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Numero do processo: 10880.692040/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Data do fato gerador: 31/07/2007
ANÁLISE DE DOCUMENTOS JUNTADOS EXTEMPORANEAMENTE. BUSCA DA VERDADE MATERIAL.
A verdade material é princípio que rege o processo administrativo tributário e enseja a valoração da prova com atenção ao formalismo moderado, devendo-se assegurar ao contribuinte a análise de documentos extemporaneamente juntados aos autos, mesmo em sede de recurso voluntário, a fim de permitir o exercício da ampla defesa e alcançar as finalidades de controle do lançamento tributário, além de atender aos princípios da instrumentalidade e economia processual.
O formalismo moderado dá sentido finalístico à verdade material que subjaz à atividade de julgamento, devendo-se admitir a relativização da preclusão consumativa probatória e considerar as exceções do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, com aplicação conjunta do art. 38 da Lei nº 9.784/99, o que enseja a análise dos documentos juntados supervenientemente pela parte, desde que possuam vinculação com a matéria controvertida anteriormente ao julgamento colegiado.
A busca da verdade material, além de ser direito do contribuinte, representa uma exigência procedimental a ser observada pela autoridade lançadora e pelos julgadores no âmbito do processo administrativo tributário, a ela condicionada a regularidade da constituição do crédito tributário e os atributos de certeza, liquidez e exigibilidade que justificam os privilégios e garantias dela decorrentes, bem como a adequada análise de direito creditório requestado através de PER/DCOMP.
COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ OU DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO.
A retificação de DIPJ, DCTF ou outras declarações que instrumentalizem o cumprimento de obrigações acessórias, onde se controverta equívoco de preenchimento, ainda que posterior ao Despacho Decisório, é útil à comprovação do crédito reclamado pelo contribuinte, mercê de expressa recomendação do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015.
É possível analisar o direito creditório mediante reconhecimento de retificação tardia de obrigações acessórias, com fundamento na busca da verdade material.
Necessário retorno dos autos à unidade de origem da Receita Federal do Brasil, a fim de que a autoridade administrativa reaprecie o pedido de compensação formulado pelo contribuinte, levando em consideração a declaração retificadora e os demais elementos contábeis e fiscais colacionados aos autos.
Numero da decisão: 1102-001.567
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pela contribuinte, além das provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade da interessada, retomando-se o rito processual. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1102-001.566, de 21 de novembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10880.692038/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Fernando Beltcher da Silva – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Fenelon Moscoso de Almeida, Cristiane Pires Mcnaughton, Gustavo Schneider Fossati, Fernando Beltcher da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BELTCHER DA SILVA
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BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A verdade material é princípio que rege o processo administrativo tributário e enseja a valoração da prova com atenção ao formalismo moderado, devendo-se assegurar ao contribuinte a análise de documentos extemporaneamente juntados aos autos, mesmo em sede de recurso voluntário, a fim de permitir o exercício da ampla defesa e alcançar as finalidades de controle do lançamento tributário, além de atender aos princípios da instrumentalidade e economia processual. O formalismo moderado dá sentido finalístico à verdade material que subjaz à atividade de julgamento, devendo-se admitir a relativização da preclusão consumativa probatória e considerar as exceções do art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, com aplicação conjunta do art. 38 da Lei nº 9.784/99, o que enseja a análise dos documentos juntados supervenientemente pela parte, desde que possuam vinculação com a matéria controvertida anteriormente ao julgamento colegiado. A busca da verdade material, além de ser direito do contribuinte, representa uma exigência procedimental a ser observada pela autoridade lançadora e pelos julgadores no âmbito do processo administrativo tributário, a ela condicionada a regularidade da constituição do crédito tributário e os atributos de certeza, liquidez e exigibilidade que justificam os privilégios e garantias dela decorrentes, bem como a adequada análise de direito creditório requestado através de PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ OU DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. Fl. 278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 2 A retificação de DIPJ, DCTF ou outras declarações que instrumentalizem o cumprimento de obrigações acessórias, onde se controverta equívoco de preenchimento, ainda que posterior ao Despacho Decisório, é útil à comprovação do crédito reclamado pelo contribuinte, mercê de expressa recomendação do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015. É possível analisar o direito creditório mediante reconhecimento de retificação tardia de obrigações acessórias, com fundamento na busca da verdade material. Necessário retorno dos autos à unidade de origem da Receita Federal do Brasil, a fim de que a autoridade administrativa reaprecie o pedido de compensação formulado pelo contribuinte, levando em consideração a declaração retificadora e os demais elementos contábeis e fiscais colacionados aos autos. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pela contribuinte, além das provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade da interessada, retomando-se o rito processual. Acompanhou pelas conclusões o Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 1102-001.566, de 21 de novembro de 2024, prolatado no julgamento do processo 10880.692038/2009-37, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Lizandro Rodrigues de Sousa, Fredy Jose Gomes de Albuquerque, Fenelon Moscoso de Almeida, Cristiane Pires Mcnaughton, Gustavo Schneider Fossati, Fernando Beltcher da Silva (Presidente). Fl. 279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 3 RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário contra decisão que negou direito creditório decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL ocorrido em 31/07/2007, relacionado ao segundo trimestre de 2007, objeto do PER/DCOMP nº 01752.96744.311007.1.3.041645. O Despacho Decisório eletrônico não homologou a compensação declarada, em razão da inexistência de crédito, uma vez que foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, nesses termos: “Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 23.078,45. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima Identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Após regular manifestação de inconformidade da contribuinte, a DRJ manteve a denegação do direito creditório, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/07/2007 DÉBITO INFORMADO EM DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A simples retificação de DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não pode ser admitida para modificar Despacho Decisório. COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Constatada a inexistência do direito creditório por meio de informações prestadas pelo interessado à época da transmissão da Declaração de Compensação, cabe a este o ônus de comprovar que o crédito pretendido já existia naquela ocasião. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntario ao CARF, em que suscita os seguintes pontos: Fl. 280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 4 a) Defende que se equivocou ao deixar de aproveitar como despesa Juros sobre o Capital Próprio, mesmo havendo feito tal registro no livro diário. Informa que, “ao perceber o equívoco, antes mesmo da entrega da DIPJ que noticia à Receita a base de cálculo do IRPJ e da CSLL, as apurações foram refeitas para espelhar corretamente a o lucro real trimestral da empresa”. b) Ressalta que retificou sua DCTF a destempo e junta com o recurso os seguintes documentos para evidenciar o direito creditório: “DIPJ original com apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Doc.02); Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR - original com apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Doc.03); Livros Diário (Doc.04) e Razão originais (Doc.05) com as demonstrações contábeis do lançamento da despesa de Juros sobre o Capital Próprio e apuração de resultado considerando essa despesa”. c) Destaca que “os demonstrativos do resultado, as declarações e os razões contábeis ora anexados aos autos, demonstram, claramente, que os valores registrados como despesa de juros sobre o capital próprio devem ser considerados como despesa dedutível na apuração da base de cálculo trimestral, sendo corretos, portanto, os ajustes feitos pela empresa no tocante ao IRPJ e à CSLL”. d) Defende que mero erro de fato não pode ensejar a desconsideração do direito ao crédito, bem como que a DCTF retificadora, entregue após a ciência do Despacho Decisório, deve ser desconsiderada para fins de correção dos valores declarados, razão pela qual conclama a aplicação do princípio da verdade material na análise em questão. e) Ao final, pede diligência caso persistam dúvidas. É o relatório. VOTO Fl. 281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 5 Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade para ser conhecido. Penso que assiste razão à recorrente, porquanto a negativa do crédito pela DRJ está vinculada unicamente ao equívoco de preenchimento da DCTF e à falta de elementos adicionais que deixaram de ser juntados quando da manifestação de inconformidade, a saber: Entretanto, o contribuinte limitou-se a apresentar a DCTF retificadora (transmitida após a ciência do despacho decisório sob análise) e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais e controles internos. Em situações tais como a analisada, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderia comprovar que inexistia tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado com outros débitos. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Pois bem. Tais inconsistências foram plenamente controvertidas no Recurso Voluntário, quando a contribuinte passou a ter convicção dos equívocos não indicados no Despacho Decisório eletrônico e claramente demonstrados pela DRJ, que realizou uma análise ampliada e mais detalhada do contexto probatório relacionado ao direito creditório. Vê-se que a contribuinte demonstra haver retificado a DCTF original, a fim de alocar adequadamente o direito creditório relacionado aos Juros sobre Capital Próprio que já estavam escriturados quando da transmissão da DCOMP. Para tanto, apresentou junto ao recurso “a DIPJ original com apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Doc.02); Livro de Apuração do Lucro Real - LALUR - original com apuração das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL (Doc.03); Livros Diário (Doc.04) e Razão originais (Doc.05) com as demonstrações contábeis do lançamento da despesa de Juros sobre o Capital Próprio e apuração de resultado considerando essa despesa”. Os documentos citados se encontram às fls. 117/232 e demonstram nítido esforço probatório para evidenciar a liquidez e certeza do direito creditório reclamado. Fl. 282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 6 É bem verdade que tais documentos não foram jamais analisados pela administração tributária ou pela DRJ, uma vez que juntados com o Recurso Voluntário. Porém, o despacho eletrônico não deixou claro as inconsistências documentais acima mencionadas, que só foram esclarecidas após o acórdão da instância de piso, quando o tema foi enfrentado de forma não simplificada por despacho eletrônico. Também é verdade que a retificação da DCTF só foi realizada após a manifestação da administração tributária, porém, a retificação da declaração que controverta equívoco de preenchimento, ainda que posterior ao Despacho Decisório, é útil à comprovação do crédito reclamado pelo contribuinte, mercê de expressa recomendação do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015, aplicável ao caso dos autos, a saber: PARECER NORMATIVO COSIT Nº 2, DE 28 DE AGOSTO DE 2015 (DOU 01/09/2015) Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. (...) Fl. 283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 7 CONCLUSÃO Por todo o exposto, conclui-se: a) as informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário; b) não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010; c) retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo; d) o procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9º-A da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não- homologação do PER/DCOMP; e) a não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não Fl. 284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 8 impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios; f) o valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996; e g) Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Observe-se que a defesa da contribuinte controverte o fato da DCTF ter registrado incorretamente informações sobre o lançamento do IRPJ do período, sendo posteriormente retificada, com evidente esforço adicional para juntar aos autos, em grau recursal, documentos fiscais e contábeis que permitem análise adequada do direito creditório reivindicado. O fato é que a decisão da DRJ desconsiderou a possibilidade de retificação, sob o argumento de que a originária, entregue anteriormente à ciência do Despacho Decisório, estava alocada integralmente para quitação de outros débitos, e, mesmo tendo sido demonstrada da DCTF retificadora, entendeu que faltavam documentos contábeis e fiscais para evidenciar a origem do crédito. Entendo que os documentos foram apresentados no Recurso Voluntário e devem ser analisados pela administração tributária, porquanto não faz sentido deixar para o Estado o direito creditório pertencente à contribuinte, que é plenamente verificável e validável através do trâmite do processo administrativo. O formalismo moderado e a verdade material ensejam que se investigue os elementos de prova juntados com o Recurso Voluntário. ANÁLISE DE DOCUMENTOS JUNTADOS EXTEMPORANEAMENTE Importa registrar que a irresignação recursal também se sedimenta em documentos tardiamente juntados, tanto após o despacho decisório quanto após a decisão de piso, como se vê dos documentos contábeis anexados tardiamente, que foram anexados aos Recurso Voluntário, a saber: Vê-se o evidente esforço probatório para demonstrar a liquidez e certeza dos créditos, inclusive, com a juntada de fartíssimos documentos contábeis e fiscais que permitem à administração tributária rever sua decisão, que se limitou a impedir o aprofundamento da análise em razão da ausência de declaração retificadora, posteriormente demonstrada. A legislação processual que versa sobre ônus probatório do interessado em instruir o feito administrativo fiscal com os elementos necessários à comprovação de suas alegações determina, como regra geral, que “A prova documental será Fl. 285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 9 apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual” (art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72), estabelecendo como exceções as hipóteses de impossibilidade de apresentação oportuna, a existência de fato ou direito superveniente, ou que a prova destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. De forma complementar, a Lei nº 9.784/99, ao regular o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, disciplina que “O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” (art.38), como forma de assegurar a ampla defesa e, entrementes, referendar a busca de uma verdade materialmente demonstrável, opondo-se a pretextos formalísticos que dificultem ou inviabilizem a realização dessa finalidade. Por isso mesmo, o § 2odo citado dispositivo estatui, categoricamente, que “Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias”. A busca da verdade material não é apenas um direito do contribuinte, mas uma exigência procedimental a ser observada pela autoridade lançadora e pelos julgadores do processo administrativo tributário, os quais referendam ou não a regularidade da constituição do crédito tributário, como forma de lhe assegurar os atributos de certeza, liquidez e exigibilidade que justificam os privilégios e garantias a ele referíveis, conforme indica o Código Tributário Nacional e legislação esparsa. A verdade material serve à instrumentalidade e economia processuais, porquanto o processo administrativo não é um fim em si mesmo, e, no lúcido dizer de Hugo de Brito Machado Segundo, “consagra um valor que deve orientar a interpretação das demais regras processuais, sempre que o intérprete estiver diante de duas interpretações em tese possíveis, deverá adotar aquela que melhor consagre o processo em sua feição instrumental, e não sacramental. Trata-se de decorrência direta do princípio do devido processo legal, sendo certo que devido é aquele processo que se presta da maneira mais efetiva possível à finalidade a que se destina, e não aquele que faz com que as partes se embaracem em um emaranhado de formalismos e terminem vendo naufragar a sua pretensão de ver resolvido o conflito de interesses no qual estão envolvidas” (MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Processo tributário. 10. ed. rev e atual. São Paulo: Atlas, 2018, p. 54). Considera-se, pois, que o processo administrativo tributário há de ser pautado pelo formalismo moderado, a fim de assegurar que documentos eventualmente juntados aos autos após a impugnação possam ser analisados pela autoridade julgadora, mesmo em sede de recurso voluntário. O que importa é que a matéria controvertida documentalmente e relacionada objetivamente às razões igualmente suscitadas nas fases anteriores possam ser consideradas no Fl. 286DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 10 julgamento do colegiado, permitindo o exercício da ampla defesa e, paralelamente, buscando alcançar as finalidades de controle do lançamento tributário. O formalismo moderado dá sentido finalístico à verdade material que subjaz à atividade de julgamento, e, no dizer de Celso Antônio Bandeira de Mello, evita “que a parte aceite como verdadeiro algo que não o é, ou que negue a veracidade do que é, pois no procedimento administrativo, independentemente do que haja sido aportado aos autos pela parte, ou pelas partes, a Administração deve sempre buscar a verdade substancial” (MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de Direito Administrativo, 9ª ed., São Paulo: Malheiros, 1997, p. 322-323). Importa registrar que o CARF tem se debruçado sobre a matéria, convergindo ao entendimento segundo o qual a juntada posterior de documentos, mesmo em sede de Recurso Voluntário, não está alcançada pela preclusão probatória consumativa a que alude o art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, devendo-se admitir as exceções do próprio dispositivo quando as provas anexadas, face ao princípio da verdade material, admitam conexão com a causa de pedir suscitada pela parte, desde que a matéria tenha sido controvertida em momento processual anterior. Neste sentido, citem-se os seguintes acórdãos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESERVAÇÃO DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. JUÍZO DE ADMISSIBILIDADE. PRESSUPOSTOS RECURSAIS INTRÍNSECOS E EXTRÍNSECOS. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. ÔNUS DA IMPUGNAÇÃO ESPECÍFICA. ALEGAÇÕES RECURSAIS GENÉRICAS. PRECLUSÃO. NÃO CONHECIMENTO. IMPUGNAÇÃO NÃO CONHECIDA PELA DECISÃO HOSTILIZADA. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO DE FUNDAMENTOS AUTÔNOMOS E SUFICIENTES DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DUPLO GRAU DO CONTENCIOSO TRIBUTÁRIO. PROIBIÇÃO DA SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. VEDAÇÃO DE DISCUSSÃO DE MATÉRIA NÃO DECIDIDA NA PRIMEIRA INSTÂNCIA. O recurso voluntário interposto, apesar de ser de fundamentação livre e tangenciado pelo princípio do formalismo moderado, deve ser pautado pelo princípio da dialeticidade, enquanto requisito formal genérico dos recursos. Isto exige que o objeto do recurso seja delimitado pela decisão recorrida havendo necessidade de se demonstrar as razões pelas quais se infirma a decisão. As razões recursais precisam conter os pontos de discordância com os motivos de fato e/ou de direito, impugnando especificamente a decisão hostilizada, devendo haver a observância dos princípios da concentração, da eventualidade e do duplo grau de jurisdição. A ausência do mínimo de arrazoado dialético direcionado a combater as razões de decidir da decisão infirmada, apontando o “error in procedendo” ou o “error in iudicando” nas suas conclusões, acarreta o não conhecimento do recurso por ausência de Fl. 287DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 11 pressuposto extrínseco de admissibilidade pertinente a regularidade formal. De igual modo, a preclusão, decorrente da não impugnação específica no tempo adequado, redunda no não conhecimento por ausência de pressuposto intrínseco de admissibilidade pertinente ao fato extintivo do direito de recorrer. (Acórdão nº 2202005.055 - 2ªCâmara/2ªTurmaOrdinária/ 2ª Seção – Sessão de 14demarçode2019) --------------------------- PROVAS DOCUMENTAIS COMPLEMENTARES APRESENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO RELACIONADAS COM A FUNDAMENTAÇÃO DO OBJETO LITIGIOSO TEMPESTIVAMENTE INSTAURADO. APRECIAÇÃO. PRINCÍPIOS DO FORMALISMO MODERADO E DA BUSCA PELA VERDADE MATERIAL. NECESSIDADE DE SE CONTRAPOR FATOS E FUNDAMENTOS DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA DE PRECLUSÃO. Em homenagem ao princípio da verdade material e do formalismo moderado, que devem viger no âmbito do processo administrativo fiscal, deve-se conhecer a prova documental complementar apresentada no recurso voluntário que guarda relação com a matéria litigiosa controvertida desde a manifestação de inconformidade ou impugnação, especialmente para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. O documento novo, colacionado com o recurso voluntário, pode ser apreciado quando se destina a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, sendo certo que os fundamentos da decisão de primeira instância constituem nova linguagem jurídica a ser contraposta pelo administrado, de modo a se invocar a normatividade da alínea "c" do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235, não se cogitando de preclusão. (Acórdão nº 2202-006.166 – 2ª Seção / 2ª Câmara / 2ª TO) --------------------------- ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) (...) PROVAS. VERDADE MATERIAL. APRESENTAÇÃO EM SEDE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. EXCEÇÃO. POSSIBILIDADE EXCEPCIONAL. Admite-se a relativização do princípio da preclusão, tendo em vista que, por força do princípio da verdade material, podem ser analisados documentos e provas trazidos aos autos posteriormente à análise do processo pela autoridade de primeira instância. Assim decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais (“CSRF”) deste Conselho no julgamento do Acórdão nº 9101002.781, nos autos do Processo Administrativo nº 14098.000308/2009-74, em sessão de 06/04/2017, veja-se: RECURSO VOLUNTÁRIO. JUNTADA DE DOCUMENTOS. POSSIBILIDADE. DECRETO 70.235/1972, ART. 16, §4º. LEI 9.784/1999, ART. Fl. 288DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 12 38. É possível a juntada de documentos posteriormente à apresentação de impugnação administrativa, em observância ao princípio da formalidade moderada e ao artigo 38, da Lei nº 9.784/1999. (Acórdão nº 1002-000.832 - 1ª Seção / 2ª TE - Sessão de 8 de outubro de 2019) --------------------------- PRECLUSÃO. NORMAS PROCESSUAIS. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO APRESENTAÇÃO. APÓS IMPUGNAÇÃO. POSSIBILIDADE. PRINCÍPIO DA INSTRUMENTALIDADE E VERDADE MATERIAL. O artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, estabelece como regra geral para efeito de preclusão que a prova documental deverá ser apresentada juntamente à impugnação do contribuinte, não impedindo, porém, que o julgador conheça e analise novos documentos ofertados após a defesa inaugural, em observância aos princípios da verdade material e da instrumentalidade dos atos administrativos, sobretudo quando se prestam a corroborar tese aventada em sede de primeira instância e contemplada pelo Acórdão recorrido. Os documentos anexados ao Recurso Voluntário estão conectados objetivamente com as razões de defesa e foram por ela controvertidas na instância singular, porém, deixou-se de analisá-los anteriormente pela inércia do próprio contribuinte em apresentar os elementos ora acostados. Não obstante, pelos argumentos indicados e precedentes do colegiado, não há óbice para a consideração jurídica dos anexos recursais, em prestígio à ampla defesa e proporcionalidade da medida, razão pela qual afasto a preclusão consumativa e acolho o pleito da recorrente para acatar a análise dos documentos juntados extemporaneamente. (Acórdão nº 1401002.163 - 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária - Sessão de 23 de fevereiro de 2018) DO RETORNO PARA REAPRECIAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO PELA DRF Considero admissível que a retificação da DIPJ, juntamente com a apresentação de elementos de prova capazes de controverter a existência do crédito reclamado, notadamente as informações fiscais e contábeis do contribuinte, são elementos suficientes ao aprofundamento da análise do direito creditório objeto do processo. Com efeito, mais vale investigar a existência de um direito a admitir o enriquecimento sem causa, razão pela qual o retorno dos autos à instância de origem permitirá à autoridade administrativa validar ou não a existência do crédito, dessa vez, cotejando os dados retificados em DCTF e os demais elementos acostados aos autos, sem prejuízo de outros que o contribuinte entenda conveniente apresentar. Tal medida atende ao princípio da proporcionalidade, por se tratar de medida necessária à preservação do direito reclamado sem as travas formais que trouxeram o processo a julgamento neste Colegiado, adequada ao correto alcance Fl. 289DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 13 da legalidade e justa para que não se gere benefício que o contribuinte não tenha ou prejuízo que favoreça os cofres públicos sem motivos. O CARF tem inúmeros precedentes neste sentido, inclusive, desta Egrégia Turma de Julgamento, a saber: POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. AFASTAMENTO DA RESTRIÇÃO CONTIDA NA IN RFB Nº 1.110/10. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110/2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios, termos do Parecer Normativo Cosit nº 2/15. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. NOVO DESPACHO DECISÓRIO. Superados os óbices que levaram ao indeferimento da compensação, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de novo despacho decisório, devendo ser considerada em sua análise a DCTF retificadora. (Acórdão nº 1003-001.415 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 04 de março de 2020) PER/DCOMP. ERRO DCTF. DIPJ RETIFICADORA ANTES DA APRECIAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. Não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirma a existência do indébito informado na DCOMP. Recurso Voluntário conhecido e parcialmente provido. (Acórdão nº 1301-004.538 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2020) POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DE DCTF. AFASTAMENTO DA RESTRIÇÃO CONTIDA NA IN RFB Nº 1.110/10. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazê-la em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110/2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios, termos do Parecer Normativo Cosit nº 2/15. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. NOVO DESPACHO DECISÓRIO. Superados os óbices que levaram ao indeferimento da compensação, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado pela unidade origem mediante prolação de novo despacho decisório, devendo ser considerada em sua análise a DCTF retificadora. (Acórdão nº 1003-001.415 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 04 de março de 2020) COMPENSAÇÃO. DCTF. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE ANÁLISE DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. DESPACHO COMPLEMENTAR. A retificação da DCTF depois de o Fl. 290DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 14 contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, mediante a apresentação de documentos comprobatórios do erro cometido no seu preenchimento. Os autos deverão retornar à unidade de origem para que proceda à verificação da certeza e liquidez do crédito tributário pleiteado, com emissão de despacho decisório complementar, e retomada do rito processual de praxe. (Acórdão nº 1301-004.607 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 18 de junho de 2020) Penso que a solução que adequadamente preserva o interesse público, neste caso, é a que determina o retorno dos autos para a unidade de origem da Receita Federal do Brasil – que até aqui não analisou os documentos acostados pela parte – pois tal medida atende a vedação ao enriquecimento sem causa, a proporcionalidade e a busca pela verdade material. Aliás, a matéria já foi analisada por este colegiado (turma 1102 do CARF), em composição parcialmente diversa, por decisão unânime, objeto do Acórdão 1102-001.370 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA, SESSÃO DE 12 de junho de 2024, em que foi apreciada a possibilidade de análise de DCTF tardiamente retificada e juntada com documentos aos autos juntamente com o Recurso Voluntário, a fim de investigar a existência de direito creditório reclamada por contribuinte, a saber: COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DIPJ OU DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS EMISSÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE DE ANÁLISE DO DIREITO CREDITÓRIO. A retificação de DIPJ, DCTF ou outras declarações que instrumentalizem o cumprimento de obrigações acessórias, onde se controverta equívoco de preenchimento, ainda que posterior ao Despacho Decisório, é útil à comprovação do crédito reclamado pelo contribuinte, mercê de expressa recomendação do Parecer Normativo COSIT n° 2/2015. É possível analisar o direito creditório mediante reconhecimento de retificação tardia de obrigações acessórias, com fundamento na busca da verdade material. Necessário retorno dos autos à unidade de origem da Receita Federal do Brasil, a fim de que a autoridade administrativa reaprecie o pedido de compensação formulado pelo contribuinte, levando em consideração a declaração retificadora e os demais elementos contábeis e fiscais colacionados aos autos. ANÁLISE DE DOCUMENTOS JUNTADOS EXTEMPORANEAMENTE. BUSCA DA VERDADE MATERIAL. A verdade material é princípio que rege o processo administrativo tributário e enseja a valoração da prova com atenção ao formalismo moderado, devendo-se assegurar ao contribuinte a análise de documentos extemporaneamente juntados aos autos, mesmo em sede de recurso Fl. 291DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1102-001.567 – 1ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10880.692040/2009-14 15 voluntário, a fim de permitir o exercício da ampla defesa e alcançar as finalidades de controle do lançamento tributário, além de atender aos princípios da instrumentalidade e economia processual. Tais razões revelam a necessidade de investigar o direito creditório mediante retorno dos autos à unidade de origem, para que, pela primeira vez, verifique a liquidez e certeza com base da DCTF retificadora e demais documentos fiscais e contábeis juntados aos autos. DISPOSITIVO Ante o exposto, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pela contribuinte, além das provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade da interessada, retomando-se o rito processual. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para que se retorne o processo à Receita Federal do Brasil, a fim de que reaprecie o pedido formulado pela contribuinte, além das provas juntadas no recurso voluntário e as informações constantes nos autos, podendo intimar a parte a apresentar documentos adicionais, devendo ser emitida decisão complementar contra a qual caberá eventual manifestação de inconformidade da interessada, retomando-se o rito processual. Assinado Digitalmente Fernando Beltcher da Silva – Presidente Redator Fl. 292DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 19647.720038/2018-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014
NULIDADE NÃO EVIDENCIADA.
As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos.
DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURA. SÚMULA CARF Nº 163
O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NÃO CABE INVERTER O ÔNUS DA PROVA.
A realização de diligência/perícia deve se restringir à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação.
MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL.
Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação/manifestação de inconformidade, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, sob pena, inclusive, de supressão de instância.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2013, 2014
ARBITRAMENTO DO LUCRO. REQUISITO LEGAL.
O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, devidamente intimado, deixar de apresentar à autoridade fiscal os documentos fiscais, em especial o livro caixa, escrituração obrigatória para fins de determinação do lucro presumido.
ARBITRAMENTO DO LUCRO. HIPÓTESES LEGAIS.
Restando demonstrada a ocorrência de fatos que se enquadram no disposto no art. 530, III, do CTN, o imposto deve ser apurado com base nos critérios do lucro arbitrado.
RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. IRPJ DECLARADO A MENOR Faz-se mister o lançamento de ofício sobre receitas de prestação de serviços, cujos IRPJ correspondentes tenham sido declarados na DCTF em valores inferiores aos apurados.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2013, 2014
IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995.
Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa.
IR-FONTE DE 35%. PAGAMENTO À BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. PRESUNÇÃO LEGAL. PROVA.
A exigência do IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 (35%) tem natureza de presunção legal, ou seja, a partir de um fato conhecido (o pagamento) e da negativa do fiscalizado em informar o destinatário ou a real origem econômica do pagamento, a lei permite a exigência do tributo de quem fez o pagamento, por uma presunção de omissão de receita por parte do destinatário do pagamento, associada a uma substituição tributária. Nesse viés, a fiscalização não está obrigada a rastrear a utilização do pagamento e o contribuinte pode afastar a acusação fiscal ao demonstrar que não houve o pagamento (negativa do fato conhecido) ou ao apontar, cumulativamente, o destinatário do pagamento e a sua real origem econômica.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2013, 2014
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. REGRA GERAL APLICÁVEL.
Um dos efeitos produzidos pela apresentação do Recurso Voluntário tempestivo é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário.
DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS.
As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO.
Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo.
MULTA AGRAVADA. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
A aplicação da norma que impõe o agravamento da penalidade, na hipótese do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, não pode ser feita desprezando-se as circunstâncias e os efeitos do não atendimento. No caso vertente, o não atendimento da intimação para apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros
MULTA AGRAVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE.
A aplicação da norma que impõe o agravamento da penalidade, na hipótese do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, não pode ser feita desprezando-se as circunstâncias e os efeitos do não atendimento. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da identificação de beneficiários dos pagamentos ou comprovação da operação ou causa, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação regente da matéria.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO.
Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação.
Comprovado nos autos que as pessoas físicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira ativa, individual e unida com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária, resta configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador.
Numero da decisão: 1201-007.135
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a qualificação e o agravamento da multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, mantendo as exigências de IRPJ e IRRF e mantendo as imputações de responsabilidade. O Conselheiro Lucas Issa Halah acompanhou o voto do relator pelas suas conclusões em relação à manutenção da exigência de IRRF.
Sala de Sessões, em 10 de dezembro de 2024.
Assinado Digitalmente
Raimundo Pires de Santana Filho – Relator
Assinado Digitalmente
Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Neudson Cavalcante Albuquerque.
Nome do relator: RAIMUNDO PIRES DE SANTANA FILHO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014 NULIDADE NÃO EVIDENCIADA. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURA. SÚMULA CARF Nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NÃO CABE INVERTER O ÔNUS DA PROVA. A realização de diligência/perícia deve se restringir à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação/manifestação de inconformidade, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, sob pena, inclusive, de supressão de instância. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014 ARBITRAMENTO DO LUCRO. REQUISITO LEGAL. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, devidamente intimado, deixar de apresentar à autoridade fiscal os documentos fiscais, em especial o livro caixa, escrituração obrigatória para fins de determinação do lucro presumido. ARBITRAMENTO DO LUCRO. HIPÓTESES LEGAIS. Restando demonstrada a ocorrência de fatos que se enquadram no disposto no art. 530, III, do CTN, o imposto deve ser apurado com base nos critérios do lucro arbitrado. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. IRPJ DECLARADO A MENOR Faz-se mister o lançamento de ofício sobre receitas de prestação de serviços, cujos IRPJ correspondentes tenham sido declarados na DCTF em valores inferiores aos apurados. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2013, 2014 IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. IR-FONTE DE 35%. PAGAMENTO À BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. PRESUNÇÃO LEGAL. PROVA. A exigência do IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 (35%) tem natureza de presunção legal, ou seja, a partir de um fato conhecido (o pagamento) e da negativa do fiscalizado em informar o destinatário ou a real origem econômica do pagamento, a lei permite a exigência do tributo de quem fez o pagamento, por uma presunção de omissão de receita por parte do destinatário do pagamento, associada a uma substituição tributária. Nesse viés, a fiscalização não está obrigada a rastrear a utilização do pagamento e o contribuinte pode afastar a acusação fiscal ao demonstrar que não houve o pagamento (negativa do fato conhecido) ou ao apontar, cumulativamente, o destinatário do pagamento e a sua real origem econômica. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. REGRA GERAL APLICÁVEL. Um dos efeitos produzidos pela apresentação do Recurso Voluntário tempestivo é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. MULTA AGRAVADA. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação da norma que impõe o agravamento da penalidade, na hipótese do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, não pode ser feita desprezando-se as circunstâncias e os efeitos do não atendimento. No caso vertente, o não atendimento da intimação para apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros MULTA AGRAVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação da norma que impõe o agravamento da penalidade, na hipótese do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, não pode ser feita desprezando-se as circunstâncias e os efeitos do não atendimento. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da identificação de beneficiários dos pagamentos ou comprovação da operação ou causa, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação regente da matéria. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. Comprovado nos autos que as pessoas físicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira ativa, individual e unida com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária, resta configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador.
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As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. NÃO CONFIGURA. SÚMULA CARF Nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. PEDIDO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA. NÃO CABE INVERTER O ÔNUS DA PROVA. A realização de diligência/perícia deve se restringir à elucidação de pontos duvidosos para o deslinde de questão controversa, não se justificando quando o fato puder ser demonstrado pela juntada de documentos. Objetiva subsidiar a convicção do julgador e não inverter o ônus da prova já definido na legislação. MATÉRIA NÃO SUSCITADA EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO/MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PRECLUSÃO PROCESSUAL. Afora os casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não devem ser conhecidas às razões/alegações constantes do recurso voluntário que não foram suscitadas na impugnação/manifestação de inconformidade, tendo em vista a ocorrência da preclusão processual, conforme preceitua o artigo 17 do Decreto nº 70.235/72, sob pena, inclusive, de supressão de instância. Fl. 2195DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 2 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014 ARBITRAMENTO DO LUCRO. REQUISITO LEGAL. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, devidamente intimado, deixar de apresentar à autoridade fiscal os documentos fiscais, em especial o livro caixa, escrituração obrigatória para fins de determinação do lucro presumido. ARBITRAMENTO DO LUCRO. HIPÓTESES LEGAIS. Restando demonstrada a ocorrência de fatos que se enquadram no disposto no art. 530, III, do CTN, o imposto deve ser apurado com base nos critérios do lucro arbitrado. RECEITAS DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. IRPJ DECLARADO A MENOR Faz-se mister o lançamento de ofício sobre receitas de prestação de serviços, cujos IRPJ correspondentes tenham sido declarados na DCTF em valores inferiores aos apurados. Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2013, 2014 IR-FONTE. ART. 61 DA LEI Nº 8.981, DE 1995. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que enseja o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. IR-FONTE DE 35%. PAGAMENTO À BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. PRESUNÇÃO LEGAL. PROVA. A exigência do IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 (35%) tem natureza de presunção legal, ou seja, a partir de um fato conhecido (o pagamento) e da negativa do fiscalizado em informar o destinatário ou a real origem econômica do pagamento, a lei permite a exigência do tributo de quem fez o pagamento, por uma presunção de omissão de receita por Fl. 2196DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 3 parte do destinatário do pagamento, associada a uma substituição tributária. Nesse viés, a fiscalização não está obrigada a rastrear a utilização do pagamento e o contribuinte pode afastar a acusação fiscal ao demonstrar que não houve o pagamento (negativa do fato conhecido) ou ao apontar, cumulativamente, o destinatário do pagamento e a sua real origem econômica. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2013, 2014 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. REGRA GERAL APLICÁVEL. Um dos efeitos produzidos pela apresentação do Recurso Voluntário tempestivo é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA. EFEITOS. As decisões administrativas, mesmo as proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, e as judiciais, excetuando-se as proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, bem como os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. NÃO CABIMENTO. Para a aplicação da multa qualificada de 150%, é indispensável a plena caracterização e comprovação da prática de uma conduta fraudulenta por parte do contribuinte, ou seja, é absolutamente necessário restar demonstrada a materialidade dessa conduta, ou que fique configurado o dolo específico do agente evidenciando não somente a intenção, mas também o seu objetivo. MULTA AGRAVADA. ARBITRAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação da norma que impõe o agravamento da penalidade, na hipótese do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, não pode ser feita desprezando-se as circunstâncias e os efeitos do não atendimento. No caso vertente, o não atendimento da intimação para apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros Fl. 2197DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 4 MULTA AGRAVADA. OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO OU SEM CAUSA. PRESUNÇÃO LEGAL. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. IMPOSSIBILIDADE. A aplicação da norma que impõe o agravamento da penalidade, na hipótese do não atendimento, no prazo marcado, de intimação para prestar esclarecimentos, não pode ser feita desprezando-se as circunstâncias e os efeitos do não atendimento. O agravamento da multa de ofício, em razão do não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos acerca da identificação de beneficiários dos pagamentos ou comprovação da operação ou causa, não se aplica aos casos em que a omissão do contribuinte já tenha consequências específicas previstas na legislação regente da matéria. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. Comprovado nos autos que as pessoas físicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira ativa, individual e unida com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária, resta configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a qualificação e o agravamento da multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%, mantendo as exigências de IRPJ e IRRF e mantendo as imputações de responsabilidade. O Conselheiro Lucas Issa Halah acompanhou o voto do relator pelas suas conclusões em relação à manutenção da exigência de IRRF. Sala de Sessões, em 10 de dezembro de 2024. Fl. 2198DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 5 Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho – Relator Assinado Digitalmente Neudson Cavalcante Albuquerque – Presidente Participaram da sessão de julgamento os julgadores Jose Eduardo Genero Serra, Lucas Issa Halah, Raimundo Pires de Santana Filho, Renato Rodrigues Gomes, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Neudson Cavalcante Albuquerque. RELATÓRIO Da Autuação e da Impugnação Trata o presente de Recursos Voluntários, às fls. 1927/1997, 2100/2127, 2134/2160 e 2163/2189 apresentados em face do acórdão nº 02-93.354, exarado pela 3ª Turma da DRJ/BHE, em 12 de junho de 2019, às fls. 1753/1782, que julgou improcedente as Impugnações apresentadas pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA (doravante denominada VASCONCELOS & CAMARA) e responsáveis tributários, às fls. 1327/1417, 1420/1492, 1495/1564, 1567/1637 e 1640/1712, contra Autos de Infração lavrados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil - DRF em Recife, às fls. 02/206, através dos quais foram constituídos os tributos abaixo relacionados, no montante principal de R$ 52.051.824,49, apurados em conformidade com o regime tributário do Lucro Arbitrado, referente aos anos-calendário de 2013 e 2014. Além disso, também foi caracterizada a responsabilidade tributária dos sócios administradores: os Senhores Pedro Neves Vasconcelos, Gemim Maria Camara Vasconcelos, Joao Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho e Eduardo Freire Bezerra Leite, em relação ao crédito tributário constituído: Fl. 2199DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 6 Por bem descrever os fatos que desembocaram no presente processo, reproduzo os termos do relatório da decisão da DRJ de origem, complementando-o ao final: RELATÓRIO DA AUDITORIA FISCAL NATUREZA JURÍDICA/OBJETO SOCIAL 6. A fiscalizada é uma Sociedade Limitada, tendo como titulares Pedro Neves Vasconcelos e Gemim Maria CAMARA Vasconcelos, e como objeto social: Aluguel de máquinas e equipamentos para construção sem operador, exceto andaimes, Obra de terraplenagem, Aluguel de máquinas e equipamentos agrícolas sem operador e Locação de automóveis sem condutor. 6.1 A fiscalizada foi declarada, de oficio, como inapta perante o Cadastro Nacional da Pessoa, por meio do Ato Declaratório n° 58, publicado no Diário Oficial da União, em 09 de Maio de 2018, processo administrativo fiscal n° 10480.723515/2018-17, uma vez que a empresa não foi encontrada em funcionamento no endereço cadastral e não respondeu às intimações para a devida regularização do seu cadastro. OPERAÇÃO TURBULÊNCIA 7. Além de outros aspectos motivadores, o envolvimento da fiscalizada na operação denominada “Turbulência” foi primordial na ação fiscal desenvolvida pelo fisco. A Síntese da Operação Turbulência, extraída dos processos judiciais 0004073-09.2016.4.05.8300 e 0010752-25.2016.4.05.8300: 7.1 Foi efetuada denúncia, pelo Ministério Público Federal contra JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO, EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, APOLO SANTANA VIEIRA, ARTHUR ROBERTO LAPA ROSAL e outros, pelo suposto cometimento do delito de ORGANIZAÇÃO CRIMINOSA. 7.1.1 Segundo o MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO, EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE E APOLO SANTANA VIEIRA, associaram-se intencionalmente, desde meados de 2010, com o objetivo de praticar crimes, na capital pernambucana, liderando uma organização criminosa com o objetivo de obter lucro mediante a prática de agiotagem e o escamoteamento da origem e do destino de capitais, incluindo verbas oriundas de Fl. 2200DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 7 superfaturamento em obras públicas e envolvendo o pagamento de propinas a agentes políticos e funcionários públicos. 7.2 Para a conclusão dos trabalhos da presente fiscalização foi necessário fazermos uso das provas e meio de provas obtidos no âmbito da operação Turbulência, principalmente extratos bancários compartilhados, depoimentos diversos e termos de colaboração prestados pelos investigados. Tal compartilhamento foi autorizado pela Justiça Federal. 8. PEDRO NEVES VASCONCELOS, atual sócio formal e representante legal da empresa FISCALIZADA, experiente em atuar com máquinas e equipamentos em usinas açucareiras, resolveu ter seu negócio próprio abrindo assim a VASCONCELOS & CAMARA no ano de 1990, em conjunto com sua sócia e esposa, GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS. A empresa estava sediada em Nazaré da Mata e prestava serviços de locação de máquinas e outros serviços diversos para a construção de pequenos açudes e barragens, posteriormente também atuava na locação de caminhões. 8.1 Em 2006/2007, em função de dificuldades financeiras, os mesmos PEDRO NEVES VASCONCELOS e GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS abriram a CAMARA & VASCONCELOS, com mesmo quadro societário, funcionários, contratos e infraestrutura. 8.2 Tal situação perdurou por aproximadamente dois anos, quando a VASCONCELOS E CAMARA aderiram a um REFIS, e voltou a atuar no mercado em nome próprio. Posteriormente, a CAMARA & VASCONCELOS passou a ser usada como mais uma das empresas envolvidas na Turbulência, atuando na prestação de serviços superfaturados em conjunto com a VASCONCELOS & CAMARA, e consequente geração de caixa dois a seus clientes. 8.3 CAROLINA CAMARA, responsável pelas atividades administrativas de ambas as empresas, JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO (sócio informal e administrador de fato das empresas) e PEDRO NEVES VASCONCELOS (sócio formal e representante legal da Vasconcelos & CAMARA) deixam claro em seus depoimentos que as duas empresas funcionavam como uma única empresa, eram compostas dos mesmos funcionários, infraestrutura, administração, etc. 8.4 CAROLINA CAMARA, em Termo de Colaboração, esclarece que inicialmente a fiscalizada era uma empresa de pequeno porte; após o aporte de recursos por EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE a empresa cresceu na ordem de 2000%. A partir de então passou a emitir notas superfaturadas para geração de caixa 2 e consequente distribuição de recursos financeiros a pessoas não identificadas, pagamentos de propinas e financiamento de políticos diversos. Em Termo de Colaboração, JOÃO CARLOS confirma que, a partir de 2011, a VASCONCELOS & CAMARA e a CAMARA & VASCONCELOS passaram a emitir grande volume de notas fiscais superfaturadas ou fictícias para empreiteiras, especialmente a OAS e a MENDES JÚNIOR, para fins de geração de caixa dois. Fl. 2201DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 8 9. A empresa esteve optante pelo Simples Nacional no período de 01/07/2007 a 31/12/2014, tendo solicitado, em 22/08/2017 a exclusão retroativa do Simples, a partir de 01/01/2009. Confessou o IRPJ pelo Lucro Presumido para os anos calendários de 2013 e 2014, conforme DCTF`s; não entregou DIPJ nem transmitiu a ECF, contudo, apresentou EFDContribuições para todo o AC de 2013 e janeiro e agosto de 2014. Não foram identificados pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nem transmitiu PER/DCOMP. 9.1 Através dos extratos bancários foram apurados valores significativos de créditos e débitos para os anos de 2013 e 2014. Para este período, os créditos alcançaram a soma de 68.968.425,88 e os débitos 69.758.058,25. 10. Os sócios de direito e administradores da VASCONCELOS & CAMARA, PEDRO NEVES VASCONCELOS e GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS apresentaram suas DIRPF`s para 2013 e 2014 com valores de rendimentos zerados, a despeito de terem movimentado milhões nas contas bancárias de sua empresa. 11. O contribuinte não apresentou documentação contábil e fiscal que comprovasse a receita bruta declarada na EFD-Contribuições e utilizada para fins de apuração do IRPJ e CSLL declarados em DCTF. 11.1 Foram apurados os créditos líquidos bancários, conforme Demonstrativo de Apuração dos Créditos Líquidos da Vasconcelos & CAMARA, a partir dos valores depositados nas contas correntes da fiscalizada, encontrando-se um valor próximo do valor apresentado na EFD-Contribuições. 11.2. Além das notas fiscais de setembro a dezembro de 2014, foram apresentadas, no âmbito do acordo de colaboração, diversas notas fiscais emitidas pela VASCONCELOS & CAMARA no decorrer do período fiscalizado (2013 e 2014). Confrontamos todas as notas, respectivas datas de emissão e valores, com os dados transmitidos nas EFDs Contribuições, e identificamos apenas uma nota fiscal, emitida em período no qual houve transmissão de EFD Contribuição, que não consta no rol das notas declaradas. Todos os demais documentos fiscais, apresentados nas investigações policiais, foram declarados na EFD Contribuições, anos 2013 e 2014. 11.2.1 Para efeito de apuração da receita bruta conhecida, a receita declarada na EFD do mês de julho de 2013, foi acrescida do valor da nota fiscal n° 2965, conforme demonstrado na Tabela 1 - Receita Bruta Conhecida de 2013. 12. Analisando os extratos bancários da VASCONCELOS & CAMARA, identificamos pagamentos a beneficiários não identificados de valores significativos, os quais foram submetidos ao contribuinte, através do Termo de Início de Ação Fiscal, para a identificação do beneficiário, sua operação e causa. E posteriormente, pelo fato da fiscalizada estar envolvida na operação Turbulência, selecionamos pagamentos diversos realizados a outras empresas da turbulência e pagamentos estranhos à atividade operacional da empresa, também para terem suas operações e causas Fl. 2202DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 9 justificadas pela fiscalizada. Os pagamentos foram identificados por meio do compartilhamento, no âmbito da operação Turbulência, dos extratos bancários. 12.1 Foram 5.717 pagamentos sem nenhuma identificação do beneficiário e nem descrição que justificasse sua operação e causa no histórico do lançamento bancário. DO PROCEDIMENTO DE AUDITORIA FISCAL 13 Em 07/05/2018 o fisco encaminhou-se ao endereço da fiscalizada, constante do cadastro CNPJ, para respectiva ciência do Termo de Início de Ação Fiscal; não foi localizada. Procedimento administrativo tramitado no processo 10480.723515/2018-17 resultou na declaração de inaptidão da fiscalizada. 13.1 O Termo de Início de Ação Fiscal foi cientificado ao contribuinte por edital, com ciência aos 29/05/2018. O representante legal da empresa foi intimado via postal, tentativa improfícua. 13.1.1 Intimado o sr. JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO, este confirmou sua participação informal na VASCONCELOS & CAMARA, bem como seu papel de gestor; informou contato do Sr. PEDRO NEVES VASCONCELOS, que tomou ciência pessoal do Termo de Início de Ação Fiscal na DRF Recife-PE. 14. Intimados e reintimados, os responsáveis pela empresa pouco esclareceram. Apresentaram como valores superfaturados praticamente todos os pagamentos questionados pela fiscalização. Nenhum outro documento foi entregue, além de planilhas mensais contendo os valores recebidos em 2013. DILIGÊNCIAS FISCAIS 15. Diante dos diversos pagamentos efetuados a pessoas investigadas no âmbito da Operação Turbulência, e outros, também identificados pelo fisco, foi solicitada a cada uma das empresas envolvida a justificativa para a operação ou a causa de cada recebimento. 15.1 As diligências efetuadas demonstram que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e apontou como recebedor do pagamento (por meio dos extratos bancários neste caso concreto), de fato, nada recebeu: aqueles que constam nos extratos bancários como beneficiários de pagamentos da VASCONCELOS & CAMARA são na verdade beneficiários “intermediários”, que possuem o papel de apenas devolver o recurso em espécie ao pagador (Vasconcelos & CAMARA), que por sua vez dá as destinações finais aos recursos, ocultando assim o destinatário real dos recursos movimentados em espécie (destinatário final). DAS ATIVIDADES EXERCIDAS PELA FISCALIZADA 16. Constatou-se no curso desta ação fiscal que a fiscalizada não funcionava como uma empresa fantasma, que apenas cedia suas contas bancárias para recebimentos e pagamentos de recursos. Conforme depoimentos prestados, o sócio de direito PEDRO NEVES VASCONCELOS era um engenheiro, atuante no mercado local, o qual possuía sua empresa desde o ano de 1990. Fl. 2203DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 10 16.1 A fiscalizada é uma empresa atuante no mercado, que se inseriu no esquema de emissão de notas superfaturadas, obtendo receitas a partir da execução de serviços relacionados ao seu objeto social. A despeito de ter suas despesas operacionais normais, a fiscalizada também realizou pagamentos diversos a beneficiários não identificados, ou, quando identificados, parte de seus pagamentos foi realizada para posterior restituição em espécie, quando então realizava novos pagamentos na modalidade “em espécie” (sem identificação do beneficiário final). DO ARBITRAMENTO DO LUCRO 17. O regime de tributação dos lucros aplicável à fiscalizada no período em questão era o Lucro Presumido. A fiscalizada foi intimada, e reintimada, a apresentar seus livros contábeis e, até a presente data, não o fez; não apresentou a ECD – Escrituração Contábil Digital. 17.1 Em face do exposto, não restou à administração tributária a não ser arbitrar os lucros com base nos elementos de que se dispõe. Dessa forma, por se enquadrar na hipótese de aplicação do percentual de 32% para apuração do lucro presumido, o lucro arbitrado da VASCONCELOS & CAMARA será apurado mediante a aplicação do percentual de 38,4% sobre a sua receita bruta conhecida. RECEITAS DA ATIVIDADE. INFRAÇÃO: RECEITA BRUTA DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO EM GERAL – IMPOSTO DE RENDA DECLARADO A MENOR 18. O Demonstrativo de Cálculo do IRPJ através do regime de apuração pelo Lucro Arbitrado contém a descrição dos cálculos da Receita Bruta Conhecida, do Lucro Arbitrado, do IRPJ apurado a partir do lucro arbitrado e da apuração do saldo do IRPJ a ser lançado de ofício. Todos os valores de IRPJ declarados pela fiscalizada, em suas DCTF`s anos 2013 e 2014, foram considerados para a apuração do IRPJ sendo lançado de ofício em decorrência da presente ação fiscal. DAS INFRAÇÕES À LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE IMPOSTO DE RENDA SOBRE PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO E SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA 19. Para todos os pagamentos, cujos beneficiários não foram identificados nos extratos bancários compartilhados, foram solicitados esclarecimentos e comprovações, intimações essas constantes dos termos de intimação anexados ao processo. A empresa alegou que “foram pagamentos feitos com recursos de fundo fixo, sem controle ou registro em razão do tempo transcorrido, sem maiores detalhamentos”. 19.1 Dessa forma, não restou alternativa a não ser aplicar o disposto no art. 61, caput e § 1º, da Lei nº 8.981/1995, pois a fiscalizada não informou a quem pagou nem comprovou as operações e suas causas. PAGAMENTO SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. Fl. 2204DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 11 INFRAÇÃO: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO FINAL NÃO IDENTIFICADO E SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA 20. Foram identificados, nos extratos bancários compartilhados, pagamentos realizados a pessoas envolvidas na operação turbulência e outros pagamentos suspeitos. Os referidos pagamentos foram objeto de investigação na presente fiscalização, tendo sido a fiscalizada e os recebedores dos recursos intimados a esclarecer a causa e/ou operação de cada recebimento, e a apresentar as devidas comprovações. 20.1 Observou-se que a prática da fiscalizada era realizar pagamentos a beneficiários diversos, sem causa ou operação que os lastreasse, e, em seguida, receber em espécie os valores pagos. Na prática os recebedores dos recursos não eram os beneficiários finais (reais) dos recursos, e, sim, meros veículos de passagem, que tinham o papel de estornar os valores pagos em espécie. Nessas situações, para que haja a identificação dos efetivos beneficiários dos recursos, se faz necessária a apresentação por parte do contribuinte da sua escrituração contábil na qual constem os registros a crédito da conta “BANCOS” e a débito da conta “CAIXA”. 20.1.1 Não tendo a fiscalizada apresentado a sua escrituração contábil, restou impossibilitada esta verificação, o que equivale a não identificar os beneficiários dos pagamentos. 20.1.2 Em decorrência dos resultados das diligências realizadas nas pessoas que receberam os recursos, e dos esclarecimentos prestados pela fiscalizada em suas respostas às intimações realizadas, constatou-se que a tributação do Imposto de Renda Retido na Fonte, pelos mesmos dispositivos legais apresentados na seção anterior, é aplicável aos pagamentos realizados à: CAMARA & Vasconcelos, LATOT Comércio de Combustíveis, LAGOA Industria e Comércio, Posto Pais & Filhos, Europa Participações, JVAS Comércio de Cosméticos, Felilzzz Distribuidora de Bebidas, BF Fomento Mercantil, Arthur Roberto Lapa Rosal e Geovane Pescados. PAGAMENTO SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. INFRAÇÃO: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE PAGAMENTOS SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA 21. Os pagamentos realizados à na TECPRO LOCAÇÃO E SERVIÇOS LTDA - ME foram, segundo alegações da fiscalizada e da própria TECPRO, em decorrência da locação de tratadores e escavadeiras. No entanto, nenhuma das empresas forneceu comprovação da efetiva locação dos equipamentos, documentos fiscais, ou quaisquer outros documentos hábeis à formação do convencimento de que houve a efetiva locação. 21.1 Dessa forma, não restou alternativa a não ser aplicar o disposto no art. 61, § 1º, da Lei nº 8.981/1995, pois a fiscalizada não comprovou as operações Fl. 2205DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 12 ensejadoras dos pagamentos realizados à TECPRO LOCAÇÃO E SERVIÇOS LTDA – ME. DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO 22. Com base nos fatos apontados no RAF, conclui-se que PEDRO NEVES VASCONCELOS e GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS, sócios da fiscalizada e seus administradores, omitiram a existência dos demais sócios, JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO e EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, atuando assim como “testas de ferro” ao encobrir a existência destes, tendo essas pessoas, em conluio (art. 73 da Lei nº 4.502/1964), omitido dolosamente da autoridade fazendária informações referentes a condições pessoais de contribuinte, relativas ao real quadro societário e aos reais administradores da fiscalizada, suscetíveis de afetar o crédito tributário ora lançado (art. 71, inciso II, da Lei nº 4.502/1964), o que implica, por si só, a aplicação de multa com o percentual de 150% sobre a totalidade dos valores apurados, conforme art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. 22.1 Ademais, os fatos apurados nesta ação fiscal também demonstram que o contribuinte omitiu informação à autoridade fazendária de forma reiterada durante todo o período objeto desta ação fiscal, o que revela que houve uma sistematização da prática de se omitir da Secretaria da Receita Federal do Brasil o verdadeiro valor dos débitos tributários. 23. Portanto, com base nos dispositivos legais acima transcritos e considerando os fatos apurados, conclui-se que o contribuinte incorreu em hipóteses de incidência previstas nos arts. 71, incisos I e II, e 73, da Lei nº 4.502,64 e, conforme previsto no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, está sujeito ao percentual de 150% sobre a totalidade dos impostos ora lançados. DO AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO PELO NÃO ATENDIMENTO PARA PRESTAR ESCLARECIMENTOS 24. A fiscalizada, ao longo desta ação fiscal, deixou de atender a vários termos fiscais para prestar esclarecimentos. Assim, resta-nos aumentar a multa de ofício de 150% para 225%, conforme previsto no art. 44, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.430/96. DA RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA 25. Esta Fiscalização coletou elementos no curso desta ação fiscal que autorizam a imposição da responsabilização tributária solidária às pessoas físicas PEDRO NEVES VASCONCELOS, , GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS, JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO, e EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, pelos créditos tributários ora lançados em desfavor da fiscalizada: 25.1 A atividade comercial da VASCONCELOS & CAMARA foi exercida não apenas pela empresa, mas também por seus sócios de fato, que realizaram o aporte de recursos necessários para elevar de maneira significativa a capacidade operacional da fiscalizada, bem como tomaram a frente da gestão da empresa, Fl. 2206DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 13 determinaram como seriam realizados pagamentos diversos (uso das contas correntes da empresa), todos com interesse comum no fato gerador tributado: o auferimento das receitas diversas por meio das notas fiscais emitidas, bem como os pagamentos sem causa a beneficiários não identificados, sendo este último necessário para a operação de destinação dos recursos de caixa 2. CIÊNCIA 26. O contribuinte foi devidamente cientificado aos 24/12/2018 conforme documento à fl. 1284. Os responsáveis solidários foram cientificados: 26.1 PEDRO NEVES VASCONCELOS aos 28/12/2018, conforme documento à fl. 1307. 26.2 EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE aos 28/12/2018, conforme documento à fl. 1295. 26.3 GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS aos 28/12/2018, conforme documento à fl. 1300. 26.4 JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO aos 11/12/2018, conforme documento à fl. 1306. 27. Inconformados, o sujeito passivo e os responsáveis solidários apresentaram impugnação, nos seguintes termos: VASCONCELOS & CAMARA LTDA - Impugnação 28. O sujeito passivo VASCONCELOS & CAMARA LTDA apresenta, aos 16/01/2019 a impugnação às fls. 1495 a 1520, onde, em síntese, argumenta: 28.1 A tempestividade da apresentação da impugnação. 28.2 A Impugnante é pessoa jurídica que sempre atuou no ramo de aluguel de máquinas e equipamentos e outros serviços diversos para a construção de pequenos açudes e barragens e, posteriormente, começou a atuar na locação de caminhões. 28.2.1 Entretanto, após o envolvimento do Sr. EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE e do Sr. JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO, toda a operação da Impugnante mudou, a fim de atender às necessidades de geração de Caixa 2 para as empreiteiras, mediante superfaturamento de serviços prestados ou mesmo emissão de notas fiscais fictícias emitidas pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA. O esquema foi desmantelado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Receita Federal do Brasil na denominada "Operação Turbulência". 28.3 A Impugnante não defenderá a infração que lhe foi imputada, tampouco refutará as provas utilizadas que tiveram como origem a "Operação Turbulência", haja vista que a sua participação do esquema já foi devidamente confessada perante as instâncias próprias. 28.3.1 A defesa apresentada diz respeito, unicamente, aos critérios de apuração dos tributos lançados e das multas aplicadas. Fl. 2207DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 14 ARBITRAMENTO 29. Houve erro no critério de apuração do IRPJ; a base de cálculo é equivocada: 29.1 De fato, a contabilidade da VASCONCELOS & CAMARA não foi entregue porque não existe. Não obstante, essa irregularidade não justifica o lançamento da forma como efetuado. 29.1.1 É de conhecimento público que foi firmado Termo de Acordo de Colaboração Premiada e todos os sócios da impugnante foram colaboradores. Tal como consta do Termo de Colaboração, as notas fiscais emitidas são imprestáveis porque contaminadas, uma vez que não representavam a real contratação: nem todo o valor faturado representou, para a impugnante, riqueza passível de tributação. 29.1.2 E não seria o fato de ter sido utilizada a mesma base de cálculo declarada pela Impugnante justificativa suficiente para sustentar o lançamento porque ao tempo da fiscalização já eram conhecidos os fatos e, especialmente, o superfaturamento; aplicando-se, em relação às declarações entregues, o dever de revisão de ofício na forma do art. 147, § 2º, do CTN. 29.1.3 Pela mesma infração – não apresentar livros contábeis – ter-se-ia a majoração da base de cálculo e a majoração da penalidade aplicada por embaraço à fiscalização: isso é dupla penalidade. 29.1.4 Ademais, as empreiteiras OAS e MENDES JÚNIOR foram fiscalizadas e as notas fiscais da impugnante devem ter sido consideradas indedutíveis para fins fiscais em virtude de terem se apropriado indevidamente de despesas que de fato não ocorreram. FATO GERADOR DO IRRF 30. O impugnante argumenta que a Operação Turbulência revelou o funcionamento a do esquema, incluindo tanto a origem como a destinação dos recursos: empreiteiras. O papel da impugnante era gerar caixa 2 para as empreiteiras, de modo que, o “quem” e o “em decorrência de que” foram revelados nesta operação, de onde se originou o presente lançamento. 30.1 Não havia pagamento, as empreiteiras pagavam à impugnante pelo serviço; pagavam um valor maior que o devido e recebiam a diferença de volta em espécie. O que as empreiteiras faziam com o caixa 2 gerado estava fora do controle da impugnante. 30.2 Registra que não houve pagamento por parte da impugnante. No caso concreto, o fisco considerou a data em que houve o débito na conta bancária para posterior restituição em espécie, mesmo sabendo que tais recursos era para terceiros. No entanto, não deu relevância à ausência de coincidência necessária entre as datas. 30.3 Embora não se tenha dúvida do ilícito, também não se tem dúvida que a impugnante e seus responsáveis precisam ser responsabilizados pelos erros Fl. 2208DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 15 cometidos nos exatos limites daquilo que é legalmente previsto. E não há, na lei, que a correção do erro se dará, apenas e necessariamente, através de tributação pesada com multas que levam a valores duas ou três vezes superior à operação. Até porque a pena não é aplicada via tributo (já que, conceitualmente, este não se presta à sanção do ato ilícito), mas na esfera criminal. 30.4 Menciona a empresa GEOVANE PESCADOS EIRELI – EPP, que pelo “Depósito não identificado” foi lançado IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e pelo saque foi lançado o IRRF; identifica a coincidência de valores cobrados tanto da impugnante quanto da GEOVANE PESCADOS. Acrescenta que é possível que o real sujeito passivo também esteja sendo cobrado do IRRF. 31. Por fim, o impugnante argumenta a improcedência da infração pelos seguintes motivos: 1. Não houve pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa pela impugnante, já que a operação, a causa e os beneficiários estão revelados na “Operação Turbulência”. 2. O sujeito passivo do IRRF é quem efetivamente utilizou o caixa 2, ou seja, as empreiteiras. 3. Há fortes suspeitas de que as empreiteiras foram fiscalizadas, mas não há qualquer detalhamento no processo. 4. Sobre o mesmo recurso houve lançamento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF nas empresas que “trocavam dinheiro” para a impugnante devolver os recursos em espécie às empreiteiras, de forma que, sobre o mesmo fato estão ocorrendo múltiplos lançamentos de tributos. MULTA DE OFÍCIO, QUALIFICAÇÃO, AGRAVAMENTO - INAPLICABILIDADE 32. Ao lançamento foi aplicada multa qualificada e agravada, somando 225%. A impugnante pede a revisão da multa, argumentando que, a utilização de “testas de ferro” não teve qualquer repercussão no cometimento da infração apurada, e o Sr. PEDRO NEVES VASCONCELOS era sócio de direito e de fato, exercendo funções operacionais em relação aos serviços prestados. 32.1 Acerca da reiterada omissão de informações, embora tenha ocorrido, antes do início da fiscalização as declarações foram retificadas e os valores devidos declarados espontaneamente. 32.2 Quanto ao agravamento da multa, este é descabido já que a não entrega dos livros contábeis já tem como consequência o arbitramento do lucro com percentual majorado e não a qualificação da multa. 32.3 Quanto ao IRRF, a própria presunção do pagamento a beneficiário não identificado já constitui uma sanção, não cabendo a concomitância com a multa de ofício qualificada. DO PEDIDO Fl. 2209DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 16 33. For fim, a impugnante solicita o acolhimento dos argumentos defendidos, tendo em vista os vícios no cálculo do IRPJ e IRRF, cancelando o lançamento ou ajustando-o. Requer a revisão da multa de ofício, em especial no que tange à qualificação e ao agravamento, afastando-os. 33.1 Na dúvida, requer a aplicação do art. 112 do CTN, com a interpretação que lhe for mais benéfica. 33.2 Por fim requer a realização de diligências para comprovar suas alegações. PEDRO NEVES VASCONCELOS – Impugnação 34. O responsável PEDRO NEVES VASCONCELOS apresenta, aos 21/01/2019 a impugnação às fls. 1567 a 1593, onde, em síntese, argumenta: 34.1 A tempestividade da apresentação da impugnação. 34.2 O Impugnante é sócio da empresa fiscalizada, de sorte que participou da sua constituição junto com sua esposa, desde 1990, atuando no mercado, inicialmente, na construção de açudes em propriedades rurais, até começar a atuar, conjuntamente, no ramo de aluguéis de máquinas pesadas. 34.2.1 A despeito das operações (legítimas) para as quais foi constituída, num dado momento a empresa autuada VASCONCELOS & CAMARA LTDA. se desviou para viabilizar a manutenção dos contratos (legítimos) e o efetivo recebimento dos serviços contratados, passando a desenvolver, também, atividades ilícitas para geração de Caixa 2 para as empreiteiras contratantes, mediante superfaturamento de serviços prestados ou mesmo emissão de notas fiscais fictícias emitidas pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA. 34.3 Na sequência, o impugnante repisa as mesmas razões já apresentadas pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA. 34.4 Por fim, requer o acolhimento dos argumentos apresentados para o IRPJ e o IRRF, a revisão da multa de ofício e a realização de diligência para comprovar suas alegações. EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE - Impugnação 35. O responsável EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE apresenta, aos 10/01/2019 a impugnação às fls. 1327 a 1405, onde, em síntese, argumenta: 35.1 A tempestividade da apresentação da impugnação. 35.2 Inicialmente registra estranheza que o fisco, na fase fiscalizatória, expediu qualquer intimação instando o interessado a atender qualquer exigência de apresentação de documentos ou esclarecimentos. Recebeu ciência via postal e por Edital. 35.2.1 A intimação editalícia é revelador da ausência de análise isenta dos fatos, imputando ao impugnante responsabilidade tributária errônea. Fl. 2210DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 17 DOS LANÇAMENTOS DE OFÍCIO ORA IMPUGNADOS E DOS ERROS DE FATO INCORRIDOS NO RELATÓRIO DE AUDITORIA A DELINEAR UM FALSO CENÁRIO DE RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DO IMPUGNANTE. 35.3 De acordo com o Relatório de Auditoria, para a conclusão da ação fiscal, foram utilizadas provas obtidas no âmbito da denominada Operação Turbulência. Estranha o Impugnante o fato de que o processo administrativo fiscal de lançamento não se encontra instruído com todos as provas tidas por compartilhadas, mas apenas partes delas, como se houvesse uma seleção daquilo que seria da conveniência fiscal. 35.3.1 Muito ao contrário do que concluiu o Relatório de Auditoria ao atribuir sujeição passiva ao ora Impugnante, o "investimento" realizado pelo mesmo na CAMARA E VASCONCELOS não era outro senão aquele decorrente de operação de agiotagem, a qual, no dizer do próprio PEDRO NEVES VASCONCELOS, não tornara o ora Impugnante sócio formal ou informal da VASCONCELOS E CAMARA. 35.3.2 O Impugnante emprestou recursos para a referida sociedade empresária viabilizando o uso de máquinas que foram adquiridas financiadas em nome de empresa da qual o mesmo figura como sócio (CAMBOA CERÂMICA, ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA.), de modo que o ganho obtido pelo Impugnante na operação não seria outro senão, ao seu final, com a quitação dos financiamentos com os valores pagos pela VASCONCELOS E CAMARA - através de contratos captados por JOÃO CARLOS DE LYRA PESSOA DE MELLO FILHO - cobrar os juros da operação. 35.3.2.1 Contudo, diante da inadimplência que incorreu a VASCONCELOS E CAMARA, motivado pela inadimplência das empreiteiras, o que ensejou na devolução à CAMBOA CERÂMICA, ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. dos caminhões e maquinários, de modo que, ao final, a operação de agiotagem foi desfeita, conforme, inclusive, reconhecido por PEDRO NEVES VASCONCELOS em seu Termo de Declarações lavrado por essa Administração Fazendária em 24/08/2018. 35.3.3 A proposta feita pelo Impugnante ao sócio da VASCONCELOS E CAMARA é própria da agiotagem, tanto que, por não se considerar e por, de fato, não possuir qualquer gerência administrativa ou financeira sobre a VASCONCELOS E CAMARA, não podendo determinar assim que obrigações - inclusive tributárias — seriam cumpridas ou descumpridas, que o Impugnante, seguindo a cautela própria da agiotagem, deu-se ao cuidado de contratar a aquisição das máquinas em nome da CAMBOA CERÂMICA, ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA., isto é, de empresa da qual figura como sócio. 35.4 O fato de o ora Impugnante haver participado a PEDRO NEVES VASCONCELOS acerca da possibilidade de negócio — ainda que ilícito —junto a terceiros, no caso, através de JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO, não o torna sócio de fato ou de direito da empresa fiscalizada e autuada, posto que, ao assim proceder, o fez dentro da sua atuação, isto é, vislumbrando a possibilidade de, caso a VASCONCELOS E CAMARA enveredasse por aquele caminho, possivelmente viria a Fl. 2211DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 18 demandar a necessidade de contratar mais recursos para aquisição de máquinas e caminhões. 35.5 Não será o fato de a agiotagem ser prática ilícita que torna, por si só, o Impugnante sócio de fato da empresa a qual dela se valeu (da agiotagem). A pecha da ilicitude confessada pelo próprio Impugnante não o torna responsável pelo cumprimento de obrigação tributária de sociedade empresária da qual o Impugnante não possuía qualquer ingerência administrativa ou financeira. 35.6 O fato de as pessoas citadas fazerem parte do ciclo de conhecimento do Impugnante, por si só, não o torna sócio da sociedade entre JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO E PEDRO NEVES VASCONCELOS. 35.7 O Impugnante não reconhece nenhuma participação ou contribuição para o aumento do capital social da VASCONCELOS E CAMARA referido no Relatório de Auditoria. Não será o fato de os sócios de direito haver quedado inertes durante a fase fiscalizatória, deixando de comprovar a origem dos recursos ou mesmo deixando de fazer prova da própria integralização em si do capital social que fará presumir que o Impugnante é quem teria procedido tal aporte ou integralização. Não há, em todo ordenamento jurídico, dispositivo legal algum que autorize o uso da presunção da qual se valeram os Auditores, sobretudo contra pessoa jamais convocada na fase fiscalizatória. 35.8 Sempre que Impugnante solicitou o recebimento de valores em favor da VASCONCELOS E CAMARA, o fez já por estar "atravessando" recursos dos seus devedores para conceder empréstimos à citada empresa - prática, como visto, usual na dinâmica não só do Impugnante como de qualquer agiota. 35.9 O proveito econômico que o impugnante pretendia obter da VASCONCELOS E CAMARA não seria em decorrência de possuir qualquer status de sócio, formal ou informal da referida empresa, mas sim em contraprestação ao empréstimo concedido em operação típica de agiotagem. 35.10 Não poderia o Relatório de Auditoria buscar a atribuição da sujeição passiva ao impugnante com base em presunções, sem a efetiva comprovação da infração subjetiva que se constituiria fato antecedente. Ilustra com passagem doutrinária. 35.11 O reconhecimento, na esfera criminal, da organização criminosa vinculando o ora Impugnante aos sócios de direito da VASCONCELOS E CAMARA, bem assim a JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO, não torna, no âmbito da responsabilidade tributária, os partícipes como coobrigados por débitos próprios de cada qual ou de empresas das quais alguns façam figurem como sócios, seja de fato ou de direito. 35.12 Por tudo isso, impõe-se o reconhecimento da inaplicação do art. 124 do Código Tributário Nacional no caso concreto, sendo, lá por esse abalizado fundamento, IMPROCEDENTES os LANÇAMENTOS DE OFÍCIO DE IRRF e IRPJ em relação ao Impugnante. Fl. 2212DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 19 IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE IRRF 35.13 Como exigir do Impugnante o cumprimento da obrigação de identificar os beneficiários de pagamentos — sobretudo de uma empresa da qual não figura como sócio, seja de fato ou de direito — sem se lhe assegurar o direito de, na fase fiscalizatória, ser intimado a tanto? Naturalmente, impossível tal exigência à vista do próprio núcleo da obrigação tributária que não foi aperfeiçoado em relação ao Impugnante. 35.14 A despeito de o Impugnante não haver participado da fase fiscalizatória que originou os lançamentos fiscais ora impugnados, inclusivo o do IRRF, é possível concluir, máxime à vista do compartilhamento de informações oriundas da Operação Turbulência e, sobretudo diante das informações insertas nos Termos de Colaboração, que os beneficiários finais estão individualizados consistindo nas empreiteiras ali referidas, assim como muitos dos beneficiários imediatos também estão. 35.14.1 Solicita a retaliação de diligência para que a relação de transferências feitas seja trazida ao processo a fim de que o impugnante possa se manifestar no processo. TRIBUTAÇÃO EM DUPLICIDADE 35.15 O impugnante traz os mesmos argumentos já apresentados pela VASCONCELOS E CAMARA acerca da tributação dos pagamentos efetuados a terceiros – IRRF e estes mesmos valores submetidos à tributação nos beneficiários dos pagamentos. 35.15.1 O interessado repete ainda os mesmos argumentos já apresentados pela VASCONCELOS E CAMARA acerca do cômputo na base de cálculo do IRPJ o total das receitas, enquanto, em sua grande maioria, decorriam de mera passagem de recursos, tendo em vista as notas fiscais superfaturadas. 35.15.2 Requer a realização de diligência para identificar o momento do reconhecimento das receitas, tendo em vista a inidoneidade das notas fiscais emitidas. IMPROCEDÊNCIA DO AGRAVAMENTO DA MULTA EM RELAÇÃO AO IMPUGNANTE 35.16 O impugnante não pode responder pelo agravamento da multa aplicada, considerando que não foi intimado, na fase fiscalizatória, a prestar qualquer esclarecimento. MEDIDAS INSTRUTÓRIAS. CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA E PROVA PERICIAL 35.17 O interessado requer a conversão do julgamento em diligência pra anexação da “relação de transferências feitas” no Termo de Colaboração apontado pelo fisco, oportunizando a manifestação do impugnante, além da intimação ao Sr. JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO a especificar os Fl. 2213DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 20 valores revertidos em proveito da VASCONCELOS E CAMARA em função das operações que geraram caixa 2. Indica perito assistente e apresenta os quesitos a responder. 35.18 Por fim, requer a improcedência do lançamento de ofício, e, subsidiariamente, a exclusão do agravamento da multa em relação ao impugnante. GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS – impugnação 36. A responsável GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS apresenta, aos 25/01/2019 a impugnação às fls. 1640 a 1666, onde, em síntese, argumenta: 36.1 A tempestividade da apresentação da impugnação. 36.2 O Impugnante é sócia da empresa fiscalizada, de sorte que participou da sua constituição junto com seu esposo, desde 1990, atuando no mercado, inicialmente, na construção de açudes em propriedades rurais, até começar a atuar, conjuntamente, no ramo de aluguéis de máquinas pesadas. 36.2.1 A despeito das operações (legítimas) para as quais foi constituída, num dado momento a empresa autuada VASCONCELOS & CAMARA LTDA. se desviou para viabilizar a manutenção dos contratos (legítimos) e o efetivo recebimento dos serviços contratados, passando a desenvolver, também, atividades ilícitas para geração de Caixa 2 para as empreiteiras contratantes, mediante superfaturamento de serviços prestados ou mesmo emissão de notas fiscais fictícias emitidas pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA. 37. Na sequência, o impugnante repisa as mesmas razões já apresentadas pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA. 37.1 Por fim, requer o acolhimento dos argumentos apresentados para o IRPJ e o IRRF, a revisão da multa de ofício e a realização de diligência para comprovar suas alegações. JOAO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO –Impugnação 38. O responsável JOAO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO apresenta, aos 10/01/2019 a impugnação às fls. 1420 a 1445, onde, em síntese, argumenta: 38.1 A tempestividade da apresentação da impugnação. 38.2 O Impugnante se envolveu em esquema para geração de Caixa 2 para empreiteiras, mediante superfaturamento de serviços prestados ou mesmo emissão de notas fiscais fictícias emitidas pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA. O Impugnante não defenderá a condição de responsável que lhe foi imputada, tampouco refutará as provas utilizadas que tiveram como origem a "Operação Turbulência". 38.3 Na sequência, o impugnante repisa as mesmas razões já apresentadas pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA. Fl. 2214DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 21 39. Por fim, o impugnante requer o acolhimento dos argumentos apresentados para o IRPJ e o IRRF, a revisão da multa de ofício e a realização de diligência para comprovar suas alegações. Da Decisão Recorrida Após apreciar os Autos de Infração, às fls. 02/206, o Relatório da Auditoria Fiscal - RAF, às fls. 207/312, e as Impugnações apresentadas pela contribuinte e responsáveis tributários, às fls. 1327/1417, 1420/1492, 1495/1564, 1567/1637 e 1640/1712, a 3ª Turma da DRJ/BHE exarou o Acórdão nº 02-93.354, em 12/06/2019, às fls. 1753/1782, que, por unanimidade de votos: a) Quanto aos impugnantes VASCONCELOS & CAMARA LTDA, PEDRO NEVES VASCONCELOS, GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS e JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO: INDEFERIR a realização de diligências e MANTER integralmente o crédito tributário apurado pelo fisco, bem como o vínculo de responsabilidade solidária no caso dos responsáveis solidários; e b) Quanto ao impugnante EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE: INDEFERIR a realização de diligências ou perícias, REJEITAR a preliminar de nulidade e MANTER integralmente o crédito tributário apurado pelo fisco, bem como a responsabilidade solidária imputada ao impugnante. O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2013, 2014 ARBITRAMENTO DO LUCRO. RECEITA BRUTA CONHECIDA.POSSIBILIDADE O fato de a pessoa jurídica, sucessivamente intimada, deixar de apresentar à autoridade tributária os livros da sua escrituração comercial e fiscal, autoriza o arbitramento dos lucros, com base na receita bruta conhecida. PAGAMENTO SEM CAUSA OU A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. TRIBUTAÇÃO NA FONTE. Fica sujeito à incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como pagamentos efetuados ou recursos entregues a terceiros ou sócios, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Nos casos em que restar comprovada a conduta dolosa do sujeito passivo visando a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, deve ser aplicada a multa de ofício qualificada. MULTA AGRAVADA. CABIMENTO. Fl. 2215DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 22 O agravamento em 50% no percentual da multa de lançamento de ofício se aplica quando comprovado que o sujeito passivo não atendeu às intimações fiscais para a apresentação de informações relacionadas com as atividades do fiscalizado. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. INTERESSE COMUM E INFRAÇÃO A LEI. São solidariamente obrigadas pelo crédito tributário as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, segundo prevê o art. 124, I, do CTN. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Dos Recursos Voluntários A VASCONCELOS & CAMARA tomou ciência da sobredita decisão em 22/07/2019, através de Aviso de Recebimento – AR, às fls. 1921/1923, e os responsáveis tributários: o Sr. PEDRO NEVES VASCONCELOS e a Sra. GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS, por edital, em 03/10/2019, às fls. 1930 e 2131; o Sr. JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO, por AR, em 19/07/2019, às fls. 1919/1920, e o Sr. EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, por AR, em 18/07/2019, às fls. 1923/1924. Da Ausência do Recurso Voluntário Impetrado Pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA Registro que a VASCONCELOS & CAMARA não protocolou Recurso Voluntário. Dos Recursos Voluntários Impetrados Pelos Responsáveis Tributários: PEDRO NEVES VASCONCELOS, GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS e JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO. Irresignados os sobreditos responsáveis tributários, apresentaram, em peças separadas, os respectivos Recursos Voluntários, sendo o Sr. JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO, em 20/08/2019, às fls. 2100/2127, e o Sr. PEDRO NEVES VASCONCELOS e a Sra. GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS, em 17/10/2019, às fls. 2134/2160 e 2163/2189, respectivamente. Considerando que os conteúdos são semelhantes, em favor de evitar a repetição, resumiremos, de forma conjunta, os pontos guerreados. Nessa quadra, citando jurisprudências administrativas, além da tempestividade, requereram a reforma do acórdão combatido com base nas seguintes razões de fato e de direito: a) Da Preliminar de Nulidade do Acórdão Por Cerceamento de Defesa. Fl. 2216DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 23 Afirma que ao compulsar a decisão de primeira instância (...) está claro que não houve a devida apreciação de todos os argumentos suscitados pelo Recorrente em sua impugnação. (...) . Assim, haja vista que a DRJ não enfrentou todos os pontos lançados na defesa, resta clara a nulidade do acórdão recorrido haja vista a violação ao art. 59, II do Decreto 70.235/72. b) Da Nulidade Por Falta de Fundamentação e Motivação no Indeferimento do Pedido de Diligência. (...) Não obstante a nulidade do Acórdão pelo cerceamento de defesa, na impugnação ainda se requereu a diligência ou perícia. E a diligência ou perícia é questão preliminar (parágrafo único do art. 560 do CPC) cabendo ao Julgador "a quo" manifestar-se de forma motivada sobre o tema sob pena de nulidade. (...) Ora, é fato que são feitas alegações determinantes para a verificação da improcedência do auto de infração, cuja comprovação só seria possível com a realização de diligência. (...) Logo, em face do indeferimento desmotivado sobre a diligência, sendo questão preliminar, é de ser declarada a nulidade do Acórdão proferido bem como do Auto de Infração. c) Da Existência de Erro na Base de Cálculo do IRPJ e da Impossibilidade de Arbitramento do Lucro. Argumenta que o aresto combatido pugnou em favor do arbitramento do lucro face à ausência dos livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, nos termos do art. 530, III, do RIR/99. E, no que toca à base de cálculo, fundamentou que o Fisco levantou a receita bruta com base nas informações prestadas pelo Sujeito Passivo na Escrituração Fiscal Digital – EFD Contribuições e nas notas fiscais emitidas. Destarte, inferiu que não houve erro na apuração do IRPJ visto que (...) a destinação final dos valores recebidos e dos efeitos tributários provocados não influenciam e não afastam o lançamento, vez que o fato gerador do tributo ocorreu, independentemente da alegação de superfaturamento. (...) Ocorre que a DRJ está equivocada em sua decisão, pois o lançamento foi feito com base em documentos imprestáveis, uma vez que não representavam a real contratação. Nem todo o valor faturado representou riqueza passível de tributação, e isto influencia, sim, para o lançamento. (...) Desta forma, a receita bruta, para fins de incidência do IRPJ, deve ser o valor efetivamente recebido pela fiscalizada, qual seja, o valor cobrado pelo serviço sem o superfaturamento. Fl. 2217DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 24 (...) É oportuno registrar que foram entregues no âmbito da "Operação Turbulência", nos dias 17/01/2017 e 19/01/2017 elementos que permitiam verificar o controle do caixa 2 gerado (doc.03 da impugnação). Nos documentos foram acostadas as notas fiscais superfaturadas e os boletins de medição com os valores que efetivamente correspondiam aos, serviços prestados pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA. (...) Desta forma, a manutenção do Acórdão ora recorrido representa a cobrança de tributo sobre uma parcela que não representa faturamento nem se converte em riqueza para a VASCONCELOS & CAMARA LTDA. No que tange ao arbitramento insurge-se alegando que a (...) diferença de base de cálculo entre o que já tinha sido declarado e o que está sendo lançado corresponde, justamente, aos 20% do acréscimo do arbitramento, e nisto a DRJ manteve-se silente. (...) Ora, se o objetivo era arbitrar porque não há contabilidade e os documentos não oferecem segurança para apurar o lucro, nesse caso a determinação da receita bruta deveria ser aprofundada e expurgar o excesso superfaturado (cf. art. 142 do CTN). (...) Em resumo, tem-se como evidente o excesso de IRPJ em cobrança seja porque a base de cálculo adotada pela fiscalização tem como pressuposto os valores superfaturados dos serviços indicados nas notas fiscais, seja porque é inaplicável a majoração de 20% da base de cálculo declarada à base de cálculo lançada, seja porque o excesso (superfaturamento) não corresponde a receita da VASCONCELOS & CAMARA LTDA., de forma que o Acórdão recorrido deve ser reformado para o fim de cancelar o auto de infração por erro na base de cálculo. d) Da Inexistência de Pagamento. Operação de Geração de Caixa 2. No que está relacionado à manutenção do lançamento de ofício do IRRF, o acórdão guerreado, como único fundamento, (...) alega que inexiste escrituração contábil a identificar o beneficiário e/ou a causa do pagamento localizado nos extratos bancários da fiscalizada e que a simples alegação apresentada pelos envolvidos, sem qualquer documentação, não são capazes de identificar o efetivo beneficiário do pagamento, nem tampouco a motivação para este pagamento. Contradiz asseverando que (...) as "simples alegações" como a DRJ se refere foram retiradas de depoimentos de Delação Premiada, homologadas pelo STF, de sorte que possuem validade (doc.02 da impugnação). (...) Assim, com o devido respeito, a "Operação Turbulência" revelou o funcionamento do esquema, incluindo tanto a origem como a destinação dos recursos: empreiteiras. É importante ressaltar o papel da VASCONCELOS & CAMARA LTDA.: gerar caixa 2 para as empreiteiras. Com efeito, o "quem" e o "em decorrência de que" foram revelados na "Operação Turbulência", de onde se originou o presente lançamento. (...) Ora, justamente esses elementos probantes que descortinaram que o destinatário dos recursos eram as empreiteiras e os recursos eram devoluções ("troco") dos serviços superfaturados. E o mais importante: não havia pagamento, fato este que foi ignorado Fl. 2218DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 25 pela DRJ. (...) Como ficou exaustivamente comprovado, as empreiteiras pagavam à VASCONCELOS & CAMARA LTDA. pelo serviço. Só que pagavam um valor maior do que o devido e recebiam a diferença de volta em espécie. Nessa operação, a VASCONCELOS & CAMARA LTDA. gerava o caixa 2 para as empreiteiras. (...) Diante desse cenário apresentado, ficou claro que inexistia pagamento, ou seja, o fato típico previsto no art. 61 da Lei n. 8.981/95, invocado pela fiscalização e apontado pela DRJ para justificar e manter o lançamento do IRRF, não ocorreu. (...) Ora, de partida é importante registrar que não houve pagamento — não por parte da VASCONCELOS & CAMARA LTDA.. Em sequência, os fatos revelados na "Operação Turbulência" indicam tanto o beneficiário quanto a causa e operação: geração para empreiteiras (beneficiário) de caixa 2 (causa) através do "troco" de pagamentos de notas fiscais superfaturadas (operação). (...) Não bastasse, o momento da ocorrência do fato gerador é a data do pagamento conforme § 2° do art. 61 da Lei n. 8.981/95. Sendo imprescindível o conhecimento da data sob pena de invalidação do lançamento, fato este também ignorado pela DRJ em sua fundamentação. (...) Ora, no caso concreto, a fiscalização considerou a data em que houve o débito na conta bancária da VASCONCELOS & CAMARA LTDA. para posterior restituição em espécie, mesmo sabendo e relatando que os recursos saíam da conta da VASCONCELOS & CAMARA LTDA. para terceiros que restituíam em espécie. No entanto, não deu relevância à ausência de coincidência necessária entre as datas. Ressalva que a presunção de pagamento adotada pela fiscalização em data incerta, sem a prova do efetivo pagamento, invalida o lançamento, consoante precedentes do CARF. Ademais, considerando que o lançamento do IRRF tomou como base os depósitos em conta bancária da Recorrente, relacionados ao superfaturamento, este mesmo recurso serviu de base para lançamento do IRPJ. (...) Acontece que a empresa GEOVANE PESCADOS EIRELI. — EPP foi submetida a fiscalização e também foi autuada em relação ao IRRF, IRPJ, CSLL, COFINS e PIS: Processos 10480.730527/2018-06 e 10480.730525/2018-17 (o Recorrente tem conhecimento através de uma das pessoas indevidamente apontadas como responsável solidário). Pelo depósito não identificado é lançado IRPJ, CSLL, COFINS e PIS (omissão de rendimentos) e pelo saque é lançado o IRRF (pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa). Neste ponto, cotejou os valores cobrados tanto na VASCONCELOS & CAMARA LTDA. quanto na GEOVANE PESCADOS EIRELL — EPP. (...) Em resumo, tem-se a improcedência da presente infração pelos seguintes motivos: primeiro, não houve pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa pela VASCONCELOS & CAMARA LTDA., já que a operação, a causa e os beneficiários estão revelados na "Operação Turbulência"; segundo, o sujeito passivo do IRRF é quem efetivamente utilizou o caixa 2, ou seja, as empreiteiras; terceiro, há fortes suspeitas de que as empreiteiras foram fiscalizadas, mas não há qualquer detalhamento no processo; quarto, sobre o mesmo recurso houve Fl. 2219DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 26 lançamento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF nas empresas que "trocavam dinheiro" para a VASCONCELOS & CAMARA LTDA. devolver os recursos em espécie às empreiteiras ("troco" das notas fiscais superfaturadas), de forma que sobre o mesmo fato estão ocorrendo múltiplos lançamentos de tributos. e) Da Impossibilidade de Qualificação e Agravamento da Multa de Ofício. Refuta a qualificação da multa de ofício alegando que a (...) utilização de "testas de ferro" não teve qualquer repercussão, por si só, no cometimento da suposta infração apurada, bem como que, como revelado, o Recorrente era sócio de direito e de fato, exercendo funções operacionais em relação aos serviços efetivamente prestados. Ademais, embora admita que tenha ocorrido reiterada omissão de informações, é fato que antes do início do procedimento fiscal, as declarações foram retificadas e os valores devidos foram declarados espontaneamente. Quanto ao agravamento da multa de ofício, não merece prosperar a alegação da DRJ de que houve intenção em dificultar a fiscalização, dado que restou esclarecido que a Recorrente não se opôs a prestar qualquer tipo de esclarecimento, bem como prestou declarações verdadeiras relativas às operações realizadas para lavagem de dinheiro de caixa 2 para as empreiteiras, cujas informações constavam da Delação Premiada, devidamente homologada no STF. Neste ponto, cita as súmulas CARF 96 e 133. (...) No que diz respeito à multa qualificada aplicada ao IRRF, o fundamento é basicamente a utilização de "testas de ferro", mas, tal como no IRPJ, essa prática, por si só, não teve qualquer repercussão no pagamento do IRRF. Além disso, a própria presunção do pagamento a beneficiário não identificado já constitui uma sanção, não cabendo a concomitância com a multa de oficio qualificada. Acrescenta que a alíquota de 35% aplicada, caracteriza uma penalidade imposta legalmente. (...) Finalmente, quanto ao agravamento da multa vinculada ao IRRF lançado, o único possível embaraço que se pode cogitar é a não apresentação da relação dos beneficiários finais, causa e operação vinculada aos recursos sacados. No entanto, considerando que esta fiscalização é parte da "Operação Turbulência", não se pode dizer que essa falta de resposta atrapalhou a fiscalização na medida em que no, âmbito da "Operação Turbulência", os beneficiários finais e a operação que deu causa aos saques foi revelada e todos os elementos estão no Termo de Entrega e Apreensão já mencionado. f) Do Pedido Ao final requereram que, preliminarmente, seja declarada a nulidade do acórdão recorrido. E no mérito, (...) que seja dado provimento ao presente Recurso para reformar o acórdão recorrido, julgando improcedente o lançamento fiscal haja vista a existência de vícios no cálculo do IRPJ e do IRRF ou, sucessivamente, ajustando-o, bem como para o fim de revisar a multa de ofício, em especial no que tange à qualificação e ao agravamento, afastando-os. Conclui pleiteando interpretação que lhe seja mais favorável em respeito ao disposto no art. 112, do CTN. Fl. 2220DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 27 Do Recurso Voluntário Impetrado Pelo Responsáveis Tributários EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE. Indignado o responsável tributário à epígrafe apresentou Recurso Voluntário, em 19/08/2019, às fls. 1927/1997. Nessa quadra, citando doutrina e jurisprudências administrativas e judiciais, além de suscitar a tempestividade e pleitear a suspensão da exigibilidade, requereu a reforma do acórdão combatido com base nas seguintes razões de fato e de direito: a) Preliminarmente: Cerceamento de Defesa Pelo Indeferimento das Diligências. Aduz que requereu em sua peça impugnatória tanto a conversão do julgamento em diligência, como a prova pericial, contudo ambas foram, de forma genérica, indeferidas pela decisão guerreada sob o argumento que a prova seria dispensável. Nessa senda, argumenta que foi ignorado o dever de investigação que se presta a buscar a verdade material, bem como (...) o indeferimento genérico do fundamentado pedido de prova pericial e conversão do julgamento em diligência, implica em restrição ao pleno exercício da ampla defesa do Recorrente, maculando assim de nulidade o processo administrativo. b) Da Reforma Do Acórdão — Improcedência Do Lançamento - Da Inocorrente Sujeição Passiva do Recorrente. Inexistência De "Interesse Comum" Para os Fins do Inciso I, do Art. 124 do CTN. (...) A acórdão vergastado, hospedando a equivocada e não comprovada afirmação inserta no relatório de auditoria, reconheceu a responsabilidade tributária do Recorrente sob a alegação de suposto interesse comum no fato gerador da obrigação tributária com a VASCONCELOS E CAMARA, adotando como fundamento legal o inciso I, do art. 124 do Código Tributário Nacional. (...) Por sua vez, o interesse comum necessário para aplicação do dispositivo legal acima, ao se relacionar ao fato gerador da obrigação tributária, remete ao art. 114 do Código Tributário Nacional. (...) Nesse contexto, para que haja a responsabilização com base no inciso I, do art. 124 do Código Tributário Nacional - tal como imputada ao Recorrente no acórdão atacado — é indispensável que haja cabal demonstração de que o Recorrente teria atuado conjuntamente com a VASCONCELOS E CAMARA na situação que se constitui necessária à incidência do tributo cobrado, no caso (IRPJ e IRRF), sendo certo que "não é qualquer interesse comum que pode ensejar a aplicação do disposto no inciso I do art. 124 do CTN. O interesse deve ser no fato ou na relação jurídica relacionada ao fato jurídico tributário, como visto acima. Assim, o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito", tudo nos termos do que dispõe o Parecer Normativa n° 4/2018 lastreado em decisões desse CARF. Fl. 2221DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 28 (...) Há seis fundamentos — todos equivocados - muito pouco convincentes adotados no Relatório de Auditoria que visam atribuir a sujeição passiva ao Recorrente com base no inciso I, do art. 124 do CTN, sendo todos eles desmontados na impugnação sem haver merecido o devido contraditório dialético no acórdão, são eles: (i) — seria o Recorrente mentor da proposta de sociedade informal; (ii) — manteria relação pessoal com os "demais, sócios de fato" e preordenaria o quadro societário informal a ser formado; (iii) — utilizou-se de expressões contraditórias no Termo de Colaboração; (iv) — o Recorrente teria realizado investimentos vultosos na VASCONCELOS E CAMARA; (v) — o Recorrente haver indicado conta bancária da VASCONCELOS E CAMARA para o recebimento de agiotagem; (vi) — o Recorrente teria obtido proveito econômico "a partir dos lucros da empresa". (...) Os frágeis pilares da tese adotada no Relatório de Auditoria não resistem ao confronto com a realidade dos fatos, cujos elementos comprobatórios, inclusive, já se encontram nos próprios anexos dos autos de infração, precisamente nos Termos de Colaboração, Termo de Declarações perante a RFB de PEDRO NEVES VASCONCELOS e resposta a Termo de Intimação Fiscal apresentado por JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO. (...) Como dito, alguns fatos objetivos demonstram o equívoco da responsabilização do Recorrente inserta no Relatório de Auditoria, certamente contaminada pelas seguintes e relevantes OMISSÕES incorridas pela Equipe de Auditores: A — AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DO RECORRENTE PARA ESCLARECER AS SUPOSTAS CONTRADIÇÕES TIDAS COMO EXISTENTES NO RELATÓRIO DE AUDITORIA E QUE SE CONSTITUÍRA UM DOS PILARES DA RESPONSABILIZAÇÃO; B — TRANSCRIÇÃO PARCIAL E ATÉ MESMO OMISSÃO TOTAL QUANTO A RELEVANTES ASPECTOS DOS DEPOIMENTOS PRESTADOS POR PESSOAS ENVOLVIDAS QUE INFIRMAM A CONCLUSÃO DO RELATÓRIO DE AUDITORIA ACERCA DA RESPONSABILIDADE DO RECORRENTE. Quanto a este último ponto, destaca que há completa ausência da referência a relevantes aspectos extraídos dos depoimentos prestados por PEDRO NEVES VASCONCELOS, CAROLINA CAMARA VASCONCELOS e da resposta escrita apresentada por JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO, ambos constantes do Relatório de Auditoria, que infirmam a conclusão da sujeição passiva atribuída ao Recorrente, visto que, em sentido diametralmente exposto, afirmam e confirmam que o Recorrente: “NÃO ERA SÓCIO FORMAL OU INFORMAL DA EMPRESA”; “ERA UMA ESPÉCIE DE AGIOTA”; "QUE NÃO HAVIA, NA VISÃO DA COLABORADORA, UMA SOCIEDADE DE SEU PAI COM EDUARDO..." ; "A GESTÃO DA EMPRESA NÃO ERA COMPARTILHADA COM EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE (...) "SUA ATUAÇÃO NOS FATOS ERA FRUTO, COMO SE DISSE, DE SOLICITAÇÕES DE SUPORTE FINANCEIRO"; C — AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO SUPOSTO APORTE NA VASCONCELOS E CAMARA ATRIBUÍDO AO RECORRENTE. (...) O Relatório de Auditoria cogita a ocorrência de aporte de recursos do Recorrente na VASCONCELOS E CAMARA, entretanto, não faz nenhuma prova Fl. 2222DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 29 da sua suposta integralização, sendo certo que "aporte" em nada se confunde — e essa Administração Fazendária bem sabe disso — com operação de "empréstimo" contratada verbalmente com o Recorrente, operação a qual, no caso, foi reconhecida pelas pessoas envolvidas conforme excertos de depoimentos acima transcritos. (...) Não se depreende, dos elementos trazidos, seja no Relatório de Auditoria, seja no acórdão recorrido, qualquer fato, efetivamente comprovado, que ratifique as presunções nele lançadas em desfavor do Recorrente, notadamente de que o mesmo teria interesse comum para os fins do inciso I, do art. 124 do CTN com a VASCONCELOS E CAMARA. (...) Dessarte, o uso da presunção não pode, jamais, prescindir de um fato antecedente comprovado, sob pena de se operar a presunção da presunção ou a ficção da ficção. Nessa senda, (...) qual seria o fato antecedente, praticado pelo Recorrente, que restaria comprovado para autorizar a presunção de conduta com base no art. 124 do Código Tributário Nacional a ele atribuída ? Absolutamente nenhum. Afora o fato de EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE incorrido em prática de atos ilícitos que foram descritos em Termo de Colaboração, nenhuma prova há relacionada à conduta do mesmo que permita imputar a ele prática de ato que dê ensejo a uma relação de subsunção ao art. 124 do Código Tributário Nacional. (...) Demonstrada a necessidade que haveria de a Administração Fazendária comprovar o status de sócio de fato ou informal do Recorrente em relação à VASCONCELOS E CAMARA LTDA., bem como seu eventual dolo ou culpa na prática de infrações ou, ainda, o interesse comum no fato gerador da obrigação tributária, há de se concluir no todo inaplicável o art. 124 do Código Tributário Nacional em relação ao Recorrente. Em favor do argumento de que mantinha com a Fiscalizada típica operação de agiotagem, aduz que, (...) quando o Relatório de Auditoria afirmou que o Recorrente seria o mentor da proposta de sociedade informal, JAMAIS o Recorrente propôs sociedade alguma. De fato, a proposta a qual o Relatório de Auditoria afirma haver sido levada a efeito pelo Recorrente para PEDRO NEVES VASCONCELOS, em relação ao Recorrente, não era outra senão a de emprestar recursos viabilizando a entrega de máquinas e caminhões, cujos juros seriam pagos de modo diferido, ao final da quitação dos financiamentos, com a venda dos bens pela CAMBOA CERÂMICA à VASCONCELOS E CAMARA. Isto é, a proposta feita pelo Recorrente ao sócio da VASCONCELOS E CAMARA é própria da agiotagem, tanto que, por não se considerar e por, de fato, não possuir qualquer gerência administrativa ou financeira sobre a VASCONCELOS E CAMARA, não podendo determinar assim que obrigações - inclusive tributárias —seriam cumpridas ou descumpridas, que o Recorrente, seguindo a cautela própria da agiotagem, deu-se ao cuidado de contratar a aquisição das máquinas em nome da CAMBOA CERÂMICA, isto é, de empresa da qual figura como sócio. (...) Demais disso, o fato de o ora Recorrente haver participado a PEDRO NEVES VASCONCELOS a possibilidade de negócio — ainda que ilícito —junto a terceiros, no caso, através de JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO, embora seja conduta reprovável no âmbito do direito penal, na esfera tributária, não o torna — de modo automático e incondicional - sócio de fato ou Fl. 2223DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 30 de direito da empresa fiscalizada e autuada, posto que, ao assim proceder o fez, dentro da sua atuação, isto é, vislumbrando a possibilidade de, caso a VASCONCELOS E CAMARA enveredasse por aquele caminho, sentir a necessidade de contratar mais recursos para aquisição de máquinas e caminhões. Isto é, não agiu o Recorrente no intuito de se tornar sócio da VASCONCELOS E CAMARA em seus ganhos ilícitos decorrentes da operação que se iniciara, mas, tão só, de obter o seu ganho particular através da agiotagem que para assumir essa empreitada ilícita a VASCONCELOS E CAMARA precisou contratar. (...) Quanto à afirmação de que o Recorrente seria sócio de fato por manter relação pessoal com os "demais sócios de fato" e preordenaria o quadro societário informal a ser formado, cumpre registrar que relação de amizade alguma, por si só, é capaz de tornar determinada pessoa sócia de dada sociedade, sendo imperioso que haja a convergência de outros fatores a possibilitar citada conclusão o que, no caso, inexiste. (...) O Recorrente não "indicava" ou "preordenava" pessoas para serem sócios informais da VASCONCELOS E CAMARA, tão só, diante da relação de amizade que possuía com PEDRO e sabedor da possibilidade de o mesmo incrementar SEU negócio, APRESENTOU tanto CARLOS GUEDES como JOÃO CARLOS, como dito, no intuito de, caso houvesse expansão do negócio DE PEDRO, o mesmo viria a contratar empréstimo a juros junto ao mesmo. Toda decisão em fazer negócios entre PEDRO e CARLOS GUEDES ou mesmo JOÃO CARLOS, partiu, exclusivamente, de PEDRO. E mais, a partir do momento em que o mesmo DECIDIU fazer negócios com CARLOS e JOÃO CARLOS, toda operação de deliberações a esse respeito foi ALHEIO ao Recorrente, o qual se limitou a emprestar recurso. No que diz respeito à fundamentação da decisão vergastada de que a agiotagem não teria sido comprovada e que o interesse decorreria do interesse econômico do Recorrente, rebate suscitando as declarações do sócio PEDRO NEVES VASCONCELOS, constante do Termo de Declaração prestado a RFB, que no sentido diametralmente oposto contradiz a sobredita decisão atribuindo ao Recorrente o status de AGIOTA na operação. (...) O depoimento de PEDRO NEVES VASCONCELOS prestado à Receita Federal do Brasil é sólido, eis que se coaduna com os demais elementos de prova existentes, que configuram a relação de agiotagem entre a VASCONCELOS E CAMARA e o Recorrente, tanto que fez questão de enfatizar que os caminhões e maquinários adquiridos com o uso do crédito do Recorrente (ou pessoa jurídica da qual o mesmo é sócio — CAMBOA CERÂMICA) operava-se em nome da mesmo, servindo assim de GARANTIA do recebimento da AGIOTAGEM. (...) E mais, reconhecendo a AGIOTAGEM, PEDRO NEVES VASCONCELOS é claro e concede coerência ao seu depoimento quando enfatiza que, diante da inadimplência incorrida, procedeu à devolução dos caminhões e maquinários ao Recorrente visando assim "O PAGAMENTO DOS DÉBITOS JUNTO AO MESMO". (...) Nesse mesmo sentido, em resposta - solenemente ignorada pelo Relatório de Auditoria - apresentada ao Termo de Intimação Fiscal n°01, JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO, reconhecendo seu status de sócio informal da empresa autuada, foi inequívoco em negar esse status de sócio ao Recorrente, reconhecendo que "a gestão Fl. 2224DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 31 da empresa não era compartilhada com Eduardo Freire Bezerra Leite", reconhecendo, outrossim, o status de AGIOTA ao Recorrente ao afirmar que "sua atuação nos fatos era fruto, como se disse, de solicitações de suporte financeiro...". (...) Outrossim, no que se refere à afirmação de que o Recorrente teria realizado investimentos vultosos na VASCONCELOS E CAMARA. O Recorrente já refutou nesta peça referida afirmação, ao registrar que o "investimento" proposto pelo Recorrente para PEDRO NEVES VASCONCELOS, referido no Relatório de Auditoria, há de ser compreendido nos exatos limites fáticos reconhecidos pelos investigados nos Termos de Colaboração, bem assim, no Termo de Declaração prestado pelo próprio PEDRO NEVES VASCONCELOS perante a Receita Federal do Brasil na fase fiscalizatória. Dito isso, é de se observar que, muito ao contrário do que concluiu o Relatório de Auditoria ao atribuir sujeição passiva ao ora Recorrente, o "investimento" realizado pelo mesmo na CAMARA E VASCONCELOS não era outro senão aquele decorrente de pura e típica operação de agiotagem, operação a qual, no dizer do próprio PEDRO NEVES VASCONCELOS, não tornara o ora Recorrente sócio formal, informal ou com interesse comum com a VASCONCELOS E CAMARA. (...) O próprio Relatório de Auditoria, infirmando sua conclusão que cogitou o status de sócio de fato do ora Recorrente, é claro ao definir os contornos financeiros do "investimento" realizado pelo Recorrente na VASCONCELOS E CAMARA, sendo revelador de que, de fato, o Recorrente emprestou recursos para a referida sociedade empresária viabilizando o uso de máquinas que foram adquiridas financiadas em nome de empresa da qual o Recorrente figura como sócio (CAMBOA CERÂMICA ), de modo que o ganho obtido pelo Recorrente na operação não seria outro senão, ao seu final, com a quitação dos financiamentos, quando auferiria os juros correspondentes. (...) Ocorre que a VASCONCELOS E CAMARA incorreu em inadimplência, diante da inadimplência que incorreu a VASCONCELOS E CAMARA, o que ensejou na devolução à CAMBOA CERÂMICA, ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. dos caminhões e maquinários, de modo que, ao final, a operação de agiotagem foi desfeita, conforme, inclusive, reconhecido por PEDRO NEVES VASCONCELOS em seu Termo de Declarações lavrado por essa Administração Fazendária em 24/08/2018. (...) Somente nesse contexto — que é o único verdadeiro — é possível entender a informação inserta no Relatório de Auditoria de que a VASCONCELOS E CAMARA "cresceu na ordem de magnitude de 2000%", se considerado o número de equipamentos (máquinas e caminhões), posto que, na verdade, aquilo que os Auditores Autuantes estão a denominar ora de crescimento, ora de investimento do Recorrente na referida sociedade, de fato, inversamente, tratava-se de débito da empresa para com o mesmo, em função da sua obrigação de pagar ao Recorrente - ao final dos contratos de financiamento — os juros quando da aquisição dos mesmos pela VASCONCELOS E CAMARA junto à CAMBOA CERÂMICA. Fl. 2225DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 32 (...) Há, aqui, uma manifesta interpretação equivocada do fato econômico. Se, de investimento se tratasse, não haveria a obrigação da contrapartida da sociedade. Não se há de confundir a operação de agiotagem, que gera a obrigação de pagamento, com a mera operação de aporte de sócio (ainda que supostamente de fato) na sociedade que legitimaria a sujeição passiva do Recorrente. Nesta confusão reside — como se verá nesta peça — uma premissa fática errônea que compromete a conclusão do Relatório de Auditoria em relação ao Recorrente. Em resumo, o Recorrente "vendeu" o seu crédito para aquisição de caminhões e maquinários à juros, os quais seriam recebidos apenas ao final da operação. No que tange à afirmação da Fiscalização ratificada pela decisão combatida de que teria indicado conta bancária da Autuada para o recebimento de agiotagem, contrapõe asseverando (...) que a indicação da conta bancária da VASCONCELOS E CAMARA para seus devedores efetuarem depósitos não comprova, de modo algum deter o Recorrente interesse comum para os fins do art. 124 do CTN. Aqui, cometeram os auditores uma ingênua interpretação da operação de agiotagem. Mais uma vez cumpre lembrar o Parecer Normativo 04/2018 que afirma que o interesse econômico — no caso reproduzido pelo interesse no recebimento dos valores emprestados com juros — desacompanhado do interesse jurídico no fato gerador da obrigação tributária, não autoriza a aplicação da responsabilidade com base no citado dispositivo. Essa exatamente a hipótese em tela, na qual o Recorrente não possui qualquer interesse jurídico no fato gerador da obrigação tributária da VASCONCELOS E CAMARA, eis que nenhuma gestão possuía na citada empresa, tampouco se beneficiaria de eventuais lucros da citada empresa. (...) Nesse mesmo sentido o Recorrente chama atenção que enquanto que o acórdão recorrido se satisfaz, para fim de reconhecimento da responsabilização do Recorrente, com a existência de interesse econômico em favor do mesmo, a abalizada jurisprudência entende diversamente, EXIGE MAIS, eis que dispõe que o interesse comum para fim de incidência do art. 124 do CTN "não é um interesse meramente econômico, mas aquele decorrente da prática conjunta, por duas ou mais pessoas, do próprio fato gerador da obrigação, ou seja, exige-se que os coobrigados solidariamente sejam verdadeiros sujeitos passivos da relação tributária". (...) Dessarte, seja o auto de infração, seja o acórdão, não demonstram "a comprovação de práticas comuns, prática conjunta do fato gerador" entre o Recorrente e a VASCONCELOS E CAMARA, mas apenas o interesse econômico do Recorrente em receber retorno financeiro pelo valor empresado, o que não é suficiente para sua sujeição passiva indireta, conforme se depreende da jurisprudência judicial colacionada aos autos. Quanto ao último fundamento da acusação de que teria obtido proveito econômico “a partir dos lucros da empresa”, aduz que, além de ter demonstrado que sua ligação com Fiscalizada, passível de possibilitar à aplicação do art. 124, I, do CTN, não pode se restringir ao interesse econômico do Recorrente em receber o retorno financeiro do valor emprestado, restou reiterado nesta defesa que (...) não realizou "investimentos" no sentido estrito do termo na VASCONCELOS E CAMARA, mas sim realizou empréstimo, de modo que o seu recebimento, a bem Fl. 2226DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 33 dizer, estava dissociado da lucratividade ou não da VASCONCELOS E CAMARA, sendo prova maior disso que, no cenário de dificuldade financeira que atingiu referida empresa, prontamente os veículos e máquinas foram devolvidos ao Recorrente, fato este unanimemente reconhecido nos depoimentos inclusos ao processo, revelando assim que o Recorrente, como um eficiente agiota que era, deu-se ao cuidado de segregar sua operação da operação em si praticada pela VASCONCELOS E CAMARA, mesmo porque, sobre a atividade em si da VASCONCELOS E CAMARA, seus contratos, seus recebimentos, a gestão administrativa e financeira da citada empresa, o mesmo não possuía a mais mínima ingerência. (...) Ponto por ponto, desconstruídos os seis frágeis pilares adotados no Relatório de Auditoria e do acórdão atacado, inexistindo cogitado interesse comum a afastar a incidência do inciso I, do art. 124 do Código Tributário Nacional e impor a REFORMA do acórdão e que selam julgados IMPROCEDENTES os LANÇAMENTOS DE OFÍCIO DE IRRF e IRPJ em relação ao Recorrente. d) Da Reforma Do Acórdão — Da Manifesta IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE IRRF. Da Eloquente Ausência De Intimação do Recorrente Para Identificação dos Beneficiários dos Pagamentos Efetuados Pela CAMARA E VASCONCELOS. Inaplicação do Art. 61 da Lei n° 8.981/95 Em Relação ao Recorrente. Quanto ao pleito de ausência da sua intimação na fase inquisitorial, o aresto atacado afirma que a Fiscalizada e os responsáveis constantes do contrato social foram devidamente intimados e reintimados, fato que afastaria a necessidade de sua intimação. Contudo, (...) esquece-se de observar que, em relação ao Recorrente, o próprio acórdão sequer está a cogitar o status de sócio de fato, atribuindo-se a sujeição passiva indireta com base no inciso I, do art. 124 do CTN e não no art. 135 do referido Diploma, de modo que salta aos olhos que seguindo a própria lógica do acórdão recorrido, JAMAIS a intimação feita para a pessoa jurídica, ou sócios, sejam de direito ou de fato, se prestaria ao desiderato de considerar o Recorrente intimado a informar os beneficiários. (...) Com efeito, não há nos autos absolutamente nenhuma intimação pessoal ao Recorrente para identificar os beneficiários dos pagamentos, assim como não há no auto de infração, tampouco no acórdão vergastado, nenhuma atribuição de responsabilidade ao Recorrente com base no suposto status de sócio de fato, isto é, com base no art. 135 do CTN, mas sim pelo art. 124 do referido Diploma Legal, logo, é incongruente com a própria natureza da responsabilidade imputada ao Recorrente considerar que a intimação feita à pessoa jurídica ou aos sócios formais e informais da mesma, seria suficiente para considerar o Recorrente intimado. (...) Com efeito, ao afirmar o acórdão atacado que a Autuada não comprovou a motivação ou causa para as transferências efetuadas as empresa diligenciadas que também não comprovaram a motivação, (...) está se referindo à VASCONCELOS E CAMARA, não ao Recorrente, ao qual, como dito, JAMAIS, NA FASE FISCALIZATÓRIA, FOI ASSEGURADO O DIREITO E IDENTIFICAR Fl. 2227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 34 OS BENEFICIÁRIOS. Não pode o acórdão atacado ATRIBUIR INFRAÇÃO DE TERCEIRO AO RECORRENTE. (...) É de bom alvitre ressaltar que a ausência de intimação prévia do Recorrente para, na fase fiscalizatória, individualizar os beneficiários dos pagamentos ou comprovar a operação e sua causa, não se trata de mero vício procedimental a ensejar a nulidade do lançamento. Na espécie tributária em foco, o descumprimento do dever instrumental é revertido na própria obrigação tributária principal, de modo que o caso é sim de IMPROCEDÊNCIA DO LANÇAMENTO DE IRRF ante a à ausência de intimação prévia do Recorrente para os fins do art. 61 da Lei n° 8.981/95, reformando-se o acórdão atacado. e) Da Inexistência de Infração (IRRF). Da Identificação de Beneficiários e das Operações. No que toca à afirmação da decisão de piso que inexiste escrituração contábil, tampouco prova documental mínima, passíveis de identificar o beneficiário e/ou a causa do pagamento localizado nos extratos bancários da autuada. Equivoca-se, (...) posto que o fato de inexistir escrituração contábil não pode se sobrepor à verdade material, máxime quando há sim comprovação com base na prova compartilhada pela esfera criminal, que informa precisamente a natureza dos pagamentos realizados, bem assim os verdadeiros beneficiários. Isto é, o mesmo fato que é relevantíssimo na esfera criminal foi solenemente ignorado no âmbito tributária, a tal ponto de pôr em dúvida a existência da infração criminal em si. (...) Consta do Termo de Colaboração de JOÃO CARLOS, incluso aos autos desse processo administrativo, a expressa menção que as notas fiscais superfaturadas emitidas pela VASCONCELOS E CAMARA visavam a "geração de caixa dois" para a OAS e MENDES JÚNIOR. (...) Ocorre que, a despeito de constar do Termo de Colaboração de JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO a referência a uma "relação das transferências feitas" com a finalidade de gerar os recursos em espécie para caixa dois, o fato é que não consta dentre os documentos que foram compartilhados e que se encontram anexos aos autos de infração essa relação, fato que impõe a CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA — desde já requerida - a fim de que citada relação seja trazida ao processo, oportunizando ao Recorrente o direito de se manifestar a respeito no prazo de 30(trinta) dias. (...) Outrossim, o auto de infração traz um total de R$ 12.676.808,53 (doze milhões, seiscentos e setenta e seis mil, oitocentos e oito reais e cinquenta e três centavos) a título de pagamentos a pessoas IDENTIFICADAS, destinatários imediatos que foram dos recursos, porém, mais uma vez, cujo fluxo se prestara para a destinação final em espécie em favor ora da OAS, ora da MENDES JÚNIOR, quais sejam: Fl. 2228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 35 (...) Evidente que os beneficiários acima estão detalhadamente identificados no próprio Relatório de Auditoria, jamais podendo ser considerados estes pagamentos para fim de incidência do art. 61 da Lei n° 8.981/95. (...) Nesse contexto, também sob essa ótica, há de ser REFORMADO o acórdão e julgado IMPROCEDENTE o LANÇAMENTO DO IRRF, eis que identificados se encontram os beneficiários dos pagamentos, bem como sua operação ilícita. g) Da Tributação em Duplicidade – Improcedência dos Autos de IRPJ e IRRF Assevera que o Fisco Federal concretizou lançamento de ofício do IRRF, em desfavor da VASCONCELOS E CAMARA e demais responsabilizados tributariamente, nos anos- calendário de 2013 e 2014, nos termos do art. 61, da Lei nº 8.981/95. Todavia, igualmente procedeu ao lançamento de ofício de tributos incidentes sobre valores creditados em conta bancária da GEOVANE PESCADOS LTDA – salienta que tomou conhecimento por ter sido responsabilizado solidariamente - consoante auto de infração n° 10480-730.525/2018-17. (...) Ora, a Administração Fazendária está a tributar, a um só tempo, o pagamento realizado a suposto contribuinte não identificado e, por outro lado, mesmo identificado o contribuinte, está a tributar o ingresso desse mesmíssimo numerário na conta bancária do mesmo. Fl. 2229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 36 (...) Obviamente, o Recorrente está a citar apenas o caso da GEOVANE PESCADOS LTDA. por haver tomado conhecimento do auto de infração por haver a ele sido — também equivocadamente — atribuída sujeição passiva. Porém, uma breve consulta dos CNPJ's listados na relação acima no site comprot já revela a existência de autos de infração recentes, como, por exemplo, ocorre com a CRM MATERIAL DE CONSTRUÇÃO LTDA., impondo-se, por conseguinte, a conversão do julgamento em diligência para fim de produção de prova pericial visando afastar a dupla incidência, conforme requerido em item próprio a seguir. (...) De toda forma, já restando evidenciada a duplicidade do lançamento, que aqui tributa o pagamento e, no beneficiário identificado, tributa o recebimento, impõese o provimento do recurso para reconhecera IMPROCEDÊNCIA do LANÇAMENTO DO IRRF também sob esse enfoque. Quanto à autuação do IRPJ, é cristalino que (...) adota como base de cálculo o total das receitas, passando ao largo de tudo o que foi demonstrado e provas compartilhadas oriundas da Operação Turbulência, que comprovam que os ingressos de numerários na conta bancária da referida sociedade, em sua grande maioria, decorriam de mera passagem de recursos. (...) Naturalmente, dado que o Recorrente não é sócio de fato nem de direito da citada empresa, não possui elementos para especificar o quanto, precisamente, referida empresa reteve ou "lucrou" com a passagem de recursos, de modo que, para este fim, impõe-se a conversão do julgamento em diligência, a fim de que seja intimado JOÃO CARLOS para especificar, operação por operação, os valores que efetivamente foram revertidos em proveito da VASCONCELOS E CAMARA em função das operações que geraram caixa dois, após o que, seja realizada prova pericial objetivando proceder a adequação da base de cálculo (caso ainda persista tributo a ser lançado). (...) De toda forma, desde já requer o Recorrente a IMPROCEDÊNCIA do lançamento do IRPJ lastreado em base de cálculo que não corresponde à receita efetivamente percebida pela VASCONCELOS E CAMARA oriunda da atividade ilícita confessada. h) Da Autuação do IRPJ — Tributação Sobre Ato Ilícito — Momento do Reconhecimento da Receita. Depósitos Bancários (...) Outrossim, o acórdão atacado desconsiderou o fundamento de defesa suscitado pelo Recorrente acerca do erro no lançamento do IRPJ, notadamente no que diz respeito ao momento do reconhecimento das receitas. (...) Ocorre que o Relatório de Auditoria está a desconsiderar uma informação relevante inserta nos Termos de Colaboração, sobretudo de JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO, que afirma que as notas fiscais eram superfaturadas em 20% e, em alguns casos, "completamente fictícias, não correspondentes a nenhum serviço prestado, com geração de 100% de caixa dois". (...) Dito isso, errou o levantamento fiscal ao considerar as notas fiscais como documentos idôneos para fim de escrituração, por conseguinte, não se prestaram elas para determinar o momento do reconhecimento da receita pelo regime de competência, mesmo Fl. 2230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 37 porque, repita-se, tratam-se de documentos ideologicamente falsos, de modo que, para estas receitas decorrentes de superfaturamento, haveria o levantamento fiscal de considerar o momento do reconhecimento da receita aquele em que efetivado o crédito em conta bancária da VASCONCELOS E CAMARA, isto é, haveria de considerar o regime de caixa. Nessa linha, aduz que (...) uma vez reconhecida a inidoneidade das notas fiscais, não podem esses documentos inidôneos serem considerados idôneos para fim de delimitação do momento da reconhecimento da receita. (...) Nesse sentido, também a fim de aferir o reflexo dessa incorreção no lançamento, é que se impõe a conversão do julgamento em diligencia para fim de produção de prova pericial contábil, conforme requerido em item próprio nesta peça. (...) De todo modo, diante do erro incorrido no critério do cálculo do IRPJ, desde já o Recorrente pede o PROVIMENTO do recurso para reconhecer a IMPROCEDÊNCIA do lançamento. i) Da Improcedência do Agravamento da Multa em Relação ao Recorrente Diante da Ausência de Intimação na Fase Fiscalizatória – Da Incidência da Súmula 96 do Carf Aduz que, em relação a sua responsabilização, inexiste motivação para o agravamento de multa de ofício, nos termos dos §§ 1º e 2º, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, dado que, durante a fase inquisitorial, não lhe foi realizada qualquer intimação, seja para prestar esclarecimentos, seja para apresentar arquivos ou documentos. Logo, (...) não há como deixar de reconhecer a IMPROCEDÊNCIA do agravamento da multa em relação ao Recorrente. Ademais, uma vez que já se operou o arbitramento, descabe o agravamento em questão em razão da aplicação da Súmula Carf nº 96. j) Da Conversão do Julgamento em Diligência (...) Com efeito, à luz dos fundamentos lançados nesta peça, impõe-se a conversão do julgamento em diligência como a produção de prova pericial, com a seguinte finalidade: 1) - ser anexado ao processo a íntegra dos documentos e expedientes oriundos dos processos e procedimentos criminais que foram compartilhados com a Receita Federal do Brasil, sobretudo a "relação de transferências feitas" a que se referiu o colaborador em seu Termo de Colaboração, intimando-se, na sequência, o Recorrente para se manifestar a respeito, no prazo de 30 (trinta) dias; 2) — ser intimado JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO para especificar, operação por operação, os valores que efetivamente foram revertidos em proveito da VASCONCELOS E CAMARA em função das operações que geraram caixa dois. Requer que seja realizada perícia contábil com o escopo de: 1) - quanto ao IRRF, identificar e afastar a dupla incidência, ora por haver incidido o IRRF sobre os pagamentos, ora por tributar o IRPJ nos recebimentos dos beneficiários Fl. 2231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 38 identificados, considerando-se não apenas o auto de infração lavrado contra a GEOVANE PESCADOS LTDA, mas também como em relação a outros que estão relacionados na planilha "PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS COM CAUSA OU OPERAÇÃO SUSPEITAS", dos quais o Recorrente não possui acesso dado o sigilo fiscal; 2) — quanto ao IRPJ, identificar a expurgar os erros no lançamento considerando o equívoco quanto à base de cálculo e ao momento do reconhecimento das receitas oriundas de atividades ilícitas, não sendo possível considerar a receita incorrida quando da emissão das notas fiscais reconhecidas como ideologicamente falsas, porquanto, inidôneas. Formulou os seguintes quesitos e indica o assistente técnico de perito: A — Do confronto dos valores apurados na base de cálculo do lançamento do IRRF com os valores apurados na base de cálculo do IRPJ lançado de ofício quanto ao mesmo período fiscal contra o contribuinte GEOVANE PESCADOS LTDA e outros relacionados na planilha "PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS IDENTIFICADOS COM CAUSA OU OPERAÇÃO SUSPEITAS", é possível constatar que identidade entre os valores cobrados? B — Caso a resposta ao item anterior seja afirmativa, proceder ao expurgo dos valores cobrados em DUPLICIDADE, suprimindo-os do auto de infração de IRRF, remanescendo valores devidos, quais seriam? C — Com relação ao IRPJ, considerando o resultado obtido com o pedido "2" da conversão do julgamento em diligência acima, qual seria a correta base de cálculo do IRPJ se desprezados os recursos que apenas transitaram com conta bancária da VASCONCELOS E CAMARA, oriundos de notas fiscais ora fictícias, ora superfaturadas, para geração de caixa dois para empreiteiras? D — Diante da reposta ao item "C" acima, o lançamento do IRPJ ocorreu com excesso na base de cálculo ? Se sim, demonstrar o excesso. E — Ainda com relação ao IRPJ, considerando a inidoneidade das notas fiscais emitidas, não se prestando para fixar o momento do reconhecimento da receita pelo regime de competência, procedendo ao ajuste do lançamento para adequar o reconhecimento da receita para o momento de crédito em conta bancária houve erro no lançamento? F — Caso a resposta ao item anterior seja afirmativa, informar qual o reflexo do erro no lançamento fiscal do IRPJ. k) Dos Pedidos Ao final, após deferidas as diligências instrutórias postuladas, requereu o provimento do recurso para: ( a ) seja acatada a preliminar de NULIDADE do acórdão e do processo, diante do cerceamento do direito de defesa face o imotivado e injustificado indeferimento das medidas instrutórias requestadas na peça impugnatória; Fl. 2232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 39 ( b ) se indeferido o pedido acima, seja REFORMADO o acórdão atacado para o fim de reconhecer a IMPROCEDÊNCIA do lançamento de ofício que é objeto do auto de infração de IRRF, seja diante da: b.1) — inexistência do interesse comum a autorizar a aplicação do art. 124 do CTN em desfavor do Recorrente, nos termos, inclusive, do Parecer Normativo 4/2018 e da jurisprudência dessa Corte; b.2) — inaplicabilidade do art. 61 da Lei n° 8.981/95 em relação ao Recorrente, posto que o mesmo JAMAIS foi intimado, momento algum durante a fase fiscalizatória, para identificar os beneficiários dos pagamentos, não podendo, por conseguinte, ser responsabilizado pelo descumprimento dessa obrigação cujo adimplemento jamais lhe foi oportunizado; b.3) — os beneficiários se encontrarem identificados, bem como suas operações ilícitas, tanto que exatamente esse reconhecimento que ensejou os procedimentos criminais compartilhados e menosprezados pela DRJ; b.4) — haver duplicidade de lançamentos fiscais, ora na VASCONCELOS E CAMARA, na condição de responsável tributária, ora nos próprios beneficiários dos recursos; ( c ) a REFORMA do acórdão para, em reação ao a auto de infração do IRPJ, reconhecer sua IMPROCEDÊNCIA pelos seguintes fundamentos: c.1) — contaminação da base de cálculo com valores que, conforme se extrai do Termo de Colaboração de JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO, apenas transitaram em conta bancária da VASCOCELOS E CAMARA; c.2) — erro no citado lançamento fiscal quanto ao momento do reconhecimento da receita; ( d ) ad argumentantum tantum, na remota hipótese de ser mantido total ou parcialmente quaisquer dos lançamentos, seja provido o recurso e reformar parcialmente o acórdão para julgar IMPROCEDENTE O AGRAVAMENTO DA MULTA em relação ao Recorrente, dado não se lhe aplicar o §29, do art. 44 da Lei n° 9.430/96, cuja incidência pressupõe o "NÃO ATENDIMENTO PELO SUJEITO PASSIVO, NO PRAZO MARCADO, DE INTIMAÇÃO PARA." e, no caso, JAMAIS o Recorrente foi intimado para atender qualquer intimação na fase fiscalizatória, bem assim com base na súmula 96 do CARF. É o Relatório VOTO Conselheiro Raimundo Pires de Santana Filho, Relator DA ADMISSIBILIDADE Fl. 2233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 40 Os recursos voluntários são tempestivos e atendem aos demais requisitos de admissibilidade. Portanto, deles conheço. DA DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA Inicialmente, cumpre esclarecer que os acórdãos das instâncias administrativas, bem como decisões judiciais e posicionamentos doutrinários, embora de inestimável valor como fonte de consulta, servem apenas como forma de ilustrar e reforçar a argumentação dos litigantes, dado que não têm o condão de alterar determinações expressas na legislação. Ademais, no que diz respeito às decisões judiciais, além de não se constituírem em normas complementares do direito tributário nos termos do art. 100, do CTN1, devem ser respeitadas as limitações impostas pelo Decreto nº 2.346/1997, e as determinações contidas no art. 19 da Lei nº 10.522, de 2002. Quanto às citações doutrinárias que a defendente traz lume em seu petitório, em diversos tópicos da peça recursal, ressalva-se que a doutrina não integra a legislação tributária, conforme define o art. 96, do Código Tributário Nacional – CTN2. Também as decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes, Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF e mesmo pela CAMARA Superior de Recursos Fiscais, ainda que reiteradas sobre determinada questão, não se fazem oponíveis à autoridade administrativa de Julgamento, ressalvada a hipótese de edição de súmula administrativa, na forma do art. 26 A, do Decreto nº 70.235/1972, incluído pela Lei 11.196/20053. Veja-se também a 1 Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: I - os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II - as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III - as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV - os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. 2 Art. 96. A expressão "legislação tributária" compreende as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sôbre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes. 3 Art. 26-A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) (...) § 6 o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n o 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 2234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 41 conclusão do Parecer Normativo Cosit nº 23, publicado no DOU de 9 de setembro de 2013, que se presta a bem elucidar o tema: Diante do exposto, conclui-se que acórdãos do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não constituem normas complementares da legislação tributária, porquanto não existe lei que lhes confira efetividade de caráter normativo. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Antes de analisarmos os pleitos preliminares e meritórios apresentados pela Defesa, consta dos Recursos Voluntários requisição em favor da suspensão da exigibilidade dos débitos lançados de ofício. Aqui, convém ressaltar que a própria Impugnação e o Recurso Voluntário, suspendem a exigibilidade do crédito. Essa é a regra geral de atribuição de efeito suspensivo aos recursos, prevista no inciso III, do art. 151, do Código Tributário Nacional (CTN). Destarte, nos termos da legislação ora citada e por ter a Contribuinte e os Responsáveis Tributários atravessado tempestivamente os apontados recursos, neste momento a exigência encontra-se suspensa. DA DELIMITAÇÃO DA LIDE Nos presentes autos, merece registro que a VASCONCELOS & CAMARA LTDA NÃO impetrou recurso voluntário, contudo em virtude dos responsáveis tributários Srs. PEDRO NEVES VASCONCELOS, GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS, EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE e JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO terem recorrido combatendo o crédito tributário, nos termos do art. 5º, caput e § 4º, da Instrução Normativa RFB nº 1.862/20184, a exigibilidade do crédito tributário em questão encontra-se suspensa em relação ao Sujeito Passivo principal e todos responsabilizados, uma vez que a desistência apontada não implica em desistência dos recursos interpostos pelos demais. b) súmula da Advocacia-Geral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n o 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do Advogado-Geral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) 4 Art. 5º A impugnação tempestiva apresentada por um dos autuados suspende a exigibilidade do crédito tributário em relação aos demais. § 4º A desistência de impugnação ou de recurso por um autuado não implica a desistência das impugnações e dos recursos interpostos pelos demais autuados. Fl. 2235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 42 Ademais, no que toca ao questionamento do vínculo de responsabilidade, nessa fase recursal, mantém-se o litígio exclusivamente em relação ao Sr. EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, dado que os Srs. PEDRO NEVES VASCONCELOS, GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS e JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO, embora ressalvem apenas na parte inicial das suas peças recursais que estão interpondo recurso contra a responsabilidade tributária, nas suas respectivas impugnações, expressamente informaram que não se defenderiam no que tange à condição de responsável que lhes foi imputada. Dessarte, ao não combaterem o vínculo de responsabilidade imposto, consolidou-se a situação jurídica materializada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, nessa fase recursal, rediscutir ou, muito menos, desviar a discussão para ponto já pacificado. Além disso, tal impedimento também encontra óbice no duplo grau de jurisdição de observação obrigatória pelo contencioso administrativo tributário. A jurisprudência administrativa não discrepa desse entendimento, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000. INOVAÇÃO DE ARGUMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE ALEGAÇÃO EM INSTÂNCIA A QUO. A análise do contexto fático exposto no Recurso Voluntário é discrepante àqueles argumentos apresentados em sede de Impugnação, razão pela qual resta configurada a preclusão consumativa. Recurso Voluntário Não Conhecido. (Acórdão nº 1002-000.122 – Turma Extraordinária / 2ª Turma – Sessão de 03/04/2018). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2003 RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO, ABRANGÊNCIA DO PEDIDO. INOVAÇÃO DO PEDIDO ORIGINAL. O ressarcimento de tributos é um direito subjetivo a ser exercido dentro de regras administrativas processuais próprias, estabelecidas na legislação tributária. A análise do pedido limitar-se-á ao direito creditório pleiteado, sendo incabível a apreciação de outros créditos não abrangidos na solicitação inicial, pois é defeso à parte inovar a lide com pedido novo em sede de recurso ou de manifestação de inconformidade. (Acórdão nº 3302-010.035 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª CAMARA / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 17/11/20) Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/1991 a 30/09/1995 Fl. 2236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 43 PIS. APRESENTAÇÃO DE ALEGAÇÕES E PROVAS DOCUMENTAIS APÓS PRAZO RECURSAL. PRECLUSÃO. As alegações e provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, salvo nos casos expressamente admitidos em lei. Consideram-se precluídos, não se tomando conhecimento das provas e argumentos apresentados somente na fase recursal. (Acórdão nº 201-81.255 - Primeira CAMARA do Segundo Conselho – Sessão de 03/07/2008) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. Escoado o prazo previsto no artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, opera-se a preclusão do direito da parte para reclamar direito não argüido na impugnação, consolidando-se a situação jurídica consubstanciada na decisão de primeira instância, não sendo cabível, na fase recursal de julgamento, rediscutir ou, menos ainda, redirecionar a discussão sobre aspectos já pacificados, mesmo porque tal impedimento ainda se faria presente no duplo grau de jurisdição, que deve ser observado no contencioso administrativo tributário. Recurso não conhecido nesta parte. (Acórdão nº 203-07.328 - Terceira CAMARA do Segundo Conselho. Sessão de 23/05/2001) À vista disso, repisamos, salvo nos casos em que a legislação de regência permite ou mesmo nas hipóteses de observância ao princípio da verdade material, não merece conhecimento a matéria aventada em sede de recurso voluntário ou posteriormente, que não tenha sido objeto de contestação na Impugnação, justamente porque não se instaurou o contencioso administrativo para tais questões, sob pena, inclusive, de caracterizar uma situação de supressão de instância. Em suma, por se configurar em matéria carreada no Recurso Voluntário que discrepa dos argumentos apresentados em sede de Impugnação, restou caracterizada a preclusão consumativa. DAS PRELIMINARES Da Nulidade dos Atos Administrativos Da Introdução Fl. 2237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 44 Os Responsáveis Solidários requerem que seja declarada nulidade dos atos administrativos questionados sob o argumento de cerceamento da defesa, face à violação ao disposto no art. 59, II, do Decreto nº 70.235/72, visto que: i. Não foram apreciados todos os argumentos suscitados nas peças impugnatórias; ii. Por ausência de fundamentação e motivação no que toca ao indeferimento dos pedidos de conversão do julgamento em diligência e realização de perícia contábil; e iii. Especificamente no que tange à Defesa do Sr. EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, dada à ausência de intimação para identificação dos beneficiários dos pagamentos efetuados pela CAMARA E VASCONCELOS. Antes de aprofundarmos a análise dos sobreditos questionamentos, é salutar esclarecer que, em homenagem aos princípios do contraditório e da ampla defesa esculpidos no inciso LV, art. 5º, da Constituição Federal5, tem-se como dispositivo legal aplicável no âmbito da Administração Tributária o Decreto nº 70.235, de 1972, que versa a respeito do processo administrativo fiscal e do julgamento do contencioso (PAF), por conseguinte, no tema, não demanda aplicação subsidiária de outros dispositivos da lei geral do processo administrativo federal (Lei no 9.784/1999). A par disso, tem-se que, consoante o art. 14, do Decreto nº 70.235, de 19726, a fase processual da relação fisco-contribuinte inicia-se com a impugnação tempestiva da exigência e se caracteriza pelo conflito de interesses submetido à Administração Tributária. Ainda, nos termos do Decreto nº 70.235, de 19727, somente se pode cogitar de declaração de nulidade do ato administrativo de lançamento quando o ato tiver sido lavrado por 5 Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; 6 Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. 7 Das Nulidades Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam consequência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Fl. 2238DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 45 agente incompetente (art. 59, inciso I) ou, quando a preterição do direito de defesa se der em uma fase posterior à lavratura do ato pela autoridade fazendária (art. 59, inciso II). Veja-se que as demais irregularidades, incorreções e omissões não importarão em nulidade, sendo sanadas quando resultarem em prejuízo ao sujeito passivo, salvo se por este ocasionadas, ou se não influírem na solução do litígio, conforme o art. 60, do assinalado dispositivo. Assim, à luz dos dispositivos legais que regem a matéria, no caso em exame não se evidencia motivos capazes e suficientes para decretar a nulidade dos atos administrativos, uma vez que os Autos de Infração foram lavrados por servidor competente que verificando a ocorrência da causa legal emitiu o ato revestido das formalidades legais com a regular intimação para que os Recorrentes pudessem cumpri-lo ou impugná-lo no prazo legal. Já a decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Dessarte, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas, de modo que não restou evidenciado o cerceamento do direito de defesa para caracterizar a nulidade dos atos administrativos. Ademais os atos administrativos estão motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos possibilitando o julgamento dos recursos administrativos. Neste ponto, merece citação a Súmula CARF nº 1628, estabelecida nos termos do art. 123, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, através da qual se denota que com só a partir do protocolo da impugnação se instaura o direito ao contraditório e a ampla defesa. Outrossim, observa-se que o enfrentamento das questões na peça de defesa demonstra perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado pela autoridade de primeira instância (inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2001, art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 59, art. 60 e art. 61 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). As autoridades fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo. Houve observância das normas legais e regulamentares e justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 8 Súmula CARF nº 162: O direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura com a apresentação de impugnação ao lançamento. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). Fl. 2239DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 46 contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência (art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal). Feita a introdução, nos inclinaremos na análise detalhada das questões de nulidade levantadas pelos Recorrentes. Da Nulidade em Razão da Não Apreciação de Todos os Argumentos Suscitados nas Peças Impugnatórias Os responsáveis solidários PEDRO NEVES VASCONCELOS, GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS e JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO alegaram em suas peças recursais cerceamento da defesa, posto que a decisão recorrida não apreciou todos os argumentos apresentados, devendo ser declarada a nulidade dos autos de infração combatidos. Quanto ao argumento supra, é mister trazer à tona que o Supremo Tribunal Federal (STF) proferiu decisão em Repercussão Geral na Questão de Ordem no Agravo de Instrumento nº 791292/PE com trânsito em julgado em 28.02.2010, que deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (art. 98, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023): O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. Neste sentido, devem ser enfrentados “todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador” (art. 489 do Código de Processo Civil). Por conseguinte, o julgador não está obrigado a responder a todas as questões suscitadas pelas partes, quando já tenha encontrado motivo suficiente para proferir a decisão. Assim, a decisão administrativa não precisa enfrentar todos os argumentos trazidos na peça recursal sobre a mesma matéria, principalmente quando os fundamentos expressamente adotados são suficientes para afastar a pretensão da Recorrente e arrimar juridicamente o posicionamento adotado. Ademais, “na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção”, conforme preceitua o art. 29, do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Nesse diapasão, a proposição afirmada pelos Recorrentes não pode ser ratificada. Da Nulidade Por Ausência de Fundamentação e Motivação no Que Toca ao Indeferimento dos Pedidos de Conversão do Julgamento em Diligência e Realização de Perícia Contábil Os Recorrentes aduzem que requereram realização de diligência e perícia contábil, com indicação de perito e apresentação de quesitos, em benefício de verificação da improcedência dos autos de infração, contudo tiveram seus pedidos indeferidos pela decisão Fl. 2240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 47 atacada, com base em argumentos genéricos. Nessa toada, requer anulação da decisão de primeira instância, em prol de que os autos retornem para a realização de diligência e perícia, nos termos requeridos na impugnação, sob pena de cerceamento de defesa. As demandas para realização de perícia/diligência encontram-se no espectro do sagrado direito de petição dos litigantes, em respeito ao determinado no art. 5º, XXXIV, alínea “a”, da Constituição Federal de 19889. Entretanto, segundo exporemos com maior profundidade quando da análise do pedido de diligência e perícia parte integrante das peças recursais, o deferimento ou não faz parte da livre convicção da autoridade julgadora que, sem consistir em cerceamento da defesa, pode indeferir aquelas consideradas imprescindíveis ou impraticáveis, notadamente, como neste conflito, quando entende que os autos já se encontravam suficientemente munidos das provas necessárias à formação do seu convencimento, nos termos do art. 18, do Decreto nº 70.235/7210. Ademais, no âmbito deste Conselho, cabe menção à Súmula CARF nº 163: “O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis”, de observação obrigatória pelos Conselheiros deste Tribunal em cumprimento ao disposto no art. 123, do Anexo do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 202311. À vista dos motivos expostos, afasto essa preliminar de nulidade. Todavia, apesar de não ser passível de anulação o procedimento fiscal, as questões relativas às autuações tanto do IRPJ como do IRRF, por serem afeitas ao mérito, serão apreciadas no momento oportuno. De Nulidade Devido à Ausência de Intimação do Responsável Tributário EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE para Identificação dos Beneficiários dos Pagamentos Efetuados pela CAMARA E VASCONCELOS. No que diz respeito a este tópico, de pronto afastamos em decorrência da aplicação da Súmula CARF nº 162, já comentada à alhures, de observação obrigatória pelos Conselheiros 9 XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas: a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder; 10 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. 11 Art. 123. A jurisprudência assentada pelo CARF será compendiada em Súmula de Jurisprudência do CARF. (...) § 4º As Súmula de Jurisprudência do CARF deverão ser observadas nas decisões dos órgãos julgadores referidos nos incisos I e II do caput do art. 25 do Decreto nº 70.235, de 1972. Fl. 2241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 48 deste Tribunal em cumprimento ao disposto no art. 123, do Anexo do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, visto que, repisamos, só a partir do protocolo da impugnação se instaura o direito ao contraditório e a ampla defesa. Ademais, ad argumentandum tantum, conforme muito bem explicitado pelo acórdão recorrido, questão que aprofundaremos quando da análise meritória do lançamento de IRRF, “os reflexos tributários dos pagamentos efetuados pela autuada nos terceiros beneficiários dos pagamentos em nada influenciam os lançamentos em discussão neste processo, tendo em vista a ocorrência do fato gerador do tributo em todos os casos apontados pelo fisco. Ademais, o IRRF aplicado pelo fisco tem a característica de exclusivo na fonte”. Face ao exposto, não acato esta preliminar de nulidade. DO MÉRITO Dos Autos de Infração Recorridos Da Introdução Quanto ao mérito, conforme relatado, foram lançados de ofício nos autos sob julgo, relativos aos anos-calendário de 2013 e 2014, o IRPJ, apurado pela sistemática do lucro arbitrado trimestral, e o IRRF sobre todos os pagamentos cujos beneficiários não foram identificados ou as operações ou causas não foram comprovadas. Os Recorrentes insurgiram-se quanto aos seguintes pontos: i. Dos Autos do IRPJ - Da Existência de Erro na Base de Cálculo do IRPJ e da Impossibilidade de Arbitramento do Lucro; ii. Da Autuação do IRPJ — Exclusivamente pelo responsável solidário EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE - Tributação Sobre Ato Ilícito. Momento do Reconhecimento da Receita. Depósitos Bancários; iii. Dos Autos de IRRF - Da Inexistência de Pagamento. Operação de Geração de Caixa 2; e iv. Dos Autos de IRRF - Exclusivamente pelo responsável solidário EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE: a. Da Improcedência do Lançamento de Ofício por Ausência de Intimação para Identificação dos Beneficiários dos Pagamentos Fl. 2242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 49 Efetuados Pela VASCONCELOS & CAMARA. Inaplicação do Art. 61 da Lei n° 8.981/95 Em Relação ao Recorrente; b. Da Inexistência de Infração (IRRF). Da Identificação de Beneficiários e das Operações; e c. Da Tributação em Duplicidade. Dos Autos de Infração do IRPJ a) Da Síntese dos Fatos Conforme se extrai do RAF, às fls. 207/312, a Fiscalizada, de acordo com as DCTF apresentadas, optou pela forma de tributação pelo Lucro Presumido para os anos-calendário objeto de autuação, contudo não entregou DIPJ, tampouco transmitiu a ECD – Escrituração Contábil Digital e a ECF - Escrituração Contábil Fiscal, entretanto apresentou EFD-Contribuições para todo o ano-calendário de 2013, e de janeiro a agosto de 2014. Não foram identificados pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS nem transmissão de PER/DCOMP. Apesar de reiteradas intimações, a VASCONCELOS & CAMARA não apresentou documentação contábil e fiscal que comprovasse a receita bruta declarada na EFD-Contribuições – que aproximadamente corresponde aos créditos líquidos bancários para os períodos que houve declaração - e utilizada para fins de apuração do IRPJ e CSLL declarados em DCTF. Prosseguindo, através do compartilhamento de documentos obtidos no âmbito do acordo de colaboração, o Fisco teve acesso as notas fiscais emitidas nos meses de setembro a dezembro de 2014, bem como a outras emitidas no decorrer do período fiscalizado – as quais foram confrontadas com os dados transmitidos nas EFDs-Contribuições e identificou apenas uma nota fiscal que não se encontrava no rol das declaradas. Nessa senda, face a não apresentação por parte da Autuada dos livros contábeis e fiscais e da ECD e ECF, apesar, repito, de reiteradas vezes intimada, em respeito a legislação vigente à época dos fatos, nos termos do art. 530, III, do RIR/99, a Fiscalização apurou o IRPJ pela sistemática do Lucro Arbitrado, aplicando o percentual de 38,4% sobre a receita bruta conhecida. Foram considerados todos os valores declarados de IRPJ. O aresto combatido considerou que não havia reparos a serem feitos acerca da apuração do IRPJ devido efetuada pelo Fisco. Os Recorrentes, repisam os argumentos apresentados em primeira instância. Em brevíssima síntese, discordam da base de cálculo utilizada, sob o argumento de que, apesar do conhecimento por parte do Fisco, através da delação premiada homologada pelo STF, que a receita bruta declarada na EFD-Contribuição correspondia a um superfaturamento, (...) o lançamento foi feito com base em documentos imprestáveis, uma vez que não representavam a real contratação. Nem todo o valor faturado representou riqueza passível de tributação, e isto influencia, sim, para o lançamento. (...) Desta forma, a receita bruta, para fins de incidência do Fl. 2243DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 50 IRPJ, deve ser o valor efetivamente recebido pela fiscalizada, qual seja, o valor cobrado pelo serviço sem o superfaturamento. No que diz respeito ao arbitramento dos lucros, entendem ser incabível fundamentá-lo na ausência de sua contabilidade, uma vez que todos os elementos para apuração dos tributos estavam disponíveis. (...) Ora, se o objetivo era arbitrar porque não há contabilidade e os documentos não oferecem segurança para apurar o lucro, nesse caso a determinação da receita bruta deveria ser aprofundada e expurgar o excesso superfaturado (cf. art. 142 do CTN). Por derradeiro, o Responsável Solidário EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE argumenta que, considerando a inidoneidade das notas fiscais emitidas pela VASCONCELOS & CAMARA, para a apuração da receita bruta conhecida, deveria o Fisco efetivar o levantamento no momento de concretização dos créditos em conta bancária da Fiscalizada. Quer dizer, (...) errou o levantamento fiscal ao considerar as notas fiscais como documentos idôneos para fim de escrituração, por conseguinte, não se prestaram elas para determinar o momento do reconhecimento da receita pelo regime de competência, mesmo porque, repita-se, tratam-se de documentos ideologicamente falsos, de modo que, para estas receitas decorrentes de superfaturamento, haveria o levantamento fiscal de considerar o momento do reconhecimento da receita aquele em que efetivado o crédito em conta bancária da VASCONCELOS E CÂMARA, isto é, haveria de considerar o regime de caixa. b) Da Tributação Pelo Lucro Arbitrado Para a análise da autuação sob julgo, é essencial verificarmos a procedência da contestada adoção do arbitramento. É cediço que o arbitramento do lucro é medida extrema, somente devendo ser aplicada em caso de evidente excepcionalidade. Não deve ser entendido como uma penalidade, sanção ou regime de exceção, mas como um instrumento, um método de apuração, posto à disposição da administração tributária, a ser adotado naquelas situações em que a fiscalização encontra-se impossibilitada de apurar os resultados tributáveis em decorrência da ausência de escrituração contábil, ou que a escrituração mantida pela contribuinte não mereça fé e esteja em desacordo com a forma estabelecida pelas leis comerciais e fiscais, além da ausência absoluta de outro elemento que tenha condições de aproximar-se do efetivo lucro líquido do período. Melhor dizendo, diante da obrigação legal do fisco de exigir os devidos créditos tributários, a fim de impedir que ele fique de mãos atadas, por falta de acesso aos resultados do contribuinte, o legislador autoriza-o a arbitrar o lucro. É assim que deve ser interpretado o artigo 530 do RIR/99, vigente à época dos fatos, que define as hipóteses legais de arbitramento. Ou seja, depreende-se da sua leitura que as condições positivadas simbolizam situações nas quais a fiscalização ou não tem acesso à contabilidade, ou a rejeita. Fl. 2244DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 51 Retomando o julgamento do pleito, conforme relatado, vimos que a decisão da Autoridade Fiscal adotou a sistemática de apuração pelo lucro arbitrado, consoante o disposto no art. 530, inciso III, do RIR/9912, em razão da ausência de livros e documentos essenciais à apuração do lucro presumido. Em apertada síntese, constata-se nos autos que a Fiscalizada, apesar de reiteradamente intimada, não apresentou os livros contábeis e fiscais, especialmente o livro caixa, e tampouco a DIPJ ou os digitais: ECD e a ECF. Pelo exposto, embora admitamos o caráter excepcional e extremista do arbitramento, a meu juízo, especialmente no que concerne a ausência do livro caixa e demais documentos imprescindíveis à apuração do lucro presumido, não obstante reiteradas vezes requeridos, subsomem-se a hipótese prevista no inciso III, do art. 530, do RIR/1999, tornando-se obrigatória a apuração pelo lucro arbitrado. Quanto ao percentual aplicado para apuração do lucro arbitrado no valor de 38,4%, deveu-se ao fato da fiscalizada ser uma empresa prestadora de serviço, cujo percentual de presunção é de 32%, portanto, este foi majorado em 20%, em estrito cumprimento do disposto no art. 532, do RIR/9913. c) Da Jurisprudência Administrativa e Conclusão As sobreditas deduções encontram guarida em decisões deste tribunal, consoante ementas a seguir transcritas: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA(IRPJ) Ano-calendário: 2002, 2004, 2005, 2006 LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL E OBRIGATÓRIA. O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação. Como regra, deve-se apurar eventuais tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido ano- calendário. Contudo, sendo identificada alguma das hipóteses legais de arbitramento, a apuração pelo lucro arbitrado se torna obrigatória. Não sendo feito o arbitramento, deve ser considerado como nulo o lançamento que apura o crédito 12 Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do ano-calendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): (...) III - o contribuinte deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do art. 527; 13 Art. 532. O lucro arbitrado das pessoas jurídicas, observado o disposto no art. 394, § 11, quando conhecida a receita bruta, será determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados no art. 519 e seus parágrafos, acrescidos de vinte por cento (Lei nº 9.249, de 1995, art. 16, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 27, inciso I). Fl. 2245DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 52 tributário com base no lucro real. (Acórdão nº 1302-005.601 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 16/08/2021) ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2008, 2009 LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL E OBRIGATÓRIA. O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação, como por exemplo, quando há declaração de imprestabilidade das demonstrações contábeis do sujeito passivo. Como regra, deve-se apurar eventuais tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido ano-calendário. Contudo, sendo identificada alguma das hipóteses legais de arbitramento, a apuração pelo lucro arbitrado se torna obrigatória. (Acórdão nº 1302-006.368 – 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 14/12/2022) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA(IRPJ) Ano-calendário: 2012 LUCRO ARBITRADO. MEDIDA EXCEPCIONAL E OBRIGATÓRIA. O arbitramento do lucro é medida excepcional e só se aplica nas restritas hipóteses elencadas na legislação. Como regra, deve-se apurar eventuais tributos devidos de acordo com a opção do contribuinte de tributação para o referido ano- calendário. Contudo, sendo identificada alguma das hipóteses legais de arbitramento, a apuração pelo lucro arbitrado se torna obrigatória. (Acórdão nº 1302-003.338 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Sessão de 23/01/2019) Dessa forma, indiscutivelmente observa-se que o arbitramento sob julgo se concretizou em conformidade com os ditames legais. d) Da Apuração da Receita Bruta Conhecida e da Base de Cálculo do IRPJ No que tange à apuração da receita bruta, corroboro com o entendimento explanado pelo juízo de piso. O Agente Fiscal a levantou, em sua esmagadora maioria, a partir das informações prestadas pela Auditada na EFD-Contribuições, acrescentando os valores constantes de notas fiscais emitidas, mas não declaradas. Importa destacar que tais montantes foram cotejados com os créditos líquidos presentes nos extratos bancários, constatando equivalência, reforçando a ilação que a base de cálculo apurada correspondia efetivamente aos valores percebidos pela Fiscalizada. Em suma, a receita bruta conhecida coincide com o valor faturado e efetivamente recebido pela VASCONCELOS & CAMARA, ou seja, ao percebê-los, concretiza-se os fatos imponíveis dos IRPJ lançados de ofício. Ultrapassada essa questão, como muito bem concluiu o acórdão atacado, pouco importa para aferição da receita bruta conhecida a destinação final do numerário recebido e dos Fl. 2246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 53 efeitos tributários provocados nestes destinatários, nos termos do § 1º, do art. 43, do CTN14. Em outras palavras, o fato gerador do IRPJ é amplo e atinge qualquer acréscimo patrimonial (renda ou provento), sem se importar com características formais ou circunstanciais. Ou melhor, como no presente caso indiscutivelmente a Autuada auferiu renda – inclusive a declarou e emitiu documentos fiscais – independentemente de onde ou como foi gerada ou recebida, sujeita-se à tributação do IRPJ, dado que para este imposto é o acréscimo patrimonial per se que importa, e não os detalhes específicos sobre a sua fonte ou natureza, muito menos se houve transferências de valores para terceiros ocorridos por mera liberalidade dos responsáveis pela pessoa jurídica. Nessa quadra, não prosperam as alegações de erro na apuração da base de cálculo e tampouco de equívoco no momento do reconhecimento da receita. Dos Autos de IRRF a) Da Introdução A Autoridade Autuante, após reiteradas intimações, sem sucesso, objetivando que a Fiscalizada identificasse os reais beneficiários ou comprovasse as operações ou as causas relacionadas aos pagamentos identificados nas suas contas bancárias, concretizou o lançamento de ofício de IRRF alicerçado nas seguintes motivações: i. Pagamentos a beneficiários não identificados efetuados mediante títulos bancários, cheques e outras espécies de pagamentos realizados, sem a identificação do CNPJ ou CPF dos beneficiários (nos extratos bancários); ii. Pagamentos cujos recebedores não eram os reais beneficiários - meros veículos de passagem -, bem como não foram comprovadas as operações ou suas causas que os lastreasse; e iii. Pagamentos em favor da TECPRO LOCAÇÃO E SERVIÇOS LTDA - ME (CNPJ 12.819.140/0001- 75), cujas operações ou causas não foram comprovadas. Em brevíssima síntese, os Recorrentes combateram o lançamento do IRRF sob os seguintes prismas: i) não houve pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa pela impugnante, visto que a operação, a causa ou os beneficiários foram revelados na “Operação Turbulência”; ii) o sujeito passivo do IRRF é quem efetivamente utilizou o caixa 2, ou seja, as empreiteiras; iii) sobre o mesmo recurso houve lançamento de IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IRRF nas 14 Art. 43. O impôsto, de competência da União, sôbre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: (...) § 1 o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. Fl. 2247DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 54 empresas que “trocavam dinheiro” para a impugnante devolver os recursos em espécie às empreiteiras, de forma que, sobre o mesmo fato estão ocorrendo múltiplos lançamentos de tributos. O Responsável solidário EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, além dos pleitos supra, assevera que é manifesto a improcedência da autuação em questão em relação a sua pessoa, uma vez que não foi intimado para identificar os beneficiários dos pagamentos ou comprovar as operações ou causas. O Aresto combatido inferiu que não havia reparos a fazer no lançamento de ofício sob julgo, pelas seguintes razões: i) foi realizado em conformidade com a legislação tributária vigente; ii) não haver dúvidas quanto à existência dos pagamentos, posto que foram extraídos dos extratos bancários; iii) face à constatação da ausência de escrituração contábil passível de identificar o beneficiário e/ou a causa dos pagamentos averiguados. iv) em virtude de que, na maioria, não terem sido identificados os reais beneficiários, tampouco comprovadas as operações ou causa; v) quando identificado o beneficiário, a operação ou causa não foi comprovada com documentação hábil e idônea; e vi) (...) os valores transferidos a terceiros, sócios ou não, identificados ou não – SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU CAUSA – são submetidos ao IRRF nos moldes do art. 61 da Lei no 8.981, de 1995, independentemente do tratamento tributário incidente no beneficiário do rendimento, especialmente considerando que se trata de tributação exclusiva na fonte. Em sede recursal, os responsáveis solidários reiteraram os pleitos apresentados nas peças impugnatórias. Inicialmente, em benefício de otimizar a lógica argumentativa deste voto, antes de nos inclinarmos à apreciação dos pleitos da Defesa, peço vênia para expor sobre os pressupostos fáticos e jurídicos que envolvem a incidência do IRRF, nos termos do art. 61, da Lei nº 8.981/95. b) Dos Pressupostos Fáticos e Jurídicos para Tributação do IRRF Previsto no art. 61, da Lei nº 8.981/95. Antes da análise de cada espécie dos pleitos meritórios dos Recorrentes, é essencial trazermos à baila a transcrição do art. 61, da Lei nº 8.981/95, que tem a seguinte redação: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplica-se, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei n" 8.383, de 1991. § 2a Considera-se vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. Fl. 2248DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 55 § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto.(g.n.) O caput do art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995, instituiu a tributação exclusiva na fonte sobre rendimentos pagos a beneficiários não identificados. Igualmente, o seu §1º aplica a mesma tributação quando há constatação do pagamento/entrega de recursos a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, independente de contabilização, mas não for comprovada a operação ou a sua causa, ou seja, se o Fisco se depara com pagamentos cujas operações ou a sua causa não forem comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, sujeitará o Sujeito Passivo à incidência do imposto de renda (que deveria ter sido retido na fonte), exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, a título de pagamento sem causa. Outrossim, infere-se do comando supra, mesmo na interpretação mais comezinha, que a sua aplicação não está autorizada quando não restar comprovado pelo Fisco o pagamento a beneficiário não identificado ou o pagamento ou entrega de recursos a sócio ou terceiro sem comprovação da operação ou da causa do dispêndio. Nessa seara, o ato de realizar o pagamento configura-se no pressuposto material da norma em questão, condição indispensável para que se efetive a incidência do imposto de renda exclusivamente na fonte. Trata-se de uma limitação, dado que tem a Fiscalização o ônus de identificar as saídas, contabilizadas ou não, de forma direta, concreta, sendo inadmissível a sua presunção. Além disso, uma vez comprovado o pagamento, deve o Fisco justificar que não foi possível, mesmo após diligências, identificar o real beneficiário do pagamento ou a causa/comprovar a operação. Nessa senda, é devido o lançamento se não identificado o real beneficiário, contudo, caso o seja, será verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. No que toca à definição de operação e causa, bem como a comprovação, me permito valer dos fundamentos aduzidos pelo ilustre Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior no Acórdão nº 1201-003.195, os quais adoto: (...) 105. Caso o beneficiário do pagamento não seja identificado é devido o lançamento; caso o seja, necessário verificar se a operação e a causa do pagamento foram comprovadas. Operação é o negócio jurídico (prestação de serviço, venda, entre outros) que ensejou o pagamento. Causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento. Com efeito, não comprovada a efetividade do negócio jurídico ou a causa do pagamento o lançamento também é devido. Note-se que há uma relação entre a operação ensejadora do pagamento e a causa desse pagamento, porquanto não comprovada a primeira o pagamento também poderá ser considerado sem causa. Fl. 2249DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 56 106. Nesse sentido, para comprovar tanto a operação quanto a causa não basta uma roupagem jurídica, o registro contábil, tampouco a apresentação da nota fiscal, é indispensável que o contribuinte comprove de forma inequívoca, com documentos hábeis e idôneos, a efetividade da operação e a causa do pagamento. (g.n.) (...) A sobredita acepção está em consonância com a jurisprudência administrativa prevalente do CARF, conforme ementas abaixo transcritas: PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO, OU QUANDO NÃO FOR COMPROVADA A OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Por expressa determinação legal, sujeitam-se ao IRRF, exclusivamente na fonte, à alíquota de 35%, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, assim como os pagamentos efetuados ou os recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa. (Acórdão nº 9101-004.153 – CSRF / 1ª Turma. Sessão de 07/05/2019) PAGAMENTOS REALIZADOS SEM COMPROVAÇÃO DO BENEFICIÁRIO OU A SUA CAUSA. CAUSAS AUTÔNOMAS DE INCIDÊNCIA. A premissa contida no § 1º do art. 61 da Lei 8.981/95 é clara no sentido de que o IRRF será cobrado “também” quanto “aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular”, deixando extreme de dúvidas que: i) a ausência de causa é, sim, um “tipo” autônomo da aludida regra de responsabilização (ou incidência, para quem assim o preferir); ii) este tipo pressupõe o conhecimento quanto ao destinatário dos recursos, mormente quando explicitamente se refere aos “terceiros” ou aos sócios e/ou acionistas. Assim o aludido preceptivo será aplicado tanto no caso em que se desconhecer os destinatários, como na hipótese em que, mesmo que conhecidos os beneficiários, a ausência de uma causa ainda imporá a exigência do IRRF na forma do aludido artigo de lei. (Acórdão nº 9101-006.342 – CSRF / 1ª Turma. Sessão de 05/10/2022) PAGAMENTOS SEM CAUSA COMPROVADA. INCIDÊNCIA EXCLUSIVA NA FONTE. PRESUNÇÃO SOBRE EXISTÊNCIA DO PAGAMENTO. ELEIÇÃO DISCRICIONÁRIA DA DATA DE OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. EXIGÊNCIA INSUBSISTENTE. A exigência de IRRF de que trata o art. 61 da Lei nº 8.981/95 não se sustenta se a autoridade fiscal não comprova, ainda que por meio da escrituração contábil do contribuinte, os registros específicos dos pagamentos assim como a data em que teriam sido realizados. O lançamento de IRRF realizado com base em presunção de pagamentos lastreado em elementos frágeis e com eleição discricionária da data de ocorrência do fato gerador não se sustenta. (Acórdão nº 9101-005.251 – CSRF / 1ª Turma. Sessão de 12/11/2020) Fl. 2250DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 57 Em síntese, a operação consiste no negócio jurídico (no caso a prestação de serviço) que motivou o pagamento, e a causa é o motivo, a razão, o fundamento do pagamento, os quais, quando não comprovados, acarretam a incidência do IRRF. Ademais, a relação aguda entre ambos, permite-nos inferir que quando não comprovada a primeira, também podemos considerar o pagamento sem causa. Outrossim, não basta a operação e a causa de os pagamentos estarem contabilizados, tampouco lastreados por notas fiscais, posto que a comprovação inequívoca da efetividade de ambos demanda a apresentação de documentação hábil e idônea. Também contribui para esclarecimento do preceptivo sob análise, colacionarmos excertos do Acórdão nº 1201-003.397, cujo redator do voto vencedor foi o Ilustre Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, que traz uma visão sobre o tema no tocante a sua natureza de presunção legal, com a qual pactuo: (...) A exigência do IRRF prevista no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 é uma presunção legal, ou seja, a partir de um fato conhecido (o pagamento) e da negativa do fiscalizado em informar o destinatário ou a real origem econômica do pagamento, a lei permite a exigência do tributo de quem fez o pagamento, por uma presunção de omissão de receita por parte do destinatário do pagamento, associada a uma substituição tributária. Nesse viés, como é ordinário nas presunções legais desse tipo, o contribuinte pode afastar a acusação fiscal ao demonstrar que não houve o pagamento (negativa do fato conhecido) ou ao apontar, cumulativamente, o destinatário do pagamento e a sua real origem econômica. (...) A sociedade empresária é um ente de natureza econômica e as suas ações devem ser tomadas nesse contexto. O pagamento, como ação de natureza econômica, deve estar inserido em um contexto negocial ou patrimonial. Esse contexto é a causa do pagamento. Na espécie, o contribuinte não logrou localizar os pagamentos realizados no seu contexto econômico. Ademais, tratando-se de mecanismo de presunção legal, não cabe ao fisco rastrear a utilização desse pagamento, aprofundando a investigação para determinar, em concreto, o eventual ilícito tributário decorrente do pagamento, uma vez que este é o objeto da presunção legal. (...) É certo que o IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 possui especificidades que permitem classificá-lo como uma exceção. O IRRF em geral já é uma exceção, pois é fruto de uma substituição tributária do Imposto de Renda (das pessoas físicas e das pessoas jurídicas). O IRRF com tributação exclusiva na fonte, uma modalidade de IRRF, é uma exceção maior ainda, pois toda a tributação fica contida no substituto tributário, não havendo reflexo sobre a Fl. 2251DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 58 apuração realizada pelo contribuinte, que não oferece à tributação a receita obtida. O tributo da espécie é uma exceção ainda mais específica, pois é uma substituição tributária com tributação exclusiva e cujo fato gerador não é o pagamento, pois o tributo passa a ser exigível apenas a partir do momento em que o substituto tributário não informa à fiscalização a identificação do contribuinte ou a causa do pagamento. Entendo que o IRRF previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995 é exigido do substituto tributário por meio de uma presunção legal. Nessa presunção, o fato conhecido é a existência de um pagamento cujo destinatário se desconhece ou cuja causa é desconhecida e cujo desconhecimento se deve à atitude omissiva do substituto tributário. O fato desconhecido é que dá ensejo à omissão presumida. Assim, a exigência do IRRF em tela muito se assemelha à exigência do IRPJ prevista no artigo 42 da Lei nº 9.430/1996, em que a presunção legal tem como fato conh ecido a existência de depósito bancário cuja origem o contribuinte não comprova. Saliente-se que o ordenamento jurídico tributário possui outros casos semelhantes de presunção, como o saldo credor de caixa, o passivo a descoberto e os pagamentos não escriturados (art. 12, §2º, do Decreto-Lei nº 1.598/1977 e art. 40 da Lei nº 9.430/1996. A diferença entre essas espécies e o IRRF em tela é que, aqui, a tributação se dá sobre o substituto tributário e não sobre o contribuinte. Portanto, a conduta que dá ensejo ao acionamento da presunção legal em tela é a simples omissão em informar o real beneficiário do pagamento ou a sua real causa econômica, independentemente da existência, ou não, de intuito doloso. (g.n.) Nessa senda, podemos afirmar que a exigência do IRRF sob apreciação constitui-se em presunção legal, ou seja, a partir de um fato conhecido – a inquestionável realização de pagamento, pressuposto material da norma em questão - e da negativa (expressa ou tácita) do Fiscalizado em identificar o efetivo destinatário – verdadeiro titular dos rendimentos - ou a real origem econômica do dispêndio, a lei autoriza que seja exigido o tributo de quem realizou o pagamento, por uma presunção de omissão de receita por parte do destinatário do pagamento, associada a uma substituição tributária. Dessarte, como é comum às presunções legais desse tipo, a Fiscalização não está obrigada a rastrear a utilização do pagamento, de outro giro, pode o Sujeito Passivo afastar a acusação fiscal ao demonstrar que não houve o pagamento (negativa do fato conhecido) ou ao apontar, cumulativamente, o real destinatário do pagamento e a sua real origem econômica (esclarecimento da natureza do pagamento). Prosseguindo a análise dos pressupostos da norma à epígrafe, no que tange à compreensão de alguns doutrinadores de que o ato ilícito vem tipificado como “um pagamento Fl. 2252DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 59 sem causa ou a beneficiário não identificado”, sendo este o elemento essencial da sua hipótese de incidência, em afronta ao determinado no art. 3º, do CTN15, ouso discordar. Não obstante, sem pretensão de inovar, no que toca à licitude da materialidade do imposto previsto no art. 61, da Lei nº 8.981/95, bem como no que diz respeito ao antagonismo com a multa qualificada, trago a exposição do ilustre Conselheiro Efigênio de Freitas Júnior no Acórdão nº 1201-003.195, que bem representa minha compreensão a respeito do tema: 108. Quanto ao suposto antagonismo do IR-Fonte com a multa qualificada, o argumento ganha força em face da onerosidade da alíquota de 35%, a qual se agrava com o reajustamento da base de cálculo. Concordo que se trata de uma tributação onerosa. No entanto, esta era a alíquota máxima do imposto de renda pessoa física vigente à época da publicação da Lei nº 8.981, de 1995, prevista em seu art. 8º. O fato desta última alíquota ter sido revogada posteriormente pela Lei nº 9.250, de 1995 e aquela permanecido no mesmo patamar é opção legislativa. 109. Por mais onerosa que seja a alíquota, a análise deve ser feita à luz do Código Tributário Nacional no sentido de que tributo não constitui sanção de ato ilícito, ou seja, tributo não é penalidade, sanção. Assim, uma vez comprovado que houve simulação, fraude ou conluio, no pagamento de algumas das hipóteses prevista no art. 61 da Lei 8.981, de 1995, a multa qualificada deve ser aplicada. O que atrai a incidência dessa espécie de multa é a conduta praticada pelo sujeito passivo ao efetuar o referido pagamento. Deixar de aplicá-la à hipótese vertente, ao argumento de dupla penalidade, significa considerar tributo como sanção, ou, de outro modo, negar vigência ao texto legal por considerá-lo inconstitucional, o que é vedado a este CARF. Por derradeiro, partindo da premissa que tributo não é sanção, importa ressalvar que a excepcional espécie de IRRF em tela submete-se a tributação exclusiva na fonte, em outras palavras, o pagamento não está sujeito à antecipação para fins de ajuste anual e, por conseguinte, o destinatário não poderá deduzi-lo na sua declaração de ajuste. Não obstante, tal ressalva não se constitui óbice à dedução do valor retido e recolhido pela fonte pagadora, referente às notas fiscais cujo pagamento foi considerado sem causa ou a operação não foi comprovada, do IRRF lançado de ofício. c) Dos Pleitos Comuns Suscitados Pelos Responsáveis Solidários Retomando a análise do caso em tela, ao apreciarmos os pleitos comuns resta hialino que os cernes dos questionamentos são: que a “Operação Turbulência” revelou os beneficiários, as operações e as causas dos pagamentos realizados pela VASCONCELOS & CAMARA; e que o Fisco tributou em duplicidade a Fiscalizada (IRRF) e as empresas que “trocavam 15 Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Fl. 2253DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 60 dinheiro” para a impugnante devolver os recursos em espécie às empreiteiras (IRPJ, CSLL, PIS e COFINS). Nessa toada, inicialmente é mister trazer à tona que a contestada autuação se alicerçou sobre três fundamentos. Primeiro fundamento, está relacionado à constatação pela Fiscalização de 5.717 (cinco mil, setecentos e dezessete) pagamentos sem nenhuma identificação do beneficiário e nem descrição que justificasse sua operação e causa no histórico do lançamento bancário. Os valores totalizados destes pagamentos encontram-se relacionados a abaixo na Tabela 4 - Pagamentos realizados pela Vasconcelos & CAMARA a Beneficiários não identificados: Requerido os esclarecimentos e comprovações dos beneficiários desses pagamentos por meio de diversas intimações, a Autuada aduziu apenas que (...) “foram pagamentos feitos com recursos de fundo fixo, sem controle ou registro em razão do tempo transcorrido, sem maiores detalhamentos”. Quer dizer, trata-se de pagamentos a beneficiários não identificados cujas operações e causa não foram comprovadas. Segundo fundamento, refere-se aos dispêndios realizados em favor da TECPRO LOCAÇÃO E SERVIÇOS LTDA - ME (CNPJ 12.819.140/0001-75), cuja comprovação do negócio jurídico - no caso a locação de tratores e escavadeiras – tampouco do motivo ou da razão NÃO FOI EFETIVADA mediante apresentação de documentação hábil e idônea. Ou seja, neste caso o real beneficiário foi identificado, todavia houve a subsunção ao outro tipo autônomo da aludida regra de incidência – a ausência de causa. Isto é, no que tange às apontadas acusações não prosperam as argumentações das defesas que os beneficiários foram identificados muito menos que foram comprovadas as operações ou causas, dado que não resta qualquer dúvida que andaram muito bem a Fiscalização em exigir o IRRF, nos termos do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1995, como também a decisão recorrida em manter. No que diz respeito ao terceiro fundamento, os pagamentos encontram-se listados na planilha abaixo e, conforme demonstraremos, melhor sorte não tiveram os recorrentes. Vejamos. Fl. 2254DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 61 Aqui impende recordar excertos do relatório da decisão atacada: 15.1 As diligências efetuadas demonstram que o beneficiário que a Pessoa Jurídica registrou e apontou como recebedor do pagamento (por meio dos extratos bancários neste caso concreto), de fato, nada recebeu: aqueles que constam nos extratos bancários como beneficiários de pagamentos da VASCONCELOS & CAMARA são na verdade beneficiários “intermediários”, que possuem o papel de apenas devolver o recurso em espécie ao pagador (Vasconcelos & CAMARA), que por sua vez dá as destinações finais aos recursos, ocultando assim o destinatário real dos recursos movimentados em espécie (destinatário final). (...) 20. Foram identificados, nos extratos bancários compartilhados, pagamentos realizados a pessoas envolvidas na operação turbulência e outros pagamentos suspeitos. Os referidos pagamentos foram objeto de investigação na presente fiscalização, tendo sido a fiscalizada e os recebedores dos recursos intimados a esclarecer a causa e/ou operação de cada recebimento, e a apresentar as devidas comprovações. 20.1 Observou-se que a prática da fiscalizada era realizar pagamentos a beneficiários diversos, sem causa ou operação que os lastreasse, e, em seguida, receber em espécie os valores pagos. Na prática os recebedores dos recursos não eram os beneficiários finais (reais) dos recursos, e, sim, meros veículos de Fl. 2255DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 62 passagem, que tinham o papel de estornar os valores pagos em espécie. Nessas situações, para que haja a identificação dos efetivos beneficiários dos recursos, se faz necessária a apresentação por parte do contribuinte da sua escrituração contábil na qual constem os registros a crédito da conta “BANCOS” e a débito da conta “CAIXA”. 20.1.1 Não tendo a fiscalizada apresentado a sua escrituração contábil, restou impossibilitada esta verificação, o que equivale a não identificar os beneficiários dos pagamentos. (g.n.) Em que pese às informações substanciais emanadas das delações premiadas, observa-se que indiscutivelmente o pressuposto material da norma em questão foi observado, quer dizer os pagamentos foram realizados – constatados por intermédio dos débitos em conta corrente -, contudo os reais beneficiários não foram identificados, bem como não se comprovou que os dispêndios corresponderam a uma prestação de serviço, venda ou qualquer outro negócio comumente reconhecido no âmbito jurídico, notadamente por inexistir escrituração e documentação contábil e fiscal. Em suma, os recebedores dos recursos tratava-se de meros veículos de passagem e os pagamentos careciam de efetividade. Por fim, quanta a alegada tributação em duplicidade, conforme demonstramos a exação fiscal sob apreciação tem natureza de presunção legal de omissão de receita por parte do destinatário do pagamento. Nessa senda, uma vez constatado no mundo factual o pagamento e verificada a ocorrência de uma das hipóteses previstas na norma, deve-se exigir de quem pagou o IRRF por substituição tributária. Em virtude desta acepção, por se tratar de presunção legal, na prática é ônus do substituto em prol de se eximir da obrigação, provar que não existiu pagamento ou informar cumulativamente o real destinatário do dispêndio e a sua origem econômica. De outro giro, desincumbe-se a Fiscalização de rastrear ou investigar o real beneficiário ou a utilização do pagamento. Pelo exposto, irretocáveis os lançamentos de ofício sob julgo e a manutenção pela decisão recorrida. Ademais, no que toca ao pleito dos Recorrentes de que lhes seja conferida interpretação mais favorável nos termos do art. 112, do CTN16, por tudo relatado e apreciado, inexistem quaisquer dúvidas passíveis de serem enquadradas nas hipóteses aventadas por este dispositivo, por conseguinte, é inaplicável ao presente processo. 16 Art. 112. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpreta-se da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto: I - à capitulação legal do fato; II - à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; III - à autoria, imputabilidade, ou punibilidade; IV - à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Fl. 2256DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 63 d) Da Ausência de Intimação do Responsável Tributário EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE Para Identificar os Beneficiários dos Pagamentos ou Comprovar as Operações Ou Causas. A Defesa do apontado responsável tributário alega que houve descumprimento de dever instrumental no presente caso, em razão de não ter sido intimado para identificar os beneficiários dos pagamentos ou comprovara as operações ou causas, portanto requer a reforma do acórdão combatido em prol da improcedência da autuação do IRRF. Entendo que não assiste razão ao Interessado pelos seguintes motivos. Para melhor análise deste tópico, merece registro que o vínculo de responsabilidade tributária ocorre quando uma pessoa, física ou jurídica, é legalmente designada como responsável pelo pagamento de um tributo que originalmente seria devida por outra pessoa. São ações que visam garantir a arrecadação tributária e evitar que o fisco seja prejudicado pela impossibilidade de cobrança direta do devedor original. A legislação tributária determina de maneira clara quem são os responsáveis em cada caso, visando à segurança jurídica e à efetividade na arrecadação dos tributos. Também não podemos olvidar que, conforme exaurido neste voto, o direito ao contraditório e à ampla defesa somente se instaura quando do protocolo da impugnação – marco inicial da fase contenciosa, bem como a imputação de responsabilidade tributária deve ser formalizada no lançamento de ofício, do qual deve ser dada a ciência a todos sujeitos passivos autuados (art. 2º e 4º, da Instrução Normativa RFB nº 1.862/201817). Destarte, na espécie, até a conclusão do procedimento fiscalizatório, não há norma que condicione a imputação da responsabilidade tributária à intimação dos potenciais responsabilizados para identificar os beneficiários dos pagamentos ou comprovar as operações ou causas. Ademais, no caso em tela, tanto o contribuinte como os responsabilizados foram devidamente cientificados da autuação. Quer dizer, para que seja acionada a presunção legal de omissão de receita por parte do destinatário do pagamento e, portanto, a exigência do IRRF de quem fez o pagamento por substituição tributária – a VASCONCELOS & CAMARA – basta que se subsuma ao disposto no art.61, da Lei nº 8.981, de 1995. Em seguida, deve-se lavrar o auto de infração, em consonância 17 Art. 2º O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil que identificar hipótese de pluralidade de sujeitos passivos na execução de procedimento fiscal relativo a tributos administrados pela RFB deverá formalizar a imputação de responsabilidade tributária no lançamento de ofício. Parágrafo único. Não será exigido Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal (TDPF) para a imputação de responsabilidade tributária. Art. 4º Todos os sujeitos passivos autuados deverão ser cientificados do auto de infração, com abertura do prazo estabelecido no inciso V do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, para que a exigência seja cumprida ou para que cada um deles apresente impugnação. Fl. 2257DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 64 com o disposto no art. 10º, do Decreto nº 70.235/72 (PAF)18, e cientificar todos os sujeitos passivos. Elementos verificados neste processo. Nessa linha intelectiva, em prol de afastar a acusação fiscal, por se tratar de uma presunção legal, ao iniciar a fase contenciosa, abriu-se oportunidade para o Autuado e responsáveis tributários para demonstrar que não houve o pagamento (negativa do fato conhecido) ou apontar, conjuntamente, o destinatário do pagamento e a sua real origem econômica, fatos que não vislumbramos na presente contenda. Diante do exposto, entendo que nenhum reparo cabe à decisão recorrida. Da Multa De Ofício Qualificada e Agravada a) Da Introdução O Aresto atacado manteve a imputação da multa de ofício qualificada e agravada, no percentual de 225%, por entender que a Fiscalização comprovou nos autos que a VASCONCELOS & CAMARA utilizou-se de interpostas pessoas no quadro societário e omitiu de forma reiterada informações ao longo do procedimento inquisitorial. Nessa toada, afirma a ocorrência, de forma intencional, premeditada e recorrente de sonegação, fraude e conluio fiscais, subsumindo-se ao disposto no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/1996. Complementa, aduzindo que, em virtude do caráter doloso das ações praticadas por todos envolvidos, com o intuito de obtenção de vantagens ilícitas, todas à margem da tributação, é incabível quererem se eximir das responsabilidades, mediante transferência para as empreiteiras, como estas fossem as únicas partícipes e beneficiárias dos ilícitos cometidos. Ademais, assevera que a Fiscalizada, (...) durante a fase da auditoria, deixou de atender diversos termos fiscais para apresentar esclarecimentos, dificultando, ou tentando impedir a apuração das irregularidades pelo fisco. O fato de o fisco obter as informações necessárias para conclusão da auditoria junto ao Poder Judiciário não afasta a intenção do contribuinte em dificultar o trabalho fiscal, incorrendo no disposto no § 2º do art. 44 da Lei 9.430, de 1996. Os Recorrentes indignados combateram protestando em favor do afastamento tanto da qualificação como do agravamento da multa de ofício aplicada. 18 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I - a qualificação do autuado; II - o local, a data e a hora da lavratura; III - a descrição do fato; IV - a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias; VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Fl. 2258DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 65 Quanto à qualificação, conjuntamente, argumentaram que: a) a utilização de “testas de ferro” não teve qualquer repercussão no cometimento da infração apurada, e o Sr. Pedro Neves Vasconcelos era sócio de direito e de fato, exercendo funções operacionais em relação aos serviços prestados; b) acerca da reiterada omissão de informações, embora tenha ocorrido, antes do início da fiscalização as declarações foram retificadas e os valores devidos declarados espontaneamente; e c) incabível concomitância do IRRF sobre pagamento sem causa com multa qualificada, pois a alíquota de 35% aplicada, caracteriza uma penalidade imposta legalmente. No tocante ao agravamento, concomitantemente, aduziram que: a) a Autuada não se opôs a prestar qualquer tipo de esclarecimento, bem como prestou declarações verdadeiras relativas às operações realizadas para lavagem de dinheiro de caixa 2 para as empreiteiras, cujas informações constavam da delação premiada, devidamente homologada no STF; e b) é descabido já que a não entrega dos livros contábeis já tem como consequência o arbitramento do lucro com percentual majorado (cita as Súmulas do CARF nsº 96 e 133). O responsabilizado EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE arguiu que não pode responder pelo agravamento da multa aplicada, considerando que não foi intimado, na fase fiscalizatória, a prestar qualquer esclarecimento, bem como suscita aplicação ao caso concreto da Súmula do CARF nº 96. b) Da Multa de Ofício Qualificada e Agravada - Entendimentos Dogmáticos e Jurisprudenciais Antes de avaliarmos as razões da combatida qualificação e agravamento da multa de ofício, é salutar trazer a este voto entendimentos dogmáticos e jurisprudenciais sobre essas espécies. Inicialmente, é importante registrar que a multa qualificada se encontra regulada pelo art. 44, inciso I c/c § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 200719. Portanto, a duplicação do percentual do inciso I, do art. 44, do mencionado dispositivo legal, culminando em 150% (cento e cinquenta por cento), deve ser aplicada apenas 19 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1º. O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (g.n) Fl. 2259DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 66 nos casos previstos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 196420, ou seja, o intuito de fraude foi aí aludido em seu sentido amplo, devendo para seu entendimento serem observadas as definições dos indigitados dispositivos Como se percebe, o conluio não chega a ser uma terceira hipótese qualificadora autônoma, pois se refere à possibilidade de a sonegação e/ou a fraude serem orquestradas por meio de ajuste doloso entre duas ou mais pessoas (físicas ou jurídicas). A qualificação da multa proporcional de ofício deve ser feita quando e apenas quando a autoridade fiscal identificar e comprovar a ocorrência de sonegação e/ou fraude. E apenas pode ser considerado sonegação ou fraude, para essa finalidade, aquilo que esteja em conformidade com o modelo arquetípico estabelecido pelos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Analisando-se as características textuais das definições empreendidas pelos artigos 71 e 72, a primeira premissa indispensável é a de que sonegação e fraude são condutas dolosas. Isso se depreende da expressão “(...) toda ação ou omissão dolosa tendente (...)”, que é repetida em ambos os artigos. Portanto, sonegação e fraude são condutas dolosas (dolo direto ou eventual). Para qualificar a multa proporcional de ofício, a autoridade fiscal deve identificar e comprovar a ocorrência da conduta dolosa do sujeito passivo, mediante apresentação de conjunto probatório suficiente. No mais, é cediço que a imposição de multa qualificada é tema sempre muito espinhoso, mesmo porque tal cominação prescinde da demonstração de um “algo mais”, no procedimento do agente fiscalizado, que transcenda a conduta objetiva descrita no tipo tributário, sendo preciso que haja a efetiva comprovação da intenção da prática do fato delituoso. Nesse sentido, é o entendimento firmado pelo CARF nas Súmulas ns° 14 e 25: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. 20 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I - da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II - das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no artigo 71 e 72. (g.n) Fl. 2260DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 67 Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. No que toca à aplicação da multa de ofício agravada por não prestar esclarecimentos, prevista no art. 44, inciso I c/c § 2º, ambos da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 200721, ao interpretarmos a dogmática que a disciplina, observa-se a essencialidade da conformação dos seguintes aspectos que compõem a sua regra-matriz de incidência: i. O material, que se refere ao não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação, de onde resulta hialina a relação direta com o dever de colaboração do sujeito passivo com a administração tributária, estampado no art. 4º, IV, da Lei nº 9.784, de 199622; e ii. O temporal. Neste requer análise conjunta dos aspectos quantitativo e pessoal: 1. O aspecto quantitativo se refere a base de cálculo corporificada na multa de ofício de que trata o inciso I, do art. 44, da Lei nº 9.430/96 – 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata -. Para que se configure, há necessidade de existência de um procedimento fiscal - nos termos dos arts. 7º a 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, disciplinado atualmente pela Portaria RFB nº 6.478, de 29 de dezembro de 2017 – que se finde em lançamento de ofício de um crédito tributário, por auto de infração ou notificação de lançamento, com o valor do tributo não pago e a respectiva multa de ofício. Dessarte, sob este prisma, o aspecto temporal se conforma ao final do encerramento do procedimento fiscal que resulte em auto de infração com aplicação de 21 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2 o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1 o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pela sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I - prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) 22 Art. 4º São deveres do administrado perante a Administração, sem prejuízo de outros previstos em ato normativo: (...) II - proceder com lealdade, urbanidade e boa-fé; (...) IV - prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. Fl. 2261DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2007-2010/2007/Lei/L11488.htm#art14 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 68 multa de ofício, quando se constata o não atendimento de intimação ao longo da fase inquisitorial; 2. Já quanto ao aspecto pessoal da multa, somente pode ser o sujeito passivo fiscalizado por procedimento fiscal que resultou na exigência do crédito tributário. Desse modo, deduz-se que os elementos que compõem a regra nuclear da multa de ofício agravada apenas se configuram ao final do procedimento fiscal e é essencial a caracterização do descumprimento do dever de colaboração do Autuado com a Administração Fazendária. Nesse diapasão, para melhor entendimento, merece destaque a Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 7, de 21/10/2019, que brilhantemente tratou do tema, cujos excertos, relacionados a questão, reproduzimos: 10.1. A intimação a ensejar a multa a que se refere o inciso I não é aquela com objetivo de apresentar um documento, por si só. Do mesmo modo, prestar esclarecimentos não significa comprovar alguma informação já em poder do Fisco. Prestar esclarecimentos significa justificar de forma convincente determinada situação de fato ou de direito. A intimação para tanto deve delimitar de forma precisa a(s) informação(ões) requerida(s). A intimação para prestar esclarecimentos gerais, de forma ampla, não pode ensejar a presente multa. 10.2. Destaque-se: uma coisa é simplesmente intimar o sujeito passivo a apresentar algum documento ou comprovar alguma informação já em poder do Fisco, condutas que não se amoldam ao disposto no inciso I do § 2º. Outra coisa é que os esclarecimentos prestados sejam factíveis e que sejam comprovados. Nessa segunda hipótese a apresentação dos documentos não foi objeto da intimação, mas é parte integrante dos esclarecimentos prestados. É uma situação específica em que a falta de apresentação de documentos denota que os esclarecimentos não foram prestados de forma satisfatória, incidindo, observadas as hipóteses do caso concreto, a multa de que trata o inciso I do § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. 11. Considerando o dito anteriormente, há a necessária vinculação dos esclarecimentos solicitados com a infração objeto do lançamento, em respeito ao aspecto material e quantitativo da multa agravada. Logo, concorda-se com a consulente no sentido de que "o fiscalizado pode atender à intimação relacionada à primeira infração e ser completamente omisso em relação à segunda, justificando-se o agravamento exclusivamente em relação ao crédito tributário correspondente à segunda infração". 12. Passa-se, assim, a analisar as demais situações que poderiam ensejar a incidência da multa agravada pelo não atendimento à intimação para prestar esclarecimentos. Fl. 2262DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 69 12.1. Quando o comportamento do sujeito passivo durante o procedimento fiscal for totalmente omissivo, não resta dúvida da incidência da multa agravada. (g.n.) Ainda sobre o tema multa agravada, não podemos obliterar das restrições à sua imposição quando estamos diante de autuação motivada: por falta de apresentação de livros e documentos da escrituração, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros; ou presunção legal de omissão de receitas ou de rendimentos, cuja jurisprudência administrativa do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF restou consolidada nas Súmulas CARF nsº 96 e 133, abaixo in verbis: Súmula CARF nº 96: A falta de apresentação de livros e documentos da escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. Súmula CARF nº 133: A falta de atendimento a intimação para prestar esclarecimentos não justifica, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa conduta motivou presunção de omissão de receitas ou de rendimentos. Em suma, o que se pretende com as sobreditas súmulas é firmar a inferência que o não atendimento às intimações fiscais e outras formas de esquiva utilizadas pelo sujeito passivo podem ensejar o agravamento da multa, entretanto, há que se averiguar se as condutas consideradas pela autoridade fiscal para o cotejado agravamento não correspondem a elementos constitutivos das hipóteses legais que determinaram os critérios de apuração das bases de cálculo dos lançamentos combatidos. Quer dizer, se não há nos autos pedidos de esclarecimentos a respeito de outros eventos, além dos: relacionados à autuação do IRPJ declarado a menor, cujas informações encontravam-se em poder do Fisco e o não atendimento das intimações para apresentação de escrituração fundamentou o arbitramento dos lucros; ou quanto à imputação do IRRF sobre a presunção legal de omissão de receitas de terceiros, referentes aos pagamentos identificados nas contas bancárias do Sujeito Passivo, cujos reais beneficiários não foram identificados, tampouco comprovadas as operações ou causas, então não é caso de agravamento. Esta ilação se deve ao fato de, no que toca ao IRPJ, o Fisco não depender dos esclarecimentos para efetivar o correspondente lançamento de ofício, bem como, a utilização da base de cálculo arbitrada alicerçar-se na inexistência da escrituração contábil e fiscal. Já no que diz respeito ao auto de infração de IRRF, ao se instituir a presunção legal em comento, uma vez constatados os pagamentos, a identificação dos reais beneficiários ou a comprovação da causa econômica deixou de ser um dever e passou a ser um ônus. Isto é, a conduta saiu do campo da infração tributária pelo descumprimento de dever instrumental e foi Fl. 2263DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 70 para o campo da distribuição do ônus probatório, com inversão do ônus da prova, favoravelmente ao Fisco. Destarte, caso o contribuinte não aponte os reais beneficiários ou não comprove as operações ou causas, e não haja nenhum aspecto adicional agravante de sua conduta, temos como único corolário a caracterização de omissão de receita por presunção legal. Feitas as apontadas considerações, notadamente quanto à diferença entre multa de ofício qualificada e agravada, daremos prosseguimento a análise do caso sob julgo. c) Da Qualificação da Multa de Ofício Retomando a análise do caso concreto, em prol de substanciar nossa decisão, inicialmente, é essencial trazermos à tona a motivação da Autoridade Fiscal para imputar a multa de ofício qualificada atacada. Nessa toada, peço vênia para colacionarmos excertos do RAF, às fls. 207/312, atinentes ao tema à epígrafe: Com base nos fatos demonstrados na seção 2.1 - Do Quadro Societário e demais informações da sociedade, 2.1.1 - Da Administração da sociedade e 3 - Dos Sócios de Fato, deste relatório fiscal, conclui-se que PEDRO NEVES VASCONCELOS e GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS, sócios da fiscalizada e seus administradores, omitiram a existência dos demais sócios, JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO e EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE, atuando assim como “testas de ferro” ao encobrir a existência destes, tendo essas pessoas, em conluio (art. 73 da Lei nº 4.502/1964), omitido dolosamente da autoridade fazendária informações referentes a condições pessoais de contribuinte, relativas ao real quadro societário e aos reais administradores da fiscalizada, suscetíveis de afetar o crédito tributário ora lançado (art. 71, inciso II, da Lei nº 4.502/1964), o que implica, por si só, a aplicação de multa com o percentual de 150% sobre a totalidade dos valores apurados, conforme art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Ademais, os fatos apurados nesta ação fiscal também demonstram que o contribuinte omitiu informação à autoridade fazendária de forma reiterada durante todo o período objeto desta ação fiscal, o que revela que houve uma sistematização da prática de se omitir da Secretaria da Receita Federal do Brasil o verdadeiro valor dos débitos tributários. Tal prática reiterada de infração à legislação tributária nos leva a afastar a possibilidade de simples erro por parte da fiscalizada e concluir que houve a intenção de omitir tais informações (art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964), o que implica também, por si só, a aplicação de multa com o percentual de 150% sobre a totalidade dos valores apurados, conforme art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96. Portanto, com base nos dispositivos legais acima transcritos e considerando os fatos apurados, conclui-se que o contribuinte incorreu em hipóteses de incidência previstas nos arts. 71, incisos I e II, e 73, da Lei nº 4.502,64 e, conforme previsto Fl. 2264DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 71 no art. 44, §1º, da Lei nº 9.430/96, está sujeito ao percentual de 150% sobre a totalidade dos impostos ora lançados. (g.n.) Observa-se que a contestada qualificação baseou-se em três fundamentos: a) sonegação, nos termos do inciso I, do art. 71, da Lei nº 4.502/64, em decorrência da omissão reiterada de informações ao Fisco relativas aos valores dos débitos tributários; b) sonegação, nos termos do inciso II, do art. 71, da Lei nº 4.502/64, em virtude dos sócios de direito da VASCONCELOS & CAMARA, ao atuarem como “testas de ferro”, terem omitido de forma dolosa a existência de sócios de fato, ou seja, inferiu que tal omissão impediu ou retardou o conhecimento por parte da Autoridade Fiscal das condições pessoais da Autuada, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente; e c) conluio, nos termos do art. 73, da Lei nº 4.502/64, de todos os sócios objetivando os sobreditos efeitos. O Aresto combatido manteve integralmente a apontada qualificação aduzindo que compulsando os autos constata-se declarações da própria Autuada admitindo que, por sua livre e espontânea vontade, foi um dos veículos utilizados na geração do Caixa 2 para as empreiteiras, bem como, outras condutas dolosas com intuito de obtenção de vantagens ilícitas, as quais, cumulativamente, denotam, de forma inquestionável, a ocorrência de sonegação, fraude e conluio de forma intencional, premeditada e recorrente, em favor de eximir-se do pagamento dos tributos. Ora, de pronto, entendo que a decisão de piso não se ateve aos limites motivacionais do enquadramento externado pela Autoridade Fiscal. Isto é, embora concorde que restou evidenciado nos autos a participação ativa da Fiscalizada, no âmbito da Operação Turbulência, corporificada em várias condutas fraudulentas, notadamente, o superfaturamento de notas fiscais objetivando a geração de caixa dois associado a fictícios dispêndios que retornavam em espécie (processo de lavagem de dinheiro), em prol de fomentar empreiteiras de recursos para pagamento de propinas a agentes políticos e funcionários públicos (reais beneficiários), entretanto, não foram essas as razões definidas pelo Fisco para qualificar a multa de ofício imputada. Nesse diapasão, nos inclinaremos nas motivações evidenciadas constante dos autos, partindo da premissa que se justifica a imputação de multa de ofício qualificada sobre a exigência dos tributos combatidos quando a Autoridade Autuante comprova a ocorrência daquele “algo a mais”, de um esforço adicional, de uma conduta extra que suplanta a conduta objetiva descrita no tipo tributário e, por conseguinte, evidencia o dolo específico seja por parte do contribuinte, no que toca ao auto de infração de IRPJ, ou por parte do substituto tributário, quanto à autuação do IRRF. Destarte, no que diz respeito à acusação de omissão reiterada de informações ao Fisco relativas aos valores dos débitos tributários, nos atendo à autuação do IRPJ, resta hialino que a Fiscalização se baseou nas informações e provas obtidas através do compartilhamento dos dados levantados na operação turbulência – notadamente delações premiadas homologadas pelo STF, notas fiscais e extratos bancários. Ademais, antes do início do procedimento fiscal, a Autuada, Fl. 2265DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 72 espontaneamente, solicitou a exclusão retroativa do SIMPLES, a partir de 01/01/2009, a qual foi deferida; declarou todos os débitos do período sob fiscalização em DCTF, apurando-os com base na sistemática do lucro presumido trimestral; e declarou em EFD-Contribuições (EFD-Cont) os faturamentos de todo ano-calendário de 2013 e, no que tange 2014, até o mês de agosto. Em suma, o Agente Fazendário efetivou o lançamento de ofício em questão, com o qual concordamos neste voto, pela sistemática do lucro arbitrado trimestral, lastreado nas receitas declaradas em EFD-Cont, complementando-as com os valores omitidos extraídos de algumas notas fiscais. Pois bem, com a devida vênia, entendo que assiste razão aos Recorrentes pois a ausência de prestação de informações ao Fisco requeridas nas intimações, a falta de declaração de DIPJ e EFD ou ECF, ou a não declaração das rendimentos tributáveis estampados em algumas notas fiscais emitidas, ocasionando o retardamento do conhecimento por parte da Fazenda Federal do imposto a pagar, caracteriza-se como falta simples de omissão de rendimentos, porém, não representa evidente intuito de fraude, que justifique a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no art. 44, inciso I c/c § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. Em relação à autuação do IRRF, melhor sorte não teve o analisado fundamento, uma vez que, conforme exaurimos, o IRRF incidente sobre pagamento sem causa trata-se de uma presunção legal de omissão de receita por parte do beneficiário associada a substituição tributária em desfavor do pagador, cujo fato gerador concretiza-se quando a Fiscalização constata o pressuposto material – o pagamento – e um dos tipos autônomos – negativa do pagador em identificar o beneficiário ou comprovar a operação ou causa dos pagamentos. Melhor dizendo, a conduta que dá ensejo ao acionamento da apontada presunção legal é justamente a reiterada omissão de informações pela Fiscalizada da destinação e causa dos pagamentos, independentemente da existência, ou não, de intuito doloso, e, por conseguinte, propiciou a autuação em comento nos termos do art. 61, da Lei nº 8.981, de 1995. Assim, acerca do argumento que se configurou a sonegação, nos termos do art. 71, I, da Lei nº 4.502/64, face à omissão reiterada de informações ao Fisco relativas aos valores dos débitos tributários, por tudo exposto, pugno pelo afastamento da multa qualificada aplicada, dado que se tratam de situações enquadradas nas orientações emanadas das Súmulas nsº 14 e 25, mencionadas a alhures, de observação obrigatória deste Conselheiro relator, nos termos do art. 123, do Anexo do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Sobre a acusação de que ocorreu sonegação, nos termos do inciso II, do art. 71, da Lei nº 4.502/64, ocasionada pela utilização de interpostas pessoas na constituição da Fiscalizada. Entendo que também cabe o afastamento dessa qualificadora pelos seguintes motivos. Primeiro, é pacífico tanto na doutrina como na jurisprudência que para a caracterização da interposição fraudulenta é necessário que a Fiscalização apresente evidências aptas a demonstrar que os sócios formalmente constituídos jamais exerceram, de fato, as Fl. 2266DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 73 competências que lhes eram devidas de acordo com os instrumentos constitutivos das empresas; ou participavam das decisões. Isto é, todas as provas e indícios coletados necessitam apontar no sentido de que eles simplesmente emprestam os seus nomes para a abertura de pessoas jurídicas, deixando para os verdadeiros “donos” (ou sócios de fato) a administração da sociedade, com ilimitados poderes para gerir a empresa, restando provada, portanto, a interposição de pessoas no quadro societário delas. Ou seja, é necessário que se prove que os sócios de direito são os denominados “sócios de fachada”: “laranjas” (quando não tem conhecimento dessa condição - há casos de existência de boletim policial apontando); ou testas-de-ferro (embora conscientes desse encargo, demonstram evidente incapacidade financeira e técnica). No presente caso, no período fiscalizado, embora se constate a presença de sócios de fato – o Sr. João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho admitiu - verifica-se que a Fiscalizada se encontrava em funcionamento e o seu sócio criador, o engenheiro Sr. Pedro Neves Vasconcelos, exercia as funções estipuladas nos instrumentos constitutivos. É possível confirmarmos esta ilação examinando as seguintes passagens do RAF, às fls. 207/312: i. Constatou-se no curso desta ação fiscal que a fiscalizada não funcionava como uma empresa fantasma, que apenas cedia suas contas bancárias para recebimentos e pagamentos de recursos. Conforme depoimentos prestados, o sócio de direito PEDRO NEVES VASCONCELOS era um engenheiro, atuante no mercado local, o qual possuía sua empresa desde o ano de 1990; ii. A fiscalizada é uma empresa atuante no mercado, que se inseriu no esquema de emissão de notas superfaturadas, obtendo receitas a partir da execução de serviços relacionados ao seu objeto social. A despeito de ter suas despesas operacionais normais, a fiscalizada também realizou pagamentos diversos a beneficiários não identificados, ou, quando identificados, parte de seus pagamentos foi realizada para posterior restituição em espécie, quando então realizava novos pagamentos na modalidade “em espécie” (sem identificação do beneficiário final); iii. Os sobreditos faziam uso das contas de empresas de fachada ou fictícias, constituídas muitas vezes em nome de "laranjas", de empresas em funcionamento (que se dispunham a participar do esquema, como a fiscalizada Vasconcelos & CAMARA); iv. Os denunciados foram divididos em quatro grupos: Líderes, Gerentes, Colaboradores e Subordinados. Para o contexto dessa ação fiscal, temos pessoas físicas envolvidas nos seguintes grupos: - Eduardo Freire Bezerra Leite e João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho (sócios de fato da Vasconcelos & CAMARA conforme será explanado neste relatório) são considerados líderes no contexto da operação Turbulência; Fl. 2267DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 74 v. Pedro Neves Vasconcelos e Carolina CAMARA Vasconcelos são considerados como colaboradores, visto que a despeito de não serem subordinados diretamente aos referidos líderes ou aos gerentes, estes colaboraram com o esquema, permitindo que suas empresas (relevante ao contexto da presente ação fiscal: a conta da Vasconcelos & CAMARA) fizessem parte de operações ilícitas; vi. Por isso vê-se a constante menção em conjunto de ambas as empresas, CAMARA & VASCONCELOS e VASCONCELOS & CAMARA, nos termos de colaboração referenciados no presente documento. Carolina CAMARA, responsável pelas atividades administrativas de ambas as empresas, João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho (sócio informal e administrador de fato das empresas) e Pedro Neves Vasconcelos (sócio formal e representante legal da Vasconcelos & CAMARA) deixam claro em seus depoimentos que as duas empresas funcionavam como uma única empresa, eram compostas dos mesmos funcionários, infra-estrutura, administração; vii. Com efeito, será evidenciado que a fiscalizada era operante no mercado e consistia em uma empresa conhecida em sua localidade, inclusive possuía contratos prévios e reputação local. A partir da ampliação de suas atividades, com a realização de atividades lícitas e ilícitas, a execução propriamente dos contratos e a geração de notas superfaturadas com objetivo de geração de caixa dois para seus clientes; a empresa aumentou suas receitas e, conseqüentemente, seu resultado, bem como realizou diversos pagamentos a destinatários não identificados, justamente com o propósito de ocultação dos reais beneficiários dos recursos; e viii. O que se verificou, desde a proposta inicial de investimento realizada por Eduardo até o encerramento das operações da empresa, foi uma sociedade existente entre Eduardo Freire Bezerra Leite, João Carlos Lyra e os sócios de direito da fiscalizada. A manutenção de um interesse comum – lucrar com o aquecimento do mercado imobiliário - entre sócios de fato e de direito, com as devidas responsabilidades atribuídas a cada um. A de Eduardo Freire Bezerra Leite era a de prover os investimentos ao longo da operação (através da disponibilização de máquinas e equipamentos), e atuar nas questões levantadas pelo administrador de fato – João Carlos Lyra – e pelo representante legal da fiscalizada – Pedro Neves Vasconcelos. (g.n.) Afastada a suscitada interposição fraudulenta e levando-se em conta todo arcabouço fático e jurídico evidenciados nos autos e exauridos neste voto, que justificaram a ocorrência das condutas objetivas descritas nos tipos tributários sob julgo, mantidas na decisão recorrida e neste julgamento, não vislumbro que ao impedir ou retardar o conhecimento, por Fl. 2268DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 75 parte da Autoridade Fiscal, das condições pessoais da Autuada, mediante ocultação dos sócios de fato, restaram afetadas a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Conforme explanamos, para qualificar a multa proporcional de ofício deve a Autoridade Fiscal identificar e comprovar a sonegação em conformidade com o modelo arquetípico estabelecido pelo art. 71, da Lei nº 4.502, de 1964. Assim, no meu sentir, não resultou configurado, repiso, aquele almejado “algo a mais”, esforço adicional ou conduta extra, passíveis de caracterizar o dolo específico fundamental à imputação do instituto atacado. Nessa linha cognitiva, no que toca à fundamentação de sonegação, nos termos do art. 71, II, da Lei nº 4.502/64, por tudo exposto, pugno pelo afastamento da multa qualificada aplicada, em relação a ambas as autuações, posto que também se subsomem às orientações emanadas das Súmulas nsº 14 e 25, acima mencionadas, de observação obrigatória deste Conselheiro relator, nos termos do art. 123, do Anexo do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Ademais, ao afastarmos as inculpações de sonegação, por via oblíqua, incabível a acusação de conluio. Por fim, quanto ao pleito dos Recorrentes sobre ser incabível a concomitância do IRRF sobre pagamento sem causa com multa qualificada, embora conste deste voto nossa posição sobre esse suposto antagonismo – vide tópico “Dos Pressupostos Fáticos e Jurídicos para Tributação do IRRF Previsto no art. 61, da Lei nº 8.981/95 – por carência de objeto, deixo de apreciá-lo. Igualmente o pedido de que lhe seja conferida interpretação mais favorável nos termos do art. 112, do CTN. d) Do Agravamento da Multa de Ofício Considerando que o Fisco, desde o início do procedimento fiscal, detinha substanciais provas oriundas da “Operação Turbulência” – notadamente delações premiadas homologadas pelo STF, notas fiscais e extratos bancários – como também as constantes nos sistemas da RFB – ECD-Cont. Considerando que a negativa de prestação de esclarecimentos que ampararam o agravamento à epígrafe decorreu do não atendimento de intimações para: I. apresentação de contabilidade contábil e fiscal, física ou digital, por parte do Autuado, cuja inexistência respaldou a aplicação da sistemática do Lucro Arbitrado Trimestral; e II. identificação dos beneficiários dos pagamentos ou comprovação das correspondentes operações ou causas. Em consonância com a dogmática e jurisprudência vergastada, entendo que assiste razão aos Recorrentes, posto que, pelo sobredito, é obrigação deste relator aplicar, na presente contenda, as orientações emanadas das Súmulas nsº 96 e 133, nos termos do art. 123, do Anexo Fl. 2269DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 76 do Regimento Interno do CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023, devendo ser afastado o agravamento da multa de ofício imputada. Por derradeiro, quanto ao pleito do responsabilizado EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE de que não pode responder pelo agravamento da multa aplicada, considerando que não foi intimado, na fase fiscalizatória, a prestar quaisquer esclarecimentos, já apreciamos em sede preliminar, e, em âmbito meritório, por carência de objeto, deixo de analisá-lo. Igualmente, no que toca ao pleito dos Recorrentes de que lhes seja conferida interpretação mais favorável nos termos do art. 112, do CTN. Da Responsabilidade Tributária a) Da Introdução Conforme explanado no tópico DELIMITAÇÃO DA LIDE, parte integrante deste voto, no que concerne ao questionamento do vínculo de responsabilidade, nessa fase recursal, mantém-se o litígio exclusivamente em relação ao Sr. EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE (doravante denominado Sr. EDUARDO), dado que os Srs. PEDRO NEVES VASCONCELOS, GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS e JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO, embora ressalvem apenas na parte inicial das suas peças recursais que estão interpondo recurso contra a responsabilidade tributária, nas suas respectivas impugnações, expressamente informaram que não se defenderiam no que tange à condição de responsável que lhes foi imputada, restando caracterizada a preclusão consumativa. Prosseguindo, no que toca à impugnação do Sr. EDUARDO em favor da inaplicabilidade da responsabilidade solidária imputada pelo Fisco, com base no art. 124, I, do CTN, em brevíssima síntese refutou: i. Teceu extensa consideração acerca das provas compartilhadas entre o Fisco e a Justiça Federal, arguindo que nem todas as provas foram carreadas aos autos. Ademais, em momento algum lhe foi oportunizado prestar qualquer esclarecimento na fase fiscalizatória; ii. (...) Nesse contexto, para que haja a responsabilização com base no inciso I, do art. 124 do Código Tributário Nacional - tal como imputada ao Recorrente no acórdão atacado — é indispensável que haja cabal demonstração de que o Recorrente teria atuado conjuntamente com a VASCONCELOS E CÂMARA na situação que se constitui necessária à incidência do tributo cobrado, no caso (IRPJ e IRRF), sendo certo que "não é qualquer interesse comum que pode ensejar a aplicação do disposto no inciso I do art. 124 do CTN. O interesse deve ser no fato ou na relação jurídica relacionada ao fato jurídico tributário, como visto acima. Assim, o mero interesse econômico, sem comprovação do vínculo com o fato jurídico tributário (incluídos os Fl. 2270DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 77 atos ilícitos a ele vinculados) não pode caracterizar a responsabilização solidária, não obstante ser indício da concorrência do interesse comum daquela pessoa no cometimento do ilícito", tudo nos termos do que dispõe o Parecer Normativa n° 4/2018 lastreado em decisões desse CARF; iii. Asseverou que que não possuía qualquer gerência administrativa ou financeira sobre a autuada; iv. Aduziu que eventuais contradições ocorridas durante o Termo de Colaboração são decorrentes do nervosismo do momento, e que quando mais calmo, retificou algumas informações, enfatizando que não era sócio de fato ou informal da VASCONCELOS & CAMARA; v. Afirmou que tão somente emprestava recursos à VASCONCELOS & CAMARA, mas não na condição de sócio, mas mediante retribuição, na condição de agiota, (...) viabilizando o uso de máquinas que foram adquiridas financiadas em nome de empresa da qual o mesmo figura como sócio (CAMBOA CERÂMICA, ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA.), de modo que o ganho obtido pelo Impugnante na operação não seria outro senão, ao seu final, com a quitação dos financiamentos com os valores pagos pela VASCONCELOS E CAMARA - através de contratos captados por JOÃO CARLOS DE LYRA PESSOA DE MELLO FILHO - cobrar os juros da operação; vi. Ressalva que (...) diante da inadimplência que incorreu a VASCONCELOS E CAMARA, motivado pela inadimplência das empreiteiras, o que ensejou na devolução à CAMBOA CERÂMICA, ENGENHARIA E COMÉRCIO LTDA. dos caminhões e maquinários, de modo que, ao final, a operação de agiotagem foi desfeita, conforme, inclusive, reconhecido por PEDRO NEVES VASCONCELOS em seu Termo de Declarações lavrado por essa Administração Fazendária em 24/08/2018; vii. O fato das pessoas citadas fazerem parte do seu ciclo de conhecimento ou de (...) haver participado a PEDRO NEVES VASCONCELOS acerca da possibilidade de negócio — ainda que ilícito —junto a terceiros, no caso, através de JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO, não o torna sócio de fato ou de direito da empresa fiscalizada e autuada, posto que, ao assim proceder, o fez dentro da sua atuação, isto é, vislumbrando a possibilidade de, caso a VASCONCELOS E CAMARA enveredasse por aquele caminho, possivelmente viria a demandar a necessidade de contratar mais recursos para aquisição de máquinas e caminhões; viii. (...) O Impugnante não reconhece nenhuma participação ou contribuição para o aumento do capital social da VASCONCELOS E CAMARA referido no Relatório de Auditoria. Fl. 2271DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 78 ix. Alega que quando (...) solicitou o recebimento de valores em favor da VASCONCELOS E CAMARA, o fez já por estar "atravessando" recursos dos seus devedores para conceder empréstimos à citada empresa - prática, como visto, usual na dinâmica não só do Impugnante como de qualquer agiota; x. Afirma que (...) o Relatório de Auditoria buscar a atribuição da sujeição passiva ao impugnante com base em presunções, sem a efetiva comprovação da infração subjetiva que se constituiria fato antecedente. Ilustra com passagem doutrinária; e xi. (...) O reconhecimento, na esfera criminal, da organização criminosa vinculando o ora Impugnante aos sócios de direito da VASCONCELOS E CAMARA, bem assim a JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO, não torna, no âmbito da responsabilidade tributária, os partícipes como coobrigados por débitos próprios de cada qual ou de empresas das quais alguns façam figurem como sócios, seja de fato ou de direito. O acórdão recorrido mantém a responsabilidade imputada ao Sr. EDUARDO. Inicialmente ressalva que (...) a responsabilização efetuada pelo fisco não tem origem na gerência ou administração da autuada, mas em função do interesse do impugnante na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Em seguida, compulsando documentos colacionados aos autos, carreou excertos que justificaria a responsabilização em comento. Ademais, constatou que o Sr. EDUARDO controlava a empresa CAMBOA CERÂMICA, que possuía o mesmo endereço de funcionamento da empresa TECPRO LOCAÇÃO E SERVIÇOS, as quais receberam recursos da Fiscalizada que não comprovou a motivação ou a causa para as transferências realizadas, tampouco tais empresas que foram diligenciadas. Por fim, acrescenta que embora (...) o impugnante argumente tratar-se de operação de “agiotagem”, nenhuma comprovação desta operação foi apresentada, ao contrário, os documentos anexados ao processo comprovam o efetivo interesse nas atividades da empresa, considerando os benefícios financeiros delas decorrente. Em sede recursal, o Sr. EDUARDO repisa as argumentações apresentadas na fase impugnatória. b) Da Responsabilidade Solidário por Interesse Comum - Entendimentos Dogmáticos, Doutrinários e Jurisprudenciais Antes de avaliarmos as razões da combatida responsabilização, merece tecermos comentários sobre entendimentos dogmáticos, doutrinários e jurisprudenciais sobre essa espécie de responsabilidade tributária. No Direito Civil, a solidariedade pode se dar tanto entre os devedores como entre os credores, decorrendo de lei ou da vontade das partes, conforme estabelecem os arts. 264 e Fl. 2272DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 79 265, do Código Civil23. Diferentemente, no Direito Tributário a solidariedade decorre sempre de lei e só pode ocorrer no polo passivo. O artigo 124 do CTN24 cuida das hipóteses de solidariedade, estabelecendo em seu inciso I, a chamada solidariedade de fato, para as pessoas que têm interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. O inciso II estabelece a chamada solidariedade de direito, que ocorre entre as pessoas expressamente designada em lei, sem que seja necessária a presença do interesse comum. Nesse diapasão, com relação à atribuição de responsabilidade com fundamento no art. 124, do CTN, cabe destacar que a autoridade fiscal constitui o crédito tributário identificando uma relação obrigacional tributária que vincula o sujeito ativo (ente tributante) a dois ou mais sujeitos passivos (contribuinte e responsável). O sujeito passivo solidário é integrante da própria relação jurídico-tributária ab inicio, de maneira que sua sujeição passiva é congênita ao acontecimento do fato gerador, ou seja, a obrigação tributária já nasce apresentando dois ou mais sujeitos passivos igualmente responsáveis pelo adimplemento da obrigação, em solidariedade. Na solidariedade passiva existe uma única obrigação e mais de um devedor obrigado por ela como um todo. Não há um devedor “principal” e um responsável “solidário”. Há dois ou mais devedores, que são obrigados por uma única, idêntica e indivisível obrigação. Conforme disposto no parágrafo único do referido art. 124, a solidariedade não admite o chamado “benefício de ordem”, que seria a condição de o credor primeiro dirigir sua exigência para um devedor e, apenas se insolvente este, impossibilitado de adimplir a obrigação, sucessivamente, direcionar-se ao outro devedor, “solidário”. Pode então traduzir que a solidariedade não é, stricto sensu, um instituto voltado à garantia do adimplemento da obrigação pelo devedor, posto que diz respeito à própria constituição do crédito tributário sobre uma pluralidade de devedores, todos responsáveis pela obrigação como um todo. Os sujeitos passivos tributários estão visceralmente ligados por um vínculo de origem, congênito ao surgimento da obrigação tributária. Paulo de Barros Carvalho25 ensina que existe solidariedade sempre que houver mais de um devedor na mesma relação jurídica, cada um obrigado ao pagamento da dívida integral: 23 Art. 264. Há solidariedade, quando na mesma obrigação concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda. Art. 265. A solidariedade não se presume; resulta da lei ou da vontade das partes. 24 Art. 124. São solidàriamente obrigadas: I - as pessoas que tenham interêsse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II - as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. 25 CARVALHO, Paulo de Barros, Curso de Direito Tributário, 17ª ed., São Paulo: Saraiva, 2005, p. 317 Fl. 2273DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 80 No direito tributário, o instituto da solidariedade é um expediente jurídico eficaz para atender à comodidade administrativa do Estado, na procura da satisfação dos seus direitos. Sempre que haja mais de um devedor, na mesma relação jurídica, cada um obrigado ao pagamento da dívida integral, dizemos existir solidariedade, na traça do que preceitua o art. 264 do Código Civil brasileiro. (g.n) Nas palavras de Mizabel Abreu Machado Derzi, atualizadora da obra de Aliomar Baleeiro26, a solidariedade não é forma de inclusão de um terceiro no polo passivo da obrigação tributária, mas apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o polo passivo: A solidariedade não é espécie de sujeição passiva por responsabilidade indireta, como querem alguns. O Código Tributário Nacional, corretamente, disciplina a matéria em seção própria, estranha ao Capítulo V, referente à responsabilidade. (...) Quando houver mais de um obrigado no pólo passivo da obrigação tributária (mais de um contribuinte, um contribuinte e um responsável, ou apenas uma pluralidade de responsáveis), o legislador terá de definir as relações entre os coobrigados. Se são eles solidariamente obrigados, ou subsidiariamente, com benefício de ordem ou não, etc. A solidariedade não é, assim, forma de inclusão de um terceiro no pólo passivo da obrigação tributária, apenas forma de graduar a responsabilidade daqueles sujeitos que já compõem o pólo passivo. (g.n) Assim, no momento em que a autoridade fiscal detecta que está diante de uma das situações previstas no art. 124, do CTN, é seu dever efetuar o lançamento sobre a pluralidade de sujeitos passivos solidários, constituindo o crédito tributário de maneira a identificar corretamente as pessoas ligadas ao polo ativo solidariamente. Dando seguimento, importa para este voto o estudo da solidariedade de fato, prevista no art. 124, I, do CTN. Trata-se do tema “responsabilidade solidária por interesse comum” bastante controvertido no âmbito da doutrina e da jurisprudência, mormente a administrativa. Para tanto, é preciso entender o que venha ser o interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal. Segundo a doutrina, existe interesse comum entre duas ou mais pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato gerador. Quer dizer, há que se constate a existência da comunhão na posição jurídica das pessoas em relação direta com o fato gerador da obrigação tributária. É necessário que o interesse comum não seja simplesmente econômico, mas, sim, jurídico. 26 BALEEIRO, Aliomar, Direito Tributário Brasileiro, 11ª ed., atualizada por Mizabel Abreu Machado Derzi, Rio de Janeiro: Forense, 1999, p. 729 Fl. 2274DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 81 Conforme exemplifica Paulo de Barros Carvalho27, é o que ocorre em relação ao ITBI, quando dois ou mais são os compradores, ao ICMS, quando dois ou mais forem os comerciantes vendedores, e ao ISS, quando dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador. Para elucidar a questão, vale reproduzir lição de Marcos Vinícius Neder28 sobre a expressão “interesse comum”, utilizada no art. 124, inciso I, do CTN: Nos negócios jurídicos privados de compra e venda mercantil com pluralidade de pessoas, por exemplo, podemos encontrar entre os contratantes interesses coincidentes, contrapostos e comuns. Afinal, vendedores e compradores têm interesse coincidente na realização do negócio (tarefa), mas interesses contrapostos na execução do contrato (necessidades opostas). Já os interesses comuns situam-se em cada um dos pólos da relação: entre o conjunto de vendedores e, de outro lado, entre os compradores. [...] Não é outro entendimento de Paulo de Barros Carvalho, que sustenta que, nas ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas, em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre os sujeitos que estiverem no mesmo pólo da relação, se, e somente se, for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. Também a esta conclusão chegou Hugo de Brito Machado: “O fato de serem partes em um contrato apenas significa que o legislador pode, por disposição expressa, instituir solidariedade entre elas (...). Uma coisa é duas ou mais pessoas terem interesse na situação. Outra é terem duas ou mais pessoas interesse comum na situação. Comprador e vendedor têm interesse na compra e venda, mas não ser trata de interesse comum e sim de interesses contrapostos”. Conclui-se, portanto, que o fato jurídico suficiente à constituição da solidariedade não é o mero interesse de fato, mas sim o interesse jurídico que surge a partir da existência de direito e deveres comuns entre pessoas situadas do mesmo lado de uma relação jurídica privada que constitua o fato jurídico tributário. Nessa linha de raciocínio, o Superior Tribunal de Justiça ratificou tal entendimento ao atestar que o “interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível”. Confira-se: 27 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de Direito Tributário. 8. ed.. São Paulo: Saraiva, 1996. p. 220. 28 NEDER, Marcos Vinícius. Responsabilidade Tributária. Coord. Maria Rita Ferragut e Marcos Vinicius Neder, São Paulo, Dialética, 2007. p. 39/42. Fl. 2275DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 82 “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1.A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídico-tributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato, a co-propriedade é-lhes comum. (...) 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: ... 7. Conquanto a expressão ‘interesse comum’ encarte um conceito indeterminado, é mister proceder-se a uma interpretação sistemática das normas tributárias, de modo a alcançar a ratio essendi do referido dispositivo legal. Nesse diapasão, tem-se que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídico-tributária a integração, no pólo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. 8. Segundo doutrina abalizada, in verbis: ‘... o interesse comum dos participantes no acontecimento factual não representa um dado satisfatório para a definição do vínculo da solidariedade. Em nenhuma dessas circunstâncias cogitou o legislador desse elo que aproxima os participantes do fato, o que ratifica a precariedade do método preconizado pelo inc. I do art. 124 do Código. Vale sim, para situações em que não haja bilateralidade no seio do fato tributado, como, por exemplo, na incidência do IPTU, em que duas ou mais pessoas são proprietárias do mesmo imóvel. Tratando-se, porém, de ocorrências em que o fato se consubstancie pela presença de pessoas em posições contrapostas, com objetivos antagônicos, a solidariedade vai instalar-se entre sujeitos que estiveram no mesmo pólo da relação, se e somente se for esse o lado escolhido pela lei para receber o impacto jurídico da exação. É o que se dá no imposto de transmissão de imóveis, quando dois ou mais são os compradores; no ICMS, sempre que dois ou mais forem os comerciantes vendedores; no ISS, toda vez que dois ou mais sujeitos prestarem um único serviço ao mesmo tomador.’ (Paulo de Barros Carvalho, in Curso de Direito Tributário, Ed. Saraiva, 8ª ed., 1996, p. 220). 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o pólo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível (**). 10. “Para se caracterizar responsabilidade solidária em matéria tributária entre duas empresas pertencentes ao mesmo conglomerado financeiro, é imprescindível que ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, sendo irrelevante a mera participação no Fl. 2276DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 83 resultado dos eventuais lucro auferidos pela outra empresa coligada ou do mesmo grupo econômico.” (REsp 834044/RS, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 11/11/2008, Dje 15/12/2008). 11. In casu, verifica-se que o Banco Safra S/A não integra o pólo passivo da execução, tão-somente pela presunção de solidariedade decorrente do fato de pertencer ao mesmo grupo econômico da empresa Safra Leasing S/A Arrendamento Mercantil. Há que se considerar, necessariamente, que são pessoas jurídicas distintas e que referido banco não ostenta a condição de contribuinte, uma vez que a prestação de serviço decorrente de operações de leasing deu-se entre o tomador e a empresa arrendadora. ... 13. Recurso especial parcialmente provido, para excluir do pólo passivo da execução o Banco Safra S/A.” (REsp 884.845/SC (2006/02065654), STJ, 1ª Turma, Relator Ministro LUIZ FUX, j. 05/02/2009, Dje 18/02/2009 – grifos nossos) (*) destaques do original (**) destaques acrescidos A sobredita acepção está em consonância com a jurisprudência administrativa prevalente do CARF, notadamente da Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, conforme ementas transcritas: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2008 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. INTERESSE COMUM. CONFIGURAÇÃO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, I, do CTN, quando demonstrado que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como foram os responsáveis pelas operações societárias que resultaram na autuação. Comprovado nos autos que as pessoas física e jurídicas classificadas pela fiscalização como sujeitos passivos solidários atuaram de maneira ativa, individual e unida com a fiscalizada, assumindo reciprocamente direitos e obrigações que circunscreveram os fatos jurídicos que dão essência à obrigação tributária, resta configurado o interesse comum na situação que constitui o fato gerador. (Acórdão nº 9101-003.889 – CSRF/1ª Turma. Sessão de 07/11/2018) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2003, 2004 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ART. 124, I, DO CTN. INTERESSE COMUM. CABIMENTO. Cabe a imposição de responsabilidade tributária em razão do interesse comum na situação que constitui fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124, Fl. 2277DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 84 I, do CTN, quando demonstrado, mediante conjunto de elementos fáticos convergentes, que os responsabilizados não apenas ostentavam a condição de sócios de fato da autuada, como estabeleceram entre ela e outras empresas de sua titularidade atuação negocial conjunta. (Acórdão nº 9101-002.349 – CSRF/1ª Turma. Sessão de 14/06/2016) Em face dessas premissas, passa-se a analisar o caso em concreto. c) Da Responsabilidade Solidária do Sr. EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE Inicialmente, quanto à alegação de ausência de intimação do Recorrente, na fase inquisitória, para esclarecer as supostas contradições tidas como existentes no relatório de auditoria e que se constituíra um dos pilares da responsabilização, já nos posicionamos neste voto que o vínculo de responsabilidade tributária ocorre quando uma pessoa, física ou jurídica, é legalmente designada como responsável pelo pagamento de um tributo que originalmente seria devida por outra pessoa. Quer dizer, ocorre quando da conclusão do procedimento fiscal. Destarte, na espécie, até a conclusão do procedimento fiscalizatório, não há norma que condicione a imputação da responsabilidade tributária à intimação dos potenciais responsabilizados para prestar esclarecimentos e dirimir eventuais contradições, mesmo que essenciais à imputação de responsabilidade solidária. Além disso, o Sr. EDUARDO foi devidamente cientificado da autuação, possibilitando-lhe acesso de todo conteúdo dos autos – autos de infração, RAF e todas as provas que deram lastro a autuação - sendo incabível qualquer alegação de cerceamento ao direito de ampla defesa e do contraditório, visto que só se instauram conjuntamente com o início do litígio ou protocolo da impugnação, nos termos do art. 14, do PAF. Dando continuidade à apreciação, é certo que, conforme exaurimos, o interesse comum não é representado pelo interesse econômico ou pelos ganhos financeiros com a situação que constitui o fato gerador. O interesse comum é o interesse jurídico, vinculada à atuação conjunta na situação configuradora do fato gerador. E, justamente nesse contexto, entendo que a Fiscalização comprovou à exaustão o interesse jurídico entre o Sr. EDUARDO e VASCONCELOS & CAMARA na situação que constituiu o fato gerador do IRPJ e do IRRF. Compulsando todos documentos carreados aos autos, observa-se que buscando atuar de modo similar a um sócio participante (ou oculto) - que não aparece nas operações externas da sociedade, limitando-se a investir e contribuir com capital, em contrapartida de parte dos lucros – o responsabilizado, aproveitando-se da relação pessoal com o sócio de direito Sr. Pedro Neves, enxergou a capacidade técnica da Fiscalizada e uma oportunidade de mercado de torná-la uma empresa representativa no ramo de locação de máquinas e equipamentos, obtendo o correspondente proveito econômico de um sócio investidor. Fl. 2278DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 85 Em prol dessa ilação, é mister comentarmos passagens do Termo de Verificação Fiscal, às fls. 207/312, especificamente o item 3.1, nas quais a Autoridade Autuante faz deduções baseadas em documentos e nos depoimentos - de Pedro Neves Vasconcelos, João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, Carolina Câmara Vasconcelos, Apolo Santana Vieira e do próprio responsabilizado – obtidos no compartilhamento da Operação Turbulência. Em tempo, rebateremos as argumentações da Defesa: i. Mentor da proposta de Sociedade informal conforme depoimento do Sr. Pedro Neves – Através do apontado depoimento pode-se inferir que a relação comercial entre eles era oriunda desde 1990. Ademais, a proposta de investimento na Fiscalizada partiu de o Sr. EDUARDO e consistia em que ele aportasse recursos para aproveitar o momento propício do mercado, e o Sr. Pedro Neves entraria como típico sócio ostensivo devido ao seu conhecimento técnico na execução dos novos contratos que seriam capitaneados pelos novos sócios de fato. Quer dizer, diferente da pretensão do responsabilizado de que se trata de um simples empréstimo amparado por juros de agiotagem, verifica-se o interesse do Sr. EDUARDO na VASCONCELOS & CAMARA desde 2008, visando uma atuação comum e conjunta ocupando a função de sócio investidor. Coincidentemente, sem qualquer justificativa plausível pelos sócios de direito, logo após o fechamento do acordo entre Pedro Neves Vasconcelos e Eduardo Freire Bezerra Leite, ocorreu um aumento do capital social da Vasconcelos & CAMARA, de R$ 50.000 (cinqüenta mil reais) para R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais), formalizado na alteração contratual registrada na JUCEPE em 21 de agosto de 2009. ii. Relacionamento Pessoal com os demais sócios de fato - Registre-se que Aldo Guedes, que entrou como sócio de fato da Fiscalizada juntamente com o Sr. EDUARDO, “VENDEU SUA PARTICIPAÇÃO” a outro relacionado ao responsabilizado, o assumido sócio de fato João Carlos Lyra, por volta do ano de 2010. Em suma, o Sr. EDUARDO nutria relacionamento pessoal com todos os sócios de direito e de fato da Fiscalizada, notadamente os que fizeram parte do quadro societário informal, sobre o qual detinha controle na formação, sem qualquer questionamento do sócio de direito. iii. Termos de Colaboração – dos termos utilizados envolvidos para explicar a sociedade informal – Embora o Sr. EDUARDO tente se eximir da condição de sócio de fato, ao analisarmos os seus termos de colaboração e dos demais envolvidos observa-se expressões tais como: “sócio informal”, “passou a integrar informalmente a sociedade”, “comprou essa participação” e “vendeu a participação”, as quais evidenciam que tanto o responsabilizado como o Sr. João Carlos eram de fato sócios informais da Fiscalizada, segundo entendimento deles próprios. iv. Responsável principal pelos investimentos realizados na Fiscalizada, através da disponibilização de máquinas e equipamentos – O Sr. Eduardo era o sócio responsável pelo aporte de vultosos recursos (por meio da disponibilização de máquinas e Fl. 2279DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 86 equipamentos) essenciais à elevação da capacidade operacional da Fiscalizada em 2000% - conforme depoimento da Sra. Carolina -, até porque os investimentos dos demais sócios foram mínimos. Dos relatos merece destaque: (...) a empresa, antes da proposta inicial de Eduardo, possuía apenas um total de 5 máquinas, com as quais auferia sua receita bruta. Após os investimentos realizados, por Eduardo principalmente, chegou a ter a sua disposição aproximadamente 70 máquinas e 30 caminhões. Em síntese, cabia-lhe a função de fomentar a empresa de recursos (financiamento das máquinas e equipamentos), típico de um sócio investidor. v. Seu papel na fiscalizada segundo declaração do administrador de fato da empresa João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho – Extrai-se do depoimento do Sr. João Carlos que a gestão cotidiana da Fiscalizada não era compartilhada com o responsabilizado, entretanto a este competia o suporte e fomento financeiro da empresa atendendo a seus pedidos, necessidades e demandas, todas decorrentes dos contratos da Autuada e de determinações emanadas das empreiteiras OAS e Mendes Junior, principais clientes. Exemplifica dentre as determinações, a indicação pelo Sr. EDUARDO de PAULO CÉSAR DE BARROS MORATO e outras duas pessoas, cujo depoente não se recorda o nome, para compor formalmente o quadro societário da CAMARA & VASCONCELOS. Tais situações denotam que o responsabilizado (...) era uma espécie de sócio informal que atuava em questões mais estratégicas: suporte financeiro e solução de demandas escaladas pelo administrador de fato (João Carlos Lyra). Ou seja, o sócio de direito Sr. Pedro Neves era responsável pela gestão operacional e administrativa juntamente com o Sr. João Carlos, cabendo a responsabilidade pelo fomento financeiro e atuação em questões estratégicas ao sócio investidor o Sr. EDUARDO. vi. Trechos do depoimento de Apolo Santana Vieira – (...) Apolo Santana Vieira, um dos denunciados como o terceiro “suposto líder” da organização criminosa, atuando ao lado de João Carlos Lyra e Eduardo Freire Bezerra Leite no comando das empresas utilizadas para as operações de escamoteamento da origem e do destino de capitais, atuava na organização basicamente recebendo recursos no exterior e pagando-os em espécie no Brasil, por meio de suas empresas, ou de empresas fantasmas, controladas por ele. Apolo recebia dólares em suas contas no exterior, e os disponibilizava no Brasil conforme determinações de João Carlos Lyra e/ou Eduardo Freire Bezerra Leite. (...) Resta evidente que a atuação de Eduardo e João Carlos era conjunta, inclusive no ramo de ramo de locação de máquinas, equipamentos e veículos para empreiteiras. (...) Bruno Alexandre Donato Moutinho, denunciado na operação Turbulência, com papel de gestão em empresas vinculadas a Apolo Santa Vieira, em seu Termo de Colaboração, ao contextualizar suas atuações na organização criminosa, se refere às empresas controladas Fl. 2280DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 87 por Eduardo e João Carlos, como empresas pertencentes ao “GRUPO” de João Carlos Lyra e Eduardo Bezerra Freire Leite. (g.n.) vii. Recebimentos da sua prática de agiotagem por meio das empresas (CAMARA & VASCONCELOS e VASCONCELOS & CAMARA) – Conforme o próprio responsabilizado relata em seu termo de colaboração, para receber pagamentos decorrentes de suas operações de agiotagem com terceiros, indicou a conta bancária de outra empresa dos sócios de direito - CAMARA & Vasconcelos. (...) Outra situação na qual Eduardo Freire Bezerra Leite evidencia sua relação societária com as empresas é quando o mesmo relata que realizou empréstimos de valores vultuosos (R$1.500.000 e R$ 1.700.00) a determinada figura política, os quais foram negociados e concedidos em parceira com João Carlos Lyra, e tiveram como forma de pagamento acertada contratos superfaturados da OAS junto às empresas Vasconcelos & CAMARA e CAMARA & Vasconcelos. Sucintamente, trata-se de situações inadmissíveis para pessoas alheias ao quadro societário (de direito e de fato) de uma pessoa jurídica. viii. Do proveito Econômico a partir dos lucros da empresa – Conforme depoimento da Sra. Carolina CAMARA Vasconcelos, similar a um acordo comum entre sócios, era estabelecido que o Sr. EDUARDO receberia parte dos valores lucrados pelos contratos estabelecidos junto às empreiteiras (para quitação dos financiamentos) e parte seria aplicada em reinvestimentos para aquisição de novas máquinas e equipamentos para Fiscalizada. (...) Segundo Eduardo Freire Bezerra Leite, em seu termo de Colaboração n° 1, o ajuste inicial implicava a proposta simples de investir por meio das máquinas, lucrar com os contratos de aluguéis, pagar os financiamentos e repartir, ao final, os equipamentos quitados entre os sócios (à época). Tal depoimento ratifica a ilação de que todo o aporte realizado pelo responsabilizado tem natureza de investimento, típico de sócio investidor, objetivando auferir lucros ou reinvestir na empresa. Quer dizer, não prospera a afirmativa de que somente emprestava recursos à VASCONCELOS & CAMARA, mediante retribuição, na condição de agiota. ix. Trechos do depoimento de Eduardo Freire Bezerra Leite – Termo de colaboração n° 1 – (...) A seguir encontram-se transcritos os principais trechos do depoimento de Eduardo com relação ao seu vínculo com a Vasconcelos & CAMARA e que evidenciam sua familiaridade com a operação da empresa. Segundo Eduardo Freire Bezerra Leite, em seu termo de declaração [DOC. 5] (g.n.) “[...] QUE o colaborador conheceu JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO em 2006; QUE até 2010 o colaborador manteve apenas relação pessoal com JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO; QUE, em 2008, o colaborador passou a ser sócio informal das empresas CAMARA & VASCONCELOS e VASCONCELOS & CAMARA, que tinha por objeto social a locação de máquinas e equipamentos de construção civil; [...] QUE quando o colaborador ingressou como sócio informal Fl. 2281DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 88 das empresas em 2008, CARLOS GUEDES também passou a integrar informalmente a sociedade em ambas as pessoas jurídicas; QUE CARLOS GUEDES, irmão de ALDO GUEDES, já era amigo do colaborador há muito tempo; QUE o colaborador na verdade não se considerava um sócio das empresas; que não participava da respectiva administração gerencial e financeira; QUE a participação do colaborador nos negócios das empresas consistia na aquisição de máquinas e equipamentos que seriam utilizados por PEDRO NEVES VASCONCELOS; [...] QUE as máquinas e os equipamentos eram comprados em nome de uma das empresas do depoente, a CAMBOA CERÂMICA; [...] QUE alguns caminhões, entre sete e dez, comprados pelo colaborador e alugados para empreiteiras foram registrados em nome de outra empresa do colaborador, a MM ADMINISTRADORA E GESTORA DE BENS; [...] QUE o colaborador sabia que JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELO FILHO usava os contratos de locação de máquinas e equipamentos para gerar caixa dois em favor de empreiteiras; QUE as máquinas e os equipamentos eram locados principalmente para a OAS e a MENDES JUNIOR; QUE a geração de caixa dois ocorria mediante superfaturamento em medições e na emissão de notas fiscais; [...] QUE PEDRO NEVES VASCONCELOS, conhecido do declarante há cerca de trinta anos, era o sócio formal e real da CAMARA & VASCONCELOS e VASCONCELOS & CAMARA, responsável pelo controle operacional dos serviços efetivamente prestados por essas empresas [...]; QUE CAROLINA CAMARA VASCONCELOS era secretária de JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO, auxiliando-o na gerência financeira da CAMARA & VASCONCELOS e VASCONCELOS & CAMARA; QUE o colaborador acredita que ela era responsável pelo faturamento e emissão das notas fiscais das aludidas empresas, pela folha de pagamento e pela execução das movimentações financeiras determinadas e controladas por JOÃO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO; QUE CAROLINA CAMARA VASCONCELOS tinha conhecimento da geração de caixa dois em favor de empreiteiras;[...] QUE o colaborador conheceu PAULO CESAR DE BARROS MORATO há uns 10 anos, QUE PAULO CESAR DE BARROS MORATO tinha uma loja de telefones celulares no centro de Tamandaré/PE; QUE por volta de 2009 PEDRO NEVES VASCONCELOS precisava de uma pessoa para integrar formalmente o quadro societário da empresa CAMARA & VASCONCELOS; QUE o colaborador falou com PAULO CESAR DE BARROS MORATO, que aceitou ser sócio informal da empresa; QUE PAULO CESAR DE BARROS MORATO recebia uma quantia mensal da CAMARA & VASCONCELOS, mas ele não participava efetivamente de nenhum aspecto da administração da empresa;” (g.n.) Por tudo exposto, longe de se tratar de presunções como assevera a Defesa, observa-se de forma cristalina que entre os sócios da Fiscalizada existia um contrato tácito, com papéis e responsabilidades bem definidas para cada um. O sócio de direito, Sr. Pedro Neves Vasconcelos, era responsável principalmente pela gestão operacional, dada sua formação em engenharia e experiência em atuar com máquinas e equipamentos. O sócio de fato que assumiu a responsabilidade solidária, Sr. João Carlos Lyra Pessoa de Melo Filho, cabia a gestão administrativa Fl. 2282DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 89 e financeira da empresa, bem como a articulação dos contratos com as empreiteiras e os pagamentos fictícios. Já ao responsabilizado cabia a resolução de questões estratégicas e o suporte e fomento de recursos para empresa atendendo aos pedidos, necessidades e demandas apontadas pelos outros sócios, especialmente as decorrentes dos contratos da Autuada e as emanadas de determinações das empreiteiras OAS e Mendes Junior. Contudo, todos almejavam a obtenção de lucros na execução da operação da empresa. Ademais, verifica-se que riscos foram assumidos e repartidos entre eles. Por exemplo, conforme depoimentos dos Srs. Pedro Neves e João Carlos, houve momentos inclusive que os FINAME deixaram de ser pagos, por problemas de recebimentos nos contratos da Autuada, que acarretou a devolução de máquinas às instituições financiadoras. Neste ponto, merece citarmos excertos do RAF, 207/312, notadamente quando o Fisco discorre sobre a relação “Sócio x Investidor”, parte integrante do item 3.1, os quais corroboram com nossa percepção: (...) Ademais, é importante ressaltar que a operação da Vasconcelos & CAMARA não tinha prazo para ser encerrada, era uma relação contínua de interesses convergentes, entre sócios de fato e de direito (uma verdadeira sociedade). Enquanto houvesse contratos vantajosos, mais máquinas e equipamentos eram adquiridos e novos investimentos eram realizados, assim ocorreu até o início das investigações da operação Turbulência, fator que desacelerou (praticamente encerrou) todas a atividades relacionadas ao grupo alvo sendo investigado. O que se verificou, desde a proposta inicial de investimento realizada por Eduardo até o encerramento das operações da empresa, foi uma sociedade existente entre Eduardo Freire Bezerra Leite, João Carlos Lyra e os sócios de direito da fiscalizada. A manutenção de um interesse comum – lucrar com o aquecimento do mercado imobiliário - entre sócios de fato e de direito, com as devidas responsabilidades atribuídas a cada um. A de Eduardo Freire Bezerra Leite era a de prover os investimentos ao longo da operação (através da disponibilização de máquinas e equipamentos), e atuar nas questões levantadas pelo administrador de fato – João Carlos Lyra – e pelo representante legal da fiscalizada – Pedro Neves Vasconcelos. Por todo o exposto nesta seção, o interesse do sócio de fato - Eduardo - não se resumia a emprestar dinheiro e cobrar juros, mas sim em ampliar a capacidade operacional por meio de investimentos, obter novos contratos junto às empreiteiras, executar e receber os recursos advindos dos contratos, os quais eram distribuídos para quitação dos FINAMEs e para a realização de novos investimentos. Essas atividades eram atribuídas a cada um dos sócios, conforme sua expertise, disponibilidade e habilidade. Ademais, conforme exposto em seu depoimento, o mesmo tinha total conhecimento da operação da empresa, delegando a João Carlos, seu amigo pessoal e parceiro em outros negócios (conforme relatado na seção 3.3), a gestão propriamente da Vasconcelos & Fl. 2283DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 90 CAMARA, atuando apenas nas questões mais críticas, quando demandando pelos demais sócios da empresa. Destarte, resta indubitável que o Sr. EDUARDO, está léguas de ser um mero agiota da VASCONCELOS & CÂMARA, dado que, por tudo exposto, atuou como sócio investidor. Tal ilação encontra-se demonstrada de forma cristalina quando observamos a presença de elementos que ao se interrelacionarem possibilitam o controle sobre recursos, processos e pessoas, formadores do trinômio: poder, exposição e conexão: a) Observa-se que por diversas formas exerceu poder traduzido na capacidade de influenciar nas decisões, comportamentos e resultados da Auditada, uma vez que tinha grande influência entre os demais sócios de direito e os de fato (Aldo Guedes, João Carlos Lyra e Paulo César de Barros Morato), inclusive na formação do quadro societário de fato; controle sobre os ativos e orçamento – o potencial operacional da empresa era diretamente proporcional a quantidade de máquinas e equipamentos que disponibilizava -; e pela sua expertise era chamado para atuar em questões estratégicas; b) Verifica-se sua exposição tanto quanto a sua relação com a Fiscalizada, como ao risco assumido posto que o retorno de seu investimento estava intrinsicamente ligado ao desempenho da investida – VASCONCELOS & CAMARA; e c) Percebe-se total conexão com a Fiscalizada e seu quadro societário – repiso de direito e de fato - visto que ao ampliar a capacidade operacional e contribuir para concretização do vínculo entre os operadores – composição do quadro societário de fato e atuação estratégica – indiscutivelmente objetivou influenciar no retorno sobre seu investimento através do envolvimento com a investida. Em suma, é inquestionável a conclusão de que participou de forma direta na gestão da Fiscalizada e, por conseguinte, contribuiu para concretização de várias condutas fraudulentas, levantadas no âmbito da Operação Turbulência, notadamente, o superfaturamento de notas fiscais objetivando a geração de caixa dois associado a fictícios dispêndios que retornavam em espécie (processo de lavagem de dinheiro), em prol de fomentar empreiteiras de recursos para pagamento de propinas a agentes políticos e funcionários públicos (reais beneficiários). Concluindo, similar aos demais sócios de direito e de fato, que inclusive assumiram as responsabilidades atribuídas, denota-se que o Sr. EDUARDO tinha interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta na situação que constituiu o fato gerador das exigências do IRPJ e IRRF objeto desses autos, não lhe sendo permitido eximir-se da responsabilidade solidária imputada, nos termos do art. 124, I, do CTN. Do Pedido de Diligência/Perícia Fl. 2284DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 91 Por derradeiro, os Recorrentes defenderam a conversão do julgamento em diligência em favor de: a) ser carreada aos autos "relação das transferências feitas", citada no depoimento do Sr. João Carlos Lyra Pessoa de Mello Filho, para realização de perícia – indica assistente e apresenta quesitos - bem como a intimação do depoente para especificar os valores revertidos em favor da Autuada em função das operações que geraram caixa dois; b) produção de prova pericial visando afastar a dupla incidência do IRRF em desfavor da Autuada e dos tributos incidentes sobre os valores creditados aos destinatários dos pagamentos; e c) identificar, no que tange à autuação do IRPJ, o momento do reconhecimento das receitas, tendo em vista a inidoneidade das notas fiscais emitidas. Em que pese o seu arrazoado, por tudo exposto neste voto, demonstraremos que não se fazem necessárias. Como é cediço, a autoridade julgadora, na formação de sua livre convicção é que avaliará a necessidade de eventual diligência ou perícia, indeferindo aquelas que forem consideradas desnecessárias. Deve-se levar em conta, ainda, que os pedidos de diligência e perícia não servem para suprir a deficiência no cumprimento do ônus da contribuinte de apresentar os elementos probatórios necessários para dar suporte à constituição do direito ao crédito pleiteado. Desta forma, afiguram-se desnecessários e devem ser indeferidos. Na espécie, conforme exaurimos, no que toca ao lançamento do IRPJ, a receita bruta conhecida coincide com o valor faturado e efetivamente recebido pela VASCONCELOS & CAMARA, ou seja, ao percebê-los, concretiza-se os fatos imponíveis dos IRPJ lançados de ofício. Ademais pouco importa para aferição da receita bruta conhecida a destinação final do numerário recebido e dos efeitos tributários provocados nestes destinatários, nos termos do § 1º, do art. 43, do CTN. Quanto à exigência do IRRF, previsto no artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, tem natureza de presunção legal, que provoca a inversão do ônus da prova em desfavor da Recorrente. Logo, não é cabível transformar o órgão julgador ad quem em órgão de auditoria ou se convolar este juízo em fase de procedimento de auditoria, com a determinação de diligências para veicular papel que caberia ter sido levado a termo pela contraparte, à qual instaria provar ou demonstrar. É importante destacar que a determinação de diligência, nesta fase processual, teria cabimento na formação do juízo de convencimento, para sanar eventuais dúvidas ou a chancelar o demonstrado na completude das provas trazidas aos autos pela parte que postula o direito, o que não vislumbramos nestes autos. Assim, no presente processo, portanto, a realização de diligência/perícia é desnecessária e deve ser indeferida conforme disposição do artigo 18 do Decreto nº 70.235/7229. 29 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 2285DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1201-007.135 – 1ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 19647.720038/2018-62 92 DA CONCLUSÃO Ante ao exposto, oriento meu voto no sentido de conhecer dos RECURSOS VOLUNTÁRIOS e DAR-LHES PARCIAL PROVIMENTO, para REJEITAR as preliminares de nulidade e, no mérito, MANTER integralmente todos os créditos tributários integrantes da lide, juntamente com os acréscimos legais correspondentes, inclusive REDUZIR o percentual da multa de ofício imputada de 225% para 75%, bem como MANTER as responsabilidades solidárias dos Senhores: PEDRO NEVES VASCONCELOS, GEMIM MARIA CAMARA VASCONCELOS, JOAO CARLOS LYRA PESSOA DE MELLO FILHO e EDUARDO FREIRE BEZERRA LEITE. Assinado Digitalmente Raimundo Pires de Santana Filho Fl. 2286DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 10660.720228/2013-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais
Data do fato gerador: 11/12/2012
GARRAFA TÉRMICA SEM TAMPA EXTERNA. PRODUTO INCOMPLETO OU INACABADO. CLASSIFICADO COMO ARTIGO COMPLETO. RGI 2 A.
A importação de garrafas térmicas sem tampa externa deve ser classificada como garrafa térmica. A referência a um artigo abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado.
REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA.
Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, mediante lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso. Não tendo sido efetuado lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício que dê ensejo à possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN.
IMPORTAÇÕES DE GARRAFAS TÉRMICAS. DIREITOS ANTIDUMPING.
É cabível a exigência de direitos antidumping sobre importações de garrafas térmicas, nos termos da Resolução Camex nº 46, de 11 de julho de 2011.
Numero da decisão: 3301-014.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Bruno Minoru Takii – Relator
Assinado Digitalmente
Aniello Miranda Aufiero Junior – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Deroulede, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Gisela Pimenta Gadelha (suplente convocado(a)), Aniello Miranda Aufiero Junior (Presidente).
Nome do relator: BRUNO MINORU TAKII
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ementa_s : Assunto: Direitos Antidumping, Compensatórios ou de Salvaguardas Comerciais Data do fato gerador: 11/12/2012 GARRAFA TÉRMICA SEM TAMPA EXTERNA. PRODUTO INCOMPLETO OU INACABADO. CLASSIFICADO COMO ARTIGO COMPLETO. RGI 2 A. A importação de garrafas térmicas sem tampa externa deve ser classificada como garrafa térmica. A referência a um artigo abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, mediante lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso. Não tendo sido efetuado lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício que dê ensejo à possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. IMPORTAÇÕES DE GARRAFAS TÉRMICAS. DIREITOS ANTIDUMPING. É cabível a exigência de direitos antidumping sobre importações de garrafas térmicas, nos termos da Resolução Camex nº 46, de 11 de julho de 2011.
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PRODUTO INCOMPLETO OU INACABADO. CLASSIFICADO COMO ARTIGO COMPLETO. RGI 2 A. A importação de garrafas térmicas sem tampa externa deve ser classificada como garrafa térmica. A referência a um artigo abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. REVISÃO ADUANEIRA. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. NÃO CONFIGURADA. Para que haja mudança de critério jurídico é imprescindível que a autoridade fiscal tenha adotado um critério jurídico anterior, mediante lançamento de ofício, realizado contra o mesmo sujeito passivo, o que não ocorreu no presente caso. Não tendo sido efetuado lançamento de ofício no curso da conferência aduaneira, o lançamento efetuado em sede de revisão aduaneira não caracteriza revisão de ofício que dê ensejo à possibilidade de alteração de critério jurídico a que se refere o art. 146 do CTN. IMPORTAÇÕES DE GARRAFAS TÉRMICAS. DIREITOS ANTIDUMPING. É cabível a exigência de direitos antidumping sobre importações de garrafas térmicas, nos termos da Resolução Camex nº 46, de 11 de julho de 2011. Fl. 240DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.148 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720228/2013-22 2 ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Bruno Minoru Takii – Relator Assinado Digitalmente Aniello Miranda Aufiero Junior – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Guilherme Deroulede, Oswaldo Goncalves de Castro Neto, Marcio Jose Pinto Ribeiro, Bruno Minoru Takii, Gisela Pimenta Gadelha (suplente convocado(a)), Aniello Miranda Aufiero Junior (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de auto de infração lavrado 29/01/2013, em razão da utilização de código NCM tido como incorreto em operação de importação, resultando em violação a direito antidumping, com imposição de alíquota de 47% e multa de ofício, resultando em cobrança no valor total de R$ 82.421,71, referente à DI nº 12/2326182-6/001. De acordo com o Relatório Fiscal, a Recorrente procedeu à importação de “corpo de garrafa térmica em aço inoxidável”, classificando esse item como “partes de garrafas térmicas” sob o código NCM 9617.00.20. Já para o Auditor Fiscal, que considerou que o item possuía as características essenciais das “garrafas térmicas”, a classificação correta desse item, aplicando-se o RGI2-a do SH, seria no código NCM 9617.00.10 (“garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos”), item esse protegido por direito antidumping previsto na Resolução CAMEX nº 46/2011 quando a sua origem for a República Popular da China. Em 08/02/2013, a Recorrente apresentou a sua impugnação (fls. 39-59), tendo aduzido os seguintes argumentos recursais: (a) Nulidade do auto de infração, pois a reclassificação fiscal só poderia ser feita se acompanhada de laudo técnico, o qual não foi apresentado pelo Auditor Fiscal; Fl. 241DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.148 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720228/2013-22 3 (b) A classificação fiscal feita pela Recorrente é tecnicamente embasada (laudo técnico próprio e NBR 13.282), uma vez que não se pode reputar como “garrafa térmica” item que, sem os demais insumos, não tem a função de preservação de temperatura; (c) Como não houve erro na classificação fiscal, não é possível a aplicação de direito antidumping. Em sessão de 14/04/2020, a DRJ julgou pela total improcedência da impugnação (acórdão nº 06-69.359 - fls. 162-174), conforme ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: DIREITOS ANTIDUMPING, COMPENSATÓRIOS OU DE SALVAGUARDAS COMERCIAIS Data do fato gerador: 21/12/2012 IMPORTAÇÕES DE GARRAFAS TÉRMICAS. DIREITOS ANTIDUMPING. É cabível a exigência de direitos antidumping sobre importações de garrafas térmicas, nos termos da Resolução Camex nº 46, de 11 de julho de 2011. CLASSIFICAÇÃO FISCAL DE MERCADORIAS. GARRAFAS TÉRMICAS SEM TAMPA As garrafas térmicas incompletas, sem tampa, contendo corpo externo e ampola interna para armazenamento de líquidos, e que se destinam a manter à temperatura constante durante um certo tempo, classificam-se na NCM 9617.00.10, com base na RGI-1, RGI-"2.a” e RGC-1. DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. LAUDOS E PERÍCIAS. DESNECESSIDADE A utilização de laudos técnicos em autuações realizadas para promover a reclassificação fiscal de mercadorias não é obrigatória em todas as situações, mas apenas naquelas em que a autoridade administrativa entende serem necessárias. Em 27/09/2020, a Recorrente apresentou o seu recurso voluntário (fls. 183-228), trazendo as mesmas razões recursais de sua impugnação. É o relatório. VOTO Conselheiro Bruno Minoru Takii, Relator Fl. 242DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.148 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720228/2013-22 4 O presente recurso é tempestivo e este colegiado é competente para apreciar este efeito, nos termos do art. 65, Anexo Único, da Portaria MF nº 1.364/2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF. 1. Preliminares Nulidade do auto de infração por ausência de laudo técnico Alega a Recorrente que a reclassificação fiscal da mercadoria por si importada não pode prevalecer, isto porque, (a) primeiro, a reclassificação fiscal só pode ser realizada se estiver amparada em laudo técnico, o que não foi identificado no presente caso e (b) a classificação por si realizada está tecnicamente embasada, inclusive em laudo técnico que adotou critérios da NBR ABNT nº 13.282, específica sobre garrafas térmicas. Quanto à primeira alegação, não se verifica na legislação tributária ou aduaneira qualquer norma que condicione a atividade de reclassificação fiscal de mercadorias à anexação de documentação técnica. Ao se fixar esse ponto, não se quer aqui dizer que a apresentação de laudos técnicos por parte da Fiscalização não tenha a sua relevância, sendo até recomendável que o faça em alguns casos de maior complexidade, mas o seu valor é igual a de toda e qualquer prova – ou seja, a depender do caso, ela poderá ser, ou não, essencial ao deslinde do feito –, conforme se pode depreender da redação do artigo 9º do Decreto nº 70.235/1972: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) A verificação da pertinência acerca da juntada de laudo técnico é atribuição dada ao julgador, que poderá, de ofício ou a requerimento da parte, determinar a realização de perícia, conforme previsto no artigo 18 do Decreto nº 70.235/1972: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e Fl. 243DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.148 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720228/2013-22 5 intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) É relevante ainda apontar que, ainda que houvesse laudo técnico juntado pela Autoridade Fiscal, o conteúdo nele veiculado, mesmo quando elaborado pelo Instituto Nacional de Tecnologia - INT, não vincula o julgador quanto à classificação fiscal dos produtos, nos termos do art. 30, §1º, do Decreto nº 70.235/1972: Art. 30. Os laudos ou pareceres do Laboratório Nacional de Análises, do Instituto Nacional de Tecnologia e de outros órgãos federais congêneres serão adotados nos aspectos técnicos de sua competência, salvo se comprovada a improcedência desses laudos ou pareceres. § 1° Não se considera como aspecto técnico a classificação fiscal de produtos. Sendo assim, a ausência de laudo técnico na reclassificação fiscal de mercadorias não se consubstancia em motivo para a anulação do auto de infração. 2. Mérito Classificação fiscal do “corpo de garrafa térmica em aço inoxidável” Neste ponto, faz-se necessário esclarecer que a classificação fiscal de mercadorias deve ser feita segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul – NCM e que, para esse específico fim, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da NCM deve ser feita com observância às Regras Gerais para Interpretação, às Regras Gerais Complementares e às Notas Complementares e, subsidiariamente, às Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas, conforme bem estabelecido no artigo 94, par. único, do Decreto nº 6.759/2009: Art. 94. A alíquota aplicável para o cálculo do imposto é a correspondente ao posicionamento da mercadoria na Tarifa Externa Comum, na data da ocorrência do fato gerador, uma vez identificada sua classificação fiscal segundo a Nomenclatura Comum do Mercosul. Parágrafo único. Para fins de classificação das mercadorias, a interpretação do conteúdo das posições e desdobramentos da Nomenclatura Comum do Mercosul será feita com observância das Regras Gerais para Interpretação, das Regras Gerais Complementares e das Notas Complementares e, subsidiariamente, das Fl. 244DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.148 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720228/2013-22 6 Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias, da Organização Mundial das Aduanas (Decreto-Lei no 1.154, de 1o de março de 1971, art. 3o, caput) Trazidos os balizamentos necessários à classificação fiscal de mercadorias e contextualizada a devida importância da prova técnica nessa atividade, passemos a avaliar se o “corpo de garrafa térmica em aço inoxidável” deve ser classificado no código NCM 9617.00.20 (partes), tal como sustenta a Recorrente, ou se está correta a reclassificação procedida pelo Fisco, que apontou como correto o código NCM 9617.00.10 (“garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos”). Analisando-se os documentos juntados aos autos do processo, foi possível verificar que a mercadoria importada se trata de jarra metálica, sem tampa, com ampola de aço e fundo já embutidos, fornecido pela empresa chinesa “Jianxing Huading” (fl. 23). Ainda, há fotografias que foram tiradas pelo próprio Auditor Fiscal (fls. 27-28) e que permitem a constatação das informações descritas no parágrafo anterior: Essas mesmas características também podem ser observadas, com maior detalhe, no projeto de construção da garrafa térmica juntado à fl. 115 no PAF nº 10611.721412/2012-94, onde é possível verificar, de forma bastante clara, a integração entre a estrutura de aço exterior e ampola interna, também fabricada do mesmo material, bem como as partes que não pertencem a essa mercadoria, qual seja a “cabeça da garrafa” e seu bico de sucção: Fl. 245DF CARF MF Original https://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Decreto-Lei/del1154.htm#art3 https://www.planalto.gov.br/CCIVIL_03/Decreto-Lei/del1154.htm#art3 D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.148 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720228/2013-22 7 Uma vez conhecidas as características mais explícitas sobre a mercadoria em análise, é também interessante se conhecer os aspectos técnicos mais profundos, apresentados no laudo elaborado pela própria Recorrente (fls. 91-95), assinado pelo Sr. Rogério Galvão (CRQ 004443677). Nesse laudo, foram submetidos ao teste previsto na NBR ABNT nº 13.282 a garrafa térmica completa da Recorrente e o estojo/corpo de inox, sem a tampa que completa o produto. O teste consiste em preencher as garrafas com água a 98ºC e, após 3 horas, fazer nova aferição da temperatura: Analisando-se o gráfico apresentado, verifica-se que o estojo metálico, apesar de ser bem menos eficiente que a garrafa térmica com tampa (87ºC da garrafa térmica, contra 65ºC do estojo), também possui a capacidade considerável de manutenção da temperatura (isotermia), certamente, bem maior que a de um simples copo de vidro, por exemplo, conclusão esta que reputo importantíssima para a próxima etapa, que é a de classificação fiscal desse material. Fl. 246DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.148 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720228/2013-22 8 Primeiramente, destaco que o código NCM 9617.00.10, apontado pela Autoridade Fiscal como sendo o correto para a mercadoria em questão, alcança não só as garrafas térmicas, mas também outros recipientes isotérmicos: De acordo com definição trazida nas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado – NESH, os termos “garrafas térmicas” e “outros recipientes isotérmicos” abarcam jarros, baldes, garrafas e outros itens semelhantes, que se destinam a manter a temperatura constante, durante certo tempo, de líquidos, alimentos e outros produtos, sendo que esses itens são geralmente constituídos por uma ampola de parede dupla, no interior do qual se fez vácuo, ou por invólucro externo de proteção, dentre outras especificações, conforme trazido na Nota 96.17: 96.17 - Garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos, montados, com isolamento produzido pelo vácuo, e suas partes (exceto ampolas de vidro). Classificam-se nesta posição: 1) As garrafas térmicas e outros recipientes isotérmicos semelhantes, montados, tais como jarros, baldes, garrafas, etc., que se destinam a manter à temperatura constante, durante um certo tempo, líquidos, alimentos ou outros produtos. Estes artigos são geralmente constituídos por uma ampola de parede dupla, geralmente de vidro, no interior da qual se fez vácuo, e por um invólucro externo de proteção (de metal, plástico ou outras matérias), forrado ou não com papel, couro, imitação de couro, etc. O espaço entre a ampola e o invólucro pode ser preenchido com matérias isolantes (fibras de vidro, cortiça ou feltro). Esta posição compreende também as garrafas térmicas de parede dupla de aço inoxidável isoladas a vácuo sem invólucro externo de proteção, concebidas para conservar a temperatura. No caso das garrafas térmicas, a tampa pode ser muitas vezes utilizada como caneca. Observe-se que, com base nessa Nota Explicativa, pode-se chegar à conclusão de que o item importado é (a) o componente principal da garrafa térmica, sendo, portanto, um tipo de “garrafa térmica incompleta” ou (b) um tipo de “copo”, “jarra” ou “garrafa” isotérmica, pois, por si só, é de reduzir a taxa de troca de calor entre um objeto nele inserido e o ambiente. Para concluir a classificação fiscal, é necessário submeter a questão às “Regras Gerais Para Interpretação do Sistema Harmonizado”, a começar pela Regra 01, que diz que a classificação é determinada pelo texto das posições e das notas de seção do capítulo, chegando- se, assim, às posições NCM 9617.00.10 ou NCM 9617.00.20: Fl. 247DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.148 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720228/2013-22 9 1. Os títulos das Seções, Capítulos e Subcapítulos têm apenas valor indicativo. Para os efeitos legais, a classificação é determinada pelos textos das posições e das Notas de Seção e de Capítulo e, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, pelas Regras seguintes: Já a Regra 02A representa um passo derradeiro nessa análise, pois diz que a referência textual a um produto abrange esse produto, mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do produto completo ou acabado: 2. a) Qualquer referência a um artigo em determinada posição abrange esse artigo mesmo incompleto ou inacabado, desde que apresente, no estado em que se encontra, as características essenciais do artigo completo ou acabado. Abrange igualmente o artigo completo ou acabado, ou como tal considerado nos termos das disposições precedentes, mesmo que se apresente desmontado ou por montar. b) Qualquer referência a uma matéria em determinada posição diz respeito a essa matéria, quer em estado puro, quer misturada ou associada a outras matérias. Da mesma forma, qualquer referência a obras de uma matéria determinada abrange as obras constituídas inteira ou parcialmente por essa matéria. A classificação destes produtos misturados ou artigos compostos efetua-se conforme os princípios enunciados na Regra 3. Conforme pontuado anteriormente, o estojo metálico possui capacidade de conservação térmica considerável – talvez, semelhante ou até superior a dos populares “copos térmicos” –, que é a característica que pode ser apontada como a “essência” de uma garrafa térmica completa. Veja que, ao se chegar a esta conclusão, já não se pode mais cogitar em se considerar como adequada a classificação fiscal no código NCM 9617.00.20, referente às “partes”, isto porque, por exclusão, integram esse grupo apenas os itens que, embora integrem produtos acabados isotérmicos, não possuam a “essência” isotérmica, tal como é o caso da tampa plástica, do bico e da bomba de sucção, por exemplo. Avançando-se para a Regra 03A, que determina que, quando pareça que a mercadoria pode se classificar em duas ou mais posições ou descrições, a posição mais específica deve prevalecer sobre as mais genéricas. Assim, como o estojo é parte integrante de uma “garrafa térmica”, a descrição a ser utilizada é a da “garrafa térmica”, e não a de “outros recipientes isotérmicos”: Fl. 248DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3301-014.148 – 3ª SEÇÃO/3ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 10660.720228/2013-22 10 3. Quando pareça que a mercadoria pode classificar-se em duas ou mais posições por aplicação da Regra 2 b) ou por qualquer outra razão, a classificação deve efetuar-se da forma seguinte: a) A posição mais específica prevalece sobre as mais genéricas. Todavia, quando duas ou mais posições se refiram, cada uma delas, a apenas uma parte das matérias constitutivas de um produto misturado ou de um artigo composto, ou a apenas um dos componentes de sortidos acondicionados para venda a retalho, tais posições devem considerar-se, em relação a esses produtos ou artigos, como igualmente específicas, ainda que uma delas apresente uma descrição mais precisa ou completa da mercadoria. Desta forma, após a realização da análise pormenorizada da legislação, da mercadoria importada e dos aspectos técnicos relacionados, a conclusão é a de que a classificação fiscal procedida pelo Fisco está correta e não viola o art. 142 do CTN, sendo aplicável, portanto, o direito antidumping em questão, independentemente de ser a Recorrente a peticionante responsável por essa restrição imposta ao comércio com a China. 3. Conclusão Diante do exposto, voto negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Bruno Minoru Takii Fl. 249DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15540.720057/2017-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri Jan 10 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014
REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA RMF. Se o contribuinte não fornece as informações requeridas pela fiscalização tributária a respeito de sua movimentação financeira, utilizando-se de quaisquer meios ilegítimos, esta situação, por si só, já caracteriza a hipótese de exame indispensável, conforme disposto no Decreto nº 3.724/2001, conferindo ao titular da unidade fiscal o poder de requisitar os extratos diretamente aos bancos. Seria motivo suficiente a incoerência nos cruzamentos das informações constantes nas obrigações instrumentais, somadas a ausência de resposta do contribuinte sobre essas inconsistências e sobre o pedido de apresentação de dados bancários.
Não merece ser reformada decisão embargada que deixa expresso que o contribuinte não teve qualquer prejuízo no seu direito ao contraditório e ampla defesa, muito menos houve qualquer dano ao seu sigilo bancário, porquanto oportunizado vários momentos para justificar os depósitos realizados em suas contas correntes, bem como não teve qualquer dado divulgado fora dos autos. Não há nulidade no uso de Requisição de Informação Financeira RMF se não há prejuízo a quem a declaração de nulidade aproveitaria.
Numero da decisão: 1402-007.206
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração e a ele negar provimento, mantendo a decisão original na forma como prolatada.
Assinado Digitalmente
Ricardo Piza Di Giovanni – Relator
Assinado Digitalmente
Paulo Mateus Ciccone – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Labrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: RICARDO PIZA DI GIOVANNI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA RMF. Se o contribuinte não fornece as informações requeridas pela fiscalização tributária a respeito de sua movimentação financeira, utilizando-se de quaisquer meios ilegítimos, esta situação, por si só, já caracteriza a hipótese de exame indispensável, conforme disposto no Decreto nº 3.724/2001, conferindo ao titular da unidade fiscal o poder de requisitar os extratos diretamente aos bancos. Seria motivo suficiente a incoerência nos cruzamentos das informações constantes nas obrigações instrumentais, somadas a ausência de resposta do contribuinte sobre essas inconsistências e sobre o pedido de apresentação de dados bancários. Não merece ser reformada decisão embargada que deixa expresso que o contribuinte não teve qualquer prejuízo no seu direito ao contraditório e ampla defesa, muito menos houve qualquer dano ao seu sigilo bancário, porquanto oportunizado vários momentos para justificar os depósitos realizados em suas contas correntes, bem como não teve qualquer dado divulgado fora dos autos. Não há nulidade no uso de Requisição de Informação Financeira RMF se não há prejuízo a quem a declaração de nulidade aproveitaria.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração e a ele negar provimento, mantendo a decisão original na forma como prolatada. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni – Relator Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Labrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
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SUPERMERCADOS S.A. INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014 REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO FINANCEIRA RMF. Se o contribuinte não fornece as informações requeridas pela fiscalização tributária a respeito de sua movimentação financeira, utilizando-se de quaisquer meios ilegítimos, esta situação, por si só, já caracteriza a hipótese de exame indispensável, conforme disposto no Decreto nº 3.724/2001, conferindo ao titular da unidade fiscal o poder de requisitar os extratos diretamente aos bancos. Seria motivo suficiente a incoerência nos cruzamentos das informações constantes nas obrigações instrumentais, somadas a ausência de resposta do contribuinte sobre essas inconsistências e sobre o pedido de apresentação de dados bancários. Não merece ser reformada decisão embargada que deixa expresso que o contribuinte não teve qualquer prejuízo no seu direito ao contraditório e ampla defesa, muito menos houve qualquer dano ao seu sigilo bancário, porquanto oportunizado vários momentos para justificar os depósitos realizados em suas contas correntes, bem como não teve qualquer dado divulgado fora dos autos. Não há nulidade no uso de Requisição de Informação Financeira RMF se não há prejuízo a quem a declaração de nulidade aproveitaria. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos de declaração e a ele negar provimento, mantendo a decisão original na forma como prolatada. Fl. 6370DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 2 Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni – Relator Assinado Digitalmente Paulo Mateus Ciccone – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alexandre Labrudi Catunda, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonca, Rafael Zedral, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de embargos de declaração opostos pelo contribuinte acima identificada contra o Acórdão nº 1402-006.889, exarado em 29/04/2024 pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF. Entendeu o Despacho de Admissibilidade que existiria a alegada omissão em relação à validade da emissão das RMF, eis que, no entendimento do Despacho de Admissibilidade remanesceram sem resposta vários dos questionamentos sobre as possibilidades de enquadramento da situação da contribuinte no Decreto nº 3.724/2001. Entendeu o Despacho que a validade do RMF foi frágil e baseou-se somente no fato de que o contribuinte não forneceu os extratos após ter sido intimada para apresentá-los. O acórdão embargado contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2013, 2014 AÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. Fraude, conluio e simulação demonstrados. É pertinente a inclusão do sujeito passivo como parte da ação fiscal, na condição de responsável tributário, quando a Autoridade Fiscal apresentar todos os argumentos de fato e de direito que motivaram as suas conclusões. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Caracterizam-se omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante Fl. 6371DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 3 documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindo o para o contribuinte, que pode refutá-la mediante oferta de provas hábeis e idôneas. SOLIDÁRIA DE ADMINISTRADORES. GRUPO ECONÔMICO DE FATO. INFRAÇÃO À LEI. ART. 135, III, CTN. É correto atribuir aos administradores da empresa autuada responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado de ofício, quando caracterizada a prática, por estes, de atos com infração de lei. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. CSLL, PIS E COFINS. Aplicam-se aos lançamentos decorrentes (CSLL, PIS e Cofins) as mesmas razões de decidir do lançamento principal (IRPJ), em decorrência de sua íntima relação de causa e efeitos, na medida em que não há fatos jurídicos ou elementos probatórios a ensejar conclusões com atributos distintos. MULTA QUALIFICADA. OMISSÃO SISTEMÁTICA E REITERADA. CONDUTA INESCUSÁVEL. A prática sistemática de omissão de receitas, incorrendo em erro particularmente inescusável, traz à evidência o objetivo de ocultar da fiscalização o conhecimento do fato gerador da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa de ofício duplicada. A ocorrência de atos omissivos ou comissivos traduzem-se na hipótese da dissimulação da substância das evidências reportadas na contabilidade da entidade e no conteúdo de seus deveres instrumentais, gerando o ocultamento do fato gerador da obrigação tributária e a distorção da apuração das bases imponíveis e dos créditos tributários devidos no período-base. Recurso Voluntário a que se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, i) por unanimidade de votos, conhecer e negar provimento aos recursos voluntários de sujeito passivo e solidários, para, i.i) não acatar as preliminares suscitadas; i.ii) afastar a pretendida nulidade da ação fiscal; i.iii) ) manter a responsabilidade solidária das pessoas físicas arroladas na ação fiscal, fundada no artigo 135, III, do CTN; ii) por maioria de votos, manter multa qualificada, reduzindo, ex officio, seu percentual de 150% para 100%, em face da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II, “c” do CTN, com a redação dada pelo artigo 8º da Lei nº 14.689, de 2023, ao artigo 44, § 1º, inciso VI, da Lei nº 9.430/1996, vencidos nesta matéria os Conselheiros Alexandre Iabrudi Catunda e Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça que afastavam a qualificação. Em 04/06/2024, a embargante foi cientificada do acórdão acima referido, e em 07/06/2024, apresentou tempestivamente os presentes embargos. Os mesmos embargos foram juntados outras duas vezes ao processo, sempre com a qualificação da contribuinte autuada (pessoa jurídica), e apenas dela, como embargante. O presente processo cuida de litígio sobre lançamento de ofício para exigências de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) relativas ao ano-calendário de 2012, no valor total de R$ 4.714.371,28 (quatro milhões, setecentos e quatorze mil, trezentos e setenta e um reais e vinte e oito centavos), composto de principal, multa de ofício de 150% e juros de mora. Fl. 6372DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 4 A Fiscalização apurou omissão de receita por presunção legal em face de depósito bancário de origem não comprovada. Foi aplicada a multa qualificada de 150% sobre os tributos autuados, e ainda imputada responsabilidade solidária às sócias-administradoras da pessoa jurídica (Andreia de Freitas Brito; Glaucia de Freitas Fortuna; e Marcia Maria de Freitas Ribeiro). As exigências fiscais e os vínculos de responsabilidade tributária foram mantidos tanto na decisão de primeira instância administrativa, quanto na decisão de segunda instância (acórdão ora embargado). E nos embargos de declaração sob exame a contribuinte alega que a decisão de segunda instância incorreu em vícios de omissão. Para caracterizar os vícios alegados, a contribuinte apresenta os seguintes argumentos: DOS EXTRATOS BANCÁRIOS O Termo de Início de Procedimento Fiscal foi recebido pela embargante em 18/11/2014 com prazo de 20 dias corridos para apresentar " 1. Relação de todas as instituições financeiras, no Brasil e no Exterior, em que manteve contascorrentes, contas de depósito, aplicações e/ou investimentos, inclusive caderneta de poupança, identificando a agência e o n° da conta; 2. Extratos bancários, relativos ao período a seguir indicado, em papel e em meio digital de todas as contas-correntes, as aplicações financeiras no Brasil e no exterior; 3. Cópias autenticadas ou originais, acompanhados de cópias que serão autenticadas no ato da entrega, dos contratos de locação dos imóveis onde funcionam a matriz e todas as filiais. No caso de imóvel próprio, apresentar escritura de propriedade devidamente registrada no órgão competente”: (fl. 357/359) Em 08/12/2014, ou seja, tempestivamente, a embargante apresentou as exigências 1 e 3 e requereu prazo apenas para apresentar os extratos já que havia pedido cópia às instituições bancárias. (fl. 361/416). Em 15/12/2014, ou seja, menos de 30 (trinta) dias do início da fiscalização em atitude de discutível boa-fé, a autoridade fiscal protocolou com seu superior o pedido de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), junto aos Bancos Bradesco, Santander e ltaú, deixando nítido que, em futuro próximo, sua intenção seria acusar a embargante de negativa de apresentação dos extratos bancários. (fl. 4137/4216 - Bradesco e Santander e fl. 5741/5742 - ltaú). Em 22 de dezembro de 2014, acreditando apenas nas informações da autoridade fiscal, seu chefe, Fernando José da Rocha Velho, autorizou a Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) n° 07.1.02.00-2014-00084-O (fl. 4142/4144), conforme colacionado abaixo: (...) Pelo que se vislumbra abaixo, a autoridade fiscal, apesar de não ter passado sequer 30 (trinta) dias do INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL, afirmou, faltando com a verdade, que a embargante "deixou de atender a sucessivas intimações endereçadas ao contribuinte". Afirmar que a embargante deixou de atender à sucessivas intimações é, no mínimo, deslealdade processual e infringe o art. 37 da CF/88. Este ilegítimo argumento serviu para justificar a irregular requisição dos extratos por meio do RMF tendo sanha arrecadatória cegado a autoridade fiscal e empurrando este colegiado ao abismo do engano. Fl. 6373DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 5 (...) Durante o procedimento fiscalizatório, a embargante apresentou e-mails comprovando que, apesar de solicitar rotineiramente às instituições financeiras o envio dos extratos, a intimação foi atendida a posteriori ao prazo concedido pela autoridade fiscal, mas não da forma dolosa como tenta impor a autoridade fiscal. Importante consignar que a demora e, não negativa para apresentação dos extratos bancários se deu, exclusivamente, por conta do tardio envio por parte das instituições financeiras. Mas não é só! DA DIPJ, DA DACON e DO SPED/ECD Para justificar seu pedido, enfatizou ainda, faltando com a verdade novamente, que a embargante havia declarado: (i) DIPJ com receita "zerada"; (ii) No SPED/ECD declarou R$ 7.818,04 e (iii) DACON com receita bruta de R$ 116.411.402,36. (fl 4140). Vejamos: (...) O QUE NÃO É VERDADE!!!! A segunda omissão deste colegiado foi omitir ponto sobre o qual deveria pronunciar-se acerca dos valores declarados pela embargante em suas obrigações acessórias. Por estar cabalmente demonstrado no processo de fiscalização, os argumentos trazidos pela autoridade fiscal que embasaram tanto o deferimento pelo RMF quanto a manutenção dos sócios como responsável tributários, não merecem prosperar por não espelharem a verdade dos fatos. O documento juntado pela autoridade fiscal (f15991) informa, de forma clara e incontroversa, que a embargante apresentou DACON com receita bruta no valor de R$ 182.246.995,68 e não R$ 116.411.402,36 como informou no requerimento de Requisição de Movimentação Financeira (RMF). [...] Já no SPED/ECD, sem qualquer cuidado, a autoridade fiscal levou este colegiado ao engano, novamente. A autoridade fiscal informa que a embargante declarou ínfimos R$ 7.818,04 como receita bruta. REPITA-SE: Não é verdade! A embargante informou em seu SPED/ECD a receita bruta de R$ 182.019.826,39. [...] SEM QUALQUER CUIDADO, A AUTORIDADE FISCAL APRESENTOU O RESULTADO NO EXERCÍCIO NEGATIVO - E NÃO A RECEITA DECLARADA PELA EMBARGANTE! A embargante declarou em seu SPED/ECD o valor de receita bruta de R$ 182.019.826,39 e não R$ 7.818,04 como a autoridade fiscal relatou. Portanto, foi omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma. E a falta de cuidado continuou ... Já na DIPJ, embora a embargante tenha declarado sua receita bruta de R$ 182.019.826,39, a autoridade fiscal informou que estava "zerada". Beira ao absurdo tal afirmação já que a própria autoridade fiscal juntou ao dossiê do procedimento de fiscalização o espelho e recibo da DIPJ apresentada pela embargante. (fl.6005 e seguintes). Declarada em 12/11/2014, ou seja, antes do Início do Procedimento Fiscal. (fl. 6005), em sua DIPJ consta a receita de R$ 182.019.826,39. [...] REPITA-SE: A embargante apresentou sua DIPJ em 12/11/2014 e o início da fiscalização se deu 18/11/2014. Pergunta-se: (i) autoridade não viu? (ii) autoridade viu e ignorou? (iii) autoridade viu e agiu com intenção de atribuir crime aos sócios? O erro grosseiro da autoridade fiscal é injustificável já que o representante da embargante informou, por escrito, sobre a existência da DIPJ e dos valores nela declarados, conforme fl 1027/1049 do dossiê. Diante de todo o exposto, necessário se faz este colegiado manifestar-se sobre as omissões apontadas nos tópicos anteriores, já que os documentos foram acostados ao dossiê pela própria autoridade fiscal, afastar a solidariedade dos sócios, Fl. 6374DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 6 bem como, afastar atitude considerada dolosa já que as obrigações acessórias foram apresentadas com informações verdadeiras. DA COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS Diante da injustificável atitude beligerante da autoridade fiscal para com a recorrente, nota-se que todo procedimento de fiscalização encontra-se eivado por vícios insanáveis motivado pela sanha arrecadatória que não permitiu enxergar até mesmo as notas fiscais, comprovando os créditos e apresentadas no seu curso. A autoridade fiscal afirma que a embargante deixou de comprovar a origem dos recursos, segundo a planilha abaixo: [...] Apesar do auto de infração dizer que a fiscalização correu de forma zelosa, podese perceber que não representa a verdade. No quadro acima, que serviu de base para a autuação, a autoridade fiscal DESCONSIDERA AS TRANSFERÊNCIAS REALIZADAS ENTRE CONTAS DA MESMA TITULARIDADE. CONCLUSÃO Por tudo, com todo respeito, conclui-se que foi omitido ponto sobre com qual deveria pronunciar-se a turma quando a mesma deixa de manifestar sobre o robusto material comprobatório de ausência de dolo dos sócios. A Recorrente alega que existe omissão relacionada ao exame das circunstâncias em que foram emitidas as RMF (Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira) para obtenção dos extratos bancários junto às instituições financeiras. Relatou o Despacho de Admissibilidade que o Relatório Fiscal não traz informações sobre a emissão das RMF. O Termo de Constatação e Intimação emitido em 12/12/2014 (fls. 417/419), por sua vez, noticia que o Termo de Início de Fiscalização foi entregue à contribuinte em 18/11/2014; que em 08/12/2014 a Recorrente apresentou parte da documentação até então solicitada, mas não apresentou os extratos bancários; que houve uma prorrogação de prazo para 12/12/2014, e a contribuinte não apresentou os extratos até esse dia; e que “assim sendo, uma vez que o contribuinte não atendeu à intimação, conforme disposto no artigo 3°, Inciso VII, do Decreto n° 3.724/200, os extratos bancários serão solicitados, diretamente, às instituições financeiras”. Afirma o Despacho de Admissibilidade que o Recurso Voluntário da contribuinte trouxe um tópico específico, intitulado “3.1) DA FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA HIPÓTESE DE INDISPENSABILIDADE”, no qual ela procura demonstrar que a obtenção dos extratos bancários mediante emissão de RMF, na forma em que se deu no presente processo, está maculada por vício de nulidade. A Recorrente alegou que a Receita Federal não poderia examinar informações bancárias obtidas diretamente das instituições financeiras pelo simples fato de ela não ter atendido à intimação para apresentar os extratos; que isso faz letra morta do regulamento trazido pelo Decreto nº 3.724/2001; que deve haver outra motivação enquadrada no artigo 3º do Decreto nº 3.724/2001 para a solicitação de extratos bancários; que se houve infração ao artigo 33, da Lei nº 9.430/1996, sobretudo ao inciso I, não foram adotados os procedimentos cabíveis que fariam configurar a hipótese de embaraço à fiscalização e, também, à imposição de regime especial de Fl. 6375DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 7 fiscalização; que o embaraço à fiscalização pressupõe que se lavre auto de embaraço, o que não foi realizado; que não houve sanção pecuniária em decorrência da ausência de pleno atendimento à intimação, e nem agravamento da multa de ofício, o que também demonstraria a impropriedade de se equiparar o caso ao embaraço; e que o Embaraço, tal qual definido no artigo 33, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, (e, também, no artigo 919, do Decreto nº 3.000, de 1999) refere-se aos casos de resistência e desobediência definidos nos artigos 329 e 330 do Código Penal, o que não se observou na espécie. Reconheceu a Embargante que o acórdão embargado, ao tratar das preliminares de nulidade, registrou que foram preenchidos “os requisitos dispostos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como as exigências previstas no art. 142 do CTN”, e ao iniciar o exame de mérito, refutou o “entendimento de que a quebra do sigilo bancário somente pode ser efetuada com autorização do Poder Judiciário”. Relatou também a Embargante que o acórdão embargado destacou que “o STF, em 24 de fevereiro de 2016, concluiu o julgamento que reconheceu a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, a qual permitiu a transferência dos dados protegidos pelo sigilo bancário diretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil”, e concluiu que “logo, agiu corretamente a fiscalização ao solicitar as informações bancárias às respectivas instituições”. Diante desse contexto, entendeu o Despacho de Admissibilidade que o acórdão embargado, ao concluir pela validade das RMF, realmente deixou de analisar alguns aspectos abordados pela contribuinte em seu recurso voluntário, o que justificaria a ocorrência da omissão alegada pela embargante. Todavia, observou o Despacho de Admissibilidade que mais à frente, já tratando da própria forma de apuração de omissão de receita com base na presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, o acórdão embargado abordou os termos do relatório circunstanciado da solicitação de emissão das respectivas RMF, para fins de destacar: [...] que ocorrera no presente caso sucessiva falta de atendimento das intimações endereçadas ao contribuinte, baseado em justificativa não satisfativa para a negativa de apresentação dos extratos bancários, constituiu-se em elemento acessório e suplementar para impulsionar a demanda da movimentação financeira de titularidade do contribuinte, atendendo regularmente as exigências normativas de regência dada a obstrução da continuidade da ação fiscal, fato este equiparável à prática de embaraço à fiscalização na forma expressa no parágrafo único do art. 919 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, tendo a fiscalização apontado, dentre outros aspectos que: 1) A Recorrente apresentou no ano calendário de 2012 movimentação financeira de R$ 305.362.055,68; 2) Mesmo com referida movimentação financeira de R$ 305.362.055,68, a DIPJ Fl. 6376DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 8 sobre referido ano calendário de 2012 foi entregue com receita bruta “zerada”; 3) No SPED/ECD declarou apenas R$ 7.818,04; 4) Na DACON declarou como receita bruta o valor de R$ 116.411.402,36; 5) Não forneceu informações sobre a movimentação financeira mesmo após ter sido devidamente intimada. (g.n.) Mas mesmo diante desses comentários entendeu o Despacho de Admissibilidade que ainda existiria a alegada omissão em relação à validade da emissão das RMF, eis que, no entendimento do Despacho de Admissibilidade, remanesceram sem resposta vários dos questionamentos sobre as possibilidades de enquadramento da situação da contribuinte no Decreto nº 3.724/2001. Entendeu o Despacho que a validade das RMF continuou focada no fato de que a contribuinte não forneceu os extratos após ter sido intimada para apresentá-los. Veja a análise do Despacho de Admissibilidade: Não fosse o problema da omissão, vislumbro também certa contradição e/ou obscuridade na decisão embargada em relação a esse mesmo ponto, eis que o relatório por ela apresentado não corrobora nem a informação sobre a “sucessiva falta de atendimento das intimações” para apresentação de extratos bancários, e nem as grandes discrepâncias de valores apontadas acima. Chama a atenção o fato de que toda essa situação, envolvendo uma movimentação financeira de mais de 300 milhões de reais, com DIPJ zerada e receitas declaradas no SPED/ECD no valor de R$ 7.818,04, tenha resultado em uma autuação fiscal cujo valor total não chegou a 5 milhões de reais (incluindo-se aí as rubricas principais de 4 tributos, a multa de oficio de 150%, e os juros de mora), conforme consta do relatório do acórdão embargado. Nesse sentido, conforme os Autos de Infração e o Relatório Fiscal que os acompanha, vale observar que os tributos foram apurados a partir da constatação de omissão de receita nos meses de janeiro, julho, outubro e novembro de 2012, nos valores de R$ 1.840.778,88, R$ 73.853,50, R$ 1.174.634,02 e R$ 615.691,94 (respectivamente), sendo que nos outros meses a receita de vendas registrada pela contribuinte superou os valores apurados pela Fiscalização a partir dos créditos/depósitos bancários. Além disso, o mesmo relatório do acórdão embargado, embora não tenha dado detalhes sobre a data da emissão das RMF, não corrobora essa informação sobre a “sucessiva falta de atendimento das intimações” para apresentação de extratos bancários. Ao contrário disso, o que ele indica é certa proximidade temporal entre a emissão das RMF e o Termo de Início de Fiscalização: A autoridade fiscal sintetiza que a ação fiscal pautou-se nas determinações expressas no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.02.00-2014-00504 [...]. Com isso, a fiscalização efetuou a lavratura do Termo de Início, datado de 17/11/2014, cientificando-se pessoalmente uma das representantes legais da pessoa jurídica em 18/11/2014 (fls. 357/359). Fl. 6377DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 9 A fiscalização relatou que requisitou a condução de acervo documental e informações necessárias para a apreciação destinada ao atendimento do escopo da fiscalização, incluindo-se os dados bancários e relação de extratos com a movimentação financeira de contas de titularidade da pessoa jurídica e o contribuinte não apresentou os extratos bancários de contas em nome da pessoa jurídica. Neste contexto, ante os indícios de divergência nas obrigações instrumentais, incluindo-se o conteúdo da Escrituração Contábil Digital - ECD, o Auditor Fiscal solicitou emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), [...] (g.n.) Proximidade temporal que é confirmada pelo Termo de Constatação e Intimação emitido em 12/12/2014 (fls. 417/419), o qual noticia que o Termo de Início de Fiscalização foi entregue à contribuinte em 18/11/2014, e que em 12/12/2014 os extratos bancários já estavam sendo solicitados às instituições, eis que a contribuinte não os havia apresentado em atendimento ao Termo de Início. Essas contradições/obscuridades entre o relatório e as observações contidas no voto que orientou o acórdão embargado também precisam ser saneadas. A contribuinte ainda alega que teria havido omissão em relação ao exame da base de cálculo, eis que a autoridade fiscal desconsiderou transferências entre contas de mesma titularidade. Para comprovar essa alegação, a contribuinte apresenta uma tabela indicando seis operações que supostamente teriam sido incluídas indevidamente na base de cálculo. A tabela apresentada, por si só, não comprova que houve algum erro na apuração da base de cálculo. Mas o principal aspecto a ser destacado é que a contribuinte não trouxe essa alegação em seu recurso voluntário, não havendo, portanto, como identificar nenhuma omissão da decisão de segunda instância a esse respeito. De qualquer forma, os problemas apontados em relação à apreciação das questões sobre a validade de emissão das RMF precisam ser solucionados. Diante do exposto, o Despacho Decisório acolheu os Embargos de Declaração opostos pela embargante. É o relatório. VOTO Conselheiro Ricardo Piza Di Giovanni, Relator Os Embargos Declaratórios são tempestivos, merecem ser conhecidos, mas, no mérito, não merecem ser acolhidos, ante a inexistência que qualquer omissão ou contradição na fundamentação do v. Acórdão embargado. O presente processo cuida de litígio sobre lançamento de ofício para exigências de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) relativas ao ano-calendário de 2012, no valor total de R$ 4.714.371,28 (quatro milhões, setecentos e quatorze mil, trezentos e setenta e um reais e vinte e oito centavos), composto de principal, multa de ofício de 150% e juros de mora. Fl. 6378DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 10 A Fiscalização apurou omissão de receita por presunção legal em face de depósito bancário de origem não comprovada. Foi aplicada a multa qualificada de 150% sobre os tributos autuados, e ainda imputada responsabilidade solidária às sócias-administradoras da pessoa jurídica (Andreia de Freitas Brito; Glaucia de Freitas Fortuna; e Marcia Maria de Freitas Ribeiro). As exigências fiscais e os vínculos de responsabilidade tributária foram mantidos tanto na decisão de primeira instância administrativa, quanto na decisão de segunda instância (acórdão ora embargado). E nos embargos de declaração sob exame, a contribuinte alega que a decisão de segunda instância incorreu em vícios de omissão. A Recorrente alega que existe omissão relacionada ao exame das circunstâncias em que foram emitidas a RMF (Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira) para obtenção dos extratos bancários junto às instituições financeiras. Apontou o Despacho de Admissibilidade que o Relatório Fiscal não traz informações sobre a emissão das RMF e que o Termo de Constatação e Intimação emitido em 12/12/2014 (fls. 417/419), por sua vez, noticia que o Termo de Início de Fiscalização foi entregue à contribuinte em 18/11/2014; que em 08/12/2014 a Recorrente apresentou parte da documentação até então solicitada, mas não apresentou os extratos bancários; que houve uma prorrogação de prazo para 12/12/2014, e a contribuinte não apresentou os extratos até esse dia; e que “assim sendo, uma vez que o contribuinte não atendeu à intimação, conforme disposto no artigo 3°, Inciso VII, do Decreto n° 3.724/200, os extratos bancários serão solicitados, diretamente, às instituições financeiras”. Afirma o Despacho de Admissibilidade que o Recurso Voluntário da contribuinte trouxe um tópico específico, intitulado “3.1) DA FALTA DE CARACTERIZAÇÃO DA HIPÓTESE DE INDISPENSABILIDADE”, no qual ela procura demonstrar que a obtenção dos extratos bancários mediante emissão de RMF, na forma em que se deu no presente processo, está maculada por vício de nulidade. A Recorrente alegou que a Receita Federal não poderia examinar informações bancárias obtidas diretamente das instituições financeiras pelo simples fato de ela não ter atendido à intimação para apresentar os extratos; que isso faz letra morta do regulamento trazido pelo Decreto nº 3.724/2001; que deve haver outra motivação enquadrada no artigo 3º do Decreto nº 3.724/2001 para a solicitação de extratos bancários; que se houve infração ao artigo 33, da Lei nº 9.430/1996, sobretudo ao inciso I, não foram adotados os procedimentos cabíveis que fariam configurar a hipótese de embaraço à fiscalização e, também, à imposição de regime especial de fiscalização; que o embaraço à fiscalização pressupõe que se lavre auto de embaraço, o que não foi realizado; que não houve sanção pecuniária em decorrência da ausência de pleno atendimento à intimação, e nem agravamento da multa de ofício, o que também demonstraria a impropriedade de se equiparar o caso ao embaraço; e que o Embaraço, tal qual definido no artigo 33, inciso I, da Lei nº 9.430/1996, (e, também, no artigo 919, do Decreto nº 3.000, de 1999) refere-se aos casos Fl. 6379DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 11 de resistência e desobediência definidos nos artigos 329 e 330 do Código Penal, o que não se observou na espécie. Reconheceu a Embargante que o acórdão embargado, ao tratar das preliminares de nulidade, registrou que foram preenchidos “os requisitos dispostos no art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como as exigências previstas no art. 142 do CTN”, e ao iniciar o exame de mérito, refutou o “entendimento de que a quebra do sigilo bancário somente pode ser efetuada com autorização do Poder Judiciário”. Relatou também a Embargante que o acórdão embargado destacou que “o STF, em 24 de fevereiro de 2016, concluiu o julgamento que reconheceu a constitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001, a qual permitiu a transferência dos dados protegidos pelo sigilo bancário diretamente à Secretaria da Receita Federal do Brasil”, e concluiu que “logo, agiu corretamente a fiscalização ao solicitar as informações bancárias às respectivas instituições”. Diante desse contexto, entendeu o Despacho de Admissibilidade que o acórdão embargado, ao concluir pela validade das RMF, realmente deixou de analisar alguns aspectos abordados pela contribuinte em seu recurso voluntário, o que justificaria a ocorrência da omissão alegada pela embargante. Todavia, observou o Despacho de Admissibilidade que mais à frente, já tratando da própria forma de apuração de omissão de receita com base na presunção legal do art. 42 da Lei 9.430/1996, o acórdão embargado abordou os termos do relatório circunstanciado da solicitação de emissão das respectivas RMF, para fins de destacar: [...] que ocorrera no presente caso sucessiva falta de atendimento das intimações endereçadas ao contribuinte, baseado em justificativa não satisfativa para a negativa de apresentação dos extratos bancários, constituiu-se em elemento acessório e suplementar para impulsionar a demanda da movimentação financeira de titularidade do contribuinte, atendendo regularmente as exigências normativas de regência dada a obstrução da continuidade da ação fiscal, fato este equiparável à prática de embaraço à fiscalização na forma expressa no parágrafo único do art. 919 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, tendo a fiscalização apontado, dentre outros aspectos que: 1) A Recorrente apresentou no ano calendário de 2012 movimentação financeira de R$ 305.362.055,68; 2) Mesmo com referida movimentação financeira de R$ 305.362.055,68, a DIPJ sobre referido ano calendário de 2012 foi entregue com receita bruta “zerada”; 3) No SPED/ECD declarou apenas R$ 7.818,04; 4) Na DACON declarou como receita bruta o valor de R$ 116.411.402,36; 5) Não forneceu informações sobre a movimentação financeira mesmo após ter sido devidamente intimada. (g.n.) Fl. 6380DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 12 Mas mesmo diante desses comentários entendeu o Despacho de Admissibilidade que ainda existiria a alegada omissão em relação à validade da emissão das RMF, eis que, no entendimento do Despacho de Admissibilidade remanesceram sem resposta vários dos questionamentos sobre as possibilidades de enquadramento da situação da contribuinte no Decreto nº 3.724/2001. Entendeu o Despacho que a validade das RMF continuou focada no fato de que a contribuinte não forneceu os extratos após ter sido intimada para apresentá-los. Veja a análise do Despacho de Admissibilidade: Não fosse o problema da omissão, vislumbro também certa contradição e/ou obscuridade na decisão embargada em relação a esse mesmo ponto, eis que o relatório por ela apresentado não corrobora nem a informação sobre a “sucessiva falta de atendimento das intimações” para apresentação de extratos bancários, e nem as grandes discrepâncias de valores apontadas acima. Chama a atenção o fato de que toda essa situação, envolvendo uma movimentação financeira de mais de 300 milhões de reais, com DIPJ zerada e receitas declaradas no SPED/ECD no valor de R$ 7.818,04, tenha resultado em uma autuação fiscal cujo valor total não chegou a 5 milhões de reais (incluindo-se aí as rubricas principais de 4 tributos, a multa de oficio de 150%, e os juros de mora), conforme consta do relatório do acórdão embargado. Nesse sentido, conforme os Autos de Infração e o Relatório Fiscal que os acompanha, vale observar que os tributos foram apurados a partir da constatação de omissão de receita nos meses de janeiro, julho, outubro e novembro de 2012, nos valores de R$ 1.840.778,88, R$ 73.853,50, R$ 1.174.634,02 e R$ 615.691,94 (respectivamente), sendo que nos outros meses a receita de vendas registrada pela contribuinte superou os valores apurados pela Fiscalização a partir dos créditos/depósitos bancários. Além disso, o mesmo relatório do acórdão embargado, embora não tenha dado detalhes sobre a data da emissão das RMF, não corrobora essa informação sobre a “sucessiva falta de atendimento das intimações” para apresentação de extratos bancários. Ao contrário disso, o que ele indica é certa proximidade temporal entre a emissão das RMF e o Termo de Início de Fiscalização: “A autoridade fiscal sintetiza que a ação fiscal pautou-se nas determinações expressas no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.02.00-2014-00504 [...]. Com isso, a fiscalização efetuou a lavratura do Termo de Início, datado de 17/11/2014, cientificando-se pessoalmente uma das representantes legais da pessoa jurídica em 18/11/2014 (fls. 357/359). A fiscalização relatou que requisitou a condução de acervo documental e informações necessárias para a apreciação destinada ao atendimento do escopo da fiscalização, incluindo-se os dados bancários e relação de extratos com a movimentação financeira de contas de titularidade da pessoa jurídica e o contribuinte não apresentou os extratos bancários de contas em nome da pessoa jurídica. Neste contexto, ante os indícios de divergência nas obrigações instrumentais, incluindo-se o conteúdo da Escrituração Contábil Fl. 6381DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 13 Digital - ECD, o Auditor Fiscal solicitou emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), [...] (g.n.) Proximidade temporal que é confirmada pelo Termo de Constatação e Intimação emitido em 12/12/2014 (fls. 417/419), o qual noticia que o Termo de Início de Fiscalização foi entregue à contribuinte em 18/11/2014, e que em 12/12/2014 os extratos bancários já estavam sendo solicitados às instituições, eis que a contribuinte não os havia apresentado em atendimento ao Termo de Início. Essas contradições/obscuridades entre o relatório e as observações contidas no voto que orientou o acórdão embargado também precisam ser saneadas. A contribuinte ainda alega que teria havido omissão em relação ao exame da base de cálculo, eis que a autoridade fiscal desconsiderou transferências entre contas de mesma titularidade. Para comprovar essa alegação, a contribuinte apresenta uma tabela indicando seis operações que supostamente teriam sido incluídas indevidamente na base de cálculo. A tabela apresentada, por si só, não comprova que houve algum erro na apuração da base de cálculo. Mas o principal aspecto a ser destacado é que a contribuinte não trouxe essa alegação em seu recurso voluntário, não havendo, portanto, como identificar nenhuma omissão da decisão de segunda instância a esse respeito. De qualquer forma, os problemas apontados em relação à apreciação das questões sobre a validade de emissão das RMF precisam ser solucionados. Conforme é conhecimento, os embargos de declaração contra os acórdãos proferidos pelos colegiados do CARF somente são cabíveis quando estes contiverem obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a turma, nos termos do artigo 116 do atual RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 1634/2023 Art. 116. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. A justificativa dos Embargos seria a suposta omissão quanto a suposta nulidade da Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF). Com todo respeito, não concordo com os Embargos Declaratórios e nem com o Despacho de Admissibilidade. Restou claro na decisão embargada que o contribuinte deu causa à Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF). Ora, consta no relatório do acordão embargado as seguintes informações: A autoridade fiscal sintetiza que a ação fiscal pautou-se nas determinações expressas no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.02.00-2014-00504, para fins de averiguação de indícios de omissão de receita decorrente do exercício de sua atividade empresarial e, consequentemente, a confissão de débitos em valores inferiores ao Fl. 6382DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 14 efetivamente devidos. Com isso, a fiscalização efetuou a lavratura do Termo de Início, datado de 17/11/2014, cientificando-se pessoalmente uma das representantes legais da pessoa jurídica em 18/11/2014 (fls. 357/359). A fiscalização relatou que requisitou a condução de acervo documental e informações necessárias para a apreciação destinada ao atendimento do escopo da fiscalização, incluindo-se os dados bancários e relação de extratos com a movimentação financeira de contas de titularidade da pessoa jurídica e o contribuinte não apresentou os extratos bancários de contas em nome da pessoa jurídica. Neste contexto, ante os indícios de divergência nas obrigações instrumentais, incluindo-se o conteúdo da Escrituração Contábil Digital - ECD, o Auditor Fiscal solicitou emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), com fundamento no art. 6º da Lei nº 105/2001, inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 e inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430/96 (fls. 4.137/4.141), bem assim amparado na ordem determinada no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.02.00-2014-00504, bem como intimou o contribuinte para requisição de esclarecimentos concernentes à ausência de registros de fatos contábeis no Livro Diário da pessoa jurídica, tendo em vista a detecção de incompatibilidades com as informações veiculadas na DACON e na DIPJ do período fiscalizado. Ou seja, já no relatório constou a informação de que a fiscalização iniciou os trabalhos em 17/11/2014 para fins de averiguação de indícios de omissão de receita decorrente do exercício de sua atividade empresarial por motivo de confissão de débitos em valores inferiores ao efetivamente devidos. Também consta no relatório que a fiscalização relatou que requisitou a condução de acervo documental e informações necessárias para a apreciação destinada ao atendimento do escopo da fiscalização, incluindo-se os dados bancários e relação de extratos com a movimentação financeira de contas de titularidade da pessoa jurídica e o contribuinte não apresentou os extratos bancários de contas em nome da pessoa jurídica. Ante os indícios de divergência nas obrigações instrumentais, incluindo-se o conteúdo da Escrituração Contábil Digital - ECD, o Auditor Fiscal solicitou emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), com fundamento no art. 6º da Lei nº 105/2001, inciso VII do art. 3º do Decreto nº 3.724/2001 e inciso I do art. 33 da Lei nº 9.430/96 (fls. 4.137/4.141), bem assim amparado na ordem determinada no Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.1.02.00-2014-00504, bem como intimou o contribuinte para requisição de esclarecimentos concernentes à ausência de registros de fatos contábeis. Ou seja, o contribuinte não atendeu às exigências da fiscalização. Note-se que consta no relatório do acórdão embargado que a fiscalização intimou o contribuinte para requisição de esclarecimentos concernentes à ausência de registros de fatos contábeis no Livro Diário da pessoa jurídica, tendo em vista a detecção de incompatibilidades com as informações veiculadas na DACON e na DIPJ do período fiscalizado. Fl. 6383DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 15 Por sua vez, além de manter essas mesmas constatações, o acordão embargado ressaltou que no caso, “a acusação fiscal comprovou de forma suficiente a ação dolosa das sócias no sentido de suprimir tributos por meio de declarações ao Fisco em MUITO diferente das movimentações bancárias”. Na sequência, a decisão embargada ressalta: (...) Ademais, a empresa fiscalizada declarou à Receita Federal valores ínfimos de sua receita total e não ofereceram à tributação as receitas apuradas detalhadamente pela Fiscalização, decorrentes de omissão proveniente da não comprovação da origem dos depósitos apurados em suas contas bancárias. De fato, no caso, a negativa de comprovação do montante de depósitos ou créditos em contas de titularidade da empresa de origem não comprovada foram confrontados com as receitas lançadas na ECD antes da tipificação da omissão de receitas designativas dos valores excedentes àqueles reconhecidos contabilmente. E mais, com relação especificamente ao RMF consta o seguinte trecho na decisão embargada: Ora, conforme termos do relatório circunstanciado da solicitação de emissão dos respectivos RMF (§§ 5º e 6º do art.4º do Decreto nº 3.724/2001) - fls. 4.137/4.141 – fora demonstrado que a motivação determinante da demanda encontra respaldo em indícios de divergências e omissões no cumprimento de obrigações acessórias da empresa e, cumulativamente, na sua própria escrituração contábil, sendo que ocorrera no presente caso sucessiva falta de atendimento das intimações endereçadas ao contribuinte, baseado em justificativa não satisfativa para a negativa de apresentação dos extratos bancários , constituiu-se em elemento acessório e suplementar para impulsionar a demanda da movimentação financeira de titularidade do contribuinte, atendendo regularmente as exigências normativas de regência dada a obstrução da continuidade da ação fiscal, fato este equiparável à prática de embaraço à fiscalização na forma expressa no parágrafo único do art. 919 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999, tendo a fiscalização apontado, dentre outros aspectos que: 1) A Recorrente apresentou no ano calendário de 2012 movimentação financeira de R$ 305.362.055,68; 2) Mesmo com referida movimentação financeira de R$ 305.362.055,68, a DIPJ sobre referido ano calendário de 2012 foi entregue com receita bruta “zerada”; 3) No SPED/ECD declarou apenas R$ 7.818,04; 4) Na DACON declarou como receita bruta o valor de R$ 116.411.402,36; 5) Não forneceu informações sobre a movimentação financeira mesmo após ter sido devidamente intimada. Destarte, entendo que deve ser aplicado no presente caso a Súmula nº 26 do CARF abaixo transcrita: Fl. 6384DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 16 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. A Recorrente afirma que vários dos créditos considerados deveriam ser excluídos por se tratar de créditos feitos pelo próprio contribuinte ou pela instituição bancária em função de desconto de títulos, sendo, dessa forma, computados em duplicidade na apuração da receita bruta e, por consequência, no cálculo dos tributos lançados. Por outro lado, não procede à alegação da Recorrente no sentido de que a fiscalização limitou-se a usar os créditos na movimentação bancária da empresa e não considerou os pagamentos efetuados a fornecedores, funcionários e outras despesas. De fato, todas a conciliações foram realizadas. Ou seja, a decisão justificou a existência, data venia, evidente da necessidade da RMF na medida que fora demonstrado que a motivação determinante da demanda encontra respaldo em indícios de divergências e omissões no cumprimento de obrigações acessórias da empresa e, cumulativamente, na sua própria escrituração contábil, sendo que ocorrera no presente caso sucessiva falta de atendimento das intimações endereçadas ao contribuinte, baseado em justificativa não satisfativa para a negativa de apresentação dos extratos bancários, constituiu-se em elemento acessório e suplementar para impulsionar a demanda da movimentação financeira de titularidade do contribuinte, atendendo regularmente as exigências normativas de regência dada a obstrução da continuidade da ação fiscal, fato este equiparável à prática de embaraço à fiscalização na forma expressa no parágrafo único do art. 919 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999. Ademais, tendo a fiscalização apontado, dentre outros aspectos que a Recorrente mesmo com referida movimentação financeira de R$ 305.362.055,68 entregou DIPJ sobre referido ano calendário de 2012 com receita bruta “zerada”. E mais, a fiscalização apontou, dentre outros aspectos, que a Recorrente mesmo com referida movimentação financeira de R$ 305.362.055,68, no SPED/ECD declarou apenas R$ 7.818,04. A fiscalização apontou, dentre outros aspectos, que a Recorrente mesmo com referida movimentação financeira de R$ 305.362.055,68, na DACON declarou como receita bruta o valor de R$ 116.411.402,36. A decisão embargada ressaltou, assim como a DRJ e a fiscalização que a embargante não forneceu informações sobre a movimentação financeira mesmo após ter sido devidamente intimada. Portanto, é cristalina a justificativa do RMF. Esse é o sentido da decisão embargada. De fato, o acórdão não se afigura omisso sobre a questão trazida no Recurso Voluntário, quanto à necessidade da apresentação de motivos na Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF). Fl. 6385DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 17 Ademais, o julgador não está obrigado a responder todas as alegações e questionamentos da parte recorrente se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar sua decisão, não sendo necessário especificar ainda mais a alegação do Recorrente/Embargante de que seria supostamente nulo o lançamento em razão da autoridade fiscal obter informações bancárias mediante Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF), sem apontar os motivos que justificariam a indispensabilidade dos dados bancários para a realização da ação fiscal, conforme previsto no Decreto nº 3.724, de 10 de janeiro de 2001. Reconhecemos que o referido Decreto n° 3.724/2001, estabeleceu procedimentos para o acesso às informações financeiras dos contribuintes, assim dispostos com a redação vigente na época do lançamento fiscal: “Art. 2º A Secretaria da Receita Federal, por intermédio de servidor ocupante do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal, somente poderá examinar informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a elas equiparadas, inclusive os referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis. § 1º Entende-se por procedimento de fiscalização a modalidade de procedimento fiscal a que se referem o art. 7º e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. (...) Art. 3º Os exames referidos no caput do artigo anterior somente serão considerados indispensáveis nas seguintes hipóteses: (...) VII previstas no art. 33 da Lei nº 9.430, de 1996; (...) Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. (...) § 6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade.” Logo, se o contribuinte não fornece as informações requeridas pela fiscalização tributária a respeito de sua movimentação financeira, utilizando-se de quaisquer meios ilegítimos, esta situação, por si só, já caracteriza a hipótese de exame indispensável, conforme disposto no Decreto nº 3.724/2001, conferindo ao titular da unidade fiscal o poder de requisitar os extratos diretamente aos bancos. Fl. 6386DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 1402-007.206 – 1ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15540.720057/2017-45 18 No caso os motivos são diversos, especialmente ao fato da incoerência nos cruzamentos das informações constantes nas obrigações instrumentais, somadas a ausência de resposta do contribuinte sobre essas inconsistências e sobre o pedido de apresentação de dados bancários. Embora o Embargante/Recorrente não considere tais expressões como suficientes para convalidar a necessidade das informações requisitadas às instituições financeiras, a verdade material que consta dos autos impõe conclusão divergente. E ainda, constou expressamente na decisão embargada que o Contribuinte/Embargante não teve qualquer prejuízo no seu direito ao contraditório e ampla defesa, muito menos houve qualquer dano ao seu sigilo bancário, porquanto oportunizado vários momentos para justificar os depósitos realizados em suas contas correntes, bem como não teve qualquer dado divulgado fora destes autos. Compartilho do entendimento no sentido de que não há nulidade no uso de Requisição de Informação Financeira RMF se não há prejuízo a quem a declaração de nulidade aproveitaria. Portanto, a decisão embargada tratou das supostas nulidades e se manifestou sobre todos os pontos que deveria se manifestar, não foi contraditória e não apresentou erros a serem corrigidos via Embargos Declaratórios. Entendo que não seria pertinente a Embargante insistir, em sede de embargos declaratórios, para que fosse julgado novamente o que já foi julgado pelo DRJ e pela Turma Ordinária do CARF. Conforme é cediço, o objetivo dos embargos declaratórios é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando a corrigir eventual decisão incorreta. Os embargos de declaratórios não se prestam para provocar o reexame de matéria já decidida. Nesse sentido, não se vislumbro no presente recurso o requisito necessário para que haja a complementação no julgamento, pois não há na decisão guerreada falta de manifestação expressa do julgador em relação a algum aspecto da causa (fundamento de fato ou de direito), que deveria ter sido abordado. Se o aresto embargado se baseou em premissa equivocada poderá ser reformado por ocasião da análise de eventual recurso especial, caso efetivamente verificada a incorreção. Assim, por todo o exposto, voto no sentido de conhecer e rejeitar os Embargos Declaratórios. Assinado Digitalmente Ricardo Piza Di Giovanni Fl. 6387DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
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Numero do processo: 11080.906334/2013-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon Jan 06 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010
REIDI. NOTA FISCAL. FORMALIDADES.
A pessoa jurídica fornecedora de bens e de serviços destinados a obras de infraestrutura para incorporação ao ativo imobilizado de pessoa jurídica habilitada ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura - REIDI deve fazer constar na nota fiscal de venda de bens e de serviços a informação de que a operação foi efetuada com a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
REIDI. FACULDADE DE UTILIZAÇÃO DO REGIME POR PESSOA JURÍDICA HABILITADA.
Pode a pessoa jurídica habilitada no REIDI efetuar, a seu critério, aquisições e importações fora do regime.
CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF.
O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho.
EMPRESA QUE FABRICA EQUIPAMENTOS SOB ENCOMENDA DESDE A FASE DO PROJETO. SERVIÇOS DE ENGENHARIA, PROJETOS, DESENHOS INDUSTRIAIS, MEDIÇÕES DE TOPOGRAFIA. OUTROS. INSUMO. POSSIBILIDADE. CRÉDITO.
As notas fiscais glosadas que se referem a prestação serviços de engenharia, projetos, desenhos industriais, medições de topografia, entre outros. devem ser revertidas e conhecido o direito ao crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO.
Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação.
TAXA SELIC. CORREÇÃO. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. NOTA CODAR 22/2021. POSSIBILIDADE
Deve-se aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos.
Numero da decisão: 3102-002.668
Decisão: Acordam os membros do colegiado em julgar o recurso da seguinte forma: i) por unanimidade, em conhecer do recurso e dar parcial provimento para: a) reverter as glosas de serviços de engenharia, projetos, desenhos industriais, medições de topografia, entre outros, constante da relação de notas fiscais constante do Relatório de Informação Fiscal; b) aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de PIS e Cofins, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, decorrente de resistência ilegítima, nos termos da Nota CODAR 22/2021; e c) para manter a glosa referente às vendas com tributação suspensa efetuadas para clientes detentores de atos declaratórios executivos do REIDI. Os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Keli Campos de Lima votaram pelas conclusões, por entender que o benefício fiscal não está condicionado a obrigação acessória de constar em nota fiscal a suspensão, conforme defendido pelo relator em seu voto; ii) por maioria, para afastar a proposta de diligência feita pelo conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues a fim intimar o adquirente das máquinas e equipamentos a apresentar documentação contábil em às relação as operações em comento. Vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-002.667, de 24 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.906332/2013-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
Assinado Digitalmente
Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Luiz Carlos de Barros Pereira, Joana Maria de Oliveira Guimaraes, Keli Campos de Lima (suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Karoline Marchiori de Assis, substituída pela conselheira Keli Campos de Lima.
Nome do relator: PEDRO SOUSA BISPO
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NOTA FISCAL. FORMALIDADES. A pessoa jurídica fornecedora de bens e de serviços destinados a obras de infraestrutura para incorporação ao ativo imobilizado de pessoa jurídica habilitada ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura - REIDI deve fazer constar na nota fiscal de venda de bens e de serviços a informação de que a operação foi efetuada com a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. REIDI. FACULDADE DE UTILIZAÇÃO DO REGIME POR PESSOA JURÍDICA HABILITADA. Pode a pessoa jurídica habilitada no REIDI efetuar, a seu critério, aquisições e importações fora do regime. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62 DO ANEXO II DO RICARF. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, conforme decidido no REsp 1.221.170/PR, julgado na sistemática de recursos repetitivos, cuja decisão deve ser reproduzida no âmbito deste Conselho. EMPRESA QUE FABRICA EQUIPAMENTOS SOB ENCOMENDA DESDE A FASE DO PROJETO. SERVIÇOS DE ENGENHARIA, PROJETOS, DESENHOS INDUSTRIAIS, MEDIÇÕES DE TOPOGRAFIA. OUTROS. INSUMO. POSSIBILIDADE. CRÉDITO. As notas fiscais glosadas que se referem a prestação serviços de engenharia, projetos, desenhos industriais, medições de topografia, entre outros. devem ser revertidas e conhecido o direito ao crédito. Fl. 1404DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 2 NÃO-CUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação. TAXA SELIC. CORREÇÃO. RESSARCIMENTO PIS/COFINS. NOTA CODAR 22/2021. POSSIBILIDADE Deve-se aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos. ACÓRDÃO Acordam os membros do colegiado em julgar o recurso da seguinte forma: i) por unanimidade, em conhecer do recurso e dar parcial provimento para: a) reverter as glosas de serviços de engenharia, projetos, desenhos industriais, medições de topografia, entre outros, constante da relação de notas fiscais constante do Relatório de Informação Fiscal; b) aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de PIS e Cofins, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, decorrente de resistência ilegítima, nos termos da Nota CODAR 22/2021; e c) para manter a glosa referente às vendas com tributação suspensa efetuadas para clientes detentores de atos declaratórios executivos do REIDI. Os conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Keli Campos de Lima votaram pelas conclusões, por entender que o benefício fiscal não está condicionado a obrigação acessória de constar em nota fiscal a suspensão, conforme defendido pelo relator em seu voto; ii) por maioria, para afastar a proposta de diligência feita pelo conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues a fim intimar o adquirente das máquinas e equipamentos a apresentar documentação contábil em às relação as operações em comento. Vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3102-002.667, de 24 de julho de 2024, prolatado no julgamento do processo 11080.906332/2013-04, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fabio Kirzner Ejchel, Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Luiz Carlos de Barros Pereira, Joana Maria de Oliveira Fl. 1405DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 3 Guimaraes, Keli Campos de Lima (suplente convocada) e Pedro Sousa Bispo (Presidente). Ausente a conselheira Karoline Marchiori de Assis, substituída pela conselheira Keli Campos de Lima. RELATÓRIO O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 21 de dezembro de 2023. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de Recurso Voluntário, interposto em face de acórdão de primeira instância que julgou improcedente Manifestação de Inconformidade, cujo objeto era a reforma do Despacho Decisório exarado pela Unidade de Origem, que reconhece parcialmente o direito creditório e homologa as compensações pleiteadas até o limite do crédito reconhecido. O pedido é referente ao PER nº 16962.90776.171012.1.5.100139, no qual requer ressarcimento de crédito relativo ao PIS/Pasep não-cumulativo - Receitas não tributadas mercado interno do 2º trimestre de 2010. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa, estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2010 REIDI. NOTA FISCAL. FORMALIDADES. A pessoa jurídica fornecedora de bens e de serviços destinados a obras de infraestrutura para incorporação ao ativo imobilizado de pessoa jurídica habilitada ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra- Estrutura - REIDI deve fazer constar na nota fiscal de venda de bens e de serviços a informação de que a operação foi efetuada com a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. REIDI. FACULDADE DE UTILIZAÇÃO DO REGIME POR PESSOA JURÍDICA HABILITADA. Pode a pessoa jurídica habilitada no REIDI efetuar, a seu critério, aquisições e importações fora do regime. PIS/PASEP E COFINS. INSUMOS. O conceito de insumos para fins de crédito de PIS/Pasep e COFINS é o previsto no § 5° do artigo 66 da Instrução Normativa SRF 247/2002, que se repetiu na IN 404/2004. NÃO-CUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. Fl. 1406DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 4 Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação. NÃO-CUMULATIVIDADE. DEVOLUÇÃO DE VENDAS. RESSARCIMENTO. Os créditos da contribuição relativos às devoluções de vendas no regime da não cumulatividade, por estarem diretamente vinculados ao mercado interno tributado, não podem ser apropriados ao mercado externo, não sendo passíveis de ressarcimento ou compensação. Manifestação de Inconformidade improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em seguida, devidamente notificada, a Recorrente interpôs o presente recurso voluntário pleiteando a reforma do acórdão. Em seu Recurso Voluntário, a Empresa suscitou questões de mérito, apresentando as mesmas argumentações da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. VOTO Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele se deve conhecer. Como antes consignado, o processo trata de pedido de ressarcimento de crédito relativo à Cofins não-cumulativa - Receitas não tributadas mercado interno do 2° trimestre de 2010, que foi deferido parcialmente pela Autoridade Fiscal uma vez que foram identificadas as seguintes irregularidades e pretensões resistidas: a) glosa referente às vendas com tributação suspensa efetuadas para clientes detentores de atos declaratórios executivos do reidi; b) vendas efetuadas para clientes detentores de atos declaratórios executivos do reporto; c) glosa sobre serviços não caracterizados como insumos; d) devolução de vendas - direito ao crédito; e e) correção monetária pela taxa selic ao crédito não reconhecido pelo despacho decisório; O acórdão recorrido manteve integralmente o contido no despacho decisório. Fl. 1407DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 5 Passa-se então à análise das pretensões da Recorrente no mérito em cada item citado. Glosa referente às vendas com tributação suspensa efetuadas para clientes detentores de atos declaratórios executivos do REIDI; Noticia-se nos autos que a Recorrente é fabricante de produtos para movimentação de cargas tais transportadores de correias, tubulares, metálicos, helicoidais, de corrente, carregadores de navios, descarregadores de navios e barcaças, elevadores de caçambas, transportadores flexowell, alimentadores, Moegas móveis, Transportadores do tipo Ropecon, fornecendo em alguns projetos inclusive subestação de energia elétrica denominada eletrocentro. O Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura - Reidi foi instituído pela medida provisória 351/2007 posteriormente convertida na Lei 11.488/2007 beneficiando empresas que tenham projetos aprovados para a implantação de obras de infra estrutura nos setores de transportes, portos, energia e saneamento básico. O referido regime prevê suspensão das contribuições para o Pis/Pasep e para a Cofins quando da venda de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, e de materiais de construção para utilização ou incorporação em obras de infraestrutura destinadas ao ativo imobilizado. Conforme informado nos autos, a empresa recorrente é fabricante destes equipamentos e realizou vendas para empresas beneficiadas pelo REIDI. No procedimento de verificação da certeza e liquidez do crédito pleiteado, o Auditor identificou algumas notas fiscais de venda não faziam à suspensão para empresas que possuíam o REIDI (Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura), posto que não atendiam ao disposto no § 1° do art. 3° da Lei 11.488/2007, o que refletiu na redução dos seus créditos. Eis o dispositivo citado: Art. 3o No caso de venda ou de importação de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos, novos, e de materiais de construção para utilização ou incorporação em obras de infraestrutura destinadas ao ativo imobilizado, fica suspensa a exigência: I - da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - COFINS incidentes sobre a venda no mercado interno quando os referidos bens ou materiais de construção forem adquiridos por pessoa jurídica beneficiária do Reidi; II - da Contribuição para o PIS/Pasep-Importação e da Cofins-Importação quando os referidos bens ou materiais de construção forem importados diretamente por pessoa jurídica beneficiária do Reidi. § 1o Nas notas fiscais relativas às vendas de que trata o inciso I do caput deste artigo deverá constar a expressão Venda efetuada com suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com a especificação do dispositivo legal correspondente. Fl. 1408DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 6 (negrito nosso) A Recorrente, por sua vez, alega que o fato de não ter constado menção expressa nas notas fiscais de que as vendas foram efetuadas com suspensão aparada pelo benefício fiscal do REIDI trata-se de erro meramente formal, suscetível de ser remediado, não afetando a substância do ato a ponto de descaracterizar a venda da forma como efetivamente foi realizada. Não obstante o erro cometido, afirma que trouxe documentação aos autos para comprovar que que as referidas vendas foram realizadas com a suspensão do PIS e da COFINS para empresas detentoras de atos declaratórios Executivos do REIDI, não tendo sido realizado o aproveitamento do crédito pelos adquirentes, sem qualquer lesão ao erário. Nesse sentido, a Recorrente informa que anexou aos autos os contratos de compra venda entre a ora Recorrente e as empresas adquirentes nos quais consta expressamente que a venda será efetuada com a suspensão da incidência de PIS e COFINS, com a especificação do dispositivo legal correspondente, deixando claro que a operação ocorreu sob o amparo do REIDI. Além disso, informa ainda que trouxe aos autos declarações assinadas, com firma reconhecida (DOC. 05 da manifestação de inconformidade), pelos representantes legais das empresas adquirentes, declarando que as empresas adquirentes não realizaram o aproveitamento indevido de créditos decorrentes das operações realizadas com a ora Recorrente. Ainda destaca que em alguns DANFEs (DOC. 06 da manifestação de inconformidade) das operações glosadas foi informado que a venda foi efetuada com a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, com a especificação do dispositivo legal corresponde, sendo que o único motivo para que essas operações fossem glosadas pela fiscalização, é que no arquivo XML não foi constou tal informação. Por fim, conclui afirmando que cumpriu com os requisitos exigidos legislação do Reidi, qual seja, dar publicidade para o adquirente e para o fisco que as operações realizadas estavam sendo realizadas com o benefício do Reidi, sendo que não houve creditamento indevido decorrente dessas operações. Sem razão à Recorrente. Tem-se que a legislação é expressa no sentido de impor o cumprimento de obrigação acessória para poder usufruir do benefício fiscal, sob pena de arcar com as consequências sobre as contribuições não recolhidas nesse tipo de operação, conforme o dispositivo legal anteriormente transcrito, bem como o disposto o Decreto 6.144, de 2007 que regulamentou o Reidi, que detalha essa exigência: Art. 11. Nos casos de suspensão de que trata o inciso I do art. 2a, a pessoa jurídica vendedora ou prestadora de serviços deve fazer constar na nota fiscal o número da portaria que aprovou o projeto, o número do ato que concedeu a habilitação ou a co-habilitacão ao REIDI à pessoa jurídica adquirente e. conforme o caso, a expressão: Fl. 1409DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 7 - "Venda de bens efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com a especificação do dispositivo legal correspondente; ou - "Venda de serviços efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com a especificação do dispositivo legal correspondente. A exigência legal de constar nas notas fiscais relativas às vendas a expressão, é obrigatória para que as aquisições para o Reidi sejam identificadas e se evite o creditamento indevido, uma vez que nem todas as aquisições de bens ou serviços a serem aplicados ou incorporados em obras destinadas ao ativo imobilizado pelas pessoas jurídicas habilitadas necessitam ser com a suspensão em comento, sendo tal opção facultativa em cada operação para essas empresas, conforme dispõe o parágrafo único, art.13, do Decreto nº 6.144/2007. Vale lembrar que a legislação que envolve suspensão de tributos deve ser interpretada literalmente, conforme dispõe o art.111, do CTN, abaixo transcrito: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I - suspensão ou exclusão do crédito tributário; II - outorga de isenção; III - dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. (negrito nosso) Se não consta a referida informação da suspensão na nota fiscal, presume-se que a beneficiária do regime optou por não realizar a operação com o benefício da suspensão, mas entendo que a empresa beneficiária do REIDI possa provar de outras formas hábeis que as operações foram realizadas, de fato, com suspensão. No que concerne aos documentos comprobatórios juntados, tais como, contratos e declarações dos adquirentes, entendo que tais documentos não são hábeis para a comprovação de que efetivamente houve a suspensão nas operações, isso porque, como já se disse, a referida suspensão é facultativa nas operações de aquisições em comento das empresas habilitadas ao REIDI. Não foram trazidos aos autos registros contábeis ou fiscais nos quais ficasse demonstrado que as adquirentes não se creditaram das contribuições nas citadas operações. E quanto a afirmação de que trouxe aos autos cópias de alguns DANFEs nos quais constam a informação da suspensão pelo REIDI, como se sabe esse tipo de documento é um mero resumo das notas fiscais eletrônicas (NFes) que não têm qualquer valor jurídico tal como as NFes, não sendo, por isso, documento hábil para realizar esse tipo de comprovação. Além do que, a Auditoria identificou divergência de dados no campo de informação da suspensão entre o que constava nas DANFEs apresentadas e os arquivos XML1 das notas fiscais eletrônicas. 1 O arquivo XML da NF-e é o formato digital da nota fiscal eletrônica emitida nas vendas de produtos. A sigla significa “eXtensible Markup Language” em inglês, que é basicamente um formato de arquivo universal usado para criar documentos com dados organizados. Fl. 1410DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 8 Por fim, cabe ressaltar que as decisões de outras turmas colegiadas do CARF têm sido nesse mesmo sentido em casos envolvendo a mesma matéria da empresa recorrente, conforme exemplificado nas ementas parciais abaixo transcritas, ambos julgados definitivamente: REIDI. NOTA FISCAL. FORMALIDADES. A pessoa jurídica fornecedora de bens e de serviços destinados a obras de infraestrutura para incorporação ao ativo imobilizado de pessoa jurídica habilitada ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura - REIDI deve fazer constar na nota fiscal de venda de bens e de serviços a informação de que a operação foi efetuada com a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (Acórdão nº3302-0007.577, 3ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, relatoria do Conselheiro Walker Araújo, sessão de 25 de setembro de 2019) REIDI. NOTA FISCAL. FORMALIDADES. A pessoa jurídica fornecedora de bens e de serviços destinados a obras de infraestrutura para incorporação ao ativo imobilizado de pessoa jurídica habilitada ao Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infra-Estrutura - REIDI deve fazer constar na nota fiscal de venda de bens e de serviços a informação de que a operação foi efetuada com a suspensão da exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. REIDI. FACULDADE DE UTILIZAÇÃO DO REGIME POR PESSOA JURÍDICA HABILITADA. Pode a pessoa jurídica habilitada no REIDI efetuar, a seu critério, aquisições e importações fora do regime. (Acórdão nº3201-009.579, 3ª Seção de Julgamento / 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, sessão de 13 de dezembro de 2021, relatoria da Conselheira Mara Sifuentes) Cumpre ressaltar que o acórdão nº3302-0007.577, acima citado, diz respeito ao julgamento de auto de infração decorrente do mesmo procedimento fiscal ora analisado. Diante dos motivos expostos, mantém-se a decisão recorrida. Vendas efetuadas para clientes detentores de atos declaratórios executivos do reporto Por concordar como os seus fundamentos, adoto as considerações do acórdão recorrido como as minhas razões de decidir quanto a este item: A autoridade fiscal entendeu que as vendas à empresa Alunorte - Alumina do Norte do Brasil SA não atenderam as seguintes condições estabelecidas para o Regime Tributário para Incentivo à Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária – Reporto, instituído pela Lei nº 11.033/2004: 1- Vendas de produtos não previstos no Decreto 6.582/2008, e Fl. 1411DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 9 2- Inclusão no campo de observações das notas fiscais, referência ao Ato Declaratório Executivo (ADE) n° 10 de 5 de março de 2007, que apesar de pertencer a Alunorte diz respeito a estabelecimento distinto do adquirente das mercadorias vendidas. Quanto a este segundo item, cumpre esclarecer que na época da emissão das notas fiscais em questão não existia a obrigatoriedade de incluir nelas o número do ato que concedeu a habilitação ou coabilitação ao Reporto à pessoa jurídica adquirente e a expressão “Venda de bens efetuada com suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins”. Tanto a Lei nº 11.033/2004 que instituiu o Reporto quanto nas Ins 477/2004, 709/2007 e 879/2008 que a regulamentaram inicialmente não fizeram tal exigência, o que só se deu com a edição da IN RFB nº 1.370/2013. Em relação ao primeiro item, a empresa alega que “o produto efetivamente comercializado pela Impugnante é um ‘Sistema de Carregamento de Navios composto por Transportadores’, identificados, originalmente, pelo código NCM 8428.33.00, o qual se encontra no rol de mercadorias beneficiadas com a tributação extraordinária. 101. A NCM descrita na nota fiscal (84.31), atinente a partes de máquinas, resultou de um equívoco meramente formal”. Segundo ela, “a natureza da mercadoria pode ser verificada no Contrato firmado com a Empresa Alunorte (fls. 1732 a 1865) onde há a descrição dos bens adquiridos, os quais podem ser visualizados em seu sítio na internet, comprovando-se que se trata de um aparelho completo de movimentação (transportador), sendo correto o seu enquadramento na NCM 8428.33.00, e não de ‘parte’ dele, como refere a NCM 84.31, preenchida erroneamente”. No citado contrato temos que: - a Alunorte - Alumina do Norte do Brasil SA contrata as empresas Tecno Moageira S.A. Equipamentos Agro Industriais (antiga razão social da autuada) – contratada “A”, Bulktech Argentina S/A – contratada “B” e Mac Gregor Bulk AB – contratada “C”, para “fornecimento de equipamentos, montagem, ‘start-up’, operação assistida, treinamento e testes, inclusive engenharia, a preço global, do Sistema de Carregamento de Alumina em Navios para atender o berço 201 da Companhia Docas do Pará, no Porto de Vila do Conde, em Barcarena” (cláusula 1.1), sendo que na cláusula 1.3.1 consta que “a comunicação entre a ALUNORTE e as CONTRATADAS será sempre efetuada através da CONTRATADA ‘A’”. - a cláusula 2.1 estabelece que “o SISTEMA deverá ser fornecido completo, incluindo todos os serviços, equipamentos, materiais, componentes e acessórios para sua instalação e operação, dentro dos limites de bateria especificados, com exceção de serviços ou componentes expressamente excluídos no Anexo II deste CONTRATO. O escopo de fornecimento está descrito no item 3 da Especificação ES-7700-87-R-001 Rev.2 (anexo II deste CONTRATO) e o anexo V deste CONTRATO, Proposta Técnica, e tudo mais que seja considerado necessário pelas CONTRATADAS para a instalação e a operação segura e eficiente do SISTEMA. A especificação ES-7700-87-R-001 Rev.2, doravante referida como ESPECIFICAÇÃO, integra o Anexo II deste CONTRATO” -a cláusula 11.2. estabelece que “O Preço Total do CONTRATO constante no item 11.1, acima, não considera as reduções de impostos de que trata a Lei 11033 de 21/12/2004 relativa a Modernização e à Ampliação da Estrutura Portuária - Fl. 1412DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 10 REPORTO. Caso confirmado, até 30/05/2007, o enquadramento da ALUNORTE para obtenção desse benefício, o Preço Total do CONTRATO será reduzido em R$ 3.707.171,48 (três milhões, setecentos e sete mil, cento e setenta e um reais e quarenta e oito centavos) passando a ser de R$ 44.985.712,65 (quarenta e quatro milhões, novecentos e oitenta e cinco mil, setecentos e doze reais e sessenta e cinco centavos), conforme discriminado na Planilha de Preços. Essa redução será inteiramente aplicada a parcela relativa à CONTRATADA ‘A’ da seguinte forma: 75% (setenta e cinco por cento) na parcela referente a entrega CIF dos equipamentos e os restantes 25% (vinte e cinco por cento) proporcionalmente a cada parcela restante”. Dos excertos acima se depreende que a manifestante foi contratada para fornecer um “Sistema de Carregamento de Alumina em Navios”, em conjunto com outras duas empresas, sendo ela a responsável perante a contratante. Assim, é possível concluir que ela cometeu erro de fato ao preencher o NCM das notas fiscais de fornecimento que deveria ser o do equipamento completo – NCM 8428.33.00 e não o de partes dessas máquinas NCM 8431. Depreende-se ainda que, nos termos da cláusula 11.2, o preço total do contrato foi reduzido tendo em vista que a contratante foi incluída no Reporto e essa redução foi suportada pela manifestante via suspensão das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins. Assim, entendo que a receita das vendas efetuadas pela manifestante à Alunorte - Alumina do Norte do Brasil SA devem ser excluídas da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e Cofins. Cumpre esclarecer que essas exclusões foram efetuadas nas bases de cálculo das contribuições lançadas pelos autos de infração constantes do processo nº 11080.732574/2014-28, cuja impugnação foi julgada na sessão de julgamento de 29/07/2015 quando foi prolatado o Acórdão 09-58150 – 2ª Turma da DRJ/JFA. Neste processo tais exclusões só interferem no cálculo dos percentuais apurados na Informação Fiscal entre receita não tributada sobre receita total. Esses percentuais são os que definem o valor do crédito passível de ressarcimento e/ou compensação. Cumpre ressaltar que, do total do crédito apurado pela fiscalização no período, parte foi considerada como passível de ressarcimento e/ou compensação, sendo esse valor reconhecido à empresa no Despacho Decisório em análise e a outra parte foi deduzida da contribuição lançada no respectivo auto de infração (processo nº 11080.732574/2014-28) como relata a autoridade fiscal no Termo de Constatação (fls. 472/490 daquele processo): “parte deste crédito apesar de não passível de ressarcimento é legitimo e pode ser usado apenas e tão somente para desconto das contribuições para o Pis/Pasep e a Cofins devidas no regime não cumulativo. Neste caso realizou-se ao aproveitamento de ofício de tais créditos para desconto das contribuições, fazendo com que ao final do período fiscalizado inexiste qualquer saldo remanescente de créditos” Assim, o crédito passível de ressarcimento e/ou compensação que possa vir a ser apurado neste Acórdão com a mudança do percentual acima referido, será mantido como dedução da contribuição lançada no respectivo auto de infração por Fl. 1413DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 11 ser mais benéfico à empresa e por atender a legislação de regência que estabelece que só pode ser objeto de ressarcimento e/ou compensação o saldo do crédito que a empresa não conseguir utilizar na dedução da contribuição do período. Forte nos argumentos citados, mantém-se a decisão recorrida. Glosa sobre serviços não caracterizados como insumos Neste tópico, a Fiscalização, com base no conceito restritivo de insumos presente nas IN/RFB 247/2002 e 404/4004, efetuou a glosa de créditos relativos a despesas com serviços de elaboração de projeto específico, do desenho industrial, medição de topografia do local onde será instalado, inspeções de segurança, mão de obra para acompanhamento altimétrico, digitalização de desenhos, entre outros. A Recorrente argui a essencialidade e relevância dos serviços para serem considerados como insumos, haja vista que afirma serem essenciais ao seu processo produtivo e ser obrigada a contratá-los por força de leis e normas de engenharia, construção, segurança e controle ambiental”. Com razão à Recorrente. No que concerne aos bens e serviços utilizados como insumos, a Recorrente sustenta que a glosa de créditos efetuadas e ratificadas pelos julgadores da DRJ, em igual sentido, ancoraram-se em uma interpretação restritiva do conceito de “insumo” para PIS e COFINS, a qual não se coaduna com o princípio da não cumulatividade previsto no parágrafo 12 do artigo 195 da Constituição Federal, a exemplo da posição de expoentes da Doutrina e dos mais recentes julgados proferidos pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF. Para melhor compreensão da matérias envolvida, por oportuno, deve-se apresentar preliminarmente a delimitação do conceito de insumo hodiernamente aplicável às contribuições em comento (COFINS e PIS/PASEP) e em consonância com os artigos 3º, inciso II, das Leis nº10.637/02 e 10.833/03, com o objetivo de se saber quais são os insumos que conferem ao contribuinte o direito de apropriar créditos sobre suas respectivas aquisições. Após intensos debates ocorridos nas turmas colegiadas do CARF, a maioria dos Conselheiros adotou uma posição intermediária quanto ao alcance do conceito de insumo, não tão restritivo quanto o presente na legislação de IPI e não excessivamente alargado como aquele presente na legislação de IRPJ. Nessa direção, a maioria dos Conselheiros têm aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que eles sejam empregados indiretamente. Transcrevo parcialmente as ementas de acórdãos deste Colegiado que referendam o entendimento adotado quanto ao conceito de insumo: REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. Fl. 1414DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 12 No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo apenas os “bens e serviços” que integram o custo de produção. (Acórdão 3402-003.169, Rel. Cons. Antônio Carlos Atulim, sessão de 20.jul.2016) CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. (...). (Acórdão 3403003.166, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014) Essa questão também já foi definitivamente resolvida pelo STJ, no Resp nº 1.221.170/PR, sob julgamento no rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), que estabeleceu conceito de insumo que se amolda aquele que vinha sendo usado pelas turmas do CARF, tendo como diretrizes os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a ementa do julgado que expressa o entendimento do STJ: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto Fl. 1415DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 13 compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Vale reproduzir o voto da Ministra Regina Helena Costa, que considerou os seguintes conceitos de essencialidade ou relevância da despesa, que deve ser seguido por este Conselho: Essencialidade, que diz respeito ao item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço, constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço, ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência; Relevância, considerada como critério definidor de insumo, é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja pelas singularidades de cada cadeia produtiva (v.g., o papel da água na fabricação de fogos de artifício difere daquele desempenhado na agroindústria), seja por imposição legal (v.g.,equipamento de proteção individual EPI), distanciando-se, nessa medida, da acepção de pertinência, caracterizada, nos termos propostos, pelo emprego da aquisição na produção ou na execução do serviço. Dessa forma, para se decidir quanto ao direito ao crédito de PIS e da COFINS não- cumulativo é necessário que cada item reivindicado como insumo seja analisado em consonância com o conceito de insumo fundado nos critérios de essencialidade e/ou relevância definidos pelo STJ, ou mesmo, se não se trata de hipótese de vedação ao creditamento ou de outras previsões específicas constantes nas Leis nºs 10.637/2002, 10.833/2003 e 10.865/2005, para então se definir a possibilidade de aproveitamento do crédito. Embora o referido Acórdão do STJ não tenha transitado em julgado, de forma que, pelo Regimento Interno do CARF, ainda não vincularia os membros do CARF, a Procuradoria da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF2, com a aprovação da dispensa de contestação e 2 Portaria Conjunta PGFN /RFB nº1, de 12 de fevereiro de 2014 (Publicado(a) no DOU de 17/02/2014, seção 1, página 20) Art. 3º Na hipótese de decisão desfavorável à Fazenda Nacional, proferida na forma prevista nos arts. 543-B e 543-C do CPC, a PGFN informará à RFB, por meio de Nota Explicativa, sobre a inclusão ou não da matéria na lista de dispensa de contestar e recorrer, para fins de aplicação do disposto nos §§ 4º, 5º e 7º do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e nos Pareceres PGFN/CDA nº 2.025, de 27 de outubro de 2011, e PGFN/CDA/CRJ nº 396, de 11 de março de 2013. § 1º A Nota Explicativa a que se refere o caput conterá também orientações sobre eventual questionamento feito pela RFB nos termos do § 2º do art. 2º e delimitará as situações a serem abrangidas pela decisão, informando sobre a existência de pedido de modulação de efeitos. § 2º O prazo para o envio da Nota a que se refere o caput será de 30 (trinta) dias, contado do dia útil seguinte ao termo final do prazo estabelecido no § 2º do art. 2º, ou da data de recebimento de eventual questionamento feito pela RFB, se este ocorrer antes. § 3º A vinculação das atividades da RFB aos entendimentos desfavoráveis proferidos sob a sistemática dos arts. 543-B e 543-C do CPC ocorrerá a partir da ciência da manifestação a que se refere o caput. Fl. 1416DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 14 recursos sobre o tema, com fulcro no art. 19, IV, da Lei nº 10.522, de 2002, 3 c/c o art. 2º, V, da Portaria PGFN nº 502, de 2016, o que vincula a Receita Federal nos atos de sua competência. Nesse mesmo sentido, a Secretaria da Receita Federal do Brasil emitiu o Parecer Normativo nº 5/2018, com a seguinte ementa: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: § 4º A Nota Explicativa a que se refere o caput será publicada no sítio da RFB na Internet. § 5º Havendo pedido de modulação de efeitos da decisão, a PGFN comunicará à RFB o seu resultado, detalhando o momento em que a nova interpretação jurídica prevaleceu e o tratamento a ser dado aos lançamentos já efetuados e aos pedidos de restituição, reembolso, ressarcimento e compensação. (...) 3 LEI No 10.522, DE 19 DE JULHO DE 2002. Art. 19. Fica a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional autorizada a não contestar, a não interpor recurso ou a desistir do que tenha sido interposto, desde que inexista outro fundamento relevante, na hipótese de a decisão versar sobre: (Redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004) (...) II - matérias que, em virtude de jurisprudência pacífica do Supremo Tribunal Federal, do Superior Tribunal de Justiça, do Tribunal Superior do Trabalho e do Tribunal Superior Eleitoral, sejam objeto de ato declaratório do Procurador-Geral da Fazenda Nacional, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) III -(VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543-B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil; (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) V - matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos art. 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 - Código de Processo Civil, com exceção daquelas que ainda possam ser objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) (...) § 4o A Secretaria da Receita Federal do Brasil não constituirá os créditos tributários relativos às matérias de que tratam os incisos II, IV e V do caput, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 5o As unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil deverão reproduzir, em suas decisões sobre as matérias a que se refere o caput, o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) § 6o - (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) § 7o Na hipótese de créditos tributários já constituídos, a autoridade lançadora deverá rever de ofício o lançamento, para efeito de alterar total ou parcialmente o crédito tributário, conforme o caso, após manifestação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional nos casos dos incisos IV e V do caput. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) Fl. 1417DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 15 a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. No caso concreto, observa-se que o Auditor Fiscal e o acórdão recorrido aplicaram integralmente o conceito mais restritivo aos insumos – aquele que se extrai dos atos normativos expedidos pela RFB (Instruções Normativas da SRF ns.247/2002 e 404/2004), já declarados ilegais pela decisão do STJ sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015). Assim, em face da superveniência do REsp nº 1.221.170/PR, carecem os autos da comprovação do eventual enquadramento dos itens glosados no conceito de insumo segundo os critérios da essencialidade ou relevância. A Recorrente tem como atividade a fabricação de máquinas, equipamentos e aparelhos para transporte e elevação de cargas, peças e acessórios, para a agricultura e pecuária e, para indústria em geral, fornecendo-os prontos para serem utilizados. Explica ainda que desenvolve soluções em regime de "tum key', ou seja, o cliente contrata a TMSA para realizar um projeto em todas as etapas, desde a consultoria, elaboração do projeto, infraestrutura, implantação, até a operação final do objeto contratual — regime conhecido pela contratação de uma única empresa, a fim de eliminar problemas diversos causados pela contratação de diversos prestadores em uma só obra ou projeto, sendo que antes da fabricação do maquinário é necessário o cumprimento de etapas como a elaboração de projeto específico, do desenho industrial, medição do local onde será instalado, inspeções de segurança, dentre outros serviços meio, para se atingir o fim desejado/contratado — sendo todos contratados junto a pessoas jurídicas, já que não possui pessoal qualificado para atender a todas demandas e, aplicados na produção/prestação de serviços efetuada pela Recorrente. Cita, ainda, disposição legal (Lei nº 5.194/66) que obriga, nos casos de prestação de serviços vinculados à engenharia, arquitetura e obras em geral a contratação de profissional habilitado. Em seu recurso, a Recorrente assim descreve a utilização dos serviços glosados: ● Serviço de topografia: Os serviços de topografia são necessários para se obter o posicionamento correto dos equipamentos em seu local de instalação, obedecendo a sua locação definida nos desenhos da planta. Devido as grandes dimensões dos produtos fornecidos, torna-se indispensável ao processo de instalação este tipo de Fl. 1418DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 16 serviço. Para esta locação e posteriormente a sua conferencia, foi contratado o referido serviço de topografia. ● Mão de obra para acompanhamento altimétrico: O acompanhamento altimétrico é uma parte do serviço de topografia, necessário para se obter o posicionamento correto dos equipamentos em seu local de instalação, obedecendo a sua locação definida nos desenhos da planta. Devido as grandes dimensões dos produtos fornecidos, torna-se indispensável ao processo de instalação o serviço de topografia, e consequentemente o acompanhamento altimétrico. Para esta locação e posteriormente a sua conferencia, foi contratado o referido serviço de topografia. ● Montagem e desmontagem (Andaimes): Andaimes são dispositivos necessários para a montagem dos equipamentos, na medida em que dão condições de acesso dos profissionais montadores aos diversos níveis de altura dos mesmos. Sem a montagem dos andaimes é impossível a utilização dos mesmos na montagem/instalação dos produtos fornecidos, que é de responsabilidade da TMSA . Desta maneira, o fornecedor prestou o serviço de montar o equipamento para a utilização pelos montadores, e após a sua utilização a desmontagem dos mesmos. ● Digitalização de desenhos: Faz parte contratual do escopo de nosso fornecimento a entrega ao cliente de um documento chamado "Data-Book" que contem todos os desenhos, manuais de componentes, relatórios de inspeções de qualidade, certificados de procedência de matérias-primas. Este documento tem a finalidade de comprovar que o que foi fornecido atende plenamente as normas técnicas vigentes, e ao que foi contratado pelo cliente. Este data-book é fornecido em uma copia física e uma digital, e para a montagem desta ultima, todos os documentos relatados acima que são recebidos das mais variadas formas, foram passadas para o meio digital pela prestadora de serviço contratada, pois não dispomos do equipamento necessário para tal. ● Inspeção por Ultrasom: No processo produtivo de alguns componentes de nossos equipamentos, são utilizadas operações de solda, para união de peças. Para o atendimento das normas vigentes, é obrigatória a inspeção da qualidade destas soldas realizadas, sendo que o processo indicado para tal é através da utilização de dispositivo de verificação por ultrasom. Como não dispomos deste equipamento e profissionais certificados para sua utilização em nosso corpo de colaboradores, contratamos a empresa prestadora deste tipo de serviço para a execução destas atividades. ● Tratamento Fitossanitário em madeira: Para o transporte de partes e peças dos equipamentos até o seu local de montagem, utilizamos obrigatoriamente para o seu acondicionamento embalagens normalmente feitas utilizando madeira. Nas operações de exportação, em alguns destinos são exigidos que as madeiras utilizadas estejam comprovadamente livres da existência de quaisquer tipos de fungos. Desta maneira para esta comprovação, é indispensável a contratação deste serviço de tratamento fitossanitário das madeiras que utilizamos, com a emissão do laudo de comprovação do tratamento da madeira. ● Serviços Hidráulicos: No equipamento fornecido, por questões técnicas obrigatoriamente teve de ser utilizado na movimentação das partes moveis, tal como lança de guindastes, o acionamento através de dispositivos que utilizam Fl. 1419DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 17 energia hidráulica. Para este tipo de instalação se requer profissionais com comprovada experiência nesta técnica, os quais não dispomos em nosso corpo de colaboradores. Desta maneira foi contratado o prestador de serviço para o projeto e execução deste escopo. ● Serviços de Engenharia - Elaboração de projetos: Para o atendimento do escopo contratual, uma fase obrigatória do processo é a de projeto e desenho dos diversos componentes, para atendimento da necessidade dos clientes, de acordo com sua demanda, realizado dentro do âmbito da área de engenharia de projeto, a qual detém os profissionais adequados para tal. Nos casos em que ocorra a necessidade de projeto especifico como no caso de um sistema de proteção contra incêndio ou em que ocorra sobrecarga na área de engenharia, são contratadas empresas prestadoras de serviço, as quais detém a experiência necessária para a execução destas atividades. ● Serviços de Engenharia – Detalhamento: O detalhamento faz parte do projeto de engenharia do produto, para o atendimento do escopo contratual, uma fase obrigatória do processo é a de projeto e desenho dos diversos componentes, realizado dentro do âmbito da área de engenharia de projeto, a qual detém os profissionais adequados para tal. Nos casos em que ocorra sobrecarga na área de engenharia, são contratadas empresas prestadoras de serviço, as quais detém a experiência necessária para a execução desta atividades. ● Serviços de Engenharia - Calculo Estatístico (Memorial de calculo estatístico): Para o atendimento do escopo contratual, uma fase obrigatória do processo é a de projeto e desenho dos diversos componentes, realizado dentro do âmbito da área de engenharia de projeto, a qual detém os profissionais adequados para tal. Nos casos em que ocorra a necessidade de projeto especifico como no caso de um calculo de estrutura metálica, são contratadas empresas prestadoras de serviço, as quais detém a experiência necessária para a execução desta atividades. ● Medição: As medições informadas nos documentos fiscais, são na verdade, um acompanhamento da evolução dos serviços de topografia, para fins de cobrança. Os serviços de topografia são necessários para se obter o posicionamento correto dos equipamentos em seu local de instalação, obedecendo a sua locação definida nos desenhos da planta. Para esta locação e posteriormente a sua conferencia, foi contratado o referido serviço de topografia. ● Montagem e desmontagem (Maquinas de pré-limpeza e sistema de aspiração): Quando no escopo de fornecimento conste a necessidade de substituição dos equipamentos/ maquinas existentes por novos, se faz necessário primeiramente os serviços de desmontagem do equipamento existente, para a posterior montagem no mesmo local dos equipamentos novos. Para esta operação foi contratado o prestador de serviço. ● Corte e costura de lona: No equipamento fornecido, por questões técnicas obrigatoriamente deve ser utilizado na interligação das partes moveis, dispositivos que permitam o isolamento das vibrações entre componentes sem os quais ocorre a ruptura dos mesmos. Para a execução deste tipo de componente, com a utilização de lona flexível se requer profissionais com comprovada experiência nesta técnica, os quais não dispomos em nosso corpo de colaboradores. Desta maneira foi contratado o prestador de serviço para a execução desta atividade. Fl. 1420DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 18 ● Conserto e reparo de equipamento - Sew Eurodrive: Nos equipamentos de nosso fornecimento são utilizados componentes de diversos fornecedores. No caso especifico se trata de um redutor de velocidade o qual sofreu um dano que impedia o seu correto funcionamento, e desta maneira obrigatoriamente teve que ser consertado. Para o reparo necessário foi contratado o serviço da assistência técnica do próprio fabricante. ● Construção de uma fornalha em alvenaria, em Nova mutum - MT, com tijolos comuns, refratários e ferragens: Para o funcionamento do equipamento fornecido se faz necessário a utilização de um fluxo de ar aquecido. No caso deste projeto o aquecimento do fluxo de ar se faz através da queima de madeira em uma fornalha especifica para tal. Para a construção desta fornalha foi contratado o prestador de serviço com a experiência necessária para a correta execução da mesma. ● Manutenção de computadores da Engenharia: Para o atendimento do escopo contratual, uma fase obrigatória do processo é a de projeto e desenho dos diversos componentes, realizado dentro do âmbito da área de engenharia de projeto, a qual detém os profissionais adequados para tal. Para a execução das atividades da engenharia necessariamente são utilizados computadores. Para que não ocorram interrupções destas atividades, com o consequente atraso na entrega dos escopos, é imprescindível um programa de manutenção dos computadores utilizados, e para tal foi contratado a empresa prestadora deste serviço, a qual detém a experiência necessária para a execução destas atividades. Em vista das circunstâncias em que tais serviços são utilizados, qual seja, na produção e instalação de equipamentos, como se observa tais serviços se inserem no processo produtivo da recorrente, sendo essenciais ou relevantes à sua atividade produtiva, devendo-se, por isso, admitir tais despesas de serviços como insumo na produção dos bens vendidos. Por fim, cabe alertar que em julgamentos mais recentes realizados pela DRJ, envolvendo a mesma matéria da empresa recorrente, os processos foram baixados em diligências para que a Autoridade Fiscal adequasse o despacho decisório ao conteúdo do Parecer Normativo nº05/2018. Como resultado das diligências foram admitidos os créditos aqui discutidos neste tópico. Assim, devem ser revertidas as glosas de crédito calculados sobre serviços de engenharia, projetos, desenhos industriais, medições de topografia, entre outros, constante da Relação de Notas Fiscais constante do Relatório de Informação Fiscal, e-fls.295 a 299. Devolução de vendas Neste tópico, a Fiscalização afirma que durante o período fiscalizado o Contribuinte apurou créditos sobre devolução de vendas de produtos sujeitos à tributação de Pis/Pasep e Cofins, no entanto, deixou de observar que tais créditos não podem fazer parte da base de cálculo dos créditos vinculados à receitas não tributadas no mercado interno, devendo ser excluídos portanto da base de cálculo sujeita ao rateio proporcional de créditos uma vez que tais créditos são vinculados unicamente a receita tributada de vendas no mercado interno. Fl. 1421DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 19 A Empresa alega que toma crédito com base no método “Base na Proporção da Receita Bruta Auferida”, ela irá aplicar os percentuais, obtidos conforme a proporcionalidade de sua saída, sobre a sua base de crédito, a qual compreende as devoluções de venda. Sem razão à Recorrente. Como é cediço, a referida proporção, ou critério de rateio, deve ser aplicada apenas naqueles casos em que as despesas geradoras de créditos são comuns para obtenção da receita tributada e da não tributada, conforme prevê os § 7º e § 8º, do artigo 3º das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03. Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) VIII - bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; (...) § 7º Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitar-se à incidência não-cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8º Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I - apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II - rateio proporcional, aplicando-se aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência não- cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (negrito nosso) Como se observa no dispositivo transcrito, é prevista a possibilidade de crédito na devolução de produtos tributáveis. Ou seja, todo o crédito relativo a devolução de vendas está relacionado unicamente a receita tributada. Dessa forma, as devoluções de vendas não se tratando de despesa ou encargo utilizado em comum para obter receitas tributáveis e não tributáveis no mercado interno e exportação, visto que está exclusivamente relacionada à receita tributada no mercado interno, não há que se cogitar dessa rubrica entrar na base de cálculo dos crédito a ressarcir para efeito de aplicação do percentual de rateio. Desta feita, deve ser mantida a glosa operada pela Autoridade Fiscal. Fl. 1422DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 20 Correção monetária pela taxa selic ao crédito não reconhecido pelo despacho decisório Essa correção, recentemente, foi admitida pela Secretária da Receita Federal, por meio da Nota Codar nº 22/2021, que trata da aplicação da Selic aos pedidos de ressarcimento e não compensação de ofício de débitos parcelados a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, em face da resistência ilegítima do Fisco, conforme trecho abaixo transcrito: O SIEF Processos passa também a aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de IPI, PIS, Cofins e Reintegra, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, considerando Parecer PGFN/CAT nº 3.686, de 17 de junho de 2021, em atenção à tese fixada pelo Superior Tribunal do Justiça em relação à incidência de juros compensatórios, na hipótese de não haver o ressarcimento de créditos. Desta feita, o Contribuinte faz jus à correção pela SELIC nos termos estabelecidos na Nota Codar nº 22/2021. Diante do exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário para reverter as glosas de serviços de engenharia, projetos, desenhos industriais, medições de topografia, entre outros, constante da Relação de Notas Fiscais constante do Relatório de Informação Fiscal, e-fls.295 a 299. Bem como, aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de PIS e Cofins, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, decorrente de resistência ilegítima, nos termos da Nota CODAR 22/2021. Conclusão Importa registrar que as situações fática e jurídica destes autos se assemelham às verificadas na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas, não obstante os dados específicos do processo paradigma eventualmente citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 87 do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de conhecer do recurso e dar parcial provimento para: a) reverter as glosas de serviços de engenharia, projetos, desenhos industriais, medições de topografia, entre outros, constante da relação de notas fiscais constante do Relatório de Informação Fiscal; b) aplicar a Selic aos créditos de ressarcimento de PIS e Cofins, a partir do 361º dia após a transmissão do pedido à parcela do crédito deferido e ainda não ressarcido ou compensado, decorrente de resistência ilegítima, nos termos da Nota CODAR 22/2021. Assinado Digitalmente Pedro Sousa Bispo – Presidente Redator Fl. 1423DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3102-002.668 – 3ª SEÇÃO/1ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11080.906334/2013-95 21 Fl. 1424DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 15444.720109/2018-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 02/01/2014 a 16/06/2015
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA.
Uma vez demonstrada a ocorrência de erro material na identificação do período de apuração, acolhem-se os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para corrigi-lo.
Numero da decisão: 3201-012.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para alterar o período de apuração constante da ementa do acórdão embargado para 02/01/2014 a 16/06/2015, conforme consta do auto de infração e do acórdão de primeira instância.
(documento assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente).
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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conteudo_txt : Metadados => date: 2025-01-02T11:17:20Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2025-01-02T11:17:20Z; Last-Modified: 2025-01-02T11:17:20Z; dcterms:modified: 2025-01-02T11:17:20Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2025-01-02T11:17:20Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2025-01-02T11:17:20Z; meta:save-date: 2025-01-02T11:17:20Z; pdf:encrypted: false; modified: 2025-01-02T11:17:20Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2025-01-02T11:17:20Z; created: 2025-01-02T11:17:20Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2025-01-02T11:17:20Z; pdf:charsPerPage: 1586; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: SERVIÇO FEDERAL DE PROCESSAMENTO DE DADOS (SERPRO) using ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2025-01-02T11:17:20Z | Conteúdo => D O C U M E N T O V A L ID A D O MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais PROCESSO 15444.720109/2018-52 ACÓRDÃO 3201-012.216 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA SESSÃO DE 18 de dezembro de 2024 RECURSO EMBARGOS EMBARGANTE AMERICANAS S/A - EM RECUPERAÇÃO JUDICIAL INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 02/01/2014 a 16/06/2015 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIO. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. Uma vez demonstrada a ocorrência de erro material na identificação do período de apuração, acolhem-se os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para corrigi-lo. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para alterar o período de apuração constante da ementa do acórdão embargado para 02/01/2014 a 16/06/2015, conforme consta do auto de infração e do acórdão de primeira instância. (documento assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marcelo Enk de Aguiar, Flávia Sales Campos Vale, Rodrigo Pinheiro Lucas Ristow, Bárbara Cristina de Oliveira Pialarissi, Fabiana Francisco de Miranda e Hélcio Lafetá Reis (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte acima identificado em face do acórdão nº 3201-011.556, de 29/02/2024, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 01/01/2014 a 30/06/2015 Fl. 37896DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.216 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15444.720109/2018-52 2 IMPORTAÇÃO POR ENCOMENDA. OCULTAÇÃO DO REAL ENCOMENDANTE. SIMULAÇÃO. DANO AO ERÁRIO. MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. Constatada a ocorrência de ocultação do real encomendante, mediante simulação, aplica-se a multa substitutiva da pena de perdimento na hipótese de impossibilidade de apreensão das mercadorias importadas, por se configurar dano ao Erário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2014 a 30/06/2015 INFRAÇÃO NA IMPORTAÇÃO. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LEGITIMIDADE PASSIVA. Respondem pela infração, conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática ou dela se beneficie, tenha interesse comum na situação que constitui o fato gerador da penalidade ou por previsão expressa de lei. MULTA POR DANO AO ERÁRIO. MULTA POR ERRO DE PREENCHIMENTO DA DI. PENALIDADES DISTINTAS. Não se confundem a multa por dano ao Erário e a multa por erro no preenchimento da Declaração de Importação (DI), dado se tratar de hipóteses de incidência distintas, exigíveis de forma independente a depender dos fatos apurados. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2014 a 30/06/2015 NULIDADE. EXIGÊNCIA DE MULTA SUBSTITUTIVA DA PENA DE PERDIMENTO. AUDITOR-FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil detém competência legal e regimental para lançar e exigir a multa substitutiva da pena de perdimento. A decisão da turma foi assim registrada: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros Mateus Soares de Oliveira e Joana Maria de Oliveira Guimarães, que lhe davam provimento. O conselheiro Mateus Soares de Oliveira manifestou interesse em apresentar Declaração de Voto. Os autos versam sobre auto de infração lavrado em nome de Lojas Americanas S/A relativo à multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, substitutiva da pena de perdimento em razão da impossibilidade de sua apreensão, tendo por fundamento o art. 689, Fl. 37897DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.216 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15444.720109/2018-52 3 inciso XXII, e § 1º, do Decreto nº 6.759/2009, o art. 105, inciso XXII, do Decreto-lei nº 37/1966 e o art. 23, caput, e § 1º do Decreto-lei nº 1.455/1976. A Delegacia de Julgamento (DRJ), a par da Impugnação apresentada pelo contribuinte contestando o lançamento de ofício, decidiu por manter o crédito tributário, vindo o contribuinte a interpor Recurso Voluntário, reafirmando seu direito, recurso esse julgado improcedente. Nos Embargos de Declaração, o Embargante alegou a ocorrência dos seguintes vícios no acórdão embargado: a) contradição entre os fundamentos do acórdão embargado, uma vez que de um lado se afirma ser irrelevante a questão tributária subjacente, de outro concluiu que o suposto “esquema artificioso” seria voltado, exclusivamente, à obtenção de benefícios fiscais, como a quebra de cadeia do IPI; b) grave contradição da decisão embargada, vez que faz remissão ao Acórdão 3402-007.149 cujos fundamentos em momento algum ensejam a não aplicação da SC 158/21; c) nulidade do acórdão por utilização de prova emprestada sem o respeito ao contraditório prévio; d) omissão em relação à Nota Coana nº 76/2020, não apreciada no acórdão embargado; e) erro na indicação do período de apuração. No despacho de admissibilidade dos Embargos de Declaração, o Presidente da turma manifestou-se no sentido de acolher apenas a alegação de erro na indicação do período de apuração, refutando-se todos os demais vícios apontados, cujas razões de decidir podem ser consultadas no documento de fls. 37.882 a 37.894. É o relatório. VOTO Conselheiro Hélcio Lafetá Reis - Relator Conforme acima relatado, trata-se de Embargos de Declaração opostos pelo contribuinte acima identificado em face do acórdão nº 3201-011.556, de 29/02/2024, tendo o Presidente da turma acolhido apenas a alegação de erro na indicação do período de apuração, refutando-se todos os demais vícios apontados. No acórdão embargado, constou como período de apuração do lançamento de ofício o seguinte: 01/01/2014 a 30/06/2015. Fl. 37898DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3201-012.216 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 15444.720109/2018-52 4 No acórdão de primeira instância, por sua vez, constou como período de apuração 02/01/2014 a 16/06/2015. Consultando-se o auto de infração, verifica-se que o agente fiscal consignou os fatos geradores ocorridos no período de 02/01/2014 a 16/06/2015, da mesma forma que a DRJ. Nesse contexto, considerando-se que, efetivamente, ocorreu erro material na identificação do período de apuração do acórdão embargado, acolhem-se os Embargos de Declaração, sem efeitos infringentes, apenas para alterar o período de apuração constante da ementa do acórdão embargado para 02/01/2014 a 16/06/2015, conforme consta do auto de infração e do acórdão de primeira instância. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis– Relator Fl. 37899DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11516.003605/2006-62
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004
Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA.
Compete à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3803-001.945
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: JOÃO ALFREDO EDUÃO FERREIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2004 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. JULGAMENTO. COMPETÊNCIA. Compete à Primeira Seção do CARF processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação da legislação dos demais tributos, quando derivados de procedimentos conexos, decorrentes ou reflexos, assim compreendidos os referentes às exigências que estejam lastreadas em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ. Recurso Voluntário Não Conhecido. Crédito Tributário Mantido
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Numero do processo: 10580.734026/2011-96
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Dec 16 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA.
A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos acumuladamente deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente.
JUROS DE MORA SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. NÃO INCIDÊNCIA. SUMULA CARF 198.
Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função.
Numero da decisão: 2002-009.147
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto devido sobre os valores recebidos na ação judicial trabalhista excluindo da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora sobre os valores apurados, bem como aplicar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos (regime de competência).
Assinado Digitalmente
Marcelo de Souza Sateles - Presidente
Assinado Digitalmente
Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Ausente o Conselheiro João Maurício Vital.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos acumuladamente deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. NÃO INCIDÊNCIA. SUMULA CARF 198. Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função.
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REGIME DE COMPETÊNCIA. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL (STF). RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE) Nº 614.406/RS. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. A decisão definitiva de mérito no RE nº 614.406/RS, proferida pelo STF na sistemática da repercussão geral, deve ser reproduzida pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. O imposto de renda incidente sobre os rendimentos acumulados percebidos acumuladamente deve ser apurado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram tais rendimentos tributáveis, calculado de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente. JUROS DE MORA SOBRE VERBAS PAGAS A DESTEMPO. NÃO INCIDÊNCIA. SUMULA CARF 198. Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acórdão os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para determinar o recálculo do imposto devido sobre os valores recebidos na ação judicial trabalhista excluindo da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora sobre os valores apurados, bem como aplicar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos (regime de competência). Fl. 89DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.147 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.734026/2011-96 2 Assinado Digitalmente Marcelo de Souza Sateles - Presidente Assinado Digitalmente Ricardo Chiavegatto de Lima – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros André Barros de Moura, Carlos Eduardo Avila Cabral, Ricardo Chiavegatto de Lima, Marcelo de Sousa Sateles (Presidente). Ausente o Conselheiro João Maurício Vital. RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário (e-fls. 67 e ss.), interposto contra o Acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (e-fls. 52 e ss.) que considerou, por unanimidade de votos, improcedente a Impugnação do contribuinte apresentada diante de Notificação de Lançamento (e-fls. 19 e ss.), lavrada pela constatação de Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista. Adota-se o Relatório da DRJ, abaixo transcrito, por esclarecer os fatos ocorridos: Do Lançamento ... Segundo a descrição dos fatos e o enquadramento legal (fl. 21), o lançamento de ofício decorre da seguinte infração: (Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica, Decorrentes de Ação Trabalhista Fl. 90DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.147 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.734026/2011-96 3 A ciência lançamento foi efetuada em 24/11/2011 (fl. 45), por meio de Aviso de Recebimento dos Correios. Da Impugnação Inconformado com a Notificação de Lançamento, o sujeito passivo, por seu procurador, protocolou impugnação em 19/12/2011 (fls. 02/15), por meio da qual alega o que se segue: · A legitimidade de cobrar imposto de renda sobre os rendimentos recebidos não pertence à União Federal, mas, sim, ao Estado da Bahia, nos termos do art. 157, inciso I, da Constituição Federal. · A Secretaria Receita Federal se esquivou de observar a decisão proferida e transitada em julgado do Tribunal Regional do Trabalho da 5a Região, Acórdão de n° 15022 – ementa abaixo: ... Diante da presente decisão proferida nos autos do processo de n° 1966.1987.004.05.00-2, por meio de Agravo de Petição apresentado pelos Reclamantes (Contribuinte), não se pode aceitar que a Secretaria da Receita Federal ignore o mandamento judicial. Não há dúvidas quanto à competência da Justiça do Trabalho na definição da natureza jurídica das parcelas deferidas, e por consequência, na definição do montante em torno da incidência do imposto de renda na fonte sobre o valor resultante do título executivo judicial proferido pela mesma. Não cabe à Secretaria da Receita Federal ignorar mandamento judicial, sob pena de violar a Constituição Federal. Há de ser anulado o lançamento sobre o rendimento dito como omisso, pois o mesmo corresponde às parcelas de natureza indenizatória, sobre o qual não incide, portanto, Imposto de Renda, conforme decisão do Tribunal Regional do Trabalho. Os juros de mora e a correção monetária são incompatíveis com o conceito de renda. Não é possível a incidência de imposto de renda sobre os juros de mora decorrentes do atraso no pagamento de verbas de natureza trabalhista reconhecidas por decisão judicial. A decisão em comento já transitou em julgado, de forma que nenhum argumento trazido pela Receita Federal será suficiente para desconsiderar matéria protegida pela coisa julgada, sob pena de gerar uma verdadeira insegurança jurídica. É inaplicável a incidência exposta no Decreto 3.000/99, pois viola a legalidade ao determinar a incidência de Imposto de Renda sobre juros de mora. No caso do IR, diante da nova Instrução Normativa RFB n° 1.127/11, expedida em cumprimento ao artigo 12-A da Lei/7.713/88 (Incluído pela Lei n° 12.350, de Fl. 91DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.147 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.734026/2011-96 4 2010), o cômputo do IRRF deve observar as normas ali traçadas, por se tratar de rendimentos recebidos acumuladamente, cabendo a tributação, quando correspondente a anos-calendário anteriores ao do recebimento, exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. A presente cobrança não se pauta e nem respeita o Princípio da Segurança Jurídica, pois o contribuinte está sendo lesionado pela Receita Federal, que faz cobrança de tributos sobre parcelas já declaradas como indenizatórias pela Justiça do Trabalho. Mesmo que se considere que houve omissão, a referida ocorreu por responsabilidade da fonte pagadora de retenção e recolhimento do Imposto de Renda, de modo que se deve excluir a responsabilidade do contribuinte. Nesse passo, é indevida a imposição de multa ao contribuinte quando não há, por parte dele, intenção deliberada de omitir os valores devidos a título de imposto de renda ou de não os recolher. A multa aplicada é altamente desproporcional e se mostra confiscatória. Mesmo que incida multa, esta deve respeitar os princípios constitucionais, devendo ser aplicada a norma mais benéfica ao contribuinte (20% - art. 59 da Lei 8.383/91). Ao final, requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. É o relatório. O Acórdão guerreado foi prolatado com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA - IRPF Exercício: 2010 COMPETÊNCIA TRIBUTÁRIA. A destinação constitucional do produto da arrecadação do imposto de renda sobre os rendimentos pagos pelos Estados e suas autarquias não afeta a competência da União para legislar e administrar o tributo. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE No caso de rendimentos recebidos acumuladamente em decorrência de decisão judicial, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. JUROS DE MORA. CORREÇÃO MONETÁRIA. NATUREZA TRIBUTÁVEL. Fl. 92DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.147 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.734026/2011-96 5 Os rendimentos referentes a juros de mora e correção monetária recebidos acumuladamente por força de decisão judicial estão sujeitos à incidência do imposto de renda, quando do seu recebimento, se o principal a que estão correlacionados não possuir natureza isenta ou não tributável. IRRF. ANTECIPAÇÃO DO IMPOSTO APURADO PELO CONTRIBUINTE. RESPONSABILIDADE. Quando a incidência na fonte tiver a natureza de antecipação do imposto a ser apurado pelo contribuinte, a responsabilidade da fonte pagadora pela retenção e recolhimento do imposto extingue-se, no caso de pessoa física, no prazo fixado para a entrega da declaração de ajuste anual. MULTA DE OFÍCIO. CONSTITUCIONALIDADE. CONFISCO. A multa de ofício é devida por força de lei, aplicável com base no princípio da presunção de legalidade e constitucionalidade das leis e da vinculação do ato administrativo do lançamento. INCONSTITUCIONALIDADE No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS É vedada a extensão administrativa dos efeitos de decisões judiciais contrárias à orientação estabelecida para a administração direta e autárquica em atos de caráter normativo ordinário. Cientificado da decisão de primeira instância em 15/10/2015 (AR e-fl. 65), o sujeito passivo interpôs, em 27/10/2015 (protocolo e-fl. 67), Recurso Voluntário, alegando a improcedência da decisão recorrida, sustentando, em apertada síntese, que: a) a multa aplicada pela autoridade fiscal possui caráter confiscatório b) os rendimentos recebidos acumuladamente de ação trabalhista devem ser tributados sob o regime de competência, aplicando-se as tabelas de valores e alíquotas, mês a mês, das épocas próprias a que se referem os rendimentos e não sobre o montante global c) não incide imposto de renda sobre os juros moratórios incidentes sobre rendimentos recebidos acumuladamente d) o(a) recorrente obteve decisão judicial favorável ao seu pleito, devendo ser observada pelo Fisco É o relatório. Fl. 93DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.147 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.734026/2011-96 6 VOTO Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima - Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele conheço. O litígio recai sobre Omissão de Rendimentos recebidos de Pessoa Jurídica, decorrentes de Ação Trabalhista no valor de R$76.753,53. Não há questões preliminares a serem apreciadas. Em relação ao RRA, façam-se as seguintes considerações. Em sessão do Supremo Tribunal Federal (STF) realizada no dia 23/10/2014, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) nº 614.406/RS, com repercussão geral reconhecida, redator para o acórdão Ministro Marco Aurélio, o Plenário da Corte admitiu a invalidade do art. 12 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, no que tange à sistemática de cálculo para a incidência do imposto sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, por violar os princípios da isonomia e da capacidade contributiva. Com efeito, afastando o regime de caixa, o Tribunal acolheu o regime de competência para o cálculo mensal do imposto de renda devido pela pessoa física, com a utilização das tabelas progressivas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos. Em 09/12/2014, o Recurso Extraordinário nº 614.406/RS transitou em julgado, tornando definitiva a decisão e o entendimento da Corte Suprema deverão ser reproduzidos no âmbito deste Conselho. Desse modo, com razão o contribuinte neste quesito, e a unidade da RFB encarregada da liquidação e execução deste acórdão deverá proceder ao cálculo do IR considerando as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se refiram os rendimentos, realizando-se a apuração de forma mensal, e não pelo montante global pago extemporaneamente (cálculos judiciais, às e-fls. 32 e ss.). Quanto aos juros moratórios, mesma boa sorte merece a pretensão recursal, diante do enunciado da Súmula CARF 198, abaixo aposta: SÚMULA198 Não incide imposto de renda sobre os juros de mora devidos pelo atraso no pagamento de remuneração por exercício de emprego, cargo ou função. Quanto à multa de ofício, insculpida no art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, com as alterações introduzidas pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07, citado na notificação de lançamento, tal penalidade foi corretamente aplicada, pela constatação da ocorrência de uma das infrações Fl. 94DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 2002-009.147 – 2ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10580.734026/2011-96 7 contempladas no referido dispositivo legal, a de declaração inexata, tornando perfeitamente cabível a aplicação da multa de 75% sobre o imposto apurado na peça fiscal. Ademais, a atividade da Aditoria é plenamente vinculada á determinação legal, como pode ser verificado pelo Código Tributário Nacional, Lei 5.172/66, que o dispõe no Art. 142, § único. Sem razão portanto o contribuinte neste último quesito. Verifica-se, portanto, que, apreciados todos os argumentos e provas apresentados pelo contribuinte, há motivo para retificação parcial da Decisão a quo proferida e reconhecimento parcial da pretensão recursal. Conclusão Isso posto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar o recálculo do imposto devido sobre os valores recebidos na ação judicial trabalhista excluindo da base de cálculo a parcela correspondente aos juros de mora sobre os valores apurados, bem como aplicar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos (regime de competência). (documento assinado digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Fl. 95DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11065.729304/2019-32
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu Jan 09 00:00:00 UTC 2025
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017
NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS.
As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh) estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo Sistema Harmonizado - SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação de mercadoria.
CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO.
A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-SH prevê que se determina a classificação de produtos na NCM de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e, quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017
ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS.
As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004.
ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS.
As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20.
ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA.
O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004.
ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES.
Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015).
ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA.
Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015).
ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS.
Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários.
ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA.
Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa.
ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES.
As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL.
O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos.
ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES.
Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004.
ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS.
Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI.
ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO.
Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004.
ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO.
Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO.
A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA.
Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI.
ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO.
Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO.
Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins.
ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS.
Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa.
ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE.
O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004.
ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS.
Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE, RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL.
Conforme decidido pelo STF, com Repercussão Geral, no RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo da contribuição, decisão esta que, no julgamento de Embargos de Declaração, determinou que o valor a ser excluído é o destacado nas notas fiscais, bem como teve seus efeitos modulados, a partir de 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e procedimentos/ações administrativas protocolados até aquela data, dentre os quais se enquadram a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, que obedecem ao rito do Decreto nº 70.235/72, conforme Parecer SEI Nº 14483/2021/ME, da PGFN.
AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Cofins será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda.
INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL.
As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017
ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS.
As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004.
ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS.
As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA.
O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004.
ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES.
Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015).
ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA.
Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015).
ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS.
Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários.
ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA.
Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa.
ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES.
As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL.
O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES.
Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004.
ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS.
Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos.
ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI.
ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO.
Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004.
ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO.
Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO.
A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA.
Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI.
ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO.
Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins.
REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO.
Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins.
ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS.
Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa.
ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE.
O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004.
ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS.
Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO. ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, ainda não transitou em julgado, porquanto pendente de apreciação o recurso de embargos de declaração apresentado pela Fazenda Nacional.
AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL.
Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e, na situação de que trata a alínea ‘b’ do inciso II do § 4º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL.
As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins.
RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE.
As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017
TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE.
O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF) é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Seus eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência não são causas de nulidade do auto de infração. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, independentemente de ter sido posteriormente modificada ou revogada, a teor do art. 144 do Código Tributário Nacional.
MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE.
Nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigências de tributos decorrentes de lançamento de ofício, não podendo ser dispensada ou reduzida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia.
AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do auto de infração.
Numero da decisão: 3401-013.520
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins.
Assinado Digitalmente
Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Paula Giglio, Laércio Cruz Uliana Júnior, Celso José Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO CORREIA LIMA MACEDO
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ementa_s : Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh) estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo Sistema Harmonizado - SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação de mercadoria. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-SH prevê que se determina a classificação de produtos na NCM de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e, quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS. As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS. As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA. O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS. Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários. ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA. Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES. As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL. O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES. Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS. Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO. Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO. Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO. A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA. Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO. Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO. Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins. ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS. Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE. O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE, RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL. Conforme decidido pelo STF, com Repercussão Geral, no RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo da contribuição, decisão esta que, no julgamento de Embargos de Declaração, determinou que o valor a ser excluído é o destacado nas notas fiscais, bem como teve seus efeitos modulados, a partir de 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e procedimentos/ações administrativas protocolados até aquela data, dentre os quais se enquadram a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, que obedecem ao rito do Decreto nº 70.235/72, conforme Parecer SEI Nº 14483/2021/ME, da PGFN. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Cofins será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS. As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS. As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA. O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS. Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários. ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA. Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES. As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL. O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES. Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS. Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO. Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO. Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO. A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA. Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO. Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO. Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins. ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS. Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE. O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO. ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, ainda não transitou em julgado, porquanto pendente de apreciação o recurso de embargos de declaração apresentado pela Fazenda Nacional. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e, na situação de que trata a alínea ‘b’ do inciso II do § 4º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep será determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF) é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Seus eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência não são causas de nulidade do auto de infração. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se pela lei então vigente, independentemente de ter sido posteriormente modificada ou revogada, a teor do art. 144 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigências de tributos decorrentes de lançamento de ofício, não podendo ser dispensada ou reduzida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do auto de infração.
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INTERESSADO FAZENDA NACIONAL Assunto: Classificação de Mercadorias Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. As Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Nesh) estabelecem o alcance e o conteúdo da Nomenclatura abrangida pelo Sistema Harmonizado - SH, pelo que devem ser obrigatoriamente observadas para que se realize a correta classificação de mercadoria. CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS. REGRAS GERAIS. NOTAS EXPLICATIVAS. ORDEM DE APLICAÇÃO. A primeira das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado - RGI-SH prevê que se determina a classificação de produtos na NCM de acordo com os textos das posições e das Notas de Seção ou de Capítulo, e, quando for o caso, desde que não sejam contrárias aos textos das referidas posições e Notas, de acordo com as disposições das Regras 2, 3, 4 e 5. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS. As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS. As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da Fl. 18049DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 2 TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA. O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS. Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários. ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA. Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES. Fl. 18050DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 3 As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL. O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES. Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS. Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO. Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO. Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e Fl. 18051DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 4 outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO. A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA. Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO. Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO. Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins. ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS. Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE. O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e Fl. 18052DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 5 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE, RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL. Conforme decidido pelo STF, com Repercussão Geral, no RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo da contribuição, decisão esta que, no julgamento de Embargos de Declaração, determinou que o valor a ser excluído é o destacado nas notas fiscais, bem como teve seus efeitos modulados, a partir de 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e procedimentos/ações administrativas protocolados até aquela data, dentre os quais se enquadram a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, que obedecem ao rito do Decreto nº 70.235/72, conforme Parecer SEI Nº 14483/2021/ME, da PGFN. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Cofins será determinado mediante a aplicação da alíquota de 4,60% (quatro inteiros e sessenta centésimos por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. Fl. 18053DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 6 RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 ALÍQUOTA ZERO. CONSERVAS DE CARNES. CARNES TEMPERADAS. As receitas de vendas de preparações de carnes ou carnes temperadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam nos códigos da TIPI relacionados no artigo 1º, incisos XIX e XX, da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. FRUTAS CRISTALIZADAS. As receitas de vendas de frutas cristalizadas não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam no Capítulo 8 da TIPI, de forma a fazer jus ao disposto no art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004, mas são classificados na posição 20.06 do Capítulo 20. ALÍQUOTA ZERO. OVO DE CODORNA EM CONSERVA. O “ovo de codorna em conserva” não se classifica na posição 04.07, de forma a fazer jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins conforme dispõe o art. 28, inc. III, da Lei nº 10.865, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. NÉCTARES. Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.9, entende-se que aos néctares não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. BEBIDAS DE SOJA. Fl. 18054DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 7 Como o inciso III do art. 1º do Decreto nº 8.442, de 2015, excetua os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00, e as bebidas à base de soja se enquadram no Ex 01 da subposição 2202.9, entende-se que às bebidas de soja não se aplica a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita decorrente da venda daqueles produtos (art. 22 do Decreto nº 8.442, de 2015). ALÍQUOTA ZERO. ADOÇANTES CULINÁRIOS. Somente fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, conforme inciso XXII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, o que não abrange os adoçantes culinários. ALÍQUOTA ZERO. PRODUTOS DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. LENÇOS DE LIMPEZA. Como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. FRALDAS E ABSORVENTES. As fraldas e os absorventes possuem classificação própria (posição 96.19), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. ALGODÃO DE USO MEDICINAL. O algodão de uso medicinal possui classificação própria (NCM 3005.90.90), diferente das posições da TIPI de que trata o inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, de modo que não faz jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. DEFENSIVOS AGROPECUÁRIOS. INSETICIDAS DOMÉSTICOS E DESINFETANTES. Para os fins previstos no art. 1o, inc. II, da Lei nº 10.925, de 2004, consideram-se “defensivos agropecuários” os produtos que tenham registro pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), consoante preveem o art. 5o do Decreto nº 4.074, de 2002, e o art. 24 do Regulamento anexo ao Decreto nº 5.053, de 2004. Portanto, os inseticidas Fl. 18055DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 8 domésticos e desinfetantes não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso II do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ARROZ SABORIZADOS. Os preparados de arroz saborizados acrescidos de ingredientes não são classificados nos códigos relacionados no inc. V do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, de modo que não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos. ALÍQUOTA ZERO. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. Café solúvel com leite ou cappuccino em pó não são beneficiados com a alíquota zero prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004, porquanto não se trata de café classificado nos códigos 09.01 e 2101.1 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. CAMARÃO. Camarões não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI elencado no inciso XX do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. ÓLEO DE MILHO. Óleos de milho se classificam na posição 15.15 e, portanto, não são beneficiados com alíquota zero do PIS e da Cofins, uma vez que não se classificam em nenhum código da TIPI previsto no art. 1º, inciso XXIII, da Lei nº 10.925, de 2004 - óleo de soja classificado na posição 15.07 da Tipi e outros óleos vegetais classificados nas posições 15.08 a 15.14 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. LEITE CONDENSADO. CREME DE LEITE. LEITE DE SOJA. LEITE DE COCO. A venda de leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco não fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. PÃO DE QUEIJO. PIZZA. Pão de queijo, pizza, bem como as misturas para fabricação destes produtos não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004, pois tais produtos não são classificados na posição 19.02 da TIPI. ALÍQUOTA ZERO. SABÃO EM BARRA (NÃO DE TOUCADOR). SABONETE LÍQUIDO. Considerando que os sabões em barra que não sejam de toucador e os sabonetes líquidos não se classificam no código 3401.11.90 Ex 01 da TIPI Fl. 18056DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 9 (art. 1º, inc. XXVI, da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins. REGIME DE TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICO. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL). NÃO CABIMENTO. Os sucos de fruta (concentrado ou integral) do Capítulo 20 da TIPI não são alcançados pelo regime de tributação monofásico, de modo que devem ser tributados normalmente pelo PIS e pela Cofins. ALÍQUOTA ZERO. XAMPU PARA ANIMAIS. Como os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. ALÍQUOTA ZERO. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE. O queijo tipo cheddar e queijo cremoso (cream cheese) não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o inciso XII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004. ALÍQUOTA ZERO. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. Uma vez que as misturas para bolo e para pães especiais não se enquadram como pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 da TIPI (inc. XVI do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), nem se trata de massas alimentícias classificadas na posição 19.02 da TIPI (inc. XVIII do art. 1º da Lei nº 10.925, de 2004), não fazem jus à alíquota 0 (zero) de PIS e Cofins prevista para os produtos de que trata o art. 1º da mesma lei. EXCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO. ICMS. IMPOSSIBILIDADE. A decisão prolatada no julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706/PR, cuja repercussão geral foi reconhecida, ainda não transitou em julgado, porquanto pendente de apreciação o recurso de embargos de declaração apresentado pela Fazenda Nacional. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Ressalvado o disposto no § 2º do art. 3º e nos §§ 1º a 3º do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e, na situação de que trata a alínea ‘b’ do inciso II do § 4º do art. 2º desta Lei, na aquisição de mercadoria produzida por pessoa jurídica estabelecida na Zona Franca de Manaus, consoante projeto aprovado pela Suframa, o crédito da Contribuição para o PIS/Pasep será Fl. 18057DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 10 determinado mediante a aplicação da alíquota de 1% (um por cento). CRÉDITO. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. IMPOSSIBILIDADE. Somente há insumos geradores de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins nas atividades de produção de bens destinados à venda e de prestação de serviços a terceiros. Para fins de apuração de créditos das contribuições, não há insumos na atividade de revenda de bens, notadamente porque a esta atividade foi reservada a apuração de créditos em relação aos bens adquiridos para revenda. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. As bonificações ou os descontos concedidos em razão de obrigações contratuais e sujeitas a evento futuro, que não constam dos documentos fiscais na operação de venda, representam receita a ser considerada quando da apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. As receitas recebidas a título de acordos promocionais, que correspondem a valores recebidos posteriormente às aquisições da mercadoria como forma de retribuir o atingimento de metas, ou para permitir descontos que promovam o aumento de vendas em estratégias comerciais pontuais, ou para remunerar situações específicas (como a não devolução de produtos em desconformidade), ou para remunerar os serviços logísticos aplicados na distribuição dos produtos do fornecedor, caracterizam-se como receitas da empresa adquirente e, como tais, estão sujeitos à incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devendo compor suas bases de cálculo. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 TERMO DE DISTRIBUIÇÃO DO PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE. O Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF) é instrumento interno de gerenciamento, controle e acompanhamento das atividades de fiscalização. Seus eventuais vícios, omissões, incorreções ou até mesmo a sua própria ausência não são causas de nulidade do auto de infração. LANÇAMENTO. FATO GERADOR. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. O lançamento reporta-se à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e rege-se Fl. 18058DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 11 pela lei então vigente, independentemente de ter sido posteriormente modificada ou revogada, a teor do art. 144 do Código Tributário Nacional. MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE. Nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a multa de ofício é de aplicação obrigatória nos casos de exigências de tributos decorrentes de lançamento de ofício, não podendo ser dispensada ou reduzida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/12/2015 a 31/12/2017 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indefere-se, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. AUTO DE INFRAÇÃO. FUNDAMENTAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE. Tendo em vista que o procedimento fiscal foi instaurado conforme a legislação vigente, e o lançamento fiscal foi efetuado por autoridade competente e encontra-se devidamente motivado, com descrição precisa e detalhada dos fatos, trazendo todas as informações necessárias para a sua devida compreensão, não se concretiza a hipótese de cerceamento do direito de defesa e nem de nulidade do auto de infração. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS/Cofins. Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os julgadores Ana Paula Giglio, Laércio Cruz Uliana Júnior, Celso José Ferreira de Oliveira, Mateus Soares de Oliveira, George da Silva Santos e Leonardo Correia Lima Macedo (Presidente). Fl. 18059DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 12 RELATÓRIO Leonardo Correia Lima Macedo – Conselheiro Trata-se de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão 02-101.005 - 1ª Turma da DRJ/BHE, que julgou procedente em parte a Impugnação apresentada pelo sujeito passivo, mantendo em parte o crédito tributário da exigência. O processo trata das atividades fiscais da empresa Armazém Mateus S.A., que atua no comércio atacadista de alimentos, bens duráveis e de consumo, com foco no recolhimento das contribuições de PIS/PASEP e COFINS no regime não cumulativo. Do Relatório da DRJ O relatório da DRJ descreve os fatos no processo de forma completa, sendo o que se segue um breve resumo: O Relatório da DRJ abrange o trabalho realizado pela fiscalização e a impugnação apresentada pela empresa Armazém Mateus S.A., após a autuação por insuficiência de recolhimento de PIS/Pasep e Cofins, no regime não cumulativo, entre dezembro de 2015 e dezembro de 2017. No curso do procedimento fiscal, a fiscalização identificou irregularidades, incluindo: Vendas não tributadas: A empresa aplicou indevidamente alíquota zero para mercadorias como conservas de carnes, néctares, adoçantes e itens de higiene pessoal, que não se enquadram nos benefícios fiscais previstos por lei. Classificação incorreta de produtos: Produtos como carnes temperadas, café com leite e misturas para bolo foram classificados incorretamente, resultando em tributação inadequada. Créditos indevidos: A empresa apropriou-se de créditos superiores aos permitidos para mercadorias da Zona Franca de Manaus e insumos que não qualificavam para crédito tributário. Ao final da fiscalização foi lavrado auto de infração para lançando os tributos dos produtos vendidos sem tributação adequada ou classificados incorretamente. Os créditos apropriados indevidamente, especialmente relacionados à Zona Franca de Manaus e insumos não vinculados à produção, foram glosados. Foram feitos ajustes no cálculo dos tributos devidos, em razão de discrepâncias entre os valores declarados e os efetivamente recolhidos. É a breve síntese do relatório. Do Acórdão da DRJ Fl. 18060DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 13 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) tratou, inicialmente, das preliminares da impugnação apresentada pela empresa Armazém Mateus S.A. quanto ao Auto de Infração. A impugnação foi considerada tempestiva e apta para julgamento conforme o Decreto nº 70.235/72. A empresa solicitou diligências para esclarecer dúvidas sobre a classificação fiscal de mercadorias e glosas indevidas de despesas e créditos, mas o pedido foi indeferido, com base no artigo 18 do Decreto nº 70.235/72, por não ser imprescindível, visto que os elementos apresentados já permitiam o julgamento. Em relação à nulidade da autuação, a empresa alegou diversas falhas processuais, como irregularidades no Termo de Distribuição do Procedimento Fiscal (TDPF). Contudo, o voto afastou tais argumentos, uma vez que a autuação seguiu corretamente as disposições dos artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72 e do artigo 142 do Código Tributário Nacional (CTN), constatando que não houve cerceamento de defesa, e que o procedimento seguiu o devido processo legal. No mérito, o relatório abordou detalhadamente a tributação de vendas não tributadas, destacando que a empresa aplicou indevidamente alíquota zero sobre diversas mercadorias, como conservas de carnes, frutas cristalizadas e néctares, que não se enquadram nos benefícios fiscais. Além disso, foi verificada a apropriação de créditos indevidos de PIS e COFINS, relacionados à Zona Franca de Manaus e insumos que não preenchiam os requisitos legais para a concessão do crédito. A fundamentação do voto foi sustentada na Lei nº 10.925/04 e no Decreto nº 8.442/15, que estabelecem as regras para alíquotas zero e apropriação de créditos no regime não cumulativo. Em conclusão, a DRJ indeferiu a nulidade arguida pela impugnante, considerando que o auto de infração estava devidamente fundamentado e conforme a legislação vigente. O julgamento confirmou o lançamento tributário, com ajustes pontuais relacionados à classificação de alguns itens, mantendo, entretanto, a exigência da maior parte dos tributos devidos. Do Recurso Voluntário Irresignada, a parte apresentou Recurso Voluntário no qual alega em síntese as mesmas questões levantadas na Impugnação, atendo-se, entretanto, no mérito apenas aos itens cujas glosas foram mantidas. É o relatório. Fl. 18061DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 14 VOTO Conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo, relator. Admissibilidade do recurso O Recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, de sorte que dele se pode tomar conhecimento. Do Processo Trata-se de processo originado a partir de Auto de Infração que examinou as atividades fiscais da empresa Armazém Mateus S.A., que atua no comércio atacadista de alimentos, bens duráveis e de consumo. O Auto de Infração foi lavrado para a cobrança de contribuições de PIS/PASEP e COFINS no regime não cumulativo, abrangendo os períodos de períodos de dezembro de 2015 a dezembro de 2017. Do Conceito de Insumo Conforme mencionado, verifica-se que o cerne da presente lide envolve a matéria do aproveitamento de créditos de PIS e Cofins apurados no regime não cumulativo e a consequente análise sobre o conceito jurídico de insumo dentro de nova sistemática para os itens glosados pela fiscalização. Tais itens serão analisados individualmente no presente voto, em tópicos a seguir. Cabe inicialmente tecer algumas considerações sobre a forma de interpretação do conceito de insumo a ser adotada neste voto. A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da Cofins foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (Cofins). Em ambos os diplomas legais, o art. 3º, inciso II, autoriza-se a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. O princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais foi também estabelecido no §12º, do art. 195 da Constituição Federal, por meio da Emenda Constitucional nº 42/2003, consignando-se a definição por lei dos setores de atividade econômica para os quais as contribuições sociais dos incisos I, b; e IV do caput, dentre elas o PIS e a Cofins. A disposição constitucional deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS/Cofins. Por meio da Instrução Normativa nº 247, de 2002 (com redação dada pelas Instruções Normativas nºs 358/2003- art. 66 e nº 404/2004- art. 8º), a Secretaria da Receita Federal trouxe a sua interpretação dos insumos passíveis de creditamento de PIS/Cofins. A definição de insumos adotada pelos mencionados atos normativos foi excessivamente restritiva, assemelhando-se ao conceito de insumos utilizado para utilização dos créditos do Imposto sobre Fl. 18062DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 15 Produtos Industrializados (IPI). As Instruções Normativas RFB nºs 247, de 2002 e 404, de 2004, ao admitirem o creditamento apenas quando o insumo fosse diretamente incorporado ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, aproximando-se da legislação do IPI trouxe critério demasiadamente restritivo, contrariando a finalidade da sistemática da não-cumulatividade das contribuições do PIS/Cofins. Entendeu-se igualmente impróprio para conceituar insumos adotar-se o parâmetro estabelecido na legislação Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (do IRPJ), pois demasiadamente amplo. Pelo raciocínio estabelecido a partir da leitura dos artigos 290 e 299 do Decreto nº 3.000, de 1999 (RIR/99), poder-se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica com o consumo de bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços como um todo. Ultrapassados os argumentos para a não adoção dos critérios da legislação do IPI nem do IRPJ, necessário estabelecer-se o critério a ser utilizado para a conceituação de insumos. O Superior Tribunal de Justiça acabou por definir tal critério ao julgar, pela sistemática dos recursos repetitivos, o recurso especial nº 1.221.170-PR, no sentido de reconhecer a aplicação de critério da essencialidade ou relevância para o processo produtivo na conceituação de insumo para os créditos de PIS/Cofins não cumulativos. Em 24.4.2018, foi publicado o acórdão do STJ, que trouxe a seguinte ementa: “TRIBUTÁRIO PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃO- CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543-C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas Fl. 18063DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 16 com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item - bem ou serviço - para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte.” O acórdão do REsp, ao ser proferido pela sistemática dos recursos repetitivos (tendo já ocorrido o julgamento de embargos de declaração interpostos pela Fazenda Nacional), determina que os Conselheiros estão obrigados a reproduzir referida decisão, em razão de disposição contida no Regimento Interno do Conselho. Para melhor subsidiar e elucidar o adequado direcionamento das instruções contidas no acórdão do STJ traz-se a NOTA SEI PGFN/MF nº 63/2018, a qual melhor esclarece a forma de interpretação do conteúdo da decisão do Tribunal: “41. Consoante se observa dos esclarecimentos do Ministro Mauro Campbell Marques, aludindo ao “teste de subtração” para compreensão do conceito de insumos, que se trata da “própria objetivação segura da tese aplicável a revelar a imprescindibilidade e a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte”. Conquanto tal método não esteja na tese firmada, é um dos instrumentos úteis para sua aplicação in concreto. 42. Insumos seriam, portanto, os bens ou serviços que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços e que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. 43. O raciocínio proposto pelo “teste da subtração” a revelar a essencialidade ou relevância do item como uma aferição de uma “conditio sine qua non” para a produção ou prestação do serviço. Busca-se uma eliminação hipotética, suprimindo-se mentalmente o item do contexto do processo produtivo atrelado à atividade empresarial desenvolvida. Ainda que se observem despesas importantes para a empresa, inclusive para o seu êxito no mercado, elas não são necessariamente essenciais ou relevantes, quando analisadas em cotejo com a atividade principal desenvolvida pelo contribuinte, sob um viés objetivo." Fl. 18064DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 17 Com tal Nota, restou claro, assim, que insumos seriam todos os bens e serviços que possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração resulte na impossibilidade ou inutilidade da mesma prestação do serviço ou da produção, ou seja, itens cuja subtração ou obste a atividade da empresa ou acarrete substancial perda da qualidade do produto ou do serviço daí resultantes. Ademais, tal ato ainda reflete sobre o “teste de subtração” que deve ser feito para fins de se definir se determinado item seria ou não essencial à atividade do sujeito passivo. Eis o item 15 da Nota da PGFN: “15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente - cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques.” Nessa linha, para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS e da Cofins, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Assim, para que determinado bem ou serviço seja considerado insumo gerador de crédito de PIS/Cofins, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva comprovação destas características. Salienta-se que a decisão de primeira instância já levou em consideração este conceito de insumo. Preliminares Da Suposta Revisão de Ofício na DRJ A Recorrente argumenta que a DRJ avançou em sua competência ao rever o lançamento original feito pelo Auditor Fiscal responsável. Fl. 18065DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 18 Não há a competência legal para os Auditores Fiscais em exercício nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento em agravar ou aprimorar o lançamento efetuado pelo Auditor Fiscal no exercício das suas funções legais e com a sua determinação por MPF-Fiscalização. Alega em síntese que a revisão de ofício efetuada pela DRJ para corrigir créditos concedidos fere o princípio da legalidade e usurpa a competência exclusiva do Auditor Fiscal designado para a fiscalização, conforme estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72 e Portaria RFB nº 6478/2017. Tal atuação violaria também o princípio do contraditório e da ampla defesa, uma vez que o contribuinte teria sido privado do duplo grau de jurisdição. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. O acórdão da DRJ trata do ponto no item “8. Saldo de Créditos oriundos de períodos anteriores.” A leitura do item 8 permite concluir que alguns produtos constantes do Anexo I do Relatório Fiscal faziam jus a alíquota 0 (zero) do PIS e Cofins e, portanto, tiveram sua tributação cancelada. Tais produtos são: lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos (item 1.d); xampu para animais (item 1.n); Em razão do cancelamento, ou seja da sujeição de tais produtos a alíquota 0 (zero), houve também o cancelamento do créditos concedidos de ofício relativamente a estes mesmos produtos. Assim, o cancelamento dos créditos ocorreu em função da vedação a apropriação de créditos de PIS e Cofins em relação a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição, conforme estabelecido pelo art. 3º, § 2º, inc. II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Insta ainda observar que, em consequência da alteração da tributação das operações de venda que foram objeto de lançamento de ofício, demonstradas no Anexo XX do Relatório da Ação Fiscal, a Fiscalização decidiu conceder de ofício o crédito relativo a aquisição dessas mesmas mercadorias, conforme demonstrado no Anexo XXI do mesmo relatório. Todavia, como os produtos acima elencados estão sujeitos à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins, e portanto deverão ser excluídos dos itens tributados do Anexo XX, deve-se cancelar os créditos concedidos de ofício relativos aos mesmos produtos, destacados do Anexo XXI, uma vez que é vedada a apropriação de créditos de PIS e Cofins em relação a aquisição de bens não sujeitos ao pagamento da contribuição, conforme estabelecido pelo art. 3º, § 2º, inc. II, das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Fl. 18066DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 19 Fl. 119 Vê-se, portanto, que os créditos seriam mantidos apenas se tais produtos fossem tributados com uma alíquota positiva. Para a manutenção dos créditos, compete a Recorrente o ônus da prova de que tais produtos estão sujeitos a uma alíquota positiva. Caso haja sucesso na prova, os créditos ora cancelados serão restabelecidos. A jurisprudência do CARF tem reiterado que não há direito ao crédito de PIS e COFINS sobre insumos quando esses são tributados com alíquota zero. Um exemplo claro é o Acórdão nº 3201-007.873 do Processo 10880.944979/2013-48. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 CRÉDITOS. BENS OU SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. As leis que regem a não cumulatividade das contribuições estipulam que não dá direito a crédito o valor da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições, dentre os quais se incluem os insumos adquiridos com alíquota zero ou com suspensão. Diante do exposto, conclui-se que não houve qualquer afronta aos princípios do contraditório e ampla defesa. Nega-se provimento. Mérito Pedido de Diligência A Recorrente contesta o indeferimento do pedido de diligência. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. Sobre o assunto, cabe citar a Súmula CARF nº 163 Súmula CARF nº 163 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021) Acórdãos Precedentes: 9303-01.098, 2401-007.256, 2202004.120, 2401-007.444, 1401-002.007, 2401006.103, 1301003.768, 2401-007.154 e 2202005.304. Nega-se provimento. Classificação Fiscal A Recorrente contesta a correta classificação de mercadorias, destacando falhas na descrição e enquadramento fiscal de produtos que, segundo a empresa, não deveriam ser tributados. Fl. 18067DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 20 A empresa argumenta que muitos itens foram indevidamente tributados devido à ausência de uma correta classificação fiscal NCM/TIPI, o que comprometeria a legitimidade do lançamento. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. Em resposta ao argumento da empresa de que a ausência de uma correta classificação fiscal NCM/TIPI comprometeria a legitimidade do lançamento, o voto da DRJ já enfrentou tal questão de forma robusta. A decisão sustentou que a descrição dos produtos constante dos autos e sua respectiva classificação fiscal foi realizada de acordo com as normas pertinentes, incluindo a utilização das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado e as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). Além disso, a DRJ afirmou que a classificação fiscal NCM/TIPI foi devidamente fundamentada com base na legislação aplicável, como o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), que dispõe sobre a competência da autoridade administrativa para constituir o crédito tributário, mediante a adequada descrição dos fatos geradores e a aplicação das normas vigentes. A ausência de detalhamentos excessivos em cada item não compromete a validade do lançamento, visto que a autoridade fiscal utilizou critérios técnicos suficientes para determinar a incidência correta das contribuições de PIS e COFINS. A DRJ também destacou que a empresa teve a oportunidade de contestar a classificação fiscal utilizada, mas não conseguiu demonstrar tecnicamente a inadequação dos códigos aplicados. O lançamento observou, portanto, a regularidade dos procedimentos e as regras fiscais vigentes, sendo que a eventual discussão sobre divergências menores na classificação de alguns produtos não teria o condão de invalidar o lançamento tributário como um todo. Nega-se provimento. Carnes Temperadas e Conservas A Recorrente argumenta que as carnes temperadas e conservas fazem jus à alíquota zero conforme a Lei nº 10.925/2004, mas foram equivocadamente incluídas na base de cálculo tributável. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. Ao analisar o argumento do recorrente quanto à tributação de carnes temperadas e conservas, que, segundo a empresa, fariam jus à alíquota zero nos termos da Lei nº 10.925/2004, o voto da DRJ refutou tal entendimento com base em critérios de classificação fiscal. A DRJ sustentou que a legislação tributária aplicável, em especial a Lei nº 10.925/2004, concede alíquota zero apenas para carnes frescas, refrigeradas ou congeladas, conforme descrito nos capítulos 2 e 3 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI). Fl. 18068DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 21 As carnes temperadas e conservas, que passaram por processos adicionais de preparação ou tempero, não se enquadram nas categorias beneficiadas pela alíquota zero, pois são classificadas em posições da TIPI que não estão contempladas pela referida lei. Além disso, o voto enfatizou que a simples adição de temperos ou a transformação das carnes em conservas modifica a natureza do produto, afastando-o da classificação que garantiria o benefício fiscal. A Lei nº 10.925/2004 foi interpretada de forma restritiva, e, de acordo com o princípio da estrita legalidade tributária, somente os produtos expressamente previstos na legislação podem ser beneficiados pela alíquota zero. Portanto, a inclusão das carnes temperadas e conservas na base de cálculo tributável foi considerada correta pela DRJ, uma vez que esses produtos não se encontram nas posições tarifárias que permitem a aplicação da alíquota zero, conforme os dispositivos legais e a classificação fiscal estabelecida. Em suma, a alíquota zero é aplicada apenas a produtos classificados nos capítulos e códigos específicos da TIPI, geralmente relacionados a produtos de origem animal ou vegetal em seu estado mais natural. Produtos que passam por processos de tempero ou conservação não se enquadram nesses capítulos e, portanto, não podem usufruir desse benefício. Nega-se provimento. Frutas cristalizadas, néctares e bebidas à base de soja A Recorrente alega que produtos como frutas cristalizadas, néctares e bebidas à base de soja foram indevidamente excluídos do regime de alíquota zero, uma vez que não houve a devida apuração técnica para determinar sua correta classificação. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. No caso das frutas cristalizadas, a classificação correta dessas mercadorias foi feita com base na posição 20.06 da TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados), que trata de "Frutas e outros produtos comestíveis, preparados ou conservados", e não na posição 08, que contempla frutas frescas e secas, as quais sim fazem jus à alíquota zero de acordo com o artigo 28, inciso III, da Lei nº 10.865/2004. Como as frutas cristalizadas se enquadram na posição 20.06, que se refere a preparações alimentícias, elas não estão sujeitas ao benefício da alíquota zero, devendo, portanto, ser tributadas. Quanto aos néctares, a exclusão da alíquota zero foi justificada com base no Decreto nº 8.442/2015, que em seu artigo 1º, inciso III, estabelece que os Ex 01 e Ex 02 do código 2202.90.00 não estão sujeitos à redução a zero das alíquotas do PIS e COFINS. Como os néctares de fruta se enquadram no Ex 02 da subposição 2202.90, a sua tributação foi devidamente aplicada conforme as normas legais. Além disso, a composição química Fl. 18069DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 22 desses produtos, contendo ingredientes como inositol, glucoronolactona, taurina ou cafeína, os exclui da aplicação do regime de alíquota zero. No caso das bebidas à base de soja, elas foram corretamente excluídas da alíquota zero também com base no Decreto nº 8.442/2015, que excetua esses produtos da subposição 2202.90.00, conforme o Ex 01 da referida posição. Tal enquadramento técnico foi considerado suficiente pela DRJ, não havendo necessidade de uma perícia adicional para confirmar sua classificação, visto que a legislação é clara ao definir as condições em que o benefício de alíquota zero pode ser aplicado. Portanto, a exclusão desses produtos do regime de alíquota zero foi fundamentada em uma aplicação correta e detalhada das normas legais, e a apuração técnica realizada pela fiscalização foi suficiente para determinar a classificação fiscal das mercadorias. A Recorrente não demonstrou, de forma concreta, qualquer erro na classificação fiscal realizada pela autoridade fiscal que justificasse uma revisão ou diligência adicional. Nega-se provimento. Adoçantes culinários e lenços umedecidos A Recorrente contesta a tributação de adoçantes culinários e lenços umedecidos, que, de acordo com sua interpretação, deveriam estar sujeitos à alíquota zero, conforme previsto na Instrução Normativa RFB nº 594/2005. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. Em relação aos adoçantes culinários, o voto da DRJ ressaltou que a Lei nº 10.925/2004, em seu artigo 1º, inciso XXII, estabelece a alíquota zero apenas para o açúcar classificado nos códigos 1701.14.00 e 1701.99.00 da TIPI, o que não inclui outros tipos de adoçantes ou compostos à base de adoçantes. Portanto, a tributação dos adoçantes culinários é legítima e encontra respaldo na legislação tributária em vigor, conforme os critérios claros de classificação fiscal da TIPI. Quanto aos lenços umedecidos, a Instrução Normativa RFB nº 594/2005, citada pela Recorrente, de fato estabelecia que alguns produtos de higiene pessoal, como lenços umedecidos e demaquilantes, poderiam se enquadrar na alíquota zero, desde que classificados em determinadas posições da TIPI. No entanto, a fiscalização e o voto da DRJ concluíram que os lenços comercializados pela Recorrente não se enquadram nas posições da TIPI que permitiriam a aplicação da alíquota zero, como a posição 33.07 da TIPI, que inclui produtos de higiene pessoal beneficiados. O exame dos produtos indicou que a classificação correta para os lenços contestados não confere o direito ao benefício fiscal, sendo aplicável a tributação conforme a Lei nº 10.833/2003, que rege as contribuições para o PIS e COFINS. Já com relação aos lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de Fl. 18070DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 23 cães e gatos houve o reconhecimento de que fazem jus a alíquota 0 (zero). Houve o cancelamento da tributação. Portanto, como os lenços de limpeza demaquilantes, lenços umedecidos para bebê, lenços umedecidos para adulto, lenços para depilação e lenços higiênicos para área dos olhos de cães e gatos são classificados em posições da TIPI relacionadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, estes fazem jus à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda daqueles produtos, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. Assim, deve ser cancelada a tributação dos seguintes produtos elencados no Anexo I do Relatório da Ação Fiscal: Fls. 56-57 A Recorrente não demonstrou, de forma concreta, qualquer erro na classificação fiscal realizada pela autoridade fiscal que justificasse uma revisão ou diligência adicional. Nega-se provimento. Ovo de Codorna em Conserva A Recorrente contesta a exclusão dos ovos de codorna em conserva. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. O voto da DRJ foi fundamentado na correta interpretação da legislação tributária vigente, especificamente a Lei nº 10.865/2004, que estabelece a alíquota zero apenas para produtos classificados na posição 04.07 da TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados), que se refere exclusivamente a "ovos de aves, com casca, frescos, conservados ou cozidos". Os ovos de codorna em conserva não se enquadram na posição mencionada, uma vez que a forma de conservação – ao serem industrialmente tratados, como em conserva – altera sua classificação fiscal e, consequentemente, a aplicação da alíquota zero. A legislação tributária brasileira, nesse sentido, faz distinção entre ovos frescos e produtos industrializados, aplicando a alíquota zero apenas àqueles que se mantêm na forma natural e dentro da classificação específica da TIPI. Nega-se provimento. Fraldas e Absorventes A Recorrente contesta a exclusão das fraldas e absorventes. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. A DRJ fundamentou sua decisão com base na Instrução Normativa RFB nº 594/2005, que lista as mercadorias que fazem jus ao benefício de alíquota zero para PIS e COFINS. Essa Fl. 18071DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 24 norma, em seu art. 1º, inciso VIII, estabelece que apenas produtos de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em posições específicas da TIPI são contemplados pela alíquota zero. As fraldas e absorventes foram classificadas na posição 96.19 da TIPI, que trata de fraldas e artigos semelhantes, diferente das posições previstas na instrução normativa para concessão de alíquota zero. Assim, a DRJ entendeu que esses produtos não se enquadram nas posições listadas no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594/2005, o que justifica a tributação desses itens. Ademais, ao contrário do que a Recorrente afirma, a decisão da DRJ segue estritamente os critérios legais e regulatórios, não havendo qualquer violação dos princípios do contraditório ou ampla defesa, visto que o lançamento e a análise se baseiam em normas vigentes e claras sobre a tributação específica de cada produto. Nega-se provimento. Algodão A Recorrente contesta a exclusão de algodão. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. O julgamento da DRJ, ao ajustar a classificação para enquadrar corretamente o algodão como sendo de uso geral (não medicinal), está em conformidade com o princípio da legalidade tributária, que impõe a tributação correta conforme a natureza do produto. A DRJ tem respaldo para a aplicação correta das Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado (RGI-SH). As notas explicativas da TIPI deixam claro que o enquadramento de produtos para uso medicinal exige critérios específicos que não se aplicam automaticamente a produtos descritos genericamente como "algodão". A DRJ, portanto, agiu corretamente ao excluir o algodão não medicinal do benefício de alíquota zero, com base na classificação fiscal atribuída. Nega-se provimento. Defensivos Agropecuários, Inseticidas Domésticos e Desinfetantes A Recorrente contesta a exclusão de defensivos agropecuários, inseticidas domésticos e desinfetantes do benefício fiscal, alegando que esses produtos deveriam estar abrangidos pela alíquota zero prevista na legislação para defensivos agrícolas. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. A fiscalização corretamente apontou que, de acordo com a Lei nº 10.925/2004, a alíquota zero aplica-se exclusivamente a defensivos agrícolas da posição 38.08 da TIPI, que são definidos como produtos destinados ao controle de pragas em cultivos agrícolas, áreas de pastagem e reflorestamento. Fl. 18072DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 25 No entanto, os inseticidas domésticos e desinfetantes comercializados pela Recorrente não se enquadram nessa definição, sendo classificados como saneantes de uso doméstico. Esses produtos, embora também classificados na posição 38.08, não têm finalidade agropecuária, mas sim a higienização e desinfecção de ambientes domésticos e coletivos. A fundamentação legal para a exclusão desses produtos do benefício fiscal está respaldada em normativos emitidos por órgãos reguladores como o Ministério da Agricultura e a ANVISA, que delimitam claramente a diferença entre defensivos agrícolas e saneantes domésticos. O voto da DRJ concluiu pela correta exclusão de inseticidas domésticos e desinfetantes do benefício da alíquota zero. Nega-se provimento. Arroz Saborizado A Recorrente contesta a exclusão de arroz saborizado da aplicação de alíquota zero. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. O Relatório de Ação Fiscal apontou que o arroz saborizado, por conter ingredientes adicionais além do arroz em si, não se enquadra na classificação do arroz in natura beneficiado pela alíquota zero, conforme previsto no artigo 1º, inciso V, da Lei nº 10.925/2004. A legislação concede alíquota zero apenas para o arroz in natura e alguns derivados simples, como o arroz polido e parboilizado, classificados na NCM 1006. No entanto, o arroz saborizado, por ser um preparado alimentar com adição de outros ingredientes, deve ser classificado em outras posições da TIPI, como 1904 ou 2106, que não estão contempladas pelo benefício fiscal da alíquota zero. A DRJ, em consonância com o Relatório de Ação Fiscal, concluiu que o arroz saborizado é, de fato, um preparado alimentar, cujo ingrediente principal é o arroz, mas que não pode ser classificado como arroz in natura ou beneficiado simples. Logo, não atende aos requisitos legais para usufruir da alíquota zero. Nega-se provimento. CAFÉ SOLÚVEL COM LEITE. CAPPUCCINO. A Recorrente alega que o café solúvel com leite e o cappuccino deveriam ser beneficiados com alíquota zero, prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925/2004, que concede tal benefício para o café solúvel. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. A fiscalização identificou que esses produtos foram classificados de forma equivocada na posição 2101.1 da TIPI, que trata de "extratos, essências e concentrados de café". O voto da DRJ sustentou que a correta classificação dos produtos é a posição 1901.90.90, conforme estabelecido em soluções de consulta anteriores e respaldado pelas Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH). O cappuccino e o café solúvel com leite são Fl. 18073DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 26 preparações alimentícias compostas majoritariamente por leite em pó, açúcar e outros ingredientes, sendo o café apenas um componente minoritário. Portanto, esses produtos não podem ser enquadrados na posição de extratos de café, mas sim em preparações alimentícias diversas, excluídas do benefício de alíquota zero. Essa interpretação foi consolidada pela Solução de Consulta Diana 9ª RF nº 60/2003, que já havia classificado produtos semelhantes na mesma posição fiscal 1901.90.90, confirmando que a presença de ingredientes majoritários como leite e açúcar desqualifica o produto para o tratamento tributário aplicável ao café solúvel puro. A classificação correta na NCM 1901.90.90 implica a aplicação da tributação normal, conforme as regras gerais de não cumulatividade para PIS e COFINS, rejeitando assim os argumentos apresentados pela Recorrente. Nega-se provimento. CAMARÃO A Recorrente contesta a tributação sobre o camarão, argumentando que o produto não foi adequadamente classificado no Auto de Infração e que deveria se beneficiar da alíquota zero. Neste ponto, não assiste razão a Recorrente. O Voto da DRJ e o Relatório de Ação Fiscal oferecem argumentos claros para justificar a exclusão do camarão desse benefício tributário. Conforme apontado no Relatório de Ação Fiscal, a classificação correta dos camarões (incluindo camarão cinza, camarão-rosa e camarão de água doce) como produtos preparados ou em conserva está na posição 1605.21 ou 1605.29 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). Esta posição refere-se a crustáceos preparados ou conservados, excluindo-os da aplicação da alíquota zero prevista na Lei nº 10.925/2004, a qual é restrita a produtos alimentícios não preparados ou conservados. Nega-se provimento. ÓLEO DE MILHO A Recorrente contesta a tributação sobre o óleo de milho, argumentando que o produto foi inadequadamente classificado no Auto de Infração e que deveria se beneficiar da alíquota zero, alegando que se trata de um óleo vegetal utilizado para alimentação. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ oferece argumentos para justificar a tributação sobre o óleo de milho. Conforme detalhado, o óleo de milho está classificado na posição 1515 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que abrange "Outras gorduras e óleos vegetais", e não nas posições beneficiadas pela Lei nº 10.925/2004, artigo 1º, inciso XXIII, que concede alíquota zero apenas para óleos de soja (posição 1507) e outros óleos vegetais classificados entre as posições 1508 a 1514 da TIPI. Fl. 18074DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 27 Portanto, o óleo de milho, classificado fora das posições beneficiadas pela referida legislação, não faz jus à alíquota zero e deve ser tributado conforme estabelecido no Auto de Infração. Nega-se provimento. LEITE CONDENSADO, CREME DE LEITE, LEITE DE SOJA, LEITE DE COCO A Recorrente contesta a tributação sobre leite condensado, creme de leite, leite de soja (em pó ou fluido) e leite de coco, argumentando que esses produtos deveriam se beneficiar da alíquota zero, aplicável a determinados produtos lácteos. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ oferece fundamentos para justificar a tributação desses produtos. A Lei nº 10.925/2004, que estabelece o benefício da alíquota zero para alguns produtos lácteos, restringe essa isenção a produtos classificados na TIPI em códigos específicos, que não incluem os produtos questionados pela Recorrente. Produtos como leite condensado, creme de leite, leite de soja e leite de coco possuem características que os afastam da classificação para alíquota zero, por não se enquadrarem nos códigos listados para o benefício. De acordo com a análise fiscal, esses produtos são preparados e processados, o que os exclui da redução tributária destinada a produtos lácteos in natura ou minimamente processados. O leite de soja, por exemplo, não é contemplado pela legislação de alíquota zero, pois sua composição e processo de industrialização o enquadram em outra categoria de tributação, conforme a TIPI. Nega-se provimento. PÃO DE QUEIJO E PIZZA A Recorrente contesta a tributação sobre o pão de queijo e pizza, alegando que esses produtos deveriam ser beneficiados pela alíquota zero, como massas alimentícias. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ é claro ao justificar a exclusão desses produtos do benefício tributário. Conforme apontado, o pão de queijo e a pizza não se enquadram na posição 19.02 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM), que abrange massas alimentícias como macarrão, espaguete, lasanha, entre outras. A posição correta para tais produtos inclui-se no capítulo 16 da TIPI, que abrange preparações de alimentos que não se beneficiam da alíquota zero conforme a Lei nº 10.925/2004. Além disso, o fisco constatou que esses produtos, ao serem preparados com ingredientes adicionais e específicos para o consumo final (como recheios ou misturas), não podem ser tratados como massas alimentícias simples, mas sim como preparações alimentícias elaboradas, que não gozam da isenção prevista. Nega-se provimento. Fl. 18075DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 28 SABÃO EM BARRA E SABONETES LÍQUIDOS A Recorrente contesta a tributação sobre sabão em barra (não de toucador) e sabonetes líquidos, argumentando que esses produtos deveriam se beneficiar da alíquota zero. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ esclarece que a classificação correta dos produtos é determinante para a aplicação da alíquota zero. O sabão em barra, quando não é classificado como de toucador, e os sabonetes líquidos não se enquadram nas posições da TIPI previstas para o benefício fiscal. Conforme estabelecido pelo artigo 1º da Lei nº 10.925/2004, apenas os produtos de higiene pessoal que atendem aos critérios específicos de classificação fazem jus à alíquota zero. O Relatório de Ação Fiscal também sustenta que os produtos mencionados pela Recorrente não constam nas posições relacionadas à isenção, sendo corretamente tributados. Nega-se provimento. SUCOS DE FRUTA (CONCENTRADO OU INTEGRAL) A Recorrente contesta a tributação sobre os sucos de fruta (concentrado ou integral), alegando que tais produtos deveriam ser beneficiados pela alíquota zero prevista para sucos de frutas em geral, nos termos da legislação aplicável. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O voto da DRJ justifica de forma clara a exclusão dos sucos de fruta da aplicação da alíquota zero, com base no Decreto nº 8.442/2015, que prevê exceções expressas para produtos classificados sob o código 2202.90.00 da TIPI. De acordo com o voto, os sucos de fruta enquadrados no Ex 02 dessa subposição, como os néctares de frutas, não são beneficiados pela alíquota zero do PIS e COFINS. A exclusão foi devidamente fundamentada com base nas normas que regulamentam a tributação sobre bebidas que não atendem às condições específicas para isenção tributária. Além disso, o relatório destaca que os elementos fornecidos pela própria Recorrente não permitiram a caracterização desses produtos como beneficiados pela isenção fiscal. Assim, a aplicação da tributação segue as disposições legais e os precedentes administrativos que tratam do enquadramento fiscal correto para sucos de fruta. Nega-se provimento. XAMPU PARA ANIMAIS A Recorrente alega que mesmo acolhendo as razões na Impugnação, não houve a identificação do NCM/TIPI na acusação fiscal. O Julgador interpretou o que foi lançado, sem muito embasamento. O Voto da DRJ deixa claro que os xampus para animais são classificados na posição 33.07 da TIPI, que está relacionada no inciso VIII do art. 1º da IN RFB nº 594, de 2005, fazendo jus Fl. 18076DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 29 à alíquota 0 (zero) do PIS e da Cofins incidente sobre a receita auferida na venda, nos termos do art. 13, inc. II, da citada instrução normativa. Por essa razão, cancela a tributação dos produtos elencados no acórdão. QUEIJO TIPO CHEDDAR. CREAM CHEESE A Recorrente contesta a exclusão do queijo tipo cheddar e do cream cheese, argumentando que esses produtos deveriam ser beneficiados com a alíquota zero no cálculo do PIS e COFINS. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ oferece uma fundamentação clara para justificar a tributação sobre esses produtos. Conforme o relatório de ação fiscal e a TIPI (Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados), os queijos, incluindo o cheddar e o cream cheese, não se enquadram nas posições beneficiadas com alíquota zero, conforme previsto na Lei nº 10.925/2004, que trata da desoneração de determinados produtos alimentícios. A legislação prevê expressamente quais tipos de produtos lácteos são favorecidos pela alíquota zero, e os queijos tipo cheddar e cream cheese não constam nessa listagem específica. O auditor fiscal procedeu corretamente ao enquadrar esses produtos dentro da categoria tributável, respeitando a legislação vigente. Nega-se provimento. MISTURAS PARA BOLO E PARA PÃES ESPECIAIS. A Recorrente contesta a exclusão de misturas para bolo e para pães especiais, alegando que tais produtos deveriam se beneficiar da alíquota zero, visto que se enquadram como massas alimentícias. Segundo a empresa, a classificação fiscal realizada no Auto de Infração foi inadequada, resultando em uma tributação indevida. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O voto da DRJ foi claro ao justificar que as misturas para bolo e pães especiais não se enquadram nas posições da TIPI que beneficiam massas alimentícias com alíquota zero, conforme previsto no artigo 1º, inciso XVIII, da Lei nº 10.925/2004. Essa legislação concede a alíquota zero apenas para produtos classificados especificamente como massas alimentícias não fermentadas, como macarrão e similares, o que não abrange as misturas preparadas para pães ou bolos, que são produtos processados de forma distinta. As misturas contêm ingredientes adicionais e passam por processos que as distanciam das massas alimentícias tradicionais mencionadas na legislação. Nega-se provimento. EXCLUSÃO DE BASE DE CÁLCULO. ICMS. Fl. 18077DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 30 A Recorrente contesta a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e COFINS, argumentando que, conforme o decidido no Recurso Extraordinário nº 574.706 pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o ICMS não deve compor a base de cálculo dessas contribuições, uma vez que não representa faturamento ou receita da empresa. Alega que o Auditor Fiscal e a DRJ desconsideraram essa decisão, aplicando indevidamente o ICMS na base de cálculo, violando não apenas o entendimento já consolidado, mas também a súmula vinculante nº 2 do CARF, que impede a apreciação de inconstitucionalidade na esfera administrativa. A Recorrente defende que o julgamento pelo STF tem repercussão geral e, mesmo sem o trânsito em julgado, já deveria ser aplicado ao seu caso. Além disso, menciona que a modulação dos efeitos solicitada pela Fazenda Nacional não invalida o direito de exclusão do ICMS, pois a decisão de mérito foi clara e a fiscalização incorreu em erro ao ignorar esse precedente. Neste ponto, assiste razão à Recorrente. O CARF já se pronunciou de forma favorável a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e COFINS conforme decidido no STF RE n. 574.706/PR. A título de exemplo, cabe citar o acórdão 3401-013.021, processo nº 10665.907753/2011-49, relatado pelo Conselheiro Celso José Ferreira de Oliveira e o acórdão 9303-015.441, processo nº 10880.679818/2011-14 de relatoria da Conselheira Liziane Angelotti Meira. Acórdão 3401-013.021 COFINS. ICMS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. VALOR DESTACADO EM NOTA. O Egrégio Sodalício fixou em sede de Embargos no RE n. 574.706/PR que o valor do ICMS a ser excluído da base de cálculo das contribuições é o destacado em nota, o que foi acatado pela Procuradoria da Fazenda, conforme Parecer SEI nº 7698/2021/ME. Acórdão 9303-015.441 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. POSSIBILIDADE, RECONHECIDA PELO STF, COM REPERCUSSÃO GERAL. Conforme decidido pelo STF, com Repercussão Geral, no RE nº 574.706/PR, o ICMS não compõe a base de cálculo da contribuição, decisão esta que, no julgamento de Embargos de Declaração, determinou que o valor a ser excluído é o destacado nas notas fiscais, bem como teve seus efeitos modulados, a partir de 15/03/2017, ressalvadas as ações judiciais e procedimentos/ações administrativas protocolados até aquela data, dentre os quais se enquadram a Manifestação de Inconformidade e o Recurso Voluntário, que obedecem ao rito do Decreto nº 70.235/72, conforme Parecer SEI Nº 14483/2021/ME, da PGFN. Dá-se provimento. AQUISIÇÃO DE MERCADORIA PRODUZIDA NA ZONA FRANCA DE MANAUS. CRÉDITO. ALÍQUOTA APLICÁVEL. Fl. 18078DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 31 A Recorrente contesta a aplicação da alíquota referente ao crédito sobre a aquisição de mercadorias produzidas na Zona Franca de Manaus (ZFM), defendendo que tais mercadorias deveriam se beneficiar de uma alíquota diferenciada, com direito à apropriação de crédito de PIS/COFINS no regime não cumulativo. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O Voto da DRJ justifica a exclusão dos créditos indevidamente apropriados com base em uma análise clara da legislação aplicável. A legislação vigente, em especial as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, estabelece que, para que o contribuinte possa se apropriar de créditos referentes à aquisição de mercadorias com alíquota zero ou reduzida, essas mercadorias devem se enquadrar nos critérios rigorosos estipulados para essa finalidade. No caso das mercadorias adquiridas pela Recorrente, houve apropriação indevida de créditos sobre bens que, embora provenientes da ZFM, não preenchem os requisitos para concessão de crédito nos termos da legislação tributária vigente. O benefício fiscal para produtos da Zona Franca de Manaus é restrito a determinadas operações e não se aplica de forma indiscriminada a todas as mercadorias adquiridas nessa região. Além disso, a alíquota zero de PIS/COFINS para algumas operações não gera direito ao crédito sobre essas aquisições. O CARF já deliberou em outras ocasiões que o crédito é aplicável desde que as mercadorias sejam utilizadas como insumos na produção ou fabricação de bens, conforme previsto no regime não cumulativo das contribuições, e desde que a aquisição dessas mercadorias esteja sujeita à tributação pelas contribuições sociais. Assim, o entendimento da DRJ é claro ao aplicar corretamente a legislação ao caso concreto, glosando os créditos indevidos e reafirmando que o tratamento fiscal diferenciado para produtos oriundos da ZFM não inclui o direito automático à apropriação de crédito quando a mercadoria adquirida se enquadra em alíquotas que não geram esse direito. Nega-se provimento. INSUMOS NA ATIVIDADE COMERCIAL. A Recorrente discorda da impossibilidade de concessão de créditos de PIS e COFINS na atividade comercial. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. Conforme bem relatado no voto da DRJ a possibilidade de aproveitamento de créditos da não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS em atividades comerciais é restringida. O entendimento é de que apenas atividades de produção de bens destinados à venda e a prestação de serviços geram insumos que permitem a apuração de créditos. Esse posicionamento está embasado na leitura restritiva do artigo 3º, inciso II, da Lei nº 10.833/2003. Dessa forma, para empresas que atuam na revenda de bens, como no caso do comércio varejista, o CARF tem reiteradamente negado a possibilidade de apuração de créditos Fl. 18079DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 32 sobre insumos, mantendo a glosa de todos os dispêndios relacionados. Isso ocorre porque a atividade de revenda de bens não é considerada produtiva, sendo reservada a apuração de créditos sobre os bens adquiridos para revenda. Um exemplo desse entendimento pode ser encontrado no Acórdão 3401-010.738 no processo nº 10120.905195/2013-04 de relatoria da Conselheira Rafaella Dutra Martins, onde foi reafirmada a "impossibilidade de apuração de créditos de insumos na atividade de comércio/varejista, por não se enquadrar nas atividades que geram direito a créditos conforme a Lei nº 10.833/2003". Nega-se provimento. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. DESCONTOS OBTIDOS. RECEITA TRIBUTÁVEL. RECEITAS DE ACORDOS PROMOCIONAIS. DEDUÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. A Recorrente argumenta, no Recurso Voluntário, que os descontos obtidos e as receitas de acordos promocionais não deveriam ser considerados como receita tributável para fins de incidência de PIS e COFINS no regime não cumulativo. Quanto aos descontos obtidos, a empresa defende que tais bonificações ou descontos, muitas vezes concedidos em razão de obrigações contratuais ou sujeitas a eventos futuros, não são receitas efetivas e, portanto, não deveriam compor a base de cálculo para apuração das contribuições. A Recorrente sustenta que esses valores não constam nos documentos fiscais emitidos no momento da venda e, assim, não representam receita tributável conforme a legislação aplicável. Em relação às receitas de acordos promocionais, a empresa alega que tais valores são recebidos posteriormente à aquisição de mercadorias, com o objetivo de reembolsar despesas operacionais ou de permitir descontos para aumentar as vendas, entre outros incentivos comerciais. A Recorrente argumenta que esses reembolsos e bonificações não deveriam ser considerados como receitas tributáveis, visto que refletem custos logísticos ou ações promocionais específicas. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. A DRJ manteve a tributação sobre esses itens, com base no entendimento de que bonificações e receitas de acordos promocionais configuram efetivamente uma receita tributável para a empresa adquirente, uma vez que resultam em um aumento patrimonial. Tais valores, independentemente de serem recebidos posteriormente, devem compor a base de cálculo das contribuições de PIS e COFINS. A legislação aplicável, especialmente a Lei nº 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003, prevê que todas as receitas auferidas pela empresa, inclusive reembolsos e descontos condicionais, estão sujeitas à tributação. Nega-se provimento. Fl. 18080DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 33 MULTA DE OFÍCIO. LEGALIDADE A Recorrente alega que a aplicação da multa de ofício no presente caso é ilegal, argumentando que o lançamento do crédito tributário foi realizado com base em interpretações errôneas da legislação tributária, o que tornaria indevida a imposição da penalidade. Além disso, alega que não houve intenção de dolo ou fraude, o que afastaria a aplicação de tal sanção. Neste ponto, não assiste razão à Recorrente. O voto da DRJ abordou de maneira clara a fundamentação para a aplicação da multa de ofício, com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, que autoriza a cobrança da multa de 75% sobre o valor do tributo não recolhido. Tal penalidade é aplicada independentemente da existência de dolo ou fraude, bastando que o contribuinte tenha deixado de recolher o tributo devido, o que foi devidamente comprovado no procedimento fiscal. Além disso, a jurisprudência consolidada no CARF confirma a legalidade da multa de ofício em casos de lançamento de ofício, nos termos do Decreto nº 70.235/72, e reforça que a ausência de recolhimento do tributo em si já configura fato gerador da penalidade, independentemente da intenção do contribuinte. Sobre o assunto, a título de exemplo faço referência ao acórdão 2001-007.046 de relatoria do Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. Acórdão: 2001-007.046 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 MULTA DE OFÍCIO - CARÁTER CONFISCATÓRIO - PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS - PRINCÍPIOS QUE OBJETIVAM A DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI TRIBUTÁRIA - IMPOSSIBILIDADE. Os princípios constitucionais são dirigidos ao legislador, ou mesmo ao órgão judicial competente, não podendo se dizer que estejam direcionados à Administração Tributária, pois essa se submete ao princípio da legalidade, não podendo se furtar em aplicar a lei. Não pode a autoridade lançadora e julgadora administrativa, por exemplo, invocando o princípio do não confisco, afastar a aplicação da lei tributária. Isso ocorrendo, significaria declarar, incidenter tantum, a inconstitucionalidade da lei tributária que funcionou como base legal do lançamento (imposto e multa de ofício). Quanto aos argumentos de cunho constitucional, cabe reproduzir a Súmula CARF nº 2. Súmula CARF nº 2 Aprovada pelo Pleno em 2006 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 18081DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3401-013.520 – 3ª SEÇÃO/4ª CÂMARA/1ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 11065.729304/2019-32 34 Assim, o CARF tem reiteradamente decidido que a penalidade é devida sempre que houver omissão de pagamento, conforme entendimento pacificado. Nega-se provimento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso para rejeitar as preliminares e no mérito dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apenas para excluir o ICMS da base de cálculo do PIS/COFINS. Assinado Digitalmente Leonardo Correia Lima Macedo Conselheiro Fl. 18082DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 11065.000623/2005-67
Data da sessão: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2008
Ementa: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
Ementa:
COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS ONEROSAS DE ICMS. DESCABIMENTO
Não constituem receita e portanto não integram a base de cálculo
da COFINS valores decorrentes de transferência onerosa de
créditos de ICMS autorizada pela Lei Complementar 87.
COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa disposição legal, o aproveitamento de crédito na
forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, todos da lei 10.833/2003, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.
Numero da decisão: 204-03.673
Decisão: ACORDAM os membros da quarta câmara do segundo conselho de
contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS - Redator designado ad hoc
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ementa_s : Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS ONEROSAS DE ICMS. DESCABIMENTO Não constituem receita e portanto não integram a base de cálculo da COFINS valores decorrentes de transferência onerosa de créditos de ICMS autorizada pela Lei Complementar 87. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, todos da lei 10.833/2003, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores.
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BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO AAccóórr ddããoo nnºº 204-003.673 SSeessssããoo ddee 05 de dezembro de 2008 RReeccoorr rr eennttee MAKOUROS DO BRASIL LTDA. RReeccoorr rr iiddaa DRJ PORTO ALEGRE Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: COFINS. BASE DE CÁLCULO. TRANSFERÊNCIAS ONEROSAS DE ICMS. DESCABIMENTO Não constituem receita e portanto não integram a base de cálculo da COFINS valores decorrentes de transferência onerosa de créditos de ICMS autorizada pela Lei Complementar 87. COFINS NÃO-CUMULATIVA. CRÉDITOS. INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição legal, o aproveitamento de crédito na forma do § 4 o do art. 3 o , do art. 4 o e dos §§ 1 o e 2 o do art. 6 o , bem como do § 2 o e inciso II do § 4 o e § 5 o do art. 12, todos da lei 10.833/2003, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da quarta câmara do segundo conselho de contribuintes, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. HENRIQUE PINHEIRO TORRES Presidente Fl. 301DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000623/2005-67 Acórdão n.º 204-003.673 CC02/C04 Fls. 123 _________ 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Redator designado ad hoc Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Ali Zraik Jr, Nayra Bastos Manatta, Rodrigo Bernardes de Carvalho, Marcos Tranchesi Ortiz e Sílvia de Brito Oliveira. Relatório Discute-se no presente processo a tributação de valores decorrentes da transferência onerosa de créditos de ICMS, assim justificada pela autoridade fiscal ao examinar Declaração de Compensação apresentada pelo contribuinte: Constatamos, no decorrer da ação fiscal, que a fiscalizada efetuou cessão de créditos do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) a terceiros, nos meses de fevereiro a dezembro de 2004, conforme reconhecido pela própria fiscalizada em atendimento ao nosso Termo de Constatação e Intimação, de 12/01/2005. A fiscalizada não ofereceu à tributação as receitas decorrentes dessas cessões de crédito de ICMS. Essa operação equipara-se a verdadeira alienação de direitos a titulo oneroso e origina receita tributável, devendo compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Para o fim de melhor compreendermos seu enquadramento no campo de incidência da contribuição, passamos a discorrer sobre tal operação de forma detalhada. Ao realizar-se a aquisição de Certo produto sujeito à incidência do ICMS, está-se, em verdade, efetuando duas operações: a compra da mercadoria propriamente dita e a compra do crédito de imposto inerente àquele produto. Esse crédito originalmente adquirido na operação de compra costuma ser alienado de forma conjunta com a mercadoria que lhe deu origem, compondo a receita obtida na operação e, conseqüentemente, sofre a incidência do PIS e da Cofins. Não há, como se sabe, previsão legal para se excluir o ICMS incidente nas vendas da base de cálculo das referidas contribuições e, no que tange ao cálculo do crédito pelo adquirente, poderá ele calculá-lo sobre o valor de toda a operação, incluindo o próprio ICMS. Na cessão de créditos de ICMS, há também a alienação do crédito fiscal, porém de forma separada das mercadorias que o originaram. Assim sendo, não há por que dispensar tratamento tributário diferenciado na hipótese de o contribuinte optar por alienar Fl. 302DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000623/2005-67 Acórdão n.º 204-003.673 CC02/C04 Fls. 124 _________ 3 isoladamente o crédito de ICMS a terceiro. Caso tal crédito não sofresse tributação, estar-se-ia proporcionando ao contribuinte um beneficio sem amparo legal. Ou seja, a incidência do PIS e da COFINS na cessão de créditos de ICMS a terceiros apenas restabelece o equilíbrio tributário na operação. Convém ressaltarmos que tais valores devem compor a base de cálculo das referidas contribuições mesmo na hipótese de não transitarem por conta de resultado, visto que é irrelevante, para fins de apuração do faturamento, a denominação ou classificação contábil das receitas auferidas. No recurso que ofertou, defende a empresa, basicamente, não haver receita alguma, mas mera mutação patrimonial, estando correta a contabilização praticada, que consistiu em creditar diretamente a conta de Ativo representativa do crédito fiscal (ICMS a recuperar) contra o débito feito na conta de Ativo que suporta os estoques ou de Passivo, relativa a dívidas com fornecedores. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Designado redator ad hoc Em sessão de julgamento realizada em 05 de dezembro de 2008, a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, com base em relatório e voto lidos em sessão pelo então Conselheiro Ali Zraik Jr, relator, por unanimidade, deu parcial provimento ao recurso do contribuinte, decisão que consubstanciou o acórdão 204-03.673. Tendo em conta a não formalização do acórdão tanto pelo relator original quanto pelo redator ad hoc primeiramente designado, designou-me o Presidente atual da Câmara sucessora para formalizá-lo. Passo, então, a tecer as considerações que levaram o colegiado a acatar apenas parcialmente a pretensão do contribuinte. Como relatado, discutia-se, em 2008, a natureza jurídica da operação de cessão de créditos de ICMS apurados em aquisições de insumos que viessem a integrar produtos exportados sem a incidência daquele imposto nos termos da Lei Complementar 87/98. A data de julgamento é importante, pois, como se sabe, dois fatos relevantes lhe sucederam. Em primeiro lugar, em 2009 foi editado ato legal que, assumindo que esses valores configuravam receitas, permitiu, no entanto, sua exclusão da base de incidência da COFINS e do PIS, a partir de sua edição. Posteriormente, a questão foi decidida pelo STF em julgamento realizado na sistemática do art. 543 do CPC; nesse julgamento, entendeu-se que tais valores estavam alcançados pela imunidade concedida às operações de exportação. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000623/2005-67 Acórdão n.º 204-003.673 CC02/C04 Fls. 125 _________ 4 Desse modo, hoje a matéria não comporta maiores controvérsias: não se pode fazer incidir as contribuições sobre tais valores, ainda que se entenda tratar-se mesmo de receitas. À época do julgamento, porém, muito ainda se debatia, sendo certo que o primeiro ponto a dirimir era se estava-se mesmo diante de autêntica receita, como pretendia o Fisco, ou mera forma alternativa de utilização dos créditos, não tributável do mesmo modo que a tradicional - abatimento do saldo devedor - por configurar mera mutação patrimonial sem efeito no PL. No primeiro caso, restava definir se estava, ou não, alcançada pela imunidade. Foram estes dos primeiros julgamentos de que participei e acompanhei a tese pela não tributação, mais concretamente, concordei que não se tratava de receita. Com efeito, não consigo acompanhar a interpretação dada pela autoridade fiscal à sistemática de creditamento/debitamento própria do ICMS, segundo a qual dá-se uma venda de crédito por aquele que vende a mercadoria. A razão para ousar discordar é que o valor que se discute aqui é o que deve ser registrado como débito pelo vendedor por conta da venda feita e não o crédito que ele, vendedor, possui pelas aquisições que fez, normalmente de valor menor. Eles só seriam iguais na remota hipótese de que a venda seja feita pelo mesmo valor da aquisição. Ocorre que tal valor não é um direito daquele que vende, mas sim uma obrigação. Logo, o vendedor jamais o poderia estar alienando. Ademais, mesmo naquela remota hipótese de que o crédito pelas aquisições correspondesse exatamente ao débito da saída, ainda assim não se poderia entender que houve uma venda. E isso pela simples razão de que o vendedor aproveita esse crédito no momento em que recolhe o ICMS devido pela saída, e ao fazê-lo depois de o ter vendido estaria configurada, a meu ver, até mesmo uma fraude, pois estaria aproveitando algo que não mais lhe pertence. Diferentemente, entendo que é a sistemática da não-cumulatividade que garante ao comprador o direito de registrar, como direito seu, exatamente o valor que o vendedor tem de recolher segundo a lei (e mesmo que não o recolha). Esse direito, é então, em respeito àquele princípio constitucional, utilizado como efetivo recolhimento do imposto que ele, vendedor, tem de pagar nas saídas que promover. Ou seja, data máxima vênia, não há alienação alguma nessa forma "normal" de utilização do crédito: ele faz o papel de efetiva moeda para satisfazer (geralmente apenas de forma parcial) o imposto devido pelo contribuinte de direito relativamente aos fatos geradores que faz surgir (saídas das mercadorias). A meu sentir, essa natureza de quase moeda que o crédito possui - como forma de liquidação de dívida, restrita, no entanto, à dívida do próprio ICMS - não muda pela ampliação de seu escopo proporcionada pela Lei Complementar 87. Tal "dinheiro" passa agora a poder também liquidar dívidas com terceiros, cumpridos naturalmente os trâmites previstos na própria LC. E por isso mesmo a contabilização dessa operação não tem, a meu sentir, que mudar: creditar-se-á a conta de ativo representativa desse direito - ICMS a recuperar - diretamente contra aquela que suporta a aquisição que se está fazendo ou da dívida que está Fl. 304DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000623/2005-67 Acórdão n.º 204-003.673 CC02/C04 Fls. 126 _________ 5 sendo paga. Somente se os valores não coincidirem é que o resultado é afetado, registrando-se uma perda ou um ganho na operação. Por fim, também não partilho a perplexidade da autoridade fiscal retratada no seguinte trecho de seu relatório: Assim sendo, não há por que dispensar tratamento tributário diferenciado na hipótese de o contribuinte optar por alienar isoladamente o crédito de ICMS a terceiro. Caso tal crédito não sofresse tributação, estar-se-ia proporcionando ao contribuinte um beneficio sem amparo legal. Ou seja, a incidência do PIS e da COFINS na cessão de créditos de ICMS a terceiros apenas restabelece o equilíbrio tributário na operação. Também não sei se entendi exatamente, mas me parece que ela se refere à incidência do PIS e da COFINS sobre a totalidade do preço que o vendedor, tomador do crédito e que veio a aliená-lo, vier a cobrar (?), pois a incidência das contribuições nas operações anteriores em nada é afetada pela transferência posterior. De fato, o fornecedor das matérias primas há de tributar a integralidade do seu preço (no qual está embutido o ICMS, como de praxe). E é exatamente por isso que a Lei Complementar previu a manutenção desse crédito mesmo que não haja ICMS na saída em razão da exportação. Ou seja, se há algum tratamento tributário diferenciado para essa parcela, ele decorre diretamente do art. 149, I, da Constituição. Com tais considerações é que o colegiado acolheu o argumento da empresa sobre o descabimento de incluir tais valores na base de cálculo das contribuições. No que tange à adição de juros postulada, negou-a o colegiado face à expressa disposição legal: art. 13 da Lei 10.833 a seguir transcrito. Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4 o do art. 3 o , do art. 4 o e dos §§ 1 o e 2 o do art. 6 o , bem como do § 2 o e inciso II do § 4 o e § 5 o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Do exposto, deu-se parcial provimento ao recurso apenas para reconhecer o crédito glosado por conta do acréscimo dos valores relativos à transferência de créditos de ICMS. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Fl. 305DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 11065.000623/2005-67 Acórdão n.º 204-003.673 CC02/C04 Fls. 127 _________ 6 Fl. 306DF CARF MF Impresso em 27/07/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 27/07/2 015 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 26/07/2015 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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