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Numero do processo: 13660.000032/2003-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. NECESSIDADE DE AQUISIÇÃO DE
INSUMO DE TERCEIROS.
Para gerar crédito presumido do IPI, os insumos devem ser adquiridos de terceiros.
PRODUTO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. REVENDA SEM INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI.
Os bens adquiridos de terceiros e revendidos sem ter passado por novo processo de industrialização não gera crédito presumido do IPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. SÚMULA Nº 19. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO.
O consumo de energia elétrica e outros combustíveis não geram crédito presumido do IPI, por não se enquadrar no conceito de matéria prima, produto intermediário e material, conforme dispõe a Súmula nº 19 do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. TAXA SELIC NA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INAPLICABILIDADE.
É incabível a aplicação da Taxa SELIC para correção do crédito presumido do IPI sobre os créditos reconhecidos pela delegacia de origem.
Numero da decisão: 3401-002.302
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Matéria: IPI- processos NT- créd.presumido ressarc PIS e COFINS
Nome do relator: JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2001 a 30/09/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. NECESSIDADE DE AQUISIÇÃO DE INSUMO DE TERCEIROS. Para gerar crédito presumido do IPI, os insumos devem ser adquiridos de terceiros. PRODUTO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. REVENDA SEM INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Os bens adquiridos de terceiros e revendidos sem ter passado por novo processo de industrialização não gera crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. SÚMULA Nº 19. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO. O consumo de energia elétrica e outros combustíveis não geram crédito presumido do IPI, por não se enquadrar no conceito de matéria prima, produto intermediário e material, conforme dispõe a Súmula nº 19 do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. TAXA SELIC NA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INAPLICABILIDADE. É incabível a aplicação da Taxa SELIC para correção do crédito presumido do IPI sobre os créditos reconhecidos pela delegacia de origem.
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NECESSIDADE DE AQUISIÇÃO DE INSUMO DE TERCEIROS. Para gerar crédito presumido do IPI, os insumos devem ser adquiridos de terceiros. PRODUTO ADQUIRIDO DE TERCEIROS. REVENDA SEM INDUSTRIALIZAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. Os bens adquiridos de terceiros e revendidos sem ter passado por novo processo de industrialização não gera crédito presumido do IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEL. SÚMULA Nº 19. IMPOSSIBILIDADE DE GERAÇÃO DE CRÉDITO. O consumo de energia elétrica e outros combustíveis não geram crédito presumido do IPI, por não se enquadrar no conceito de matériaprima, produto intermediário e material, conforme dispõe a Súmula nº 19 do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. TAXA SELIC NA ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. INAPLICABILIDADE. É incabível a aplicação da Taxa SELIC para correção do crédito presumido do IPI sobre os créditos reconhecidos pela delegacia de origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 66 0. 00 00 32 /2 00 3- 34 Fl. 544DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08456.UD45. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Presidente. JEAN CLEUTER SIMÕES MENDONÇA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Júlio César Alves Ramos (Presidente), Robson José Bayerl, Jean Cleuter Simões Mendonça, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Fernando Marques Cleto Duarte e Ângela Sartori. Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito presumido do IPI no valor de R$ 11.646,44 (fls.2), referente ao terceiro trimestre de 2001, protocolizado em 28/01/2003, para compensar débitos do IRPJ do segundo e do terceiro trimestre de 2001 (fls.230/237). No termo de verificação fiscal (fls.227/228), consta que não foram apresentadas todas as notas fiscais e que foram glosadas algumas aquisições por não se enquadrarem como conceito de MP (matériaprima), PI (produto intermediário) e ME (material de embalagem). Por esses motivos, no despacho decisório (fls.241/242), a delegacia de origem reconheceu o crédito no valor somente de R$ 3.922,13 e homologou as compensações somente até esse limite. A Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls.248/263), contudo a DRJ em Juiz de Fora/MG manteve todas as glosas, ao prolatar acórdão com a seguinte ementa (fls.313/324): “(1) CRÉDITOS IPI. Geram o direito ao crédito, além dos elementos que se integram ao produto final (matériasprimas e produtos intermediários, estrito senso, e material de embalagem), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou, vice versa, desde que não devam, em face de princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente e desde (...) 1)CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais de IPI, bem como sobre o saldo credor trimestral acumulado, sejam Fl. 545DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08456.UD45. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13660.000032/200334 Acórdão n.º 3401002.302 S3C4T1 Fl. 545 3 eles decorrentes dos chamados créditos básicos ou de incentivos fiscais. 2) DILIGÊNCIA/PERÍCIA. São de pronto indeferidos os pedidos de diligencia ou perícia considerados, a juízo do julgador, prescindíveis ao desfecho da lide (artigo 18 do Decreto n° 70.235, de 1972). Solicitação Indeferida”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 29/11/2007 (fl.327) e interpôs Recurso Voluntário em 13/12/2007 (fls.337/378), com as alegações resumidas abaixo: 1 O fisco não levou em consideração as notas fiscais dos insumos adquiridos pela filial; 2 Deve ser realizada perícia para comprovação das aquisições da filial; 3 A Recorrente tem direito de incluir no cálculo do crédito presumido do IPI os valores relativos às aquisições de insumos da filial posteriormente transferidos para a matriz; 4 Tem direito à atualização monetária de seu crédito pela Taxa SELIC; 5 No processo de mineração e beneficiamento da pedra ardósia, a energia elétrica, o óleo diesel e o gás GLP são produtos intermediários, pois se desgastam durante esse processo, de modo que geram crédito do IPI; Ao final, a Recorrente pediu, em suma, a realização de diligência e o reconhecimento integral do crédito pleiteado. O processo foi inicialmente analisado pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes, sob a relatoria do Conselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda, ocasião na qual o julgamento foi convertido em diligência, com os seguinte quesitos (fls.534/534): “ A que título a recorrente promovia ou promove a transferência de matériasprimas entre os estabelecimentos filiais e a matriz; As notas fiscais, juntadas com o recurso ora analisado, contém elementos suficientes a alterar o fundamento e conceito do despacho decisório anteriormente prolatado? Se, sim, em que termos?; Fl. 546DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08456.UD45. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 Sofrem as Pedras de São Tomé ou a ardósia algum processo de beneficiamento nas dependências da recorrente, antes de revendidas a terceiros? Qual ou quais processos?; e, A revenda destes minérios se dá para o mercado interno ou tem por destinação o mercado externo? É promovida a exportação — se for o caso — pela recorrente? Há documentos comprobatórios neste sentido?”. As respostas às questões propostas na diligência estão nas fls.539/531, de onde se extrai o seguinte: Ao primeiro quesito, foi respondido o seguinte: “A recorrente promovia e promove a transferência de matérias primas da filial para a matriz da empresa a titulo de pedras brutas extraídas da pedreira localizada em sua filial de São Tomé das Letras/MG que são transferidas para beneficiamento em sua Matriz em Baependi/MG. No tocante à resposta do segundo quesito, o auditor fiscal respondeu, em resumo, que as notas fiscais relativas às transferências da filial para matriz não dão direito ao crédito porque não há aquisição de insumo, já que as pedras brutas são adquiridas na pedreira da própria empresa e não há recolhimento de PIS e de COFINS. Ao que se refere ao terceiro quesito, a resposta foi a seguinte: “Em visita à. empresa, embora o seu Representante Legal tenha informado, que as pedras especificadas nessas notas fiscais com CFOP 5.12 ou 6.12, sofreram algum tipo de beneficiamento, não há elementos que comprovem que essas pedras sofreram na época algum tipo de beneficiamento ou ainda se parte dessas pedras foram adquiridas de terceiros já beneficiadas com o intuito de completar uma certa quantidade a ser vendida/exportada. O que existe, de fato, constituindo uma comprovação documental, são as próprias notas fiscais, fls 109 a 120, 144 a 160 e 189 a 201, que apresentam como produtos discriminados, por exemplo, "Quartzitos serrados", "Pedra são Tomé serrada quadrada", "Pedras quartzito Carranquinha tipo especial", ou seja, produtos em sua maioria já beneficiados. E levando em consideração a legislação vigente, o conceito de revenda definido por compras para comercialização e não para industrialização, o que se confirma documentalmente pelas notas fiscais com o CFOP 5.12 e 6.12, comprovando ser, essas compras, pela própria natureza do seu CFOP, compras para comercialização”. Relativamente ao quarto e último quesito, a resposta segue abaixo: Fl. 547DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08456.UD45. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13660.000032/200334 Acórdão n.º 3401002.302 S3C4T1 Fl. 546 5 “A quase totalidade das vendas da recorrente tanto as vendas de produção do estabelecimento quanto as revendas têm como destinação o mercado externo, conforme os Demonstrativos de Crédito Presumido (DCP), verificados na época pelo auditor responsável pela fiscalização, e apresentados pelo contribuinte em suas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), documentos de fls 74 e 218 a 220, fato este corroborado também no livro Registro de Saídas da empresa (CFOP 7.11), fls 14 a 36, sendo portanto as suas vendas destinadas à exportação na ordem de 97,88%, 99,18% e 94,82% das vendas totais respectivamente nos meses de julho, agosto e setembro de 2001, compreendendo o período fiscalizado. Como a contabilidade da empresa não possui custo integrado, e de acordo com o art. 12. da IN SRF 103/97, o art. 11 da IN SRF 313/03 e o art. 11 da IN SRF 419/04, os créditos relativos a revenda devem ser apurados por critério de rateio, com base em percentual, apurado mensalmente”. A Contribuinte foi intimada do acórdão da DRJ em 23/09/2010 (fl.542), mas nos autos não consta sua manifestação. É o Relatório. Voto Conselheiro Relator Jean Cleuter Simões Mendonça Os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário foram analisados na primeira análise e dele se conheceu. O cerne da questão consiste em saber se a Recorrente tem direito ao crédito glosado. No termo de verificação (fls.227/229) a autoridade fiscal não nominou os produtos que glosou, contudo, mencionou que eram aqueles acobertados pelas notas fiscais de fls. 102/120 (107/125 na numeração digital), 142/160 (146/166 numeração digital) e 185/201 (191/207 na numeração digital). Essa notas são compostas pelas por diversos produtos, mas a Recorrente combateu somente as glosas relativas a: transferências da filial para a matriz, notas fiscais não classificadas nos CFOPs 1.11 e 2.11 e aquisição de energia elétrica, óleo diesel e gás GLP. 1 Das transferências entre filial e matriz. Quanto a transferência entre filial e a matriz, na diligência ficou constatado que essa operação realmente é realizada, contudo, tratase de transferência de pedras que são Fl. 548DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08456.UD45. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 extraídas das pedreiras da própria Recorrente, de modo que não há aquisição, o que impossibilita a geração de crédito. Nesse ponto, deve ser acolhida a diligência e negado o crédito relativo à operação em comento, pois o art. 1o, da Lei nº 9.363/96, exige a aquisição de matéria para a geração do crédito presumido do IP, senão, vejamos: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nºs 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo”. Note que deve existir a aquisição no mercado interno, ou seja, aquisição de terceiros. Como no presente caso não houve aquisição terceiro, mas mera exploração das pedreiras que já pertenciam à Recorrente, não há direito ao crédito presumido do IPI nessas operações. 2 Das notas fiscais com CFOPs 5.12 e 6.12 As notas fiscais com esses CFOPs foram negadas porque, segundo a fiscalização, elas têm natureza de aquisição de bens para revenda e não de venda para industrialização. Dessa forma, caberia à Recorrente ter demonstrado que os produtos discriminados nessas notas fiscais passaram por processo de industrialização antes de serem revendidos. Conforme o art. 1o, da Lei nº 9.363/96, já transcrito no tópico anterior, pressupõese que o insumo adquirido participe do processo produtivo. Se ele for simplesmente adquirido e revendido, o contribuinte não terá direito ao crédito presumido. In casu, a Recorrente não demonstrou nos autos que os produtos constantes nas notas fiscais de CFOPs 5.12 e 6.12 passam por processo produtivo. Na diligência, a autoridade fiscal também não conseguiu obter provas desse fato e a Recorrente não contestou o resultado diligência. Desse modo, outro caminho não resta a não ser a negativa do crédito. 3. Da energia elétrica, do óleo diesel e gás GLP A questão referente à geração de crédito na aquisição de energia elétrica, de óleo diesel e de gás GLP já está pacificada pela Súmula nº 19 do CARF da seguinte forma: “Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de Fl. 549DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08456.UD45. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 13660.000032/200334 Acórdão n.º 3401002.302 S3C4T1 Fl. 547 7 combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário”. Portanto, são legítimas essas glosas. 4. Da SELIC sobre os créditos da Recorrente O Superior Tribunal de Justiça, no julgamento do Recurso Especial nº 993.164, representativo de controvérsia, nos termos do art. 543C, do Código de Processo Civil, assim decidiu acerca desse tema: "PROCESSUAL CIVIL RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA IPI CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS LEI Nº 9.363/1996 INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF Nº 23/1997 (...) 12. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (aplicação analógica do precedente da Primeira Seção submetido ao rito do art. 543C do CPC : REsp 1035847/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Julgado em 24.06.2009, DJe 03.08.2009). 13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o Manual de Cálculos da Justiça Federal e a jurisprudência do STJ) autoriza a aplicação da Taxa Selic (a partir de janeiro de 1996) na correção monetária dos créditos extemporaneamente aproveitados por óbice do Fisco (REsp 1150188/SP, Relª Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, Julgado em 20.04.2010, DJe 03.05.2010). (...)15. Recurso especial da empresa provido para reconhecer a incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic. 16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. 17. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ nº 8/2008." (STJ REsp 993.164 1ª S. Rel. Min. Luiz Fux DJe 17.12.2010 ) (Grifos nossos) Conforme verificado, a Taxa SELIC é devida quando a Fazenda se opõe ao ressarcimento. Ocorre que, no presente processo, o fisco deferiu logo na primeira instância os Fl. 550DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08456.UD45. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 8 créditos legítimos da Recorrente. As glosas efetuadas, consoante análise acima, foram legítimas. Desse modo, não há direito à aplicação da Taxa SELIC para correção monetária dos créditos da Recorrente. Como no julgamento do STJ foi reconhecida a sistemática do art. 543C, do CPC, é o caso da aplicação do art. 62A, caput, do Regimento Interno do CARF, cujo teor é o seguinte: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. Portanto, a Recorrente não tem direito à incidência da SELIC sobre a parte do crédito reconhecida pela Delegacia de origem. Ex positis, nego provimento ao Recurso Voluntário interposto, para manter o acórdão da DRJ em sua integralidade, negando o crédito pleiteado e não homologando as compensações que ultrapassaram o valor do crédito já reconhecido pela delegacia de origem. É como voto. Jean Cleuter Simões Mendonça Relator Fl. 551DF CARF MF Documento de 8 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP04.0220.08456.UD45. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 29/07/2013 16:53:02. Documento autenticado digitalmente por JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 29/07/2013. Documento assinado digitalmente por: JULIO CESAR ALVES RAMOS em 08/08/2013 e JEAN CLEUTER SIMOES MENDONCA em 29/07/2013. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 04/02/2020. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP04.0220.08456.UD45 Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: BC1CA4FF7ADD8603767EA7D0BE46D4F2EBDD3FD7 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 13660.000032/2003-34. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 13506.720048/2017-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 07 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Sun May 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2015
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DECISÃO RECORRIDA. DEFINITIVIDADE.
A parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente em seu recurso torna-se incontroversa e definitiva na esfera administrativa. Logo, pronunciada irrefutável a preclusão temporal da pretensão, resolvido estará o litígio, iniciando-se o respectivo procedimento de cobrança administrativa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). VERDADE MATERIAL. DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. APRESENTAÇÃO. FASE RECURSAL. REQUISITOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA. ADMISSIBILIDADE.
Regra geral, a prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo trazê-la em momento processual diverso, exceto nos impedimentos causados por força maior, assim como quando ela pretender fundamentar ou contrapor fato superveniente. Logo, atendidos os preceitos legais, admite-se documentação que objetive comprovar direito subjetivo de que são titulares os recorrentes, ainda que acostada a destempo.
PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. SÚMULA CARF. ENUNCIADOS NºS 43 E 63. APLICÁVEIS.
Os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave discriminada em lei específica são isentos do IRPF, quando a respectiva doença for comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial (União, Estado, Distrito Federal ou Município), cuja validade nele será fixada se a moléstia for passível de controle.
RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. DESPESA COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. CUMPRIMENTO.
As despesas com instrução própria e dos dependentes são dedutíveis na apuração do imposto de renda devido, quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência.
Numero da decisão: 2402-009.056
Decisão: Acordam os membros do colegiado, com aplicação de votações sucessivas, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do ano-calendário de 2012, exercício 2013, os rendimentos de aposentadoria recebidos pelo contribuinte a partir de abril de 2012, inclusive, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Junior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Ana Claudia Borges de Oliveira, que deram provimento parcial em maior extensão, excluindo da base de cálculo do IRPF os rendimentos de aposentadoria recebidos nos dozes meses do ano de 2012. Em primeira votação, os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem e Denny Medeiros da Silveira negaram provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-009.054, de 7 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 13506.720046/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz.
Nome do relator: Francisco Ibiapino Luz
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RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. DECISÃO RECORRIDA. DEFINITIVIDADE. A parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou não a contesta expressamente em seu recurso torna-se incontroversa e definitiva na esfera administrativa. Logo, pronunciada irrefutável a preclusão temporal da pretensão, resolvido estará o litígio, iniciando-se o respectivo procedimento de cobrança administrativa. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL (PAF). VERDADE MATERIAL. DOCUMENTAÇÃO IDÔNEA. APRESENTAÇÃO. FASE RECURSAL. REQUISITOS LEGAIS. OBSERVÂNCIA. ADMISSIBILIDADE. Regra geral, a prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo trazê-la em momento processual diverso, exceto nos impedimentos causados por força maior, assim como quando ela pretender fundamentar ou contrapor fato superveniente. Logo, atendidos os preceitos legais, admite-se documentação que objetive comprovar direito subjetivo de que são titulares os recorrentes, ainda que acostada a destempo. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA OU PENSÃO. MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. SÚMULA CARF. ENUNCIADOS NºS 43 E 63. APLICÁVEIS. Os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave discriminada em lei específica são isentos do IRPF, quando a respectiva doença for comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial (União, Estado, Distrito Federal ou Município), cuja validade nele será fixada se a moléstia for passível de controle. RENDIMENTO TRIBUTÁVEL. DESPESA COM INSTRUÇÃO. DEDUÇÃO. REQUISITOS LEGAIS. CUMPRIMENTO. As despesas com instrução própria e dos dependentes são dedutíveis na apuração do imposto de renda devido, quando restarem comprovados os requisitos estabelecidos na legislação de regência. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 50 6. 72 00 48 /2 01 7- 45 Fl. 86DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2402-009.056 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13506.720048/2017-45 Acordam os membros do colegiado, com aplicação de votações sucessivas, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do ano-calendário de 2012, exercício 2013, os rendimentos de aposentadoria recebidos pelo contribuinte a partir de abril de 2012, inclusive, nos termos do voto condutor. Vencidos os conselheiros Gregório Rechmann Junior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Ana Claudia Borges de Oliveira, que deram provimento parcial em maior extensão, excluindo da base de cálculo do IRPF os rendimentos de aposentadoria recebidos nos dozes meses do ano de 2012. Em primeira votação, os Conselheiros Márcio Augusto Sekeff Sallem e Denny Medeiros da Silveira negaram provimento ao recurso. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 2402-009.054, de 7 de outubro de 2020, prolatado no julgamento do processo 13506.720046/2017-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Márcio Augusto Sekeff Sallem, Ana Claudia Borges de Oliveira, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior, Rafael Mazzer de Oliveira Ramos e Francisco Ibiapino Luz. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata-se de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou procedente em parte a impugnação apresentada pelo Contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário. Os fundamentos do Despacho Decisório da Unidade de Origem e os argumentos da Manifestação de Inconformidade estão resumidos no relatório do acórdão recorrido. Na sua ementa estão sumariados os fundamentos da decisão, detalhados no voto. Auto de Infração e Impugnação Por bem descrever os fatos e as razões da impugnação, adota-se excertos do relatório da decisão de primeira instância, transcritos a seguir: Contra o contribuinte foi lavrada notificação relativa ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, para apurar imposto suplementar, acrescido de multa de ofício de 75% e juros legais . De acordo com a descrição dos fatos e enquadramento legal foram apuradas as seguintes infrações: * dedução indevida com dependentes de R$ 3.949,44; Fl. 87DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2402-009.056 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13506.720048/2017-45 *dedução indevida de despesas médicas de R$ 25.633,10; *dedução indevida de despesas com instrução de R$ 3.091,35; * rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave de R$51.060,91; *dedução indevida de previdência privada e Fapi de R$ 2.651,40. O contribuinte foi cientificado conforme aviso de recebimento de fl.14 em 20/11/2017. Em 14/12/2017 impugna o lançamento conforme fls. 65 a 68 e anexa diversos documentos para afastar o trabalho da Autoridade Fiscal. Em 05/09/2019 foram anexados os documentos de fls. 71 a 79 e solicitada prioridade na tramitação do processo. Em 16//09/2019 foram apresentados novos documentos para comprovar o acometimento de moléstia grave, às fls. 83 a 89 . À fl. 92 consta carta de concessão de aposentadoria do INSS, com data de concessão do benefício em 29/12/1998: Julgamento de Primeira Instância A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento julgou procedente em parte a contestação do Impugnante, afastando parcela das glosas correspondentes a dependentes e despesas médicas. Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário acompanhado de documentação, basicamente repisando os argumentando apresentados na impugnação, o qual, em síntese, alega que traz de relevante para a solução da controvérsia: 1. A isenção deverá ser acatada, pois está provada com laudo médico; 2. A despesa com instrução de Camila Leal de Menezes Negromonte é dedutível consoante guarda judicial apresentada. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor no acórdão paradigma como razões de decidir: Admissibilidade O recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 25/11/2019 (processo digital, fl. 108), e a peça recursal foi interposta em 23/12/2019 (processo digital, fl. 111), dentro do prazo legal para sua interposição. Contudo, embora atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de Fl. 88DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2402-009.056 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13506.720048/2017-45 6 de março de 1972, dele conheço somente parcialmente, ante a preclusão consumativa vista no presente voto. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Mérito Matéria não contestada no recurso voluntário O Recorrente discorda parcialmente da decisão recorrida, não se insurgindo contra as glosas remanescente com dependentes, despesas médicas e aquela atinente à previdência privada e Fapi, razão por que referidas matérias tornam-se incontroversas e definitivas administrativamente. Mais precisamente, segundo o art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, o sujeito passivo tem o prazo de 30 (trinta) dias para interpor recurso voluntário junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), contados da ciência de decisão da DRJ que lhe foi parcial ou totalmente desfavorável. Nestes termos: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Tendo em vista o cenário apontado, consoante mandamento presente no inciso I e parágrafo único do art. 42 do citado Decreto, a preclusão temporal da pretensão interposta pelo Sujeito Passivo se revela irrefutável, especialmente por lhe faltar argumentos que supostamente pudessem elidir manifestada constatação. Confira-se: Art. 42. São definitivas as decisões: I - de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; [...] Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. (Grifo nosso) Arrematando o que está posto, conforme se vê na transcrição dos arts. 21, § 3º, e 43 do mesmo Ato, caracterizada a definitividade da decisão de primeira instância, resolvido estará o litígio, iniciando-se o procedimento de cobrança amigável: Art. 21. Não sendo cumprida nem impugnada a exigência, a autoridade preparadora declarará a revelia, permanecendo o processo no órgão preparador, pelo prazo de trinta dias, para cobrança amigável. [...] § 3° Esgotado o prazo de cobrança amigável sem que tenha sido pago o crédito tributário, o órgão preparador declarará o sujeito passivo devedor remisso e encaminhará o processo à autoridade competente para promover a cobrança executiva. Art. 43. A decisão definitiva contrária ao sujeito passivo será cumprida no prazo para cobrança amigável fixado no artigo 21, aplicando-se, no caso de descumprimento, o disposto no § 3º do mesmo artigo. (Grifo nosso) Delimitação da lide Consoante visto no relatório, restou em controvérsia apenas a discussão acerca da comprovação da doença grave e a dedução da despesa com instrução. Documentação apresentada em fase recursal Regra geral, a prova deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito do sujeito passivo trazê-la em momento processual diverso, exceto nos impedimentos causados por força maior, assim como quando ela pretender fundamentar ou contrapor fato superveniente. Por conseguinte, atendidos os preceitos legais, admite-se Fl. 89DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2402-009.056 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13506.720048/2017-45 documentação que objetive comprovar direito subjetivo de que são titulares os recorrentes, ainda que acostada a destempo. Afinal, tratando-se, da ultima instância administrativa, não parece razoável igual situação ser novamente enfrentada pelo Fisco, caso o contribuinte busque tutelar seu suposto direito perante o Judiciário. Com efeito, trata-se de entendimento que vem sendo adotado neste Conselho, ao qual me filio quando entendo pertinente, pois, como se há verificar, aplicáveis ao feito os seguintes princípios: 1. do devido processo legal (CF, de 1988, art. 5º, inciso LIV), vinculando a intervenção Estatal à forma estabelecida em lei; 2. da ampla defesa e do contraditório (CF, de 1988, art. 5º, inciso LV), tutelando a liberdade de defesa ampla, [...com os meios e recursos a ela inerentes, englobados na garantia, refletindo todos os seus desdobramentos, sem interpretação restritiva]. Logo, correlata a apresentação de provas (defesa) pertinentes ao debate inaugurado no litígio (contraditório), já que inadmissível acatar este sem pressupor a existência daquela; 3. da verdade material (princípio implícito, decorrente dos princípios da ampla defesa e do interesse público), asseverando que, quanto ao alegado por ocasião da instauração do litígio, deve-se trazer aos autos aquilo que, realmente, ocorreu. Evidentemente, o documento extemporâneo deve guardar pertinência com a matéria controvertida na reclamação, sob pena de operar-se a preclusão; 4. do formalismo moderado (Lei nº 9.784, de 1999, art. 2º, incisos VI, IX, X, XIII e Decreto nº 70.235, de 1972, art. 2º, caput), manifestando que os atos processuais administrativos, em regra, não dependem de forma , ou terão forma simples, respeitados os requisitos imprescindíveis à razoável segurança jurídica processual. Ainda assim, acatam-se aqueles praticados de modo diverso do exigido em lei, quando suprido o desígnio legal. Nessa perspectiva, em persecução da realidade fática, se for o caso, cabe ao julgador, inclusive de ofício e independentemente de pleito do contribuinte, resolver pela aferição dos fatos mediante a realização de diligências ou perícias técnicas. Trata-se, portanto, do dever que detém a administração pública de se valer de todos os elementos possíveis para aferir a autenticidade das declarações e argumentos apresentados pelos contribuintes, conforme preceitua o art. 18 do reportado Decreto nº 70.235, de 1972, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Ademais, cabível trazer o mandamento visto no Decreto nº 70.235, de1972, art. 16, §§ 4º, alíneas “a”, “b” e “c”, e 5º, que estabelece o contexto onde documentação apresentada extemporaneamente será admitida, verbis: Art. 16. [...]: [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Fl. 90DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art67 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 2402-009.056 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13506.720048/2017-45 Do que está posto, infere-se dos autos que referida documentação foi apresentada fora do prazo legalmente previsto, porque supostamente pretendeu contrapor ou fundamentar fato superveniente, já que o acórdão recorrido traz os fragmentos ora transcritos (processo digital, fls. 99 e 102): Dessa forma, conclui-se que o documento apresentado é inábil para a comprovação do estado clínico do paciente, e, em conseqüência, para formar a convicção do seu destinatário, no caso, a Receita Federal do Brasil. Sendo assim . os rendimentos recebidos de aposentadoria do INSS não podem ser considerados isentos por não ter sido apresentado laudo médico oficial com os requisitos previstos na legislação. [...] O contribuinte apresentou o documento de fl.10 que informa ser ele o responsável pelo pagamento de R$6723,70 do curso de Bacharelado em Direito. Entretanto, o aluno mencionado não consta do rol de dependentes do interessado. Portanto, mantida a glosa. Como se vê, mencionada documentação guarda estrita relação com a controvérsia regularmente instaurada por meio da impugnação, cuidando tão somente de esclarecer a materialidade fática ali previamente delimitada. Logo, já que afastada a abertura de nova discussão jurídica, em conformidade com o Decreto nº 70.235, de1972, art. 16, § 4º, alínea “c”, dela tomo conhecimento, eis que carreada aos autos em complementaridade àquela revelada por ocasião da impugnação (processo digital, fls. 78 a 202). Rendimentos isentos recebidos pelos portadores de moléstia grave A esse respeito, vale abrir o presente estudo, trazendo a conformação que a legislação tributária estabelece acerca de pretendida isenção, aí sendo apresentados: 1. o rol exaustivo de patologias a que se refere mencionado benefício fiscal; 2. a forma de comprovação das aludidas doenças; 3. o termo inicial de gozo do citado direito. Nesse cenário, vale consignar que os proventos de aposentadoria, reforma ou pensão percebidos pelos portadores de moléstia grave discriminada em lei específica são isentos do IRPF, ainda que a patologia tenha sido contraída posteriormente a mencionadas ocorrências, conforme Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, art. 6º, inciso XIV e XXI, com a redação dada pelo art. 47 da Lei n° 8.541, de 23 de dezembro de 1992, e art. 1º da Lei n° 11.052, de 29 de dezembro de 2004, nos termos abaixo: Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...] XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; [...] XXI - os valores recebidos a titulo de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, Fl. 91DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2402-009.056 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13506.720048/2017-45 exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão. Avançando na presente análise, vale considerar que, a partir do ano-calendário de 1996, a doença deverá ser devidamente comprovada por meio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial (União, Estado, Distrito Federal ou Município), cuja validade nele será fixada se a moléstia for passível de controle, nos termos previstos na Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 1º. Confirma-se: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. § 1º O serviço médico oficial fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. Fechando retrocitada conformação, salienta-se que, quando o acometimento da enfermidade se der antes da aposentadoria, reforma ou pensão, o gozo de reportado benefício fiscal inicia no mês de concessão da respectiva "inatividade" ou pensão. Contudo, se a doença vier após mencionadas ocorrências, dita isenção começa no mês de emissão do laudo que a reconhecer ou na data em que foi contraída, caso esteja identificada no referido documento oficial, consoante o Decreto nº 3.000, de 1999 (vigente durante aludido ano-calendário em análise, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018, em 22/11/2018). Nestes termos: Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: XXXIII - os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que [...] § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicam-se aos rendimentos recebidos a partir: I - do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II - do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III - da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial. Nesse pressuposto, mediante os Enunciados nºs 43 e 63 de súmulas de sua jurisprudência, este Conselho pacificou o seguinte entendimento: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Como se pode notar, o início de gozo do retrocitado benefício fiscal está condicionado ao fiel cumprimento de requisitos impostos pela legislação, quais sejam: 1. o acometimento de moléstia grave discriminada em lei; 2. a doença ser comprovada por meio de laudo ou parecer do serviço médico oficial da União, dos estados, do Distrito Federal ou dos município; Fl. 92DF CARF MF Original http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7713.htm#art6xiv http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7713.htm#art6xxi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7713.htm#art6xxi http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8541.htm#art47 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L8541.htm#art47 Fl. 8 do Acórdão n.º 2402-009.056 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13506.720048/2017-45 3. tratar-se dos proventos de aposentadoria, reforma ou pensão; 4. seu termo inicial se dará: (a) no mês de concessão da aposentadoria, reforma ou pensão, quando a doença for contraída antes da concessão de reportada "inatividade" ou pensão; (b) no mês de emissão do laudo que a reconhecer ou na data em que foi contraída, caso esteja identificada no referido documento oficial, se a patologia vier após as ocorrências mencionadas acima. Por pertinente, a configuração da exclusão do crédito tributário mediante outorga de isenção é condicionada a que sua concessão ocorra por lei específica, a qual deverá ser interpretada literalmente. Confirma-se: CF, de 1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias [...] [...] § 6º Qualquer subsídio ou isenção,[...] só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição [...] (grifo nosso) CTN, de 1966: Art. 111. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (grifo nosso) [...] II - outorga de isenção; Posta assim a questão, passo à análise propriamente da contenda suscitada. Como visto nos documentos juntados na fase recursal (laudo médico expedido pelo serviço de médico oficial do município de Paulo Afonso/BA) o Recorrente é portador de moléstia grave prevista em lei específica, a partir de abril de 2012 (processo digital, fls. 83 a 89 e 113 e 114). Por conseguinte, já que o Contribuinte é aposentado desde de 15/12/1998 (processo digital, fl. 92), afasta-se a incidência do IRPF a contar da data em que dita moléstia foi contraída (4/2012). Naturalmente, aí não se inclui a quantia de R$ 19.895,39, recebida da Caixa Econômica Federal, já que o Sujeito Passivo não comprovou se tratar de provento de aposentadoria, reforma ou reserva (processo digital, fl. 15). Despesa com instrução A decisão de origem manteve a glosa da despesa com instrução declarada pelo contribuinte, sob o fundamento de que dito dispêndio se deu com pessoa que não figura como dependente na declaração de ajuste anual. Tocante a isso, a Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "b", item 7, autoriza o contribuinte deduzir, na apuração do imposto de renda devido, até o limite, individual, de R$ 3.230,46 com educação própria ou de dependente. Confirma-se: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no ano-calendário será a diferença entre as somas: [...] II - das deduções relativas: [...] b) a pagamentos de despesas com instrução do contribuinte e de seus dependentes, efetuados a estabelecimentos de ensino, relativamente à educação infantil, compreendendo as creches e as pré-escolas; ao ensino fundamental; ao ensino médio; à educação superior, compreendendo os cursos de graduação e de Fl. 93DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 2402-009.056 - 2ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 13506.720048/2017-45 pós-graduação (mestrado, doutorado e especialização); e à educação profissional, compreendendo o ensino técnico e o tecnológico, até o limite anual individual de: [...] 7. R$ 3.091,35 (três mil, noventa e um reais e trinta e cinco centavos) para o ano- calendário de 2012; Nessa perspectiva, embora o Contribuinte tenha apresentado Termo de Guarda da menor Camila Leal de Menezes Negromonte, pelo fato da mesma não constar no rol de seus dependentes, não há como se acatar o pleito em questão por falta de previsão legal (processo digital, fls. 115). Ante o exposto, conheço parcialmente do recurso interposto, não se apreciando a matéria não recorrida, para, na parte conhecida, dar-lhe parcial provimento, reconhecendo a isenção da aposentadoria recebida a partir de abril de 2012, aí não se incluindo o valor de R$ 19.895,39, recebido da Caixa Econômica Federal. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, excluindo-se da base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), do ano-calendário de 2012, exercício 2013, os rendimentos de aposentadoria recebidos pelo contribuinte a partir de abril de 2012, não se incluindo o valor de R$ 19.895,39, recebido da Caixa Econômica Federal e não acatando o pleito em relação à menor Camila Leal de Menezes Negromonte, pelo fato da mesma não constar no rol de seus dependentes, por falta de previsão legal. (documento assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira – Presidente Redator Fl. 94DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10825.901894/2012-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Mar 02 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Thu May 14 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 01/07/2009
IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). INDEFERIMENTO.
O direito ao ressarcimento de créditos de IPI está condicionado à manutenção do saldo credor na escrita fiscal até a data da transmissão do pedido. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre de referência, resta legítimo o indeferimento do pedido.
UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO SALDO CREDOR EM PERÍODOS SUBSEQUENTES. ÔNUS DA PROVA.
Compete ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante provas documentais hábeis e idôneas, a regularidade e legitimidade dos créditos que pretende ver ressarcidos, nos termos do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011.
RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMPO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE.
A impossibilidade de retificação de PER/DCOMP após a prolação de decisão administrativa encontra respaldo no art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012.
Numero da decisão: 3002-004.166
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Assinado Digitalmente
ADRIANO MONTE PESSOA – Relator
Assinado Digitalmente
Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmao – Presidente
Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenas, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente).
Nome do relator: ADRIANO MONTE PESSOA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 01/07/2009 IPI. RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). INDEFERIMENTO. O direito ao ressarcimento de créditos de IPI está condicionado à manutenção do saldo credor na escrita fiscal até a data da transmissão do pedido. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre de referência, resta legítimo o indeferimento do pedido. UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO SALDO CREDOR EM PERÍODOS SUBSEQUENTES. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante provas documentais hábeis e idôneas, a regularidade e legitimidade dos créditos que pretende ver ressarcidos, nos termos do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMPO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A impossibilidade de retificação de PER/DCOMP após a prolação de decisão administrativa encontra respaldo no art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente ADRIANO MONTE PESSOA – Relator Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmao – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenas, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente).
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RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (PER/DCOMP). INDEFERIMENTO. O direito ao ressarcimento de créditos de IPI está condicionado à manutenção do saldo credor na escrita fiscal até a data da transmissão do pedido. Constatada a utilização integral ou parcial do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao trimestre de referência, resta legítimo o indeferimento do pedido. UTILIZAÇÃO INTEGRAL DO SALDO CREDOR EM PERÍODOS SUBSEQUENTES. ÔNUS DA PROVA. Compete ao contribuinte o ônus de demonstrar, mediante provas documentais hábeis e idôneas, a regularidade e legitimidade dos créditos que pretende ver ressarcidos, nos termos do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011. RETIFICAÇÃO DE PER/DCOMPO APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. IMPOSSIBILIDADE. A impossibilidade de retificação de PER/DCOMP após a prolação de decisão administrativa encontra respaldo no art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 227DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Assinado Digitalmente ADRIANO MONTE PESSOA – Relator Assinado Digitalmente Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmao – Presidente Participaram da reunião assíncrona os conselheiros Adriano Monte Pessoa, Gisela Pimenta Gadelha, Luiz Felipe de Rezende Martins Sardinha, Neiva Aparecida Baylon, Renata Casorla Mascarenas, Renato Câmara Ferro Ribeiro de Gusmao (Presidente). RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário interposto por SOLETROL INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA., pessoa jurídica de direito privado, inscrita no CNPJ sob o nº 52.514.627/0001-64, com sede na Rodovia Marechal Rondon, s/nº, km. 274, São Manuel/SP, CEP 18650-000, em face do Acórdão nº 09-70.351, prolatado pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora/MG. O presente processo administrativo tem origem no PER/DCOMP nº 35463.74791.120811.1.1.01-1151, transmitido em 12/08/2011, por meio do qual a Recorrente pleiteou o ressarcimento de créditos de IPI no valor de R$ 182.832,36 (cento e oitenta e dois mil, oitocentos e trinta e dois reais e trinta e seis centavos), referentes ao 3º trimestre calendário de 2009. A autoridade fiscal, após análise das informações prestadas e dos demonstrativos gerados pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC), proferiu Despacho Decisório indeferindo integralmente o pedido de ressarcimento, ao fundamento de que o saldo credor passível de ressarcimento fora integralmente utilizado em períodos subsequentes ao trimestre de referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP, restando reconhecido o valor de R$ 0,00 (zero) a título de crédito. Inconformada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que teria cometido equívoco no preenchimento do PER/DCOMP, Fl. 228DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 3 declarando o valor de R$ 182.832,36 quando o correto seria R$ 179.020,05, requerendo a retificação do pedido e o deferimento do ressarcimento no valor corrigido. A 4ª Turma da DRJ de Juiz de Fora, por meio do Acórdão nº 09-70.351, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, mantendo incólume o Despacho Decisório. Fundamentou a decisão na impossibilidade de retificação do PER/DCOMP após a prolação de decisão administrativa, bem como na constatação de que o saldo credor ressarcível de R$ 380.485,68, apurado ao final do 3º trimestre de 2009, foi integralmente apropriado para abatimento de débitos escriturais em dezembro de 2009, quando a contribuinte lançou o valor de R$ 899.993,90 a título de "OUTROS DÉBITOS - PERDAS POR DECURSO". Em suas razões recursais, a Recorrente sustenta que: (i) os julgadores de primeira instância teriam sido influenciados pela singeleza dos esclarecimentos prestados na Manifestação de Inconformidade; (ii) o crédito de R$ 899.993,90 seria originário de operações realizadas até o ano de 2004; (iii) em 2009, reconhecendo a prescrição desse crédito, teria optado por dar-lhe baixa mediante lançamento no item "OUTROS DÉBITOS - PERDAS POR DECURSO"; (iv) o crédito remanescente de R$ 527.078,82 seria regular e originário de operações do exercício de 2009; (v) as compensações declaradas estariam lastreadas exclusivamente nesse crédito de R$ 527.078,82; e (vi) pugna pelo reconhecimento da validade do crédito e pela extinção do crédito tributário. É o relatório. VOTO Conselheiro ADRIANO MONTE PESSOA, Relator I - DA ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário é tempestivo, uma vez que interposto dentro do prazo legal de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72, contados da ciência do Acórdão recorrido. A Recorrente possui legitimidade e capacidade para recorrer, estando regularmente representada nos autos. Presentes os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. II - DO MÉRITO II.1 - DA ALEGAÇÃO DE INFLUÊNCIA PELA SINGELEZA DOS ESCLARECIMENTOS PRESTADOS Alega a Recorrente que os julgadores de primeira instância teriam sido "influenciados pela singeleza dos esclarecimentos prestados" na Manifestação de Inconformidade, o que teria conduzido a uma decisão equivocada. Com a devida vênia, tal alegação não merece prosperar, porquanto destituída de qualquer fundamento fático ou jurídico. Fl. 229DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 4 Primeiramente, cumpre destacar que o processo administrativo fiscal é regido pelos princípios da oficialidade, da verdade material e da legalidade objetiva, cabendo à autoridade julgadora a análise completa dos fatos e documentos constantes dos autos, independentemente das alegações das partes. Nesse sentido, eventual deficiência argumentativa do contribuinte não constitui óbice ao exame aprofundado da matéria pela autoridade administrativa. Por outro lado, a análise do Acórdão recorrido demonstra que os julgadores de primeira instância conduziram exame minucioso e fundamentado de todas as questões relevantes para o deslinde da controvérsia. O voto condutor percorre detalhadamente o fluxo de processamento eletrônico do crédito, analisa os demonstrativos gerados pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC), examina a escrituração fiscal da contribuinte e identifica com precisão a causa do indeferimento do pedido de ressarcimento. Ademais, o próprio relator da decisão recorrida consignou expressamente que, "em homenagem aos princípios da legalidade e da verdade material", decidiu analisar, "mesmo que de forma sumária, os elementos que pudessem influenciar no indeferimento do pleito solicitado". Tal conduta evidencia o compromisso da autoridade julgadora com a busca da verdade material, afastando qualquer alegação de análise superficial ou influenciada por eventuais deficiências da defesa apresentada. Note-se que a decisão administrativa foi proferida com base em elementos objetivos constantes dos autos, notadamente os demonstrativos fiscais gerados pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC), o Livro de Registro de Apuração do IPI (RAIPI) e as informações prestadas pela própria contribuinte nos diversos PER/DCOMPs transmitidos. Não se trata, portanto, de decisão fundada em convicção subjetiva do julgador, mas sim em fatos documentalmente comprovados. A tentativa da Recorrente de atribuir a improcedência de sua Manifestação de Inconformidade à suposta "singeleza" de seus próprios esclarecimentos revela, na verdade, o reconhecimento implícito de que a defesa apresentada foi insuficiente para demonstrar a regularidade dos créditos pleiteados. Contudo, tal circunstância não pode ser invocada em seu favor, porquanto compete exclusivamente ao contribuinte o ônus de comprovar os fatos que alega, nos termos do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011. Por fim, importa salientar que a alegação de "influência" sobre os julgadores constitui assertiva genérica e desprovida de qualquer elemento concreto que a sustente. A Recorrente não aponta, especificamente, qual aspecto da decisão teria sido afetado pela suposta singeleza de sua defesa, nem indica qualquer vício de fundamentação ou erro de fato que pudesse comprometer a higidez do julgamento. Dessa forma, rejeito a alegação de que a decisão recorrida teria sido influenciada pela deficiência argumentativa da Manifestação de Inconformidade, porquanto o Acórdão impugnado encontra-se adequadamente fundamentado em elementos fáticos e jurídicos constantes dos autos. Fl. 230DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 5 II.2 - DA BAIXA DO CRÉDITO DE R$ 899.993,90 A TÍTULO DE "OUTROS DÉBITOS - PERDAS POR DECURSO" A Recorrente sustenta que o crédito de R$ 899.993,90, lançado em dezembro de 2009 sob a rubrica "OUTROS DÉBITOS - PERDAS POR DECURSO", seria originário de operações realizadas até o ano de 2004 e que, reconhecendo sua prescrição, teria optado por excluí-lo de sua escrituração fiscal. Argumenta que tal baixa não guardaria qualquer relação com os créditos objeto do presente pedido de ressarcimento. Todavia, a argumentação da Recorrente não resiste a uma análise mais detida. O Sistema de Controle de Créditos (SCC) da Receita Federal do Brasil opera mediante análise encadeada e integrada de todos os PER/DCOMPs transmitidos pelo contribuinte, verificando não apenas os elementos do trimestre de referência, mas também os elementos de ligação entre os trimestres, notadamente os saldos de abertura e fechamento. Conforme se extrai do Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento, constante do Despacho Decisório, o saldo credor ressarcível de R$ 380.485,68, apurado ao final do 3º trimestre de 2009, manteve-se na escrituração fiscal nos meses de outubro e novembro de 2009. Contudo, em dezembro de 2009, a contribuinte lançou como "OUTROS DÉBITOS" o valor de R$ 899.993,90, o que resultou na integral absorção do saldo credor até então existente. Ora, independentemente da origem ou da natureza do crédito que foi objeto de baixa, fato é que o lançamento a título de "OUTROS DÉBITOS - PERDAS POR DECURSO" produziu efeitos concretos sobre a escrituração fiscal da contribuinte, consumindo integralmente o saldo credor que existia ao final do 3º trimestre de 2009. Não se pode pretender que a Administração Tributária desconsidere os efeitos de ato praticado voluntariamente pelo próprio contribuinte em sua escrituração fiscal. A escrituração fiscal constitui declaração unilateral do contribuinte perante o Fisco, produzindo efeitos jurídicos a partir de sua transmissão. Os lançamentos ali consignados refletem a manifestação de vontade do contribuinte quanto à sua situação tributária, não podendo ser simplesmente desconsiderados quando, posteriormente, revelam-se desfavoráveis aos seus interesses. A alegação de que o crédito baixado seria "prescrito" carece de qualquer comprovação nos autos. A Recorrente não apresenta demonstração documental da origem desse crédito, de sua composição, dos períodos de apuração a que se refere, nem dos fundamentos jurídicos que sustentariam a suposta prescrição. Trata-se de afirmação genérica, destituída de lastro probatório. Ademais, ainda que se admitisse, em tese, que parte do crédito escriturado tivesse origem em períodos anteriores a 2004, tal circunstância não alteraria o resultado do presente julgamento. O Sistema de Controle de Créditos opera com base nas informações declaradas pelo próprio contribuinte em seus PER/DCOMPs e em sua escrituração fiscal. Se a contribuinte optou Fl. 231DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 6 por manter em sua escrita, por anos a fio, um crédito que reputava prescrito, e posteriormente decidiu baixá-lo mediante lançamento em "OUTROS DÉBITOS", deve suportar as consequências de sua própria conduta. O princípio da boa-fé objetiva e a vedação ao comportamento contraditório (venire contra factum proprium) impedem que o contribuinte se beneficie de situação criada por ato próprio. Tendo a Recorrente voluntariamente lançado o valor de R$ 899.993,90 como débito em sua escrituração, consumindo assim o saldo credor existente, não pode agora pretender que tal lançamento seja desconsiderado para fins de obtenção do ressarcimento pretendido. Por fim, cumpre destacar que a Recorrente, embora alegue que o crédito baixado seria originário de operações até 2004, não apresenta qualquer documento comprobatório dessa afirmação. Não há nos autos notas fiscais, livros de apuração de períodos anteriores, demonstrativos de créditos ou qualquer outro elemento que permita verificar a veracidade de suas alegações. O ônus da prova, nos termos do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011, compete ao contribuinte, não tendo a Recorrente se desincumbido satisfatoriamente desse encargo. II.3 - DA ALEGADA PRESCRIÇÃO DO CRÉDITO E SUA EXCLUSÃO DA ESCRITURAÇÃO A Recorrente argumenta que, a partir de 2009, teria reconhecido a prescrição do crédito de R$ 899.993,90 e, para evitar "eventuais interpretações imprecisas e desencontradas", teria optado por dar baixa no referido valor mediante lançamento em "OUTROS DÉBITOS - PERDAS POR DECURSO". Sustenta que tal procedimento visaria, paradoxalmente, conferir maior clareza e precisão à sua escrituração fiscal. Preliminarmente, observa-se que a Recorrente incorre em contradição lógica insuperável. Se o crédito de R$ 899.993,90 já se encontrava prescrito desde períodos anteriores a 2009, não haveria qualquer razão para mantê-lo escriturado até dezembro daquele exercício. A manutenção de crédito prescrito na escrituração fiscal, por si só, já constituiria irregularidade passível de sanção administrativa. Ademais, a forma escolhida pela Recorrente para proceder à baixa do crédito - lançamento em "OUTROS DÉBITOS" - revela desconhecimento ou inobservância das normas contábeis e fiscais aplicáveis. A exclusão de crédito supostamente prescrito deveria ser realizada mediante estorno de crédito, e não mediante lançamento de débito. A rubrica "OUTROS DÉBITOS - PERDAS POR DECURSO" sugere, na verdade, o reconhecimento de uma perda patrimonial, o que é incompatível com a alegação de simples "limpeza" de crédito prescrito. A alegação de prescrição, por outro lado, carece de fundamentação jurídica adequada. A Recorrente não indica qual seria o prazo prescricional aplicável aos créditos de IPI, nem demonstra a partir de qual marco temporal tal prazo teria se iniciado. Limitou-se a afirmar genericamente que o crédito seria "originário de operações realizadas até o ano de 2004", sem qualquer especificação ou comprovação. Fl. 232DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 7 Registre-se que, nos termos do art. 168 do Código Tributário Nacional, o direito de pleitear a restituição de tributo extingue-se com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário. Tratando-se de crédito de IPI passível de ressarcimento, o prazo prescricional conta-se a partir do encerramento do trimestre-calendário em que apurado o saldo credor. Todavia, a Recorrente não demonstra quando teriam sido gerados os créditos que pretende ver reconhecidos como prescritos. A inconsistência da argumentação recursal torna-se ainda mais evidente quando se analisa o comportamento da Recorrente ao longo do tempo. Se efetivamente acreditava que parte de seus créditos estava prescrita, deveria ter procedido à regularização de sua escrituração fiscal em momento oportuno, antes de transmitir os pedidos de ressarcimento. A opção por manter créditos supostamente prescritos em sua escrituração e, posteriormente, baixá-los de forma a consumir o saldo credor ressarcível, revela conduta no mínimo negligente. Outrossim, a alegação de que a baixa do crédito teria sido realizada "para que não houvesse eventuais interpretações imprecisas e desencontradas" soa contraditória em face dos fatos. Se o objetivo era conferir clareza à escrituração, o resultado obtido foi precisamente o oposto: a baixa do crédito em dezembro de 2009 gerou a situação de ausência de saldo credor ressarcível que fundamentou o indeferimento do pedido. A conduta da Recorrente, a bem da verdade, sugere tentativa de manipulação da escrituração fiscal para obtenção de vantagem indevida. Ao manter em sua escrita, durante anos, créditos que reputava prescritos, a contribuinte artificialmente inflou seu saldo credor. Posteriormente, ao baixar esses créditos em momento estratégico, pretende agora que a Administração Tributária reconheça a existência de créditos que jamais constaram isoladamente de sua escrituração. Não se pode admitir que o contribuinte, por ato unilateral e não documentado, decomponha seu saldo credor em parcelas de diferentes origens e idades, atribuindo a cada uma delas tratamento fiscal distinto. A escrituração fiscal opera com saldos consolidados, não havendo previsão legal para a segregação de créditos por data de origem após sua escrituração. Por todas essas razões, rejeito a alegação de que a baixa do crédito de R$ 899.993,90 constituiria mero reconhecimento de prescrição, sem efeitos sobre o direito ao ressarcimento pleiteado. II.4 - DA ALEGADA REGULARIDADE DO CRÉDITO DE R$ 527.078,82 Sustenta a Recorrente que o crédito de R$ 527.078,82, remanescente após a baixa de R$ 899.993,90, seria regular e decorrente exclusivamente de operações realizadas no exercício de 2009, sendo, portanto, plenamente válido para fins de ressarcimento e compensação. Argumenta que os julgadores de primeira instância não teriam apontado qualquer irregularidade em relação a esse crédito. Fl. 233DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 8 A argumentação recursal parte de premissa equivocada. O indeferimento do pedido de ressarcimento não decorreu de glosa ou questionamento quanto à regularidade dos créditos escriturados pela contribuinte. Como bem consignado no Acórdão recorrido, o Demonstrativo de Créditos e Débitos não registra qualquer ajuste: "não há glosas, nem reclassificação de créditos, nem débitos apurados pela fiscalização". O fundamento do indeferimento é outro: a constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento foi integralmente utilizado em períodos subsequentes ao trimestre de referência, até a data da transmissão do PER/DCOMP. Trata-se de requisito objetivo para o deferimento do ressarcimento: a manutenção do saldo credor na escrituração fiscal até o momento do pedido. A Recorrente pretende, em verdade, criar uma distinção artificial entre créditos de diferentes origens dentro de um mesmo saldo credor consolidado. Argumenta que o crédito de R$ 527.078,82 seria "independente" do crédito de R$ 899.993,90 que foi baixado. Contudo, tal distinção não encontra amparo na legislação tributária nem nas normas que regem a apuração e escrituração do IPI. O Livro de Registro de Apuração do IPI (RAIPI) opera com saldos agregados, transportando-se de um período para outro o saldo credor ou devedor apurado. Não há previsão legal para a segregação de créditos por data de origem ou por qualquer outro critério após sua escrituração no livro fiscal. O saldo credor existente ao final de cada período constitui um todo indivisível para fins de apuração do imposto. Assim, quando a Recorrente lançou o valor de R$ 899.993,90 como "OUTROS DÉBITOS" em dezembro de 2009, esse lançamento incidiu sobre o saldo credor total então existente (R$ 1.428.538,61), reduzindo-o para R$ 527.078,82. Não é possível afirmar, do ponto de vista da escrituração fiscal, que os R$ 899.993,90 baixados correspondiam a créditos "antigos" e que os R$ 527.078,82 remanescentes correspondiam a créditos "novos". A alegação de que o crédito de R$ 527.078,82 seria integralmente originário de operações do exercício de 2009 demandaria comprovação documental específica, com a demonstração da composição desse saldo mediante apresentação de notas fiscais de entrada, livros de registro de entradas e demais documentos fiscais pertinentes. Todavia, a Recorrente limita-se a fazer afirmações genéricas, sem apresentar provas de suas alegações. Ademais, ainda que se admitisse a possibilidade de segregação de créditos por data de origem - o que se admite apenas para argumentar -, a Recorrente não demonstra que os créditos gerados em 2009 totalizariam exatamente R$ 527.078,82. Os demonstrativos constantes dos autos indicam que os créditos ressarcíveis apurados nos meses de julho, agosto e setembro de 2009 totalizaram R$ 182.832,36, valor este que já foi integralmente pleiteado no PER/DCOMP objeto da presente análise. A incongruência entre o valor alegado (R$ 527.078,82) e o valor efetivamente apurado como crédito ressarcível no 3º trimestre de 2009 (R$ 182.832,36) evidencia a fragilidade Fl. 234DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 9 da argumentação recursal. A Recorrente confunde saldo credor total com crédito ressarcível do trimestre, conceitos que não se equivalem na sistemática de apuração do IPI. Por fim, o fato de os julgadores de primeira instância não terem apontado "qualquer irregularidade" nos créditos escriturados não significa que esses créditos sejam automaticamente passíveis de ressarcimento. O direito ao ressarcimento depende não apenas da regularidade dos créditos, mas também de sua manutenção na escrita fiscal até a data do pedido. No caso concreto, essa manutenção não ocorreu, conforme demonstrado nos demonstrativos do Sistema de Controle de Créditos. II.5 - DA ALEGAÇÃO DE QUE AS COMPENSAÇÕES ESTARIAM LASTREADAS NO CRÉDITO DE R$ 527.078,82 A Recorrente argumenta que as compensações declaradas nos diversos PER/DCOMPs estariam lastreadas "única e exclusivamente" no crédito de R$ 527.078,82, não guardando qualquer relação com o crédito de R$ 899.993,90 que foi baixado. Sustenta que, por essa razão, as compensações deveriam ser homologadas. Tal argumentação incorre no mesmo equívoco já apontado: a pretensão de segregar artificialmente um saldo credor consolidado em parcelas de diferentes origens. O Sistema de Controle de Créditos da Receita Federal não opera com essa distinção, analisando o saldo credor como um todo unitário. No caso concreto, o PER/DCOMP nº 35463.74791.120811.1.1.01-1151 foi transmitido em 12/08/2011, solicitando o ressarcimento de créditos referentes ao 3º trimestre de 2009. Para que o ressarcimento seja deferido, é necessário que o saldo credor apurado ao final daquele trimestre tenha se mantido na escrituração fiscal até a data da transmissão do pedido. Conforme demonstrado no "Demonstrativo da Apuração Após o Período do Ressarcimento", o saldo credor existente ao final do 3º trimestre de 2009 (R$ 380.485,68) foi integralmente consumido em dezembro de 2009, quando a contribuinte lançou R$ 899.993,90 como "OUTROS DÉBITOS". A partir de janeiro de 2010, o saldo credor da contribuinte passou a ser composto exclusivamente por créditos gerados em períodos posteriores ao 3º trimestre de 2009. Desse modo, as compensações declaradas a partir de 2011 efetivamente não poderiam estar lastreadas nos créditos do 3º trimestre de 2009, pela simples razão de que tais créditos já haviam sido integralmente consumidos em dezembro de 2009. Se há créditos passíveis de compensação, estes se originam de períodos posteriores, não sendo objeto do PER/DCOMP em análise. A Recorrente parece não compreender a sistemática do ressarcimento de créditos de IPI. O pedido de ressarcimento deve indicar especificamente o trimestre-calendário a que se refere, e o crédito ressarcível corresponde ao saldo credor apurado ao final daquele trimestre específico. Não se pode pleitear ressarcimento de créditos de um trimestre utilizando como lastro saldo credor gerado em períodos posteriores. Fl. 235DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 10 O argumento de que as compensações estariam lastreadas no crédito de R$ 527.078,82 apenas reforça a conclusão de que não há crédito do 3º trimestre de 2009 a ser ressarcido. Se o crédito utilizado nas compensações foi gerado após dezembro de 2009 - como sustenta a própria Recorrente -, então evidentemente não se trata do crédito objeto do PER/DCOMP em análise. A confusão conceitual em que incorre a Recorrente decorre da tentativa de dissociar elementos que estão intrinsecamente ligados. O saldo credor existente em sua escrituração fiscal é resultado de uma sequência de créditos e débitos lançados ao longo do tempo. Quando a Recorrente optou por baixar R$ 899.993,90 em dezembro de 2009, eliminou de sua escrituração o saldo credor que existia ao final do 3º trimestre de 2009. A partir de janeiro de 2010, o saldo credor passou a ser composto por novos créditos, gerados em períodos posteriores. Esses novos créditos podem, eventualmente, ser objeto de pedido de ressarcimento em PER/DCOMPs específicos, referentes aos trimestres em que foram gerados. Todavia, não podem ser utilizados para ressuscitar o direito ao ressarcimento de créditos do 3º trimestre de 2009, que foram consumidos pela baixa de dezembro de 2009. Assim, rejeito a alegação de que as compensações declaradas estariam lastreadas em crédito regular do 3º trimestre de 2009, porquanto tal crédito foi integralmente consumido em dezembro de 2009, não existindo na escrituração fiscal da contribuinte quando da transmissão do PER/DCOMP. II.6 - DO PEDIDO DE RECONHECIMENTO DO CRÉDITO E EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO Por derradeiro, a Recorrente pugna pelo "reconhecimento da validade do crédito de R$ 527.078,82" e pela "extinção do crédito tributário referente ao 3º trimestre de 2009". Com a devida vênia, tais pedidos não podem ser acolhidos, porquanto fundados em premissas equivocadas e juridicamente insubsistentes. Primeiramente, não há nos autos qualquer elemento que permita reconhecer a existência de crédito de IPI no valor de R$ 527.078,82 referente ao 3º trimestre de 2009. Conforme demonstrado nos demonstrativos do Sistema de Controle de Créditos, o crédito ressarcível apurado naquele trimestre totalizou R$ 182.832,36, valor este que foi integralmente consumido em períodos posteriores. O valor de R$ 527.078,82 corresponde, na verdade, ao saldo credor remanescente após a baixa de R$ 899.993,90 em dezembro de 2009. Trata-se de saldo credor acumulado, composto por créditos de diversos períodos de apuração, e não de crédito ressarcível do 3º trimestre de 2009. A confusão entre esses conceitos permeia toda a argumentação recursal. O ressarcimento de créditos de IPI, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e do art. 164 do Decreto nº 4.544/2002 (RIPI), está condicionado à existência de saldo credor acumulado ao final do trimestre-calendário, decorrente de operações de aquisição de matérias- Fl. 236DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 11 primas, produtos intermediários e materiais de embalagem. O direito ao ressarcimento nasce com a apuração do saldo credor ao final do trimestre e se mantém enquanto esse saldo permanecer na escrituração fiscal. No caso concreto, o saldo credor ressarcível apurado ao final do 3º trimestre de 2009 foi integralmente consumido em dezembro de 2009, quando a contribuinte lançou R$ 899.993,90 como "OUTROS DÉBITOS - PERDAS POR DECURSO". A partir desse momento, o direito ao ressarcimento daquele crédito específico deixou de existir, porquanto não havia mais saldo credor a ser ressarcido. A pretensão de "extinção do crédito tributário" também não merece acolhimento. O presente processo administrativo não versa sobre crédito tributário constituído contra a Recorrente, mas sim sobre pedido de ressarcimento de créditos de IPI. São situações jurídicas distintas, que não se confundem. Os débitos tributários eventualmente constituídos em decorrência da não homologação das compensações declaradas pela Recorrente são objeto de processos específicos, identificados no Despacho Decisório (processos nºs 10825-901.940/2012-10, 10825- 901.941/2012-64, 10825-901.942/2012-17 e 10825-901.943/2012-53). A discussão quanto a esses débitos deve ser travada nos respectivos processos administrativos, não sendo o presente feito a via adequada para tanto. A Recorrente não demonstrou, em momento algum, a existência de erro no processamento eletrônico realizado pelo Sistema de Controle de Créditos. Limitou-se a afirmar que parte dos créditos escriturados teria origem em períodos anteriores a 2004 e que, por isso, não deveriam ser considerados na apuração do saldo credor ressarcível. Contudo, tal alegação não encontra respaldo na legislação tributária nem nas normas que regem a apuração do IPI. O ônus de demonstrar a regularidade e legitimidade dos créditos pleiteados compete ao contribuinte, nos termos do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011. Não se desincumbindo desse ônus, deve suportar as consequências de sua omissão. Como bem consignado no Acórdão recorrido, "o que não restou comprovado não macula a trilha seguida pelo processamento eletrônico". Por fim, registro que a impossibilidade de retificação do PER/DCOMP após a prolação de decisão administrativa, reconhecida no Acórdão recorrido, permanece aplicável ao presente caso. Nos termos do art. 88 da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, o pedido de retificação de PER/DCOMP somente pode ser efetivado anteriormente à decisão administrativa correspondente. Tendo sido proferido Despacho Decisório, não há mais possibilidade de alteração dos termos do pedido. III - DA CONCLUSÃO Ante todo o exposto, considerando que: (i) o saldo credor ressarcível apurado ao final do 3º trimestre de 2009 foi integralmente consumido em dezembro de 2009, mediante Fl. 237DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3002-004.166 – 3ª SEÇÃO/2ª TURMA EXTRAORDINÁRIA PROCESSO 10825.901894/2012-59 12 lançamento de "OUTROS DÉBITOS - PERDAS POR DECURSO" pela própria contribuinte; (ii) a alegação de prescrição de parte dos créditos não restou comprovada nos autos; (iii) não há previsão legal para segregação de saldo credor por data de origem dos créditos; (iv) o ônus de comprovar a regularidade dos créditos compete ao contribuinte, que dele não se desincumbiu; e (v) não há possibilidade de retificação do PER/DCOMP após a prolação de decisão administrativa; voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo incólume o Acórdão nº 09- 70.351, proferido pela 4ª Turma da DRJ de Juiz de Fora/MG. É como voto. Assinado Digitalmente ADRIANO MONTE PESSOA Fl. 238DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10680.021816/99-12
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Mon Dec 21 00:00:00 UTC 2009
Ementa: IPI — CRÉDITOS PRESUMIDOS NA EXPORTAÇÃO — RESSARCIMENTO EM COMPENSAÇÃO AO PIS E À COFINS — PRODUTOS EXPORTADOS NA CATEGORIA
NT - Nos termos da Lei n° 9.363/96, não tem direito ao crédito
presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI.
Recurso ao qual se nega provimento.
Numero da decisão: 203-08.672
Decisão: ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antônio Augusto Borges Torres, Mauro Wasilewski, Maria Teresa Martinez López e Adriene Maria de Miranda (Suplente). Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Claudia Horta Queiroz.
Nome do relator: VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Ministério da Fazenda Fl. 'teS.'•••:;;X: Segundo Conselho de Contribuintes )--; _- Processo : 10680.021816/99-12 Acórdão : 203-08.672 Recurso : 113.898 Recorrente : FERTECO MINERAÇÃO S/A Recorrida : DRJ em Belo Horizonte — IVIG IPI — CRÉDITOS PRESUMIDOS NA EXPORTAÇÃO — RESSARCIMENTO EM COMPENSAÇÃO AO PIS E À COFFNS — PRODUTOS EXPORTADOS NA CATEGORIA NT - Nos terrnos da Lei n° 9.363/96, não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI. Recurso ao qual se nega provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: FERTECO MINERAÇÃO S/A. ACORDAM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Antônio Augusto Borges Torres, Mauro Wasilewski, Maria Teresa Martinez López e Adriene Maria de Miranda (Suplente). Fez sustentação oral, pela recorrente, a Dra. Claudia Horta Queiroz. Sala das Sessões, em 25 de fevereiro de 2003 ettb‘ Otacilio Dant . Cartaxo Presidente Va F ca Menezes Relator Participaram, ainda, do presente julgamento as Conselheiras Maria Cristina Roza da Costa e Luciana Pato Peçonha Martins. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Francisco Mauricio R. de Albuquerque Silva e Renato Scalco Isquierdo. Iao/ovrs 22 CC-MFMinistério da Fazenda Fl. irtf...: It Segundo Conselho de Contribuintes Processo : 10680.021816/99-12 Acórdão : 203-08.672 Recurso : 113.898 Recorrente : FERTECO MINERAÇÃO S/A RELATÓRIO FERTECO MINERAÇÃO S/A., pessoa jurídica já qualificada nos autos do presente processo, recorre a este Colegiado, à fl. 53, contra decisão proferida pelo Delegado da DRJ em Belo Horizonte - MG (fl. 46), que indeferiu o pedido de ressarcimento de crédito presumido de Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, instituído pela Lei n° 9.363/96, para ressarcimento da Contribuição para o PIS e da COFINS, incidentes sobre insumos adquiridos no período de apuração discriminado na solicitação, empregados em produtos exportados, cujo pedido originalmente apresentado fora indeferido pela Delegacia da Receita Federal da jurisdição da interessada. O indeferimento em pauta, conforme consta do Parecer emitido pela Delegacia de origem, à fl. 15, que tomou por base Lei instituidora do beneficio, o Regulamento do IPI/1998 (Decreto n° 2.637/98), o Parecer MF/COSIT/DITIP n° 139/96 e o Parecer CST n° 65/79, decorreu do fato de que a empresa exporta produtos não sujeitos à tributação pelo IPI, e, em não sendo a mesma contribuinte daquele imposto, não haveria que se falar no beneficio pleiteado. Ademais, ainda segundo aquele entendimento, em uma análise preliminar dos insumos adquiridos e cujos custos são apresentados, verificou-se estarem incluídos alguns — tais como energia elétrica e combustíveis — que não poderiam ser considerados como matéria-prima, produtos intermediários ou materiais de embalagens, estando, pois, fora da base de cálculo do beneficio. A autoridade julgadora a quo manteve o entendimento exarado pela Delegacia da Receita Federal que indeferiu o pedido de ressarcimento apresentado na inicial, mediante decisório assim ementado (fl. 46): "Ementa: Crédito Presumido Por falta de amparo legal, os estabelecimentos que exportarem, unicamente, produtos que estejam fora do campo de incidência do IPI (7VT — não tributados), não fazem jus ao beneficio fiscal instituído pela Lei n°9.363/1996. SOLICITAÇÃO INDEFERIDA". Cientificada dessa decisão, a autuada protocolizou seu recurso voluntário a este Conselho, argüindo, em síntese, que: • o fato de a recorrente exportar produtos classificados na TIPI como NT (não tributados) não a impede de exercer o direito instituído pela Lei n° 9.363, considerando que as suas aquisições anteriores foram oneradas pelas 2 2° CC-MF Ministério da Fazenda Fl. n‘n t` Segundo Conselho de Contribuintes , • Processo : 10680.021816/99-12 Acórdão : 203-08.672 Recurso : 113.898 contribuições cumulativas do PIS e da COFINS, que é o que importa para tal beneficio, cabendo revisão da decisão recorrida por este Colegiado, como dever hierárquico de controle da legalidade; • os produtos a serem considerados, naquela Lei, como matéria-prima, produtos intermediários e materiais de embalagens são todos aqueles empregados no processo industrial, que representam custos de produção; • apesar da Legislação citada, em seu artigo 6°, ter outorgado ao Ministro de Estado da Fazenda competência para expedir as instruções necessárias à sua implementação, tal atributo não comporta a modificação, restrição ou negativa do alcance da Lei, visto não estar aquela autoridade investida na competência de legislar, devendo ser obedecida a divisão dos poderes da República, conforme Constituição Federal; • o Parecer MF/SRF/COSIT/DITIP n° 139/1996, que orienta em sentido contrário, não pode inovar a ordem jurídica, no caso a Lei n° 9.363, que não criou esta restrição, não exigindo a mesma que a atividade da empresa fosse entendida como industrialização de produtos tributados pelo IPI, pois faz menção apenas à expressão "mercadorias nacionais", citando jurisprudência sobre o tema deste Conselho; • alega que a autoridade administrativa deveria seguir o entendimento do órgão administrativo superior, por conta do princípio da igualdade, cuja aplicação é obrigatória para contribuintes que se encontrem em situação equivalente; • a legislação do IPI tem aplicação subsidiária ao caso, não podendo ser utilizada para restringir a Lei, como argúi o parecer da fiscalização, ao referir- se à energia elétrica e combustíveis, devendo o crédito presumido ser deferido em relação a qualquer aquisição que represente custos de produção, tendo em vista a intenção da Lei em desonerar as exportações; e • a Instrução Normativa n° 23/97 também não poderia restringir a utilização dos créditos, na forma dos seu artigo 2°, por ser norma emanada do Poder Executivo, citando jurisprudência deste Colegiado sobre o assunto. À fl. 71, este Colegiado determinou a realização de diligência, com o fim de obter esclarecimentos acerca do processo produtivo da empresa e sobre as aquisições efetuadas, nos termos ali expostos, tendo sido atendida, conforme o resultado constante à fl. 89. É o relatório. 3 r CC-MF Ministério da Fazenda Segundo Conselho de Contribuintes E. Processo : 10680.021816/99-12 Acórdão : 203-08.672 Recurso : 113.898 VOTO DO CONSELHEIRO-RELATOR VALMAR FONSECA DE MENEZES O recurso é tempestivo e assente em lei, devendo ser conhecido. Depreende-se do relatado que a questão cinge-se a duas vertentes: a) a primeira, a análise da aplicabilidade ou não do beneficio estabelecido pela Lei n° 9.363/96 às empresas não contribuintes do IPI, como é o caso da interessada , que exporta apenas produtos não tributados; e b) a segunda, cuja análise depende de uma conclusão positiva da questão anterior, se é correta a exclusão dos gastos com energia elétrica, material de consumo e combustíveis, do cálculo do crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI, instituído pela Lei n° 9.363, de 13/12/96, para efeito de ressarcimento da Contribuição para o PIS e da COFINS, quando o produto acabado destina-se à venda no mercado externo. Desta forma, constitui-se a primeira questão, na verdade, em uma premissa, de cujo julgamento depende a pertinência ou não de se perquirir sobre a outra vertente. A peça recursal nos submete à análise a questão referente ao direito ou não ao crédito presumido estabelecido pela Lei n° 9.363/96 da recorrente, em virtude da sua condição particular de produtora de mercadorias para posterior exportação de produtos não tributados pelo IPI, incluindo-se em sua base de cálculo, inclusive, todas as aquisições que representem custos de produção, tais como os relativos à energia elétrica, combustíveis, materiais de consumo, transportes e comunicação. O texto legal institui o beneficio para as empresas produtoras de mercadorias nacionais, ressaltando, no entanto, que, para se estabelecer o conceito de produção, deve-se utilizar a Legislação do IPI. Tal é o que consta do seu artigo 3°: "Art. 32 Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. P, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizar-se-á, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria-prima, produtos intermediários e material de embalagem." 4 r CC-MFiç Ministério da Fazenda Fl. 'S n lt. Segundo Conselho de Contribuintes Processo : 10680.021816199-12 Acórdão : 203-08.672 Recurso : 113.898 Tal assertiva também consta da Portaria MF n° 38/97, que, posteriormente, regulamentou a matéria: "Art. 3° - O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. 16 - Os conceitos de produção, matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem são os constantes da legislação do Portanto, vejamos se, partindo-se da legislação do IPI, a empresa em tela se enquadra dentro do que preceitua a Lei para gozo do beneficio. Para tanto, preliminarmente, vejamos se a mesma se enquadra como produtora de mercadorias nacionais, ou, em outros termos, em um estabelecimento industrial, da forma como dispõe a Legislaçã'o do tributo, visto que os termos de industrialização e produção estão intrinsincamente ligados. De acordo com o seu artigo 3°, a Lei determina que o conceito de produção deve ser aquele contido na Legislação do IPI. Logo, por conseqüência lógica, o conceito de produtor- estabelecimento industrial — será aquele estabelecido pelo RIPI. Sendo assim, veja-se o que dispõe o artigo 487 daquele regulamento: "Art. 487. 1Va interpretação e aplicação deste Regulamento, são adotados os seguintes conceitos e definições: II (-) - as expressões 'fábrica" e 'fabricante" são equivalentes a estabelecimento industrial, como definido no art. 8°; („)". (grifo nosso) Por sua vez, dispõe o artigo 8°: "Art. 8° Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4°, de que resulte produto tributado ainda que de aliquota zero ou isento (Lei n° 4_502, de 1964, art. 3°)." (grifo nosso) As operações referidas no artigo 4° são aquelas definidas como Industrialização, quais sejam, a transformação, o beneficiarnento, a montagem, o acondicionamento ou reacondicionamento e a renovação ou recondicionarnento. 5 at_ 22 CC-MF • Ministério da Fazenda nj.,•;., w Segundo Conselho de Contribuintes Fl. tzge Processo : 10680.021816/99-12 Acórdão : 203-08.672 Recurso : 113.898 Desta forma, o estabelecimento industrial, para o IPI, é aquele que executa quaisquer das operações acima, desde que resulte de tal processo, produto tributado pelo IPI, ainda que de alíquota zero ou isento. No caso em análise, duas assertivas são indiscutíveis, e aceitas tanto pelo Fisco como pela defendente, quais sejam, que a empresa realiza operação de industrialização — conforme consta da diligência de fl. 71 — e que os produtos oriundos de tal atividade estão enquadrados na TIPI como NT, ou seja, como não tributados, fato inclusive afirmado pela empresa em seu recurso, à fl. 53. Logo, forçosamente, comprova-se que, embora realize operação de industrialização, a recorrente, nos termos da Legislação do IPI, não é considerada como estabelecimento industrial. Por conseguinte, uma vez a Lei instituidora do beneficio fiscal detennina que, relativamente ao conceito de produção, adotar-se-á o que dispõe o RIPI, não se pode chegar a outra conclusão que não a de que, para os efeitos daquela norma legal, a empresa não se enquadra como produtora, ou seja, como estabelecimento industrial. Desta forma, por não produzir mercadorias tributadas pelo IPI - não ser contribuinte do IPI - não tem a recorrente direito ao crédito presumido estabelecido pela supracitada Legislação. Não fossem suficientes tais razões, assente-se que os atos legais a seguir citados corroboram tal entendimento. Senão, vejamos: A Lei n° 9.363/96, ao determinar que o Ministro da Fazenda estabelecesse, entre outras providências, requisitos para gozo do beneficio, assim dispõe: "Art. 62 O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse titulo, efetuados pelo produtor exportador." Atendendo à determinação legal, foi editada a Portaria Ministerial n° 38/97, já citada, que, por sua vez, esclarece: "Art. 40 - O crédito presumido será utilizado pelo estabelecimento produtor exportador para compensação com o IPI devido nas vendas para o mercado interno relativo a períodos de apuração subseqüentes ao mês a que se referir o crédito. 6 22 CCMF Ministério da Fazenda , ••;. - Segundo Conselho de Contribuintes Fl. • Processo : 10680.021816/99-12 Acórdão : 203-08.672 Recurso : 113.898 § 1° - Na hipótese da apuração centralizada, o crédito presumido, apurado pelo estabelecimento matriz, que não for por ele utilizado, poderá ser transferido para qualquer outro estabelecimento da empresa para efeito de compensação com o IPI devido nas operações de mercado interno. § 2° - A transferência de crédito presumido de que trata o parágrafo anterior será efetuada através de nota fiscal emitida pelo estabelecimento matriz exclusivamente para essa finalidade. § 3°- No caso de impossibilidade de utilização do crédito presumido na forma do "caput" ou do § 1°. o contribuinte poderá solicitar. à Secretaria da Receita Federal, o seu ressarcimento em moeda corrente. " (grifos nossos) Ora, a compensação com o IPI do estabelecimento produtor com IPI devido nas vendas para mercado interno, seja da matriz ou de filiais, mediante nota fiscal emitida exclusivarnente com esta finalidade, são atividades somente possíveis para contribuinte do IPI. A Portaria, ao estabelecer que o IPI se destina à compensação com o IPI devido, está tratando de contribuintes do IPI. As demais observações dos parágrafos estão inseridas dentro deste contexto - contribuintes do IPI — inclusive a hipótese de ressarcimento. Logicamente, o ressarcimento não se aplica a não contribuintes. Por fim, este diploma legal remete à Secretaria Receita Federal a regulamentação do instituto, verbis: "Art. 12 - A Secretaria da Receita Federal fica autorizada a expedir normas complementares, necessárias à implementação do disposto nesta Portaria." Em virtude de tal fato, há que se considerar, como normas complementares, atos normativos administrativos, tais como Instrução Normativa e o Parecer citado pela recorrente, que não restringem os efeitos da Lei, mas apenas cumprem a função de complementar a sua interpretação. O Parecer MF/SRF/COSITTIDITIP n° 139, de 1996, inclusive, assim encerra a questão: "6-.) O contribuinte produtor-exportador de produtos com aliquota zero ou isentos tem direito ao crédito, ainda que não tenha débito de IF'L Não tem direito ao crédito presumido o exportador de produtos não tributados pelo IPI (produtos ND, isto é, produtos que não são industrio lizczdos, pois neste caso ele não é contribuinte do IPL (-) 7 22 CC-MF Ministério da Fazenda Fl. "PlitOt Segundo Conselho de Contribuintes Processo : 10680.021816199-12 Acórdão : 203-08.672 Recurso : 113.898 Não cabe, pois, assentimento às razões da recorrente, neste aspecto, o que nos impede de analisar, por razões óbvias, as alegações acerca da composição da base de cálculo do beneficio fiscal, visto que, preliminarmente, concluo que não cabe à recorrente o favor fiscal requerido, ou seja, concluo que, independentemente do que supõe a recorrente que possa ser incluído naquela base, não lhe assiste o direito requerido. Levando-se em conta que, para fins de renúncia fiscal, nos termos do Código Tributário Nacional, a interpretação deve ser literal, nego, pelo exposto, provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 25 de fevereiro de 2003 • . VALMA ONS A D MENEZES 8
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Numero do processo: 10120.000290/96-02
Turma: Terceira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 203-00.880
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: RENATO SCALCO ISQUIERDO
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Numero do processo: 10280.004248/2006-06
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 03 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 203-00.920
Decisão: RESOLVEM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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Recorrida DRJ EM BELÉM/PA Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do SEGUNDO CONSELHO DE . CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, em converter o presente julgamento em diligênc /nos ten •s do voto do Relator. Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Eric Mordes de Castro e Silva, Jean Cleuter Simões Mendonça, - José Adão Vitorino de Morais, Fernando Marques Cleto Duarte e Dalton Cesar Cordeiro de Miranda. CONFER::: C.OMORiGINAL Brasina, („g . , Marilde Oliveira Mat. 5ri.s511350 CCO2/CO3 Fls. 574 Processo n.° 10280.004248 12006-06 Resolução n.° 203-00.920 Relatório MF-SE.:GLINDO coNTR.1:31.).!r4Tz.7.s . -•- _•••^- -•• •V • •-• Marre Co • Ogveira • tkikIL, Eirsfdia, CCO2/CO3 Fls: 575 Trata o presente processo "de Pedido de Ressarcimento de .Crédito Presumido de IPI, fundado nos.dispositivos - da Lei n° 9:363/96, relativo a6•4° triniestre de 2000, no valor de R$ 347.612,53, fOrinulado em 10/02/2005 por meio do programa PER/DCOMP e baixado em papel por. força de determinação judicial expressa no sentido de que o pleito da interessada 'fosse analisado pela DRF num prazó de trinta dias'. • Esclareée o "Serviço de Orientação e Análise Tributária-Seort", da DRF em Belem-PA, em seu Parecer n° 580, de 12/12/20 .06, que, verbis, "Em . face do prazo exíguo determinada pela autoridade judiciária, o processo 700ibi enviado ao Serviço de Fiscalizaçdo para realiza aio de diligencia". (grifei) Assim, diante da documentação obtida junto à interessada e carreada para o processo, a Seort indeferiu totalmente o pedido por meio de Despacho Decisório por entender que a empresa não s realizou operações de industrialização e sim de simples revenda de mercadorias , adquiridas no mercado interno. Para assim ter deliberado, fundamentou-se nos fatos de que, tanto na DIPJ, quanto nos livros fiscais, nã o. ha a indicação de que tenha havido a industrialização, já que os campos próprios de preenchimento das respectivas informações estão zerados, bem como que, tanto nas notas fiscais de aquisição junto aos seus fornecedores, quanto nas Suas notas fiscais de saidas para exportação, constava "madeira serrada". Além disso, no objetivo social constante do contrato social não consta a atividade de industrialização e tampouco a empresa escritura o Livro de Apuração do IPI. Na Manifestação de Inconformidade, a. interessada, inicialmente, argumenta que se trata, sim, de Uma empresa industrial exportadora e que opera corn a . findlidade precipua de industrialização da madeira, atuando, mais especificamente, na etapa final da cadeia produtiva, qual seja, o seu beneficiamento é o seu acondicionamento. • Em sede de preliminar, pede a nulidade do Despacho Decisório por ter sido o mesmo elaborado sem que tivesse sido realizada uma diligência fiscal junto ao seu estabelecimento, .o que, a seu ver, resultou numa andlise superficial e rasteira dos documentos, com fundamentos de decisão neles garimpados e, por isso mesmo, insustentáveis perante os eventos legais e . faticos que amparam a sua pretensão. Outro motivo para justificar o pedido de nulidade se Prende ao fato de que o agente julgador deveria ter inscrição no Conselho Regional de Contabilidade. • . • No mérito, inicia transcrevendo dispositivos do Regulamento do IPI nos quais julga citie suas atividades estejam subsumidas, as quais descreve em detalhes, para reforçar a idéia de que é uma empresa industrial. • Diz ainda a Impugnante que O fato de as notas fiscais de aquisição conterem a expressão "madeira para exportação" não significa que as mesmas não possani .vir a receber Um processo de industrialização na etapa seguinte, e que, além disso, é norma da Secretaria Estadual de Fazenda fazer tal exigência por conta dos . beneficios fiscais que concede aos produtores. Rechaça também o fundamento de que a coincidência de medidas da madeira, quer na nota fiscal de entrada, quer , na nota fiscal de saída, estaria a indicar que não houve r almente I Decisão liminar. em Mandado de Segurança, Processo n° 2006.3900006986-2, em 09/10/2006. Processo n.° 10286.004248/2006-06 Resoluvrto n.° 203-0 .0.920 C.:;%TRIBUINTE3 CC:NI:ERE C2..:t:s.: Urns". _oa.6 / Jo / C2 • Matilde Curst4 Mat. &ape fil.60 CCO2/CO3 Fls. 576 a industrialização, - visto que não houve a diligência fiscal para validar tal argumento e que o processb produtivo é mais complexo e não se liinita a medidas das peças produzidas. Justifica a ausência de escrituração de livros relacionados a: apuração do IPI por ter sua atividade voltada para a exportaçãO ,. bem como pelo fato de: seus fornecedores lhe Venderem produtos NT. Assim; não lida com créditos nem corn débitos do referido imposto, dai entender não se ver obrigado à escrituração. Ademais disso, sua condição de industrial não poderia ser retirada pela falta de cumprimento de mera obrigação acessória. Quanto à ausênCia de informações que pudessem conduzir ao entendimento que exerce a interessada atividade industrial, quer por conta das omissões na sua DIPJ 2 , nos livros de entrada3 e de saida4 de mercadorias, nas notas fiscais de saídas , e no seu contrato socia1 6, atribui a erros de preenchimento e a um "erro societário", não podendo os mesmos prevalecer sobre a realidade .fdtica. Por fim, pede a Impugnante o reconhecimento também do direito à atualização monetária do crédito ora postulado, bem como a realização de perícia. *A 3' Turma da DRJ em Belém-PA, entretanto, não considerou os argumentos da interessada, indeferindo-os integralmente ern decisão assim ementada: Acórdão DRJ N" 01-10003 de 2007 Imposto sobre Produtos Indüstrializados - IN CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. 0 direito ao ressarcimento do crédito' presumido do 'IPI, instituído pela Lei 71. 9.363, de 1996, é condicionado à comprovação de que os produtos exportados foram efetivamente industrializados pela empresa, com a utilização dos insumos para tal adquiridos. PERÍCIA. PROVA. ENCARGO DO CONTRIBUINTE. DESNECESSIDADE. A diligencia ou a perícia não se prestam para a produção de provas de encargo do sujeito passivo e que deveriam ter sido trazidas junto com a manifestação • de inconformidade. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO. COMPETÊNCIA DO AUDITOR- FISCAL: Definidas em Lei, as atribuições do cargo de Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil são legitimas e, inexistindo quaisquer determinações acerca de .formação • especifica e/ou registro em Conselho Regional para fins de . regular exercício profissional, não subsiste qualquer alegação de nulidade dos lançamentos formalizados pelos agentes fiscais, no regular exercício de sita competência funcional. . No Recurso Voluntário a interessada praticamente repete as argumentações postas na sua Manifestação de Inconformidade, enfatizando que ci presente casõ deve ter como 2 Ficha 4-A (Custo dos Bens e Serviços Vendidos) foi informao o custo de mercadorias revendidas e nao o custo de produção ou de fabricação própria. A linha 4A/02 e a Linha 4A/03 - compra de insumos à vista e a prazo, respectivamente, estão zeradas. 3 Nao escriturou suas notas de compra como "compras para industrialização". 4 Nao consta o registro de vendas de produção do estabelecimento para o mercado externo. 5 Utilizou-se do Código Fiscal 7.12, que significa Vendas de mercadorias adquiridas e/ou recebidas de terceiros para o mercado externo. 6 Nao consta de seu objeto social a atividade de industrialização. 01;veira '0 Processo n.° 10280.00424812006-06' Resolução n.° 203 -00.920 CCO2.`CO3 Fls. 577 norte a obediência ao principio da primazia da realidade, ou seja, b que ocorre "ria prática deve prevalecer sobre os documentos, de sorte que reste caracterizada a.sua condição de industrial e - não de mero revendedor de mercadorias. Fez a juntada de um "Laudo Técnico", elaborado por : - Engenheiro Florestal, segundo o qual fica demonstrado que efetivamente realiza a '‘ industrialização dos produtos que exporta. Aduz ainda, para refutar as coincidências de descrição da madeira nas notas fiscais de compra e de venda, que, segundo a TIPI, tanto a madeira simplesmente serrada' que adquire e que constitui em sua matéria prima, quanto a madeira beneficiada (classificada, tratada quimicamente, secada/estufada, refilada, destopada e aplainada), - possuem o mesmo código, qual seja ". 4407.24.10". o relatório. • i MF:i51.13UPC.C; f.:.çnrPI:ig.TitiTES' co: O 61"riGiNAZ. Brasii;a,_ I L MarM . e Cc. ............ ............hlt. :.•‘ , ..;;;;,i, CON.TRIBUNTES :1,- ONFLRE: O ORK:.:INAL • ./ o , e9 tvlaaldra Cursi:lo . t:eira • Siap8'9 .1650 . . CCO2/CO3 Fls. 578 13 1-occsso n.° 10280.004248/2006-06 Resolução n.° 203-00.920 Voto • Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão • da DRJ em 11/02/2008; a interessada apresentou o . Recurso Voluntário em 05/03/2008. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Nulidades A primeira delas, suscitada pela Recorrente, é para que a decisão da DRF que lhe indeferiu o' pleito seja anulada pois .não foi precedida de uma diligencia fiscal *cm seu estabelecimento, o que teria resultado numa conclusão destoante da realidade fatica da empresa. Não obstante admita que o procedimento adotado pela DRF em Belém-PÁ tenha deixado de observar o padriio ou a praxe nos procedimentos de análise de Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, qual seja, primeiro a Seção de Fiscalização realiza diligências e elabora um parecer que segue para a Seção .de Orientação e Análise Tributaria para que, adotando-o ou não, profira o• se u. entendimento quanto , à pertinência do . pleito, ao mesmo não pode considerado nulo. . Primeiro, lembre-se aqui que a Recorrente, sentindo-se prejudicada pela demora da DRF em apreciar seus Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (eram oito ao tOdo), afinal, tendo-os protocolado em 10/02/2005, em outubro de 2006 ainda - não havia obtido resposta, ingressou no Poder Judiciário objetivando provimento para que seus pleitos fossem analisados, no que logrou êxito, ou seja, o Magistrado . detenninou à DRF que, num prazo de. cinco dias iniciasse a análise dos oito pedidos e que fossem os mesmos concluídos em trinta dias. Por sua vez, autoridade para a qual foi dirigida a ordem judicial, o Delegado da Receita Federal em Belém-PA, determinou aos seus subordinados que tal ordem fosse imediatamente cumprida, o que, presumo, fez com que urna etapa do procedimento fosse Pulada, qual seja, a passagem dos oito processos pela Seção de Fiscalização, , indo os mesmos diretamente para a Seort. Creio eu que agiu corretamente o titular da DRF, e isto posso afirmar com propriedade, visto que exerci o cargo equivalente em outra unidade da DRF durante sete anos, . pois a passagem dos oito processos pela Seção de Fiscalização implicaria numa demora a mais, que poderia comprometer os exíguos prazos peremptórios determinados pelo Juizo. Além disso, conforme se observa no documento intitulado "Informação Seort/DRF/Bel/n° 0319/2006,- - de 25/10/2006, cuidou a Seort de cercar-se de todos os eleinentos necessários para fon -nar a sua convicção quanto à pertinência do pleito da interessada, - visto que soliCitou os mesmos docuinentos que a Seção de Fiscalização solicitaria tivesse ela fazendo aquele trabalho, quais' sejam: cópia do contrato social; declaração de inexistência de litígio quanto a .mesma matéria .; descrição do processo produtivo em fases detalhadas;_ relação 'das matérias-primaS; produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no: processo produtivo com a indicação das respectivas notas fiscais de aquisição, indicando • a fase na qual foram utilizados; copias • autenticadas das notas fiscais referentes As aquisições de insumos; memórias de calcul6 . doS . • créditos Presumidos, com o inventario permanente de - estoque apurado pelo Método da média - Ponderada móvel ou pelo PEPS; cópias autenticadas das , notas fiscais de exPortação:, .cópia do Livro Reg. Apuração do IPI, do Livro Reg. Entradas e do Livro Reg. de •Saídas relacionado ao CCO2/CO3- - Fls. 579 ,..:0:47R1-.(AnNTE3 Processo n.° 10280.004248/2006-06 Resolução n.° 203-00.920 IVIark!o C , Mai ra • período do pedido; : e informação sobre o tipo do produto final .indústrializado, a sua classificação tarifária e indicação se é destinado ao mercado interno ou à exportação. • tendo sido os documentos acima liStados entregues ..pela interessada,', restou perfeitamente suprida - a falta de ulna diligencia fiscal no estabelecimento, que, a'rigOr, teria apenas o efeito de constatar no local o .process.o . de -produção da empresa, lembrando, entretanto, não para aqueles fatos ocorridos no passado. • - A meu ver, e corn a devida vênia, o fundamento do pedido de nulidade da Recorrente se mostra contraditório com as suas pretensões postas diante do juizo, já que o que visou quando se valeu de um Mandado de Segurança, buscaira a agilidade da autoridade fiscal e foi esse o fator determinante para que, como* disse acima, tivesse sido pulada uma .etapa do procedimento de análise de seus oito pedidos. . * • • . 0 item III do artigo 126 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, constante da Portaria MF 1-1°. 259, de 24/08/2001, dispõe 'ser competência da Seort-, verbis, "manifestar-se em processos ,administrativos - referentes a restituição, a 'compensação,. ao ressarcimento, a imunidade, a suspensão, a isenção e . a redução de tributos e contribuições administrados pela SRF", de modo que o simples fato de não ter tal manifestação 'precedida de uma diligência fiscal não tem o condão de' torná-la nula. Ademais disso, buscou-se, ainda que sob a espada da justiça, a observância ao principio .da eficiência administrativa. Quanto a necessidade de que o servidor responsável pelo parecer' tenha registro no Conselho Regional de Contabilidade, invoco a Súmula n°.5, aprovadd na Sessão Plenária de • 18/09/2007 deste Segundo Conselho de Contribuintes, e publicada no Dou de 26/09/2007, - Seção I, pág.28, que dispõe ser o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil competente. para proceder ao exame da escrita 'fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Ern face do exposto, afasto as prejudiciais de nulidade. Mérito Segundo se depreende da conclusão do parecer da Seort que negou , o - reconhecimento do beneficio fiscal a interessada (fl. 443), bem como do Despacho Decisório também da Seort (fl. 444), os documentos carreados* ao processo estariam a . indicaf, primeiro, não houve industrialização e sim mera revenda, e, segundo, que, ainda que houvesse. a industrialização, o crédito presumido não poderia ter sido reconhecido pois, -na aquisição .de madeiras não houve a incidência do PIS/Pasep e da COfins, já que nas respectivas notas fiscais os produtos ali estão descritos como "madeira para exportação". • Conforme a própria Recorrente esclarece, seu . processo de industrialização' pode ser assim descrito: Etapa Descrição' ; • , . . ... . Compra e ' de de madeira em bruto dos :diversos 'centros • produtores e Slid .. • ,..: Classificação da i reunião em local único, onde é feita a sua classificação, . - . . Encontrada no sitio da Receita Federal do Brasil na intemet (wwW.receita.fazenda.gov.br ).. CCO2/CO3 , Fls. 580 • . Froc•eSso n.° 10280.004248/2006-06 Resolução n.° 203-00.920 "N1F-SEC.14.1t, ;17'0 (..101T....:':1.1..H .'.E cO!rR!EuWlTES C.11, ..1() C.:IRV:2, 11%1.AL • • er. .*:::•::;12. .? • /0 t' 02 •••• eira • • E r• . . . , . . • .. ' Matéria-prima I - • • •• • - • - ••• • -.- .. . . , -... . • i A classificação consiste .em separa-las por tipo, • tamanho e . qualidade,....,_1.-- -•• , .. .. . I sendo, ao final, remetidas para a planta industrial. -,'.. • ' • .. I . . . . • • . . . E . , • Recepção e .i Descarregamento e estocagem no patio da indústria. - •• Classificação da . . • . . . . . . • . • Matéria-prima i Segunda classificação: . as espécies e , tamanhos de madeiras. soá : 1 classificadas em consonância- com os tipos de pedidos efetuados pelos : • E clientes e empilhadas para direcionamento paid a próxima etapa. , . . - . . : , • Etapa Descrição LA Madeira é colocada em estufas (próprias ou terceirizadaS) nas quais é submetida a calor a vapor de . modo . a se obter o grau' de 'umidade ideal I paia o Produto • final, ocorrendo aqui a primeira modificação em relação ao estógio da matéria-prima no seu estágio inicial, visto que,•nesta etapa, I sua concentração de umidade, peso e espessura já não correspondem aos da matéria-prima que iniciou o processo produtivo. • • • • 1 Pode ser dar também ao ar livre. '1.0 tempo de secagem varia em função do tipo de mddeira, umidade anterior e umidade desejada, podendo durafdias ou semanas. • • , l Após a secagem, a madeira e transportada para oS equipamentos I responsáveis pelo beneficiamento, onde sofre: Refilamento transformação de uma peld de Madeira em duas ou mais; • Secagem Beneficiamento. Embalagem • Destopo -4 corte transversal para determinar o comprimento dã , peça; transformando uma peça em uma ou mais peças 'corn . tamanho determinado; • • Aplainamento retoques ern alguns ou em todos os lados do • produto. . • • • • i Nesta fase fica a matéria-prima já transformada em produto acabado com largura • e comprimento —determinado pelo . adquirente através de - pedido previamente .formulado e diferente Matéria-prima inicial, inclusive pela aplicação de materiais intennedidrios. • . •• • .• Empilhados, embalados e transportados par á embarque nos contAiners . para envio ao porto. • • • Alem disso; no "Laudo • Técnico" firmado por UM .• engenheiro florestal, . „ elaborado sob encomenda da Recorrente é constante das fls. 561/571, 'constam "mais detalhes e até mesmo fotos, que dão idéia do processo Produtivo desenvolvido pela empresa. CCO2/CO3 Fls. 581 NIF:EFJR171-.75 Cr-7571% a"."1:76176E1717i-TET1719-ES I . CGNFERE CA:',M O OR1G1NAL . . . " Bra.s1113,____43A_L ja____LL23 I I Marãcio Ci o rlc 011veira ' . . .. .. Mat. Siw)e .91550 - • ________,. . . Dê outra parte, dispõe o art. 4° do Decreto n° 4.544, de 2002 (Regulamento do IPI), que, verbis: . Art. 42 Caracteriza industrialização qualquer . operação que niOdifique . a natureza,: o funcionamento, 'o' acabamento,' a apresentação • ou a .finalidade doProduto,• ou O apeifeigoe para consumo; tal 'coma (Lei n2 4.502,, de 1964, art. 32, parágrafo 'único, e Lei nf 5:172,. .de. 25 de outubro de 1966, art: 46, parágrafo únicb); • I - a que, exercida sobre matérias-primas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformaçaó); ii - õ que importe em Modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (benefiCialnent0); -III:- a que consista na reunião de produtos, peças ou Partes e de que resulte uni novo produto ou unidade autónoma, ainda que sob a . mesma classificação .fiscal (montagem); IV - a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine - apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V 7 a que, exercida sobre produto usado ou' parte remanescente c-le produto deteriorado ou inutilizado, - renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. Sao irrelevantes, para caracterizar a operação Como industrialização, o processo utilizado para obtenção do Produto e a localização e condições das instalações Ou equipamentos empregados. (grifei) Do conjunto das informações e docuMentos constantes do processo, bem como do confrOnto do processo produtivo , corn os dispositivos . do RIPI/2002 que caracterizam a, industrialização, especialmente o inciso H, do artigo • 4°, acima reproduzido, me convenci de que as atividades da empresa são efetivamente a de industrialização (beneficiamento), não podendo ser tratada corno mera revendedora dê madeiras. Corn esse . entendimento,' afasto . a motivação dada pela ''autoridade fiscal para • . . • considerar 'que a empresa não é um estabelecimento industrial, quais sejam: a) o fato de o contrato social não dispor sobre a' atividade industrial; b) o fato de não possuir ela escrituração do Livro Reg. Apuração do s IPI; c) o fato de o Livro Reg: . de Entradas e o Livro Reg. de, Saídas não conterem registros de operações relacionadas especificamente ao Processo produtivo • (respectivamente, operações 'registradas sob o CFOP 1.11 e 2.11, que se . referem a compras para industrialização, sob o CF0P, 7.11, que se refere a vendas da produção' do estabelecimento • para o mercado externo); d) O. fato de na DIPJ ter sido informado Valor do custo das mercadorias vendidas e não o custo de produção de fabricação *Própria, e *também ter sido • deixado em'. bran* o campo correspondente as aquisições de matéria-prima, 'material* secundário e 'material de embalagem para utilização no processo produtivo; e) o fato de nas notas fiscais de aquisição constar cdmo produto adquirido . ."madeiras serradas", sendo que idêntica expressão consta das notas fiscais de saída; . e 1) o fato de as notas fiscai s . de venda ter Processo n.° 10280.004248/2006-06 Resolução n.° 203-00.920 CCO2/CO3 - Fls. 582 .I t -SEGUN DO • coNFE..; • ,i•7rE s I ; Processo n.° 10280.004248/2006-06 • Resolução n.° 203-00.920 • Marlikiyc. Mat. Siape 91550 sido - Utilizado o código 7.12, que significa vendas de mercadorias adquiridas de terceiros para o mercado, externo, em vez' do código 7.11,', que significa as vendas da . produção do estabelecimento pra o mercado externo.. Embora tenhamos de admitir que ,a empresa está completamente equivocada ao não seguir a determinação expressa contida no RIPI/98/2002 no sentido de que, em sendo um estabelecimento industrial, deva 'preencher, corretamente os livros - fiscais correspondents, especialmente O Livro Reg. de Apuração do 1PI, não creio .que esse e• os..demais equívocos acima reproduzidos, possam inviabilizar o seu direito ao aproveitamento . .dos beneficios • trazidos pela Lei n° 9.363, de 1996, • caso, realmente, se confinne procedente os valore -s pleiteados. • Primeiro, porque; na linha do 'clue alega a Recorrente, entendo que deva prevalecer a realidade Mica sobre a realidade documental, embora; admita, não se possa ter isso, como regra absoluta. Ocorre que neste processo ,e abstendo-me de considerar relevantes e prejudiciais os erros, alias; 'confessos, da Recorrente, no preenchimento de notas fiscais, de livros, da DIPJ, contrato social .etc.,,os idocumentos estão a demonstrar claramente quais foram os valores formadores do crédito presumido que ora pleiteia; de maneira que, corrigidos tais equívocos, nada estaria a impedir que seu pedido pudesse ser analisado; desta feita, sob o manto, ou melhor, tendo cumprido as formalidades mínimas . exigidas para tal. não obstante as regras que tratam da concessão do crédito presumido de . IPI, quer as estipuladas na própria Lei n° 9.363/96, quer as na IN SRF n° 419, de, 10/05/2004 e na IN SRF n° 441, de 11/08/2004, não condicionarem a fruição do beneficio a escrituração do RAIPI, por certo, esse procedimento é o mínimo que se pode esperar de um estabelecimento que se diz industrial e que deseja se aproveitar dos beneficio§ legais. Para mim, não vale o argumento trazido pela DRJ de que o artigo. 16 da citada IN SRF n° 419, de 2004, conteria a regra para a obrigatoriedade 'do RAIPI; :visto que o referido dispositivo foi direcionado para empresas industriais que possuem mais de urn estabelecimento s , o ,que, até onde se sabe pelos presentes documentos, não é o easo: • Por conta desses argumentos, direCióno meu voto no sentido de reconhecer que o estabelecimento é industrial, embora deva enfrentar outros argumentos do Fisco Mais 'adiante. Porém, urna nova análise quanto A. fruição do beneficio estará condicionada a qiie proceda correção de todos os equívocos acima apontados e pela empresa admitidos, consignando a retificação nos livros Reg. de Entradas e de Saídas, e que escriture o Livro Reg. de Apuração do IPI, obviamente fazendo deste constar os períodos objetos do seu pedido. O outro - óbice posto pela autoridade . fiscal para negar o direito ao beneficio se refere ao fato de que a descrição do produto, quer na nota fiscal de entrada, quer na nota fiscal de saída, é praticamente a mesma, o que - estaria a indicar não ter havido - industrialização, mas, sim, mera operação de compra e venda.. • . De fato, tanto nas notas fiscaisi• • de compra, quanto nas notas fiscais de venda para o exterior fizeram 'constar na descrição dos produtos a expressão "madeira serrada", o que, em principio, poderia sugerir, como sugeriu a DRF, tratar-se db mera revenda. • 8 "Art. 16. 0 estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora que apurar crédito presumido de IPI devera escriturá-lo no item 005 do quadro 'Demonstrativo de Créditos do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de Sna origem no quadro `Observações'. CCO2/CO3 Fls. 583 • MF-SEGUNDO CC SiO DE-D. (1:1\iTt.:S dg Brasilia,* 03 .1 Processo n.°10230.00424.3/2006-06 ResoWO° n.° 203-00.920 •Marilde es, Oliveira Mat. • Não : obstante deva admitir que . tal entendimento seja. provido . de' uma boa lógica, o fato é que,' . espeCificarriente para as Matérias primas produtos relacionados' a .este processo , no hi. ser Vivo pensante l neste planeta _capaz de .nos' demonstrar com provas: -irrefutáveis . que tenha efetivamente -ocorrido isso ou aquilo Essa minha afirmativa Vai, inclusive,- ao encontro do que,- brilhantemente, consignou a DFO -ern seu 'voto, senão vejarnoS, - verbis: • 22: No mérito, como :forma de melhor .fundamentar o: Voto, cabe . inicialmente registrar que os eventos ocorrem no. inundo fenoniênico e. não se repetem. Quando esses .eventos possuem alguma • relevdncia social, politico, econômica ou jurídica, são alçados à condição de fatos. sociais, politicos, econômicos ou jurídicos, respectivamente..0 ingresso do evento no sistema jurídico-processual se dá por meio da incidência - do instituto da prova que faz a ligação entre o evento e o fato. 23. Como o fato . não pode reconstituir integralmente o evento, vale dizer, não pode repeat; de forma exata' .6 evento, toda prova indiciária, no. sentido. de . que. é 'um - • modelo de representação (aproximada) da realidade. Logo em todo processo, administrativo ou judicial, não há que se falarno restabelecimento integral do evento, eis . que se revela em tarefa irrealizável. 24. Destaque-se também que a prova não é das partes (não é do Fisco nem é do sujeito passivo); mas sim dirigida ao . convencimento do julgador. Nesse Sentido, o art. 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 . -- Processo Administrativo ;Fiscal (PAF) estabelece 'que na apreciavao da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua. convicção ; (segundo o Dicionário • Eletrônico Houaiss; apreciar significa: fazer - estimativa de; avaliar, julgar; pôr sob exame; considerar, examinar, ponderar); Em seg. uida, o dispositivo confirma a incidência. do livre convencimento do julgador que, no entanto, deve ser motivado. 25.- Deve . o Fisco, portanto, trazer elementos que em seu . conjunto poderão firmar a convicção do julgador, de modo eloqüente, quant o . a : existência do fato jurídico tributário. Já o contribuinte possui o 'onus de' : . impugnar os fatos trazidos 'aos autos pela Repartição Fazendária, não Podendo o mesmo permanecer inerte: 26. Por seu turno, indicio é o fato que, por operação 'mental, .aponta - para a existência provável de outro. Como se observa, esse 'conceito também o de Prova. Ou melhor, toda prova é uni indício que fica a depender somente do .valor axiológico. dess• e indicio. Se : tal valor for forte, .diz-Se que. a prova carrega em si um indicio veemente; 'se for fraco, trata-se de inn indicio insuficiente' • 27. No caso do presente processo, o evento . ocorrido foi a eXportaçãO de madeira no . ano de 2001, girando a. discussão on torno de ter . havido ou não *a industrialização desse produto no estabelecimento . da empresa-interessada.- Conforme ''dito . acima, é impossível repetir nos • dias de hoje • o:ocorrido, que prvaria se a madeira efetivamente exportada teria sido industrializada no' estabelecimento Ou adquirida Pronto,' motivó • pelo . qual resta a apreciação das provas documentais . existentes.' A propósito, por esse'mesmo motivo, qualquer diligência porventwu feita pelo Serviço dc Fiscalização da Unidade; .também se • CCO2(CO3 Fls. 584 Processo 11. 0 10280.004248/2006-06 Resolução n.° 203-00.920 MF-SEGUNDO CONSELHO DE CONTRIBUINTES CONFEREE COM o ORIGINAL ogs,5 jo 0 ? • •, " PvIat. S1:3pe - restringiria ,a uma análise • nos documentos existentes. (destaques do original). Registro aqui Minha • total concordância corn o texto reproduzido cumprimentando, o . seu ilustre - Relator, Auditor-Fiscal Francisco Fujita Filho• pela- maneira precisa com .que identificou a situação, embora ,. massima venta, dele vá divergir nas conclusões. • É que, para mim, os tais indícios conspiram em favor da interessada, ou Seja, na pior , das hipóteses, • não teríamos ..a certeza absoluta de que não tenha havido industrialização, o que me remete a reparar o que foi dito acima, no sentido de que, talvez, repito, talvez, uma diligência no local por parte do Fisco pudesse esclarecer o fate.... Mas, ainda assim, o que seria constatado é lima • situação preserite, muito proVavelmente não capaz -de criar um liame corn os fatos de 2000 e de 2001 e corn as dúvidas que estamos enfrentando neste julgamento. A não ser que, diante das constatações do Fisco no local, viesse o representante 'da empresa e dissesse: " - - Sim, 'o que o Auditor-Fiscal atestou hoje se aplica totalmente ao que aconteceu em 2000 e em 2001". Data venta, considero isso possível, porém, pouco provável. Mas, •voltando aos fatos, ou aos indícios, informo aos meus pares que nas notas • fiscais de saída (vendas para exportação), a descrição dos produtos era mais esmerada, ou seja, ia bem • mais além do que a simples "madeira serrada", senão vejamos corno exemplo a nota fiscal n° 3260, fl. 100: "Madeira da espécie Mogno (Swistenia macrophylla) simplesmente serrada em tábuas refiladas e esquadriadas, seca ao ar, 10/4" e 12/4" de espessura, 6" e acima de largura, 6' e acima de comprimento, de • qualidade número I comum e melhor." Assim, não se pode 'afirmar, sem sombra de dúvidas, como o fez . a autoridade fiscal, no que foi referendada pela DRJ, que não tenha havido a industrialização; ao contrário. Outro argumento utilizado pela autoridade fiscal para negar à Recorrente a .condição de estabelecimento industrial é o fato de tal atividade não constar de seu objeto social. • De fato. Tampouco, acrescento, consta de sua razão social. Mas, para mim, isso não se reveste em condição essencial para que determinada empresa seja considerada ou não como • executora de operações de industrialização; .o que deve prevalecer são. os atos que Pratica, não os que se dispôs a praticar, embora seja salutar que haja tal Coincidência entre ambos. • Como dito acima; resta agora deliberar sobre o outro argumento utilizado pela . • DRF para negar o direito ao créditô presumido, qual seja, o fato de, nas notas fiscais •de aquisição de matéria-prima (madeira), constar a expressão "para exportação", 6 que estaria a indicar que o fornecedor não seria Contribuinte do PIS/Pasep e da Cofins, e, portanto, não ••.• haveria que se falar em restituição de ditas contribuições sob a forma do crédito presumido de. IPI em favor dd ora Recorr' ente. • Realmente, na totalidade das notas fiscais de aquisição de madeira consta, descrição dos produtos,. a expressão "madeira para exportação". Além disso, também consta NIF-SEGUt4.1nCt7.: 5.; N . CC'lT ' . . M .. Processo n.° 10280.004248/200606 Reso1u0o n.° 203 -00.920 CCO2,r03 Fls. 585 no campo "Infdrinações Complementares" das ditas notas fiscais, um carimbo com Os dizeres: "Mercadoria destinada à exportação. Não incidência do 1C.M.S..conforme Lei n" (.)". • A Recorrente se defende, primeiro, .dizendo,• • que os profissionais que preenchem os documentos fiscais nem sempre .são. providos .de Condições - para compreender a lingua portuguesa, que reputa complexa • mesmo para especialistas, de modo que, onde está escritO . "madeira para exportação", deve se ,entender "madeira tipo exportação". Ou . seja, não seria a . nota fiscal de entrada fator determinante para se • definir s& haveria ou não - industrialização por parte do 'adquirente. Divirjo . da Recorrente quanto aos seus argumentos', Mas, ,ao final das contas, concluo no Mesmo sentido, já que, para mim, o significado 'daquela. expressdo -"madeira para exportação" é um só, 'qual seja, trata-se, efetivamente, de madeira que, industrializada ou não, terá corno destino final o exterior, o que não significa dizer que o fornecedor estará livre do pagamento do PIS/PASEP .e da Cofins, afinal, não terá sido ele o' exportador, mas sim • o estabelecimento para o qual ele forneceu as madeiras. Em outras palavras, o fornecedor da ora Recorrente, ao . lhe vender as madeirds não incorreu numa operação imune à incidência do PIS/PASEP e da Cofins, já i que : realizou uma venda no mercado interne, , e isso pode ser Comprovado' pela natureza da operação (venda) e o CFOP que inseriu nas suas dotas fiscais (5.11, que indica venda no mercado interno). Assim, afasto também o argumento da autoridade fiscal ,de que as matérias- • primas adquiridas não sofreram a incidência do PIS/Pasep é da Cofins, podendo, em principio; •. integrar a base de cálculo para determinação do crédito presumido de IPI.- • Todavia, por rid() competir a eke Colegiado a conferencia dos cálculos efetuados pelo contribuinte propriamente ditos, ate porque, s.m.j., *o indeferimento se dell' de forma sumaria, deverá a Unidade de origem se encarregar de fazê-lo, 'levando em conta,' portanto, que se trata de Um estabelecimento industrial e que as' notas fiscais de aquisição devem ser ,consideradas para fins de determinação da base de cálculo do: incentivo. Assim, caberá A unidade de origem detectar , eventuais erros de cálculo entre os valores que compõem a fórmula para determinação do incentivo, bem, como quanto a algum outro óbice, que não os já colocados em julgamento, que considere deva ser glosado. . Recapitulando os termos de meu ,voto, portanto, entendo que houve sim a • • industrialização, Mas que, a fruição ao beneficio fiscal pretendido estará condicionada a que a - Recorrente preceda a retificação dos equívocos cometidos nos ,seus livros Reg. de Entradas e - • de Saídas, bem como - proceder à escrituração do Livro Reg. 'Apuração do IPI,' como, alias, fazem todos os estabelecimentos industriais e como tal pugnot 'a Recorrente para assim ser tratada. Após esses procedimentos, e, somente após, caberá .6. Unidade de origem conferir os cálculos pela - empresa efetuados e que resultaram no 'valor do crédito' presumido pleiteado, manifestando-se 'quanto a sua correção, submetendo tal entendimento - interessada para; desejando, se pronunciar a respeito no prazo de. trinta dias, ad final do qua deverá o presente processo retornar para julgamento.' • . Conclusão ODASSI GUERZONI FILH Processo n.° 10280.004248/2006-06 Resolução n.° 203-00.920 CCO2/CO3 Fls. 586 Em face de todo o ..exposto, da documentação carreada ao processo, • do's • argumento s. trazidos pela Recorrente, bem como do debate que ' - travamos nesta Sessão, reconheço que suas atividades são de industrialização (beneficiamento), porém, Condiciono: 6 '• reconhecimento do direito ao ressarcirhent6 a tima nova análise por, parte. da -Unidade de origem, bem como que sejam 'proCedidas às retificações iios.. livros Reg. de Entradas é de Saídas, que seja escriturado o Livro Reg. Apuração de IPI, conforme explicitado acima. Assim, fica o presente julgamento convertido eni diligência para . quer a Unidade de origem, • caso atendidas as condições acima, pi -oceda a thia nbva análise nos cálculos que resultaram no montante ora pleiteado. Nessa análise e a bem da ênfase, poderá a Unidade de origem fazer as considerações que julgar pertinentes acerca do processo produtivo da empresa, case sua diligência resulte em informaçã o . relevante' . .acerca do mesmo. 'A intereSsad a . deverá ser cientificada quanto ao resultado da diligência, podendo, no prazo de trinta dias, sê manifestar a respeito. corno voto. Sala das Sessões, em 03 d setembro de 2008 TOP-SEGUNDO CC'EC:::a..l-l0 coNTRIButTrEs CONFERE, . ) orasida, _ Col .
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000169/2009-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Mon May 11 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. REJEIÇÃO.
Inexistente a premissa fática suscitada, rejeitam-se os embargos de declaração.
Numero da decisão: 3202-003.477
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, de modo a manter o resultado do acórdão embargado.
Assinado Digitalmente
Aline Cardoso de Faria – Relatora
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Jucileia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe.
Nome do relator: ALINE CARDOSO DE FARIA
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REJEIÇÃO. Inexistente a premissa fática suscitada, rejeitam-se os embargos de declaração. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em rejeitar os embargos de declaração, de modo a manter o resultado do acórdão embargado. Assinado Digitalmente Aline Cardoso de Faria – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Jucileia de Souza Lima, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Aline Cardoso de Faria, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe. RELATÓRIO Fl. 692DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.477 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16349.000169/2009-13 2 Trata-se de embargos declaratórios, opostos pelo Conselheiro Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, em face do Acórdão nº 3202-002.437, em julgamento realizado na data de 25.06.2025, pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Carf, assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PRELIMINAR. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não há que se falar em nulidade do despacho decisório tendo em vista que foi proferido por autoridade competente bem como por ter respeitado o direito ao contraditório e à ampla defesa em observância aos termos do art. 59 do Decreto no 70.235/72. PRELIMINAR. DECADÊNCIA. IMPROCEDÊNCIA. As regras de decadência para a efetivação do lançamento tributário (Art. 150, § 4º e Art. 173, ambos do CTN) não se aplicam à análise administrativa que visa apurar a liquidez e certeza do crédito solicitado em pedido de ressarcimento/compensação do contribuinte. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. A sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS impõe a apreciação de determinado bem ou serviço ponderando sua essencialidade e relevância ao processo produtivo. No presente julgado deve ser reproduzido o determinado na decisão preferida no Recurso Especial no 1.221.170/PR. SERVIÇO DE LIMPEZA DA FÁBRICA. SERVIÇO DE REMOÇÃO DE MATERIAS MOVIMENTAÇÃO PORTUÁRIA. CARGA E DESCARGA. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. As despesas incorridas com serviços de remoção de resíduos, limpeza da fábrica, locação de máquinas e equipamentos, bem como com movimentação portuária para carga e descarga de insumos (matérias primas) enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, e, portanto, dão direito ao desconto de créditos da contribuição para o PIS e Cofins. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. FRETES. CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas com fretes no transporte de insumos (matérias primas), ainda que estes sejam tributados à alíquota zero, pagos ou creditados a pessoas jurídicas domiciliadas no País geram créditos das contribuições. Nos termos do despacho de admissibilidade, os embargos declaratórios foram admitidos para sanar a seguinte omissão que delimita o teor da matéria admitida: Em sessão plenária de 25 de junho de 2025, foi julgado o Recurso Voluntário interposto por MOSAIC FERTILIZANTES DO BRASIL LTDA., proferindo-se a decisão consubstanciada no Acórdão nº 3202-002.437, assim redigida: (...) Fl. 693DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.477 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16349.000169/2009-13 3 Como se depreende do resultado do julgamento em questão, houve reversão das glosas sobre as despesas com “Serviços de Movimentação Portuária”. Isso porque o voto da relatora, neste tema, parte de premissa fática equivocada, alertando que o motivo original da glosa pela fiscalização se deu por ausência de previsão legal e por esta despesa não se caracterizar como insumo, quando, de fato, trata-se de crédito já apropriado na base de cálculo do PIS/PASEP importação e COFINS-importação. A ocorrência de uma premissa fática equivocada no acórdão configura inexatidão material por lapso manifesto. Nesse sentido, veja-se o que diz o art. 117 do Regimento do Interno do CARF: Art. 117. As alegações de inexatidão material devida a lapso manifesto ou de erro de escrita ou de cálculo existentes na decisão, suscitadas pelos legitimados a opor embargos, deverão ser recebidas como embargos, mediante a prolação de um novo acórdão. (destaquei) A partir desse contexto, entendo que o Colegiado deve revisitar a matéria, da forma que se verificou no Processo nº 16349.000168/2009-61, de modo que se justifica o retorno dos autos para julgamento na mesma instância. Com base nas razões acima, dou seguimento aos embargos de declaração para apreciação pelo Colegiado. De acordo com o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 1.634, de 2024, o cabimento dos embargos de declaração está disciplinado em seu art. 116 nos seguintes termos: Art. 116. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciar-se a Turma. § 1º Os embargos de declaração poderão ser interpostos, mediante petição fundamentada dirigida ao Presidente da Turma, no prazo de cinco dias contado da data da ciência do acórdão: I - por conselheiro do colegiado, inclusive pelo próprio relator; II - pelo contribuinte, responsável ou preposto; III - pelo Procurador da Fazenda Nacional; IV - pelos Delegados de Julgamento, nos casos de determinação de retorno dos autos à 1ª instância, por decisão de colegiado do CARF; V - pelo titular da unidade da administração tributária encarregada da liquidação e execução do acórdão; ou VI - pelo Presidente da Turma encarregada do cumprimento de acórdão de recurso especial. Devidamente acatados os Embargos de Declaração do Conselheiro Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe, mediante Despacho de Admissibilidade, fls. 689/699, os autos foram a mim encaminhados para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. VOTO Fl. 694DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.477 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16349.000169/2009-13 4 Conselheira Aline Cardoso de Faria, Relatora. Os embargos de declaração foram admitidos e serão analisados nos seus exatos termos. Verificou-se que o Acórdão nº 3202-002.437 incorreu em erro de premissa fática acerca da análise da matéria “Serviços de Movimentação Portuária”, item discriminado no tópico “III.2.4 – Serviços de Movimentação Portuária”, fls. 422 – 427, do Recurso Voluntário interposto pela Recorrente Mosaic Fertilizantes do Brasil S/A. Consta às fls. 303/304 do Despacho Decisório que para fins de creditamento das contribuições ao Pis e Cofins no regime da não cumulatividade, os seguintes serviços não foram considerados passíveis de creditamento pela fiscalização: Passa-se à análise da matéria. Fl. 695DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.477 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16349.000169/2009-13 5 Trata-se de glosas relativas a serviços de movimentação portuária, desconsiderados pela autoridade fiscal para fins de creditamento das contribuições sujeitas ao regime da não cumulatividade, sob o argumento de que: Movimentação Portuária: trata-se de serviços de descarga de insumos prestados pelo porto. Não há previsão de crédito para este tipo de serviço nº art. 3º da Lei nº 10.637/2002, e não se caracteriza como insumo, conforme reza o art. 8º, inciso I, alínea b, § 4º, I, da IN SRF nº 404/2004. Este tipo de serviço refere-se a despesas aduaneiras que de acordo com a IN 436/2004, deve compor a base de cálculo do valor aduaneiro. Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora recorrente contestou as glosas, afirmando que: (...). Em apertada síntese, o serviço de movimentação portuária consiste no serviço de descarregamento de navio, retirando a mercadoria depositada em seu porão e transportando-a até o local de armazenagem. (...). Em outras palavras, a movimentação portuária pode O ser definida como os serviços de capatazia e estiva, prestados por pessoa jurídica nº porto de desembarque. [...] (...). Ainda, no caso em tela, importante se faz ressaltar que, ao analisar os dispêndios acima mencionados, a Fiscalização não se atentou para o fato que os valores pagos para a Delta Fertilizantes Ltda. tem natureza de pagamentos pela movimentação de insumos direcionados à industrialização. [...] (...). Dessa forma, não há como negar que os dispêndios incorridos pela Requerente com relação a esta contratação são custos intrinsecamente ligados a sua atividade, estando claramente inseridos no conceito de "insumos" proferido pela legislação e, dessa forma, ensejam, de maneira inequívoca, o direito à apuração de créditos. O acórdão recorrido manteve as glosas, consignando o entendimento de que: No caso dos serviços de movimentação portuária (serviços de capatazia e desestiva), verifica-se que eles são realizados em etapa anterior à da fabricação de produtos e ao transporte propriamente dito do porto até a empresa, pois referem-se ao descarregamento da embarcação. Portanto, a despeito de eventual entendimento administrativo em contrário, que, diga-se, não é vinculante, verifica-se que são serviços que não oferecem ensejo à tomada de créditos, posto que, também, não são consumidos ou aplicados na produção ou fabricação de produto. Portanto, a decisão recorrida não contesta o fato de que se trata de serviços de capatazia e estiva na importação de insumos. O fundamento adotado para a manutenção das glosas foi o entendimento de que a prestação desses serviços ocorreria em momento anterior à fabricação de produtos (etapa produtiva). A recorrente, por sua vez, volta a se insurgir em sede de recurso voluntário, reiterando os argumentos já apresentados na manifestação de inconformidade. Compulsando os autos, verifica-se que o Acórdão nº 3202-002.437 reverteu as glosas sobre despesas portuárias. Fl. 696DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.477 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 16349.000169/2009-13 6 Nada obstante, em se tratando de serviços portuários de capatazia e estiva na importação de insumos, este Conselho tem entendimento consolidado no sentido de que é legítima a tomada de crédito da Contribuição para o PIS e da Confis não cumulativas. A matéria é, inclusive, objeto da Súmula CARF nº 243, vigente desde 04/12/2025: É permitido o aproveitamento de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas sobre custos de serviços portuários de capatazia e estiva vinculados à importação de insumos, desde que tais serviços sejam contratados de forma autônoma à importação, junto a pessoas jurídicas brasileiras, e que tenham sido efetivamente tributados. Importa salientar que a Súmula em questão é de observância obrigatória por parte deste colegiado, conforme dispõe o art. 25, inciso II e §13º do Decreto nº 70.235/1977. Art. 25. O julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001) [...] II – em segunda instância, ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, órgão colegiado, paritário, integrante da estrutura do Ministério da Fazenda, com atribuição de julgar recursos de ofício e voluntários de decisão de primeira instância, bem como recursos de natureza especial. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) [...] § 13. Os órgãos julgadores referidos nos incisos I e II do caput deste artigo observarão as súmulas de jurisprudência publicadas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. (grifamos) Pelo exposto, cumpre reiterar que, in casu, a glosa sobre as despesas portuárias está condicionada a observância do disposto na Súmula CARF nº 243. Desta feita, voto por rejeitar os embargos de declaração. Assinado Digitalmente Aline Cardoso de Faria Fl. 697DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720193/2012-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 24 00:00:00 UTC 2026
Data da publicação: Sun May 10 00:00:00 UTC 2026
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2007, 2008
PRESTADORAS DE SERVIÇOS. PIS-REPIQUE.
As empresas prestadoras de serviços passaram a ter o mesmo tratamento das empresas comerciais a partir de março de 1996, nos termos da MP nº 1.212/1995, convertida na Lei nº 9.715/1998, não sendo mais aplicável o Pis-Repique desde então.
Numero da decisão: 3202-003.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário.
Assinado Digitalmente
Juciléia de Souza Lima – Relatora
Assinado Digitalmente
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente).
Nome do relator: JUCILEIA DE SOUZA LIMA
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PIS-REPIQUE. As empresas prestadoras de serviços passaram a ter o mesmo tratamento das empresas comerciais a partir de março de 1996, nos termos da MP nº 1.212/1995, convertida na Lei nº 9.715/1998, não sendo mais aplicável o Pis-Repique desde então. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Assinado Digitalmente Juciléia de Souza Lima – Relatora Assinado Digitalmente Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Wagner Mota Momesso de Oliveira, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Rafael Luiz Bueno da Cunha, Aline Cardoso de Faria, Juciléia de Souza Lima (Relatora) e Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente). Fl. 334DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.483 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18088.720193/2012-11 2 RELATÓRIO Trata-se de Recurso Voluntário contra lavratura de autos de infração para exigência da Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) referente aos anos-calendário 2007 e 2008, com crédito tributário constituído de R$ 44.304,15, assim distribuído: Em sede de fiscalização constatou-se a ocorrência de insuficiência de recolhimento de PIS apurado com base no faturamento escriturado, foram excluídos o valor declarado em DCTF, bem assim o montante retido na fonte (DIRF), gerando uma diferença não recolhida/declarada. Intimado a esclarecer a diferença determinada pela autoridade fiscal, o contribuinte declarou que já havia parcelado os citados débitos, porém, em consulta aos sistema da RFB, não foi encontrado qualquer parcelamento para o período. Cientificada, a Recorrente apresentou defesa administrativa, a qual foi julgada improcedente pela 4ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Recife/PE, através do acórdão 11-65.236, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano-calendário: 2007, 2008 PRESTADORAS DE SERVIÇOS. PIS-REPIQUE. As empresas prestadoras de serviços passaram a ter o mesmo tratamento das empresas comerciais a partir de março de 1996, nos termos da MP nº 1.212/1995, convertida na Lei nº 9.715/1998, não sendo mais aplicável o Pis-Repique desde então. EXCLUSÃO DO ISS DA BASE DE CÁLCULO. FALTA DE PREVISÃO. Não há previsão legal, muito menos sentença judicial com efeito vinculante, que determine a exclusão do ISS da base de cálculo do PIS. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS OPERACIONAIS. Comprovado que a autoridade fiscal considerou na base de cálculo do tributo apenas receitas operacionais, não há que se discutir o alargamento da base de cálculo. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Fl. 335DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.483 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18088.720193/2012-11 3 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A análise de alegação contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário ao CARF, no qual pugna pelo cancelamento da autuação fiscal. É o que havia a ser relatado. VOTO Conselheira Juciléia de Souza Lima, Relatora O Recurso é tempestivo, entretanto, dele conheço em parte nos termos deste Voto. Ante a inexistência da arguição de preliminares, passo a análise do mérito. I- DO MÉRITO De início, esclarece o julgador de piso que o lançamento trata de exigência de PIS, não se aplicando os argumentos relativos à isenção de Cofins por ser o contribuinte sociedade simples (antiga sociedade civil), bem assim o argumento relativo ao aumento de alíquota da Cofins. Assim, tais matérias não são enfrentadas no acórdão recorrido por serem estranhas à lide. Em relação ao lançamento de PIS, o contribuinte alega que, por se tratar de prestadora de serviços, está sujeita ao recolhimento dessa contribuição na sistemática adotada pela Lei Complementar nº 7/70, ou seja, o PIS-Repique, e não ao PIS-Faturamento, conforme leis posteriores (Lei nº 9.715, de 1998, entre outras). Por sua vez, entendeu a fiscalização que com a edição da MP nº 1.2121, de 1995, as empresas prestadoras de serviços passaram a ter o mesmo tratamento das empresas comerciais a Fl. 336DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.483 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18088.720193/2012-11 4 partir de março de 1996, sujeitando a recorrente ao recolhimento do PIS na sistemática adotada pela Lei Complementar n. 7/70, ou seja, faturamento, partir de março de março de 1996. Em outros termos, a partir de então, deixou de existir o recolhimento na forma de PIS-Repique. Entendo não haver reforma a fazer no acórdão recorrido, ante a disposição contida no art. 2º da MP nº 1.2121, de 1995, a saber: “Art. 2º A contribuição para o PIS/PASEP será apurada mensalmente: I - pelas pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do imposto de renda, inclusive as empresas públicas e as sociedades de economia mista e suas subsidiárias, com base no faturamento do mês; (…) Art. 13. Às pessoas jurídicas que aufiram receita bruta exclusivamente da prestação de serviços, o disposto no inciso I do art. 2º somente se aplica a partir de 1º de março de 1996.” (Grifou-se) Por isso, alinho-me ao julgador de piso para reconhecer que no caso das empresas que não auferissem receitas de vendas de mercadorias, a contribuição, portanto, voltou a ser devida em conformidade com o § 2º do art. 3º da LC nº 7, de 1970, ou seja, pela modalidade Faturamento. No que se refere à alegação de inconstitucionalidade do aumento da base de cálculo do PIS e da COFINS pela Lei n. 9.718/98, bem como, dos princípios constitucionais, não conheço das alegações, em observância à Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Por fim, no que se refere à incidência de juros moratórios e SELIC, aplico a Súmula 108 deste Conselho: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Por todo exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, para na parte conhecida, negar-lhe provimento. É o voto. Assinado Digitalmente Fl. 337DF CARF MF Original D O C U M E N T O V A L ID A D O ACÓRDÃO 3202-003.483 – 3ª SEÇÃO/2ª CÂMARA/2ª TURMA ORDINÁRIA PROCESSO 18088.720193/2012-11 5 Juciléia de Souza Lima Fl. 338DF CARF MF Original Acórdão Relatório Voto
score : 1.0
Numero do processo: 10880.006749/99-23
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2001
Numero da decisão: 203-00.885
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: OTACILIO DANTAS CARTAXO
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Numero do processo: 10280.004253/2006-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 31/10/2000 a 31/12/2000
NULIDADES. PARECER DECISÓRIO NÃO PRECEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA.
Não é nulo o Despacho Decisório elaborado pelo Setor competente para apreciar pedidos de ressarcimento de créditos presumidos de IPI, ainda que o mesmo não tenha sido precedido por diligência fiscal realizada no estabelecimento. Ademais disso, visando o cumprimento de ordem judicial expressa, a autoridade fiscal agiu de forma acertada ao determinar a supressão de uma etapa de forma a não causar mais atraso na solução da pendência.
NULIDADES. REGISTRO DO AUDITOR-FISCAL NO CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE. DESNECESSIDADE. SÚMULA Nº 5.
O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI
Período de apuração: 31/10/2000 a 31/12/2000
CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. RESSARCIMENTO. INDUSTRIALIZAÇÃO. BENEFICIAMENTO.
A descrição do processo industrial, consistente na secagem da madeira, no seu tratamento químico, no seu corte, refilamento, destopo, e aplainamento, se subsume à modalidade de industrialização identificada como beneficiamento.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO.
Nos termos do art. 62-A do Regimento do Carf, de se aplicar decisão definitiva proferida em sede de recurso repetitivo. No caso, entendeu aquela corte que ocorrendo a vedação ao aproveitamento de crédito escritural, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a
necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3401-001.788
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito, vencido o Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, e, por unanimidade de votos, reconhecer o direito à sua atualização monetária pela taxa Selic somente a partir da data da entrega do pedido.
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/2000 a 31/12/2000 NULIDADES. PARECER DECISÓRIO NÃO PRECEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. Não é nulo o Despacho Decisório elaborado pelo Setor competente para apreciar pedidos de ressarcimento de créditos presumidos de IPI, ainda que o mesmo não tenha sido precedido por diligência fiscal realizada no estabelecimento. Ademais disso, visando o cumprimento de ordem judicial expressa, a autoridade fiscal agiu de forma acertada ao determinar a supressão de uma etapa de forma a não causar mais atraso na solução da pendência. NULIDADES. REGISTRO DO AUDITOR-FISCAL NO CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE. DESNECESSIDADE. SÚMULA Nº 5. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. RESSARCIMENTO. INDUSTRIALIZAÇÃO. BENEFICIAMENTO. A descrição do processo industrial, consistente na secagem da madeira, no seu tratamento químico, no seu corte, refilamento, destopo, e aplainamento, se subsume à modalidade de industrialização identificada como beneficiamento. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos do art. 62-A do Regimento do Carf, de se aplicar decisão definitiva proferida em sede de recurso repetitivo. No caso, entendeu aquela corte que ocorrendo a vedação ao aproveitamento de crédito escritural, posterga-se o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá-los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/10/2000 a 31/12/2000 NULIDADES. PARECER DECISÓRIO NÃO PRECEDIDO DE DILIGÊNCIA FISCAL. PRINCÍPIO DA EFICIÊNCIA ADMINISTRATIVA. Não é nulo o Despacho Decisório elaborado pelo Setor competente para apreciar pedidos de ressarcimento de créditos presumidos de IPI, ainda que o mesmo não tenha sido precedido por diligência fiscal realizada no estabelecimento. Ademais disso, visando o cumprimento de ordem judicial expressa, a autoridade fiscal agiu de forma acertada ao determinar a supressão de uma etapa de forma a não causar mais atraso na solução da pendência. NULIDADES. REGISTRO DO AUDITORFISCAL NO CONSELHO REGIONAL DE CONTABILIDADE. DESNECESSIDADE. SÚMULA Nº 5. O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 31/10/2000 a 31/12/2000 CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. RESSARCIMENTO. INDUSTRIALIZAÇÃO. BENEFICIAMENTO. A descrição do processo industrial, consistente na secagem da madeira, no seu tratamento químico, no seu corte, refilamento, destopo, e aplainamento, se subsume à modalidade de industrialização identificada como beneficiamento. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 2 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. DECISÃO DEFINITIVA DO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO. Nos termos do art. 62A do Regimento do Carf, de se aplicar decisão definitiva proferida em sede de recurso repetitivo. No caso, entendeu aquela corte que ocorrendo a vedação ao aproveitamento de crédito escritural, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito ao crédito, vencido o Conselheiro Júlio Cesar Alves Ramos, e, por unanimidade de votos, reconhecer o direito à sua atualização monetária pela taxa Selic somente a partir da data da entrega do pedido. Júlio César Alves Ramos Presidente Odassi Guerzoni Filho Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Emanuel Carlos Dantas de Assis, Adriana Oliveira e Ribeiro, Odassi Guerzoni Filho, Fernando Marques Cleto Duarte e Jean Cleuter Simões Mendonça. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004253/200619 Acórdão n.º 340101.788 S3C4T1 Fl. 682 3 Relatório Em julgamento matéria relacionada a pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI [Lei nº 9.363, de 14 de dezembro de 1996], do 3º trimestre de 2000, no valor original de R$ 118.475,71. O processo retorna à Turma após as manifestações da Unidade de origem e da Recorrente feitas em decorrência dos termos da nossa Resolução nº 20300.921, de 03/09/2008, às fls. 54/559, que fora vazada, sua conclusão, nos seguintes termos: “Em face de todo o exposto, da documentação carreada ao processo, dos argumentos trazidos pela Recorrente, bem corno do debate que travamos nesta Sessão, reconheço que suas atividades são de industrialização (beneficiamento), porém, condiciono o reconhecimento do direito ao ressarcimento a uma nova análise por parte da Unidade de origem, bem como que sejam procedidas as retificações nos livros Reg. de Entradas e de Saídas, que seja escriturado o Livro Reg. Apuração de IPI, conforme explicitado acima. Assim, fica o presente julgamento convertido em diligência para que a Unidade de origem, caso atendidas as condições acima, proceda a urna nova análise nos cálculos que resultaram no montante ora pleiteado. Nessa análise e a bem da ênfase, poderá a Unidade de origem fazer as considerações que julgar pertinentes acerca do processo produtivo da empresa, caso sua diligência resulte em informação relevante acerca do mesmo. A interessada devera ser cientificada quanto ao resultado da diligência, podendo, no prazo de trinta dias, se manifestar a respeito.” Cientificada dos termos da referida Resolução, a Seort da DRF/BelémPA elaborou o Parecer Seort/DRF/BEL nº 0824, de 18/12/2009, fls. 565/569, ratificando o indeferimento do pleito, desta feita, sob o argumento de que, nos termos da legislação aplicável que invocou1, seria impossível a apuração de custos de MatériaPrima, Produtos Intermediários e Materiais de Embalagem, relativamente ao 3º trimestre de 2000. Assim considerou em face de a interessada, quando intimada lá atrás, no início das verificações da autoridade fiscal – situação essa que não teria se alterado ter afirmado não dispor de uma apuração dos custos e dos estoques, nem com base em sistema de custos coordenados e integrado com a escrituração comercial, e nem com base na sua escrituração contábil, mas, sim, na sistemática do “custo arbitrado”, a qual, explica a interessada, se deu na razão de 70% do maior preço de venda praticado, consoante a regra do art. 296 do RIR/99. Cientificada dos termos do referido Parecer Seort, a interessada apresentou uma “Manifestação a Resultado de Dilgência Fiscal em Recurso Voluntário” defendendo a validade do seu pleito sob os argumentos, em síntese, de que não existieria previsão legal para a apuração do crédito presumido sobre o custo dos produtos exportados, mas, sim, sobre a aquisição de insumos; não existeria previsão legal para a apuração de custos arbitrados quando se depara com a falta de apuração integrada e coordenada; e não existeria a obrigatoriedade 1 Especialmente os §§ 5º ao 8º, do inciso I, do art. 3º, da IN SRF 23/97. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 4 legal de manutenção de custos integrados e coordenados para fins de apuração do crédito presumido de IPI. Reportou no novo Recuro Voluntário a existência de um fato, até então desconhecido desse Relator, e que, dada a sua relevância, deve ser considerado para fins deste julgamento. Tratase, nada mais nada menos, de um procedimento fiscal realizado por outro servidor da DRF em Belém, mais especificamente, do Serviço de Fiscalização, iniciado em 12/11/2008 e concluido exatamente um ano após, em 12/11/2009, procedimento esse voltado exclusivamente para a “fiscalização do Crédito Presumido do IPI para ressarcimento do Pis/Cofins, referentes aos períodos de 07/2000 a 12/2000 e 07/2001 a 12/2001, constante dos Perdcomp nºs. 358776381910020511012767, [...] (grifei)”. Observese que estamos falando do mesmo período de apuração e do mesmo Per/Dcomp que deu início ao presente processo e que se ora se discute. O mais interessante disso é que o resultado dessa fiscalização [Relatório de Fiscalização às fls. 642/646] apontou para o reconhecimento integral do crédito de R$ 118.475,71, portanto, em sentido completamente oposto ao entendimento do Seort, que havia avocado para si [isso não se contesta porque havia uma decisão judicial determinando agilidade na análise dos vários pedidos de ressarcimento apresentados pela empresa] a tarefa de verificar a procedência do pedido da interessada e o indeferiu totalmente. Diante dessas duas manifestações díspares, a recorrente entende que haveria de prevalecer aquele realizado pelo Setor de Fiscalização, que considerou mais aprofundado que o da Seort. Além disso, rechaçou os óbices ditados pelo Seort escorandose na letra da Lei nº 9.363, de 14 de dezembro de 1996, mais especificamente nos seus artigos 1º e 2º, argumentando que neles não há qualquer menção a que o crédito presumido de IPI seja apurado a partir dos custos, mas, sim, nas aquisições de MP, PI e de ME. Dessa forma, considera inválida a utilização de instruções normativas para a apuração do crédito presumido de IPI, porquanto, a seu ver, elas estariam afrontando a Lei. Entende a Recorrente que, tendo comprovado a aquisição dos insumos no mercado interno e sua aplicação no processo produtivo, bem como apurada a relação entre exportação e venda no mercado interno do período de aquisição, não restaria espaço para que sua pretensão fosse desacolhida. De outra parte, contestou também a desconsideração da DRF quanto à possibilidade de avaliar seus estoques mediante a aplicação da regra contida no inciso II, do art. 296, do RIR 3000/99, c/c com o disposto no parágrafo único do art. 3º da Lei nº 9.363, de 14 de dezembro de 1996. Alegou ainda a Recorrente que os documentos contábeis disponibilizados permitiriam a verificação valorativa dos custos dos insumos, caso, ad argumentandum, fossem os custos formadores da base de cálculo do crédito presumido de IPI. Invocou também a aplicação do princípio da razoabilidade, pois, não há de se admitir como razoável que em um determinado período de apuração, em que, segundo ela, temse elementos claros e comprovados no que se refere à aquisição de insumos e venda de produtos, não se tenha custo algum a ser reconhecido. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004253/200619 Acórdão n.º 340101.788 S3C4T1 Fl. 683 5 Outro princípio suscitado pela Recorrente foi o da primazia dos fatos sobre as formas, para dizer que o Fisco preferiu aterse à burocracia em detrimento dos fatos ocorridos. Reiterou ainda a necessidade de atualização monetária do crédito a ser reconhecido mediante a utilização da taxa Selic, acreditando estar no art. 39 da Lei nº 9.250, de 26/12/1995, a base legal para tanto, além de jurisprudência administrativa e judicial que colacionou em seu favor. Por fim, e ad argumentandum, pediu a realização de perícia contábil, formulando quesitos nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Juntou às fls. 780/784 cópias do Livro Reg. Apuração de IPI em que está indicada a apuração do crédito presumido objeto deste processo. No essencial, é o Relatório. Fl. 699DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 6 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator Inicialmente, esclareço que as prejudiciais de nulidade suscitadas pela Recorrente, bem como os motivos alegados pelo Fisco para o indeferimento do pleito – a interessada não seria um estabelecimento industrial e a matériaprima adquirida não teria sofrido a incidência do PIS/Pasep e da Cofins, já foram tratados e afastados, respectivamente, consoante os termos do voto proferido da Resolução nº 20300.921, de 03/09/2008, às fls. 548/559, o qual reproduzo abaixo na integra: “Conselheiro ODASSI GUERZONI FILHO, Relator A tempestividade se faz presente pois, cientificada da decisão da DRJ em 03/11/2007, a interessada apresentou o Recurso Voluntário em 12/11/2007. Preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, deve ser conhecido. Nulidades A primeira delas, suscitada pela Recorrente, é para que a decisão da DRF que lhe indeferiu o pleito seja anulada pois não foi precedida de uma diligência fiscal em seu estabelecimento, o que teria resultado numa conclusão destoante da realidade fática da empresa. Não obstante eu admita que o procedimento adotado pela DRF em Belém tenha deixado de observar o padrão ou a praxe nos procedimentos de análise de Pedidos de Ressarcimento de Crédito Presumido de IPI, qual seja, primeiro a Seção de Fiscalização realiza diligências e elabora um parecer que segue para a Seção de Orientação e Análise Tributária para que esta, adotandoo ou não, profira o seu entendimento quanto à pertinência do pleito, ao mesmo não pode considerado nulo. Primeiro, lembrese aqui que a Recorrente, sentindose prejudicada pela demora da DRF em apreciar seus Pedidos Eletrônicos de Ressarcimento (eram oito ao todo), pois, afinal, tendoos protocolado em 10/02/2005, em outubro de 2006 ainda não havia obtido resposta, ingressou no Poder Judiciário objetivando provimento para que seus pleitos fossem analisados, no que logrou êxito, ou seja, o Magistrado determinou à DRF que, num prazo de cinco dias iniciasse a análise dos oito pedidos e que fossem os mesmos concluídos em trinta dias. Por sua vez, autoridade para a qual foi dirigida a ordem judicial, o Delegado da Receita Federal em Belém, determinou aos seus subordinados que tal ordem fosse imediatamente cumprida, o que, presumo, fez com que uma etapa do procedimento fosse pulada, qual seja, a passagem dos oito processos pela Seção de Fiscalização, indo os mesmos diretamente para a Seort. Creio eu que agiu corretamente o titular da DRF, e isto posso afirmar com propriedade, visto que exerci o cargo equivalente em outra unidade da DRF durante sete anos, pois a passagem dos oito processos pela Seção de Fiscalização implicaria numa etapa adicional, que poderia comprometer os exíguos prazos peremptórios determinados pelo Juízo. Além disso, conforme se observa no documento intitulado "Informação Seort/DRF/Bel/nº 0316/2006", de 25/10/2006, cuidou a Seort de cercarse de todos os elementos necessários para formar a sua convicção quanto à pertinência do pleito da interessada, visto que solicitou os mesmos documentos que a Seção de Fiscalização solicitaria tivesse ela fazendo aquele trabalho, quais sejam: cópia do contrato social; declaração de inexistência de litígio quanto a mesma Fl. 700DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004253/200619 Acórdão n.º 340101.788 S3C4T1 Fl. 684 7 matéria; descrição do processo produtivo em fases detalhadas; relação das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados no processo produtivo com a indicação das respectivas notas fiscais de aquisição, indicando a fase na qual foram utilizados; cópias autenticadas das notas fiscais referentes às aquisições de insumos; memórias de cálculo dos créditos presumidos, com o inventário permanente de estoque apurado pelo método da média ponderada móvel ou pelo PEPS; cópias autenticadas das notas fiscais de exportação; cópia do Livro Reg. Apuração do IPI, do Livro Reg. Entradas e do Livro Reg. de Saídas relacionado ao período do pedido; e informação sobre o tipo do produto final industrializado, a sua classificação tarifária e indicação se é destinado ao mercado interno ou à exportação. Assim, tendo sido os documentos acima listados entregues pela interessada, restou perfeitamente suprida a falta de uma diligência fiscal no estabelecimento, que, a rigor, teria apenas o efeito de constatar no local o processo de produção da empresa, lembrando, entretanto, não para aqueles fatos ocorridos no passado. A meu ver, e com a devida vênia, o fundamento do pedido de nulidade da Recorrente se mostra contraditório com as suas pretensões postas diante do juízo, já que o que visou quando se valeu de um Mandado de Segurança, buscava a agilidade da autoridade fiscal e foi esse o fator determinante para que, como disse acima, tivesse sido pulada uma etapa do procedimento de análise de seus oito pedidos. O item III do artigo 126 do Regimento Interno da Receita Federal do Brasil, constante da Portaria MF nº 259, de 24/08/20012, dispõe ser competência da Seort, verbis, "manifestarse em processos administrativos referentes à restituição, à compensação, ao ressarcimento, à imunidade, à suspensão, à isenção e à redução de tributos e contribuições administrados pela SRF", de modo que o simples fato de não ter tal manifestação precedida de uma diligência fiscal não tem o condão de tornála nula. Além disso, a teor dos documentos que foram solicitados pela autoridade fiscal – prontamente atendidos pela interessada para proceder à análise do pleito, podese afirmar que diferença alguma resultaria ter sido a análise feita por AuditorFiscal lotado na Seção de Fiscalização da DRF que, frisese, também, poderia não ter comparecido ao estabelecimento industrial, e sem que isso se constituísse em motivo de nulidade de seu parecer. Afasto, pois, a prejudicial de nulidade do Parecer da Seort pelo fato de o mesmo não ter sido precedido de uma diligência fiscal no estabelecimento. Quanto à necessidade de que o servidor responsável pelo parecer tenha registro no Conselho Regional de Contabilidade, invoco a Súmula nº 5, aprovada na Sessão Plenária de 18/09/2007 deste Segundo Conselho de Contribuintes, e publicada no DOU de 26/09/2007, Seção I, pág.28, que dispõe ser o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. De se afastar, também, a prejudicial de nulidade pela falta de registro no CRC. Mérito Segundo se depreende da conclusão do parecer da Seort que negou o reconhecimento do benefício fiscal à interessada (fl. 538), bem como do Despacho Decisório também da Seort (fl. 542), os documentos carreados ao processo estariam a indicar que, primeiro, não houve industrialização e sim mera revenda, e, segundo, 2 Encontrada no sítio da Receita Federal do Brasil na internet (www.receita.fazenda.gov.br). Fl. 701DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 8 que, ainda que houvesse a industrialização, o crédito presumido não poderia ter sido reconhecido pois, na aquisição de madeiras não houve a incidência do PIS/PASEP e da Cofins, já que nas respectivas notas fiscais os produtos ali estão descritos como "madeira para exportação". Conforme a própria Recorrente esclarece, seu processo de industrialização pode ser assim descrito: E tapa Descrição Compra e Classificação da Matériaprima Aquisição de madeira em bruto dos diversos centros produtores e sua reunião em local único, onde é feita a sua classificação. A classificação consiste em separálas por tipo, tamanho e qualidade, sendo, ao final, remetidas para a planta industrial. Recepção e Classificação da Matériaprima Descarregamento e estocagem no pátio da indústria. Segunda classificação: as espécies e tamanhos de madeiras soa classificadas em consonância com os tipos de pedidos efetuados pelos clientes e empilhadas para direcionamento para a próxima etapa. Secagem A madeira é colocada em estufas (próprias ou terceirizadas) nas quais é submetida a calor a vapor de modo a se obter o grau de umidade ideal para o produto final, ocorrendo aqui a primeira modificação em relação ao estágio da matériaprima no seu estágio inicial, visto que, nesta etapa, sua concentração de umidade, peso e espessura já não correspondem aos da matériaprima que iniciou o processo produtivo. Pode ser dar também ao ar livre. O tempo de secagem varia em função do tipo de madeira, umidade anterior e umidade desejada, podendo durar dias ou semanas. Beneficiamento Após a secagem, a madeira é transportada para os equipamentos responsáveis pelo beneficiamento, onde sofre: Refilamento à transformação de uma pela de madeira em duas ou mais; Destopo à corte transversal para determinar o comprimento da peça, transformando uma peça em uma ou mais peças com tamanho determinado; Aplainamento à retoques em alguns ou em todos os lados do produto. Nesta fase fica a matériaprima já transformada em produto acabado com largura e comprimento determinado pelo adquirente através de pedido previamente formulado e diferente da matériaprima inicial, inclusive pela aplicação de materiais intermediários. Embalagem Empilhados, embalados e transportados para embarque nos contâiners para envio ao porto. Alem disso, no "Laudo Técnico" firmado por um engenheiro florestal, elaborado sob encomenda da Recorrente e constante das fls. 658/668, constam mais Fl. 702DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004253/200619 Acórdão n.º 340101.788 S3C4T1 Fl. 685 9 detalhes e até mesmo fotos, que dão idéia do processo produtivo desenvolvido pela empresa. De outra parte, dispõe o art. 4º do Decreto nº 2.637, de 1998 (Regulamento do IPI), que, verbis: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériasprimas ou produtos intermediários, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); ou V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Parágrafo único. São irrelevantes, para caracterizar a operação como industrialização, o processo utilizado para obtenção do produto e a localização e condições das instalações ou equipamentos empregados. (grifei) Do conjunto das informações e documentos constantes do processo, bem como do confronto do processo produtivo com os dispositivos do RIPI/98 que caracterizam a industrialização, especialmente o inciso II, do artigo 4º, acima reproduzido, me convenci de que as atividades da empresa são efetivamente a de industrialização (beneficiamento), não podendo ser tratada como mera revendedora de madeiras. Com esse entendimento, afasto a motivação dada pela autoridade fiscal para considerar que a empresa não é um estabelecimento industrial, qual seja: a) o fato de o contrato social não dispor sobre a atividade industrial; b) o fato de não possuir ela escrituração do Livro Reg. Apuração do IPI; c) o fato de o Livro Reg. de Entradas e o Livro Reg. de Saídas não conterem registros de operações relacionadas especificamente ao processo produtivo (respectivamente, operações registradas sob o CFOP 1.11 e 2.11, que se referem a compras para industrialização, sob o CFOP 7.11, que se refere a vendas da produção do estabelecimento para o mercado Fl. 703DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 10 externo); d) o fato de na DIPJ ter sido informado o valor do custo das mercadorias vendidas e não o custo de produção de fabricação própria, e também ter sido deixado em branco o campo correspondente às aquisições de matériaprima, material secundário e material de embalagem para utilização no processo produtivo; e) o fato de nas notas fiscais de aquisição constar como produto adquirido "madeiras serradas", sendo que idêntica expressão consta das notas fiscais de saída; e f) o fato de as notas fiscais de venda ter sido utilizado o código 7.12, que significa vendas de mercadorias adquiridas de terceiros para o mercado externo, em vez do código 7.11, que significa as vendas da produção do estabelecimento pra o mercado externo. Embora tenha de admitir que a empresa está completamente equivocada ao não seguir a determinação expressa contida no artigo 345 do RIPI/98 no sentido de que, em sendo um estabelecimento industrial, deva preencher corretamente os livros fiscais correspondentes, especialmente o Livro Reg. de Apuração do IPI, não creio que esse e os demais equívocos acima reproduzidos e assumidos pela empresa, possam inviabilizar o seu direito ao aproveitamento dos benefícios trazidos pela Lei nº 9.363, de 1996, caso, realmente, se confirmem procedente os valores pleiteados. Primeiro, porque, na linha do que alega a Recorrente, entendo que deva prevalecer a realidade fática sobre a realidade documental, embora, admita, não se possa ter isso como regra absoluta. Ocorre que neste processo e abstendome de considerar relevantes e prejudiciais os erros, aliás, confessos, da Recorrente, no preenchimento de notas fiscais, de livros, da DIPJ, contrato social etc., os documentos estão a demonstrar claramente quais foram os valores formadores do crédito presumido que ora pleiteia, de maneira que, corrigidos tais equívocos, nada estaria a impedir que seu pedido pudesse ser analisado, desta feita, sob o manto, ou melhor, tendo cumprido as formalidades mínimas exigidas para tal. Assim, não obstante as regras que tratam da concessão do crédito presumido de IPI, quer as estipuladas na própria Lei nº 9.363/96, quer as na IN SRF nº 419, de 10/05/2004 e na IN SRF nº 441, de 11/08/2004, não condicionarem a fruição do benefício à escrituração do RAIPI, por certo, esse procedimento é o mínimo que se pode esperar de um estabelecimento que se diz industrial e que deseja se aproveitar dos benefícios legais. Para mim, não vale o argumento trazido pela DRJ de que o artigo 16 da citada IN SRF nº 419, de 2004, conteria a regra para a obrigatoriedade do RAIPI, visto que o referido dispositivo foi direcionado para empresas industriais que possuem mais de um estabelecimento3, o que, até onde se sabe pelos presentes documentos, não é o caso. Por conta desses argumentos, direciono meu voto no sentido de reconhecer que o estabelecimento é industrial, embora deva enfrentar outros argumentos do Fisco mais adiante. Porém, uma nova análise quanto à fruição do benefício estará condicionada a que a empresa proceda à correção de todos os equívocos acima apontados e por ela admitidos, quais sejam, a retificação nos livros Reg. de Entradas e de Saídas, e a escrituração do Livro Reg. de Apuração do IPI, obviamente fazendo deste constar os períodos objetos do seu pedido. O outro óbice posto pela autoridade fiscal para negar o direito ao benefício se refere ao fato de que a descrição do produto, quer na nota fiscal de entrada, quer na nota fiscal de saída, é praticamente a mesma, o que estaria a indicar não ter havido industrialização, mas, sim, mera operação de compra e venda. De fato, tanto nas notas fiscais de compra, quanto nas notas fiscais de venda para o exterior fizeram constar na descrição dos produtos a expressão "madeira 3 "Art. 16. O estabelecimento matriz da pessoa jurídica produtora e exportadora que apurar crédito presumido de IPI deverá escriturálo no item 005 do quadro ‘Demonstrativo de Créditos’ do livro Registro de Apuração do IPI, com indicação de sua origem no quadro ‘Observações’. .......” Fl. 704DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004253/200619 Acórdão n.º 340101.788 S3C4T1 Fl. 686 11 serrada", o que, em princípio, poderia sugerir, como sugeriu a DRF, tratarse de mera revenda. Não obstante deva admitir que tal entendimento seja provido de uma boa lógica, o fato é que, especificamente para as matérias primas e produtos relacionados a este processo, não há ser vivo pensante neste planeta capaz de nos demonstrar com provas irrefutáveis que tenha efetivamente ocorrido isso ou aquilo. Essa minha afirmativa vai, inclusive, ao encontro do que, brilhantemente, consignou a DRJ em seu voto proferido no Acórdão nº 0110.003, de 2007, no Processo Administrativo nº 10280.004248/200606, também da ora recorrente, senão vejamos, verbis: 22. No mérito, como forma de melhor fundamentar o Voto, cabe inicialmente registrar que os eventos ocorrem no mundo fenomênico e não se repetem. Quando esses eventos possuem alguma relevância social, política, econômica ou jurídica, são alçados à condição de fatos sociais, políticos, econômicos ou jurídicos, respectivamente. O ingresso do evento no sistema jurídicoprocessual se dá por meio da incidência do instituto da prova que faz a ligação entre o evento e o fato. 23. Como o fato não pode reconstituir integralmente o evento, vale dizer, não pode repetir de forma exata o evento, toda prova é indiciária, no sentido de que é um modelo de representação (aproximada) da realidade. Logo em todo processo, administrativo ou judicial, não há que se falar no restabelecimento integral do evento, eis que se revela em tarefa irrealizável. 24. Destaquese também que a prova não é das partes (não é do Fisco nem é do sujeito passivo), mas sim dirigida ao convencimento do julgador. Nesse sentido, o art. 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972 – Processo Administrativo Fiscal (PAF) estabelece que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss, apreciar significa: fazer estimativa de; avaliar, julgar; pôr sob exame; considerar, examinar, ponderar). Em seguida, o dispositivo confirma a incidência do livre convencimento do julgador que, no entanto, deve ser motivado. 25. Deve o Fisco, portanto, trazer elementos que em seu conjunto poderão firmar a convicção do julgador, de modo eloqüente, quanto à existência do fato jurídico tributário. Já o contribuinte possui o ônus de impugnar os fatos trazidos aos autos pela Repartição Fazendária, não podendo o mesmo permanecer inerte. 26. Por seu turno, indício é o fato que, por operação mental, aponta para a existência provável de outro. Como se observa, esse conceito é também o de prova. Ou melhor, toda prova é um indício que fica a depender somente do valor axiológico desse indício. Se tal valor for forte, dizse que a prova carrega em si um indício veemente; se for fraco, tratase de um indício insuficiente. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 12 27. No caso do presente processo, o evento ocorrido foi a exportação de madeira no ano de 2001, girando a discussão em torno de ter havido ou não a industrialização desse produto no estabelecimento da empresa interessada. Conforme dito acima, é impossível repetir nos dias de hoje o ocorrido, o que provaria se a madeira efetivamente exportada teria sido industrializada no estabelecimento ou adquirida pronta, motivo pelo qual resta a apreciação das provas documentais existentes. A propósito, por esse mesmo motivo, qualquer diligência porventura feita pelo Serviço de Fiscalização da Unidade, também se restringiria a uma análise nos documentos existentes. (destaques do original) Registro aqui minha total concordância com o texto reproduzido acima, cumprimentando o seu ilustre Relator pela maneira precisa com que identificou a situação, embora, massima venia, dele vá divergir nas conclusões. É que, para mim, os tais indícios conspiram em favor da interessada, ou seja, na pior das hipóteses, não teríamos a certeza absoluta de que não tenha havido a industrialização, o que me remete a reparar o que foi dito acima, no sentido de que uma diligência no local por parte do Fisco talvez pudesse esclarecer o fato. Mas, ainda assim, o que seria constatado é uma situação presente, muito provavelmente não capaz de criar um liame com os fatos de 2000 e de 2001 e com as dúvidas que estamos enfrentando neste julgamento. A não ser que, diante das constatações do Fisco no local, viesse o representante da empresa e dissesse: "Sim, o que o Auditor Fiscal atestou hoje se aplica totalmente ao que aconteceu em 2000 e em 2001". Data venia, considero isso possível, porém, pouco provável. Mas, voltando aos fatos, ou aos indícios, informo aos meus pares que nas notas fiscais de saída (vendas para exportação), a descrição dos produtos era mais esmerada, ou seja, ia bem mais além do que a simples "madeira serrada", senão vejamos como exemplo a nota fiscal nº 2478, à fl. 88: "Madeira da espécie Mogno (Swistenia macrophylla) simplesmente serrada em tábuas refiladas e esquadriadas, seca ao ar, 4/4", 5/4", 6/4", 8/4 e 10/4" de espessura, 4" e acima de largura, 6' e acima de comprimento, de qualidade número 2comum." Assim, não se pode afirmar, sem que paire alguma dúvida, como o fez a autoridade fiscal, no que foi referendada pela DRJ, que não tenha havido a industrialização; ao contrário. Outro argumento utilizado pela autoridade fiscal para negar à Recorrente a condição de estabelecimento industrial é o fato de tal atividade não constar de seu objeto social. De fato. Tampouco, acrescento, consta de sua razão social. Mas, para mim, isso não se reveste em condição essencial para que determinada empresa seja considerada ou não como executora de operações de industrialização; o que deve prevalecer são os atos que pratica, não os que se dispôs a praticar, embora seja salutar que haja tal coincidência entre ambos. Como dito acima, resta agora deliberar sobre o outro argumento utilizado pela DRF para negar o direito ao crédito presumido, qual seja, o fato de, nas notas fiscais de aquisição de matériaprima (madeira), constar a expressão "para exportação", o que estaria a indicar que o fornecedor não seria contribuinte do PIS/PASEP e da Cofins, e, portanto, não haveria que se falar em restituição de ditas contribuições sob a forma do crédito presumido de IPI em favor da ora Recorrente. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004253/200619 Acórdão n.º 340101.788 S3C4T1 Fl. 687 13 Realmente, na totalidade das notas fiscais de aquisição de madeira consta, na descrição dos produtos, a expressão "madeira para exportação". Além disso, também consta no campo "Informações Complementares" das ditas notas fiscais, um carimbo com os dizeres: "Mercadoria destinada à exportação. Não incidência do I.C.M.S. conforme Lei nº (...)". A Recorrente se defende, primeiro, dizendo que os profissionais que preenchem os documentos fiscais nem sempre são providos de condições para compreender a língua portuguesa, que reputa complexa mesmo para especialistas, de modo que, onde está escrito "madeira para exportação", deve se entender "madeira tipo exportação". Ou seja, não seria a nota fiscal de entrada o fator determinante para se definir se haveria ou não industrialização por parte do adquirente. Divirjo da Recorrente quanto aos seus argumentos, mas, ao final das contas, concluo no mesmo sentido, já que, para mim, o significado daquela expressão "madeira para exportação" é um só, qual seja, tratase, efetivamente, de madeira que, industrializada ou não, terá como destino final o exterior, o que não significa dizer que o fornecedor emitente desta nota estará livre do pagamento do PIS/PASEP e da Cofins, pois, afinal, não terá sido ele o exportador, mas sim o estabelecimento para o qual ele forneceu as madeiras. Em outras palavras, o fornecedor da ora Recorrente, ao lhe vender as madeiras não incorreu numa operação imune à incidência do PIS/PASEP e da Cofins, já que realizou uma venda no mercado interno, e isso pode ser comprovado pela natureza da operação (venda) e o CFOP que inseriu nas suas notas fiscais (5.11, que indica venda no mercado interno). Assim, afasto também o argumento da autoridade fiscal de que as matérias primas adquiridas não sofreram a incidência do PIS/PASEP e da Cofins, podendo, em princípio, integrar a base de cálculo para determinação do crédito presumido de IPI. Todavia, por não competir a este Colegiado a conferência dos cálculos efetuados pelo contribuinte propriamente ditos, até porque, s.m.j., o indeferimento se deu de forma sumária, deverá a Unidade de origem se encarregar de fazêlo, levando em conta, portanto, que se trata de um estabelecimento industrial e que as notas fiscais de aquisição devem ser consideradas para fins de determinação da base de cálculo do incentivo. Assim, caberá à Unidade de origem debruçarse sobre as "memórias de Cálculo do Crédito Presumido" elaboradas pela interessada (fls. 66/85), bem como sobre cada uma das notas fiscais de exportação (fls. 88/116), notas fiscais de entrada (fls. 118/150), com a finalidade detectar eventuais erros de cálculo entre os valores que compõem a fórmula para determinação do incentivo, bem como quanto a algum outro óbice, glosas de insumos, por exemplo, que não os já colocados em julgamento. Recapitulando os termos de meu voto, portanto, entendo que houve sim a industrialização, mas que, a fruição ao benefício fiscal pretendido estará condicionada a que a Recorrente proceda à retificação dos equívocos cometidos nos seus livros Reg. de Entradas e de Saídas, bem como proceder à escrituração do Livro Reg. Apuração do IPI, como, aliás, fazem todos os estabelecimentos industriais e como tal pugnou a Recorrente para assim ser tratada. Após esses procedimentos, e somente após, caberá à Unidade de origem conferir os cálculos pela empresa efetuados e que resultaram no valor do crédito presumido pleiteado, manifestandose quanto à sua correção, submetendo tal entendimento à interessada para, desejando, se pronunciar a respeito no prazo de trinta dias, ao final do qual, deverá o presente processo retornar para julgamento. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 14 Conclusão Em face de todo o exposto, da documentação carreada ao processo, dos argumentos trazidos pela Recorrente, bem como do debate que travamos nesta Sessão, reconheço que suas atividades são de industrialização (beneficiamento), porém, condiciono o reconhecimento do direito ao ressarcimento a uma nova análise por parte da Unidade de origem, bem como que sejam procedidas às retificações nos livros Reg. de Entradas e de Saídas, que seja escriturado o Livro Reg. Apuração de IPI, conforme explicitado acima. Assim, fica o presente julgamento convertido em diligência para que a Unidade de origem, caso atendidas as condições acima, proceda a uma nova análise nos cálculos que resultaram no montante ora pleiteado. Nessa análise e a bem da ênfase, poderá a Unidade de origem fazer as considerações que julgar pertinentes acerca do processo produtivo da empresa, caso sua diligência resulte em informação relevante acerca do mesmo. A interessada deverá ser cientificada quanto ao resultado da diligência, podendo, no prazo de trinta dias, se manifestar a respeito. É como voto.” E, da nova análise efetuada pela Unidade de origem quanto à procedência ou não do crédito postulado, resultou numa nova motivação para o indeferimento, qual seja, a impossibilidade de se apurar os valores do crédito presumido de IPI em face da inexistência de controles dos estoques. É o que constou do citado Parecer Seort nº 824, de 18/12/2009. Diante, porém, dos termos em que elaborado o Relatório da Fiscalização de 12/11/2009, cujos excertos reproduzirei abaixo, entendo deva ser reconhecido à recorrente o crédito presumido de IPI relativo ao 3º trimestre de 2000. Registrese o total desencontro de informações verificado no âmbito da Delegacia da Receita Federal em BelémPA, que, para um mesmo contribuinte e para um mesmo período de apuração, fixou entendimentos díspares, contraditórios, acerca de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, sem contarse, ainda, que foi iniciado um procedimento fiscal para tratar de assunto que se encontrava, e ainda se encontra, sub judice. Voltando ao mérito, ratifico o entendimento de que seja adotado o posicionamento do setor de fiscalização, visto que, diferentemente daquela análise perfunctória realizada pelo Seort, mostrouse mais abrangente e aprofundado. Vejamse alguns excertos: “O contribuinte é industrial exportador de madeira. A auditoria do crédito presumido de IPI teve por base os DCP, as notas fiscais de entrada e de exportação, os Livros contábeis Diário e Razão, bem como o Livro de Apuração do IPI. [...] As notas fiscais de entrada, anoscalendário 2000 e 2001, referemse a compras de madeira serrada, as quais dão direito ao crédito presumido do IPI. [...] De acordo com os DCP elaborados por esta fiscalização e com os pedidos de ressarcimento de crédito presumido de IPI em PERDCOMP, abaixo demonstramos os valores do credito presumido do IPI passíveis de deferimento ao contribuinte: [...]” Fl. 708DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 10280.004253/200619 Acórdão n.º 340101.788 S3C4T1 Fl. 688 15 Voto, portanto, pelo reconhecimento do crédito presumido de R$ 118.475,71 para o 3º trimestre de 2000. Taxa Selic A outra questão, não menos relevante, é a que trata do cabimento ou não da atualização monetária do crédito mediante a aplicação da taxa Selic. Não obstante minha divergência sobre o entendimento do STJ, que já se manifestou sobre a matéria em sede, inclusive, de recurso repetitivo, com trânsito em julgado4, devo curvarme diante das determinações constantes do Regimento do Carf, notadamente as do artigo 62A, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 2010, segundo as quais, as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A ementa do referido julgado é abaixo reproduzida: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA.ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA.INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 4 REsp nº 1035847/RS, Acórdão transitado em julgado em 03/03/2010. Fl. 709DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS 16 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” De se reconhecer, portanto, a utilização da taxa Selic para atualização do crédito reconhecido, tem como termo de início a data em que protocolado o pedido. Conclusão Em face de todo o exposto, afasto as prejudiciais de nulidade e dou provimento ao recurso. Odassi Guerzoni Filho Fl. 710DF CARF MF Impresso em 17/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2012 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/201 2 por ODASSI GUERZONI FILHO, Assinado digitalmente em 10/05/2012 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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