do resultado dessa diligência. A Gerência Executiva do Instituto Nacional do Seguro Social —INSS no Rio de Janeiro/RJ, por meio da Decisão Notificação n° 17.403.4/0093/2004, julgou procedente em parte o lançamento, trazendo a referida decisão a seguinte ementa: "CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EMPRESA OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. NFLD. FORMALIDADES LEGAIS. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições a seu cargo incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer título,aos segurados empregados,trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviços- Art. 30, I, alínea "b" da Lei n° 8212/91 e alterações posteriores São devidas as contribuições de vinte por cento sobre o total das remunerações pagas aos empresários a partir de 03/2000 ,de acordo com o inciso III do art. 22 da Lei n' 8212/91,acrescentado pela Lei n°9876/99 LANÇAMENTO PROCEDENTE.EM PARTE." Inconformada com a Decisão recorrida, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 111/112, reproduzindo as razões aduzidas em sua impugnação e requerendo a suspensão da exigibilidade do crédito até a decisão final da presente NFLD. r CC/MF - anta Cãmaira-. CONFERE COM O ORIGINAL Processo n°37280.00002412005 -92 CCO7JC06 Acórdão n.°206-01.133 Brasilia, / / F. 26I-0 Maria de Fátima F a • e n6 arvalho Metr. Siar* 751683 Solicitou que seja determinada nula a NFLD em razão das alíquotas determinadas em face de erros materiais, nas quais serão compensadas o mais rápido possível através de RDE. A Secretaria da Receita Previdenciária apresentou contra-razões, às fls. 284/292, em defesa da decisão recorrida, propondo a sua manutenção. Não houve depósito prévio de 30 % em face da decisão proferida em Mandado de Segurança n° 2005.5101023983-9,determinando o seguimento do recurso. É o relatório. Voto Conselheira CLEUSA VIEIRA DE SOUZA, Relatora Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e dispensado do depósito recursal obrigatório por força de decisão judicial. Não obstante as razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte durante todo procedimento fiscal, especialmente no seu recurso voluntário, bem como as contra-razões do INSS em defesa da manutenção do crédito previdenciário, há nos autos vicio sanável, ocorrido no decorrer do processo administrativo fiscal, o qual precisa ser saneado, antes mesmo de se adentrar ao mérito da questão, com o fito de se restabelecer a garantia do devido processo legal. Com efeito, ainda que o contribuinte não tenha suscitado em suas razões recursais, do exame dos elementos que instruem o processo conclui-se que a fiscalização, e bem a assim a autoridade julgadora de primeira instância, cercearam o direito de defesa da recorrente, senão vejamos. Consoante se positiva da análise dos autos, após a apresentação da defesa da contribuinte o julgador recorrido achou por bem encaminhar os autos à Fiscalização que a autoridade autuante examinasse as razões e documentos colacionados aos autos naquela oportunidade. Em atendimento ao solicitado pela Autoridade julgadora, o ilustre auditor fiscal autuante elaborou Informação Fiscal, às fls. 89/90, em que consta planilha, que segundo ele, deverá ser utilizada para orientar a retificação do débito. Ocorre que, ao arrepio do princípio do devido processo legal, mais precisamente da ampla defesa, o contribuinte não fora intimado para manifestar-se a respeito de referida informação, ferindo-lhe, assim, seu direito a ampla defesa, inscrito no artigo 5°, inciso LV, da CF, in verbis: "Art. 5°. — aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;" kos r Cether - Sexta Carnal a•• CONFERE COM OORIGINAL Processo n°37280.000024/2005-92 • o CCO2/C06Acórdão n.°206-01.133 Brasilia, Fls. 262 Mana de Fátima Fer a e arvalho Metr. Siape 751683 A corroborar este entendimento a Lei n° 9.784/99, que regulamenta o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, em seus artigos 26 e 28, assim preceitua: "Art. 26. O órgão competente perante o qual tramita o processo administrativo determinará a intimação do interessado para ciência da decisão ou a efetivação de diligências. Art. 28. Devem ser objeto de intimações os atos do processo que resultem para o interessado em imposição de deveres, ónus, sanções ou restrições ao exercício de direito e atividades e os atos de outra natureza, de seu interesse." Na mesma linha de entendimento, para não deixar dúvidas quanto a nulidade da decisão de primeira instância, o artigo 59, inciso II, do Decreto n° 70.235/72, estabelece o seguinte: "Art. 59. São nulos: — os despachos e decisões proferidos por autoridades incompetentes ou com preterição do direito de defesa • " (grifamos) Por sua vez, a doutrina pá fria não discrepa deste entendimento, senão vejamos: "Especificamente, no processo administrativo fiscal, há previsão para a observância do contraditório e da ampla defesa, já que a Lei n° 9.784/99, e seu artigo 2°, inciso X, prescreve Também o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes determina, em seu artigo 18, § 7°, a abertura de vista à parte contrária no caso de apresentação de esclarecimentos ou documentos pela outra parte. [...] Assim, se, na fase de instrução, são trazidos, aos autos, dados ou documentos colhidos externamente, sem conhecimento do contribuinte, a este deve ser concedido o prazo do citado art. 44 para manifestação. De igual forma, se o julgamento é convertido em diligência ou perícia,. seja a requerimento da parte. seja por determinação de oficio da autoridade julgadora, com vistas a contemplar a instrução do processo, é cogente a oitiva das partes (interessado e Procurador da Fazenda Nacional) após encerrada a instrução." (NEDER, Marcos Vinícius / LOPEZ, Maria Teresa Martinez — Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado — São Paulo: Dialética, 2002 — pág. 41) Igualmente, a jurisprudência administrativa é mansa e pacifica neste sentido, conforme faz certo o julgado dos Conselhos de Contribuintes, com sua ementa abaixo transcrita: "Normas Processuais — Ofensa aos Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa — Nulidade. Manifestando-se o autuante após a impugnação, deve ser dada ciência dessa manifestação ao contribuinte, com abertura de prazo para sobre ela se manifestar, em atenção aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Processo que se anula a partir da manifestação fiscal posterior à impugnação, exclusive." (1" Câmara do 1° Conselho de Contribuintes, Acórdão n° 101.93.294 — D. O. U de 12/03/2001) 435 ., 2—"rei-VIF - Sexta Camara94 CONFERE COMO ORIGINAL Processo n°37280.000024/2005-92CCO2/C06 Acórdão n.°206-01.133 Brasília, ' 41' 411.31 /I' o j. ..e.drd Fls. 263 Maria de Fatima F "te • a a Mas. Siape 751643 Na hipótese vertente, com mais razão a exigência da intimação da contribuinte para manifestação acerca do resultado da diligência requerida pela autoridade julgadora se faz presente a medida em que, posteriormente à apresentação da impugnação, submetido o processo ao exame da autoridade autuante, desta se infere que de algum modo o contribuinte tem razão já que se admitiu retificar o débito. Imperioso ressaltar que em face das razões e documentos ofertados pelo contribuinte, impondo a este o conhecimento da parte remanescente da obrigação descumprida, tendo em vista seu sagrado direito a ampla defesa, o qual garante a recorrente manifestar-se a respeito de todos os atos processuais levados a efeito no decorrer do processo administrativo que possa atingir-lhe em seu patrimônio, ou mesmo interferir na apreciação da regularidade do ato administrativo, Observe-se, que ao negar a contribuinte o direito de se manifestar a respeito do resultado da diligência requerida pela autoridade julgadora de primeira instância, estaríamos, de certa forma, criando e/ou admitindo as contra-razões da impugnação, figura processual que só é contemplada pela legislação previdenciária quando da interposição do recurso voluntário. Ou seja, a autuada oferece sua impugnação e o julgador monocrático submete ao fiscal autuante as razões ali consignadas para que ele as examine, acolhendo-as ou não. Em outras palavras, efetivamente, não deixa de ser contra-razões de impugnação. Nessa esteira de entendimento, tratando-se, como de fato, se trata, de diligência, deve o contribuinte tomar conhecimento de seu resultado para se manifestar a respeito, se assim achar por bem, sobretudo quando inexiste na legislação de regência a figura do processual das "contra-razões de impugnação", não podendo o julgador inovar o que a legislação não contempla, ou mesmo ampliá-la de maneira a acobertar novos atos processuais. Assim, deixando a autoridade julgadora de primeira instância de intimar/cientificar a contribuinte do resultado da diligência requerida, para devida manifestação, após a apresentação de sua impugnação e antes de proferida a decisão, incorreu em cerceamento do direito de defesa da recorrente, em total afronta ao principio do devido processo legal, o que enseja a nulidade da decisão recorrida, bem como de todos os atos subseqüentes, devendo o presente processo ser remetido a origem para intimar a notificada das razões da fiscalização consubstanciadas na Informação Fiscal, às fls. 89/90, para que seja proferida nova decisão pela autoridade monocrática na boa e devida forma. Isto posto, e CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta: CONCLUSÃO: VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO DA CONTRIBUINTE E ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, por meio da Decisão-Notificação n° 17.403.4/0093/2004. Sala das Sessões, em 06 de agosto de 2008 à et C LEUSA MA 4-5-OUZA 6 Page 1 _0027600.PDF Page 1 _0027700.PDF Page 1 _0027800.PDF Page 1 _0027900.PDF Page 1 _0028000.PDF Page 1
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Numero do processo: 11020.000150/2004-33
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 02 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003
PIS. REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE.
UTILIZAÇÃO DE BENS E
SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO
DIREITO.
No regime de incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3°, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vê-se que o legislador optou por um regime de não-cumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e
sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto especialmente instituído para sua tributação.
Assim, não há nenhum disparate em conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI e espelhado nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8°, § 4º), posto que estas retrataram propósito que está em sintonia com o desiderato do legislador ordinário, não sendo razoável admitir, pois, a acepção de insumo na amplitude do termo dada por seu aspecto econômico.
Concernente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, referidas instruções normativas consideram como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”, da IN SRF 247/2002 e art. 8°, § 4º, II, “b”, da IN SRF 404/2004), prescrições as quais estão em sintonia com o inciso I, § 3°, artigo 3°, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP.
CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM
INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO
DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE
SERVIÇOS.
O creditamento objeto do regime da não-cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica.
Recurso a que se dá provimento em parte.
Numero da decisão: 3802-000.336
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003 PIS. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. UTILIZAÇÃO DE BENS E SERVIÇOS COMO INSUMOS. CREDITAMENTO. AMPLITUDE DO DIREITO. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis 10.637 de 2002 e 10.833 de 2003 (art. 3o, inciso II) possibilitam o creditamento tributário pela utilização de bens e serviços como insumos na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ou ainda na prestação de serviços, com algumas ressalvas legais. Diante do modelo prescrito pelas retrocitadas leis dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo vêse que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, onde o termo “insumo”, como é e sempre foi historicamente empregado, nunca se apresentou de forma isolada, mas sempre associado à prestação de serviços ou como fator de produção na elaboração de produtos destinados à venda, e, neste caso, portanto, vinculado ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto especialmente instituído para sua tributação. Assim, não há nenhum disparate em conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI e espelhado nas Instruções Normativas SRF nos 247/2002 (art. 66, § 5º) e 404/2004 (art. 8o, § 4º), posto que estas retrataram propósito que está em sintonia com o desiderato do legislador ordinário, não sendo razoável admitir, pois, a acepção de insumo na amplitude do termo dada por seu aspecto econômico. Concernente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, referidas instruções normativas consideram como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”, da IN SRF 247/2002 e art. 8o, § 4º, II, “b”, da IN SRF 404/2004), prescrições as Fl. 311DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 2 quais estão em sintonia com o inciso I, § 3o, artigo 3o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP. CREDITAMENTO DECORRENTE DE CUSTOS E DESPESAS COM INSUMOS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA APLICAÇÃO DOS INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO OU NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. O creditamento objeto do regime da nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, além da necessária observação das exigências legais, requer a perfeita comprovação, por documentação idônea, dos custos e despesas decorrentes da aquisição de bens e serviços empregados como insumos na atividade da pessoa jurídica. Recurso a que se dá provimento em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator EDITADO EM: 08/02/2011 Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Adélcio Salvalágio, Mara Cristina Sifuentes (Substituta) e Tatiana Midori Migiyama (Substituta). Ausente o Conselheiro Alex Oliveira Rodrigues de Lima. Relatório O presente processo diz respeito a recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ Porto Alegre (fls. 241/244), a qual, por unanimidade de votos, não acolheu os argumentos aduzidos na manifestação de inconformidade apresentada pela interessada contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DCOMP), nos termos do Acórdão nº 1020.508, proferido em 30 de julho de 2009, abaixo transcrito: Acordam os membros da 2ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, indeferir a solicitação, além de considerar definitiva, na esfera administrativa, a glosa dos créditos apurados indevidamente sobre frete nas operações de venda. A autoridade julgadora a quo assim descreve os fatos atinentes à presente lide: Fl. 312DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.000150/200433 Acórdão n.º 380200.336 S3TE02 Fl. 276 3 Tratase de manifestação de inconformidade contra indeferimento parcial de pedido de ressarcimento (PER/DECOMP), relativo ao saldo credor de PIS/Pasep não cumulativo, visando a ter reconhecido direito a se ressarcir do creditamento de valores referentes a aquisições de partes, peças, combustíveis, consumo de energia elétrica e despesas diversas, que foram glosadas em face da impossibilidade de sua caracterização como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de Pis e Cofins. O contribuinte também defende a legitimidade de créditos sobre serviços que a fiscalização apontou como não utilizados no processo produtivo. Contudo, o interessado expressamente reconheceu que apurou indevidamente créditos sobre frete nas operações de venda. Por fim, alerta que a fiscalização emitiu extrato de processo, carta de cobrança e DARF em nome de terceira empresa, PRIME TIMBER INDUSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS S/A, CNPJ 03.859.845/0001 25, no entanto, conforme ressaltado pela própria fiscalização no relatório de verificação fiscal, os valores constantes no presente processo referemse a créditos da empresa JN TIMBER EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO LTDA, CNPJ 89.611.644/000120, a qual sofreu cisão total em 01/12/2005, tendo a totalidade de seus créditos sido absorvidos pela contribuinte. Este fato, também estaria comprovado, pela anexa alteração do contrato social, no qual consta o protocolo de justificativa de cisão e, também, pelo anexo balancete da época, ambos demonstram que os créditos foram absorvidos por ELIEL INDUSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS LTDA. Dessa forma, requer que sejam cancelados os documentos emitidos em nome da terceira empresa, PRIME TIMBER INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MADEIRAS S/A. Isto posto, requer o recebimento de sua manifestação, com a reforma do despacho decisório, o reconhecimento integral dos créditos pleiteados e a extinção do débito compensado. Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acatados pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, tendo a mesma, como já dito, indeferido a solicitação apresentada àquela instância, conforme ementa do Acórdão correspondente, abaixo transcrito: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 28/02/2003 Ementa: Existe vedação legal para o creditamento de despesas que não podem ser caracterizadas como insumos dentro da sistemática de apuração de créditos pela nãocumulatividade de Pis e Cofins. Solicitação Indeferida Cientificada da referida decisão em 19/08/2009 (fls. 248), a interessada, em 17/09/2009 (fls. 249), apresentou o recurso voluntário de fls. 249/260, onde se insurge contra o lançamento com fundamento nos mesmos argumentos já expostos na primeira instância recursal, os quais, em maiores detalhes, abordam as questões na sequência relatadas. Fl. 313DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 4 Primeiramente, a recorrente afirma exercer atividade dedicada ao reflorestamento, ao manejo de florestas, ao beneficiamento de madeira, à indústria, ao comércio, à importação e à exportação de madeira, e que, em tal condição, faria jus à restituição de valores relativos ao crédito de PIS e COFINS nos termos das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03. Referido direito de crédito, ressalta, fora criado como forma de ressarcimento dos valores incidentes sobre as aquisições de insumos empregados no processo produtivo de bens exportados, visando, justamente, estimular as exportações. Assim, como forma de dar efetiva aplicação ao regime da nãocumulatividade a que passaram a estar sujeitos o PIS e a COFINS, as Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, ao lado de garantir créditos sobre as aquisições de insumos feitas junto a pessoas jurídicas, asseguraram às empresas que produzem mercadorias de origem animal e vegetal o direito ao crédito calculado sobre as aquisições de matérias primas ou serviços partícipes do processo produtivo. Esse crédito, inclusive, poderia vir a ser objeto de compensação ou de ressarcimento em dinheiro se, ao final de cada trimestre civil, a empresa não tivesse conseguido utilizar o crédito apurado na forma do artigo 3o de ambas as retrocitadas leis. Quanto à alegada apuração indevida de créditos sobre partes, peças, combustíveis e despesas diversas, alega que o indeferimento relativo ao combustível e lubrificantes não poderia prevalecer, pois estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo (em máquinas, ferramentas e veículos – detalhes às fls. 252/254), conforme informado à fiscalização. Aduz ainda que “o combustível utilizado na Camionete Chevrolet, no ônibus e demais veículos da contribuinte representa quantia mínima quando comparado ao total do combustível utilizado em seu processo produtivo”, o que não justificaria a glosa de todo o combustível e lubrificantes utilizados pela empresa, “[...] pois é sabido e demonstrado que quase sua totalidade foi utilizada no processo produtivo”. Concernente à alegada apuração indevida de créditos sobre partes, peças e despesas diversas, assevera que os itens relativos às partes e peças para manutenção de máquinas são considerados insumos para fins de apuração do crédito de PIS/COFINS, e que as instruções normativas citadas, nas quais se embasou a decisão recorrida, seriam manifestamente ilegais, posto comportarem restrições não previstas na lei. Defende que o caso presente, por versar sobre créditos de PIS e de COFINS, não poderia estar adstrito à acepção de insumo dada pela legislação do IPI. Assim, para efeitos de PIS e COFINS, deverseia dar ampla compreensão ao termo, “[...] pois o conceito de insumos se relaciona com a totalidade das receitas auferidas (faturamento) pela contribuinte, as quais, para serem obtidas, exigem que o contribuinte incorra em custos e despesas”. Colaciona respeitável doutrina e ressalta a impossibilidade de o aplicador da norma criar restrição ao gozo do direito ao crédito não prevista originariamente na lei. Assevera que [...] As partes e peças citadas pela fiscalização (rolamentos, retentores, arroelas, parafusos, porcas, correntes, correias, arame farpado, pregos), são itens obrigatórios e essenciais, para a consecução de sua atividade e não podem ser considerados como dissociados da atividade produtiva, pois são intrínsecos e associados a sua atividade. Tece comentários sobre a finalidade da instituição do regime da não cumulatividade das contribuições em evidência. Fl. 314DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.000150/200433 Acórdão n.º 380200.336 S3TE02 Fl. 277 5 A recorrente se manifesta também contra a glosa dos créditos decorrentes dos serviços prestados à mesma sob a justificativa de sua não utilização no processo produtivo. Nesse diapasão, argumenta haver, sim, feito a devida comprovação através da apresentação de notas fiscais de serviços que trazem na sua descrição: “Prestação de serviços, roçadas no plantio de pinus elliotis, extração de toras de pinus elliotis, serviços prestado em roçadas de campo, serviços no plantio de pinus elliotis”, atividades estas em sintonia com o objeto social da reclamante. Quanto à alegação de que os contratos apresentados pela recorrente não guardam pertinência com a situação fática, alega que o fisco teria usado de “excessivo formalismo”, posto haver se prendido no fato de nos mesmos “estar equivocadamente referida a lei que trata de empregados temporários para negarlhes credibilidade”. Nesse sentido, ressalta haver esclarecido “[...] que nunca contratou empregados temporários e isso de fato nunca ocorreu. O que foi contratado pela empresa foram prestadores de serviços, conforme já comprovado através das notas fiscais, comprovantes de pagamento e demais documentos”. Ressalta ainda, textualmente: Por outro lado, a fiscalização alega que as notas fiscais emitidas por Paulo Roberto Correa da Silva e Manoel Antônio Pereira e Cia Ltda não seriam documentos hábeis porque nelas não consta a inscrição "nota fiscal" e nas notas fiscais de Manoel Antônio Pereira e Cia não consta o número de sua inscrição no CNPJ. Observase, no entanto, que inclusive os impostos foram destacados nas referidas notas fiscais, os quais foram retidos e recolhidos. Resta evidente que a ausência das inscrições nas notas fiscais ocorreram por erro da gráfica, pois podese observar que os formulários de ambos os prestadores de serviços foram impressos pela mesma gráfica. Por outro lado, é sabido que, ressalvados os casos de conluio ou fraude entre emitente e destinatário, que não é o caso, a proibição de utilização do crédito fere o disposto na lei que instituiu a nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Com efeito, em respeito à nãocumulatividade, cada aquisição de mercadoria sujeita à incidência do PIS e da COFINS gera, para seu adquirente, crédito correspondente ao seu valor. Não tem influência, para o pleno exercício do direito creditório, irregularidades praticadas pelo emissor do documento fiscal. Ainda com respeito ao problema em tela, propugna pela aplicação do princípio da boafé, aduzindo não dispor a recorrente de poder de polícia para verificar o correto cumprimento das obrigações por parte da emissora dos documentos fiscais em tela. Finalmente, em relação à não apresentação dos comprovantes de entrega de recebimento dos produtos, ressalta que a conferência de tais serviços teria sido realizada na floresta. Nesse sentido, afirma o seguinte: [...] As toras eram deixadas pelos prestadores de serviços em picadas abertas na floresta e após feita a conferência as quantidades eram informadas aos contratados para emissão da nota fiscal. Efetivamente a recorrente não arquivou os documentos relativos a este ato, entretanto, isso não o torna inexistente, pois comprovado através das notas fiscais, pagamentos feitos e lançamentos contábeis. Por isso, tal decisão merece ser Fl. 315DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 6 reformada também neste aspecto, para determinar a extinção do débito compensado pela recorrente. Diante do exposto, requer seja reformada a decisão de primeira instância e homologadas integralmente as compensações vinculadas ao processo, reconhecendo sua integralidade e determinando a extinção do débito compensado pela recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco José Barroso Rios Preliminarmente Da Admissibilidade do recurso O recurso é tempestivo. Quanto à legitimidade da signatária da peça recursal para representar a interessada, vêse que referida peça vem assinada por Thaíse de Zorzi Nesello, na condição de representante da empresa Eliel Indústria e Comércio de Madeiras Ltda., da qual referida signatária, com efeito, figura como uma das diretoras, nos termos do Capítulo VII do Contrato Social Consolidado. Nessa condição, tem a signatária poderes para representar aludida pessoa jurídica, conforme Cláusula 9a do citado Contrato Social, segundo a qual “a sociedade será representada ativa e passivamente, judicial e extrajudicialmente, por seus diretores, isoladamente, com poderes amplos de gestão [...]”. Do teor da Ata de Reunião dos Sócios / Instrumento Particular de Alteração do Contrato Social / Segunda Alteração Contratual, formalizado em 1o de dezembro de 2005, constatase, em seu Item II, que a empresa Eliel Indústria e Comércio de Madeiras Ltda. incorporou o acervo da sociedade cindida J. N. Timber Exportação e Importação Ltda., sendo, assim, beneficiária dos direitos e responsável pelas obrigações transferidas, nos termos do artigo 233 da Lei no 6.404, de 15 de dezembro de 1976, questão, por sinal, evidenciada na alínea “F” do Item II acima reportado. Portanto, feitas as pertinentes considerações, entendo que o recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Mérito A questão envolve discussão concernente à existência ou não de direito creditório referente ao regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep, de competência dos meses de dezembro de 2002 a fevereiro de 2003. É pertinente, portanto, que, antes do exame das questões fáticas objeto da lide, sejam feitas breves considerações acerca do referido regime de incidência, nas quais abordaremos, também, algumas questões atinentes à COFINS, dada a similitude entre os regimes de incidência nãocumulativa das referidas contribuições, e por tal contribuição ser também objeto de discussão em outros processos da interessada também sob responsabilidade deste relator. Fl. 316DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.000150/200433 Acórdão n.º 380200.336 S3TE02 Fl. 278 7 O regime de incidência nãocumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS foi instituído, respectivamente, pelas leis nº 10.637, de 30/12/2002 (conversão da Medida Provisória no 66, de 2002), e 10.833, de 29/12/2003 (conversão da medida Provisória no 135, de 2003), tendo passado a produzir efeitos, em relação à nãocumulatividade dessas contribuições – na mesma ordem – a partir de 1o de dezembro de 2002 e de 1o de fevereiro de 2004. Ressalvadas as exceções legais, estão sujeitas à incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda que apuram o IRPJ com base no lucro real. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS as alíquotas das contribuições em evidência são de, respectivamente, 1,65% (artigo 2o da Lei no 10.637/2002) e 7,6% (artigo 2o da Lei no 10.833/2003). No entanto, as leis instituidoras do regime da nãocumulatividade prevêem hipóteses legais que ensejam a aplicação de alíquotas específicas, nos termos dos parágrafos objeto dos correspondentes artigos 2o de cada uma das leis em comento. A legislação pertinente ao regime autoriza, ainda, o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos dos artigos 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. O cálculo do crédito é realizado mediante a aplicação das mesmas alíquotas específicas para o PIS/Pasep e para a COFINS sobre referidos custos, despesas e encargos (vide artigo 3o, § 1o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referidas leis, em seus correspondentes artigo 3o, § 2o, fazem ressalvas ao direito de creditamento em tela. Assim, não dará direito a crédito o valor da mãodeobra paga a pessoa física (hipótese prevista originariamente nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), bem como (e agora incluídas pela Lei 10.865/2004) as quantias despendidas na aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, e aqui (isenção), quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota zero, isentos ou não alcançados pela contribuição. Os créditos apurados deverão ser utilizados, prioritariamente, para a dedução do valor devido das correspondentes contribuições a recolher. No caso de créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados a receitas de exportação, poderão tais créditos ser utilizados para a compensação com outros débitos da própria empresa, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. As leis instituidoras da nãocumulatividade admitem, ainda, o ressarcimento em dinheiro, caso não seja possível a utilização dos créditos para a dedução das contribuições a recolher até o final de cada trimestre do ano civil. A questão posta em exame diz respeito, justamente, à existência ou não de direito ao creditamento do PIS/Pasep nãocumulativo em vista da aquisição de matériasprimas e de serviços utilizados no processo produtivo destinado à exportação. Com efeito, o inciso II do artigo 3o da Lei no 10.637 de 2002 (bem como do correspondente preceito da Lei no 10.833/2003), prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes (a Lei nº 10.865, de 2004, excetuou o pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº 10.485, de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao Fl. 317DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 8 concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI). E eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Ressaltese que as normais legais stricto sensu que prevêem a não cumulatividade (Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) são omissas quanto ao alcance do termo “insumo” para fins de cálculo do crédito atinente a referidas contribuições. Tal amplitude terminológica encontrase disposta apenas em norma de natureza infralegal, qual seja, no § 5º, do artigo 66, da IN SRF no 247, de 21/11/2002 (dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003), segundo o qual: § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput [bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos], entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Concernente à nãocumulatividade da COFINS, o mesmo regramento encontrase disposto nos incisos I e II do § 4º, do artigo 8o, da IN SRF no 404, de 12/03/2004. Para a doutrina, há os que defendem a ampla consideração como insumo de todas as despesas da empresa, como Natanael Martins1. Segundo ele, pelo fato das contribuições em comento alcançarem a receita total das empresas, a única forma de assegurar sua integral nãocumulatividade seria se “os créditos apropriáveis alcançarem todas as despesas necessárias à consecução das atividades da empresa”. Marco Aurélio Greco2 discorda de tal posicionamento. Para este, os insumos para fins de PIS/Pasep e Cofins não se equiparam àqueles indicados pela legislação do Imposto de Renda, uma vez que há distinção material entre receita e renda. Patrícia Madeira, ao estudar a questão da nãocumulatividade, e explicando a lição de Greco, assevera que os pressupostos de fato para o IRPJ e a CSLL são o resultado positivo (renda/lucro), e, nesse caso, deverão ser 1 MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO. Marcelo Magalhães, FISCHER, Octávio Campos (coord.). PISCofins: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005. p. 204. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. 2 GRECO, Marco Aurélio. Não cumulatividade no PIS e na COFINS. In: PAULSEN, Leandro (Coord.) et al. Não cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins. São Paulo: IOB Thompson. Porto Alegre: Instituto de Estudos Tributários, 2004. p. 112122. apud MADEIRA, Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves. Nãocumulatividade do PIS e da COFINS. Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo. Dissertação de Mestrado. 2009. p. 127. Fl. 318DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.000150/200433 Acórdão n.º 380200.336 S3TE02 Fl. 279 9 considerados todos os custos que interferirem na sua apuração. No entanto, “nem todos os custos da atividade empresarial interferem na formação da receita, que é materialidade do PIS e da Cofins”. A ideia de insumo proclamada pela legislação do IPI também não seria aplicável para o PIS/Pasep e para a COFINS3, dado ser o IPI [...] tributo cuja nãocumulatividade se opera pelo método subtrativo, variante imposto contra imposto (que, portanto, requer tenha havido incidência na operação anterior para que o insumo seja creditável) e cuja materialidade (industrialização) remete à ideia de algo fisicamente apreensível. Como a receita decorre de uma prestação de serviços ou da produção de bens, Marco Aurélio Greco conclui que só deve ser insumo o que for inerente àquilo que denomina de “processo formativo da receita”. Em suas palavras: relevante é determinar quais os dispêndios ligados à prestação de serviços e à fabricação/produção que digam respeito aos respectivos fatores de produção (= deles sejam insumos). Se entre o dispêndio e os fatores capital e trabalho houver uma relação de inerência, haverá – em princípio – direito à dedução. Há ainda outros pensamentos doutrinários diversos que revelam grandes disparidades concernentes aos critérios sobre o que pode ou não ser considerado como insumo para fins de creditamento do PIS/Pasep e da COFINS no regime da nãocumulatividade. A compreensão que extraímos do estudo do tema no âmbito do presente foro de discussão destinado a buscar um posicionamento justo para a lide é no sentido de que, tal heterogeneidade de posicionamentos existe, justamente, em vista da sistemática sui generis pela qual optou o legislador ao criar o regime em tela. E, nesse ponto, se a lei admite o direito de crédito decorrente de despesas incorridas pela pessoa jurídica, tais como pelo aluguel de prédios, de máquinas e de equipamentos utilizados nas atividades da empresa, bem como da energia consumida em seus estabelecimentos, dentre várias outras hipóteses, também permite que referido direito creditório decorra da aquisição de bens e de serviços utilizados como insumo, ressalvadas as exceções legais. Na verdade, dadas as limitações impostas ao creditamento pelo texto normativo, constatase que o legislador optou por um regime de nãocumulatividade parcial, muito embora parte da doutrina tente dar ao regime um sentido mais amplo e próximo dos aspectos econômicos da produção, o que, entendemos, não encontra alicerce na legislação pertinente. Especialmente sobre o alcance do termo “insumo” vejamos, primeiramente, o teor do inciso II do artigo 3o de ambas as leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que, sobre a correspondente contribuição determinada na forma do artigo 2o de cada lei, permite o desconto de créditos calculados em relação a: 3 O trecho acima, que sintetiza a lição de Marco Aurélio Greco (op. cit., p. 117118), foi extraído da Dissertação de Mestrado de Patrícia Hermont Barcellos Gonçalves Madeira, p. 127128 – referência já citada. Fl. 319DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 10 II bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou à prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (redação original da Lei 10.637/2002) II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (Lei 10.637/2002 redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação original da lei nº 10.833/2003. Na Lei nº 10.637/2002 essa redação é decorrente da Lei nº 10.865, de 2004) Da leitura das redações do dispositivo que trata do creditamento em decorrência da aquisição de insumos – a atual e as historicamente concebidas para referido preceito – constatase que o termo “insumo”, na forma como é e sempre foi empregado, nunca se apresentou no texto normativo de forma isolada, mas continuamente associado ao seu papel de fator de produção ou na prestação de serviços, ou na fabricação de produtos destinados à venda, ou seja, ao processo de industrialização, atividade que tem no IPI imposto especialmente instituído para sua tributação. Assim, não há nenhum disparate em conceber ao termo “insumo” o mesmo sentido tradicionalmente proclamado pela legislação do IPI e retratado na IN SRF no 247/2002, que, longe de algumas críticas doutrinárias, andou bem quando assim o fez em seu texto, posto que retratou propósito o qual, penso eu, está em sintonia com o desiderato do legislador ordinário. Aliás, atribuir ao termo “insumo” a acepção dada pela legislação do IPI está em conformidade com o artigo 11 da Lei Complementar no 95, de 1998, que, dentre outras determinações e diretrizes para a elaboração dos textos legais, orienta a elaboração de disposições normativas com clareza, por meio do uso de palavras e expressões em seu sentido comum, “salvo quando a norma versar sobre assunto técnico, hipótese em que se empregará a nomenclatura própria da área em que se esteja legislando”. As leis que tratam da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, como já ressaltado, não abordaram nomenclatura própria de “insumo” para os propósitos para os quais foram editadas. Utilizaram, pois, em relação ao processo industrial destinado à produção para venda, o sentido terminológico corrente para a legislação do IPI, já que referido termo vem posto de forma consorciada à atividade fabril, cujos produtos são tributados pelo referido imposto, como também asseverado linhas acima. Concernente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, a IN SRF no 247/2002 considera como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”). Tal prescrição está em sintonia com o inciso I, § 3o, artigo 3o, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003). Referida instrução normativa também concebe como insumos utilizados na prestação de serviços “os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” (artigo 66, § 5º, II, “a”) (grifo nosso). Somente aqui me parece que referida IN extrapolou os ditames prescritos pelas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, uma vez que excepcionou de forma absoluta o creditamento das contribuições em evidência decorrente da aquisição de bens do ativo imobilizado utilizados na Fl. 320DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.000150/200433 Acórdão n.º 380200.336 S3TE02 Fl. 280 11 prestação de serviços. Com efeito, de acordo com o inciso VI do artigo 3o das retrocitadas leis 10.637/2002 e 10.833/2003, faz jus ao creditamento do PIS/Pasep e da COFINS a aquisição de “máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços” (redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005). Tal questão, no entanto, que examinei apenas superficialmente, não tem influência sobre a presente lide. Em resumo, para fins do regime de nãocumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS, penso que não se pode admitir a acepção de insumo no seu amplo sentido econômico, como defendido pela recorrente e por parte da doutrina, até porque a norma em tela diz respeito a regime de tributação, e a palavra “insumo” – além de seu emprego na atividade de prestação de serviços – vem associada ao processo fabril da empresa, atividade que, como já ressaltado, é especificamente tributada pelo IPI. Em sintonia com a tese aqui defendida o seguinte julgado: MANDADO DE SEGURANÇA DIREITO TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÕES COFINS E PIS PELO REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE LEIS Nº 10.637/02, 10.833/03 DEFINIÇÃO DA NÃOCUMULATIVIDADE DEPENDE DE NORMA INFRACONSTITUCIONAL DEFINIÇÃO DE INSUMOS ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO E AMORTIZAÇÃO VEDAÇÃO DE CREDITAMENTO NAS AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS OU DESONERADAS ARTIGO 31 DA 10.865/04. I O princípio da nãocumulatividade estabelecido para as contribuições sociais pela Emenda Constitucional nº 42, de 19.12.2003, diverge daquela previsão constitucional originária (IPI e ICMS), dependendo de definição de seu conteúdo pela lei infraconstitucional, não se extraindo do texto constitucional a pretendida regra de obrigatoriedade de dedução de créditos relativos a todo e qualquer bem ou serviço adquirido e utilizado nas atividades da empresa, por isso mesmo também não se podendo acolher tese de ofensa ao artigo 110 do Código Tributário Nacional; II Estando as regras da nãocumulatividade das contribuições sociais afetas à definição infraconstitucional, concluise que: 1º) o conceito de "insumo" para definição dos bens e serviços que dão direito a creditamento na apuração do PIS e COFINS deve ser extraído do inciso II do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, sem vício das regras insertas nas Instruções Normativas SRF nº 247/02 (artigo 66, § 5º, I e II, inserido pela IN nº 358/03) e nº 404/04 (artigo 8º, § 4º, I e II), não havendo direito de creditamento sem qualquer limitação para abranger qualquer outro bem ou serviço que não seja diretamente utilizado na fabricação dos produtos destinados à venda ou na prestação dos serviços; 2º) nada impede que uma das verbas previstas em lei venha a ser excluída pelo legislador, desde que observado o princípio da anterioridade nonagesimal, como estabelecido no artigo 31 da Lei nº 10.865/04, ao vedar o desconto de créditos apurados na forma do inciso III do § 1º do art. 3º das Leis nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, relativos à depreciação ou amortização de bens e direitos imobilizados adquiridos até 30.04.2004; 3º) legítima a regra do inciso III do § 1º do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que determina que o momento do creditamento das verbas a que se refere (incisos VI e VII do mesmo artigo) deve ser quando ocorre o lançamento dos respectivos encargos de depreciação e amortização; 4º) legítima a regra do § 2º (incisos I e II) do artigo 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, que impede o creditamento na entrada de bens e serviços Fl. 321DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 12 adquiridos de pessoas físicas ou agraciados com desoneração das contribuições na etapa anterior da cadeia produtiva. III Apelação da impetrante desprovida. (Tribunal Regional Federal da 3a Região. Terceira Turma. Apelação em Mandado de Segurança no 303.823. Processo no 2005.61.000285868. Relator: Juiz Souza Ribeiro. Data da decisão: 26/03/2009. Data da publicação: 07/04/2009) Feitas as considerações teóricas necessárias para a análise da contenda, passemos diretamente para o seu exame. Conforme relatado, a recorrente informa exercer atividade dedicada ao reflorestamento, ao manejo de florestas, ao beneficiamento de madeira, à indústria, ao comércio, à importação e à exportação de madeira, e que, em tal condição, faria jus à restituição de valores relativos ao crédito de PIS e COFINS nos termos das Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, em vista de aquisições de matériasprimas ou de serviços utilizados no processo produtivo. Não obstante a recorrente se reportar a direito creditório concernente à COFINS nãocumulativa – argumento que, entendemos, deve dizer respeito a outros processos da interessada atinentes à nãocumulatividade das contribuições sociais –, importa ressaltar que a presente lide se restringe apenas a reclamado direito creditório em relação ao PIS/Pasep, de competência dos meses de dezembro de 2002 a fevereiro de 2003, quando ainda não constava do ordenamento jurídico a nãocumulatividade da COFINS. Feita essa ressalva, passemos ao exame dos argumentos apresentados pela reclamante frente os elementos e constatações presentes nos autos. Relativamente à utilização de combustíveis e lubrificantes como insumos. Sobre o entendimento oficial concernente à apuração indevida de créditos sobre combustíveis e lubrificantes, alega a interessada que estes teriam sido efetivamente utilizados no processo produtivo – em máquinas, ferramentas e veículos, e que “o combustível utilizado na Camionete Chevrolet, no ônibus e demais veículos da contribuinte representa quantia mínima quando comparado ao total do combustível utilizado em seu processo produtivo”, o que não justificaria a glosa de todo o combustível e lubrificantes utilizados pela empresa, “[...] pois é sabido e demonstrado que quase sua totalidade foi utilizada no processo produtivo”. De acordo com o Relatório de Verificação Fiscal de fls. 132/139, especialmente às fls. 204/205, a empresa fora intimada “[...] a informar a segregação do uso dos combustíveis em seu processo produtivo (fls. 36, 4244 item 2) [...]”, tendo asseverado, em resposta à indagação da fiscalização, que utilizou tais produtos (óleo diesel e gasolina) para o transporte de ferramentas no mato, compra de insumos, transporte de funcionários e deslocamento de diretores ou funcionários em serviço. Diante disso, entendeu a fiscalização no seguinte sentido: Resta claro que a utilização de combustíveis em veículos utilizados para fins diversos ao processo produtivo da empresa (deslocamentos para compra de insumo, transporte de funcionários ou deslocamento de diretores e funcionários) não pode ser considerada na base de cálculo de créditos das contribuições sociais, pois tais dispêndios não estão diretamente atrelados ao processo produtivo da empresa, tão pouco podem ser considerados Fl. 322DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.000150/200433 Acórdão n.º 380200.336 S3TE02 Fl. 281 13 insumos, não atendendo, portanto, os requisitos do inciso II do art 3° das Leis 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003 [...]. E procedeu corretamente o fisco, já que o creditamento decorrente da não cumulatividade do PIS/Pasep (e da COFINS) relativamente à aquisição de bens e serviços exige que estes tenham sido utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, nos termos do inciso II do artigo 3o da Lei no 10.637/2002 (mesmo dispositivo correspondente à Lei no 10.833/2003, no caso da COFINS), ressalvadas algumas hipóteses explicitadas nos correspondentes preceitos legais. Não se pode admitir, pois, que os combustíveis utilizados na compra de insumos, no transporte de funcionários ou no deslocamento de diretores ou de funcionários em serviço possa ser considerado como insumo aplicado diretamente na atividade produtiva desenvolvida pela reclamante, a qual, inclusive, admite tal juízo quando alega que “o combustível utilizado na Camionete Chevrolet, no ônibus e demais veículos da contribuinte representa quantia mínima quando comparado ao total do combustível utilizado em seu processo produtivo”, o que não justificaria a glosa de todo o combustível e lubrificantes utilizados pela empresa, “[...] pois é sabido e demonstrado que quase sua totalidade foi utilizada no processo produtivo” (grifei). Mas quanto do combustível e dos lubrificantes teria sido utilizado como insumo do processo produtivo? A glosa do creditamento decorrente da aquisição dos insumos combustíveis e lubrificantes decorreu, exatamente, da impossibilidade de segregação do uso dos mesmos no período em questão, conforme atesta a fiscalização no Relatório de Verificação Fiscal – fls. 133/134. E procedeu o fisco de forma correta, dada a constatação de que houve, sim, utilização desses produtos – ao menos em parte – em atividades não diretamente envolvidas no processo produtivo a ponto de serem consideradas como insumos das atividades características do objeto social da empresa, que, para fazer uso do creditamento decorrente da nãocumulatividade das contribuições sociais, necessitaria, obrigatoriamente, demonstrar contabilmente as despesas com os bens utilizados efetivamente como insumos de sua atividade produtora. Assim, não há como acolher os argumentos da recorrente no que diz respeito ao alegado direito de creditamento relativamente às aquisições de combustíveis e lubrificantes. Sobre o direito creditório decorrente da aquisição de partes, peças e despesas diversas. Concernente à matéria, a fiscalização, no Relatório de Verificação Fiscal – fls. 134/135 –, assevera que o crédito apurado pelo contribuinte referente às aquisições de partes e peças para manutenção de máquinas, ferramentas e veículos só poderia ser admitido se tais partes e peças tivessem sido objeto de desgaste por ação direta sobre o produto em fabricação, adotando, pois, o conceito de insumo pavimentado na legislação do IPI e retratado nas já comentadas IN SRF no 247, de 21/11/2002 (incisos I e II do § 5º do artigo 66 – dispositivo incluído pela IN SRF no 358, de 09/09/2003) e IN SRF no 404, de 12/03/2004 (incisos I e II do § 4º do artigo 8o). Sobre a acepção do termo insumo para fins do regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, tal questão já foi suficientemente tratada linhas acima, onde se demonstrou a legalidade do alcance do termo segundo os moldes adotados pelas instruções Fl. 323DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 14 normativas editadas pela Receita Federal, não havendo mais nada de relevante a acrescentar sobre a questão. Mas ainda concernente ao tema, a fiscalização ressaltou também que, mesmo em relação a alguns produtos passíveis de serem considerados como insumos, tais poderiam ter tido outras destinações, “[...] uma vez que o contribuinte utiliza veículos para fins diversos à produção e também contrata serviços de construção civil [...]”. Aqui constatase que a glosa decorreu da mesma razão pela qual não foram admitidos os gastos com combustíveis, ou seja, carência de comprovação da aplicação dos insumos na atividade produtiva da empresa. Correto, portanto, o entendimento adotado pelo fisco. Finalmente, em relação ao reclamado direito creditório decorrente do pagamento de serviços necessários à atividade da suplicante, convém sejam feitas as seguintes considerações. Como já ressaltado, relativamente ao uso terminológico do termo “insumo” na atividade de prestação de serviços, a IN SRF no 247/2002 considera como insumos “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço” (artigo 66, § 5º, II, “b”), preceito que, com efeito, guarda sintonia com o inciso II e o § 3o do artigo 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Do exame dos fatos, vêse que a glosa dos créditos decorrentes dos serviços prestados à empresa se deu sob a justificativa da não comprovação de utilização desses serviços em seu processo produtivo ou pelo não atendimento dos requisitos legais necessários para tanto. A recorrente, por seu turno, se contrapõe ao entendimento da fiscalização ressaltando haver realizado, efetivamente, a devida comprovação através da apresentação de notas fiscais de serviços que trazem na sua descrição: “Prestação de serviços, roçadas no plantio de pinus elliotis, extração de toras de pinus elliotis, serviços prestado em roçadas de campo, serviços no plantio de pinus elliotis”. De fato, o objeto social da reclamante envolve atividades relacionadas a serraria, beneficiamento de madeiras, reflorestamento e agropecuária, dentre outras. Dada a natureza dessas atividades, penso que os serviços discriminados acima guardam sintonia com o objeto social da reclamante. E, diante dos fatos, vejo que há razões legais que possibilitam admitir a inclusão de gastos com serviços reclamados para fins do creditamento pleiteado, mas somente em relação a parte deles. Dentre as razões elencadas para a glosa dos documentos correspondentes às despesas com prestação de serviços tenho como especialmente relevante o fato de as descrições contidas nos citados documentos não terem sido suficientes para permitir a identificação dos serviços e sua associação com a atividade empresarial da reclamante, bem como o fato de, em alguns casos, aludidos documentos se referirem a serviços que não poderiam ser considerados como insumo da atividade produtora. Com efeito, em certos casos ficou caracterizada a impossibilidade de segregação dos custos associados diretamente à atividade produtiva (extração de madeiras e toras) dos demais serviços incorridos na área arrendada pela interessada (manutenção da floresta e reflorestamento), o que impossibilita sejam admitidas tais despesas para fins de creditamento decorrente da nãocumulatividade das contribuições sociais, a qual requer seja demonstrada a incidência de gastos com bens e serviços utilizados efetivamente como insumos na atividade produtiva da beneficiária. Fl. 324DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA Processo nº 11020.000150/200433 Acórdão n.º 380200.336 S3TE02 Fl. 282 15 Acrescentese como exemplo dos problemas acima apontados a apresentação de documentos referentes, simplesmente, a “17 dd trabalhados” e a “construção pavilhão/trilhas/calhas/correia serraria”. No entanto, entendo que são passíveis de creditamento os custos com serviços de extração de toras de pinus elliot, mesmo ciente de que, nos documentos correspondentes a tais despesas, não foram contemplados os quantitativos de madeira extraída e os valores unitários do serviço. Mas, considerando que nas razões para a glosa das despesas com o serviço em questão não foi feita nenhuma alusão a eventual não comprovação dessas despesas, e que referido serviço guarda relação com a atividade produtiva da recorrente, não vejo motivos para sua recusa para fins do creditamento decorrente da nãocumulatividade das contribuições sociais. Contudo, ainda em relação aos referidos serviços de extração de toras de pinus elliot, importa ressaltar que não deverão ser aceitas as despesas correspondentes aos documentos não caracterizados como “nota fiscal” (ou seja, que não apresentam a inscrição “nota fiscal”). Sobre essa questão, não vejo como acolher o argumento da recorrente de que a omissão do termo “nota fiscal” teria sido decorrente de mero erro de grafia. Os documentos nessa condição, a meu ver, não satisfazem os requisitos de admissibilidade mínimos para comprovar a transação neles consignada a ponto de dar ensejo ao reconhecimento do direito creditório pleiteado. Por todo o exposto, deverá ser reconhecido o direito creditório nos termos abaixo calculados: Nota fiscal Valor 2 1.733,01 102 5.939,60 104 3.406,43 3 2.909,06 TOTAL 13.988,10 Alíquota 1,65% Valor do crédito 230,80 * A tabela com a discriminação completa das notas fiscais correspondentes aos serviços glosados encontrase disposta às fls. 136/137 dos autos. Releva ressaltar, finalmente, que os serviços correspondentes às notas fiscais acima discriminadas não se incluem dentre as exceções objeto do artigo 3o, § 2o, das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 (hipóteses que não dão direito ao crédito)4, uma vez que dizem respeito à prestação de serviços, por pessoas jurídicas, sujeitos às contribuições sociais PIS/Pasep e COFINS. 4 § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 325DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA 16 Da conclusão Diante de todo o exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo, reconhecendo o direito creditório no montante de R$ 230,80 (duzentos e trinta reais e oitenta centavos), a título do PIS/Pasep, conforme demonstrativo de cálculo objeto da tabela consignada nas razões do presente voto. Sala de Sessões, em 02 de fevereiro de 2011. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 326DF CARF MF Emitido em 19/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Assinado digitalmente em 08/02/2011 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, 17/02/2011 por REGIS XAVIER HOL ANDA
score : 1.0
Numero do processo: 10680.012073/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Wed May 10 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96.
Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA.
Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica deve ser mantido o lançamento do imposto de renda decorrente.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 163.
É ônus do contribuinte carrear ao processo os elementos probatórios aptos a demonstrar suas razões, sendo descabida a postulação de realização de diligência para tal apuração.
Nos termos da Súmula CARF nº 163, o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONSUMO DA RENDA. COMPROVAÇÃO PELO FISCO. DESNECESSIDADE.
Nos termos da Súmula CARF N.º 26, A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n.º 9.430196 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
Numero da decisão: 2202-009.655
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por. unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Mário Hermes Soares Campos - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes Freitas, Martin da Silva Gesto e Mário Hermes Soares Campos (Presidente).
Nome do relator: SARA MARIA DE ALMEIDA CARNEIRO SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica deve ser mantido o lançamento do imposto de renda decorrente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 163. É ônus do contribuinte carrear ao processo os elementos probatórios aptos a demonstrar suas razões, sendo descabida a postulação de realização de diligência para tal apuração. Nos termos da Súmula CARF nº 163, o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONSUMO DA RENDA. COMPROVAÇÃO PELO FISCO. DESNECESSIDADE. Nos termos da Súmula CARF N.º 26, A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n.º 9.430196 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96. Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA. Por força de presunção legal, cabe ao contribuinte o ônus de provar as origens dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica deve ser mantido o lançamento do imposto de renda decorrente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESCABIMENTO. SÚMULA CARF Nº 163. É ônus do contribuinte carrear ao processo os elementos probatórios aptos a demonstrar suas razões, sendo descabida a postulação de realização de diligência para tal apuração. Nos termos da Súmula CARF nº 163, o indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. CONSUMO DA RENDA. COMPROVAÇÃO PELO FISCO. DESNECESSIDADE. Nos termos da Súmula CARF N.º 26, A presunção estabelecida no art. 42 da Lei n.º 9.430196 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 20 73 /2 00 7- 71 Fl. 789DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-009.655 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.012073/2007-71 Acordam os membros do colegiado, por. unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Mário Hermes Soares Campos - Presidente (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Sonia de Queiroz Accioly, Leonam Rocha de Medeiros, Christiano Rocha Pinheiro, Eduardo Augusto Marcondes Freitas, Martin da Silva Gesto e Mário Hermes Soares Campos (Presidente). Relatório Trata-se de exigência de Imposto sobre a Renda das Pessoas Físicas (IRPF) relativa aos anos-calendário de 2002 a 2005, exercícios de 2003 a 2006, apurada em decorrência de omissão de rendimentos tributáveis recebidos de pessoa jurídica e omissão de rendimentos tributáveis caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o sujeito passivo, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Conforme bem sumariado no relatório do acórdão recorrido, o qual peço vênia para adotar (fls. 759 a ): Segundo Termo de Verificação Fiscal de fls. 16/26, o Contribuinte foi selecionado para fiscalização em virtude de ter apresentado uma movimentação financeira expressivamente superior aos rendimentos declarados nos anos de 2003, 2004 e 2005 e, em decorrência disso, a autoridade fiscal o intimou a apresentar extratos, documentos e a prestar esclarecimentos sobre a origem dos valores que transitaram em suas contas bancárias e não foram oferecidos à tributação. ... Além disso, foi intimado também a esclarecer, relativamente ao ano-calendário 2002, a omissão de rendimentos verificada em relação a valores recebidos de pessoas jurídicas a título de comissões, num total de R$ 136.000,00. Informa a autoridade fiscal que, à vista das intimações realizadas e da análise dos documentos e esclarecimentos apresentados pelo Contribuinte, restou concluído que o contribuinte incorreu nas seguintes infrações: I - Omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, conforme abaixo discriminado, uma vez que a origem ou a natureza dos depósitos/créditos efetuados nas contas correntes do Contribuinte não foram integralmente comprovadas. Ano-Calendário Valor da Movimentação Bancária Valor da Omissão/Infração 2003 847.557,77 144.307,89 2004 524.807,88 79.847,80 Fl. 790DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-009.655 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.012073/2007-71 2005 741.244,40 220.889,15 II - Omissão de Rendimentos verificada no ano-calendário de 2002, no montante de R$ 136.000,00, recebidos de pessoas jurídicas a título de comissões, porém justificado pelo Contribuinte como sendo doações obtidas para sua campanha política, sem, contudo, comprovar o alegado por meio de documentos. Os demais procedimentos fiscais adotados, bem como as verificações/análises/conclusões encontram-se detalhadamente relatadas no Termo de Verificação Fiscal mencionado. Cientificado pessoalmente do lançamento em 28/08/2007, na pessoa de seu procurador, o contribuinte apresenta a impugnação de fls. 727/745 em 26/09/07, instruída com o documento de fl. 746 (Histórico de Propriedade), onde aduz, em síntese, o que se segue. Salienta que, desde o início do procedimento fiscal, demonstrou transparência e atendeu, tempestivamente, às intimações recebidas, tendo a autoridade lançadora ignorado várias justificativas e documentos apresentados. Sustenta que, para comprovar a origem dos recursos questionados, esclareceu à fiscalização que os valores constituíam-se de verbas indenizatórias, doações recebidas, venda de bens, etc., tendo sido essa justificativa desconsiderada pelo auditor, que lançou o crédito, tão-somente na presunção de receita em razão de suposta ausência de documentação hábil. Diz que autorizou a Receita Federal a buscar informações junto às instituições financeiras, atinentes às operações para as quais não dispunha de documentos, pois, ao contrário dele, a Fazenda Pública possui meios para obrigar as instituições a fornecer o solicitado. Ressalta que não é possível a aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei n. 9.430/96, pois a documentação apresentada é suficiente para demonstrar a origem dos recursos e, se não de forma plena, serve para demonstrar que há uma origem conhecida e que pode ser investigada pela Secretaria da Receita Federal. Recorre à doutrina, no tocante a aspectos de conceituação e abrangência do fato gerador, para defender que a presunção legal não faz nascer a obrigação tributária e para reafirmar que demonstrou que vários dos recursos não significaram qualquer acréscimo de seu patrimônio, por se tratarem de verbas indenizatórias recebidas da Câmara dos Deputados e de doações para sua campanha política. Alega ter demonstrado que todas as informações e documentos que lhe estavam disponíveis foram apresentados e insiste que o auditor não tomou qualquer providência no intuito de obter as informações faltantes junto às instituições financeiras, o que poderia ter feito, em razão da autorização legal contida na Lei Complementar n. 105/2001. Destaca que o Fisco, no caso, não pode presumir a omissão da receita, pois se baseou na exigência de prova impossível, que não pode ser aceita no direito pátrio. Aduz que os empréstimos contraídos junto à empresa Klass Comércio e Representações Ltda, a Márcia das Neves Chamon e a Alessandra Trevisan não foram totalmente comprovados porque o Banco do Brasil, instituição onde os valores foram depositados, não forneceu em tempo hábil as informações de origem dos recursos e que os documentos relativos aos empréstimos firmados junto à CEF foram devidamente apresentados, razão pela qual os valores correspondentes não podem ser objeto da presunção de receita. Afirma que apresentou durante o procedimento fiscal quadro detalhado dos bens alienados que geraram movimentação financeira em suas contas bancárias, logo, tais valores não podem ser considerados receitas omitidas, porquanto, tratando-se de bens imóveis e veículos, sujeitos a registro em órgãos públicos, o quadro apresentado foi acompanhado dos documentos de transferência dos respectivos bens. Fl. 791DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-009.655 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.012073/2007-71 Salienta que a relação das transações relativas à aquisição de veículos consta dos registros realizados pelo Detran - MG, no histórico de bens de sua propriedade, documento que ora se junta à defesa. Requer, por fim, a nulidade do auto de infração ante a impossibilidade de aplicação da presunção prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Diz que, se este não for o entendimento do órgão julgador, que sejam expurgados dos valores apurados aqueles decorrentes de recebimentos de verbas indenizatórias, doações de campanha, mútuos tomados e alienação de imóveis e veículos. Requer, ainda, além da produção de prova documental e testemunhal, a realização de perícia técnica e formula quesitos A 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE), por unanimidade de votos, julgou a impugnação improcedente. A decisão restou assim ementada: OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Para afastar a presunção, cabe ao contribuinte provar que o fato presumido não existe no caso, ou seja, provar que créditos/depósitos em suas contas correntes têm origem distinta daquela que enseja a tributação ou já foram oferecidos à tributação OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Constatada a omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, mantém-se o lançamento do imposto de renda decorrente, com os acréscimos e as penalidades legais. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO INDEFERIDO. Indefere-se o pedido de produção de provas documental, testemunhal e pericial quando o pleito, nos termos requeridos na impugnação, não se coaduna com o ordenamento do processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Cientificado da decisão de piso em 14/3/2012 (fl. 772), o contribuinte apresentou o presente recurso voluntário em 13/4/2012 (fls. 773 e ss), por meio do qual devolve à apreciação deste Colegiado parte das teses de defesa já submetidas à apreciação da primeira instância julgadora, quais sejam: Preliminarmente, pretende seja reconhecida a nulidade da decisão recorrida por restar caracterizado o cerceamento de seu direito de defesa pela negativa do pedido de produção de prova, principalmente da prova pericial, que seria imprescindível para o deslinde da lide. No mérito, trata dos seguintes capítulos: 1 – Do fato gerador do imposto de renda: alega a ausência de fato gerador do Imposto de Renda, uma vez que a presunção legal não o faz nascer, mas apenas exige a comprovação da origem de suas receitas, o que restou comprovado pelo documentos apresentados, sendo que vários recursos não representaram qualquer acréscimo patrimonial por se tratarem de verbas indenizatórias ou doções recebidas; 2 – Da impossibilidade de aplicação do art. 42 da Lei nº 9.430: alega que explicou toda a sua movimentação financeira, exceto aquelas que dependiam de informações junto a Fl. 792DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-009.655 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.012073/2007-71 instituições bancária, em relação às quais o Fisco poderia ter obtido junto a tais instituições; que explicou em quadro detalhado a origem dos recursos que ingressaram em suas contas, os quais provêm em grande parte de verbas indenizatórias em razão de mandato como deputado federal, de alienação de veículos e imóveis e de recebimento de doações para campanha eleitoral; conclui que a documentação disponível demonstra claramente a origem dos recursos movimentados em contas do recorrente, e aqueles que não tiveram a origem demonstrada não o foram por sua culpa; dessa forma, o procedimento fiscal foi viciado pois o fiscal se valeu de poder que não lhe foi conferido diante da validade das provas apresentadas, devendo o lançamento ser cancelado; 3 – Das verbas indenizatórias e doações: grande parte dos recursos eram provenientes do recebimento de verbas indenizatórias pela Câmara dos Deputados e de doações para campanha política, que não são fato gerador do Imposto de Renda; 4 – Operações de mútuo: os empréstimos contraídos junto à empresa Klass Comércio e Representações Ltda, a Márcia das Neves Chamon e a Alessandra Trevisan não foram totalmente comprovados porque o Banco do Brasil, instituição onde os valores foram depositados, não forneceu em tempo hábil as informações de origem dos recursos e que os documentos relativos aos empréstimos firmados junto à CEF foram devidamente apresentados, razão pela qual os valores correspondentes não podem ser objeto da presunção de receita; 5 - Da venda de imóveis e veículos: afirma que apresentou durante o procedimento fiscal quadro detalhado dos bens alienados que geraram movimentação financeira em suas contas bancárias, logo, tais valores não podem ser considerados receitas omitidas, porquanto, tratando-se de bens imóveis e veículos, sujeitos a registro em órgãos públicos, o quadro apresentado foi acompanhado dos documentos de transferência dos respectivos bens. Salienta que a relação das transações relativas à aquisição de veículos consta dos registros realizados pelo Detran - MG, no histórico de bens de sua propriedade, documento que ora se junta à defesa. 6 – Dos pedidos: requer a nulidade do acórdão recorrido diante do indeferimento de todas a provas requeridas; o cancelamento do lançamento ou que sejam expurgados os valores decorrentes de verbas indenizatórias, doações de campanha, mútuos e recursos recebidos pela alienação de imóveis e veículos. É o relatório. Voto Conselheira Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Relatora. O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto que dele conheço. Trata-se de Auto de infração lavrado por omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica (ano-calendário de 2002) e com base movimentação financeira (anos-calendário de 2003, 2004 e 2005), a partir da qual apurou-se a omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta de depósito, mantida em instituição financeira, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, já na vigência do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que estabeleceu presunção de omissão de rendimentos no caso de depósitos em conta Fl. 793DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-009.655 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.012073/2007-71 bancária cuja origem não é comprovada. Conforme previsto na lei, uma vez intimado o contribuinte a comprovar a origem de depósitos efetuados em sua conta corrente, não o fazendo com documentos hábeis e idôneos, os mesmos serão considerados receitas omitidas. Preliminarmente o recorrente pretende seja anulada a decisão recorrida por ter negado seu pedido de produção de provas, especialmente o pedido de perícia. Entretanto, conforme frisou o julgador de piso: Em relação ao pedido de produção de prova documental, testemunhal e pericial, o pleito, nos termos requeridos na impugnação, não se coaduna com o ordenamento do processo administrativo fiscal. A prova testemunhal é medida totalmente desnecessária, uma vez que os fatos abordados devem ser confirmados exclusivamente mediante provas documentais. Esclareça-se que qualquer explicação oferecida por terceiros, verbal ou escrita, só pode ser acatada desde que venha acompanhada da necessária prova material. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refira-se a fato ou a direito superveniente, destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, o que não se observa nestes autos. A perícia é prescindível e deve ser indeferida com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993 porque os elementos consignados nos autos permitem a formação de convicção do julgador. Além disso, na formulação do pedido não foram cumpridas as determinações do art. 16, inciso IV. De fato, conforme previsto o Decreto nº 70.235, de 1972, que regulamenta o Processo Administrativo Fiscal: Art. 16. A impugnação mencionará: ... III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; ... 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Assim, à vista dos dispositivos acima copiados, não há que se falar em cerceamento de defesa pelo indeferimento de juntada posterior de provas ou de realização de perícia, tendo sido o direito de defesa foi plenamente exercido. Frise-se que, mesmo postulando a juntada posterior de provas, o contribuinte apresentou impugnação em 26/9/2007 e o julgamento de primeira instância ocorreu em 15/2/2012, não tendo sido juntada qualquer comprovação nesse intervalo. Ademais, é ônus do contribuinte carrear ao processo os elementos probatórios aptos a Fl. 794DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-009.655 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.012073/2007-71 demonstrar suas razões, sendo descabida a postulação de realização de diligência para tal apuração. Por fim, trata-se de matéria já sumulada por este Conselho, ou seja: Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Sem razão o recorrente neste Capítulo. Quanto às teses de defesa de inexistência de fato gerador do imposto de renda, uma vez que a presunção legal não o faz nascer, mas apenas exige a comprovação da origem de suas receitas e depósitos não representaram qualquer acréscimo patrimonial por se tratarem de verbas indenizatórias ou doções recebidas, transcrevo entendimento já consolidado no âmbito deste Conselho que dispensa o fisco de comprovar acréscimo patrimonial diante da presunção legal de omissão de receitas caracterizada por depósitos bancários cuja origem não for comprovada: Súmula Carf nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Ademais, o legislador, por meio do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimentos condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, em conta de depósito ou investimento, não o vinculando a necessidade de demonstrar acréscimos patrimoniais, ou seja: Art. 42. Caracterizam-se também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Diante da presunção legal de omissão de rendimentos, é ônus do contribuinte, para elidir a tributação, a comprovação individualizada, mediante documentação hábil e idônea, da origem dos recursos depositados nas contas, bastando à autoridade fiscal demonstrar o fato previsto em lei, ou seja, a não comprovação da origem dos depósitos, para que fique evidenciada a omissão de rendimentos. Assim, ao contrário da alegação do contribuinte de que os depósitos bancários de origem não comprovada não caracterizam fato gerador do imposto de renda, após a vigência da Lei nº 9.430/96, os depósitos bancários, quando não comprovada sua origem, são, por expressa disposição legal, considerados omissão de rendimentos. Acrescente-se que os depósitos em si constituem-se, numa primeiro momento, em apenas indícios da omissão de rendimentos; porém, tendo o contribuinte a oportunidade de comprovar a sua origem e não o fazendo, os indícios se transformam em prova, de forma que deve a autoridade fiscal considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente, tendo em vista a presunção legal contida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. O que se tributa não os depósitos, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Conforme sumariou o julgador de piso: De acordo com a autoridade fiscal, o contribuinte, devidamente intimado, não comprovou, na totalidade, a origem de depósitos bancários relativamente a contas correntes de sua titularidade, o que caracterizou a presunção legal de omissão de Fl. 795DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 2202-009.655 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.012073/2007-71 receitas. Também não comprovou que rendimentos recebidos de pessoas jurídicas a título de comissões, decorreram de doações a sua campanha política e de verbas indenizatórias recebidas da Câmara de Deputados. O contribuinte impugna o lançamento, alegando que i) documentos e esclarecimentos foram ignorados, pautando o feito fiscal tão-somente na presunção de receita em razão de suposta ausência de documentação hábil; ii) deixou de apresentar apenas a documentação das operações que dependiam de informações das instituições financeiras e que a autoridade fiscal não tomou nenhuma providência para obtêlas de tais instituições; iii) a lei não conferiu poder à fiscalização fazendária para desconsiderar provas legalmente reconhecidas ou para exigir provas impossíveis; iv) verbas indenizatórias e doações não são fatos geradores de imposto de renda; v) não pode ser objeto de presunção os valores de empréstimos feitos; vi) o recurso obtido da alienação de bens, comprovada por documentos de transferência da propriedade, não pode ser considerado receita omitida. No recurso o recorrente repisa essas mesmas teses, sobre as quais adoto como razões de decidir os fundamentos lançados pelo julgador de piso, ou seja: No caso em exame, em observância estrita às normas legais pertinentes, todas as respostas e documentos apresentados pelo Contribuinte, em razão das intimações fiscais expedidas, foram analisados e encontram-se anexados a estes autos processuais. Saliente-se, parte dos valores de depósitos/créditos inicialmente apresentados ao contribuinte para comprovação da origem foi, no decorrer do procedimento fiscal, considerada pela fiscalização devidamente comprovada e não integra a base de cálculo da presente autuação. A presunção legal de omissão de rendimentos invocada nestes autos refere-se, portanto, aos valores para os quais o Impugnante não apresentou documentos que comprovassem a origem dos recursos utilizados para acobertar seus depósitos bancários. Cumpre anotar que a comprovação de origem, nos termos do disposto no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, deve ser interpretada como a apresentação pelo contribuinte de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre de forma inequívoca a que título os créditos foram efetuados na conta corrente. Há necessidade de se estabelecer uma relação entre cada crédito em conta e a origem que se deseja comprovar, com coincidência de data e valor. Assim, sem razão o Impugnante, que apenas argumenta ter a autoridade fiscal desconsiderado justificativas e documentos, sem, contudo, especificar quais os documentos foram rejeitados ou mesmo trazer aos autos outros elementos probatórios que, de forma inequívoca, permitam afastar a exigência fiscal. Acerca da alegação de que a Receita não providenciou, junto às instituições, a obtenção de provas, frise-se que, havendo presunção legal, o ônus probante passa a ser do sujeito passivo que deixou de apresentar as provas que afastariam a presunção legal no curso da ação fiscal e na fase contenciosa. Vale dizer, não é aceitável que se transfira à Administração Tributária o encargo de trazer aos autos provas de exclusiva responsabilidade do Contribuinte. No tocante aos recursos que teriam sido obtidos de empréstimos, esclareça-se que a alegação da existência de contratos de mútuo realizados com terceiros deve vir acompanhada de provas inequívocas da efetiva transferência dos numerários para o mutuário, o que não ocorreu. ... Quanto aos recursos originados de vendas de imóveis e veículos, a alegação, desacompanhada de documentos que a sustentem, não tem o condão de ilidir o feito fiscal. O Histórico de Propriedade acostado à fl. 746 dos autos não contém dados que permitam uma vinculação com os depósitos questionados, não demonstra em que termos as alienações, ali relacionadas, ocorreram. Fl. 796DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2202-009.655 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.012073/2007-71 Por fim, importa reiterar, no tocante às duas omissões que são objeto deste auto de infração, que a caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto de renda não se dá pela mera constatação de um crédito bancário, considerado isoladamente, abstraído das circunstâncias fáticas. Pelo contrário, a caracterização está ligada à falta de esclarecimentos e de comprovação da origem dos numerários creditados e ao seu oferecimento à tributação. Existe, portanto, uma correlação lógica entre o fato conhecido - ser beneficiado com um crédito bancário sem origem comprovada – e o fato desconhecido – auferir receitas. Essa correlação autoriza plenamente o estabelecimento da presunção legal de que o dinheiro surgido na conta bancária, sem qualquer justificativa, provém de receitas não declaradas. O recorrente apresenta ainda tabela composta de depósitos cuja origem seria a venda de bens móveis e imóveis; noto que tais bens nem mesmo constaram das respectivas declarações de ajuste anual. Ademais, quanto aos três bens que teriam sido vendidos e originado determinados depósitos, quais sejam, uma moto Suzuki vendida por R$ 18.500,00, parceladamente, à qual são vinculados determinados depósitos, não trouxe o recorrente qualquer documentação relativa à venda (documento de transferência, por exemplo), além de os valores depositados, que seriam originados da venda, não coincidirem com o valor da venda declarada (os 4 depósitos reclamados somam R$ 8.953,00). Vincula ainda outro depósito à venda da mesma moto, que teria sido readquirida e vendida por R$ 24.790,00, porém, da mesma forma, não trouxe qualquer comprovação das alegações. Da mesma forma, em relação aos depósitos que vincula à alegada venda de moto Kawasaki também carecem de comprovação. Vincula ainda outros depósitos como sendo provenientes de “venda da loja do Barreiro”, porém, conforme apontado no Termo de Verificação Fiscal (fl. 25), “Especificamente quanto aos depósitos em 2005 no Banco do Brasil c/c 269.050 ag. 3596- 3 de R$ 6.000,00 (4 x R$ 1.500,00) em 26/08, R$ 5.000,00 em 13/09, R$ 2.000,00 em 23/09, R$ 70.000,00 em 26/09 e R$ 3.050,00 em 26/09 conforme explicado "Valor oriundo da Venda da Loja do Barreiro conforme Cópia do Documento de Transferência - Escritura Definitiva ", o contribuinte anexa certidão do 7º Ofício de Registro de Imóveis matrícula 58.673 onde no ato R-4 consta a alienação do referido imóvel de acordo com escritura pública de 28/02/2007 lavrada no Serviço Notarial do 9o Ofício de BH Livro 1599-N fls. 52 pelo preço de R$ 180.000,00 quitados mas não apresenta qualquer documento relacionando a efetiva entrada daqueles recursos em 2005 à alienação da Loja, o que inviabiliza a comprovação da sua origem”; ademais, conforme escritura (fls. 701) a venda ocorreu em 4/4/2007, logo não pode justificar valores depositados em 2005, sem que reste comprovado que o recebimento se daria nesta data. Quanto às alegadas operações de mútuo, aduz que parte deles não foi comprovada porque o Banco do Brasil, instituição na qual foram feitos os depósitos, não forneceu as informações de origens dos recursos em tempo hábil. Os empréstimos teriam sido contraídos com pessoas físicas ou jurídicas, ou seja, independente de qualquer informação prestada pelo Banco do Brasil (que aliás nunca foi trazida aos autos, ou seja, não se tratou de questão de tempo hábil), caberia ao recorrente comprovar suas alegações por meio de apresentação de documentos relativos aos alegados mútuos, mas nada foi trazido, nenhum contrato ou comprovação que os valores depositados seriam originários de tais empréstimos: os empréstimos não estão consignados nas declarações de imposto de renda do mutuário, não há comprovação de sua contratação ou da a efetiva transferência de numerário do credor para o tomador. Fl. 797DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 2202-009.655 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.012073/2007-71 Quanto aos reclamados depósitos relativos a empréstimos junto à CEF, tais valores não foram considerados na base de cálculo do lançamento, conforme consta do TVF. Os depósitos são: - R$ 47.391,98 em 14/1/2005; extrato à fl. 25 – evento CRED. AUTOR; contrato às fls. 690 a 693; e - R$ 30.328,14 em 15/12/2005; extrato à fl. 327 – evento CRED. EMPR; contrato às fls. 695 a 699. No TVF (fl. 4 e 25) o Auditor-fiscal esclarece que ... em resposta de 30/07/2007 (fls. 664 a 687) comprova documentalmente os créditos de R$47.391,98 em 14/01/2004 e R$ 30.328,14 em 15/12/2005, sendo que há vários créditos explicados mas não comprovados. ... (II) CONCLUSÃO: 1 - Movimentação Financeira Incompatível - as planilhas finais de fls. 688 a 690 ficaram sem comprovação. Portanto, como depósitos de origem não comprovada ocorre o lançamento tributário de R$ 144.307,89 referente ao ano-calendário 2003, R$ 79.847,80 referente ao ano 2004 e R$ 220.889,15 ao ano 2005; ... Nas planilhas de fls. 688 e 690 (e-fls. 702 a 704) é possível confirmar que os valores aqui reclamados não compuseram a base de cálculo do lançamento, de forma que nada há a prover neste item. Em conclusão, à míngua de qualquer comprovação das alegações apresentadas, deve ser mantido o lançamento em sua integralidade. Quanto à omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica no ano de 2002 (verbas indenizatórias recebidas da Câmara dos Deputados e doações para campanha eleitoral), não tendo o recorrente trazido qualquer comprovação ou nova alegação no recurso, mais uma vez adoto os fundamentos do julgador de piso quanto a tais alegações: No que concerne à omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, no importe de R$136.000,00, apurada no ano-calendário 2002, o contribuinte também não traz nenhum documento que demonstre o recebimento de doações à sua campanha eleitoral e não indica qual valor recebido a título de verba indenizatória paga pela Câmara de Deputados que tenha sido comprovado e desconsiderado pela fiscalização. A justificativa do Impugnante de que os doadores se recusaram a proceder nos termos exigidos pela legislação eleitoral da época não o desonera de observar a legislação tributária e fiscal que impõe a comprovação documental da origem dos valores creditados em conta corrente e de seu oferecimento, se for o caso, à tributação, sob pena de presunção de omissão de receitas. Por fim, quanto aos valores referentes a reembolsos ou ressarcimentos (verbas indenizatórias), conforme informado no TVF, “Foram excluídos os créditos no Banco do Brasil sob a rubrica 'Aviso de Crédito' e na Caixa Econômica Federal sob a rubrica 'Depósito em Dinheiro' que tiveram a correspondência nos extratos da Câmara dos Deputados como Fl. 798DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 2202-009.655 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10680.012073/2007-71 reembolsos ou ressarcimentos”, de forma que, quando comprovadas, tais verbas não compuseram a base de cálculo do lançamento. CONCLUSÃO Isso posto, voto por negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sara Maria de Almeida Carneiro Silva Fl. 799DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 18239.001839/2009-83
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2023
Numero da decisão: 2002-000.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a senhora Dagmar Antunes Garcia para juntar aos autos o processo judicial ou inventário extrajudicial nomeando-a inventariante do espólio.
(assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência à Unidade de Origem, para que esta intime a senhora Dagmar Antunes Garcia para juntar aos autos o processo judicial ou inventário extrajudicial nomeando-a inventariante do espólio. (assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny – Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório 1. Trata-se de impugnação apresentada pela interessada contra a Notificação de Lançamento de fls.23/26 do e-processo, resultante de alterações na Declaração de Ajuste Anual, exercício de 2006, ano-calendário de 2005, que implicou apuração de imposto suplementar de R$4.262,50, acrescido de multa de ofício e dos juros legais, em face da constatação das seguintes infrações: Glosa do valor de R$15.500,00, indevidamente deduzido a titulo de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. DEDUÇÕES GLOSADAS REFERENTES ÀS DESPESAS MÉDICAS: RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 82 39 .0 01 83 9/ 20 09 -8 3 Fl. 67DF CARF MF Original Fl. 2 da Resolução n.º 2002-000.282 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.001839/2009-83 CPF-768.855.007-63 MARCIA PONTES MARTINS LOPES Valor glosado - 8.700,00 - falta de especificação dos serviços prestados. CPF-768.855.187-00 LUCIANO FRAZAO AZEVEDO Valor glosado - 6.800,00 - falta de especificação dos serviços prestados. 2. Regularmente notificado, em 03/04/2009, conforme carimbo aposto no AR à fl.28 do e-processo, a interessada apresentou impugnação em 14/04/2009, aduzindo o que se segue: Houve glosa de dedução à titulo de "despesas médicas" no valor de R$ 15.500,00 por falta de especificação dos serviços dos profissionais Dra. Marcia Pontes Martins Lopes , CPF 768.855.007-63 e Dr. Luciano Frazão Azevedo , CPF 768.855.187-00; Em razão do exposto acima , apresento o relatório detalhado dos serviços prestados pelos profissionais acima citados ( anexos n° 4 e 5 ) , onde fica evidenciado a devida prestação de serviço; Face ao exposto , solicito o cancelamento da presente notificação e o débito fiscal reclamado. A decisão de primeira instância foi proferida com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2005 Despesas Médicas. Efetivo Desembolso. Necessidade de Comprovação. A dedução de despesas médicas na declaração de rendimentos está sempre vinculada à comprovação prevista em lei e restringe-se aos pagamentos efetuados pelos contribuintes, no ano-calendário, relativos aos gastos com o próprio e com seus dependentes. Glosa de Deduções Indevidas. Despesas Médicas. Não havendo comprovação, na fase de impugnação, mediante apresentação de documentação idônea, das deduções reputadas indevidas, a título de despesas médicas, impõe-se sejam mantidas as respectivas glosas, e o consequente crédito tributário. Ciente do acórdão da DRJ em 23/04/2013, o(a) contribuinte, em 17/05/2013, apresentou recurso voluntário, no qual alega, em apertado resumo, que: a) retenção indevida sobre rendimentos isentos por moléstia grave b) violação dos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e busca da verdade material É o relatório. VOTO Conselheiro Thiago Duca Amoni - Relator Fl. 68DF CARF MF Original Fl. 3 da Resolução n.º 2002-000.282 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 18239.001839/2009-83 Primeiramente solicito o desentranhamento dos documentos apresentados às e- fls. 43 a 50, pois trata-se de recurso voluntário apresentado por contribuinte diverso. O recurso que versa sobre a presente contenda encontra-se às e-fls. 54 e seguintes. Como relatado em sede recursal, a contribuinte, no interregno do processo, faleceu, e quem apresenta a peça irresignatória é sua filha, senhora DAGMAR ANTUNES GARCIA. Conforme legislação vigente, o inventariante tem o condão de representar o espólio nos atos em que é parte. Desta forma, cabe a senhora DAGMAR ANTUNES GARCIA demonstrar sua qualidade de inventariante do espolio da de cujus. Por todo o exposto, converto o julgamento em diligência para que a unidade de origem intime a senhora DAGMAR ANTUNES GARCIA para juntar aos autos o processo judicial ou inventário extrajudicial nomeando-a inventariante do espólio. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 69DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13893.000932/2011-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2023
Data da publicação: Tue May 09 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2008
DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 180.
É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais.
DEDUÇÃO - PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL.
São apenas dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou por escritura pública e que haja comprovação do pagamento.
Numero da decisão: 2002-007.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente e Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: DIOGO CRISTIAN DENNY
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DESPESAS MÉDICAS. EFETIVO PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 180. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. DEDUÇÃO - PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São apenas dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou por escritura pública e que haja comprovação do pagamento.
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EFETIVO PAGAMENTO. COMPROVAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 180. É lícita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Para fins de comprovação de despesas médicas, a apresentação de recibos não exclui a possibilidade de exigência de elementos comprobatórios adicionais. DEDUÇÃO - PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. São apenas dedutíveis da base de cálculo mensal e na declaração de ajuste apenas as importâncias pagas a título de pensão alimentícia, inclusive a prestação de alimentos provisionais, conforme normas do Direito de Família, sempre em decorrência de decisão judicial, acordo homologado judicialmente ou por escritura pública e que haja comprovação do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente e Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 09 32 /2 01 1- 58 Fl. 195DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.534 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13893.000932/2011-58 Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Para o sujeito passivo em epígrafe foi emitida Notificação de Lançamento do Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF (fls. 03-09), referente ao(s) exercício(s) 2008, ano(s)- calendário 2007, por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil. Após a revisão da Declaração, foi apurado saldo de imposto a pagar de R$7.424,12, mais multa de ofício e juros de mora. O lançamento acima foi decorrente das seguintes infrações: Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial. Glosa de R$7.882,00. Por falta de comprovação do pagamento, conforme recibos assinados pelo ex-cônjuge, Cristina Ferraz, que totalizam R$12.680,00. Enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. Dedução Indevida de Despesas Médicas. Glosa de R$19.114,80. Por falta de comprovação do pagamento e, quanto ao plano de saúde Bradesco, ter sido admitida apenas a parte correspondente ao contribuinte, um dos beneficiários. Detalhamento e enquadramento legal consta da Notificação de Lançamento supracitada. O contribuinte apresenta impugnação, na qual, em síntese, expõe os motivos de fato e de direito que se seguem: Despesas Médicas – Recibos apresentados das despesas médicas, no valor de R$3.000,00 (sessões de fisioterapia – Dra. Shiley R. Rosa Siqueira). Foi anteriormente demonstrado que foram pagos e declarados pela própria profissional, que declarou ter recebido do recorrente, o qual apresentou, conforme doc. anexo, comprovação de que foram pagos com cheques de terceiros. Dos recibos apresentados das despesas médicas da profissional Fernanda Morais Maia, também foram apresentados, conforme doc. anexo. Quanto ao plano de saúde, é de sua responsabilidade o pagamento das despesas da ex- esposa e do filho, conforme convencionado no Divórcio. Pensão Alimentícia – embora tenha havido recibos assinados pelo ex-cônjuge, o fato é que o recorrente complementa mensalmente esse valor. Os documentos existentes foram apresentados na Notificação lavrada. O impugnante explicitou que os valores glosados representam manifesto cerceamento de defesa. É o relatório. A decisão de primeira instância manteve parcialmente o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2008 DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. REQUISITOS. Somente são dedutíveis na Declaração do Imposto de Renda os pagamentos efetuados a título de pensão alimentícia, quando em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. A comprovação por documentação hábil e idônea de parte dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração do Imposto de Renda importa o restabelecimento das despesas até o valor comprovado. Fl. 196DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.534 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13893.000932/2011-58 Cientificado da decisão de primeira instância em 22/02/2017, o sujeito passivo interpôs, em 22/03/2017, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que as despesas médicas estão comprovadas, assim como o pagamento de pensão, sendo incabível a exigência fiscal de comprovação do efetivo pagamento. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Diogo Cristian Denny - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço Tendo em vista que a recorrente trouxe em sua peça recursal basicamente os mesmos argumentos deduzidos na impugnação, nos termos do art. 57, § 3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 04/06/2017, reproduzo no presente voto a decisão de 1ª instância com a qual concordo e que adoto: A impugnação é tempestiva e atende aos pressupostos legais de admissibilidade previstos no Decreto nº 7.574/2011, razão pela qual é conhecida. O litígio versa sobre as infrações de Dedução Indevida de Pensão Alimentícia Judicial e de Dedução Indevida de Despesas Médicas. (...) No tocante às despesas médicas restantes, a infração foi lavrada pelo fato, apesar de intimado para tanto, não comprovou o contribuinte o efetivo pagamento. Em sua defesa, sustenta o impugnante, relação aos recibos apresentados das despesas médicas, no valor de R$3.000,00 (sessões de fisioterapia – Dra. Shiley R. Rosa Siqueira), que foi demonstrado o pagamento e declarados pela própria profissional como recebidos do recorrente. Apresentou, conforme doc. anexo, comprovação de que foram quitados com cheques de terceiros. Acrescenta ainda que apresentou os recibos das despesas médicas da profissional Fernanda Morais Maia e que a Receita Federal do Brasil poderia verificar a Declaração de Ajuste Anual da prestadora de serviços. Sem razão, no entanto. Cumpre trazer, neste ponto, a legislação tributária regente da matéria: Decreto 3.000 de 26 de março de 1999: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretos-lei nº. 5.844, de 1943, art. 11 e § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº. 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). ... Art. 80 – Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no ano-calendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250/95, art. 8º, II, alínea “a”). Fl. 197DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.534 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13893.000932/2011-58 § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250/95, art. 8º, §2º): ...II – restringe-se aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III – limita-se a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas – CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes – CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento. Conclui-se dos dispositivos acima colacionados que somente são dedutíveis despesas médicas pagas pelo contribuinte, ou seja, a juízo da Autoridade Fiscal, deverá atestar que realmente transferiu os recursos relativos a serviços prestados por médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais, hospitais, despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias para o seu próprio tratamento ou de dependentes legais para efeitos tributários, nos valores e nas datas constantes dos comprovantes em seu poder. Em suma, tal ateste se dará não pela apresentação de simples recibo ou declaração do profissional, mas por meio de outros documentos: cheques, transferências bancárias (TED), DOC, Ordens de Pagamento, etc. Naturalmente, a legislação tributária colacionada também requer que estejam explicitamente presentes outros elementos obrigatórios nos documentos originais apresentados para ateste dos efetivos pagamentos, que normalmente são explicitados nos recibos: nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) de quem os recebeu e a indicação do registro no órgão de classe (CRM, CRO, etc), a fim de identificar se está autorizado a exercer a atividade e se esta faz parte do rol dedutível, no caso de profissional de saúde. Em suma, eventual Intimação Fiscal encaminhada ao contribuinte pela Fazenda Pública para comprovar a dedução pleiteada e o seu efetivo pagamento, quando pairar alguma dúvida ou se forem pleiteados valores exagerados, está perfeitamente amparada em lei. Não é demais deixar em relevo que a dúvida da Fazenda Pública pode ser perfeitamente infirmada com prova em contrário, por parte do contribuinte, o qual, já que alega o seu direito, tem atribuído o ônus da prova. A jurisprudência administrativa caminha no mesmo sentido: IRPF -DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS - COMPROVAÇÃO - Para se gozar do abatimento pleiteado com base em despesas médicas, não basta a disponibilidade de um simples recibo ou declaração unilateral, sem a efetiva comprovação da prestação dos serviços e do pagamento correlato. Essas condições devem ser comprovadas por outros meios de prova, tais como: radiografias, receitas médicas, exames laboratoriais, notas fiscais de aquisição de remédios e outras. Simples declarações unilaterais não têm o condão de suprir as provas mencionadas( Acórdão 102-46489 de 16/09/2004) IRPF - DESPESAS MÉDICAS - DEDUÇÃO - Inadmissível a dedução de despesas médicas, na declaração de ajuste anual, cujos comprovantes não correspondam a uma efetiva prestação de serviços profissionais, nem comprovado os desembolsos. Tais comprovantes são inaptos a darem suporte à dedução pleiteada. Legítima, portanto, a glosa dos valores correspondentes, por se respaldar em recibo imprestável para o fim a que se propõe (Ac. 1º CC 104-16647/1998)" Dito isso, no caso em concreto, a glosa foi efetuada, pois não comprovou o impugnante o efetivo pagamento das despesas realizadas com as profissionais Fernanda Morais Maia Salles (R$8.000,00) e Shirlei Regiane Rosa Siqueira (R$3.000,00), quando do atendimento do Termo de Intimação Fiscal. Na fase litigiosa, limitou-se a argumentar o impugnante que recibos, a declaração da profissional, cheques de terceiros seriam suficientes. Não são, como já se prelecionou acima, em face do disposto na legislação colacionada que, de forma peremptória, exige Fl. 198DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-007.534 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13893.000932/2011-58 que o contribuinte demonstre que arcou efetivamente com os gastos e transferiu os recursos aos prestadores. No caso em concreto, isso não ocorreu e não atestou qualquer das duas despesas acima, por exemplo, com receituário, exames, comprovantes bancários, extratos, transferências ou microfilmagens (a própria defesa ratifica essa falta documental; fl.14). Logo, deve ser mantida a glosa dos R$11.000,00 reais correspondentes. No que tange à pensão alimentícia, assim dispõe a legislação (destaques acrescidos): Decreto nº 3.000/1999 Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (Decretos-lei nº. 5.844, de 1943, art. 11 e § 3º). § 1º se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto-lei nº. 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Lei nº 9.250, de 1995, com a redação dada pelo art. 21 da Lei nº 11.727/2008 Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: I - de todos os rendimentos percebidos durante o ano-calendário, exceto os isentos, os não-tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II - das deduções relativas: .... f) às importâncias pagas a título de pensão alimentícia em face das normas do Direito de Família, quando em cumprimento de decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais, de acordo homologado judicialmente, ou de escritura pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei no5.869, de 11 de janeiro de 1973- Código de Processo Civil;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008)(Produção de efeitos) Conclui-se, da leitura das normas acima colacionadas, com clareza meridiana, no caso de despesas com Pensão Alimentícia, pagas em face das normas do Direito de Família, que se comprova a obrigação, simultaneamente: · com a apresentação da Decisão Judicial, do Acordo Homologado Judicialmente ou da Escritura Pública a que se refere o art. 1.124-A da Lei n.º 5.869/1973, onde é possível conhecer os termos da obrigação, a exemplo do quantum a ser pago em dinheiro; data do início; nomes dos beneficiários e alimentante; etc; e · com a comprovação do pagamento, ou seja, a transferência efetiva dos recursos aos alimentandos. No caso em tela, a Fiscalização acatou todo o valor efetivamente comprovado pelo impugnante (R$12.680,00), glosando apenas a parte restante, a qual não foi atestada pela alimentanda/representante, Sra. Cristina Ferraz. O impugnante, em sua defesa, alega que transferiu mais ainda àquela beneficiária, aduzindo que são suficientes os extratos bancários e mesmo o comprovante de IR do alimentando. Como se prelecionou acima, não há qualquer amparo para a dedução do gasto com alimentos sem a efetiva decretação da obrigação pelo Poder Judiciário, no de Acordo Homologado ou Decisão Judicial, especialmente se o valor eventualmente transferido for superior ao acordado ou decidido pelo Juiz da causa. Ademais, no caso sob julgamento, sequer seria cabível pleitear o montante declarado pelo ora impugnante, haja vista a pensão estar limitada a R$1.400,00/mês, a partir de março de 2007 (fls. 90-97). Fl. 199DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2002-007.534 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13893.000932/2011-58 Assim, no máximo, poderia deduzir-se de R$14.000,00 (R$1.400,00 x 10 meses). No caso, os documentos juntados à impugnação (fls. 18-67), não indicam qualquer transferência explícita para a Sra. Cristina Ferraz. A mera aposição de transferência no histórico bancário não é hábil e idônea a atestar o recebedor. O valor a maior pleiteado não apenas não foi atestado como transferido legalmente, mas também é considerado como mera liberalidade do alimentante, o que não é passível de dedução. Mantida a glosa, consequentemente. Impende deixar em relevo ainda que não há que falar em cerceamento de defesa, uma vez que o impugnante o impugnante teve ciência adequada da Notificação de Lançamento (fls. 59-60) e apresentou tempestivamente sua impugnação (fls. 10-16), na qual rebate ponto a ponto o Lançamento, de forma ampla e detalhada, demonstrando inteira compreensão das infrações lavradas. Acosta, também, documentos que julga sustentarem as suas alegações. Nesse sentido, é oportuna a transcrição de ementa de acórdão do Conselho de Contribuintes, hoje Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF: NULIDADE DO LANÇAMENTO POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – Se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa e substanciosa impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. (Acórdão n.º 104- 16.701/1998). Conclusão Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, nega- lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny Fl. 200DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 13748.720513/2012-91
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 24 00:00:00 UTC 2022
Data da publicação: Mon May 08 00:00:00 UTC 2023
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2009
IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - PROCESSO JUDICIAL - DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS
Os valores pagos a título de honorários advocatícios e periciais, desde que comprovados, podem ser deduzidos na DAA do montante recebido em ação judicial, pois não configuram renda.
Numero da decisão: 2002-007.211
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Diogo Cristian Denny - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator(a)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente).
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Diogo Cristian Denny - Presidente (documento assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator(a) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo de Sousa Sateles, Thiago Duca Amoni, Diogo Cristian Denny (Presidente). Relatório Por bem retratar os fatos ocorridos desde a constituição do crédito tributário por meio do lançamento até sua impugnação, adoto e reproduzo o relatório da decisão ora recorrida: Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 2010, ano-calendário 2009, do contribuinte acima identificado, procedeu-se ao lançamento de ofício, originário da apuração da(s) infração(ões) abaixo descrita(s), por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física de fls. 38 a 42. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fl. 40, o contribuinte omitiu rendimentos recebidos de pessoa jurídica, sujeitos à tabela progressiva, no AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 72 05 13 /2 01 2- 91 Fl. 100DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2002-007.211 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.720513/2012-91 valor de R$28.400,00, não tendo havido saldo de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) que incidiu sobre os rendimentos omitidos a compensar, conforme o seguinte demonstrativo: Fonte Pagadora CPF Beneficiário Rendimento inform. em Dirf Rendimento Declarado Rendimento Omitido IRRF inform. em Dirf IRRF Declarado IRRF s/ Omissão 03.108.082/0001-80 – Associação Faculdades Católicas Petropolitanas 751.843.467-91 140.664,96 112.264,96 28.400,00 29.301,12 29.301,12 0,00 TOTAL 140.664,96 112.264,96 28.400,00 29.301,12 29.301,12 0,00 Após a constatação da(s) infração(ões) acima descrita(s), acompanhada(s) do(s) respectivo(s) enquadramento(s) legal(is), o Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, assim ficou definido (fl. 41): Descrição Valores em Reais 1) Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados 118.264,96 2) Omissão de Rendimentos Apurada 28.400,00 3) Total dos Rendimentos Tributáveis Apurados (1+2) 146.664,96 4) Desconto Simplificado (linha 5X0,2; limitado a R$12.743,63) 12.743,63 5) Base de Cálculo Apurada (3-4) 133.921,33 6) Imposto Apurado após Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) 28.873,00 7) Total de Imposto Pago Declarado 29.301,12 8) Glosa de Imposto Pago 0,00 9) IRRF sobre infração ou Carnê-Leão Pago 0,00 10) Imposto a Restituir após Alterações (6-7+8-9) 428,12 11) Imposto a Restituir Declarado 8.238,12 12) Imposto já Restituído 0,00 13) Saldo do Imposto a Restituir Ajustado 428,12 Impugnação Em 09/07/2012, foi lavrado Resultado de indeferimento da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL com o seguinte fundamento (fl. 45): Contribuinte não comprovou a origem (ação trabalhista) e valores recebidos de eventual causa trabalhista, para fazer jus a dedução de despesas com honorários de advogado. Cientificado deste resultado de indeferimento da Solicitação de Revisão de Lançamento de fl. 45 em 19/07/2012 (fl. 30 e 46), o contribuinte apresentou em 07/08/2012 (fl. 02), a impugnação de fl. 02, acompanhada dos documentos de fls. 03 a 29, na qual, em síntese, afirma que: Infração: Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica / CNPJ: 03.108.082/0001-80 Valor da Infração: RS 28.400,00. Estou questionando o valor de R$26.000,00 - AÇÃO TRABALHISTA DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1a REGIÃO – SEGUNDA VARA DO TRABALHO DA CIDADE DE PETRÓPOLIS, RJ. Seguem anexos os seguintes documentos: Qtde. Documento 1 Documento de identidade do signatário Outros AÇÃO TRABALHISTA DO TRIBUNAL REGIONAL DO TRABALHO DA 1a REGIÃO - SEGUNDA VARA DO TRABALHO DA CIDADE DE PETRÓPOLIS, RJ. A decisão de primeira instância manteve o lançamento do crédito tributário exigido, encontrando-se assim ementada: Fl. 101DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2002-007.211 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.720513/2012-91 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2009 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ALEGAÇÃO DE AÇÃO JUDICIAL. DESPESAS COM ADVOGADO. DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Para poder deduzir despesas com advogado, que arcar sem indenização, necessárias para o recebimento de rendimentos tributáveis, primeiramente o contribuinte deve comprovar que estes rendimentos são decorrentes de ação judicial. Cientificado da decisão de primeira instância em 17/10/2016, o sujeito passivo interpôs, em 11/11/2016, Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) as despesas com honorários advogatícios estão comprovadas nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro(a) Thiago Duca Amoni - Relator(a) O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. Omissão de rendimentos – honorários É sabido que os gastos com advogados e despesas judiciais podem ser abatidos dos valores recebidos em decorrência de ação judicial, pois, claro, não podem ser considerados como renda do contribuinte. Desta feita, o contribuinte deve informar como rendimento tributável, o valor recebido, já abatido o valor pago a título de honorários advocatícios, constando tais valores na relação de "Pagamentos e Doações Efetuados", informando o CPF e o valor pago aos profissionais. De acordo com o Regulamento do Imposto de Renda - RIR/99, temos: Art. 718. O imposto incidente sobre os rendimentos tributáveis pagos em cumprimento de decisão judicial será retido na fonte, quando for o caso, pela pessoa física ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que, por qualquer forma, o rendimento se torne disponível para o beneficiário (Lei nº 8.541, de 1992, art. 46). § 1º Fica dispensada a soma dos rendimentos pagos no mês, para aplicação da alíquota correspondente, nos casos de (Lei nº 8.541, de 1992, art. 46, § 1º): I - juros e indenizações por lucros cessantes; II - honorários advocatícios; III - remuneração pela prestação de serviços no curso do processo judicial, tais como serviços de engenheiro, médico, contador, leiloeiro, perito, assistente técnico, avaliador, síndico, testamenteiro e liquidante. § 2º Quando se tratar de rendimento sujeito à aplicação da tabela progressiva, deverá ser utilizada a tabela vigente no mês do pagamento (Lei nº 8.541, de 1992, art. 46, § 2º). § 3º O imposto incidirá sobre o total dos rendimentos pagos, inclusive o rendimento abonado pela instituição financeira depositária, no caso de o pagamento ser efetuado mediante levantamento do depósito judicial. Fl. 102DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art46 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art46%C2%A71 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8541.htm#art46%C2%A72 Fl. 4 do Acórdão n.º 2002-007.211 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.720513/2012-91 Ainda, conforme jurisprudência deste CARF, temos: Numero do processo: 11080.721580/2013-79 Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção Câmara: Terceira Câmara Seção: Segunda Seção de Julgamento Data da sessão: Tue Jul 12 00:00:00 BRT 2016 Data da publicação: Wed Jul 27 00:00:00 BRT 2016 Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2009 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECLAMATÓRIA TRABALHISTA O rendimento tributável é o valor líquido mais imposto retido na fonte, deduzidas as despesas com ação judicial necessárias ao recebimento dos rendimentos. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS E PERICIAIS Os honorários advocatícios e periciais devidamente comprovados mediante documentação hábil e idônea podem ser deduzidos dos rendimentos recebidos na ação judicial. Numero da decisão: 2301-004.751 Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. João Bellini Júnior – Presidente e relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Júlio César Vieira Gomes, Alice Grecchi, Andrea Brose Adolfo, Fabio Piovesan Bozza, Marcela Brasil de Araújo Nogueira (suplente), Gisa Barbosa Gambogi Neves e Amilcar Barca Teixeira Junior (suplente). Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR Em que pese a possibilidade de abatimento dos valores a título de honorários advocatícios, vez que estes não correspondem a renda auferida pelo contribuinte, no presente caso, conforme DIRF colacionada aos autos às e-fls. 69, trata-se de rendimento do trabalho assalariado (código 0561) e não de rendimentos decorrentes de ação judicial. Ainda, os recibos anexados aos autos não tem vinculam o Fisco, por tratar-se de documento particular. Assim, mantenho a decisão de piso, vez que não restou comprovado que o montante fora pago no decurso do processo judicial: Contudo, no presente caso, apesar de ter apresentado cópia de petição inicial de Ação Trabalhista movida contra a fonte pagadora dos rendimentos omitidos (fls. 06 a 29), este documento bem como os demais que se encontram nos autos não são hábeis para comprovar que o valor recebido desta fonte pagadora decorre de ação judicial. Desta forma, não estando comprovado que os rendimentos tributáveis vinculados à omissão decorrem de ação judicial, impossível deduzir despesas com honorários advocatícios, pois esta dedução só é admitida pela lei quando vinculada a rendimentos tributáveis pagos em cumprimento de decisão ou acordo judicial, que não constam no presente processo administrativo. Sobre o ônus da prova assim dispõe o artigo 36 da Lei nº 9.784/1999, que disciplina o processo administrativo federal: Fl. 103DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2002-007.211 - 2ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 13748.720513/2012-91 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Este comando legal foi reproduzido no artigo 28 do Decreto nº 7.574/2011, que regulamenta o processo administrativo fiscal federal: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). Desta forma, o que prevalece são as informações contidas no banco de dados da administração tributária e que foram prestadas pela fonte pagadora em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF – fl. 69) no sentido de que o rendimento tributável de R$140.664,96 recebido pelo impugnante tem a natureza de rendimento do trabalho assalariado, sem qualquer menção a ação judicial, o que é confirmado pelo Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte que já havia sido apresentado pelo próprio autuado (fl. 67). Diante do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a impugnação apresentada contra a notificação de lançamento contida no presente processo. Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 104DF CARF MF Original
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