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Numero do processo: 13982.000690/2001-21
Data da sessão: Thu Jul 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -
Exercício: 1999, 2000, 2001
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, INOCORRÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Inteligência da súmula CARF n° 11.
TAXA SELIC, APLICABILIDADE, A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF n° 4
Recurso Voluntário Negado,
Numero da decisão: 1301-000.344
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar
provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - AF - lucro real (exceto.omissão receitas pres.legal)
Nome do relator: Waldir Viega Rocha
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - Exercício: 1999, 2000, 2001 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, INOCORRÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Inteligência da súmula CARF n° 11. TAXA SELIC, APLICABILIDADE, A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF n° 4 Recurso Voluntário Negado,
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Recorrida ia TURMA/DM-CURITIBA/PR ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - Exercício: 1999, 2000, 2001 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE, INOCORRÊNCIA NO PROCESSO ADMINISTRATIVO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Inteligência da súmula CARF n° 11. TAXA SELIC, APLICABILIDADE, A partir de 10 de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Aplicação da súmula CARF n° Recurso Voluntário Negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado, Lyvv-LL JL„1,,,ÁL LEONARDO DE ANDRADE. COUTO - Presidente Relator EDITADO EM: 12 N ov ?nin Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Ricardo Luiz Leal de Melo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Fábio Soares de Melo, Valmir Sandri e Leonardo de Andrade Couto,. Relatório KATEDRAL EMPREENDIMENTOS IMOBILIÁRIOS LTDA., já qualificada nestes autos, inconformada com o Acórdão n° 06-12,318, de 28/09/2006, da ia Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Curitiba/PR, recorre voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Por bem descrever o ocorrido, valho-me do relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, o qual reproduzo abaixo. Contra esta contribuinte foram lavrados autos de infração de IRRI (fls. 03-12) e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (fls. 334-342), cabendo destacar que este último integrava o PM n° 13982.000689/2001-05, que foi anexado a este, em cumprimento ao art. 2' da Portaria SRF n" 6.129, de 02/12/2005, conforme Termo de Juntada espelhado às fls. 679. O auto de infração de IRPJ formaliza exigência no importe total de R$ 27..261,34, incluindo juros moratórios calculados até 31/07/2001, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, constante às fls. 02, enquanto o auto de infração da CSLL formaliza exigência no importe total de R$ 9.914,50, incluindo juros moratórios calculados até 31/07/2001, conforme Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, constante às fls, 333. Consta do auto de infração do 1RPJ exigência de imposto, verbis: "Durante os procedimentos de verificações obrigatórias constatamos divergências entre os valores declarados e os valores escriturados pelo contribuinte, as quais resultaram na falta de recolhimento do imposto em tela". Também consta a exigência de multa lançada isoladamente, decorrente da falta de recolhimento, ou recolhimento a menor, de imposto incidente sobre a base de cálculo estimada Assim corno no IRPJ, as exigências alusivas à CSLL também dizem respeito a contribuição, em decorrência de divergência entre os valores declarados e os valores escriturados, e a muita isolada por insuficiência de recolhimento sobre a base estimada. Os fundamentos legais dos lançamentos se encontram descritos nos campos próprios dos autos de infração. Cada um dos autos de infração é integrado por um Relatório de Atividade Fiscal (fls. 14-17 e fls. 659-662). Destes, constam os critérios utilizados na apuração dos valores lançados, e também o registro de que parte dos valores mensais devidos a título de estimativa foram incluídos no RUIS. Cientificada dos lahainentos em 08/08/2001 (fls. 03 e 334), a contribuinte apresentou, em 06/09/2001, as impugnações de fis.. 282-291 e 617-626, nas quais tece as alegações a seguir sintetizadas: 2 3 Processo n0 13982 000690/2001-21 SI-C3T1 AcOarão n 1301-00,344 El. 2 - reportando-se ao lançamento de IRPJ, assegura que os importes de R$ 4,285,81 e R$ 1.611,28, considerados pela fiscalização como incluídos rio REFIS, em realidade se referem a valores confessados a título de CSLL. Acrescenta que, apesar da informação de que tais valores teriam sido excluídos, os mesmos foram integralmente lançados no auto de infração. Acrescenta que as importâncias de R$ 5.510,06 e R$ 1,614,99, alusivas aos ajustes de 1998 e 1999, foram incluídas no REFIS. Por isso, sua inclusão no auto de infração é indevida; - reportando-se ao lançamento de CSLL, argumenta que o Fisco relatou que a importância de R$ 4 285,81 não foi computada na exigência em razão de ter sido incluída no REFIS. Acrescenta que, além desse valor, outros que integram o REFIS foram lançados indevidamente. Exemplifica com o montante de R$ 1,300,05, referente ao ajuste de 1999. Argumenta, em ambas as peças, que os valores já incluídas no REFIS não devem ser lançadas. Na seqüência, verte argumentação variada acerca da inconstitucionalidade da aplicação da taxa SELIC para cálculos de juros moratórias.. A 1 Turma da DRJ em Curitiba/PR analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão n" 06-12,318, de 28/09/2006 (fls. 695/700), considerou parcialmente procedente o lançamento com a seguinte ementa: Assunto- hnposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica — IRPJ Ano-calendário: 1998, 1999_2000 DÉBITOS INCLUIDOS NO REFIS IMPROCEDÊNCIA. Improcede o lançamento, quando o débito respectivo já se encontra confessado e parcelado no REFIS. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido — CSLL Exercício. 1999, 2000 ALEGAÇÃO NÃO COMPROVADA DE QUE O DÉBITO ESTÁ INCLUÍDO NO REFIS. Mantém-se o lançamento se a contribuinte alega, mas 11C-70 comprova que o débito foi incluído no REFIS. Reproduzo, abaixo, o quadro que consta ao final do voto condutor do acórdão da DRI, o qual bem esclarece sobre as parcelas mantidas e afastadas após o julgamento de primeira instância. As multas exigidas isoladamente não foram objeto de impugnação e sobre elas não se instaurou litígio, de tal sorte que essa parte do crédito tributário foi considerada definitivamente constituída. TRIBUTO ANO-CALENDÁRIO LANÇADO (R$) EXONERADO (R$) MANTIDO (R$) IRPJ 1998 5.510,06 5.510,06 0,00 IRPJ 1999 1.614,99 1.611,28 3,71 IRPJ 2000 3.685,65 0,00 3.685,65 CSLL 1999 1.300,05 0,00 1.300,05 CSLL 2000 1.865,66 0,00 1.865,66 TOTAIS 13.976,41 7.121,34 6.855,07 Ciente da decisão de primeira instância em 17/11/2006, conforme Aviso de Recebimento à fl. 707, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 18/12/2006 conforme carimbo de recepção à folha 708. No recurso interposto (fls. 709/716), a recorrente alega a ocorrência de "prescrição intercorrente do crédito tributário, pela mora dos órgãos oficiais de dar uma adequada solução à lide dentro de tun prazo de cinco anos, submetendo o contribuinte aos nefastos efeitos da atualização do débito pela taxa SELIC". Colaciona jurisprudência do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, a qual entende aplicável. A seguir, insiste na inconstitucionalidade da correção de débitos tributários calculados pela taxa SELIC. Colaciona doutrina e jurisprudência que entende aplicáveis.. É o Relatório. 4 Processo n° 13982.000690/200i -21 S1-C3T1 Acórdão n " 1301 -00344 Fl Voto Conselheiro WALDIR VEIGA ROCHA O recurso é tempestivo e dele conheço. As reclamações do contribuinte, em sede recursal, se restringem a dois pontos, a saber: a alegada ocorrência de prescrição intercorrente, causada pela mora dos órgãos oficiais em dar solução à lide dentro do prazo de cinco anos; e a também alegada inconstitucionalidade do emprego da taxa Selic para o cálculo dos juros de mora incidentes sobre o tributo lançado de oficio. A matéria atinente à taxa Selic já foi inúmeras vezes discutida por este Colegiado, bem assim pelo extinto Primeiro Conselho de Contribuintes, e se encontra pacificada, a ponto de resultar na súmula n° 4, a seguir reproduzida): Súmula CARF n" 4. A partir de 1" de abril de 1995, os juros moratórias incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais Por amor à clareza, trago à colação às disposições do art. 161, § 1', do CTN (grifos não constam do original): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da .falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária, I" Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. Ocorre que a Lei n° 9.430/1996, em seu artigo 61, § 3', conjugado com o art. 5', § 3', veio a dispor de modo diverso, estabelecendo a aplicação de juros equivalentes à taxa SELIC sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos não pagos, nos seguintes termos (grifos não constam do original): Art. 5" O imposto de renda devido, apurado na forma do art. 1", será pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração. 1. § 3" As quotas do imposto serão acrescidas de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, para títulos . federais, acumulada mensalmente, Anexo III da Portaria CARF 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009 calculados a partir do primeiro dia do segundo mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento, [-1 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de I" de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação especifica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [ § 3" Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3" do ars`, 5", a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Não acolho, pois, o pedido de desconsideração dos valores decorrentes da aplicação da taxa SELIC. Melhor sorte não assiste à recorrente em suas queixas acerca da prescrição intercorrente. Também essa matéria já foi pacificada na esfera administrativa, conforme se vê do conteúdo da Súmula CARF n" II, abaixo trauscrita2: Súmula CARF 11.. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. De se ressaltar que as súmulas aprovadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais são de observância obrigatória por seus membros, a teor do caput do art, 72 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009. Desta forma, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. WALDIR VEIGAIROCHA - Relato' 2 Anexo III da Portaria CARF if 106, de 21/12/2009, publicada no DOU de 22/12/2009 6
score : 1.0
Numero do processo: 10830.005321/2004-13
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL
Ano-calendário: 1999
PRELIMINAR DE NULIDADE - AUSÊNCIA DE MPF.
Conforme o disposto no item IV, art. 11, da Portaria SRF 3007 de
26.11.2001, o MPF não será exigido na hipótese de procedimento de
fiscalização relativo a tratamento de malhas fiscais, razão pela qual rejeita-se
a preliminar de nulidade.
LANÇAMENTO - NOTIFICAÇÃO PARA AJUSTE DE REGISTROS CONTÁBEIS E FISCAIS - REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL.
Ainda que a interessada não tenha se aproveitado, em excesso, de saldo negativo da CSLL, a notificação para ajuste dos registros contábeis e fiscais, em razão de redução do saldo negativo declarado dessa contribuição, efetuada por meio de auto de infração é necessária, dada a incorreção na DIPJ, e para oportunizar à contribuinte o direito de defesa, na hipótese de
discordar da redução.
Numero da decisão: 1402-000.160
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente a Conselheira Adriana Giuntini Viana.
Matéria: CSL - ação fiscal (exceto glosa compens. bases negativas)
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1999 PRELIMINAR DE NULIDADE - AUSÊNCIA DE MPF. Conforme o disposto no item IV, art. 11, da Portaria SRF 3007 de 26.11.2001, o MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo a tratamento de malhas fiscais, razão pela qual rejeita-se a preliminar de nulidade. LANÇAMENTO - NOTIFICAÇÃO PARA AJUSTE DE REGISTROS CONTÁBEIS E FISCAIS - REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL. Ainda que a interessada não tenha se aproveitado, em excesso, de saldo negativo da CSLL, a notificação para ajuste dos registros contábeis e fiscais, em razão de redução do saldo negativo declarado dessa contribuição, efetuada por meio de auto de infração é necessária, dada a incorreção na DIPJ, e para oportunizar à contribuinte o direito de defesa, na hipótese de discordar da redução.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente a Conselheira Adriana Giuntini Viana.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-07-13T13:29:47Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-07-13T13:29:47Z; Last-Modified: 2010-07-13T13:29:47Z; dcterms:modified: 2010-07-13T13:29:47Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:dfcb7732-231a-408c-9bff-d5140b4b2a1f; Last-Save-Date: 2010-07-13T13:29:47Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-07-13T13:29:47Z; meta:save-date: 2010-07-13T13:29:47Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-07-13T13:29:47Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-07-13T13:29:47Z; created: 2010-07-13T13:29:47Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2010-07-13T13:29:47Z; pdf:charsPerPage: 1592; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-07-13T13:29:47Z | Conteúdo => SI-C4T2 Fl. 1 , MINISTÉRIO DA FAZENDA i CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n° 10830.005321/2004-13 Recurso n° 170.422 Voluntário Acórdão n° 1402-00.160 — 4' Câmara / 2 Turma Ordinária Sessão de 06 de abril de 2010 Matéria CSLL - ANO-CALENDÁRIO: 1999 Recorrente 3M DO BRASIL LTDA. Recorrida 4' TURMA/DRJ-CAMPINAS/SP ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano-calendário: 1999 PRELIMINAR DE NULIDADE - AUSÊNCIA DE MPF. Conforme o disposto no item IV, art. 11, da Portaria SRF 3007 de 26.11.2001, o MPF não será exigido na hipótese de procedimento de fiscalização relativo a tratamento de malhas fiscais, razão pela qual rejeita-se a preliminar de nulidade. LANÇAMENTO - NOTIFICAÇÃO PARA AJUSTE DE REGISTROS CONTÁBEIS E FISCAIS - REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO DE CSLL. Ainda que a interessada não tenha se aproveitado, em excesso, de saldo negativo da CSLL, a notificação para ajuste dos registros contábeis e fiscais, em razão de redução do saldo negativo declarado dessa contribuição, efetuada por meio de auto de infração é necessária, dada a incorreção na DIPJ, e para oportunizar à contribuinte o direito de defesa, na hipótese de discordar da redução. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade, e no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, momentaneamente a Conselheira Adriana Giuntini Viana. ALBERTINA SI/L AOSf----NTOS 7E LIMA — Presidente e Relatora EDITADO EM: ` 121 mad 9 010-_ , ,„ ,.. 1 Participaram da presente sessão de julgamento, os Conselheiros Albertina Silva Santos de Lima, Antonio José Praga de Souza, Frederico Augusto Gomes de Alencar Roberto Armond Ferreira da Silva, André Ricardo Lemes da Silva e Adriana Giuntini Viana. Relatório Trata-se de auto de infração de redução da Contribuição Social a Compensar ou a ser restituída, por meio do qual, a autoridade fiscal notificou a contribuinte a ajustar os seus registros contábeis e fiscais, de acordo com os valores apurados no quadro "compensação de valores" do demonstrativo de compensação de valores do respectivo auto de infração, ou a impugná-los. Apurou a CSLL devida de R$ 6.036.066,85 (a CSLL apurada na declaração é de zero) mais o adicional de R$ 1.501.626,32, totalizando R$ 7.537.693,17 e indicou multa de 75%. A partir do demonstrativo de compensação de valores, deduziu do débito de R$ 7.537.693,17, as deduções declaradas na ficha 30 da DIPJ, que totalizam R$ 12.357.099,02, resultando na contribuição social a restituir ou a compensar de R$ 4.819.405,85. Consta no Termo de Encerramento de fls. 53, que a ação fiscal se desenvolveu em virtude de revisão interna da DIPJ do ano-calendário de 1999 e que a ação fiscal se fez sem a exigência do MPF, conforme previsto no item IV, art. 11 da Portaria SRF 3007 de 26.11.2001. Consta ainda, às fls. 54, que o auto de infração foi emitido na forma do § 1°, do art. 2° da IN 77/98 e que não seria emitido o demonstrativo de integração com o sistema PROFISC. A Turma Julgadora considerou o lançamento procedente. A ciência da decisão se deu em 25.08.2008 e o recurso foi apresentado em 23.09.2008. Argumenta que conforme o lançamento, supostamente teria declarado na linha 24 da ficha 30 de sua DIPJ, o montante de R$ 0,00 a título de CSLL apurada, o que lhe daria um montante de CSLL a restituir/compensar de R$ 12.357.099,02. Diz que foi intimada a esclarecer a suposta divergência, em 17.08.2004 e que em 30.08.2004 prestou os esclarecimentos solicitados e apresentou os documentos comprobatórios e que para sua surpresa veio a ser notificada em 01.10.2004 do lançamento de oficio. Argui a preliminar de nulidade da autuação fiscal, por inexistência de infração. Diz que as autoridades fiscais procederam ao lançamento da diferença, presumindo que a recorrente teria se aproveitado desse valor, sem efetuar qualquer tipo de diligência para comprovar a presunção. Alega que jamais houve qualquer infração, uma que vez que se aproveitou unicamente dos R$ 4.819.405,86 tidos como passíveis de aproveitamento pela própria autoridade fiscal conforme demonstrará. Ressalta que se houvessem dúvidas, deveria a 2 (lif() Processo n° 10830.005321/2004-13 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.160 Fl, 2 autoridade administrativa se servir de todos os meios de obtenção de prova, na busca da verdade, inclusive com a realização de perícias e diligências, a teor do que preconiza o art. 18 do Decreto 70.235/72, sob pena, de conflito com diversos princípios que norteiam os atos administrativos, entre eles, o da legalidade. Aduz que a dispensa do MPF contida no item IV, art. 11, da Portaria 3007/2001, não se aplica, pois referida norma prevê que o MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais), mas que no presente caso, a autuação não decorreu do tratamento automático da DIPJ, tanto que foi intimada a prestar esclarecimentos. Argüi também que a documentação colacionada não deixa dúvidas de que a despeito de eventual divergência nos dados constantes da DIPJ de posse da Receita Federal, procedeu à compensação do saldo de CSLL paga a maior em montante idêntico ao calculado pelas autoridades administrativas, sem causar qualquer prejuízo aos cofres públicos. Assim, ainda que na DIPJ registrada no sistema do fisco, a recorrente tenha declarado R$ 12.357.099,02 como sendo o saldo de CSLL passível de aproveitamento, somente se aproveitou do montante correto, R$ 4.819.405,85. Juntou a versão original da declaração (doc. 2), a retificadora (doc. 3) e para facilitar a visualização do montante de CSLL recolhida a maior em 1999 utilizado em compensações, elaborou a tabela (doc. 4) que demonstra, a cada mês do ano de 2000, a parte do saldo de R$ 4.819.405,85 efetivamente utilizado. Aduz que na eventualidade da documentação acostada não ser suficiente para demonstrar o montante de CSLL efetivamente aproveitado, pede a conversão do julgamento em diligência para que analisada sua documentação fiscal/contábil, seja comprovado que a recorrente apurou o montante de R$ 7.537.693,16 de CSLL do ano-calendário de 1999 e se aproveitou exclusivamente dos R$ 4.819.405,85 efetivamente passíveis de restituição/compensação. Também discute a ausência de prejuízo ao erário. É o relatório. Voto Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Relatora O recurso é tempestivo e deve ser conhecido. Trata-se de auto de infração, por meio do qual, a autoridade fiscal notificou a contribuinte a ajustar os seus registros contábeis e fiscais, de acordo com os valores apurados no quadro "compensação de valores" do demonstrativo de compensação de valores do respectivo auto de infração, ou a impugná-los. A contribuinte argumenta que o auto de infração é nulo porque inexistiria infração e porque seria imprescindível à sua lavratura, a existência prévia de MPF, não sendo aplicável a dispensa contida no item IV, do art. 11 da Portaria SRF 3007/2001, sob pena de não se atender aos princípios do contraditório e da ampla defesa. /2, ( 3 Também alega que não houve o aproveitamento em excesso de saldo a restituir/compensar de CSLL, pois, se aproveitou do exato montante calculado pelo próprio fisco a título de CSLL paga a maior no ano-calendário de 1999, não causando prejuízo ao erário. Em relação à falta de emissão de MPF, consta no Termo de Encerramento de fls. 53, que a ação fiscal se fez sem a exigência do MPF, conforme previsto no item IV, art. 11 da Portaria SRF 3007 de 26.11.2001. Tal dispositivo dispõe: Art. 11. O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: IV - relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). No presente caso, a ação fiscal se desenvolveu a partir de revisão interna da DIPJ. O fato de ter sido lavrado auto de infração e de ter a contribuinte sido intimada a prestar informações, não descaracteriza o fato de se tratar de tratamento de malhas fiscais, não sendo necessária a emissão prévia de MPF, nos termos do dispositivo acima transcrito. Ademais, ainda que fosse necessária a emissão de MPF, este se constitui, apenas, de elemento de controle administrativo. Sobre essa matéria, podemos citar o acórdão CSRF/02-02.187 de 23.01.2006: NORMAS PROCESSUAIS - MPF - É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. Quanto ao seu argumento de que inexiste infração e que se aproveitou do exato montante calculado pelo próprio fisco, não percebeu a recorrente que o auto de infração não exige crédito tributário. Tanto é, que quando do encaminhamento da decisão da Turma Julgadora à contribuinte, efetuado por meio da Comunicação SECAT/DRF/CPS n° 1229/2008, na parte final, consta que: Encaminhamos a V.s cópia da decisão proferida pelo Senhor Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento, a qual julgou o lançamento procedente, mantendo-se a redução da Contribuição Social a Compensar ou a ser Restituída. É facultado ao interessado ou pessoa por ele legalmente autorizada ter vista do processo, bem como a interposição de Recurso Voluntário ao Conselho de Contribuintes, dentro do prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir do recebimento desta (.) Caso não haja interposição de Recurso Voluntário, o processo será enviado para arquivamento, após o prazo acima citado. Ou seja, não está sendo exigido crédito tributário. O auto de infração somente notifica à contribuinte que a CSLL a restituir ou a compensar apurada em sua DIPJ do ano- calendário de 1999 foi alterada de R$ 12.357.099,02 para R$ 4.819.405,85. 4 Processo n° 10830.005321/2004-13 S1-C4T2 Acórdão n.° 1402-00.160 Fl. 3 A contribuinte apenas foi notificada a ajustar os seus registros contábeis e fiscais de acordo com os valores apurados. Se a contribuinte concorda que o valor correto do saldo de CSLL a compensar corresponde a R$ 4.819.405,85, está de fato, concordando com o valor apurado pela fiscalização. O auto de infração foi necessário para corrigir o valor da CSLL declarada na DIPJ e para oportunizar à contribuinte o direito de defesa, caso discordasse dessa redução. Consta na folha de continuação do auto de infração a indicação da multa de oficio de 75%, entretanto, esse fato não implicou em exigência da multa, uma vez que nem mesmo foi calculada e tampouco exigida nestes autos. Do exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e no mérito negar provimento ao recurso. c...— ALBERTINA SIL A SANTOS LIMA 5
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Numero do processo: 10120.000609/2007-51
Data da sessão: Tue Jun 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula Carf nº 49).
Numero da decisão: 1803-000.950
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Matéria: IRPJ - auto eletrônico (exceto glosa de comp.prej./LI)
Nome do relator: Sérgio Rodrigues Mendes
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO. A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração (Súmula Carf nº 49). Fl. 77DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 18/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10120.000609/200751 Acórdão n.º 180300.950 S1TE03 Fl. 77 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Selene Ferreira de Moraes, Marcelo de Assis Guerra, Walter Adolfo Maresch, Victor Humberto da Silva Maizman, Sérgio Rodrigues Mendes e Sérgio Luiz Bezerra Presta. Fl. 78DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 18/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10120.000609/200751 Acórdão n.º 180300.950 S1TE03 Fl. 78 3 Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo, adoto o Relatório do acórdão recorrido, na parte ainda objeto de litígio (fls. 51): Contra a contribuinte acima identificada foram formalizados os Autos de Infração de multas por atraso na entrega das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais dos anoscalendário de 2001 a 2004, folhas 14/17, nos quais estão sendo exigidos os créditos tributários no valor total de R$ 72.561,53. Cientificada, a contribuinte apresentou impugnação de folhas 01/11, alegando, em síntese, que: a apresentação espontânea de uma obrigação acessória, antes de qualquer manifestação do fisco, exclui a aplicação da penalidade pecuniária inerente, consoante disposição exarada no art. 138 do CTN; a obrigação acessória, pelo seu descumprimento, após incidência de qualquer medida de fiscalização, transformase em obrigação principal, vinculando se a fato gerador da obrigação tributária, consoante determina o art. 113 do CTN; não pode haver incompatibilidade entre o art. 138 do CTN e as normas administrativas convertidas, posteriormente, na Lei nº 10.426/02, indicada no enquadramento legal da notificação em questão, em decorrência da hierarquia das normas jurídicas; o processo de lançamento de ofício será iniciado por despacho mandando intimar o interessado para, no prazo de vinte dias, prestar os esclarecimentos, conforme o art. 844 do RIR/99, subseção I; a fiscalização não poderia proceder a lançamento fiscal por controle remoto, ignorando os atos e termos processuais previstos na legislação processual que rege a espécie, e à qual está plenamente vinculada — art. 142, § único, do CTN; [...]; Por fim, pede que seja decretada a nulidade do lançamento fiscal. 2. A decisão da instância a quo foi assim ementada, na parte ainda objeto de litígio (fls. 49): ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DCTF. Ê cabível a exigência da multa pelo atraso na entrega da DCTF na forma em que foi consignada no auto de infração, sendo inaplicável no caso o disposto no Art. 138 do Código Tributário Nacional. INTIMAÇÃO AO CONTRIBUINTE. Fl. 79DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 18/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10120.000609/200751 Acórdão n.º 180300.950 S1TE03 Fl. 79 4 Os lançamentos de oficio, originários de revisão de declarações, inclusive “DCTF”, independem de ciência prévia ao contribuinte. Isto tem base no que dispõem o art. 2º da IN/SRF nº 77/98, c/c o art. 3º, parágrafo único, “a” da IN/SRF nº 094/97. [...]. Lançamento Procedente em Parte. Cientificada da referida decisão em 20/03/2008 (fls. 66), a tempo, em 17/04/2008, apresenta a interessada Recurso de fls. 67 a 74, nele reiterando os argumentos anteriormente expendidos. Em mesa para julgamento. Fl. 80DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 18/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10120.000609/200751 Acórdão n.º 180300.950 S1TE03 Fl. 80 5 Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes, Relator Atendidos os pressupostos formais e materiais, tomo conhecimento do Recurso. Denúncia espontânea x multa por atraso na entrega de declaração 3. Tratandose de aplicação de multa por atraso na entrega de Declarações de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), incide na espécie a Súmula Carf nº 49, de seguinte teor: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. 4. No âmbito do Judiciário, a jurisprudência é pacífica em ambas as Turmas do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no sentido de que a denúncia espontânea não é aplicável às multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, de natureza formal e desvinculadas diretamente do fato gerador da obrigação principal: TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido. (REsp 1129202/SP, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/06/2010, DJe 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. POSSIBILIDADE. JURISPRUDÊNCIA PACIFICADA. SÚMULA 83/STJ. INCIDÊNCIA. 1. Aresto recorrido que se encontra em consonância com a jurisprudência assente do STJ no sentido de que não se mostra desarrazoada a aplicação de multa em razão do atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF. Precedentes. 2. Agravo regimental nãoprovido. Fl. 81DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 18/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10120.000609/200751 Acórdão n.º 180300.950 S1TE03 Fl. 81 6 (AgRg no Ag 985.433/SP, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/12/2008, DJe 13/02/2009) PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO DE OPERAÇÕES IMOBILIÁRIAS. MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA NÃO CONFIGURADA. 1 A entrega das declarações de operações imobiliárias fora do prazo previsto em lei constitui infração formal, não podendo ser considerada como infração de natureza tributária, apta a atrair o instituto da denúncia espontânea previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional. Do contrário, estarseia admitindo e incentivando o nãopagamento de tributos no prazo determinado, já que ausente qualquer punição pecuniária para o contribuinte faltoso. 2 A entrega extemporânea das referidas declarações é ato puramente formal, sem qualquer vínculo com o fato gerador do tributo e, como obrigação acessória autônoma, não é alcançada pelo art. 138 do CTN, estando o contribuinte sujeito ao pagamento da multa moratória devida. 3 Precedentes: AgRg no REsp 669851/RJ, Rel. Ministro FRANCISCO FALCÃO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22.02.2005, DJ 21.03.2005; REsp 331.849/MG, Rel. Ministro JOÃO OTÁVIO DE NORONHA, SEGUNDA TURMA, julgado em 09.11.2004, DJ 21.03.2005; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; REsp 504967/PR, Rel. Ministro FRANCISCO PEÇANHA MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 24.08.2004, DJ 08.11.2004; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; EREsp n° 246.295RS, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 20.08.2001; RESP 250.637, Relator Ministro Milton Luiz Pereira, DJ 13/02/02. 4 – Agravo regimental desprovido. (AgRg no REsp 884.939/MG, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 19/02/2009) 5. Com relação às jurisprudências administrativas e judiciais transcritas pela Recorrente em seu favor, são todas relativas ao século passado (até o ano de 2000), não representando o entendimento vigente no Século XXI. 6. Por fim, com relação às supostas falta de pedido de esclarecimento (fls. 7) e falta de pedido para apresentação de DCTF original (fls. 72), cumpre esclarecer, de um lado, que a Recorrente não foi objeto de qualquer procedimento de fiscalização que demandasse esclarecimentos de sua parte e, de outro, que, em face da entrega, embora intempestiva das DCTFs, não se justificaria intimála para uma providência que já havia tomado antes de ser autuada. Fl. 82DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 18/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES Processo nº 10120.000609/200751 Acórdão n.º 180300.950 S1TE03 Fl. 82 7 Conclusão Em face do exposto, e considerando tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 83DF CARF MF Emitido em 18/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES Assinado digitalmente em 01/07/2011 por SERGIO RODRIGUES MENDES, 18/07/2011 por SELENE FERREIRA DE M ORAES
score : 1.0
Numero do processo: 18471.002351/2004-14
Data da sessão: Mon Sep 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.488
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que seja efetivamente cumprida a determinação da resolução anterior, ou seja, juntar a decisão definitiva no processo n. 10070.000126/00-14, devendo ser desapensado dos presentes autos o referido processo, para que siga seu curso até a ocorrência da citada decisão definitiva.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
André Henrique Lemos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl) André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares.
Nome do relator: ANDRE HENRIQUE LEMOS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter novamente o julgamento em diligência, para que seja efetivamente cumprida a determinação da resolução anterior, ou seja, juntar a decisão definitiva no processo n. 10070.000126/0014, devendo ser desapensado dos presentes autos o referido processo, para que siga seu curso até a ocorrência da citada decisão definitiva. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Marcos Roberto da Silva (Suplente convocado em substituição ao conselheiro Robson José Bayerl) André Henrique Lemos, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Cássio Schappo e Lázaro Antonio Souza Soares. Adotase o relatório do CARF de piso (efls. 142 e seguintes) por bem retratar a situação dos autos: Transcrevo o relatório da decisão recorrida: “Trata o presente processo de Auto de Infração , lavrado em nome do contribuinte NINA AUTO POSTO LTDA, CNPJ n° RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 84 71 .0 02 35 1/ 20 04 -1 4 Fl. 162DF CARF MF Processo nº 18471.002351/200414 Resolução nº 3401001.488 S3C4T1 Fl. 163 2 42.178.368/000194, pertinente à insuficiência do recolhimento da Contribuição Financiamento da Seguridade Social COFINS nos fatos geradores ocorridos em 31/12/2001 a 31/05/2002 e 31/07/2002 a 31/12/2002, conforme elementos acostados às fls.16, no valor de R$ 18.153,70 , incluindo principal, multa e juros de mora calculados até 30/11/2004. Na Descrição dos Fatos (fls. 17), a autoridade fiscal autuante esclarece que ocorreu falta de recolhimento da COFINS, face à compensação indevida desse tributo com créditos de Finsocial cujo pedido de restituição, formulado no processo n" 10070.000126/0014, foi indeferido por decurso de prazo. O enquadramento legal: arts.l" da Lei Complementar 70/91, arts. 2o, 3o e 8o, da Lei n" 9.718/98, com as alterações da Medida Provisória n" 1.807/99 e reedições, com as alterações da Medida Provisória n" 1.858/99 e reedições. Irresignado com o lançamento consubstanciado no Auto de Infração supramencionado, o interessado apresentou a petição impugnatória de fls. 30/34, alegando: que o pedido de compensação formulado pelo impugnante no processo administrativo n° 10070.000126/0014 foi indeferido pela DERAT/DIORT, tendo como fundamento o paracer conclusivo n" 372, no qual se afirma que o prazo para o contribuinte pleitear a restituição/compensação de tributo pago indevidamente se extingue após 5(cinco) anos contados da data da extinção do crédito (art. 165, I e 168, I do CTN); que apresentou recurso administrativo à DRJRJO II, buscando reformar a decisão supramencionada e, conseqüentemente, ver reconhecido o direito creditório que possui do Finsocial para compensar com o IRPJ, CSLL, COFINS e PIS; que no recurso firmou seu entendimento de que não houve homologação expressa do Finsocial e portanto o direito de pleitear a compensação dos pagamentos indevidos da referida contribuição só extinguiria após o decurso de 10 (dez) anos contados a partir do fato gerador; que a lavratura do referido Auto de Infração, além de se distanciar da razoabilidade que se espera do Poder Público, fere o princípio da legalidade, tendo em vista que desrespeitou a suspensão da exigibilidade do crédito tributário prevista no art. 151, III do CTN e o efeito suspensivo do recurso administrativo, preceituado no art. 33, caput, do Decreto n" 70.235/72; que o impugnante desde 06/12/2001 discute em recurso administrativo a compensação de valores com vistas ao pagamento da COF1NS, e não poderia haver a lavratura do presente Auto de Infração em 19/11/2004; que a Constituição Federal (artigo 5°) garante aos litigantes em processo judicial ou administrativo o contraditório e a ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; que a impugnante protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a prova documental e requer o reconhecimento da procedência da presente impugnação, declarándose a nulidade e, conseqüentemente, o cancelamento do Auto de Infração, tendo em vista que sua lavratura ofendeu o princípio da legalidade por contrariar o disposto no art. 151, III do CTN e no art. 33 do Decreto n° 70.235/72. (grifos do Relator). Fl. 163DF CARF MF Processo nº 18471.002351/200414 Resolução nº 3401001.488 S3C4T1 Fl. 164 3 A autoridade julgadora de primeira instância, excluindo a multa de ofício, manteve parcialmente o lançamento (efls. 86/92). Inconformada com essa decisão, a interessada, às efls. 95/99, interpôs recurso voluntário tempestivo a este Segundo Conselho de Contribuintes, no qual reeditou os argumentos expendidos na sua impugnação ao lançamento. À efl. 129 o órgão local informou sobre a efetivação do arrolamento de bens para processamento do recurso da contribuinte. Sobreveio a decisão do segundo conselho de Contribuintes, a qual converteu o julgamento em diligência: Do exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência para que os autos sejam encaminhados à Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro a qual, após a decisão definitiva no Processo n° 10070.000126/0014, deverá promover a anexação daquele a este nos termos da Portaria SRF n° 6.129/05, com posterior reencaminhamento à apreciação do Conselho de Contribuintes. Foi apensado aos autos nº 10070.000126/0014, e estes, por sua vez, como se viu da citação acima, em suma, trata de Pedido de Restituição do FINSOCIAL, referentes a recolhimentos a maior ou indevidos dos períodos de apuração de janeiro de 1990 a março de 1992, indeferido na origem por ultrapassagem do prazo quinquenal dos artigos 165, I e 168, I, ambos do CTN. A Postulante interpôs recurso, sobrevindo decisão do então Terceiro Conselho de Contribuintes, na forma da ementa abaixo transcrita: FINSOCIAL. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO COMPENSAÇÃO. O direito de pleitear o reconhecimento de crédito através do pedido e restituição/compensação, perante a autoridade administrativa, de tributo pago em virtude de lei que tenha sido declarada inconstitucional, somente surge com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, em ação direta, ou com a suspensão, pelo Senado Federal, da lei declarada inconstitucional, na via indireta. PRAZO PARA CONTAGEM. CINCO ANOS. Por esta via, o termo a quo para o pedido de restituição nos termos do art. 1681 do CTN começa a contar da data da publicação da MP n° 1.110 em 31/08/95, posto que foi o primeiro ato emanado do Poder Executivo a reconhecer o caráter indevido do recolhimento do Finsocial à alíquota superior a 0,5%, expirando em 31/08/00. O pedido de restituição da contribuinte foi formulado em 03/02/2000. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Inconformada a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, alegando, em síntese, que o entendimento constante no acórdão recorrido era divergente daquele contido no acórdão n° 30235782 e que o “marco inicial do referido prazo prescricional é a data da extinção do crédito tributário leiase data do pagamento para o caso em tela1. Semelhante Fl. 164DF CARF MF Processo nº 18471.002351/200414 Resolução nº 3401001.488 S3C4T1 Fl. 165 4 entendimento tem fulcro nos arts. 165, inciso I , e 168, inciso I3 , ambos do Código Tributário Nacional”. O Recurso Especial foi negado, de acordo com a ementa contida na efl. 329. A fazenda nacional, diante da negativa, interpôs Recuso Extraordinário, efl. 345, e por meio do Despacho n° 910000.138 – Pleno, efls. 366/367, foi dado seguimento ao Recurso Extraordinário por dissídio jurisprudencial. É o relatório. Conselheiro André Henrique Lemos Como se viu, a decisão deste processo (débito de COFINS a ser compensado) depende do julgamento do processo 10070.000126/0014 (crédito do FINSOCIAL), razão pela qual, o referido processo fora apensado a este. Por outro, percebese que a Resolução anterior não foi cumprida. Assim, voto em converter novamente o julgamento em diligência, para que seja efetivamente cumprida a determinação da Resolução anterior, ou seja, seja juntada a decisão definitiva no processo n. 10070.000126/0014, devendo ser desapensado dos presentes autos o referido processo, para que siga seu curso até a ocorrência da citada decisão definitiva. (assinado digitalmente) André Henrique Lemos Fl. 165DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.720028/2005-44
Data da sessão: Tue Feb 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI
Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDAS PARA 0 EXTERIOR DE
MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. RELAÇÃO PERCENTUAL. EXCLUSÃO DO NUMERADOR E DO DENOMINADOR DA FRAÇÃO.
O incentivo visa desonerar as exportações de produtos nacionais,. e a expressão produtora e exportadora contida na lei, obviamente, não abrange produtos (mercadorias) que não tenham sido industrializados por quem quer se beneficiar do referido incentivo, como, por exemplo, as mercadorias adquiridas de terceiros, mas que, cujo destino, foi também o exterior. Assim.
não presente um dos requisitos básicos, que o produto exportado tenha também sido produzido pelo exportador, correta 6, para fins de estabelecimento da relação percentual que definirá a base de cálculo do incentivo, a retirada das Receitas de Exportação, das receitas de vendas de mercadorias adquiridas no mercado interno. Da mesma forma, tal exclusão deve se dar também no dividendo, ou no denominador, já que, se o que se busca é conceder um incentivo em face dos produtos exportados, ou seja, quanto mais se exportar, mais se será contemplado com o beneficio, e de
outro lado, se se deseja que tal beneficio leve em consideração o montante dos insumos efetivamente empregados nesses produtos exportados. nada mais coerente e justo que não sejam considerados na Receita Operacional Bruta os valores das receitas de vendas daqueles produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, que é o que ocorre com as mercadorias adquiridas de terceiros e vendidas ao exterior.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9303-001.334
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso especial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan e Maria Teresa Martinez Lopez, que entendiam ser necessária
a inclusão dos valores no denominador e no numerado da equação
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: Judith do Amaral Marcondes Armando
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDAS PARA 0 EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. RELAÇÃO PERCENTUAL. EXCLUSÃO DO NUMERADOR E DO DENOMINADOR DA FRAÇÃO. O incentivo visa desonerar as exportações de produtos nacionais,. e a expressão produtora e exportadora contida na lei, obviamente, não abrange produtos (mercadorias) que não tenham sido industrializados por quem quer se beneficiar do referido incentivo, como, por exemplo, as mercadorias adquiridas de terceiros, mas que, cujo destino, foi também o exterior. Assim. não presente um dos requisitos básicos, que o produto exportado tenha também sido produzido pelo exportador, correta 6, para fins de estabelecimento da relação percentual que definirá a base de cálculo do incentivo, a retirada das Receitas de Exportação, das receitas de vendas de mercadorias adquiridas no mercado interno. Da mesma forma, tal exclusão deve se dar também no dividendo, ou no denominador, já que, se o que se busca é conceder um incentivo em face dos produtos exportados, ou seja, quanto mais se exportar, mais se será contemplado com o beneficio, e de outro lado, se se deseja que tal beneficio leve em consideração o montante dos insumos efetivamente empregados nesses produtos exportados. nada mais coerente e justo que não sejam considerados na Receita Operacional Bruta os valores das receitas de vendas daqueles produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, que é o que ocorre com as mercadorias adquiridas de terceiros e vendidas ao exterior. Recurso Especial do Procurador Negado.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS - IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. VENDAS PARA 0 EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. RELAÇÃO PERCENTUAL. EXCLUSÃO DO NUMERADOR E DO DENOMINADOR DA FRAÇÃO. O incentivo visa desonerar as exportações de produtos nacionais,. e a expressão produtora e exportadora contida na lei, obviamente, não abrange produtos (mercadorias) que não tenham sido industrializados por quem quer se beneficiar do referido incentivo, como, por exemplo, as mercadorias adquiridas de terceiros, mas que, cujo destino, foi também o exterior. Assim. não presente um dos requisitos básicos, que o produto exportado tenha também sido produzido pelo exportador, correta 6, para fins de estabelecimento da relação percentual que definirá a base de cálculo do incentivo, a retirada das Receitas de Exportação, das receitas de vendas de mercadorias adquiridas no mercado interno. Da mesma forma, tal exclusão deve se dar também no dividendo, ou no denominador, já que, se o que se busca é conceder um incentivo em face dos produtos exportados, ou seja. quanto mais se exportar, mais se será contemplado com o beneficio, e. de outro lado, se se deseja que tal beneficio leve em consideração o. montante dos insumos efetivamente empregados nesses produtos exportados. nada mais coerente e justo que não sejam considerados na Receita Operacional Bruta os valores das receitas de vendas daqueles produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, que é o que ocorre com as mercadorias adquiridas de terceiros e vendidas.ao .exterior. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Leonardo Siade Manzan e Maria Teresa Martinez Lopez, que entendiam ser necessária a inclusão dos valores no denominador e no numerado da equação. Cai Marcos Cândido Pr idente Substituto id■ JalIMOLades Armando - Rela ra Partiuip ram do presente julgamento os onselheiros Susy Gomes Hoffinann. Judith do Amaral Marcondes Armando, Gilson Mace .o Rosenburg Filho, Leonardo Slade Manzan, I lenrique Pinheiro Torres, Rodrigo Cardozo Mi .nda, Rodrigo da Costa Pôssas, Nanci Gama. Maria Teresa Martinez Lopez e Caio Marcos andido. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório do acórdão recorrido, no qual, por sua vez , foi adotada a decisão a quo: Como forma c/c elucidar Os fatos ocorridos até a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, colaciono o relatório do Acórdão recorrido, iii verbis: A contribuinte solicitou através do programa PER/DCOMP o ressarcimento de crédito presumido de JPJ (f1s. 01/02) (le que trata a Lei n° 9.363 de 1996, e a Portaria ME n" 38/97, pelo regime alternativo previsto na Lei 10.276/01 alterando o valor para RS 420.220,58, relativamente aos 1° e 2 0 trimestres de 2004. Apresentou também declarações de compensação. 0 pedido foi deferido parcialmente, tendo sido reconhecido o direno crecillório cie RS 101.311,78, e homologado cis declarações cie compensação até este limite, mechanic, o Despacho Decisório de fls. 593/601, no qual foram efetuadas cis seguintes retificações no cálculo do crédito: I. Ajuste da receita operacional bruta, considerando os valores escriturados nos CF0Ps 7.101, 5.501 e 6.501, os quais correspondent aos valores registrados nos balancetes mensais cla interessada: Exclusdo das aquisições cie mercadorias que não se enquctdram no conceito cie insinuo: 3. Exclusão clos valores de fretes de produtos destinados exportação, que não podem ser incorporados aos valores cie compras de materials COM &rent) ao crédito; 4. Exclusão do.s valores relativos its aquisições de mercadorias e d prestação cie serviços cie transportes por empresas que se 2 Processo n° 13971.720028/2005-44 Acórdão n.° 9303-01.334 declararam inativas no período de emissão dos respectivos documentos, por ao terem sido oneradas as operações pela tributação das contribuições; 5. Exclusão das compras totais, de aquisições de insutnos que não forma comprovadas, pois não foi apresentada a nota fiscal, e nem comprovado o pagamento; 6. Exclusão do cômputo das prestações de serviços por encomenda, de operações não comprovadas por documentação. Do total de crédito presumido apurado de R$ 115.285,59 (demonstrativo de fls. 588/591) foi deduzido o montante de R$ 13.973,81. Este valor refere-se ao IPI que deixou de ser destacado em saída de produto para ser exportado através de empresa comercial exportadora, em que não ficou comprovado o envio diretamente para embarque ou para recintos alfandegados, não tendo sido atendida a condição suspensiva de exigência do IPI. A dedução foi fella com base no art. 10, inc. IV, alínea "a", da IN SRF n" 420/04. Regularmente cientificada, a postulante apresentou manifestação de inconformidade de fls. 615/623, alegando, em resumo, o seguinte: I. A receita operacional bruta deve ser apurada pelo mesmo critério da receita de exportação, que considera as datas de embarque; 2. É indevida a exclusão das aquisições de empresas inativas, porque não cabe a contribuinte fiscalizar procedimentos relativos as obrigações fiscais de seus fornecedores, e também não é necessária a comprova cão de que os fornecedores ofereceram as suas receitas a tributação do PIS e COFINS; de qualquer forma, apresenta os registros contáveis relativos aos pagamentos das aquisições em tela; 3. Não tem ampara o exclusão das aquisições de insumos por falta de apresentação da nota fiscal, já que estas operações estão registradas na escrituração contábil; quanto ao pagamento, a maior parte foi paga à vista; as aquisições que foram realizadas a prazo também podem ser incluídas no calculo do crédito presumido. 4. As operações de prestação de serviços excluídas foram comprovadas através das notas fiscais e da contabilização; forma pagas a prazo, o que não impede a inclusão no cálculo; 5. As vendas as comerciais exportadoras foram destinadas ao mercado externo, o que atende a condição da suspensão do imposto; além disso, caso fosse dado outro destino, a empresa comercial exportadora é que seria responsável pelo pagamento do IPI CSRF-T3 Fl.j727 3 Por intermédio do Acórdão n° 1418.281, de 01/02/2008, as fls. 700/703, a DRJ de Ribeirao Preto deu provimento parcial a manifestação de inconformidade do contribuinte, com a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 30/06/2004 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RECEITA OPERACIONAL BRUTA. A receita operacional bruta deve ser calculada com base nos valores escriturados nos livros fiscais e registrados nos balancetes mensais. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÃO DE EMPRESAS INATIVAS. Tratando-se de beneficio fiscal, compete ao contribuinte a prova do direito creditório CRÉDITO PRESUMIDO.DE IPI. AQUISIÇÃO DE EMPRESAS INATIVAS. Tratando-se de beneficio fiscal, compete ao contribuinte a prova do direito creditório pleiteado, sendo passível de exclusão, da base de cálculo do crédito presumido, as aquisições de insumos de empresas inativas cujo pagamento e efetiva entrada no estabelecimento não restaram comprovados. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. AQUISIÇÕES DE INS UMOS. As aquisições de instemos não comprovadas pela requerente devem ser excluídas da apuração do beneficio fiscal. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI DEDUÇÃO DO IPI DEVIDO. Do valor de crédito presumido calculado somente pode ser deduzido o IPI devido, apurado periodicamente no Livro Registro de Apuração de IPI. Se a auditoria entende que houve falta de destaque do IPI em operações da contribuinte, deve primeiramente efetuar o lançamento do imposto, para então abater o imposto lançado com o crédito presumido. Solicitação Indeferida em parte. Descontente com a decisão de primeira instância, o sujeito passivo protocolou o recurso voluntário de fls. 717/723, no qual argumenta, em síntese, que: a) Os valores oriundos das revendas destinadas ao mercado externo devem ser excluídos da receita operacional bruta, uma vez que já foram diminuídas do total das vendas para o mercado externo, para fins de cálculo do beneficio previsto na Lei n° 10.276/01; b) 0 procedimento adotado pela Autoridade Fiscal de excluir da base de cálculo do crédito presumido as aquisições de 4 Processo n° 13971.720028/2005-44 Acórdão n.° 9303-01.334 empresas declaradas como inativas é ilegal, uma vez que não cabe ao contribuinte fiscalizar procedimentos relativos as obrigações fiscais de seus fornecedores, sejam elas principais ou acessórias. Além do mais, foram apresentadas notas fiscais para comprovar as respectivas operações; c) A alegação de que não foi apresentada a primeira via da nota fiscal referente a compras de insumos não é motivo suficiente para a glosa da referida aquisição, uma vez que foi apresentada a terceira via da mesma, a qual apresenta as mesmas informações da primeira. Além disso, nas escriturações contábil e fiscal da referida aquisição é facilmente comprovada no livro de registro de entradas, bem como no livro diário; d) A comprovação de despesas com industrialização por encomenda é feita tão e somente pela apresentação das notas fiscais de serviço, sem a necessidade de comprovar o efetivo pagamento do serviços. Termina sua peça recursal requerendo que seja dado provimento ao recurso voluntário. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPL VENDAS PARA 0 EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. RELAÇÃO PERCENTUAL. EXCLUS:4 -0 DO NUMERADOR E DO DENOMINADOR DA FRAÇÃO. 0 incentivo visa desonerar as exportações de produtos nacionais,, e a expressão produtora e exportadora contida na lei, obviamente, não abrange produtos (mercadorias) que não tenham sido industrializados por quem quer se beneficiar do referido incentivo, como, por exemplo, as mercadorias adquiridas de terceiros, mas que, cujo destino, foi também o exterior. Assim, não presente um dos requisitos básicos, que o produto exportado tenha também sido produzido pelo 6 exportador, correta é, para fins de estabelecimento da relação percentual que definirá a base de cálculo do incentivo, a retirada das Receitas de Exportação, das receitas de vendas de mercadorias adquiridas no mercado interno. Da mesma forma, tal exclusão deve se dar também no dividendo, ou no denominador, já que, se o que se busca é conceder um incentivo em face dos produtos exportados, ou seja, quanto mais se exportar, mais se será contemplado com o beneficio, e, de outro lado, se se deseja que tal beneficio leve ern consideração o. CSRF-T3 Fl. 798 5 montante dos insumos efetivamente empregados nesses produtos exportados, nada mais coerente e justo que não sejam considerados na Receita Operacional Bruta os valores das receitas de vendas daqueles produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, que é o que ocorre com as mercadorias adquiridas de terceiros e vendidas.ao.exterior. AQUISIÇÕES DE INSUMOS. PRESTAÇÕES DE SERVIÇOS. A falta de Comprovação de aquisições de insumos e prestações de serviços de forma peremptória inibe seu direito ao beneficio fiscal. Recurso provido em parte. Inconformada, a Fazenda Nacional apresentou recurso especial de fls. 747/769, por meio do qual requereu a reforma do acórdão ora fustigado. O recurso foi admitido pelo Presidente da 4' Camara da 3' Seção de Julgamento do CARF, por meio de despacho às fls. 771/772. O sujeito passivo apresentou contra razões às fls. 779/783. Voto forma. ementada: Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando, Relatora Aprecio Recurso especial interposto em nome da Fazenda Nacional, em boa Irresignou-se a Procuradoria contra a Decisão a quo, que ficou assim ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2002 a 30/06/2002 as CRÉDITO PRESUMIDO DE IN. VENDAS PARA 0 EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. RELAÇÃO PERCENTUAL. EXCLUSÃO DO NUMERADOR E DO DENOMINADOR DA FRAÇA'0. O incentivo visa desonerar as exportações de produtos nacionais,. e a expressão produtora e exportadora contida na lei, obviamente, não abrange produtos (mercadorias) que não tenham sido industrializados por quern quer se beneficiar do referido incentivo, como, por exemplo, as mercadorias adquiridas de terceiros, mas que, cujo destino, foi também o exterior. Assim, não presente um dos requisitos básicos, que o produto exportado tenha também sido produzido pelo exportador, correta é, para fins de estabelecimento da relação percentual que definirá a base de cálculo do incentivo, a retirada das Receitas de Exportação, das receitas de vendas de mercadorias adquiridas no mercado interno. Da mesma forma, tal exclusão deve se dar também no dividendo, ou no ??( Processo n° 13971.720028/2005-44 Acórdão n.° 9303-01334 CSRF-T3 Fl. 7j9 denominador, já que, se o que se busca é conceder um incentivo em face dos produtos exportados, ou seja, quanto mais se exportar, mais se sera contemplado com o beneficio, e, de outro lado, se se deseja que tal beneficio leve em consideração o montante dos insumos efetivamente empregados nesses produtos exportados, nada mais coerente e justo que )7c-to sejam considerados na Receita Operacional Bruta os valores das receitas de vendas daqueles produtos para os quais não foram utilizados quaisquer insumos, que é o que ocorre com as mercadorias adquiridas de terceiros e vendidas.ao.exterior. A questão que se impõe analisar diz respeito à formação da base de calculo do crédito presumido do IPI, mais precisamente, à exclusão do numerador e do denominador da fração os valores relativos As vendas para o exterior de mercadorias adquiridas de terceiros, e não submetidas a qualquer processo de industrialização pelo comprador nacional. Confirmo a Decisão a quo, por corresponder completamente ao que penso, e 1111 aproprio-me, em resumo, da ementa do voto, bastante elucidativa: O incentivo visa desonerar as exportações de produtos nacionais,. e a expressão produtora e exportadora contida na lei, obviamente, não abrange produtos (mercadorias) que não tenham sido industrializados por quem quer se beneficiar do referido incentivo, como, por exemplo, as mercadorias adquiridas de terceiros, mas que, cujo destino, foi também o exterior. Assim, não presente um dos requisitos básicos, que o produto exportado tenha também sido produzido pelo exportador, correta é, para fins de estabelecimento da relação percentual que definirá a base de cálculo do incentivo, a retirada das Receitas de Exportação, das receitas de vendas de mercadorias adquiridas no mercado interno. Da mesma forma, tal exclusão deve se dar também no dividendo, ou no denominador, já que, se o que se busca é conceder um incentivo em face dos produtos exportados, ou seja, quanto mais se exportar, mais se será contemplado com o beneficio, e, de outro lado, se se deseja que tal beneficio leve em consideração o montante dos insumos efetivamente empregados nesses produtos exportados, nada mais coerente e justo que não sejam considerados na Receita Operacional Bruta os valores das receitas de vendas daqueles produtos para os quais não foram 8 utilizados quaisquer insumos, que é o que ocorre com as mercadorias adquiridas de terceiros e vendidas.ao.exterior. Pelo exposto voto por negar provimento ao Recurso especial interposto em nome da fazenda nacional. Judith do A ara marcondes Armando 7
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Numero do processo: 13629.001081/2008-95
Data da sessão: Tue Apr 06 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IRPJ - BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES.
Para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado proceder-se, mesmo no caso de substituição tributária, a qualquer outra exclusão, em virtude da alíquota favorecida e do tratamento tributário diferenciado utilizado pelos integrantes do Simples.
IRPF - OMISSÃO DE RECEITAS — LUCRO ARBITRADO
A presunção legal de omissão de receita acarreta o arbitramento do lucro, por força de determinação legal expressa — art. 5530, I, do RIR199 — aplicando-se, quando conhecida a receita bruta, o percentual fixado em lei sobre essa receita.
SIMPLES - FALTA DE COMUNICAÇÃO DE EXCESSO DE RECEITA - MULTA REGULAMENTAR
A falta de comunicação, quando obrigatória, do excesso de receita bruta, excesso esse que acarretaria a exclusão obrigatória do SIMPLES, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na legislação de regência.
TAXA SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios
incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, a
partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 1202-000.275
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento
ao recurso voluntário, nos termo e e elatório e voto que integram o presente julgado.
Matéria: Simples - ação fiscal - insuf. na apuração e recolhimento
Nome do relator: Orlando José Gonçalves Bueno
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Recorrida DRJ - JUIZ DE FORA/MG IRPJ - BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. Para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado proceder-se, mesmo no caso de substituição tributária, a qualquer outra exclusão, em virtude da alíquota favorecida e do tratamento tributário diferenciado utilizado pelos integrantes do Simples. IRPF - OMISSÃO DE RECEITAS — LUCRO ARBITRADO A presunção legal de omissão de receita acarreta o arbitramento do lucro, por força de determinação legal expressa — art. 5530, I, do RIR199 — aplicando-se, quando conhecida a receita bruta, o percentual fixado em lei sobre essa receita. SIMPLES - FALTA DE COMUNICAÇÃO DE EXCESSO DE RECEITA - MULTA REGULAMENTAR A falta de comunicação, quando obrigatória, do excesso de receita bruta, excesso esse que acarretaria a exclusão obrigatória do SIMPLES, sujeita o infrator à multa regulamentar prevista na legislação de regência. TAXA SELIC - A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. §,' 1, Processo n° 13629.001081/2008-95 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.275 Fl. 2 ACORDAM os membros do Coleg-iado, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termo e e elatório e voto que integram o presente julgado. ORLANO JO ONÇALVES BUENO — Presidente em exercício e Relator EDITADO EM: (i) 8 jUL Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Jose Gonçalves Bueno (Vice Presidente da 'numa em exercício da Presidência), Carlos Alberto Donassolo, João Bellini Junior (Suplente Convocado), Décio de Lima Jardim (Suplemente Convocado), Nereida de Miranda Enamore Horta, Valeria Cabral Géo Verçoza. Ausente • justificadamente o Conselheiro Nelson Lósso Filho. Processo n° 13629.001081/2008-95 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.275 Fl. 3 Relatório Tratam-se os autos de autuação relativa a impostos e contribuições devidos pelo regime do SIMPLES, referente ao ano-calendário de 2004, decorrentes da constatação de omissão de receitas, com fundamento no art. 281, inciso I, do Regulamento do Imposto de Renda — RIR/99, aprovado pelo Decreto n.° 3.000/99, em face de pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração. (autos de infração de fls. 06/75) Em virtude da omissão de receita apurada, advinda de compras de cigarros do fornecedor Souza Cruza S.A. foi ultrapassado o limite de receita bruta permitido para a opção pelo regime do SIMPLES, o que implicou a exclusão de oficio da contribuinte desse sistema de tributação, conforme Ato Declaratório DRF/CFN n.° 16/2007, constante do processo n.° 13629.002772/2007-25, apenso a este. Para o ano-calendário de 2005, a fiscalização procedeu ao arbitramento do lucro da contribuinte, tendo em vista que esta informou não possuir os livros Diário, Razão e de Apuração do Lucro Real. (autos de infração às fls. 80/95) Conforme o Relatório Fiscal, ainda foi lavrado o Auto de Infração (fls. 97/100) referente à multa regulamentar por falta de comunicação da exclusão da empresa do SIMPLES. Em razão das infrações apuradas, também foi aplicada a multa qualificada, no percentual de 150%, sobre o imposto e as contribuições decorrentes de omissão de receitas, e formalizada representação fiscal para fins penais por meio do processo n.° 13629.001082/2008- 30. Cientificada dos lançamentos, a contribuinte apresentou impugnação às fls. 381/411, por meio da qual pleiteou o cancelamento das exigências, com base na seguinte argumentação: i) As contribuições federais devidas — PIS/COFINS — foram recolhidas pela fabricante de cigarro pelo sistema de substituição tributária, tendo ocorrido o bis in idem; ii) A base de cálculo de tributos relativos a cigarro é o preço de venda a consumidor final e a margem de lucro na venda a varejo de cigarros vai no máximo até 8,23%, razão pela qual a contribuinte, como atacadista, deveria ter seu imposto calculado apenas sobre 4% do valor da receita omitida, abatida as despesas, não havendo necessidade de se arbitrai- o lucro, mas sim de se apurar o lucro real, obtendo, assim, uma tributação mais justa; iii) É nula a inclusão da contribuinte no SIMPLES, urna vez que sua atividade preponderante é o comércio atacadista de cigarros, atividade que vedada a opção pelo SIMPLES, nos termos do art. 90 da Lei n° 9.317/96, visto que muitos dos tributos devidos pela fabricação e comércio de cifffirros, são recolhidos pelo fabricante em substituição tributária; r\ Processo n° 13629.001081/2008-95 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.275 Fl. 4 iv) A multa pela exclusão do SIMPLES não encontra amparo na Lei n° 9.317196, especialmente devido à exclusão ter sido de oficio, mas também porque a inclusão da contribuinte no SIMPLES foi requerida e deferida contra legem; v) A multa de 150% deve ser reduzida para 20% porque (i) não houve dolo ou fraude, mas mera inobservância de procedimentos e (ii) porque o STF estabeleceu que a multa cobrada pelo Fisco por descumprimento obrigações não pode ultrapassar o valor do tributo; vi) O lançamento tributário foi efetuado sem o devido suporte legal, sobre ato nulo e cálculos efetuados de maneira desfavorável ao contribuinte, em dissonância com o fixado no art. 112 do CTN, bem como sem observância ao princípio da capacidade contributiva; vii) É inconstitucional a adoção da taxa SELIC para remunerar o crédito tributário, devendo ser substituída pelos juros de mora de 1%, acrescidos de correção monetária calculada de acordo com a variação do INPC. Em vista aos argumentos apresentados pela contribuinte, sobreveio a decisão de primeiro grau, acostada às fls. 421/429, pela qual a DRJ — Juiz de Fora julgou procedente o lançamento, restando assim ementado o julgamento: "Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Micro empresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2004 BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA. EXCLUSÕES. As únicas exclusões da receita bruta permitidas, para as pessoas jurídicas optantes pelo Simples, são as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Para fins de determinação da receita bruta apurada mensalmente, é vedado proceder-se, mesmo no caso de substituição tributária, a qualquer outra exclusão, em virtude da alíquota favorecida e do tratamento tributário diferenciado utilizado pelos integrantes do Simples. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 BASE DE CÁLCULO. LUCRO ARBITRADO. O arbitramento do lucro pela autoridade fiscal, quando conhecida a receita bruta, se dá pela aplicação de percentual sobre essa receita fixado em lei. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005 CONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA. Falece competência à autoridade julgadora de instância administrativa para a apreciação de aspectos relacionados com a constitucionalidade ou legalidade das normas tributárias, tarefa privativa do Poder Judiciário. DECORRÊNCIA. INFRAÇÕES APURADAS NA PESSOA JURÍDICA. 4 Processo n° 13629.001081/2008-95 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.275 • Fl. 5 A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se aos litígios decorrentes, quanto à mesma matéria fática. Lançamento Procedente". O contribuinte, tempestivamente, interpôs seu recurso voluntário, reafilmando as alegações aduzidas em sua peça inicial de defesa. É o relatório. Or- • • • 5 Processo n° 13629.001081/2008-95 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.275 Fl. 6 Voto Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, Relator Por presente a condição de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. Como sói acontecer nos casos de acusação de omissão de receitas — pagamentos efetuados com recursos estranhos à escrituração, toda a questão posta a julgamento se centra na consistência, idoneidade e veracidade das provas coligidas nos autos, tanto no que se refere ao trabalho fiscal, como naquelas produzidas pelo contribuinte. Todavia, no caso em tela, intimado a justificar a ausência de escrituração, no livro Caixa, dos pagamentos efetuados à Souza Cruz e a comprovar a origem dos recursos utilizados para esses pagamentos, o Recorrente reconheceu que não registrou em seus livros fiscais a entrada correspondente à compra dos cigarros e nem mesmo os respectivos pagamentos. Evidencia-se assim, inegavelmente, que o contribuinte, ora Recorrente, assumiu a irregularidade fiscal apontada pela fiscalização, passando a concentrar sua argumentação na inconsistência da autuação baseada no fato dos tributos devidos pela fabricação e comércio de cigarros, serem recolhidos pelo fabricante em substituição tributária e por estar enquadrado, ainda que indevidamente, na sistemática do SIMPLES. As alegações da Recorrente, no tocante à ocorrência de bis in idem, baseiam- se em uma situação específica, relacionada aos atacadistas de cigarro, produto com preço controlado, que estariam sujeitos à substituição tributária do PIS/Pasep e da Cofins. A substituição tributária implica atribuir a qualidade de sujeito passivo a outra pessoa jurídica, que não é o contribuinte do tributo. Portanto, a substituição tributária tem que resultar de expressa previsão legal, somente podendo ser atribuída a terceiro que tenha alguma vinculação com o fato gerador da obrigação tributária. A previsão legal vigente quando da ocorrência do fato gerador da autuação em questão era expressa ao eleger o fabricante como substituto tributário do comerciante varejista, havendo uma aparente lacuna legal quando, entre o fabricante e o varejista, existia um comerciante atacadista. A substituição tributária, relativamente aos comerciantes atacadistas, somente foi introduzida pela Lei n° 10.865, de 2004, em seu art. 29, que dispôs o seguinte: "Art. 29. As disposições do art. 3 0 da Lei Complementar n° 70, j()de 30 de dezembro de 1991, do art. 50 da Lei n° 9.715, de 25 de novembro de 1998, e do art. 53 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, alcançam também o comerciante atacadista." 6 Processo n° 13629.001081/2008-95 SI-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.275 Fl. 7 Essa disposição não é de natureza interpretativa, pois claramente estende a substituição tributária anteriormente existente a caso diverso, com aplicação apenas para os novos fatos geradores ocorridos a partir de 1'70512004. Entretanto, como bem relata a autoridade julgadora a quo, não pode o comerciante atacadista optante pelo SIMPLES excluir de sua receita bruta o valor das vendas de cigarros, mas apenas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Portanto, é absolutamente inaceitável a argumentação do Recorrente de que os tributos por ela devidos no ano-calendário de 2004 já teriam sido pagos pelo fabricante, uma vez que o lançamento deu-se pela sistemática do SIMPLES, o qual oferta aliquota favorecida e tratamento diferenciado, que vedam qualquer exclusão da receita bruta. Tal argumento de defesa não se aplica em relação ao ano-calendário de 2005, pois neste ano o lançamento restringiu-se ao IRPJ e à CSLL. Quanto à alegação de que não há simultaneamente omissão de receitas e pagamento com recursos estranhos à fiscalização, tem razão o julgado a quo ao esclarecer que é a própria falta de escrituração de pagamentos efetuados que caracteriza a omissão de receitas. A Recorrente também se insurge contra o arbitramento do lucro realizado pela autoridade fiscal, defendendo a apuração do lucro real, considerando-se a margem de lucro na venda de cigarros para os varejistas e o abatimento das despesas. Ora, por força de determinação legal expressa — art. 530, I, do RIR/99 —, inevitável o arbitramento do lucro realizado pela autoridade fiscal, urna vez que ficou comprovada a falta de escrituração de pagamentos efetuados ao fornecedor Souza Cruz S.A. e a origem dos recursos utilizados para estes pagamentos, caracterizando-se, por consequência, a presunção legal de omissão de receitais. . Desta feita, entendo irreparável a decisão de primeira instância não havendo que se falar em apuração do lucro real e nem mesmo em deduções da receita bruta a fim de apurar a margem de lucro nas operações em evidência, seja na sistemática do SIMPLES ou no lucro arbitrado. A Recorrente ainda questiona o seu indevido enquadramento no SIMPLES pelo Fisco, que considerou como sua atividade preponderante o comércio por atacado de cigarros, atividade que veda a opção pelo SIMPLES, confoime art. 9 0, inciso XIX, da Lei n° 9.317/96. Neste ponto, também acompanho o entendimento da decisão a quo, eis que pelo que consta da documentação acostada aos autos — contrato social e CNAE-Fiscal — a atividade econômica da Recorrente consiste no comércio atacadista, incluindo ou não a venda de cigarros, o que não impede a opção pelo SIMPLES. Inclusive, cumpre esclarecer que a vedação veiculada no XIX, do art. 9°, da Lei n° 9.317/96, abrange apenas a atividade de industrialização do cigarro, o que definitivamente não faz parte das atividades exercidas pela Recorrente. Do mesmo modo, foi corretamente aplicada a multa por ausência de k comunicação da exclusão do SIMPLES com base nos arts. 13 e 21, da Lei n° 9.317/1996, quais impõe a comunicação de excesso de receita bruta, que acarreta a exclusão obrigatória dd in/-1 Processo n° 13629.001081/2008-95 S1-C2T2 Acórdão n.° 1202-00.275• Fl. 8 SIMPLES, vez que com a inclusão das receitas omitidas na base de cálculo, a Recorrente ultrapassa o limite da receita bruta estipulado para adesão ao SIMPLES. Quanto ao lançamento com multa agravada em 150%, suportado no enquadramento das condutas da Recorrente no crime de sonegação fiscal — art. 71, da Lei n° 4.502/64, a questão torna-se simples pela análise das robustas constatações fiscais e das singelas afirmações da Recorrente, que tomam evidente a conduta dolosa da Recorrente. • A propósito, transcrevo excerto do Relatório Fiscal (fl. 105): A falta de escrituração de pagamentos, conforme exposto no item anterior, foi procedimento adotado pelo contribuinte durante todo o período sob fiscalização. Foram 125 (cento e vinte cinco) notas fiscais que deixaram de ser escrituradas, de um total de 127 (cento e vinte e sete), distribuídas em todos os meses. Assim, não se apresenta razoável supor que tais ausências de escrituração tenham sido resultado de esquecimento ou equívoco, ainda mais porque são valores expressivos, representando mais de 99% do valor total das notas fiscais de entrada do fornecedor Souza Cruz SÃ. • Dessa fotina, voto pela manutenção das penalidades imposta pela fiscalização, qual seja, multa de 150%, em estrito atendimento ao previsto na legislação, afastando, assim, as alegações da Recorrente. O questionamento sobre a inconstitucionalidade da taxa SELIC não merece prosperar, vez que falece competência a esse órgão administrativo para tal apreciação, exclusiva do Poder Judiciário, por expresso comando constitucional e regimental. Assim, tendo previsão em enunciação legal — art. 61, §3 0, da Lei n° 9.430/96-, que se encontra válida em nosso sistema jurídico, sem qualquer vício que macule sua aplicabilidade como norma geral e abstrata, correta sua adoção para a exigência dos juros referidos na taxa SEL1C. Por essas razões, acompanho a decisão de primeira instância, à qual também me reporto para bem fundamentar o presente voto, o que o faço no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Sala da Sessões, em 06 de abril de 2010 , Orland /0\S'é Gel .-lves Bueno 8
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Numero do processo: 10469.723360/2013-62
Data da sessão: Tue Oct 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL.
A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerar-se-á adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, desde que tal ágio esteja justificado por laudo de avaliação expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura.
PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO.
É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembleia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento somente é possível mediante a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente.
DECADÊNCIA. ÁGIO. TERMO INICIAL. AMORTIZAÇÃO.
É pacífico neste Colegiado que, para início da contagem do prazo decadencial, deve-se ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Portanto, a contagem do prazo decadencial deve se dar, não a partir da formação dos ágios, mas sim de sua efetiva amortização.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento (Acórdão 9101-002.180, CSRF, 1ª Turma; Acórdão 9202-003.821, CSRF 2ª Turma; Acórdão 9303-003.385, CSRF, 3ª Turma).
MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006.
A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.
Numero da decisão: 1402-002.323
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário quanto ao mérito da exigência. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar a exigência dessa penalidade. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei.
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerar-se-á adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, desde que tal ágio esteja justificado por laudo de avaliação expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura. PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO. É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembleia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento somente é possível mediante a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente. DECADÊNCIA. ÁGIO. TERMO INICIAL. AMORTIZAÇÃO. É pacífico neste Colegiado que, para início da contagem do prazo decadencial, deve-se ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Portanto, a contagem do prazo decadencial deve se dar, não a partir da formação dos ágios, mas sim de sua efetiva amortização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento (Acórdão 9101-002.180, CSRF, 1ª Turma; Acórdão 9202-003.821, CSRF 2ª Turma; Acórdão 9303-003.385, CSRF, 3ª Turma). MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma refere-se ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerarseá adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, desde que tal ágio esteja justificado por laudo de avaliação expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura. PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO. É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembleia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento somente é possível mediante a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente. DECADÊNCIA. ÁGIO. TERMO INICIAL. AMORTIZAÇÃO. É pacífico neste Colegiado que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 33 60 /2 01 3- 62 Fl. 28711DF CARF MF 2 ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Portanto, a contagem do prazo decadencial deve se dar, não a partir da formação dos ágios, mas sim de sua efetiva amortização. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma; Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma; Acórdão 9303 003.385, CSRF, 3ª Turma). MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006. A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e ao recurso voluntário quanto ao mérito da exigência. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário quanto à incidência da multa isolada. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Caio Cesar Nader Quintella, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira e Demetrius Nichele Macei que votaram por cancelar a exigência dessa penalidade. Designado o Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto para redigir o voto vencedor em relação à multa isolada. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. (assinado digitalmente) Fl. 28712DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.711 3 Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (Presidente), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella e Demetrius Nichele Macei. Fl. 28713DF CARF MF 4 Relatório Adoto, em sua integralidade, o relatório da Delegacia de Julgamento de Recife (PE). Tratam os autos de lançamento de ofício de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e de multa isolada pela falta de recolhimento do imposto de renda apurado por estimativa, consubstanciado no auto de infração às fl. 02 a 18, referente aos anoscalendário 2008 e 2009, com crédito tributário de R$ 30.746.046,81, assim distribuído: Imposto: R$ 12.087.857,34 Juros: R$ 4.245.760,30 Multa: R$ 9.065.893,00 Multa exigida isoladamente: R$ 5.346.536,17 2. Consoante descrição dos fatos contida no corpo do auto de infração, o lançamento decorreu da verificação das seguintes irregularidades: 2.1. despesas com amortização de ágio não adicionado ao lucro líquido do período para a determinação do lucro real. Infração detectada nos anoscalendário 2008 e 2009; 2.2. resultado negativo de investimento avaliado pelo patrimônio líquido não adicionado ao lucro líquido do período para a determinação do lucro real. Infração detectada no ano calendário 2008; 2.3. compensação indevida de prejuízos fiscais operacionais no ano 2009 em montante superior ao saldo existente em 31 de dezembro de 2008; 2.2. falta de recolhimento do IRPJ sobre a base de cálculo estimada, gerando a exigência de multa isolada de 50%. 3. No Termo de Encerramento de Ação Fiscal, às fl. 19 a 36, parte integrante do auto de infração, constam de forma detalhada os fatos apurados, as considerações realizadas e a descrição das infrações verificadas. A seguir estão apresentadas as partes de maior interesse do referido termo: 3.1. Infração do item 2.1. acima 3.1.1. o contribuinte registrou valores relativos à amortização de ágio decorrente de aquisição de participação societária na Cia Sat (Cia Sat Participações) a crédito das contas 13031009 ("Ágio Rentabilidade Futura") e 13040204 ("Ágio por Rentabilidade Futura Cia Sat"), e a débito da conta de despesa 510602 ("Amortizações"), conforme demonstrado na planilha "Detalhamento das Despesas com Amortizações" (fl. 1741 e 1749). O ágio foi amortizado em 120 meses, em parcelas de R$ 1.959.937,07 ao mês; 3.1.2. as despesas com amortização de ágio, salvo exceções previstas em lei, não são dedutíveis na apuração do IRPJ, devendo ser adicionadas ao lucro líquido para apuração do lucro real, o que não foi feito pela fiscalizada; 3.1.3. Acordo entre Grupo Satélite e Grupo Ale Fl. 28714DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.712 5 3.1.3.1. os grupos de empresas "Acionistas da Sat" e "Acionistas Ale" firmaram acordo de associação (fl. 436 a 473) para, de forma compartilhada, na proporção de 50% para cada, explorar econômico e empresarialmente suas atividades. Para tanto, as partes praticariam uma série de atos envolvendo a Satélite e a Ale Combustíveis, resultando em configuração tal que a totalidade do capital da primeira iria passar a ser detido pela Ale Combustíveis. Acordaram, em síntese, que: a) a Cia Sat Participações, detentora de 100% das ações da Satélite, incorporaria ações da Ale Combustíveis; b) após, a Cia Sat participações, controladora, seria incorporada por sua controlada Ale Combustíveis; c) a Ale Combustíveis, tendo a Satélite como subsidiária integral pela operação anterior, incorporálaia para concluir o objetivo final do acordo; 3.1.4. Da origem do ágio as reorganizações societárias 3.1.4.1 em 23 de março de 2006 houve a constituição da Cia Sat Participações pelas empresas Sat Holding e TAS Participações, subscrevendo capital social de R$ 1.000,00. Tal empresa tinha como objeto a participação no capital de outras sociedades; 3.1.4.2. em 30 de março de 2006, é firmado o acordo de associação antes mencionado; 3.1.4.3. em 01 de junho de 2006 a Cia Sat Participações aumenta seu capital social em R$ 20.581.760,00, com integralização feita pela Sat Holding, mediante conferência de créditos de titularidade da subscritora no mesmo montante; 3.1.4.4. em 08 de junho de 2006, a Cia Sat Participações aumenta seu capital social em R$ 7.075.131,00, com integralização feita pelas empresas Sat Holding e DBVA, mediante conferência de ações da Satélite de que eram titulares; 3.1.4.5. no mesmo dia, a Cia Sat Participações aumenta seu capital social em R$ 11.798.900,00, com integralização feita pela DBVA, mediante compensação de créditos detidos pela subscritora contra a companhia; 3.1.4.6. em 09 de junho de 2006, a Cia Sat Participações aumentou seu capital social em R$ 15.752.326,00, com integralização feita pela TAS Participações, mediante conferência de ações da Satélite de que era titular; 3.1.4.7. ao final, a Cia Sat Participações tornouse titular das ações da Satélite; 3.1.4.8. em 03 de julho de 2006, a Cia Sat Participações em operação realizada com a Ale Participações, incorporou todas as ações da Ale Combustíveis (que era detida pela Ale Participações), passando esta última a ser subsidiária integral da primeira. Para tanto a Cia Sat aumentou seu capital social de R$ 55.209.117,00 para R$ 110.418.234,00 (duplicou), com a subscrição pela Ale Participações, com integralização mediante a entrega de suas ações da Ale Combustíveis. O aumento se deu por emissão de 55.209.117 ações sem valor nominal, com preço de emissão de R$ 241.273.000,00, embora o valor patrimonial da Ale Combustíveis fosse R$ 6.080.551,34; 3.1.4.9. conforme ata da AGE da Cia Sat Participações, de 03 de julho de 2006, foi nomeada a empresa Avaliar Avaliações e Assessoria Ltda para elaboração de laudos das duas empresas: Cia Sat Participações e Ale Combustíveis. De acordo com a ata, os laudos foram elaborados e arquivados na primeira; 3.1.4.10. intimada, a fiscalizada apresentou laudo de avaliação apenas da Ale Combustíveis, a qual foi avaliada em R$ 313.597.00,00, que descontados os dividendos de 2006 e das cisões ocorridas resultou em R$ 241.273.000,00, o preço de emissão das ações da Cia Sat Participações. Quanto ao laudo de avaliação desta, a fiscalizada informou que o mesmo não existe (fl. 222); Fl. 28715DF CARF MF 6 3.1.4.11. mesmo não existindo o laudo para justificar o preço das ações emitidas pela Cia Sat Participações, foi constituída reserva de capital decorrente de ágio em ações, no valor de R$ 186.063.883,00, conforme segue: 3.1.4.12. com a transação a Cia Sat Participações passou a ter em seu ativo permanente um investimento em Ale Combustíveis de R$ 6.080.551,34 e um ágio de R$ 235.192.448,66, bem assim um aumento de capital social em R$ 55.209.117,00 e uma reserva de capital de R$ 186.063.883,00; 3.1.4.13. salientese que o acordo de associação ratifica que não houve aquisição, isto é, compra e venda. Não existiu pagamento, mas uma permuta de ações devidamente planejada. Não houve transferência de titularidade, mas apenas uma reorganização societária; 3.1.4.14. em seqüência, em 24 de julho de 2006, a Ale Combustíveis, na qualidade de investida, incorporou, a valor de livros, sua recente controladora Cia Sat Participações (incorporação às avessas), passando a registrar em sua contabilidade o ágio decorrente da incorporação de ações da Ale Combustíveis pela Cia Sat Participações, na conta 13030501 Ágio Rentabilidade Futura e, depois, na conta 13040104 Ágio Rentabilidade Futura Cia Sat; 3.1.4.15. a Satélite, então subsidiária integral da Cia Sat Participações, passou nesse momento a pertencer à Ale Combustíveis na mesma condição; 3.1.4.16 com essa incorporação da Cia Sat Participações, a Ale Combustíveis passou a registrar em seu ativo "ágio de si mesma", entendendo ser possível considerar a sua amortização como despesa dedutível para fins de apuração do IRPJ; 3.1.4.17 posteriormente, em janeiro de 2007 a Ale Combustíveis incorpora a Satélite, atingindo o objetivo final do acordo de associação antes firmado pelos dois grupos; 3.1.4.18. em 25 de abril de 2007 a Ale Combustíveis altera sua denominação para Alesat Combustíveis, nome atual; 3.1.5. Das conclusões da fiscalização 3.1.5.1. o investimento em aquisições de ações de outras empresas com ágio tem o seu tratamento contábil regulado pela Lei n° 6.404, de 1976, e o seu tratamento fiscal disciplinado nos art. 384 a 391 do Regimento Interno (RIR/99) aprovado pelo Decreto n° 3000, de 1999, e nos art. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, com alterações feitas pelos art. 10 e 11 da Lein° 9.718, de 1997. Regra geral, a legislação veda os efeitos fiscais das contrapartidas da amortização desse ágio, devendo ser adicionado ao lucro líquido a parcela de amortização deduzida em sua apuração. Todavia, é permitido a empresa se apropriar de amortização de ágio como despesa dedutível, tendo como requisito a aquisição de participação societária com ágio. Também deverá ocorrer a absorção da controlada pela controladora ou viceversa, em decorrência de incorporação, fusão ou cisão; Fl. 28716DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.713 7 3.1.5.2. o ágio aqui tratado, de R$ 235.192.448,86, é aquele originado quando do lançamento das novas ações da Cia Sat, no momento em que esta adquiriu as ações da Ale Combustíveis. Nesse momento a Ale Participações entregou todas as ações da Ale Combustíveis, avaliadas em R$ 241.273.000,00, em troca de ações da Cia Sat Participações, no valor de R$ 55.209.117,00; 3.1.5.3. frisese que não há laudo de avaliação das ações da Cia Sat Participações subscritas pela Ale Participações, mas apenas laudo de avaliação das ações da Ale Combustíveis, as quais foram entregues em subscrição. Assim, a AGE de 03 de julho de 2006 da Cia Sat não tem base para atribuir o valor de R$ 241.273.000,00 às ações emitidas para aumento de seu capital no valor de R$ 55.209.117,00; 3.1.5.4. o capital da Cia Sat foi aumentado em R$ 55.209.117,00, integralizado com ações da Ale Combustíveis correspondentes ao patrimônio líquido dessa empresa no valor de R$ 6.080.551,34. O fato contábil que surge da operação é um aumento do patrimônio líquido (capital) e um aumento do ativo imobilizado (investimentos) no valor de R$ 55.209.117,00. Considerando que as ações recebidas correspondem ao patrimônio líquido da Ale Combustíveis, de valor igual a R$ 6.080.551,34, há um ágio no valor de R$ 49.138.565,68. Não há fato contábil que justifique registro de ágio no valor de R$ 235.192.448,86. As ações da Ale Combustíveis foram avaliadas ao valor de mercado por R$ 241.273.000,00, entretanto, essas ações foram entregues à Cia Sat em troca de ações dessa última pelo valor de R$ 55.209.117,00, e não de R$ 241.273.000,00. Tal ágio de R$ 49.138.565,68 justificaria amortizações de R$ 409.499,05 ao mês e não de R$ 1.959.937,07 conforme fez o contribuinte; 3.1.5.5. ademais, mesmo que as ações da Cia Sat fossem avaliadas pelos R$ 241.273.000,00, como o contribuinte considerou (ainda que sem laudo), restaria um fator essencial que impede o uso desse valor como dedução para fins de apuração do IRPJ: a incorporação de ações, regulada pelo art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, não é uma aquisição de participação societária de que trata o art. 386 do RIR/99. A incorporação de ações não é uma operação de compra e venda, assemelhandose a uma operação de permuta; 3.1.5.6. É claro que o requisito da dedutibilidade está condicionado ao fato da pessoa jurídica que está absorvendo o patrimônio da outra, ter, nesta outra, participação societária adquirida com ágio. Não se poderia admitir como efetiva a ocorrência de aquisição de investimento com ágio na operação pois não houve efetivo pagamento. O ágio aqui é meramente escritural, distorcendo o instituto; 3.1.5.7. assim, a reorganização societária realizada consistiu em uma série de procedimentos que construíram uma situação contábil de aproveitamento indevido do benefício fiscal de amortização do ágio do art. 386 do RIR/99, criando na Ale Combustíveis (atualmente Alesat) o "ágio de si mesma". Concluise que o contribuinte deixou de adicionar ao lucro líquido, na apuração do lucro real, as despesas indedutíveis de amortização de ágio. 3.2. Infração do item 2.2. acima 3.2.1. conforme Razão em anexo (fl. 775 a 945), em 2008 o sujeito passivo contabilizou na conta 330401 o valor de R$ 5.888.668,16 a título de resultado negativo em investimentos em participações societárias avaliadas pela equivalência patrimonial; 3.2.2. nos termos dos art. 388 e 389 do Regimento Interno aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), o contribuinte deveria ter adicionado tal montante ao lucro líquido do exercício para fins de determinação do lucro real. Acontece que adicionou o valor de R$ 2.975.069,12, conforme linha 13 da ficha 09A da DIPJ ("Demonstração do Lucro Real"/"Ajustes por Diminuição Valor de Invest. Aval. p/ PL") (vide DIPJ e Lalur anexos fl. 351 a 435 e 946 a 1013); Fl. 28717DF CARF MF 8 3.2.3. questionado via intimação (fl. 336 e 337), o contribuinte respondeu (fl. 223 a 225) que a empresa passara por auditoria externa contratada por seus acionistas e que, para a adoção de melhores práticas contábeis estabelecidas em anos contábeis, os valores de 2008, que já haviam sido objeto de entrega do arquivo da Escrituração Contábil Digital (ECD) ao SPED, sofreram alterações, estando a empresa impossibilitada de substituir a ECD; 3.2.4. em nova intimação (fl. 339 e 340) foram solicitados os arquivos da ECD que serviram de base para o preenchimento da DIPJ, considerando que os valores informados nessa declaração ainda apresentavam divergências com os valores apurados com base na ECD apresentada ao SPED; 3.2.5. o valor de R$ 5.888.668,16 foi baseado na contabilidade constante da ECD apresentada à fiscalização em atendimento à intimação, que no caso da conta em questão não diverge da ECD originalmente entregue ao SPED; 3.2.6. assim, concluise que o contribuinte deixou de adicionar o valor de R$ 2.913.599,04 (R$ 5.888.668,16 R$ 2.975.069,12), reduzindo indevidamente a base de cálculo do IRPJ; 3.3. Infração do item 2.3. acima 3.3.1. em 31 de dezembro de 2007 o contribuinte possuía prejuízo fiscal acumulado de R$ 18.741.718,69,conforme relatório do sistema Sapli (fl. 1014 a 1020). Parte desse saldo (R$ 15.053.729,47) foi utilizada no parcelamento da Lei n° 11.941, de 2009, conforme informações do Sapli e extrato do parcelamento (fl. 1738 a 1740). Restou um saldo de R$ 3.687.989,22; 3.3.2. em 2008 o contribuinte apurou prejuízo fiscal de R$ 1.662.019,84. Com as infrações antes descritas, a base de cálculo passou de prejuízo para lucro de R$ 24.770.824,06. Como havia um saldo de prejuízo fiscal, este foi compensado de ofício com o lucro real apurado em fiscalização, resultando em um lucro real após compensação de R$ 21.082.834,84. Assim, nada restou do saldo anteriormente existente; 3.3.3. como o contribuinte efetuou em 2009 uma compensação de R$ 3.845.349,66, e já que não havia saldo ao final de 2008, conforme demonstrado acima, esta compensação foi glosada; 3.4. Infração do item 2.4 acima 3.4.1. tendo em vista que nos anoscalendário de 2008 e 2009 a empresa optou pela apuração anual do lucro real, com pagamento de estimativas mensais, e, considerandose as infrações apuradas relativas à glosa de amortização e falta de adição de resultado negativo, verificase que o contribuinte recolheu a menor as estimativas mensais, sujeitandose à multa de 50% sobre o valor que deixou de ser pago, conforme determinação do art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei n° 9.430, de 1996, com redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 2007. Os demonstrativos estão às fl. 1758 e 1761. 4. Cientificado do auto de infração o sujeito passivo apresentou a impugnação onde argumentou/requereu o que segue: 4.1. Reorganização Societária embora a fiscalização não tenha questionado a efetividade ou a validade jurídica das operações realizadas, entende conveniente tecer considerações sobre a reestruturação ocorrida, a qual originou o ágio glosado, ainda que não divirja da versão dos fatos dada pela fiscalização: 4.1.1. O grupo Ale, por intermédio de sua empresa operacional Ale Combustíveis SA (Ale Combustíveis), atuava na distribuição de combustíveis na Região Sudeste, enquanto o grupo Satélite atuava na Região Nordeste por intermédio da empresa Satélite Distribuidora de Petróleo SA (Satélite). Visando incremento de suas atividades por diversos fatores, em 30 de março de 2006 firmaram um acordo de associação para exploração compartilhada de suas atividades. O acordo estabelecia que as partes deveriam fazer ajustes nos seus patrimônios de forma a permitir, após a Fl. 28718DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.714 9 reunião, que as atividades operacionais fossem desenvolvidas em conjunto em uma única empresa detida em 50% por cada grupo de acionistas; 4.1.2. Para tanto, os acionistas do grupo Satélite concentraram seus investimentos em uma holding, a Companhia SAT Participações (Cia SAT), que passou a deter 100% das ações da Satélite, empresa operacional: Já o grupo Ale concentrava seus investimentos por meio da holding Ale Participações Societárias Ltda (Ale Participações), que detinha 100% das ações da Ale Combustíveis, empresa operacional; 4.1.3. A união dos grupos foi sacramentada em 03 de julho de 2006 com a incorporação da totalidade das ações da Ale Combustíveis pela Cia SAT, nos termos do art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976. Assim, aquela passou a ser subsidiária integral desta. Além disso, a Cia SAT emitiu 55.209.117 novas ações, sem valor nominal, correspondente a 50% do seu capital. Esta novas ações foram subscritas pela Ale Participações. O preço da emissão dessa ações foi de R$ 241.273.000,00; 4.1.4. Deste valor integralizado, R$ 55.209.117,00 foram registrados como aumento de capital e R$ 186.063.883,00, como reserva de capital. Assim, a Cia SAT passou a ser detida pelos seus acionistas originais (grupo SAT) em 50%, ficando os demais 50% na titularidade da Ale Participações. Por sua vez, a Cia SAT passou a deter 100% das ações da Satélite e da Ale Combustíveis, suas subsidiárias integrais: 4.1.5. Como a Cia SAT, após a incorporação, passou a ser detentora de investimento relevante na Ale Combustíveis, desdobrou o respectivo custo de aquisição em cumprimento do art. 20 do Decretolei n° 1.598, de 15 de dezembro de 1977, apurando ágio no valor de R$ 235.192.448,66, fundamentado na expectativa de rentabilidade futura conforme laudo juntado aos autos. O ágio se justifica porque o custo de aquisição do investimento da Cia SAT na Ale Combustíveis, que corresponde ao preço de emissão das novas ações no valor de R$ 241.273.000,00, superava o valor patrimonial da Ale Combustíveis, de R$ 6.080.551,34, sendo a diferença de R$ 235.192.448,66; Fl. 28719DF CARF MF 10 4.1.6. Posteriormente, em 24 de julho de 2006, a Ale Combustíveis incorporou a Cia SAT e, com isso, tornouse a controladora da Satélite, ficando o grupo da seguinte forma: 4.1.7. Em 21 de janeiro de 2007, a Ale Combustíveis incorporou a Satélite, reunindo as duas empresas operacionais, e alterou sua razão social para Alesat Combustíveis SA: 4.1.8. As incorporações da Cia SAT e Satélite pela Ale Combustíveis implicaram a reunião do ágio com o patrimônio que o gerou, o que, nos termos dos arts. 7° e 8° da Lei n° 9.532, de 1997, fez surgir o direito à amortização fiscal anual de R$ 23.519.244,86; 4.2. 1a infração Glosa da amortização do ágio 4.2.1. Preliminar de decadência o ágio surgiu na Cia SAT quando da incorporação da Ale Combustíveis, em 03 de julho de 2006, e a incorporação que justificou o início das amortizações ocorreu em 24 de julho de 2006. Somente em 2013, seis anos após, houve o questionamento quanto à formação e amortização do ágio. Aplicação do art. 150, § 4° do Código Tributário Nacional (CTN); 4.2.2. Mérito Validade da amortização 4.2.2.1. Estudo jurídico 4.2.2.1.1. para a pessoa jurídica investidora, a amortização dos ágios não integra o lucro tributável (art. 25 do Decretolei n° 1.598, de 1977), somente vindo a ser prevista a sua consideração na base de cálculo do IRPJ se ocorrer um dos fatos descritos no art. 7° da Lei n° 9.532, de 1997. Em que pese o referido artigo aludir aos casos em que o método de equivalência patrimonial é obrigatório, a alínea "a" do art. 8° da mesma lei estende o tratamento aos casos em que não haja obrigatoriedade de avaliação por esse método; Fl. 28720DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.715 11 4.2.2.1.2. a separação contábil entre o custo avaliado por equivalência e o ágio é determinação decorrente do art. 20 do referido decretolei. A decomposição é obrigatória, sendo facultativa apenas a amortização dos ágios; 4.2.2.1.3. é irrelevante o título jurídico pelo qual o investimento foi adquirido compra, permuta, subscrição de capital, incorporação de pessoa jurídica, incorporação de ações etc. , pois não há limitação no art. 20 do referido decretolei; 4.2.2.1.4. é irrelevante a contraprestação da aquisição corresponder a um pagamento em dinheiro ou a outra obrigação qualquer do adquirente; 4.2.2.1.5. ocorrendo reunião das pessoas jurídicas investidora e investida, por meio de fusão, incorporação ou cisão realizada entre elas, o ágio ou deságio decorrente daquele desdobramento recebe o tratamento da Lei n° 9.532, de 1997; 4.2.2.1.6. o impugnante seguiu corretamente o regime legal atinente à amortização fiscal dos ágios ao cumprir as determinações acima; 4.2.2.2. Análise do caso concreto 4.2.2.2.1. a fiscalização não questionou a validade jurídica das operações, reconhecendo que a união entre os grupos Satélite e Ale ocorreu de fato e tinha objetivos empresariais claros, tanto que o conglomerado permanece unido até os dias atuais com resultados excelentes. Além disso, a fiscalização não questiona a fundamentação econômica do ágio apurado, decorrente de rentabilidade futura; 4.2.2.2.2. Ágio na incorporação de ações 4.2.2.2.2.1. a fiscalização alega que a incorporação de ações não configura aquisição de participação societária. Contudo, tal alegação foi feita sem a devida fundamentação e motivação, o que torna nula a acusação fiscal. O dever de fundamentar e motivar o lançamento é requisito essencial dele, conforme arts. 3° e 142 do CTN, art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e arts. 2° e 50 da Lei n° 9.784, de 1999; 4.2.2.2.2.2. a incorporação de ações é ato jurídico que implica a aquisição de participação societária e, sendo essa participação relevante, é obrigatória a regra que determina o desdobramento do respectivo custo no valor do patrimônio líquido da investida e ágio ou deságio; 4.2.2.2.2.3. incorporação de ações é diferente de incorporação de sociedade. A primeira é regida pelo art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, e a segunda, pelos art. 223 e seguintes. Naquela, ambas as sociedades continuam existir, sem sucessão; nessa, a sociedade incorporada desaparece. Naquela, há um tipo de aumento de capital da sociedade dita incorporadora, com a finalidade de passar a ter a outra sociedade como sua subsidiária integral (não se confunde com o aumento de capital do art. 170 da mesma lei); 4.2.2.2.2.4. a incorporação de ações pode ser equiparada à subscrição de capital, conforme autores consagrados como Fran Martins, Egberto Lacerda Teixeira e José Alexandre Tavares Guerreiro. A incorporadora aumenta o capital para entregar aos acionistas da outra sociedade os títulos relativos ao aumento, em substituição às ações que aqueles acionistas tinham na outra sociedade. Assim, o aumento de capital é integralizado com ações da outra sociedade; 4.2.2.2.2.5. a função prática do ato jurídico de incorporação de ações é a transferência de seu domínio dos acionistas de uma determinada sociedade para outra, com contrapartida, por esta, de ações do seu capital aos acionistas que eram detentores das ações Fl. 28721DF CARF MF 12 incorporadas. Logo, há alienação de ações incorporadas, feita pelos respectivos titulares, e a aquisição, por estes, de novas ações da companhia incorporadora; 4.2.2.2.2.6. este entendimento é aplicável ao direito tributário em virtude do art. 109 do CTN; 4.2.2.2.2.7. por outro lado, para a incorporadora das ações há aquisição delas, podendo haver ágio, como de fato ocorre no caso presente. Havendo, pois, aquisição de participação societária pela incorporadora, esta deve aplicar o disposto no art. 20 do Decretolei n° 1598, de1977. Por isso, a Cia SAT, ao incorporar a totalidade das ações da Ale Combustíveis, desdobrou o respectivo custo no valor do patrimônio líquido da investida, registrando a diferença como ágio; 4.2.2.2.2.8. diferentemente do entendimento fiscal no sentido de que a incorporação de ações não é uma aquisição de participação societária de que trata o art. 386 do RIR/99, há que se considerar que este dispositivo não contempla expressa ou implicitamente qualquer distinção em razão da modalidade de aquisição; 4.2.2.2.2.9. no presente caso houve associação e reorganização societária que implicou a aquisição de investimento, efetuado pela Cia SAT quando da incorporação de ações da Ale Combustíveis, bem assim a formação de uma nova empresa; 4.2.2.2.2.10 confirma os fundamentos acima, o acórdão 1301001220, de 09 de maio de 2013, que, embora tenha confirmado a glosa da amortização do ágio gerado em operação de incorporação de ações, baseou o entendimento no fato de que o ágio foi interno, sem discutir a possibilidade de sua apuração em operação de incorporação de ações. O voto condutor, após discorrer sobre a impossibilidade de dedutibilidade do ágio gerado em operação entre partes ligadas, consignou o seguinte: A contrario sensu, tivesse a citada reestruturação envolvido partes independentes e revelado efetiva substância econômica, de modo que o preço do negócio (custo de aquisição) fosse formado sem interferência, poderseia admitir a dedutibilidade pretendida. 4.2.2.2.3. Incorporação de ação não equivale a permuta em que pese haver semelhanças, tais institutos são distintos pelas razões abaixo expostas. Mas, ainda que se tratasse de permuta, tal fato não macularia a formação e a amortização do ágio, vez que a lei se aplica, conforme visto, a qualquer aquisição, não fazendo distinção entre as diferentes modalidades. O próprio fisco reconhece que a permuta é uma forma de aquisição/alienação de investimento, quando considera que tal operação gera ganho de capital; 4.2.2.2.3.1. na permuta havia um custo do bem dado em permuta, que passa a ser o custo do bem adquirido em permuta. Na incorporação de ações não havia um bem e seu custo; 4.2.2.2.3.2. na permuta, os bens permutados já existiam, enquanto na incorporação de ações somente existiam as ações incorporadas. Podese até dizer que as ações emitidas pela incorporadora já existiam antes da incorporação de um plano lógico, pois o aumento de capital, com a respectiva emissão de ações, vem antes da troca com as ações incorporadas. Todavia, são institutos diferentes, além do que a incorporadora não tinha um custo para as ações dadas em troca das incorporadas. Na permuta haveria o custo, conforme já tratado acima; 4.2.2.2.3.3. na incorporação de ações há subrogação real legal, o que não ocorre na permuta; 4.2.2.2.4. A _falta de_pagamento efetivo não invalida o ágio 4.2.2.2.4.1. supondo que a intenção do AuditorFiscal fosse considerar falta de pagamento efetivo como sendo falta de desembolso de caixa, é necessário refutar qualquer pretensão de Fl. 28722DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.716 13 condicionar a apuração de ágio a pagamento em dinheiro. É irrelevante a forma de contraprestação. Conforme visto, o art. 20 do decretolei antes referido aplicase a todo e qualquer meio de aquisição de participação societária. O reconhecimento contábil do ágio é imposição da norma para investimentos sujeitos ao método de equivalência patrimonial, independentemente dos negócios jurídicos por meio do qual tenham sido adquiridos. Basta que haja contraprestação onerosa. Nesse sentido acórdãos n° 107 08656, de 2006, n° 10516774, de 2007, do antigo Conselho de Contribuintes, bem assim o acórdão 9101001657, de maio de 2013, da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais; 4.2.2.2.5 Apuração do ágio independe de tributação do _possível ganho do alienante 4.2.2.2.5.1. nos termos do art. 7° da Lei n° 9.532, de 1997, para a amortização do ágio não se constitui em pressuposto que a aquisição da participação societária com ágio tenha sido objeto de alguma incidência tributária sobre a contraparte da pessoa jurídica adquirente; 4.2.2.2.6. Ágio "em si mesmo" 4.2.2.2.6.1. geralmente se utiliza essa expressão no combate à amortização de ágio apurado em operações praticadas entre partes vinculadas, integrantes de mesmo grupo, o que não ocorre no presente caso; 4.2.2.2.6.2. o art. 8° da Lei n° 9.532, de 1997, é categórico ao afirmar que a amortização fiscal é válida na hipótese de incorporação reversa, representada aqui no fato de que o ágio foi gerado na Cia SAT ao adquirir investimento na Ale Combustíveis e que, ao fim, é que estaria amortizando o ágio; 4.2.2.2.6.3. esse tipo de incorporação, reversa, é operação legal reconhecida pelo Superior Tribunal de Justiça (Resp n° 946707RS). Além disso, o art. 264, §4° da Lei n° 6.404, de 1976, prevê a incorporação de pessoa jurídica controladora por sua controlada; 4.2.2.2.7 Alegações quanto ao valor do ágio 4.2.2.2.7.1. o Fisco considera que o custo de aquisição deveria corresponder apenas ao valor efetivamente registrado como aumento de capital, que totaliza R$ 55.209.117,00, sem levar em consideração a importância registrada em reserva de capital (R$ 186.063.883,00). Ou seja, sem levar em consideração o preço da emissão das novas ações (R$ 241.209.117,00); 4.2.2.2.7.2. as ações emitidas pela incorporadora são moeda de troca com os acionistas da empresa cujas ações são incorporadas e, como tal, devem ter um preço. Esse é justamente o valor atribuído às ações quando do aumento de capital, sendo o custo da incorporadora pela aquisição do investimento. 4.2.2.2.7.3. as ações emitidas não tinham valor nominal, conforme reconhecido no lançamento. Assim sendo, consoante art. 14 da Lei n° 6.404, de 1976, as ações poderiam ser emitidas por preço superior ou inferior às emissões anteriores, de acordo com a realidade do mercado. Este tipo de ação não tem correspondência com o valor do capital social, sendo sua definição prerrogativa das partes em uma negociação; 4.2.2.2.7.4. como a emissão de ações sem valor nominal não guarda correspondência com o capital social, o art. 182, §1°, alínea "a" da Lei n° 6.404, de 1976, estabelece que a parte do preço excedente deve ser registrada em reserva de capital. Ou seja, o ágio apurado deve ser registrado como reserva de capital. 4.2.2.2.7.5. o que parece ter confundido a fiscalização são as seguintes indagações que podem surgir: a) qual o critério utilizado pela Cia SAT para determinar o preço de emissão das Fl. 28723DF CARF MF 14 ações? b) qual o critério para determinar o valor a ser aportado como capital social e o valor a ser registrado como reserva de capital? O auto de infração questiona a falta de apresentação de um laudo de avaliação para a determinação do real valor das novas ações emitidas pela Cia SAT; 4.2.2.2.7.6. porém, a lei fiscal não condiciona a apuração do custo a qualquer laudo ou trabalho técnico, estando o custo apenas sujeito à comprovação de sua efetividade, o que se dá por todos os meios de prova admitidos em direito, no caso: a) acordo de associação firmado em 30 de junho de 2006; b) ata da assembleia geral extraordinária da Cia SAT datada de 03 de julho de 2006, em que consta o preço de emissão das novas ações em virtude da incorporação de ações; c) boletim de subscrição das novas ações da Cia SAT, de 03 de julho de 2006, evidenciando a segregação do preço de emissão em capital e reserva; d) ata da assembleia geral extraordinário da Ale Combustíveis, de 03 de julho de 2006, com aprovação da incorporação de ações daquela empresa e o desdobramento das ações da Cia SAT recebidas, com registro de R$ 55.209.117,00 como capital, e R$ 186.063.883,00 em reserva, perfazendo R$ 241.273.000,00; e) protocolo e justificação de incorporação de ações assinado pelos representantes de Cia SAT e Ale combustíveis, datado de 19 de junho de 2006; 4.2.2.2.7.7. o art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, exige expressamente apenas a avaliação das ações da empresa incorporada, e não da empresa incorporadora. Esse laudo existe e foi apresentado ao Fisco durante a fiscalização, atribuindo às ações da Ale Combustíveis o valor de R$ 241.273.000,00; 4.2.2.2.7.8. o intuito central e principal de laudo de avaliação de participações é a proteção de acionistas minoritários, que podem ser prejudicados na relação de troca entre controladores das empresas. Contudo tal situação inexiste no presente caso; 4.2.2.2.7.9. na espécie, o preço da emissão das novas ações da Cia SAT foi pactuado entre parte não vinculadas, sem prejuízo a minoritários, no contexto da liberdade de contratar, em condições estritamente comutativas; 4.2.2.2.7.10 também é inconsistente a alegação fiscal de que a Ale Participações experimentou perda de capital ao entregar todas as ações da Ale Combustíveis, avaliadas em R$ 241.273.000,00, em troca de ações da Cia SAT Participações no valor de R$ 55.209.117,00. Tal posição deixa de considerar a operação como um todo; 4.2.2.2.7.11. quando a Cia SAT aumentou capital em junho de 2006, sendo integralizado pela SAT Holding e pela DBVA mediante conferência das ações da Satélite de quem eram titular, aquela passou a deter 100% das ações desta. Ocorre que a Satélite tinha valor econômico intrínseco de R$ 203.973.000,00, como apontado pela fiscalização. Então, como se pode alegar, sem elementos adicionais de prova, que o valor econômico das novas ações emitidas pela Cia SAT, que correspondem a 50% do seu capital social, totalizava apenas R$ 55.209.117,00? 4.2.2.2.7.12 por que a Ale Participações, empresa não relacionada e independente, aceitaria entregar uma participação societária de R$ 241.273.000,00 para receber em troca ações da Cia SAT, que supostamente valiam apenas R$ 55.209.117,00? 4.2.2.2.7.13. como se pode ver, não há plausibilidade, racionalidade ou coerência no argumento da fiscalização. O item 2.1. do Acordo de Associação, que orientou a combinação de negócios, indica expressamente o valor econômico das sociedades operacionais, reforçando assim a insubsistência do argumento fiscal; 4.2.2.2.7.14 ademais, o registro de grande parte do aumento do capital em reserva de capital (R$ 186.063.883,00) permitiu o equilíbrio nas relações de poder entre os dois grupos econômicos. A Cia SAT, antes do aumento de capital, tinha capital social de R$ 55.209.117,00. Como o valor registrado com o aumento de capital foi deste mesmo valor, o capital total passou a ser de R$ 110.418.234,00, sendo 50% da Ale Participações e 50% da TAS Participações; Fl. 28724DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.717 15 4.3 2a infração Falta de adição do lucro líquido de resultados negativos decorrentes do método de equivalência patrimonial 4.3.1. a autuação está maculada por vício insanável, incorrendo em nulidade, vez que falta motivação e a investigação dos fatos foi insuficiente, violando o disposto no art. 50 da Lein° 9.784, de 1999, e no art. 142 do CTN, bem assim afrontando os princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, estabelecidos no art. 5°, incisos LIV e LV, da Constituição Federal. A fiscalização desconsiderou sem qualquer justificativa as explicações e documentos entregues pelo impugnante; 4.3.2. o Fisco entende que deixou de ser adicionado na apuração do lucro real o montante de R$ 2.913.599,04 dos R$ 5.888.668,16 registrados como resultado negativo em equivalência patrimonial na conta 330401. Ocorre, porém, que o valor constante da conta não considera o estorno realizado posteriormente exatamente no montante considerado pelo agente fiscal, fato este explicado durante a fiscalização em atendimento a intimação, devidamente demonstrado pelo Razão Analítico da referida conta. O saldo restante de R$ 2.975.069,12 foi adicionado pelo impugnante; 4.3.3. para corroborar tal fato, junta o Razão da conta 1.3.01.512 ("Equivalência Ale Combustíveis (Repsol)"), na qual foram lançados esses resultados. Junta também cópia integral do ECD, já retificado, onde resta cristalina a correção do procedimento adotado; 4.3.4. o balanço patrimonial também faz prova: o saldo de investimento na conta acima mencionada em 31 de dezembro de 2008 é de R$ 159.141.411,41. Deste valor são reduzidos 5.894 milhares a título de equivalência patrimonial, correspondente a operação: R$ 2.975.069,12 referentes ao resultado negativo de equivalência patrimonial, mais R$ 3.215.599,04 referentes a deságio na compra de ações da Repsol, menos R$ 2.913.599,04 referentes ao estorno. Subtraindo tais valores dá um patrimônio líquido em 2008 de 153.248 milhares; 4.3.5. a desconsideração fiscal do estorno põe fim à neutralidade dos efeitos dos resultados de equivalência patrimonial na apuração do lucro líquido. O impugnante deduziu apenas R$ 2.975.069,12, mas está sendo adicionado pelo Fiscal o valor de R$ 5.888.668,16. 4.4 3a infração Prejuízos fiscais 4.4.1. a insuficiência de saldos para a compensação em 2009 resulta, em parte, das glosas efetuadas pela fiscalização em 2008. Assim, o cancelamento daquelas, pelas razões expostas, implica o cancelamento da exigência neste item; 4.4.2. de outra parte, há uma divergência entre o saldo de prejuízo fiscal existente em 31 de dezembro de 2007 considerado pela autoridade fiscal, de R$ 18.741.718,69, conforme consta do sistema Sapli, e o saldo registrado em seu Lalur e nas DIPJs, de R$ 22.897.836,11. A diferença de R$ 4.156.117,42 corresponde exatamente ao valor do prejuízo fiscal constante da DIPJ parcial transmitida no anocalendário 2006 por ocasião da incorporação da Cia SAT, em anexo. Essa abrange o período de junho a julho de 2006; 4.4.3. esse valor corresponde ao prejuízo fiscal apurado pela própria impugnante, não se tratando, pois, de hipótese de compensação de prejuízos fiscais apurados por pessoa jurídica sucedida em virtude de incorporação, e, por conseguinte, não se aplicando a restrição do art. 33 do DecretoLei n° 2.341, de 1987, consolidada no art. 514 do RIR/99. 4.5. 4° infração Multa isolada descabimento 4.5.1. em caso de cancelamento da exigência referente às amortizações de ágio, a multa deverá ser cancelada; Fl. 28725DF CARF MF 16 4.5.2. contudo, para fins de argumentação, ainda que fosse procedente a glosa da amortização do ágio, a multa de ofício vinculada aplicada sobre a insuficiência dos recolhimentos excluiria a multa isolada, sob pena de duplicidade de penalização, tendo em conta que a base legal para a cobrança dessas multas é o mesmo art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996; 4.5.3. mesmo com as alterações do art. 44 introduzidas pela Lei n° 11.488, de 2007, não houve mudança de entendimento, permanecendo a impossibilidade de cobrança cumulativa. Após o encerramento do períodobase não mais cabe aplicar a multa isolada sobre o valor apurado ao seu final, sujeito exclusivamente à multa de ofício de 75%; 4.5.4. a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais firmouse nesse sentido; também é possível aplicar o preceito básico em matéria penal de que a infração mais grave absorve a secundária ("consunção"), ademais quando o fato considerado infracional é um só. Este princípio vem sendo acolhido pela jurisprudência administrativa; 4.5.5. também é possível aplicar o preceito básico em matéria penal de que a infração mais grave absorve a secundária ("consunção"), ademais quando o fato considerado infracional é um só. Este princípio vem sendo acolhido pela jurisprudência administrativa; 4.6 Demais argumentos Juros sobre multa de ofício vinculada 4.6.1. na remota hipótese de se entender pela manutenção da exigência fiscal combatida, deve ser afastada a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício, pois a lei prescreve a aplicação do referido encargo somente sobre as multas isoladas. 5. Recebida a contestação do sujeito passivo, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal (DRF/NAT) encaminhou os autos do processo a esta Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (DRJ/REC) por intermédio do despacho à fl. 28312, oportunidade em que se pronunciou pela tempestividade da impugnação. A defesa foi julgada PARCIALMENTE PROCEDENTE pela Delegacia de Julgamento, cuja ementa restou assim consignada: "Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 DECADÊNCIA. ÁGIO EM INVESTIMENTO. AMORTIZAÇÃO. FATO IMPONÍVEL TRIBUTÁRIO. O reconhecimento do ágio não representa manifestação de fato imponível tributário, pelo que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário decorrente da redução indevida do resultado do exercício iniciase a cada amortização anual, e não com o seu registro original. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. ALIENAÇÃO. A incorporação de ações na forma do art. 252 da Lei das S/A constitui forma de alienação de ações da empresa que se tornará subsidiária integral para a incorporadora (que passará a ser sua controladora), sendo o pagamento efetuado por este para aquela por intermédio de ações por si emitidas em decorrência de aumento de seu capital social. ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. LAUDO DE AVALIAÇÃO COM BASE EM RENTABILIDADE FUTURA. INCORPORAÇÃO DA CONTROLADORA PELA SUBSIDIÁRIA INTEGRAL. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. É passível de registro como ágio no Ativo Permanente da controladora o excedente pago por ações acima do seu valor patrimonial em operação de incorporação de Fl. 28726DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.718 17 ações, desde que tal ágio esteja justificado por laudo de avaliação expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura. Na hipótese da subsidiária integral incorporar a sociedade controladora que adquiriu sua ações na referida operação, poderá deduzir a amortização desses juros para fins de apuração do lucro real. PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO. Uma vez que o pagamento do ágio na incorporação de ações não é feito em numerário, mas sim por meio de emissão de ações resultante de aumento do capital social da incorporadora, o preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembleia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento somente é possível mediante a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente. RESULTADO NEGATIVO EM INVESTIMENTO AVALIADO POR EQUIVALÊNCIA PATRIMONIAL. NECESSIDADE DE ADIÇÃO NA APURAÇÃO DO LUCRO REAL NA HIPÓTESE DE DEDuÇãO NO CÁLCULO DO LUCRO CONTÁBIL. É exigência da norma que o montante do resultado negativo apurado em investimentos avaliados pela equivalência patrimonial não seja computado na determinação do lucro real. Ou seja, se foi considerado no cálculo do lucro contábil, deverá ser adicionado na determinação do lucro real. Assim procedeu o contribuinte. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. SAPLI. DECLARAÇÃO NÃO INCLUÍDA. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. É devido retificar as informações constantes do sistema Sapli para fins de incluir declaração especial considerada como não encontrada no sistema. GLOSA DE COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. SALDO INSUFICIENTE. Após retificação dos dados do sistema Sapli restou demonstrado existir saldo de prejuízo fiscal a compensar no anocalendário 2009, porém em montante inferior ao utilizado pelo contribuinte em sua declaração. Glosa parcial devida. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO ESTIMADO. EXIGÊNCIA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO VINCULADA. POSSIBILIDADE. BASES DE CÁLCULO DISTINTAS. É possível a aplicação conjunta de multa isolada e multa de ofício vinculada ao tributo vez que são sanções decorrentes de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas, além do que são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. MULTA ISOLADA. EXIGÊNCIA APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. POSSIBILIDADE. Não há impedimento legal para o lançamento da multa isolada após encerrado o ano calendário. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. Devida a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte" Fl. 28727DF CARF MF 18 Para um melhor entendimento das conclusões do julgado, vejase o dispositivo do acórdão da decisão a quo: a) por unanimidade de votos, rechaçar a preliminar de nulidade e a alegação de decadência relativamente à glosa de amortização de ágio; b) por unanimidade de votos, afastar a infração relativa à falta de adição ao lucro líquido de resultado negativo de investimento avaliado por equivalência patrimonial; c) por maioria de votos, considerar procedente em parte a glosa de amortização de ágio decorrente de incorporação de ações, vencido o julgador Giovanni Christian Nunes Campos, que considerou procedente o lançamento nesta parte em virtude da incorporação de ações não representar uma operação de aquisição de ações; d) por unanimidade de votos considerar procedente em parte a glosa da compensação de prejuízo fiscal realizada em 2009; e) por unanimidade de votos considerar procedente em parte a multa isolada; f) por unanimidade de votos considerar procedente a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício a partir do vencimento do lançamento até o pagamento do crédito tributário. Diante da parcial procedência, o contribuinte interpôs recurso voluntário, repetindo os argumentos articulados na impugnação, na parte que lhe foi desfavorável. É o relatório. Fl. 28728DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.719 19 Voto Vencido Conselheiro Demetrius Nichele Macei Basicamente, a DRJ acolheu a possibilidade da amortização do ágio, considerando que o mesmo é fruto de aquisição, por meio de incorporação de ações. A autuação subsistiu parcialmente pois a fiscalização questionou o valor efetivo do ágio. Portanto, entendo prudente tratar inicialmente do recurso de ofício para, uma vez julgado, possamos prosseguir ao julgamento do recurso voluntário. RECURSO DE OFICIO Glosa de amortização de ágio Conforme relato constante no voto da Delegacia de Julgamento, a empresa Cia. Sat Participações, com início em 23 de março de 2006, foi constituída pelo grupo Satélite especificamente para viabilizar o "Acordo de Associação" firmado entre os grupos Ale e Satélite, que visava, ao fim da reorganização societária, a exploração econômica e empresarial de forma compartilhada entre estes. Tal empresa teve curta duração, de cerca de quatro meses, pois em 24 de julho de 2006 foi incorporada pela subsidiária integral Ale Combustíveis (empresa operacional do grupo Ale). A única finalidade da constituição dessa empresa temporária foi viabilizar a reorganização societária pretendida pelos dois grupos empresariais. A formação do capital da Cia. Sat Participações se deu de tal forma que, em 09 de junho de 2006, tornouse titular das ações da empresa Satélite (empresa operacional do grupo Satélite). Foi constituída inicialmente com capital social no valor de R$ 1.000,00, sofrendo aumentos posteriores integralizados pelas empresas do grupo Satélite nos seguintes montantes: R$ 20.581.760,00 em 01/06/2006; R$ 7.075.131,00 em 06/06/2006; R$ 11.798.900,00 em 08/06/2006; e R$ 15.752.326,00 em 09/06/2006. Ao final, em 09 de junho de 2006, possuía 55.209.117 ações ordinárias ao preço de R$ 55.209.117,00. Para dar seguimento ao acordo firmado, a Cia Sat Participações aumentou seu capital social a fim de proceder a incorporação de todas as ações da empresa Ale Combustíveis, cuja única sócia detentora de 100% das ações representativas do seu capital era a empresa Ale Participações. A Cia Sat Participações aumentou seu capital em 100%, aumentandoo de R$ 55.209.117,00 para R$ 110.418.234,00. Para tanto emitiu 55.209.117 ações, o mesmo número de ações detidas pelo grupo Satélite, visando alcançar a paridade pretendida ao final da reorganização societária. O valor patrimonial registrado da Ale Combustíveis era de R$ 6.080.551,34, mas foi objeto de laudo de avaliação com base em rentabilidade futura pela empresa Avaliar Avaliações e Assessoria S/C Ltda, cuja cópia está às fl 691 a 753, correspondendo a um montante final, descontados os dividendos de 2006 e cisões ocorridas, de R$ 241.273.000,00. Este laudo foi aprovado em assembleia da Cia Sat Participações realizada em 03 de julho de 2006, conforme cópia às fl. 638 a 642. Tendo em vista a avaliação do patrimônio da Ale Combustíveis, a Cia Sat Participações emitiu as suas ações no preço de R$ 241.273.000,00. Deste valor integralizado, R$ 55.209.117,00 foram registrados como aumento de capital, haja vista que o objetivo era manter a paridade, e o ágio de R$ 186.063.883,00 foi registrado como reserva de capital. Assim, a Cia SAT passou a ser detida pelos seus acionistas originais (grupo SAT) em 50%, ficando os demais 50% na Fl. 28729DF CARF MF 20 titularidade da Ale Participações. Por sua vez, a Cia SAT passou a deter 100% das ações da Satélite e da Ale Combustíveis, suas subsidiárias integrais. Em seu ativo, a Cia Sat Participações registrou a sua participação na empresa Ale Combustíveis da seguinte forma: o valor do patrimônio registrado na subsidiária integral, de R$ 6.080.551,34, foi escriturado como custo de aquisição; já a diferença de valor decorrente do laudo de avaliação baseado em rentabilidade futura, no montante de R$ 235.192.448,66 (= R$ 241.273.000,00 R$ 6.080.551,34), foi lançado como ágio. Após a incorporação de ações, em 24 de julho de 2006 a Ale Combustíveis, agora como subsidiária integral da Cia Sat Participações, incorporou sua controladora (incorporação societária), passando a registrar em sua contabilidade o ágio anteriormente registrado na extinta Cia Sat de Participações. Passou também, em consequência, a ser controladora total da Satélite. Ao fim, concluindo a reorganização societária, a Ale Combustíveis incorporou a Satélite, alterando, posteriormente, a sua denominação para Alesat Combustíveis SA. No entendimento do sujeito passivo, as amortizações do ágio transferido da controladora (Cia Sat Participações) para a sua controlada (Ale Combustíveis atualmente Alesat) são passíveis de serem deduzidas para fins de apuração do lucro real, enquanto a autoridade fiscal entende de modo diverso, razão pela qual glosou suas deduções. Para justificar a glosa, considerou que a incorporação de ações regulada no art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, não representa uma aquisição de participação societária de que trata o art. 386 do RIR/99; não é uma operação de compra e venda, assemelhandose a uma operação de permuta. Para ele, "o requisito da dedutibilidade está condicionado ao fato da pessoa jurídica que está absorvendo o patrimônio de outra, tenha, nesta outra, participação societária adquirida com ágio", e, no presente caso, entende que "não se poderia admitir como efetiva a ocorrência de aquisição de investimento com ágio na operação pois não houve efetivo pagamento''" (grifo no original). Conclui que o ágio sob análise é meramente escritural. Vejamos o que dispõe a Lei n° 6.404, de 1976 sobre o instituto da incorporação de ações: Art. 252. A incorporação de todas as ações do capital social ao patrimônio de outra companhia brasileira, para convertêla em subsidiária integral, será submetida à deliberação da assembléiageral das duas companhias mediante protocolo e justificação, nos termos dos artigos 224 e 225. § 1° A assembléiageral da companhia incorporadora, se aprovar a operação, deverá autorizar o aumento do capital, a ser realizado com as ações a serem incorporadas e nomear os peritos que as avaliarão; os acionistas não terão direito de preferência para subscrever o aumento de capital, mas os dissidentes poderão retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso Fl. 28730DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.720 21 do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 1997) § 2° A assembléiageral da companhia cujas ações houverem de ser incorporadas somente poderá aprovar a operação pelo voto de metade, no mínimo, das ações com direito a voto, e se a aprovar, autorizará a diretoria a subscrever o aumento do capital da incorporadora, por conta dos seus acionistas; os dissidentes da deliberação terão direito de retirarse da companhia, observado o disposto no art. 137, II, mediante o reembolso do valor de suas ações, nos termos do art. 230. (Redação dada pela Lei n° 9.457, de 1997) § 3° Aprovado o laudo de avaliação pela assembléiageral da incorporadora, efetivarseá a incorporação e os titulares das ações incorporadas receberão diretamente da incorporadora as ações que lhes couberem. Extraise que a incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. É a previsão legal para a instituição de subsidiária integral de modo derivado. Em que pese referência aos art. 224 e 225, bem assim a presença do vocábulo "incorporação", a incorporação de ações é operação diversa da incorporação de sociedade. Nesta, o incorporador absorve o patrimônio da incorporada, que deixa de existir, sucedendolhe nos direitos e obrigações; o mesmo não ocorrendo naquela, onde a incorporada permanece, mantendose autonomia patrimonial entre as sociedades envolvidas. Nesse sentido, Luís Eduardo Schoueri e Luiz Carlos de Andrade Jr (Revista Dialética de Direito Tributário nº 200 "Incorporação de Ações: Natureza Societária e Efeitos Tributários): Não nos parece acertada tal equiparação. No que tange à nomenclatura, já se reconheceu ter sido imprópria a opção legislativa por se denominar incorporação o negócio jurídico tipificado no artigo 252. Com relação ao procedimento, são várias as manifestações doutrinárias ao reconhecer que a sua identidade não permite a equiparação entre os institutos, uma vez que eles conduzem a consequências jurídicas diversas. Com efeito, basta dizer que, enquanto a incorporação de sociedades acarreta a extinção da sociedade incorporada, a incorporação de ações dá causa à transformação da última em subsidiária integral da sociedade "incorporada". Ademais, o patrimônio da sociedade incorporada, na incorporação de sociedades, passa a integrar o patrimônio da sociedade incorporada, situação diversa da constatada ao cabo da incorporação de ações, na qual mantémse a autonomia patrimonial entre as sociedades envolvidas. Fl. 28731DF CARF MF 22 Em que pese a unanimidade dos doutrinadores quanto à diferença entre os institutos da incorporação de ações e da incorporação de sociedades, há controvérsia no que se refere à natureza jurídica daquela. Conforme bem destacado na decisão de piso, é possível delimitar duas correntes doutrinárias quanto a esta matéria: 1. a primeira corrente vê a incorporação como uma operação semelhante ao aumento de capital mediante a conferência de bens, implicando uma alienação das ações incorporadas. A este entendimento se filiam, por exemplo, Fran Martins, Modesto Carvalhosa, Edmar Oliveira Andrade Filho, bem assim o próprio Schoueri, com algumas ressalvas; 2. a segunda corrente não reconhece a alienação de ações pela incorporada, entendendo haver tão somente uma substituição de ações em razão de subrogação real. Adeptos a esta interpretação são, entre outros, os doutrinadores Nelson Eizirik, Alberto Xavier e Daniel Kalansky. Percebese que a divergência entre os doutrinadores reside exatamente no ponto de discórdia entre o sujeito passivo e o AuditorFiscal: tem a incorporação de ações natureza de alienação ou não? Adotandose a primeira posição, o ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerarseá adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda. Considerando a segunda linha de interpretação, o ágio não teria sido adquirido, não se permitindo a sua amortização. Os adeptos da segunda corrente, para justificarem seu posicionamento, baseiamse, em síntese, nos seguintes argumentos: 1. na incorporação de ações não há subscrição mediante conferência de bens haja vista a ausência de manifestação de vontade dos acionistas da companhia cujas ações são incorporadas. Como a lei não exige a aprovação da unanimidade dos sócios, mas apenas da maioria, os sócios divergentes seriam privados de suas ações contra a sua vontade. Sua adesão ao negócio é involuntária. Assim, na subscrição com bens o negócio é realizado entre o sócio e a sociedade, enquanto na incorporação de ações é efetuado entre sociedades; 2. na incorporação de ações os titulares das ações incorporadas limitamse passivamente a receberem da sociedade incorporadora ações substitutivas das originalmente detidas, as quais ocupam lugar daquelas nos seus patrimônios. Ocorre, assim, o instituto da subrogação real. A despeito do entendimento acima, o fato é que o acionista expôs sua vontade individual quando da entrada na sociedade e que no momento exato da incorporação não cabe questionar mais a respeito de tal vontade, pois nesta oportunidade somente é relevante a vontade da companhia, formada pela maioria da assembleia geral. Se houvesse necessidade de saber a vontade específica dos acionistas no ato da incorporação de ações, tal vontade não estaria ausente, vez que decorrente de manifestação direta da maioria dos acionistas em assembleia e de aceitação presumida pela minoria que não exerceu o direito de retirada: Ademais, no caso concreto, cabe destacar que a empresa incorporada era detida integralmente pela empresa Ale Participações. Assim, não há que se discutir que a vontade do titular das ações foi manifestada e executada. Ainda que não detivesse o controle acionário da Ale Combustíveis, seu sócio, Ale Participações, deixou de exercer seu direito de saída e passou a atuar como sócio da nova companhia, Cia Sat Participações, sem dúvida manifestando sua vontade de forma tácita em assumir a nova posição jurídica. Não poderia ser diferente, vez que a transação decorreu de uma acordo prévio de associação entre os dois grupos. A manifestação foi dada inclusive de forma expressa, destaquese, no referido acordo prévio. Fl. 28732DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.721 23 Não resta dúvida pois que na operação de incorporação de ações estão presentes a manifestação da vontade do titular da ação, bem assim a transferência de ações para a empresa incorporadora, recebendo, como pagamento (lato sensu), ações decorrentes de aumento de capital desta. Pelo caminho inverso, a subscrição das ações da incorporadora é paga com ações da incorporada. Frisese que essa transferência de ações representa transmissão de título de propriedade, conforme disposição contida no art. 9° da Lei da S.A. abaixo transcrito. Isto porque o art. 252 não informa de forma expressa a que título as ações são transferidas: Art. 9°. Na falta de declaração expressa em contrário, os bens transferemse à companhia a título de propriedade. Conclui corretamente a decisão a quo, que a incorporação de ações é um instituto jurídico típico do Direito Societário com especificidades próprias tratadas no art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, as quais foram criadas para melhor viabilizar a formação de subsidiária integral. Operacionalizase mediante aumento de capital na incorporadora e subscrição e integralização das ações emitidas por intermédio de transferência, ou melhor, alienação de ações pela sociedade incorporada mediante autorização legal. No âmbito deste Conselho, o posicionamento dado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) também foi no sentido de que a incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo, dando provimento ao recurso da Fazenda Nacional contra decisão das câmaras baixas daquele órgão. A ementa do acórdão n° 920200.662, de 12 de abril de 2010, está transcrita a seguir: IRPF OPERAÇÃO DE INCORPORAÇÃO DE AÇÕES GANHO DE CAPITAL. As operações que importem a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitos a apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. (...) Entendo correto o entendimento da decisão de piso no que se refere a natureza jurídica da incorporação de ações, e portanto, houve efetiva aquisição pela incorporadora (Cia Sat Participações) das ações da incorporada (Ale Combustíveis). Tendo em vista que a controladora Cia Sat Participações foi posteriormente incorporada pela controlada Ale Combustíveis (subsidiária integral), esta última, passou a fazer jus à dedução da amortização do ágio existente quando da aquisição desta empresa por aquela na oportunidade da operação de incorporação de ações, na forma dos arts. 385 e 386 do RIR/99 Por estas razões, voto pela improcedência do recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso do contribuinte é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A controvérsia se resume em saber o montante efetivo do ágio escriturado pela Cia Sat Participações em decorrência da aquisição de participação na Ale Combustíveis por intermédio de incorporação de ações. Fl. 28733DF CARF MF 24 O valor patrimonial das ações da Ale Combustíveis no momento da incorporação era de R$ 6.080.551,34, sendo que houve uma avaliação por empresa especializada com base em critério de rentabilidade futura (critério econômico) que valorou tais ações em R$ 241.723.000,00. Este laudo está às fl. 691 a 753, e não foi desqualificado pela autoridade fiscal. Ocorre que a autoridade fiscal entendeu que o ágio pago não foi efetivamente esta diferença de R$ 235.192.448,86. Neste momento é interessante transcrever considerações feitas pela autoridade fiscal que tem relação direta com a questão: 58. Acrescentese o fato de que as novas ações emitidas pela Cia Sat não possuem qualquer avaliação que ateste (respalde) o seu valor de mercado, o qual serviu de base para a constituição da Reserva de Capital denominada de Ágio na Emissão de Ações. Há, na verdade, uma referência a essa avaliação conforme tratado na Ata da AGE da Cia Sat, de 03/07/2006, porém a fiscalizada esclareceu que tal documento não existe. 59. Ou seja, não existe um laudo a amparar a entrega pela Ale Participações das ações da Ale Combustíveis, avaliadas por 241.273.000,00, em troca de ações da Companhia Sat no valor de R$ 55.209.117,00. 60. Mas, a sucessão dos fatos transcorreu com Cia Sat aumentando seu Capital Social, o qual era de R$ 55.209.117,00, em igual montante, passando esse a totalizar R$ 110.418.234,00, com subscrição pela Ale Participações Societárias, com integralização mediante entrega das ações da Ale Combustíveis (Ale), da qual era titular. 61. Com isso, a Cia Sat passou a ter em seu Ativo Permanente um investimento em "Ale Combustíveis" de R$ 6.080.551,34 e em "Agio em Ale Combustíveis" de R$ 235.192.448,66, assim como um aumento em "Capital Social" de R$ 55.209.117,00 e em "Reserva de Capital Agio na Emissão de Ações" de R$ 186.063.883,00. (...) 81. O ágio ora tratado de R$ 235.192.448,86 é aquele originado quando do lançamento das novas ações da Cia Sat Participações no momento em que esta adquiriu as ações da Ale Combustíveis. Nesse momento a Ale Participações entregou todas as ações da Ale Combustíveis, avaliadas em R$ 241.273.000,00, em troca de ações da Cia Sat Participações, no valor de R$ 55.209.117,00. Como já anteriormente relatado não há laudo de avaliação das ações da Cia Sat Part. Subscritas pela Ale Participações. 82. Consta para a empresa Ale Combustíveis (futura Alesat) o laudo avaliandoa em R$ 241.273.000,00, mas o valor integralizado pela Ale Participações no aumento do Capital Social da Cia Sat foi de R$ 55.209.117,00. 83. Dessa maneira, não tem a AGE de 03/07/2006 da Cia Sat base para atribuir o valor de R$ 241.273.000,00 às ações emitidas para aumento do seu capital no valor de R$ 55.209.1170,00. 84. Nesse ponto identificamos equívoco nos lançamentos contábeis efetuados pela Cia Sat por ocasião da operação de incorporações de ações. 85. O capital da Cia Sat foi aumentado em R$ 55.209.117,00, integralizado por ações da Ale Combustíveis correspondentes ao patrimônio líquido dessa empresa no valor de R$ 6.080.551,34. O fato contábil que surge da operação é um aumento do patrimônio líquido (capital) e um aumento do ativo imobilizado (investimentos) no valor de R$ 55.209.117,00. 86. Considerando que as ações recebidas correspondem ao patrimônio líquido da Ale Combustíveis no valor de R$ 6.080.551,34, há um ágio no valor de R$ 49.138.565,68. Não há fato contábil que justifique o registro de ágio no valor de R$ 235.192.448,86. 87. A ações da Ale Combustíveis foram avaliadas ao valor de mercado por R$ 241.273.000,00, entretanto, essas ações foram entregues à Cia Sat em troca de ações dessa última pelo valor de R$ 55.209.117,00 e não de 241.273.000,00. Fl. 28734DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.722 25 88. Para uma amortização em 120 meses, o ágio de R$ 49.138.565,68 resulta em R$ 409.488,05 por mês e em R$ 4.913.856,57 por ano, portanto, diferente dos R$ 1.959.937,07 por mês e de R$ 23.519.244,87 por ano, registrados pelo contribuinte. Em relação a estas colocações, o sujeito passivo carreou os argumentos sintetizados a seguir: 1. como a emissão de ações sem valor nominal não guarda correspondência com o capital social, o art. 182, §1°, alínea "a" da Lei n° 6.404, de 1976, estabelece que a parte do preço excedente deve ser registrada em reserva de capital. Ou seja, o ágio apurado deve ser registrado como reserva de capital; 2. porém, a lei fiscal não condiciona a apuração do custo a qualquer laudo ou trabalho técnico, estando o custo apenas sujeito à comprovação de sua efetividade, o que se dá por todos os meios de prova admitidos em direito, no caso: a) acordo de associação firmado em 30 de junho de 2006; b) ata da assembleia geral extraordinária da Cia SAT datada de 03 de julho de 2006, em que consta o preço de emissão das novas ações em virtude da incorporação de ações; c) boletim de subscrição das novas ações da Cia SAT, de 03 de julho de 2006, evidenciando a segregação do preço de emissão em capital e reserva; d) ata da assembleia geral extraordinário da Ale Combustíveis, de 03 de julho de 2006, com aprovação da incorporação de ações daquela empresa e o desdobramento das ações da Cia SAT recebidas, com registro de R$ 55.209.117,00 como capital, e R$ 186.063.883,00 em reserva, perfazendo R$ 241.273.000,00; e) protocolo e justificação de incorporação de ações assinado pelos representantes de Cia SAT e Ale combustíveis, datado de 19 de junho de 2006; 3 o art. 252 da Lei n° 6.404, de 1976, exige expressamente apenas a avaliação das ações da empresa incorporada, e não da empresa incorporadora. Esse laudo existe e foi apresentado ao Fisco durante a fiscalização, atribuindo às ações da Ale Combustíveis o valor de R$ 241.273.000,00. Na espécie, conforme alegado pelo sujeito passivo: a) as ações emitidas em função de aumento de capital não possuíam valor nominal; b) o preço de emissão foi fixado com base em laudo de avaliação das ações que seriam incorporadas, o qual consta dos autos consoante já mencionado; c) a assembleia da Cia Sat Participações de 03 de julho de 2006 autorizou o preço de emissão de R$ 241.273.000,00; d) parte do preço de emissão, R$ 186.063.883,00, foi registrada em reserva de capital a fim de obter um equilíbrio societário entre os dois grupos empresariais. Segundo o disposto no art. 14 da lei acima referenciada, para o caso de ações sem valor nominal, como acontece aqui, o preço de emissão de ações é fixado em assembleia geral, a qual decide se parte de seu valor será destinado à formação de reserva de capital. Não há na legislação estabelecimento de montante mínimo ou máximo a ser direcionado à referida reserva, cabendo à assembleia geral a decisão nesta parte Além disso, no art. 252 da Lei das S.A. não há exigência para a elaboração de laudo de avaliação das ações emitidas para aumento de capital a fim de se determinar seu preço, diferentemente do que ocorre quanto à valoração das ações a serem incorporadas, conforme disposto em seu §1°. De fato, não se discute a ausência na legislação tributária de exigência expressa de elaboração de laudo de avaliação das ações emitidas para aumento de capital que defina seu preço emissão, ou seja, o preço pago na aquisição das ações da empresa "incorporada", como condição para que o contribuinte possa considerar a parcela correspondente à registrada em reserva de capital como ágio na aquisição do investimento. Todavia, a lei fiscal exige a comprovação documental suficiente de todas as transações escrituradas; o que, no presente caso, corresponde à obrigatoriedade de comprovação da Fl. 28735DF CARF MF 26 efetividade do pagamento do valor escriturado a título de investimento, abrangendo o custo de aquisição e o ágio. Como na operação realizada o pagamento não foi efetuado em numerário, mas em ações, a comprovação deste tornase um pouco mais complexa e sujeita a uma maior subjetividade na apreciação dos documentos colacionados. De acordo com o art. 170, §1° da Lei das S.A., quando do aumento de capital, o preço de emissão deve ser fixado tendo em vista a cotação das ações no mercado, o valor do patrimônio líquido e as perspectivas de rentabilidade da companhia. O valor patrimonial das ações existentes na Cia Sat Participações antes do aumento de capital para a aquisição das ações da Ale Combustíveis, era de R$ 1,00 cada, vez que existiam 55.209.117 ações correspondendo a uma patrimônio líquido de R$ 55.209.117,00, exatamente o montante do capital social (vez que a Cia Sat Participações foi uma empresa veículo criada tão somente para viabilizar a reorganização societária na forma pretendida e com os efeitos pretendidos). Tal avaliação patrimonial seria a única possível de ser realizada pelos sócios da Cia Sat Participações, e, por conseguinte, pela assembleia geral, haja vista o acesso ao balanço patrimonial. Qualquer outra avaliação prevista no dispositivo acima mencionado, seja de mercado ou de rentabilidade futura, representaria um exercício de adivinhação sem qualquer lastro econômico financeiro se não realizada por uma empresa especializada. Tanto é assim que, conforme destaca a fiscalização e reitera a decisão da DRJ, na Ata da Assembleia Geral Extraordinária de 03 de julho de 2006 da Cia Sat Participações (fl. 638 a 641) houve referência à existência de um laudo de avaliação de suas ações, cuja existência foi negada pelo sujeito passivo durante a fiscalização. É óbvio que assembleia entendia imprescindível o laudo para uma correta e embasada fixação de preço: 6. DELIBERAÇÕES: Todas tomadas por unanimidade de votos dos acionistas: (i) foi ratificada a nomeação da empresa especializada AVALIAR AVALIAÇÕES E ASSESSORIA LTDA., devidamente qualificada no referido Documento I, que procedeu à elaboração dos Laudos de Avaliação das Ações de emissão da ALE e das 55.209.117 (cinqüenta e cinco milhões, duzentas e nove mil, cento e dezessete) ações nominativas sem valor nominal de emissão da Companhia, com DataBase de 30 de junho de 2006, para fins de incorporação das Ações pela Companhia (Documento I); (ii) Prestados os esclarecimentos necessários, foi aprovado o referido Documento I, tendo os acionistas concordado integralmente com os termos nele contidos e os valores nele indicados. Os referidos Laudos de Avaliação, rubricados pela mesa, encontramse arquivados na sede da Companhia, para todos os fins de direito; (iii)(...)(grifei) Não há nenhuma irregularidade aparente nesse procedimento sob o ponto de vista da norma societária, vez que o preço foi fixado em assembleia geral. Porém, este preço, segundo a fiscalização, simplesmente está amparado pela vontade dos acionistas em implementar a operação na forma como foi feita com o objetivo único e claro de gerar um ágio fictício. É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento. O único valor comprovado documentalmente foi o valor patrimonial das ações da Cia Sat Participações à época da incorporação das ações, que, conforme dito, era de R$ 1,00 cada. Assim, como foram emitidas 55.209.117 ações, o preço total de emissão foi de R$ 55.209.117,00, integralmente registrado no capital social. Este é que pode ser considerado o valor efetivamente pago na aquisição das ações da Ale Combustíveis, ou, de outra forma, o valor da transação para fins tributários. Este foi o impacto efetivo sentido pelo sócio anterior da Cia Sat Participações, mediante a redução de sua influência nesta companhia pela metade. Fl. 28736DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.723 27 Caso a Cia Sat Participações tivesse emitido 241.273.000 de ações faria jus, segundo a interpretação da DRJ, ao registro do ágio de investimento de R$ 235.192.448,86, conforme por si escriturado. Contudo, se assim tivesse procedido os grupos Satélite e Ale não alcançariam a almejada paridade de poder na administração da Ale Combustíveis ao final da reorganização societária. Assim, como foram pagos de fato R$ 55.209.117,00 na aquisição das ações e o valor patrimonial destas na Ale Combustíveis era de R$ 6.080.551,34, houve um ágio efetivo no valor de R$ 49.128.565,66. Considerando uma amortização em 120 meses, correto o entendimento de que a parcela mensal passível de dedução para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda seria de R$ 409.404,71, e com base nesse entendimento, é que a DRJ reduziu a glosa efetuada no auto de infração de R$ 1.959.937,07 mensais para R$ 1.550.532,36. DECADÊNCIA O tema é pacífico neste Colegiado. Entendese que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Até mesmo porque o art. 113, § 1º, do CTN aduz que “A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador” e o papel do Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 142 do Estatuto Processual, nada mais é do que o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente. Portanto, o lançamento, dado seu caráter constitutivo do crédito tributário, mas declaratório da obrigação, somente pode ser realizado após a ocorrência do fato gerador e, conseqüentemente, o surgimento da obrigação tributária. Não é papel do Fisco auditar as demonstrações contábeis dos contribuintes a fim de averiguar sua correição à luz dos princípios e normas que norteiam as ciências contábeis. A preocupação do Fisco deve ser sempre o reflexo tributário de determinados fatos, os quais, em inúmeras ocasiões, advêm dos registros contábeis. Ressaltese o § 4º do art. 9º do Decreto nº 70.235, de 1972, prevê que seja efetuado o lançamento “também nas hipóteses em que, constatada infração à legislação tributária, dela não resulte exigência de crédito tributário.” Se por hipótese, o contribuinte mantivesse o ágio em seu ativo e não o amortizasse, não teria ocorrido o fato gerador, e, na ausência de infração à legislação tributária, não haveria que se falar em lançamento, pois mesmo nos casos em que do lançamento não resulte exigência de crédito tributário, a constatação de infração à legislação tributária é condição sine qua non para formalização do lançamento. Com efeito, o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Considerandose que a exigência diz respeito a fatos geradores ocorridos a partir do anocalendário de 2008 e 2009, e a ciência do lançamento se deu em 2013, portanto, Fl. 28737DF CARF MF 28 em período inferior a cinco anos contados a partir da data da ocorrência do fato gerador, não há que se falar em decadência. Nesse cenário, voto por rejeitar a arguição de decadência cuja tese implicaria contagem do prazo decadencial a partir da formação dos ágios, e não de sua efetiva amortização. JUROS SOBRE A MULTA Por fim, quanto a alegação da recorrente de que não é cabível a incidência dos juros sobre a multa de ofício, importa registrar que a exigência de acréscimos moratórios sobre a penalidade não é objeto do lançamento ora em litígio, do qual consta a indicação de juros apenas sobre o valor principal. No que se refere ao tema, porém, sendo pacífico o entendimento desta Turma Julgadora, cabe simplesmente registrar que a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentes de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). Rejeito, pois, as alegações da recorrente também neste item. MULTA ISOLADA CONCOMITANTE À MULTA DE OFÍCIO O argumento trazido pelo acórdão de impugnação para justificar a possibilidade da cobrança cumulativa da multa de ofício com a multa isolada consiste no fato de tanto uma quanto a outra decorrer de situações fáticas distintas, que geram obrigações também distintas, além do que são determinadas a partir de bases de cálculo diferentes por definição. Fl. 28738DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.724 29 Ouso, com a devida vênia, discordar de tal entendimento, pois tal possibilidade implicaria em duplicidade de penalização. Justifico. O E. STJ em decisão recente no Resp 1.496.354PR (julgado em 17 de março de 2015), cujo relator foi o Ministro Humberto Martins, demonstra a impossibilidade da cumulatividade da multa de ofício com a multa isolada através de uma interpretação sistemática e, inclusive, fundamentando sua decisão no Princípio da Consunção própria do Direito Penal por analogia. Acompanhemos o posicionamento do Ministro em relação ao artigo 44, da Lei 9.430/96, incisos I e II , que trazem as hipóteses da multa de ofício e da multa isolada, respectivamente: "Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativotributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo." Fl. 28739DF CARF MF 30 Este Conselho, por meio de sua Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao examinar a questão da incidencia de ambas as multas de forma simultânea, decidiu pela impossibilidade da cumulação, o que acarretou a edição da Sumula CARF nº 105 nos seguintes termos: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Todavia, posteriormente à Lei 11.488;07, que deu nova redação ao correspondente dispositivo do artigo 44 da Lei 9.430/96, este Conselho entendeu que não cabia mais a aplicação da Sumula 105, posto que a mesma foi formulada com base em julgados que trataram da Lei antes de sua modificação em 2007. Por outro lado, entendo que a alteração legislativa não resolveu o problema. Mesmo com a nova redação, o fato de persistir a incidencia da multa isolada sobre a multa de oficio, de per si, ofende o ordenamento jurídico vigente, ocasionando o chamado "bis in idem" relativamente à penalidade, o que fere a sistemática brasileira de imputação de sanções de qualquer natureza. Diante do exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário apenas para excluir a multa isolada, nos termos da fundamentação. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator Fl. 28740DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.725 31 Voto Vencedor Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Com a devida vênia, pelo vênia para discordar do i. Conselheiro Relator somente em relação à exigência de multa isolada aplicada em razão da falta de recolhimento de estimativas. Em razão da infração principal, a autuada deixou de recolher valores a título de estimativas de IRPJ e CSLL, ensejando a exigência de multas isoladas. Há de separar a exigência em dois períodos distintos em razão da nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996: o primeiro até o advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007) e o segundo após a edição de tal ato. DAS MULTAS ISOLADAS ATÉ O ADVENTO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351/2007 Em relação à aplicação da multa isolada de forma concomitante com a multa de ofício, em que pese meu entendimento pessoal sobre a matéria, recentemente foi aprovada súmula impedindo tal cobrança quando baseada no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, conforme se observa do enunciado nº 105 da Súmula CARF: "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício." Considerandose que a Medida Provisória nº 351/2007 que em seu art. 14 deu nova redação ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 – foi editada em 22 de janeiro de 2007 (e posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007), as multas isoladas cujos recolhimentos deveriam ter sido realizados antes de tal data devem ser exoneradas. Assim sendo, como o vencimento para pagamento da estimativa é o último dia útil do mês subsequente, devemse exonerar as multas isoladas relativas às estimativas referentes ao período de janeiro a novembro de 2006, já que a estimativa referente ao mês de dezembro de 2006 deveria ter sido recolhida até o dia 31/01/2007, quando já vigia a nova redação do dispositivo legal em questão. No caso concreto, a exigência diz respeito aos anoscalendário de 2008 e 2009, ou seja, a fatos geradores que ocorreram após o advento da MP nº 351/2007 que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 a que se refere Súmula CARF nº 105, ou seja, tal súmula é inaplicável ao caso concreto. Passo à análise desse novo dispositivo legal. DAS MULTAS ISOLADAS APÓS O ADVENTO DA MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351/2007 Fl. 28741DF CARF MF 32 Com a edição da Medida Provisória nº 351/2007 em 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas de IRPJ e CSLL passou a ter novo regramento. Desse modo, a partir da estimativa devida referente ao mês de dezembro de 2006, cujo vencimento se deu em 31/01/2007, a penalidade isolada aplicada no lançamento de ofício encontrase prevista no art. 44, inciso II, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, com a redação que lhe foi dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007, não se aplicando, portanto, a Súmula CARF nº 105. Confirase a nova redação do dispositivo em questão: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. [....] As multas exigidas juntamente com o tributo ou isoladamente, como definidas no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, vinculamse a infrações de natureza distinta. A Lei nº 9.430, de 1996, em seu art. 1º, estabeleceu como regra geral, a partir do mês de janeiro de 1997, a apuração do lucro real trimestral. Apenas por exceção a pessoa jurídica poderia optar pela apuração do lucro real anual, situação em que fica obrigada a efetuar os recolhimentos do IRPJ e da CSLL mensalmente, calculados por estimativa (artigo 2º). As bases de cálculo do IRPJ e da CSLL devidos mensalmente são determinadas por meio da aplicação, sobre a receita bruta do mês, de percentuais estabelecidos pelo artigo 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, de acordo com as atividades desenvolvidas pela pessoa jurídica. Consoante se verifica pela redação das normas transcritas, são essencialmente duas as penalidades previstas no art. 44 retrotranscrito (“serão aplicadas as seguintes multas”, “I...II”): uma, exigida juntamente com o tributo faltante, nas hipóteses de “de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata”. Essa penalidade está valorada em 75% “sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição”; outra, exigida de forma isolada, no percentual de 50%, na hipótese da falta recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e da CSLL. É pertinente esclarecer que os recolhimentos efetuados mensalmente a título de estimativas (art. 2º, §§ 3º e 4º, da Lei nº 9.430, de 1996) não são definitivos, porquanto a apuração definitiva do tributo devido se dará somente ao final de cada anocalendário. Esse o Fl. 28742DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.726 33 motivo pelo qual a penalidade pelo inadimplemento dessa obrigação é denominada multa isolada, uma vez que pode ser exigida independentemente de haver ou não tributo devido ao final do período de apuração. E também não há qualquer correlação entre o valor do tributo devido ao final de apuração e a multa isolada: sua base de cálculo é o valor do pagamento mensal (estimativa) de IRPJ ou CSLL que deixar de ser recolhido. Diante dessas constatações, é imperioso concluir que as multas são distintas e autônomas. Isso decorre, acima de tudo, das evidentes diferenças que existem entre as hipóteses de incidência e os consequentes das normas punitivas. No IRPJ e na CSLL, observamos que os critérios material e temporal são completamente distintos. O tributo não pago, decorrente da existência de lucro apurado trimestralmente ou anualmente, submetese à multa do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, enquanto que a estimativa não recolhida, decorrente da existência de receita bruta mensal ou balanços de redução, submetese à multa do inciso II do dispositivo antes citado. No caso do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430 de 1996, a quantificação toma por base o tributo devido em função do lucro, fazendo incidir o percentual de 75% (regra geral passível de qualificação e agravamento §§ 1º e 2º do art. 44). No caso do inciso II, letra “b”, do dispositivo antes citado, a quantificação toma por base a estimativa apurada em função da receita bruta ou resultados mensais, fazendo incidir o percentual de 50% (regra geral não passível de qualificação ou agravamento). Como se pode observar, são duas normas distintas e autônomas, que punem, em diferentes graus, ilicitudes diversas. Alega a Recorrente que a aplicação da penalidade isolada, tal qual perpetrada no auto de infração, viola o princípio da legalidade. Aduz ainda que não se poderia aplicála após o encerramento do exercício, tampouco em concomitância com a multa de ofício de 75%. Cita diversos acórdãos do CARF que dariam guarida a sua tese. Não merecem prosperar os argumentos de defesa. Vejamos. Em primeiro lugar, conforme já transcrito, a penalidade isolada por ausência de recolhimento de estimativas mensais está prevista no art. 44, II, da Lei nº 9.430/96, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da legalidade. Nesse sentido, também, não há ofensa ao art. 97, V, do CTN, uma vez que a multa em discussão foi instituída por lei. Em relação a não aplicabilidade das multas isoladas após o encerramento do exercício, implicaria ofensa à literalidade do art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, dispositivo que prevê, de forma expressa, a aplicação da penalidade isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente”. Ora, se a própria norma prevê sua aplicação ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base negativa de CSLL, pressupõese, por óbvio, que o exercício já tenha sido encerrado, sem o que não se poderia falar em apuração do resultado do exercício. Podese concluir que o ordenamento jurídico protege, com a multa isolada, o fluxo financeiro advindo do pagamento mensal das estimativas. Ora, inexistindo penalidade pelo seu não recolhimento não haveria como obrigar o contribuinte a antecipar o tributo, e o Fl. 28743DF CARF MF 34 pagamento das estimativas acabaria por se tornar mera faculdade do contribuinte, retirando da norma a sua força cogente, o que não se mostra razoável. Em relação às decisões colacionadas pela Recorrente, frisese que se baseiam na redação anterior do art. 44 da Lei nº 9.430/96. Em que pese minha particular discordância com a interpretação do referido dispositivo dada pelos acórdãos em questão, não se pode olvidar que os argumentos utilizados não se amoldam a novel redação dada ao dispositivo pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. Vejamos. Ao se comparar a alteração da redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, constatase que se buscou adequar o dispositivo à jurisprudência então dominante no CARF, mais precisamente a firmada em torno do entendimento do então Conselheiro e Presidente de Câmara José Clóvis Alves, que atacava a redação do caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 ("Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição..."), e também o fato da ocorrência de bis in idem, pois a "mesma" multa seria aplicada quando do lançamento de ofício do tributo (Acórdão CSRF 0105503 101134520). Na nova redação do citado artigo, o caput não mais faz referência à diferença de tributo (“Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas...”), sendo tal expressão utilizada somente no inciso I, que trata da multa de 75% aplicada sobre a diferença de tributo lançado de ofício. A referência à multa isolada agora é tratada em dispositivo específico (inciso II), com multa em percentual distinto da multa de ofício (esta é de 75%, e aquela de 50%). Vêse, assim, que a nova multa isolada é aplicada, em percentual próprio, sobre o valor do pagamento mensal que deixou de ser efetuado a título de estimativa, não mais se falando em diferença sobre tributo que deixou de ser recolhido. Em voto que a meu ver bem reflete a tese aqui exposta, o ilustre Conselheiro GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES foi preciso na análise do tema (Acórdão 10323.370, Sessão de 24/01/2008): [...] Nada obstante, as regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Fl. 28744DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.727 35 Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3º: Art. 3º A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível, no caso das extraordinárias, e certo, em relação às temporárias, a cessação de sua vigência, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Desse modo, após o advento da MP nº 351/2007, entendo que as multas isoladas devem ser mantidas, ainda que aplicadas em concomitância com as multas de ofício pela ausência de recolhimento/pagamento de tributo apurado de forma definitiva. Tal conclusão decorre da constatação de se tratarem de penalidades distintas, com origem em fatos geradores e períodos de apuração diversos, e ainda aplicadas sobre bases de cálculos diferenciadas. A legislação, em nenhum momento, vedou a aplicação concomitante das penalidades em comento. Em complemento, e em especial em relação à suposta aplicação do princípio da consunção, transcrevo o entendimento firmado pelo Conselheiro Leonardo de Andrade Couto em seus votos sobre o tema em debate: Manifesteime em outras ocasiões pela aplicação ao caso do princípio da consunção, pelo qual prevalece a penalidade mais grave quando uma pluralidade de normas é violada no desenrolar de uma ação. De forma geral, o princípio da consunção determina que em face a um ou mais ilícitos penais denominados consuntos, que funcionam apenas como fases de preparação ou de execução de um outro, mais grave que o(s) primeiro(s), chamado consuntivo, ou tão somente como condutas, anteriores ou posteriores, mas sempre intimamente interligado ou Fl. 28745DF CARF MF 36 inerente, dependentemente, deste último, o sujeito ativo só deverá ser responsabilizado pelo ilícito mais grave.1. Vejase que a condição básica para aplicação do princípio é a íntima interligação entre os ilícitos. Pelo até aqui exposto, podese dizer que a intenção do legislador tributário foi justamente deixar clara a independência entre as irregularidades, inclusive alterando o texto da norma para ressaltar tal circunstância. No voto paradigma que decidiu casos como o presente sob a ótica do princípio da consunção, o relator cita Miguel Reale Junior que discorre sobre o crime progressivo, situação típica de aplicação do princípio em comento. Pois bem. Doutrinariamente, existe crime progressivo quando o sujeito, para alcançar um resultado normativo (ofensa ou perigo de dano a um bem jurídico), necessariamente deverá passar por uma conduta inicial que produz outro evento normativo, menos grave que o primeiro. Noutros termos: para ofender um bem jurídico qualquer, o agente, indispensavelmente, terá de inicialmente ofender outro, de menor gravidade — passagem por um minus em direção a um plus. 2 (destaques acrescidos). Estaríamos diante de uma situação de conflito aparente de normas. Aparente porque o princípio da especialidade definiria a questão, com vistas a evitar a subsunção a dispositivos penais diversos e, por conseguinte, a confusão de efeitos penais e processuais. Aplicandose essa teoria às situações que envolvem a imputação da multa de ofício, a irregularidade que gera a multa aplicada em conjunto com o tributo não necessariamente é antecedida de ausência ou insuficiência de recolhimento do tributo devido a título de estimativas, suscetível de aplicação da multa isolada. Assim, não há como enquadrar o conceito da progressividade ao presente caso, motivo pelo qual tal linha de raciocínio seria injustificável para aplicação do princípio da consunção. Ainda seguindo a analogia com o direito penal, a grosso modo poderseia dizer que a situação sob exame representaria um concurso real de normas ou, mais especificamente, um concurso material: duas condutas delituosas causam dois resultados delituosos. Abstraindose das questões conceituais envolvendo aspectos do direito penal, a Lei nº 9.430/96, ao instituir a multa isolada sobre irregularidades no recolhimento do tributo devido a título de estimativas, não estabeleceu qualquer limitação quanto à imputação dessa penalidade juntamente com a multa exigida em conjunto com o tributo. Isso posto, voto por manter a exigência das multas isoladas. 1 RAMOS, Guilherme da Rocha. Princípio da consunção: o problema conceitual do crime progressivo e da progressão criminosa. Jus Navigandi, Teresina, ano 5, n. 44, 1 ago. 2000. Disponível em: <http://jus.uol.com.br/revista/texto/996>. Acesso em: 6 dez. 2010. 2 Idem, Idem Fl. 28746DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402002.323 S1C4T2 Fl. 28.728 37 (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Redator designado Fl. 28747DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.000067/2007-21
Data da sessão: Fri May 14 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2003
IRPR DECADÊNCIA.
O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em .31 de dezembro de cada ano-calendário,
DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n" 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA, EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE
Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário,
MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE, JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO.
Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.4.30, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Outrossim, nos termos da Sumula n° 14 deste Conselho,
simples omissão na caracteriza evidente intuito de fraude.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 2102-000.628
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado por unanimidade de votos, em DAR provimento PARCIAL ao recurso, para reduzir a multa de oficio qualificada de 150% para 75% nos termos do voto da Relatora.
Matéria: IRPF- ação fiscal (AF) - atividade rural
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPR DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em .31 de dezembro de cada ano-calendário, DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n" 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA, EXAME DA LEGALIDADE E CONSTITUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário, MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE, JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.4.30, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Outrossim, nos termos da Sumula n° 14 deste Conselho, simples omissão na caracteriza evidente intuito de fraude. Recurso provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2010-11-18T18:55:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2010-11-18T18:55:35Z; Last-Modified: 2010-11-18T18:55:35Z; dcterms:modified: 2010-11-18T18:55:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:6d58166e-2e88-4648-8a7e-f694df282797; Last-Save-Date: 2010-11-18T18:55:35Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2010-11-18T18:55:35Z; meta:save-date: 2010-11-18T18:55:35Z; pdf:encrypted: false; modified: 2010-11-18T18:55:35Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2010-11-18T18:55:35Z; created: 2010-11-18T18:55:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2010-11-18T18:55:35Z; pdf:charsPerPage: 1765; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2010-11-18T18:55:35Z | Conteúdo => S2-CIT2 Fl 448 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo n" 10855.000067/2007-21 Recurso IV 167.672 Voluntário Acórd'ão n° 2102-00.628 — 1" Câmara / Ti Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2010 Matéria IRPF Recorrente LAUREANO PIRES DE CAMARGO Recorrida 60 TURMA da DRJ-SÃO PAULO II/SP ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 IRPR DECADÊNCIA. O imposto de renda pessoa fisica é tributo sujeito ao lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, em regra, ocorre em .31 de dezembro de cada ano-calendário, DEPÓSITOS BANCÁRIOS, PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei n" 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA, EXAME DA LEGALIDADE E CONST1TUCIONALIDADE Não compete à autoridade administrativa de qualquer instância o exame da legalidade/constitucionalidade da legislação tributária, tarefa exclusiva do poder judiciário, MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE, JUSTIFICATIVA PARA SUA APLICAÇÃO. Somente é justificável a exigência da multa qualificada prevista no artigo art. 44, II, da Lei n 9.4.30, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n°. 4.502, de 1964. Outrossim, nos termos da Sumula n° 14 deste Conselho, simples omissão na caracteriza evidente intuito de fraude. Recurso provido em parte. o Colegiado, por unanimidade de votos, em DAR izir a multa de oficio qualificada de 150% para 5 CAMPOS - Presidente J/1-4 DO FERREIRA 11AGETTI Relatora ACORDAM provimento PARCIAL ao 5,d; 75%, nos termos do voto/a RI Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. FORMALIZA60 EM: 2 2 Alig Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos, Núbia Matos Moura, Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Ewan Teles Aguiar e Carlos André Rodrigues Pereira de Lima_ Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fis, 323/330 para exigência de IRPF em razão da apuração de i) omissão de rendimentos da atividade rural com a Fazenda Malu; ii) arbitramento do lucro obtido com a atividade rural exercida no Sitio Campina; e iii) presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários cuja origem deixou de ser comprovada (art. 42 da Lei n° 9,430/96). Sobre a parcela do lançamento relativa à omissão de rendimentos da atividade rural foi aplicada a multa de oficio qualificada, de 150%. O Termo de Constatação Fiscal consta às fis. 316/322. Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a Impugnação de fis, 335/365, por meio da qual requereu a anulação do Auto de Infração guerreado. Na análise de suas alegações, os membros da DR! em São Paulo decidiram pela manutenção integral do lançamento. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls, 408/442, por meio do qual reiterou as alegações contidas em sua Impugnação. Em resumo, suas alegações foram: - estaria decadente o direito do Fisco de efetuar o lançamento, nos termos do art. 150, § 4 do C'TN, já que o mesmo contemplava a exigência de imposto cujo fato gerador 2 Processo n" 10855.000067/2007-21 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00,628 Fl 449 ocorrera entre os meses de janeiro e setembro de 2002, já que o lançamento somente fora efetuado em outubro de 2007 (com ciência em 2410.2007); - quanto à tributação por depósitos bancários sem origem comprovada, que meros depósitos não representariam renda, e por isso não poderiam ensejar a exigência do Imposto de Renda trazendo Doutrina e Jurisprudência em defesa deste entendimento; - quanto à omissão decorrente do exercício da atividade rural, que não haveria que se falar em omissão, já que ambas as propriedades (Malu e Campina) são arrendadas a terceiros, não havendo que se falar em omissão de 50% da receita bruta da atividade rural lá auferida. Como a atividade rural era feita em parceria com o Sr, Pedro Pires de Camargo Primo, não se poderia presumir que a totalidade dos depósitos bancários objeto da fiscalização pertenceria exclusivamente a ele; - ainda em relação à atividade rural, afirmou que por ser o proprietário e arrendatário das fazendas, dispunha de determinados valores para operar o negócio, valores estes que eram decorrentes de mi'ittios pactuados com os meeiros. Assim, parte do dinheiro movimentado em suas contas era destinado ao pagamento das atividades realizadas em tais fazendas, Afirmou que toda a documentação relativa a tais operações foi disponjbilizada à fiscalização, concluindo que se a movimentação não era dele, caberia aqui a aplicação do disposto no § 5 0 do art. 42 da Lei n° 9.430/96; - não caberia a qualificação de agravamento da multa de oficio aplicada ao lançamento, por falta de comprovação do "evidente intuito de fraude" a que alude a lei, Alegou ainda que a multa de 150% aplicada ao lançamento teria claro caráter confiscatório, o que seria vedado pela Constituição Federal, trazendo Doutrina e Jurisprudência; e - não poderia prevalecer o entendimento das autoridades julgadoras no sentido de que seriam incompetentes para apreciar a inconstitucionalidade ou invalidade de normas. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheiro Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relator O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 09.06.2008, como atesta o AR de fls. 398. O Recurso Voluntário foi interposto em 08,07.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais - por isso dele conheço. Conforme relatado, trata-se de lançamento para exigência de IRPF em razão da apuração de omissão de rendimentos da atividade rural (arbitramento), bem como por força 3 da presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários sem origem comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9A30/96. O Recorrente pugna pela integral reforma da decisão proferida pela DRI em São Paulo, suscitando diversas razões de mérito, que passam a ser em seguida analisadas. Da decadência O primeiro argumento suscitado pelo Recorrente em face do lançamento que ora se analisa diz respeito à suposta decadência do direito do Fisco. Segundo ele, nos termos do art, 150, § 4" do CTN, os valores relativos a fatos geradores ocorridos entre os meses de janeiro e setembro de 2002, já não poderiam mais lhe ser exigidos, eis que o lançamento somente fora efetuado em outubro de 2007 (com ciência em 24,10.2007). Seu pleito, contudo, não merece acolhida. Isto porque a jurisprudência pacificada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é no sentido de que o fato gerador do IRPF, mesmo nos casos de lançamento fundado em depósitos bancários de origem não comprovada, é complexivo e ocorre em 31 de dezembro de cada ano. Este entendimento pode ser bem demonstrado através da leitura da seguinte ementa: IRPF — DECADÊNCIA — DEPÓSITOS BANCÁRIOS SEM ORIGEM COMPROVADA. O imposto de renda pessoa física é tributo sujeito ao regime do denominado lançamento por homologação, sendo que o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que, segundo o entendimento majoritário da Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no caso da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada, ocorre em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Ultrapassado esse lapso temporal, sem a expedição de lançamento de ofício, opera-se a decadência, a atividade exercida pelo contribuinte está tacitamente homologada e o crédito tributário extinto, nos termos do artigo 150, § 40 e do artigo 156, inciso V, ambos do CTN, Recurso especial negado (Ac CSRF/04-00.553, julgado em 21 03 2007, Rel. Cons Gonçalo Bonet Allage) Foi por isso mesmo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou o enunciado tf 38, segundo o qual: "O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário,". No caso vertente, os fatos geradores que ensejaram o lançamento ocorreram, nos termos do entendimento acima, em 31,12,2002. Assim é que o Fisco teria até o dia 31.12.2007 para efetuar o lançamento dos valores que entendesse devidos. Como a ciência do lançamento se deu em 24.10.2007 - conforme fls. 330 — é de se concluir que naquela data o direito do Fisco ainda não havia sido extinto pela decadência. 4 Processo n° 10855000067/2007-21 S2-C1T2 Acórdão n '2102-00,628 Fl 450 Ademais, a súmula referida, nos termos do art. 72 de Conselho, é de aplicação obrigatória, razão pela qual deixo de acolher o pedido do Recorrente no que diz respeito à alegada decadência. Da omissão de rendimentos O segundo pedido do Recorrente diz respeito à impossibilidade de tributação do IR através de depósitos bancários sem origem comprovada, alegando que meros depósitos não representariam renda. Aqui, também, melhor sorte não terá o Recorrente, eis que a tributação do IRPF em razão da presunção de omissão de rendimentos fundada na existência de depósitos bancários sem origem comprovada decorre de lei, e por isso sua legalidade não pode ser analisada em sede deste Recurso Voluntário. A Lei n° 9,430/96 estabeleceu esta presunção de omissão que, apesar de ser relativa, só pode ser derrubada contra a apresentação, pelo contribuinte, de documentação hábil e idônea que comprove a origem dos valores objeto de depósito. Por isso que para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, cabe sempre a ele o ônus de comprovar a origem dos valores transitados por sua conta bancária. Sendo esta uma determinação legal, não cabe ao julgador administrativo avaliar sobre o seu acerto ou sua tecnicidade, mas somente aplicá-la. Neste sentido, este Conselho editou a Súmula n" 1, segundo a qual: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária,". Mais especificamente no que diz respeito ao seu pedido, merece destaque o enunciado n° 26 da Súmula deste CARF, segundo o qual: "A presunção estabelecida no art. 42 da Lei 1V0 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.". Por isso, e em obediência ao art, 72 do Regimento Interno deste Conselho de Contribuintes, que determina a aplicação obrigatória das súmulas, deixo de acolher este pedido do Recorrente, No que diz respeito à omissão de rendimentos da atividade rural, alega o Recorrente que ambas as suas propriedades (Malu e Campina) são arrendadas a terceiros, não havendo que se falar em omissão de 50% da receita bruta da atividade rural lá auferida. Como a atividade rural era feita em parceria com o Sr, Pedro Pires de Camargo Primo, não se poderia presumir que a totalidade dos depósitos bancários objeto da fiscalização pertenceria exclusivamente a ele, O Recorrente afirma ainda que por ser o proprietário e arrendatário das fazendas, dispunha de determinados valores para operar o negócio, valores estes que eram decorrentes de mútuos pactuados com os meeiros. Assim, parte do dinheiro movimentado em suas contas era destinado ao pagamento das atividades realizadas em tais fazendas. Afirmou que toda a documentação relativa a estas operações foi disponibilizada à fiscalização, concluindo que se a movimentação não era dele, caberia aqui a aplicação do disposto no § 50 do art, 42 da Lei n° 9,430/96; 5 Aqui, o Recorrente pretende tratar da omissão da atividade rural, mas acaba mesclando-a com a omissão decorrente dos depósitos bancários sem origem comprovada. Seus argumentos, porém, não merecem acolhida. Do Termo de Constatação (fls. 316 e segs.) depreende-se que o Sr. Pedro Pires de Camargo Primo era o filho do Recorrente, e que o Sitio Campina era explorado em conjunto por diversos meeiros, enquanto que o Sitio Malu era explorado em conjunto entre o Recorrente e seu filho Pedro. Ao longo da fiscalização, foi solicitado ao Recorrente que apresentasse a comprovação da origem dos depósitos efetuados em suas contas e que apresentasse cópia do Livro Caixa da atividade rural exercida em tais fazendas (neste caso, dando-lhe ciência de que a falta de apresentação do mesmo acarretaria o arbitramento da base de cálculo do imposto). Foi constatado, então, que o Recorrente detinha uma conta em que movimentava os valores relativos à fazenda Malu (em conjunto com seu filho) e uma outra em que movimentava os valores relativos ao sitio Campina (esta em conjunto com os demais meeiros). Sendo assim, a fiscalização, para apurar a base de cálculo do lançamento relativo aos depósitos bancários, considerou como origem para os mesmos o valor das receitas auferidas com a atividade rural. Somente o que excedeu ao montante destas receitas é que foi tributado com base no art. 42 da Lei n° 9.430/96 — e então rateado entre os titulares das contas. Já a apuração da omissão da atividade rural se deu através do arbitramento de sua base de cálculo, pois o Recorrente fizera a opção (quando da entrega de sua DIRPF) da tributação na forma de receita bruta menos despesas de custeio e investimentos. As tabelas de fls. 256/284 demonstram os cálculos elaborados pela fiscalização. Este resumo se fez necessário para que ficasse claro que a própria fiscalização já excluiu da base de cálculo do lançamento relativa aos depósitos bancários o valor dos rendimentos obtidas com a atividade rural, Assim é que se outros valores foram depositados nas contas do Recorrente — que não aqueles comprovadamente auferidos com a atividade rural — caberia a ele ter demonstrado a origem dos mesmos, sob pena de prevalecer a presunção legal contida no art. 42 da Lei n° 9.430/96, como já explicitado acima. O lançamento, como se viu, foi efetuado corretamente. Com tais esclarecimentos, ficam refutadas as alegações do Recorrente de que os valores depositados deveriam ser divididos entre ele e os demais titulares das contas (pois isto já foi feito pelas autoridades fiscais), e ainda o argumento de que os valores que transitavam pelo banco tinham o objetivo de acobertar as despesas com a atividade rural (já que, neste caso, caberia a ele ter comprovado documentalmente esta alegação). Assim, também não merece acolhida este pedido do Recorrente. Não há que se falar, assim, na aplicação do § 5" do art. 42 da Lei n" 9.430/96. Da qualificação da multa de ofício Outro pedido formulado pelo Recorrente diz respeito à impossibilidade de qualificação/agravamento da multa de oficio aplicada à parte do lançamento, por falta de comprovação do "evidente intuito de fraude" a que alude a lei. Alegou ainda que a multa de 150% teria claro caráter confiscatório, o que seria vedado pela Constituição Federal. 6 Processo ri' 10855.000067/2007-21 52-C11-2 Acórdão n.° 2102-00.628 Ft 451 No caso em exame, a multa de oficio aplicada ao lançamento foi qualificada pela autoridade lançadora sem que fossem esclarecidos quais os motivos que o justificariam (cf. fis, 321 dos autos). Pelo que se depreende do Termo de Constatação, a qualificação da multa se deveu ao fato de que o Recorrente deixara de incluir os rendimentos auferidos com a fazenda Malu entre os rendimentos declarados, daí a configuração "em tese" de crime contra a ordem tributária. Por outro lado, a qualificação da multa foi mantida pela decisão recorrida pelos seguintes motivos: Pelos elementos acima dispostos, indubitavelmente a prática do contribuinte, no sentido de tentar diluir sua participação lias receitas decorrentes da exploração agrícola da Fazenda "Mahl", teve o propósito deliberado de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento, por parte da Autoridade Fazendária, da omissão de rendimentos da atividade rural e da conseqüente ocorrência do . fato gerador do imposto de renda. Caracterizada que ficou, no presente caso, a ação dolosa por parte do interessado, correta está a aplicação da multa qualificada (duplicada) estabelecida no inciso II, do art. 44, da Lei n°9 430/1.996, com as modificações introduzidas pela Lei n" 1 1 .488/2007 A norma legal que ampara a aplicação da referida multa (qualificada), aplicada à hipótese em exame, é o art. 44, inc. II da Lei n° 9.430/96, que determina: Art.44,Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1-de setenta e cinco por cento, nos casos de .falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II-cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4,502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (grifos não constantes do original) Os arts, 71, 72 e 73 da Lei n° Lei 4502/64, por seu turno, assim dispõem: Art . 71. Sonegação é Oda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária I - da ocorrência do .fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; 7 II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art , 72, Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou difèrir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72, Da leitura de tais artigos, é forçoso concluir que só pode ser exigida a multa de 150% (multa qualificada) aos lançamentos de oficio em que restar caracterizado o evidente intuito de fraude do contribuinte — e não a todo e qualquer lançamento de oficio. No caso ora em exame, como se viu acima, este intuito não foi comprovado pelas autoridades fiscal e julgadora. Ao contrário, no Termo de Constatação Fiscal não constam maiores esclarecimentos acerca das justificativas para a qualificação da multa e a decisão recorrida defende que o dolo a justificar tal qualificação residiria na própria intenção da recorrente em omitir valores ao Fisco. Com efeito, tal entendimento não merece acolhida. É que a "conduta" motivadora do lançamento em exame não justifica a aplicação da multa qualificada, pois deve ser entendida como simples omissão de rendimento. O dolo a que a lei faz menção quando trata da multa qualificada não é a "vontade de omitir", mas sim o dolo em falsificar documentos, ou em verdadeiramente esconder do Fisco fatos geradores da obrigação tributária. Há que se ressaltar., aqui, que a omissão em questão, por si só, já é penalizada com a aplicação da multa de oficio de 75%, multa esta que já serve como penalidade pela omissão do contribuinte. A multa qualificada a que alude o art. 44, II da Lei n° 9.430/96 foi criada com o objetivo de penalizar o contribuinte que vai além da omissão, o contribuinte que usa de subterfúgios (muitas vezes ilícitos) para escapar à obrigação hibutária. A simples omissão do contribuinte — ainda que consciente — não pode ser equiparada a uma conduta fraudulenta ou simulada, Ao contrário, a vontade de omitir rendimentos do Fisco, e por isso não pagar o imposto devido, não é, por si só, um crime. Não é por outro motivo que este Conselho vem reiteradamente afastando a qualificação da multa CM casos de simples omissão. É o que se depreende da ementa abaixo transcrita: "MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA - Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção mas também o seu objetivo. ) 8 Processo n' 10855.000067/2007-21 S2-C1T2 Acórdão n.° 2102-00,.628 F1 452 Preliminar acolhida." (RV 146.368, Rei Cons. Nazay Fragoso Tanalca, julgado em 12.09.2005, 2" Câmara, 1" Conselho) Por fim, e corroborando a idéia de que a simples omissão de rendimento não é suficiente a ensejar a qualificação da multa aplicável a um lançamento, este Conselho editou o enunciado ri° 14 de sua Súmula, segundo o qual "A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualfficação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Por estes motivos, deve ser acolhida a pretensão da Recorrente no que toca à necessidade de desqualificação da multa de ofício aplicada ao lançamento, a qual deverá ser exigida no patamar de 75%, e não de 150% (cf. constante do Auto de Infração). Além das alegações acima analisadas, o último argumento suscitado pelo Recorrente diz respeito à possibilidade de apreciação de eventual inconstitucionalidade ou invalidade de normas em âmbito administrativo. Neste ponto, há que se reiterar aqui a súmula n° 1 deste CARF, anteriormente mencionada, para afastar sua pretensão. Diante de todo o exposto, VOTO no sentido de DAR PARCIAL provimento ao Recurso para desqualificar a multa de oficio aplicada ao lançamento, reduzindo esta ao patamar de 75%. Sala das Sessões, em 14 de maio de 2010 rJ/eim/Cd(/t oberta de Azer ol Ferreira Pagetti 9
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Numero do processo: 10410.000381/92-03
Data da sessão: Mon Oct 18 00:00:00 UTC 1993
Numero da decisão: 108-00.034
Decisão: RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Conselho
de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Sandra Maria Dias Nunes
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PLANE"AMENTO PR0CESSO NQ 10410/000.381/92-03 Sessão de 18 de outubro da 19 ~9~3__ Recurso ng: 104.590 - IRPJ - EX: DE 1987 Recorrente: AUTO POSTO SÃO JOÃO LTDA. Recorrida: DRF EM MACEIÓ - AL ACOROÃO N9" ;, (. R E S O L U ç À O ~QQ 1~8-00.~34 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos recurso interposto por AUTO 20STO SÃO JOÃO LTDA. de RESOLVEM os Membros da Oitava Câmara do Primeiro Con- selho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em converter o ju~ gamento do recurso em dilig~ncia, nos termos do voto do relator. Sala das Sessões (DF), em 18 de outubro de 1993. ~~ JACKSON GUEDES FERREIRA PRESIDENTE VISTO EM SESSÃO DE: ~~~ SANDRA MARI DIA NUNES RELATORA BRANDÃO - PROCURADOR DA FAZENDA NA CIONAL Participaram, ainda, do presente julgamento os seguintes Conselhei- ros: ADELMO MARTINS SILVA, PAULO IRVIN DE CARVALHO VIANNA, JOSÉ CAR LOS PASSUELLO, ,RENATA GONÇALVES PANTOJA, MÁRIO JUNQUEIRA FRANCO JU NIOR e LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA. '1. Ministério da Fazenda .,\ Primeiro Conselho de contribuintes'. Processo nº 10410.000381/92-03 Recorrente : AUTO POSTO SÃO JOÃO LTDA.• Recurso Resolução no.-. 104.590 108.034 R E L A T Ó R I O AUTO POSTO SÃO JOÃO LTDA, estabelecida na Rua Cícero Carlos da Silva, 226, Capela (AL), tempestivamente recorre a este Conselho contra a decisão do Sr. Delegado Substituto da Delegacia da Receita Federal em Maceió/AL, que indeferiu sua impugnação à Notificação nº 1017, Programa FISGÁS. A exigência fiscal decorreu da omissão de receita apurada pelo confronto dos valores referentes às compras e a receita de revenda de mercadorias, constantes de sua declaração de rendimentos, com os dados informados pelos fornecedores, com infração aos artigos 153 a 157, 179 e 387, inciso 11, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 85.450/80 - RIR/80. Na impugnação apresentada dentro do prazo regulamentar (fls.'01), a autuada alega que, tendo transformado a firma individual José Monte da Costa na firma Auto Posto São João Ltda, as notas fiscais dos fornecedores emitidas até julho de 1986 foram registradas nos livros da firma individual. Assim, até 1986, as receitas de vendas estão repartidas entre as firmas José Monte da Costa e Auto Posto São João Ltda. Ao final, pede a improcedência da autuação. A decisão da autoridade singular de fls. 11/12 manteve a exigência fiscal com base nas informações prestadas pelos fornecedores, cujo rol integra a notificação recebida pela autuada, nos dados da declaração de rendimentos do exercíc~ 1 Ministério da Fazenda ~ Primeiro Conselho de contribuintes Resoluçào nº 108-00.034 Processo nQ 10410.000381/92-03 1987, observando o roteiro de apuração indicado e ainda, a confissão do contribuinte contida na impugnação ao afirmar que, embora os fornecedores já emitissem as notas fiscais em nome da nova firma, continuou escriturando-as nos livros da firma individual até julho de 1986. No apelo de fls. 15/18, a recorrente alega que das compras informadas pelos fornecedores, parte foi tributada na firma individual José Monte da Costa. Anexa diversos documentos na fase recursal que esclarecem suas argumentações (Anexo I). Aduz que a razão da decisão recorrida sobre o registro das notas fiscais na firma individual extinta não procede, vez que a firma José Monte da Costa foi encerrada em 30/12/90. Esclarece que não registrou as notas fiscais na empresa Auto Posto São João Ltda porque a mesma não estava regularizada perante o fisco estadual. Alega ainda que o relatório de compras emitido pelos fornecedores é inválido para o fim de se exigir tributo vez que o mesmo consigna compras de pelo menos duas empresas: da recorrente e da firma individual José Monte da Costa. É o relatóri~ 2 Ministério da Fazenda _ Primeiro Conselho de contribuintes Resoluçào nº 108-00.034 Processo nº 10410.000381/92-03 v O T O CONSELHEIRA SANDRA MARIA DIAS NUNES, Relatora. •• Luiz Henrique Barros de Arruda, in Manual de Processo Administrativo Fiscal, ensina que, contrariamente ao que se dá, em regra, no processo judicial civil, em que prevalece o principio da verdade formal (art. 128 do CPC), no processo administrativo, não só é facultado ao reclamante, em qualquer fase do processo, levar aos autos novas provas, como é dever da autoridade administrativa utilizar-se de todas as provas e circunstâncias de que tenha conhecimento, ou mesmo mandá-las produzir, trazendo-as aos autos, quando sejam capazes de influenciar a decisão. Esta caracteristica peculiar do processo administrativo é fruto, dentre outros principios, do que preceitua o artigo 149 do Código Tributário Nacional que determina a revisão de oficio do lançamento em qualquer etapa do processo, nas situações enumeradas em seus incisos. A obediência inciso LV concomitante legal. plena ao direito de defesa insculpido no artigo 52, da Constituição Federal, exige o atendimento aos principios do contraditório e do devido processo O Decreto n2 70.235/72 traduziu o exercicio dos referidos direitos do administrado estabelecendo duplo grau de jurisdição na apreciação das provas e dos argumentos de defesa. A recorrente juntou aos autos elementos não submetidos à apreciação da autoridade monocrática o que impõe ao julgador de segunda instância, em respeito ao duplo grau de jurisdição e ao principio da verdade material, retornar o processo à origem a fim de que a Fiscalização se pronuncie acerca dos novos elementos coligidos pela defesa. ~ 3 • I. Ministério da Fazenda Primeiro Conselho de contribuintes Resoluçào nº 108-00.034 Processo nQ 10410.000381/92-03 Assim, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para que a projeção de Fiscalização da DRF de Maceió(AL) analise os documentos de fls. 01 a 134 do Anexo I, emitindo parecer conclusivo. Após ciência à recorrente, reabrir prazo para, querendo, aditar suas razões. Brasilia (DF), 18 de outubro de 1993. ~~~SANDRA MARIA DIAS NUNES Relatora 4 00000001 00000002 00000003 00000004 00000005
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Numero do processo: 10680.012205/2005-01
Data da sessão: Thu Apr 08 00:00:00 UTC 2010
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Exercício: 2005
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. ENVIO PROCEDIDO
"rEMPESTIVAMENTE POR VIA POSTAL EXCLUSÃO DA MULTA.
Para efeito de exclusão da multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), admite-se o envio dessa declaração procedido tempestivamente por via postal, na impossibilidade, reconhecida pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RIS), de sua transmissão e recepção pela Internet.
Numero da decisão: 1803-000.355
Decisão: Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, dar
provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado Ausente, justificadamente, o Conselheiro Benedicto CelsoBenício Júnior
Matéria: DCTF_IRPJ - Auto eletronico (AE) lancamento de tributos e multa isolada (IRPJ)
Nome do relator: Selene Ferreira de Moraes
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ATRASO Recorrente 1 IEMOCIN [1 , R CENTRO DE MN ATOL,OGIA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACtON AL < ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2005 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. ENVIO PROCEDIDO "rEMPESTIVAMENTE POR VIA POSTAL EXCLUSÃO DA MULTA. Para efeito de exclusão da multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF), admite-se o envio dessa declaração procedido tempestivamente por via postal, na impossibilidade, reconhecida pela própria Secretaria da Receita Federal do Brasil (RIS), de sua transmissão e recepção pela Internet. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiada por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausente, justi ficadamente, o Conselheiro Benedicto CelsoBenício Júnior 71: ---------Ikrie-F-errcita de M o ra e s- Preside.rite Mrsr&À-1-1\ Sérgio Roc rigues Mende - Relator F:DlTA DO EM: ) Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Solene Ferreira de Moraes, Walter Adolfo Matesch, Benedicto Celso Benício Júnior) Sérgio Rodrigues Mendes, 1 ,nei ano Enocêncio dos Santos Relatório Por bem retratar os acontecimentos do presente processo,.,-Idoto o Relatório do acórdão recorrido (11s. 18): Contra o interessado acima identificado, firi lavrado o auto de infração de fl 4, para formalizar exigência de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Cl éditos Tributários Federais (Dc17-7), l'effirenIc ao quarto trimestre do ano- calendário ik 2004, no valor de R$ 500,00 Corno enquadramento legal !Oram citados: 3" do ait 113 e ali 160 da Lei n" 5 172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tfr ibutin io Nacional - (TN), art 4", combinado com o uri 2", da Instrução Normativa S1?1 ,' n' 73, de .19 de dezembro de 1996, art 2"c 6"da Instrução Normativa SRF n 126, de 30 de outubro de 1998, combinado cora o item I da Portaria do Ministério da Lazenda 118, de 26 de agosto de 1984, art. 5"do Decreto-lei ri' 2 124, de 13 de junho de 1984; ar/ 7"da Medida Provisória ' 16, de 27 de dezembro de 2001, convertida na Lei n ' 10 426, de 24 de abril de 2002 A data de vencimento do auto de infi ação é 05/09/2005 Lia 01/09/2005, fiii apresentada a impugnação de fls .1 a 3 Arda, alega-se que. • Em 15/02/2005, prazo final para entrega da DCTF do 4" trimestre de 2004, os computadores do ,SLRPRO não as recepcionai)" devido a problema técnico: • Em vista disso, visando ao cumprimento da obrigação no prazo previsto, o escritório de contabilidade encaminhou, por via postal, com AR, a 1)C11-7 em meio magnético, • A les.,,is.hição de regência prevê a entrega dessa declaração apenas via internei, • Lilí ()tanto, a Receita Federal adota, em diversos procedimentos, a Portaria n 12, de 12 de abril de 1982, do Ministério Extraordinário da Desburocratização, que veio permitir a remessa de documentos. endereçados. a órgãos 1)Kiblicos por via postal.; • O Ato Declaratório Normativo n 19, de 26 de maio de 1997, disciplina que ser á considerada, como data de entrega, no cunne da tenipestividade do pedido, a data da respectiva posta em constante do AR, • O Ato Declaratório I;xecinivo n 24, de 08 de abril de 2005, publicado em 12 de abril de 200.5, prorrogou O prazo, devido a probh.qnas da Receita Federal, • A comunicação da prorrogação ocorreu após o ato consumado, imputando ao contribuinte uma pena/idade alheia ao seu controle, pois ele não linha como voltar no tempo, para atendei o referido alo declaratorio, Processo n' I 0680 01.2205/2005-01 Si- 1.E03 Acôt . lio n 1803-00355 H 62 • Posteriormente, foi recebida comunicação de que O DCTF" não fina processada, porque a entrega por via postal não tinha amparo legal, • Finalmente, fili recebido o auto de infração, exigindo a multa pela entrega da declaração em atraso A decisão da instância a quo foi assim ementada (fls. 17): 4SUNTO • O1R .16. 4CÕES ACES,SY.)RTAS Ano-calendário. 2004 DUIF ENTREGA POR VIA POSTAI,. A remes,sa, por via postal, de. CD ou disquete contendo fleTi. não eamacteriza o CUMpFiti1Cilt0 da obrigação de apresentar referida declamação _Lançamento Procedente 'Kin resposta a intimação subscrita em 15/05/2007 (fls. 21), a tempo, apresenta a recorrente' recurso datado de 01/06/2007 (lis. 25), instruído com os documentos de lis. 54 a 58, nele expondo os seguintes considerandos (fls. 26 a 53): Considerando que a Secretaria da Receita Federal determinou 1,1711 .SY) macio para gerar a Declaração de T.Vbilos e Cr/ditos Federais - DCIF, relativa ao quarto triivestre de 2004, e uma só via para sua apresentação a internei, por meio do programa Reeenanet, Considerando que o Serviço Federal de .Processamento de .Dados - SERPRO, enquanto preposto da Secretaria da Receita Federal na recepção da referida DCTF„ apresentou problemas técnicos em seus .sistemas, no dia .15 de fevereiro de 2005, Ultimo dia para transmissão eletrônica daquela declaração, o que impediu o cumprimento da obrigação tributária por parte do Contribuinte, nos le .,Tmos da norma infra-legal (IN SRE n° 2.55/2002), Considerando que a Declaração gravada e enviada pelo Contribuinte, por via postal, foi gerada em consonância com as especUicacões técnicas ., determinadas pela própria Secretaria da Receita Federal, afinal, Milizou-se do programa gerador disponibilizado pela própria autoridade administrativa; Considerando que o ordenamento jurídico-tributário vigente detem mina que nenhum Contribuinte pode eXi11111 .--se de prestar as informações exi ,Qidas pelo Fisco, nos prazos marcados (ex vi artigo 928, do Regulamento do Imposto de Renda); Considerando que, mio obstante a restrição da norma menor (IN SRF n". 255/2002), o ordenamento jurídico vigente faculta ao Contribuinte enviar ao Fisco, por via postal, quaisquer documentos, em defisa dos seus direitos e, por conseguinte, para 6/-3 O cumprimento de suas obrigações tributárias (ex vi artigo 991, do Regulamento do Imposto de Renda); Considerando que o falo ocorrido não e contemplado por qualquer disposição legal especifica expres.sa e que, nesse caso, o ordenamento jurídico tributário vigente determina que deve ser observado o princípio da analogia (cx vi artigo 108, do Código jributát io Nacional); Comiderando que, por analogia, o Contribuinte CriiregOti .sua .Declaração de Débitos e Créditos Federais - DC1F 1.)or via postal, meio C5.50 aceito para entrega de declaraçães e quaisquer Outros documentos, destinados ao Fisco bederal, prática essa reiteradamente acena no âmbito federal, Considerando que a amori(hule administrativa deve interpretar O lei tributária que comine penalidades da maneira mais favorável ao Contribuinte nus caSo.s. em que haja dúvida quanto às circunstâncias materiais do fato ou quanto à sua capitulação, imputabilidade ou puni/li/idade (ex vi artigo 112, do Código fributtitio Nacional); Considerando que o auto de infração lavrado não respeitou nenhum dos Princípios Gerais de Direito 'Tributário vigentes,. Considerando que o valor da multa erigido no auto de infração, calculado por mês- de atraso na entrega da Declaração, .somente decorre da inépcia do _Fisco Federal em comunicar .sua disconhincia com o procedimento adotado pelo (..Ontribuinte. ocorrida .somente 90 (noventa) dias após o protocolo da correspondência do mesmo Contribuinte; Considerando, por fim, o entendimento já manifestado pelo douto Conselho de Contribuintes, em seus julgados, como demonstrado.- ° Contribuinte interpãe o presente Recurso Voluntário, na melhor- )(Oraria da Lei, rogando à Autoridade .Julgadora, do domo " Conselho de Contribuintes, provimento ao .seu pleito e, por conse(uinte, rogando que declare a insubsistência de um Auto de Infração que, além de indicar valores indevidos, confronta as melhores disposições do 1)ireito Tributário e de .seus Princípios, e que, por isso, apresenta-se eivado por vícios, tanto forno- is como materiais, tal como demonstrado. Em mesa para julgamento. É o relatório, Voto C,onselheito Sérgio Rodrigues Mendes - Relator Atendidos Os pressupostos tbrmais e materiais, tomo conhecimento do recurso. 4 Processo II" 10680 012205/2005-0 I s1-11É03 Acórão ii" 1803-00.355 1'1 65 Procede, a meu ver, a irresignação da recorrente. Realmente, a finalidade da aplicação da multa por atraso na entrega da Declaração de Contribuições e -fributos Federais (DCTF) é coibir a desídia no cumprimento da respectiva obrigação acessória. No presente caso, entretanto, houve, com efeito, a entrega da DCIT no prazo fixado na legislação, embora não pelo meio convencional (Internet), pot: absoluta impossibilidade de utilização deste. Dessa forma, agiu a recorrente, não com desídia, mas com presteza.. Presteza essa - filse-se --- bem maior do que a daqueles que transmitiram a NIT pela Internet nos três dias posteriores ao do seu prazo final de entrega, e que, por esse fato, foram beneficiados pelo contido no Ato Deelaratório Executivo SRF n" 24, de 8 de abril de 2005, de seguinte teor: O SECI?1,:T4 RIO DA RECEITA .FEDERA 1„ no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria ME n° .30, de 2.5 de fe»ereiro de .2005, tendo em. vista o disposto na Instrução Normativa SRF n 0 25.5, de /1 de dezembro de 2002, e c.'onsider(ndo os problemas técnicos ocorridos, em 15 de fevereiro de 200.5, nos ,sistemas eleirónicas desenvolvidos pelo Serviço Federal de Processamento de Dados- (S'erpro) para a recepção e transmissão de declarações, declara. Artigo ártico As Declarações . de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) relativas ao 4" trimestre de 2004, que tenham .sido transmitidas nos dias I 6, 17 e 18 de . fevereiro de 2005, .serilo consideradas entregues no dia 1.5 de . févereiro de 2005. Por outro lado, está-se diante de caso fortuito ou de força maior, o qual não pode redundar em prejuízo para aquele que, não o tendo provocado e estando impossibilitado de fazer uso da. via normal de entrega, procede de outro modo, em caráter excepcional, ainda que sem previsão normativa, objetivando cumprir o prazo para ele fixado. É de se recordar, por oportuno, que, quando as repartições da Secretat ia da Receita .Federal do Brasil (RFI3) se encontram fechadas por motivo de greve ou por interrupção temporária de seus serviços, recomenda-se aos contribuintes o envio de documentos por via. postal, para se resguardarem da perda de prazos.. Igual entendimento, mulalis azolandi.s, deve ser aplicado à hipótese em exame. Ademais, se a própria Fazenda Nacional, posterionnente, por meio do citado .ADE, veio a reconhecer aquela, impossibilidade de entrega de declaração, o procedimento da recorrente Kiri, de certa forma, tacitamente convalidado por aquele reconhecimento.. Por fim, se é certo que, conforme afirma o acórdão recorrido, "não há lei. que contemple a circunstância invocada, como razão para a dispensa da multa em lide" (N. 20), não é menos verdadeiro que também não há lei que preveja qualquer procedimento alternativo na hipótese sob exame. Patente a existência de lacuna, aplica-se a analogia, Por conseguinte, entendo deva ser admitido, para efeito de exclusão da multa por atraso na entrega da DCIF, o envio dessa declaração procedido tempestivamente por via postal, na impossibilidade, reconhecida pela própria RFB, de sua transmissão e recepção pela Internet. Encerrando, citam-se as seguintes jurisprudências administrativas, no MeS11110 sentido do aqui decidido: IV" Recai 50 339142 Número do Processo 10680 012196/2005-40 Contribuinte R E N ACESSÓRIOS E8TORT1VOS L1DA Tipo do Recurso Recurso Vohmtário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da Sessão 09/12/2008 Relator(a) LUIZ, R0RER10 DOMIArGO N" Acórdão 301-34878 Tributo / Matéria DCTF - Multa por atraso na entrei da DUIT .Decisão Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário. Ausentes os conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e ocasionalmente o cronselheiro Alex oliveira Rodrigues de .Lima (suplente). Ementa Assunto. 0/v42:ações Acessórias Ano-calendario. 2004 MULTA ATRASO IVA ENTREGA DA DCTE INDISPONIBILTDADE DO MEIO FIXADO PELA LEGISLA(ÃO PARA CUM-PRIMEMO DO DE NU? INSTRUMENTAL., VIA ALTERNATWA VALIDADE A indisponibilidade do meio (Mien/et) fixado para o cumprimento do dever instrumental de entregar a .Duclaração de Contribuições e Tributos .Federais, por culpa cycluNiva da administração tributária. por si só constitui motivo bastante e suficiente paru exclusão da punibilidade. Diante da CirairlNkineia, em que o sujeito ativo impede o cumprimento do dever jurídico do sujeito pa.N.NiVO, é de validar-se o cumprimento da obrigação por via alternativa (postal) que normalmente é aceita pelo Fisco para o c.xerc ..ício de direitos do contribuilde. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO, --I- N" Recurso 339542 Número do Processo 10680 012207/2005-91 ,-Wv\n PI ()cesso n" 10080 012205/2005-01 SI-! E03 Acórdão n 1803-00 355 I 1 numa 3" Comata Contribuinte LABORATÓRIO SANTA 01—WPIA Tipo do Recurso Rec.urso Voluntário - Dar Provimento Por Unanimidade Data da ,S'e s sã o 10/12/2008 Relato (a) _Nane' Gama "W" Acórdão 303-358.36 Tributo /Matéria DCTF Multa por atraso na entrega da DC77-7- Decisão Por unanimidade de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário EMCilia Assunto Obrigaçães Acessórias Ano-calendário 2004 DCTE PROBLEMAS TÉCNICOS NOS SLSTEMAS ELETRÓWICO,S DA SECRETARIA DA RECEITA VEDE-RilE ENTREGA POR EMPOSTAL Considerando que o Ato Declaratório Executivo .SRli n 24, de 08 de abril de 2005, reconheceu o problema técnico ocorrido à época da entrega da DCTI'' relativa ao 4') trimestre de 2004, a declaração apresentada por via postal, dein, o do prazo devido, deve ser aceita, aliado ainda ao fato do contribuinte, ao saber da rejeição de sua declaração via postal, a enviou pelo meio eletrônico O contribuinte, ao cumprir tempestivamente sua obrigação, mesmo que defeituosamente, elidiu sua mora, sendo inaplicável multa por atraso na entrega da DCIT' RECURSO VOLUNTAI?10 PROVIDO Conclusão Em face do exposto, e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de DAR PROVIMEN'I'0 ao Iccurso. É como voto. Sérgio -Z.odrigues lendes -j7/ .MINISTERIO DA FAZENDA CONSELHO ADmINNTRAT IV() DE RECURSOS FISCAIS .. R I A ( , ()LIA_ AMARA- PRIMEIRA SEÇÃO Processo n" : 10680 012205/2005-01 Acórdão n" : 1803-00,355 TERMO DE INTEVIAÇÂO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no acórdão supra, nos termos do ai t 81, § 3°, do anexo 11, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial n' 256, de 22 de . junho de 2009 Brasília, 09 de Julho de 2010 irrci 0ju. Oda c.k<'Ç,1.05._27.2a.Wertk.LOi'ï4m ar istela de Sousa Rodrigues- Seeretár ia da Câmara Ciência Data: / / Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: f. 1 apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial., 11 c.'om I irnhat gos de, Declaração
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