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Numero do processo: 10640.001919/2002-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1802-000.044
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho . Fl. 87DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001919/200217 Resolução n.º 1802000.044 S1TE02 Fl. 88 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora/MG, que considerou parcialmente procedente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ (fls. 21 a 23), no valor originário de R$ 182.653,37 (rubrica principal), aos quais foram somados a multa de ofício de 75% e os juros moratórios. A exigência decorreu de procedimento de auditoria interna de DCTF. Conforme os relatórios que integram o auto de infração, não foi localizado o pagamento do IRPJ/Lucro Presumido declarado para o quarto trimestre de 1997. Instaurada a fase litigiosa, com a impugnação de fls. 1 a 10, e conforme descrito na decisão de primeira instância, Acórdão nº 0932.129 (fls. 47 a 50) a Contribuinte alegou em síntese que: não foram considerados os DARF nos valores de R$ 117.202,58e de R$ 10,00; não foi considerada a compensação com o crédito de R$65.460,78, oriundo de recolhimentos indevidos ou a maior, cujo direito ao crédito e à compensação foram determinados no processo n° 95.010.33295; impropriedade da aplicação da Taxa Selic. Como mencionado, a DRJ Juiz de Fora/MG considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997 FALTA DE RECOLHIMENTO. Caracterizada falta de recolhimento deve persistir o lançamento efetuado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida no art. 106 do CTN, é incabível a aplicação da multa de ofício em conjunto com tributo ou contribuição espontaneamente declarados em DCTF. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 12/01/2011 (AR às fls. 53), a Contribuinte apresentou em 09/02/2011 o recurso voluntário de fls. 69 a 80, com argumentos sobre os tópicos abaixo. Fl. 88DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001919/200217 Resolução n.º 1802000.044 S1TE02 Fl. 89 3 DA PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE EM PROCESSO ADMINISTRATIVO: o Fisco possui o prazo prescricional de cinco anos para o ajuizamento da execução fiscal a partir do lançamento tributário, sob pena de extinção da obrigação tributária nos termos do art.156, inciso V, do CTN; admitir que a administração tributária, durante um processo administrativo fiscal, pode ficar inerte pelo tempo que bem entende, sem maiores cuidados quanto à sua movimentação, no pressuposto de que não estaria sujeita à prescrição, enquanto não proferida a decisão final do julgador administrativo, é ferir o princípio constitucional da moralidade administrativa, consagrado no art. 37 da Constituição Federal; a Lei 11.051/04 trouxe previsão de prescrição intercorrente no processo judicial, alterando o parágrafo 4º do artigo 40 da Lei 6.830/80 (Lei de Execuções Fiscais); logo, diante da instituição da prescrição intercorrente para o processo judicial de Execução Fiscal, a Fazenda Pública ficou legalmente impedida de se manter inerte diante do processo, sob pena de arquivamento definitivo deste e, por consequência, do seu direito de cobrança; referida prescrição intercorrente serve para garantir a segurança jurídica e, ainda, para garantir a efetividade do processo, devendo o Fisco, que possui meios suficientes, localizar o devedor, seus bens, e impulsionar o processo para que este não fique eternamente tramitando sem qualquer movimentação; no âmbito do processo administrativo o tratamento não pode ser diferente, afinal a prescrição intercorrente tem como marco o princípio da segurança jurídica, sendo assim, ambos (o princípio da segurança jurídica e a prescrição intercorrente) devem ser aplicados em toda e qualquer relação jurídica existente, não somente no âmbito das relações que tramitam no Judiciário, mas também naquelas que repercutem na seara administrativa; para justificar a aplicabilidade da prescrição intercorrente no processo administrativo, podese invocar também o art.108, inciso I, do CTN, que determina a aplicação da analogia na ausência de disposição legal expressa; diante da ausência de previsão expressa da prescrição intercorrente administrativa, o art. 6° da Lei n° 11.051/04 deve ser aplicado aos processos administrativos analogicamente, nos termos do art.108, inciso I, do CTN; portanto, nos casos em que a Administração deixa transcorrer mais de cinco anos para a realização de um ato na esfera administrativa, ou seja, para proferir decisão administrativa acerca de impugnação ou de recurso administrativo, incide a regra da prescrição intercorrente, já que não se pode admitir no Ordenamento Brasileiro que decisões administrativas demorem anos para serem proferidas, ficando o Contribuinte eternamente à mercê do Estado e este despido de qualquer ônus pela sua negligência; tendo em vista que os princípios devem nortear a interpretação das leis juntamente com a analogia quando for constatada a ausência de disposição expressa, a administração deve julgar os recursos administrativos dentro do prazo qüinqüenal, sob pena de Fl. 89DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001919/200217 Resolução n.º 1802000.044 S1TE02 Fl. 90 4 incorrer na prescrição intercorrente, que deve ser aplicada ao processo administrativo fiscal conforme fundamentação acima exposta; restando claro que a prescrição intercorrente deve ser aplicada aos processos administrativos, cumpre destacar que, in casu, a ocorrência da mesma deve ser reconhecida em razão do decurso de mais de 7 (sete) anos entre o protocolo da impugnação (em 09/07/2002) e a ciência do Contribuinte acerca da decisão que julgou o referido recurso (a decisão foi proferida em 27/10/2010 e o Contribuinte foi cientificado no dia 11/01/2011). DA REGULARIDADE DA COMPENSAÇÃO REALIZADA: a compensação realizada pela Recorrente se deu de forma totalmente regular, pautandose em decisão judicial no processo registrado sob o n° 95.01033295 e, também, no disposto no artigo 66 da Lei n° 8.383/91 (único dispositivo que regia a compensação à época) que conferia o direito subjetivo à Recorrente de proceder à compensação, sem quaisquer liturgias ou prévia audiência da Fazenda Pública; a exigência que a Receita Federal do Brasil está impondo à Recorrente, no sentido de que a compensação deveria ter sido declarada em DCTF, não existia à época da realização das compensações, qual seja, ao longo do ano de 1997; não havia lei estabelecendo referida exigência de declarar em DCTF as compensações efetivadas nos termos do artigo 66 da Lei 8.383/91; a regulamentação dessa modalidade de compensação, com a imposição das formalidades que o acórdão recorrido equivocadamente está exigindo da Recorrente apenas surgiu com a IN 210/02 e a Declaração de Compensação, posteriormente evoluindo com a chegada da PER/DCOMP trazida pela IN 320/03; quando da efetivação das compensações pela Recorrente não existia a imposição legal da declaração da compensação em DCTF. Necessário se faz, por força do Princípio da Legalidade que rege a atuação da Administração Pública, que a Receita Federal do Brasil apresente o embasamento legal da exigência formal que está impingindo à Recorrente como motivo para a desconsideração da compensação por ela realizada e a conseqüente frustração do seu direito; apesar do silêncio da legislação vigente à época sobrecomo deveria proceder o Contribuinte que pretendesse se valer do seu direito decompensação de créditos tributários, nos moldes do artigo 66 da Lei 8.383/91, ressalteseque a Recorrente procedeu com boafé, esforçandose para agir de forma clara e que nãodeixasse dúvidas quanto à regularidade da compensação efetivada e quanto à existência dodireito creditício da empresa, direito este que lhe havia sido garantido através do processojudicial n° 95.01033295; é imprescindível enfatizar que a compensação instituída pelo art. 66 da Lei 8.383/91 difere da que cuida o art. 170 do CTN, uma vez que a primeira é feita no âmbito do lançamento por homologação, ou seja, no procedimento em que o Contribuinte, verificando a existência do fato gerador, apura o tributo devido e, ato contínuo, promove o pagamento; a compensação delineada pelo art. 66 da Lei 8.383/91 atribui à Recorrente o direito subjetivo de compensar o que pagou indevidamente ou a maior de tributos e contribuições federais, cumpridolhe apurar o quantum indevidamente pago, creditandose em Fl. 90DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001919/200217 Resolução n.º 1802000.044 S1TE02 Fl. 91 5 sua escrita fiscal, já devidamente corrigido, de sorte a ressarcirse dos prejuízos pretéritos. Estando certo que o pagamento indevido ocorreu, é imperioso o reconhecimento da legitimidade das compensações efetuadas pela ora Recorrente, cancelando o lançamento fiscal ora atacado, remetendose, outrossim, o respectivo Auto de Infração ao arquivo; concluise, diante de tudo que se expôs acima, que a ora Recorrente possui direito subjetivo de compensar o que pagou indevidamente ou a maior de tributos e contribuições, o tendo feito na forma devida e estabelecida pela Lei 8.383/91, não havendo que se falar em autuação da mesma por parte do Fisco. Este é o Relatório. Fl. 91DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001919/200217 Resolução n.º 1802000.044 S1TE02 Fl. 92 6 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, foi exigido da Contribuinte o IRPJ/Lucro Presumido relativo ao quarto trimestre de 1997, por falta de localização de pagamento para este débito. O lançamento decorreu de procedimento de auditoria interna de DCTF, e foi realizado nos termos da redação original do art. 90 da Medida Provisória 2.15835/2001. Em razão das alterações implementadas pela Lei 10.833/2003 no dispositivo legal acima mencionado, a decisão de primeira instância afastou a multa de ofício, aplicando a regra do Código Tributário Nacional que prevê a retroatividade benigna. Além disso, a autuação também foi considerada improcedente no tocante aos valores do IRPJ recolhidos via DARF, no total de R$ 117.212,58, conforme revisão feita pela própria Delegacia de origem. A exigência foi mantida em relação à parte do débito que a Contribuinte alega ter quitado por compensação, no valor de R$ 65.440,79 (rubrica principal). Como fundamento de sua decisão, a Delegacia de Julgamento consignou que a compensação não foi declarada em DCTF; que para descaracterizar a autuação a Contribuinte deveria apresentar os DARF vinculados em DCTF ao débito declarado; e que, diferentemente do alegado, não foi determinado na ação judicial nº 95.01033295 o direito à compensação dos valores nela discutidos, uma vez que essa demanda judicial abrangia somente a aplicação da correção monetária plena ao valor de restituição de indébito e também dos juros de mora equivalentes aos que incidiam sobre os créditos da Fazenda Pública. Quanto à mencionada ação judicial (fls. 26 a 37), é oportuno transcrever a parte dispositiva da sentença proferida em 26/01/1999: Isto posto julgo procedente o pedido, determinando à ré que aplique, ao valor da restituição do indébito, juros de mora de 1% (um por cento) ao mês e correção monetária pelos mesmos índices e indexadores utilizados para a atualização dos débitos dos contribuintes. De fato, a demanda dizia respeito à aplicação de juros e correção monetária sobre indébito a ser restituído, referente a antecipações/duodécimos de IRPJ no exercício de 1991. De acordo com a petição inicial, embora o Fisco não fizesse oposição ao valor a ser restituído, conforme apurado na declaração de rendimentos, queria devolver o indébito sem a correção monetário plena. Mas o que interessa é a constatação de que o crédito discutido abrangia rubricas acessórias de valores indevidos a título de IRPJ. Fl. 92DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10640.001919/200217 Resolução n.º 1802000.044 S1TE02 Fl. 93 7 Nesse caso, poderia ele ser utilizado na forma do art. 66 da Lei 8.383/1991, para compensação com débito de mesma espécie – IRPJ, e não havia na época do alegado encontro de contas a exigência de que a compensação estivesse declarada em DCTF. Portanto, é insuficiente o fundamento utilizado pela decisão recorrida para a manutenção da exigência. O fato de a alegada compensação ter sido realizada antes mesmo da sentença judicial também não prejudica a utilização do alegado crédito na forma pretendida pela Contribuinte, porque tudo teria ocorrido antes da introdução do art. 170A no CTN, em 2001, que trouxe regra para vedar “compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. E o fato de o crédito ser do anobase 1990 e a alegada compensação ter ocorrido em 1997 não implica em prescrição do crédito, haja vista que na Sessão Plenária de 04/08/2011, ao julgar o RE 566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, matéria de repercussão geral, o STF por maioria de votos declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4º da Lei Complementar nº 118/2005, validando, deste modo, a chamada “tese 5+5” do STJ, a ser aplicada aos procedimentos de repetição/compensação de indébito iniciados/realizados antes de 9 de junho de 2005. Mas se por um lado, a Contribuinte podia realizar a alegada compensação com base no art. 66 da Lei 8.383/1991, amparada em crédito que acabou sendo reconhecido pelo poder judiciário (conforme suas alegações), por outro lado, incumbe a ela demonstrar o valor de seu crédito e também a efetiva realização do encontro de contas, apresentando algum registro que seja contemporâneo ao vencimento do débito. Contudo, em nenhum momento a Contribuinte foi intimada para tanto. O auto de infração não foi precedido de um pedido de esclarecimentos, e a Delegacia de Julgamento manteve a exigência fundada no argumento de que a compensação não constava da DCTF. Pelos autos, não se pode verificar, por exemplo, se o alegado direito creditório correspondia em 31/12/1997 à diferença que a Contribuinte alega ter quitado por compensação, no valor de R$ 65.460,78. Deste modo, entendo que o processo deve ser baixado em diligência, para que a Contribuinte seja intimada a apresentar os elementos que dispuser, no sentido de comprovar detalhadamente o valor de seu crédito e também que efetivamente realizou o alegado encontro de contas para a quitação do IRPJ referente ao 4º trimestre de 1997. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia de origem providencie o acima solicitado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 93DF CARF MF Emitido em 06/12/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
score : 1.0
Numero do processo: 10242.000339/2010-05
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.090
Decisão: resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em razão a matéria – DACON, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE02 Fl. 71 1 70 S1TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10242.000339/201005 Recurso nº 932.736 Voluntário Resolução nº 1802000.090 – 2ª Turma Especial Data 07/08/2012 Assunto Obrigações Acessórias DACON Recorrente TRANSPORTES SANGALLI LTDAME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, declinar da competência em razão a matéria – DACON, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10242.000339/201005 Resolução n.º 1802000.090 S1TE02 Fl. 72 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém – PA (DRJBEL), que julgou improcedente a Impugnação apresentada pelo Recorrente. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo de multas expedidas através das Notificações de Lançamento de fls. 08, 10, 12, 14 e 16, decorrentes do atraso na entrega do Dacon referente aos meses de janeiro a abril e junho de 2010, no valor de R$ 500,00 cada (valor mínimo)”. 2. Sendo a data do vencimento da exigência em 20.10.2010, considerase tempestiva a impugnação apresentada em 08.09.2010 (fls.01/07), na qual a interessada, em síntese: a) Reclama das dificuldades criadas pela Receita Federal relativa a questões técnicas e de informação, relatadas em mensagens da Fenacon; b) Entende que uma instrução normativa não pode criar uma obrigação acessória, devendo limitarse a regular aquela definida em lei, respeitando o princípio da legalidade; c) Aponta caracterizar confisco o valor da multa aplicada; d) Afirma haver constado informação errada no sítio da Receita Federal na internet, quando havia a previsão de prazos para apresentação dos demonstrativos mensal e semestral; e) requer a revisão do lançamento. Em sua decisão, a DRJBEL houve por bem manter o lançamento através do Acórdão n° 01 21.555, Sessão de 03 de maio de 2011, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS” Ano calendário: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS – DACON. “O cumprimento de obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais”. Fl. 72DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10242.000339/201005 Resolução n.º 1802000.090 S1TE02 Fl. 73 3 “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO” Ano calendário: 2010 INCONSTITUCIONALIDADE. ARGUIÇÃO. “A instancia administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade dos atos legais”. Impugnação Improcedente “Crédito Tributário Mantido” Inconformada com a decisão, o Recorrente apresentou, em 28/11/2011, Recurso Voluntário (fls. 44/54) no qual aduziu, em síntese; a) Reclama das dificuldades criadas pela Receita Federal relativa a questões técnicas e de informação, o que impossibilitaram o envio da obrigação acessória, dentro do prazo legal; b) Entende que uma instrução normativa não pode criar uma obrigação acessória, devendo limitarse a regular aquela definida em lei, respeitando o princípio constitucional da legalidade; c) Considera um grave dano social a aplicação da penalidade. É o relatório, passo a decidir. Voto Conselheiro Marco Antonio Nunes Castilho, Relator. O presente recurso é tempestivo e preenche todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Trata o presente processo de multas decorrentes do atraso na entrega do Dacon, referente ao mês de janeiro a abril e junho de 2010, no valor de R$ 500,00 cada. Durante a construção da sua tese de defesa a Recorrente alega que o devido à inoperância do sistema da Receita Federal, não foi possível adimplir a entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – DACON, e que o referido atraso ocasionou a expedição da Notificação de Lançamento de Multa. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10242.000339/201005 Resolução n.º 1802000.090 S1TE02 Fl. 74 4 Entretanto, por se tratar de discussão atinente a obrigação acessória relativa à Contribuição para o PIS e à COFINS, em respeito ao disposto no inciso IV do artigo 4º do Anexo II da Portaria (MF) nº 256 de 22/06/2009, devolvo os presentes autos para distribuição à TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO desse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 74DF CARF MF Impresso em 18/09/2012 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 18 /09/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/09/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10880.912994/2006-06
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.351
Decisão: resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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(assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa – Presidente (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 12 99 4/ 20 06 -0 6 Fl. 403DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912994/200606 Resolução nº 1802000.351 S1TE02 Fl. 400 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte face à decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo SP1, a qual julgou improcedente o pedido do mesmo referente a não homologação da declaração de compensação número 07521.85698.201003.1.3.041223. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Trata o presente processo de pedido de restituição/declaração de compensação, transmitido por meio do programa PER/DCOMP, referente a pagamento indevido ou a maior de IRRF, efetuado no ano calendário de 2002. Despacho Decisório (fl. 08) da Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (DERAT SAO PAULO) não homologou a compensação declarada em virtude da inexistência de crédito, sob a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados pra quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." A contribuinte apresentou, em 19/06/2008, por seus procuradores, manifestação de inconformidade (fls. 14 a 21), alegando, em síntese, o seguinte: a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; Nos termos da IN SRF n° 600/2005 (artigo 5°), é permitido ao contribuinte que apurar saldo negativo de IRPJ compensar este crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do ano calendário subsequente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic; No presente caso, conforme se depreende da sua DIPJ 2003, no ano calendário de 2002, foi apurado resultado negativo em todos os meses do ano, motivo pelo qual não houve imposto de renda a ser pago; Nesse mesmo ano efetuou diversos recolhimentos do IRRF sob o código 8045, declarando corretamente tais valores em suas DCTFs trimestrais; Em 31/12/2002, apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano, uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período; Fl. 404DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912994/200606 Resolução nº 1802000.351 S1TE02 Fl. 401 3 Pretendendo utilizar o referido crédito relativo a saldo negativo de IRPJ, a Requerente elaborou e apresentou, em outubro de 2003, a competente Declaração de Compensação perante a repartição fiscal; Como o valor do saldo negativo era exatamente igual ao valor do IRRF recolhido por meio de DARF, a Requerente, ao elaborar a referida DComp, acabou optando, de maneira desavisada, pelo "Tipo de Crédito" relativo a pagamento indevido ou a maior, e não a saldo negativo de IRPJ; Não obstante, como os pagamentos indevidos ou a maior referemse àqueles efetuados por meio de DARF, a Requerente, seguindo esse raciocínio, houve por bem pleitear a compensação do crédito existente relacionado a um valor especifico de IRRF recolhido sob o código 8045; Dessa forma, ao apresentar a presente DComp, a Requerente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002. E, foi justamente em virtude da adoção deste procedimento que, ao analisar a DComp em questão, mediante confrontação eletrônica de dados, a Receita Federal negou homologação compensação pleiteada; O preenchimento equivocado da DComp em questão, por parte da Requerente, em nada altera a existência de crédito em seu favor a titulo de saldo negativo de IRPJ; Ainda que a Requerente porventura tenha preenchido de forma errônea a sua DComp, esse fato não pode ser considerado como causa suficiente a ensejar o indeferimento do crédito pleiteado, uma vez que é perfeitamente possível a sua comprovação; O processo administrativo tributário está sujeito as garantias constitucionais ordinariamente previstas, quais sejam, a garantia do devido processo legal e do duplo grau de jurisdição, da ampla defesa e contraditório e da necessária fundamentação das decisões, além do principio da verdade material que estabelece que a Administração Pública deve buscar, a qualquer momento, todas as provas e fatos que comprovem a verdadeira situação enfrentada; Outros processos administrativos (relacionados na manifestação de inconformidade), tem por objeto a compensação de outros débitos, mas com o mesmo crédito relativo a saldo negativo de IRPJ do ano de 2002, motivo pelo qual devem ser apensados, nos termos do art. 9°, § 10 do Decreto 70.235. Em sua decisão, a DRJSP1, considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Recorrente, através do Acórdão n° 1623.244, da 2ª Turma da DRJ/SP1, sessão de 20 de outubro de 2009, cuja ementa está abaixo transcrita: Fl. 405DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912994/200606 Resolução nº 1802000.351 S1TE02 Fl. 402 4 “PER/DCOMP. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALTERAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO A SER COMPENSADO. INOVAÇÃO. A indicação, na fase litigiosa, de direito creditório distinto do apontado na Per/Dcomp original, encerra verdadeira inovação, configurandose em nova solicitação da contribuinte, não passível de apreciação originária pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento.” Ante a improcedência da Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, alegando, resumidamente que: A Recorrente, por ser uma agência de publicidade, está submetida a regime especifico de retenção do imposto de renda na fonte (IRRF), já que a obrigação de retenção e recolhimento do IRRF sob o código 8045 compete a ela (prestadora do serviço) e não ao tomador (anunciante), ao contrário do que determina a regra geral de retenção para os demais serviços; Conforme a DIPJ 2003, a base de cálculo do imposto de renda a ser pago mensalmente revelouse negativa e houve, portanto, excesso de pagamentos de imposto retido na fonte sob o código de receita 8045; A Recorrente apurou saldo negativo de IRPJ, no montante de R$ 448.957,61, correspondente ao valor exato de todas as retenções efetuadas ao longo do ano (uma vez que, além de ter apurado prejuízo fiscal, não existiram quaisquer outros recolhimentos ou retenções de imposto no período), bem como cumpriu todas as obrigações acessórias determinadas pela legislação em vigor, entendendo que possui o direito à compensação deste crédito com outros tributos federais, a partir do mês de janeiro do anocalendário subseqüente ao do encerramento do período de apuração, corrigindo tal saldo mediante aplicação de juros Selic (art. 5° da IN SRF n° 600/2005); Incorreu em erro ao elaborar a competente PERD/COMP, uma vez que o saldo negativo apurado pela Recorrente no anocalendário de 2002, fora exatamente igual ao valor do IRRF (código 8045) recolhido por meio de DARF e a Recorrente acabou optando – desavisadamente – pelo "Tipo de Crédito" relativo a pagamento indevido ou a maior de IRRF e não a saldo negativo de IRPJ; Ou seja, ao apresentar a presente DComp, a Recorrente vinculou o débito que pretendia ver compensado a um DARF de IRRF, recolhido sob o código de receita 8045, abstendose de mencionar a totalidade do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 e que tal procedimento acarretou a não homologação da compensação por parte da Receita Federal; Fl. 406DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912994/200606 Resolução nº 1802000.351 S1TE02 Fl. 403 5 Tratase, no caso, de mero erro formal, que deve ser retificado de oficio e não de uma nova solicitação – inovação do pedido – na tentativa de a Recorrente "burlar o prazo de decadência", pois, a DComp em questão foi transmitida à Receita Federal no ano de 2003, ou seja, dentro do prazo legal de prescrição e; além disso, em momento algum a Recorrente pleiteia credito em valor superior àquele informado em sua DIPJ e DCTFs; Admitir o contrário seria o mesmo que ir de encontro às garantias constitucionais que regem o processo administrativo tributário, em especial, ao principio da verdade material; É o relatório, passo a decidir. Voto Da Admissibilidade do Recurso Voluntário A recorrente foi cientificada da decisão da DRJ, em 18.11.2009, conforme aviso de recebimento fls. 384 e, apresentou o recurso, tempestivamente, no prazo de 30 dias, em 02.12.2009, atendendo aos demais pressupostos para sua admissibilidade. Portanto, dele conheço. Preliminar A Recorrente requereu apensamento de todos os processos administrativos nos quais se discute o mesmo saldo negativo de IRPJ do ano de 2002 para julgamento em conjunto. Ressalta que o apensamento de todos esses processos se mostra imprescindível para o correto deslinde da presente discussão, a uma para não haver aproveitamento em duplicidade do saldo negativo que venha a ser deferido e, a duas, para que não haja decisões conflitantes emanadas pela administração sobre o mesmo tema, Determina o art. 9º, parágrafo 1° do Decreto n° 70.235/72, que as exigências de créditos tributários em relação a um mesmo sujeito passivo podem ser objeto de um único processo quando depender do mesmo elemento de prova, como no caso em questão, em que houve o preenchimento equivocado de algumas DComps relacionadas ao mesmo crédito de saldo negativo de 2002. Quanto a esse contexto, dispõe o artigo o art. 9º, parágrafo 1° do Decreto n° 70.235/72: Fl. 407DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912994/200606 Resolução nº 1802000.351 S1TE02 Fl. 404 6 Art. 9ºA exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009) § 1ºOs autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005) Desta forma, conforme se conclui da legislação, por tratarse de uma possibilidade (faculdade) e, considerando que os processos são autônomos e encontramse aptos a serem julgados, rejeito pedido de conexão e passo análise do mérito. Do Mérito do Recurso Voluntário Conforme exposto, a Recorrente pugna pela revisão do decisum a quo, por esse não ter reformado a decisão que indeferiu a homologação do PER/DCOMP número 07521.85698.201003.1.3.041223, utilizado para quitar os débitos de IRRF do 5º dia de Novembro de 2002 (código 05611), IRRF do 1º e 2º dia de Dezembro de 2002 (código 1708 1) e IRRF do 3º dia de Dezembro de 2002 (código 05611). A DRJ/SP1 ressaltou em seu julgado que a Recorrente alegou ter informado erroneamente em sua PER/DCOMP, crédito de Pagamento Indevido ou a Maior de IRRF (código de receita: 8045), quando o correto seria ter informado crédito de Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002. Nestes termos, a DRJ/SP1 entendeu que a alteração do tipo de crédito para Saldo Negativo de IRPJ referente ao anocalendário de 2002, revelouse em inovação do pedido inicial, ou seja, configurouse em nova solicitação, gerando impedimento formal para análise do pleito pela DRJ/SP1, pois estarseia suprimindo a atribuição regimental da Delegacia da Receita Federal de São Paulo de se pronunciar, em primeiro lugar, sobre o mérito da restituição pleiteada. Por fim, o julgado da autoridade a quo sugere que a Recorrente formalize nova declaração para que seja devidamente analisada pela autoridade competente, qual seja, a Delegacia da Receita Federal de São Paulo. Não obstante a alegação de inovação do pleito, a Recorrente juntou aos autos os DARF’s recolhidos sob o código 8045, durante o ano de 2002 (folhas 110 a 162), DCTF’s trimestrais do ano de 2002 (folhas 163 a 206), bem como a DIPJ 2003, calendário 2002 (folhas 48 a 109), que, uma vez analisadas, sugeremme indícios de um crédito de Saldo Negativo de IRPJ no anocalendário de 2002. Fl. 408DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912994/200606 Resolução nº 1802000.351 S1TE02 Fl. 405 7 Entendo que a indicação equivocada no PERD/COMP pelo "Tipo de Crédito" relativo a “pagamento indevido ou a maior de IRRF” e não a “saldo negativo de IRPJ”, não inviabiliza a compensação pretendida. No que diz respeito, particularmente à essa questão, vale transcrever a decisão trazida pela Recorrente em seu recurso voluntário: "PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ COM DÉBITOS DE PIS E COFINS. A imperfeição na forma de pedir utilizada pelo interessado, referindo se ao IRRF e não ao saldo de imposto do período, não pode sobrepujar o fato da existência de crédito de imposto, nem motivar o indeferimento do pedido, sobretudo porque o primeiro afeta diretamente o segundo. A mera falta de informação do saldo negativo pleiteado na DIPJ também não constitui motivo para negar o direito creditório. (Delegacia de Julgamento no RJ, Acórdão 1211125, sessão de 11/08/2006) Esse entendimento está calcado também no Princípio da Verdade Material, instituto que norteia o Processo Administrativo e que deve ser observado criteriosamente, conforme preconizam os julgados deste Conselho in verbis: "IRPJ PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – TRIBUTAÇÃO DO LUCRO INFLACIONÁRIO ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Por força do principio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal, insubsiste a parcela da exigência fundada em erro de fato no preenchimento da declaração de rendimentos, devidamente comprovado em diligência fiscal determinada para aquele fim. Recurso provido." (Acórdão 10514307, 5' Camara, 1° Conselho, sessão 20/02/2004) — g.n. "IRPJ — COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL — ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO — Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal. Recurso de oficio negado. (Acórdão 10807418, 8 Camara, 1° Conselho, sessão 11/06/2003) — g.n. "IRPJ — PREJUÍZO FISCAL — COMPENSAÇÃO — ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DE DECLARAÇÃO. Compensação de IRPJ recolhido por estimativa em exercício cujo resultado foi prejuízo fiscal, deve ser admitida, não obstante erro de fato no preenchimento da declaração, que não invalida o procedimento, desde que comprovada a existência dos créditos. Prevalência do principio da verdade material. Recurso Voluntário Provido." (Acórdão 10808805, 8' Camara, 1° Conselho, sessão 27/04/2006) — g.n. Fl. 409DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912994/200606 Resolução nº 1802000.351 S1TE02 Fl. 406 8 "IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ EXERCÍCIO: 2000, 2001 COMPENSAÇÃO Liquidez e certeza são requisitos indispensáveis, sem os quais não se há de reconhecer direitos creditórios. DIPJ ERROS DE PREENCHIMENTO RETIFICAÇÃO – Tendo sido comprovados erros no preenchimento da declaração, deve ser considerada sua retificação para fins de determinação dos direitos creditórios, passíveis de restituição ou compensação. (Acórdão 10516804, 5' Câmara, 1 ° Conselho, sessão de 05/12/2007) IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI. VERDADE MATERIAL. PROCESSO ADMINISTRATIVO. ADMISSÃO. O procedimento administrativo tributário preza pelo princípio da verdade material, vale dizer, no processo administrativo não se permite análise rasas de documentos, tampouco a prevalência de declarações equivocadas. Constatado erro nas informações prestadas à fiscalização, este não prevalece quando comprovada a verdade dos fatos. A jurisprudência do Tribunal Administrativo Federal corrobora este entendimento, impedindo que o formalismo se sobreponha à matéria e à realidade dos fatos. PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. INOCORRÊNCIA. A apresentação de provas antes (ou juntamente) da manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que indeferiu pedido do contribuinte não configura preclusão, cabendo à autoridade de primeira instância apreciálas. DECISÃO RECORRIDA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE A falta de apreciação das provas apresentadas na fase impugnatória constitui cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo e fundamento de nulidade da decisão recorrida. Decisão 1ª instância anulada. Recurso Voluntário Parcialmente Provido, decisão de primeira instância anulada. Recurso Voluntário. Processo 13804.001582/200127. Sessão 26/06/2012. (grifos meus) PEDIDO DE RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR DE IPI. ERRO NO PREENCHIMENTO DO PER/DCOMP. VERDADE MATERIAL. Comprovada a existência de erro no preenchimento de PER/Dcomp, de se considerar, à luz da documentação acostada aos autos, os valores corretos obtidos a partir do Reg. Apuração do IPI e do Livro Diário. Recurso Voluntário Provido. Processo 10120.906824/200848. (grifos meus) PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. VALORAÇÃO DAS PROVAS. A comprovação de efetivo erro de fato, no preenchimento da PER/DCOMP exige em homenagem ao princípio da verdade material e adequada valoração das provas, que se aprecie o pedido, afastando óbices formais que supostamente preconizam a intangibilidade das informações prestadas. Processo 10283.900148/200917. (grifos meus) Contudo, apesar da juntada dos DARFs, da DCTFs, da DIPJ 2003, demonstrando a existência de prejuízo fiscal nesse período, entendo que ainda não é possível extrair a liquidez e certeza do saldo negativo, referente ao anocalendário de 2002 e, se tal crédito já fora compensado com outros tributos, de sorte que o julgamento do presente processo demanda uma instrução complementar. Fl. 410DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 10880.912994/200606 Resolução nº 1802000.351 S1TE02 Fl. 407 9 Isto porque, para se autorizar a compensação de Imposto de Renda Retido na Fonte, é imprescindível a comprovação de que a receita tenha sido considerada para fins de incidência do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), conforme determina a súmula 80 do CARF: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Assim, é necessário que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária de São Paulo, para que aquela unidade, à luz dos documentos contábeis e fiscais apresentados pela Recorrente e de outros que se entenda necessários para que verifique e informe: 1) O valor do saldo negativo do IRPJ, do anocalendário de 2002; 2) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, já fora compensado com outros débitos federais e; 3) As receitas que geraram a respectiva retenção do IRRF, foram efetivamente consideradas na base de cálculo do IRPJ do respectivo ano calendário; 4) Se o eventual saldo negativo do anocalendário de 2002, suporta a compensação pretendida através da PERD/COMP no. 07521.85698.201003.1.3.041223 Ao final, apresente relatório circunstanciado esclarecendo os questionamentos acima apresentados, cientificando a Contribuinte deste relatório, para que ela possa se manifestar no prazo de 30 dias, se assim desejar. Deste modo, voto no sentido de afastar a preliminar de conexão e converter o julgamento em diligência, para que a DRF Juiz de Fora atenda ao acima solicitado. (assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho – Relator Fl. 411DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por ANDREA FERNANDES GARCIA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 12 /02/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/02/2014 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
score : 1.0
Numero do processo: 12466.000670/94-09
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 1997
Ementa: CLASSIFICAÇÃO - RECURSO DE OFÍCIO.
Confirmado que o veículo em tela atende às especificações do Ato
Declaratório COSIT/ADN n° 32/93, negado provimento ao recurso.
Numero da decisão: 301-28.513
Decisão: ACORDAM os Membros da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de Oficio, na forma do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: MOACYR ELOY DE MEDEIROS
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Numero do processo: 15374.919394/2008-66
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 1802-000.085
Decisão: resolvem os membros do colegiado por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO
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(documento assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Conselheiro Relator da 2ª Turma Especial da 1a Seção (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente da 2ª Turma Especial da 1a Seção Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Maciel Eder, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15374.919394/0866 Resolução n.º 1802.000.085 S1TE02 Fl. 373 2 Relatório. Tratase de recurso interposto contra o Acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ (DRJRJ), que decidiu, por voto de qualidade, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo o Despacho Decisório nº. 781146387, negando a compensação efetuada na PER/DCOMP n°. 07107.48018.091204.1.7.031000. Para descrever os fatos, e também por economia processual, transcrevo o relatório constante do Acórdão citado, verbis: “Versa o presente processo sobre PER/DCOMP a DERAT/RJO, através do Despacho Decisório n°. 781146387 (fl. 34), não homologou a compensação declarada nos PER/DCOMP que relaciona. O interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 35/36. Nesta peça, alega, em síntese, que houve erro por ocasião do preenchimento da DIPJ (deixou de informar a totalidade das retenções de fonte), retificada em 13/11/2007. É o relatório.” A 1˚ Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro – RJ (DRJRJ01), indeferiu a solicitação do ora Recorrente através do Acórdão n° 12 31.341 de 17 de junho de 2010, conforme ementa transcrita abaixo: “ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2004 COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITÓRIO. COMPROVAÇÃO. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir. Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário no qual aduziu, em síntese; pelo conhecimento do Recurso Voluntario, com reconhecimento de sua tempestividade, além de no mérito, solicitar o reconhecimento da compensação. É o relatório, passo a decidir. Voto. Questionada a tempestividade do recurso, temse que a publicação da intimação por edital ocorreu no dia 29.07.2010 e, conforme preceitua o artigo 23, § 2°, inciso IV do Decreto n°. 70.235/72, o termo inicial do prazo para interposição do Recurso Voluntário inicia se 15 dias após a publicação do edital, neste caso em 13.08.2010. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15374.919394/0866 Resolução n.º 1802.000.085 S1TE02 Fl. 374 3 É sabido que o artigo 33 do Decreto nº. 70.235/72, consagra o prazo de 30 dias, após a intimação da decisão de primeira instância, para interposição do Recurso Voluntário, que no caso em tela seria o dia 14.09.2010. Oportunamente, constei que o Recorrente interpôs o Recurso Voluntário em 18.11.2010, ou seja, a princípio, intempestivo. Ocorre que, a Recorrente aduz, em sede de preliminar, a nulidade da intimação, por ter a mesma ocorrido por via postal em seu antigo endereço. Cumpre observar que juntamente com o Recurso Voluntário, este apresentou cópias da 11º Alteração Contratual de 30 de julho de 2009 (fls. 102 a 110), além do Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral, junto a Receita Federal do Brasil, de 03 de setembro de 2009 (fl. 111), de onde foi possível extrair que a alteração ocorreu em conformidade com o preceituado pela Instrução Normativa n°. 1.183 de 19 de agosto de 2011, conforme trecho abaixo transcrito: "Art. 22. A entidade está obrigada a atualizar no CNPJ qualquer alteração referente aos seus dados cadastrais até o último dia útil do mês subsequente ao de sua ocorrência”. Assim, conforme explicitado anteriormente, no dia 03 de setembro de 2009, já constava na página da Receita Federal do Brasil o processamento da alteração cadastral do endereço da Recorrente, ou seja, 10 (dez) meses antes da Intimação Fiscal de 07 de julho de 2010 (fl. 96). Neste ponto, é de suma importância verificar que segundo o disposto no artigo 23 do Decreto nº. 70.235/72, abaixo transcrito, o Recorrente deveria receber a Intimação Fiscal em seu novo domicílio fiscal: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo”; Não obstante, o Recorrente foi intimado em seu endereço antigo. Consequentemente, a intimação foi infrutífera, retornando com a justificativa: “Mudouse”. Diante deste fato, a Receita Federal, sem verificar em seus cadastros o novo endereço do Recorrente, procedeu à intimação por edital, conforme preceituado no § 1º, do artigo 23 do Decreto nº. 70.235/72, abaixo transcrito: “Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 374DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15374.919394/0866 Resolução n.º 1802.000.085 S1TE02 Fl. 375 4 § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado”: Considero que assiste razão ao Recorrente. A intimação efetuada em endereço diverso daquele por ele fornecido para fins cadastrais, não deve ser considerado válido. Sendo assim, a Receita Federal deveria proceder a intimação no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, como assim não procedeu, a intimação postal não é válida, consequentemente, a intimação por edital também não será válida. Conforme demonstrado pelo Recorrente, em seu Recurso Voluntário, este entendimento é compartilhado em outros julgados no âmbito das Delegacias Regionais de Julgamento da Receita Federal, conforme podemos extrair da Ementa do Acórdão, abaixo transcrito: EMENTA: PRELIMINAR DE NULIDADE. Não há que se cogitar sobre nulidade, se os autos de infração foram lavrados em consonância com os pressupostos legais. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. No processo administrativo fiscal, as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação do lançamento, salvo nos casos previstos no § 4º do artigo 16 do Decreto 70.235/1972. Não é admitida a realização de diligências ou perícias quando se tratar de matéria de prova a ser feita mediante a juntada de documentação, cuja guarda e conservação compete à própria interessada. INTIMAÇÕES AO PROCURADOR. A legislação relativa ao processo administrativo fiscal preceitua que as intimações por via postal ou por qualquer outro meio devem ser feitas com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Destarte, não é possível a intimação em endereço diverso daquele por ele fornecido para fins cadastrais. (grifei). Por todo exposto, acolho a preliminar de nulidade da intimação via postal e, por consequência, afasto a intempestividade e conheço do Recurso Voluntário. Após o enfrentamento da preliminar arguida, passo adentrar na análise do mérito suscitada pelo Recorrente em sua defesa. O Recorrente pleitea créditos de CSLL, sobre retenções de pagamentos de pessoas jurídicas, código 5987, relativo ao 3º trimestre de 2004, os quais compensou com débitos de PIS e COFINS, através da PER/DCOMP n°. 07107.48018.091204.1.7.031000. Para tanto, protesta pela homologação da PER/DCOMP n°. 07107.48018.091204.1.7.031000, alegando que inexiste motivo para recusa da Autoridade Fiscal em processar a referida compensação. Segundo entendimento do Recorrente, a apresentação da DIPJ2004 retificada, que ocorrera antes da análise da referida declaração de Fl. 375DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15374.919394/0866 Resolução n.º 1802.000.085 S1TE02 Fl. 376 5 compensação, era prova suficiente da existência de crédito tributário capaz de suportar a referida compensação. Corroborando suas alegações, uma vez que estas não foram aceitas no âmbito da Delegacia Regional de Julgamento do Rio de Janeiro, o Recorrente acostou ao processo administrativo fiscal, documentos contábeis que embasassem seu pleito: razão contábil da conta referente ao crédito fiscal (fls 116 a 191), balancete (fls 192 a 204) e DIRF ano calendário 2004 (fls 205 a 283). O fato das referidas provas terem sido apresentadas pelo Recorrente apenas no âmbito do recurso voluntario não impossibilita a apreciação das mesmas por este Conselho. Conforme leciona o Professor Sergio André Rocha, a busca pela Verdade Material, corolário do processo administrativo fiscal, evidencia a necessidade de se averiguar as provas existentes para se concluir, com a máxima clareza, pela liquidez do credito tributário constituído. “Dessa forma, o princípio da verdade material, corolário da própria imposição da legalidade dos atos administrativos, determina uma tripla exigência; a) que se demonstre, com maior grau de verossimilhança possível, a veracidade dos fatos alegados no âmbito do processo; b) limitandose as situações em que se presume a ocorrência dos fatos relevantes; c) sendo deferido às partes o direito de produzir as provas necessárias para bem demonstrar a procedência de suas alegações.” (Rocha, Sergio André, 1977 – Processo administrativo fiscal: controle administrativo do lançamento tributário, pag. 174 – 175, 4˚. Ed. – Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2010). Sendo certo que este entendimento, além de acolhido pela doutrina, é consagrado nos julgados proferidos no âmbito deste Conselho, conforme explicitado no trecho abaixo transcrito: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2003 VERDADE MATERIAL COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO Ainda que não sejam provadas nos autos as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto 70.235/72 que justificariam a juntada tardia de documentos, é possível admitir referida juntada tardia em vista da necessidade de busca da verdade material. Por outro lado, é crucial que seja demonstrada e comprovada a certeza e liquidez do crédito pleiteado para que o mesmo seja reconhecido pela autoridade julgadora.”(Acórdão n˚. 180300.765 DOU. 26.01.2011, Turma Especial, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF). Fl. 376DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO Processo nº 15374.919394/0866 Resolução n.º 1802.000.085 S1TE02 Fl. 377 6 Entretanto, com base na prova documental apresentada pelo Recorrente no transcurso deste processo administrativo fiscal, não restou claro que a época da Autuação Fiscal este fazia jus aos créditos fiscais objeto de compensação, eis que através desses documentos acostados não foi possível compor os créditos tributários declarados no pedido de compensação. Sem o crédito reconhecido e apurado pelo Fisco nos moldes do art.170 do CTN, não há que se falar em compensação, tendo em vista a falta de reciprocidade de obrigações. Caso não haja a correspondência entre créditos e débitos, a parte controversa (não comprovada a sua liquidez e certeza) não poderá ser objeto de qualquer espécie de homologação tendo em vista a inexistência de crédito para a compensação. Assim, os documentos acostados aos autos na fase recursal, indicam a possibilidade de existência do crédito, mas, de per si, não cumprem a tarefa de demonstrar cabalmente a origem e o montante do crédito vindicado. Ademais, tais documentos não foram analisados pelo erário público. Desta forma, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a Delegacia da Receita Federal elabore um relatório circunstanciado e verifique, à luz dos documentos juntados no presente processo administrativo (Balancetes, Livro Razão e DIRPJRetificadora) a consonância dos mesmos com a escrituração contábil da Recorrente, bem como, no sentido de aferir se o crédito pleiteado de CSLL, sobre retenções de pagamentos de pessoas jurídicas, código 5987, relativo ao 3º trimestre de 2004, já não fora utilizado pela Recorrente, de forma a evidenciar o crédito tributário pleiteado na PER/DCOMP n°. 07107.48018.091204.1.7.031000. Após dê ciência ao Recorrente sobre o resultado da diligência para, desejando, manifestarse, retornandose o processo a esse Conselheiro para decisão. (documento assinado digitalmente) Marco Antonio Nunes Castilho Fl. 377DF CARF MF Impresso em 08/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNES CASTILHO, Assinado digitalmente em 07 /08/2012 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/08/2012 por MARCO ANTONIO NUNE S CASTILHO
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Numero do processo: 10580.721834/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 22 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1802-000.045
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 381 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que considerou parcialmente procedente o lançamento relativo à Multa Isolada pela insuficiência de recolhimento do Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ / ESTIMATIVA, referente a todos os meses do anocalendário de 2005, e procedente o lançamento relativo à Multa Isolada pela insuficiência de recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL / ESTIMATIVA, referente aos mesmos períodos de apuração. Para descrever os fatos que antecederam o recurso voluntário, reproduzo o relatório constante da decisão de primeira instância, Acórdão nº 1520.222, às fls. 327 a 343: Trata o processo em questão de Autos de Infração relativos à aplicação da Multa Isolada pela falta de recolhimento integral das estimativas do IRPJ dos meses de janeiro a dezembro de 2005, no valor de R$19.034,20 (dezenove mil, trinta e quatro reais e vinte centavos); e da Multa Isolada pela falta de recolhimento integral das estimativas da CSLL dos meses de janeiro a dezembro de 2005, no valor de R$6.344,53 (seis mil, trezentos e quarenta e quatro reais e cinquenta e três centavos), em conformidade com o Termo de Verificação Fiscal em anexo. O enquadramento legal dos dois Autos de Infração de IRPJ aponta: arts. 222 e 843 do RIR/1999, combinados com o art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de 2007, combinados com o art. 106, inciso II, alínea “c”, da Lei nº 5.172, de 1966. No Termo de Verificação Fiscal, às fls. 11 a 17, o Autuante declara, em síntese, que: – a ação fiscal relativa ao IRPJ teve início em 04/03/2008 e foi ampliada, em 22/10/2008, para acrescentar a CSLL relativa ao ano calendário de 2005. Tratase de contribuinte que tem por objeto social a industrialização, comércio, exportação e importação de materiais plásticos, consultoria técnica e fornecimento de tecnologia de processo de industrialização de plásticos. No anocalendário de 2005, apurou pelo regime do Lucro Real Anual, cuja opção se concretizou com o recolhimento do IRPJ estimado, com base na receita bruta e acréscimos, em janeiro, de acordo com o extrato do sistema Sinal 05 da RFB; – do cruzamento das informações obtidas junto à Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, conforme Convênio de Cooperação Técnica, havia sido verificado que, enquanto a DIPJ/2006, ano calendário de 2005 estava totalmente zerada, as DCTF do 1º e 2º semestres de 2005 continham débitos inferiores aos esperados de um contribuinte que informou um montante de vendas de mercadorias no valor de R$19.461.944,34, nas Declarações de Apuração Mensal do ICMS – DMA, relativas ao mesmo período; – solicitouse da Fiscalizada que elaborasse demonstrativos que elucidassem a apuração do lucro real, do IRPJ, da CSLL, do PIS e da Fl. 381DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 382 3 COFINS, o que ela satisfez integralmente. Analisando e cotejando as DMA com os lançamentos nos livros Razão e de Apuração do ICMS, verificouse que as divergências entre os valores de receitas de vendas de mercadorias declarados ao Fisco Estadual e os escriturados nos mencionados livros eram irrisórias, conforme demonstrado nas Planilhas I a IV, componentes do conjunto “Planilhas de Apuração da Receita Tributável – AC 2005”; – tomouse como referência para receita bruta os valores escriturados no Razão e, conseqüentemente, no Diário, deduzindose que não houve, concretamente, omissão de receitas, mas apenas receitas escrituradas e não declaradas. Após se verificar que, consoante sua apuração e escrituração, de acordo com espelhos do sistema Sinal 05 da SRB, o sujeito passivo recolheu todos os tributos, integralmente e tempestivamente, fezse necessário retificar a DIPJ/2006, as DCTF e a DACON do anocalendário de 2005, para que se adequassem ao escriturado e fossem vinculados os respectivos débitos. Em seguida, averiguando a apuração do lucro real, conforme LALUR, constatouse a inexistência de divergências que ensejassem lançamento de ofício no período abrangido, tanto do IRPJ como da CSLL anuais; – por determinação legal, caberia ao sujeito passivo recolher, mensalmente, o IRPJ e a CSLL por estimativa, ainda que tivesse prejuízo fiscal no anocalendário correspondente. Tal fato incitounos a apurar as estimativas devidas e cotejálas com os valores levantados pelo contribuinte. Elaboramos então a “Planilha de Apuração do IRPJ e da CSLL Estimados – AC 2005”, que embasou os lançamentos das multas isoladas do IRPJ e da CSLL estimados, devidos e não integralmente declarados e/ou recolhidos. Às fls. 234 a 246, a pessoa jurídica apresentou impugnação ao feito fiscal, alegando, em resumo, que: tratase de empresa de direito privado cuja atividade exercida até o momento é a industrialização de embalagens plásticas, mais especificamente sacarias industriais termoplásticas. Das planilhas anexas ao Auto de Infração, concluise que a autuação está equivocada quanto aos fatos e aos critérios jurídicos apresentados, caracterizando erro de fato e erro de direito. Se a Impugnante não estiver enganada, o Auditor adotou os seguintes passos, dos quais redundaram as Planilhas I a IV e a Planilha de Apuração do IRPJ e da CSLL Estimados, que serviram de lastro à autuação: 1) constatou que os DMA e o Livro de Apuração do ICMS (LAICMS) estavam coincidentes quanto aos valores da receita de vendas correspondentes às Planilhas I, II e IV, cujos valores estão claramente inflados do IPI; 2) constatou que os valores dos DMA e LAICMS também estavam coincidentes com a conta contábil 3.1.1.00.001 – Receita de Vendas. Correspondentes às Planilhas III e IV, também com valores inflados do IPI; 3) apurou um suposto valor de serviços, tomando como base a conta contábil 3.1.2.00.001 – Receita de Prestação de Serviços, que se refere às industrializações processadas por conta e ordem do autor da Fl. 382DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 383 4 encomenda (clientes), mediante remessas de matériasprimas de sua propriedade. O industrial (Impugnante) adiciona apenas alguns materiais secundários e/ou de embalagem. Demais disso, o valor dos serviços utilizado pelo AFTN também está inflado do IPI; como se sabe, tais operações, denominadas de façon, não fogem do conceito de industrialização, afastandose a possibilidade jurídica de considerálas como serviços, sujeitas ao ISS. É notório que estão subsumidas à incidência do IPI e do ICMS. Ademais, o ilustre AFTN foi alertado oral e formalmente, como mencionado no Termo de Verificação anexo, que a empresa é indústria que não praticou até o momento a prestação de serviços sujeita ao ISS. A empresa apenas utiliza a nomenclatura Prestação de Serviços como meio de diferenciá las das operações usuais de industrialização, cuja matériaprima é integralmente adquirida por ela; o AFTN tributou isoladamente as sobreditas Receitas de Prestação de Serviços, como se fosse atividade diversificada, díspar das atividades de industrialização, o que redundou num maior ônus das exações em comento, mesmo sabendo a Autoridade Fiscal, que tais atividades não estão sujeitas ao ISS e se tratam de industrializações de produtos processadas na fábrica da Autuada. Todos os documentos fiscais exigidos pela legislação do IPI e do ICMS foram postos à disposição do Auditor e estão anexados, por amostragem, à presente peça impugnatória. De outra quadra, o Termo de Verificação aduz que “o sujeito passivo recolheu todos os tributos, mas houve receita escriturada e não declarada”, tornando difícil o entendimento do que teria querido dizer o nobre AFTN; da simples análise dos procedimentos fiscais, concluise pela existência inconteste de mácula da nulidade do Auto de Infração. São erros decorrentes de critérios jurídicos, quais sejam a “inclusão do IPI na apuração da Receita Bruta que serviu de parâmetro para cálculo dos tributos por estimativa” e a “segregação das Receitas de Vendas advindas das operações de industrialização com o fornecimento de matériasprimas, encomendadas pelos clientes”, contabilizadas sob a denominação de Serviços, mas de natureza jurídica idêntica a das Vendas de Mercadorias. Ao considerála atividade diversa das vendas normais, o Autuante aplicou percentual de 32%, ao invés de 8%, na determinação da base de cálculo estimada. Tais equívocos são suficientes para exigir a nulidade da autuação; descabe a multa isolada para o caso vertente, uma vez que a contribuinte apurou prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL em 2005, o que inviabiliza o lançamento tributário em data posterior, como pacificado nas decisões do Conselho de Contribuintes. E para complementar os enganos, a capitulação legal também padece de falhas. O inciso IV, § 1º, do art. 44 da Lei nº 9.430/96, alterado pelo art. 14 da MP nº 351/07, que foi revogado pela Lei nº 11.488/2007, e nada tem a ver com o art. 116 do CTN, pois este preceitua a aplicação do princípio benigna amplianda. A aplicação retroativa de norma mais benéfica tem que ser necessariamente de norma promulgada após a ocorrência da conduta ilícita, isto é, deve ser aplicada não a norma capitulada no Auto, mas o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96, que é versão atual dada pela Lei nº 11.488/2007, por ser mais branda; Fl. 383DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 384 5 manter a autuação com tal imperfeição é atentar contra a garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório, insculpida no art. 5º, LV, da Constituição Federal e do Princípio da legalidade Estrita. Diante das evidentes falhas, é extreme de dúvidas a nulidade do Auto de Infração; caso seja rejeitada a preliminar, no mérito, temse que, em matéria de contabilidade e em matéria fiscal, é elementar que o IPI compõe o valor das receitas, pois é destacado e somado ao valor das mercadorias, perfazendo o valor total da Nota Fiscal de Vendas. Este último é o valor contabilizado na escrita comercial a crédito da conta de Resultado “Receita de Venda”, e a débito da conta do Ativo Circulante “Bancos ou Valores a Receber de Clientes”. Em contraposição, o valor do IPI é contabilizado a débito da conta de Resultado “Despesas de Impostos”, como conta redutora da conta “Receita de Vendas”, e a credito da conta do Passivo Circulante “Impostos a Recolher”; dos lançamentos contábeis acima, a Impugnante montou o “Demonstrativo do IRPJ e CSLL – Base Estimativa Anocalendário 2005”, fornecido ao AFTN, que, apesar disso, tomou os registros da conta de Receita de Vendas, incluindo ilegalmente o IPI como parâmetro da Receita Bruta utilizada para aferir a base de cálculo do IRPJ e da CSLL. O art. 31 da Lei nº 8.981/95 (transcreve), reproduzido no art. 224 do RIR/99, é claro ao determinar a exclusão do IPI da Receita Bruta. Ao incluir o IPI, o Autuante ampliou a base de cálculo das exações, apurando, indevidamente insuficiência de recolhimentos; para comprovar suas asserções, anexa, por amostragem, o Livro de Apuração do IPI e o Razão Contábil (doc. 02), correspondentes aos meses de janeiro, março, junho e setembro de 2005, que comprovam a inclusão do IPI nas Planilhas apensas ao Auto de Infração. Vejase, por exemplo, o mês de janeiro, códigos 5.101, 6.101 e 6.118, referentes a vendas dentro e fora do Estado da Bahia (excetos as chamadas Receitas de Serviços), cuja soma de R$1.394.026,97 coincide com o valor tomado pelo Auditor na Planilha III (Receita de Vendas). Portanto, todas as Planilhas e Demonstrativos anexos estão equivocados ao incluírem o IPI na composição da Receita Bruta, daí resultando na insubsistência do Auto de Infração; como já se afirmou, as industrializações por conta e ordem de clientes, com o fornecimento de insumos por eles mesmo, estão previstas no Regulamento do ICMS e do IPI. Para efeito de determinação da Receita Bruta, não são vendas apartadas das vendas normais da empresa, devendo compor uma base única que é utilizada para o cálculo do percentual de 8%, sobre cujo resultado são apurados o IRPJ e a CSLL. Como é notório, qualquer prestação de serviços deve ocorrer, necessariamente, do esforço físico e intelectual dos respectivos prestadores. Jamais abarcam processo industrial; dessa forma, a Autuada anexa várias notas fiscais, por amostragem, que comprovam a vinculação das remessas de matériasprimas e respectivos retornos simbólicos, atreladas ao fecho da operação, mediante a emissão pela Impugnante das Notas Fiscais de faturamento do produto final da industrialização. Observase que o Razão Contábil Fl. 384DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 385 6 da conta de Serviços está consentâneo com o Livro de Apuração do IPI, demonstrando que se trata de industrialização e não de serviços em sentido próprio. Tais operações são subsumidas ao ICMS e ao IPI, estando, entretanto, suspensas do IPI e com ICMS diferido, conforme preceptivos regulamentares; quanto à multa isolada prevista o art. 44 da Lei nº 9.430/96, o Conselho de Contribuintes já se manifestou solidamente sobre a sua inexigibilidade, no que se refere a lançamentos posteriores à apuração de Prejuízo Fiscal e Base Negativa da CSLL, o que inviabiliza a presente autuação (transcreve trechos de decisões do Conselho de Contribuintes). No caso vertente, não é possível cobrar a multa isolada sobre insuficiência dos recolhimentos mensais por estimativas, se por ocasião da apuração anual se constatar prejuízo fiscal e base de cálculo negativa. Nem seria lógico cobrar multa por uma obrigação que poderia ter sido suspensa ou reduzida à época dos recolhimentos mensais, se a contribuinte tivesse projetado tais resultados negativos (Lei nº 8.981/95, art. 35 c/c art. 2º da Lei nº 9.430/96); do exposto, a Impugnante requer que: 1) em preliminar, que seja anulado o lançamento tributário, vincado nos vários equívocos contidos no Auto de Infração, especialmente a capitulação errônea do ilícito, a inclusão indevida do IPI no cômputo da Receita Bruta utilizada para apurar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL e o tratamento mais gravoso para as receitas de industrializações encomendadas pelos clientes, com a remessa de matériasprimas, que foram tributadas como se fossem receitas de prestação de serviços; 2) superada ou rejeitada a preliminar, que seja dado provimento à impugnação, com base nos mesmos equívocos mencionados, bem como na indevida aplicação de multa isolada, vez que a empresa apurou prejuízo fiscal e base negativa da CSLL anual; 3) ainda pairando dúvidas sobre as alegações da Impugnante, que seja determinada diligência para constatação da inclusão do IPI e da natureza real das vendas contabilizadas sob a rubrica contábil de Prestação de Serviços. Juntamente com a impugnação, a Interessada trouxe aos autos os documentos de fls. 247 a 325. Como mencionado, a DRJ Salvador considerou parcialmente procedente o lançamento, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2005 NULIDADE. Fl. 385DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 386 7 Descabe a argüição de nulidade quando se verifica que o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente para fazêlo e em consonância com a legislação vigente. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Devem ser negadas as solicitações de diligência consideradas desnecessárias à solução do litígio. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2005 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Restando comprovada, no caso de pessoa jurídica que apura seu resultado com base no lucro real anual, insuficiência dos valores declarados em DCTF e recolhidos a título de estimativas mensais do IRPJ, fica autorizado o lançamento da multa de ofício isolada incidente sobre a diferença apurada em cada mês. RECEITA DE VENDAS. RECEITA BRUTA. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI). O valor do IPI destacado na nota fiscal de venda não integra a receita de vendas; não é uma despesa redutora dessas receitas; não compõe a receita bruta; não é escriturado em conta de resultado; e não foi computado na base de cálculo do imposto estimado apurado no Auto de Infração. INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. NATUREZA DAS RECEITAS. Ressalvados os casos específicos, distinguidos expressamente pela legislação de regência com a natureza de prestação de serviços, caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como a atividade exercida pela Contribuinte, que transforma as matérias primas adquiridas ou fornecidas pela empresa encomendante, importando na obtenção de espécie nova. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2005 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. Restando comprovada, no caso de pessoa jurídica que apura seu resultado com base no lucro real anual, insuficiência dos valores declarados em DCTF e recolhidos, a título de estimativas mensais da CSLL, fica autorizado o lançamento da multa de ofício isolada incidente sobre a diferença apurada em cada mês. Lançamento Procedente em Parte Fl. 386DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 387 8 Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 09/03/2007, a Contribuinte apresentou em 07/04/2010 o recurso voluntário de fls. 202 a 220, onde reitera os mesmos argumentos de sua impugnação, acrescentando ainda os seguintes: DA PRELIMINAR DE NULIDADE não é acertado o entendimento firmado pelos julgadores a quo, no sentido de que a única nulidade possível é a prevista no art. 59 do Decreto n°. 70.235/1972; temse que o mencionado artigo não traz uma lista taxativa das nulidades dos atos administrativos, pois a nulidade é uma sanção imposta pelo ordenamento jurídico que determina a privação dos efeitos, em função da perda da validade, ao ato administrativo quando praticado em desobediência à lei. Tanto é que o antigo Conselho de Contribuintes, agora o CARF, nunca se limitou à interpretação reducionista do referido art. 59, tendo diversos julgados abarcando nulidades de outra ordem; conforme aduzido desde a impugnação, a capitulação legal do presente lançamento padece de falhas; o inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei n°. 9.430/96 foi alterado pelo art. 14 da Medida Provisória n° 351/07, que foi revogado pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Nesta quadra, a multa de 50% do novo texto sancionatório da Lei 11.488/2007, passou a ser mais branda, o que representa inconteste alteração não só do texto da lei, como a norma em si, eis que passou a ter nova carga sancionatória. É, inexoravelmente, outra norma jurídica; então, a capitulação legal deveria ser a do inciso II, alínea b do novel texto do art. 44 da Lei 9430/96 e não a do inciso IV, § 1°, do art. 44, como registrado pelo AFTN, porque este último já está revogado e o texto atual, por ser mais brando (50% de multa) é que deve prevalecer, com base na aplicação retroativa determinada pelo art. 106 do CTN. E, ainda assim, se realmente houvesse insuficiência de recolhimentos, o que não ocorreu; DO MÉRITO a única diferença entre a Base de cálculo utilizada pela Contribuinte e a do Auditor Fiscal é a inclusão do IPI havido nesta última; ao não abater o IPI da Receita Bruta faturada, o Auditor Fiscal ampliou a base de cálculo das exações sub judice, o que motivou a apuração indevida de insuficiência de recolhimentos, objeto do presente auto de infração, que, à evidência, não existiu, uma vez que o IPI não deveria compor a BC do IRPJ e CSLL; os julgadores a quo nem sequer analisaram mais detidamente os demonstrativos do Auto de Infração, persistindo num absurdo e primário engano; caso pairem dúvidas sobre a exatidão das afirmações de defesa, a Recorrente roga, desde já, pela determinação de diligência para apurar se realmente o IPI não constou da base de cálculo sobre a qual foi construído, não só o cálculo do quantum dos tributos que respaldaram a multa isolada, como a própria íntegra do AI; a Recorrente apresenta algumas notas fiscais por amostragem, dos meses de janeiro, junho e setembro de 2005 (cujos livros fiscais já se encontram encartados nos autos), Fl. 387DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 388 9 como forma de, atendendo à sugestão dos Nobres Julgadores, comprovar que os valores utilizados pelo Auditor para definição da Base de Cálculo dos tributos, e que estão devidamente escrituradas no Livro Razão, no Livro Registro de Apuração do ICMS e nas Declarações e Apurações Mensais do ICMS (DMA), estão realmente inflados pelo IPI; não obstante o acórdão a quo ter firmado, também equivocadamente, que “no momento da venda, o montante a ser contabilizado na escrita comercial em conta de resultado, como Receita de Vendas, é apenas o valor da venda da mercadoria e não o valor total constante da nota fiscal (incluído o valor do IPI destacado)”, o procedimento efetivamente adotado pela empresa Recorrente, que pode ser constado analisando a documentação acostada (Livro de apuração do IPI, Razão contábil e Notas Fiscais de janeiro, junho e setembro de 2005), inclui o IPI nas receitas de vendas; apesar de o IPI não fazer parte da base de cálculo do ICMS, a DMA e o Livro de Apuração do ICMS tem um campo para ser preenchido com o Valor Contábil, que é o Valor Total da Nota Fiscal (que contém IPI), e outro campo para preenchimento com o valor da Base de cálculo do ICMS (excluindose o IPI), tendo sido utilizado o primeiro pelo Auditor Fiscal para compor as Tabelas anexadas ao Auto de Infração. Por isso, esse valor é igual, conforme constatado pelo Auditor, ao escriturado nos Livro Razão, estando, ambos, inflados com o IPI. Como a Delegacia de Julgamento decidiu que as estimativas de IRPJ deveriam ser apuradas apenas com o coeficiente de 8%, e não com o de 32% (prestação de serviços), a Recorrente deixou de abordar essa matéria no recurso voluntário. Este é o Relatório. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 389 10 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para aplicação de multa isolada por insuficiência no recolhimento das estimativas de IRPJ e CSLL durante o ano calendário de 2005. Em primeira instância, houve redução dos valores relativos à multa isolada para o IRPJ, porque a DRJ entendeu que não havia nos autos qualquer justificativa para que a receita oriunda de industrialização por encomenda fosse tratada como receita de prestação de serviços. Deste modo, o cálculo das estimativas de IRPJ foi refeito, utilizandose somente o coeficiente de 8%, e não mais o de 32%. PRELIMINAR Quanto à preliminar, realmente são admitidas outras hipóteses de nulidade do lançamento (que é um dos tipos de ato administrativo) além daquelas expressamente previstas no art. 59 do Decreto 70.235/1972 – PAF. Mas são improcedentes os argumentos no sentido de que a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/1996 teria sido revogada em razão das alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007. Com efeito, não houve qualquer revogação da norma que prevê a aplicação de multa isolada para o caso de falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Houve apenas uma nova disposição do texto normativo, que não se confunde com a norma que dele se extrai. A referida norma legal, antes prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/1996, apenas passou a constar do art. 44, II, “b”, da mesma lei, com um percentual menor do que o anteriormente previsto (50% e não mais 75%). Vale mencionar ainda as considerações da decisão recorrida, que também adoto como fundamento deste voto: Os Autos de Infração indicavam no enquadramento legal o artigo 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, que vigorava à época da ocorrência do fatos geradores da infração apontada. Menciona também o artigo 14 da MP nº 351, de 2007, que lhe alterou a redação original, reduzindo o percentual da penalidade prevista, e o artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, que autoriza a aplicação da lei nova a atos e fatos pretéritos, em função do princípio da retroatividade da lei mais benigna. Logo, não há qualquer reparo a ser feito na capitulação legal constante dos Autos de Infração. Da mesma forma, não haveria equívoco se o lançamento estivesse fundamentado no inciso II, “b”, do artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996 (alteração inserida definitivamente por meio do artigo 14 da Lei nº Fl. 389DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 390 11 11.488, de 15/06/2007), como defende a Impugnante, também combinado com o artigo 106, II, “c”, do CTN. Entretanto, tal discussão é de toda irrelevante, visto que a Autuada deixa patente que entendeu perfeitamente a infração que lhe foi imputada, vindo a apresentar sua impugnação, na qual expôs livremente seus argumentos contestatórios, o que revela ser inadequada a alegação de falta de garantia ao direito da ampla defesa e do contraditório. Nestes termos, tenho como improcedente a preliminar suscitada, pelo que passo a análise do mérito. MÉRITO Em relação ao mérito, a Contribuinte renova a alegação de que as diferenças apuradas pela Fiscalização decorreram do fato de o IPI não ter sido excluído para efeito de apuração das bases de cálculo das estimativas mensais. De acordo com o art. 224 do RIR/99, cuja base legal é o art. 31 da Lei 8.981/1995, o IPI realmente não deve compor a base de cálculo das estimativas. Ao examinar os argumentos da Contribuinte, a DRJ fez as seguintes considerações: A propósito, vale transcrever do livro de Francisco Velter e Luiz Roberto Missagia, Manual de Contabilidade, 4ª edição, pgs. 261 e 262, o seguinte trecho: “Quando a empresa é contribuinte do IPI (empresa industrial, importador de produtos industrializados ou equiparado a industrial, as notas fiscais emitidas determinam o valor das vendas e do imposto sobre elas incidente. É considerado um imposto calculado “por fora” do preço, ou seja, o valor total da nota fiscal será o valor da mercadoria mais o valor do IPI. O vendedor é um mero agente arrecadador do tributo, devendo repassálo aos cofres públicos posteriormente. Quem de fato suportará o ônus do tributo será o comprador, que pagará ao vendedor, além do valor da mercadoria, o valor correspondente ao IPI. O IPI quando recuperável (conceito que será dado mais adiante), não constitui despesa nem receita. O seu controle ocorre somente por meio de contas patrimoniais. O valor do imposto, por ocasião da venda da mercadoria, deverá ser registrado como uma “obrigação” (passivo exigível) para a empresa...” (grifei) (...) O texto acima evidencia que, ao contrário do que afirma a Impugnante, o valor do IPI destacado na nota fiscal de venda não é considerado uma despesa redutora da Receita de Vendas. No momento da venda, o montante a ser contabilizado na escrita comercial, em conta de resultado, como Receita de Vendas, é apenas o valor da venda da mercadoria e não o valor total constante da nota fiscal (incluído o valor do IPI destacado). Este último não passa por conta de resultado, Fl. 390DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 391 12 sendo contabilizado, também a crédito, em conta do Passivo Circulante (IPI a Recolher). A contrapartida seria um débito, no valor total da nota fiscal, em conta do Ativo Circulante (Caixa ou Bancos, se a venda foi à vista ou Clientes/Duplicatas a Receber, no caso de venda a prazo). Portanto, os valores das notas fiscais escrituradas no Livro Razão, às fls. 23 a 76, que coincidem com os valores escriturados no Livro Registro de Apuração do ICMS, às fls. 82 a 131, bem como com as Declarações e Apurações Mensais do ICMS (DMA), às fls. 138 a 149, que subsidiaram a apuração da receita bruta constante das Planilhas de fls. 18 a 20, não estão inflados do IPI, como afirma a Impugnante. Nem poderia ser diferente, não só por contrariar a forma correta de contabilização do IPI, consoante explicitado acima, como também pelo fato de que o valor do IPI não pode compor a base de cálculo do ICMS, conforme determinação expressa da Constituição Federal, em seu artigo 155, § 2º, inciso XI. Ademais, não seria crível que a Interessada majorasse – inclusive ofendendo a Carta Magna – a base de cálculo do ICMS e, dessa forma, pagasse mais imposto do que deveria. As cópias do Livro Razão e do Livro Registro de Apuração do IPI anexados pela Impugnante apenas comprovam o acerto da autuação, uma vez que nos valores contabilizados não estão incluídos o IPI, que é calculado “por fora do preço”, não integrando sua própria base de cálculo. Se quisesse – e pudesse – comprovar suas alegações, bastaria anexar notas fiscais de vendas contendo o valor do IPI destacado, que cotejado com os livros apresentados mostraria quais os valores efetivamente escriturados. Ressaltese que todas as notas fiscais juntadas pela Impugnante referemse a operações com suspensão do IPI. Desse modo, o IPI, que é um imposto nãocumulativo cobrado destacadamente do comprador, não devendo, assim, fazer parte da Receita Bruta, não foi incluído nas planilhas fiscais e, portanto, não integrou a base de cálculo do IRPJ e da CSLL por estimativa, cuja insuficiência de recolhimento motivou a aplicação da multa isolada. O IPI referente às vendas realizadas por uma indústria não passa pelas contas de resultado (Receitas). Essa é a idéia básica que fundamentou as conclusões da decisão recorrida. Contudo, no caso da Recorrente, a coincidência entre os valores globais constantes dos Livros de apuração de ICMS e de IPI, e também do livro Razão/Receitas aponta em sentido contrário, conforme ela vem alegando desde o início. Em sede de recurso, para reforçar seus argumentos, conforme inclusive foi sugerido pela DRJ, a Contribuinte apresentou algumas notas fiscais (fls. 367 a 375), buscando comprovar que os valores de IPI realmente foram contabilizados em conta de resultado. Compulsando os autos (Livro Razão às fls. 23 a 76), constato que as notas fiscais acima referidas foram contabilizadas em conta de receita “vendas no país” pelos seus valores totais, incluindo o IPI. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 392 13 Há ainda outro ponto que merece ser destacado. Pelo Demonstrativo de fls. 18, vêse que o Auditor Fiscal compôs a base de cálculo das estimativas a partir das saídas registradas sob os códigos 5101, 5111, 5124, 5125, 6101, 6111 e 6118. A título de ilustração, vale transcrever as informações contidas na planilha da Fiscalização (fls. 18) e nos livros de apuração de ICMS (fls. 82 a 131) e de IPI (fls. 256 a 286), em relação ao mês de janeiro: Planilha II – Valores obtidos do livro do ICMS Mês Venda de mercadoria Devolução de Mercadoria Total da Receita 5101/5111/5124/5125 6101/6111/6118 1201 2201 Apurada na DMA Jan 605.373,21 811.909,53 2.027,68 45.321,60 1.369.933,46 Registro de Apuração do ICMS Mês ou Período/Ano: Janeiro/2005 Saídas ICMS Valores Fiscais Operações com Operações sem Débito do Imposto Débito do Imposto Codificação Valores Base de Imposto Isentas ou Outras Contábil Fiscal Contábeis Cálculo Debitado não Tributadas 5101 582.117,36 516.309,47 87.772,46 15.564,15 5124 19.165,45 19.165,45 5125 4.090,40 4.090,40 5556 351,50 351,50 59,75 5901 511.262,27 511.262,27 5902 96.533,51 96.533,51 5915 10.000,00 10.000,00 6101 621.586,74 585.675,01 70.280,92 6118 190.322,79 190.322,79 22.838,72 6911 18,40 16,00 1,92 6915 900,00 900,00 6923 190.322,79 190.322,79 Registro de Apuração do IPI Mês ou Período/Ano: Janeiro/2005 Saídas IPI Valores Fiscais Operações com Operações sem Débito do Imposto Débito do Imposto Codificação Valores Base de Imposto Isentas ou Outras Fiscal Contábeis Cálculo Debitado não Tributadas 5101 582.117,36 384.956,98 50.243,74 * * 5124 19.165,45 19.165,45 Fl. 392DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.721834/200898 Resolução n.º 1802000.045 S1TE02 Fl. 393 14 5125 4.090,40 4.090,40 5556 351,50 351,50 5901 511.262,27 511.262,27 5902 96.533,51 96.533,51 5915 10.000,00 10.000,00 6101 621.586,74 250.670,05 37.600,48 335.004,96 6118 190.322,79 190.322,79 6911 18,40 16,00 2,40 6915 900,00 900,00 6923 190.322,79 190.322,79 * valores ilegíveis nas cópias juntadas aos autos A Fiscalização, levando em conta os “valores contábeis”, somou as saídas com os códigos em destaque no Livro do ICMS, obtendo os seguintes valores de vendas realizadas para dentro e para fora do Estado, respectivamente: R$ 605.373,21 e R$ 811.909,53, que, após descontadas as devoluções, resultaram num total de R$ 1.369.933,46 a título de vendas de mercadorias, conforme o primeiro dos quadros acima transcritos. Já destacamos a coincidência entre os “valores contábeis” nos livros do ICMS e do IPI, fato que fortalece as alegações da Recorrente, no sentido de que o IPI estaria incluído na rubrica que serviu de base para o trabalho fiscal. O segundo aspecto a ressaltar é que, por exemplo, a diferença entre o “valor contábil” do código 5101 em janeiro (R$ 582.117,36) e as operações “com” e “sem” débito de ICMS (R$ 516.309,47 e R$ 15.564,15) corresponde exatamente ao valor do IPI referente às saídas sob este código (R$ 50.243,74), de modo que, pelo menos em relação ao código 5101 do mês de janeiro/2005, resta bastante evidente que a base de cálculo apurada pela Fiscalização ficou mesmo inflada com o IPI. Contudo, não se pode afirmar que todas as diferenças apuradas pela Fiscalização decorrem da inclusão indevida do IPI na base de cálculo das estimativas, eis que a composição destas bases se deu por valores globais mensais. Deste modo, entendo que o processo deve ser encaminhado à Delegacia de origem, para que sejam elaborados demonstrativos detalhados em relação às rubricas que compõem as bases de cálculo, com a devida exclusão dos valores relativos ao IPI, conforme restou evidenciado nas situações acima. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a DRF Salvador/BA atenda a solicitação acima. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 393DF CARF MF Impresso em 06/12/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 01/12/2011 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 03/12/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10860.001900/97-86
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1802-000.035
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termo do voto do Relator.
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termo do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, Jose de Oliveira Ferraz Correa, André Almeida Blanco, Gilberto Baptista, Nelso Kichel e Marco Antonio Nunes Castilho. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 98/104 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Campinas (fls. 87/92) que julgou procedente o auto de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e IRRF), referente ao anobase 1995. A decisão recorrida tem a seguinte ementa (fl. 87): (...) Assunto: Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Período de apuração: 01/12/1995 a 31/12/1995 Ementa: ARBITRAMENTO DO LUCRO – FALTA DOS LIVROS COMERCIAIS E FISCAIS. Cabível o arbitramento do lucro da pessoa jurídica, sujeita à tributação com base no lucro real, que não possua ou não apresente à fiscalização a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL – IRRF – PIS. A decisão proferida nos lançamentos decorrentes segue a mesma orientação decisória adotada no processo principal, dada a correlação entre os fatos imponíveis. Lançamento Procedente (...) Quanto aos fatos, consta dos autos que a recorrente, foi intimada pela fiscalização em 1996, pelo menos 4 (quatro) vezes (fls. 27/64), para: a) comprovar a entrega da DIRPJ 1996 (anobase 1995); b) apresentar livros Razão e Diário, no sentido de comprovar o registro na sua escrituração contábil/fiscal da alienação (venda) de 8 (oito) terrenos à TELESP em 20/12/1995, pelo valor unitário de R$ 20.625,00, localizados em Guaratinguetá, no empreendimento/incorporação Chácara Selles, Quadra F; c) fornecer cópia do livro Razão contábil, das contas de custos e despesas, atinentes ao empreendimento citado etc. Não atendido em suas intimações, o fisco, com base em Declaração sobre Operações Imobiliárias – DOI (fls. 19/26), apurou receitas de vendas de imóveis pela recorrente no valor de R$ 165.000,00 (Cento e sessenta e cinco mil reais), quanto ao anobase 1995, procedendo, via autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, IRRF e PIS) de 22/08/1997, a exigência do crédito tributário de R$ 203.312,03 (fls. 01/18). Fl. 2DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 3 3 O valor do principal das exações fiscais está assim discriminado: a) IRPJ, R$ 65.250,00; b) PIS, R$ 1.072,50; c) IRRF, R$ 14.715,00; d) CSLL, R$ 1.650,00. Naquele montante de crédito tributário, além do valor do principal dos tributos, estão inclusos multa de ofício agravada de 112,5% pelo não atendimento das intimações fiscais e juros de mora respectivos. Houve arbitramento do lucro, pela falta de apresentação de escrituração contábil/fiscal. Ainda, para as receitas de venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, loteamento de terrenos e incorporação de prédios em condomínio, a forma de apuração do lucro arbitrado é específica, ou seja, receitas menos custos. A recorrente não forneceu à fiscalização custos ou despesas das unidades imobiliárias vendidas para dedução das respectivas receitas auferidas. Nesse sentido, transcrevo a descrição dos fatos constante do auto de infração do IRPJ (fl. 05), in verbis: (...) “RAZÃO DO ARBITRAMENTO EXERCÍCIO/MÊS 12/95 Lucro arbitrado em decorrência do não atendimento continuado das intimações nºs 1099/96, 1284/96, 1301/96 e 253/97, conf. Avisos de recebimento de 22.09.96, 18.11.96, 06.12.96 e 08.07.97, respectivamente, esgotadas as possibilidades de apuração de qualquer custo ou despesa ocorridos no empreendimento em tela. Permaneceu omissa a interessada nos exercícios 97, 96, e 95, anos calendário 96, 95 e 94, respectivamente. Valor decorrente das DOI anexas, nos valores de R$ 20.625,00 cada, totalizando R$ 165.000,00, consoante cópias anexas. ENQUADRAMENTO LEGAL: Artigo 47, inciso III, da Lei nº 8.981/95 1 – RECEITAS (ATIVIDADE IMOBILIÁRIA) RECEITA DA VENDA DE IMÓVEIS Valor apurado conforme supra explicitado. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 4 4 EXERCÍCIO OU FATO GERADOR VALOR APURADO % MULTA 12/95 165.000,00 112,5 ENQUDRAMENTO LEGAL: Artigo 541, do RIR/94. (...) Fundamentos legais da exigência do PIS, CSLL e IRRF: PIS: vide auto de infração (fls.8/10); CSLL: Lei 7.689/88, art. 2ºe §§ e Lei nº 8.981/95, art. 57; IRRF: Lei nº 8.981/95, art. 54, §§ 1º e 2º (presunção de distribuição do lucro presumido aos sócios). Quanto à impugnação, apresentada na primeira instância de julgamento, reproduzo, nessa parte, o relatório do acórdão recorrido que contém, em síntese, as razões expendidas: (...) 2. Cientificada da autuação por via postal, a contribuinte apresentou, em 07/10/1997, impugnação de fls. 68/70, acompanhada pelos documentos de fls. 71/78, na qual requer o cancelamento dos autos de infração do presente processo, alegando, em síntese, que: apesar de ter acertado com a fiscalização o posterior envio dos documentos solicitados, o contador encarregado de providenciar a remessa da documentação afastouse da empresa. Prossegue dizendo que o novo contador, entendendo tratarse de assunto já resolvido, relegouo ao esquecimento. Conclui afirmando que não fosse isso, tudo teria sido resolvido naquela oportunidade; em momento algum pretendeu recusarse ou opor resistência à apresentação dos esclarecimentos e documentos solicitados. Acrescenta que não tinha motivo algum para deixar de apresentar os documentos que só a beneficiariam, contribuindo para reduzir a base de cálculo do tributo. Conclui que nem mesmo a exasperação da multa seria cabível acaso procedente o lançamento; em se tratando de atividade imobiliária, a legislação de regência impõe ao loteador a obrigação de realizar toda a obra de infra estrutura do loteamento, para só então autorizar a venda das unidades imobiliárias. Arremata afirmando que se pretender que o lucro tributável do empreendedor seja igual ao valor total da receita auferida é simplesmente irreal. Para reforçar sua defesa, apresenta custos incorridos com infra estrutura e aquisição do terreno que foi implantado o loteamento; Fl. 4DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 5 5 a hipótese de arbitramento, por se tratar de medida extrema, só deve ser aplicada como último recurso, por ausência absoluta de outro elemento que tenha mais condições de se aproximar do lucro real. Como já mencionado no início, a decisão a quo não levou em consideração as razões apresentadas pela contribuinte, mantendo o lançamento fiscal. Inconformada com a decisão objurgada, da qual tomou ciência em 15/04/2003 (fl. 95verso), a recorrente apresentou Recurso Voluntário em 13/05/2003 de fls. 98/104, juntando, ainda, os documentos de fl. 105, cujas razões, em síntese, são as seguintes: a) pugna pela dedução dos custos/despesas acerca das unidades imobiliárias vendidas, e objeto da autuação conforme previsto no art. 49 da Lei nº 8.981/95; b) que independentemente da existência de escrituração contábil/fiscal, o custo da terra, infraestrutura e corretagem são impossíveis de inexistirem; que o custo existe com ou sem tal escrituração; c) que, destarte, o lançamento está maculado com o vício de nulidade, pois deixou de cumprir exigências previstas em lei para a obtenção da base de cálculo imputável (dedução dos custos da receitas auferidas); d) que, em remate, quanto ao agravamento da multa de ofício, pelo não atendimento das intimações, vale anotar que a intimação inicial foi atendida com o comparecimento pessoal na repartição, deixando de apresentar escrituração contábil por sua inexistência, jamais por confronto ou desacato à autoridade fiscal; que, portanto, improcede tal agravamento. Por fim, ante essas razões, a recorrente requereu que se declare a nulidade dos autos de infração do IRPJ e reflexos; que, caso se entenda diversamente, seja afastado o agravamento da multa de ofício, reduzindo o percentual de 112,5% para 75%. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator Antes de tudo, convém esclarecer que os autos do presente processo foram devolvidos a este Egrégio Conselho Administrativo para revisão/afastamento da decisão anterior que deixara de apreciar o mérito da lide, ao não conhecer do recurso voluntário pela deficiência do arrolamento de bens (não comprovação da propriedade do imóvel) cujo pressuposto processual de admissibilidade, na seqüência, foi declarado inconstitucional pelo STF em controle concentrado. Quanto à decisão que não conheceu do Recurso Voluntário na época, consta dos autos que, na Sessão de 08/07/2004, a 8ª Câmara do então Primeiro Conselho de Contribuintes, atual CARF, não conheceu desse recurso embora tempestivo, pois intimada pela repartição fiscal para fazer o arrolamento de bens e direitos (fl. 108), a recorrente apresentou arrolamento de bens (1/13 de fração de terreno), em 05/06/2003, sem comprovar a propriedade desse imóvel, conforme Acordão nº 10807.888 (fls. 117/120), cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: NORMAS PROCESSUAIS – REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE – INSTRUÇÃO DO RECURSO VOLUNTÁRIO – DEFICIÊNCIA – A admissibilidade de recurso voluntário está condicionada ao preenchimento dos requisitos contidos no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. O recurso deveria estar acompanhado do arrolamento de bens da pessoa jurídica.Constatada deficiência na instrução do recurso, tendo o contribuinte apresentado arrolamento a destempo e sem comprovação da propriedade do bem, deve ser aquele considerado inadmissível. Recurso não conhecido. (...) Inconformada, a recorrente pleiteou em 28/10/2004 perante a RFB o retorno dos autos do processo ao Conselho Administrativo para revisão dessa decisão (fls. 126/144), alegando que não teria sido intimada e que a propriedade do bem arrolado estaria claramente comprovada pela averbação na matrícula nº 19.406, sob o registro – Av. 5 – Arrolamento de Bens de 1/13, de 03/07/2003, junto ao Cartório de Registro de Imóveis de Guraratinguetá, conforme Certidão de fl. 129. Entretanto, a DRF/Taubaté, em despacho circunstanciado de 31/03/2005, indeferiu o retorno dos autos para este Conselho Administrativo pela inexistência de previsão legal, reafirmando que o crédito tributário objeto dos autos já estava definitivamente constituído na órbita administrativa (fls. 146/147). Por conseguinte, houve a remessa dos autos à Procuradoria da Fazenda Nacional em Taubaté para fins inscrição do débito em Dívida Ativa da União, em 17/05/2005, conforme despacho de fl. 159. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 7 7 Houve inscrição do débito em dívida ativa em 30/05/2005, conforme Termo de Inscrição de fls. 160/171. A recorrente impetrou Ação de Mandado de Segurança, informando nos autos, em 30/06/2005, sua tramitação pela 1ª Vara da 21ª Seção Judiciária Federal em Taubaté, com pedido de liminar para garantir o seguimento do recurso voluntário (fls. 172/176). Em 07/07/2005, conforme despacho do ProcuradorSeccional da Fazenda Nacional em Taubaté, restou consignado que a simples impetração de mandado de segurança não tem o condão de suspender a exigibilidade do crédito tributário, inexistindo previsão legal para apresentação de qualquer recurso administrativo, estando o crédito tributário definitivamente constituído (fl. 178). Em 23/09/2005 (distribuição), foi ajuizada execução fiscal da dívida ativa crédito tributário objeto dos autos – no Juízo da Seção Judiciária de São Paulo em Guaratinguetá (fls. 188/198). Em 04/09/2007, a recorrente, junto à PFN em Taubaté, em petição fundamentada, requereu a aplicação do Ato Declaratório Interpretativo nº 09, de 05/06/2007 (não exigência de arrolamento de bens como condição de admissibilidade de recurso administrativo), em face da declaração de inconstitucionalidade do art. 32 da Lei nº 10.522/2002 pelo STF, na apreciação da ADIn nº 1976 (fls. 201/202). Em 29/09/2009, a recorrente, junto à PFN em Taubaté, reiterou o pedido de seguimento do recurso voluntário e cancelamento da averbação do arrolamento de bens (fls. 204/211). Finalmente, em 09/10/2009, acolhendo os argumentos da recorrente, a PFN em Taubaté entendeu que, ante a declaração de inconstitucionalidade pelo STF do art. 32 da Lei nº 10.522/2002, restou eivada do vício de nulidade a decisão administrativa que negou seguimento ao Recurso Voluntário, proferida no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes; que, destarte, não há crédito constituído de forma definitiva; que o pleito de reforma/nulidade do Acórdão deuse dentro do prazo prescricional de cinco anos (inocorrência de prescrição); que, então, cumpre ao Egrégio Conselho Administrativo declarar nula/reformar a decisão anterior de fls. 117/121 e apreciar o recurso em atenção ao princípio da legalidade, da autotutela administrativa (Súmulas 346 e 473 do STF) e do efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade em abastrato, conforme despacho de fls. 212/214. Nesse sentido, a PFN Taubaté cancelou as inscrições em dívida ativa, em relação ao crédito tributário objeto dos autos, conforme Certidão de 09/10/2009 (fl. 217) e protocolizou petição em 15/10/2009, junto ao Juízo da 1ª Vara Federal de Guaratinguetá – 18ª Subseção Judiciária de São Paulo – Processo nº 2005.61.18.0011624, requerendo a extinção da execução fiscal contra Residencial Chácara Selles S/C Ltda, sem qualquer ônus para as partes, com base no art. 26 da Lei nº 6.830/80 (fl. 218). Houve, ainda, cancelamento do arrolamento de bens averbado Av.5, conforme averbação de 03/12/2009 – Av.9 (fls. 224/228). Neste contexto, entendo que se impõe afastar a validade do Acórdão anterior, pois o óbice, que determinara o não conhecimento do Recurso Voluntário, restou afastado/suprimido pela declaração de inconstitucionalidade do STF, em sede de ADIn. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 8 8 Nesse sentido, o Ato Declaratório RFB nº 30, de 15 junho de 2009, aplicando a decisão do STF, determina que as decisões de segunda instância administrativa, que não conheceram de Recurso Voluntário por vício no arrolamento de bens, devem retornar à segunda instância de julgamento para apreciação do mérito do recurso, in verbis: (...) Art. 1º. As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) deverão declarar a nulidade das decisões que não tenham admitido recurso voluntário de contribuintes, por descumprimento do requisito do arrolamento de bens e direitos, bem como dos demais atos delas decorrentes, realizando um novo juízo de admissibilidade com dispensa do referido requisito. Parágrafo único. A declaração de nulidade referida no caput será proferida ex officio ou por requerimento do sujeito passivo, observado o prazo prescricional de 5 (cinco) anos, contados da ciência da decisão administrativa que não tenha admitido recurso voluntário por ausência de arrolamento prévio de bens e direitos. Art. 2º Na hipótese de o débito encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, o requerimento a que se refere o pagrágrafo único do art. 1º deverá ser dirigido pelo sujeito passivo àquele órgão. (....) Assim, pelo afastamento da decisão anterior e pelo conhecimento do Recurso Voluntário, adoto, como fundamento de decidir, as razões expendidas pela Procuradoria da Fazenda Nacional no despacho de fls. 212/214, in verbis: O contribuinte interessado protocolou nesta Unidade da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em 04/09/2007 e 29/09/2009 requerimento, solicitando a remessa deste processo Administrativo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a fim de que seja conhecido o Recurso Voluntário. Alega que o recurso interposto tempestivamente só não foi conhecido, na ocasião do julgamento, por ausência de requisito de admissibilidade que foi julgado, posteriormente, inconstitucional pelo E. STF, qual seja, o arrolamento de bens previsto no art. 33, § 2º, com redação dada pelo art. 32 da Lei 10.522/02. De fato, diante da decisão que declarou a inconstitucionalidade do art. 32 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, proferida pelo Supremo Tribunal Federal na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 19767, em 28 de março de 2007, está eivada de nulidade a decisão administrativa que negou seguimento ao recurso, proferida no âmbito do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes. Diante do exposto, cumpre àquele órgão, ou melhor, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que atualmente faz às vezes do antigo conselho, em atenção ao princípio da legalidade (art. 37, caput da CRFB), da autotutela administrativa (Súmulas 346 e 473 STF) e, ainda, do efeito vinculante da declaração de inconstitucionalidade Fl. 8DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 9 9 abastrata (art. 101, § 2º, CRFB), declarar nula a decisão proferida a fls. 117121 e apreciar o Recurso Voluntário, de fls. 98105. Cumpre destacar que, no âmbito da Receita Federal do Brasil, foi editada, inclusive, norma complementar tributária, disciplinando a declaração de nulidade dos atos de inadmissão dos Recursos (...) No que tange à prescrição, cumpre informar que o contribuinte tomou ciência da decisão que não conheceu do Recurso Voluntário em 04/10/04 (fls. 123 v) e em 30 de junho de 2005 protocolou petição informando a impetração de Mandado de Segurança, que tramitou sob o nº 2005.61.21.0018019 perante a Justiça Federal em Taubaté, julgado extinto sem resolução de mérito em primeira instância. Além disto, protocolou perante a Procuradoria Seccional da Fazenda Nacional dois requerimentos Administrativos pretendendo a nulidade da decisão; o primeiro em 04/09/2007 (fls. 199) e o segundo em 29/09/2009 (fls. 202). Destarte, foi requerida declaração de nulidade da decisão que inadmitiu o recurso dentro do quinquídio previsto no art. 1º do Dec. nº 20.910/32, não havendo que se falar em prescrição. Por todo o exposto, não há dúvidas de que o crédito tributário apurado neste processo não está definitivamente constituído eis que, diante da nulidade acima demonstrada, resta pendente o julgamento do Recurso Voluntário interposto nos termos do art. 33 do Decreto 70.235/72. Este inclusive é o entendimento esposado no PARECER PGFN 1539/2008, não restando alternativa senão o cancelamento da inscrição em dívida ativa decorrentes deste processo (...), o que ora determino em homenagem ao princípio da legalidade e do devido processo legal, pois ao tempo da inscrição, os créditos tributários não se encontravam com a exigibilidade suspensa nos termos do art. 151, III, do Código Tributário Nacional. Ao setor Apoio para as providências necessárias ao cumprimento desta decisão, dando ciência a Ilma. Procuradoria da Fazenda Nacional oficiante perante o Juízo Federal de Guaratinguetá e remetendose imediatamente este autos ao órgão de origem para as procvidências a seu cargo, inclusive observando eventual necessidade de cancelamento de averbação em matrícula de imóvel oferecido em arrolamento. (...) Por tudo que foi exposto, propugno, por conseguinte, pelo afastameno dos efeitos do Acordão nº 10807.888 (8ª Câmara do antigo 1º CC), proferido na Sessão de 08/07/2004 que não conheceu do recurso (fls. 117/120), pois – em face da superveniente declaração de inconstitucionalidade do art. 32 da Lei nº 8.522/2002 pelo STF, inexiste, de fato, óbice para conhecimento do Recurso Voluntário; não mais subsiste o Arrolamento de Bens como pressuposto processual para conhecimento do Recurso Voluntário. Pelas razões expendidas, conheço do recurso. Conforme relatato, tratase da exigência de crédito tributário do anocalendário 1995, em face da lavratura de autos de infração do IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e IRRF), com agaravamento do multa de ofício (112,5%). Fl. 9DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 10 10 Houve arbitramento do lucro pelo fisco, pois, durante a fiscalização, a contribuinte não apresentou escrituração contábil. No caso, o fisco apenas apurou receitas de atividade imobiliária. Nesse passo, o IRPJ e a CSLL foram lançados com base no lucro arbitrado que, para receitas de atividade imobiliária, segue o seguinte método de apuração: receitas menos custos comprovados atinentes à obtenção dessas receitas A recorrente rebelase contra o lançamento fiscal, alegando que a fiscalização em relação ao lucro arbitrado (atividade imobiliária) não subtraiu das receitas auferidas as correspondentes despesas/custos dos imóveis vendidos; que tal fato apuração da base imponível está em desacordo com a legislação de regência (art. 49 da Lei nº 8.981/95); que isso teria implicado vício de nulidade do lançamento fiscal; que se esse não for o entendimento – seja afastado o agravamento da multa, reduzindose a penalidade aplicada de 112,5% para 75%, pois não teria havido o imputado embaraço à fiscalização (não atendimento às intimações fiscais). Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: Rejeito, peremptoriamente, a preliminar de nulidade, pois a questão suscitada – eventual vício na apuração do valor da base de cálculo do tributo (Lucro Arbitrado) – é matéria de mérito que, quanto muito, pode implicar a improcedência do lançamento e não sua nulidade. Em regra, erro na determinação do valor da base de cálculo (quando existente e devidamente comprovado), pode ser corrigido quando da apreciação do mérito da infração imputada, não implicando prejuízo algum à defesa do sujeito passivo. A nulidade do lançamento fiscal, por conseguinte, somente impõese quando houver incorreta descrição dos fatos e, concomitantemente, houver equívoco no enquadramento legal, que não é o caso, pois tanto a descrição dos fatos quanto o enquadramento legal são adequados. Nesse sentido, é o entendimento pacífico da jurisprudência administrativa, cujos precedentes transcrevo, in verbis: AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só Fl. 10DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 11 11 outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 104 17.364, de 22/02/2001, 1º CC). Nesse mesmo sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, rejeito a preliminar suscitada. Arbitramento do Lucro. Falta de Escrituração Contábil. No caso, as receitas apuradas decorrem, exclusivamente, da atividade imobiliária (loteamento de terrenos), a forma de apuração do lucro arbitrado é determinada pelo art. 49 da Lei nº 8.981/95, in verbis: Art. 49. As pessoas jurídicas que se dedicarem à venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, ao loteamento de terrenos e à incorporação de prédios em condomínio terão seus lucros arbitrados deduzindose da receita bruta o custo do imóvel devidamente comprovado. Parágrafo único. O lucro arbitrado será tributado na proporção da receita recebida ou cujo recebimento esteja previsto para o próprio mês. A base de cálculo do IRPJ e da CSLL – conforme texto legal transcrito retro – é a receita bruta da venda dos imóveis com exclusão dos custos desses imóveis desde que devidamente comprovados. No caso, o exercício da atividade imobiliária é confirmada pela própria recorrente, bem como a falta de escrituração contábil dos custos/despesas (fl. 102), in verbis: (...) E ao lermos a norma acima transcrita, verificase que por força da atividade de Loteamento exercida pelo Autuado, cujos custos estão intrinsicamente ligados a tal atividade, custo da terra, infraestrutura e corretagem, são impossíveis de inexistirem. Assim caberia obrigatoriamente por obediência legal ao arbitramento do imposto, a redução dos custos comprovados ou a sua solicitação por parte do FISCO. Ou seja, independentemente da existência de contabilidaede, pois o custo existe com ou sem tal escrituração. As receitas foram apuradas pelo fisco pelas informações contidas nas Declarações sobre Operações Imobiliárias, apresentadas pelo 2º Cartório de Notas de Guaratinguetá (fls. 19/26). Fl. 11DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL Processo nº 10860.001900/9786 Resolução n.º 1802000.035 S1TE02 Fl. 12 12 Entretanto, os custos proporcionais relativos a essas receitas auferidas de vendas de imóveis (terrenos) não foram fornecidos à fiscalização, pois, conforme intimações de fls. 27/64, não houve intimação fiscal específica, nesse sentido. A apuração dos custos, no caso, independe da existência, ou não, de escrituração contábil. Quando da apresentação da impugnação, a recorrente acostou cópia do instrumento de Escritura Pública do imóvel de 148.555,55 m2, do qual, em tese, os 08 (oito) lotes comercializados teriam sido desmembrados, e juntou alguns custos atinentes ao loteamento (fls. 71/78). Os 08 (oito) lotes de terrenos objeto da autuação, com área individual que varia de 360 a 432,62 m2, são aqueles de tratam as DOI de fls. 19/26. Entretanto, a decisão recorrida não levou em reconsideração esses elementos de prova para apropriar custos proporcionais às receitas auferidas objeto de tributação via auto de infração. Quanto ao terreno de área 148.555,55 m2, no bairro do Campo do Galvão em Guratinguetá (Escritura Pública de Compra e Venda de 02/09/ 1991 72/73), do qual esses lotes, em tese, teriam sido desmembrados, não constam documentos de aprovação desse loteamento pelo Poder Público Municipal, nem custo unitário para cada lote; não consta dos autos cópia do Projeto de Loteamento da Área, utilizado para eventual aprovação pelo Poder Público Municipal. Assim, o valor global do terreno (custo histórico de aquisição), as despesas de serviços de elaboração do projeto, serviços de infraestrutura e serviços de galerias pluviais, faturadas (fls. 75/77), não podem ser aceitas, pois não há individualização do custo a ser imputado para cada lote; não se sabe, também, em quantos lotes foi dividido o terreno, nem respectiva localização e destinação; não há critério, especificação, nem demonstração dos custos, a serem apropriados, para cada unidade loteada/vendida. Por conseguinte, proponho que seja o presente julgamento convertido em diligência, retornando os autos do processo à Unidade de origem da RFB, para que a fiscalização, mediante intimação da contribuinte, colete os elementos de prova e apure, de forma cabal, os custos dos 08 (oito) lotes objeto do lançamento fiscal (fls. 19/26), conforme estatui o art. 49 da Lei nº 8.981/95. Os resultados da diligência fiscal devem ser apresentados em Relatório Fiscal circunstânciado, com demonstrativo de cálculo dos custos apurados para os 8 (oito) terrenos objeto dos autos, intimandose a contribuinte para, querendo, manifestar no prazo de 30 dias da ciência, e, posteriormente, retornem aos autos conclusos. Por tudo que foi exposto, voto para CONVERTER o julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 12DF CARF MF Impresso em 18/07/2011 por ANDREA FERNANDES GARCIA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 13/07/2011 por NELSO KICHEL Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, 13/07/2011 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10865.001207/2005-06
Data da sessão: Fri Aug 05 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 1402-000.077
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro.
Nome do relator: ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente, o Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. Participou do julgamento, o Conselheiro Eduardo Martins Neiva Monteiro. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 1635DF CARF MF Emitido em 21/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10865.001207/200506 Resolução n.º 140200.077 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão de primeira instância que considerou os lançamentos do IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS e COFINS, dos anos calendário de 2000 a 2003, procedente. A infração referese a omissão de receitas de prestação de serviços de transporte de carga. Consta no Termo de Verificação de Irregularidade Fiscal, o seguinte: a) que a movimentação financeira da contribuinte era incompatível com a receita declarada, tendo ultrapassado o limite permitido para enquadramento no regime do Simples, o que motivou a exclusão desse regime, conforme ADE nº 29/2004; b) que a empresa foi intimada a comprovar a origem dos recursos depositados em contacorrente do Banco Itaú, tendo a empresa apresentado conhecimentos de transporte de carga, cujos valores eram coerentes com a movimentação financeira, mas não foram escriturados em seus livros fiscais e contábeis, não tendo sido computados no seu faturamento e na base de cálculo do IRPJ e contribuições; c) que o lucro foi arbitrado em razão da contribuinte não possuir escrituração contábil (fls. 214/216). Transcrevo do relatório contido na decisão de primeira instância, as razões de impugnação: Entende não ter contrariado quaisquer das hipóteses previstas no artigo 14 da Lei n° 9.317, de 1996, notadamente o inciso V, restando temerária a sua exclusão do Simples; Jamais deixou de atender às intimações fiscais, tendo preenchido as planilhas relativas às vendas e às entradas efetuadas no período de 1999 a 2003, apresentou os livros de Registro de Entradas, de Saídas e de ISS, conhecimentos de transporte e notas fiscais de compras de 1999, assim como os extratos bancários daquele ano e respectiva planilha.Posteriormente, apresentou extratos bancários e conhecimentos de fretes do período de 2000 a 2003, inclusive documentos aptos a justificar as operações denunciadas nos citados extratos; A sua exclusão do Simples se deu por mera presunção de extrapolação dos limites permitidos para o enquadramento no regime, com base apenas em extratos bancários, carecendo de prova final, robusta e conclusiva; É nulo o lançamento de oficio com base na sua exclusão do Simples. O Ato Declaratório Executivo n° 29, de 2004, depende ainda de julgamento da impugnação apresentada, não podendo ser alvo de exclusão do Simples e de sofrer lançamento de oficio com base em arbitramento do lucro em detrimento da tributação como optante pelo Simples.Não poderia sofrer tributação duplicada, uma vez que a fiscalização não considerou as declarações de renda pessoa jurídica, Fl. 1636DF CARF MF Emitido em 21/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10865.001207/200506 Resolução n.º 140200.077 S1C4T2 Fl. 3 3 oportunamente apresentadas, os faturamentos apresentados e as contribuições recolhidas; Nos termos do Código Tributário Nacional (CTN), art. 173, parágrafo único, ocorreu a decadência, relativamente ao período de 01/01/2000 a 08/06/2000 (quanto ao IRPJ, CSLL, PIS e à Cofins). Ocorreu a tributação duplicada quanto aos valores registrados no livro próprio, informados por ocasião da declaração relativa aos anosbase de 2000, 2001, 2002 e 2003, cujo imposto devidamente apurado foi pago; Não devem prevalecer os autos de infração, uma vez que foiemitida, em 03/01/2005, a Certidão Negativa de Débitos de Tributos e Contribuições Federais com validade até 04/07/2005, e consta no Sistema Simples que ainda mantém sua condição de optante por aquele sistema; De acordo com o CTN, art. 142, o Auditor Fiscal não tem competência para lançar tributo e, principalmente, para aplicar penalidade. Se a penalidade já foi aplicada juntamente com o auto de infração, não há como negar que houve julgamento antecipado e penalização sem defesa; As leis ordinárias e os decretos que concedem à fiscalização as atribuições de lançamento e de aplicação de penalidade são inconstitucionais; É inaceitável a pretensão fazendária de que movimentação de numerário em bancos signifique renda líquida tributável. Se os depósitos apresentam curta permanência em contascorrentes e o patrimônio não aumenta na mesma proporção dos saques efetuados, não há que se cogitar que houve rendimentos tributáveis. Sobre a exclusão do Simples, a Turma Julgadora esclareceu que essa matéria já havia sido examinada no processo nº 10865.001475/200439, tendo sido mantida a exclusão do sistema. As ementas proferidas no acórdão da Turma Julgadora relativas ao processo ora em discussão são as seguintes: OMISSÃO DE RECEITAS. A omissão de receita apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros da escrituração comercial e fiscal terá seu lucro arbitrado. NULIDADE. Somente são nulos os atos e termos lavrados por pessoa incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 1637DF CARF MF Emitido em 21/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10865.001207/200506 Resolução n.º 140200.077 S1C4T2 Fl. 4 4 TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS. CSLL. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal, em face da estreita relação de causa e efeito. DECADÊNCIA. IRPJ. Tratandose de lançamento de ofício, o termo inicial da decadência ocorre no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECADÊNCIA. CSLL. COFINS. PIS. O prazo decadencial para lançamento das contribuições sociais é de dez anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. É competência atribuída, em caráter privativo, ao Poder Judiciário pela Constituição Federal, manifestarse sobre a constitucionalidade das leis, cabendo à esfera administrativa zelar pelo seu cumprimento. MULTA DE OFÍCIO. PROPOSIÇÃO PELO AFRF. Devem constar no auto de infração o percentual e o valor da penalidade, em razão do direito de ampla defesa. O acórdão da decisão de primeiro grau foi cientificado à interessada em 21.11.2007, e o recurso voluntário foi apresentado em 20.12.2007. Argumenta que nas ocasiões próprias, na condição de optante do Simples, promoveu as informações fiscais de praxe e recolheu aos cofres públicos os correspondentes impostos e contribuições; que o procedimento adotado pela fiscalização é arbitrário, ilegal e alheio à sua categoria de contribuinte. Destaca que em uma empresa comercial, “receita é venda”, e não necessariamente créditos que aparecem na movimentação bancária. Alega que ocorreu a decadência do direito do fisco lançar o IRPJ e demais contribuições do período de 01.01.2000 a 08.06.2000. Salienta que é nulo o procedimento fiscal quanto à exclusão da empresa do regime do Simples e quanto à tributação com base no lucro arbitrado. Afirma que o Ato Declaratório que deu azo à exclusão do regime do Simples foi objeto de oportuna impugnação e uma vez julgada em desfavor, foi apresentado recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, visando a reforma do julgado. Entende que enquanto não for julgado tal recurso, seriam nulos de pleno direito todos e quaisquer procedimentos fiscais, tais como, a aplicação de meios indiciários de fiscalização, como também, a forma de tributação com base no lucro arbitrado e na totalidade dos valores lançados mensalmente pelo auditor fiscal, cujos valores coincidem com os creditados mensalmente na contacorrente do Banco Itaú (sem proceder à exclusão dos valores oportunamente lançados, declarados e pagos), portanto, em detrimento da apuração pelo regime do Simples. Fl. 1638DF CARF MF Emitido em 21/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10865.001207/200506 Resolução n.º 140200.077 S1C4T2 Fl. 5 5 Também alega que houve tributação duplicada no que diz respeito aos valores registrados nos livros próprios, informados por ocasião das declarações de renda, cujo imposto ou contribuição foram pagos. Destaca que a certidão negativa, emitida em 07.07.2005, informa que até aquela data, a recorrente mantém sua condição de empresa de pequeno porte no regime do Simples, fato que desnaturaria o Termo de Verificação de irregularidade fiscal e demonstrativo consolidado de débito, lavrado em 09.06.2005. Conclui que a peça básica do PAF está eivada de vício processual formalístico, que clama por nulidade. Repisa argumentos da impugnação, no sentido de que falece competência à classe funcional de Auditor Fiscal de Tributos Federais para lançar tributo e principalmente para aplicar penalidade, pois caberia a essa classe, apenas “calcular o montante do tributo devido” e propor a aplicação de penalidade, e que há de se distinguir entre lançar e calcular, e entre propor e aplicar penalidade. Acrescenta que o processo administrativo é regido pelo princípio do contraditório e se a penalidade já foi aplicada juntamente com o auto de infração, como parte integrante deste e do crédito de tributo reclamado, não há como negar que houve julgamento antecipado e penalização sem defesa, e um julgamento por quem não está investido nas funções de autoridade julgadora. Reconhece que tais atribuições de lançamento e aplicação de penalidades vem sendo concedidas à fiscalização, por meio de leis ordinárias, decretos e até por simples atos da administração tributária. Tais normas seriam inconstitucionais, vez que conflitantes com o CTN, considerando sua qualidade de lei complementar da CF. Cita doutrina e afirma que outros órgãos da administração pública dão exato cumprimento ao CTN, como por exemplo, o IPEM, o CIPOA, SUNAB. Afirma que o auditor fiscal presumiu como omissão de receita tributável, a movimentação de títulos e os valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, mas que tratase de método indiciário, insuficiente para sustentar a acusação de omissão de receitas, eis que carente de prova cabal, robusta e conclusiva. Seria inaceitável a pretensão fazendária de que numerário em bancos signifique renda líquida tributável. Cita jurisprudência judicial e administrativa. Pede a reforma da decisão de primeira instância e a improcedência da pretensão do fisco. É o relatório. Fl. 1639DF CARF MF Emitido em 21/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 10865.001207/200506 Resolução n.º 140200.077 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. Tratase de lançamentos do IRPJ e CSLL efetuados com base no regime do lucro arbitrado, dos anoscalendário de 2000 a 2003, bem como, exigências da contribuição para o PIS e COFINS, A contribuinte estava enquadrada no Regime do Simples, e foi excluída desse regime, com efeitos, a partir de 01.01.1999, em razão do disposto no inciso V do art. 14 da Lei 9.317/96, conforme processo 10865.001475/200439 (prática reiterada de infração à legislação tributária). O processo relativo à exclusão do regime do simples foi julgado por este colegiado, nesta mesma sessão (acórdão 140200.692), cujo resultado foi o seguinte: “por maioria de votos, negar provimento ao recurso”. Quanto à alegada duplicidade, tem razão a interessada, pois, se a apuração da receita bruta se deu com base nos conhecimentos de transporte de carga, com aplicação da alíquota de 9,6%, sobre o valor da totalidade desses conhecimentos, consequentemente, os valores pagos sob o regime do simples devem ser computados. Do exposto, o julgamento do recurso deve ser convertido em diligência, para que a autoridade administrativa informe os pagamentos efetuados sob o regime do simples relativos aos períodos de apuração objeto dos autos de infração, bem como, efetue o cálculo da exclusão desses valores dos lançamentos efetuados. A autoridade responsável pela realização da diligência deverá elaborar relatório conclusivo que deverá ser cientificado ao sujeito passivo, que poderá se manifestar, se entender necessário. Registrese que a diligência também é necessária, para a apreciação da preliminar de decadência que depende da informação sobre a existência de pagamentos dos tributos. Este e os demais argumentos da recorrente serão apreciados quando do retorno da diligência. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 1640DF CARF MF Emitido em 21/08/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 21/08/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10945.900601/2014-11
Data da sessão: Tue Dec 14 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2022
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL.
Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material.
Numero da decisão: 3401-010.383
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Ronaldo Souza Dias Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva.
Nome do relator: Oswaldo Gonçalves de Castro Neto
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. OBSCURIDADE. ERRO MATERIAL. Os Embargos de Declaração prestam-se para sanar omissão, contradição ou obscuridade ou corrigir erro material. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os Embargos de Declaração. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo- lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3401-010.372, de 14 de dezembro de 2021, prolatado no julgamento do processo 10945.900581/2014-89, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Gustavo Garcia Dias dos Santos, Fernanda Vieira Kotzias, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco, Luis Felipe de Barros Reche, Carolina Machado Freire Martins e Ronaldo Souza Dias (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente o conselheiro Mauricio Pompeo da Silva. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 90 06 01 /2 01 4- 11 Fl. 64765DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-010.383 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900601/2014-11 Trata-se de Embargos de Declaração contra decisão proferida por esta Turma e assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2010 a 31/03/2010 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria não impugnada e a impugnada de maneira genérica em tempo e modo próprios não deve ser conhecida por este Colegiado. DIALETICIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada. REVISÃO. LANÇAMENTO. RESSARCIMENTO. POSSIBILIDADE. SÚMULA CARF 159. Não é necessária a realização de lançamento para glosa de ressarcimento de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS não-cumulativos, ainda que os ajustes se verifiquem na base de cálculo das contribuições. DECADÊNCIA. ART. 150 § 4 o CTN. GLOSAS. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica o disposto no art. 150, § 4 o , do Código Tributário Nacional (CTN) no caso de análise de solicitação de crédito em despacho decisório, por não se tratar a operação de lançamento. NÃO INCIDÊNCIA. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. COMERCIAL EXPORTADORA. A não incidência de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, descrita no artigo 14, inciso VIII, da MP 2.158-35/2001, exige prova de que a venda se destinou a exportação, ou seja, prova de que a mercadoria foi efetivamente exportada. ISENÇÃO. PIS. COFINS. EXPORTAÇÃO INDIRETA. TRADING COMPANY. O artigo 1 o do Decreto 1.248/1972 isenta de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS a exportação indireta por meio de Trading Company desde que os bens a exportar sejam enviados diretamente a armazém alfandegado, embarque ou para regime de entreposto extraordinário na exportação. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. VENDA NO MERCADO INTERNO. VENDAS NÃO TRIBUTADAS. Impossível a exclusão da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS das vendas no mercado interno e das vendas não tributadas, eis que não compõem, a priori, a base de cálculo das exações. EXCLUSÃO. BASE DE CÁLCULO. FRETES. O artigo 15 da MP 2.158-35/2001 não trata de essencialidade, mas de especialização concernente a assistência técnica, extensão rural, formação profissional e serviços da mesma natureza. Assim, salvo prova da especialização do frete, impossível a dedução. EXCLUSÃO. CUSTO AGREGADO. MÃO-DE-OBRA. Fl. 64766DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-010.383 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900601/2014-11 O conceito de custo agregado descrito pelo § 8 o do artigo 11 da IN SRF 635/2006 é amplo, e não vincula o custo agregado ao gasto com salário ou ainda com remuneração, limitando-se o artigo a tratar de dispêndios com mão-de-obra, ou seja, todos os valores pagos e benefícios concedidos às pessoas que prestam serviço ao contribuinte. INSUMOS. PALLETS. MATERIAL DE EMBALAGEM. Não é possível a concessão de crédito não cumulativo de Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS ao pallet, salvo quando i) estes constituam embalagem primária do produto final, ii) quando sua supressão implique a perda do produto ou de sua qualidade, ou iii) quando exista obrigação legal de transporte em determinada embalagem. FRETE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal de crédito referente a Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS para frete de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei 11.033/2004 não se refere a créditos cuja aquisição é vedada em lei. SÚMULA CARF 157. CRÉDITO PRESUMIDO. AGROINDÚSTRIA. MERCADORIA PRODUZIDA. O percentual da alíquota do crédito presumido das agroindústrias de produtos de origem animal ou vegetal, previsto no art. 8 o da Lei 10.925/2004, será determinado com base na natureza da mercadoria produzida ou comercializada pela referida agroindústria, e não em função da origem do insumo que aplicou para obtê-lo. Intimada, a Embargante opôs Embargos de Declaração, apontando uma série de omissões, contradições e erros de fato no julgado. Os Embargos foram acolhidos apenas e tão somente no tópico despesas com armazenagem e frete na operação de venda, isto porque, dentre as matérias declaradas preclusas por esta Turma, o tópico em questão foi, efetivamente, aventado tanto em sede de Manifestação de Inconformidade quanto em Recurso Voluntário. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: A fiscalização glosa em tópico específico as DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA porquanto: Dentre as Notas Fiscais apresentadas pela Embargante “foram identificados fretes sem comprovação de origem, destino e/ou produto transportado” o que torna impossível a análise da natureza do frete; Fl. 64767DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-010.383 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10945.900601/2014-11 Fretes entre armazéns da Embargante não geram créditos das contribuições quer estes sejam de produtos acabados, quer sejam de insumos; Quatro fretes referem-se a aquisição de ativo imobilizado. A Embargante em sede de Manifestação de Inconformidade apresentou o seguinte argumento sobre o tema: “Dentre os inúmeros fundamentos da decisão que merecem reforma, a recorrente destaca as glosas a seguir relacionadas: (...)(d3) fretes sobre a aquisição de bem não sujeito ao pagamento das contribuições e tributação monofásica e fretes de transferência entre estabelecimentos (itens 86 a 87 e 107, Informação Fiscal SEORT/EQMAC/DRF FOZ 06/2016)”. Com a máxima vênia ao ilustre Presidente desta Turma, quer parecer que, para inaugurar a lide administrativa a impugnação deve ser específica, apontar, ao menos os motivos de fato que deveriam levar ao afastamento do fundamento, o que no presente caso - sem prejuízo da vasta sabedoria do combativo patrono da Embargante - não se apresenta verdadeiro. Aliás, a Ementa do Voto destaca que “para ser conhecido o recurso é necessário o enfrentamento dos fundamentos da decisão atacada”. Pelo exposto, admito, porquanto tempestivo, e rejeito os Embargos de Declaração. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de rejeitar os Embargos de Declaração. (documento assinado digitalmente) Ronaldo Souza Dias – Presidente Redator Fl. 64768DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 10725.720001/2006-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 16 00:00:00 UTC 2010
Numero da decisão: 1401-000.054
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar o transito em julgado do processo n. 15521000300/2007-61. Ausente momentaneamente a conselheira Karem Jureidini Dias.
Nome do relator: ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXEIRA
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conteudo_txt : Metadados => date: 2011-01-04T19:21:23Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; pdf:docinfo:title: Microsoft Word - 2447550_0.doc; xmp:CreatorTool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dc:creator: e_processo; dcterms:created: 2011-01-04T19:21:23Z; Last-Modified: 2011-01-04T19:21:23Z; dcterms:modified: 2011-01-04T19:21:23Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; title: Microsoft Word - 2447550_0.doc; xmpMM:DocumentID: uuid:eaee9216-8e15-4869-931e-3abf4a59cb6f; Last-Save-Date: 2011-01-04T19:21:23Z; pdf:docinfo:creator_tool: PScript5.dll Version 5.2; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2011-01-04T19:21:23Z; meta:save-date: 2011-01-04T19:21:23Z; pdf:encrypted: true; dc:title: Microsoft Word - 2447550_0.doc; modified: 2011-01-04T19:21:23Z; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: e_processo; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: e_processo; meta:author: e_processo; meta:creation-date: 2011-01-04T19:21:23Z; created: 2011-01-04T19:21:23Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 2; Creation-Date: 2011-01-04T19:21:23Z; pdf:charsPerPage: 1589; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; Author: e_processo; producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Acrobat Distiller 6.0.1 (Windows); pdf:docinfo:created: 2011-01-04T19:21:23Z | Conteúdo => S1-C4T1 Fl. 1 1 S1-C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10725.720001/2006-56 Recurso nº 502.226 Resolução nº 1401-000.054 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 16 de dezembro de 2010 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente TRANSOCEAN BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para aguardar o transito em julgado do processo n. 15521000300/2007-61. Ausente momentaneamente a conselheira Karem Jureidini Dias.. (Assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Presidente. (Assinado digitalmente) Alexandre Antônio Alkmim Teixeira - Relator. A Recorrente protocolizou, por meio eletrônico, em 15 de março de 2005, as Declarações de Compensações (DCOMP) nºs 30035.12056.150305.1.3.03-0167, 19583.37942.150305.1.7.03-67102 e 20510.01827.150305.1.3.03-3247, pelas quais compensou débitos relativos a contribuições PIS/Cofins, com crédito decorrente de Saldo Negativo de CSLL, apurado no ano calendário de 2004. Todavia, em 27/12/2007, foi lavrado o Auto de Infração, que deu origem ao processo nº 15521.000300/2007-6 no qual o crédito utilizado nas DCOMP´s citadas acima foi glosado pela Autoridade Fiscal. Fl. 307DF CARF MF Emitido em 10/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 10/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE Processo nº 10725.720001/2006-56 Resolução n.º 1401-000.054 S1-C4T1 Fl. 2 2 Em virtude do exposto, as instâncias inferiores não homologaram as compensações sob o fundamento de que o crédito utilizado não possui certeza e liquidez, vez que há um Auto de Infração pendente de julgamento. No entanto, a suposta ausência de liquidez e certeza decorre da existência de processo administrativo em curso, que poderá, ao final do julgamento, deliberar pela existência do direito de crédito do contribuinte. Por outro lado, caso o contribuinte tivesse que aguardar a definição do processo administrativo para ter reconhecido, de forma definitiva, o seu direito ao crédito, certamente o mesmo seria alcançado pela prescrição, com a perda definitiva do direito. Assim, ante a íntima relação de causa e efeito do presente processo com o processo nº 15521.000300/2007-6, proponho a seguinte diligência: a) seja o processo baixado em diligência para que fique suspenso até o trânsito em julgado do processo n. 15521000300/2007-61; b) seja comunicada essa decisão ao Relator do processo n. 15521000300/2007- 61, solicitando à Autoridade responsável daquele feito que cientifique este Relator acerca do trânsito em julgado da decisão final em referido feito, quando o mesmo ocorrer, assim como o seu teor. c) após, retornem s autos para julgamento. É como voto. (Assinado digitalmente) Alexandre Antonio Alkmim Teixeira - Relator. Fl. 308DF CARF MF Emitido em 10/01/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 04/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMIM TEIXE Assinado digitalmente em 10/01/2011 por VIVIANE VIDAL WAGNER, 04/01/2011 por ALEXANDRE ANTONIO ALKMI M TEIXE
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